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GESTÃO DE NEGÓCIOS EM COMUNICAÇÃO AULA 5 Prof. André Corradini 2 CONVERSA INICIAL A maneira como a empresa atua e se relaciona com seus clientes está mudando, reagindo diante das fortes mudanças comportamentais do mercado, em grande parte derivadas da difusão das tecnologias digitais e das mídias sociais. Personalizar as relações mercadológicas vai muito além de planejar maneiras para aumentar as vendas; é preciso ajudar a empresa a se posicionar estrategicamente diante do mercado. A personalização nas relações é um conceito-chave para que se possa atuar de forma competitiva na atualidade, e será assim, cada vez mais, no futuro. O cliente, em especial em áreas de serviços, como de comunicação, tem demandas muito específicas, e busca soluções que lhe atendam de forma plena, dentro de todas as particularidades que apresenta. Cardápios prontos e combos de soluções em comunicação não funcionam tão bem – por vezes, nada bem – nesse contexto. A empresa deve ser vista como um organismo flexível e rápido na adaptação às mudanças, a l ém de inteligente e preparado para oferecer soluções que, efetivamente, atendam às necessidades do cliente. No campo da comunicação, o empreendedor deverá estar cada vez mais preocupado com o posicionamento da marca e sua percepção pelo público-alvo, vendo, na área de comunicação, uma forma de alinhar ou reforçar seu posicionamento e potencializar os relacionamentos certos e os negócios. Ter conhecimento aprofundado de conceitos, ferramentas e estratégias de marketing, aqui, vale não apenas para a gestão da própria empresa, mas também para desenvolver os planos e as estratégias de comunicação, marketing e marca dos clientes. Segundo Biaggio e Batocchio (2005) O marketing possui duas finalidades: identificar oportunidades de mercado, ou seja, necessidades que não são satisfeitas pelas ofertas existentes; e preencher essa lacuna com ofertas que apresentem a melhor relação custo/benefício para o cliente e a melhor rentabilidade do investimento para a empresa. Deste modo, o plano de marketing define as ações que a empresa tomará para atingir seu mercado. Nesta aula, vamos adensar ainda mais nosso preparo para a criação e a gestão de um empreendimento na área de comunicação, estudando mais a fundo os seguintes temas: elaboração do plano de marketing; os 7 Ps; desenvolvendo estratégias; executando atividades; e análise de resultados. 3 Não é fácil para empresa sobreviver e se desenvolver em um mundo globalizado, no qual as variações do mercado acontecem de forma quase imperceptível, e por isso o Plano de Marketing deve ser uma ferramenta capaz de auxiliar o empreendedor, dentre outros fatores, na análise dos resultados gerados pela própria empresa. A ação sempre rápida e eficiente, diante de um mercado muitas vezes instável, pode ser o caminho para uma empresa saudável e competitiva, com uma vida longa e lucrativa. CONTEXTUALIZANDO O mercado passivo de anos atrás já não existe mais. Uma quantidade enorme de produtos invadiu o mercado e possibilitou mudanças de comportamento, de modo que o consumidor, hoje em dia, tem ampla possibilidade de escolha. O cliente era visualizado de uma forma mais passiva pelas organizações, que acreditavam que bastava oferecer um produto ou serviço, muitas vezes massificado, e tudo estava resolvido – ou, então, que bastava fazer uma boa propaganda em um veículo de massa. As tecnologias digitais, e a consequente adesão das pessoas às mídias sociais, mudaram – mesmo – tudo. Hoje, trata-se de fato de uma nova realidade de mundo e de mercado, como apontado na obra Gestão de mídias sociais (Costa, 2017, p. 34), disponível em nossa Biblioteca Virtual, com acesso pelo Univirtus: É possível perceber, atualmente, que as velhas formas de se fazer marketing estão se transformando sensivelmente. Essas transformações refletem o fortalecimento dos canais de comunicação via mídias digitais e a evolução da interação nestas mídias para um estágio que Jenkins, Green e Ford definem como mídia propagável, em que os papéis de produtores e consumidores de informação se tornam mais difusos. (2017, p. 34) Você pode perceber desde já, que essa mudança no comportamento do consumidor foi amplamente percebida, e que isso já gerou mudanças radicais na forma de atuação das empresas. A percepção de que não basta oferecer um bom produto é destacada por Biaggio e Batocchio (2006): “Por melhor que seja o produto de uma empresa, isso, por si só, não garante o mercado. Se a empresa não puder atingir seus clientes, não conseguirá permanecer muito tempo no negócio”. É nesse contexto que se cria o ambiente para uma profunda transformação na forma de se fazer marketing, com uma comunicação em que há outros fatores, de forma expressiva o foco no humano pleno. Esta abordagem é um dos pontos 4 centrais de autores referenciais nos campos de marketing e negócios. Em sua obra Marketing 4.0, os autores Philip Kotler, Hermawan Kartajaya e Iwan Setiwan (2017) fazem um retrospecto quanto aos diversos estágios do marketing (e das empresas) ao longo da história, até se chegar ao estágio atual: Em Marketing 3.0 conversamos sobre a grande mudança do marketing centrado no produto (1.0) para o marketing voltado para o consumidor (2.0) e, por fim, para o marketing centrado no ser humano (3.0). Em Marketing 3.0 observamos consumidores [clientes] transformando-se em seres humanos plenos, com mente, coração e espírito. Portanto, argumentamos que o futuro do marketing reside em criar produtos, serviços e culturas empresariais que adotam e reflitam valores humanos. [...] De fato, muita coisa aconteceu desde que escrevemos Marketing 3.0, especialmente em termos de avanços tecnológicos. As tecnologias que estamos vendo agora não são novas, mas vêm convergindo nos últimos anos, e o impacto coletivo dessa convergência tem afetado muito as práticas de marketing ao redor do mundo. Novas tendências estão emergindo disso: a economia “compartilhada”, a economia do “agora”, integração onicanal, marketing de conteúdo, CRM social e muitas outras coisas. Acreditamos que a convergência tecnológica acabará levando à convergência entre o marketing digital e o marketing tradicional. Em um mundo altamente tecnológico, as pessoas anseiam por um envolvimento profundo. Quanto mais sociais somos, mais queremos coisas feitas sob medida para nós. Respaldados pela análise de big data (coleta, processamento e análise de megadados), os produtos tornam-se mais personalizados e os serviços, mais pessoais. Na economia digital, o segredo é alavancar estes paradoxos. Nesta era de transição, uma nova abordagem de marketing é necessária. Assim, apresentamos Marketing 4.0 como o desdobramento natural de Marketing 3.0. A grande premissa deste livro é que o marketing deve se adaptar à natureza mutável dos caminhos do consumidor na economia digital. O papel dos profissionais de marketing é guiar os clientes por sua jornada desde o estágio de assimilação até se tornarem advogados (defensores ou embaixadores) da marca. É importante lembrar que todos os conceitos e percepções são aplicadas a qualquer empresa, principalmente as empresas de comunicação, tanto aquelas que produzem veículos informativos quanto aquelas que fornecem soluções, que vão de assessoria de imprensa a branded content e gestão de mídias sociais. Não apenas os consumidores buscam abordagens mais humanas em suas relações com as marcas e o mercado, como também os clientes, nas relações entre empresas, governos e instituições, buscam enfoques humanizados e particularizados. TEMA 1 – PLANO DE MARKETING Nesta aula, vamos saber quais são os elementos que compõem o plano de marketing, parte integrante e de grande importância no plano de negócios. Segundo Wildauer (2011), “o plano de marketing deve ser pensado e 5 elaboradosempre levando-se em conta a maneira como o produto