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GESTÃO EDUCACIONAL AULA 1 Profª Carolina Vilas Boas Alves Pedroso 2 CONVERSA INICIAL Olá, caro estudante, tudo bem com você? Aqui você terá a oportunidade de aprofundar seus conhecimentos sobre os temas que perpassam nossa área de estudos em educação. Inicialmente, nesta aula, iremos conversar um pouco sobre a história da administração em relação a suas fases, destacando suas teorias e quais foram as influências na administração escolar. Importante ressaltar que muitas pessoas não conhecem como a administração surgiu, qual foi o grande marco na sociedade para a evolução da administração e nem que a Teoria Geral da Administração consiste nas teorias de cada época e suas ênfases, por isso, iremos iniciar com essas questões para chegarmos à área da administração escolar com uma bagagem de conhecimento necessária. No decorrer desta disciplina, vamos aprender juntos que a administração, independentemente de ser empresarial ou escolar, é uma ciência que perpassa décadas e que amplia nossa visão de mundo, já que que estamos a todo momento administrando nossas vidas. Agora que já realizamos um preâmbulo da administração, convidamos você a conhecer os objetivos da nossa aula: • Conhecer a história e as teorias da administração; • Conhecer as fases da evolução histórica da administração; • Conhecer a TGA – Teoria Geral da Administração; • Compreender a Administração Empresarial versus Administração Escolar; • Compreender as teorias administrativas e sua relação com a gestão escolar. Bons estudos! TEMA 1 – HISTÓRIA E AS TEORIAS DA ADMINISTRAÇÃO Quando falamos em administração, o que vem à sua mente? Primeiramente, pode-se citar que administrar é o ato de gerir, governar e dirigir, mas será que se resume apenas a essas ações? 3 Existem indícios de que, no ano de 5000 a.C., os Sumérios apresentavam um sistema organizado em sua comunidade para resolver problemas e conflitos. Muitos anos depois, em 500 a.C., na China, também a partir da necessidade de ter um sistema organizado para o seu império, os chineses tiveram a iniciativa de definir regras e princípios de uma administração para os setores que tinham em seu povo o que ficou conhecida como a Constituição de Chow. Assim, podemos entender que a administração surgiu há décadas com a necessidade de resolver problemas, conflitos e conquista de organização dos povos e vem sendo aprimorada para o que conhecemos atualmente, por isso, é possível afirmar que essa área evoluiu em cada povo, região e instituições. Duas instituições de maior destaque em relação às suas administrações são a Igreja Católica Romana e as Organizações Militares, pois apresentam uma organização considerada por muitos de sucesso que perpassaram décadas. Vamos entender um pouco mais por que elas se destacam na história dessa ciência, que é a administração: • A instituição da Igreja Católica Romana, desde sua criação, influencia em relação à sua estrutura organizacional voltada para a hierarquia, autoridade, assessoria e, principalmente, uma coordenação funcional que se manteve e se mantém ativa até hoje. • Já as organizações militares sempre apresentaram uma linearidade, unidade e centralização de comando, além de escala hierárquica com descentralização da execução com princípio na direção. Por mais que esses dois e outros modelos administrativos tenham conseguido perpassar décadas como exemplos, eles, por si, não foram suficientes para transformar a administração na ciência que temos atualmente. Na verdade, o grande acontecimento do século XVIII, na Inglaterra e posteriormente pelo mundo, foi a chamada Revolução Industrial, ao promover o avanço tecnológico com as máquinas a vapor e o desenvolvimento de uma indústria moderna com o surgimento das fábricas, provocando, consequentemente, o grande big bang da administração. Foi a partir da Revolução Industrial que se obteve a consolidação da economia capitalista, o que proporcionou força para a administração e a tornou uma ciência com diversas teorias. 