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GESTÃO DO CONHECIM ENTO E INOVAÇÃO LETÍCIA M IRELLA FISCHER CAM POS Código Logístico 59563 Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6681-0 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 8 1 0 Gestão do conhecimento e inovação Letícia Mirella Fischer Campos IESDE BRASIL 2021 © 2021 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito da autora e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Paladin12/Shutterstock Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ C214g Campos, Letícia Mirella Fischer Gestão do conhecimento e inovação / Letícia Mirella Fischer Campos. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2021. 118 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-6681-0 1. Gestão do conhecimento. 2. Tecnologia da informação. 3. Inovação tecnológicas. I. Título. 21-70324 CDD: 658.4038 CDU: 005.94 Letícia Mirella Fischer Campos Mestre em Engenharia de Produção e Sistemas pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Bacharel em Administração pela FAE Centro Universitário. Professora de cursos presenciais e a distância em instituições de ensino superior. Atuou como coordenadora de curso de ensino superior em faculdades particulares. Tem mais de dez livros publicados em diversas áreas de gestão. Atualmente atua como consultora independente, produtora de conteúdo e aulas para EaD, palestrante e empreendedora. SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! 1 A sociedade e a gestão do conhecimento 9 1.1 Sociedade da informação, do conhecimento e da colaboração 10 1.2 Sociedade em rede 19 1.3 Comunidades de prática 22 1.4 Conhecimento como capital intangível 25 2 Organização voltada à competitividade 31 2.1 Organizações que aprendem 31 2.2 Tipos de conhecimento 36 2.3 Espiral do conhecimento 38 2.4 Gestão do conhecimento na organização 42 2.5 Competitividade na era do conhecimento 45 2.6 Novos modelos de negócios e criação de conhecimento 47 3 Tecnologias e estratégias para a inovação 54 3.1 Tecnologias da informação e comunicação 55 3.2 Redes sociais para promoção da interatividade e colaboração 59 3.3 Novas tecnologias 66 3.4 Estratégias organizacionais voltadas à inovação 73 4 Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 78 4.1 Novos modelos e estruturas organizacionais 79 4.2 Gestão de processos voltada à gestão do conhecimento 83 4.3 Sistema de gestão do conhecimento 85 4.4 Apoio à inovação 91 5 Tendências de inovação, evolução e obstáculos 99 5.1 Monitoramento ambiental 100 5.2 Tendências em novos modelos de organização 104 5.3 Principais facilitadores e dificultadores para as organizações 109 Gabarito 114 A evolução da sociedade impõe a todas as organizações, independentemente de tamanho ou ramo de atividade, que se atualizem às novas demandas para se manterem competitivas. A sociedade do conhecimento é uma realidade e a adaptação das organizações para o cenário em que o conhecimento é muitas vezes mais valorizado do que qualquer outro insumo para diferenciação faz com que as empresas procurem maneiras inovadoras de acompanharem essas mudanças. Nesse viés, no primeiro capítulo discorremos sobre a evolução da sociedade, principalmente no âmbito organizacional. A sociedade da informação trouxe conceitos de muitas mudanças nas relações internas e comerciais para alguns cenários, mas em outros ainda é algo utópico. Isso ocorre principalmente pela necessidade de infraestrutura de tecnologias para a sua aplicação, o que ainda não é realidade em muitos países. Apesar de ser uma terminologia relativamente nova – que iniciou na década de 1980 – abrange diversas abordagens interdisciplinares. Além da sociedade da informação, apresentamos os conceitos da sociedade em rede, um pouco mais recente (1980) e que pode ser considerada uma evolução da sociedade da informação, não apenas no viés tecnológico, mas também social. Ainda no primeiro capítulo abordamos a sociedade da colaboração, tendência que abrange os conceitos de conhecimento, mas principalmente a interação entre as pessoas, as tecnologias e os objetos – como a IoT (Internet of Things) internet das coisas, que cada vez mais é uma realidade no cotidiano empresarial e da sociedade moderna. Damos sequência explicando os conceitos da sociedade em rede e as comunidades de prática, e dando ênfase à importância de as organizações adotarem o conhecimento como um capital intangível. No segundo capítulo, tratamos das chamadas organizações que aprendem, que utilizam o conhecimento adquirido para inovar e capacitar seus colaboradores a aprenderem com os erros e acertos da organização, assumindo que os conhecimentos devem permanecer à disposição de todos na empresa. Também abordamos nesse capítulo a importância de se realizar a gestão do conhecimento nas organizações, seus benefícios e os subsídios que fornecem para a ampliação da competitividade na era APRESENTAÇÃOVídeo 8 Gestão do conhecimento e inovação do conhecimento. Por fim, nesse capítulo discorremos sobre os novos modelos de negócios que têm surgido para que as empresas possam se adaptar às demandas da sociedade e a criação do conhecimento organizacional. No terceiro capítulo abordamos os conceitos das tecnologias da informação e comunicação, que permitem que as organizações sejam competitivas nesse cenário apresentado nos capítulos anteriores. Trazemos também o papel cada vez mais significativo das redes sociais para o ambiente organizacional e como as empresas podem tirar proveito dessa mentalidade colaborativa para evoluir, seja na criação de novos produtos e serviços ou em novas maneiras de gerenciar seus processos internos. Falamos ainda das novas tecnologias que impactam a gestão do conhecimento nas organizações e que buscam desenvolver condições para elas inovarem e prosperarem. Nesse mesmo capítulo discorremos sobre algumas estratégias organizacionais voltadas à inovação, que são impulsionadoras para a nova realidade empresarial. Iniciamos o quarto capítulo relacionando os novos modelos e estruturas organizacionais que facilitam a utilização e o armazenamento do conhecimento, utilizando conceitos como o modelo de maturidade e estruturas como as flatarquias. Falamos sobre a gestão dos processos internos sob o modelo da gestão do conhecimento e as adaptações que devem ser implantadas nas empresas para serem mais competitivas. Nesse capítulo abordamos também os sistemas de gestão do conhecimento, que devem ser utilizados pelas empresas na busca de aprimoramento e agilidade de seus processos, visando atender melhor seus clientes. Ao final do capítulo trazemos as ações que promovem a inovação no ambiente organizacional, seja em seus processos ou produtos e serviços, objetivando que as empresas não fiquem acomodadas e estagnadas na sua realidade atual. No último capítulo, abordamos a necessidade de se realizar o monitoramento ambientalpara que as empresas possam acompanhar ativamente o que ocorre em seu mercado e também em outros mercados e buscar conhecer novas maneiras de inovar e estar na vanguarda. Damos sequência trazendo algumas tendências e novos modelos de organização que utilizam modelos ágeis de resposta e intensivo uso de tecnologia em sua estratégia. E finalizamos esse capítulo com alguns facilitadores e dificultadores desse processo de adaptação das empresas a um cenário inovador e fortemente embasado no conhecimento. Assim, consideramos que será de extrema relevância para seus estudos e prática profissional compreender os aspectos que envolvem a gestão do conhecimento e inovação nas organizações, pois esses temas deixaram de ser exclusivos para alguns segmentos de empresas e já são realidade no cenário competitivo global. Bons estudos! A sociedade e a gestão do conhecimento 9 1 A sociedade e a gestão do conhecimento Os estudos sobre a sociedade e a gestão do conhecimen- to são relativamente novos na literatura, e mais nova ainda é a aplicação real deles no cotidiano das organizações. Os pri- meiros estudos sobre essa temática iniciaram após o grande crescimento da indústria de tecnologia nos anos 1970. Porém hoje, meio século depois, podemos dizer que muitas empresas ainda estão iniciando essa prática dentro de suas estruturas e muitas ainda não compreendem seus benefícios. Esta nova sociedade caracteriza-se fortemente pela inte- ração, portanto, é fundamental que sejam abordadas as co- munidades de prática, pois a maioria do conhecimento gerado é em virtude do compartilhamento e da construção conjun- ta entre as pessoas que fazem parte das empresas, clientes e fornecedores. A construção do conhecimento é outro pilar dessa nova so- ciedade, as organizações devem saber construí-lo, armazená-lo e compartilhá-lo com as pessoas envolvidas, o que o torna um recurso estratégico para a gestão das empresas que precisam saber administrar esse capital intangível. Neste capítulo, então, compreenderemos os princípios da caracterização das sociedades da informação, do conhecimen- to, da colaboração e da sociedade em rede, o que as diferencia e quais suas características e seus pressupostos para as or- ganizações se adaptarem a esse novo formato de interação e de produtividade. 10 Gestão do conhecimento e inovação 1.1 Sociedade da informação, do conhecimento e da colaboração Vídeo Conceituar uma sociedade complexa não é uma tarefa simples, pois existem diversos fatores e aspectos que precisamos compreender para determinar quais são os atributos necessários para sua classificação. As so- ciedades estão em constante evolução, e em países com grande extensão geográfica, como o Brasil, ainda temos diversas sociedades coexistindo. No Brasil, apesar de termos regiões com geração de renda e de em- prego já inseridas no contexto da sociedade da informação, como vere- mos, temos também forte base industrial e até rural predominante em diversas regiões com extrema relevância em nossa economia nacional. Quando falamos sobre evolução da sociedade no contexto das eras econômicas, um dos principais autores é Alvin Toffler, com seu livro A Terceira Onda (1980), que apresenta a evolução da sociedade de um modelo nômade para um modelo agrícola e, então, para a indus- trial, até chegar ao modelo de sociedade da informação. É importante contextualizar que, segundo Toffler (1980), não é o estilo de vida da sociedade que reflete sua geração de riqueza, e sim o contrário, a ma- neira como a sociedade gera riqueza é que determina sua estrutura. Dentre as diversas características que diferenciam essas sociedades no decorrer das eras, foram organizados, no quadro a seguir, alguns ele- mentos predominantes em cada uma delas. Quadro 1 Comparativo entre elementos das três ondas de Toffler ERA AGRÍCOLA ERA INDUSTRIAL ERA DA INFORMAÇÃO Fatores de produção Terra. Trabalho, capital. Tecnologia, informação. Moeda Escambo, ouro. Papel moeda. Bens intangíveis (know-how, tecnologias, royalties etc.). Trabalho Físico, braçal, tração animal. Físico, mecânico, repetitivo. Mental, criativo, fluxo ininterrupto. Inovação Rara. Intermitente. Constante. Modelo de negócio Negócios familiares. Grandes empresas. Startups. Fonte: Elaborado pela autora. Com base no quadro, fica evidente que nossa sociedade tem traços das três eras, sendo algumas regiões ainda bastante enraizadas nas sociedades rural e industrial e outras evoluindo para a sociedade da informação ou que já estão nela. Como esta última é nosso objeto de estudo nesse capítulo, trabalharemos melhor seus conceitos. 1.1.1 Sociedade da informação A primeira vez que a ideia de sociedade da informação surgiu foi no livro O advento da sociedade pós-industrial, de Daniel Bell, em 1973. Porém, na década de 1980, quando Toffler, Castells e outros autores começaram a falar sobre a sociedade da informação, essa terminolo- gia expandiu seus horizontes e tem sido utilizada em diversos contex- tos para falar sobre a evolução esperada por tantos em um ambiente com ampla facilidade de acesso às informações e aos seus benefícios, não apenas para o ambiente empresarial, mas para grande parte da sociedade. A sociedade da informação pode ser definida como uma propos- ta multidisciplinar que recebe influências de várias áreas de pen- samento (como economia, administração, filosofia e tecnologia) e relaciona o uso e crescimento das tecnologias de informação e comunicações (TIC) para a cooperação e compartilhamento de conhecimento entre os atores, a fim de disseminar a formação de competências na população. (POLIZELLI; OZAKI, 2008, p. 3) Nessa sociedade moderna, a informação pode ser considerada um produto industrial, e as tecnologias de informação e comunicação estão se tornando uma das fontes de produtividade e de poder de trabalho. As pessoas têm acesso a uma quantidade ilimitada de informações, cujo conhecimento lhes permite estabelecer trocas e comunicação com toda comunidade inter- nacional. Porém precisamos considerar que esse grande volume de informações precisa ser gerenciado e não se trata ape- nas de utilizar sistemas de informação, mas de entender a complexidade do que está sendo processado e como utilizá-lo de maneira estratégica. As principais atividades econômicas e culturais desse modelo de sociedade es- Black Jack/Shutterstock A sociedade e a gestão do conhecimentoA sociedade e a gestão do conhecimento 1111 12 Gestão do conhecimento e inovação tão fundamentadas nas atividades de criação, de desenvolvimento e de distribuição da informação. O modelo é caracterizado por um alto nível de informação acessível e utilizado pela maioria dos cidadãos e organizações em seu cotidiano. A tecnologia deve ser algo presente em uma ampla gama de atividades pessoais, sociais, culturais, educa- cionais e de negócios, com capacidade de transmitir, de receber e de trocar dados digitais rapidamente entre locais, independentemente da distância. Os avanços tecnológicos que ampliam o acesso às informações per- mitem que os agentes econômicos tomem melhores decisões, pois, por meio delas, os consumidores têm acesso a comparações de preços, ao conhecimento dos insumos, à transparência na compra, ao histórico da organização etc. Na outra ponta estão os fornecedores e os produtores que têm acesso facilitado às demandas, às tendências de mercado, aos competidores em outras regiões, à oferta de insumos e outros. Contudo, para que haja acesso às informações é necessário o desen- volvimento de infraestruturas de telecomunicações em todo o território, as quais, no Brasil – assim como em outros países –, ainda são muito dís- pares dependendo da região. Em grandes centros, temos infraestrutura, mas ela não é distribuída de maneira igualitária em todo o país. No entanto, a sociedade da informação não considera apenas aspec- tos tecnológicos e de infraestrutura, mas também índices, como os de escolaridade, de alfabetização,de distribuição de renda e de emprego, em uma sociedade mais justa e que investe em seus cidadãos. Polizelli e Ozaki (2008) abordam exatamente esse ponto quando consideram que a sociedade da informação não pode ser pensada somente sob o ponto de vista quantitativo (como o aumento do número de computadores e de infraestrutura de rede), mas sim sob uma análise qualitativa, conside- rando o relacionamento com as universidades, os centros de pesquisa, as agências de governo e as empresas privadas, em busca de resultados sociais e econômicos na sociedade como um todo. A seguir, podemos analisar mais algumas características da socieda- de da informação, segundo Borges (2000): • A informação é considerada um produto intangível que pode ser comercializado. • O conhecimento e o know-how são fatores econômicos na sociedade. A sociedade e a gestão do conhecimento 13 • As tecnologias de informação e comunicação (TIC) potencializam e agregam valor à informação. • O tempo e a distância entre a fonte e o receptor da informação são irrelevantes, pois os dados se deslocam e não as pessoas. • Há maior probabilidade de se encontrarem respostas inovadoras a situações críticas. • São criados novos mercados, demandas, serviços, empregos e empresas. • Redução no tempo do ciclo da informação, otimizando os pro- cessos e as atividades, melhorando a gestão e reduzindo custos e desperdícios. • As TIC converteram o mundo em uma aldeia global. Características importantes a serem consideradas nesse cenário da sociedade da informação são: o crescimento do conhecimento produzido e compartilhado e a transformação da informação no ob- jeto principal do trabalho humano. Podemos afirmar que, na era da tecnologia da informação e da produção de alta tecnologia, a produ- ção da informação equivale ao que a indústria manufatureira repre- sentava na era industrial, e a ciência pode ser considerada como a força produtiva. Esse modelo de sociedade estrutura-se na informação e numa rede de serviços que envolve todas as esferas da sociedade: educação, saúde, instituições culturais e empresas, cujos membros recebem ou prestam informações, transferindo seu conhecimento como serviço. O rápido desenvolvimento das TIC possibilitou novas maneiras de or- ganizar as relações comerciais em diferentes níveis, possibilitando que transações com alto valor financeiro, por exemplo, ocorressem total- mente on-line, com segurança e agilidade. Tal desenvolvimento impactou também a educação, em que o uso das tecnologias de informação e comunicação possibilitou realizar de modo eficiente a educação a distância, buscando fornecimento de re- cursos multimídia, eletrônicos e de informação para oferecer ensino de qualidade e que atenda às necessidades dos clientes e dos profissio- nais que demandam esse serviço. Na sociedade da informação, a implementação e a difusão das tecnologias de informação, de comunicação e de informática trouxe- ram muitos aspectos positivos para o nosso cotidiano, como: O conceito de aldeia global foi desenvolvido pelo filósofo canadense Marshaw McLuhan, na década de 1960, que na época já previa que, com o aumento das TIC, as barreiras de distância entre as pessoas diminui- riam, tornando o mundo uma pequena aldeia, onde todos poderiam se comunicar. Para saber mais sobre alguns conceitos visionários do filósofo, como o da aldeia global, assista à entrevista dada por ele à televisão australiana em 1977, em que McLuhan apresenta os conceitos de como o meio (de comunicação) é a mensagem e outros estudos visionários dele. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=fvRMpS-aGLE. Acesso em: 5 jan. 2020. Saiba mais https://www.youtube.com/watch?v=fvRMpS-aGLE https://www.youtube.com/watch?v=fvRMpS-aGLE https://www.youtube.com/watch?v=fvRMpS-aGLE 14 Gestão do conhecimento e inovação • a criação de novas estruturas para prover informação aos cida- dãos, por exemplo, governo eletrônico, facilidade na solicitação e no acompanhamento de serviços públicos e meios de comunica- ção de qualidade e mais acessíveis, como a televisão digital; • a informatização das indústrias e das empresas, permitindo oti- mizar suas atividades e aumentar a produtividade; • o surgimento de novas profissões, como analistas, programado- res, web designers, gestores de e-commerce, técnicos envolvidos no processamento, análise e transmissão de informação, segu- rança digital, entre outros; • a contratação de empresas localizadas em diferentes regiões, buscando prestação e oferta de serviços com qualidade e que poupem tempo e recursos. A sociedade da informação é uma realidade presente ou para um futuro próximo em algumas localidades. Dessa forma, precisamos re- ver os processos dentro das empresas, compreender as operações de mercado e estruturar as organizações para reagirem de maneira proa- tiva a esse movimento. 1.1.2 Sociedade do conhecimento A sociedade do conhecimento surgiu no final da década de 1990 após a sociedade da informação e expandiu os conceitos desta, consi- derando não apenas a dimensão econômica do uso das TIC em nossa sociedade, mas também uma dimensão mais integral, conforme expli- citado na citação de Abdul Waheed Khan, subdiretor da UNESCO para Comunicação e Informação (UNESCO, 2021, tradução nossa): “o con- ceito de ‘sociedades do conhecimento’ é preferível ao da ‘sociedade da informação’, já que expressa melhor a complexidade e o dinamismo das mudanças que estão ocorrendo. O conhecimento em questão não só é importante para o crescimento econômico, mas também para for- talecer e desenvolver todos os setores da sociedade”. Com base nesse conceito, consideramos que a distinção entre in- formação e conhecimento é que a informação consiste em dados que foram estruturados e formatados, enquanto o conhecimento é mais amplo, sendo que a reprodução deste requer treinamento e metodolo- gia para o ensino. Uma sociedade do conhecimento considera a infor- mação como um capital fundamental para seu estabelecimento, assim, A sociedade e a gestão do conhecimento 15 podemos dizer que essa sociedade pressupõe ne- cessariamente uma sociedade da informação, mas não o contrário. A evolução da sociedade da informação para a sociedade do conhecimento acontece consideran- do novos paradigmas, não apenas tecnológicos, mas sociais. O conhecimento é um fator-chave para o desenvolvimento econômico e também per- mite que a sociedade desenvolva uma capacidade real de encontrar, produzir, processar, transformar, difundir e empregá-lo de modo adequado para sua evolução. A sociedade do conhecimento deve ir além dos objetivos tra- çados pela sociedade da informação, como encontrar acordos entre culturas e novas formas de cooperação democrática que possam con- tribuir para o verdadeiro entendimento mútuo. É considerada, nessa sociedade, a importância da variedade étnica e cultural das regiões e dos países para troca de informações e de negócios. Para a sociedade do conhecimento é imprescindível trocar informações, comparar, criti- car, avaliar e pensar por meio de dados e análises científicos, mercado- lógicos e políticos para o entendimento e o crescimento conjunto. Considerando essa amplitude, o Relatório da UNESCO (2005) defen- de que o termo mais correto para definir esse modelo de sociedade é no plural: sociedades do conhecimento, considerando que ele melhor representa as transformações que ocorrem, com base em múltiplas evoluções nas TIC e nas revoluções que as acompanham no pensamen- to, nos valores e na cultura, bem como em todos os aspectos da vida social e política. O conhecimento sempre foi importante para o desenvolvimento econômico, mas nos últimos anos sua relevância tem crescido cada vez mais, tornando-se a base da produção e o principal motor do cresci- mento econômico e social, resultando numa produção intensiva advin- da da pesquisa e da interação entre os diversos agentes da sociedade. Em outras palavras, o valor dos produtos nas sociedadesdo conheci- mento não reside na matéria-prima utilizada, nem na força de trabalho e no capital gasto, mas sim no conhecimento retido no produto final. Esse crescimento também pode ser associado a alguns fatores, como: VLADG RIN/ Shu tter sto ck 16 Gestão do conhecimento e inovação • progresso tecnológico; • globalização da economia mundial; • aumento da importância do conhecimento especializado nas organizações; • geração de novos empregos e novas especializações na área de tecnologia de negócios e gestão do conhecimento. As sociedades do conhecimento, além de considerarem o intangível (informações, conhecimento) com maior relevância econômica, podem ser diferenciadas do modelo tradicional de sociedade industrial por ou- tros fatores, como podemos ver no quadro a seguir. Quadro 2 Comparativo entre sociedade industrial e sociedade do conhecimento SOCIEDADE INDUSTRIAL SOCIEDADE DO CONHECIMENTO Trabalho e mão de obra Não especializado. Especializado e com base em conhecimento. Tarefas Repetitivas. Inovativas e criativas. Treinamento Com foco na tarefa. Formação contínua, não apenas técnica. Estrutura de equipes Priorização do desempenho individual. Formação de times e de equipes autogerenciáveis. Visão Especializada. Sistêmica. Estrutura Funcional. Dinâmica, por projetos. Liderança Chefia por departamento. Clientes, trabalhadores do conhecimento, lideranças motivadoras. Coordenação Vertical. Entre pares. Fonte: Adaptado de Rodriguez y Rodriguez, 2002. As organizações precisam se adaptar a esse modelo de sociedade, buscando uma maneira de desenvolver suas atividades com ênfase no conhecimento. Para que isso possa acontecer, além de uma mudança interna nos processos, as empresas precisam estar inseridas no con- texto que sustenta essa sociedade. Os grandes pilares dessa sociedade são a evolução das TIC e a glo- balização, pelos efeitos desta, como a promoção da crescente disse- minação de informações e de conhecimento entre as pessoas e as A sociedade e a gestão do conhecimento 17 organizações em todo o mundo, aumentando as trocas e as conexões entre as comunidades e as instituições, removendo barreiras e distân- cias entre os países e criando uma grande aldeia global. Em sua concepção teórica, podemos assumir que as sociedades do conhecimento têm condições de promover meios e oportuni- dades que possibilitam que as regiões economicamente mais frá- geis acessem essas sociedades por meio do progresso democrático e econômico. Porém desconsidera, nesse cenário, as divergências culturais, políticas e sociais entre as regiões, fatores que dificultam a inovação, o empreendedorismo e o dinamismo da economia em uma sociedade global. Vamos, então, verificar o outro modelo de sociedade que considera a colaboração entre as unidades organizacionais e culturais como um fator de desenvolvimento e de crescimento para os envolvidos. 1.1.3 Sociedade da colaboração Sociedade da colaboração ou sociedade colaborativa são termos normalmente associados às redes organizacionais ou sociais, em que pessoas e empresas contribuem com seu conhecimento para proje- tos compartilhados. Essa tendência em direção à colaboração surge do crescimento do conhecimento e da capacidade institucional individual, pois à medida que o conhecimento se torna cada vez mais especiali- zado e distribuído e as infraestruturas se tornam mais complexas e interdependentes, a demanda por colaboração aumenta. Essa colaboração não tem apenas origem no conhecimen- to das pessoas, mas também na troca de informações entre as tecnologias e os objetos, por meio da Internet das Coisas (IoT – Internet of Things), a qual promete, em um futuro pró- ximo, conectar tudo com todos em uma rede global in- tegrada. Interligar pessoas às tecnologias de uso comum (geladeira, carro, iluminação doméstica etc.); os insumos às linhas de produção; a cadeia logística às empresas va- rejistas; e tantos outros processos da vida econômica e social que poderão ser conectados por meio de sensores e softwares, utilizando a IoT para alimentar com informações as empresas, as resi- dências e os veículos em tempo real. RedlineVector/Shutterstock 18 Gestão do conhecimento e inovação Por mais que ainda não seja uma realidade em nossa sociedade, a ideia dessa forma de colaboração entre os diversos envolvidos no pro- cesso melhorará a eficiência das empresas, aumentará a produtividade e reduzirá os custos de produção e de transporte de uma grande varie- dade de bens e de serviços em nossa economia. Mas isso só é possível com colaboração entre os envolvidos, compartilhando tecnologias, in- formações e custos de investimentos. Além do compartilhamento de informações por meio da IoT, temos outros diversos exemplos já utilizados em nosso cotidiano que com- preendem a ideia da sociedade da colaboração pelo compartilhamento de bens, como alguns exemplos de serviços que utilizamos no nosso cotidiano e promovem essa troca, a saber: • Airbnb: modalidade de hospedagem compartilhada. • Carsharing, BlaBlaCar: compartilhamento de transporte particular. • Mercado Livre, eBay, Estante Virtual: compartilhamento de pro- dutos que não são mais utilizados. • Vakinha, Crowdfunding: colaboração financeira para algum projeto. • Wikipédia, Waze: colaboração de informações. Essas sociedades de colaboração estão crescendo vertiginosa- mente, principalmente em função do crescimento das TIC. Além do pilar tecnológico, podemos assumir mais dois pré-requisitos para o modelo de sociedade em questão: o pilar social, pois se não houver interesse em compartilhar, não haverá o fruto dessa troca; e o pilar econômico, o qual normalmente envolve no mínimo três agentes – a oferta, a demanda e o agente intermediador (este, no caso, são as empresas tecnológicas que ofertam esses serviços). Além desses exemplos de colaboração que têm como base estru- tural a tecnologia, outras formas de sociedades colaborativas têm sur- gido de maneira cada vez mais frequente em grandes cidades, como os espaços de coworking (estação de trabalho ou escritório comparti- lhado) e as lojas colaborativas – as quais abrigam pequenas empresas ou artesãos que não têm volume de produção ou recursos suficientes para abrir um ponto comercial individualmente. Essa tendência de colaboração acontece também em outros cená- rios, por exemplo, uma cidade inteira com um projeto colaborativo, A sociedade e a gestão do conhecimento 19 como Amsterdã, capital da Holanda, onde foi desenvolvido um projeto da primeira cidade compartilhada da Europa, no ano de 2015. O objeti- vo do movimento “Amsterdam Sharing City” (Amsterdã Cidade Compar- tilhada) é aproveitar as oportunidades que a economia de colaboração oferece nas áreas de sustentabilidade, ações sociais e economia. Tam- bém tem como propósito elaborar respostas para os desafios desse novo modelo de sociedade. A finalidade da iniciativa, chamada Sharing City (organizada pela em- presa ShareNL), é criar um laboratório experimental de convivência ur- bana, em que as partes interessadas (startups, empresas tradicionais, pessoas, ONGs e governo) compartilhem percepções e experiências com os demais. As sociedades da informação, do conhecimento e da colaboração não são excludentes, pelo contrário, elas são uma tendência da so- ciedade que com maior uso de tecnologia, de ferramentas de com- partilhamento de conhecimento e de colaboração beneficiarão as organizações e também a sociedade como um todo. Veremos, na sequência, outro modelo de sociedade muito discutida para alavan- car as empresas que fazem a gestão do conhecimento e da inovação: a sociedade em rede. Neste site da ShareNL é possível conhecer mais sobre o projeto “Amster- dam Sharing City”, como as oportunidades, desa- fios e a implementação na capital da Holanda. Disponível em: https://www. sharenl.nl/amsterdam-sharing-city. Acesso em: 5 jan. 2020. Saiba mais 1.2 Sociedade em rede Vídeo O conceito de sociedade em rede está diretamenterelacionado ao papel das TIC e às implicações sociais da globalização na nossa socie- dade. Na década de 1980, o surgimento das novas tecnologias desem- penhou um papel fundamental na reestruturação do capitalismo em direção a uma economia global. Nesse cenário, a ideia da sociedade em