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ATACADO E VAREJO DE PRODUTOS FINANCEIROS AULA 1 Prof. Aldenor Fernandes dos Santos CONVERSA INICIAL Nesta aula, você estudará questões relativas ao perfil da classe e o poder de compra; como os bancos diferenciam seus clientes; perfil do público de varejo; renda disponível por classe social e porte de empresas. Pronto para iniciar? Bom estudo! CONTEXTUALIZANDO Atualmente, pode-se compreender que o mercado varejista brasileiro tem ganhado novos contornos. Hoje se observa que o consumidor varejista tem uma imensa variedade de produtos que podem ser adquiridos das mais distintas formas de varejo. Como intermediário entre fornecedores e consumidores finais, os varejistas colocam os produtos à disposição de seus clientes, independentemente de ser em lojas físicas ou virtuais. As mudanças em torno do comércio varejista vêm ocorrendo especialmente em função da conquista desse mercado por parte das grandes redes mundiais de autosserviço, que intensificaram seus investimentos no Brasil, promovendo a reorganização de todo o varejo nacional. Um exemplo bem claro desse processo foram as redes Walmart e Carrefour, que diversificaram seus produtos, colocando à disposição do público consumidor uma maior variedade de produtos, o que, além de forçar uma modernização nas ofertas, obrigou, de certo modo, a que se pratiquem preços mais baixos a fim de atrair cada vez mais clientes. Nota-se também o crescimento das possibilidades em torno das compras por meio da rede digital. Cada marca faz de tudo para que o consumidor veja que é a melhor para o consumo, pois com tantos produtos à disposição, o varejista precisa apresentar um diferencial para que o consumidor escolha seus produtos, ao invés do outro setor. Nesse sentido, busca-se compreender, nesta aula, qual o perfil do público de varejo, como ele se comporta, observando quais as motivações para a aquisição de determinado produto ou serviço. Aliado a isso, observa-se quais as estratégias que as redes nacionais encontram para o atendimento ao 2 público, que se torna o diferencial na relação entre sua empresa e os consumidores. TEMA 1 – O PERFIL DA CLASSE E O PODER DE COMPRA Figura 1 – Pirâmide de classe social Crédito: Sira Anamwong/Shutterstock. Ao iniciar os estudos em torno dos temas que envolvem o perfil da classe e seu poder de compra, observa-se como fundamental refletir sobre alguns conceitos. Para início de conversa, vamos discutir rapidamente o conceito de classe. Se buscarmos uma apreciação teórico-metodológica sobre o assunto, não vamos encontrar um consenso, pois o conceito de classes sociais ainda é um tanto controverso. Em grande medida, é dado por estudiosos do comportamento do consumidor. Tais entendimentos são dados com base em análise de valores, motivações e decisões de compra de produtos, o que varia em cada classe. Os estudos no âmbito da sociologia e da antropologia têm dado importantes contribuições para esse campo do conhecimento, sendo seus maiores expoentes e pioneiros Karl Marx e Friedrich Engels, especialmente com a obra Manifesto do Partido Comunista, publicada em 1848. O que é mais interessante é que as definições a partir das quais se constroem os significados em torno do conceito de classes estão diretamente 3 relacionadas com os meios de produção, os perfis educacionais dos consumidores e suas experiências de qualificação, relação desses com o consumo de bens e serviços, a força de trabalho e o controle sobre a produção, os hábitos de consumo e as relações culturais. Assim, pode dizer que classe social é uma divisão a partir da qual se pode identificar pessoas que compartilham valores, modos de vida, interesses e comportamentos de consumo (Karsaklian, 2000, p. 107). Discutido isso, importa observar que, no Brasil, a população economicamente ativa é considerada pelo Critério de Classificação Econômica Brasil (CCEB), também chamado de Critério Brasil. Tal critério leva em consideração elementos como posse de bens, escolaridade do chefe familiar e, dentre outros, o poder de compra que cada indivíduo pode dispor. Assim, a população é dividida em cinco classes: A, B, C, D e E, sendo as duas primeiras subdivididas em subgrupos, quais sejam: A1, A2; B1 e B2. Nessa linha de raciocínio, é evidente que a classe A é aquela de maior poder de compra e a E, aquela que tem o mais baixo. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, essa divisão deu-se em função das necessidades da maioria das empresas, no tocante ao atendimento a seus clientes. Observa-se, no entanto, que tais critérios não se prendem a questões sociais, sendo meramente econômicos, já que refletem sobretudo o poder de compra de cada classe. O poder de compra com base no levantamento socioeconômico, amparado pela pesquisa anual IBOPE Mídia, a partir da qual se pode conhecer características sociodemográficas e econômicas nas principais regiões metropolitanas do país. Os serviços são trabalhados com base numa relação entre renda familiar e escolhas, o que define a população em diferentes níveis de consumo. Ocorre que nas últimas décadas o Brasil presenciou um forte crescimento econômico. Houve considerável aumento das facilidades de acesso ao crédito, alguns dos setores ampliaram empregos, e tudo isso gerou um mercado consumidor de massa cada vez mais complexo. As classes A e B continuaram forte; contudo, a classe C brasileira começa a crescer em acelerado ritmo, o que colocou o Brasil em um elevado nível de consumo. Evidentemente que temos que assumir que no topo dessa pirâmide existem as classes A e B, que produzem, e a classe C, por sua vez, 4 consome a produção dessas primeiras, o que as deixa cada vez mais ricas. Exemplo claro da mudança no poder de consumo e mesmo no comportamento econômico brasileiro é que a classe C representa um substancial aumento, por exemplo, na frota de veículos automotores. Outra importante questão que deve ser observada quando se trata do perfil da classe consumidora é que expectativa de vida dos brasileiros tem aumentado, de acordo com o IBGE. Esse aumento na população adulta também reflete na economia do país, pois quanto mais pessoas em circulação, mais dinheiro girando e gerando crescimento. A classe D, considerada de baixa renda, que movimenta renda inferior a cinco salários mínimos, geralmente se preocupa com o equilíbrio no orçamento familiar, busca preço versus qualidade, dando vazão aos seus desejos e observando o papel da marca no consumo. O consumo para essa classe serve como forma de inclusão social. O preço também é visto como um critério para o consumidor de baixa renda. Por vezes, os consumidores, independentemente da classe, preferem optar pelo consumo de produtos com preços mais viáveis. A classe social acaba por ser definidora na avaliação do preço do produto na hora da compra. TEMA 2 – COMO OS BANCOS DIFEREM SEUS CLIENTES Figura 2 – Consultoria financeira Crédito: Fizkes/Shutterstock. 5 Para melhor compreender o assunto, necessário se faz que analisemos um tema correlato, mas que é fundamental na relação banco/cliente. Trata-se daquilo que se compreende por relação de consumo, consumidor, produto e serviços. A esse respeito, leciona o Código de Defesa do Consumidor que é toda relação em que haja a presença de um elemento contratual envolvendo compra e venda de produtos e/ou serviços adquiridos pelo consumidor final. É quando se agrega a determinada relação um elemento jurídico de contrato que envolva mercadoria, seja material ou serviços, sendo a relação de consumo definida como aquela existente entre o fornecedor eo consumidor tendo o produto como objeto. O art. 2º, do CDC observa que “consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final” (Brasil, 2017, p. 12). E, em se tratando de serviços, o referido código observa, no art. 3º, parágrafo 2º, como sendo “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista” (Brasil, 2017, p. 12). Já sobre produtos, na acepção legislativa, concebe enquanto “qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial” (Brasil, 2017, p. 12). Dito isto, importa mencionar que as instituições financeiras lidam com um distinto universo de clientes, e que em função dos mais diversos perfis econômicos de seus correntistas, os bancos definem grupos negociais específicos, a fim de atender cada um. Evidentemente que, especialmente em função do crescimento no âmbito de mercado, bem como o processo de competição, as instituições financeiras se sentem obrigadas a promover mudanças estratégicas de atendimento em ritmo cada vez mais acelerado. 6 Figura 3 – Categorias de clientes de grandes bancos Fonte: Camargo, S. d. A Figura 3 mostra como os bancos classificam seus clientes com base segmentos, por sua capacidade de renda e investimentos. Na base se encontram aqueles que não necessitam de um valor mínimo de investimentos, os clientes varejistas. É um grupo de clientes comum, para quem o atendimento é realizado nas agências, sem que lhes seja dado exclusividade de gerente ou funcionário, cujo foco é a venda de produtos financeiros. O segmento de alta renda tem atendimento em rede diferenciada e congrega clientes com renda superior ao segmento de varejo, não só em volume de renda como também em possibilidade de investimento. Para estes, o atendimento é mais rápido, exatamente em função de existirem em menor quantidade. Apesar de não ter exclusividade de gerentes, tem-se um grupo menor de clientes para cada gerência, sendo a venda de produtos financeiros também o foco desse segmento. Há, porém, o segmento private bank, cujo foco é a consultoria financeira. Nesse, juntam-se aqueles cuja capacidade de investimentos supera a cifra de 1 milhão. Trata-se de um atendimento mais privado e modernizado, podendo inclusive se realizar em local definido pelo cliente. Os gerentes têm menos clientes e são especializados em atendimentos de grandes investidores, e tratam seus clientes com benefícios especiais. Observa-se, então, as formas utilizadas pelos bancos para otimizar a relação com seus clientes, diferindo o atendimento de acordo com as particularidades de cada segmento. No Brasil, vários bancos oferecem o 7 relacionamento do tipo private bank, com atendimento exclusivo e personalizado, a exemplo dos bancos Bradesco, Itaú, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e o Banco Santander. O Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para a Atividade de Private Banking no Mercado Doméstico é o documento regulador que apresenta os parâmetros relativos à atividade de Private Banking (ANBIMA, 2013). TEMA 3 – PERFIL DO PÚBLICO DE VAREJO Figura 4 – Varejo financeiro Crédito: Rawpixel.com/Shutterstock. Diante da atual diversificação dos produtos e serviços disponíveis no mercado financeiro, as pessoas estão imersas em muitas opções, o que obriga as empresas a ofertarem produtos e serviços com melhor eficiência que os seus concorrentes. Atualmente, os consumidores se preocupam com o desperdício de tempo, além de que a localização e a forma de atendimento serem diferencias a serem observados no momento da contratação de um serviço (Lovelock; Wirtz; Hemzo, 2011). Atento a isso, o setor bancário tem se preocupado em adotar formas de relacionamento individualizadas, conforme perfil do cliente com o intuito de 8 mantê-los. Ocorre que a competitividade do mercado, aliada ao fácil acesso à informação, tem promovido muitas mudanças no comportamento dos consumidores, desencadeando uma nova estratégia a fim de manter a fidelidade do cliente e, por conseguinte, a lucratividade. Destacando-se por ampla oferta de produtos e serviços, os bancos de varejo começam a repensar suas estratégias para se adaptar ao novo cenário, passando a oferecer serviços de olho na qualidade. Um exemplo desse comportamento foi o adotado pelo Banco do Brasil, que adotou o Programa de Segmentação de Clientes Pessoas Físicas, desenvolvido com consultoria da Eurogroup Consultores. Figura 5 – Atendimento especializado por segmentos – Banco do Brasil Fonte: Conexão, S. d. A Figura 5 mostra o modelo de encarteiramento adotado pelo Banco do Brasil em 2010, a partir do qual seus clientes são inseridos, especialmente no âmbito do atendimento que é oferecido a cada segmento. Para as pessoas físicas, o BB oferece, por exemplo, além das caixas das agências e dos TAA, inúmeras outras opções de acesso aos serviços bancários, a exemplo da internet, das POS (máquinas de cartões de crédito e débito dos estabelecimentos comerciais), atendimento via telefone, por fax e mobile banking, com equipamentos cada vez mais modernos. Todo esse sistema observa um atendimento especializado para garantir a qualidade, agilidade, e comodidade no atendimento e adequação no relacionamento. 9 Todo esse sistema atende a um perfil específico de clientes varejistas. Há, contudo, outra forma de atendimento que se difunde e que visa atender a outro perfil de clientes: o varejista on-line. Todas as mudanças advindas com a segunda metade do século XX promoveram um boom nas empresas, que tiveram que se ajustar ao uso da tecnologia para aprimorar seu modo de operação. Nesse sentido, a tecnologia fintech (financial technology), com novos produtos e serviços e diferenciados, vem compreender um modelo de vendas no varejo que atualmente vem se fortalecendo e inovando os serviços do sistema financeiro, especialmente porque os grandes e pequenos varejistas já observam as vantagens que essas startups financeiras oferecem. A proposta dessas startups financeiras é a democratização do acesso aos serviços financeiros. Um desses exemplos é o Nubank, operadora de cartões de crédito e fintech que dinamizou o comércio varejista brasileiro, mostrando que seus cartões não serviam apenas para a compra de produtos. Outras, como a Creditas (BankFacil), o Guia Bolso, a PagSeguro, EasyCrédito, Ame Digital e Starbucks Card são exemplos de startups que também oferecem uma maior segurança aos varejistas. “As fintechs possuem como desafio o desenvolvimento de soluções para demandas de clientes insatisfeitos com as tradicionais instituições financeiras” (Katori, 2017, p. 14). Na compreensão de Fintechlab (2017), aliando tecnologia e serviços financeiros, essas startups otimizam a prestação dos serviços, tornando possível uma melhor experiência entre os clientes e as empresas de serviços financeiros, integrando diferentes mercados financeiros de forma mais eficiente, com menos falhas operacionais, com redução de custos e otimizando as transações. 10 TEMA 4 – RENDA DISPONÍVEL POR CLASSE SOCIAL Figura 6 – Reestruturação financeira Crédito: Andrii Yalanskyi/Shutterstock. Juracy Parente (2008), ao tratar da concentração de renda por classe no Brasil, define e categoriza a classificação socioeconômica brasileira. Conforme a renda familiar, a divisão seria então: a classe E, famílias com até dois salários mínimos; classe D, aqueles com renda entre dois e até cinco salários mínimos;a classe C, de cinco e até dez salários mínimos; a classe B, com potencial de compra entre dez e até vinte salários mínimos; e por fim, classe A, que são aqueles com mais de vinte salários mínimos. Com base nessas informações, é possível perceber que a sociedade brasileira ainda convive com a desigualdade econômica. Contudo, ainda há uma grande divergência de renda entre as classes, apesar de que o Brasil não é caracterizado como pobre no cenário mundial, tendo em vista que mais de quarenta países têm renda inferior à brasileira. A partir das informações disponíveis na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – IBGE, é possível verificar como algumas políticas públicas promoveram uma maior concentração de renda, permitindo maior poder de consumo. Conforme já apontamos, houve um aumento da expectativa 11 de vida brasileira e, aliado a isso, outras transferências públicas: pensões e aposentadorias públicas, Benefício de Prestação Continuada (BPC) e benefícios do Bolsa Família, dentre outros, contribuíram para que houvesse uma concentração de renda nas mãos, por exemplo, da classe E, que maneja renda até dois salários mínimos. Ocorre que existem distinções de acordo com as características de cada classe. Dentre essas divisões, observam-se várias nuances, que definem o poder de compra, que não é definido apenas pelo capital disponível, conforme já elencamos. As barreiras entre as categorias são definidas por seus recursos, aliados à sua formação sociocultural e motivações. TEMA 5 – PORTE DE EMPRESAS Figura 7 – Crescimento dos negócios Crédito: Mix3r/Shutterstock. O porte de uma empresa pode ser definido sob vários aspectos. A partir dele é possível avaliar seu potencial econômico, seu faturamento, ou mesmo a quantidade de colaboradores envolvidos no processo produtivo. Com base nessa informação é que se tem o controle das empresas existentes, o que otimiza as relações comerciais e de consumo. Existem várias classificações que nos informam sobre o porte de empresa, de acordo com os órgãos que regem seu funcionamento. Aqui apontamos alguns exemplos para que possamos melhor dimensionar e relacionar com o assunto em discussão. Se quisermos classificar por porte de 12 empresa de acordo com o Banco do Nordeste do Brasil S.A. – BNB, usando como base o faturamento, temos: Quadro 1 – Classificação do porte da empresa segundo BNB – por faturamento Porte dos beneficiários Faturamento bruto anual Microempresa Até R$ 360.000,00 Pequena empresa Acima de R$ 360.000,00 até R$ 3.600.000,00 Pequena-média empresa Acima de R$ 3.600.000,00 até R$ 16.000.00,00 Média empresa Acima de R$ 16.000.000,00 até R$ 90.000.000,00 Grande empresa Acima de R$ 90.000.000,00 Fonte: BNB, 2014, p. 16. A classificação dada pelo BNB serve como normativo ao enquadramento nos programas, nos beneficiários (empresas, empreendedores individuais e produtores rurais), na receita operacional bruta ou na renda agropecuária bruta auferida em cada ano-calendário. