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Leitura, interpretação e análise de textos científicos Apresentação Todo texto tem um propósito central, que é a transmissão de uma mensagem. Tal transmissão corresponde a uma interação entre dois personagens centrais, o autor e o leitor. Contudo, existem diversos tipos de texto, cada um com características e propriedades particulares, as quais os distinguem e, naturalmente, conduzem a outras diferenças, que dizem respeito a questões como leitura e interpretação dos textos. Um desses tipos é o texto científico. Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará as características e as propriedades dos textos científicos. Além disso, verá os impactos dessas particularidades sobre a leitura e a interpretação de textos científicos. Por fim, conhecerá os elementos principais desses textos, além de ver como realizar uma leitura adequada. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar as características e as propriedades de textos científicos.• Reconhecer os principais elementos para interpretar textos científicos.• Desenvolver leituras em textos científicos.• Infográfico Um texto corresponde a um conjunto articulado de frases, o qual tem a intenção de transmitir uma mensagem. Envolve autor e leitor, cujos objetivos e conhecimentos têm propósito interacional, buscando construir um texto que forme um sentido. Assim, autor e leitor estão conectados, cada um desempenhando seu papel, para que o texto possa ser produzido, recebido, lido e interpretado. Para que todo esse mecanismo funcione, é necessário que, além do conjunto de elementos e propriedades, o texto tenha textualidade, permitindo que ele seja mais que um simples aglomerado de frases. Neste Infográfico, você vai conhecer os fatores formadores da textualidade em um texto científico e no que consiste cada um deles. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/34663cb4-7987-45b6-bb1d-39b30ff12cef/5892a023-bd45-45a5-86fc-ac2e72c26d6f.gif Conteúdo do livro Todo tipo de texto é produzido para ser lido, para que uma mensagem seja produzida e recebida, mas para que essa intenção mais elementar seja atendida, não basta que o autor tenha se disposto a escrever e o leitor tenha destinado tempo para a leitura. A mensagem enviada precisa ser de fato recebida, da forma como foi pretendida. Nesse contexto, além da produção do texto, existem outros dois fatores fundamentais: leitura e interpretação. Em se tratando de um texto científico, é preciso considerar que este tem características particulares que o distingue dos demais, e que logicamente sua leitura e interpretação também demandam cuidados especiais. No capítulo Leitura, interpretação e análise de textos científicos, da obra Metodologia científica, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar as características e as propriedades dos textos científicos. Além disso, vai verificar os impactos dessas particularidades sobre a leitura e a interpretação de textos científicos. Por fim, vai conhecer os elementos principais desses textos e ver como realizar uma leitura adequada. Boa leitura. METODOLOGIA CIENTÍFICA Gisele Lozada Leitura, interpretação e análise de textos científicos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar as características e propriedades de textos científicos. Reconhecer os principais elementos para interpretar textos científicos. Desenvolver leitura de textos científicos. Introdução Todo texto possui um propósito central, que é a transmissão de uma mensagem. Tal transmissão corresponde a uma interação entre dois personagens centrais, o autor e o leitor. Contudo, existem diversos tipos de texto, cada um com características e propriedades particulares. Um desses tipos é o texto científico. Neste capítulo, você vai estudar as características e propriedades dos textos científicos. Além disso, vai verificar os impactos dessas particulari- dades sobre a leitura e a interpretação de textos científicos. Por fim, você vai conhecer os elementos principais desses textos e ver como realizar uma leitura adequada. Características e propriedades de textos científicos Um texto científi co é uma produção textual que possui características únicas que a distinguem das demais. Uma dessas características é o fato de a produção ser específi ca e ter como objetivo aprofundar algum tema, abordando conceitos e teorias com base no conhecimento científi co e utilizando linguagem científi ca (que é naturalmente mais complexa). Além disso, o texto científi co é produzido por um pesquisador. Diferentemente de um escritor, um pesquisador não busca ser remunerado por sua produção. Ele deseja descobrir novos conhecimentos, almejando que suas descobertas sejam reconhecidas, estudadas e citadas por outros pesquisadores. Um texto científico sobre o aquecimento global aborda esse fenômeno de uma forma científica, apresentando dados e conceitos bem definidos, podendo revelar dados concretos de pesquisas científicas. Tal texto serve como base para se chegar a alguma conclusão sobre o tema em questão. Outra característica relevante é que o texto científico possui compromisso com a veracidade dos fatos que relata. Ele também possui uma linguagem neutra, sóbria, sem vieses ou direcionamentos que não estejam solidamente respaldados na argumentação ou que não decorram logicamente dos fatos observados. Assim, a produção de um texto científico requer alguns cuidados. Há, por exemplo, a necessidade de se realizar uma pesquisa consequente, com seriedade e dedicação, e a recomendação de que o texto científico seja escrito em linguagem científica. Assim, ele é capaz de oferecer um avanço, solida- mente construído, no conhecimento à disposição da humanidade (KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014). Existem diversos tipos de textos científicos. Por isso, a escrita científica pode ser lida em diferentes formatos, como resumos, capítulos de livros, livros, projetos e painéis, ou ainda resumos expandidos, folhetos, relatórios, cartilhas, boletins técnicos, circulares técnicas e tantos outros. Contudo, entre todos esses formatos, um se destaca: o artigo científico. Isso pode ser justificado pelo fato de que o artigo científico (completo) garante uma maior pontuação em concursos e é importante para a ascensão profissional em ambientes como universidades e institutos de pesquisa, o que o torna uma peça fundamental no currículo de todo cientista (AQUINO, 2010). Artigos científicos podem ser definidos como “[...] pequenos estudos, porém completos, que tratam de uma questão verdadeiramente científica, mas que não se constituem em matéria de um livro [...]” (MARCONI; LAKATOS, 2017a, p. 286). Você também deve notar que um artigo científico pode fazer apenas dois tipos de afirmativas: as que se sustentam na pesquisa desenvolvida pelos autores e as que são embasadas por referências a fontes com validade científica, Leitura, interpretação e análise de textos científicos2 devidamente fundamentadas. Isso leva a dois importantes aspectos no contexto da pesquisa: a qualidade e a pertinência de suas referências. A qualidade diz respeito à validade científica de uma referência, que está diretamente relacionada à sua capacidade de atender aos critérios de confiabilidade, atualidade, acessibilidade e perenidade. Já a pertinência de uma referência está relacionada à recomen- dação de que o autor do texto faça uso adequado das referências, sem incorrer em excessos ou faltas, buscando (KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014): invocar uma parte substancial das ideias, propostas e argumentos do trabalho de outros pesquisadores para incorporá-las em seu próprio trabalho ou para refutá-las circunstancialmente; espelhar diretamente o pensamento dos pesquisadores referenciados, citando sempre as pesquisasoriginais; problematizar, reescrever, parafrasear, endossar ou refutar, ou seja, discutir com o trabalho referenciado. Um texto científico tem como foco principal o próprio conhecimento. Por esse motivo, ele deve apresentar uma série de elementos, como você pode ver a seguir (KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014). Inovações científicas: modelos novos que permitem controlar processos ainda não dominados, ou que sejam superiores em qualidade aos já conhecidos para um processo específico. Inovações tecnológicas: emprego inédito e bem-sucedido para um modelo existente (como descobrir que um medicamento desenvolvido para dada patologia é também eficaz para outra). Aperfeiçoamentos científicos e tecnológicos: melhoria da qualidade com que as condições finais do modelo representam a situação final do universo, ou criação de modelo tecnologicamente mais eficaz para a solução de determinado problema. Além de possuir características e propriedades específicas, os textos cien- tíficos naturalmente demandam alguns cuidados e o atendimento a recomen- dações. Só assim a sua leitura pode ser feita adequadamente, o que permite que a mensagem do autor chegue ao leitor da forma pretendida. A seguir, você vai aprender mais a respeito disso. 3Leitura, interpretação e análise de textos científicos Um texto científico possui linguagem científica, que é neutra e sóbria. Além disso, ele tem compromisso com a veracidade do que relata, o que exige sólido respaldo na argumentação e/ou nos fatos observados. Interpretação de textos científicos Um texto pode ser defi nido como um conjunto articulado de frases que possui a intenção de transmitir uma mensagem por meio da conexão entre seus elementos constituintes. Além disso, um texto implica sujeitos — o autor e o leitor — que buscam construir um sentido, envolvendo objetivos e conheci- mentos com propósito interacional. Assim, você deve ter em mente que existem propósitos partindo de ambos os sujeitos. Tais propósitos são complementares e conectam o autor e o leitor, cada um em seu papel. A partir da intencionalidade do autor na escrita, é estabelecido um processo que, embora inclua o conjunto de propriedades do texto, possui como centro focal a textualidade. Isso permite ao texto ser mais do que um simples aglome- rado de frases (MARCONI; LAKATOS, 2017a). Assim, alguns aspectos são fundamentais ao texto, correspondendo aos seus elementos de textualidade. São eles: coesão, coerência, aceitabilidade, informatividade, situacionalidade e intertextualidade. A seguir, você pode ver os principais elementos dos textos científicos. Esses elementos são fundamentais para a interpretação de tais textos. Intencionalidade: é o empenho do autor em construir um texto coe- rente, coeso e que atinja o objetivo que ele tem em mente, permitindo a transmissão do que pretende comunicar. Coerência: é a capacidade do texto de fazer sentido para que seja adequadamente interpretado. Isso envolve tanto o autor como o leitor: a mensagem pretendida pelo autor é recebida pelo leitor, que, por sua vez, utiliza seus conhecimentos para atribuir sentido ao texto. Coesão: engloba os recursos da língua utilizados para a construção do texto. Tais recursos são os mecanismos gramaticais e lexicais (como concordância, tempos e modos verbais, conjunções, artigos e outros). Eles precisam ser utilizados de forma correta para expressar tanto relações dentro de uma frase quanto relações entre frases e sequências de frases dentro do texto. Leitura, interpretação e análise de textos científicos4 Aceitabilidade: é a expectativa do leitor de que o texto tenha coerência e coesão, além de ser útil e relevante. Se o texto possuir tais aspectos, será melhor aceito pelo leitor, que terá mais interesse na leitura. Informatividade: corresponde à capacidade do texto de ter o que dizer e de fazer sentido, permitindo que o autor entregue informação ao leitor. Ou seja, consiste no grau de expectativa e de conhecimentos oferecido por meio do texto, o que inclui novidade e imprevisibilidade. Quanto mais informatividade tiver o texto, maior será a aceitação dele por parte do leitor. Situacionalidade: consiste na capacidade de o texto ser pertinente e relevante no contexto em que autor e leitor estão inseridos, permitindo adequação à situação sociocomunicativa. Intertextualidade: ocorre quando um texto é construído por meio de elementos contidos em outros textos. Você deve considerar que um texto sempre remete a outros textos. Assim, ele carrega vestígios de textos preexistentes, o que pode ser evidenciado por aspectos como citações e comentários, entre outros recursos de mesmo propósito. Nesse contexto, a leitura é o ato de trazer experiência para o texto lido. Por meio dela, as palavras adquirem um significado que vai além do que está escrito e passam a integrar a experiência do leitor. Isso faz com que a leitura extrapole o conhecimento linguístico, envolvendo também aspectos como inferência, percepção e conhecimento de mundo. A ideia é que o leitor possa não somente ler, mas também analisar e interpretar o que lê. Aqui, você deve considerar o que Marconi e Lakatos (2017a) alertam: análise e interpretação de textos são coisas diferentes, mas que se complementam. A análise foca nas partes que compõem o texto. Por sua vez, a interpretação busca a mensagem pretendida pelo autor. Então, ao realizar a leitura de um texto científico, você deve se preocupar tanto em analisá-lo quanto em interpretá-lo, compreendendo em que consistem essas atividades e como são realizadas. Para interpretar adequadamente um texto, você precisa primeiro realizar uma análise do material. Tal análise é realizada em três partes, cada uma fo- cando em um aspecto do texto, que são os elementos, as relações e a estrutura, conforme detalhado a seguir (MARCONI; LAKATOS, 2017a). Análise dos elementos: consiste no levantamento dos elementos básicos que compõem um texto, visando à sua compreensão. Tais elementos podem aparecer de modo explícito, sendo facilmente identificáveis, ou de modo implícito, exigindo mais esforço. Tal esforço pode incluir, 5Leitura, interpretação e análise de textos científicos por exemplo, uma leitura continuada, uma análise mais profunda, uma reflexão e até mesmo pesquisas em outras fontes para melhor entender a mensagem do autor. Análise das relações: visa a encontrar as principais relações e estabelecer conexões entre os diferentes elementos constitutivos do texto. Uma análise mais completa exige não só a evidência das partes principais do texto, mas também a indicação de quais delas se relacionam com o tema ou a hipótese central. Assim, é possível verificar se há ou não coerência entre os elementos, entre as diferentes partes do texto e entre elas e a ideia central. Análise da estrutura: busca verificar as partes de um todo, eviden- ciando as relações existentes entre elas. É um tipo de análise mais complexa do que as anteriores. Marconi e Lakatos (2017a) ainda comentam que a análise de um texto con- siste no processo de conhecimento de determinada realidade, o que demanda a decomposição de um todo em partes, permitindo o exame sistemático dos elementos. Isso possibilita efetuar um estudo mais completo e encontrar o elemento-chave do autor. Além disso, permite determinar as relações existentes entre as partes e compreender a maneira como estão organizadas, bem como estruturar as ideias de modo hierárquico. Ou seja, é a análise que permite observar os componentes de um conjunto, perceber suas possíveis relações e então passar de uma ideia-chave para um conjunto de ideias mais específicas, depois à generalização e, por fim, à crítica. Você pode considerar que a análise é composta por três fases. Veja a seguir. Decomposição: análise dos elementos essenciais e sua classificação, verificando componentes de um conjunto e suas possíveis relações, permitindo passar de uma ideia-chave geral paraum conjunto de ideias mais precisas. Generalização: permite formular afirmações aplicáveis ao conjunto. Para isso, parte de traços comuns dos elementos constitutivos e utiliza associação, semelhança e analogia. Também evidencia novas questões, partindo do caráter geral e fragmentando-o em partes mais simples e concretas, que se transformam em novos aspectos gerais (que podem novamente ser fragmentados). Análise crítica: utiliza instrumental e processos sistemáticos e con- troláveis. Demanda objetividade, explicação e justificativa para que se possa chegar à validade do trabalho. Leitura, interpretação e análise de textos científicos6 Agora que você conhece as características de um texto científico, bem como os principais elementos necessários para a sua interpretação, pode avançar para a próxima etapa. Nela, você vai aprender sobre a leitura de textos científicos. A ideia é que você realize tal leitura da forma mais apropriada. Leitura de textos científicos Ler signifi ca conhecer, interpretar, decifrar. É por meio da leitura que a maior parte dos conhecimentos é obtida, possibilitando a ampliação e o aprofundamento do saber em determinado campo cultural ou científi co. Isso faz da leitura um dos fatores mais decisivos para o estudo. Ela é imprescindível em todos os tipos de investigação científi ca, permitindo a obtenção de informações básicas e específi cas. Por meio da leitura, é possível obter informações de forma otimizada (sem a necessidade de um trabalho de campo ou experimental) e ainda aumentar o vocabulário, o que retroalimenta o saber, pois permite compreender melhor o conteúdo de outras obras e ampliar cada vez mais o conhecimento (MAR- CONI; LAKATOS, 2017a). Desse modo, a leitura é o alicerce de todas as modalidades de produção científica, o que faz da leitura de textos científicos algo tão relevante. Afinal, a ciência disponível nesse tipo de material é de extrema valia, promovendo conhecimento e inovação, que, por sua vez, trazem inúmeros benefícios à humanidade (AQUINO, 2010). A leitura varia de acordo com o leitor, que realiza a leitura com finalidades e propósitos particulares, além de possuir velocidade de leitura própria. O importante é que a leitura seja realizada de maneira que proporcione ao leitor a capacidade de entender, avaliar, discutir e aplicar o que lê (MARCONI; LAKA- TOS, 2017a). Além disso, como existem diferentes tipos de textos, a leitura precisa ser conduzida de maneiras distintas de acordo com o tipo de material lido (AQUINO, 2010). Isso, logicamente, acontece em relação aos textos científicos: assim como a sua escrita demanda cuidados, a sua leitura igualmente os requer. Como textos científicos são específicos, tendo como objetivo aprofundar algum tema, eles requerem muita atenção na leitura, pois apresentam linguagem complexa relativa a conceitos e teorias. Além disso, materiais como textos cien- tíficos correspondem ao resultado de trabalhos de pesquisa que muitas vezes duram anos, ainda que a sua leitura seja realizada em minutos ou horas. Tal leitura muitas vezes é feita por outros pesquisadores, que buscam naquele texto resultante de uma pesquisa a base para a elaboração do seu próprio trabalho. 7Leitura, interpretação e análise de textos científicos Ou seja, ainda que um texto seja o resultado ou o fim de um trabalho, pode ao mesmo tempo ser o início de outro. Isso possibilita um processo contínuo, por meio do qual são estabelecidas novas visões, pesquisas, conhecimentos, etc. Antes de aprender a escrever textos científicos, você precisa aprender a lê-los de forma adequada. Como você pode imaginar, isso é fundamental para o trabalho de pesquisa que precede a elaboração de um texto. Quem pode ler textos científicos? Muitas pessoas pensam que a leitura de textos científi cos é realizada apenas por pesquisadores e cientistas. Essa é, inclusive, a compreensão de alguns autores e pensadores da ciência ao considerar que “[...] o texto científi co, em seu conceito mais estrito, é escrito por e para pesquisadores de uma área ou subárea, e [que] compreendê-lo exige muito esforço por parte de alguém que não trabalhe no tema específi co [...]” (KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014, p. 27). Contudo, hoje, a leitura dos textos científicos não está limitada a esses agentes da ciência: qualquer pessoa pode ler esse tipo de material. Mesmo aqueles que não estão diretamente envolvidos no meio acadêmico ou de pes- quisa podem (e devem) ler textos científicos. Afinal, os textos científicos abordam tantos temas e enfoques, tratando inclusive de assuntos cotidianos, que podem ser facilmente compreendidos por todos. Esta, inclusive, é uma preocupação que tem sido cada vez mais considerada na produção de textos científicos: o desenvolvimento de pesquisas mais populares, que reúnam informações importantes para a sociedade. A ideia é despertar maior interesse das pessoas por esse tipo de leitura, tornando os textos científicos cada vez mais acessados, lidos e compreendidos. Isso, de certa forma, promove um ciclo virtuoso de geração de conhecimento, que qualifica as pessoas, a sociedade e o mundo, tornando-o um lugar cada vez melhor. Essa evolução do interesse e do acesso aos textos científicos pode ser percebida também historicamente: tempos atrás, a pesquisa era uma atividade exclusiva de doutores, depois passou a ser desenvolvida pelos mestres, segui- dos por especialistas e graduados. Atualmente, a pesquisa é uma realidade já cotidiana até mesmo para estudantes do ensino médio (AQUINO, 2010). Leitura, interpretação e análise de textos científicos8 Por que ler textos científicos? A constatação que você acabou de ver já é em si uma boa justifi cativa para tal questionamento. Afi nal, o texto científi co é um material muito útil a quem deseja fazer pesquisa. Um pesquisador ou cientista certamente vai ler muitos textos, como monografi as ou outro tipo de texto científi co, até produzir o seu próprio trabalho. Além disso, a própria leitura de textos científi cos demanda algum conhecimento teórico sobre o que é abordado no texto a ser lido. Isso requer leituras prévias sobre o assunto, ou seja, leituras de textos em que o pesquisador busca informações sobre o tema em questão. Isso faz da pesquisa uma empreitada para a construção do conhecimento. Nessa jornada, a pro- dução do texto científi co é uma das últimas etapas. Além disso, nela o desejo de pesquisar e escrever pode ser considerado o motivo da leitura de textos científi cos (KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014). Além dessa motivação, existem ainda outros aspectos que podem ser des- tacados como razões da leitura de textos científicos. De acordo com Aquino (2010), a leitura de textos científicos: apresenta os acontecimentos do mundo científico no momento em que o texto foi elaborado; permite acesso a referências e dados apresentados para uso do leitor; permite que a pesquisa publicada por meio do texto científico seja replicada, ou seja, você pode repetir o que está descrito no texto em outro contexto; propicia que resultados e discussões sirvam de fundamento para o leitor tirar suas próprias conclusões; permite ao leitor uma considerável economia de tempo, visto que alguns trabalhos levam anos para serem concluídos e publicados e que o leitor, em poucos minutos, pode ter acesso a toda informação gerada; oferece ao leitor um ganho de vocabulário específico de sua área de conhecimento; traz mais segurança para o convívio do leitor no mundo da ciência. Bell (2008) menciona possíveis problemas que um leitor pode encontrar ao ler um texto científico. Um desses problemas é a terminologia especí- fica. Às vezes, os pesquisadores utilizam termos e/ou jargões que podem ser provenientes do trabalho de campo, em que é desenvolvida uma linguagem especializada para facilitar a comunicação entre os profissionais. Contudo, tal linguagem pode não ser facilmente compreendida por outras pessoas. Para driblar essadificuldade, o leitor deve buscar outros materiais que lhe permitam 9Leitura, interpretação e análise de textos científicos compreender aquilo que porventura não tenha entendido na leitura anterior. Isso acaba aumentando o seu conhecimento a respeito da bibliografia — ou seja, um problema se transforma em uma oportunidade. Onde encontrar textos científicos? De nada adianta você estar motivado para ler um texto sobre determinado assunto se não consegue encontrá-lo. Então, é preciso que você também esteja preparado para buscar textos científi cos. Hoje em dia, a informação está dis- ponível nos mais variados meios. Porém, quando se fala em textos científi cos, é preciso ter cuidado com a busca: tais textos são relativamente fáceis de serem encontrados, desde que você saiba onde procurar. A seguir, veja alguns exemplos de espaços e plataformas que disponibilizam textos científi cos (AQUINO, 2010; KOLLER; COUTO; HOHENDORFF, 2014). Biblioteca: é um dos melhores locais nas instituições de ensino ou de pesquisa para se iniciar a busca por textos para leitura. Os profissionais que trabalham nas bibliotecas podem ser boas fontes de indicação. Internet: o acesso a textos científicos pela internet é quase ilimitado, visto que as possibilidades de encontrar textos completos são imensas. Portal de periódicos da CAPES: a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) possui um portal de informação científica muito interessante. Outras revistas eletrônicas: existem várias revistas eletrônicas dis- poníveis na internet, como a SCIELO (Scientific Library Online), que é uma grande biblioteca eletrônica de fácil acesso. Ela disponibiliza uma coleção selecionada de periódicos científicos. Você deve buscar textos científicos em fontes de informação confiáveis. O portal de periódicos da CAPES é uma delas. Você pode acessá-lo por meio do link a seguir. https://goo.gl/86CQQ Leitura, interpretação e análise de textos científicos10 Como ler textos científicos? Para começar, é importante que você tenha em mente que ler um texto científi co é diferente de ler um texto literário (como um romance). No texto literário, que muitas vezes conta uma história, você precisa ler todas as partes na ordem em que elas se apresentam, ou corre o risco de “perder o fi o da meada”. Já no texto científi co, você pode ler apenas uma parte, focando naquela que mais lhe interessa, identifi cando facilmente a seção necessária, já que o texto possui uma estrutura que permite essa localização. Assim, você pode ler o que e como quiser. Contudo, para tirar o melhor proveito do conteúdo disponível no texto científi co, alguns cuidados podem fazer toda a diferença, como você pode ver a seguir (AQUINO, 2010). Esteja disponível para a leitura, encontrando e aproveitando bem o seu tempo e a sua disponibilidade. Procure um local propício à leitura, onde você se sinta confortável e onde a sua compreensão sobre o texto possa ser facilitada. Esteja equipado para grifar partes importantes e fazer anotações. Ao ler o texto, muitas ideias podem surgir (canetas marca-texto e um bloquinho de anotações são ferramentas muito úteis). Segundo Marconi e Lakatos (2017a), existem diferentes formas e objetivos de leitura. Considere, por exemplo, a leitura de estudo ou informativa, que se ocupa da absorção do conteúdo e de seu significado. Tal leitura compreende os atos de ler, reler, utilizar o dicionário, marcar ou sublinhar palavras ou frases-chave e fazer resumos. Esse tipo de leitura visa a coleta de informações para determinado propósito. Ela possui entre seus objetivos: verificar o conteúdo do texto, constatando o que o autor afirma, os dados que apresenta e as informações que oferece; correlacionar os dados coletados com o problema em pauta a partir das informações do autor; verificar a validade das informações. Além disso, a leitura informativa engloba várias fases ou etapas. A seguir, veja como tais fases podem ser sintetizadas (MARCONI; LAKATOS, 2017a). 