rede foi concebida pelo sociólogo espanhol Manuel Castells, no final dos anos de 1990. Segundo a definição de Castells (2004, p. 3), esse modelo trata-se de “uma sociedade cuja estrutura social é constituída por redes ali- mentadas por tecnologias de informação e comunicação de base mi- croeletrônica”. Essa estrutura social surgiu, conforme o sociólogo, fundamentada nos fatores a seguir: https://www.sharenl.nl/amsterdam-sharing-city https://www.sharenl.nl/amsterdam-sharing-city 20 Gestão do conhecimento e inovação • na crise de crescimento da economia, na década de 1970, e na reestruturação das economias industriais para acomodar uma abordagem de mercado aberto; • nos movimentos culturais orientados à liberdade do final dos anos 1960 e início dos anos 1970, incluindo o movimento dos di- reitos civis, o movimento feminista e o movimento ambiental; • na revolução das tecnologias de informação e comunicação. Podemos verificar que não se trata apenas de questões tecnológicas ou de infraestrutura, mas que a mudança ocorreu também em virtude de uma nova busca no comportamento social das pessoas por melho- res condições, como conseguimos identificar neste trecho: “a cultura da liberdade foi decisiva para induzir tecnologias de rede que, por sua vez, foram a infraestrutura essencial para que as empresas operassem sua reestruturação em termos de globalização” (CASTELLS, 2004, p. 22). Não apenas as pessoas estão buscando novas relações e novos direitos, mas os empresários e os gestores procuram novos modelos econômicos eficazes, como as redes que moldam a sociedade, inter- ligando mercados financeiros, empresas, mídia, instituições políticas, culturais e outras nessa lógica de rede na sociedade da informação. O modelo de sistema organizacional na sociedade em rede busca a eficiência considerando três características principais (CASTELLS, 2004): Flexibilidade: as redes são capazes de se reconfigurar confor- me as demandas e as necessidades do ambiente em mudança e, ainda assim, continuar trabalhando para o mesmo objetivo. Escalabilidade: as redes normalmente não apresentam um tamanho fixo ou um número de elementos limitado, as for- mas e as extensões delas são variáveis dependendo da co- nectividade dos membros. Capacidade de sobrevivência: devido à sua estrutura descen- tralizada, as redes são mais resistentes a ataques e fragilida- des do que as de estrutura individuais. Um aspecto fundamental da ideia de sociedade em rede é que so- ciedades específicas (sejam países ou pequenas comunidades locais) são afetadas pela inclusão e exclusão das redes globais que estrutu- ram a produção, o consumo, a comunicação e o poder. Essa hipótese A sociedade e a gestão do conhecimento 21 não considera apenas a evolução tecnológica (locais mais atrasados em infraestrutura de rede, por exemplo), mas a exclusão é uma caracterís- tica estrutural embutida nessa sociedade. Essa dinâmica de inclusão e de exclusão funciona com base na incorporação de pessoas e de recursos valiosos para a operação da sociedade e na exclusão de outras pessoas, de territórios e de ativi- dades que têm valor inferior para o desempenho dessas tarefas. Ou seja, regiões consideradas importantes têm privilégios nesse modelo de sociedade, enquanto outras são excluídas ou têm pouca participa- ção. Isso já acontece em nossa sociedade, em que regiões ricas e com maior desenvolvimento têm melhores condições e acesso às riquezas e a outros recursos. Na sociedade em rede, aqueles que gerenciam e divulgam informa- ções (trabalhadores da rede) constituem um grupo socioeconomica- mente rico que está totalmente integrado em todos os tipos de redes de alto nível. Enquanto aqueles cujo trabalho não atende às necessida- des da economia global constituem um grupo desvalorizado e que não se enquadra na lógica dessa sociedade. Outro elemento fundamental da sociedade em rede é a identifica- ção de mudanças significativas na formação das identidades dos par- ticipantes da rede. Os movimentos sociais, constituídos em torno de identidades nacionais, religiosas ou sexuais, são formações fundamen- tais que buscam reafirmar sua autonomia em situações de instabilida- de e de mudança estrutural. Esses movimentos podem ser um sintoma de divisão social e causar conflitos sociais, ou, por outro lado, podem solidificar a ideia de emancipação. O crescimento e o fortalecimento desses movimentos acontecem com a expansão das redes sociais (Facebook, Youtube, Instagram, Twiter etc.) e movimentos conectados pela internet são evidências das tendências da globalização que promovem a diversidade cultural, a ino- vação e a constituição de grupos de afinidades. Outro dos pressupostos dessa sociedade é a necessidade de tra- balhadores qualificados e autossuficientes – os networkers – trabalha- dores da rede com formação e escolaridade altas. Diferentemente do modelo de gestão autoritário e explorador da sociedade capitalista, a sociedade em rede proporciona maior liberdade e autonomia no traba- lho, com tarefas menos padronizadas. Para saber mais sobre a sociedade em rede, assis- ta à entrevista de Emanuel Castells para o programa Roda Viva, em 1999, em que ele apresenta vários conceitos sobre sociedade em rede e o capitalismo informacional. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=TaXeu4k4OJE. Acesso em: 5 jan. 2020. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=TaXeu4k4OJE https://www.youtube.com/watch?v=TaXeu4k4OJE https://www.youtube.com/watch?v=TaXeu4k4OJE 22 Gestão do conhecimento e inovação A sociedade em rede de Castells abre espaço para novas confi- gurações sociais das empresas que estão à procura de processos inovadores para estarem inseridas nessa economia da informação. Na seção a seguir, veremos as comunidades de prática que agregam organizações e pessoas em busca de melhores soluções para todos. 1.3 Comunidades de prática Vídeo As comunidades de prática (CoPs) não são um fenômeno social re- cente, apesar da sua conceituação ser relativamente nova, sendo esse termo cunhado por Jean Lave e Étienne Wenger em seus estudos so- bre as teorias da aprendizagem em 1987. Suas pesquisas fornecem uma perspectiva útil sobre a aquisição e a gestão do conhecimento e a aprendizagem nas organizações. É uma tendência em crescimento cada vez mais organizações se estruturarem em comunidades de prá- tica com o objetivo de melhorar seu desempenho. As comunidades de prática são formadas por pessoas que se enga- jam em um processo de aprendizagem coletiva, que compartilham de uma preocupação ou paixão por determinado assunto ou atividade e aprendem a fazer melhor quando interagem regularmente com outras pessoas. Essa interação pode acontecer para resolução de problemas, criação de um novo método de trabalho, desenvolvimento de novas técnicas ou mesmo de um grupo de apoio para profissionais iniciantes. Uma comunidade de prática pode ou não ter uma agen- da fixa para seus encontros e suas reuniões, o impor- tante é encontrar um meio para o compartilhamento de suas experiências e de seus conhecimentos de maneira criativa e que propicie novas abordagens para os problemas. As reuniões podem acontecer de modo presencial ou utilizando a tecnologia para promover esses encontros a distância, com pessoas localizadas em lugares distantes, mas que possuem as mesmas afinidades. O que diferencia uma comunidade de prática de outro tipo de comunidade (associação de bairro, grupo de igreja, associação de pais etc.) é a intencio- nalidade da aprendizagem, destacada por três caracte- rísticas fundamentais para essa distinção: Light spri ng/ Shu tte rst oc k A sociedade e a gestão do conhecimento 23 • Domínio de interessecompartilhado: deve existir um compro- misso com o domínio de uma competência compartilhada que dis- tingue os membros da comunidade de outras pessoas fora dela. • Senso de comunidade: ao buscar o interesse em seu domínio, os membros se envolvem em atividades e discussões conjuntas, ajudam uns aos outros e compartilham informações, construindo relacionamentos de aprendizagem coletiva. • Prática: como o nome já diz, não se trata apenas de uma comu- nidade de interesses, mas sim para praticar determinada ativi- dade. Devem ser trocadas experiências, histórias, ferramentas, maneiras de abordar problemas recorrentes, ou seja, formas de se resolver o objeto de interesse na prática. Dentro das organizações, as CoPs permitem que os funcionários participantes assumam a responsabilidade coletiva pela gestão do co- nhecimento de que precisam, buscando soluções e respostas dentro do grupo. Esse tipo de abordagem promove a criação de um vínculo direto entre aprendizagem e desempenho, porque as mesmas pessoas parti- cipam de comunidades de prática e de equipes e unidades de negócios. As comunidades não são limitadas por estruturas formais das orga- nizações empresariais: elas criam conexões entre as pessoas por meio das fronteiras organizacionais e geográficas. Esse trabalho pode ser especialmente relevante quando envolve clientes e fornecedores na resolução de problemas de interesse em comum. Novas abordagens podem surgir de pontos de vista diferentes. Elas não são elementos fixos, passam por uma evolução desde a sua concepção: potencial, união, madura, ativa e dispersa. Isso reflete que não necessariamente um tema que hoje é de interesse das pessoas participantes continuará sendo no futuro. Elas podem buscar outros interesses em conjunto com outras pessoas em outras comunidades ou simplesmente encerrar as atividades quando não houver mais inte- resse a ser debatido. Segundo Wenger, Mcdermott e Snyder (2002), esses estágios consi- deram ainda sete princípios fundamentais das comunidades de prática que buscam atender aos objetivos organizacionais, os quais são: • desenhar a comunidade já considerando sua evolução; • manter o diálogo com as pessoas considerando fatores internos e externos; 24 Gestão do conhecimento e inovação • convidar para as CoPs pessoas com diferentes níveis de conheci- mento e de formação, mas com os mesmos interesses; • viabilizar espaços públicos e privados para a comunidade se reu- nir com qualidade; • considerar o valor e a importância de manter a comunidade; • combinar familiaridade e estimular a participação de todos os interessados; • buscar criar um ritmo para a comunidade, disponibilizando horá- rios flexíveis para os encontros. Comunidades de prática proporcionam uma nova abordagem na gestão dos negócios, a qual permite que os funcionários aprendam uns com os outros. Mas por mais interessante que isso seja para a criação de conhecimento e para a inovação dentro das empresas, muitas ainda resistem e não investem na criação desse modelo de negócios para incentivar os funcionários de maneira a trazer resultados efetivos. Isso acontece porque as próprias características que tornam as comunida- des de prática eficientes para a gestão do conhecimento também são características que se tornam um desafio para as organizações hierár- quicas tradicionais. No quadro a seguir, Wenger, Mcdermott e Snyder (2002) relaciona- ram alguns dos benefícios obtidos com a implantação das CoPs no am- biente empresarial para o curto e longo prazos. Quadro 3 Benefícios com a implantação das CoPs Benefícios de curto prazo Benefícios de longo prazo Agilidade e criatividade na resolução de problemas. Possibilidade de estabelecer um plano estratégico eficiente. Rapidez nas respostas pelo envolvimento de mais pessoas. Autoridade com o cliente que reconhece o mérito da em- presa. Redução de tempo e custos desnecessários. Aumento da retenção de talentos por sentirem-se mo- tivados. Decisões mais assertivas. Projetos de gestão do conhecimento. Conhecimento real dos problemas enfrentados pela empresa. Fórum para benchmarking com as unidades da organização. Mais sinergia e parceria entre as unidades. Alianças estratégicas fundamentadas no conhecimento. Fonte: Adaptado de Wenger, 2002. Embora as comunidades de prática existam há muito tempo e os be- nefícios delas para as organizações sejam evidentes, a prática daquelas dentro das organizações é algo relativamente novo e muitas empresas A sociedade e a gestão do conhecimento 25 ainda não consideram essa abordagem em seu modelo de negócios. As estruturas mais tradicionais não oferecem espaço (tempo e outros recursos) para construir e manter comunidades de prática e integrá-las ao organograma da organização. Isso devido à sua natureza orgânica, não rotineira e informal em que é praticamente impossível coordenar os trabalhos cotidianos dos funcionários com reuniões da comunidade. Além do ambiente organizacional, outras estruturas podem adotar esse modelo de CoPs, como governos, instituições de ensino, asso- ciações e o terceiro setor. O importante é criar esse movimento de maneira estruturada para que se produza, por meio das interações práticas, a construção de mais conhecimentos que agregam valor em nossa sociedade. 1.4 Conhecimento como capital intangível Vídeo Falamos até então sobre a importância do conhecimento nesse novo modelo de sociedade, porém, por falta de mecanismos e sistemas para gestão daquele nas organizações, muitas vezes ele se perde e não é visto como um capital para as empresas. O conhecimento é um dos maiores valores que podem ser gerados e armazenados na sociedade. Gerá-lo normalmente já é um processo complexo, mas fazer a manutenção e uti- lizá-lo é ainda mais difícil para as organizações. E isso acontece por quê? Diferentemente de outros capitais tangíveis (patrimônios, maquinários, dinheiro etc.), é difícil mensurar o conhecimento se ele não for aplicado e revertido em recursos financeiros para a gestão, apesar de este ser muitas vezes mais importante do que o primeiro. E o que seria um capital intangível? Na definição de Iudícibus (2000, p. 209) trata-se de “um ativo de capital que não tem existência física, cujo valor limitado pelos direitos e benefícios que antecipa- damente sua posse confere ao proprietário”. Apesar de não serem bens físicos, são fundamentais principalmente para as empresas da sociedade da informação. Os ativos intangíveis de uma empresa influenciam seu crescimento, sua capacidade de inovar e de gerar lucros futuros, apesar de ainda muitas empresas se concentrarem apenas na gestão de seus ativos tangíveis, materiais e financeiros, que constam em seus balanços e suas demonstrações de resulta- dos. Para se diferenciar com vantagens competitivas sustentáveis no tempo, é necessário aprender a capitalizar e a gerenciar todos os seus ativos e seus recursos. 26 Gestão do conhecimento e inovação Segundo Sveiby (2000, p. 66): “na era do conhecimento, os ativos que não podem ser medidos roubam a cena, ganhando papel de des- taque no balanço das empresas. Os ativos baseados no conhecimento devem ser avaliados com extrema cautela, porque seu impacto sobre o destino de qualquer negócio é tremendo.”. Esses ativos são resultados da experiência, das habilidades, do co- nhecimento e da aprendizagem das pessoas dentro de uma organiza- ção. Os funcionários são cada vez mais considerados trabalhadores do conhecimento e necessitam de um ambiente que promova e estimule o aprendizado, o compartilhamento, a estruturação e a aplicação prá- tica dos seus conhecimentos e relacionamentos. As empresas também devem considerar os seus clientes, fornecedores e todas as relações externas como fontes contínuas de conhecimento. Ainda conforme Sveiby (2000, p. 66): Muito mais do que contribuir para a valorização total da empre- sa, o conhecimento é a base de sua estrutura interna e externa, junto com os outros dois intangíveis – os clientese os fornece- dores. Sabe-se que o conhecimento está associado à ação e não independe do ator a cada manifestação; é precisamente essa qualidade que faz com que seu impacto seja múltiplo. Enquanto, por um lado, torna a empresa mais vulnerável à perda do ator, ou seja, esse funcionário capacitado, por outro, a enriquece, desde que o “trabalhador do conhecimento” esteja disposto a compartilhá-lo com a empresa. E o que compõe esse capital? O capital de conhecimento é esse valor intangível de uma organização composto de seu conhecimento (produções, patentes, marca, melhores práticas etc.), seus relaciona- mentos, suas técnicas aprendidas, o know-how dos funcionários, os procedimentos e as inovações. Para determinadas empresas, esse ati- vo é muito mais valioso do que os ativos tangíveis. Para saber mais sobre ativos intangíveis, leia o artigo Ativos intangíveis, ciclo de vida e criação de valor, publicado na Revista de Administração Contemporâ- nea. Esse artigo apresenta a importância para a gestão e a contabilidade de se conhecer os ativos intangíveis e considerá-los na análise e na criação de valor para as organizações. Acesso em: 13 jan. 2021. https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552006000300005 Artigo https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-65552006000300005 A sociedade e a gestão do conhecimento 27 Silveira (2018) destaca a importância desses ativos na nossa socie- dade atual: O relatório Intangible Asset Market Value Study (IAMVS) apresen- ta a composição dos ativos das empresas no mercado americano dentro do índice Standard & Poor’s 500. O estudo mostra que em 1975 cerca de 83% do valor das empresas era composto de ativos tangíveis, enquanto os intangíveis representavam apenas 17%. Já em janeiro de 2015, essa proporção se inverteu, com cerca de 84% do valor das empresas do índice atribuído aos intangíveis, restando 16% para os demais ativos. Essa variação evidencia a importância crescente dos intangíveis para a economia america- na. A Apple, a maior empresa do mundo em valor de mercado, tem 82% do seu valor alocado em ativos intangíveis. Mais em- presas que ficam entre as dez mais valiosas apresentam percen- tuais semelhantes, como Google (também 82%), Microsoft (95%), Amazon (98%) e Facebook (89%). Empresas de base tecnológica possuem mais de 80% do seu capital em ativos intangíveis, ou seja, em conhecimento acumulado em seus negócios, chegando a quase 100%, como o caso da Amazon. Mas não apenas essas devem se dedicar à gestão do conhecimento, todas as organizações devem buscar técnicas e metodologias para estabelecerem uma estratégia com base no conhecimento e em sua gestão integrada, alinhando as decisões estratégicas à adequada valorização dos recursos tangíveis e intangíveis. Al- gumas ações que as empresas podem fazer para essa mudança são: • buscar metodologias aplicáveis para capturar, adquirir, compar- tilhar, estruturar, implementar e alavancar os conhecimentos in- ternos e externos; • redesenhar o plano estratégico da organização, considerando ações de gestão do conhecimento para integrar todos os recur- sos, tangíveis e intangíveis; • definir quais são as competências críticas da organização, para então desenvolver habilidades e equipamentos a fim de estrutu- rar e manter o conhecimento na empresa; • estabelecer métodos práticos para a avaliação de ativos intan- gíveis e fornecer indicadores apropriados para sua gestão e implementação; • remover possíveis barreiras ao fluxo de conhecimento e resistên- cia de pessoas a essa prática; • adotar ferramentas para autodiagnóstico frequente a fim de corrigir falhas e de melhorar os processos. 28 Gestão do conhecimento e inovação Para que uma empresa consiga inovar, ela necessita trabalhar na produção de novos conhecimentos por meio de ativos complementa- res, como os gerados pelo setor de Pesquisa e Desenvolvimento, mas também softwares, capital humano e estruturas organizacionais volta- das ao conhecimento (como as comunidades de prática) para obter ga- nhos de produtividade e eficiências de novas tecnologias. O chamado capital do conhecimento tem três componentes principais: Capitais do conhecimento: • Capital estrutural: aqui estão relacionados os processos, os métodos e as técnicas – que permitem à organização desenvolver suas operações de maneira eficiente. Estão incluídos: propriedade intelectual, como bancos de dados, código, patentes, processos proprietários, marcas registradas, software e muito mais. • Capital relacional: são as relações internas entre equipes de trabalho e também entre trabalhadores e fornecedores, clientes e parceiros. Também considera as franquias, as licenças e as marcas registradas, pois a empresa se relaciona com os clientes por meio delas. • Capital humano: conforme falamos sobre as contribuições e os conhecimentos trazidos pelos funcionários, utilizando seus talentos, suas habilidades e sua experiência, o capital humano é constituído apenas por indivíduos, mas pode ser aproveitado e explorado por uma organização. Khvost/Shutterstock Para que as empresas tenham sucesso no modelo de sociedade atual, elas devem aproveitar e explorar eficientemente seu conheci- mento para criar, disseminar, administrar e utilizar os talentos e os co- A sociedade e a gestão do conhecimento 29 nhecimentos existentes em uma organização. Por mais que seja um grande ativo, também deve-se considerar que há a necessidade de in- vestimentos constantes de recursos financeiros, tempo e treinamentos para que ele não se torne obsoleto. Quanto mais uma empresa com- preende esse ativo e investe em seu capital de conhecimento, maiores são as possibilidades de vantagem competitiva e a geração de valor aos clientes e à sociedade. CONSIDERAÇÕES FINAIS A transição de uma sociedade manufatureira e industrial para o mode- lo que chamamos de sociedade da informação e do conhecimento envolve mudanças significativas na estrutura produtiva dos países e nas organiza- ções. Os ativos intangíveis, como o conhecimento, estão se tornando tão importantes neste período que podem ser considerados para a economia atual o que as máquinas industriais foram para a sociedade industrial. No entanto, apesar de sua crescente relevância, a dificuldade em mensu- rar tais ativos muitas vezes dificulta que as organizações tomem decisões em seu planejamento. As organizações precisam rever seus processos internos e suas rela- ções de trabalho e de mercado, optando por estruturas que estimulem o conhecimento, como as comunidades de prática, e que mensurem a importância financeira do conhecimento, como um ativo intangível, para se manterem competitivas nessa nova sociedade que também se confi- gura na forma de rede e que pode incluir ou excluir conforme a relevân- cia para o mercado. ATIVIDADES 1. A sociedade da informação e a sociedade do conhecimento têm as mesmas bases de formação? Comente. 2. A sociedade em rede de Castells pode ser considerada mais equilibrada que o modelo de sociedade capitalista? Explique. 3. Por que as organizações tradicionais muitas vezes não se adaptam ao modelo de comunidades de prática em sua gestão? Vídeo 30 Gestão do conhecimento e inovação REFERÊNCIAS BORGES, M. A. G. A compreensão da sociedade da informação. Revista Ciência da Informação, Brasília, v. 29, n. 3, p. 25-32, set./dez. 2000. CASTELLS, M. A galáxia internet: reflexões sobre internet, negócios e sociedade. São Paulo: Zahar, 2004. IUDÍCIBUS, S. Teoria da contabilidade. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2000. POLIZELLI, D. L.; OZAKI, A. M. Sociedade da informação: os desafios da era da colaboração e da gestão do conhecimento. São Paulo: Saraiva, 2008. RODRIGUEZ Y RODRIGUEZ, M. V. Gestão Empresarial: organizações que aprendem. Rio de Janeiro: QualityMark, 2002. SILVEIRA, L. P. O valor na era dos intangíveis. Apsis Consultoria, 4 dez. 2018. Disponível em: https://www.apsis.com.br/blog/apsis-na-midia/o-valor-na-era-dos-intangiveis/.Acesso em: 4 jan. 2021. SVEIBY, K. O valor do intangível. HSM Management, n. 22, p. 66-70, set./out. 2000. TOFFLER, A. A terceira onda. 4. ed. Rio de Janeiro: Record, 1980. UNESCO. Towards Knowledge Societies. Paris: UNESCO, 2005. Disponível em:http:// www.unesco.org/new/en/communication-and-information/resources/publications-and- communication-materials/publications/full-list/towards-knowledge-societies-unesco- world-report/. UNESCO. Building Knowledge Societies, 2021. Disponível em: https://en.unesco.org/themes/ building-knowledge-societies. Acesso em: 4 jan. 2021. WENGER, E.; MCDERMOTT, R.; SNYDER, W. M. Cultivating Communities of practice: a guide to managing knowledge. Boston: Harvard Business School, 2002. https://en.unesco.org/themes/building-knowledge-societies https://en.unesco.org/themes/building-knowledge-societies Organização voltada à competitividade 31 2 Organização voltada à competitividade Com um cenário cada vez mais competitivo, as organizações precisam transformar seu ambiente interno em local dinâmico e eficaz, a fim de otimizar o talento das pessoas e alinhá-lo aos obje- tivos estratégicos das organizações. Não é uma tarefa simples de se cumprir, pois as organizações são compostas de processos e sistemas complexos, muitas vezes acomodados em um padrão de costumes e atividades para a sua sobrevivência e manutenção no mercado, não sobrando tempo para um planejamento estratégico voltado ao aprendizado e à geração de conhecimento. Para se sustentar nesse mercado, as organizações devem se adaptar aos ambientes em mudança e capacitar seus funcioná- rios para assumirem novas tarefas e responsabilidades voltadas não apenas para a execução das tarefas, mas para o desenvol- vimento de ações destinadas ao aprendizado. O crescimento da competitividade nas organizações crescerá progressivamente, quando as empresas estabelecerem mecanismos para o estí- mulo à geração de conhecimento e seguirem os princípios de gestão da aprendizagem. 2.1 Organizações que aprendem Vídeo A aprendizagem organizacional é considerada uma das mais impor- tantes ferramentas para o desenvolvimento das organizações em cená- rios competitivos. Como uma organização pode melhorar sem primeiro aprender sobre seus processos? As empresas precisam aprender como resolver um problema de gargalo, melhorar seus produtos, oferecer serviços com maior qualidade, documentar o que não pode ser repeti- do, entre outras ações, para que construa uma base sólida, no intuito de responder às mudanças e adaptar-se aos novos mercados. 32 Gestão do conhecimento e inovação O conceito de organizações que aprendem, ou em inglês learning organizations, tem origem no livro A Quinta Disciplina (1990), de Peter Senge. O autor se refere a esse modelo organizacional como um am- biente onde “as pessoas expandem continuamente sua capacidade de criar os resultados que realmente desejam, onde se estimulam padrões de pensamentos novos e abrangentes, a aspiração coletiva ganha liber- dade e onde as pessoas aprendem continuamente a aprender juntas” (SENGE, 1990, p. 37). A aprendizagem organizacional envolve o compromisso individual de todos os envolvidos com a mudança do pensamento organizacional tradicional para esse novo modelo, promovendo a capacidade de pen- sar crítica e criativamente, estimulando todos na organização para se- guir o mesmo caminho. A organização constrói um esforço contínuo e de longo prazo para efetuar a melhoria em todas as esferas de suas ati- vidades e para definir as premissas focando a mudança organizacional. Programas de melhoria contínua são estimulados nas organizações para aprimoramento e obtenção de vantagem competitiva. Sua prática tem como objetivo desenvolver as pessoas para torná-las capazes de resolver problemas de maneira mais autônoma, utilizando a criativida- de e a inovação. Isso objetiva desenvolver novos produtos e serviços, proporcionar processos mais enxutos, com menos falhas e menores custos. Embora todas as pessoas tenham a capacidade de aprender, as es- truturas convencionais das organizações, muito verticalizadas e sem facilitação à comunicação e à formação de conexões, dificultam a re- flexão e o engajamento dos funcionários. Além disso, as pessoas po- dem não ter a seu alcance autonomia e orientação adequada para dar sentido às situações que enfrentam. Organizações que estão em bus- ca da expansão dos seus conhecimentos e da sua capacidade de criar o futuro requerem uma mudança fundamental de pensamento entre seus membros. Nas organizações que aprendem, a estratégia surge dentro da vi- são geral do futuro da organização compreendido por todos, de modo que a inovação e as melhorias contribuam com o todo da organização. Instituições com esse pensamento, além de aprenderem com sua ex- periência, sua percepção de mercado, suas pesquisas e seu know-how, também devem ser uma empresa que incentiva o aprendizado entre Organização voltada à competitividade 33 seus funcionários, promovendo a troca de informações e tornando as pessoas adaptáveis a novas ideias e mudanças, por meio de uma visão compartilhada. De acordo com o pensamento de Senge, o aprendizado real atinge o cerne do que é ser humano, possibilitando que sejamos capazes de nos recriar, assim como as organizações, que aprendem para se reinven- tarem, melhorarem seus processos, gerarem mais valor e não apenas sobreviverem no mercado. Como desenvolver esse modelo de aprendizado nas organizações? Que características essas empresas devem ter? Segundo Senge, exis- tem cinco maneiras, chamadas por ele cinco disciplinas; estas são capa- zes de identificar as organizações que aprendem. São elas: a. Pensamento sistêmico Pode ser considerada a base desse modelo de organização, pois uma organização com aprendizagem bem-sucedida é apoiada por uma cultura que enxerga o sistema organizacional como mais do que a soma das suas partes; ele envolve a interconexão entre elas, na qual cada in- divíduo desempenha um papel vital na estrutura geral e por meio das interações entre eles ocorre o crescimento de toda a organização. Co- mumente, tendemos a nos concentrar apenas nas partes (processos, departamentos, unidades etc.) em vez de ver o todo e a deixar de ver a organização como um processo dinâmico e coordenado. O pensamento sistêmico se refere à capacidade de ver o panorama geral, considerando os processos e suas interações. Sem o pensamen- to sistêmico, seria inviável a implantação das demais disciplinas, pois a organização as trabalharia de maneira isolada e, portanto, não conse- guiria atingir seus objetivos. b. Domínio pessoal As organizações que aprendem exigem que colaboradores tenham visão de futuro, considerando maneira de cada um pensar, agir, ge- renciar conflitos e tomar decisões. Essa característica é uma das prin- cipais disciplinas no processo de construção de uma organização que aprende. Os colaboradores devem desenvolver uma perspectiva de apren- dizagem ao longo da vida em que valorizam e entendem a importân- cia do crescimento contínuo. O direcionamento deve ser na aquisição 34 Gestão do conhecimento e inovação e na ampliação de habilidades práticas e conhecimentos que podem ser utilizados no ambiente organizacional. O domínio pessoal pode ser classificado em três elementos importantes: • Compromisso com a verdade e a realidade: permite que os in- divíduos olhem para sua realidade atual e futuro desejado. • Visão pessoal: permite que as pessoas continuamente deter- minem com clareza o foco de sua visão pessoal para o futuro desejado. • Tensão criativa: permite que os indivíduos aproveitem as lacu- nas em sua visão para criar a energia dinâmica voltada ao alcance do futuro que desejam. c. Modelos mentais Para que as organizações desenvolvam a capacidade de trabalhar com modelos mentais, é importante que elas promovam condições de as pessoas aprenderem novas habilidades e desenvolverem novos me- canismos de trabalho. Essa característica tem duasetapas: em um primeiro momento, os funcionários devem ser capazes de realizar uma autoavaliação das suas atividades e dos seus conhecimentos, com o objetivo de identificar pos- síveis crenças limitantes que impeçam o progresso pessoal e da orga- nização. Após essa análise, eles devem ser encorajados pela empresa a testar novos métodos e abordagens para seu trabalho. Dessa maneira, as pessoas reconhecem seus erros, reconhecendo os modelos mentais limitantes que seguem, e buscam superá-los. d. Visão compartilhada Para que seja possível a uma organização gerar uma visão compar- tilhada, todos os colaboradores devem ser responsáveis por sua elabo- ração, com o objetivo de estabelecer uma visão única do futuro. Para que ela possa se tornar realidade, todos os membros da organização devem assumir um compromisso pessoal e ser capazes de compreen- der, compartilhar e contribuir com essa visão para toda a organização. e. Aprendizagem em equipe Essa característica considera que as organizações que aprendem, consequentemente, investem e estimulam o compartilhamento e a co- laboração. Cada membro da equipe deve compreender seus objetivos e buscar trabalhar com uma equipe de resolução de problemas para Organização voltada à competitividade 35 atingi-los. É interessante que as empresas criem uma infraestrutura de compartilhamento de conhecimento (intranet ou blog) que funcio- ne como um repositório on-line, em que todos podem compartilhar e acessar links de interesse comum e conteúdos de treinamentos, por exemplo. Organizações que promovem a aprendizagem de maneira eficaz compartilham essas cinco características, com o pensamento no longo prazo e com o apoio de líderes que compartilhem desses propósitos. Todos na organização têm responsabilidade por essa cultura, mas o papel dos líderes é essencial para o desenvolvimento de uma organiza- ção que aprende. Esse modelo de organização deve estimular que seus líderes te- nham visão de futuro. Os níveis mais altos da organização devem es- tar comprometidos com o processo de aprendizagem e ter uma visão compartilhada, estimulando a autorreflexão e dando o exemplo para os membros de sua equipe. Esses líderes devem possibilitar um am- biente em que erros são permitidos, pois é por meio deles que os fun- cionários poderão aprender e então discutir abordagens alternativas para que os mesmos erros não sejam repetidos no futuro. Além dessa característica, uma organização que aprende considera mais três papéis fundamentais para suas lideranças. São eles: • Líder como projetista: é responsável por desenhar o empreendi- mento de acordo com a missão, a visão e os valores da organiza- ção, construir uma visão compartilhada desde o início e projetar os processos de aprendizagem para que as pessoas sejam capa- zes de lidar produtivamente com as situações críticas. • Líder como regente: é aquele que está envolvido e preocupado mais com os objetivos organizacionais e da sua equipe do que com os seus próprios. Ele deve buscar servir aos outros, criando condições para o desenvolvimento geral da empresa, e não para o seu crescimento pessoal. • Líder como professor: é aquele que desenvolve condições para que sua equipe se envolva na busca pela aprendizagem, não sim- plesmente repassa seu conhecimento. Assemelha-se à figura do mentor, que orienta seus liderados e cria um ambiente para o questionamento, em busca de melhores resultados. 