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28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL
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INFÂNCIA E
EDUCAÇÃO
INFANTIL
28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL
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©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília
Apresentação 
Prezado (a) estudante!
Este referencial de estudo enfatizará assuntos referentes à infância e a importância da
Educação Infantil para o desenvolvimento das sociedades em geral.
É oportuno evidenciar que a infância é uma etapa da vida em que se vive experiências que
marcam definitivamente a forma de pensar, agir, conviver e de relacionar com o mundo.
Assim, espera-se que você possa reportar-se às suas experiências para compreender
melhor os conteúdos que serão apresentados e buscar o aprofundamento das análises que
poderão ser feitas no decorrer da disciplina.
De forma sucinta, ressaltará os fenômenos históricos, culturais e sociais que levam à
construção de concepções de infância e de criança e que causam implicações nas formas
de ver, entender, cuidar e educar as crianças, tanto pelas famílias, quanto pelas instituições
educacionais.
Além disso, também, compreenderá a evolução da ideia de cidadania infantil, as convenções
e os tratados internacionais sobre a infância, as políticas públicas e as estratégias
intersetoriais para a promoção dos direitos das crianças que juntamente com a função
social da Educação Infantil resultam na atual posição estratégica da infância na pauta
internacional de desenvolvimento social.
Para melhor organização e compreensão, a temática INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL está
organizada em tópicos de forma didática e coerente:
Concepções de Infância.
A Infância na agenda mundial.
Políticas de Educação Infantil no Brasil.
O papel social da Educação Infantil.
Objetivos
Compreender fatores sociais e culturais no processo de construção das concepções
de infância no decorrer da história.
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Analisar o papel dos organismos internacionais na produção de convenções,
declarações e tratados para assegurar a promoção do desenvolvimento integral e
integrado das crianças.
Identificar os fatores políticos e sociais constitutivos da trajetória das instituições de
Educação Infantil no percurso de consolidação dos direitos das crianças.
Conhecer as políticas públicas educacionais para as crianças de 0 a 5 anos e suas
interfaces com as demais políticas que visam ao atendimento dos direitos
fundamentais das crianças.
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©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília
Desafio 
Você já sabe que há direitos das crianças ainda não garantidos no universo de um país
como o Brasil. Certamente, existem muitas informações sobre os temas estudados a serem
exploradas e que estejam estimulando a sua curiosidade.
Procure conhecer as políticas de seu município para as crianças de 0 a 5 anos. Seguem,
alguns aspectos, que podem ser explorados:
1. Plano Municipal para a primeira infância (conforme previsto na lei Lei nº 13.257/2016).
2. Plano Municipal de Educação.
3. Atendimento Educacional – percentual de crianças com acesso às creches.
4.  Atendimento especializado às crianças deficientes em creches e pré-escolas.
5. Programas e projetos intersetorias do município para a infância.
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Conteúdo 
Concepções de Infância
Em todo e qualquer tempo, está a infância, e durante toda a vida. É lá, na infância, onde
busca-se referências de valores e onde se encontram os alicerces da identidade de cada
um. Segundo Agamben (2005) a infância é um tempo social.  "Não é somente uma etapa
da vida, mas uma condição da experiência humana". Considerando que existe um princípio
de continuidade nas experiências, uma vez que sempre toma-se algo daquelas que já se
vivenciou para construir as subsequentes, não existem fronteiras entre o passado e o
presente.
A infância é uma fase da vida que fará parte para sempre. A música, bola de meia, bola de
gude, exemplifica a existência desse menino ou dessa menina dentro de cada um.
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Na letra da música apresentada os compositores destacam as aprendizagens importantes
que se constroem quando crianças e que se constituem como base de formação. A infância
é um tema muito apreciado pela arte e pela literatura. Em diferentes abordagens e formas
de retratar as crianças e suas infâncias, os escritores, poetas e pintores contribuem para a
compreensão das formas como a sociedade, em diferentes momentos da história, concebe
a ideia de infância e como cuida e educa as crianças.
Atualmente, há um reconhecimento da infância como o período mais importante para a
formação do ser humano, pois é quando ocorrem as principais aprendizagens e a
construção de bases para o desenvolvimento da autonomia moral e intelectual. A criança se
constrói como pessoa e sujeito conhecedor, desenvolvendo-se física e psicologicamente,
inserida na história de sua família e de sua comunidade.
Mas nem sempre foi assim. As crianças, até bem pouco tempo, eram vistas como adultos
em miniatura ou, em concepções mais românticas, como o futuro da nação, semente e
esperança do amanhã. A ideia da criança como um "vir a ser", por muito tempo impediu que
a sociedade a visse como ela realmente é, fato que, notadamente, influenciou os modos de
tratar a infância e, consequentemente, as crianças.
A palavra infância, deriva do termo "infante", do latim "infans", que significa "incapaz de
falar", ou ainda "o que é sem vez e sem fala". Em estudo pioneiro de Philippe Ariès  (1981),
a infância é retratada em diversas fases da história da vida social, em que passa do
anonimato, à fase de preparação para a vida adulta. O autor retrata como a infância, até o
século XVI, representava um período transitório e curto da vida humana, pois as crianças
viviam no meio dos adultos todas as experiências sem distinção, inclusive nas
acomodações, o que não lhes diferenciava dos adultos a não ser pelo tamanho.
No Brasil, historiadores revelam que em 1549 quando os jesuítas da Companhia de Jesus
aportaram, escreveram à Coroa sobre os "culumins"    "aqui pocas palavras bastam pues és
como papel em blanco" (DEL PRIORI , 1996, p.10) e com esse pensamento colocaram as
Algumas referências que ajudam a perceber a infância a partir da literatura.