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – Sebrae, tendo como base de análise o número de pessoas ocupadas, e dependendo do setor de atividade econômica investigado, apresenta os seguintes dados: Quadro 2 – Classificação dos estabelecimentos segundo porte Porte Setores Indústria Comércio e serviços Microempresa Até 19 pessoas ocupadas Até 9 pessoas ocupadas Pequena empresa De 20 a 99 pessoas ocupadas De 10 a 49 pessoas ocupadas Média empresa De 100 a 499 pessoas ocupadas De 50 a 99 pessoas ocupadas Grande empresa 500 pessoas ocupadas ou mais 100 pessoas ocupadas ou mais Fonte: Sebrae, 2017, p. 23. O Quadro 2 mostra a classificação dada pelo Sebrae com base no quantitativo de pessoal que desenvolve as atividades dentro de cada segmento. Aqui, merece destaque a importância das micro e pequenas empresas, que desempenham um papel fundamental para a estrutura econômica brasileira. Observe que em ambos os quadros acima descritos, tanto em relação ao faturamento quanto no tocante ao número de trabalhadores envolvidos no processo produtivo, as médias e grandes empresas são responsáveis por elevadas cifras, que certamente são responsáveis por grande parte do processo produtivo e de consumo. Mesmo imerso em substancial crise, o Brasil consegue avançar, construindo importantes relações comerciais e financeiras, justamente a partir 13 de empresas de pequeno porte, cujas definições estão diretamente ligadas ao tipo societário da empresa. O Microempreendedor Individual – MEI, é um desses exemplos, e consiste em uma empresa de apenas um empreendedor, cujo faturamento anual deve ser de até 81 mil reais, com a contratação de no máximo um empregado. Também faz parte desse segmento a Microempresa – ME, categoria em que se tem mais de um empreendedor, com contratação máxima de 20 funcionários e com um faturamento de até 360 mil reais por ano. As Empresas de Pequeno Porte – EPP também ganham destaque nesse contexto. O faturamento nesse segmento empresarial chega a quase 5 milhões por ano, empregando até 100 funcionários. Nessa categoria é necessário mais de um empreendedor para administrar o negócio, e são reguladas por órgão público, tendo a obrigatoriedade de contribuir com impostos na medida de seu faturamento e de acordo com seus funcionários. O porte da empresa determina sua forma de existência. A partir disso se definem os regulamentos a serem seguidos, bem como qual a sua dimensão econômica. Em grande medida, o número de funcionários e o faturamento bruto anual são os elementos base para definir o porte das empresas. É essencial que você conheça as principais características dos segmentos empresariais para que saiba como se dá seu funcionamento, e com isso consiga melhor entender as relações mantidas entre as empesas e seus clientes e em relação à oferta de produtos ou serviços. TROCANDO IDEIAS Propomos que reflita sobre a propositura abaixo. Registre suas respostas e, posteriormente, discuta com seus colegas, observando se seu posicionamento em face da questão proposta se aproxima ou difere da dos demais cursistas. Vamos lá? Conforme estudamos, o varejo possui algumas peculiaridades. As empresas varejistas se destinam ao oferecimento de produtos diretamente ao consumidor, tendo que empreender esforços à sua conquista. a) De acordo com o que estudamos sobre o segmento, como podemos avaliar e distinguir seu público? b) Que estratégias são utilizadas pelas empresas para atrair o público? 14 c) Como as instituições financeiras diferem seus clientes? NA PRÁTICA a) Construa um fluxo de vendas a partir do qual possamos compreender a movimentação financeira do segmento de varejo. b) Você é dono de uma empresa e seu negócio passa por dificuldades. É necessário motivar seu cliente, atraindo-o para sua loja. Qual a sua estratégia de negócios? FINALIZANDO Nesta aula, trouxemos uma abordagem de alguns conceitos que consideramos básicos no estudo do contexto que envolve o mercado de atacado e varejo de produtos financeiros, especialmente refletindo sobre os estudos que se relacionam com o perfil dos consumidores de cada um desses setores, além de apresentarmos temas variados sobre renda por classe social e sobre porte de porte de empresas. Assim, compreendemos que esta aula irá contribuir de forma substancial para seu aprendizado, razão pela qual nos sentimos orgulhosos em levar o conhecimento a tantos estudiosos e profissionais da área, a partir dos quais a realidade sociocultural e econômica poderá ser transformada nesse país. Gratidão por você fazer parte dessa instituição! 15 REFERÊNCIAS ANBIMA. Código ANBIMA de regulação e melhores práticas paraa atividade de Private Banking no mercado doméstico. 2013. Disponível em: <https://www.anbima.com.br/data/files/35/12/E0/B0/127675106582A275862C1 6A8/codigo_private_banking_1_.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2020. BNB – Banco do Nordeste do Brasil. FNE 2014 – Fundo constitucional de financiamento do Nordeste. 2014. Disponível em: <https://www.bnb.gov.br/documents/80786/208762/programacao_fne_2014.pdf/ 9215941f-0b33-4b14-a2df-4493debe48ac>. Acesso em: 21 mar. 2020. BRASIL. Código de defesa do consumidor e normas correlatas. Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2017. CAMARGO, J. Private banker – como ter uma gestão de patrimônio especializada em investimentos. London Capital. [s. d.]. Disponível em: < https://londoncapital.com.br/blog/private-banker-como-ter-uma-gestao-de- patrimonio-especializada-em-investimentos/>. Acesso em: 21 mar. 2020. CONEXÃO. Banco do Brasil. [s. d.]. Disponível em: <https://www45.bb.com.br/docs/ri/ra2010/port/ra/22.htm>. Acesso em: 21 mar. 2020. FINTECHLAB. Report Fintechlab 2017. 2017. Disponível em: <http://fintechlab.com.br/wp- content/uploads/2017/02/Report_FintechLab_2017.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2020. KARSAKLIAN, E. Comportamento do consumidor. São Paulo: Atlas, 2000. KATORI, F. Y. Impactos das fintechs e do blockchain no sistema financeiro: uma análise crítico-reflexiva. (Trabalho de conclusão de curso). Departamento de Ciências Contábeis e Atuariais da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas da Universidade de Brasília, 2017. Disponível em: <http://bdm.unb.br/bitstream/10483/19517/1/2017_FernandaYumiKatori.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2020. 16 LOVELOCK, C.; WIRTZ, J.; HEMZO, M. A. Marketing de serviços: pessoas, tecnologias e estratégias. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. PARENTE, J. O varejo de alimentos para consumidores de baixa renda no Brasil. São Paulo: FGV – EAESP/GV Pesquisa – Relatório de Pesquisa, n. 16, 2008. SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Anuário do trabalho nos pequenos negócios 2015. Brasília: DIEESE, 2017. Disponível em: <https://m.sebrae.com.br/Sebrae/Portal%20Sebrae/Anexos/anu %C3%A1rio%20do%20trabalho%202015.pdf>. Acesso em: 21 mar. 2020. 17 ATACADO E VAREJO DE PRODUTOS FINANCEIROS AULA 2 Prof. Aldenor Fernandes dos Santos 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, estudaremos vários temas, especialmente pensados com foco nos bancos e sua dimensão no atendimento aos clientes lojistas do varejo, tudo com vistas ao desenvolvimento das competências esperadas dos(as) profissionais que atuam na área de finanças e consumo. Os temas discutidos nesta aula propiciarão o desenvolvimento das competências técnicas exigidas para a atuação do profissional que busca desenvolvimento com atividades que envolvem o setor bancário e sua relação com o mercado de consumo varejista. Para somar aos estudos, disponibilizamos conteúdo atualizado, tudo como forma de otimizar seu aprendizado. Seu aprendizado é nosso interesse confesso. Assim sendo, buscamos, com esta disciplina, que você se aproprie dos conhecimentos relativos aos bancos e sua relação com o varejo, além dos desafios enfrentados pelas instituições financeiras para manter esse público de clientes. A competitividade entre os bancos, o banco digital e a gestão financeira para clientes varejistas também serão temas destacados nesta aula. CONTEXTUALIZANDO As instituições financeiras são importantes no sentido de que elas contribuem para a manutenção das atividades comerciais, uma vez que oferece toda uma gama de serviços financeiros, além de ajudarem nas transações que envolvem o crédito pessoal, contribuindo diretamente com a ampliação do mercado financeiro. Os bancos são representados pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), fundada em 1967, em São Paulo. Trata-se de uma associação sem fins lucrativos, com objetivo de contribuir com o fortalecimento do sistema financeiro, promovendo o desenvolvimento socioeconômico do país. Nesse sentido, não poderíamos deixar de trabalhar esse tema, uma vez que a matéria tem fundamental importância para o estudo do segmento comercial de varejo. Com base nessas premissas, busca-se compreender melhor como se organizam os bancos de varejo, notadamente conhecendo sua estrutura, além de perceber como se relacionam com o público, adquirindo conhecimento sobre 3 os desafios enfrentados por esse segmento comercial; sua função, bem como todo um contexto em torno do qual se organizam essas instituições. Nesta aula, você terá a oportunidade de construir um alicerce intelectual sobre o tema em questão, ampliando seus conhecimentos relacionados a banco de varejo, que venham a ser agregados em sua vida acadêmica e profissional. Aqui, você estudará os conceitos básicos que fundamentam o processo pelo qual se compreende os bancos e o varejo, sobre como os bancos trabalham em prol da competitividade e captação de clientes, não deixando de conhecer aspectos importantes sobre os desafios enfrentados, os bancos digitais e todo o processo relativo à gestão financeira para os clientes do varejo. Esta disciplina criará condições para que você possa ampliar seus conhecimentos para melhor compreender como se organizam os bancos de varejo e sua relação com a sociedade, além de reconhecer o papel estratégico dessas instituições financeiras na ampliação das propostas em torno do desenvolvimento econômico e social do país. Vamos começar? TEMA 1 – BANCO DE VAREJO O setor bancário oferece serviços que têm características distintas daqueles ofertados, por exemplo, pelas indústrias manufatureiras. Os bancos de varejo, por exemplo, “trabalham com o grande público, muitos clientes, independentemente do tamanho” (Fortuna, 2005, p. 139). Essas instituições oferecem serviços a clientes de várias bases, correntistas ou não, “pessoas jurídicas ou físicas, englobando clientes de varejo, de alta renda (Uniclass e Personnalité) e micro e pequenas empresas, sendo seu resultado decorrente da oferta de serviços e produtos bancários” (Bulla, 2018, p. 73). Ao realizar um estudo sobre os bancos de varejo, Moreira (2015, p. 11) observa que alguns fatores contribuíram decisivamente para o atual contexto de competição pelo qual passam estas instituições financeiras. Assim, “o fim da ciranda financeira; privatização dos bancos; abertura a bancos estrangeiros; saneamento dos bancos com problemas de solvência, concentração bancária e baixos spreads” são fatores essenciais para a atual conjuntura pela qual se organizam os bancos de varejo hoje. 4 Ainda em se tratando dessas mudanças, o autor pontua que após os anos 1990, com a estabilização econômica, após o Plano Collor, os bancos buscaram cada vez mais aprender sobre concorrência de mercado, além de repensarem suas estratégias de mercado com vistas a conquistar novos clientes e manter atuais (Moreira, 2015). Sobre esse assunto, observamos a percepção de Laranjeira (2000), quando reflete sobre a questão das mudanças ocorridas no setor bancário, especialmente no campo da informatização das atividades. O subsetor bancário tem experimentado, mundialmente, nas duas últimas décadas, transformações importantes que afetam a natureza dos produtos, dos mercados e da organização de suas atividades internas e que estão relacionadas à reestruturação do capitalismo internacional, pautada pela “globalização” e “financeirização” do sistema. Em decorrência, verifica-se intenso processo de informatização das atividades bancárias, resultando em mudanças significativas na situação do trabalho no subsetor. (Laranjeira, 2000, p. 112) Conforme pontua Laranjeira, as mudanças no setor bancário provocaram um aumento da competitividade, o quepromoveu melhorias na prestação dos serviços bancários no mercado financeiro, inclusive com uma maior facilidade de acesso aos produtos bancários por pessoas de menor poder econômico. Com o aumento da clientela, claramente foi necessária uma reformulação na oferta de produtos e serviços bancários. Especialmente no campo dos bancos de varejo, “onde há intensa concorrência e os produtos e serviços são semelhantes” (Paiva, 2004, p. 1), foi preciso uma política de valorização do cliente, sendo necessário estratégias de individualização por segmentos “por possibilitar ganhos de escala sem perder foco, em função da ampla e diversificada base de clientes que possuem” (Paiva, 2004, p. 1). Os bancos de varejo são de fundamental importância no contexto econômico brasileiro. O relatório publicado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), que mostra o desempenho dos bancos para o exercício de 2018, revela que o “lucro dos cinco maiores bancos do país atinge R$ 86 bilhões, com alta de 16% em relação a 2017” (Brasil, 2018). O mesmo relatório mostra que em 2018, “os cinco maiores bancos brasileiros em volume de ativos (Itaú-Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal) seguiram apresentando lucros expressivos e 5 rentabilidade elevada, a despeito do cenário econômico adverso que o país vem atravessando” (Brasil, 2018). O Dieese aponta para um momento de dificuldade no setor, observando que no âmbito do Sistema Financeiro Nacional, a participação dos bancos em 2018 apresentou queda em relação ao ano de 2015, de 56% para 51%. Evidentemente que isso influencia em todo o contexto econômico que tem os bancos como importantes organizações para a manutenção do nível de estabilidade da economia brasileira. Os bancos possuem uma participação fundamental frente ao Produto Interno Bruto (PIB), com atuação cada vez mais crescente. No Brasil, o setor bancário de varejo tem ganhado destaque, especialmente pela amplitude de produtos e serviços que oferta aos clientes. Não é difícil de perceber que, após 1994, momento de alta inflação, os bancos de varejo passaram a buscar estratégias com vista a uma melhor adaptação ao novo cenário econômico, passando a ofertar serviços de olho na qualidade. Em grande medida, os bancos deixaram de ser apenas locais de depósito para se constituírem em prestadores de serviços financeiros (Almeida, 1998). O relatório anual da Febraban aponta que as elevadas bases de capital e liquidez mantidas pelos bancos contribuem para a manutenção de certa segurança na economia interna. “Diferentemente do que aconteceu em outros países, nosso setor bancário é motivo de segurança e tranquilidade, e não de preocupação” (Febraban, 2018, p. 6). Dentro dessa perspectiva, observamos que os bancos de varejo são responsáveis por expressiva lucratividade econômica. Os dados do relatório anual do Dieese mostram que o total de ativos das cinco maiores instituições bancárias brasileiras atingiu R$ 6,4 trilhões, com evolução média de 6,6% em 12 meses (Brasil, 2018). Ocorre que, em 2017, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) tinha apresentado um panorama com as implicações financeiras das quatro maiores instituições, mostrando uma queda na soma dos lucros. Essa conjuntura financeira precisava de mudanças, o que possivelmente sinalizava para uma transformação na gestão, na qualidade do atendimento ou mesmo na oferta de produtos. Nesse sentido, os bancos de varejo contribuíram para a mudança na realidade econômica nacional, transformando sua forma de 6 atuação. Tais instituições optaram por ampliar sua base de clientes, sendo essa uma forma de diluição dos de seus custos fixos. TEMA 2 – COMPETITIVIDADE DOS BANCOS DE VAREJO Para construir um relacionamento forte com seus clientes, as empresas costumam construir estratégias que promovam vantagens, o que as tornam mais competitivas. Essas estratégias são “as ações ofensivas e defensivas para criar uma posição defensável em uma indústria, para enfrentar com sucesso as cinco forças competitivas e, assim, obter um retorno sobre o investimento maior para a empresa” (Porter, 1986, p. 23-24). Conforme aponta Porter, é necessário que a empresa se organize no sentido de construir ações que mantenham o cliente. O comportamento da empresa é que vai definir se ela vai obter sucesso e manter-se no ambiente competitivo (Besanko et al., 2006). As inovações tecnológicas tornaram-se elemento essencial para ganhar a competitividade. Essas transformações e seus impactos no mercado financeiro permitiram às organizações se desenvolverem em seu espaço de competição: “barreiras à inovação, os bloqueios à inspiração e à imaginação estão sendo derrubados um a um” (Kanter, 1997, p. 3). Assim, para alargar as possiblidades em torno dos clientes, os bancos começam a pensar em possibilidades que tornassem as ações mais ágeis. Logo, começam a refletir sobre possibilidades a partir das quais se poderia melhor reagir às mudanças do mercado ou mesmo na resolubilidade das demandas apresentadas pelos clientes, o que para esse tipo de mercado torna-se um diferencial (Porter, 1986). Na perspectiva de Porter (1986), as empresas devem desenvolver suas forças competitivas construindo estratégias que podem levar ao sucesso. Nesse sentido, apresenta um modelo com base nas seguintes forças competitivas: concorrentes, força notadamente relacionada à rivalidade; ingressantes, ou seja, a possibilidade de ingresso de novas empresas do ramo; fornecedores, que exercem pressão sobre as empresas; 7 compradores e clientes, que se estiverem insatisfeitos podem buscar outras alternativas; substitutos, uma possibilidade de competição a partir da substituição, a exemplo dos bancos e seguradoras, que hoje já oferecem serviços semelhantes. O autor observa que é necessário que as empresas atuem com base em três estratégias: a) liderança no custo, capaz de gerar um retorno financeiro acima da média do mercado; b) diferenciação, que nos bancos pode