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DOENÇA RENAL DO DIABETES (DRD) Diagnóstico DM: OBS: medir glicemia mais de uma vez para dar diagnóstico. LOA do diabetes: · Microvasculares: lesão dos vasos sanguíneos pequenos -> retinopatia, DRD e neuropatia. · Macrovasculares: lesão dos vasos sanguíneos grandes -> DAC, HAS, doença cerebral e doença arterial dos MMII. DM tipo 1: pesquisar doença renal após 5 anos de diagnóstico da DM. DM tipo 2: pesquisar doença renal no momento do diagnóstico – paciente pode ficar muito tempo assintomático e só ser diagnosticado após anos de doença. Alterações renais começam a aparecer após pelo menos 10 anos de DM. DRD: · É uma glomerulopatia secundária. · Cursa com albuminúria e redução progressiva da TFG. · Normalmente é acompanhada de outras LOA microvasculares. Fisiopatologia DRD: · Glicose sérica aumentada -> mais glicose chegando ao glomérulo. · TCP absorve mais glicose, que é acompanhada de absorção de sódio. · Menos sódio chega ao TCD -> mácula densa interpreta a redução da chegada de sódio como hipoperfusão do glomérulo. · Ativação do SRAA pela mácula densa -> vasoconstrição da a. eferente -> hiperfiltração -> facilita mais a absorção de glicose -> ciclo vicioso -> progressão para DRC. · A hiperfiltração ocorre no início na doença pelo aumento do fluxo capilar glomerular e pressão intraglomerular (ocorre pela vacoconstrição da a. eferente). · Para comportar a hiperfiltração, há hipertrofia da membrana basal glomerular, cápsula de Bowman e túbulo -> aumento de tamanho do glomérulo. · Pode haver certa hipertrofia do rim na fase inicial, mas quando a doença evolui para DRC, há tendência de atrofia do rim -> rim fica com tamanho normal, porque anteriormente estava hipertrofiado. Glomérulo na DRD: · Apagamento dos podócitos -> albuminúria. · Produção de TGF-beta (pró-fibrótico). · Proliferação de células mesangiais. · Células inflamatórias. · Atrofia tubular e fibrose intersticial – fases mais avançadas e sem possibilidade de reversão da doença. Classificação histológica do glomérulo na DRD (biópsia): · Inicialmente ocorre espessamento da membrana basal glomerular (visto na ME). · Proliferação de células mesangiais com aumento da matriz. · Formação dos nódulos de Kimmelstiel-Wilson (degeneração hialina conjuntiva, por deposição de proteínas no interstício tecidual) – nem sempre estão presentes. · Glomeruloesclerose – glomérulo recoberto por fibrose e perdendo função. OBS: NEFROPATIA DIABÉTICA – nome usado apenas para as alterações histológicas renais na DM. Biópsia renal: padrão ouro para diagnóstico, mas feita apenas em casos de dúvida. Indicações biópsia renal (sinais de alerta): · Aumento abrupto de proteinúria (principalmente em níveis nefróticos). · Sedimento urinário ativo. · Declínio acelerado da TFG. · Duração da DM inferior a 10 anos. · Consumo de complemento. · HAS a níveis extremos ou refratária. · Ausência de outras LOA. · Sinais e sintomas de outras doenças sistêmicas. DRC: · Tem a DRD como principal causa. · Muitos dos pacientes com DRD possuem apenas alteração da TFG, sem albuminúria. · Classificação: Tratamento DRD – não medicamentoso: · Dieta DASH. · Exercício físico – 150min/semana. · Cessar tabagismo. · IMC < 25. Tratamento DRD – medicamentoso: · Metformina: dose plena até TGF de 45ml/min, meia dose para TGF entre 45ml/min e 30ml/min, contraindicado para TFG <30ml/min (risco de acidose lática). · ISGLT2 (dapagliflozina ou empagliflozina): atuam no TCP, reduzindo a absorção de glicose e sódio -> glicosúria e natriurese. Agem na fase de hiperfiltração da DRD, reduzem mortalidade e evolução da doença. Contraindicado para TFG <20ml/min. · IECA ou BRA – não iniciar DAPA e losartana juntas, pode reduzir muito a pressão intraglomerular e piorar a função renal. · Estatinas de alta potência. · Se o controle glicêmico não for atingido com a metformina e ISGLT2 ou tiver albuminúria refratária, usar GLP-1 RA (TFG >15ml/min). · Se albuminúria refratária e potássio normal, usar inibidores de mineralcorticoides não esteroides (Finerenone). · Usar terapia antiplaquetária em pacientes com alto RCV. OBS: no SUS não tem GLP-1 RA, então usar sulfonil-ureia. OBS: pacientes dialíticos – não introduz medicação, apenas continua aquelas que ele já usava pelo benefício cardiológico. OBS: GLP-1 RA – liraglutida, semaglutida; IDPP4 – sitagliptina, vildagliptina. Metas de tratamento (PA): · Com albuminúria: PA < 130/80. · Sem albuminúria: PA < 140/90. Metas de tratamento (HbA1c < 6,5%): · DRC G1. · Sem/poucas alterações macrovasculares. · Sem/poucas comorbidades. · Expectativa de vida longa. · Com percepção de hipoglicemia, com maneiras de controlá-la e baixa probabilidade de o tratamento causar hipoglicemia. Metas de tratamento (HbA1c < 8%): · DRC G5. · Com/muitas alterações macrovasculares. · Muitas comorbidades. · Baixa expectativa de vida. · Sem percepção de hipoglicemia, sem maneiras de controlá-la e com alta probabilidade de o tratamento causar hipoglicemia.