Logo Passei Direto
Buscar
Material
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Experiência
UM PÉ NA ALDEIA
OUTRO NA MUNDO
Entrevista
MARIA JOSÉ FÉRES
Professora Casarine,
diretora da Escola Estadual
Parque Piratininga II.
Itaquaquecetuba, Grande São Paulo
Itaquaquecetuba
VITÓRIA DA EDUCAÇÃO
Experiência
UM PÉ NA ALDEIA
OUTRO NO MUNDO
Entrevista
MARIA JOSÉ FÉRES
Professora Casarine,
diretora da Escola Estadual
Parque Piratininga II.
Itaquaquecetuba, Grande São Paulo
Itaquaquecetuba
VITÓRIA DA EDUCAÇÃO
No 33 OUTUBRO/NOVEMBRO 2003 O CANAL DA EDUCAÇÃONo 33 OUTUBRO/NOVEMBRO 2003 O CANAL DA EDUCAÇÃO
Í N D I C E
CARTAS
MINHA EXPERIÊNCIA
INTERNET NAS RUAS DE RECIFE
DESTAQUES
GEOGRAFIA
CAMISETAS VIAJANDO
ARTE
PROJETANDO PORTINARI
MEIO AMBIENTE
HERANÇA DA GUERRA: POLUIÇÃO
ÉTICA
GRUPO DOS CINCOS
SAÚDE
UMA GERAÇÃO EM PERIGO
GEOGRAFIA
A LINHA FINAL: PRIVATIZANDO
O MUNDO
HISTÓRIA
NO CAMINHO DA EXPEDIÇÃO
LANGSDORFF
ACERVO: VER CIÊNCIA
COMO FAZER?
SALTO PARA O FUTURO
OUTRAS ATRAÇÕES
EXPERIÊNCIA
EDUCAÇÃO INDÍGENA
CAPA
ITAQUAQUECETUBA: A VITÓRIA DA
EDUCAÇÃO
EXPEDIÇÃO VAGA-LUME
ENTREVISTA: MARIA JOSÉ FÉRES,
SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO INFANTIL E
FUNDAMENTAL
E TEM MAIS
LER E ESCREVER - É PRECISO APRENDER
TV ESCOLA
CARO PROFESSOR
escola sempre foi uma ameaça para as cultu-
ras indígenas brasileiras. Em sala de aula, ín-
dio era visto como primitivo e conhecedor de
inutilidades; sua língua, silenciada no momen-
to em que pisava no colégio.
Nas periferias das grandes cidades, as escolas tam-
bém discriminavam o que vinha da realidade local. Pou-
cos perdiam tempo ouvindo o que os alunos e a comu-
nidade tinham a dizer.
Agora tudo está mudando. Em todo Brasil, escolas
procuram integrar os costu-
mes e conhecimentos locais
aos disciplinares, criando di-
dáticas não-excludentes, mas
construtoras de um saber
multicultural.
Nossos repórteres foram a
Carmésia (MG) visitar a Escola
Estadual Indígena Pataxó
Bocumux, onde conhecimen-
tos brancos e indígenas inte-
graram-se de tal forma que foi
possível criar um calendário
escolar �etnoambiental�.
Em Goiás, a repórter Rosan-
gela Guerra, visitou um NTE
(Núcleo de Tecnologia do ProInfo) dentro de um centro
escolar indígena. Ali, a decoração homenageia a deusa
Aruanã da tradição Karajá e a internet traz assuntos de
interesse da comunidade.
Na preferia de São Paulo, a diretora Fátima Zein
Casarini, mostrou que valorizar o jovem e seu contexto
social pode trazer benefícios surpreendentes.
Preocupar-se com as dificuldades dos alunos mais
que com o ponto da lousa pode ser a diferença que
motiva o aluno a ser parte da escola ou preferir se ver
fora dela.
Em todas as experiências, um novo olhar educacio-
nal desponta pelo Brasil. Com respeito às diferenças e
somando o regional ao capital, o tecnológico ao tradi-
cional, talvez encontremos aí o que há de mais original
em nosso país: o multiculturalismo.
Os Editores
PROFESSORA
FÁTIMA ZEIN CASARINE
OUTUBRO/NOVEMBRO 2003 4
6
9
10
10
11
12
13
14
16
17
18
19
21
22
23
34
43
44
48
50
A
TV ESCOLA4
cartas
PROGRAMAÇÃO ESPECIAL
Sou professor responsável pela
TV Escola e percebo que muitos colegas
que gravam os vídeos dão pouca impor-
tância à Programação Especial (segun-
da a sexta) e à Escola Aberta (sábados,
domingos e feriados) Provavelmente
não se dão conta de que essas progra-
mações oferecem a oportunidade de
rever vídeos que, por algum motivo, não
pudemos gravar.
Irineu Januário
E.E Padre João Tomes
Três Lagoas/MS
É POSSÍVEL
FAZER
ACONTECER
A qualidade dos
programas da TV Escola,
principalmente a serie-
dade e o estilo das dis-
cussões da série Letra-
mento e leitura da lite-
ratura, de Salto para o
Futuro, nos inspiraram a
criar em nossa bibliote-
ca o �Bate Papo Literá-
rio�. Reunimo-nos sema-
nalmente com um grupo
de trinta alunos, para de-
senvolver estudos significativos com as
mais variadas formas de leitura. Contos,
trechos literários, poesias, biografias,
músicas, e alguns assuntos polêmicos pu-
blicados em revistas e jornais, são a ma-
téria de nossos encontros. Promovemos
debates, discussões, dramatizações e re-
citais de poesia, a fim de despertar nos
alunos o gosto e o hábito da leitura diá-
ria, como fonte de conhecimento.
Leonildes Carlos W. Neto
Biblioteca Monteiro Lobato
Colégio Estadual João Dias Sobrinho
Divinópolis do Tocantins/TO
TEATRO DE FANTOCHES
As edições da revista TV Escola
têm tido grande influência em minha
ação pedagógica. Um dos projetos que
consegui realizar este ano foi o da cria-
AS MENSAGENS
POSITIVAS E LÚDICAS
AJUDAM AS CRIANÇAS A
SUPERAR ALGUNS DE SEUS
PROBLEMAS, AO
VIVENCIAREM AS
POSIÇÕES DAS
PERSONAGENS DIANTE
DE DETERMINADAS
SITUAÇÕES,
ENFRENTANDO DESAFIOS
E DEFININDO CONCEITOS
DE MORAL E ÉTICA
PESSOAL.
�
�
ção e apresentação de
pequenas peças de tea-
tro de fantoches. A ati-
vidade promove a inte-
gração do pessoal da es-
cola e dos alunos com
seus familiares, que são
convidados a participar
das apresentações. As
mensagens positivas e
lúdicas ajudam as crian-
ças a superar alguns de
seus problemas, ao vi-
venciarem as posições
das personagens diante
de determinadas situa-
ções, enfrentando desafios e definindo
conceitos de moral e ética pessoal.
Dália Alcina Alves de Lima
Escola Estadual Braulino Mamede
Tupaciguara/MG
VISITAS À TELESSALA
Os vídeos da TV Escola são fun-
damentais na aprendizagem dos edu-
candos e enriquecem o currículo dos do-
centes! Entusiasmados com esse mate-
rial, resolvemos criar o projeto �Traba-
lhando com a tecnologia�. Acompanha-
mos toda a programação, gravamos, ca-
talogamos e divulgamos para os profes-
sores. Nosso objetivo é repassá-la a to-
dos, para que a utilizem em sua prática
pedagógica como complementação do
ensino regulamentar. Os programas são
aproveitados realmente, no empenho de
se criar novas formas de trabalho, tanto
para cada disciplina, como de maneira
interdisciplinar. Graças a esse projeto, os
vídeos da TV Escola se incorporam ao
planejamento de nossos professores e
enriquecem o trabalho de professores
da zona rural e de escolas de educação
infantil, que visitam periodicamente a
telessala.
Clara Rodrigues do Carmo
Escola Municipal Domingos Valente Barreto
Mazagão/AP
BIBLIOTECA PÚBLICA
Sou diretor da biblioteca públi-
ca de um município do brejo paraiba-
no, sempre conduzindo meu trabalho
no sentido de bem servir à causa da
educação e procurando melhorar nos-
so pequeno acervo para atender à co-
munidade estudiosa e ao público em
geral. Elaborei o esboço de um projeto
que chamei �Cultura na praça�, para
envolver a clientela estudantil de 1° e
2° graus e pessoas interessadas na di-
vulgação de atividades que explorem a
potencialidade cultural da população
em arte, literatura, poesia, música, te-
atro, esportes e cidadania. Espero que
essa iniciativa venha oferecer subsídi-
os e alternativas educacionais para a co-
munidade.
Araken Brasileiro Dias
Biblioteca Pública Municipal
Dr. Antônio Dias de Freitas
Jacaraú/PB
C A R T A S
TV ESCOLA 5
GRUPO DE VOLUNTÁRIOS
A TV Escola tem sido o eixo de
apoio e o incentivo de meu trabalho e
dos companheiros. A revista TV Escola,
o Guia de Programas e os �Cadernos da
TV Escola� servem de roteiro para nos-
sos encontros e debates, na alfabeti-
zação de jovens e adultos. Somos um
pequeno grupo de professores volun-
tários, alguns com conhecimentos pe-
dagógicos e outros não ligados à área
da educação. Trabalhamos em um bair-
ro extremamente pobre, em salas em-
prestadas por uma igreja. A comunida-
de e o grupo de professo-
res têm crescido e apren-
dido muito com os exem-
plos trazidos pela revista
TV Escola.
Claudete Maria
Coutinho
Divinópolis/MG
�MÃOS QUE
FALAM�
Fiquei alegre e
emocionada ao ver a ma-
téria �Mãos que falam�,
na seção Minha experiên-
cia, da revista TV Escola nº
31. Quando solicitamos a
publicação do projeto da Escola Muni-
cipal Professora Senhorinha Mendes, di-
rigi-me ao Editorial da revista como
profissional da escola. Hoje falo como
mãe e expresso os meus mais sinceros
agradecimentos à direção da revista TV
Escola pelo interesseem publicar uma
matéria que leva a sociedade a refletir
sobre a inclusão. A publicação nos faz
acreditar que nós, pais de pessoas por-
tadoras de necessidades educativas es-
peciais, não estamos sozinhos na luta
pela integração e inclusão.
Jerci Polo Fortunato
Mãe da instrutora da disciplina de Libras
Palmas/PR
REVISTA PARA CEGOS
Agradeço-lhes pela pronta res-
posta e orientação. Há tempos eu que-
ria ter acesso à revis-
ta TV Escola, mas não
sabia como fazê-lo,
pois sou cega. Entrei
em contato com os
editores e me infor-
maram que poderia
acessar a revista pe-
la internet, em for-
mato pdf (no ende-
reço www.mec.gov.
b r / t v e s c o l a /
publicacoes.shtm).
Agora, estou empol-
gada com minhas
incursões pelos links
da revista TV Escola. Utilizo para isso
o Jaws, software com leitor de tela e
síntese de voz. Trata-se de um progra-
RECEBEMOS TAMBÉM, E AGRADECEMOS,
CARTAS E E-MAILS DE:
Alberto Baganha de Oliveira, alberto.baganha@bol.com.br; Arinete
Ferreira da Silva, Natividade/RJ; Diogo Braz Pagano, Teófilo Otoni/MG; Gleice
Olivieri, Rio de Janeiro/RJ; Helder Leonardo de Souza, Viana/ES; Josenilson
Antônio da Silva, São Joaquim do Monte/PE; Jucelino Nóbrega da Luz, In-
confidentes/MG; Maria Ozzores Marchiori, Coordenação Estadual da TV
Escola/PR; Napoleão Oliveira, bonarte@bol.com.br; Raimundo Henrique de
Meireles, Mata Roma/MA; Rosalina Andrade da Silva, Lagarto/SE; Sávia
Alves Ferreira Pinheiro, Felixlândia/MG; Simão Pedro dos Santos,
pedropernambuco@uss.br; Simônia Lopes, Conceição da Barra/ES e Vera Cláu-
dia Marques Veloso, Montes Claros/MG.
SOMOS UM
PEQUENO GRUPO DE
PROFESSORES
VOLUNTÁRIOS, ALGUNS
COM CONHECIMENTOS
PEDAGÓGICOS E OUTROS
NÃO LIGADOS À ÁREA
DA EDUCAÇÃO.
TRABALHAMOS EM
UM BAIRRO
EXTREMAMENTE POBRE,
EM SALAS EMPRESTADAS
POR UMA
IGREJA
�
�
Comentários, críticas, dúvidas, sugestões, relatos de experiências,
propostas de intercâmbio com seus colegas...e muito mais!
ma bastante amigável e com uma va-
riedade de recursos, mas é caro. Uma
alternativa mais econômica é o Sis-
tema Operacional Dosvox, desenvolvi-
do pelo Núcleo de Computação Eletrô-
nica da Universidade Federal do Rio
de Janeiro. É um sistema acessível e
didático, porém, mais limitado. Por
exemplo: para baixar os arquivos com
a extensão pdf, torna-se necessário
convertê-los em formato doc ou txt.
Outro programa largamente utilizado
é o Virtual Vision, concebido pela
Micropower.
Elizabet Dias de Sá
elizabet.dias@terra.com.br
Coordenadora do Centro de Apoio
Pedagógico
Belo Horizonte/MG
TV ESCOLA6
Conselho Editorial
João Carlos Teatini, Américo Bernardes, Maria José
Féres, Laura Maria G. Duarte, Carmen Moreira de
Castro Neves, Márcia Serôa da Motta Brandão,
Renata Maria Braga Santos, Jean Claude Frajmund,
José Roberto Neffa Sadek, Maria Suely Carvalho Berto,
Joyce Del Frari Coutinho, Luiz Motta e Paulo Speller.
Chefe da Assessoria de Comunicação Social:
Joyce Del Frari
Editores: Gustavo Tapioca, Luiz Motta e
Elzira R. Arantes
Reportagem: Rosangela Guerra, Tânia Nogueira e
Teresa Mello
Fotografia: Nair Benedicto, Juca Martins e Ana Galluf
Edição de arte, diagramação, editoração eletrônica
e produção gráfica: Primeira Página Comunicação
Revisão: Márcia Marques
Produção: Camila Araújo e Agnaldo Pereira
A revista TV ESCOLA é uma publicação bimestral da
Secretaria de Educação a Distância do MEC
Tiragem desta edição: 450 mil exemplares
PROGRAMA TV ESCOLA
Presidente da República Federativa do Brasil
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministro da Educação
Cristovam Buarque
Secretário-Executivo
Rubem Fonseca Filho
Secretário de Educação a Distância
João Carlos Teatini
Secretaria de Educação a Distância
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
Secretaria de Educação a Distância
Esplanada dos Ministérios, Bloco L � sala 100
Brasília/DF 70047-900
Tel.: (61) 410-8592 Fax: (61) 410-9178
E-mail: seed@mec.gov.br
tvescola@mec.gov.br
Internet:<http://www.mec.gov.br/seed/tvescola>
PARTICIPAÇÃO DE TODOS NA ESCOLHA DA BANDEIRA
NOSSA BANDEIRA
Nossa escola tem procurado de-
sempenhar um papel acadêmico e soci-
al de forma paralela, já que não é possí-
vel desvincular os conteúdos das trans-
formações por que passa a sociedade.
Era sonho nosso criar a bandeira da es-
cola. Mas, queríamos envolver os alunos
no projeto, levantando reflexões e com-
partilhando conquistas. Algo que abor-
dasse valores, que fizesse os alunos refle-
tirem sobre sua realidade e lhes ensinas-
se o caminho da participação coletiva na
transformação da realidade. Justificado
o projeto e definidos seus objetivos e
conteúdos, os professores desenvolve-
ram aulas com discussões, fitas de vídeo
e outros recursos, em um trabalho inter-
disciplinar. Em His-
tória, foram abor-
dados conceitos
como cidadania,
participação polí-
tica, democracia,
civismo; em Mate-
mática, conceitos
de geometria; em
Educação Artísti-
ca, a harmonia en-
tre a forma, as co-
res e as idéias do
artista. Todos os
alunos criaram
suas versões da
bandeira e os pro-
fessores selecionaram três das propos-
tas. Foi feita uma votação com a partici-
pação dos alunos e da comunidade. Di-
vulgado o resultado, todos comemora-
ram com fogos de artifício e muita ale-
gria a criação de nossa bandeira.
Genilda Leite Chalegre de Freitas
(Diretora)
Escola Newton Guimarães
Jaguapitã/PR
CINEMA NA ESCOLA
Com o intuito de estimular o uso
da sala de vídeo da escola, que se en-
contrava desativada por problemas de
estrutura, professores orientadores da
TV Escola, supervisores e demais profes-
sores, elaboraram o projeto �Cinema na
Escola�. Exibidos durante uma semana,
com temas e gêneros variados, os filmes
foram transformados em ferramentas de
trabalho pelos educadores, que os ex-
ploraram de acordo com as necessida-
des de suas disciplinas. Foram incluídos
no planejamento com critérios que pu-
dessem atender aos aspectos criativo,
afetivo, ético e cognitivo dos alunos, fu-
gindo da banalização das aulas e prece-
didos de uma boa preparação, segundo
o objetivo de cada professor.
Ailton Fernandes (Diretor)
Escola Municipal de 1o Grau
Edinor Avelino
Macau/RN
FORMANDO AUTORES
Com o incentivo do teleposto da
cidade, venho desenvolvendo há três
anos o projeto �Formando Autores�.
Nosso objetivo é despertar o interesse
dos alunos pela literatura, incentivar a
criação de textos, ampliar e aprimorar
o vocabulário e estimular a escrita e a
leitura. Estamos muito felizes porque,
ano a ano, vamos conseguindo prosse-
guir com sucesso, atingindo os objeti-
vos propostos no projeto. Montamos
em sala de aula uma estante com os li-
vros de que dispomos e que estamos
sempre consultando, tirando idéias
para atividades diversificadas. Além
disso, cada aluno é convidado a elabo-
rar, ilustrar e confeccionar seus própri-
M I N H A E X P E R I Ê N C I A44
cartasC A R T A S
TV ESCOLA 7
a TV ESCOLA
na internet
os livros de histórias ou poesias, o que
já resultou em inúmeros livros infantis,
com temas variados. Fomos convidados
pelo teleposto de Maricá (onde fre-
qüento as aulas de capacitação), a ex-
por nossas �obras literárias� na Bienal
do Livro do Rio de Janeiro/2003. Fica-
mos orgulhosos em representar o mu-
nicípio de Maricá e a escola num even-
to tão importante, uma vez que somos
uma pequena unidade de 1a a 4a série
do ensino fundamental.
Luiza Helena Nascimento Dias
Escola Estadual Cônego Batalha
Maricá/RJ
PRIVILÉGIO DA NATUREZA
Trabalhando em conjunto com a
telessala da escola, a equipe pedagógi-
ca, os alunos e seus pais, organizaram
um passeio ecológico, para observar na
prática o meio ambiente. Depois de as-
sistir a um programa de vídeo, fomos
até um rio próximo, que está bastante
poluído e lá tivemos a oportunidade de
desenvolver uma aula sobre poluição,
com o objetivo de conscientizar nossos
alunos para a preservação de rios e flo-
restas. A coleta do lixo e o processo de
reciclagem também foram abordados.
Visitamos nossa praia, que é maravilho-
sa e sem poluição. O mar fornece o pes-
cado, o caranguejo, a ostra, o búzio e o
melhor camarão do país. Nosso mangue-
zal também ainda é bem preservado.
Fomosao local chamado Porto da Pes-
caria, onde os pais de nossos alunos pes-
cam para manter suas famílias. A água
dessa área é muito salgada e dela é co-
lhido e industrializado o melhor sal do
mundo. Uma curiosidade é que o solo
de nossa cidade também é muito salga-
do, porém toda semente nele plantada
germina e dá bons frutos.
Naura Siqueira de Medeiros
Escola Estadual Donana Avelino
Macau/RN
CRIANDO E RECRIANDO
Sou professora de português e
literatura. Sempre trabalhei com o en-
sino médio, mas este ano assumi duas
ALUNOS E PROFESSORA EM PASSEIO PELA PRAIA
classes de 7ª série
do ensino funda-
mental. No pri-
meiro bimestre
consegui detec-
tar os problemas
que mais afeta-
vam o desenvol-
vimento dos alu-
nos na produção
de texto. Preocu-
pada, desenvolvi
diversas ativida-
des para melho-
rar seu desempe-
nho. A que surtiu
bom resultado
foi um trabalho
em grupo, baseado em ilustrações rea-
lizadas pelos próprios alunos, com cola-
gens. Apresentei-lhes várias imagens, re-
tiradas de calendários, e propus que re-
cortassem figuras e construíssem uma
nova ilustração. Sobre a obra resultan-
te, cada grupo produziu seu texto. O
mais interessante nessa experiência foi
que os alunos conseguiram utilizar seus
conhecimentos multidisciplinares na ela-
boração dos textos e não cometeram
muitos erros em relação à norma culta
da língua.