36 Gestão do conhecimento e inovação As organizações que ainda estão em modelos de crescimento com base apenas no produto ou na demanda do mercado devem buscar repensar suas estruturas considerando o enfoque do aprendizado or- ganizacional. O crescimento sustentado na geração e no compartilha- mento de conhecimento gera condições de estímulo à criatividade e à inovação. Para que você possa compreender melhor os conhecimen- tos presentes nas organizações, abordaremos esse tema no tópico a seguir. 2.2 Tipos de conhecimento Vídeo As organizações são repletas de conhecimentos adquiridos por sua experiência de mercado, pelas melhores práticas e experiências de seus funcionários, bem como pelos erros cometidos. O que muitas vezes acontece é que, quando necessitam, essas empresas não sabem como armazenar e buscar esse conhecimento para melhorar seus pro- cessos ou desenvolver novos produtos e serviços. As empresas precisam entender que não basta investir na concep- ção de novos conhecimentos por meio de cursos, treinamentos e for- mação de seus colaboradores, é preciso investir em meios para que esse conhecimento seja aplicado à organização e seja multiplicado para todas as frentes de trabalho que irão utilizá-lo, convertendo-o em melhores práticas e melhor satisfação dos consumidores. Consideramos que o conhecimento organizacional é a soma de todo os conhecimentos contidos em uma organização e que podem agregar valor ao negócio. Além do conhecimento originário das capacitações e de know-how dos funcionários, ele pode ser obtido com propriedade in- telectual, conhecimento do produto, lições de fracasso e sucesso, con- ferências ou comunicações com clientes, fornecedores e parceiros, por exemplo. Apesar de existirem sistemas para armazenamento e distribuição do conhecimento, os maiores responsáveis por seu aprendizado, sua preservação e sua transmissão são as pessoas, por isso é responsabi- lidade fundamental da área de gestão de pessoas trabalhar no geren- ciamento disso. Quais são os principais tipos de conhecimento que encontramos nas organizações? Compreender as diferentes formas em que o conhe- Organização voltada à competitividade 37 cimento pode existir é uma etapa essencial para a gestão do conheci- mento. Podemos dividi-lo principalmente em dois tipos: conhecimento explícito e tácito; também é fundamental que a organização encontre maneiras de aproveitá-los ao máximo para seu desenvolvimento. a. Conhecimento explícito Esse tipo de conhecimento é formalizado e codificado nas organiza- ções. Segundo Lara (2004, p. 31), o conhecimento explícito “é adquiri- do principalmente pela educação formal e envolve conhecimento dos fatos”. Comparado aos outros conhecimentos, este é mais facilmente identificado, armazenado, manipulado e recuperado pelas pessoas. É considerado o tipo de conhecimento mais simples e não contém o know-how com base em experiência de pessoas que compõem a orga- nização, ou seja, não é necessário ter experiência direta com algo para ter conhecimento explícito sobre isso. O conhecimento explícito corresponde ao conjunto das habilida- des ou informações que podem ser prontamente compreendidas, articuladas e compartilhadas com outras pessoas. Por exemplo, o co- nhecimento contido em um manual de procedimentos, que reúne as informações dos processos que já são bem conhecidos para serem re- gistrados e preservados para consulta de quem necessitar. Do ponto de vista gerencial, o maior desafio com o conhecimento explícito é semelhante ao tratamento das informações, pois não bas- ta seu acúmulo, mas a garantia de que as pessoas tenham acesso ao que precisam. É necessário certificar que o conhecimento importante seja armazenado e que, quando necessário, seja revisado, atualizado ou descartado. A sua utilidade está na confiabilidade e na relevância para a tomada de decisões, por isso deve ser periodicamente revisto. Esse tipo de conhecimento é encontrado em bancos de dados, livros, relatórios, memorandos, anotações técnicas, instruções de trabalho, pesquisas de mercado, documentos em geral etc. b. Conhecimento tácito O conhecimento tácito, também conhecido por muitos como know-how, trata-se de um conhecimento intuitivo, difícil de definir e com base principalmente na experiência e na observação das pessoas que estão na organização. Segundo Carbone et al. (2009, p. 82) o co- nhecimento tácito é “produzido pela experiência da vida, incluindo ele- mentos cognitivos e práticos”. Devido à sua natureza, ele depende do 38 Gestão do conhecimento e inovaçãocontexto e da natureza do trabalho, pois sua utilização por parte da empresa é determinada por atitude, compromisso e envolvimento dos funcionários que o possuem na realização do seu trabalho. É considerado a fonte mais valiosa de conhecimento em uma orga- nização e o responsável por gerar mais crescimento, inovação, com- petitividade e geração de valor em uma organização. Para Lara (2004, p. 31), o conhecimento tácito é “dinâmico e só pode ser acessado por meio de colaboração direta e de comunicação com pessoas que detêm o conhecimento”. Porém, devido à sua natureza, é muito difícil que a organização o armazene e codifique-o para ações futuras. Um gestor com anos de prática empresarial, por exemplo, conse- gue muitas vezes solucionar um problema do seu cotidiano rápida e eficientemente usando sua experiência e intuição. Porém, é muito mais complexo ele codificar esse conhecimento em um documento que pu- desse transmitir seu know-how a um iniciante. Esse é um dos motivos pelos quais a experiência em um determinado campo é considerada tão valiosa no mercado de trabalho. O conhecimento tácito é encontrado nas pessoas que fazem parte da organização e é composto por crenças, valores, atitudes, modelos mentais, bem como habilidades e conhecimentos adquiridos previa- mente. É adquirido principalmente por meio de relacionamentos e comunicação com outros indivíduos. Para ser aproveitado pelas orga- nizações, deve ser convertido em conhecimento explícito. Para que a organização possa aproveitar esses conhecimentos, ela precisa compreender como converter conhecimentos tácitos em explí- citos, a fim de que possam ser codificados e formalizados na empresa e então compartilhados com todos. Um dos métodos mais conhecidos para essa conversão é dos pioneiros nos estudos sobre gestão do co- nhecimento, os professores Ikujiro Nonaka e Hirokata Takeuchi, que criaram o modelo chamado espiral do conhecimento ou SECI. 2.3 Espiral do conhecimento Vídeo As organizações estão cada vez mais interessadas na gestão do co- nhecimento que possuem, daqueles documentados formalmente, mas estão atraídas principalmente para o modo de aproveitar o conheci- mento tácito de seus colaboradores e traduzi-lo, deixando-o registrado para que todos possam utilizá-lo. Organização voltada à competitividade 39 O bom aproveitamento dos conhecimentos e a geração de novos promovem o crescimento da organização e seu direcionamento para um modelo mais inovador e dinâmico de construção de maior valor ao mercado. Para que se possa trabalhar os conhecimentos presentes na empresa, Nonaka e Takeuchi, em sua obra The Knowlegde-Creating Company (A empresa criadora de conhecimento), publicada pela primeira vez em 1991, criaram o método de conversão de conhecimento que considera quatro elementos: socialização, externalização, combinação e internalização, também conhecido pelas suas iniciais SECI. Mostraremos a representação da espiral na Figura 1 e, na sequên- cia, explicaremos cada uma das fases desse método. Figura 1 Espiral do conhecimento ExternalizaçãoSocialização CombinaçãoInternalização Ap re nd er fa ze nd o D iá lo go Construindo Consolidando a. Socialização Conversão de conhecimento tácito para tácito. O primeiro elemento é o compartilhamento de conhecimento tácito de uma pessoa para outra por meio de interações sociais. Isso é o que acontece normalmente em equipes que são colaborativas e também entre colegas, por meio de experiências compartilhadas, como obser- vação, imitação e prática. 40 Gestão do conhecimento e inovação A conversão por meio da socialização também costuma ocorrer em momentos fora do local de trabalho, períodos em que os colabora- dores, em um ambiente mais informal, compartilham suas visões de mundo e interesses, aumentando suas conexões e sua confiança entre os membros de uma equipe. Essencialmente, a socialização pode ser considerada um processo de aprendizagem importante, que tem como finalidade facilitar a conversão do conhecimento tácito em tácito entre pessoas que trabalham na mesma organização. Apesar de ser importante para a organização, a socialização, vista sob o aspecto de criação de conhecimento, é uma sistemática limita- da, pois nem sempre a troca de informação trará enriquecimento para uma das partes, que pode não entender ou mesmo discordar dos fatos apresentados. Além disso, como não é gerado nenhum conhecimen- to explícito que pode ser armazenado na empresa, ela dificilmente irá aproveitá-lo diretamente. b. Externalização Conversão de conhecimento tácito para explícito. O segundo meio de conversão de conhecimento é o que busca transformar o conhecimento tácito em explícito, ou seja, transformar o conhecimento que ainda está abstrato em algo real para a organização (como documentos, relatórios, manuais etc.). Metáforas e analogias têm um papel importante a desempenhar nesse processo, segundo Nonaka e Takeuchi (2008, p. 62), que afirmam: “o conhecimento tácito torna-se explícito, tomando a forma de metáforas, analogias, concei- tos, hipóteses ou modelos”. Em momentos de trocas e de atividades em equipe, a utilização de metáforas facilita o processo de ajudar os participantes na externaliza- ção de seus conhecimentos tácitos. Com essa compreensão, as demais pessoas da equipe conseguem melhor entendê-los, de uma maneira que possibilite as suas aplicações práticas no ambiente corporativo. O conhecimento tácito, por meio dessa conversão, é codificado em documentos, manuais etc., que podem ser compartilhados com maior segurança e abrangência pela organização. Algumas dificuldades nessa troca possivelmente ocorrem, considerando que o conhecimento táci- to pode ter uma codificação complexa; isso porque o conhecimento ge- rado é capaz de não representar exatamente o que estava se buscando expressar, sendo necessária a realização de revisões. Organização voltada à competitividade 41 c. Combinação Conversão de conhecimento explícito para explícito. Uma vez que o conhecimento já é explícito, seria mais fácil realizar a sua a transferência para outro conhecimento explícito por meio de uma combinação. Segundo Nonaka e Takeuchi (2008, p. 65), esse modo de conversão de conhecimento “envolve a combinação de diferentes corpos de conhecimento explícito”. Tal combinação permite que as ideias sejam compartilhadas e testadas. O conhecimento possui formas que podem ser facilmente transferidas por uma variedade de meios, incluindo planos, gráficos, pesquisa e desenvolvimento de artigos técnicos. Isso pode ser alcança- do globalmente por meio da mídia de comunicação ou em ambientes formais, com palestras, workshops, artigos publicados, conferências e seminários. d. Internalização Conversão de conhecimento explícito para tácito. O quarto e último meio de conversão do conhecimento é o a conver- são do conhecimento explícito para tácito, que pode ser considerada a mais complexa de todos. Trata-se da internalização do conhecimento pelas pessoas. “Para que o conhecimento explícito seja tácito, ajuda se ele for verbalizado ou diagramado em documentos, manuais ou relatos orais” (NONAKA; TAKEUCHI, 2008, p. 67). Esse processo pode ajudar as equipes a formarem imagens mentais dos problemas que precisam ser resolvidos. Isso permite que os participantes utilizem sua intuição e experiência para lidar com as questões da organização, como reso- lução de problemas, geração de novos produtos, inovações radicais e incrementais nas organizações. É por meio desse processo de conversão que os funcionários podem agir com base nas boas ideias, ou seja, a ideia do aprender fazendo. A espiral é compreendida como um processo de aprendizado contí- nuo no sentido horário, no qual a aprendizagem organizacional depen- de de iniciar e sustentar a espiral. Seu movimento é contínuo, indicando que as conversões devem acontecer na organização de modo que os conhecimentos táticos e explícitos possam ser internalizados nos pro- cessos, objetivandoo aumento do conhecimento para sua aplicação nos negócios. Sendo assim, é em formato de espiral, e não de ciclo, por- 42 Gestão do conhecimento e inovação que à medida que um conhecimento é convertido, a organização evolui para níveis cada vez mais avançados. Com esse aumento do repositório de conhecimentos, a organização precisa se preocupar com a sua ges- tão de maneira eficiente, para que possa desenvolver suas habilidades e competências utilizando esse acervo. 2.4 Gestão do conhecimento na organização Vídeo A gestão do conhecimento é o processo sistemático de documenta- ção, armazenamento, disseminação e aplicação de todo o conhecimen- to de uma organização, com o objetivo de melhorar seus processos e, consequentemente, a oferta de produtos e serviços. É o esforço em busca da melhor maneira de identificar, organizar e compartilhar o co- nhecimento dentro de uma empresa para que ele possa ser facilmente transferido entre os colaboradores. A organização busca, com a gestão do conhecimento, condições de fazer o melhor uso dos seus conhecimentos para atingir seus objeti- vos de negócios, como aumentar a vantagem competitiva, melhorar o desempenho, impulsionar a inovação, capacitar seus colaboradores e melhorar continuamente seus produtos e serviços. A gestão do conhecimento possibilita o aprendizado organizacio- nal, pois as empresas investem não apenas na produção de bens ou serviços de qualidade, mas no conhecimento que fundamenta seus processos, buscando manter e desenvolver o conhecimento interno e garantir que esse conhecimento esteja disponível e seja acessível a to- dos os colaboradores. O objetivo central da gestão do conhecimento é conectar e integrar as pessoas que buscam conhecimento dentro de uma organização àquelas que o possuem. O objetivo é aumentar o nível geral de co- nhecimento da equipe e da organização. Essa integração normalmente ocorre por sistemas de gestão do conhecimento, que organizam o pro- cesso de aprendizagem organizacional. Para que a organização possa atingir esse propósito, ela deve con- centrar seus esforços em ações para cumprir os seguintes objetivos: • Melhorar o processo de captura de conhecimento com a criação de memorandos, relatórios, manuais e outros documentos que Organização voltada à competitividade 43 possam ser arquivados e consultados pelos colaboradores quan- do necessário. • Simplificar e aprimorar o ambiente de conhecimento, buscando incentivar as pessoas a compartilharem o conhecimento com os demais funcionários e proporcionando meios para que isso seja feito de modo simples e sistematizado. • Aumentar o acesso ao conhecimento organizacional, utilizando sistemas de gestão que estejam à disposição daqueles que ne- cessitam buscar os conhecimentos. • Manter o conhecimento como um ativo organizacional. Um ativo pode ser considerado como bem da organização, que gera recei- tas e reduz custos. Pode fazer parte, inclusive, do balanço patri- monial de uma empresa na forma de capital intelectual 1 . Os benefícios da gestão do conhecimento para as organizações são os seguintes: • Reter o conhecimento dentro de sua organização. Os conhecimentos tácitos dos funcionários precisam ser man- tidos na organização, para evitar quedas da produtividade ou perda de informações pela ausência (em caso de demissão ou aposentadoria, por exemplo) de colaboradores detentores de grande conhecimento. Para que isso não aconteça, a gestão de conhecimento eficaz ajuda na transferência de conhecimento da pessoa para a empresa, minimizando possíveis danos ocasiona- dos pela saída de um funcionário. A gestão do conhecimento também auxilia no processo de inte- gração de novos funcionários, pois subsidia a empresa com con- dições de possibilitar que os novos contratados tenham acesso a todas as informações que necessitam para começar sua jornada de maneira produtiva desde o primeiro dia. Essas informações podem ser repassadas por meio de vídeos demonstrativos, ma- nuais, portfólios, documentos, roteiros e outros registros elabo- rados por funcionários experientes e que servem de guia para ajudar no início das atividades de novos integrantes. Segundo Nonaka e Takeuchi (2008, p. 67), “manuais ou documen- tos facilitam a transferência do conhecimento explícito para ou- tras pessoas, auxiliando-as, assim, a vivenciarem, indiretamente, as experiências dos outros”. “Capital intelectual é a soma do conhecimento de todos em uma empresa, o que lhe proporciona vantagem competitiva. Ao contrário dos ativos, com os quais empresários e contabilistas estão familiarizados, como propriedades, fábricas, equipa- mentos, dinheiro, constitui-se a matéria intelectual, sendo o conhecimento, informações, pro- priedade intelectual, experiência, que pode ser utilizada para gerar riqueza” (STEWART, 1998, p. 13). 1 44 Gestão do conhecimento e inovação • Promover um melhor alinhamento das equipes e dos funcionários. Uma abordagem eficaz para a gestão do conhecimento mantém a organização alinhada, o que aprimora o compartilhamento de conhecimento, a comunicação e a colaboração entre todos os membros da equipe. Dessa maneira, as equipes têm maior ga- rantia de que as transferências de conhecimento ocorram sem problemas e com menores taxas de redundância. Isso possibi- lita que os funcionários entendam verdadeiramente como seus esforços ajudam a organização a alcançar seus objetivos gerais, pois compreendem o seu papel e de sua equipe no esforço cole- tivo da organização. • Aumentar a produtividade da equipe. A gestão do conhecimento possibilita que os funcionários te- nham acesso a documentos e informações que compartilhem as melhores práticas e instruções de trabalho detalhadas para a execução das tarefas e dos processos. Os funcionários também têm condições de comunicação e colaboração com a equipe em tempo real. A gestão do conhecimento atua como uma bússola e um roteiro para que os funcionários e a sua equipe sempre te- nham o direcionamento adequado para seguir, sabendo qual é a melhor maneira de chegar a esse objetivo. • Possibilitar crescimento contínuo com base no conhecimento. Quando a organização canaliza seus esforços para a gestão eficaz do conhecimento, maiores são as condições para a construção sólida do seu crescimento e desenvolvimento. Além da preo- cupação em gerenciar e compartilhar o conhecimento entre as pessoas e equipes, as empresas também buscam continuamente melhorar o conhecimento que possuem, uma vez que estão en- volvidas em um ambiente de constante aprendizado, descobrin- do como aplicá-lo em seus processos. • Aumentar a percepção de valor agregado e experiência do cliente. Não são apenas benefícios internos que a gestão do conhecimen- to promove. Há também as melhorias relacionadas aos clientes, que proporcionam maior autonomia na experiência do cliente com a empresa, fornecendo informações adequadas e atualiza- das para que o cliente possa ter mais autonomia na resolução de pequenos problemas ou eventuais dúvidas relacionadas aos produtos ou serviços, por exemplo. Assista ao vídeo Como a gestão do conhecimento pode ajudar sua empresa, publicado pelo canal Humantech Gestão do Conhecimento, que apresenta rapidamente a gestão do conhecimento, mostrando como ela é fundamental para o fun- cionamento das organi- zações. A ausência de um funcionário, por exemplo, pode desencadear uma série de dificuldades se não houver um meca- nismo de transmissão do seu conhecimento individual para o restante da equipe. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=kSUTNtRDNnc. Acesso em: 29 jan. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=kSUTNtRDNnc https://www.youtube.com/watch?v=kSUTNtRDNnc https://www.youtube.com/watch?v=kSUTNtRDNnc Organização voltada à competitividade 45 Caso essas informações ainda não sejam suficientes, a gestão do conhecimento também fornece às equipes de suporte e atendimento ao cliente condições de acesso a mais informações para atenderefi- cientemente os clientes. A gestão do conhecimento é fundamental nas organizações, não apenas para seu crescimento, mas também para sua manutenção de maneira competitiva. Em uma era na qual o conhecimento é considera- do um dos ativos mais valiosos de uma empresa, é fundamental saber fazer a sua gestão e utilizá-la para promover em sua equipe melhores condições de responder aos desafios e às oportunidades de mercado. 2.5 Competitividade na era do conhecimento Vídeo Desde o final do século XX, estamos vivenciando um período de grandes mudanças sociais, econômicas e políticas, que ocorrem cada vez mais rapidamente. Vemos mudanças, também, na criação e na utilização de novos conhecimentos, tanto pelas pessoas quanto pelas organizações, sejam elas públicas, privadas, ligadas ao meio acadêmi- co ou produtivo. Por essas e outras características, esse período que vivenciamos é conhecido como era do conhecimento, que sucedeu a era industrial. Tal era é uma forma nova e avançada de sociedade capitalista em que o conhecimento e as ideias são as principais fontes de crescimento econômico, assim como a terra, o trabalho, as máquinas e o dinheiro foram em eras passadas. Novos padrões de trabalho e novas práticas de negócios foram desenvolvidos e requerem novas habilidades e com- petências dos trabalhadores. Na economia empresarial moderna, torna-se cada vez mais eviden- te que o conhecimento é uma das vantagens competitivas mais impor- tantes. Possuir o conhecimento necessário permite que as empresas respondam mais rápida e facilmente às mudanças do ambiente e co- nectem seus recursos com sucesso às necessidades de seus clientes. O conhecimento, nesse cenário, é definido e valorizado pelo que pode fazer para as organizações, pelo valor que gera para seus consumido- res e pela competitividade que proporciona à gestão. É produzido e consumido não exclusivamente por especialistas individuais, mas por 46 Gestão do conhecimento e inovação equipes de trabalho, por meio de trocas e sistemas que fazem a gestão do conhecimento. A importância de criar vantagem competitiva sobre os concorrentes deve estar na lista de prioridades das organizações nessa era, pois as empresas podem permanecer apenas de modo adaptativo às mudan- ças e inovações que ocorrem no ambiente, mas procurar criar vanta- gem competitiva com base no conhecimento, para estar à frente dos demais competidores do mercado em que atua. Segundo Oliveira (2007, p. 222), “vantagem competitiva é aquele ‘algo mais’ que identifi- ca os produtos e serviços e os mercados para os quais a empresa está efetivamente capacitada a atuar de forma diferenciada”. O sucesso das empresas depende principalmente da qualidade do conhecimento que é aplicado aos seus processos de negócios, o qual deve buscar gerar mais valor para os clientes, destacando-se dos demais. Considerando a rapidez com que as inovações e as mudanças ocorrem, a melhor vantagem competitiva de uma empresa hoje pode se tornar obsoleta em poucos anos, se não existir um cuidado com a gestão e a atualização desse conhecimento. As organizações precisam de uma estrutura flexível e sustentável, porém atenta às mudanças. Investir apenas em recursos tangíveis (máquinas, sistemas, equipa- mentos) não é mais suficiente, uma vez que outras empresas também podem adquiri-los e talvez até mais eficientes e atualizados. O que real- mente proporciona vantagem competitiva sustentável nessa nova era é a gestão do conhecimento, visto que é uma fonte difícil de ser copiada. A gestão do conhecimento é um processo sistemático que precisa estar enraizado na cultura das organizações em busca de competitivi- dade no mercado atual. As organizações precisam desenvolver pro- cessos, procedimentos e protocolos para que suas equipes entendam a relevância de se manter o conhecimento como uma ferramenta es- tratégica em busca de melhores resultados. Buscar a competitividade por meio da gestão do conhecimento é tarefa para diferentes tamanhos e perfis de organizações. Empresas re- centes ou de pequeno porte devem procurar condições de conquistar vantagem competitiva de mercado desde o início e, portanto, benefi- ciar-se por meio do armazenamento e da distribuição de conhecimento entre sua equipe ainda coesa. As grandes organizações usam a gestão do conhecimento para reagir rapidamente às mudanças na era do co- nhecimento, na qual os mercados mudam constantemente e os negó- cios precisam se adaptar. Para saber mais, assista ao vídeo Como inovar na era do conhecimento, publicado pelo canal Endeavor Brasil, com o professor José Alberto Aranha, que apresenta a questão da avaliação das pessoas dentro das organizações e sua con- tribuição para a inovação e produção de novos conhecimentos. Disponível em: https:// www.youtube.com/ watch?v=bkeeZlhZv6g. Acesso em: 1 fev. 2021. Vídeo https://www.youtube.com/watch?v=bkeeZlhZv6g https://www.youtube.com/watch?v=bkeeZlhZv6g https://www.youtube.com/watch?v=bkeeZlhZv6g Organização voltada à competitividade 47 A gestão do conhecimento permite que as organizações forneçam as informações certas às pessoas certas e no momento certo. Dada a rapidez com que as expectativas dos consumidores e o cenário do setor mudam, ter essa estratégia estabelecida previamente confere à empresa algumas vantagens. Uma estratégia eficaz de gestão do co- nhecimento permite que a organização crie, aplique e compartilhe in- formações, o que sustenta os objetivos organizacionais conforme as tecnologias evoluem, mantém a competitividade das empresas quanto às mudanças do setor e à frente da concorrência. Segundo Zaccarelli (2000), existem três principais tipos de vanta- gens competitivas por meio das quais as empresas podem se destacar no mercado atual. São elas: • vantagem competitiva pela preferência dos clientes; • vantagem competitiva pela diferenciação no negócio; • vantagem competitiva pela existência de talentos especiais na organização. Há relação direta entre essas vantagens e a gestão do conhecimen- to, pois é por meio dela que se torna possível fornecer informações sobre os negócios, os clientes e, sobretudo, sobre os talentos e seu co- nhecimento tácito presente na organização. A gestão do conhecimento tem condições de promover um melhor desempenho organizacional, aprimorar a gestão dos processos internos de conhecimento, para que todas as informações necessárias às decisões corporativas sejam dis- ponibilizadas e utilizadas de forma eficiente. Não basta deter o conhe- cimento, é necessário saber aplicá-lo para obter vantagem competitiva. 