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Unidade 3 sobre ensino de frases e pontuação. Discute ensino da gramática nos anos iniciais, foco em letramento, escolha de textos reais, arbitrariedade dos signos, uso de receitas como exemplos e desenvolvimento da competência argumentativa.

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Unidade 3 - Ensino de frases e
pontuação
Simone Alves Pedersen
Iniciar
Introdução
O ensino da gramática nos anos fundamentais tem sido um ponto de tensão entre
alunos, professores e pais. Os pais criticam a escola que, segundo eles, não ensina
mais gramática como antigamente, quando se exigia dos alunos que conjugassem
os verbos em todos os tempos, �zessem listas de coletivos, feminino e masculino,
singular e plural, en�m, exercícios de memorização.
Para os alunos, a gramática é ponto de tensão porque eles a consideram uma
disciplina difícil, que demanda muito tempo de estudo. Para os professores, a
gramática é um ponto de tensão porque eles precisam ensinar uma disciplina pela
qual muitos alunos não se interessam, além de terem que de�nir o conteúdo e a
forma de ensinar para os alunos dos anos iniciais.
Entretanto, a escola é o local ideal para o ensino da gramática. É importante que
re�itamos sobre para quê, porquê, como, quando e o que devemos ensinar de
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1. Problematização da
gramática
Nos primeiros anos, o ensino da língua tem foco no letramento e na alfabetização.
Gradualmente, a gramática é ensinada durante todo o ensino fundamental, inclusive
com professores especialistas no fundamental II.  Nesse primeiro momento, a
gramática é o suporte da produção textual que oportuniza a observação de
diferentes ocorrências, comparação entre diversas situações, ou seja, a construção
do repertório gramatical do aluno, quando ele tem o primeiro contato com a
gramática normativa.
Figura 1: Biblioteca. Fonte: Pixabay, 2019.
Os textos precisam ser escolhidos com atenção para serem motivadores, porque se
o texto for ruim, o sucesso da aula já está condenado.Como a�rma Geraldi (1997, p.
135)  a "produção de textos (orais e escritos) são o ponto de partida (e ponto de
chegada) de todo o processo de ensino/aprendizagem da língua".
Também se pode, desde os anos iniciais, apresentar-se a arbitrariedade dos signos,
para que os alunos percebam que a língua é uma ferramenta desenvolvida
gramática nos anos iniciais, e é essa discussão que veremos neste capítulo.
Bons estudos!
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socialmente. Por exemplo: gato, em português, é cat em inglês e kat em alemão.
Enquanto em português avô é o pai da mãe ou o pai do pai, em dinamarquês você
tem duas palavras especí�cas: farfar é o avô (paterno) – o  pai ( far ) do pai ( far ) e
morfar é o avô (materno) – da mãe ( mor ) o pai ( far ). Um exemplo que as crianças
dos anos iniciais gostam é o que usa onomatopeias. Enquanto no Brasil o cachorro
faz “auau”, na Escandinávia, onde cachorros grandes são mais comuns, eles dizem
que o cachorro faz “ vufvuf ”. Ou ainda, a rosa (�or) que pode ser vermelha.
Os textos devem ser de circulação social - textos reais que tenham signi�catividade
e relevância para o aluno.  Para exempli�car, se pensarmos no gênero textual
receita, é natural aproveitar para discutir substantivos como verbos e numerais,
discutir pesos e quantidades como dúzia, cem gramas etc.
Figura 2: Biblioteca. Fonte: Pixabay, 2019.
Outra possibilidade é desenvolver a competência argumentativa dos alunos por
meio dos textos trabalhados enquanto se ensina parte da gramática. A
argumentação é fundamental na vida das pessoas, não só dentro do espaço escolar
como fora dela (MORAIS, LEAL, 2007). Leal e Suassuna (2014)  a�rmam que a
competência argumentativa é passível de desenvolvimento. Nesse sentido, o
psicólogo Albert Bandura (2008) expõe em sua teoria sociocognitiva, que o homem é
um ser de potencialidades que podem ou não ser desenvolvidas no decorrer de sua
vida pela in�uência do contexto, de seu comportamento e de seus afetos, o que
signi�ca que ninguém nasce ou não determinado a ser - ou não ser - um bom
 argumentador.
