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NELITO ZINENDA 1 Uma abordagem em torno do efeito dunning-kruger em pessoas com baixa auto-estima. Nelito Zinenda ______________________________ Licenciado em saúde pública Mestre em saúde pública PhDc in Education Sciences nelito.boventura@gmail.com RESUMO Introdução: o Efeito Dunning-Kruger para pessoas com baixa autoestima refere-se a uma pessoa muito insegura que duvida de sua própria competência profissional, avaliando-se como uma fraude ou incapaz de desenvolver corretamente determinadas tarefas, não merecedor dos elogios e dos sucessos que atinge. Essa impressão pode ser oriunda da própria atividade metacognitiva em conjunção com sua humildade intelectual; todavia, há exageros na maneira como a pessoa lida com esses fatores. Objectivo Geral: compreender o efeito Dunning-Kruger em pessoas com baixa autoestima. Metodologia: Para o alcance do nosso objetivo, optou-se pelo método da revisão integrativa, visto que é a mais ampla abordagem metodológica referente às revisões, permitindo a inclusão de estudos experimentais e não-experimentais para uma compreensão completa do fenômeno analisado. Resultados: Os resultados encontrados apontaram que certas pessoas incompetentes em determinadas habilidades, superestimam suas capacidades no que tange aos seus critérios objetivos, possuindo desta forma um déficit em suas capacidades metacognitivas sendo pouco capazes, se comparado a pessoas mais hábeis, em distinguir respostas e afirmações realmente corretas. Indo além disso: são pouco capazes em observar o próprio erro se apenas terem como parâmetro o meio social onde estão inseridas, principalmente por não serem capazes de observar a capacidade de outras pessoas mais hábeis. Conclusão: o Efeito Dunning-Kruger ou a superioridade ilusória pode ser muito perigosa. Pessoas sob esse efeito falham em reconhecer sua própria falta de habilidade e falham em reconhecer as habilidades genuínas em outras pessoas. Por isso é importante estudar, pesquisar, se atualizar e treinar insistentemente. Duvide da sua competência em fazer boas análises, pois você pode estar sendo um afetado pela superioridade ilusória e nem sabe disso. PALAVRAS- CHAVE: Pessoa, Baixa autoestima, Efeito Dunning-Kruger. mailto:nelito.boventura@gmail.com NELITO ZINENDA 2 ABSTRAT Introduction: the Dunning-Kruger Effect for people with low self-esteem refers to a very insecure person who doubts their own professional competence, evaluating themselves as a fraud or unable to properly perform certain tasks, not deserving of the praise and successes that reaches. This impression may come from the metacognitive activity itself in conjunction with its intellectual humility; however, there are exaggerations in the way a person deals with these factors. General objective: to understand the Dunning-Kruger effect in people with low self-esteem. Methodology: To achieve our objective, we chose the method of integrative review, since it is the broadest methodological approach regarding reviews, allowing the inclusion of experimental and non-experimental studies for a complete understanding of the analyzed phenomenon. Results: The results found pointed out that certain people who are incompetent in certain abilities, overestimate their abilities in terms of their objective criteria, thus having a deficit in their metacognitive abilities, being little able, when compared to more skilled people, in distinguishing responses and statements really correct. Going further, they are little able to observe their own error if they only have as a parameter the social environment in which they are inserted, mainly because they are not able to observe the ability of other more skilled people. Conclusion: the Dunning-Kruger Effect or illusory superiority can be very dangerous. People under this effect fail to recognize their own lack of ability and fail to recognize genuine skills in other people. That is why it is important to study, research, update and train insistently. Doubt your competence in making good analyzes, because you may be affected by illusory superiority and you don't even know it. KEYWORDS: Person, Low self-esteem, Dunning-Kruger effect. NELITO ZINENDA 3 1. INTRODUÇÃO O “efeito Dunning-Kruger” foi o resultado de estudos realizados por dois norte-americanos, David Dunning e Justin Kruger. Este artigo cientifico pretende abordar de forma clara e cientifica “o efeito dunning-kruger em pessoas com baixa autoestima”, visto que, a Síndrome de Dunning-Kruger