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Leitura, interpretação e análise de textos 
científicos
Apresentação
Todo texto tem um propósito central, que é a transmissão de uma mensagem. Tal transmissão 
corresponde a uma interação entre dois personagens centrais, o autor e o leitor. Contudo, existem 
diversos tipos de texto, cada um com características e propriedades particulares, as quais os 
distinguem e, naturalmente, conduzem a outras diferenças, que dizem respeito a questões como 
leitura e interpretação dos textos. Um desses tipos é o texto científico.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará as características e as propriedades dos textos 
científicos. Além disso, verá os impactos dessas particularidades sobre a leitura e a interpretação de 
textos científicos. Por fim, conhecerá os elementos principais desses textos, além de ver como 
realizar uma leitura adequada.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar as características e as propriedades de textos científicos.•
Reconhecer os principais elementos para interpretar textos científicos.•
Desenvolver leituras em textos científicos.•
Infográfico
Um texto corresponde a um conjunto articulado de frases, o qual tem a intenção de transmitir uma 
mensagem. Envolve autor e leitor, cujos objetivos e conhecimentos têm propósito interacional, 
buscando construir um texto que forme um sentido. Assim, autor e leitor estão conectados, cada 
um desempenhando seu papel, para que o texto possa ser produzido, recebido, lido e interpretado. 
Para que todo esse mecanismo funcione, é necessário que, além do conjunto de elementos e 
propriedades, o texto tenha textualidade, permitindo que ele seja mais que um simples aglomerado 
de frases.
Neste Infográfico, você vai conhecer os fatores formadores da textualidade em um texto científico 
e no que consiste cada um deles.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/34663cb4-7987-45b6-bb1d-39b30ff12cef/5892a023-bd45-45a5-86fc-ac2e72c26d6f.gif
Conteúdo do livro
Todo tipo de texto é produzido para ser lido, para que uma mensagem seja produzida e recebida, 
mas para que essa intenção mais elementar seja atendida, não basta que o autor tenha se disposto 
a escrever e o leitor tenha destinado tempo para a leitura. A mensagem enviada precisa ser de fato 
recebida, da forma como foi pretendida. Nesse contexto, além da produção do texto, existem 
outros dois fatores fundamentais: leitura e interpretação.
Em se tratando de um texto científico, é preciso considerar que este tem características particulares 
que o distingue dos demais, e que logicamente sua leitura e interpretação também demandam 
cuidados especiais.
No capítulo Leitura, interpretação e análise de textos científicos, da obra Metodologia científica, 
base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar as características e as propriedades 
dos textos científicos. Além disso, vai verificar os impactos dessas particularidades sobre a leitura e 
a interpretação de textos científicos. Por fim, vai conhecer os elementos principais desses textos e 
ver como realizar uma leitura adequada.
Boa leitura.
METODOLOGIA 
CIENTÍFICA
Gisele Lozada 
Leitura, interpretação e 
análise de textos científicos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar as características e propriedades de textos científicos.
  Reconhecer os principais elementos para interpretar textos científicos.
  Desenvolver leitura de textos científicos.
Introdução
Todo texto possui um propósito central, que é a transmissão de uma 
mensagem. Tal transmissão corresponde a uma interação entre dois 
personagens centrais, o autor e o leitor. Contudo, existem diversos tipos 
de texto, cada um com características e propriedades particulares. Um 
desses tipos é o texto científico.
Neste capítulo, você vai estudar as características e propriedades dos 
textos científicos. Além disso, vai verificar os impactos dessas particulari-
dades sobre a leitura e a interpretação de textos científicos. Por fim, você 
vai conhecer os elementos principais desses textos e ver como realizar 
uma leitura adequada.
Características e propriedades 
de textos científicos
Um texto científi co é uma produção textual que possui características únicas 
que a distinguem das demais. Uma dessas características é o fato de a produção 
ser específi ca e ter como objetivo aprofundar algum tema, abordando conceitos 
e teorias com base no conhecimento científi co e utilizando linguagem científi ca 
(que é naturalmente mais complexa). Além disso, o texto científi co é produzido 
por um pesquisador. Diferentemente de um escritor, um pesquisador não busca 
ser remunerado por sua produção. Ele deseja descobrir novos conhecimentos, 
almejando que suas descobertas sejam reconhecidas, estudadas e citadas por 
outros pesquisadores.
Um texto científico sobre o aquecimento global aborda esse fenômeno de uma forma 
científica, apresentando dados e conceitos bem definidos, podendo revelar dados 
concretos de pesquisas científicas. Tal texto serve como base para se chegar a alguma 
conclusão sobre o tema em questão.
Outra característica relevante é que o texto científico possui compromisso 
com a veracidade dos fatos que relata. Ele também possui uma linguagem 
neutra, sóbria, sem vieses ou direcionamentos que não estejam solidamente 
respaldados na argumentação ou que não decorram logicamente dos fatos 
observados. Assim, a produção de um texto científico requer alguns cuidados. 
Há, por exemplo, a necessidade de se realizar uma pesquisa consequente, com 
seriedade e dedicação, e a recomendação de que o texto científico seja escrito 
em linguagem científica. Assim, ele é capaz de oferecer um avanço, solida-
mente construído, no conhecimento à disposição da humanidade (KOLLER; 
COUTO; HOHENDORFF, 2014).
Existem diversos tipos de textos científicos. Por isso, a escrita científica 
pode ser lida em diferentes formatos, como resumos, capítulos de livros, livros, 
projetos e painéis, ou ainda resumos expandidos, folhetos, relatórios, cartilhas, 
boletins técnicos, circulares técnicas e tantos outros. Contudo, entre todos 
esses formatos, um se destaca: o artigo científico. Isso pode ser justificado 
pelo fato de que o artigo científico (completo) garante uma maior pontuação 
em concursos e é importante para a ascensão profissional em ambientes como 
universidades e institutos de pesquisa, o que o torna uma peça fundamental 
no currículo de todo cientista (AQUINO, 2010).
Artigos científicos podem ser definidos como “[...] pequenos estudos, porém 
completos, que tratam de uma questão verdadeiramente científica, mas que não 
se constituem em matéria de um livro [...]” (MARCONI; LAKATOS, 2017a, 
p. 286). Você também deve notar que um artigo científico pode fazer apenas 
dois tipos de afirmativas: as que se sustentam na pesquisa desenvolvida pelos 
autores e as que são embasadas por referências a fontes com validade científica, 
Leitura, interpretação e análise de textos científicos2
devidamente fundamentadas. Isso leva a dois importantes aspectos no contexto da 
pesquisa: a qualidade e a pertinência de suas referências. A qualidade diz respeito 
à validade científica de uma referência, que está diretamente relacionada à sua 
capacidade de atender aos critérios de confiabilidade, atualidade, acessibilidade 
e perenidade. Já a pertinência de uma referência está relacionada à recomen-
dação de que o autor do texto faça uso adequado das referências, sem incorrer 
em excessos ou faltas, buscando (KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014):
  invocar uma parte substancial das ideias, propostas e argumentos do 
trabalho de outros pesquisadores para incorporá-las em seu próprio 
trabalho ou para refutá-las circunstancialmente;
  espelhar diretamente o pensamento dos pesquisadores referenciados, 
citando sempre as pesquisasoriginais;
  problematizar, reescrever, parafrasear, endossar ou refutar, ou seja, 
discutir com o trabalho referenciado.
Um texto científico tem como foco principal o próprio conhecimento. Por 
esse motivo, ele deve apresentar uma série de elementos, como você pode ver 
a seguir (KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014).
  Inovações científicas: modelos novos que permitem controlar processos 
ainda não dominados, ou que sejam superiores em qualidade aos já 
conhecidos para um processo específico.
  Inovações tecnológicas: emprego inédito e bem-sucedido para um 
modelo existente (como descobrir que um medicamento desenvolvido 
para dada patologia é também eficaz para outra).
  Aperfeiçoamentos científicos e tecnológicos: melhoria da qualidade 
com que as condições finais do modelo representam a situação final 
do universo, ou criação de modelo tecnologicamente mais eficaz para 
a solução de determinado problema.
Além de possuir características e propriedades específicas, os textos cien-
tíficos naturalmente demandam alguns cuidados e o atendimento a recomen-
dações. Só assim a sua leitura pode ser feita adequadamente, o que permite 
que a mensagem do autor chegue ao leitor da forma pretendida. A seguir, você 
vai aprender mais a respeito disso.
3Leitura, interpretação e análise de textos científicos
Um texto científico possui linguagem científica, que é neutra e sóbria. Além disso, ele 
tem compromisso com a veracidade do que relata, o que exige sólido respaldo na 
argumentação e/ou nos fatos observados.
Interpretação de textos científicos
Um texto pode ser defi nido como um conjunto articulado de frases que possui 
a intenção de transmitir uma mensagem por meio da conexão entre seus 
elementos constituintes. Além disso, um texto implica sujeitos — o autor e o 
leitor — que buscam construir um sentido, envolvendo objetivos e conheci-
mentos com propósito interacional. Assim, você deve ter em mente que existem 
propósitos partindo de ambos os sujeitos. Tais propósitos são complementares 
e conectam o autor e o leitor, cada um em seu papel.
A partir da intencionalidade do autor na escrita, é estabelecido um processo 
que, embora inclua o conjunto de propriedades do texto, possui como centro 
focal a textualidade. Isso permite ao texto ser mais do que um simples aglome-
rado de frases (MARCONI; LAKATOS, 2017a). Assim, alguns aspectos são 
fundamentais ao texto, correspondendo aos seus elementos de textualidade. 
São eles: coesão, coerência, aceitabilidade, informatividade, situacionalidade 
e intertextualidade.
A seguir, você pode ver os principais elementos dos textos científicos. Esses 
elementos são fundamentais para a interpretação de tais textos.
  Intencionalidade: é o empenho do autor em construir um texto coe-
rente, coeso e que atinja o objetivo que ele tem em mente, permitindo 
a transmissão do que pretende comunicar.
  Coerência: é a capacidade do texto de fazer sentido para que seja 
adequadamente interpretado. Isso envolve tanto o autor como o leitor: 
a mensagem pretendida pelo autor é recebida pelo leitor, que, por sua 
vez, utiliza seus conhecimentos para atribuir sentido ao texto.
  Coesão: engloba os recursos da língua utilizados para a construção do texto. 
Tais recursos são os mecanismos gramaticais e lexicais (como concordância, 
tempos e modos verbais, conjunções, artigos e outros). Eles precisam ser 
utilizados de forma correta para expressar tanto relações dentro de uma 
frase quanto relações entre frases e sequências de frases dentro do texto.
Leitura, interpretação e análise de textos científicos4
  Aceitabilidade: é a expectativa do leitor de que o texto tenha coerência 
e coesão, além de ser útil e relevante. Se o texto possuir tais aspectos, 
será melhor aceito pelo leitor, que terá mais interesse na leitura.
  Informatividade: corresponde à capacidade do texto de ter o que 
dizer e de fazer sentido, permitindo que o autor entregue informação 
ao leitor. Ou seja, consiste no grau de expectativa e de conhecimentos 
oferecido por meio do texto, o que inclui novidade e imprevisibilidade. 
Quanto mais informatividade tiver o texto, maior será a aceitação dele 
por parte do leitor.
  Situacionalidade: consiste na capacidade de o texto ser pertinente e 
relevante no contexto em que autor e leitor estão inseridos, permitindo 
adequação à situação sociocomunicativa.
  Intertextualidade: ocorre quando um texto é construído por meio de 
elementos contidos em outros textos. Você deve considerar que um texto 
sempre remete a outros textos. Assim, ele carrega vestígios de textos 
preexistentes, o que pode ser evidenciado por aspectos como citações 
e comentários, entre outros recursos de mesmo propósito.
Nesse contexto, a leitura é o ato de trazer experiência para o texto lido. 
Por meio dela, as palavras adquirem um significado que vai além do que está 
escrito e passam a integrar a experiência do leitor. Isso faz com que a leitura 
extrapole o conhecimento linguístico, envolvendo também aspectos como 
inferência, percepção e conhecimento de mundo. A ideia é que o leitor possa 
não somente ler, mas também analisar e interpretar o que lê.
Aqui, você deve considerar o que Marconi e Lakatos (2017a) alertam: análise 
e interpretação de textos são coisas diferentes, mas que se complementam. A 
análise foca nas partes que compõem o texto. Por sua vez, a interpretação busca 
a mensagem pretendida pelo autor. Então, ao realizar a leitura de um texto 
científico, você deve se preocupar tanto em analisá-lo quanto em interpretá-lo, 
compreendendo em que consistem essas atividades e como são realizadas.
Para interpretar adequadamente um texto, você precisa primeiro realizar 
uma análise do material. Tal análise é realizada em três partes, cada uma fo-
cando em um aspecto do texto, que são os elementos, as relações e a estrutura, 
conforme detalhado a seguir (MARCONI; LAKATOS, 2017a).
  Análise dos elementos: consiste no levantamento dos elementos básicos 
que compõem um texto, visando à sua compreensão. Tais elementos 
podem aparecer de modo explícito, sendo facilmente identificáveis, 
ou de modo implícito, exigindo mais esforço. Tal esforço pode incluir, 
5Leitura, interpretação e análise de textos científicos
por exemplo, uma leitura continuada, uma análise mais profunda, uma 
reflexão e até mesmo pesquisas em outras fontes para melhor entender 
a mensagem do autor.
  Análise das relações: visa a encontrar as principais relações e estabelecer 
conexões entre os diferentes elementos constitutivos do texto. Uma análise 
mais completa exige não só a evidência das partes principais do texto, 
mas também a indicação de quais delas se relacionam com o tema ou a 
hipótese central. Assim, é possível verificar se há ou não coerência entre os 
elementos, entre as diferentes partes do texto e entre elas e a ideia central.
  Análise da estrutura: busca verificar as partes de um todo, eviden-
ciando as relações existentes entre elas. É um tipo de análise mais 
complexa do que as anteriores.
Marconi e Lakatos (2017a) ainda comentam que a análise de um texto con-
siste no processo de conhecimento de determinada realidade, o que demanda 
a decomposição de um todo em partes, permitindo o exame sistemático dos 
elementos. Isso possibilita efetuar um estudo mais completo e encontrar o 
elemento-chave do autor. Além disso, permite determinar as relações existentes 
entre as partes e compreender a maneira como estão organizadas, bem como 
estruturar as ideias de modo hierárquico.
Ou seja, é a análise que permite observar os componentes de um conjunto, 
perceber suas possíveis relações e então passar de uma ideia-chave para um 
conjunto de ideias mais específicas, depois à generalização e, por fim, à crítica. 
Você pode considerar que a análise é composta por três fases. Veja a seguir.
  Decomposição: análise dos elementos essenciais e sua classificação, 
verificando componentes de um conjunto e suas possíveis relações, 
permitindo passar de uma ideia-chave geral paraum conjunto de ideias 
mais precisas.
  Generalização: permite formular afirmações aplicáveis ao conjunto. 
Para isso, parte de traços comuns dos elementos constitutivos e utiliza 
associação, semelhança e analogia. Também evidencia novas questões, 
partindo do caráter geral e fragmentando-o em partes mais simples e 
concretas, que se transformam em novos aspectos gerais (que podem 
novamente ser fragmentados).
  Análise crítica: utiliza instrumental e processos sistemáticos e con-
troláveis. Demanda objetividade, explicação e justificativa para que se 
possa chegar à validade do trabalho.
Leitura, interpretação e análise de textos científicos6
Agora que você conhece as características de um texto científico, bem como 
os principais elementos necessários para a sua interpretação, pode avançar para 
a próxima etapa. Nela, você vai aprender sobre a leitura de textos científicos. 
A ideia é que você realize tal leitura da forma mais apropriada.
Leitura de textos científicos
Ler signifi ca conhecer, interpretar, decifrar. É por meio da leitura que a maior 
parte dos conhecimentos é obtida, possibilitando a ampliação e o aprofundamento 
do saber em determinado campo cultural ou científi co. Isso faz da leitura um dos 
fatores mais decisivos para o estudo. Ela é imprescindível em todos os tipos de 
investigação científi ca, permitindo a obtenção de informações básicas e específi cas.
Por meio da leitura, é possível obter informações de forma otimizada (sem 
a necessidade de um trabalho de campo ou experimental) e ainda aumentar o 
vocabulário, o que retroalimenta o saber, pois permite compreender melhor 
o conteúdo de outras obras e ampliar cada vez mais o conhecimento (MAR-
CONI; LAKATOS, 2017a). Desse modo, a leitura é o alicerce de todas as 
modalidades de produção científica, o que faz da leitura de textos científicos 
algo tão relevante. Afinal, a ciência disponível nesse tipo de material é de 
extrema valia, promovendo conhecimento e inovação, que, por sua vez, trazem 
inúmeros benefícios à humanidade (AQUINO, 2010).
A leitura varia de acordo com o leitor, que realiza a leitura com finalidades 
e propósitos particulares, além de possuir velocidade de leitura própria. O 
importante é que a leitura seja realizada de maneira que proporcione ao leitor a 
capacidade de entender, avaliar, discutir e aplicar o que lê (MARCONI; LAKA-
TOS, 2017a). Além disso, como existem diferentes tipos de textos, a leitura 
precisa ser conduzida de maneiras distintas de acordo com o tipo de material lido 
(AQUINO, 2010). Isso, logicamente, acontece em relação aos textos científicos: 
assim como a sua escrita demanda cuidados, a sua leitura igualmente os requer.
Como textos científicos são específicos, tendo como objetivo aprofundar 
algum tema, eles requerem muita atenção na leitura, pois apresentam linguagem 
complexa relativa a conceitos e teorias. Além disso, materiais como textos cien-
tíficos correspondem ao resultado de trabalhos de pesquisa que muitas vezes 
duram anos, ainda que a sua leitura seja realizada em minutos ou horas. Tal 
leitura muitas vezes é feita por outros pesquisadores, que buscam naquele texto 
resultante de uma pesquisa a base para a elaboração do seu próprio trabalho. 
7Leitura, interpretação e análise de textos científicos
Ou seja, ainda que um texto seja o resultado ou o fim de um trabalho, pode ao 
mesmo tempo ser o início de outro. Isso possibilita um processo contínuo, por 
meio do qual são estabelecidas novas visões, pesquisas, conhecimentos, etc.
Antes de aprender a escrever textos científicos, você precisa aprender a lê-los de forma 
adequada. Como você pode imaginar, isso é fundamental para o trabalho de pesquisa 
que precede a elaboração de um texto.
Quem pode ler textos científicos?
Muitas pessoas pensam que a leitura de textos científi cos é realizada apenas por 
pesquisadores e cientistas. Essa é, inclusive, a compreensão de alguns autores e 
pensadores da ciência ao considerar que “[...] o texto científi co, em seu conceito 
mais estrito, é escrito por e para pesquisadores de uma área ou subárea, e [que] 
compreendê-lo exige muito esforço por parte de alguém que não trabalhe no 
tema específi co [...]” (KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014, p. 27).
Contudo, hoje, a leitura dos textos científicos não está limitada a esses 
agentes da ciência: qualquer pessoa pode ler esse tipo de material. Mesmo 
aqueles que não estão diretamente envolvidos no meio acadêmico ou de pes-
quisa podem (e devem) ler textos científicos. Afinal, os textos científicos 
abordam tantos temas e enfoques, tratando inclusive de assuntos cotidianos, 
que podem ser facilmente compreendidos por todos. Esta, inclusive, é uma 
preocupação que tem sido cada vez mais considerada na produção de textos 
científicos: o desenvolvimento de pesquisas mais populares, que reúnam 
informações importantes para a sociedade.
A ideia é despertar maior interesse das pessoas por esse tipo de leitura, 
tornando os textos científicos cada vez mais acessados, lidos e compreendidos. 
Isso, de certa forma, promove um ciclo virtuoso de geração de conhecimento, 
que qualifica as pessoas, a sociedade e o mundo, tornando-o um lugar cada vez 
melhor. Essa evolução do interesse e do acesso aos textos científicos pode ser 
percebida também historicamente: tempos atrás, a pesquisa era uma atividade 
exclusiva de doutores, depois passou a ser desenvolvida pelos mestres, segui-
dos por especialistas e graduados. Atualmente, a pesquisa é uma realidade 
já cotidiana até mesmo para estudantes do ensino médio (AQUINO, 2010).
Leitura, interpretação e análise de textos científicos8
Por que ler textos científicos?
A constatação que você acabou de ver já é em si uma boa justifi cativa para 
tal questionamento. Afi nal, o texto científi co é um material muito útil a quem 
deseja fazer pesquisa. Um pesquisador ou cientista certamente vai ler muitos 
textos, como monografi as ou outro tipo de texto científi co, até produzir o seu 
próprio trabalho. Além disso, a própria leitura de textos científi cos demanda 
algum conhecimento teórico sobre o que é abordado no texto a ser lido. Isso 
requer leituras prévias sobre o assunto, ou seja, leituras de textos em que o 
pesquisador busca informações sobre o tema em questão. Isso faz da pesquisa 
uma empreitada para a construção do conhecimento. Nessa jornada, a pro-
dução do texto científi co é uma das últimas etapas. Além disso, nela o desejo 
de pesquisar e escrever pode ser considerado o motivo da leitura de textos 
científi cos (KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014).
Além dessa motivação, existem ainda outros aspectos que podem ser des-
tacados como razões da leitura de textos científicos. De acordo com Aquino 
(2010), a leitura de textos científicos:
  apresenta os acontecimentos do mundo científico no momento em que 
o texto foi elaborado;
  permite acesso a referências e dados apresentados para uso do leitor;
  permite que a pesquisa publicada por meio do texto científico seja replicada, 
ou seja, você pode repetir o que está descrito no texto em outro contexto;
  propicia que resultados e discussões sirvam de fundamento para o leitor 
tirar suas próprias conclusões;
  permite ao leitor uma considerável economia de tempo, visto que alguns 
trabalhos levam anos para serem concluídos e publicados e que o leitor, 
em poucos minutos, pode ter acesso a toda informação gerada;
  oferece ao leitor um ganho de vocabulário específico de sua área de 
conhecimento;
  traz mais segurança para o convívio do leitor no mundo da ciência.
Bell (2008) menciona possíveis problemas que um leitor pode encontrar 
ao ler um texto científico. Um desses problemas é a terminologia especí-
fica. Às vezes, os pesquisadores utilizam termos e/ou jargões que podem ser 
provenientes do trabalho de campo, em que é desenvolvida uma linguagem 
especializada para facilitar a comunicação entre os profissionais. Contudo, 
tal linguagem pode não ser facilmente compreendida por outras pessoas. Para 
driblar essadificuldade, o leitor deve buscar outros materiais que lhe permitam 
9Leitura, interpretação e análise de textos científicos
compreender aquilo que porventura não tenha entendido na leitura anterior. 
Isso acaba aumentando o seu conhecimento a respeito da bibliografia — ou 
seja, um problema se transforma em uma oportunidade.
Onde encontrar textos científicos?
De nada adianta você estar motivado para ler um texto sobre determinado 
assunto se não consegue encontrá-lo. Então, é preciso que você também esteja 
preparado para buscar textos científi cos. Hoje em dia, a informação está dis-
ponível nos mais variados meios. Porém, quando se fala em textos científi cos, 
é preciso ter cuidado com a busca: tais textos são relativamente fáceis de 
serem encontrados, desde que você saiba onde procurar. A seguir, veja alguns 
exemplos de espaços e plataformas que disponibilizam textos científi cos 
(AQUINO, 2010; KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014).
  Biblioteca: é um dos melhores locais nas instituições de ensino ou de 
pesquisa para se iniciar a busca por textos para leitura. Os profissionais 
que trabalham nas bibliotecas podem ser boas fontes de indicação.
  Internet: o acesso a textos científicos pela internet é quase ilimitado, 
visto que as possibilidades de encontrar textos completos são imensas.