4 Atualmente, as teorias da administração podem ser agrupadas em seis ênfases, sendo elas: ênfases em tarefas, estruturas, pessoas, ambientes, tecnologias e competitividade. Vamos entender um pouco mais com Chiavenato (2003): A Teoria Geral da Administração começou com ênfase nas tarefas (atividades executadas pelos operários em uma fábrica), por meio da Administração Científica de Taylor. A seguir, a preocupação básica passou para a ênfase na estrutura com a Teoria Clássica de Fayol e com a Teoria da Burocracia de Weber, seguindo-se mais tarde a Teoria Estruturalista. A reação humanística surgiu com a ênfase nas pessoas, por meio da Teoria das Relações Humanas, mais tarde desenvolvida pela Teoria Comportamental e pela Teoria do Desenvolvimento Organizacional. A ênfase no ambiente surgiu com a Teoria dos Sistemas, sendo completada pela Teoria da Contingência. Essa, posteriormente, desenvolveu a ênfase na tecnologia. Mais recentemente, as novas abordagens trouxeram à tona a emergente necessidade de competitividade das organizações em um mundo globalizado e carregado de mudanças e transformações. Assim, cada uma dessas seis variáveis tarefas, estrutura, pessoas, ambiente, tecnologia e competitividade – provocou a seu tempo uma diferente teoria administrativa, marcando um gradativo passo no desenvolvimento da TGA. Cada teoria administrativa privilegia ou enfatiza mais dessas seis variáveis. (Chiavenato, 2003, p. 11) Assim, vejamos como ficam as teorias em cada ênfase: • Ênfase nas tarefas: Teoria da Administração Científica. • Ênfase na estrutura: Teoria Clássica, Teoria da Burocracia e Teoria Estruturalista. • Enfoque nas pessoas: Teorias das Relações Humanas, Teoria Comportamental, Teoria do Desenvolvimento Organizacional. • Enfoque no ambiente: Teoria dos Sistemas e Teoria da Contingência. • Enfoque na tecnologia: Teoria da Contingência. • Enfoque na competitividade: novas abordagens na Administração. Você já conhecia alguma dessas teorias? Quatro delas são as principais na administração, vamos aprender um pouco mais sobre cada uma: • Teoria da administração científica: desenvolvida por Taylor (1856 – 1915), o foco está voltado totalmente nas operações, ou seja, as tarefas realizadas dentro das empresas não podem ser desperdiçadas e devem elevar o índice de produtividade. Por isso, elas são repetitivas, pois acredita-se que leva à excelência e, consequentemente, ao lucro. O trabalhador, nessa teoria, não é levado em consideração, nem suas 5 necessidades básicas, por isso, acabam ficando frutados. Já o interesse está no lucro e no acúmulo de capital. • Teoria da burocracia: criada por Max Weber (1864 – 1920), sua base é o pensamento racional com o objetivo de alcançar a excelência, por isso, o foco está na eficácia e na eficiência. A hierarquia prevalece nessa teoria, por isso, está acompanhada de formalidade nas informações passadas, existe divisão de trabalho levando em consideração a competência técnica e a meritocracia e, no ambiente de trabalho, estão presentes a rotina e os procedimentos padronizados de acordo com o cargo. • Teoria das relações humanas: desenvolvida por Elton Mayo (1880- 1949), foi a primeira teoria que considerou o trabalhador com um ser pensante na qual necessita de satisfação, assim, as empresas começaram a identificar que, quanto mais atenção aos valores, sentimentos e atitudes, mais trabalho de qualidade e obtenção de lucro para a empresa. Por isso, os processos acabaram se tornando menos repetitivos e formais. • Teoria da contingência: Paul Lawrence (1922-2011) e Jay Lorsch (1932- ), professores de comportamento organizacional, desenvolveram essa teoria que defende a necessidade de as empresas terem a relação funcional entre as condições do ambiente e as técnicas,pois só assim ocorrerá o alcance eficaz dos objetivos. Além disso, admitem que a tecnologia é importante para o desenvolvimento empresarial, por isso, são necessárias as adaptações que ela traz. Ao aprendermos um pouco mais sobre as teorias, conseguimos identificar que elas foram passando da tarefa repetitiva (teoria da administração científica) para a autoridade (teoria burocracia) posteriormente para a ênfase nas pessoas (teorias das relações humanas) que fazem parte das empresas e, por fim, para uma relação funcional que permite a troca (teoria da contingência) entre ambiente, técnica e tecnologia. É importante salientar que as teorias são marcadas pelos contextos nos quais surgiram, por isso, algumas delas ressaltam os elementos de ordem normativa e prescritiva do comportamento dos sujeitos no interior das empresas, já outras demonstram a descrição e a interpretação desse mesmo comportamento. 