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28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.h… 1/27 INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.h… 2/27 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Apresentação Prezado (a) estudante! Este referencial de estudo enfatizará assuntos referentes à infância e a importância da Educação Infantil para o desenvolvimento das sociedades em geral. É oportuno evidenciar que a infância é uma etapa da vida em que se vive experiências que marcam definitivamente a forma de pensar, agir, conviver e de relacionar com o mundo. Assim, espera-se que você possa reportar-se às suas experiências para compreender melhor os conteúdos que serão apresentados e buscar o aprofundamento das análises que poderão ser feitas no decorrer da disciplina. De forma sucinta, ressaltará os fenômenos históricos, culturais e sociais que levam à construção de concepções de infância e de criança e que causam implicações nas formas de ver, entender, cuidar e educar as crianças, tanto pelas famílias, quanto pelas instituições educacionais. Além disso, também, compreenderá a evolução da ideia de cidadania infantil, as convenções e os tratados internacionais sobre a infância, as políticas públicas e as estratégias intersetoriais para a promoção dos direitos das crianças que juntamente com a função social da Educação Infantil resultam na atual posição estratégica da infância na pauta internacional de desenvolvimento social. Para melhor organização e compreensão, a temática INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL está organizada em tópicos de forma didática e coerente: Concepções de Infância. A Infância na agenda mundial. Políticas de Educação Infantil no Brasil. O papel social da Educação Infantil. Objetivos Compreender fatores sociais e culturais no processo de construção das concepções de infância no decorrer da história. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.h… 3/27 Analisar o papel dos organismos internacionais na produção de convenções, declarações e tratados para assegurar a promoção do desenvolvimento integral e integrado das crianças. Identificar os fatores políticos e sociais constitutivos da trajetória das instituições de Educação Infantil no percurso de consolidação dos direitos das crianças. Conhecer as políticas públicas educacionais para as crianças de 0 a 5 anos e suas interfaces com as demais políticas que visam ao atendimento dos direitos fundamentais das crianças. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.h… 4/27 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Desafio Você já sabe que há direitos das crianças ainda não garantidos no universo de um país como o Brasil. Certamente, existem muitas informações sobre os temas estudados a serem exploradas e que estejam estimulando a sua curiosidade. Procure conhecer as políticas de seu município para as crianças de 0 a 5 anos. Seguem, alguns aspectos, que podem ser explorados: 1. Plano Municipal para a primeira infância (conforme previsto na lei Lei nº 13.257/2016). 2. Plano Municipal de Educação. 3. Atendimento Educacional – percentual de crianças com acesso às creches. 4. Atendimento especializado às crianças deficientes em creches e pré-escolas. 5. Programas e projetos intersetorias do município para a infância. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.h… 5/27 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Conteúdo Concepções de Infância Em todo e qualquer tempo, está a infância, e durante toda a vida. É lá, na infância, onde busca-se referências de valores e onde se encontram os alicerces da identidade de cada um. Segundo Agamben (2005) a infância é um tempo social. "Não é somente uma etapa da vida, mas uma condição da experiência humana". Considerando que existe um princípio de continuidade nas experiências, uma vez que sempre toma-se algo daquelas que já se vivenciou para construir as subsequentes, não existem fronteiras entre o passado e o presente. A infância é uma fase da vida que fará parte para sempre. A música, bola de meia, bola de gude, exemplifica a existência desse menino ou dessa menina dentro de cada um. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.h… 6/27 Na letra da música apresentada os compositores destacam as aprendizagens importantes que se constroem quando crianças e que se constituem como base de formação. A infância é um tema muito apreciado pela arte e pela literatura. Em diferentes abordagens e formas de retratar as crianças e suas infâncias, os escritores, poetas e pintores contribuem para a compreensão das formas como a sociedade, em diferentes momentos da história, concebe a ideia de infância e como cuida e educa as crianças. Atualmente, há um reconhecimento da infância como o período mais importante para a formação do ser humano, pois é quando ocorrem as principais aprendizagens e a construção de bases para o desenvolvimento da autonomia moral e intelectual. A criança se constrói como pessoa e sujeito conhecedor, desenvolvendo-se física e psicologicamente, inserida na história de sua família e de sua comunidade. Mas nem sempre foi assim. As crianças, até bem pouco tempo, eram vistas como adultos em miniatura ou, em concepções mais românticas, como o futuro da nação, semente e esperança do amanhã. A ideia da criança como um "vir a ser", por muito tempo impediu que a sociedade a visse como ela realmente é, fato que, notadamente, influenciou os modos de tratar a infância e, consequentemente, as crianças. A palavra infância, deriva do termo "infante", do latim "infans", que significa "incapaz de falar", ou ainda "o que é sem vez e sem fala". Em estudo pioneiro de Philippe Ariès (1981), a infância é retratada em diversas fases da história da vida social, em que passa do anonimato, à fase de preparação para a vida adulta. O autor retrata como a infância, até o século XVI, representava um período transitório e curto da vida humana, pois as crianças viviam no meio dos adultos todas as experiências sem distinção, inclusive nas acomodações, o que não lhes diferenciava dos adultos a não ser pelo tamanho. No Brasil, historiadores revelam que em 1549 quando os jesuítas da Companhia de Jesus aportaram, escreveram à Coroa sobre os "culumins" "aqui pocas palavras bastam pues és como papel em blanco" (DEL PRIORI , 1996, p.10) e com esse pensamento colocaram as Algumas referências que ajudam a perceber a infância a partir da literatura. 