  Portal de periódicos da CAPES: a Coordenação de Aperfeiçoamento 
de Pessoal de Nível Superior (CAPES) possui um portal de informação 
científica muito interessante.
  Outras revistas eletrônicas: existem várias revistas eletrônicas dis-
poníveis na internet, como a SCIELO (Scientific Library Online), que 
é uma grande biblioteca eletrônica de fácil acesso. Ela disponibiliza 
uma coleção selecionada de periódicos científicos.
Você deve buscar textos científicos em fontes de informação confiáveis. O portal de 
periódicos da CAPES é uma delas. Você pode acessá-lo por meio do link a seguir.
https://goo.gl/86CQQ
Leitura, interpretação e análise de textos científicos10
Como ler textos científicos?
Para começar, é importante que você tenha em mente que ler um texto científi co 
é diferente de ler um texto literário (como um romance). No texto literário, 
que muitas vezes conta uma história, você precisa ler todas as partes na ordem 
em que elas se apresentam, ou corre o risco de “perder o fi o da meada”. Já no 
texto científi co, você pode ler apenas uma parte, focando naquela que mais lhe 
interessa, identifi cando facilmente a seção necessária, já que o texto possui 
uma estrutura que permite essa localização. Assim, você pode ler o que e 
como quiser. Contudo, para tirar o melhor proveito do conteúdo disponível 
no texto científi co, alguns cuidados podem fazer toda a diferença, como você 
pode ver a seguir (AQUINO, 2010).
  Esteja disponível para a leitura, encontrando e aproveitando bem o seu 
tempo e a sua disponibilidade.
  Procure um local propício à leitura, onde você se sinta confortável e 
onde a sua compreensão sobre o texto possa ser facilitada.
  Esteja equipado para grifar partes importantes e fazer anotações. Ao ler 
o texto, muitas ideias podem surgir (canetas marca-texto e um bloquinho 
de anotações são ferramentas muito úteis).
Segundo Marconi e Lakatos (2017a), existem diferentes formas e objetivos 
de leitura. Considere, por exemplo, a leitura de estudo ou informativa, que se 
ocupa da absorção do conteúdo e de seu significado. Tal leitura compreende 
os atos de ler, reler, utilizar o dicionário, marcar ou sublinhar palavras ou 
frases-chave e fazer resumos. Esse tipo de leitura visa a coleta de informações 
para determinado propósito. Ela possui entre seus objetivos:
  verificar o conteúdo do texto, constatando o que o autor afirma, os 
dados que apresenta e as informações que oferece;
  correlacionar os dados coletados com o problema em pauta a partir das 
informações do autor;
  verificar a validade das informações.
Além disso, a leitura informativa engloba várias fases ou etapas. A seguir, 
veja como tais fases podem ser sintetizadas (MARCONI; LAKATOS, 2017a).
11Leitura, interpretação e análise de textos científicos
  De reconhecimento ou prévia: leitura rápida, com a intenção de pro-
curar um assunto de interesse, ou verificar a existência de determinadas 
informações. Isso pode ser feito por meio da leitura do sumário, dos 
títulos dos capítulos e de suas subdivisões (seções).
  Exploratória ou pré-leitura: leitura de sondagem, com a intenção de 
localizar determinadas informações quando já se tem conhecimento 
de sua existência. Pode ser feita por meio do exame da página de rosto, 
da introdução, do prefácio, das referências, das notas de rodapé, das 
orelhas e da contracapa.
  Seletiva: leitura que busca selecionar informações relacionadas com o 
problema que se deseja resolver, eliminando o supérfluo e concentrando 
a atenção nas informações pertinentes ao problema de pesquisa. Cor-
responde ao último passo de localização de material para apreciação e 
o primeiro da leitura mais atenta e profunda.
  Reflexiva: leitura mais profunda do que as anteriores, que busca re-
conhecer e avaliar informações, intenções e propósitos do autor. Pode 
ser feita por meio da identificação das frases-chave para se verificar o 
que o autor afirma e por que o faz.
  Crítica: leitura que busca avaliar as informações do autor, escolhendo 
e diferenciando ideias principais de secundárias, hierarquizando-as. O 
objetivo é obter uma visão global do texto e examinar as intenções do 
autor. Num primeiro momento, essa leitura busca entender o que o autor 
quis transmitir. Depois, com base na compreensão de suas proposições e 
do porquê delas, busca retificar ou ratificar os argumentos e conclusões.
  Interpretativa: leitura que busca relacionar as afirmações do autor com 
os problemas que se está buscando solucionar por meio da leitura de 
textos, realizando a associação de ideias e a comparação de propósitos. O 
objetivo é selecionar o que é pertinente e útil, bem como o que contribui 
para a solução dos problemas de quem efetua a leitura. Ou seja, a leitura 
interpretativa tem a função de provar, retificar ou negar, definir, delimitar 
e dividir conceitos, justificar ou desqualificar e auxiliar a interpretação 
de proposições, questões, métodos, técnicas, resultados ou conclusões.
  Explicativa: leitura que visa a verificar os fundamentos de verdade 
enfocados pelo autor.
Para que isso tudo seja possível, você deve considerar algumas recomen-
dações sobre como proceder com a leitura, com vistas à análise e à interpre-
tação do que é lido. Assim, é importante seguir os passos listados a seguir 
(MARCONI; LAKATOS, 2017a):
Leitura, interpretação e análise de textos científicos12
  proceder à leitura integral do texto com o objetivo de obter uma visão 
do todo e alcançar um sentido completo;
  reler o texto, assinalando ou anotando palavras e expressões desco-
nhecidas e utilizando um dicionário para esclarecer seus significados;
  fazer nova leitura após esclarecidas as dúvidas, visando à compreensão 
do todo;
  tornar a ler, agora procurando a ideia principal ou palavra-chave;
  localizar acontecimentos, ideias e fenômenos, comparando-os entre si, 
procurando semelhanças e diferenças existentes;
  organizar acontecimentos, ideias e fenômenos, agrupando-os com base 
em pelo menos uma semelhança importante e colocando-os em ordem 
hierárquica de importância;
  interpretar acontecimentos, ideias e fenômenos, tentando descobrir e 
compreender as conclusões a que o autor chegou;
  analisar criticamente o material como um todo, em especial as conclusões.
Perceba que caminho interessante você trilhou até aqui. Você partiu da com-
preensão das características e propriedades de textos científicos, passou pelos 
elementos para a interpretação desses textos e chegou às recomendações sobre 
como ler, analisar e interpretar um texto científico. Agora que você tem esse mapa 
à sua disposição, que tal arregaçar as mangas e trilhar novamente o caminho?Você 
poderá se surpreender ao obter uma recompensa maior do que imagina. Afinal, 
o conhecimento é algo de valor inestimável. Então, mãos à obra e bons estudos!
AQUINO, I. S. Como ler textos científicos: da graduação ao doutorado. São Paulo: Saraiva, 
2010.
BELL, J. Projeto de pesquisa: guia para pesquisadores iniciantes em educação, saúde e 
ciências sociais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.
KOLLER, S. H.; COUTO, M. C. P. P.; HOHENDORFF, J. V. (org.). Manual de produção científica. 
Porto Alegre: Penso, 2014.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São 
Paulo: Atlas, 2017a.
13Leitura, interpretação e análise de textos científicos
Leituras recomendadas
GOMES, G. K.; LIMA, C. D. V. G. Os fatores da textualidade na produção escrita: um olhar 
sobre os livros didáticos do ensino médio. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 
2., 2015, Campina Grande. Anais [...]. Campina Grande: [s. n.], 2015. Disponível em: http://
www.editorarealize.com.br/revistas/conedu/trabalhos/TRABALHO_EV045_MD1_SA15_
ID2157_26082015221022.pdf. Acesso em: 22 mar. 2019.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia do trabalho científico: projetos de pesquisa, 
pesquisa bibliográfica, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de 
conclusão de curso. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017b.
Leitura, interpretação e análise de textos científicos14
Dica do professor
A leitura é uma importante ferramenta para a construção do conhecimento, fundamental no 
cenário da produção científica. Para que esse importante papel seja cumprido, a leitura precisa ser 
conduzida de acordo com o tipo de texto que está sendo lido, o que demanda considerar os 
diversos fatores envolvidos, como as características do texto e os agentes envolvidos, pois além do 
autor que produziu o texto, a leitura envolve também o leitor, que recebe e interpreta a mensagem 
enviada por meio do texto.
Nesta Dica do Professor, você vai conhecer mais sobre a leitura de textos científicos, seus 
propósitos, fatores envolvidos e demandas, que podem variar em diferentes contextos.
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Na prática
A leitura de um texto requer que o leitor esteja interessado, e que tenha disponibilidade e 
concentração. Além disso, o leitor precisa saber que tipo de material está lendo, para que possa se 
preparar e conduzir a leitura de forma adequada, podendo assim tirar o melhor proveito do ato da 
leitura.
Isso envolve demandas como conhecer as características e as propriedades do tipo de texto que 
será lido, saber onde encontrar materiais com tais características e conduzir a leitura.
Veja um exemplo:
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Dicas para ler e interpretar artigos científicos
Para ler um texto científico, você precisa primeiro ter consciência de que esse é um tipo específico 
de material, o qual tem características e elementos específicos que fazem com que sua leitura seja 
diferenciada. Além disso, é importante que você saiba onde buscar materiais desse tipo. No vídeo 
disponibilizado, você vai encontrar dicas interessantes sobre esses e outros aspectos envolvidos na 
leitura de textos científicos.
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Como fazer leitura e escrita científica
Assim como a escrita, a leitura de textos científicos requer alguns cuidados especiais como, por 
exemplo, a importância de você estar preparado para a leitura, estando atento a aspectos como a 
busca e a armazenagem de informações. Além disso, você precisa conhecer os elementos 
formadores da estrutura do texto científico. No seguinte vídeo, você vai encontrar orientações 
úteis para que possa se preparar e conduzir de forma adequada a leitura de textos científicos.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Manual de Produção Científica [Série Métodos de Pesquisa]
Você sabe o que faz um texto ser considerado científico? Que características e elementos ele tem? 
Qual seu propósito? Saber as respostas para essas perguntas é o primeiro passo para que você 
possa efetuar a leitura de um texto científico de forma apropriada. No primeiro capítulo da obra a 
seguir, você vai encontrar subsídios teóricos que lhe ajudarão a responder os questionamentos 
inicialmente apresentados. Confira.
https://www.youtube.com/embed/Gm4RhQcNKg0
https://www.youtube.com/embed/_1l6MjOzIgw
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https://www.biosanas.com.br/uploads/outros/artigos_cientificos/18/6505082c2a7c23986651c7b1f7a4a92e.pdf
Métodos científicos
Apresentação
Gaston Bachelar (1968) convida a pensar sobre o conhecimento científico, advertindo que toda 
vida intelectual da ciência se move dialeticamente entre a fronteira do conhecimento e do 
desconhecido e que a essência da reflexão é, justamente, compreender que não se compreendeu. 
Assim, a construção do conhecimento representa o próprio caminho da humanidade. Por isso, é 
possível afirmar que a ciência é dinâmica e está sempre em transformação, assim como o 
conhecimento.
O conhecimento pode ser desvelado de diferentes maneiras, dependendo da forma como se olha 
para o mundo. Assim, há um conhecimento mítico, artístico, filosófico, religioso, do senso comum e 
científico. Destes, os que mais interferem no cotidiano são o senso comum e o conhecimento 
científico. No senso comum, o homem tira conhecimento da experiência quando se coloca a 
resolver os problemas imediatos da vida; portanto, não é planejado. Já o saber científico provoca o 
homem a assumir o controle das suas ações de modo a usar a razão de forma sistemática, metódica, 
planejada e crítica para compreender o mundo e seus fenômenos.
Para melhor compreender tudo isso, nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar o método 
científico, que define e diferencia o conhecimento construído pela ciência de outros tipos de 
conhecimentos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar as fases do método científico.•
Reconhecer o método científico como construtor de conhecimento científico.•
Diferenciar o método científico dos demais métodos existentes.•
Infográfico
A ciência existe desde que o homem começou a questionar os objetos, fatos e fenômenos do 
mundo. Com essa inquietação, buscava uma explicação, mas, ao longo da história, esta veio de 
diferentes tipos de conhecimento, como o mitológico, o filosófico, o senso comum, o científico e 
tantos outros. O conhecimento científico só foi possível porque o homem elaborou um caminho 
racional e lógico para construí-lo, chamado de "método científico".
Neste Infográfico, você irá conhecer alguns dos principais métodos de pesquisa. 
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
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https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/efe574c5-cc4b-4f64-b5fe-fcc3f2d86d09/38ab6190-9d9a-4ddd-93bc-c5c130ddcb31.jpg
Conteúdo do livro
O ser humano vive em um mundo dinâmico e cheio de mudanças. Por isso, situações que, em dado 
momento, são verdadeiras, em outros podem não ser. A verdade é sempre provisória; por isso, 
deve ser investigada e conhecida constantemente. O homem cria representações que lhe sejam 
significativas, e essas representações são o conhecimento humano, que pode ser de diferentes 
tipos. Entre eles, destacam-se o conhecimento religioso, o mítico, o filosófico, o artístico, o de 
senso comum e o científico.
O conhecimento científico representa a forma como a realidade é vista a partir do olhar da ciência, 
o que pressupõe a busca ordenada e metódica pela explicaçãoracional e lógica de um fato ou 
fenômeno, além da crítica ao senso comum. O conhecimento científico, portanto, é o resultado de 
uma investigação científica ou pesquisa que visa a responder de forma segura aos questionamentos 
humanos.
No capítulo Métodos científicos, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você irá conhecer a 
forma como o conhecimento científico é elaborado e sua relação com o método científico.
Boa leitura.
MÉTODO CIENTÍFICO
Cléa Coitinho Escosteguy
Método científico 
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Identificar as fases do método científico.
 � Reconhecer o método científico como construtor de conhecimento 
científico.
 � Diferenciar o método científico dos demais métodos existentes.
Introdução
Desde a Antiguidade os homens questionam todas os fatos e fenôme-
nos. É a partir desses questionamentos que surgem as descobertas e o 
conhecimento é ampliado e atualizado. Ao longo da história foram muitas 
correntes de pensamento e, com elas, formas diferentes de conceber o 
conhecimento e a ciência em si.
O homem é impulsionado no caminho da ciência porque tem ne-
cessidade de compreender as relações que estão por trás das aparências 
dos objetos, fatos e fenômenos, e por buscar uma explicação para os 
acontecimentos da vida real. 
O conhecimento científico exige um método. Ele se constrói a partir 
de um tipo de raciocínio lógico, um caminho traçado pelo pesquisador 
e que tem etapas bem delineadas. Neste Capítulo, você vai estudar o 
método científico e o que define e diferencia o conhecimento científico 
de outros tipos de conhecimentos.
As fases do método científico
Desde a sua origem, o homem sempre procurou obter conhecimento sobre 
os objetos que o cercam, principalmente conhecimento sobre os fenômenos 
naturais e o ambiente em sua volta. Esse conhecimento primitivo é motivado 
por algo externo à atividade cognitiva propriamente dita: a necessidade de 
controle dos fenômenos naturais com vistas à própria sobrevivência biológica.
A palavra “método” vem do grego methodos, que significa “caminho 
para chegar a um fim“. O método científico é um conjunto de regras básicas 
para desenvolver uma experiência a fim de produzir novo conhecimento, 
bem como corrigir e integrar conhecimentos preexistentes. A maioria das 
disciplinas científicas consiste em juntar evidências observáveis, empíricas 
(ou seja, baseadas apenas na experiência) e mensuráveis e analisá-las com o 
uso da lógica.
Hoje em dia, é comum o uso do método científico nas disciplinas de cons-
trução de conhecimento. Não é novidade falar sobre a utilização de um método 
para construção de conhecimentos no âmbito escolar. Durante muito tempo, 
os professores dedicados ao ensino de ciências tomaram, para suas práticas 
de ensino, as contribuições provenientes de procedimentos que orientavam os 
cientistas no desenvolvimento de suas pesquisas. Embora nem sempre de modo 
feliz, em alguns casos, tais procedimentos de pesquisa pareciam tão eficazes, 
que não se via razão pela qual também não se aplicassem nas práticas escolares. 
Obviamente foram esses procedimentos ditos científicos que atuaram como 
legitimadores de certa forma de se ensinar ciências (MARSULO; SILVA, 2005).
Por trás de qualquer proposta didática de metodologias preocupada com a 
construção do conhecimento, há concepções e ideias mais ou menos forma-
lizadas e explicitadas em relação aos processos de ensinar e aprender. Tais 
processos encontram-se alicerçados numa concepção de mundo e de ciência 
na qual são incorporadas as dimensões teórico-conceituais articuladoras das 
práticas e das teorias, bem como as metodologias específicas e os procedimen-
tos que se fazem necessários à construção dos conhecimentos (MARSULO; 
SILVA, 2005). 
Quanto à metodologia como via de acesso à ciência, pressupõe-se a cons-
trução de um método a fim de atingir um objetivo, uma meta, conduzindo à 
busca do conhecimento. No método, articulam-se teorias e práticas. “É ele 
um sumário delas, momento de explicitação dos processos de concepção e 
condução de determinada prática social.” (MARQUES, 1996). Atualmente 
os cientistas e os filósofos preferem falar numa diversidade de métodos, que 
são determinados pelo tipo de objeto a investigar e pela classe de proposições 
a descobrir. 
O método científico engloba algumas etapas, tais como a observação, a 
questão, a formulação de uma hipótese, a verificação, a análise dos resultados, 
hipóteses verdadeiras e falsas e o relatório dos resultados. É importante ressaltar 
que a investigação de determinado fenômeno não precisa, necessariamente, 
cumprir todas as etapas, assim como não existe um tempo predeterminado 
para realizar cada uma delas.
Método científicos2
Figura 1. Esquema do método científico.
Fonte: Becris/Shutterstock.com.
Segundo os autores Cervo e Bervian (1974) as fases do método científico 
são:
 � Observação: como o próprio nome diz, é a visualização de um fato (ou 
fenômeno). Essa observação deve ser repetida várias vezes, buscando 
obter o maior número possível de detalhes, sendo realizada, portanto, 
com a maior precisão possível. Deve-se tomar o cuidado com os “vícios” 
para que ocorra uma observação correta do fato; em muitos casos, a 
pessoa vê o que deseja ver – não o que está ocorrendo de fato.
 � Questão: corresponde à execução de questionamentos sobre o fato 
observado. Para essas perguntas, o pesquisador vai à busca de respostas. 
Um problema bem formulado é mais importante para a ciência do que 
a sua solução, pois abre caminho para diversas outras pesquisas.
 � Formulação da hipótese: a hipótese nada mais é do que uma possível 
explicação para o problema. No jargão científico, a hipótese geralmente 
equivale à suposição verossímil, depois comprovável ou denegável pelos 
fatos, os quais irão decidir, em última instância, sobre a veracidade ou 
falsidade dos fatos que se pretende explicar. “A hipótese é a suposição 
de uma causa ou de uma lei destinada a explicar provisoriamente um 
3Método científico
fenômeno até que o fato venha a contradizer ou afirmar.” (CERVO; 
BERVIAN, 1974).
 � Verificação: etapa em que o pesquisador realiza experiências para pro-
var (ou negar) a veracidade de sua(s) hipótese(s). Se, após a execução da 
experiência por repetidas vezes, os resultados obtidos forem os mesmos, 
a hipótese é considerada verdadeira. Na Antiguidade, as experiências 
não eram controladas – experiências empíricas, muito usadas pelos 
alquimistas. Nesse modelo, as experiências eram do tipo tentativa-erro; 
com isso, as descobertas acabavam sendo puramente casuais.
 � Análise dos resultados: é a atividade na qual o pesquisador transforma 
um conjunto de dados com o objetivo de poder verificá-los melhor, 
dando-lhes ao mesmo tempo uma razão de ser e uma análise racional. 
É analisar os dados de um problema e identificá-los. A análise de dados 
possui diferentes facetas e abordagens, incorporando diversas técnicas. 
 � Hipóteses verdadeiras ou falsas: pode ser realizado um teste de hipó-
teses, que é um procedimento que permite tomar uma decisão (aceitar 
ou rejeitar a hipótese nula) entre duas ou mais hipóteses (hipótese 
nula ou hipótese alternativa) utilizando-se os dados observados de um 
determinado experimento. Há diversos métodos para realizar o teste 
de hipóteses, entre os quais se destacam o método de Fisher (1955) 
(teste de significância), o método de “Neyman–Pearson” em 1933 e o 
método de “Bayes” em 1812.
A estatística pode ser utilizada para auxiliar a tomada de decisões nas mais variadas 
áreas, veja alguns exemplos: 
 � Estimar a efetividade de um parâmetro de interesse.
 � Testar se determinada teorica científica deve ser mantida ou descartada. 
 � Verificar se um lote de remédios deve ser desenvolvido por falta de qualidade; 
entre outras possibilidades.
Os testes de hipóteses são utilizados para determinar quais resultados de um estudo 
científico podem levar a rejeição da hipótese nulaa um nível de significância prees-
tabelecido. O estudo da teoria das probabilidades e a determinação da estatística 
de teste correta são fundamentais para a coerência de um teste de hipótese. Se as 
hipóteses do teste não forem assumidas de maneira correta, o resultado será incorreto, 
e a informação será incoerente com a questão do estudo científico.
Método científicos4
 � Relatório de resultados: como o próprio nome indica, é revelar o que 
foi encontrado na pesquisa. Essa parte do artigo estará composta dos 
dados relevantes obtidos e sintetizados pelo autor. Primeiramente, 
apresentam-se as características dos sujeitos do estudo. São informações 
demográficas, socioeconômicas, clínicas ou de outra natureza que des-
crevem o grupo ou os grupos estudados (PEREIRA, 1999). Em geral, 
essa informação é apresentada em uma tabela. O leitor, ao inspecionar 
esses dados, poderá verificar se os procedimentos de seleção adotados 
produziram a amostra adequada para o estudo ou, no caso de estudos 
analíticos, se os grupos são comparáveis. Segundo o autor, serve tam-
bém para indicar a que população os resultados são generalizáveis. 
Outra conduta recomendada para compor a parte inicial da seção de 
resultados é relatar como se chegou à amostra final utilizada na análise 
dos dados. Se a descrição for complexa para aparecer no texto, sugere-
-se que seja inserido um gráfico de fluxo (ou fluxograma) contendo 
o detalhamento da seleção dos sujeitos da pesquisa e os motivos de 
exclusão de participantes.
O método científico como construtor do 
conhecimento científico
A ciência e o conhecimento científico são definidos de maneiras diferentes 
pelos diversos autores que se lançam à tarefa de refletir sobre eles. Algumas 
definições são bastante semelhantes, enquanto outras levantam algumas di-
ferenças. Contudo, a maior parte dos que buscam definir a ciência concorda 
que “[...] ao se falar em conhecimento científico, o primeiro passo consiste em 
diferenciá-lo de outros tipos de conhecimento existentes [...]” (LAKATOS; 
MARCONI, 1986).
Segundo França (1994), “conhecer” é atividade especificamente humana. 
Ultrapassa o mero “dar-se conta de” e significa a apreensão, a interpretação. 
Conhecer supõe a presença de sujeitos; um objeto que suscita sua atenção 
compreensiva; o uso de instrumentos de apreensão; um trabalho de debruçar-
-se sobre. Como fruto desse trabalho, ao conhecer, cria-se uma representação 
do conhecido que já não é mais o objeto, mas uma construção do sujeito. 
O conhecimento produz, assim, modelos de apreensão – que, por sua vez, vão 
instruir conhecimentos futuros.