se caracteriza pela excessiva autoconfiança de um indivíduo em seus conhecimentos em determinados assuntos, sendo que, na realidade, a abrangência de suas capacidades, nestes assuntos, é pouca. No entanto, isto se deve ao fato de possuírem pouco embasamento de fato sobre o assunto, além de alicerçarem suas convicções em poucas fontes, ou em fontes não confiáveis, e ainda em crenças pessoais, tendo como fator agravante a falta de capacidade metacognitiva de avaliar suas certezas. (MIGUEL, 2017, p. 277). Segundo a mesma fonte, estas pessoas defendem ideias não condizentes com a verdade, sofrendo muitas vezes consequências desastrosas por conta de atitudes erradas tomadas em plena convicção de que estão se saindo bem. Desta forma “não somente chegam a conclusões erradas e fazem erros lamentáveis, mas a sua incompetência rouba-lhes sua habilidade para perceber isso”. Vale destacar que, o Efeito Dunning-Kruger para pessoas com baixa autoestima refere-se a uma pessoa muito insegura que duvida de sua própria competência profissional, avaliando-se como uma fraude ou incapaz de desenvolver corretamente determinadas tarefas, não merecedor dos elogios e dos sucessos que atinge. Essa impressão pode ser oriunda da própria atividade metacognitiva em conjunção com sua humildade intelectual; todavia, há exageros na maneira como a pessoa lida com esses fatores. Contudo, o Efeito Dunning-Kruger corresponde a nossa confusão em relação às ilusões cognitivas; de um lado nos motiva a enfrentar problemas do dia-a-dia, simplifica as coisas, “torna aceitável as complexidades do mundo real”; por outro lado, nos torna “idiotas confiantes” ( MIGUEL, 2017, p. 279). NELITO ZINENDA 4 2. REFERENCIAL TEÓRICO 2.1. O efeito Dunning-Kruger em pessoas com baixa autoestima O Efeito Dunning-Kruger, também chamado de Efeito de Superioridade Ilusória, é a expressão empregada para designar a ignorância, a incapacidade, a inconsciência ou falta de habilidade das pessoas em reconhecer a própria incompetência e seus erros, bem como em estimar a dificuldade de tarefas e atividades nas quais estão envolvidas. Muitas pessoas utilizam-se de fontes de qualidade duvidosa como base em argumentos que lhes classificariam como dotadas de capacidade intelectual, e muitas vezes estas pessoas sentem-se realmente aptas no assunto, sem se darem conta de quão rasos são suas fontes e seu conhecimento. Desta forma talvez por arrogância, por estupidez ou inocência mesmo, não possuem o conhecimento de sua ignorância, e repassam uma desinformação como verdade, sem serem capazes de ver a magnitude de seu engano (KRUGER & DUNNING, 1999). Ter uma auto-estima baixa é sentir-se inadequado à vida, errado, não sobre este ou aquele assunto, mas Errado como pessoa. Pessoas com baixa auto-estima são caracterizadas por um sentimento de inadequação pessoal, e uma incapacidade de atingir a necessidade de satisfação. O efeito Dunning-Kruger pode ser definido também como ter ignorância de sua própria ignorância. A incompetência em construir estratégias permite ao indivíduo sofrer duas vezes: fazem escolhas ruins como consequência de erro em suas conclusões, e de serem incapazes de perceber onde erraram (BUNAY, 2017). Enquanto uma tendência cognitiva (ou viés cognitivo), o “Efeito Dunning-Kruger” apresenta- se como uma limitaçãode ordem metacognitiva. Esta pode ser capaz de nos impedir de apreender e compreender a realidade, os fatos, as situações em que nos encontramos, porque, de início e na maioria das vezes, preferimos nos agarrar às nossas crenças, opiniões, preconceitos e intuições. Por consequência, isto pode estimular ações desastrosas, fomentar comportamentos inapropriados, promover atitudes execráveis e levar à péssimas decisões. O Efeito Dunning-Kruger, ou Efeito de Superioridade Ilusória, representa nossa dramática ambivalência em relação às ilusões cognitivas. Além disso, O Efeito Dunning-Kruger, ou Efeito de Superioridade Ilusória, tem potencial para comprometer carreiras profissionais, organizações, empresas e governos. NELITO ZINENDA 5 Embora Dunning e Justin Kruger tenham realizado os experimentos para definir o problema e provar suas hipóteses (ver adiante), inspirando, assim, um nome para o fenômeno, a “ignorância da ignorância” e suas consequências já haviam sido identificadas por vários filósofos e cientistas ao longo de quase 2500 anos. Por exemplo, a famosa frase de Sócrates – “Só sei que nada sei” – era uma maneira irônica de instigar seus concidadãos a reconhecerem e questionarem a