e/ou serviço de uma dada organização irá atingir o mercado, ou melhor, um segmento de mercado”. Nem sempre a forma como a empresa é percebida no mercado corresponde àquela desejada pelo empreendedor ou mesmo à forma como ele próprio enxerga sua empresa. O plano de marketing será, dentro do plano estratégico da empresa, a diretriz que vai permitir a convergência entre o discurso de posicionamento da empresa e a forma como o mercado capta e compreende esse discurso. O plano de marketing é também o caminho pelo qual a empresa poderá levar, de forma eficiente, ao conhecimento do público-alvo e à cadeia de stakeholders, de forma geral, seu portfólio de produtos/serviços e os diferenciais desse portfólio. Como apontam Biagio e Batocchio (2005, p. 138): Por meio do plano de marketing a empresa deve demonstrar sua capacidade em tornar o produto/serviço conhecido pelos seus clientes, assim como despertar nos mesmos o desejo de comprá-los. Assim, um bom plano de marketing deve conter: A forma que a empresa utilizará para que seus produtos ou serviços se tornem conhecidos pelos clientes. A forma como a empresa despertará em seus clientes a necessidade de adquirir seus produtos ou serviços. A forma como a empresa fará com que os consumidores se lembrem da sua marca no momento da compra. Como a empresa se comunicará com seus consumidores. A definição da estrutura de vendas e a estrutura de distribuição dos produtos ou serviços da empresa. [...] Desse modo, o plano de marketing define as ações que a empresa tomará para atingir seu mercado. É bom sempre lembrar que os fatores levados em consideração pelos clientes na escolha de um produto deverão nortear a estratégia de marketing. Muitas vezes, o empreendedor se questiona: Quando devo planejar? Onde? Wildauer (2011) responde de forma direta: quando há um objetivo a ser alcançado! Há duas formas distintas a serem planejadas, segundo Las Casas (2006, citado por Wildauer, 2011): 1ª Se um empreendedor deseja abrir uma empresa, então está procurando apresentar um plano de marketing que relate o que a sua empresa fará para os seus agentes financeiros, parceiro e acionistas. Para isso o empreendedor apresenta respostas e planos de ação para os elementos apresentados na relação a seguir, que irão compor essa modalidade de plano. 1. Análise Ambiental 1.1. Mercado 1.2. Concorrência 1.3. Ameaças e oportunidades 1.4. Pontos fortes e pontos fracos 2. Objetivos 3. Estratégias de Marketing 3.1 Público-alvo ou nicho de mercado 3.2 Posicionamento 3.3 Produto ou serviço 6 3.3.1 Especificação técnica Descrição do produto (serviço) Embalagem Conservação Etc. 3.4 Preço 3.5 Distribuição 3.5.1 Estoques 3.5.2 Pontos de venda 3.5.3 Abrangência 3.5.4 Administração de vendas 3.5.5 Treinamento 3.5.6 Características 3.5.7 Benefícios 3.5.8 Promoção – Publicidade & Propaganda 3.5.9 Exposição 3.5.10 Material de ponto de venda 3.5.11 Táticas 4. Plano de Ação 4.1 Atividades 4.2 Encarregado 4.3 Período 4.4 Orçamento 5. Projeção de Vendas e Lucros 5.1 Período 5.2 Vendas unitárias (total) 5.3 Lucros 5.4 Observações 2ª Digamos que o empreendedor já abriu seu negócio. Ele está gerindo sua empresa e quer incrementar suas vendas através de um pleno de marketing, plano que irá relatar aos agentes da empresa o que ela ”está fazendo!”. Assim, com a intenção de explorar as atuais ações de sua empresa, o empreendedor pode seguir o roteiro, apresentado na relação a seguir, propondo respostas a dada um dos itens aqui demonstrados, que irão auxiliá-lo a direcionar (ou melhor, redirecionar) nosso negócio para uma nova abordagem, escolhida pela própria organização. 1. Análise Ambiental 1.1 A empresa 1.2 Análise da situação 1.3 Missão da empresa 1.4 Objetivos 1.5 Estratégias 1.6 Diferencial de produtos (serviços) 2. Pesquisa de Mercado e Suposições 2.1 Visão geral do mercado 2.2 Segmentos de mercado 3. Análise competitiva 3.1 Participação no mercado 3.2 Posição competitiva no mercado 3.3 Posicionamento 3.4 Preço 3.5 Promoção da concorrência 3.6 Propaganda da concorrência 3.7 Situação financeira da concorrência 3.8 Política de prestação de serviços 4. Oportunidade de mercado 5. Segmentos e Objetivos 6. Estratégias de Marketing 6.1 Estratégia de vendas 6.2 Posicionamento do produto e da estratégia 6.3 Preço e valor 6.4 Estratégia de serviços 6.5 Promoção e propaganda 6.6 Organização de vendas e marketing 7 6.7 Previsão de vendas e lucros 6.8 Previsão de vendas por produto 6.9 Orçamento de marketing e comentários. Dependendo do modelo a ser apresentado como plano de marketing, o plano de negócios deve levar em consideração seus elementos, enfatizando-os da mesma forma, ou seja, considerar os “Ps” do marketing com o mesmo conteúdo teórico-prático a ser aplicado nos dois modelos. Com o passar das aulas, você já se acostumou a conversarmos sobre os planos da empresa como mapas, certo? Temos o plano de negócios e, dentro dele, diversos planejamentos derivados, voltados a áreas e atividades específicas da empresa, como o plano operacional, que já estudamos, e agora o plano de marketing. Pois é isso mesmo: o plano de marketing é mais um mapa que nos ajuda a navegar por águas mais tranquilas e a evitar turbulências na gestão da empresa, conduzindo-a, efetivamente, para uma trajetória de crescimento, rentabilidade e sustentabilidade do negócio no longo prazo. O plano de marketing, no exercício do dia a dia, poderá ter diversas derivações, com a possibilidade de elaborarmos um plano para cada produto, serviço ou ação, por exemplo. É o que apontam Philip Kotler e Kevin Keller em sua obra de referência Administração de marketing (2012, p. 55): Cada nível de produto, seja uma linha de produtos, seja uma marca deve desenvolver um plano de marketing para atingir suas metas. Um plano de marketing é um documento escrito que resume o que o profissional de marketing sabe sobre o mercado e que indica como a empresa planeja alcançar seus objetivos. Contém diretrizes táticas para os programas de marketing e para a alocação de fundos ao longo do período planejado. Além disso, como vimos, é importante ter um plano de marketing geral, que contemple as ações da empresa e da marca corporativa, como um todo – um Plano Estratégico de Marketing. Afinal, será esse mapa que norteará os caminhos para um adequado posicionamento e percepção: O plano de marketing é um dos produtos mais importantes do processo de marketing, por fornecer direção e foco para uma marca, produto ou empresa. [...] De escopo mais limitado do que um plano de negócio (business plan), o plano de marketing documenta como a organização atingirá seus objetivos estratégicos por meio de estratégias e táticas específicas de marketing, tendo o cliente como ponto de partida. Esse documento também está ligado aos planos de outros departamentos. Suponha que um plano de marketing demande a venda de 200 mil unidades por ano. O departamento de produção deve se preparar para fabricar essa quantidade, o de finanças deve prover recursos para cobrir as despesas, o de recursos humanos deve estar pronto para contratar e treinar pessoal, e assim por diante. Sem o nível apropriado de suporte e recursos organizacionais, nenhum plano de marketing pode almejar o sucesso. (Kotler; Keller, 2012, p. 55-56) Dessa forma, é importante lembrar-se de que, independentemente do porte 8 ou da finalidade da empresa ou instituição (e isso inclui organizações não governamentais e órgãos governamentais), na hora de traçar a estratégia de marketing, é preciso conhecer profundamente e levar em consideração as demais áreas da empresa. Afinal, o plano deve ser elaborado de acordo com a viabilidade de sustentação econômica da empresa e também de acordo com sua capacidade de gerar aumento de rentabilidade.