Prévia do material em texto
Alexandre Garrido Doença Renal Diabética / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ Nefrologi�: Doenç� Rena� Diabétic� ⇒ Obje�vos: terminologia, epidemiologia, fatores de risco, patogênese, Evolução natural da DRD — complicações se somam; Aspectos histopatológicos, relação com a re�nopa�a diabé�ca e rastreamento; Diagnós�co, tratamento e alvos terapêu�cos; ⇛ Evolução ⇉ Inicialmente hiperfiltração glomerular e/ou microalbuminúria (30-300 mg/24h), seguido de proteinúria (> 300 mg/24h) à azotemia (redução da TFG); 1. Hiperfiltração glomerular 2. Microalbuminúria ( mais precoce ): 5-10 anos do DM 3. Macroalbuminúria: 5-10 anos após início da micro (300 mg a 25g/24h) 4. Redução da Função Renal ( queda TFG ) ★ Histopatológico ao longo dos anos: injúria celular, expansão mesangial, esclerose glomerular, fibrose tubular e inflamação; ★ Nem sempre essa evolução pode acontecer, já que existem pacientes que perdem a TFG sem desenvolver albuminúria, fato associado a fatores múl�plos como hipertensão, dislipidemia, obesidade e idade; ■ O rápido declínio da TFG pode ser de maior importância prognós�ca do que a própria albuminúria; ⇛ Esses fatores vão se somando ao longo dos anos; ★ Complicações renais ⇒ Anemia, doenças do metabolismo ósseo, re�nopa�a, neuropa�as; ➽ Doença Renal Diabé�ca — principal causa de DRC e DRC 5 (fase dialí�ca) nos EUA e em todo mundo; ⇉ 45% dos pacientes em TRS (diálise ou transplante) nos EUA; ⇉ No Brasil → segundo lugar como principal causa ⇉ 30-45% de pacientes diabé�cos apresentarão DRD ■ Proporcionalmente 90% DM2 e 10% DM1 (maioria DM2) ⇉ Crescimento mundial para obesidade, síndrome metabólica, DM2 ⧭ Base gené�ca — desenvolvimento de lesão renal em pacientes diabé�cos ⥱ Americanos na�vos, afro-americanos, maori, polinésias… ⥱ Fatores de risco ambientais ⇒ Modificáveis ou não também exercem importante papel via lesão tecidual direta ou indiretamente por meio de modificação gené�ca Alexandre Garrido Doença Renal Diabética / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ⧭ F. Risco não modificáveis: HF de nefropa�a diabé�ca, polimorfismos gené�cos do SRAA e idade; ⥱ Modificáveis -> Obesidade, hiperglicemia, HAS, dislipidemia, tabagismo, consumo de refrigerantes e hiperuricemia; __________________________ — Patogênese — ________________ _________ ➥ DRD: Doença complica e heterogêneo com alterações na hemodinâmica glomerular,, estresse oxida�vo, inflamação e fibrose inters�cial ⦽ Hiperglicemia (começo de tudo), leva à produção de AGEs [produtos finais da glicosilação avançada] e ROS [espécies rea�vas de oxigênio] — estes produtos metabólicos aberrantes levam à expressão de genes pró-fibró�cos e pró-inflamatórios ★ Hiperglicemia + Resistência insulínica + Dislipidemia ⇒ Induz a produção de citocinas inflamatórias, tais como a produção de TGF Beta (citocina pró fibró�ca) ■ TGF beta > se relaciona com a hipertrofia da célula mesangial e expansão da matriz mesangial ■ Mácula densa se encontra entre a arteríola aferente (por onde chega o sangue no glomérulo) e a arteríola eferente (por onde sai o sangue); ■ Pressão é maior dentro do glomérulo, nos tufos capilares, onde ocorre a ultrafiltração, caindo no túbulo contornado proximal, onde a par�r daí existe todo o sistema tubular, até aos túbulos coletores; ⦽ Podócitos, capilares, células mesangiais, membrana basal → tudo par�cipa da sele�vidade da barreira de filtração glomerular, deixando passar apenas o que é permi�do ⥤ Alterações/lesões específicas deixam que moléculas grandes passem ⥤ A albumina, além de grande, poderia passar em desarranjo da estrutura, no entanto não passa em alterações específicas da membrana basal, pois ambas possuem cargas nega�vas (ocorre uma repulsa) ★ DRD: Membrana basal espessa, desorganizada, perde sulfato de heparan e consequentemente perde sua energia nega�va, deixando que a albumina possa passar ➥ Células mesangiais e matriz mesangial: entre as alças capilares glomerulares, formam preenchimento e arcabouço das mesmas. Se dividem entre intraglomerulares e