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IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
APG 10 – Hiper e 
hipoparatireoidismo 
 
Morfofisiologia paratireoide 
Parcialmente incrustadas na face posterior 
dos lobos direito e esquerdo da glândula 
tireoide, encontramos várias pequenas 
massas de tecido arredondadas chamadas de 
glândulas paratireoides. 
 
 
 
 
Cada uma pesa cerca de 40 mg (0,04 g). Em 
geral, uma glândula paratireoide inferior e 
uma superior estão fixadas em cada lobo da 
tireoide, em um total de quatro. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Histologia 
- Microscopicamente, as glândulas 
paratireoides contêm dois tipos de células 
epiteliais. 
 
- As células mais numerosas, chamadas de 
células principais, produzem o paratormônio 
(PTH). 
 
- A função do outro tipo de célula, chamado de 
célula oxifílica, não é conhecida na glândula 
paratireoide normal. No entanto, sua 
presença ajuda a identificar com clareza a 
glândula paratireoide do ponto de vista 
histológico devido às suas características 
únicas de coloração. 
 
- Além disso, no câncer de glândulas 
paratireoides, as células oxifílicas secretam 
PTH em excesso. 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
 
 
 
 
Fisiologia 
- Paratormônio: O paratormônio é o principal 
regulador dos níveis de cálcio (Ca 2+ ), 
magnésio (Mg 2+ ) e fosfato (HPO4 2– ) no 
sangue. A ação específica do PTH é aumentar 
a quantidade e a atividade dos osteoclastos. 
- O resultado é reabsorção óssea acentuada, 
o que libera cálcio (Ca 2+ ) e fosfatos (HPO4 
2– ) no sangue. 
 
- O PTH também atua nos rins. Primeiro, 
retarda a perda de Ca 2+ e Mg 2+ do sangue 
para a urina. 
 
- Em segundo lugar, acentua a perda de 
HPO4 -2 do sangue para a urina. Uma vez que 
mais HPO4 -2 é perdido na urina do que ganho 
dos ossos, o PTH diminui o nível sanguíneo 
de HPO4 -2 e eleva os níveis sanguíneos de 
Ca 2+ e Mg 2+ . 
 
- Um terceiro efeito do PTH sobre os rins é a 
promoção da formação do hormônio calcitriol, 
que consiste na forma ativa da vitamina D. 
 
- O calcitriol, também conhecido como 1,25di-
hidroxivitamina D3 , aumenta a taxa de 
absorção sanguínea de Ca 2+ , HPO4 2– e 
Mg 2+ no sistema digestório. 
 
 
Controle da secreção da calcitonina e do 
paratormônio 
 - O nível sanguíneo de cálcio controla 
diretamente a secreção de calcitonina e 
paratormônio por meio de alças de feedback 
negativo que não envolvem a glândula 
hipófise 
 
- O nível sanguíneo de íons cálcio (Ca 2+ ) 
acima do normal estimula as células 
parafoliculares da glândula tireoide a 
liberarem mais calcitonina. 
 
- A calcitonina inibe a atividade dos 
osteoclastos, diminuindo, dessa forma, o nível 
sanguíneo de Ca 2+ 
 
- O nível sanguíneo de íons cálcio (Ca 2+ ) 
abaixo do normal estimula as células 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
principais da glândula paratireoide a liberarem 
mais PTH. 
 
- O PTH promove a reabsorção de matriz 
óssea extracelular, o que libera Ca 2+ no 
sangue e retarda a perda de Ca 2+ na urina, 
elevando o nível de Ca 2+ no sangue. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
Hiperparatireoidismo primário 
- O hiperparatireoidismo primário 
(HPTP),distúrbio que resulta da hipersecreção 
do hormônio da paratireoide ou paratormônio 
(PTH). 
 
Epidemiologia 
- É a causa mais comum de 
hipercalcemia diagnosticada 
ambulatorialmente. 
 
 
- Pode ocorrer a qualquer tempo, porém é mais 
frequente entre os 40 e 65 anos de idade. 
 
- Mostra-se pouco comum na 
adolescência e, menos ainda, na infância. 
 
- Predomina no sexo feminino, em uma 
proporção de aproximadamente 3:1. 
 
Etiologia e fisiopatologia 
- Principais etiologias: 
 
- Adenomas solitários das paratireoides 
(85 a 90% dos casos de HPTP); 
 
• O oncogene ciclina D1 (PRAD1) está 
exageradamente expresso em 20 a 
40% dos casos de adenomas 
paratireóideos esporádicos e em uma 
proporção ainda maior de carcinomas. 
 
• A expressão aumentada da ciclina D1 
(e outras isoformas da ciclina D) 
aumenta a transcrição de múltiplos 
genes necessários para a síntese do 
DNA e a progressão do ciclo celular. 
 
- Hiperplasia; 
- Adenoma duplo; 
- Carcinoma (menos de 1% dos casos de 
HPTP). 
 
• A etiologia do carcinoma de 
paratireoide é desconhecida; 
entretanto, o recém descoberto gene 
HRPT2 tem sido implicado em sua 
patogênese. 
 
• Esse gene é um supressor tumoral, 
está localizado no cromossomo 1q21-
q31 e codifica uma proteína 
denominada parafibromina. 
 
 
Síndromes de hiperparatireoidismo 
familiar 
- Cerca de 10% dos casos de HPTP 
correspondem a tipos de hiperparatireoidismo 
familiar que podem surgir isoladamente ou 
associar-se a doenças endócrinas 
hereditárias autossômicas dominantes, 
como: 
 
• Neoplasias endócrinas múltiplas 
tipo 1 (MEN-1): Consiste 
primariamente em tumores ou 
hiperplasia de paratireoide, adenomas 
hipofisários e neoplasias pancreáticas. 
Ela relaciona-se a apenas 2 a 4% dos 
casos de HPTP; 
 
 
• Neoplasias endócrinas múltiplas 
tipo 2A (MEN-2A): Caracteriza-se por 
carcinoma medular da tireoide, 
feocromocitoma e HPTP; 
 
 
• Neoplasias endócrinas múltiplas do 
tipo 4 (MEN-4): Causada por 
mutações germinativas no gene 
CDKN1B e tem como manifestações 
mais frequentes os adenomas 
paratireóideos e hipofisários. 
 
