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Semana 1 (24/07): Fundamentos do Design Educacional e a produção de materiais pedagógicos digitais Texto-base: Capítulo 1: Conceitos e fundamentos do design instrucional (leia as páginas 03 a 11 da versão em pdf) | Andrea Filatro - Um campo novo do conhecimento; - As tecnologias são apenas um dos elementos que compõe a resposta do design instrucional para necessidades educacionais diversas; O que é design instrucional? - Design: É o resultado de um processo ou atividade (um produto), em termos de forma e funcionalidade, com propósitos e intenções claramente definidos; - Instrução: É atividade de ensino que se utiliza da comunicação para facilitar a aprendizagem; - Então design instrucional é a ação intencional e sistemática de ensino que envolve o planejamento, o desenvolvimento e a aplicação de métodos, técnicas, atividades, materiais, eventos e produtos educacionais em situações didáticas específicas, a fim de promover, a partir dos princípios de aprendizagem e instrução conhecidos, a aprendizagem humana; - Processo (conjunto de atividades) de identificar um problema (uma necessidade) de aprendizagem e desenhar, implementar e avaliar uma solução para esse problema; - Essa prática de implementar soluções ocorre em diferentes níveis: a) Macro: b) Micro: - O processo de design instrucional mais aceito é o ISD (Instructional System Design), ela divide o desenvolvimento das ações educacionais em fases: Fundamentos do design instrucional - O design instrucional fundamenta-se em diferentes campos do conhecimento: a) Ciências humanas; - Aqui a psicologia prevaleceu, pois ela torna central a ideia de que a aprendizagem pode não apenas ser compreendida, mas também controlada; - Instrução programada: Caracteriza-se pela decomposição do material a ser aprendido em pequenos chunks (pedaços) e pela condução do aluno por meio de um caminho cuidadosamente construído; - A psicologia do comportamento tinha duas limitações: baixa orientação com relação a tarefas mentais mais complexas e considerava a aprendizagem uma atividade passiva; - Depois veio a psicologia cognitiva e aprendizagem ativa: a crianças aqui constantemente organiza, põe à prova e reorganiza suas observações sobre o ambiente. Defendida por Jean Piaget; - Foi trazido então aspectos da psicologia social: reconhecendo a importância da aprendizagem experimental e em grupos. Representantes Jhon Dewey Jerome Bruner b) Ciências da informação; e - Tem suas raízes também nas ciências da informação, sendo: nas comunicações, mídias audiovisuais, gestão da informação e ciência da computação; - Traz a percepção que as características de determinada mídia afetam a percepção do conteúdo e o armazenamento e recuperação das informações pelo aprendiz. c) Ciências da administração. https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314753_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314753_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314753_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314753_1 - Se apoia nas seguintes subáreas: abordagem sistêmica (defende dividir projetos grandes em partes menores, para administrá-los melhor e identificar estratégias mais bem sucedidas), gestão de projetos e engenharia de produção. Uma visão integrada dos fundamentos - Reconhecer a integração de vários campos que fundamentam o design instrucional, considera a prática educacional para recomendar ações de ensino e resultados de aprendizagem. Breve histórico do design instrucional - Não possui eventos e datas bem definidos; - Sua origem se deu à época da Segunda Guerra Mundial, afinal era necessário treinar rapidamente milhares de recrutas para manejar as sofsticadas armas; - Evolução do design instrucional (formação, modernização, consolidação e reestruturação e inovação): - 1950: Formulação de modelos teóricos de ensino/aprendizagem; - 1954: Obra The science of learnig and the art of teaching, ponto de partida do design instrucional moderno; - 1956: Lançamento da Taxonomia dos objetivos educacionais, extremamente útil na especificação e na análise de resultados de aprendizagem; - 1962 e 1965: Publicação de outras obras que se preocupam com diferentes níveis de aprendizagem; - 1960 e 1970: Insights a respeito do modo como os indivíduos adquirem, organizam e retêm a informação. E surgimento de uma séries de modelos de design instrucional (DI); - 1980: Dominação da literatura e a prática do design instrucional por microcomputadores e multimídias; - 1990: Explosão da internet que trouxe conjugação de novas abordagens à instrução e à aprendizagem. O designer instrucional - Esse profissional é responsável por projetar soluções para problemas educacionais específicos; - Esse profissional é bem recente; - As competências deste profissional abrange as três áreas de conhecimentos que fundamentam o design instrucional: a) Fundamentos da profissão: b) Planejamento e análise: c) Design e desenvolvimento: d) Implementação e gestão: - Existem cursos de especialização que formam este profissional; - Os campos de atuação são ilimitados, porém devemos restringir a ação dele às iniciativas educacionais intencionais; - Podemos dividir a atuação do designer instrucional em dois grandes grupos: a) Campos em que a educação é atividade-fim: b) Campos em que a educação é atividade-meio: Videoaula: Fundamentos dos Materiais Pedagógicos Digitais Revisitando Conhecimentos - Revisitar os conceitos aprendidos nessas duas disciplinas, pois os mesmos são importantes para as abordagens que teremos nessa. Vamos refletir? - Sempre foi necessário adaptar os materiais, porém não significa apenas pegar os conteúdos de um livro e transformar em um slide; - A competência 5 da BNCC fala sofre a cultura digital que deve ser trabalhada na escola. Design Instrucional - O que é design instrucional, segundo Ozcinar; - Ele relata que o design instrucional é voltado para o desenvolvimento de algo real/concreto e não fica apenas no nível das ideias; - E qual é a origem do design instrucional? Surgiu na segunda guerra mundial com a necessidade da aprendizagem rápida desses soldados para a montagem e a utilização de armas. O que mudou? - Com a evolução da tecnologia e dos conhecimentos o design instrucional (DI) também sofreu modificações; - Esse termo DI vem do inglês e vem da noção de instruções hoje de aumentar os conhecimentos e não apenas para montagem de algo; - Atualmente, a ideia de instrucional está mais ligada a planejamento, sequência sistemática de conteúdos e atividades com objetivo de construir o conhecimentos; - O termo passou a ser mais abrangente. - Hoje mais do que nunca o design instrucional (DI) tem relevância, pois com o advento do mundo virtual passou-se a ter a necessidade de transferência dos saberes do mundo físico para este mundo e o DI irá auxiliar nessa transição. Design Instrucional ou Design Educacional? - Esses dois conceitos apesar de diferentes eles se relacionam e conversam; - Vamos tratar nesta disciplina os dois de forma sinônima. Andrea Filatro e o livro Design Instrucional e a definição do Design Instrucional Filatro (2008) afirma que as ações do Design Instrucional (DI) podem acontecer em nível macro e/ou micro - Nível macro: Gerenciamento de um projeto, ou seja, algo grande; e - Nível micro: Organização e adequação de um trabalho, algo menor. O que temos neste momento? - Um contexto atual que precisa de adaptação pedagógica de acordo com as características dos alunos atuais; - Temos a questão do planejamento do material didático tanto para a educação remota, híbrida e presencial; - Temos que pensar na criação dos materiais pedagógicos e fazer um produto para o aluno nativo digital. Construir um material instrucional/educacional Semana 2 (31/07): Design instrucional e educacional: dimensões pedagógicas Texto-base: Capítulo 2: Design instrucionalpara o aprendizado eletrônico e Capítulo 3: O modelo ADDIE e o design instrucional fixo, aberto e contextualizado (leia as páginas 13 a 21 e 25 a 32 da versão em pdf) | Andrea Filatro. Capítulo 2: Design Instrucional para o aprendizado eletrônico - O modelo de aprendizado eletrônico é definido do nível macro do design instrucional. Abordagens pedagógicas/andragógicas - O designer instrucional deve considerar que abordagens pedagógicas/andragógicas diferentes atendem a necessidades de aprendizagem também diferenciadas; - É a forma mais apropriada de selecionar a abordagem é analisar os objetivos de aprendizagem; - Os alunos estão iniciando a aprendizagem de algum tema e têm pouco conhecimento ou habilidades anteriores, estratégias mais formalmente estruturadas são mais adequadas, já que permitem aos estudantes formar conceitos que lhes servirão de referência em futuras explorações; - Aprendizagens mais complexas, contextos de aprendizagem mais autênticos convidam os alunos a tomar decisões inteligentes, combinando ação e reflexão; a) Teoria Comportamentalista (Tarefas de aprendizagem mais formalmente estruturadas) a.1) Teóricos-chave a.2) Implicações para a aprendizagem a.3) Implicações para o ensino a.4) Implicações para a avaliação https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314762_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314762_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314762_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314762_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314762_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314762_1 b) Construtivista (individual) b.1) Teóricos-chave b.2) Implicações para a aprendizagem b.3) Implicações para o ensino b.4) Implicações para a avaliação c) Construtivista (social) c.1) Teóricos-chave c.2) Implicações para a aprendizagem c.3) Implicações para o ensino c.4) Implicações para a avaliação d) Situada (Contextos de aprendizagens mais autênticos) d.1) Teóricos-chave d.2) Implicações para a aprendizagem d.3) Implicações para o ensino d.4) Implicações para a avaliação Tecnologias - No aprendizado eletrônico, mediado por tecnologias, é importante entender como os diversos tipos de tecnologia disponíveis podem atender a necessidades educacionais variadas; - É imprescindível saber que há certo consenso em agrupar as tecnologias de informação e comunicação em três categorias com diferentes aplicações educacionais, sendo: distributivas, interativas e colaborativas. - A web 2.0 é caracterizada pelos seguintes fatores: a) Conteúdo aberto (open content) b) Código livre (free source) c) Aproveitamento de inteligência coletiva d) Compartilhamento - Com a Web 2.0, a internet como conhecemos deixa de ser apenas uma rede de entrega, em que os usuários apenas consomem informações prontas, para tornar-se uma rede de colaboração, na qual os usuários também produzem conhecimentos; Modelos de aprendizado eletrônico - O aprendizado eletrônico pode ser definido como um conjunto de práticas que variam, entre outros aspectos, conforme as abordagens pedagógicas/andragógicas e os tipos de tecnologia empregados; - Essas práticas se distribuem em um continuum, que vai da entrega em rede (net delivery), baseada na auto-instrução, até o trabalho em rede (network), caracterizado pela aprendizagem em grupo, com ênfase acentuada em conteúdo, tarefas ou comunicação; - Continuum, deixa explícitos os modelos de aprendizado, levando em conta a interação entre o aluno e o conteúdo, o aluno e o educador, o aluno e seus colegas, bem como a infra-estrutura tecnológica e as competências digitais requeridas; - Esses modelos podem ser divididos em modelo informacional, modelo suplementar, modelo essencial, modelo colaborativo e modelo imersivo; a) Modelo informacional b) Modelo suplementar c) Modelo essencial d) Modelo colaborativo e) Modelo imersivo Modelos de design instrucional - O modelo de design instrucional adotado não pode ser o mesmo para as diferentes realidades educacionais, temos então: design instrucional fixo, aberto e contextualizado: a) Design instrucional fixo a.1) Ele se baseia na separação completa entre as fases de concepção (design) e execução (implementação), envolvendo o planejamento criterioso e a produção de cada um dos componentes do design instrucional antecipadamente à ação de aprendizagem; a.2) Um especialista em design instrucional começará a trabalhar em uma tela vazia e tomará decisões relacionadas às partes do fluxo de aprendizagem que serão “automatizadas”, às regras de sequenciamento/estruturação; a.3) O resultado deste trabalho é um design instrucional fixo e inalterável; a.4) O produto resultante desse tipo de design instrucional é rico em conteúdos bem estruturados, mídias selecionadas e feedbacks automatizados. Em muitas ocasiões dispensa a participação de um educador durante a execução e é dirigido à educação de massa. b) Design instrucional aberto b.1) Envolve um processo mais artesanal e orgânico, no qual o design privilegia mais os processos de aprendizagem do que os produtos; b.2) Os artefatos são criados, refinados ou modificados durante a execução de ação educacional ; b.3) Esse é o modelo que mais se aproxima da natureza flexível e dinâmica da aprendizagem; b.4) O especialista em design instrucional ou o educador começará a trabalhar a partir de um ambiente virtual de aprendizagem (ou lms) com um conjunto de opções pré-configuradas, mas terá liberdade de configurá-las, adaptando-as no decorrer do percurso a partir do feedback obtido junto aos alunos; b.5) Esse tipo de design instrucional produz um ambiente menos estruturado, com mais links encaminhando a referências externas; b.6) Implica menor sofisticação em termos de mídias, já que estas exigem condições diferenciadas, além de extensos prazos e elevados custos de produção; b.7) Privilegia a personalização e a contextualização. c) Design instrucional contextualizado c.1) Busca o equilíbrio entre a automação dos processos de planejamento e a personalização e contextualização na situação didática, usando para isso ferramentas características da Web 2.0; c.2) Se aproxima bastante do design instrucional aberto; c.3) Considera central a atividade humana, porém não exclui a possibilidade de utilização de unidades fixas e pré-programadas , conforme objetivos, domínio de conhecimento e contextos específicos; c.4) Reconhece a necessidade de mudanças durante a execução levadas a termo pelos participantes, contudo admite que a personalização e flexibilização também podem ter asseguradas por recursos adaptáveis previamente programados; c.5) Implementar uma ação educacional implica, na realidade, lidar com incertezas, agir individualmente e reagir espontaneamente às influências do contexto - fator cuja importância vem sendo cada vez mais reconhecida nas diversas comunidades ligadas ao aprendizado eletrônico; c.6) Considera além dos educadores: c.7) A dinâmica dos processos de aprendizado eletrônico escapa não apenas dos limites de espaço e tempo, mas também extrapola a própria situação didática em si, uma vez que objetivos de aprendizagem, papéis, atores, ambientes, métodos e resultados estão sempre impregnados de influência sociopolíticas, histórico-culturais e tecno-econômicas. Objetivos de aprendizagem, tecnologias e formas de controle Capítulo 3: O modelo ADDIE e o Design Instrucional fixo, aberto e contextualizado - As fases do processo de design instrucional clássico, destacando as particularidades dos modelos de design instrucional fixo, aberto e contextualizado; O processo de design instrucional - Definimos design instrucional como o processo de identificar um problema de aprendizagem e desenhar, implementar e avaliar uma soluçãopara esse problema; - O processo de design instrucional mais largamente aceito é o ISD, que divide o design instrucional em pequenas fases, a saber: análise, design, desenvolvimento, implementação e avaliação: - O modelo Addie é amplamente aplicado no design instrucional clássico, que, na situação didática, separa a concepção (fases de análise, design, desenvolvimento) da execução (fases de implementação e avaliação); - Durante a concepção e a execução, o designer instrucional trabalha com profissionais de diferentes áreas, e uma de suas principais atribuições é assegurar a boa comunicação entre os diferentes membros da equipe, de modo que as ideias iniciais se concretizem em soluções de qualidade; - O designer instrucional também é responsável por apresentar e validar com o cliente e demais interessados os produtos resultantes de cada fase, apresentando relatórios de análise e acompanhamento, documentos de especificação, pilotos e avaliações; - O design instrucional fixo (DI Fixo) ajusta-se muito bem ao modelo Addie, já que sua ênfase está nos modelos informacional, suplementar é essencial; - O trabalho do designer instrucional constitui-se, em grande medida, na elaboração e distribuição de produtos fechados, tais como objetos de aprendizagem e recursos digitais; - Ilustração das fases do processo de design instrucional se distribuem ao longo do tempo no DI fixo: - No design instrucional aberto (DI aberto), a ênfase está na interação entre educadores e alunos individuais ou reunidos em grupos, e a interação social é, na verdade, essencial para o alcance dos objetivos educacionais; - Os materiais são disponibilizados paulatinamente, como resultado da avaliação continuada durante a execução, e as fases de design e desenvolvimento são mais rápidas e menos detalhadas; - A produção dos alunos é considerada conteúdo do curso tanto quando recursos de terceiros; - Fases do processo de design instrucional se distribuem ao longo do tempo no DI aberto: - O design instrucional contextualizado (DIC) baseia-se principalmente no modelo de aprendizado eletrônico imersivo. Sua ênfase está na configuração de ambientes personalizados segundo unidades de aprendizagem específicas; - O designer instrucional estrutura um conjunto de atividades independentes, distintas umas das outras por objetivos de aprendizagem explícitos e pelas relações estabelecidas entre pessoas, conteúdos e ferramentas; - A partir de uma concepção inicial, os processos de design instrucional se repetem recursivamente ao longo da execução; - Fases do processo de design instrucional distribuindo-se ao longo do tempo no DIC: As fases do processo de design instrucional a) Análise - Entender o problema educacional e projetar uma solução aproximada. Isso é feito por meio da análise contextual, que abrange o levantamento das necessidades educacionais propriamente ditas, a caracterização dos alunos e a verificação de restrições; - O quadro mostra como essa fase é considerada pelos diferentes modelos de design instrucional: b) Design - Abrange o planejamento e o design da situação didática propriamente dita, com o mapeamento e sequenciamento dos conteúdos a serem trabalhados, a definição das estratégias e atividades de aprendizagem para alcançar os objetivos traçados, a seleção de mídias e ferramentas mais apropriadas e a descrição dos materiais que deverão ser produzidos para utilização por alunos e educadores; - Reúne-se uma equipe de conteudistas, especialistas em mídia, redatores, revisores, locutores e tutores para criar ou desenvolver elementos; - Os ambientes virtuais de aprendizagem também vêm incorporando funcionalidades de planejamento e edição de unidades de aprendizagem, as quais permitem que o design seja especificado diretamente na ferramenta a ser acessada na implementação; - No quadro abaixo é mostrado como a fase de design é considerada pelos diferentes modelos de design instrucional: c) Desenvolvimento - Compreende a produção e a adaptação de recursos e materiais didáticos impressos e/ou digitais, a parametrização de ambientes virtuais e a preparação dos suportes pedagógicos, tecnológicos e administrativos; - O desenvolvimento pode ser realizado internamente, quando a instituição ou o indivíduo ofertante dispõe de competências multidisciplinares internas, ou pode ocorrer externamente, pela contratação de terceiros (pessoas físicas ou jurídicas) especializados na produção de mídias ou no desenvolvimento e-learning; - Consome boa parte do cronograma e do orçamento de um projeto educacional; - A fase de desenvolvimento exige a adesão a padrões de empacotamento de conteúdos e catalogação de metadados; - No quadro é possível ver como a fase de desenvolvimento é considerada pelos diferentes modelos de design instrucional: d) Implementação - Situação didática propriamente dita, quando ocorre a aplicação da proposta de design instrucional; - No aprendizado eletrônico, ela é subdividida em duas fases: a) A de publicação: Consiste em disponibilizar as unidades de aprendizagem aos alunos. Envolve fazer a carga (upload) de