1 - Saiba é uma música da autoria de Arnaldo Antunes que mostra que todo mundo foi neném: Einstein, Freud, Platão, Hitler, Bush e Sadam Hussein...e assim, rimando, o compositor trabalha a ideia de infância como um tempo social. Esta música, na interpretação da cantora Adriana Calcanhoto, é utilizada por professores de Educação Infantil, para trabalhar temas como identidade e diversidade com as crianças. 2- O poema "Meus oito Anos " foi escrito em 1857, quando o poeta Cassimiro de Abreu tinha18 anos. Existem muitas melodias feitas para este poema e, também, interpretações de diversos artistas. https://www.youtube.com/watch?v=_HU6XgC4dAU https://poemasdomundo.wordpress.com/2006/06/14/meus-oito-anos/ 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.h… 7/27 crianças em um processo de educação a partir do silêncio, da obediência, das rezas e ladainhas, dos castigos e do distanciamento da natureza. Os estudos sobre a infância e criança contribuíram para mudanças no modo de pensar esse tempo social, antes visto um fenômeno natural e universal, para compreendê-lo como uma realidade social construída e reconstruída historicamente. Em diferentes campos do saber: da sociologia, da antropologia, da psicologia, história e pedagogia esses estudos têm sido fundamentais para o entendimento de que as representações de infância se constroem a partir do olhar do adulto, que na maioria das vezes tenta produzir e ou reproduzir uma ideia universal de infância, generalizando esta categoria social. As contribuições das pesquisas sobre a infância possibilitam, hoje, compreender os sentimentos, as ideias e as representações deste tempo como fenômenos psicossociais, que se instituem pelas imagens de crianças que compõem o imaginário social de cada época, de cada tempo histórico. Com o passar do tempo, tem-se o reconhecimento da singularidade deste grupo geracional, "crianças são entendidas como seres sociais e, assim sendo, pertencem a uma determinada classe social, a uma etnia, uma raça, um gênero, uma região, e se distribuem pelos diversos modos de estratificação social" (SARMENTO , 2004, p.12). Nesses contextos, elas participam ativamente da cultura e desempenham papéis a elas atribuídos. As crianças estão o tempo todo ressignificando o instituído por meio de suas linguagens e instituindo a si mesmas como criadoras e recriadoras do universo cultural ao qual estão inseridas, em uma dimensão social e coletiva. Nas palavras de Manoel de Barros "são atores" capazes de se manifestar pela palavra e pela imaginação, "crianças desescrevem a língua. Arrombam as gramáticas" (BARROS , 1990, p. 256). Como visto, a criança é um ser humano único, pleno em seu tempo, capaz de compreender o mundo a seu modo sempre com criatividade e capacidade de subverter a ordem das coisas e de inventar soluções para as mais diferentes situações. Observe e reflita sobre a mensagem da figura1. Figura 1 - Criatividade Fonte: Fronteiras da memória, 2020. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.h… 8/27 Ao mesmo tempo em que é um sujeito criativo e irreverente, a criança está em fase de crescimento e desenvolvimento e precisa não somente da proteção dos adultos, mas, também de orientação, apoio e de um ambiente estimulador. Os vínculos afetivos no relacionamento das crianças com os adultos são fundamentais para ajudá-la a compreender os dilemas da vida e se situar no tempo e no espaço da convivência social. Há um desafio diário para os adultos, sobretudo, para os educadores, que devem acolher e compreender as infâncias e as crianças presentes nas instituições educacionais, entendendo que elas são diversas em seus variados contextos, mas que são únicas como sujeitos sociais que estão por aí e, em quaisquer que sejam os espaços da vida social, lá estão elas com suas perguntas e respostas inéditas, criando e recriando o mundo e construindo significados para as situações cotidianas e para a sua própria condição de ser criança. Pelo Brasil afora, há muitos mundos diferentes nos quais vivem as crianças e, portanto, diferentes modos de viver a infância: Crianças ribeirinhas. Crianças em aldeias indígenas. Crianças nos lixões. Crianças em casas de acolhimento. Crianças em condomínios fechados. Crianças em assentamentos e acampamentos. Crianças nas grandes e pequenas cidades e em tantos outros lugares. A partir da diversidade de vivências desse tempo social em cada sociedade, pode-se defender a existência de infâncias (sempre no plural), inclusive no universo das instituições escolares. Independentemente do contexto social onde vivem, elas são cidadãs com direitos garantidos em leis que lhes asseguram serem tratadas com dignidade e respeito à sua condição de vulnerabilidade em função da fase de desenvolvimento em que vive. Como decorrência das concepções de infância e criança, ao longo do tempo, as políticas públicas e o envolvimento da sociedade com a causa da infância são determinados, em conformidade com os valores e com a importância dada às crianças, bem como pelo entendimento dos lugares que elas ocupam na sociedade. A Infância na agenda mundial e no Brasil Nos tempos atuais, a infância tem sido tema de importantes fóruns mundiais, que reafirmam tratados e declarações internacionais, responsáveis por expressivos avanços na construção de uma consciência mais global sobre os direitos humanos e, especialmente, sobre a importância da infância para o desenvolvimento de uma sociedade. Esses 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.h… 9/27 movimentos somente começaram a surtir efeitos a partir do final do século XIX e início do século XX quando as iniciativas vieram a se consolidar como documentos de assunção internacional. Em 1924, a britânica Eglantyne Jebb, fundadora da Save The Children, apresentou um texto com cinco pontos sobre direitos das crianças, criando assim, a Declaração de Genebra sobre os direitos da