6 O que acabam sendo vieses diferentes, pois umas normalizam e prescrevem e outras descrevem e interpretam o comportamento dos sujeitos que estão presentes no ambiente empresarial. O que acontece atualmente é que as teorias identificam nas organizações todas as questões, ou seja, as físicas, as políticas, as tecnológicas, as culturais e as econômicas, pois têm o objetivo de mostrar que consideram o todo e não só as partes, como antigamente. Por que existe a necessidade de as empresas atualmente considerarem o todo? Porque elas precisam garantir sua própria existência, pois elas são formadas por indivíduos que estão em constantes conexões. Mas isso não exclui o fato de que o objetivo principal da empresa é o lucro e que irão sempre priorizar mecanismos para garanti-lo. É importante destacar que a administração é complexa, por isso, segundo Chiavenato (2014), ela é simultaneamente uma ciência, pois obtêm fundamentos científicos, teóricos, factuais e evidenciais que foram analisados, experimentados e testados durante as décadas. Uma tecnologia, já que utiliza de técnicas, modelos, práticas e ferramentas baseadas nas teorias para facilitar a vida de quem a utiliza. E uma arte, pois é preciso uma leitura das situações com visão abrangente, inovadora e criativa para o objetivo de criar, mudar, inovar, transformar e resolver os problemas existentes. Com base no que estudamos até aqui, é possível concluir que as teorias não são contrárias umas às outras, e sim que elas se complementam. Porém, para entendermos um pouco mais sobre a administração, vamos ver em nosso próximo tema sua evolução no decorrer das décadas. TEMA 2 – FASES DA EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA ADMINISTRAÇÃO Como já estudamos, a Revolução Industrial teve seu início na Inglaterra em 1776 quando James Watt (1736 – 1819) criou as máquinas a vapor e foi muito mais que uma evolução, pois causou rupturas em modelos de produção da época, ocasionando problemas administrativos existentes nas pequenas empresas. Por esse fato, autores da área da administração citam que a Revolução Industrial teve duas fases, sendo a primeira de 1780 a 1860 em que a matéria- prima básica da indústria era o ferro, e a fonte de energia, o carvão. A segunda 7 ocorreu entre 1860 e 1914, quando a matéria-prima básica se tornou o aço, e a fonte de energia passou a ser a eletricidade e os derivados de petróleo. Mas será que com essas duas fases da Revolução Industrial as empresas também se desenvolveram? Segundo Andrade (2009), a partir da mudança da matéria-prima e da fonte de energia, houve grandes avanços na área empresarial e, assim, consequentemente na sua administração. Chiavenato (2003) dividiu a evolução das empresas em seis fases, sendo elas: • 1ª Fase – Artesanal (da antiguidade até 1780): nesse tempo, a evolução da humanidade se deu de forma muito lenta, pois a sociedade era baseada na agricultura e na fabricação de produtor de forma artesanal, ou seja, eram em pequenas escalas. • 2ª Fase – Transição do Artesanato para Industrialização (1780 – 1860): como vimos anteriormente, nesse período, a matéria-prima básica ainda era o ferro e a fonte de energia ainda era o carvão. Mas foi aqui que ocorreu a implantação da máquina a vapor e, assim, as pequenas oficinas começaram a crescer, apresentando o aumento na produção das indústrias e a necessidade de buscar novos mercados, sem deixar de citar que os transportes ganharam grande importância nesse momento. • 3ª Fase – Desenvolvimento Industrial (1860 – 1914): conhecida como a Segunda Revolução Industrial, pois o ferro foi substituído pelo aço e a fonte de energia deixou de ser o carvão e passou a ser a eletricidade e os derivados do petróleo. Ocorreram também grandes invenções, como os motores elétricos e os motores a explosão, determinando o surgimento das primeiras fábricas de automóveis. Foi nessa fase que os problemas administrativos surgiram e, consequentemente, a primeira teoria da Administração provém a Teoria Científica da Administração em 1903. • 4ª Fase – Gigantismo Industrial (1914 – 1945): na história mundial, estavam ocorrendo as grandes guerras mundiais, acarretando grandes revoluções econômicas. Ficou em evidência o poder das grandes indústrias por meio da capacidade de gerar riquezas, criar empregos e determinar o que se devia consumir. • 5ª Fase – Moderna (1945 – 1980): essa foi a fase em que os países mais desenvolvidos