ser em função de ser um mercado de commodities; c) enfoque, que também é uma estratégia pela segmentação bancária (Poter, 1986). Em caso das instituições financeiras com produtos e serviços semelhantes, a relação de atendimento e os serviços prestados se tornaram uma forma de diferenciar uns dos outros. Nesse sentido, a qualidade no serviço se constitui uma ferramenta importantíssima no complexo mundo comercial de venda de serviços e produtos. Os bancos passaram a criar melhores condições de relacionamento para com seus clientes (Tschohl; Franzmeier, 1996). Nesse sentido, a competitividade passa a ser compreendida como a capacidade que a empresa tem de “formular e implementar estratégias concorrenciais, que lhe permitam conservar, de forma duradoura, uma posição sustentável no mercado” (Coutinho; Ferraz, 1995, p. 18). Analisando os fatores de competividade dos bancos de varejo, Campelo et al. ([S.d.]) observam que “na busca de competitividade, inclui-se também a crescente utilização de inovações tecnológicas e financeiras como diferenciais na disputa por clientes”. Todos esses fatores contribuíram para a competitividade dos bancos de varejo. A tecnologia tornou-se uma aliada dos bancos. Um exemplo disso foi a ampliação dos correspondentes bancários, que permitiu a inclusão bancária a clientes com maior dificuldade de acesso a uma agencia bancária, promovendo- lhes a realização de suas transações sem risco. TEMA 3 – DESAFIO DO SETOR BANCÁRIO PARA O VAREJO Um dos fatores essenciais e mais desafiadores da atualidade para o setor bancário diz respeito às novas tecnologias, que vêm transformando os 8 mercados, como revela a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2018. Essas mudanças promovem uma nova lógica nos negócios. A indústria bancáriasempre esteve na dianteira na evolução dos hábitos de consumo — até por ser um segmento da economia que se relaciona com o consumidor em uma das esferas mais inerentes ao seu dia a dia (Febraban, 2018). Ainda de acordo com a pesquisa, houve um considerável avanço das operações pelos canais digitais, internet banking e mobile banking, diminuindo a utilização das centrais de atendimento dos bancos (Febraban, 2018). Nas concepções de Abrão (2014, p. 408), O acesso aos meios tecnológicos equivale à inovação e completa revolução no sistema operacional bancário, na medida em que os serviços priorizam duplo caminho da eficiência e menor custo, sem prejudicar consultas, saques, pagamentos, descontos, tudo on-line, numa clara demonstração de que a internet tem seu espaço progressivo, tanto na função de garantir ao cliente melhor trabalho a distância como no processo eletrônico. Para Abrão, a internet deu aos tradicionais bancos a oportunidade de uma prestação de serviços ampliada; aquela feita costumeiramente nas redes físicas e aquelas realizadas de forma on-line. Isso contribuiu para que os bancos se projetassem em suas estratégias de competitividade, especialmente em relação aos avanços tecnológicos. Nessa mesma linha de raciocínio, a edição 62 da revista CIAB Febraban, de 2016, ao tratar do atendimento por meio digital e mobile, e especialmente sobre o Banco do Brasil, observa-se um crescimento substancial nas operações bancárias realizadas a partir de canais automatizados, chegando a 95% dos atendimentos. Do mesmo modo, “uma pesquisa do BB revelou que 40% dos clientes com atendimento diferenciado não frequentam mais as agências físicas” (Nisz, 2016, p. 50). Outro desafio para os bancos são as fintechs. Essas startups oferecem produtos simples, com menores custos, além de moderna campanha de marketing, que atrai os clientes mais jovens. Entre seus potenciais encontra-se a possibilidade de maior acesso a financiamento para pessoas de baixa renda e pequenas empresas. As fintechs surgiram da união entre tecnologia e finanças, criando “empresas com estruturas enxutas e forte apoio de novas tecnologias que resultam em produtos e serviços financeiros personalizados e preços mais acessíveis” (Mompean, 2017, p. 27). 9 A pesquisa da Febraban, no entanto, observa que, mesmo frente às fintechs e ao impacto que elas promoveram na indústria bancária, esta pode assumir estratégias capazes de lidar muito bem com o futuro do mercado. Replicar o que as fintechs fazem, atacar com soluções tão inovadoras quanto e privilegiar a simbiose no ecossistema atual em vez da competição — ou, então, adotar uma mistura entre essas estratégias. Por mais que as fintechs tenham levado à indústria bancária aquela palavra incensada hoje nos mercados — a disruptura —, é pouco provável que consigam ameaçar de fato o cenário competitivo e estrutural do setor. (Febraban, 2018, p. 43) Observa-se que serviços realizados com auxílio de aplicativos ganharam aceitação, traduzindo aquilo que o cliente deseja expressar, sendo um diferencial na relação cliente e banco. Do mesmo modo, as fintechs transformaram a forma como as pessoas se relacionam com os produtos bancários, fazendo o banco se adaptar ao novo perfil de cliente para não o perder. TEMA 4 – BANCO DIGITAL PARA O VAREJO A indústria bancária brasileira tem avançado e um dos fatores interessantes nesse contexto é a evolução das transações mediante o uso de dos canais digitais, a exemplo do mobile banking. A Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária de 2019, sob a responsabilidade da Deloitte, observa que “em 2018, o grande impulsionador do aumento no número de operações foi novamente o celular: enquanto o crescimento das transações bancárias em geral foi de 8%, o salto no número de operações via mobile banking foi de 24%” (Febraban, 2019, p. 10). Para acompanhar esse avanço, os bancos buscaram inovar na oferta de produtos e serviços. O atendimento ao cliente passou a ser considerado a partir de novos canais de distribuição, que contam com um inovador sistema de informação, evidentemente que sempre com vistas a se adaptar às novas necessidades e aspirações dos clientes. Ainda segundo a Febraban (2019), as transações financeiras via mobile banking cresceram cerca de 80% em 2018 em relação a 2017, com uma adesão crescente ao uso desse canal, inclusive para pagamentos de contas, transferências (incluindo DOC e TED), investimentos e aplicações. Observa-se que a tecnologia com foco na área comercial e financeira promoveu uma transformação na forma como o cliente requer o atendimento na 10 rede bancária, buscando soluções personalizadas que atendam exatamente às suas necessidades, especialmente em se tratando de soluções com uso das tecnologias computacionais. A forma de acesso da população a serviços financeiros vem mudando de maneira acelerada, com a adoção dos canais digitais [...]. Para os clientes, o relacionamento digital já é uma realidade crescente, com tendência a ser o meio dominante de realização de operações financeiras, inclusive nas transações de crédito. (Rolli, 2018, p. 7) A presença da tecnologia digital na vida é uma realidade crescente, sendo a preferência de muitos clientes na realização de suas atividades bancárias. Celulares, tablets e computares têm sido cada vez mais utilizados para efetuar pagamentos e investimentos, o que revela um cliente cada vez mais conectado ao mundo digital (Rolli, 2016, p. 7). Em meio a desafios tecnológicos e culturais com a migração para o ambiente digital, as instituições financeiras também precisam encarar um novo consumidor, que surgiu com os avanços econômicos e sociais da última década, tem demandas específicas e é bem mais exigente do que no passado. (Carvalho, 2016, p. 52) A partir do banco digital, os clientes podem, por exemplo, ter acesso remoto não só aos produtos e serviços ofertados pela instituição financeira, como também a funcionários. Tendo como premissa a satisfação do cliente, os bancos de varejo vêm se preocupando com estratégias para atender às demandas do mercado financeiro. A proposta do banco digital tem sido vista como uma forma de alinhamento ao processo dinâmico e contínuo de evolução tecnológica, cuja principal função é atender às aspirações dos consumidores, que buscam um atendimento cada vez mais ágil e completo às suas necessidades. Trata-se de uma perspectiva muito mais ampla, no sentido de “fornecer uma experiência genuinamente centrada no cliente” (Febraban, 2017, p. 46), o que se traduz na possibilidade de projetar as instituições financeiras do futuro. É uma nova percepção com foco no cliente, que demanda câmbios estruturais de várias espécies, com destaque para todos aqueles que estão diretamente envolvidos com as pessoas, com os clientes do banco. As fintechs constituem-se um exemplo marcante nesse ambiente de negócios bancários. Trata-se de uma nova forma de efetuar transações bancárias que ganha o conceito especialmente dos jovens, ligado diretamente à popularização dos smartphones e à digitalização de serviços. 11 No Brasil, as fintechs atuam principalmente em pagamentos (32%), gestão financeira (18%) e empréstimos (13%). [...] Conforme a pesquisa, cerca de 80% das fintechs no país passaram da fase de validação de seu modelo de negócio e têm clientes pagantes. (Datt, 2017, p. 20) Para Sciarretta (2016), o desafio a ser conduzido pelos bancos frente às fintechs é que estas oferecem serviços de qualidade, com agilidade, conveniência e preço competitivo, além de possibilidade de pagamentos de contas, renegociação de dívidas, transferência de valores e contratações de seguros, sem a necessidade de que o cliente se dirija a uma agência física. TEMA 5 – GESTÃO FINANCEIRA PARA O CLIENTE DO VAREJO Para obter êxito na gestão de uma empresa de varejo, é necessário que se trabalhecom os recursos existentes de forma equilibrada, nunca esquecendo que esses recursos são financeiros, físicos e recursos humanos. “A administração financeira direciona a empresa e estabelece o modo pelo qual os objetivos financeiros podem ser alcançados” (Lemes Junior, 2002, p. 243). Uma boa gestão financeira se organiza em torno do controle entre o capital de giro, necessário à renovação e manutenção da empresa, ou seja, aquele capital constituído a partir dos bens em uso; e o capital de reserva, que a empresa precisa ter em caso de emergências, a exemplo da compensação por perdas. Nesse sentido, é fundamental que se observe que orçamento se dispõe, pois “o orçamento é um instrumento de natureza econômica com objetivo de prever determinadas quantias que serão utilizadas para determinados fins” (Prado et al., 2009, p. 197). As empresas de varejo precisam se preocupar sobretudo com a gestão financeira de seu capital de giro, especialmente em função dos momentos em que o empreendedor necessitará de recursos para otimizar seu capital de giro, a exemplo dos períodos em que se faz financiamentos, ou em caso de outras operações financeiras. É preciso, do mesmo modo, distinguir claramente o capital de giro, do ganho pessoal e do capital de reserva. O planejamento financeiro, uma parte crucial da administração financeira, inclui a tomada diária de decisões para auxiliar a empresa nas suas necessidades de caixa. [...] Se isso for por bem administrado, será percebido pelos investimentos como fator de redução de risco e de aumento nos retornos esperados, concorrendo provavelmente para que o valor da empresa aumente (Groppelli; Nikbakht, 1998, p. 5) 12 A saúde financeira da empresa também é mantida pelo fluxo de caixa. Tal medida visa fundamentalmente manter uma liquidez imediata necessária para suportar os desembolsos das atividades de uma empresa (Assaf Neto; Lima, 2014). Conhecendo seu fluxo de caixa, o administrador terá condições de prever e se preparar para atender às necessidades da empresa. De acordo com Chiavenato (2005, p. 9), “a administração financeira (AF) é a área da administração que cuida dos recursos financeiros da empresa”. Uma boa estruturação da gestão no campo do varejo passa necessariamente pela informação. Logo, o investimento em tecnologia não deixa de ser um elemento de suma importância para o sucesso na gestão financeira para o cliente de varejo. A tecnologia permite um maior controle e eficiência no processo de gestão. Assim, investir em tecnologia torna-se o primeiro passo para uma gestão financeira de sucesso no âmbito do varejo. O ramo da economia considerado mais informatizado e o que relativamente mais gasta e investe em Tecnologia de Informação (TI) é o dos bancos. Esse setor acredita e demonstra que investimentos em TI provocam uma crescente lucratividade ou uma redução de custos e fundamentalmente uma vantagem competitiva. (Ruben et al., 2003, p. 76) Um sistema tecnológico permitirá, por exemplo, que você tenha controle dos registros de todas as operações que a empresa realizou. Tais informações podem subsidiar os setores internos no tocante a que tipo de operação é necessário ser realizada. Os registros de operações permitem que se tenha uma visão ampla de tudo o que ocorre no dia a dia da empresa, tornando possível a identificação e a resolução de problemas, o que se mostrará positivo no âmbito do trabalho e do atendimento aos clientes. TROCANDO IDEIAS 1. O que você entende por competividade? 2. Você é gerente de uma importante instituição financeira numa cidade em que o varejo cresce de forma assustadora. Quais estratégias você utilizará para que os clientes desse segmento escolham seu banco? 13 NA PRÁTICA Construa uma proposta de banco digital para sua empresa. Mostre suas estratégias e conduza seus clientes a perceberem que eles terão vantagens em controlar suas finanças com um banco na palma da mão. 1. Como será a plataforma para preenchimento dos dados? 2. Que tipo de dados você vai solicitar no preenchimento do formulário inicial? 3. Essa conta terá custos? Como explicar a seu cliente que os custos, caso existam, são nada mais que necessários? 4. Qual será sua estratégia de convencimento para adesão e manutenção da conta por parte do cliente? 5. Você vai solicitar o envio de algum documento, quais? E como será esse envio? 6. O cliente precisará de assinar um contrato digital? FINALIZANDO Apresentamos a você um sumário teórico dos assuntos tratados em nossa aula. Para manter sempre atualizado, é fundamental que busque ler mais sobre a temática, procurando expandir seus conhecimentos sobre assunto em pauta. Aqui, trouxemos alguns elementos importantes sobre os bancos de varejo e os desafios enfrentados por essa instituição financeira. Conhecemos um pouco mais sobre a proposta de banco digital, especialmente sobre como a influência das tecnologias da informação permitiu uma transformação no processo de oferta de produtos e serviços bancários. Aproveite bastante a disciplina. Com esses conhecimentos, você terá ampliado, efetivamente, suas habilidades sobre o tema. Necessário se faz que assumamos o compromisso em aperfeiçoar os conhecimentos aqui adquiridos. Portanto, nosso objetivo aqui é que você comece a aprofundar seus conhecimentos sobre essa temática. Bons estudos! 14 REFERÊNCIAS ALMEIDA, R. C. Bancos, sistemas de qualidade e resultado: um estudo no Brasil. São Paulo: Atlas, 1998. ASSAF NETO, A.; LIMA, F. G. Curso de administração financeira. 3. ed. Atlas, 2014. BESANKO, D. et al. A economia da estratégia. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2006. BRASIL. DEPARTAMENTO INTERSINDICAL DE ESTATÍSTICAS E ESTUDOS SOCIOECONÔMICOS – DIEESE. Desempenho dos bancos, exercício 2018. São Paulo, Disponível em: <https://www.dieese.org.br/desempenhodosbancos/2019/desempenhoDosBanc os2018.html>. Acesso em: 5 jan. 2020. _____. FEDERAÇÃO BRASILEIRA DE BANCOS - FEBRABAN. Relatório Anual 2018. Disponível em: <https://relatorioanual2018.febraban.org.br/pt/FEBRABAN-RA-2018.pdf>. Acesso em: 5 jan. 2020. BULLA, P. H. 