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Currículo: definições e características. PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 1 .1 Currículo: definições e características. • 2/15 Objetivos de Aprendizagem • Conhecer as primeiras características do currículo. • Compreender a dificuldade para definir o termo currículo. • Assimilar alguns conceitos de currículo e sua abrangência. Currículo: definições e características. Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734142179 Currículo: definições e características. • 3/15 Introdução Ao falar em currículo, é preciso compreender que é ele que vai definir, no universo educacional, o que a instituição irá ensinar, para que irá ensinar e como irá ensinar, ou seja, será ele que guiará os estudos realizados, a fim de que se chegue à concretização do projeto escolar e do processo de ensino e aprendizagem. Dessa forma, é essencial compreender os efeitos que ele causa na formação dos discentes quando estes se inserem na educação formal. Almeida (2019) destaca que o currículo é o instrumento que é utilizado pelas instituições de ensino para garantir a qualificação dos estudantes de forma que consigam ser inseridos no mercado profissional, promovendo mudanças sociais, à medida que seus impactos vão causando efeitos que vão além dos bancos escolares. É uma ferramenta que causou e causa profundo impacto ao longo das gerações, para o aluno, para a comunidade, para a nação e para o mundo, visto que somos seres humanos que interagimos física e virtualmente com pessoas de todos os lugares. Ainda mais, considerando os dias atuais, em que a globalização nos fez conhecedores de tudo aquilo que está ao alcance de nossas mãos, através do uso de tecnologias digitais como os smartphones, tablets, computadores e demais, que extrapolam as fronteiras e nos levam a poder interagir, estudar e trabalhar com pessoas de todo o mundo. Machado e Soares (2020), reiteram essa informação quando dizem que a vida moderna e a educação, assim como o trabalho, são transfronteiras. O que demorava meses para retornar de informação há algumas décadas, chega em segundos até nós, nos dias atuais. Basta lembrarmos que enviar uma carta a alguém que estivesse em outro país, dependendo de para qual país fosse, poderia demorar meses, e mais alguns meses para que a resposta dessa carta retornasse para nós. Hoje em dia, se eu quiser saber notícias de alguém, basta mandar uma mensagem utilizando o meu smartphone, que tenha instalado o WhatsApp, e em alguns segundos, se a pessoa estiver on-line, é claro, terei o meu retorno. Há algumas décadas isso era impensável. Todo o processo de transmissão e passagem de informação acontecia de forma lenta, mas acontecia, diga-se de passagem. O que ocorre é que as coisas foram mudando, a sociedade foi mudando, novas necessidades foram surgindo, pessoas foram usando sua criatividade para inovar, para criar, e para fazer surgir uma série de tecnologias que antes não existiam, e que atualmente fazem parte de nossa rotina. Currículo: definições e características. • 4/15 As formas de vestir mudaram, as formas de agir mudaram, as formas de se alimentar também mudaram. Hoje em dia, as pessoas têm muito mais informações sobre moda no mundo todo, sobre como se comportar nos diversos eventos, solenidades, nos diversos locais pelos quais circulam, conforme a situação e o momento. É mais fácil saber que alimentos podem ou não ser consumidos, porque fazem ou não mal para pessoas hipertensas, diabéticas e outras. Enfim, os propósitos da vida em sociedade mudaram, porém como não acontecem só atualizações boas, também aumentaram as desigualdades sociais, ampliou-se o preconceito, ainda que se diga que não, visto que já não existe apenas o preconceito entre brancos, pretos, indígenas, mulatos, mamelucos, entre outros. Trouxemos à tona o preconceito contra pessoas obesas ou magras demais, altas ou baixas demais, que usam óculos ou roupas diferentes, pessoas que escolhem se relacionar com outras do mesmo gênero, pessoas ricas ou pobres. Ou seja, atualmente se acha motivo para ser preconceituoso por qualquer razão fútil, e com isso gerou-se um processo de exclusão e de desigualdade também na escola e que vem mudando, ainda mais, o seu papel. (Enyg, 2012) Portanto, é necessário, ao discutirmos sobre os currículos e sua relevância atual nas instituições de ensino, conhecermos um pouco mais sobre seu conceito e características. O Currículo: (in)definições em seu conceito Mas afinal, o que é currículo? Será que ele apresenta apenas uma acepção? Cotidianamente, ouvimos as frases: ‘Mande seu currículo para o e-mail tal’; ‘Cadastre seu currículo no endereço eletrônico da empresa’; ‘Faça seu currículo conforme o modelo’; ‘Puxa… seu currículo é muito bom!’, ou ainda, ‘Essa capacitação que está fazendo não vai acrescentar pontos ao seu currículo’. Entendemos que se trata daquele documento no qual inserimos as nossas informações pessoais, de formação acadêmica e de experiências profissionais, que representam o nosso histórico, a nossa trajetória, e que entregamos nas organizações quando estamos procurando um emprego. Nesse sentido, Almeida (2019) explica que se está referindo ao Currículo Vitae, uma espécie de apresentação que fazemos sobre nossa extensão profissional para um empregador. Currículo: definições e características. • 5/15 Silva (2010 como citado em Almeida, 2019) detalha, que, nesse caso, o currículo é a relação de poder, a trajetória, a viagem, o caminho, a autobiografia, nossa vida, o retrato de nossa identidade. E podemos reforçar essa afirmação dizendo que o Currículo Vitae pode ser entendido como o documento de identidade de nosso percurso profissional. Tudo o que fazemos ao longo de nossas vidas como estudantes e trabalhadores se reflete nesse documento, que nos acompanha ao longo do tempo, à medida em que nele, vamos inserindo, a cada novo curso, a cada novo emprego, a cada nova ação realizada no contexto profissional, nossas informações. Pois bem! Será que estamos nos referindo aqui a esse tipo de currículo? Almeida (2019) elenca alguns significados que os diversos autores têm dado à palavra currículo ao longo tempo: ● conteúdos que precisam ser ensinados e aprendidos; ● experiências de aprendizado escolar vividas pelos discentes; ● planos pedagógicos desenvolvidos pelos professores, coordenadores, e demais representantes das instituições de ensino; ● os objetivos que precisam ser atingidos no processo de ensino; ● os processos de avaliação realizados; E ainda, ● o rol de disciplinas a serem seguidas; ● a grade curricular das instituições de educação; ● o conjunto de conhecimentos a serem assimilados pelos alunos; ● o programa das atividades planejadas, com uma sequência lógica, e metodologicamente estruturadas conforme o manual do professor; ● habilidades que precisam ser dominadas pelos alunos para que consigam se desenvolver profissionalmente, entre outras. Currículo: definições e características. • 6/15 Afinal, o que é Currículo? O Conceito de Currículo Ainda de forma bastante abrangente, Pacheco (1996 como citado em Ranghetti & Gesser, 2009) explica que nos países anglosaxônicos, o vocábulo currículum se referia a uma pista de atletismo ou a uma pista de corrida para cavalos, com formato circular. Podemos dizer que a primeira fonte na qual aparece a palavra currículum data de 1633, nos registros da Universidade de Glasgow, onde aparece em um certificado de graduação que foi outorgado a um professor, e que foi escrito em um formulário que foi publicado após uma reforma ocorrida em 1577 na Universidade. (Morgado, 2000 como citado em Ranghetti & Gesser, 2009) Goodson (1995 como citado em Almeida, 2019) ensina que currículo vem dolatim scurrere, que denota uma pista ou um percurso a ser percorrido. No mundo, a palavra currículum não apresenta o mesmo significado. No inglês, a palavra syllabuses significa ‘programa escolar’ e tem o mesmo significado que no francês, ou seja, refere-se ao plano ou programa de estudos. (Forquin, 1999, como citado em Almeida, 2019) https://player.vimeo.com/video/734142479 Currículo: definições e características. • 7/15 Por sua vez, Machado e Soares (2020) esclarecem que a palavra currículo também pode ser derivada do latim currículum, denominação que já vimos algumas vezes ao longo deste texto, e que significa corrida, carreira, referindo-se ao curso ou percurso que precisa ser desenvolvido. Tratando-se do processo de ensino e aprendizagem, representa o caminho escolhido pela inteligência visando desenvolver o conhecimento de forma sistêmica, para se chegar à cidadania, mediante a carreira, com foco social e humano. Até aqui já pudemos perceber como é difícil definir exatamente a palavra currículo. Ela é conceituada conforme os valores educativos. Eyng (2012) reitera essa informação quando diz que é muito complexo definir o termo, e que muitos autores, muitas vezes, lhe dão diferentes significados para funções iguais, por causa dessa dificuldade. Em 1918, Bobbitt deu ao seu livro o nome de ‘O Currículo’, e dizia que a palavra currículo poderia ser definida de duas maneiras: como o conjunto de experiências que se preocupa em desdobrar as habilidades dos indivíduos; e ainda como o conjunto de experiências de treinamento, direcionadas de forma consciente, empregadas pelas escolas para complementar e aperfeiçoar o conhecimento transmitido. E é nesse sentido que usamos o termo currículo nesta disciplina. Diversos autores ainda abordam uma série de conceitos elencados ao longo do tempo. (Almeida, 2019) ● Currículo é o conjunto daquilo que se ensina e daquilo que se aprende, de forma ordenada e com sequência, em determinado ciclo de estudos, que deve ser visto em sua globalidade e que precisa ser coerente com a didática das atividades de aprendizagem. (Forquin, 1999) ● É o instrumento que mostra a forma como a instituição cumpre com o seu papel social e cultural no exercício de suas práticas pedagógicas. (Gimeno Sacristán, 2000) ● Representa as rotinas e os ritmos para a vida cotidiana daqueles que têm algum vínculo com a escola. (Veiga-Neto, 2002) ● Pode ser entendido como o conjunto de práticas que proporcionam a produção, circulação e o consumo de significados no espaço social, que possibilitam a construção das identidades sociais e culturais. (MEC como citado em Moreira & Candau, 2007) ● É o conjunto de esforços pedagógicos realizados com propósito educativo, de forma a afetar e educar as pessoas. (Moreira & Candau, 2007) Currículo: definições e características. • 8/15 Isso só para citar alguns. É necessário compreender, então, que o currículo representa a legitimidade e o poder ligados à tomada de decisão sobre a escolha, a organização, bem como a avaliação dos conteúdos que serão utilizados na aprendizagem, que representam, claramente, a realidade escolar, e também o papel que cada ator educativo assume na construção do projeto formativo do discente. Isto posto, vale ressaltar que é mister que as instituições de educação adotem em suas práticas a política escolar que for mais consistente para as necessidades de seus educandos e da comunidade em geral. E então, devemos refletir sobre algumas questões como: A. O que as pessoas devem saber? B. Qual o conhecimento que precisa ser transmitido a elas? C. Como esse currículo se refletirá em suas vidas? D. A quê e a quem esse currículo procura atender? Devemos compreender que nenhum processo de educação é neutro, e que precisamos refletir sobre como buscar a igualdade, a equidade e a alteridade, protegendo o direito à educação e à diversidade cultural. Não podemos nos desviar do propósito maior da escola, que conecta cultura e trabalho à formação de cidadãos desenvolvidos multiculturalmente, que além das aptidões técnicas e profissionais, também desenvolvem a capacidade de pensar, de estudar, de dirigir e ainda de controlar quem dirige (Kuenzer, 1998, como citado em Machado & Soares, 2020). A busca também deve ser por criar cidadãos éticos e estéticos que entendam o seu lugar no movimento histórico da humanidade. Portanto, o currículo precisa ser concebido tendo como base o contexto no qual está inserido, o momento em que se encontra e as necessidades daquela sociedade, ainda, as práticas educativas necessárias para o cotidiano escolar, considerando o currículo proposto, que é aquele projeto pensado e escrito, mas também o currículo vivenciado, ou seja, como esse projeto pensado está sendo desenvolvido, aplicado e avaliado. Currículo: definições e características. • 9/15 Em Resumo Ao longo desta aula, compreendemos algumas das características dos currículos, sua importância para a sociedade, e pudemos verificar a dificuldade ao conceituar o termo, em razão de seus múltiplos significados e usos ao longo do tempo. No entanto, o que fica claro é que se refere a um instrumento de enorme relevância para que as instituições de ensino consigam estabelecer o melhor caminho a seguir, conforme as necessidades de seus estudantes e da comunidade na qual se insere. Saiba Mais Se você ficou curioso sobre os diferentes conceitos da palavra currículo ao longo do tempo, leia o capítulo 1 (parte I) do livro de José Gimeno Sacristán e conheça melhor sobre o assunto. 1. Saberes e Incertezas sobre o Currículo. (2013) <https://books. google.com.br/books?hl=pt-BR&lr=lang_pt&id=V4MFBAAAQB AJ&oi=fnd&pg=PA16&dq=artigo+sobre+conceito+de+curr%C 3%ADculo&ots=YmHW6Id1WQ&sig=Jdl6DDLUdMUyC1HLa8 Fso-aCu7I#v=onepage&q&f=false> acessado em 29 de maio de 2022 Currículo: definições e características. • 10/15 Aplicação Prática De forma a conhecer um pouco mais sobre os diferentes conceitos de currículo e tirar as suas próprias conclusões a esse respeito, faça uma pesquisa em diferentes fontes e coloque os seus achados em uma tabela. A sugestão é consultar um dicionário ou enciclopédia, dois livros da literatura de estudiosos conceituados no assunto, o material deste Tema, e criar o seu próprio conceito. Sugestão de tabela: Currículo: definições e características. • 11/15 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Eyng, Ana Maria. (2012). Currículo escolar. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Machado, Dinamara Pereira & Soares, Kátia Regina Dambiski. (2020). Currículo e sociedade. [livro eletrônico]. Curitiba: Contentus. Ranghetti, Diva Spezia & Gesser, Verônica. (2009). Centro Universitário Leonardo da Vinci. Indaial: Grupo Uniasselvi. https://player.vimeo.com/video/734142922 Currículo: definições e características. • 15/15 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes Origem e trajetória do Currículo PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 1 .2 Origem e trajetória do Currículo • 2/13 Objetivos de Aprendizagem • Compreender a origem e a trajetória do currículo. • Verificar como se deu a sistematização do currículo. • Entender por que é importante conhecer o processo histórico do currículo. Origem e trajetória do Currículo Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734143056 Origem e trajetória do Currículo • 3/13 Introdução Conforme vimos no Tema 1, a origem da palavra currículo data de 1633, quando apareceu pela primeira vez escritanos registros da Universidade de Glasgow, no Oxford English Dictionary, num atestado dado a um mestre quando de sua formação. O autor também não descarta que o termo tenha aparecido no final do século XVI, nos discursos latinos de algumas congregações e comenta que talvez um professor escocês da Academia de Genebra, entre os anos de 1569 e 1574 tenha sido quem teve a ideia de currículo pela primeira vez. (Hamilton, 1992 como citado em Almeida, 2019) O fato é que não importa a data, o que precisamos ter em mente é que desde a sua criação ele está, com certeza, conectado ao processo de ensino e aprendizagem, com o objetivo de facilitar a organização escolar, já que permite que mantenhamos sobre ele o controle e que a partir dele tracemos as diretrizes a serem seguidas. Continuemos estudando a origem e trajetória do currículo. Origem e Trajetória do Currículo Sacristán (2000 como citado em Almeida, 2019), autor que muito contribuiu para o estudo dos currículos, afirma que o modelo de currículo pedagógico atual está arraigado na ideia de paideia ateniense, que era uma concepção bastante elitista, porque sua formação estava focada na classe dominante. Posteriormente, incorporou ideais do humanismo renascentista, voltado para as minorias, perdendo força pela orientação realista que veio com o desenvolvimento das ciências (séculos XVII e XVIII). Mais adiante, com os ideais da Revolução Francesa, e depois com os movimentos revolucionários ocorridos nos séculos XIX e XX, houve a incorporação das ideias de moral e democracia. Essas ideias traziam em sua essência a visão de que a educação redime as pessoas, cultiva-as para auxiliar no sucesso do desenvolvimento de uma nova sociedade e forma-as como cidadãs, precisando, portanto, estar ao alcance de todos e ser universal. Origem e trajetória do Currículo • 4/13 Precisamos compreender que o pensamento crítico, de fato, sobre o currículo tem início quando começa a preocupação com a educação das massas, que se dá quando os governos passam a refletir sobre ela e desenvolvê-la, e assim ela passa a ser destinada à população de maneira geral. Foi a partir da industrialização, da onda de imigrantes europeus chegados aos Estados Unidos com o propósito de ‘Fazer América’ no novo mundo, na busca por um emprego ou um pedaço de terra para começar a vida, bem como da migração das pessoas da área rural para as grandes metrópoles, buscando melhores condições de vida e de trabalho, favorecendo o desenvolvimento de teorias que procuravam definir quais conhecimentos deveriam ser ensinados, bem como, de que maneira. (Machado & Soares, 2012) Antes desse período, não há o que se falar sobre sistematização do currículo escolar. A educação estava exclusivamente voltada e pensada para as elites, ou seja, para as classes dominantes, que detinham dinheiro e poder. Saiba Mais Se você tiver interesse em saber um pouco mais sobre a origem da educação e entender o conceito de paideia ateniense, acesse: Menezes, Pedro. Paideia Grega https://www.todamateria.com.br/ paideia/ acessado em 29 de maio de 2022 https://www.todamateria.com.br/paideia/ https://www.todamateria.com.br/paideia/ Origem e trajetória do Currículo • 5/13 Sistematização do Currículo Como campo de estudos e de práticas, o currículo viria a surgir nos Estados Unidos, no final do século XIX e início do século XX, de forma a contemplar as necessidades de organização e controle das escolas e dos sistemas administrativos, tendo como base, inicialmente, os princípios da administração científica, incorporando, mais adiante os fundamentos da sociologia e da psicologia comportamental. Foram diversos os movimentos que caracterizaram o seu surgimento entre os anos de 1900 e 1930, procurando justificar a necessidade de determinar os conhecimentos que precisariam, ou não, ser incorporados na proposta pedagógica da escolarização em massa, ou seja, para todos. Machado e Soares (2020) mencionam três grandes educadores que contribuíram para o início do debate sobre o currículo e sua sistematização. São eles: John Dewey, Franklin John Bobbitt e Ralph Tyler. https://player.vimeo.com/video/734143346 Origem e trajetória do Currículo • 6/13 Quadro 1 - Importantes educadores e suas contribuições para a sistematização do currículo Fonte: adaptado pela autora, de Machado & Soares, 2020 A partir das ideias desses estudiosos, idealiza-se a organização do currículo escolar de forma mais lógica, ordenada e sistemática. Vale ressaltar que essas ideias ainda estavam ligadas às pedagogias não-críticas (que serão vistas mais adiante), visto que, nesse período, não se manifestavam as críticas à sociedade capitalista. Vale ressaltar que a necessidade de organizar e de sistematizar o currículo fez- se necessária quando a educação escolar tornou-se institucionalizada e com foco universal, ou seja, para todos. Isso porque, além de conter a relação de conteúdos a serem transmitidos, envolve relações de poder, que ocorrem entre professor e aluno, entre administrador e professor, e em todas as relações que fazem parte do cotidiano da instituição de ensino, dentro e fora dela. Ou seja, consideram-se aquelas relações que estão ligadas às classes sociais - classe dominante versus classe dominada - bem como questões raciais, étnicas e de gênero. (Almeida, 2019) Origem e trajetória do Currículo • 7/13 Portanto, o currículo vai além do que ser apenas um curso a ser seguido para o sucesso das práticas educativas. É um instrumento de mediação de todos os conflitos que podem vir a surgir nas escolas, refletindo as especificidades da comunidade escolar de caráter heterogêneo, que apresenta demandas diversificadas e uma série de conflitos. Também não é simplesmente um documento que reflete as políticas públicas. O currículo envolve a construção de um texto, que pode ser escrito ou verbal, que engloba os interesses dos diferentes sujeitos, com diferentes necessidades e histórias. O currículo serve para preparar seus estudantes para a vida, para assumirem papéis de dominantes ou de subordinados, afirmando e reforçando os sonhos, desejos e valores de um grupo seleto de alunos sobre outro, muitas vezes inclusive discriminando-os. Sendo assim, é importante que o currículo seja compreendido como um instrumento que faz parte de um sistema educativo, que deve levar em consideração as condições reais nas quais está inserido. E, ainda, estar atento às práticas políticas, sociais e administrativas, às questões estruturais, organizativas e materiais, assim como ao corpo docente, inserido em um processo de constante transformação e construção política, histórica e econômica. (Sacristán, 2000 como citado em Almeida, 2019) Por que precisamos conhecer o processo histórico do Currícu- lo? Você deve estar se perguntando: por bem, mas por que eu preciso conhecer como se deu o processo histórico do currículo no mundo? E a resposta é bem simples. O profissional da educação precisa entender o seu próprio processo de formação escolar, ou seja, isso é autoconhecimento. Devemos compreender como o currículo afetou o processo de formação de nossas subjetividades e personalidades. Por que somos o que somos? Por que agimos como agimos? Por que sabemos o que sabemos? Entender esse processo nos permite compreender que o currículo escolar é um processo repleto de intencionalidades, que molda a forma como ocorrerá o trajeto educacional. (Ranghetti & Gesser, 2009) Sendo assim, precisamos conhecer as formas como o currículo se manifesta em certo processo educativo, procurando o equilíbrio entre as forças e os interesses existentes internamente ao sistema escolar, em determinado momento, assim como a posição Origem e trajetória do Currículo • 8/13 dos diferentes sujeitos perante o que se quer transmitir, como reflexo das funções sociais da instituição de educação, como será visto no próximo tema. Em Resumo Caro estudante, conhecemos nesta aula sobre a origem e a trajetória do currículo aolongo do tempo, e ainda compreender como ocorreu a sua sistematização. Conhecemos também alguns dos grandes estudiosos que influenciaram, sobremaneira, o processo de sistematização do currículo no mundo. Espero que tenha desfrutado dessa viagem. Aplicação na Prática Atividade de Estudos: Após a leitura completa deste tema procure refletir sobre a seguinte questão: Afinal, por que é importante conhecer historicamente o processo de constituição do currículo? Qual a sua relevância para um profissional da Educação Básica, por exemplo? Procure focar em sua experiência como docente ou aluno ou nas leituras realizadas. Pense comigo: por que é necessário para a prática educativa ou para a prática profissional? Origem e trajetória do Currículo • 9/13 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Machado, Dinamara Pereira & Soares, Kátia Regina Dambiski. (2020). Currículo e sociedade. [livro eletrônico]. Curitiba: Contentus. https://player.vimeo.com/video/734143767 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes Currículo: níveis de interpretação e sua função social. PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 1 .3 Currículo: níveis de interpretação e sua função social. • 2/14 Objetivos de Aprendizagem • Estudar os diferentes níveis de interpretação dos currículos; • Compreender a função social da escola. Currículo: níveis de interpretação e sua função social. Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734143882 Currículo: níveis de interpretação e sua função social. • 3/14 Introdução Aprendemos que os currículos refletem aspectos das diferentes relações de poder que podemos identificar nas instituições educacionais (internamente) e em seu entorno, vinculando-as à comunidade na qual está inserida. Logo, o currículo não representa propósitos neutros no que se refere à informação e à formação, visto que sua origem advém dos diferentes segmentos sociais e é veiculado mediante diversos meios curriculares, que serão estudados, inseridos em determinado contexto. Também é entendido como um instrumento cultural, social e histórico. É um texto repleto de significantes e significados, de sons, de imagens, de conceitos, de falas, de posicionamentos discursivos, de metáforas, e ironias, etc., ou seja, é carregado de intencionalidades e escolhas que se fazem presentes na matriz curricular de um curso ou programa, sendo ele da modalidade que for. (Ranghetti & Gesser, 2009) Gimeno Sacristán, estudioso espanhol já muito citado nesta disciplina, ajuda-nos a compreender um pouco mais sobre os currículos, quando os classifica em seis níveis de interpretação. (Almeida, 2019). Então, vamos a eles. Os Níveis de Interpretação dos Currículos O currículo pode ser classificado em alguns níveis de interpretação como o currículo prescrito, o currículo apresentado aos professores, o currículo modelado pelos professores, o currículo em ação, o currículo realizado e o currículo avaliado. (Almeida, 2019) Currículo: níveis de interpretação e sua função social. • 4/14 Figura 1 - Os Níveis de Interpretação dos Currículos Fonte: Sacristán, 2000, p. 105, como citado em Almeida, 2019, p. 21 ● Primeiro nível - currículo prescrito É aquele que estabelece o que deve ser trabalhado nas instituições de ensino. Reflete as intenções, posturas e concepções de ensino que influenciam o trabalho dos docentes, e claro, a formação dos discentes. ● Segundo nível - currículo apresentado aos professores É aquele que defende que a formação inicial e a prática do professor não bastam para organizar o processo de ensino e aprendizagem. Determina que a seleção conjunta dos materiais utilizados para esse processo ajuda a alcançar os resultados desejados, determinando, com clareza, o que é necessário para atingir a proposta pedagógica. Enfatiza que as propostas genéricas e abrangentes não são suficientes para nortear a atividade escolar. ● Terceiro nível - currículo modelado pelos professores É aquele no qual o docente não é simplesmente um espectador, é o protagonista na concretização dos conteúdos curriculares. Neste tipo de currículo a intervenção propicia ao professor modelar, reconfigurar, ressignificar, reestruturar o currículo baseado na realidade, interferindo no resultado de sua prática. Currículo: níveis de interpretação e sua função social. • 5/14 ● Quarto nível - currículo em ação É aquele no qual as ideias, os valores e as atividades pedagógicas se materializam, acontecem, de fato. É a aprendizagem dos alunos que se concretiza visto estarem escolarizados, isso porque estão imersos em um ambiente que propõe e impõe a execução de um conjunto de atitudes, comportamentos e valores e que não leva em conta apenas os conteúdos que precisam assimilar. ● Quinto nível - currículo realizado É aquele que vincula a intenção e a ação, a teoria e a prática, que é o resultado das relações dos outros níveis curriculares já expostos. ● Sexto nível - currículo avaliado É aquele no qual o currículo se constrói e se realiza na prática, mediante a avaliação que é realizada pelo professor, no seu dia a dia, de forma a pensar sobre os resultados do processo de ensino e aprendizagem que foi realizado. Além desses níveis, Santos e Paraíso (1996 como citados em Ranghetti & Gesser, 2009) detalham as dimensões dos currículos. São elas: ● O Currículo Oficial Entende-se como aquele que foi planejado de forma oficial, aquele que consta na Proposta Curricular do Estado, das Secretarias ou nos livros didáticos que foram elaborados tendo como base essas propostas. ● O Currículo Formal Entende-se como aquele que inclui todas as atividades e conteúdos que foram planejados para serem praticados em sala de aula. Este Currículo inclui o Currículo Oficial. ● O Currículo Oculto Entende-se como aquele que representa o conjunto de normas e valores que estão implícitos nas ações escolares, mas que os professores não comentam e nem procuram (não intencionalmente). Podem ser consideradas aprendizagens não intencionais, que simplesmente ocorrem, a partir de práticas e de informações não explícitas, mas que estão ali. Currículo: níveis de interpretação e sua função social. • 6/14 ● O Currículo Explícito Entende-se como aquele que é, de fato, a parte visível do currículo, formado pelos ensinamentos e aprendizagens efetivamente e intencionalmente promovidos por meio do ensino. ● O Currículo Vazio ou Nulo Entende-se como aquele que se caracteriza pelos conhecimentos que estão ausentes, tanto no que se refere às propostas curriculares, representadas pelo currículo formal, quanto nas práticas efetivas em sala de aula, representadas pelo currículo em ação. Também pode ser chamado de ‘campos de silêncio’ ou de ‘omissões’. Ele é importante para mostrar as afirmações e negações dos elementos culturais que causam efeitos nos estudantes, tanto a partir do que diz, como a partir do que silencia. Saiba Mais Se você tem interesse em conhecer mais sobre como se desenvolve um currículo útil para as necessidades de uma instituição escolar, leia o seguinte livro: Alves, Nilda. (2018) Criar currículo no cotidiano. Editora Cortez Neste livro, os autores quiseram passar para o papel conversas que aconteceram com professores do Brasil, criando personagens que caracterizam as escolas e as cidades nas quais elas estão inseridas. Currículo: níveis de interpretação e sua função social. • 7/14 Função social da escola E quanto à função das instituições de ensino? Sabemos queas escolas são as entidades diretamente responsáveis pela formação das diversas gerações. Elas vêm se destacando desde o início do século XX e sua função social está intimamente ligada à extensão, ao impacto e ao resultado das atividades realizadas ao longo da formação dos estudantes. Lembrando que o aprendizado escolar não fica restrito aos limites dos muros das escolas, pois nela aprende-se bem mais do que simplesmente os conhecimentos ministrados pelos docentes em suas salas de aula. Vale ressaltar que a escola passou por diferentes mudanças ao longo dos anos, e em cada período teve um tipo de representação social predominante. Dentre essas mudanças, podemos considerar três grandes ondas conforme Machado e Soares (2020): 1. A Escola Supra Geracional (escola para as elites) Nela, o alcance social é bem pequeno, visto que está voltada para as elites. Essa onda ocorre na antiguidade, período durante o qual os ensinamentos eram transmitidos pelas famílias ou aprendidos no dia a dia. https://player.vimeo.com/video/734144196 Currículo: níveis de interpretação e sua função social. • 8/14 2. A Escola Intergeracional (escola para a classe média - elitista) Nela, o alcance social é ampliado, visto que a educação passa a ser compartilhada entre o Estado e a família. A função da escola era adequar as pessoas ao novo contexto da sociedade, no qual era necessário formar os estudantes para o mercado de trabalho industrial, sendo a escola uma forma de ascensão na carreira, ou seja, na vida profissional. Esse era o foco. 3. A Escola Intrageracional (escola para todos) Nela, o alcance social é ampliado continuamente, visto que o aprender a aprender ocorre todos os dias, tanto no ambiente profissional quanto na evolução como ser humano. Atualmente, ainda ocorrem e continuarão ocorrendo transformações, visto que as sociedades vão tendo novas necessidades em todos os âmbitos, e essa sociedade na qual vivemos escolheu a escola como a responsável por compartilhar o saber científico, aquele formalmente transmitido, com certificação. À medida em que a função social da escola aumenta, aumentam as responsabilidades, com novas atividades a serem inseridas nas demandas já significativas que ela tem. Em Resumo Caro estudante, conhecemos neste tema os diferentes níveis de interpretação dos currículos (o currículo prescrito, o apresentado aos professores, o modelado pelos professores, o em ação, o realizado e o avaliado) e ainda as diversas dimensões dos currículos (o currículo oficial, o formal, o oculto, o explícito, e ainda o vazio ou nulo) que nos fizeram entender que existem tipos diferentes de currículos para as distintas necessidades educacionais. Terminamos aprendendo que a função social da escola diz respeito aos impactos, aos resultados e à extensão do trabalho executado por ela, com relação às atividades realizadas em prol da formação e transformação dos estudantes ao longo de sua vida estudantil. Currículo: níveis de interpretação e sua função social. • 9/14 Aplicação na Prática Atividade de Estudos: Após a compreensão do conteúdo exposto, chegou o momento de refletir sobre você como gestor(a) do currículo. Pense sobre as questões sugeridas e argumente. Pode se colocar na posição do professor que já exerce a função ou como acha que realizaria essa tarefa se fosse professor. - Você, como professor, tem alguma participação nas decisões sobre o que ensina em sala de aula, ou segue as diretrizes propostas pela Secretaria de Educação? - Se você, professor/gestor, participa das decisões, como interfere em relação ao conteúdo que é oferecido para seus alunos, em suas aulas? Currículo: níveis de interpretação e sua função social. • 10/14 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Machado, Dinamara Pereira & Soares, Kátia Regina Dambiski. (2020). Currículo e sociedade. [livro eletrônico]. Curitiba: Contentus. Ranghetti, Diva Spezia & Gesser, Verônica. (2009). Centro Universitário Leonardo da Vinci. Indaial: Grupo Uniasselvi. https://player.vimeo.com/video/734144446 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes A Evolução do Currículo no Brasil PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 1 .4 A Evolução do Currículo no Brasil • 2/16 Objetivos de Aprendizagem • Compreender as influências sofridas pelos currículos no Brasil; • Acompanhar o processo de