própria ignorância, a se dedicarem ao autoconhecimento, a retirarem a venda dos olhos e seguirem na busca humilde e profunda do verdadeiro conhecimento. Diante disso, não seria incorreto afirmar que Sócrates tenha sido o primeiro filósofo (da História da Filosofia Ocidental) a identificar e tentar combater a “metaignorância” (Huang, 2013, p.415), condição em que não sabemos que nada sabemos. É muito importante esclarecer que não concebemos o ignorante como um “cabeça de vento”, uma tábula que se mantém rasa por vontade própria. Pelo contrário, seguimos a caracterização da “mente ignorante” segundo David Dunning, a saber: a mente ignorante encontra-se “preenchida por uma confusão de experiências de vida irrelevantes ou equivocadas; teorias, fatos, intuições, estratégias, algoritmos, heurísticas, metáforas e palpites que, lamentavelmente, têm a aparência e sensação de conhecimento útil e apurado” (Dunning, 2014, s/p). Há mais dois exemplos – deliberadamente anacrônicos – de pensadores que deixaram seus comentários sobre o comportamento de quem “sofre” do Efeito de Superioridade Ilusória”. Atribui-se ao naturalista inglês Charles R. Darwin a seguinte frase: “A ignorância com mais frequência que o conhecimento gera confiança”. Ou seja, por ser incapaz de fazer uma autoavaliação, o ignorante segue confiante em seus planos para ocupar postos de relevância na sociedade. Afinal, ignorantes não são necessariamente ingênuos, nem desprovidos de outros artifícios para se imporem e ganharem influência. Ignorância não exclui habilidades verbais e sociais. A frase atribuída a Darwin parece expressar sua preocupação quanto ao tipo de personalidade e comportamento dos confiantes. Estes podem ser mais assertivos e ativos do que aqueles que buscam o conhecimento e o autoconhecimento. NELITO ZINENDA 6 Ignorantes confiantes demonstram mais convicção nos gestos e nas palavras, já que não duvidam de si mesmos. Em suma, ignorantes confiantes podem ser muito carismáticos, embora sejam autocentrados e indiferentes às outras pessoas e às suas opiniões (não necessariamente em virtude de abissal idiotia, mas por acreditarem ser superiores). Obter conhecimento é algo muito custoso, exige paciência, atenção, mente aberta, atitude cética, espírito de grupo e desapego, porque o preço a se pagar pelo progresso da ciência é a transformação de “conhecimentos” em meras crenças. Essas e outras características, geralmente, fazem daqueles que buscam conhecimento pessoas mais cautelosas e céticas em relação àquilo que experienciam, afirmam e acreditam, são mais propensas à autoavaliação e à crítica dos procedimentos adotados. Somadas ao caráter provisório do conhecimento, as qualidades supracitadas proporcionam a impressão de que o discurso do pesquisador é hesitante, incerto e pouco confiável aos ouvidos do público leigo. Nesse sentido, a confiança e a convicção dos ignorantes prevalecem no gosto popular, pouco importando a adequação das ideais aos fatos, nem o confronto com a crítica. Para ilustrar essa situação, lançamos mão de uma citação atribuída ao filósofo inglês Bertrand Russell: “No mundo moderno, os estúpidos estão cheios de certezas enquanto os inteligentes estão cheios de dúvidas” (esta frase também é atribuída ao escritor norte-americano Charles Bukowski). O efeito Dunning-Kruger / efeito de superioridade ilusória foi descrito a partir dos resultados de testes realizados pelos psicólogos David Dunning e Justin Kruger. Os resultados foram publicados em 1999. O título do artigo é Unskilled and Unaware of It: How Difficulties in Recognizing One’s Own Incompetence Lead to Inflated Self-Assessments (traduzimos como “Sem talento e sem noção: como as dificuldades para reconhecer a própria incompetência levam à autoavaliações exageradas”). Em 2008, foi publicado um artigo cujo objetivo era revisar os experimentos e os resultados apresentados em 1999. Seu título é Why the unskilled are unaware: Further explorations of (absent) self-insight among the incompetent (“Por que os desprovidos de talento são sem noção: maiores explorações sobre a (ausência) de autopercepção entre os incompetentes”). NELITO ZINENDA 7 Os autores Joyce Ehrlinger, Kerri Johnson, Matthew Banner tiveram a intenção de testar explicações alternativas para o Efeito Dunning-Kruger; porém, chegaram a conclusões idênticas as do trabalho original. A novidade exposta no artigo é a caracterização da Síndrome do Impostor. “Síndrome do Impostor” ou, originalmente, “Fenômeno do Impostor” já havia aparecido na literatura