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Semiologia cardíaca

Resumo sobre anamnese e semiologia cardíaca: sintomas (dor precordial, dispneia, síncope, palpitações, edema), orientações para HDA, exame físico geral (biotipo, sinais cutâneos, PA, IMC), avaliação de pulsos (radial, braquial, tibial posterior, pedioso, carótida), pulso venoso e precórdio.

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gabi_fran_ 
Gabrielle França, CESUPA 2021 
 
Anamnese 
De maneira geral a Anamnese prevalece à 
mesma, uma revisão que já é estudada em 
semestres passados. Deve-se ressaltar, além de 
sintomas específicos que não devem ser 
esquecidos durante a conversa, a importância 
de uma HDA bem feita, para conseguir 
diferenciar esses sintomas de outros aparelhos 
e identificar doenças crônicas. 
ISDA cobra-se apenas os sintomas referidos 
pelo paciente. Na parte de Antecedentes 
Pessoais citamos apenas os patológicos. Nos 
dois últimos procura-se descobrir, 
principalmente, uso de drogas, tabagismo e 
condições de estresse e financeira. 
Sintomas Característicos 
Dor precordial 
Significa dor no peito, porém voltada a área 
centro-esquerda do tórax (importante para 
diferenciar de torocalgia e suas variações). 
Aqui é importante realizar a HDA completa, 
investigando localização, intensidade, tipo da 
dor, dor naquele momento e etc. 
 
 
Dispneia 
Refere-se a uma sensação de falta de ar 
repentina, pode ser: Dispneia a esforços 
(identificar o tipo de esforço físico, relaciona-se 
a IC*), Trépopneia (falta de ar em decúbito 
lateral, melhora ao deitar no MESMO lado da 
dor e indica derrame pleural), Platipnéia (falta 
de ar em pé que melhora com decúbito), 
Ortopnéia (em decúbito), Dispnéia Noturna. 
Síncope 
É a perda súbita de consciência do paciente, o 
mesmo que um desmaio deve-se a isquemia 
cerebral transitória. 
Palpitações 
É um sintoma inespecífico e indica a 
percepção dos batimentos cardíacos de forma 
incomoda. 
Edema 
Inchaço em sua maioria vespertino e 
gravitacional, simétrico que pode seguir para 
região inguinal. 
Exame Físico Geral 
Como uma revisão, estão listados pontos do 
exame físico já conhecido que se relacionam a 
parte cardiológica: 
 BIOTIPO: alterações fisiológicas na 
posição do coração 
 
 POSIÇÃO: Sinal de levini (mão no peito) 
 
 BAQUETEAMENTO DIGITAL: Falta de 
oxigenação 
 
 SINAIS NA PELE; 
 
 CIANOSE: Coloração azul-roxeada que se 
relaciona com a parte cardíaca. 
 
 AFERIR A PRESSÃO ARTERIAL; 
 
 IMC E CIRCUNFERÊNCIA ABDOMINAL: 
Relacionar com risco cardíaco. 
 
 
 
Semiologia Cardíaca 
1. AVALIAÇÃO DOS PULSOS VENOSOS, 
ARTERIAIS E CAPILARES. 
 
Características arteriais 
São avaliados na artéria Radial e busca-se aqui: 
 Estado da parede: Lisa, endurecida e 
irregular. 
 
 Frequência: 50 a 100 BPM/PPM por 
minuto é o normal, acima disso seria 
Taquisfigmia e abaixo Bradisfigmia. 
 
 Ritmo será regular ou irregular 
 
 Amplitude (todos os vasos): Amplo, 
mediano ou pequeno. Medido em 
cruzes de 1+ a 4+. * 
 
 Tensão / Dureza: Após a compressão, 
com os dedos, avalia-se em Mole e 
Duro de acordo com a força necessária 
para o pulso sumir. 
 