conteúdos, configurar ferramentas, determinar horários de início e fim para as atividades e definir papéis e privilégios para usuários; e b) A de execução: Aqui os alunos realizam as atividades propostas, interagindo com conteúdos, ferramentas, educadores e outros alunos. - No quadro é possível ver como a fase de implementação é considerada pelos diferentes modelos de design instrucional: - O papel do designer instrucional é assegurar que a interação flua na fase de execução, por meio da interface humano-computador, da mediação pedagógica e da participação ativa dos alunos e) Avaliação - Inclui considerações sobre a efetividade da solução proposta, bem como a revisão das estratégias implementadas; - Avalia-se tanto a solução educacional quanto os resultados de aprendizagem dos alunos, que, em última instância refletirão a adequação do design instrucional; - Deve permear todo o processo de DI, desde a fase inicial de análise; - Um dos papéis do designer instrucional é avaliar, revisar e validar, os demais envolvidos, os produtos resultantes de cada fase do DI - relatório de análise, storyboards ou roteiros, interface do curso, relatórios de acompanhamentos e relatórios finais de avaliação; - Os resultados da avaliação diagnóstica podem determinar agrupamentos de alunos de acordo com características comuns ou oferecer caminhos alternativos conforme perfis identificados; - A chamada avaliação somativa, por sua vez, é realizada ao final do processo de ensino/aprendizagem e implica atribuição de conceitos ou notas; - Uma avaliação do tipo formativa, realizada durante a execução, permite uma análise mais completa e oferece subsídios para o aperfeiçoamento da solução proposta a partir dos feedbacks de alunos e educadores; - O papel do designer instrucional durante a execução é acompanhar a interação entre alunos e conteúdo, entre alunos e educador, entre alunos e ferramenta e entre alunos e alunos, bem como os resultados das avaliações diagnóstica, formativa e somativa; - Deve comparar resultados entre turmas ou edições do mesmo curso, consolidando dados e registrando as lições aprendidas para que elas possam ser aplicadas formalmente a novas unidades de aprendizagem, cursos ou programas; - A fase de avaliação e os modelos de design instrucional: Videoaula: Design instrucional e educacional: dimensões pedagógicas Revisitando conhecimentos Vamos refletir? - O material pedagógico não surge do nada e ele não é para nada. Ele é específico, ele tem um objetivo e este objetivo está vinculado ao currículo; - Portanto, o professor precisa conhecer bem o currículo para então introduzir o uso do Design Instrucional; - O professor pode ser o produtor do material, desde que leve em consideração a teoria e os fundamentos do Design Instrucional. Modelo “ADDIE” - Um dos modelos mais utilizado e ele é um acrônimo para as etapas de: A= Analise (Anallysis); D= Projeto (Design); D= Desenvolvimento (Development); I= Implementação(Implementation); e E= Avaliação (Evaluation). - Essas etapas são fundamentais para o desenvolvimento do material. a) Análise (Analysis) e Projeto (Design) - Quando falo de uma análise, falo em algo amplo (macro) que se direciona para o micro, ou seja, ela vai afunilando; - Na etapa do projeto preciso fazer muito bem a etapa anterior para produzir um material condizente com a realidade que ele será aplicado. b) Desenvolvimento (Development), Implementação (Development) e Avaliação (Evaluation) - Estou aqui no desenvolvimento colocando essas ideias em prática, testando, antes de implementar de fato; - Na implementação é de fato (a ação) que o meu público vai fazer o uso deste material; - Na avaliação vou saber de fato se meu material conseguiu atingir o objetivo esperado, caso contrário volto na etapa de análise e começo todo o processo novamente. Nível macro + Nível Micro = Modelo “Addie” - Há a necessidade de conhecer tanto o nível macro, quanto o micro, pois uma conversa com a outra e isso resultará na conclusão de um projeto de sucesso de fato. Como acontece a articulação do currículo no modelo ADDIE? - Tenho uma determinada Perspectiva Pedagógica que contém: a autonomia do aluno, se relaciona com o desenvolvimento de certas competências, ela pressupõe certa socialização e essa perspectiva ainda pressupõe a aplicação em situações práticas; - O modelo ADDIE está ligada de forma orgânica a esse processo e articulada ao currículo e aquilo que deve ser desenvolvido de fato na prática. Na prática Semana 3 (07/08): TPACK e o uso intencional das tecnologias Texto-base: Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK): modelo explicativo da ação docente das autoras Rosária Helena Ruiz Nakashima e Stela Conceição Bertholo Piconez Resumo - Compreender as contribuições e desafios do TPACK, como modelo explicativo da ação docente, nas decisões acerca da integração de tecnologias em práticas pedagógicas: - Dentre as contribuições foram destacadas: a) As investigações e experiências apoiadas pelo TPACK; b) O TPACK como orientador da formação inicial e permanente de professores e a relação do TPACK com outros modelos teóricos. - Alguns desafios foram apontados pelos estudos, como: a) A dificuldade de consenso ao definir cada constructo do modelo; b) A necessidade de definição dos tipos de tecnologias abarcadas pelo TPACK; e c) A fragilidade no processo de avaliação do modelo. - A expectativa deste artigo é apresentar reflexões que possam mobilizar a continuidade e o desenvolvimento da temática investigada. Introdução - Este artigo apresenta revisão dos desafios existentes, em diferentes investigações, sobre a questão dos conhecimentos necessários para ensinar com tecnologias digitais de informação e de comunicação (TDIC); - A integração das TDIC no contexto educacional têm sugerido mudanças nas posturas docente e discente, com a finalidade de potencialização das ações pedagógicas a serem protagonizadas por ambos; - Model of Reasoning and Pedagogical Action (Modelo de Raciocínio e de Ação Pedagógica) envolvendo seis eventos não sequenciais: a) Compreensão dos objetivos, da estrutura dos conteúdos, dos conceitos internos e externos à disciplina; b) Pela transformação subdividida em preparação, ou seja, interpretação e análise crítica de materiais de estudo, com o aclaramento de objetivos didáticos; representação do uso de um repertório, incluindo analogias, metáforas, exemplos, demonstrações; seleção e escolha a partir de um repertório didático, incluindo metodologias e gestão de ensino, e adaptação e ajustes às características do estudante ao considerar suas concepções, pré-concepções, dificuldades de aprendizagem, linguagem, cultura, motivações, gênero, idade, habilidades, atitudes e atenção; o c) O ensino inclui a gestão, interação, trabalho em grupo, disciplina, humor, questionamentos e outras formas observáveis de ensino em sala de aula; a d) Avaliação implica a verificação da compreensão dos estudantes no ensino interativo, exame da compreensão dos estudantes no final das aulas, unidades, avaliação do próprio desempenho docente, ajustando-o de acordo com as experiências; e) Reflexão, revisão, reconstrução, representação, análise crítica da turma e do próprio desempenho docente, com evidências; https://ava.univesp.br/bbcswebdav/pid-1314771-dt-content-rid-14683870_1/xid-14683870_1 https://ava.univesp.br/bbcswebdav/pid-1314771-dt-content-rid-14683870_1/xid-14683870_1 https://ava.univesp.br/bbcswebdav/pid-1314771-dt-content-rid-14683870_1/xid-14683870_1 https://ava.univesp.br/bbcswebdav/pid-1314771-dt-content-rid-14683870_1/xid-14683870_1 https://ava.univesp.br/bbcswebdav/pid-1314771-dt-content-rid-14683870_1/xid-14683870_1 f) Nova compreensão dos objetivos, dos conteúdos da disciplina, dos estudantes e do próprio docente, que consolidam novas formas de ensino e aprendizagem advindas da experiência. - Esses eventos se realizam em processos de transformação e representação do conteúdo que será ensinado aos estudantes; - Modelo PK: um amálgama entre conteúdos específicos e pedagogia, domínio exclusivo de professores e um corpo especializado de conhecimento necessário para ensinar; - Relevante a investigação sobre o “fazer didático” e, dentro dele, o “saber fazer e escolher”, e o suporte das tecnologias digitais no desenvolvimento de propostas pedagógicas contextualizadas; - Mishra e Koehler (2006) propuseram um modelo denominado Technological Pedagogical Content Knowledge (TPACK), a partir da formulação do PCK sistematizado por Shulman, com o objetivo de estendê-lo à integração das TDIC pelos professores em suas ações didáticas; - O presente artigo objetiva compreender as contribuições e os desafios do TPACK, como modelo explicativo da ação docente, nas decisões acerca da integração de tecnologias em práticas pedagógicas. Metodologia - Pesquisa exploratória; - A aprovação da Portaria n. 2.253, de 18 de outubro de 2001, que autorizava 20% do total da carga horária dos cursos superiores, sob a perspectiva semipresencial, envolvendo a utilização de plataformas virtuais, com incentivo à pesquisa sobre seu uso educacional; - Em relação à produção acadêmica nacional, foram realizadas buscas nos periódicos da revista; - No período de 2002 a 2012, não foram encontradas produções acadêmicas sobre o tema. Componentes basilares do Modelo TPACK - O desafio de integrar os conhecimentos sobre a aprendizagem, o pensamento do estudante, os conteúdos específicos e a tecnologia motivaram os pesquisadores na proposição de um quadro conceitual do conhecimento docente, denominado TPACK; - Pode ser utilizado em contextos de ensino e de aprendizagem variados, em múltiplas áreas curriculares; - Considera três áreas distintas e inter-relacionadas: - O modelo TPACK expressa um saber que se diferencia do conhecimento de especialistas em tecnologia, de professores de áreas específicas ou de profissionais da educação que dominam a didática geral; - A estrutura do TPACK, considerada uma complexa interação entre os três corpos de conhecimento, impacta significativamente a pesquisa e a prática na produção de tipos mais integrados de conhecimentos flexíveis, necessários para integrar a tecnologia em sala de aula; - As funções do modelo, como um esquema de classificação, fornecem informações sobre a natureza e as relações dos objetos, ideias e ações pedagógicas; - A fim de esclarecer as fronteiras entre os diferentes tipos de conhecimentos e facilitar o seu estudo na prática; - Definição dos componentes individuais (pedagógico, conteúdo e tecnológico) realizada por Cox e Graham (2009): a) Pedagogical Knowledge (PK) b) Content Knowledge (CK) c) Technological Knowledge (TK) - O TPACK não é uma abordagem completamente nova e o diferencial se concentra na intersecção dos componentes descrita na próxima seção. A intersecção dos componentes no modelo TPACK - Os fenômenos educacionais não acontecem isoladamente; - A compreensão da intersecção dos componentes no modelo pode auxiliar na análise das mudanças atitudinais,procedimentais e conceituais das competências docentes: a) Conhecimento Pedagógico de Conteúdo (PCK) - Intersecção dos conhecimentos de conteúdo e pedagógicos: - Componentes conteúdo e tecnologia ressaltam que a tecnologia tem um conteúdo que envolve o conhecimento do histórico da tecnologia (concepção do produto; lançamento no mercado; adoção pelos usuários; atualização das versões e obsolescência técnica ou funcional); das características da tecnologia (o que é; para que serve e como funciona); e das formas encontradas por professores e estudantes para usarem os recursos tecnológicos com intencionalidade educativa. b) Conhecimento tecnológico de conteúdo (TCK) c) Conhecimento Pedagógico-Tecnológico (TPK) d) A integração dos três componentes (TPACK) - A comunidade científica adotou o modelo rapidamente, fato expresso pelo crescimento dos grupos de estudo sobre TPACK, pelas discussões específicas ocorridas nas conferências “Society for Information Technology and Teacher Education (SITE)” e “American Educational Research Association (AERA)” e pelo lançamento do livro4 patrocinado em 2008 pelo Innovation and Technology Committee of the American Association of Colleges for Teacher Education (AACTE Committee on Innovation and Technology); - Três diferentes entendimentos do conceito TPACK, desenvolvidos ao longo do tempo: a) T(PCK) como PCK ampliado (NIESS, 2005; b) TPACK como um corpo único e distinto de conhecimento (ANGELI; VALANIDES, 2009); e c) TP(A)CK como a interação entre os três domínios do conhecimento e suas intersecções em um contexto específico (MISHRA; KOEHLER, 2006). * As duas primeiras conceituações identificaram o TPCK como um domínio de conhecimento próprio; * O TP(A)CK representou uma visão integradora e enfatizou a relação entre os três conhecimentos e suas intersecções. Contribuições do Modelo TPACK - Foram identificados alguns estudos que expandiram e aprofundaram a compreensão acerca dos domínios de conhecimentos do professor, didaticamente dividida em três categorias: a) as investigações e experiências apoiadas pelo TPACK; b) o TPACK como orientador da formação inicial e permanente de professores; e c) a relação do TPACK com outros modelos. a) Investigações e experiências apoiadas pelo TPACK - Apresentam os resultados de uma investigação sobre o desenvolvimento do TPACK, utilizando a abordagem “learning by doing”; - Uma tarefa autêntica de planejamento, em que as habilidades tecnológicas para uso dos recursos são articuladas aos conteúdos específicos e aos objetivos específicos de ensino; - O desenvolvimento do TPACK é um processo de várias gerações, envolvendo o desenvolvimento de entendimentos mais profundos da complexa teia de relações entre conteúdo, pedagogia, tecnologia e os contextos curriculares específicos; - Apoio para orientar as decisões dos professores, ao planejarem suas práticas com tecnologias educacionais, concentrando-se em abordagens flexíveis para ensinar, que perduram no processo de mudanças de tecnologias, conteúdos ou pedagogias; - Contribui para a compreensão de que forma as tecnologias devem ser utilizadas para inovar as formas de ensinar conteúdos específicos; - A figura ilustra a estrutura de conhecimento linear do discurso docente (sequência de prática) e a estrutura do conhecimento do discurso pedagógico (a rede de entendimento). * Articulação dos componentes pedagógicos para o desenvolvimento de competências docentes: - É a pedagogia (composta de valores, crenças, finalidades, teorias e pressupostos) que impulsiona e apoia a prática de ensino; - A insatisfação com a integração de tecnologias na educação está relacionada às barreiras impostas (falta de confiança, de competência e de acesso aos recursos) ou aos formatos adotados para essa integração (replicação de modelos de transmissão tradicionais de ensino com tecnologias); - O modelo TPACK pode auxiliar na superação desses obstáculos, ao permitir que professores redirecionem um software para uso educacional; - TPACK como um conhecimento docente que orienta a exploração dos recursos pedagogicamente para representar conteúdos específicos e colaborar com a aprendizagem do estudante. b) TPACK como orientador de formação inicial e permanente de professores - As características eficazes para o planejamento da formação inicial e permanente de professores: 1) relação direta com a disciplina, prática pedagógica e crenças do professor; 2) oportunidade de aprendizagem ativa dos professores para que desenvolvam o seu próprio profissionalismo, num período de tempo prolongado, interagindo com os professores da própria e de outras comunidades de prática (espaços para criação de redes colaborativas de aprendizagem, compartilhamento de práticas e reflexões acadêmicas), incluindo tutoria ou coaching no desenvolvimento profissional; 3) coerência com as normas e a política educacional; e 4) apoio institucional, incluindo a oferta de recursos tecnológicos, definição de carga horária para a participação de cursos e estudos e avaliação processual. - Recomendam que a formação de docente para uso das TDIC deve ser projetada para apoiar a evolução de cada professor de forma contextualizada com suas turmas, escola e região; investimento na formação dos formadores de professores em TDIC e incorporação da avaliação da formação de professores em TDIC; - A postura reflexiva é fundamental para o desenvolvimento do modelo. A reflexão é um desafio para melhorar as aulas, as estratégias e as avaliações, e é uma experiência importante na formação do professor para o século XXI; - O TPACK é uma “lente dinâmica” que descreve o conhecimento docente necessário para projetar, implementar, avaliar o currículo e o ensino com tecnologia; - Os programas de formação de professores precisam considerar os conhecimentos, as experiências de ensino, as crenças e as disposições trazidos pelos professores para orientar o desenvolvimento desse conhecimento recém-descrito (TPACK) para o ensino com as tecnologias; - O desafio para os formadores de professores e pesquisadores consiste nas respostas aos questionamentos, tais como: - O TPACK é uma estrutura que enfatiza a importância de preparar os futuros professores para fazer escolhas sensatas das tecnologias utilizadas para ensinar conteúdos, para grupos de estudantes específicos; - Defendem que os professores em formação devem ter a oportunidade de experimentar a integração pedagógica da tecnologia na sala de aula, observando bons exemplos de ação docente apoiada por TDIC, para serem capazes de implementar suas próprias práticas; - As tecnologias envolvem ferramentas que auxiliam na compreensão do conteúdo e implementação de melhores práticas de ensino; - O foco da integração tecnológica deve ser o currículo e a aprendizagem, ou seja, a integração não pode ser definida pela quantidade ou tipo de tecnologia utilizada, mas como e por que ela deve ser usada; - O desenvolvimento de abordagens pedagógicas é um processo aditivo, recursivo e expansivo, ao invés de uma série linear de substituições do “velho” pelo “novo”. c) Relação do TPACK com outros modelos - Kelly (2008): a) necessidade de minimizar a “exclusão digital” para tornar a tecnologia acessível, através de esforços sociais sistêmicos; b) Apresentou um modelo conceitual e de conhecimento pedagógico para atenuar a desigualdade de acesso às TDIC, articulado com o TPACK, ao considerar: as interações como determinantes para o aprendizado; o surgimento de obstáculos e oportunidades de desenvolvimento dos estudantes e o contexto (características dos estudantes, professores e escola) como fator-chave para planejar o uso de TDIC. - Polly e Hannafin (2010): a) abordagem de “Desenvolvimento Profissional Centrada no Estudante” (DPCE) para orientar tanto a formação profissional como o trabalho empírico sobre a aprendizagem do professor; b) essa abordagem acolhe o que recomenda o TPACK. - Davies (2011): a) Letramento tecnológico para auxiliar professores na compreensão, avaliação e promoção da integração de tecnologias em sala de aulade forma eficaz e adequada b) Professores e estudantes devem estar cientes das questões implícitas nas tecnologias que aprendem, utilizam e ensinam, tais como: formas e convenções; logísticas e eficiência; imediatismo e conexão; discernimento; independência e autoridade. - Ronau e Rakes (2012a): a) Comprehensive Framework for Teacher Knowledge (CFTK): a.1) Esse modelo compreende o conhecimento dos professores em um modelo tridimensional (Figura 4), apoiado por seis aspectos inter-relacionados em três eixos ortogonais: 1) Campo, incluindo o conhecimento da Disciplina específica e de Pedagogia; 2) Modo, envolvendo Orientação (crenças, valores, motivações, atitudes e outras qualidades pessoais) e Discernimento (reflexão); e 3) Contexto, referindo-se ao conhecimento do Indivíduo (situação socioeconômica, sexo, idade, origem, estilos de aprendizagem) e do Ambiente. b) O TPACK e outros modelos contribuem significativamente para a compreensão de algumas interações entre os componentes do conhecimento do professor; - Boling e Betty (2012): a) Cognitive Apprenticeship Model (CAM): a.1) Esse modelo pode ser usado para auxiliar na descrição dos processos cognitivos que apoiam a aprendizagem individual de professores e orientar a formação docente em relação aos conhecimentos, habilidades e disposições necessárias para integrar com sucesso as tecnologias na sala de aula. a.2) o CAM pode orientar a formação de professores para integrar a tecnologia no ensino de conteúdos complexos, como uma ferramenta para maximizar o potencial de aprendizagem dos estudantes. Desafios e Avanços do TPACK - Os três principais desafios encontrados se referem à: a) Dificuldade de consenso