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São Paulo: Makron, 1996. ATACADO E VAREJO DE PRODUTOS FINANCEIROS AULA 3 Prof. Aldenor Fernandes dos Santos 2 CONVERSA INICIAL Esta aula abordará questões fundamentais sobre a temática de produtos para clientes de varejo e servirá como uma bússola condutora de sua vigem pelo mundo do conhecimento. O contato com a temática servirá para que você possa se acercar do tema como profissional afeto ao mercado financeiro. Para isso, é necessário que você esteja disposto a pensar sobre os conceitos e valores que envolvem o tema, percebendo o conteúdo como um instrumento de amparo à sua atuação profissional. Dada a dinamicidade e atualização constante do tema, esta aula foi pensada e estruturada para permitir que você se aprofunde nos estudos sobre ele, sem esgotá-lo. Você estudará um pouco sobre técnicas de venda de produtos financeiros para o cliente de varejo, cobrança bancária, título de capitalização, seguro de vida e outros seguros, operações financeiras para o varejo, relacionando tais conteúdos com sua atuação profissional. É importante que você saiba que esta aula se constitui como um pequeno espaço de aprendizagem que precisa dialogar com outras abas de conhecimento, a fim de fortalecer o aprendizado. Cabe a você, muito além do que apenas compreender o que aqui está posto, cônscio de que é um agente proponente de uma nova percepção sobre a matéria, intensificar os esforços no sentido da construção dessa nova compreensão. E não há forma de fazê-lo a não ser por meio da sua dedicação. Bom estudo! CONTEXTUALIZANDO Para tratar da temática de produtos para clientes de varejo, importa, antes de tudo, mencionar que o varejo bancário oferece produtos e serviços a uma diversidade de clientes, pessoas jurídicas ou físicas. Para que essas instituições financeiras tenham sucesso, elas precisam se aproximar dos clientes de forma a atendê-los em suas necessidades. Para que isso aconteça, os bancos necessitam de estratégias específicas para se aproximar dos clientes e vender seus produtos e serviços. Com base nessas premissas, busca-se compreender melhor o tema, notadamente conhecendo um pouco sobre técnicas de venda de produtos financeiros para o cliente de varejo, cobrança bancária, título de capitalização, seguro de vida e 3 outros seguros, operações financeiras para o varejo, relacionando tais conteúdos com sua atuação profissional. Na perspectiva de contribuir com um contínuo e efetivo aprendizado, esta aula tem como propósito a construção de uma alicerce que proporcione a ampliação dos conteúdos e a formação de um pensamento consolidado de forma crítica, em que você poderá adquirir novos conhecimentos relacionados aos bancos de varejo e os serviços ofertados, que venham a ser agregados em sua vida acadêmica e profissional. É isso que buscamos com esta aula. Vamos começar? TEMA 1 – TÉCNICAS DE VENDA DE PRODUTOS FINANCEIROS PARA O CLIENTE DE VAREJO Crédito: Naum/Shutterstock. Quando falamos em técnicas vendas de produtos financeiros para o cliente de varejo, importa observar que processo de vendas se inicia antes mesmo do contato entre as partes e segue após ela, com base no relacionamento que se estabelece. Kotler (2000) compreende que, para se ter êxito em uma venda, é preciso que se organize todo um conjunto de 4 instrumentos a serem desenvolvidos a curto prazo, com a finalidade de estimular a compra de forma mais rápida e com um maior volume de produtos/serviços. Atualmente, o setor bancário é o grande responsável pelos lucros líquidos no Brasil. Juntos, os cinco maiores bancos do país (Itaú-Unibanco, Banco do Brasil, Bradesco, Santander e Caixa Econômica Federal) movimentam a economia, injetando no mercado capital significativo, alcançando a cifra de R$ 86 bilhões, de acordo com relatório do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), exercício de 2018 (Brasil, 2018). Nesse contexto financeiro, estão envolvidos produtos e serviços bancários, que vão desde o crédito direto e pessoal aos seus clientes ou mesmo pelos juros, taxas e pelos custos advindos da comercialização dos serviços, de onde provém o lucro dos bancos. Ao tratar do esforço que as empresas têm no sentido de alcançar seus clientes, Kotler pontua que “produtos e serviços são plataformas para a entrega de algum conceito ou benefício. As empresas emprenham-se arduamente na busca da necessidade essencial que tentarão satisfazer.” (Kotler, 2000, p. 27) Tendo em consideração o alto índice de competitividade no mercado varejista, os bancos se veem obrigados a adotar técnicas capazes de promover um atendimento diferenciado, pois a ideia é manter o cliente, garantindo-lhes satisfação para com o produto, além de conquistar outros consumidores. Contudo, “compreender as necessidades e os desejos dos clientes nem sempre é uma tarefa fácil”. Logo, os bancos não devem simplesmente focar nos lucros, mas alcançá-lo como uma consequência do atendimento ao clientes, pois “uma empresa ganha dinheiro ao satisfazer as necessidades dos clientes melhor do que a concorrência o faz” (Kotler, 2000, p. 43-45). O lucro dos bancos não está na comercialização dos produtos tangíveis, mas, sim, nos serviços prestados por ele. Assim, há necessidade de que o marketing seja voltado para aspectos como a intangibilidade, inseparabilidade e a variabilidades dos seus “produtos”. Nesse sentido, é importante observar uma estratégia fundamental utilizada pelos bancos, que é o marketing de relacionamento. Trata-se de uma forma de valorizar o cliente por meio do conhecimento de suas necessidades. Essaintimidade proporcionará um melhor relacionamento do cliente com a empresa de modo a que ele prefira manter-se fiel, “ou seja, a empresa conhece 5 o cliente tão profundamente, tornando desinteressante para ele buscar novos fornecedores” (Zenone, 2010, p. 48). Criar uma intimidade com o comprador revela que a empresa vê o processo de venda para além de uma troca. É o caso da venda de seguros de vida. No contrato, o vendedor precisa anotar aqueles que receberão o “prêmio” em caso de morte do titular. Essa consulta já ultrapassa os limites de uma mera venda, para entrar no campo pessoal do comprador, momento em que o vendedor se inteira de importantes aspectos da vida íntima do cliente. O marketing de relacionamento transforma cliente e banco em parceiros, modificando a atenção para o mercado e público alvo. A comunicação é tudo em um relacionamento pessoal com a organização, pois quando ela é eficaz, as duas partes ganham. No novo marketing, comunicar-se com seu cliente não é apenas falar, mas, também, saber ouvir (Mckenna, 1997). TEMA 2 – COBRANÇA BANCÁRIA Crédito: Millionstock/Shutterstock. A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) aponta que a “Cobrança Bancária tem por objetivo fornecer aos clientes dos bancos, os meios para racionalizar o processo de contas a receber. O banco atua de acordo com as determinações do cedente” (Brasil, 2018, p. 50). Em grande medida, trata-se de 6 um serviço que permite o recebimento de valores por meio da liquidação de boletos de pagamentos, os quais podem ser pagos em qualquer banco ou correspondente bancário. Um importante documento foi assinado, em maio de 2014, entre instituições do sistema financeiro nacional, relacionado com a emissão, apresentação, processamento e liquidação interbancária dos boletos de pagamento, uma convenção que traz diretrizes essenciais ao processo (Brasil, 2014). Um dos exemplos de cobrança bancária utilizada pelos bancos e que é objeto da convenção entre as instituições financeiras são os boletos. Trata-se de uma forma de pagamento na forma de liquidação bancária de um produto ou serviço com formato único e padronizado. Normatizado pelo Banco Central, pela circular Bacen 3.598, de 6 de junho de 2012, o boleto de pagamento tem em suas diretrizes regras definidas pela Febraban, especialmente na convenção entre instituições do sistema financeiro nacional, relacionadas com a emissão, apresentação, processamento e liquidação interbancária dos boletos de pagamento de 2014. Conforme a natureza do boleto, ele assume algumas denominações que o identifica de acordo com suas características. A convenção de 2014 apresenta dois tipos de boleto: o boleto de cobrança é aquele com o qual se realiza o pagamento de venda de produtos ou serviços prestados, independente da natureza; e o boleto de proposta, que se destina ao pagamento de uma oferta de produtos ou serviço com interveniência de contrato civil ou convite para associação. A liquidação de um boleto é realizada mediante a leitura do código de barras, presente neste, geralmente feita por equipamento específico, compreendendo a digitação ou leitura mecânica dos números da “linha digitável”, que decifrados informam os dados daquele código de barras. A convenção específica da cobrança também define o layout e o conteúdo do código de barras (Febraban, 2014). Especialmente sobre o conteúdo, observa-se: • O código de barras é composto por dois campos: o Campo obrigatório – determinado pela Febraban e comum a todos dos bancos 7 o Campo livre – determinado por cada banco de acordo com a modalidade de cobrança utilizada pelo cliente • Deve conter 44 posições, dispostas da seguinte forma Quadro 1 – Organização do boleto bancário Posição Definição 1 a 3 Código da Instituição Financeira 4 Código da moeda (9 para o Real) 5 Digito verificador (DV) do código de barras 6 a 9 Fator de vencimento 10 a 19 Valor 20 a 44 Campo livre Fonte: com base em dados da Febraban, 2020. Com essas informações, compreendemos um pouco sobre a questão das cobranças bancárias e o que elas influenciam na relação entre bancos e clientes. Passaremos agora ao estudo dos títulos de capitalização, objeto do Tema 3. TEMA 3 – TÍTULO DE CAPITALIZAÇÃO Crédito: Song_About_Summer/Shutterstock. Instrumentos de captação de poupança, os títulos de capitalização constituem-se papéis do mercado mobiliário que agrega uma forma de aquisição de capital tradicional a sorteios previamente definidos. No âmbito legal, os títulos 8 de capitalização são regidos pelo Decreto-Lei n. 261/1967, que dispõe sobre as operações das sociedades de capitalização, além do Decreto-Lei n. 73/1966. Além desses decretos, existem outros regramentos, como a resolução CNSP n. 15/1991 e alterações (Res. CNSP 23/2000 e Res. CNSP 101/2004) com as quais se estabelecem as normas reguladoras das operações de capitalização no país. Importantes documentos são as Circulares da Superintendência de Seguros Privados n. 569/2018 e n. 576/2018, que dispõem sobre as operações, as condições gerais e a nota técnica atuarial dos títulos de capitalização. A Susep também editou, em 2008, a Circular Susep n. 376 que trata da operacionalização, a emissão de autorizações e a fiscalização das operações desses títulos. De acordo com o art. 4º, da Circular Susep n. 569/2018, os títulos de capitalização somente poderão ser estruturados nas modalidades: I – tradicional; II – instrumento de garantia; III – compra programada; IV – popular; V – incentivo e VI – filantropia premiável (Brasil, 2018). Ao discutir sobre os títulos de capitalização e sua natureza, Orlando Gomes observa que "pelo contrato de capitalização, uma das partes paga à outra contribuições periódicas para receber, em prazo estipulado, determinado capital, cujo pagamento pode ser antecipado por sorteio” (Gomes, 2007, p. 352). Sobre as características essenciais aos títulos de capitalização, resta lembrar o disposto no art. 2º da Circular Susep n. 23 de 1991, “os títulos de capitalização não poderão ser comercializados com prazo de vigência inferior a 12 (doze) meses” (Brasil, 1991). Perceba que o prazo de vencimento, ou seja, o período definido para resgate torna-se uma característica importante. Questão também importante é o contrato de capitalização, que nas palavras de Maria Helena Diniz: consiste no ajuste pelo qual uma das partes (aderente) se compromete a entregar, durante certo tempo, uma prestação pecuniária mensal à outra (companhia capitalizadora), que, por sua vez, se obriga a pagar, no vencimento do contrato ou antes dele, se der o número do contrato em um dos sorteios periódicos, o total das prestações realizadas acrescido de juros. (Diniz, 1996, p. 467) O cerne dos títulos de capitalização, no entanto, pode ser compreendido a partir da capitalização. A partir do momento em que o indivíduo aplica seu dinheiro em um título de capitalização, esse montante torna-se objeto de rentabilidade, já que parte dos pagamentos realizados pelo subscritor é usada 9 para formar um capital e, como estratégia de mercado, os títulos de capitalização concedem a possibilidade de recebimento antecipado do valor nominal do título, mediante sorteio. Conforme preleciona o Decreto n. 56.903/1965, ratificado pela circular Susep n. 127/2000, os títulos de capitalização devem ser colocados no mercado por intervenção dos corretores, os quais devem estar devidamente registrado junto ao Departamento Nacional de Seguros Privados e Capitalização (DNSPC), sendo intermediários legalmente autorizados para promoverem contratos de seguros de vida ou a colocar títulos de capitalização entre sociedades de seguros e capitalização e o público em geral (Brasil, 1965, 2000). A prestação de serviço desse profissional será fiscalizada pelo Departamento Nacional de SegurosPrivados e Capitalização (Decreto n. 56.903/1965, art. 15), bem como pelas Sociedades de Seguros e de capitalização, Decreto n. 56.903/1965, art. 4, parágrafo 1º), que pode cancelar sua inscrição junto ao D.N.S.P.C. TEMA 4 – SEGURO DE VIDA E OUTROS SEGUROS Crédito: Redpixel.PL/Shutterstock. A política de seguros foi regulada no Brasil com o Decreto n. 73/1966, diploma que institucionalizou o Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), 10 incluindo a Superintendência de Seguros Privados (Susep), o Instituto de Resseguro do Brasil (IRB), política reorganizada pela LC 126/2007, as seguradoras e os corretores habilitados, revogado pela medida provisória n. 905, de 2019. Conforme pode ser constatado pelo site da Susep, existe uma variedade de seguros, entre os quais podemos citar o seguro DPVAT, cuja finalidade é amparar vítimas de acidentes de trânsito; o seguro de automóveis, que, em regra, oferecem garantias em caso de colisão e roubo; o seguro de transporte, que assegura cargas durante o transporte ou estocagem e, entre outros, o seguro de pessoas, “que têm por objetivo garantir o pagamento de uma indenização ao segurado ou aos seus beneficiários, observadas as condições contratuais e as garantias contratadas” (Brasil, 2019). Em grande medida, o seguro tem a finalidade de proteger alguém ou determinados produtos dos fenômenos sociais de acordo com a probabilidade dos riscos. Trata-se da contratação com a qual o segurador, por meio de um prêmio, assume junto aos segurados a obrigação de adimplir uma prestação, caso ocorra o risco a que este se expos (Alvim, 1986, p. 113, 115). É o que assegura o Código Civil brasileiro, que preleciona, no art. 757: “pelo contrato de seguro, o segurador se obriga, mediante o pagamento do prêmio, a garantir interesse legítimo do segurado, relativo a pessoa ou a coisa, contra riscos predeterminados” (Brasil, 2002). No que se refere ao seguro de pessoas, existem duas coberturas: a Cobertura de Risco, normatizada pela resolução CNSP n. 117/2004, Circular Susep n. 302/2005, e pela circular Susep n. 317/2006, e a Cobertura de Sobrevivência, regida pela Resolução CNSP n. 348/2017 e circular Susep n. 564/2017. Em se tratando da normatização dos seguros de vida, com cobertura por sobrevivência, é importante mencionar a resolução CNSP n. 49. Com base nessa norma, são estabelecidas as regras de funcionamento do seguro de vida com cobertura por sobrevivência, do tipo VGBL – Vida Gerador de Benefício Livre. Por força da resolução CNSP n. 348/2017 e da Circular Susep n. 564/2017, foram instituídas outras formas de seguro de vida com cobertura por sobrevivência, entre os quais podemos citar o VAGP – Vida com Atualização Garantida e Performance – e o VRGP – Vida com Remuneração Garantida e 11 Performance; VRSA – Vida com Remuneração Garantida e Performance sem Atualização; VRI – Vida com Renda Imediata e VDR – Vida com Desempenho Referenciado. Com isso, há a possibilidade de atender ao maior número de perfis de consumidor. Várias são as instituições bancárias que oferecem a seus clientes a possibilidade de adesão a seguros de pessoas. O BB Seguro de Vida1, do Banco do Brasil, oferece ao segurado assistência funeral, atendimento funeral ou cremação e sepultamento e locação de jazigo. A Caixa Econômica Federal, por meio da Caixa Seguradora2, também oferece o serviço de seguro de vida. O Banco Itaú, do mesmo modo, oferece seguros de vida e acidentes pessoais3, e visando a segurança em diversas situações da vida, o Grupo Santander4 oferta seguros de vida com diferentes opções. TEMA 5 – OPERAÇÕES FINANCEIRAS PARA O VAREJO Crédito: Nicoelnino/Shutterstock. Consideram-se operações bancárias aquelas que envolvem atividades negociais, por meio das quais se transfere bens ou direitos, ou mesmo se presta um serviço a fim de obter lucros. São ações desempenhadas pelos bancos em 1 Cf. <https://www.bbseguros.com.br/seguradora/seguros/para-voce/seguro-vida/seguro-vida/>. 2 Cf. <https://www.caixaseguradora.com.br/paravoce/vida/Paginas/Home-Seguro-Vida.aspx>. 3 Cf. <https://www.itau.com.br/seguros/vida/>. 4 Cf. <https://www.santander.com.br/seguros/vida>. 12 relação a seus clientes, para a realização de seu objeto, “que tomam o nome técnico de operações bancárias” (Abrão, 2018). Corroborando com esse pensamento, Orlando Gomes, menciona que “os negócios realizados pelos bancos, no exercício de sua atividade mercantil, chamam-se operações bancárias, se a função é creditícia” (Gomes, 2007, p. 396). Nos termos do art. 966, do Código Civil brasileiro vigente, as operações bancárias se enquadram como aquela atividade de natureza econômica exercida profissionalmente e organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços, por parte dos bancos (Brasil, 2002). Nelson Abrão (2018) apresenta dois importantes aspectos relacionados operação bancária: o econômico e o jurídico. No âmbito econômico as operações bancárias abarcam a prestação de serviços creditícios, em proveito tanto para o banco como para o cliente. Já no campo jurídico, a operação bancária depende de um acorde de vontade entre as partes, por meio de um contrato que cria, organiza ou extingue a relação jurídica cujo objeto é a intermediação de crédito (Abrão, 2018). Pelas percepções de Abrão, é possível então compreender que as operações bancárias se originam de num contrato bancário e, assim, como em qualquer contrato, assevera direitos e deveres inerentes à operação contratada. De acordo com Gomes, as operações bancárias podem ser classificadas como principais e assessorias (Gomes, 2007, p. 397). Semelhante classificação é dada por Abrão que as define como típicas ou fundamentais e operações bancárias acessórias. Com isso, pelas operações bancárias essenciais, os bancos exercitam sua negociação de crédito – depósito, redesconto, a conta corrente (passivas); o empréstimo, o desconto, a antecipação, a abertura de crédito, o crédito documentário etc. (ativas), já pelas operações bancárias assessorias, os bancos prestam serviços – custódia de valores, serviço de cofres de segurança, cobrança de títulos, prestação de informações etc. (Abrão, 2018). Conforme pudemos perceber, existem várias espécies de operações bancárias que diferem apenas em função do objeto almejado. O depósito bancário, por exemplo, é uma operação bancária passiva, sendo o banco depositário e o cliente o depositante. Trata-se de uma forma bastante comum de contrato, que, segundo Fábio Ulhoa Coelho, é a ação pela “qual uma pessoa (depositante) entrega valores monetários ao banco, que se obriga a restituí-los quando solicitados” (Coelho, 2007, p. 128). 