Neila Maria Mariano
Colégio Estadual Professora
Ângela Sandri Teixeira
Almirante Tamandaré/PR
para o
Fala Brasil
<http://www.mec.gov.br/seed/tvescola>
0800-616161 Ligação gratuita
LigueLigueLigueLigueLigue
Vis i teVis i teVis i teVis i teVis i te
carta,
fax ou e-mail
TV Escola
Caixa Postal 9659
Brasília/DF 70001-970
Fax (61) 410-9178
E-mail : tvescola@mec.gov.br
EscrevaEscrevaEscrevaEscrevaEscreva
Comentários, críticas, dúvidas, sugestões, relatos de experiências,
propostas de intercâmbio com seus colegas...e muito mais!
TV ESCOLA8
AULAS
CONTEXTUALIZADAS
A professora da 1ª série de nos-
sa escola, idealizou e realizou um proje-
to que teve como ponto de partida o
cotidiano das crianças, levando-as a ob-
ter um aprendizado facilitado e inova-
dor. Trabalhar a leitura e a escrita, des-
pertar o interesse pelo aprendizado, ele-
var a auto-estima, despertar a criativida-
de e permitir a ampliação dos conheci-
mentos gerais, foram os objetivos pro-
postos pelo projeto. Entre as atividades
desenvolvidas extra-classe, os alunos ti-
veram momentos na cozinha da escola,
visitas a supermercados, ao correio, à
Apae, ao terminal rodoviário, a casas co-
merciais... Em sala de aula, escreveram
cartas, elaboraram cartazes com preços
pesquisados, copiaram receitas, traba-
lhando a produção de textos e a orali-
dade, sempre em um contexto prático.
A aula prática é muito bem recebida
pelos alunos, pois aprendem de forma
dinâmica e descontraída, integrando
esse conhecimento ao percurso escolar,
de forma definitiva e vivenciando o sig-
nificado de cada conteúdo. Assim, nos-
sa 1ª série foi levada a conhecer o mun-
do das letras de maneira natural, dinâ-
mica e evoluída. Temos hoje alunos al-
fabetizados e felizes.
Waldirene Pereira da Silva
(Coordenadora pedagógica)
Giovana Rodrigues Freitas Pina
(Professora da 1ª série)
Escola Estadual Deputado Federal
José Alves de Assis
Araguaína/TO
ATENÇÃO AO IDOSO
Quando tomamos conhecimen-
to do tema da Campanha da Fraterni-
dade 2003, tivemos a certeza de que este
era o momento ideal para a realização
de um trabalho de reflexão e conscien-
tização dos alunos e da comunidade so-
bre a situação do idoso na sociedade
atual. Para dar início ao projeto, os alu-
nos entrevistaram pessoas idosas, orien-
tados pelos professores. Depois, houve
exibição de vídeos seguida de debate;
elaboração de cartazes, discussão e re-
flexão sobre as mensagens expostas;
confecção de lembrancinhas, na aula de
Artes; produção de textos e apresenta-
ção teatral. Convidados, alguns idosos
participaram de várias atividades. Além
disso, graças a parcerias conseguidas
pela escola, receberam doses de vacina
contra gripe, tiveram sua pressão veri-
ficada e assistiram à palestra feita por
uma médica da comunidade. Ao final do
evento, várias pessoas nos procuraram
para elogiar nosso trabalho, o que nos
deu muito orgulho, pois tivemos a sen-
sação de estar contribuindo para uma
sociedade mais justa.
Maria Paula Viana Santos
Escola Municipal Virgílio de Melo Franco
Nova Iguaçu/RJ
FEIRANTES
Sou professora de Língua Portu-
guesa e realizei com os alunos da 8ª sé-
rie do ano passado um projeto intitulado
�Registro biográfico de feirantes�. Não
faltaram conversas e discussões sobre a
importância da feira livre para o comér-
cio local, mas o foco principal foi um olhar
minucioso sobre as pessoas que vendem
na feira. A turma realizou uma pesqui-
sa, partindo da aplica-
ção de um pequeno
questionário para en-
trevistar alguns feiran-
tes, enquanto passeá-
vamos pela feira. Re-
solvemos utilizar fil-
madora e máquina fo-
tográfica para registrar
com mais fidelidade es-
ses momentos. Em sala
de aula, vimos as ima-
gens gravadas e, com
os questionários res-
pondidos, construímos
uma pequena biogra-
fia dos feirantes entre-
vistados, ilustrando em
um cartaz as primeiras impressões so-
bre a feira e seus personagens. Marcar-
mos o dia da apresentação dos traba-
lhos em sala de aula e foi com orgulho
que cada aluno leu a biografia do fei-
rante escolhido, discutindo com a tur-
ma a importância e o pioneirismo dessa
pesquisa. Na época, eu estava participan-
do do curso TV na Escola e os Desafios
de Hoje e o que aprendi sobre o uso da
tecnologia no trabalho pedagógico foi
decisivo para a realização do projeto. Na
Feira de Ciência e Cultura da escola,
realizada no final do ano letivo, para a
qual toda a comunidade foi convida-
da, mostramos o resultado de nosso tra-
balho. Levamos um dia inteiro arruman-
do a sala de aula com objetos vendidos
na feira, trazidos pelos alunos. Organi-
zamos as biografias em forma de livros,
pregamos os desenhos nas paredes,
montamos um mural com fotos, e dei-
xamos a fita de vídeo pronta para ser
exibida aos visitantes. Assim, pudemos
valorizar o trabalhador da feira e de-
senvolvemos nos alunos a capacidade
de produção textual biográfica, tão im-
portante no processo de ensino-apren-
dizagem.
Claudete Medeiros
Escola Estadual Senador José Bernardo
São João do Sabugi/RN
VISITA A UMA CASA COMERCIAL
M I N H A E X P E R I Ê N C I A44
cartasC A R T A S
TV ESCOLA 9
INTERNET NAS
RUAS DE RECIFE
JOVENS TÊM ACESSO A CURSOS DE INFORMÁTICA BÁSICA E ACESSO Ä INTERNET PERTO DE CASA
ão seis unidades móveis total-
mente equipadas: em cada
uma, treze computadores co-
nectados em rede à in-ternet,
além de impressoras, scanner, quadro
branco, televisor, videocassete e equi-
pamento de som. Nelas funcionam as
pioneiras Escolas Itinerantes de Infor-
mática, criadas com recursos da pre-
feitura pela Secretaria Municipal de
Educação do Recife, dentro do proje-
to recife.com.jovem.
Os principais objetivos do projeto
são combater a exclusão digital e dar
aos jovens melhores oportunidades
de formação e mais recursos para se
inserir no mercado de trabalho, ao
proporcionar maior familiaridade com
as novas tecnologias.
A própria população do município
ajuda a definir as comunidades a se-
rem atendidas. A Escola Itinerante se
instala durante dois meses em uma
rua ou praça da comunidade esco-
lhida e oferece cursos de informática
básica e acesso à internet, possibili-
tando o contato com novas técnicas
de informação e comunicação. O con-
teúdo dos cursos de informática é
direcionado para atividades profissi-
onais, levando em conta a realidade
sociocultural dos alunos.
Desde sua cria-
ção, em agosto de
2002, o projeto já
atendeu a 18 co-
munidades distri-
buídas por toda a
cidade e capacitou
mais de 4.700 alu-
nos. Embora as Es-
colas Itinerantes tenham sido pensa-
das especialmente para atender aos
jovens, também são procuradas por
adultos, sempre bem-vindos.
Visando a inclusão de todos os ci-
dadãos, os veículos dispõem de ele-
vador para permitir o acessode por-
tadores de deficiência. E já está sen-
do desenvolvido um projeto de capa-
citação de professores para garantir
o atendimento a deficientes auditivos.
A preocupação com o uso de no-
vas tecnologias na educação se refle-
te em outras políticas públicas, como
as sete Unidades de Tecnologia na
Educação e Cidadania (Utec) distribu-
ídas pela cidade. Praticamente meta-
de dos usuários é constituída de alu-
nos encaminhados
pelas escolas da re-
gião, e o restante
vem da população
em geral. Desta-
cam-se as Utec Sí-
tio Trindade e Cris-
tiano Donato.
O Sítio Trinda-
de é um local tombado pelo patrimô-
nio histórico, onde são desenvolvidos
projetos de cultura popular. Nessa
Utec estão instalados um Núcleo de
Tecnologia na Educação (NTE) do
ProInfo e uma biblioteca virtual.
A Unidade Cristiano Donato fica
em um bairro central do Recife, o da
Boa Vista, em uma rua comercial ex-
clusiva para pedestres. Ali funcionam
cursos de tecnologia semelhantes
aos das unidades móveis e um núcleo
de idiomas, com cursos de inglês, es-
panhol, francês, italiano, alemão, he-
braico e grego. É freqüentada por um
público eclético, no qual predomi-
nam os desempregados (40%), en-
caminhados pela bolsa de empregos
da prefeitura. Além destes, há alu-
nos da rede municipal (30%), enca-
minhados pelas escolas; trabalhado-
res da indústria e do comércio (20%),
encaminhados pela associação de
lojistas e sindicatos correspondentes;
e servidores da prefeitura (10%), en-
caminhados pela Secretaria de Ad-
ministração.
S
COM LABORATÓRIOS
ITINERANTES, A INFOR-
MÁTICA CHEGA À PERI-
FERIA DO RECIFE E CRIA
NOVAS PERSPECTIVAS
DE INCLUSÃO SOCIAL
EXCLUSÃO DIGITAL
Para saber mais
E-mail:
<seceduca@recife.pe.gov.br>
Internet: <http://
www.recife.pe.gov.br/
urbis2003/informatica.html>
TV ESCOLA 9
TV ESCOLA10
DIREÇÃO: Shantha Bloemin
REALIZAÇÃO: CS Associates,
Estados Unidos, 2001
 CAMISETAS VIAJANDO
 A história das roupas
de segunda mão e a dívida do
Terceiro Mundo
R E S U M O
Na Zâmbia, na África, roupas usadas provenientes de ou-
tros países movimentam um grande e incomum comércio. Exa-
minando esse mercado, o documentário discute as conseqüên-
cias do endividamento externo e dos ajustes estruturais na eco-
nomia do país a partir dos anos 90 e examina as crescentes desi-
gualdades entre o Terceiro Mundo e os países desenvolvidos.
A T I V I D A D E S
Objetivos e habilidades
Adquirir conhecimentos sobre a África subsaariana.
Reconhecer o padrão assimétrico de desenvolvimento nas eco-
nomias capitalistas e a natureza dos ajustes estruturais in-
troduzidos a partir dos anos 80 e 90.
Estimular a sensibilidade crítica dos alunos e desenvolver a
capacidade de pesquisa, interpretação e análise de dados e
de textos.
Elaborar gráficos e material cartográfico.
Trabalho com a classe
Antes de exibir o vídeo, apresente aos alunos os indicadores
socioeconômicos de alguns países, destacando as desigualda-
des existentes. Oriente a localização, em um atlas, dos princi-
pais bolsões de pobreza e das diferenças na concentração de
riquezas.
Depois que a classe houver assistido ao programa, retome a
conversa anterior e encomende uma pesquisa a respeito da si-
tuação socioeconômica da Zâmbia. Discuta as condições de tra-
balho informal retratadas no documentário e os motivos de sua
disseminação na Zâmbia. De que forma essa questão denuncia
a distribuição desigual de riqueza?
Organize os dados com a classe, estruturando um amplo pai-
nel que sirva para refletir sobre o endividamento externo e as
reformas econômicas a que se submeteram os países altamente
dependentes de ajuda externa. Examine o conjunto de mudan-
ças exigidas pelos organismos internacionais nos anos 90 e os
impactos causados nas economias menos desenvolvidas. Reto-
me o conteúdo do documentário para enfatizar as conseqüên-
cias da abertura acelerada do mercado, do processo de
privatização e da redução ao acesso de bens e de serviços.
Interdisciplinaridade
HISTÓRIA: Aprofundar o estudo do processo de
descolonização da África e da Ásia, os movimentos naciona-
listas no Terceiro Mundo e as guerras na África.
MATEMÁTICA: Elaboração de gráficos a partir de indicado-
res sociais e econômicos (IDH, desemprego, evolução da
dívida externa).
Veja na internet
<http://www.clubemundo.com.br/revistapangea/>
Site da revista Pangea, publicação de política, economia e
cultura.
<http://educaterra.terra.com.br/vizentini/artigos/
index.htm>
Textos de Paulo Fagundes Vizentini, diretor do Instituto
Latino-Americano de Estudos Avançados da UFRGS, sobre
relações internacionais.
<http://www.un.org/esa/africa/>
Site em inglês do Programa das Nações Unidas para a Áfri-
ca, com muitos links relacionados ao assunto.
<http://www.undp.org/hdr2003/other_languages.html>
Apresenta o Relatório de Desenvolvimento Humano 2003
da ONU.
Leia também
�O balanço do neoliberalismo�
Perry Anderson, em Pós-neoliberalismo. As políticas sociais e
o Estado democrático, de Emir Sader & Paulo Gentili (orgs.).
São Paulo, Paz e Terra, 1995.
A bolsa ou a vida � a dívida externa do Terceiro Mundo:
as finanças contra os povos
Eric Touissant. São Paulo, Fundação Perseu Abramo, 2002.
�O papel do Estado e as políticas neoliberais�
Paul Singer, em Globalização, metropolização e políticas
neoliberais, de Regina Maria A. Fonseca (org.). São Paulo,
Educ, 1997.
A armadilha da dívida
Reinaldo Gonçalves & Valter Pomar. São Paulo, Fundação
Perseu Abramo, 2002.
Veja também, da TV Escola
�Comércio�, da série Ecce Homo
GEOGRAFIA
Série selecionada na grade de
programação do ensino
fundamental. Indicada para
atividades com alunos de 8a
série do ensino fundamental e
também para o ensino médio.
ÁREAS CONEXAS: Ética; História
n
n
n
n
n
n
DURAÇÃO: 55�16�
7
OUTUBRO
programaçãoD E S T A Q U E S D A
TV ESCOLA 11
Exercitar a observação e a fruição, comparando obras diver-
sas do mesmo autor.
Elementos a destacar
MEMÓRIA. O empenho mostrado no vídeo para resgatar a
obra e a memória de Portinari serve como ponto de partida
para uma discussão sobre a importância do trabalho de do-
cumentação. Proponha aos alunos que desenvolvam um proje-
to semelhante em torno de outro artista � podem escolher al-
guém de seu estado, ou mesmo da cidade onde está a escola.
PINTURA COMO MEIO. As obras mais importantes de Portinari
possuem um cunho humanista e político. O estilo e o assunto
de seus trabalhos são muitas vezes confrontados com o espí-
rito do Estado Novo getulista (1935-1945). Em colaboração
com o professor de História, organize um debate sobre as
semelhanças e diferenças existentes nos modos como Vargas
(governando) e Portinari (pintando) pensavam o país. Esta
atividade pode oferecer desdobramentos interessantes com
as turmas do ensino médio:
* É possível dizer que o populismo de Vargas tem um paralelo com
certas obras de Portinari?
* E o elogio do trabalho e do trabalhador, sobretudo braçal, que
vemos em pinturas de Portinari da década de 30?
* O nacionalismo é uma questão presente na obra do pintor?
LITERATURA E PINTURA. Alguns temas inspiram tanto os pin-
tores quanto os escritores. Em um trabalho conjunto com Lín-
gua Portuguesa, distribua trechos ou capítulos de obras de
Graciliano Ramos (Vidas secas, São Bernardo), José Lins do Rego
(Menino de engenho) e Carlos Drummond de Andrade
(Boitempo), por exemplo, e mostre aos estudantes reprodu-
ções de pinturas. O poema �Brincar na rua�, de Drummond,
lembra muito as pinturas de Portinari sobre crianças brincan-
do. Depois, levante um debate sobre as diferenças entre as
representações feitas por Portinari e pelos escritores.
UM ARTISTA, VÁRIOS ESTILOS. Uma das características de
Portinari é transitar por vários estilos. A abertura do filme é
composta por uma série de pinturas. Após a exibição do vídeo,
reapresente esse trecho, fazendo pausas. Se possível, mostre
reproduções de outras obras, para que os alunos possam
cotejá-las, procurando discutir as razões do artista ao pintar
cada quadro de um modo diverso. Por exemplo, compare os
estilos de cinco obras: O lavradorde café, O pranto de Jeremias,
Retrato de Felipe de Oliveira, São Francisco e Retirantes. Esses qua-
dros estão no Museu de Arte de São Paulo (Masp) e há repro-
duções deles no site do museu, na internet e também no site
do Projeto Portinari.
Portinari ilustrador
O pintor ilustrou edições, hoje raras, de Memórias pós-
tumas de Brás Cubas (Machado de Assis), Dom Quixote
(Miguel de Cervantes), além de outros livros.
Em Portinari devora Hans Staden, organizado por Mary
Lou Paris e publicado pela editora Terceiro Nome (1998),
estão reunidas 26 ilustrações feitas pelo artista, em uma
releitura das gravuras publicadas na obra de Hans Staden.
DIREÇÃO: Marcello Dantas
REALIZAÇÃO: Magnetoscópio/
Petrobras, Brasil, 1997
PROJETANDO
PORTINARI
ARTE
23
OUTUBRO
Série selecionada na grade de
programação do ensino
fundamental. Indicada para
atividades com alunos de 7ª e 8ª
séries do ensino fundamental e
também para o ensino médio.
ÁREAS CONEXAS:
História, Literatura
n
n
n
n
DURAÇÃO: 17�47��
O LAVRADOR DE CAFÉ, 1939, ÓLEO SOBRE TELA
R E S U M O
O programa mostra o trabalho desenvolvido pelo Projeto
Portinari, que reúne documentos e informações sobre o artista e
prepara homenagens para o centenário de seu nascimento, em
dezembro de 2003. Aborda também aspectos gerais da obra de
Cândido Portinari e procura contextualizar a produção deste que
é um dos mais representativos pintores brasileiros do século 20,
evitando a mera enumeração de fatos e de dados biográficos.
A T I V I D A D E S
Objetivos
Expor aos alunos a necessidade da catalogação da obra de
um artista.
Propor uma aproximação entre as artes (pintura e literatura)
e a política.
n
n
n
TV ESCOLA12
A T I V I D A D E S
Objetivos
Ler e interpretar textos de interesse científico e tecnológico.
Interpretar e utilizar diferentes formas de representação (ta-
belas, gráficos, expressões, ícones etc.).
Associar conhecimentos e métodos científicos com a
tecnologia do sistema produtivo e dos serviços.
Entender a relação entre o desenvolvimento tecnológico e
as ciências naturais.
Trabalho com a classe
Antes de exibir o vídeo, faça um levantamento do conheci-
mento prévio dos alunos acerca dos efeitos da radioatividade.
Verifique se têm informações a respeito de Hiroshima, Chernobyl
ou o acidente com césio em Goiânia.
Selecione previamente alguns momentos do filme para fa-
zer pausas estratégicas durante a exibição, a fim de ampliar as
informações ou chamar a atenção para determinados pontos.
Explique de onde provêm as radiações e a interação das partí-
culas nucleares com a matéria, sobretudo com os seres vivos.
Depois da apresentação, organize a classe em duplas e peça-
lhes uma pesquisa sobre as aplicações da energia radioativa. Os
dados podem servir para construir painéis ilustrados, indicando
os diversos campos em que a radiação é utilizada: telecomuni-
cações, paleontologia, antropologia, fisiologia, medicina, agri-
cultura, geração de energia, esterilização de objetos, indústria
alimentícia, genética, ecologia, zoologia, botânica, geologia etc.
Interdisciplinaridade
O professor de Geografia pode aproveitar o vídeo para dis-
cutir o papel das grandes potências no conflito bósnio e em
outros conflitos regionais.
Veja na internet
<http://www.scite.pro.br/emrede/fisicamoderna/radio-
atividade/principal.html>
Site com textos sobre radioatividade, as características
das partículas nucleares e seus efeitos biológicos.
<http://www.energiatomica.hpg.ig.com.br/uran.htm>
Site que explica a utilização do urânio com funções
bélicas, incluindo o caso de Kosovo.
