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Clara Montelo T8 Semiologia vascular Anamnese geral ● História clínica: tempo de início, evolução, intensidade, estabilização e efeitos na qualidade de vida, uso de drogas vasoconstritoras ● Fatores de risco: idade > 50 anos, DM, HAS, história de DCV, DCV em pais ou irmãos abaixo de 65 anos, tabagismo, consumo de álcool, dieta rica em gordura e sedentarismo Exame físico ● Inspeção estática: cor, abaulamentos pulsáteis ou não, estado de nutrição da pele, fâneros, edema, ulceração e gangrena ● Inspeção dinâmica: manobra da isquemia provocada ● Palpação: temperatura, estado da musculatura e pele, pulsos ● Ausculta: imprescindível → alteração do fluxo Doença arterial periférica I. Doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) → aterosclerótica ou não II. Dilatações aneurismáticas Doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) Sintomas: dor, cansaço e câimbra (esforço muscular), claudicação (principal sintoma/patognomônico) - Pseudo Claudicação Claudicação intermitente P0: ponto zero → sem dor (quando começa a andar) PD: ponto de dor → início da dor PI: ponto de impotência → obriga a parar PR: ponto de recuperação → a dor desaparece (quando para de andar a dor já passa) → Teste para se descartar uma pseudo claudicação Agravamento: ● Distância útil diminui ● Claudicação aos primeiros passos ● Dor em repouso ● Dificuldade para permanecer em pé A dor muda de intermitente a contínua → ameaça a integridade dos tecidos Fase final ● Aparecimento espontâneo ou após pequeno trauma de lesões tipo úlcera isquêmica ou gangrena → quadro terminal da DAOP ● Dor contínua, forte intensidade, não cedem com analgésicos Fisiopatologia da úlcera arterial Úlcera arterial: ➢ Placa de colesterol, células e tecidos degradados nos MMII (degradada, pois morreu na falta de O2) ➢ Estreitamento do lúmen do vaso ➢ Interrupção do fluxo arterial ➢ ISQUEMIA Existe falta de sangue rico em oxigênio e nutrientes para irrigar os tecidos, resultando na morte celular Úlceras isquêmicas ou gangrena Localização: ● Artelhos, interdigitais, calcâneos e menos frequente nas panturrilhas ● Difícil cicatrização, rasas e fundo pálido → difícil doença arterial na panturrilha, mais comum venoso Gangrena ● Ausência de vascularização arterial local ● Apresenta-se com aspecto puntiforme ou lesões extensas, podendo comprometer todo o membro Clara Montelo T8 Classificação ● Gangrena seca: ocorre nas oclusões arteriais agudas ou crônicas. Relaciona-se com ausência de oxigenação tecidual, culminando com morte celular/tecidual e mumificação ● Gangrena úmida: ocorre nas oclusões arteriais aguda ou crônicas associadas a infecções ● Gangrena gasosa: infecção provocada por bactérias produtoras de gás, como alguns germes gram-negativos, ou germes com alta virulência Fatores de risco ● Tabagismo ● Diabetes melito ● Hipertensão arterial ● Dislipidemias ● Frio intenso ● Traumatismo ● Fibrilação atrial Manifestações clínicas ● Dor, dormência, formigamento ● Edema ● Frialdade ● Cianose ou palidez ● Necrose seca ou úmida ● Diminuição ou ausência de pulsos na extremidade afetada Complicações ● Infecção secundária ● Sepse ● Choque séptico na gangrena gasosa Tratamento ● Limpeza da lesão com solução fisiológica ● Proteção do membro afetado com algodão ortopédico e ataduras ● Evitar ambientes de frio intenso ● Evitar compressão da área isquêmica por enfaixamento apertado, cobertor pesado, calçado apertado Prevenção ● Cessar tabagismo ● Corrigir dislipidemias ● Fazer exercícios ● Controlar a hipertensão arterial e o diabetes ● Controla as doenças autoimunes ● Evitar frio excessivo Dilatações aneurismáticas Aneurisma: dilatação permanente