ao definir cada constructo do modelo; a.1) na simplicidade do modelo se esconde um nível subjacente de complexidade, principalmente em relação à necessidade de definições e entendimentos comuns dos constructos do TPACK e suas fronteiras; a.2) os pesquisadores devem articular cada constructo do modelo ao seu valor potencial para melhor compreensão dos desafios enfrentados, na prática, pelos professores; a.3) embora o modelo TPACK seja útil do ponto de vista organizacional, é difícil separar cada um dos seus domínios na prática e representar a integração eficaz da tecnologia para melhorar o aprendizado dos estudantes; a.4) o modelo também é limitado em sua capacidade de auxiliar os pesquisadores na previsão de resultados ou revelação de novos conhecimentos; a.5) Voogt et al. (2012): A participação ativa no (re)design e implementação de aulas com tecnologias foram encontradas como uma estratégia promissora para o desenvolvimento de TPACK em professores e em futuros professores. b) À necessidade de definição dos tipos de tecnologias abarcadas pelo TPACK; e b.1) intrinsecamente relacionado ao primeiro, ou seja, a falta de clareza das definições dos constructos levou alguns pesquisadores a explicitarem o alcance do “conhecimento tecnológico” em seus estudos; b.2) o modelo TPACK deve ser considerado como um quadro teórico-analítico para orientar e explicar o pensamento dos professores sobre a integração da tecnologia no ensino e na aprendizagem; b.3) o conceito TPACK-TIC, que envolve a especificidade que estava faltando no modelo sobre a relação dinâmica e transacional entre o conhecimento da pedagogia, conteúdo, das características e contribuições das tecnologias; b.4) dois elementos foram adicionados no TPACK-TIC, o conhecimento dos estudantes (suas dificuldades e estilos de aprendizagem) e conhecimento do contexto (consideração dos êxitos e do que foi insatisfatório nas práticas pedagógicas em suas aulas) para auxiliar na compreensão de como determinados temas que são difíceis de serem entendidos pelos estudantes ou difíceis de serem representados por professores, podem ser transformados e ensinados com o apoio da tecnologia; b.5) o modelo TPACK pode não ser suficiente para fornecer informações sobre o que os professores precisam saber a fim de integrar a tecnologia web de forma adequada no ensino; b.6) necessidade de um levantamento das inovações tecnológicas que apresentam resultados positivos no processo de implementação; b.7) A investigação do fator desempenho, isto é, os resultados e a implementação, requerem aprofundamento para evidenciar como o uso de tecnologias traz contribuições para a aprendizagem c) À fragilidade no processo de avaliação do TPACK. c.1) ajuda a responder a pergunta: se uma boa inovação é aquela em que a pedagogia e a tecnologia estão intimamente ligadas, como se pode afirmar se o desempenho da inovação foi bem-sucedido?; c.2) importância dos resultados demonstrarem que a inovação foi bem-sucedida, examinando as consequências, a avaliação, os resultados ou o desempenho da implementação; c.3) o TPACK orienta o aproveitamento dos recursos da web 2.0 de forma criativa e apropriada para atender as metas curriculares e promover a aprendizagem e desenvolvimento de competências ao longo da vida (colaboração, pensamento criativo e construção coletiva do conhecimento); c.4) o movimento em direção à avaliação do TPACK denota uma mudança do modelo conceitual para o modelo empírico, levando os pesquisadores a se concentrarem na captura precisa dos níveis de compreensão do TPACK; c.5) importância da aplicação de procedimentos rigorosos, sistemáticos e objetivos para obtenção de conhecimentos confiáveis e relevantes para as atividades e programas de ensino; c.6) Recomendaram as seguintes direções para futuras pesquisas sobre o desenvolvimento do modelo TPACK: Considerações finais - O modelo explicativo da ação docente apoiada por tecnologias – TPACK; - Auxiliam na identificação de objetos de estudo que merecem atenção no âmbito de fenômenos relevantes investigados. Modelos podem ser considerados como sistemas de classificação ao fornecerem compreensão sobre a natureza e relações dos objetos estudados e, com isto, contribuir para aperfeiçoamento das propostas docentes; - O professor constrói conhecimentos didático-pedagógicos que orientam sua ação docente de forma cognitiva, social, afetiva, permeada de sentidos e significados advindos de seu contexto, experiências, percepções e crenças sobre o processo de ensino e de aprendizagem; - Os estudos constantes da revisão das referências sobre o modelo TPACK apresentam avanço significativo no campo da formação de professores e das pesquisas em educação; - As razões pedagógicas é que orientam a escolha do recurso tecnológico para o ensino de conteúdos e auxílio na resolução de problemas pedagógicos; - Alguns fatores contribuem para a seleção de inovações tecnológicas em contextos pedagógicos, como por exemplo, o papel da tecnologia no apoio à aprendizagem de conteúdos; - A usabilidade tecnológica do recurso e sua consonância com a usabilidade pedagógica e o insubstituível papel do professor nas decisões sobre a ação docente apoiada pelas tecnologias e com intencionalidade educativa; - O TPACK pode orientar a formação do professor ao destacar o desenvolvimento de atividades pautadas na abordagem learning-by-doing, isto é, tarefas de planejamento autênticas, em que as habilidades tecnológicas para uso dos recursos são articuladas aos conteúdos específicos e aos objetivos pedagógicos de ensino; - Uso dos recursos tecnológicos não é uniforme para cada área de conteúdo, o que ressalta a importância de se conhecer as contribuições e restrições de cada recurso para cada conteúdo e abordagem pedagógica adotada pelo docente; - Tornou-se evidente a dificuldade de consenso ao definir cada constructo do modelo e a necessidade de definição dos tipos de tecnologias abarcadas pelo TPACK e a fragilidade no processo de avaliação do TPACK; - O modelo TPACK vem auxiliando os professores no gerenciamento das estruturas de conhecimentos dinâmicos em suas práticas profissionais; - Com o objetivo de desenvolver competências e disposições necessárias à integração de recursos tecnológicos ao ensino de conteúdos e ampliar o potencial de aprendizagem dos estudantes; - Uma das variáveis responsáveis pela dificuldadeem avaliar precisamente o TPACK em contextos educativos é o fato de que a ação docente é um fenômeno multifacetado, complexo e multidimensional. Vídeoaula: TPACK e o uso intencional das tecnologias Revisitando conhecimentos Vamos refletir? Referências de Qualidade para Educação Superior a Distância - Nestas referências temos a qualidade do material didático que precisa; - Em 2007 tivemos a expansão do EAD e para isso tivemos estes referenciais; - Os materiais são diferentes do EAD, a metodologia também, pois o aluno não aprende do mesmo jeito que no presencial; - Para suprir e fazer com que os materiais fossem de qualidade surgiu então o TPACK. O que é TPACK? - Faz a articulação do currículo e o uso da tecnologia; - Existem modelos pedagógicos que não precisam de recursos recursos específicos, como é o caso de uma aula expositiva, já em outros momentos precisamos e daí nasceu o TPACK que faz este diálogo; - Ele agrupa três esferas do conhecimento: Pedagógica, Conteúdo e a Tecnologia. Essas esferas não interagem sozinhos; - O TPK, como na imagem, é a junção destes três elementos. Conhecimento do conteúdo (CK) e Conhecimento pedagógico (PK) - TK: Significa saber o que vou ensinar; - PK: Significa a forma o conhecimento de vários campos do conhecimento da docência, como a didática. Conhecimento tecnológico (TK) e conhecimento pedagógico do conteúdo (PCK) - TK: São as ferramentas e recursos que não foram necessariamente confeccionado para o ensino, mas pode ser transformado para isso; - PCK: Interação da pedagogia com com conhecimento do conteúdo. Conhecimento Pedagógico da Tecnologia (TPK) - TPK: Responda como vou trabalhar com a tecnologia para fazer ela me auxiliar a atingir os objetivos que realmente quero; - Ela é necessária para que a tecnologia seja utilizada com um direcionamento, a aprendizagem, por exemplo, o professor precisa saber até que ponto a tecnologia contribui para o trabalho do professor e a aprendizagem do aluno. O que é o TPACK? - É o processo de interação dos três principais itens e de suas intersecções, com técnicas e metodologias de ensino utilizando a tecnologia de forma consciente; - Acontece uma banalização do uso da tecnologia na sala de aula, sendo isso um desperdício para a aprendizagem. Na prática… Semana 4 (14/08): Teorias pedagógicas para prática educacional mediada pelo digital Texto-base: “O aluno e a sala de aula virtual”. de Luciano Sathler Rosa Guimarães Aluno virtual versus novo aprendente - A demanda por educação informal acompanha o ritmo inebriante em que novos https://ava.univesp.br/bbcswebdav/pid-1314781-dt-content-rid-14683879_1/xid-14683879_1 https://ava.univesp.br/bbcswebdav/pid-1314781-dt-content-rid-14683879_1/xid-14683879_1 https://ava.univesp.br/bbcswebdav/pid-1314781-dt-content-rid-14683879_1/xid-14683879_1 conhecimentos são elaborados e sua informação difundida; - Mudanças profundas que estão acontecendo, seja no modo como as pessoas aprendem, no que é preciso que aprendam ou na necessidade de aprender por toda a vida. Educação para a base da pirâmide - Os mais empobrecidos muitas vezes vivem em áreas rurais ou nas periferias das grandes cidades, não têm acesso a serviços básicos, atuam na economia informal, de pouca eficiência e baixa competitividade. Além da baixa renda têm em comum: - Elevar o poder aquisitivo dessa ampla parcela da população muda a expectativa de vida, tanto em termos de busca por reconhecimento perante a sociedade quanto na visão de mundo; - O acesso à educação é considerado fator primordial para que o indivíduo e sua família consigam continuar a galgar degraus em sua escalada social; - Há marcadamente um novo perfil socioeconômico dos estudantes brasileiros, que aprendem de maneira diferente e desafiam o elitismo que sempre marcou a educação superior. Algumas características desse estudante não tradicional, quando logra chegar à educação superior, são: Educação em um mundo saturado de informações - O mundo passou a contar com um novo fosso de desigualdade, entre os incluídos digitais e os não incluídos; - A popularização dos computadores pessoais é apenas mais um fato histórico; - A Internet aumentou a velocidade de criação e o volume de informações disponíveis, chegando ao ponto de cada indivíduo poder ser um autor com presença na Web, seja por meio de produções próprias ou colaborativamente em iniciativas coletivas; - A convergência digital permite ao novo aprendente estarem contato com diferentes contextos, o que praticamente impõe a experiência multicultural que afeta as relações familiares, de vizinhança, religiosas e altera radicalmente a relação que se estabelece no ambiente escolar ou universitário; - Torna-se cada vez mais vital desenvolver estratégias mentais para ajudar a esquecer as coisas que não precisam ser lembradas. É algo importante para manter a sanidade; - Schacter (2003) classifica entre os erros de memória, esquecimento e distorções nas seguintes categorias: 1) Pecados de omissão: a) transitoriedade: está ligada ao enfraquecimento da memória com o passar do tempo; b) distração: é uma ruptura entre a atenção e a memória, quando não se consegue concentrar no que é preciso lembrar; c) bloqueio: é quando ocorre a busca sem resultados de uma informação que se deseja recuperar. 2) Pecados de ação: d) atribuição errada: envolve a confusão entre fantasia e realidade, quando se vincula uma memória a uma fonte equivocada (parece ter ouvido algo de um amigo, mas a notícia estava no jornal, por exemplo). e) sugestionabilidade: é relacionada a lembranças criadas como resultado de comentários ou sugestões quando se está tentando lembrar de uma experiência. f) distorção e persistência: Distorção reflete as influências do conhecimento atual e as opiniões sobre o modo como o passado é lembrado. Persistência é a recordação deformada ou camuflada de informações ou acontecimentos considerados perturbadores, aqueles em que a pessoa deseja que nunca tivessem existido ou que pudessem ser eliminados da memória, como um tipo de defesa psíquica. - As TICs apontam para novas formas de interação entre os seres humanos e a informação, talvez mais naturais e instintivas do que é até o momento; - O mundo do trabalho está profundamente alterado pelas transformações trazidas pela sociedade da informação. Antes o valor da informação derivava de sua raridade, da capacidade de limitar temporariamente sua difusão e de tentar regulamentar o acesso, para ter em mãos os poderes econômico, político e simbólico. Nos tempos de capitalismo cognitivo, digital ou capital imaterial (Gorz, 2005, p. 30), o essencial é poder contar com pessoas capazes de inovar, pois se torna praticamente impossível manter uma posição competitiva baseada no segredo ou no encobrimento; - A crescente substituição do trabalho humano por máquinas, o crescimento da área de serviços e a convergência digital valorizaram o domínio do imaterial como forma de alcançar vantagens estratégicas, seja como indivíduo, empresa ou país; - Considerando que a informação está sendo criada e recriada com velocidade e volume jamais vistos, não é mais possível fugir da necessidade de aprender sempre e de maneira autônoma; - Educação informal, que tem em seu cerne o respeito aos conhecimentos, às habilidades, às crenças e aos conceitos prévios que influenciam significativamente o que as pessoas percebem sobre o ambiente e o modo como organizam e interpretam essa percepção. Sobre o nativo digital - O significado de “conhecer” mudou, pois, em vez de ser capaz de lembrar e repetir informações, é mais importante ser competente na busca e utilização destas; - Trata ‐se de quem nasceu depois de 19881 e cresceu em um contexto em que as tecnologias digitais se tornaram parte do cotidiano, alterando a maneira como pensam, interagem e aprendem; - Um novo paradigma sobre a aprendizagem se estabeleceu a partir das mudanças trazidas pela convergência digital. Isso pode ser sintetizado nas seguintes afirmações: - A construção de conhecimentos valorizados pela sociedade estácada vez menos confinada nas instituições educativas (espaço), nem se limita à formação inicial obtida (tempo); - Principais características do nativo digital quando se trata da sua relação com as TICs e a informação, segundo Oblinger (2005): a) Os nativos digitais são digitalmente alfabetizados: b) Os nativos digitais são conectados: c) Os nativos digitais são imediatistas: d) Os nativos digitais são experimentadores: e) Os nativos digitais são sociais: f) Os nativos digitais são orientados para resultados: g) Os nativos digitais preferem o engajamento e a experiência: h) Os nativos digitais são visuais e cinestésicos: i) Os nativos digitais preferem coisas que importam: Novas demandas e expectativas a) Contexto, emoção e corpo - É preciso reconhecer que o ser humano tem uma dimensão emocional, uma dimensão mental ou linguística e uma dimensão corporal; - É possível aprender experimentando, analisando e com- partilhando. Mais ainda se essas vivências se dão no coletivo, na coexistência significativa; - É preciso ser capaz de articular a informação com o contexto e com a própria pessoa. b) Autonomia - Os novos aprendentes buscam estabelecer seus próprios ritmos para estudar, além de definir quando estão mais disponíveis e dispostos a se dedicar; - As instituições educacionais precisam ser capazes de oferecer currículos abertos à escolha pessoal. c) Aprendendo por pares - É melhor encontrar caminhos alternativos para aprender e, nesse sentido, nada mais confiável que os pares, os que compartilham da mesma idade, estilo de vida ou religião, entre outros denominadores comuns. d) Tecnologia centrada no aluno - Maior diversidade do corpo discente, que chA tecnologia centrada no aluno (Christensen; Horn ; Johnson; 2009, p. 50) pode ser um caminho para evitar a padronização ora imposta pela formação docente, por currículos projetados extemporaneamente e impostos de cima para baixo. e) Personalização - A perspectiva é com base no aprendente individual, sua bagagem cultural, experiências, talentos, habilidades pessoais, interesses, capacidades e necessidades. Considerações finais - Em qualquer sociedade informações, conhecimentos, habilidades, crenças e valores precisam ser transmitidos às gerações mais jovens; - A tecnologia e as mudanças socioeconômicas mudam radicalmente o perfil dos aprendentes, o que pede uma revisão profunda dos papéis dos educadores. - Aprendendo ao longo do tempo: Texto-base: As teorias pedagógicas modernas resignificadas pelo debate contemporâneo na educação”, de José Carlos Libâneo. Introdução - Se de um lado, a pedagogia centra suas preocupações na explicitação de seu objeto dirigindo-se ao esclarecimento intencional do fenômeno do qual se ocupa, por outro esse objeto requer ser pensado na sua complexidade. 1. As exigências da pedagogia em um mundo em mudança - Os educadores, tanto os que se dedicam à pesquisa quanto os envolvidos diretamente na atividade docente, enfrentam uma realidade educativa imersa em perplexidades, crises, incertezas, pressões sociais e econômicas, relativismo moral, dissoluções de crenças e utopias; - Pensar e atuar no campo da educação, enquanto atividade social prática de humanização das pessoas, implica responsabilidade social e ética de dizer não apenas o porquê fazer, mas o quê e como fazer; - O que fazemos quando intentamos educar pessoas é efetivar práticas pedagógicas que irão constituir sujeitos e identidades; - Os sujeitos e identidades se constituem enquanto portadores das dimensões física, cognitiva, afetiva, social, ética, estética, situados em contextos socioculturais, históricos e institucionais; - A pedagogia quer compreender como fatores socioculturais e institucionais atuam nos processos de transformação dos sujeitos mas, também, em que condições esses sujeitos aprendem melhor; - As escolas e as salas de aula têm contribuído pouco para a superação dessas contradições, especialmente estão falhando em sua missão primordial de promover o desenvolvimento cognitivo dos alunos; - Um posicionamento pedagógico requer uma investigação das condições escolares https://ava.univesp.br/bbcswebdav/xid-2091178_1 https://ava.univesp.br/bbcswebdav/xid-2091178_1 https://ava.univesp.br/bbcswebdav/xid-2091178_1 https://ava.univesp.br/bbcswebdav/xid-2091178_1 atuais de formação das subjetividades e identidades para verificar onde estão as reais explicações do sentimento de fracasso, de mediocridade, de incompetência, que vai tomando conta do alunado; - Escola existe para formar sujeitos preparados para sobreviver nesta sociedade e, para isso, precisam da ciência, da cultura, da arte, precisam saber coisas, saber resolver dilemas, ter autonomia e responsabilidade, saber dos seus direitos e deveres, construir sua dignidade humana, ter uma auto-imagem positiva, desenvolver capacidades cognitivas para apropriar-se criticamente dos benefícios da ciência e da tecnologia em favor do seu trabalho, da sua vida cotidiana, do seu crescimento pessoal; - Três coisas para quem quiser ajudar e não dificultar as condições do agir pedagógico: 1) Práticas pedagógicas implicam necessariamente decisões e ações que envolvem o destino humano das pessoas, requerendo projetos que explicitem direção de sentido da ação educativa e formas explícitas do agir pedagógico; 2) Não é suficiente, quando falamos em práticas escolares, a análise globalizante do problema educativo. A didática; 3) Dada a natureza dialética da pedagogia, ocupando-se ao mesmo tempo da subjetivação e da socialização, da individuação e da diferenciação, cumpre compreender as práticas educativas como atividade complexa, uma vez que encontram-se determinadas por múltiplas relações e necessitam, para seu estudo, do aporte de outros campos de saberes; - A tarefa crucial dos pesquisadores e dos educadores profissionais preocupados com o agir pedagógico está em investigar constantemente o conteúdo do ato educativo, admitindo por princípio que ele é multifacetado, complexo, relacional; - Educamos ao mesmo tempo para a subjetivação e a socialização, para a autonomia e para a integração social, para as necessidades sociais e necessidades individuais, para a reprodução e para a apropriação ativa de saberes; - Práticas educativas, Charlot: - As tarefas mais visíveis do agir pedagógico: a) provimento de mediações culturais para o desenvolvimento da razão crítica, isto é, conhecimento teórico-científico, capacidades cognitivas e modos de ação; b) desenvolvimento da subjetividade dos alunos e ajuda na construção de sua identidade pessoal e no acolhimento à diversidade social e cultural; c) formação para a cidadania e preparação para atuação na realidade. 