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1www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br Controle da Administração Pública DIREITO ADMINISTRATIVO A N O TA ÇÕ E S CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Temas que serão analisados: • Conceito, abrangência e espécies; • Controle exercido pela administração pública; • Controle judicial; • Controle legislativo. Conceito É o conjunto de mecanismos jurídicos e administrativos por meio dos quais se exerce o poder de fiscalização e de revisão da atividade administrativa em qualquer das esfe- ras de Poder. Vale lembrar que o Brasil é pautado como um Estado Democrático de Direito, logo, a sua estrutura estatal também é responsável por cumprir normas jurídicas. Assim, se o Estado de Direito impõe regras, essas imposições também são válidas para a Administração Pública. Os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário manterão, de forma integrada, sistema de controle interno (art. 74 da CF/1988). Qualquer cidadão, partido político, associação ou sindicato é parte legítima para, na forma da lei, denunciar irregularidades ou ilegalidades perante o Tribunal de Contas da União. Características É decorrente da aplicação dos princípios da administração, sobretudo do princípio republicano, que assegura o dever de prestação de contas dos agentes públicos que com- põem o Estado. Em um Estado Democrático de Direito, o próprio Estado deve respeitar as regras jurídi- cas vigentes. O controle da Administração Pública é gênero, que pode acontecer por diversas vias, que são os controles administrativo, legislativo e judicial. 55879 Realce 2www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br Controle da Administração Pública DIREITO ADMINISTRATIVO A N O TA ÇÕ E S A tabela abaixo resume esses tipos de controle: Vale lembrar que o controle legislativo se dá na função típica do Poder Legislativo. Além disso, o controle judicial se dá na função típica do Poder Judiciário. O controle interno é feito no âmbito do controle administrativo. Já no caso dos controles legislativo e judicial, o controle é externo. Assim, o controle administrativo se dá tanto na esfera da legalidade quanto do mérito, abrangendo qualquer tipo de análise. Já o controle legislativo, embora também possa ser de legalidade ou mérito, está limitado às hipóteses previstas na Constituição Federal de 1988. O controle judicial é o mais restrito de todos, pois envolve apenas a legalidade. O fundamento do controle administrativo é a relação de subordinação (autotutela) ou vinculação (tutela). O controle legislativo é chamado de controle político (checks and balan- ces). Já o controle judicial é pautado na inafastabilidade do Poder Judiciário (checks and balances). A iniciativa dos controles administrativo e legislativo pode se dar de ofício ou por provo- cação. Já o controle judicial se dá somente por provocação (“inércia”). 5m 55879 Realce 3www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br Controle da Administração Pública DIREITO ADMINISTRATIVO A N O TA ÇÕ E S O momento dos controles administrativo e legislativo pode ser Prévio, concomitante e superveniente. Já o controle judicial, em regra, pode ser concomitante e superveniente, ou seja, não há um controle prévio. CONTROLE ADMINISTRATIVO É subdividido em: • Fiscalização hierárquica; • Supervisão ministerial; e • Recursos administrativos. Fiscalização hierárquica: • Visa ordenar, coordenar, orientar e corrigir atividades de seus órgãos e agentes; • Decorre do poder hierárquico; • É permanente (contínua) e automática (não depende de ordem ou solicitação). Supervisão ministerial: • Poder de controle finalístico sobre as entidades da Administração indireta. Relação de vinculação; • Natureza política, pois supervisiona se a entidade está cumprindo o papel que foi des- tinado em lei. Obs.: a supervisão ministerial também é conhecida como “tutela” ou apenas “supervisão”. Vale lembrar que nela não cabe a revogação, mas apenas a anulação de atos. Recursos administrativos: • EXERCICIOS DE FIXACAO do contraditório, ampla defesa e do direito de petição; • Em regra, apenas efeito devolutivo (efeito suspensivo é exceção); • Vide Súmula Vinculante n. 21. 10m 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce Súmula Vinculante Nº 21. É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. 