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20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve73… 1/22 Unidade 3 - Ensino de frases e pontuação Simone Alves Pedersen Iniciar Introdução O ensino da gramática nos anos fundamentais tem sido um ponto de tensão entre alunos, professores e pais. Os pais criticam a escola que, segundo eles, não ensina mais gramática como antigamente, quando se exigia dos alunos que conjugassem os verbos em todos os tempos, �zessem listas de coletivos, feminino e masculino, singular e plural, en�m, exercícios de memorização. Para os alunos, a gramática é ponto de tensão porque eles a consideram uma disciplina difícil, que demanda muito tempo de estudo. Para os professores, a gramática é um ponto de tensão porque eles precisam ensinar uma disciplina pela qual muitos alunos não se interessam, além de terem que de�nir o conteúdo e a forma de ensinar para os alunos dos anos iniciais. Entretanto, a escola é o local ideal para o ensino da gramática. É importante que re�itamos sobre para quê, porquê, como, quando e o que devemos ensinar de 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve73… 2/22 1. Problematização da gramática Nos primeiros anos, o ensino da língua tem foco no letramento e na alfabetização. Gradualmente, a gramática é ensinada durante todo o ensino fundamental, inclusive com professores especialistas no fundamental II. Nesse primeiro momento, a gramática é o suporte da produção textual que oportuniza a observação de diferentes ocorrências, comparação entre diversas situações, ou seja, a construção do repertório gramatical do aluno, quando ele tem o primeiro contato com a gramática normativa. Figura 1: Biblioteca. Fonte: Pixabay, 2019. Os textos precisam ser escolhidos com atenção para serem motivadores, porque se o texto for ruim, o sucesso da aula já está condenado.Como a�rma Geraldi (1997, p. 135) a "produção de textos (orais e escritos) são o ponto de partida (e ponto de chegada) de todo o processo de ensino/aprendizagem da língua". Também se pode, desde os anos iniciais, apresentar-se a arbitrariedade dos signos, para que os alunos percebam que a língua é uma ferramenta desenvolvida gramática nos anos iniciais, e é essa discussão que veremos neste capítulo. Bons estudos! 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve73… 3/22 socialmente. Por exemplo: gato, em português, é cat em inglês e kat em alemão. Enquanto em português avô é o pai da mãe ou o pai do pai, em dinamarquês você tem duas palavras especí�cas: farfar é o avô (paterno) – o pai ( far ) do pai ( far ) e morfar é o avô (materno) – da mãe ( mor ) o pai ( far ). Um exemplo que as crianças dos anos iniciais gostam é o que usa onomatopeias. Enquanto no Brasil o cachorro faz “auau”, na Escandinávia, onde cachorros grandes são mais comuns, eles dizem que o cachorro faz “ vufvuf ”. Ou ainda, a rosa (�or) que pode ser vermelha. Os textos devem ser de circulação social - textos reais que tenham signi�catividade e relevância para o aluno. Para exempli�car, se pensarmos no gênero textual receita, é natural aproveitar para discutir substantivos como verbos e numerais, discutir pesos e quantidades como dúzia, cem gramas etc. Figura 2: Biblioteca. Fonte: Pixabay, 2019. Outra possibilidade é desenvolver a competência argumentativa dos alunos por meio dos textos trabalhados enquanto se ensina parte da gramática. A argumentação é fundamental na vida das pessoas, não só dentro do espaço escolar como fora dela (MORAIS, LEAL, 2007). Leal e Suassuna (2014) a�rmam que a competência argumentativa é passível de desenvolvimento. Nesse sentido, o psicólogo Albert Bandura (2008) expõe em sua teoria sociocognitiva, que o homem é um ser de potencialidades que podem ou não ser desenvolvidas no decorrer de sua vida pela in�uência do contexto, de seu comportamento e de seus afetos, o que signi�ca que ninguém nasce ou não determinado a ser - ou não ser - um bom argumentador. A