A autora destaca, assim, os principais elementos envolvidos no processo de 
conhecer: o sujeito que conhece a “coisa” conhecida (que, uma vez conhecida, 
5Método científico
torna-se “objeto”, isto é, a “coisa”, elemento da realidade, da perspectiva de 
quem a conhece, para quem se torna “objeto”), o movimento do sujeito em 
direção ao objeto (que é o próprio processo de conhecer) e os instrumentos 
utilizados neste processo. Um último elemento é apresentado pela autora: 
o fato de que todo processo de conhecimento se dá no cruzamento de duas 
dinâmicas opostas, duas atitudes básicas.
Após compreender outras formas de conhecimento – filosófico, artístico 
e ideológico –, a construção da ciência na era moderna torna-se mais fácil de 
ser compreendida. Afinal, o conhecimento científico nasce da proposta de 
um conhecimento diferente dos demais, pois busca compensar as limitações 
do conhecimento religioso, artístico e do senso comum. A busca de um co-
nhecimento mais confiável da realidade está presente desde a pré-história.
Contudo, a maior parte dos autores que definem ciência a identificam com 
um momento específico da história da humanidade. Gressler (2003) afirma 
que um novo tipo de abordagem do problema do conhecimento se desenvolveu 
a partir do século XV. Já o método de investigação difundido por Galileu 
é mais do que simples indução ou dedução. Ele compreende uma série de 
procedimentos para testar criticamente e selecionar as melhores hipóteses e 
teorias para explicar a realidade.
Assim, a necessidade do homem de uma compreensão mais aprofundada 
do mundo, bem como a necessidade de precisão para a troca de informações, 
acaba levando à elaboração de sistemas mais estruturados de organização do 
conhecimento. Fourez (1995) destaca que, no início, os homens se comuni-
cavam a partir de uma linguagem que utilizava um código restrito em que 
os objetos do mundo são descritos sem uma preocupação com o alcance das 
descrições – não havendo, portanto, uma reflexão elaborada. É a linguagem 
do dia a dia, “[...] útil na prática e que não leva adiante todas as distinções que 
se poderia fazer para aprofundar o meu pensamento [...]” (FOUREZ, 1995). 
No entanto, com o tempo, os homens passaram a desenvolver um código 
“elaborado” com o objetivo de tornar as noções mais precisas e sistematizar 
os campos de conhecimento. Aqui se tem a origem dos “conceitos”, noção 
fundamental para a formação dos campos disciplinares. De acordo com Maslow 
(1979), “[...] a ciência tem as suas origens nas necessidades de conhecer e 
compreender (ou explicar), isto é, nas necessidades cognitivas [...]”, de um 
conhecimento difuso, espalhado, assistemático e desorganizado, passando 
a um trabalho de arranjo segundo certas relações, de disposição metódica. 
Esse processo é fundamental para a composição de campos específicos do 
conhecimento científico.
Método científicos6
Ao apontar o surgimento do método científico no século XV, Gressler (2003) 
não descarta que, desde a Idade Antiga, já houvesse habilidades e preocupações 
com uma linguagem técnica e uma argumentação lógica fundamentada na 
razão – como bem demonstra, por exemplo, a geometria desenvolvida pelos 
gregos. Contudo, a autora particulariza o projeto científico como uma forma 
específica de conhecer a realidade desenvolvida com a contribuição de uma 
série de personagens.
O método científico se refere a um aglomerado de regras básicas dos 
procedimentos que produzem o conhecimento científico – seja ele um novo 
conhecimento ou uma correção (evolução) – ou um aumento na área de inci-
dência de conhecimentos anteriormente existentes. A maioria das disciplinas 
científicas consiste em juntar evidências empíricas verificáveis, baseadas na 
observação, sistemáticas e controladas – geralmente resultantes de experiências 
ou de pesquisa de campo – e analisá-las com o uso da lógica. Para muitos 
autores, o método científico nada mais é do que a lógica aplicada à ciência.
Já a metodologia científica, conforme Singh (2006), literalmente refere-se 
ao estudo dos pormenores dos métodos empregados em cada área científica 
específica e, em essência, dos passos comuns a todos esses métodos, ou seja, 
do método da ciência em sua forma geral, que se supõe universal. Embora 
procedimentos variem de uma área da ciência para outra (as disciplinas 
científicas), diferenciadas por seus distintos objetos de estudo, consegue-se 
determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros 
métodos encontrados em áreas não científicas, como os presentes na filosofia, 
na matemática e até mesmo nas religiões.
Portanto, de acordo com Muline, Leite e Campos (2013), os indivíduos 
que participam do processo de construção do conhecimento argumentam, 
integram e têm curiosidade mais aguçada, apresentam maiores chances de 
êxito no processo de construção, desconstrução e reconstrução dos conheci-
mentos científicos.
A utilização da sequência didática voltada ao ensino de investigação na 
produção de conhecimento é de suma importância, uma vez que oportuniza 
a atuação dos envolvidos como agentes e construtores do conhecimento por 
meio da investigação científica e permite uma inovação em todos os contextos. 
7Método científico
O método científico e os demais métodos 
existentes
Método científico é o conjunto das normas básicas que devem ser seguidas 
para a produção de conhecimentosque têm o rigor da ciência, ou seja, é um 
método usado para a pesquisa e comprovação de um determinado conteúdo. 
Essa metodologia parte da observação sistemática de fatos, seguido da rea-
lização de experiências, das deduções lógicas e da comprovação científica 
dos resultados obtidos. Para diversos autores, o método científico é a lógica 
aplicada à ciência.
O método científico é um trabalho sistemático na busca de respostas às 
questões estudadas, é o caminho que se deve seguir para levar à formulação 
de uma teoria científica. É um trabalho cuidadoso, que segue um caminho 
sistemático, sendo a ferramenta do pesquisador, que, no fim de seu processo de 
pesquisa, explica e prevê um conjunto de ocorrências provenientes da aplicação 
de suas teses. Um artigo científico é o resultado de um estudo realizado e 
comprovado pelo método científico. O método é uma forma de comprovar a 
veracidade de algumas teses desacreditadas pelo ceticismo. 
Figura 2. Etapas do método científico.
Fonte: Andrea Danti/Shutock.com.
Método científicos8
Tartuce (2006) apresenta alguns conceitos importantes para melhor se 
compreender a natureza do método científico e afirma que essa é a forma mais 
segura inventada pelos homens para controlar o movimento das coisas que 
envolvem um fato e montar formas de compreensão adequada dos fenômenos.
Fatos – acontecem na realidade, independentemente de haver ou não quem 
os conheça.
Fenômeno – é a percepção que o observador tem do fato. Pessoas diversas 
podem observar no mesmo fato fenômenos diferentes, dependendo de seu 
paradigma.
Paradigmas – são referenciais teóricos que servirão de orientação para 
a opção metodológica de investigação. Mesmo que os paradigmas sejam 
constituídos por construções teóricas, não há cisão entre a teoria e a prática 
ou entre a teoria e a lei científica. Portanto, eles coexistem, gerando o que se 
pode denominar “praxiologia”.
Em contraposição ao método científico está o método empírico, que é 
baseado unicamente na experiência, sem nenhum processo científico. Empírico 
é um fato que se apoia somente em experiências vividas, na observação de 
coisas – e não em teorias e métodos científicos. Empírico é aquele conheci-
mento adquirido durante toda a vida, no dia a dia, que não tem comprovação 
científica nenhuma.
O método empírico é um método feito por tentativas e erros e é caracterizado 
pelo senso comum – e cada um compreende à sua maneira. O método empírico 
gera aprendizado, uma vez que aprendemos fatos pelas experiências vividas e 
presenciadas, para se obterem conclusões. O conhecimento empírico é muitas 
vezes superficial, sensitivo e subjetivo. Assim, é o conhecimento baseado em 
uma experiência vulgar ou imediata, não metódica e que não foi interpretada 
e organizada de forma racional.
Para a ciência, empírico é um tipo de evidência inicial para comprovar alguns métodos 
científicos: o primeiro passo é a observação, para então se fazer uma pesquisa seguindo 
um raciocínio lógico e normas, que é o método científico. Nas ciências, muitas pesquisas 
são realizadas inicialmente pela observação e a experiência.
9Método científico
Em oposição ao pensamento de senso comum, o método dialético se propõe 
a compreender a “coisa em si”, construindo uma compreensão da realidade 
que considere a totalidade como dinâmica e em constante construção social. 
Ao considerar a realidade dessa forma, a dialética rompe com a pseudocon-
creticidade, pois desvela as tramas que relacionam a essência ao fenômeno. 
Foi por isso que Hegel (2007) preconizava: “O verdadeiro é o todo, mas o todo 
é somente a essência que se implementa através de seu desenvolvimento.”.
Marx e Engels (2007), ao usarem a dialética, objetivam suprimir a ime-
diaticidade e a pretensa independência com que o fenômeno surge, focando 
a sua essência. Com a dialética, os elementos cotidianos deixam de ser na-
turalizados e eternizados, passando a ser encarados como sujeitos da práxis 
social da humanidade. Nesse sentido, a dialética é um esforço para perceber 
as relações reais (sociais e históricas) entre as formas estranhadas com que 
se apresentam os fenômenos. 
O método dialético irá justamente buscar as relações concretas e efetivas 
por trás dos fenômenos. Sobre essa posição marxiana, Walhens (apud Kosik 
1976 p.17) escreveu: “O marxismo é o esforço para ler, por trás da pseudoi-
mediaticidade do mundo econômico reificado, as relações inter-humanas que 
o edificaram e se dissimularam por trás de sua obra.”.
Descartes (1973) apresenta o método dedutivo a partir da matemática e de 
suas regras de evidência, análise, síntese e enumeração. Esse método parte do 
geral e, a seguir, segue para o particular. O protótipo do raciocínio dedutivo 
é o silogismo, que, a partir de duas proposições chamadas de “premissas”, 
retira uma terceira, chamada de “conclusão”.
Exemplo do método dedutivo
Todo mamífero tem um coração.
Ora, todos os cães são mamíferos.
Logo, todos os cães têm um coração.
No exemplo apresentado, as duas premissas são verdadeiras, portanto a conclusão 
é verdadeira.
Método científicos10
Parte-se de princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis, 
possibilitando chegar a conclusões de maneira puramente formal em virtude 
de sua lógica. Esse método é bastante usado na matemática e na física, cujos 
princípios podem ser enunciados por leis. Já nas ciências sociais, seu uso é 
mais restrito em virtude da dificuldade de se obterem argumentos gerais cuja 
veracidade não possa ser colocada em dúvida (GIL, 1994).
Método dedutivo
O raciocínio educativo, também chamado de lógica educativa ou dedução lógica – ou 
até mesmo, informalmente, de lógica “top-down” –, é o processo de raciocínio a partir 
de uma ou mais afirmações (premissas) para se chegar a uma certa conclusão lógica. 
O raciocínio dedutivo liga afirmações (ou premissas) a conclusões.
Como vimos, o método científico é uma forma de raciocínio lógico por meio 
do qual o pesquisador organiza a análise dos fatos ou fenômenos investigados. 
É assim que se definem a modalidade, a técnica e os instrumentos da pesquisa.
Neste capítulo conhecemos as fases de construção do método científico, 
partindo da observação e chegando à produção de um relatório de resultados. 
Foi possível reconhecer que é por meio do método científico que construímos 
o conhecimento científico. Existem outras formas de construir conhecimento, 
entre elas as experiências e o método empírico, mas estes não preenchem os 
requisitos para serem considerados ciência.
Acesse o link ou código a seguir e assista ao vídeo 
sobre “Ciência animada”:
https://goo.gl/JWpZ7h
11Método científico
CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 1974.
DESCARTES, R. Discurso do método. São Paulo: Abril, 1973. (Coleção Os Pensadores).
FISHER, R. statistical methods and scientific induction. Journal of the Royal Statistical 
Society, Series B, v. 17, n. 1, p. 69-78, 1955.
FOUREZ, G. A construção das ciências: introdução à filosofia e à ética das ciências. São 
Paulo: Unesp, 1995.
FRANÇA, V. R. V. Teoria(s) da comunicação: busca de identidade e de caminhos. 
Revista da Escola de Biblioteconomia da UFMG, Belo Horizonte, v. 23, n. 2, p. 138-152, 
jul./dez. 1994.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 1994.
GRESSLER, L. A. Introdução à pesquisa: projetos e relatórios. São Paulo: Loyola, 2003.
HEGEL, G. W. F. A fenomenologia do espírito. São Paulo: Abril, 2007. (Coleção Os 
Pensadores).
KOSIK, Karel. Dialética do Concreto, 2ª ed., São Paulo: Paz e Terra, 1976.
LAKATOS, E. M; MARCONI, M. A. Metodologia científica. 3. ed. rev. ampl. São Paulo: 
Atlas, 1986.
MARQUES, M. O. A ciência do educador. 2. ed. Ijuí: Unijuí, 1996.
MARSULO, M. A. G.; SILVA, R. M. G. Os métodos científicos como possibilidade de 
construção de Conhecimentos no ensino de ciências. Revista Electrónica de Enseñanza 
de las Ciencias, Minas Gerais, v. 4 n. 3, 2005.
MARX, K. e ENGELS, F. A ideologia alemã: críticada mais recente filosofia alemã em 
seus representantes Feuerbach, B. Bauer e Stirner, e do socialismo alemão em seus 
diferentes profetas 1845- 1846, São Paulo: Boitempo, 2007.
MASLOW, A. As necessidades de conhecimento e o seu condicionamento pela mente 
e pela coragem. In: DEUS, J. D. (Org). A crítica da ciência: sociologia e ideologia da 
ciência. Rio de Janeiro: Zahar, 1979. p. 206-218.
MULINE, L. S.; LEITE, S. Q. M.; CAMPOS, C. R. P. Sequência didática de ciências para 
debater o tema alimentação nos anos iniciais do ensino fundamental. Revista Eletrônica 
Debates em Educação Científica e Tecnológica, v. 3, n. 1, p. 74-87, jun. 2013.
PEREIRA, J. C. R. Análise de dados qualitativos: estratégias metodológicas para as ciências 
da saúde, humanas e sociais. 2. ed. São Paulo: Edusp, 1999.
SINGH, S. Big Bang. Rio de Janeiro: Record, 2006.
TARTUCE, T. J. A. Métodos de pesquisa. Fortaleza: UNICE – Ensino Superior, 2006. Apostila.
Método científicos12
Leituras recomendadas
HERNÁNDEZ, F.; VENTURA, M. A organização do currículo por projetos de trabalho: o 
conhecimento é um caleidoscópio. 5. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. 
LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa 
em ciências humanas. Porto Alegre: Artes Médicas, 1999.
13Método científico
Dica do professor
Como são construídos os métodos científicos?
Essa questão se mantém viva na investigação científica, pois já se sabe que a ciência se constrói por 
um método e que, mesmo em diferentes áreas do conhecimento, sempre os métodos definem os 
caminhos da produção do conhecimento científico.
Assim, para buscar a resposta a essa questão inicial, você irá acompanhar, na Dica do Professor, 
como aplicar um método científico a uma situação de investigação científica.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/3520006660a5c7005d293c218919a077
Na prática
O mundo viveu um surto pandêmico a partir de 2019 com consequências terríveis, como 
isolamento social, contaminação em massa e inúmeras mortes. No entanto, se, por um lado, o 
mundo adoeceu junto, também foi de forma colaborativa que enfrentou a doença. Para se construir 
um novo conhecimento sobre o vírus, suas formas de contágio e contaminação, os riscos de morte 
e as sequelas deixadas nos sobreviventes, além de vacinas e protocolos de prevenção, os cientistas 
se debruçaram sobre o método científico.
Neste Na Prática, compreenda a importância do método científico para esse momento da história.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Galileo, Newton e o método científico
Neste vídeo, o autor faz algumas reflexões sobre a origem do método científico.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
O que é ciência e por que confiar nela?
Neste vídeo, a pesquisadora discute a organização do conhecimento científico e os passos de sua 
construção.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Pressupostos para a elaboração de relato de experiência como 
conhecimento científico
O artigo aborda uma modalidade de pesquisa que tem sido muito valorizada: o relato de 
experiência. Trata-se de o autor relatar a própria experiência vivida. Neste estudo, será possível 
entender quais são os caminhos para que um relato de experiência seja, de fato, um conhecimento 
científico, e não um discurso do senso comum.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.youtube.com/embed/kv6jQ8I_IJE
https://www.youtube.com/embed/1aQRJQRHQvg
https://periodicos2.uesb.br/index.php/praxis/article/download/9010/6134/22658
Metodologia científica: ciência, ensino, pesquisa
Nesta publicação, você irá conhecer pesquisas e seus métodos em diferentes áreas do 
conhecimento.
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Normas da ABNT
Apresentação
Nesta unidade de aprendizagem, estudaremos as normas da ABNT, suas funções e conceitos, bem 
como resoluções. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer como se aplicam as normas em diferentes trabalhos acadêmicos.•
Desenvolver a formatação de trabalhos acadêmicos.•
Identificar a numeração da norma de acordo com o trabalho acadêmico, bem como suas 
estruturas.
•
Infográfico
Veja no esquema a norma e suas respectivas numerações.
Conteúdo do livro
Acompanhe o conteúdo indicado para intensificar os estudos sobre normas da ABNT.
Boa leitura. 
As normas da ABNT
associadas ao diálogo
teórico
AS CITAÇÕES 
Além das regras de apresentação e formatação, a ABNT padroniza alguns
recursos relacionados ao diálogo com os teóricos, como a citação, a nota
de rodapé e as referências.
CITAÇÃO: UM RECURSO DE DIÁLOGO COM OS TEÓRICOS 
A citação consiste em um recurso técnico de construção de diálogo com
outros estudiosos, no qual o pesquisador faz menção, no corpo do texto,
de uma informação extraída de outra fonte (ABNT/NBR 10520, 2002). As
citações podem ser indicadas pelo sistema numérico (com inserção de
numeração única e consecutiva para todo o documento) ou pelo sistema
autor-data (com a inserção do sobrenome do autor ou instituição
responsável, seguido da data de publicação do documento).
As citações devem fluir normalmente no texto, tecidas à voz do autor do
texto com naturalidade e técnica. O nome do autor do texto consultado
pode aparecer antes ou depois da citação, dentro do parêntese (em caixa
alta) ou fora dele (sem caixa alta). Em todos os casos, a ideia deve ganhar
relevância argumentativa para a qual foi utilizada.
Existem três tipos de citação: a direta, a indireta e a citação de citação.
AS CITAÇÕES DIRETAS OU TEXTUAIS 
Consistem na transcrição literal das palavras do texto consultado. Devem
informar o sobrenome do autor, data de publicação entre parênteses e o
número da página. Essa citação remete para referência completa, que
figura no final do trabalho. As citações diretas podem ser curtas ou longas.
CITAÇÃO DIRETA CURTA 
É a transcrição literal de um trecho com até três linhas de extensão. Nesse
caso, a citação deve aparecer entre aspas duplas, com indicação do(s)
autor(es), da(s) página(s) e referência à obra consultada.
Exemplo:
Sobre esse assunto, França (2007, p. 107) lembra que “A fonte de onde foi
extraída a informação deve ser citada obrigatoriamente, respeitando-se
dessa forma os direitos autorais”
Ou:
Sobre esse assunto, França lembra que “A fonte de onde foi extraída a
informação deve ser citada obrigatoriamente, respeitando-se dessa forma
os direitos autorais.” (2005, p. 107).
Ou ainda:
Sobre esse assunto, França lembra que “A fonte de onde foi extraída a
informação deve ser citada obrigatoriamente, respeitando-se dessa forma
os direitos autorais.” (FRANÇA, 2007, p. 107).
CITAÇÃO DIRETA LONGA
É a transcrição literal de um trecho com extensão superior a três linhas.
Nesse caso, a citação aparece com um recuo de 4 cm, espaçamento
entrelinha simples, fonte da letra tamanho 10, separado do texto principal
com um espaço simples antes e depois.
Exemplo:
Uma transcrição literal de todos os outros autores. É reproduzida entre
aspas ou destacada tipograficamente, exatamente como consta do original,
acompanhada de informações sobre a fonte (em respeito à Lei 5.988 de 14
de dez. 1973 que regulamenta os direitos autorais). (FRANÇA, 2007, p.108 -
grifos do autor)
AS CITAÇÕES INDIRETAS OU LIVRES
Quando o pesquisador se fundamenta na ideia do texto original e dela faz
uma paráfrase, ou seja, registra a ideia com suas palavras. Nesse caso, não
são usadas as aspas para indicar a citação, mas, obrigatoriamente, devem
ser informados o nome do autor e a data, separados por vírgula.
Constitui uma rede intercomunicantede vesículas achatadas, vesículas
redondas e túbulos formada por uma membrana contínua e que delimita
um espaço irregular, a cisterna do retículo endoplasmático. Na célula, o
retículo endoplasmático apresenta-se de dois tipos: 1. Retículo
Observação! Em citação indireta, não é obrigatório informar o número da
página, mas por de padrão, caso o acadêmico opte pelo uso, deve fazê-lo
em todas as citações.
A CITAÇÃO DE CITAÇÃO
Expressão usada para estruturar citações diretas ou indiretas que estão
sendo usadas pelo autor da fonte consultada diretamente. Essas
expressões são apresentadas no texto, pelo sobrenome do autor, seguido
de apud (citado por) e o sobrenome do autor consultado diretamente.
Marinho (apud MARCONI e LAKATOS, 2002) apresenta a formulação do
problema como uma fase de pesquisa que, sendo bem delimitado,
simplifica e facilita a maneira de conduzir a investigação, tendo em vista
que o objetivo da pesquisa é esclarecer os caminhos e as etapas por meio
dos quais essa realidade se construiu.
(5) MARINHO, Pedro. A pesquisa em ciên-cias humanas. Petrópolis: Vozes,
1980. (Esta nota de rodapé explica que o leitor não leu o Marinho
diretamente, mas por meio de Marconi e Lakatos. Essa referên-cia não
precisa constar da lista ao final do trabalho.)
Dica do professor
Veja a dica do professor sobre normas da ABNT.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
 
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/182005465e1a74eb5f0716f15e205fb2
Na prática
A normatização de artigos é exigida para submeter as produções científicas em congressos, anais, 
revistas entre outros. Na ABNT, a normatização de artigos possui uma norma regulamentadora 
própria: a NBR 6022.
Você sabe quais são algumas das formatações regulamentadas nela?
Veja na imagem a seguir.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/1dda9375-6130-4754-bade-56beb7673d70/250559f6-d927-46b7-8b6f-10f982212bf7.png
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS
NBR 10520: Informação e documentação: citações em documentos. Rio de Janeiro, 2002.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
http://www2.uesb.br/biblioteca/wp-content/uploads/2016/05/NBR-10520-CITA%C3%87%C3%95ES.pdf
Teoria e fatos
Apresentação
Esta unidade de aprendizagem apresenta as Teorias e os Fatos e sua relação com a Ciência. Será 
possível compreender que as duas questões estão relacionadas, embora elas sejam independentes. 
Além disso, será possível perceber como esses dois assuntos estão presentes no dia a dia de todos 
nós. 
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Explicar o que é teoria e o que é fato.•
Distinguir a diferença entre teoria e fato.•
Identificar como as teorias e fatos estão presentes na ciência.•
Infográfico
A seguir um infográfico que ajuda a ilustrar a unidade.
 
Conteúdo do livro
Acompanhe um trecho da obra Projeto de Pesquisa, que está em sua terceira edição e serve de 
base teórica para nossa Unidade de Aprendizagem. Inicie pelo tópico "Definição de uma teoria". 
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Sobre o Autor
John W. Creswell é professor de Psicologia Educacional e ministra cursos e escreve 
sobre metodologia qualitativa e pesquisa de métodos mistos. Trabalha há cerca de 30 
anos na Universidade de Nebraska-Lincoln e é autor de 11 livros, muitos deles focados 
no projeto de pesquisa, na pesquisa qualitativa e na pesquisa de métodos mistos, os 
quais foram traduzidos para muitas línguas e são utilizados no mundo todo. Além disso, 
é codiretor do Departamento de Pesquisa Qualitativa e de Métodos Mistos da Universi-
dade de Nebraska-Lincoln, o qual dá suporte aos acadêmicos que incorporam a pesqui-
sa qualitativa e de métodos mistos em projetos para financiamento externo. Trabalha 
como coeditor fundador da revista da Sage, Journal of Mixed Methods Research, e foi 
professor adjunto de Medicina de Família na Universidade de Michigan, tendo auxiliado 
os investigadores de ciências da saúde na metodologia da pesquisa para seus projetos. 