 Simetria (todos os vasos) 
*OBS: Devemos ficar atento à localização da 
artéria, pois quanto mais central é comum 
termos ate 3+. 
Pulso Radial 
Deve ser palpado com 
mão em pinça e os dedos 
indicador e médio irão 
sentir a vibração. Localiza-
se entre a apófise do rádio e 
o tendão dos músculos 
flexores. 
Pulso Braquial 
Localiza-se na parte medial ao 
tendão do bíceps, na prega 
cubital. Usamos o indicador no 
tendão bicipital, paciente 
permanece com cotovelo 
esticado e palmas da mão para 
cima. A artéria: 
 
Pulso Tibial posterior 
Encontra-se na parte 
posterior do maléolo 
medial, palpamos aqui 
o tornozelo. 
Pulso PEDIOSO 
Fica no dorso do 
pé entre o tendão 
do hálux e do 
segundo falange. 
Palpa-se com dedos 
indicador e médio. 
Pulso carotídeo 
Localizado na parte medial do 
esternocleidomastoideo, ao nível da cartilagem 
cricóidea. A 
palpação é feita 
com paciente 
sentado ou em pé 
com a cabeça 
girada levemente 
para o lado. 
Pulso venoso 
Pulso “falso”, analisamos apenas o aspecto da 
VEIA JUGULAR. ESTASE JUGULAR – termo que 
indica aumento da 
pressão intratorácica 
(asma, esforço), 
obstrução de veia 
cava superior. 
Pulso Capilar 
Não sentimos vibração alguma, portanto 
avalia-se apenas a temperatura das 
extremidades (dedos), a coloração (cianose por 
exemplo) e o grau de enchimento desses vasos 
(ao pressionar a polpa e a unha por alguns 
segundos e aguardar sua “cor voltar”). 
 
 
2. INSPEÇÃO E PALPAÇÃO DO PRECÓRDIO 
 
Definição 
O precórdio é a área de projeção do coração 
na caixa torácica anterior. Seus limites 
anatômicos são: 
 
 SUPERIOR DIREITO: segundo espaço 
intercostal direito, borda da 3° costela. 
 
 INFERIOR DIREITO: junção da cartilagem 
do sexto arco costal com o Esterno. 
 
 SUPERIOR ESQUERDO: segundo espaço 
intercostal esquerdo a 2cm do Esterno. 
 
 INFERIOR ESQUERDO: ictus cordis ponta 
do coração (ventrículo esquerdo) que se 
choca a parede torácica. 
 
Assim para identificar na pratica (ao passo 
que não vemos as costelas do paciente), deve-
se buscar o ângulo de Louis, ou ângulo do osso 
Esterno para achar o segundo espaço 
intercostal. E o ângulo de Charpy para o sexto 
espaço intercostal: 
 
 
OBS: O ictus cordis é percebido durante a 
contração ventricular isovolumétrica na sístole, 
ele pode ser percebido na linha hemiclavicular 
(pacientes normolineos). 
 
 
Inspeção 
Ao identificar o precórdio e seus limites, 
começaremos a semiologia observando o local 
desnudo de maneira frontal e tangencial, 
procurando lesões, retrações e abaulamentos, 
circulações colaterais e o ICTUS CORDIS. 
Descrevendo o exame: “Paciente com 
precordio sem abaulamentos, sem retrações, 
com limites nítidos... com ictus cordis visível na 
linha hemiclavicular em junção com 5° espaço 
intercostal...”. 
Palpação 
O examinador deve palpar o precordio com a 
mão espalmada, identificar os FREMITOS e o 
ICTUS CORDIS. 
FRÊMITOS: vibrações sentidas pelo turbilhonar 
do sangue no interior dos vasos e coração, a 
sensação do som. O normal é NÃO acha-los. 
Os frêmitos são palpados nos cinco focos de 
ausculta, avaliando a intensidade de 0 a 6+: 
 
ICTUS CORDIS: Quando possível de palpar, 
devemos descrever a localização, extensão, 
intensidade, mobilidade. Para avaliar esse 
ultimo, o paciente deve ficar em decúbito 
lateral esquerdo. 
OBS1: em situação normal ele é identificável é 
móvel, circunscrito e varia em intensidade. 
OBS2: Ele sofre alterações de acordo com o 
biótipo do paciente, e em situações de obesidade, 
enfisema, gravidez (grandes mamas), musculatura 
muito desenvolvida... 
 