É preciso conhecer o público-alvo, seu comportamento e suas reações, assim como a rede de fornecedores, para prever como as estratégias e táticas traçadas levarão ao cumprimento das metas e dos objetivos, do marketing e do business plan como um todo. Assim como o plano de negócios e os demais planejamentos da empresa, o plano de marketing deve ser claro, objetivo e diretivo: Os planos de marketing estão cada vez mais orientados ao cliente e ao concorrente, mais bem fundamentados e mais realistas. Eles são alimentados com mais dados de todas as áreas funcionais e desenvolvidos por equipes. O planejamento tem se tornado um processo contínuo de respostas rápidas às mudanças de mercado. As deficiências mais citadas dos planos de marketing atuais, de acordo com os executivos de marketing, são falta de realismo, análise competitiva insuficiente e um foco de curto prazo [...]. Embora a extensão e o formato variem de uma empresa para outra, a maioria dos planos de marketing cobre um ano em uma faixa de 5 a 50 páginas. Pequenas empresas podem criar planos mais curtos ou menos formais, enquanto de modo geral corporações exigem documentos altamente estruturados. Para orientar efetivamente a implementação, cada parte do plano deve ser descrita em consideráveis detalhes. Às vezes, uma empresa disponibiliza seu plano de marketing em uma intranet para que todos possam consultar ações específicas e colaborar com sugestões de alteração. (Kotler; Keller, 2012, p. 56) No caso da pequena empresa ou mesmo do MEI, como observam os autores de Administração de marketing, é importante também ter um plano de marketing traçado, desenhando os próximos passos e aonde se deseja chegar em termos de posicionamento e percepção da empresa, assim como da difusão de seu portfólio de produtos/serviços. Em linhas gerais, conforme indicam Philip Kotler e Kevin Keller, devem constar do plano de marketing os elementos do quadro. 9 Quadro 1 – Estrutura básica de um plano de marketing Resumo executivo e sumário O plano de marketing deve ser iniciado com um breve resumo das principais metas e recomendações. Análise da situação Essa seção apresenta os dados históricos relevantes quanto a vendas, custos, lucros, mercado, concorrentes e as várias forças que atuam no macroambiente. Como o mercado está definido, qual é seu tamanho e com que velocidade cresce? Quais são as tendências relevantes e os problemas críticos? Tais informações são usadas na condução de uma análise SWOT (oportunidades/ameaças, forças/fraquezas). Estratégia de marketing Definição da missão, objetivos de marketing, objetivos financeiros e as necessidades que o produto [serviço] oferecido deve satisfazer, bem como seu posicionamento competitivo. Tudo isso requer dados alimentados por outras áreas organizacionais, como compras, produção, vendas, finanças e recursos humanos. Projeções financeiras Incluem previsão de vendas e de despesas, assim como uma análise do ponto de equilíbrio. No lado da receita, elas mostram a previsão de volume de vendas por mês e por categoria de produto. No lado das despesas, mostram a previsão dos custos de marketing, desdobrados em categorias. A análise do ponto de equilíbrio estima quantas unidades devem ser vendidas mensalmente para compensar os custos físicos mensais e os custos variáveis médios por unidade. Fonte: Elaborado com base em Kotler; Keller, 2012. p. 56. O Sebrae traz em sua série de vídeos sobre gestão e plano de negócios um tutorial específico sobre plano de marketing, vale a pena consultá-los. Como define o Sebrae Nacional em seu conteúdo sobre planejamento estratégico, “o plano de marketing é, assim, uma ferramenta de gestão que deve ser usada regularmente e atualizada sempre, pois auxilia empreendedores a se adaptar às constantes mudanças do mercado, identificar tendências e, com isso, criar vantagens competitivas em relação aos concorrentes”. Leitura obrigatória Para o desenvolvimento do plano de marketing da empresa, vale consultar o capítulo sobre plano de marketing da obra Plano de negócios, de Luiz Arnaldo Biagio e Antonio Batocchio, disponível em nossa Biblioteca Virtual. Acesso pelo Univirtus. Seguem as indicações: BIAGIO, L. A.; BATOCCHIO, A. Plano de marketing. In: _____. Plano de negócios: estratégia para micro e pequenas empresas. Barueri: Manole, 2005. p. 137-165. Para o desenvolvimento de um plano de marketing eficaz, que dê suporte à expansão da empresa, vale consultar os seguintes artigos e tutoriais, disponíveis na internet: LAM, C. 5 passos para elaborar um bom plano de marketing. Exame, 10 jul. 2012. Disponível em: <https://exame.abril.com.br/pme/5-passos-para-elaborar-um-bom- 10 plano-de-marketing/>. Acesso em: 25 nov. 2018. SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Click marketing: elabore um plano de marketing para sua empresa onde você estiver. 1 ago. 2014. Disponível em: <http://www.clickmarketing.sebrae.com.br >. Acesso em: 25 nov. 2018. Saiba mais O PLANO de marketing: o plano de negócio. Sebrae Minas, 16 jan. 2014. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=JDIiCGJ8j0I&feature=youtu.b e>. Acesso em: 25 nov. 2018. TEMA 2 – OS 4 PS O Empreendedor deve estar sempre atento às análises de mercado, e o modelo SWOT, pode oferecer uma descrição clara e objetiva das forças e fraquezas, oportunidades e ameaças a que a empresa está sujeita, mapeando a situação real do que está acontecendo ou quando pode vir a acontecer. Através do marketing você pode alcançar os objetivos planejados, mas sem técnicas específicas e métodos mercadológicos, você pode acabar se distanciando desses objetivos. Nesse quesito, o plano de marketing gira em torno de quatro aspectos centrais, dos quais, de uma forma ou de outra, muito possivelmente você já ouviu falar. Trata-se do composto dos 4 Ps do marketing. Como enfatizam Biagio e Batocchio (2005, p. 138), O plano de marketing se apoia nos 4Ps (produto, preço, promoção e praça ou distribuição), e envolve também a previsão de vendas, pois terá um resultado diretamente proporcional à eficiência do plano de marketing. É aconselhável definir a estratégia de comunicação a ser utilizada pela empresa como um adendo à promoção, incluindo-se um cronograma de ações. Em especial nos últimos anos, com as intensas e profundas modificações no comportamento da sociedade, em muito derivadas de fatores como a globalização e a difusão das mídias sociais, em associação com a velocidade de acesso e a evolução das novas tecnologias digitais, os conceitos dos 4 Ps vêm ganhando relevantes proposições agregadas, como veremos mais adiante. Vale observar, no entanto, que essas novas abordagens não substituem a relevância dos 4 Ps como nortes importantes para a gestão de marketing e própria gestão estratégica da empresa, pois atualizam esses conceitos sob a luz das dinâmicas transformações sociais. http://www.clickmarketing.sebrae.com.br/ 11 Levando em conta essa ponderação, vamos aprofundar nossos conhecimentos sobre os tradicionais 4 Ps do marketing, dentro de sua abrangência convencional. Figura 1 – Os 4 Ps do marketing Fonte: Kotler; Keller, 2012, p. 24. Kotler e Keller traçam um paralelo entre esse mix estratégico de marketing e as novas abordagens, complementares, que vieram à tona na medida da evolução do cenário empresarial e social. Mais para frente, em obras recentes, como Marketing 3.0 e Marketing 4.0, Philip Kotler, junto com os coautores Hermawan Kartajaya e Iwan Setiwan (2010), atualizam novamente essa leitura, a partir da perspectiva do que eles apontam nesta obra como a necessidade de as empresas traçarem suas estratégias com base em um “marketing centrado no ser humano”. Em Marketing 4.0 (Kotler; Kartajaya; Setiwan, 2017), os autores propõem: No marketing centrado no ser humano, os profissionaisde marketing abordam os consumidores como seres integrais, com mente, coração e espírito. Os responsáveis pelo marketing preenchem não apenas as necessidades funcionais e emocionais dos consumidores, mas também abordam suas ansiedades e seus desejos latentes. À medida que