aprendizagem da gramática em uma língua - a língua portuguesa como língua nativa, no caso do Brasil - auxilia a aprendizagem de outras línguas, considerando a universalidade das classes gramaticais. Embora a linguagem seja universal, isto é, todos os homens do planeta se comunicam pela linguagem, a gramática é uma construção social que normatiza cada idioma. As dez classes gramaticais são uma classi�cação que existe na maioria dos idiomas. Excepcionalmente, alguns autores 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve73… 4/22 consideram oito classes gramaticais, pois não incluem interjeições e numerais como na lista brasileira, que é composta de substantivo, verbos, advérbios, adjetivos, pronomes, conjunções, preposições e artigos. Nesse sentido, a�rma Carlos Faraco (2017): Não tenho dúvida de que o centro do ensino devem ser as práticas de leitura, escrita e oralidade. Nesse sentido, acompanho o que defendia Jan Comênio, no seu Didática Magna (livro publicado em 1627): língua não se aprende na gramática, mas nos bons escritores, ou seja, aprende-se a língua na língua em uso e usando a língua. No entanto, defendo também que se aprenda a pensar sobre a língua. Nesse sentido, sigo o que defendia Marco Fábio Quintiliano em seu Institutio Oratoria (obra publicada em 95 d.C.): o estudo da gramática (livre do que é inútil, dizia ele, sugerindo que é preciso selecionar os temas e não ambicionar um saber enciclopédico) tem seu lugar como atividade complementar e não central. Trata-se de re�etir sobre o funcionamento estrutural da língua ao mesmo tempo em que se desenvolvem as práticas de leitura, escrita e oralidade. (COELHO, MONGUILHOTT, OLIVEIRA, 2017, p. 20) Embora não se espere que alunos dos anos iniciais conheçam toda a gramática, tampouco pode-se ignorar a importância dela. A gramática é um conhecimento necessário para uma boa produção textual, para escrever com coesão e coerência. O desa�o, nos anos iniciais, é demonstrar para os alunos que a gramática não é um aprendizado irrelevante. Além dos argumentos mais conhecidos sobre o quanto é importante escrever e falar bem para ter sucesso acadêmico e na maioria das pro�ssões, a boa escrita pode ser uma experiência de deleite pela sua beleza. Despertar nos alunos essa percepção de que a língua não é apenas viva, que pode também ser bela, é um caminho para despertar o interesse dos alunos. Você quer ler HALE, Ken. Diversidade e universalidade lingüística. Mana, Rio de Janeiro , v. 6, n. 2, p. 147-162, Oct. 2000 . Available from < http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200006&lng=en&nrm=iso >. access on 22 June 2019. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132000000200006 . http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200006&lng=en&nrm=iso http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132000000200006 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve73… 5/22 2. O ensino de frases e pontuações Nesta unidade vamos estudar as palavras de outra forma, não pelas classes gramaticais à que pertencem, como vimos na unidade anterior. A função que a palavra exerce quando está junto de outra palavra em um enunciado, é o campo de estudo da sintaxe. Um léxico dispõe de centenas de milhares de palavras. Por isso, precisa-se de regras que organizem o seu uso, ainda que seja possível organizar palavras dentro de uma frase de diversas formas. Observe: ● João comprou um livroontem do Machado de Assis na livraria. ● João comprou ontem na livraria um livro do Machado de Assis. ● Ontem João comprou um livro na livraria do Machado de Assis. ● Ontem João comprou um livro do Machado de Assis na livraria. Nessas possibilidades, o signi�cado não é alterado, sabemos que 1) João comprou um livro; 2) João comprou um livro ontem, 3) João comprou um livro do Machado de Assis, e 4) João comprou um livro do Machado de Assis na livraria. Todavia, se disséssemos de outras formas, o sentido se perderia: ● Livraria João Machado de Assis ontem livro na do um comprou. ● Machado de Assis um comprou João livro ontem livraria. Você quer ver Assista esse vídeo sobre análise sintática: https://www.youtube.com/watch? v=kEgWGBwSiIc&list=PL-5888xShjYrVMIC8GWrweZoOrdhFf9aF&index=8 https://www.youtube.com/watch?v=kEgWGBwSiIc&list=PL-5888xShjYrVMIC8GWrweZoOrdhFf9aF&index=8 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve73… 6/22 A estrutura sintática indica uma organização de�nida e prevista para aquela língua. Por isso, para que tenha sentido, temos que indicar o que João comprou, porque ele é o agente da ação de comprar algo. Livro de Machado de Assis complementa o sentido do verbo comprar. Quem compra, compra algo. Se disséssemos João comprou na livraria ontem, não faria sentido. Ao fazer a análise sintática dos enunciados de uma língua, estamos a explicitar as relações e funções dos termos constituintes. João é o sujeito do verbo comprar. Comprou um livro do Machado de Assis é o predicado verbal do sujeito João. Um livro de Machado de Assis: um e do Machado de Assis são adjuntos adnominais do objeto direto que é o livro. Um livro de Machado de Assis: objeto direto de comprar. A frase é um enunciado que tem sentido completo,independente do seu tamanho. Pode ter uma ou mais palavras, pode ter um verbo ou nenhum. O critério para identi�car uma frase é veri�car se ela tem sentido. Observe o diálogo abaixo: - Tudo bem com você? - Tudo. Ou - Tudo bem com você? - Quisera. Nas frases acima, a resposta é uma frase constituída por uma única palavra que tem sentido completo. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve73… 7/22 Saiba Mais A entonação dá sentido às palavras e também pode carregar o enunciado de espanto, ironia, dúvida, irritação, etc. Figura 3: Biblioteca. Fonte: Autora, 2019. Para compreender e produzir textos é fundamental conhecer os mecanismos que produzem sentido e exercitar o uso deles. Não se fala uma língua apenas conhecendo palavras; é necessário saber agrupá-las de acordo com as normas de sua gramática. Agora, vamos dizer o mesmo, mas com os termos especializados. São dois os tipos de saberes envolvidos para a construção de uma frase, a saber: Ou Semântica Sintaxe Ou seja, para construirmos uma frase, precisamos operar com dois mecanismos: a seleção palavras para os diferentes lugares na formação da frase e a combinação com uma palavra que já foi escolhida: 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve73… 8/22 Figura 4: Frase. Fonte: Autora, 2019. Veja o exemplo: Eu estou feliz porque está chovendo hoje / Eu estou triste porque está chovendo hoje. Eu estou feliz porque choveu ontem / Eu estou triste porque está chovendo hoje. Eu estou irado porque está chovendo hoje / Estava muito quente. Estava muito seco / Estava muito sol. Meu jardim estava muito seco / Meu carro estava empoeirado. Cada situação apresenta inúmeras possibilidades, e as palavras que podem representar essas possibilidades formam grupos como substantivos, pronomes, verbos, adjetivos, etc. A escolha da palavra mais adequada segue quatro critérios: Figura 5: Critérios de seleção da palavra. Fonte: Autora, 2019. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve73… 9/22 1. Precisão conceitual 2. Valor social da palavra 3. Sonoridade resultante da escolha 4. Compreensibilidade 3. O ensino de frases e pontuação Existem regras de combinação das palavras que visam a formação de frases que sejam compreensíveis e não alterem o sentido das mesmas. Observe a seguinte frase: Tra�cantes depõem sobre o trá�co no Congresso. Pode-se entender que tra�cantes depuseram, no Congresso, sobre o trá�co (na sociedade). Esse trá�co pode ser de drogas ou de in�uências. Ou, ainda, pode-se entender que no Congresso ocorre trá�co e que tra�cantes depuseram a respeito. Abaixo apresentamos as principais regras: a) Compatibilidade de sentido b) Concordância c) Colocação d) Regência e) Marcas prosódicas 