11Leitura, interpretação e análise de textos científicos De reconhecimento ou prévia: leitura rápida, com a intenção de pro- curar um assunto de interesse, ou verificar a existência de determinadas informações. Isso pode ser feito por meio da leitura do sumário, dos títulos dos capítulos e de suas subdivisões (seções). Exploratória ou pré-leitura: leitura de sondagem, com a intenção de localizar determinadas informações quando já se tem conhecimento de sua existência. Pode ser feita por meio do exame da página de rosto, da introdução, do prefácio, das referências, das notas de rodapé, das orelhas e da contracapa. Seletiva: leitura que busca selecionar informações relacionadas com o problema que se deseja resolver, eliminando o supérfluo e concentrando a atenção nas informações pertinentes ao problema de pesquisa. Cor- responde ao último passo de localização de material para apreciação e o primeiro da leitura mais atenta e profunda. Reflexiva: leitura mais profunda do que as anteriores, que busca re- conhecer e avaliar informações, intenções e propósitos do autor. Pode ser feita por meio da identificação das frases-chave para se verificar o que o autor afirma e por que o faz. Crítica: leitura que busca avaliar as informações do autor, escolhendo e diferenciando ideias principais de secundárias, hierarquizando-as. O objetivo é obter uma visão global do texto e examinar as intenções do autor. Num primeiro momento, essa leitura busca entender o que o autor quis transmitir. Depois, com base na compreensão de suas proposições e do porquê delas, busca retificar ou ratificar os argumentos e conclusões. Interpretativa: leitura que busca relacionar as afirmações do autor com os problemas que se está buscando solucionar por meio da leitura de textos, realizando a associação de ideias e a comparação de propósitos. O objetivo é selecionar o que é pertinente e útil, bem como o que contribui para a solução dos problemas de quem efetua a leitura. Ou seja, a leitura interpretativa tem a função de provar, retificar ou negar, definir, delimitar e dividir conceitos, justificar ou desqualificar e auxiliar a interpretação de proposições, questões, métodos, técnicas, resultados ou conclusões. Explicativa: leitura que visa a verificar os fundamentos de verdade enfocados pelo autor. Para que isso tudo seja possível, você deve considerar algumas recomen- dações sobre como proceder com a leitura, com vistas à análise e à interpre- tação do que é lido. Assim, é importante seguir os passos listados a seguir (MARCONI; LAKATOS, 2017a): Leitura, interpretação e análise de textos científicos12 proceder à leitura integral do texto com o objetivo de obter uma visão do todo e alcançar um sentido completo; reler o texto, assinalando ou anotando palavras e expressões desco- nhecidas e utilizando um dicionário para esclarecer seus significados; fazer nova leitura após esclarecidas as dúvidas, visando à compreensão do todo; tornar a ler, agora procurando a ideia principal ou palavra-chave; localizar acontecimentos, ideias e fenômenos, comparando-os entre si, procurando semelhanças e diferenças existentes; organizar acontecimentos, ideias e fenômenos, agrupando-os com base em pelo menos uma semelhança importante e colocando-os em ordem hierárquica de importância; interpretar acontecimentos, ideias e fenômenos, tentando descobrir e compreender as conclusões a que o autor chegou; analisar criticamente o material como um todo, em especial as conclusões. Perceba que caminho interessante você trilhou até aqui. Você partiu da com- preensão das características e propriedades de textos científicos, passou pelos elementos para a interpretação desses textos e chegou às recomendações sobre como ler, analisar e interpretar um texto científico. Agora que você tem esse mapa à sua disposição, que tal arregaçar as mangas e trilhar novamente o caminho?Você poderá se surpreender ao obter uma recompensa maior do que imagina. Afinal, o conhecimento é algo de valor inestimável. Então, mãos à obra e bons estudos! AQUINO, I. S. Como ler textos científicos: da graduação ao doutorado. São Paulo: Saraiva, 2010. BELL, J. Projeto de pesquisa: guia para pesquisadores iniciantes em educação, saúde e ciências sociais. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2008. KOLLER, S. H.; COUTO, M. C. P. P.; HOHENDORFF, J. V. (org.). Manual de produção científica. Porto Alegre: Penso, 2014. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017a. 13Leitura, interpretação e análise de textos científicos Leituras recomendadas GOMES, G. K.; LIMA, C. D. V. G. Os fatores da textualidade na produção escrita: um olhar sobre os livros didáticos do ensino médio. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 2., 2015, Campina Grande. Anais [...]. Campina Grande: [s. n.], 2015. Disponível em: http:// www.editorarealize.com.br/revistas/conedu/trabalhos/TRABALHO_EV045_MD1_SA15_ ID2157_26082015221022.pdf. Acesso em: 22 mar. 2019. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia do trabalho científico: projetos de pesquisa, pesquisa bibliográfica, teses de doutorado, dissertações de mestrado, trabalhos de conclusão de curso. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2017b. Leitura, interpretação e análise de textos científicos14 Dica do professor A leitura é uma importante ferramenta para a construção do conhecimento, fundamental no cenário da produção científica. Para que esse importante papel seja cumprido, a leitura precisa ser conduzida de acordo com o tipo de texto que está sendo lido, o que demanda considerar os diversos fatores envolvidos, como as características do texto e os agentes envolvidos, pois além do autor que produziu o texto, a leitura envolve também o leitor, que recebe e interpreta a mensagem enviada por meio do texto. Nesta Dica do Professor, você vai conhecer mais sobre a leitura de textos científicos, seus propósitos, fatores envolvidos e demandas, que podem variar em diferentes contextos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/0e22b9d7308eff67f59a415d0f3e0056 Na prática A leitura de um texto requer que o leitor esteja interessado, e que tenha disponibilidade e concentração. Além disso, o leitor precisa saber que tipo de material está lendo, para que possa se preparar e conduzir a leitura de forma adequada, podendo assim tirar o melhor proveito do ato da leitura. Isso envolve demandas como conhecer as características e as propriedades do tipo de texto que será lido, saber onde encontrar materiais com tais características e conduzir a leitura. Veja um exemplo: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Dicas para ler e interpretar artigos científicos Para ler um texto científico, você precisa primeiro ter consciência de que esse é um tipo específico de material, o qual tem características e elementos específicos que fazem com que sua leitura seja diferenciada. Além disso, é importante que você saiba onde buscar materiais desse tipo. No vídeo disponibilizado, você vai encontrar dicas interessantes sobre esses e outros aspectos envolvidos na leitura de textos científicos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Como fazer leitura e escrita científica Assim como a escrita, a leitura de textos científicos requer alguns cuidados especiais como, por exemplo, a importância de você estar preparado para a leitura, estando atento a aspectos como a busca e a armazenagem de informações. Além disso, você precisa conhecer os elementos formadores da estrutura do texto científico. No seguinte vídeo, você vai encontrar orientações úteis para que possa se preparar e conduzir de forma adequada a leitura de textos científicos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Manual de Produção Científica [Série Métodos de Pesquisa] Você sabe o que faz um texto ser considerado científico? Que características e elementos ele tem? Qual seu propósito? Saber as respostas para essas perguntas é o primeiro passo para que você possa efetuar a leitura de um texto científico de forma apropriada. No primeiro capítulo da obra a seguir, você vai encontrar subsídios teóricos que lhe ajudarão a responder os questionamentos inicialmente apresentados. Confira. https://www.youtube.com/embed/Gm4RhQcNKg0 https://www.youtube.com/embed/_1l6MjOzIgw Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.biosanas.com.br/uploads/outros/artigos_cientificos/18/6505082c2a7c23986651c7b1f7a4a92e.pdf Métodos científicos Apresentação Gaston Bachelar (1968) convida a pensar sobre o conhecimento científico, advertindo que toda vida intelectual da ciência se move dialeticamente entre a fronteira do conhecimento e do desconhecido e que a essência da reflexão é, justamente, compreender que não se compreendeu. Assim, a construção do conhecimento representa o próprio caminho da humanidade. Por isso, é possível afirmar que a ciência é dinâmica e está sempre em transformação, assim como o conhecimento. O conhecimento pode ser desvelado de diferentes maneiras, dependendo da forma como se olha para o mundo. Assim, há um conhecimento mítico, artístico, filosófico, religioso, do senso comum e científico. Destes, os que mais interferem no cotidiano são o senso comum e o conhecimento científico. No senso comum, o homem tira conhecimento da experiência quando se coloca a resolver os problemas imediatos da vida; portanto, não é planejado. Já o saber científico provoca o homem a assumir o controle das suas ações de modo a usar a razão de forma sistemática, metódica, planejada e crítica para compreender o mundo e seus fenômenos. Para melhor compreender tudo isso, nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar o método científico, que define e diferencia o conhecimento construído pela ciência de outros tipos de conhecimentos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar as fases do método científico.• Reconhecer o método científico como construtor de conhecimento científico.• Diferenciar o método científico dos demais métodos existentes.• Infográfico A ciência existe desde que o homem começou a questionar os objetos, fatos e fenômenos do mundo. Com essa inquietação, buscava uma explicação, mas, ao longo da história, esta veio de diferentes tipos de conhecimento, como o mitológico, o filosófico, o senso comum, o científico e tantos outros. O conhecimento científico só foi possível porque o homem elaborou um caminho racional e lógico para construí-lo, chamado de "método científico". Neste Infográfico, você irá conhecer alguns dos principais métodos de pesquisa. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/efe574c5-cc4b-4f64-b5fe-fcc3f2d86d09/38ab6190-9d9a-4ddd-93bc-c5c130ddcb31.jpg Conteúdo do livro O ser humano vive em um mundo dinâmico e cheio de mudanças. Por isso, situações que, em dado momento, são verdadeiras, em outros podem não ser. A verdade é sempre provisória; por isso, deve ser investigada e conhecida constantemente. O homem cria representações que lhe sejam significativas, e essas representações são o conhecimento humano, que pode ser de diferentes tipos. Entre eles, destacam-se o conhecimento religioso, o mítico, o filosófico, o artístico, o de senso comum e o científico. O conhecimento científico representa a forma como a realidade é vista a partir do olhar da ciência, o que pressupõe a busca ordenada e metódica pela explicaçãoracional e lógica de um fato ou fenômeno, além da crítica ao senso comum. O conhecimento científico, portanto, é o resultado de uma investigação científica ou pesquisa que visa a responder de forma segura aos questionamentos humanos. No capítulo Métodos científicos, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você irá conhecer a forma como o conhecimento científico é elaborado e sua relação com o método científico. Boa leitura. MÉTODO CIENTÍFICO Cléa Coitinho Escosteguy Método científico Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar as fases do método científico. � Reconhecer o método científico como construtor de conhecimento científico. � Diferenciar o método científico dos demais métodos existentes. Introdução Desde a Antiguidade os homens questionam todas os fatos e fenôme- nos. É a partir desses questionamentos que surgem as descobertas e o conhecimento é ampliado e atualizado. Ao longo da história foram muitas correntes de pensamento e, com elas, formas diferentes de conceber o conhecimento e a ciência em si. O homem é impulsionado no caminho da ciência porque tem ne- cessidade de compreender as relações que estão por trás das aparências dos objetos, fatos e fenômenos, e por buscar uma explicação para os acontecimentos da vida real. O conhecimento científico exige um método. Ele se constrói a partir de um tipo de raciocínio lógico, um caminho traçado pelo pesquisador e que tem etapas bem delineadas. Neste Capítulo, você vai estudar o método científico e o que define e diferencia o conhecimento científico de outros tipos de conhecimentos. As fases do método científico Desde a sua origem, o homem sempre procurou obter conhecimento sobre os objetos que o cercam, principalmente conhecimento sobre os fenômenos naturais e o ambiente em sua volta. Esse conhecimento primitivo é motivado por algo externo à atividade cognitiva propriamente dita: a necessidade de controle dos fenômenos naturais com vistas à própria sobrevivência biológica. A palavra “método” vem do grego methodos, que significa “caminho para chegar a um fim“. O método científico é um conjunto de regras básicas para desenvolver uma experiência a fim de produzir novo conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos preexistentes. A maioria das disciplinas científicas consiste em juntar evidências observáveis, empíricas (ou seja, baseadas apenas na experiência) e mensuráveis e analisá-las com o uso da lógica. Hoje em dia, é comum o uso do método científico nas disciplinas de cons- trução de conhecimento. Não é novidade falar sobre a utilização de um método para construção de conhecimentos no âmbito escolar. Durante muito tempo, os professores dedicados ao ensino de ciências tomaram, para suas práticas de ensino, as contribuições provenientes de procedimentos que orientavam os cientistas no desenvolvimento de suas pesquisas. Embora nem sempre de modo feliz, em alguns casos, tais procedimentos de pesquisa pareciam tão eficazes, que não se via razão pela qual também não se aplicassem nas práticas escolares. Obviamente foram esses procedimentos ditos científicos que atuaram como legitimadores de certa forma de se ensinar ciências (MARSULO; SILVA, 2005). Por trás de qualquer proposta didática de metodologias preocupada com a construção do conhecimento, há concepções e ideias mais ou menos forma- lizadas e explicitadas em relação aos processos de ensinar e aprender. Tais processos encontram-se alicerçados numa concepção de mundo e de ciência na qual são incorporadas as dimensões teórico-conceituais articuladoras das práticas e das teorias, bem como as metodologias específicas e os procedimen- tos que se fazem necessários à construção dos conhecimentos (MARSULO; SILVA, 2005). Quanto à metodologia como via de acesso à ciência, pressupõe-se a cons- trução de um método a fim de atingir um objetivo, uma meta, conduzindo à busca do conhecimento. No método, articulam-se teorias e práticas. “É ele um sumário delas, momento de explicitação dos processos de concepção e condução de determinada prática social.” (MARQUES, 1996). Atualmente os cientistas e os filósofos preferem falar numa diversidade de métodos, que são determinados pelo tipo de objeto a investigar e pela classe de proposições a descobrir. O método científico engloba algumas etapas, tais como a observação, a questão, a formulação de uma hipótese, a verificação, a análise dos resultados, hipóteses verdadeiras e falsas e o relatório dos resultados. É importante ressaltar que a investigação de determinado fenômeno não precisa, necessariamente, cumprir todas as etapas, assim como não existe um tempo predeterminado para realizar cada uma delas. Método científicos2 Figura 1. Esquema do método científico. Fonte: Becris/Shutterstock.com. Segundo os autores Cervo e Bervian (1974) as fases do método científico são: � Observação: como o próprio nome diz, é a visualização de um fato (ou fenômeno). Essa observação deve ser repetida várias vezes, buscando obter o maior número possível de detalhes, sendo realizada, portanto, com a maior precisão possível. Deve-se tomar o cuidado com os “vícios” para que ocorra uma observação correta do fato; em muitos casos, a pessoa vê o que deseja ver – não o que está ocorrendo de fato. � Questão: corresponde à execução de questionamentos sobre o fato observado. Para essas perguntas, o pesquisador vai à busca de respostas. Um problema bem formulado é mais importante para a ciência do que a sua solução, pois abre caminho para diversas outras pesquisas. � Formulação da hipótese: a hipótese nada mais é do que uma possível explicação para o problema. No jargão científico, a hipótese geralmente equivale à suposição verossímil, depois comprovável ou denegável pelos fatos, os quais irão decidir, em última instância, sobre a veracidade ou falsidade dos fatos que se pretende explicar. “A hipótese é a suposição de uma causa ou de uma lei destinada a explicar provisoriamente um 3Método científico fenômeno até que o fato venha a contradizer ou afirmar.” (CERVO; BERVIAN, 1974). � Verificação: etapa em que o pesquisador realiza experiências para pro- var (ou negar) a veracidade de sua(s) hipótese(s). Se, após a execução da experiência por repetidas vezes, os resultados obtidos forem os mesmos, a hipótese é considerada verdadeira. Na Antiguidade, as experiências não eram controladas – experiências empíricas, muito usadas pelos alquimistas. Nesse modelo, as experiências eram do tipo tentativa-erro; com isso, as descobertas acabavam sendo puramente casuais. � Análise dos resultados: é a atividade na qual o pesquisador transforma um conjunto de dados com o objetivo de poder verificá-los melhor, dando-lhes ao mesmo tempo uma razão de ser e uma análise racional. É analisar os dados de um problema e identificá-los. A análise de dados possui diferentes facetas e abordagens, incorporando diversas técnicas. � Hipóteses verdadeiras ou falsas: pode ser realizado um teste de hipó- teses, que é um procedimento que permite tomar uma decisão (aceitar ou rejeitar a hipótese nula) entre duas ou mais hipóteses (hipótese nula ou hipótese alternativa) utilizando-se os dados observados de um determinado experimento. Há diversos métodos para realizar o teste de hipóteses, entre os quais se destacam o método de Fisher (1955) (teste de significância), o método de “Neyman–Pearson” em 1933 e o método de “Bayes” em 1812. A estatística pode ser utilizada para auxiliar a tomada de decisões nas mais variadas áreas, veja alguns exemplos: � Estimar a efetividade de um parâmetro de interesse. � Testar se determinada teorica científica deve ser mantida ou descartada. � Verificar se um lote de remédios deve ser desenvolvido por falta de qualidade; entre outras possibilidades. Os testes de hipóteses são utilizados para determinar quais resultados de um estudo científico podem levar a rejeição da hipótese nulaa um nível de significância prees- tabelecido. O estudo da teoria das probabilidades e a determinação da estatística de teste correta são fundamentais para a coerência de um teste de hipótese. Se as hipóteses do teste não forem assumidas de maneira correta, o resultado será incorreto, e a informação será incoerente com a questão do estudo científico. Método científicos4 � Relatório de resultados: como o próprio nome indica, é revelar o que foi encontrado na pesquisa. Essa parte do artigo estará composta dos dados relevantes obtidos e sintetizados pelo autor. Primeiramente, apresentam-se as características dos sujeitos do estudo. São informações demográficas, socioeconômicas, clínicas ou de outra natureza que des- crevem o grupo ou os grupos estudados (PEREIRA, 1999). Em geral, essa informação é apresentada em uma tabela. O leitor, ao inspecionar esses dados, poderá verificar se os procedimentos de seleção adotados produziram a amostra adequada para o estudo ou, no caso de estudos analíticos, se os grupos são comparáveis. Segundo o autor, serve tam- bém para indicar a que população os resultados são generalizáveis. Outra conduta recomendada para compor a parte inicial da seção de resultados é relatar como se chegou à amostra final utilizada na análise dos dados. Se a descrição for complexa