 
• Síndrome do hiperparatireoidismo– 
tumor de mandíbula (HTM): Resulta 
de mutações no gene HRPT2, que 
codifica a parafibromina, e caracteriza-
se por tumores de paratireoides e 
fibromas ossificantes da mandíbula. 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
• Hipercalcemia hipocalciúrica 
familiar (FHH)/Hipercalcemia 
benigna familiar: Responde por cerca 
de 2% dos casos assintomáticos de 
hipercalcemia. 
- Trata-se de uma síndrome 
geneticamente heterogênea, de 
transmissão autossômica dominante, que 
resulta de mutações de perda de função 
em 3 genes distintos (CASR, GNA11 e 
AP2S1). 
 
Manifestações clínicas 
- HPTP clássico: Associava-se à nefrolitíase e 
à doença óssea (osteíte fibrosa cística). 
 
 
- Forma assintomática do HPTP: 
Caracteriza-se pela ausência de envolvimento 
ósseo e renal, porém muitos pacientes podem 
apresentar sintomas vagos ou inespecíficos, 
como astenia, cansaço fácil, depressão, 
transtornos da memória, etc. 
 
 
Manifestações renais: 
• Nefrolitíase recorrente é a manifestação 
renal mais característica do HPTP; 
 
• Perda gradativa da função renal e, mais 
raramente, nefrocalcinose podem 
também ocorrer. 
 
 
Manifestações ósseas: 
• Maior perda de osso cortical do que 
trabecular; 
 
◦ Isso ocorre em função de o PTH ter 
ação catabólica no esqueleto 
apendicular (sobretudo nos terços 
médio e distal do rádio) e ação 
anabólica no esqueleto axial 
(vértebras). 
 
• Dores ósseas (de intensidade e 
localização variáveis), fraturas 
patológicas e fraqueza muscular 
(geralmente proximal) são as queixas 
mais frequentes relacionadas à doença 
óssea; 
 
• Deformidades e comprometimento 
progressivo da deambulação também 
podem ocorrer; 
 
• Osteíte fibrosa cística; 
◦ O achado radiológico mais sensível e 
específico é a reabsorção óssea 
subperiosteal, mais bem 
evidenciada nas falanges e porções 
distais das clavículas. 
 
• Osteopenia generalizada (nos casos 
mais graves), desmineralização “em sal 
e pimenta” do crânio e os tumores 
marrons ou osteoclastomas. 
 
◦ Estes tumores representam um 
processo reativo não neoplásico, 
devido a reabsorção óssea e lesão 
óssea localizada, induzido pelo PTH; 
 
◦ Seu nome deriva de seu aspecto 
marrom-avermelhado decorrente de 
micro-hemorragias e deposição de 
hemossiderina; 
 
◦ Esses tumores ocorrem 
 mais frequentemente na pelve, em 
ossos longos e na clavícula, mas podem 
também acometer a maxila, a mandíbula, 
as costelas e o crânio.Manifestações cardiovasculares: 
• HAS, hipertrofia ventricular esquerda, 
doença arterial coronariana, 
calcificações valvulares e miocárdicas, 
além de anormalidades nas funções 
cardíaca e vascular; 
 
• Dislipidemia, caracterizada por 
diminuição da fração de colesterol 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
ligada à lipoproteína de alta densidade 
(HDL-c) e aumento dos triglicerídeos, 
também foi relatada. 
 
 
- Manifestações psiquiátricas: 
• Depressão e ansiedade; 
 
• Fadiga, perda de memória, dificuldade 
de concentração, irritabilidade, 
somatização, bem como transtornos do 
humor e do sono. 
 
 
Outras manifestações clínicas: 
• Doença ulcerosa péptica e pancreatite; 
 
• Devido à hipercalcemia, podem também 
ocorrer poliúria, polidipsia, prurido e 
alterações gastrintestinais (anorexia, 
constipação intestinal e, nos casos 
graves, náuseas/vômitos); 
 
• Calcificações ectópicas (pulmões, rins, 
artérias e pele) e ceratopatia em banda 
são raras, e neuropatia periférica é 
mencionada ocasionalmente; 
 
• Manifestações articulares incluem 
condrocalcinose (com ou sem ataques 
agudos de pseudogota), erosões 
justarticulares, fraturas subcondrais, 
sinovites traumáticas e gota úrica. 
Baqueteamento digital pode estar 
presente nos casos mais graves. 
 
 
Crise hipercalcêmica/Crise paratireoidea: 
- Emergência médica e se caracteriza por 
hipercalcemia muito grave (cálcio sérico > 14 
mg/dL. Esta situação é mais frequente em 
pacientes com carcinoma paratireóideo do que 
com adenomas. 
 
• Os sinais e sintomas mais usuais 
incluem desidratação (decorrente de 
poliúria e vômitos), arritmias cardíacas e 
sintomas neurológicos variando de 
sonolência e confusão mental a estupor 
e coma. 
• Níveis de cálcio sérico > 15 a 16 mg/dL 
implicam risco aumentado de coma, 
fibrilação ventricular e parada cardíaca. 
 
 
 
 
Hiperparatireoidismo primário 
normocalcêmico (HPTPN): 
- Elevação dos níveis séricos do PTH, 
pelo menos em 2 ocasiões, associada a 
valores do cálcio sérico persistentemente 
normais, na ausência de causas secundárias 
de elevação do PTH. 
 
• Por definição, cálcio ionizado, 25(OH) 
vitamina D (25-OHD), excreção urinária 
de cálcio e função renal precisam estar 
normais, para diferenciar o HPTPN do 
hiperparatireoidismo secundário. 
 
Diagnóstico 
- Dosagem sérica de cálcio (urina de 24 
h), fósforo, albumina, fosfatase alcalina, 
PTH intacto, 25-OHD e creatinina: 
 
• PTH elevado (± 90% dos casos); 
 
• Cálcio sérico elevado (± 90% dos casos) 
ou normal; 
 
• Hipercalciúria; 
 
• Fósforo sérico baixo (25 a 50%) ou 
normal; 
 
• Fosfatase alcalina, osteocalcina e cAMP 
urinário elevados; 
 
• Acidose metabólica 
 hiperclorêmica (eventualmente); 
 
◦ Hipercloremia e diminuição do 
bicarbonato sérico são achados 
úteis na diferenciação entre HPTP e 
outras causas de hipercalcemia. 
 
• Hipomagnesemia (eventualmente); 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
◦ Reabsorção tubular de magnésio, 
ainda que estimulada pelo PTH, é 
inibida pela hipercalcemia. 
 
• Anemia (± 50%) e VHS aumentada. 
 