1 - Saiba  é uma música da autoria de Arnaldo Antunes que mostra que todo mundo
foi neném: Einstein, Freud, Platão, Hitler, Bush e Sadam Hussein...e assim, rimando, o
compositor trabalha a ideia de infância como um tempo social. Esta música, na
interpretação da cantora Adriana Calcanhoto, é utilizada por professores de Educação
Infantil, para trabalhar temas como identidade e diversidade com as crianças.
2- O poema "Meus oito Anos " foi escrito em 1857, quando o poeta Cassimiro de
Abreu tinha18 anos. Existem muitas melodias feitas para este poema e, também,
interpretações de diversos artistas.
https://www.youtube.com/watch?v=_HU6XgC4dAU
https://poemasdomundo.wordpress.com/2006/06/14/meus-oito-anos/
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crianças em um processo de educação a partir do silêncio, da obediência, das rezas e
ladainhas, dos castigos e do distanciamento da natureza.
Os estudos sobre a infância e criança contribuíram para mudanças no modo de pensar esse
tempo social, antes visto um fenômeno natural e universal, para compreendê-lo como uma
realidade social construída e reconstruída historicamente. Em diferentes campos do saber:
da sociologia, da antropologia, da psicologia, história e pedagogia esses estudos têm sido
fundamentais para o entendimento de que as representações de infância se constroem a
partir do olhar do adulto, que na maioria das vezes tenta produzir e ou reproduzir uma ideia
universal de infância, generalizando esta categoria social.
As contribuições das pesquisas sobre a infância possibilitam, hoje, compreender os
sentimentos, as ideias e as representações deste tempo como fenômenos psicossociais,
que se instituem pelas imagens de crianças que compõem o imaginário social de cada
época, de cada tempo histórico. Com o passar do tempo, tem-se o reconhecimento da
singularidade deste grupo geracional, "crianças são entendidas como seres sociais e, assim
sendo, pertencem a uma determinada classe social, a uma etnia, uma raça, um gênero, uma
região, e se distribuem pelos diversos modos de estratificação social" (SARMENTO , 2004,
p.12). Nesses contextos, elas participam ativamente da cultura e desempenham papéis a
elas atribuídos. As crianças estão o tempo todo ressignificando o instituído por meio de
suas linguagens e instituindo a si mesmas como criadoras e recriadoras do universo cultural
ao qual estão inseridas, em uma dimensão social e coletiva. Nas palavras de Manoel de
Barros "são atores" capazes de se manifestar pela palavra e pela imaginação, "crianças
desescrevem a língua. Arrombam as gramáticas" (BARROS , 1990, p. 256).
Como visto, a criança é um ser humano único, pleno em seu tempo, capaz de compreender
o mundo a seu modo sempre com criatividade e capacidade de subverter a ordem das
coisas e de inventar soluções para as mais diferentes situações. Observe e reflita sobre a
mensagem da figura1.
Figura 1 -  Criatividade
Fonte: Fronteiras da memória, 2020.
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Ao mesmo tempo em que é um sujeito criativo e irreverente, a criança está em fase de
crescimento e desenvolvimento e precisa não somente da proteção dos adultos, mas,
também de orientação, apoio e de um ambiente estimulador. Os vínculos afetivos no
relacionamento das crianças com os adultos são fundamentais para ajudá-la a
compreender os dilemas da vida e se situar no tempo e no espaço da convivência social.
Há um desafio diário para os adultos, sobretudo, para os educadores, que devem acolher e
compreender as infâncias e as crianças presentes nas instituições educacionais,
entendendo que elas são diversas em seus variados contextos, mas que são únicas como
sujeitos sociais que estão por aí e, em quaisquer que sejam os espaços da vida social, lá
estão elas com suas perguntas e respostas inéditas, criando e recriando o mundo e
construindo significados para as situações cotidianas e para a sua própria condição de ser
criança.
Pelo Brasil afora, há muitos mundos diferentes nos quais vivem as crianças e, portanto,
diferentes modos de viver a infância:
Crianças ribeirinhas.
Crianças em aldeias indígenas.
Crianças nos lixões.
Crianças em casas de acolhimento.
Crianças em condomínios fechados.
Crianças em assentamentos e acampamentos.
Crianças nas grandes e pequenas cidades e em tantos outros lugares.
A partir da diversidade de vivências desse tempo social em cada sociedade, pode-se
defender a existência de infâncias (sempre no plural), inclusive no universo das instituições
escolares.
Independentemente do contexto social onde vivem, elas são cidadãs com direitos
garantidos em leis que lhes asseguram serem tratadas com dignidade e respeito à sua
condição de vulnerabilidade em função da fase de desenvolvimento em que vive. Como
decorrência das concepções de infância e criança, ao longo do tempo, as políticas públicas
e o envolvimento da sociedade com a causa da infância são determinados, em
conformidade com os valores e com a importância dada às crianças, bem como pelo
entendimento dos lugares que elas ocupam na sociedade.
A Infância na agenda mundial e no Brasil
Nos tempos atuais, a infância tem sido tema de importantes fóruns mundiais, que
reafirmam tratados e declarações internacionais, responsáveis por expressivos avanços na
construção de uma consciência mais global sobre os direitos humanos e, especialmente,
sobre a importância da infância para o desenvolvimento de uma sociedade. Esses
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movimentos somente começaram a surtir efeitos a partir do final do século XIX e início do
século XX quando as iniciativas vieram a se consolidar como documentos de assunção
internacional.