para aparecer no texto, sugere- -se que seja inserido um gráfico de fluxo (ou fluxograma) contendo o detalhamento da seleção dos sujeitos da pesquisa e os motivos de exclusão de participantes. O método científico como construtor do conhecimento científico A ciência e o conhecimento científico são definidos de maneiras diferentes pelos diversos autores que se lançam à tarefa de refletir sobre eles. Algumas definições são bastante semelhantes, enquanto outras levantam algumas di- ferenças. Contudo, a maior parte dos que buscam definir a ciência concorda que “[...] ao se falar em conhecimento científico, o primeiro passo consiste em diferenciá-lo de outros tipos de conhecimento existentes [...]” (LAKATOS; MARCONI, 1986). Segundo França (1994), “conhecer” é atividade especificamente humana. Ultrapassa o mero “dar-se conta de” e significa a apreensão, a interpretação. Conhecer supõe a presença de sujeitos; um objeto que suscita sua atenção compreensiva; o uso de instrumentos de apreensão; um trabalho de debruçar- -se sobre. Como fruto desse trabalho, ao conhecer, cria-se uma representação do conhecido que já não é mais o objeto, mas uma construção do sujeito. O conhecimento produz, assim, modelos de apreensão – que, por sua vez, vão instruir conhecimentos futuros. A autora destaca, assim, os principais elementos envolvidos no processo de conhecer: o sujeito que conhece a “coisa” conhecida (que, uma vez conhecida, 5Método científico torna-se “objeto”, isto é, a “coisa”, elemento da realidade, da perspectiva de quem a conhece, para quem se torna “objeto”), o movimento do sujeito em direção ao objeto (que é o próprio processo de conhecer) e os instrumentos utilizados neste processo. Um último elemento é apresentado pela autora: o fato de que todo processo de conhecimento se dá no cruzamento de duas dinâmicas opostas, duas atitudes básicas. Após compreender outras formas de conhecimento – filosófico, artístico e ideológico –, a construção da ciência na era moderna torna-se mais fácil de ser compreendida. Afinal, o conhecimento científico nasce da proposta de um conhecimento diferente dos demais, pois busca compensar as limitações do conhecimento religioso, artístico e do senso comum. A busca de um co- nhecimento mais confiável da realidade está presente desde a pré-história. Contudo, a maior parte dos autores que definem ciência a identificam com um momento específico da história da humanidade. Gressler (2003) afirma que um novo tipo de abordagem do problema do conhecimento se desenvolveu a partir do século XV. Já o método de investigação difundido por Galileu é mais do que simples indução ou dedução. Ele compreende uma série de procedimentos para testar criticamente e selecionar as melhores hipóteses e teorias para explicar a realidade. Assim, a necessidade do homem de uma compreensão mais aprofundada do mundo, bem como a necessidade de precisão para a troca de informações, acaba levando à elaboração de sistemas mais estruturados de organização do conhecimento. Fourez (1995) destaca que, no início, os homens se comuni- cavam a partir de uma linguagem que utilizava um código restrito em que os objetos do mundo são descritos sem uma preocupação com o alcance das descrições – não havendo, portanto, uma reflexão elaborada. É a linguagem do dia a dia, “[...] útil na prática e que não leva adiante todas as distinções que se poderia fazer para aprofundar o meu pensamento [...]” (FOUREZ, 1995). No entanto, com o tempo, os homens passaram a desenvolver um código “elaborado” com o objetivo de tornar as noções mais precisas e sistematizar os campos de conhecimento. Aqui se tem a origem dos “conceitos”, noção fundamental para a formação dos campos disciplinares. De acordo com Maslow (1979), “[...] a ciência tem as suas origens nas necessidades de conhecer e compreender (ou explicar), isto é, nas necessidades cognitivas [...]”, de um conhecimento difuso, espalhado, assistemático e desorganizado, passando a um trabalho de arranjo segundo certas relações, de disposição metódica. Esse processo é fundamental para a composição de campos específicos do conhecimento científico. Método científicos6 Ao apontar o surgimento do método científico no século XV, Gressler (2003) não descarta que, desde a Idade Antiga, já houvesse habilidades e preocupações com uma linguagem técnica e uma argumentação lógica fundamentada na razão – como bem demonstra, por exemplo, a geometria desenvolvida pelos gregos. Contudo, a autora particulariza o projeto científico como uma forma específica de conhecer a realidade desenvolvida com a contribuição de uma série de personagens. O método científico se refere a um aglomerado de regras básicas dos procedimentos que produzem o conhecimento científico – seja ele um novo conhecimento ou uma correção (evolução) – ou um aumento na área de inci- dência de conhecimentos anteriormente existentes. A maioria das disciplinas científicas consiste em juntar evidências empíricas verificáveis, baseadas na observação, sistemáticas e controladas – geralmente resultantes de experiências ou de pesquisa de campo – e analisá-las com o uso da lógica. Para muitos autores, o método científico nada mais é do que a lógica aplicada à ciência. Já a metodologia científica, conforme Singh (2006), literalmente refere-se ao estudo dos pormenores dos métodos empregados em cada área científica específica e, em essência, dos passos comuns a todos esses métodos, ou seja, do método da ciência em sua forma geral, que se supõe universal. Embora procedimentos variem de uma área da ciência para outra (as disciplinas científicas), diferenciadas por seus distintos objetos de estudo, consegue-se determinar certos elementos que diferenciam o método científico de outros métodos encontrados em áreas não científicas, como os presentes na filosofia, na matemática e até mesmo nas religiões. Portanto, de acordo com Muline, Leite e Campos (2013), os indivíduos que participam do processo de construção do conhecimento argumentam, integram e têm curiosidade mais aguçada, apresentam maiores chances de êxito no processo de construção, desconstrução e reconstrução dos conheci- mentos científicos. A utilização da sequência didática voltada ao ensino de investigação na produção de conhecimento é de suma importância, uma vez que oportuniza a atuação dos envolvidos como agentes e construtores do conhecimento por meio da investigação científica e permite uma inovação em todos os contextos. 7Método científico O método científico e os demais métodos existentes Método científico é o conjunto das normas básicas que devem ser seguidas para a produção de conhecimentosque têm o rigor da ciência, ou seja, é um método usado para a pesquisa e comprovação de um determinado conteúdo. Essa metodologia parte da observação sistemática de fatos, seguido da rea- lização de experiências, das deduções lógicas e da comprovação científica dos resultados obtidos. Para diversos autores, o método científico é a lógica aplicada à ciência. O método científico é um trabalho sistemático na busca de respostas às questões estudadas, é o caminho que se deve seguir para levar à formulação de uma teoria científica. É um trabalho cuidadoso, que segue um caminho sistemático, sendo a ferramenta do pesquisador, que, no fim de seu processo de pesquisa, explica e prevê um conjunto de ocorrências provenientes da aplicação de suas teses. Um artigo científico é o resultado de um estudo realizado e comprovado pelo método científico. O método é uma forma de comprovar a veracidade de algumas teses desacreditadas pelo ceticismo. Figura 2. Etapas do método científico. Fonte: Andrea Danti/Shutock.com. Método científicos8 Tartuce (2006) apresenta alguns conceitos importantes para melhor se compreender a natureza do método científico e afirma que essa é a forma mais segura inventada pelos homens para controlar o movimento das coisas que envolvem um fato e montar formas de compreensão adequada dos fenômenos. Fatos – acontecem na realidade, independentemente de haver ou não quem os conheça. Fenômeno – é a percepção que o observador tem do fato. Pessoas diversas podem observar no mesmo fato fenômenos diferentes, dependendo de seu paradigma. Paradigmas – são referenciais teóricos que servirão de orientação para a opção metodológica de investigação. Mesmo que os paradigmas sejam constituídos por construções teóricas, não há cisão entre a teoria e a prática ou entre a teoria e a lei científica. Portanto, eles coexistem, gerando o que se pode denominar “praxiologia”. Em contraposição ao método científico está o método empírico, que é baseado unicamente na experiência, sem nenhum processo científico. Empírico é um fato que se apoia somente em experiências vividas, na observação de coisas – e não em teorias e métodos científicos. Empírico é aquele conheci- mento adquirido durante toda a vida, no dia a dia, que não tem comprovação científica nenhuma. O método empírico é um método feito por tentativas e erros e é caracterizado pelo senso comum – e cada um compreende à sua maneira. O método empírico gera aprendizado, uma vez que aprendemos fatos pelas experiências vividas e presenciadas, para se obterem conclusões. O conhecimento empírico é muitas vezes superficial, sensitivo e subjetivo. Assim, é o conhecimento baseado em uma experiência vulgar ou imediata, não metódica e que não foi interpretada e organizada de forma racional. Para a ciência, empírico é um tipo de evidência inicial para comprovar alguns métodos científicos: o primeiro passo é a observação, para então se fazer uma pesquisa seguindo um raciocínio lógico e normas, que é o método científico. Nas ciências, muitas pesquisas são realizadas inicialmente pela observação e a experiência. 9Método científico Em oposição ao pensamento de senso comum, o método dialético se propõe a compreender a “coisa em si”, construindo uma compreensão da realidade que considere a totalidade como dinâmica e em constante construção social. Ao considerar a realidade dessa forma, a dialética rompe com a pseudocon- creticidade, pois desvela as tramas que relacionam a essência ao fenômeno. Foi por isso que Hegel (2007) preconizava: “O verdadeiro é o todo, mas o todo é somente a essência que se implementa através de seu desenvolvimento.”. Marx e Engels (2007), ao usarem a dialética, objetivam suprimir a ime- diaticidade e a pretensa independência com que o fenômeno surge, focando a sua essência. Com a dialética, os elementos cotidianos deixam de ser na- turalizados e eternizados, passando a ser encarados como sujeitos da práxis social da humanidade. Nesse sentido, a dialética é um esforço para perceber as relações reais (sociais e históricas) entre as formas estranhadas com que se apresentam os fenômenos. O método dialético irá justamente buscar as relações concretas e efetivas por trás dos fenômenos. Sobre essa posição marxiana, Walhens (apud Kosik 1976 p.17) escreveu: “O marxismo é o esforço para ler, por trás da pseudoi- mediaticidade do mundo econômico reificado, as relações inter-humanas que o edificaram e se dissimularam por trás de sua obra.”. Descartes (1973) apresenta o método dedutivo a partir da matemática e de suas regras de evidência, análise, síntese e enumeração. Esse método parte do geral e, a seguir, segue para o particular. O protótipo do raciocínio dedutivo é o silogismo, que, a partir de duas proposições chamadas de “premissas”, retira uma terceira, chamada de “conclusão”. Exemplo do método dedutivo Todo mamífero tem um coração. Ora, todos os cães são mamíferos. Logo, todos os cães têm um coração. No exemplo apresentado, as duas premissas são verdadeiras, portanto a conclusão é verdadeira. Método científicos10 Parte-se de princípios reconhecidos como verdadeiros e indiscutíveis, possibilitando chegar a conclusões de maneira puramente formal em virtude de sua lógica. Esse método é bastante usado na matemática e na física, cujos princípios podem ser enunciados por leis. Já nas ciências sociais, seu uso é mais restrito em virtude da dificuldade de se obterem argumentos gerais cuja veracidade não possa ser colocada em dúvida (GIL, 1994). Método dedutivo O raciocínio educativo, também chamado de lógica educativa ou dedução lógica – ou até mesmo, informalmente, de lógica “top-down” –, é o processo de raciocínio a partir de uma ou mais afirmações (premissas) para se chegar a uma certa conclusão lógica. O raciocínio dedutivo liga afirmações (ou premissas) a conclusões. Como vimos, o método científico é uma forma de raciocínio lógico por meio do qual o pesquisador organiza a análise dos fatos ou fenômenos investigados. É assim que se definem a modalidade, a técnica e os instrumentos da pesquisa. Neste capítulo conhecemos as fases de construção do método científico, partindo da observação e chegando à produção de um relatório de resultados. Foi possível reconhecer que é por meio do método científico que construímos o conhecimento científico. Existem outras formas de construir conhecimento, entre elas as experiências e o método empírico, mas estes não preenchem os requisitos para serem considerados ciência. Acesse o link ou código a seguir e assista ao vídeo sobre “Ciência animada”: https://goo.gl/JWpZ7h 11Método científico CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia científica. 5. ed. São Paulo: Prentice Hall, 1974. DESCARTES, R. Discurso do método. São Paulo: Abril, 1973. (Coleção Os Pensadores). FISHER, R. statistical methods and scientific induction. 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Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/3520006660a5c7005d293c218919a077 Na prática O mundo viveu um surto pandêmico a partir de 2019 com consequências terríveis, como isolamento social, contaminação em massa e inúmeras mortes. No entanto, se, por um lado, o mundo adoeceu junto, também foi de forma colaborativa que enfrentou a doença. Para se construir um novo conhecimento sobre o vírus, suas formas de contágio e contaminação, os riscos de morte e as sequelas deixadas nos sobreviventes, além de vacinas e protocolos de prevenção, os cientistas se debruçaram sobre o método científico. Neste Na Prática, compreenda a importância do método científico para esse momento da história. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Galileo, Newton e o método científico Neste vídeo, o autor faz algumas reflexões sobre a origem do método científico. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. O que é ciência e por que confiar nela? Neste vídeo, a pesquisadora discute a organização do conhecimento científico e os passos de sua construção. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Pressupostos para a elaboração de relato de experiência como conhecimento científico O artigo aborda uma modalidade de pesquisa que tem sido muito valorizada: o relato de experiência. Trata-se de o autor relatar a própria experiência vivida. Neste estudo, será possível entender quais são os caminhos para que um relato de experiência seja, de fato, um conhecimento científico, e não um discurso do senso comum. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.youtube.com/embed/kv6jQ8I_IJE https://www.youtube.com/embed/1aQRJQRHQvg https://periodicos2.uesb.br/index.php/praxis/article/download/9010/6134/22658 Metodologia científica: ciência, ensino, pesquisa Nesta publicação, você irá conhecer pesquisas e seus métodos em diferentes áreas do conhecimento. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Normas da ABNT Apresentação Nesta unidade de aprendizagem, estudaremos as normas da ABNT, suas funções e conceitos, bem como resoluções. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer como se aplicam as normas em diferentes trabalhos acadêmicos.• Desenvolver a formatação de trabalhos acadêmicos.• Identificar a numeração da norma de acordo com o trabalho acadêmico, bem como suas estruturas. • Infográfico Veja no esquema a norma e suas respectivas numerações. Conteúdo do livro Acompanhe o conteúdo indicado para intensificar os estudos sobre normas da ABNT. Boa leitura. As normas da ABNT associadas ao diálogo teórico AS CITAÇÕES Além das regras de apresentação e formatação, a ABNT padroniza alguns recursos relacionados ao diálogo com os teóricos, como a citação, a nota de rodapé e as referências. CITAÇÃO: UM RECURSO DE DIÁLOGO COM OS TEÓRICOS A citação consiste em um recurso técnico de construção de diálogo com outros estudiosos, no qual o pesquisador faz menção, no corpo do texto, de uma informação extraída de outra fonte (ABNT/NBR 10520, 2002). As citações podem ser indicadas pelo sistema numérico (com inserção de numeração única e consecutiva para todo o documento) ou pelo sistema autor-data (com a inserção do sobrenome do autor ou instituição responsável, seguido da data de publicação do documento). As citações devem fluir normalmente no texto, tecidas à voz do autor do texto com naturalidade e técnica. O nome do autor do texto consultado pode aparecer antes ou depois da citação, dentro do parêntese (em caixa alta) ou fora dele (sem caixa alta). Em todos os casos, a ideia deve ganhar relevância argumentativa para a qual foi utilizada. Existem três tipos de citação: a direta, a indireta e a citação de citação. AS CITAÇÕES DIRETAS OU TEXTUAIS Consistem na transcrição literal das palavras do texto consultado. Devem informar o sobrenome do autor, data de publicação entre parênteses e o número da página. Essa citação remete para referência completa, que figura no final do trabalho. As citações diretas podem ser curtas ou longas. CITAÇÃO DIRETA CURTA É a transcrição literal de um trecho com até três linhas de extensão. Nesse caso, a citação deve aparecer entre aspas duplas, com indicação do(s) autor(es), da(s) página(s) e referência à obra consultada. Exemplo: Sobre esse assunto, França (2007, p. 107) lembra que “A fonte de onde foi extraída a informação deve ser citada obrigatoriamente, respeitando-se dessa forma os direitos autorais” Ou: Sobre esse assunto, França lembra que “A fonte de onde foi extraída a informação deve ser citada obrigatoriamente, respeitando-se dessa forma os direitos autorais.” (2005, p. 107). Ou ainda: Sobre esse assunto, França lembra que “A fonte de onde foi extraída a informação deve ser citada obrigatoriamente, respeitando-se dessa forma os direitos autorais.” (FRANÇA, 2007, p. 107). CITAÇÃO DIRETA LONGA É a transcrição literal de um trecho com extensão superior a três linhas. Nesse caso, a citação aparece com um recuo de 4 cm, espaçamento entrelinha simples, fonte da letra tamanho 10, separado do texto principal com um espaço simples antes e depois. Exemplo: Uma transcrição literal de todos os outros autores. É reproduzida entre aspas ou destacada tipograficamente, exatamente como consta do original, acompanhada de informações sobre a fonte (em respeito à Lei 5.988 de 14 de dez. 1973 que regulamenta os direitos autorais). (FRANÇA, 2007, p.108 - grifos do autor) AS CITAÇÕES INDIRETAS OU LIVRES Quando o pesquisador se fundamenta na ideia do texto original e dela faz uma paráfrase, ou seja, registra a ideia com suas palavras. Nesse caso, não são usadas as aspas para indicar a citação, mas, obrigatoriamente, devem ser informados o nome do autor e a data, separados por vírgula. Constitui uma rede intercomunicantede vesículas achatadas, vesículas redondas e túbulos formada por uma membrana contínua e que delimita um espaço irregular, a cisterna do retículo endoplasmático. Na célula, o retículo endoplasmático apresenta-se de dois tipos: 1. Retículo Observação! Em citação indireta, não é obrigatório informar o número da página, mas por de padrão, caso o acadêmico opte pelo uso, deve fazê-lo em todas as citações. A CITAÇÃO DE CITAÇÃO Expressão usada para estruturar citações diretas ou indiretas que estão sendo usadas pelo autor da fonte consultada diretamente. Essas expressões são apresentadas no texto, pelo sobrenome do autor, seguido de apud (citado por) e o sobrenome do autor consultado diretamente. Marinho (apud MARCONI e LAKATOS, 2002) apresenta a formulação do problema como uma fase de pesquisa que, sendo bem delimitado, simplifica e facilita a maneira de conduzir a investigação, tendo em vista que o objetivo da pesquisa é esclarecer os caminhos e as etapas por meio dos quais essa realidade se construiu. (5) MARINHO, Pedro. A pesquisa em ciên-cias humanas. Petrópolis: Vozes, 1980. (Esta nota de rodapé explica que o leitor não leu o Marinho diretamente, mas por meio de Marconi e Lakatos. Essa referên-cia não precisa constar da lista ao final do trabalho.) Dica do professor Veja a dica do professor sobre normas da ABNT. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/182005465e1a74eb5f0716f15e205fb2 Na prática A normatização de artigos é exigida para submeter as produções científicas em congressos, anais, revistas entre outros. Na ABNT, a normatização de artigos possui uma norma regulamentadora própria: a NBR 6022. Você sabe quais são algumas das formatações regulamentadas nela? Veja na imagem a seguir. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/1dda9375-6130-4754-bade-56beb7673d70/250559f6-d927-46b7-8b6f-10f982212bf7.png Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS NBR 10520: Informação e documentação: citações em documentos. Rio de Janeiro, 2002. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. http://www2.uesb.br/biblioteca/wp-content/uploads/2016/05/NBR-10520-CITA%C3%87%C3%95ES.pdf Teoria e fatos Apresentação Esta unidade de aprendizagem apresenta as Teorias e os Fatos e sua relação com a Ciência. Será possível compreender que as duas questões estão relacionadas, embora elas sejam independentes. Além disso, será possível perceber como esses dois assuntos estão presentes no dia a dia de todos nós. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Explicar o que é teoria e o que é fato.• Distinguir a diferença entre teoria e fato.• Identificar como as teorias e fatos estão presentes na ciência.• Infográfico A seguir um infográfico que ajuda a ilustrar a unidade. Conteúdo do livro Acompanhe um trecho da obra Projeto de Pesquisa, que está em sua terceira edição e serve de base teórica para nossa Unidade de Aprendizagem. Inicie pelo tópico "Definição de uma teoria". �������� �� ��� �������� � ��� ��� �������������������� �������������������� ���� ���� Sobre o Autor John W. Creswell é professor de Psicologia Educacional e ministra cursos e escreve sobre metodologia qualitativa e pesquisa de métodos mistos. Trabalha há cerca de 30 anos na Universidade de Nebraska-Lincoln e é autor de 11 livros, muitos deles focados no projeto de pesquisa, na pesquisa qualitativa e na pesquisa de métodos mistos, os quais foram traduzidos para muitas línguas e são utilizados no mundo todo. Além disso, é codiretor do Departamento de Pesquisa Qualitativa e de Métodos Mistos da Universi- dade de Nebraska-Lincoln, o qual dá suporte aos acadêmicos que incorporam a pesqui- sa qualitativa e de métodos mistos em projetos para financiamento externo. Trabalha como coeditor fundador da revista da Sage, Journal of Mixed Methods Research, e foi professor adjunto de Medicina de Família na Universidade de Michigan, tendo auxiliado os investigadores de ciências da saúde na metodologia da pesquisa para seus projetos. Foi recentemente escolhido para ser Senior Fulbright Scholar e trabalhou na África do Sul em outubro de 2008, levando os métodos mistos aos cientistas sociais e aos autores de documentários sobre vítimas da AIDS e suas famílias. Toca piano, escreve poesia e é ativamente envolvido em esportes. Visite-o em seu website: www.johnwcreswell.com. C923p Creswell, John W. Projeto de pesquisa [recurso eletrônico] : métodos qualitativo, quantitativo e misto / John W. Creswell ; tradução Magda Lopes ; consultoria, supervisão e revisão técnica desta edição Dirceu da Silva. – 3. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : Artmed, 2010. Editado também como livro impresso em 2010. ISBN 978-85-363-2358-9 1. Métodos de pesquisa. I. Título. CDU 001.891 Catalogação na publicação: Renata de Souza Borges CRB10/1922 Projeto de pesquisa 79 do, porque elas podem ter operado pa ra explicar a relação entre a variável independente e a variável de pendente, mas não foram ou não puderam ser facilmente avaliadas (p. ex., atitudes dis cri- minatórias). Em um estudo de pesquisa quantitativa, as variáveis estão relacionadas à resposta a uma questão da pesquisa (p. ex., “Como a autoestima in- fluencia a formação de amizades entre adolescentes?”) ou à realização de previsões sobre o que o pesquisador espera que os resultados mostrem. Tais previsões são chamadas de hipóteses (p. ex., “A autoestima positiva individual expande o número de amigos dos adolescentes.”). Definição de uma teoria Com esse pano de fundo sobre as variáveis, podemos proceder ao uso das teorias quantitativas. Na pesquisa quantitativa, existem alguns pre- cedentes históricos para encarar a teoria como uma previsão ou explicação científica (ver G. Thomas, 1997, para maneiras diferentes de conceituar as teorias e de como elas podem restringir o pensamento). Por exemplo, a definição de Kerlinger (1979) de uma teoria ainda é válida hoje. Ele disse que uma teoria é “um conjunto de constructos (variáveis latentes), defi- nições e proposições inter-relacionados que apresentam uma visão sis- temática dos fenômenos especificando as relações entre as variáveis men- suradas, com o propósito de explicar os fenômenos naturais” (p. 64). Nessa definição, uma teoria é um conjunto inter-relacionado de cons- tructos (ou variáveis latentes) transformados em proposições, ou hi póteses, que especificam a relação entre as variáveis (tipicamente em termos de magnitude ou direção). Uma teoria pode aparecer em um estudo de pesquisa como um argumento, uma discussão ou uma justificativa, e ajuda a explicar (ou a prever) fenômenos que ocorrem no mundo. Labovitz e Hagedorn (1971) adicionam a essa definição a ideia de uma justificativa teórica, que eles definem como “especificando como e por que as variáveis e as de- clarações relacionais são inter-relacionadas” (p. 17). Por que uma variável independente X influencia ou afeta uma variável dependente Y? A teoria proporcionaria uma explicação para essa expectativa ou previsão. Uma discussão sobre essa teoria apareceria em uma seção de uma proposta sobre a revisão da literatura ou sobre a base da teoria, a justificativa teórica ou a perspectiva teórica. Prefiro o termo perspectiva teórica porque ele tem si- 80 John W. Creswell do popularmente usado como uma seção requerida para as propostas de pesquisa quando uma pessoa submete um pedido para apresentar um trabalho na conferência da American Educational Research Association. A metáfora de um arco-íris pode ajudar a visualizar como uma teoria opera. Suponha que oarco-íris transponha as variáveis independentes e dependentes (ou constructos) em um estudo. Esse arco-íris une as variáveis e proporciona uma explicação abrangente para como e por que se deveria esperar que essa variável independente explicasse ou previsse a variável dependente. As teorias se desenvolvem quando os pesquisadores testam uma previsão repetidas vezes. Por exemplo, eis como funciona o processo de desenvolvimento de uma teoria. Os investigadores combinam as variáveis independentes, mediadoras e dependentes baseados em diferentes formas de medições para as questões. Essas questões proporcionam informações so bre o tipo de relação (positiva, negativa ou desconhecida) e sua magnitude (p. ex., alto ou baixo). Transformando essa informação em uma declaração pre- ditiva (hipótese), um pesquisador pode escrever, “Quanto maior a centralização do poder nos líderes, maior a negação dos direitos dos seguidores”. Quando os pesquisadores testam repetidamente hipóteses como essa em diferentes locais e com diferentes populações (p. ex., os escoteiros, uma igreja pres- biteriana, o Rotary Club e um grupo de alu nos do ensino médio), uma teoria emerge e alguém lhe dá um nome (p. ex., uma teoria de atribuição). Assim, a teoria desenvolve-se como uma explicação para sugerir conhecimento em campos específicos (Thomas, 1997). Outro aspecto das teorias é que elas variam na amplitude de sua co- ber tura. Neuman (2000) examina as teorias em três níveis: mi cro, meso e macro. As teorias do nível micro proporcionam explicações limitadas pa- ra pequenas quantidades de tempo, espaço ou números de pessoas, co- mo a teoria do trabalho de face de Goffman, que explica como as pes- soas se envolvem em rituais durante interações face a face. As teorias de nível meso vinculam os níveis micro e macro. Essas são teorias de orga- nizações, movimento social ou comunidades, como a teoria do controle nas or ganizações de Collins. As teorias de nível macro explicam agregados maiores, como instituições sociais, sistemas culturais e sociedades inteiras. A teoria da estratificação social de nível macro de Lenski, por exemplo, explica como a quantidade de excedente que uma sociedade produz aumenta com o desenvolvimento da sociedade. As teorias são encontradas nas disciplinas de ciências sociais de psi co- logia, sociologia, antropologia, educação e economia, e também em muitos subcampos. Localizar e ler sobre essas teorias requer a busca em bancos de Projeto de pesquisa 81 dados de literatura (p. ex., Psychological Abstracts, Sociological Abstracts) ou o exame de guias para a literatura sobre teorias (p. ex., ver Webb, Beals e White, 1986). Formas de teorias Os pesquisadores declaram suas teorias nas propostas de pesquisa de várias maneiras, como uma série de hipóteses, de declarações lógicas se-então ou de modelos visuais. Primeiro, alguns pesquisadores declaram as teorias na forma de hipóteses interconectadas. Por exemplo, Hopkins (1964) comunicou sua teoria dos processos de influência como uma série de 15 hipóteses. Algumas das hipóteses são as seguintes (essas foram ligei- ramente alteradas para remover os pronomes específicos do gênero): Quanto mais elevada a posição da pessoa, maior sua centra lida de.1. Quanto maior a centralidade da pessoa, maior sua observa bili da de.2. Quanto mais elevada a posição da pessoa, maior sua observabi-3. lidade. Quanto maior a centralidade da pessoa, maior sua conformidade.4. Quanto mais elevada a posição da pessoa, maior sua conformi da de.5. Quanto maior a observabilidade da pessoa, maior sua conformi-6. da de. Quanto maior a conformidade da pessoa, maior sua observabilidade. 7. (p. 51) Uma segunda maneira é declarar uma teoria como uma série de declarações se-então que expliquem por que se esperaria que as variáveis independentes influenciassem ou causassem as variáveis dependentes. Por exemplo, Homans (1950) explica uma teoria da interação: Se a frequência da interação entre duas ou mais pessoas aumenta, o grau de vinculação uma com a outra também aumentará, e vice-versa... As pessoas que têm sentimentos de vínculo uma com a outra expressarão esses sentimentos em atividades além e acima das atividades do sistema externo, e essas atividades podem fortalecer ainda mais os sentimentos de vínculo. Quanto mais frequentemente as pessoas interagem uma com a outra, mais semelhantes em alguns aspectos suas atividades e seus sentimentos tendem a se tornar. (p. 112, 118, 120) Terceiro, um autor pode apresentar uma teoria como um modelo visual. Convém traduzir as variáveis em um quadro visual. Blalock (1969, 1985, 1991) defende a modelagem causal e reformula as teorias verbais 82 John W. Creswell em modelos causais para que o leitor possa visualizar as interconexões das variáveis. Dois exemplos simplificados são apresentados aqui. Co- mo mostra a Figura 3.1, três variáveis independentes influenciam uma única variável dependente, mediada pela influência de duas variáveis in- tervenientes. Um diagrama como esse mostra a possível sequência causal entre as variáveis que conduz à modelagem através da análise de cami- nhos e de análises mais avançadas utilizando medidas múltiplas de va- riáveis, como é encontrado na modelagem de equação estrutural (ver Kline, 1998). Em um nível introdutório, Duncan (1985) apresenta su- gestões úteis sobre a notação para a construção desses diagramas cau- sais visuais: Posicione as variáveis dependentes à direita no diagrama e as va-• riáveis independentes à esquerda. Use setas unidirecionais partindo de cada variável determinante • pa ra cada variáveis dependentes. Indique a “força” da relação entre as variáveis inserindo sinais de • valência nos caminhos. Use valências positivas ou negativas que postulem ou infiram relações. Use setas bidirecionais conectadas para mostrar relações não ana-• li sadas entre as variáveis não dependentes de outras relações no modelo (correlação). X1 Y1 X2 Z1 Variáveis dependentes Y2 Variáveis intervenientes X3 Variáveis independentes Figura 3.1 Três variáveis independentes influenciam uma única variável depen- dente mediada por duas variáveis intervenientes. + + + ++ – Projeto de pesquisa 83 Diagramas causais mais complicados podem ser construídos com uma notação adicional. Este retrata um modelo básico de variáveis li mi tadas, como aquelas tipicamente encontradas em uma pesquisa de le vantamento. Uma variação sobre esse tema é ter variáveis independentes em que grupos controles e experimentais são comparados a uma variável in dependente em termos de um resultado (variável dependente). Como mostra a Figura 3.2, dois grupos da variável X são comparados em termos de sua influência sobre Y, a variável dependente. Esse projeto é um projeto experimental entre grupos (ver Capítulo 8). São aplicadas as mesmas re- gras de notação previamente discutidas. Variável X Grupo experimental Y1 Grupo-controle Figura 3.2 Dois grupos com diferentes tratamentos em X são comparados em termos de Y. Esses dois modelos pretendem apenas introduzir possibilidades para co- nectar variáveis independentes e dependentes para construir teorias. Pro jetos mais complicados empregam múltiplas variáveis independentes e de pen den- tes em modelos de causação elaborados (Blalock, 1969, 1985). Por exemplo, Jungnickel (1990), em uma proposta de tese de doutorado so bre a produ- tividade em pesquisa entre docentes das faculdades de far má cia, apresentou um modelo visual complexo, como mostra a Figura 3.3. Jungnickel pergun- tou quais fatores influenciam o desempenho de um membro docente na pesquisa acadêmica. Depois de identificar esses fatores na literatura, adaptou uma estrutura teórica encontrada na pesquisa em enfermagem (Megel, Langstone Creswell, 1988) e desenvolveu um modelo visual retratando a re lação entre tais fatores, seguindo as regras para a construção de um modelo anteriormente introduzido. Ele listou as variáveis independentes na extrema esquerda, as variáveis intervenientes no meio e as variáveis dependentes à direita. A direção da influência fluiu da esquerda para a direita, e ele usou sinais de mais e de menos para indicar a direção da hipótese. 84 John W. Creswell Desempenho Acadêmico * Apresentação (não pesquisa) * Apresentações (pesquisa) * Artigos de revistas (não referenciados) * Artigos referenciados (pesquisa) * Artigos referenciados (não pesquisa) * Capítulos de livro * Livros * Subvenções federais (aprovadas) * Subvenções federais (financiadas) * Subvenções não federais * Contratos Tipo de indicação chefe do departamento vs. docente Treinamento anterior à pesquisa Autopercepção como pesquisador Centro de ciências da saúde na faculdade Indicações de professores em processo de conseguir estabilidade Padrões de estabilidade institucional Variáveis demográficas Exógenas Carga de trabalho (não pesquisa) Colaboração Apoio dos colegas Independentes Endógenas Pressão para a realização de pesquisa Apoio do chefe do departamento Recursos Dependentes Figura 3.3 Modelo visual da teoria sobre desempenho do corpo docente acadêmico. Fonte: Jungnickel (1990). Reprodução autorizada. (+) (+) (+) (+) (–) (+) (+) (–) (+/–) (+/–) (+) (+) (+) (+) (+) (+) (+) (+) (+) Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Dica do professor As teorias e os fatos são muito importantes para a produção de conhecimentos científicos. Para saber um pouco mais sobre elas, assista à dica construída para esta unidade de aprendizagem. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/8d0d221ae524d561733b5f3e4a2560bf Na prática Aqui temos um exemplo de como uma situação real - um fato - se tornou uma teoria. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Tópico: [Fato, lei e teoria] Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Teoria do conhecimento - Descartes Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. http://www.galileu.esalq.usp.br/mostra_topico.php?cod=117 https://www.youtube.com/embed/C9no4FQgNi8?rel=0 Planejamento, Pesquisa e Projeto de Pesquisa Apresentação A elaboração de um projeto de pesquisa é parte fundamental de todo o processo de conclusão de um percurso acadêmico, mas não só. É com a elaboração desse projeto que o estudante aprende de que maneira organizar ideias, projetos e colocar em prática a práxis de uma pesquisa e sua potencialidade. Por esse motivo, deve ser algo prazeroso para o pesquisador e constitutivo de sua trajetória acadêmica. Nesta Unidade de Aprendizagem, você verá de que maneira se desenvolve um projeto de pesquisa, desde seu momento prévio de planejamento até a sua elaboração como projeto final que deve ser utilizado no desenrolar da pesquisa em si. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar um projeto de pesquisa.• Analisar um bom planejamento para o resultado satisfatório da pesquisa.• Reconhecer as fases de um projeto de pesquisa.• Infográfico A pesquisa é importante por ser um instrumento usado para analisar profundamente a realidade. Aplicando uma metodologia, é possível chegar à essência dos fenômenos com o objetivo de produzir um novo conhecimento. Confira no Infográfico como o processo de pesquisa e a formulação do projeto de pesquisa devem ser efetuados no sentido do processo mental e do caminho que deve efetuar o pesquisador a fim de partir do todo ao específico. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/8e9b5927-813b-4580-b4fb-ba9b855e0f23/1c192031-bb5e-4763-9b2b-3c915be7b844.jpg Conteúdo do livro Elaborar um projeto de pesquisa é um momento relevante e importante dentro da organização acadêmica. O objetivo é planejar as informações e conhecimentos adquiridos durante sua vida acadêmica que serão repassados à sociedade. Utilizando diversas ferramentas e aplicando-as na elaboração de um projeto de pesquisa, o processo se torna algo prazeroso e estimulante para o pesquisador. No capítulo Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa, da obra Fundamentos da pesquisa em Serviço Social, você irá estudar sobre como elaborar um projeto de pesquisa a partir do que foi reunido pelo pesquisador em seu percurso acadêmico. Boa leitura. FUNDAMENTOS DA PESQUISA EM SERVIÇO SOCIAL Mariana Oliveira Decarli Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar um projeto de pesquisa. Analisar um bom planejamento para o resultado satisfatório da pesquisa. Reconhecer as fases de um projeto de pesquisa. Introdução Neste capítulo você irá estudar o tema planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa, que abrangerá um conteúdo de acesso didático sobre como elaborar um projeto de pesquisa, de que forma estruturar um projeto de pesquisa e a importância de um projeto de pesquisa enquanto dina- mizador daquilo que foi apreendido pelo pesquisador em seu percurso acadêmico. A elaboração de um projeto de pesquisa constitui uma etapa fun- damental de sua organização acadêmica no intuito de planejar a ma- neira como irá apresentar à sociedade informações, conhecimentos e o acúmulo de seu percurso acadêmico. A elaboração de um projeto de pesquisa pode ser algo extremamente prazeroso para o pesquisador. Conhecendo as ferramentas que apresentaremos neste capítulo, o per- curso torna-se mais didático e explicativo. C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 1 05/07/2018 16:24:39 O que é o processo de pesquisa e para que serve A pesquisa é algo que faz parte do cotidiano das pessoas. Em diversos mo- mentos é possível fazer pesquisas, comparar preços, elencar prós e contras acerca de determinada coisa, ação, movimentação etc. Mas o que diferencia uma pesquisa científi ca de uma pesquisa comum, que se faz no cotidiano? Ambas as pesquisas envolvem a curiosidade, a vontade de saber sobre de- terminado assunto, coisa, mercadoria; também envolve o processo de aprender sobre algo, o processo de buscar informações. Segundo Rocha (2009, p. 02): [...] o cidadão pesquisa para acessar a informações que são novas para ele, mas que já fazem parte do acervo de conhecimento disponível sobre um determinado assunto. Já ao realizar uma pesquisa científica, o pesquisador reúne informações e as analisa para construir um novo conhecimento, um conhecimento ainda não disponível em uma determinada área ou disciplina. A pesquisa se faz importante na medida em que é um instrumento utilizado para analisar profundamente uma realidade. Através da metodologia deter- minada de uma pesquisa é possível ir à essência dos fenômenos colocados na realidade, afim de produzir um conhecimento novo sobre de determinada informação. Segundo Ferreira (1998, p. 12 apud ROCHA, 2009, p. 02), pesquisa cien- tífica é “[...] resultado de um processo articulado que pressupõe a construção de esquemas teóricos para a compreensão da realidade e a definição dos procedimentos para realizar a referida construção”. A pesquisa trabalha com evidências, não com verdades absolutas; é sis- temática, empírica e crítica. A pesquisa empírica é algo não obrigatório num processo de pesquisa, assim como o elemento “crítico”da pesquisa depende do método utilizado para aplicar a metodologia científica. A pesquisa também é factual, analítica, geral, é cumulativa, mas também seletiva, ela pode ser falível (ou seja, haver em seu resultado a falha naquilo que pesquisou, porque se trata de analisar evidências da realidade). No desenvolvimento de uma pesquisa científica é fundamental que haja uma pesquisa bibliográfica e de referências teóricas e empíricas (se houver) para poder apropriar-se do conhecimento que já foi produzido acerca do objeto. Na pesquisa, muitas vezes o processo que a envolve é mais importante que o resultado, como pode ser visto na Figura 1. Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa2 C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 2 05/07/2018 16:24:39 Figura 1. Fases do processo metodológico. Fonte: Adaptada de Fernando (2016, documento on-line). Como iniciar um processo de pesquisa Para iniciar uma pesquisa é necessário inicialmente identifi car uma grande área do conhecimento. Essa grande área deve abranger o seu objeto de pesquisa. Pos- teriormente, é necessário fazer uma revisão do “Estado da Arte”, que signifi ca uma revisão literária sobre o objeto, compreendendo ele historicamente, para que se possa partir do ponto em que ele se encontra no patamar do desenvolvimento do conhecimento. Depois destes dois passos iniciais é necessário selecionar um objeto específico para aprofundamento e buscar familiarizar-se com o tema em questão, buscando referências bibliográficas. A pesquisa não é algo linear, que tem sempre um início, meio e fim definidos. O pesquisador pode e deve transitar entre quatro pontos, a fim de compreender e aproximar-se cada vez mais de seu objeto específico de estudo. São eles: 1. Definir um problema de pesquisa. 2. Definir uma questão de pesquisa. 3. Formular uma hipótese ou proposições de pesquisa. e 4. Definir o método científico a ser utilizado para compreender e apreender seu objeto. 3Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 3 05/07/2018 16:24:40 O problema de pesquisa é fundamental porque ele direciona àquilo que o pesquisador está buscando responder; qual o conjunto de perguntas que o pesquisador quer buscar responder ao longo da pesquisa; quais as informações necessárias que precisa obter para conseguir responder determinadas perguntas e quais procedimentos o irá utilizar para tratar as informações que vai encontrar; qual a matriz teórico-metodológica adotada pelo para analisar e desenvolver suas respostas. Nesse sentido, todos os momentos de um processo de pesquisa são fundamentais, são como um corpo que possui um mecanismo próprio e que deve funcionar em conjunto. Como se planejar para obter uma pesquisa satisfatória Em primeiro lugar, é fundamental que o pesquisador saiba qual o tempo que dispõe para a sua pesquisa. Só a partir desse mapeamento inicial do período em dias, semanas, meses, anos é que será possível formular qualquer projeto de pesquisa. Escrever o projeto de pesquisa é outra ferramenta fundamental, utilizando-se dos quatro pontos demonstrados anteriormente. Aprofundando esses pontos, temos a seguir uma sistematização que busca explicitar os pontos mais profundamente. Sobre a definição do tema: o pesquisador deve formular um problema, for- mular uma pergunta. O problema deve ser claro e preciso, deve ser delimitado a uma dimensão variável para que ele seja palpável, possível. Sobre a definição da base teórica: é uma parte crucial, o que sustentará toda a pesquisa. É ne- cessário estabelecer um diálogo entre a teoria e o problema a ser investigado. Sobre a formulação da hipótese: deve ser formulada sob conceitos claros, deve ser específica, não deve se basear em conceitos morais. Toda hipótese deve ter uma teoria que a sustente. Sobre a justificativa: deve-se definir quais motivos justificam a pesquisa de determinado tema, qual a contribuição da pesquisa para a sociedade. Sobre os objetivos: busca-se responder o que se pretende com a pesquisa, geralmente se formula um objetivo geral e objetivos específicos que dia- loguem e partam desse objetivo geral. Sobre metodologia: esta parte da pesquisa geralmente é um pouco mais complexa, pois contém decisões que darão base e nortearão todos os pontos da pesquisa. Os principais elementos da metodologia são: definição da amostragem, coleta de dados, organização e análise de dados. Sobre custos e orçamentos: este item só deve aparecer na pesquisa caso exista um pleito para financiamento. Sobre o cronograma: o cronograma deve prever o tempo de cada parte da pesquisa, além de uma programação para o tempo de Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa4 C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 4 05/07/2018 16:24:40 toda a pesquisa. A forma mais clássica de demonstrar o cronograma de uma pesquisa é através da tabela que cruza tempo e atividade. E, por último, sobre as referências: nas referências de um projeto de pesquisa é necessário constar os autores que foram apresentados ao longo do texto, mas também aqueles que embasam a perspectiva do pesquisador, para que possa demonstrar através dos autores sua linha de raciocínio e sua compreensão de importância da pesquisa. O pesquisador deve formular o projeto de pesquisa desenvolvendo cada um desses pontos, de forma a demonstrar descritivamente seu problema de pesquisa (quais perguntas ele gostaria de responder), qual hipótese ou pro- posições (onde ele pretende chegar, qual ou quais resultados ele imagina que irá encontrar ao longo da pesquisa), e qual o método científico que utilizará para compreender seu problema de pesquisa. Todo o registro do projeto de pesquisa é central, pois é no projeto de pes- quisa que o pesquisador inscreve historicamente sua tomada de decisão, seus pontos de reflexão desenvolvidos até então, o que ele pretende da pesquisa. Esse projeto pode e deve ser revisitado enquanto instrumento de pesquisa, deve ser revisto, refeito e reformulado sempre que se julgar necessário. Ao mesmo tempo, parte fundamental da pesquisa é a forma como o pes- quisador vê o mundo. Portanto, é indissociável que haja o olhar singular de cada pesquisador sob seu objeto de pesquisa. Segundo Rocha (2009, p. 04): Este quadro de referência determina as diretrizes e procedimentos da pesquisa, porque fornece os princípios para compreensão da realidade e do próprio processo de produção de conhecimento e, permite a identificação dos enigmas que a reali- dade, compreendida segundo esses princípios, nos impõe. A partir deste alicerce é que identificamos questões de pesquisa e elegemos procedimentos para tratá-las. A estrutura de um projeto de pesquisa deve conter: tema e título; justifica- tiva; problema; formulação de hipóteses (se houver) ou questões norteadoras; objetivo geral e objetivos específicos; revisão de literatura; metodologia, mé- todo; resultados esperados; cronograma; orçamento; referências bibliográficas. Os temas de pesquisa geralmente surgem de alguma dificuldade do pesquisador, de alguma vivência, de algum elemento de seu cotidiano acadêmico científico prático. O que o leva a indagar, a fazer perguntas que auxiliem na compreensão daquele problema. Esse processo é natural e saudável na pesquisa, pois uma das partes fundamentais do projeto de pesquisa é a maneira como o pesquisador aproxima-se do tema, aquilo que torna o seu olhar particular e único. 5Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 5 05/07/2018 16:24:40 Análise de um projeto de pesquisa e reconhecimento de suas fases Essa tarefa, embora pareça simples, pode conter várias difi culdades. Não é difícil que se confundam perguntas de pesquisa com objetos de pesquisa ou ainda hipóteses de pesquisa com perguntas de pesquisa. Nesse sentido, é importante entender que quando o pesquisador está buscando construir seu projeto de pesquisa ele pode ter acesso a outros projetos de pesquisa. Na medidaem que se aproxima de projetos, consegue também reconhecer cada etapa apresentada anteriormente. Sobre o método de pesquisa: É a consciência da forma, do movimento interno do conteúdo. E é o próprio conteúdo, o movimento dialético que este tem em si, que o impele para a frente incluída a forma. A lógica dialética acrescenta a antiga lógica, a captação das transições, do desenvolvimento, da ligação interna e necessária das partes no todo (LEFEBVRE, 1991, p. 21). A definição do método é central para qualquer processo de pesquisa, pois define a direção social, política, ideológica adotada pelo pesquisador diante de seu problema de pesquisa. O recorte e a escolha da população ou amostra, a possibilidade de desen- volver uma pesquisa qualitativa, quantitativa ou quali-quantitativa também são posicionamentos que o pesquisador deve tomar, e deve construir essas definições do projeto baseado em sua perspectiva e segundo o método que define para fazê-lo. Para entender mais profundamente a importância e o processo de pesquisa científica, recomenda-se a leitura do artigo em que se apresentam tendências atuais de pesquisas científicas no Serviço Social. Acesse o link ou o código a seguir. https://goo.gl/igmnga Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa6 C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 6 05/07/2018 16:24:41 Como exemplo prático se pode pensar acerca de um tema como a educação. A educação, enquanto abrangência de tema possui proporções grandes, o que dificulta a formulação de um projeto de pesquisa que tenha um prazo pequeno de concretude. Portanto, educação é o tema sob o qual o pesquisador quer debruçar-se. Em suas experiências práticas, há inquietação teórica acerca do acesso ao ensino superior. Isso constituirá o fenômeno, o seu problema de pesquisa: o ensino superior. A formulação da questão de pesquisa dar-se-á na medida em que o pesquisador sobre o que ele gostaria de entender acerca do acesso ao ensino superior (De que forma se dá o acesso? Por quais meios se dá o acesso? Se há recorte de classe no acesso etc.) A formulação da questão de pesquisa, a qual o pesquisador quer apresentar uma resposta, constitui o seu foco de pesquisa. Se o pesquisador possui uma hipótese de resposta a sua pergunta, é esse o momento de apresentá-la. E, posteriormente, o pesquisador apresenta os dados que quer coletar acerca da determinada pesquisa. FERNANDO, M. Metodologia de pesquisa científica. 2016. Disponível em: <https:// www.slideshare.net/MagnoFernando/faeme-metodologia-cientfica>. Acesso em: 22 jun. 2018. LEFEBVRE, H. Lógica formal / lógica dialética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1991. ROCHA, M. A. G. A. Elaboração de Projetos de Pesquisa. In: CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília, DF: CFESS, 2009. Leituras recomendadas FERREIRA, R. A. A pesquisa científica nas ciências sociais. Recife: UFPE, 1998. MENDES, J. M. R.; ALMEIDA, B. L. F. As recentes tendências da pesquisa em Serviço Social. Serviço Social e Sociedade, n. 120, out./dez. 2014. Disponível em: <http://www. scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282014000400003&lng=pt&tln g=pt>. Acesso em: 22 jun. 2018. MINAYO, M. C. S. (Org.) Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: Vozes, 2016. 7Planejamento, pesquisa e projeto de pesquisa C11_Fundamentos_Pesquisa_Servico_Social.indd 7 05/07/2018 16:24:41 Conteúdo: Dica do professor O olhar do pesquisador, suas influências e toda a carga acadêmica que possui interferem e auxiliam ao desenvolver uma pesquisa; afinal, ele possui conhecimentos e valores que influenciam e também tornam singular seu olhar diante do objeto de pesquisa. Na Dica do Professor, confira a importância do pesquisador para o projeto de pesquisa e de que forma o seu olhar sobre a pesquisa pode torná-la singular e destacá-la. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/ff1873612dcacbd7ec87aa54652c4a3d Na prática A pesquisa está no cotidiano e é aplicada em diversas situações, como comparar preços, elencar prós e contras, entre outros. Mesmo sendo distintas, a pesquisa científica e a pesquisa comum envolvem a curiosidade, a vontade de saber sobre determinado assunto, além do processo de aprender e de buscar informações. Neste Na Prática, você verá a formulação de um projeto de pesquisa sob a ótica de um bebê e seu método de pesquisa durante o processo de descoberta do mundo. Veja como ele efetua esse processo e aquilo que não aparece em seu percurso porém está subentendido. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/b6a369cb-a7ee-46e6-89c9-7e3676bebddd/c35399db-6cfe-47a8-9d11-6662281feb96.jpg Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: As recentes tendências da pesquisa em Serviço Social Este artigo apresenta as tendências da pesquisa no Serviço Social baseadas no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, além de ressaltar a importância da pesquisa para a produção do conhecimento. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Dicas para elaboração de projetos de pesquisa, relatório de prestação de contas e registro de grupos de pesquisa Aprofunde seus conhecimentos sobre o desenvolvimento de um projeto de pesquisa, relatório de prestação e registro de grupos de pesquisa a partir do modelo apresentado. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Elaboração de projetos de pesquisa Neste artigo, você conhecerá os aspectos e as características da elaboração dos projetos de pesquisa especificamente ligados ao Serviço Social. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-66282014000400003&lng=pt&tlng=pt https://www.ufrgs.br/escoladeadministracao/wp-content/uploads/2021/11/COMPESQ_-2021_Projetos-de-pesquisa.pdf https://www.ufmg.br/proex/cpinfo/educacao/docs/06a.pdf Ética na Pesquisa Apresentação No campo da pesquisa no Brasil, o documento que define as diretrizes éticas a serem observadas em pesquisas envolvendo seres humanos é a Resolução 196/96 - Conselho Nacional de Saúde (CNS). O texto da resolução estabeleceu o sistema de revisão ética em pesquisa em todo o território nacional e os requisitos que deveriam constar em projetos envolvendo pessoas (Guilhem; Greco, 2008). No serviço social, a conduta ética na relação com os participantes das pesquisas está presente no Código de Ética Profissional e, também, nas reivindicações e discussões da categoria, sendo tema debatido no Seminário Nacional de Pós-Graduação da Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS), em 2009, e no Congresso Nacional de Serviço Social em Saúde, nos anos de 2010 e 2012. Nesta Unidade de Aprendizagem, você saberá o que é ética, quais são as suas implicações na pesquisa e sua importância para organizações que realizam pesquisas, e aprenderá mais sobre a atuação do comitê de ética nas instituições que realizam pesquisas com seres humanos. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o que é ética.• Analisar a importância da ética para as organizações e os indivíduos que realizam pesquisa.• Reconhecer a atuação do comitê de ética nas instituições de ensino que realizam pesquisas com seres humanos. • Infográfico Quando se fala em ética, logo vem à mente o termo moral. Involuntariamente, conduz-se a pensar que os dois termos são sinônimos. No entanto, não são. Etimologicamente, embora tanto a antiga língua grega como a latinautilizem os dois termos, éthos se inscreve particularmente na cultura da Grécia clássica, enquanto o termo mos-moris se inscreve na cultura romano-latina (NOSELLA, 2008, p. 266). Neste Infográfico, você verá mais informações sobre esse termo e conceito de ética e moral. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/e4bc7737-fdac-4534-9670-82013db74977/b98fb226-6719-4e4e-9cba-a617c8686896.png Conteúdo do livro “Ética (do grego ethos, ou costumes), ciência dos princípios da moral – a moral designa, mais especificamente, a aplicação desses princípios nos atos particulares da vida” (JULIA, 1969, p. 100). Na concepção da autora, ética está sendo entendida por “ciência do bem e das regras da ação humana”. Partindo dessa concepção, a ética diz respeito à aplicação dos princípios da moral no comportamento humano. Pode-se falar da ética como espaço de reflexão teórica sobre os embasamentos da moralidade e como resposta consciente de uma categoria profissional às implicações de sua ação profissional. No capítulo Ética na pesquisa, da obra Fundamentos da pesquisa em serviço social, que é base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você verá algumas considerações sobre o que é ética, analisará sua importância nas organizações que realizam pesquisa e reconhecerá a atuação do comitê de ética nas instituições que realizam pesquisa. Ética na pesquisa Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar o que é ética. Analisar a importância da ética para as organizações e indivíduos que realizam pesquisa. Reconhecer a atuação do comitê de ética nas instituições de ensino que realizam pesquisa com seres humanos. Introdução Na contemporaneidade, a ética tem sido tema recorrente, seja no co- tidiano, na esfera pública, na vida profissional ou na esfera privada. Os meios de comunicação têm abordado o assunto nas mais diversas áreas de utilização da ética, indo do trabalho profissional à ação política, e passando pela atividade científica. No que tange à ética na pesquisa, podemos afirmar que ela tem suscitado debates no campo acadêmico e das instituições de pesquisa. Neste capítulo, você verá algumas considerações sobre o que é ética, analisará sua importância nas organizações de pesquisa e reconhecerá a atuação do comitê de ética nas instituições que realizam pesquisa. O que é ética? Ao fazermos uma breve busca nos nossos dicionários, veremos que a palavra ética se origina do grego ethos, que signifi ca valores, costume ou hábito. A civilização latina herdou o conceito de ética do debate fi losófi co da Grécia clássica e preservou-lhe o sentido de refl exão teórica. Assim, ética signifi ca, em primeiro lugar, o ramo da fi losofi a que fundamenta científi ca e teoricamente a discussão sobre valores, opções (liberdade), consciência, responsabilidade, o bem e o mal, o bom e o ruim etc. (NOSELLA ,2008, p.256). Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 1 29/06/2018 14:11:21 Se continuarmos nossa busca sobre o que é ética? Ainda encontraremos na literatura uma vasta conceituação histórico-filosófica sobre o termo e suas implicações nas relações humanas. Inicialmente, é importante esclarecermos que a nossa proposta não é a busca de aprofundamento no conceito e nem uma longa explanação do termo ao longo da história exposta pelos estudos clássicos vistos em Platão e Sócrates, representantes do pensamento grego. Nossa proposta, ao indagarmos o que é ética, é trazer a identificação do termo para o nosso cotidiano, ampliando sua discussão para diferentes áreas do saber, e analisar sua incidência sobre a vida social. Segundo o professor Clóvis de Barros Filho (2014, documento on-line), “A ética é a inteligência compartilhada a serviço do aperfeiçoamento da convivência”. Este aperfeiçoamento da conveniência é realizado no cotidiano e no mo- vimento cíclico da história. Ética, numa perspectiva histórico-dialética, é querer certo bem geral, uma vez que existam as condições materiais e técnicas indispensáveis para a concretização desse bem (NOSELLA, 2008, p.255). Ela atravessa a história da humanidade, a cada momento histórico, o homem enfrenta novos problemas; quando descobre as condições para a sua solução, a determinação política de resolvê-los torna-se um dever, isto é, uma questão ética (NOSELLA, 2008, p.255). Embora limitada, a ética se faz cotidianamente através de atos morais sin- gulares, mais ou menos conscientes e livres; pode se objetivar através de ações motivadas por valores e teleologias dirigidas à realização de direitos e conquistas coletivas; pode ser capaz de efetuar a crítica radical da moral do seu tempo, oferecendo elementos para a compreensão das possibilida- des éticas e morais do futuro. Embora momentânea, pode se estabelecer como mediação entre a singularidade de indivíduo moral e a sua dimensão humano-genérica, objetivando-se como parte da práxis social (BARROCO, 2009, p. 04). A ética está presente na nossa sociabilidade, ela envolve liberdade, movimento, valores e aperfeiçoamento da convivência. Falar em ética é falar sobre a capacidade que temos de escolhermos como queremos convi- ver, é falar sobre o homem enquanto ser social, seus problemas, condutas e costumes. A ética não é um saber acabado, mas um saber histórico em constante construção. Ética na pesquisa2 Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 2 29/06/2018 14:11:21 A importância da ética na pesquisa na atualidade O interesse pela relação entre ética e pesquisa no meio social e na comunidade científi ca a partir do século XX vem sendo crescente. Tanto no cenário inter- nacional como no contexto nacional, fomentaram-se discussões em diferentes fóruns, elaboraram-se diversos docu mentos regulamentadores e adotaram-se medidas de controle de atividades investigativas por meio de resoluções, comitês e comissões. O tema da ética em pesquisa nas ciências humanas foi intensamente discutido na década de 1980 nos Estados Unidos. Esse era um momento de efervescência das pesquisas urbanas com grupos alternativos aos estudos clássicos de sociologia ou antropologia, tais como usuários de drogas, trafi cantes, presos e adolescentes, e de surgimento de novas questões de pesquisa, como a violência e a sexualidade (DINIZ ,2008, p.418). O debate sobre os princípios éticos que norteiam o desenvolvimento de atividades de pesquisa no Brasil vem crescendo paulatinamente. Em meados das décadas de 1980 e 1990, a aplicação dos referidos princípios adentrou na sociedade cientifica brasileira, se materializando na edição da Resolução 196, do Conselho Nacional de Saúde (BRASIL, 1996), que normatiza a realização de pesquisas que envolvem seres humanos no Brasil. Vale pontuar que a Resolução CNS 196/96 considera como pesquisas em seres humanos as realizadas em qualquer área do conhecimento e que, de modo direto ou indireto, envolvam indivíduos ou coletividades, em sua totalidade ou partes, incluindo o manejo de informações e materiais. São também consideradas pesquisas envolvendo seres humanos as entrevistas, aplicações de questionários, utilização de banco de dados e revisões de prontuários. Para os docentes, pós- -graduandos, residentes e graduandos envolvidos em pesquisa realizada em seres humanos e animais é imprescindível o conhecimento dos princípios éticos que protegem os sujeitos das pesquisas (SCHNAIDER, 2008, p.108). Nesse aspecto, o texto da resolução descreve que as pesquisas envolvendo seres humanos devem atender às exigências éticas e científicas fundamentais. No preâmbulo da resolução estão explícitos quais seriam os princípios éticos que lhe servem de norte: “Esta Resolução incorpora, sob a ótica do indivíduo e das coletividades, os quatro referenciais básicos da bioética: autonomia, não maleficência, beneficência e justiça, entre outros, e visa a assegurar osdireitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica, aos sujeitos da pesquisa e ao Estado” (BRASIL, 1996, documento on-line). 3Ética na pesquisa Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 3 29/06/2018 14:11:22 É importante pontuar que ao assumir um trabalho, uma pesquisa cientí- fica, o pesquisador assume questões éticas e morais simultaneamente. Nesse sentido, pesquisa sem ética não pode ser considerada uma pesquisa séria, a questão ética é sobre a responsabilidade que as comunidades científicas têm para com a sociedade da qual fazem parte, em termos dos limites das suas certezas. Sobre os aspectos éticos da pesquisa envolvendo seres humanos, a Resolução 196/96 (BRASIL, 1996) pontua que a eticidade na pesquisa envol- vendo seres humanos implica em respeito ao participante da pesquisa em sua dignidade e autonomia, reconhecendo sua vulnerabilidade, assegurando sua vontade sob forma de manifestação expressa, livre e esclarecida, de contribuir e permanecer ou não na pesquisa (BRASIL, 1996, documento on-line). As exigências que devem ser observadas e obedecidas pelos pesquisadores, de acordo com a Resolução, são: em qualquer área do conhecimento envolvendo seres humanos, deverão observar as seguintes exigências: ■ ser adequada aos princípios científicos que a justifiquem e com possibilidades concretas de responder a incertezas; ■ estar fundamentada em fatos científicos, experimentação prévia e ou pressupostos adequados à área específica da pesquisa; ■ ser realizada somente quando o conhecimento que se pretende obter não possa ser obtido por outro meio; ■ prevalecer sempre as probabilidades dos benefícios esperados sobre os riscos e/ou desconfortos previsíveis; ■ utilizar os métodos adequados para responder às questões estuda- das, especificando-os, seja a pesquisa qualitativa, quantitativa ou quali-quantitativa; ■ se houver necessidade de distribuição aleatória dos participantes da pesquisa em grupos experimentais e de controle, assegurar que, a priori, não seja possível estabelecer as vantagens de um procedimento sobre outro, mediante revisão de literatura, métodos observacionais ou métodos que não envolvam seres humanos; ■ contar com o consentimento livre e esclarecido do participante da pesquisa e/ou seu representante legal, considerando-se os casos das pesquisas que necessitem, por suas características, coleta a posteriori, sempre que justificado; Ética na pesquisa4 Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 4 29/06/2018 14:11:22 Esses deveres expressam o compromisso dos pesquisadores com a proteção dos direitos da pesquisa. Sinaliza o cumprimento dos princípios éticos que envolvem a preservação dos participantes, pois adotar medidas que preservem os (as) participantes e seus direitos pode ser visto como um compromisso ético central, uma vez que se trata de pesquisas realizadas com pessoas em vulnerabilidade. Nesse sentido, as instituições que realizam pesquisa devem cumprir as responsabilidades que lhe cabem, pois compartilham com os pesquisadores individuais a responsabilidade pela preservação da integridade ética da pesquisa científica. Elas são as responsáveis principais pela promoção de uma cultura de boa conduta científica entre os pesquisadores e estudantes a ela vinculados, assim como pela prevenção, investigação e punição de más condutas que ocorram em seu âmbito (FAESP, 2014, p. 33). Sobre a responsabilidade das instituições de pesquisa, a Fundação de Âmparo à pesquisa do Estado de São Paulo descreve alguns pontos em seu Código de Boas Práticas Científicas: Toda instituição de pesquisa deve ter políticas e procedimentos claramente formu- lados para lidar com a questão da integridade ética da pesquisa. Toda instituição que se apresente perante a FAPESP como sede de atividades de pesquisa deve incluir, em seu organograma, um ou mais órgãos especificamente encarregados de: a) promover a cultura da integridade ética da pesquisa, mediante programas regulares de educação, disseminação, aconselhamento e treinamento acessíveis a todos os pesquisadores a ela vinculados; b) investigar e, se for o caso, punir a ocorrência de possíveis más condutas científicas e reparar os prejuízos científicos que tenham causado. Todo periódico científico deve prever a utilização regular de procedimentos de identificação de más condutas científicas durante os processos de avaliação de trabalhos científicos que lhe sejam submetidos para publicação. Essa utilização regular será considerada pela FAPESP como item importante na avaliação de pe- didos de Auxílio à Publicação que lhe sejam encaminhados. Uma vez identificada a ocorrência de má conduta científica relacionada a pesquisa apoiada pela FAPESP, os editores do periódico devem imediatamente informá-la às instituições de pesquisa dos autores do trabalho científico em causa e à FAPESP. Quando estabelecida a ocorrência de má conduta científica que possa ter afetado o valor científico de um trabalho já publicado em um periódico, este deve divulgar clara e expressamente o fato em seu número imediatamente seguinte. Fonte: FAESP (2014). 5Ética na pesquisa Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 5 29/06/2018 14:11:22 Atuação do comitê de ética No Brasil, existem a Resolução 196/96 (CNS), os Comitês de Ética na Pesquisa (CEP) e a Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para que sejam respeitas as leis e princípios em pesquisas com seres humanos. Os CEPs são colegiados interdisciplinares e independentes, com “munus público”, de caráter consultivo, deliberativo e educativo, criados para defender os interesses dos participantes da pesquisa em sua integridade e dignidade e para contribuir no desenvolvimento da pesquisa dentro de padrões éticos (BRASIL, 1996). Característica signi ficativa das ações dos CEP relaciona-se a seu caráter de controle social — como proposto desde a anti ga resolução de 1996, que regulamentava o setor. Controle social, e não público, uma vez que o livre exercício da ética pressupõe independência, não po dendo haver outros interesses, coação ou coerção (JACOME; ARAÚJO; GARRAFA, 2017, p. 64). A primeira menção a comitês de ética em pesquisa no país ocorreu na Resolução CNS nº 01/88 (art. 4º VII), dispondo que a pesquisa realizada em seres humanos para se desenvolver deverá “contar com o parecer favorável do Comitê de Ética e de Segurança Biológica quando for o caso” (JACOME, 2013, p.61). Segundo Jacome, Araújo e Garrafa (2017), o trabalho dos CEP é guiado por três aspectos. O pri meiro se refere à delimitação conceitual do que são consideradas pesquisas envolvendo seres humanos: todas aquelas que os envolvem direta ou indireta mente, de forma individual ou coletiva. O segundo aspecto diz respeito ao nível de formação dos pes quisadores: devem ser apre- sentadas pesquisas delineadas por estudantes de graduação, pós-gra duação e por profissionais. O terceiro corresponde ao espectro das investigações: devem ser avaliadas pesquisas em todas as áreas de conhecimento (JACOME; ARAÚJO; GARRAFA, 2017, p.62). Ética na pesquisa6 Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 6 29/06/2018 14:11:22 É importante ressaltar que as comissões de ética podem ser classificadas em vários tipos. Podem ser constituídas pelas comissões nacionais, que são criadas como um conselho de conhecedores no assunto, nomeados por seus governos com o propósito de emitir juízos fundamentados acerca de conflitos éticos que envolvem a prática biomédica. Também podem ser comissões hospitalares de ética ou comissões de bioética, que se ocupam das questões éticas dentro do contexto hospitalar, seja em relação à prática clínica, seja pertinente à atividade de pesquisa e com comissões de ética para a pesquisa científica (JACOME, 2013). No Brasil, as Comissões de ética agregam os CEPs e a Conep (sistema CEP-Conep). A Conep foi criada com a incumbência de examinar do ponto de vista ético as pesquisas com a participação de seres humanos, bem como aadequação e atualização das normas existentes (JACOME, 2013, p. 60). Tem como principais atribuições zelar pelo cumprimento da resolução, monitorar e aconselhar. Ela é a instância colegiada, de natureza consultiva, deliberativa, normativa, educativa, independente, vinculada ao Conselho Nacional de Saúde, cabendo à Conep estimular e acompanhar os trabalhos dos CEP. No que se refere à pesquisa envolvendo seres humanos, devem ser enca- minhadas para apreciação dos CEPs as pesquisas realizadas em qualquer área de conhecimento. “As instituições que realizam este tipo de pesquisa devem constituir seus comitês de ética que, de acordo com o texto da Resolução, também acompanham as pesquisas por meio de relatórios, interrompendo-as quando julgar indicado. Ao apreciar os projetos, o CEP torna-se corresponsável, do ponto de vista ético, pelas pesquisas que aprova.” (JACOME, 2013, p. 61). Uma característica importante da ação dos comitês de ética relaciona-se ao seu caráter de controle social, como proposto pela Resolução CNS n. 196/96, e não propriamente de controle público, o que é ressaltado por Hossne (2009). O autor pondera que o livre exercício da ética pressupõe independência, não podendo haver outros interesses, nem coação e coerção, ou seja, a ética não pode ser exercida sob pressão (JACOME, 2013, p. 61). 