se destacaram no cenário econômico mundial, deixando 8 em evidência a distinção entre os países de primeiro mundo e de terceiro mundo. A pesquisa e o desenvolvimento de novos produtos e matérias- primas, como plástico e seus derivados, ganharam força nesse período. • 6ª Fase – Globalização (1980 até os dias atuais): por fim, esta é a fase que iniciou nos anos 1980 e continua até os dias atuais, com conceitos de globalização da economia que se tornaram mais presentes na vida cotidiana da sociedade. Além disso, as comunicações tiveram grande um avanço, proporcionando o acesso às informações cada vez mais rápido, fazendo com que as culturas, os costumes e os hábitos de consumo tivessem mudanças significativas por meio do multiculturalismo e das trocas cada vez mais intensas entre os povos. Ao explicarmos sobre as seis fases da administração, conseguimos entender que em cada uma delas ocorreram marcos importantes que acarretaram o surgimento das teorias. Por isso, no próximo tema, iremos entender um pouco mais sobre a Teoria Geral da Administração, conhecida como TGA. TEMA 3 –TEORIA GERAL DA ADMINISTRAÇÃO (TGA) O que significa a palavra administração para você? Você já parou para pensar que com o decorrer das décadas o significado foi sendo modificado? Vejamos. A palavra administração vem do latim ad, que significa direção, tendência para, com a junção de minister, com o significado de subordinação ou obediência. Com isso, administração é aquele que presta um serviço a outro. Porém, segundo Chiavenato (2003): A palavra administração sofreu uma radical transformação em seu significado original. A tarefa da administração passou a ser a de interpretar os objetivos propostos pela organização e transformá-los em ação organizacional por meio de planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da organização, a fim de alcançar tais objetivos da maneira mais adequada à situação e garantir a competitividade em um mundo de negócios altamente concorrencial e complexo. (Chiavenato, 2003, p. 11) Dessa forma, a administração tornou-se, ao longo das décadas, um processo com atos de planejamento, organização, direção e controle para o uso de recursos, com o propósito de alcançar os objetivos das organizações. Não se 9 resumindo apenas à prestação de serviço para um superior, ou seja, mantendo a relação inicial de operário e patrão. Assim como aprendemos anteriormente que as teorias daadministração surgiram como uma resposta aos problemas empresariais relevantes de sua época e foram bem-sucedidas ao apresentarem soluções para as quais surgiram. Na medida em que a Administração apresentava essas soluções, outros novos problemas e novos desafios iam surgindo, por isso, foi necessário adaptar as teorias ou até mesmo modificá-las para que continuassem úteis e aplicáveis. Por isso, a TGA é a busca em estudar e discutir a administração em sua plenitude, como uma ciência, uma tecnologia e uma arte, principalmente como aquela nas organizações que garante a interação e a interdependência entre as suas seis variáveis. Podemos dizer então que a TGA é nada mais que o estudo de todas as teorias e, a partir disso, precisamos considerar que elas se acumulam, sem a exclusão de nenhuma contribuição, enfoque e especificação. Todas as teorias são válidas, cada uma tem sua abrangência complexa que permite encontrar os conhecimentos a respeito das organizações e do processo de administrá-las. Assim, no nosso próximo tema, iremos entender um pouco mais sobre a administração empresarial e quais as semelhanças e diferenças com a administração escolar. TEMA 4 – ADMINISTRAÇÃO EMPRESARIAL VERSUS ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR Uma empresa é igual a uma escola? E uma escola é igual a uma empresa? Você acha que existem diferenças entre esses dois âmbitos? E semelhanças? Já vimos que a administração é um processo que requer planejamento, organização, direção e controle de recursos para alcançar objetivos. Pensando assim, você acha que a administração empresarial e a administração escolar são a mesma coisa? É importante, de início, entendermos que a administração empresarial ocorre a partir de ações em gerir negócios, recursos ou pessoas com objetivo de alcançar metas já definidas anteriormente. É uma área do conhecimento que está fundamentada em um conjunto de princípios, normas e funções elaboradas para