Foi recentemente escolhido para ser Senior Fulbright Scholar e trabalhou na África do 
Sul em outubro de 2008, levando os métodos mistos aos cientistas sociais e aos autores 
de documentários sobre vítimas da AIDS e suas famílias. Toca piano, escreve poesia e é 
ativamente envolvido em esportes. Visite-o em seu website: www.johnwcreswell.com.
C923p Creswell, John W.
 Projeto de pesquisa [recurso eletrônico] : métodos
qualitativo, quantitativo e misto / John W. Creswell ; tradução
Magda Lopes ; consultoria, supervisão e revisão técnica desta
edição Dirceu da Silva. – 3. ed. – Dados eletrônicos. – Porto
Alegre : Artmed, 2010.
 Editado também como livro impresso em 2010.
 ISBN 978-85-363-2358-9
 1. Métodos de pesquisa. I. Título.
 CDU 001.891
Catalogação na publicação: Renata de Souza Borges CRB10/1922
Projeto de pesquisa 79
do, porque elas podem ter operado pa ra explicar a relação entre 
a variável independente e a variável de pendente, mas não foram 
ou não puderam ser facilmente avaliadas (p. ex., atitudes dis cri-
minatórias).
Em um estudo de pesquisa quantitativa, as variáveis estão relacionadas 
à resposta a uma questão da pesquisa (p. ex., “Como a autoestima in-
fluencia a formação de amizades entre adolescentes?”) ou à realização de 
previsões sobre o que o pesquisador espera que os resultados mostrem. 
Tais previsões são chamadas de hipóteses (p. ex., “A autoestima positiva 
individual expande o número de amigos dos adolescentes.”).
Definição de uma teoria
Com esse pano de fundo sobre as variáveis, podemos proceder ao uso 
das teorias quantitativas. Na pesquisa quantitativa, existem alguns pre-
cedentes históricos para encarar a teoria como uma previsão ou explicação 
científica (ver G. Thomas, 1997, para maneiras diferentes de conceituar as 
teorias e de como elas podem restringir o pensamento). Por exemplo, a 
definição de Kerlinger (1979) de uma teoria ainda é válida hoje. Ele disse 
que uma teoria é “um conjunto de constructos (variáveis latentes), defi-
nições e proposições inter-relacionados que apresentam uma visão sis-
temática dos fenômenos especificando as relações entre as variáveis men-
suradas, com o propósito de explicar os fenômenos naturais” (p. 64).
Nessa definição, uma teoria é um conjunto inter-relacionado de cons-
tructos (ou variáveis latentes) transformados em proposições, ou hi póteses, 
que especificam a relação entre as variáveis (tipicamente em termos de 
magnitude ou direção). Uma teoria pode aparecer em um estudo de pesquisa 
como um argumento, uma discussão ou uma justificativa, e ajuda a explicar 
(ou a prever) fenômenos que ocorrem no mundo. Labovitz e Hagedorn 
(1971) adicionam a essa definição a ideia de uma justificativa teórica, que 
eles definem como “especificando como e por que as variáveis e as de-
clarações relacionais são inter-relacionadas” (p. 17). Por que uma variável 
independente X influencia ou afeta uma variável dependente Y? A teoria 
proporcionaria uma explicação para essa expectativa ou previsão. Uma 
discussão sobre essa teoria apareceria em uma seção de uma proposta sobre 
a revisão da literatura ou sobre a base da teoria, a justificativa teórica ou 
a perspectiva teórica. Prefiro o termo perspectiva teórica porque ele tem si-
80 John W. Creswell
do popularmente usado como uma seção requerida para as propostas de 
pesquisa quando uma pessoa submete um pedido para apresentar um 
trabalho na conferência da American Educational Research Association.
A metáfora de um arco-íris pode ajudar a visualizar como uma teoria 
opera. Suponha que oarco-íris transponha as variáveis independentes e 
dependentes (ou constructos) em um estudo. Esse arco-íris une as variáveis e 
proporciona uma explicação abrangente para como e por que se deveria 
esperar que essa variável independente explicasse ou previsse a variável 
dependente. As teorias se desenvolvem quando os pesquisadores testam uma 
previsão repetidas vezes. Por exemplo, eis como funciona o processo de 
desenvolvimento de uma teoria. Os investigadores combinam as variáveis 
independentes, mediadoras e dependentes baseados em diferentes formas de 
medições para as questões. Essas questões proporcionam informações so bre 
o tipo de relação (positiva, negativa ou desconhecida) e sua magnitude (p. 
ex., alto ou baixo). Transformando essa informação em uma declaração pre-
ditiva (hipótese), um pesquisador pode escrever, “Quanto maior a centralização 
do poder nos líderes, maior a negação dos direitos dos seguidores”. Quando 
os pesquisadores testam repetidamente hipóteses como essa em diferentes 
locais e com diferentes populações (p. ex., os escoteiros, uma igreja pres-
biteriana, o Rotary Club e um grupo de alu nos do ensino médio), uma teoria 
emerge e alguém lhe dá um nome (p. ex., uma teoria de atribuição). Assim, 
a teoria desenvolve-se como uma explicação para sugerir conhecimento em 
campos específicos (Thomas, 1997).
Outro aspecto das teorias é que elas variam na amplitude de sua co-
ber tura. Neuman (2000) examina as teorias em três níveis: mi cro, meso e 
macro. As teorias do nível micro proporcionam explicações limitadas pa-
ra pequenas quantidades de tempo, espaço ou números de pessoas, co- 
mo a teoria do trabalho de face de Goffman, que explica como as pes- 
soas se envolvem em rituais durante interações face a face. As teorias de 
nível meso vinculam os níveis micro e macro. Essas são teorias de orga-
nizações, movimento social ou comunidades, como a teoria do controle 
nas or ganizações de Collins. As teorias de nível macro explicam agregados 
maiores, como instituições sociais, sistemas culturais e sociedades inteiras. 
A teoria da estratificação social de nível macro de Lenski, por exemplo, 
explica como a quantidade de excedente que uma sociedade produz 
aumenta com o desenvolvimento da sociedade.
As teorias são encontradas nas disciplinas de ciências sociais de psi co-
logia, sociologia, antropologia, educação e economia, e também em muitos 
subcampos. Localizar e ler sobre essas teorias requer a busca em bancos de 
Projeto de pesquisa 81
dados de literatura (p. ex., Psychological Abstracts, Sociological Abstracts) ou 
o exame de guias para a literatura sobre teorias (p. ex., ver Webb, Beals e 
White, 1986).
Formas de teorias
Os pesquisadores declaram suas teorias nas propostas de pesquisa 
de várias maneiras, como uma série de hipóteses, de declarações lógicas 
se-então ou de modelos visuais. Primeiro, alguns pesquisadores declaram 
as teorias na forma de hipóteses interconectadas. Por exemplo, Hopkins 
(1964) comunicou sua teoria dos processos de influência como uma série 
de 15 hipóteses. Algumas das hipóteses são as seguintes (essas foram ligei-
ramente alteradas para remover os pronomes específicos do gênero):
Quanto mais elevada a posição da pessoa, maior sua centra lida de.1. 
Quanto maior a centralidade da pessoa, maior sua observa bili da de.2. 
Quanto mais elevada a posição da pessoa, maior sua observabi-3. 
lidade.
Quanto maior a centralidade da pessoa, maior sua conformidade.4. 
Quanto mais elevada a posição da pessoa, maior sua conformi da de.5. 
Quanto maior a observabilidade da pessoa, maior sua conformi-6. 
da de.
Quanto maior a conformidade da pessoa, maior sua observabilidade. 7. 
(p. 51)
Uma segunda maneira é declarar uma teoria como uma série de 
declarações se-então que expliquem por que se esperaria que as variáveis 
independentes influenciassem ou causassem as variáveis dependentes. 
Por exemplo, Homans (1950) explica uma teoria da interação:
Se a frequência da interação entre duas ou mais pessoas aumenta, o grau 
de vinculação uma com a outra também aumentará, e vice-versa... As 
pessoas que têm sentimentos de vínculo uma com a outra expressarão esses 
sentimentos em atividades além e acima das atividades do sistema externo, 
e essas atividades podem fortalecer ainda mais os sentimentos de vínculo. 
Quanto mais frequentemente as pessoas interagem uma com a outra, mais 
semelhantes em alguns aspectos suas atividades e seus sentimentos tendem 
a se tornar. (p. 112, 118, 120)
Terceiro, um autor pode apresentar uma teoria como um modelo 
visual. Convém traduzir as variáveis em um quadro visual. Blalock (1969, 
1985, 1991) defende a modelagem causal e reformula as teorias verbais 
82 John W. Creswell
em modelos causais para que o leitor possa visualizar as interconexões 
das variáveis. Dois exemplos simplificados são apresentados aqui. Co- 
mo mostra a Figura 3.1, três variáveis independentes influenciam uma 
única variável dependente, mediada pela influência de duas variáveis in-
tervenientes. Um diagrama como esse mostra a possível sequência causal 
entre as variáveis que conduz à modelagem através da análise de cami-
nhos e de análises mais avançadas utilizando medidas múltiplas de va-
riáveis, como é encontrado na modelagem de equação estrutural (ver 
Kline, 1998). Em um nível introdutório, Duncan (1985) apresenta su-
gestões úteis sobre a notação para a construção desses diagramas cau- 
sais visuais:
Posicione as variáveis dependentes à direita no diagrama e as va-•	
riáveis independentes à esquerda.
Use setas unidirecionais partindo de cada variável determinante •	
pa ra cada variáveis dependentes.
Indique a “força” da relação entre as variáveis inserindo sinais de •	
valência nos caminhos. Use valências positivas ou negativas que 
postulem ou infiram relações.
Use setas bidirecionais conectadas para mostrar relações não ana-•	
li sadas entre as variáveis não dependentes de outras relações no 
modelo (correlação).
 X1
 
 Y1
 
 X2 Z1
 Variáveis 
 dependentes
 Y2
 Variáveis 
 intervenientes
 X3
 Variáveis 
 independentes
Figura 3.1 Três variáveis independentes influenciam uma única variável depen-
dente mediada por duas variáveis intervenientes.
+
+
+
++
–
Projeto de pesquisa 83
Diagramas causais mais complicados podem ser construídos com uma 
notação adicional. Este retrata um modelo básico de variáveis li mi tadas, 
como aquelas tipicamente encontradas em uma pesquisa de le vantamento.
Uma variação sobre esse tema é ter variáveis independentes em 
que grupos controles e experimentais são comparados a uma variável 
in dependente em termos de um resultado (variável dependente). Como 
mostra a Figura 3.2, dois grupos da variável X são comparados em termos 
de sua influência sobre Y, a variável dependente. Esse projeto é um projeto 
experimental entre grupos (ver Capítulo 8). São aplicadas as mesmas re-
gras de notação previamente discutidas.
 Variável X
 Grupo experimental
 Y1
 Grupo-controle
Figura 3.2 Dois grupos com diferentes tratamentos em X são comparados em 
termos de Y.
Esses dois modelos pretendem apenas introduzir possibilidades para co-
nectar variáveis independentes e dependentes para construir teorias. Pro jetos 
mais complicados empregam múltiplas variáveis independentes e de pen den-
tes em modelos de causação elaborados (Blalock, 1969, 1985). Por exemplo, 
Jungnickel (1990), em uma proposta de tese de doutorado so bre a produ-
tividade em pesquisa entre docentes das faculdades de far má cia, apresentou 
um modelo visual complexo, como mostra a Figura 3.3. Jungnickel pergun-
tou quais fatores influenciam o desempenho de um membro docente na 
pesquisa acadêmica. Depois de identificar esses fatores na literatura, adaptou 
uma estrutura teórica encontrada na pesquisa em enfermagem (Megel, 
Langstone Creswell, 1988) e desenvolveu um modelo visual retratando a 
re lação entre tais fatores, seguindo as regras para a construção de um modelo 
anteriormente introduzido. Ele listou as variáveis independentes na extrema 
esquerda, as variáveis intervenientes no meio e as variáveis dependentes à 
direita. A direção da influência fluiu da esquerda para a direita, e ele usou 
sinais de mais e de menos para indicar a direção da hipótese.
84 John W. Creswell
Desempenho
Acadêmico
* Apresentação
 (não pesquisa)
* Apresentações
 (pesquisa)
* Artigos de revistas
 (não referenciados)
* Artigos referenciados
 (pesquisa)
* Artigos referenciados
 (não pesquisa)
* Capítulos de livro
* Livros
* Subvenções federais
 (aprovadas)
* Subvenções federais
 (financiadas)
* Subvenções não
 federais
* Contratos
Tipo de indicação
chefe do departamento
vs. docente
Treinamento 
anterior à pesquisa
Autopercepção
como pesquisador
Centro de ciências da
saúde na faculdade
Indicações de 
professores
em processo 
de conseguir 
estabilidade
Padrões de
estabilidade 
institucional
Variáveis 
demográficas
Exógenas
Carga de trabalho
(não pesquisa)
Colaboração
Apoio dos 
colegas
Independentes
Endógenas
Pressão para 
a realização 
de pesquisa
Apoio do 
chefe do 
departamento
Recursos
Dependentes
Figura 3.3 Modelo visual da teoria sobre desempenho do corpo docente acadêmico.
Fonte: Jungnickel (1990). Reprodução autorizada.
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Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
 
Dica do professor
As teorias e os fatos são muito importantes para a produção de conhecimentos científicos.
Para saber um pouco mais sobre elas, assista à dica construída para esta unidade de aprendizagem.
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Na prática
Aqui temos um exemplo de como uma situação real - um fato - se tornou uma teoria.
 
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Tópico: [Fato, lei e teoria]
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Teoria do conhecimento - Descartes
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http://www.galileu.esalq.usp.br/mostra_topico.php?cod=117
https://www.youtube.com/embed/C9no4FQgNi8?rel=0
Planejamento, Pesquisa e Projeto de 
Pesquisa
Apresentação
A elaboração de um projeto de pesquisa é parte fundamental de todo o processo de conclusão de 
um percurso acadêmico, mas não só. É com a elaboração desse projeto que o estudante aprende de 
que maneira organizar ideias, projetos e colocar em prática a práxis de uma pesquisa e sua 
potencialidade. Por esse motivo, deve ser algo prazeroso para o pesquisador e constitutivo de sua 
trajetória acadêmica.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá de que maneira se desenvolve um projeto de pesquisa, 
desde seu momento prévio de planejamento até a sua elaboração como projeto final que deve ser 
utilizado no desenrolar da pesquisa em si.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar um projeto de pesquisa.•
Analisar um bom planejamento para o resultado satisfatório da pesquisa.•
Reconhecer as fases de um projeto de pesquisa.•
Infográfico
A pesquisa é importante por ser um instrumento usado para analisar profundamente a realidade. 
Aplicando uma metodologia, é possível chegar à essência dos fenômenos com o objetivo de 
produzir um novo conhecimento.
Confira no Infográfico como o processo de pesquisa e a formulação do projeto de pesquisa devem 
ser efetuados no sentido do processo mental e do caminho que deve efetuar o pesquisador a fim 
de partir do todo ao específico. 
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Conteúdo do livro
Elaborar um projeto de pesquisa é um momento relevante e importante dentro da organização 
acadêmica. O objetivo é planejar as informações e conhecimentos adquiridos durante sua vida 
acadêmica que serão repassados à sociedade. Utilizando diversas ferramentas e aplicando-as na 
elaboração de um projeto de pesquisa, o processo se torna algo prazeroso e estimulante para o 
pesquisador.
No capítulo Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa, da obra Fundamentos da pesquisa em 
Serviço Social, você irá estudar sobre como elaborar um projeto de pesquisa a partir do que foi 
reunido pelo pesquisador em seu percurso acadêmico.
Boa leitura.
FUNDAMENTOS DA 
PESQUISA EM 
SERVIÇO SOCIAL
Mariana Oliveira Decarli
Planejamento, pesquisa 
e projeto de pesquisa
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar um projeto de pesquisa.
  Analisar um bom planejamento para o resultado satisfatório da 
pesquisa.
  Reconhecer as fases de um projeto de pesquisa.
Introdução
Neste capítulo você irá estudar o tema planejamento, pesquisa e projeto 
de pesquisa, que abrangerá um conteúdo de acesso didático sobre como 
elaborar um projeto de pesquisa, de que forma estruturar um projeto 
de pesquisa e a importância de um projeto de pesquisa enquanto dina-
mizador daquilo que foi apreendido pelo pesquisador em seu percurso 
acadêmico.
A elaboração de um projeto de pesquisa constitui uma etapa fun-
damental de sua organização acadêmica no intuito de planejar a ma-
neira como irá apresentar à sociedade informações, conhecimentos e 
o acúmulo de seu percurso acadêmico. A elaboração de um projeto de 
pesquisa pode ser algo extremamente prazeroso para o pesquisador. 
Conhecendo as ferramentas que apresentaremos neste capítulo, o per-
curso torna-se mais didático e explicativo.
C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 1 05/07/2018 16:24:39
O que é o processo de pesquisa e para que serve
A pesquisa é algo que faz parte do cotidiano das pessoas. Em diversos mo-
mentos é possível fazer pesquisas, comparar preços, elencar prós e contras 
acerca de determinada coisa, ação, movimentação etc. Mas o que diferencia 
uma pesquisa científi ca de uma pesquisa comum, que se faz no cotidiano?
Ambas as pesquisas envolvem a curiosidade, a vontade de saber sobre de-
terminado assunto, coisa, mercadoria; também envolve o processo de aprender 
sobre algo, o processo de buscar informações. Segundo Rocha (2009, p. 02):
[...] o cidadão pesquisa para acessar a informações que são novas para ele, 
mas que já fazem parte do acervo de conhecimento disponível sobre um 
determinado assunto. Já ao realizar uma pesquisa científica, o pesquisador 
reúne informações e as analisa para construir um novo conhecimento, um 
conhecimento ainda não disponível em uma determinada área ou disciplina.
A pesquisa se faz importante na medida em que é um instrumento utilizado 
para analisar profundamente uma realidade. Através da metodologia deter-
minada de uma pesquisa é possível ir à essência dos fenômenos colocados 
na realidade, afim de produzir um conhecimento novo sobre de determinada 
informação.
Segundo Ferreira (1998, p. 12 apud ROCHA, 2009, p. 02), pesquisa cien-
tífica é “[...] resultado de um processo articulado que pressupõe a construção 
de esquemas teóricos para a compreensão da realidade e a definição dos 
procedimentos para realizar a referida construção”.
A pesquisa trabalha com evidências, não com verdades absolutas; é sis-
temática, empírica e crítica. A pesquisa empírica é algo não obrigatório num 
processo de pesquisa, assim como o elemento “crítico”da pesquisa depende 
do método utilizado para aplicar a metodologia científica. A pesquisa também 
é factual, analítica, geral, é cumulativa, mas também seletiva, ela pode ser 
falível (ou seja, haver em seu resultado a falha naquilo que pesquisou, porque 
se trata de analisar evidências da realidade).
No desenvolvimento de uma pesquisa científica é fundamental que haja 
uma pesquisa bibliográfica e de referências teóricas e empíricas (se houver) 
para poder apropriar-se do conhecimento que já foi produzido acerca do objeto. 
Na pesquisa, muitas vezes o processo que a envolve é mais importante que o 
resultado, como pode ser visto na Figura 1.
Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa2
C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 2 05/07/2018 16:24:39
Figura 1. Fases do processo metodológico.
Fonte: Adaptada de Fernando (2016, documento on-line).
Como iniciar um processo de pesquisa
Para iniciar uma pesquisa é necessário inicialmente identifi car uma grande área 
do conhecimento. Essa grande área deve abranger o seu objeto de pesquisa. Pos-
teriormente, é necessário fazer uma revisão do “Estado da Arte”, que signifi ca 
uma revisão literária sobre o objeto, compreendendo ele historicamente, para que 
se possa partir do ponto em que ele se encontra no patamar do desenvolvimento 
do conhecimento. 
Depois destes dois passos iniciais é necessário selecionar um objeto específico 
para aprofundamento e buscar familiarizar-se com o tema em questão, buscando 
referências bibliográficas. A pesquisa não é algo linear, que tem sempre um início, 
meio e fim definidos. O pesquisador pode e deve transitar entre quatro pontos, a fim 
de compreender e aproximar-se cada vez mais de seu objeto específico de estudo.
São eles:
1. Definir um problema de pesquisa.
2. Definir uma questão de pesquisa.
3. Formular uma hipótese ou proposições de pesquisa. e
4. Definir o método científico a ser utilizado para compreender e apreender 
seu objeto.
3Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa
C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 3 05/07/2018 16:24:40
O problema de pesquisa é fundamental porque ele direciona àquilo que o pesquisador 
está buscando responder; qual o conjunto de perguntas que o pesquisador quer 
buscar responder ao longo da pesquisa; quais as informações necessárias que precisa 
obter para conseguir responder determinadas perguntas e quais procedimentos o irá 
utilizar para tratar as informações que vai encontrar; qual a matriz teórico-metodológica 
adotada pelo para analisar e desenvolver suas respostas.
Nesse sentido, todos os momentos de um processo de pesquisa são fundamentais, são 
como um corpo que possui um mecanismo próprio e que deve funcionar em conjunto.
Como se planejar para obter 
uma pesquisa satisfatória
Em primeiro lugar, é fundamental que o pesquisador saiba qual o tempo que dispõe 
para a sua pesquisa. Só a partir desse mapeamento inicial do período em dias, 
semanas, meses, anos é que será possível formular qualquer projeto de pesquisa.
Escrever o projeto de pesquisa é outra ferramenta fundamental, utilizando-se 
dos quatro pontos demonstrados anteriormente. Aprofundando esses pontos, temos 
a seguir uma sistematização que busca explicitar os pontos mais profundamente.
Sobre a definição do tema: o pesquisador deve formular um problema, for-
mular uma pergunta. O problema deve ser claro e preciso, deve ser delimitado 
a uma dimensão variável para que ele seja palpável, possível. Sobre a definição 
da base teórica: é uma parte crucial, o que sustentará toda a pesquisa. É ne-
cessário estabelecer um diálogo entre a teoria e o problema a ser investigado. 
Sobre a formulação da hipótese: deve ser formulada sob conceitos claros, deve 
ser específica, não deve se basear em conceitos morais. Toda hipótese deve ter 
uma teoria que a sustente. Sobre a justificativa: deve-se definir quais motivos 
justificam a pesquisa de determinado tema, qual a contribuição da pesquisa para 
a sociedade. Sobre os objetivos: busca-se responder o que se pretende com a 
pesquisa, geralmente se formula um objetivo geral e objetivos específicos que dia-
loguem e partam desse objetivo geral. Sobre metodologia: esta parte da pesquisa 
geralmente é um pouco mais complexa, pois contém decisões que darão base e 
nortearão todos os pontos da pesquisa. Os principais elementos da metodologia 
são: definição da amostragem, coleta de dados, organização e análise de dados. 
Sobre custos e orçamentos: este item só deve aparecer na pesquisa caso exista 
um pleito para financiamento. Sobre o cronograma: o cronograma deve prever 
o tempo de cada parte da pesquisa, além de uma programação para o tempo de 
Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa4
C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 4 05/07/2018 16:24:40
toda a pesquisa. A forma mais clássica de demonstrar o cronograma de uma 
pesquisa é através da tabela que cruza tempo e atividade. E, por último, sobre 
as referências: nas referências de um projeto de pesquisa é necessário constar 
os autores que foram apresentados ao longo do texto, mas também aqueles que 
embasam a perspectiva do pesquisador, para que possa demonstrar através dos 
autores sua linha de raciocínio e sua compreensão de importância da pesquisa.
