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Infecções de partes moles: erisipela, celulite e celulite gangrenosa
Infectologia- SAE
Profª Drª Nidyanara Castanheira
Interna: Thaynara Silva
# ERISIPELA
Definição: Infecção cutânea aguda com rápida disseminação e frequentemente acompanhada por sintomas e sinais sistêmicos.
Infecção na DERME que se estende para os linfáticos superficiais.
Às vezes pode se sobrepor à celulite.
Epidemiologia:
· É mais comum em adultos jovens e principalmente em idosos
· Casos em crianças são raros
· Maior incidência em diabéticos
Agente etiológico:
· Streptococcus beta-hemolítico do grupo A (Streptococcus Pyogenes)
· Gram positiva (cora de violeta, retém o corante)
· Formas bolhosas (endotoxinas do S. aureus)
Fisiopatologia:
-> Principais fatores associados à erisipela como porta de entrada (perda da barreira cutânea):
- Tineas interdigitais;
- Linfedema;
- Úlceras de MMII;
- Herpes-simples;
- Ferimentos cortantes.
Quadro clínico:
· Área eritematosa com rápida disseminação na periferia
· Bordas bem delimitadas com projeções do tipo “pseudópodes”
· Dor local, adenomegalia reacional e febre com calafrios
· A variante com bolhas e vesículas é denominada: Erisipela bolhosa
Locais mais acometidos:
· MMII
· Face (malar/zigomática)
· MMII em pacientes mastectomizadas com alterações linfáticas secundárias
# Complicações:
· Pode evoluir para celulite e complicar com necrose local;
· Abscessos profundos e fasceíte necrosante;
· Endocardite;
· Glomerulonefrite.
Diagnóstico:
· Raramente o Streptococcus pyogenes pode ser isolado na cultura da lesão
· A positividade da Hemocultura também é baixa (<5%)
Diagnóstico diferencial:
· Eczema (sem febre, sem leucocitose)
· Celulite (mais profunda)
Tratamento:
· Casos leves: Amoxicilina VO ou Penicilina cristalina EV (2 semanas para diminuir chance de recorrência)
· Repouso e elevação dos MMII em caso de erisipela em MMII;
· Tratar dermatofitoses profilaticamente em casos de recorrentes (3 ou + episódios por ano).
# CELULITE
Definição: Infecção bacteriana de pele e subcutâneo com envolvimento de estruturas mais profundas, como fáscia, músculos e tendões.
Agente etiológico:
· Streptococcus: cirurgias gerais, ortopédicas ou vasculares;
· Staphylococcus: feridas abertas ou úlceras;
· Gram-negativos e anaeróbios: mordedura de animais;
· Haemophilus influenzae: celulite periorbitária em criança (<2 anos);
· Micoses profundas- zigomicose: face em diabéticos.
Fisiopatologia: 
Porta de entrada prévia (feridas cirúrgicas são as causas mais frequentes)-> rápida disseminação devido à ação das enzimas líticas bacterianas.
Quadro clínico:
· Pernas são os locais mais acometidos
· Eritema e edema de limites e bordas mal delimitados
· Dor mais importante. Pode limitar a mobilização do membro acometido;
· Necrose com ulcerações e abscessos
Diagnóstico:
· Diagnóstico em sua essência é CLÍNICO!
· Cultura de secreção é usada para guiar antibioticoterapia
Diagnóstico diferencial:
· Eczemas (eritema com descamação em áreas bem delimitadas, sem febre, sem dor, mas muito pruriginoso). Eczema por estase, eczema atópico, eczema disidrósico, eczema de contato…
· 
· Trombose venosa profunda (TVP): edema mais frio
Tratamento:
· Paciente com sintoma sistêmico deve ser internado para tratamento parenteral;
· Posteriormente com a melhora pode trocar para esquemas orais;
· ATB: cefalosporinas e quinolonas
· Ciprofloxacino
· Em casos de pé diabético: costuma-se associar ciprofloxacino + clindamicina
· Oxacilina em casos graves (crepitações- enfisema subcutâneo, toxemia, bolhas, áreas de anestesia, lesões hemorrágicas)
· Pode ser necessário avaliação cirúrgica para drenagem e desbridamento.

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