Em 1924, a britânica Eglantyne Jebb, fundadora da Save The Children, apresentou um texto
com cinco pontos sobre direitos das crianças, criando assim, a Declaração de Genebra
sobre os direitos da Criança, sancionada pela Sociedade das Nações, predecessora da atual
Organização das Nações Unidas (ONU) e considerada a primeira versão da Declaração
Universal dos Direitos das Crianças.
Em 1948 foi promulgada a Declaração dos Direitos Humanos, reconhecida como o ponto de
partida para a conscientização mundial da necessidade de proteção dos direitos humanos e
de cidadania, o que foi fundamental para fortalecer o trabalho da ONU em relação às
crianças. Em 1959, a Organização publicou os dez pontos da Declaração Universal dos
Direitos da Criança, reconhecendo-a como parte fundamental da sociedade e que do seu
cuidado dependia o futuro da humanidade. O direito à igualdade, à vivenda, à alimentação, à
proteção diante do abuso e o direito a ter atividades recreativas estavam incluídos nesses
pontos.
Entretanto, a declaração não tinha poder de exigir das nações o seu cumprimento
obrigatório. Depois de vários anos e a partir da conjunção de esforços e de negociações
entre estados, organizações, ONGs e outras, em 1989, chegou-se à Convenção sobre os
Direitos da Criança, cujo cumprimento seria obrigatório para todos os países que aderissem
à convenção, e que se tornou lei em 1990, após ser assinada por 20 países.
Atualmente é o Tratado mais ratificado do mundo com a adesão de 195 países. Essa
Convenção, pelo seu caráter obrigatório, trouxe um marco legislativo muito importante para
os países signatários, impulsionando mudanças na configuração do campo dos direitos
fundamentais das crianças.
Dentre outros importantes movimentos mundiais destaca-se a Agenda 2030 que apresenta
17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e que teve participação e adesão de
192 países, inclusive o Brasil. A agenda define que os governos se orientem pelos referidos
objetivos na elaboração de políticas públicas que visem à redução da pobreza e da
desigualdade social. A meta 4.2 do documento prevê que seja garantido até 2030 "que
todos os meninos e meninas tenham acesso a um desenvolvimento de qualidade na
primeira infância, cuidados e educação pré-escolar, de modo que estejam prontos para o
ensino primário" (UNESCO , 2016). No conjunto dos objetivospropostos, destacam-se
aqueles que se apresentam, diretamente, ligados aos direitos das crianças, e que as
colocam no centro de uma agenda global de desenvolvimento, conforme se pode verificar
na síntese seguir:
Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.
Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover
a agricultura sustentável.
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Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades
de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
Vivenciou-se, nessa década em curso, o crescimento de ações e movimentos que defendem
a necessidade de investimento em políticas públicas voltadas para a garantia de direitos
das crianças e seu desenvolvimento integral. Todavia, relatórios anuais do UNICEF
apresentam pesquisas sobre a situação mundial da infância e da adolescência revelando os
graves problemas e distorções sociais. A figura 2, apresenta informações de 2016.
Figura 2 - Situação mundial da infância e da adolescência
Fonte: UNICEF, 2016.
Outros movimentos crescem em todo mundo e no Brasil, em defesa, principalmente da
primeira infância, com participação de pesquisadores especialistas de diferentes campos
do conhecimento que apontam que os investimentos feitos por um país para o
Para entender melhor a agenda mundial 2030 e sobre a importância dos ODS. Clique
aqui. 
Veja outros importantes relatórios produzidos pelo UNICEF 
Situação Mundial da Infância 2019 .
 Bem estar e privações múltiplas na infância e na adolescência no Brasil .
https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/
https://www.unicef.org/brazil/relatorios/situacao-mundial-da-infancia-2019-crianca-alimentacao-e-nutricao
https://www.unicef.org/brazil/relatorios/bem-estar-e-privacoes-multiplas-na-infancia-e-na-adolescencia-no-brasil
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desenvolvimento saudável na infância podem ser considerados como um dos que possuem
maior eficácia e garantia retornos econômicos.
Ressaltam-se as conferências realizadas em todo mundo, especialmente a de Atlanta, em
1996, que teve como tema: "Desenvolvimento na Primeira Infância: investindo no futuro", e a
de Washington, que aconteceu em 2000, intitulada "Investindo no futuro de Nossas
Crianças".
Segundo relatório organizado por Young (2010), a conferência de 2000 tornou-se um evento
histórico que reuniu os principais especialistas, acadêmicos, profissionais e formuladores
de políticas do mundo para se concentrarem nos variados aspectos do desenvolvimento na
Primeira Infância. "Os participantes da conferência examinaram o estágio do conhecimento
sobre os benefícios e a eficácia das primeiras intervenções, trataram do papel e da
influência do setor privado, enfatizaram a importância de reduzir o desnível das crianças
pobres e destacaram os potenciais ganhos políticos e econômicos com o investimento no
DPI".  (YOUNG , 2010, p.4).
Em 2015 aconteceu em Icheon, na Coreia do Sul, o Fórum Mundial de Educação que contou
com mais de 1.600 participantes de 160 países, incluindo ministros, chefes e membros de
delegações e lideranças de diversos segmentos da sociedade civil. A Declaração de Icheon,
resultante deste evento e assumida pelos participantes, apresenta, dentre outras
considerações e compromissos importantes, a existência de "questões inacabadas", que
pressupõem a aceitação de compromissos globais para o saneamento das mesmas que
são:
Acesso.
Inclusão e equidade.
Qualidade.
Igualdade de gênero.
Oportunidade de aprendizagem ao longo da vida.