O pesquisador deve formular o projeto de pesquisa desenvolvendo cada 
um desses pontos, de forma a demonstrar descritivamente seu problema de 
pesquisa (quais perguntas ele gostaria de responder), qual hipótese ou pro-
posições (onde ele pretende chegar, qual ou quais resultados ele imagina que 
irá encontrar ao longo da pesquisa), e qual o método científico que utilizará 
para compreender seu problema de pesquisa.
Todo o registro do projeto de pesquisa é central, pois é no projeto de pes-
quisa que o pesquisador inscreve historicamente sua tomada de decisão, seus 
pontos de reflexão desenvolvidos até então, o que ele pretende da pesquisa. 
Esse projeto pode e deve ser revisitado enquanto instrumento de pesquisa, 
deve ser revisto, refeito e reformulado sempre que se julgar necessário.
Ao mesmo tempo, parte fundamental da pesquisa é a forma como o pes-
quisador vê o mundo. Portanto, é indissociável que haja o olhar singular de 
cada pesquisador sob seu objeto de pesquisa. Segundo Rocha (2009, p. 04):
Este quadro de referência determina as diretrizes e procedimentos da pesquisa, 
porque fornece os princípios para compreensão da realidade e do próprio processo 
de produção de conhecimento e, permite a identificação dos enigmas que a reali-
dade, compreendida segundo esses princípios, nos impõe. A partir deste alicerce é 
que identificamos questões de pesquisa e elegemos procedimentos para tratá-las.
A estrutura de um projeto de pesquisa deve conter: tema e título; justifica-
tiva; problema; formulação de hipóteses (se houver) ou questões norteadoras; 
objetivo geral e objetivos específicos; revisão de literatura; metodologia, mé-
todo; resultados esperados; cronograma; orçamento; referências bibliográficas.
Os temas de pesquisa geralmente surgem de alguma dificuldade do pesquisador, de 
alguma vivência, de algum elemento de seu cotidiano acadêmico científico prático. O 
que o leva a indagar, a fazer perguntas que auxiliem na compreensão daquele problema. 
Esse processo é natural e saudável na pesquisa, pois uma das partes fundamentais do 
projeto de pesquisa é a maneira como o pesquisador aproxima-se do tema, aquilo 
que torna o seu olhar particular e único.
5Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa
C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 5 05/07/2018 16:24:40
Análise de um projeto de pesquisa e 
reconhecimento de suas fases
Essa tarefa, embora pareça simples, pode conter várias difi culdades. Não 
é difícil que se confundam perguntas de pesquisa com objetos de pesquisa 
ou ainda hipóteses de pesquisa com perguntas de pesquisa. Nesse sentido, 
é importante entender que quando o pesquisador está buscando construir 
seu projeto de pesquisa ele pode ter acesso a outros projetos de pesquisa. Na 
medidaem que se aproxima de projetos, consegue também reconhecer cada 
etapa apresentada anteriormente.
Sobre o método de pesquisa:
É a consciência da forma, do movimento interno do conteúdo. E é o próprio 
conteúdo, o movimento dialético que este tem em si, que o impele para a frente 
incluída a forma. A lógica dialética acrescenta a antiga lógica, a captação das 
transições, do desenvolvimento, da ligação interna e necessária das partes no 
todo (LEFEBVRE, 1991, p. 21).
A definição do método é central para qualquer processo de pesquisa, pois 
define a direção social, política, ideológica adotada pelo pesquisador diante 
de seu problema de pesquisa.
O recorte e a escolha da população ou amostra, a possibilidade de desen-
volver uma pesquisa qualitativa, quantitativa ou quali-quantitativa também 
são posicionamentos que o pesquisador deve tomar, e deve construir essas 
definições do projeto baseado em sua perspectiva e segundo o método que 
define para fazê-lo.
Para entender mais profundamente a importância e o 
processo de pesquisa científica, recomenda-se a leitura 
do artigo em que se apresentam tendências atuais de 
pesquisas científicas no Serviço Social. Acesse o link ou o 
código a seguir.
https://goo.gl/igmnga 
Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa6
C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 6 05/07/2018 16:24:41
Como exemplo prático se pode pensar acerca de um tema como a educação. A 
educação, enquanto abrangência de tema possui proporções grandes, o que dificulta 
a formulação de um projeto de pesquisa que tenha um prazo pequeno de concretude. 
Portanto, educação é o tema sob o qual o pesquisador quer debruçar-se. Em suas 
experiências práticas, há inquietação teórica acerca do acesso ao ensino superior. Isso 
constituirá o fenômeno, o seu problema de pesquisa: o ensino superior. A formulação 
da questão de pesquisa dar-se-á na medida em que o pesquisador sobre o que ele 
gostaria de entender acerca do acesso ao ensino superior (De que forma se dá o acesso? 
Por quais meios se dá o acesso? Se há recorte de classe no acesso etc.) A formulação da 
questão de pesquisa, a qual o pesquisador quer apresentar uma resposta, constitui o seu 
foco de pesquisa. Se o pesquisador possui uma hipótese de resposta a sua pergunta, 
é esse o momento de apresentá-la. E, posteriormente, o pesquisador apresenta os 
dados que quer coletar acerca da determinada pesquisa.
FERNANDO, M. Metodologia de pesquisa científica. 2016. Disponível em: <https://
www.slideshare.net/MagnoFernando/faeme-metodologia-cientfica>. Acesso em: 
22 jun. 2018.
LEFEBVRE, H. Lógica formal / lógica dialética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991.
ROCHA, M. A. G. A. Elaboração de Projetos de Pesquisa. In: CONSELHO FEDERAL DE 
SERVIÇO SOCIAL. Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília, 
DF: CFESS, 2009.
Leituras recomendadas
FERREIRA, R. A. A pesquisa científica nas ciências sociais. Recife: UFPE, 1998.
MENDES, J. M. R.; ALMEIDA, B. L. F. As recentes tendências da pesquisa em Serviço 
Social. Serviço Social e Sociedade, n. 120, out./dez. 2014. Disponível em: <http://www.
scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282014000400003&lng=pt&tln
g=pt>. Acesso em: 22 jun. 2018.
MINAYO, M. C. S. (Org.) Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2016.
7Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa
C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 7 05/07/2018 16:24:41
Conteúdo:
Dica do professor
O olhar do pesquisador, suas influências e toda a carga acadêmica que possui interferem e auxiliam 
ao desenvolver uma pesquisa; afinal, ele possui conhecimentos e valores que influenciam e também 
tornam singular seu olhar diante do objeto de pesquisa.
Na Dica do Professor, confira a importância do pesquisador para o projeto de pesquisa e de que 
forma o seu olhar sobre a pesquisa pode torná-la singular e destacá-la.
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Na prática
A pesquisa está no cotidiano e é aplicada em diversas situações, como comparar preços, elencar 
prós e contras, entre outros. Mesmo sendo distintas, a pesquisa científica e a pesquisa comum 
envolvem a curiosidade, a vontade de saber sobre determinado assunto, além do processo de 
aprender e de buscar informações.
Neste Na Prática, você verá a formulação de um projeto de pesquisa sob a ótica de um bebê e seu 
método de pesquisa durante o processo de descoberta do mundo. Veja como ele efetua esse 
processo e aquilo que não aparece em seu percurso porém está subentendido.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
As recentes tendências da pesquisa em Serviço Social
Este artigo apresenta as tendências da pesquisa no Serviço Social baseadas no Conselho Nacional 
de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, além de ressaltar a importância da pesquisa para a 
produção do conhecimento.
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Dicas para elaboração de projetos de pesquisa, relatório de 
prestação de contas e registro de grupos de pesquisa
Aprofunde seus conhecimentos sobre o desenvolvimento de um projeto de pesquisa, relatório de 
prestação e registro de grupos de pesquisa a partir do modelo apresentado.
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Elaboração de projetos de pesquisa
Neste artigo, você conhecerá os aspectos e as características da elaboração dos projetos de 
pesquisa especificamente ligados ao Serviço Social.
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http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282014000400003&lng=pt&tlng=pt
https://www.ufrgs.br/escoladeadministracao/wp-content/uploads/2021/11/COMPESQ_-2021_Projetos-de-pesquisa.pdf
https://www.ufmg.br/proex/cpinfo/educacao/docs/06a.pdf
Ética na Pesquisa
Apresentação
No campo da pesquisa no Brasil, o documento que define as diretrizes éticas a serem observadas 
em pesquisas envolvendo seres humanos é a Resolução 196/96 - Conselho Nacional de Saúde 
(CNS). O texto da resolução estabeleceu o sistema de revisão ética em pesquisa em todo o 
território nacional e os requisitos que deveriam constar em projetos envolvendo pessoas (Guilhem; 
Greco, 2008). No serviço social, a conduta ética na relação com os participantes das pesquisas está 
presente no Código de Ética Profissional e, também, nas reivindicações e discussões da categoria, 
sendo tema debatido no Seminário Nacional de Pós-Graduação da Associação Brasileira de Ensino 
e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), em 2009, e no Congresso Nacional de Serviço Social em 
Saúde, nos anos de 2010 e 2012.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você saberá o que é ética, quais são as suas implicações na 
pesquisa e sua importância para organizações que realizam pesquisas, e aprenderá mais sobre a 
atuação do comitê de ética nas instituições que realizam pesquisas com seres humanos.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Identificar o que é ética.•
Analisar a importância da ética para as organizações e os indivíduos que realizam pesquisa.•
Reconhecer a atuação do comitê de ética nas instituições de ensino que realizam pesquisas 
com seres humanos.
•
Infográfico
Quando se fala em ética, logo vem à mente o termo moral. Involuntariamente, conduz-se a pensar 
que os dois termos são sinônimos. No entanto, não são. Etimologicamente, embora tanto a antiga 
língua grega como a latinautilizem os dois termos, éthos se inscreve particularmente na cultura da 
Grécia clássica, enquanto o termo mos-moris se inscreve na cultura romano-latina (NOSELLA, 2008, 
p. 266). Neste Infográfico, você verá mais informações sobre esse termo e conceito de ética e 
moral.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/e4bc7737-fdac-4534-9670-82013db74977/b98fb226-6719-4e4e-9cba-a617c8686896.png
 
Conteúdo do livro
“Ética (do grego ethos, ou costumes), ciência dos princípios da moral – a moral designa, mais 
especificamente, a aplicação desses princípios nos atos particulares da vida” (JULIA, 1969, p. 100). 
Na concepção da autora, ética está sendo entendida por “ciência do bem e das regras da ação 
humana”. Partindo dessa concepção, a ética diz respeito à aplicação dos princípios da moral no 
comportamento humano. Pode-se falar da ética como espaço de reflexão teórica sobre os 
embasamentos da moralidade e como resposta consciente de uma categoria profissional às 
implicações de sua ação profissional.
No capítulo Ética na pesquisa, da obra Fundamentos da pesquisa em serviço social, que é base teórica 
desta Unidade de Aprendizagem, você verá algumas considerações sobre o que é ética, analisará 
sua importância nas organizações que realizam pesquisa e reconhecerá a atuação do comitê de 
ética nas instituições que realizam pesquisa.
 
Ética na pesquisa
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Identificar o que é ética.
  Analisar a importância da ética para as organizações e indivíduos que 
realizam pesquisa.
  Reconhecer a atuação do comitê de ética nas instituições de ensino 
que realizam pesquisa com seres humanos.
Introdução
Na contemporaneidade, a ética tem sido tema recorrente, seja no co-
tidiano, na esfera pública, na vida profissional ou na esfera privada. Os 
meios de comunicação têm abordado o assunto nas mais diversas áreas 
de utilização da ética, indo do trabalho profissional à ação política, e 
passando pela atividade científica. No que tange à ética na pesquisa, 
podemos afirmar que ela tem suscitado debates no campo acadêmico 
e das instituições de pesquisa.
Neste capítulo, você verá algumas considerações sobre o que é ética, 
analisará sua importância nas organizações de pesquisa e reconhecerá 
a atuação do comitê de ética nas instituições que realizam pesquisa.
O que é ética?
Ao fazermos uma breve busca nos nossos dicionários, veremos que a palavra 
ética se origina do grego ethos, que signifi ca valores, costume ou hábito. A 
civilização latina herdou o conceito de ética do debate fi losófi co da Grécia 
clássica e preservou-lhe o sentido de refl exão teórica. Assim, ética signifi ca, em 
primeiro lugar, o ramo da fi losofi a que fundamenta científi ca e teoricamente 
a discussão sobre valores, opções (liberdade), consciência, responsabilidade, 
o bem e o mal, o bom e o ruim etc. (NOSELLA ,2008, p.256).
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Se continuarmos nossa busca sobre o que é ética? Ainda encontraremos 
na literatura uma vasta conceituação histórico-filosófica sobre o termo 
e suas implicações nas relações humanas. Inicialmente, é importante 
esclarecermos que a nossa proposta não é a busca de aprofundamento 
no conceito e nem uma longa explanação do termo ao longo da história 
exposta pelos estudos clássicos vistos em Platão e Sócrates, representantes 
do pensamento grego. 
Nossa proposta, ao indagarmos o que é ética, é trazer a identificação do 
termo para o nosso cotidiano, ampliando sua discussão para diferentes áreas 
do saber, e analisar sua incidência sobre a vida social. Segundo o professor 
Clóvis de Barros Filho (2014, documento on-line), “A ética é a inteligência 
compartilhada a serviço do aperfeiçoamento da convivência”. 
Este aperfeiçoamento da conveniência é realizado no cotidiano e no mo-
vimento cíclico da história. Ética, numa perspectiva histórico-dialética, é 
querer certo bem geral, uma vez que existam as condições materiais e técnicas 
indispensáveis para a concretização desse bem (NOSELLA, 2008, p.255). 
Ela atravessa a história da humanidade, a cada momento histórico, o homem 
enfrenta novos problemas; quando descobre as condições para a sua solução, 
a determinação política de resolvê-los torna-se um dever, isto é, uma questão 
ética (NOSELLA, 2008, p.255).
Embora limitada, a ética se faz cotidianamente através de atos morais sin-
gulares, mais ou menos conscientes e livres; pode se objetivar através de 
ações motivadas por valores e teleologias dirigidas à realização de direitos 
e conquistas coletivas; pode ser capaz de efetuar a crítica radical da moral 
do seu tempo, oferecendo elementos para a compreensão das possibilida-
des éticas e morais do futuro. Embora momentânea, pode se estabelecer 
como mediação entre a singularidade de indivíduo moral e a sua dimensão 
humano-genérica, objetivando-se como parte da práxis social (BARROCO, 
2009, p. 04).
A ética está presente na nossa sociabilidade, ela envolve liberdade, 
movimento, valores e aperfeiçoamento da convivência. Falar em ética é 
falar sobre a capacidade que temos de escolhermos como queremos convi-
ver, é falar sobre o homem enquanto ser social, seus problemas, condutas 
e costumes. A ética não é um saber acabado, mas um saber histórico em 
constante construção. 
Ética na pesquisa2
Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 2 29/06/2018 14:11:21
A importância da ética na pesquisa 
na atualidade
O interesse pela relação entre ética e pesquisa no meio social e na comunidade 
científi ca a partir do século XX vem sendo crescente. Tanto no cenário inter-
nacional como no contexto nacional, fomentaram-se discussões em diferentes 
fóruns, elaboraram-se diversos docu mentos regulamentadores e adotaram-se 
medidas de controle de atividades investigativas por meio de resoluções, 
comitês e comissões. O tema da ética em pesquisa nas ciências humanas foi 
intensamente discutido na década de 1980 nos Estados Unidos. Esse era um 
momento de efervescência das pesquisas urbanas com grupos alternativos 
aos estudos clássicos de sociologia ou antropologia, tais como usuários de 
drogas, trafi cantes, presos e adolescentes, e de surgimento de novas questões 
de pesquisa, como a violência e a sexualidade (DINIZ ,2008, p.418).
O debate sobre os princípios éticos que norteiam o desenvolvimento de 
atividades de pesquisa no Brasil vem crescendo paulatinamente. Em meados 
das décadas de 1980 e 1990, a aplicação dos referidos princípios adentrou na 
sociedade cientifica brasileira, se materializando na edição da Resolução 196, 
do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 1996), que normatiza a realização 
de pesquisas que envolvem seres humanos no Brasil. 
Vale pontuar que a Resolução CNS 196/96 considera como pesquisas em 
seres humanos as realizadas em qualquer área do conhecimento e que, de modo 
direto ou indireto, envolvam indivíduos ou coletividades, em sua totalidade ou 
partes, incluindo o manejo de informações e materiais. São também consideradas 
pesquisas envolvendo seres humanos as entrevistas, aplicações de questionários, 
utilização de banco de dados e revisões de prontuários. Para os docentes, pós-
-graduandos, residentes e graduandos envolvidos em pesquisa realizada em seres 
humanos e animais é imprescindível o conhecimento dos princípios éticos que 
protegem os sujeitos das pesquisas (SCHNAIDER, 2008, p.108).
Nesse aspecto, o texto da resolução descreve que as pesquisas envolvendo 
seres humanos devem atender às exigências éticas e científicas fundamentais. 
No preâmbulo da resolução estão explícitos quais seriam os princípios éticos 
que lhe servem de norte: “Esta Resolução incorpora, sob a ótica do indivíduo 
e das coletividades, os quatro referenciais básicos da bioética: autonomia, 
não maleficência, beneficência e justiça, entre outros, e visa a assegurar osdireitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica, aos sujeitos da 
pesquisa e ao Estado” (BRASIL, 1996, documento on-line).
3Ética na pesquisa
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É importante pontuar que ao assumir um trabalho, uma pesquisa cientí-
fica, o pesquisador assume questões éticas e morais simultaneamente. Nesse 
sentido, pesquisa sem ética não pode ser considerada uma pesquisa séria, a 
questão ética é sobre a responsabilidade que as comunidades científicas têm 
para com a sociedade da qual fazem parte, em termos dos limites das suas 
certezas. Sobre os aspectos éticos da pesquisa envolvendo seres humanos, a 
Resolução 196/96 (BRASIL, 1996) pontua que a eticidade na pesquisa envol-
vendo seres humanos implica em respeito ao participante da pesquisa em sua 
dignidade e autonomia, reconhecendo sua vulnerabilidade, assegurando sua 
vontade sob forma de manifestação expressa, livre e esclarecida, de contribuir 
e permanecer ou não na pesquisa (BRASIL, 1996, documento on-line). As 
exigências que devem ser observadas e obedecidas pelos pesquisadores, de 
acordo com a Resolução, são: em qualquer área do conhecimento envolvendo 
seres humanos, deverão observar as seguintes exigências:
 ■ ser adequada aos princípios científicos que a justifiquem e com 
possibilidades concretas de responder a incertezas;
 ■ estar fundamentada em fatos científicos, experimentação prévia e 
ou pressupostos adequados à área específica da pesquisa;
 ■ ser realizada somente quando o conhecimento que se pretende obter 
não possa ser obtido por outro meio;
 ■ prevalecer sempre as probabilidades dos benefícios esperados sobre 
os riscos e/ou desconfortos previsíveis;
 ■ utilizar os métodos adequados para responder às questões estuda-
das, especificando-os, seja a pesquisa qualitativa, quantitativa ou 
quali-quantitativa;
 ■ se houver necessidade de distribuição aleatória dos participantes da 
pesquisa em grupos experimentais e de controle, assegurar que, a 
priori, não seja possível estabelecer as vantagens de um procedimento 
sobre outro, mediante revisão de literatura, métodos observacionais 
ou métodos que não envolvam seres humanos;
 ■ contar com o consentimento livre e esclarecido do participante da 
pesquisa e/ou seu representante legal, considerando-se os casos das 
pesquisas que necessitem, por suas características, coleta a posteriori, 
sempre que justificado;
Ética na pesquisa4
Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 4 29/06/2018 14:11:22
Esses deveres expressam o compromisso dos pesquisadores com a proteção 
dos direitos da pesquisa. Sinaliza o cumprimento dos princípios éticos que 
envolvem a preservação dos participantes, pois adotar medidas que preservem 
os (as) participantes e seus direitos pode ser visto como um compromisso 
ético central, uma vez que se trata de pesquisas realizadas com pessoas em 
vulnerabilidade. Nesse sentido, as instituições que realizam pesquisa devem 
cumprir as responsabilidades que lhe cabem, pois compartilham com os 
pesquisadores individuais a responsabilidade pela preservação da integridade 
ética da pesquisa científica. Elas são as responsáveis principais pela promoção 
de uma cultura de boa conduta científica entre os pesquisadores e estudantes 
a ela vinculados, assim como pela prevenção, investigação e punição de más 
condutas que ocorram em seu âmbito (FAESP, 2014, p. 33).
Sobre a responsabilidade das instituições de pesquisa, a Fundação de Âmparo à 
pesquisa do Estado de São Paulo descreve alguns pontos em seu Código de Boas 
Práticas Científicas:
  Toda instituição de pesquisa deve ter políticas e procedimentos claramente formu-
lados para lidar com a questão da integridade ética da pesquisa.
  Toda instituição que se apresente perante a FAPESP como sede de atividades de 
pesquisa deve incluir, em seu organograma, um ou mais órgãos especificamente 
encarregados de: a) promover a cultura da integridade ética da pesquisa, mediante 
programas regulares de educação, disseminação, aconselhamento e treinamento 
acessíveis a todos os pesquisadores a ela vinculados; b) investigar e, se for o caso, 
punir a ocorrência de possíveis más condutas científicas e reparar os prejuízos 
científicos que tenham causado.
  Todo periódico científico deve prever a utilização regular de procedimentos de 
identificação de más condutas científicas durante os processos de avaliação de 
trabalhos científicos que lhe sejam submetidos para publicação. Essa utilização 
regular será considerada pela FAPESP como item importante na avaliação de pe-
didos de Auxílio à Publicação que lhe sejam encaminhados. Uma vez identificada a 
ocorrência de má conduta científica relacionada a pesquisa apoiada pela FAPESP, os 
editores do periódico devem imediatamente informá-la às instituições de pesquisa 
dos autores do trabalho científico em causa e à FAPESP.
  Quando estabelecida a ocorrência de má conduta científica que possa ter afetado 
o valor científico de um trabalho já publicado em um periódico, este deve divulgar 
clara e expressamente o fato em seu número imediatamente seguinte. 
Fonte: FAESP (2014).
5Ética na pesquisa
Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 5 29/06/2018 14:11:22
Atuação do comitê de ética
No Brasil, existem a Resolução 196/96 (CNS), os Comitês de Ética na Pesquisa 
(CEP) e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para que sejam 
respeitas as leis e princípios em pesquisas com seres humanos. 
Os CEPs são colegiados interdisciplinares e independentes, com “munus 
público”, de caráter consultivo, deliberativo e educativo, criados para defender 
os interesses dos participantes da pesquisa em sua integridade e dignidade 
e para contribuir no desenvolvimento da pesquisa dentro de padrões éticos 
(BRASIL, 1996). Característica signi ficativa das ações dos CEP relaciona-se 
a seu caráter de controle social — como proposto desde a anti ga resolução de 
1996, que regulamentava o setor. Controle social, e não público, uma vez que 
o livre exercício da ética pressupõe independência, não po dendo haver outros 
interesses, coação ou coerção (JACOME; ARAÚJO; GARRAFA, 2017, p. 64).
A primeira menção a comitês de ética em pesquisa no país ocorreu na Resolução CNS 
nº 01/88 (art. 4º VII), dispondo que a pesquisa realizada em seres humanos para se 
desenvolver deverá “contar com o parecer favorável do Comitê de Ética e de Segurança 
Biológica quando for o caso” (JACOME, 2013, p.61). 