evolução do currículo no Brasil. A Evolução do Currículo no Brasil Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734144573 A Evolução do Currículo no Brasil • 3/16 Introdução Até aqui pudemos compreender a polissemia de conceitos sobre o currículo escolar, conseguimos acompanhar a sua trajetória, ao longo do tempo, conhecemos algumas características e agora vamos aprender um pouco mais sobre a sua evolução, porém com um novo foco, o brasileiro. Precisamos entender como se deu a sistematização e caracterização do currículo no Brasil, e para isso vamos começar falando sobre suas influências. É importante conhecermos um pouco da história para entendermos a base de nossa identidade (personalidade educacional) e o quanto os processos de formação têm exercido influência sobre a nossa escola. Vale relembrar que os currículos não são neutros ou desinteressados, pelo contrário, eles estão carregados de significados, intenções, valores, conteúdos que moldam a forma de educar de nosso país. Com o passar do tempo, conforme o momento histórico, ocorreram diversas reformas educativas e curriculares em função das novas necessidades sociais, culturais, políticas e econômicas com as quais fomos nos deparando, e ainda, de forma a atender outros interesses que também foram surgindo, como por exemplo, pelas necessidades do sistema capitalista. As Influências do Currículo no Brasil O currículo, no Brasil, sempre sofreu influência internacional, desde a época colonial visto que os conteúdos ministrados foram influenciados pelos modelos dos jesuítas, marcados pelo rigor metodológico e conteúdos voltados para a inculcação dos valores da fé europeia. Era um momento de ‘aculturação’ daqueles que aqui habitavam. (Saviani, 2008 como citado em Almeida, 2019) Em 1549, os jesuítas trouxeram para o país o programa Ratio Studiorum, que se baseava na pedagogia tradicional, cujo programa de ensino abrangia conteúdos retirados da cultura universal, chamados de humanísticos ou enciclopédicos, que eram repassados aos alunos como verdades absolutas. (Machado & Soares, 2020) Durante a época do Império, a educação brasileira sofreu grande influência norte- americana, mediante a transferência de teorias e movimentos curriculares, o que significa que as bases epistemológicas e teóricas do currículo brasileiro são estrangeiras. A Evolução do Currículo no Brasil • 4/16 Então, de fato, os estudos sobre os currículos no Brasil tiveram início na década de 1920, a partir de algumas reformas educacionais que ocorreram na Bahia, e em Minas Gerais, momento no qual alguns educadores, que integravam o Manifesto do Pioneiro da Nova Escola, passaram a se preocupar com a organização curricular nas escolas brasileiras. Buscavam superar a escola tradicional, pouco democrática e voltada para a memorização. Esse movimento tinha como características a busca pela educação integral, que estava voltada para o desenvolvimento intelectual, físico e moral, a educação ativa e prática, voltada para a realização de trabalhos manuais, e ainda o desenvolvimento da autonomia e do ensino individualizado. (Ranghetti & Gesser,2009) Esse foi um primeiro passo para o rompimento com a escola tradicional, dando ênfase à natureza social do processo educativo, à tentativa de renovação do currículo, bem como dos métodos e das estratégias de ensino e avaliação, e pela preocupação com a democratização da sala de aula, para que fosse possível para todos, assim como da relação entre professores e alunos. Porém, é apenas a partir de 1930, com o movimento escolanovista, sob a influência dos pensadores norte-americanos John Dewey, John Bobbitt e Ralph Tyler que os debates sobre o currículo ganham mais rigor e sistematização. (Machado & Soares, 2020) Baseado na escola progressiva de Dewey, os representantes da Escola Nova procuravam superar os limites da antiga tradição pedagógica trazida pelos jesuítas, de caráter enciclopédico, para desenvolver o sistema educacional brasileiro em um novo contexto. Os educadores e estudiosos ligados à Escola Nova foram muito importantes nesse período, como Anísio Teixeira (1900-1971), Fernando de Azevedo (1894-1974) e Lourenço Filho (1897-1970) que defendiam uma escola laica, que fosse gratuita e de qualidade para todo o povo brasileiro. Tendo como base o pensamento de Dewey, visava-se o educar pela pesquisa. Assim, as propostas curriculares da época traziam fortes críticas à pedagogia tradicional enraizada no ensino enciclopédico. Essas propostas procuravam transformar o processo no sentido de colocar o aluno na posição de sujeito ativo e desenvolvendo uma aprendizagem significativa. A Evolução do Currículo no Brasil • 5/16 Interessante observar que hoje em dia muito se fala em transformar o aluno em sujeito ativo de seu próprio aprendizado, aprendendo a aprender, sendo o seu próprio guia, estudando conforme suas necessidades, dentro de um processo de aprendizagem significativa, mas aqui podemos perceber que essas ideias nada têm de novas. São uma nova roupagem para ideias que tentam ser inseridas por nós, há muito tempo. Saiba Mais Se você se interessou pelo processo de evolução do currículo e as influências sofridas, assista ao filme O sorriso de Monalisa, estrelado por Julia Roberts, que dá uma ideia de como esta questão é abordada no mundo. https://www.adorocinema.com/filmes/filme-40141/ Amplie sua compreensão em relação ao pensamento de Paulo Freire e leia o livro: Pedagogia do Oprimido (1974). A primeira publicação se deu em 1969, nos Estados Unidos. O livro propõe uma pedagogia com uma nova forma de ver o relacionamento que ocorre entre professor, aluno e sociedade. https://www.adorocinema.com/filmes/filme-40141/ A Evolução do Currículo no Brasil • 6/16 Mais um pouco de evolução histórica do currículo no Brasil De maneira mais informal, pela luta de um grupo de educadores brasileiros, pioneiros, tivemos, de fato, os primeiros marcos do currículo no Brasil. Porém, de maneira mais formal, na década de 1930, os marcos iniciais ocorreram pela movimentação do Instituto Nacional de Pedagogia (Inep), que em 2001 passou a ser chamado de Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), e pelo Programa de Assistência Brasileiro-Americana à Educação Elementar, o PABAEE, movidos pelos ideais humanistas e progressistas de Dewey e Kilpatrick (no caso do Inep) e de uma postura mais tecnicista no trato das questões curriculares (no caso do PABAEE). O PABAEE foi um acordo entre o Brasil e os Estados Unidos, ocorrido em 1956, e que visava a formação de supervisores que pudessem atuar no ensino primário e em cursos para professores. Tinha como meta a produção e a distribuição dos materiais didáticos elaborados, bem como programas de intercâmbio, especialmente aqueles voltados para a formação de mestres e doutores nas áreas de currículo e avaliação, nos Estados Unidos. (Ranghetti & Gesser, 2009) https://player.vimeo.com/video/734144880 A Evolução do Currículo no Brasil • 7/16 Conforme já vimos, as primeiras preocupações com o currículo, no Brasil, tiveram início em 1920, e desde então, até a década de 1980, ocorreram transferências das teorizações norte-americanas, voltadas para a assimilação dos modelos de elaboração curricular, advindos de acordos bilaterais entre o Brasil e os Estados Unidos, dentro de um programa de auxílio à América Latina. Em virtude desses acordos, muitos especialistas brasileiros procuraram fazer cursos de pós-graduação strictu sensu, e a partir de então surgiram as primeiras obras que dizem respeito ao currículo no país. A de Anísio Teixeira, por exemplo, focava no currículo voltado para as crianças, porém as demais, ainda sob influência das ideias de Dewey, estavam voltadas para a elaboração e organização curricular. Houve, ainda, a influência de obras do educador americano John Bobbitt, como a ‘The Currículum’, de 1918 e a ‘How to Make a Currículum’, de 1924. Esse estudioso queria que o sistema de educação conseguisse explicitar claramente os resultados que pretendia obter, que lograsse determinar os métodos para obtê-los, e os métodos de mensuração que permitissem determinar que tivessem sido, de fato, alcançados esses resultados. Também queria que o sistema de educação estabelecesse os objetivos a serem alcançados, que deveriam estar baseados nas habilidades que os estudantes precisavam ter para exercer com eficiência suas funções em suas vidas profissionais, na fase adulta. Era um sistema voltado para a economia, para a inserção dos alunos no mercado de trabalho, e enfatizava que a educação precisava ser tão eficiente quanto qualquer outra organização. (Silva, 2008 como citado em Almeida, 2019) Outro fato importante na evolução do currículo no Brasil foi a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB, em 1961, que deu, por primeira vez, ao currículo do ensino primário e do ensino secundário uma certa flexibilidade às escolas, para que definissem parte de seus currículos. Uma ou duas disciplinas seriam optativas e poderiam ser escolhidas pela instituição. A Evolução do Currículo no Brasil • 8/16 A discussão sobre currículo no país passa a ser mais intensa, e em 1962 os cursos de Pedagogia passam a inserir em suas matrizes curriculares a disciplina ‘Currículos e Programas’, presente nos cursos de licenciatura até os dias atuais. Vale ressaltar que, até a década de 1980, o currículo no Brasil tinha como base as teorias funcionalistas norte-americanas, que procuravam explicar que cada instituição tem uma função clara na sociedade. De 1980 a 1990, com o interesse pela democratização da sociedade brasileira, surgiram novas questões para compor esse debate. A abertura política gerou uma necessidade de repensar a sociedade, e no que se refere aos espaços escolares, não foi diferente, surgiu um interesse em desenvolver duas modalidades, uma como um espaço de expressão para as ideias populares voltadas para o exercício da autonomia popular, e a outra que se baseava na centralidade da educação escolar, estimulando o acesso a toda a população, inclusive às camadas mais baixas da sociedade. (Almeida, 2019) Sendo assim, as bases formais se estabeleceram com a criação, em 1996, da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), Lei nº 9.394, que determina que à União, juntamente com os estados e municípios, compete determinar os conteúdos mínimos a serem ministrados em todo o país. Enquanto compete ao Plano Nacional de Educação (PNE), determinar as diretrizes, metas e estratégias a serem adotadas entre os anos de 2014 e 2024 para a política educacional. Saiba Mais Para conhecer um pouco mais sobre a LDB acesse o seguinte endereço eletrônico e aproveite: https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/572694 acessado em 01 de junho de 2022 https://www2.senado.leg.br/bdsf/handle/id/572694 A Evolução do Currículo no Brasil • 9/16 Em 1997, o MEC publicou os Parâmetros Curriculares Nacionais, chamados de PCNs (composto por dez volumes), que intensificam as discussões acerca do currículo no Brasil. Teve como consultor o professor CésarColl, da Universidade de Barcelona, seguindo o modelo espanhol, com predomínio construtivista. (Eyng, 2012) Caminhando um pouco mais nessa trajetória brasileira, em 2017, após muitos anos de discussões e debates, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi aprovada, com a intenção de servir de guia para a elaboração e estruturação dos currículos e atividades pedagógicas em todo o país. Trataremos sobre ela, com mais detalhes, nas próximas aulas. Saiba Mais Acesse o endereço eletrônico abaixo e conheça com mais profundidade o texto da Base Nacional Comum Curricular, a BNCC. http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/ acessado em 01 de junho de 2022. Conheça o Guia de implementação dos Currículos alinhados à BNCC. (2022). https://observatorio.movimentopelabase.org.br/conheca-o- guia-de-implementacao-dos-curriculos-alinhados-a-bncc/ acessado em 01 de junho de 2022. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ https://observatorio.movimentopelabase.org.br/conheca-o-guia-de-implementacao-dos-curriculos-alinhados-a-bncc/ https://observatorio.movimentopelabase.org.br/conheca-o-guia-de-implementacao-dos-curriculos-alinhados-a-bncc/ A Evolução do Currículo no Brasil • 10/16 Em Resumo Caro estudante, ao longo deste tema, conversamos sobre a influência dos jesuítas nas primeiras ideias curriculares do Brasil, depois, na época do Império vimos que a educação brasileira sofreu grande influência norte-americana. Na década de 1920, ocorreram algumas reformas educacionais e surgiu o Manifesto do Pioneiro da Nova Escola, que buscava superar a escola tradicional, pouco democrática e voltada para a memorização. Porém, foi apenas a partir de 1930, com o movimento escolanovista, que as discussões sobre o currículo ganharam rigor e sistematização. Outro fato importante foi a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), em 1961, que deu, pela primeira vez, uma certa flexibilidade às escolas. De 1980 a 1990, com o interesse pela democratização da sociedade brasileira, foram surgindo novas questões. Houve a criação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), em 1996 e em 1997 o MEC publica os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), que intensificam as discussões sobre currículo brasileiro. Finalmente, em 2017, após muitos anos de discussões e debates, foi aprovada a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). A Evolução do Currículo no Brasil • 11/16 Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/734145337 A Evolução do Currículo no Brasil • 12/16 Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Eyng, Ana Maria. (2012). Currículo escolar. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Machado, Dinamara Pereira & Soares, Kátia Regina Dambiski. (2020). Currículo e sociedade. [livro eletrônico]. Curitiba: Contentus. Ranghetti, Diva Spezia & Gesser, Verônica. (2009). Centro Universitário Leonardo da Vinci. Indaial: Grupo Uniasselvi. Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes Currículo: concepções e teorias. PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 1 .5 Currículo: concepções e teorias. • 2/18 Objetivos de Aprendizagem • Compreender quais são e a importância das Teorias do Currículo. • Conhecer as tendências pedagógicas liberais ou conservadoras • Estudar as diferenças entre a teoria tradicional, crítica e pós-crítica da educação. Currículo: concepções e teorias. Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734145450 Currículo: concepções e teorias. • 3/18 Introdução Já estudamos os conceitos de currículo, aprendemos sobre a dificuldade de chegar a um consenso nessa definição, caminhamos pela origem e trajetória do currículo e agora devemos nos perguntar: que conteúdos devem ser ensinados nas escolas? Como identificar qual a prioridade? Esses conteúdos devem guardar relações, devem estar associados de alguma forma? Deve haver algum vínculo entre o que é ensinado na escola e o que acontece na vida em sociedade? O que os discentes precisam ter de conhecimento quando se encerra um período letivo, ou mesmo um curso? Qual o conteúdo que precisamos passar aos nossos alunos para que estejam aptos a adentrar no mercado de trabalho e serem profissionais de sucesso? É sobre tudo isso que os estudiosos dos currículos têm procurado refletir e debater ao longo dos anos. Os estudiosos enfatizam que os currículos, ao menos, devem acompanhar o que acontece no ambiente político, social, cultural e econômico do país, como sendo um reflexo da sociedade, ou a sociedade sendo o reflexo do currículo estabelecido, sistematizado e desenvolvido pelas instituições de ensino. Precisamos então compreender as diferentes perspectivas de estudo dos currículos, como a sua função social, seu campo teórico e prático e como o resultado de um plano de educação. Vimos, com o estudo dos conceitos de currículo, que ele não é fixo, imutável, estagnado, inerte ou concluído, pelo contrário, está sempre aberto a alterações, acompanhando as transformações que ocorrem em sociedade e as novas necessidades que surgem, adequando-se constantemente, influenciando e sendo influenciado pela sociedade. A verdade é que a mais correta concepção de currículo surge com a necessidade de escolha do conteúdo que será ministrado pela escola, observando os impactos que ele poderá causar no desenvolvimento da sociedade. (Almeida, 2019) Currículo: concepções e teorias. • 4/18 Saviani (2005, como citado em Eyng 2012) comenta que, levando em consideração a perspectiva histórica do currículo, ele abrange os conhecimentos, as ideias, os hábitos, os valores e convicções, as teorias, técnicas e recursos, e ainda os artefatos, ferramentas, procedimentos, competências e habilidades, dentre outros, dispostos em um conjunto de disciplinas escolares, em seus respectivos programas, com o detalhe das atividades a serem realizadas e avaliadas. Para alguns, pode ser considerado como mera transposição dos conhecimentos para a sala de aula, mas devemos reconhecer que a forma como os elementos culturais vão sendo inseridos na realidade educacional, cria o chamado ‘saber escolar’. Podemos dizer, então, que o currículo tem se revelado um tipo de reinvenção da cultura. Ao longo da história, algumas teorias pedagógicas foram surgindo e dando origem a outras posteriores a elas. Podemos dizer que tivemos as tendências pedagógicas liberais ou conservadoras, a perspectiva tradicional, a escolanovista, e tecnicista e temos as tendências atuais. Façamos, então, uma viagem no tempo para compreendermos as bases de cada uma delas. (Machado & Soares, 2020) Teorias do Currículo Vimos que a concepção de currículo vem da necessidade de escolher o conteúdo que deverá ser ministrado na escola, portanto, a primeira teoria desenvolvida sob essa ótica foi chamada de teoria tradicional, seguida das teorias crítica e pós-crítica. A primeira tem como base os princípios da administração científica. Por outro lado, as teorias crítica e pós-crítica surgem por questionarem a inclusão ou não de certos conteúdos aos currículos, tentando aproximar as ideias de conhecimento, ideologia e empoderamento dos indivíduos que serão formados por aquele currículo. É importante que o professor ou gestor de uma entidade escolar conheça as diferentes teorias para conseguir reconhecer os distintos aspectos que caracterizam cada uma delas, não apenas para diferenciá-las, mas para poder transpô-las para a sua própria prática docente, caso contrário, poderá se enganar ao elaborar e executar propostas pedagógicas causandouma prática confusa e não efetiva. Então, vamos a elas. Currículo: concepções e teorias. • 5/18 As tendências pedagógicas liberais ou conservadoras Nesta tendência, a manifestação da prática pedagógica ocorre até 1930. Vale relembrar que até 1759 tem-se a hegemonia jesuítica da igreja católica, e de 1759 a 1930 as questões leigas do liberalismo clássico. Saiba Mais Quer conhecer mais sobre o período de estudo embasado nos jesuítas? Veja o seguinte vídeo: Vital, Ana. (2015) História da Educação: educação jesuítica: https:// www.youtube.com/watch?v=VMa-KHM8hlI acessado em 02 de junho de 2022 Para aprender mais sobre as diferentes tendências pedagógicas leia o seguinte texto: 6 tendências pedagógicas que todo estudante deve ficar de olho. (2020) https://blog.pitagoras.com.br/tendencias-pedagogicas/#:~:text=A%20 Pedagogia%20liberal%20acredita%20que,considerado%20algo%20 aberto%20ou%20democr%C3%A1tico. acessado em 02 de junho de 2022 Nesse período, o papel da escola era o de transmissora de conhecimentos, impossibilitando qualquer tipo de mobilidade social, sendo a educação um privilégio para as classes mais favorecidas. Nesse modelo, o discente deveria reproduzir, de forma integral, mediante a memorização, o que lhe era ensinado, na realização de provas, avaliações orais, exercícios de fixação e trabalhos de casa. https://www.youtube.com/watch?v=VMa-KHM8hlI https://www.youtube.com/watch?v=VMa-KHM8hlI Currículo: concepções e teorias. • 6/18 Aqui, o vínculo entre professores e alunos é vertical, ou seja, o professor é o centro do processo, o detentor do conhecimento, autoritário, e ao aluno cabe a postura passiva, submissa, de receptor do conhecimento e sujeito a castigos. Quem não se lembra de já ter visto em filmes, séries, ou histórias em quadrinhos a figura de um aluno sentado em um banquinho, em um canto da sala de aula, de costas, e com um chapéu de burro na cabeça? Talvez os mais jovens nem saibam que isso acontecia em um passado não tão distante, mas acontecia. (Machado & Soares, 2020) A Teoria Tradicional Esta teoria, imersa no campo das teorias não-críticas, nasceu dos princípios da Administração Científica, na década de 1920, nos Estados Unidos, focada na população que ia à escola, buscando a sua formação. Era necessário que o sujeito que frequentava a escola pudesse usar tudo aquilo que estava explicitado no currículo. A máxima expressão desse grupo é John Franklin Bobbitt (1876-1956), com seu livro ‘The Currículum’, de 1918, em cujo modelo de currículo os alunos deveriam ser processados como um produto fabril. Para Bobbitt, o currículo representava a especificação precisa de objetivos, de procedimentos e de métodos para obter resultados que pudessem ser mensurados com bastante precisão. Pouco depois, Ralph Tyler (1902-1994) disse que a escola deveria constituir seus objetivos, propor as formas como atingi-los e avaliar os alunos, para identificar se os objetivos tinham sido, deveras, alcançados. Em 1930, John Dewey (1859-1952), filósofo e pedagogo, declarou que a instituição escolar era o melhor lugar para o aprendizado, entre outras coisas. Para ele, o currículo precisava estar voltado para a vivência dos alunos. Currículo: concepções e teorias. • 7/18 Figura 1 – Elementos das Teorias do Currículo Fonte: adaptado por Silva, 2010, p. 7 como citado em Almeida, 2019, p. 43 A teoria tradicional apresenta um currículo com uma formatação com conteúdos individualizados e voltados para disciplinas específicas, visto que a ideia central é preparar o aluno para sua atuação em sociedade, apreendendo um conteúdo particionado, enciclopédico e interdependente entre disciplinas sem conexão. Portanto, o currículo, neste caso, está voltado para a quantidade de conteúdos e não para a sua qualidade. Vale ressaltar, que nesta teoria a função do discente é passiva, apenas como um recebedor dos conteúdos transmitidos, trabalhando a memorização por meio da repetição. (Machado & Soares, 2020) A partir das décadas de 1920 e 1930, com o processo de urbanização, o currículo passou por mudanças que refletiram na forma de pensar a escola. São nomes importantes Fernando Azevedo e Anísio Teixeira. Currículo: concepções e teorias. • 8/18 Teoria Crítica A teoria tradicional começa a perder força e a ser questionada por volta da década de 1960, e assim o foco deixou de ser a forma como o currículo era feito para ser o que ele, de fato, faz. Sob essa ótica o currículo precisa se voltar para o que está acontecendo na sociedade, para os avanços científicos e questões políticas e ideológicas, além de focar nos conteúdos específicos que serão ministrados por disciplina. O filósofo francês Louis Althusser (1918-1990), autor da obra Ideologia e aparelhos ideológicos do Estado, de 1970, pela primeira vez mostrou uma ligação entre a educação e a ideologia, que constitui as bases da teoria crítica. Para essa teoria, a sociedade capitalista não seria capaz de se manter se não houvesse instituições que fossem capazes de reproduzir as suas ideias econômicas e ideológicas, como a religião, as mídias, a escola e a família. Pierre Bourdieu e Jean-Claude Passeron também são nomes reconhecidos nessa teoria, e afirmavam que a escola é uma entidade fundamental na educação do cidadão, um espaço de formação bem como de sociabilização. https://player.vimeo.com/video/734145808 Currículo: concepções e teorias. • 9/18 A partir de 1970, surgem ainda Henry Giroux e Michael Apple como grandes estudiosos do currículo. O primeiro afirma que os alunos estão caracterizados como “técnicos obedientes, executando os preceitos do programa curricular” (Giroux, 1997, p. 25, como citado em Almeida, 2019, p.47) e as escolas são meros lugares de instrução e reprodução da cultura dominante. A pedagogia crítica, também chamada de progressista ou contra-hegemônica, tem como base que o conhecimento e o poder precisam sempre estar sujeitos ao debate, de forma que professores e alunos se transformem em agentes críticos, questionadores da relação que deve existir entre a teoria e a prática, a análise crítica e o senso comum e entre o aprendizado e a transformação da sociedade. Apple, por outro lado, questiona qual o conhecimento que é verdadeiro, e quem o escolhe como verdadeiro, enfatizando que o currículo não é um conjunto de conteúdos neutros, mas faz parte da escolha de alguém, da visão de um grupo de pessoas, produto de tensões, conflitos e concessões culturais, políticas e econômicas de um povo. Paulo Freire (1921-1997), um dos maiores expoentes desta teoria, afirma que a simples transmissão de conhecimento que ocorre na escola gera discentes passivos. Em suas famosas obras ‘Pedagogia do Oprimido’, de 1974, e ‘Pedagogia da Autonomia’, de 1996, ele informa que o professor deposita conhecimentos em seus alunos, chamando a prática de ‘educação bancária’. Currículo: concepções e teorias. • 10/18 Freire pretendia divulgar uma educação na qual o professor não deveria ser apenas responsável pela transmissão do conhecimento ao aluno, mas possibilitar que o discente pudesse desenvolver uma consciência política sobre os protagonistas do processo de ensino e aprendizado, mediante o diálogo. Para ele, a educação deve partir da realidade do aluno, de suas vivências, questionando as relações desiguais e injustas. Nesta teoria, sobressai o currículo oculto, que é aquele que expõe as normas, princípios e valores que são transmitidos de forma tácita pela escola. Teoria pós-crítica Esta teoria, que se espalhou pelos meios de comunicação em massa, observa o currículo sob a ótica do multiculturalismo e presume que nenhuma cultura é melhor (ou pior) do que outra. A teoria pós-crítica caracteriza a sociedade por sua leveza, a sociedade em rede, cunhada por Manuel Castells em 1999, em que há uma ruptura dos paradigmas, difundindo movimentos sociais como o feminismo, movimentos ecológicos e contra os preconceitos raciais, ou seja, de defesa dos direitoshumanos, de forma a ressaltar a liberdade individual e a transformação social. Saiba Mais Para conhecer mais sobre este fantástico estudioso da Teoria Crítica leia os seguintes livros: Freire, Paulo. (2019) Pedagogia do Oprimido. Escrito enquanto o escritor estava exilado no Chile, mostra as relações que sustentam uma ordem injusta, responsável pela violência causada pelos opressores e pelo medo que os oprimidos sentem da liberdade. Freire, Paulo. (2019) Pedagogia da Autonomia. Neste livro publicado em 1996 o autor reflete sobre o ato de ensinar e o que ele exige dos educadores e dos educandos. Currículo: concepções e teorias. • 11/18 Castells (2004 como citado em Almeida, 2019) afirma que essas mudanças estão ligadas à revolução que ocorreu com o surgimento e desenvolvimento das Tecnologias Digitais de Informação e de Comunicação (TDICs), cuja disseminação de informações favorece a produtividade e o poder. Quanto ao currículo, prega que o multiculturalismo mostra que a desigualdade, no que se refere à educação e currículo, é causada pelos conflitos de gênero, etnia, raça e sexualidade, portanto o currículo precisa contemplar a questão da diversidade. Esta teoria visa possibilitar a ampliação dos debates políticos e sociais, dentro e fora da escola, levando em conta as questões étnico-raciais, de sexo e de classe social. Currículo: concepções e teorias. • 12/18 Quadro 1 - As Teorias do Currículo Fonte: baseado em Silva, 2007, p. 17 como citado em Eyng, 2012, pp. 36-37 Currículo: concepções e teorias. • 13/18 Em Resumo Então, podemos entender que, enquanto as teorias tradicionais se preocupam com a organização do currículo, as teorias críticas e pós-críticas se preocupam com as ligações entre o saber, a identidade e o poder dos agentes envolvidos. Também vale ressaltar que as teorias pós-críticas não se opõem às críticas, na verdade elas aumentam, ampliam a sua abrangência, enfatizando a cultura, superando os estereótipos, a discriminação, incluindo a diversidade. Currículo: concepções e teorias. • 14/18 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Eyng, Ana Maria. (2012). Currículo escolar. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Machado, Dinamara Pereira & Soares, Kátia Regina Dambiski. (2020). Currículo e sociedade. [livro eletrônico]. Curitiba: Contentus. https://player.vimeo.com/video/734146053 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes Modelos de Currículo: os currículos internacionais PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 2 .1 Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 2/14 Objetivos de Aprendizagem • Conhecer o legado dos currículos internacionais. • Entender em que consiste a internacionalização dos currículos. Modelos de Currículo: os currículos internacionais Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734146167 Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 3/14 Introdução Hoje, muito se fala em globalização, e nos efeitos dela no mundo, em todos os âmbitos, social, político, econômico, cultural e tecnológico, determinando um novo modo de vida em sociedade. As informações são transmitidas instantaneamente e é possível comercializar com qualquer país do mundo em apenas alguns minutos. No que se refere à educação, não tem sido diferente. As práticas pedagógicas, os processos de avaliação, as formulações dos currículos, e até mesmo a gestão escolar têm sido influenciados pelas mudanças globais, visto que a escola é uma instituição reconhecida como sendo a propagadora de uma cultura mundial. Dentro desse contexto, é importante ressaltar que um dos legados que as políticas internacionais deixaram para a educação é o modelo para elaboração de competências, de conhecimentos, de atitudes, de habilidades, de emoções e de valores. Assim, o currículo é visto como um reforço de normas e convenções educativas de caráter internacional. (Almeida, 2019) Vamos juntos conhecer um pouco mais sobre as influências dos currículos internacionais na educação. O legado dos currículos internacionais Um exemplo de interferência externa nas políticas educacionais brasileiras foi a do Banco Mundial (BM), em 1970. O Ministério da Educação e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) deram início a alguns estudos em conjunto na década de 1970, embora os financiamentos do banco para o ensino primário (entendido como as quatro primeiras séries do fundamental) só tenham iniciado em 1980. Até esse momento, os financiamentos seguiam a linha de desenvolvimento mais tradicional. O primeiro empréstimo foi realizado no final de 1960, tendo como foco o ensino vocacional, que era entendido como fator direto para influenciar o crescimento industrial de forma intensa. O projeto se deu entre 1971 e 1978 para garantir a melhoria e a ampliação do ensino técnico do 2º grau, industrial e agrícola. Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 4/14 Constatamos que o Banco Mundial influenciou de forma significativa as políticas de educação brasileiras, e portanto, a elaboração dos currículos que foram adotados nas escolas do país. Nas décadas seguintes, esse modelo sofreu várias críticas. Vale ressaltar que o Banco Mundial não age sozinho, mas conta com o suporte dos Bancos Multilaterais de Desenvolvimento, com o Fundo Monetário Internacional (FMI), com a Organização Mundial do Comércio (OMC) e ainda com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) também é um órgão internacional que determina regras e políticas internacionais para o processo educativo. Em 2016, ela lançou o ‘Glossário de terminologia curricular’ em língua portuguesa, que é uma obra que apresenta uma lista de termos técnicos voltada para a área da educação básica e da educação superior, trazendo significados e conceitos, bem como uma tabela de correspondência dos vocábulos em português e inglês. (Almeida, 2019) Mas e no currículo? No currículo uma das grandes influências teve a ver com as avaliações, que chegaram às escolas do Brasil sem nenhum tipo de adequação, visto que foram pensadas e elaboradas para o ensino nos países de primeiro mundo. Isto posto, é claro que a avaliação não tratava de questões que diziam respeito à realidade de cada escola, à comunidade na qual estava inserida e nem nos sujeitos que a frequentam, pelo menos não na maior parte dos casos. Essas avaliações não levavam em conta a infraestrutura das escolas brasileiras, a capacitação dos docentes ou os investimentos realizados, ou seja, não refletiam a realidade das escolas. Portanto, apenas por essas avaliações em larga escala não era possível ter resultados satisfatórios e conclusivos. No Brasil contemporâneo, as avaliações curriculares são realizadas pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb), que foi reestruturado em 2005 e passou a ser composto por 3 avaliações externas de larga escala. Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 5/14 Figura 1 - Estrutura do Saeb Fonte: Paraná, 2008, p. 1, como citado em Almeida, 2019, p. 66 O Saeb é formado por um conjunto de avaliações externas em larga escala, feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) de forma a obter um diagnóstico sobre a educação básica brasileira e identificar aqueles fatores que possam vir a interferir no desempenho dos alunos. Essas avaliações são aplicadas tanto nas escolaspúblicas quanto nas privadas, através de questionários que analisam o nível de aprendizado dos alunos. Seus resultados servem como norteadores da qualidade do ensino que vem sendo oferecido e do monitoramento e aprimoramento das políticas educacionais realizadas. (Sae Digital, 2022) É aplicado desde 1990 e vem passando por diversas alterações, embora os objetivos no novo Saeb permaneçam os mesmos, quais sejam: Construir uma cultura avaliativa, ao oferecer à sociedade, de forma transparente, informações sobre o processo de ensino-aprendizagem em cada escola, comparáveis em nível nacional, anualmente e com resultados em tempo hábil, para permitir intervenções pedagógicas de professores e demais integrantes da comunidade escolar. (Brasil, 2021, art. 3.