2. As teorias pedagógicas modernas - São aquelas gestadas em plena modernidade; - Comênio lança em 1657 o lema do “ensinar tudo a todos” e, não por acaso, é considerado o arauto da educação moderna; - As teorias pedagógicas modernas estão ligadas, assim, a acontecimentos cruciais como a Reforma Protestante, o Iluminismo, a Revolução Francesa, a formação dos Estados Nacionais, a industrialização; - Prática educativa assentadas na manutenção de uma ordem social mais estável, garantidas pela racionalidade e pelo progresso em todos os campos, especialmente na ciência; - Teorias fincadas nas idéias de natureza humana universal, de autonomia do sujeito, de educabilidade humana, de emancipação humana pela razão, libertação da ignorância e do obscurantismo pelo saber; - As teorias modernas da educação hoje apresentam-se em várias versões, em relação aos seus temas básicos: a natureza do ato educativo, a relação entre sociedade e educação, os objetivos e conteúdos da formação, as formas institucionalizadas de ensino, a relação educativa; - Conhecidas classificações de teorias da educação ora chamadas de tendências ou correntes, ora de paradigma; - São modernas a pedagogia tradicional, a pedagogia renovada, o tecnicismo educacional, e todas as pedagogias críticas inspiradas na tradição moderna como a pedagogia libertária, a pedagogia libertadora, a pedagogiacrítico social; - Esquematicamente, essas teorias apresentam como características em comum: - Uma herança comum dessas teorias, vista pelos críticos como negativa, é que em nome da razão e da ciência se abafa o sentimento, a imaginação, a subjetividade e, até, a liberdade, à medida que a razão institui-se como instrumento de dominação sobre os seres humanos; - Grande acumulação de conhecimentos científicos e técnicos produzidos pela modernidade; - Constituição de campos disciplinares isolados, fragmentados, ignorando o conjunto de que faz parte e a perda de significação. 3. O contexto “pós-moderno” e os impactos na educação - O momento histórico presente tem recebido várias denominações: sociedade pós-moderna, pós-industrial ou pós mercantil, sociedade do conhecimento, modernidade tardia; - Alguns traços gerais que caracterizam a condição pós-moderna: - Alguns aspectos que o pensamento e a condição pós-moderna trazem para a educação escolar: - Essas características confrontam-se diretamente com vários princípios das teorias pedagógicas modernas mas, ao mesmo tempo, possibilitam uma reavaliação crítica desses princípios; - A crítica pós-moderna precisa ser examinada pelos educadores e que ela pode dar uma importante contribuição à pedagogia crítica; - McLaren (1993) indica três contribuições do pensamento pós-moderno para uma Pedagogia Crítica: 4. Um esboço das teorias e correntes pedagógicas contemporâneas - Algumas dessas correntes são esforços teóricos de releitura das teorias modernas, outras afiliam-se explicitamente ao pensamento pós-moderno focadas na escola e no trabalho dos professores; - Há ainda posições que deliberadamente defendem o hibridismo cultural; - Os campos se definem por relações de poder, seria injusto e desigual que o professorado desconhecesse a existência desses campos, de suas disputas e de seus conflitos; - Os desconhecem, são presas fáceis de persuasão de um ou outro grupo ou são manipulados pelo mercado editorial que também disputa espaços de poder misturados com comércio; - Há outro argumento a favor das classificações: eles ajudam as pessoas a organizar a cabeça; - Outra razão forte em favor das classificações decorre de um posicionamento teórico segundo o qual as teorias, os conteúdos, os métodos, constituem-se em mediações culturais já constituídos na prática e na teoria e que fazem parte da atividade sócio-histórica do campo pedagógico. 4.1. A corrente racional-tecnológica - Associada a uma pedagogia a serviço da formação para o sistema produtivo; - Formulação de objetivos e conteúdos, padrões de desempenho, competências e habilidades com base em critérios científicos e técnicos; - Busca seu fundamento na racionalidade técnica e instrumental, visando a desenvolver habilidades e destrezas para formar o técnico; - Uma derivação dessa concepção é o currículo por competências, resulta de objetivos assentados em habilidades e destrezas a serem dominados pelos alunos no percurso de formação; - Possui duas modalidades: a) ensino de excelência, para formar a elite intelectual e técnica para o sistema produtivo; e b) ensino para formação de mão-de-obra intermediária, centrada na educação utilitária e eficaz para o mercado. 4.2. A corrente neocognitivista - Incluídas correntes que introduzem novos aportes ao estudo da aprendizagem, do desenvolvimento, da cognição e da inteligência; a) Construtivismo pós-piagetianismo - A aprendizagem humana é resultado de uma construção mental realizada pelos sujeitos com base na sua ação sobre o mundo e na interação com outros; - A faculdade de pensar não é inata e nem é provida de fora; - Incorpora contribuições de outras fontes tais como o lugar do desejo e do outro na aprendizagem, o predomínio da linguagem em relação à razão, o papel da interação social na construção do conhecimento, a singularidade e a pluralidade dos sujeitos; - Estão também envolvidas experiências sociais e culturais que interveêm nas aprendizagens. b) Ciências cognitivas - Estudos relacionados ao desenvolvimento da ciência cognitiva associada à utilização de computadores; - O objetivo é buscar novos modelos e referências para avançar na investigação sobre os processos psicológicos e a cognição. - Surgem duas versões: a) a psicologia cognitiva, que estuda diretamente o comportamento inteligente de sujeitos humanos; e b) ciência cognitiva, que aprofunda as analogias entre mente e computador, visando a construção de modelos computacionais para entender a cognição humana 4.3. Teorias sociocríticas - Teorias e correntes que se desenvolvem a partir de referenciais marxistas ou neo-marxistas; - Educação como compreensão da realidade para transformá-la, visando a construção de novas relações sociais para superação de desigualdades sociais e econômicas; a) A teoria curricular crítica - Acentua os fatores sociais e culturais na construção do conhecimento, lidando com temas como cultura, ideologia, currículo oculto, linguagem, poder, multiculturalismo; - Origem explícita na Sociologia Critica inglesa e norte-americana; - Questiona como são construídos os saberes escolares, propõe analisar o saber particular de cada agrupamento de alunos; - A cultura é um terreno conflitante onde enfrentam-se diferentes concepções de vida social e onde emergem a diversidade cultural e a diferença; - Leva a políticas de integração de minorias sociais, étnicas e culturais ao processo de escolarização, opondo-se à definição de currículos nacionais. b) Teoria histórico-cultural - Apóiam-se em Vygotsky e seguidores; - A aprendizagem resulta da interação sujeito-objeto, em que a ação do sujeito sobre o meio é socialmente mediada, atribuindo-se peso significativo à cultura e às relações sociais; - As funções mentais superiores (linguagem, atenção voluntária, memória, abstração, percepção, capacidade de comparar, diferenciar, etc.); - Focada na estrutura do funcionamento cognitivo em suas interações com as mediações culturais. c) Teoria sócio-cultural - Põe ênfase na explicação da atividade humana enquanto processo e resultado das vivências em atividades socioculturais compartilhadas, mais do que nas questões do conhecimento e apropriação da cultura social. d) Teoria sócio-cognitiva - São postas em relevo as condições culturais e sociais da aprendizagem, visando o desenvolvimento da sociabilidade por meio de processos socioculturais; - Com base nas experiências cotidianas, nas manifestações da cultura popular; - Escola, consistiria em criar situações pedagógicas interativas para propiciar uma formação democrática e inclusiva. e) Teoria da ação comunicativa - Associada à teoria crítica da educação originada dos trabalhos da Escola de Frankfurt; - Teoria da educação assentada no diálogo e na participação, visando a emancipação dos sujeitos; - Exerceu forte influência em autores da Sociologia crítica do currículo de procedência norte-americana, como H. Giroux e M. Apple. 4.4. Correntes “holísticas” - correntes de diferentes vertentes teóricas, que têm como denominador comum uma visão “holística” da realidade, isto é, a realidade como uma totalidade de integração entre o todo e as partes. a) O holismo - Compreende a realidade como totalidade, em que as partes integram o todo, partes como unidades que formam todos, numa unidade orgânica; - A consciência de uma totalidade cósmica leva os holistas a buscarem um equilíbrio dinâmico entre o homem e o seu meio biofísico, a convivência entre as pessoas, a preservação ambiental e a denúncia de todas as formas de destruição da natureza, a união das pessoas e da natureza no todo; - Não rejeita o conhecimento racional e outras formas de conhecimento, mas insiste em considerar a vida como uma totalidade em que o todo se encontra na parte. b) O pensamento complexo (teoria da complexidade) - Apreende a complexidade das situações educativas, em oposição ao pensamento simplificador; - Apreender a totalidade complexa, as inter-relações das partes, de modo a se travar uma abertura, uma diálogo entre diferentes modelos de análise, diferentesvisões das coisas; - Precisamos dialogar com a dúvida, com o inesperado e o imprevisto. Pensar por complexidade é usar nossa racionalidade para juntar coisas separadas, para aumentar nossa liberdade de fazer o bem e evitar o mal. c) A teoria naturalista do conhecimento - compreende que o conhecimento humano está ligado ao plano biológico, bio-individual e bio-social; - a mediação corporal dos processos de conhecimento; - a pedagogia das certezas e dos saberes pré-fixados deve ser substituída por uma pedagogia da pergunta, do melhoramento das perguntas e do acessamento de informações; - O conhecimento humano nunca é pura operação mental. Toda ativação da inteligência está entristecida de emoções”. d) Ecopedagogia - Propõe a recuperação do sentido humano do espaço habitado abrangendo tanto a dimensão biosférica quanto às dimensões sócio institucionais e mentais; - É uma pedagogia que promove a aprendizagem do sentido das coisas a partir da vida cotidiana. e) O conhecimento em rede - Os conhecimentos disciplinares, assentados na visão moderna de razão, devem ceder lugar aos conhecimentos tecidos em redes relacionados à ação cotidiana; - O conhecimento se constrói socialmente, não no sentido de assimilação da cultura anteriormente acumulada, mas no sentido de que ele emerge nas ações cotidianas, rompendo-se com a separação entre conhecimento científico e conhecimento cotidiano. 4.5. Correntes “pós-modernas” - Se constituem a partir das críticas às concepções globalizantes do destino humano e da sociedade, i.e., as metanarrativas, assentadas na razão, na ciência, no progresso, na autonomia individual; - Não há direitos universais abstratos, mas direitos e vozes de cada grupo cultural, de cada comunidade. a) O pós-estruturalismo - O saber está, pois, comprometido com o poder, sendo que essas relações de poder estão onipresentes, exercidos nas mais variadas instâncias como a família, a escola, a sala de aula; - O pós-estruturalismo discute questões como: identidade/diferença, a subjetividade, os significados e as práticas discursivas, as relações gênero-raça-etnia-sexualidade, o multiculturalismo, os estudos culturais e os estudos feministas. b) O neo-pragmatismo - Principal representante é R. Rorty; - Valoriza no processo educativo as experiências pessoais do indivíduo, a interação dialógica numa conversação aberta, contínua, interminável; - Pela experiência, pelo diálogo, pela conversação, que os participantes fazem escolhas racionais, que são pessoais, históricas, vinculadas a uma situação concreta; - O currículo é entendido como processo, em que os sujeitos criam e recriam a si próprios e à sua cultura; - Agir pedagógico assentado nessa corrente rejeita imposições, valorizando as atitudes dos professores em suas ações e interações baseadas no diálogo; - Propõe a discussão de problemas humanos “edificantes”, envolvendo a solidariedade, a diferença, o outro, visando experiências transformativas nas pessoas. 5. Temas emergentes das teorias educacionais contemporâneas em embate com as teorias modernas - o “pensamento pós-moderno” acaba se desdobrando em correntes bastante diversificadas, não havendo nada parecido com uma formulação unitária de conceitos;; - temas e idéias que repercutem fortemente no campo conceitual da educação: a) Crise da noção de totalidade e valores e objetivos da educação - Rejeitam as super teorias e as visões totalizantes que advogam certezas absolutizadas; - A visão pós-moderna recusa essas explicações totalizantes porque não estariam levando em conta a experiência particular das pessoas, a vida cotidiana, a diferença; - A educação implica um comprometimento com uma atividade prática, com alto grau de intencionalidade, implicando um comprometimento moral com a prática educativa. b) A crítica da razão e a consciência individual autônoma - Rejeitam uma razão universal como critério de orientação da conduta humana; - Desconstrução da possibilidade de uma consciência individual autônoma; - A razão precisa ser considerada junto com as dimensões afetivas, morais, estéticas que identificam o sujeito; - Escreve Rouanet: “o homem não é somente um ser pensante, e a consciência neomoderna sabe que o homem integral é uma unidade de razão e sensibilidade; mas se quiser conhecer, não tem outro instrumento que a razão”(1986). c) A noção de ciência e os conteúdos escolares - Desconfia da ciência e da possibilidade objetiva do conhecimento, levando a uma resistência ao saber sistematizado em favor de conhecimentos que emergem das culturas particulares; - Acredita que o mundo da escola é o mundo dos saberes: saber ciência, saber cultura, saber experiência, saber modos de agir; - Interdisciplinaridade, integração entre os saberes contra a fragmentação disciplinar, busca de um saber útil. d) Do paradigma da consciência à filosofia da linguagem - Representa uma mudança provocada pelos estudos lingüísticos que investigam as formas complexas através das quais o sentido se constitui, se transmite e se transforma num conjunto heterogêneo e complexo de universos de sentido ao que se denomina cultura; - A linguagem não apenas reflete significados, mas constitui significados; - O currículo escolar, colocam os saberes experienciais decorrentes da vida cotidiana, da cultura, das subjetividades como base de sua formulação; - Privilegia a ação do sujeito sobre o objeto; - A filosofia da consciência ou do sujeito tende a privilegiar uma única linguagem, a linguagem da razão, o conhecimento organizado, o sistema, o modelo, a visão sistemática da realidade; - As pedagogias modernas são depositárias do paradigma da consciência; - Uma visão aberta em relação ao papel da linguagem e da cultura na educação escolar precisa reconhecer o peso da compreensão das práticas discursivas no interior da escola; - A linguagem é manifestação da subjetividade e de grupos sociais, étnicos, comunidades, mas não é suficiente para o ensino uma interpretação da realidade que se prenda a práticas discursivas; - A questão central da pedagogia é a formação humana; - A educação escolar lida com o conhecimento enquanto constituinte das condições de liberdade intelectual e política. e) Sociedade do conhecimento, novas tecnologias, qualidade da educação - Está ligada à de intelectualização do processo produtivo; - Os profissionais necessitam um alto grau de desenvolvimento das capacidades intelectuais; - O novo paradigma de aprendizagem estaria centrado mais no saber fazer do que no saber, o pensar eficientemente seria uma questão de aprender fazendo, aprender comunicando, aprender a usar; - A formação global do ser humano, continua sendo condição de humanização e tarefa da pedagogia, onde se inclui certamente o desenvolvimento da razão. f) O currículo e sua interface com a cultura, o poder e a linguagem - Ocupa importante lugar entre os conceitos centrais da pedagogia; - O tema da linguagem aparece sob várias modulações; - linguagem como o elemento estruturador da relação indivíduo-realidade, abrem-se diferentes caminhos na interpretação pós-moderna; - As relações de poder, os modos de dominação social e cultural, precisam ser considerados porque efetivamente os processos sociais são controlados pelas relações de poder; - O currículo está imerso em relações de poder implicadas nas relações de classe, etnia, gênero. O próprio currículo constitui relações de poder; - A cultura é um nutriente dos processos cognitivos. g) Totalidade do ser e subjetividade fragmentada - Ideia de interdependência de elementos que constituem um todo, considerando-se que o todo não é a mera soma das partes. h) Relativismo cultural, diferença, universalidade - Os significados que as pessoas dão às coisas sempre são construídos dentro das práticas cotidianas correntes; - O relativismo cultural considera valores e práticas morais como resultantes de uma determinada cultura e de determinadas circunstâncias - Charlot (2000): “uma escola que faça funcionar, ao mesmo tempo, os dois princípios da diferença cultural e da identidade enquanto ser humano;os princípios do direito à diferença e do direito à semelhança”; - As culturas não são, pois, homogêneas, são portadoras de contradições e conflitos; - Uma visão crítica da cultura consiste em promover a reflexão compartilhada sobre as próprias representações e facilitar a abertura ao entendimento e experimentação de representações alheias. i) Objetivismo epistemológico e saberes da experiência - A noção de conhecimento passa por considerá-lo como relação entre sujeitos e proposições e não entre sujeito e objeto; - Valorizada a experiência subjetiva, o diálogo, a comunicação, o entendimento lingüístico entre as pessoas; - Temas, perpassam as teorias pedagógicas contemporâneas, com sugestões de interfaces com as teorias modernas; - Sugerir cinco pontos dos quais uma pedagogia moderna crítica não poderia se afastar: 1) crença na educação como capacitação para a autodeterminação racional; * A escola continua sendo o caminho para a igualdade e a inclusão social, a esperança da formação cultural, do progresso, da conquista da dignidade, da emancipação, para toda a sociedade 2) Capacitação implica prover as condições, para todos, do domínio da cultura geral de base, da ciência e da arte; * Implica a adoção de políticas sociais eficazes quanto à postulação da educação básica para todos. 