7Ética na pesquisa Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 7 29/06/2018 14:11:22 BARROCO, M. L. S. Fundamentos éticos do Serviço Social. In: CONSELHO FEDE- RAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço Social: direitos sociais e competências profissio- nais. Brasília, DF: CFESS, 2009. Disponível em: <http://www.cressrn.org.br/files/ arquivos/8QQ0Gyz6x815V3u07yLJ.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2018 BARROS FILHO, C. Ética no cotidiano, com Mario Sergio Cortella e Clóvis de Barros Filho. 2014. Disponível em: <https://www.contioutra.com/etica-no-cotidiano-com-mario- -sergio-cortella-e-clovis-de-barros-filho/>. Acesso em: 24 jun. 2018. BRASIL. Conselho Nacional de Saúde. Resolução nº 196, DE 10 de outubro de 1996. Bra- sília, DF, 1996. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/cns/1996/ res0196_10_10_1996.html>. Acesso em: 25 jun. 2018. DINIZ, D. Ética na pesquisa em ciências humanas: novos desafios. Ciência e Saúde Coletiva, v.13, n.2, p.417-426, 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232008000200017>. Acesso em: 15 jun. 2018. FAESP. Código de Boas Práticas Científicas. São Paulo: FAESP, 2014. Disponível em: <http:// www.fapesp.br/boaspraticas/FAPESP-Codigo_de_Boas_Praticas_Cientificas_2014. pdf>. Acesso em: 25 jun. 2018. JÁCOME, M. Q. D. Análise dos comitês de ética em pesquisa no Brasil: percepção de seus coordenadores e membros. 2013. 215 f. Tese (Doutorado em Bioética) - Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília, Brasília, DF, 2013. Disponível em: <http:// repositorio.unb.br/bitstream/10482/13834/1/2013_Mar%C3%ADliadeQueirozDiasJ% C3%A1come.pdf>. Acesso em: 25 jun. 2018. JACOME, M. Q. D.; ARAUJO, T. C. C. F.; GARRAFA, V. Comitês de ética em pesquisa no Brasil: estudo com coordenadores. Revista Bioética, v.25, n.1, p.61-71, 2017. Dis- ponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1983- -80422017000100061&lng=pt&tlng=pt>. Acesso em: 25 jun. 2018. NOSELLA, P. Ética e pesquisa. Educação e Sociedade, Campinas, v. 29, n. 102, p. 255- 273, jan./abr. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0101- -73302008000100013&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 25 jun. 2018. SCHNAIDER, T. B. Ética e pesquisa. Acta Cirúrgica Brasileira, São Paulo, v. 23, n. 1, p. 107-111, fev. 2008. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S0102-86502008000100017&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 25 jun. 2018. Leituras recomendadas IAMAMOTO, M. V. O serviço social na contemporaneidade: trabalho e formação profis- sional. 22. ed. São Paulo: Cortez, 2015. IAMAMOTO, M. V. Renovação e conservadorismo no Serviço Social: ensaios críticos. 12. ed. São Paulo: Cortez, 2017. Ética na pesquisa8 Cap04_FUNDPESQSS_Etica_pesquisa.indd 8 29/06/2018 14:11:22 Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Conteúdo: Dica do professor O serviço social, enquanto profissão interventiva na realidade, atua no campo das relações humano-sociais e ocupa diferentes espaços ocupacionais na esfera social. É dever do assistente social lutar para que a ética impregne cada uma de suas ações profissionais. Esse é o compromisso que lhe cabe assumir e que somente pode ser alcançado por meio de práticas interdisciplinares, pautadas em um horizonte ético de humanização e qualidade de vida. Nesta Dica do Professor, você verá mais informações sobre algumas reflexões éticas do assistente social na área da saúde. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/66207b47f32b3f017272dce8667c65d9 Na prática O debate em torno das pesquisas envolvendo seres humanos percorre o campo do serviço social. A necessidade de proteger os direitos dos participantes e os cuidados éticos adotados em pesquisas envolvendo seres humanos nos fazem refletir sobre os desafios da ética em pesquisa. No serviço social, a conduta ética na relação com os participantes das pesquisas está presente no Código de Ética Profissional. A seguir, você verá, na prática, as implicações da ética na pesquisa. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/56e94130-c0a7-4420-8959-cacf4b2c22f4/c328c5e8-7b8c-4fb7-9bfd-0c818b919969.png Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Sobre a integridade ética da pesquisa Leia o artigo do professor Luiz Henrique Lopes dos Santos sobre o assunto. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Fundamentos éticos do serviço social Leia o estudo da professora Maria Lúcia Silva Barroco sobre o assunto. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. http://www.fapesp.br/6566?v=974202190 http://www.cressrn.org.br/files/arquivos/8QQ0Gyz6x815V3u07yLJ.pdf?v=1003992370 Hipóteses de pesquisa Apresentação Após as primeiras definições de uma pesquisa, as quais incluem a escolha do tema, o desenvolvimento do problema, a elaboração dos objetivos (geral e específicos) e da justificativa, é chegada a hora de oferecer alguma solução aceitável ao problema proposto, que será comprovada ou refutada com a realização do estudo. Essa demanda é atendida por meio da construção da chamada hipótese de pesquisa, que, além de propor uma solução para o problema em estudo, permite identificar os fatores envolvidos no estudo; tais fatores também são conhecidos como variáveis de pesquisa. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar sobre as hipóteses de pesquisa, verificando no que consistem e como podem ser desenvolvidas, bem como sobre a identificação das variáveis envolvidas na hipótese que será testada na pesquisa. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir hipótese de pesquisa.• Desenvolver hipótese de pesquisa.• Identificar as variáveis de pesquisa.• Infográfico A hipótese de pesquisa é um importante elemento no universo dos estudos científicos, tendo forte conexão com o problema de pesquisa. Para que se possa compreender o que são hipóteses de pesquisa, é preciso verificar essa e outras de suas conexões, bem como suas características mais relevantes, tais como funções e propósitos. Confira neste Infográfico as conexões da hipótese de pesquisa, suas características e como se dá a execução da pesquisa.Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/ec054699-a8d6-493c-81f0-84bfbb378568/c18aa2f4-e0b3-472c-a4b0-991ac6d281d7.jpg Conteúdo do livro Em uma pesquisa, parte-se de uma indagação e se busca elucidá-la por meio do estudo, elaborando uma solução provável que permita respondê-la provisoriamente. Então, testa-se esta resposta, para que se possa confirmá-la ou refutá-la, o que se faz por meio da observação dos fatores envolvidos na indagação e sua resposta provisória. Este contexto forma o cenário da pesquisa, no qual se têm três importantes personagens: problema, hipótese e variáveis. No capítulo Hipóteses de pesquisa, do livro Metodologia Científica, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar sobre as hipóteses de pesquisa, verificando no que consistem, como podem ser desenvolvidas, que variáveis envolvem e qual a relação entre elas. Boa leitura. METODOLOGIA CIENTÍFICA Gisele Lozada Hipóteses de pesquisa Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Definir hipótese de pesquisa. � Desenvolver hipótese de pesquisa. � Identificar as variáveis de pesquisa. Introdução Após as primeiras definições de uma pesquisa, que incluem a escolha do tema, o desenvolvimento do problema e a elaboração dos objetivos (geral e específicos) e da justificativa, é chegada a hora de oferecer al- guma solução aceitável ao problema proposto, que será comprovada ou refutada com a realização do estudo. Essa demanda é atendida por meio da construção da chamada hipótese de pesquisa, que, além de propor uma solução para o problema em estudo, possibilita identificar os fatores envolvidos nele, ou seja, as variáveis de pesquisa. Neste capítulo, você estudará as hipóteses de pesquisa, verificando no que consistem e como podem ser desenvolvidas, além de observar como identificar as variáveis envolvidas na hipótese testada por meio da pesquisa. 1 Definição da hipótese de pesquisa Uma hipótese é uma suposição ou explicação provisória sobre um problema apresentado. Em sua forma mais simplista, consiste em uma expressão verbal que pode ser definida como verdadeira ou falsa. As hipóteses devem ser submetidas a testes e, se forem reconhecidas como verdadeiras, passam a ser aceitas como respostas ao problema proposto, ou seja, a hipótese compreende a proposição de uma resposta suposta, provável e provisória a um problema cientificamente válido. Desse modo, hipóteses consistem em tentativas de responder ao problema de pesquisa, constituindo-se como preposições antecipadoras ao levantamento da realidade que o pesquisador pretende demonstrar com seu estudo. Contudo, mesmo que problema e hipótese sejam enunciados que mantêm uma relação com as variáveis, os fatos e os fenômenos estudados, é importante identificar a diferença entre eles: o problema é uma sentença interrogativa, enquanto a hipótese representa uma sentença afirmativa mais detalhada (BARROS; LEHFELD, 2000; GIL, 2017; MARCONI; LAKATOS, 2005). Considere o seguinte problema: quais fatores contribuem para o consumo de cerveja por estudantes universitários? Diversas respostas poderiam ser obtidas, dando origem a afirmações como: � estudantes ansiosos tendem a consumir mais cerveja; � estudantes do sexo masculino são mais propensos ao consumo de cerveja; � a existência de bares próximos a instituições de ensino é um fator que estimula o consumo de cerveja; � estudantes de cursos noturnos tendem a consumir mais cerveja do que os dos cursos matutinos. Tais afirmações, que podem ser verdadeiras ou falsas, devem ser verificadas mediante procedimentos específicos. Desse modo, as afirmações podem ser consideradas hipóteses, tendo em vista que são supostas respostas ao problema proposto (GIL, 2017). No Quadro 1, há definições de hipótese de pesquisa elaboradas por dife- rentes autores, as quais, além de oferecerem subsídio para inúmeras conside- rações, demonstram que a hipótese de pesquisa é um elemento há muito tempo considerado no contexto da pesquisa científica, o que ratifica sua relevância e solidifica tais conceitos, que servem como base para diversas pesquisas. Hipóteses de pesquisa2 Autor Definição Pardinais (1969, p. 132) “Hipótese é uma proposição enunciada para responder a um problema.” Boudon e Lazarsfeld (1979, p. 48) “A hipótese de trabalho é a resposta hipotética a um problema para cuja solução se realiza toda investigação.” Rudio (1978, p. 97) “Chama-se de enunciado de hipótese a fase do método de pesquisa que vem depois da formulação do problema. Sob certo aspecto, podemos afirmar que toda a pesquisa científica consiste apenas em enunciar e verificar hipóteses; estas são suposições que se fazem na tentativa de explicar o que se desconhece. Esta suposição tem por característica o fato de ser provisória, devendo, portanto, ser testada para se verificar sua validade.” Trujillo (1974, p. 132) “A hipótese é uma proposição antecipadora à comprovação de uma realidade existencial. É uma espécie de pressuposição que antecede a constatação dos fatos. Por isso se diz também que as hipóteses de trabalho são formulações provisórias do que se procura conhecer e, em consequência, são supostas respostas para o problema ou assunto da pesquisa.” Ander-Egg (1978, p. 20) “A hipótese é uma tentativa de explicação mediante uma suposição ou conjectura verossímil, destinada a ser provada pela comprovação dos fatos.” Schrader (1974, p. 47) “Hipóteses são exteriorizações conjecturais sobre as relações entre dois fenômenos. Representam os verdadeiros fatores produtivos da pesquisa, com os quais podemos desencadear o processo científico. É válido o princípio de que uma investigação não pode produzir nada mais do que aquilo que as hipóteses anteriormente formuladas já afirmavam.” Galtung (1973, p. 371) “Hipóteses são o conjunto de variáveis inter-relacionadas.” Kerlinger (1980, p. 38) “Uma hipótese é um enunciado conjectural das relações entre duas ou mais variáveis. Hipóteses são sentenças declarativas e relacionam de alguma forma variáveis a variáveis. São enunciados de relações e, como os problemas, devem implicar a testagem das relações enunciadas.” Quadro 1. Definições de hipótese de pesquisa (Continua) 3Hipóteses de pesquisa Fonte: Adaptado de Marconi e Lakatos (2000). Autor Definição Selltiz et al. (1965, p. 48) “Uma hipótese é uma proposição, condição ou princípio, que é aceito (provisoriamente) para obter suas consequências lógicas e, por intermédio de um método, comprovar seu acordo com os fatos conhecidos ou com aqueles que podem ser determinados.” Goode e Hatt (1967, 1969) “Os vários fatos em uma teoria podem ser logicamente analisados e outras relações podem ser deduzidas além daquelas estabelecidas na teoria. Neste ponto não se sabe se essas deduções são corretas. A formulação da dedução, contudo, constitui a hipótese; se verificada, torna-se parte de uma construção teórica futura.” Quadro 1. Definições de hipótese de pesquisa (Continuação) Algumas das definições de hipótese apresentadas no Quadro 1 demonstram uma característica básica desse elemento da pesquisa: a hipótese é uma resposta suposta, provável e provisória ao problema. Isso deixa claro que, no desenvol- vimento de uma pesquisa, primeiro se deve formular o problema para, depois, criar a hipótese de pesquisa, conforme apontam Marconi e Lakatos (2000). Tomando como base tais características da hipótese de pesquisa, podemos identificar algumas convergências. Uma delas reside no fato de que a hipótese está inter-relacionada com fatos e fenômenos, o que explica a necessidade de relacionamento e ordenamento dentro da pesquisa. Outra é a limitação do campo da hipótese pelo próprio âmbito do que ela afirma, ou seja, a hipótese delimita a área de observação e de experimentação com a finalidade de iden-tificar o ordenamento entre os fatos. Além disso, as hipóteses se baseiam em variáveis e nas relações entre duas ou mais variações — por um lado, sua comprovação pode depender dos fatos (fenômenos ou variáveis) que serão determinados (verificados, analisados ou até mesmo desconhecidos), e, por outro, tais fatos poderão já ser conhecidos e baseados em teorias existentes. Hipóteses de pesquisa4 Essas noções nos levam a observar a existência de dois tipos de hipóteses: a hipótese explicativa, formulada sempre post-factum e que aparece como resultado das generalizações gradativas de proposições existentes na teoria de níveis inferiores; e a hipótese preditiva, formulada ante-factum, ou seja, precede a observação empírica na teoria de nível superior, por meio de pesquisas já existentes (MARCONI; LAKATOS, 2000). Por suas características e funções, as hipóteses cumprem um importante papel no contexto da pesquisa científica, com sua principal atuação no processo de investigação científica pela capacidade de, mediante o teste adequado, proporcionar a obtenção de respostas aos problemas propostos pelo estudo. Por isso, embora possam ser consideradas afirmações que muitas vezes derivam do senso comum, as hipóteses são muito mais do que simples suposições ou palpites, pois conduzem à verificação empírica da questão que o estudo se propõe a testar (GIL, 2017). Agora que você já viu algumas considerações relativas à definição das hipóteses, à sua importância e aos seus impactos sobre a pesquisa, você pre- cisa se familiarizar com o seu desenvolvimento. A seguir, você verá como desenvolver hipóteses para que elas sirvam adequadamente aos propósitos da pesquisa científica. 2 Desenvolvimento da hipótese de pesquisa O desenvolvimento de hipóteses é um procedimento largamente utilizado no contexto da pesquisa científica e que requer a criatividade do pesquisador. Embora não tenha regras rígidas, costuma utilizar algumas fontes básicas de informação, que são levadas em consideração no momento da elaboração das hipóteses, como observação, resultados de outras pesquisas, teorias e intuição, descritas a seguir (GIL, 2017; MARCONI; LAKATOS, 2005). A observação é o procedimento básico e fundamental no momento do desenvolvimento de uma hipótese, uma vez que permite verificar na prática as relações entre os fatos em seu cotidiano, fornecendo os subsídios para a solução de problemas propostos pela ciência. O desenvolvimento de hipóteses a partir de observações tem a função de comprovar (ou não) as relações per- cebidas nas próprias observações, e alguns estudos trabalham exclusivamente com hipóteses originárias de observações. Contudo, hipóteses desse tipo têm pouca probabilidade de conduzir a um conhecimento suficientemente geral e explicativo. 5Hipóteses de pesquisa Resultados de outras pesquisas possibilitam desenvolver hipóteses a partir de investigações conduzidas por outros estudos, geralmente levando a conhecimentos mais amplos do que aqueles decorrentes da simples observa- ção. Hipóteses desse tipo se baseiam nas averiguações de outro estudo que prevalecem no estudo presente, fazendo com que seus resultados tenham um significativo grau de confiabilidade. Afinal, quando uma hipótese se funda- menta em estudos anteriores, caso o estudo no qual está inserida se confirme, o resultado auxilia na demonstração de que a relação se repete regularmente. Hipóteses derivadas de teorias são as mais interessantes, no sentido de que proporcionam ligação clara com o conjunto mais amplo do conhecimento das ciências, ainda que nem sempre isso seja possível. Em muitos campos da ciência, as teorias desenvolvidas não são suficientemente esclarecedoras da realidade. Contudo, hipóteses desenvolvidas a partir de teorias podem apre- sentar uma proposição afirmativa, tendo em vista uma sucessão de eventos (fatos e fenômenos) ou a correlação entre eles em determinado contexto. Já as hipóteses desenvolvidas a partir da intuição foram registradas em vários momentos da história humana e conduziram a grandes e importantes descobertas. Porém, tendo em vista a natureza da intuição, não é possível identificar com clareza as razões capazes de determinar as hipóteses, o que dificulta avaliar a sua qualidade. Além disso, a intuição é derivada da expe- riência pessoal, o que faz cada indivíduo reagir de maneira particular a certos fatos, levando em consideração a cultura em que vive e a ciência que conhece. Em sua obra A origem das espécies, Darwin levantou a hipótese de que os seres vivos não eram imutáveis, mas que haviam se modificado. Para tanto, além de contar com as suas observações pessoais, Darwin reuniu vários fatos que eram conhecidos em sua época, dando-lhes uma interpretação pessoal, da qual se originou a sua hipótese. Hipóteses de pesquisa6 A partir da definição de hipóteses, o pesquisador especifica melhor o tema e os objetivos de sua pesquisa, assim como as variáveis observadas no estudo, já que hipóteses normalmente resultam da relação entre duas ou mais variá- veis. Como você pode notar, as hipóteses desempenham um papel relevante no cenário dos estudos científicos. Desse modo, a elaboração e a utilização de hipóteses na realização de uma pesquisa podem ser justificadas pelo fato de que as hipóteses têm o propósito de orientar o pesquisador na coleta e na análise de dados (BARROS; LEHFELD, 2000). Assim, o desenvolvimento e a utilização de hipóteses em pesquisas possi- bilitam ao pesquisador moldar e focar seu objeto de estudo, já que permitem investigar as relações existentes entre as variáveis integrantes do fenômeno que o pesquisador se propôs a conhecer. Por meio das hipóteses, o pesquisador faz previsões sobre as relações esperadas entre as variáveis, estimando, nume- ricamente, os valores da população estudada, com base em dados coletados de amostras. Nesse contexto, o pesquisador adota procedimentos estatísticos para fazer inferências sobre a população com base no estudo de uma amostra (CRESWELL, 2010). Uma população é o conjunto total de elementos que se pretende estudar e a respeito do qual se pretende concluir algo. Contudo, como muitas vezes é difícil ou até mesmo impossível analisar todo o conjunto, estabelece-se uma fração para representá-lo, que corresponde à amostra. Desse modo, estuda-se uma parte do conjunto e, a partir dele, tiram-se conclusões que são aplicadas ao todo. Contudo, para que a hipótese possa servir de fato ao seu propósito, devem ser tomados alguns cuidados em sua elaboração. Há atributos básicos que a hipótese necessita ter, como ser simples, clara, compreensível e passível de verificação, além de seu desenvolvimento apresentar lastro em um referencial empírico, ou seja, conceitos devem ser observados, verificados e registrados a partir da realidade empírica. Caso o pesquisador não siga esses preceitos no desenvolvimento de suas hipóteses, corre o sério risco de comprometer os resultados de seu estudo, visto que, se as hipóteses forem inadequadas, os resultados não serão satisfatórios (BARROS; LEHFELD, 2000). 