 
 Investigação óssea radiológica: 
Pode-se encontrar: reabsorção óssea 
subperiosteal (falanges, clavículas, etc.); 
aspecto em “sal e pimenta” do crânio; 
lesões osteolíticas (tumores marrons); 
perda da lâmina dura dos dentes; 
osteopenia/fraturas vertebrais, etc.; 
nefrolitíase, nefrocalcinose; e 
condrocalcinose (em até 10%). 
 
 
– Densitometria óssea em coluna, fêmur 
proximal e rádio (terço distal): Pode-se 
encontrar osteopenia ou osteoporose 
(predominantemente, em osso cortical). 
 
 
- Cintilografia óssea: Pode-se encontrar 
áreas de hipercaptação focal ou difusa. 
 
 
- Pesquisa de litíase renal: 
Preferencialmente por meio de US, mesmo em 
pacientes assintomáticos ou com HPTPN. 
 
 
 
- Exames para identificação das lesões 
paratireoideas em casos de HPTP: 
 
• Ultrassonografia cervical: Deve ser 
realizada em todo paciente com 
diagnóstico laboratorial de HPTP. Ela é 
eficaz, barata e não invasiva; 
 
◦ Desvantagens: Operador-
dependente e dificuldade na 
distinção entre adenomas 
paratireóideos intratireoidianos e 
nódulos tireoidianos. 
 
• Cintilografia com 99Tc-sestamibi: É 
classicamente considerada o exame 
padrão ouro; 
 
 
• Dosagem do PTH no aspirado de 
PAAF: Em adenoma paratireóideo, os 
valores de PTH não raramente excedem 
4.000 a 5.000 pg/mL; 
 
 
 
• Tomografia computadorizada e 
ressonância magnética: Podem 
ocasionalmente também ser úteis na 
localização das paratireoides, quando 
os procedimentos já mencionados não 
forem conclusivos; 
 
◦ RM com contraste pode ser 
particularmente apropriada em 
casos de lesões no mediastino. 
 
 
 
• Tomografia computadorizada em 4D: 
Os inconvenientes da 4D-TC são a 
necessidade da injeção intravenosa do 
contraste iodado e do uso profilático de 
glicocorticoides, bem como a dose de 
irradiação relativamente alta; 
 
 
 
• PET/CT scan com 18F-fluorocolina: 
Sua indicação maior, quando disponível, 
seria, entretanto, nos casos sem 
visualização da lesão paratireóidea 
pelos outros exames. 
 
 
 
 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
Tratamento 
- Cirurgia (paratireoidectomia): 
Indicada para todos os pacientes com 
nefrolitíase ou osteíte fibrosa cística e para 
pacientes com HPTP assintomático nas 
seguintes situações: 
 
• Cálcio sérico > 1 mg/dL acima do limite 
superior da normalidade; 
 
• T-escore do terço distal de rádio, coluna, 
fêmur total e/ou colo femoral ≤ –2,5 ou 
fratura de fragilidade, incluindo fraturas 
vertebrais morfométricas; 
 
• Redução no clearance de creatinina 
(ClCr) para menos de 60 mL/min/1,73 
m2; 
 
• Hipercalciúria (> 400 mg/24 h) 
associada a outras alterações 
bioquímicas urinárias que aumentem o 
risco para cálculo renal; 
 
• Idade < 50 anos; 
 
• Pacientes cujo acompanhamento 
médico não seja possível ou desejado. 
 
 
Medidas gerais: 
• Os pacientes devem ser orientados a 
manter uma boa hidratação e evitar 
diuréticos tiazídicos e terapia com lítio, 
devido ao conhecido efeito 
hipercalcêmico desses medicamentos; 
 
• Ingestão de cálcio em parâmetro 
recomendado como ideal para adultos 
nos EUA, ou seja, 1.000 a 1.200 mg/dia. 
 
◦ Dieta com altos níveis de cálcio, 
especialmente, em pacientes com 
níveis séricos elevados de 
1,25(OH)2D, pode provocar 
hiperabsorção de cálcio e 
agravamento da hipercalciúria. 
 
◦ Dieta com restrição de cálcio não seria 
desejável, já que poderia funcionar 
como combustível para os 
processos fisiopatológicos 
associados à secreção excessiva de 
PTH. 
 
 
 
Fármacos: 
• Vitamina D: Deficiência de vitamina D 
pode estimular os mecanismos 
associados ao excesso de secreção do 
PTH. Desse modo, para pacientes com 
níveis baixos (< 20 ng/mL) de 25-OHD, 
deve-se administrar vitamina D3 em 
doses suficientes para obtenção de 
níveis de 25-OHD ≥ 20 ng/mL, mas a 
meta ≥ 30 ng/mL também é razoável. 
 
 
 
• Bisfosfonatos: Na maioria dos 
estudos, o uso prolongado de 
alendronato (10 mg/dia ou 70 
mg/semana) resultou em significativo 
aumento de massa óssea na coluna 
lombar e no colo do fêmur, bem como 
em marcante redução nos marcadores 
da remodelação óssea, sem, contudo, 
modificar os níveis de cálcio ou PTH. 
 
 
 
• Estrogênio: Discreta redução na 
calcemia com a terapia de reposição 
estrogênica (TRE) foi demonstrada em 
mulheres pósmenopausadas com 
HPTP. Contudo, um estudo controlado e 
randomizado posterior não confirmou 
esse achado, mas evidenciou aumento 
significativo da DMO na coluna lombar e 
no colo do fêmur, sem modificação nos 
valores do cálcio ionizado e do PTH. 
 
 
 
• Moduladores seletivos do receptor 
estrogênico (SERM): O uso do 
raloxifeno (60 a 120 mg/dia) pode 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
também ser útil, proporcionando 
aumento da DMO, redução da calcemia 
e dosmarcadores da remodelação 
óssea, sem modificar o PTH. 
 
 
 
• Cinacalcete (Mimpara®): Agente 
calcimimético e atua aumentando a 
sensibilidade do CaSR aos níveis 
circulantes de cálcio, reduzindo, assim, 
a secreção de PTH e a calcemia. 
◦ Ele foi aprovado nos EUA e na Europa 
para tratamento do HPTS e para os 
casos de HPTP não curados pela 
cirurgia ou em que haja 
contraindicações ou recusa do 
paciente para a cirurgia. 
 