2.6 Novos modelos de negócios e criação de conhecimentoVídeo A utilização do termo modelos de negócios é relativamente nova; sua popularização ocorreu a partir do final dos anos 1990, com o crescimento das empresas pontocom 2 . De acordo com Osterwalder (2011, p. 14), “um mode- lo de negócio é a lógica de criação, entrega e captura de valor por parte de uma organização”. Outras defi- nições também defendem a importância do estabe- lecimento da proposta de valor ao cliente e como ela Termo utilizado para se referir às empresas da era digital, fazendo referência ao término dos sites “.com”. 2 48 Gestão do conhecimento e inovação será revertida para a organização de maneira lucrativa, como pontos centrais de um modelo de negócios. Drucker (2002) descreve um mo- delo de negócio como aquele que determina quem é o cliente, o valor que será entregue a ele e o melhor método de ofertar seu produto ou serviço. As empresas que buscam resultados favoráveis em ambientes com- petitivos devem se esforçar para atender aos desejos variados do con- sumidor com inovações constantes e apresentação de novas propostas de valor ao consumidor. Os modelos de negócios são frequentemente exigidos pelos avanços tecnológicos que criam a necessidade de trazer descobertas para o mercado e a oportunidade de satisfazer as necessi- dades não correspondidas dos clientes. O uso do conceito de modelo de negóciostem sido amplamente utilizado para explicar como as empresas operam no ambiente digital, pois os crescentes avanços nas tecnologias de informação e comuni- cação permitiram o progresso de novas maneiras de criar e entregar valor para os consumidores. Os principais aspectos considerados para esses modelos são questões estratégicas que devem ser estabelecidas na empresa, segundo pesquisa realizada em mais de 1.200 artigos so- bre o tema por Zott et al. (2011), são: • criação de valor, vantagem competitiva e desempenho da empresa; • e-business e o uso da tecnologia da informação nas organizações; • gestão de tecnologia e inovação. Assim, consideramos que as novas tecnologias multiplicam as possibilidades de se projetar a arquitetura de negócios para além dos modelos tradicionais, originários da era industrial e que agora buscam, em fatores de interesse do mercado consumidor, estruturar seus ne- gócios. Mas só conseguimos estabelecer em uma organização qual é o modelo de negócios adequado, após a criação de conhecimento sobre a jornada do cliente, suas preferências, seus hábitos e sua cultura, e desenvolver uma cadeia de valor associada. Há uma infinidade de possibilidades de modelos de negócios. Al- guns serão muito melhor adaptados às necessidades dos clientes e aos ambientes de negócios do que outros. Cabe à organização selecionar, ajustar e/ou melhorar os modelos de negócios existentes, buscando atender a seus propósitos e às demandas de seus consumidores. Organização voltada à competitividade 49 Um bom modelo de negócios deve se preocupar em proporcionar um valor perceptível ao cliente e cobrar de maneira que seja viável e lucrativo para a organização. Os modelos mais tradicionais a que esta- mos acostumados são descritos a seguir: • Franquia (O Boticário, McDonald’s, Cacau Show, Kumon e várias outras). • Assinatura de produtos ou serviços (um clube de assinatura de vinhos ou de um serviço de reparos domiciliares). • Classificados (OLX, Mercado Livre) – estão evoluindo para novos modelos de negócios, os chamados marketplace. • Recargas (cápsulas de café para máquinas, cartuchos de tinta para impressoras. Normalmente, o custo da máquina é mais em conta devido à necessidade constante de abastecimento; as re- cargas são responsáveis pela maior fonte de renda da empresa). Esses modelos não deixaram de existir, mas novos modelos estão surgindo, cada vez mais dependentes de tecnologias de informação e comunicação e detentores de conhecimento de mercado e processos. Esses novos modelos consideram aspectos, além da tecnologia, como a criação e a gestão do conhecimento das organizações uti- lizando algumas ferramentas, como Business Intelligence e Costumer Experience. Vejamos, resumidamente, como elas são utilizadas para a construção do conhecimento sobre o cliente, objetivando agregar mais valor ao negócio. a. Business Intelligence (inteligência de mercado): metodologia utilizada pelas organizações para apoio à tomada de decisões, que, segundo Angeloni e Reis (2006, p. 3), trata-se de: um conjunto de metodologias de gestão implementadas através de ferramentas de software, cuja função é proporcionar ganhos nos processos decisórios gerenciais e da alta administração nas organizações, baseada na capacidade analítica das ferramentas que integram em um só lugar todas as informações necessárias ao processo decisório. b. Customer Experience (experiência do consumidor): refere-se ao mapeamento de toda a jornada de compra que um cliente passa, desde o momento em que recebe a oferta até o pós-venda, buscando oferecer a ele a melhor experiência de consumo de seu produto ou serviço em toda a cadeia. De acordo Verhoef et al. 50 Gestão do conhecimento e inovação (2009), trata-se de uma construção multidimensional que envolve fatores cognitivos, afetivos, emocionais, sociais e físicos do cliente durante processo de compra e que deve ser compreendida pela organização para encantar o cliente em todas as etapas. Vamos conhecer, então, alguns dos novos modelos de negócios utilizados pelas organizações inseridas no contexto da era do conhe- cimento e que buscam, por meio da tecnologia e da geração de valor para as partes, criar novas soluções para atender a um mercado cada vez mais dinâmico e exigente. 2.6.1 Freemium É um modelo de negócios que oferece serviços tanto grátis (free) quan- to com cobrança (premium). Alguns exemplos de empresas que usam esse modelo são Spotify, YouTube, Adobe, Skype, MySpace, entre outras. Os modelos de negócios Freemium são também utilizados por mui- tas empresas de software (como Linux, Firefox e Apache), que operam no mercado de código aberto. A lógica para esse tipo de modelo é: se o serviço for atrativo, os clientes tenderão a migrar para os pacotes completos, que são pagos. Dessa maneira, é gerada mais receita para a organização. Para os pa- cotes grátis, as empresas normalmente também conseguem geração de receitas por outras fontes, como anúncios comerciais – que normal- mente desagradam os consumidores, sendo mais um motivo para eles migrarem para os serviços premium. Para saber mais sobre o modelo Freemium, leia o artigo Freemium: o modelo do Spotify serve para sua empresa?, de Antonio Carlos Soares. O autor considera os pontos fortes e fracos dessa estratégia e apresenta os tipos de negócios que podem se beneficiar desse modelo. Acesso em: 29 jan. 2021. https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/modelo-freemium-spotify/ Artigo 2.6.2 Marketplace Os antigos modelos de negócios de classificados estão migrando para o modelo chamado marketplace. Muito se assemelha ao modelo https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/modelo-freemium-spotify/ Organização voltada à competitividade 51 de classificados, pois qualquer pessoa pode realizar um anúncio ofe- recendo produtos (novos ou usados) ou serviços por uma plataforma. Esse tipo de serviço é remunerado por meio de uma pequena taxa du- rante a transação, e o cliente, se quiser ter seu anúncio em destaque, também pode pagar pelo serviço. Os marketplaces funcionam mais como uma espécie de shopping, porém, no ambiente virtual, onde não apenas pessoas físicas e peque- nas empresas são anunciantes, várias marcas e empresas de gran- de porte utilizam esse espaço para vender seus produtos. A grande pioneira nesse modelo é a Amazon. Além das empresas que já traba- lhavam no modelo de classificados, grandes empresas varejistas migra- ram para esse modelo, como as Lojas Americanas, a livraria Saraiva e os supermercados Extra e Walmart. Os marketplaces conectam compradores e vendedores em uma pla- taforma proprietária e são remunerados pelas transações que ocorrem. Uma das vantagens desse modelo é que não é de responsabilidade do usuário a manutenção dos estoques, e sim dos anunciantes. Suas fun- ções podem incluir tarefas como transporte e transações de pagamen- to. Os vendedores podem, então, concentrar-se em sua competência principal, que é fornecer aos clientes os produtos mais relevantes. Existem, também, os marketplaces de serviços, como o Airbnb e a Uber. O primeiro reúne serviço de hospedagem em todo o mundo, já o segundo oferece serviços de transporte de pessoas e encomendas. 2.6.3 Ecossistema Ecossistemas de negócios são modelos de negócios que não estão preocupados apenas com a entrega de valor para um cliente, mas sim onde todos os envolvidos criam valor uns para os outros, incluindo os consumidores. Eles existem porque permitem que seus participantes sobrevivam e prosperem. Um ecossistema de negócios pode ser compreendido como a rede de organizações que inclui fornecedores, distribuidores, clientes, concorrentes, agências governamentais e outros. Ele tem como com- promisso a entrega de determinado produto ou serviço por meio de competição e cooperação. Os envolvidos criam uma relação, em cons- tante evolução, demandando flexibilidade e adaptação para sobreviver nesse ambiente. 52 Gestão do conhecimento e inovaçãoUm ecossistema de negócios é um grupo de empresas – e outras entidades, incluindo indivíduos – que interage e compartilha um conjunto de dependências à medida que produz os bens, tecnolo- gias e serviços que os clientes precisam [...] e são muitas vezes mol- dadas por um pivô central que fornece os incentivos para outras empresas para coevoluir, alinhar seus objetivos e atividades e se unir mutuamente um ao outro. (ZAHRA; NAMBISAN, 2012, p. 220) A Netflix, por exemplo, pode ser considerada um ecossistema for- mado por estúdios, consumidores, investidores, plataformas, por ela própria e seus concorrentes. Além de oferecer filmes, desenhos e sé- ries de outras empresas, também possui as suas próprias produções, que compõem esse modelo de ecossistema. Eles participam do ecossis- tema porque isso contribui para sua sobrevivência e bem-estar. CONSIDERAÇÕES FINAIS As organizações estão em grande movimento para se adaptarem aos novos movimentos e às novas demandas do mercado consumidor. A preo- cupação com o aprendizado organizacional e a retenção do conhecimen- to dentro dos negócios é, hoje, questão de sobrevivência. As empresas precisam compreender os conhecimentos que possuem e colocá-los em prática para se destacar e criar valor aos clientes. Não é possível mais contar apenas com funcionários que possuem talentos extraordinários se estes não forem compartilhados na organi- zação e não puderem gerar resultados para todos os níveis do negócio; isso pode ser feito por meio de ações de conversão de conhecimento. Ações de gestão de conhecimento garantem às organizações melhores condições de competitividade nesse cenário atual, no qual os modelos de negócios estão evoluindo rapidamente em função das tecnologias da informação e das necessidades cada vez mais urgentes e customizadas por parte dos consumidores. As empresas precisam se adaptar para crescer, mas essa adaptação deve ser feita de modo sustentável e visando ao longo prazo. Sendo assim, é preciso investir em aprendizagem. Geração e manutenção do conheci- mento são fundamentais para promover essa base sólida, mas com foco na inovação. Organização voltada à competitividade 53 ATIVIDADES 1. Por que as estruturas convencionais nas organizações não favorecem o aprendizado no modelo das chamadas learning organizations (ou organizações que aprendem)? 2. Qual é o processo mais complexo para realizar a conversão de conhecimentos, por meio do modelo de espiral do conhecimento? Por quê? 3. A gestão do conhecimento em uma organização pode colaborar de que maneira para a integração de novos colaboradores? 4. Como a inteligência de negócios e a experiência do consumidor podem ajudar uma organização na criação de conhecimento? REFERÊNCIAS ANGELONI, M. T.; REIS, E. S. Business Intelligence como Tecnologia de Suporte: a Definição de estratégias para melhoria da qualidade do ensino. In: XXX ENCONTRO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO. Anais [...] Salvador, 2006. CARBONE, P. P. et al. Gestão por competências e gestão do conhecimento. 3. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2009. DRUCKER, P. F. Inovação e espírito empreendedor. São Paulo: Pioneira Thomson, 2002. LARA, C. R. D. A atual gestão do conhecimento: a importância de avaliar e identificar o capital intelectual nas organizações. São Paulo: Nobel, 2004. NONAKA; I.; TAKEUCHI, H. Gestão do conhecimento. Porto Alegre: Bookman, 2008. OLIVEIRA, D. P. R. Planejamento estratégico: conceitos, metodologia e práticas. 23. ed. 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Nesse sentido, a utilização de redes sociais amplia a interatividade com os clientes e a colabo- ração de mais pessoas para a ampliação de dados e informações úteis à estratégia organizacional. Novas tecnologias, como os sistemas de indexação e pesqui- sa, são fundamentais para organizar os dados e as informações, além de torná-los acessíveis e disponíveis a qualquer local e horá- rio para a tomada de decisões. Essa disponibilidade é possibilitada pelo uso da tecnologia em nuvens, na qual colaboradores podem acessar dados de documentos, relatórios, planilhas e outros, re- motamente. Essa é uma grande tendência cada vez mais adotada pelas empresas, possibilitando um trabalho a distância com a mes- ma qualidade do presencial, assim como a tecnologia de Big Data, que permite trabalhar com grande volume de dados, tornando-os organizados e disponíveis para a gestão. Veremos neste capítulo, portanto, quais são as principais estraté- gias organizacionais voltadas à inovação que as empresas podem ado- tar a fim de direcionar seus objetivos, funcionários e processos para esse ambiente competitivo e na obtenção de melhores resultados. Tecnologias e estratégias para a inovação 55 3.1 Tecnologias da informação e comunicação Vídeo O ambiente organizacional está cada vez mais competitivo devido às rápidas mudanças, oriundas de inovações tecnológicas, sociais e políticas e do aumento da conscientização e da demanda dos clientes por produtos diferenciados. Essas mudanças resultam em um ambien- te exigente por inovações, produtos e serviços com maior qualidade, ações sustentáveis e preços justos. Nesse contexto, as organizações, privadas ou públicas, devem tomar medidas para aumentar sua produ- tividade, qualidade de serviço e capacidade competitiva. Novas abor- dagens de gerenciamento são necessárias, e a principal força motriz de muitas das mudanças é a tecnologia da informação e comunicação, que também está no centro da maioria das inovações usadas pelas organi- zações para alcançarem sucesso ou até mesmo apenas sobreviverem. A tecnologia da informação e comunicação favorece outro fator- -chave nesse ambiente: a necessidade de investir em gestão do conhe- cimento. O conhecimento é constituído por informações processadas por meio de relatórios, pesquisas, indicadores, históricos e também registros de experiências, melhores práticas, valores e percepções dos colaboradores, chamados conhecimentos tácito e explícito. Para que as organizações possam aproveitar efetivamente esses conhecimentos, é necessário que utilizem tecnologias deinformação e comunicação (TIC) que incluam a utilização de computadores, telefones, e-mail, bancos de dados, sistemas de mineração de dados, mecanismos de busca, equipamentos de videoconferência, redes neurais etc. Como apontam Albertin e Moura (2004, p. 25), “a oferta de tecnologias de informação e comunicação, e seu aproveitamento amplo e intenso pelas organi- zações têm sido considerados como uma realidade nos vários seto- res da economia e condição básica para as empresas sobreviverem e competirem”. As TIC podem ser definidas como meios eletrônicos utilizados para captura, processamento, armazenamento e disseminação de informa- ções em uma organização. Elas têm a função de facilitar o trabalho dos colaboradores e gerar informações de qualidade para a tomada de decisão. Além disso, elas possuem um papel de destaque nas iniciativas de gestão do conhecimento, e cada vez a implantação de projetos voltados 56 Gestão do conhecimento e inovação à sua gestão e à inovação utilizam ferramentas tecnológicas. De acordo com Teixeira Filho (2000), o papel das tecnologias da informação está diretamente relacionado com a gestão do conhecimento e da aprendi- zagem contínua nas organizações, facilitando a formulação de estraté- gias e a troca de ideias e soluções para os problemas organizacionais. No que diz respeito à gestão do conhecimento, é importante consi- derar os seguintes tópicos, que tratam da forma como as TIC são usa- das e gerenciadas em uma organização: • Natureza da informação: corresponde ao seu significado e ao valor das informações, além de considerar como a informação é controlada, as limitações das TIC e as considerações legais para seu uso. • Gerenciamento de informações: compreende as ações de cap- tura, análise e armazenamento, manipulação, processamento e distribuição de informações, segurança e compartilhamento em rede. • Estratégia de sistemas de informação: considera o modo pelo qual as TIC podem ser usadas como estratégia para alcance de metas e objetivos. Certamente, o uso das TIC promove um grande impacto nas organi- zações, porém não são todas as empresas que conseguem sua adoção na totalidade dos processos. Diferentes funções em uma organização adotam e aplicam as TIC em velocidades e extensões diferentes, con- siderando fatores como custo de implantação, tempo disponível para treinamento das equipes, resistência à mudança por parte dos funcio- nários, soluções e sistemas que necessitam de adaptação e integração e interesses da alta gestão. Nos processos de conversão de conhecimento, a utilização de TIC acontece da seguinte maneira: • Socialização: para esse processo de conversão de conhecimento tácito em tácito, as organizações podem utilizar tecnologias de teleconferência, como videoconferências, reuniões em grupos on-line e outros. • Externalização: para a organização converter os conhecimentos tácitos em explícitos, pode incentivar a utilização do correio ele- trônico (e-mail) para o compartilhamento de metáforas, analo- gias e modelos a fim de incentivar o aprendizado. Tecnologias e estratégias para a inovação 57 • Combinação: as organizações podem utilizar softwares e servi- dores com base na web e nas redes de intranet, para facilitar o compartilhamento e a conversão de conhecimento explícito em explícito. • Internalização: utilização de aplicativos de computador para ajudar as pessoas no reconhecimento de padrões ou anomalias, bem como na internalização do conhecimento que era explícito em tácito. Algumas ferramentas são aplicativos de mineração de dados, modelagem de simulação e aplicativos com base em tec- nologias de visualização, entre outros. As TIC também são empregadas nas organizações para identificar as informações completas e aquelas que precisam ser interpretadas e analisadas antes de serem utilizadas pelos gestores. Por exemplo, ferramentas de simulação e aplicativos de correspondência de padrões podem ser usados para modelagem e identificação de padrões não aparentes apenas para o trabalhador de conhecimento, mas que auxi- liem os gestores de cada área nas análises necessárias para gerenciar os seus processos. Outros benefícios advindos do emprego das TIC são em mudanças estratégicas, como a reengenharia, que possibilita a descentralização dos processos de maneira eficiente, fornecendo linhas de comunicação mais rápidas e contribuindo para agilizar e encurtar o tempo de projeto de produto com o uso de ferramentas de engenharia auxiliadas por computador. São empregadas, ainda, no desenvolvimento da inteligência de ne- gócios, por meio da coleta e análise de informações sobre inovação, mercados, concorrentes e mudanças ambientais. Tais informações proporcionam vantagem estratégica, pois, se uma empresa obtém uma informação relevante e confiável em seu ramo de negócios antes dos demais concorrentes, tem maiores condições de realizar mudan- ças e beneficiar-se delas. As TIC são fundamentais para a comunicação e a colaboração entre os funcionários e suas equipes. Devido à tendência de os negócios cada vez serem mais globalizados, com funcionários trabalhando remota- mente de diferentes regiões e países, há a necessidade de investir em ferramentas que proporcionem uma comunicação melhor, mais rápida e mais barata entre indivíduos e organizações, para dar suporte e agili- 58 Gestão do conhecimento e inovação dade a essas pessoas que trabalham dispersas de desenvolverem seu trabalho de maneira colaborativa. O trabalho colaborativo é uma característica das organizações modernas e considera que a maioria das decisões importantes é to- mada em conjunto pelas equipes. Estas podem ser permanentes ou temporárias e estarem presentes fisicamente ou em vários locais, mas há a necessidade de se reunirem em determinados momentos. As equipes podem ser comitês, forças-tarefa, conselho executivo ou mesmo funcionários de um departamento. As TIC ajudam nessas in- terações por meio de ferramentas de groupware, ou seja, softwares que oferecem suporte a grupos de pessoas com uma tarefa ou obje- tivo comum para a facilitação de suas atividades em grupo. As ferramentas de Groupware representam uma evolução das antigas ferramentas de workgroup, as quais apresentavam maior produtividade para cada pessoa isoladamente. A evo- lução para o Groupware representa um marco para este tipo de ferramenta, pois de agenda passa a ser colaborativa; sendo por intermédio da rede, todos podem ver as agendas dos de- mais e até mesmo agendar reuniões. (MAGALHÃES, 2002, p. 67) Esses softwares de groupware fornecem um mecanismo para compartilhar opiniões e recursos e auxiliam nos esforços colabora- tivos de organizações, incluindo teleconferência, videoconferência e e-mail. Outra tecnologia da informação e comunicação utilizada é o In- tercâmbio Eletrônico de Dados (Electronic Data Interchange – EDI), que também pode ser usado para se comunicar eletronicamente com parceiros comerciais e serviços de suporte. O EDI permite o envio e o recebimento de mensagens entre computadores conecta- dos por um link de comunicação, como uma linha telefônica. É uma forma de garantir que a maior parte do trabalho possa ser feita re- motamente, para que as reuniões (presenciais ou remotas) sejam mais produtivas. Segundo Christopher (2002), a popularização da internet ampliou o uso de sistemas como o EDI, para favorecer a co- municação nas organizações, utilizados para o envio de mensagens, transferência e integração de dados em segurança, usados em áreas como logística, compras e comercial. Tecnologias e estratégias para a inovação 59 3.2 Redes sociais para promoção da interatividade e colaboração Vídeo Uma rede social é composta por relacionamentos entre pessoas, que interagem por diversos motivos, normalmente relacionados a interesses em comum. Seu propósito é conectar pessoas e grupos com o objetivo de troca e compartilhamento de conhecimentos, ideias, notícias para co- laboração e aprendizagem mútua,em um ambiente físico ou digital, de pessoas com afinidade e interesse por determinado assunto. Atualmente, o ambiente digital está em evidência pela facilidade de integração dessas pessoas dispersas em vários lugares, mas que compartilham de interesses em comum. As redes sociais servem para trocas de mensagens, fotos e compar- tilhamento de opiniões pessoais, mas não somente para isso. As organi- zações utilizam cada vez mais esses espaços na internet para aprender, compartilhar seus princípios e se aproximar de seus consumidores e da comunidade em geral. Aprender sobre uma comunidade, seja ela definida geograficamente ou por um interesse comum (por exemplo, especialis- tas em culinária, fotografia, jogos eletrônicos etc.) significa conhecer seus interesses, suas dúvidas, suas capacidades e seus ativos, bem como as necessidades e os desafios que as empresas desses segmentos devem observar para seu próprio desenvolvimento. Normalmente, aprender sobre uma comunidade exige uma variedade de abordagens, incluindo coleta de dados existentes e geração de novas informações, combinação de dados qualitativos e quantitativos e incorpo- ração das perspectivas de um amplo espectro de indivíduos, organizações e grupos. Compreender as redes sociais de uma comunidade é essencial devido ao seu potencial de geração de conteúdo, levantamento de informações e respostas a dúvidas frequentes, inclusive pesquisas para lançamentos de novos produtos ou serviços. As redes sociais também podem fornecer acesso a uma comunidade e gerar conhecimento sobre suas caracterís- ticas. As mídias sociais, como Facebook, Instagram e Twitter, podem ser utilizadas para rastrear, apoiar, criar e mobilizar as redes sociais, conside- rando que essas ferramentas têm um potencial significativo para aprimo- rar os esforços de envolvimento da comunidade. 60 Gestão do conhecimento e inovação Quais são as diferenças entre redes sociais e mídias sociais? A mídia social é definida por Bradley e McDonald (2013, p. 26) como “um am- biente on-line criado com o propósito da colaboração em massa. É onde a colabo- ração em massa ocorre, não a tecnologia per se”. Algumas mídias sociais utilizadas no ambiente digital são blogs, fóruns de discussão, fóruns de podcasts, wikis e outras. Trata-se do ambiente utilizado para a interação das pessoas que estão presentes nas redes sociais. Já as redes sociais são definidas como “um conjunto de participantes autônomos, unindo ideias e recursos em torno de valores e interesses compartilhados” (MARTELETO, 2001, p. 72). As redes sociais podem estar presentes dentro ou fora da internet. Quando estão no ambiente web, são chamadas redes sociais digitais e utilizam as mídias sociais para promover a troca de ideias e o compartilhamento de informações por meio desses veículos de comunicação. As redes sociais representam grupos importantes de constituintes em qualquer iniciativa de planejamento para organizações públicas e priva- das em diferentes segmentos. Esses grupos podem ser engajados para fornecer feedback, identificar prioridades e oportunidades para novos lançamentos ou ajustes em produtos que não estão trazendo resultados, conhecer o envolvimento dos consumidores com a marca e ajudar a es- tabelecer novos objetivos no planejamento estratégico. Tanto a obtenção de conhecimento sobre as redes sociais quanto a coleta de conhecimento dessas redes são essenciais para o desenvolvimento de estratégias rele- vantes ao planejamento de uma organização e ao fornecimento de dados e informações para a sua gestão do conhecimento. Muitas empresas utilizam, atualmente, as redes sociais para divul- gação de lançamentos de novos produtos, mudanças de embalagem, promoções ou outros eventos em que estão envolvidas. Além de ser um canal de comunicação rápido, eficiente e consideravelmente bara- to, se comparado a outros, as empresas também buscam nesse espaço um lugar para diagnóstico e melhoria, por meio dos comentários e das reclamações de clientes e funcionários sobre sua empresa, seus produ- tos e seus serviços. Em muitos casos, eles obtêm ótimas informações, que usam para melhorar seu produto ou serviço e, às vezes, até entram em contato com as pessoas que reclamam, para obter indicativos de como outros clientes podem se sentir. Para saber mais sobre as diferenças entre redes e mídias sociais, acesse o blog Rockcontent, que apresenta a diferenciação dos conceitos de mídias e redes sociais e outros te- mas relacionados, como a história da internet, redes mais usadas no Brasil, métricas, benefícios, fer- ramentas, entre outros. Disponível em: https:// rockcontent.com/br/blog/ tudo-sobre-redes-sociais/#oque. Acesso em: 19 fev. 2021. Saiba mais Tecnologias e estratégias para a inovação 61 Assim, a construção e a manutenção de redes não se trata apenas de utilizar esse canal para divulgação unilateral da empresa, mas no estabelecimento de canais de comunicação, troca de recursos e coor- denação de atividades colaborativas entre a comunidade (consumi- dores, potenciais clientes, pessoas interessadas etc.) e a empresa. As redes sociais existentes podem ser plataformas eficientes para ampliar o engajamento da comunidade, se atingir às pessoas-chave para esses esforços e se estas compartilharem tal ideal de construção em parceria com a organização. É importante alcançar e atrair os principais líderes de opinião e partes interessadas da comunidade. Com essas informações, as organizações obtêm outra vantagem ao utilizar as redes sociais: a geração de inovação, que pode surgir por meio da combinação de uma infinidade de fontes conectadas na rede. As ino- vações podem ser incrementais (por exemplo, melhorias em produtos ou serviços já existentes) ou radicais (como a criação de um novo produto ou serviço), que podem ser alavancadas por sugestões e insights originários das trocas de informações nas redes sociais, aproveitando a colaboração e os pontos de vista diferentes que enriquecem o banco de dados e a gestão do conhecimento nas organizações. Essas redes cada vez mais se tornarão pontos de contato único para envolver comunidades, iniciar conversas, recrutar funcionários e desen- volver as inovações. As empresas que alavancam com sucesso as redes sociais estão fazendo isso para envolver suas comunidades em criação colaborativa, por meio da interação entre eles. Essas empresas estimulam clientes e seguidores a trazerem novas ideias e sugestões, assim, a organi- zação poder aprender como ser uma empresa melhor, oferecer produtos e serviços melhores ou apoiar os valores e questões da comunidade. Dentro das organizações, não apenas as trocas de informações por meio de redes sociais abertas com a comunidade podem gerar benefícios; os departamentos ou unidades podem aprender uns com os outros, e a difusão do conhecimento pode fornecer novas oportunidades mútuas e para toda a organização. Essas áreas têm condições de transferir conhe- cimentos e aprender de maneira colaborativa e compartilhada, oportuni- zando novos conhecimentos por meio de redes sociais corporativas. O compartilhamento de informações é um fator-chave das redes so- ciais corporativas, no qual o conteúdo ou a informação fornecida pelo usuário em uma ponta é fundamental para o sucesso de toda a rede. O ambiente on-line também está em constante expansão por ampliar 62 Gestão do conhecimento e inovação as possibilidades de estabelecer relacionamentos e interagir continua- mente com outras pessoas da mesma empresa com o compartilha- mento de informações e a promoção da interação entre elas. As redes sociais estão cada vez mais aproveitando essa mentalida- de colaborativa para que possam evoluir continuamente. Um exemplo dessa colaboração estimulada pelas empresas, mas que só aconte- ce devido ao grande envolvimento dos usuários, são as redes de de- senvolvedores de software, que buscam em todo o mundo adicionar melhorias aos produtos que consomem, compartilhando seu conheci- mentopara aumento da qualidade, inovação e velocidade de entrega de novos recursos para as empresas. Mesmo empresas tradicionais têm se rendido a essa nova forma de interação com sua comunidade, criando relevância no ambiente on-line pela comercialização dos produtos e ao trazer conteúdo informacional, realizando enquetes, apostando em novas linguagens para atingir esse público que está cada vez mais conectado. Quais mídias sociais são utilizadas pelas empresas para essas interações com seus clientes e comunidades por meio de redes sociais? Vamos falar de algumas delas, consideradas as mais interessantes para o mundo dos negócios, mas antes veja a Figura 1 que contém dados impressionantes dos usuários presentes nesse ambiente. Figura 1 Digital no Mundo em outubro de 2020 Fonte: Adaptado de We Are Social, 2020. Tecnologias e estratégias para a inovação 63 De acordo com o relatório apresentado na Figura 1, 67% da popu- lação mundial possui um telefone celular e 60% está presente na in- ternet. Para entender o cenário que estamos relatando aqui, 53% da população, ou seja, 4,14 bilhões de pessoas são ativos em mídias so- ciais; algumas delas têm foco no ambiente organizacional. 