A aprendizagem da gramática em uma língua - a língua portuguesa como língua
nativa, no caso do Brasil - auxilia a aprendizagem de outras línguas, considerando a
universalidade das classes gramaticais. Embora a linguagem seja universal, isto é,
todos os homens do planeta se comunicam pela linguagem, a gramática é uma
construção social que normatiza cada idioma. As dez classes gramaticais são uma
classi�cação que existe na maioria dos idiomas. Excepcionalmente, alguns autores
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consideram oito classes gramaticais, pois não incluem interjeições e numerais
como na lista brasileira, que é composta de substantivo, verbos, advérbios,
adjetivos, pronomes, conjunções, preposições e artigos. Nesse sentido, a�rma
Carlos Faraco (2017):
Não tenho dúvida de que o centro do ensino devem ser as práticas de leitura, escrita e
oralidade. Nesse sentido, acompanho o que defendia Jan Comênio, no seu Didática Magna (livro
publicado em 1627): língua não se aprende na gramática, mas nos bons escritores, ou seja,
aprende-se a língua na língua em uso e usando a língua. No entanto, defendo também que se
aprenda a pensar sobre a língua. Nesse sentido, sigo o que defendia Marco Fábio Quintiliano
em seu Institutio Oratoria (obra publicada em 95 d.C.): o estudo da gramática (livre do que é
inútil, dizia ele, sugerindo que é preciso selecionar os temas e não ambicionar um saber
enciclopédico) tem seu lugar como atividade complementar e não central. Trata-se de re�etir
sobre o funcionamento estrutural da língua ao mesmo tempo em que se desenvolvem as
práticas de leitura, escrita e oralidade. (COELHO, MONGUILHOTT, OLIVEIRA, 2017, p. 20)
Embora não se espere que alunos dos anos iniciais conheçam toda a gramática,
tampouco pode-se ignorar a importância dela. A gramática é um conhecimento
necessário para uma boa produção textual, para escrever com coesão e coerência.
O desa�o, nos anos iniciais, é demonstrar para os alunos que a gramática não é um
aprendizado irrelevante. Além dos argumentos mais conhecidos sobre o quanto é
importante escrever e falar bem para ter sucesso acadêmico e na maioria das
pro�ssões, a boa escrita pode ser uma experiência de deleite pela sua beleza.
Despertar nos alunos essa percepção de que a língua não é apenas viva, que pode
também ser bela, é um caminho para despertar o interesse dos alunos.
Você quer ler
HALE, Ken. Diversidade e universalidade lingüística. Mana,  Rio de Janeiro ,  v. 6,
n. 2, p. 147-162,  Oct.  2000 .   Available from < http://www.scielo.br/scielo.php?
script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200006&lng=en&nrm=iso >. access
on  22  June  2019. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132000000200006 .
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-93132000000200006&lng=en&nrm=iso
http://dx.doi.org/10.1590/S0104-93132000000200006
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2. O ensino de frases e
pontuações
Nesta unidade vamos estudar as palavras de outra forma, não pelas classes
gramaticais à que pertencem, como vimos na unidade anterior. A função que a
palavra exerce quando está junto de outra palavra em um enunciado, é o campo de
estudo da sintaxe. Um léxico dispõe de centenas de milhares de palavras. Por isso,
precisa-se de regras que organizem o seu uso, ainda que seja possível organizar
palavras dentro de uma frase de diversas formas. Observe:
● João comprou um livroontem do Machado de Assis na livraria.
● João comprou ontem na livraria um livro do Machado de Assis.
● Ontem João comprou um livro na livraria do Machado de Assis.
● Ontem João comprou um livro do Machado de Assis na livraria.
Nessas possibilidades, o signi�cado não é alterado, sabemos que 1) João comprou
um livro; 2) João comprou um livro ontem, 3) João comprou um livro do Machado de
Assis, e 4) João comprou um livro do Machado de Assis na livraria.