Segundo Jacome, Araújo e Garrafa (2017), o trabalho dos CEP é guiado 
por três aspectos. O pri meiro se refere à delimitação conceitual do que são 
consideradas pesquisas envolvendo seres humanos: todas aquelas que os 
envolvem direta ou indireta mente, de forma individual ou coletiva. O segundo 
aspecto diz respeito ao nível de formação dos pes quisadores: devem ser apre-
sentadas pesquisas delineadas por estudantes de graduação, pós-gra duação 
e por profissionais. O terceiro corresponde ao espectro das investigações: 
devem ser avaliadas pesquisas em todas as áreas de conhecimento (JACOME; 
ARAÚJO; GARRAFA, 2017, p.62).
Ética na pesquisa6
Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 6 29/06/2018 14:11:22
É importante ressaltar que as comissões de ética podem ser classificadas 
em vários tipos. Podem ser constituídas pelas comissões nacionais, que são 
criadas como um conselho de conhecedores no assunto, nomeados por seus 
governos com o propósito de emitir juízos fundamentados acerca de conflitos 
éticos que envolvem a prática biomédica. Também podem ser comissões 
hospitalares de ética ou comissões de bioética, que se ocupam das questões 
éticas dentro do contexto hospitalar, seja em relação à prática clínica, seja 
pertinente à atividade de pesquisa e com comissões de ética para a pesquisa 
científica (JACOME, 2013).
No Brasil, as Comissões de ética agregam os CEPs e a Conep (sistema 
CEP-Conep). A Conep foi criada com a incumbência de examinar do ponto 
de vista ético as pesquisas com a participação de seres humanos, bem como aadequação e atualização das normas existentes (JACOME, 2013, p. 60). Tem 
como principais atribuições zelar pelo cumprimento da resolução, monitorar 
e aconselhar. Ela é a instância colegiada, de natureza consultiva, deliberativa, 
normativa, educativa, independente, vinculada ao Conselho Nacional de Saúde, 
cabendo à Conep estimular e acompanhar os trabalhos dos CEP.
No que se refere à pesquisa envolvendo seres humanos, devem ser enca-
minhadas para apreciação dos CEPs as pesquisas realizadas em qualquer área 
de conhecimento. “As instituições que realizam este tipo de pesquisa devem 
constituir seus comitês de ética que, de acordo com o texto da Resolução, 
também acompanham as pesquisas por meio de relatórios, interrompendo-as 
quando julgar indicado. Ao apreciar os projetos, o CEP torna-se corresponsável, 
do ponto de vista ético, pelas pesquisas que aprova.” (JACOME, 2013, p. 61).
Uma característica importante da ação dos comitês de ética relaciona-se ao seu caráter 
de controle social, como proposto pela Resolução CNS n. 196/96, e não propriamente 
de controle público, o que é ressaltado por Hossne (2009). O autor pondera que o livre 
exercício da ética pressupõe independência, não podendo haver outros interesses, 
nem coação e coerção, ou seja, a ética não pode ser exercida sob pressão (JACOME, 
2013, p. 61). 
7Ética na pesquisa
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BARROCO, M. L. S. Fundamentos éticos do Serviço Social. In: CONSELHO FEDE-
RAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço Social: direitos sociais e competências profissio-
nais. Brasília, DF: CFESS, 2009. Disponível em: <http://www.cressrn.org.br/files/
arquivos/8QQ0Gyz6x815V3u07yLJ.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2018
BARROS FILHO, C. Ética no cotidiano, com Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho. 
2014. Disponível em: <https://www.contioutra.com/etica-no-cotidiano-com-mario-
-sergio-cortella-e-clovis-de-barros-filho/>. Acesso em: 24 jun. 2018.
BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 196, DE 10 de outubro de 1996. Bra-
sília, DF, 1996. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/1996/
res0196_10_10_1996.html>. Acesso em: 25 jun. 2018.
DINIZ, D. Ética na pesquisa em ciências humanas: novos desafios. Ciência e Saúde 
Coletiva, v.13, n.2, p.417-426, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.
php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232008000200017>. Acesso em: 15 jun. 2018.
FAESP. Código de Boas Práticas Científicas. São Paulo: FAESP, 2014. Disponível em: <http://
www.fapesp.br/boaspraticas/FAPESP-Codigo_de_Boas_Praticas_Cientificas_2014.
pdf>. Acesso em: 25 jun. 2018.
JÁCOME, M. Q. D. Análise dos comitês de ética em pesquisa no Brasil: percepção de seus 
coordenadores e membros. 2013. 215 f. Tese (Doutorado em Bioética) - Faculdade de 
Ciências da Saúde, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2013. Disponível em: <http://
repositorio.unb.br/bitstream/10482/13834/1/2013_Mar%C3%ADliadeQueirozDiasJ%
C3%A1come.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2018.
JACOME, M. Q. D.; ARAUJO, T. C. C. F.; GARRAFA, V. Comitês de ética em pesquisa 
no Brasil: estudo com coordenadores. Revista Bioética, v.25, n.1, p.61-71, 2017. Dis-
ponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983-
-80422017000100061&lng=pt&tlng=pt>. Acesso em: 25 jun. 2018.
NOSELLA, P. Ética e pesquisa. Educação e Sociedade, Campinas, v. 29, n. 102, p. 255-
273, jan./abr. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101-
-73302008000100013&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 25 jun. 2018.
SCHNAIDER, T. B. Ética e pesquisa. Acta Cirúrgica Brasileira, São Paulo, v. 23, n. 1, p. 
107-111, fev. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_
arttext&pid=S0102-86502008000100017&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 25 jun. 2018. 
Leituras recomendadas
IAMAMOTO, M. V. O serviço social na contemporaneidade: trabalho e formação profis-
sional. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2015.
IAMAMOTO, M. V. Renovação e conservadorismo no Serviço Social: ensaios críticos. 12. 
ed. São Paulo: Cortez, 2017.
Ética na pesquisa8
Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 8 29/06/2018 14:11:22
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para 
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual 
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
Conteúdo:
Dica do professor
O serviço social, enquanto profissão interventiva na realidade, atua no campo das relações 
humano-sociais e ocupa diferentes espaços ocupacionais na esfera social. É dever do assistente 
social lutar para que a ética impregne cada uma de suas ações profissionais. Esse é o compromisso 
que lhe cabe assumir e que somente pode ser alcançado por meio de práticas interdisciplinares, 
pautadas em um horizonte ético de humanização e qualidade de vida. Nesta Dica do 
Professor, você verá mais informações sobre algumas reflexões éticas do assistente social na área 
da saúde.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/66207b47f32b3f017272dce8667c65d9
Na prática
O debate em torno das pesquisas envolvendo seres humanos percorre o campo do serviço social. A 
necessidade de proteger os direitos dos participantes e os cuidados éticos adotados em pesquisas 
envolvendo seres humanos nos fazem refletir sobre os desafios da ética em pesquisa. No serviço 
social, a conduta ética na relação com os participantes das pesquisas está presente no Código de 
Ética Profissional. A seguir, você verá, na prática, as implicações da ética na pesquisa.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/56e94130-c0a7-4420-8959-cacf4b2c22f4/c328c5e8-7b8c-4fb7-9bfd-0c818b919969.png
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Sobre a integridade ética da pesquisa
Leia o artigo do professor Luiz Henrique Lopes dos Santos sobre o assunto.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Fundamentos éticos do serviço social
Leia o estudo da professora Maria Lúcia Silva Barroco sobre o assunto.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
 http://www.fapesp.br/6566?v=974202190
http://www.cressrn.org.br/files/arquivos/8QQ0Gyz6x815V3u07yLJ.pdf?v=1003992370
Hipóteses de pesquisa
Apresentação
Após as primeiras definições de uma pesquisa, as quais incluem a escolha do tema, o 
desenvolvimento do problema, a elaboração dos objetivos (geral e específicos) e da justificativa, é 
chegada a hora de oferecer alguma solução aceitável ao problema proposto, que será comprovada 
ou refutada com a realização do estudo. Essa demanda é atendida por meio da construção da 
chamada hipótese de pesquisa, que, além de propor uma solução para o problema em estudo, 
permite identificar os fatores envolvidos no estudo; tais fatores também são conhecidos como 
variáveis de pesquisa.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar sobre as hipóteses de pesquisa, verificando no 
que consistem e como podem ser desenvolvidas, bem como sobre a identificação das variáveis 
envolvidas na hipótese que será testada na pesquisa.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir hipótese de pesquisa.•
Desenvolver hipótese de pesquisa.•
Identificar as variáveis de pesquisa.•
Infográfico
A hipótese de pesquisa é um importante elemento no universo dos estudos científicos, tendo forte 
conexão com o problema de pesquisa. Para que se possa compreender o que são hipóteses de 
pesquisa, é preciso verificar essa e outras de suas conexões, bem como suas características mais 
relevantes, tais como funções e propósitos.
Confira neste Infográfico as conexões da hipótese de pesquisa, suas características e como se dá a 
execução da pesquisa.Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/ec054699-a8d6-493c-81f0-84bfbb378568/c18aa2f4-e0b3-472c-a4b0-991ac6d281d7.jpg
Conteúdo do livro
Em uma pesquisa, parte-se de uma indagação e se busca elucidá-la por meio do estudo, elaborando 
uma solução provável que permita respondê-la provisoriamente. Então, testa-se esta resposta, para 
que se possa confirmá-la ou refutá-la, o que se faz por meio da observação dos fatores envolvidos 
na indagação e sua resposta provisória. Este contexto forma o cenário da pesquisa, no qual se têm 
três importantes personagens: problema, hipótese e variáveis.
No capítulo Hipóteses de pesquisa, do livro Metodologia Científica, base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem, você vai estudar sobre as hipóteses de pesquisa, verificando no que consistem, 
como podem ser desenvolvidas, que variáveis envolvem e qual a relação entre elas.
Boa leitura.
METODOLOGIA 
CIENTÍFICA
Gisele Lozada
Hipóteses de pesquisa
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Definir hipótese de pesquisa.
 � Desenvolver hipótese de pesquisa.
 � Identificar as variáveis de pesquisa.
Introdução
Após as primeiras definições de uma pesquisa, que incluem a escolha 
do tema, o desenvolvimento do problema e a elaboração dos objetivos 
(geral e específicos) e da justificativa, é chegada a hora de oferecer al-
guma solução aceitável ao problema proposto, que será comprovada ou 
refutada com a realização do estudo. Essa demanda é atendida por meio 
da construção da chamada hipótese de pesquisa, que, além de propor 
uma solução para o problema em estudo, possibilita identificar os fatores 
envolvidos nele, ou seja, as variáveis de pesquisa.
Neste capítulo, você estudará as hipóteses de pesquisa, verificando 
no que consistem e como podem ser desenvolvidas, além de observar 
como identificar as variáveis envolvidas na hipótese testada por meio 
da pesquisa.
1 Definição da hipótese de pesquisa
Uma hipótese é uma suposição ou explicação provisória sobre um problema 
apresentado. Em sua forma mais simplista, consiste em uma expressão verbal 
que pode ser definida como verdadeira ou falsa. As hipóteses devem ser 
submetidas a testes e, se forem reconhecidas como verdadeiras, passam a ser 
aceitas como respostas ao problema proposto, ou seja, a hipótese compreende 
a proposição de uma resposta suposta, provável e provisória a um problema 
cientificamente válido.
Desse modo, hipóteses consistem em tentativas de responder ao problema 
de pesquisa, constituindo-se como preposições antecipadoras ao levantamento 
da realidade que o pesquisador pretende demonstrar com seu estudo. Contudo, 
mesmo que problema e hipótese sejam enunciados que mantêm uma relação 
com as variáveis, os fatos e os fenômenos estudados, é importante identificar 
a diferença entre eles: o problema é uma sentença interrogativa, enquanto 
a hipótese representa uma sentença afirmativa mais detalhada (BARROS; 
LEHFELD, 2000; GIL, 2017; MARCONI; LAKATOS, 2005).
Considere o seguinte problema: quais fatores contribuem para o consumo de cerveja 
por estudantes universitários? Diversas respostas poderiam ser obtidas, dando origem 
a afirmações como:
 � estudantes ansiosos tendem a consumir mais cerveja;
 � estudantes do sexo masculino são mais propensos ao consumo de cerveja;
 � a existência de bares próximos a instituições de ensino é um fator que estimula o 
consumo de cerveja;
 � estudantes de cursos noturnos tendem a consumir mais cerveja do que os dos 
cursos matutinos.
Tais afirmações, que podem ser verdadeiras ou falsas, devem ser verificadas mediante 
procedimentos específicos. Desse modo, as afirmações podem ser consideradas 
hipóteses, tendo em vista que são supostas respostas ao problema proposto (GIL, 2017).
No Quadro 1, há definições de hipótese de pesquisa elaboradas por dife-
rentes autores, as quais, além de oferecerem subsídio para inúmeras conside-
rações, demonstram que a hipótese de pesquisa é um elemento há muito tempo 
considerado no contexto da pesquisa científica, o que ratifica sua relevância 
e solidifica tais conceitos, que servem como base para diversas pesquisas.
Hipóteses de pesquisa2
Autor Definição
Pardinais 
(1969, p. 132)
“Hipótese é uma proposição enunciada para responder a um 
problema.”
Boudon e 
Lazarsfeld 
(1979, p. 48)
“A hipótese de trabalho é a resposta hipotética a um problema 
para cuja solução se realiza toda investigação.”
Rudio (1978, 
p. 97)
“Chama-se de enunciado de hipótese a fase do método de 
pesquisa que vem depois da formulação do problema. Sob 
certo aspecto, podemos afirmar que toda a pesquisa científica 
consiste apenas em enunciar e verificar hipóteses; estas são 
suposições que se fazem na tentativa de explicar o que se 
desconhece. Esta suposição tem por característica o fato de 
ser provisória, devendo, portanto, ser testada para se verificar 
sua validade.”
Trujillo (1974, 
p. 132)
“A hipótese é uma proposição antecipadora à comprovação 
de uma realidade existencial. É uma espécie de pressuposição 
que antecede a constatação dos fatos. Por isso se diz também 
que as hipóteses de trabalho são formulações provisórias do 
que se procura conhecer e, em consequência, são supostas 
respostas para o problema ou assunto da pesquisa.”
Ander-Egg 
(1978, p. 20)
“A hipótese é uma tentativa de explicação mediante uma 
suposição ou conjectura verossímil, destinada a ser provada 
pela comprovação dos fatos.”
Schrader 
(1974, p. 47)
“Hipóteses são exteriorizações conjecturais sobre as relações 
entre dois fenômenos. Representam os verdadeiros fatores 
produtivos da pesquisa, com os quais podemos desencadear 
o processo científico. É válido o princípio de que uma 
investigação não pode produzir nada mais do que aquilo que 
as hipóteses anteriormente formuladas já afirmavam.”
Galtung 
(1973, p. 371)
“Hipóteses são o conjunto de variáveis inter-relacionadas.”
Kerlinger 
(1980, p. 38)
“Uma hipótese é um enunciado conjectural das relações entre 
duas ou mais variáveis. Hipóteses são sentenças declarativas 
e relacionam de alguma forma variáveis a variáveis. São 
enunciados de relações e, como os problemas, devem implicar 
a testagem das relações enunciadas.”
Quadro 1. Definições de hipótese de pesquisa
(Continua)
3Hipóteses de pesquisa
Fonte: Adaptado de Marconi e Lakatos (2000).
Autor Definição
Selltiz et al. 
(1965, p. 48)
“Uma hipótese é uma proposição, condição ou princípio, que 
é aceito (provisoriamente) para obter suas consequências 
lógicas e, por intermédio de um método, comprovar seu 
acordo com os fatos conhecidos ou com aqueles que podem 
ser determinados.”
Goode e Hatt 
(1967, 1969)
“Os vários fatos em uma teoria podem ser logicamente 
analisados e outras relações podem ser deduzidas além 
daquelas estabelecidas na teoria. Neste ponto não se sabe 
se essas deduções são corretas. A formulação da dedução, 
contudo, constitui a hipótese; se verificada, torna-se parte de 
uma construção teórica futura.”
Quadro 1. Definições de hipótese de pesquisa
(Continuação)
Algumas das definições de hipótese apresentadas no Quadro 1 demonstram 
uma característica básica desse elemento da pesquisa: a hipótese é uma resposta 
suposta, provável e provisória ao problema. Isso deixa claro que, no desenvol-
vimento de uma pesquisa, primeiro se deve formular o problema para, depois, 
criar a hipótese de pesquisa, conforme apontam Marconi e Lakatos (2000).
Tomando como base tais características da hipótese de pesquisa, podemos 
identificar algumas convergências. Uma delas reside no fato de que a hipótese 
está inter-relacionada com fatos e fenômenos, o que explica a necessidade de 
relacionamento e ordenamento dentro da pesquisa. Outra é a limitação do 
campo da hipótese pelo próprio âmbito do que ela afirma, ou seja, a hipótese 
delimita a área de observação e de experimentação com a finalidade de iden-tificar o ordenamento entre os fatos. Além disso, as hipóteses se baseiam em 
variáveis e nas relações entre duas ou mais variações — por um lado, sua 
comprovação pode depender dos fatos (fenômenos ou variáveis) que serão 
determinados (verificados, analisados ou até mesmo desconhecidos), e, por 
outro, tais fatos poderão já ser conhecidos e baseados em teorias existentes.
Hipóteses de pesquisa4
Essas noções nos levam a observar a existência de dois tipos de hipóteses: 
a hipótese explicativa, formulada sempre post-factum e que aparece como 
resultado das generalizações gradativas de proposições existentes na teoria 
de níveis inferiores; e a hipótese preditiva, formulada ante-factum, ou seja, 
precede a observação empírica na teoria de nível superior, por meio de pesquisas 
já existentes (MARCONI; LAKATOS, 2000).
Por suas características e funções, as hipóteses cumprem um importante 
papel no contexto da pesquisa científica, com sua principal atuação no processo 
de investigação científica pela capacidade de, mediante o teste adequado, 
proporcionar a obtenção de respostas aos problemas propostos pelo estudo. 
Por isso, embora possam ser consideradas afirmações que muitas vezes derivam 
do senso comum, as hipóteses são muito mais do que simples suposições ou 
palpites, pois conduzem à verificação empírica da questão que o estudo se 
propõe a testar (GIL, 2017).
Agora que você já viu algumas considerações relativas à definição das 
hipóteses, à sua importância e aos seus impactos sobre a pesquisa, você pre-
cisa se familiarizar com o seu desenvolvimento. A seguir, você verá como 
desenvolver hipóteses para que elas sirvam adequadamente aos propósitos 
da pesquisa científica.
2 Desenvolvimento da hipótese de pesquisa
O desenvolvimento de hipóteses é um procedimento largamente utilizado no 
contexto da pesquisa científica e que requer a criatividade do pesquisador. 
Embora não tenha regras rígidas, costuma utilizar algumas fontes básicas de 
informação, que são levadas em consideração no momento da elaboração das 
hipóteses, como observação, resultados de outras pesquisas, teorias e intuição, 
descritas a seguir (GIL, 2017; MARCONI; LAKATOS, 2005).
A observação é o procedimento básico e fundamental no momento do 
desenvolvimento de uma hipótese, uma vez que permite verificar na prática 
as relações entre os fatos em seu cotidiano, fornecendo os subsídios para a 
solução de problemas propostos pela ciência. O desenvolvimento de hipóteses 
a partir de observações tem a função de comprovar (ou não) as relações per-
cebidas nas próprias observações, e alguns estudos trabalham exclusivamente 
com hipóteses originárias de observações. Contudo, hipóteses desse tipo têm 
pouca probabilidade de conduzir a um conhecimento suficientemente geral 
e explicativo.
5Hipóteses de pesquisa
Resultados de outras pesquisas possibilitam desenvolver hipóteses a 
partir de investigações conduzidas por outros estudos, geralmente levando a 
conhecimentos mais amplos do que aqueles decorrentes da simples observa-
ção. Hipóteses desse tipo se baseiam nas averiguações de outro estudo que 
prevalecem no estudo presente, fazendo com que seus resultados tenham um 
significativo grau de confiabilidade. Afinal, quando uma hipótese se funda-
menta em estudos anteriores, caso o estudo no qual está inserida se confirme, 
o resultado auxilia na demonstração de que a relação se repete regularmente.
Hipóteses derivadas de teorias são as mais interessantes, no sentido de 
que proporcionam ligação clara com o conjunto mais amplo do conhecimento 
das ciências, ainda que nem sempre isso seja possível. Em muitos campos da 
ciência, as teorias desenvolvidas não são suficientemente esclarecedoras da 
realidade. Contudo, hipóteses desenvolvidas a partir de teorias podem apre-
sentar uma proposição afirmativa, tendo em vista uma sucessão de eventos 
(fatos e fenômenos) ou a correlação entre eles em determinado contexto.
Já as hipóteses desenvolvidas a partir da intuição foram registradas em 
vários momentos da história humana e conduziram a grandes e importantes 
descobertas. Porém, tendo em vista a natureza da intuição, não é possível 
identificar com clareza as razões capazes de determinar as hipóteses, o que 
dificulta avaliar a sua qualidade. Além disso, a intuição é derivada da expe-
riência pessoal, o que faz cada indivíduo reagir de maneira particular a certos 
fatos, levando em consideração a cultura em que vive e a ciência que conhece.
Em sua obra A origem das espécies, Darwin levantou a hipótese de que os seres vivos 
não eram imutáveis, mas que haviam se modificado. Para tanto, além de contar com 
as suas observações pessoais, Darwin reuniu vários fatos que eram conhecidos em 
sua época, dando-lhes uma interpretação pessoal, da qual se originou a sua hipótese.
Hipóteses de pesquisa6
A partir da definição de hipóteses, o pesquisador especifica melhor o tema 
e os objetivos de sua pesquisa, assim como as variáveis observadas no estudo, 
já que hipóteses normalmente resultam da relação entre duas ou mais variá-
veis. Como você pode notar, as hipóteses desempenham um papel relevante 
no cenário dos estudos científicos. Desse modo, a elaboração e a utilização 
de hipóteses na realização de uma pesquisa podem ser justificadas pelo fato 
de que as hipóteses têm o propósito de orientar o pesquisador na coleta e na 
análise de dados (BARROS; LEHFELD, 2000).
Assim, o desenvolvimento e a utilização de hipóteses em pesquisas possi-
bilitam ao pesquisador moldar e focar seu objeto de estudo, já que permitem 
investigar as relações existentes entre as variáveis integrantes do fenômeno 
que o pesquisador se propôs a conhecer. Por meio das hipóteses, o pesquisador 
faz previsões sobre as relações esperadas entre as variáveis, estimando, nume-
ricamente, os valores da população estudada, com base em dados coletados 
de amostras. Nesse contexto, o pesquisador adota procedimentos estatísticos 
para fazer inferências sobre a população com base no estudo de uma amostra 
(CRESWELL, 2010).
Uma população é o conjunto total de elementos que se pretende estudar e a respeito 
do qual se pretende concluir algo. Contudo, como muitas vezes é difícil ou até mesmo 
impossível analisar todo o conjunto, estabelece-se uma fração para representá-lo, que 
corresponde à amostra. Desse modo, estuda-se uma parte do conjunto e, a partir dele, 
tiram-se conclusões que são aplicadas ao todo.
Contudo, para que a hipótese possa servir de fato ao seu propósito, devem 
ser tomados alguns cuidados em sua elaboração. Há atributos básicos que a 
hipótese necessita ter, como ser simples, clara, compreensível e passível de 
verificação, além de seu desenvolvimento apresentar lastro em um referencial 
empírico, ou seja, conceitos devem ser observados, verificados e registrados 
a partir da realidade empírica. Caso o pesquisador não siga esses preceitos 
no desenvolvimento de suas hipóteses, corre o sério risco de comprometer 
os resultados de seu estudo, visto que, se as hipóteses forem inadequadas, 
os resultados não serão satisfatórios (BARROS; LEHFELD, 2000).