passamos para o Marketing 4.0 em um mundo cada vez mais digital, esperamos uma importância crescente da centralidade humana. Os profissionais de marketing precisam aceitar ainda mais o poder do marketing centrado no ser humano. Imagine um mundo no qual a inteligência artificial e a robótica estarão integradas na vida diária das pessoas da mesma forma que os smartphones estão hoje, com fábricas automatizadas, carros robóticos e robôs caseiros controlados por voz, médicos e advogados robôs. A maioria dos especialistas argumenta que isso acontecerá já em 2025. Nesse contexto, os consumidores se tornarão mais ansiosos do que nunca ao buscar subconscientemente suas 12 identidades, indagando: “O que significa ser humano em um mundo digital?” Acreditamos que o marketing centrado no ser humano ainda é a chave para desenvolver a atração da marca na era digital, já que marcas com uma personalidade humana serão possivelmente mais diferenciadas. [...] Uma vez que o lado humano dos consumidores foi revelado, é a hora de as marcas também revelarem seu lado humano. As marcas precisam demonstrar atributos humanos capazes de atrair consumidores e desenvolver conexões de pessoa a pessoa. Tal observação, no caso de empresas de negócios em comunicação e jornalismo, tem sua abrangência potencializada, uma vez que as soluções a serem oferecidas aos clientes, sejam B2C ou B2B, por exemplo, contemplam a questão de um discurso de marca e uma comunicação humanizados, voltados ao ser humano. É sob a luz desse conceito – do marketing centrado no ser humano – que os autores fazem uma leitura atualizada dos 4 Ps do marketing, propondo a consideração também dos 4 Cs, conforme figura a seguir. Figura 2 – Os papéis permutáveis do marketing tradicional e do marketing digital Fonte: Kotler; Kartajaya; Setiawan, 2017. Os autores esclarecem na obra, no entanto, que sua proposição não é de substituição, mas sim de agregação de novos valores, atualizados de acordo com a evolução da sociedade: O marketing digital não pretende substituir o marketing tradicional. Pelo contrário, ambos devem coexistir, com papéis permutáveis, ao longo do caminho do consumidor [...]. No estágio inicial de interação entre empresas e consumidores, o marketing tradicional desempenha papel importante ao promover a consciência e o interesse. À medida que a interação avança e os clientes exigem relacionamentos mais próximos com as empresas, aumenta a importância do marketing digital. Om papel mais importante do marketing digital é promover a ação e a defesa da 13 marca. Como o marketing digital é mais controlável do que o marketing tradicional, seu foco é promover resultados, ao passo que o foco do marketing tradicional é iniciar a interação com os clientes [...]. A essência do Marketing 4.0 é reconhecer os papéis mutáveis do marketing tradicional e do marketing digital a obtenção do engajamento e da defesa da marca pelos clientes. (Kotler; Kartajaya; Setiawan, 2017) Assim, o mix de marketing clássico (produto, preço, promoção e praça) segue valendo, como observam os autores de Marketing 4.0: O mix de marketing é uma ferramenta clássica para ajudar a planejar o que oferecer e como oferecer aos consumidores. Basicamente, existem quatro Os: produto, preço, ponto de venda e promoção. O produto é muitas vezes desenvolvido com base nas necessidades e nos desejos dos consumidores [clientes, no B2B ou no B2G], captados por meio de pesquisas de mercado. As empresas controlam a maioria das decisões sobre produto [ou serviço ofertado], da concepção à produção. Para definir um preço de venda, as empresas utilizam uma combinação de métodos de precificação baseados no custo, na concorrência e no valor para o cliente. [...] Uma vez que as empresas decidam o que oferecer (produto e preço), precisam resolver como oferecer (ponto de venda e promoção). As empresas precisam definir onde distribuir o produto com o objetivo de torná-lo convenientemente disponível a acessível aos consumidores. Elas também precisam comunicar as informações sobre o produto ao público- alvo mediante diferentes métodos, como publicidade, relações públicas e promoção de vendas. Quando os quatro Ps do mix de marketing são otimamente projetados e alinhados, vender torna- se menos desafiador à medida que os consumidores são atraídos pelas proposições de valor [grifo nosso]. (Kotler; Kartajaya; Setiawan, 2017, grifos nossos) Com isso, os autores propõem a interação dos 4 Ps tradicionais com o composto por eles chamado de 4 Cs: Em um mundo conectado, o conceito de mix de marketing evoluiu para acomodar mais participação do cliente. O mix de marketing (os quatro Os) deve ser redefinido como os quatros Cs: cocriação (co-creation), moeda (currency), ativação comunitária (communal activation) e conversa (conversation). Na economia digital, a cocriação é a nova estratégia de desenvolvimento de produtos. Por meio da cocriação e do envolvimento dos clientes desde cedo no estágio de concepção, as empresas podem melhorar a taxa de sucesso do desenvolvimento de novos produtos. A cocriação também permite aos clientes customizar e personalizar produtos e serviços, criando assim proposições de valor superiores. O conceito de precificação também está evoluindo na era digital, de padronizada para dinâmica. A precificação dinâmica – estabelecer preços flexíveis com base na demanda do mercado e na capacidade de utilização – não é nova em certos setores, como hospitalidade (...). No entanto, avanços na tecnologia levaram a prática para outros setores. [...] Na economia digital, o preço é semelhante à moeda, que flutua em função da demanda do mercado. O conceito de canal também está mudando. Na economia compartilhada, o conceito de distribuição mais potente é a distribuição ponto a ponto. Protagonistas como Airbnb, Uber, Zipcar e Lending Club estão abalando os setores de hotelaria, transporte via táxi, aluguel de carros e bancário, respectivamente. Eles fornecem aos clientes acesso fácil a produtos e serviços que não são de sua propriedade e sim de outros clientes. A ascensão da impressora 3-D estimulará ainda mais essa distribuição ponto a ponto no futuro próximo. [...] Da mesma forma, o conceito de 14 promoção também evoluiu nos últimos anos. Tradicionalmente, a promoção sempre foi uma relação unilateral, com as empresas enviando mensagens aos consumidores [clientes] como públicos passivos. Hoje, a proliferação da mídia social permite aos consumidores reagir a essas mensagens. Também permite que eles conversem sobre as mensagens com outros consumidores. (Kotler; Kartajaya; Setiawan, 2017) A nova configuração de mercado, alinhada com a nova configuração social, faz especial sentido no caso das empresas de comunicação. Como vimos, as diretrizes tanto dos 4 Ps quanto dos 4 Cs funcionam nesse caso tanto para a implementação do próprio plano de marketing – e negócios – quanto para a definição do portfólio de produtos/serviços e preços, que tendem a ser cada vez mais personalizados. Da mesma forma, funcionam na proposição das soluções de posicionamento de marca, comunicação, relações públicas e gestão de branded content e mídias sociais para os clientes atendidos pela empresa. Quanto mais integradas, personalizadas, atualizadas e coerentes essas soluções, mais oportunidades de crescimento e perenidade terá a empresa. Mas é importante estar atento ao equilíbrio dos 4 Ps. O que você vai oferecer aos seus clientes está sujeito a outras condições, como a Praça e ao Preço, por exemplo, ou seja, a eficácia do Plano de marketing está na integração dos elementos que o compõem.TEMA 3 – ESTRATÉGIAS Uma empresa nasce, cresce e se desenvolve através, dentre outros fatores, de seu posicionamento e da necessidade de obter uma melhor condição para competir. Esta vantagem competitiva que a empresa deve ter está ligada às estratégias e posições que ela decide ter em relação aos seus