7Hipóteses de pesquisa Ainda que haja várias maneiras de formular hipóteses, partindo da consi- deração de que estas se baseiam fundamentalmente na relação existente entre duas ou mais variáveis, uma sugestão básica e comum para a sua elaboração é a seguinte: considerando X e Y duas variáveis que se relacionam, elabora-se uma hipótese tendo em conta que “se X..., então Y...” (MARCONI; LAKA- TOS, 2005). Ainda, no momento de formular uma hipótese devemos nos atentar a certos princípios e critérios. A ideia é que a hipótese seja: � plausível — deve indicar uma situação passível de ser admitida cientificamente; � consistente — em seu enunciado, não deve entrar em contradição com conhecimentos científicos mais amplos, assim como não deve existir contradição interna no enunciado; � específica — deve se restringir a variáveis e componentes fundamentais ao problema de pesquisa; � verificável— deve ser passível de verificação por meio de processos científicos aceitáveis, atualmente empregados; � clara e simples — deve ser perfeitamente compreensível e sua formu- lação precisa evitar termos ambíguos, prolixos e/ou confusos; � explicativa — deve estar perfeitamente articulada com o problema de pesquisa, ou seja, servir como explicação a ele. Além de considerar recomendações e possibilidades de como desenvolver uma hipótese, você deve compreender os diferentes fatores capazes de in- fluenciar esse processo. Nesse sentido, recomendamos que verifique os mais diversos pontos que poderão lhe auxiliar na construção de sua hipótese, pois assim terá um embasamento consistente em sua pesquisa. Para tanto, outro elemento importante no contexto das hipóteses são as variáveis de pesquisa, que darão apoio e sustentação ao desenvolvimento de seu estudo. Hipóteses de pesquisa8 3 Identificação das variáveis de pesquisa Além de compreender como funciona a definição e o desenvolvimento de hipóteses, você deve considerar que, dentro da pesquisa, existe o que chamamos de variável, que pode ser definida como uma classificação ou medida, uma quantidade que varia ou um conceito operacional que contém ou apresenta valores, aspectos, propriedade ou fator, discernível em um objeto de estudo e passível de mensuração. Tais valores são adicionados ao conceito operacional para transformá-lo em uma variável, que pode ser uma quantidade, uma qualidade, uma característica, uma magnitude, um traço, etc. As variáveis se alteram conforme cada caso particular e são totalmente abrangentes e mutuamente exclusivas. Contudo, para fins de pesquisa, a definição mais apropriada é a de que uma variável é qualquer coisa passível de classificação em duas ou mais cate- gorias. Ainda, podemos considerar as variáveis elementos ou características que variam em determinado fenômeno, podendo ser observadas, registradas e mensuradas. Em outras palavras, constituem aspectos observáveis de um fenômeno, capazes de apresentar variações, mudanças e diferentes valores em um dado fenômeno e entre fenômenos (BARROS; LEHFELD, 2000; GIL, 2017; MARCONI; LAKATOS, 2005). De forma genérica, uma variável é tudo aquilo que pode assumir diferentes valores numéricos, como temperatura, idade, renda familiar e número de filhos de um casal. No contexto da pesquisa, a variável constitui qualquer coisa capaz de ser classificada em duas ou mais categorias e que pode ser observada, registrada e mensurada, como sexo (masculino e feminino) e classe social (alta, média e baixa). 9Hipóteses de pesquisa No universo da ciência, as variáveis podem integrar três níveis diferentes, detalhados a seguir e demonstrados na Figura 1 (MARCONI; LAKATOS, 2005). 1. Primeiro nível: observações dos fatos, fenômenos, comportamentos e atividades reais. 2. Segundo nível: hipóteses. 3. Terceiro nível: teorias, hipóteses válidas e sustentáveis. Figura 1. Variáveis de pesquisa. Fonte: Adaptada de Marconi e Lakatos (2005). Na pesquisa, partimos de um problema — a indagação que se pretende elucidar por meio do estudo —, para o qual elaboramos uma hipótese, que consiste em uma solução provável para esse problema, permitindo respondê-lo provisoriamente. Então, a hipótese é testada por meio da pesquisa, para que se possa confirmá-la ou refutá-la. Para tanto, é necessário observar as variáveis envolvidas na hipótese. Hipóteses de pesquisa10 Veja a seguir alguns exemplos de hipóteses e variáveis. � Hipótese: países economicamente desenvolvidos apresentam baixos níveis de analfabetismo. ■ Variáveis: desenvolvimento econômico e analfabetismo. � Hipótese: o índice de suicídios é maior entre os solteiros do que entre os casados. ■ Variáveis: estado civil e índice de suicídios. Perceba que, nos exemplos, as hipóteses estão apenas afirmando que existe uma relação entre as variáveis, mas nada informam acerca da possível influência de uma sobre a outra. Contudo, em outros casos, as hipóteses de pesquisa indicam algum tipo de influência entre as variáveis, estabelecendo uma relação de dependência entre elas. Assim, além de identificar as variáveis, você precisa considerar a existência de uma relação entre elas e a maneira como se comportam. Desse modo, um aspecto relevante no que diz respeito às variáveis é a sua classificação em duas categorias fundamentais ao contexto da pesquisa científica: as variáveis independentes e dependentes. Há uma hipótese quando se afirma que as variações de uma variável correspondem às variações de outra (GIL, 2017; MARCONI; LAKATOS, 2005), conforme a seguir. � Variável independente (X): é aquela que influencia, determina ou afeta outra variável. Trata-se do fator determinante, condição ou causa para determinado resultado, efeito ou consequência. É o fator manipulado (geralmente) pelo investigador, na sua tentativa de assegurar a relação do fator com um fenômeno observado ou a ser descoberto, para ver qual influência exerce sobre um possível resultado. Assim, a variável independente pode ser manipulada pelo pesquisador a fim de avaliar os efeitos causados sobre a outra variável, chamada de variável dependente (APPOLINÁRIO, 2011). � Variável dependente (Y): consiste naqueles valores (fenômenos e fatores) a serem explicados ou descobertos em virtude de serem influen- ciados, determinados ou afetados pela variável independente. É o fator que aparece, desaparece ou varia à medida que o investigador introduz, retira ou modifica a variável independente. Consiste na propriedade 11Hipóteses de pesquisa ou fator que é efeito, resultado, consequência ou resposta a algo que foi manipulado na variável independente, ou seja, trata-se do valor que se supõe que depende de outra variável. Nos estudos experimentais, constitui-se nos efeitos estudados. Por exemplo: em uma pesquisa, se deseja estudar a ação da bebida alcoólica sobre o desempenho aca- dêmico de alunos universitários. A variável “desempenho acadêmico” é a variável dependente (efeito), e a “quantidade de bebida alcoólica ingerida” refere-se à variável independente (causa) do estudo (APPO- LINÁRIO, 2011). Veja a hipótese e as variáveis a seguir. � Hipótese: a classe social da mãe influencia o tempo de amamentação dos filhos. � Variáveis: classe social e tempo de amamentação, sendo a classe social a variável independente (X) e o tempo de amamentação a variável dependente (Y). Em síntese, em uma pesquisa, a variável independente é a que antecede a variável dependente, sendo a segunda uma consequência da primeira (MAR- CONI; LAKATOS, 2005). Para entender melhor, veja alguns exemplos a seguir. Se você bater no tendão patelar do joelho dobrado de uma pessoa, a perna dela esticará. Assim: � X = batida dada no tendão patelar do joelho dobrado da pessoa; � Y = o esticar da perna. Os filhos de pais com debilidade mental têm inteligência inferior à dos indivíduos cujos pais que não a apresentam. Veja: � X = presença ou ausência de debilidade mental nos pais; � Y = grau de inteligência dos indivíduos. Hipóteses de pesquisa12 Podemos encontrar também hipóteses em que há apenas uma variável independente e mais de uma dependente (MARCONI; LAKATOS, 2005). Considere, por exemplo, um indivíduo que se assusta com um barulho forte e inesperado: o seu pulso acelera, ele transpira e as pupilas de seus olhos dilatam. Agora, veja as variáveis: � X = susto com barulho forte e inesperado; � Y = aceleração do pulso (Y1), transpiração (Y2) e dilatação das pupilas (Y3). O fato é que existem fatores determinantes que atuam no sentido da relação causal entre as variáveis independente (determinante) e dependente (determi- nada). Nesse contexto, parece se impor pela lógica o critério de suscetibilidade à influência, ou seja, será dependente a variável que puder ser alterada, in- fluenciada ou determinada pela outra, que passa a ser considerada a variável independente ou causal (MARCONI; LAKATOS, 2005). Considere uma relaçãoentre a idade e o tipo de atitude política: os idosos são mais conservadores do que os jovens. Nesse contexto, a idade seria a variável independente e a atitude política seria a variável dependente. Afinal, só se pode supor que a idade, por algum motivo, seja responsável pela posição ou atitude política, uma vez que ser conservadora não torna a pessoa mais velha, nem o progressismo rejuvenesce o indivíduo. Ainda, devemos notar que a influência entre as variáveis independente e dependente deriva de dois pontos principais, listados a seguir. 1. Ordem temporal: partindo do raciocino lógico de que o acontecido depois não pode ter influência no que aconteceu antes, a sequência temporal apresenta uma universalidade importante, isto é, a variável anterior no tempo é a independente e a que se segue é a dependente. 13Hipóteses de pesquisa 2. Fixidez ou alterabilidade das variáveis: algumas variáveis, muito utilizadas nas ciências biológicas e sociais, são consideradas fixas ou não sujeitas a influências, como sexo, raça, idade, ordem de nascimento e nacionalidade. Há outras variáveis importantes que são relativamente fixas, mas não absolutamente, ou seja, em determinadas ocasiões, podem se tornar algum elemento de reciprocidade, como status, religião, classe social, residência no campo ou na cidade. As variáveis podem ainda ser classificadas em outras categorias, como: � moderadoras e de controle; � extrínsecas e componentes; � intervenientes e antecedentes. Para saber mais, consulte Marconi e Lakatos (2005). Mais do que simplesmente saber que as variáveis existem, você precisa compreendê-las e entender a relação entre elas, bem como os impactos que poderão causar nas suas hipóteses de pesquisa. Note que a definição e o desenvolvimento das hipóteses estão ligados diretamente às variáveis que podem ser aplicadas e que, de acordo com a relação entre as variáveis, elas podem dar um rumo diferente à sua pesquisa. Então, quando for construir a sua hipótese de pesquisa, considere para que serve a hipótese, como ela deve ser criada e suas possíveis relações com os mais diferentes aspectos que eventualmente variarão em seu estudo. Assim, você terá um embasamento coerente para desenvolver os seus estudos e, consequentemente, gerar melhores resultados por meio de seus trabalhos de pesquisa. Hipóteses de pesquisa14 APPOLINÁRIO, F. Dicionário de metodologia científica: um guia para a produção do co- nhecimento científico. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2011. BARROS, A. J. S.; LEHFELD, N. A. S. Fundamentos de metodologia científica. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2000. CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2005. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia científica. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2000. Leituras recomendadas DARWIN, C. A origem das espécies. Tradução de Daniel Moreira Miranda. São Paulo: Edipro, 2018. ESPÍRITO SANTO, A. Delineamentos de metodologia científica. São Paulo: Loyola, 1992. RUDIO, F. V. Introdução ao projeto de pesquisa científica. 24. ed. Petrópolis: Vozes, 1999. 15Hipóteses de pesquisa Dica do professor A hipótese, embora não obrigatória em todos os tipos de estudos científicos, é um importante elemento na estrutura de uma pesquisa. Quando utilizada no desenvolvimento, a hipótese se mostra como um elemento muito relevante, que colabora para a formulação das conclusões que serão obtidas a partir do estudo. Contudo, para que a hipótese possa desempenhar efetivamente seus propósitos, ela precisa ter um conjunto de determinadas características e, para isso, precisa ser formulada de forma apropriada. Nesta Dica do Professor você verá quais são as características presentes em uma hipótese de pesquisa bem elaborada, quais são os propósitos no universo da pesquisa e como a pesquisa pode ser formulada. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/6cfad6e5ac28b9262406722b074db257 Na prática A utilização de hipóteses de pesquisa em um estudo científico tem o propósito central de colaborar para a formulação de conclusões a respeito do assunto que está sendo investigado na pesquisa. Por intermédio da hipótese, o pesquisador formula uma resposta provisória para o problema de pesquisa, que servirá de norte para o estudo, sendo testada no decorrer da investigação e permitindo ao autor verificar se sua suposição era verdadeira ou falsa. Veja neste Na Prática como se dá a criação das hipóteses de pesquisa. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/1d1ff8ca-0b45-406e-b676-51978d943bec/4016e907-38d6-41fd-aa50-d21fd86c5e3d.jpg Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Hipótese A hipótese é um elemento muito utilizado no universo dos estudos científicos. Por isso, é relevante saber o que é uma hipótese de pesquisa, a que ela está relacionada e como pode ser desenvolvida. Este vídeo traz algumas considerações bem objetivas sobre esses aspectos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Tipos de variáveis A realização de uma pesquisa científica tem o propósito de estudar um fato ou fenômeno que tem relevância suficiente para ser considerado científico. Este fato ou fenômeno, por sua vez, será composto por elementos denominados variáveis, que são considerados pelas hipóteses e, assim, analisados com a realização da pesquisa. Este vídeo traz informações sobre o que são variáveis, os tipos existentes e no que consiste cada um deles. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Metodologia de pesquisa O problema de pesquisa é um elemento fundamental para a realização de um estudo científico; e a hipótese, quando utilizada, está diretamente relacionada a ele, uma vez que tem o propósito de respondê-lo provisoriamente até que a pesquisa possa promover a obtenção de conclusões a esse respeito. Por isso, a formulação de hipóteses é um ponto crucial para a pesquisa, que deve ser bem trabalhado. Nesta obra você encontrará subsídios para realizar uma adequada elaboração das hipóteses de sua pesquisa. https://www.youtube.com/embed/FXq3_l1SlOU https://www.youtube.com/embed/Kv0MEOf9JSY Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Introdução ao Método de Pesquisa Apresentação Para que uma pesquisa seja considerada científica, ela precisa ser dotada de um conjunto de propriedades que lhe garantem tal status. Para que isso seja possível, o trabalho precisa ser conduzido com rigor, seguindo regras específicas, as quais são estabelecidas pelo método de pesquisa. O método, por sua vez, é o caminho que guia durante o trabalho de pesquisa, indicando como “chegar lá”. Contudo, o método não é uma receita única e padrão aplicável a todas as pesquisas. Assim como as pesquisas científicas têm características particulares reveladas por elementos, como a questão de pesquisa, os métodos também variam, se apresentando em diversos modelos, que vão desde os métodos considerados clássicos até os mais contemporâneos, sendo necessário identificar e aplicar aquele que for mais apropriado à pesquisa que se pretende realizar. Para que tal decisão seja possível, o pesquisador precisa, além de ter clareza sobre os propósitos de sua pesquisa, também reconhecer a importância do método e conhecer os diferentes tipos de métodos disponíveis, para que assim possa identificar aquele que melhor serve às suas intenções. Nesta Unidade de Aprendizagem, você estudará sobre a importânciado método científico para a realização de uma pesquisa, bem como sobre os diferentes métodos de pesquisa existentes, para que possa diferenciar as abordagens dos métodos clássicos de pesquisa e ainda reconhecer os demais métodos de pesquisa. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a importância da escolha de um método científico para a realização de uma pesquisa. • Diferenciar as abordagens dos métodos clássicos de pesquisa. • Reconhecer os demais métodos de pesquisa. • Infográfico Assim como as pesquisas científicas têm características particulares, os métodos científicos também têm diferenças. Desse modo, além de conhecer as características de sua pesquisa, o pesquisador precisa conhecer os diferentes métodos científicos, para que possa avaliar e escolher aquele que melhor serve aos propósitos de sua pesquisa. Neste Infográfico, você vai ver uma síntese de aspectos marcantes a respeito de alguns dos métodos existentes, os quais correspondem aos métodos clássicos de pesquisa. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/80aedc52-77d7-40bb-a8d1-5203a4c44ba6/d278d744-f2e2-48c9-935d-da3007cc9518.png Conteúdo do livro A elaboração de uma pesquisa científica requer a adoção de métodos específicos que concedam ao trabalho o rigor e as propriedades necessárias para que este seja considerado científico. Para isso, o pesquisador precisa, além de estar atento às características de sua pesquisa, conhecer as alternativas de métodos que pode utilizar, para que possa, assim, fazer uma boa escolha. No capítulo Introdução ao método de pesquisa, da obra Metodologia científica, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar sobre a importância do método científico para a realização de uma pesquisa, bem como sobre os diferentes métodos de pesquisa existentes, para que possa diferenciar as abordagens dos métodos clássicos de pesquisa e ainda reconhecer os seus demais métodos. Boa leitura. METODOLOGIA CIENTÍFICA Gisele Lozada Introdução ao método de pesquisa Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer a importância da escolha de um método científico para a realização de uma pesquisa. Diferenciar as abordagens dos métodos clássicos de pesquisa. Reconhecer os demais métodos de pesquisa. Introdução Para elaborar uma pesquisa científica, você deve seguir o método cien- tífico. Assim, seu trabalho terá o rigor e as propriedades necessárias para ser considerado científico. Contudo, o método científico possui particula- ridades, como a existência de diferentes métodos de pesquisa, que vão desde os clássicos até os contemporâneos. Por isso, além de conhecer as características de sua pesquisa, você também precisa conhecer os diferentes métodos de pesquisa existentes. A ideia é que você consiga avaliar e escolher aquele que melhor serve aos propósitos do seu trabalho. Neste capítulo, você vai verificar a importância do método científico para a realização de uma pesquisa. Você também vai conhecer os dife- rentes métodos de pesquisa existentes. Ao final, você deve ser capaz de diferenciar as abordagens dos métodos de pesquisa clássicos e ainda reconhecer os demais métodos. A importância do método científico Todos os ramos de estudo utilizam algum tipo de método. As ciências, como um todo, possuem como característica fundamental a utilização do método científi co. Em síntese, tal utilização não é exclusividade da ciência, mas não existe ciência sem ela (MARCONI; LAKATOS, 2017). De modo geral, o método é o caminho pelo qual se chega a determinado resultado. Ou melhor: o método indica como o pesquisador deve proceder ao longo do caminho para obter o resultado pretendido. Para tanto, o método se apresenta como um conjunto de processos ordenado, regular, explícito e passível de repetição que deve ser seguido em uma investigação para que ela seja capaz de atingir dado fi m (MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016). No contexto da ciência, o método consiste em uma combinação de procedi- mentos por meio dos quais problemas científicos são propostos e colocados à prova. Ele ajuda a compreender a investigação e seus resultados; assim, permite demonstrar a verdade. Em outras palavras, o método científico é a sequência de operações realizadas com a intenção de alcançar certo resultado, sendo um modo sistemático e ordenado de pensar e investigar, formando um conjunto de procedimentos que permitem alcançar a verdade científica. Assim, o método científico conduz o estudo ao encontro de seus objetivos, facilitando a apresentação do problema científico que a pesquisa pretende investigar, bem como a comprovação (ou refutação) das hipóteses propostas por ela. Afinal, uma hipótese consiste em uma resposta suposta, provável e provisória para o problema apresentado. Para ser incorporada ao contexto da ciência, essa resposta precisa ser comprovada. Como você sabe, tal compro- vação não pode ser singular, ou seja, outro pesquisador precisa ser capaz de chegar ao mesmo resultado se repetir os mesmos procedimentos — e isso é algo que o método científico oportuniza. Desse modo, um método é utilizado quando se pretende converter uma consideração ideológica, filosófica ou literária em uma explicação científica. Ou seja, trata-se do critério para a obtenção do conhecimento científico, que é a própria lógica da investigação científica. Nesse sentido, o método científico pode ser compreendido como a teoria da investigação, que atinge seus obje- tivos de forma científica, dedicando-se ao cumprimento das seguintes etapas (MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016): descobrir um problema, uma lacuna, num conjunto de conhecimentos; apresentar o problema de forma precisa, seja ele novo ou antigo, à luz de novos conhecimentos; procurar conhecimentos ou instrumentos (como teorias, técnicas e dados empíricos) que auxiliem na solução do problema; buscar solução para o problema com a utilização dos meios identificados; promover novas ideias ou gerar novos dados empíricos; obter uma solução para o problema; investigar as consequências da solução obtida; Introdução ao método de pesquisa2 comprovar a solução indicada; corrigir hipóteses, teorias, procedimentos ou dados empregados na obtenção da solução (no caso de ela se mostrar incorreta). Para fazer ciência, é primordial utilizar métodos rigorosos. É dessa maneira que se atinge um conhecimento sistemático, preciso e objetivo. Ou seja, o método científico é um meio que busca alcançar um fim; é o percurso percor- rido pelo cientista na busca pela produção de conhecimentos. Para direcionar o método e, consequentemente, as técnicas e procedimentos, cujo conjunto constitui a metodologia para alcançar os seus objetivos, cada ciência, em sua particularidade, define princípios filosóficos, lógicos, etc. Assim, o método deve levar em consideração as concepções e os pressupostos epistemológicos e mesmo ontológicos da base científica da investigação que se deseja realizar. Nesse contexto, entram em cena procedimentos como: formação de conceitos e hipóteses, observação e medida, realização de experimentos, construção de modelos e de teorias, elaboração de explicações e predição. Isso permite que o método seja entendido como o conjunto de procedi- mentos e técnicas utilizados de forma regular e passíveis de serem repetidos para se alcançar um objetivo material ou conceitual e para se compreender o processo de investigação. O método se apoia em procedimentos lógicos para alcançar uma verdade científica, ou seja, é o conjunto de procedimentos que ordenam o pensamento e esclarecem acerca dos meios adequados para se chegar ao conhecimento (CRESWELL, 2010; MATIAS-PEREIRA, 2016; SEVERINO, 2007). Existem diferentesramos da ciência que geram o conhecimento, assim como existem diferentes correntes filosóficas que promovem o estudo de diversos assuntos sob ângulos distintos. Então, cada ciência procura promover o conhecimento à sua maneira. Para isso, utiliza as correntes filosóficas como apoio, a fim de, por exemplo, estabelecer os métodos que vai utilizar. Racionalismo e empirismo são exemplos clássicos de correntes filosóficas. Eles servem a diferentes ciências: o racionalismo (conhecimento vem do indivíduo, de dentro para fora), por exemplo, serve às ciências formais, como a matemática e a lógica. Já o empirismo (conhecimento vem da experiência, de fora para dentro) serve às ciências factuais, como as ciências naturais e as sociais. 