º, I) Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 6/14 Saiba Mais Ficou interessado em conhecer um pouco mais sobre o SAEB? Acesse o seguinte endereço eletrônico: Ministério da Educação: Sistema de Avaliação da Educação Básica - Saeb. https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames- educacionais/saeb https://sae.digital/novo-saeb/ acessado em 04 de junho de 2022 https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/saeb https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/saeb https://sae.digital/novo-saeb/ https://player.vimeo.com/video/734146463 Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 7/14 A internacionalização dos Currículos Em 2001, foi criada a International Association for the Advancement of Currículum Studies (IAACS), que pode ser traduzida como Associação Internacional para o Avanço de Estudos Curriculares, que visava desenvolver um campo global de estudos sobre currículo para conseguir o diálogo acadêmico, dentro de fora das fronteiras dos países, para debater sobre conteúdo, contexto e processo na educação. Desde a criação, já foram realizadas reuniões trienais na China, na Finlândia, na África do Sul e no Brasil (neste, em 2012), da qual participaram pesquisadores de várias nacionalidades para discutir a internacionalização dos estudos dos currículos. Também ocorreu a criação de Colóquios Luso-Brasileiros de Questões Curriculares no intuito de difundir a ideia da internacionalização dos currículos e alguns estudiosos brasileiros vêm fazendo esse estudo. Saiba Mais Quer saber mais sobre a internacionalização do campo do currículo? Então leia os seguintes textos ou acesse os links. Moreira, Antonio Flávio Barbosa (2012). A internacionalização do campo do currículo. https://revistas.ufrj.br/index.php/rce/article/view/1666 acessado em 04 de junho de 2022 IAACS. https://www.iaacs.ca/ acessado em 04 de junho de 2022 V Colóquio LusoAfro-Brasileiro de Questões Curriculares. (2021) https://plataforma9.com/congressos/v-coloquio-luso-afro-brasileiro- de-questoes-curriculares-2021 acessado em 04 de junho de 2022 https://revistas.ufrj.br/index.php/rce/article/view/1666 https://www.iaacs.ca/ https://plataforma9.com/congressos/v-coloquio-luso-afro-brasileiro-de-questoes-curriculares-2021 https://plataforma9.com/congressos/v-coloquio-luso-afro-brasileiro-de-questoes-curriculares-2021 Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 8/14 Moreira (2012 como citado em Almeida, 2019) explica que a internacionalização: 1. aplica-se a práticas sociais que não procuram a homogeneização; 2. não está limitada ao simples movimento de levar teorias e práticas de um país para outro país; 3. desenvolve-se a longo prazo e exige uma disposição para ensinar e aprender com outros países; 4. causa mudanças na forma de pensar e nas atitudes das pessoas de forma a encontrar um ponto comum; 5. apresenta aspectos sociais, culturais, morais, éticos e políticos que perpassam o aspecto econômico; 6. ao se pensar as questões curriculares, as relações de poder estarão necessariamente envolvidas e deverão ser avaliadas; 7. tanto podem ser feitas tentativas de fomentá-la nas instituições ou com os indivíduos, como de analisar os seus resultados nas teorias, nas práticas e nas políticas educacionais. Portanto, entendemos que a internacionalização do currículo vai além de simplesmente juntar várias culturas, envolve pensar sobre a sua prática de forma conjunta, assim como considerar as trocas sobre como ensinar e aprender e favorecer uma mudança nos pensamentos e nas relações de poder. Em Resumo Vimos, ao longo desta aula, que muitos foram os legados passados pelos organismos internacionais e aprendemos também que a internacionalização dos currículos vai além de apenas juntar as várias culturas. É uma tentativa de pensar de forma conjunta, para possibilitar uma mudança de pensamento, postura e relações de poder. Cabe a nós agora refletirmos sobre os impactos dessas influências para a construção de nossa identidade curricular, e para tanto, continuaremos aprendendo. Espero por você no próximo Tema. Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 9/14 Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/734146668 Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 10/14 Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Brasil. (2021). Portaria Inep nº10 de 08 de janeiro de 2021. Publicado no Diário Oficial da União.https://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/3434/ portaria-inep-n-10#:~:text=Estabelece%20par%C3%A2metros%20e%20 fixa%20diretrizes,Revoga%3A%20N%C3%A3o%20revoga%20nenhuma%20 Legisla%C3%A7%C3%A3o. acessado em 05 de junho de 2022. Sae Digital. (2022). Novo Saeb - Ingresso para a Educação Superior. https://sae.digital/ novo-saeb/ acssado em 05 de junho de 2022 https://sae.digital/novo-saeb/ https://sae.digital/novo-saeb/ Modelos de Currículo: os currículos internacionais • 14/14 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes Influências de currículos internacionais na educação mundial PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 2 .2 Influências de currículos internacionais na educação mundial • 2/14 Objetivos de Aprendizagem • Conhecer as bases do currículo britânico • Apreender um pouco do currículo suíço. • Estudar o currículo australiano e suas características. Influências de currículos internacionais na educação mundial Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734146760 Influências de currículos internacionais na educação mundial • 3/14 Introdução Neste tema, apresentaremos alguns modelos de currículos internacionais que são utilizados por algumas escolas brasileiras, juntamente com o currículo nacional. Nessa relação, perceberemos que é possível trabalhar com ambos na escola. Muitas vezes, associar ideias de outros currículos, ainda que não sejam nacionais, pode enriquecer a forma como estruturamos o nosso, trazendo possibilidades inovadoras e uma nova maneira de olhar para as nossas necessidades. Alguns currículos internacionais são reconhecidos em muitos países do mundo, e justamente por isso são usados em conjunto com currículos nacionais, associando o que há de melhor neles com as necessidades de cada nação. Comecemos pelo currículo britânico. Modelo de Currículo de Origem Britânica O International Primary Currículum (IPC) é um currículo inglês que está presente em mais de 90 países e em 1800 escolas ao redor do mundo. Tem estrutura interdisciplinar e coloca o foco nas habilidades pessoais e acadêmicas, apresentando uma visão internacional. Nele, as aulas se organizam em unidades de 8 a 10 semanas e se estruturam dentro de uma única temática, pensada de forma a estimularos alunos e melhorar a sua performance em seu processo de aprendizagem. Esse método permite desenvolver uma maior autonomia do professor, de forma que ele possa organizar os diferentes campos do saber, escolhendo as melhores práticas para atingir seus objetivos educativos ao longo do curso. Muitos professores em todo o mundo compartilham ativamente materiais e recursos ligados ao IPC como links, vídeos, planos de aulas, entre outros, promovendo o desenvolvimento contínuo de melhorias no currículo. (Almeida, 2019) Influências de currículos internacionais na educação mundial • 4/14 O IPC oferece para as escolas: ● um processo preciso de ensino, e a filosofia e pedagogia do IPC; ● os objetivos de aprendizagem abrangem objetivos pessoais, internacionais e de cada matéria; ● as unidades de aprendizagem guiam o planejamento dos docentes e oferecem ideias para aplicar nas aulas; ● o ● o My-Fieldwork ajuda a planejar, compartilhar, fazer webinars e inserir recursos; processo de autoavaliação contém uma série de rubricas para que as escolas possam avaliar seus resultados com o IPC; ● o credenciamento (que é opcional) oficializa o uso do IPC; ● o programa completo de aprendizagem profissional do IPC: presencial, on-line e misto. (British Council). Saiba Mais O IPC transforma crianças de 5 a 11 anos de idade em aprendizes informados, com competências globais e mais preparados para o futuro. Por meio da pedagogia progressiva, da metacognição e das melhores práticas para a educação primária, o IPC atende às necessidades das crianças enquanto elas desenvolvem seus conhecimentos, suas habilidades e seus entendimentos. (Fieldwork Education) Para saber mais acesse: https://fieldworkeducation.com/curriculums/primary-years acessado em 04 de junho de 2022 https://fieldworkeducation.com/curriculums/primary-years Influências de currículos internacionais na educação mundial • 5/14 Modelo de Currículo de Origem Suíça O International Baccalaureate (IB) é uma fundação, que tem sede em Genebra, na Suíça e oferece 4 programas de educação: 1. Anos primários - para alunos de 3 a 12 anos; 2. Ensino médio - para alunos de 11 a 16 anos; 3. Carreiras - para alunos de 16 a 19 anos; e 4. Programa de Diploma - para alunos de 16 a 19 anos. Esses diferentes programas são oferecidos para várias escolas no mundo com o intuito de formar ‘cidadãos do mundo’, estimulando o pensamento crítico dos estudantes em sala de aula, inserindo a diversidade étnica e cultural. O currículo aplicado varia de escola para escola, porém, na maioria consta o ensino da língua nativa (no caso do Brasil, o português), o ensino de uma segunda língua (inglês, francês, espanhol), o ensino das ciências naturais (biologia), o ensino das ciências sociais (geografia), o ensino da matemática e o ensino da filosofia ou artes. https://player.vimeo.com/video/734146968 Influências de currículos internacionais na educação mundial • 6/14 O currículo do IB tem como metas desenvolver nos alunos uma mentalidade internacional, de forma a assimilarem as competências e habilidades que sejam suficientes para se tornarem críticos e comunicativos. Também é um programa que aumenta o aprendizado das diferentes línguas e culturas, assimilando ideias, assuntos e informações mundialmente importantes nesse contexto atual globalizado. (Almeida, 2019) Vale ressaltar que esse tipo de currículo vem sendo muito usado por diversas escolas no Brasil. Um dos motivos é o fato de preparar estudantes para estudar no exterior. O currículo IB foi criado em 1968, e atualmente é oferecido em quase 4 mil escolas em 140 diferentes países. No entanto, o processo para uma escola poder oferecer os programas da Fundação dura em média três anos, e existe para que todos os alunos matriculados em escolas IB possam ter o mesmo padrão de ensino em qualquer lugar do mundo. É uma forma de manter a qualidade do ensino. (Student Travel Bureau) Saiba Mais Para conhecer mais sobre o International Baccalaureate (IB) acesse os seguintes endereços eletrônicos: Bellani, Brenda. (2015) O que é International Baccalaureate (IB)? https:// www.hotcourses.com.br/study-abroad-info/applying-to-university/o- que-e-international-baccalaureate/#:~:text=O%20International%20 Baccalaureate%20(IB)%20%C3%A9,superior%20em%20uma%20 universidade%20internacional. acessado em 04 de junho de 2022 EF Academy. Por que escolher o IB? 10 motivos para estudar o IB Diploma no Ensino médio. https://www.ef.com.br/blog/efacademyblog/ por-que-escolher-o-ib-10-motivos-para-estudar-o-ib-diploma-no- ensino-medio/ acessado em 04 de junho de 2022 https://www.ef.com.br/blog/efacademyblog/por-que-escolher-o-ib-10-motivos-para-estudar-o-ib-diploma-no-ensino-medio/ https://www.ef.com.br/blog/efacademyblog/por-que-escolher-o-ib-10-motivos-para-estudar-o-ib-diploma-no-ensino-medio/ https://www.ef.com.br/blog/efacademyblog/por-que-escolher-o-ib-10-motivos-para-estudar-o-ib-diploma-no-ensino-medio/ Influências de currículos internacionais na educação mundial • 7/14 Modelo de Currículo de Origem Australiana Até o ano de 2008, cada Estado, na Austrália, era o responsável por definir a forma como suas políticas educacionais seriam desenvolvidas. Durante esse período, o Conselho Ministerial de Educação, Emprego, Treinamento e Assuntos da Juventude da Austrália, manteve-se preocupado com as diferenças em termos de currículos que eram ofertados pelas diferentes escolas. Passa, então, a entender que todas as crianças, independentemente de onde vivessem, tinham o direito de aprender os mesmos conteúdos escolares. A partir de 2008, atribuiu à Australian Curriculum, Assessment & Reporting Authority (Acara) a responsabilidade para que, em dez anos, elaborasse um currículo nacional. Em cerca de dois anos, a Acara elaborou propostas curriculares para as disciplinas de matemática, inglês, história e ciências dos ensinos fundamental e médio. O Centro de Referências em Educação Integral (2014, como citado em Almeida, 2019) detalha que esse currículo levou em consideração 8 diferentes áreas do conhecimento, inserindo as mais tradicionais e aquelas consideradas fundamentais para o desenvolvimento dos conhecimentos dos alunos além do contexto escolar. Também considerou demandas de outros setores da sociedade como o profissional e o ensino superior, de forma que a aprendizagem abrangesse conteúdos o mais próximos possível da realidade e do projeto de vida e das necessidades dos discentes. Dentre os conteúdos, consideram-se as habilidades de letramento, dos números, das tecnologias de informação e comunicação (TIC), do pensamento crítico, do pensamento criativo, e ainda as habilidades pessoais e sociais, bem como o conhecimento intercultural e sobre atitudes éticas. (Almeida, 2019) Influências de currículos internacionais na educação mundial • 8/14 Em Resumo Ao longo desta aula, pudemos conhecer o International Primary Currículum (IPC), modelo inglês, que tem estrutura interdisciplinar e coloca as habilidades pessoais e acadêmicas no foco dos estudos. Além dele, vimos o International Baccalaureate (IB), que é o modelo suiço, que procura formar ‘cidadãos do mundo’, com pensamento crítico, inseridos na diversidade étnica e cultural. E finalmente pudemos aprender um pouco sobre o Australian Curriculum, Assessment & Reporting Authority (Acara), currículo australiano, que considera que todas as crianças, independentemente de sua origem, têm o direito de aprender os mesmos conteúdos escolares. Com todos esses exemplos de modelos curriculares que são encontrados em escolas particulares do Brasil, pudemos constatar como o currículo sofre influências externas até os dias atuais, e pudemos verificar que é possível inserir em nossas práticas os conhecimentos advindos do exterior, associando- os aos nossos. Saiba Mais Para saber mais sobre o Australian Curriculum, Assessment & Reporting Authority, acesse: Acara: https://www.acara.edu.au/ acessado em 05 de junhode 2022 National Assessment Program: https://www.nap.edu.au/about/about- acara acessado em 05 de junho de 2022 https://www.acara.edu.au/ https://www.nap.edu.au/about/about-acara https://www.nap.edu.au/about/about-acara Influências de currículos internacionais na educação mundial • 9/14 Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/734147262 Influências de currículos internacionais na educação mundial • 10/14 Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. British Council. Fieldwork Education: International Primary Curriculum (IPC). https:// americas.britishcouncil.org/pt/produtos/desenvolvimento-de-grade-curricular/ fieldwork-education-international-primary-curriculum acessado em 05 de junho de 2022 Student Travel Bureau. https://www.stb.com.br/intercambio/high-school-curriculo- suica acessado em 05 de junho de 2022 https://americas.britishcouncil.org/pt/produtos/desenvolvimento-de-grade-curricular/fieldwork-education-international-primary-curriculum https://americas.britishcouncil.org/pt/produtos/desenvolvimento-de-grade-curricular/fieldwork-education-international-primary-curriculum https://americas.britishcouncil.org/pt/produtos/desenvolvimento-de-grade-curricular/fieldwork-education-international-primary-curriculum https://www.stb.com.br/intercambio/high-school-curriculo-suica https://www.stb.com.br/intercambio/high-school-curriculo-suica Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes As influências e bases do currículo brasileiro PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 2 .3 As influências e bases do currículo brasileiro • 2/16 Objetivos de Aprendizagem • Estudar os aspectos iniciais da elaboração dos currículos no Brasil; • Conhecer a origem dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) e suas bases; • Estudar a origem das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (DCN) e suas bases; • Conhecer o Plano Nacional de Educação (PNE) e suas bases. As influências e bases do currículo brasileiro Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734147389 As influências e bases do currículo brasileiro • 3/16 Introdução Ao longo das últimas aulas, foi possível perceber como o currículo brasileiro sofre influência das diversas culturas estrangeiras, que inserem no país um pouco da forma de ensinar de seus países. Ao falar em um currículo nacional, é necessário fazermos uma ligação com a legislação. Devemos considerar a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), lei de nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996, e o Plano Nacional de Educação (PNE), lei nº 13.005 de 25 de junho de 2014. Essas legislações determinam que cabe ao Governo Federal estabelecer os conteúdos que deverão ser ensinados na educação básica do Brasil, tanto para escolas públicas, como para escolas privadas. Aspectos iniciais da elaboração dos currículos no Brasil No Brasil, os Estados e os Municípios eram os responsáveis por determinar o currículo que deveria ser usado nas escolas públicas, até pouco tempo atrás. Por outro lado, no caso das escolas privadas, cada uma delas determinava o seu currículo usando como base algum livro didático ou material apostilado, muitas vezes de desenvolvimento próprio. Levando esse contexto em consideração, dá para compreender, em certa medida, porque há no país tantos tipos ou modelos de currículos. Esses programas de estudo muitas vezes estão baseados em algum livro didático ou em materiais apostilados, fato que não nos garante que os estudantes da região Nordeste do país estejam aprendendo o mesmo conteúdo e da mesma forma que o ministrado na região Sul. Portanto, a definição de quais conteúdos devem ser ministrados e o que se deseja que o aluno assimile ao final de cada disciplina sofre influência de diferentes referenciais. Entende-se, aqui, que o currículo é o caminho que deve ser seguido pela escola, considerando o tempo, a organização e o planejamento, fatores que nos fazem refletir sobre onde estávamos e para onde queremos ir. As influências e bases do currículo brasileiro • 4/16 O currículo deve, então, estar conectado à cultura, às vivências, às necessidades escolares dos alunos, partindo de sua realidade, para que faça sentido e que gere uma verdadeira aprendizagem significativa, caso contrário, perde o sentido. Afinal, quando aprendemos algo que conhecemos, que gostamos, que queremos aprender, que faz parte de nosso dia a dia, a aprendizagem acontece de forma mais agradável, não é verdade? Saiba Mais Para conhecer mais sobre a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e o Plano Nacional de Educação acesse os seguintes links: Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. (2020) 2020https:// www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/572694/Lei_diretrizes_ bases_4ed.pdf?sequence=1&isAllowed=y acessado em 05 de junho de 2022 Plano Nacional de Educação. https://pne.mec.gov.br/ acessado em 05 de junho de 2022 Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) Para conhecer mais sobre os aspectos do currículo nacional, é necessário ir além, perpassar a LDB e conhecer, por exemplo, os Parâmetros Curriculares Nacionais, de 1997, que são as diretrizes, elaboradas pelo Governo Federal, que norteiam os educadores no que se refere aos currículos escolares. Eles dizem respeito tanto às escolas públicas quanto às particulares, de acordo com o nível de escolaridade dos alunos. Tem como grande objetivo possibilitar que os alunos possam assimilar os conhecimentos necessários ao exercício da cidadania. http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/572694/Lei_diretrizes_bases_4ed.pdf?sequence=1&isAllowed=y http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/572694/Lei_diretrizes_bases_4ed.pdf?sequence=1&isAllowed=y http://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/572694/Lei_diretrizes_bases_4ed.pdf?sequence=1&isAllowed=y https://pne.mec.gov.br/ As influências e bases do currículo brasileiro • 5/16 Em seu texto, constam como objetivos entender a cidadania como a participação política e social do educando, e ainda como a execução de direitos e deveres políticos, civis e sociais de forma que consiga agir em seu dia a dia com solidariedade para com o próximo, cooperação e com repúdio às injustiças, respeitando e exigindo respeito do outro. Os PCNs determinam que os currículos e os conteúdos a serem ministrados devem ser usados como práticas docentes que encaminhem os alunos ao aprendizado. A reflexão de como se darão essas práticas deve ocorrer por meio de reuniões com todos os profissionais da escola, como direção, coordenação, orientação, psicólogos, psicopedagogos, docentes e demais representantes que estão conectados à instituição e às salas de aula. (Almeida, 2019) Ocorre é que muitas vezes os docentes desconhecem a proposta pedagógica da escola. Esse desconhecimento faz com que eles não consigam refletir muito bem sobre o seu próprio trabalho, visto que para isso precisam conhecer o tipo de educação que aquela instituição se propõe a oferecer, quais princípios precisam trabalhar e quais os objetivos que precisam ser atingidos. Vale ressaltar que os PCNs não são obrigatórios. São propostas nas quais as Secretarias e as escolas se baseiam para desenvolver seus planos de ensino, estando articulados com os propósitos do Plano Nacional de Educação (PNE) e do Ministério da Educação (MEC). Estão divididos em vários segmentos como os relativos ao ensino do 1º ao 5º ano, do 6º ao 9º ano, do ensino médio, da língua portuguesa, da matemática, das ciências naturais, da geografia, da história, da arte, da educaçãofísica e da língua estrangeira e uma das maiores inovações é a orientação para o estudo dos temas transversais como ética, pluralidade cultural, meio ambiente, saúde, trabalho e consumo e orientação sexual. Os PCNs funcionaram como referências para a renovação da proposta curricular das escolas até a definição das Diretrizes Curriculares Nacionais. (Menezes, 2001) As influências e bases do currículo brasileiro • 6/16 Saiba Mais Para conhecer um pouco mais sobre a organização e características dos Parâmetros Curriculares Nacionais acesse os seguintes links: PCN - Parâmetros Curriculares Nacionais: documento completo, atualizado e interativo. https://www.cpt.com.br/pcn/pcn-parametros- curriculares-nacionais-documento-completo-atual izado-e- interativo#:~:text=Os%20PCNs%20%2D%20Par%C3%A2metros%20 Curriculares%20Nacionais,fundamentais%20concernentes%20 a%20cada%20discipl ina&text=Os%20PCNs%20servem%20 como%20norteadores,adapt%C3%A1%2Dlos%20%C3%A0s%20 peculiaridades%20locais. acessado em 5 de junho de 2022 Dicionário Interativo da Educação Brasileira. https://www.educabrasil. com.br/pcns-parametros-curriculares-nacionais/ acessado em 5 de junho de 2022 Parâmetros Curriculares Nacionais. MEC. (1997). http://portal.mec.gov. br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf acessado em 5 de junho de 2022 https://www.educabrasil.com.br/pcns-parametros-curriculares-nacionais/ https://www.educabrasil.com.br/pcns-parametros-curriculares-nacionais/ http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro01.pdf As influências e bases do currículo brasileiro • 7/16 As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (DCN) As DCNs, de caráter obrigatório, têm origem na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, e foram criadas, em 2013, para determinar as normas e as orientações para a elaboração dos planejamentos curriculares da educação básica das instituições de ensino do Brasil. São debatidas e fixadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), e continuam valendo mesmo depois da elaboração da Base Nacional Comum Curricular, porque são documentos que se complementam. As Diretrizes são a estrutura e a Base é o detalhamento dos conteúdos e competências. (Almeida, 2019) Seu intuito é desenvolver a aprendizagem com equidade, garantindo que todos os alunos tenham acesso aos conteúdos básicos sem deixar de considerar os contextos nos quais estão inseridos. As DCNs se diferenciam dos PCNs por serem leis, estabelecendo as metas e os objetivos que devem ser alcançados em cada curso. Os PCNs, por outro lado, são considerados apenas referências curriculares, mas não leis. (Menezes, 2001) https://player.vimeo.com/video/734147696 As influências e bases do currículo brasileiro • 8/16 Saiba Mais Para saber mais sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica acesse os seguintes links: Dicionário Interativo da Educação Brasileira. https://www.educabrasil. com.br/dcns-diretrizes-curriculares-nacionais/ acessado em 05 de junho de 2022 Resolução nº 3, de 21 de novembro de 2018. Atualiza as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio. https://www.in.gov.br/ materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/51281622 acessado em 05 de junho de 2022 Novo ensino médio: https://wakke.co/novo-ensino-medio-termos- dcnem/ acessado em 05 de junho de 2022 Conforme o Ministério da Educação, são diretrizes que procuram estabelecer as bases comuns para a Educação Infantil, para o Ensino Fundamental e para o Ensino Médio, assim como para as modalidades com as quais podem se apresentar, favorecendo a integração curricular das três etapas de formação. Todos esses documentos sofreram alterações, principalmente em função do Plano Nacional de Educação (PNE) e continuarão sofrendo, à medida que novas necessidades surjam e que sejam necessários ajustes. https://www.educabrasil.com.br/dcns-diretrizes-curriculares-nacionais/ https://www.educabrasil.com.br/dcns-diretrizes-curriculares-nacionais/ https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/51281622 https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/51281622 https://wakke.co/novo-ensino-medio-termos-dcnem/ https://wakke.co/novo-ensino-medio-termos-dcnem/ As influências e bases do currículo brasileiro • 9/16 O Plano Nacional de Educação (PNE) O PNE, elaborado em 2014, determina as diretrizes, metas e estratégias para as políticas educacionais a serem implementadas em 10 anos (de 2014 a 2024), incluindo: 1. no primeiro grupo, metas que garantam o direito à educação básica de qualidade, a universalização do ensino obrigatório, e o aumento das oportunidades de estudo; 2. no segundo grupo, metas que focam a redução das desigualdades e a ampliação da diversidade, de forma a alcançar a equidade; 3. no terceiro grupo, metas que visam a valorização do profissional da área de educação, fundamental para que as demais metas sejam cumpridas; e 4. no quarto grupo, as metas para o ensino superior. Em suas metas 2, 3, 7 e 15, o PNE marca a necessidade de estabelecer uma base comum para os novos currículos, determinando os conhecimentos a serem desenvolvidos na educação básica. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) está baseada na meta 7, especificamente, que diz que é necessário difundir a qualidade da educação básica oferecida aos alunos, em todas as suas etapas e modos, para alcançar as médias nacionais do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, o Ideb. As influências e bases do currículo brasileiro • 10/16 Figura 1 - Médias do Ideb Fonte: Brasil, 2014 como citado em Almeida, 2019, p. 75 Vale relembrar que o Ideb é um Índice criado em 2007 pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para mensurar a qualidade do aprendizado do Brasil e estabelecer o que deve ser feito de forma a melhorar os índices. Ele é calculado com base na taxa de rendimento escolar (aprovação) e nas médias dos exames aplicados pelo Inep. Saiba Mais Para conhecer um pouco mais sobre o Plano Nacional de Educação acesse o seguinte link: Plano Nacional de Educação em Movimento. https://pne.mec.gov.br/ acessado em 05 de junho de 2022 https://pne.mec.gov.br/ As influências e bases do currículo brasileiro • 11/16 Em Resumo Conhecemos, ao longo desta aula, sobre as legislações que amparam a organização do currículo brasileiro. Aprendemos que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) e o Plano Nacional de Educação (PNE), determinam que cabe ao Governo Federal estabelecer os conteúdos que deverão ser ensinados na educação básica do Brasil. Conhecemos também os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) que procuram possibilitar que os alunos possam assimilar os conhecimentos necessários ao exercício da cidadania. Estudamos as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (DCN) que estabelecem as metas e os objetivos que devem ser alcançados em cada curso. Finalmente conhecemos O Plano Nacional de Educação (PNE) que determina as diretrizes, metas e estratégias para as políticas educacionais a serem implementadas de 2014 até o ano de 2024. Agora, falta conhecer mais sobre as características da BNCC. As influências e bases do currículo brasileiro • 12/16 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Menezes, Ebenezer Takuno de. (2001). Verbete DCNs (Diretrizes Curriculares Nacionais). Dicionário Interativo da Educação Brasileira - EducaBrasil. São Paulo: Midiamix Editora, 2001. Disponível em <https://www.educabrasil.com.br/dcns- diretrizes-curriculares-nacionais/>. Acessado em 07 de junho de 2022 https://player.vimeo.com/video/734147920 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes A Base Nacional ComumCurricular (BNCC) PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 2 .4 A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • 2/15 Objetivos de Aprendizagem • Estudar os marcos legais que embasam a BNCC. • Conhecer as bases pedagógicas da BNCC. • Compreender como se estrutura a BNCC. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734132851 A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • 3/15 Introdução A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a famosa LDB, determina que a Base, advinda do Ministério da Educação (MEC), é o documento que deve guiar os currículos das redes de ensino dos Estados, assim como deve nortear as propostas pedagógicas das escolas tanto públicas, quanto privadas, que oferecem Educação Básica, ou seja, a educação infantil, o ensino fundamental e ainda o ensino médio no país. De acordo com o que o MEC estabelece, é um documento de caráter normativo que define o conjunto de aprendizagens (conhecimentos, competências e habilidades) que são essenciais para que todos os alunos desenvolvam ao longo das diferentes etapas e modalidades da Educação Básica. (Machado & Soares, 2020) A BNCC está embasada pelos princípios éticos, políticos e estéticos definidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN), e visa direcionar a educação brasileira para uma formação integral que favoreça a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva, e por esses motivos é essencial conhecê-la. (Ministério da Educação) Os marcos legais que embasam a BNCC Vamos conhecer um pouco sobre a origem e a trajetória da BNCC. A Constituição Federal de 1988, no artigo nº 25, reconhece a educação como sendo um direito fundamental a ser compartilhado entre o Estado, a família e a sociedade, e no seu artigo nº 210 defende a necessidade de que se fixem os conteúdos mínimos para o ensino fundamental para garantir uma formação básica comum a todos e o respeito aos valores culturais e artísticos nacionais e regionais. (Constituição Federal, 1988) Tendo como base essas determinações constitucionais, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), aprovada em 1996, em seu inciso IV do artigo nº 9 afirma que é a União quem deve estabelecer, juntamente com os Estados, com o Distrito Federal e com os Municípios as competências e as diretrizes para que se desenvolva a educação básica comum no Brasil. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • 4/15 No mesmo artigo, a LDB esclarece dois conceitos fundantes da BNCC. Um deles define a relação entre o que é básico-comum e o que é diverso no que tange ao currículo. As competências e diretrizes são comuns, já os currículos são diversos. O outro conceito base da BNCC diz respeito ao foco do currículo. Determina que os seus conteúdos estão a serviço do desenvolvimento das competências. Sendo os currículos contextualizados, conforme a realidade na qual estão inseridos, e conforme o perfil de seu alunado, formam o norte das diretrizes traçadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), na década de 1990. Em 2013, o CNE promulgou novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) que ampliaram a contextualização do currículo incluindo a valorização das diferenças e o atendimento à pluralidade e diversidade cultural, respeitando as diversas manifestações de cada comunidade. Em 2014, a Lei nº 13.005 promulgou o Plano Nacional de Educação (PNE) que reforça a necessidade de ter uma base nacional comum curricular para o país, de forma a desenvolver uma aprendizagem que possa proporcionar qualidade na Educação Básica, em todas as modalidades, referindo-se aos direitos e objetivos de aprendizagem como finalidades da educação. Porém, em 2017, a legislação brasileira passa a usar duas novas nomenclaturas para as finalidades da educação, que são competências e habilidades. (Ministério da Educação) A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • 5/15 As bases pedagógicas da BNCC O conceito de competência definido pela BNCC solidifica o debate pedagógico e social das últimas décadas e pode ser inferido no texto da LDB. Ele enfatiza que os alunos devem ‘saber’, ou seja, devem assimilar conhecimentos, habilidades, valores e atitudes, mas também enfatiza que eles devem ‘saber fazer’ ou seja, precisam usar esses conhecimentos, habilidades, valores e atitudes para resolver questões que surgem em suas vidas, ao exercerem a cidadania. Quando se fala em educação integral, o que se busca é aquela visão inovadora e inclusiva no processo de assimilação de conhecimentos sobre o que aprender, para que aprender, como ensinar, como fomentar a aprendizagem colaborativa e como avaliar o aprendizado que está sendo executado. Não basta apenas saber se comunicar, ser criativo, estar aberto ao novo, ser colaborativo, ser resiliente, ser produtivo, etc., é preciso que se desenvolvam competências que levem o educando a ‘aprender a aprender’, a saber usar a informação que a cada dia está mais disponível, a agir com discernimento e com responsabilidade nas mídias digitais, a usar os conhecimentos adquiridos para resolver problemas, a ter autonomia e ser proativo, e a saber conviver e aprender com as diferenças e com as diversidades. https://player.vimeo.com/video/734133095 A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • 6/15 Independente da duração do período escolar, a ideia de educação integral diz respeito ao aprendizado voltado para as necessidades e interesses do alunado e para os desafios que a sociedade moderna impõe. Saiba Mais Para saber mais sobre a BNCC leia os seguintes textos. 