Esse fórum tratou especialmente da educação na primeira infância, questão defendida pelo
Nobel de Economia, em 2000, James Heckman, estudioso de muitos anos sobre o impacto
de investimentos na primeira infância, que, em vários eventos sobre o tema, apresenta
pesquisas comprovando não haver ações de maior retorno em educação do que aquelas
voltadas para as crianças pequenas.
Destaca-se que todos esses movimentos apontam para a necessidade de estabelecimento
de ações intersetoriais para o alcance da efetividade das políticas de atenção e proteção à
infância.
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No Brasil, houve importantes avanços para o desenvolvimento de políticas para a infância a
partir da Constituição Federal de 2008, do Estatuto da Criança e do Adolescente, 1990 e da
LDB, 1996. Estes dispositivos legais trouxeram mudanças expressivas nas políticas de
atendimento educacional para as crianças de zero a cinco anos, garantindo não somente os
direitos à educação como, também, colocando luz à causa da criança e do respeito pela sua
condição de pessoa, vivendo o seu "tempo de Infância."
Segundo Didonet, a causa da criança é também a causa da humanidade que ao vê-la, vê a si
própria. "Ao reconhecê-la como pessoa que tem direito de ser plena enquanto criança e que,
ao mesmo tempo, vivencia um processo de desenvolvimento, a sociedade insere a fase
infantil na integralidade da vida humana e, portanto, plenifica a própria existência" (DIDONET
, 2015 p. 74).
Todavia, apesar dos avanços em relação à garantia de direitos previstos na legislação,
permanecem os desafios no que se refere à questão da qualidade e da equidade. Há um
grande número de crianças no Brasil e no mundo em situação de vulnerabilidade social. No
que se refere à Educação Infantil, o atendimento às crianças em creches e pré-escolas
apresentam condições diferentes nas regiões do país, especialmente, em relação ao
atendimento especializado para as crianças deficientes.
Em 2016 foi promulgada a Lei nº 13.257, denominada Marco Legal da Primeira Infância, que
estabelece princípios e diretrizes para a formulação de políticas públicas que visam atender,
de forma mais efetiva, os direitos da criança na primeira infância (Brasil, 2016). Em sua
concepção, a Lei visa superar a segmentação de ações, aumentando a eficácia das políticas
voltadas para a infância e definindo estratégias de articulação intersetorial.  Expressa e
reafirma a concepção de criança como sujeito de direitos, e que estes direitos devem ser
assegurados desde a gestação, por meio de "atendimento especializado da gestante, da
garantia de atendimento pré, peri e pós-natal, inclusive com foco na nutrição adequada,
garantia de atendimento de saúde bucal e treinamento para o exercício da maternidade
responsável"  (BRASIL , 2016, p. 3).
Tem-se, na perspectiva da referida lei, um expressivo avanço com a concepção e a
normatização das políticas públicas que priorizam o cuidado integral e integrado com a
criança, desde a concepção até os seis anos de idade. Vale destacar que o marco legal é
Saiba Mais 
Para complementar os conhecimentos, leia: Política Nacional Intersetorial para a
Primeira Infância  . Folheto elaborado pelo Todos pela Educação e pela Fundação
Maria Cecília Souto Vidigal que apresenta um panorama das ações intersetoriais para
a primeira infância.
https://www.fmcsv.org.br/pt-BR/biblioteca/politica-nacional-intersetorial-primeira-infancia/
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resultado de um movimento em prol da primeira infância, iniciado a partir dos anos 2000,
pela articulação de diferentes segmentos dasociedade civil. A criação da Rede Nacional da
Primeira Infância, em 2006, de composição múltipla, agregando representantes de todos os
segmentos da sociedade brasileira, no campo estatal e não estatal, desencadeou a proposta
de construção de políticas específicas para essa faixa etária o que resultou no Plano
Nacional pela Primeira Infância (PNPI), aprovado em 2010, pelo Conselho Nacional dos
Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA).
O PNPI se constitui como um plano de princípios e diretrizes, e menos como um plano de
metas, de objetivos e se apresenta como instrumento fundamental para a orientação e para
o estímulo ao debate sobre a necessidade de mobilização social pela garantia dos direitos
das crianças, direitos já alcançados em processos de intensa luta e participação da
sociedade.
A Lei 13.257 reafirma a definição de que as responsabilidades relativas à primeira infância
devem ser compartilhadas entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios, de modo a
garantir que o atendimento dos direitos da criança, nesta faixa etária, seja objetivo comum
de todos os entes da federação, segundo as respectivas competências constitucionais e
legais, em regime de colaboração. Além disso, prevê a participação da sociedade,
solidariamente com a família e o Estado, na proteção e na promoção de cuidados
essenciais para o desenvolvimento das crianças, bem como no atendimento educacional
com qualidade.
O artigo 5º da referida Lei, considera a educação como política pública prioritária, disciplina
sua expansão para as crianças de zero a três anos e estipula que as instalações
educacionais obedeçam aos padrões de infraestrutura estabelecidos pelo Ministério da
Educação. No que tange aos profissionais que atuam, neste segmento, define que sejam
qualificados e, especialmente, no artigo 10, indica acesso garantido e prioritário à
qualificação, especialização e atualização definindo, inclusive, que os programas de
formação devem contemplar, entre outros temas: especificidade da primeira infância,
estratégia da intersetorialidade na promoção do desenvolvimento integral e prevenção e
proteção da criança contra toda forma de violência (Brasil, 2016, p. 1).