Criança, sancionada pela Sociedade das Nações, predecessora da atual Organização das Nações Unidas (ONU) e considerada a primeira versão da Declaração Universal dos Direitos das Crianças. Em 1948 foi promulgada a Declaração dos Direitos Humanos, reconhecida como o ponto de partida para a conscientização mundial da necessidade de proteção dos direitos humanos e de cidadania, o que foi fundamental para fortalecer o trabalho da ONU em relação às crianças. Em 1959, a Organização publicou os dez pontos da Declaração Universal dos Direitos da Criança, reconhecendo-a como parte fundamental da sociedade e que do seu cuidado dependia o futuro da humanidade. O direito à igualdade, à vivenda, à alimentação, à proteção diante do abuso e o direito a ter atividades recreativas estavam incluídos nesses pontos. Entretanto, a declaração não tinha poder de exigir das nações o seu cumprimento obrigatório. Depois de vários anos e a partir da conjunção de esforços e de negociações entre estados, organizações, ONGs e outras, em 1989, chegou-se à Convenção sobre os Direitos da Criança, cujo cumprimento seria obrigatório para todos os países que aderissem à convenção, e que se tornou lei em 1990, após ser assinada por 20 países. Atualmente é o Tratado mais ratificado do mundo com a adesão de 195 países. Essa Convenção, pelo seu caráter obrigatório, trouxe um marco legislativo muito importante para os países signatários, impulsionando mudanças na configuração do campo dos direitos fundamentais das crianças. Dentre outros importantes movimentos mundiais destaca-se a Agenda 2030 que apresenta 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e que teve participação e adesão de 192 países, inclusive o Brasil. A agenda define que os governos se orientem pelos referidos objetivos na elaboração de políticas públicas que visem à redução da pobreza e da desigualdade social. A meta 4.2 do documento prevê que seja garantido até 2030 "que todos os meninos e meninas tenham acesso a um desenvolvimento de qualidade na primeira infância, cuidados e educação pré-escolar, de modo que estejam prontos para o ensino primário" (UNESCO , 2016). No conjunto dos objetivospropostos, destacam-se aqueles que se apresentam, diretamente, ligados aos direitos das crianças, e que as colocam no centro de uma agenda global de desenvolvimento, conforme se pode verificar na síntese seguir: Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 10/27 Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades. Assegurar a educação inclusiva e equitativa de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. Vivenciou-se, nessa década em curso, o crescimento de ações e movimentos que defendem a necessidade de investimento em políticas públicas voltadas para a garantia de direitos das crianças e seu desenvolvimento integral. Todavia, relatórios anuais do UNICEF apresentam pesquisas sobre a situação mundial da infância e da adolescência revelando os graves problemas e distorções sociais. A figura 2, apresenta informações de 2016. Figura 2 - Situação mundial da infância e da adolescência Fonte: UNICEF, 2016. Outros movimentos crescem em todo mundo e no Brasil, em defesa, principalmente da primeira infância, com participação de pesquisadores especialistas de diferentes campos do conhecimento que apontam que os investimentos feitos por um país para o Para entender melhor a agenda mundial 2030 e sobre a importância dos ODS. Clique aqui. Veja outros importantes relatórios produzidos pelo UNICEF Situação Mundial da Infância 2019 . Bem estar e privações múltiplas na infância e na adolescência no Brasil . https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/ https://www.unicef.org/brazil/relatorios/situacao-mundial-da-infancia-2019-crianca-alimentacao-e-nutricao https://www.unicef.org/brazil/relatorios/bem-estar-e-privacoes-multiplas-na-infancia-e-na-adolescencia-no-brasil 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 11/27 desenvolvimento saudável na infância podem ser considerados como um dos que possuem maior eficácia e garantia retornos econômicos. Ressaltam-se as conferências realizadas em todo mundo, especialmente a de Atlanta, em 1996, que teve como tema: "Desenvolvimento na Primeira Infância: investindo no futuro", e a de Washington, que aconteceu em 2000, intitulada "Investindo no futuro de Nossas Crianças". Segundo relatório organizado por Young (2010), a conferência de 2000 tornou-se um evento histórico que reuniu os principais especialistas, acadêmicos, profissionais e formuladores de políticas do mundo para se concentrarem nos variados aspectos do desenvolvimento na Primeira Infância. "Os participantes da conferência examinaram o estágio do conhecimento sobre os benefícios e a eficácia das primeiras intervenções, trataram do papel e da influência do setor privado, enfatizaram a importância de reduzir o desnível das crianças pobres e destacaram os potenciais ganhos políticos e econômicos com o investimento no DPI". (YOUNG , 2010, p.4). Em 2015 aconteceu em Icheon, na Coreia do Sul, o Fórum Mundial de Educação que contou com mais de 1.600 participantes de 160 países, incluindo ministros, chefes e membros de delegações e lideranças de diversos segmentos da sociedade civil. A Declaração de Icheon, resultante deste evento e assumida pelos participantes, apresenta, dentre outras considerações e compromissos importantes, a existência de "questões inacabadas", que pressupõem a aceitação de compromissos globais para o saneamento das mesmas que são: Acesso. Inclusão e equidade. Qualidade. Igualdade de gênero. Oportunidade de aprendizagem ao longo da vida. Esse fórum tratou especialmente da educação na primeira infância, questão defendida pelo Nobel de Economia, em 2000, James Heckman, estudioso de muitos anos sobre o impacto de investimentos na primeira infância, que, em vários eventos sobre o tema, apresenta pesquisas comprovando não haver ações de maior retorno em educação do que aquelas voltadas para as crianças pequenas. Destaca-se que todos esses movimentos apontam para a necessidade de estabelecimento de ações intersetoriais para o alcance da efetividade das políticas de atenção e proteção à infância. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 12/27 No Brasil, houve importantes avanços para o desenvolvimento de políticas para a infância a partir da Constituição Federal de 2008, do Estatuto da Criança e do Adolescente, 1990 e da LDB, 1996. Estes dispositivos legais trouxeram mudanças expressivas nas políticas de atendimento educacional para as crianças de zero a cinco anos, garantindo não somente os direitos à educação como, também, colocando luz à causa da criança e do respeito pela sua condição de pessoa, vivendo o seu "tempo de Infância." Segundo Didonet, a causa da criança é também a causa da humanidade que ao vê-la, vê a si própria. "Ao reconhecê-la como pessoa que tem direito de ser plena enquanto criança e que, ao mesmo tempo, vivencia um processo de desenvolvimento, a sociedade insere a fase infantil na integralidade da vida humana e, portanto, plenifica a própria existência" (DIDONET , 2015 p. 74). Todavia, apesar dos avanços em relação à garantia de direitos previstos na legislação, permanecem os desafios no que se refere à questão da qualidade e da equidade. Há um grande número de crianças no Brasil e no mundo em situação de vulnerabilidade social. No que se refere à Educação Infantil, o atendimento às crianças em creches e pré-escolas apresentam condições diferentes nas regiões do país, especialmente, em relação ao atendimento especializado para as crianças deficientes. Em 2016 foi promulgada a Lei nº 13.257, denominada Marco Legal da Primeira Infância, que estabelece princípios e diretrizes para a formulação de políticas públicas que visam atender, de forma mais efetiva, os direitos da criança na primeira infância (Brasil, 2016). Em sua concepção, a Lei visa superar a segmentação de ações, aumentando a eficácia das políticas voltadas para a infância e definindo estratégias de articulação intersetorial. Expressa e reafirma a concepção de criança como sujeito de direitos, e que estes direitos devem ser assegurados desde a gestação, por meio de "atendimento especializado da gestante, da garantia de atendimento pré, peri e pós-natal, inclusive com foco na nutrição adequada, garantia de atendimento de saúde bucal e treinamento para o exercício da maternidade responsável" (BRASIL , 2016, p. 3). Tem-se, na perspectiva da referida lei, um expressivo avanço com a concepção e a normatização das políticas públicas que priorizam o cuidado integral e integrado com a criança, desde a concepção até os seis anos de idade. Vale destacar que o marco legal é Saiba Mais Para complementar os conhecimentos, leia: Política Nacional Intersetorial para a Primeira Infância . Folheto elaborado pelo Todos pela Educação e pela Fundação Maria Cecília Souto Vidigal que apresenta um panorama das ações intersetoriais para a primeira infância. https://www.fmcsv.org.br/pt-BR/biblioteca/politica-nacional-intersetorial-primeira-infancia/ 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 13/27 resultado de um movimento em prol da primeira infância, iniciado a partir dos anos 2000, pela articulação de diferentes segmentos dasociedade civil. A criação da Rede Nacional da Primeira Infância, em 2006, de composição múltipla, agregando representantes de todos os segmentos da sociedade brasileira, no campo estatal e não estatal, desencadeou a proposta de construção de políticas específicas para essa faixa etária o que resultou no Plano Nacional pela Primeira Infância (PNPI), aprovado em 2010, pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA). O PNPI se constitui como um plano de princípios e diretrizes, e menos como um plano de metas, de objetivos e se apresenta como instrumento fundamental para a orientação e para o estímulo ao debate sobre a necessidade de mobilização social pela garantia dos direitos das crianças, direitos já alcançados em processos de intensa luta e participação da sociedade. A Lei 13.257 reafirma a definição de que as responsabilidades relativas à primeira infância devem ser compartilhadas entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios, de modo a garantir que o atendimento dos direitos da criança, nesta faixa etária, seja objetivo comum de todos os entes da federação, segundo as respectivas competências constitucionais e legais, em regime de colaboração. Além disso, prevê a participação da sociedade, solidariamente com a família e o Estado, na proteção e na promoção de cuidados essenciais para o desenvolvimento das crianças, bem como no atendimento educacional com qualidade. O artigo 5º da referida Lei, considera a educação como política pública prioritária, disciplina sua expansão para as crianças de zero a três anos e estipula que as instalações educacionais obedeçam aos padrões de infraestrutura estabelecidos pelo Ministério da Educação. No que tange aos profissionais que atuam, neste segmento, define que sejam qualificados e, especialmente, no artigo 10, indica acesso garantido e prioritário à qualificação, especialização e atualização definindo, inclusive, que os programas de formação devem contemplar, entre outros temas: especificidade da primeira infância, estratégia da intersetorialidade na promoção do desenvolvimento integral e prevenção e proteção da criança contra toda forma de violência (Brasil, 2016, p. 1). Além dos aspectos citados, esta lei define, também, a existência de currículo e materiais pedagógicos adequados, a garantia de acesso das crianças a bens culturais e sua participação ativa em atividades desta natureza devendo ser reconhecida como produtora Saiba Mais Para aprimorar os conhecimentos, leia mais sobre: Rede Nacional da Primeira Infância . http://primeirainfancia.org.br/rede-nacional-da-primeira-infancia-debate-elaboracao-de-guia-intersetorial/ 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 14/27 de cultura. Prevê que o poder público organize e estimule a criação de espaços lúdicos, em locais onde há circulação de crianças com garantia de segurança e condições ambientais adequadas, (artigos 16 e 17), dando ênfase à importância do brincar para o desenvolvimento e definindo obrigação dos órgãos públicos para estimularem a criatividade na circulação por ambientes públicos. A Lei inclui