Todavia, se disséssemos de outras formas, o sentido se perderia:
● Livraria João Machado de Assis ontem livro na do um comprou.
● Machado de Assis um comprou João livro ontem livraria.
Você quer ver
Assista esse vídeo sobre análise sintática: https://www.youtube.com/watch?
v=kEgWGBwSiIc&list=PL-5888xShjYrVMIC8GWrweZoOrdhFf9aF&index=8
https://www.youtube.com/watch?v=kEgWGBwSiIc&list=PL-5888xShjYrVMIC8GWrweZoOrdhFf9aF&index=8
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A estrutura sintática  indica uma organização de�nida e prevista para aquela língua.
Por isso, para que tenha sentido, temos que indicar o que João comprou, porque ele
é o agente da ação de comprar algo. Livro de Machado de Assis complementa o
sentido do verbo comprar. Quem compra, compra algo. Se disséssemos João
comprou na livraria ontem, não faria sentido.
Ao fazer a análise sintática dos enunciados de uma língua, estamos a explicitar as
relações e funções dos termos constituintes.
João é o sujeito do verbo comprar.
Comprou um livro do Machado de Assis é o predicado verbal do sujeito João.
Um livro de Machado de Assis: um e do Machado de Assis são adjuntos adnominais
do objeto direto que é o livro.
Um livro de Machado de Assis: objeto direto de comprar.
A frase é um enunciado que tem sentido completo,independente do seu tamanho.
Pode ter uma ou mais palavras, pode ter um verbo ou nenhum. O critério para
identi�car uma frase é veri�car se ela tem sentido. Observe o diálogo abaixo:
- Tudo bem com você?
- Tudo.
Ou
- Tudo bem com você?
- Quisera.
Nas frases acima, a resposta é uma frase constituída por uma única palavra que tem
sentido completo.
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Saiba Mais
A entonação dá sentido às palavras e também pode carregar o enunciado de
espanto, ironia, dúvida, irritação, etc.
Figura 3: Biblioteca. Fonte: Autora, 2019.
Para compreender e produzir textos é fundamental conhecer os mecanismos que
produzem sentido e exercitar o uso deles. Não se fala uma língua apenas
conhecendo palavras; é necessário saber agrupá-las de acordo com as normas de
sua gramática.
Agora, vamos dizer o mesmo, mas com os termos especializados. São dois os tipos
de saberes envolvidos para a construção de uma frase, a saber:
Ou
Semântica
Sintaxe
Ou seja, para construirmos uma frase, precisamos operar com dois mecanismos: a
seleção palavras para os diferentes lugares na formação da frase e a combinação
com uma palavra que já foi escolhida:
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Figura 4: Frase. Fonte: Autora, 2019.
Veja o exemplo:
Eu estou feliz porque está chovendo hoje / Eu estou triste porque está chovendo
hoje. Eu estou feliz porque choveu ontem / Eu estou triste porque está chovendo
hoje.
Eu estou irado porque está chovendo hoje / Estava muito quente.
Estava muito seco / Estava muito sol.
Meu jardim estava muito seco / Meu carro estava empoeirado.
Cada situação apresenta inúmeras possibilidades, e as palavras que podem
representar essas possibilidades formam grupos como substantivos, pronomes,
verbos, adjetivos, etc.
A escolha da palavra mais adequada segue quatro critérios:
Figura 5: Critérios de seleção da palavra. Fonte: Autora, 2019.
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1. Precisão conceitual
2. Valor social da palavra
3. Sonoridade resultante da escolha
4. Compreensibilidade
3. O ensino de frases e
pontuação
Existem regras de combinação das palavras que visam a formação de frases que
sejam compreensíveis e não alterem o sentido das mesmas. Observe a seguinte
frase:
Tra�cantes depõem sobre o trá�co no Congresso.
Pode-se entender que tra�cantes depuseram, no Congresso, sobre o trá�co (na
sociedade). Esse trá�co pode ser de drogas ou de in�uências. Ou, ainda, pode-se
entender que no Congresso ocorre trá�co e que tra�cantes depuseram a respeito.