extraglomerulares; ➢ TFG-Beta ⇒ Hipertrofia dessa região Alexandre Garrido Doença Renal Diabética / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ➥ DRD: Quanto mais aberta a aferente ou mais fechada a eferente, maior será a pressão nos rins, portanto ocorre uma hiperfiltração glomerular pelo aumento dessa pressão nos capilares glomerulares ; ➢ Aferente: Moléculas relaxam a aferente, dilatando e diminuindo a resistência ○ Óxido nítrico, FNA, prostanoides, ausência/resistência insulínicas ➢ Eferente: Moléculas fazem vasoconstrição na eferente, aumentando a resistência ○ Tromboxano, angiotensina II e endotelina 1 ★ iECA/BRA: Bloqueiam a AGT II, abrindo-a e diminuindo a pressão nos glomérulos, com uma mudança inicial esperada da queda da TFG /aumento da crea�nina de até 30%, além da retenção de potássio (hipercalemia); ➥ Função Tubular e Feedback Túbulo-Glomerular ★ TCP: Co-transportador Na e Glic → reabsorve sódio e glicose ↪ Hiperglicemia (> 180) → Up-regula�on → Reabsorve, fisiologicamente, mais sódio e glicose do que deveria, não sobrando sódio suficientemente para chegar até a parte do TCD; ★ A mácula densa, como sensor do TCD , percebe que chega pouco Na e Glc, e como ela também tem contato com a arteríola aferente, onde existem células especializadas que podem produzir renina , além de presumir que está filtrando pouco por chegar pouco sódio na TCD, logo também es�mula a vasodilatação da arteríola aferente para es�mular a hiperfiltração; ↪ A renina também é conver�da, passando pelo ponto de angiotensina II e levando à vasoconstrição da eferente, es�mulando ainda mais a hiperfiltração ; ⦽ iSGLT2 → Inibe o co-transportador sódio e glicose no TCP, inibindo a reabsorção intensa de Na e Glic, deixando que aconteça o mecanismo de hiperfiltração excessiva; ➽ Diabé�co + HAS: Perda da capacidade de regulação do tônus vascular ↪ Rim não se adapta na PA sistêmica elevada, logo não há proteção por mudança do tônus vascular da aferente, assim levando a pressão integralmente ao glomérulo renal, que individualmente eleva a TFG, hiperfiltrando por aumento da pressão e lesionando o meio — ★ Os néfrons que estão inicialmente preservados vão hiperfiltrar para compensar a inoperância dos que foram lesados, e ficarão também, posteriormente, comprome�dos ➽ Correlação Histopatológica ➜ Espessamento da Membrana Basal — acúmulo de colágeno �po IV ➜ Alteração da composição da membrana basal por perda do Sulfato de Heparana (perde carga nega�va) ➜ Podócitos: aumento da largura dos processos podocitários, sofrem apoptose e reduzem sua mobilidade, redução da expressão de moléculas de nefrina ; ★ Expansão da Matriz Mesangial → inicialmente aumento do número de células mesangiais, que depois sofrem apoptose; ➔ Organização em forma nodular com nódulos de kimmels�el-wilson (patognomônico de DRD , além de correlação direta com o fundo de olho ) e esclerose mesangial Alexandre GarridoDoença Renal Diabética / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ➜ Imunofluorescência: depósitos inespecíficos de IgG (linear), Igm E C3; ➜ Microscopia eletrônica: Sem depósitos imunes; ➜ Alterações vasculares: aterosclerose hialina e hipertensiva ➜ Graus variáveis de glomeruloesclerose e alterações TI ★ Biópsia renal DM1 e DM2: Indiferenciáveis!!!!! ➤ Re�nopa�a Diabé�ca ➸ > 90% DM1 c/ DRD: Re�nopa�a diabé�ca ➸ 60% DM2 c/ DRD: Re�nopa�a diabé�ca ➸ Correlação com Nódulos de Kimmels�el-Wilson ➸ DM1 + re�nopa�a diabé�ca + DRD → provável nódulos de kimmels�el-wilson ➤ Rastreamento da DRD em Adultos ➢ RAC (relação albumina/crea�nina) ➢ Cr sérica ( CKD-EPI → TFG ) ★ DM1: 5 anos após diagnós�co, depois anualmente ★ DM2: No diagnós�co, depois anualmente ★ crianças e adolescentes de 11-17 anos → rastreio com 2-5 anos do início da doença ⟴ Se RAC elevado em 1ª rastreio : realizar mais dois exames com intervalo de 3-6 meses, pois pode haver uma albuminúria que não é persistente (a�vidade �sica extenuante, febre, antes do exame) __________________________ — Diagnóstico — ________________ _________ ➥ Diagnós�co: Clínico, com presença de 02 