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Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – Laboratório de Simulação Realística 7º Semestre Taquicardia supraventricular (TSV) é uma taquiarritmia comum e de início súbito, que apresenta ritmo regular e pode chegar à frequência cardíaca acima de 200 bpm, cujos impulsos são originados acima do nó atrioventricular. Usualmente, é encontrada em adultos jovens sem nenhuma doença cardíaca subjacente e costuma acometer majoritariamente mulheres. Vale salientar que, em alguns casos, o álcool, café ou apenas uma pura excitação ou ritmo de extrassístole atrial podem levar a uma TSV. Caracteristicamente, se apresenta como uma taquicardia de R-R regular com QRS estreito, por ser originada em região atrial. Entretanto, há situações em que essa arritmia se apresenta com QRS alargado, simulando uma taquicardia ventricular. • Diagnóstico - Sintomas O quadro clínico varia desde assintomático à presença sintomas como palpitações, mal-estar inespecífico, dispneia, dor torácica, transtornos visuais e alteração no nível de consciência e hipotensão. A aceleração da frequência cardíaca pode persistir por poucos minutos a várias horas. Deve-se caracterizar as palpitações: duração, início, percepção e entrada e saída do episódio. - Anamnese Na anamnese devemos interrogar ativamente sobre dispneia, síncope, precordialgia ou tontura, assim como episódios de confusão mental. Nos antecedentes patológicos, deve-se incluir perguntas sobre histórico de arritmias (quais tipos e tratamentos realizados), cardiopatias no geral (sobretudo infarto prévio, insuficiência cardíaca), doenças respiratórias, endocrinológicas (hipertireoidismo, feocromocitoma) e fatores de risco para distúrbios hidroeletrolíticos (doença renal crônica, vômitos, diarreia). Uma investigação detalhada também deve ser realizada em relação aos medicamentos em uso pelo paciente, assim como drogas de abuso. Indivíduos com sinais de gravidade devem ser examinados na sala de emergência, ao mesmo tempo que são monitorizados e recebem o tratamento inicial. - Exame Físico No exame físico buscamos a regularidade do pulso e comparação com frequência cardíaca; pulsação visível em fúrcula (frogging); medida de pressão arterial em ambos os membros, e/ou em decúbito dorsal e posição ortostática. Na ausculta cardíaca, avaliar presença de B3 ou B4, atrito pericárdico ou abafamento de bulhas. Por fim, atentar para edema assimétrico de membros inferiores e sinais de hipertireoidismo. O diagnóstico deve ser iniciado pelo exame físico em busca de sinais de repercussão hemodinâmica, como rebaixamento do nível de consciência, hipotensão, edema agudo de pulmão, entre outros. Deve-se realizar a anamnese para investigar a existência de patologias associadas, cardiopatias, história familiar de morte súbita, atividades precipitantes e uso de substâncias e medicamentos. Sinais e sintomas de instabilidade podem indicar tratamento imediato com cardioversão ou desfibrilação elétrica. São critérios de instabilidade: 1. Hipotensão (PAS < 90mmHg), choque. 2. Rebaixamento do nível de consciência. 3. Dor precordial. 