competidores. Os planos desenvolvidos dentro do plano maior, que é o plano de negócios, devem contemplar as estratégias que a empresa decide empregar em sua atuação, dentro do mercado. É claro que uma empresa não sobrevive apenas de planos bem elaborados. Eles precisam ser praticados, certo? Uma vez estabelecidos os planos de negócio, de operações e de marketing, é preciso efetivar suas diretrizes no dia a dia do negócio, sempre com vistas ao cumprimento das metas, para que se alcancem os objetivos traçados. As estratégias desenhadas nos planejamentos, seja de um projeto específico, seja da empresa como um todo, devem, assim, ser desenvolvidas levando em conta o cotidiano operacional da empresa e os ambientes – micro e 15 macro – em que está inserida. Mas, como se desenvolve uma estratégia estabelecida para o negócio? Conforme observam Philip Kotler e Kevin Keller (2012, p. 53), em Administração de marketing: As metas indicam aquilo que a unidade de negócios deseja alcançar, a estratégia é um plano de ação para chegar lá. Para atingir suas metas, todos os negócios devem preparar estratégias, as quais consistem em uma estratégia de marketing compatível com uma estratégia de tecnologia e uma estratégia de busca de recursos. Nota-se, dessa forma, como já pudemos observar anteriormente, a intrínseca relação do marketing com as demais áreas da empresa. Não podemos achar que o marketing se relaciona somente com o departamento comercial, pois ele deve estar em contato com toda a empresa, analisando seus fluxos, custos de produção, administração etc. O marketing atua como um fluxo sanguíneo, circulando por toda a organização, captando e distribuindo recursos (informações, dados, design, finanças), com a missão de torná-la mais forte e saudável, visando ao objetivo final e central de mantê-la viva pelo máximo possível de tempo. Também na obra Administração de marketing, Philip Kotler e Kevin Keller (2012) destacam o conceito de estratégias competitivas, de Michael Porter. São três estratégias macro, algumas mais simples, outras mais complexas de aplicar, que oferecem caminhos e resultados diferentes às empresas. Por vezes podem – e até devem – ser, inclusive, combinadas. Vamos a elas. Quadro 2 – Estratégias competitivas de Michael Porter Liderança total em custos A empresa se esforça para produzir e distribuir a custos menores, de modo que possa oferecer preços mais baixos que os dos concorrentes e conquistar uma grande participação de mercado. As empresas que seguem esta estratégia não precisam de muita habilidade em marketing. O problema é que outros concorrentes surgirão, com custos menores, e prejudicarão aquela que fundamentou todo o seu futuro em baixos custos. Diferenciação A empresa se concentra em um desempenho superior em uma área importante de benefícios ao cliente, valorizada por grande parte do mercado. A empresa que busca liderança em qualidade, por exemplo, deve utilizar os melhores componentes, montá-los com habilidade, inspecioná-los com cuidado e comunicar efetivamente sua qualidade. Foco A empresa se concentra em um ou mais segmentos estreitos de mercado para conhecê-los intimamente e busca ou a liderança em custos ou a diferenciação dentro do segmento-alvo. Fonte: Kotler; Keller, 2012, p. 53. Vale observar que, atualmente, essas estratégias combinadas e 16 particularizadas para a realidade da empresa podem proporcionar resultados mais expressivos, no sentido positivo. Por exemplo, mesmo uma empresa que se posiciona dentro de uma estratégia de diferenciação, em que a qualidade deverá predominar sobre os custos, e será reconhecida como valor percebido pelo cliente, entenderá que atuar com uma estratégia eficiente de custos pode incrementar sua competitividade, permitindo que direcione investimentos para áreas-chaves dentro de sua atuação, como o relacionamento com o cliente, além de poder fazer a ele uma oferta de valor mais interessante. Terá, também, mais recursos para fazer investimentos-chaves em expansão. A estratégia de foco também pode ser adotada em sinergia com as demais, considerando-se hoje o conceito em difusão de nichos como grandes oportunidades de negócios (Anderson, 2006). Feita essa ponderação, é interessante observar a clareza de percepção de Michael Porter (1991, p. 13) em sua obra fundamental Estratégia competitiva, quanto à forma como se desenvolvem as estratégias das empresas: Cada empresa que compete em uma indústria possui uma estratégia competitiva, seja ela explícita ou implícita. Esta estratégia tanto pode ter se desenvolvido explicitamente por meio de um processo de planejamento como ter evoluído implicitamente através das atividades dos vários departamentos funcionais da empresa. Dispondo apenas de seus próprios meios, cada departamento funcional inevitavelmente cada buscará métodos ditados pela sua orientação profissional e pelos incentivos daqueles encarregados. No entanto, a soma destes métodos departamentais raramente equivale à melhor estratégia. A ênfase dada, hoje, ao planejamento estratégico nas empresas (...) reflete a proposição de que existem benefícios significativos a serem obtidos com um processo explícito de formulação de estratégia; garantindo que pelo menos as políticas (se não as ações) dos departamentos funcionais sejam coordenadas e dirigidas visando um conjunto comum de metas. Michael Porter (1991, p. 15) orienta, então, sobre o “método clássico para a formulação de estratégia”: “O desenvolvimento de uma estratégia competitiva é, em essência, o desenvolvimento de uma fórmula ampla para o modo como uma empresa irá competir, quais deveriam ser as suas metas e quais as políticas necessárias para levar-se a cabo estas metas”. Esse método leva à “roda da estratégia competitiva” (Porter, 1991, p. 16). 17 Figura 3 – A roda da estratégia competitiva Fonte: Porter, 1991. p. 16. Com isso, ele define: “a estratégia competitiva é uma combinação dos fins (metas) que a empresa busca e dos meios (políticas) pelos quais ela está buscando chegar lá” (Porter, 1991, p. 16-17). A “roda da estratégia competitiva” seria, assim: um dispositivo para a articulação dos aspectos básicos da estratégia competitiva de uma empresa em uma única página. No centro da roda estão as metas da empresa, que são sua definição geral do modo como ela deseja competir e seus objetivos econômicos e não- econômicos. Os raios da roda são as políticas operacionais básicas com as quais a empresa busca atingir estas metas Sob cada tópico na roda deve-se obter, com base nas atividades da companhia, uma declaração sucinta das políticas operacionais básicas nesta área funcional .Dependendo da natureza do negócio, a administração pode ser mais ou menos específica na articulação destas políticas operacionais básicas; uma vez especificadas, o conceito de estratégia pode ser empregado como guia do comportamento global da empresa. Como uma roda, os raios (políticas) devem originar-se de, e refletir, o centro (metas), devendo estar conectados entre si; do contrário, a roda não irão girar. Coerência de ações e um plano estratégico traçado com clareza, em vez de uma estratégia desenhada no dia a dia, ao sabor das circunstâncias cotidianas: isso faz toda a diferença quanto à competitividade e à longevidade da empresa. Desenvolvidas as estratégias, devemos partir para as táticas, para sua implementação e operação na realidade de cada empresa. 