 
 
Carcinoma de tireoide: 
• Paratireoidectomia: Tratamento de 
escolha para carcinoma de paratireoide, 
mas a ressecção completa do tumor 
nem sempre é possível, e a cura é 
raramente alcançada. Recidiva do 
HPTP ocorre em 40 a 60% dos 
pacientes, geralmente em 2 a 5 anos da 
cirurgia. 
 
 
 
• Químio e radioterapia: Papel limitado 
no tratamento de pacientes com 
carcinoma de paratireoide, já que 
resultados são decepcionantes. No 
entanto, podem ser eventualmente 
utilizadas em pacientes com doença 
metastática e hipercalcemia refratária a 
outras terapias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tratamento medicamentoso da 
hipercalcemia: 
Pacientes com carcinoma da paratireoide 
podem apresentar crise hipercalcêmica, 
tanto como manifestação inicial como em 
decorrência de metástases generalizadas. 
◦ Há 4 objetivos básicos do tratamento 
desses pacientes: corrigir a 
desidratação; aumentar a excreção 
renal de cálcio; inibir a reabsorção 
óssea acelerada; e tratar o distúrbio 
subjacente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
Hiperparatireoidismo 
secundário 
 
- O hiperparatireoidismo secundário 
(HPTS) é uma frequente complicação da 
doença renal crônica (DRC), presente já no 
início da doença, porém mais prevalente nas 
fases avançadas, especialmente nos 
pacientes em diálise. 
 
 
 
- Caracteriza-se pela excessiva secreção 
do PTH e pela hiperplasia das glândulas 
paratireoides, acarretando não apenas doença 
óssea, mas repercutindo na qualidade de vida 
e na mortalidade dos pacientes. 
 
Fisiopatologia 
- Hipótese do trade-off (Bricker, 1972): 
Retenção de fósforo e a hiperfosfatemia, 
decorrentes da progressiva perda da função 
renal, acarretariam uma diminuição transitória 
nos níveis séricos de cálcio iônico, a qual por 
sua vez estimularia uma resposta fisiológica de 
secreção de PTH. 
 
 
• Com a progressão da DRC, ocorre 
aumento do FGF-23, que tem ação 
fosfatúrica. Os níveis elevados de FGF-
23 mantêm o fósforo normal até fases 
avançadas da DRC, porém diminuem o 
calcitriol, aumentando o PTH. 
 
 
• O HPTS decorre, então, dos baixos 
níveis séricos de cálcio e calcitriol, da 
hiperfosfatemia e dos altos níveis de 
FGF- 23, todos interagindo entre si para 
aumentar o PTH. 
 
 
 
 
 
Cálcio e seu receptor 
A concentração de cálcio extracelular é o 
principal fator regulador do PTH, sendo a 
hipocalcemia importante estímulo para a 
secreção desse hormônio. 
 
- A relação cálcio–PTH é representada 
por uma curva sigmoidal, na qual há um ponto 
onde o nível sérico de cálcio reduz em 50% a 
concentração máxima do PTH, denominado 
set point. 
 
 
• Na DRC, existe um evidente desvio 
desse set point para direita, devido à 
alterada sensibilidade das glândulas 
paratireoides ao cálcio. 
 
 
• Anormalidades no receptor sensor de 
cálcio (CaSR) das paratireoides, cuja 
expressão encontra-se diminuída na 
DRC, justificam essa alteração da curva 
cálcio– PTH e associam-se com a 
progressão do HPTS. 
 
 
 
 
Calcitriol e receptor da vitamina D 
O calcitriol (1,25-di-hidroxivitamina D) é a 
forma ativa da vitamina D e origina-se da 
conversão renal da 25hidroxivitamina D 
(calcidiol), mediada pela enzima 1a-
hidroxilase, sob o estímulo do PTH. 
Acompanhando a perda da função renal, a 
ação da enzima 1a-hidroxilase diminui, o que 
leva à produção de calcitriol em poucas 
quantidades. 
 
 
• O calcitriol tem suas ações mediadas 
pela ligação ao receptor da vitamina D 
(VDR), sendo o seu baixo nível sérico 
promotor de HPTS, por diversos 
mecanismos. 
 
 
• Adicionalmente, o baixo nível de 
calcitriol e a reduzida expressão de VDR 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
estimulam a proliferação da célula 
paratireóidea, mediante a fraca atuação 
de inibidores do ciclo e da proliferação 
celulares. 
 
 
 
Fósforo, fibroblasto 23 (FGF-23) e klotho 
• A retenção de fósforo e a 
hiperfosfatemia são muito frequentes 
 em indivíduos com DRC, 
principalmente nas fases mais 
avançadas. 
 
• Há também uma ação direta do fósforo 
na paratireoide, estimulando a secreção 
de PTH, independentemente das 
concentrações de cálcio e calcitriol. 
 
◦ O fósforo promove não só a secreção 
do PTH, mas também a proliferação 
celular paratiroidea. 
 
 
• O FGF-23 é um importante regulador da 
homeostase do fósforo. Possui ação 
fosfatúrica e supressora da atividade da 
1ahidroxilase renal. 
 
◦ Os níveis de FGF-23 aumentam 
progressivamente com a perda da 
função renal, sugerindo uma 
atuação em conjunto com o PTH na 
tentativa de aumentar a fosfatúria e 
manter os níveis séricos de fósforo 
normais. 
 
 
• A ação do FGF-23 nos órgãos-alvo 
ocorre por intermédio do seu receptor 
(FGF-23R), sendo indispensável a 
coexpressão de uma proteína 
transmembrana denominada klotho. 
 
 
• No entanto, na DRC, pela reduzida 
expressão de FGF-23R e pela 
deficiência de klotho, a ação supressora 
desse hormônio na paratireoide 
encontra-se deprimida.38,39 Por outro 
lado, ao inibir a 1α-hidroxilase, o FGF-
23 diminui os níveis séricos de calcitriol, 
contribuindo para o HPTS. 
 
 
 
Resistência óssea ao PTH 
Representa um fator envolvido na proliferação 
celular paratireoidea e na progressão do 
HPTS, uma vez que níveis mais elevados de 
PTH são necessários para manter a calcemia. 
 
 
 
• Na DRC, vários fatores estão envolvidos 
nessa resistência, tais como: estresse 
oxidativo, déficit de calcitriol, aumento 
nos níveis séricos de osteoprotegerina e 
esclerostina, além de alterações na 
expressão do receptor de PTH no osso. 
 
