Prévia do material em texto
CONTABILIDADE DE CUSTOS Prof. Me. Marcelo de Jesus da Mata Reitor: Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira Pró-Reitoria Acadêmica Maria Albertina Ferreira do Nascimento Diretoria EAD: Prof.a Dra. Gisele Caroline Novakowski PRODUÇÃO DE MATERIAIS Diagramação: Alan Michel Bariani Thiago Bruno Peraro Revisão Textual: Fernando Sachetti Bomfim Marta Yumi Ando Produção Audiovisual: Adriano Vieira Marques Márcio Alexandre Júnior Lara Osmar da Conceição Calisto Gestão de Produção: Aliana de Araújo Camolez © Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo (a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá. Primeiramente, deixo uma frase de Sócrates para reflexão: “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida.” Cada um de nós tem uma grande re- sponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica e profissional, refletindo diretamente em nossa vida pessoal e em nossas relações com a socie- dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente e busca por tecnologia, informação e conhec- imento advindos de profissionais que possuam novas habilidades para liderança e sobrevivên- cia no mercado de trabalho. De fato, a tecnologia e a comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e nos proporcionando momentos inesquecíveis. Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino a Distância, a proporcionar um ensino de quali- dade, capaz de formar cidadãos integrantes de uma sociedade justa, preparados para o mer- cado de trabalho, como planejadores e líderes atuantes. Que esta nova caminhada lhes traga muita experiência, conhecimento e sucesso. Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira REITOR 33www.UNINgA.Br U N I D A D E 01 SUmárIO DA UNIDADE INTrODUçãO ............................................................................................................................................................4 1. A CONTABILIDADE DE CUSTOS, A FINANCEIrA E A gErENCIAL ...................................................................5 1.1 FINANCEIrA .........................................................................................................................................................5 1.2 DE CUSTOS ..........................................................................................................................................................5 1.3 gErENCIAL .........................................................................................................................................................6 2. TErmINOLOgIA E PrINCÍPIOS .......................................................................................................................... 7 2.1 TErmINOLOgIA .................................................................................................................................................. 7 2.2 PrINCÍPIOS DO SISTEmA DE CUSTOS ...........................................................................................................11 2.2.1 PLANO DE CONTAS ..........................................................................................................................................11 2.2.2 ESqUEmA BáSICO DE CONTABILIDADE CUSTOS ..................................................................................... 12 CONSIDErAçÕES FINAIS ....................................................................................................................................... 16 DEFINIçÕES E TErmINOLOgIA Prof. Me. Marcelo de Jesus da Mata Ensino a distância DISCIPLINA: contabilidade de custos 4www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância INTrODUçãO Este material tem o objetivo de capacitar o aluno a compreender o processo de estruturação de contabilidade de custos empresariais. No primeiro momento, far-se-á a apresentação dos fundamentos e conceitos iniciais da teoria do funcionamento e construção dos dados das informações. Nesta primeira unidade, serão discutidos os Princípios Contábeis, as classificações, as relações com o produto e as relações com o volume produzido pela empresa. Inicialmente, se faz necessário o entendimento de que a Contabilidade de Custos está assentada sobre os fundamentos das Ciências Contábeis. Assim, o entendimento básico das divisões dessa ciência é de suma importância. A divisão básica utilizada neste material é: contabilidade financeira, contabilidade gerencial e contabilidade de custos. Na realidade prática dos negócios, todas estão interligadas num processo simbiótico. A contabilidade financeira é a de controle do patrimônio. A contabilidade gerencial é a que permite a tomada de decisões. Finalizando, a contabilidade de custos é a ferramenta para ambas as anteriores, pois dá condições de controle e tomada de decisões. Outro assunto importante é a questão da terminologia; isto é, os termos e a nomenclatura aplicada à contabilidade de custos. Os termos são importantes para determinar, sem dúvidas, o significado de cada processo, cada palavra e cada evento relacionado à prática nas empresas. Será apresentada uma lista resumida dos termos, entretanto, apesar de resumida, contém termos muito importantes. E, concomitantemente à terminologia, tem-se os princípios do sistema de custos, em que são apresentados o plano de contas e o esquema básico de custeio. 5www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância 1. A CONTABILIDADE DE CUSTOS, A FINANCEIrA E A gErENCIAL 1.1 Financeira Para Viceconti (2017), a contabilidade financeira pode ser definida como a parte da contabilidade cujo objetivo é controlar o patrimônio das empresas, apurar resultados e promover a escrituração Contábil, utilizando o método das partidas dobradas, relatórios tais como: balanço patrimonial, demonstração de resultados, demonstração das mudanças no patrimônio líquido e demonstração do fluxo de caixa. Dentro desse contexto, os estoques têm um papel fundamental no resultado da empresa comercial, influenciando diretamente o lucro bruto. Coeteris paribus, quanto maior o estoque inicial, maior o lucro bruto; e, quanto maior o estoque final, maior o lucro bruto. As expressões a seguir mostram isso mais claramente: CMV=Ei+C+Ef; e Lb=V-CMV. Onde, CMV = Custo da Mercadoria Vendida; Ei = Estoque inicial; C = Compras; Ef = Estoque final; V = Vendas; e Lb = Lucro bruto. Há empresas que utilizam inventários periódicos, nos quais o profissional de contabilidade apresenta uma primeira avaliação do Lucro Antes do Imposto de Renda (LAJIR), que depende apenas do estoque final para certificar o seu resultado definitivo seguindo a sequência a seguir: Resultado Bruto (Lb) (-) Despesas Comerciais Administrativas Financeiras (=) Resultado Líquido 1.2 De custos O processo da revolução industrial fez aparecer as empresas industriais que tinham um processo interno mais complexo que as empresas comerciais anteriores. Antes as empresas comerciais aplicavam os custos internos sobre o preço das mercadorias compradas, um processo mais simples. As empresas industriais são mais complexas, pois tratam com fatores de produção: matérias-primas, salários, energia e demais gastos industriais etc. Todos esses fatores somados são chamados de custos de produção (RIBEIRO, 2011; VICECONTI, 2017). 6www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância A parte da contabilidade, diz Viceconti (2017), que cuida dos custos de produção é chamada contabilidade de custos, objeto de estudo desta disciplina. Nos primórdios, era apenas avaliação dos estoques com procedimentos mais complexos e gastos com os fatores de produção ligados a eles. No final de cada período, o balanço indicava produtos não acabados e produtos acabados. As expressões mostradas no item anterior têm que ser alteradas para refletiros processos da contabilidade de custo, como é visto a seguir: CPV=Ei+GP-Ef; e Lb=V-CPV. Onde, GP = Gastos na produção; e CPV = Custo dos Produtos Vendidos. Um conceito importante, ainda segundo o mesmo autor, é o custo de produção do período, no qual todos os custos envolvidos são totalmente absorvidos, o que é chamado de custeamento por absorção. Esse custeamento por absorção tem os seguintes princípios: realização da receita; registro pelo valor original; competência; e prudência. Em complemento, há as convenções materialidade e consistência. Esses princípios e convenções serão mais bem detalhados na Seção 3 (SCHIER, 2005; RIBEIRO, 2011; VICECONTI, 2017). 1.3 gerencial A contabilidade gerencial, de acordo com Ribeiro (2011) e Viceconti (2017), tem o objetivo de fornecer informações extraídas dos dados Contábeis aos gestores, o que auxilia na tomada de decisões. Além das decisões, o gerenciamento de desempenho é de suma importância para a sobrevivência da empresa. Entende-se por desempenho o estabelecimento de metas orçamentárias; é, portanto, um instrumento de controle interno da empresa. Suas informações, segundo os mesmos autores, são em grande parte internas, o que dispensa grande parte da rigidez da escrituração Contábil. Uma característica importante é a utilização de outros campos do conhecimento para obter resultados, tais como: estatística, finanças, economia, produção e análise de demonstrações financeiras. A contabilidade gerencial é relativamente recente em relação à financeira e à de custos. A financeira é muito mais difundida. Comparando as contabilidades gerencial e financeira com a de custos, é notável a diferença de objetivos. Essas diferenças são complementares. Inicialmente, como já visto, a contabilidade de custos era focada na avaliação dos estoques e na apuração dos resultados; porém, atualmente, tende a realizar a tomada de decisões da contabilidade gerencial (RIBEIRO, 2011; VICECONTI, 2017). Pode-se dizer que é fundamental na função administrativa de controle e tomada de decisões. Com relação ao controle, estabelece padrões, orçamentos, previsões que facilitam o acompanhamento, o que gera o que chamamos de custeio padrão, que, por sua vez, tem o objetivo principal de detectar ineficiências e desperdícios. 7www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância 2. TErmINOLOgIA E PrINCÍPIOS 2.1 Terminologia A contabilidade de custos, de acordo com Schier (2005) e Ribeiro (2011), tem uma terminologia própria que, algumas vezes, gera equívocos tanto em iniciantes quanto em experientes na área. Esses equívocos vêm de noções equivocadas sobre as palavras e seus significados quanto aos assuntos tratados. Gastos, custos e despesa são sinônimos? Qual a relação entre desembolso e perda? E como é tratado o investimento? Como visto, palavras aplicadas ao assunto podem gerar confusão e embaraço, não importando o nível de conhecimento ou experiência. O Quadro 1, a seguir, busca definir claramente os termos utilizados e seus significados de modo simplificado e objetivo. GASTO Compra de um produto ou serviço qual- quer, que gera sacrifício financeiro para a entidade, representado por entrega de ativos. Esse conceito tem aplicação ampla e relaciona-se a todos os bens e serviços adquiridos. DESEMBOLSO Pagamento resultante da aquisição de bens e serviços. São saídas em dinheiro ou cheque que ocorrem devido a pagamento de uma aquisição efetuado à vista ou de uma obrigação assumida an- teriormente. INVESTIMENTO Gasto ativado em função de sua vida útil ou de benefícios atribuíveis a futuros períodos. CUSTO Gasto relativo a bem ou serviço utilizado na produção de outros bens e serviços. DESPESA Bem ou serviço consumido direta ou indi-retamente para obtenção de receitas. PERDA Bem ou serviço consumido de forma anormal e involuntária. DESPERDÍCIOS São gastos incorridos nos processos pro- dutivos ou de geração de receitas e que possam ser eliminados sem prejuízo da qualidade ou quantida- de dos bens, serviços ou receitas geradas. CUSTO DE AQUISIÇÃO OU PRODU- ÇÃO É o valor de entrada pela aquisição ou produção de bens ou serviços. CUSTO DE AQUISIÇÃO DE MATE- RIAIS Inclui o valor pago ao fornecedor, subtraí- do dos impostos recuperáveis e acrescidos dos va- lores de que a empresa dispõe para colocar esses materiais em condições de uso. Por outro lado, na tomada de decisões, observa-se a utilização do que chamamos custeio variável. Gerador de informações mais adequadas positivo. Para completar, observam-se os custos fixos, que são independentes do processo produtivo, das vendas e dos estoques. 8www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância CUSTO DE PRODUÇÃO Inclui o custo de aquisição de materiais, acrescido dos demais gastos incorridos na produ- ção. INSUMOS Bens adquiridos para o consumo no pro- cesso de produção de novos bens ou prestação de serviços. CENTRO DE CUSTO É a menor unidade de acumulação de custos. Trata-se de um centro de responsabilidade no qual o gestor não tem controle sobre as receitas, mas é capaz de controlar os gastos. ADVENTO Aparecimento, chegada de um fato rele-vante. ALOCAÇÃO Direcionamento de itens de receita ou de custos para o centro de resultados a que perten- cem, para possibilitar uma análise real do resultado. ANÁLISE VERTICAL DE CUSTOS Consiste em determinar quanto cada cus- to individual representa percentualmente sobre o total dos custos de um período pré-determinado. ANÁLISE HORIZONTAL DE CUSTOS Esse tipo de análise avalia a evolução temporal dos custos, com o objetivo de identificar tendências e anormalidades. ÁREA DE RESPONSABILIDADE Unidade administrativa, com atividades estabelecidas e controladas por um gestor que é responsável pelo cumprimento das metas e diretri- zes estipuladas pelo modelo de gestão, com reflexo no resultado consolidado. ATACADO Comércio em grande escala realizado en- tre produtores, empresas de Comércio e varejistas, para que o produto chegue ao consumidor final. ATIVIDADE São as ações requeridas para a realização de metas e objetivos de determinada função. CADEIA DE SUPRIMENTOS É o conjunto das atividades executadas para projeção, produção, comercialização, entrega dos produtos, independentemente da agregação de valor, desde o produtor primário até o consumidor final. CENTRO DE INVESTIMENTO É o último estágio na centralização do processo de tomada de decisão, utiliza-se do ROI (retorno sobre o capital investido), para determinar seu desempenho financeiro. CENTRO DE RECEITAS É o centro onde se delega exclusivamente a responsabilidade sobre a geração das vendas. CENTRO DE LUCROS É o centro responsável pelo controle de desempenho divisional, com vistas à melhora na lucratividade da corporação. CENTRO DE RESULTADO Centro onde a medida de desempenho é resultado econômico. CHECK-IN Inspeção de produtos na entrada das de-pendências da empresa. CICLO ECONÔMICO Período que uma entidade requer para concluir o processo de intervenção na função eco- nômica designada. 