18 Mais uma vez, é importante ressaltar que todos estes planos e ações devem fazer parte de um conjunto,que é o plano de negócios. Plano de negócio é, antes de tudo, o processo de validação de uma ideia, que o empreendedor realiza através do planejamento detalhado da empresa. Ao prepará-lo, terá elementos para decidir se deve ou não abrir a empresa que imaginou, lançar um novo produto que concebeu, proceder a uma expansão etc. A rigor, qualquer atividade empresarial, por mais simples que seja, deveria se fundamentar em um plano de negócios. TEMA 4 – EXECUÇÃO DAS ATIVIDADES Para que qualquer atividade profissional seja iniciada, é necessário, antes de tudo, muito planejamento, e é exatamente isso que temos visto ao longo de nossas aulas. O plano de negócios é peça chave para o desenvolvimento e planejamento profissional de um negócio, e necessita ser feito através de muita pesquisa, estudo e, principalmente, conhecimento das atividades e do próprio negócio. A partir do momento em que o plano de negócios está concluído, parte-se para outra etapa, a de execução das atividades. É onde a teoria dá lugar à prática, e o negócio, consequentemente, começa a se desenvolver. As atividades da empresa, das mais simples àquelas mais complexas, devem ser implementadas e executadas em alinhamento com o plano e o posicionamento estratégico da empresa. É muito importante que a equipe, seja grande ou pequena, seja uma rede interna ou externa de colaboradores, compreenda muito bem a finalidade, a posição, a cultura e a estratégia do negócio. Dessa forma, as atividades executadas farão sentido para o grupo envolvido com o exercício da empresa. Recordando um pouco do que vimos anteriormente, quando falamos em atividades, também é comum pensar nos setores econômicos de atuação da empresa, o que é definido em sua concepção e em seu registro empresarial, com tal informação integrando o plano de negócios e seu sumário executivo. Por exemplo, o empresário vai definir se sua empresa atua nos ramos de agropecuária, indústria, comércio, serviço ou outro (Rosa, 2013). Neste momento, porém, abordaremos o exercício das atividades cotidianas da empresa, que passo a passo vão levá-la ao sucesso (ou não). Aqui os processos e métodos de funcionamento são estabelecidos no plano operacional, esmiuçados agora em cada área da empresa, para que ela atue efetivamente no mercado. 19 Parece um exagero falar tanto de atividades, não é? Afinal, elas não devem correr de forma espontânea? A resposta é: sim e não. Sim no sentido de que, uma vez estabelecidas, devem transcorrer da forma mais fluída possível no dia a dia da empresa, com suavidade e respeito aos espaços, aos interesses e à individualidade de cada colaborador ou parceiro, interno ou externo. A resposta é não no sentido de que também devem ser planejadas, previstas, programadas, ajustadas e atualizadas, nos mínimos detalhes, para que não ocorram erros. Lembra-se do que vimos sobre o plano operacional? Quanto menos erros, menos recursos, como tempo e dinheiro, a empresa desperdiça, podendo direcioná-los para outras atividades mais importantes e que lhe permitirão ampliar a atuação ou a rentabilidade do negócio. Além disso, quanto menos erros, menos desgastes, explicações, atrasos e retrabalho. Em outras palavras, mais clientes satisfeitos e envolvidos, comprometidos, engajados com a empresa. Vale muito a pena prever e planejar as atividades do dia a dia, não é? De outro lado, atividades bem traçadas, descritas e programadas permitem que o dia a dia transcorra de forma mais leve, em vez de engessado, ao contrário do que se pensa. A clareza do que e como deve ser feito permite que cada profissional envolvido com as atividades da empresa transite com liberdade no exercício de suas tarefas, pois ele conhece e compreende os processos, e também a cultura da empresa, e se sente seguro ao implementá-los, pois age de acordo com orientações claras. Como afirmam Philip Kotler e Kevin Keller em Administração de marketing, “até mesmo a melhor estratégia de marketing pode ser arruinada por uma implementação ineficiente” (2012, p. 54). Isso vale não apenas para o marketing, mas para todas as áreas da empresa: administrativo-financeira, legal, estratégica, de desenvolvimento, produtiva, operacional. Novamente, o mais importante é ter uma equipe engajada – no dia a dia, é o que vai fazer a diferença para uma atuação bem-sucedida da empresa como um todo. Isso está diretamente relacionado à qualidade da atuação e da entrega ao cliente, influenciando na percepção de todo o mercado quanto à performance e ao posicionamento da empresa: Existe um relacionamento dinâmico que liga os grupos de stakeholders. Uma empresa inteligente cria um alto nível de satisfação para os funcionários [vale também para redes de colaboradores externos], o que leva a um esforço maior, que por sua vez conduz a produtos e serviços de melhor qualidade, que resulta em maior satisfação do cliente, que acarreta negócios mais frequentes, que levam a maiores taxas de crescimento e lucros [...]. Esse é o ciclo virtuoso que gera lucro e crescimento. (Kotler; Keller, 2012, p. 54-55) 20 O exercício pleno e competente das atividades integraria assim o que os autores definem, com base na consultoria McKinsey & Company, como o software da empresa: De acordo com a McKinsey & Company, a estratégia é apenas um dos sete elementos – os quais, em inglês, começam com a letra s – de uma prática bem-sucedida de negócio. Os três primeiros elementos – estratégia (strategy), estrutura (structure) e sistemas (systems) – são considerados o “hardware” do sucesso. Os quatro seguintes – estilo (style), habilidades (skills), equipe (staff) e valores compartilhados (shared values) – são o “software”. O primeiro elemento do “software”, o estilo, significa que os funcionários [e/ou a rede externa] da empresa compartilham um modo de pensar e de se comportar. O segundo, habilidades, significa que os funcionários possuem as habilidades necessárias para conduzir a estratégia da empresa. Equipe indica que a empresa contratou pessoas capazes, treinou-as bem e designou-as para os postos certos [tudo isso vale também para o recrutamento de colaboradores externos, dentro do sistema de redes externas, como estudamos em nossas aulas anteriores]. O quarto elemento, valores compartilhados, revela que os funcionários [e/ou colaboradores e parceiros externos] se orientam pelos mesmos valores. Quando esses elementos estão presentes, as organizações costumam se sair melhor na implementação de estratégias. (Kotler; Keller, 2012, p. 55) Para tanto, é importante implementar, além da roteirização das atividades por área e especificidade, processos de monitoramento e atualização daquilo que, no transcorrer do dia a dia, já não está funcionando tão bem. É preciso não perder de vista que o mercado é dinâmico, assim como as pessoas, e que os processos e sua observação não devem, de forma alguma, tolher a flexibilidade da empresa e sua capacidade de se adaptar rapidamente a novas situações a adotar novos procedimentos, em sinergia com as novas dinâmicas de mercado. Este é um trabalho constante. Por isso a importância da observação, do relacionamento frequente com o mercado e seus diversos players e da implementação de ações de feedback e controle. A partir dessas informações, a empresa conseguirá, de uma forma mais simples do que parece, ter processos eficientes para o exercício das atividades e também flexibilidade para os atualizar com rapidez e fluência sempre que necessário. Afinal, no macro, não se trata apenas de fazer da maneira certa, mas, principalmente, de fazer a coisa certa: A adequação estratégica entre uma empresa e o ambiente sofrerá um desgaste inevitável porque o mercado muda mais rapidamente do que os 7Ss. Assim, uma organização pode permanecer eficiente enquanto perde eficácia. Peter Drucker destacou que é mais importante “fazer as coisas certas” (eficácia) doque “fazer as coisas da maneira certa” (eficiência)”. Todavia, as empresas mais bem-sucedidas fazem as duas coisas muito bem. (Kotler; Keller, 2012, p. 55) 21 Por isso, vale roteirizar, mas não amarrar o funcionamento da empresa. Em sua cartilha Como elaborar um plano de negócios (Rosa, 2013), o Sebrae traz orientações sobre como descrever as atividades da empresa, que podem ser bastante úteis. Trata-se do descritivo dos processos operacionais: É