4. Dispneia (insuficiência cardíaca/edema agudo de pulmão). • Exames Complementares O eletrocardiograma é exame fundamental para o diagnóstico das taquiarritmias, em especial se realizado durante os sintomas. A depender dos diagnósticos diferenciais, outros exames podem ser solicitados, como eletrólitos, função renal, marcadores de necrose miocárdica, dosagem sérica de substâncias (p. ex., digoxina). Uma abordagem sistematizada pode facilitar a identificação das principais taquiarritmias (Figura 2). Diante de uma taquicardia, fazemos três perguntas: 1. O QRS é estreito ou largo? QRS estreito são ritmos cardíacos com frequência cardíaca (FC) maior que 100 bpm e duração do QRS menor que 120 ms. Todas as taquicardias de QRS estreito são taquicardias supraventriculares (TSV). R-R irregular = fibrilação atrial (FA), flutter atrial e taquicardia atrial multifocal; Maria Eduarda de Souza Trigo Fernandes – Laboratório de Simulação Realística 7º Semestre R-R regular = taquicardia por reentrada nodal (TRN), taquicardia atrial, flutter atrial e taquicardia por reentrada átrio-ventricular (TRAV). • Tratamento -> Com critérios de instabilidade - Sedação: Midazolam 3-5 mg bolus (repetir até sedação) Etomidato 20 mg bolus (2 min após Fentanil) Propofol * 30-50 mg bolus (máximo até 200 mg). - Analgesia: Fentanil 1-2 μg/kg; Morfina 1-2 mg. - Cardioversão elétrica: Realizar sedação e analgesia antes da CVE. Em pacientes com QRS estreito e R-R regular: Iniciar com 50 J. -> Sem critérios de instabilidade - QRS estreito e R-R regular: 1. Manobra Vagal: A massagem do seio carotídeo (MSC) é realizada com o paciente em posição supina, com o pescoço hiperestendido. Realiza-se uma pressão estável em região inferior ao ângulo da mandíbula, perto do pulso arterial carotídeo por 5 a 10 segundos. Se não houver uma resposta positiva, pode-se repetir a manobra do outro lado, após 2 minutos. Contraindicações: presença de sopro carotídeo, AVE ou AIT prévios (exceto se exame de imagem de carótidas sem doença aterosclerótica), IAM nos últimos 6 meses e história de arritmia ventricular grave (TV/FV); 2. Adenosina: realizada se não houver reversão com manobras vagais. É importante orientar previamente o paciente que poderá apresentar pressão torácica importante com sensação de “morte iminente”, porém tais efeitos são transitórios. Inicia-se com 6 mg em bolus, seguida de flush de soro fisiológico 20 ml. Se não houver reversão, pode-se aumentar a dose para 12 mg em bolus e repetir mais uma vez esta dose, se necessário. Efeitos colaterais: flush facial, hipotensão, palpitação, dor torácica, bradicardias, broncoespasmo, dispnéia, hiperventilação, cefaléia, tonturas e turvação visual. Contraindicações: transplante cardíaco, BAV de 2º e 3º graus, disfunção do nó sinusal, FA pré-excitada, asma e/ou DPOC; 3. Bloqueadores de Canal de Cálcio (Verapamil e Diltiazem): Utilizados se não houver reversão com MSC e adenosina. Verapamil é realizado 2,5 – 5,0 mg lento; pode-se repetir 5 – 10 mg após 15-30 minutos da primeira dose, com dose máxima de 20 mg. Diltiazem é realizado 0,25 mg/kg em 2 minutos; pode-se repetir 0,35 mg/kg após 15 minutos da primeira dose. Contraindicações: bloqueios atrioventriculares, insuficiência cardíaca, choque cardiogênico, hipotensão arterial. - QRS estreito e R-R irregular: FA/Flutter - QRS alargado e R-R regular: 1. Amiodarona: é a droga de escolha nesses casos de taquiarritmia. É realizado o ataque de 150 -300 mg em SG5% 100 ml em 15 minutos (podendo ser repetido a cada 15 minutos) e a manutenção de 1 mg/min nas primeiras 6 horas e 0,5 mg/min nas próximas 18 horas. A dose máxima diária é de 2,2 g; 2. Lidocaína: pode ser usada em TV instáveis refratárias. É realizado o ataque de 1 a 1,5 mg/kg e após dose de manutenção de 1 a 4 mg/min. Efeitos colaterais: tonturas, parestesias, convulsões, parada respiratória. Não tem efeito hemodinâmico importante. *Após a adequada administração de uma droga até sua dose máxima, se não houver reversão da arritmia ou comprometimento hemodinâmico, o paciente deve ser considerado como “instável” e deve ser realizada a cardioversão elétrica*