 
 
 
 
3. AUSCULTA DO PRECÓRDIO 
 
Introdução; CICLO CARDÍACO 
Entende-se esse ciclo como o período entre o 
início de dois batimentos cardíacos 
consecutivos. Assim sendo, o ciclo cardíaco 
inclui períodos alternados de contração e 
relaxamento. 
Para cada uma das câmaras cardíacas, o ciclo 
pode ser dividido em duas fases. Durante a 
contração, ou sístole, a câmara ejeta o sangue 
para o interior de outra câmara ou para um 
tronco arterial. A sístole é seguida por uma 
segunda fase, de relaxamento, ou diástole, a 
câmara se enche de sangue e se prepara para 
iniciar um novo ciclo cardíaco. 
 
 
Dentro desse ciclo e das fases principais, há 
subfases que caracterizam a passagem de sangue 
em cada uma delas. 
Importante entender 
que na CONTRAÇÃO 
ISOVOLUMÉTRICA 
todas as 4 valvas estão 
fechadas. 
Assim como no 
RELAXAMENTO 
ISOVOLUMÉTRICO. 
 
Teoria Valvar; focos de 
ausculta 
Os sons cardíacos são avaliados a partir da 
Teoria Valvar, em que as chamadas Bulhas 
Cardíacas indicam o fechamento das valvas 
atrioventriculares (PRIMEIRA BULHA) e das 
semilunares (SEGUNDA BULHA). 
Em uma ausculta normal, a primeira a 
onomatopeia indica TUM e na segunda indica 
TA, comparações que facilitam. 
 
 
Para a técnica, utilizamos os 5 focos de 
ausculta já introduzidos aqui. Os chamados 
FOCOS DE BASE são: Foco Aórtico e Pulmonar. 
Já os FOCOS DE ÁPICE/PONTA são: Mitral e 
Tricúspide. E o Aórtico acessório é um foco 
auxiliarpara identificar alterações na Aorta 
descendente, como seu nome já indica. 
 
 
 
A ausculta 
Portanto, para realizar a técnica completa da 
ausculta cardíaca, é preciso entender os sons e 
uni-los ao ciclo cardíaco completo, sempre 
entendendo que são as fases VENTRICULARES: 
 
OBS: Os terços durante os silêncios são importantes 
para identificar a localização de possíveis sopros, 
exemplo: “Um sopro após a primeira bulha, em que após 
ele ouve-se o silencio e depois a segunda bulha, indica 
um sopro PROTOSITÓLICO”. 
Em uma ausculta normal adulta, como já foi 
dito, ouvimos apenas as 2 bulhas principais e 
devemos utilizar de novo os mesmos 5 focos. 
 
 Não existe ordem correta para realizar, 
porem é mais 
didático seguir os 
focos como se 
formassem um Z no 
precordio. 
Utilizamos o 
estetoscópio 
comum. 
 
Ao auscultar os cinco focos, devemos 
classificar algumas características. 
 FONESE das bulhas em normofonéticas, 
hipofonéticas e hiperfonéticas. 
 
 RITMO regular ou irregular 
 
 TEMPOS: 2 (normal) ou 3 (terceira e 
quarta bulha) 
 
 EXISTÊNCIA DE SOPROS, 
DESDOBRAMENTOS, CLICKS OU ATRITO 
 
 FREQUÊNCIA CARDÍACA 
 
Para descrever no fim do exame, escrevemos 
o seguinte: 
 
 
4. AUSCULTA DO PRECÓRDIO – PATOLOGIAS 
 
FONESES 
Durante a ausculta do precordio, pode 
ocorrer alteração na fonese das bulhas 
cardíacas: 
 HIPERFONESE 1ª BULHA; Pode ocorrer 
por posição dos folhetos das válvulas 
mais baixas, causando extra-sístoles 
frequentes. Hipertireodismo e 
Taquicardia. Estenose da valva mitral, 
tornando-a fibrosada, causando 
dificuldade da abertura e maior pressão. 
Insuficiência Cardíaca, a valva não fecha 
de forma correta. 
 