a participação da criança na definição das ações que lhe digam respeito, no aprimoramento da garantia da oferta dos serviços, na definição de práticas e ações voltadas para o seu atendimento (artigo 4º), definindo a realização de oitivas e participação mediante a escuta por profissionais qualificados, por meio de processos adequados às diferentes formas de expressão infantil. Nesse aspecto, retoma o que prevê a Convenção dos Direitos da Criança de 1989 ao definir "as crianças, como pessoas e sujeitos de direitos, podem e devem expressar suas opiniões nos temas que lhes afetam. Suas opiniões devem ser escutadas e levadas em conta na agenda política, econômica ou educacional de um país" (ONU , 1989, p. 7). Como se pode comprovar a lei do marco legal da infância apresenta avanços importantes na proteção aos direitos das crianças de zero a seis anos, principalmente ao definir que os municípios elaborem um Plano Municipal para a Primeira Infância, estabelecendo ações intersetoriais que garantam: A institucionalização de comitês intersetoriais de políticas públicas. A incorporação de sistemas de monitoramento. Assista ao vídeo - Criança é prioridade 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 15/27 A avaliação periódica e divulgação dos resultados dos serviços e programas voltados à primeira infância. A manutenção de um sistema de registro dos dados de crescimento e desenvolvimento das crianças em nível nacional. A difusão dos direitos da criança nos meios de comunicação (Brasil, 2016). Todavia, no campo educacional, ainda permanecem algumas lacunas como no caso da previsão de um prazo para a universalização da oferta de vagas em creches para crianças de zero a três anos, direito expressamente previsto na Constituição Federal, bem como previsão de mecanismos para a garantia de fontes de financiamento específicas para custear as políticas públicas instituídas e/ou ratificadas, necessárias à garantia de atendimento educacional às crianças de 0 a 5 anos, com qualidade e equidade. Políticas de Educação Infantil no Brasil A causa da infância e a oferta de educação para crianças de 0 a 5 anos recebeu atenção especial nas últimas décadas. Os movimentos de luta pela efetivação dos direitos ao atendimento educacional, para esta faixa etária, foram fundamentais para a confirmação e regulamentação dos artigos da Constituição Federal que definem esses direitos, dentre os quais se destacam: O artigo 6 - define os direitos sociais: a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados. O artigo 7 - reconhece o direito de trabalhadores urbanos e rurais a creches e pré- escolas para seus filhos. O artigo 208 dispõe sobre o direito à educação e reconhece, pela primeira vez, o atendimento em creches e pré-escola como um direito da criança, uma opção da família e dever do estado. A partir da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9394/1996, a Educação Infantil constitui-se como a primeira etapa da educação básica, tendo como finalidade o desenvolvimento integral da criança até 5 anos de idade em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Ainda hoje, essa configuração, representa um grande desafio em vista das condições de desigualdades econômicas e sociais do país que dificultam a universalização da Educação Infantil como garantia de bem público e de direito de todas as crianças. As desigualdades estão presentes, também, entre os segmentos creche e pré-escola. A figura a seguir apresenta dados do censo escolar divulgado em 2018, com informações do ano de 2017. Figura 3 - Desigualdades relativas ao acesso 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 16/27 Fonte: Caderno Globo Primeira Infância, 2020. Observa-se que no Brasil ainda existe um contingente expressivo de crianças sem acesso à Educação Infantil, inclusive na faixa etária de 4 e 5 anos (pré-escola, nos termos da lei) e que se trata de uma obrigatoriedade de efetivação de matrícula para pais e garantia de oferta para o poder público. Também é possível constatar que a creche continua em situação de desprestígio nos dispositivos legais e, apesar de se constituir em direito, não alcançou ainda o lugar de prioridade nas políticas públicas. A luta pela inclusão da Educação Infantil, como etapa da educação básica, revela que este desprestígio não é somenteem relação ao acesso, mas também, e principalmente, em relação à qualidade do atendimento. Ainda, conforme dados do censo, no Brasil, em 2018 havia 8,7 milhões de crianças de 0 a 5 anos matriculadas em instituições públicas ou privadas, sendo a maioria atendida pela rede pública (71,6% das matrículas) nos municípios. De acordo com o que estabelece o artigo 211 da Constituição Federal a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios devem organizar em regime de colaboração seus sistemas de ensino, cabendo aos municípios atuarem, prioritariamente, no Ensino Fundamental e na Educação Infantil. Assim, define que a Educação Infantil será ofertada em creches para as crianças de 0 a 3 anos e pré-escolas para as crianças de 4 e 5 anos, sob a responsabilidade dos municípios que deverão seguir as diretrizes nacionais emanadas pela União. Destacam-se as importantes alterações na LDB, especialmente a Lei nº 11.700, de 2008, que introduziu novo inciso ao art. 4º da LDB, especificando o dever do Estado para a garantia de "vaga na escola pública de Educação Infantil ou de Ensino Fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade" (BRASIL, 2008). Dessa forma, Os municípios responsáveis pela Educação Infantil devem organizar as redes escolares dando prioridade para que as vagas sejam disponibilizadas para a toda a demanda de quatro e cinco anos. Outra definição importante na política educacional foi a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB). Este foi criado pela Emenda Constitucional nº 53/2006 e regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007 e substituiu o Fundo de Manutenção e 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 17/27 Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), que vigorou de 1998 a 2006. O FUNDEB prevê a alocação de recursos oriundos dos Estados, Municípios e do