3.2.1 Facebook Considerada ainda a maior e melhor plataforma de mídia social para negócios disponível atualmente, o Facebook, no ano de 2020, possuía mais de 2,7 bilhões de contas ativas – 130 milhões apenas no Brasil (VOLPATO, 2021). A receita da empresa foi de US$ 18,687 bilhões no segundo trimestre de 2020, segundo informações divulgadas pela empresa (ESTADO, 2020). Apenas os anúncios do Facebook (Facebook Ads) geraram US$ 18,321 bilhões de receita no período, ou seja, 98% do total. Considerando esses números, fica claro entender o porquê a organização se tornou uma das melhores ferramentas para as empre- sas encontrarem seu público-alvo, construírem uma lista de contatos e conquistarem novos clientes. O Facebook também é um ótimo meio para interagir com clientes, exercendo a função de uma rede social. Por exemplo, para grupos pri- vados, a plataforma pode ser o ambiente em que elas podem in- gressar, interagir, fazer perguntas e ter uma experiência personalizada com a marca. A plataforma também é democrática, pois é utilizada tanto por gran- des empresas quanto por microempreendedores, pois ambos têm con- dições de criar gratuitamente formas de comercialização de produtos, além de campanhas de divulgação e manter um canal de comunicação ativo e próximo de seus clientes e da comunidade. 3.2.2 Instagram A cada dia crescendo mais como um canal de divulgação e relacio- namento das empresas, o Instagram está se tornando uma das princi- pais plataformas de mídia social para negócios. A rede começou como uma plataforma para compartilhar fotos e ainda mantém isso como seu uso principal. No entanto, expandiu seu uso também para contas comerciais e contas de criadores de conteú- 64 Gestão do conhecimento e inovação do. Investe em diversos recursos para se aproximar dos seguidores, como vídeos do IGTV, stories e recentemente com os reels. Com essas funcionalidades, o Instagram tem se tornado uma excelente ferramen- ta para as marcas literalmente divulgarem seus produtos, bastidores, curiosidades e fazer com que seus consumidores também o façam. É uma excelente maneira de crescer organicamente com consumido- res que exercem o papel de publicitários das marcas, divulgando os produtos e serviços adquiridos para seus contatos e, assim, expandin- do cada vez mais o alcance das marcas. Os números do Instagram também são impressionantes. Observe na Figura 2. Figura 2 Visão geral do público de publicidade do Instagram Fonte: Adaptado de We Are Social, 2020. Segundo relatórios do Instagram, 1,16 bilhões é o total de pessoas que podem ser alcançadas com anúncios na plataforma. Dezenove por cento destes é a parcela da população com idade acima de 13 anos que os profissionais de marketing podem alcançar com os anúncios. Há um crescimento de 76 milhões de usuários em análises trimestrais que rea- gem às publicidades do Instagram. 51% dessa audiência é do público feminino e 49%, do masculino. Tecnologias e estratégias para a inovação 65 Além desse crescimento e do perfil que pode ser customizado para as contas comerciais, o Instagram criou o recurso checkout, que faz par- te de sua configuração para o comércio eletrônico. Nele, os clientes podem ver as imagens dos produtos, seus preços e suas informações, além de terem uma maneira prática para adquirir o que quiserem dire- tamente de sua conta do Instagram (vinculada ao Facebook). 3.2.3 Twitter O Twitter conta com 186 milhões de usuários, sendo o Brasil o se- gundo maior país em número de usuários, apenas atrás dos Estados Unidos. A plataforma é utilizada por empresas, jornalistas, políticos, pessoas famosas e usuários comuns para compartilhar histórias, arti- gos de notícias ou insights humorísticos diariamente. As organizações que utilizam o Twitter para negócios buscam for- mas de se destacarem da concorrência com postagens inteligentes e compartilháveis, além de procurarem consolidar um maior envolvi- mento com o público, adicionando conteúdo valioso às suas postagens. O Twitter pode ser uma ferramenta poderosa para construir o co- nhecimento da marca e conectar-se diretamente com outros clientes (para não mencionar outros influenciadores). Lembre-se de que o Twitter precisa de sua própria estratégia de marketing e você precisará planejar vários tweets por dia. 3.2.4 LinkedIn O LinkedIn, um site de rede de mídia social voltado para negócios, visa auxiliar profissionais e formar uma lista de conexões. No ano de 2020, possuía 660 milhões de usuários, sendo 30 milhões perfis de em- presas. É um ambiente para compartilhamento de informações sobre seu ambiente de negócios, mudanças e novidades na empresa. Serve também para encontrar parceiros de negócios. Não é uma mídia voltada para redes sociais de compras on-line ou entretenimento como as demais, mas a empresa pode fortalecer as interações e a conectividade com usuários que tenham interesse sobre seu setor, além de permitir conhecer seus contatos profissionais e bus- car novas oportunidades de carreira. 66 Gestão do conhecimento e inovação Por meio do Linkedin, as empresas podem desenvolver contatos com clientes e obter experiências mutuamente benéficas. A platafor- ma pode ser usada, inclusive, para encontrar funcionários altamente qualificados, pois é cada vez mais usada por uma grande comunidade de candidatos a emprego autônomos, que estão prontos para oferecer suas extensas habilidades a uma empresa. 3.3 Novas tecnologias Vídeo As organizações procuram novas tecnologias que suportem o co- nhecimento gerado e captado por seus funcionários e gestores. O seu uso beneficia a agilidade da comunicação, bem como discussões, disseminação de conhecimento e muito mais. As tecnologias de ges- tão do conhecimento são suportadas por outras tecnologias e buscam apoiar a gestão do conhecimento de maneira efetiva nas empresas em vez de realizar apenas o processamento da informação. Os funcioná- rios precisam cadastrar e acessar documentos, as equipes precisam trabalhar de maneira colaborativa e ágil, e os departamentos precisam compartilhar políticas e formulários facilmente. As empresas precisam fornecer sistemas e tecnologias que favoreçam e agilizem o trabalho, buscando oferecer novas tecnologias que garantam confiabilidade na tomada de decisão. A tecnologia desempenha um papel transformacional crucial e é uma parte fundamental da mudança da cultura corporativa para o compartilhamento de conhecimento entre todos os colaboradores. A gestão do conhecimento requer tecnologias para apoiar as novas estratégias e os processos, métodos e as técnicas para melhor criar, disseminar, compartilhar e aplicar o conhecimento às áreas internas da organização e, também, para trazer resultados a seus clientes, par- ceiros, fornecedores e outras partes interessadascom cada vez mais agilidade. A citação a seguir exemplifica uma tecnologia para a gestão do conhecimento: Coordenação deliberada e sistemática de pessoas, tecnologias, processos e estrutura da empresa na busca da criação de valor através do recurso do conhecimento e inovação. Essa coordena- ção é realizada através da criação, compartilhamento e aplica- ção do conhecimento como por meio de alimentação de valiosas Tecnologias e estratégias para a inovação 67 lições aprendidas e das melhores práticas dentro da memória corporativa, fomentando continuamente a aprendizagem orga- nizacional. (DALKIR, 2005, p. 3) As tecnologias têm um grande impacto na gestão do conhecimento, e as empresas vão em busca do desenvolvimento ou da aquisição de plataformas de software robustas para alavancar estratégias de gestão do conhecimento. O software de gestão do conhecimento continua a evoluir em resposta a novas demandas e desafios. As tecnologias de gestão do conhecimento se beneficiam da infraestrutura de tecnologia da informação que, muitas vezes, já está presente nas organizações em sistemas de gestão interligados ou não. Além dessa infraestrutura, as organizações também estão utilizan- do cada vez mais as tecnologias de comunicação e colaboração com base na web para uso da internet e intranet, bem como tecnologias móveis, como tablets, PCs e celulares, com cada vez mais capacidade para suportar dados e documentos. Também estão emergindo rapida- mente novas tecnologias que atuam como agentes e assistentes inte- ligentes para pesquisar, resumir, conceituar e reconhecer padrões de informação e conhecimento. Vimos, no tópico anterior, que as redes sociais utilizam as informa- ções compartilhadas nesse ambiente para desenvolvimento de estra- tégias de marketing, colaboração e integração, pois suas notificações, seus fluxos de atividades, seus comentários, seus votos e suas curtidas são alguns dos muitos elementos que podem ser utilizados para inves- tigar hábitos de consumo e o interesse para inserir essas informações e gerar conhecimento. Outras tecnologias estão cada vez mais presentes no ambiente organizacional e são fundamentais para estratégias com base em gestão do conhecimento e inovação. 3.3.1 Sistemas de pesquisas e indexação Atualmente, os sistemas de busca não são mais um simples índi- ce de sites. Com o avanço das tecnologias, eles estão melhorando a compreensão do que os usuários buscam e oferecendo opções mais próximas aos interesses. Os sistemas estão se reposicionando para se tornarem mecanismos de resposta em vez de mecanismos de pesqui- sa, fornecendo aos usuários, com maior agilidade e precisão, aquilo que eles precisam. Para isso, cada vez mais as empresas têm investido 68 Gestão do conhecimento e inovação em inteligência artificial (IA), que, nesse caso, ajuda os mecanismos de pesquisa a entenderem a linguagem natural do ser humano, identifi- cando o significado associado a cada consulta. Uma tendência nas buscas e que usam tecnologia com base em IA são as solicitações de pesquisa na web por voz. Recursos como Siri, Google Voice Search e Alexa têm se tornado cada vez mais utilizados e populares. Segundo pesquisa realizada pela agência de publicidade iProspec, 49% dos brasileiros com smartphone usam assistentes de voz (PEZZOTTI, 2019). A nova geração de internautas está muito mais pre- parada para adotar novas tendências e melhorias tecnológicas. Além da busca por voz, também têm crescido as pesquisas visuais – lideradas por plataformas como Google Lens 1 e Pinterest Lens 2 . Os usuários tiram uma foto de um objeto físico e enviam pelos motores de busca. Usando algoritmos avançados, os motores de busca são ca- pazes de recuperar informações sobre o conteúdo da imagem. Essas buscas estão cada vez mais sendo utilizadas por aplicativos específicos, por exemplo, para informações sobre vinhos, tirando uma foto de de- terminada garrafa e, por meio da foto, buscando as informações sobre o produto e as avaliações de outros consumidores. St ok ke te /S hu tte rs to ck E que tipo de informações essas tecnologias geram para as empre- sas? Elas podem identificar quais são os produtos e interesses mais pesquisados, além de reconhecer as preferências de determinados consumidores, assim como locais e horas de pesquisas, além de diver- sas outras informações por meio de análise de dados. Disponível em: https://about. pinterest.com/pt-br/lens. 2 Disponível em: https://lens. google.com/intl/pt-BR_br/. 1 https://about.pinterest.com/pt-br/lens https://about.pinterest.com/pt-br/lens https://lens.google.com/intl/pt-BR_br/ https://lens.google.com/intl/pt-BR_br/ Tecnologias e estratégias para a inovação 69 As tecnologias estão cada vez mais acessíveis e disponíveis para as empresas agruparem dados e informações, que são utilizados em seu planejamento, e então desenvolverem melhor a gestão do seu co- nhecimento. Estas devem ser agrupadas e indexadas de maneira que tragam agilidade para sua utilização. Uma ferramenta forte de gestão do conhecimento precisa utilizar sistemas para indexação eficientes e que sejam acessíveis aos colaboradores onde quer que estejam. As ori- gens das fontes podem ser internas e externas, oriundas de pesquisas de marketing, tendências de mercado, relatórios de vendas, planilhas, anotações, bancos de dados etc., buscando criar índices de pesquisa interna cada vez mais robustos, ágeis, fáceis de navegar e precisos, ao trazer as informações mais relevantes para os usuários; muitos já são compatíveis com celulares e tablets, para facilitar seu uso. Como acontece muitas vezes, as informações não estão organiza- das com os mesmos parâmetros e padrões, pois têm origens e forma- tos diferentes. Para serem úteis e de fácil acesso, a organização deve buscar tecnologias que facilitem aos usuários uma série de opções a fim de filtrar o conteúdo, sendo mais fácil e intuitiva a pesquisa por informações úteis e precisas. Isso ajuda a reduzir o tempo perdido com conteúdo desnecessário e organizar guias e aplicativos abertos, bem como melhorar a experiência do funcionário na web. Essa gestão de dados e informações pode ser feita dentro da orga- nização utilizando sistemas internos, mas cada vez mais é utilizado o armazenamento em nuvens. 3.3.2 Nuvens A adoção de plataformas em nuvem é uma das maiores tendências em gestão do conhecimento. Um dos motivos para essa tendência é que as plataformas em nuvem permitem que as organizações subs- tituam licenças de software caras, custos de atualização e pessoal es- pecializado pelo custo de uma taxa mensal. Além disso, as empresas também estão interessadas na oportunidade de expandir o acesso aos aplicativos corporativos, principalmente considerando um cenário em que cada vez mais as pessoas estarão dispersas fisicamente, seja em home office ou trabalhando em diferentes regiões e países. Alguns sis- temas ainda são acessíveis apenas quando os funcionários estão no escritório e não são capazes de atender às necessidades da força de trabalho moderna. 70 Gestão do conhecimento e inovação As pessoas esperam poder trabalhar em qualquer local ou por qual- quer dispositivo e esperam que essas transições sejam perfeitas. Esse requisito existe há muitos anos em setores como consultorias externas, construção civil, vendas e representações comerciais, nos quais o tra- balho frequentemente afasta os funcionários de suas mesas, mas está se popularizando em todos os setores, considerando essa tendência de trabalho remoto nas organizações privadas e também nas públicas. Muitas organizações esperam que a mudança para uma única pla- taforma em nuvem para toda a empresa as ajude a buscar e acessar as informações mais facilmente pelos seus colaboradores, permitindo que estejam atualizadas e à disposição das pessoas que a necessitam para seu trabalho. A sua utilização também promove flexibilidade para adicionar armazenamento, aplicativos e recursos, conforme necessá- rio,além de possibilitar que vários usuários possam acessar e colabo- rar com um arquivo comum. Por exemplo, a empresa pode fornecer acesso para visualização e edição de seus arquivos a vários usuários de um mesmo departamento ou filial. A pessoa autorizada pode acessar seu arquivo de qualquer parte do mundo, em tempo real, e fazer as modificações relativas ao seu trabalho. Não há necessidade de utilização de computadores para acesso aos registros na nuvem; por meio de sincronização com outros dispositivos, os funcionários podem acessar os dados de qualquer parte do mundo pelo seu smartphone, por exemplo. Não há necessidade de copiar da- dos de um dispositivo para outro, apenas estar conectado à internet. Outra vantagem é a segurança de não perder as informações da empresa. A maioria dos fornecedores de sistemas para armazenamen- to em nuvem mantém várias cópias dos dados, com backups garantidos e atualizados em servidores redundantes, ou seja, mesmo que um dos datacenters tenha um problema inesperado (por exemplo, o local pegar fogo ou uma catástrofe natural) e o armazenamento se perca naquele lugar, seus dados serão gerenciados por outros datacenters, localizados em outras regiões, o que mantém os dados seguros. Não precisa ser uma grande empresa para adotar sistemas de arma- zenamento em nuvem, pois pequenos negócios e até mesmo pessoas podem se beneficiar dessa tecnologia para armazenamento on-line de documentos, fotos, arquivos, que podem ser acessados por computa- dores e dispositivos móveis de qualquer lugar. Os mais comuns e uti- lizados são: Tecnologias e estratégias para a inovação 71 • Google Drive: versão gratuita para armazenamento de até 15 GB e pacotes pagos até de 2 TB. Possui ferramentas de edição on- -line para documentos, planilhas etc. • Dropbox: um dos pioneiros nesse serviço. Possui armazenamen- to gratuito até 2 GB e pacotes pagos até 2 TB. • OneDrive: é o serviço de armazenamento da Microsoft. É gratuito até 5 GB e até 1TB para quem adquire o Office 365, que permite editar planilhas e arquivos on-line. • iCloud: sistema de armazenamento exclusivo da Apple. Espaço gratuito para arquivos até 5 GB e até 2 TB para pacotes pagos. Uma das poucas desvantagens da utilização das nuvens é a ne- cessidade de acesso à internet, mas cada vez mais estamos sujeitos a essa dependência, não apenas para acesso aos dados, mas para nosso trabalho como um todo. Outro receio é que, quando a empresa usa um provedor de nuvem, seus dados não estejam mais em seu armaze- namento físico, o que pode gerar medo de vazamento de dados. Caso sejam dados sigilosos e fundamentais para o negócio, é importante procurar medidas de proteção ou, então, mantê-los internamente. 3.3.3 Big Data O Big Data é considerado uma das tecnologias mais recentes desen- volvidas para transformar a maneira como as organizações gerenciam e utilizam seus dados e suas informações. Estes são oriundos de diver- sas fontes e em grandes volumes, requerem gerenciamento sofisticado e técnicas para seu processamento e análise. O Big Data tem condições de gerenciar um grande volume de dados por meio da organização de processos e ferramentas para esse fim. Sua relevância surgiu da necessidade de as organizações combinarem e analisarem grandes bancos de dados para identificar determinadas tendências de mercados, assim como preferências e interesses dos consumidores e padrões de comportamento. O Big Data considera grandes volumes de dados, tanto não estrutu- rados quanto estruturados, que são gerados constantemente. Porém, mais importante do que o volume de dados é determinar o que as em- presas fazem com eles. Com Big Data, as organizações podem obter as informações de que precisam para tomar melhores decisões de negó- cios e aumentarem sua competitividade no mercado. A variedade e a 72 Gestão do conhecimento e inovação velocidade dos dados também são fatores associados ao Big Data e são considerados fundamentais pelas organizações. Com acesso a esse grande volume de dados, as organizações ne- cessitam aproveitar esse Big Data para extrair todas as informações úteis e aplicáveis para o seu negócio. Os sistemas tradicionais não têm tecnologia disponível para analisar, processar e armazenar grandes quantidades de dados não estruturados, assim, as organizações estão em busca de novas soluções de gerenciamento de Big Data, para obter os dados acionáveis necessários, por meio de dados não estruturados, e para obter informações importantes para seus clientes e negócios. A análise de grandes conjuntos de dados pode fornecer informa- ções de muitas formas, incluindo informações de tendências históricas, que podem alimentar o desenvolvimento de novos negócios, conside- rando uma projeção futura. Levando em conta a melhor organização e a visualização dos dados, as empresas têm condições de criar uma visão holística dos seus processos, que apontam para as eficiências a serem feitas internamente em sua cadeia produtiva. O Big Data vem resolver o antigo problema que existia com as tec- nologias de banco de dados, que não tinham condições de lidar com vários fluxos contínuos e gerenciar o volume dos dados. Os bancos de dados não podiam modificar as informações de entrada em tempo real, e as ferramentas de relatórios existentes se limitavam a consultas de informações. Com o Big Data, as organizações têm condições de analisar os dados para identificar quais clientes, mercados e negócios geram maior impacto em seus resultados operacionais e financeiros. Com essa análise, podem criar outros produtos ou serviços para aten- der de maneira mais satisfatória os seus clientes. É cada vez maior a relevância do seu uso nas organizações, para sua diferenciação e relevância no mercado. Em alguns setores da econo- mia, esses dados se tornam essenciais para a elaboração e a implanta- ção de estratégias competitivas e inovadoras. Os dados para análise podem ser oriundos de redes sociais, do Goo- gle ou do WhatsApp, entre outras fontes presentes na internet; entre- tanto, também podem vir de sensores incorporados a produtos, que são uma tendência na evolução das tecnologias, chamada IoT. Isso aju- da as empresas a saberem como os produtos são usados efetivamente por seus consumidores. Com esse conhecimento, fica mais fácil criar novos serviços e projetar produtos futuros. IoT, ou internet das coisas, pode ser definida como a comunica- ção pela internet entre duas má- quinas utilizando sensores que vêm embarcados nos objetos de fábrica. Já é utilizado em vários setores, como o automotivo, de eletrodomésticos, de segurança, bem como em residências e no agronegócio, entre outros. Saiba mais Tecnologias e estratégias para a inovação 73 Podemos afirmar que o Big Data é uma das melhores maneiras para se coletar e usar feedbacks de clientes, pois possibilita que a empresa compreenda como efetivamente os clientes percebem seus produtos e serviços. Isso possibilita que a organização faça as mudanças necessárias e busque inovações para melhorar seus produtos. Com o uso dessa tec- nologia, há a possibilidade de a organização analisar separadamente fee- dbacks oriundos de várias localizações geográficas e grupos demográficos, no intuito de identificar com maior precisão o que precisa ajustar. Com a sua utilização, as organizações também têm condições de realizar testes e variações na sua estratégia, com o auxílio da tecnolo- gia para encontrar a melhor solução, sem impactar o cliente final. Por exemplo, a empresa pode reunir informações sobre prazos de entre- ga, custos de materiais, desempenhos e outras informações e realizar simulações que permitem encontrar a melhor opção para aumentar a produtividade e a eficiência de vários processos de produção. A utilização de Big Data tende a se expandir cada vez mais ao re- dor do mundo. É uma tecnologia que deve ser usada estrategicamen- te pelas organizações. Para isso, elas devem treinar seus funcionários quanto ao gerenciamentode Big Data, buscando ampliar os resultados positivos proporcionados por mais essa tecnologia. Para saber mais sobre as tendências de uso de Big Data na fabricação de bens de consumo e industriais, indicamos a leitura do artigo “O futuro da fabricação e do big data”. Disponível em: https://www. cetax.com.br/blog/o-futuro- -da-fabricacao-e-do-big-data. Acesso em: 23 fev. 2021. Leitura 3.4 Estratégias organizacionais voltadas à inovação Vídeo A criação de uma cultura organizacional com base na gestão do co- nhecimento pode ter um impacto positivo na inovação. Na era atual da informação, é desafiador lidar com a abundância de dados disponíveis por meio de várias fontes, e as organizações que souberem gerenciá- -los têm condições de utilizá-los para promover a inovação em seus processos, produtos e serviços. Os produtos e serviços oferecidos pelas empresas precisam ser repensados frequentemente, bem como sua estratégia de apresen- tação e distribuição, demandando das organizações muito esforço, tempo e recursos para atender às necessidades dos clientes. Para isso, as organizações necessitam compreender as melhores estra- tégias para criação de oportunidades e vantagens competitivas, ge- rando inovação. https://www.cetax.com.br/blog/o-futuro-da-fabricacao-e-do-big-data https://www.cetax.com.br/blog/o-futuro-da-fabricacao-e-do-big-data https://www.cetax.com.br/blog/o-futuro-da-fabricacao-e-do-big-data 74 Gestão do conhecimento e inovação Construir inovação com seu processo de desenvolvimento de estra- tégia começa com uma escolha deliberada de se concentrar na melhor maneira possível de se destacar no mercado. Muitas vezes, a melhor abordagem para isso é fazer um conjunto de escolhas que as organiza- ções devem colocar em prática em comparação com outros competido- res no mesmo mercado. Alguns motivadores para que as organizações possam adotar uma cultura de inovação são: • Flexibilidade e aceitação de riscos: a organização precisa estar disposta a assumir riscos e lidar com a incerteza e a ambiguidade, fatores normalmente adjacentes à inovação. • Clima de cooperação entre os funcionários: colaboradores são estimulados a trabalhar em equipe, sendo encorajados a parti- cipar ativamente dos debates e das discussões sobre inovação. • Ambiente desafiador: os trabalhadores se sentem motiva- dos pelo trabalho desafiador, criativo e interessante, mas que não seja também pressionado demasiadamente por atividades estressantes. • Suporte de nível superior: é imprescindível que os funcionários vejam a alta administração como um apoiador de novas ideias, assumindo em toda a organização esse direcionamento para a melhor estratégia voltada à inovação. Uma das estratégias que podem ser adotadas pelas organizações com foco na inovação é a abordagem denominada estratégia do ocea- no azul, do livro com o mesmo nome, dos autores Kim e Mauborgne (2005). Essa estratégia emerge da análise do oceano vermelho, que representa a rotina de organização caótica e agressiva em um mer- cado já conhecido e dominado por concorrentes. A estratégia dife- rencial do oceano azul, diferentemente, busca espaços de mercado inexplorados, nos quais a competição ainda não tenha chegado e a empresa possa ampliar sua participação de mercado. Esse movi- mento estratégico é direcionado para uma inovação de valor, que resulta em um forte ativo para a organização e para os clientes de produtos e serviços. De acordo com Kim e Mauborgne (2005), a inovação é fator-cha- ve para a descoberta de oceanos azuis. Trata-se de um elemento fundamental na estratégia de desenvolvimento empresarial em busca da competitividade. Os autores definiram seis princípios que orientam as empresas na formulação e execução de sua estratégia Tecnologias e estratégias para a inovação 75 do oceano azul sistematicamente para minimizar riscos e maximi- zar oportunidades. • Reconstrua as fronteiras do mercado: identificar os caminhos pelos quais os gerentes podem criar espaço de mercado consi- derando a busca por setores alternativos, grupos estratégicos, grupos de compradores, ofertas de produtos e serviços com- plementares, orientação funcional-emocional de um setor e até mesmo ao longo do tempo. • Concentre-se no quadro geral, não nos números: projetar como o planejamento estratégico deve ir além de melhorias in- crementais para criar inovações de valor para os clientes. • Alcance além da demanda existente: para criar o maior mer- cado de novas demandas, os gerentes devem desafiar a prática convencional de buscar segmentação para melhor atender às de- mandas dos clientes existentes. Eles devem buscar as diferenças que separam os clientes, construindo sobre os pontos comuns entre os não clientes, para maximizar o tamanho do oceano azul que está sendo criado e a nova demanda desbloqueada, minimi- zando, assim, o risco de escala. • Obtenha a sequência estratégica certa: as empresas não de- vem apenas criar um salto de valor para os compradores, mas construir um modelo de negócios viável para gerar e manter um crescimento lucrativo. Essa estratégia segue a sequência de utili- dade, preço, custo e adoção. • Supere os principais obstáculos organizacionais: os gerentes devem aprender como mobilizar uma organização para superar os principais obstáculos organizacionais que bloqueiam a imple- mentação de uma estratégia do oceano azul. • Transforme execução em estratégia: ao integrar a execução à formulação da estratégia, as pessoas são motivadas a agir e exe- cutar uma estratégia do oceano azul de maneira sustentada nas profundezas da organização. Considera o risco de gestão associa- do às atitudes e aos comportamentos das pessoas. Além da estratégia do oceano azul, devemos considerar outros fa- tores relevantes quando falamos de estratégias voltadas à inovação. Primeiramente, inovação não é sinônimo de invenção, porque uma in- venção não necessariamente induz à inovação. Ideias criativas também só podem ser consideradas inovação caso sejam implantadas e capa- zes de gerar retorno financeiro ou valor agregado. 