13 A conta corrente bancária é outro tipo de operação. Nessa modalidade, o banco “executa o banco o mero papel de registrador dos lançamentos, recebendo dinheiro ou pagando dentro das disponibilidades da conta (Rizzardo, 2003, p. 28-29). Aqui o banco coloca à disposição do cliente um serviço de caixa, que o cliente movimenta da forma como lhes for possível. Como exemplo de operações bancárias assessorias, tem-se a cobrança de títulos, que hoje é “inconcebível sem a intervenção dos bancos ou dos estabelecimentos financeiros, que por sua rede de sucursais, correspondentes, por sua organização administrativa e técnica são aptos a efetuá-los a menor custo” (Abrão, 2018). TROCANDO IDEIAS 1) Encontre a definição correta de cada um dos conceitos a seguir: a) Título de capitalização b) Operação bancária c) Seguro de pessoas 2) Discuta com seus amigos sobre quais as implicações para uma instituição bancária que não consegue atingir uma estratégia segura e efetiva para a venda de seus produtos. NA PRÁTICA • Você é gerente de um banco e precisa cumprir suas metas com relação à venda de seguros. Quais estratégias você utilizará para ganhar seu clientee cumprir suas metas? FINALIZANDO Apresentamos a você um sumário teórico do que tratamos nessa disciplina. É importante que você se mantenha sempre atualizado. O material ainda lhe apresenta a possibilidade de leitura complementar, que deve aproveitar para ampliar seus conhecimentos e probabilidades. Levando em conta todo o conteúdo exposto, acreditamos que seja possível melhor compreender as noções gerais sobre técnicas de venda de produtos financeiros para o cliente de varejo, cobrança bancária, título de 14 capitalização, seguro de vida e outros seguros. As operações financeiras para o varejo foram também objeto dessa análise. Com os conhecimentos desta disciplina, vocês terão ampliado, efetivamente, seus conhecimentos sobre produtos para clientes de varejo, observando como as instituições bancárias se organizam em torno da oferta de produtos e serviços de qualidade, sempre com foco no cliente. 15 REFERÊNCIAS ABRÃO, N. Direito bancário. 17. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2018. BRASIL. Circular Susep n. 302, de 19 de setembro de 2005. Disponível em: <http://www.susep.gov.br/textos/circ302.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2020. _____. Circular Susep n. 317, de 12 de janeiro de 2006. Disponível em: <deloitte.com.br/publicacoes/2006all/012006/cirsus317.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2020. _____. Circular Susep n. 564, de 24 de dezembro de 2017. Disponível em: <http://www2.susep.gov.br/bibliotecaweb/docOriginal.aspx?tipo=1&codigo=418 33>. Acesso em: 15 mar. 2020. _____. Decreto n. 56.903, de 24 de setembro de 1965. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/Antigos/D56903.htm>. Acesso em: 15 mar. 2020. _____. Decreto-Lei n. 261, de 28 de fevereiro de 1967. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/1965-1988/Del0261.htm>. Acesso em: 15 mar. 2020. _____. Decreto-Lei n. 73, de 21 de novembro de 1966. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del0073.htm>. Acesso em: 15 mar. 2020. _____. DIEESE: desempenho dos bancos – exercício de 2018 – lucro dos cinco maiores bancos do país atinge R$ 86 bilhões, com alta de 16% em relação a 2017. Disponível em: <https://www.dieese.org.br/desempenhodosbancos/2019/desempenhoDosBanc os2018.html>. Acesso em: 15 mar. 2020. _____. FEBRABAN: intercâmbio de Informações entre bancos e empresas – Layout Padrão Febraban 240 posições V10.5. 2018. Disponível em: <https://cmsportal.febraban.org.br/Arquivos/documentos/PDF/Layout%20padra o%20CNAB240%20%20V%2010%2005%20-%2005_11_18.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2020. _____. FEBRABAN: convenção entre instituições do sistema financeiro nacional, relacionadas com a emissão, apresentação, processamento e liquidação interbancária dos boletos de pagamento. 2014. Disponível em: 16 <https://cmsportal.febraban.org.br/Arquivos/documentos/PDF/Conven%C3%A7 %C3%A3o%20da%20Cobran%C3%A7a.pdf>. Acesso em: 15 mar. 2020. _____. Lei n. 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406compilada.htm>. Acesso em: 15 mar 2020. _____. Resolução CNSP n. 49, de 2001. 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MCKENNA, R. Marketing de relacionamento: estratégias bem-sucedidas para a era do cliente. Rio de Janeiro: Campus, 1997. RIZZARDO, A. Contratos de crédito bancário. 6. ed. rev. atual. ampl. São Paulo: RT, 2003. ZENONE, L. C. Marketing de relacionamento: tecnologia, processos e pessoas. São Paulo: Atlas, 2010. ATACADO E VAREJO DE PRODUTOS FINANCEIROS AULA 4 Prof. Aldenor Fernandes dos Santos 2 CONVERSA INICIAL Para cada aula foi organizado um material didático seguindo a ementa da disciplina. A nossa proposta foi no sentido de que você compreenda qual é o perfil do público de atacado, desde o perfil e o faturamento de cliente com perfil atacado até soluções em serviços e produtos financeiros para o cliente atacado. Esperamos, realmente, que alcancemos juntos nosso objetivo, ampliando nossos conhecimentos e nos mantendo atualizados sobre o que a dinâmica que envolve o perfil do público de atacado, sobretudo como as instituições trabalham para atender a seus clientes. É importante ressaltar que as ferramentas e conteúdos disponibilizados nesta aula podem auxiliar os processos de ensino e aprendizagem, mas somente o seu domínio não garantirá o alcance dos objetivos no processo de qualificação profissional. Sendo assim, faz-se necessário que você possa explorar a necessidade de se criarem situações significativas de aprendizagem que favoreçam a mobilização de saberes, como a discussão a respeito do tema tratado, da análise de situações, do levantamento de hipóteses, da busca de soluções, propostas de intervenção, dentre outras. Com esta aula, vocês terão ampliado, efetivamente, seus conhecimentos, tendo, assim, subsídios para a compreensão sobre quais as características que envolvem o perfil do público de atacado. Esse é nosso foco durante todas as aulas e o principal objetivo! Esta aula, além de estar alinhada com o aprimoramento das ações de aperfeiçoamento dos alunos, traz importantes conteúdos para a discussão. CONTEXTUALIZANDO Com esta aula, busca-se compreender melhor o perfil do público de varejo, a qualidade de seus serviços, além de discutir um pouco como é possível dirimir questões apresentadas pelos clientes, entendendo as principais características. Na perspectiva de contribuir com um contínuo e efetivo aprendizado é que esta aula tem como propósito a construção de um alicerce que proporcione a ampliação dos conteúdos e a formação de um pensamento consolidado de forma 3 crítica, em que você poderá adquirir novos conhecimentos relacionados ao perfil do público de varejo, que venham a ser agregados em sua vida acadêmica e profissional. Você estudará os conceitos básicos que fundamentam o perfil do públicode varejo frente às perspectivas atuais e ao mercado financeiro, compreendendo o campo de atuação das instituições bancárias e suas dimensões principais. Esta aula é composta pelos seguintes temas: • Tema 1 – O perfil e o faturamento de cliente com perfil atacado; • Tema 2 – O perfil do colaborador da instituição para atender cliente de atacado; • Tema 3 – Qualidade de serviço e produtos; • Tema 4 – Aconselhamento financeiro; • Tema 5 – Soluções em serviços e produtos financeiros para o cliente atacado. TEMA 1 – O PERFIL E O FATURAMENTO DE CLIENTE COM PERFIL ATACADO Figura 1 – Segmento bancário de atacado Fonte: Anton Violin/Shutterstock. 4 O segmento bancário de atacado é responsável pelos clientes private banking, cliente com patrimônio financeiro elevado. Construir a estrutura de private banking foi uma estratégia utilizada pelos bancos que segmentam seus clientes pessoa física com base em sua capacidade financeira, com recursos disponíveis para investimentos superiores a R$ 1 milhão. De acordo com Hooley, Saunders e Piercy (2006), trata-se de uma segmentação que agrupa os clientes com os mesmos perfis financeiros e que buscam os mesmos benefícios no uso de um produto ou serviço. Assim, os bancos direcionam ações com foco no relacionamento de clientes segmentados dentro dessa proposta financeira, alinhando-se às tendências de mercado para reunir grupos de clientes de um mesmo perfil, proporcionando-lhes um atendimento diferenciado com vistas a crescentes ganhos de produtividade. Com isso, o banco tem maior flexibilidade e competitividade ao executar sua estratégia de negócios, construindo ações que possam atender tanto para pessoas físicas quanto jurídicas, tendo qualidade e especialização em suas operações. O Relato Integrado 2018, Itaú Unibanco Holding S.A, mostra que, enquanto modalidade de atacado, o banco fornece “serviços bancários a grandes corporações e captamos recursos para o segmento de grandes empresas, incluindo instrumentos de renda fixa e variável. ” (Itaú, 2018, p. 29) Figura 2 – Pirâmide de segmentação – Clientes Banco Itaú Fonte: Itaú, 2018, p. 29 5 A ilustração da Figura 2 mostra a segmentação de clientes do Banco Itaú, com base segmentos, por sua na capacidade de renda e investimentos. Para pessoas físicas, na modalidade Personnalité, em se tratando de renda mensal, o valor precisa ser acima dos R$ 10 mil e, em caso de investimentos, a cifra chega a valores superiores a R$ 100 mil. Para pessoas jurídicas, as operações ultrapassam R$ 200 milhões de reais. Importa mencionar que, em se tratando de pessoas jurídicas, a pirâmide mostra a segmentação por faturamento anual, ou seja, os clientes atacadistas bancários apresentam um faturamento mínimo entre R$ 200 e R$ 400 milhões de reais. O diferencial para o alcance de tamanhas cifras é o atendimento, que no atacado é realizado com base em estratégias voltadas para o relacionamento de longo prazo. Nesse sentido, o banco busca destaque nos projetos de renda fixa e renda variável, derivativos e operações estruturadas. No ano de 2018, o Banco Itaú alcançou um lucro líquido recorrente de R$ 25,7 bilhões. O Banco de Atacado foi responsável por 32% desse montante, o que corresponde a R$ 8 bilhões do lucro líquido recorrente (Itaú, 2018, p. 31). TEMA 2 – O PERFIL DO COLABORADOR DA INSTITUIÇÃO PARA ATENDER CLIENTE DE ATACADO Figura 3 – Processo de transformação nas relações de trabalho Fonte: Ufabizphoto/Shutterstock. 6 O processo de transformação nas relações de trabalho continua a se fortalecer no século XXI. Essas modificações ocorreram nos mais diversos setores produtivos e de serviços, especialmente com a inserção das inovações tecnológicas, além dos novos métodos de organização do trabalho. No âmbito do trabalho do setor bancário não foi diferente. As transformações ocorridas nas duas últimas décadas, especialmente em função do processo de informação, bem como pela própria natureza do trabalho, que ganha um novo contorno a partir da reestruturação do capitalismo internacional, com base na globalização e financeirização do sistema (Laranjeira, 2000). Essas mudanças também afetaram a natureza dos produtos e serviços bancários, “em decorrência, verifica-se intenso processo de informatização das atividades bancárias, resultando em mudanças significativas na situação do trabalho no subsetor” (Laranjeira, 2000, p. 112). Laranjeira nos aponta para as mudanças no setor bancário. Esse processo provocou um aumento da competitividade, o que promoveu melhorias na prestação dos serviços bancários no mercado financeiro, inclusive com uma maior facilidade de acesso aos produtos bancários, por pessoas de menor poder econômico. Com o aumento da clientela, claramente foi necessária uma reformulação na oferta de produtos e serviços bancários. Para acompanhar todo esse processo, o colaborador bancário precisa de qualificação profissional, com amplo conhecimento do mercado financeiro, além do domínio da tecnologia para realização de simulações financeiras, marketing de relacionamentos e habilidade de interação com o cliente e com a equipe de vendas (Merlo; Barbarini, 2002). Dada a natureza imaterial (Fernandes; Stefano; Chapoval Neto, 2008) que os produtos da indústria bancária assumem, a atividade desse setor está especialmente pautada na interação humana. Nas concepções de Albrecht “toda organização deve atuar como um grande departamento de atendimento ao cliente. ” (Albrecht, 1992, p. 2.). Com base nesse conceito, percebe-se a importância da organização na qualidade dos serviços prestados, uma responsabilidade que recai sobre toda a equipe. Ao tratar do marketing no relacionamento para o setor bancário, Las Casas (2007) pontua que a prestação de serviços é a essência do serviço bancário. O que distingue essa prestação de serviços, bem como o produto dela, 7 é a interação com o cliente, um dos fatores mais importantes para a sua satisfação. Os clientes do banco anseiam por um atendimento eficaz, logo a manutenção de profissionais qualificados e com perfil adequado na instituição é fundamental. Sobre esse tipo de profissional, adequado às instituições financeiras, importa mencionar as ideias de Abrão (2007), quando esse autor observa que o profissional de atendimento precisa ser gentil, extrovertido, comunicativo e que tenha conhecimento sobre o produto ou serviço que está oferecendo. É necessário que seja criativo e tenha a capacidade de resolver problemas, sem que isso afete negativamente sua relação com o cliente (Abrão, 2007). Em decorrência das demandas próprias do mercado capitalista em transformação e da crescente concorrência entre os bancos, as atividades nesse ramo passam a se diversificar, multiplicando os serviços e as exigências. As agências bancárias assumem um novo papel no contexto financeiro, sendo transformadas em postos de venda de produtos e serviços imersos no mercado financeiro. Com isso, e visando atrair cada vez mais clientes, aperfeiçoam-se os serviços de atendimento ao público (Jinkings, citado por Grisci, 2004, p. 173). Assim, as instituições bancárias passaram a analisar e pensar suas equipes com base em uma gestão de competências e avaliação de desempenho, construindo uma análise das pessoas, verificando suas habilidades, o que para Gómez-Mejiá, Balkin e Candy (1995, p. 256) significa “a identificação, mensuração e a administração de desempenho humano nas organizações. A identificação se apoia na análise de cargos e procura determinar as áreas de trabalho que se deve examinar quando mede o desempenho”. Já a avaliação de desempenho consiste na apreciação sistemática do desempenho de cada profissional em função de sua atuação profissional, das metas e resultados a serem alcançados e do seu potencialde desenvolvimento (Chiavenato, 2006, p. 189). Aliado a isso, compreende-se a questão da competência, que, dentro dessa visão organizacional, torna-se importante. Para Barbalho (2005, p. 2), “a competência é compreendida como um saber ou fazer qualquer coisa bem”. Questão também importante e que precisa ser definida no âmbito do atendimento ao cliente bancário é a definição que a instituição financeira precisa ter de missão, visão, valores e estratégias, pois só assim terá condições de direcionar e dar consistência ao processo de definição das competências 8 organizacionais (Leme, 2005, p. 159). Essas definições são importantes também no sentido da organização de uma equipe capaz de atender aos objetivos da empresa, bem como na definição do perfil do colaborar para atendimento ao cliente. No âmbito da gestão de competências, destacam-se, do mesmo modo, competências individuais ou pessoais, que unem aptidões, habilidades e comportamentos (Resende, 2004, p. 32) e competências gerenciais, fundamentais no trato com o trabalho bancário, pois as empresas carecem de gestores que não sejam apenas técnicos e negociais, mas que tenham a capacidade de a isso agregar outras experiências (Resende, 2004, p. 65). Cada vez mais as instituições financeiras têm demonstrado interesse em profissionais que apresentem as competências necessárias para o atendimento ao público de cada segmento. Com isso, elas reduzem o tempo e otimizam seus resultados. TEMA 3 – QUALIDADE DE SERVIÇO E PRODUTOS Figura 4 – Produtos e serviços Fonte: Seanbear/Shutterstock. 9 Têm sido bastante comuns pesquisas sobre relacionamento com clientes e a atenção que estes têm recebido das empresas prestadoras de serviços. Especialmente sobre o setor bancário, os estudos de Fortuna (2002) dão conta de que esse setor foi um dos que vêm exigindo adequações, especialmente em função das transformações. Ainda de acordo com Fortuna, não se pode deixar de mencionar que o advento do Plano Real e a consequente desaceleração inflacionária, que provocou uma queda das receitas dos bancos, foram determinantes para uma reestruturação no setor. Sobre os avanços no serviço bancário, e especialmente em se tratando do atendimento ao público e a prestação de serviços, importa mencionar a criação da figura do correspondente bancário (Brasil, 2011), que passaram a prestar serviços à comunidade, com critérios estabelecidos pelo Banco Central do Brasil, que democratizou a atividade bancária em muitos municípios brasileiros, inclusive com a abertura de pontos de atendimento em estabelecimentos comerciais, a exemplo das farmácias, supermercados, loterias e correios. Para falar sobre a qualidade de serviços e produtos, importa, antes de tudo, compreender que “serviços são processos experimentados mais ou menos subjetivamente, nos quais as atividades de produção e consumo ocorrem ao mesmo tempo. ” (Grönroos, 2009, p. 65). A percepção de Grönroos mostra a importância de observarmos os serviços bancários como aqueles que são consumidos no momento em que são oferecidos. Esse serviço agrega um valor, que se torna produto dele, sendo então intangível. Esse produto pode ser visto de variadas formas, a exemplo do conforto gerado em função de um plano de investimentos, ou mesmo em planos de seguridade e saúde, ou seja, o produto desse serviço não é percebido de forma física (Zeithaml; Bitner, 2000, p. 2). Trata-se de “um ato ou desempenho essencialmente intangível, que uma parte pode oferecer a outra e que não resulte na posse de nenhum bem e, sua execução pode não estar ligada a um produto físico” (Kotler; Armstrong, 1993, p. 413) Sobre a qualidade do serviço, Kotler e Armstrong (1993) pontuam ser o diferencial das empresas, especialmente no sentido da concorrência. A forma como a qualidade dos serviços é percebida pelos clientes depende de duas importantes dimensões: a dimensão funcional e a dimensão técnica. Esta 10 primeira representa a forma como o consumidor recebe o serviço e aprecia sua qualidade. A segunda dimensão diz respeito a como o serviço é produzido. (Grönroos, 2009). O setor bancário tem uma característica bem peculiar, que é o envolvimento com o cliente. Com vista a atender às demandas, em constantes mudanças de sua clientela, as instituições bancárias buscam sempre se reestruturar, adaptando-se às novas tecnologias emergentes. Para alcançar a plena satisfação dos clientes, os bancos buscam promover uma melhoria da qualidade dos serviços prestados (Arasli; Mehtap-Smadi; Katircioglu, 2005). Contudo, está provado que a mera satisfação do cliente não é garantia de que ele permaneça na empresa (Lovelock; Wright, 2001). Nessa linha de raciocínio, observa-se como essencial aquilo que Levesque e McDougall (1996) pontuam sobre a relação entre o setor bancário e o cliente. Em sua obra, Determinants of customer satisfaction in retail banking (pode ser traduzida como Determinantes da satisfação do cliente no Banco de Varejo), os autores mostram que, no setor de serviços bancários, ter um cliente satisfeito e fiel é essencial para reduzir os custos operacionais dos bancos, já que as operações bancárias de abertura e fechamento de contas são diminuídas, e com isso também é amainada a necessidade de avaliações de crédito (Levesque; McDougall, 1996) Manter a qualidade nos serviços e produtos torna-se uma forma de conservar os clientes por períodos mais longos, o que proporciona uma maior segurança a empresa, já que isso lhe permite melhor conhecer o cliente, suas preferências e necessidades que eles têm em relação aos produtos bancários, momento em que a instituição pode traçar um plano de ação direcionado às necessidades daquele cliente, com base em um atendimento direcionado e eficiente. 