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LABORATÓRIOS 
ESCOLARES, 
BIBLIOTECAS E 
AMBIENTES DE 
CONVIVÊNCIA
Geandro Rocha
Princípios democráticos 
de convivência escolar
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Relacionar as assembleias escolares com a resolução de conflitos.
 � Discutir a importância do princípio da mediação no espaço de con-
vivência escolar.
 � Descrever ações voltadas à educação democrática e de convivência 
saudável na escola.
Introdução
A escola não é apenas um espaço de convivência onde alunos, famílias, 
professores e funcionários constroem relações. Ela também é um espaço 
onde se aprende a conviver com o outro, com o diferente, de modo har-
mônico. Na escola, pode-se desenvolver habilidades de relacionamento 
que capacitam os alunos a conviver de modo harmônico no grupo e na 
sociedade.
Considerar o desenvolvimento de habilidades de relacionamento 
pelos alunos envolve pensar nos princípios da educação integral, que 
propõe o desenvolvimento humano de modo global, em suas dimen-
sões intelectual e afetiva. Entre os princípios da educação integral, está 
o reconhecimento da escola como espaço de democracia, pautada 
em igualdade, liberdade, reciprocidade, autonomia, espírito crítico, res-
ponsabilidade, iniciativa, cooperação, solidariedade, tolerância, diálogo, 
autorregulação, adaptabilidade e respeito às diferenças e diversidades 
(BRASIL, 2014). Dessa forma, ao pensar na convivência desenvolvida no 
ambiente escolar, tenha em mente que ela deve estar baseada em prin-
cípios democráticos.
Neste capítulo, você vai verificar como a convivência baseada em 
princípios democráticos pode ser desenvolvida nos espaços escolares. 
Você também vai ver como a mediação se insere nesse processo, bem 
como conhecer o papel do professor na construção de um ambiente de 
convivência harmônica. Por fim, você vai ler sobre o papel do diálogo na 
resolução de conflitos, conhecendo ferramentas que podem ser utilizadas 
para o desenvolvimento de uma educação democrática na escola.
1 Assembleia escolar: caminhos para 
a resolução de conflitos
De acordo com pesquisadores interacionistas, o ser humano se constitui como 
indivíduo, como pessoa, a partir das suas interações com o outro, com o grupo, 
com a sociedade. Ao conviver, o ser humano se transforma; ao interagir, 
o indivíduo consegue perceber as semelhanças e diferenças existentes ele entre 
e o outro. Essa percepção desencadeia um processo no qual o indivíduo se 
compara com o outro, descobre novas formas de ser e de viver, atribui novos 
significados ao que descobre e ao que já sabia, compreende, age, busca novas 
alternativas e reflete a respeito das semelhanças e diferenças percebidas entre 
ele e os demais (ARAÚJO, 2008). A percepção das semelhanças geradas pela 
convivência cria pontos de interesse comum, originando um sentimento de 
pertencimento, de identificação. Mas é preciso lembrar também que a percep-
ção das diferenças pode causar divergências, posições diferentes, conflitos.
O interacionismo é uma abordagem epistemológica (do conhecimento) que busca 
compreender os indivíduos a partir de suas interações com a sociedade. No campo da 
educação, os principais expoentes dessa abordagem são Jean Piaget e Lev Vygotsky.
Princípios democráticos de convivência escolar2
O conflito, de acordo com Chrispino (2007, p. 17), “é toda opinião divergente 
ou maneira diferente de ver ou interpretar algum acontecimento”. Leme (2009, 
p. 360), por sua vez, define o conflito como “uma situação de oposição entre 
pessoas envolvidas em uma interação social”. Muitos conflitos podem surgir a 
partir dos diferentes modos de as pessoas verem e interpretarem as situações, 
ou de opiniões e ideias diferentes. Por exemplo: um pedido negado demonstra 
diferenças nos objetivos de cada um dos envolvidos no conflito, o que causa 
frustração; uma crítica pode iniciar um conflito porque ameaça a boa imagem 
que a pessoa tem de si; e um esbarrão pode ser interpretado como proposital 
mesmo sendo acidental (LEME, 2009). Em geral, na raiz do conflito existe a 
diferença no modo de pensar, de sentir, de se posicionar, de interpretar.