4www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br Controle da Administração Pública DIREITO ADMINISTRATIVO A N O TA ÇÕ E S Os recursos administrativos se subdividem em: • Reconsideração: Dirigido à mesma autoridade (Admite-se reformatio in pejus); • Recurso Hierárquico: Dirigido à autoridade superior e admite a reformatio in pejus. Além disso, se subdivide em: – Próprio: mesma linha hierárquica; e – Impróprio: estranho à linha hierárquica; • Revisão Administrativa: Reabertura do processo em razão de fatos novos. Não admite reformatio in pejus. • Reclamação: Meio de defesa/impugnação relacionado a interesse de caráter pessoal; • Representação: Meio de defesa/impugnação relacionado a interesse coletivo/difuso. Obs.: dentre as figuras acima, as mais cobradas em provas de concursos públicos são a reconsideração e o recurso hierárquico. A revisão administrativa é pouco cobrada. Já a reclamação e a representação quase não possuem incidência em provas. DA COISA JULGADA “ADMINISTRATIVA” É o nome dado às decisões administrativas das quais não caibam mais recursos admi- nistrativos. Todavia, é importante lembrar que o Brasil adota o sistema inglês, em que as decisões administrativas ainda podem ser revistas pelo Judiciário. Conceito de coisa julgada administrativa: É a decisão final da Administração Pública, gerando a imutabilidade na esfera admi- nistrativa. Características: Não impede a busca da via Judicial – princípio da inafastabilidade do Poder Judiciário. Exceções: 15m 55879 Sublinhado 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Sublinhado 55879 Realce 5www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br Controle da Administração Pública DIREITO ADMINISTRATIVO A N O TA ÇÕ E S Esgotamento da via administrativa: • Justiça Desportiva (CF/1988 – art. 217, § 1º O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, regulada em lei. § 2º A justiça desportiva terá o prazo máximo de sessenta dias, contados da instauração do processo, para proferir decisão final.) • Reclamação Judicial por descumprimento de súmula vinculante (Lei n. 11.417/2006 – Art. 7º, § 1º Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas). Provocação da via administrativa (não precisa esgotar): • Habeas data (Lei n. 9.507/1997 – da recusa ao acesso às informações ou em fazer-se a retificação, ou ainda do decurso do prazo legal dias sem decisão); • Mandado de Segurança (Lei n. 12.016/2009 – Art. 5º “Não se concederá mandado de segurança quando se tratar: I - de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo...); • Benefícios previdenciários: segundo o STF, os benefícios só podem ser pleiteados após requerimento no INSS, salvo alguns casos. CONTROLE LEGISLATIVO O controle externo da Administração Pública é exercido pelo Poder Legislativo de cada esfera, com auxílio do Tribunal de Contas. CF/1988, Art. 49. É da competência exclusiva do Congresso Nacional: (...) X – fiscalizar e controlar,diretamente, ou por qualquer de suas Casas, os atos do Poder Executivo, incluídos os da administração indireta; (...) Art. 70. A fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União e das entidades da administração direta e indireta, quanto à legalidade, legitimidade, economicidade, aplicação das subvenções e renúncia de receitas, será exercida pelo Congresso Nacional, median- te controle externo, e pelo sistema de controle interno de cada Poder. Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribu- nal de Contas da União, ao qual compete: (...) 20m 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 6www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br Controle da Administração Pública DIREITO ADMINISTRATIVO Art. 31. A fiscalização do Município será exercida pelo Poder Legislativo Municipal, mediante con- trole externo, e pelos sistemas de controle interno do Poder Executivo Municipal, na forma da lei. § 1º O controle externo da Câmara Municipal será exercido com o auxílio dos Tribunais de Con- tas dos Estados ou do Município ou dos Conselhos ou Tribunais de Contas dos Municípios, onde houver. (...) § 4º É vedada a criação de Tribunais, Conselhos ou órgãos de Contas Municipais. Obs.: vale lembrar que, em regra, não há um Tribunal de Contas Municipal. As exceções são os municípios do Rio de Janeiro e de São Paulo. Todavia, é preciso ter cuidado, pois existem os Tribunais de Contas dos Municípios, que é um órgão estadual. Pontos importantes: 1. Tribunal de Contas DOS MUNICÍPIOS é órgão ESTADUAL (atualmente, só TCM-BA, TCM-GO e TCM-PA). Auxiliam TODAS as Câmaras de Vereadores/Municipais no controle externo sobre o respectivo município daquele estado. A CF não proíbe a criação. 2. Tribunal de Contas DO MUNICÍPIO é órgão MUNICIPAL (atualmente, só no município do RJ e de SP). Vedada a criação de novos. Congresso Nacional - Art. 49 Câmara - Art. 51 Senado - Art. 52 TCU - Art. 71 V – SUSTAR os atos nor- mativos do Poder Exe- cutivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa; ------- ------- X – SUSTAR, se não atendido, a execução do ato impugnado, comu- nicando a decisão à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal *Art. 71, § 1º No caso de contrato, o ato de susta- ção será adotado direta- mente pelo Congresso Nacional, que solicitará, de imediato, ao Poder Executivo as medidas cabíveis. ------- ------- § 2º Se o Congresso Nacional ou o Poder Executivo, no prazo de noventa dias, não efeti- var as medidas previstas no parágrafo anterior, o Tribunal decidirá a res- peito. ------- Poder de Convocação de autoridades. Poder de Convocação de autoridades. ------- ------- Eleger membros do Con-selho da República. Eleger membros do Con- selho da