e local, com aumento de pelo menos 1,5 vezes o diâmetro normal do vaso, com participação de todas as camadas Pode Fatores de risco ● História familiar (parentes de primeiro grau) ● Idade avançada ● Sexo masculino ● Aterosclerose, hipertensão arterial, tabagismo ● Hipercolesterolemia ● Traumatismo e iatrogenias Clara Montelo T8 Manifestações clínicas ● Pacientes são assintomáticos, diagnosticados ao realizar o exame clínico ou de imagem ● O maior fator preditor de risco de ruptura é seu diâmetro (no aneurismas de aorta > 5 cm) ● Quando sintomáticos, as manifestações clínicas relacionam-se com a compressão de estruturas vizinhas, por expansão aguda do aneurisma ou ruptura ● O sintoma mais comum é dor localizada em um tumor pulsátil Tratamento clínico ● Controle da pressão arterial para diminuir o risco de ruptura ● Uso de betabloqueadores em pacientes com risco cardiovasculares elevado, principalmente em associação com doença arterial coronariana (DAC) ● Controle dos fatores de risco (cessação de tabagismo, controle das comorbidades) ● Acompanhamento regular, a cada 6 meses, preferencialmente com ecocardiograma doppler vascular (aneurismas periféricos), angiotomografia ou angiorressonância Evolução e prognóstico ● Os aneurismas de grande diâmetro apresentam crescimento acelerado e maior risco de ruptura ● O prognóstico é definido principalmente pelo diâmetro do aneurisma. Nos aneurismas de aorta abdominal maiores que 5,5 cm, o risco de ruptura é de 10-20%, chegando a 50% para os maiores de 8 cm ● Aneurisma originados durante a gestação tem alta tendência à ruptura ● O tratamento cirúrgico dos aneurismas da aorta abdominal, realizado eletivamente por técnica endovascular, apresenta índice de mortalidade em torno de 2% Coarctação de aorta ● A coarctação da aorta CoA, definida por um estreitamento complexo da aorta, em geral situa-se na aorta torácica no nível do ligamento arterioso em localização pós-ductal (distal ao ligamento). Contudo, em muitos casos localiza-se em qualquer segmento da aorta ● Etiologia incerta ● Pulsos amplos em membros superiores e ausentes ou diminuídos em membros inferiores ● Claudicação incapacitante em membros inferiores ● Condição clínica: ocorre delaminação (ruptura e separação) das camadas que revestem a parede arterial, viabilizando a passagem de sangue através de um falso lúmen situado entre a íntima e a camada média ● Entre 80 e 90% dos casos de dissecção aórtica aguda ocorrem após os 60 anos ● Separação das camadas da parede do vaso - fraqueza na camada interna da parede da aorta resulta em uma ruptura súbita Causa e fatores de risco: •A síndrome de Marfan é responsável pela maioria dos casos de dissecção em pacientes com idade inferior a 40 anos •O uso de cocaína tem sido associado à dissecção aórtica em indivíduos jovens saudáveis e normotensos, pois esta substância provoca aumento abrupto da pressão arterial e da frequência cardíaca . •Em mulheres com idade inferior a 40 anos, cerca de 50% das dissecções ocorrem durante a gravidez. Clara Montelo T8 Sistema venoso e doença venosa crônica ● A doença venosa crônica, ou insuficiência venosa crônica, é uma alteração do funcionamento do sistema venoso causada por uma incompetência das válvulas associada ou não à obstrução do fluxo venoso. ● A insuficiência venosa crônica (IVC) é uma das doenças mais prevalentes do mundo. Estima-se que acometa 80% da população, com mortalidade praticamente inexistente. ● Apresenta morbidade importante, com piora da qualidade de vida e grande impacto socioeconômico. Manifestações clínicas ● Dor, e sensação de peso e desconforto nos membros inferiores que aliviam com repouso e elevação dos membros inferiores. ● Edema após