Então, como a convivência baseada em princípios democráticos pode auxi-
liar na resolução de conflitos, de modo que eles resultem no desenvolvimento 
de todos os envolvidos? Para responder a essa questão, vamos considerar os 
estudos desenvolvidos por Puig et al. (2003) e Araújo (2000, 2004, 2008, 2012). 
Em primeiro lugar, reflita sobre como a democracia é vivenciada dentro de 
uma escola. Puig et al. (2003) consideram que, na escola, a democracia não 
está relacionada ao governo da maioria nem ao princípio de que todos são 
iguais. Para o autor, em instituições como escola, família e hospital, existem 
diferenças nos papéis sociais exercidos por cada um dos indivíduos. Dessa 
forma, pais e filhos, professores e alunos e médicos e pacientes não são iguais, 
pois têm responsabilidades e funções diferentes perante a sociedade. O autor 
chama essas diferenças de “assimetria funcional”. Exatamente por esse motivo 
não são os alunos (a maioria) que decidem o que deve ser feito na sala de aula, 
como o tempo de duração das aulas. Por outro lado, da mesma maneira que 
os indivíduos são diferentes em relação às funções e às responsabilidades que 
possuem, eles são simétricos, iguais, perante a sociedade no que diz respeito 
aos seus direitos e deveres — segundo os princípios democráticos de igualdade, 
liberdade e justiça. Essa é a simetria democrática.
Araújo (2012) aborda as ideias desenvolvidas por Puig et al. (2003) con-
siderando o que chama de “princípio da equidade”. A equidade reconhece 
a diferença dentro da igualdade, aproximando-se, portanto, do conceito de 
justiça. Araújo (2000, p. 95) explica a relação entre esses dois princípios ao 
mencionar que, “ao mesmo tempo que a igualdade de direitos e deveres deve 
ser objetivada nas instituições sociais, não se deve perder de vista o direito e o 
respeito à diversidade, ao pensamento divergente”. Dessa forma, professores e 
alunos não são iguais perante a sociedade em determinados aspectos, mas são 
iguais por terem os mesmos direitos e deveres. Assim, o princípio da equidade 
deve ser considerado complementar ao princípio da igualdade. Araújo (2000, 
3Princípios democráticos de convivência escolar
p. 96) menciona que na escola todos os membros têm direito “ao diálogo, à livre 
expressão de sentimentos e ideias, ao tratamento respeitoso e à dignidade”.
Resolver conflitos considerando que os indivíduos são iguais em direitos 
e deveres, porém diferentes em relação à sua constituição, às suas opiniões e 
às suas formas de compreender um acontecimento, implica abandonar a noção 
de que em um conflito existe um lado certo e um lado errado, ou de que há 
um vencedor e um perdedor. Resolver conflitos de acordo com princípios 
democráticos envolve considerar a autonomia do indivíduo, o desenvolvi-
mento de seu espírito crítico e de sua iniciativa, bem como a responsabilidade, 
a cooperação, a solidariedade e a tolerância. Que ferramenta seria adequada 
para resolver conflitos dessa forma? Puig et al. (2003) e Araújo (2012) apontam 
a assembleia escolar como ferramenta a ser utilizada na resolução de conflitos 
a partir de princípios democráticos. Puig et al. (2003, p. 86) consideram a 
assembleia escolar “o momento institucional da palavra e do diálogo. Momento 
em que o coletivo se reúne para refletir, tomar consciência de si mesmo e 
transformar o que seus membros consideram oportuno, de forma a melhorar 
os trabalhos e a convivência”.
Como demonstra o autor, a assembleia escolar é um momento organizado 
para que alunos e alunas, professores e professoras possam falar das questões 
que lhes pareçam pertinentes para melhorar o trabalho e a convivência escolar. 
Ela tem como objetivos promover a participação das pessoas nos espaços de 
decisão e democratizar a convivência coletiva e as relações interpessoais. 