Governo Federal, em um só fundo, e a redistribuição segundo um valor per capita nacional por aluno. Com isso, ele colabora para diminuir as diferenças entre os sistemas de ensino, uma vez que se estabelece um patamar nacional mínimo. Considera-se a instituição do FUNDEB como um grande passo na perspectiva da expansão do atendimento da Educação Infantil, uma vez que no âmbito de cada Estado abrange, conjuntamente, o governo estadual e todos os governos municipais, tanto como provedores, como beneficiários do Fundo. O fato de o Fundo, somente, cobrir uma parte dos investimentos necessários na área da educação, com base nas matrículas existentes, não garante as outras demandas, tais como a construção de novas creches que ficam na dependência de outras fontes de arrecadação que muitos municípios não têm. Nessa perspectiva, o MEC instituiu uma série de programas dentro de um Plano de Ações Articuladas (PAR), com vistas a atender às necessidades demandadas. No conjunto do arcabouço legal, destaca-se, sobremaneira, o Plano Nacional de Educação para a vigência de 2014 a 2024, Lei nº 13.005/2014, que institui que apresenta como primeira meta: "universalizar, até 2016, a Educação Infantil na pré-escola para as crianças de 4 (quatro) a 5 (cinco) anos de idade e ampliar a oferta de Educação Infantil em creches de forma a atender, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das crianças de até 3 (três) anos até o final da vigência deste PNE" (BRASIL , 2014, p. 4). Na perspectiva da universalização do atendimento às crianças de quatro e cinco anos esta meta apresenta um avanço. Quanto à faixa de zero a três anos, mais uma vez, o percentual de 50% previsto não contempla as demandas existentes. A obrigatoriedade prevista para as crianças de quatro até os 17 anos de idade existe, tanto para as famílias e aos estudantes, quanto para o estado e municípios, o que não ocorre no caso da creche. Não há constatação por meio de estudos sobre a que distância o país se encontra em relação à meta de 50% de atendimento à faixa etária de 0 a 3 anos. Tanto a União, quanto os Estados e municípios necessitam de dados confiáveis sobre a demanda real para que as metas possam ser melhor monitoradas. Além da meta 1, o PNE apresenta outras que incluem a Educação Infantil, direta ou indiretamente, são: Meta 6: oferecer educação em tempo integral em, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) das escolas públicas, de forma a atender, pelo menos, 25% (vinte e cinco por Para saber mais sobre outros programas em vigor no MEC que atende à Educação Infantil, Clique aqui . http://portal.mec.gov.br/secretaria-de-educacao-basica/publicacoes?id=12579:educacao-infantil 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 18/27 cento) dos(as) alunos(as) da educação básica. Meta 4: universalizar, para a população de 4 (quatro) a 17 (dezessete) anos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, o acesso à educação básica e ao atendimento educacional especializado, preferencialmente na rede regular de ensino, com a garantia de sistema educacional inclusivo, de salas de recursos multifuncionais, classes, escolas ou serviços especializados, públicos ou conveniados. No que tange à questão dos profissionais que atuam na Educação Infantil o PNE reforça os dispositivos legais que tratam da questão. O artigo 62 da LDB define que a formação de docentes para atuar na educação básica far-se-á em nível superior, em curso de licenciatura plena, admitida, como formação mínima para o exercício do magistério na Educação Infantil e nos cinco primeiros anos do Ensino Fundamental, a oferecida em nível médio, na modalidade normal. (Redação dada pela lei nº 13.415, de 2017). Todavia, o PNE prevê o alcance de meta de formação em nível superior a todos os professores. Outro aparato da política para os docentes é a Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008 que Regulamenta a alínea "e" do inciso III do caput do art. 60, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que institui o piso salarial profissional para o pessoal do magistério público da educação básica. Esta lei define que o piso salarial profissional nacional é o valor abaixo do qual a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios não poderão fixar o vencimento inicial das Carreiras do magistério público da educação básica, para a jornada de, no máximo, 40 horas semanais. Define, também, a atualização anual do valor fixado a partir de 2009. Outra definição de grande importância se refere à composição da jornada de trabalho dos profissionais da educação, para a qual os sistemas de ensino deverão observar o limite máximo de 2/3 da carga horária para o desempenho das atividades de interação com os educandos. Esta normatização incide, diretamente, nas possibilidades concretas de atuação dos profissionais, uma vez que tempo de 1/3 restante é destinado especificamente às atividades de planejamento, reuniões pedagógicas e outras atividades complementares. No cerne das discussões provocadas por estes dispositivos legais encontra-se a questão dos planos de carreira para os profissionais da educação. Em decorrência deste fato, o Parecer CNE/CEB nº 9, de 2 de abril de 2009, deu origem à Resolução CNE/CEB nº 2, de 28 de maio de 2009, que fixa as Diretrizes Nacionais para os Planos de Carreira e Remuneração dos Profissionais do Magistério da Educação Básica Pública. Além de apresentar os Conheça, também, as metas referentes à formação, valorização e carreira dos professores, acesse o PNE . http://pne.mec.gov.br/ 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.