Leia também
A radioatividade e o lixo nuclear
Maria Elisa Marcondes Helene. São Paulo, Scipione, 1996.
A desintegração do Leste � URSS, Iugoslávia, Europa
Oriental
Nelson Bacic Olic. São Paulo, Moderna, 1993.
Veja também, da TV Escola
�A energia nuclear�, da série Desafios tecnológicos
Energia nuclear, Ética na ciência
Veja na internet
<http://www.portinari.org.br>
Site do projeto Portinari, com biografia, reprodução de
obras, documentos e referências bibliográficas.
<http://www.casadeportinari.com.br/>
Site do Museu Casa de Portinari, na antiga residência do
artista, na cidade paulista de Brodowski. Conserva os
afrescos e murais ali pintados por ele, além de outras
obras, desenhos, documentos e até poesias.
<http://www.masp.art.br/
default.asp?PG=MOS&Loc=1&art=34>
Obras de Portinari no site do Museu de Arte de São
Paulo (Masp).
Leia também
Cândido Portinari
Annateresa Fabris, São Paulo, Edusp, 1996.
Alegorias do Brasil
Tadeu Chiarelli. São Paulo, MAM, 2003.
Veja também, da TV Escola
�Portinari, traços do Brasil�, da série O mundo da arte
Direção: Thomas Wedmann
Realização: La Sept Arte,
França, 2001
HERANÇA DA
GUERRA: POLUIÇÃO
MEIO AMBIENTE
3
NOVEMBRO
Programa selecionado na grade
de programação do ensino
fundamental. Indicada para
atividades com alunos de 7a e 8a
séries do ensino fundamental e
também para o ensino médio.
ÁREAS CONEXAS: Ética; SaúdeDURAÇÃO: 25�41�
R E S U M O
Alerta sobre as conseqüências da chamada �guerra de
Kosovo�, em que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico
Norte) atacou a Federação Iugoslava. Os armamentos à base
de urânio usados no conflito contaminaram as reservas de água
e o solo da região, provocando câncer e outros problemas de
saúde na população. Além disso, os bombardeios atingiram
refinarias de petróleo e usinas de produtos químicos, provo-
cando a liberação de gases tóxicos no ar e a contaminação do
solo por metais pesados.
n
n
n
n
programaçãoD E S T A Q U E S D A
TV ESCOLA 13
DIREÇÃO: Nick Hilligoss
REALIZAÇÃO: ABC International,
Austrália, 1997
 GRUPO DOS CINCO
ÉTICA
6
OUTUBRO
Série selecionada na grade de
programação do ensino funda-
mental. Indicada para ativida-
des com alunos da 5ª à 8ª série
do ensino fundamental e tam-
bém para o ensino médio.
ÁREAS CONEXAS: Ciências;
Meio Ambiente
DURAÇÃO:
5 episódios de 5�
l
l
l
l
R E S U M O
Os desenhos de animação dessa série superpremiada em
festivais do mundo inteiro tratam de maneira metafórica e crí-
tica diversos temas relacionados à ação humana sobre a natu-
reza e os demais seres vivos. Em cada episódio, os persona-
gens questionam a razão dominadora, normativa e repressiva,
bem como procuram achar meios de superá-la.
A T I V I D A D E S
Após a exibição de cada episódio, convide os alunos a for-
mar uma roda de discussão, incentivando todos a manifestar
suas impressões sobre a história narrada. Proponha questões
que contribuam para a melhor compreensão dos conceitos en-
volvidos e oriente a sistematização dos argumentos propostos.
Habilidades a serem desenvolvidas
Relacionar metáforas com a realidade e utilizar as metáforas
para orientar o pensamento centrado em valores éticos.
Elaborar coletivamente julgamentos éticos a respeito da ação
humana sobre a natureza e a própria humanidade.
O MUNDO DA TARTARUGA
O vídeo mostra a divisão Social como forma de organização
produtiva na sociedade dos macacos, representando a rup-
tura do equilíbrio primordial. Oriente a discussão com algu-
mas perguntas; para encerrar, proponha um julgamento da
atitude dos macacos e da saída da tartaruga para sobreviver.
O que os macacos e a tartaruga representam no mundo real?
Por que a história termina com um macaco sobrevivente?
Como a história poderia continuar?
Quem poderia ficar no lugar do macaco que comunicou aos
conselheiros a possibilidade da morte da tartaruga?
Quem os alunos colocariam no lugar dos conselheiros que não
quiseram ouvir, ver e falar?
O que representa o totem que desmorona diante da atitude dos
conselheiros?
A CELA
Os temas a serem abordados são a existência da liberdade
n
n
 em qualquer circunstância e o valor da atividade imaginati-
va e artística para a preservação da liberdade no ser huma-
no, em oposição à racionalidade normativa e repressiva.
Por que o personagem é preso?
O que significa para ele o ato de pintar?
Por que o outro prisioneiro se encontra como um esqueleto na
cela vizinha?
Por que, ao final do episódio, o personagem acaba outra vezatrás
das grades?
CLASSES INFERIORES
Aqui são ressaltadas a amizade, a cooperação e a solidarie-
dade como valores e a necessidade de estratégias coletivas
de sobrevivência nas classes inferiores. Oriente a observação
crítica da exigência ideológica de sacrifício do indivíduo para
a conservação do grupo ou da ordem social.
Por que mosca, rato e barata representam aqui a classe inferior?
São inferiores em relação a quê?
Qual a estratégia do grupo de bichos para sobreviver? E qual
valor está em jogo?
Por que a mosca morre no final do episódio? Poderia ser dife-
rente?
OS SAPOS CANTORES
O episódio possibilita a reflexão sobre o reconhecimento de
habilidades diferentes para a composição do grupo.
Como acontece o encontro da rã que sobreviveu à máquina de
compactar lixo com o grupo de sapos cantores?
Qual a solução encontrada pela rã para se integrar ao grupo dos
sapos? E por que é excluída?
O que permite a recomposição do grupo?
Quem já vivenciou um fato semelhante em suas relações?
O DESCANSO DO GAMBÁ
Aqui se retoma o tema da relação entre homem e natureza,
sugerindo que cabe à nova geração a tarefa de superar essa
oposição.
Quem resolve a oposição entre a família invasora e o gambá?
Por que não é um adulto?
O que esse fato representa se pensarmos na oposição entre ativi-
dade industrial e natureza?
O que nós podemos fazer para alterar essa oposição?
Interdisciplinaridade
O professor da área de Ciências pode fazer um estudo sobre
a origem da vida no planeta, convidando os alunos a levantar
hipóteses e discutir a pertinência de cada uma em relação às
teorias evolucionistas e criacionistas. Também pode ser propos-
to um debate sobre a atividade industrial humana analisando,
por exemplo, as conseqüências da fabricação de papel ou da
exploração do petróleo.
Veja na internet
<http://www.abc.net.au/abcinternational/s33559.htm>
Contém informações a respeito da série e dos prêmios in-
ternacionais conquistados por vários dos episódios.
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
TV ESCOLA14
DIREÇÃO: Paer Lorenzon
REALIZAÇÃO: TV4, Suécia, 2001
 UMA GERAÇÃO
EM PERIGO
R E S U M O
Botsuana é vítima de um dos mais elevados índices de
contaminação pelo vírus da aids do mundo. A riqueza des-
se país africano, cuja economia está centrada nas jazidas
minerais e na pecuária, contrasta com os problemas na área
de saúde. Cerca de 25% dos habitantes de 15 a 49 anos
estão ameaçados pela doença. O documentário analisa a
questão do ponto de vista socioeconômico, político, religi-
oso e científico.
A T I V I D A D E S
O documentário propicia um trabalho interdisciplinar en-
volvendo todas as séries, abordando a aids e as doenças sexu-
almente transmissíveis (DST) como tema transversal, explo-
rando aspectos históricos, geográficos e culturais da África (e
de Botsuana, em particular) e traçando um paralelo com a
situação brasileira.
Competências a serem desenvolvidas
Utilizar conhecimentos científicos para explicar questões
sociais e de saúde.
Conhecer o próprio corpo e sua sexualidade para fortale-
cer a auto-estima e valorizar a saúde.
Tomar atitudes individuais que afetam a saúde coletiva.
Aquecimento
Como ponto de partida, faça um levantamento dos co-
nhecimentos prévios dos alunos sobre a aids. Graças às cam-
SAÚDE
1
OUTUBRO
Série selecionada na grade de
programação do ensino
fundamental. Indicada para
atividades com alunos de 7a e
8a séries do ensino fundamen-
tal e também para o ensino
médio.
ÁREAS CONEXAS: Ética;
Geografia
n
n
n
DURAÇÃO: 20�59�
panhas de conscientização, é provável que eles já disponham
de um bom volume de informações, mas vale a pena esclare-
cer eventuais equívocos e mal-entendidos. Assim, organize na
lousa uma tabela com duas colunas � verdadeiro e falso � para
registrar as opiniões, fornecendo explicações quando for o caso.
As respostas certamente serão variadas, mas podem ocorrer,
por exemplo, afirmações equivocadas de que a doença seja ex-
clusiva de homossexuais masculinos, se transmita pelo uso de
maconha ou possa ser evitada com a interrupção do coito. Por
isso, procure induzir a classe a falar o máximo possível.
Ao exibir o filme, proponha que os alunos anotem os con-
teúdos dos depoimentos que considerarem úteis para com-
pletar a tabela do quadro-negro. Ao terminar a apresenta-
ção, corrija ou complete a tabela com a classe, iniciando mais
uma vez o debate.
Em seguida, passe novamente a fita, sugerindo agora que
os alunos procurem identificar os aspectos socioeconômicos e
culturais. Esse trabalho pode ser feito em conjunto com o pro-
fessor de Geografia, para inserir Botsuana no cenário da Áfri-
ca atual, complementando as informações dadas no vídeo. Os
alunos devem ser informados sobre o tipo de regime, a situa-
ção da economia, as condições de acesso da população à edu-
cação e à saúde, a distribuição de renda e outros dados
socioeconômicos. Se for o caso, peça-lhes para fazer uma pes-
quisa em livros ou na internet.
O papel da informação
O filme destaca os contrastes entre uma classe socioeco-
nômica mais rica e culta, e outra, pobre e analfabeta. Peça
aos alunos para comparar as taxas de incidência entre os dois
grupos. Ficará evidente que a ocorrência da aids é menor en-
tre os universitários, sugerindo que o nível de instrução faz
alguma diferença, embora não seja determinante.
Num trabalho interdisciplinar com Geografia, procure fa-
zer um paralelo com a população brasileira. Diga aos alunos
para identificar as políticas preventivas do governo de
Botsuana e compará-las com as iniciativas brasileiras, em suas
várias instâncias � municipal, estadual e federal. Comente o
fato de que as principais campanhas ocorrem por ocasião do
Carnaval.
Explique que no Brasil o número de novos casos de aids
vem decrescendo em quase todas as classes sociais e idades,
exceto entre mulheres de 13 a 19 anos, faixa em que a taxa
aumentou. É provável que boa parte das alunas se encaixe
nessa faixa etária. Assim, peça aos alunos que procurem espe-
cular sobre os motivos desse aumento.
Apresente mais uma vez o trecho do filme em que a estu-
dante universitária entrevistada retrata um pouco do com-
portamento e da atitude de seus colegas. Qual a importância
dessa informação para a discussão da aids?
DESTAQUE ESPECIAL / DESTAQUE ESPECIAL / DESTAQUE E
programaçãoD E S T A Q U E S D A
TV ESCOLA 15
A t i v i d a d e
JOGO DA EPIDEMIA
Prepare cartões (ou folhas de papel), um para cada
aluno, marcando em um deles um símbolo de que o
portador está �contaminado� pelo HIV.
Em outros três, desenhe um sinal que identificará uma
pessoa que faz sexo seguro, ou seja, que usa camisi-
nha. Assim, no total do grupo, um será portador de
HIV, três farão sexo seguro e os demais, não.
Escolha uma música bem animada para os jovens dan-
çarem.
Distribua os papéis aleatoriamente, um para cada alu-
no � só você deve saber o significado dos quatro sím-
bolos marcados �, e explique as �regras� do jogo.
Cada participante deve escolher uma pessoa para dan-
çar e anotar o nome do parceiro em seu papel.
Interrompa e recomece a dança cinco ou seis vezes,
pedindo que troquem de parceiros e anotem os no-
vos nomes no papel.
Se algum aluno não quiser participar, poderá apenas
assistir, com seu papel na mão � certifique-se de que
o cartão dele não é um dos marcados e, se for, tro-
que-o por um em branco. Se houver número desi-
gual de alunos e alunas, permita casais do mesmo
sexo. E se houver algum casal de namorados na sala,
sugira que comecem juntos e que também se juntem
na última rodada.
Essa atividade inevitavelmente gera um certo tumul-
to. Após a brincadeira, procure fazer com que a clas-
se se tranqüilize e dê início à discussão, questionan-
do: E se, em vez de dança, tivessem sido relações sexuais?
Localize o �aluno-portador� e explique o que signifi-
ca o símbolo do papel. Pergunte quem dançou com
ele na primeira rodada e peça que ambos mantenham
a mão levantada; continue identificando os sucessi-
vos parceiros, que ficarão com a mão erguida até ter-
minar o levantamento. Pergunte,então: A partir de
um aluno, quantos foram contaminados? (Explique que,
para efeito didático, todo aluno que passa pelo par-
ceiro contaminado é considerado infectado, embora
na prática isso não seja necessariamente verdade).
Repita o procedimento em relação aos portadores do
papel com o segundo símbolo, explicando seu signi-
ficado. Estes fizeram sexo seguro e, portanto, não
estarão contaminados. E os alunos que ficaram de
fora? Eles não estão contaminados, mas seus papéis
estarão em branco.
TEXTO ELABORADO POR MARCOS ENGELSTEIN, PROFESSOR DE CIÊNCIAS
DO COLÉGIO SANTA CRUZ � SÃO PAULO/SP
Veja na internet
<http://www.aidsnews.org.il/>
Site do Jerusalem Aids Project, que trabalha mundial-
mente (inclusive no Brasil) com o combate à aids nas
escolas.
<http://www.aids.gov.br>
Site do Ministério da Saúde. Traz inúmeros dados, que
podem ser usados para pesquisa e para a construção de
tabelas e gráficos.
Veja também, da TV Escola
DST/Aids
O sistema imunológico
l
l
l
l
l
l
l
l
l
l
Atitudes de risco
O vídeo insinua que o consumo de álcool leva os jovens a se
descuidar do sexo seguro. Discuta essa hipótese, levando os alu-
nos a comentar também o uso de drogas, em particular as
injetáveis, e a contaminação hospitalar pelo sangue doado.
Explique que atualmente a idéia de �grupos de risco� está
ultrapassada, que o que existe de fato são atitudes de risco.
Os mais expostos à doença são pessoas com vida sexual ativa,
com mais de um parceiro, que praticam sexo sem proteção �
independente da orientação sexual.
Cite como exemplo dois casais hipotéticos. O primeiro, dois
homossexuais masculinos � digamos, um administrador de em-
presas e um dono de salão de beleza �, mantêm uma relação
fiel há mais de quinze anos. O segundo, um casal heterosse-
xual, é formado por um empresário e uma médica. A mulher
viaja muito, participando de congressos, e com freqüência
mantém relações extraconjugais. Debata com os alunos quais
dessas pessoas eles achariam mais propensas a desenvolver a
doença e por quê.
Interdisciplinaridade
O jogo da epidemia oferece ao professor de Matemática
um bom ponto de partida para trabalhar probabilidades.
As áreas de Língua Portuguesa e Arte podem analisar as
campanhas já realizadas, os slogans que aparecem no vídeo e
até propor algum trabalho de esclarecimento na escola e na
comunidade.
As discussões permitem desdobramentos na área de Ética,
para examinar o papel da mulher na sociedade atual e a im-
portância da confiança nas relações afetivas.
UE ESPECIAL / DESTAQUE ESPECIAL / DESTAQUE ESPECIAL
TV ESCOLA16
Direção: Carole Poliquin
Realização: Filmoption,
Canadá, 2002
A LINHA FINAL:
PRIVATIZANDO
O MUNDO
R E S U M O
O documentário aborda o choque entre os interesses
coletivos da população e os de grandes conglomerados
transna-cionais, potencializado pelos acordos internacionais
de libera-lização comercial, especialmente a partir da déca-
da de 80.
Objetivos e habilidades
Desenvolver e aprofundar conceitos relativos à mundialização
da economia, enfatizando:
a expansão dos conglomerados multinacionais;
o processo de liberalização comercial e o aumento da circu-
lação de bens e de capital no mundo;
o papel das agências e dos organismos internacionais e os
acordos bilaterais e multilateriais de comércio;
os ajustes estruturais nas economias.
Estimular a sensibilidade crítica e desenvolver a capacidade
de pesquisa, interpretação e análise de dados e textos.
Exercitar a troca de informações e o debate em sala de aula.
A T I V I D A D E S
Antes de exibir o vídeo, analise com a classe alguns textos
sobre as mudanças estruturais na economia mundial no últi-
mo século: reestruturação produtiva, desenvolvimento
tecnológico, liberalização comercial e produção concentrada
de riquezas. Proponha que façam então um levantamento dos
principais organismos internacionais, dos acordos de
liberalização comercial, dos blocos regionais e dos acordos eco-
nômicos intra e extra-regionais. Discuta o resultado das pes-
quisas e exiba a seguir o documentário, que permitirá
aprofundar o debate sobre esses temas.
Analise a relação da saúde pública com a questão do aces-
so à água e com a privatização do Estado quando se transfere
um serviço público para o setor privado. Enfatize que, como a
água é um recurso natural, também pode ser examinada sob
uma perspectiva análoga à do controle da produção de se-
mentes por empresas transnacionais.
Chame a atenção para os trechos do vídeo que abordam as
leis de patente que controlam a biotecnologia aplicada aos se-
tores agrícola e farmacêutico. Também pode ser proposta uma
pesquisa sobre a Alca, sugerindo as questões:
Em que contexto surgiu a proposta de criação de uma zona
de livre comércio no continente americano?
Como estão se processando as discussões?
Em que termos esse acordo está sendo negociado?
Na discussão posterior à pesquisa, procure levar os alunos
a descobrir a afinidade entre os temas tratados no documen-
tário e os pontos envolvidos na implementação desse acordo
comercial.
Interdisciplinaridade
HISTÓRIA: Estudar o desenvolvimento econômico do pós-guer-
ra, a formação dos organismos internacionais, a evolução
do capitalismo financeiro, a expansão das empresas
transnacionais e a hegemonia dos Estados Unidos.
ÉTICA: Engenharia genética e biotecnologia, temas presentes
em diversos acordos internacionais, podem ser discutidos
do ponto de vista dos aspectos éticos envolvidos.
Veja na internet
<http://www.mre.gov.br/>
Relações bilaterais. Site do Ministério das Relações
Exteriores.
<http://www.mdic.gov.br/comext/default.htm>
Informações sobre comércio exterior, no site do
Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
Exterior.
<http://www.ftaa-alca.org/alca_p.asp>
Site oficial da Alca � Área de Livre Comércio das
Américas.
<http://www.ilea.ufrgs.br/nerint/>
Núcleo de Estudo em Relações Internacionais e Integração.
Leia também
�O balanço do neoliberalismo�, em Pós-neoliberalismo.
As políticas sociais e o Estado democrático
Perry Anderson. São Paulo, Paz e Terra, 1995.
Por uma outra globalização � do pensamento único à
consciência universal
Milton Santos. Rio de Janeiro, Record, 2000.
O que é capital internacional
Rabah Benakouche. São Paulo, Brasiliense, 1992.
Alca: quem ganha e quem perde com o livre comércio nas
Américas
Kjeld Jakobsen & Renato Martins. São Paulo, Fundação Perseu
Abramo, 2002.
GEOGRAFIA
7
OUTUBRO
Série selecionada na grade de
programação do ensino
fundamental. Indicada para
atividades com alunos de 7ª e 8ª
séries do ensino fundamental e
também para o ensino médio.
ÁREAS CONEXAS: Ética; História
n
n
DURAÇÃO: 53�
n
n
l
l
l
l
l
l
programaçãoD E S T A Q U E S D A
TV ESCOLA 17
DIREÇÃO: Maurício Dias
REALIZAÇÃO: Grifa
Cinematográfica, Brasil, 2000
NO CAMINHO
DA EXPEDIÇÃO
LANGSDORFF
R E S U M O
Documentário apresentado pela artista plástica Adriana
Florence, tataraneta do artista francês Hercule Florence, que
participou como desenhista da expedição promovida pelo côn-
sul alemão George von Langsdorff no século 19. Acompanha-
da de uma equipe de pesquisadores, Adriana refez o percurso
da missão pelo interior do Brasil, percorrendo cerca de 17 mil
quilômetros, de São Paulo até a Amazônia.