3) A dialética entre o individual e o coletivo, a concretização da capacidade de autodeterminação do indivíduo é condição prévia para se chegar à universalidade do humano; 4) Educação como formação de todas as potencialidades humanas; 5) O currículo, consuma-se uma concepção crítica de educação apostando em práticas educativas que aliem os conteúdos à experiência sociocultural concreta dos alunos 6. Onde estamos e para onde vamos? - No interior das salas de aulas as atitudes pedagógicas e as metodologias se mantêm intocáveis; - Na prática dos professores algumas mudanças curriculares, novas habilidades, uma nova técnica, uma instrumentalização a mais, mas sem afetar o núcleo forte das tendências pedagógicas mais impregnadas na prática dos professores; - Têm sido frequentes, eventuais propostas novas ou alternativas que não procedem do mundo prático, mas do mundo acadêmico; - Propostas mais voltadas ao campo da prática, ainda que com pouco lastro teórico, acabam por responder mais diretamente a necessidades imediatas do trabalho dos professores, como é o caso de oficinas pedagógicas. a) O hibridismo ajuda? - Um currículo deve ser híbrido, isto é, deve aceitar e incorporar diferentes teorias e práticas e todas as formas de diversidade, considerando-se as condições históricas particulares em que é posto em prática; - marca do campo investigativo do currículo no Brasil a partir dos anos 1990; - Há no hibridismo alguns riscos: desvio da especificidade da educação e dos processos curriculares (Ib.), aplicações simplistas de teorias psicológicas ou sociológicas, “deter o pensamento em uma ingênua celebração da pluralidade e da transgressão” (Dussel, ob. cit.). b) A teoria histórico-cultural e a pesquisa cultural - Iniciada com Vygotsky; - formula a integração entre o mundo sociocultural e a subjetividade, entre a racionalização e a subjetivação; - A atividade de aprendizagem, ao apropriar-se da experiência sociocultural, assegura a formação do pensamento teórico-científico dos indivíduos, mediante atividades socioculturais, já que as ações individuais ocorrem em contextos socioculturais e institucionais; - Têm realçado temas como atividade situada em contextos, a participação como condição de compreensão na prática (como aprendizagem), a identidade cultural, o papel das práticas institucionalizadas nos motivos dos alunos, a diversidade cultural etc; - Perspectiva desenvolvimentista do ensino; - Emancipação dos sujeitos por meio da formação do pensamento teórico-científico e a pesquisa cultural. c) Para concluir, os dilemas a enfrentar… - o pedagogo de profissão é quem carrega o ônus de decidir em situações concretas; - é razoável supor que objetivos e formas de organização das escolas devem ser pautados pela concepção de aprendizagem desejada para os alunos; - Dilemas: 1) Universalismo e o relativismo, refere-se à existência de uma cultura e de valores universais; por outro, à consideração do pluralismo das culturas e das diferenças; 2) Formas de organização curricular, põe, de uma lado, um currículo baseado na formação do pensamento científico e, de outro, um currículo baseado na experiência sócio-cultural; * a cultura “escolar” estaria subordinada aos saberes de experiência de que são portadores os alunos, dissolvendo-se a disciplinaridade em favor de um conteúdo mais próximo às manifestações culturais. 3) formas de organização institucional da escola, depende de contextos particulares da vida dos alunos e da comunidade; 4) dois significados que se pode dar à educação inclusiva. * Primeiro, a vivência de experiências socioculturais e afetivas; * Segundo, prover as condições intelectuais e organizacionais para se garantir a qualidade cognitiva das aprendizagens; * A segunda posição é a mais adequada para se entender uma escola democrática, inclusive penso que as concepções de escola que desfocam a centralidade do conhecimento e da aprendizagem podem estar incorrendo em riscos de promover a exclusão social das crianças. - Trabalho pedagógico pressupõe intencionalidades políticas, éticas, didáticas em relação às qualidades humanas, sociais, cognitivas esperadas dos alunos que passam pela escola. Vídeoaula: As teorias pedagógicas e sua relação com a produção de materiais pedagógicos digitais Revisitando Conhecimentos Vamos refletir? Tendências pedagógicas - São teorias que direcionam o trabalho educacional e o fazer do professor; - Definem a metodologia pela qual o professor irá trabalhar; - Muitas dessas tendências foram estudadas muito por inúmeros autores e muitas ainda são consideradas até ultrapassadas, mas são encontradas na sala de aula, na prática dos professores e do fazer docente. Libâneo: As teorias pedagógicas modernas resignificadas pelo debate contemporâneo na educação a) Corrente racional-tecnológica - Aborda o cognitivo associado ao sistema produtivo; - Pressupõe que o trabalho realizado pela escola contribua com a racionalização do mercado de trabalho operante; - O fazer do professor é muito voltado ao mercado de trabalho. b) Corrente neocognitivista - Fala sobre a questão da cognição relacionada ao uso do computador e como isso tem modificado nossa forma de pensar; - A evolução que nós tivemos de pensamento com o uso das tecnologias. c) Teorias sociocríticas - Uma concepção de que a educação pode modificar o contexto e relações sociais que o sujeito vive; - Apresenta que os conteúdos apresentados de forma crítica na escola possam contribuir na superação de desigualdades. d) Correntes holísticas - O aluno é visto de uma maneira sistêmica, ampla e abrangente; - Integra diversos processos na forma de analisar o ser humano. e) Correntes pós-modernas - Aqui os grupos minoritários e excluídos, muitas vezes silenciados, ganham voz e vez na comunidade escolar. Qual a relação dessas teorias pedagógicas com a produção de materiais digitais? - Essas correntes servem para que consigamos pensar que tipo de material vou produzir, o que quero com esses materiais e para que tipo ou que tipo de aluno quero gerar; - Tenho uma relação muito grande entre os três pilares acima descritos (os círculos). Linguagem dialógica é um diálogo, não um monólogo - Além de apresentar o conteúdo de forma agradável e motivadora, precisamos causar a reflexão no aluno; - Temos que pensar no que queremos transmitir; - A partir da linguagem dialógica faço com que meu aluno pense, reflita e faça parte da ação e modifique sua realidade. A perspectiva inovadora exige que o professor esteja em permanente estado de aprendência - É preciso que eu pense nas características acima para se produzir os alunos; - Não é uma contação de história simplesmente por uma contação de histórias, precisamos realmente pensar o material comoum todo para o meu aluno. Na prática… Semana 5 (21/08): Práticas de design: análise contextual e unidades de aprendizagem Texto-base: Design Instrucional na Prática, “Análise contextual” (Ler capítulo 4. Páginas 35 a 41 da versão em pdf) | Andrea Filatro Capítulo 4 - Análise contextual O que é contexto? - Usado de maneiras variadas: refere-se a modalidades educacionais (educação https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314793_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314793_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314793_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314793_1 presencial, educação a distância, blended learning), a níveis de ensino (ensino superior, ensino fundamental, educação de jovens e adultos etc.) ou indicar uma situação didática bem delimitada, restrita ao período em que a aprendizagem é executada; - Abarca, além da situação didática em si, os contextos pré e pós-aprendizagem nas dimensões individual, imediata e institucional. Conforme a figura abaixo: - Contextos podem ser divididos em três tipos: a) Contexto de orientação: anterior à aprendizagem, influencia a motivação futura do aluno e o prepara cognitivamente para aprender; b) Contexto de aprendizagem: em geral determinado temporalmente pela situação didática em si (curso, programa, aula), envolve as pessoas e os recursos físicos, sociais e simbólicos reunidos em dado momento com o objetivo de aprender; e c) Contexto de transferência: posterior à aprendizagem, engloba basicamente o ambiente ou a situação em que a aprendizagem é aplicada. - Ao examinar o contexto, chegamos às seguintes perspectivas: a perspectiva individual do aluno, a perspectiva imediata do entorno mais próximo onde acontece a situação didática (contexto pedagógico/andragógico) e a perspectiva institucional (relativa a um grupo ou instituição). Análise contextual - Consiste em examinar a dinamicidade entre os diferentes níveis contextuais a fim de identificar as necessidades ou os problemas de aprendizagem, caracterizar o público-alvo e levantar as restrições técnicas, administrativas e culturais; - É necessário reunir e analisar informações, que são registradas em um relatório de análise; - Procedimentos necessários para a compreensão do contexto: a) Planejamento da análise contextual - É preciso inicialmente planejar quais fatores serão investigados; - O processo envolve as seguintes etapas: 1. Identificar o problema de aprendizagem, os resultados esperados, as características dos alunos, os recursos disponíveis e as limitações técnicas, orçamentárias e administrativas; 2. Identificar os fatores contextuais de orientação, instrução e transferência que tenham relevância para o projeto.; 3. Listar os dados que devem ser coletados, bem como as fontes digitais e os documentos que precisam ser estudados, as pessoas que devem ser consultadas ou observadas, as ferramentas que precisam ser analisadas e assim por diante; 4. Selecionar o(s) método(s) mais adequado(s) aos objetivos e às restrições do projeto. 5. Localizar, construir ou modificar ferramentas e técnicas para a análise contextual do projeto em questão. - Na maioria das vezes o designer instrucional trabalha para instituições com certo lastro educacional, ele pode contar com um conjunto inicial de informações a respeito do público-alvo, das condições técnicas e da abordagem pedagógica adotada. São definidos no nível macro do design instrucional; - O designer instrucional pode ‘respirar’ a cultura da instituição analisando documentos, conversando com profissionais de diferentes setores e com antigos, atuais e futuros alunos, manuseando materiais didáticos de outros programas, visitando instalações físicas, navegando em ambientes virtuais e analisando avaliações quantitativas e qualitativas de programas semelhantes; - Existe um histórico de experiências internas e externas a ser considerado, b) Coleta e análise de dados - Implica reunir e examinar aspectos físicos, sociais, cognitivos e afetivos do contexto específico; - Essa fase envolve os seguintes passos: 1. Reunir dados sobre os fatores contextuais de orientação, instrução e transferência. Isso pode ser feito por meio de (1) entrevistas e pesquisas formais baseadas em questões abertas ou fechadas com os envolvidos no projeto; (2) observações de alunos e educadores atuando nos contextos de orientação, instrução e transferência; (3) acompanhamento de grupos de discussão focados no problema educacional; (4) análise de práticas profissionais registradas em diários, fotografias ou vídeos; e (5) mapeamentos conceituais, entre outras maneiras; 2. Levantar fatores contextuais inibidores — por exemplo, em termos de conteúdo, resistência a escolas de pensamento; em termos de metodologia, paradigmas cristalizados sobre o que é ensinar; em termos de execução, suporte pobre ou interface digital imprópria; 3. Analisar fatores contextuais ausentes — por exemplo, ausência de incentivo à aprendizagem, ausência de manuais de orientação, inexistência de sistema de feedback; 4. Destacar fatores contextuais facilitadores da aprendizagem que podem ser salientados — por exemplo, oportunidades de transferência imediata da aprendizagem, congruência entre percepção de alunos e educadores sobre o que significa aprender e ensinar, redes de aprendizagem instaladas; e 5. Relacionar fatores inibidores, ausentes e facilitadores de modo que eles se compensam em benefício do projeto em questão, criando um ambiente propício à aprendizagem. - Examinar os fatores contextuais, objetivo refinar a compreensão do que é necessário aprender, das pessoas envolvidas na aprendizagem e das limitações e potencialidades encontradas nos níveis individual, imediato e institucional. c) Relatório de análise - é um relatório estruturado que deve ser apresentado ao cliente e a outros envolvidos diretamente no problema; - deve conter as seguintes informações: 1. Necessidades de aprendizagem - Objetivo levantar as demandas por educação dentro de uma instituição, de um grupo de trabalho ou de indivíduos; - É detectada inicialmente por outra pessoa que não o designer instrucional. Por exemplo, em instituições de ensino. Um coordenador de área pode detectá-la; na educação corporativa, um gerente de área ou o próprio departamento de recursos humanos pode fazê-lo. Em geral, essa detecção envolve aspectos observados nos contextos de orientação e transferência; - Pode surgir da avaliação de problemas educacionais já existentes, que demandam revisão, atualização ou desdobramento em novas ações; - A necessidade é comunicada formalmente ao designer instrucional por meio de um briefing; - O designer instrucional refina a idéia geral sobre o problema detectado e analisa as várias perspectivas envolvidas, a fim de entender por que a ação educacional é necessária; - Forma de conduzir, lançar mão de uma análise de objetivos, partindo da pressuposição de que realmente existe uma necessidade e de que uma ação educacional é a solução mais adequada para atendê-la; - Pode realizar a análise de objetivos cumprindo uma seqüência bastante simples de três passos, a saber: 1. Identificar objetivos 2. Refinar objetivos 3. Ordenar objetivos - Com essa sequência, são identificados os objetivos gerais da ação de aprendizagem. Os objetivos específicos, relacionados a unidades de aprendizagem determinadas, são definidos na fase de design, 2. Caracterização dos alunos - É dever do designer instrucional responder às perguntas a seguir antes de dar início ao design da aprendizagem: 1) Quais são seus conhecimentos a respeito do problema educacional em questão? 2) Quais são seus estilos de aprendizagem e, nesse sentido, como foram suas experiências educacionais anteriores? 3) O que eles já sabem e o que precisam/querem saber? 4) Em que ambiente e situação eles aplicarão os conhecimentos, ashabilidades e as atitudes que aprenderão? - O designer instrucional deve identificar as características dos alunos que são centrais aos objetivos e ao design do programa; - Dados gerais dos alunos — como idade, sexo, etnia, experiência profissional e formação educacional, além de motivação e expectativas com relação ao programa — com freqüência são obtidos a partir de formulários de inscrição ou matrícula; - É necessário também examinar as competências (conhecimentos, habilidades e atitudes) de entrada que os alunos precisam ter para se beneficiar da ação de aprendizagem proposta. Entre essas competências, podemos citar fluência digital, domínio de idiomas e certificações anteriores; - Pode driblar lacunas nessas competências oferecendo módulos introdutórios que devem ser cursados antes da execução do programa principal ou limitando a participação a alunos que comprovarem possuir os pré requisitos anunciados; - Existem inúmeras categorizações para estilo de aprendizagem derivadas da teoria de inteligências múltiplas de Howard Gardner (inteligência lingüística, musical, lógico-matemática, espacial, cinestésica, interpessoal e intrapessoal) até os sofisticados inventários de estilos cognitivos de Kolb e de Myers-Briggs; - O que realmente interessa ao designer instrucional é em que medida eles podem ser combinados a estratégias instrucionais para beneficiar a aprendizagem. 3. Levantamento de restrições - O designer instrucional precisa se voltar para o contexto imediato (pedagógico) e institucional mais amplo; - Questões culturais, experiências institucionais anteriores e premissas cristalizadas sobre o que significa aprender e ensinar devem ser consideradas no levantamento de restrições. Deve ser observado diz respeito às estimativas de tempo; - Verificar se há exigências legais, como no caso de cursos regulares ou programas oficiais de certificação; - Considerar a disponibilidade para estudo por parte dos alunos; - Questões trabalhistas e contratuais referentes à alocação de carga horária dos educadores devem ser contempladas nos modelos mais abertos e contextualizados; - Cabe ao gestor do projeto e, na sua ausência, ao designer instrucional distribuir os recursos financeiros de maneira a desenvolver a melhor solução educacional possível para o problema detectado. 4. Encaminhamento a soluções - Soluções estas que devem ser aprovadas pelo cliente e pelos demais envolvidos, independentemente do modelo de design instrucional adotado; - Pode-se concluir que um programa educacional não é a melhor ou a única solução para um problema detectado. Texto-base: Design Instrucional na Prática, “Design de unidades de aprendizagem” (Ler capítulo 5. Páginas 43 a 56 da versão em pdf) | Andrea Filatro Capítulo 5 - Design de unidades de aprendizagem Unidades de aprendizagem - É uma unidade atômica ou elementar que contém os elementos necessários ao processo de ensino/aprendizagem ou tão pequena; https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314794_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314794_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314794_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314794_1 - A granularidade de uma unidade de aprendizagem — ou seja, seu tamanho e seu grau de complexidade — é definida pelos seguintes aspectos: (1) uma unidade de aprendizagem não pode ser subdividida em partes sem perder o significado; (2) ela tem extensão e tempo limitados; e (3) é autocontida no que se refere a processos, objetivos e conteúdos; - No aprendizado eletrônico, o design de unidades de aprendizagem se dá com base nas seguintes premissas: 1) Uma unidade de aprendizagem visa um ou mais objetivos de aprendizagem (ou resultados esperados); 2) Para alcançar os objetivos, as pessoas assumem um ou mais papéis no processo de ensino/aprendizagem; 3) Cada papel desempenha uma ou mais atividades; 4) As atividades seguem um fluxo, têm uma duração e são realizadas em um período de tempo determinado; 5) As atividades são apoiadas por conteúdos e ferramentas; 6) Os conteúdos e ferramentas são organizados em um ambiente; 7) A avaliação verifica se os objetivos da unidade de aprendizagem foram alcançados. Matriz de design instrucional - Objetivos, papéis, atividades, conteúdos, ferramentas, ambientes e avaliação. São elementos básicos do processo educacional e podem ser organizados em uma matriz que nos permite ter uma visão panorâmica de cada unidade de aprendizagem; - Por meio da matriz, podemos definir quais atividades serão necessárias para atingir os objetivos, bem como elencar quais conteúdos e ferramentas serão precisos para a realização das atividades; - Estabelecer como se dará a avaliação do alcance dos objetivos; - Verificar quais serão os níveis de interação entre o aluno e os conteúdos, as ferramentas, o educador e os outros alunos e que tipo de ambiente virtual será necessário para o desempenho das atividades; - A matriz pode ser usada como material de orientação da equipe de design e desenvolvimento instrucional, além de ser apresentada como um mapa do curso, na íntegra ou em versão simplificada, dependendo do público-alvo. a) Objetivos de aprendizagem - Descrevem um resultado pretendido e exprimem o que o aluno fará quando os tiver dominado; - Devemos definir os objetivos de aprendizagem, e não os objetivos do educador ou do material a ser produzido; - Como regra, os objetivos de aprendizagem são compostos por um verbo que indica ação e um componente de conteúdo que aponta para uma mudança de comportamento observável; - Há uma série de taxonomias — esquemas que organizam o conhecimento de forma hierárquica — para a definição de objetivos de aprendizagem. A mais conhecida é a taxonomia de Bloom, trabalha com três grandes domínios de aprendizagem: 1) Afetivo: - Modo de lidar emocionalmente com sentimentos, valores, entusiasmo, motivação e atitude; - Habilidades desenvolvidas são: apreciação estética, compromisso, responsividade e consciência (autoconsciência, consciência de fatores externos, consciência ética e consciência moral); - Objetivos do domínio afetivo podem ser expressos por verbos como apreciar, comprometer-se, conscientizar-se, influenciar e compartilhar. 2) Psicomotor: - Trata da movimentação física, da coordenação e do uso de habilidades motoras, desenvolvidas pela prática e avaliadas em termos de velocidade, precisão, distância, procedimentos ou técnicas de execução; - Objetivos do domínio psicomotor podem ser expressos por verbos como desenhar, executar, fazer, desempenhar, montar, construir, calibrar, modificar, limpar, conectar, compor, criar, esboçar, projetar, instalar, desinstalar, inserir, remover, manipular, consertar, reparar, pintar, fixar, exercitar, correr, pular e nadar. 