…19/27 princípios orientadores dos planos de carreira, o Parecer define as diretrizes às quais a União, os Estados e os municípios deverão atender na elaboração dos planos que se referem à formação dos profissionais. Analisando o movimento das políticas públicas educacionais, é notável o avanço na organização da Educação Infantil nos últimos anos, mas que ainda merece cuidado e atenção em diversos aspectos. Embora a incorporação das crianças aos quatro anos na escolaridade obrigatória tenha um efeito positivo no sentido da universalização da pré- escola, faz-se necessário avaliar se e como os municípios estão se estruturando e organizando para promover o atendimento. Destaca-se que no âmbito do MEC, vários documentos orientadores foram produzidos e publicados a partir da aprovação da LDB visando ao estabelecimento de diretrizes, critérios e parâmetros de qualidade para a Educação Infantil. Esses importantes documentos encontram-se disponíveis, no site do Ministério da Educação, na página da Educação Infantil e serão apresentados no decorrer da disciplina. O papel social da Educação Infantil Conforme estudos apresentados, já é de seu conhecimento que vários foram os ordenamentos legais, ao longo das últimas décadas para que o atendimento educacional à criança, na primeira infância, seja assumido como um direito. Essas mudanças cumprem um papel importante na configuração do quadro atual para o entendimento da função social da Educação Infantil por parte de toda a sociedade. A educação, como você já sabe, é um processo que se inicia desde o nascimento da criança a partir de sua inserção no universo social e cultural. A educação em geral e a educação escolar são processos complementares de corresponsabilidade entre as instituições escolares e a família. Para pensar um pouco mais sobre a importância dos adultos de referência na educação das crianças, no âmbito dessas duas instituições, é importante que você leia e refletir o seguinte texto. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 20/27 O texto oportuniza uma reflexão sobre o quanto os adultos e seus vínculos afetivos com as crianças são importantes para dar-lhes a segurança necessária, para seguir em frente e conhecer o mundo. Pense, então, no importante papel que cumprem as instituições responsáveis pela educação das crianças, sobretudo, na primeira infância. No contexto brasileiro, em que existem diferentes formas de vivência da infância e de condições de vida social das famílias, não é suficiente garantir o direito a uma vaga nas creches ou na pré-escola. É preciso construir alternativas para a superação das desigualdades, respeitando os direitos básicos das crianças e de suas famílias e suas diversas identidades culturais, étnicas e de gênero. A história da Educação Infantil convida a olhar as funções exercidas pelas instituições, em cada tempo e conforme as demandas da sociedade. Houve um tempo em que as crianças eram "descartáveis", pois não tinham importância, não faziam diferença e eram expostas ao infanticídio, doadas e abandonadas nas ruas, expostas a todo tipo de negligência e violência e sem que isso significasse responsabilidade do poder público, o que fez com que surgissem as instituições de acolhimento para crianças como as chamadas "rodas dos expostos" que se proliferam e atravessam séculos acolhendo crianças abandonadas de diferentes raças e classes sociais. No Brasil, as rodas dos enjeitados foram criadas em 1726. Várias pesquisas apontam que, no século XVIII, cerca de 5% das crianças livres no Brasil eram abandonadas ao nascer, por diversos fatores: crianças de união ilegítima, deficientes, filhos de moças solteiras, filhos de pais sem recursos para sobrevivência, dentre outros. As rodas dos expostos, ou roda dos enjeitados tomaram para si a responsabilidade sobre a 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 21/27 infância desvalida, cumprindo o papel que deveria ser do poder público e de toda a sociedade, por um período muito longo. A última delas deixou de funcionar em 1950. Veja a seguinte figura. Figura 4 - Roda dos expostos Fonte: Gazeta do Povo, 2020. Posteriormente, sobretudo a partir de 1930, foram criados no Brasil órgãos ligados à assistência como lactários, abrigos, institutos e outros formatos de instituições estimulados, principalmente, pelas ações de médicos higienistas e grupos religiosos preocupados com os altos índices de mortalidade infantil e com as grandes epidemias. Em 1943 a Consolidação dos Direitos Trabalhistas- CLT determinava que na empresa onde houvesse 30 ou mais mulheres com idade superior a 16 anos, estas teriam o direito a um local apropriado onde seus filhos pudessem ser assistidos. Vê-se que a preocupação à época era com a assistência o que perdurou por muitas décadas, mesmo após a criação de creches públicas e privadas estas eram vistas como um lugar para alimentar, promover a higiene, zelar pelo sono e pelo repouso, ensinar a cantar e rezar. No contexto de desenvolvimento industrial, de crescimento das cidades e da entrada cada vez maior de mulheres no mercado de trabalho formal é que nascem as creches populares ou comunitárias com o objetivo de atender às mães operárias industriais e, também as mães empregadas domésticas. Posteriormente, foram implantadas as instituições chamadas "jardins da Infância," de iniciativa privada e destinadas às crianças das classes mais favorecidas. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 22/27 Baseadas no modelo alemão dos famosos "kindergarten", modelo criado pro Frederico Froebel, como instituições de caráter fundamentalmente educativo. Sustentado pela ideia de crianças como sementes que necessitam de cuidados para seu desenvolvimento saudável, essas instituições se utilizam do termo "pedagógico" e passam a atuar na preparação da criança pequena para a entrada na educação primária. Dessa forma, a história do surgimento das creches revela que esta instituição surge para acolher e cuidar das crianças pobres, ao contrário dos jardins de infância que se estabelecem como espaços destinados às crianças de classes favorecidas economicamente. A partir da metade do século XX, devido ao crescimento do número de mulheres trabalhando fora de casa e dos movimentos sociais as exigências pela assunção do poder público das responsabilidades sobre a proteção e a educação das crianças induziram o aumento de creches e pré-escolas públicas. Todavia, as que foram criadas não eram suficientes para atender à demanda, o que levou à criação de creches domiciliares e comunitárias. Em todas elas predominava o caráter assistencialista. Como se vê, a Educação Infantil como direito é resultado de lutas e conquistas de vários anos e vem se consolidando no Brasil pela