9www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância CONTRIBUIÇÃO-ALVO Margem de contribuição objetivada para determinado produto, calculada no processo de apreçamento de markup para obtenção da margem desejada. CUSTEIO POR ABSORÇÃO INTEGRAL É o método de apuração de custos usado pela contabilidade de custos para apuração do resultado Contábil. CUSTEIO DIRETO OU VARIÁVEL Método de custo que considera somente os gastos variáveis (custos e despesas) como cus- to dos produtos vendidos. CUSTEIRO RKW Reichkuratorium für Wirtschaftlichtkeit - Sistema de custos que surgiu na Alemanha, no início do século 20, e é uma avaliação do sistema de custeio por absorção integral, já que também as despesas são apropriadas no custo dos produtos. CUSTEIO ABC Activity Based Costing - Custo baseado na atividade: é umametodologia de apuração dos cus- tos envolvidos, e caracteriza-se principalmente por uma alocação mais precisa dos custos indiretos de uma organização. CUSTO FIXO É o custo que permanece constante dentro de uma determinada capacidade instalada, não se alterando com as modificações na quanti- dade produzida. CUSTO PADRÃO OU STANDARD É aquele determinado como sendo o custo normal de um produto. É elaborado considerando- se um cenário de bom desempenho operacional, porém levando-se em conta eventuais deficiências existentes. CUSTO VARIÁVEL É o custo que acompanha o crescimento do volume de produção na mesma proporção. ECR Efficient Consumer Response - Resposta eficiente ao consumidor: é a estratégia segundo a qual o varejista, o produtor e fornecedor trabalham próximos para a eliminação de custos excedentes na cadeia. EFICÁCIA Grau em que são satisfeitas as expectati-vas de resultado. EFICIÊNCIA Fazer bem feito alguma coisa. ENTIDADE Qualquer entidade que tem a capacidade de acumular, por destino, custos e receitas. EVENTO ECONÔMICO Ocorrência que modifica a estrutura patri- monial de uma empresa, levando em consideração o aspecto econômico. FLUXO DE INFORMAÇÕES Estruturação ordenada dos dados, dis- postos de forma a facilitar o roteiro para a execu- ção do processo decisório. GERIR É fazer os processos acontecerem e conduzir a organização para seus objetivos. GESTÃO Gerir, gerência, administração. GESTÃO ECONÔMICA É o processo de tomada de decisões, con-siderando-se o aspecto econômico das atividades. 10www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância GESTOR Pessoa responsável pelas diretrizes da gestão, seu modelo e seu cumprimento. INFORMAÇÃO Conjunto de dados estruturados que per- mitem análise crítica de desempenho sem movi- mentos pré-determinados e formam a base para tomada de decisões. INTEGRALIZAÇÃO DE AÇÕES Realização do pagamento para constituir o capital da sociedade anônima. INVESTIMENTO Gasto ativado em função de serviço, o que pode ser de curto, médio ou longo prazo. MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO É a contribuição unitária do produto para pagar o montante da despesa fixa da empresa e o lucro da atividade. MARKUP É o índice que se utiliza para o cálculo do preço de venda do produto. MENSURAÇÃO Quantificação de eventos ou objetos, de acordo com determinadas normas. MODELO DE GESTÃO É um conjunto de princípios e definições que decorrem de crenças específicas e que traduzem o conjunto de ideias, valores da cúpula de gestores da empresa. PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO É uma ferramenta de gestão utilizada para levantamento, determinação e comunicação dos objetivos estabelecidos na divulgação da Estratégia que se pretende usar para alcançar os objetivos definidos. PLANEJAMENTO ORÇAMENTÁRIO Ferramenta utilizada para direcionar os passos dos gestores para que os objetivos organi- zacionais sejam atingidos. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO É o planejamento efetuado com base em legislação vigente de impostos e contribuições, com vistas a uma melhor adequação quanto ao sis- tema tributário utilizado pela empresa. RACIONALISMO Método de observar as coisas baseado unicamente na razão. RECEITA Valor monetário dos produtos e serviços gerados pelas atividades da empresa. RESULTADO ECONÔMICO Expressão da variação do patrimônio da empresa em um determinado intervalo de tempo. RETRABALHO Desenvolvimento de atividades em seto- res ou por pessoas diferentes, obtendo o mesmo resultado, não com a intenção de confirmação. SISTEMA Conjunto de elementos interdependentes que interagem na consecução de um objetivo co- mum. SISTEMA DE INFORMAÇÃO Sistema de compilação e tratamento de dados, para auxílio ao processo decisório. Quadro 1 – Terminologias da contabilidade de custos. Fonte: Adaptado de Schier (2005, p. 15-22). 11www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância 2.2 Princípios do Sistema de Custos 2.2.1 Plano de contas Uma das fases mais importantes na implementação de um sistema de custos é a fase do plano de contas; isto é, o registro de custos e despesas da empresa. Esses registros são subordinados a condições especiais: devem ser sistematizados e organizados, para que seu objetivo seja alcançado, com mensuração correta, controle efetivo da movimentação de estoques e o atendimento à legislação. A organização de um plano de contas é subordinada à Lei 6.404/76, que sofreu uma atualização com a Lei 11.638/07, para se adequar às normas internacionais da Accounting Standards Board (SCHIER, 2005; RIBEIRO, 2011). Embora a contabilidade de custo seja utilizável em todos os tipos de empresa, os mesmos autores afirmam que é na industrial que ela se destaca. Desse modo, o plano de contas da contabilidade de custos industriais tem um diferencial em relação aos outros tipos de empresas, as contas específicas. É um instrumento contábil que preconiza a conduta a ser observada nos registros, é um conjunto de normas previamente estabelecido que, basicamente, deve ser concebido, considerando as seguintes características: princípios gerais contábeis; as contas devem ter: título, classificação, função e funcionamento; tem de haver relação entre grupos e contas individuais; seguir um regulamento específico para o registro; atenção com análise e os códigos das contas; observância dos critérios de avaliação; e, rigorosamente, seguir os modelos de demonstração. O plano de contas deve ser elaborado levando em conta os objetivos formais, legais e para fins gerenciais. Quando os objetivos são formais e legais, deve haver um rigor maior, o que não acontece quando é usado para fins gerenciais, que são eminentemente internos. Outro fator preponderante é a eficiência e eficácia, que têm as seguintes características: é adaptável às necessidades, tem clareza e acessibilidade, é flexível às condições específicas da empresa; e observa o princípio geral e os demais preceitos da boa Doutrina Contábil (SCHIER, 2005; RIBEIRO, 2011). Há a necessidade de uma terminologia própria em todos os ramos da ciência. O termo adequado para o item evita confusões e estabelece um padrão para posteriores pesquisas sobre um assunto. Há a Etimologia que estuda as palavras e seus significados. 12www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância 2.2.2 esquema básico de contabilidade custos Observe a receita de doce de abóbora, a seguir: Ingredientes 8 kg de abóbora 1,5 kg de açúcar 150 g de coco ralado 6 g de cravo-da-índia 3 xícaras de água Modo de fazer Em uma panela grande, coloque a abóbora descascada e picada em pequenos pedaços para cozinhar. Vá adicionando as três xícaras de água aos poucos e mexendo de vez em quando até secar. Depois, coloque o açúcar e o cravo-da-índia, mexa bem e apure por aproximadamente 50 minutos. En- tão, acrescente coco ralado e deixe no fogo por mais 25 minutos, mexendo sempre. Tempo de preparo 2:30, sendo 1:15 de cozimento e 1:15 de apuração. Rendimento Aproximadamente 5 kg de doce. Quadro 2 - Receita de doce de abóbora. Fonte: Ribeiro (2011, p. 1). A pergunta mais importante de todas: Qual é o custo desse doce? Pode-se notar que os insumos/ingredientes não têm valores monetários, o que pode ser resolvido da seguinte maneira: Tabela 1 - Valores dos insumos/ingredientes. Fonte: Ribeiro (2011, p. 2). O total observado é de R$ 16,41. Entretanto, esses são apenas parte dos custos envolvidos no processo produtivo. Para produzir o doce de abóbora, são usados outros insumos, tais como: cozinha, gás, energia elétrica, mesa, panela, colher, faca, água, cinco recipientes (um quilograma cada) e 4 horas de trabalho. 13www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância Esses itens podem ser divididos em três elementos ou classes: materiais, mão de obra e gastos gerais de fabricação. E, mesmo nesses três elementos, uns concorrem diretamente eoutros indiretamente para o processo produtivo. Os que concorrem diretamente são os facilmente identificáveis. Por outro lado, os que concorrem diretamente são de difícil identificação e precisam de critérios para ser adicionados, estimativas e, até mesmo, valores arbitrários (definidos pelo profissional responsável pelo cálculo). Utilizando o exemplo do doce de abóbora, os custos diretos são os ingredientes, os recipientes e a mão de obra. Já os custos indiretos são o aluguel, o gás, a energia elétrica e a depreciação de móveis e utensílios. Importante frisar que o tempo, isto é, os períodos de produção devem ser considerados, bem como a quantidade de produtos que a empresa produz. Nem sempre a empresa produz somente um produto e o processo de fabricação também não é sincronizado com o início e o fim do mês. As empresas podem produzir produtos com características diferentes, seriam como “receitas diferentes”. Também é preciso considerar que os três elementos citados podem compor, de forma diferente, os custos diretos ou indiretos. Por exemplo, a mão de obra, na maioria das vezes, tem apropriação direta; por outro lado, os gastos gerais de fabricação, na maioria das vezes, são apropriados como custos indiretos. Retomando o exemplo e a questão inicial de qual é o custo, é necessário um complemento de dados: a) aluguel: R$ 600,00; b) gasto com energia elétrica: R$ 200,00; c) o preço do botijão de gás: R$ 80,00; e d) a depreciação de móveis e utensílios: R$ 300,00 ao ano. Pode-se notar que as unidades desses custos se diferem das unidades dos insumos anteriores; desse modo, é preciso deixá-los coerentes. A seguir, é exemplificado o processo. Supondo que o processo ocorra numa casa e não numa empresa, apenas a cozinha da casa seja utilizada e num período parcial do dia. Como é mostrado nos dados prévios, a cozinha ocupa 10% do espaço da casa e o tempo gasto foi de 4 horas. Assim, com 10% do aluguel, acha-se o valor mensal. Mas é necessário o valor por hora. Para esse fim, divide-se 60 por 22 (número de dias úteis por mês); dividindo-se por 8 horas diárias, acha-se o valor por hora. Como o trabalho ocorreu em quatro horas, multiplica-se o valor da hora por quatro, obtendo-se o valor do aluguel a ser adicionado. Com relação ao gás de cozinha utilizado, para a simplificação, arbitrariamente será definido que um botijão se esgota em média em 130 horas. Desse modo, o valor de uma hora é o valor do botijão dividido por 130. Como foi utilizado por 4 horas, multiplica-se para obter o valor a ser adicionado. 14www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância Para a energia elétrica, como é compartilhada com o restante da casa, aplica-se o mesmo processo de cálculo do aluguel. Depreciação é a perda do valor de um ativo ou por desgaste ou por obsolescência. Assim, os insumos utilizados têm que ter o valor de desgaste reposto no custo. Arbitrariamente, foi definida uma taxa mensal de 9,68. Esse valor, dividido por 22 dias úteis e depois por 8 horas diárias, resulta na depreciação por hora. O total de horas trabalhadas foi de 4 horas. Multiplicando-se o valor da depreciação por hora, obtém-se o valor da depreciação a ser adicionada. A mão de obra é mais simples, pois basta aferir o salário mensal e dividi-lo por 22 dias úteis e dividir por 8 horas diárias para obter o salário por hora. Foram 4 horas trabalhadas. Então, multiplica-se o salário por hora por 4 e obtém-se o valor a ser adicionado. Agora, com todos os valores disponíveis, é possível montar a planilha de custo da produção de 5 kg de doce de abóbora no Quadro 3. Quadro 3 - Planilha de custos da fabricação do doce de abóbora. Fonte: Adaptado de Ribeiro (2011, p. 7), com alte- ração de valores da planilha. 15www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância O Quadro 3 mostra, de forma sucinta, a composição dos custos. Essa transparência nos valores permite a utilização na contabilidade gerencial, isto é, permite ao gestor inferir o preço de custo e de venda. Se a empresa é a única da região, poderá definir seu preço; caso contrário, se tiver muitos concorrentes para o produto, verificar se o preço determinado pelo mercado mostra ou não a viabilidade de produzir. Para aprofundar os conhecimentos sobre o assunto, leia: BAZZI, Samir. Contabilidade gerencial: conceitos básicos e aplicação. Curitiba: Editora Intersaberes, 2015. 200 p. (Gestão Financeira). Disponível em: <https://bv4.digitalpages.com.br/?term=Contabilidade%25 20Gerencial&searchpage=1&filtro=todos&from=busca&pa ge=-1§ion=0#/legacy/30474> Acesso em: 11 jun. 2019. Neste vídeo, o estudante verá um pouco da evolução da contabilidade: História da contabilidade. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=yW-2SRWpnGg> Acesso em: 11 jun. 2019. 16www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 1 Educação a distância CONSIDErAçÕES FINAIS Nesta unidade, discutiu-se introdutoriamente os objetivos iniciais, os princípios e uma primeira visão básica de como os custos são calculados e analisados. Portanto, as bases estão assentadas para prosseguir e, na próxima unidade, buscar-se-á aprofundar os Princípios e Convenções Contábeis que dão suporte a uma compreensão sólida sobre os Custos. 1717www.UNINgA.Br U N I D A D E 02 SUmárIO DA UNIDADE INTrODUçãO ........................................................................................................................................................... 19 1. PrINCÍPIOS CONTáBEIS APLICADOS A CUSTOS ............................................................................................20 1.1 PrINCÍPIOS ........................................................................................................................................................20 1.1.1 rEALIzAçãO DA rECEITA ................................................................................................................................20 1.1.2 VALOr OrIgINAL .............................................................................................................................................20 1.1.3 COmPETêNCIA ................................................................................................................................................20 1.1.4 PrUDêNCIA ......................................................................................................................................................20 1.2 CONVENçÕES ....................................................................................................................................................20 1.2.1 mATErIALIDADE..............................................................................................................................................20 1.2.2 CONSISTêNCIA ............................................................................................................................................... 