Além dos aspectos citados, esta lei define, também, a existência de currículo e materiais
pedagógicos adequados, a garantia de acesso das crianças a bens culturais e sua
participação ativa em atividades desta natureza devendo ser reconhecida como produtora
Saiba Mais 
Para aprimorar os conhecimentos, leia mais sobre: Rede Nacional da Primeira Infância
.
http://primeirainfancia.org.br/rede-nacional-da-primeira-infancia-debate-elaboracao-de-guia-intersetorial/
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de cultura. Prevê que o poder público organize e estimule a criação de espaços lúdicos, em
locais onde há circulação de crianças com garantia de segurança e condições ambientais
adequadas, (artigos 16 e 17), dando ênfase à importância do brincar para o
desenvolvimento e definindo obrigação dos órgãos públicos para estimularem a criatividade
na circulação por ambientes públicos.
A Lei inclui a participação da criança na definição das ações que lhe digam respeito, no
aprimoramento da garantia da oferta dos serviços, na definição de práticas e ações voltadas
para o seu atendimento (artigo 4º), definindo a realização de oitivas e participação mediante
a escuta por profissionais qualificados, por meio de processos adequados às diferentes
formas de expressão infantil. Nesse aspecto, retoma o que prevê a Convenção dos Direitos
da Criança de 1989 ao definir "as crianças, como pessoas e sujeitos de direitos, podem e
devem expressar suas opiniões nos temas que lhes afetam. Suas opiniões devem ser
escutadas e levadas em conta na agenda política, econômica ou educacional de um país"
(ONU , 1989, p. 7).
Como se pode comprovar a lei do marco legal da infância apresenta avanços importantes
na proteção aos direitos das crianças de zero a seis anos, principalmente ao definir que os
municípios elaborem um Plano Municipal para a Primeira Infância, estabelecendo ações
intersetoriais que garantam:
A institucionalização de comitês intersetoriais de políticas públicas.
A incorporação de sistemas de monitoramento.
Assista ao vídeo - Criança é prioridade
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A avaliação periódica e divulgação dos resultados dos serviços e programas voltados
à primeira infância.
A manutenção de um sistema de registro dos dados de crescimento e
desenvolvimento das crianças em nível nacional.
A difusão dos direitos da criança nos meios de comunicação (Brasil, 2016).
Todavia, no campo educacional, ainda permanecem algumas lacunas como no caso da
previsão de um prazo para a universalização da oferta de vagas em creches para crianças
de zero a três anos, direito expressamente previsto na Constituição Federal, bem como
previsão de mecanismos para a garantia de fontes de financiamento específicas para
custear as políticas públicas instituídas e/ou ratificadas, necessárias à garantia de
atendimento educacional às crianças de 0 a 5 anos, com qualidade e equidade.
Políticas de Educação Infantil no Brasil
A causa da infância e a oferta de educação para crianças de 0 a 5 anos recebeu atenção
especial nas últimas décadas. Os movimentos de luta pela efetivação dos direitos ao
atendimento educacional, para esta faixa etária, foram fundamentais para a confirmação e
regulamentação dos artigos da Constituição Federal que definem esses direitos, dentre os
quais se destacam:
O artigo 6 - define os direitos sociais: a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a
segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência
aos desamparados.
O artigo 7 - reconhece o direito de trabalhadores urbanos e rurais a creches e pré-
escolas para seus filhos.
O artigo 208 dispõe sobre o direito à educação e reconhece, pela primeira vez, o
atendimento em creches e pré-escola como um direito da criança, uma opção da
família e dever do estado.
A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/1996, a Educação
Infantil constitui-se como a primeira etapa da educação básica, tendo como finalidade o
desenvolvimento integral da criança até 5 anos de idade em seus aspectos físico,
psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Ainda
hoje, essa configuração, representa um grande desafio em vista das condições de
desigualdades econômicas e sociais do país que dificultam a universalização da Educação
Infantil como garantia de bem público e de direito de todas as crianças. As desigualdades
estão presentes, também, entre os segmentos creche e pré-escola. A figura a seguir
apresenta dados do censo escolar divulgado em 2018, com informações do ano de 2017.
Figura 3 - Desigualdades relativas ao acesso
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Fonte: Caderno Globo Primeira Infância, 2020.
Observa-se que no Brasil ainda existe um contingente expressivo de crianças sem acesso à
Educação Infantil, inclusive na faixa etária de 4 e 5 anos (pré-escola, nos termos da lei) e
que se trata de uma obrigatoriedade de efetivação de matrícula para pais e garantia de
oferta para o poder público. Também é possível constatar que a creche continua em
situação de desprestígio nos dispositivos legais e, apesar de se constituir em direito, não
alcançou ainda o lugar de prioridade nas políticas públicas. A luta pela inclusão da
Educação Infantil, como etapa da educação básica, revela que este desprestígio não é
somenteem relação ao acesso, mas também, e principalmente, em relação à qualidade do
atendimento.
Ainda, conforme dados do censo, no Brasil, em 2018 havia 8,7 milhões de crianças de 0 a 5
anos matriculadas em instituições públicas ou privadas, sendo a maioria atendida pela rede
pública (71,6% das matrículas) nos municípios. De acordo com o que estabelece o artigo
211 da Constituição Federal a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios devem
organizar em regime de colaboração seus sistemas de ensino, cabendo aos municípios
atuarem, prioritariamente, no Ensino Fundamental e na Educação Infantil. Assim, define que
a Educação Infantil será ofertada em creches para as crianças de 0 a 3 anos e pré-escolas
para as crianças de 4 e 5 anos, sob a responsabilidade dos municípios que deverão seguir
as diretrizes nacionais emanadas pela União.