científica desde o final da década de 1970 (Clance; Imes, 1978)12. À época, a pesquisa que colocou esse sentimento em voga afirmava que era algo mais comum entre as mulheres. Entretanto, o caso não era tão restrito assim a um gênero. Podemos dizer, que a Síndrome do Impostor seja a versão do Efeito Dunning-Kruger para pessoas com baixa autoestima e tendência à depressão. Uma pessoa muito insegura pode duvidar de sua própria competência profissional, avaliando-se como uma fraude ou incapaz de desenvolver corretamente determinadas tarefas, não merecedor dos elogios e dos sucessos que atinge. Essa impressão pode ser oriunda da própria atividade metacognitiva do “impostor” em conjunção com sua humildade intelectual; todavia, há exageros na maneira como a pessoa lida com esses fatores. O “impostor” não se caracteriza tanto como um idiota, mas também pode demonstrar deficiências de habilidade metacognitiva. A idiotia pode ser detectada se o “impostor” se mostra incapaz de pôr de lado sua autoimagem negativa para ouvir o outro e levá-lo a sério. Talvez, essa deficiência seja provocada pela personalidade, por vezes, insegura e autossabotadora do “impostor” (seria um caso mais severo do que anterior), e não tanto por inabilidade metacognitiva. Porém, se for por este o caso, a personalidade dos “impostores” irá prejudicá-lo ainda mais, especialmente se conviver com idiotas autoconfiantes. Idiotas superestimam as próprias competências; “impostores” subestimam as suas. Idiotas autoconfiantes não reconhecem competência/habilidade de outras pessoas; “impostores” não reconhecem as suas próprias. “Impostores” tendem a subestimar seu “grau de adequação” (Efeito de Falso Consenso); idiotas não reconhecem “o grau extremo de sua inadequação”. Observa-se que essas são situações bastante semelhantes àquelas caracterizadas nas citações de Charles Darwin e Bertrand Russell: os ignorantes confiantes em suas certezas; inteligentes inseguros e cheios de dúvidas. Diferente dos ignorantes, o “impostor” parece não fazer uma imagem simplificada do mundo e de tudo o mais; ele reconheceque trabalhos, tarefas, conhecimentos, competências e perícia são coisas complexas demais para lidar com cega confiança nos procedimentos e resultados. NELITO ZINENDA 8 Quando uma “vítima” da Síndrome do Impostor convive diretamente (numa organização, num departamento, em sala de aula, por exemplo) com uma “vítima” do Efeito Dunning-Kruger, agrava-se cada vez mais os dois casos, pois a pessoa confiante se impõe sobre a insegura e aumenta mais a sua empáfia; por sua vez, a outra pessoa pode se tornar ainda mais passiva, insegura, autodepreciativa e submissa, acarretando em quadros mais intensos de ansiedade e depressão. NELITO ZINENDA 9 3. METODOLÓGIA Para o alcance do nosso objetivo, optou-se pelo método da revisão integrativa, visto que é a mais ampla abordagem metodológica referente às revisões, permitindo a inclusão de estudos experimentais e não-experimentais para uma compreensão completa do fenômeno analisado. Combina dados da literatura teórica e empírica, além de incorporar um vasto leque de propósitos: definição de conceitos, revisão de teorias e análise de problemas metodológicos de um tópico particular. A estratégia de busca foi a consulta às bases eletrônicas Medical Literature Analysis and Retrieval System Online (MEDLINE), Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS) e Scientific Eletronic Library Online (SciELO). Para o levantamento bibliográfico utilizaram-se os Descritores em Ciências Sociais (Decs): baixa autoestima, O efeito Dunning-Kruger. O critério para a escolha de descritores amplos, foi de levantar o maior número possível de artigos que tratassem da temática “O efeito Dunning- Kruger em pessoas com baixa autoestima”, Destacando-se os resultados de testes realizados e publicados em 1999 pelos psicólogos David Dunning e Justin Kruger. Os critérios utilizados para a seleção dos trabalhos foram: artigos publicados em português, inglês e espanhol, disponíveis na íntegra e que abordassem a temática investigada. O material selecionado a partir dos descritores estabelecidos foi analisado, segundo os seus conteúdos, utilizando-se da abordagem qualitativa. NELITO ZINENDA 10 4. APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS Os resultados encontrados por Kruger e Dunning (1999) apontaram que certas pessoas incompetentes em determinadas habilidades, superestimam suas capacidades no que tange aos seus critérios objetivos, possuindo desta forma um déficit