1. BNCC. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ acessado em 05 de junho de 2022 2. Portabilis. BNCC: um resumo das mudanças trazidas pela Base Nacional Comum Curricular em 2020 https://blog.portabilis.com. br/mudancas-da-bncc-2020/ acessado em 05 de junho de 2022 A Estrutura da BNCC A BNCC está estruturada da seguinte forma: ● Textos introdutórios: divididos em geral, por etapa e por área; ● Competências gerais: aquelas que os discentes devem desenvolver ao longo de toda a Educação Básica; ● Competências específicas: cada área do conhecimento e cada componente curricular apresenta conteúdos próprios; e ● Direitos de aprendizagem e desenvolvimento: aqueles que os estudantes adquirem dos diferentes objetos de conhecimento aos quais têm acesso no processo de aprendizagem, como conteúdos, conceitos e processos http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ https://blog.portabilis.com.br/mudancas-da-bncc-2020/ https://blog.portabilis.com.br/mudancas-da-bncc-2020/ A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • 7/15 Figura 1 - Estrutura da BNCC Fonte: Ministério da Educação A BNCC possui uma sequência de aprendizagem que se identifica por um código: Figura 2 - Código de sequenciamento da aprendizagem Fonte: Ministério da Educação A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • 8/15 No caso do Ensino Médio, o primeiro número da última sequência indica a qual competência específica se refere a habilidade. Por exemplo: EM13LGG402, significa uma habilidade da etapa do Ensino Médio para o 1º ao 3º ano, inserido na área de linguagens, e relacionada com a competência 4 da 2ª habilidade apresentada. (Ministério da Educação) No caso do Ensino Infantil, os currículos precisam ser elaborados conforme os 6 direitos de aprendizagem e desenvolvimento que são: o conviver, o brincar, o participar, o explorar, o expressar e o conhecer-se. Além de considerar os 5 campos de experiências que são: ‘o eu, o outro e nós’, ‘o corpo, os gestos e os movimentos’, ‘os traços, os sons, as cores e as formas’, ‘a escuta, a fala, o pensamento e a imaginação’, e ‘os espaços, os tempos, as quantidades, as relações e as transformações’. Vale ressaltar que em cada campo de experiências sedefinem os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. No ensino fundamental, os componentes curriculares dividem-se em anos iniciais e anos finais. Há 5 áreas do conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e ensino religioso. No ensino médio, última etapa a ser homologada, em dezembro de 2018, as áreas de conhecimento foram divididas em: ‘as linguagens e suas tecnologias’, ‘a matemática e suas tecnologias’, ‘as ciências da natureza e as suas tecnologias’, e ainda ‘as ciências humanas e sociais aplicadas’. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • 9/15 Em Resumo Aprendemos, ao longo desta aula, que a BNCC é um documento de caráter normativo que define os conhecimentos, as competências e as habilidades que são essenciais para todos os alunos ao longo da Educação Básica. Estudamos que dentre os marcos legais da BNCC estão a Constituição Federal de 1988, a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) e o Plano Nacional de Educação (PNE), já estudados em aulas anteriores. Aprendemos ainda que dentre as bases pedagógicas estão a educação integral, e a necessidade de os alunos não apenas assimilarem conhecimentos, habilidades, valores e atitudes, mas também ‘saberem fazer’, ou seja, precisam usar esses conhecimentos, habilidades, valores e atitudes para resolver questões que surgem em suas vidas, ao exercerem a cidadania. E finalmente conhecemos um pouco da estrutura formal da BNCC. A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • 10/15 Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/734133396 A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) • 11/15 Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Constituição da República Federativa do Brasil. (2006). Promulgada em 5 de outubro de 1988. São Paulo: Saraiva. Machado, Dinamara Pereira & Soares, Kátia Regina Dambiski. (2020). Currículo e sociedade. [livro eletrônico]. Curitiba: Contentus. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. http://basenacionalcomum. mec.gov.br/ acessado em 06 de junho de 2022 http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 2 .5 As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos • 2/14 Objetivos de Aprendizagem • Compreender a influência da BNCC no currículo; • Estudar a importância do currículo no processo de ensino e aprendizagem; • Conhecer as tendências atuais. As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734133498 As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos • 3/14 Introdução Nas últimas aulas, estivemos conhecendo um pouco da estrutura do Currículo no Brasil e suas bases de sustentação, bem como os caminhos percorridos para que se transformasse no que representa atualmente, sendo estruturado de forma ativa e significativa. O currículo é uma ferramenta muito relevante para promover a transformação dos sujeitos ao longo de seu amadurecimento, enquanto passam por seu processo de ensino e aprendizagem. Relembrando o conceito de currículo, ele não pode ser entendido como um elemento inocente e neutro na transmissão desinteressada de conhecimentos, ao contrário, aborda diversas relações de poder, transmite diversas visões sociais, produz identidades individuais e identidades sociais. O currículo não está parado no tempo, tem uma história, e vai se transformando e aprimorando ao longo dos anos, conforme as novas necessidades que vão surgindo. (Moreira & Silva, 1995, como citado em Almeida, 2019) Vamos aprender agora sobre como a BNCC se vincula aos currículos antes de irmos adiante. A BNCC e os currículos A BNCC e os currículos, juntos, definem que a educação tem um imenso compromisso com o desenvolvimento dos seres humanos, no que tange à sua formação intelectual, física, afetiva, social, ética, moral e simbólica, com funções complementares, conforme a região, levando em consideração a autonomia das redes de ensino e escolas, e ainda o contexto e as características dos estudantes. Esse processo também precisa envolver as famílias e a comunidade. São ações voltadas para: 1. contextualizar os conteúdos das disciplinas, apresentando-os e exemplificando- os, de forma que se tornem significativos, conforme o local e o tempo nos quais ocorrem as aprendizagens; 2. decidir como os componentes curriculares serão organizados de forma interdisciplinar, fortalecendo as competências das equipes das escolas, adotando estratégias mais dinâmicas, mais interativas e mais colaborativas no que diz respeito à gestão do processo de ensino; As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos • 4/14 3. selecionar e colocar em prática metodologias diversificadas, respeitando os diferentes ritmos de aprendizagem e inserindo conteúdos complementares, se forem necessários, de forma a atingir as diferentes necessidades dos alunos, famílias e cultura; 4. criar e colocar em prática situações diversas que motivem e engajem os estudantes em suas aprendizagens; 5. gerar e pôr em prática procedimentos de avaliação formativa que levem em consideração os diferentes contextos e condições de aprendizagem, de forma a melhorar o desempenho da escola, docentes e estudantes; 6. escolher, produzir, colocar em prática e avaliar os recursos didáticos bem como tecnológicos que dão suporte ao processo de ensino e aprendizagem; 7. gerar e disponibilizar materiais que orientem os docentes, assim como oferecer formação permanente, para que possam se aperfeiçoar continuamente no que se refere às inovações que forem surgindo nos processos de ensino-aprendizagem; 8. oferecer aprendizagem contínua sobre gestão pedagógica e curricular para os demais membros das escolas e do sistema de ensino. Vale ressaltar que todas essas decisões precisam ser levadas em conta no momento de organizar os currículos e as propostas educativas. O objetivo é que as propostas sejam adequadas para as diversas modalidades de ensino, quais sejam, a educação especial, a educação de jovens e adultos, a educação do campo, a educação escolar dos índios, a educação escolar dos quilombolas, e ainda a educação a distância, sempre respeitando as orientações das Diretrizes Curriculares Nacionais. (Ministério da Educação) Ao falar em educação escolar indígena, por exemplo, competências específicas, voltadas para a coletividade, reciprocidade, espiritualidade, dentre outras, devem ser levadas em consideração e desenvolvidas tendo como base suas culturas tradicionais. Também é fundamental, ao pensar nas bases curriculares, levar em conta as experiências existentes, visto que nas duas últimas décadas, mais da metade dos Estados e vários Municípios vêm elaborando suas propostas em seus respectivos sistemas de ensino, respeitando as especificidades das diferentes modalidades de ensino. As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos • 5/14 Várias escolas, ao longo do tempo, também adquiriram experiência na elaboração de materiais de apoio ao currículo, experiências essas que devem ser consideradas, visto que podem contribuir para mostrar erros e acertos, e dessa forma incorporar as práticas que deram bons resultados. A BNCC determina que os sistemas de ensino, bem como as instituições, incorporem em seus currículos e propostas pedagógicas o ensino de temas contemporâneos tais como: os direitosda criança e do adolescente, a educação para o trânsito, a educação ambiental, a educação alimentar e nutricional, informações sobre o processo de envelhecimento, o respeito e a valorização das pessoas idosas, a educação sobre direitos humanos, a educação das relações étnico-raciais e o ensino da história e da cultura afro-brasileira, africana e indígena, e ainda informações sobre saúde, vida familiar e social, a educação para o consumo, educação financeira e fiscal, sobre o trabalho, sobre a ciência e as tecnologias, sem esquecer da diversidade cultural. (Ministério da Educação) As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos • 6/14 Saiba Mais Já conhecemos em aulas anteriores um pouco da base da BNCC, agora estamos conhecendo um pouco de seu arcabouço teórico e de suas propostas para a educação brasileira, sendo assim, caso queira adquirir ainda mais informações, acesse os seguintes links. Filipe, F. A., Silva, D. dos S., Costa, A. de C. (2021) Uma base comum na escola: análise do projeto educativo da Base Nacional Comum Curricular. https://www.scielo.br/j/ensaio/a/PbZbjrWHzzQ3Yt4LBFzK6NF/ acessado em 05 de junho de 2022 Souza, M. B. D. de. (2020) Contribuições da BNCC para a educação infantil: perspectivas de ensino-aprendizagem na pré-escola https://www.nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/contribuicoes- da-bncc acessado em 05 de junho de 2022 Sae digital. O que muda com a BNCC? Conheça as mudanças que a Base traz para professores e gestores. https://sae.digital/o-que-muda- com-a-bncc/ acessado em 05 de junho de 2022 https://www.scielo.br/j/ensaio/a/PbZbjrWHzzQ3Yt4LBFzK6NF/ https://www.nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/contribuicoes-da-bncc https://www.nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/contribuicoes-da-bncc https://www.nucleodoconhecimento.com.br/pedagogia/contribuicoes-da-bncc https://sae.digital/o-que-muda-com-a-bncc/ https://sae.digital/o-que-muda-com-a-bncc/ As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos • 7/14 O Currículo no processo de ensino e aprendizagem Vamos relembrar que o currículo é uma produção cultural que perpassa a transmissão de simples saberes, por isso é fundamental que conheçamos o seu papel social. É por meio do currículo que os estudantes têm acesso a todo o conhecimento que foi sendo historicamente construído. Dessa forma será possível que compreendam o que já ocorreu, o hoje e que vislumbrem o que pode vir a ocorrer no tempo futuro. Para cumprir com seu papel social, o de transformação dos sujeitos e da sociedade, é essencial que o currículo seja pensado e desenvolvido seguindo princípios bem consolidados, com objetivos bem claros, que se articulem com todas as práticas dos estudantes, visando uma educação deveras significativa. Não podemos perder nunca de vista que o Brasil é um país com um território imenso, com uma população grandiosa, com regiões distantes e extremamente diferentes, a ponto de que poderíamos inclusive pensar que há 5 países dentro de um, pela quantidade de contrastes existentes nos Estados, isso sem contar nas diversas características da população, originária de diferentes lugares do mundo. https://player.vimeo.com/video/734133672 As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos • 8/14 Temos, assim, a certeza de que em cada região, ou Estado, ou Município podemos encontrar diversos perfis de alunos e diferentes culturas, o que reflete em diferentes necessidades. Portanto, é fundamental que cada escola, com suas especificidades, articule, determine, desenvolva, o seu currículo conforme seu contexto, cultural, político, econômico, social e educacional, porém, levando em consideração os preceitos da BNCC. (Almeida, 2019) Tendências atuais Ao longo de todo o estudo e reflexões que fizemos até agora acerca do currículo, foi possível compreendermos que o que se pretende, atualmente, sem sombra de dúvidas, é formar estudantes que sejam críticos, autônomos e que se posicionem como protagonistas de seu aprendizado, estando instrumentalizados e que sejam capazes de realizar múltiplas leituras e intervir na sua realidade. Para tal feito, é importante que haja um esforço conjunto dos sistemas de educação, docentes e escolas. Vale ressaltar, no que se refere aos professores, que a sua grande maioria está formada em cursos cujas dicotomias entre teoria e prática, e ensino e pesquisa são muito marcantes, e portanto, uma boa quantidade deles sente grande dificuldade de refletir, confrontar e reformular as suas formas de ensinar. Para eles, tem sido muito complexa a tarefa de transformar suas práticas curriculares e pedagógicas. Não se trata, aqui, de culpar o professor, ou de colocá-lo na posição de vítima. Porém, não podemos ignorar essas dificuldades, nem ignorar que na sua realidade atual os currículos, de maneira geral, sempre foram lineares, os espaços e tempos de suas aulas e rotinas sempre foram rígidos, que existe a escassez de recursos na maior parte das escolas do Brasil, principalmente nas públicas, que existe uma desarticulação entre os colegas de trabalho e o trabalho em equipe, bem como nas relações entre docentes e gestão escolar, sem contar no uso de instrumentos de avaliação pra lá de tradicionais. No entanto, é importante perceber que existe um interesse e uma luta por parte dos docentes para superar todas essas dificuldades, no afã de assumir as novas demandas sociais que as escolas impõem, assimilar as novas características e desempenhar um novo papel. As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos • 9/14 É essencial que os sistemas de ensino e os docentes pesquisem e pensem sobre as suas próprias práticas curriculares e pedagógicas visando sua transformação. Então, o docente deve colocar-se na posição de professor reflexivo, observando na sua prática cotidiana os fatores necessários para romper com a linearidade e fragmentação dos currículos, bem como com as práticas pedagógicas que ainda estão em andamento. (Ranghetti & Gesser, 2009) Em Resumo Aprendemos, nesta aula, sobre a importância da BNCC na articulação dos conteúdos que devem ser inseridos nos currículos do Brasil. Ficou claro que há um imenso compromisso com o desenvolvimento da formação intelectual, física, afetiva, social, ética, moral e simbólica, dos alunos. Vimos que o Brasil é um país imenso, com uma população igualmente imensa, com regiões distantes e extremamente diferentes, e tudo isso deve ser levado em consideração no momento de organizar os conteúdos que precisam ser ministrados em cada um desses locais. Também estudamos que é preciso que os sistemas de ensino e os docentes pesquisem e pensem sobre as suas próprias práticas curriculares e pedagógicas visando sua transformação, adequando-se às novas necessidades, ao perfil dos estudantes e às especificidades de cada região. Aplicação na Prática Procure pesquisar sobre como ocorreu ou está ocorrendo a implementação da BNCC na escola onde trabalha, ou onde seu filho, sobrinho ou algum estudante conhecido estuda. Reflita sobre como era e o que mudou. As práticas vigentes e as tendências atuais dos currículos • 10/14 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. http://basenacionalcomum. mec.gov.br/ acessado em 06 de junho de 2022 Ranghetti, Diva Spezia, & Gesser, Verônica. (2009). Centro Universitário Leonardo da Vinci. Indaial: Grupo Uniasselvi. http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ http://basenacionalcomum.mec.gov.br/ https://player.vimeo.com/video/734133872 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes Técnica e tecnologia PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E DU 50 0 - 3 .1 Técnica e tecnologia • 2/15 Objetivos de Aprendizagem • Conhecer a origem das técnicas e tecnologias com a origem da civilização. • Compreender a diferença entre os termos técnica e tecnologia. • Entender qual o vínculo existente entre tecnologia, educação e currículo. Técnica e tecnologia Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734133941 Técnica e tecnologia • 3/15 Introdução ‘Sociedade da Informação e do Conhecimento’, ‘Tecnologias da Informação e Comunicação’ (TIC), ‘Tecnologias Digitais’, ‘Aprendizagem’, ‘Currículo’, ‘Práticas Pedagógicas’, e tantas outras… Como juntar todas essas expressões no pensar sobre a educação contemporânea? Qual a relevância das tecnologias da informação para o processo de ensino e aprendizagem moderno? Será que essa inserção alterou a forma de ‘fazer’ educação? Conhecemos as respostas a essas perguntas, visto que as tecnologias, quando articuladas ao currículo escolar levam consigo a promessa de transformações significativas e positivas, superando a forma de ensino tradicional, no qual docentes são os transmissores únicos da informação, o centro do ‘fazer educação’ e os discentes são sujeitos passivos, recebedores desse saber pronto e expositivo. Com essa relação a aprendizagem ganha outra roupagem, vislumbra outras possibilidades e a prática pedagógica se transforma em fomentadora de conhecimentos significativos. (Tezani, 2017) Reforçaremos a ideia de que as tecnologias digitais nos auxiliam, atualmente, a transformar o processo pedagógico em algo mais dinâmico e proveitoso. A origem da civilização e das técnicas e tecnologias Em tempos remotos, para garantir a sua sobrevivência, os seres humanos usavam a astúcia para controlar os elementos da natureza como o fogo, os ossos e pedaços de madeira que podiam ser utilizados para sua defesa ou mesmo para o ataque, caso fosse preciso. O tempo foi passando e os seres humanos, que tinham as melhores ferramentas, iam se sobrepondo aos outros, então, além de seu próprio corpo, usavam o cérebro para raciocinar e guardar informações conforme suas necessidades. Sabemos, daquela época, que o ser humano foi se diferenciando dos demais animais a partir do momento em que passa a usar os recursos da natureza para sobreviver e se desenvolver, empregando-os em benefício próprio, no processo chamado ‘humanização’. Técnica e tecnologia • 4/15 A habilidade cerebral e o fato de andar sobre suas próprias pernas deram ao ser humano a capacidade de sobreviver, e ao ter as mãos livres foi capaz de produzir as primeiras ferramentas e objetos úteis para seu uso e que lhe permitiram enfrentar as adversidades da natureza. Além dessas habilidades, a capacidade de agregação social lhe permitiu conviver em sociedade, superando a fragilidade biológica, criando vestimentas, armas, habitação, utensílios e outros elementos e objetos que lhe ajudavam a sobreviver e a se desenvolver. Em grupos nômades, esses seres primitivos iam criando objetos de pedra, idealizando técnicas de caça e de pesca e dominando o fogo. Mais adiante, ao conviver em aldeias passaram a ser capazes de construir vivendas e ferramentas de cerâmica e de metal e assim iam se desenvolvendo, criando, inovando e descobrindo novas ferramentas e assim iam ampliando cada vez mais as suas perspectivas de sobrevivência. À medida em que foram fomentando a agricultura, os seres humanos aumentaram o uso da roda, do arado e dos moinhos, desenvolveram a metalurgia, criaram os sistemas de irrigação e a utilização dos animais domésticos. O aperfeiçoamento da agricultura propiciou a construção de obras públicas e a fundação das cidades. Aos poucos, foram desenvolvendo diferentes maneiras de obter energia elétrica e diversificando suas forças produtivas até o surgimento de grandes indústrias, chegando, no contexto civilizatório atual. (Tezani, 2017) Técnica e tecnologia • 5/15 Saiba Mais Para conhecer um pouco mais sobre as tecnologias primitivas e a evolução ao longo do tempo leia os seguintes textos e veja os vídeos indicados: 1. Rodrigues, P. E. Tecnologias na pré-história. https://www.infoescola. com/historia/tecnologias-na-pre-historia/ acessado em 09 de junho de 2022 2. Hayne, L. A; & Wyse, A. T de S. (2018) Análise da evolução da tecnologia: uma contribuição para o ensino da ciência e tecnologia. https://periodicos.utfpr.edu.br/rbect/article/download/5947/pdf acessado em 09 de junho de 2022 3. Vídeo da profª Cíntia. A evolução tecnológica. https://www. youtube.com/watch?v=eK1vUVsXYM8 acessado em 09 de junho de 2022. 4. Vídeo do Projeto dias. Evolução das tecnologias na educação. https://www.youtube.com/watch?v=tcLLTsP3wlo acessado em 09 de junho de 2022. https://www.infoescola.com/historia/tecnologias-na-pre-historia/ https://www.infoescola.com/historia/tecnologias-na-pre-historia/ https://periodicos.utfpr.edu.br/rbect/article/download/5947/pdf https://www.youtube.com/watch?v=eK1vUVsXYM8 https://www.youtube.com/watch?v=eK1vUVsXYM8 https://www.youtube.com/watch?v=tcLLTsP3wlo Técnica e tecnologia • 6/15 Diferença entre técnica e tecnologia Vamos então agora determinar a diferença entre os termos técnica e tecnologia. A técnica corresponde à habilidade do ser humano para executar alguma coisa, colocar ações em prática, está ligada ao ‘fazer’, ao ‘executar algo’. Por outro lado, a tecnologia é o resultado das técnicas. Engloba as técnicas, os conhecimentos e tudo que o ser humano foi capaz de criar e desenvolver. Ao pensarmos na evolução da civilização, percebemos que ela ocorre a partir da descoberta e da aplicação de novas ideias, de novas técnicas de trabalho e de produção. Essa evolução está intimamente ligada às tecnologias que foram desenvolvidas em determinado período, que foram identificadas em função do avanço tecnológico atribuído à sua época. Afinal, a medida que o tempo passou e a civilização evoluiu ocorreram criações, descobertas e desenvolvimento contínuo ao longo do tempo. Vale ressaltar que a medida em que há avanço científico, amplia-se o conhecimento existente até aquele momento sobre determinado recurso, como por exemplo, sobre a pedra e o ferro que foram sendo utilizados para novas práticas e para a criação de novas ferramentas, cada vez mais sofisticadas. Ainda há que se ressaltar que o avanço tecnológico não se restringe ao uso de materiais e de objetos, ele também transforma o comportamento humano de um grupo social, como a roda, por exemplo, que transformou imensamente o deslocamento e a produção, gerando novas descobertas e transformações. O mesmo ocorre ainda hoje no que tange aos avanços nas comunicações com o surgimento e divulgação das tecnologias digitais, que alteraram, profundamente, a forma como as pessoas se comunicam e trabalham. Não se pode pensar, hoje em dia, em como as informações eram transmitidas nos ambientes profissionais antes do avanço gritante das tecnologias digitais. Talvez alguns de nós se lembre de uma época em que a comunicação entre as pessoas quando não era presencial, era feita por ligação por meio de telefone fixo que era caríssimo de se ter, o acesso a ele era apenas para poucos. A comunicação também ocorria por meio do envio de cartas que demoravam, às vezes, meses a chegar ao destinatário, ou por telegrama, dentre algumas outras tecnologias existentes até aquele momento. Técnica e tecnologia • 7/15 Parece estranho falar sobre isso, mas o pior é que não faz tanto tempo assim. Mas, vamos em frente. Da mesma maneira que ocorreu com os ‘homens das cavernas’, essa relação entre poder e técnica se agravou a ponto de a inovação tecnológica dar ainda mais poder e chances de dominar e de acumular riquezas a quem as tem. A tecnologia não diz respeito apenas a máquinas, também tem a ver com a inteligência, e a linguagem reflete a tecnologia dainteligência, pois gera a construção humana que permite a comunicação entre as pessoas, e que se transforma a todo instante. Temos ainda as TICs, que se associam à tecnologia da inteligência, que não se apresentam em apenas um suporte (formato, meio), e que são capazes de causar respostas emocionais, prender a nossa atenção e nos influenciar, como a televisão e os computadores pessoais, para citar alguns dos mais convencionais apenas. (Tezani, 2017) https://player.vimeo.com/video/734134224 Técnica e tecnologia • 8/15 Mas afinal o que são tecnologias e qual o seu vínculo com a educação e o currículo? Já faz alguns anos que ouvimos falar sobre o uso das tecnologias no processo educativo, afinal, atualmente elas estão tão presentes que nem nos lembramos ou percebemos que as estamos utilizando, e muito menos nos lembramos de como era nossa vida antes delas. Porém, nesse caso, são as tecnologias digitais de informação e comunicação (TDICs) que surgiram juntamente com a internet. São tecnologias bem mais modernas do que aquelas surgidas no início da civilização, não é verdade? Diga-me a verdade… você consegue hoje em dia ficar sem acessar seu e-mail, seu WhatsApp, seu Facebook, seu Instagram, ou algum outro desses aplicativos ou ferramentas digitais por 24h? Provavelmente, a resposta obtida seja que não. Vale ressaltar que, hoje, podemos resolver quase todas as nossas pendências e necessidades por meio de um aparelho celular, como pagar uma conta, comprar qualquer coisa, inclusive em outro país, diga-se de passagem, saber o que está acontecendo no Brasil e no mundo, e inclusive … telefonar. Com tantos benefícios e facilidades, por qual motivo nós ainda não conseguimos associar, efetivamente, a tecnologia e o currículo escolar? O que está faltando? Será que estamos exigindo demais das tecnologias? Será que mesmo com tanta tecnologia a base de tudo está no conteúdo e na forma como é transmitido? Após mais de 20 anos de existência da internet, será que a educação mudou efetivamente? (Almeida, 2019) Breves pinceladas sobre tecnologias educacionais Nos dias atuais, as instituições educacionais (não todas, mas muitas delas) contam com diversos recursos tecnológicos como projetores (datashow por exemplo), computadores, tablets, celulares, internet, mídias sociais, ambientes virtuais, além das várias opções de hardware e software, algumas pensadas especificamente para a educação, outras vieram de outras aplicações e foram adaptadas para a escola, porém, todas fazem muita diferença na qualidade das aulas ministradas. Técnica e tecnologia • 9/15 Perfeito, estamos nos habituando a elas, mas … e o quadro-negro (ou branco) e o giz? Será que podem ser consideradas tecnologias educacionais? Estão lembrados do estudo que (re)fizemos sobre a origem das técnicas e tecnologias na origem da civilização? Pois bem, vale dizer que a partir do momento em que o homem começa a criar objetos e ferramentas para resolver seus problemas e que esses objetos e ferramentas suprem essas necessidades estamos diante da ‘tecnologia’. Portanto o quadro-negro e o giz são tecnologias tradicionais, aquelas que foram a base da educação, e que, com certeza, continuam e continuarão fazendo a sua parte do processo educativo. Mesmo que se insiram todas as mais modernas tecnologias em sala de aula, ainda assim a figura do professor, ali na frente da sala de aula, com seu giz ou pincel atômico (estamos ficando mais modernos), diante do seu quadro (seja ele qual for, o negro, o branco, o de vidro ou o digital, estamos realmente ficando mais modernos) dificilmente será substituído 100%. Afinal, nós, somos seres que vivemos em sociedade, que gostamos de estar com pessoas e que precisamos de contato com as pessoas para a nossa socialização. Diante do exposto, é preciso refletirmos que para que exista uma relação entre tecnologia e currículo, a tecnologia precisa ser necessária, independentemente de sua utilidade, e que a presença da tecnologia por si só não garante que ocorra o processo de ensino e aprendizagem. Por exemplo, o fato de uma escola ter um laboratório de informática com computadores de última geração, não garante que os alunos saibam informática, mas não ter professores capacitados para usá-lo, impactará no aprendizado, não é verdade? É preciso que exista um preparo, um treinamento, um verdadeiro envolvimento e conhecimento, para utilizar, da melhor forma possível, a tecnologia a serviço da melhor aprendizagem, afinal, não é a tecnologia que torna o mundo mais democrático, mas o homem e a forma como ele a utiliza. Técnica e tecnologia • 10/15 Em Resumo Estudamos, nesta aula, que em tempos remotos, para garantir a sua sobrevivência, os seres humanos usavam a astúcia para controlar os elementos da natureza, que poderiam ser utilizados para sua defesa ou mesmo para o ataque, caso fosse preciso. Atualmente, o ser humano recorre a uma série de recursos, mais ou menos tecnológicos para sua sobrevivência, e quanto mais existe o domínio sobre eles, mais esse ser humano sobressai. Aprendemos que a técnica corresponde à habilidade do ser humano para executar alguma coisa, que está ligada ao ‘fazer’, e que por outro lado, a tecnologia é o resultado das técnicas, as engloba, e inclui ainda os conhecimentos e tudo que o ser humano for capaz de criar e desenvolver. Também estudamos que o vínculo entre as tecnologias e a educação ocorre quando existe, de fato, um uso que gere conhecimento significativo na escola, não sendo apenas uma representação de uma prática tradicional com cara moderna, como o uso do computador apenas para digitar as respostas de uma atividade. E assim como aconteceu no passado, que novas necessidades foram surgindo e com isso foram criadas novas ‘tecnologias’, o mesmo ocorre nos dias atuais e continuará acontecendo, portanto, cabe a nós, docentes e demais agentes das instituições de ensino nos adaptarmos a essa nova realidade. Técnica e tecnologia • 11/15 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Tezani, Thaís. (2017) Tecnologias da Informação e comunicação no ensino. São Paulo: Pearson Education. https://player.vimeo.com/video/734134542 Técnica e tecnologia • 15/15 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 3 .2 As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 2/16 Objetivos de Aprendizagem • Compreender como ocorre a inserção das tecnologias nos currículos. • Conhecer alguns programas de inclusão de tecnologia nos currículos. As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734134695 As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 3/16 Introdução Estamos estudando, e vivenciando, que as tecnologias da informação e comunicação transformaram as formas de se relacionar, e claro, de se comunicar, dos seres humanos. A possibilidade de uso dos telefones móveis, o rápido e fácil acesso às informações (hoje em nossas mãos, literalmente), a digitalização cada vez mais crescente de documentos, substituindo os arquivos físicos em papel, o acesso à literatura digital e a automação de ações cotidianas, como transferir dinheiro, fazer compras, passar por uma teleconsulta, são exemplos que deixam clara a passagem do século XX para o século XXI, período que ficará gravado como de passagem do mundo analógico parao digital. Nos dias atuais, as redes sociais são fundamentais para a transmissão e divulgação rápida de informações, encurtando (ou eliminando) as distâncias (ainda que não sejam físicas) e modificando sobremaneira os modos de ser e de agir. (Wunsch, 2018) Diante desse contexto, as instituições de ensino e seus agentes não poderiam ficar de fora. Portanto, vamos estudar as influências e benefícios das tecnologias no processo educativo, mas principalmente nos currículos. Vejamos primeiro como ocorreu o processo de inserção das tecnologias digitais de informação e comunicação no currículo escolar. Inserção das tecnologias nos currículos A inserção das TICs no currículo escolar no Brasil ocorreu antes do boom no uso da internet como conhecemos hoje. Foi no início da década de 1980, atendendo às recomendações advindas dos encontros realizados pelo Ministério da Educação (MEC), no Projeto Educom. Nele, surgiu a ideia de distribuir em 5 instituições de ensino superior públicas, centros de informática em educação. São elas: a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 4/16 A escolha deveu-se ao fato de elas já desenvolverem pesquisas sobre o uso de computadores como recurso para melhorar a aprendizagem. Cada uma delas organizava seus projetos partindo de problemas, encontrando soluções. Essa proposta inovadora procurava desenvolver um currículo que fomentasse uma formação crítica, empregando a tecnologia para a escolha, aquisição e compartilhamento de informações de forma a construir novos conhecimentos e modificar os antigos, colocando em evidência a mudança necessária no papel do professor, que precisaria ser menos conteudista para ser mais questionador, mostrando aos seus alunos a importância da pesquisa, da descoberta e da dúvida, estimulando a busca pelo saber. (Almeida, 2019) Do início de 1980 até o final de 1990, os softwares educacionais ofereciam programas que pareciam com instruções programadas ou com linguagem de programação, que empregavam a linguagem Logo. Os softwares vinham em disquetes, e mais adiante, em CD-ROM, a cada nova mídia que surgia proporcionava mais interatividade e simultaneidade, principalmente a partir do uso de recursos de hipermídia. Quem se lembra de usar aqueles disquetes enormes e com pouco armazenamento para salvar arquivos ou baixar informações? As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 5/16 Castells (2005, como citado em Tezani 2017), a respeito do uso das novas tecnologias de telecomunicações de 1980 a 1990, explica que elas passaram por 3 estágios: ○ a automação de tarefas; ○ as experiências de usos; e ○ a reconfiguração das aplicações. No caso dos dois primeiros estágios, o processo baseou-se no ‘aprender usando’, e no terceiro no ‘aprender fazendo’, o que causou uma reconfiguração das redes e a descoberta de novas formas de aplicação e uso. (Tezani, 2017) Continuando com nossa trajetória da inserção das TICs no currículo, um docente do Massachusetts Institute of Technology (MIT) chamado Seymour Papert, que tinha trabalhado com Jean Piaget, organizou um movimento que procurava realizar transformações significativas nas práticas pedagógicas, usando computadores para o ensino. Antes, porém, em 1967, junto com Marvin Minsky, um especialista em inteligência artificial (IA), desenvolveu a linguagem de programação chamada Logo, que possibilitava que o usuário executasse seus programas de forma lúdica e fácil. Do ponto de vista da educação, o Logo era simples, porque apresentava características que permitiam aos usuários de diversas áreas e níveis de escolaridade, usá-lo. Do ponto de vista da computação, era uma linguagem complexa, porque apresentava características de 3 paradigmas computacionais diferentes: o procedural, o orientado a objetos e o funcional. Porém, o Logo é mais conhecido pelo primeiro paradigma, o procedural, especialmente o Logo Gráfico, caracterizado pela presença de uma tartaruga no cursor, que se deslocava pela tela com alguns comandos. Esse comando da tartaruga auxiliava os alunos no aprendizado de importantes conceitos matemáticos ligados à geometria, que ficaram conhecidos como ‘geometria da tartaruga’. Vale ressaltar que essa abordagem, denominada ‘construcionista’ (fundamentada no construtivismo de Piaget), visava causar uma intensa mudança no processo de ensino e aprendizagem. As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 6/16 Essa abordagem foi muito utilizada por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) que se preocupavam com as dificuldades que os alunos do ensino fundamental apresentavam no estudo da matemática, nas escolas públicas. Em 1990, quando Paulo Freire foi Secretário da Educação no município de São Paulo, originou-se o ‘Projeto Gênese’ que procurava unir a tecnologia aos currículos como ferramenta interdisciplinar. Em algumas escolas, iniciou-se uma disciplina voltada para o desenvolvimento de competências de domínio básico dos equipamentos de informática, o que propiciou a inserção no currículo dos conteúdos ministrados nessa disciplina. No entanto, após a inserção de computadores em algumas escolas como apenas ‘mais um recurso disponível’, percebeu-se que essa inserção tinha sido feita da mesma forma que outrora ocorrera com os recursos audiovisuais, sem uma análise anterior sobre as possibilidades de colaboração significativa, de fato, ou seja, sem preparo. De forma a articular as diferentes áreas de ensino com a tecnologia, as instituições tentaram usar o computador no desenvolvimento de projetos. Assim, a informática seria usada pelos estudantes como uma ferramenta para solucionar um problema ou implementar um projeto, percebendo-se que para ter sucesso nesse feito, seria necessário o apoio político pedagógico institucional, bem como redefinir os conceitos de conhecimento, de ensino e de aprendizagem. Saiba Mais Para conhecer um pouco mais sobre a Geometria da Tartaruga, leia os seguintes textos: Atractor. (2010) No rastro da tartaruga. https://www.atractor.pt/ publicacoes/270.pdf acessado em 09 de junho de 2022. Motta, M. S & Miranda, D. F. de. (2008) Geometria da Tartaruga. http://www1.