11 TEMA 4 – ACONSELHAMENTO FINANCEIRO Figura 5 – Aconselhamento financeiro Fonte: Kan Chana/Shutterstock. Para tratar do tema aconselhamento financeiro, importa dizer, antes de qualquer coisa, que isso está inserido em um processo mais amplo e que trata da educação financeira. O século XXI apresentou um forte movimento mundial em torno desse tema. Nesse contexto, uma participação essencial tem sido da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que, desde 2003, vem incentivando os países a desenvolverem políticas nesse sentido. Refletindo-se diretamente no campo financeiro brasileiro, essa política foi organizada em 2010, quando o Governo Federal instituiu a Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF), por meio do Decreto n. 7.397/2010. Do mesmo modo, foi constituído o Comitê Nacional de Educação Financeira – Conef, órgão responsável pela coordenação da Estratégia Nacional de Educação Financeira – ENEF. 12 O termo educação financeira “aplica-se a uma vasta escala de atividades relacionadas ao dinheiro nas nossas vidas diárias, desde o controle do cheque até o gerenciamento de um cartão de crédito, [...], compra de um seguro, ou um investimento” (Lucci et al., 2006, p. 4). Nessa mesma linha de raciocínio “podemos definir finanças como a arte e a ciência da gestão do dinheiro”. (Gitman, 2004, p. 4). Educação financeira e aconselhamento financeiro andam juntos. Pesquisas apontam que clientes que são acompanhados por um consultor financeiro compreendem e melhor lidam com os produtos financeiros. É o que revelam Staten, Elliehausen e Lundquist (2002), quando esses autores informam que as pessoas que receberam aconselhamento conseguiram gerir melhor suas finanças, incluindo uma melhor gestão dos cartões de crédito e a diminuição de dívidas. Na perspectiva da Febraban, conforme aponta Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, o aconselhamento estratégico e as perspectivas e análises feitas por profissionais especializados ganharão ainda mais importânciano atendimento aos consumidores, na elaboração de modelos e no apoio à tomada de decisões de investimento”. (Febraban, 2015, p. 53) A Federação Brasileira de Bancos (2015) acredita que o aconselhamento financeiro desponta como uma importante ferramenta para o setor bancário, uma vez que o consumidor busca conhecer melhor os produtos financeiros, com base na informação e do auxílio e do aconselhamento, a fim de que os riscos possam ser minimizados, fazendo melhores escolhas e melhorando seu bem-estar financeiro. Ou seja, “o aconselhamento financeiro deve versar sobre proteções para imprevistos e não pode ser pautado apenas por soluções de investimentos.” (Gasparotto Filho, 2018, p. 25). Gasparotto Filho (2018) observa que hoje vários profissionais estão abordando seus clientes ofertando o serviço de planejamento financeiro e dentre os setores que se destacam, na opinião do autor, estão os bancos, especialmente no campo dos investimentos. O Banco do Brasil aposta em aconselhamento financeiro, no campo dos investimentos e estratégias personalizadas para o cliente private dando-lhes “Assessoria financeira e patrimonial; planejamento sucessório, societário, tributário e fiscal; governança familiar e empresarial; soluções financeiras 13 globais; proteção patrimonial; soluções estruturadas personalizadas” (Banco do Brasil, 2019) Nesse caso, os consultores se esforçam para atender às necessidades dos clientes, com aconselhamento financeiro e gestão de recursos, trabalhando diferentes estratégias, sempre com vistas à melhor alternativa para a gestão do patrimônio e a potencialização dos resultados TEMA 5 – SOLUÇÕES EM SERVIÇOS E PRODUTOS FINANCEIROS PARA O CLIENTE ATACADO Figura 6 – Soluções em serviços e produtos financeiros Fonte: Pressmaster/Shutterstock. As inovações tecnológicas têm transformado o mercado nos mais variados setores da economia. No setor bancário isso não foi diferente. A automação, a cada dia mais crescente, e as novas tecnologias digitais promoveram um novo mercado, com novos produtos e serviços, o que oportunizou aos bancos uma série de possibilidades de oferta aos clientes. O Relatório de estabilidade financeira, do Banco Central do Brasil, em 2016, aponta para as inovações tecnológicas (telefone, internet, TICs), e sua influência no mercado financeiro é histórica. 14 Importantes atores dessas transformações são as fintechs, empresas intensivas em tecnologia que prestam serviços financeiros. Tais empresas aplicam as mais recentes tecnologias na adaptação de produtos e de serviços oferecidos no mercado financeiro, no lançamento de novas soluções e na provisão de serviços de mitigação e de gerenciamento de riscos de compliance para as instituições reguladas. O Bacen reconhece que o aparecimento das fintechs contribuiu para uma mudança no setor financeiro, sendo um dos seus impactos um novo posicionamento das instituições financeiras, que se veem obrigadas a inovar. Por fintechs entende-se aquela nova empresa (startups) que oferecem produtos e serviços bancários utilizando-se de ferramentas tecnológicas, com pouca estrutura operacional, com serviços mais ágeis (Lopes; Zilber, 2018). A pesquisa Febraban de tecnologia bancária, de 2019, que traz um panorama dos investimentos e das tendências em tecnologia para o setor financeiro, aponta que “os bancos devem direcionar seus esforços em torno da transformação digital como um processo abrangente e de longo prazo” (Febraban, 2019). Dentro dessa perspectiva, os bancos digitais são plataformas que permitem que todas as suas operações sejam feitas de forma digital, permitindo, por exemplo, abertura de contas, aplicações, investimentos e outras ferramentas, na maioria das vezes por meio de aplicativos para celulares e tablets. A própria comodidade no uso do celular e do computador para a realização de operações bancárias contribuiu para a trajetória ascendente do número de transações sem movimentação financeira realizadas por meio dos canais digitais. Tanto em relação ao volume de operações sem movimentação financeira quanto em relação à participação de cada canal no total dessas transações, o mobile banking e o internet banking ampliam, ano a ano, a participação em relação aos demais canais (ATMs, correspondentes bancários, agências bancárias e contact centers). TROCANDO IDEIAS • Com base no que foi discutido, aponte que características definem o perfil do colaborador da instituição para atender cliente de atacado; • Qual é a sua compreensão sobre o aconselhamento financeiro? 15 NA PRÁTICA • Você é gerente de um grande banco que passa por dificuldades em função da retirada de alguns de seus principais investidores. Qual é a sua estratégia para que eles retornem ao seu banco? • Que tipo de produto e qual é o diferencial que sua instituição oferecerá? FINALIZANDO Nesta aula estudamos importantes conceitos relativos ao perfil do público de varejo. Estudamos como esses bancos se comportam no sentido de se organizarem no contexto atual do mercado financeiro. Refletimos sobre o perfil e faturamento de cliente com perfil atacado, discutindo ainda o perfil do colaborador da instituição para atender cliente de atacado, momento em que percebemos que, no atual contexto de competitividade, ter um profissional adequado à função torna-se um diferencial para a qualidade de serviço e produtos disponibilizados aos clientes, tópico com o qual aprendemos a importância de oferecer um serviço de qualidade, cuja percepção se estabelece em duas dimensões essenciais: a dimensão funcional e a dimensão técnica. O aconselhamento financeiro também foi tema desta aula e observamos o diferencial dos bancos que oferecem esse serviço, no sentido de manter a fidelização do cliente e sua adesão a mais serviços dentro da instituição. Ademais, vimos que as soluções em serviços e produtos financeiros para o cliente atacado, são postas como forma de agregar valor ao produto e manter a satisfação do cliente. 16 REFERÊNCIAS ABRÃO, A. T. Y. 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Os temas discutidos nesta aula propiciarão o desenvolvimento das competências técnicas exigidas para a atuação do profissional que busca desenvolvimento com atividades que envolvem o setor bancário e sua relação o mercado de consumo atacadista. Para somar aos estudos, disponibilizamos conteúdo atualizado, tudo como forma de otimizar seu aprendizado. Esta aula deve ser vista como um guia prático sobre a temática. Assim sendo, buscamos, com esta disciplina, que você se aproprie dos conhecimentos relativos aos bancos e sua relação com o mercado atacadista. Aqui, você estudará questões relativas a banco de atacado, competividade dos bancos de atacado, desafio do setor bancário para o atacado, banco digital para o atacado e gestão financeira para cliente varejo. Pronto(a) para iniciar? Bons estudos! CONTEXTUALIZANDO Esta aula traz para você uma importante discussão sobre como se pode compreender o contexto no qual estão inseridos os bancos de atacado. Trata- se de uma discussão em torno de como os bancos mantêm seus relacionamentos com os clientes, especialmente aqueles que possuem um nível de renda mais elevado, com um atendimento exclusivo e personalizado. O consumidor bancário de atacado tem à sua disposição produtos característicos e que são definidos pelo aporte financeiro que a instituição disponibiliza. Em grande medida, o segmento atende ao público pessoa física ou jurídica, com base em sua renda e volume de investimentos financeiros. Com base nessas premissas é que buscamos, nesta aula, compreender qual o perfil do público bancário de atacado e como ele se comporta, observando quais as motivações para a aquisição de determinado produto ou serviço. Aliado a isso, observa-se quais as estratégias que as instituições 3 financeiras organizam em torno do atendimento ao público, que torna-se o diferencial na relação com os consumidores. Ao final desta aula, acreditamos que você terá ampliado, efetivamente, seus conhecimentos, tendo subsídios para a compreensão do contexto que envolve a temática dos bancos de atacado. Podemos começar? TEMA 1 – O BANCO DE ATACADO Os bancos são instituições financeiras que fornecem serviços financeiros à população de determinado lugar. Conforme já estudamos, os bancos são regidos pelo Banco Central, sendo este o órgão que estabelece as regras a serem seguidas pelas instituições financeiras, controlando o sistema financeiro geral de cada país. Os bancos oferecem produtos e serviços de acordo com o cliente a ser beneficiado, sendo também caracterizado conforme essa condição de oferta de produtos e serviços. Para pessoa física, um banco de atacado é conhecido como private bank, ou seja, é um tipo de segmentação de bancos que tem como clientes-alvo aqueles que possuem uma renda mais elevada. [...] Já para pessoa jurídica, um banco de atacado é conhecido como corporate bank e os negócios oferecidos a este nicho de clientela diverge muito dos clientes de varejo. (Kawano, 2003, p. 72) A edição de 2019 do Relatório Gerencial de Resultados do Banco Votorantim cita que o banco de atacado oferece [...] soluções ágeis e customizadas que simplificam os processos diários das empresas, o Corporate & Investment Banking (CIB) oferece uma ampla variedade de produtos de empréstimos, mercado de capitais, tesouraria e serviços, além de possibilitar integrações rápidas e seguras com os sistemas dos nossos clientes corporativos e fintechs por meio da disponibilidade de várias APIs. (Brasil, 2019, p. 6) Conforme se pode observar, as estratégias dos bancos para a captação e manutenção de clientes têm sido aquelas em que se organiza um atendimento especializado. Ao tratar da segmentação Private Banking, Segura e Strehlau (2010, p. 11) observam que “o benefício ‘atendimento personalizado’ é composto por itens relacionados ao atendimento pessoal e especializado, que é inerente ao segmento de Private Banking”. Com isso, se observa a importância do atendimento personalizado para a categoria bancária private banking. Evidentemente que tudo isso diz respeito 4 a um elemento essencial para que os bancos de atacado se desenvolvam e atendam seus clientes a contento. TEMA 2 – COMPETITIVIDADE DOS BANCOS DE ATACADO Ao iniciar a discussão sobre competividade dos bancos de atacado, importa observar o conceito que envolve a ideia de competição no ramo dos negócios. Se buscarmos o conceito de competividade em âmbito institucional, observaremos que ele encontra-se diretamente relacionado com a forma de organização e gestão dos recursos existentes frente a padrões existentes, que dialogam com as expectativas dos atores dentro do contexto de atuação. As organizações definem suas estratégias com base em suas necessidades, orientando-se “pelo contexto ambientalno nível que mais se coaduna com sua trajetória e, portanto, com a sua lógica interior, isto é, com os esquemas interpretativos de seus dirigentes” (Machado-da-Silva; Fernandes, 1998, p. 49). Ou seja, é a forma como desenvolvem uma vantagem competitiva para otimizar o negócio (Carvalho; Laurindo, 2007). Poter (1996) define estratégia competitiva como a capacidade que a empresa tem de desenvolver arranjo diferente na entrega de um composto de valor único. Tudo isso pode ser definido como a capacidade que a empresa tem de entregar uma variedade de produtos e serviços, atender às necessidades do consumidor em suas particularidades (Carvalho; Laurindo, 2007). Para tanto, os bancos se utilizam de estratégias que possam torná-los mais competitivos. Para chegar aos seus clientes e satisfazê-los, é necessário que levem até eles um produto de qualidade. As vendas são orientadas na produção de bens ou serviços para atender aos consumidores. Para que se tenha uma entrega extraordinária, os bancos apostam, por exemplo, em estratégias de marketing, que têm a função de organizar e auxiliar as empresas a melhorar suas vendas, seja de produtos ou serviços (Las Casas, 2010). A orientação de marketing determina que as necessidades e os desejos dos clientes são o ponto de partida para começar a procurar ideias. As empresas técnicas podem aprender bastante estudando seus líderes de opinião, aqueles clientes que fazem o mais avançado uso dos produtos da empresa e que reconhecem a necessidade de melhorias antes dos outros clientes. (Kotler, 2002, p. 357) Observe que Kotler menciona que o marketing torna-se ponto de partida para o encantamento do cliente, ou seja, conhecer suas necessidades para 5 conseguir alcançar um atendimento de excelência e com exclusividade, o que os bancos de atacado buscam realizar. Também na percepção de Kotler, as instituições financeiras se organizam em torno de um bom atendimento ao cliente, analisando os produtos e serviços de seus concorrentes. Um exemplo desse tipo de comportamento é aquele adotado pelo Banco Votorantim, que em seu relatório gerencial de resultados apresenta como destaques inovações no campo da tecnologia, RH, finanças, riscos e operações, alta renda e dentre outros, para o banco de atacados. Buscando descobrir o que potencialmente agradaria seus clientes, o banco apostou em serviços inovadores, com foco na expansão da instituição. Tecnologia, relacionamentos, plataforma de serviços e soluções globais com intenso conhecimento de mercado são estratégias utilizadas pelo banco para agregar valores e conquistar clientes. O banco quer manter o seu posicionamento de mercado e a competitividade em todas as linhas de negócio, através de rigorosa atenção ao nível de remuneração do capital. A expectativa neste segmento passa pelo crescimento moderado da carteira de crédito, PDD controlado em linha com o guidance, vendas cruzadas e atenção com os spreads. (Brasil, 2019, p. 1) Para manter essa performance, a instituição financeira mantém próximo contato com os clientes, conhecendo de perto o mercado, inclusive com incentivos a seus funcionários, com vistas a melhor a um atendimento exclusivo. TEMA 3 – DESAFIO DO SETOR BANCÁRIO PARA O ATACADO Temos observado muitas mudanças no mercado bancário. De acordo com a Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2019 (ano-base 2018), os serviços via plataforma digitais, a exemplo do mobile banking, cresceram 24% no ano de 2018, com um aumento de transações com movimentação financeira em 80% em relação ao ano anterior (Brasil, 2019). Para exemplificar a velocidade de crescimento desse setor, o número de transações por meio desse canal — 31,3 bilhões em 2018 — é praticamente o dobro dos 18,6 bilhões registrados em 2016. Naquele ano, pela primeira vez, o número de operações feitas pelos clientes por meio do celular superou o de transações pelo internet banking. (Brasil, 2019, p. 10) 6 A mudança no perfil dos clientes, as exigências em torno do uso constante do banco digital e os dificuldades operacionais, garantidores do perfil competitivo dos bancos, contribuíram para que as instituições financeiras ficassem ainda mais atentas aos desafios do setor. Com isso, “os bancos brasileiros direcionam seus esforços na oferta de produtos diferenciados e certeiros e em múltiplos canais que facilitem o atendimento de seus clientes” (Brasil, 2016, p. 9). Nessa perspectiva, os bancos aprimoram seus investimentos em serviços e produtos a fim de suplantar o desafio imposto pela tecnologia. Para se adequar às estratégias digitais, o Banco do Brasil investiu, entre 2012 e 2018, um montante de R$ 19,2 bilhões em tecnologia, apresentando ao seu cliente soluções digitais via telefone, e-mail, chat, mensagem, videochamada, troca eletrônica de documentos e duplo SIM, alcançando cerca de 5 milhões de clientes com atendimento gerenciado (Banco do Brasil, [s.d.]). Outro importante fator de mudança que gerou desafios aos bancos de atacado foi o aparecimento das fintechs, o que para Barbosa (2018) foi possível em função das inovações às quais o setor bancário teve que se adequar. O processo tecnológico contribui para que haja uma maior competitividade e, com isso, as instituições financeiras precisam organizar suas estratégias de concorrência “[...] e possibilitam que novas empresas, com novos modelos de negócio, entrassem em um mercado com grandes barreiras de entrada e altamente concentrado” (Barbosa, 2018, p. 31). Ao tratar das fintechs, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) observa que a indústria de serviços financeiros caminha em função de uma convergência, em que a relação entre bancos, fintechs e big techs evolui com certa rapidez. Assim, se observa uma possibilidade de colaboração entre esses ramos, o que não deixa de ser um grande desafio às instituições financeiras. Ocorre que as fintechs operam um campo anteriormente exclusivo aos bancos, e mesmo que possam ser vistas como concorrentes, têm contribuído para um ambiente colaborativo e inovador para o setor (Brasil, 2019). Aliando tecnologia e serviços financeiros, as fintechs trazem inovação para as pessoas e empresas. Isso contribui com uma melhor experiência de uso de produtos e serviços, além de promover uma integração entre distintos setores do mercado de forma mais otimizada, com aumento na velocidade das transações e redução de custos. 