o momento de registrar como a empresa irá funcionar. Você deve pensar em como serão feitas as várias atividades, descrevendo, etapa por etapa, como será a fabricação dos produtos [elaboração e implementação dos serviços], a venda de mercadorias, a prestação dos serviços e, até mesmo, as rotinas administrativas. Identifique que trabalhos serão realizados, quem serão os responsáveis, assim como os materiais e equipamentos necessários. Para isso, você mesmo poderá elaborar um roteiro com essas informações. Este roteiro deve ser compartilhado, no que diz respeito a cada área, com os colaboradores (internos ou externos) da empresa, para que eles saibam como agir em cada situação. Pode ser ampliado para um código de conduta, tema que já abordamos em nossas aulas, para que todos saibam, também, que postura devem ter internamente e nas relações com o cliente e o mercado, agindo em consonância com o discurso, o posicionamento e a cultura da empresa. Embora ainda exista muito trabalho por vir, a fase da execução das atividades é a reta final de todo o planejamento do negócio. A utilização de um sistema de gestão, que controle os processos produtivos e administrativos, é de vital importância para o desenvolvimento e consequentemente o sucesso da empresa. Os procedimentos institucionalizados vão servir como base de controle para os caminhos que a empresa percorrerá, e assim cabe ao empreendedor estar sempre atento a esses processos e seus respectivos resultados, sempre alinhados com os objetivos e com o mercado. TEMA 5 – ANÁLISE DE RESULTADOS Produtividade, gastos, custos fixos, custos variáveis, investimentos iniciais, capital de giro, são itens da administração de uma empresa que nos levam diretamente aos resultados finais, ou seja, a partir deles descobrimos se a empresa é lucrativa ou deficitária. O monitoramento dos resultados deve ser constante, sob todos os prismas. A avaliação dos processos e sistemas deve ser prevista também no plano de negócios. Não é apenas uma questão de faturamento e lucro, mas, muitíssimo relevante, da rentabilidade do negócio. Considerados os custos envolvidos, dos mais diversos tipos, e o dinheiro que entra a cada ação efetivada para os clientes, a cada produto/serviço comercializado, este indicador aponta o quanto o negócio, 22 efetivamente, vale a pena. Por vezes, entra uma quantia bastante expressiva de dinheiro, mas, na conta final, o negócio poderá ser deficitário ou se mostrar pouco sustentável no longo prazo. Parece impossível? Nem tanto. Falamos anteriormente sobre controle de custos e uso racional de recursos. Pois bem, esses são fatores-chaves para uma atuação eficiente da empresa. Veja bem, não se trata de optar o tempo todo pelas soluções aparentemente mais baratas, no sentido de preço, orçamento, mas sim por aquelas que vão ser menos custosas à empresa, em especial quando diluídas no médio e no longo prazos. Por exemplo, é melhor ter um parceiro-colaborador em produção de conteúdo que cobre menos, simplesmente, ou ter um parceiro-colaborador que implica um orçamento mais alto (dentro de uma zona factível de acordo com a realidade da empresa), mas que tem uma entrega e uma cultura (valores) mais sinérgicos em relação à empresa e à entrega ao cliente? Essas são questões que devem ser avaliadas, pois é preciso que façam parte da mensuração de resultados da empresa, para definir se as soluções adotadas são aquelas mais adequadas ou se precisam ser ajustadas/atualizadas. A obra Plano de negócios, de Luiz Arnaldo Biagio e Antonio Batocchio, traz alguns indicadores interessantes quanto aos resultados financeiros da empresa dentro do capítulo plano financeiro, os quais toda empresa deve elaborar e implementar – mesmo um MEI. Os autores fazem, inclusive, uma importante advertência: As decisões empresariais geralmente são tomadas a partir de dados financeiros que refletem uma situação passada. Assim procura-se encontrar soluções para o futuro com base no passado. No atual ambiente empresarial isto é cada vez menos recomendado, pois com o intenso dinamismo do mercado, as rotinas do passado não se repetem no futuro [grifo nosso]. Na verdade, as medidas financeiras contam apenas parte da história das atividades da empresa, e por isso mesmo podem não fornecer orientações conclusivas sobre as ações a ser disparadas no presente ou no futuro, com objetivos de criar um posicionamento financeiro mais estável. Muito embora isso seja aceito por todos os executivos, a análise das empresas continua sendo apoiada por dados financeiros, talvez pela tangibilidade dos mesmos, pela necessidade de atender os órgãos de controle governamentais que ainda se mantêm fieis à contabilidade financeira, ou talvez pelo espírito de conservadorismo natural do ser humano, que pode ser traduzido como medo do desconhecido. (Biagio; Batocchio, 2005, p. 201-202) Trata-se, assim, menos de prender-se ao passado e muito mais de avaliar os resultados e, principalmente, o potencial da empresa e as etapas vencidas por ela para projetar o futuro: 23 A inclusão de um plano financeiro dentro de um plano de negócios procura demonstrar um conjunto de projeções abrangentes que possam refletir o desempenho futuro da empresa em termos financeiros. Se bem preparadas e fundamentadas, estas projeções transmitirão uma imagem futura de estabilidade e de ganhos dignas de crédito, tornando-se um dos principais pontos de avaliação da atratividade do negócio. Dentro de um plano negócios, a elaboração de um plano financeiro deve compreender: balanço patrimonial, demonstração de resultados, plano de investimentos, fluxo de caixa, planilha de custos e plano de vendas. O administrador deve estabelecer [em sinergia com cada área, se possível] as metas financeiras de seu negócio e, por meio de instrumentos financeiros, acompanhar seu êxito. Com as demonstrações financeiras e o planejamento financeiro é possível estabelecer e cumprir as respectivas metas ou redefini-las, se necessário. (Biagio; Batocchio, 2005, p. 202) Dentro dos indicadores apontados, para programar a atuação da empresa, é importante sistematizar a avaliação de seu demonstrativo de resultados, fazendo um balanço periódico desses dados e os cruzando com outros indicadores, como o Balanço Patrimonial: A análise do desempenho financeiro de uma empresa somente a partir do balanço patrimonial poderá levar o analista a suposições equivocadas sobre a saúde financeira da empresa, pois o balanço fornece um quadro instantâneo da empresa num determinado momento. Para que o analista não seja induzido a erros, torna-se necessário a análise simultânea do demonstrativo de resultados, que apresenta um quadro mais dinâmico do comportamento financeiro da empresa durante determinado período de tempo. O demonstrativo de resultados é uma forma ordenada e sistemática de apresentar um resumo das receitas, despesas e lucro ou prejuízo num determinado período. O demonstrativo de resultados transmite a ideia da quantidade de dinheiro que a empresa realmente ganhará e também deve ser projetado para cinco anos no caso de empresas novas [grifo nosso]; no caso de empresas já em funcionamento, histórico de três anos, atual e projeção de pelo menos três anos futuros. (Biagio; Batocchio, 2005, p. 206, grifos nossos) Quadro 3 – Exemplo de planilha para demonstrar resultados projetados para cinco anos Discriminação 2002 2003 2004 2005 2006 1. Receitabruta de vendas 2. (-)Deduções 3. Receita líquida de vendas 4. (-)Custo dos produtos vendidos 5. Margem de contribuição 6. (-) Despesas operacionais 6.1 Despesas administrativas 6.2 Despesas de marketing 6.3 Despesas gerais 6.4 Depreciação acumulada 7. Resultado operacional 8. Receitas financeiras 9. (-) Juros de financiamento 10. Resultado antes do IR 11. (-) IR alíquota – 15% 12. Lucro líquido Fonte: Biagio; Batocchio, 2005, p. 208. 