Abaixo apresentamos as principais regras:
a) Compatibilidade de sentido
b) Concordância
c) Colocação
d) Regência
e) Marcas prosódicas
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Saiba Mais
Prosódia é a variação na altura, na intensidade, no tom, na duração e no ritmo
da fala.
Figura 6: Pontuação. Fonte: Autora, 2019.
Os pontos indicam o �m do parágrafo, o �m de uma oração declarativa e o início de
outra.
O ponto de interrogação é utilizado no �nal dos enunciados interrogativos para
marcar uma pergunta.
O ponto de exclamação é utilizado no �nal dos enunciados exclamativos, de
espanto, admiração, surpresa, apelo ou ênfase.
A vírgula é utilizada para várias funções.
a) No interior de orações, separa os constituintes sintáticos idênticos em uma
enumeração.
Por exemplo: eu preciso comprar ovos, farinha, pão e mel.
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Quando elementos que exercem a mesma função sintática são relacionados, como
nas conjunções coordenativas nem, e, ou. Por exemplo: Nem eu, nem ele, sabíamos
que você viria. Ou você, ou seus pais, devem procurar a direção da escola para
saber mais detalhes.
b) Quando indicar a elipse, que é a omissão de uma ou mais palavras de uma frase.
Por exemplo: Ela trouxe lembranças para todos, menos para mim.
c) Isolar o vocativo, como no exemplo: São Paulo, capital de São Paulo, é uma
cidade muito populosa.
d) Indicar quando um adjunto adverbial foi utilizado fora de sua posição habitual.
Por exemplo. No Brasil, as pessoas falam português. Em Portugal, também.
e) Indicar complementos nominais ou verbais, como em: Da Bahia, eu sinto
saudades.
f) Indicar conjunções intercaladas, como:
Por exemplo: Eu cheguei atrasada, porém, havia avisado.
g) Isolar o nome de lugares, quando se colocam as datas.
Por exemplo: São Paulo, 10 de junho de 2019.
h) Indicar a intercalação de expressões como: em suma, ou seja, isto é, a propósito,
aliás, vale dizer.
Por exemplo: Em suma, estudar gramática é muito importante.
Saiba Mais
Lembre-se: nunca se usa vírgula para separar o sujeito do predicado verbal, o
verbo de seu complemento e o núcleo dos substantivos de um adjunto
adnominal ou de um complemento nominal.
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A vírgula entre orações:
a) Separa a oração subordinativa adverbial, quando ocorre antes da oração
principal.
Por exemplo: Assim que me telefonaram, eu corri para o hospital.
b) Separa a oração subordinada adjetiva explicativa da oração principal.
Por exemplo:  Os jogadores, que estavam cansados, sentaram-se no chão.
c) Separa orações coordenadas assindéticas.
Por exemplo: Eu cheguei, comi um lanche, voltei correndo para a escola.
d) Separaorações coordenadas assindéticas.
Por exemplo: Há pessoas que trabalham muito, porém nunca são promovidas.
e) Indica orações intercaladas, como em:
E sua tia, perguntei eu, como vai?
O ponto e vírgula é usado em três casos. Entre orações coordenadas quando se
quer estabelecer uma marcação mais forte que a vírgula, mas não é o �nal
quando se usaria o ponto:
a) Para separar sequências.
Por exemplo: as academias de ginástica são, hoje, templos da cultura física e
celebração do corpo ; lá se encontram os que pretendem retardar o envelhecimento
e ter uma vida saudável.
b) Para separar orações coordenadas já marcadas por vírgulas.
Por exemplo: Não desprezemos o tempo, amigos ; não deixemos, porém, todas as
decisões para ele.
c) Para dar destaque à oposição entre duas orações coordenadas.
Por exemplo: O sábio é humilde ; o ignorante é presunçoso.
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Os dois pontos são usados para indicar que a seguir virá uma explicação. Por
exemplo:
a) Para introduzir uma citação: “A pontuação é fundamental para a compreensão do
texto”, disse o professor Artur.
b) Para explicar ou melhor desenvolver uma palavra ou expressão. Por exemplo:
Inesquecível: Brasil ganha do Peru por 5 x 0.