A promoção do diálogo é peçacentral na assembleia escolar, e é garantido a 
todos os participantes o direito de expressar seus pensamentos e opiniões em 
um ambiente respeitoso. Araújo (2008) menciona que muitas vezes, em uma 
assembleia escolar, o que se busca não é o consenso, e sim oportunizar aos 
participantes a defesa de posturas e ideias, que frequentemente são opostas, 
explicitando assim as diferenças existentes no grupo. Dessa forma os princí-
pios democráticos vão sendo construídos e exercitados pelos participantes da 
assembleia escolar. Na assembleia escolar, não existe uma figura de autoridade 
que é responsável pelas decisões tomadas. Nela é exercida a democracia 
participativa: todos do grupo participam na busca de encaminhamento para 
os temas abordados. Todos os participantes participam de forma coletiva da 
reflexão sobre os fatos cotidianos, e é incentivado o protagonismo das pessoas 
na busca de soluções para as questões colocadas. Tanto Puig et al. (2003) 
quanto Araújo (2000, 2004, 2008, 2012) consideram a assembleia escolar um 
espaço propício para a resolução de conflitos, pois nela se pressupõe que o 
diálogo, a participação, a reflexão, a crítica, a negociação, a compreensão e a 
descoberta sejam incentivadas e exercitadas. A seguir, veja como Araújo (2004) 
Princípios democráticos de convivência escolar4
resume a importância da assembleia escolar para o processo de resolução de 
conflitos na escola:
[A assembleia escolar] permite, em sua prática, partindo do conhecimento 
psicológico de si mesmo e das outras pessoas sobre o que é preciso para resol-
ver os conflitos, chegar ao conhecimento dos valores e princípios éticos que 
devem fundamentar o coletivo da classe. Ao mesmo tempo, evidentemente, 
permite a construção psicológica, social, cultural e moral do próprio sujeito, 
em um movimento dialético em que o coletivo transforma e constitui cada 
um de nós, que transformamos e ajudamos na constituição dos espaços e das 
relações coletivas (ARAÚJO, 2004 apud ARANTES, 2006, p. 37).
Puig et al. (2003) e Araújo (2000, 2004, 2008, 2012) apresentam três tipos de 
assembleia escolar: a assembleia de classe, a assembleia de escola e a assembleia 
docente. A assembleia de classe acontece semanalmente com a participação 
de um docente e de todos os alunos de uma turma. A assembleia de escola 
acontece mensalmente e conta com a participação de todos os segmentos da 
comunidade escolar; a ela são enviados representantes de cada turma, dos 
professores e dos funcionários, e são considerados basicamente assuntos 
selecionados entre os abordados nas assembleias de classe. Já a assembleia 
docente é voltada para questões próprias das relações entre professores e 
gestores educacionais.
Alguns procedimentos são fundamentais para que a assembleia escolar 
atinja o seu propósito de auxiliar na resolução de conflitos de modo democrá-
tico. O primeiro deles está relacionado à preparação da assembleia e à definição 
da pauta com os assuntos que serão abordados. A pauta é construída coleti-
vamente durante os dias que antecedem a assembleia, e alunos e professores 
vão registrando de forma anônima, em um local previamente definido, como 
uma cartolina ou um quadro, seus apontamentos a respeito de duas situações: 
críticas e felicitações. Esses temas são relacionados ao convívio escolar e às 
relações entre os membros do grupo.
Veja alguns exemplos: um aluno pode anotar na pauta que deseja abordar 
a situação das carteiras escolares sujas no início do dia escolar; já outro aluno 
pode desejar falar sobre o sumiço de lápis que tem acontecido na sala de aula. 
Essa pauta é considerada durante a assembleia escolar por um professor ou 
por um aluno, e o grupo dialoga a respeito, expressando suas considerações e 
percepções sobre os temas abordados. No espaço da assembleia escolar, ao se 
dialogar a respeito de um conflito, “é garantido a todos os membros que dela 
participam a igualdade de direitos de expressar seus pensamentos, desejos e 
formas de ação, ao mesmo tempo que é garantido a cada um de seus membros 
5Princípios democráticos de convivência escolar
o direito à diferença de pensamento, desejos e formas de ação” (ARAÚJO, 
2008, p. 119).
Durante o diálogo, o grupo que participa da assembleia conversa a res-
peito do conflito elaborando alternativas de solução ou de enfrentamento, 
compartilhando a responsabilidade pela decisão que for tomada em conjunto. 
O foco está no problema ocorrido, e não em possíveis culpados. Assim, não 
será discutida uma briga específica entre dois amigos, por exemplo, mas 
as brigas entre colegas, os sentimentos de raiva, o desrespeito e as ações 
decorrentes. A própria disposição sugerida para os participantes da assem-
bleia escolar, um círculo ou semicírculo, proporciona que todos possam ver e 
ouvir uns aos outros enquanto dialogam. Não há imposição de regras, e sim 
construção coletiva de modos de lidar com o conflito, e todos participam, ou 
por expressar seu ponto de vista, ou por votar a respeito do que é proposto. 