21 2. CLASSIFICAçÕES DE CUSTOS ........................................................................................................................... 21 PrINCÍPIOS E CLASSIFICAçÕES Prof. Me. Marcelo de Jesus da Mata Ensino a distância DISCIPLINA: contabilidade de custos 18www.uninga.br 2.1 Em rELAçãO AOS PrODUTOS ......................................................................................................................... 21 2.1.1 DIrETOS ............................................................................................................................................................ 21 2.1.2 INDIrETOS ...................................................................................................................................................... 21 2.2 Em rELAçãO AO VOLUmE DE PrODUçãO ....................................................................................................22 2.2.1 FIxOS ................................................................................................................................................................222.2.2 VArIáVEIS ......................................................................................................................................................22 2.2.3 SEmIFIxOS E SEmIVArIáVEIS .....................................................................................................................22 2.2.4 TOTAL ..............................................................................................................................................................22 3. mATErIAIS DIrETOS, INVENTárIOS E mãO DE OBrA DIrETA ....................................................................22 3.1 mATErIAIS DIrETOS .........................................................................................................................................22 3.2 INVENTárIOS ....................................................................................................................................................23 3.2.1 CrITérIOS DE AVALIAçãO ............................................................................................................................23 3.2.1.1 CUSTO ESPECÍFICO ......................................................................................................................................24 3.2.1.2 PEPS..............................................................................................................................................................24 3.2.1.3 UEPS .............................................................................................................................................................26 3.2.1.4 CUSTO méDIO PONDErADO: FIxO E móVEL ........................................................................................... 27 3.2.2 CONSIDErAçÕES SOBrE OS CrITérIOS DE AVALIAçãO ........................................................................30 3.3 mãO DE OBrA DIrETA .....................................................................................................................................30 CONSIDErAçÕES FINAIS ....................................................................................................................................... 31 19www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância INTrODUçãO Na Unidade I, foram vistos os fundamentos necessários para o início do estudo da contabilidade de custos. Esta unidade complementa o que foi anteriormente visto. O objetivo, agora, é apresentar os Princípios e as Convenções mais importantes de um modo mais detalhado, mesmo que ainda superficial e introdutório. Além dos Princípios e Convenções, serão vistas, também, as principais Classificações e Subclassificações relacionadas, bem como as inter-relações entre Princípios, Convenções e Classificações. Em resumo, esta unidade é um complemento direto da primeira e ambas fundamentam os assuntos posteriores. Sem a necessária atenção e entendimento de ambas as unidades, a compreensão das posteriores não será plena e eficaz. Inicialmente, serão vistos os princípios e a competência e depois as classificações básicas de custos, que compreendem os diretos e indiretos, tratando-se de produtos; e fixos, semifixos, variáveis e totais, quando relacionados ao volume de produção. 20www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância 1. PrINCÍPIOS CONTáBEIS APLICADOS A CUSTOS Pode-se agora retomar e detalhar os princípios e as convenções da discussão iniciada na Seção 1 e Subseção 1.1 da Unidade I. Esses princípios e convenções são normas adequadas e adotadas de como demonstrar patrimônio dentro de um período específico. Considera, para esse fim, a contabilidade de custos integrada à contabilidade mercantil; dessa forma, segue os princípios contábeis e seu conhecimento acumulado e estruturado (SCHIER, 2005). 1.1 Princípios 1.1.1 realização da receita Para Schier (2005), por esse princípio o resultado só é conhecido quando a receita é realizada, isto é, venda dos produtos. Assim, sob o ponto de vista econômico, o lucro surge durante a elaboração do produto quando está na fase de agregação de valor e inserção da margem desejada de lucro. 1.1.2 Valor original Os estoques e o resultado, de acordo com Schier (2005), Ribeiro (2011) e Viceconti (2017), são avaliados pelo custo histórico; portanto, não corrigidos entre o período de aquisição e levantamento do balanço patrimonial. 1.1.3 competência Todos os gastos produtivos, segundo os mesmos autores, sem correspondência às receitas no período, serão incorporados ao valor dos estoques (origem do nome custeio por absorção). 1.1.4 Prudência Relaciona-se ao conservadorismo em relação aos valores. Para os valores de “Ativo” estimados, buscam-se os menores e, para os de “Passivo”, buscam-se os maiores (SCHIER, 2005; RIBEIRO, 2011; VICECONTI, 2017). 1.2 Convenções 1.2.1 Materialidade Refere-se a insumos produtivos que, mesmo diretos, devido a seu custo irrisório em relação ao todo, podem ser contabilizados como custos indiretos. 21www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância 1.2.2 consistência Neste caso, uma vez escolhido um processo pela empresa, este deverá ser mantido para haver sequência nos vários períodos posteriores. Desse modo, permite-se uma melhor gestão. 2. CLASSIFICAçÕES DE CUSTOS Como já visto, no item 2.2.2. da Unidade I, os custos de produção têm diferenças, dependendo das características. Nesta seção, procurar-se-á detalhar essas diferenças e características. Convém aqui, seguindo Schier (2005), definir que há uma separação conceitual entre custo e despesa. Custo está intimamente relacionado ao setor de produção propriamente, enquanto a despesa é relacionada às áreas de gestão da empresa. 2.1 Em relação aos Produtos 2.1.1 diretos Os custos, na produção, ou as despesas, na administração, são diretos, de acordo com Ribeiro (2011), Wernke (2017) e Santos (2018), quando integram o produto de modo mais visível, isto é, suas quantidades e valores podem ser identificáveis de modo muito fácil quando se analisa o produto fabricado. Suas características são próprias, objetivas e podem ser medidas facilmente. Seus cálculos e rateios são mais simples e sem quase nenhum ônus. São exemplos mais visíveis: uma matéria-prima, embalagens e tempo de mão de obra direta. 2.1.2 Indiretos Segundo Ribeiro (2011), Wernke (2017) e Santos (2018), os custos, na produção, ou as despesas, na administração, são indiretos quando não integram o produto e sua identificação de quantidades e valores é muito difícil em relação ao produto fabricado. Podem ser considerados indiretos também os custos diretos com valores irrisórios em relação ao valor do produto, pois o controle e o cálculo envolvidos podem ser muito onerosos. Portanto, é muito mais prático encaixá-los nos indiretos. Outra característica é que, na maioria das vezes, compõem produtos diferentes. Como exemplos, pode-se citar: aluguel, energia elétrica, salários da administração. Aqui cabe um questionamento sobre a realidade dos fatos. Deve-se ser rigoroso, apesar de qualquer obstáculo, aos eventos presenciados? O Contabilista deve ser neutro quanto aos eventos e valores que manipula? Essa é uma reflexão importante diante da atual conjuntura econômica e social, não somente no Brasil. 22www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância 2.2 Em relação ao Volume de Produção 2.2.1 fixos São os custos que permanecem constantes no curto prazo, mesmo havendo variação na produção; aliás, mesmo que não haja produção, o custo fixo continua existindo. O custo fixo está relacionado à capacidade instalada e à estrutura física da empresa; portanto, desvinculado do volume produzido (WERNKE, 2017). 2.2.2 Variáveis Inversamente dos custos fixos, as variáveis estão relacionadas à quantidade produzida pela empresa, isto é, se a empresa aumentar aprodução, o custo variável aumentará e o contrário também acontece (WERNKE, 2017). 2.2.3 semifixos e semivariáveis Os custos semifixos são os que são fixos até certo patamar de produção e, a partir de um ponto, tornam-se variáveis. Como exemplo, pode-se apresentar as taxas de água, de energia elétrica e outras que porventura tenham uma taxa mínima. Por sua vez, os custos semivariáveis não necessariamente acompanham a produção, eles são fixos em determinados estágios variando dentro de determinados limites. Como exemplo, pode-se citar o aluguel de máquinas cujo valor, em determinadas quantidades, não varia (SCHIER, 2005; WERNKE, 2017). 2.2.4 total São a soma dos custos fixos, semifixos e semivariáveis quando existem e custos variáveis. O custo total é uma informação muito importante dentro da empresa, pois, através dele, é possível aferir se há lucro ou prejuízo e também aferir o custo unitário quando é dividido pela quantidade produzida. Mais adiante, será detalhado o processo (WERNKE, 2017). 3. mATErIAIS DIrETOS, INVENTárIOS E mãO DE OBrA DIrETA 3.1 materiais Diretos São diretamente aplicados no processo de fabricação, isto é, integram diretamente o produto fabricado e pode-se incluir a embalagem quando aplicada ao produto dentro do ambiente de fabricação. Seus valores e quantidades podem ser facilmente identificados e atribuídos sem grandes problemas (RIBEIRO, 2011). 23www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância Esses materiais necessitam de um local adequado chamado almoxarifado, onde são armazenados para aplicação no processo produtivo ou consumidos em outros setores da empresa. Os responsáveis pelo almoxarifado têm o objetivo de receber, estocar, conservar, controlar e distribuir os materiais. Portanto, é um setor de grande importância dentro da empresa, pois tem controle sobre os materiais e por isso possibilita que os custos sejam os mais reais possíveis. Esse controle é feito por meio de documentos, tais como: notas fiscais, guias de transferências e requisições. Além dos materiais diretos e indiretos, também são guardados produtos acabados, em elaboração, matérias-primas e outros (RIBEIRO, 2011). Com relação à compra, venda e valores envolvidos, é preciso traçar considerações sobre a compra de materiais efetuada para uso, venda, consumo e aplicação nos processos de fabricação. A contabilização da compra deve considerar o sistema adotado pela empresa no controle de estoques e apuração de resultados. Por outro lado, em relação à venda, além do produto acabado, podem ser vendidos outros materiais (em frequência menor) e o processo de controle é o mesmo das compras. Leva em consideração o sistema de inventário adotado: permanente ou periódico; ou ainda, um mix de ambos. Usando-se o sistema de inventário permanente, há a baixa no estoque pelo custo e o crédito na conta de resultado pelo valor de venda. No periódico, somente no crédito em conta, o resultado é suficiente. Como dito em linhas anteriores, as empresas podem fazer o uso de um sistema misto: permanente para as operações normais e periódico para coisas de pequeno valor (RIBEIRO, 2011). 3.2 Inventários Na moderna empresa industrial, ao final de cada período, se faz necessário conhecer os resultados para elaborar as demonstrações contábeis, inclusos os resultados das apurações nos estoques. Essas apurações são resultados de contagem física que devem ser transcritas no “Registro de Inventário”, que é exigido pelas legislações de Imposto de Renda, Imposto sobre Produtos Industrializados e Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Essas especificações recaem sobre mercadorias, manufaturados, matérias-primas e até mesmo sobre os bens de propriedade da empresa. Especificamente, as matérias-primas e os materiais aplicados no processo de fabricação, incluindo também produtos em elaboração, são importantes para apurar o custo de fabricação dos produtos da empresa. 3.2.1 critérios de avaliação São necessários critérios para a apuração citada anteriormente. Os custos dos materiais são baseados em seu valor de aquisição na nota fiscal, adicionando despesas acessórias, tais como: seguros, fretes e outros. Também se adicionam os tributos considerados não recuperáveis (que não podem ser incorporados diretamente no preço dos produtos e repassados). Tendo em vista que se pode adquirir o mesmo produto em datas diferentes com preços diferentes, gera-se a necessidade de critérios para aferir e apropriar os custos adequadamente. Os critérios mais usados nas indústrias são: custo específico, PEPS, UEPS; e custo médio ponderado, que pode ser fixo ou móvel. A seguir, será detalhado cada um deles. 24www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância 3.2.1.1 custo específico É a atribuição a cada unidade do estoque, o preço efetivamente pago por cada unidade. Geralmente é aplicado em bens de fácil identificação física, tais como: imóveis para revenda, mercadorias para revenda, veículos. Em empresas industriais, sua aplicação é mais adequada a produtos que permitem a aplicação direta, ou seja, produtos que não passam pelo almoxarifado. 