7Hipóteses de pesquisa
Ainda que haja várias maneiras de formular hipóteses, partindo da consi-
deração de que estas se baseiam fundamentalmente na relação existente entre 
duas ou mais variáveis, uma sugestão básica e comum para a sua elaboração é 
a seguinte: considerando X e Y duas variáveis que se relacionam, elabora-se 
uma hipótese tendo em conta que “se X..., então Y...” (MARCONI; LAKA-
TOS, 2005).
Ainda, no momento de formular uma hipótese devemos nos atentar a certos 
princípios e critérios. A ideia é que a hipótese seja:
 � plausível — deve indicar uma situação passível de ser admitida 
cientificamente;
 � consistente — em seu enunciado, não deve entrar em contradição com 
conhecimentos científicos mais amplos, assim como não deve existir 
contradição interna no enunciado;
 � específica — deve se restringir a variáveis e componentes fundamentais 
ao problema de pesquisa;
 � verificável— deve ser passível de verificação por meio de processos 
científicos aceitáveis, atualmente empregados;
 � clara e simples — deve ser perfeitamente compreensível e sua formu-
lação precisa evitar termos ambíguos, prolixos e/ou confusos;
 � explicativa — deve estar perfeitamente articulada com o problema de 
pesquisa, ou seja, servir como explicação a ele.
Além de considerar recomendações e possibilidades de como desenvolver 
uma hipótese, você deve compreender os diferentes fatores capazes de in-
fluenciar esse processo. Nesse sentido, recomendamos que verifique os mais 
diversos pontos que poderão lhe auxiliar na construção de sua hipótese, pois 
assim terá um embasamento consistente em sua pesquisa. Para tanto, outro 
elemento importante no contexto das hipóteses são as variáveis de pesquisa, 
que darão apoio e sustentação ao desenvolvimento de seu estudo.
Hipóteses de pesquisa8
3 Identificação das variáveis de pesquisa
Além de compreender como funciona a definição e o desenvolvimento de 
hipóteses, você deve considerar que, dentro da pesquisa, existe o que chamamos 
de variável, que pode ser definida como uma classificação ou medida, uma 
quantidade que varia ou um conceito operacional que contém ou apresenta 
valores, aspectos, propriedade ou fator, discernível em um objeto de estudo e 
passível de mensuração. Tais valores são adicionados ao conceito operacional 
para transformá-lo em uma variável, que pode ser uma quantidade, uma 
qualidade, uma característica, uma magnitude, um traço, etc. As variáveis 
se alteram conforme cada caso particular e são totalmente abrangentes e 
mutuamente exclusivas.
Contudo, para fins de pesquisa, a definição mais apropriada é a de que 
uma variável é qualquer coisa passível de classificação em duas ou mais cate-
gorias. Ainda, podemos considerar as variáveis elementos ou características 
que variam em determinado fenômeno, podendo ser observadas, registradas 
e mensuradas. Em outras palavras, constituem aspectos observáveis de um 
fenômeno, capazes de apresentar variações, mudanças e diferentes valores 
em um dado fenômeno e entre fenômenos (BARROS; LEHFELD, 2000; GIL, 
2017; MARCONI; LAKATOS, 2005).
De forma genérica, uma variável é tudo aquilo que pode assumir diferentes valores 
numéricos, como temperatura, idade, renda familiar e número de filhos de um casal. 
No contexto da pesquisa, a variável constitui qualquer coisa capaz de ser classificada 
em duas ou mais categorias e que pode ser observada, registrada e mensurada, como 
sexo (masculino e feminino) e classe social (alta, média e baixa).
9Hipóteses de pesquisa
No universo da ciência, as variáveis podem integrar três níveis diferentes, 
detalhados a seguir e demonstrados na Figura 1 (MARCONI; LAKATOS, 
2005).
1. Primeiro nível: observações dos fatos, fenômenos, comportamentos e 
atividades reais.
2. Segundo nível: hipóteses.
3. Terceiro nível: teorias, hipóteses válidas e sustentáveis.
Figura 1. Variáveis de pesquisa.
Fonte: Adaptada de Marconi e Lakatos (2005).
Na pesquisa, partimos de um problema — a indagação que se pretende 
elucidar por meio do estudo —, para o qual elaboramos uma hipótese, que 
consiste em uma solução provável para esse problema, permitindo respondê-lo 
provisoriamente. Então, a hipótese é testada por meio da pesquisa, para que se 
possa confirmá-la ou refutá-la. Para tanto, é necessário observar as variáveis 
envolvidas na hipótese.
Hipóteses de pesquisa10
Veja a seguir alguns exemplos de hipóteses e variáveis.
 � Hipótese: países economicamente desenvolvidos apresentam baixos 
níveis de analfabetismo.
 ■ Variáveis: desenvolvimento econômico e analfabetismo.
 � Hipótese: o índice de suicídios é maior entre os solteiros do que entre 
os casados.
 ■ Variáveis: estado civil e índice de suicídios.
Perceba que, nos exemplos, as hipóteses estão apenas afirmando que 
existe uma relação entre as variáveis, mas nada informam acerca da possível 
influência de uma sobre a outra. Contudo, em outros casos, as hipóteses de 
pesquisa indicam algum tipo de influência entre as variáveis, estabelecendo 
uma relação de dependência entre elas.
Assim, além de identificar as variáveis, você precisa considerar a existência 
de uma relação entre elas e a maneira como se comportam. Desse modo, um 
aspecto relevante no que diz respeito às variáveis é a sua classificação em 
duas categorias fundamentais ao contexto da pesquisa científica: as variáveis 
independentes e dependentes. Há uma hipótese quando se afirma que as 
variações de uma variável correspondem às variações de outra (GIL, 2017; 
MARCONI; LAKATOS, 2005), conforme a seguir.
 � Variável independente (X): é aquela que influencia, determina ou afeta 
outra variável. Trata-se do fator determinante, condição ou causa para 
determinado resultado, efeito ou consequência. É o fator manipulado 
(geralmente) pelo investigador, na sua tentativa de assegurar a relação 
do fator com um fenômeno observado ou a ser descoberto, para ver 
qual influência exerce sobre um possível resultado. Assim, a variável 
independente pode ser manipulada pelo pesquisador a fim de avaliar os 
efeitos causados sobre a outra variável, chamada de variável dependente 
(APPOLINÁRIO, 2011).
 � Variável dependente (Y): consiste naqueles valores (fenômenos e 
fatores) a serem explicados ou descobertos em virtude de serem influen-
ciados, determinados ou afetados pela variável independente. É o fator 
que aparece, desaparece ou varia à medida que o investigador introduz, 
retira ou modifica a variável independente. Consiste na propriedade 
11Hipóteses de pesquisa
ou fator que é efeito, resultado, consequência ou resposta a algo que 
foi manipulado na variável independente, ou seja, trata-se do valor que 
se supõe que depende de outra variável. Nos estudos experimentais, 
constitui-se nos efeitos estudados. Por exemplo: em uma pesquisa, 
se deseja estudar a ação da bebida alcoólica sobre o desempenho aca-
dêmico de alunos universitários. A variável “desempenho acadêmico” 
é a variável dependente (efeito), e a “quantidade de bebida alcoólica 
ingerida” refere-se à variável independente (causa) do estudo (APPO-
LINÁRIO, 2011).
Veja a hipótese e as variáveis a seguir.
 � Hipótese: a classe social da mãe influencia o tempo de amamentação dos filhos.
 � Variáveis: classe social e tempo de amamentação, sendo a classe social a variável 
independente (X) e o tempo de amamentação a variável dependente (Y).
Em síntese, em uma pesquisa, a variável independente é a que antecede a 
variável dependente, sendo a segunda uma consequência da primeira (MAR-
CONI; LAKATOS, 2005). Para entender melhor, veja alguns exemplos a seguir.
Se você bater no tendão patelar do joelho dobrado de uma pessoa, a perna 
dela esticará. Assim:
 � X = batida dada no tendão patelar do joelho dobrado da pessoa;
 � Y = o esticar da perna.
Os filhos de pais com debilidade mental têm inteligência inferior à dos 
indivíduos cujos pais que não a apresentam. Veja:
 � X = presença ou ausência de debilidade mental nos pais;
 � Y = grau de inteligência dos indivíduos.
Hipóteses de pesquisa12
Podemos encontrar também hipóteses em que há apenas uma variável independente 
e mais de uma dependente (MARCONI; LAKATOS, 2005). Considere, por exemplo, 
um indivíduo que se assusta com um barulho forte e inesperado: o seu pulso acelera, 
ele transpira e as pupilas de seus olhos dilatam. Agora, veja as variáveis:
 � X = susto com barulho forte e inesperado;
 � Y = aceleração do pulso (Y1), transpiração (Y2) e dilatação das pupilas (Y3).
O fato é que existem fatores determinantes que atuam no sentido da relação 
causal entre as variáveis independente (determinante) e dependente (determi-
nada). Nesse contexto, parece se impor pela lógica o critério de suscetibilidade 
à influência, ou seja, será dependente a variável que puder ser alterada, in-
fluenciada ou determinada pela outra, que passa a ser considerada a variável 
independente ou causal (MARCONI; LAKATOS, 2005).
Considere uma relaçãoentre a idade e o tipo de atitude política: os idosos são mais 
conservadores do que os jovens. Nesse contexto, a idade seria a variável independente 
e a atitude política seria a variável dependente. Afinal, só se pode supor que a idade, 
por algum motivo, seja responsável pela posição ou atitude política, uma vez que 
ser conservadora não torna a pessoa mais velha, nem o progressismo rejuvenesce 
o indivíduo.
Ainda, devemos notar que a influência entre as variáveis independente e 
dependente deriva de dois pontos principais, listados a seguir.
1. Ordem temporal: partindo do raciocino lógico de que o acontecido 
depois não pode ter influência no que aconteceu antes, a sequência 
temporal apresenta uma universalidade importante, isto é, a variável 
anterior no tempo é a independente e a que se segue é a dependente.
13Hipóteses de pesquisa
2. Fixidez ou alterabilidade das variáveis: algumas variáveis, muito 
utilizadas nas ciências biológicas e sociais, são consideradas fixas ou 
não sujeitas a influências, como sexo, raça, idade, ordem de nascimento 
e nacionalidade. Há outras variáveis importantes que são relativamente 
fixas, mas não absolutamente, ou seja, em determinadas ocasiões, podem 
se tornar algum elemento de reciprocidade, como status, religião, classe 
social, residência no campo ou na cidade.
As variáveis podem ainda ser classificadas em outras categorias, como:
 � moderadoras e de controle;
 � extrínsecas e componentes;
 � intervenientes e antecedentes.
Para saber mais, consulte Marconi e Lakatos (2005).
Mais do que simplesmente saber que as variáveis existem, você precisa 
compreendê-las e entender a relação entre elas, bem como os impactos que 
poderão causar nas suas hipóteses de pesquisa. Note que a definição e o 
desenvolvimento das hipóteses estão ligados diretamente às variáveis que 
podem ser aplicadas e que, de acordo com a relação entre as variáveis, elas 
podem dar um rumo diferente à sua pesquisa.
Então, quando for construir a sua hipótese de pesquisa, considere para que 
serve a hipótese, como ela deve ser criada e suas possíveis relações com os 
mais diferentes aspectos que eventualmente variarão em seu estudo. Assim, 
você terá um embasamento coerente para desenvolver os seus estudos e, 
consequentemente, gerar melhores resultados por meio de seus trabalhos de 
pesquisa.
Hipóteses de pesquisa14
APPOLINÁRIO, F. Dicionário de metodologia científica: um guia para a produção do co-
nhecimento científico. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
BARROS, A. J. S.; LEHFELD, N. A. S. Fundamentos de metodologia científica. 2. ed. São 
Paulo: Pearson Prentice Hall, 2000.
CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 3. ed. 
Porto Alegre: Artmed, 2010.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São 
Paulo: Atlas, 2005.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia científica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000.
Leituras recomendadas
DARWIN, C. A origem das espécies. Tradução de Daniel Moreira Miranda. São Paulo: 
Edipro, 2018.
ESPÍRITO SANTO, A. Delineamentos de metodologia científica. São Paulo: Loyola, 1992.
RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.
15Hipóteses de pesquisa
Dica do professor
A hipótese, embora não obrigatória em todos os tipos de estudos científicos, é um importante 
elemento na estrutura de uma pesquisa. Quando utilizada no desenvolvimento, a hipótese se 
mostra como um elemento muito relevante, que colabora para a formulação das conclusões que 
serão obtidas a partir do estudo. Contudo, para que a hipótese possa desempenhar efetivamente 
seus propósitos, ela precisa ter um conjunto de determinadas características e, para isso, precisa ser 
formulada de forma apropriada.
Nesta Dica do Professor você verá quais são as características presentes em uma hipótese de 
pesquisa bem elaborada, quais são os propósitos no universo da pesquisa e como a pesquisa pode 
ser formulada.
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Na prática
A utilização de hipóteses de pesquisa em um estudo científico tem o propósito central de colaborar 
para a formulação de conclusões a respeito do assunto que está sendo investigado na pesquisa. Por 
intermédio da hipótese, o pesquisador formula uma resposta provisória para o problema de 
pesquisa, que servirá de norte para o estudo, sendo testada no decorrer da investigação e 
permitindo ao autor verificar se sua suposição era verdadeira ou falsa.
Veja neste Na Prática como se dá a criação das hipóteses de pesquisa.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Hipótese
A hipótese é um elemento muito utilizado no universo dos estudos científicos. Por isso, é relevante 
saber o que é uma hipótese de pesquisa, a que ela está relacionada e como pode ser desenvolvida. 
Este vídeo traz algumas considerações bem objetivas sobre esses aspectos.
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Tipos de variáveis
A realização de uma pesquisa científica tem o propósito de estudar um fato ou fenômeno que tem 
relevância suficiente para ser considerado científico. Este fato ou fenômeno, por sua vez, será 
composto por elementos denominados variáveis, que são considerados pelas hipóteses e, assim, 
analisados com a realização da pesquisa. Este vídeo traz informações sobre o que são variáveis, os 
tipos existentes e no que consiste cada um deles.
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Metodologia de pesquisa
O problema de pesquisa é um elemento fundamental para a realização de um estudo científico; e a 
hipótese, quando utilizada, está diretamente relacionada a ele, uma vez que tem o propósito de 
respondê-lo provisoriamente até que a pesquisa possa promover a obtenção de conclusões a esse 
respeito. Por isso, a formulação de hipóteses é um ponto crucial para a pesquisa, que deve ser bem 
trabalhado. Nesta obra você encontrará subsídios para realizar uma adequada elaboração das 
hipóteses de sua pesquisa.
https://www.youtube.com/embed/FXq3_l1SlOU
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Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
Introdução ao Método de Pesquisa
Apresentação
Para que uma pesquisa seja considerada científica, ela precisa ser dotada de um conjunto de 
propriedades que lhe garantem tal status. Para que isso seja possível, o trabalho precisa ser 
conduzido com rigor, seguindo regras específicas, as quais são estabelecidas pelo método de 
pesquisa. O método, por sua vez, é o caminho que guia durante o trabalho de pesquisa, indicando 
como “chegar lá”. Contudo, o método não é uma receita única e padrão aplicável a todas as 
pesquisas. Assim como as pesquisas científicas têm características particulares reveladas por 
elementos, como a questão de pesquisa, os métodos também variam, se apresentando em diversos 
modelos, que vão desde os métodos considerados clássicos até os mais contemporâneos, sendo 
necessário identificar e aplicar aquele que for mais apropriado à pesquisa que se pretende realizar.
Para que tal decisão seja possível, o pesquisador precisa, além de ter clareza sobre os propósitos de 
sua pesquisa, também reconhecer a importância do método e conhecer os diferentes tipos de 
métodos disponíveis, para que assim possa identificar aquele que melhor serve às suas intenções.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará sobre a importânciado método científico para a 
realização de uma pesquisa, bem como sobre os diferentes métodos de pesquisa existentes, para 
que possa diferenciar as abordagens dos métodos clássicos de pesquisa e ainda reconhecer os 
demais métodos de pesquisa.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Reconhecer a importância da escolha de um método científico para a realização de uma 
pesquisa.
•
Diferenciar as abordagens dos métodos clássicos de pesquisa. •
Reconhecer os demais métodos de pesquisa. •
Infográfico
Assim como as pesquisas científicas têm características particulares, os métodos científicos 
também têm diferenças. Desse modo, além de conhecer as características de sua pesquisa, o 
pesquisador precisa conhecer os diferentes métodos científicos, para que possa avaliar e escolher 
aquele que melhor serve aos propósitos de sua pesquisa. 
Neste Infográfico, você vai ver uma síntese de aspectos marcantes a respeito de alguns dos 
métodos existentes, os quais correspondem aos métodos clássicos de pesquisa.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
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Conteúdo do livro
A elaboração de uma pesquisa científica requer a adoção de métodos específicos que concedam ao 
trabalho o rigor e as propriedades necessárias para que este seja considerado científico. Para isso, o 
pesquisador precisa, além de estar atento às características de sua pesquisa, conhecer as 
alternativas de métodos que pode utilizar, para que possa, assim, fazer uma boa escolha.
No capítulo Introdução ao método de pesquisa, da obra Metodologia científica, base teórica desta 
Unidade de Aprendizagem, você vai estudar sobre a importância do método científico para a 
realização de uma pesquisa, bem como sobre os diferentes métodos de pesquisa existentes, para 
que possa diferenciar as abordagens dos métodos clássicos de pesquisa e ainda reconhecer os seus 
demais métodos.
Boa leitura.
METODOLOGIA 
CIENTÍFICA
Gisele Lozada
Introdução ao método 
de pesquisa
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Reconhecer a importância da escolha de um método científico para 
a realização de uma pesquisa.
  Diferenciar as abordagens dos métodos clássicos de pesquisa.
  Reconhecer os demais métodos de pesquisa.
Introdução
Para elaborar uma pesquisa científica, você deve seguir o método cien-
tífico. Assim, seu trabalho terá o rigor e as propriedades necessárias para 
ser considerado científico. Contudo, o método científico possui particula-
ridades, como a existência de diferentes métodos de pesquisa, que vão 
desde os clássicos até os contemporâneos. Por isso, além de conhecer 
as características de sua pesquisa, você também precisa conhecer os 
diferentes métodos de pesquisa existentes. A ideia é que você consiga 
avaliar e escolher aquele que melhor serve aos propósitos do seu trabalho.
Neste capítulo, você vai verificar a importância do método científico 
para a realização de uma pesquisa. Você também vai conhecer os dife-
rentes métodos de pesquisa existentes. Ao final, você deve ser capaz de 
diferenciar as abordagens dos métodos de pesquisa clássicos e ainda 
reconhecer os demais métodos.
A importância do método científico
Todos os ramos de estudo utilizam algum tipo de método. As ciências, como 
um todo, possuem como característica fundamental a utilização do método 
científi co. Em síntese, tal utilização não é exclusividade da ciência, mas não 
existe ciência sem ela (MARCONI; LAKATOS, 2017). De modo geral, o 
método é o caminho pelo qual se chega a determinado resultado. Ou melhor: 
o método indica como o pesquisador deve proceder ao longo do caminho 
para obter o resultado pretendido. Para tanto, o método se apresenta como um 
conjunto de processos ordenado, regular, explícito e passível de repetição que 
deve ser seguido em uma investigação para que ela seja capaz de atingir dado 
fi m (MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016).
No contexto da ciência, o método consiste em uma combinação de procedi-
mentos por meio dos quais problemas científicos são propostos e colocados à 
prova. Ele ajuda a compreender a investigação e seus resultados; assim, permite 
demonstrar a verdade. Em outras palavras, o método científico é a sequência 
de operações realizadas com a intenção de alcançar certo resultado, sendo um 
modo sistemático e ordenado de pensar e investigar, formando um conjunto 
de procedimentos que permitem alcançar a verdade científica.
Assim, o método científico conduz o estudo ao encontro de seus objetivos, 
facilitando a apresentação do problema científico que a pesquisa pretende 
investigar, bem como a comprovação (ou refutação) das hipóteses propostas 
por ela. Afinal, uma hipótese consiste em uma resposta suposta, provável e 
provisória para o problema apresentado. Para ser incorporada ao contexto da 
ciência, essa resposta precisa ser comprovada. Como você sabe, tal compro-
vação não pode ser singular, ou seja, outro pesquisador precisa ser capaz de 
chegar ao mesmo resultado se repetir os mesmos procedimentos — e isso é 
algo que o método científico oportuniza.
Desse modo, um método é utilizado quando se pretende converter uma 
consideração ideológica, filosófica ou literária em uma explicação científica. 
Ou seja, trata-se do critério para a obtenção do conhecimento científico, que é 
a própria lógica da investigação científica. Nesse sentido, o método científico 
pode ser compreendido como a teoria da investigação, que atinge seus obje-
tivos de forma científica, dedicando-se ao cumprimento das seguintes etapas 
(MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016):
  descobrir um problema, uma lacuna, num conjunto de conhecimentos;
  apresentar o problema de forma precisa, seja ele novo ou antigo, à luz 
de novos conhecimentos;
  procurar conhecimentos ou instrumentos (como teorias, técnicas e 
dados empíricos) que auxiliem na solução do problema;
  buscar solução para o problema com a utilização dos meios identificados;
  promover novas ideias ou gerar novos dados empíricos;
  obter uma solução para o problema;
  investigar as consequências da solução obtida;
Introdução ao método de pesquisa2
  comprovar a solução indicada;
  corrigir hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na 
obtenção da solução (no caso de ela se mostrar incorreta).
Para fazer ciência, é primordial utilizar métodos rigorosos. É dessa maneira 
que se atinge um conhecimento sistemático, preciso e objetivo. Ou seja, o 
método científico é um meio que busca alcançar um fim; é o percurso percor-
rido pelo cientista na busca pela produção de conhecimentos. Para direcionar 
o método e, consequentemente, as técnicas e procedimentos, cujo conjunto 
constitui a metodologia para alcançar os seus objetivos, cada ciência, em sua 
particularidade, define princípios filosóficos, lógicos, etc.
Assim, o método deve levar em consideração as concepções e os pressupostos 
epistemológicos e mesmo ontológicos da base científica da investigação que se 
deseja realizar. Nesse contexto, entram em cena procedimentos como: formação 
de conceitos e hipóteses, observação e medida, realização de experimentos, 
construção de modelos e de teorias, elaboração de explicações e predição.
Isso permite que o método seja entendido como o conjunto de procedi-
mentos e técnicas utilizados de forma regular e passíveis de serem repetidos 
para se alcançar um objetivo material ou conceitual e para se compreender 
o processo de investigação. O método se apoia em procedimentos lógicos 
para alcançar uma verdade científica, ou seja, é o conjunto de procedimentos 
que ordenam o pensamento e esclarecem acerca dos meios adequados para 
se chegar ao conhecimento (CRESWELL, 2010; MATIAS-PEREIRA, 2016; 
SEVERINO, 2007).
Existem diferentesramos da ciência que geram o conhecimento, assim como existem 
diferentes correntes filosóficas que promovem o estudo de diversos assuntos sob 
ângulos distintos. Então, cada ciência procura promover o conhecimento à sua maneira. 
Para isso, utiliza as correntes filosóficas como apoio, a fim de, por exemplo, estabelecer 
os métodos que vai utilizar.
Racionalismo e empirismo são exemplos clássicos de correntes filosóficas. Eles servem 
a diferentes ciências: o racionalismo (conhecimento vem do indivíduo, de dentro 
para fora), por exemplo, serve às ciências formais, como a matemática e a lógica. Já o 
empirismo (conhecimento vem da experiência, de fora para dentro) serve às ciências 
factuais, como as ciências naturais e as sociais.
3Introdução ao método de pesquisa
Como você viu, o método é um fator fundamental para a atividade científica. 