Assim, o diálogo é desenvolvido e os princípios democráticos são aplicados à 
resolução de conflitos — não de maneira teórica, e sim na prática cotidiana.
Para conhecer melhor o trabalho com assembleias de classe, confira os estudos 
do professor francês Célestin Freinet, que participou do movimento Escola Nova. 
Na década de 1920, ele propunha o trabalho em sala de aula com as assembleias de 
classe como forma de educar promovendo o protagonismo dos estudantes.
2 A mediação e a convivência escolar
Aprender a conviver com o outro, com o diferente, respeitando sua opinião 
e atuando de modo cooperativo, é um objetivo que deve fazer parte do tra-
balho escolar. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC), ao apontar as 
10 competências gerais que devem ser desenvolvidas pelos currículos escolares 
no Brasil, abre espaço para o desenvolvimento das competências socioemo-
cionais. Essas competências envolvem, entre outros aspectos, as habilidades 
de relacionamento, como construir relacionamentos positivos, aprender a 
trabalhar em equipe e resolver conflitos de modo efetivo. Entretanto, dialogar 
pode ser bastante difícil, principalmente para pessoas muito diferentes entre 
Princípios democráticos de convivência escolar6
si. Em situações em que o conflito está instaurado, dialogar para resolver a 
questão se torna especialmente complicado. A escola pode proporcionar aos 
seus alunos a aprendizagem do diálogo e o desenvolvimento das habilidades 
de resolução de conflitos por meio da adoção de algumas estratégias, por 
exemplo, a assembleia escolar.
A seguir, você vai conhecer outra estratégia que possibilita o desenvolvi-
mento de uma convivência harmoniosa nos espaços escolares: a mediação. 
Serão consideradas duas abordagens: a mediação enquanto mecanismo espe-
cífico de atuação em situações de conflito e a mediação enquanto perspectiva 
adotada pelo professor ao atuar sobre situações de conflito em sala de aula. 
Enquanto metodologia a ser aplicada em situações de conflito, a mediação 
pode ser definida como
um procedimento consensual de solução de conflitos por meio do qual uma 
terceira pessoa imparcial — escolhida ou aceita pelas partes — age no sentido 
de encorajar e facilitar a resolução de uma divergência. As pessoas envolvi-
das nesse conflito são as responsáveis pela decisão que melhor as satisfaça. 
A mediação representa um mecanismo de solução de conflitos utilizado 
pelas próprias partes que, movidas pelo diálogo, encontram uma alternativa 
ponderada, eficaz e satisfatória (SALES, 2007, p. 23).
Perceba que a mediação, assim como a assembleia escolar, é pautada no 
diálogo. Assim, a mediação representa um mecanismo de solução de conflitos 
pelas próprias partes envolvidas, que, movidas pelo diálogo, encontram uma 
alternativa para resolver algum problema de modo eficaz e satisfatório para 
ambas, sendo que o mediador é a figura que auxilia na condução desse pro-
cesso. Sales (2007) afirma que o processo de mediação é baseado em algunsprincípios: liberdade das partes, não competitividade, poder de decisão das 
partes, participação de um mediador imparcial, competência do mediador, 
informalidade e confidencialidade do processo. O papel do mediador, que pode 
ser um professor, um funcionário da escola e até mesmo outro aluno, é atuar 
para facilitar o diálogo entre as partes envolvidas no conflito, proporcionando 
condições favoráveis para que elas possam chegar a um consenso. Não se 
busca identificar um ganhador ou um perdedor, mas prevalece a atitude do 
“ganha–ganha”; o que se procura é chegar a um acordo benéfico para todos 
os envolvidos e que seja capaz de atender a mútuos interesses.
Enquanto método a ser aplicado na resolução de conflitos, a mediação se 
mostra fundamental por proporcionar a retomada do diálogo franco entre as 
7Princípios democráticos de convivência escolar
partes envolvidas, treinando a escuta ativa, o que por sua vez possibilita o 
estabelecimento de conexões e de soluções possíveis e satisfatórias. Enquanto 
a assembleia escolar propõe o diálogo entre o grupo, a fim de construir con-
dições de convívio comunitário, a mediação encontra o seu espaço como 
promotora de soluções para situações particulares de conflito, como brigas 
de namorados e fofocas. Nessas mediações privadas, a dignidade dos envol-
vidos é resguardada e as partes se reúnem com um mediador para falar e 
ouvir uma à outra, considerando as necessidades e os sentimentos recíprocos. 