 
 
 
Hiperplasia da paratireoide 
A manutenção de todos os fatores descritos 
acarreta um prolongado estímulo à proliferação 
da paratireoide. Inicialmente, o crescimento é 
do tipo policlonal, caracterizando a hiperplasia 
difusa, e depois assume um aspecto 
monoclonal, representando a hiperplasia 
nodular. 
 
 
• Assim, com a evolução do HPTS, a 
transformação nodular é acompanhada 
pela crítica redução dos receptores de 
CaSR e VDR., acarretando uma quase 
ausência de resposta ao efeito inibitório 
do cálcio e do calcitriol na secreção do 
PTH. 
 
• Como resultado dessa situação de 
autonomia, a contínua ação 
osteoclástica do PTH promove o efluxo 
de cálcio e de fósforo do osso para o 
sangue, causando hipercalcemia e 
hiperfosfatemia. 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
Manifestações clínicas 
 
Manifestações musculoesqueléticas 
- Dor óssea (muitas vezes, 
incapacitante), fraqueza muscular, 
deformidades e tumores ósseos (tumor 
marrom), diminuição da densidade mineral 
óssea, fraturas, lesões líticas, além de rupturas 
de tendões. 
 
• Resultam do aumento da reabsorção 
óssea decorrente da intensa atividade 
osteoclástica que afeta todas as 
camadas do osso, nos mais diversos 
sítios. 
 
• A reabsorção subperióstea é um achado 
radiográfico bem característico e pode 
ser observada facilmente nas falanges 
distais e clavículas. Na calota craniana, 
uma reabsorção com aspecto granular 
confere o clássico aspecto “sal e 
pimenta”. Reabsorção óssea 
subligamentar e subtendínea pode 
ocorrer, além de reabsorção da lâmina 
dura dos dentes. 
 
 
 
 
Manifestações extraesqueléticas: 
 Calcificações extraósseas, principalmente, as 
calcificações vasculares e em outras estruturas 
cardíacas, são frequentes e associadas 
 a desfechos 
cardiovasculares. 
 
 
• A calcifilaxia decorre de calcificaçãoda 
camada média de pequenas artérias e 
representa uma complicação com alto 
índice de letalidade. 
 
 
• São lesões isquêmicas de pele bastante 
dolorosas que, inicialmente, se 
apresentam como placas purpúricas, 
mas depois evoluem para úlceras não 
cicatrizantes. 
• Embora ocorra preferencialmente na 
pele, é considerada uma doença 
sistêmica, sendo relatados casos em 
músculos, intestinos, pulmões, entre 
outros sítios. 
 
- O excesso de PTH também causa anemia 
(devido à fibrose da medula óssea e à baixa 
responsividade à eritropoetina), altera a 
função imune e estimula mediadores 
inflamatórios associados à má nutrição, 
entre outras complicações. 
 
 
Diagnóstico 
Alterações laboratoriais 
Dosagem sérica do PTH: Na maioria das 
vezes de sua molécula intacta (PTHi). Na DRC, 
os níveis de PTHi variam conforme o estágio 
da doença e sua gravidade. 
 
• Dosagem de 
 fosfatase alcalina: 
Principalmente, sua fração óssea, por 
ser uma enzima que demonstra 
atividade osteoblástica, pode colaborar 
no diagnóstico, uma vez que, quando 
acima do limite superior da normalidade, 
indica que a remodelação óssea está 
aumentada. 
 
 
• Níveis de cálcio e fósforo: não existe 
um perfil uniforme, podendo os mesmos 
estarem normais, elevados ou baixos, 
muito embora, dificilmente seja 
observada hipofosfatemia. 
 
◦ Como já mencionado, em situações de 
HPTS grave, geralmente na presença 
hiperplasia nodular, hipercalcemia e 
hiperfosfatemia podem ser observadas. 
 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
Biopsia óssea: 
Após marcação com a tetraciclina, é o 
padrão-ouro para demonstrar as alterações 
histológicas decorrentes do excesso de PTH. 
 
• A osteíte fibrosa cística representa a 
clássica lesão, caracterizada por 
aumentos da celularidade (osteoblastos 
e osteoclastos), da superfície osteoide, 
das lacunas de reabsorção e ocorrência 
de fibrose medular peritrabecular. 
 
 
• Por seu caráter invasivo e sua 
dificuldade de ser realizada na maioria 
dos centros, a biopsia é realizada em 
situações de exceção. 
 
 
 
 
Exames de imagem 
 
Os principais métodos de imagem utilizados na 
localização das paratireoides são a US de 
região cervical, a cintilografia de paratireoide 
com 99mTc-sestamibi, de preferência com TC 
acoplada, e a RM. 
 
 
• A localização das glândulas é importante 
não apenas para o diagnóstico, mas 
também no preparo pré-operatório, a fim 
de facilitar o procedimento. 
 
 
Tratamento 
Controle do fósforo 
Realizado mediante orientação nutricional, uso 
de quelantes e melhora na qualidade e 
frequência da diálise, com o objetivo de mantê-
lo na faixa de normalidade do método. 
 
• A principal fonte alimentar de fósforo 
são as proteínas de origem animal, 
presentes em alimentos como carnes, 
derivados do leite e processados. 
 
• Os pacientes devem ser orientados por 
nutricionistas, respeitando os estágios 
da DRC. 
 
 
• Em decorrência do risco da sobrecarga 
de cálcio, principalmente no que se 
refere ao desenvolvimento de 
calcificações extraósseas, o consumo 
de sais de cálcio vem se tornando 
infrequente, dando lugar aos quelantes 
livres de cálcio, como o sevelâmer e o 
carbonato de lantânio. 
 
 
 
Ativadores do VDR 
O calcitriol é o fármaco pioneiro e, ao longo de 
décadas, mostrou-se eficaz em diminuir os 
níveis séricos de PTH, atuando também na 
expressão do VDR e do CaSR. 
 
 
- Contudo, sua janela terapêutica é limitada, 
em função de sua ampla ação no VDR 
intestinal, o que acarreta hipercalcemia e 
hiperfosfatemia. Assim, em situações de HPTS 
mais graves, nas quais doses mais elevadas 
são necessárias, o seu uso é bastante limitado. 
 
 
• Novos medicamentos, os análogos do 
calcitriol, surgiram na tentativa de 
amenizar esses efeitos colaterais. 
Dentre esses análogos, o paricalcitol 
vem sendo amplamente utilizado por ter 
ação mais seletiva no VDR da 
paratireoide, causando menos 
hipercalcemia e hiperfosfatemia, uma 
vez que possui menor ação nos 
receptores intestinais. 
 