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 10/22 Saiba Mais Prosódia é a variação na altura, na intensidade, no tom, na duração e no ritmo da fala. Figura 6: Pontuação. Fonte: Autora, 2019. Os pontos indicam o �m do parágrafo, o �m de uma oração declarativa e o início de outra. O ponto de interrogação é utilizado no �nal dos enunciados interrogativos para marcar uma pergunta. O ponto de exclamação é utilizado no �nal dos enunciados exclamativos, de espanto, admiração, surpresa, apelo ou ênfase. A vírgula é utilizada para várias funções. a) No interior de orações, separa os constituintes sintáticos idênticos em uma enumeração. Por exemplo: eu preciso comprar ovos, farinha, pão e mel. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 11/22 Quando elementos que exercem a mesma função sintática são relacionados, como nas conjunções coordenativas nem, e, ou. Por exemplo: Nem eu, nem ele, sabíamos que você viria. Ou você, ou seus pais, devem procurar a direção da escola para saber mais detalhes. b) Quando indicar a elipse, que é a omissão de uma ou mais palavras de uma frase. Por exemplo: Ela trouxe lembranças para todos, menos para mim. c) Isolar o vocativo, como no exemplo: São Paulo, capital de São Paulo, é uma cidade muito populosa. d) Indicar quando um adjunto adverbial foi utilizado fora de sua posição habitual. Por exemplo. No Brasil, as pessoas falam português. Em Portugal, também. e) Indicar complementos nominais ou verbais, como em: Da Bahia, eu sinto saudades. f) Indicar conjunções intercaladas, como: Por exemplo: Eu cheguei atrasada, porém, havia avisado. g) Isolar o nome de lugares, quando se colocam as datas. Por exemplo: São Paulo, 10 de junho de 2019. h) Indicar a intercalação de expressões como: em suma, ou seja, isto é, a propósito, aliás, vale dizer. Por exemplo: Em suma, estudar gramática é muito importante. Saiba Mais Lembre-se: nunca se usa vírgula para separar o sujeito do predicado verbal, o verbo de seu complemento e o núcleo dos substantivos de um adjunto adnominal ou de um complemento nominal. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 12/22 A vírgula entre orações: a) Separa a oração subordinativa adverbial, quando ocorre antes da oração principal. Por exemplo: Assim que me telefonaram, eu corri para o hospital. b) Separa a oração subordinada adjetiva explicativa da oração principal. Por exemplo: Os jogadores, que estavam cansados, sentaram-se no chão. c) Separa orações coordenadas assindéticas. Por exemplo: Eu cheguei, comi um lanche, voltei correndo para a escola. d) Separaorações coordenadas assindéticas. Por exemplo: Há pessoas que trabalham muito, porém nunca são promovidas. e) Indica orações intercaladas, como em: E sua tia, perguntei eu, como vai? O ponto e vírgula é usado em três casos. Entre orações coordenadas quando se quer estabelecer uma marcação mais forte que a vírgula, mas não é o �nal quando se usaria o ponto: a) Para separar sequências. Por exemplo: as academias de ginástica são, hoje, templos da cultura física e celebração do corpo ; lá se encontram os que pretendem retardar o envelhecimento e ter uma vida saudável. b) Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgulas. Por exemplo: Não desprezemos o tempo, amigos ; não deixemos, porém, todas as decisões para ele. c) Para dar destaque à oposição entre duas orações coordenadas. Por exemplo: O sábio é humilde ; o ignorante é presunçoso. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 13/22 Os dois pontos são usados para indicar que a seguir virá uma explicação. Por exemplo: a) Para introduzir uma citação: “A pontuação é fundamental para a compreensão do texto”, disse o professor Artur. b) Para explicar ou melhor desenvolver uma palavra ou expressão. Por exemplo: Inesquecível: Brasil ganha do Peru por 5 x 0. O travessão indica a mudança de interlocutor nos diálogos. Por exemplo: - Como vai, João? - Bem, e você, Marta? Ou ainda para dar destaque a palavras ou expressões dentro de uma frase, quando deve ser usado antes e depois. Por exemplo: O sino anunciava a hora da missa – era seis horas da tarde – e, os �éis aguardavam ansiosos. As aspas indicam que: a) a palavra ou expressão não é de autoria de quem produziu o texto. Pode ser usada para indicar uma citação literal, como em: todos se emocionam na hora do “Ouviram do Ipiranga as margens plácidas”. b) a palavra ou expressão não pertencem ao padrão da língua, como palavras estrangeiras, neologismos, gírias, modos de falar típicos. Por exemplo: Por favor, me espere no “hall” do centro de convenções. O “soldado” pediu água, bebeu, descansou e foi embora. c) para destacar quando a palavra ou a expressão estão fora do sentido usual. Por exemplo: Eu tive um “apagão” na prova. Reticências são usadas indicar que o enunciado sofreu cortes: 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 14/22 a) Quando não interessa completar o enunciado. Por exemplo: em vez de usar o trecho todo como na estrofe de Gonçalves Dias: Minha terra tem palmeira, Onde canta o sabiá. As aves que aqui gorjeiam Não gorjeiam como lá. Você pode usar ...”Onde canta o sabiá”... e entende-se que tinha algo antes e algo depois. b) Para indicar hesitação ou insegurança, quando alguém está gaguejando. Por exemplo: Olha...eu...pense bem... eu não falei por mal... c) Para indicar que o enunciador quis deixar algo implícito, uma sequência que se entende lógica, como em: Quando ele a viu, �cou maluco… Quando ele a viu, �cou maluco, apaixonado, encantado. Saiba Mais Lembre-se que não se usa a vírgula quando as orações coordenadas sindéticas são ligadas pela conjunção e. A exceção é quando forem diferentes sujeitos ou quando o e aparecer repetidamente. 4. Atividade de campo Agora que você já estudou as primeiras unidades, é hora de entrelaçar o conhecimento teórico com o prático. É importante ter contato com a realidade e 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 15/22 com professores de língua portuguesa do fundamental I, para que você conheça experiências de outras pessoas em situações que você poderá enfrentar um dia. Segundo Bandura (2008), as pessoas só aprendem por duas vias: pela experiência direta e pela experiência vicária, que é a experiência de outras pessoas que se observa. Essa aprendizagem vicária pode acontecer por observação direta, quando você está em uma sala de aula assistindo outro professor, quando você observa seu professor lhe dando aula, quando você assiste um vídeo ou um �lme, que ainda que �ccionais, são fontes de aprendizagem vicária. Figura 7: Da teoria a prática. Fonte: Pixabay, 2019. Todos nós, quando chegamos à universidade, já tivemos experiências em ambiente escolares. É diferente do caso de outras pro�ssões, nas quais as pessoas chegam sem ter tido contato prévio. Todavia, estamos vivenciando um momento de ruptura, de mudança de paradigma, quando o aluno deixa de ser uma pessoa passiva, que recebe a transmissão do conhecimento, para um papel ativo, de estudante protagonista do seu aprender. Concomitantemente, estamos vivenciando a ampliação das metodologias ativas e híbridas, além da inclusão digital na educação. Em função dessas importantes mudanças é necessário, mais do que nunca, estarmos atentos ao que acontece na sala de aula, palco de uma nova aprendizagem com a qual nem todos os livros teóricos estão alinhados. Pensando na necessidade dessa formação que vai além da teoria e coloca o estudante nos cenários educativos, espera-se que você escolha uma turma de 3º. 4º. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 16/22 ou 5º. Ano do ensino fundamental, para realizar uma atividade de campo que fortalecerá os conteúdos estudados até aqui. 4.1 Investigação e problematização da realidade O objetivo dessa investigação será observar, investigar e registrar o trabalho com a produção textual na turma escolhida. Além de observar, você deverá entrevistar o (a) professor (a) da turma, relacionando o trabalho realizado em sala de aula com os estudos realizados na disciplina. Ainda, espera-se que você problematize com a turma um gênero textual que você escolha, exercendo uma mediação com os alunos, para que eles negociem seus pontos de vista com o objetivo de chegarem a um consenso. Não se esqueça que, nesse momento, é importante ouvir o que os alunos têm a dizer e fazer perguntas que possibilitem, a eles, expressar suas curiosidades, dúvidas e opiniões, de forma ampla. Para isso, estabelecer um clima favorável com esses alunos é fundamental. O fato de você estar na sala já afetará a rotina da classe, e a forma como você vai interagir com os alunos impactará a forma como eles irão se comportar nesses encontros. Por isso, é importante deixar claro que não se trata de uma avaliação, que eles não terão notas nessa atividade, que você os escutará para saber como eles pensam, e não para avaliar se eles sabem ou não o conteúdo da disciplina. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 17/22 Figura 8: Professor em sala. Fonte: Pixabay, 2019. O registro desses encontros é muito importante. Se for possível gravar as entrevistas será de grande valia. É muito difícil recordar de tudo que se conversa. Caso não seja possível gravar os encontros, tente anotar, sem que isso tire o foco na discussão; e quando terminar o encontro anote o mais rápido possível tudo que se lembrar, porque se esperar passar alguns dias, pode ser que você perca parte dos acontecimentos. Com o registro pronto ou extraído do áudio, é hora de você sistematizar os dados. Procure re�etir sobre os dados coletados, veri�car se existem falas que podem ser associadas a algum tema, ou opiniões (dis) concordantes. Elabore um diagnóstico da realidade estudada, articulando teoria e prática. Lembre-se que você observou uma realidade, mas que não representa a totalidade da realidade. Considere o contexto, e lembre-se que se mudar o contexto,o comportamento dos alunos também poderá mudar; ou seja, o mesmo aluno ou professor em outra escola, ou na mesma escola mas em outra classe, pode ter um comportamento diferente. Os métodos de colheita de informações podem ser por observação das aulas, entrevista de pro�ssionais, relato de experiência própria - seja como aluno, auxiliar- pedagógico ou na docência -, e, ainda, por meio de pesquisas na internet. Todos os meios são válidos. O aluno deverá produzir um relatório sobre o contexto investigado, avaliando as metodologias empregadas e os resultados obtidos, pesando acertos e falhas. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 18/22 Também é importante frisar que a atividade de campo não tem por objetivo avaliar os envolvidos. Se o professor se sentir julgado, provavelmente ele terá di�culdades em colaborar com seu trabalho. Por isso, deixe claro que o encontro tem como objetivo a sua aprendizagem com alguém que já está inserido no campo pro�ssional, e que tem experiências valiosas para compartilhar com você. 4.2 Delimitação do gênero texto A escolha do gênero textual pode causar muitas dúvidas, pela multiplicidade de gêneros. Podemos classi�car os gêneros, quanto à natureza, em dois grupos: 1 - Gêneros primários 2 - Gêneros secundários Abaixo, trazemos uma lista com os gêneros textuais, relacionando-os com a competência que eles envolvem, a saber: narrar, relatar, expor, argumentar e descrever, segundo Dolz e Schneuwly (2004): Literatura �ccional : narrar é Conto maravilhoso, Conto de fadas, Fábula, Lenda, Narrativa de aventura, Narrativa de �cção cientí�ca, Narrativa de enigma, Narrativa mítica, Histórias engraçadas, Biogra�a romanceada, Romance, Romance histórico, Novela, Conto, Paródia, Adivinha, Piada e Crônica literária. Documentação ou memorização – documentar è Relatos de experiências vividas, Relatos de viagem, Diário íntimo, Testemunho, Anedota, Autobiogra�a, Curriculum vitae, Notícia, Reportagem, Crônica mundana, Crônica esportiva, Históricos, Relatos