O mediador, enquanto facilitador, conduz a conversa, buscando construir uma 
visão positiva do conflito sem colocar os envolvidos uns contra os outros.
O princípio de perceber o conflito como uma oportunidade de aprendizagem 
é o ponto que você vai explorar agora, ao considerar a atuação do professor 
enquanto mediador. Para que a mediação do professor ao lidar com conflitos 
contribua para o desenvolvimento de uma convivência harmônica, é necessária 
uma perspectiva construtiva a respeito do conflito. Isso envolve encarar o 
momento do conflito como uma oportunidade de crescimento, com a intenção 
de promover uma mudança de comportamento positiva. Nesse processo, há o 
desenvolvimento das habilidades de comunicação dos alunos, que aprendem 
a trabalhar de modo cooperativo em uma perspectiva de “ganha–ganha”, ou 
seja, na resolução do conflito, não há perdedores.
Vinha e Tognetta (2009, p. 532) mencionam que o impacto da mediação 
do professor no desenvolvimento de uma convivência escolar pautada em 
princípios democráticos depende da concepção que ele construiu a respeito dos 
conflitos interpessoais que podem ocorrer entre os estudantes. De acordo com 
as autoras, tradicionalmente, os conflitos “são vistos como sendo negativos e 
danosos ao bom andamento das relações entre os alunos”. Nessa perspectiva, 
são elaboradas regras e normas e é aplicada a vigilância para evitar que os 
conflitos ocorram; caso eles ocorram, cabe ao professor resolvê-los, tomando 
todas as decisões. Assim, quando ocorre um conflito, os professores que pos-
suem a visão tradicional buscam resolvê-lo rapidamente aplicando punições e 
sermões. Essa mediação não proporciona aos estudantes o desenvolvimento 
de habilidades de relacionamento que os levem a resolver conflitos de acordo 
com princípios democráticos. O que ocorre é o contrário: quando em uma 
situação de conflito, eles passam a reagir de modo impulsivo, submisso ou 
agressivo, buscando soluções unilaterais para o problema.
Princípios democráticos de convivência escolar8
A segunda concepção de conflito apontada pelas autoras é o que elas 
chamam de “visão construtivista”. Nessa concepção, os conflitos são enca-
rados pelos professores como naturais e como um elemento necessário ao 
desenvolvimento da formação moral dos alunos. A mediação do professor não 
enfatiza a resolução do conflito em si, o modo de resolvê-lo, e sim a forma 
como o conflito será enfrentado, pensando nas oportunidades de aprendizado 
que podem ser proporcionadas aos alunos. Veja o que as autoras afirmam:
Os educadores que possuem esta concepção compreendem o conflito e sua 
resolução como partes importantes do “currículo” tanto quanto os outros 
conteúdos que devem ser trabalhados e não apenas o vendo como um pro-
blema a ser resolvido. De acordo com essa perspectiva, ao invés de o pro-
fessor gastar seu tempo e energia tentando preveni-los, deve aproveitá-los 
como oportunidades para auxiliar os alunos a reconhecerem as perspectivas 
próprias e as dos outros e aprenderem, aos poucos, como buscar soluções 
aceitáveis e respeitosas para todas as partes envolvidas. Ao agir assim, 
o educador demonstra reconhecer a importância de desenvolver nas crianças 
e jovens habilidades que os auxiliem na resolução de conflitos interpessoais 
e, consequentemente, favorecer a formação de pessoas autônomas (VINHA; 
TOGNETTA, 2009, p. 534).
Quando dois alunos brigam em sala, trocando socos, chutes e empurrões, 
geralmente eles são encaminhados para a direção da escola e talvez seus pais 
sejam convocados, ou então recebam um comunicado da escola. Esse tipo de 
solução, de acordo com Vinha e Tognetta (2009), encara o conflito de modo 
tradicional e geralmente não auxilia os envolvidos a aprender a resolver suas 
diferenças por meio do diálogo, sem agressão. Pode ser que no futuro eles 
não briguem novamente na escola ou perto de um adulto na escola, mas não 
porque estão optando pelo diálogo para resolver os problemas, e sim por 
medo da punição. A partir de uma perspectiva construtivista, a briga entre 
os alunos, o conflito existente, é encarada como uma oportunidade para eles 
exercitarem a aprendizagem de princípios democráticos de convivência. Isso 
acontece porque o desequilíbrio causado pelo conflito é percebido como um 
motivo que pode levar o aluno a refletir sobre o que fazer para restabelecer 
a relação, e a mediação proporcionada pelo professor atuará nessa direção. 