76 Gestão do conhecimento e inovação Muitas organizações investem tempo e dinheiro em criar estraté- gias para a inovação, buscando, em tecnologias ou na motivação dos seus funcionários, criar produtos e serviços que tragam destaque, mas não basta um caso de sucesso, organizações também precisam investir na manutenção do seu desempenho inovativo. Algumas empresas foram grandes sucessos na sua área, como Po- laroid, Kodak, Blockbuster e tantas outras que eram destaques no mer- cado, e não conseguiram sustentar essa condição. O que faltou para essas empresas não foi um bom produto, mas sim uma estratégia de inovação consistente. Para ter sucesso com o alinhamento da estratégia, a organização deve buscar comunicar o papel da inovação em toda a sua estrutura, a fim de impulsionar a inovação em todas as unidades de negócios. Ga- rantir que a inovação esteja totalmente incorporada em uma estratégia geral de negócios é a base para permitir que a organização inove em longo prazo e de maneira constante e ascendente. CONSIDERAÇÕES FINAIS Para que as organizações possam avançar de maneira sólida, é ne- cessário investir em ferramentas que suportem uma gestão do conhe- cimento eficiente. As estratégias e as tecnologias que promovem essa modificação da cultura organizacional e dos seus processos são funda- mentais para que as organizações possam aproveitar a maior quantidade de informações relevantes para seus negócios. O conhecimento certamente é um dos mais valiosos recursos de uma empresa e saber como organizá-lo, armazená-lo e utilizá-lo corretamente são princípios básicos para a sua gestão; todavia, aproveitar as tecnolo- gias existentes para aumentar a sua disponibilidade, ampliá-lo com novas visões e assegurar precisão nas tomadas de decisões são tendências que temos observado em organizações modernas e voltadas à gestão do co- nhecimento e inovação. Investir em estratégiasde redes sociais, hoje, é mais do que aproxi- mar a empresa de seu público consumidor, trata-se de investir em uma comunicação que gere informações valiosas para as organizações e gere inovações. Com essas informações geradas por esse canal e outros e uti- lizando-se de tecnologias adequadas, as organizações podem estabelecer a melhor estratégia para crescer e prosperar nesse ambiente. Tecnologias e estratégias para a inovação 77 ATIVIDADES 1. Quais são os principais ganhos com a utilização de tecnologias da informação e comunicação na gestão do conhecimento? 2. Por que as organizações devem utilizar redes sociais para geração de conhecimento e inovação? 3. Quais são os benefícios gerados pelas novas tecnologias para a gestão do conhecimento? 4. A estratégia do oceano azul favorece que tipo de gestão? REFERÊNCIAS ALBERTIN, L. A.; MOURA, R. M. Tecnologia de informação e desempenho empresarial. São Paulo: Atlas, 2004. BRADLEY, A. J.; MCDONALD, M. P. Mídias sociais na organização: como liderar implementando mídias sociais e maximizar os valores de seus clientes e funcionários. São Paulo: MBooks, 2013. CHRISTOPHER, M. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos. São Paulo: Thompson, 2002. DALKIR, K. Knowledge management in theory and practice. Burlington: Elsevier, 2005. ESTADO, A. Facebook tem alta no lucro líquido a US$ 5,18 bilhões no 2º trimestre. InfoMoney, 30 jul. 2020. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/negocios/facebook-tem-alta- no-lucro-liquido-a-us-518-bilhoes-no-2o-trimestre/. Acesso em: 19 fev. 2021. KIM, W. C.; MAUBORGNE, R. A estratégia do oceano azul: como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. MAGALHÃES, A. R. Uma proposta para o gerenciamento do ambiente informacional da organização visando à criação do conhecimento. 2002. Dissertação (Mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Florianópolis. UFSC. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/xmlui/handle/123456789/82572. Acesso em: 22 abr. 2021. MARTELETO, R. M. Análise de redes sociais: aplicação nos estudos de transferência da informação. Ci. 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Vídeo https://www.infomoney.com.br/negocios/facebook-tem-alta-no-lucro-liquido-a-us-518-bilhoes-no-2o-trimestre/ https://www.infomoney.com.br/negocios/facebook-tem-alta-no-lucro-liquido-a-us-518-bilhoes-no-2o-trimestre/ https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/08/19/estudo-diz-que-49-dos-brasileiros-com-smartphones-usam-assistentes-de-voz.htm https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/08/19/estudo-diz-que-49-dos-brasileiros-com-smartphones-usam-assistentes-de-voz.htm https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2019/08/19/estudo-diz-que-49-dos-brasileiros-com-smartphones-usam-assistentes-de-voz.htm https://resultadosdigitais.com.br/blog/redes-sociais-mais-usadas-no-brasil/ https://resultadosdigitais.com.br/blog/redes-sociais-mais-usadas-no-brasil/ https://wearesocial.com/blog/2020/10/social-media-users-pass-the-4-billion-mark-as-global-adoption-soars https://wearesocial.com/blog/2020/10/social-media-users-pass-the-4-billion-mark-as-global-adoption-soars 78 Gestão do conhecimento e inovação 4 Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento As organizações que estão atentas às transformações da sociedade buscam atender às necessidades de mudança não apenas se preocupando com equipamentos, tecnologias e sis- temas, mas também com uma gestão eficaz do potencial de conhecimento absorvido e trabalhado por elas. Assim, as em- presas precisam aprender como gerenciar o conhecimento em um ambiente dinâmico e incerto, por meio de modelos e proces- sos de gestão do conhecimento que ampliem as condições para a geração de valor mútuo para consumidores e organizações. Neste capítulo, abordaremos esses modelos e processos para uma gestão do conhecimento eficiente nas organizações, as quais devem considerar não apenas os seus recursos tec- nológicos e as informações disponíveis para serem trabalha- das, como também de que modo esses podem ser melhor gerenciados pelas empresas nesse cenário evolutivo. Para isso, precisamos compreender a relevância da capacitação dos gestores e colaboradores para que eles possam realizar uma gestão do conhecimento voltada à inovação, utilizando os mo- delos que proporcionam aprendizagem e compartilhamento de conhecimento. Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 79 4.1 Novos modelos e estruturas organizacionais Vídeo As empresas na busca pela competitividade devem considerar a uti- lização de modelos e estruturas organizacionais que facilitem a troca e o armazenamento do conhecimento. As ferramentas, as técnicas e os modelos de gestão do conhecimento devem fornecer uma visão para gerenciar as operações sob a estrutura organizacional de maneira efi- ciente, proporcionando os conhecimentos atualizados e considerando o melhor fluxo de informação. Um modelo organizacional define a hierarquia, o desenvolvimento das equipes e o papel do consumidor na forma como uma organiza- ção opera. Os modelos, às vezes, incorporam uma variedade de estru- turas, para atender às necessidades dos consumidores, e uma gestão eficiente dos seus conhecimentos. Uma das maneiras de compreender a evolução das empresas nesses processos é avaliar a sua maturidade. Os modelos de maturidade foram desenvolvidos inicialmente para descrever processos de software, mas atualmente também se aborda a sua aplicação dentro da gestão de projetos e da gestão do conhecimento, por se adequar à necessidade de considerar a evolução das organizações. O CMM (Capability Maturity Model ou, em português, modelo de capacidade de maturidade) foi o primeiro modelo a ser criado para a análise de maturidade de software, e hoje pode ser utilizado para medir a maturidade das organizações nos quesitos de gestão do co- nhecimento. E por que devemos compreender a maturidade das or- ganizações? Porque, com base no seu nível de maturidade, podemos analisar a eficiência de suas práticas organizacionais para a melhoria dos seus processos. Um nível de maturidade é composto por práticas específicas e genéricas relacionadas a um conjunto predefinido de áreas de processo que melhoram o desempenho global da organização. O nível de maturidade de uma organização é uma indicação do desempenho da organização em uma determinada disciplinada ou conjunto de disciplinas. A experiência mostra que as organi- zações têm seu melhor desempenho quando focam os esforços de melhoria de processo em um número gerenciável de áreas de processos em um dado momento, e que essas áreas reque- rem sofisticação crescente à medida que a organização melhora. (SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE, 2006, p. 37) 80 Gestão do conhecimento e inovação Esse modelo de maturidade pode ser aplicado à área de gestão do conhecimento pelas seguintes razões: • A estrutura de CMM proporciona condições melhores para me- dir a capacidade organizacionalem vez de a tecnológica. Como a gestão do conhecimento está intimamente ligada a pessoas e processos, esse modelo é aplicável para medir o comprometi- mento da organização e dos indivíduos, e não apenas para pro- por uma análise técnica. • A noção de maturidade se aplica à gestão do conhecimento, pois consideramos que as organizações normalmente precisam gas- tar certo tempo para atingir um nível de maturidade, a fim de garantir que as práticas de gestão do conhecimento sejam total- mente internalizadas pelas equipes. O nível de maturidade de uma organização para a gestão do conhe- cimento também depende, em grande parte, da sua estrutura, pois esta determina a maneira e a extensão com que funções, poderes e responsa- bilidades são delegados, controlados e coordenados, e como as informa- ções fluem entre os níveis de gerenciamento. Esse fluxo vai determinar qual a facilidade de uma empresa em realizar a gestão do conhecimento. Desse modo, podemos agrupar essas estruturas em categorias para en- tendimento das relações entre as pessoas e os processos. A estrutura organizacional define como uma empresa ordena o seu pessoal e os cargos para realizar o trabalho e atingir suas metas e objetivos. Pequenas empresas podem operar com estruturas menos formais e se beneficiar da agilidade das comunicações pessoais para trocar informações e resolver problemas. Enquanto isso, as organiza- ções de grande porte precisam de atribuições mais específicas de tra- balho para atingir seus resultados. Assim, uma das classificações pela qual podemos diferenciar as estruturas é a distinção entre formais e informais. Essas estruturas não podem ser consideradas opostas ou independentes, pois a estrutura formal pode influenciar significativa- mente as redes informais, tanto positiva quanto negativamente. A estrutura formal é o desenho oficial que representa as áreas e funções de uma empresa, sendo normalmente apresentada em um organograma com níveis hierárquicos que exibem os membros da organização. Essa estrutura, para ser eficiente na gestão do conhe- cimento, deve considerar que existem também estruturas informais na Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 81 empresa, como as comunidades de prática, nas quais ocorrem o com- partilhamento e a criação de conhecimento. A estrutura organizacional formal, especialmente em organizações de grande porte, com vários setores e departamentos, impacta os fluxos de conhecimento. Quanto mais rígida e verticalizada for uma estrutura, mais difícil será para a empresa compartilhar as informa- ções e os conhecimentos entre seus membros. Essa estrutura define o papel de cada funcionário dentro da organização e com quem cada indivíduo interage e compartilha conhecimento. As interações verti- cais, que indicam os relacionamentos de subordinação, influenciam o fluxo de dados e informações e podem afetar o compartilhamento e a criação de conhecimento. Normalmente, nas estruturas formais tradicionais, as decisões mais importantes são tomadas pela alta administração. As empresas que buscam melhorar o fluxo de informações conside- rando a gestão do conhecimento, normalmente, preocupam-se em im- plementar mudanças nas estruturas formais, reestruturando-se nessa direção e considerando a sua estrutura informal. As estruturas organizacionais informais são aquelas consideradas não oficiais, mas que representam a maneira como as pessoas realmen- te interagem, isto é, as redes informais que surgem como resultado do trabalho que ocorre dentro da organização. A gestão do conhecimento deve aprender a identificar e apoiar essas redes, uma vez que os fluxos e repositórios de conhecimento (especialmente os tácitos) são depen- dentes dessas estruturas. A gestão deve estar atenta para identificar essas estruturas e o conhecimento que elas detêm, sem comprometer a sua natureza informal, que enriquece ainda mais os aprendizados. Dentro das classificações de estruturas, também pode haver a divisão em centralizadas (normalmente empresas com a estrutu- ra formal hierarquizada) e as descentralizadas, nas quais o poder de decisão é distribuído e os departamentos e divisões possuem di- versos graus de autonomia. Além disso, consideramos se ela possui uma estrutura mais verticalizada ou com tendência à horizontalidade. As estruturas mais adequadas para a gestão do conhecimento são as que favorecem as trocas rápidas de informações, agilizando a distribui- ção do conhecimento entre todos os níveis de maneira homogênea. Uma comunidade de prática é um grupo de indivíduos organizado de modo orgânico e autogerenciado, que pode estar disperso geograficamente ou organizacionalmente, mas se comunica regularmente para discutir questões de interesse mútuo. Dentro das organizações pode ser criada para desenvolver ideais de novos projetos e trabalhar projetos especiais que os envolvidos tenham afinidades e conhecimento. Lembre-se 82 Gestão do conhecimento e inovação Um dos modelos que favorece a gestão do conhecimento é o flatarchy (flatarquia), que tem origem na junção das palavras flat (plana) e hierarchy (hierarquia), pressupondo-se um modelo de estrutura mais ágil e que facilita a troca de informações entre os membros da organi- zação por existirem menos níveis hierárquicos. la na ri nc k/ Sh ut te rs to ck Figura 1 Estrutura das flatarquias Time flat Time flat Fonte: Adaptado de Morgan, 2015. Ao contrário da hierarquia típica, que concentra informações e poder no topo, as estruturas mais planas eliminam as camadas inter- mediárias e possibilitam uma comunicação mais ampla para os fun- cionários, além de distribuir autonomia de trabalho em vários cargos, para que se possa agilizar a entrega dos trabalhos e projetos. A premissa das flatarquias é que funcionários com maior acesso ao conhecimento são mais produtivos, possuem mais responsabilidades e estão diretamente envolvidos na tomada de decisões. Esse modelo de es- trutura é favorável para ambientes competitivos e ligados à inovação. Al- gumas empresas que adotaram esse modelo são Google, LinkedIn e 3M. Uma empresa bem-organizada operará com mais eficiência a longo prazo. Embora todos os modelos de estrutura organizacional tenham suas vantagens e desvantagens, uma forma bem escolhida se adaptará com o tempo para atender às necessidades dos clientes e lidar com as mudanças no ambiente competitivo. Leia mais sobre flatarquias no artigo publicado em 2018 por Israel Rocha. Em Manda quem pode, obedece quem tem juízo: novas estruturas hierárquicas, o autor fala da necessi- dade de as organizações reverem suas estruturas hierárquicas tradicio- nais e verticalizadas, buscando opções mais flexíveis que se adaptem às empresas modernas; cita, em especial, quatro modelos de estruturas que foram publicadas na Revista Forbes, por Jacob Morgan. Disponível em: https://pt.linkedin. com/pulse/manda-quem-pode- obedece-tem-ju%C3%ADzo-israel- rocha. Acesso em: 8 abr. 2021. Leitura https://pt.linkedin.com/pulse/manda-quem-pode-obedece-tem-ju%C3%ADzo-israel-rocha https://pt.linkedin.com/pulse/manda-quem-pode-obedece-tem-ju%C3%ADzo-israel-rocha https://pt.linkedin.com/pulse/manda-quem-pode-obedece-tem-ju%C3%ADzo-israel-rocha https://pt.linkedin.com/pulse/manda-quem-pode-obedece-tem-ju%C3%ADzo-israel-rocha Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 83 4.2 Gestão de processos voltada à gestão do conhecimento Vídeo A gestão de processos não pode ser considerada um pré-requisito para a gestão do conhecimento, porém ela facilita muito, para a organi- zação, a conquista de sua eficiência operacional. A gestão de processos fornece ferramentas e recursos para analisar, monitorar e melhorar os processos de uma empresa, compreendendo suas relações e interde- pendências, com o objetivo de incrementar o seu desempenho. Essas ações fornecem material primordial para que as organizações possam aprender e, então, compartilhar entre seus colaboradoresas melhores práticas para gerir seus processos. Uma definição completa sobre a gestão de processos é a da Asso- ciação Brasileira de Profissionais de Gestão de Processos (ABPM Brasil), que a descreve como: uma abordagem disciplinada para identificar, desenhar (ou projetar), executar, medir, monitorar e controlar processos de negócio, automatizados ou não, para alcançar consistência e resultados alinhados aos objetivos estratégicos da organização, envolvendo, ainda, com ajuda de tecnologia, formas de agregar valor, melhorias, inovações e o gerenciamento dos processos ponta a ponta, levando a uma melhoria do desempenho organi- zacional e dos resultados de negócios. (ABPMP, 2009) Assim, o objetivo da gestão de processos é fornecer resultados apri- morados, garantindo o melhor uso dos recursos existentes para que a organização possa trabalhar de maneira eficiente, de modo a buscar desenvolver melhores práticas. As informações sobre os processos, compartilhadas entre os colaboradores, são a base para ambas as ges- tões que desenvolvem conjuntamente a estratégia da empresa. A gestão de processos favorece a adaptação de uma empresa aos de- safios que surgem no seu ambiente, criando novas possibilidades para obter maior lucratividade, satisfação dos clientes e, consequentemente, aumentar o seu potencial competitivo. O uso de uma abordagem de gestão de processos que utiliza o conhecimento existente em uma orga- nização facilita que os gerentes realizem suas atividades com menores riscos e aumenta a probabilidade de atingir os objetivos pretendidos. 84 Gestão do conhecimento e inovação A utilização da gestão de processos pelas empresas é uma resposta às crescentes turbulências do ambiente externo, ao aumento da complexi- dade dos processos, à individualização das necessidades e expectativas do cliente, aos ciclos de vida do produto cada vez mais curtos e à ne- cessidade de criação de vantagem competitiva para se destacar. Como a melhoria de processos geralmente requer novos comportamentos e tecnologias, o gerenciamento de mudanças é uma parte crítica da es- trutura e dos projetos para gerenciar processos individuais; para isso, é fundamental o registro das ações que ocorrerem, pois, dessa maneira, os funcionários e a empresa poderão consultá-lo quando necessário. Além disso, novos funcionários também terão material consistente e acessível para serem inseridos nos processos organizacionais. A conversão dos conhecimentos, juntamente com as ações de ges- tão dos processos, e o aprendizado entre as partes interessadas e aqueles afetados pelas mudanças ajudam a garantir que os novos pro- cessos sejam adotados e aprendidos por todos nas etapas iniciais. Uma das principais causas de atrasos nos processos é a falta de informação ou conhecimento no momento certo, o que faz com que a execução do processo seja interrompida; ou seja, é necessário o envolvimento de mais pessoas e recursos para evitar atrasos, pois esses geram um aumento de custos. A combinação da gestão de conhecimento com a gestão de pro- cessos pode fornecer um retorno muito maior para a empresa em termos de organização e agilidade das entregas, tomadas de decisões mais rápidas e eficazes e, como consequência, maior satisfação dos clientes. O conhecimento pode ser considerado um recurso insepa- rável dos processos, pois ele é gerado e consumido quando ocorrem os processos organizacionais, como: distribuição, marketing, projeto e produção. Assim, as organizações precisam tomar decisões e resolver os problemas que possam acontecer nesses processos antes que esses atinjam os clientes, e para isso é importante compreendermos quais são as etapas para a implantação da gestão de processos, consideran- do as ações voltadas à gestão do conhecimento. A primeira fase é a análise dos processos, em que são revisados os fluxos de trabalho atuais que já estão ou não inseridos dentro de um sistema. Nessa etapa são realizadas entrevistas com os participantes e discutidos com a gerência quais são os resultados desejados. O objeti- vo é entender como as atividades são realizadas e se os resultados atin- O livro Gestão de pro- cessos: melhores resultados e excelência organizacional apresenta a empresa diante de novos desafios econômicos e organi- zacionais, buscando, por meio da gestão de processos, tecnologias e estratégia organizacional, compreender a necessi- dade e a relevância das mudanças internas para se manter competitiva e em busca da excelência. ARAUJO, L.C.G; GARCIA, A. A.; MARTINES, S. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2016. Livro Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 85 gidos estão de acordo com os esperados. Esses levantamentos devem ser, então, inseridos em sistemas de gestão do conhecimento. Após essa análise, são definidos os processos, considerando quais são prioritários para sua reformulação e quais estão adequados para a empresa. Com a gestão do conhecimento, essa etapa é mais facilmente gerenciada, pois todos têm acesso aos documentos, podendo fazer as considerações e estabelecer, com isso, os indicadores-chave de desem- penho, os quais são aqueles que representam os maiores impactos na gestão da empresa. De acordo com esses indicadores, a gerência pode definir as métricas para análise do desempenho utilizando relatórios, pesquisas e outros documentos que fazem parte do acervo de seus sistemas de gestão do conhecimento. Quando a organização possui essas informações, ela tem condições de direcionar as suas operações de maneira eficaz e ágil rumo à me- lhoria de processos. Uma das principais razões para o adiamento, em virtude de atrasos nos processos, é a ausência de informações ou co- nhecimentos adequados, não estando disponíveis no momento certo. A gestão do conhecimento é capaz de disponibilizar informações que possibilitem identificar gargalos (etapas que atrasam os processos), falta ou atraso na entrega de recursos (matérias-primas, produtos semiaca- bados), entre outros problemas que possam impactar o resultado final. Há a necessidade de monitorar essas ações após o seu ajuste e fa- zer eventuais correções ou reparos. Essas etapas são agilizadas quan- do a organização tem claro, pelos conhecimentos armazenados, quais são as ações a serem feitas, em qual momento e quais são aquelas que trarão melhores resultados, minimizando eventuais impactos negati- vos às operações. Essas ações podem ser realizadas quando a empresa possui um sistema eficiente para a sua gestão do conhecimento. 4.3 Sistema de gestão do conhecimento Vídeo Um sistema de gestão do conhecimento (SGC) pode ser definido de várias maneiras, considerando a sua utilização e finalidade. Ele pode ser uma plataforma de ensino e aprendizagem, usada tanto no am- biente acadêmico quanto para treinamento e aperfeiçoamento de fun- cionários em uma organização. Outro entendimento é a sua utilização como plataforma para resolver problemas de maneira eficiente, visto 86 Gestão do conhecimento e inovação que agrega muitas informações e dados para auxiliar quem o consul- ta. Mas, de maneira geral, podemos considerar que SGC é qualquer tipo de sistema de tecnologia da informação (TI) que armazena e recu- pera conhecimento para melhorar o entendimento, a colaboração e o alinhamento do processo. Os SGC podem existir dentro de organizações ou equipes, mas tam- bém podem ser usados para centralizar sua base de conhecimento para seus usuários ou clientes. Robredo (2006) considera que esses sis- temas possuem duas vertentes: uma para coleta, estruturação e orga- nização das informações; e outra para agregar valor ao conhecimento, apoiando-se no conteúdo disponibilizado, nos comentários, nas trocas de informações e em outras discussões que fundamentem as decisões e instiguem a reflexão dos envolvidos. As empresas podem utilizar os SGC para criar artigos, documentos e guias e disponibilizá-los para seus clientes ou funcionários, com o objetivo de que eles busquem possíveis soluçõespara problemas co- muns relacionados ao seu produto. Também podem ser usados com a finalidade de educar seus clientes sobre como usar um produto ou de ensinar seus funcionários a lidar com diferentes demandas e situações que envolvam seu trabalho. Quando a organização gerencia o conhecimento de maneira eficaz, respostas precisas a perguntas comuns são facilmente acessíveis, tanto para a equipe de atendimento e suporte quanto para os clientes. Os funcionários podem agir com maior confiança e precisão, munidos de respostas de colegas que já passaram por situações semelhantes. Não há necessidade de criar estratégias diferentes, tomar decisões impor- tantes e mobilizar pessoas para demandas e situações que já tenham sido armazenadas no sistema. Em resumo, não é necessário “reinven- tar a roda” a cada dúvida ou solicitação de um cliente. O propósito de se manter um SGC eficiente e atualizado é facilitar que as pessoas utilizem o conhecimento gerado na empresa para me- lhor realizar as tarefas. Isso pode ser percebido quando os funcionários conseguem responder às perguntas dos clientes em tempo real, com segurança e certeza do que estão informando. Essas ações geram nos consumidores maior confiança na organização, pois sabem que serão atendidos pronta e eficientemente para resolução de suas dúvidas e questionamentos. Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 87 Alguns dos SGC que podem ser encontrados nas organizações com o propósito de melhorar o acesso ao conhecimento pelos funcionários e clientes são: • Sistemas de suporte ao cliente São sistemas que a organização utiliza para atender aos clientes de maneira autônoma, em que as bases de conhecimento incluem tutoriais e guias que facilitam a busca por respostas para problemas e dúvidas comuns que possam surgir. São conhecidos como FAQs (Frequently Asked Questions, cuja tradução é perguntas feitas com frequência), con- tendo as respostas para problemas mais comuns relacionados a produtos ou serviços da empresa. Isso permite que os clientes encontrem soluções, minimizando a necessidade de entrar em contato com o serviço de suporte ao cliente. A criação de um sistema de suporte ao cliente eficiente pode reduzir a necessidade de se manter uma grande equipe de suporte, ao mesmo tempo que fornece um nível semelhante ou ainda maior de satisfa- ção do consumidor. Sendo assim, a ferramenta de FAQ organiza informações valiosas sobre os questionamentos dos clientes com relação a produtos e ser- viços. É uma forma útil de organizar as respostas sobre os temas que seus clientes costumam perguntar. Essas páginas de perguntas fre- quentes podem oferecer alguns benefícios, como: • melhorar a experiência da sua freguesia; • fornecer informações rápidas para ajudar os clientes a tomar uma decisão de compra; • aumentar a visibilidade on-line em sites e mecanismos de pesquisa; • incrementar as vendas, pois, quando os clientes possuem mais informações claras e acessíveis, facilita-se sua tomada de decisão. • Sistemas de conhecimento especializado Esses sistemas servem como suporte a determinadas equipes de uma empresa, contendo o conhecimento especializado para aten- patpitchaya/Shutterstock 88 Gestão do conhecimento e inovação der às suas dúvidas e necessidades. Com a sua utilização, a área de atendimento consegue reduzir o tempo que os funcionários precisam para buscar respostas para perguntas simples feitas pelos clientes. Por exemplo, o departamento de suporte ao cliente pode usar um sistema de conhecimento especializado para localizar, de maneira rápida, as respostas para dar suporte a problemas comuns levantados por eles, como um banco de dados que o usuário acessa, tendo à sua disposi- ção dados como: histórico de compras, preferências, ticket médio de compras (quanto gasta em média na empresa a cada compra), entre outros. A base de conhecimento para esse tipo de sistema inclui guias especializados feitos sobre tópicos específicos. • Sistemas de gestão de documentos Esses sistemas que organizam os vários documentos de uma orga- nização são especialmente úteis para que aquelas que ofereçam vá- rios produtos ou serviços consigam organizar todos os documentos, possibilitando a compilação desses – por exemplo, criando um grande manual para todos os seus produtos em um só lugar. Com isso, os do- cumentos não ficam dispersos pelas áreas ou setores da organização, estando todos organizados no mesmo ambiente digital e podendo ser acessados por quem tiver permissão. Existem, à disposição no mercado, diversas empresas que prestam serviços para gestão de documentos em nuvem. É uma condição que pode beneficiar os gestores e demais funcionários que trabalham re- motamente ou em locais distantes. Essas empresas facilitam a organi- zação de documentos e digitalização; além disso, algumas oferecem serviços especializados de consultoria, como para a organização de do- cumentos, visando, por exemplo, uma certificação de sistema de ges- tão da qualidade (ISO 9000). • Sistemas de gerenciamento de banco de dados São sistemas muito utilizados pelas organizações com o propósito de armazenar e compartilhar diferentes tipos de dados relacionados a um produto ou negócio. Esses dados podem ser referentes aos clien- tes, ao histórico de produtos, aos relatórios de vendas, aos resultados de pesquisas de mercado, entre outros, mantendo tudo organizado e à disposição dos funcionários que necessitem dessas informações para seu trabalho. Para saber mais sobre a gestão da qualidade, acesse o artigo Porque estruturar a documentação do sistema de gestão da qualidade, de Davidson Ramos. Esse artigo apre- senta os benefícios para se estruturar os docu- mentos para as empresas que buscam a certificação ISO 9001:2015, uma vez que esta aborda, no seu requisito 7.5, a necessi- dade de se manter os documentos e registros armazenados adequa- damente. Disponível em: https:// blogdaqualidade.com.br/estruturar- a-documentacao-do-sistema-de- gestao-da-qualidade/. Acesso em: 8 abr. 2021. Leitura https://blogdaqualidade.com.br/estruturar-a-documentacao-do-sistema-de-gestao-da-qualidade/ https://blogdaqualidade.com.br/estruturar-a-documentacao-do-sistema-de-gestao-da-qualidade/ https://blogdaqualidade.com.br/estruturar-a-documentacao-do-sistema-de-gestao-da-qualidade/ https://blogdaqualidade.com.br/estruturar-a-documentacao-do-sistema-de-gestao-da-qualidade/ Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 89 Gerenciar um sistema de gestão do conhecimento não requer ape- nas que a empresa conheça quais são as principais dúvidas dos clientes e funcionários; sendo assim, o gestor deve se atentar também às mé- tricas relacionadas às interações no sistema. Ou seja, se determinada questão é solicitada diversas vezes, talvez seja o momento de repassar essas informações para o setor de origem da dúvida. Explicar melhor o funcionamento de um produto na caixa, por exemplo, ou colocar essa informação em destaque no site em que é anunciado pode facilitar a busca sobre esses problemas pelos clien- tes. A organização deve estar atenta, ainda, para observar as perguntas que a equipe de suporte responde quando é acionada pelo cliente, pois significa que ele não conseguiu sozinho buscar as indicações necessá- rias para seu esclarecimento. Uma maneira eficiente de a organização melhorar o seu sistema, mantendo-o constantemente atualizado com as dúvidas e solicitações dos clientes, é adicionar um formulário de feedback para que esses in- formem aquilo que não conseguiram localizar ou se a dúvida persistiu mesmo após a consulta. Um sistema de gestão do conhecimento, quando executado da ma- neira correta, pode contribuir com a gestão da empresa para aumentar a satisfação do cliente, devido à agilidade no atendimento, e diminuir os custos com a equipe de suporte. A organização consegue acelerar esse processo quando deixa de perder tempo no desenvolvimento de atividades e soluçõesque já existem, mas que não estavam organiza- das para ser utilizadas (PROBST; RAUB; ROMHARDT, 2002). A organização pode conquistar isso por meio dos seus SGC, combi- nando FAQs, tutoriais, artigos, vídeos instrucionais e fóruns. Todos os recursos utilizados devem ser pensados com o objetivo de atender e educar os clientes e compilar conhecimento sobre seus produtos ou serviços, sendo usados tanto internamente, para o aprendizado dos funcionários, quanto externamente, para melhor atender os clientes. Além da gestão dos conhecimentos oriundos de dados obtidos por meio de interações diretas dos clientes e funcionários, as empresas podem adquirir informações para alimentar seus sistemas contratan- do plataformas específicas para obtenção de dados significativos, com 90 Gestão do conhecimento e inovação soluções diferenciadas de acordo com as necessidades. Vejamos dois exemplos de empresas que prestam serviços com esse propósito. 