 
 
 
 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
Calcimiméticos: 
- Medicações mais novas e agem no 
CaSR. O cinacalcete atua sensibilizando o 
CaSR ao cálcio sérico, consequentemente 
diminuindo a secreção do PTH. Representa o 
primeiro calcimimético comercializado e o mais 
amplamente utilizado em pacientes dialíticos. 
 
• Os principais efeitos colaterais 
associados ao uso de cinacalcete são 
hipocalcemia e as manifestações 
 gastrintestinais, como 
náuseas, vômitos e diarreia. 
 
 
 
 
Paratireoidectomia: 
A cirurgia deve ser considerada nas seguintes 
situações: 
 
• Persistente e progressivo aumento do 
PTH a despeito do uso de ativadores do 
VDR e/ou calcimiméticos; 
 
• Na presença de hipercalcemia e/ou 
hiperfosfatemia refratárias; 
 
• Manifestações clínicas graves e 
ameaçadoras à vida. 
 
• Após a cirurgia, ocorre a “fome óssea”, 
caracterizada por atividade 
osteoblástica intensa, acompanhada do 
processo de mineralização, o que faz 
com que os níveis séricos de cálcio e 
fósforo sofram queda significativa, 
 sendo necessário monitoramento 
rigoroso e reposição destes minerais. 
 
Nesse período, o paciente necessitará de altas 
doses de sais de cálcio, por via intravenosa 
ou oral, além de alimentação rica em cálcio 
e fósforo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Outros tratamentos 
 A ablação da glândula paratireoide por meio 
da injeção percutânea de álcool ou calcitriol 
guiada por US é uma prática pouco 
frequente, muitas vezes reservada a 
pacientes sem condições clínicas para 
cirurgia, sendo melhores os resultados 
procedentes da prática japonesa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
 
Hipoparatireoidismo 
- O hipoparatireoidismo (HPT) é um 
distúrbio endócrino decorrente de secreção 
e/ou ação deficientes do PTH. Como 
consequência, ocorre redução das 
concentrações de cálcio no líquido 
extracelular, a qual é responsável pelo 
surgimento das manifestações clínicas da 
doença. 
 
- Laboratorialmente, o HPT caracteriza-se por 
baixos níveis de cálcio sérico e elevação da 
concentração sérica de fósforo, ao passo que 
o PTH está ausente ou inadequadamente 
baixo na circulação. 
 
 Epidemiologia 
- O hipoparatireoidismo é uma doença 
relativamente rara. 
- A causa mais frequente é o 
hipoparatireoidismo pós-cirúrgico, que pode 
ocorrer após cirurgia de paratireoide, tireoide 
ou cirurgia radical para neoplasia de cabeça e 
pescoço. 
- A incidência da doença é mais comum após 
tireoidectomia quase total ou total por 
carcinoma de tireoide, ocorrendo em 1 a 2% 
dos pacientes. 
- O hipoparatireoidismo autoimune é um 
achado comum da síndrome poliglandular 
autoimune tipo 1 e é a causa mais comum de 
hipoparatireoidismo idiopático 
 
Etiologia e fisiopatologia 
Produção insuficiente de PTH: 
• Distúrbios genéticos (causas 
congênitas): 
 
◦ Mutações no gene do pré-pró-PTH; 
 
◦ Mutações ativadoras do gene do 
receptor sensor do cálcio; 
 
◦ Síndrome HDR; 
 Síndrome hipoparatireoidismoretardo 
mental-dismorfismo (HRD): 
 
Descrita em indivíduos de origem árabe, 
a qual se caracteriza por HPT congênito 
(por aplasia ou agenesia paratireóidea), 
retardo mental e manifestações 
dismórficas (p. ex., microcefalia, 
microftalmia, anormalidades auriculares, 
ponte nasal deprimida, lábio superior fino, 
mãos e pés pequenos etc.). 
 
▪ Inclui a síndrome de Sanjad-Sakati e a 
síndrome de Kenny-Caffey. 
 
 Hipoparatireoidismo familiar ligado ao 
X: Resulta de agenesia paratireóidea, 
supostamente devido à deleção/inserção 
de DNA próximo ao gene SOX3 no 
cromossomo Xq26-q27.4; 
 
 
Hipoparatireoidismo familiar autossômico 
recessivo ou dominante; 
 
◦ Hipoparatireoidismo por distúrbios 
mitocondriais: Estão a síndrome de 
Kearns-Sayre (HPT, oftalmoplegia 
externa progressiva, retinopatiapigmentar, bloqueio cardíaco ou 
cardiomiopatia e diabetes), MELAS 
(encefalomiopatia mitocondrial, 
acidose láctica e episódios 
semelhantes ao acidente vascular 
cerebral) e MTDPS (síndrome da 
depleção do DNA mitocondrial), um 
distúrbio da oxidação dos ácidos 
graxos, associado à neuropatia 
periférica, fígado agudo gorduroso 
na gravidez e HPT. 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
 
 
• Iatrogênico: 
◦ Cirurgia 
HPT pós-operatório, em geral, ocorre 
devido à remoção acidental ou 
inevitável das paratireoides e/ou em 
função de dano ao suprimento 
sanguíneo dessas glândulas. 
 
▪ A etiologia mais comum de HPT em 
adultos são cirurgias na região 
cervical, em especial 
tireoidectomia, 
paratireoidectomia e ressecção 
radical do pescoço. 
 
◦ Radioterapia; 
 
◦ Terapia com 131I 
 É raro o surgimento da hipofunção 
paratireoidiana após a terapia com 
iodo radioativo. 
 
• Idiopático; 
 
• Autoimune: 
 
◦ Isolado; 
◦ Síndrome poliglandular autoimune: 
A associação mais comum inclui 
HPT, insuficiência adrenal e 
candidíase mucocutânea, 
caracterizando a síndrome 
poliglandular autoimune (SPA) tipo I 
ou síndrome APECED. 
 
 
 
• Doenças infiltrativas/destrutivas: 
◦ Hemocromatosee talassemia: HPT 
consequente ao acúmulo, nas 
paratireoides, de ferro; 
 
 
◦ Doenças granulomatosas: HPT 
decorrente de infiltrações 
granulomatosas; 
 
 
◦ Doença de Wilson: HPT consequente 
ao acúmulo, nas paratireoides, de 
cobre; 
 
 
◦ Amiloidose, sarcoidose; 
◦ Metástases: HPT decorrente de 
infiltrações neoplásicas. 
 