24 Como vimos, porém, além de indicadores financeiros, há outros dados importantes para mensurar os resultados da empresa, que devem ser cruzados com aqueles. Afinal, uma ação estratégica para a empresa pode em um primeiro momento não trazer resultados financeiros, mas se desdobrar, em um ou dois anos, em grande rentabilidade para a organização. É preciso, então, mensurar e projetar resultados, em um primeiro momento, menos tangíveis, como relacionamento com o mercado, investimentos em marketing e posicionamento de marca, ações de relações públicas e promoção dos produtos e serviços ofertados pela empresa. Os resultados do plano estratégico de marketing são, assim, indicadores importantes para medir o momento da empresa e para onde as estratégias e as ações traçadas poderão levá-la. Em Marketing 4.0, Philip Kotler, Hermawan Kartajaya e Iwan Setiwan (2017) propõem indicadores atualizados para mensurar esses resultados: Um novo conjunto e métricas deve ser introduzido para resolver os problemas das medições atuais. Alinhadas com as cinco As, duas métricas são valiosas nesse quesito: o coeficiente de ação de compra (CAC) e o coeficiente de defesa de marca (CDM). O CAC mede quão bem as empresas “convertem” a consciência de marca em ações de compra. E o CDM faz o mesmo em relação à “conversão” da consciência de marca em defesa da marca. Essencialmente, estamos rastreando o número de consumidores [clientes] que vão da assimilação (A1) à ação (A4) e, por fim, à apologia (A5). Vimos no trecho acima que os autores se referem aos 5 As como uma atualização quanto aos conceitos dos caminhos do consumidor ao consumo – que podem, aliás, ser aplicados, de forma estendida, aos caminhos do cliente rumo ao fechamento de negócios e contratos. Estes 5 As propostos seriam: “assimilação, atração, arguição, ação e apologia” (Kotler; Kartajaya; Setiawan, 2017). A Figura 4 apresenta a evolução destas etapas na conquista, retenção e engajamento do público-alvo pela marca/empresa. 25 Figura 4 – 5 As Fonte: Kotler; Kartajaya; Setiawan, 2017. Esses são alguns dos indicadores relevantes que podem auxiliar você a medir os resultados de sua empresa e direcioná-la para que potencialize seu posicionamento e seus ganhos. Há muitos outros, que você pode conferir em nossa bibliografia de apoio, selecionando aqueles que se encaixam melhor em seu perfil de negócio. O importante é não descuidar da mensuração de resultados, criando na empresa processos para acompanhar com frequência os dados e deles extrair informações preciosas para o avanço e a sustentabilidade da empresa. Com base no plano de negócios, é possível estruturar uma série de processos de avaliação. Wildauer (2011) descreve as recomendações: Apresentação do negócio da organização, seu objetivo, suas estratégias, suas táticas e seus planos de ação; Apresentação dos pontos positivos e das oportunidades que culminam com melhorias nos processos, redundando em vantagem competitiva em relação aos concorrentes do mesmo setor do mercado; Minimização dos erros ou equívocos na hora de tomar decisões; Facilitação dos cálculos de riscos mediante a apresentação do planejamento estratégico geral; Definição (ou redefinição) dos produtos e/ou serviços ofertados; Fornecimento de um documento formalizado que representa as ações futuras da empresa (isso pode facilitar a solicitação de financiamentos ou 26 empréstimos); Fornecimento de plano de marketing ao produto e/ou serviços, descrevendo ações e apresentando recursos para atingir o nicho de mercado; Fornecimento de um plano financeiro que apresente um fluxo de caixa e os retornos de investimentos de cada setor da empresa, facilitando sua análise interna e futura tomada de decisão quanto à aplicação ou ao retraimento do empreendimento; Identificação, mapeamento, analise e definição dos pontos fortes, pontos fracos, das oportunidades de melhoria e das ameaças apresentadas pelos clientes, pelos fornecedores, pelos parceiros e pelo mercado, permitindo uma comparação frente aos produtos e/ou serviços oferecidos elos concorrentes. Ao final, o plano de negócios deve responder aos principais questionamentos sobre todo o projeto ou empreendimento descrito, sujeitando todo o planejamento a analises profundas, para com isso evitar surpresas negativas. TROCANDO IDEIAS Em uma empresa, onde se encaixaria o plano de comunicação? Ele significa a mesma coisa que o plano de marketing? Na verdade, o plano de comunicação é um plano específico, que contempla todas as ações de comunicação dentro da estratégia de marketing. Ele é um planejamento individual, dentro do plano mais amplo de marketing. A partir desta informação, considere que você é um dos sócios de uma agência de comunicação voltada a assessoria de imprensa, branded content e RP. Seu cliente, uma rede de farmácias em processo de expansão nacional, solicitou a você um plano de comunicação focado nessa fase de crescimento, de modo a dar suporte na potencialização e na aceleração da difusão da marca nas novas praças em que está se instalando. Como você traçaria esse plano, e quais seriam a estratégia e os objetivos com o plano? Que metas deveriam ser cumpridas para chegar lá e com que táticas? Depois de traçado seu plano, troque ideias com seus colegas. Vamos, a partir de nossa percepção coletiva, criar um plano macro de comunicação para esse cliente hipotético, composto de ideias nossas e de nossos colegas! Vamos lá! 27 NA PRÁTICA O plano de marketing é um guia muito importante para uma empresa, independentemente do porte, para que ela trace onde está e aonde que chegar com sua atuação. Tendo isso em vista, além das informações de nossas aulas e o do suporte em nossa bibliografia recomendada, agora chegou a hora de traçar o plano estratégico de marketing para sua empresa, considerando o período de um ano. O que esse plano deve contemplar? Onde você deseja chegar implementando a estratégia proposta? O desenvolvimento do plano de marketing deve contemplar as orientações expostas no Tema 1 desta aula. FINALIZANDO Nesta aula abordamos a estratégia e a prática das atividades empreendedoras. Pudemos entender a importância do marketing dentro do contexto empreendedor, o que ele pode oferecer e seus possíveis resultados, independentemente do porte da empresa. Percebemos, também, a importância de elaborar um plano de marketing, tanto para ações e produtos/serviços específicos quanto para a empresa como um todo, em um abrangente plano estratégico de marketing. Vimos também a importância e a aplicação dos 4 Ps de marketing ainda hoje para os negócios, e pudemos conhecer novas diretrizes, complementares aos 4 Ps. Aprofundamos, ainda, nossos conhecimentos sobre o desenvolvimento de estratégias e a importância de ter um plano estratégico claro e bem traçado para o negócio. Na sequência, adentramos no dia a dia da empresa, na aplicação das atividades no cotidiano. Para concluir, refletimos sobre os dados e os indicadores, além das técnicas aplicadas para a interpretação e determinação dos resultados. Todos esses recursos são peças fundamentais, agrupados no plano de negócios, que vão possibilitar ao empreendedor uma visão detalhada de seu negócio: sua viabilidade, investimentos, processos e plenejamentos.28 REFERÊNCIAS ANDERSON, C. A cauda longa. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006. BERNARDI, L. A. Manual de plano de negócios: fundamentos, processos e estruturação. São Paulo: Atlas, 2008. BIAGIO, L. A. Empreendedorismo: construindo seu projeto de vida. Barueri: Manole, 2012. BIAGIO, L. A.; BATOCCHIO, A. Plano de negócios: estratégia para micro e pequenas empresas. Barueri: Manole, 2005. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração. 3. ed. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1983. COSTA, C. G. A. Gestão de mídias sociais. Curitiba: InterSaberes, 2017. DUARTE, F.; QUANDT, C.; SOUZA, Q. (Org.). O tempo das redes. 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