permanecer por longo tempo na posição sentada ou de pé. ● Sensação de queimação ● Cãibras musculares ● Fadiga. Manifestações clínicas insuficiência venosa crônica ● Prurido ● Hiperpigmentação (dermatite ocre) ● Lipodermatosclerosis ● Úlcera venosa (varicosa) ● Paniculite que se caracteriza por endurecimento e hiperpigmentação da pele envolvendo as panturrilhas, com a aparência de “garrafa de champanhe invertida”. Clara Montelo T8 Fisiopatologia da úlcera venosa ● Valva incompetente ● Estase venosa → estagnação do sangue dentro da veia ● Edema ● Dermatite de estase → forma inflamação, pois o sangue está parado ● Alteração de pigmentação ● ÚlceraClassificação ● Para estratificação dos pacientes com IVC de membros inferiores, utiliza-se a classificação CEAP: C (sinais clínicos), E (etiologia), A (anatomia), P (Fisiopatologia). Classificação clínica Exame físico ● Paciente em pé (circulação venosa dificultada) ● TVP dos membros inferiores – decúbito dorsal ● Caracterizar : varizes tronculares (>3mm) varizes reticulares ( entre 1 e 3mm) ● Telangiectasias ( <1mm) ● Rubor ● Cianose ● Dermatite ocre ● Edema (cacifo) ● Eczema ● ÚLCERA VENOSA Varizes de MMII ● Varizes são veias defeituosas, tortuosas e dilatadas que apresentam um sistema valvular incompetente, promovendo o refluxo do sangue com o Clara Montelo T8 paciente em posição de ortostatismo e quando há aumento da pressão abdominal. Causas ● Primária: história familiar (genética) ● Secundária: trombose venosa profunda (TVP) Fatores de risco ● Sexo feminino ● Obesidade ● Tabagismo ● Gravidez ● Período prolongado na posição sentado ● Idade ● História familiar Complicação → tromboflebite ● A flebite, ou tromboflebite, é o processo inflamatório que ocorre quando uma veia superficial forma um trombo (coágulo) no seu interior. A palavra é formada pela conjunção: ● TROMBO (coágulo) + FLEBOS (veia) + ITE (sufixo médico para inflamação). Logo,teríamos uma veia com trombose e inflamação. Veias varicosas (varizes) sangue circula mais lentamente ou com dificuldade estase trombos e desencadeia a inflamação. Manifestação Clínica ● Início Agudo (1 a 3 semanas) ● Dor e hiperemia no local ● Edema ao longo do trajeto ● Formação de trombo e elevação de temperatura Complicações ● TVP ● Necrose tecidual ● Abcesso Úlcera arterial A ferida se forma porque há obstrução das artérias, pois existe falta de sangue rico em oxigênio e nutrientes para irrigar os tecidos, resultando na morte celular e, por consequência, nas lesões. Geralmente, está associada à formação de placas de gordura na parede das artérias, ocasionando a diminuição ou interrupção do fluxo Clara Montelo T8 sanguíneo. Tabagismo, diabetes não controlada e colesterol alto são alguns dos fatores que podem favorecer o surgimento desse tipo de úlcera. Comuns na região acima da canela e nas extremidades dos dedos dos pés, são feridas de difícil cicatrização e bastante dolorosa, podendo, inclusive, resultar na amputação do membro. Úlcera venosa Causadas pela dificuldade de retornar o sangue ao coração, correspondem a 80% das feridas que acometem pernas e pés. O sangue fica estagnado na região e, devido à fragilização da pele, qualquer pequeno trauma pode resultar em lesão e evoluir para a condição crônica (úlcera). Os grupos com maior probabilidade de desenvolver esse tipo de úlcera são: mulheres, sedentários ou pessoas que costumam ficar muito tempo em pé. Fatores genéticos também podem influenciar. Tratamentos Em úlceras venosas, para melhorar o retorno do sangue, é importante associar o tratamento tópico da ferida a repouso com as pernas elevadas e bandagem compressiva. Já nos casos de úlceras arteriais o tratamento compressivo é contraindicado.