O travessão indica a mudança de interlocutor nos diálogos. Por exemplo:
- Como vai, João?
- Bem, e você, Marta?
Ou ainda para dar destaque a palavras ou expressões dentro de uma frase, quando
deve ser usado antes e depois.
Por exemplo: O sino anunciava a hora da missa – era seis horas da tarde – e, os �éis
aguardavam ansiosos.
As aspas indicam que:
a) a palavra ou expressão não é de autoria de quem produziu o texto. Pode ser
usada para indicar uma citação literal, como em: todos se emocionam na hora do
“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas”.
b) a palavra ou expressão não pertencem ao padrão da língua, como palavras
estrangeiras, neologismos, gírias, modos de falar típicos. Por exemplo: Por favor,
me espere no “hall” do centro de convenções. O “soldado” pediu água, bebeu,
descansou e foi embora.
c) para destacar quando a palavra ou a expressão estão fora do sentido usual.
Por exemplo: Eu tive um “apagão” na prova.
Reticências são usadas indicar que o enunciado sofreu cortes:
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a) Quando não interessa completar o enunciado. Por exemplo: em vez de usar o
trecho todo como na estrofe de Gonçalves Dias:
Minha terra tem palmeira,
Onde canta o sabiá.
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.
Você pode usar ...”Onde canta o sabiá”... e entende-se que tinha algo antes e algo
depois.
b) Para indicar hesitação ou insegurança, quando alguém está gaguejando.
Por exemplo: Olha...eu...pense bem... eu não falei por mal...
c) Para indicar que o enunciador quis deixar algo implícito, uma sequência que se
entende lógica, como em:
Quando ele a viu, �cou maluco…
Quando ele a viu, �cou maluco, apaixonado, encantado.
Saiba Mais
Lembre-se que não se usa a vírgula quando as orações coordenadas sindéticas
são ligadas pela conjunção e. A exceção é quando forem diferentes sujeitos ou
quando o e aparecer repetidamente.
4. Atividade de campo
Agora que você já estudou as primeiras unidades, é hora de entrelaçar o
conhecimento teórico com o prático. É importante ter contato com a realidade e
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com professores de língua portuguesa do fundamental I, para que você conheça
experiências de outras pessoas em situações que você poderá enfrentar um dia.
Segundo Bandura (2008), as pessoas só aprendem por duas vias: pela experiência
direta e pela experiência vicária, que é a experiência de outras pessoas que se
observa. Essa aprendizagem vicária pode acontecer por observação direta, quando
você está em uma sala de aula assistindo outro professor, quando você observa seu
professor lhe dando aula, quando você assiste um vídeo ou um �lme, que ainda que
�ccionais, são fontes de aprendizagem vicária.
Figura 7: Da teoria a prática. Fonte: Pixabay, 2019.
Todos nós, quando chegamos à universidade, já tivemos experiências em ambiente
escolares. É diferente do caso de outras pro�ssões, nas quais as pessoas chegam
sem ter tido contato prévio. Todavia, estamos vivenciando um momento de ruptura,
de mudança de paradigma, quando o aluno deixa de ser uma pessoa passiva, que
recebe a transmissão do conhecimento, para um papel ativo, de estudante
protagonista do seu aprender. Concomitantemente, estamos vivenciando a
ampliação das metodologias ativas e híbridas, além da inclusão digital na educação.
Em função dessas importantes mudanças é necessário, mais do que nunca,
estarmos atentos ao que acontece na sala de aula, palco de uma nova
aprendizagem com a qual nem todos os livros teóricos estão alinhados.
Pensando na necessidade dessa formação que vai além da teoria e coloca o
estudante nos cenários educativos, espera-se que você escolha uma turma de 3º. 4º.
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ou 5º. Ano do ensino fundamental, para realizar uma atividade de campo que
fortalecerá os conteúdos estudados até aqui.