1. SurveyMonkey Trata-se de uma ferramenta para realização de pesquisas qualitati- vas e quantitativas, as quais podem ser utilizadas tanto por estudantes e pesquisadores quanto por organizações que querem enriquecer seus SGC com informações úteis e atualizadas sobre seus produtos e clien- tes. Possui soluções de experiência do cliente, pesquisas de mercado e soluções para empresas, que também incluem análise dos funcioná- rios, do atendimento e das ações de marketing. Com base nesse co- nhecimento, as organizações podem incrementar suas ações e trazer melhores resultados, pois atenderão às necessidades e demandas dos seus consumidores de maneira mais assertiva. Figura 2 Serviços oferecidos pela SurveyMonkey Fonte: SurveyMonkey, 2021. O SurveyMonkey é utilizado para obtenção de dados para análise organizacional por 98% das empresas da Fortune 500 1 , segundo a pró- pria plataforma (SURVEYMONKEY, 2021). 2. Google Analytics É uma ferramenta do Google para monitorar as informações de uma organização e o comportamento dos clientes no ambiente digital; com esse conhecimento, a empresa pode alimentar seus SGC com da- dos gratuitos obtidos na plataforma. Fortune 500 é uma lista anual da revista Fortune que apresenta as 500 maiores corporações dos Estados Unidos, de acordo com a sua receita. 1 Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 91 Figura 3 Serviços do Google Analytics Fonte: Google Analytics, 2021. O Google Analytics fornece para as organizações que estão presen- tes na web muitas informações sobre os clientes, para que elas possam alimentar seus SGC e melhorar sua entrega de produtos e serviços, considerando as próprias demandas dos seus consumidores para que sejam discutidas e trabalhadas na estratégia da empresa. Para que a empresa possa acessar essas informações e acompanhar os indicado- res, precisa realizar a inscrição gratuita do seu negócio no Google. Com base nas diversas informações e conhecimentos administra- dos pelas organizações, elas podem criar ações para apoiar a inova- ção, as quais não apenas estão relacionadas aos produtos e serviços ou às ações de marketing, mas também aos demais processos in- ternos que envolvem as áreas financeira, de pesquisa e desenvolvi- mento, de produção e de gestão de pessoas. Para saber mais sobre as ferramentas SurveyMonkey e Google Analytics, acesse, res- pectivamente, os links listados abaixo. Disponível em: https:// pt.surveymonkey.com/. Acesso em: 8 abr. 2021. Disponível em: https://analytics. google.com/analytics/web/ provision/#/provision. Acesso em: 8 abr. 2021. Site 4.4 Apoio à inovação Vídeo A competitividade, cada vez mais global e acirrada, conduz as or- ganizações a um caminho sem volta, em direção a intensificar a busca por estratégias que lhes proporcionem uma vantagem competitiva sustentável. Essas estratégias geralmente incluem exigências comer- ciais para que as empresas ofereçam, continuamente, inovações para seus produtos e serviços. A capacidade de inovação de uma orga- nização está suportada pela utilização bem-sucedida de sistemas e https://pt.surveymonkey.com/ https://pt.surveymonkey.com/ https://analytics.google.com/analytics/web/provision/#/provision https://analytics.google.com/analytics/web/provision/#/provision https://analytics.google.com/analytics/web/provision/#/provision 92 Gestão do conhecimento e inovação tecnologias que suportem a gestão do conhecimento. A empresa que almeja inovações contínuas demanda sistemas adequados de gestão do conhecimento, os quais possibilitam melhores resultados na cria- ção, disseminação, aplicação e retenção do conhecimento. A inovação deve ser um objetivo a ser buscado pelas organizações, independentemente do seu ramo de atuação ou porte, pois se trata de um movimento em prol da melhoria. A inovação em uma empresa pode vir pela criação de um novo produto ou serviço (inovação radi- cal), melhoria em bens e serviços já existentes (inovação incremen- tal), uma tecnologia diferenciada ou mesmo processos internos que evoluam em uma ou mais características. Segundo o Manual de Oslo, a inovação pode ser conceituada como: “a implementação de um pro- duto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na organização do local de trabalho ou nas relações externas” (OCDE, 2005, p. 55). Dessa forma, a inovação é uma importante fonte de crescimento e um fator determinante da vantagem competitiva para muitas orga- nizações. Porém, o processo de inovação não acontece do dia para a noite; geralmente, envolve um longo percurso, que inclui muitos erros e acertos, um grande número de processos de tomada de decisão, or- çamentos e planos de ação, até que seja testada e então aceita pelos clientes. Alcançar a inovação requer os esforços coordenados de mui- tos atores diferentes e a integração de atividades em funções especiali- zadas, bem como domínios de conhecimento e contextos de aplicação, para que a organização possa se beneficiar de seus resultados. Por outro lado, a introdução de novas tecnologias frequentemen- te apresenta oportunidades e desafios complexos para as empresas, levando mudanças às práticas gerenciais e ao surgimento de novas formas organizacionais. Sendo assim, as inovações organizacionais e tecnológicas estão interligadas. Schumpeter (1961) viu as mudanças organizacionais ao lado de novos produtos e processos, bem como novos mercados como fatores de “destruição criativa”. Podemos classificar as inovações em dois grandes grupos: a ra- dical ou disruptiva e a incremental. A inovação radical ou disruptiva normalmente demanda um processo de longo prazo e seu desenvol- vimento é descontínuo e iterativo, com um alto grau de incerteza na Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 93 obtenção da aceitação do usuário final. É muito difícil prever o pro- cesso de evolução de uma ideia classificada como esse padrão de ino- vação e muito mais controlar como ele ocorrerá; no entanto, caso seja uma aceitação positiva, a empresa também tem maiores resultados financeiros, de publicidade ou diferenciação de mercado. Já a inovação incremental é aquela que aperfeiçoa um produto ou serviço e tem uma trajetória de desenvolvimento muito mais previ- sível, que respeita um fluxo contínuo de melhorias ao longo do pro- cesso, desde a concepção das novas ideias até a comercialização do item, já com essa inovação, em um espaço de tempo relativamente curto. Nesse tipo de inovação, a organização consegue mais facilmen- te antecipar a reação dos clientes, pois pode realizar alguns estágios de testes e simulações estabelecidos no planejamento. Além disso, possui um risco bem menor do que as inovações disruptivas, mas normalmente os resultados alcançados também serão mais modes- tos, se considerarmos o potencial que uma inovação radical pode ge- rar quando é bem-aceita pelo mercado. Assim, as inovações podem surgir de diferentes fontes.Uma das origens da ideia para uma inovação pode ser o departamento de pesquisa e desenvolvimento (P&D) ou setor de desenvolvimen- to de novos produtos (DNP) de uma empresa, gerando-a após rea- lizar pesquisas técnicas, experimentais, testes e outras abordagens (CANTISANI, 2006). As inovações também podem ser de origens externas, tendo como fatores motivadores as demandas dos clien- tes, as pesquisas de mercado e a observação de ambientes diferentes para inspiração no desenvolvimento de novos produtos e serviços. Segundo o Manual de Oslo da OCDE (2005), as inovações contêm graus variados, que podem ser classificados como uma novidade para a empresa, para o mercado ou para o mundo. O requisito mínimo é que ela traga algum resultado para a organização, ou seja, deve ser gerado algum benefício em seus processos, produtos, marketing ou mesmo práticas organizacionais. As inovações nos produtos são as que mais percebemos enquanto consumidores, pois aspectos internos normalmente não estão dis- poníveis para o mercado observar e podem ser, inclusive, fatores de diferencial competitivo com outras empresas, como o caso de uma inovação nos processos. Essas inovações podem ser realizadas no 94 Gestão do conhecimento e inovação departamento de produção, por exemplo, ou na distribuição dos produtos. Além disso, uma inovação na logística de distribuição traz resultados e economias significativas para as organizações. Os clien- tes podem sentir essa mudança em prazos mais curtos para recebi- mento, mas não conseguem identificar em que aspecto ou momento ocorreu a inovação. As outras inovações que podemos perceber são as no campo da gestão de marketing, podendo alterar significativamente os aspectos como embalagem, comunicação publicitária do produto ou serviço, seu posicionamento no mercado ou, ainda, a sua forma de comercializa- ção. Por exemplo, quando uma empresa tradicional que comerciali- zava apenas presencialmente migra para o comércio eletrônico, pode ser considerada como uma inovação na sua maneira de vender. Não é uma inovação para o mercado, muito menos para o mundo, mas, para a sua estrutura, sim. Também existem as inovações chamadas organizacionais, que en- volvem os aspectos internos de gestão das empresas. A implementa- ção dessa inovação é uma tarefa desafiadora que depende de muitos fatores, como a estratégia e a cultura da organização, o contexto em que ela está inserida e o mercado em que atua. São consideradas inovações nesse aspecto, por exemplo, um arranjo físico dos escritórios mais adequado à realidade da empresa, mudanças em seu sistema de premiações e recompensas para seus funcionários e utilização de sistemas de gestão do conhecimento que tragam maior autonomia para os colaboradores ou maior satisfação para os clientes. Outros exemplos de inovações organizacionais são: • implementação de novos métodos de distribuição de responsa- bilidades e tomada de decisão entre os colaboradores; • novos conceitos de estruturação de atividades, como a integra- ção de diferentes atividades empresariais; • implementação de sistemas de produção sob encomenda, com o objetivo final de integrar os processos de vendas e produção. Como as relações externas da organização são parte muito im- portante de toda estratégia de negócios, a implementação de no- vas formas de organizar essas relações também representa uma Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 95 inovação organizacional. Isso inclui o estabelecimento de novos ti- pos de cooperação com universidades, organizações de pesquisa e instituições governamentais. As inovações destinadas para o mercado e para o mundo são mais significativas, pois consideram que outras empresas naquele ambien- te ainda não utilizam essa nova prática ou não possuem produtos ou serviços semelhantes. Muitas vezes, em um determinado mercado consumidor, um produto já é tradicional, mas quando a ideia é aplica- da em outro país, por exemplo, ela se torna inovadora naquele local, uma vez que é considerada pioneira no seu oferecimento. Para que sejam implantadas inovações nas empresas são necessários conhecimentos sobre os produtos, processos, mercados, concorrentes, clientes e tantos outros que farão com que elas tenham maior segu- rança para promover uma mudança, seja nos seus processos ou nos seus produtos. Esse conhecimento, quando adequadamente armaze- nado em sistemas e disponível para as pessoas envolvidas na mudança, torna esse trabalho mais transparente e minimiza as chances de falhas. E como as organizações podem buscar a inovação para se manter competitivas, apresentando resultados para as partes interessadas (stakeholders)? Vejamos algumas ações e tendências que as empresas podem percorrer para se manter em um patamar alto de inovação. • Focar na construção de uma cultura de inovação Quando a organização investe em uma cultura de inovação, os funcionários são estimulados a inovar continuamente, não apenas na criação de novos produtos ou serviços, mas nos processos, nos métodos ou na aplicação de novas tecnologias no cotidiano de suas funções. As pessoas envolvidas procuram ativamente maneiras de agregar valor para seus clientes, usuários, colegas e organização. A ino- vação não fica restrita a determinados setores, girando em torno da ideia de que todos devem olhar as tarefas mais simples e buscar possi- bilidades de executá-las considerando a melhoria. Essa cultura também precisa disseminar a ideia de que não há problema em falhar, que nem todo empreendimento terá resultados tangíveis, que até mesmo eventuais fracassos devem ser considera- dos como progresso e, também, que novas ideias são bem-vindas 96 Gestão do conhecimento e inovação – mesmo que não façam muito sentido inicialmente, não devem ser ignoradas. Os líderes precisam estar cientes de que nem todos dentro de uma organização serão tão inovadores quanto os outros, então devem pensar na melhor maneira de estimular a participação, porém sem desmotivar aqueles que não se enquadram nesse perfil e que são excelentes em suas atribuições. • Desenvolver líderes de inovação Os líderes organizacionais, principalmente de segmentos mais tra- dicionais, não são necessariamente experts para inovar, liderar ou fa- cilitar a inovação de seus liderados. A liderança deve buscar estímulos para que os indivíduos envolvidos se sintam compelidos nesse pro- cesso, bem como desenvolver neles atitudes críticas quanto às ope- rações e aos métodos existentes, com o objetivo de buscar melhores soluções em benefício da organização (PROBST; RAUB; ROMHARDT, 2002). Assim, é algo que requer aprendizado e desenvolvimento, e as empresas devem buscar agregar as pessoas interessadas que possam incorporar esse pensamento e também conduzir os funcionários sob sua gestão para que desenvolvam essas competências. • Promover eventos de inovação Uma mudança estrutural é muitas vezes necessária para produzir movimento de inovação dentro de uma organização. Normalmente, os esforços isolados para motivar os funcionários nesse processo são lentos e trazem poucos resultados, o que acaba desmotivando-os, voltando à inércia. Dessa forma, a empresa pode pensar em realizar um ou mais eventos relacionados à inovação que envolvam os fun- cionários diretamente. Com essa ação, ela consegue identificar quem são as pessoas interessadas em contribuir para a inovação e também envolver aquelas que ainda não estão familiarizadas com o tema. Esse evento pode ter o formato de workshop, conferência, encon- tro anual ou o modelo de Hackathon, que estimula na prática a gera- ção de novas ideias e envolve pessoas de outras esferas e ambientes, como estudantes universitários. Assim, a empresa cria uma oportu- nidade de ver como funcionários e alunos se envolvem e interagem diante de desafios e observar que tipo de ideias eles geram; além dis- so, ainda abre a possibilidade de identificar futuras contratações de estudantes que se destaquem para estágiosou empregos. Hackathons são eventos que podem durar horas ou até mesmo dias, onde se reúnem es- tudantes e profissionais da área de desenvolvimento de software, hardware, programadores e hackers em busca de melhores soluções na área de tecnologia para as organizações. A palavra tem origem na junção de hacker e marathon (maratona de hac- kers) e, com a sua popularização, tem sido ampliada para outros setores, com a preponderância de busca por inovações. Saiba mais Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 97 Figura 4 Elementos que constituem a estrutura de um Hackathon tempestade de ideias programaçãodesenvolvi- mento tempo predefinido trabalho em equipe objetivo alcançado ys cl ip s de si gn /S hu tte rs to ck São muitas as práticas que podem conduzir as empresas para um cenário mais inovador, porém há a necessidade de buscar isso de uma maneira que envolva todas as pessoas, utilizando todo o conhecimento que está disponível para elas. Se as informações obtidas no percurso da inovação não forem armazenadas adequadamente em um SGC, a organização acabará repetindo os mesmos erros eventualmente, pois não há um registo na memória organizacional do que já foi realizado. Todos os conhecimentos, seja dos acertos ou erros, devem ser docu- mentados para que possam ser consultados pelas pessoas interessa- das e envolvidas se for preciso. Assim, a empresa pode construir seu caminho com mais conteúdo e promover o aprendizado rápido e efi- ciente de todos os seus funcionários. O artigo Hackathon: o que é e como organizar um evento inovador em 6 passos apresenta os principais conceitos sobre o evento e também ajuda as organizações que queiram hospedar ou desenvolver o seu próprio Hackathon. Disponível em: https://www. moblee.com.br/blog/hackathon/. Acesso em: 8 abr. 2021. Leitura CONSIDERAÇÕES FINAIS As organizações estão em busca de melhorar seus processos e ino- var seus produtos e serviços, buscando modelos e estruturas que fa- voreçam a gestão do conhecimento e o aprendizado organizacional. As empresas precisam envolver as pessoas no desenvolvimento de ações para garantir a competitividade, pois, no ambiente globalizado e em constante mudança, quem não repensar sua forma de trabalho, acabará se tornando obsoleto. As estruturas devem ser ágeis para garantir a troca de informações ne- cessária para esse movimento, além da necessidade de as empresas cada vez mais investirem em sistemas de gestão do conhecimento para que armazenem e distribuam todas as informações pertinentes ao trabalho, criando-se uma cultura de compartilhamento entre os envolvidos. https://www.moblee.com.br/blog/hackathon/ https://www.moblee.com.br/blog/hackathon/ 98 Gestão do conhecimento e inovação Assim, as empresas precisam investir em pessoas que queiram desen- volver ações de inovação e se preocupem com que essa não seja apenas o lançamento de uma melhoria de produto, mas sim o fruto do aprendi- zado organizacional, tanto na recuperação do conhecimento já inerente à organização quanto na geração de mais conhecimentos para que ela sempre se mantenha no ciclo do crescimento. ATIVIDADES 1. Qual é a relação existente entre a estrutura de uma organização e a gestão do conhecimento? 2. Como a gestão de processos impacta a gestão do conhecimento? 3. Uma inovação organizacional necessariamente tem como resultado uma mudança no produto ou serviço final? Explique. REFERÊNCIAS ABPMP. Guia para o gerenciamento de processos de negócio: corpo comum de conhecimento. 2009. Disponível em: https://www.academia.edu/7133118/BPM_Gerenciamento_de_ Processos_de_Neg%C3%B3cio. Acesso em: 8 out. 2021. CANTISANI, A. Technological innovation processes revisited. Technovation, v. 26, n. 11, p. 1.294-1.301, 2006. GOOGLE ANALYTICS. Provisão, 2021. Disponível em: https://analytics.google.com/ analytics/web/provision/#/provision. Acesso em: 8 abr. 2021. MORGAN, J. The 5 types of organizational structures: part 4, flatarchies. Forbes, 15 jul. 2015. Disponível em: https://www.forbes.com/sites/jacobmorgan/2015/07/15/the-5-types-of- organizational-structures-part-4-flatarchies/?sh=613234bd6707. Acesso em: 8 abr. 2021. OCDE. Manual de Oslo: diretrizes para coleta e interpretação de dados sobre inovação. Paris: OCDE, 2005. PROBST, G.; RAUB, S.; ROMHARDT, K. Gestão do conhecimento: os elementos construtivos do sucesso. Porto Alegre: Bookman, 2002. ROBREDO, J. Redes de informação e de gestão do conhecimento: modelagem e estrutura de informações. In: TARAPANOFF, K. (org.). Inteligência, informação e conhecimento em corporações. Brasília: IBICT, 2006. SOFTWARE ENGINEERING INSTITUTE. CMMI para desenvolvimento: melhoria de processos visando melhores produtos. Pittsburgh: Carnegie Mellon University, 2006. SURVEYMONKEY. Transforme sua organização. Business, 2021. Disponível em: https:// pt.surveymonkey.com/mp/business/. Acesso em: 8 abr. 2021. SCHUMPETER, J. A. Teoria do desenvolvimento econômico. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1961. Vídeo https://www.academia.edu/7133118/BPM_Gerenciamento_de_Processos_de_Neg%C3%B3cio https://www.academia.edu/7133118/BPM_Gerenciamento_de_Processos_de_Neg%C3%B3cio Tendências de inovação, evolução e obstáculos 99 5 Tendências de inovação, evolução e obstáculos As organizações, mais do que nunca, precisam olhar para dentro de seus processos e verificar onde devem melhorá-los, buscando ferramentas que utilizam a gestão do conhecimento para promover a inovação. Porém, somente olhar para dentro não é garantia de atualização e de se manter competitivo no mercado; logo, as empresas precisam estar atentas ao que está acontecendo em seu ambiente, analisando os seus competido- res e as evoluções das necessidades dos clientes e da sociedade. É fundamental que as organizações realizem processos de monitoramento de ambiente de maneira constante, para acom- panhar as tendências locais e também as de outras que estão localizadas em polos de inovação e são consideradas referên- cia em sua área de atuação. Desse modo, cada empresa deve estar atenta para identificar quais são as estratégias adotadas no mercado e saber se posicionar ativamente para competir nesse ambiente. Para que se possa traduzir esse ambiente para a realidade de cada empresa, precisamos compreender quais são as mu- danças que devem ocorrer nos modelos de organização, pois as estruturas tradicionais demoram para se adaptar e podem ficar defasadas. Assim, vamos entender, neste capítulo, quais são os principais facilitadores para que as empresas se adaptem nesse ambiente inovador, bem como os aspectos que podem dificultar esse processo. 100 Gestão do conhecimento e inovação 5.1 Monitoramento ambiental Vídeo Você provavelmente já ouviu o ditado “você não pode gerenciar o que você não mede”. Embora seja uma verdade para muitos negócios, nem tudo pode ser medido com precisão, e é nessa exceção que en- contramos o monitoramento das inovações, uma vez que, devido à sua natureza abstrata para muitos negócios, encontrar as métricas certas para medir essa inovação pode ser mais complicado. Para as organizações, os indicadores são indispensáveis para gerir e controlar a infinidade de ideias e conceitos que estão presentes no ambiente. Para tanto, devem ser definidos os critérios relevantes para a avaliação de desempenho, o estímulo de práticas internas e o acom- panhamento das demandas e necessidades do mercado para novos produtos e serviços. Medir a inovação no ambiente deve priorizar não apenas a ação de acompanhar o que acontece externamente, mas também de verificar quais inovações são significativas para o negócio progredir. As métri- cas de inovação que estão fundamentadas nos indicadores-chave do negócio – Key Performance Indicators (KPIs) – permitem que os gestores saibam que estão no caminho certo, investindo nas atividades que real- mente farão a empresa alcançar seus resultados. O ambiente externo de uma organização inclui fatoresque estão além do controle imediato da gestão, os quais apresentam os maiores desafios e as oportunidades que os gerentes precisam considerar ao fazer escolhas estratégicas. Dentre esses fatores, incluem-se: as ativi- dades dos clientes, concorrentes e fornecedores; o mercado de traba- lho; as condições legais, regulatórias, competitivas e econômicas; e o fornecimento de conhecimento tecnológico, bem como de outros tipos de conhecimento com valor para a inovação. Enquanto o ambiente in- terno de uma empresa está diretamente sob o controle da gestão, é preciso considerar o modelo de negócios da empresa, a sua capacidade de produção e inovação e os seus recursos financeiros e humanos. O monitoramento ambiental deve fazer parte da gestão da inovação de uma organização e, geralmente, ser baseado em indicadores-chave de desempenho nesse processo; assim, eles devem ser considerados para a melhoria ou implantação de uma cultura de inovação e o au- mento da capacidade de inovação da empresa. Os indicadores têm a Tendências de inovação, evolução e obstáculos 101 função de construir uma visão global de como está o ambiente externo e de como a organização está inserida nele. Utilizar métricas para a avaliação, como o número de novos produtos lançados, pode ser equivocado, pois nem sempre quantidade é sinônimo de qualidade. Por exemplo, se sua empresa possui o mesmo número de produtos em seu portfólio há anos, não tendo nenhum lançamento ou melhoria recente, pode ser um indicador de que não é uma organização que se preocupa em inovar; porém, por outro lado, não adianta realizar lançamentos constantes e esses não trazerem resultado para o negócio. Os principais indicadores de competição nos mercados de produtos incluem o número ou o tamanho relativo de concorrentes (maiores ou menores do que a empresa respondente) ou, ainda, as medidas qualita- tivas da intensidade da competição nesse mercado. Dessa forma, a orga- nização deve buscar estabelecer as métricas adequadas para que possa alcançar e medir sistematicamente as suas atividades e as dos seus con- correntes, direcionando-as com o objetivo de que apoiem seus objetivos. Cada empresa deve estabelecer suas métricas de acordo com o am- biente em que atua; por exemplo, as da área de tecnologia certamente terão indicadores de inovação mais relevantes e com mudanças mais rápidas do que as do setor manufatureiro. Isso não quer dizer que or- ganizações tradicionais não devam se preocupar com o monitoramen- to do ambiente, visto que elas devem acompanhar o que acontece em outros mercados, os quais possam sinalizar se ela está no caminho cer- to ou defasada perante os demais competidores. Para competir de maneira eficaz, é necessário monitorar e medir a inovação das empresas considerando três fatores: • reconhecer e compreender as ameaças do mercado e as oportu- nidades e os desafios associados; • estimular, desenvolver e refinar ideias para enfrentar os desafios e explorar as oportunidades; • implementar mudanças rápidas e direcionadas, com base em aplicações práticas de ideias para desafios. Não basta saber o que está acontecendo no mercado, a organização precisa verificar se essas inovações são pertinentes ao seu negócio e, caso sejam, deve buscar o mais rápido possível aplicá-las em sua estra- tégia para que não fiquem obsoletas. 102 Gestão do conhecimento e inovação Quais são as métricas que uma empresa pode utilizar para avaliar o seu ambiente relacionado à inovação? Se considerarmos as que estão presentes nas organizações listadas nas edições da Fortune 1000 (re- vista que lista as mil maiores empresas americanas, classificadas por receitas), podemos destacar algumas métricas que são mais frequen- temente usadas por essas organizações líderes em seus mercados, que relacionam a inovação a aspectos tangíveis, como: orçamento destina- do à área de P&D (pesquisa e desenvolvimento); número de patentes depositadas; quantidade de funcionários designados para novos proje- tos; número de novas ideias geradas pelos funcionários; percentual de vendas de novos produtos etc. Embora algumas dessas métricas sejam valiosas para impulsionar o investimento em inovação e avaliar os resultados, elas fornecem uma visão limitada, pois muitas empresas operam em ambientes de inova- ção aberta, que se referem à terceirização de ideias e tecnologias exter- nas, e que podem criar diferenciação e vantagem competitiva. Assim, é mais relevante, muitas vezes, para uma gestão que se preocupa com a análise de indicadores tangíveis no ambiente, procurar estabelecer uma análise que vá para além das medidas convencionais e que: • crie uma cultura organizacional que apoie e impulsione a inovação estratégica; • possa estabelecer em seus funcionários um senso de análise crítica em sintonia com o cenário de negócios competitivo em evolução; • considere os esforços em inovação e compare com o esperado para garantir o retorno do investimento (ROI); • apoie os ciclos de feedback de aprendizagem e melhoria contínua; • impulsione o crescimento lucrativo; • promova em suas lideranças a capacidade de estimular seus fun- cionários a participarem ativamente com novas ideias e projetos. No artigo Monitoramento de inovações tecnológicas em pequenas empresas é abordada a importância do monitoramento ambiental, voltado à inovação, principalmente para as empresas de pequeno porte, para as quais isso se tor- na um desafio ainda maior por não possuírem recursos financeiros e huma- nos suficientes para uma análise aprofundada dos dados, bem como porque grande parte da literatura disponível é concentrada em grandes empresas. Acesso em: 7 abr. 2021. http://www.anpad.org.br/admin/pdf/FGI758.pdf Artigo http://www.anpad.org.br/admin/pdf/FGI758.pdf Tendências de inovação, evolução e obstáculos 103 O acompanhamento dos indicadores de inovação deve ser visto como uma ferramenta essencial para auxiliar a tomada de decisão e a definição de estratégias competitivas e de melhores práticas nos cam- pos tecnológico, organizacional e comercial das organizações. Com o constante monitoramento, a empresa consegue comparar os seus indi- cadores individuais com os do mercado por setor de atividade, tamanho e características dos seus concorrentes. O que mais o monitoramento traz de vantagens para as organizações que acompanham o que está acontecendo no ambiente onde elas operam? Vejamos alguns pontos. a. A inovação traz melhorias na competitividade A capacidade de gerar, adquirir, adaptar e utilizar novos conheci- mentos que desencadeiam inovações são fatores cada vez mais estra- tégicos na competitividade das organizações. Essa competitividade é baseada em fatores como eficiência produtiva, atributos relacionados à qualidade e usabilidade dos produtos, logística de distribuição, canais de vendas etc. A obtenção de ganhos de competitividade demanda in- vestimentos constantes na inovação, no know-how tecnológico, na pro- dução, na distribuição e no marketing, mas que oferecem vantagens definitivas em termos de acúmulo de conhecimentos, experiências e habilidades que potencializam sua competitividade. b. Visão global de mercado Quando as empresas têm a capacidade de monitorar e acompanhar as inovações em seu ambiente local e internacional, elas adquirem in- formações valiosas para competir, com sucesso, com mercadorias fabricadas em outros países e projetadas para satisfazer os mesmos requisitos ou a mesma demanda que os seus produtos. Ainda, podem antecipar lançamentos ou adequar produtos que são já bem recebidos em outros mercados. Uma estratégia para realizar esse monitoramento é o benchmarking, que se trata da “busca das melhores práticas na indústria que condu- zem ao desempenho superior” (CAMP, 2002, p. 10). Essa é uma exce- lente forma de monitorar o ambiente e receber informações sobre o desempenho da organização. Por meio dessa abordagem, a empresa tem condições de comparar medidas, como custo, tempo de ciclo de produção,produtividade ou qualidade de um processo ou método específico, com o que é considerado um padrão de qualidade ou uma melhor prática no ambiente. 