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ ARQUI20140528143213.pdf acessado em 09 de junho de 2022 https://www.atractor.pt/publicacoes/270.pdf https://www.atractor.pt/publicacoes/270.pdf http://www1.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20140528143213.pdf http://www1.pucminas.br/imagedb/documento/DOC_DSC_NOME_ARQUI20140528143213.pdf As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 7/16 A partir de então, foram surgindo diversos programas dos governos federal, estadual e municipal, e estímulos das instituições privadas de ensino que fomentaram a inserção das tecnologias de informação e comunicação nos currículos, atraindo a atenção dos estudantes de todos os níveis de ensino, mas preocupando-se, também com a formação e preparo dos professores para essa nova realidade. (Almeida, 2019) Programas de inclusão de tecnologia nos currículos A Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), de 1997 a 1998, em uma parceria com a Secretaria de Estado de Educação de São Paulo (SEE/SP), criou o subprojeto ‘Informática na Educação’ (inserido no Programa de Educação Continuada - PEC), voltado para a formação docente, de forma a conseguirem inserir o computador nos conteúdos curriculares, com novas propostas para a formação e conhecimento sobre esse equipamento como ferramenta para que os estudantes fossem capazes de aprender sozinhos, realizando pesquisas e descobertas. Foi nessa época que surgiu o Programa Nacional de Informática na Educação, o ProInfo, queimplantou 119 núcleos de tecnologia educacional em 26 Estados e no Distrito Federal, desenvolvendo cursos de especialização em informática que foram oferecidos a 1419 multiplicadores desses núcleos. https://player.vimeo.com/video/734135070 As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 8/16 Para o ano de 1999, a proposta era de entrega de 30 mil computadores a escolas e outros 100 núcleos e a previsão para 2002 era a de atender 6 mil escolas. (Almeida, 2019) Figura 1 - ProInfo - planejado x realizado Fonte: Valente, 2016, p. 61, como citado em Almeida, 2019, p. 97 Percebe-se que poucas metas foram superadas. Há que se reforçar que até então ainda não tinha sido possível a convergência entre as TICs e os conteúdos inseridos nos currículos. A partir de 2007, o ProInfo se transforma em ProInfo Integrado, propondo fornecer infraestrutura e treinamento, assim como a criação de comunidades virtuais e o oferecimento de conteúdos e recursos digitais para conectar tecnologia e educação. Por meio do ProInfo Integrado, o Ministério da Educação (MEC) desenvolveu várias estratégias para implementar as tecnologias nos currículos. Seguem algumas das que vêm sendo implementadas há pouco mais de 10 anos e que podem ser encontradas no Portal do Ministério da Educação: ● Cursos de extensão do ProInfo Integrado: são cursos que articulam as tecnologias no dia a dia do sistema escolar, distribuindo equipamentos nas escolas e oferecendo conteúdos e recursos tecnológicos pelo Portal do Professor, pela TV Escola, pelo Domínio Público e pelo Banco Internacional de Objetos de Aprendizagem. São cursos dos mais básicos aos mais avançados para que os professores possam inserir as tecnologias em suas práticas. As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 9/16 ● Mídias na Educação: são cursos de extensão, aperfeiçoamento e especialização, oferecidos pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), desde 2009, aos professores da educação básica. ● Projeto UCA (um computador por aluno): desenvolvido desde 2007, é a primeira real iniciativa governamental de integração da tecnologia ao currículo para a educação como um todo e não apenas como um projeto de inserção de laboratórios exclusivamente para aulas de informática. Os dados do projeto indicam que, em 2009, foram inseridos 150 mil laptops em 350 escolas públicas do Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. ● Banda larga nas escolas: foi um programa lançado em 2008 pelo governo, com gestão do MEC, em parceria com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Ministério das Comunicações, mais o Ministério do Planejamento e as Secretarias de Educação dos Estados e municípios, para oferecer infraestrutura e levar a internet às escolas públicas, com manutenção até o ano de 2025. Considerando que este último projeto não foi desenvolvido a contento, em 2015, ao ocorrer o ‘Seminário Escolas Conectadas: equidade e qualidade na educação brasileira’, escolas públicas e privadas propuseram a universalização das tecnologias nas escolas, com disponibilidade de ferramentas e equipamentos acessíveis e interativos, o fomento técnico-profissional para os docentes, o suporte necessário para as áreas de infraestrutura, para os desenvolvedores e para os próprios docentes. (Conselho Nacional de Secretários de Educação - Consed, 2015, como citado em Almeida, 2019) Vale ressaltar que a implantação de projetos e programas por parte do governo deixa muito a desejar no que se refere à integração dos programas que são oferecidos. Há um grande esforço sendo feito para se oferecer um produto de qualidade, no entanto, o que se observa é que não existe um envolvimento dos estados e municípios, portanto o engajamento da comunidade escolar quase não existe, e termina sendo ouvida apenas quando da implantação dos projetos, causando insatisfação nos alunos e professores. Uma pena! As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 10/16 Em Resumo Pudemos aprender, ao longo desta aula, que a inserção das TICs no currículo escolar brasileiro ocorreu antes do boom no uso da internet como conhecemos hoje em dia, mais precisamente, no início da década de 1980, atendendo às recomendações advindas dos encontros realizados pelo Ministério da Educação (MEC), no Projeto Educom. Também acompanhamos algumas estratégias que foram sendo implementadas ao longo do tempo. No entanto, ainda percebe-se que para que exista, realmente um verdadeiro vínculo entre tecnologia e educação é necessário criarmos, a cada dia, possibilidades de ensino significativo, e não apenas empregar recursos tecnológicos para transmitir os conteúdos de uma forma ‘digital’, sem inovação, sem novas metodologias, sem motivar os estudantes do século XXI que são hiperativos e que precisam de novos tipos de motivação. Saiba Mais Para conhecer um pouco mais sobre os projetos do Ministério da Educação acesse o portal: https://www.gov.br/mec/pt-br acessado em 09 de junho de 2022 Para compreender melhor as dificuldades enfrentadas na tentativa de conectar tecnologia e currículo, assista ao seguinte vídeo: Mário Sérgio Cortela. (2010). Paradigmas da Tecnologia na Educação. https://www.youtube.com/watch?v=VJbouCuoJKk acessado em 09 de junho de 2022 https://www.gov.br/mec/pt-br https://www.youtube.com/watch?v=VJbouCuoJKk As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 11/16 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Tezani, Thaís. (2017) Tecnologias da Informação e comunicação no ensino. São Paulo: Pearson Education. Wunsch, Luana Priscila. (2018) Tecnologias na Educação: conceitos e práticas. Curitiba: InterSaberes. https://player.vimeo.com/video/734135400 As tecnologias digitais de informação e comunicação e o currículo • 15/16 a) B - C - A - D b) C - B - D - A c) A - C - D - B d) B - D - A - C Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes As tecnologias digitais de informação e comunicação nas abordagens educacionais PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 3 .3 Capturando valor através da transformação digital • 2/16 Objetivos de Aprendizagem • Compreender em que consiste o Instrucionismo. • Conhecer a abordagem Construcionista. • Entender o que aborda o Conectivismo. As tecnologias digitais de informação e comunicação nas abordagens educacionais Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734135529 Capturando valor através da transformação digital • 3/16 Introdução Ao longo desta Unidade, estamos conversando sobre a associação que deve ocorrer, a cada dia, entre a tecnologia e os conteúdos inseridos nos currículos. Também percorremos o trajeto dos projetos educacionais inseridos pelo governo no Brasil e observamos que muito ainda precisa ser feito para que tenhamos, de fato, a verdadeira educação tecnológica. Convenhamos que não basta que as escolas recebam equipamentos, internet e que criem laboratórios de informática se não houver pessoas (docentes, mas outros agentes educacionais também) que saibam usar ou dar o suporte para o uso dessas tecnologias, de forma que deixem de ser apenas recursos e passem a criar efetiva aprendizagem significativa. Vivemos em um mundo e em um momento no qual estamos e continuaremos vivenciando uma imensa ampliação dos meios de comunicação, que está modificando a forma como apreendemos a realidade, e no que se refere à escola, modificando a formacomo ensinamos e como aprendemos. Antigamente as pessoas precisavam ouvir os relatos dos viajantes para conhecer o mundo em terras distantes, atualmente podemos conhecer o mundo na palma de nossas mãos, podemos inclusive ‘entrar’ remotamente em muitos dos lugares do mundo sem estarmos presencialmente lá. Não é mais possível conceber o mundo sem as TICs, que fazem parte de nossas vidas e que transformaram o comportamento das pessoas, que muitas vezes passaram a depender completamente dessas novas tecnologias para viver. Trazendo essa conversa novamente para a educação, a escola é o local que vai fazer com que seus usuários (discentes e demais agentes) se apropriem desses meios e os usem de forma reflexiva, desenvolvendo uma consciência crítica, fortalecendo a identidade das pessoas e de seus grupos sociais. Como já verificamos, a tecnologia está em constante evolução, o que faz com que precisemos estar estudando e nos aprimorando constantemente também, e sendo assim, é necessária uma reflexão sobre as formas de ensino tradicionais, para que se abram às inovações e se insiram no contexto tecnológico moderno, que não tem mais volta. Capturando valor através da transformação digital • 4/16 A sociedade contemporânea, conectada, exige que as pessoas estejam conectadas para que seja possível a interação, criando uma comunidade virtual, que permita a construção do conhecimento por meio da troca de informações e saberes no espaço cibernético, o que, por sua vez, exige indivíduos independentes, criativos e autocríticos, que sejam capazes de selecionar informações (as melhores) e construir o conhecimento, aliás, o seu próprio conhecimento. Assim, as TICs exigem do professor atual diversas competências técnicas e pedagógicas, e um fazer em sala de aula que não se limita a simplesmente a transmitir o conteúdo, mas precisa levar seu aluno a pensar sobre si próprio, a se comunicar e a questionar a realidade. (Tezani, 2017) As diferentes abordagens educacionais A sociedade moderna vem exigindo a inserção das tecnologias digitais de informação e comunicação nos currículos, porém ela requer também que essas tecnologias sejam inseridas de forma adequada, considerando os objetivos e intenções da atividade proposta ou do conteúdo a ser ministrado. O século XXI apresenta uma infinidade de programas, de jogos, de atividades, de aplicativos, de filmes, de vídeos, de materiais e outros, que podem ser usados em sala de aula com o propósito de criar um ambiente mais lúdico e motivador para os estudantes. No entanto, é necessário prestar atenção a uma questão: porque é necessário interligar essa tecnologia à intenção da atividade, e ligar a atividade ao recurso mais apropriado para ela, caso contrário, corre-se o risco de o aluno não entender a proposta e associá-la, meramente, ao uso de um ‘simples elemento tecnológico’, sem que se gere uma aprendizagem significativa. É necessário que se tenha domínio sobre as tecnologias que serão aplicadas para que o processo seja bem sucedido, mas apenas o domínio não é o suficiente para manter o sucesso, pois, mais do que dominar a técnica, é preciso saber exatamente quais são as possibilidades de uso e como e por que usar essa tecnologia. (Almeida, 2019) Capturando valor através da transformação digital • 5/16 O Instrucionismo Vários autores afirmam que aliar as práticas pedagógicas com a utilização das TICs envolve o instrucionismo. Almeida (2005 como citado em Almeida, 2019) explica que para o instrucionismo, o aprender associado ao uso de tecnologias implica em apreender informações em ordem crescente de complexidade, que vão sendo assimiladas pela repetição. Skinner, um psicólogo norte-americano que viveu entre 1904 e 1990, passou a vida estudando o comportamento humano, tentando entender suas reações perante os estímulos que recebiam. Foi ele que fundou o behaviorismo, uma corrente que ao longo do século XX dominou o campo da psicologia. Em 1968, Skinner publicou a obra ‘Tecnologia do Ensino’ na qual defendia que os estudantes seriam capazes de aprender sozinhos com o uso de um material didático criado para essa finalidade, com respostas que serviriam de estímulo à medida que construíam novos conhecimentos. Essa organização foi chamada de ‘máquinas de aprendizagem’ ou ‘instrução programada’. Assim, com esses ensinamentos, a forma como dividimos os conteúdos nos dias atuais, dos mais simples aos mais complexos, baseia-se nos estudos de Skinner. No instrucionismo, o software é o detentor das informações transmitidas, que funciona como um material de instrução ao apresentar o conteúdo de forma clara, precisa e objetiva, usando recursos sensoriais e multimídias como sons, gráficos, desenhos, animações, imagens, textos, entre outros, e o estudante vai recebendo aquelas informações no seu ritmo e conforme suas necessidades, favorecendo a construção do seu conhecimento. (Almeida, 2019) Capturando valor através da transformação digital • 6/16 O Construcionismo Conforme já estudamos em nossas aulas, Seymour Papert, matemático e discípulo de Piaget, desenvolveu a linguagem Logo, resultado da relação entre conceitos de Inteligência Artificial (IA) e a teoria construtivista proposta por Piaget. Vale ressaltar que o construtivismo vem da psicologia do desenvolvimento. O construcionismo, por sua vez, pode ser considerado uma extensão do construtivismo. Está baseado em algo concreto, que pode ser visto, discutido, analisado, observado, sendo tanto um objeto construído com peças de Lego, por exemplo, quanto uma escultura ou um software, portanto existe a construção concreta do objeto que será utilizado. Indo contra as bases do Instrucionismo, Papert propunha o uso das tecnologias como instrumento para construir conhecimento significativo. Nesta abordagem, o uso da TICs na educação se dá envolvendo o estudante, os professores, as próprias tecnologias, os demais recursos e as interrelações que ocorrem, favorecendo o desenvolvimento da autonomia do aluno de forma que este construa o seu próprio conhecimento mediante explorações, experimentações e descobertas. Saiba Mais Para conhecer um pouco mais sobre Skinner e a ideia base do Behaviorismo, leia os seguintes textos: Ferrari, Márcio. (2008) B. F. Skinner, o cientista do comportamento e do aprendizado. https://novaescola.org.br/conteudo/1917/b-f-skinner- o-cientista-do-comportamento-e-do-aprendizado acessado em 10 de junho de 2022. Santana, Ana Lucia. Behaviorismo. https://www.infoescola.com/ psicologia/behaviorismo/ acessado em 10 de junho de 2022. https://novaescola.org.br/conteudo/1917/b-f-skinner-o-cientista-do-comportamento-e-do-aprendizado https://novaescola.org.br/conteudo/1917/b-f-skinner-o-cientista-do-comportamento-e-do-aprendizado https://www.infoescola.com/psicologia/behaviorismo/ https://www.infoescola.com/psicologia/behaviorismo/ Capturando valor através da transformação digital • 7/16 Vale reforçar que a internet potencializa a interatividade e a colaboração, visto que mesmo a distância, os sujeitos envolvidos conseguem ter e trocar informações, pesquisar e questionar conhecedores sobre o assunto, ‘construindo seu conhecimento’. Figura 1 - Ciclo de construção do conhecimento no Construcionismo Fonte: Valente (1993) & Almeida (1996) como citado em Almeida, 2019 Tendo como base esse ciclo, para que ocorra a construção do conhecimento o sujeito precisa articular os novos saberes a partir de sua descrição, colocando-os em prática (no processo de execução), refletindo sobre eles, associando essas novas informações com as previamente adquiridas pelos sujeitos, até a depuração de um novo saber, em um ciclo contínuo de autonomia do estudante, sempre terminando e iniciando novas buscas. Nesse contexto, os estudantes deixam de ser meros espectadores e passam a ser pesquisadores de seu próprio saber, sendo responsáveis por seu aprendizado, de forma autônoma e dinâmica, estimulando sua criatividade, com o professor como seuparceiro e motivador. (Almeida, 2019) Capturando valor através da transformação digital • 8/16 O Conectivismo Pesquisadores do conectivismo afirmam que as teorias de aprendizagem até então apresentadas, não foram eficientes ao determinar as características dos sujeitos que aprendem nesta sociedade moderna organizada em redes. Assim, surge o Conectivismo que sugere a ‘conexão’ que se origina nas redes. Por meio dos nós estabelecidos nas redes, o conhecimento parte do individual para o coletivo, e está sujeito a diversas transformações. Bates (2016, com base em Siemens, 2004) apresenta os princípios do Conectivismo: 1. aprendizagem e conhecimento estão baseados nas diferentes opiniões; 2. a aprendizagem procura conectar os nós ou fontes de informação; 3. a aprendizagem pode estar em dispositivos que não são humanos; 4. a capacidade de assimilar cada vez mais, é mais crítica do que o conhecimento que já está assimilado; 5. é preciso cultivar e manter conexões para favorecer o aprendizado contínuo; https://player.vimeo.com/video/734135913 Capturando valor através da transformação digital • 9/16 6. é uma habilidade essencial ser capaz de enxergar as conexões que ocorrem entre as ideias, as áreas e os conceitos; 7. a ‘circulação’ das atividades é a intenção plena do aprendizado conectivista; 8. a tomada de decisão sobre o que aprender e o que significa esse saber apreendido está sempre em alteração, visto que a cada dia essas informações podem sofrer transformações, conforme as necessidades do ambiente no qual estamos inseridos, ou seja, são mutáveis. Assim, entendemos que as comunidades que surgem nas redes existem em função da construção, da desconstrução e da reconstrução permanente do saber a todo momento, e este pode ser modificado, ampliado ou sintetizado conforme as distintas necessidades. Vamos ressaltar agora algumas das ferramentas mais utilizadas atualmente para o compartilhamento de conteúdos e informações nas redes sociais e comunidades colaborativas on-line: ● Wikipedia: talvez a mais famosa, é uma enciclopédia virtual que apresenta diversos conteúdos. É construída de forma colaborativa por diversos profissionais de diferentes áreas do saber, porém não é considerada uma fonte confiável para o desenvolvimento de pesquisas porque não apresenta fundamentação científica, visto ser aberta e poder ser editada por qualquer pessoa; ● Wiki: é a base que permitiu o desenvolvimento da Wikipedia, e que permite que diferentes pessoas editem um mesmo documento na internet; ● Weblog (ou blog): originalmente apresentou um formato de um diário on-line, e era usado para as pessoas exporem o seu dia a dia, publicando preferências, planos e rotinas. Atualmente, empresas usam os Weblogs para contatar possíveis clientes; ● Fotolog: é parecido com o Weblog, porém é usado para a exposição de fotos e imagens. ● Redes sociais: são as ferramentas mais usadas nos dias atuais. Só para citar algumas: 1. Facebook: criado em 2004, interliga as páginas de perfil de seus usuários. Essas páginas contêm informações, imagens, vídeos e mensagens. Capturando valor através da transformação digital • 10/16 2. Twitter: parece um microblog, no qual os usuários contam o que estão fazendo naquele momento no qual estão postando suas informações. ● Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA): são plataformas de ensino pensadas para oferecer e estruturar cursos, tanto a distância como para o blended learning (ensino híbrido, uma mistura entre o ensino presencial e o ensino a distância). Geralmente, apresentam bibliotecas virtuais e atividades, além de possibilitar o contato (síncrono e assíncrono) entre seus usuários. Podemos inferir, então, que o conectivismo fomenta o ‘saber fazer junto’, ou seja, os estudantes aprendem a medida em que vão relacionando os saberes previamente apreendidos com os novos, advindos de outras pessoas ou de sua própria busca. (Almeida, 2019) Em Resumo Nesta aula, compreendemos que para o instrucionismo o estudante aprende informações, com o uso de tecnologias, em ordem crescente de complexidade, que vão sendo assimiladas pela repetição, e assim, seu conhecimento vai sendo construído. No construcionismo de Papert, o uso da tecnologia na educação serve de base para construir um conhecimento realmente significativo, envolvendo o estudante, os professores, as próprias tecnologias, os demais recursos e as inter-relações que ocorrem, favorecendo o desenvolvimento da autonomia do aluno. Com relação ao conectivismo, aprendemos que a ‘conexão’ surge das redes, e assim, o conhecimento parte do individual para o coletivo, e está sujeito a diversas transformações. Capturando valor através da transformação digital • 11/16 Saiba Mais Quer conhecer mais sobre o compartilhamento de informações e conteúdos nas redes sociais e comunidades colaborativas on-line? Então leia os seguintes textos: Ávila, R. E.; Spinelli, O. M.; Ferreira, A. S. S. B. S.; Soñez, C.; Samar, M. E.; & Junior, R. S. F. (2011) Colaboração docente online na educação universitária. SciELO - Brasil - Colaboração docente online na educação universitária Colaboração docente online na educação universitária acessado em 10 de junho de 2022. Mussoi, E. M.; Flores, M. L. P.; & Behar, A. A. (2007). Comunidades Virtuais – Um Novo Espaço De Aprendizagem. https://www.academia. edu/80306023/Comunidades_Virtuais_Um_Novo_Espa%C3%A7o_ De_Aprendizagem acessado em 10 de junho de 2022. https://www.academia.edu/80306023/Comunidades_Virtuais_Um_Novo_Espa%C3%A7o_De_Aprendizagem https://www.academia.edu/80306023/Comunidades_Virtuais_Um_Novo_Espa%C3%A7o_De_Aprendizagem https://www.academia.edu/80306023/Comunidades_Virtuais_Um_Novo_Espa%C3%A7o_De_Aprendizagem Capturando valor através da transformação digital • 12/16 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Tezani, Thaís. (2017) Tecnologias da Informação e comunicação no ensino. São Paulo: Pearson Education. https://player.vimeo.com/video/734136159 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes Os impactos da tecnologia na educação escolar PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 3 .4 Os impactos da tecnologia na educação escolar • 2/16 Objetivos de Aprendizagem • Entender o vínculo existente entre a tecnologia, a educação e a interatividade. • Compreender o que é o web currículo. • Conhecer as diferentes tecnologias empregadas no ensino presencial, no ensino a distância e no ensino híbrido. Os impactos da tecnologia na educação escolar Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734136275 Os impactos da tecnologia na educação escolar • 3/16 Introdução Um dos principais desafios da educação moderna é atingir as necessidades pessoais e sociais dos estudantes, dos professores, dos gestores e demais responsáveis pelo processo educativo, e essa tarefa não está sendo fácil, visto que as necessidades são muitas, as desigualdades existentes também são muitas, e muitas vezes adotar uma mesma postura, escolher um padrão, não é cabível em função dessas diferenças. Em uma sociedade repleta de informações que vêm de todos os meios, é fundamental refletir sobre como as novas tecnologias de informação e comunicação (NTICs) estão impactando nessas necessidades e gerando outras, novas. Sendo a escola um dos mais importantes espaços promovedores e disseminadores de conhecimento, claro que não poderia ficar alheia aos recursos digitais. Parece-me que vale a pena entendermos essa noção de ‘novas’ tecnologias.Basta relembrarmos que a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394 de 1996), estudada por nós, já citava a questão tecnológica, portanto, atualmente traz-se uma nova roupagem para as novas metodologias e tecnologias usadas em sala de aula. (Wunsch, 2018) Tecnologia, Educação e Interatividade Como estudado, sabemos que o uso das TICs em sala de aula vem mudando a forma como aprendemos e como ensinamos. E a medida que novas necessidades surgem, novas modificações serão necessárias, de forma a sempre buscarmos o conhecimento significativo. Ao inserir as TICs em nosso cotidiano escolar, aprendemos a lidar com a diversidade, com a abrangência e com a rapidez de acesso que temos às informações, e ainda com as novas formas de comunicar e interagir fomentando novas maneiras de produzir conhecimento. O propósito é criar uma rede de saberes que favoreça a democratização do acesso às informações, a troca de conhecimentos e experiências, a compreensão e reflexão crítica da realidade e o desenvolvimento humano, social, cultural e educacional, na tentativa de criar uma sociedade mais justa e igualitária. Os impactos da tecnologia na educação escolar • 4/16 A aprendizagem colaborativa precisa de planejamento, atitudes, recebimento, seleção e envio de informações, conexões, reflexão em conjunto, desenvolvimento da interaprendizagem, capacidade para resolver problemas em conjunto, e a autonomia para procurar e fazer por si. O estudante passa a ser o autor do processo de construção de conhecimento, enquanto o professor é o responsável por propor atividades que estimulem a livre participação, a interação e a articulação das informações, objetivando a construção do saber, agindo como um mediador, como um facilitador, como um incentivador da própria prática, seja individual ou em grupos, exercendo a autoria quando se posiciona como um parceiro dos alunos, respeitando a maneira de trabalhar de cada um, seu ritmo e suas necessidades. No entanto, há que se ressaltar que usar as TICs nas instituições de ensino requer ousadia para superar todos os obstáculos e dificuldades que aparecem, articulando conhecimentos, integrando tecnologias diferentes, linguagem hipermídia, teorias educacionais, construindo, executando uma mudança, de fato, tanto no ambiente escolar quando na sociedade. (Tezani, 2017) Web Currículo A ideia de currículo, conforme estudamos, origina-se na proposta de objetivar e organizar a cultura, o conhecimento, em uma série de conteúdos. Passou por várias ressignificações, transformando-se em polissêmico. Com a disseminação das tecnologias digitais nas escolas, a partir da década de 1980, os computadores ficaram restritos a serem utilizados nos laboratórios de informática, exclusivamente para aulas de informática, em horário restritivo, sem alterar o cotidiano das escolas. Foi a partir dos anos 2000 que essa prática passou a ser questionada. E desde então elas passaram a reconfigurar a prática pedagógica, permitindo a abertura e flexibilidade do currículo favorecendo a coautoria entre docentes e estudantes. Mediante a midiatização das NTICs o desenvolvimento dos currículos vai além das fronteiras espaço-temporais das escolas, superando a prescrição dos conteúdos curriculares dos livros e materiais, relacionando-se com as diferentes áreas do saber e acontecimentos da vida em sociedade, transformando as experiências, os valores, os conhecimentos públicos. Os impactos da tecnologia na educação escolar • 5/16 Almeida e Valente (2012, como citado em Almeida, 2019) explicam que o web currículo pode ser entendido como a relação existente entre linguagens e sistemas de signos diferentes, que são usados para midiatizar as práticas sociais fomentadas pelas TICs. Essa integração forma uma totalidade que se transforma reciprocamente. O web currículo é uma construção conceitual na qual as tecnologias digitais são entendidas como linguagens que estruturam os modos de pensar, fazer, agir, comunicar, se relacionar com o mundo e representar o saber. Com ele, há uma expansão dos tempos e espaços educativos, envolvendo a busca, a organização, a interpretação, a escolha de informações, a reflexão crítica sobre elas, o compartilhamento de experiências e a produção de novos conhecimentos. (Tezani, 2017) Vale ressaltar que o que define a qualidade da aprendizagem não são os recursos existentes nas instituições, mas os profissionais que estão envolvidos nesse processo e o seu compromisso, a gestão, as interações e o projeto pedagógico estipulado. Saiba Mais Para aprofundar seus estudos sobre o web currículo, acesse o seguinte texto e aproveite. Tem muita novidade a esse respeito. Seja curioso e procure inovar em suas práticas. Arquer. O que é o webcurrículo. O impacto do uso das tecnologias no aprendizado. O que é o webcurrículo. O impacto do uso das tecnologias no aprendizado. – + Informações (arquer.com.br) acessado em 10 de junho de 2022. https://www.arquer.com.br/educacao-e-cultura/webcurriculo/ https://www.arquer.com.br/educacao-e-cultura/webcurriculo/ Os impactos da tecnologia na educação escolar • 6/16 A Escola nos dias atuais Os avanços tecnológicos causam mudanças rápidas na sociedade, porém a instituição escolar pouco mudou. Moran (2015, como citado em Tezani, 2017) informa que é necessário que a escola reaprenda para se transformar em uma instituição significativa e empreendedora, visto que tem ficado previsível e burocrática, afastando professores e alunos. Contudo, é preciso relembrar que não há uma fórmula rápida e fácil para modificar essa realidade. O ato de educar requer saber acolher, motivar, estimular, engajar, mostrar valores, impor limites e propor atividades desafiadoras. Por outro lado, as tecnologias, em especial a móvel, ou seja, o m-learning, que é a aprendizagem móvel, que ocorre quando a interação se dá por meio de dispositivos móveis como celulares, smartphones, laptops, iPods e outros nos levam a pensar em uma nova forma de organizar o processo de ensino para que seja interessante e motivador para os alunos, já seja na escola, ou fora dela, para que os ambientes presencial e remoto sejam bem produtivos. https://player.vimeo.com/video/734136611 Os impactos da tecnologia na educação escolar • 7/16 Uma educação inovadora e integral precisa estar baseada em algumas características: 1. conhecimento integrador e inovador para todos os envolvidos; 2. desenvolvimento de autoestima e autoconhecimento, de forma que haja uma valorização de todos; 3. fomento de alunos empreendedores, que sejam criativos e que tenham iniciativa; e 4. desenvolvimento de alunos-cidadãos, que tenham estabelecido seus valores individuais e sociais. (Moran, 2015, como citado em Tezani, 2017) Refletir sobre os avanços que estão ocorrendo na educação é reexaminar o passado, analisando o que pode ser mantido e o que deve ser modificado, conforme o atual estágio de desenvolvimento do ser humano. Lembrando que também é necessário ‘desaprender’ visto que alguns ensinamentos passados em determinado momento precisam ser revisitados, uma vez que surgem novas necessidades e alguns conteúdos ultrapassados podem ser desnecessários hoje. Dessa forma, a educação se mostra como sendo um processo contraditório, complexo e permanente que visa a formação de pessoas menos narcisistas e materialistas e mais amorosas, perceptivas, empáticas e realizadas. Na sala de aula moderna, é preciso que os docentes sejam mais orientadores do que produtores de conteúdos, que as aulas estejam mais direcionadas à pesquisa e à experimentação, que a escola fomente as redes conectadas de aprendizagem entre professores e alunos, para que possam aprender estando na escola, ou fora dela. Para finalizar, vamos estudar algumas tecnologias que podem ser utilizadas nas diversas modalidades de ensino. (Tezani, 2017) Tecnologias no ensino presencial Algumas pesquisas recentes mostram que integrar as tecnologias ao ensino presencial aindaé um desafio, visto ser uma inovação que não está completamente ligada aos recursos em si, mas sim à metodologia empregada e à formação docente. Para saber se esses recursos são deveras significativos é necessário que os professores se perguntem: Os impactos da tecnologia na educação escolar • 8/16 1. são realmente fontes de apoio para a transmissão do conhecimento ou servirão apenas para digitalizar o que já é realizado? 