3.2.1.2 PePs Significa Primeiro que Entra, Primeiro que Sai. Uma tradução do inglês first in, first out ou FIFO. Atribuição de custo é sempre para os custos mais recentes. Seria mais fácil a visualização no exemplo a seguir: Quadro 1- Eventos relatando mudanças no estoque. Fonte: O autor. Primeiramente, deve-se levar em consideração se há saldo anterior de estoque: EMPRESA XXX - Método PEPS DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDO Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31-Dec Saldo em estoque 50 180,00 9.000,00 25www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância Agora pode-se começar a calcular os custos catalogados. EMPRESA XXX - Método PEPS DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDOQtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo do período anterior 50 180,00 9.000,00 - 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 - 10 198,00 1.980,00 Aqui, no histórico, colocou-se a origem e aquisição, e a coluna “ENTRADAS” é preenchida com a quantidade e o custo unitário. O custo total é a quantidade vezes o custo unitário. Assim, tem-se 50 unidades por 180,00 cada e 10 unidades por 198,00 cada. Ao leitor é fortemente recomendado que preste atenção e memorize esse fato. EMPRESA XXX - Método PEPS DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDOQtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo do período anterior 50 180,00 9.000,00 - 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 - 10 198,00 1.980,00 10/01 Venda-saldo período anterior - 40 180,00 7.200,00 10 180,00 1.800,00 10/01 Aquisição 05/01 - - 10 198,00 1.980,00 16/01 Aquisição 25 195,00 4.875,00 - 25 195,00 4.875,00 No dia 10-Jan, foi feita uma venda de 40 unidades. Note aqui que, na lista inicial, o valor é 450,00, mas esse é o valor de VENDA, e não de custo. Qual é o valor de custo, então? Lembre-se do método, PEPS, primeiro que entra e primeiro que sai. Qual o primeiro custo que vai sair? É o custo do saldo inicial em estoque, 180,00. Assim, 50-40=10 e 10×180,00=1800,00. Note que não foi ainda necessário deduzir das aquisições posteriores. EMPRESA XXX - Método PEPS DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDOQtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo do período anterior 50 180,00 9.000,00 - 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 - 10 198,00 1.980,00 10/01 Venda-saldo período anterior - 40 180,00 7.200,00 10 180,00 1.800,00 10/01 Aquisição 05/01 - - 10 198,00 1.980,00 16/01 Aquisição 25 195,00 4.875,00 - 25 195,00 4.875,00 23/01 Venda-saldo período anterior - 10 180,00 1.800,00 0 180,00 - 23/01Venda-aquisição 05/01 - 10 198,00 1.980,00 0 198,00 - 23/01 Venda-aquisição 16/01 - 1 195,00 195,00 24 195,00 4.680,00 05/02 Aquisição 23 196,30 4.514,90 - 23 196,30 4.514,90 11/02 Venda-aquisição 16/01 - 24 195,00 4.680,00 0 195,00 - 11/02 Venda-aquisição 05/02 - 10 196,30 1.963,00 13 196,30 2.551,90 15/02 Aquisição 27 194,00 5.238,00 - 27 194,00 5.238,00 28/02 Venda-aquisição 05/02 - 13 196,30 2.551,90 0 196,30 - 28/02 Venda-aquisição 15/02 - 16 194,00 3.104,00 11 194,00 2.134,00 TOTAIS 25.607,90 23.473,90 Há outra venda no dia 23-Jan. A quantidade é de 21 unidades e, como há saldos do período anterior, são 10 unidades da aquisição do dia 5-Jan, e do dia 16-Jan, 25 unidades. Proceder-se-á como descrito anteriormente, sairá 10 unidades por 180,00 cada; 10 unidades por 198,00 cada e uma unidade por 195,00 cada. Assim, permanecem em saldo somente 24 unidades da aquisição de 16-Jan. Em suma, nesse método, sempre deverão ser levados em conta os itens mais antigos em estoque para o cálculo. 26www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância 3.2.1.3 uePs Significa Último que Entra, Primeiro que Sai, do inglês last in, first out ou LIFO. Nesse caso, atribuem-se os custos mais antigos, como será visto no exemplo a seguir. Utilizando-se o exemplo do item 7.2.1.2: EMPRESA XXX - Método UEPS DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDOQtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo período anterior 50 180,00 9.000,00 50 180,00 9.000,00 Começa-se com o saldo do período anterior. EMPRESA XXX - Método UEPS DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDOQtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo período anterior 50 180,00 9.000,00 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 10 198,00 1.980,00 10/02 Venda-aquisição 05/01 10 198,00 1.980,00 0 198,00 - 10/02 Venda-saldo período anterior 30 180,00 5.400,00 20 180,00 3.600,00 No dia 05/01, há uma aquisição de 10 unidades por 198,00 cada. Assim, tem-se (50+10=60). No dia 10/02, há a venda de 40 unidades; assim, como o método é UEPS, começa-se pelo último custo: 10 unidades da aquisição do dia 05/01, zerando o “lote”. E 30 unidades do saldo do período anterior, resultando no saldo de 20 unidades por 180,00 cada, totalizando 3.600,00. EMPRESA XXX - Método UEPS DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDOQtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo período anterior 50 180,00 9.000,00 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 10 198,00 1.980,00 10/02 Venda-aquisição 05/01 10 198,00 1.980,00 0 198,00 - 10/02 Venda-saldo período anterior 30 180,00 5.400,00 20 180,00 3.600,00 16/01 Aquisição 25 195,00 4.875,00 25 195,00 4.875,00 23/01 Venda-aquisição 16/01 21 195,00 4.095,00 4 195,00 780,00 No dia 16/01, ocorre nova aquisição de 25 unidades por 195,00, resultando 4.875,00. No dia 23/01, há a venda de 21 unidades. O último “lote” adquirido foi no dia 16/01; então, o custo unitário utilizado foi 195,00, resultando um saldo de 4 unidades. EMPRESA XXX - Método UEPS DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDO Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo período anterior 50 180,00 9.000,00 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 10 198,00 1.980,00 10/02 Venda-aquisição 05/01 10 198,00 1.980,00 0 198,00 - 10/02 Venda-saldo período anterior 30 180,00 5.400,00 20 180,00 3.600,00 16/01 Aquisição 25 195,00 4.875,00 25 195,00 4.875,00 23/01 Venda-aquisição 16/01 21 195 4.095,00 4 195,00 780,00 05/02 Aquisição 23 196,30 4.514,90 23 196,30 4.514,90 11/02 Venda-aquisição 05/02 23 196,30 4.514,90 0 198,00 - 11/02 Venda-aquisição 16/01 4 195,00 780,00 0 195,00 - 11/02 Venda-saldo período anterior 7 180,00 1.260,00 13 180,00 2.340,00 No dia 05/02, há uma nova aquisição de 23 unidades por 196,30 cada. No dia 11/02, há uma venda de 34 unidades; assim, tem-se o último custo no dia 05/02, 23 unidades foram vendidas, depois 4 unidades do “lote” do dia 16/01 e 7 unidades do “lote” do saldo do período anterior, “sobrando” 13 unidades. 27www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância EMPRESA XXX - Método UEPS DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDO Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo período anterior 50 180,00 9.000,00 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 10 198,00 1.980,00 10/02 Venda-aquisição 05/01 10 198,00 1.980,00 0 198,00 - 10/02 Venda-saldo período anterior 30 180,00 5.400,00 20 180,00 3.600,00 16/01 Aquisição 25 195,00 4.875,00 25 195,00 4.875,00 23/01 Venda-aquisição 16/01 21 195 4.095,00 4 195,00 780,00 05/02 Aquisição 23 196,30 4.514,90 23 196,30 4.514,90 11/02 Venda-aquisição 05/02 23 196,30 4.514,90 0 198,00 - 11/02 Venda-aquisição 16/01 4 195,00 780,00 0 195,00 - 11/02 Venda-saldo período anterior 7 180,00 1.260,00 13 180,00 2.340,00 15/02 Aquisição 27 194,00 5.238,00 27 194,00 5.238,00 28/02 Venda-aquisição 15/02 27 194,00 5.238,00 0 194,00 - 28/02 Venda-saldo período anterior 2 180,00 360,00 11 180,00 1.980,00 TOTAIS 25.607,90 23.627,90 No dia 15/02, há uma nova aquisição de 27 unidades por 194,00 cada. No dia 28/02, há a venda de 29 unidades. Desse modo, 27 unidades sairão do “lote” adquirido no dia 15/02 e 2 unidades sairão do “lote” do saldo do período anterior. Cabe aqui notar que ainda restaram 11 unidades ainda do saldo vindo do período anterior. 3.2.1.4 custo médio ponderado: fixo e móvel Os custos são avaliados pela média de preço de sua aquisição. Há a subdivisão entre móvel e fixo. O custo médio ponderado móvel é assim definido, pois na aquisição de produto avalia-se seu custo unitário e o custo unitário dos insumos já estocados; e, conforme ocorrem as aquisições, os custos médios vão mudando, como no exemplo a seguir. Utilizando-se o exemplo do item 3.2.1.2: EMPRESA XXX - Método CUSTO MÉDIO PONDERADO MÓVEL DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDO Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo do período anterior 50 180,00 9.000,00 - 50 180,00 9.000,00 Começa-se com o saldo do período anterior. EMPRESA XXX - Método CUSTO MÉDIO PONDERADO MÓVEL DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDO Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo do período anterior 50 180,00 9.000,00 - 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 - 60 183,00 10.980,00 10/01 Venda - 40 183,00 7.320,00 20 183,00 3.660,00 Há a aquisição de 10 unidades por 198,00 cada. Como já há 50 unidades de 180,00 cada, deve-se proceder ao cálculo: 50+10=60 unidades e 9.000,00+1.980,00=10.980,00; então, 10.980,00÷60=183,00. Assim, 183,00 é o custo médio nesse dia específico enquanto não houver nova aquisição. Note que, na venda de 40 unidades, efetuada no dia 10/01, o valor de custo utilizado foi 183,00. O mesmo processo repetir-se-á nos lançamentos posteriores. 28www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância EMPRESA XXX - Método CUSTO MÉDIO PONDERADO MÓVEL DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDO Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo do período anterior 50 180,00 9.000,00 - 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 - 60 183,00 10.980,00 10/01 Venda - 40 183,00 7.320,00 20 183,00 3.660,00 16/01 Aquisição 25 195,00 4.875,00 - 45 189,67 8.535,00 23/01 Venda - 21 189,67 3.983,00 24 189,67 4.552,00 Com a venda de 40 unidades, o saldo caiu para 20 unidades. No dia 16/01, há aquisição de 25 unidades, elevando o saldo para 20+25=45 e o valor de estoque era 3.660,00;assim, 3.660,00+4.875,00=8.535,00, então, 8.535,00÷45=189,67. Na venda do dia 23/01, o custo utilizado para a venda das 21 unidades foi 189,6, reduzindo o saldo para 24 unidades. EMPRESA XXX - Método CUSTO MÉDIO PONDERADO MÓVEL DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDOQtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo do período anterior 50 180,00 9.000,00 - 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 - 60 183,00 10.980,00 10/01 Venda - 40 183,00 7.320,00 20 183,00 3.660,00 16/01 Aquisição 25 195,00 4.875,00 - 45 189,67 8.535,00 23/01 Venda - 21 189,67 3.983,00 24 189,67 4.552,00 05/02 Aquisição 23 196,30 4.514,90 - 47 192,91 9.066,90 11/02 Venda - 34 192,91 6.559,03 13 192,91 2.507,87 No dia 05/02, há mais uma aquisição de 23 unidades elevando o saldo para 23+24=47 unidades e valor do estoque anterior, 4.552,00+4.514,90=9.066,90. Do mesmo modo que anteriormente, 9.066,90÷47=192,91. A venda do dia 11/02, de 34 unidades, utiliza esse custo e o saldo é reduzido a 13 unidades. EMPRESA XXX - Método CUSTO MÉDIO PONDERADO MÓVEL DATA HISTÓRICO ENTRADAS SAÍDAS SALDO Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) Qtd. C.unit.($) CT ($) 31/12 Saldo do período anterior 50 180,00 9.000,00 - 50 180,00 9.000,00 05/01 Aquisição 10 198,00 1.980,00 - 60 183,00 10.980,00 10/01 Venda - 40 183,00 7.320,00 20 183,00 3.660,00 16/01 Aquisição 25 195,00 4.875,00 - 45 189,67 8.535,00 23/01 Venda - 21 189,67 3.983,00 24 189,67 4.552,00 05/02 Aquisição 23 196,30 4.514,90 - 47 192,91 9.066,90 11/02 Venda - 34 192,91 6.559,03 13 192,91 2.507,87 15/02 Aquisição 27 194,00 5.238,00 - 40 193,65 7.745,87 28/02 Venda - 29 193,65 5.615,75 11 193,65 2.130,11 TOTAIS 25.607,90 23.477,79 Por fim, no dia 15/02, há aquisição de 27 unidades, elevando o saldo para 40 unidades. O custo dessa aquisição mais o custo do estoque anterior (saldo) é 2.507,87+5.238,00=7.745,87. E 7.745,87÷40=193,65. A última venda, de 29 unidades, do exemplo foi executada com o custo de 193,65 por unidade. O leitor pode verificar que o total das entradas menos o total de saídas resulta no valor final de estoque: 2.130,11. Por outro lado, tratando-se de custo médio ponderado fixo, os valores de inscrição serão avaliados no final do período (geralmente no final do ano), isto é, apuração é somente uma vez após a última compra e a última venda. A obtenção é executada dividindo-se o custo total de materiais disponíveis pela quantidade total desses mesmos materiais. O custo total de materiais disponíveis resulta da soma dos custos de estoques iniciais aos custos de compras líquidas. O custo de compras líquidas resulta do custo total de compras menos alterações nos valores das compras. Utilizando o exemplo anterior: 29www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância Cálculo do custo médio ponderado fixo: 25.607,90 = 189,69 135 Atribuição do custo ao estoque final: Unidades de materiais existentes em estoque no final do período vezes o Custo Médio ponderado fixo. 11 x 189,69 = 2.086,57 Cálculo dos insumos transferidos para a produção: Custo total dos materiais disponíveis para uso menos Custo do estoque final. 25.607,90 - 2.086,57 = 23.521,33 Esse sistema só pode ser adotado por empresas que utilizam sistemas de inventário periódico, realmente no final do exercício. Os valores obtidos serão aplicados a todas as unidades que foram vendidas ou aplicados no processo de fabricação durante o período, independentemente da data. Just in time é um sistema de administração da produção que determina que nada deve ser produzido, transportado ou comprado antes da hora certa. É um termo inglês, que significa literalmente “na hora certa” ou “momento certo”. O sistema Just in Time (JIT) pode ser aplicado em qualquer organização e é muito importante para auxiliar a reduzir estoques e os custos decorrentes do processo. É o principal pilar de diversas fábricas, em especial de carros, como, por exemplo, o sistema Toyota de produção. Com esse sistema, o produto ou matéria-prima chega ao local de utilização somente no momento exato em que for necessário, ou seja, os produtos somente são fabricados ou entregues a tempo de serem vendidos ou montados, não existe estoque parado. O próprio conceito do termo é relacionado à produção por demanda, onde primeiramente vende-se o produto para depois comprar a matéria-prima e só depois fabricá-lo ou montá-lo. Nas fábricas onde está implantado o just in time, o estoque de matérias-primas é mínimo e suficiente para poucas horas de produção, e para que isso seja possível, os fornecedores devem ser treinados e capacitados para que possam fazer entregas de pequenos lotes na frequência desejada. 