Em síntese, essa atividade tem como finalidade a obtenção de conhecimento 
válido e verdadeiro, por meio da comprovação de hipóteses que conectam a 
observação da realidade à teoria científica, permitindo explicar a primeira. O 
método, por sua vez, é o conjunto de atividades sistemáticas e racionais que 
permitem que a ciência atinja seu objetivo com maior segurança e economia, 
uma vez que auxilia o cientista, indicando o caminho a ser seguido, detectando 
erros e ajudando em suas decisões (MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-
-PEREIRA, 2016).
Contudo, não há somente um método científico. Na verdade, existem inúme-
ros métodos da ciência. Alguns, por exemplo, baseiam-se na lógica, buscando 
conclusões ou deduções a partir de hipóteses, ou definindo as implicações lógicas 
de relações causais em termos de condições necessárias ou suficientes. Outros 
métodos são empíricos, como os que trabalham com experiências controladas, 
ou aqueles que projetam instrumentos que serão utilizados nas coletas de dados 
ou observações (MATIAS-PEREIRA, 2016).
A realização de uma pesquisa tem o propósito de promover uma investigação, 
que pode servir às mais diversas áreas do conhecimento, como ciências naturais 
e humanas, ciências sociais, política e medicina, etc. Os métodos de pesquisa, 
por sua vez, são os possíveis caminhos a serem percorridos pelo pesquisador 
para obter respostas aos questionamentos traçados para a investigação proposta.
O emprego de um método promove a utilização de técnicas e normas espe-
cíficas. Além disso, o rigor na aplicação impacta diretamente a qualidade dos 
resultados da pesquisa executada. Contudo, para que a aplicação de um método 
propicie os efeitos esperados, não basta que ele seja aplicado com rigor; antes 
disso, o método precisa ser adequadamente selecionado, sendo apropriado à 
pesquisa que se pretende realizar (WALLIMAN, 2015).
Considere a medicina e a relação entre as doenças e os medicamentos. Cada doença 
requer a administração de um tipo específico de medicamento para que o paciente 
possa se curar. Por melhor que seja o remédio, e por mais que o paciente cumpra 
rigorosamente a prescrição médica, de nada adiantará se o medicamento receitado 
não for adequado para a doença que se pretende tratar. O mesmo acontece com os 
métodos de pesquisa: por melhor que seja o método e por mais rigorosa que seja a 
sua aplicação, ele precisa ser adequado à pesquisa para gerar os efeitos desejados.
Introdução ao método de pesquisa4
Além de reconhecer a importância do método para uma pesquisa científica, 
você precisa compreender que existem diferentes métodos e que é necessário 
escolher aquele que melhor atende aos seus propósitos de pesquisa. É isso que 
você vai ver a seguir (MATIAS-PEREIRA, 2016).
Métodos de pesquisa clássicos
Você já viu que existem diversos métodos disponíveis. Como pesquisador, você 
deve eleger aquele que melhor se conecta com os propósitos da sua pesquisa. 
Se necessário, você pode utilizar mais de um método. Entre os métodos, há 
aqueles integrantes da abordagem clássica, que proporcionam as bases lógicas 
da investigação, promovendo esclarecimentos acerca dos procedimentos a 
serem seguidos no processo de investigação científi ca.
Os métodos clássicos possuem como característica marcante um elevado 
grau de abstração e possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de 
sua investigação, das regras de explicação dos fatos e da validade de suas ge-
neralizações. Entre os métodos clássicos, estão os métodos: dedutivo, indutivo, 
dialético, hipotético-dedutivo e fenomenológico. Você vai conhecê-los melhor a 
seguir (GIL, 2017; MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016).
Além dos métodos clássicos de pesquisa, existem métodos integrantes de outras 
abordagens e que são utilizados em diferentes ciências. Considere, por exemplo, o 
método clínico, usado na área da saúde.
Método indutivo
O método indutivo é baseado na indução, um processo mental que se funda-
menta em premissas, buscando permitir que, a partir de dados particulares 
(sufi cientemente constatados), se infi ra uma verdade geral e universal. Assim, 
no raciocínio indutivo, a generalização deriva de observações de casos da 
realidade concreta, e as constatações particulares levam à elaboração de 
generalizações.
5Introdução ao método de pesquisa
Desse modo, o argumento indutivo busca conclusões mais amplas do que 
as premissas nas quais a pesquisa se baseia. O método indutivo considera 
que o conhecimento é fundamentado na experiência, não levando em conta 
princípios preestabelecidos. Contudo, é importante você notar que as premissas 
consideradas nese método levam a conclusões prováveis, não necessariamente 
verdadeiras — ou seja, são conclusões provavelmente verdadeiras (MARCONI; 
LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016).
Segundo o método indutivo, se você analisar três corvos e eles forem 
negros, provavelmente todo corvo seja negro. O exemplo permite perceber 
que no método indutivo, a partir de premissas decorrentes de fenômenos 
observados, é estabelecida uma conclusão para fenômenos não observados, 
indo do especial para o geral. Ou seja, faz-se uma generalização: quando uma 
relação entre duas propriedades ou fenômenos é descoberta, considera-se 
que essa relação é universal. O método indutivo é composto por três etapas 
(MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016):
  observação dos fenômenos;
  descoberta da relação entre eles;
  generalização da relação.
Essas etapas do método indutivo são baseadas em leis observadas na 
natureza, segundo as quais (MARCONI; LAKATOS, 2017):
  nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem os mesmos 
efeitos;
  o que é verdade para muitas partes suficientemente constatadas é ver-
dade para o todo.
Contudo, alguns cuidados são necessários na utilização do método in-
dutivo, a fim de evitar equívocos. Entre esses cuidados, estão (MARCONI; 
LAKATOS, 2017):
  certificar-se de que a relação que se pretende generalizar é verdadei-
ramente essencial;
  assegurar-se de que os fenômenos cuja relação se pretende generalizar 
são realmente idênticos;
  lembrar-se do aspecto quantitativo dos fenômenos.
Introdução ao método de pesquisa6
A indução pode ser feita de diferentes formas (como completa ou formal, incompleta 
ou científica). Cada uma delas segue regras específicas. Você pode saber mais em 
Marconi e Lakatos (2017, p. 44–46).
Método dedutivo
O método dedutivo pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento 
verdadeiro, pois os fatos, por si só, não são fonte de todos os conhecimentos. 
O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas 
e, por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente (da 
análise do geral para o particular), chegar a uma conclusão. Para tanto, utiliza 
o silogismo, construção lógica que, a partir de duas premissas, obtém uma 
terceira logicamente decorrente, denominada conclusão.
A dedução, por sua vez, consiste em um processo semelhante ao da indução: 
é baseada em premissas com a intenção de promover uma conclusão geral. 
Porém, há uma diferença importante no caso da dedução: ela leva a uma 
conclusãoverdadeira, enquanto a indução conduz a uma conclusão provável 
(MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016).
Segundo o método dedutivo, se todo mamífero tem um coração e todos os cães 
são mamíferos, todos os cães têm coração. Se o mesmo fenômeno fosse estudado 
segundo o método indutivo, a conclusão seria conduzida da seguinte forma: todos 
os cães observados têm coração, logo todos os cães têm coração.
Para propor uma conclusão para o fenômeno estudado, o método dedutivo 
utiliza um argumento que é baseado em duas noções básicas (MARCONI; 
LAKATOS, 2017). Veja:
  para que a conclusão gerada seja falsa, é necessário que uma ou todas 
as premissas consideradas sejam falsas;
7Introdução ao método de pesquisa
  a conclusão gerada já estava contida nas premissas, ou seja, a informação 
contida nas premissas é reformulada ou enunciada de modo explícito 
e, assim, se as premissas forem verdadeiras, a conclusão também será.
Os argumentos dedutivos têm o propósito de explicitar o conteúdo das 
premissas, levando a uma conclusão verdadeira, que indicará se a relação entre 
os fenômenos estudados é correta ou incorreta, sem gradações intermediárias 
(MARCONI; LAKATOS, 2017).
Método hipotético-dedutivo
O método hipotético-dedutivo decorre dos métodos indutivos e dedutivos. 
Seus aspectos mais relevantes são dois: ele parte da observação de alguns 
fenômenos de determinada classe para abranger todos daquela mesma classe; 
e, com base nas generalizações aceitas do todo, de leis abrangentes, parte para 
casos concretos, componentes da classe que já se encontram na generalização.
Ou seja, enquanto a indução afirma que, em primeiro lugar, vem a ob-
servação dos fatos particulares e depois as hipóteses a confirmar, a dedução 
defende o aparecimento, em primeiro lugar, do problema e da conjectura, 
que serão testados pela observação e pela experimentação. Há, portanto, uma 
inversão de procedimentos, dando origem ao método hipotético-dedutivo 
(MARCONI; LAKATOS, 2017).
Em outras palavras, o método hipotético-dedutivo consiste na adoção da 
seguinte linha de raciocínio: quando os conhecimentos disponíveis sobre 
determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, 
surge o problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, 
são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-
-se consequências que deverão ser testadas ou falseadas, sendo que falsear 
significa tornar falsas as consequências deduzidas das hipóteses. Enquanto 
no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese, no método 
hipotético-dedutivo, ao contrário, procuram-se evidências empíricas para 
derrubá-la (MATIAS-PEREIRA, 2016).
Método dialético
O método dialético tem como base a dialética, que possui sua origem ainda 
na Grécia Antiga. Naquele contexto, o conceito de dialética era equivalente 
ao de diálogo, passando depois a referir-se, ainda dentro do diálogo, a uma 
Introdução ao método de pesquisa8
argumentação que fazia clara distinção entre os conceitos envolvidos na 
discussão (MARCONI; LAKATOS, 2017).
Em outras palavras, na dialética as contradições se transcendem, dando 
origem a novas contradições que passam a requerer solução. Desse modo, o 
método dialético consiste em um método de interpretação dinâmica e tota-
lizante da realidade. Ou seja, nele, os fatos não podem ser considerados fora 
de um contexto social, político, econômico, etc (MATIAS-PEREIRA, 2016).
Você ainda deve notar que o método dialético é baseado nas leis da dia-
lética, que podem ser apresentadas de forma sintética nos seguintes itens 
(MARCONI; LAKATOS, 2017):
  ação recíproca, unidade polar ou “tudo se relaciona”;
  mudança dialética, negação da negação ou “tudo se transforma”;
  passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa;
  interpenetração dos contrários, contradição ou luta dos contrários.
Você pode aprender mais sobre as leis da dialética em Marconi e Lakatos (2017, p. 76–81).
Método fenomenológico
O método fenomenológico não é dedutivo nem indutivo. Ele tem como preo-
cupação central a descrição direta da experiência tal como ela é. A realidade 
é construída socialmente e entendida como o compreendido, o interpretado, o 
comunicado. Então, a realidade não é única: existem tantas quantas forem as suas 
interpretações e comunicações, sendo o homem reconhecidamente importante 
no processo de construção do conhecimento (MATIAS-PEREIRA, 2016).
Em outras palavras, o método fenomenológico se propõe a promover uma 
pesquisa voltada para a descrição da experiência vivida, expondo suas carac-
terísticas empíricas e sua consideração no plano da realidade. Desse modo, 
busca descrever e interpretar os fenômenos que se apresentam à percepção, 
isto é, interpretar o mundo por meio da consciência do sujeito formulada com 
base em suas experiências.
9Introdução ao método de pesquisa
O objeto do método fenomenológico é, portanto, o próprio fenômeno, tal 
como se apresenta à consciência, ou seja, o que aparece, e não o que se pensa 
ou se afirma a seu respeito. Para a fenomenologia, um objeto pode ser uma 
coisa concreta, mas também uma sensação, uma recordação, não importando 
se constitui uma realidade ou uma aparência (GIL, 2017).
Os métodos elencados são alguns entre os diversos disponíveis ao pesquisador, que 
deve escolher o adequado aos propósitos da sua pesquisa. Ou seja, existem ainda 
muitos outros que visam a atender a diferentes aspectos e que são aplicáveis a diferentes 
situações. A seguir, você vai conhecer melhor alguns outros métodos de pesquisa.
Demais métodos de pesquisa
Perceber a existência de um problema a ser resolvido é o primeiro passo para 
o desenvolvimento de uma pesquisa. O problema é que dá origem à questão de 
pesquisa, que é o ponto central do estudo. Por isso, ele deve ser apresentado e 
trabalhado em profundidade para que seja adequadamente entendido e resolvido. 
Desse modo, é preciso fragmentar o problema de pesquisa em partes menores. 
Isso permite analisá-lo melhor, avaliando-o sob diferentes ângulos, com base 
nos propósitos e nas dúvidas do pesquisador, buscando desenvolver questiona-
mentos signifi cativos, claros e exequíveis. A ideia não é antecipar respostas, e 
sim direcionar o caráter investigativo da pesquisa (DE SORDI, 2017).
Tais considerações sobre a questão de pesquisa permitem perceber a im-
portância que tal questão possui para a execução do estudo e também para 
a definição dos métodos a serem empregados. Afinal, de acordo com os 
propósitos do estudo, o pesquisador deve escolher o método mais adequado 
para a pesquisa que pretende realizar. Nessa tarefa, um fator importante, que 
pode colaborar para tal escolha, é a questão de pesquisa.
O método de pesquisa, como você viu, auxilia o pesquisador na resolução 
de problemas. Ele implica uma forma de observar, classificar, demonstrar e 
interpretar fenômenos que possibilita a predição e a explicação das questões que 
o pesquisador se propôs a estudar. Assim, para a aplicação do método de pes-
quisa, é recomendável seguir os seguintes passos (MATIAS-PEREIRA, 2016):
Introdução ao método de pesquisa10
  formular adequadamente as perguntas, criando campo para a pesquisa;
  arbitrar conjunturas ou hipóteses fundadas e contrastáveis com a ex-
periência, para que se possa responder às perguntas;
  derivar consequências lógicas dessas conjunturas;
  arbitrar técnicas para submeter as hipóteses à verificação;
  submeter essa verificação às mesmas técnicas, para comprovar sua 
relevância e sua credibilidade;
  concluir as verificações, interpretando os seus resultados;
  estimar a veracidade das hipóteses e a fidedignidade das técnicas;
  determinar os domínios nos quais são válidas essas hipóteses e técnicas, 
formulando novos problemas que surgiram com a investigação.
Que relações é possível traçar entre os métodos de pesquisa e a pesquisa 
em si? Como os métodos podem auxiliar o pesquisador na resolução de suas 
questões, na verificação desuas hipóteses ou ainda no alcance de seus obje-
tivos? A busca por respostas para esses questionamentos implica considerar 
que os métodos de pesquisa podem auxiliar na obtenção de novos conhe-
cimentos. Nesse sentido, dependendo do objetivo que o pesquisador quer 
atingir, a pesquisa terá um viés voltado para uma das ações listadas a seguir 
(WALLIMAN, 2015).
  Categorizar: consiste em formar uma tipologia de objetos, eventos ou 
conceitos, isto é , formar conjuntos que classifiquem determinado grupo 
por características ou particularidades. Isso pode ser útil para explicar 
o que pertence a determinado conjunto e por quê .
  Explorar: por meio da pesquisa, pode-se analisar o tema em questão 
visando a um maior conhecimento ou à elaboração de hipóteses. Ao 
ter como objetivo a exploração, a pesquisa tende a ser mais flexível e 
a buscar possibilidades para lacunas investigadas.
  Descrever: permite a descrição de fenômenos e recorre à observação 
como um meio predominante para a coleta de dados. Tenta exami-
nar situações de modo a estabelecer o que é padrão em determinado 
contexto, isto é , o que se pode prever que acontecerá sob as mesmas 
circunstâncias.
  Explicar: constitui um tipo de pesquisa projetada especificamente para 
tratar de questões complexas. Procura ir além da obtenção dos fatos, de 
modo a dar sentido às miríades de outros elementos envolvidos, como 
aspectos humanos, políticos, sociais, culturais e contextuais.
11Introdução ao método de pesquisa
  Avaliar: os métodos favorecem a análise dos achados de forma que se 
possa conjecturar sobre possíveis resultados, seja em sentido absoluto 
ou em base comparativa, sempre levando em consideração o contexto 
e as intenções da pesquisa.
  Comparar: dois ou mais casos contrastantes podem ser examinados 
para destacar diferenças e similaridades entre eles, o que conduz a um 
melhor entendimento dos fenômenos.
  Correlacionar: as relações entre dois fenômenos são investigadas para 
verificar se (e como) eles influenciam um ao outro. A relação pode ser 
apenas uma conexão indireta entre os fenômenos, como a interferência 
de um no outro sem reciprocidade, ou uma conexão direta, quando um 
fenômeno causa o outro. Tais correlações são medidas como níveis de 
associação.
  Predizer: às vezes, isso é possível em áreas de pesquisa nas quais já se 
conhecem as correlações. As predições de comportamentos ou eventos 
são feitas na seguinte base: se houve, no passado, uma forte relação 
entre dois ou mais eventos ou características, então ela deve existir 
em circunstâncias semelhantes no futuro, conduzindo a resultados 
previsíveis.
  Controlar: pesquisar possibilita compreender determinado evento ou 
problema, facilitando o controle dos componentes em estudo, na medida 
em que se entendem as relações de causa e efeito.
Desse modo, as pesquisas podem ser classificadas por meio de critérios 
que estabelecem categorias. Se você tomar como critério o nível de profun-
didade do estudo, pode classificar as pesquisas como exploratória, descritiva 
e explicativa. Se levar em conta os procedimentos utilizados para a coleta de 
dados, as pesquisas podem ser associadas a dois grandes grupos: aquelas que se 
baseiam em fontes de “papel”, como as pesquisas bibliográfica e documental, 
e aquelas cujas fontes de dados são pessoas, que incluem modalidades como 
o levantamento e os estudos. Estes, por sua vez, se subdividem em outras 
diversas categorias, como o estudo de caso e o estudo de campo, entre outros 
(GIL, 2017).
Introdução ao método de pesquisa12
Para aprender mais sobre a classificação de pesquisas, incluindo detalhes sobre as 
pesquisas exploratória, descritiva e explicativa, confira o capítulo 4 de Gil (2017).
As pesquisas de levantamento se caracterizam pela interrogação direta das 
pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Elas consistem basicamente 
na solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do 
problema estudado. Em seguida, se obtêm as conclusões correspondentes aos 
dados coletados por meio de análise quantitativa. As pesquisas de levantamento 
costumam adotar procedimentos estatísticos a fim de selecionar uma amostra 
da população em estudo. Afinal, na maioria das vezes, não é possível coletar 
dados junto a todos os integrantes da população estudada. A ideia, portanto, 
é inferir sobre a população com base na amostra. Pesquisas para a verificação 
de votos, do comportamento do consumidor e do nível de renda e desemprego 
são exemplos práticos de levantamentos.
Já estudos de campo estão mais voltados ao aprofundamento das questões 
propostas do que à verificação da distribuição das características da população 
segundo determinadas variáveis. Esses estudos são focados em um único 
grupo, ressaltando a interação de seus componentes. Por isso, tendem a utilizar 
mais técnicas de observação do que técnicas de interrogação. Os estudos de 
caso, por sua vez, são caracterizados pelo estudo profundo e exaustivo de um 
ou de poucos objetos, de maneira a permitir um conhecimento mais amplo e 
detalhado a respeito deles. Tais estudos se constituem em estudos empíricos 
que investigam um fenômeno atual dentro do seu contexto.
Como você viu, cada um dos métodos se volta a determinados tipos de 
estudo. Além disso, os propósitos e as intenções de cada um deles estão 
intimamente conectados à questão de pesquisa, o que faz dela um elemento 
fundamental para a definição do método. Cabe a você, quando for realizar 
uma pesquisa, avaliar criteriosamente os métodos existentes, ao mesmo 
tempo em que avalia cuidadosamente a questão de pesquisa. Lembre-se 
também de levar em conta as suas intenções e os seus propósitos com o 
estudo a ser realizado.
13Introdução ao método de pesquisa
CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 3. ed. 
Porto Alegre: Artmed, 2010.
DE SORDI, J. O. Desenvolvimento de projeto de pesquisa. São Paulo: Saraiva, 2017.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2017.
MATIAS-PEREIRA, J. Manual de metodologia da pesquisa científica. 4. ed. São Paulo: 
Atlas, 2016.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007.
WALLIMAN, N. Métodos de pesquisa. São Paulo: Saraiva, 2015.
Leituras recomendadas
FARIAS FILHO, M. C.; ARRUDA FILHO, E. J. M. Planejamento da pesquisa científica. 2. ed. 
São Paulo: Atlas, 2015.
KOLLER, S. H.; COUTO, M. C. P P.; HOHENDORFF, J. V. (org.). Manual de produção científica. 
Porto Alegre: Penso, 2014.
Introdução ao método de pesquisa14
Dica do professor
Quando se quer fazer uma viagem, um importante aspecto a ser considerado é o roteiro: por qual 
estrada ir, onde parar, comer e dormir, e por aí vai. Por outro lado, para a escolha do roteiro, é 
preciso saber para onde se vai, em que tempo se precisa chegar, quanto tempo ficar e qual o 
propósito da viagem (como lazer ou trabalho). O mesmo acontece na realização de uma pesquisa, 
em que a escolha do método é algo muito importante, e cuja definição depende de aspectos como 
propósitos do estudo e resultados pretendidos.
Nesta Dica do Professor, você vai ver melhor essas questões.
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https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/6632f2dbb9f5a650c47b8b09e6a8576e
Na prática
Os diferentes métodos de pesquisa existentes são utilizados pelas mais diversas áreas da ciência, 
entre elas as ciências sociais, em que existem inúmeras possibilidades de pesquisa, com diferentes 
focos e propósitos. Entre os tipos de métodos de pesquisa existentes para a escolha do 
pesquisador, estão aqueles considerados clássicos e também outros, como o levantamento e os 
estudos.
Um exemplo prático bem conhecido deriva da necessidade de obter informações sobre a população 
de um país,revelando características relevantes sobre diversos aspectos de forma quantitativa — o 
que é bem atendido por meio da adoção de um estudo de levantamento. Posteriormente, esses 
dados podem ainda ser utilizados por outros diversos estudos de cunho mais qualitativo e 
profundo.
Um exemplo de pesquisa é o Censo, o qual ilustra a aplicação de um dos tipos de pesquisa 
existente, além dos métodos clássicos, sendo uma pesquisa de levantamento.
Veja a seguir:
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Tipos de pesquisa: método indutivo, método dedutivo, método 
dialético ou método hipotético-dedutivo
O método em sua participação no contexto da ciência se apresenta em diferentes categorias, 
oferecendo orientações relevantes para as mais variadas formas de estudo. Uma dessas categorias 
são os métodos clássicos de pesquisa, conjunto formado pelos métodos dedutivo, indutivo, 
dialético, hipotético-dedutivo e fenomenológico. Veja a seguir.
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Método fenomenológico
Outra categoria de método clássico de pesquisa é o fenomenológico, como você pode conferir no 
seguinte vídeo.
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Introdução à metodologia de pesquisa: um guia para iniciantes
Para que o pesquisador possa definir qual método de pesquisa irá utilizar na elaboração de seu 
estudo, é necessário que ele tenha definido um importante elemento: a questão de pesquisa. É a 
partir dela que as intenções e os propósitos do pesquisador com o estudo a ser realizado são 
devidamente esclarecidos, aspectos fundamentais para a identificação de qual entre os métodos de 
pesquisa é mais indicado para o estudo. A obra indicada oferece considerações sobre isso, como o 
Capítulo 2: Da ideia de pesquisa à questão de pes
Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!
https://www.youtube.com/embed/NLMf3OKFJxg
https://www.youtube.com/embed/ppNszDTNJ1M
Censo demográfico
Saiba mais sobre o censo demográfico, um exemplo de pesquisa de levantamento.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/22827-censo-2020-censo4.html?=&t=o-que-e

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