3) Cognitivo: - Trata da recuperação do conhecimento e do desenvolvimento de habilidades intelectuais; - É o mais trabalhado nas ações educacionais; - Envolve diferentes níveis de competências intelectuais; - organizadas de forma hierárquica, indo da mais complexa (avaliação) para a mais simples (memorização). Hierarquia de competências do domínio cognitivo — taxonomia de Bloom b) Papéis - No aprendizado eletrônico, temos dois tipos de papéis de aprendizagem: os de aprendizagem e os de apoio. Os papéis de aprendizagem são desempenhados pelo aluno (estudante, aprendiz ou equivalente), ao passo que os de apoio são desempenhados pelo educador (tutor, docente ou equivalente). Há outras figuras que podem enriquecer essa relação básica; - Enxergar os participantes de um curso do ponto de vista de papéis permite configurar atividades independentemente das pessoas que vão desempenhá-las, permitindo que a mesma atividade possa ser reproduzida posteriormente apenas atribuindo-se a ela novos usuários. Atividades de aprendizagem - Algo realizado por alguém a fim de alcançar um objetivo; - Envolvemum conjunto de ações que os alunos realizarão para chegar aos objetivos; - Para alcançar esse objetivo, podemos propor que os alunos realizem diversas atividades, como ler um texto, assistir a um vídeo, responder a um questionário auto-avaliativo, estudar um ou mais casos de liderança e resolver uma situação-problema; - Diferentes teorias de aprendizagem dão conotações diferentes ao conceito de atividade; - A abordagem comportamentalista vê a atividade do aluno como forma de apreensão do conhecimento; - A abordagem cognitivista a atividade de aprendizagem se relaciona a operações mentais; - No paradigma socioconstrutivista, a atividade somente pode ser descrita como uma interação entre o sujeito e o ambiente social; - Relação entre estratégias e atividades de aprendizagem: 1) Estratégias de recordação (recall) 2) Estratégias de elaboração 3) Estratégias de organização 4) Estratégias de Criatividade 5) Estratégias de pensamento crítico 6) Estratégias de cooperação - O aprendizado eletrônico possibilita ao designer instrucional criar ou adaptar atividades diferenciadas que podem agregar mais de uma estratégia de aprendizagem ou ajustar-se a elas; - Atividades possibilitadas pelo aprendizado eletrônico: 1) Minute paper 2) WebQuest 3) Caçada eletrônica 4) Controvérsia estruturada 5) Debate circular 6) Quebra-cabeças 7) Exemplos e regras c) Fluxo de atividades e eventos instrucionais - A teoria e a prática pedagógica/andragógica indicam que aprender é um processo interno e que o aluno é o sujeito de sua aprendizagem. O designer instrucional, contudo, propõe atividades externas com vistas a influenciar ou apoiar esses processos internos. Esta é a essência da instrução; - O designer instrucional faz é definir uma série de eventos deliberadamente planejados para apoiar os processos internos de aprendizagem; - Podemos dividir os eventos instrucionais em quatro grandes blocos: 1) Introdução 2) Processo 3) Conclusão 4) Avaliação d) Duração e período - A duração define a carga horária necessária para a realização de uma ou mais atividades. O período indica o espaço de tempo no calendário em que o ambiente ficará disponível para realização da atividade; - Ao preencher a matriz de design instrucional, devemos atribuir cargas horárias às atividades de aprendizagem utilizando unidades de medida padronizadas; - Minutos quebrados dão a idéia de que o aluno tem de cumprir com exatidão um horário determinado, o que sabemos ser muito difícil ocorrer, principalmente no aprendizado eletrônico. e) Conteúdos e objetos de aprendizagem - No aprendizado eletrônico, a seleção de conteúdos se dá pela escolha e organização de seqüenciamento de temas a serem apresentados na forma, materiais fundamentais ou complementares, segundo os objetivos educacionais de cada unidade de aprendizagem; - Os conteúdos incluem ampla gama de recursos de aprendizagem digitais, como páginas Web escritas em HTML ou XML, arquivos em formatos variados (doc, xls, ppt, pdf) e objetos de aprendizagem no sentido estrito do termo; - Objetos de aprendizagem são ‘pedaços de conhecimento’ autocontidos que diferem dos recursos de aprendizagem digitais em dois aspectos: 1) São identificados por descritores que trazem dados sobre autores, palavras-chave, assunto, versão, localização, regras de uso e propriedade intelectual, requisitos técnicos, tipo de mídia utilizada e nível de interatividade, entre outros. Esses descritores são chamados metadados (dados sobre dados) e permitem que sejam feitas buscas rápidas em repositórios de objetos; 2) Seus elementos internos são organizados por meio de um mecanismo de empacotamento de conteúdos (do inglês, content packaging), que representa a estruturação dos conteúdos e o conjunto de regras para seqüenciar a sua apresentação. - Trabalhar ou não com objetos de aprendizagem é uma decisão tomada no nível macro do design instrucional. Isso porque lidar com eles requer uma visão mais ampla dos domínios de conhecimento envolvidos e uma perspectiva de longo prazo para reaproveitamento dos recursos produzidos. f) Ferramentas - Incluem serviços ou funcionalidades de comunicação (como e-mail, fórum, chat), aplicativos para edição de textos, apresentação de slides e manipulação de planilhas eletrônicas e mecanismos de busca e organização do conhecimento, além de recursos de monitoramento e avaliação; - Não devemos propor atividades dependentes de instrumentos que impliquem competências ou custos e não informar isso antecipadamente ao aluno; - É importante assinalar ainda que no design de unidades de aprendizagem não é suficiente considerar o ambiente virtual de aprendizagem (ou LMS, learning management system) como ferramenta. É verdade que há inúmeras possibilidades dispo Navegação de Páginas níveis nos ambientes virtuais, mas elas devem ser usadas na medida em que possibilitam atividades de aprendizagem ou de apoio. g) Avaliação - Como finalidade verificar se os objetivos de aprendizagem firmados para a unidade foram alcançados; - A avaliação pode ocorrer por meio da verificação dos processos (por exemplo, discussões em fóruns e chats, comentários publicados em blogs ou enviados por e-mail) ou dos produtos resultantes desses processos (por exemplo, a solução para um problema, o relatório de um projeto, uma síntese escrita ou oral); - O designer instrucional deve fazer uma análise do ponto de vista do aluno e responder às perguntas a seguir, realizando as tarefas que elas demandam: 1) Em um relance, a proposta do curso está clara?^ revisão geral da matriz; 2) Os elementos de cada unidade de aprendizagem contribuem para o alcance dos objetivos declarados? → análise horizontal, linha a linha; e 3) O fluxo dos elementos faz sentido para o curso como um todo ou os elementos de cada unidade estão desconectadas? → análise vertical, coluna a coluna. - Ele também deve fazer uma análise do ponto de vista do educador a fim de identificar padrões que possam acelerar o processo de desenvolvimento; - Uma matriz bem pensada gera várias possibilidades de desdobramento como essa; - O design de unidades de aprendizagem pode ser aplicado aos diferentes modelos de design instrucional, com a matriz explicitando os elementos que compõem o processo de ensino/aprendizagem. Vídeoaula: Análise contextual na prática Revisitando conhecimentos Vamos refletir? - Qual o papel do contexto na prática. Vamos conhecer o LADEPPE? O LADEPPE foi criado eo objetivo Equipe do LADEPPE Proposta da Análise Contextual - O planejamento neste tipo de análise ele é fundamental para o desenvolvimento das atividades, se relaciona a coleta de dados e a análise desses dados coletados por meio da teoria e prática e com base no conhecimento científico, por fim tem-se a criação de relatório após essa análise. Vamos conhecer o processo na prática por meio da Karina - Para ser considerado um produto educacional ele precisa ter como principal objetivo facilitar o ensino e a aprendizagem ; - Quando elaborarmos um produto educacional precisamos pensar em: - A construção de um produto educacional geralmente é interdisciplinar, promove a integração de diversos professores e outros profissionais como o de TI; - Temos que levar em conta os conteúdos que serão ensinados para escolhermos a melhor ferramenta para aquele conteúdo, por exemplo, se quer se ensinar algo mais abstrato pode-se utilizar um jogo. Vídeoaula: Matriz de design e seus desdobramentos Revisitando conhecimentos Vamos refletir? Matriz de design instrucional, conforme Filatro - Conforme os estudos da autora essa matriz ela é articulada e cíclica, mas ao mesmo tempo ela é realizada por etapas; - Dentro dela temos: 1) Objetivos de aprendizagem: O que quero com este material/conteúdo? Objetivos pensados ao pensar e ao fazer ou um ou outro; 2) Papéis: Quais são os papéis de cada um dentro do projeto, quem irá editar? Por exemplo. 3) Atividades de aprendizagem: Como será realizada cada etapa de aprendizagem e como elas aparecerão dentro do material? 4) Período e duração: Quanto menorfor a idade de meu público-alvo menor será o período do curso, pois este público não pode passar muito tempo diante das telas; - 5) Conteúdos e objetos de aprendizagem, ou seja, o que será transmitido no curso, quais serão os conceitos? - 6) Ferramentas: Quais as ferramentas serão utilizadas para este curso, será em formato de jogo, slide; e - 7) Avaliação: Aqui ocorre a avaliação do processo e também do produto apresentado. Essa avaliação ocorre a todo momento de criação do produto. Na prática… Semana 6 (28/08): Práticas e processos para a produção de materiais pedagógicos digitais Texto-base: Capítulo 3: “A incorporação das tecnologias de informação e comunicação na educação: do projeto técnico-pedagógico às práticas de uso”. Livro: Psicologia da educação virtual: aprender e ensinar com as tecnologias da informação e educação (Ler: Capítulo 3. Páginas 66-93) | César Coll, Teresa Mauri e Javier Onrubia. 3: A incorporação das tecnologias da informação e da comunicação na educação Introdução - No transcorrer da última década ocorreram avanços avanços inegáveis no concernente à incorporação das TICs em todos os níveis da educação formal e escolar; - A capacidade efetiva dessas tecnologias para transformar as dinâmicas de trabalho, em escolas e processos de ensino e aprendizagem nas salas de aula, geralmente fica muito abaixo do potencial transformador e inovador que normalmente lhes é atribuído; - São os contextos de usos da TICs e para que estão sendo utilizadas que acabam determinando seu maior ou menor impacto nas práticas educacionais; Os impactos das TICs na educação: discursos e expectativas - Um dos argumentos que defendem o uso das TICs que elas necessariamente auxiliam o aluno no processo de ensino e aprendizagem é o fato de estarmos em uma era de informação ou conhecida como Sociedade da Informação (SI); - O conhecimento passou a ser a mercadoria mais valiosa de todas, e a educação e a formação são as vias para produzir e adquirir essa mercadoria; - A educação deixou de ser vista apenas como um instrumento para promover o desenvolvimento, a socialização e a enculturação das pessoas, um instrumento de construção da identidade nacional ou um meio para construir a cidadania; - A educação adquire uma nova dimensão: transforma-se no motor fundamental do desenvolvimento econômico e social; - O objetivo de construir uma economia baseada no conhecimento requer que a aprendizagem seja colocada em destaque, tanto no plano individual quanto no social; - As novas tecnologias multimídia e a Internet, apresentam-se como instrumentos poderosos para promover a aprendizagem, tanto de um ponto de vista quantitativo como qualitativo. - As instituições de educação formal – escolas, institutos, centros de educação superior, universidades, etc. – estão sofrendo transformações progressivas como consequência do impacto destes fatores e fenômenos típicos da SI, associados, pelo menos até certo ponto, com as TIC; - As TIC estão transformando os cenários educacionais tradicionais e, ao mesmo tempo, promovendo o surgimento de outros novos; - A incorporação das TIC na educação formal e escolar é frequentemente justificada, exigida ou promovida, dependendo do caso, pelo argumento de sua potencial contribuição para o aperfeiçoamento da aprendizagem e da qualidade do ensino. - É extremamente difícil estabelecer relações causais confiáveis e passíveis de interpretação entre a utilização das TIC e o aperfeiçoamento da aprendizagem dos alunos em contextos complexos; - No contexto da sociedade do conhecimento, as tecnologias para uso educacional passaram a ser um suporte fundamental para a instrução, beneficiando um universo cada vez mais amplo de pessoas; - Gera melhorias de caráter quantitativo – ou seja, a possibilidade de ensinar mais estudantes –, mas principalmente de ordem https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536323138/pageid/65 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536323138/pageid/65 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536323138/pageid/65 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536323138/pageid/65 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536323138/pageid/65 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536323138/pageid/65 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536323138/pageid/65 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536323138/pageid/65 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788536323138/pageid/65 qualitativa: os educandos encontram na internet novos recursos e possibilidades para enriquecer seu processo de aprendizagem. - É fundamental conhecer e aproveitar a bateria de novos dispositivos digitais, que abrem inexploradas potencialidades para a educação e a pesquisa. - Aprendizagem 2.0 (...) Essas ferramentas estimulam a experimentação, a reflexão e a geração de conhecimentos individuais e coletivos, favorecendo a formação de um ciberespaço de interatividade que contribui para criar um ambiente de aprendizagem colaborativa; - Não há muito sentido em tentar criar uma relação direta entre a incorporação das TIC e os processos e resultados da aprendizagem, uma vez que esta relação estará sempre modulada pelo amplo e complexo leque de fatores que formam as práticas educacionais; - As possíveis melhoras de aprendizagem dos alunos são vinculadas à sua participação e envolvimento nessas atividades, nas quais a utilização das TIC é um aspecto importante, mas apenas um entre os muitos aspectos relevantes envolvidos. De acordo com essa postura, não é nas TIC nem nas suas características próprias e específicas que se deve procurar as chaves para compreender e avaliar o impacto das TIC sobre a educação escolar, incluído o efeito sobre os resultados da aprendi-zagem, mas nas atividades que desenvolvem professores e estudantes graças às possibilidades de comunicação, troca de informação e conhecimento, acesso e processamento de informação que estas tecnologias oferecem. Sobre os usos das TICs nas escolas e nas salas de aula - Os estudos comparativos internacionais e regionais indicam que há enormes diferenças entre os países no que se refere à incorporação das TIC na educação e à conexão das escolas à internet. Seja pela ausência de equipamentos bons ou da própria internet na região ou até mesmo do país. - Na maioria dos cenários de educação formal e escolar as possibilidades de acesso e uso dessas tecnologias ainda são limitadas ou mesmo inexistentes; - Coincidem em destacar dois fatos que, com maior ou menor intensidade, conforme o caso, aparecem com frequência. O primeiro fato guarda relação com o uso limitado que professores e alunos normalmente fazem das TIC. E o segundo, com a limitada capacidade que parecem ter essas tecnologias para impulsionar e promover processos de inovação e melhora das práticas educacionais. Das expectativas às realidades: os resultados da pesquisa Gibson e Oberg, orientados a estudar tanto as propostas e expectativas quanto a situação real da introdução e uso da internet nas escolas canadenses no início do ano de 2000. Conseguiram juntar um grande volume de dados de quatro coletivos diferentes: 1) responsáveis e técnicos das administrações educacionais; 2) representantes das associações de professores; 3) administradores das escolas; e 4) professorado. - Entre os resultados obtidos pelos autores: 1) Os quatro coletivos apresentam, majoritariamente, uma atitude positiva frente à incorporação da internet nas escolas e compartilham a ideia de que é um instrumento com um grande potencial para melhorar o ensino e promover a alfabetização digital dos estudantes; 2) A realidade do uso da internet nas escolas está longe de corresponder a essa atitude e a essa visão positiva sobre a utilidade potencial da internet para o ensino e a aprendizagem. 3) O uso mais frequente nos quatro coletivos é a utilização da internet para aumentar e melhorar o acesso à informação. - Pouquíssimos professores mencionam empregar as possibilidades oferecidas por essa tecnologia para a colaboração,a criação e a difusão de informação; - As três razões assinaladas com mais frequência para explicar o uso escasso e restrito das possibilidades que, segundo esses mesmos coletivos, a internet oferece são: 1) uma infraestrutura de apoio limitada; 2) dificuldades para incluir a internet no currículo escolar; e 3) falta de um desenvolvimento profissional adequado do professorado. - As TIC fizeram com que aparecessem novos métodos de ensino? Tem-se dois resultados: 1) Professores, alunos e diretores: a) aproximadamente um terço dos professores consultados respondeu que absolutamente não utiliza essas tecnologias no ensino; aproximadamente a metade disse que utiliza entre uma e cinco horas por semana, e apenas 17% deles – principalmente professores do ensino médio – utilizam-nas seis ou mais horas por semana; b) estudantes, posicionam-se frente às TIC mais como “consumidores” do que como “produtores” e utilizam-nas mais para trabalhar individualmente do que em grupo; e c) diretores, estes expressam majoritariamente uma visão das TIC como instrumentos valiosos para o “desenvolvimento pedagógico”, mas, em compensação, poucos deles afirmam que esse impacto possa realmente ocorrer em suas escolas; - Essas tecnologias não comportam uma revolução dos métodos de ensino e, para os professores, sua utilidade está muito diretamente relacionada com a aprendizagem de conteúdos específicos; 2) Segundo resultado da questão. - Conlon e Simpson (2003): Canadá, na Dinamarca, na Finlândia, na Noruega e na Suécia, o equipamento e a infraestrutura são adequados e a maioria do professorado e dos alunos tem acesso às TIC nas escolas e nos lares. Contudo, os resultados obtidos indicam que enquanto as TIC, em geral, e os computadores e a internet, em particular, são utilizados frequentemente por uns e outros no lar, eles praticamente não são usados nas escolas. Ou, ainda pior, os usos que são dados às TIC na sala de aula são, com frequência, “periféricos” aos processos de ensino e aprendizagem (por exemplo, para digitar textos); - Os níveis de uso das TIC no ambiente escolar são extremamente baixos, a ponto de não ser possível equipará-los aos níveis que os próprios alunos desenvolvem fora do ambiente escolar; - O relatório realizado conjuntamente pelo Instituto de Avaliação e Assessoria Educa-cional do Ministério da Educação da Es-panha, Neturity e pela Fundação Germán Sánchez Ruipérez (2007). As principais conclusões sobre esses aspectos:: 1) Apesar de o relatório considerar que a dotação de recursos de TIC (concebendo como tais computadores, periféricos e acesso à internet) pode ser considerada aceitável do ponto de vista do conjunto das escolas, ele também indica que ainda é necessário melhorar muito no que se refere ao número de salas de aula com computadores com conexão à internet e ao número de computadores nas salas de aula ordinárias (em contraposição com as chamadas salas de computadores ou salas de aula de informática). É razoável supor que, enquanto não houver melhoras substanciais nestes aspectos, o impacto das TIC sobre as práticas educacionais docentes e sobre os processos de ensino e aprendizagem continuará sendo, necessariamente, limitado; 2) Em geral, as TIC ainda são pouco utilizadas com fins especificamente educacionais nas escolas e, principalmente, nas salas de aula. Sem exagero, poderíamos dizer que, de acordo com os dados apresentados no relatório, as atividades de ensino e aprendizagem desenvolvidas na maioria das aulas ordinárias do ensino fundamental e do ensino médio na Espanha não incorporam as TIC. O impacto dessas tecnologias sobre as práticas educacionais escolares é, por enquanto, extremamente limitado e está muito afastado das expectativas que normalmente são mantidas para justificar sua incorporação; 3) Os usos mais frequentes – embora não sejam elevados em termos absolutos – das TIC pelo professorado e os alunos nas escolas e nas salas de aula estão relacionados principalmente com a busca e processamento da informação. Os usos relacionados com a comunicação e com a colaboração são praticamente inexistentes. Poderíamos dizer que as TIC são utilizadas basicamente, quando o são, como tecnologias da informação, muito mais do que como tecnologias da comunicação; 4) Da mesma maneira, os usos mais frequentes das TIC pelo professorado estão situados no âmbito do trabalho pessoal (busca de informação na internet, utilização do editor de textos, gerenciamento do trabalho pessoal, preparação das aulas). Os usos menos frequentes são os de