4.1 Investigação e problematização da
realidade
O objetivo dessa investigação será observar, investigar e registrar o trabalho com a
produção textual na turma escolhida. Além de observar, você deverá entrevistar o (a)
professor (a) da turma, relacionando o trabalho realizado em sala de aula com os
estudos realizados na disciplina.
Ainda, espera-se que você problematize com a turma um gênero textual que você
escolha, exercendo uma mediação com os alunos, para que eles negociem seus
pontos de vista com o objetivo de chegarem a um consenso. Não se esqueça que,
nesse momento, é importante ouvir o que os alunos têm a dizer e fazer perguntas
que possibilitem, a eles, expressar suas curiosidades, dúvidas e opiniões, de forma
ampla. Para isso, estabelecer um clima favorável com esses alunos é fundamental.
O fato de você estar na sala já afetará a rotina da classe, e a forma como você vai
interagir com os alunos impactará a forma como eles irão se comportar nesses
encontros. Por isso, é importante deixar claro que não se trata de uma avaliação,
que eles não terão notas nessa atividade, que você os escutará para saber como
eles pensam, e não para avaliar se eles sabem ou não o conteúdo da disciplina.
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Figura 8: Professor em sala. Fonte: Pixabay, 2019.
O registro desses encontros é muito importante. Se for possível gravar as
entrevistas será de grande valia. É muito difícil recordar de tudo que se conversa.
Caso não seja possível gravar os encontros, tente anotar, sem que isso tire o foco na
discussão; e quando terminar o encontro anote o mais rápido possível tudo que se
lembrar, porque se esperar passar alguns dias, pode ser que você perca parte dos
acontecimentos.
Com o registro pronto ou extraído do áudio, é hora de você sistematizar os dados.
Procure re�etir sobre os dados coletados, veri�car se existem falas que podem ser
associadas a algum tema, ou opiniões (dis) concordantes. Elabore um diagnóstico
da realidade estudada, articulando teoria e prática. Lembre-se que você observou
uma realidade, mas que não representa a totalidade da realidade. Considere o
contexto, e lembre-se que se mudar o contexto,o comportamento dos alunos
também poderá mudar; ou seja, o mesmo aluno ou professor em outra escola, ou
na mesma escola mas em outra classe, pode ter um comportamento diferente.
Os métodos de colheita de informações podem ser por observação das aulas,
entrevista de pro�ssionais, relato de experiência própria - seja como aluno, auxiliar-
pedagógico ou na docência -, e, ainda, por meio de pesquisas na internet. Todos os
meios são válidos. O aluno deverá produzir um relatório sobre o contexto
investigado, avaliando as metodologias empregadas e os resultados obtidos,
pesando acertos e falhas.
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Também é importante frisar que a atividade de campo não tem por objetivo avaliar
os envolvidos. Se o professor se sentir julgado, provavelmente ele terá di�culdades
em colaborar com seu trabalho.
Por isso, deixe claro que o encontro tem como objetivo a sua aprendizagem com
alguém que já está inserido no campo pro�ssional, e que tem experiências valiosas
para compartilhar com você.
4.2 Delimitação do gênero texto
A escolha do gênero textual pode causar muitas dúvidas, pela multiplicidade de
gêneros. Podemos classi�car os gêneros, quanto à natureza, em dois grupos:
1 - Gêneros primários
2 - Gêneros secundários
Abaixo, trazemos uma lista com os gêneros textuais, relacionando-os com a
competência que eles envolvem, a saber: narrar, relatar, expor, argumentar e
descrever, segundo  Dolz e Schneuwly (2004):
Literatura �ccional : narrar é Conto maravilhoso, Conto de fadas, Fábula, Lenda,
Narrativa de aventura, Narrativa de �cção cientí�ca, Narrativa de enigma, Narrativa
mítica, Histórias engraçadas, Biogra�a romanceada, Romance, Romance histórico,
Novela, Conto, Paródia, Adivinha, Piada e Crônica literária.