República. ------- 55879 Realce 55879 Realce 7www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br Controle da Administração Pública DIREITO ADMINISTRATIVO XIII – escolher 2/3 dos membros do Tribunal de Contas da União* Cuidado: de acordo com a CF/1988, a escolha se dá com 1/3 pela Câmara e 1/3 pelo Senado. ------- III, “b” – aprovar a esco- lha de Ministros do TCU indicados pelo PR. ------- ------- ------- III – aprovar a escolha de autoridades. ------- IX – Julgar, anualmente, as contas do PR. I – Tomada de Contas; II – Admissibilidade (2/3). I – Julgar os crimes de responsabilidade do PR. I – apreciar as contas do PR; II – julgar as contas dos administradores. Esquema: CF/1988, Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: (...) III – apreciar, para fins de registro, a legalidade dos atos de admissão de pessoal, a qualquer tí- tulo, na administração direta e indireta, incluídas as fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, excetuadas as nomeações para cargo de provimento em comissão, bem como a das con- 25m 8www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br Controle da Administração Pública DIREITO ADMINISTRATIVO A N O TA ÇÕ E S cessões de aposentadorias, reformas e pensões, ressalvadas as melhorias posteriores que não alterem o fundamento legal do ato concessório; Obs.: vale lembrar que a aposentadoria é considerada um ato complexo. Súmula Vinculante n. 3: Nos processos perante o Tribunal de Contas da União asseguram-se o contraditório e a ampla defesa quando da decisão puder resultar anulação ou revogação de ato administra- tivo que beneficie o interessado, excetuada a apreciação da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma e pensão. “Em atenção aos princípios da segurança jurídica e da confiança legítima, os Tribunais de Contas estão sujeitos ao prazo de cinco anos para o julgamento da legalidade do ato de concessão inicial de aposentadoria, reforma ou pensão, a contar da chegada do processo à respectiva Corte de Contas”. STF. RE 636553/RS, julgado em 19/02/2020 (repercussão geral – Tema 445) (Info 967). Agora, passados cinco anos, tem-se a homologação tácita. Dessa forma, não há que se respeitar contraditório e ampla defesa. Súmula n. 347/STF (SUPERADA): O Tribunal de Contas, no exercício de suas atribui- ções, pode apreciar a constitucionalidade das leis e dos atos do poder público. 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 9www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br Controle da Administração Pública DIREITO ADMINISTRATIVO A N O TA ÇÕ E S Cuidado: Não cabe ao Tribunal de Contas, que não tem função jurisdicional, exercer o controle de constitucionalidade de leis ou atos normativos nos processos sob sua análise – Plenário do STF – MS 35410, julgado em 12/04/2021. CF/1988, Art. 71. O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União, ao qual compete: (...) VI – fiscalizar a aplicação de quaisquer recursos repassados pela União mediante convênio, acor- do, ajuste ou outros instrumentos congêneres, a Estado, ao Distrito Federal ou a Município; VIII – aplicar aos responsáveis, em caso de ilegalidade de despesa ou irregularidade de contas, as sanções previstas em lei, que estabelecerá, entre outras cominações, multa proporcional ao dano causado ao erário; (...) § 3º As decisões do Tribunal de que resulte imputação de débito ou multa terão eficácia de título executivo. (extrajudicial) § 4º O Tribunal encaminhará ao Congresso Nacional, trimestral e anualmente, relatório de suas atividades. CONTROLE JUDICIAL É um controle mais restrito. De acordo com a Constituição Federal de 1988: Art. 5º, XXXV – a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. O dispositivo acima traduz o princípio da inafastabilidade do Poder Judiciário (Regra Geral), todavia, fica restrito à legalidade (hoje, considerada a juridicidade). Exceções: • Justiça Desportiva; (necessidade de esgotar a esfera administrativa) • Reclamação Judicial por descumprimento de súmula vinculante; (necessidade de esgotar a esfera administrativa) • Habeas data; • Mandado de segurança contra ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo; • Alguns benefícios previdenciários. 30m 55879 Realce 55879 Realce 55879 Realce 10www.grancursosonline.com.br Viu algum erro neste material? Contate-nos em: degravacoes@grancursosonline.com.br Controle da Administração Pública DIREITO ADMINISTRATIVO A N O TA ÇÕ E S Casos Especiais • Atos Políticos; • Atos Interna Corporis; e • Atos Discricionários. Cabe controle do Judiciário, desde que seja na análise da legalidade. Não cabe análise de méritopelo Judiciário. ��Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a aula preparada e ministrada pelo professor Vandre Borges de Amorim. A presente degravação tem como objetivo auxiliar no acompanhamento e na revisão do conteúdo ministrado na videoaula. Não recomendamos a substituição do estudo em vídeo pela leitura exclu- siva deste material. 55879 Realce Cai em questão!!!! 55879 Realce