em suas capacidades metacognitivas sendo pouco capazes, se comparado a pessoas mais hábeis, em distinguir respostas e afirmações realmente corretas. Indo além disso: são pouco capazes em observar o próprio erro se apenas terem como parâmetro o meio social onde estão inseridas, principalmente por não serem capazes de observar a capacidade de outras pessoas mais hábeis. Nas mais diversas esferas, pode-se presenciar pessoas que, tendo pouco conhecimento sobre certo assunto, falam sobre ele com grande autoridade (PAVEL et al, 2012) atingindo a uma horda de incautos que, na procura de respostas fáceis para perguntas difíceis, creem na veracidade das palavras do pouco conhecedor, repassando-as como verdade, e levando muitos outros a crerem. Como uma corrente onde o que menos sabe, ensina ao que nada sabe, que pretende convencer ao que muito sabe, sem ter a capacidade de perceber que este último sim, possui dados e know how para debater o assunto. O efeito dunning-kruger se refere a indivíduos que não têm competência em uma determinada área, mas acreditam verdadeiramente que sabem mais do que os mais preparados e versados no tema. Os especialistas investigaram o que levava essas pessoas a tomarem decisões ruins e alcançar resultados indevidos pela insistência em um conhecimento que não possuem. O estudo concluiu que pessoas que não têm conhecimento ou que possuem um conhecimento raso de algum assunto acabam superestimando o próprio conhecimento, ou seja, a incompetência que as pessoas têm em conhecer as próprias debilidades sobre determinada área do conhecimento as fazem apresentar uma superioridade ilusória. Os estudos de Dunning e Kruger (1999) demonstraram que as pessoas em geral possuem inabilidades desconhecidas a eles mesmas, com outras palavras, possuímos em nossa mente um local capaz de tomar decisões, que de acordo com Neubert et al (2014) está situado no Córtex Frontal Ventro-Lateral, este local é onde se avalia o quanto as decisões estão corretas, mas também é responsável pela tomada de decisões em si, por ter esta dupla função, este local é, quando não treinado, incapaz de avaliar a assertividade das tomadas de decisões. NELITO ZINENDA 11 David Dunning, então professor de Psicologia Social na Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, Estados Unidos, teve o insight para este estudo quando leu um artigo do Pittsburgh Post-Gazette que relatava a história de um homem que, em plena luz do dia, e sem tentativa alguma de disfarce, assaltou dois bancos, alegando que ouvira de seus amigos que, ao passar suco de limão no rosto, tornava-se invisível para as câmeras de segurança (RIVERA, 2018). Dunning propôs a seu aluno de pós-graduação, Justin Kruger, um estudo mais aprofundado sobre a hipótese de que, se aquele ladrão era estúpido demais para assaltar bancos, talvez também fosse estúpido demais para saber que era inapto para ser ladrão de bancos - isto é, sua estupidez protegia-o da consciência de sua própria estupidez (KRUGER & DUNNING, 2019). Esta indagação levou ao estudo original destes dois pesquisadores que culminou na definição da Síndrome de Dunning-Kruger. A análise para o diagnóstico dessa Síndrome, foi realizada através de questionários aplicados aos próprios alunos da Universidade de Cornell. Idealizaram quatro estudos onde testaram os participantes em áreas onde o conhecimento, a sabedoria ou experiência eram cruciais, a saber temperamento, raciocínio lógico e gramatica inglesa. Os participantes foram então solicitados a adivinhar a precisão de seu próprio desempenho, para que sua autoavaliação pudesse ser comparada com os resultados reais. As hipóteses da pesquisa de Dunning e Kruger (1999) correspondiam a: 1. “Indivíduos incompetentes, comparados com seus colegas mais competentes, superestimarão drasticamente sua capacidade e desempenho em relações a critérios objetivos. 2. Indivíduos incompetentes sofrerão de habilidades metacognitivas deficientes, na medida em que serão menos capazes do que seus pares mais competentes de reconhecer a competência quando a virem – seja ela própria ou de qualquer outra pessoa. 3. Indivíduos incompetentes serão menos capazes do que seus pares mais competentes de obter insights sobre seu verdadeiro nível de desempenho por meio de informações de comparação social. Em particular, devido à dificuldade em reconhecer a competência em outras pessoas, os indivíduos incompetentes não poderão usar as informações sobre as escolhas e desempenho dos outros para formar impressões mais precisas de sua própria capacidade. 