30www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância 3.2.2 considerações sobre os critérios de avaliação A Conjuntura Econômica deve ser avaliada com cuidado para adoção do método de inventário de estoques. Quando há inflação, o método UEPS não é recomendado, pois gera distorções na avaliação, tornando o método custo médio ponderado e o método PEPS mais recomendados. Outra questão importante é a avaliação do fisco sobre os métodos. No Brasil, são aceitos os métodos PEPS e custo médio ponderado. O método UEPS não é aceito, dado que os seus resultados geram com o estoque maior, reduzindo a margem de lucro contábil e a margem de imposto a ser descontado. 3.3 mão de Obra Direta De acordo com Schier (2005) e Stark (2007), mão de obra direta é aquela que é aplicada diretamente à produção, ou seja, por um operário que trabalha em um produto de cada vez ou em vários produtos por meio de uma máquina. A alocação dessa mão de obra é feita por meio das horas efetivamente trabalhadas; assim, o custo varia de acordo com a quantidade produzida, adicionados os encargos sociais. Tempos não trabalhados não fazem parte da mão de obra direta, são considerados custos indiretos. Para a correta aferição da mão de obra direta, segundo os mesmos autores, há necessidade de controle sobre o trabalho efetuado, para verificar o tempo efetivamente trabalhado. Verifica-se aqui que não é somente o tempo registrado no cartão ponto. Esse processo gera necessidade de controles rígidos sobre o processo produtivo para facilitar a aplicação das horas trabalhadas ao custo. A mão de obra direta (e a indireta também) sofre variações no processo produtivo devido às seguintes características: ineficiência e ineficácia; pessoal não adequado; falta de reposição de trabalhadores em períodos de descanso; gestão ineficiente de recursos humanos; e falta de descanso adequado da mão de obra, gerando redução de produtividade (STARK, 2007; SCHIER, 2005). A redução do número de fornecedores para o mínimo possível é um dos fatores que mais contribui para alcançar os potenciais benefícios da política just in time. Fonte: SIGNIFICADO de Just in Time. Disponível em: <https://www.significados.com.br/just-in-time/> Acesso em: 12 jun. 2019. 31www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 2 Educação a distância CONSIDErAçÕES FINAIS Como visto, esta unidade é uma continuação lógica da primeira. Ambas buscam fundamentar teoricamente, de modo introdutório, o processo de aferição dos custos empresariais em geral e industrial especificamente. Isso posto, o estudante está preparado para dar continuidade ao processo de aprendizagem. Na Unidade III, o processo será de cunho mais prático, no qual o estudante terá oportunidade de executar, através de exemplos simples, o custeio básico. 3232www.UNINgA.Br U N I D A D E 03 SUmárIO DA UNIDADE INTrODUçãO ...........................................................................................................................................................33 1. ESqUEmA BáSICO, DEPArTAmENTALIzAçãO,CENTrO DE CUSTO E rATEIO DE CUSTOS ......................34 1.1 ESqUEmA BáSICO .............................................................................................................................................34 1.2 DEPArTAmENTALIzAçãO ................................................................................................................................36 1.3 CENTrO DE CUSTO ...........................................................................................................................................36 1.4 rATEIO DE CUSTOS ........................................................................................................................................... 37 2. CUSTOS INDIrETOS DE FABrICAçãO ..............................................................................................................38 CONSIDErAçÕES FINAIS .......................................................................................................................................44 CONTABILIDADE DE CUSTOS NA PráTICA Prof. Me. Marcelo de Jesus da Mata Ensino a distância DISCIPLINA: contabilidade de custos 33www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância INTrODUçãO O fundamento desta unidade é a construção de um exemplo numérico. Durante a leitura, será observado como se processa o custeio por absorção, a departamentalização e o processo de rateio. Pede-se ao estudante que desenvolva uma atenção maior para a sequência de ações e as correlações entre os passos anteriores e os posteriores. Depois do entendimento sobre os processos, o estudante estará pronto para entender as definições sobre os custos indiretos e como é executada a alocação desses custos do modo mais adequado. Como os custos indiretos têm uma dificuldade maior no processo de cálculo e alocação, será requerido do estudante maior atenção e senso de lógica. Por último, a unidade é encerrada com o estudo sobre os materiais diretos. Dentro da empresa industrial, os materiais diretos podem ser considerados insumos fundamentais no processo produtivo. Desse modo, aprender como são controlados os materiais dentro da empresa é de grande importância; por consequência, é necessário entender como são feitos os inventários físicos. Sobre esse entendimento na utilização de métodos, serão vistos os principais. Em adição aos materiais diretos, também serão estudados os meios pelos quais a mão de obra direta é alocada dentro dos custos. Portanto, esta unidade dará condições ao estudante de construir uma matriz de custos completamente funcional e bem próxima da realidade. 34www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância 1. ESqUEmA BáSICO, DEPArTAmENTALIzAçãO, CENTrO DE CUSTO E rATEIO DE CUSTOS 1.1 Esquema Básico É dividido, segundo Schier (2005), em três passos/etapas: separação entre custos e despesas; apropriação dos custos diretos; e apropriação dos custos indiretos. Os gastos são apresentados na Tabela 1. Tabela 1- Gastos da empresa. Fonte: Schier (2005, p. 53). 1º PASSO: separação dos custos e despesas. CUSTOS DE PRODUÇÃO VALOR $ Matéria-prima consumida 200.000,00 Energia elétrica - fábrica 40.000,00 Salários - fábrica 60.000,00 Depreciação - fábrica 15.000,00 Água - fábrica 25.000,00 Manutenção - fábrica 35.000,00 Seguros - fábrica 13.000,00 TOTAL 388.000,00 DESPESAS ADMINISTRATIVAS VALOR $ Telefone 2.000,00 Correios e Telégrafos 3.000,00 Salários da administração 30.000,00 Material de expediente - escritório 2.000,00 TOTAL 37.000,00 DESPESAS COMERCIAIS VALOR $ Comissões de vendas 20.000,00 Fretes para entrega 25.000,00 TOTAL 45.000,00 35www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância DESPESAS FINANCEIRAS VALOR $ Despesas financeiras 20.000,00 TOTAL 20.000,00 Tabela 2 - Separação dos custos e despesas. Fonte: Adaptado de Schier (2005). 2º PASSO: apropriação dos custos diretos. A empresa industrial produz 2 produtos: X e Y. Para efeito de exemplo, na distribuição dos custos diretos, 50% do valor da mão de obra é custo indireto e 60% da despesa com água é custo direto. 1) Para a matéria-prima, aloca-se diretamente o consumo aos produtos. Matéria-prima VALOR $ % X 150.000,00 75,00% Y 50.000,00 25,00% TOTAL 200.000,00 100,00% Tabela 3 - Matéria-prima. Fonte: Adaptado de Schier (2005). 2) Distribuição do custo com mão de obra e do gasto com água. MÃO DE OBRA Produto Direta % Indireta % 50% 50% X 22.500,00 75,00% 0,00% Y 7.500,00 25,00% 0,00% 30.000,00 100,00% TOTAL 30.000,00 100,00% 30.000,00 100,00% GASTOS COM ÁGUA Produto Direta % Indireta % 60% 40% X 11.250,00 75,00% Y 3.750,00 25,00% 10.000,00 100,00% TOTAL 15.000,00 100,00% 10.000,00 100,00% Tabela 4 - Custo com mão de obra e gasto com água. Fonte: Adaptado de Schier (2005). 3) Resumo da apropriação dos custos diretos. Tipos de Custos diretos Custos indiretos Total Gastos X Y Matéria-prima 150.000,00 50.000,00 200.000,00 Energia elétrica 40.000,00 40.000,00 Mão de obra 22.500,00 7.500,00 30.000,00 60.000,00 Água 11.250,00 3.750,00 10.000,00 25.000,00 Manutenção 35.000,00 35.000,00 Seguro 13.000,00 13.000,00 Depreciação 15.000,00 15.000,00 TOTAL 183.750,00 61.250,00 143.000,00 388.000,00 Tabela 5 - Apropriação dos custos diretos. Fonte: Adaptado de Schier (2005). 36www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância 3º PASSO: apropriação dos custos indiretos. Apropriar os custos indiretos nos produtos X e Y. Para esse fim, será utilizado o resumo do item 3) do 2º PASSO, no total de 143.000,00. Produto Custos diretos Custos indiretos Total $ % $ % $ X 183.750,00 75,00% 107.250,00 75,00% 291.000,00 Y 61.250,00 25,00% 35.750,00 25,00% 97.000,00 TOTAL 245.000,00 100,00% 143.000,00 100,00% 388.000,00 Tabela 6 - Apropriação dos custos indiretos. Fonte: Adaptado de Schier (2005). Se hipoteticamente a quantidade produzida de X fosse 10.000 unidades e de Y, 15.000 unidades, os custos unitários de X=291.000÷10.000=29,10 e de Y=97.000÷15.000=6,47. 1.2 Departamentalização Departamento, segundo Schier (2005), é a unidade mínima administrativa que possui pessoas e máquinas em uma atividade homogênea sob a responsabilidade de um gestor indicando uma forma de controle. Não se restringe somente à área industrial, mas abrange empresas comerciais e de serviços. INDUSTRIAL ↔ USINAGEM ↔ MONTAGEM ↔ MANUTENÇÃO GESTÃO ↔ RH ↔ CONTABILIDADE ↔ TESOURARIA COMERCIAL ↔ VENDAS ↔ MARKETING ↔ EXPEDIÇÃO Segundo o mesmo autor, os departamentos podem ser divididos em produtivos e não produtivos, por exemplo, algum departamento de serviços auxiliares é chamado não produtivo ou auxiliar; enquanto o de produção é chamado de produtivo. No setor produtivo, custos são jogados diretamente nos produtos, pois os insumos são física e diretamente processados. No auxiliar, os custos não são apropriados e são transferidos para os departamentos produtivos beneficiados. Departamento de serviços (auxiliar) Manutenção ↔ Almoxarifado ↔ Controle de ↔ Suprimentos Qualidade Departamento de produção Usinagem ↔ Pintura ↔ Montagem 1.3 Centro de Custo Um departamento é geralmente um centro de custos indiretos que são acumulados para posterior alocação aos centros produtivos. Assim, pode-se definir centro de custos como a unidade mínima de acumulação de custos indiretos. Entretanto, o centro de custos não é necessariamente uma unidade administrativa (SCHIER, 2005). 37www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância 1.4 rateio de Custos Os custos indiretos só podem ser apropriados de forma indireta aos produtos mediante estimativas, critérios e a previsão de comportamento. Essa apropriação tem uma forma subjetiva, pois não garante 100% de acerto, vide o exemplo a seguir. O princípios estudados recomendamque o critério escolhido seja o que melhor se ajuste à realidade de cada unidade produtiva; e a sua execução está sob a determinação do método mais adequado, menos injusto quanto à distribuição de custos entre os departamentos (SCHIER, 2005). Exemplo de rateio retirado de Schier (2005, p. 103-105): A) Suponhamos que o custo total da empresa com aluguel seja lançado no departamento administrativo da fábrica, para posterior locação desse custo ao centro de custos correspondentes. Efetuaremos, nesse caso, um rateio com base na área de ocupação de cada unidade. O valor total do aluguel é de $ 1000,00. Aluguel: 1.000,00 Departamento Área ocupada m² Percentual Valor XX 100 20,00% 200,00 YY 250 50,00% 500,00 ZZ 150 30,00% 300,00 TOTAL 500 100,00% 1.000,00 Como resultado, temos os valores que correspondem a cada unidade de acordo com o critério estipulado, que foi julgado como mais justo na oportunidade. B) O departamento comercial de uma indústria engloba a venda de todos os produtos realizadas pelos vendedores alocados no seu departamento, sendo a comissão desses calculada de forma sintética, de acordo com a aplicação de percentual sobre o valor total das vendas do mês. Para que possamos alocar da forma mais justa possível esse custo das comissões, utilizamos o critério de vendas por vendedor em termos monetários de cada produto e seu percentual de participação no total das vendas do vendedor correspondente. Vendas Vendedor:0100 Produto Valor da venda Percentual A 100.000,00 25,00% B 300.000,00 75,00% TOTAL 400.000,00 100,00% Comissão do vendedor Vendedor:0100 Venda mensal Comissão2% 400.000,00 8.000,00 Rateio da comissão Produto Percentual Comissãorateada A 25% 2.000,00 B 75% 6.000,00 TOTAL 100% 8.000,00 38www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância 2. CUSTOS INDIrETOS DE FABrICAçãO Como visto em itens anteriores, os custos indiretos de fabricação não podem ser quantificados nos produtos, têm que ser apropriados por meio de rateio. Os custos indiretos de fabricação são compostos pelos materiais indiretos, mão de obra indireta e os outros custos indiretos. E, mesmo se rateados, existem dificuldades para a execução, como já visto. O rateio é subjetivo ou arbitrário, às vezes ambos. Entretanto, podem-se usar algumas bases mais comuns, tais como: para aluguéis, para depreciação em impostos relacionados pode-se usar a área em metros quadrados; custo da energia elétrica e potência instalada nos departamentos é um modo de rateio; nos departamentos auxiliares, como administração e serviços, o número de funcionários lotados pode ser usado; e, no almoxarifado, os números de requisição de material são úteis para esse fim (MEGLIORINE, 2011). Ainda de acordo com o mesmo autor, a departamentalização é de suma importância e desse fato decorre que o custo com matéria-prima é identificado com o produto e não com o departamento. Por outro lado, a mão de obra indireta é facilmente identificada, pois está ligada aos departamentos e pode-se utilizar a folha de pagamento do departamento para efetuar o rateio. Necessariamente, o custo com mão de obra aqui leva em conta a soma do salário, encargos sociais em cargos trabalhistas. Frisa-se ainda que o custo indireto de fabricação dos departamentos auxiliares (gerência e serviços) é de difícil apropriação. Um exemplo prático a seguir mostrará, com mais clareza, o processo. Uma indústria que produz os produtos: X,Y e Z. MAPA DE CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO DEPT. AUXILIARES DEPT. PRODUTIVOS Admin. Almox. Contr. de Usinagem Montagem Pintura TOTAIS Geral Qualidade Base de rateio 1. Nº de funcionários 2.Área ocupada (m²) 3.Potência instalada (kW) 4.Qtd. aparelhos de telefone 5.Nº de requisições de materiais 6.Horas/homem 7.Horas/máquina 8.Horas de controle de qualidade Custos próprios ou identificados 9.Mão de obra indireta ($) 10.Materiais diversos ($) Aqui cabe pensar sobre o tipo de empresa, objeto do processo de custeio. Cada empresa é única e detém seu arcabouço de conhecimentos e experiências acumulados. Assim, o aproveitamento desses conhecimentos e experiências pode ser muito útil no processo. É de bom alvitre que o profissional responsável pelo cálculo ouça todos os funcionários e suas ideias e “dicas”. 