Destacam-se as importantes alterações na LDB, especialmente a Lei nº 11.700, de 2008,
que introduziu novo inciso ao art. 4º da LDB, especificando o dever do Estado para a
garantia de "vaga na escola pública de Educação Infantil ou de Ensino Fundamental mais
próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos
de idade" (BRASIL, 2008). Dessa forma, Os municípios responsáveis pela Educação Infantil
devem organizar as redes escolares dando prioridade para que as vagas sejam
disponibilizadas para a toda a demanda de quatro e cinco anos.
Outra definição importante na política educacional foi a criação do Fundo de Manutenção e
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação
(FUNDEB). Este foi criado pela Emenda Constitucional nº 53/2006 e regulamentado pela Lei
nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007 e substituiu o Fundo de Manutenção e
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Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), que
vigorou de 1998 a 2006. O FUNDEB prevê a alocação de recursos oriundos dos Estados,
Municípios e do Governo Federal, em um só fundo, e a redistribuição segundo um valor per
capita nacional por aluno. Com isso, ele colabora para diminuir as diferenças entre os
sistemas de ensino, uma vez que se estabelece um patamar nacional mínimo.
Considera-se a instituição do FUNDEB como um grande passo na perspectiva da expansão
do atendimento da Educação Infantil, uma vez que no âmbito de cada Estado abrange,
conjuntamente, o governo estadual e todos os governos municipais, tanto como provedores,
como beneficiários do Fundo.
O fato de o Fundo, somente, cobrir uma parte dos investimentos necessários na área da
educação, com base nas matrículas existentes, não garante as outras demandas, tais como
a construção de novas creches que ficam na dependência de outras fontes de arrecadação
que muitos municípios não têm. Nessa perspectiva, o MEC instituiu uma série de programas
dentro de um Plano de Ações Articuladas (PAR), com vistas a atender às necessidades
demandadas.
No conjunto do arcabouço legal, destaca-se, sobremaneira, o Plano Nacional de Educação
para a vigência de 2014 a 2024, Lei nº 13.005/2014, que institui que apresenta como
primeira meta: "universalizar, até 2016, a Educação Infantil na pré-escola para as crianças de
4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta de Educação Infantil em creches de
forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças de até 3 (três) anos até
o final da vigência deste PNE" (BRASIL , 2014, p. 4).
Na perspectiva da universalização do atendimento às crianças de quatro e cinco anos esta
meta apresenta um avanço. Quanto à faixa de zero a três anos, mais uma vez, o percentual
de 50% previsto não contempla as demandas existentes.  A obrigatoriedade prevista para as
crianças de quatro até os 17 anos de idade existe, tanto para as famílias e aos estudantes,
quanto para o estado e municípios, o que não ocorre no caso da creche. Não há
constatação por meio de estudos sobre a que distância o país se encontra em relação à
meta de 50% de atendimento à faixa etária de 0 a 3 anos. Tanto a União, quanto os Estados
e municípios necessitam de dados confiáveis sobre a demanda real para que as metas
possam ser melhor monitoradas.
Além da meta 1, o PNE apresenta outras que incluem a Educação Infantil, direta ou
indiretamente, são:
Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por
cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por
Para saber mais sobre outros programas em vigor no MEC que atende à Educação
Infantil, Clique aqui .
http://portal.mec.gov.br/secretaria-de-educacao-basica/publicacoes?id=12579:educacao-infantil
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cento) dos(as) alunos(as) da educação básica.
Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com
deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou
superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional
especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema
educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou
serviços especializados, públicos ou conveniados.
No que tange à questão dos profissionais que atuam na Educação Infantil o PNE reforça os
dispositivos legais que tratam da questão. O artigo 62 da LDB define que a formação de
docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura
plena, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na Educação Infantil
e nos cinco primeiros anos do Ensino Fundamental, a oferecida em nível médio, na
modalidade normal. (Redação dada pela lei nº 13.415, de 2017). Todavia, o PNE prevê o
alcance de meta de formação em nível superior a todos os professores.
Outro aparato da política para os docentes é a Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008 que
Regulamenta a alínea "e" do inciso III do caput do art. 60, do Ato das Disposições
Constitucionais Transitórias, que institui o piso salarial profissional para o pessoal do
magistério público da educação básica. Esta lei define que o piso salarial profissional
nacional é o valor abaixo do qual a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não
poderão fixar o vencimento inicial das Carreiras do magistério público da educação básica,
para a jornada de, no máximo, 40 horas semanais. Define, também, a atualização anual do
valor fixado a partir de 2009.
Outra definição de grande importância se refere à composição da jornada de trabalho dos
profissionais da educação, para a qual os sistemas de ensino deverão observar o limite
máximo de 2/3 da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os
educandos. Esta normatização incide, diretamente, nas possibilidades concretas de atuação
dos profissionais, uma vez que tempo de 1/3 restante é destinado especificamente às
atividades de planejamento, reuniões pedagógicas e outras atividades complementares.
No cerne das discussões provocadas por estes dispositivos legais encontra-se a questão
dos planos de carreira para os profissionais da educação. Em decorrência deste fato, o
Parecer CNE/CEB nº 9, de 2 de abril de 2009, deu origem à Resolução CNE/CEB nº 2, de 28
de maio de 2009, que fixa as Diretrizes Nacionais para os Planos de Carreira e Remuneração
dos Profissionais do Magistério da Educação Básica Pública. Além de apresentar os
Conheça, também, as metas referentes à formação, valorização e carreira dos
professores, acesse o PNE .  
http://pne.mec.gov.br/
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princípios orientadores dos planos de carreira, o Parecer define as diretrizes às quais a
União, os Estados e os municípios deverão atender na elaboração dos planos que se
referem à formação dos profissionais.