3Introdução ao método de pesquisa Como você viu, o método é um fator fundamental para a atividade científica. Em síntese, essa atividade tem como finalidade a obtenção de conhecimento válido e verdadeiro, por meio da comprovação de hipóteses que conectam a observação da realidade à teoria científica, permitindo explicar a primeira. O método, por sua vez, é o conjunto de atividades sistemáticas e racionais que permitem que a ciência atinja seu objetivo com maior segurança e economia, uma vez que auxilia o cientista, indicando o caminho a ser seguido, detectando erros e ajudando em suas decisões (MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS- -PEREIRA, 2016). Contudo, não há somente um método científico. Na verdade, existem inúme- ros métodos da ciência. Alguns, por exemplo, baseiam-se na lógica, buscando conclusões ou deduções a partir de hipóteses, ou definindo as implicações lógicas de relações causais em termos de condições necessárias ou suficientes. Outros métodos são empíricos, como os que trabalham com experiências controladas, ou aqueles que projetam instrumentos que serão utilizados nas coletas de dados ou observações (MATIAS-PEREIRA, 2016). A realização de uma pesquisa tem o propósito de promover uma investigação, que pode servir às mais diversas áreas do conhecimento, como ciências naturais e humanas, ciências sociais, política e medicina, etc. Os métodos de pesquisa, por sua vez, são os possíveis caminhos a serem percorridos pelo pesquisador para obter respostas aos questionamentos traçados para a investigação proposta. O emprego de um método promove a utilização de técnicas e normas espe- cíficas. Além disso, o rigor na aplicação impacta diretamente a qualidade dos resultados da pesquisa executada. Contudo, para que a aplicação de um método propicie os efeitos esperados, não basta que ele seja aplicado com rigor; antes disso, o método precisa ser adequadamente selecionado, sendo apropriado à pesquisa que se pretende realizar (WALLIMAN, 2015). Considere a medicina e a relação entre as doenças e os medicamentos. Cada doença requer a administração de um tipo específico de medicamento para que o paciente possa se curar. Por melhor que seja o remédio, e por mais que o paciente cumpra rigorosamente a prescrição médica, de nada adiantará se o medicamento receitado não for adequado para a doença que se pretende tratar. O mesmo acontece com os métodos de pesquisa: por melhor que seja o método e por mais rigorosa que seja a sua aplicação, ele precisa ser adequado à pesquisa para gerar os efeitos desejados. Introdução ao método de pesquisa4 Além de reconhecer a importância do método para uma pesquisa científica, você precisa compreender que existem diferentes métodos e que é necessário escolher aquele que melhor atende aos seus propósitos de pesquisa. É isso que você vai ver a seguir (MATIAS-PEREIRA, 2016). Métodos de pesquisa clássicos Você já viu que existem diversos métodos disponíveis. Como pesquisador, você deve eleger aquele que melhor se conecta com os propósitos da sua pesquisa. Se necessário, você pode utilizar mais de um método. Entre os métodos, há aqueles integrantes da abordagem clássica, que proporcionam as bases lógicas da investigação, promovendo esclarecimentos acerca dos procedimentos a serem seguidos no processo de investigação científi ca. Os métodos clássicos possuem como característica marcante um elevado grau de abstração e possibilitam ao pesquisador decidir acerca do alcance de sua investigação, das regras de explicação dos fatos e da validade de suas ge- neralizações. Entre os métodos clássicos, estão os métodos: dedutivo, indutivo, dialético, hipotético-dedutivo e fenomenológico. Você vai conhecê-los melhor a seguir (GIL, 2017; MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016). Além dos métodos clássicos de pesquisa, existem métodos integrantes de outras abordagens e que são utilizados em diferentes ciências. Considere, por exemplo, o método clínico, usado na área da saúde. Método indutivo O método indutivo é baseado na indução, um processo mental que se funda- menta em premissas, buscando permitir que, a partir de dados particulares (sufi cientemente constatados), se infi ra uma verdade geral e universal. Assim, no raciocínio indutivo, a generalização deriva de observações de casos da realidade concreta, e as constatações particulares levam à elaboração de generalizações. 5Introdução ao método de pesquisa Desse modo, o argumento indutivo busca conclusões mais amplas do que as premissas nas quais a pesquisa se baseia. O método indutivo considera que o conhecimento é fundamentado na experiência, não levando em conta princípios preestabelecidos. Contudo, é importante você notar que as premissas consideradas nese método levam a conclusões prováveis, não necessariamente verdadeiras — ou seja, são conclusões provavelmente verdadeiras (MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016). Segundo o método indutivo, se você analisar três corvos e eles forem negros, provavelmente todo corvo seja negro. O exemplo permite perceber que no método indutivo, a partir de premissas decorrentes de fenômenos observados, é estabelecida uma conclusão para fenômenos não observados, indo do especial para o geral. Ou seja, faz-se uma generalização: quando uma relação entre duas propriedades ou fenômenos é descoberta, considera-se que essa relação é universal. O método indutivo é composto por três etapas (MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016): observação dos fenômenos; descoberta da relação entre eles; generalização da relação. Essas etapas do método indutivo são baseadas em leis observadas na natureza, segundo as quais (MARCONI; LAKATOS, 2017): nas mesmas circunstâncias, as mesmas causas produzem os mesmos efeitos; o que é verdade para muitas partes suficientemente constatadas é ver- dade para o todo. Contudo, alguns cuidados são necessários na utilização do método in- dutivo, a fim de evitar equívocos. Entre esses cuidados, estão (MARCONI; LAKATOS, 2017): certificar-se de que a relação que se pretende generalizar é verdadei- ramente essencial; assegurar-se de que os fenômenos cuja relação se pretende generalizar são realmente idênticos; lembrar-se do aspecto quantitativo dos fenômenos. Introdução ao método de pesquisa6 A indução pode ser feita de diferentes formas (como completa ou formal, incompleta ou científica). Cada uma delas segue regras específicas. Você pode saber mais em Marconi e Lakatos (2017, p. 44–46). Método dedutivo O método dedutivo pressupõe que só a razão é capaz de levar ao conhecimento verdadeiro, pois os fatos, por si só, não são fonte de todos os conhecimentos. O raciocínio dedutivo tem o objetivo de explicar o conteúdo das premissas e, por intermédio de uma cadeia de raciocínio em ordem descendente (da análise do geral para o particular), chegar a uma conclusão. Para tanto, utiliza o silogismo, construção lógica que, a partir de duas premissas, obtém uma terceira logicamente decorrente, denominada conclusão. A dedução, por sua vez, consiste em um processo semelhante ao da indução: é baseada em premissas com a intenção de promover uma conclusão geral. Porém, há uma diferença importante no caso da dedução: ela leva a uma conclusãoverdadeira, enquanto a indução conduz a uma conclusão provável (MARCONI; LAKATOS, 2017; MATIAS-PEREIRA, 2016). Segundo o método dedutivo, se todo mamífero tem um coração e todos os cães são mamíferos, todos os cães têm coração. Se o mesmo fenômeno fosse estudado segundo o método indutivo, a conclusão seria conduzida da seguinte forma: todos os cães observados têm coração, logo todos os cães têm coração. Para propor uma conclusão para o fenômeno estudado, o método dedutivo utiliza um argumento que é baseado em duas noções básicas (MARCONI; LAKATOS, 2017). Veja: para que a conclusão gerada seja falsa, é necessário que uma ou todas as premissas consideradas sejam falsas; 7Introdução ao método de pesquisa a conclusão gerada já estava contida nas premissas, ou seja, a informação contida nas premissas é reformulada ou enunciada de modo explícito e, assim, se as premissas forem verdadeiras, a conclusão também será. Os argumentos dedutivos têm o propósito de explicitar o conteúdo das premissas, levando a uma conclusão verdadeira, que indicará se a relação entre os fenômenos estudados é correta ou incorreta, sem gradações intermediárias (MARCONI; LAKATOS, 2017). Método hipotético-dedutivo O método hipotético-dedutivo decorre dos métodos indutivos e dedutivos. Seus aspectos mais relevantes são dois: ele parte da observação de alguns fenômenos de determinada classe para abranger todos daquela mesma classe; e, com base nas generalizações aceitas do todo, de leis abrangentes, parte para casos concretos, componentes da classe que já se encontram na generalização. Ou seja, enquanto a indução afirma que, em primeiro lugar, vem a ob- servação dos fatos particulares e depois as hipóteses a confirmar, a dedução defende o aparecimento, em primeiro lugar, do problema e da conjectura, que serão testados pela observação e pela experimentação. Há, portanto, uma inversão de procedimentos, dando origem ao método hipotético-dedutivo (MARCONI; LAKATOS, 2017). Em outras palavras, o método hipotético-dedutivo consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar as dificuldades expressas no problema, são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem- -se consequências que deverão ser testadas ou falseadas, sendo que falsear significa tornar falsas as consequências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la (MATIAS-PEREIRA, 2016). Método dialético O método dialético tem como base a dialética, que possui sua origem ainda na Grécia Antiga. Naquele contexto, o conceito de dialética era equivalente ao de diálogo, passando depois a referir-se, ainda dentro do diálogo, a uma Introdução ao método de pesquisa8 argumentação que fazia clara distinção entre os conceitos envolvidos na discussão (MARCONI; LAKATOS, 2017). Em outras palavras, na dialética as contradições se transcendem, dando origem a novas contradições que passam a requerer solução. Desse modo, o método dialético consiste em um método de interpretação dinâmica e tota- lizante da realidade. Ou seja, nele, os fatos não podem ser considerados fora de um contexto social, político, econômico, etc (MATIAS-PEREIRA, 2016). Você ainda deve notar que o método dialético é baseado nas leis da dia- lética, que podem ser apresentadas de forma sintética nos seguintes itens (MARCONI; LAKATOS, 2017): ação recíproca, unidade polar ou “tudo se relaciona”; mudança dialética, negação da negação ou “tudo se transforma”; passagem da quantidade à qualidade ou mudança qualitativa; interpenetração dos contrários, contradição ou luta dos contrários. Você pode aprender mais sobre as leis da dialética em Marconi e Lakatos (2017, p. 76–81). Método fenomenológico O método fenomenológico não é dedutivo nem indutivo. Ele tem como preo- cupação central a descrição direta da experiência tal como ela é. A realidade é construída socialmente e entendida como o compreendido, o interpretado, o comunicado. Então, a realidade não é única: existem tantas quantas forem as suas interpretações e comunicações, sendo o homem reconhecidamente importante no processo de construção do conhecimento (MATIAS-PEREIRA, 2016). Em outras palavras, o método fenomenológico se propõe a promover uma pesquisa voltada para a descrição da experiência vivida, expondo suas carac- terísticas empíricas e sua consideração no plano da realidade. Desse modo, busca descrever e interpretar os fenômenos que se apresentam à percepção, isto é, interpretar o mundo por meio da consciência do sujeito formulada com base em suas experiências. 9Introdução ao método de pesquisa O objeto do método fenomenológico é, portanto, o próprio fenômeno, tal como se apresenta à consciência, ou seja, o que aparece, e não o que se pensa ou se afirma a seu respeito. Para a fenomenologia, um objeto pode ser uma coisa concreta, mas também uma sensação, uma recordação, não importando se constitui uma realidade ou uma aparência (GIL, 2017). Os métodos elencados são alguns entre os diversos disponíveis ao pesquisador, que deve escolher o adequado aos propósitos da sua pesquisa. Ou seja, existem ainda muitos outros que visam a atender a diferentes aspectos e que são aplicáveis a diferentes situações. A seguir, você vai conhecer melhor alguns outros métodos de pesquisa. Demais métodos de pesquisa Perceber a existência de um problema a ser resolvido é o primeiro passo para o desenvolvimento de uma pesquisa. O problema é que dá origem à questão de pesquisa, que é o ponto central do estudo. Por isso, ele deve ser apresentado e trabalhado em profundidade para que seja adequadamente entendido e resolvido. Desse modo, é preciso fragmentar o problema de pesquisa em partes menores. Isso permite analisá-lo melhor, avaliando-o sob diferentes ângulos, com base nos propósitos e nas dúvidas do pesquisador, buscando desenvolver questiona- mentos signifi cativos, claros e exequíveis. A ideia não é antecipar respostas, e sim direcionar o caráter investigativo da pesquisa (DE SORDI, 2017). Tais considerações sobre a questão de pesquisa permitem perceber a im- portância que tal questão possui para a execução do estudo e também para a definição dos métodos a serem empregados. Afinal, de acordo com os propósitos do estudo, o pesquisador deve escolher o método mais adequado para a pesquisa que pretende realizar. Nessa tarefa, um fator importante, que pode colaborar para tal escolha, é a questão de pesquisa. O método de pesquisa, como você viu, auxilia o pesquisador na resolução de problemas. Ele implica uma forma de observar, classificar, demonstrar e interpretar fenômenos que possibilita a predição e a explicação das questões que o pesquisador se propôs a estudar. Assim, para a aplicação do método de pes- quisa, é recomendável seguir os seguintes passos (MATIAS-PEREIRA, 2016): Introdução ao método de pesquisa10 formular adequadamente as perguntas, criando campo para a pesquisa; arbitrar conjunturas ou hipóteses fundadas e contrastáveis com a ex- periência, para que se possa responder às perguntas; derivar consequências lógicas dessas conjunturas; arbitrar técnicas para submeter as hipóteses à verificação; submeter essa verificação às mesmas técnicas, para comprovar sua relevância e sua credibilidade; concluir as verificações, interpretando os seus resultados; estimar a veracidade das hipóteses e a fidedignidade das técnicas; determinar os domínios nos quais são válidas essas hipóteses e técnicas, formulando novos problemas que surgiram com a investigação. Que relações é possível traçar entre os métodos de pesquisa e a pesquisa em si? Como os métodos podem auxiliar o pesquisador na resolução de suas questões, na verificação desuas hipóteses ou ainda no alcance de seus obje- tivos? A busca por respostas para esses questionamentos implica considerar que os métodos de pesquisa podem auxiliar na obtenção de novos conhe- cimentos. Nesse sentido, dependendo do objetivo que o pesquisador quer atingir, a pesquisa terá um viés voltado para uma das ações listadas a seguir (WALLIMAN, 2015). Categorizar: consiste em formar uma tipologia de objetos, eventos ou conceitos, isto é , formar conjuntos que classifiquem determinado grupo por características ou particularidades. Isso pode ser útil para explicar o que pertence a determinado conjunto e por quê . Explorar: por meio da pesquisa, pode-se analisar o tema em questão visando a um maior conhecimento ou à elaboração de hipóteses. Ao ter como objetivo a exploração, a pesquisa tende a ser mais flexível e a buscar possibilidades para lacunas investigadas. Descrever: permite a descrição de fenômenos e recorre à observação como um meio predominante para a coleta de dados. Tenta exami- nar situações de modo a estabelecer o que é padrão em determinado contexto, isto é , o que se pode prever que acontecerá sob as mesmas circunstâncias. Explicar: constitui um tipo de pesquisa projetada especificamente para tratar de questões complexas. Procura ir além da obtenção dos fatos, de modo a dar sentido às miríades de outros elementos envolvidos, como aspectos humanos, políticos, sociais, culturais e contextuais. 11Introdução ao método de pesquisa Avaliar: os métodos favorecem a análise dos achados de forma que se possa conjecturar sobre possíveis resultados, seja em sentido absoluto ou em base comparativa, sempre levando em consideração o contexto e as intenções da pesquisa. Comparar: dois ou mais casos contrastantes podem ser examinados para destacar diferenças e similaridades entre eles, o que conduz a um melhor entendimento dos fenômenos. Correlacionar: as relações entre dois fenômenos são investigadas para verificar se (e como) eles influenciam um ao outro. A relação pode ser apenas uma conexão indireta entre os fenômenos, como a interferência de um no outro sem reciprocidade, ou uma conexão direta, quando um fenômeno causa o outro. Tais correlações são medidas como níveis de associação. Predizer: às vezes, isso é possível em áreas de pesquisa nas quais já se conhecem as correlações. As predições de comportamentos ou eventos são feitas na seguinte base: se houve, no passado, uma forte relação entre dois ou mais eventos ou características, então ela deve existir em circunstâncias semelhantes no futuro, conduzindo a resultados previsíveis. Controlar: pesquisar possibilita compreender determinado evento ou problema, facilitando o controle dos componentes em estudo, na medida em que se entendem as relações de causa e efeito. Desse modo, as pesquisas podem ser classificadas por meio de critérios que estabelecem categorias. Se você tomar como critério o nível de profun- didade do estudo, pode classificar as pesquisas como exploratória, descritiva e explicativa. Se levar em conta os procedimentos utilizados para a coleta de dados, as pesquisas podem ser associadas a dois grandes grupos: aquelas que se baseiam em fontes de “papel”, como as pesquisas bibliográfica e documental, e aquelas cujas fontes de dados são pessoas, que incluem modalidades como o levantamento e os estudos. Estes, por sua vez, se subdividem em outras diversas categorias, como o estudo de caso e o estudo de campo, entre outros (GIL, 2017). Introdução ao método de pesquisa12 Para aprender mais sobre a classificação de pesquisas, incluindo detalhes sobre as pesquisas exploratória, descritiva e explicativa, confira o capítulo 4 de Gil (2017). As pesquisas de levantamento se caracterizam pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Elas consistem basicamente na solicitação de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado. Em seguida, se obtêm as conclusões correspondentes aos dados coletados por meio de análise quantitativa. As pesquisas de levantamento costumam adotar procedimentos estatísticos a fim de selecionar uma amostra da população em estudo. Afinal, na maioria das vezes, não é possível coletar dados junto a todos os integrantes da população estudada. A ideia, portanto, é inferir sobre a população com base na amostra. Pesquisas para a verificação de votos, do comportamento do consumidor e do nível de renda e desemprego são exemplos práticos de levantamentos. Já estudos de campo estão mais voltados ao aprofundamento das questões propostas do que à verificação da distribuição das características da população segundo determinadas variáveis. Esses estudos são focados em um único grupo, ressaltando a interação de seus componentes. Por isso, tendem a utilizar mais técnicas de observação do que técnicas de interrogação. Os estudos de caso, por sua vez, são caracterizados pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos objetos, de maneira a permitir um conhecimento mais amplo e detalhado a respeito deles. Tais estudos se constituem em estudos empíricos que investigam um fenômeno atual dentro do seu contexto. Como você viu, cada um dos métodos se volta a determinados tipos de estudo. Além disso, os propósitos e as intenções de cada um deles estão intimamente conectados à questão de pesquisa, o que faz dela um elemento fundamental para a definição do método. Cabe a você, quando for realizar uma pesquisa, avaliar criteriosamente os métodos existentes, ao mesmo tempo em que avalia cuidadosamente a questão de pesquisa. Lembre-se também de levar em conta as suas intenções e os seus propósitos com o estudo a ser realizado. 13Introdução ao método de pesquisa CRESWELL, J. W. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2010. DE SORDI, J. O. Desenvolvimento de projeto de pesquisa. São Paulo: Saraiva, 2017. GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2017. MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia científica. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2017. MATIAS-PEREIRA, J. Manual de metodologia da pesquisa científica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2016. SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. 23. ed. São Paulo: Cortez, 2007. WALLIMAN, N. Métodos de pesquisa. São Paulo: Saraiva, 2015. Leituras recomendadas FARIAS FILHO, M. C.; ARRUDA FILHO, E. J. M. Planejamento da pesquisa científica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2015. KOLLER, S. H.; COUTO, M. C. P P.; HOHENDORFF, J. V. (org.). Manual de produção científica. Porto Alegre: Penso, 2014. Introdução ao método de pesquisa14 Dica do professor Quando se quer fazer uma viagem, um importante aspecto a ser considerado é o roteiro: por qual estrada ir, onde parar, comer e dormir, e por aí vai. Por outro lado, para a escolha do roteiro, é preciso saber para onde se vai, em que tempo se precisa chegar, quanto tempo ficar e qual o propósito da viagem (como lazer ou trabalho). O mesmo acontece na realização de uma pesquisa, em que a escolha do método é algo muito importante, e cuja definição depende de aspectos como propósitos do estudo e resultados pretendidos. Nesta Dica do Professor, você vai ver melhor essas questões. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/6632f2dbb9f5a650c47b8b09e6a8576e Na prática Os diferentes métodos de pesquisa existentes são utilizados pelas mais diversas áreas da ciência, entre elas as ciências sociais, em que existem inúmeras possibilidades de pesquisa, com diferentes focos e propósitos. Entre os tipos de métodos de pesquisa existentes para a escolha do pesquisador, estão aqueles considerados clássicos e também outros, como o levantamento e os estudos. Um exemplo prático bem conhecido deriva da necessidade de obter informações sobre a população de um país,revelando características relevantes sobre diversos aspectos de forma quantitativa — o que é bem atendido por meio da adoção de um estudo de levantamento. Posteriormente, esses dados podem ainda ser utilizados por outros diversos estudos de cunho mais qualitativo e profundo. Um exemplo de pesquisa é o Censo, o qual ilustra a aplicação de um dos tipos de pesquisa existente, além dos métodos clássicos, sendo uma pesquisa de levantamento. Veja a seguir: Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/e8c38197-8478-4d98-a947-5cc2a4525ad4/b84c1718-9314-4acd-97dd-86c53ed42b30.png Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Tipos de pesquisa: método indutivo, método dedutivo, método dialético ou método hipotético-dedutivo O método em sua participação no contexto da ciência se apresenta em diferentes categorias, oferecendo orientações relevantes para as mais variadas formas de estudo. Uma dessas categorias são os métodos clássicos de pesquisa, conjunto formado pelos métodos dedutivo, indutivo, dialético, hipotético-dedutivo e fenomenológico. Veja a seguir. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Método fenomenológico Outra categoria de método clássico de pesquisa é o fenomenológico, como você pode conferir no seguinte vídeo. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Introdução à metodologia de pesquisa: um guia para iniciantes Para que o pesquisador possa definir qual método de pesquisa irá utilizar na elaboração de seu estudo, é necessário que ele tenha definido um importante elemento: a questão de pesquisa. É a partir dela que as intenções e os propósitos do pesquisador com o estudo a ser realizado são devidamente esclarecidos, aspectos fundamentais para a identificação de qual entre os métodos de pesquisa é mais indicado para o estudo. A obra indicada oferece considerações sobre isso, como o Capítulo 2: Da ideia de pesquisa à questão de pes Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! https://www.youtube.com/embed/NLMf3OKFJxg https://www.youtube.com/embed/ppNszDTNJ1M Censo demográfico Saiba mais sobre o censo demográfico, um exemplo de pesquisa de levantamento. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/populacao/22827-censo-2020-censo4.html?=&t=o-que-e