expansão da oferta. Todavia, "a disseminação de instituições públicas e a situação concreta de vida das crianças são resultantes de assimetrias profundas nas correlações de força e nos desequilíbrios que se manifestaram na consolidação de direitos entre estratos sociais desiguais e diversificados" (FREITAS , 2010, p.9). Isso significa que se faz necessário compreender a função das instituições de Educação Infantil no contexto social em que, ainda, é preciso lutar pela consolidação dos direitos definidos em lei. Sobre a função que devem cumprir as instituições da Educação Infantil o Parecer CNE/CEB nº20 de 11/11 de 2009, que trata da revisão das diretrizes curriculares nacionais para a Educação Infantil destaca que é preciso garantir a Educação Infantil como direito social, sem distinção e com qualidade,o que significa indagar sobre qual é a educação que se reivindica para as crianças de zero a cinco anos que signifique universalização para todos os diferentes e clarifica a função das instituições de Educação Infantil: A função das instituições de Educação Infantil, a exemplo de todas as instituições nacionais e principalmente, como o primeiro espaço de educação coletiva fora do contexto familiar, ainda se inscreve no projeto de sociedade democrática desenhado na Constituição Federal de 1988 (art. 3º, inciso I), com responsabilidades no desempenho de um papel ativo na construção de uma sociedade livre, justa, solidária e socioambientalmente orientada (BRASIL , 2009, p. 5). 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 23/27 Apesar dos avanços já reconhecidos, as instituições públicas destinadas às crianças de zero a cinco anos, principalmente as creches, revelam ainda um atendimento destinado a uma classe social desfavorecida e necessitada de assistência social para as crianças de mães trabalhadoras. Passado mais um século, ainda há resquícios de práticas de assistência em instituições, bem como modelos de atendimento que não avançaram dessa concepção assistencialista, que vem sendo apontada em estudos desde as décadas de 1980 e 1990 por autores como Rosemberg (1989), Campos (1989), Kuhlmann Jr. (1998), dentre outros. Nessa perspectiva, ainda é um desafio nacional garantir às crianças um processo educativo em instituições cujo projeto pedagógico se sustenta na consciência de sua função sociopolítica. Na prática, isso significa oferecer a todas elas condições para aprender e desenvolver suas potencialidades, tendo assegurados o cuidado e a educação com qualidade. Para isso, os espaços institucionais devem ser organizados e estruturados para atender às especificidades de cada idade, contanto com o trabalho de professores e demais profissionais qualificados e com uma gestão democrática. Finalizando a Unidade A Educação Infantil, primeira etapa da educação básica, está contemplada nos principais dispositivos legais que tratam dos direitos das crianças e que vem apresentando avanços expressivos no que diz respeito ao acesso, com o aumento de matrículas nos últimos anos. Todavia, o país ainda carece de uma política que garanta a efetivação dos direitos em plenitude, principalmente ao que se refere à questão da qualidade do atendimento educacional. Nessa perspectiva, enseja-se uma política mais ampla para a Educação Infantil que congregue, de forma articulada, ações já em curso no MEC e outras, ainda necessárias, para o cumprimento dos requisitos de qualidade e equidade. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 24/27 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Dica do Professor Para aprimorar os conhecimentos sobre esta temática leia: O Mito da infância feliz. O livro reúne contos, relatos e ensaios de educadores, escritores, jornalistas, dramaturgos, produtores de TV sobre dificuldades e sofrimentos vividos na infância e desmitificam este tempo como sendo aquele em que os sujeitos vivem em pleno estado de felicidade. São histórias reais que fazem pensar e compreender melhor as diferentes possibilidades de vivência da infância. Leia também: Infância educação e direitos humanos.Nesta obra os autores apresentam questões relativas aos direitos das crianças e dos adolescentes e discutem a importância da educação como estratégia fundamental para a garantia de direitos e de desenvolvimento do país. 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 25/27 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Saiba Mais Para conhecer um pouco mais sobre as políticas de Educação Infantil no Brasil acesse a obra: Panorama das políticas de Educação Infantil no Brasil Beatriz de Oliveira Abuchaim. Brasília: UNESCO, 115p. Assista ao Workshop Primeira Infância – Avanços e retrocessos , entrevista da educadora Maria Malta Campos aponta os avanços e as dificuldades para a melhoria da qualidade da Educação Infantil. Assista ao filme "Crianças Invisíveis", (UNICEF, 2006) e reflita sobre os desafios mundiais para a garantia de promoção do desenvolvimento pleno das crianças. Esse filme é formado por 7 curtas realizados no Brasil, Itália, Inglaterra, Sérvia, Burkina Faso, China e Estados Unidos. O projeto de Crianças Invisíveis foi criado para despertar a atenção das pessoas para o sofrimento das crianças em situações de vulnerabilidade social por todo o mundo. http://unesdoc.unesco.org/images/0026/002614/261453por.pdf http://unesdoc.unesco.org/images/0026/002614/261453por.pdf https://www.youtube.com/watch?v=hHk9eS9hJdw 28/09/2023, 11:18 Versão para impressão - INFÂNCIA E EDUCAÇÃO INFANTIL https://conteudo.catolica.edu.br/conteudos/unileste_cursos/disciplinas/nucleo_formacao_geral/fundamentos_educacao_infantil/tema_01/index.… 26/27 ©2018 Copyright ©Católica EAD. Ensino a distância (EAD) com a qualidade da Universidade Católica de Brasília Referências AGAMBEN, Giorgio. Infância e História: destruição da experiência e origem da história. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2005. ARIÈS, P. História social da criança e da família. Tradução Dora Flaksman. 2. ed. Rio de Janeiro: Livros Técnicos e Científicos, 1984. BARROS, M. “Poesia completa”. São Paulo: Leya, 2010 BRASIL, Lei 11700. 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