Proposta interdisciplinar
SELEÇÃO DO TEMA - Em um trabalho conjunto, os professo-
res de História, Arte e Geografia podem organizar um estu-
do comparativo entre quatro expedições empreendidas em
momentos distintos: Langsdorff (1821-1829); Roncador-Xingu
(de 1945 até a década de 60); Jacques Cousteau (1982-1983);
e a realizada pela equipe do documentário (1999).
Ao retomar o percurso da expedição Langsdorff, os via-
jantes que fizeram o documentário também participaram de
uma expedição que, tal como as outras, produziu novos co-
nhecimentos, o que torna extremamente rica a comparação
com as demais expedições.
A proposta é verificar, de acordo com as especificidades
de cada disciplina, as idéias de �natureza� e de �índio� pro-
duzidas pela fala do outro � estrangeiro ou brasileiro � du-
rante os séculos19 e 20.
TRABALHO COM O VÍDEO - Os professores das três áreas fa-
zem a apresentação do vídeo em conjunto, chamando a aten-
ção dos alunos para aspectos específicos de cada disciplina.
Ao final, propõem uma discussão global, levando-os a comen-
tar os aspectos que consideraram mais interessantes. Um dos
três professores deve organizar as informações na lousa, de
modo a compor um quadro-resumo do documentário. A se-
guir, podem ser organizados quatro grupos, cada um encar-
regado de estudar uma das expedições, sob vários aspectos:
roteiro pretendido pelos viajantes;
objetivos da montagem da expedição;
contexto do país na época, favorável ou incentivador do em-
preendimento;
exemplos de representações dos grupos indígenas
contatados e da natureza local, por escrito e em imagens.
Proponha a formação de um painel informativo do material
colhido pelos vários grupos, a fim de servir de referência para o
estudo comparativo das expedições. Quando terminar a coleta
do material, os professores devem promover a análise dos re-
sultados, sob a perspectiva de cada uma das três áreas.
Encerramento e avaliação
Para finalizar, os professores podem orientar a organização
de uma �expedição� de grupos de alunos, que decidirão os ob-
jetivos a alcançar e a função de cada participante. A primeira
etapa é a escolha do local, que pode ser um bairro da cidade. Os
registros � que devem incluir roteiro, mapa, diário de anota-
ções, descrições, ilustrações e fotografias � servirão para com-
por uma amostra de documentação histórica.
Veja na internet
<http://www.uol.com.br/novaescola/ed/112_mai98/html/
multi.htm>
�Arte e ciência em cinco séculos de expedições�, artigo publi-
cado na revista Nova Escola, 112, maio 1998, que trata de várias
expedições.
<http://www.multirio.rj.gov.br/historia/modulo02/
viajantes.html>
Página que trata da corte portuguesa no Rio de Janeiro, com
comentários sobre as expedições da época.
<http://www.uol.com.br/cienciahoje/chmais/pass/ch146/
emdia.pdf>
�De volta ao coração do Brasil�, artigo sobre a expedição
Langsdorff publicado em Ciência Hoje, jan.-fev. 1999.
<http://www.zaz.com.br/almanaque/indios_3.htm>
Artigos sobre a Expedição Roncador-Xingu.
Leia também
Os diários de Langsdorff
D. G. Bernardino da Silva (org.). Fiocruz, São Paulo, 1998.
Expedição Langsdorff � Acervo e fontes históricas
B. Komissarov. Unesp/Langsdorff, São Paulo,1994.
A Marcha para Oeste: epopéia da Expedição Roncador-Xingu
Orlando Villas Bôas e Cláudio Villas Bôas. Globo, São Paulo,
1994.
Artigos sobre a expedição registrada no documentário
Correio Braziliense, 14 nov. 99; Diário do Grande ABC, 9 out. 99;
Diário de Cuiabá, 31 out. 99; O Estado de S.Paulo, 2 nov. 99; Épo-
ca, 8 nov. 99; IstoÉ, 10 nov. 99; Terra, fev. 2000
HISTÓRIA
18
NOVEMBRO
Série selecionada na grade de
programação do ensino
fundamental. Indicada para
atividades com alunos de 7a e 8a
séries do ensino fundamental e
também para o ensino médio.
ÁREAS CONEXAS: Arte e
Geografia
n
n
n
n
DURAÇÃO: 48�21�
TV ESCOLA18
programaçãoD E S T A Q U E S D A
ACERVO ESPECIAL / ACERVO ESPECIAL / ACERVO ESPECIAL / A
ma seleção especial da série Ver Ciência reúne
filmes premiados no festival francês Image et
Science, considerado o mais importante evento
mundial de divulgação científica e tecnológica. São
documen-tários sobre diversos temas produzidos em
vários países, com os mais elevados padrões de
qualidade, competência técnica e rigor científico,
abordando temas atuais e instigantes.
Os episódios compõem um amplo painel das
conquistas científicas e tecnológicas dos últimos anos:
máquinas mais eficientes, energia limpa, recursos
naturais renováveis e proteção ambiental, a bioen-
genharia capaz de recompor órgãos danificados etc.
Ao mesmo tempo, subprodutos do conhecimento
aplicado, como a poluição e os microrganismos
resistentes a vacinas e antibióticos, põem em xeque
os benefícios desses avanços. Assuntos polêmicos, que
prometem instigar valiosos debates em sala de aula.
PRODUÇÃO: NHK / Japão, 2001
DIREÇÃO: Osamu Monden
7
NOVEMBRO DURAÇÃO: 60�
O Sasi é um sistema de proteção ambiental considerado antiquado
e retrógrado por muitos, mas que há trezentos anos garante o uso
sustentável dos recursos naturais no povoado de Haruku, na
Indonésia. Uma polêmica que merece ser acompanhada e
discutida.
Sasi: uma
esperança para a
floresta e o mar
PRODUÇÃO: NHK / Japão, 2001
DIREÇÃO: Toshihiro Matsumoto/
Kazuhiro Kitano
17
OUTUBRO DURAÇÃO: 60�
Os inúmeros asteróides que caíram sobre a Terra desde sua
formação há bilhões de anos podem ter trazido as sementes que
deram origem aos primeiros seres vivos. A panspermia e a origem
extraterrestre da vida são as hipóteses abordadas neste
documentário.
O berço cósmico
da vida
Produção: BBC / Grã-Bretanha,
2002
Direção: John Lynch
10
OUTUBRO DURAÇÃO: 50�
Microfotografias e gravações no interior do corpo humano
desvendam os mecanismos da reprodução e o papel dos
hormônios na definição da sexualidade.
O segredo do sexo
Produção: BBC / Grã-Bretanha,
2002
Direção: John Lynch
31
OUTUBRO
DURAÇÃO: 50�
A primeira clonagem de um embrião humano, passo decisivo para
o desenvolvimento das células-tronco, representa a esperança de
muitos que dependem da reconstituição de tecidos e órgãos para
uma vida normal. Tema polêmico, pois para uma parcela da
sociedade essa tecnologia esbarra em questões éticas.
A criação
PRODUÇÃO: BBC /
 Grã-Bretanha, 2002
DIREÇÃO: John Lynch
21
NOVEMBRO
DURAÇÃO: 50�
Episódio que apresenta a formulação de uma nova droga
destinada a aumentar o ciclo de vida do ser humano, agindo sobre
os efeitos do oxigênio, gás responsável também pelo
envelhecimento.
Vivendo
para sempre
VER CIÊNCIA
U
PRODUÇÃO: NHK / Japão, 2001
DIREÇÃO: Toshifumi
Kataoka
O empenho de um cientista japonês que, depois de
vinte anos de pesquisa, desenvolveu um câmbio de
automóveis que dispensa o tradicional sistema de
engrenagens.
Atrito zero:
quebrando as
barreiras da
resistência
3
OUTUBRO
5
DEZEMBRO
e
DURAÇÃO: 60�
TV ESCOLA18
TV ESCOLA 19
Realização: TV Escola-CTI,
Brasil, 1999
Direção: Vincent Carelli
L / ACERVO ESPECIAL / ACERVO
Três programas da série Índios no Brasil apresentam
um panorama das etnias existentes no país, mostrando
as diferenças de língua, cultura e tradições e a
evolução da luta pelos direitos dos povos indígenas.
Chama a atenção para o preconceito e a discriminação
de que são vítimas, a exclusão social e o processo de
preservação e revalorização das tradições culturais.
Cada um dos episódios é comentado por professores
de três disciplinas.
COMO FAZER?
Produção: BBC /
Grã-Bretanha, 2002
Direção: Becky Jones
24
OUTUBRO
DURAÇÃO: 50�
Com vacinas e antibióticos, o ser humano imaginava que a vitória
contra vírus e bactérias estava próxima, mas adaptações nesses
organismos vêm representando uma nova ameaça de epidemias
para a humanidade.
Pestes do futuro
PRODUÇÃO: WGBH / Estados
Unidos, 2001
DIREÇÃO: Joel Clicker
14
NOVEMBRO DURAÇÃO: 60�
Complexas e extremamente diversas, as formas de vida no planeta
têm, no entanto, uma história evolutiva que converge no passado
remoto para uma única árvore genealógica.
Evolução: grandes
transformações
PRODUÇÃO: Deutsche Welle/
Alemanha, 2001
DIREÇÃO: Stefan Gabelt
28
NOVEMBRO DURAÇÃO: 50�
A energia do futuro, que já movimenta os primeiros veículos
automotores, é limpa e renovável: o hidrogênio, que se converte
em água e pode ser obtido dos oceanos.
Hidrogênio:
a fonte de energia
do futuro
Produção: Deutsche Welle/
Alemanha, 2002
Direção: Arno Klothen
28
NOVEMBRO DURAÇÃO: 30�
Avanços da eletrônica já permitem substituir nervos por
dispositivos implantados no organismo. Uma esperança de
aperfeiçoar a vida, fundindo homem e máquina num novo ser.
Ciborgues,
seres híbridos
Índios no Brasil
17
NOVEMBRO
19
NOVEMBRO
a
REALIZAÇÃO: BBC / Open
University, Grã-Bretanha, 1995
DIREÇÃO: Rissa de La Paz
Documentário da série Quem Somos Nós, que focaliza
o drama das pessoas que tiveram seus rostos
desfigurados. Vítimasde acidentes ou de doenças, elas
contam suas experiências na luta para reconstituir a
identidade e a auto-estima.
O tema possibilita trabalhos específicos em Língua
Inglesa, Arte e Filosofia e uma atividade
interdisciplinar envolvendo essas áreas. Os
comentaristas sugerem que se comece o trabalho em
sala de aula com uma seleção de termos em inglês
usados no documentário que têm profundo
significado em Filosofia, para analisar como as
diferenças individuais e sociais são tratadas por todos
nós. A proposta culmina com a criação de uma
instalação, um espaço especialmente projetado para
que os alunos passem por uma experiência sensorial
baseada na discussão levantada pelo documentário.
Mais do que os
olhos podem ver
10
NOVEMBRO
DURAÇÃO: 24�04� COLORIDO
Comentado por professores de
LÍNGUA INGLESA, ARTE E FILOSOFIA
1. QUEM SÃO ELES? (17�38�)
2. NOSSAS LÍNGUAS (19�16�)
3. UMA OUTRA HISTÓRIA (15�31�)/
NOSSOS DIREITOS (17�08�)
TV ESCOLA 19
TV ESCOLA20
SALTO PARA O FUTURO / SALTO PARA O FUTURO / SALTO PARA
15
OUTUBRO
Homenagem aos professores, enfocando a escola como espaço
privilegiado para a formação de leitores. A leitura como prática
social é um tema que, por sua complexidade, tem sido objeto de
investigação nas diferentes áreas do conhecimento. INÉDITO
ESPECIAL DO DIA
DO PROFESSOR
Tem por eixo temas específicos da
profissão de professor � formação inicial
e continuada, condições de trabalho nas
escolas, remuneração, prática docente
DESAFIOS DA ESCOLA:
UMA CONVERSA COM OS
PROFESSORES
etc. -, apresentando alternativas para o enfrentamento de
algumas dessas questões. REPRISE
13
OUTUBRO
16
OUTUBRO
e 14
OUTUBRO
17
OUTUBRO
e
20
OUTUBRO
24
OUTUBRO
a
Estimula um debate entre diferentes atores do proces-
so educacional � gestores, técnicos, diretores, professo-
res �, a fim de esclarecer o significado da avaliação de
sistemas, da sistemática do Saeb, dos instrumentos
SAEB � TODA CRIANÇA
APRENDENDO
aplicados, entre outros temas. Pretende, ainda, reforçar a
necessidade da contribuição de todos para uma melhor
qualidade da educação em cada escola. INÉDITO
27
OUTUBRO
31
OUTUBRO
a
Focaliza, numa perspectiva crítica, a construção de práticas
educativas voltadas para a valorização das concepções
histórico-sociais do ser humano. Propõe-se a discutir com o
professor os fundamentos teóricos e metodológicos de um
TRABALHO, CIÊNCIA E CULTURA:
DESAFIOS PARA O ENSINO MÉDIO
novo projeto curricular interdisciplinar para o ensino médio, visando
compreender a articulação entre os conceitos de trabalho,
ciência e cultura, sobretudo a partir da prática docente. INÉDITO
6
OUTUBRO
10
OUTUBRO
a
Parceria com o Ministério do Meio Ambiente
para discutir diversos aspectos relativos à Agenda
21 � como a Agenda 21 global e nacional e a
importância das Agendas 21 locais sob a óptica
EDUCAÇÃO PARA UM BRASIL
SUSTENTÁVEL: FORMAÇÃO DE AGENTES
EDUCATIVOS EM AGENDAS 21 LOCAIS
socioambiental �, com foco nas experiências na área da
educação. INÉDITO
3
NOVEMBRO
7
NOVEMBRO
a
Objetiva fomentar um processo de discussão do
ensino da Matemática, por meio de questões suscitadas
pelo ensino da álgebra. Enfoca a relação entre a
aritmética, a álgebra e a geometria, bem como as
EDUCAÇÃO ALGÉBRICA E
RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS
atividades específicas para o desenvolvimento do pensamento
algébrico. REPRISE
10
NOVEMBRO
14
NOVEMBRO
a
Experiências de instituições que atuam na educação
profissional � privadas e públicas, de nível federal e
estadual. Entre outras questões, são discutidas a inser-
ção profissional e social de jovens e adultos; a formação
PROFISSIONALIZAÇÃO: ALTERNATIVA
PARA O DESENVOLVIMENTO E A
CIDADANIA
empreendedora; o desenvolvimento regional; a sustentabilidade
social; e a educação continuada. INÉDITO
17
NOVEMBRO
21
NOVEMBRO
a
Discute com os professores o trabalho com a leitura e a
escrita na perspectiva do letramento, fazendo um
contraponto às práticas leitoras tradicionais, muitas
vezes mecanizadas e distanciadas do universo social.
LETRAMENTO E LEITURA DA
LITERATURA
Também propõe perspectivas metodológicas para a prática
alfabetizadora e para o trabalho com a linguagem literária
na escola. REPRISE
alto para o Futuro é mais do que um programa de televisão. É um espaço de formação continuada de
professores e de estudantes de Magistério. Abordando temas relacionados às práticas pedagógicas, estes
programas se destinam ao diálogo com professores de todo o país, que se reúnem em telessalas nos dife-
rentes estados, têm acesso a material impresso e participam por meio de questionamentos durante o programa.
Os programas são transmitidos ao vivo, diariamente, das 19 às 20 horas e reprisados em outros horários.
S
TV ESCOLA20
programaçãoD E S T A Q U E S D A
TV ESCOLA 21
ARA O FUTURO / SALTO PARA O... OUTRAS ATRAÇÕES
24
NOVEMBRO
28
NOVEMBRO
a
Aborda aspectos pedagógicos, legais e de gestão da
educação a distância nos cursos de graduação. Para o
Ministério da Educação e numerosas instituições brasi-
leiras, a educação a distância na universidade do século
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA NA
UNIVERSIDADE DO SÉCULO 21
21 é uma estratégia educacional comprometida tanto com a de-
mocratização da oferta quanto com a qualidade do processo
educacional. INÉDITO
1o
DEZEMBRO
5
DEZEMBRO
a
Os debates colocam em foco o novo paradigma de uma
sociedade de direito que busca a construção de uma
cultura de proteção e respeito aos direitos humanos de
crianças e adolescentes. Essa postura implica tecer rela-
ESPAÇOS DE PROTEÇÃO À
CRIANÇA E AO ADOLESCENTE
ções de trocas afetivas e de aprendizagens que estruturam uma
rede de proteção, da qual a escola é um dos elos. INÉDITO
8
DEZEMBRO
12
DEZEMBRO
a
Procura trazer a ciência para o cotidiano da escola e
contribuir para a construção de uma cultura científica.
Aborda o museu de ciências como espaço de formação
continuada para o professor; o museu ligando escola e
CIÊNCIA E VIDA COTIDIANA:
PARCERIA ESCOLA E MUSEU
comunidade à pesquisa; o museu itinerante; o museu onde não há
museu; e o museu e o professor. REPRISE
8
DEZEMBRO
19
DEZEMBRO
a
Relatos de trabalho em sala de aula com mapas, atlas,
imagens de satélite e outros recursos da cartografia.
Discute a relação entre o desenho do espaço e a aquisi-
ção de conceitos cartográficos; a linguagem cartográfica;
CARTOGRAFIA
NA ESCOLA
a cartografia indígena; o ensino com mapas; a produção de atlas
municipais e gerais; e o uso de tecnologias modernas, como
imagens de satélite e fotografias aéreas. REPRISE
4
NOVEMBRO
Documentário sobre o mundo solitário dos autistas e os
conflitos e as dificuldades enfrentadas pelos pais de crianças
portadoras do problema. Constitui um valioso instrumento
para professores e outros profissionais da educação
identificarem transtornos de conduta e de desenvolvimento
cognitivo, afetivo e social associados à doença.
EDUCAÇÃO ESPECIAL
Autismo: um mundo à parte
13
OUTUBRO
14
OUTUBRO
e
Com os mesmos recursos cênicos utilizados nos
programas dedicados ao período imperial,
essa série cobre o período da história brasileira
que se estende desde a proclamação da
HISTÓRIA
500 ANOS - O Brasil
República na TV
República até a comemoração dos quinhentos anos do
Descobrimento.
13
OUTUBRO
14
OUTUBRO
e
A série de oito programas aborda a história do
Brasil desde o início do processo de independência
até as crises que puseram fim ao período imperial.
A narração dos fatos, realizada por atores caracte-
HISTÓRIA
500 ANOS - O Brasil
Império na TV
rizados com roupas de época, funciona como suporte para
diálogos protagonizados por bonecos representando persona-
gens e situações históricas.
20
OUTUBRO
Série de nove episódios que explicam o funcionamento da TV
Escola e a melhor forma de utilizá-la � como ferramenta em
sala de aula, na capacitação de professores e na integração
da comunidade.
ESCOLA / EDUCAÇÃO
O uso da TV Escola
stes são alguns dos programas que você
não pode deixar de assistir e gravar.
Consulte a grade da programação e verá
que muitos outros também despertarão seu
interesse.
E
TVESCOLA 21
TV ESCOLA22
UM PÉ NA ALDEIA
E OUTRO
NO MUNDO
UM PÉ NA ALDEIA
E OUTRO
NO MUNDO
EDUCAÇÃO IN 
E X P E R I Ê N C I A S
TV ESCOLA 23
 DÍGENA
A EDUCAÇÃO ESCOLAR INDÍ-
GENA DÁ AMPLOS SINAIS DE
VITALIDADE. O BRASIL, EN-
FIM, MOSTRA A SUA CARA E
ASSUME A DIVERSIDADE, SUA
GRANDE RIQUEZA CULTURAL
m São Gabriel da Cachoeira, cidade
às margens do rio Negro, no Amazo-
nas, é possível ouvir nada menos do
que quinze línguas diferentes, além
do português. Cerca de 92% da po-
pulação (de 29.994 habitantes) são
índios, pertencentes a 23 grupos ét-
nicos, como Tukano, Yanomami,
Tariano, Pira-Tapuya, Baniwa, Baré, Tuyuca e
outros. Este ano, a câmara dos vereadores de
São Gabriel da Cachoeira aprovou o projeto de
lei que admite como línguas co-oficiais do muni-
cípio o tucano, o baniwa e o nheengatu, a cha-
mada língua geral.