Assim, serão incentivadas a argumentação, a cooperação e a prática de ações 
que levem o outro em conta.
9Princípios democráticos de convivência escolar
Como você pode perceber, no processo de construção de uma convivência escolar 
pautada em princípios democráticos, a mediação é um mecanismo útil. Ela pode 
ser aplicada na resolução de conflitos surgidos entre alunos, alunos e professores, 
professores e escola, alunos e escola, pais e escola e até mesmo alunos e famílias. 
Isso acontece porque a mediação, como técnica ou como perspectiva a ser adotada, 
procura perceber o conflito como algo natural e necessário para o desenvolvimento 
dos seres humanos, como uma oportunidade de aprendizagem e crescimento. Assim, 
a mediação proporciona aos envolvidos no conflito a construção de novas formas de 
diálogo e uma mudança de postura frente às controvérsias e desavenças. Além disso, 
ela traz ferramentas pedagógicas para que se possa lidar com o conflito, promovendo 
o respeito ao próximo e às diversidades, além da paz e da não violência.
3 Funcionamento da assembleia escolar 
e do processo de mediação escolar
Agora, você vai conhecer as etapas de implementação e funcionamento da 
assembleia escolar e da mediação escolar. Como você já sabe, esses mecanis-
mos podem ser utilizados no espaço escolar para promover uma convivência 
baseada em princípios democráticos. Para iniciar, lembre-se de que, de acordo 
com Araújo (2004), existem diferentes modalidades de assembleia escolar, 
com periodicidades e temas diferentes, bem como com formas distintas de 
vivência da democracia. A seguir, veja uma descrição dessas modalidades.
 � Assembleia de classe: ocorre uma vez por semana ou a cada 15 dias. 
O modelo de democracia vivenciado nela é o da democracia participa-
tiva. Ela ocorre na sala de aula, entre professores e alunos, e trata de 
conflitos e relações interpessoais. A duração sugerida é de uma hora.
 � Assembleia de escola: ocorre mensal ou bimestralmente. O modelo de 
democracia vivenciado nela é o da democracia representativa. Participam 
representantes dos professores,dos funcionários, da gestão escolar e 
dos alunos (cada turma envia dois representantes). Nessa assembleia, 
são discutidas questões relacionadas ao espaço coletivo da escola; 
inclusive, questões debatidas na assembleia de classe podem ser levadas 
para essa assembleia.
Princípios democráticos de convivência escolar10
 � Assembleia docente: ocorre mensal ou bimestralmente. O modelo de 
democracia vivenciado nela é o da democracia participativa. Participam 
os professores e a gestão escolar. Nessa assembleia, são consideradas 
situações que envolvem os professores, os funcionários e a gestão da 
escola.
Esses três tipos de assembleia escolar não têm de acontecer obrigatoriamente 
em uma escola. O ideal seria que houvesse a implementação das três moda-
lidades, para que a convivência democrática fosse vivenciada em diferentes 
instâncias escolares. Mas, mesmo que isso não aconteça, um professor pode 
utilizar a assembleia de classe para conduzir a resolução de conflitos em 
sua sala de aula. A seguir, veja quais são os passos para a implementação da 
assembleia escolar de acordo com Puig et al. (2003) e Araújo (2004).
1. Mobilização do grupo: é importante que o professor planeje e execute 
atividades didáticas que proporcionem aos alunos conhecimento a 
respeito da assembleia escolar e da importância da construção de um 
espaço de diálogo para a resolução de conflitos.