104 Gestão do conhecimento e inovação O benchmarking possibilita que a organização tenha uma visão clara do desempenho do seu negócio e compare onde está em relação a um determinado padrão de mercado. Com esses resultados, a gestão pode buscar compreender melhor quais são as melhorias que deve implantar para alcançar esse patamar. Dentre os tipos de benchmarking que podem ser usados, destaca-se, para o monitoramento ambiental, a utilização de: • benchmarking competitivo, no qual a organização busca em seus concorrentes as informações sobre produtos/serviços, bem como processos e atividades que são considerados diferenciais, comparando-os com os do seu próprio negócio; • benchmarking funcional, na busca pelas melhores práticas para a função de inovação, mas não necessariamente no mesmo ramo de atividade; assim, a empresa analisa aquelas outras que são destaques em suas áreas, sendo reconhecidas pelo seu mérito. Além desses dois tipos de benchmarking, ainda existe o interno, em que se comparam práticas de outras filiais ou unidades de negócios da mesma organização, e o genérico, que focaliza sua atenção nos pro- cessos internos dos negócios que são considerados excelentes. Com informações disponíveis sobre o seu ambiente e compreen- dendo seus processos internos, as empresas têm melhores condições de acompanhar as tendências e se adaptar aos novos modelos de organizações, sendo mais flexíveis, ágeis e competitivas nesse ambien- te cada vez mais fundamentado na inovação. 5.2 Tendências em novos modelos de organização Vídeo As organizações acompanham seus mercados para se certificar de que se mantêm competitivas, porém apenas observar e medir os con- correntes não é garantia de que estão fazendo o seu melhor. Muitas ve- zes, é necessário ir mais fundo e compreender quais são as tendências macro, ou seja, as que estão acontecendo em todos os ambientes, e como a empresa pode estruturar seu negócio para estar na vanguarda dessas inovações. A inovação é considerada uma iniciativa que pode ser modesta (incremental) ou revolucionária (disruptiva), que tem sua origem em mudanças internas ou de mercado e que, quando aplicada na prática Tendências de inovação, evolução e obstáculos 105 nos processos ou produtos, reflete-se em resultados econômicos para a empresa, nas áreas de tecnologia, gestão, processos ou modelo de negócio (SIMANTOB; LIPPI, 2003). As inovações podem vir de muitos lugares; dessa maneira, as orga- nizações consideradas inovadoras devem explorar as oportunidades quando elas surgem, por meio de ações que reconheçam padrões de problemas, antecipem as necessidades de seus clientes e alinhem seus recursos para desenvolver melhorias constantes. Para que as empresas possam colocar em prática essas iniciativas, veremos cinco tendências que já estão no mercado com esse propósito e que devem ser conside- radas para os seus negócios. a. Utilização de nuvens para armazenamento Atualmente, muitas organizações já utilizam as nuvens para o ar- mazenamento de seus dados e informações. Não há como dissociar as inovações com uso de nuvem em pelo menos uma etapa do processo e considerá-la apenas como uma ferramenta. Seu foco está cada vez mais direcionado para alavancar a tecnologia, a fim de atingir diferentes obje- tivos de negócios, com atributos como velocidade, controle e segurança. Essa estratégia também é fundamental em empresas com a força de trabalho distribuída em diferentes locais, pois permite o compar- tilhamento de dados entre funcionários e parceiros que trabalham remotamente em vários aplicativos e padrões, sem trazer prejuízo às informações e ao trabalho. b. Uso cada vez mais intensivo de dados A nuvem é considerada a base digital, na qual os dados internos e externos da organização estão inseridos – e, cada vez mais, em maior volume. As tecnologias de nuvem têm sustentado a criação de valor por meio de grandes inovações na última década, particularmente a internet das coisas (IoT), pela qual as empresas usam a combinação de sensores e tecnologia de nuvem para coletar informações sobre hábitos de consumo. Os dados coletados e utilizados pelas organizações ampliam a ca- pacidade de aumentar a monetização dos negócios, visto que agregam valor, melhoram as análises e reduzem os ruídos nas estratégias de marketing. Por exemplo, com esses dados, temos condições de estudar o comportamento passado de clientes e do público em geral e de prever 106 Gestão do conhecimento e inovação hábitos futuros, melhorando a participação com ofertas que atendam com mais precisão às necessidades e aos desejos dos consumidores. c. Gestão do conhecimento para melhorar a experiência Sem dúvida, essa tendência é mais do que necessária, uma vez que não basta apenas ter acesso aos dados e às informações, as empre- sas também devem utilizar esse enorme volume de material disponível para criar melhores experiências para os clientes. Assim, a organização deve associar duas fontes de experiências para entender melhor seu mercado e se destacar: a experiência do cliente e a do funcionário. Isso porque funcionários satisfeitos e que co- nhecem o negócio podem garantir melhores resultados; logo, ao asso- ciarem isso à experiência dos consumidores, as empresas conseguem se diferenciar, oferecendo experiências excepcionais e reforçando a percepção positiva da marca e a diferenciação de mercado. d. Fintechs Para as organizações do setor financeiro, certamente as fintechs são uma tendência crescente – o nome fintech tem origem na junção das palavras financial (financeiro) e technology (tecnologia). Assim, elas são empresas digitais, as quais estão crescendo exponencialmente em vo- lume de clientes e de transações financeiras. Por serem mais práticas em seus aplicativos e não cobrarem as taxas dos bancos tradicionais, estão mudando o setor, fazendo com que os grandes também se adap- tem para oferecer melhores condições aos seus clientes, de modo a buscar maior personalização no atendimento e agilidade. Em uma fintech, a tecnologia é utilizada essencialmente para tra- zer conveniência por meio da inovação: as empresas do ramo utilizam recursos tecnológicos amplamente disseminados para criar metodologias, processos e ferramentas que facilitam o acesso a serviços financeiros. O resultado desses esforços apare- ce para o usuário na forma de praticidade, burocracia reduzida, custos baixos, maior controle sobre operações financeiras e por aí vai. (ALECRIM, 2016) e. Tecnologia 5G Não se trata apenas de uma internet mais rápida; a tecnologia 5G vai ampliar as conexões e, consequentemente, os negócios digitais que estão cada vez mais inseridos em nossa sociedade. Para saber mais sobre a representatividade e o crescimento das fintechs, leia a reportagem da InfoMoney, intitulada O ano de ouro das fintechs: na contramão da crise, setor apresenta crescimen- to de 34% em 2020. Disponível em: https:// www.infomoney.com.br/ economia/o-ano-de-ouro-das- fintechs-na-contramao-da-crise- setor-apresenta-crescimento- de-34-em-2020/. Acesso em: 7 abr. 2021. Saiba mais https://www.infomoney.com.br/economia/o-ano-de-ouro-das-fintechs-na-contramao-da-crise-setor-apresenta-crescimento-de-34-em-2020/ https://www.infomoney.com.br/economia/o-ano-de-ouro-das-fintechs-na-contramao-da-crise-setor-apresenta-crescimento-de-34-em-2020/ https://www.infomoney.com.br/economia/o-ano-de-ouro-das-fintechs-na-contramao-da-crise-setor-apresenta-crescimento-de-34-em-2020/ https://www.infomoney.com.br/economia/o-ano-de-ouro-das-fintechs-na-contramao-da-crise-setor-apresenta-crescimento-de-34-em-2020/ https://www.infomoney.com.br/economia/o-ano-de-ouro-das-fintechs-na-contramao-da-crise-setor-apresenta-crescimento-de-34-em-2020/ https://www.infomoney.com.br/economia/o-ano-de-ouro-das-fintechs-na-contramao-da-crise-setor-apresenta-crescimento-de-34-em-2020/Tendências de inovação, evolução e obstáculos 107 Figura 1 Comparativo das velocidades das tecnologias 4G e 5G Velocidade 4G Velocidade 5G Baixar um filme 3,7 segundos 0,6 segundos 25,6 milissegundos 2 minutos 20 segundos 0,9 segundos Baixar 1 hora de música Carregar uma página na web SI M V A/ Dr k_ Sm ith /R au f A liy ev /S hu tte rs to ck Fonte: Adaptada de Orgaz, 2019. Além desse diferencial na velocidade, ainda tem como vantagens a economia de bateria e a cobertura, pois consegue permitir que mais aparelhos estejam conectados simultaneamente. De acordo com o portal Sociedade 5G (ERICSSON, 2021), alguns no- vos serviços já são realidade em certos países que possuem a tecnolo- gia implantada. Vejamos alguns exemplos. • Ambulância 5G: conecta os pacientes, médicos e enfermeiros atendentes da ambulância com o hospital em tempo real, de modo colaborativo, mesmo a quilômetros de distância, reduzindo a necessi- dade, muitas vezes, de deslocamento para o ambiente hospitalar. • Escritório inteligente com base em IoT: locais de trabalho com mais eficiência em conectividade, mobilidade e eficiência. • Aumento na produtividade na indústria 4.0: promove melhor fluxo de dados, aumentando a produção, reduzindo as falhas e o retrabalho e, consequentemente, diminuindo os custos. 108 Gestão do conhecimento e inovação • Segurança pública: câmeras que operam com maior precisão e rapidez, repassando as informações instantaneamente aos ope- radores e policiais, que conseguem se antecipar nas ocorrências. As grandes empresas continuam prosperando em muitos merca- dos, mas o que temos visto dentro desse novo cenário são os modelos de organizações menores e mais enxutos. Aquele modelo tradicional onde a figura do fundador, presidente ou diretor administrativo está no topo da pirâmide e abaixo dele várias camadas com diretores de área, gerentes, supervisores, que por sua vez lideram várias linhas de negócios e são responsáveis por comandar os funcionários para reali- zar as tarefas diárias, pode ser considerado um modelo ultrapassado. À medida que a sociedade, a tecnologia e a cultura evoluíram, tam- bém evoluíram as possibilidades para se estruturar uma empresa, as quais consideram os aspectos de agilidade, rapidez, economia e aten- dimento aos requisitos dos clientes como diferenciais. A estrutura mo- derna de uma organização não tem fronteiras e coloca um grande foco em networking e colaboração. Dessa maneira, vamos abordar três ten- dências em novas estruturas mais comumente incorporadas por em- presas inovadoras atualmente. • Estruturas planas ou autogeridas: não possuem hierarquia rígida entre seus membros. Além disso, disponibilizam canais abertos de comunicação em toda a empresa e permitem que os funcionários conheçam todos os projetos que estão em andamento, escolhendo participar daquele que melhor se enquadra em suas habilidades. Esse modelo de organização é difícil de ser implementado por empresas maiores, com estruturas hierárquicas já existentes, pois há a necessidade de uma grande revisão da sua cultura, vi- são, funções, salários, cargos etc. As estruturas planas tendem a funcionar melhor para startups, que também podem enfrentar desafios, à medida que a necessidade de supervisão e delegação aumenta com o crescimento da empresa. • Mais planas: essa denominação aparece no livro The Future of Work (MORGAN, 2014). As estruturas consideradas “mais planas” abrem linhas de comunicação e colaboração, ao mesmo tempo que eliminam camadas de dentro da organização. Esse modelo é o que mais tende a crescer, pois há a importância dos gerentes, que são posicionados no papel de suporte e apoio aos funcio- nários e não vice-versa. As estruturas mais planas requerem um Tendências de inovação, evolução e obstáculos 109 “sistema nervoso central”, que permite aos funcionários acessar qualquer informação, de qualquer lugar e a qualquer hora. • Estruturas holacráticas: são compostas por equipes que podem ser reunidas e dissolvidas rapidamente para atender aos objetivos organizacionais. Como uma forma de autogestão, o poder de deci- são de uma holacracia reside nessas equipes fluidas, que ajudam a desmembrar o poder por toda a organização. Esse modelo não possui uma hierarquia formal, distribuindo a tomada de decisões enquanto permite que todos trabalhem naquilo que fazem melhor. As empresas precisam estar atentas a essas tendências e aos no- vos modelos que busquem não apenas o comparativo com o mercado, mas também o melhor caminho para atender às suas necessidades, aos seus valores, à sua ética de trabalho e à sua cultura, sem deixar de inovar, de buscar mercados e de agregar mais valor aos clientes. Leia mais sobre holacra- cia em Uma empresa sem chefes pode dar certo? A história da Zappos mostra que sim. Esse artigo apresenta o modelo de negócio da Zappos, um e-commerce de calçados e vestuário que adaptou a holacracia para a sua gestão, buscando entre- gar para os seus clientes um serviço diferenciado. Disponível em: https://endeavor. org.br/estrategia-e-gestao/ holocracia-zappos-modelo/. Acesso em: 7 out. 2021. Leitura 5.3 Principais facilitadores e dificultadores para as organizações Vídeo De que maneira uma empresa pode saber se está no caminho certo para seus investimentos e adaptações em direção às inovações? Ela deve buscar medir o desempenho da inovação que está propondo, para que, com base na sua análise, possa saber como agilizar seus pro- cessos, ter uma melhor reputação no mercado e também aumentar o seu retorno sobre os investimentos. Nem sempre é um caminho fácil; por isso, vamos verificar quais os principais facilitadores e dificultado- res para as organizações que tentam se diversificar em busca da inova- ção de seus produtos e processos. Uma das maneiras de facilitar esse percurso é investir em melho- res canais de comunicação com a sua equipe e com as demais partes interessadas nesse aspecto. Comunicar o desempenho dos negócios e a sua busca por novos processos e inovações é uma forma poderosa de envolver as pessoas no percurso. Mostre o desempenho em relação às medidas principais em áreas visíveis, onde as pessoas consigam vi- sualizar quais são suas responsabilidades e interpretar os resultados sem dificuldades. Para isso, podem ser considerados os indicadores de inovação na empresa: de entrada, de processo e de saída. https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/holocracia-zappos-modelo/ https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/holocracia-zappos-modelo/ https://endeavor.org.br/estrategia-e-gestao/holocracia-zappos-modelo/ 110 Gestão do conhecimento e inovação Indicadores de entrada: • recursos financeiros investidos com o propósito de inovação; • recursos humanos envolvidos com a inovação; • despesas operacionais e de capital investidas. Indicadores de processo: • número de ideias geradas (absoluto e por funcionário/área); • tempo médio dispendido desde a geração da ideia até a sua implementação; • percentual de ideias rejeitadas ou abandonadas no percurso; • quantidade de fornecedores e parceiros envolvidos. Indicadores de saída: • quantidade de novos produtos ou serviços lançados; • receita oriunda dos novos produtos lançados; • crescimento da participação de mercado; • retorno sobre gastos com inovação; • número de novos clientes; • indicadores de satisfação do cliente; • força da marca; • índices de qualidade de vida no trabalho. Além de analisar os indicadores, a organização precisa se preocupar constantemente em envolver os clientes em seus processos, uma vez que as inovações devem ter como foco a satisfação deles. Melhorar os canais de comunicação e ouvir os clientes é a chave para compreen- der as mudanças na demanda e ficar a par das tendências futuras. Os consumidores, quando se posicionam sobre os produtos e fornecem feedbacks, compartilham com a empresa um roteiro para os proble- mas a serem resolvidos em seguida. Assim, ela deve aproveitar esse materialgerado para ajudar a se manter sintonizada com as necessida- des de seus clientes. Como temos falado constantemente, a inovação pode ser conside- rada um dos fatores mais importantes para o sucesso e o crescimento de uma organização, e cada vez mais essa será a busca das empresas. Desse modo, elas precisam cultivar a inovação e promovê-la entre seus funcionários; porém, muitas enfrentam desafios internos que dificul- tam o avanço da inovação. Vejamos alguns desses desafios. Tendências de inovação, evolução e obstáculos 111 • Falta de autonomia para os funcionários inovarem em seus processos Muitos funcionários estão sobrecarregados com suas atividades do cotidiano, e seus gerentes temem que a inovação ocupe ainda mais o tempo deles, diminuindo a sua eficiência. Assim, os funcionários não são encorajados pelos seus líderes a assumirem riscos ou a expe- rimentarem novas ideias. • Falta de motivação dos funcionários para inovar Não basta ter autonomia e capacitação, os funcionários devem sen- tir motivação para querer inovar. Por isso, as empresas devem investir em programas de incentivo que beneficiem boas ideias ou mesmo su- gestões para ajudar a estimular os funcionários a terem mais interesse em buscar inovações. • A organização não ter uma estratégia clara de inovação Como qualquer iniciativa organizacional, é fundamental que se ela- bore uma estratégia para atingir um objetivo de inovação. Uma estraté- gia de inovação, com um plano organizado para esse fim, direciona as equipes e os recursos à inovação e à sua implementação operacional. Sem um plano com objetivos, metas, pessoas envolvidas, recursos e resultados esperados, os esforços de inovação podem se perder e oca- sionar gasto e perda de tempo desnecessários. • Centralizar as ações para inovação em uma área Em muitas organizações, a inovação é responsabilidade apenas das áreas de P&D ou de desenvolvimento de produto. Porém, quando a restringimos a apenas um setor ou área funcional, acabamos limitan- do sua visão, pois cada departamento oferece uma perspectiva única sobre os problemas dos clientes, o que pode ser fundamental para im- pulsionar essa inovação. • Falta de diversidade e colaboração nas equipes A colaboração é a chave para a inovação. No entanto, isso não deve ocorrer apenas internamente, mas também fazendo parceria com ex- ternos, como fornecedores, clientes e até mesmo concorrentes, com o intuito de impulsionar a inovação. Assim, formar equipes diversas pode fornecer às iniciativas de inovação da organização uma riqueza de ideias geradas por meio de diferentes perspectivas. 112 Gestão do conhecimento e inovação • Medo de se arriscar no que já é estabelecido Muitas empresas, quando possuem produtos que são líderes em vendas ou estão estáveis no mercado, têm medo de mudar e prejudi- car aquilo que está bom. É a velha frase “em time que está ganhando não se mexe”. Porém, a inovação constante é a chave para o sucesso sustentado a longo prazo, visto que outros competidores podem pen- sar de modo diferente e o produto, que era inovador, pode acabar se tornando obsoleto. As organizações devem considerar sempre quais os aspectos que podem beneficiar e quais podem dificultar a busca pela inovação. Co- nhecer sua estratégia e cultura, investir em tecnologias e proporcionar uma estrutura que promova motivação e autonomia em sua equipe de trabalho, bem como um bom relacionamento com os clientes, são pilares para essa conquista. CONSIDERAÇÕES FINAIS A inovação é uma iniciativa crucial para impulsionar o sucesso da sua organização a longo prazo. Para isso, é importante estar ciente e se pla- nejar para os desafios. Compreender o ambiente onde se está inserido e construir uma forte cultura de inovação em sua organização não apenas ajuda a evitar as dificuldades para essa tarefa, mas também a garantir que ela seja um foco estratégico para todos os funcionários. Compreender o contexto em que as empresas operam é essencial para coletar e interpretar dados sobre inovação empresarial. As organi- zações que buscam impulsionar a inovação não precisam se reestruturar completamente no curto prazo, elas podem escolher elementos de várias estruturas que funcionam melhor para o seu modelo de negócios. Quando a empresa compreende quais são as tendências, as evoluções e os obstáculos para a inovação, ela reconhece a importância dos fatores internos e externos que podem influenciar os seus incentivos para inovar, bem como quais são os tipos de atividades de inovação que ela já realiza e quais ela deve continuar buscando, de modo a reconhecer suas capaci- dades e resultados com esse propósito. Tendências de inovação, evolução e obstáculos 113 ATIVIDADES 1. Como as organizações podem buscar informações no ambiente para a inovação? 2. As estruturas organizacionais podem dificultar ou facilitar a inovação? Por quê? 3. Por que muitas empresas têm dificuldade em conquistar a inovação? REFERÊNCIAS ALECRIM, E. O que é fintech? Infowester, 31 mar. 2016. Disponível em: https://www. infowester.com/fintech.php. Acesso em: 7 abr. 2021. CAMP, R. C. Benchmarking: identificando, analisando e adaptando as melhores práticas da administração que levam à maximização da performance empresarial. 3. ed. São Paulo: Pioneira, 2002. ERICSSON. Qual a relação do 5G com inovação? Sociedade 5G, 19 fev. 2021. Disponível em: https://sociedade5g.com.br/qual-a-relacao-do-5g-com-inovacao/. Acesso em: . Acesso em: 7 abr. 2021. MORGAN, J. The future of work: attract new talent, build better leaders, and create a competitive organization. New Jersey: Wiley, 2014. ORGAZ, C. J. 3 grandes vantagens do 5G que mudarão para sempre nossa experiência na internet. BBC News Mundo, 3 jun. 2019. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/ geral-48499353. Acesso em: 7 abr. 2021. SIMANTOB, M.; LIPPI, R. Guia valor econômico de inovação nas empresas. São Paulo: Globo, 2003. Vídeo https://www.infowester.com/fintech.php https://www.infowester.com/fintech.php https://sociedade5g.com.br/qual-a-relacao-do-5g-com-inovacao https://www.bbc.com/portuguese/geral-48499353 https://www.bbc.com/portuguese/geral-48499353 114 Gestão do conhecimento e inovação GABARITO 1 A sociedade e a gestão do conhecimento 1. As sociedades da informação e do conhecimento partem do mesmo pressuposto: de que há a necessidade de infraestrutura tecnológica para seu estabelecimento. Porém o que prevalece é a importância do conhecimento, que expressa a fonte de real valor nas organizações e na sociedade atual, caracterizando, assim as sociedades do conhecimento. A sociedade da informação ainda é presente, pois muitas regiões continuam nesse patamar sendo fundamentalmente industriais ou até agrícolas. Mas chegar às sociedades do conhecimento é um caminho sem retorno, considerando o desenvolvimento das tecnologias. 2. Castells, em seu livro Sociedade em Rede, muitas vezes aborda o mesmo princípio do capitalismo em relação à disparidade entre o acesso à informação, ao capital e às tecnologias entre as sociedades, quando fala em inclusão e exclusão da sociedade de regiões que tenham ou não interesse comercial na configuração social. Porém, a ideia da rede acaba trazendo alguns benefícios maiores pela questão dos arranjos físicos que podem acontecer em diferentes localidades e beneficiar regiões inteiras, que antes não teriam o mesmo acesso. 3. Por mais importante que seja a configuração das comunidades de prática, antes de sua implantação nas organizações há a necessidade de se rever a estrutura organizacional, pois modelos tradicionais, como a estrutura departamental ou funcional, acabam dificultando a implantação por questões de hierarquia, divisão de tarefas e tempos para executá-las, privilégios, interesses departamentais, entre outros. Mas as comunidades de prática são uma tendência que futuramente não terão mais como ser evitadas nas empresas, pelos resultados positivos que conferem a elas. 2 Organização voltada àcompetitividade 1. As empresas tradicionais normalmente possuem estruturas verticalizadas, com barreiras para a comunicação bilateral que dificultam a formação de conexões entre seus membros, principalmente de áreas e departamentos diferentes; consequentemente, isso dificulta seu engajamento, sua autonomia, bem como a construção de novas ideias que contribuam para o aprendizado organizacional. Gabarito 115 2. O processo de internalização, ou seja, a conversão do conhecimento explícito para tácito, é considerado o mais complexo, pois é difícil garantir que as pessoas que receberam aquelas instruções formais realmente as absorvam e apliquem-nas em sua prática e know-how como esperado pela gestão. 3. Quando há uma preocupação na elaboração de documentos, normalmente escritos e inspecionados por pessoas que executam as atividades na organização e que são detentoras de conhecimento, fica mais fácil repassar aos novos colaboradores o modo como essas atividades são executadas na prática da organização. Desse modo, a transmissão do conhecimento de pessoas que já atuam é codificado de maneira tangível para auxiliar novas pessoas em suas futuras funções na empresa. 4. Informações sobre os processos que ajudam na tomada de decisões e sobre a jornada de compra de um cliente são fontes geradoras de novas informações e de conhecimento para a organização melhorar seus processos e entregar mais valor aos seus consumidores. Quando esse conhecimento é analisado pelos gestores, pode se transformar ações práticas. 3 Tecnologias e estratégias para a inovação 1. As tecnologias da informação e comunicação facilitam o trabalho dos colaboradores, geram informações de qualidade para a tomada de decisões e facilitam a formulação de estratégias, bem como a troca de ideias e soluções para os problemas organizacionais. Além disso, contam com reengenharia dos processos, agilização de prazos, geração de informações confiáveis e relevantes, entre outros aspectos. 2. As redes sociais, além de serem eficientes atualmente para aproximar as marcas de seus consumidores, também têm um papel relevante na geração de conhecimento e inovação. Por meio delas, as empresas podem aprender mais sobre uma determinada comunidade de clientes, levantar ideias para lançamentos de novos produtos, receber feedbacks sobre eventuais problemas e interagir rapidamente com seus clientes. 3. A utilização de novas tecnologias proporciona à empresa uma posição de destaque perante aquelas que ainda não estão adaptadas para esses modelos. Os sistemas de indexação e pesquisa utilizam IA, por exemplo, para aprender e interagir rapidamente, proporcionando informações precisas aos gestores. As nuvens facilitam o trabalho 116 Gestão do conhecimento e inovação remoto com qualidade, assegurando que todos tenham acesso às informações para realizar o seu trabalho. Big Data consegue trabalhar com uma enorme quantidade de dados, de maneira eficiente, proporcionando aos gestores respaldo para seu trabalho. 4. A estratégia do oceano azul aborda uma nova metodologia para as empresas que buscam a inovação: em vez de competirem em mercados altamente concorridos, expandem seus horizontes para ambientes ainda não explorados e, então, prosperam. 4 Modelos e processos de gestão na organização do conhecimento 1. As estruturas das organizações podem ser mais formais com o desenvolvimento e crescimento da força de trabalho. Se a estrutura não for pensada para facilitar a comunicação e a interação das pessoas, com muitos departamentos e uma distribuição verticalizada, pode impactar negativamente os fluxos de conhecimento. Para amenizar essa rigidez, a empresa pode incentivar as comunidades de prática em sua estrutura. 2. A aplicação de ações de gestão de processos e de gestão do conhecimento combinadas promove maior agilidade nas tarefas, rapidez nas tomadas de decisões, redução de custos com atrasos e reclamações, além de proporcionar maior satisfação dos consumidores. 3. As inovações em produtos e serviços são as que os clientes mais observam por terem acesso; porém, não necessariamente uma inovação está relacionada a eles, pois existem outras que ocorrem internamente, como as inovações nos processos, no marketing e nas atividades organizacionais. 5 Tendências de inovação, evolução e obstáculos 1. As empresas precisam considerar realizar um monitoramento ambiental para compreender como estão no mercado e também quais as posições de seus competidores. Quando se conhece com mais propriedade o mercado onde se atua, percebe-se mais claramente quais os desafios e caminhos que deverão ser percorridos. 2. Estruturas verticalizadas, centralizadas em apenas um grupo de pessoas ou muito burocráticas podem dificultar a inovação, enquanto as estruturas mais planas e orgânicas conseguem agilizar a troca de Gabarito 117 informações, a comunicação e o entendimento mais linear em busca da inovação. 3. Muitas empresas se preocupam com o ambiente externo na busca pela inovação e não percebem que os maiores bloqueios podem estar dentro de sua estrutura. Funcionários sem autonomia ou desmotivados, lideranças não preparadas, falta de estratégia ou equipes não cooperativas são alguns dos impeditivos para uma abordagem organizacional voltada para a inovação. GESTÃO DO CONHECIM ENTO E INOVAÇÃO LETÍCIA M IRELLA FISCHER CAM POS Código Logístico 59563 Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6681-0 9 7 8 8 5 3 8 7 6 6 8 1 0 Página em branco Página em branco