A diversidade é a cara do Brasil. Aqui há cer-
ca de 217 grupos étnicos, que falam 180 línguas,
muitas tão diversas e incompreensíveis entre si
quanto o português e o chinês. Cada povo tem
sua história, sua forma de contato com outros
índios e não-índios, sua organização social, eco-
nômica e política, suas concepções de vida,
morte, tempo, espaço e natureza.
Os 350 mil indígenas brasileiros, que repre-
sentam apenas 0,2% da população, vivem espa-
lhados por todo o território nacional. Cresce en-
tre eles a demanda por uma educação específi-
ca, diferenciada e de qualidade. Em julho últi-
mo, como em outros períodos de férias escola-
res, muitos professores indígenas se dedicaram
a estudar. No Mato Grosso e em Roraima, fre-
qüentaram as universidades em busca de cursos
de licenciatura específicos para a formação de
professores indígenas. E outras centenas se mo-
bilizaram para fazer cursos de magistério indí-
gena, em diversos estados � como Tocantins,
Bahia, Amazonas e Rondônia.
Sem esquecer que ainda há muito trabalho
REPORTAGEM: ROSANGELA GUERRA
FOTOS: JUCA MARTINS
E
TV ESCOLA24
a ser feito, a educação indígena avança no Brasil. Cresce o volume
de materiais didáticos e paradidáticos e multiplicam-se experiên-
cias educacionais desenvolvidas por universidades, secretarias de
educação e organizações não-governamentais. Muitas dessas expe-
riências, realizadas em escolas de várias regiões do Brasil, serviram
como subsídio para a elaboração do Referencial Curricular Nacional para
as Escolas Indígenas (RCNE/I), documento lançado em 1998 pela Se-
cretaria de Educação Fundamental do Ministério da Educação. Foi
um trabalho escrito a muitas mãos. Dos 300 professores convidados
para elaborar o documento, 160 são índios, alguns dos quais discuti-
ram em suas comunidades a primeira versão do material.
Como coordenadora do trabalho de construção do RCNE/I, a pro-
fessora Nietta Lindenberg Monte, com sua experiência de mais de
20 anos dedicados à formação de professores índios na Amazônia,
teve a difícil missão de juntar textos e chegar a um consenso. Para
isso, ela trabalhou a distância, comunicando-se pela internet com
educadores de diversas regiões. �O texto do RCNE/I resulta não só
de um sonho, mas de uma ação guerreira de escritura�, diz Nietta.
Na esteira dos Referenciais veio o Programa Parâmetros em Ação
� Educação Escolar Indígena, lançado em 2002 pela Secretaria de
Educação Fundamental (SEF/MEC). Ainda em 2002, a SEF lançou
Referenciais para a Formação de Professores Indígenas, com o objetivo
de sistematizar e divulgar experiências que se mostraram eficazes
para propiciar uma formação intercultural de qualidade.
Em parceria com a Comissão Nacional de Professores Indígenas,
a SEF vem definindo as matrizes para o Exame de Certificação de
Professores Indígenas, cuja realização está prevista para janeiro de
2004. O objetivo do exame é identificar as eventuais deficiências exis-
tentes na formação desses professores e atuar no sentido de superá-
las, por meio de programas de formação inicial e continuada.
Conheça as publicações do MEC sobre educação indígena no
site: <http://www.mec.gov.br/sef/indigena/materiais.shtm>
LIVROS DIDÁTICOS FEITOS PELOS PROFESSORES MACUXY
FAZEM SUCESSO PELA QUALIDADE N
ão é exagero dizer que o
mundo está de olho nos be-
los livros indígenas publica-
dos no Brasil. Tudo começou em
1983, com o trabalho pioneiro da
organização não-governamental
Comissão Pró-Índio, do Acre, que
publicou cartilhas de alfabetização
e livros sobre temas culturalmente
relevantes, em dez línguas indíge-
nas. O material foi elaborado cole-
tivamente, durante cursos de for-
mação de professores na Amazônia
ocidental.
Nos últimos sete anos foram
editados, com o apoio do MEC, 52
livros de autoria de 83 povos indí-
genas, produzidos com a assessoria
de universidades, organizações
não-governamentais e associações
indígenas. As publicações, que fa-
zem sucesso pela qualidade do tex-
to, das imagens e do projeto gráfi-
co, trazem registros históricos da
luta pela posse da terra, lendas e
mitos e conhecimentos tradicional-
mente trabalhados na escola.
A autoria dos livros valorizou o
papel dos professores indígenas no
processo de construção do projeto
educacional de suas comunidades.
Além disso, deu visibilidade ao enor-
me acervo cultural dos índios tendo
como meio este objeto especialmen-
te valorizado no mundo dos bran-
cos: o livro.
LIVROS INDÍGENAS:
O DIFERENCIAL
BRASILEIRO
E X P E R I Ê N C I A S
TV ESCOLA 25
s índios Karajá, que mo-
ram na aldeia Buridina, no
município de Aruanã, em
Goiás, passaram pela notável ex-
periência de redescobrir sua pró-
pria língua e sua cultura. Já não
falavam a língua-mãe, nem pra-
ticavam os rituais de seus antepas-
sados. Mas tudo começou a mu-
dar em 1993, com o Projeto de
Educação e Cultura Indígena
Maurehi, que nasceu da parceria
entre a Associação da Aldeia dos
Karajá de Aruanã, a Fundação Na-
cional do Índio, a Secretaria de
Estado da Educação e a Universi-
dade Federal de Goiás.
Na ilha do Bananal, em
Tocantins, há uma outra aldeia na
qual estão preservadas as tradi-
ções dos Karajá. Antigamente, os
Karajá de Buridina mantinham re-
lações sociais estreitas com esse
grupo de sua etnia. A equipe do
projeto Maurehi restabeleceu
esse contato e os Karajá de
Buridina foram para a ilha do Ba-
nanal, onde participaram de uma
cerimônia Hetohok, o principal
ritual de iniciação masculina. Esse
evento reacendeu neles o orgulho
por sua cultura e sua língua; o pró-
ximo passo consistiu em criar, na
aldeia Buridina, a Escola Indígena
Maurehi. Nos períodos em que
não estão na escola da cidade, os
alunos aprendem em sua aldeia a
língua e as tradições de seu povo.
Além disso, atendendo a uma rei-
vindicação da comunidade, a es-
cola oferece um curso de alfabeti-
zação de adultos em português.
Os professores trabalham diversas
disciplinas, utilizando vídeos da TV
Escola, como os da série Índios no
Brasil e outros sobre Língua Portu-
guesa e Meio Ambiente, procuran-
do melhorar o desempenho dos
alunos na escola da cidade.
O Núcleo de Tecnologia Edu-
cacional (NTE), do ProInfo, da ci-
dade de Goiás implantou em 2001
um laboratório de informática na
Escola Indígena Maurehi, com
quatro computadores conectados
na internet, impressora e scanner.
A construção foi decorada pelos
índios com pinturas da deusa
Aruanã e outros motivos da tradi-
ção Karajá. Divina Irene Ferreira
Magalhães, coordenadora do NTE,
se entusiasma com o trabalho de-
O
DE VOLTA ÀS
ORIGENS
senvolvido. Ela conta que os índi-
os reproduzem as pinturas corpo-
rais Karajá na tela do computador,
usando o paint-brush com uma fa-
cilidade impressionante. Digitam
textos sobre lendas e mitos na sua
língua e fazem pesquisas na
internet sobre assuntos de interes-
se da comunidade, como saúde da
mulher, prevenção de aids, dro-
gas, alcoolismo e a preservação
do rio Araguaia, que faz parte da
história do povo Karajá.
Fascinado com o conhecimen-
to a que se pode ter acesso por
meio do computador, o cacique
da aldeia Buridina, Raul
Hawakati, 47 anos, disse: �O com-
putador é como o avô�. Para os
índios, o avô representa o gran-
de mestre, responsável pela pre-
servação e pelatransmissão do co-
nhecimento de seu povo às gera-
ções mais jovens.
ÍNDIOS KARAJÁ E PATAXÓ VIVENCIAM A MESMA ALEGRIA DE APRENDER
TV ESCOLA26
E X P E R I Ê N C I A S
OS PROFESSORES PATAXÓ DESENVOLVEM SEUS PRÓPRIOS MATERIAIS DIDÁTICOS
os anos 70, algumas famílias
de índios Pataxó deixaram
suas terras ancestrais no sul da
Bahia e chegaram ao município de
Carmésia, em Minas Gerais, dispos-
tos a lutar pela sobrevivência, numa
região com sérios problemas am-
bientais causados pelo desmata-
mento. Hoje, o orgulho das 93 fa-
mílias que vivem no município é a
Escola Estadual Indígena Pataxó
Bocumux , de pré-escola a 5ª série.
�Nossa escola é uma casa que per-
tence a todos�, costumam dizer os
Pataxó. A escola é um espaço aber-
to para a realização de jogos e brin-
cadeiras, manifestações artísticas e
culturais e discussões sobre os inte-
resses dos índios Pataxó das comu-
nidades Retirinho, Imbiruçu e
Córrego do Engenho.
Em 2001, os professores deram
início a um minucioso trabalho para
elaborar um calendário etnoam-
biental. Os líderes da comunidade,
as merendeiras da escola, os alunos
e seus pais foram chamados para
ajudar. O que eles queriam era ter
um pé na aldeia e outro no mundo:
cultivar o conhecimento dos velhos,
conhecer o mundo dos brancos e
trocar experiências educacionais.
Em seu projeto, os professores
escreveram: �Devemos fortalecer
nossas memórias de como os anti-
gos cuidaram da terra, como cuida-
mos hoje e como nossos filhos e ne-
tos irão cuidar, preservando assim os
ciclos da vida na terra�. Esses ciclos
foram usados na construção do ca-
lendário etnoambiental Pataxó, que
abre espaço para o estudo interdisci-
plinar dos problemas ambientais.
O calendário etnoambiental
Pataxó, que revela a veia poética do
povo, é assim dividido:
Tempo de voltar para a escola e
de comer o que plantou: feve-
reiro.
Tempo da brisa leve e de lutar
por nossos direitos: março, abril.
Tempo da seca e do frio: maio,
junho, julho, agosto.
Tempo das águas: setembro,
outubro, novembro, dezembro,
janeiro.
N No tempo das águas, os alunosestudam, entre vários outros temas,a poluição dos rios nas terras Pataxó,
no Brasil e no mundo, os sinais e
avisos dos bichos que anunciam a
chuva, as atividades econômicas
nessa época do ano, a origem dos
raios e trovões segundo a tradição
do povo e os conhecimentos não-
indígenas.
Os professores Pataxó cursaram
o magistério, oferecido pelo Progra-
ma de Implantação das Escolas Indí-
genas de Minas Gerais, iniciado em
1996, e responsável pela mudança
da educação indígena no estado. A
coordenadora do programa, Macaé
Evaristo, conta que o curso de ma-
gistério já formou 64 professores e
outros 70 concluirão o curso no fi-
nal deste ano. As escolas das oito
etnias que vivem em Minas
(Xakriabá, Maxakali, Krenak, Pata-
xó, Xukuru-Kariri, Pankararu, Kaxi-
xó e Aranã) têm projetos pedagó-
gicos adaptados à sua realidade e
os professores desenvolvem seus
próprios materiais didáticos.
TEMPO DE APRENDER
TV ESCOLA 27
O
s professores indígenas
do Projeto Açaí, em
Rondônia, se encanta-
ram com a construção de mapas
da aldeia, do estado, do país e
do mundo. �Um dia, um deles
descobriu que o mapa de Ron-
dônia parecia o casco do jabuti�,
conta Meiry Gonçalves Fonseca,
professora do Projeto Açaí.
Desenvolvido pela Secreta-
ria de Educação de Rondônia
desde 1998, o Projeto Açaí é
destinado à formação de pro-
fessores indígenas do próprio
estado e também de áreas vizi-
nhas, que estão situadas em
Mato Grosso. Atualmente, cer-
ca de 120 professores de 32
etnias estudam magistério � eles
são escolhidos em sua aldeia e
vão fazer o curso em uma cida-
OS INDÍGENAS TÊM CURSO DE LICENCIATURA DIFERENCIADO
O CASCO DO JABOTI NO MAPA-MÚNDI
m 1997, durante a Ameríndia �
Conferência Latino-Americana
de Educação Escolar Indígena,
realizada em Cuiabá, as lideranças
indígenas reivindicaram do governo
do Mato Grosso um curso superior
diferenciado. Tempos depois, em ju-
lho de 2001, começavam as aulas do
primeiro curso de licenciatura espe-
cífico para a formação de professo-
res indígenas, criado pela parceria
entre a Secretaria de Estado da Edu-
cação, a Universidade do Estado de
Mato Grosso (Unemat) e a Funai.
Com duração de cinco anos, o
curso principia com um currículo
geral único e no último ano o aluno
escolhe uma área específica: ciênci-
as da matemática e da natureza; ci-
ências sociais; línguas, arte e litera-
tura. Os encontros presenciais acon-
tecem no período de férias escola-
res no campus da universidade, em
ELES CHEGARAM
À UNIVERSIDADE
Ede próxima, durante as férias es-colares.Armando Jabuti, da etnia
Jabuti, leciona na aldeia Bahia
das Onças, no município de
Guajará-Mirim. Para ensinar ge-
ografia, ele reúne os conheci-
mentos de seu povo com o que
aprendeu na escola do Projeto
Açaí � nem parece, mas antes de
fazer o curso de magistério in-
dígena, ele não valorizava o sa-
ber de seus ancestrais. Em sua
aula, Armando explica que a lua
nasceu de um amor impossível
entre um irmão e uma irmã. En-
cantado pela moça, o rapaz foi
para o céu iluminar a noite que
é de todos: índios e não-índios.
Seus alunos desenham os limi-
tes da aldeia e o caminho do rio
Guaporé.
TV ESCOLA28
UM SALTO
DO PASSADO
AO FUTURO
E X P E R I Ê N C I A S
OS ENCONTROS DE PROFESSORES SÃO UMA OPORTUNIDADE RARA DE
INTEGRAÇÃO ENTRE OS POVOS
Reunidos no Instituto Superiorde Educação, em Boa Vista,Roraima, professores de diver-
sas etnias do estado participaram,
em maio último, de um debate so-
bre a educação indígena, logo após
terem assistido a um vídeo do Salto
para o Futuro sobre o tema. O desa-
parecimento de muitas línguas, as
idéias errôneas sobre os índios �
como seres primitivos, do passado e
sem história � esquentaram a discus-
são. Eles disseram que, durante mui-
to tempo, a escola foi uma ameaça
para a cultura indígena, porque des-
conhecia sua língua e negava o co-
nhecimento dos povos.
Conscientes do que aconteceu
no passado e interessados num fu-
turo melhor, os professores indíge-
nas mostram que já sabem por onde
começar. Enilton André da Silva,
professor da etnia Wapixana, lem-
bra que a escola deve valorizar as
tradições, o conhecimento do pajé
e a religião dos ancestrais, e cultivar
a língua materna que, para ele, é
�o segredo da vida na aldeia por ser
uma forma de comunicação com a
natureza�. Em sua escola isso já
acontece: os alunos têm aulas de ar-
tesanato e também de língua ma-
terna. Os professores presentes con-
cordam que exercer o magistério é
uma missão difícil. A comunidade
exige compromisso e responsabili-
dade na luta pelos direitos de todos,
e não apenas dos alunos. Além de
Barra do Bugres, a 160 quilômetros de Cuiabá. Em janeiro de 2006
deverá se formar a primeira turma � com duzentos índios de 36
etnias e 14 estados.
O aluno Lucas Ruriõ Xavante, 41 anos, conta que os encon-
tros presenciais representam uma oportunidade rara de intercâm-
bio entre povos que não se conheciam. Ruriõ foi escolhido por
sua comunidade para fazer o curso superior e assumiu o compro-
misso de �ensinar para os alunos o conhecimento da aldeia e do
mundo�. Orgulhoso de seu papel, e de participar do processo de
mudança, diz: �O curso me fez acordar. Aprendi a valorizar a lín-
gua Xavante e a característica guerreira do meu povo�.
Este ano foi criado em Roraima o curso de Formação Superi-
or Indígena Intercultural, resultado de uma parceria entre a Or-
ganização dos Professores Indígenas de Roraima (Opir), a Uni-
versidade Federal de Roraima (UFRR), a Fundação Nacional do
Índio (Funai) e o governo do estado. O curso tem a duração de
cinco anos e as aulas acontecem em janeiro e julho. As lideran-
ças indígenas do estado participaram ativamente da elabora-
ção do currículo. Cerca de 270 professores das 13 etnias que vi-
vem em Roraima fizeram o vestibular, disputando as 60 vagas
do curso.
No Mato Grosso do Sul, a primeira turma de professores das
etnias Terena e Kadiweu já está fazendo o curso Normal Superi-
or Indígena. Criado por iniciativa dos Terena, o curso é oferecido
pela UniversidadeEstadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), em
Aquidauana.
TV ESCOLA 29
ensinar os mais jovens a falar a lín-
gua de seus ancestrais, os profes-
sores de língua materna têm a
missão de passar para o papel lín-
guas que até pouco tempo só exis-
tiam na tradição oral.
Uma das principais demandas
das comunidades indígenas é a
oferta de cursos específicos para
formação e titulação de professo-
res. Natalina da Silva Messias, da
etnia Makuxi, coordenadora de
educação indígena da Secretaria
de Educação de Roraima, explica
que o curso de magistério está sen-
do reavaliado pela Secretaria de
Educação, que irá discutir a propos-
ta curricular com as lideranças de
diversas etnias do estado, assim
como foi feito para a criação, este
ano, do superior indígena.
O ensino médio diferenciado
e itinerante começou também
este ano, a partir de uma parce-
ria entre o estado e as organiza-
ções indígenas, e já atende tre-
zentos alunos. Agora, os que
completam o ensino fundamen-
tal não precisam mais ir para a ci-
dade, o que sempre traz muitas
dificuldades para as famílias. No
total, 26 professores circulam pe-
las aldeias, revezando-se de ma-
neira que cada um passe de duas
a três semanas na mesma escola.
O ensino médio diferenciado é
multilíngüe (português, Makuxi,
Wapixana e Taurepang) e segue
um calendário adaptado a cada
comunidade; Antropologia e Edu-
cação Ambiental são disciplinas
que fazem parte do currículo.
REUNIDOS EM BOA VISTA (RR), OS ÍNDIOS DESTACARAM A IMPORTÄNCIA DE
PRESERVAR SUA HISTÓRIA E SEUS VALORES CULTURAIS
N
o início houve quem pensas-
se que seria uma interferên-
cia cultural colocar uma câ-
mara de vídeo nas mãos de índios.
Mas a idéia deu certo. Em atuação
há 15 anos, a organização não-go-
vernamental Vídeo nas Aldeias criou
um acervo com duas mil horas de
imagens de 30 povos indígenas bra-
sileiros e produziu uma coleção de
50 vídeos, vários deles premiados in-
ternacionalmente. Quem coordena
o trabalho da ONG é o antropólogo
Vincent Carelli, que dirigiu a série
Índios do Brasil, produzida pela TV
Escola.
Os líderes indígenas se entusias-
maram com a possibilidade de regis-
trar rituais, festas e reuniões da co-
munidade, vendo aí uma nova ma-
neira de transmitir os conhecimen-
tos tradicionais para as gerações fu-
turas, e também para outros povos.
Na aldeia, a comunidade escolhe
quem irá participar das oficinas para
aprender a fazer o roteiro, captar
imagens, analisar e editar o mate-
rial. Os vídeos são comprados por
museus, centros culturais e universi-
dades, e as comunidades indígenas
recebem o pagamento pelos direi-
tos de imagem e de autor. As fitas
são também distribuídas em várias
aldeias para promover o intercâm-
bio entre os povos. Muitos profes-
sores indígenas aproveitam o mate-
rial em suas escolas. Saiba mais so-
bre Vídeo nas Aldeias no site: <http:/
/www. videonasaldeias.org.br>
VÍDEO NAS
ALDEIAS
ENILTON ANDRÉ DA SILVA,
PROFESSOR DA ETNIA
WAPIXANA, EM RORAIMA
TV ESCOLA30
TV ESCOLA NO
OIAPOQUE
N
E S P E C I A L
A ESCOLA É O CENTRO DA VIDA DA COMUNIDADE
KARIPUNA DA ALDEIA MANGA, EM OIAPOQUE, NO
AMAPÁ. AGORA QUE A TV ESCOLA CHEGOU, ALI TAM-
BÉM ACONTECEM AS SESSÕES DE VÍDEO.
ovidade na aldeia
Manga, no Oiapoque,
Amapá, onde vivem
cerca de 600 índios
Karipuna. O equipa-
mento para recepção
da TV Escola, enviado
pelo governo do esta-
do, acaba de ser instalado no novo
prédio da Escola Estadual Jorge
Iaparra. E sem hesitar, todos sabem
o que vão assistir primeiro: �As nos-
sas olimpíadas�, diz o cacique
Luciano dos Santos, mostrando a fita
gravada por um antropólogo que
trabalhou na região.