 
 
 
 
Distúrbio na secreção do PTH: 
◦ Hipomagnesemia e hipermagnesemia. 
 
• Neonatal: Hipocalcemia neonatal pode 
resultar de prematuridade, asfixia ao 
nascimento, hipomagnesemia e DM 
maternos, aporte dietético excessivo de 
fosfato, hipovitaminose D ou HPT 
neonatal. 
 
 
◦ Secundário a hiperparatireoidismo 
materno; 
 
 
◦ Secundário a hipercalcemia 
hipocalciúrica familiar (HHF) 
materna. 
 
 
Resistência à ação do PTH 
• Pseudo-hipoparatireoidismo; 
 
• Hipomagnesemia; 
 
• Medicações (bisfosfonatos, calcitonina 
e plicamicina); 
 
• Condrodisplasia letal de Blomstrand. 
 
 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
 Manifestações clínicas 
- Aumento da excitabilidade 
neuromuscular, tantoda musculatura 
esquelética quanto miocárdica, decorrente de 
hipocalcemia. 
 
 
- Em geral, quanto menores os níveis de 
cálcio,maiores a riqueza e a intensidade dos 
sintomas. - Os sintomas mais característicos 
da hipocalcemia são cãibras e parestesias 
(periférica e perioral). 
 
 
 
Irritabilidade neuromuscular: 
- Sinal de Chvostek; sinal de Trousseau; 
parestesias; tetania; convulsões (focais, 
pequeno mal, grande mal); cãibras 
musculares; mialgias (inclusive, dor torácica); 
fraqueza muscular; polimiosite; espasmos 
laríngeos; broncospasmo. 
 
 
 
 
- Sinal de Chvostek: Obtido pela rápida 
percussão sobre o nervo facial na região 
zigomática (cerca de 2 cm anterior ao lobo 
da orelha), o que resulta em contração 
involuntária dos músculos faciais 
ipsilaterais e do lábio superior. 
 
 
 
 
 
• Sinal de Trousseau: Mais específico e 
obtido inflando-se um 
esfigmomanômetro de pressão cerca de 
20 mmHg acima da pressão sistólica, 
durante 3 minutos. Começa por adução 
do polegar, seguida da flexão das 
articulações metacarpofalangianas, 
extensão das articulações 
interfalangianas e flexão do punho, 
produzindo a postura da main 
d’accoucheur (mão de parteiro); 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Ambos os sinais podem ser mascarados 
pelo uso de anticonvulsivantes, por 
diminuírem a excitabilidade 
neuromuscular. 
 
 
Sinais e sintomas neurológicos: 
Sinais extrapiramidais (parkinsonismo, 
coreia, disartria, etc.) devido à calcificação 
dos núcleos da base; calcificação do córtex 
cerebral ou cerebelo; distúrbios da 
personalidade; irritabilidade; habilidade 
intelectual prejudicada; alterações 
inespecíficas em EEG; pressão 
intracraniana aumentada; alterações da 
marcha; instabilidade postural; 
parkinsonismo; disartria; coreoatetose; 
espasmos distônicos. 
 
 
- Status mental: Confusão; 
desorientação; psicose; fadiga; ansiedade. 
 
 
- Mudanças ectodérmicas: Pele seca; 
cabelos grosseiros; unhas frágeis; queda de 
cabelo; alopecia; hipoplasia do esmalte; 
defeitos da dentina; raízes pré-molares 
encurtadas; lâmina dura espessada; erupção 
dentária retardada; cáries dentárias; perda de 
todos os dentes (bastante rara); eczema 
atópico; dermatite esfoliativa; psoríase; 
impetigo herpetiforme. 
 
 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
- Envolvimento do músculo liso: 
Disfagia; dor abdominal; cólica biliar; dispneia; 
chiado (por broncospasmo). 
 
 
Manifestações oftalmológicas: 
- Catarata subcapsular; papiledema. 
 
 
Cardíacas: 
Prolongamento do segmento ST e intervalo 
QT; alterações no ECG indicativas de IAM; 
arritmias, etc.; insuficiência cardíaca; 
cardiomiopatia. 
 
 
Diagnóstico 
- Avaliação laboratorial: PTH, cálcio, 
fósforo, magnésio, creatinina, 25OHD, AST, 
ALT, calciúria de 24 horas. 
 
• Deve-se também ter cuidado com o 
modo de coleta do sangue. A amostra 
deve ser prontamente analisada para 
evitar degradação do PTH, que tem 
meia-vida curta. É também necessário 
evitar um longo tempo de 
garroteamento, pois isso pode 
falsamente aumentar os níveis do cálcio 
ionizado no sangue. 
 
 
• O diagnóstico do hipoparatireoidismo se 
estabelece pela detecção, em pelo 
menos duas ocasiões, de valores de 
PTH indetectáveis ou 
inapropriadamente baixos (< 20 pg/mL) 
na presença de hipocalcemia. 
 
 
• Outros achados laboratoriais podem 
incluir baixos valores de 1,25(OH)2D e 
marcadores de reabsorção óssea. 
 
 
• O cálcio urinário pode variar de acordo 
com a ingestão de cálcio. 
 
◦ No entanto, sua fração de excreção 
costuma ser sempre aumentada, 
pela falta de reabsorção tubular 
mediada pelo PTH. 
 
 
• É importante atentar-se à presença de 
hipomagnesemia grave, pois ela pode 
inibir a liberação do PTH pelas 
paratireoides, levando a um quadro de 
hipoparatireoidismo funcional. 
OBS: Parâmetros para diagnóstico do HPT: 
 
• Hipocalcemia (ajustada pela albumina) 
confirmada em, pelo menos, 2 ocasiões, 
separadas em pelo menos 2 semanas; 
 
• Níveis de PTH, dosados por um 
imunoensaio de 2ª ou 3ª geração, que 
sejam indetectáveis ou 
inapropriadamente baixos (< 20 pg/mL) 
na presença de hipocalcemia em pelo 
menos 2 ocasiões; 
 
• Níveis de fosfato no limite superior da 
normalidade ou francamente elevados 
(achado útil, mas não obrigatório); 
 
• Após cirurgia cervical, 
hipoparatireoidismo crônico somente 
estabelecido se persistir por mais de 6 
meses. 
 