39www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância 11.Depreciação ($) 12.SUBTOTAL Custos comuns Bases de rateio 13.Energia elétrica ($) 14.Água ($) 15.Telefone ($) 16.Aluguel ($) 17.SUBTOTAL ($) 18.TOTAL DE CIF DOS DEPT. ($) Rateio dos departamentos auxiliares 19. Administração geral ($) 1 20. Almoxarifado ($) 5 21. Controle de qualidade ($) 8 22.TOTAL DE CIF DOS DEPARTAMENTOS PRODUTIVOS ($) 23.Base de rateio dos custos dos departamentos produtivos 24.TAXAS DE RATEIO ($) Quadro 1 - Mapa de custos indiretos de fabricação. Fonte: O autor. 1º PASSO: identificar as informações sobre os custos da empresa e, para isso, será usado o mapa de custos apresentado. MAPA DE CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO DEPT. AUXILIARES DEPT. PRODUTIVOS Admin. Almox. Contr. de Usinagem Montagem Pintura TOTAIS Geral Qualidade Base de rateio 1.Nº de funcionários 6 2 3 10 15 4 40 2.Área ocupada (m²) 5 80 30 400 340 100 955 3.Potência instalada (kW) 70 40 140 1300 1100 850 3500 4.Qtd. aparelhos de telefone 5 1 1 1 1 1 10 5.Nº de requisições de materiais 30 10 60 400 200 100 800 6.Horas/homem 1200 1000 2200 7.Horas/máquina 700 700 8.Horas de controle de qualidade 100 120 80 300 Custos próprios ou identificados 9.Mão de obra indireta ($) 72.000,00 8.000,00 25.000,00 120.000,00 130.000,00 50.000,00 405.000,00 10.Materiais diversos ($) 2.500,00 500,00 700,00 30.000,00 70.000,00 40.000,00 143.700,00 11.Depreciação ($) 1.500,00 300,00 2.500,00 23.000,00 12.000,00 7.000,00 46.300,00 12.SUBTOTAL 76.000,00 8.800,00 28.200,00 173.000,00 212.000,00 97.000,00 595.000,00 Custos comuns Bases de rateio 13.Energia elétrica ($) 3 35.000,00 14.Água ($) 1 2.500,00 15.Telefone ($) 4 10.000,00 16.Aluguel ($) 2 100.000,00 17.SUBTOTAL ($) - - - - - - 147.500,00 Quadro 2 - Mapa de custos indiretos de fabricação. Fonte: O autor. 40www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância 2º PASSO: efetuar os rateios. Pode-se notar que será necessário o rateio no quadro “Custos comuns”. Na coluna “Bases de rateio”, indica-se qual será. Quanto à energia elétrica, por exemplo, na base 3, pode ser feito da seguinte maneira: 70 ×35000,00=700,00 3500 40 ×35000,00=400,00 3500 140 ×35000,00=1400,00 3500 1300 ×35000,00=13.000,00 3500 1100 ×35000,00=11.000,00 3500 850 ×35000,00=8.500,00 3500 13.Energia elétrica ($) 3 700,00 400,00 1.400,00 13.000,00 11.000,00 8.500,00 35.000,00 Fazendo para o restante: Água Telefone Aluguel 6 ×2500=375,00 5 ×10000=5000,00 5 ×100000=523,5640 10 955 2 ×2500=125,00 1 ×10000=1000,00 80 ×100000=8376,9640 10 955 3 ×2500=187,50 1 ×10000=1000,00 30 ×100000=3141,3640 10 955 10 ×2500=625,00 1 ×10000=1000,00 400 ×100000=41884,8240 10 955 15 ×2500=937,50 1 ×10000=1000,00 340 ×100000=35602,09 40 10 955 4 ×2500=250,00 1 ×10000=1000,00 100 ×100000=10471,2040 10 955 41www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância 14.Água ($) 1 375,00 125,00 187,50 625,00 937,50 250,00 2.500,00 15.Telefone ($) 4 5.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 10.000,00 16.Aluguel ($) 2 523,56 8.376,96 3.141,36 41.884,82 35.602,09 10.471,20 100.000,00 Os resultados ficam da seguinte maneira: Custos comuns Bases de rateio 13.Energia elétrica ($) 3 700,00 400,00 1.400,00 13.000,00 11.000,00 8.500,00 35.000,00 14.Água ($) 1 375,00 125,00 187,50 625,00 937,50 250,00 2.500,00 15.Telefone ($) 4 5.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 1.000,00 10.000,00 16.Aluguel ($) 2 523,56 8.376,96 3.141,36 41.884,8235.602,09 10.471,20 100.000,00 17.SUBTOTAL ($) 6.598,56 9.901,96 5.728,86 56.509,82 48.539,59 20.221,20 147.500,00 18.TOTAL DE CIF DOS DEPT. ($) 82.598,56 18.701,96 33.928,86 229.509,82 260.539,59 117.221,20 742.500,00 Quadro 3 – Bases de rateio. Fonte: O autor. 3º PASSO: finalização dos cálculos de rateio e a apropriação. Agora são necessários o rateio e a apropriação dos custos da Administração Geral da Fábrica, do Almoxarifado e do Controle de Qualidade. AGF A fábrica toda tem 40 funcionários; então, descontam-se os 6 funcionários da AGF: 40-6. O rateio é pelo número de funcionários. 87.075,00 = 2.561,0294 40-6 Almoxarifado A base do rateio serão as requisições de materiais. Aqui, além das requisições do almoxarifado, serão descontadas também as requisições da AGF: 30+10=40. 18.701,96 + 5.122,00 = 23.823,96 = 31,3473 800 - (30+10) 760 Controle de Qualidade Aqui o rateio é pelo número de horas gastas com inspeções no setor produtivo. 33.928,86 + 7.683,00 + 1.851,00 = 300 43.462,86 = 144,8762 300 42www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância Os dados para o cálculo estão no mapa. Rateio dos departamentos auxiliares 19. Administração geral ($) 1 87.075,00 5.122,00 7.683,00 25.610,00 38.416,00 10.244,00 - 20. Almoxarifado ($) 5 23.823,96 1.851,00 12.341,00 6.170,00 3.085,00 - 21. Controle de qualidade ($) 8 43.462,86 14.440,00 17.328,00 11.553,00 - 22.TOTAL DE CIF DOS DEPARTAMENTOS PRODUTIVOS ($) 281.900,82 322.453,59 142.103,20 742.500,00 23.Base de rateio dos custos dos departamentos produtivos 700 1200 1000 24.TAXAS DE RATEIO ($) 402,71545 268,71133 142,10320 Quadro 4 – Rateio dos departamentos auxiliares. Fonte: O autor. Agora todos os custos estão concentrados nos departamentos produtivos. Desse modo, agora deve-se ratear aos produtos relacionados. PRODUTOS QUANTIDADE DEPARTAMENTOS USINAGEM HM¹ MONTAGEM HH² PINTURA HH² X 100 200 300 400 Y 80 150 200 200 Z 200 350 700 400 TOTAL 700 1200 1000 Quadro 5 – Produtos. Fonte: O autor. ¹ Horas/máquina. ² Horas/homem Para: Usinagem 281.900,82 = 402,7155 /HM700 Montagem 322.453,59 = 268,7113 /HH1200 Pintura 142103,2042 = 142,1032 /HH1000 Utilizando os valores de horas vezes o valor por hora, obtém-se: CUSTOS INDIRETOS DE FABRICAÇÃO RATEADOS AOS PRODUTOS PRODUTOS DEPARTAMENTOS USINAGEM MONTAGEM PINTURA TOTAL X 80.543,09 80.613,40 56.841,28 217.997,77 Y 60.407,32 53.742,27 28.420,64 142.570,22 Z 140.950,41 188.097,93 56.841,28 385.889,62 TOTAL 281.900,82 322.453,59 142.103,20 746.457,62 Quadro 6 – Custos indiretos de fabricação rateados aos produtos. Fonte: O autor. 43www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância Para o aprofundamento do assunto, recomenda-se ao estudante a leitura do seguinte artigo: SOUZA, M. A.; FONTANA, F. B.; BOFF, C. D. S. Planejamento e controle de custos: um estudo sobre as práticas adotadas por empresas industriais de Caxias do Sul - RS. Contabilidade Vista & Revista, [s. l.], v. 21, n. 2, p. 121-151, 28 jun. 2010. Disponível em: < h t t p s : // r e v i s t a s . f a c e . u f m g . b r / i n d e x . p h p / contabilidadevistaerevista/article/view/888> Acesso em: 13 jun. 2019. Para aprofundar os conceitos de custos indiretos, leia: CORTIANO, José Carlos. Processos básicos de contabilidade e custos: uma prática saudável para administradores. Curitiba: Editora Intersaberes, 2014. 200 p. (Série gestão financeira). Disponível em: <https://bit.ly/2y99dAV> Acesso em: 12 jun. 2019. Este vídeo dá uma visão mais prática dos custos indiretos: FAZINGA, Wanessa. Custos indiretos em obras: exemplos. 2017. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=rpr4ZoWgZMI> Acesso em: 12 jun. 2019. 44www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 3 Educação a distância CONSIDErAçÕES FINAIS Nesta unidade, foi iniciado o processo numérico da Contabilidade de Custos. O estudante deve ser capaz de alocar adequadamente os custos indiretos, e os materiais e a mão de obra, que são diretos. Isto é, dominar o processo de prospecção dos eventos econômicos, quantidades e preços do insumos e montar uma planilha de custos de uma empresa que represente o máximo possível a realidade dela. A posse desse domínio permite o avanço da prospecção, do cálculo e da tabulação dos custos para a análise e formação de preço de venda. Isso se dará na próxima unidade, na qual também serão apresentados, de modo sucinto, outros métodos de custeio. 4545www.UNINgA.Br U N I D A D E 04 SUmárIO DA UNIDADE INTrODUçãO ........................................................................................................................................................... 47 1. CUSTOS E TOmADA DE DECISÕES ....................................................................................................................48 1.1 DIFErENçAS ENTrE OS CUSTEIOS: VArIáVEL E ABSOrçãO ......................................................................48 1.2 CUSTO FIxO E VArIáVEL ..................................................................................................................................48 1.2.1 CUSTOS FIxOS .................................................................................................................................................48 1.2.2 CUSTOS VArIáVEIS (CUSTEIO VArIáVEL) .................................................................................................49 1.3 PONTO DE EqUILÍBrIO ...................................................................................................................................49 1.4 DECISãO SOBrE COmPrA OU PrODUçãO E FIxAçãO DO PrEçO DE VENDA ..........................................56 1.4.1 DECISãO DE COmPrAS E PrODUçãO ..........................................................................................................56 1.4.2 PrEçO DE VENDA ........................................................................................................................................... 57 1.4.2.1 mArkUP OU TAxA DE mArCAçãO ............................................................................................................59 DECISÕES E OUTrOS SISTEmAS Prof. Me. Marcelo de Jesus da Mata Ensino a distância DISCIPLINA: contabilidade de custos 46www.uninga.br 2. OUTrOS SISTEmAS DE CUSTEIO ..................................................................................................................... 61 2.1 CUSTEIO-PADrãO ............................................................................................................................................. 61 2.1.1 VArIAçãO CUSTO rEAL/CUSTO-PADrãO ................................................................................................... 62 2.2 CUSTEIO POr ENCOmENDA ...........................................................................................................................65 2.3 CUSTEIO BASEADO Em ATIVIDADE OU ABC (ACTIVITy-BASED COSTINg) ...............................................66 2.3.1 ESTrUTUrA ..................................................................................................................................................... 67 2.3.2 ExEmPLO DE CUSTEIO .................................................................................................................................68 CONSIDErAçÕES FINAIS ....................................................................................................................................... 72 47www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância INTrODUçãO Nesta última unidade, abordar-se-á a tomada de decisões baseadas em análise, focando os assuntos principais, seguidos de exemplos de outros tipos de custeio, tais como: padrão, por encomenda eABC. Na unidade anterior, vimos o custeio por absorção e nesta faremos a comparação com o custeio variável. Esse método de custeio não é aceito para fins de imposto de renda e escrituração contábil; no entanto, é muito útil para contabilidade gerencial. O custeio variável será visto com um pouco mais de profundidade, facilitando o estudo e o entendimento do conceito de ponto de equilíbrio. Esse conceito, se dominado, facilita o entendimento de como as decisões sobre compras e vendas e a formação de preço são feitas pela empresa. Por último, passar-se-á ao estudo de três outros métodos de custeio já delineados no parágrafo anterior. O custeio padrão, muito útil para a construção de orçamentos, para a produção. Posteriormente, o custeio por encomenda, que se encaixa no conceito de empresas que produzem sob encomenda ou em casos em que a empresa tem que produzir produtos fora de linha usual. E, para fechar a unidade, o custeio ABC, que é um conceito mais moderno, no qual as atividades durante o processo produtivo tornam-se protagonistas do processo. 48www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância 1. CUSTOS E TOmADA DE DECISÕES 1.1 Diferenças entre os Custeios: Variável e Absorção Até o momento, utilizou-se o método de absorção na apropriação dos custos. De acordo com Silva e Garbrecht (2016), é o método aceito pelas autoridades fiscais do país e, além de ser um dos mais antigos, é um dos mais utilizados. Sua lógica baseia-se nos passos: 1) gastos separados em custos e despesas; 2) custos separados em diretos e indiretos; e 3) os custos diretos são apropriados diretamente ao produto e os custos indiretos são reunidos em centros ou departamentos e depois adiados e alocados aos produtos fabricados. O método de absorção, ainda segundo os mesmos autores, para a gestão estratégica de custos, é de suma importância, pois, se um produto for eliminado, seu custo total de produção não será eliminado, os gastos diretos serão expurgados; entretanto, os indiretos continuarão e serão transferidos aos outros produtos. É preciso frisar que existe um ponto intermediário entre o custeio por absorção e o custeio variável, chamado custeio por absorção modificado, cujo procedimento também tem seus passos: 1) separa custos de despesas; 2) custos são classificados em variáveis e fixos; 3) as variáveis são aplicadas aos produtos; 4) os custos fixos são divididos em operacionais e estruturais; e 5) os custos operacionais são alocados por rateio e os custos estruturais são reconhecidos com o gasto do período. Vale salientar que a diferença entre estruturais e operacionais é que os custos estruturais estão relacionados à manutenção estrutural da empresa, tais como: limpeza, aluguel, manutenção das instalações etc. As operacionais são as operações propriamente ditas. O custeio variável, ou custo variável, é o custo que varia conforme muda o volume ou a quantidade de produção. Não pode ser usado dentro da contabilidade para fins fiscais e legais; entretanto, é de suma importância para a contabilidade gerencial dentro da empresa. Depreende-se que há o custo fixo e o custo variável. Com a junção de ambos, temos o custo total de produção, que permitirá calcular a margem de contribuição e o lucro contábil da empresa (SILVA; GARBRECHT, 2016). 1.2 Custo Fixo e Variável 1.2.1 custos fixos Para Schier (2005), os custos fixos são aqueles independentes do volume produzido e são mais diluídos à medida que aumenta a quantidade produzida. Stark (2007) e Megliorine (2011) complementam que não têm origem na atividade produtiva em si, são alheios à produção e permanecem, mesmo não havendo atividade alguma. Eles sustentam a estrutura operacional da empresa. Para verificar se o custo é fixo, é necessário testar a sua reação às alterações da produção. A Figura 1 deixa mais clara a ideia. 