7 TEMA 4 – BANCO DIGITAL PARA O ATACADO Muito além de oferecer serviços por internet banking ou aplicativos que auxiliem clientes a realizar suas transações financeiras, o banco digital se caracteriza por apresentar uma proposta de valor em que a maioria dos seus produtos e serviços sejam oferecidos de forma digital. No Brasil, os bancos digitais são regulados pelo Conselho Monetário Nacional, por meio da Resolução n. 4.480/2016, a partir da qual se permitiu a abertura de conta corrente e poupança de forma 100%. Os bancos digitais são startups que desenvolvem atividades com tecnologia financeira com o uso de uma estrutura menor, compreendendo canais digitais de comunicação e aquisição de cliente, bem como a tecnologia mobile banking. Um grande atrativo para aquisição de novos clientes é que os bancos digitais conseguem oferecer algumas movimentações bancárias, como conta e cartões sem tarifas, uma possibilidade viável em função da não necessidade de agências físicas, além do número reduzido de contratação de profissionais de atendimento presencial. Ao fazer um estudo de caso sobre o atendimento bancário digital para microempresas, Tachizawai, Pozo e Furlaneti (2017) observam que as transformações ocorridas no cenário empresarial conduziram as instituições financeiras a buscar inovações nos serviços prestados, sendo uma dessas inovações o atendimento digital, a partir de terminais de autoatendimento, computadores, tabletse smartphones. Nesse sentido, enfatizam que tanto em âmbito tecnológico como no sentido gerencial, as instituições financeiras tiveram vários ganhos em função da oportunidade gerada pelos bancos digitais. “Os atributos da web permitiram que se tornasse um canal eficiente de publicidade, marketing, transações comerciais e na distribuição direta de certos bens e serviços de informação” (Tachizawai; Pozo; Furlaneti, 2017, p. 3). Importante reforçar que a pesquisa sobre tecnologia da Febraban mostra a solidificação dos canais digitais, tendo sido os mais procurados pelos clientes. O mobile banking, por exemplo, registrou crescimento de 24% (Brasil, 2019). Buscando o atendimento e a satisfação de um maior número de clientes, além da ampliação dos serviços, a indústria bancária tem se preocupado em investimentos na área da tecnologia, incorporando essa ferramenta como uma 8 forma de ampliar sua eficiência e agregar valores aos clientes. Ademais, há nesse ramo, a convicção de que a redução de despesas é um atrativo na ampliação dos lucros. Trata-se de uma perspectiva muito mais ampla, no sentido de “fornecer uma experiência genuinamente centrada no cliente” (Deloitte, 2017, p. 46), o que se traduz na possibilidade de projetar as instituições financeiras do futuro. Ou seja, é uma nova percepção com foco no cliente, que demanda câmbios estruturais de várias espécies, com destaque para todos aqueles que estão diretamente envolvidos com as pessoas, com os clientes do banco. TEMA 5 – GESTÃO FINANCEIRA PARA O CLIENTE DE VAREJO O trabalho no varejo é feito a partir da comercialização de vários tipos de produtos que são adquiridos pelo consumidor final. Para que se tenha êxitos na gestão de uma empresa de varejo, é necessário que você trabalhe com os recursos existentes de forma equilibrada, nunca esquecendo que esses recursos são financeiros, físicos e humanos. Uma boa gestão financeira se organiza em torno do controle entre o capital de giro, necessário à renovação e manutenção da empresa, ou seja, aquele capital constituído a partir dos bens em uso; e o capital de reserva, que a empresa precisa ter em caso de emergências, a exemplo da compensação por perdas. As empresas de varejo precisam se preocupar sobretudo com a gestão financeira de seu capital de giro, especialmente em função dos momentos em que o empreendedor necessitará de recursos para otimizar seu capital de giro, a exemplo dos períodos em que se faz financiamentos, ou em caso de outras operações financeiras. É preciso, do mesmo modo, distinguir claramente o capital de giro, do ganho pessoal e do capital de reserva. As estratégias que as empresas realizam para manutenção dessa pecúlio tornam-se essências para que tenha otimizado sua situação financeira. Redução de prazos para recebimento de clientes e investimento em um sistema de cobrança eficiente são ferramentas de controle mais efetivas nesse processo. Em caso de descapitalização, as empresas precisam recorrer a financiamentos bancários, o que na maioria das vezes não é rentável em função das altas taxas praticadas. 9 A saúde financeira da empresa também é mantida pelo fluxo de caixa. Tal medida visa fundamentalmente manter uma liquidez imediata necessária para suportar os desembolsos das atividades de uma empresa (Assaf Neto; Lima, 2014). Conhecendo seu fluxo de caixa, o administrador terá condições de prever e se preparar para atender às necessidades da empresa. É preciso que a empresa tenha uma boa organização sobre seus investimentos e sobre seus gastos. É preciso conhecer os riscos para mensurar quando se pode investir e quais custos isso lhe trará para o futuro. Focar no estoque e saber como conduzi-lo é essencial, pois permite fluxo financeiro sem que mercadorias fiquem paradas. Logo, é importante realizar uma pesquisa para saber o que comprar, atendendo ao cliente de forma satisfatória, sem que isso comprometa a saúde financeira da empresa. O comércio varejista tem um aliado importante que são as datas comemorativas. Em períodos festivos, as vendas aumentam consideravelmente. O empresário precisa conhecer o melhor momento para aquisição de mercadoria, bem como economizar para que se mantenha financeiramente confortável ao longo do ano. Uma boa estruturação da gestão no campo do varejo passa necessariamente pela informação. Logo, o investimento em tecnologia não deixa de ser um elemento de suma importância para o sucesso na gestão financeira para o cliente de varejo. A tecnologia permite um maior controle e eficiência no processo de gestão. Assim, investir em tecnologia torna-se o primeiro passo para uma gestão financeira de sucesso no âmbito do varejo. Um sistema tecnológico permitirá, por exemplo, que você tenha controle dos registros de todas as operações que a empresa realizou. Tais informações podem subsidiar os setores internos no tocante a que tipo de operação é necessário ser realizada. Os registros de operações permitem que se tenha uma visão ampla de tudo o que ocorre no dia a dia da empresa, tornando possível a identificação e a resolução de problemas, o que se mostrará positivo no âmbito do trabalho e do atendimento aos clientes. 10 Leituras obrigatórias CHIAVENATO, I. Gestão financeira: uma abordagem introdutória. 3. ed. Barueri: Manole, 2014. ANDRICH, E. G.; CRUZ, J. A. W. Gestão financeira moderna: uma abordagem prática. Curitiba: InterSaberes, 2013. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 10. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. TROCANDO IDEIAS 1. O que você entende por gestão financeira? 2. Como você define setor bancário de atacado? NA PRÁTICA Você foi convidado para participar de uma conferência sobre mercado financeiro com o objetivo de promover as instituições financeiras que trabalham com produtos e serviços para atacado. Num determinado momento, você foi convidado para apresentar o conceito de banco de atacado. Sendo assim, descreva este conceito. FINALIZANDO A proposta desta aula foi trazer para você um sumário teórico dos assuntos tratados sobre bancos de atacado. Para que você se mantenha atualizado sobre a matéria, é de fundamental importância que busque ler mais, procurando outras fontes para que consiga expandir seus conhecimentos sobre assunto em pauta. Estude com afinco, dedique-se e aproveite. Aqui, trouxemos alguns elementos importantes sobre banco de atacado, Competividade dos bancos de atacado, desafio do setor bancário para o atacado, banco digital para o atacado e gestão financeira para cliente varejo. Aproveite bastante a disciplina. Com esses conhecimentos, você terá ampliado, efetivamente, suas habilidades sobre o tema. Necessário se faz que assumamos o compromisso em aperfeiçoar os conhecimentos aqui adquiridos. Portanto, nosso objetivo aqui é que você comece a aprofundar seus conhecimentos sobre essa temática. Bons estudos! 11 REFERÊNCIAS ANDRICH, E. G.; CRUZ, J. A. W. Gestão financeira moderna: uma abordagem prática. Curitiba: InterSaberes, 2013. BANCO DO BRASIL. Apresentação Institucional 1T18. Disponível em: <https://www.bb.com.br/docs/pub/siteEsp/ri/pt/dce/dwn/Institucional1T18.pdf>. Acesso em: 5 mar. 2020. BANCO VOTORANTIM. Relatório Gerencial de Resultados. 2019. Disponível em: <https://www.bancobv.com.br/web/site/arquivos/relacoes- investidores/informacoes-financeiras/relatorio-gerencial- resultados/RGR_3T19.pdf>. Acesso em: 2 mar. 2020. BARBOSA, R. R. Fintechs: a atuação das empresas de tecnologia de serviço financeiro no setor bancário e financeiro brasileiro. Dissertação (Mestrado em Administração) – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2018. Disponível em: <https://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/178364/001064883.pdf?seq uence=1>. Acesso em: 3 fev. 2020. BRASIL. Resolução n. 4.480, de 25 de abril de2016. Dispõe sobre a abertura e o encerramento de contas de depósitos por meio eletrônico e dá outras providências. Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/pre/normativos/busca/downloadNormativo.asp?arquivo =/Lists/Normativos/Attachments/50185/Res_4480_v1_O.pdf>. Acesso em: 2 mar. 2020. BRITO, O. S. Contribuição ao Estudo de Modelos para Controle de Gestão em Bancos de Atacado. Caderno de Estudos, São Paulo, n. 11, jun. 1994. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413- 92511994000200001&lng=pt&tlng=pt>. Acesso em: 3 fev. 2020. CARVALHO, M. C.; LAURINDO, F. J. B. Estratégia competitiva: dos conceitos à implementação. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2007. CHIAVENATO, I. Gestão financeira: uma abordagem introdutória. 3. ed. Barueri: Manole, 2014. FEBRABAN. Pesquisa Febraban de tecnologia bancária 2017. Deloitte. Disponível em: 12 <https://cmsportal.febraban.org.br/Arquivos/documentos/PDF/Pesquisa%20de %20Tec nologia%20Banc%C3%A1ria_2017.pdf>. Acesso em: 2 mar. 2020. _____. Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2019. Deloitte. Disponível em: <https://cmsportal.febraban.org.br/Arquivos/documentos/PDF/Pesquisa- FEBRABAN-Tecnologia-Bancaria-2019.pdf>. Acesso em: 3 mar. 2020. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 10. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. KAWANO, A. C. S. Estratégias de negócios voltadas para o cliente pessoa jurídica com foco em médias empresas — características deste mercado do setor bancário: um estudo de caso aplicado em um banco brasileiro. Dissertação (Mestrado Profissionalizante em Administração) – FGV/EAESP, São Paulo, 2003. 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Para isso, é necessário que você esteja disposto a pensar sobre os conceitos e valores que envolvem o tema, percebendo o conteúdo como um instrumento de amparo à sua atuação profissional. Dada a dinamicidade e atualização constante do tema, esta aula foi pensada e estruturada para permitir que você se aprofunde nos estudos sobre ele, sem esgotá-lo. Você estudará um pouco sobre Técnicas de Venda de Produtos Financeiros para o Cliente de Atacado; Aplicações Financeiras, Investimentos; Mercado de Capitais e derivativos; Cash Management; Agronegócio e Negócios Internacionais, relacionando tais conteúdos com sua atuação profissional. É importante que você saiba que esta aula se constitui como um pequeno espaço de aprendizagem que precisa dialogar com outras abas de conhecimento, a fim de fortalecer o aprendizado. Cabe a você, muito além do que apenas compreender o que aqui está posto, cônscio de que é um agente proponente de uma nova percepção sobre a matéria, intensificar os esforços no sentido da construção dessa nova compreensão. E, não há forma de fazê-lo a não ser por meio da sua dedicação. Bom estudo! CONTEXTUALIZANDO Para tratar da temática Produtos para Clientes de Atacado, importa, antes de tudo, mencionar que o atacado bancário oferece produtos e serviços a clientes específicos, pessoas jurídicas ou físicas. Para que essas instituições financeiras tenham sucesso, elas precisam se aproximar dos clientes de forma a atendê-los em suas necessidades. Para que isso aconteça, os bancos necessitam de estratégias para se aproximar dos clientes e vender seus produtos e serviços. Com base nessas 3 premissas, busca-se compreender melhor o tema, notadamente conhecendo um pouco sobre Técnicas de Venda de Produtos Financeiros para o Cliente de Atacado; Aplicações Financeiras, Investimentos; Mercado de Capitais e derivativos; Cash Management; Agronegócio e Negócios Internacionais. Na perspectiva de contribuir com um contínuo e efetivo aprendizado é que esta aula tem como propósito a construção de um alicerce que proporcione a ampliação dos conteúdos e a formação de um pensamento consolidado de forma crítica, no qual você poderá adquirir novos conhecimentos relacionados aos bancos de atacado e os serviços ofertados, que venham a ser agregados em sua vida acadêmica e profissional. É isso que buscamos com essa aula. Vamos começar? TEMA 1 – TÉCNICAS DE VENDA DE PRODUTOS FINANCEIROS PARA O CLIENTE DE ATACADO Fonte: naum/Shutterstock. Dentre as estratégias mais utilizadas para um bom desempenho dos bancos no tocante às vendas, destacamos o marketing. Os bancos têm se preocupado em investir tempo, recursos financeiros, operacionais e humanos na construção de uma proposta de marketing na busca de obter maiores resultados. 