critérios: ↪ Persistência de microalbuminúria e/ou TFG 3 meses ↪ Longa duração do diabetes ou re�nopa�a diabé�ca estabelecida ■ DM1 > 5 anos. DM2 já podem ter DRD ao diagnós�co, e nesses casos já podem ter microalbuminúria e/ou TFG reduzida ➥ Fundo de Olho: Re�nopa�a diabé�ca prolifera�va se correlaciona com as caracterís�cas patológicas da DRD. Assim, o diagnós�co clínico de DRD pode ser feito em re�nopa�a estabelecida, mesmo que a duração conhecida da diabetes seja curta ou desconhecida; ➥ Podemos classificar os estágios da DRD da mesma forma que classificamos a DRC pelos estágios de TFG ( G1-G5 ) e de albuminúria ( A1-A3 ); Alexandre Garrido Doença Renal Diabética / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ⊊ Biópsia Renal _ ➢ Raro indicar para realizar diagnós�co ★ Indicado quando há forte suspeita de um diagnós�co alterna�vo, como: ⇉ DM1 4mL/min/ano) ! Sedimento urinário alterado ! Manifestações clínicas de outras d. sistêmicas ! Ausência de re�nopa�a ou neuropa�a diabé�ca ! Queda rápida da TFGe, acima de 30%, após início iECAs ou BRA ↪ Sugere estenose de artérias bilateral, fazer doppler de artérias renais ⧭ USG DRD: Pode não ter alterações, com tamanho normal ou até mesmo aumentado (nefropa�a avançada), com relação cór�co-medular preservada __________________________ — Tratamento — ________________ _________ ⥹ Controle glicêmico, controle da PA; ⥹ Redução da ingesta de Na para potencializar efeito iECA/BRA e melhor controle de PA ⥲ Manter Na urinário 1,4 mg/dL. ★ Deixar iECA/BRA, mas rever outras medicações, orientar redução da ingesta de alimentos ricos em potássio, considera u�lizar diuré�cos ★ Se > 30%, devemos suspeitar de estenose de artéria renal, hipovolemia, rever medicações, an�-inflamatórios (bloqueio da prostaglandina), injúria renal aguda ● Nesse caso, reduzimos dose ou suspendemos o iECA/BRA ⧭ Dose iECA/BRA: Máxima tolerada ⥤ Se não a�ngir alvo terapêu�co ⇒ Associamos BCCa diidropiridínico ou diuré�co ⥤ Se man�ver albuminúria ⇒ Associamos antagonista de mineralocor�coide não esteroidal: Finerenone ■ Atenção ao Potássio ⥤ Não associar iECA com BRA ■ Maior risco de hipercalemia, injúria renal aguda, hipotensão postural, síncope ▼ Ingestão de Sódio : Menor que 1,5 Na/d – menor que 3,25g de NaCl/dia, quando houver HAS ➪ Dieta DASH ➪ Brasileiro geralmente ingere 12g/d ▼ Esta�nas : Sempre indicado, independente dos níveis de LDL-C ▼ Controle Glicêmico ➪ Pode reverter parcialmente a hipertrofia e a hiperfiltração glomerular ➪ Pode atrasar o desenvolvimento da microalbuminúria ➪ Pode estabilizar ou diminuir a excreção proteica em pacientes com excreção aumentada de albumina ➪ Pode retardar a progressão da TFG ★ Atenção: Idosos/pacientes com comorbidades e baixa expecta�va de vida ⇒ controle estrito da glicemia pode não trazer bene�cios ! Alvo: HbA1 30 mL/min — TFG 30-45 mL/min não ultrapassar 1g/d Alexandre Garrido Doença Renal Diabética / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ! Se não conseguir a�ngir meta com me�ormina + iSGLT2, podemos associaranálogos do iSGLT1 ou outros hipoglicemiante oral; ⧪ Riscos associados ao uso de iSGLT2: Orientar higiene pessoal na região genital pelo risco de infecção genital e risco de infecção do trato urinário. ➢ Canaglifozina associada à fratura ósseas e amputações de membros inferiores ➢ Relatos de aumento da incidência de gangrena de fournier ➢ Cetoacidose euglicêmica é rara ⧪ iDPP-4: Importante ressaltar que não possui restrições, podendo ser usada em qualquer estágio da DRC, desde que a dose seja alterada; ⧪ Finerenonee ( antagonista de receptores de mineralocor�cóides não-esteroides) ➢ Recomendado para proteção renal, em: ■ DM2 e albuminúria > 30 mg/g, associado ao IECA/BRA em dose máxima tolerável, com: ↪ TFG ≥ 25 a 75 ml/min/1,73 m² e K sérico ≤ 4,8 mEq/L ➢ Menos ginecomas�a e disfunção sexual que espironolactona Alexandre Garrido Doença Renal Diabética / 7º Período - Turma 105 B ________________________________________________________________________________________________ ➤ Doença Renal do Diabetes Grave ○ TFG