2. Composição da pauta: em uma assembleia escolar, são abordados 
temas relacionados à convivência escolar, às relações interpessoais e 
aos conflitos entre os membros do grupo. A pauta deve ser construída 
coletivamente e ser pública, devendo ficar exposta em um local ao qual 
todos têm acesso. O processo é iniciado pela disponibilização de uma 
cartolina ou de um quadro com uma divisão que separe os temas em 
dois blocos: críticas e felicitações (ou êxitos, ou parabéns). Como a pauta 
fica em um lugar público e visível, os membros do grupo vão escre-
vendo as críticas e sugestões relativas ao que desejam debater durante 
a assembleia. Não se deve colocar nomes (nem de quem está sugerindo 
o tema, nem de quem está sendo criticado). O que será considerado não 
é o comportamento de um indivíduo, mas a atitude envolvida na crítica. 
O professor não deve permitir que a pauta se torne um painel de recados 
no qual os alunos escrevem indiretas para os seus colegas. Observe no 
Quadro 1, a seguir, um modelo de quadro no qual os alunos podem 
sugerir a pauta a ser considerada na assembleia escolar. Momentos 
antes da assembleia escolar, é importante que dois representantes dos 
alunos e um professor se reúnam para organizar a pauta, definindo os 
assuntos que serão considerados primeiro e agrupando temas repetidos 
ou semelhantes. Geralmente, temas relacionados à violência e outros 
11Princípios democráticos de convivência escolar
assuntos mais complexos e delicados são abordados primeiro. Mas é 
importante que todos os assuntos sugeridos sejam abordados. Deixar 
algum assunto de fora, mesmo que ele seja aparentemente insignifi-
cante, pode desmotivar os alunos e levá-los a duvidar dos objetivos da 
assembleia escolar.
Fonte: Adaptado de Pátaro e Pátaro (2007).
Eu critico Eu dou parabéns
As pessoas que xingam os amigos Para quem pega a borracha 
emprestada e devolve
Quem não passa a bola no futebol Para quem não bate nos colegas
Que suja a carteira Para a aula de ciências, que 
foi muito divertida
Quem fica conversando durante a aula Para a merenda de sexta-feira, que 
foi macarrão com carne moída
Quem pega a merenda dos 
colegas no recreio
Para o novo bebedouro, 
que tem água gelada
Quadro 1. Exemplo de pauta de assembleia de classe
3. Discussão dos temas: a discussão pode se iniciar com o coordenador da 
assembleia escolar perguntando se a pessoa que sugeriu o tema deseja 
se manifestar, garantindo-lhe assim o direito à palavra. Em um se-
gundo momento, outros alunos podem se manifestar a respeito do tema. 
Em situações de elaboração coletiva de uma regra para regular o conflito 
abordado, o coordenador da assembleia escolar precisa abrir espaço 
para que os participantes façam sugestões, e as sugestões apresenta-
das devem ser submetidas a votação, da qual todos devem participar. 
O professor deve estar atento para não permitir que alunos extrovertidos 
concentrem as falas, impedindo a fala de alunos que têm dificuldade 
de se expressar.
4. Registro da ata: durante a realização da assembleia escolar, é impor-
tante fazer o registro das decisões do grupo e dos encaminhamentos 
sugeridos. Todos os participantes devem assinar essa ata.
Princípios democráticos de convivência escolar12
Como proceder se os alunos demonstrarem dificuldades para participar e 
cumprir os acordos combinados? Esse tipo de situação pode ser desafiadora 
para os professores envolvidos na realização da assembleia escolar. É preciso 
considerar que aprender a conviver de acordo com princípios democráticos 
envolve tempo e energia. Pode ser que, em um primeiro momento, os resultados 
não sejam aparentes, mas, como Puig et al. (2003, p. 168) pontuam, “o simples 
fato de reunir a todos para dialogar sobre o funcionamento do grupo/classe já 
é um meio de formação”.
Assim, é necessário que o trabalho com a assembleia escolar não seja 
abandonado de início, pois a persistência possibilitará aos alunos a vivência de 
valores e princípios pautados na democracia. Às vezes, ajustes simples, como 
uma maior clareza nos encaminhamentos e acordos propostos, podem facilitar 
a aplicação das decisões pela classe. Por exemplo, se o grupo acorda que todos 
devem “comportar-se bem na sala de aula”, há a necessidade de explicitar de 
forma concreta quais são as ações que fazem parte disso, para que os alunos 
possam saber com clareza o que deve ser cumprido (PUIG et al., 2003). Além 
do mais, a falta de conhecimento a respeito do que foi acordado pode levar 
ao seu não cumprimento. Por isso é importante decidir como grupo de que 
forma os acordos serão divulgados (por meio de cartazes, por meio digital ou 
outro), designando os estudantes que ficarão responsáveis por essa divulgação.