Analisando o movimento das políticas públicas educacionais, é notável o avanço na
organização da Educação Infantil nos últimos anos, mas que ainda merece cuidado e
atenção em diversos aspectos. Embora a incorporação das crianças aos quatro anos na
escolaridade obrigatória tenha um efeito positivo no sentido da universalização da pré-
escola, faz-se necessário avaliar se e como os municípios estão se estruturando e
organizando para promover o atendimento.
Destaca-se que no âmbito do MEC, vários documentos orientadores foram produzidos e
publicados a partir da aprovação da LDB visando ao estabelecimento de diretrizes, critérios
e parâmetros de qualidade para a Educação Infantil. Esses importantes documentos
encontram-se disponíveis, no site do Ministério da Educação, na página da Educação Infantil
e serão apresentados no decorrer da disciplina.
O papel social da Educação Infantil
Conforme estudos apresentados, já é de seu conhecimento que vários foram os
ordenamentos legais, ao longo das últimas décadas para que o atendimento educacional à
criança, na primeira infância, seja assumido como um direito. Essas mudanças cumprem
um papel importante na configuração do quadro atual para o entendimento da função social
da Educação Infantil por parte de toda a sociedade.
A educação, como você já sabe, é um processo que se inicia desde o nascimento da criança
a partir de sua inserção no universo social e cultural. A educação em geral e a educação
escolar são processos complementares de corresponsabilidade entre as instituições
escolares e a família. Para pensar um pouco mais sobre a importância dos adultos de
referência na educação das crianças, no âmbito dessas duas instituições, é importante que
você leia e refletir o seguinte texto.
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O texto oportuniza uma reflexão sobre o quanto os adultos e seus vínculos afetivos com as
crianças são importantes para dar-lhes a segurança necessária, para seguir em frente e
conhecer o mundo. Pense, então, no importante papel que cumprem as instituições
responsáveis pela educação das crianças, sobretudo, na primeira infância.
No contexto brasileiro, em que existem diferentes formas de vivência da infância e de
condições de vida social das famílias, não é suficiente garantir o direito a uma vaga nas
creches ou na pré-escola. É preciso construir alternativas para a superação das
desigualdades, respeitando os direitos básicos das crianças e de suas famílias e suas
diversas identidades culturais, étnicas e de gênero.
A história da Educação Infantil convida a olhar as funções exercidas pelas instituições, em
cada tempo e conforme as demandas da sociedade. Houve um tempo em que as crianças
eram "descartáveis", pois não tinham importância, não faziam diferença e eram expostas ao
infanticídio, doadas e abandonadas nas ruas, expostas a todo tipo de negligência e violência
e sem que isso significasse responsabilidade do poder público, o que fez com que
surgissem as instituições de acolhimento para crianças como as chamadas "rodas dos
expostos" que se proliferam e atravessam séculos acolhendo crianças abandonadas de
diferentes raças e classes sociais. No Brasil, as rodas dos enjeitados foram criadas em
1726.
Várias pesquisas apontam que, no século XVIII, cerca de 5% das crianças livres no Brasil
eram abandonadas ao nascer, por diversos fatores: crianças de união ilegítima, deficientes,
filhos de moças solteiras, filhos de pais sem recursos para sobrevivência, dentre outros. As
rodas dos expostos, ou roda dos enjeitados tomaram para si a responsabilidade sobre a
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infância desvalida, cumprindo o papel que deveria ser do poder público e de toda a
sociedade, por um período muito longo. A última delas deixou de funcionar em 1950. Veja a
seguinte figura.
Figura 4 - Roda dos expostos
Fonte: Gazeta do Povo, 2020.
Posteriormente, sobretudo a partir de 1930, foram criados no Brasil órgãos ligados à
assistência como lactários, abrigos, institutos e outros formatos de instituições
estimulados, principalmente, pelas ações de médicos higienistas e grupos religiosos
preocupados com os altos índices de mortalidade infantil e com as grandes epidemias. Em
1943 a Consolidação dos Direitos Trabalhistas- CLT determinava que na empresa onde
houvesse 30 ou mais mulheres com idade superior a 16 anos, estas teriam o direito a um
local apropriado onde seus filhos pudessem ser assistidos. Vê-se que a preocupação à
época era com a assistência o que perdurou por muitas décadas, mesmo após a criação de
creches públicas e privadas estas eram vistas como um lugar para alimentar, promover a
higiene, zelar pelo sono e pelo repouso, ensinar a cantar e rezar.
No contexto de desenvolvimento industrial, de crescimento das cidades e da entrada cada
vez maior de mulheres no mercado de trabalho formal é que nascem as creches populares
ou comunitárias com o objetivo de atender às mães operárias industriais e, também as
mães empregadas domésticas. Posteriormente, foram implantadas as instituições
chamadas "jardins da Infância," de iniciativa privada e destinadas às crianças das classes
mais favorecidas.
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Baseadas no modelo alemão dos famosos "kindergarten", modelo criado pro Frederico
Froebel, como instituições de caráter fundamentalmente educativo. Sustentado pela ideia
de crianças como sementes que necessitam de cuidados para seu desenvolvimento
saudável, essas instituições se utilizam do termo "pedagógico" e passam a atuar na
preparação da criança pequena para a entrada na educação primária.
Dessa forma, a história do surgimento das creches revela que esta instituição surge para
acolher e cuidar das crianças pobres, ao contrário dos jardins de infância que se
estabelecem como espaços destinados às crianças de classes favorecidas
economicamente. A partir da metade do século XX, devido ao crescimento do número de
mulheres trabalhando fora de casa e dos movimentos sociais as exigências pela assunção
do poder público das responsabilidades sobre a proteção e a educação das crianças
induziram o aumento de creches e pré-escolas públicas. Todavia, as que foram criadas não
eram suficientes para atender à demanda, o que levou à criação de creches domiciliares e
comunitárias. Em todas elas predominava o caráter assistencialista.