2. quais os desafios que deverão ser superados para utilizar esse recurso em salas de aula com 20, 30, 40 ou mais alunos simultaneamente? É possível superá-los? 3. esse recurso pode auxiliar o professor a realmente melhorar a comunicação com os alunos? Em pesquisa realizada por Wunsch (2013), verificou-se que a maioria dos professores acredita nas potencialidades das ferramentas tecnológicas na aula presencial, porém geralmente recorrem a elas apenas para a apresentação dos conteúdos, como o Power Point. A autora percebeu em suas pesquisas, que para o planejamento das aulas é preciso que os professores destinem mais tempo para prepará-las, empregando ferramentas de pesquisa, de imagem, de áudio e de vídeo, inserindo, deveras, novas tecnologias em sala de aula. Na aplicação das aulas, caso os recursos estejam de acordo com os objetivos, e forem usados de forma atrativa, podem servir como impulsionadores para o desenvolvimento da criatividade, da criticidade, da comunicação e da colaboração, podendo assumir um caráter mais ‘face-to-face’, ou seja, cara a cara, por meio do desenvolvimento de projetos, dinâmicas, análises de casos, resolução de problemas ou mesmo para as aulas expositivas, porém com mais interatividade. No caso da avaliação, podem ser realizadas análises baseadas nos resultados das pesquisas, na autoria dos conteúdos desenvolvidos e no compartilhamento de produções. Tecnologias no ensino a distância Principalmente realizado no ensino superior, foi ganhando espaço nos outros níveis de ensino. É necessário compreender que nos dias atuais a sala de aula já não se encontra exclusivamente nos espaços físicos, entre as paredes de uma escola. Portanto, é preciso redesenhar as fronteiras do ensino. Essa linha de ensino permite que as instituições ofereçam estudos e serviços on-line, para uma sociedade mais dinâmica e conectada. Os impactos da tecnologia na educação escolar • 9/16 Os cenários virtuais de aprendizagem possibilitam que os participantes façam perguntas, discutam temas, e se beneficiem do apoio e orientação recebidos remotamente. Ferramentas de planejamento, de aplicação e de avaliação também são usadas nesta modalidade, ainda que estejam inseridas nos Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), que contêm ferramentas, comunidades e serviços, e possibilitam que os estudantes sejam direcionados à aprendizagem. E como fica o professor nessa modalidade? Ele atua como tutor, moderador de discussões em encontros síncronos (que são os que ocorrem no momento da sua programação) e assíncronos (são os que ocorrem em qualquer momento, sem que haja uma data e horário marcados especificamente para tal), e ainda como analista dos trabalhos e atividades realizadas pelos estudantes. Na autoaprendizagem on-line, as atividades incluem momentos de autoestudo, de forma que os estudantes possam ser autônomos em seu processo de aprendizagem e que possam definir os próprios objetivos mediante as leituras indicadas ou estimuladas, bem como as tarefas recomendadas pelos professores. (Wunsch, 2018) Tecnologias no blended learning (semi-presencial) O ensino semipresencial é organizado de forma híbrida, mista, na qual os alunos participam de uma parte das aulas de forma presencial e de outra parte de forma remota. É mais uma modalidade que vem expandindo a autoaprendizagem. Nas situações em que as aulas são presenciais, existe a presença, normalmente, de um tutor, e atividades desenvolvidas por workshops. No restante da aprendizagem, o estudante dita o seu próprio ritmo, acessando os conteúdos disponibilizados no AVA, interagindo assincronamente. Podemos dizer que essa modalidade vem sendo empregada em 3 abordagens que podem ser convergentes: a autoaprendizagem, as práticas interativas e as simulações e testes. (Wunsch, 2018) Os impactos da tecnologia na educação escolar • 10/16 Em Resumo Aprendemos, nesta aula, que não tem sido fácil tentar inserir as TICs nas instituições de ensino, visto que muitos são os obstáculos que precisam ser superados com relação à infraestrutura e recursos, mas também muitas são as dificuldades que os professores sentem para realizar essa inserção. Há que se transformar o processo de ensino e aprendizagem e isso requer coragem e ousadia. Também vimos que a educação inovadora e integral precisa inserir conhecimentos integradores, desenvolver a autoestima e o autoconhecimento dos estudantes, fomentar o empreendedorismo, a criatividade e a iniciativa e desenvolver alunos-cidadãos. Aprendemos que no ensino presencial, muitas vezes, apesar de o professor acreditar nas potencialidades dos recursos tecnológicos, não os utiliza ou não sabe utilizá-los além de meramente para a apresentação de seus conteúdos, como quando usam o datashow em suas aulas expositivas. No caso do ensino remoto, os ambientes virtuais de aprendizagem possibilitam que os participantes façam perguntas, discutam temas, e se beneficiem do apoio e orientação recebidos virtualmente. Ferramentas de planejamento, de aplicação e de avaliação também são usadas nesta modalidade. Já no que se refere ao ensino híbrido, vimos que parte das aulas ocorre de maneira presencial e parte remota, e dessa forma o aluno vai ditando seu próprio ritmo, porém, sem estar completamente ‘por sua conta’. Saiba Mais Caso tenha ficado curioso e queira conhecer um pouco mais sobre o modalidade de ensino remoto, leia os seguintes textos: Carvalho, Rafael. (2016). O que é e como funciona o blended learning? https://www.edools.com/blended-learning/ acessado em 10 de junho de 2022. Iberdrola. ‘Blended learning’: como funciona a aprendizagem semipresencial? https://www.iberdrola.com/talentos/o-que-e-blended- learning acessado em 10 de junho de 2022. https://www.edools.com/blended-learning/ https://www.iberdrola.com/talentos/o-que-e-blended-learning https://www.iberdrola.com/talentos/o-que-e-blended-learning Os impactos da tecnologia na educação escolar • 11/16 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Tezani, Thaís. (2017) Tecnologias da Informação e comunicação no ensino. São Paulo: Pearson Education. Wunsch, Luana Priscila. (2018) Tecnologias na Educação: conceitos e práticas. Curitiba: InterSaberes. https://player.vimeo.com/video/734137060 Os impactos da tecnologia na educação escolar • 15/16 a) B - A - C b) C - B - A c) B - C - A d) C - A - B Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 3 .5 As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 2/16 Objetivos de Aprendizagem • Compreender como se dá o vínculo entre a formação dos professores e a inserção das tecnologias em suas práticas. As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734137222 As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 3/16 Introdução Levando em consideração todas as mudanças que vêm ocorrendo com a inserção das tecnologias digitais de informação e comunicação no ensino, é necessário que todos os atores do processo educativo sejam envolvidos, portanto, não poderíamosdeixar de lado os docentes. Essas transformações fazem com que seja imperativo progredir nas políticas de implementação dessas tecnologias ao currículo, interligando-as às diferentes instâncias do processo. Vale ressaltar que todos os níveis da educação, Educação Básica, Educação Superior e Educação Profissional precisam estar envolvidos e dispostos a realizar essa mudança. A efetiva transformação, com a inserção tecnológica ao currículo ocorrendo de fato, vai além da mera incorporação das tecnologias. Devem ser oferecidas oportunidades para que os professores se familiarizem com as TICs, de modo que seja possível inseri- las em suas práticas cotidianas. Dessa forma, com essas competências, serão capazes de analisar por quê, para quê, com o quê, como e quando integrar esse novo conhecimento em suas práticas pedagógicas. Então, vamos conhecer um pouco melhor sobre as características desse processo de incorporação das NTICs no trabalho dos docentes. A formação dos professores e as tecnologias É importante que todos os envolvidos no processo educacional, como gestores, docentes, discentes, equipe pedagógica, membros do Conselho da escola, prontifiquem-se a juntos elaborarem um plano que conecte recursos físicos, infraestrutura, recursos financeiros, tempo e espaço da escola. Dessa forma, cabe à gestão liderar a inserção das tecnologias digitais no currículo escolar após os objetivos serem analisados, debatidos, avaliados e aceitos por todos os envolvidos. Além de zelar pela incorporação das informações no sistema de ensino, cabe ao gestor e à sua equipe analisar e usar as informações para realizar um diagnóstico da instituição e fomentar a tomada de decisão compartilhada, estabelecendo diálogo com a comunidade local, recorrendo a diferentes meios, inclusive às redes sociais. As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 4/16 Essa interação exige que a interatividade seja efetivamente inserida na educação, modificando a forma como os professores pensam e aplicam seus conhecimentos em sala de aula, oferecendo diferentes modelos e possibilidades, novas ideias e recursos para que consigam atingir todos os alunos, conforme suas necessidades, considerando as potencialidades dos recursos tecnológicos aos quais têm acesso. Devemos destacar que as tecnologias já fazem parte da vida dos estudantes (e dos docentes), e é por isso mesmo que se faz imperativo repensar de que maneira as tecnologias digitais podem e devem ser inseridas nos currículos. A autora, baseada em seus 18 anos de experiência com a educação básica e com a formação de professores, incluindo pesquisas realizadas por ela, cita o que os professores que atuam na educação básica dizem a respeito da inserção da tecnologia no currículo: ● que permite a interação entre professor e aluno, aluno e professor e aluno com aluno; ● que oferece informações diversificadas, superficiais ou profundas, sobre todos os assuntos; ● que faz com que a aula fique mais agradável e que gere mais interesse nos alunos; ● que amplia a aprendizagem para fora das paredes da escola; ● que possibilita a socialização dos conhecimentos; e ● que ajuda na inclusão digital de alunos e professores. Porém, ela acrescenta que os professores apresentam muitas dificuldades para organizar seus planos de aula com o uso de tecnologias. As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 5/16 Figura 1 - Dificuldades dos docentes no uso das tecnologias em sala de aula Fonte: Almeida, 2019, p. 111 Observa-se que algumas dessas dificuldades poderiam ser solucionadas com a capacitação e treinamento dos docentes. Outras, no entanto, precisam de outros tipos de ações. Com relação ao número insuficiente de computadores e ao uso restrito dos laboratórios com agendamento, fica clara a dependência da aquisição de mais equipamentos e de espaço, ou de uma melhor organização da escola para que todos tenham acesso aos computadores. Quanto à falta de conhecimento para o uso dos equipamentos, bastaria oferecer um bom curso, e haver interesse dos professores em fazer esse curso. Porém, no caso dos problemas técnicos, seria necessário que existisse nas escolas uma equipe de manutenção. As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 6/16 A terceira dificuldade está diretamente ligada à formação dos professores. Cabe a cada instituição oferecer aos seus professores cursos e preparo, mas também cabe a cada docente correr atrás de sua educação continuada e quantos mais cursos fizer, quantas mais ferramentas conhecer, mais apto estará para trabalhar com as diferentes ferramentas e tecnologias e mais seguro se sentirá. Compartilhar informações com seus pares também é de suma importância, porque as experiências dos outros docentes podem nos ajudar a escolher as melhores estratégias para aplicarmos em nossas próprias práticas. Sobre o acesso a informações incompletas ou inadequadas para a faixa etária dos alunos, é preciso que, ao usar as tecnologias, o professor relacione esses recursos ao que pretende ensinar, visto que conforme as necessidades, o perfil e o estilo de aprendizagem, cada turma pode aprender de forma diferente e para tanto é necessário um planejamento prévio, e se possível, a experimentação do recurso tecnológico que se pretende utilizar. Agora, no que se refere à cópia de trabalhos por parte dos alunos, é preciso lembrar que esse tipo de subterfúgio já acontecia antes mesmo da inserção dos recursos tecnológicos. A diferença é que antes o aluno tinha o trabalho de ao menos copiar o texto no papel para entregar ao professor. Hoje basta um ‘copia e cola’ e a cópia é entregue, muitas vezes sem ao menos o aluno se dar ao trabalho de alterar o formato ou cor da letra de onde saiu aquela cópia. Boa parte dos alunos ou não sabe como fazer ou não quer fazer boas pesquisas. Só que isso não é ‘culpa’ das tecnologias, mas do comportamento inerente àquele estudante. Tal fato pode ser resolvido com a proposta, pelo professor, aos alunos, de pesquisas que requeiram um pouco mais do que uma simples busca. O docente pode solicitar aos alunos algum tipo de reflexão sobre aquela pesquisa, ou um confronto de ideias entre os vários pesquisadores do assunto. Ressaltamos que vale a pena ensinar aos alunos a forma como colocar no ‘papel’ o resultado dessas pesquisas, estimulando a comparação entre o que os diferentes autores falam a respeito de tal ou qual assunto, ou nos insights que os estudantes podem desenvolver enquanto realizam aquele trabalho. Esse também pode ser um foco de aula para os alunos. As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 7/16 De qualquer forma, mesmo superando as dificuldades, para que as potencialidades das NTICs possam surtir efeito no processo de ensino e aprendizagem, é essencial que o docente esteja qualificado, e mais, que essa formação seja atual, visto que os conhecimentos precisam ser revistos e atualizados. Por exemplo, um docente que ficou alguns anos distante da sala de aula, pode ser que ao retornar precise passar por um processo de reciclagem para resgatar os conteúdos aprendidos e apreender novos saberes de sua área de atuação, mais modernos e condizentes com as necessidades atuais. Vamos conhecer alguns dos fatores necessários para a formação docente visando a inserção das tecnologias digitais aos currículos: 1. bom embasamento teórico sobre a qualidade da educação necessária para a inserção de tecnologias; 2. experimentação da tecnologia; 3. orientações sobre o uso do software que será empregado para ministrar determinado conteúdo; 4. debate entre os participantes antes e após o curso; 5. análise sobre os desafios, os limites e as possibilidades de uso das diferentes tecnologias. O vínculo bem estreito entre a tecnologia e o processo de ensino e aprendizagem no processo de formação docente possibilita que a escola e os agentes envolvidos possam avançar na construção ecompartilhamento do conhecimento e no oferecimento de aulas mais dinâmicas e motivadoras para os alunos. (Almeida, 2019) As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 8/16 Saiba Mais Escola 2.0 foi um seriado jovem brasileiro, produzido e exibido pela TV Cultura, entre 25 de setembro de 2010 e 4 de novembro de 2011, semanalmente, mesclando temáticas educativas com teledramaturgia do dia-a-dia dos adolescentes. É interessante assistir alguns capítulos por apresentar tanto cenários cheios de tecnologias quanto um prédio de uma escola tradicional, mostrando que elementos antagônicos podem ser complementares. A série também mostra que os alunos não precisam ter uma disciplina específica no currículo para usar tecnologia no aprendizado. Amplie seus conhecimentos e acesse o endereço eletrônico da TV Cultura. https://tvcultura.com.br/busca/?q=escola+2.0 acessado em 10 de junho de 2022. https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/TV_Cultura https://tvcultura.com.br/busca/?q=escola+2.0 https://player.vimeo.com/video/734137555 As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 9/16 Um pouco mais sobre a formação do professor para o uso das TICs em sala de aula Podemos refletir então sobre a necessidade de reorientar o trabalho do professor para que deixe de utilizar a apresentação tradicional, sequencial e linear, com o uso de algum recurso tecnológico como o datashow, apenas como um instrumento, que não reflete, de fato uma aprendizagem significativa plena, para que passe a estimular a relação entre diversas disciplina e recursos, gerando um conhecimento em rede. Vamos enumerar agora quatro papéis que professores e alunos podem assumir em diversas situações de ensino-aprendizagem nas quais podem ser utilizadas tecnologias: (Laurillard, 1995, como citado em Tezani, 2017) 1. o professor como contador de histórias: o professor pode ser substituído por algum recurso audiovisual, como um vídeo, uma videoconferência ou até mesmo um podcast. 2. o professor como mediador: baseado em um conteúdo disponibilizado extraclasse, o ensino em sala de aula acontece por meio do debate sobre o conteúdo passado previamente, como um tipo de sala de aula invertida, na qual o docente atua como parceiro e intermediário dos alunos para com o material. 3. o aluno como pesquisador: o aluno é o responsável por interagir com os diferentes materiais/recursos, para descobrir, para apreender o saber. O docente apenas passa os comandos, organizando a atividade. 4. o professor e o aluno como colaboradores: ambos exploram juntos os recursos multimidiáticos, criando um novo espaço de ensino e aprendizagem, agora ressignificado. Isso pode ocorrer no uso de ferramentas colaborativas, como Wikis e blogs. As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 10/16 Vale ainda destacar que alguns docentes que optaram pelo uso das tecnologias em suas práticas reclamam da baixa qualidade da internet e dos programas, das dificuldades de acesso, dos equipamentos, entre outros, porque existe um fetiche de que as tecnologias são a solução para todos os problemas no processo de ensino e aprendizagem. A questão é que parte dos problemas não está nos programas, mas nas equipes que fazem esses programas ou que compram esses programas, que muitas vezes não estão diretamente ligadas à prática pedagógica, no dia a dia. Alguns softwares de baixa qualidade são adquiridos por escolas sem que tenham, de fato, um bom resultado. Talvez uma maneira de sanar esse problema seria que as equipes de produção de softwares tivessem entre seus integrantes, educadores. Porém, para que isso seja possível, seria necessário que os professores tivessem em suas formações essas competências, para que pudessem ser agentes, produtores, operadores e críticos dessa nova educação mediada por tecnologias eletrônicas de informação e comunicação. (Tezani, 2017) Em Resumo Aprendemos, nesta aula, que os docentes, de maneira geral, enxergam com bons olhos a inserção das tecnologias nas práticas educativas, visto que permitem uma melhor interatividade entre professores e alunos (e entre os alunos), oferecem conhecimentos diversificados, com aulas mais agradáveis e interessantes, extrapolando as paredes da escola, possibilitando a socialização do saber e a inclusão de estudantes e alunos. Porém, é nítido que existem certas dificuldades enfrentadas por eles que precisam ser superadas e que se referem a problemas com infraestrutura ou falta de recursos nas escolas, falta de informações que embasem suas práticas de maneira mais certeira, falta de conhecimento sobre o uso de alguns recursos e metodologias, dentre outras. Aprendemos que no dia a dia escolar, professores e alunos podem assumir o papel de contador de história, e de mediador, no caso do professor, de pesquisador, no caso do aluno, e de colaborador no caso do docente e também do estudante. As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 11/16 Aplicação na Prática Pense se a escola onde trabalha (ou na qual estuda ou estudou caso não seja professor) passou por alguma reforma ou atualização nos últimos anos de forma a inserir novos recursos e tecnologias no currículo. Faça suas anotações aqui e procure refletir e compartilhar com seus colegas. Pode usar o fórum da semana 4 que está para começar. As tecnologias integradas ao currículo e à formação do docente • 12/16 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Almeida, Siderly do Carmo Dahle de. (2019). Convergências entre currículo e tecnologias. [livro eletrônico]. Curitiba: InterSaberes. Tezani, Thaís. (2017) Tecnologias da Informação e comunicação no ensino. São Paulo: Pearson Education. https://player.vimeo.com/video/734137763 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes O Currículo em Camboja PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 4 .1 O Currículo em Camboja • 2/17 Objetivos de Aprendizagem • Conhecer o Quadro Curricular de Educação Geral e Técnica do Camboja, de 2015. • Compreender o escopo e os componentes desse quadro curricular. • Estudar as suas abordagens curriculares, metodologias e avaliação. O Currículo em Camboja Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734137922 O Currículo em Camboja • 3/17 Introdução Embasado no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) da Educação 2030, o Unesco-IBE afirma que o currículo conduz todos os aspectos importantes de um sistema de educação sólido, como a qualidade, a inclusão, o conteúdo a ser ministrado, o ensino e a aprendizagem, a avaliação, entre outros, preparando cidadãos ativos, local e mundialmente. Vale ressaltar que o Bureau Internacional de Educação (IBE) é um instituto da categoria 1 da Unesco, conhecido como um Centro de Excelência em matéria de currículo. A Agenda Educação 2030 foi definida por diversas entidades internacionais ligadas à educação durante o andamento do Fórum Mundial de Educação (FME), que teve lugar em Incheon, na Coreia do Sul, em 2015. Nesse Fórum, a educação foi colocada como um fator indispensável para o desenvolvimento sustentável, inclusivo, justo e coeso de um país, bem como da vida de sua população. Em 2018, a Unesco analisou, por meio do IBE, os quadros curriculares de 5 países que tinham passado recentemente por reformas inovadoras em seus sistemas de ensino: Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru. Apesar de terem realidades muito diferentes, que vão desde o modelo de governo até o grau de investimento do Produto Interno Bruto (PIB) em educação, os cinco países estudados criaram um documento sobreo currículo educacional, assim como sobre as reformas realizadas no setor nos últimos anos, inserindo novas tecnologias e inovações. (Oliveira, 2019) O estudo da Unesco visou entender até que ponto os países apresentam e debatem a estrutura de seus sistemas de ensino, as novas abordagens pedagógicas empregadas, as metodologias de ensino-aprendizagem e as técnicas de avaliação, dentre outros itens relevantes. Procurou analisar também quais são as tendências atuais no que se refere às reformas curriculares que têm ocorrido em todo o mundo. (Opertti, Kang & Magni, 2018) O Currículo em Camboja • 4/17 Camboja: Quadro Curricular de Educação Geral e Técnica, 2015 O Quadro Curricular da Educação Geral e Técnica (Curriculum Framework of General Education and Technical Education – CFGETE) do Camboja, criado em 2015, inicia com uma mensagem do Ministro da Educação, destacando que o desenvolvimento dos recursos humanos com conhecimentos, competências e habilidades está alinhado com o objetivo nacional do Camboja, que é desenvolver a economia e se transformar em um país com renda média-alta até o ano de 2030, e ainda ser um país desenvolvido até o ano de 2050. Detalha como o CFGETE funcionará como agente de educação do país, para que os estudantes sejam cidadãos que alcancem o seu potencial máximo, de forma a estarem preparados para viver uma vida plena como sujeitos ativos e que contribuam para o desenvolvimento da nação e do mundo. De forma a alcançar essas metas, o Ministério da Educação, Juventude e Esporte (CAMBODIA MoEYS, em inglês) acredita que a formação docente, assim como o seu quadro curricular são os elementos fundamentais para o processo de reforma curricular do país. Desde o ano de 1979, o currículo do Camboja tem passado por 4 estágios de desenvolvimento. As deficiências estruturais alertaram sobre a necessidade de conscientização de se elaborar um currículo para a quinta fase da reforma. Um dos principais motivos foram as baixas taxas de qualidade da educação e de aprovação nas avaliações (menos de 50%), ambas reveladas pelo resultado do Exame Nacional do Segundo Nível da Educação Secundária de 2014. Outro fator foram os reflexos das altas taxas de abandono escolar e de alfabetização limitada, mesmo depois da conclusão da educação primária ou do primeiro nível da educação secundária. Mais um motivo importante foram os resultados da análise do currículo que estava em uso até então e da qualidade dos livros didáticos, que mostraram alguns erros técnicos e de conteúdo. Além disso, também foi considerado que alguns temas ensinados eram irrelevantes para a vida cotidiana e para as mudanças mundiais. O Currículo em Camboja • 5/17 O CFGETE tem a preocupação de enfatizar alguns objetivos principais necessários para um estudo que represente as necessidades atuais do país, com a aquisição de habilidades em línguas (khmer e línguas estrangeiras), em ciência, em tecnologia, em tecnologias da informação e comunicação (TIC), em civismo, em pensamento crítico e em aprendizagem ao longo da vida. Escopo e componentes do quadro curricular Não há menção específica, com detalhes, a respeito dos escopos do quadro curricular do país, porém, é possível presumi-lo, ao observar sua estrutura e os componentes do documento, assim como o título. Na seção ‘Temas e horas de estudo’, os resultados da aprendizagem, dos conteúdos e das horas de estudo estão destinados à educação infantil, à educação primária, ao primeiro e segundo nível da educação secundária e à educação técnica. Observa-se também que o currículo está voltado tanto para a educação geral quanto para a educação técnica. O escopo vertical do currículo é especificado para os anos escolares K-12 ( jardim de infância até o 12º ano). O documento não detalha os anos do 1º ao 9º; porém, pela primeira vez, oferece dois caminhos: ciências e ciências sociais para os anos do 10º ao 12º. O quadro procura desenvolver uma estrutura curricular que seja coerente e abrangente, que esteja bem alinhada e consistente e que possibilite o aprendizado dos alunos em todos os níveis de ensino. A estrutura se concentra nos resultados esperados para todas as aprendizagens e no desenvolvimento de línguas (do 1º ao 6º ano), das TICs (do 4º ao 12º ano) e das habilidades locais (do 4º ao 9º ano). Além disso, são caracterizadas como disciplinas individuais: a educação em saúde, a educação artística e a educação física e os esportes. De forma a chegar a uma educação sustentável inclui-se a educação inclusiva e a educação especial. Importante ressaltar também que os estudantes do segundo nível da educação secundária, do 10º ano escolar, poderão escolher dentre diversas opções de caminhos de estudos (vertentes) como ciências, ciências sociais e educação técnica. O documento também inclui a importância de se garantir o reforço da formação docente ao oferecer diretrizes e metodologia de ensino modernas e ainda realiza a compilação de todos os documentos relacionados ao currículo, como os manuais do docente e os indicadores educacionais, por exemplo. O Currículo em Camboja • 6/17 Abordagens Curriculares O CFGETE adotou a abordagem baseada em competência para a reforma curricular. São elas: o letramento e o numeramento, as línguas estrangeiras, as TICs, a comunicação e o trabalho em equipe, a análise e a criatividade, a aplicação de conhecimentos e habilidades, o desenvolvimento pessoal, familiar e social, e ainda o empreendedorismo e a liderança. A descrição dessas competências mostra que os alunos precisam estar munidos de habilidades práticas para beneficiar a sua vida cotidiana no local onde moram, no país e no mundo. O entendimento da educação que está por trás do documento a vê como um meio para desenvolver os talentos e as capacidades de todos os estudantes de forma paralela ao crescimento e desenvolvimento intelectual, espiritual, mental e físico. Essencialmente, tanto as competências acadêmicas tradicionais, como as habilidades em alfabetização, em matemática e em ciência, quanto as competências práticas, como a resolução de problemas, o pensamento crítico, as tomadas de decisões, o empreendedorismo e a liderança, desempenham um papel essencial e fazem parte dos objetivos curriculares do país. https://player.vimeo.com/video/734138243 O Currículo em Camboja • 7/17 Visando resolver o problema das baixas taxas nos resultados das habilidades funcionais de alfabetização, existe uma grande ênfase em fazer cumprir o aprendizado dos alunos nas áreas de linguagem básica, de estudos sociais e nas habilidades matemáticas em todos os níveis de ensino. Seguem abaixo os temas gerais, estruturados conforme as competências necessárias, como foram descritos pelo Ministério da Educação, Juventude e Esportes de Camboja. Figura 1 - Temas gerais e suas competências para a educação infantil, educação primária, 1º e 2º nível da educação secundária e educação técnica Fonte: Cambodia MoEYS, 2015, p. 4-9, como citado em Opertti, Kang & Magni, 2018 É possível perceber que não há menção clara no que se refere à inclusão dos temas transversais, assim como do desenvolvimento sustentável, da educação em direitos humanos, da igualdade de gênero, entre outros. Apenas cita, nos objetivos, que os alunos precisam entender os deveres e práticas dos direitos humanos como cidadãos responsáveis e como representantes de suas famílias, comunidades, sociedade, região, e do mundo, além de respeitar os valores dos direitos humanos. Vale ressaltar que os direitos humanos e as questões de igualdade de gênero são brevemente citados na área de aprendizagem da educação em saúde. O Currículo em Camboja • 8/17 É interessante observar que o documento se estrutura com base nos resultados esperados de desempenho, e no conjunto de competências, e cada nível de ensino engloba os resultados separados por conhecimentos, habilidades e atitudes que se espera que os alunos desenvolvam até a finalização de todosos níveis de estudo. Metodologia de Ensino e Aprendizagem Uma das prioridades curriculares do país diz respeito ao fortalecimento da capacitação docente e dos princípios e valores do ensino. Esses princípios refletem a adoção de uma abordagem na qual os alunos figuram no centro do processo de aprendizagem e os professores como facilitadores, que procuram dotar seus estudantes com saberes, habilidades e atitudes. Esse foco no aluno implica no uso de conhecimentos e habilidades como ferramentas que os ajudem a resolver os problemas de suas vidas cotidianas, e na necessidade de garantir a melhor formação para os docentes tem como objetivo garantir a alta eficiência na implementação do CFGETE. Menciona-se no documento que os professores precisam receber formação em metodologias de ensino e em avaliação de forma a estarem providos de materiais e suporte técnico necessários para suas práticas, e também precisam de formação e preparo para melhorarem suas habilidades de pesquisa. A função dos professores, no que diz respeito à avaliação, tem destaque na seção, “Avaliação de aprendizagem e ensino”. Conforme consta, os subcomitês instituídos pelo Ministério da Educação são os responsáveis por desenvolver os padrões, os indicadores e os programas de formação dos professores. Apesar de abordar os princípios do ensino e dar ênfase aos docentes e à sua formação, não constam diretrizes específicas sobre metodologia de ensino e não se descreve com detalhes quais são as funções ou ações que os educadores ou partes envolvidas no processo de ensino-aprendizagem devem desempenhar na implementação dos currículos. O Currículo em Camboja • 9/17 Avaliação Neste aspecto, o CFGETE procura coletar, analisar e refletir sobre as competências e sobre os resultados da aprendizagem dos estudantes, resumindo-os em cinco princípios principais: 1. avaliação das competências dos alunos: os conhecimentos, as habilidades, as atitudes e as habilidades de aplicação; 2. avaliação do sistema de ensino: os recursos humanos, os recursos educacionais, a gestão, bem como a liderança; 3. unidades de avaliação: são o Comitê de Certificação do Camboja, o Departamento de Desenvolvimento Curricular, as partes envolvidas nas escolas e as agências relevantes; 4. níveis de avaliação: com análise regional e internacional, com avaliação nacional, e ainda as avaliações da escola e dos anos escolares; e 5. emprego dos resultados de avaliação: análise de como serão usados para melhorar a qualidade da educação em todos os níveis. Embora o papel e o objetivo da avaliação serem abordados de forma objetiva no quadro curricular, apenas são apresentados alguns exemplos gerais de abordagens de avaliação, como o uso de questionários, de exercícios de solução de problemas, de discussões em sala de aula, de textos e pequenos projetos de pesquisa. O Currículo em Camboja • 10/17 Saiba Mais Dentre algumas das práticas inovadoras que temos hoje em dia em matéria de currículo está o Portfólio no Centro Universitário Internacional Uninter. É uma ferramenta inovadora, tanto do ponto de vista da avaliação quanto do desenvolvimento da atividade em si. O portfólio permite que o professor veja o