 
Investigação etiológica e exame físico: 
- Iniciada pela história clínica do paciente, 
indagando-se sobre intervenções na região 
cervical anterior (principal causa de 
hipoparatireoidismo), antecedentes pessoais 
de doenças granulomatosas, infiltrativas, 
autoimunes ou de depósito (ferro e cobre). 
 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
- Deve-se pesquisar também outras 
endocrinopatias e história familiar de 
hipocalcemia. 
 
 
 
- Avaliação de órgãos-alvo: ECG, US 
do sistema urinário, TC de crânio, radiografias. 
 
 
- Estudos genéticos: Se uma base 
genética for suspeitada (idade jovem, história 
familiar, presença de candidíase mucocutânea 
crônica, etc.). 
 Tratamento 
 
Hipocalcemia aguda 
- Quando a hipocalcemia é grave e/ou se 
instala em curto espaço de tempo, o quadro 
clínico costuma ser mais exuberante e é 
necessário intervir com maior rapidez. 
 
Indicações para o uso de medicação 
intravenosa: 
• Valores de cálcio abaixo de 7,5 mg/dL e 
sinais como tetania grave e convulsões; 
 
 
• Laringospasmo ou broncospasmo, 
bradicardia, prolongamento do intervalo 
QT e ICC. 
 
 
- O gliconato de cálcio (GC) a 10% (que 
tem 90 mg de cálcio elementar por ampola de10 mL) é preferível pelo menor risco de 
necrose tecidual, caso haja extravasamento 
durante a infusão intravenosa. 
 
 
• É preferível também utilizar solução 
glicosada (SG) para minimizar o risco de 
hipoglicemia. 
 
• O GC deve ser infundido em 10 a 20 
minutos. 
 
• Infusões muito rápidas aumentam o 
risco de arritmia cardíaca (inclusive, 
assistolia), principalmente, se o paciente 
estiver em uso de digitálicos; portanto, 
idealmente, a reposição de cálcio deve 
ser feita sob monitoramento cardíaco. 
 
 
- Após a intervenção inicial, a 
manutenção deve ser realizada com uma 
infusão lenta da solução de cálcio (0,5 a 1,5 
mg/kg/h), por 8 a 10 horas ou até que o 
paciente consiga receber por via oral a 
reposição necessária com cálcio e análogos de 
vitamina D. 
- É importante sempre identificar e tratar 
quadros de hipo-magnesemia, os quais podem 
ocorrer em casos de DM mal controlado, 
etilismo crônico e em indivíduos em uso de 
certas medicações, como diuréticos e 
aminoglicosídeos. 
 
 
• A apresentação de 50% pode ser 
administrada por via intramuscular 
profunda lenta, se necessário, na dose 
de 2 mL a cada 6 horas por 24 horas. 
 
 
• A infusão intravenosa é feita com uma 
solução diluída em até 20% em SG 5% 
ou solução fisiológica (SF) a 0,9% (p. 
ex., 5 g de sulfato de magnésio em 
1.000 mL de SG ou SF em infusão lenta 
durante 3 horas). 
 
 
Hipocalcemia crônica 
 
Reposição de cálcio: O carbonato de cálcio é 
a forma mais amplamente encontrada no 
Brasil, fornecendo 1 g de cálcio elementar 
a cada 2,5 g (VO). 
 
- No entanto, ele é pouco palatável, pode trazer 
desconforto gastrintestinal e precisa da 
hidrólise ácida para ser bem absorvido 
IANI SOARES LUZ XIII – MED 
 
 
 
• Inicialmente, é importante ressaltar que 
devem ser evitados sais que contenham 
fósforo (como o fosfato de cálcio), uma 
vez que o paciente hipoparatireóideo 
tem excreção renal de fósforo 
diminuída. 
 
 
• O cálcio deve ser dado junto às 
refeições, quando pode agir como 
quelante do fósforo presente nos 
alimentos. 
• Quando há intolerância Ao carbonato de 
cálcio ou se o paciente apresentar 
hipocloridria, podemos optar pelo citrato 
de cálcio, que fornece 1 g de cálcio 
elementar a cada 5 g. 
 
 
• Outras formulações de cálcio, como o 
lactogliconato e o citrato malato, podem 
ser utilizadas, porém sua eficácia ainda 
tem evidências científicas limitadas. 
 
 
 - Análogos de vitamina D: Podemos 
prescrever tanto o calcitriol isoladamente, 
quanto em conjunto com o colecalciferol. 
 
• Calcitriol: Tem meia-vida curta de 
cerca de 5 a 8 h. Deve ser titulado de 
acordo com a calcemia, em doses 
variando, em geral, de 0,5 a 2 μg/dia, 
divididas em 2 a 3 doses. O pico de 
absorção do calcitriol ocorre em 4 a 6 h, 
e mudanças na calcemia podem ser 
observadas 1 a 3 dias após a titulação 
de dose. 
 
 
 
 
• Colecalciferol: Tem meia-vida mais 
longa, durando de 2 a 3 semanas, e leva 
mais tempo para gerar mudanças na 
calcemia (aproximadamente 10 dias). 
 
 
 
 
- Diuréticos tiazídicos: Hipercalciúria é 
uma das complicações da terapia com 
análogos de vitamina D no 
hipoparatireoidismo, visto que falta o PTH 
para promover a reabsorção tubular do 
cálcio filtrado nos glomérulos. 
 
Nessa situação, diante de calciúria 
persistente acima de 4 mg/kg/24 h ou 300 
mg/24 h, a despeito de ajustes na dose do 
calcitriol e/ou do sal de cálcio, pode-se usar 
um diurético tiazídico, como 
hidroclorotiazida ou clortalidona, na dose de 
25 a 50 mg/dia, em 2 tomadas. 
 
 
• A finalidade é a prevenção de 
nefrolitíase ou nefrocalcinose. 
 
 
• Para minimizar o risco de hipocalemia, 
costuma-se associar um diurético 
poupador de potássio (p. ex., amilorida 
ou triantereno). 
 
 
 
PTH1-84 recombinante (NatPar®): Foi 
aprovado em 2016 nos EUA e na Europa 
para os casos de difícil controle com o 
tratamento convencional (sais de cálcio e 
análogos da vitamina D), pacientes com 
disabsorção importante ou aqueles que 
necessitam de doses muito elevadas das 
citadas medicações orais. 
 
- O PTH1-84 ainda não está disponível no 
Brasil em 2020. 
 
 
• Ele é administrado por via subcutânea, 
em doses que variam de 25 a 100 μg/dia 
e, devido à sua meia-vida prolongada, 
pode ser administrado 1 vez/dia.

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