A comunidade se reúne e, aten-
tos, homens, mulheres e crianças vi-
bram ao ver as imagens na tela: su-
bida em árvores, corrida com toras
e outras competições. O cacique ex-
plica que as Olimpíadas Indígenas
são aguardadas ansiosamente du-
rante o ano inteiro, por toda a po-
pulação da Reserva Indígena Uaçá
� das etnias Karipuna, Palikur, Galibi
e Galibi Marworno.
O diretor da escola, Jonas
Ferreira Aguiar, conta que estudam
ali 263 alunos de ensino fundamen-
tal e médio. �Já temos nosso proje-
to educacional no sistema de ciclos
de formação (por idade dos alunos),
e não em séries�, diz. A escola tem
um calendário próprio, leva em con-
ta as festas tradicionais e o período
de plantio da mandioca, da banana
e do cupuaçu. Os alunos estudam a
história de seus ancestrais Karipuna,
que fugiram do Pará por causa da
cabanada, por volta de 1835. E aca-
baram se instalando ali, no extremo
norte do país, onde moram até hoje
� separados da Guiana Francesa
pelo rio Oiapoque.
Como a vizinha Guiana France-
sa é um département francês, faz
parte da União Européia e, por isso,
tem como moeda nacional o euro.
Assim, os Karipuna vendem farinha
de mandioca do outro lado do rio
e recebem o pagamento em euro.
A professora Sônia Anika tirou daí
um bom assunto para suas aulas.
Começa com uma aula na casa de
farinha, onde os alunos ficam co-
nhecendo o processo de fabricação
da principal fonte de renda da al-
deia e aprendem a valorizar o pro-
duto da sua terra. Famosa pela qua-
lidade, a farinha dos Karipuna é
feita com a mandioca que fica mer-
gulhada durante dias nas águas do
rio. Para continuar, a professora de-
senvolve atividades de cálculo ten-
do por centro a economia da aldeia
e discute a organização social e eco-
nômica do povo. A escola também
ensina a preservar o meio ambien-
TV ESCOLA 31
ta Anatana dos Santos, 14 anos,
aluna da 8ª série. Os adolescentes
conversam entre si em crioulo e
com isso estimulam os mais velhos
a fazer o mesmo. Na escola, o pajé
Manoel Felipe, 62 anos, explica aos
alunos a importância do Turé, a
principal festa indígena do
Oiapoque, realizada na primeira
lua cheia de outubro.
Para a comunidade Manga, a
TV Escola chegou em boa hora. A
professora Sônia Anika aprendeu a
gravar e a utilizar a programação
com Dulce Facchinetti, da gerência
de apoio aos programas TV Escola
e ProInfo, da Secretaria de Educa-
ção do Amapá. Sônia já tem planos:
além de usar os vídeos com os alu-
nos na sala de aula e na capacitação
dos professores, quer que a comu-
nidade assista à programação da
Escola Aberta, no final de semana.
te. Rios e cachoeiras ganharam pla-
cas educativas para que os turistas
que freqüentam a região apren-
dam a preservar o patrimônio na-
tural dos povos que habitam o
Oiapoque.
O professor Estácio dos Santos
é o responsável pela revivescência
da língua, o crioulo Karipuna, de
raiz francesa. �Depois que aprendi
na escola, passei a conversar com a
minha avó em nossa língua�, con-
PROFESSORES REUNIDOS ASSISTEM AO VÍDEO NA ESCOLA ESTADUAL JORGE IAPARRA
JONAS FERREIRA AGUIAR, DIRETOR DA ESCOLA DO OIAPOQUE
TV ESCOLA32
projeto Turé, criado em 1998 para qualificar professores
indígenas, capacitando-os a atuar num processo educativo
bilíngüe, intercultural e específico, está em plena fase de
revitalização. A atual coordenadora do Núcleo de Educação In-
dígena (NEI) da Secretaria de Educação do Amapá é a professora
Eclemilda Macial Silva, índia da etnia Galibi Marworno. Indicada
para o cargo pelos próprios índios, ela começou o trabalho visi-
tando as comunidades para fazer um levantamento da educa-
ção indígena no estado.
No Amapá vivem 6.700 índios de oito etnias � Galibi, Galibi
Marworno, Karipuna, Palikur, Aparai-Waiana, Tiriyó, Kaxuyana
e Waiãpi �, algumas delas em lugares distantes das cidades e de
difícil acesso. Tudo isso dificulta a capacitação e o acompanha-
mento do trabalho dos professores nas aldeias. Convidados pelo
NEI, professores indígenas de diversas etnias se reuniram em ju-
nho último em Macapá para participar da construção de um pla-
no de ação que inclui a realização de um curso sobre o Referencial
Curricular Nacional para as Escolas Indígenas (RCNE/I), ainda em
2003. Também está planejado, um curso para a capacitação dos
professores que irão atuar como formadores no projeto Turé. O
que se deseja é que cada etnia, assim como já fizeram os Karipuna
e os Galibi Marworno, crie seu projeto pedagógico e produza
seus materiais didáticos.TURÉ COM
VIDA NOVA
PROFESSORES ÍNDIOS DE DIVERSAS ETNIAS REUNIDOS EM MACAPÁ
NO MÊS DE JUNHO
Um dos grandes problemas en-frentados pela educação es-colar indígena no país é a fal-
ta de condições materiais em mui-
tas das 1.724 escolas indígenas ca-
dastradas no censo escolar de 2002.
Faltam cadernos, lápis, carteiras...
No entanto, embora nem sempre as
escolas conheçam como isso funcio-
na, o Fundo de Manutenção e De-
senvolvimento do Ensino Funda-
mental e Valorização do Magistério
(Fundef/MEC) dispõe de recursos es-
pecíficos para financiar a educação
fundamental.
O coordenador geral de apoio às
Escolas Indígenas da Secretaria de
Educação Fundamental do MEC,
Kleber Gesteira Matos, considera
essencial que os professores e as li-
deranças indígenas entendam como
é o financiamento da educação pú-
blica e o que devem fazer para ter
o efetivo controle da aplicação dos
recursos. Eles precisam ser prepara-
dos para isso.
Em julho último, cerca de 450
professores Ticuna e de outras sete
etnias participaram de um seminá-
rio com esse objetivo, realizado no
município de Benjamim Constant,
na região do Alto Solimões, no Ama-
zonas. Os professores traduziram
para a língua Ticuna o cartaz do
Fundef, com um resumo didático do
que pode e do que não pode ser
feito com o dinheiro disponível para
a escola.
FUNDEF,
NA LÍNGUA TICUNA
O
E S P E C I A L
TV ESCOLA 33
COMUNITÁRIA
Conduzida pela comunidade
indígena, com autonomia na
organização do currículo, do
calendário e da administração.
INTERCULTURAL, BILÍNGÜE
OU MULTILÍNGÜE.
Que valorize a diversidade
cultural e lingüística e promova
entre os povos o intercâmbio de
experiências socioculturais,
lingüísticas e históricas.
ESPECÍFICA E DIFERENCIADA
Concebida e planejada de acordo
com as aspirações de cada povo.
TRIBO KARIPUNA, QUE VIVE ÀS MARGENS DO RIO OIAPOQUE, NO AMAPÁ
A PROFESSORA SÔNIA LEVA SEUS ALUNOS PARA UMA AULA NA CASA DE
FARINHA, ONDE ELES APRENDEM A VALORIZAR O PRODUTO
A ESCOLA QUE
OS ÍNDIOS DO BRASIL
QUEREM
TV ESCOLA34
SUPERANDO O SUPERANDO O 
ITAQUAQUECETUBA
Q
REPORTAGEM: TÂNIA NOGUEIRA
FOTOS: NAIR BENEDICTO
FÁTIMA CASARINI (ACIMA), AUXILIADA POR UMA EQUIPE
ENGAJADA DE PROFESSORES, COMO ELI DAS GRAÇAS SANTOS
(DIR.) RECEBEU O PRÊMIO GESTÃO ESCOLAR 2000 POR SUA
ATUAÇÃO À FRENTE DA ESCOLA ESTADUAL PARQUE
PIRATININGA II
uando Fátima Zein Casarini
assumiu a direção da Escola
Estadual Parque Piratininga
II, o lugar era o pesadelo de
professores e administrado-
res. Localizada na violenta
periferia de Itaquaquece-
tuba, na Grande São Paulo,
a precária construção de ma-
deira em que funcionava � toda depre-
dada, com pichações e banheiros quebra-
dos � era com freqüência invadida por
usuários de drogas e desocupados. A si-
tuação chegara a extremo tal que a di-
retora anterior se afastara após sofrer
uma tentativa de assassinato por parte
de um aluno.
Hoje, a escola tem 1.028 alunos � da 5ª
série do ensino fundamental à 3a do ensi-
no médio �, funciona em um prédio de
alvenaria e é exemplo de ensino de qua-
lidade. Em 2000, recebeu o Prêmio Ges-
tão Escolar, concedido pelo Consed (Con-
selho Nacional de Secretários de Educa-
ção). Ao chegar à Parque Piratininga II, o
visitante percebe que está diante de uma
escola especial. Suas novas instalações,
bonitas e bem conservadas, contrastam
com a precariedade das moradias que co-
C A P A
TV ESCOLA 35
 PESADELO PESADELO
EQUIPE DE UMA ESCOLA ESTADUAL NA PERIFERIA DE SÃO PAULO PROVA
QUE É POSSÍVEL TRANSFORMAR A COMUNIDADE POR MEIO DA EDUCAÇÃO
brem os morros em torno. Lá dentro,
é tudo limpo e arrumado. Há quadros
nas paredes e nenhum lixo no chão.
A aparência dos estudantes
tampouco se encaixa no que se espe-
ra de uma região carente. Todos es-
tão bem arrumados, com aspecto sau-
dável, demonstram desembaraço e
alegria. Em qualquer sala de aula que
se entre, acontece alguma atividade
especial, com professores e alunos in-
tensamente envolvidos. A biblioteca,
pequena mas organizada, tem movi-
mento constante. Entre os autores
mais solicitados estão Castro Alves,
Machado de Assis e Eça de Queirós.
�Todos diziam que eu não agüen-
taria�, conta Fátima. �Eu vinha de
Poá, uma cidade um pouco mais
elitizada, tinha carro novinho, pare-
cia frágil. Nos primeiros tempos, sem-
pre que ia à diretoria de ensino, me
perguntavam se já desistira.� As his-
tórias da época de sua chegada são
assustadoras.
Eli das Graças Santos, então pro-
fessora de Língua Portuguesa e hoje
coordenadora do período noturno,
conta que tinha medo de trabalhar.
A sala dava para um terreno baldio,
TV ESCOLA36
e o esporte preferido de um gru-
po de rapazes era fazer bagunça
em frente às janelas. �Falavam
palavrões, mexiam com as meni-
nas. Não tinha como dar aula, fin-
gir que aquilo não estava aconte-
cendo. Às vezes invadiam a escola
e queriam entrar na sala atrás de
uma menina. Uma professora que
decidiu enfrentá-los foi ameaçada
de morte�, conta Eli. Sob o coman-
do de Fátima, formou-se gradati-
vamente uma equipe comprome-
tida com a educação, capaz de
combinar firmeza, afetividade e
delicadeza nas doses certas para
ensinar cidadania a esses jovens,
alunos ou não, deixando de enca-
rá-los como marginais e fortalecen-
do sua sociabilidade.
Mas levou algum tempo até as
coisas serenarem. Um grande pas-
so nesse sentido consistiu em cui-
dar do equipamento físico da esco-
la. �Alguém pichava a parede, nós
pintávamos�, conta Fátima. �Que-
bravam uma pia, nós consertáva-
mos.� A escola ficou bonita e to-
dos começaram a respeitar o bem
comum. Isso se refletiu também na
atitude dos alunos. �No começo,
muitos vinham sujos�, lembra Fá-
tima. �Quando pintamos a escola,
passaram a tomar banho, pentear
o cabelo, vestir-se melhor, usar per-
fume para vir à aula.� E também
se instituiu o uso obrigatório de
camisetas com mangas, como uma
espécie de �uniforme�. Até então,
as meninas vestiam miniblusas e
decotes pronunciados, e não era
raro os pais reclamarem que suas
filhas estavam sendo desrespeita-
das no ambiente escolar. Isso tudo
ocorreu mesmo antes de o novo
prédio ser construído, em 1999.
C A P A
TV ESCOLA 37
ESTÍMULO PARA PROFESSORES E ALUNOS
OS ALUNOS RECEBEM AULAS
PRÁTICAS DE CIÊNCIAS E QUÍMICA,
TORNANDO O APRENDIZADO UM
PROCESSO PRAZEROSO QUE MOTIVA OS
ALUNOS A PARTICIPAR
principal transformação
aconteceu dentro das sa-
las de aula. Ao tornar a
aprendizagem um processo praze-
roso, a equipe do Parque Pirati-
ninga II conseguiu motivar os alu-
nos e fazer com que determina-
dos professores abandonassem
práticas pedagógicas ultrapassa-
das. Quem estava acostumado a
passar o ponto na lousa para ser
copiado começou a buscar mais
participação e a tentar conhecer
as dificuldades dos alunos, ajudan-
do-os a superá-las. Aqueles que já
possuíam idéias inovadoras, por
sua vez, encontraram espaço e
estímulo para desenvolver seus
projetos.
Nesse processo, segundo Fáti-
ma, os programas da TV Escola
foram fundamentais. �Eles estão
em todo o embasamento teórico
da escola�, diz. �A sala de televi-
são é o santuário pedagógico,
onde os professores dão sempre
uma paradinha para ver o que
está passando.� A televisão fica
ligada o tempo todo na progra-
mação da TV Escola, e todos utili-
zam os materiais impressos. Em
2002, por exemplo, a coordenado-
ra pedagógica propôs aos profes-
sores que lessem a revista e apre-
sentassem projetos inspirados em
seu conteúdo.
O dinamismo das atividades di-
dáticas salta aos olhos, conforme
os repórteres da revista TV ESCOLA
testemunharam nos dias em que
visitaram a Parque Piratininga II.
Em uma 5ª série, alunos mon-
tam figuras geométricas tridi-
mensionais de cartolina, para es-
tudar faces, ângulos e vértices. Em
uma sala de ensino médio ensai-
am uma peça de teatro e a pro-
fessora de Língua Portuguesa,
Lilian Patrícia de Lucena, explica:
�Estamos trabalhando gêneros li-
terários. Os estudantes escolhe-
ram uma história infantil e fize-
ram a adaptação do gênero nar-
rativo para o dramático�.
CRIATIVIDADE
Outra turma de 5ª série prepa-
ra trabalhos de História para a
mostraque acontecerá dali a uma
semana, sobre os mais variados
temas � de vasos gregos a expedi-
ções dos bandeirantes. A profes-
sora de História, Isabel Manoel,
começou este ano a trabalhar na
Parque Piratininga II, e está feliz
de poder desenvolver aulas
participativas. �Aqui senti a tran-
qüilidade e a firmeza que todo
professor precisa para fazer um
bom trabalho�, diz. �Não dou
uma aula comportada, porque a
história não é comportada. O alu-
no que só copia é aluno robocó-
pia. E aqui eu tive incentivo para
fazer com que trabalhassem sobre
documentos, percebessem a liga-
ção da história com seu dia-a-dia.�
Garotos e garotas da 8ª série
debatem sexualidade na aula de
Ciências. A professora Lucilene
Marins, que já leciona ali desde
1998, explica que essa discussão
sobre comportamento abre cami-
nho para aulas de Biologia, sobre
o aparelho reprodutor, e de Ori-
entação Sexual, sobre formas de
se prevenir contra doenças sexu-
almente transmissíveis.
No pátio, o professor de Quí-
mica, Valdemir Pereira da Silva,
montou um pequeno laboratório
e ensina a preparar sabonete lí-
quido. A aula prática faz parte de
seu projeto �No vaivém das rea-
ções químicas�, que ganhou o prê-
mio Projeto Nota Mil, da direto-
ria de ensino de Itaquaquecetuba
e Poá. Enquanto preparam o sa-
bonete � que será usado nos ba-
nheiros da escola � os alunos fa-
zem uma revisão de conceitos
(mistura homogênea, ácidos, ba-
ses etc.) e já pensam numa possí-
vel profissionalização. �Em algu-
mas indústrias cosméticas, um téc-
nico pode ganhar até 3 mil reais�,
diz o professor. Ele conta que, ao
chegar pela primeira vez à Parque
Piratininga II, teve a impressão de
que �estava numa escola particu-
lar� e logo se entusiasmou com as
perspectivas de trabalho. �Entre
outras coisas, este ano já dei aula
sobre átomos na quadra de espor-
tes, com música, ensinei os alunos
a traçar o diagrama de Linus
Pauling usando cordas etc.�.
A
TV ESCOLA38
A PROFESSORA LUCILENE DISCUTE SEXUALIDADE, ENQUANTO A ALUNA AMANDA (DIR.) MOSTRA INTERESSE PELO COMPUTADOR
s professores aproveitam
suas aulas para passar no-
ções de ética e cidadania.
A coordenadora do noturno lem-
bra que antigamente o objetivo
principal do educador era trans-
mitir conteúdo. Hoje, acredita que
é fundamental também ensinar
princípios básicos sobre esses te-
mas. �Isso não quer dizer que va-
mos deixar de passar o conteúdo�,
diz Eli. �Não damos uma aula es-
pecífica sobre ética ou cidadania,
esses conceitos devem estar pre-
sentes em todas as aulas.� Numa
aula de tênis de mesa, por exem-
plo, os alunos aprendem a respei-
tar os limites de cada um e a com-
petir sem agressividade.
A arte é outro instrumento,
conforme explica Fátima: �A arte
que eles conhecem gira muito em
torno da violência. São filmes de
bandido, músicas sobre o cotidia-
no da periferia. A gente respeita
essa arte, mas apresenta coisas
novas. Outro dia levamos um gru-
po para assistir a um concerto na
Sala São Paulo. Na volta, um ga-
roto disse que queria ser violinis-
ta, que nunca tinha visto uma coi-
sa tão bela na vida�.
O senso crítico e o espírito de
contestação também são valoriza-
dos. �O cotidiano desses jovens
praticamente não tem saída�, diz
a professora de Língua Portugue-
sa, Celsa Aparecida de Pastorelli
Lopes, que está desenvolvendo o
projeto Fanzine, de uma revista
literáriano estilo dos fanzines al-
ternativos. �Depois que saem do
ensino médio, acabou-se a vida
cultural para eles. A revolta é natu-
ral. Logicamente, não se pode dei-
xar as coisas como estão. Procuro
enfatizar, tanto em aula quanto
nesse projeto, que para se protes-
tar tem de se pensar muito, ter uma
posição, saber o que se está fazen-
do. Quebrando e pichando, eles
perdem a razão. Tento ensiná-los
que é possível usar a rebeldia para
fazer algo melhor para eles mes-
mos e para o mundo a seu redor.�
TUDO LIGADO
Para incentivar a permanente
interdisciplinaridade, todos os
professores preparam cartazes
com a relação de seus conteúdos
e os colam na sala de professores.
A partir daí, trocam idéias para in-
tegrar suas aulas. Segundo Eliane
Cristina Oliveira Silva, coordena-
dora do diurno, o trabalho con-
junto às vezes parte do planeja-
NUMA AULA DE TÊNIS DE MESA,
OS ALUNOS APRENDEM A COMPETIR
SEM AGRESSIVIDADE
A VALORIZAÇÃO DA CIDADANIA
O
C A P A
TV ESCOLA 39
TRABALHO DE PENÉLOPE
sta escola que vocês
estão vendo, não é a
mesma que ganhou o
Prêmio Gestão Escolar�, conta
a diretora Fátima. Segundo ela,
houve substituição de 95% do
corpo docente, pois apenas três
dos professores são efetivos. Os
que vão chegando, e assumem
as aulas pela primeira vez, com
freqüência estão habituados a
um ensino mais convencional.
Para contornar essa dificuldade,
a escola capricha nas reuniões
do HTPC e no uso dos progra-
mas de capacitação da TV Es-
cola; além disso, promove pa-
lestras e debates com especia-
listas em várias áreas.