apoio ao trabalho docente nas salas de aula (apresentações, simulações, utilização de software educacional, etc.) e os relacionados com a comunicação e o trabalho colaborativo entre os alunos; 5) Há uma defasagem considerável entre a atitude positiva e a elevada valorização que o professorado expressa e tem das TIC e o uso limitado que dá a elas em sua prática docente; 6) Há uma defasagem clara entre o nível de comodidade que sentem os alunos e o que sente o professorado frente às TIC: em geral, os alunos afirmam que se sentem muito mais cômodos e têm um sentimento de autocompetência significativamente mais alto que o professorado; e 7) Chama a atenção a defasagem existente entre os conhecimentos e as capacidades relacionadas com as TIC que os alunos dizem ter e o escasso aproveitamento que é feito destas nas escolas e nas salas de aula. Chaves para a compreensão da defasagem entre expectativas e realidades - A defasagem entre expectativas e realidades não pode ser atribuída apenas a problemas de acesso; - O acesso do professorado e dos alunos às TIC é uma condição necessária que ainda está longe de ser cumprida em muitos países, escolas e salas de aula, e, portanto, é imprescindível continuar fazendo esforços nesse sentido; - Professores e alunos frequentemente fazem um uso limitado e pouco inovador dessas tecnologias; - Os computadores entram em choque com a realidade das escolas e que, como resultado desse choque, a realidade das escolas vence. - Pouco menos de dois em cada 10 professores utilizam habitualmente (várias vezes por semana) os computadores em suas aulas; - Frequentemente acabam sendo utilizadas como editores de textos e em aplicações de um nível baixo, que reforçam as práticas educacionais existentes em vez de transformá-las; - No que se refere à frequência de uso das TIC nas salas de aula, a maioria dos estudos coincidem em destacar a importância de fatores como o nível de domínio das TIC pelos professores; - Os professores tendem a dar às TIC usos que são coerentes com seus pensamentos pedagógicos e com sua visão dos processos de ensino e aprendizagem; - Tendem a utilizar as TIC para reforçar suas estratégias de apresentação e transmissão de conteúdos, enquanto aqueles que têm uma visão mais ativa ou “construtivista” tendem a utilizá-las para promover as atividades de exploração ou indagação dos alunos, o trabalho autônomo e o trabalho colaborativo; - A simples incorporação ou o uso em si das TIC não gera, inexoravelmente, processos de inovação e melhoria do ensino e da aprendizagem; - As TIC podem ser utilizadas no marco de posturas pedagógicas e práticas de aula muito diferentes entre si; sua incorporação na educação escolar não comporta necessariamente a colocação em marcha de inovações profundas nos postulados e práticas nos quais elas estão inserida; - O potencial das TIC para transformar, inovar e melhorar as práticas educacionais depende diretamente do enfoque ou da postura pedagógica em que estiver inserida sua utilização; - Os resultados dos estudos indicam que nem a incorporação nem o uso em si das TIC comportam de forma automática a transformação, inovação e melhora das práticas educacionais; O potencial das TICs para o ensino e para a aprendIzagem 1) As TICs como instrumentos para pensar e interpensar - As TICs, podem ser considerá-las ferramentas para pensar, sentir e agir sozinhos e com outros, ou seja, como instrumentos psicológicos no sentido vygotskiano da expressão; - Nós, humanos, sempre utilizamos tecnologias paratransmitir informação, para nos comunicarmos e para expressar nossas ideias, sentimentos, emoções e desejos, desde sinais ou símbolos entalhados na pedra ou na casca de uma árvore e os sinais de fumaça, até o telégrafo, o telefone, o rádio ou a televisão, passando pelos gestos e os movimentos corporais, a linguagem de sinais, a linguagem oral, a língua escrita ou a imprensa; - Os recursos semióticos que encontramos nas telas dos computadores são basicamente os mesmos que podemos encontrar em uma sala de aula convencional: letras e textos escritos, imagens estáticas ou em movimento, linguagem oral, sons, dados numéricos, gráficos, etc.; - A novidade das TICs digitais permitem criar ambientes que integram os sistemas semióticos conhecidos e ampliam até limites inimagináveis a capacidade humana de (re) apresentar, processar, transmitir e compartilhar grandes quantidades de informação com cada vez menos limitações de espaço e de tempo; - Todas as TICs, digitais ou não, somente passam a ser instrumentos psicológicos, no sentido vygotskiano, quando seu potencial semiótico é utilizado para planejar e regular a atividade e os processos psicológicos próprios e alheios; - A capacidade mediadora das TICs pode se desenvolver basicamente, em duas direções: 1) As TIC podem mediar as relações entre os participantes – especialmente os estudantes, mas também os professores – e os conteúdos de aprendizagem; e 2) As TIC podem mediar as interações e as trocas co municacionais entre os participantes, seja entre professores e estudantes, seja entre os próprios estudantes. - Somente se torna efetivo, quando essas tecnologias são utilizadas por alunos e professores para planejar, regular e orientar as atividades próprias e alheias, introduzindo modificações importantes nos processos intra e inter psicológicos envolvidos no ensino e na aprendizagem. - Em resumo, a capacidade mediadora das TIC como instrumentos psicológicos é uma potencialidade que, como tal, torna-se ou não efetiva – e pode tornar-se efetiva em maior ou menor medida – nas práticas educacionais que transcorrem nas salas de aula em função dos usos que os participantes fazem delas. 2) Ferramentas tecnológicas e práticas educacionais: do projeto ao uso - Em primeiro lugar, os usos que os participantes efetivamente façam das TIC dependerão, em grande medida, da natureza e das características do equipamento e dos recursos tecnológicos que forem postos à sua disposição; - Em segundo lugar, quando nos aproximamos do estudo de um processo formativo concreto que incorpore as TIC, seu projeto tecnológico resulta praticamente indissociável de seu projeto pedagógico ou instrucional; - Os ambientes de ensino e aprendizagem que incorporam as TIC não proporcionam apenas uma série de ferramentas tecnológicas, recursos e aplicações de software informático e telemático que seus potenciais usuários podem utilizar para aprender e ensinar. Geralmente, as ferramentas tecnológicas são acompanhadas de uma proposta, mais ou menos explícita, global e precisa, dependendo de cada caso, sobre a forma de utilizá-las para iniciar e desenvolver atividades de ensino e aprendizagem. - A incorporação de ferramentas tecnológicas no planejamento de um processo formativo sempre inclui uma série de normas e procedimentos de uso, mais ou menos explícitos e formalizados, das ferramentas incorporadas; - Os participantes utilizam as ferramentas tecnológicas a fim de organizar sua atividade conjunta em torno dos conteúdos e tarefas de ensino e aprendizagem – ou seja, com a finalidade de estabelecer as “estruturas de participação”; - Em terceiro lugar, apesar de sua importância inegável como elemento condicionante dos usos das TIC, o projeto técnico-pedagógico é apenas um referencial para o desenvolvimento do processo formativo, e como tal está inevitavelmente sujeito às interpretações que os participantes fazem dele; - A organização da atividade conjunta é, em si, o resultado de um processo de negociação e de construção por parte dos participantes, de maneira que tanto as formas de organização; - Às ferramentas tecnológicas não podem ser entendidas como uma simples transposição ou um mero desenvolvimento do projeto técnico-pedagógico previamente estabelecido. 3) Rumo a uma tipologização dos usos das TICs na educação formal - Os usos efetivos que professores e alunos fazem das TIC dependem tanto do projeto técnico-pedagógico das atividades de ensino e aprendizagem em que estão envolvidos quanto da recriação e redefinição que eles fazem dos procedimentos e normas de uso das ferramentas incluídas nesse projeto, - Software educacional, existência de três grandes sistemas de classificação que normalmente são utilizados para identificar e descrever este tipo de material: 1) os que utilizam como critério de classificação o tipo de aplicações que permitem os pacotes de software (editores de textos, bases de dados, planilhas eletrônicas, simulações, programas tutoriais, programas para a elaboração de gráficos ou representação visual dos conteúdos, programas de exercícios, etc.); 2) os sistemas que utilizam como critério as funções educacionais que, teoricamente, o software permite cumprir (motivar os estudantes, proporcionar-lhes informação, estimular sua atividade, faci-litar a realização de exercícios e da prática, sequenciar os conteúdos ou as ativida-des, proporcionar retroalimentação, etc.); e 3) aqueles que utilizam como critério a compatibilidade ou adequação global dos usos do software com grandes enfoques ou postulados educacionais ou pedagógicas (enfoques instrucionais, emancipadores, objetivistas, transmissivos, construtivistas, etc.). - As tipologização de usos baseadas exclusivamente nas características concretas das ferramentas tecnológicas e nas suas potencialidades genéricas para a educação e a aprendizagem – como é o caso das duas primeiras descritas por Squires e McDougall – são claramente insuficientes; - Entende-se a necessidade de uma tipologia dos usos das TIC que leve em consideração ao mesmo tempo as características das ferramentas tecnológicas e as principais dimensões das práticas educacionais; - O CPF contempla três dimensões de análise: 1) a quantidade de tempo durante o qual o professor ou os estudantes utilizam as TIC (que se expressa em termos de proporção sobre o tempo total disponível); 2) o foco, ou seja, os objetivos aos quais servem as TIC; e *No que se refere ao foco, o CPF distingue três grandes subcategorias: 2.1) ou os usos das TIC têm como objetivo ajudar os estudantes a desenvolverem destrezas e habilidades relacionadas com o domínio das tecnologias (por exemplo, aprender a utilizar o mouse ou o trackpad, aprender a utilizar um editor de textos, um programa de dedesenho, uma base de dados ou um software de apresentações, aprender a procurar e baixar imagens da internet e a arquivá-las para utilizarlas posteriormente, etc.); 2.2) ou são utilizadas para apoiar algum aspecto ou conteúdo da aprendizagem diferente das próprias TIC; e * Inclui, por sua vez, três grandes tipos de uso: 2.2.1) como ferramen-ta curricular – curriculum tool –, em que as TIC são usadas para promover a aprendizagem em uma área curricular determinada (por exemplo, para a aprendizagem da escrita, da construção e interpretação de gráficos, da geometria, da matemática, para fazer exercícios, etc.); 2.2.2) como ferramenta de aprendizagem – mathematical tool–, em que as TIC são usadas como apoio na aquisição e desenvolvimento de procedimentos e estratégias de aprendizagem (por exemplo, para auxiliar os estudantes a refletirem sobre seus próprios processos de aprendizagem, para ajudá-los no planejamento de suas ativi-dades de aprendizagem e para que possam fazer um acompanhamento delas; para ajudá-los a desenvolver habilidades de trabalho colaborativo, etc.); e 2.2.3) ou como ferramenta afetiva – affective tool –, em que as TIC são usadas para proporcionar apoio afetivo e emocional aos estudantes (por exemplo, para reforçar sua autoestima, melhorar sua percepção de autocompetência ou aumentarsua motivação). 2.3) ou, ainda, são utilizadas com outros objetivos não diretamente relacionados com a aprendizagem. 3) o modo, que se refere à posição do uso das TIC em relação ao currículo. * O modo, cuja finalidade é refletir a respeito do impacto das TIC sobre o currículo, contempla três categorias que dependem do efeito do uso dessas tecnologias: 3.1) se elas apenas tornam mais efetivo ou eficiente o ensino dos conteúdos curriculares, mas sem introduzir mudanças nesses conteúdos (modalidade de apoio: support); 3.2) se elas introduzem mudanças mais ou menos importantes, mas que poderiam ter ocorrido mesmo sem, necessariamente, empregar-se as TIC (modalidade de ampliação: extend); ou 3.3) se elas introduzem mudanças que teriam sido impossíveis sem a presença das TIC (modalidade de transformação: transform). - Há também as tipologizações que ignoram ou deixam de lado os usos das TIC considerados compatíveis com propostas e princípios próprios de enfoques pedagógicos ou didáticos alternativos, por não considerá-los interessantes ou mesmo por achá-los inadequados; - Não são apenas, as características das ferramentas, mas a utilização que os usuários fazem delas aproveitando essas características; - Tentamos elaborar um sistema de classificação de usos das TIC que supere as limitações assinaladas; - As categorias de análise assim estabelecidas não excluem a priori nenhum dos usos educacionais que professores e estudantes podem fazer das TIC; - Duas são as ideias fundamentais que estão na base dessa tentativa. A primeira é que, devido às suas características intrínsecas, as TIC podem funcionar como ferramentas psicológicas suscetíveis de mediar os processos inter e intrapsicológicos envolvidos no ensino e na aprendizagem. A segunda ideia é que as TIC cumprem esta função – quando cumprem – mediando as relações entre os três elementos do triângulo interativo – alunos, professor, conteúdos – e contribuindo para a formação do contexto de atividade no qual ocorrem essas relações; - A tipologia de usos resultante,que ainda está em uma fase de contraste e revisão, contempla cinco grandes categorias de usos: 1. As TIC como instrumentos mediadores das relações entre alunos e conteúdos (e tarefas) de aprendizagem (Figura 3.1). Alguns exemplos típicos e relativamente habituais dessa categoria são a utilização das TIC pelos alunos para: - procurar e selecionar conteúdos de aprendizagem; - ter acesso a repositórios de conteúdos com formas mais ou menos complexas de organização; - ter acesso a repositórios de conteúdos que utilizam diferentes formas e sistemas de representação (materiais multimídia e hipermídia, simulações, etc.); - explorar, aprofundar, analisar e avaliar conteúdos de aprendizagem (utilizando bases de dados, ferramentas de visualização, modelos dinâmicos, simulações, etc.); - ter acesso a repositórios de tarefas e atividades com maior ou menor grau de interatividade; e - realizar tarefas e atividades de aprendizagem, determinados aspectos destas ou partes delas (preparar apresentações, redigir relatórios, organizar dados, etc.). 2. As TIC como instrumentos mediadores das relações entre professores e conteúdos (e tarefas) de ensino e aprendizagem (Figura 3.1b). Alguns exemplos típicos e relativamente habituais dessa categoria são a utilização das TIC pelos professores para: – procurar, selecionar e organizar informações relacionadas com os conteúdos de ensino; – ter acesso a repositórios de objetos de aprendizagem; – ter acesso a bases de dados e bancos com propostas de atividades de ensino e aprendizagem; – elaborar e manter registros das atividades de ensino e aprendizagem realizadas, do seu desenvolvimento, da participação que os estudantes tiveram e dos seus produtos ou resultados; e – planejar e preparar atividades de ensino e aprendizagem para seu desenvolvimento posterior nas salas de aula (elaborar calendários, programar a agenda, fazer programações, preparar aulas, preparar apresentações, etc.). 3. As TIC como instrumentos mediadores das relações entre professores e alunos ou dos alunos entre si (Figura 3.1). Alguns exemplos típicos e relativamente habituais dessa categoria são a utilização das TIC para: – realizar trocas comunicacionais entre professores e alunos que não sejam diretamente relacionadas com os conteúdos ou com as tarefas e atividades de ensino e aprendizagem (apresentação pessoal, solicitação de informação pessoal ou geral, saudações, despedidas, expressão de sentimentos e emoções, etc.; – realizar trocas comunicacionais entre os estudantes que não sejam diretamente relacionadas com os conteúdos ou com as tarefas e atividades de ensino e aprendizagem (apresentação pessoal, solicitação de informação pessoal ou geral, saudações, despedidas, expressão de sentimentos e emoções, informações ou valorizações relativas a temas ou assuntos extra escolares, etc.) 4. As TIC como instrumentos mediadores da atividade conjunta desenvolvida por professores e alunos durante a realização das tarefas ou atividades de ensino e aprendizagem (Figura 3.1d). Alguns exemplos típicos e relativamente habituais dessa categoria são a utilização das TIC: – como auxiliares ou amplificadores de determinadas atuações do professor (explicar, ilustrar, relacionar, sintetizar, proporcionar retroalimentação, comunicar valorizações críticas, etc., por meio do uso de apresentações, simulações, visualizações, modelagens, etc.); – como auxiliares ou amplificadores de determinadas atuações dos alunos (dar contribuições, trocar informações e propostas, mostrar os avanços e os resultados das tarefas de aprendizagem, etc.); – para que o professor possa fazer um acompanhamento dos avanços e dificuldades dos alunos; – para que os alunos possam fazer um acompanhamento do seu próprio processo de aprendizagem; – para solicitar ou oferecer retroalimentação, orientação e ajuda relacionada com o desenvolvimento da atividade e seus produtos ou resultados. 5. As TIC como instrumentos configuradores de ambientes ou espaços de trabalho e de aprendizagem (Figura 3.1e). Alguns exemplos típicos e relativamente habituais desta categoria são a utilização das TIC para: – configurar ambientes ou espaços de aprendizagem individual on line (por exemplo, materiais auto suficientes destinados ao aprendizado autônomo e independente); – configurar ambientes ou espaços de trabalho colaborativo on line (por exemplo, as ferramentas e os ambientes CSCL – Computer Supported Collaborative Learning); – configurar ambientes ou espaços de atividade on line que são desenvolvidos em paralelo e aos quais os participantes podem se incorporar, ou dos quais podem sair, de acordo com seu próprio critério. - Ainda há três comentários que podem ajudar a avaliar melhor o alcance e as limitações desta tipologia: 1) Como ocorre com todos os sistemas de classificação de fenômenos complexos e multidimensionais – e as práticas educacionais e os usos das TIC pertencem, sem dúvida, a esse tipo de fenômenos –, as fronteiras entre algumas categorias são mais difusas do que pode parecer à simples vista e resulta às vezes difícil estabelecer com precisão a qual categoria pertence um uso concreto de uma ferramenta TIC; 2) quando isso ocorre, é aconselhável contemplar esse uso no marco mais amplo da atividade de ensino e aprendizagem em que essa ferramenta aparece e do seu desenvolvimento temporal. Lembremos que, na tipologização apresentada, o que define o tipo de uso que se dá às TIC é sua posição na rede de relações que se estabelecem entre os três elementos do triângulo interativo – professor, estudantes e conteúdo; - A dimensão temporal é básica na análise dos usos das TIC, exatamente igual ao que ocorre ao se analisar as práticas educacionais; - As cinco categorias descritas não refletem uma ordem determinada do ponto de vista do seu valor educacional ou da sua capacidade para promover processos de transformação, inovação e qualificação da educação; - Quando os alunos utilizam as TIC como ferramentas da mente, no sentido de Jonassen, em sua aproximaçãoaos conteúdos de aprendizagem); e em todas elas, também, incluídas as duas últimas, podemos encontrar usos que não supõem acrescentar nenhum valor ao ensino e à aprendizagem; - A dimensão de modo de Twining, é possível encontrar usos das TIC que não comportam qualquer novidade para as práticas educacionais em que aparecem, ou que a novidade que introduzem não pode ser atribuída às ferramentas de TIC e que poderia vir a ocorrer mesmo na ausência delas; e, inversamente, nas cinco categorias é possível encontrar usos que introduzem mudanças e transformações nas práticas educacionais que são impossíveis de imaginar na ausência das TIC; - Os estudos de acompanhamento e avaliação da incorporação das TIC na educação formal e escolar; - Indicam justamente que a maioria dos usos identificados e descritos correspondem às duas primeiras categorias da nossa classificação; os estudos em destacar o escasso efeito transformador das práticas educacionais que a incorporação das TIC provocou até agora. Estes fatos reforçam, segundo nos-so entendimento, a hipótese que vincula o potencial