trabalho de seus estudantes como uma atividade complexa, porém menos rígida, com elementos que se interconectam, contribuindo para a formação de alunos mais proativos e donos de seus processos de aprendizagem, diferente do que ocorre com a aplicação de uma prova tradicional, com perguntas fechadas. O portfólio é uma oportunidade de aproximar o estudo com a vida, visto que é um compilado dos trabalhos do aluno realizados nas mais diversas mídias. Esses trabalhos têm origem em encontros periódicos entre alunos e tutores no polo de apoio presencial para discutir reflexões, críticas, conteúdos significativos, palestras, eventos, situações práticas da vida, etc. Todos os portfólios apresentam propostas diferentes, como produção de podcast, discussão em grupos de WhatsApp, desenvolvimento de textos jornalísticos, criação de blog, dentre outras. Com certeza é uma inovação curricular. (Wunsch, 2018) Ficou curioso? Então acesse os seguintes endereços eletrônicos e saiba mais sobre o assunto. O que é o portfólio da Uninter? (2021) - Vídeo. https://www.uninter. com/noticias/o-que-e-o-portfolio-da-uninter acessado em 10 de junho de 2022 O que é o portfólio da Uninter? (2021) - Texto. https://www. pensandohoje.com.br/o-que-e-o-portfolio-da-uninter/#:~:text=O%20 portf%C3%B3lio%20da%20Uninter%20%C3%A9,a%20teoria%20 aprendida%20%C3%A0%20pr%C3%A1tica. acessado em 10 de junho de 2022 https://www.uninter.com/noticias/o-que-e-o-portfolio-da-uninter https://www.uninter.com/noticias/o-que-e-o-portfolio-da-uninter O Currículo em Camboja • 11/17 Em Resumo Ao longo desta aula, foi possível compreender um pouco sobre como está estruturado o currículo do Camboja, seus objetivos e características. Vimos, por exemplo, que o currículo abrange a educação infantil, primária, primeiro e segundo nível da educação secundária e educação técnica e que sua abordagem está baseada no ensino das competências. Com relação à importância da educação, ela é vista como um meio para desenvolver os talentos e as capacidades de todos os estudantes de forma paralela ao crescimento e desenvolvimento intelectual, espiritual, mental e físico. Também pudemos observar que não há menção clara no que se refere à inclusão dos temas transversais, mas sim, há uma parte bem relevante do documento dedicada ao fortalecimento da capacitação docente e dos princípios e valores do ensino. Portanto, percebemos que é um currículo muito focado no desenvolvimento e crescimento dos estudantes para que contribuam para o seu país e para o mundo. O Currículo em Camboja • 12/17 Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/734138508 O Currículo em Camboja • 13/17 Referências Bibliográficas Oliveira, Tory. (2019). Como se organiza o currículo de outros países? Pesquisa da Unesco compara bases comuns curriculares de Brasil, Finlândia, Camboja, Quênia e Peru, mostrando pontos positivos e negativos de cada proposta. Nova Escola. ed. 321. https://novaescola.org.br/conteudo/16547/como-se-organiza-o-curriculo-de- outros-paises acessado em 05 de junho de 2022 Opertti, Renato, Kang, Hyekyung Kang & Magni, Giorgia. (2018) Análise comparativa dos quadros curriculares nacionais de cinco países: Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru. UNESCO International Bureau of Education. https://unesdoc.unesco.org/ ark:/48223/pf0000263831_por acessado em 05 de junho de 2022. Wunsch, Luana Priscila. (2018) Tecnologias na Educação: conceitos e práticas. Curitiba: InterSaberes. https://novaescola.org.br/conteudo/16547/como-se-organiza-o-curriculo-de-outros-paises https://novaescola.org.br/conteudo/16547/como-se-organiza-o-curriculo-de-outros-paises https://unesdoc.unesco.org/query?q=Corporate:%20%22UNESCO%20International%20Bureau%20of%20Education%22&sf=sf:* https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por O Currículo em Camboja • 17/17 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes O Currículo na Finlândia PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 4 .2 O Currículo na Finlândia • 2/16 Objetivos de Aprendizagem • Conhecer o Quadro Curricular da Base Nacional Curricular para a Educação Básica da Finlândia, de 2014. • Compreender o escopo e os componentes desse quadro curricular. • Estudar as suas abordagens curriculares, metodologias e avaliação. O Currículo na Finlândia Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734138649O Currículo na Finlândia • 3/16 Introdução A chamada Base Nacional Curricular para a Educação Básica (National Core Curriculum for Basic Education – NCCBE) da Finlândia, elaborada em 2014 é um marco de ação integral e inclusiva, que foi desenvolvida para funcionar como um alicerce no preparo, desenvolvimento e implementação do currículo no país e também dos planos escolares anuais, apresentando uma estrutura bem completa e um conjunto de princípios e de diretrizes a serem usados pelas partes interessadas. A finalidade é proporcionar uma constante melhoria na qualidade da educação e reforçar uma educação contínua. (Finland. FNBD, 2016, como citado em Opertti, Kang & Magni, 2018) O quadro curricular procura fornecer um guia que norteie o estudo dos alunos à medida em que passam pelos diferentes níveis de ensino, desde a educação pré- primária para a básica e, depois, da educação básica para as seguintes etapas. O documento é desenvolvido consoante a base jurídica do país, como a Lei e o Decreto de Educação Básica, os Decretos do Governo e a Base Nacional Curricular. Vamos a ela. Finlândia: Base Nacional Curricular para a Educação Básica, 2014 A NCCBE está fundamentada na educação básica, visando garantir a igualdade e uma educação de alta qualidade, além de favorecer o crescimento, o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos. A educação básica prima para que os seus estudantes vivam como membros ativos da sua comunidade e de uma sociedade democrática, realizando tarefas educacionais, sociais, culturais e voltadas para o futuro. Assim, os objetivos nacionais da educação básica visam: o crescimento como ser humano e como membro da sociedade; e oferecer conhecimentos e habilidades, promover conhecimento e competência, assim como igualdade e aprendizagem ao longo da vida. O Currículo na Finlândia • 4/16 Os quatro valores subjacentes no documento são: a singularidade de cada aluno e o direito a ter uma educação de qualidade; a humanidade, a aquisição de conhecimentos gerais e capacidade, igualdade e democracia; também consta a diversidade cultural como uma riqueza; e a necessidade de uma vida sustentável. A ideia de aprendizagem considera os alunos como ‘atores ativos’ com habilidades para aprender a aprender, e para serem capazes de planejar e fixar metas para suas vidas, resolver problemas, e ainda promover a sua própria aprendizagem. Dessa forma, a NCCBE tem como objetivo evitar qualquer tipo de desigualdade e de exclusão e ainda promover a igualdade de gênero, e valorizar o patrimônio cultural do país. O quadro curricular está estruturado conforme os tratados internacionais de direitos humanos, que focam nas oportunidades de aprendizagem e no bem-estar dos estudantes, como a Convenção sobre os Direitos da Criança, o Pacto Internacional sobre os Direitos Econômicos, Sociais e Culturais e a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. Diferente do que ocorre no documento do Camboja, não apresenta nenhuma mensagem de um diretor ou diretor-geral. Além disso, as finalidades e os objetivos encontram-se nos cinco primeiros capítulos, como os princípios da educação básica. (Opertti, Kang & Magni, 2018) Escopo e componentes do quadro curricular A NCCBE informa claramente que os alunos da educação básica são o seu público- alvo, o que também fica bem claro no título do documento, qual seja: Base Nacional Curricular para Educação Básica. A educação básica engloba o período do 1º ao 9º ano escolar e está dividida nos seguintes grupos: 1-2 (considerando 1º e 2º ano), 3-6 (considerando do 3º ao 6º ano), e 7-9 (considerando do 7º ao 9º ano). Cada nível de ensino tem quatro seções principais e cada uma começa informando a forma pela qual a transição do nível de educação anterior ao seguinte deve acontecer, por exemplo: da educação pré-primária para a básica, e ainda apresenta as tarefas essenciais esperadas para aquele nível específico de ensino. O Currículo na Finlândia • 5/16 Também esclarece as competências transversais que devem ser adquiridas pelos estudantes e descreve, de forma detalhada, os conteúdos para cada ano escolar, assim como lista os objetivos de cada disciplina, e ainda relata a ligação entre as disciplinas e as respectivas áreas e habilidades transversais. Sobre os mecanismos para a implementação efetiva do currículo, detalha o funcionamento da cultura escolar, como está organizado o trabalho escolar, como deve ser realizada a avaliação, como se dá o apoio à aprendizagem e à manutenção da frequência escolar, assim como o bem-estar dos alunos, a linguagem e a cultura, a educação bilíngue, o sistema pedagógico e os estudos optativos. O documento é abrangente, orientando os leitores, principalmente as autoridades educacionais, e indica cada detalhe de como o currículo deve ser implementado no âmbito nacional, na escola e na sala de aula. (Opertti, Kang & Magni, 2018) https://player.vimeo.com/video/734138935 O Currículo na Finlândia • 6/16 Abordagens curriculares Observa-se na seção ‘Promover a cultura de uma educação básica abrangente’, a necessidade de se criar uma cultura saudável e empoderada, para implementar, de forma efetiva, o quadro curricular, que engloba a cultura escolar, o ambiente de aprendizagem e os métodos de trabalho. O documento mostra como fundamental incluir abordagens integradas e módulos multidisciplinares. Enfatiza-se no documento a importância da cultura escolar, levando em consideração os impactos que ela produz na qualidade do processo de ensino e aprendizagem e nos tipos de práticas realizadas com os estudantes, ou seja, considera-se que tudo o que acontece na escola importa, ainda que seja de forma inconsciente. Inserir a comunidade de aprendizagem no centro desse processo, incentiva os discentes a colaborarem entre si e garante o acesso igualitário à orientação, visando produzir aprendizagem individual e coletiva, assim como estimula a colaboração entre os responsáveis pelas escolas e outros parceiros da comunidade ao considerar as necessidades locais. Nesse ambiente, os estudantes podem trabalhar individual ou coletivamente, aprendendo mediante o experimento, com criatividade, de forma participativa e ativa, com atividades físicas e jogos, que ajudam a criar confiança e respeito, e a entender a importância da diversidade. Vale ressaltar que a instrução integradora e por módulos de aprendizagem multidisciplinar é considerada fundamental. Entende-se por Instrução Integradora a ligação e a interdependência que existe entre os diferentes conteúdos oferecidos, e as situações reais vivenciadas, possibilitando que os alunos ampliem sua visão de mundo de forma crítica. Já a aprendizagem multidisciplinar envolve as ferramentas integradoras que auxiliam na realização dos objetivos educacionais ao desenvolver e reforçar as competências transversais. O essencial é a ligação entre as disciplinas e suas abordagens, e entre as disciplinas e outras atividades escolares. Vale lembrar que o currículo finlandês oferece competências transversais em todas as áreas de conhecimento e em todos os níveis de ensino. O Currículo na Finlândia • 7/16 A esse respeito, há sete áreas de competências transversais, desenvolvidas conforme os três pilares fundamentais desse documento: os valores subjacentes, o conceito de aprendizagem e a cultura escolar. Essas áreas de competência estão inter-relacionadas. São elas: 1. refletir e aprender a aprender; 2. a competência cultural, a interação e a expressão própria; 3. cuidar de si próprio e administrar a sua vida em sociedade; 4. o multiletramento; 5. as competências nas TICs; 6. a competência para o mundo do trabalho e para o empreendedorismo; e ainda 7. a participação, o envolvimento e a construção de um futuro sustentável. Em cada um dos níveis de ensino, explica-se como as competências transversais serão integradas. Nos anos 1-2, encontram-se disciplinas como língua materna e literatura (comofinlandês, sueco, sami, roma, linguagem de sinais e outras línguas maternas); a segunda língua nacional (como finlandês ou sueco); a língua estrangeira (como inglês ou outra língua estrangeira ou a língua de sinais); a matemática; a educação ambiental; a religião; a ética; a música; as artes visuais; o artesanato; bem como a educação física. Nos anos 3-6, são incluídos estudos sociais e história, enquanto as outras disciplinas se mantêm como nos anos anteriores. Nos anos 7-9, além das disciplinas existentes, soma-se o estudo sobre biologia, geografia, física, química, educação em saúde e economia doméstica, porém exclui-se a educação ambiental. O documento insere ainda estudos sobre as atividades de clubes escolares, sobre o uso da biblioteca, as refeições na escola, os recessos e os meios de transporte escolar. Ele também promove a equidade, a igualdade, a justiça e a diversidade cultural que deve haver entre os estudantes. (Opertti, Kang & Magni, 2018) O Currículo na Finlândia • 8/16 Metodologia de ensino e aprendizagem Os objetivos de instrução de cada disciplina são definidos conforme as áreas de aprendizagem e as competências transversais. Eles guiam os docentes no preparo e desenvolvimento das suas aulas, definindo os objetivos específicos e ajustando as práticas de ensino-aprendizagem, e mencionam as metodologias de ensino. O documento cita, por exemplo, que é função dos professores escolher os métodos de ensino que devem ser usados, e os orienta a usá-los para melhorar a sua capacidade de autorregulação. Menciona que devem envolver os estudantes no planejamento e na avaliação dos seus métodos de estudo para que sejam responsáveis por sua própria aprendizagem. Ao considerar os estudantes como atores ativos que determinam seus próprios objetivos e solucionam problemas individual e coletivamente, de certa forma indica que o papel dos professores é mais o de um guia e facilitador. A seção ‘Responsabilidade partilhada para o dia escolar’ detalha que os docentes são responsáveis pelas atividades, aprendizagem, avaliação e bem-estar dos estudantes. A NCCBE também detalha que a avaliação pode ser usada como um dos instrumentos pedagógicos mais importantes, por meio da qual os professores também podem se auto avaliar, refletir sobre seus métodos de ensino e melhorar suas práticas, focados nas necessidades dos estudantes. Avaliação No que se refere à avaliação, a NCCBE estimula a autoavaliação dos estudantes (e dos professores), com o apoio dos docentes e dos pais ou responsáveis, e nesse caso a função dos professores é de fornecer opiniões construtivas e orientar os alunos para que melhorem a cada dia, adotando métodos de avaliação justas, éticas e versáteis, com interação contínua com os alunos. A avaliação deve levar em consideração a idade e as capacidades dos estudantes. O documento adota dois tipos de avaliação. A avaliação formativa que ocorre de forma contínua durante o ano escolar, como aprendizagem diária, e a avaliação somativa, que costuma ser aplicada no fim de cada ano escolar, como uma avaliação global do desempenho dos alunos. O Currículo na Finlândia • 9/16 No caso da avaliação somativa, as notas podem ser em escala descritiva tais como excelente, bom, regular, ou numérica com notas de 0 a 10, ou ambas, e deve ser usada para os anos 1-7. As notas em escala numérica devem ser usadas para os anos 8-9. Ainda há avaliação adicional para pontos transitórios, como no fim do nível 2 e do nível 6, assim como na avaliação final da educação básica, que pode acontecer nos níveis 7, 8 ou 9 dependendo do currículo local. É importante reforçar, para finalizar, que a avaliação deve garantir a justiça, a equidade e a igualdade para todas as regiões, para todos os gêneros e para todos os contextos sociais (Finland. FNBD, 2016, como citado em Opertti, Kang & Magni, 2018). Saiba Mais Quer saber mais sobre a educação da Finlândia? Vamos lá. Até o começo dos anos 2000, os alunos de 10 a 12 anos tinham aula de Ciências da Computação, porém, no decorrer dessa década, essa disciplina foi eliminada para que as TICs integrassem todo o currículo, perpassando todas as disciplinas. No ano de 2016, o currículo do país foi novamente remodelado e passou a considerar as competências vinculadas com o uso das TICs e as habilidades ligadas ao pensamento computacional. O novo currículo enfatiza a necessidade de os alunos adquirirem as seguintes habilidades com relação às TICs: usá-las de maneira segura, entender o que são e como funcionam, usá-las para pesquisar, para a comunicação e para o networking, para analisar e visualizar criticamente coisas de diferentes perspectivas, estar abertos a novas soluções e para aprender coisas novas por meio de jogos, games, atividades físicas e experimentos. (Wunsch, 2018) O Currículo na Finlândia • 10/16 Em Resumo Ao longo deste tema, conhecemos sobre a Base Nacional Curricular para a Educação Básica da Finlândia, que é um marco de ação integral e inclusiva, cuja finalidade é proporcionar uma constante melhoria na qualidade da educação e reforçar uma educação contínua. Aprendemos que esse currículo está focado na educação básica, visando garantir a igualdade e uma educação de alta qualidade, além de favorecer o crescimento, o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos, considerando-os ‘atores ativos’ com habilidades para aprender a aprender, para planejar e fixar metas para suas vidas, resolvendo problemas e promovendo a sua própria aprendizagem. Dessa forma, pudemos compreender que a NCCBE tem como objetivo evitar qualquer tipo de desigualdade e de exclusão e ainda promove a igualdade de gênero e valoriza o patrimônio cultural do país. Finalmente, pudemos perceber também que o documento define como função dos professores escolher os métodos de ensino que devem ser usados. No que se refere à avaliação, estudamos que o currículo finlandês aplica a avaliação formativa, a avaliação somativa e ainda uma avaliação adicional para pontos transitórios. Enfim, é um currículo que enfatiza bastante as competências transversais. Com certeza, é um currículo integrador. Saiba Mais Vamos conhecer um pouco mais sobre práticas educativas inovadoras? Em 1999, o professor indiano Sugata Mitra fez um estudo sobre o ensino a distância, fora de sala de aula, na educação de crianças com idade de frequentar até o quinto ano. A ideia desse estudo surgiu após ouvir de pais ricos, que seus filhos, ao usar o computador, tinham um dom, porque faziam coisas incríveis. Mitra passou a se perguntar se apenas os estudantes ricos tinham capacidade para ‘fazer coisas incríveis’ e resolveu instalar um computador com internet em um muro que separava uma favela e seu escritório em Nova Délhi (Índia). O Currículo na Finlândia • 11/16 O objetivo era saber o que aconteceria com crianças que tivessem acesso a um computador com internet em língua inglesa. Enquanto instalava o equipamento, as crianças perguntavam a ele o que era aquilo e se podiam tocar. Ele respondeu que elas podiam interagir com a máquina e se afastou. Oito horas depois ele voltou e viu crianças interagindo com o equipamento e ensinando outras a fazer o mesmo. Não acreditando que as crianças não tivessem tido acesso anterior ao equipamento repetiu o experimento a 500 km de lá, em um pequeno vilarejo. Depois de 2 meses, voltou ao local e encontrou as crianças rodando jogos, e lhe disseram que queriam um computador com um mouse melhor. Também disseram bravos que ele tinha oferecido um computador que só funcionava em inglês e, portanto, eles tiveram que ‘aprender sozinhos’ o idioma. Ele constatou então que a tecnologia oferece às crianças oportunidades e experiências únicas. Esse projeto é conhecido como Hole in the Wall (que significa buraco na parede) e aconteceu em mais de 20 regiões da Índia. (Wunsch, 2018) Quer saber mais? acesse: Um computador na parede, uma janela de aprendizagem para crianças. (2016). https://fundacaotelefonicavivo.org.br/noticias/um-computador-na-parede-uma-janela-de-aprendizagem-para-criancas/ acessado em 16 de junho de 2022. https://fundacaotelefonicavivo.org.br/noticias/um-computador-na-parede-uma-janela-de-aprendizagem-para-criancas/ https://fundacaotelefonicavivo.org.br/noticias/um-computador-na-parede-uma-janela-de-aprendizagem-para-criancas/ O Currículo na Finlândia • 12/16 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Opertti, Renato, Kang, Hyekyung Kang & Magni, Giorgia. (2018) Análise comparativa dos quadros curriculares nacionais de cinco países: Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru. UNESCO International Bureau of Education. https://unesdoc.unesco.org/ ark:/48223/pf0000263831_por acessado em 05 de junho de 2022. Wunsch, Luana Priscila. (2018) Tecnologias na Educação: conceitos e práticas. Curitiba: InterSaberes. https://unesdoc.unesco.org/query?q=Corporate:%20%22UNESCO%20International%20Bureau%20of%20Education%22&sf=sf:* https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por https://player.vimeo.com/video/734139343 Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes O Currículo no Quênia PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 4 .3 O Currículo no Quênia • 2/17 Objetivos de Aprendizagem • Conhecer o Quadro Curricular para a Educação Básica do Quênia, de 2017 • Compreender o escopo e os componentes desse quadro curricular. • Estudar as suas abordagens curriculares, metodologias e avaliação. O Currículo no Quênia Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734139525 O Currículo no Quênia • 3/17 Introdução O Quadro Curricular da Educação Básica do Quênia (Basic Education Curricular Framework – BECF), ao ser desenvolvido após um intenso processo, identificou várias preocupações que geraram a necessidade de se fazer uma reforma educacional. O secretário menciona no prefácio que essa reforma visava incluir todos os níveis de educação básica, a pré-primária, a primária, a secundária e a educação especial (citada no documento como educação para necessidades especiais). Também explicita que o BECF foi desenvolvido conforme a Constituição do Quênia, com a chamada ‘Visão 2030’, que considera as Estruturas e Marcos de Ação de Harmonização Curricular da Comunidade da África Oriental, e ainda o Relatório nº 2 de 2015 que contempla a Reforma de Educação e Formação no Quênia (KENYA KICD, 2017 como citado em Opertti, Kang & Magni, 2018). Vamos a ele. Quênia: Quadro Curricular para a Educação Básica, 2017 O documento traz um diferencial, visto que detalha os desafios das trajetórias inflexíveis da educação, que impossibilitaram que os alunos fossem preparados adequadamente para progredirem em suas carreiras. Reforça que esses desafios influenciaram para que houvesse aumento nas taxas de abandono escolar no país e desperdício de talento, conduzindo a um alto índice de desemprego. Também detalha outros fatores que influenciaram a reforma curricular, como os currículos orientados por avaliações, as sobrecargas curriculares, a formação insuficiente dos professores, as lacunas nas habilidades de empreendedorismo e o foco na avaliação somativa. Esses fatores fizeram com que o documento intensivasse a necessidade de renovar as metodologias, que falharam em seus objetivos, porque não estavam alinhadas com a aspiração do país, que procura colocar a educação no centro do desenvolvimento humano e econômico. O Currículo no Quênia • 4/17 O BECF recomenda que a reforma curricular deva se basear nas competências, no desenvolvimento de um sistema nacional de avaliação do ensino, na identificação e formação de talentos, na abordagem dos valores nacionais e sua integração com o currículo, e ainda na oferta de três opções de trajetórias educacionais no que se refere à educação secundária superior. Este novo currículo reformado, objetiva possibilitar que cada cidadão queniano se transforme em alguém comprometido, empoderado, ético, patriota e global (ao mesmo tempo). Essa visão é a base da reforma do currículo referente à educação básica, que procura encorajar o potencial de todos os estudantes. Conforme o documento, os objetivos educacionais do Quênia são: 1. estimular o nacionalismo, o patriotismo e a coesão nacional; 2. favorecer o desenvolvimento social, econômico, tecnológico e industrial; 3. estimular a autorrealização e o desenvolvimento individual; 4. propiciar o desenvolvimento de sólidos valores morais e religiosos; 5. favorecer a responsabilidade e a igualdade social; 6. estimular o respeito e o desenvolvimento da cultura; 7. propiciar a consciência internacional e encorajar atitudes positivas com relação a outras nações; e ainda, 8. estimular atitudes positivas para uma boa saúde e proteção ambiental. Esses objetivos estão embasados em 3 grandes pilares: valores, abordagens teóricas e princípios orientadores. Vale ressaltar que os valores inseridos no quadro curricular foram estabelecidos na Constituição do Quênia, em 2010, e dizem respeito à responsabilidade, ao respeito, à excelência, ao cuidado e compaixão, à compreensão e tolerância, à honestidade e confiança e ainda à ética. O BECF exige a transmissão de valores nas escolas, como a administração, a empatia, a diversidade, o trabalho em equipe, a comunicação, e apresenta algumas práticas pedagógicas inovadoras que devem ser desenvolvidas como a teoria do design instrucional, a teoria da aprendizagem visível e as teorias do construtivismo. O Currículo no Quênia • 5/17 Ele ainda traz seis princípios orientadores, que são a oportunidade, a excelência, a diversidade e inclusão, o currículo e ensino diferenciados, o empoderamento e envolvimento familiar, e também a aprendizagem sobre o serviço comunitário. Escopo e componentes do quadro curricular É possível deduzir o escopo vertical do quadro curricular pelo título “Quadro curricular da educação básica”, e pela seção “Organização da educação básica”. O currículo está organizado em três níveis de ensino: educação inicial (early years education), educação intermediária (middle school education), e educação sênior (senior school). Educação inicial: dividida em dois grupos, o pré-primário, que vai dos 4 aos 5 anos de idade, e o primeiro nível da educação primária, que vai dos 6 aos 8 anos de idade, do 1º ao 3º ano escolar. Educação intermediária: é formada pelo segundo nível da educação primária, que vai dos 9 aos 11 anos de idade (do 4º ao 6º ano escolar), e o pelo primeiro nível da educação secundária, que vai dos 12 aos 14 anos (do 7º ao 9º ano escolar). Neste ponto, o documento introduz outro nível de ensino, indicando uma seção específica para a educação secundária. Educação secundária: é formada pelo primeiro nível da educação secundária, que vai dos 12 aos 14 anos de idade, (do 7º ao 9º ano escolar). E finalmente a educação sênior. Educação sênior: vai dos 15 aos 17 anos, (do 10º ao 12º ano escolar). Vale ressaltar que este nível oferece três trajetórias diferentes: as artes e ciências do esporte, as ciências sociais ou, ainda, ciências, tecnologia, engenharia e matemática (science, technology, engineering, and mathematics – STEM), que podem ser escolhidas pelos alunos entre nove trajetórias. O Currículo no Quênia • 6/17 Figura 1 - Organização da Educação Básica do Quênia Fonte: Modelo estrutural da educação básica (KICD, 2017, p. 15, como citado em Opertti, Kang & Magni, 2018) O Currículo no Quênia • 7/17 Figura 2 - Trajetórias e Cursos Fonte: Modelo estrutural da educação básica (KICD, 2017, p. 15, como citado em Opertti, Kang & Magni, 2018) O documento dedica uma seção paraos estudantes com necessidades especiais, para que o conteúdo e as abordagens de ensino aplicadas sejam apropriados para todos, com uma abordagem inclusiva e flexível, oferecendo duas modalidades: uma para os estudantes que conseguem seguir o currículo regular e outra para aqueles que não são capazes de fazê-lo e precisam de uma abordagem diferenciada. O primeiro grupo abrange os estudantes que apresentam as seguintes necessidades especiais: são superdotados e talentosos, com deficiência visual, auditiva, física, com paralisia cerebral parcial, com dificuldades emocionais e comportamentais de aprendizagem, ou com distúrbios de comunicação. Nesse caso, haverá uma adaptação ao currículo regular, às áreas de conteúdo, às fontes, e às abordagens de ensino e avaliação. O segundo grupo inclui os estudantes que apresentam as seguintes necessidades especiais: apresentam deficiência mental, cegueira, surdez, autismo, paralisia cerebral ou deficiências múltiplas e profundas. Aqui, são desenvolvidos quatro níveis diferentes de educação para os estudantes que estão nos níveis de formação inicial, intermediário, de formação pré-profissional e profissional. O foco nesta modalidade é que o currículo específico se baseie no nível e não na idade, regulado pela aprendizagem individual, de forma a possibilitar que tenham uma vida independente. O Currículo no Quênia • 8/17 Também há no documento a estrutura de uma capacitação baseada em competências, para a educação e o desenvolvimento profissional dos professores, bem como o detalhamento das áreas para o desenvolvimento de manuais de formação, como a pedagogia, os métodos de avaliação, a inclusão, a aprendizagem em serviço comunitário e a aprendizagem diferenciada, entre outras. Abordagens curriculares Com um currículo focado no desenvolvimento de competências, os estudantes serão capazes de aplicar as habilidades adquiridas em situações da vida real. São apresentadas sete competências essenciais: a comunicação e colaboração, a auto eficiência, o pensamento crítico e solução de problemas, a criatividade e imaginação, a cidadania, a alfabetização digital, e ainda o aprender a aprender. Juntamente com as áreas-chave de aprendizagem que estão detalhadas no documento, foram pensados e inseridos seis valores transversais que se referem a questões contemporâneas (Pertinent and Contemporary Issues – PCI), que são: https://player.vimeo.com/video/734139923 O Currículo no Quênia • 9/17 1. Cidadania: foca na educação para a paz, a integridade, as relações éticas e raciais, a coesão social, o patriotismo e a boa governança, os direitos humanos e responsabilidades, os direitos das crianças, o cuidado e a proteção das crianças, e ainda questões de gênero na educação; 2. Educação em saúde: foca na educação sobre a Aids e HIV, sobre prevenção do abuso de álcool, drogas, doenças do estilo de vida e higiene pessoal, sobre saúde preventiva, e também sobre doenças transmissíveis e crônicas; 3. Educação dos valores e habilidades para a vida: detalha as habilidades para a vida, os valores, a educação moral e a sexualidade humana e ainda as regras de etiqueta; 4. Educação para o desenvolvimento sustentável: foca na educação ambiental, na redução do risco de desastres, na educação para a segurança, na educação financeira, na erradicação da pobreza, no contraterrorismo, na extrema violência e na radicalização; 5. Programas não formais: oferece serviços de orientação em geral, de orientação da carreira, serviços de aconselhamento, educação por pares, orientação vocacional, como aprender a viver junto, sobre clubes e sociedades, sobre esportes e também sobre jogos; 6. Educação de serviços comunitários e envolvimento familiar: foca na aprendizagem de serviço e envolvimento da comunidade, no empoderamento e no envolvimento familiar. O documento sugere que as PCI estejam integradas em todas as áreas dos níveis educacionais, e determina que a educação financeira e a digital se integrem à educação pré-primária. Também recomenda que a TIC deverá ser uma ferramenta de aprendizagem para todas as áreas desde o primeiro ciclo da educação primária. O BECF também detalha o papel dos pais e da comunidade no desenvolvimento holístico e integral e na garantia de oportunidades para os alunos e apresenta instruções de como empoderar os pais para que possam se envolver no processo de aprendizagem dos seus filhos. O Currículo no Quênia • 10/17 Metodologia de ensino e aprendizagem O currículo queniano apresenta claramente o papel dos docentes como treinadores, facilitadores, orientadores e figuras exemplares para os discentes. Informa que o professor deve ser formado para ser confiante e flexível, de forma que use diversas abordagens pedagógicas contemporâneas, conforme as necessidades dos alunos, e que trabalhe em conjunto com os pais e com a comunidade. A partir da abordagem de ensino centrada no estudante, os docentes são considerados facilitadores, e os estudantes são encorajados a tomar iniciativas e a serem sujeitos ativos do seu aprendizado. O documento insere, por exemplo, a teoria da aprendizagem visível (Vision Learning Theory), que estimula os professores a serem assessores dos estudantes, incentivando-os a se tornarem seus próprios docentes por meio de autoavaliações. E inclui um conjunto de teorias construtivistas para desenvolver o currículo com base em habilidades e competências para o século XXI. Não há nenhum ponto que foque nas metodologias e abordagens curriculares, porém elas aparecem ao longo do documento, recapitulando que os docentes devem assumir uma abordagem centrada no estudante. A forma como o documento apresenta uma descrição detalhada, bem como exemplos para cada componente e abordagem curricular, e a forma como apresenta as teorias e a avaliação, também fazem com que ele sirva como orientador para os docentes. Avaliação A avaliação aparece de forma abrangente no BECF, incluindo não apenas uma seção específica, mas também subseções para cada nível educacional, e ainda há uma seção dedicada aos estudantes com necessidades especiais. O objetivo da avaliação com base em competências é avaliar constantemente o quanto e de que forma os alunos conseguem aplicar o conhecimento adquirido em uma situação da vida real. Há cinco princípios da avaliação com base em competências que são: a validade, a confiabilidade, a justiça, a flexibilidade e o acesso, e três abordagens gerais para avaliação, que são: O Currículo no Quênia • 11/17 1. avaliação formativa: que é a avaliação para aprender; 2. avaliação somativa: que é a avaliação da aprendizagem; e 3. avaliação como aprendizagem. O documento promove especialmente a avaliação formativa, que está centrada nos estudantes, e tem como instrumentos a observação, as listas de verificação (checklists), as escalas de avaliação, as rubricas, os questionários, os métodos de projeto, a escrita de diários, as perguntas e respostas, a elaboração de perfis, os registos de pequenas histórias, a avaliação contínua de testes escritos, o dever de casa e ainda o cartão de registo do progresso do aluno. As avaliações