 HIPERFONESE DA 2ª BULHA; 
Persistência do canal atrial (intrauterino) 
ou comunicação dos átrios. 
 
 HIPOFONESE DA 1ª BULHA; Pode 
ocorrer por Estenose da Valva mitral, ao 
passo que dificulta a abertura dela, 
aumento da pressão arterial. Choque 
cardiogênico, com uma má perfusão. 
 
 HIPOFONESE DA 2ª BULHA; Diminuição 
do débito ventricular, com extra-sístoles 
e estenose das valvas semilunares. 
Aumento do diâmetro anteroposterior 
do tórax, escape do ar dos alvéolos no 
enfisema. Acúmulo de líquido no 
pericárdio. 
 
Desdobramentos patológicos 
 
 PRIMEIRA BUHA – B1; Ocorre um 
bloqueio do ramo direito, causando um 
atraso na condução e as válvulas 
atrioventriculares não se fecham ao 
mesmo tempo. Som: TLUM – TA 
 
 SEGUNDA BULHA – B2; Causada pela CIA 
(comunicação interatrial), em que é fixo e 
persistente. Também pode ocorrer por 
bloqueio direito do ramo direito, 
persistente. Já o bloqueio do ramo 
esquerdo é paradoxal. Som: TUM – TLA. 
 
Outras Bulhas 
 
 TERCEIRA BULHA – B3; Ruído 
protodiastólico, logo após a B2. É um som 
de baixa frequência (grave, melhor 
ouvido com a campânula) e ocorre por 
vibrações na parede do ventrículo devido 
a sobrecarga volumétrica brusca, ela é 
fisiológica quando observamos casos 
hipercinéticos como crianças, jovens, uso 
de substancias que aumentam a FC e 
exercícios. Som: TUM – TA – TU. 
 
 
 QUARTA BULHA – B4; Ruído telediastólico, 
que antecede B1, também é um som grave 
que se da por vibração na parede 
ventricular e indica perda da complacência 
do ventrículo esquerdo com um déficit de 
relaxamento. Som: TU – TUM – TA 
 
 
 
 
Clicks e estalidos 
São sons de baixa frequência (agudos) que 
surgem com a Estenose Valvar, audíveis quando 
ainda há mobilidade dessa valva (fase moderada), 
pode ser: 
 CLIQUE DE EJEÇÃO; Ruído sistólico, 
abertura semilunar estenosada. 
 
 ESTALIDO DE ABERTURA; Ruído diastólico, 
abertura das atrioventriculares 
estenosadas. 
 
 
 
Sopros cardíacos 
É todo ruído causado por vibrações 
decorrentes do turbilhonar do fluxo sanguíneo, 
pode ser causado por: 
 AUMENTO NA VELOCIDADE DO SANGUE 
 
 DIMINUIÇÃO DA VISCOSIDADE 
SANGUÍNEA 
 
 PASSAGEM DO SANGUE POR UM LOCAL 
ESTREITO (estenose valvar) 
 
 PASSAGEM POR UM ZONA DILATADA 
(aneurismas) 
 
 REFLUXO SANGUÍNEO (insuficiência 
valvar) 
 
 
Devemos observar algumas características 
semiológicas importantes para descrever essa 
patologia: 
 LOCALIZAÇÃO (5 FOCOS) 
 
 IRRADIAÇÃO 
 
 
 SITUAÇÃO NO CICLO (DIASTÓLICO, 
SISTÓLICO, PROTO, MESO E TELE) 
 
 INTENSIDADE (+ até 4+ ou + até 6+, 
lembrando que frêmitos palpáveis 
indicam 4+ em 4+ ou 4+ em 6+). 
 
 
 
 O FONOCARDIOGRAMA 
Representação gráfica do ruído do sopro 
cardíaco 
 
 
Atritos Pericárdicos 
Ruído de alta frequência, que ocorre nas 
pericardites agudas que causam fibrose nos 
folhetos dessa cavidade, perdendo seus líquidos 
e assim causando o atrito. Melhor audível no 
foco pulmonar e quando o paciente flexiona para 
frente.