4. Os incompetentes podem obter insights sobre suas deficiências, mas isso surge (paradoxalmente) tornando-os mais competentes, fornecendo-lhes, assim, as habilidades NELITO ZINENDA 12 metacognitivas necessárias para perceber que eles tiveram um desempenho ruim” (DUNNING e KRUGER, 1999). O estudo mostrou que as previsões dos pesquisadores estavam corretas. Os que pontuaram no quartil inferior superestimaram grandemente o desempenho e a capacidade do teste, e a análise confirmou que esta falta de sintonia se devia a déficits em suas capacidades de distinguir o certo do errado. Os incompetentes tendiam a suspeitar que suas habilidades eram desiguais para a tarefa, mas a suspeita muitas vezes não antecipava a grandeza de suas deficiências. Conforme previsto, otreinamento dos participantes sobre os assuntos em questão aumentou sua competência metacognitiva e permitiu que eles reconhecessem melhor as limitações de suas habilidades. O que levou à conclusão de que muitas vezes as pessoas tentam alcançar satisfação e sucesso através de conclusões erradas, e por isso, acabam por fazer escolhas infelizes. Estas escolhas e decisões, baseadas em uma incompetência não percebida pela própria pessoa, se transformam em fardo, ainda mais que, nas tomadas das ditas decisões, estas pessoas possuem a impressão errada de que estão indo muito bem (KRUGER & DUNNING,1999). Os riscos inerentes à esta exacerbada autoconfiança permeiam nas mais diversas áreas, se torna ainda mais preocupante pois, pessoas dotadas de pouco conhecimento técnico e científico, baseiam-se em dados oriundos de fontes duvidosas, e fazem em si e em outras pessoas tratamentos ineficazes, e por vezes perigosos, à saúde, no intuito de se verem livres de patologias das mais variadas etiologias, ou ainda tratamentos estéticos de caráter danoso (MALFATTI, 2018). O ser humano possui forte tendência à prepotência, Dalbosco (2014) afirma que o amor próprio cria as paixões, e com isso a prepotência é um dos resultados. Esta prepotência é um dos motivos de uma autoavaliação deficitária das próprias certezas. Desta forma, quando a pessoa se julga conhecedora, mesmo que não tenha certeza da origem e confiabilidade de suas fontes de informação ou do número de fontes que possui, torna-se incapaz de reconhecer em si um disseminador de informação falsa, somando-se a isto, percebe- se também a necessidade de obter informações rápidas, o que impede a pesquisa à fundo de determinado assunto, gerando conhecimento raso de assuntos profundos. NELITO ZINENDA 13 As pesquisas internacionais demonstram o efeito da Síndrome de Dunning-Kruger em diversos profissionais e em pessoas das mais diversas classes sociais e graus de instrução (MAHMOOD, 2016), nas pesquisas que deram mote a este trabalho, notou-se a necessidade de fazer uma tentativa de associação da síndrome de Dunning-Kruger, para isto com a disseminação de fake news, haja vista que os efeitos desta síndrome, notadamente a falta de capacidade da pessoa em interpretar suas decisões e pensamentos sobre determinados assuntos como algo irreal, pode ocasionar a semeadura de informações inverificáveis como verdade. NELITO ZINENDA 14 5. CONCLUSÃO Conclui-se que, a superioridade ilusória pode ser muito perigosa. Pessoas sob esse efeito falham em reconhecer sua própria falta de habilidade e falham em reconhecer as habilidades genuínas em outras pessoas. Por isso é importante estudar, pesquisar, se atualizar e treinar insistentemente. Duvide da sua competência em fazer boas análises, pois você pode estar sendo um afetado pela superioridade ilusória e nem sabe disso. Contudo, em torno das pessoas com baixa autoestima, verifica se insegurança, duvidas de sua própria competência profissional, avalia-se como incapaz de desenvolver corretamente tarefas, não merece elogios. O Efeito Dunning-Kruger designa a incapacidade de reconhecermos nossa própria incompetência e nossos erros, bem como em estimar a dificuldade de tarefas e atividades nas quais estamos envolvidos. A dificuldade está em não saber reconhecer que estamos iludidos a respeito de nossas crenças, opiniões, habilidades e competências. NELITO ZINENDA 15 6. BIBLIOGRÁFIAS KRUGER, Justin; dunning, David. Unskilled na Unaware of It: How Difficulties in Recognizing One’s Own Incompetence Lead to Inflated Self-Assessments. Journal of Personality and Social Psychology. 1999, Vol. 77, No. 6. 121-1134. DUNNING, David. We are all confident idiots. 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