históricos e Per�l biográ�co Discutir problemas sociais – argumentar é Artigos de opinião, Textos de opinião/diálogo argumentativo, Carta de leitor, Carta de reclamação, Carta de 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 19/22 solicitação, Deliberação informal, Debate regrado, Debate político, Editorial, Discurso de defesa (advocacia), Requerimento ensaio e Resenhas críticas, Transmissão e construção de saberes – expor é Texto expositivo, Conferência, Artigo enciclopédico, Artigo cientí�co, Entrevista de especialista, Texto explicativo, Tomada de notas, Resumo de textos expositivos e explicativos, Resenhas, Relatório cientí�co, Relato de experiências (cientí�cas) e Seminários. Instruções e prescrições – descrever é Instrução de uso, Instruções de montagem, Receita, Regulamento, Regras de jogo, Consignas diversas, Textos preditivos, Manuais de instruções, Bulas de remédios. Para o professor escolher um gênero literário, ele deve considerar a capacidade de leitura dos seus alunos e o interesse deles. Uma boa alternativa é permitir que a classe faça parte da escolha, ou, pelo menos, oferecer algumas alternativas pré- selecionadas. Ao dividir o protagonismo com o aluno, sua possibilidade de engajamento é maior. Síntese Nesta unidade, você teve a oportunidade de problematizar a gramática, re�etindo sobre a sua aplicação nos anos iniciais e as tensões entre professores, alunos e pais, além da universalidade das classes gramaticais e a arbitrariedade dos nomes. ● Discutiu-se a importância da gramática e o ensino dela para crianças do ensino fundamental I. Também vimos a linguística das frases nos seus aspectos sintáticos, como ordem das palavras e dos grupos de palavras, concordância de número e gênero, desinências verbais de pessoa e tempo, além de aspectos léxicos e ortográ�cos, como sinais e pontuação. ● Passamos para a análise da aplicabilidade das vírgulas, conforme a ordem dos segmentos, e re�etimos sobre os componentes principais das frases. Por �m, analisamos os efeitos de sentido produzidos pela pontuação. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 20/22 ● A atividade de campo solicitada visou a compreensão da realidade de uma turma de 3º, 4º, ou 5º anos do ensino fundamental, entrelaçando a teoria com a prática, por meio de uma investigação em relação ao trabalho com produção textual, entrevistas com o professor e problematização com os alunos sobre um gênero textual, escolhido por você. ● O objetivo da atividade de campo foi a re�exão sobre os dados coletados, a elaboração de um diagnóstico dessa realidade, ampliando o repertório sobre as metodologias de ensino de língua portuguesa nos anos iniciais e a construção de um conhecimento prático, com base na teoria estudada e na aprendizagem observacional de um pro�ssional da área. No �nal, apresentamos uma lista com exemplos dos gêneros textuais da ordem de narrar, argumentar, expor, descrever e relatar. Download do PDF da unidade Bibliografia BANDURA, A.; AZZI, R.. G., POLYDORO, S. (Orgs.) Teoria Social Cognitiva: conceitos básicos. Porto Alegre: Artmed, 2008. COELHO, I. L.; MONGUILHOTT, I.; OLIVEIRA, R. P. de. Gramática & escola, uma entrevista com Carlos Faraco . Work. Pap. Linguíst., 18(2): 16-24, Florianópolis, ago./dez., 2017. DOLZ, J.; SCHNEUWLY, B. Gêneros orais e escritos na escola . Campinas, SP: Mercado de Letras, 2004. GERALDI, J. W. Portos de passagem . 4. ed. Editora Martins Fontes, São Paulo, SP, 1997. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 21/22 LEAL, T. F., SUASSUNA, L. Ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica. Editora Autêntica, São Paulo, SP, 2014. MORAIS, A. G. de, LEAL, T. F. Argumentação em textos escritos e a criança e a escola . Editora Autêntica, São Paulo, SP, 2007. 20/09/2023, 21:55 Copy of FE_BL2_EDU_MEPOEF_19_E_3 https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=9tBSBE6FJdqq4MNb%2b1EN5w%3d%3d&l=o34A9IBUvpRxnQtZ4Ap%2ftQ%3d%3d&cd=AW4Pve7… 22/22