Também é importante que o professor perceba que a assembleia escolar 
não é um remédio que vai eliminar os conflitos existentes no ambiente escolar. 
A redução de situações de conflito, de indisciplina e até mesmo de violência é 
uma consequência da construção de uma convivência democrática. O objetivo 
da assembleia escolar é proporcionar aos alunos um momento e um espaço 
para a promoção do diálogo e para a vivência de princípios democráticos 
em grupo. Por essa razão, o professor não deve realizar a assembleia escolar 
apenas quando lhe for conveniente, ou para induzir o grupo a tomar decisões 
que ele considera adequadas.
A partir daqui, você vai ver como ocorrem a implementação e o funcio-
namento da mediação escolar. Como você já sabe, na assembleia escolar, 
o grupo atua na resolução de conflitos. Todavia, na mediação escolar, apenas 
os envolvidos, com o auxílio de um mediador, participam da proposição de 
soluções para o problema. Nesse contexto, o mediador atua como um facilitador 
do diálogo entre os envolvidos no conflito, buscando condições favoráveis 
para que seja construída uma solução para ele. A mediação deve considerar 
os seguintes princípios: liberdade das partes, não competitividade, poder de 
decisão das partes, participação de um mediador imparcial, competência do 
mediador, informalidade e confidencialidade do processo (SALES, 2007).
13Princípios democráticos de convivência escolar
A liberdade das partes significa que os envolvidos no conflito estão ali por 
vontade própria e que não estão sofrendo nenhum tipo de ameaça ou coação; 
o mediador tampouco deve transparecer esse tipo de atitude durante a condução 
do diálogo. Por não competitividade, entende-se que o objetivo do diálogo não 
é definir um vencedor e um derrotado, e sim promover a cooperação para que 
ambas as partes sejam beneficiadas e se sintam, portanto, satisfeitas. O poder 
dedecisão do conflito cabe às partes envolvidas, não ao mediador. Somente 
os indivíduos envolvidos no conflito são responsáveis por um possível acordo, 
cabendo ao mediador apenas facilitar o diálogo.
O mediador deve agir de modo imparcial, sem se posicionar a favor de 
algum dos envolvidos, tratando a todos igualmente; até mesmo o tom de voz 
utilizado pode indicar um posicionamento do mediador em relação a uma 
das partes envolvidas no conflito. Qualquer pessoa pode representar o papel 
de mediador em uma escola: um professor, um funcionário e até mesmo um 
aluno. Entretanto, é importante que o mediador possua características que o 
habilitem para tal papel: ser diligente, cuidadoso, prudente, calmo, ético e 
atencioso, com a habilidade de escutar bem desenvolvida. Com essas caracte-
rísticas, ele vai realizar o processo de mediação com certa informalidade, sem 
buscar o estabelecimento de normas para sua realização; além disso, manterá 
o que foi discutido durante o processo em sigilo, sem revelar as discussões 
para outra pessoa.
Sales (2007) divide o processo de mediação de conflitos em seis partes. Veja:
1. etapa em que o mediador explica o processo para os participantes;
2. etapa em que os envolvidos falam a respeito do conflito;
3. etapa em que o mediador faz um resumo do que foi explicitado, pro-
curando apontar os pontos de convergência (positivos) entre os relatos;
4. etapa em que, a partir do resumo apresentado pelo mediador, os envol-
vidos voltam a dialogar sobre o conflito;
5. etapa em que o mediador começa a conduzir os envolvidos no conflito 
rumo à a busca de soluções satisfatórias e de cumprimento possível;
6. etapa em que é redigido o acordo feito pelos envolvidos para resolver 
o conflito.
Por fim, é importante que o local de realização da mediação seja apropriado, 
sem interrupções e com uma mesa redonda, pois ela evita a impressão de que 
existem dois lados opostos.
Princípios democráticos de convivência escolar14
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15Princípios democráticos de convivência escolar
Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos testados, e seu fun-
cionamento foi comprovado no momento da publicação do material. No entanto, a 
rede é extremamente dinâmica; suas páginas estão constantemente mudando de 
local e conteúdo. Assim, os editores declaram não ter qualquer responsabilidade 
sobre qualidade, precisão ou integralidade das informações referidas em tais links.
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Leituras recomendadas
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Princípios democráticos de convivência escolar16

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