nacionais são realizadas pelo Conselho Nacional de Avaliação do Quênia (KNEC), no final da educação inicial, do segundo ciclo da educação primária, e do primeiro ciclo da educação secundária e sênior. A avaliação somativa, que também é realizada, serve para verificação geral da aquisição de competências dos alunos no 3º, 6º e 9º anos, antes de entrarem na educação intermediária (segundo ciclo da educação primária e segundo da secundária) e para a sênior. Saiba Mais Por um acaso você já ouviu falar no Eneza Education? Ficou curioso? Me acompanhe neste relato. Quando falamos em mobile learning, pensando na realidade do Brasil, logo imaginamos aplicativos de smartphone com interfaces interativas. Ao falar de educação com celulares, é necessário ressaltar o Quênia, país cuja situação econômica e socialnão se assemelha à nossa, visto ser um país bastante mais ‘simples’, portanto, por lá o aprendizado ainda acontece, em sua maioria, por meio de celulares convencionais. O Currículo no Quênia • 12/17 Assim surgiu a Eneza, que atua como uma plataforma de revisão de conteúdos. Para se registrar, os estudantes devem mandar uma mensagem para a Safaricom (telefônica que subsidia parte dos custos com alunos com a Eneza) e escolher uma série de testes documentos que elevarão o seu nível de aprendizagem. São enviados feedbacks sobre o desempenho dos alunos e eles podem mandar perguntas aos professores (via SMS originariamente), que deverão ser respondidas em uma hora. Atualmente, o banco de dados da empresa conta com alguns milhões de registros. O intuito de passar esta informação sobre a Eneza é para percebermos que o planeta Terra é imenso e que as coisas podem dar certo mesmo sem o uso de alta tecnologia. Aliás, a autora comenta que o SMS do Quênia é ainda um dos mais avançados. (Wunsch, 2018) Vale ressaltar que, hoje em dia, o projeto é realizado, além de por SMS, pela web e via smartphone, e além do Quênia opera em Gana e na Costa do Marfim. Quer saber mais? Acesse o seguinte endereço eletrônico: https://enezaeducation.com/ acessado em 16 de junho de 2022. Em Resumo Pudemos aprender, ao longo da aula, que o Quadro Curricular da Educação Básica do Quênia partiu da análise de resultados negativos de currículos anteriores, para alicerçar a reforma educacional, focando na necessidade de reduzir as taxas de abandono escolar e de desemprego, e renovar as metodologias. Vimos que o currículo exige a transmissão de valores como a administração, a empatia, a diversidade, o trabalho em equipe, a comunicação, e apresenta algumas práticas pedagógicas inovadoras como a teoria do design instrucional, a teoria da aprendizagem visível e as teorias do construtivismo. É um dos currículos atuais que mais foca nas metodologias inovadoras e na inserção das TICs, e dedica uma seção para os estudantes com necessidades especiais. Além disso, insere seis valores transversais que se referem a questões contemporâneas e com relação aos docentes vimos que são colocados como treinadores, facilitadores, orientadores e figuras exemplares para os discentes. Para finalizar, aprendemos que a avaliação aparece de forma bastante abrangente. É um currículo inovador bem completo. https://enezaeducation.com/ O Currículo no Quênia • 13/17 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Opertti, Renato, Kang, Hyekyung Kang & Magni, Giorgia. (2018) Análise comparativa dos quadros curriculares nacionais de cinco países: Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru. https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por acessado em 05 de junho de 2022. Wunsch, Luana Priscila. (2018) Tecnologias na Educação: conceitos e práticas. Curitiba: InterSaberes. https://player.vimeo.com/video/734140289 https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes O Currículo no Peru PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 4 .4 O Currículo no Peru • 2/15 Objetivos de Aprendizagem • Conhecer o Currículo Nacional da Educação Básica do Peru, de 2016 • Compreender o escopo e os componentes desse quadro curricular. • Estudar as suas abordagens curriculares, metodologias e avaliação. O Currículo no Peru Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734140449 O Currículo no Peru • 3/15 Introdução O documento peruano é o Currículo Nacional da Educação Básica (CNEB) e determina, logo na primeira seção as suas finalidades como: a priorização da educação, dos valores e da cidadania de forma a colocar em prática os direitos e os deveres dos alunos e desenvolver as competências que eles precisam para cumprir com as exigências contemporâneas com relação à sustentabilidade, à proficiência em inglês, à educação profissional e ainda à educação das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e também conseguir uma educação que fortaleça o conhecimento das artes e da cultura, da educação física e da educação em saúde, bem como do ambiente intercultural e inclusivo (Peru. Minedu, 2017, como citado em Opertti, Kang & Magni, 2018) A apresentação do documento esclarece, que, para a sua elaboração, foi aproveitada a experiência e o progresso obtidos em 2010, durante o desenvolvimento dos padrões de aprendizagem que foi realizado pelo Instituto Peruano para Avaliação, Acreditação e Certificação da Educação Básica, e por várias audiências públicas que aconteceram entre 2012 e 2016. Diante desse contexto, vamos conhecê-lo. Peru: Currículo Nacional da Educação Básica, 2016 Na seção ‘Desafios da educação básica e dos resultados educacionais esperados’, constam as aspirações dos peruanos para os desafios deste século exigindo novas combinações de conhecimento e de habilidades, enfatizando a necessidade de uma educação que seja inclusiva e democrática e que propicie a realização de cada cidadão e do país. Com relação à educação nacional, espera-se uma mudança no conteúdo que os estudantes aprendem na educação básica, para que possam se desenvolver plenamente e serem incluídos na sociedade, exercendo um papel ativo, aprendendo sempre, ao longo de suas vidas. Nesse contexto, o quadro curricular unifica os critérios para que se construa um caminho de resultados comuns, respeitando o direito a uma educação de qualidade, ao desenvolvimento pessoal, ao exercício da cidadania e ao ingresso no mercado de trabalho. O Currículo no Peru • 4/15 O CNEB detalha os onze resultados esperados na aprendizagem da educação básica, quais sejam, a autoconsciência e a consciência cultural, a alfabetização cívica, a obtenção de habilidades em saúde, a criatividade, a obtenção de habilidades de comunicação e de alfabetização, a alfabetização científica, o numeramento, o empreendedorismo, a alfabetização em TICs, a autoconfiança, a crença religiosa e a tolerância. Os valores, que são tratados como abordagens transversais, dizem respeito à qualidade, à equidade, à ética, à democracia, à consciência ambiental, à interculturalidade, à inclusão, à criatividade e inovação, à igualdade de gênero e ao desenvolvimento sustentável, e devem estar presentes no quotidiano das escolas, na orientação do trabalho pedagógico e em todos os processos educacionais. O documento também enfatiza que o quadro curricular precisa ser flexível, aberto a mudanças, diversificado, inclusivo e ainda incorporar valores relevantes e participativos. Apesar de o quadro curricular peruano diferir do modelo de quadro curricular nacional, os elementos que precisam estar presentes na Introdução, que são a visão de currículo, os objetivos, os valores e os princípios, aparecem ao longo do documento, porém, não há nele nenhuma mensagem do ministro da Educação e Formação, que designa o compromisso do governo com o documento. Escopo e componentes do quadro curricular O CNEB peruano está bem direcionado à educação básica, sendo apresentado como o primeiro passo do sistema educacional, e é dividido em três modalidades: a educação básica especial (EBE), a educação básica alternativa (EBA) e a educação básica regular (EBR). A EBE é a modalidade que está focada nas crianças e jovens com necessidades especiais, associadas a deficiências, talentos ou dotes intelectuais. A EBA está voltada para os estudantes que não conseguem seguir a EBR na idade adequada e que precisam estudar e trabalhar. Ela é oferecida em três modalidades: a assistência total, a assistência parcial ea on-line. Está organizada em ciclos sendo o inicial, o intermediário e o avançado, que por sua vez se dividem em anos: o ciclo inicial (anos 1 e 2), o ciclo intermédio (anos 1, 2 e 3) e o ciclo avançado (anos 1, 2, 3 e 4). A combinação do ciclo inicial e do intermediário equivale à educação primária, e o ciclo avançado representa a educação secundária. O Currículo no Peru • 5/15 Essa organização é mais flexível em termos de duração, e também permite a sua implementação com base em competências. Já a EBR está organizada em diversas áreas de aprendizagem, que são chamadas de áreas curriculares, e que variam conforme o ciclo de ensino. Está dividida em três níveis: a educação infantil, a educação primária e a educação secundária. Os níveis são divididos entre ciclos e grupos de faixa etária (para a educação infantil) ou em anos escolares (para a educação primária e secundária). São eles: ● educação infantil: ciclo I, de 0 a 2 anos de idade e ciclo II, de 3 a 5 anos de idade; ● educação primária: ciclo III, anos escolares 1 e 2, ciclo IV, anos escolares 3 e 4, e ciclo V, anos escolares 5 e 6; ● educação secundária: ciclo VI, anos escolares 1 e 2, e ciclo VII, anos escolares 3, 4 e 5. O currículo peruano detalha a estrutura dos quatro conceitos curriculares fundamentais: as competências, as habilidades, os padrões de aprendizagem e o desempenho. Vejamos cada um deles: ● competências: representam a capacidade de combinar um conjunto de habilidades para atingir certo objetivo. Ser competente é entender as diferentes situações enfrentadas e descobrir como resolvê-las, combinando diversas habilidades perante um novo cenário. ● habilidades: são os recursos usados para agir de forma competente, como as teorias, os conceitos e os procedimentos, em diferentes áreas do conhecimento. ● padrões de aprendizagem: são as descrições do desenvolvimento das competências conforme um nível crescente de complexidade. São as referências usadas para avaliar em sala de aula mas também fora dela, em âmbito sistêmico (nacional, amostral ou censitário). Os padrões são os indicativos do quão perto ou longe um estudante está de atingir as competências de determinado nível e também podem ser usados para fornecer informação aos alunos sobre seu progresso e sobre como organizar as atividades em sala de aula. ● desempenho: descreve o que o estudante faz a nível de desenvolvimento (padrão de aprendizagem). O Currículo no Peru • 6/15 O documento mostra as ações que os estudantes devem ter, bem como o índice de progresso, para que possam atingir o nível esperado de competências. Abordagens curriculares Espera-se que as competências necessárias aos estudantes sejam desenvolvidas ao longo dos seus estudos de forma correlacionada, simultânea e sustentável, como um processo para a vida toda, que deve ser estimulado pelos professores e instituições de ensino, e combinado com outras competências adquiridas ao longo da vida. O documento enumera 31 competências (para as quais há uma habilidade associada) que devem ser desenvolvidas na educação básica, sendo que 29 delas são competências gerais, que valem para todos os níveis de educação, e duas são competências específicas, voltadas para a educação religiosa, que é considerada como uma disciplina optativa. Essas competências dizem respeito a vários temas, como a formação da identidade pessoal, a leitura e a escrita em espanhol e em inglês, o desenvolvimento de interpretações históricas, o desenvolvimento de soluções tecnológicas, a administração de projetos sociais e de empreendedorismo econômico, dentre outras. https://player.vimeo.com/video/734140845 O Currículo no Peru • 7/15 No caso do documento peruano, as áreas de aprendizagem são diferentes para cada nível da educação básica. Na educação infantil, são: a comunicação, o espanhol como segunda língua, a psicomotricidade, a descoberta do mundo, a ciência e a tecnologia, e ainda a matemática. Na educação primária, as áreas ‘descoberta do mundo’ e ‘psicomotricidade’ já não estão presentes, e as outras áreas são: inglês, arte e cultura, educação religiosa (que é optativa), e a educação física. Na educação secundária, apenas a área ‘social e pessoal’ é substituída por duas outras, que são: o desenvolvimento pessoal, cívico e da cidadania, e a educação para o trabalho. E algumas disciplinas estão agrupadas em uma área de aprendizagem mais ampla, cada uma relacionada com competências específicas. Também há nesse currículo sete abordagens transversais que caracterizam os valores e as atitudes que os estudantes, os professores e as autoridades educacionais precisam ter e que determinam o comportamento das pessoas com os outros e também com o ambiente. São elas: a abordagem pelos direitos, a inclusiva e de atenção à diversidade, a intercultural, a de igualdade de gênero, a ambiental, a do bem comum e a da busca pela excelência. Metodologia de ensino e aprendizagem Ao focar nas competências, o currículo peruano atribui muita importância ao papel do professor como um facilitador do desenvolvimento das competências e habilidades, ensinando de forma que os seus alunos não aprendam apenas os conteúdos, mas que sejam capazes de agir de forma competente. Os docentes devem apoiar e fomentar as habilidades dos alunos por meio de várias estratégias inovadoras, como o uso da aprendizagem baseada em projetos, da aprendizagem baseada em problemas e dos estudos de casos, de forma a proporcionar experiências significativas. São oferecidas diretrizes que orientam os professores a planejar, implementar e avaliar os processos de ensino aprendizagem, desenvolvendo experiências relevantes, e ainda a incentivar o interesse, baseado na aprendizagem prática, reconhecendo os conhecimentos previamente adquiridos pelos estudantes e estimulando a assimilação de novos saberes. O Currículo no Peru • 8/15 O documento também aconselha que os professores encorajem os alunos a aprenderem com seus erros, a propor desafios, a acompanhar seus avanços, a desenvolver o trabalho em equipe e a estimular o pensamento crítico, sempre baseado em um laço emocional entre professores e alunos. O CNEB apresenta ainda duas modalidades de tutoria: de grupo ou individual. A de grupo ocorre com toda a turma em sala de aula, estimulando cada estudante a interagir e expressar suas ideias, sentimentos, valores e projetos de vida. Já a tutoria individual diz respeito apenas ao docente e ao estudante, estando dirigida às necessidades personalizadas. Visa-se ainda fomentar um papel ativo das famílias no processo de aprendizagem de seus filhos. Avaliação Com relação à avaliação, o documento considera um processo de aprendizagem formativa, ampla e contínua, na qual são identificados o progresso, as dificuldades e as realizações dos alunos, dando-lhes apoio pedagógico. Como o foco do ensino tem base nas competências, a avaliação em sala de aula procura avaliá-las por meio de critérios, de níveis de resultados, e ferramentas e técnicas que reúnem informações específicas, que mostram o processo pedagógico dos estudantes, considerando os padrões de aprendizagem para cada nível de ensino como medida comum e determinando o quanto o estudante está longe ou perto do seu melhor desempenho. Além da avaliação em sala de aula, também deve ser realizada uma avaliação nacional, que deve utilizar métodos padronizados para avaliar o sistema educacional como um todo, e identificar os resultados e os desafios nos âmbitos escolar, local, regional e nacional. O documento explica de forma abrangente como a avaliação em sala de aula e a avaliação nacional devem acontecer e ser interpretadas, porém, não especifica as ferramentas que devem ser utilizadas, mas indica as normas que regularão a questão. Também não apresenta uma seção específica sobre como o processo de avaliação será monitorado, porém, a subseção sobre a avaliação nacional traz breves informações sobre comoos dados poderão possibilitar a criação de políticas públicas que melhorem o sistema educacional do país. O Currículo no Peru • 9/15 É mais um currículo inovador que insere novas metodologias em suas bases, assim como as tecnologias digitais de informação e comunicação. Saiba Mais Que tal conhecermos mais uma tendência inovadora aprendendo sobre o Quest to Learn da cidade de Nova York e do Institute of Play? Quest to learn significa missão ou jornada de aprender. Nessa escola pública de Nova York, nos Estados Unidos, jogar é uma ação diária na qual cada atividade faz parte de uma missão maior e cada movimento é uma resposta a um desafio, e apesar de os alunos terem vários momentos de interação com o computador, há que se ressaltar que 70% dos jogos não são digitais. Essa inovação foi idealizada pelo Institute of Play, criado por Katie Salen, que também é a responsável pela escola. Em um dos jogos, os alunos precisavam guiar um ‘doutor’ que havia encolhido e entrado em um corpo humano, e assim os alunos iam aprendendo sobre o corpo humano. No final, precisavam indicar ao doutor qual o melhor remédio para o paciente. Esse é um dos tipos de jogos propostos que estimula o aprendizado lúdico e mediante o ‘aprender fazendo’. Na Quest to Learn, as atividades são: missões com turmas de 25 a 30 alunos, como a missão do corpo humano, e boss level (fases avançadas), com períodos de pelo menos uma semana em que um único desafio é resolvido por grupos de 15 alunos. Para que os docentes estejam capacitados para planejar as aulas com a metodologia da escola e guiar os alunos, são feitos encontros semanais (um ou dois conforme o conhecimento do professor) com designers de jogos e designers de aprendizagem, este último sendo um especialista em pedagogia. O Currículo no Peru • 10/15 Em Resumo Tivemos a oportunidade de aprender, ao longo deste tema, que o Currículo Nacional da Educação Básica do Peru foi elaborado com base nas suas experiências curriculares anteriores e coloca como prioridades a educação, a sustentabilidade, a proficiência em inglês, a educação profissional e a educação das TICs, fato que o faz ser bastante inovador. O documento detalha os onze resultados esperados na aprendizagem da educação básica e insere as abordagens transversais. Estudamos também que ele está bem direcionado para a educação básica que se divide em educação básica especial (EBE), educação básica alternativa (EBA) e educação básica regular (EBR), e apresenta quatro conceitos curriculares fundamentais que são as competências, as habilidades, os padrões de aprendizagem e o desempenho. O documento enumera 31 competências. Quanto aos docentes, vimos que devem apoiar e fomentar as habilidades dos alunos por meio de várias estratégias, como o uso da aprendizagem baseada em projetos, baseada em problemas e os estudos de casos, de forma a proporcionar experiências significativas, ou seja, são profissionais de muita importância para o currículo do país. E finalmente, com relação à avaliação, o documento enfatiza um processo de aprendizagem formativa, ampla e contínua. O ponto principal não está na gamificação nem na interação entre os alunos e a tecnologia, mas no dinamismo do currículo que se articula por meio do professor, do designer de jogos e do designer de aprendizagem, sem esquecer, claro, dos estudantes. (Wunsch, 2018) Ficou curioso? Para conhecer mais acesse: http://innoveedu.org/pt/ quest-to-learn acessado em 16 de junho de 2022. http://innoveedu.org/pt/quest-to-learn http://innoveedu.org/pt/quest-to-learn O Currículo no Peru • 11/15 Na ponta da língua Referências Bibliográficas Opertti, Renato, Kang, Hyekyung Kang & Magni, Giorgia. (2018) Análise comparativa dos quadros curriculares nacionais de cinco países: Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru. UNESCO International Bureau of Education. https://unesdoc.unesco.org/ ark:/48223/pf0000263831_por acessado em 05 de junho de 2022. Wunsch, Luana Priscila. (2018) Tecnologias na Educação: conceitos e práticas. Curitiba: InterSaberes. https://player.vimeo.com/video/734141136 https://unesdoc.unesco.org/query?q=Corporate:%20%22UNESCO%20International%20Bureau%20of%20Education%22&sf=sf:* https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru PR IN CÍ PI O S D O P RO JE TO D E CU RR ÍC U LO (P RI N CI PL ES O F CU RR IC U LU M D ES IG N ) - E D U 50 0 - 4 .5 Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 2/17 Objetivos de Aprendizagem • Comparar os currículos do Brasil, do Camboja, da Finlândia, do Quênia e do Peru. Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Convergências entre Currículo e Tecnologias, publicado em 2019 por Siderly do Carmo Dahle de Almeida. https://player.vimeo.com/video/734141303 Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 3/17 Introdução Nesta unidade, estamos tendo a oportunidade de conhecer alguns dos quadros curriculares de países que passaram por reformas inovadoras nos últimos anos. Esses quadros foram analisados pela Unesco, em 2018, por intermédio do Bureau Internacional de Educação (IBE), de forma a analisar o quanto os países apresentam e discutem seus sistemas educacionais e procuram evoluir ao longo do tempo. Os países escolhidos foram Camboja, Finlândia, Quênia, Peru e o Brasil, este último já estudado na Unidade 2, e são países que apresentam realidades muito diferentes, que vão desde o modelo de governo ao grau de investimento do Produto Interno Bruto (PIB) em Educação, porém, que em matéria de educação, demonstraram o mesmo nível de preocupação com seus estudantes. O estudo definiu o currículo como a ferramenta que guia todos os aspectos básicos da educação, que definem a qualidade, a inclusão, a relevância, o conteúdo, a aprendizagem, o ensino, a avaliação e também os ambientes de ensino e aprendizagem, entre outros. É com ele que torna-se possível entender os objetivos, os anseios e os desejos de um país. O objetivo do IBE foi conseguir compreender, de forma geral e aprofundada, as tendências mundiais e regionais do quadro curricular contemporâneo, verificando, dentre outras questões, quais países inseriram em suas práticas novas tecnologias e metodologias de ensino e quais as suas principais preocupações. Oliveira (2019) se aprofundou nas informações desse estudo da Unesco e apresentou uma comparação entre os currículos. Vejamos como ficou essa comparação. Vale ressaltar que ela foi realizada em 2019 e levou em consideração o ano em que ocorreu a reforma curricular em cada um dos países estudados, sendo que no Brasil foi em 2017, no Camboja em 2015, na Finlândia em 2014, no Quênia em 2017 e no Peru em 2016, o que significa que podemos ter alguns dados mais atuais no caso de um novo estudo a ser realizado. Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 4/17 O Currículo do Brasil Nome do documento: Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Criação: 2017 Visão geral: foi estruturada com base em 10 competências, e foi discutida durante quatro anos, passando por várias modificações, até a elaboração de sua versão final. Pontos positivos: coloca a igualdade, a diversidade e a equidade como os valores fundamentais da educação. Os conteúdos das disciplinas precisam ser adaptados conforme o contexto local, devem ser organizados de forma interdisciplinar e ensinados visando envolver o discente no aprendizado. Pontos negativos: ainda que os currículos devam abranger todas as modalidades de ensino, incluindo a Educaçãopara Jovens e Adultos (EJA), os indígenas, os estudantes da área rural e os quilombolas, a BNCC não especifica essas modalidades em seu texto. Forma de governo: república federativa constitucional Nº de habitantes: 208 milhões Alfabetizados: 92% Nº de professores: 2,2 milhões Nº de matrículas: 48,5 milhões Investimento em educação: 5,9% do PIB (2014) Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 5/17 O Currículo de Camboja Nome do documento: Projeto Quadro Curricular da Educação Geral e Técnica Criação: 2015 Visão geral: contempla oito objetivos, que são o desenvolvimento de habilidades em línguas (khmer e estrangeiras), a ciência, a tecnologia em geral, as tecnologias de informação e comunicação (TIC), o civismo, o pensamento crítico e a aprendizagem ao longo da vida. Pontos positivos: descreve as competências indicando que os estudantes devem estar munidos de habilidades práticas que favoreçam sua vida cotidiana, tanto no país quanto no mundo. Pontos negativos: não inclui claramente os temas transversais em todas as disciplinas, como no caso da educação em direitos humanos e da igualdade de gênero. Forma de governo: monarquia constitucional parlamentarista Nº de habitantes: 16,4 milhões Alfabetizados: 80,5% Nº de professores: 600 mil Nº de matrículas: 3,2 milhões Investimento em educação: 1,9% do PIB (2014) O Currículo da Finlândia Nome do documento: Base Nacional Curricular para a Educação Básica Criação: 2014 Visão geral: contempla quatro valores principais, que são a singularidade do estudante e o direito a uma boa educação; a humanidade, os conhecimentos gerais, a igualdade e a democracia; a diversidade cultural como riqueza; e a necessidade de uma forma de vida que seja sustentável. Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 6/17 Pontos positivos: descreve as competências transversais existentes em quase todas as disciplinas e também amplia seu foco para além das escolas, estimulando ações em clubes, em bibliotecas, nos refeitórios e no meio de transporte escolar, agindo em todas as áreas que possam influenciar, de alguma forma, o aprendizado dos alunos. Pontos negativos: não apresenta mensagem de um diretor-geral. Forma de governo: república parlamentarista Nº de habitantes 5,5 milhões Alfabetizados: 99% Nº de professores: 44 mil Nº de matrículas: 539 mil (2016) Investimento em educação: 7,2% do PIB (2014) https://player.vimeo.com/video/734141578 Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 7/17 O Currículo do Quênia Nome do documento: Quadro Curricular da Educação Básica do Quênia Criação: 2017 Visão geral: apresenta sete competências, que são a comunicação e a colaboração, a autoeficiência, o pensamento crítico e a solução de problemas, a criatividade e a imaginação, a cidadania, a alfabetização digital e especialmente o ‘aprender a aprender’. Pontos positivos: apresenta uma seção destinada aos discentes com deficiências, com um currículo específico para eles. O currículo está orientado para atender às necessidades dos indivíduos, possibilitando que tenham uma vida independente. Pontos negativos: não determina nenhum processo específico de monitoramento e de avaliação do quadro curricular. Forma de governo: república presidencialista Nº de habitantes: 49,7 milhões Alfabetizados: 78% Nº de professores: 242 mil Nº de matrículas: 12,2 milhões (2016) Investimento em educação: 5,3% do PIB (2015) O Currículo do Peru Nome do documento: Currículo Nacional da Educação Básica (CNEB) Criação: 2016 Visão geral: apresenta 31 competências que devem ser desenvolvidas, sendo 29 para todos os níveis educacionais e 2 que são específicas da educação religiosa, que é uma disciplina optativa. Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 8/17 Pontos positivos: estimula a existência de laços emocionais entre os professores e os alunos, de forma a desenvolver habilidades sociais, emocionais e cognitivas. Também enfatiza a importância do compromisso ativo da família no processo de ensino e aprendizagem do estudante. Pontos negativos: não apresenta mensagem do ministro da Educação. Ainda que cite a avaliação em sala de aula e a avaliação nacional, não especifica como será feito o monitoramento do currículo. Forma de Governo: república presidencialista Nº de Habitantes: 32 milhões Alfabetizados: 94% Nº de professores: 510 mil (2018) Nº de matrículas: 7,8 milhões (2018) Investimento em educação: 3,8% do PIB (2015) Análise da Comparação Foi possível observar, que, em geral, os documentos dos países analisados destacam como eles valorizam os impactos de um currículo bem planejado para atingir a qualidade da aprendizagem que desejam para todos os seus estudantes. Os países que anseiam por estabelecer estruturas de currículo que conduzam à qualidade do processo de ensino e aprendizagem precisam prover seus estudantes com conhecimento de excelência e com capacidades práticas, de forma que se transformem em cidadãos ativos, que vivam de forma saudável e que estejam preparados para serem cidadãos competentes tanto para a sua nação, quanto para o mundo. Essa preocupação com a qualidade do ensino e com a inserção de tecnologias e metodologias atuais, necessárias ao desenvolvimento dos países, foi vista em todos os currículos abordados. Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 9/17 A análise verificou também as implicações do quadro curricular em cada país, especialmente no que diz respeito ao processo de reforma e ao desenvolvimento educacional. O que foi possível assimilar da análise de cada país é que cada um elaborou seu currículo conforme as necessidades, os contextos e as visões nacionais, mas, também mostrou tendências e questões que levam em consideração a agenda internacional de educação. (Opertti, Kang & Magni, 2018) O estudo também revela, em diversos níveis de especificidade entre os cinco países, como o quadro curricular orienta o processo de ensino e aprendizagem, bem como a avaliação dos estudantes. (Oliveira, 2019) A ideia de abordar esta análise comparativa foi verificarmos que apesar de cada país ter suas especificidades e focos diversificados e de serem bastante diferentes, de maneira geral todos se preocupam em formar cidadãos ativos e éticos, capazes de se capacitarem para suas vidas profissionais em sociedade, mas também para serem capazes de se comunicar e se interrelacionar com o mundo de maneira geral, e para tanto é necessário que conheçam tecnologias e que aprendam com novas metodologias. Claro que a pesquisa foi feita com apenas 5 países, porém, podemos vislumbrar que a cada reforma curricular realizada pelos demais países, provavelmente as mesmas preocupações estarão em pauta, e assim, com o tempo, a tendência é que todos os países (ou a maioria pelo menos) inovem em sua forma de fazer educação. Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 10/17 Saiba Mais Que tal fecharmos este conteúdo conhecendo um pouco mais sobre alguns exemplos inovadores? Os estudantes da rede municipal de ensino de Jundiaí estudam em escolas inovadoras, que contam com vários novos equipamentos de tecnologia. A Unidade de Educação (UGE), por meio do Projeto Escola Inovadora, fez um investimento de mais de R$ 12 milhões com recursos municipais para formar uma geração maker de estudantes, preparada para o futuro. As escolas receberam no ano de 2022 chromebooks (cujo sistema operacional é o Chrome OS), carrinhos de suporte, kits de material maker e tablets, e alunos e professores já começaram a usar essas novas tecnologias dentro e fora de sala de aula. Quer saber mais sobre o Projeto Escola Inovadora? Então acesse: Escola Inovadora: Educação tecnológica é realidade no ensino municipal de Jundiaí. (2022) https://jundiai.sp.gov.br/noticias/2022/04/17/escola-inovadora-educacao-tecnologica-e-realidade-no-ensino-municipal- de-jundiai/ acessado em 19 de junho de 2022. https://jundiai.sp.gov.br/noticias/2022/04/17/escola-inovadora-educacao-tecnologica-e-realidade-no-ensino-municipal-de-jundiai/ https://jundiai.sp.gov.br/noticias/2022/04/17/escola-inovadora-educacao-tecnologica-e-realidade-no-ensino-municipal-de-jundiai/ https://jundiai.sp.gov.br/noticias/2022/04/17/escola-inovadora-educacao-tecnologica-e-realidade-no-ensino-municipal-de-jundiai/ Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 11/17 Em Resumo Conhecemos, ao longo desta aula, um pouco mais sobre 5 países do mundo que decidiram fazer reformas curriculares inovadoras, buscando capacitar seus estudantes para a vida profissional, a vida em sociedade e a convivência com os demais países do mundo, em um planeta globalizado. Tivemos uma ideia da visão geral de seus quadros curriculares, dos pontos positivos e negativos, verificando suas diferenças em função das formas de governo, número de habitantes, porcentagem de alfabetizados, número de professores e de matrículas escolares, assim como o investimento que elas realizam em educação. Os números são bastante diferentes, assim como suas especificidades, até em função das características de cada país, mas o que ficou claro é a preocupação de todos com a formação de seus educandos para que possam fazer parte do mercado de trabalho local, mas também para que sejam cidadãos do mundo, éticos, que aceitam a diversidade e que conhecem sobre saúde, necessidades especiais, questões ambientais e tecnologias, dentre outras temáticas importantes. Espero que tenha desfrutado deste conteúdo e que tenha lhe ajudado a refletir sobre suas próprias práticas. Saiba Mais Segue um artigo muito interessante para fecharmos este conteúdo sobre Escolas inovadoras. Acesse: Escolas inovadoras: Tudo sobre a educação inovadora. https://sae. digital/escolas-inovadoras/ acessado em 19 de junho de 2022 https://sae.digital/escolas-inovadoras/ https://sae.digital/escolas-inovadoras/ Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 12/17 Na ponta da língua https://player.vimeo.com/video/734141913 Comparação entre os currículos do Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru • 13/17 Referências Bibliográficas Oliveira, Tory. (2019). Como se organiza o currículo de outros países? Pesquisa da Unesco compara bases comuns curriculares de Brasil, Finlândia, Camboja, Quênia e Peru, mostrando pontos positivos e negativos de cada proposta. Nova Escola. ed. 321. https://novaescola.org.br/conteudo/16547/como-se-organiza-o-curriculo-de- outros-paises acessado em 05 de junho de 2022 Opertti, Renato, Kang, Hyekyung Kang & Magni, Giorgia. (2018) Análise comparativa dos quadros curriculares nacionais de cinco países: Brasil, Camboja, Finlândia, Quênia e Peru. UNESCO International Bureau of Education. https://unesdoc.unesco.org/ ark:/48223/pf0000263831_por acessado em 05 de junho de 2022. https://novaescola.org.br/conteudo/16547/como-se-organiza-o-curriculo-de-outros-paises https://novaescola.org.br/conteudo/16547/como-se-organiza-o-curriculo-de-outros-paises https://unesdoc.unesco.org/query?q=Corporate:%20%22UNESCO%20International%20Bureau%20of%20Education%22&sf=sf:* https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000263831_por Im ag en s: Sh utt er st oc k LIVRO DE REFERÊNCIA: Convergências entre Currículo e Tecnologias Siderly do Carmo Dahle de Almeida. Intersaberes