4 Face às crescentes mudanças no setor, especialmente com as novas possibilidades de atendimento com base em novos canais de vendas e comunicações com os clientes, os bancos têm buscado formas de otimizar o atendimento, atualmente realizado pelas interações entre máquinas e funcionários e entre máquinas e clientes. Nesse sentido, há a necessidade de um reforço no marketing de relacionamento para que se mantenha um atendimento de qualidade. Marketing de relacionamento significa criar, manter e acentuar sólidos relacionamentos com os clientes e outros públicos. Cada vez mais, o marketing vem transferindo o foco das transações individuais para a construção de relacionamento que contém valor e redes de oferta de valor. O marketing de relacionamento está mais voltado para o longo prazo. Sua meta é oferecer valor de longo prazo aos clientes, e a medida do sucesso é dar-lhes satisfação a longo prazo. (Kotler; Armstrong, 1998, p. 397) Chegar ao cliente por vários canais de atendimento já é uma realidade no Brasil. O setor bancário é um desses setores que já consolidaram essa realidade, especialmente em função do advento dos serviços via internet, além do que realizar transações via pontos de atendimento eletrônico tem se tornado uma oportunidade para otimização do tempo. Nesse contexto, os bancos diversificam seus serviços, e para manter um atendimento de qualidade,tendo em vista a perda das relações interpessoais, desenvolvem estratégias de marketing que possam atrair os clientes. Residem aquelas que dizem respeito a vantagens e atendimento diferenciado para clientes considerados especiais. Evidentemente que, para um melhor atendimento e como forma de estreitar e solidificar relações, os bancos segmentem sua clientela, dando atenção especial a cada cliente, considerando seu potencial econômico- financeiro. Com isso as instituições financeiras criam estratégias para fidelização de clientes fortalecendo o relacionamento, evitando evasão e gerando crescimento e lucro. E, segundo Garcia (1998), relacionamentos a longo prazo são fundamentais, pois podem se tornar parcerias com ótimos resultados, incidindo diretamente no processo de vendas, deixando o cliente satisfeito e, sobretudo, atendendo suas necessidades. Ao tratar do marketing no setor bancário como alavanca das vendas, Simionato e Servidoni (2008) pontuam que as instituições financeiras cada vez mais oferecem produtos e serviços semelhantes em qualidade e preço. Assim, com vista a um melhor atendimento, tratando cada um de “maneira diferente 5 esse meio acabou criando o seu próprio marketing, o qual conhecemos hoje como ‘marketing bancário’” (Simionato; Servidoni, 2008, s/p). Para melhor atender aos clientes, a empresa bancária precisa conhecer um pouco sobre ele, seu potencial financeiro e suas especificidades; por exemplo, se ele é um potencial investidor, quais são suas necessidades ao buscar os serviços bancários, e, saber como o banco pode atendê-lo dentro dos serviços disponíveis. Neste sentido, os bancos observam o conceito de “gerenciamento do relacionamento com o cliente”, chamado de Customer Relationship Management – CRM. O CRM, bem como a internet, transformou a maneira como as empresas usam, vendem e se relacionam com os clientes, tendo um impacto profundo no marketing tradicional. É uma tecnologia que permite capturar os dados do cliente e de todos os seus contatos e transações, por meio da informatização integrada dos diversos pontos de contrato com os clientes, consolidá-los em um banco de dados central, analisar e promover o uso inteligente da informação a cada contato. (Dias, 2003, p. 404) Com base nesse conhecimento as instituições financeiras passam a trabalhar técnicas para melhor atender a seus clientes. Trata-se de uma orientação ao gerente, que por meio desse saber de mercado e das especificidades do cliente, constrói ações para satisfazê-lo, realizando os seus objetivos, os quais são fundamentados no próprio mercado. 6 TEMA 2 – APLICAÇÕES FINANCEIRAS, INVESTIMENTOS Fonte: NicoElNino/Shutterstock. Aplicação financeira pode ser compreendida como o processo no qual se empresta dinheiro a uma instituição financeira. É o ato de se aportar dinheiro numa instituição financeira; banco ou corretora, mediante compensação financeira. Do mesmo modo, a compra de um ativo (ação ou título, por exemplo) para obtenção de um rendimento por determinado período. As aplicações financeiras podem ser em investimentos de renda fixa ou variável. Conforme aponta Assaf Neto e Lima (2010), aplicação em renda fixa é aquela em que se conhece os rendimentos de forma antecipada, quando se vai realizar a aplicação. Os rendimentos próprios de renda fixa também podem ser prefixados ou pós-fixados. As cadernetas de poupança, letras de câmbio, certificados de depósitos bancários – CDB, além dos fundos de investimentos em renda fixa, das letras hipotecárias e das debêntures, são, no Brasil, os principais ativos de renda fixa. Tais investimentos devem devolver ao cedente o valor aplicado, com juros do tempo em que o dinheiro ficou guardado, ou seja, o investidor recebe de volta o valor investido adicionado dos juros, como recompensa pelo dinheiro emprestado. A caderneta de poupança “é considerada a modalidade de aplicação financeira mais popular e antiga do mercado. Indicada para o pequeno investidor, a poupança rende TR + 6% ao ano (0,5% ao mês)” (Brasil, 2015). 7 Também sobre o tema, Fortuna (2008) pontua que caderneta de poupança é a aplicação mais simples e tradicional, constituindo-se como uma das poucas aplicações com possibilidade de aplicação de pequenas somas e ter liquidez, mesmo com a perda de rentabilidade quando se retira valores fora da data de aniversário da aplicação. De acordo com Lima, Galardi e Neubauer (2006), fundos de investimentos é uma modalidade de investimentos em conjunto, na qual vários investidores depositam seus recursos a fim de obter retorno financeiro, sendo feito em forma de condomínio. Tais fundos são regidos pela Instrução da Comissão de Valores Imobiliários, CVM 555, sendo os principais: Fundos de Investimento Imobiliário – FII, Fundos de Investimento em Direitos Creditórios – FIDC e FIDC-NP, Fundos de Investimento em Participações – FIP e os Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional – FUNCINE. Em se tratando do mercado de renda variável, observam-se as operações em que não se tem definidos os valores a serem recebidos; operações realizadas em bolsa de valores, ou mesmo fora desta, com a interveniência de instituições financeiras tais como bancos, corretoras e distribuidoras, que integram o Sistema Financeiro Nacional, regidas pela Instrução Normativa RFB n. 1.0022/2010. São exemplos de aplicações em renda variável: ações; Fundos de Renda Variável; Commoditties (ouro, moeda e outros) e, dentre outros, os Derivativos (contratos negociados na Bolsa de Valores, de mercados, de futuros e assemelhadas). Tais aplicações são compostas, sobretudo, por aplicações em ações e títulos com taxa de retorno variável, a partir dos quais o investidor tem lucros ou não, em função do desempenho das ações (Fortuna, 2010). 8 TEMA 3 – MERCADO DE CAPITAIS E DERIVATIVOS Fonte: bluebay/Shutterstock. Para tratar deste tema importa, inicialmente, apresentar um pouco sobre a estrutura do Sistema Financeiro Nacional – SNF. Assim, e rapidamente, vamos estudar um pouco sobre o assunto. Dentro desse contexto não poderíamos deixar de mencionar o Conselho Monetário Nacional – CMN, instituído pela Lei n. 4.595 de 31 de dezembro de 1964, um órgão deliberativo máximo do SFN, responsável por expedir as diretrizes gerais para o seu funcionamento. Em sua composição, temos: o Ministro da Fazenda (presidente), o Ministro do Planejamento e o Presidente do BACEN. Ainda nesse âmbito se insere a Comissão de Valores Imobiliários - Lei n. 6.385/76, ampliada pelas Leis n. 10.303/01 e 10.411/02. O Mercado de Capitais tem sua Base Regulamentar constituída em várias legislações. Em 1965, a Lei n. 4.728 disciplina o mercado de capitais e estabelece medidas para o seu desenvolvimento. Contudo, já em 1964, com a Lei n. 4.595, se pensava aspectos relacionados ao mercado de capitais com a Reforma Bancária, inclusive com a criação do CMN. Em 1976 duas outras leis foram importantes para esse contexto, a Lei n. 6.385/76, que cria a Comissão de Valores Mobiliários, e a Lei da CVM, Lei n, 6.404/76, que dispõe sobre as Sociedades por Ações. A Comissão de Valores Imobiliários – CVM trouxe importantes diretrizes sobre a matéria com: a Instrução CVM 480/09, que dispõe sobre o registro de 9 emissores de valores mobiliários admitidos à negociação em mercados regulamentados de valores mobiliários; a Inst. CVM 461/07, que disciplina os mercados regulamentados de valores mobiliários e dá diretrizes sobre as Bolsas; a Lei n. 10.303/01, a nova Lei das Sociedades por Ações, e a Inst. CVM 555/14, que disciplina os fundos de investimentos. Feitas essas considerações iniciais, torna-se fundamental mencionar que “o mercado de capitais é um sistema de distribuição de valores mobiliários, que tem o propósito de proporcionar liquidez aos títulos de emissãode empresas e viabilizar seu processo de capitalização” (Brasil, 2010, p. 7). Trata- se de um sistema arquitetado para contribuir com a capitalização das empresas, auxiliando na geração de riqueza à sociedade. É formado pelas bolsas de valores, instituições financeiras autorizadas e pelas sociedades corretoras e outras. As negociações no mercado de capitais são responsáveis pela circulação de capital para custear o desenvolvimento econômico. A partir disso, tem-se a capitalização das empresas, impulsionando atividade econômica e a geração de empregos. Ao absorver os recursos, as empresas realizam investimentos, o que aciona o mercado de produção. “o mercado financeiro é aquele que permite e viabiliza a transferência de recursos financeiros entre os agentes econômicos poupadores, que dispõem de recursos, e aqueles que deles necessitam, os tomadores de recursos” (Brasil, s/d, p. 2). O mercado de derivativos, por sua vez, se trata de valores mobiliários cujos valores e características de negociação estão diretamente ligados a outros ativos que lhes são referência. Um derivativo é um ativo ou instrumento financeiro, cujo preço deriva de um ativo ou instrumento financeiro de referência ou subjacente, e que justifica a sua existência, seja com a finalidade de obtenção de um ganho especulativo específico em si próprio, ou, e principalmente como proteção – hedge – contra eventuais perdas no ativo ou instrumento financeiro de referência. (Fortuna, 2010, p. 779) Com base em Spinola, e numa concepção mais simplificada, como assim coloca o autor, derivativos “são negócios derivados de outros negócios” (Spinola, 1998, p. 42). Ou seja, trata-se de um instrumento financeiro que não apresenta valor por si só. Na atual conjuntura financeira, os derivativos são essenciais como instrumentos de proteção a riscos (hedge) a investimentos no mercado de capitais. Nessa mesma linha de raciocínio, Assaf Neto e Saunders expõem que “[...] derivativos são instrumentos financeiros que se originam 10 (dependem) do valor de outro ativo, tido como ativo de referência. Um contrato derivativo não apresenta valor próprio, derivando-se do valor de um bem básico” (Assaf Neto; Saunders, 2002, p. 331). O mercado de derivativos é inovador, avançando na velocidade da tecnologia e junto às necessidades financeiras. Por essa razão, as empresas estão tendo sucesso com o uso desses instrumentos, necessariamente construindo uma análise e gestão de riscos. Assim, “[...] o principal objetivo dos derivativos é que agentes econômicos possam proteger-se contra riscos de oscilações de preços, taxas de juros, variações cambiais [...]” (Lopes; Galdi; Lima, 2011, p. 41). TEMA 4 – CASH MANAGEMENT Créditos: Rei Imagine/Shutterstock. Ao pensar sobre Cash Management verifica-se a importância de discutir sobre planejamento financeiro. Planejar é essencial para o sucesso de uma organização financeira. O gestor que não planeja suas ações corre o risco de ser surpreendido por imprevistos e colocar a empresa em dificuldades. Para Ross et al., as mudanças numa empresa são definidas pelo planejamento financeiro. Essa organização é necessária em função do estabelecimento de metas da empresa, bem como para a tomada de decisões concernentes ao investimento e financiamento. Além disso, é importante que a empresa se organize, para que as mudanças de condições não as pegue de surpresa (Ross et al., 1995, p. 522). 11 Os planos financeiros e orçamentos fornecem roteiros para atingir os objetivos da empresa (Gitman, 1987, p. 250). Logo, é imprescindível que a empresa se organize para que tenha o controle sobre suas finanças, os ganhos e as saídas. Não se pode pautar o sucesso e a solvência de uma empresa apenas em projetos rentáveis e pelo aumento das vendas. "A crise de liquidez, isto é, a falta de caixa para pagar as obrigações financeiras sempre põe em perigo uma companhia" (Gropelli; Nikbakht, 1998, p. 365). Neste contexto, impossível não referenciar o fluxo de caixa, uma ferramenta que tem sido essencial na gestão financeira das empresas. "O fluxo de caixa é o instrumento que permite ao administrador financeiro planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros de sua empresa para um determinado período" (Zdanowicz, 1998, p. 19). Nas concepções de Assaf Neto e Silva, fluxo de caixa “é um processo pelo qual a empresa gera e aplica seus recursos de caixa determinados pelas várias atividades” (Assaf Neto; Silva, 1997 p. 38). A partir do fluxo de caixa o gestor consegue programar e acompanhar as entradas e as saídas de recursos financeiros, de forma que a empresa possa acompanhar as operações financeiras, operando sempre conforme os objetivos e as metas traçados, a curto e a longo prazos, inclusive facilitando a análise e a tomada de decisão no sentido de comprometer os recursos financeiros. “É importante ressaltar que o caixa é o centro dos resultados, para tomada de decisões financeiras, e representa a ‘disponibilidade imediata’, ou seja, é diferente do ‘resultado econômico contábil’” (Silva, 2005, p. 11). É de extrema relevância que a empresa tenha uma boa organização de seu fluxo de caixa, pois a má gestão desse instrumento tem sido responsável por fracassos em empresas, inclusive podendo levá-las ao fracasso. 12 TEMA 5 – AGRONEGÓCIO E NEGÓCIOS INTERNACIONAIS Fonte: Allexxandar/Shutterstock. Para tratar do tema Agronegócio e negócios internacionais importa, antes de mais nada, compreender o processo de internacionalização, um processo no qual as empresas conseguem manter os empreendimentos em momentos de instabilidade econômica. A internacionalização permite às empresas integrarem-se com territórios de outra nação, o que permite ganhos em outros mercados. Evidentemente que a industrialização crescente a partir da segunda metade do século promoveu abertura às grandes empresas brasileiras. No período entre 1990 e 2000 presenciamos um crescimento das empresas brasileiras que puderam expandir seu negócio, adaptando-se ao novo cenário de abertura e estabilidade da economia, ao mesmo tempo em que conseguem expandir suas atividades, construindo uma oportunidade no cenário internacional (Costa; Souza-Santos, 2010, p. 169). O processo de internacionalização é uma estratégia empresarial e diz respeito ao direcionamento de procedimentos, ferramentas e tecnologias de uma empresa com vistas à comercialização ou investimentos através das fronteiras entre países, onde estas “organizam, abastecem, fabricam, comercializam e conduzem atividades de valor agregado em escala internacional”. (Cavusgil; Knight; Riesenberger, 2010, p. 3) Essa realidade é buscada pelas empresas por várias razões, dentre as quais, a oportunidade de expansão e inserção internacional. Aliado a isso, tem- 13 se a obtenção de lucros, crescimento e diversificação de mercado, serviços e formas de negociações e melhor atendimento ao cliente (Cavusgil; Knight; Riesenberger, 2010). Dentro dessa perspectiva de internacionalização se insere o agronegócio brasileiro. “Na esteira da expansão do comércio internacional, o agronegócio brasileiro elevou consideravelmente o grau de abertura do setor entre 1996 e 2014, passando de 14,3% a 22,6% - tendo atingido seu pico em 2004, com 25,9%” (FGV, 2015, p. 9). Em grande medida, as definições de agronegócio perpassam um conjunto de medidas incentivadas por governos e instituições privadas que contribuem para a industrialização e a padronização da agricultura em âmbito internacional. Dentro desse contexto, os bancos se inserem, especialmente no quando a Associação Brasileira de Agronegócio – ABAG reúne as instituições que “direta ou indiretamente encontram-se envolvidas com a atividade agrícola e agroindustrial” (Bruno, 1997, p. 36). Importante mencionar a participação de instituiçõescomo Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional - USAID e Banco Mundial, que, a partir das demandas de agricultores de diversos países, compreenderam a necessidade da abertura de crédito com linhas especiais de financiamento para aquisição de sementes, fertilizantes, insumos químicos e pesticidas, que passaram a ser importados, assim sendo, essas agências passam a promover políticas de liberalização comercial (Shiva, 1991, p. 30). Nesse sentido, observa-se a importante participação dos bancos, os quais conseguem promover a logística financeira necessária ao processo de constituição e infraestrutura do agronegócio. Um exemplo disso são os bancos cooperativos, que recebem autorização para manejar os recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT, ou mesmo com créditos internacionais, como o Crédit Agricole, o Desjardin e DG Bank. TROCANDO IDEIAS • Diante do aprendizado até aqui, como você, vê o nosso sistema financeiro? • Como o mercado de capitais pode contribuir para o sucesso de uma empresa? 14 NA PRÁTICA Para compreender como funciona a gestão operacional de uma empresa, ela precisa ter bem definido seus objetivos, os quais são executados a partir da tomada de decisões. Após traçados os objetivos e definidas as metas é necessário construir um fluxo, para garantir que os objetivos delineados sejam efetivamente alcançados. Nesse sentido, imagine-se numa situação em que se termina o período proposto pelas metas, simule um Fluxo de Caixa, mostrando seus resultados. Após a construção do fluxo de caixa, e olhando para sua gestão financeira, como está sua empresa? FINALIZANDO Nesta aula discutimos um pouco sobre Técnicas de Venda de Produtos Financeiros para o Cliente de Atacado; Aplicações Financeiras, Investimentos; Mercado de Capitais e derivativos; Cash Management; Agronegócio e Negócios Internacionais. Buscamos traçar uma linha de raciocínio para que você tenha condições de construir um pensamento consolidado de forma crítica, no qual você poderá adquirir novos conhecimentos relacionados aos bancos de atacado e os serviços ofertados, relacionando todos os conceitos com o Sistema Financeiro Nacional e tudo o que ele envolve. Esperamos que esse conteúdo agregue em seus conhecimentos de modo a contribuir, de forma substancial, para seu aprendizado, e aplicação na prática na vida profissional, razão pela qual acreditamos na importância de temas como esse. Bons estudos!!! Mantenham-se firmes. REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A.; SAUNDERS, A. Administração de instituições financeiras. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2002. ASSAF NETO, A.; SILVA, C. A. T. Administração de capital de giro. São Paulo: Atlas, 2010. 15 ASSAF NETO, A.; LIMA, F. G. Fundamentos de administração financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. BRASIL. Comissão de Valores Mobiliários. 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