Documentação ou memorização – documentar è Relatos de experiências vividas,
Relatos de viagem, Diário íntimo, Testemunho, Anedota, Autobiogra�a, Curriculum
vitae, Notícia, Reportagem, Crônica mundana, Crônica esportiva, Históricos, Relatos
históricos e Per�l biográ�co
Discutir problemas sociais – argumentar é Artigos de opinião, Textos de
opinião/diálogo argumentativo, Carta de leitor, Carta de reclamação, Carta de
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solicitação, Deliberação informal, Debate regrado, Debate político, Editorial,
Discurso de defesa (advocacia), Requerimento ensaio e Resenhas críticas,
Transmissão e construção de saberes – expor é Texto expositivo, Conferência,
Artigo enciclopédico, Artigo cientí�co, Entrevista de especialista, Texto explicativo,
Tomada de notas, Resumo de textos expositivos e explicativos, Resenhas, Relatório
cientí�co, Relato de experiências (cientí�cas) e Seminários.
Instruções e prescrições – descrever é Instrução de uso, Instruções de montagem,
Receita, Regulamento, Regras de jogo, Consignas diversas, Textos preditivos,
Manuais de instruções, Bulas de remédios.
Para o professor escolher um gênero literário, ele deve considerar a capacidade de
leitura dos seus alunos e o interesse deles. Uma boa alternativa é permitir que a
classe faça parte da escolha, ou, pelo menos, oferecer algumas alternativas pré-
selecionadas. Ao dividir o protagonismo com o aluno, sua possibilidade de
engajamento é maior.
Síntese
Nesta unidade, você teve a oportunidade de problematizar a gramática, re�etindo
sobre a sua aplicação nos anos iniciais e as tensões entre professores, alunos e
pais, além da universalidade das classes gramaticais e a arbitrariedade dos nomes.
● Discutiu-se a importância da gramática e o ensino dela para crianças do ensino
fundamental I. Também vimos a linguística das frases nos seus aspectos sintáticos,
como ordem das palavras e dos grupos de palavras, concordância de número e
gênero, desinências verbais de pessoa e tempo, além de aspectos léxicos e
ortográ�cos, como sinais e pontuação.
● Passamos para a análise da aplicabilidade das vírgulas, conforme a ordem dos
segmentos, e re�etimos sobre os componentes principais das frases. Por �m,
analisamos os efeitos de sentido produzidos pela pontuação.
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● A atividade de campo solicitada visou a compreensão da realidade de uma turma
de 3º, 4º, ou 5º anos do ensino fundamental, entrelaçando a teoria com a prática,
por meio de uma investigação em relação ao trabalho com produção textual,
entrevistas com o professor e problematização com os alunos sobre um gênero
textual, escolhido por você.
● O objetivo da atividade de campo foi a re�exão sobre os dados coletados, a
elaboração de um diagnóstico dessa realidade, ampliando o repertório sobre as
metodologias de ensino de língua portuguesa nos anos iniciais e a construção de
um conhecimento prático, com base na teoria estudada e na aprendizagem
observacional de um pro�ssional da área.
No �nal, apresentamos uma lista com exemplos dos gêneros textuais da ordem de
narrar, argumentar, expor, descrever e relatar.
Download do PDF da unidade
Bibliografia
BANDURA, A.; AZZI, R.. G., POLYDORO, S. (Orgs.) Teoria Social Cognitiva: conceitos
básicos. Porto Alegre: Artmed, 2008.
COELHO, I. L.; MONGUILHOTT, I.; OLIVEIRA, R. P. de. Gramática & escola, uma
entrevista com Carlos Faraco . Work. Pap. Linguíst., 18(2): 16-24, Florianópolis,
ago./dez., 2017.
DOLZ, J.; SCHNEUWLY, B. Gêneros orais e escritos na escola . Campinas, SP:
Mercado de Letras, 2004.
GERALDI, J. W. Portos de passagem . 4. ed. Editora Martins Fontes, São Paulo, SP,
1997.
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LEAL, T. F., SUASSUNA, L. Ensino de Língua Portuguesa na Educação Básica.
Editora Autêntica, São Paulo, SP, 2014.
MORAIS, A. G. de, LEAL, T. F. Argumentação em textos escritos e a criança e a
escola . Editora Autêntica, São Paulo, SP, 2007.
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