O trabalho com os alunos
precisa ser continuamente re-
tomado, já que a escola, cerca-
da de favelas e terrenos inva-
didos, recebe a cada ano um
grande volume de alunos � e
de problemas � novos. Mas a
equipe está sempre atenta
para enfrentar a situação, pois
Fátima alerta: �Eu digo para os
professores: educar o aluno
bonzinho, que já vem pronto,
é fácil. Nosso papel é educar
justamente aquele mais pro-
blemático�.
E ela inventa estratégias
para conquistar os jovens e suas
famílias, como aconteceu, por
exemplo, com as aulas de re-
forço, que mudaram de nome:
�Agora, a gente diz que eles
vão ganhar aulas particulares,
e todo mundo fica contente�.
mento, mas com freqüência acon-
tece de modo espontâneo, nas
conversas do Horário de Trabalho
Pedagógico Coletivo (HTPC).
No Parque Piratininga II, por si-
nal, o HTPC é levado muito a sé-
rio. Na sala de televisão, os pro-
fessores se reúnem para ver
vídeos, ler textos e, principalmen-
te, debater questões diretamente
ligadas a sua prática pedagógica.
Esse trabalho é especialmente im-
portante porque, todos os anos,
o contingente de professores no-
vos é muito grande, e os recém-
chegados precisam se adaptar ao
estilo da escola.
A integração do trabalho dos
professores é também um dos ob-
jetivos da mostra que acontece
todo final de semestre. Nela é
apresentada a produção das salas
de aula: desenhos, cenários de
peças de teatro, trabalhos de ar-
tesanato, maquetes, cartazes, fi-
guras geométricas e até redações,
que podem ser lidas por todos.
�Isso dá idéias e instiga os profes-
sores novos a dar aulas mais dinâ-
micas�, diz a diretora.
�E
FÁTIMA INCENTIVA AS CONQUISTAS DOS ALUNOS POR MEIO DE CONDECORAÇÕES
A TELEVISÃO DA ESCOLA FICA O
TEMPO TODO LIGADA NA
PROGRAMAÇÃO DA TV ESCOLA
TV ESCOLA40
A ETERNA PROFESSORA
Todos que conhecem a dire-tora Fátima Zein Casarinisabem o quanto seu jeito
afetuoso mas determinado é res-
ponsável pela situação atual da es-
cola Parque Piratininga II. Está sem-
pre preocupada em oferecer algo
mais a seus alunos e a dar orienta-
ção e apoio aos professores, e para
ela, a população carente tem todo
direito a �luxos� como conheci-
mento e arte. Sua história de vida,
sem dúvida, contribuiu para essa
atitude pedagógica.
Quando a menina Fátima en-
trou na escola, já sabia que só iria
estudar até �se formar no grupo
escolar�. Vivendo com a mãe, aju-
dante de cozinha em um restau-
rante do Ipiranga, em São Paulo,
e os irmãos menores, não tinha
como escapar das obrigações do-
mésticas. �Na 4ª série, eu não que-
ria passar de ano, de desespero de
ter de largar a escola�, lembra.
Mas não teve jeito. Boa aluna,
Fátima tirou o diploma do primá-
rio e começou a cuidar da casa �
cozinhar, lavar, passar e olhar os
irmãos. Para reforçar o orçamen-
to familiar, também tomava con-
ta de filhos de vizinhas.
Aos 15 anos, morando em Poá,
cidade vizinha a Itaquaquecetuba,
arrumou um emprego como bal-
conista no centro de São Paulo.
�Então, falei com minha mãe: já
que eu ia até aquela lonjura tra-
balhar, podia também estudar�,
conta. Conseguiu completar o gi-
násio, no período noturno. Mas só
depois de casada, já com três fi-
lhos, tevecondição de fazer ma-
gistério, começar a lecionar e ain-
da se formar em pedagogia.
Segundo ela, jamais pensara
em ser diretora � que imaginava
como a megera de professores e
alunos. Na faculdade, uma profes-
sora de administração escolar mos-
trou-lhe que não precisava � e não
devia � ser desse jeito. Assim, foi
mudando de idéia. Ocupou cargos
de coordenadora, vice-diretora,
assistente de apoio pedagógico e,
por fim, surgiu a oportunidade de
ser diretora no Parque Piratininga,
um bairro distante, acessível ape-
nas por uma estrada de terra que
inundava em dias de chuva. Assu-
miu o desafio.
Começou a aplicar o que tinha
aprendido na prática e na teoria.
�Henri Wallon diz que o aprendi-
zado só se processa por meio da
afetividade�, diz Fátima. �Acho
que isso vale para todo o ambien-
te educacional. Precisa haver laço
afetivo entre diretor e professor,
entre coordenador e professor,
entre diretor e aluno. Para muita
gente, a escola é a diretora. Se as
pessoas não gostassem de mim,
por que iriam preservar a escola?�
AS TRÊS ELIS
Fátima conta com três fiéis
escudeiras: as coordenadoras
Eliane Cristina Oliveira Silva e Eli
das Graças Santos e a vice-direto-
ra, Elisabeth Neves da Cunha, sem-
pre atentas ao competente exér-
cito de professores e funcionári-
os. Além do apoio pedagógico, as
três Elis foram fundamentais na
cruzada sem armas, que Fátima
empreendeu contra a violência.
Quem vê as moças de aparência
frágil não imagina sua coragem
para enfrentar situações de risco
e resgatar a cidadania.
A primeira a chegar foi Eli,
como professora de Língua Portu-
guesa � em 1995, antes mesmo de
Fátima. Nascida no interior do
Paraná, morava na região de
Itaquaquecetuba desde pequena,
mas teve medo quando precisou
dar aula na pior escola do municí-
pio: a Parque Piratininga II. Duran-
te dois ou três anos, teve de lidar
com a violência dentro da escola
e nos arredores. Mas com seu jei-
to calmo e sossegado conseguiu
conquistar a simpatia e o respei-
O JEITO AFETUOSO MAS
DETERMINADO DE FÁTIMA ZEIN
É RESPONSÁVEL PELA QUALIDADE
DO ENSINO DA ESCOLA PARQUE
PIRATININGA II
C A P A
TV ESCOLA 41
uando concluiu o ensino
médio, no fim de 2001, José
Alves Teixeira não deixou
de freqüentar o colégio. Todos os
dias aparecia na Parque Pirati-
ninga II e ajudava a organizar a
biblioteca ou resolver o que esti-
vesse a seu alcance. Acabou sen-
do convidado a trabalhar como
inspetor de alunos e aceitou na
hora. Hoje, aos 19 anos, planeja
entrar na faculdade de Letras e se
orgulha de integrar uma equipe
pedagógica exemplar. Circula sor-
ridente pelos corredores e pátios,
atento a todas as necessidades de
alunos e professores.
A Parque Piratininga II mais de
uma vez já foi assunto de repor-
tagens da grande imprensa pela
qualidade do ensino que oferece,
mas a maior prova de seu sucesso
é o apego dos alunos. Tal como Jo-
sé, vários jovens formados não qui-
seram deixar a escola que mudou
suas vidas. Uma ex-aluna é funcio-
nária da secretaria. No laboratório
de informática, um ex-aluno atua
como professor voluntário.
ELIZABETH NEVES DA CUNHA E ELIANE CRISTINA OLIVEIRA SILVA SÃO COORDENADORAS
DA ESCOLA, E AJUDARAM A REALIZAR AS MUDANÇAS PARA MELHOR
to. Eli conta: �Lembro-me bem de
um aluno da 6ª série, de uns 15
anos, que estava envolvido com o
pessoal da rua e, evidentemente,
usava drogas e prejudicava o an-
damento da aula. Aos poucos lhe
mostramos que havia outros cami-
nhos. Hoje, ele é um ótimo rapaz,
trabalha e ajuda a família�.
Em 1999, chegou Eliane, tam-
bém para lecionar Língua Portu-
guesa, já no prédio novo. Embora
tivesse cursado dois anos de Letras,
nunca havia dado aula. Vivia de
fazer e vender artesanato. Um dia
foi levar uma encomenda para
uma amiga, na Parque Piratininga
II, e se apaixonou pela escola. Logo
quis ir trabalhar com Fátima. �Mi-
nha amiga falava que a Fátima
gostava de trabalho dinâmico, en-
volvia as pessoas, tinha amor pelo
que fazia. Eu pensei: é em um lu-
gar assim que quero trabalhar.� Na
primeira oportunidade, concorreu
a uma vaga e conseguiu entrar.
�A Fátima é uma eterna pro-
fessora�, diz Eliane. �Desde que
coloquei os pés aqui eu comecei a
aprender. As pessoas não traba-
lham por dinheiro, trabalham por
paixão. Hoje, por exemplo, faz
dez horas que cheguei e nem per-
cebi o tempo passar.�
Por fim, veio Elisabeth. No iní-
cio do ano 2000, formada em His-
tória, dava umas poucas aulas no
centro de Itaquaquecetuba. Ao
saber que havia um número razo-
ável de aulas disponíveis na Parque
Piratininga II, resolveu tentar. �Pe-
guei um ônibus e vim para a atri-
buição�, lembra Elisabeth. �O ôni-
bus andava, andava, e nada de
chegar. Perguntei para o motoris-
ta se não tinha passado. Ele disse
que ainda ia demorar. Mas quan-
do cheguei fiquei impressionada
com a beleza e a ordem da esco-
la.� Elisabeth conseguiu vinte au-
las de Geografia, no período no-
turno. Teve medo, mas precisava
do dinheiro e resolveu encarar.
Acabou se envolvendo tanto que
abandonou as aulas na escola do
centro para ficar somente ali.
UM AMOR
DE ESCOLA
Q
JOSÉ ALVES TEIXEIRA, DE ALUNO
A INSPETOR DA ESCOLA
TV ESCOLA42
C A P A
QUE LUGAR É ESSE ?
PASSADO COLONIAL
Itaquaquecetuba foi fundada
em 8 de setembro de 1560, na re-
gião do Alto Tietê, pelo jesuíta
José de Anchieta. Construída no
alto de um morro, para permitir
ampla visão e evitar ataques indí-
genas, era um ponto de saída de
bandeiras em direção a Minas
Gerais. No início, chamava-se
Taquaquecetuba, o que significa
�taquarais que cortam como faca
em abundância�. De seu passado
colonial, guarda algumas constru-
ções como a Igreja da Matriz, de
1624, que recentemente foi res-
taurada; diante dela, o cruzeiro da
fundação da cidade, um pequeno
anfiteatro e a casa de cultura,
onde funciona um museu com
peças da história local.
SATÉLITE DE METRÓPOLE
A cidade cresceu desordenada-
mente e hoje, com quase 300 mil
habitantes, está na área metropo-
litana da Grande São Paulo. Tem
muitas indústrias, uma pequena
área rural, um centro comercial mo-
vimentado e áreas residenciais mui-
to pobres. O bairro Parque Piratinin-
ga, distante cerca de 10 quilôme-
tros do centro de Itaquaque-
cetuba, é uma região caren-
te, com loteamentos popula-
res, áreas invadidas, muitas
ruas de terra e altos índices de
violência. Com poucas opções
de lazer, muita gente vai se
divertir em São Paulo ou nos
municípios vizinhos.
BRILHO PRÓPRIO
As coisas têm melhorado
no Parque Piratininga, pelo me-
nos em torno da escola. Como fru-
to de uma campanha escolar e da
sociedade de amigos do bairro, o
córrego que passava pela aveni-
da principal e sempre transborda-
va foi canalizado. Hoje, há trans-
porte público para Itaquaquece-
tuba, Mogi das Cruzes, Guarulhos
e São Paulo. Algumas ruas foram
asfaltadas e até o valor dos imó-
veis subiu. �Não há dúvida de que
a mudança na comunidade está
muito ligada à mudança na esco-
la�, diz Edgar Maurício Santana,
dirigente regional de ensino.
PARQUE ECOLÓGICO
Nos fins de semana de sol, os
moradores passeiam pelo Parque
Ecológico, uma área verde de 1,2
milhão de metros quadrados, com
lagos, minifazenda e estrutura
para piquenique. No parque, fun-
cionam também uma escola mu-
nicipal e uma biblioteca.
CATEQUESE PELA DANÇA
A cidade mantém pelo menos
uma tradição do período da colo-
nização: a dança da Santa Cruz. Se-
gundo Angelo Guglielmo, diretor
de cultura do município, a dança foi
criada pelos jesuítas como estrata-
gema para catequizar os índios. O
ritmo cadenciado pela batida dos
pés no chão em volta da cruz atraía
os nativos para o símbolo do cristi-
anismo. A tradição se estabeleceu,
primeiro em torno do cruzeiro da
praça e, depois, em volta de cruzes
enfeitadas por flores, nas portas dos
fiéis. O costume se mantém, com as
cruzes nos espaços públicos.
A PRAÇA, A IGREJA MATRIZ E UMA VISTA GERAL DA CIDADE
TV ESCOLA 43
TRÊS JOVENS EXPEDICIONÁ-
RIAS LEVAM A MAGIA DOS
LIVROS PARA COMUNIDA-
DES LONGÍNQUAS.
ylvia Guimarães, 26 anos,
Laís Fleury, 29, e Maria Tere-
sa Meinberg, 26, gostavam
de viajar e sonhavam com
uma grandeaventura na Amazô-
nia. Ou, mais que uma aventura,
queriam dar sua contribuição so-
cial. Assim, pensaram em visitar as
comunidades trabalhando com a
questão do lixo, ou algo na área
de saúde. Depois de muita conver-
sa, tiveram a idéia da leitura. Des-
se modo, nasceu a Expedição Vaga-
lume, que entre março e dezem-
bro de 2002 implantou 32 biblio-
tecas em comunidades rurais da
Amazônia Legal e, em cada lugar,
preparou professores para atuar
como mediadores da leitura.
Sylvia é a
única educado-
ra do grupo.
Laís é formada
em administra-
ção de empre-
sas e Maria Te-
resa, em rela-
ções públicas.
Essa diversida-
de de experiên-
cias foi fundamental para construir
o projeto. Planejamento pronto,
partiram para sua primeira expe-
dição, viajando de barco, cami-
nhão, ônibus e carona para chegar
às comunidades escolhidas. Os li-
vros chegavam pelo correio, arru-
mados em dois caixotes � fabrica-
dos por presidiários do Pará � adap-
táveis como estantes.
A biblioteca se compõe de 300
livros � literatura infantil e juvenil
e obras de apoio para os professo-
res �, selecionados com apoio de
consultores especializados. Todos
os livros são novos. Sylvia explica
que a criança precisa ser atraída
pelo objeto, como um convite para
entrar no mundo mágico da leitu-
ra. As crianças das comunidades
amazônicas ficam deslumbradas
com as capas novas, os desenhos,
as dobraduras. �É um parque de
diversões para elas.�
Na escola que recebe a biblio-
teca, a equipe organiza oficinas
para preparar mediadores da lei-
tura � reunindo professores daque-
la escola e de outras do entorno.
Durante esses
dias, desenvol-
vem atividades
com as famílias
e as crianças.
Uma das princi-
pais preocupa-
ções consiste
em estimular
uma nova rela-
ção com o livro.
Segundo Sylvia, a maioria dos pro-
fessores se acostumou, em seu tem-
po de estudante, a ler apenas por
obrigação, e não por prazer.
Associar a leitura ao prazer é o
que a Expedição Vaga-lume pro-
põe como a chave para transformar
as crianças brasileiras em leitoras.
Por isso, os mediadores são orien-
tados para desenvolver as ativida-
des de leitura em um lugar agradá-
vel, em que todos se sintam à von-
tade � por exemplo, estender uma
lona embaixo de uma árvore, es-
palhar os livros e ler alto as históri-
as que as crianças escolherem.
DE VOLTA À ESTRADA
No próximo ano, as três �vaga-
lumes� pretendem pôr de novo a
mochila nas costas e viajar para dez
das comunidades onde implanta-
ram bibliotecas. Querem avaliar o
trabalho que está sendo feito pe-
los mediadores, os progressos das
crianças em relação à leitura, e
também, aproveitar para ampliar
o acervo das bibliotecas.
Essa etapa já começou, com
uma campanha de arrecadação de
livros em colégios particulares.
EXPEDIÇÃO VAGA-LUME
LEITURA QUE
ILUMINA
SYLVIA, LAÍS E MARIA TEREZA: AS
TRÊS VAGA-LUMES
AS CRIANÇAS ENCANTAM-SE COM OS
DESENHOS E CAPAS DOS LIVROS
REPORTAGEM: TÂNIA NOGUEIRA
S
TV ESCOLA 43
Conheça melhor o projeto
Rua Purpurina, 155, cj. 46
Vila Madalena, São Paulo/SP
05435-030
Telefone: (11) 3032-6032
E-mail:
<expedicaovagalume@ig.org.br>
Internet: <http://
www.expedicaovagalume.org.br/>
TV ESCOLA44
FAZER APRENDER - 
E N T R E V I S T A / M A R I A J O S É F É R E S
É certo que o Ensino Fundamental
vai ficar com nove anos?
Esta é uma das medidas do progra-
ma Toda Criança Aprendendo. Foi
pensada a partir dos resultados do
Sistema de Avaliação da Educação
Básica: 59% das crianças da 4a sé-
rie não adquiriram as competênci-
as básicas de leitura e letramento;
e o índice é de 52% para matemá-
tica. Não adianta remendar isso, é
preciso impedir que volte a aconte-
cer. Você tem de fechar a torneira.
Mas o programa também tem me-
didas emergenciais, para que es-
sas crianças possam sair da escola
com um grau de letramento efi-
caz. Há por exemplo a chamada
aceleração de aprendizagem, des-
tinada a turmas especiais para cri-
anças de 10 a 12 anos e no míni-
mo quatro anos de escolaridade
básica. Todas essas iniciativas têm
em vista garantir que, ao termi-
nar o Ensino Fundamental, as cri-
anças tenham aprendido o que é
importante. Agora, nós não pode-
mos passar o resto da vida fazen-
do essa reintegração, e por isso há
medidas estruturais.
Que medidas, por exemplo?
A ampliação do Ensino Funda-
mental para nove anos. Tem de
ficar claro que não é uma substi-
tuição da pré-escola. A pré-escola
é para crianças de 4 e 5 anos. Aos
6 anos, ao entrar no Ensino Fun-
damental, as crianças terão me-
lhores condições de alfabetização.
Esta é uma reivindicação antiga e
que consta do Plano Nacional de
Educação. Portanto, já é uma lei
no Brasil. O Plano estabelece me-
tas para inclusão das crianças de 6
anos e ampliação do Ensino Fun-
damental para nove anos. E nós
estamos perseguindo essa meta.
De que maneira isso será feito?
Estamos fazendo um levantamen-
to nas redes estaduais e munici-
pais para saber as condições em
cada estado e nos municípios. As
questões a resolver são as mais
variadas: desde o espaço físico, até
a contratação de professores e a
disponibilidade de recursos peda-
gógicos. Temos de ter um quadro
da situação nacional para fazer
um planejamento. Nossa meta é
que isso aconteça até 2007, come-
çando já no ano que vem.
Por onde vai começar a ampliação
do Ensino Fundamental?
Por Minas Gerais, onde a rede es-
tadual já previu essa ampliação
para o ano que vem. Pelos dados
do censo, 500 mil dessas crianças
estão fora da escola e, embora
boa parte delas seja admitida no
sistema de ensino, a duração con-
tinua a ser de oito anos. Por ou-
tro lado, há municípios, como Belo
Horizonte, em que o Ensino Fun-
damental já tem nove anos.
Como fica a questão pedagógica?
Ganha-se um tempo a mais para
preparar o processo de alfabeti-
zação. Não significa adiantar a 1a
série e incluir nela as crianças de 6
anos. Não se trata de substituir di-
retrizes curriculares, que são do
Conselho Nacional de Educação.
Nós vamos discutir amplamente as
diretrizes político-pedagógicas �
por exemplo, a questão de avalia-
ção do aluno na escola, da progres-
são automática ou continuada.
O DESAFIO NÃO É ENSINAR; É FAZER APRENDER, AFIRMA A
PROFESSORA MARIA JOSÉ FÉRES, SECRETÁRIA DE EDUCAÇÃO
INFANTIL E FUNDAMENTAL, À REPÓRTER TERESA MELLO.
TV ESCOLA 45
- O GRANDE DESAFIO
E como é essa progressão conti-
nuada?