49www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Figura 1 - Custo fixo. Fonte: Adaptado de Megliorine (2011, p. 16). 1.2.2 custos variáveis (custeio variável) De acordo com Schier (2005) e Megliorine (2011), são os custos que variam de acordo com o volume de produção, geralmente são os custos diretos; mas podem ser indiretos também se relacionados diretamente com a produção, vide a Figura 2. Figura 2 - Custo variável. Fonte: Adaptado de Megliorine (2011, p. 16). Um fato importante é que o custeio variável não é permitido pela legislação brasileira nem atende aos princípios fundamentais da contabilidade; portanto, somente é recomendável para análises internas da contabilidade gerencial. Em complemento, Stark (2011) diz que esses custos também são conhecidos como custeio marginal ou custo por não absorção. Entram na composição dos custos dos componentes exclusivamente enquanto a empresa estiver produzindo, e resultam valores de custos de estoques mais baixos que os obtidos por absorção. 1.3 Ponto de Equilíbrio De acordo com Schier (2005) e Lorentz (2016), Ponto de Equilíbrio - PE, tradução do termo em inglês break-even point, é a situação na qual a empresa não está tendo prejuízo ou lucro. A receita total é exatamente igual à soma das despesas e custos totais. A empresa sai dessa situação só quando as vendas superam seus custos e despesas ou vice-versa. A seguir, o PE contábil: 50www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Caso haja lucro ou prejuízo: Os quadros e figuras a seguir deixarão a ideia mais clara: Quadro 1 - Custos e receitas. Fonte: O autor. Pode-se plotar um gráfico, baseado nesses dados, da seguinte forma: Figura 3 - Custos e receitas. Fonte: O autor. 51www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância O primeiro fato a ser notado nos dados acima: a quantidade produzida é exatamente igual à quantidade vendida. Assim, os custos, a despesa e as receitas têm a mesma origem. O ponto de equilíbrio é alcançado quando a produção/venda chega a 50 unidades. Quadro 2 - Custos e receitas. Fonte: O autor. Gera-se o seguinte gráfico: Figura 4 - Custos e receitas. Fonte: O autor. Diferentemente dos primeiros dados, a quantidade produzida é diferente da quantidade vendida. Desse modo, os custos foram calculados utilizando a quantidade produzida e as receitas foram calculadas pela quantidade vendida. Pode-se notar que, diferentemente do primeiro caso, o PE (ponto de equilíbrio) só foi atingido quando as vendas atingiram maior nível. O desenvolvimento a seguir leva a uma fórmula para achar a quantidade de equilíbrio: 52www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Se for utilizado o primeiro exemplo: Quadro 3 - Quantidade de equilíbrio. Fonte: O autor. Nota-se que, quando a quantidade vendida é menor que a quantidade mínima (equilíbrio) para pagar os Custos e Despesas Totais (CDT ou CT), a empresa incorre em prejuízo; quando iguala, atinge o ponto de equilíbrio; e, quando supera, tem lucro. Esquematicamente, isso é apresentado na Figura 5. 53www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Aqui foram necessárias aproximadamente 67 unidades vendidas para cobrir o CDT contra 50 unidades do primeiro exemplo. Figura 5 - Custos e receitas. Fonte: Adaptado de Megliorine (2011, p. 16). Para o segundo exemplo: Quadro 4 - Quantidade de equilíbrio. Fonte: O autor. *Valor arredondado. A decisão de produção está ligada a uma demanda potencial (que pode existir). Será que gerar novos custos para a empresa para atender essa demanda é necessário? Não haveria um melhor custo/benefício se for feito um estudo de mercado? Mesmo que haja demanda, esta está disposta a pagar o preço do produto? 54www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Para Lorentz (2016), além do contábil, visto há pouco,há o econômico, financeiro e o mix de vendas. Há necessidade de uma outra maneira de calcular que permita achar o ponto de equilíbrio de modo a não ser necessária a construção de planilhas como as anteriores. O desenvolvimento é semelhante ao que já foi mostrado, mas com variações: O denominador da fórmula também é chamado Margem de Contribuição. Utilizando os dados da primeira planilha e aplicando a fórmula desenvolvida: A diferença entre o Ponto de Equilíbrio - PE contábil e o econômico é a adição do Custo de Oportunidade. Deste modo: O custo de oportunidade é o valor no qual é levado em conta o retorno sobre o capital investido e as alternativas a esse retorno. Assim, esse custo de oportunidade tem que ser maior que as alternativas. Tem que cobrir os riscos e levar em conta a conjuntura econômica cujas variáveis, taxa de juros e inflação são fundamentais. Com relação ao Ponto de Equilíbrio - PE financeiro, devem ser levados em conta os encargos financeiros e a depreciação. Como demonstrado na expressão a seguir: A depreciação é descontada e a amortização de empréstimos é adicionada aos custos. Para exemplificar, serão usados os exemplos (÷1000) tirados de Lorentz (2016, p. 176-178): 55www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância A empresa industrial KFS fabrica um produto com o preço de venda de $ 12,00. Os gastos variáveis unitários (custo e despesas) somam $ 9,00 e os custos e despesas fixos do período somam $ 6.000,00. O capital da empresa é de $18.000,00 e taxa líquida de retorno do mercado é de 10%. Tem uma depreciação de 20% e uma parcela de empréstimo a pagar no valor de $3.600. Com base nessas informações, vamos calcular: PONTO DE EQUILÍBRIO CONTÁBIL PECQ= CF = 6000 = 6.000,00 = 2.000 und. P-CVunitário (12-9) 3,00 PECR= P×Q = 12×2.000 = 24.000,00 PONTO DE EQUILÍBRIO ECONÔMICO PEEQ= CF+CO = 6000+(18.000×10%) = 7.800,00 =2.600 und. P-CVunitário (12-9) 3,00 PEER= P×Q = 12×2.600 = 31.200,00 PONTO DE EQUILÍBRIO FINANCEIRO PEFQ= CF+Depreciação+Amortização = 6000-(6000×20%)+3.300 = 8.100,00 2.700 und. P-CVunitário (12-9) 3,00 PEFR= P×Q = 12×2700 = 32.400,00 Os métodos supracitados, de acordo com Lorentz (2016), são muito importantes e necessários; entretanto, são muito limitados quando se trata de empresas que produzem e vendem mais de um tipo de produto, diferentes, ou seja, tem uma produção heterogênea. Quando a produção é homogênea, o custo fixo é apropriado diretamente ao produto mais facilmente; por outro lado, em uma produção heterogênea, os produtos podem compartilhar custos, o que dificulta a apropriação e o cálculo devido aos rateios efetuados no processo. A solução mais usual é o cálculo do ponto de equilíbrio do mix de produto. 56www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância O processo de cálculo do ponto de equilíbrio do mix de produto é relativamente simples. Basta tirar a média ponderada das margens de contribuição (Pvenda - CVunitário) dos produtos. Por exemplo, uma empresa com 2 produtos, A e B: A combinação planejada (proporção) é: Assim, Margem de contribuição média é 2,80; então, 280.000,00÷2,80= 100.000 unidades. Outro modo de calcular: Quadro 5 - Média ponderada. Fonte: O autor. Desse modo, com a posse dos conhecimentos sobre Ponto de Equilíbrio, pode-se avançar para os métodos de fixação de preço e decisões derivadas. 1.4 Decisão sobre Compra ou Produção e Fixação do Preço de Venda 1.4.1 decisão de compras e produção Para Isidoro (2016), é a expectativa de auxiliar nos processos decisórios com o objetivo de aumentar a vantagem competitiva. As compras efetuadas para execução produtiva estão submetidas aos fundamentos de redução de custos, aumento da produtividade e busca pela sinergia máxima entre desempenho operacional e administrativo com objetivo final de reduzir gastos. Essa redução só pode ser executada, segundo o mesmo autor, caso haja conhecimento profundo da empresa, das questões fiscais, do processo operacional em detalhes. Além disso, é imprescindível levar em consideração os fatos intangíveis: erros, informações e as práticas. São considerações que levam a decisões sobre o controle dos custos; entretanto, há os que não são controláveis, que devem ser levados em máxima consideração. 57www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Para diferenciar os custos controláveis e não controláveis, a base de informações deve ser sólida. Deve levar em consideração as informações qualitativas e quantitativas. Enquanto as quantitativas podem ser facilmente aferidas no processo produtivo mediante metrologia aplicada, as quantitativas são mais complexas em sua aquisição e análise. São de difícil identificação, interpretação e, às vezes, resultam de fatores intangíveis e aleatórios (IZIDORO, 2016). Outro fator relacionado é a precificação, pois compras subentendem preços, assim como as vendas. A precificação é fundamental na determinação da estratégia da empresa. Essa precificação leva a uma projeção de custos mais realista, por conseguinte, ao conhecimento real da capacidade operacional da empresa. A projeção dos custos está intimamente ligada à projeção de compras e vendas, fundamentadas em informações realistas (IZIDORO, 2016). Em complemento, Silva e Garbrecht (2016) abordam a chamada teoria das restrições ou TOC (Theory of Constraints). Sendo os objetivos da empresa vendas ou compras, sempre busca-se alcançar esses objetivos. Entretanto, há fatores que impedem, os quais podem ser parciais, integrais e podem surgir de várias formas: internamente, externamente, ser físicas ou institucionais. Factualmente, a realidade é que geram gargalos de ineficiência no sistema e precisam ser “combatidos”, e os meios são: identificar, conhecer, convivência enquanto não for selecionável e, assim que possível, reduzir ou sanar o problema. Ainda de acordo com os autores, um dos gargalos mais importantes é o chamado overhead ou superdimensionamento de compras. Esse superdimensionamento gera a necessidade de uso de recursos da empresa sem necessidade real, que, por sua vez, gera custos desnecessários que vão impactar o planejamento estratégico da empresa e o seu retorno para os acionistas. 1.4.2 Preço de venda O sistema está, de acordo com Megliorini (2011), em constante mudança; portanto, a adaptação a ela é fundamental. As empresas precisam adaptar-se ao contexto. A determinação tradicional de preços baseados nos custos só é possível quando há pouquíssima ou nenhuma concorrência: oligopólios, cartéis ou monopólios. A maioria das empresas tem limitações na formação de seus preços originados nos sistemas de cálculo de custos e nos preços dos insumos. Se a empresa tem pouca concorrência, a fórmula tradicional P = C + L, é aplicável. Mas, quando não ocorre, o que se verifica normalmente é que a empresa segue o preço de mercado e busca adequar seus custos, se possível. Diante disso, na empresa moderna, há uma concorrência na determinação dos preços e os agentes dessa concorrência são: consumidores e proprietários. Na fórmula supracitada, os consumidores devem se atentar ao preço e os proprietários ao lucro. Resumindo, o custo terá que se adequar ao “acordo” entre esses agentes, C = P - L. Esse processo é um dos fundamentos da lei de oferta e demanda, como mostra a Figura 6. O proprietários só aumentarão a produção (oferta) se obtiverem no mercado um preço que proporcione, no curto prazo, a melhor relação Lucro/Custo, isto é, quanto mais lucro devido a preços maiores, maior será a produção. As empresas existentes investirão mais e a entrada de novas empresas tornar-se-á atrativa, aumentando a oferta agregada do bem (soma das ofertas de todas as empresas do setor) (MÓCHON, 2006; SANTOS, 2018). 58www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distânciaFigura 6 - Oferta e demanda (procura). Fonte: O autor. De outro lado, há os consumidores que buscarão preços menores para maximizar seu poder de compra. Quanto mais o preço baixar, sendo um produto normal, mais consumidores podem se interessar em adquiri-los. Nesse embate, haverá um equilíbrio de mercado. Se o ponto de equilíbrio de mercado estiver acima do ponto de equilíbrio da empresa, haverá lucro e a empresa manter-se-á no mercado (MOCHÓN, 2006). Se o ponto de equilíbrio de mercado estiver abaixo do ponto de equilíbrio da empresa, a empresa tenderá a sair desse mercado, dado que está incorrendo em prejuízo. A Figura 7 ilustra o processo. Figura 7 - Ponto de equilíbrio de mercado maior que o da empresa. Fonte: O autor. Pode-se ver, na Figura 7, que o ponto de equilíbrio da empresa (Q’) é menor que o ponto de equilíbrio do mercado (P*×Q*). Note que a empresa produzirá até a oferta (RT) se igualar à demanda (P*×Q*) e o Custo Total-CT também continuará a crescer devido aos Custos Variáveis- CV; assim, [L=(P*×Q*)-(P’×Q*)]>0. Para ficar mais claro, pode-se usar um exemplo numérico: P’=10, P*=15 e Q*=150. 59www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância O inverso também é verdadeiro: se o ponto de equilíbrio de mercado para a empresa for menor que seu ponto de equilíbrio interno e ela estiver no mercado, ou faz uma reestruturação de seus custos ou troca de produto, ou ainda, em último caso, sai do mercado. Mais adiante, serão analisadas as decisões de aquisição de insumos e o processo produtivo; antes, porém, será visto o conceito de markup. 1.4.2.1 Markup ou taxa de marcação Markup é um indicador, segundo Ribeiro (2011) e Lorentz (2016), aplicado ao custo unitário, que resulta no preço de venda. Seu cálculo deve incluir tudo, incluindo impostos sobre a venda, exceto o custo de fabricação/mercadoria e há dois modos de efetuar: entender o custo de fabricação/mercadoria somente como custo variável ou como custo total unitário; mas, nesse caso, exclui-se o custo fixo. O cálculo efetuado por meio de percentagens também apresenta dois processos distintos: multiplicador e divisor. Um exemplo prático, retirado de Lorentz (2016, p. 244-245), completará o conceito: MULTIPLICADOR Custo da mercadoria: 100,00 Markup multiplicador: 1,8399264 Preço de venda da mercadoria: $100,00 × 1,8399264 = $183,99 60www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância DIVISOR Markup divisor: 0,5435 Preço de venda da mercadoria: $100 ÷ 0,5435=$183,99 Esses exemplos mostrados são para vendas à vista. Tratando-se de vendas a prazo, de acordo com Lorentz (2016), estas visam facilitar, via financiamento, a aquisição por parte dos clientes e são mais usuais em empresas comerciais. Esse acréscimo tem dois processos: por dentro e por fora. O acréscimo por fora usa a regra dos juros compostos e taxa equivalente da matemática financeira: VF=VP×(1+i)n. Onde, VF=Valor futuro (preço a prazo); VP=Valor presente (preço à vista); i= Taxa de juros do período; e n=Número de períodos. Por exemplo, para o preço acima de $183,99 à vista, a empresa tem a política de cobrar 5% ao mês. Caso ela dê um prazo de 3 meses, VF=VP×(1+i)n VF=183,99×(1+5%)³ VF=183,99×(1,05)³ VF=183,99×1,157625 VF=212,99 Por outro lado, o acréscimo por dentro passa a ser um fator. Assim, 100%-61,41% = 1-0,6141 = 0,3859100% 100,00÷0,3859 = 259,13 Note que, para o acréscimo por dentro, o preço de custo é utilizado. 