transformador das TIC com seu uso enquanto instrumentos mediadores das relações entre os três elementos do triângulo interativo e, mais concretamen-te, como instrumentos mediadores da ati-vidade conjunta que professores e alunos desenvolvem em torno dos conteúdos e tarefas de aprendizagem. Mas já chegou o momento de encer-rar o capítulo com alguns breves comen-tários sobre os objetivos da incorporação das TIC na educação escolar, sobre como promover essa incorporação e sobre seu impacto no currículo. A incorporação das TICs na educação desafios - A avaliação do estado em que está a incorporação das TIC na educação formal e escolar, assim como as previsões sobre o futuro nesta área, varia em função do potencial educacional que é atribuído a essas tecnologias e, consequentemente, dos objetivos perseguidos com sua incorporação; - Todos os indicadores apontam na direção de uma incorporação crescente das TIC no currículo escolar e não há razão para pensar que o ensino e a aprendizagem do manejo e domínio destas tecnologias possa apresentar maiores dificuldades que o ensino e a aprendizagem de outros conteúdos curriculares; - Quando utilizadas, tanto pelos professores quanto pelos alunos, com frequência é para fazer o que já se fazia sem elas: buscar informação para preparar as aulas, escrever trabalhos, fazer apresentações em sala de aula, etc; - Os estudos realizados também mostram que o professorado em geral tende a adaptar o uso das TIC às suas práticas docentes, mais do que o contrário. - a incorporação das TIC às atividades docentes não é necessariamente um fator transformador e inovador das práticas educacionais; - O que se persegue com a sua incorporação na educação escolar é aproveitar o potencial dessas tecnologias para promover novas formas de aprender e ensinar. Não se trata, assim, de utilizar as TIC para fazer a mesma coisa, porém melhor, com maior rapidez e comodidade; - Alfabetização digital, que habitualmente é vista como o aprendizado do uso funcional das TIC, o que leva, como é lógico, a abordá-la por meio da incorporação dos conteúdos de aprendizagem no currículo escolar; - O conceito de alfabetização, contudo, significa algo mais do que o conhecimento e manejo de alguns recursos simbólicos e algumas tecnologias, seja qual for a natureza e características desses recursos e dessas tecnologias. Significa, também, conhecer as práticas socioculturais associadas ao manejo dos recursos simbólicos e das tecnologias em questão, e ser capaz de participar des-sas práticas utilizando estas e aquelas de maneira adequada; - Alfabetização digital significa não apenas a aprendizagem do uso funcional das tecnologias como também o conhecimento das práticas socioculturais associadas ao manejo dessas tecnologias na Sociedade da Informação e, igualmente, a capacidade para participar dessas práticas utilizando as mencionadas tecnologias de maneira adequada. - Muito mais difícil, contudo, será avançar no aproveitamento efetivo das novas possibilidades de ensino e aprendizagem que nos oferecem, potencialmente, as TIC; - Três níveis – projeto tecnológico, projeto técnico-pedagógico e práticas de uso; - O desenvolvimento de ferramentas TIC está sempre à frente quanto às possibilidades teóricas que oferecem para a ação educacional, de sua incorporação efetiva nos projetos instrucionais e, de que esses processos, por sua vez, estão sempre à frente das práticas efetivas desenvolvidas por professores e alunos a partir deles; - Correspondência entre os usos potenciais, os usos previstos no projeto técnico-instrucional e os usos que os participantes efetivamente fazem das ferramentas de TIC costuma ser imprevisível; - Podemos assinalar a conveniência de pôr à disposição do professorado: a) Recursos e apoios que contemplem tanto os aspectos tecnológicos quanto os psico pedagógicos e didáticos; b) De centrar os processos de formação do professorado nos usos efetivos das TIC nas salas de aula mais do que nas suas potencialidades teóricas; c) De dar prioridade aos usos transformadores e inovadores das TIC, ou seja, aqueles que permitem desenvolver atividades de ensino e aprendizagem que não seriam possíveis sem essas tecnologias; d) De dar prioridade aos usos das TIC que aproveitam por igual suas potencialidades como tecnologias de informação e de comunicação; e) De sugerir a incorporação das TIC nas escolas e nas salas de aula não como um fim em si, mas no marco de uma dinâmica transformadora e inovadora que as TIC contribuem para reforçar; e f) Ou, ainda, retomando as considerações precedentes a propósito da alfabetização digital, de vincular a incorporação das TIC a uma revisão do currículo que leve em conta as práticas socioculturais próprias da SI associadas a essas tecnologias e que inclua os objetivos, competências e conteúdos necessários para participar nessas práticas, mesmo que isso obrigue, como não pode ser de outro modo, a renunciar a outros objetivos e conteúdos que talvez já tenham deixado de ser básicos na sociedade atual. Vídeoaula: Inovação e tecnologias emergentes Revisitando conhecimentos Vamos refletir? - Temos inúmeros modelos educacionais sendo utilizados no dia de hoje, como o ensino híbrido. Porém, temos que nos questionar como realmente essas tecnologias têm nos ajudado a avançar. Novos Conceitos com o advento das tecnologias digitais, segundo FILATRO - Isso significa que temos que buscar e inovar técnicas que inovam a nossa prática como docentes, por isso não devemos nos acomodar e devemos sim buscar conhecer como as novas gerações aprendem. Formas de aprendizado das novas gerações - As novas gerações, conhecidos como nativos digitais, aprendem com maior facilidade em grupo, por meio de múltiplas linguagens; - As ondas tecnológicas buscam os nativos digitais, pois são jovens que pensam de maneira mais acelerada e fazem diversas coisas ao mesmo tempo; - Com os adventos das tecnologias digitais essa geração de nativos cria uma aversão ao modelo mais tradicional de escola e enquanto isso ao invés de a escola se modificar ela fica apenas presas à questões burocráticas. O que ainda estamos buscando? - Democratização do acesso para todos com qualidade; - Precisamos de um engajamento maior dos alunos para que se interesse mais pela escola e pelos conteúdos escolares a pergunta que fica é como podemos solucionar esta questão; - Superação das barreiras arcaicas e burocráticas da escola facilitaria a solução da questão anterior e consequentemente teríamos um aprendizado maior dos nativos digitais; - Criar uma dinâmica de aprendizagem diferenciada e a superação daquela visão passiva de aluno. Rolo compressor das inovações… - A escola possui um papel fundamental de formação, de conscientização dos usos conscientes das tecnologias. Evolução das tecnologias - Primeiro temos um boom das tecnologias, posteriormente uma expectativa avassaladora sobre elas e como as mesmas podem salvar a educação, depois caímos no valeda desilusão aonde percebemos que sem o auxílio do professor não conseguiremos alcançar as metas desejadas, a frente temos uma inclinação do encantamento e finalizamos com o platô da produtividade. Por exemplo, a lousa digital, quando não bem utilizada se torna apenas um painel para projeção. Aspectos da produção de materiais pedagógicos digitais - Aqui há uma relação muito forte de professores e alunos, com isso há elementos do materiais digitais que precisam ser pensados, consequentemente a sua roteirização também. Princípios da Gameficação - Utilizar os pressupostos dos videogames e aplicar alguns de seus princípios; - Temos como exemplo o Karut. Segundo Vasconcellos (2016), a gamificação parte de alguns princípios: - Quando estamos jogando, estamos aprendendo também, porém participamos de uma forma muito mais ativa deste aprendizado e por isso utilizamos a gameficação. Para Espíndola (2016), por meio da gamificação é possível: - Produzir objetos e materiais gamificados auxilia muito mais o aprendizado do aluno. Na prática… Semana 7 (04/09): Planejamento e produção de materiais pedagógicos digitais Texto-base: capítulo “Especificação em design instrucional”, do livro Design Instrucional na Prática (Ler: capítulo 6. https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314814_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314814_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314814_1 Páginas 57-70 da versão em pdf) | Andrea Filatro. - O designer instrucional utiliza documentos como roteiros e storyboards para descrever detalhadamente a estrutura e o fluxo da informação, os conteúdos e a interface do produto final. Processo de criação no aprendizado eletrônico - Criar um curso para aprendizado eletrônico não é como dar uma aula, proferir uma palestra ou ministrar um curso presencial; - O aprendizado eletrônico tem características midiáticas e, por isso mesmo, deve ser pensado com a lógica de produção de mídias; - Há várias semelhanças entre a criação de soluções para o aprendizado eletrônico e a produção de uma (multi)mídia, como um filme, um vídeo, um desenho animado. Para começar, em ambos os casos, a produção é realizada por uma equipe e envolve elementos midiáticos integrados. Além disso, erros de concepção e produção são caros e a criatividade é um fator-chave; - Diferenças importantes. Primeiro, a produção multimídia comercial é linear, enquanto, na maioria dos casos, o aprendizado eletrônico propõe percursos diferenciados conforme as respostas dos alunos; - O aprendizado eletrônico apóia-se na lógica da comunicação bi ou multidirecional, ao exigir a interação entre o aluno e o conteúdo e/ou proporcionar interação entre as pessoas. - No aprendizado eletrônico, os objetivos estão claramente atrelados ao desenvolvimento de habilidades e à aquisição/construção de conhecimentos por pessoas; o foco vai além do produto e está principalmente fora dele. Especificação no aprendizado eletrônico - É na especificação que se tomam as microdecisões pedagógicas, técnicas, funcionais e estéticas que definirão o padrão de qualidade do produto final e dos materiais ali contidos; - No aprendizado eletrônico, a especificação é feita em três níveis distintos: 1. Especificação da estrutura e do fluxo da informação: descreve como a informação é estruturada e sequencial (é o que veremos logo a seguir); 2. Especificação dos conteúdos: registra a informação considerada pertinente sobre o tema tratado e sua apresentação passo a passo; e 3. Especificação da interface: define os aspectos gráfico-funcionais do produto e dos elementos de mídia que o integram). - Especificação do produto final se dá com base nas macro decisões tomadas no projeto pedagógico institucional, no plano de mídias e no plano do projeto; - Deve contemplar todas as necessidades de aprendizagem identificadas na fase de análise das necessidades. Documentos de especificação em design instrucional - Especificar é descrever de modo rigoroso e minucioso cada uma das características de um material, obra ou serviço; - Roteiro escrito (script) ou um storyboard (SB) são os meios tradicionais de especificar o conteúdo exato a ser produzido; - Podemos usar roteiros ou SBs para especificar detalhadamente os conteúdos de um curso (na forma de textos, imagens, sons), as orientações de atividades propostas, os diálogos das personagens (se houver) e as falas em off (aquelas em que a pessoa que narra não aparece no vídeo ou na animação), determinando a seqüência em que eles serão exibidos no produto final. a) Uso de roteiros para especificação do aprendizado eletrônico - Pode-se produzir um documento textual que informe os conteúdos a serem apresentados (textos, imagens, atividades), a seqüência de apresentação e as indicações técnicas destinadas à equipe de produção; - Mostra um exemplo de roteiro para especificação de um módulo de curso usando um formato texto produzido em processador Word: https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314814_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314814_1 - Apresenta o material didático resultante, desenvolvido no formato Flash: - Os roteiros textuais podem ser usados quando a identidade visual de um curso não é tão importante, ou já está tão sedimentada que é necessário especificá-la a cada novo módulo; - Os roteiros também funcionam bem quando o cliente de determinada solução educacional não requer a pré-aprovação dos materiais tela a tela antes do seu desenvolvimento. b) Uso de storyboards para especificação do aprendizado eletrônico - A descrição textual pode ser insuficiente para representar a síntese dos vários elementos que precisam ser visualizados; - O storyboard (SB) funciona como uma série de esquetes (cenas) e anotações que mostram visualmente como a seqüência de ações deve se desenrolar; - A Figura reproduz a especificação de alterações na interface de um curso decorrente da ação do usuário: - Os SBs podem ser extremamente elaborados e descrever com detalhes a seqüência de telas, representando cada cena e cada ação em uma linha do tempo acompanhada do texto do áudio/locução correspondente (se houver) e oferecendo todo o tipo de informações técnicas complementares, como efeitos visuais, efeitos sonoros e animações. Eles podem também ser bem menos complexos, ao estilo ‘guardanapo de bar’; - Quando o produto final tem um grau de complexidade extremamente elevado, o SB evolui para um protótipo. O protótipo é a versão mais próxima do produto final e envolve a materialização de todas as especificações do projeto, servindo para testes e avaliações da qualidade e da operacionalidade do produto. c) Construindo storyboards tela a tela - O SB é o esboço detalhado de um projeto multimídia que tem como objetivo indicar para a equipe de design e de desenvolvimento os recursos e as funcionalidades do produto final; - O requisito mínimo é que ele atenda às necessidades básicas da equipe de produção — programadores, produtores de mídia, gestores; - Os modelos de SB são muito variados, na medida em que combinam diferentes mídias e se ajustam às características de cada contexto; - Elementos fundamentais do storyboard: - A figura abaixo apresenta vários elementos, citados no quadro acima, organizados em um exemplo de template de SB: - Os formatos de storyboard variam de instituição para instituição, de equipe para equipe e até mesmo de curso para curso; - A figura abaixo reproduz fragmentos de um SB desenvolvido em formato de apresentação de tela a tela que especifica (a) abertura, (b) orientações ao aluno, (c) apresentação de conteúdos e (d) registro e envio de atividades abertas, baseado no modelo de DI aberto. Elementos fundamentais apresentado em uma sequência de storyboard: - Projetos de médio ou grande porte, em que há muitas pessoas envolvidas,torna-se obrigatório trabalhar com algum tipo de documentação eletrônica, na forma de templates de Word, PowerPoint ou equivalentes; - O grau de sofisticação e detalhamento da documentação dependerá das necessidades de cada contexto e está diretamente relacionado ao número de envolvidos nas validações do produto e à quantidade de revisões e de novas versões demandadas ao longo do processo. Estrutura e fluxo da informação no aprendizado - O design do curso para o aprendizado eletrônico, tela a tela, é antecipado pelo design estrutural (fluxograma), que determina o fluxo da informação, os tipos de links entre as diferentes telas de informação e os meios de navegação e consulta fornecidos ao aluno; - Design estrutural pode seguir quatro estruturas, a saber: a estrutura linear ou seqüencial, a estrutura hierárquica, a estrutura em mapa ou rede e a estrutura rizomática; a) Estrutura linear ou sequencial: - Mais simples de todas e permite apresentar um assunto de maneira perfeitamente estruturada; - Força o estudante a cumprir uma sequência predefinida. A aprendizagem é dirigida e o aluno, em princípio, não se desorienta. b) Estrutura hierárquica - Estrutura em árvore ou em leque, consiste em uma abordagem do geral para o particular e reflete a estrutura de conhecimento de um especialista na área; - Simples, evitando a desorientação. c) Estrutura em mapa ou rede - Todas as telas são conectadas uma às outras e essas conexões não estão restritas a nenhuma regra, de forma que o aluno pode escolher o caminho que desejar; - O risco de o aluno se sentir perdido aumenta em virtude dos múltiplos links possíveis. d) Estrutura rizomática - Descreve uma proposta de interação e aparece em programas nos quais há formulários, espaços para inserção de mensagens e comentários ou outros mecanismos para incorporar novas informações ao material preexistente; - Todos os pontos podem ser conectados entre si e a proposta original ‘cresce’ com a contribuição dos participantes. Estrutura da informação e natureza do design instrucional - Um design instrucional mais aberto aponta para uma estrutura em mapa ou rizomática, enquanto um design instrucional fixo se traduz em uma estrutura mais linear ou hierárquica; - É mais adequado disponibilizar percursos predefinidos e mais estruturados quando: a) o objetivo é a aquisição de conhecimentos; b) o aluno não possui conhecimentos prévios ou estes são muito precários; c) há uma tarefa específica a ser cumprida. - É indicado oferecer maior liberdade de navegação por meio de múltiplos links quando: a) o objetivo é a exploração, a sensibilização em determinado assunto, o desenvolvimento de estratégias cognitivas e a resolução de problemas; b) não há uma ordem específica para a aprendizagem; c) o aluno possui familiaridade com o assunto ou capacidades intelectuais bem desenvolvidas; d) a motivação do aluno é elevada. - Um produto de aprendizado eletrônico também pode ser projetado de forma híbrida, apresentando inicialmente sequências lineares que depois se abrem em um leque de atividades orientadas e, então, oferecem nós de crescimento rizomático, quando os alunos podem acrescentar informações livremente. a) Quem é responsável pela especificação do aprendizado eletrônico? - Em projetos de grande porte, o designer instrucional trabalha em conjunto com especialistas em mídia da própria equipe ou externos, que muitas vezes são responsáveis não apenas pelo desenvolvimento (produção), mas também pelos documentos de especificação para determinadas mídias; - O designer instrucional sempre acompanha e avalia os documentos produzidos para o seu projeto, alinhando-os aos objetivos de aprendizagem e à metodologia de ensino adotada; - Não é competência do designer instrucional produzir mídias. O que ele precisa é saber encomendar essa produção de forma clara e fundamentada. Vídeoaula: Planejamento e produção de materiais pedagógicos digitais Vamos conhecer alguns exemplos? 1) Jogando com a história: construindo olhares sobre o tempo - O produto tem como objetivo aproveitar os conhecimentos dos alunos no minecraft para o uso em sala de aula pelos professores; - Somente a sequência didática ainda preservava a utilização da forma tradicional pelo professor que era o de expor o conteúdo para o aluno e por isso pensou-se em uma outra forma de exposição, para isso criou-se um site: - O professor que fez o trabalho formulou seu produto através de um site gratuito (o WIX); - O próprio sítio ajuda no design e o professor preocupa-se apenas com o seu trabalho e na formulação de sua base teórica e prática; - Com isso o professor consegue planejar sua sequência didática com uma maior riqueza de detalhes, além de tornar algo mais dinâmico para o aluno e desafiador. 2) Sala de aula invertida - Produziu-se um infográfico interativo com a ajuda do LADEP; - Essa produção ocorreu através de coletas de dados e também bibliografias e as impressões dos alunos e as reflexões da pesquisadora; - Este infográfico foi construído através da acolhida das necessidades, colhida de imagens para representação e esboço do infográfico, além dos textos que iriam no produto: - Este infográfico (tela inicial acima) foi construído com o objetivo de auxiliar na formação de professores para o uso desta tecnologia. Semana 7 (04/09): Planejamento e produção de materiais pedagógicos digitais Texto-base: capítulo “Especificação em design instrucional”, do livro Design Instrucional na Prática (Ler: capítulo 6. Páginas 57-70 da versão em pdf) | Andrea Filatro. - Vídeoaula: Planejamento e produção de materiais pedagógicos digitais https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314814_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314814_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314814_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314814_1 https://ava.univesp.br/webapps/blackboard/execute/blti/launchLink?course_id=_10682_1&content_id=_1314814_1