A progressão continuada não é au-
tomática. Ela se transforma em au-
tomática quando não são usados os
instrumentos necessários para tra-
balhar com as diferenças dos alu-
nos e fazer a progressão continua-
da. A progressão automática é o
outro lado da repetência. A repe-
tência é uma perversidade: ela diz
que o aluno não aprendeu e por
isso ele repete o ano. A progres-
são automática é um pouco pior:
ela diz que o aluno não aprendeu,
mas mesmo assim permite que ele
siga em frente e lhe dá o diploma.
O grande desafio hoje é garantir
que as crianças aprendam. Todas
as crianças podem aprender e têm
esse direito. Mas nem todas apren-
dem do mesmo jeito, no mesmo
tempo. Nosso desafio é trabalhar
a dificuldade na aprendizagem.
Trabalhar com essa dificuldade
está de acordo com os padrões
tradicionais de ensino?
Durante muito tempo, a escola
brasileira não enfrentou esse de-
safio. Quando o aluno não apren-
dia, o problema era dele, ele era
mandado embora da escola. O eixo
era ensinar. Agora, o eixo é apren-
der. O desafio não é ensinar; é fa-
zer aprender. Como fazer apren-
der? Essa é a questão essencial. A
discussão é melindrosa, porque
para muitos a alternativa à pro-
gressão automática � e, portanto,
à dificuldade de aprendizagem �
é a volta da reprovação. Isso é um
absurdo, porque a reprovação não
é instrumento de aprendizagem,
não faz ninguém aprender. Se é
assim, a reprovação não tem sen-
tido numa concepção em que
aprender é o centro da escola. Mas
não tampouco tem sentido a pro-
gressão automática. Então, nosso
desafio é conseguir trabalhar as di-
ferenças individuais dos alunos,
entender e enfrentar suas dificul-
dades de aprendizagem. A orga-
nização mais flexível do tempo vai
contribuir.
Quais sãoas experiências do sis-
tema de progressão continuada?
O sistema já funciona em alguns
estados, como São Paulo e parte
de Minas Gerais, mas com situações
diferentes: São Paulo adota dois
ciclos de formação, de quatro em
quatro anos; Minas adota três ci-
clos: três, três e dois anos. O me-
canismo da progressão continua-
da faz parte da concepção de or-
ganização do tempo escolar, que
é o ciclo de formação. Não faz
parte da concepção seriada. A
questão faz parte da discussão
nacional sobre diretrizes político-
pedagógicas da ampliação do En-
sino Fundamental: a seriação, o
ciclo de formação, o desenvolvi-
mento curricular, a inserção da
escola na comunidade.
Como fica a exigência de curso su-
perior para professores de 1a a 4a
série?
Está aí uma grande polêmica. Não
existe isso. A Lei de Diretrizes e Ba-
ses nunca exigiu o curso superior
para professores que estão traba-
lhando nos quatro primeiros anos
do ensino fundamental e na edu-
cação infantil. No artigo 62 � que
faz parte do corpo da lei desde sua
MARIA JOSÉ VIEIRA FÉRES, mineira de Juiz de Fora,
é Secretária de Educação Infantil e Fundamental do
Ministério da Educação. Formou-se normalista em
1967, quando a carreira tinha prestígio e importân-
cia. E faz questão de recuperar esse valor. Formada
em História pela Universidade Federal de Juiz de
Fora (UFJF), sempre esteve ligada à educação. Foi
pró-reitora de Assuntos Comunitários e Extensão
da UFJF; coordenadora da Comissão Nacional de
Avaliação das Universidades Brasileiras; secretária
da Criança e Assistência Social do Distrito Federal e
secretária-adjunta de Educação de Minas Gerais.
TV ESCOLA46
promulgação, em 1996 �, a lei
deixa claro o seguinte: �A forma-
ção de docentes para atuar na
educação básica far-se-á em nível
superior, em curso de licenciatu-
ra, de graduação plena, em uni-
versidades e institutos superiores
de educação, admitida, como for-
mação mínima para o exercício
do magistério na educação infan-
til e nas quatro primeiras séries
do ensino fundamental, a ofere-
cida em nível médio, na modali-
dade Normal�.
Por que surgiu essa confusão so-
bre a exigência de curso superior?
Nas disposições transitórias da lei
� disposição transitória, que não
é permanente �, o parágrafo 4,
do artigo 87, diz o seguinte:
�Até o fim da Década da Educa-
ção somente serão admitidos pro-
fessores habilitados em nível su-
perior ou formados por treina-
mento em serviço�. Além de ser
uma disposição transitória, é dú-
bia: e quem já é professor? For-
mados em quê? Em nível superi-
or? Já o artigo 62, que está no
corpo da lei, é claro, cristalino.
Então, não existe essa exigência
legal. Pode vir a acontecer? Pode.
Desde que a gente mude a lei. A
lei do Plano Nacional de Educação,
promulgada em 2001, tem como
meta que, nos próximos dez anos,
pelo menos 70% dos professores
sejam formados em curso superi-
or. Isso é o ideal, é o que nós que-
remos e estamos perseguindo.
Agora, a lei não obriga a ter cur-
so superior.
ção. O primeiro ponto abordado
é o piso salarial. É preciso pactuar
com estados e municípios um piso
salarial que seja nacional. Não vai
ser fácil, é polêmico, mas é preci-
so ter um piso salarial para os pro-
fessores, independente do local
onde ele mora. Ele faz parte des-
ta nação. Tem de ter acesso a li-
vro, a biblioteca, a cultura, ao te-
atro, a viagem, e portanto, é pre-
ciso melhorar as condições sala-
riais. E a gente também está dis-
cutindo a possibilidade de trans-
formar diretrizes de carreira em
projeto de lei. O terceiro ponto se
refere ao Sistema Nacional de
Formação Continuada e de Cer-
tificação de Professores, que co-
meça a ser implantado no ano que
vem, com os professores dos qua-
tro primeiros anos do ensino fun-
damental.
O que é esse sistema?
Estamos planejando a Rede Nacio-
nal de Pesquisa e Desenvolvimen-
to da Educação. Ainda este ano,
convocaremos as universidades,
formadoras de professores, para
constituir essa rede nacional. Que-
remos que desenvolvam estudos
e pesquisas, aplicados a cursos de
formação continuada em algumas
áreas de ensino: alfabetização e
letramento, língua portuguesa,
matemática, ciências humanas, ci-
ências da natureza, gestão da
educação e avaliação educacional.
A idéia é constituir, em todo o
país, centros de referência para
cursos de formação continuada de
professores nessas áreas. Cursos
E N T R E V I S T A / M A R I A J O S É F É R E S
E quanto às reivindicações dos
professores, como piso salarial,
plano de carreira...
Para conseguir ter todas as crian-
ças na escola, aprendendo, que é
nosso eixo central, dependemos
da valorização e da formação dos
professores, os grandes agentes
dessa mudança. Sem eles, não tem
mudança. Para isso, criamos um
programa de valorização e forma-
“ “59% DASCRIANÇAS DA4a SÉRIE NÃOADQUIRIRAM
AS COMPETÊNCIAS
BÁSICAS DE LEITURA
E LETRAMENTO
TV ESCOLA 47
que devem ser em serviço e utili-
zar instrumentos de educação a
distância.
E a certificação dos professores?
Isto será o resgate da identidade
nacional dos professores e, ao
mesmo tempo, da identidade na-
cional do magistério. O Estado
brasileiro se compromete com os
professores, por meio de um cer-
tificado nacional. Os professores
serão submetidos a um exame na-
cional de certificação. Não é a li-
cença para lecionar, que continua
sendo dada pela instituição for-
madora. Basicamente, haverá dois
tipos de prova: uma sobre conhe-
cimentos e saberes, que todos os
professores devem ter, indepen-
dentemente do nível em que atu-
am. Por exemplo: como planejar
uma aula, como ler corretamen-
te um texto. E a outra prova so-
bre conhecimentos específicos
daquele nível de ensino. Esse exa-
me nacional é voluntário, para os
professores em exercício � o pro-
fessor só faz se quiser. Se for
aprovado, recebe o Certificado
Nacional de Docência, conferido
pelo MEC, e uma bolsa federal de
formação continuada durante
cinco anos, também paga pelo
Ministério. É um incentivo em for-
ma de bolsa. Para renovar a bol-
sa, por mais cinco anos, ele tem
de se submeter a novo exame de
certificação. E os estados e muni-
cípios poderão usar o certificado
nacional para a progressão na
carreira. É uma forma de valori-
zar a formação continuada.
“ “REPROVAÇÃONÃO ÉINSTRUMENTO DEAPRENDIZAGEM,
NÃO FAZ
NINGUÉM
APRENDER
E quem não for aprovado nesse
exame?
Teremos também um planeja-
mento especial de formação con-
tinuada para esses professores,
que poderão fazer novamente o
exame todos os anos. Começare-
mos no ano que vem, com profes-
sores de 1a a 4a série, mas nosso
objetivo é que todos os professo-
res tenham acesso ao Certificado
Nacional e à bolsa federal.
Qual a política em relação ao li-
vro didático?
Uma das exigências do Programa
Nacional do Livro Didático é que
os livros não sejam portadores de
qualquer tipo de preconceito: de
raça, religião, sexo... Todas as mi-
norias têm de ser respeitadas. A
educação escolar indígena, por
exemplo, tem diretrizes curricu-
lares específicas. Em algumas al-
deias são faladas quatro línguas,
além do português; em outras, o
português e mais uma língua. Essa
cultura tem de ser respeitada.
Também temos no Departamen-
to de Política do Ensino Funda-
mental uma área específica para
os remanescentes de quilombos.
Que lembranças a senhora tem da
sua alfabetização?
Eu sempre gostei da minha escola.
Minha alfabetização foi ótima. Vivi
num tempo em que a escola era pa-
ra poucos, não era de massa. Estu-
dei em colégio de freiras, em Juiz
de Fora. Aprendi a ler pela cartilha
da Lili. Lembro-me com carinho das
minhas professoras do primário,
que eram irmãs carmelitas. Foi uma
boa fase da vida. E eu também sou
normalista, formei-me professora
e depois fui para a universidade.
Em 1967, ainda dava muito prestí-
gio ser normalista Esse prestígio da
profissão precisa voltar. Não se ga-
nhava muito, época, mas você me-
recia respeito social, um respeito
nacional. A formatura era com be-
ca, anel de grau, tudo que se tinha
direito. Ser professor era muito im-
portante, e isso tem de voltar.
TV ESCOLA48
e tem e tem mais
DinheiroDireto
na Escola
n Já está na internet (no site
<www.fnde.gov.br>) a lista dos
municípios que receberão os recur-
sos do Programa Dinheiro Direto
na Escola (PDDE), do Fundo Nacio-
nal de Desenvolvimento da Educa-
ção (FNDE/MEC), bem como as es-
colas atendidas e a quantia desti-
nada a cada uma. Se a sua cidade
está cadastrada no programa, não
deixe de consultar a relação, pois
vale lembrar que as verbas a serem
repassadas, com teto anual de 19
mil reais, significam muitos bene-
fícios às unidades de ensino, como
compra de material, manutenção
das instalações, capacitação e aper-
feiçoamento dos profissionais, ava-
liação de aprendizagem, etc.
Jogada de
mestre
n Uma parceria entre os ministé-
rios da Educação e do Esporte vem
sendo firmada para implantar o
ensino do xadrez nas escolas de cin-
co cidades brasileiras. O ensino do
jogo, além de desenvolver a capa-
cidade intelectual das crianças e
melhorar o desempenho nas de-
mais disciplinas, pode aumentar a
participação do Brasil no cenário
mundial de competições, forman-
do mais mestres enxadristas. Por
seu caráter lúdico extremamente
rico, o xadrez tem tudo para agra-
dar as crianças, que vão aprender
brincando.
A Turma da Mônica
dando uma força
n O Programa de Conservação da Escola vai chegar neste
semestre a mais 1.200 escolas das regiões Norte, Nordeste e
Centro-Oeste atendidas pelo Fundo de Fortalecimento da
Escola (Fundescola/MEC), para ajudar professores e diretores
a tratar de um tema muito importante: a conservação dos
prédios e equipamentos escolares. O material para a
implementação do programa foi elaborado numa parceria
do MEC com o Instituto Cultural Maurício de Sousa e já vem
sendo utilizado em outras regiões desde 2001. A campanha
�Entre pra nossa turma: cuide bem da sua escola� cativou a
atenção das crianças com seu jeito leve e bem-humorado de
trabalhar a conservação do prédio e dos materiais, além de
abordar também noções de higiene pessoal, merenda, livros
didáticos e outros assuntos. O kit, uma autêntica �cartilha
multimídia�, inclui gibis, cartazes, CDs de música e muitos
outros recursos que tornam o aprendizado uma diversão.
Essa turminha está de �palabéns�!
n Há cem anos nascia em uma
fazenda de Brodowski, no interi-
or de São Paulo, um dos pintores
mais importantes da arte brasilei-
ra no século 20: Cândido Portinari.
Os professores de Arte, História e
Literatura não devem deixar de
assistir ao programa que docu-
menta o Projeto Portinari e mos-
tra a trajetória de vida do artista,
bem como detalhes de sua obra,
caracterizada pelos diversos esti-
los estéticos aos quais se voltou o
pintor, mas sempre permeada por
suas preocupações humanistas e
políticas.
PROJETANDO PORTINARI,
DIA 23 DE OUTUBRO, DESTAQUE DA
PROGRAMAÇÃO: LEIA NA PÁGINA 11.
Centenário Portinari
NÃO PERCA NA GRADE DE PROGRAMAÇÃO
TV ESCOLA 49
Uma idéia na
cabeça e�
n Com poucos recursos mas mui-
ta criatividade é possível chegar a
grandes resultados. Isso ficou com-
provado mais uma vez graças a um
grupo de alunos de escolas públi-
cas de Vitória, no Espírito Santo, cu-
jo curta de animação Mangue e tal,
exibido nas sessões infantis do fes-
tival Anima Mundi 2003, recebeu
amplo destaque na
imprensa pela origi-
nalidade e pela es-
colha do tema, fiel
à identidade cultu-
ral das crianças. Pro-
duzido nas oficinas
de animação do Ins-
tituto Marlin Azul e com trilha so-
nora composta de um ritmo local
tradicional, o congo, executada
pelos próprios alunos, o filme re-
flete iniciativas semelhantes ocor-
rendo hoje em diversas partes do
país, como o projeto Anima Esco-
la, implantado na rede municipal
do Rio de Janeiro. Por isso, a partir
deste ano, o Anima Mundi abriu
uma seção intitulada �Animação
em Curso�, para divulgar os re-
sultados desse tipo de trabalho.
Para mais informações, visite os
sites <www.animamundi.com.br>
e <www.animaescola.com.br>.
mais
Literatura na casa
de jovens e adultos
Agora, os formandos da Educação de Jovens e Adultos
também vão receber os livros distribuídos pelo MEC na
campanha Literatura em Minha Casa, via o Programa
Nacional Biblioteca da Escola (PNBE): para as 4as séries,
obras de poesia, conto, novela brasileira, clássico
universal e peça teatral; para as 8as séries, poesia, crônica e
conto, romance e peça teatral; e para os alunos de EJA,
ensaio ou reportagem, crônica e conto, prosa ou verso,
poesia, peça teatral e biografia ou relato de viagens. A
escolha dos títulos é feita por uma comissão com base na
qualidade literária e gráfica, representatividade
dos autores e outros critérios, visando ainda a adequação
a cada faixa etária. As novas coleções chegam às escolas
até dezembro, então os alunos já podem ir se
preparando!
Todo mundo
na escola
n Cabo de Santo Agostinho, em
Pernambuco, é o primeiro municí-
pio nordestino a atingir a meta de
déficit escolar zero para crianças
com idade entre 7 e 14 anos. Para
conseguir esse feito memorável,
desde 1997, com o programa Es-
cola para Todos, a prefeitura reu-
niu a população e outros setores
do poder público para levar à es-
cola mais de dez mil crianças que
estavam à margem do sistema de
ensino. Finalmente, seis anos de-
pois, o censo educacional e a
implementação do sistema Busca
Ativa detectaram e integraram o
reduzido contingente de 450 cri-
anças que ainda permanecia fora
da escola.
Videoteca da
TV Escola
n Na Escola Municipal Corsina
Braga, em Cachoeirinha, a 170 qui-
lômetros do Recife, a programação
da TV Escola é um complemento
indispensável da prática pedagó-
gica, compondo praticamente a
totalidade de sua videoteca. Para
viabilizar o projeto, alunos e pro-
fessores arrecadaram dinheiro com
rifas e bingos e compraram as fitas
virgens para o acervo e todo o
equipamento necessário, que hoje
são emprestados para outras esco-
las, públicas e particulares. A expe-
riência representou um sucesso tão
grande que virou tema de um pro-
grama da série Como Fazer? A Esco-
la. A reprise vai ao ar no dia 30 de
outubro.
TV ESCOLA50
REPORTAGEM: TÂNIA NOGUEIRA
FOTO: NAIR BENEDICTO
PREOCUPADA AO VER QUE
MUITOS ALUNOS CHEGAM
À 8A SÉRIE SEM SABER LER E
ESCREVER, A PROFESSORA
ELIASIB CRIOU UMA ESTRA-
TÉGIA INOVADORA: O PRO-
JETO ALFA-5.
especialidade de Eliasib
Souza Borges é a alfabe-
tização. Durante 20
anos, trabalhou como
professora, depois coordenadora
pedagógica e, por fim, diretora.
Há seis anos atua como assistente
técnico-pedagógica da Diretoria
de Ensino da Região de Itaqua-
quecetuba, da Secretaria de Edu-
cação do Estado de São Paulo. Em
seu trabalho de apoio a professo-
res de 5a a 8a série identificou uma
dificuldade inusitada. Eram mui-
tos os alunos que não consegui-
am acompanhar os conteúdos de-
senvolvidos em aula porque eram
incapazes de ler e escrever até
mesmo frases simples.
Analisando o problema, Eliasib
concluiu que esses alunos precisa-
riam, antes de tudo, aprender a
ler e escrever. E começou a plane-
jar um curso que pudesse ajudar
os professores do primeiro ciclo,
sem formação de alfabetizadores,
a desenvolver a capacidade leito-
ra de seus alunos. Baseou-se nos
métodos e materiais que utiliza-
va em suas aulas de alfabetização
e nas técnicas utilizadas em clas-
ses de aceleração � criadas para
ajudar alunos mais velhos a acom-
panhar as aulas regulares, quan-
do enfrentam dificuldades.
Quando Eliasib terminou de
montar seu projeto e o apresentou
aos diretores de escolas da região,
a idéia pareceu excelente e come-
çou a ser implantada. Em abril de
2003, foram criadas oficinas para
atender a 32 escolas da região �
cada uma das quais mandou dois
professores, de várias disciplinas. A
idéia é que, após esse trabalho, os
profissionais possam atuar como
multiplicadores, na equipe peda-
gógica a que pertencem.
Nas oficinas, os professores são
orientados para, inicialmente, de-
senvolver com a classe o projeto
�Quem sou eu?�. É um ponto de
partida para irem conhecendo os
alunos e identificarem suas dificul-
dades. Essa discussão é útil tam-
bém para levan-
tar a auto-estima
dos estudantes,
ajudá-los a pen-
sar em si mesmos
e perceber quehá muitas coisas
das quais são ca-
pazes. Segundo
ela, �por maior
que seja a dificul-
dade de um alu-
no de 5ª série, alguma coisa ele
sabe. Só que tem medo de mos-
trar, porque tem medo de errar.
Então, o primeiro passo é desco-
brir o que eles sabem�.
O projeto Alfa-5 apresenta di-
versas atividades que o professor
pode desenvolver com grupos de
alunos, ou com a classe toda,
direcionadas para a leitura e a es-
crita. Acima de tudo, é valorizada
a atitude do professor, que preci-
sa estar atento a cada um des seus
alunos e às diferenças entre eles,
cobrando de cada um de acordo
com suas características pessoais.
Para Eliasib, é indispensável acom-
panhar de perto o
momento da es-
crita, observando
o que cada um
está fazendo e so-
correndo quem
precisa de ajuda.
Após duas ofici-
nas, os professo-
res já começaram
a lhe trazer um
retorno positivo.
I N O V A Ç Ã O
LER E ESCREVER
É PRECISO APRENDER
AS PROFESSORAS SÃO ORIENTADAS A
DESENVOLVER COM OS ALUNOS O
PROJETO QUEM SOU EU?
Diretoria de Ensino da
Região de Itaquaquecetuba
Secretaria de Educação do
Estado de São Paulo
Avenida Presidente Tancredo
de Almeida Neves, 261
Itaquaquecetuba �
São Paulo � 08571-000
Tel.: (11) 4640-4246
A

Mais conteúdos dessa disciplina