61www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância 2. OUTrOS SISTEmAS DE CUSTEIO 2.1 Custeio-Padrão Para Stark (2007), a origem do custeio-padrão data das inovações introduzidas na evolução da administração científica durante o século XX. Ele permite medir a eficiência produtiva e baseia-se nos custos pré-determinados; entretanto, nem todos os custos pré-determinados são custos-padrão. Aqui por padrão entende-se: características físicas inerentes, estreita relação com a produção física na prática, isto é, determinada pelos padrões físicos e de engenharia. O objetivo fundamental, ainda segundo o mesmo autor e complementado por Lorentz (2016) e Megliorine (2011), é ser um instrumento de controle. Esse controle deve ser possível na identificação dos custos dos departamentos, dos processos e permitir a comparação de situações em momentos diferentes. Pressupondo-se, antes de tudo, a utilização dos melhores materiais, ociosidade nula da mão de obra, uso de 100% da capacidade disponível e a manutenção real compatível com a programada. Essas características tendem a parecer utópicas; por esse motivo, o conceito de custo- padrão ideal caiu em desuso em detrimento do conceito de custo-padrão corrente. Esse desuso originou-se quando começou a se observar os impactos das variáveis exógenas (fora do controle da empresa) levando a busca do custo-padrão ideal no longo prazo. Custo-padrão corrente é mais realista no curto prazo; ainda que difícil, é possível nas condições encontradas, em geral, nas empresas. E ainda, mantém a utilidade nas análises e avaliações de curto prazo. Obviamente, há exigências, tais como: níveis sofisticados de eficiência que se tornam mais complexos do que simples estimativa do passado (STARK, 2007; MEGLIORINE, 2011; LORENTZ, 2016). Os resultados evidenciados são de grande utilidade, pois propiciam o auxílio à eliminação de falhas, a melhora dos controles de consumo, desenvolvem instrumentos de avaliação de desempenho e geram uma confiabilidade maior dos dados na apuração do custo real. Esses resultados são determinados com base nas medidas técnicas: consumo, materiais, mão de obra e custos indiretos. Essas determinações são oriundas de várias áreas da empresa, em especial: contabilidade de custos, engenharia de produção e controladoria (STARK, 2007; MEGLIORINE, 2011; LORENTZ, 2016). O processo de cálculo não se baseia no valor histórico dos insumos; mas sim, nas condicionantes tecnológicas da produção, tempo e método, o que resulta da verificação de um conjunto de hipóteses na produção. A lógica é calcular primeiro os custos unitários depois dos custos dos centros e da produção total, o que permite um controle mais detalhado dos custos; portanto, é uma ferramenta importante para programação da atividade produtiva. É o método mais adequado para empresas muito diversificadas, quase que a única possibilidade prática (STARK, 2007; MEGLIORINE, 2011; LORENTZ, 2016). 62www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Quadro 6 - Procedimentos para definição de elementos-padrão. Fonte: Stark (2007, p. 266). 2.1.1 Variação custo real/custo-padrão Simplificando, tem-se o seguinte quadro: Quadro 7 - Comparação de custos. Fonte: Megliorine (2011, p. 210). Tabela 1 - Comparação simplificada. Fonte: Megliorine (2011, p. 210) 63www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância A tabela anterior mostra um desempenho positivo em 3 itens descritos. Entretanto, são somente variações oriundas de análise vertical. Para uma avaliação mais pormenorizada, há necessidade de comparar os custos e as quantidades padrão com os mesmos elementos reais. Assim, em termos de análise gerencial, pode-se, em ordem de descrição, calcular do seguinte modo: Análise da Quantidade Análise do Custo Análise Mista Utilizando os exemplos de Megliorini (2011, p. 211-216) para matéria-prima, mão de obra direta, custo indireto variável e custo indireto fixo: MATÉRIA-PRIMA O uso da letra grega delta maiúscula, ∆, é uma convenção para indicar variação. É, inclusive, usada em calculadoras especializadas em negócios. O exemplo mais popular é a calculadora HP12C da empresa Hewlett-Packard. 64www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância MÃO DE OBRA DIRETA As considerações a fazer são que, se oconsumo real for maior que o consumo padrão, tem-se uma variação desfavorável; e, com relação ao custo, se o real for menor que o padrão, a variação é favorável. Com relação aos custos indiretos variáveis e fixos, o processo deve levar em conta, além do volume (quantidade) e o custo de aquisição dos insumos, a variação da eficiência (ineficiência). Primeiramente, os Custos Indiretos de Fabricação (Fixos+Variáveis). Custo Indireto de Fabricação (VOLUME) - CIF Padrão/Esperado Custo Indireto de Fabricação (VOLUME) - CIF Real Quanto à variação nos custos, ∆Custos, analisam-se os fixos e variáveis. Custo Variável Custo Fixo 65www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância 2.2 Custeio por Encomenda Para Stark (2007), custeio por encomenda também é chamado por ordem de produção. Esse tipo de custeio tem o objetivo de permitir à administração saber os custos quando se trata de processos especiais, sejam eles a tarefa, o serviço ou a ordem de produção, separados dos demais custos da empresa. É de grande utilidade para empresas que possuem produtos bastante diferenciados e diversificados, com lotes grandes e pequenos, e operam sob especificações distintas, atividades sob projetos, tempo de fabricação muito longo, e o preço de venda depende do custo de produção. Segundo o mesmo autor, esse método induz a apuração dos custos por encomenda ou lote de produção, propiciando uma identificação com mais precisão. O custo só será conhecido ao final do processo de fabricação do produto ou lote. O controle da atividade deve ser minucioso durante a fabricação, o que exige grande esforço para atribuir uma codificação aos recursos aplicados, além de exigir grande disciplina dos setores para o fornecimento de resultados suficientemente precisos. Esse processo gera a vantagem do conhecimento, melhor, dos resultados obtidos de cada produto ou lote que, em decorrência, gera uma base de dados para elaboração de orçamentos futuros, facilitando conhecer a margem de lucro das diferentes encomendas. A Figura 8 mostra o processo Contábil. Figura 8 - Método de custeio por encomenda. Fonte: Stark (2007, p. 270). A conta fabricação recebe custos diretos associados e as despesas gerais. À medida que as encomendas terminam, o custo correspondente ao creditado na conta fabricação é debitado na conta produtos acabados. O processo pode ser visto na Figura 9 com a seguinte sequência: 1) recebimento de ordem de fabricação; 2) requisição de insumos de almoxarifado; 3) mão de obra direta por meio de folha de distribuição de trabalho: o cartão ponto; e 4) terminada a encomenda, é confeccionado um mapa resumo do processo. 66www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Figura 9 - Ficha de encomenda. Fonte: Stark (2007, p. 271). O documento de controle que recebe todos os dados é a folha/ficha de encomenda; e esta, por sua vez, apresenta três áreas diferentes, como apresentado na Figura 9. Com relação à Figura 9, há divisão em três partes. Na primeira parte, informações sobre o tipo de produto, cliente e associação ao tipo de trabalho. Na segunda parte, registro de todos os custos de produção. E por fim, na terceira parte, síntese dos custos do produto. 2.3 Custeio Baseado em Atividade ou ABC (Activity-Based Costing) A partir da década de 1980, de acordo com Megliorini (2011), a estrutura operacional das empresas começa a se modificar devido à mudança e ao acirramento da competição. Esse acirramento é oriundo do aparecimento de novas tecnologias de produção e filosofias de gestão, pois, até esse momento, a maioria das empresas se preocupava somente com a mão de obra direta e a matéria-prima, o que facilitava o trabalho dos gestores. Entretanto, a tecnologia avança. A diversificação das técnicas de produção que acompanham esse avanço gera a necessidade de novos métodos de custeio – vide Figura 10. Enquanto as empresas mantêm uma tecnologia estável, as técnicas tradicionais são mais eficientes. Figura 10 - Mudança na estrutura de custos. Fonte: Megliorini (2011, p. 189). 67www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância O avanço tecnológico fez os custos indiretos aumentarem em relação ao custo total; por outro lado, reduziu a mão de obra direta em relação aos custos totais. Assim, o custeio ABC é um desses métodos. Megliorini (2011, p. 189) diz que [...] o custeio ABC (activity-based costing), cujo arcabouço conceitual permite a apuração do custo dos produtos, serviços, outros objetos de custeio partindo da seguinte ‘filosofia’: os recursos de uma empresa são consumidos pelas atividades executadas, e os produtos, serviços ou outros objetos de custeio resumo das atividades que requerem esses recursos. Assim, os custos indiretos são apropriados, inicialmente, as atividades e, em uma etapa seguinte, aos produtos, serviços ou outros objetos de custeio que demandaram para as atividades. A proposta fundamental é apropriar os custos indiretos às atividades, pois estas geram os custos. O processo pode ser feito em etapas. No início, identificam-se as atividades de cada departamento, as mais relevantes, entrevistas com gestores, funcionários e observação direta. A ideia é atribuir os custos dos recursos às atividades, consequentemente, aos objetos de custeio. A ordem adequada é a seguinte: apropriação direta, rastreamento por direcionadores que melhor representam e o rateio tradicional. O primeiro item é possível com a identificação do recurso com uma área específica. O segundo item é executado mediante avaliação dos números de funcionários, área ocupada ou consumo de energia. Finalmente, quando os dois primeiros processos não são possíveis, fica o rateio tradicional. 2.3.1 estrutura A estrutura pode ser em dois ou mais estágios, vai depender da complexidade da empresa. Para fim de exemplo, pode-se efetuar em dois estágios: 1) recursos apropriados às atividades por meio de direcionadores; e 2) apropriação dos custos das atividades aos produtos por meio de direcionadores. Esses direcionadores identificam como as atividades consomem recursos – vide o Quadro 8. Quadro 8 - Estrutura simples de custeio ABC. Fonte: Megliorini (2011, p. 190). 68www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Figura 11 - Custeio ABC em dois estágios para determinação do custo dos produtos. Fonte: Megliorini (2011, p. 191). No Quadro 8, vê-se que, de acordo com o departamento, identifica-se a atividade e busca direcionadores, isto é, os subprocessos que tornam possíveis as atividades. Para as compras, a atividade chave é emitir pedidos e essa emissão gera custo. É assim para outras atividades e departamentos. A Figura 11 deixa mais clara a proposição. 2.3.2 exemplo de custeio Será apresentado o exemplo que consta em Megliorini (2011, p. 192-194). Uma empresa fabrica dois produtos e apresenta os seguintes custos: Agora devem-se apurar os custos por departamento. 69www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Apuram-se as atividades executadas nos respectivos departamentos. Apura-se a proporção de cada atividade no custo do departamento. Utilizando as proporções e os custos indiretos apurados, realizam-se os cálculos. Veja, como exemplo, a Depreciação e todos os outros seguem a mesma lógica. 70www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Utilizando as proporções e os custos indiretos apurados, realizam-se os cálculos. Veja, como exemplo, a Depreciação e todos os outros seguem a mesma lógica. Apuram-se os direcionadores. 71www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância Agora calcula-se pegando o valor do departamento e rateando proporcionalmente as atividades, como, por exemplo, o número de pedidos; a mesma lógica aplicar-se-áaos outros. Que resulta: O resultado final é: Para mais informações sobre formação de preço, leia: HOGAN, John; NAGLE, Thomas. Estratégia e táticas de preço: um guia para crescer com lucratividade. 4. ed. São Paulo: Pearson Education, 2007. 400 p. (Série gestão financeira). Disponível em: <https://bit.ly/2QKB7JQ> Acesso em: 12 jun. 2019. Este vídeo mostra mais informações sobre mercados: REZENDE, Marcelo Lacerda. Estruturas de mercado. 2013. Publicado no canal Aprender Economia. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=Wn9aopAYW9s> Acesso em: 12 jun. 2019. 72www.uninga.br CO NT AB IL ID AD E DE C US TO S | u ni Da DE 4 Educação a distância CONSIDErAçÕES FINAIS Esta última unidade fecha este material. Uma visão de como os preços são formados e da quantidade que se deve produzir para não incorrer em prejuízo deve ser o alicerce de todo profissional que pretenda calcular e analisar os custos empresariais. Além disso, o conhecimento de outros métodos é importante para casos em que o custeio tradicional não se mostre adequado. Com a evolução dos negócios, há uma variedade muito grande de processos que talvez o tradicional custeio por absorção não reflita adequadamente a realidade; assim, a utilização de outro método pode cobrir essa lacuna. 73www.uninga.br Ensino a distância rEFErÊnCiaS IZIDORO, C. (org.). Contabilidade de custos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2016. LORENTZ, F. Contabilidade e análise de custos: uma abordagem prática e objetiva: 250 exercícios resolvidos. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2016. MEGLIORINI, E. Custos: análise e gestão. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. MOCHÓN, F. Princípios de economia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2006. RIBEIRO, O. M. Contabilidade de custos. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. SANTOS, M. A. D. Contabilidade de custos. Salvador: UFBA, 2018. Disponível em: https:// repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/28063/1/Contabilidade%20de%20Custos.pdf. Acesso em: 25 mar. 2020. SCHIER, C. U. C. Custos industriais. [S. l.]: Editora Ibpex, 2005. SILVA, E. J.; GARBRECHT, G. T. Custos empresariais: uma visão sistêmica do processo de gestão em uma empresa. Curitiba: Editora Intersaberes, 2016. (Série gestão financeira). STARK, J. A. Contabilidade de custos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. VICECONTI, P. Contabilidade de custos. [S. l.]: Editora Saraiva, 2017. WERNKE, R. Análise de custos e preços de venda. [S. l.]: Editora Saraiva, 2017.