Como se vê, a Educação Infantil como direito é resultado de lutas e conquistas de vários
anos e vem se consolidando no Brasil pela expansão da oferta. Todavia, "a disseminação de
instituições públicas e a situação concreta de vida das crianças são resultantes de
assimetrias profundas nas correlações de força e nos desequilíbrios que se manifestaram
na consolidação de direitos entre estratos sociais desiguais e diversificados" (FREITAS ,
2010, p.9). Isso significa que se faz necessário compreender a função das instituições de
Educação Infantil no contexto social em que, ainda, é preciso lutar pela consolidação dos
direitos definidos em lei.
Sobre a função que devem cumprir as instituições da Educação Infantil o Parecer CNE/CEB
nº20 de 11/11 de 2009, que trata da revisão das diretrizes curriculares nacionais para a
Educação Infantil destaca que é preciso garantir a Educação Infantil como direito social,
sem distinção e com qualidade,o que significa indagar sobre qual é a educação que se
reivindica para as crianças de zero a cinco anos que signifique universalização para todos
os diferentes e clarifica a função das instituições de Educação Infantil:
A função das instituições de Educação Infantil, a exemplo de todas as instituições
nacionais e principalmente, como o primeiro espaço de educação coletiva fora do
contexto familiar, ainda se inscreve no projeto de sociedade democrática
desenhado na Constituição Federal de 1988 (art. 3º, inciso I), com
responsabilidades no desempenho de um papel ativo na construção de uma
sociedade livre, justa, solidária e socioambientalmente orientada (BRASIL ,
2009, p. 5).
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Apesar dos avanços já reconhecidos, as instituições públicas destinadas às crianças de
zero a cinco anos, principalmente as creches, revelam ainda um atendimento destinado a
uma classe social desfavorecida e necessitada de assistência social para as crianças de
mães trabalhadoras. Passado mais um século, ainda há resquícios de práticas de
assistência em instituições, bem como modelos de atendimento que não avançaram dessa
concepção assistencialista, que vem sendo apontada em estudos desde as décadas de
1980 e 1990 por autores como Rosemberg (1989), Campos (1989), Kuhlmann Jr. (1998),
dentre outros.
Nessa perspectiva, ainda é um desafio nacional garantir às crianças um processo educativo
em instituições cujo projeto pedagógico se sustenta na consciência de sua função
sociopolítica. Na prática, isso significa oferecer a todas elas condições para aprender e
desenvolver suas potencialidades, tendo assegurados o cuidado e a educação com
qualidade. Para isso, os espaços institucionais devem ser organizados e estruturados para
atender às especificidades de cada idade, contanto com o trabalho de professores e demais
profissionais qualificados e com uma gestão democrática.
Finalizando a Unidade 
A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, está contemplada nos
principais dispositivos legais que tratam dos direitos das crianças e que vem
apresentando avanços expressivos no que diz respeito ao acesso, com o aumento de
matrículas nos últimos anos. Todavia, o país ainda carece de uma política que garanta
a efetivação dos direitos em plenitude, principalmente ao que se refere à questão da
qualidade do atendimento educacional.
Nessa perspectiva, enseja-se uma política mais ampla para a Educação Infantil que
congregue, de forma articulada, ações já em curso no MEC e outras, ainda
necessárias, para o cumprimento dos requisitos de qualidade e equidade.
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Dica do Professor 
Para aprimorar os conhecimentos sobre esta temática leia: O Mito da infância feliz. O livro
reúne contos, relatos e ensaios de educadores, escritores, jornalistas, dramaturgos,
produtores de TV sobre dificuldades e sofrimentos vividos na infância e desmitificam este
tempo como sendo aquele em que os sujeitos vivem em pleno estado de felicidade. São
histórias reais que fazem pensar e compreender melhor as diferentes possibilidades de
vivência da infância.
Leia também: Infância educação e direitos humanos.Nesta obra os autores apresentam
questões relativas aos direitos das crianças e dos adolescentes e discutem a importância
da educação como estratégia fundamental para a garantia de direitos e de desenvolvimento
do país.
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Saiba Mais 
Para conhecer um pouco mais sobre as políticas de Educação Infantil no Brasil acesse a
obra: Panorama das políticas de Educação Infantil no Brasil  Beatriz de Oliveira
Abuchaim. Brasília: UNESCO, 115p.
Assista ao Workshop Primeira Infância – Avanços e retrocessos , entrevista da educadora
Maria Malta Campos aponta os avanços e as dificuldades para a melhoria da qualidade da
Educação Infantil.
Assista ao filme "Crianças Invisíveis", (UNICEF, 2006) e reflita sobre os desafios mundiais
para a garantia de promoção do desenvolvimento pleno das crianças. Esse filme é formado
por 7 curtas realizados no Brasil, Itália, Inglaterra, Sérvia, Burkina Faso, China e Estados
Unidos. O projeto de Crianças Invisíveis foi criado para despertar a atenção das pessoas
para o sofrimento das crianças em situações de vulnerabilidade social por todo o mundo.
http://unesdoc.unesco.org/images/0026/002614/261453por.pdf
http://unesdoc.unesco.org/images/0026/002614/261453por.pdf
https://www.youtube.com/watch?v=hHk9eS9hJdw
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Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-
2010/2008/Lei/L11700.htm >. Acesso em: 28 nov. 2019.
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2008/Lei/L11700.htm
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