disciplinar a produção que visa sempre o alcance do produto final, com 10 otimização de lucros ou a melhor prestação de serviços, dependendo do ramo empresarial. Uma empresa não consegue sucesso e lucro sem uma boa administração, por isso, está visando sempre na finalidade em organizar estratégias e planos de ações adequados para sua área de atuação. E você acha que é diferente na escola? A administração escolar também consiste no conjunto de teorias sobre o sistema escolar, objetivando na organização e aplicação das condições essenciais para que o trabalho seja de qualidade e proporcione educação em seu ambiente. No entanto, os objetivos de cada uma das administrações citadas, empresarial e escolar, são diferentes. Já que na primeira temos um produto final tangível, o lucro, e na escola um fim que é difícil de mensurar, que consiste na aprendizagem, na formação e na socialização do aluno. De acordo com Paro (1999), a escola tem um caráter abstrato, pois presta serviços e lida diretamente com o humano, pois o aluno não é apenas beneficiário dos serviços, mas também participantes de sua elaboração. Assim, na escola, a “matéria-prima” precisa receber tratamento especial, diferente dos materiais que participam do processo de produção nas empresas. Na administração escolar, devemos considerar a democratização do ambiente, pois este deve ser igualitário, proporcionando a participação de todos, diferente do que ocorre em uma administração empresarial, por exemplo. Salientamos que a administração escolar democrática deve proporcionar momentos de reuniões que garantam esforços coletivos entre todos os envolvidos para que ocorra a compreensão e a aceitação de que a educação é um processo de emancipação humana. Assim, explicamos que a administração empresarial e a administração escolar apresentam semelhanças e diferenças e que cada uma delas tem suas particularidades, precisando ser consideradas como únicas, pois a escola não é local de visar lucro, mas sim de formação humana. TEMA 5 – TEORIAS ADMINISTRATIVAS E SUA RELAÇÃO COM A GESTÃO EDUCACIONAL Entendemos que a escola é uma instituição que proporciona o ensino- aprendizagem e a formação humana, assim, consequentemente, não é uma empresa que visa o lucro do produto final. 11 No entanto, podemos citar que existem semelhanças entre um âmbito e outro, por exemplo, as habilidades desenvolvidas nesses dois lugares: a liderança eficaz, a autonomia, o planejamento, entre outros que decorrem da administração e que foram influenciadas por suas teorias. Segundo Hora (1994), a gestão educacional tem seus fundamentos na Teoria Geral da Administração, já que se desenvolveu historicamente com base em três escolas: a primeira foi a clássica, que teve sua consolidação na Revolução Industrial; a segunda, a psicossocial, que foi baseada no movimento das relações humanas; e a terceira, a contemporânea, que ocorreu entre as décadas de 1970 e 1980, ao surgir questionamentos sobre novas perspectivas teóricas no âmbito da administração e consequentemente da educação. A escola, por muitos anos, principalmente por influência da Revolução Industrial, se manteve na teoria clássica, pois o modelo econômico exigia da sociedade uma preparação de mão de obra técnica e qualificada e, assim, foi preciso que a escola tivesse o papel de treinar e instrumentalizar apenas para o mercado de trabalho. Por isso, podemos dizer que a administração educacional herdou como referencial as teorias em relação à estrutura, o funcionamento do sistema e nos modelos organizacionais, por isso, encontramos semelhanças entre elas. Para Libâneo (2007, p. 316) o que norteia a prática escolar é “dispor de forma ordenada, dar uma estrutura ao planejamento e, principalmente, a ação de prover as condições necessárias para realizá-la”. Assim, as escolas existem para desenvolver aprendizado e saberes por meio do ensino. Por isso, autores da área da educação sempre reforçaram que a administração escolar precisa que seus princípios sejam com viés no conhecimento e não empresarial, pois deve sempre prevalecer a intenção de formação do indivíduo em sua plenitude e não de lucrar com esse processo. NA PRÁTICA Chegamos ao momento prático da nossa aula! Vamos colocar a mão na massa? Agora que você já conhece um pouco sobre a história da administração e a influência na administração escolar, vamos refletir sobre as teorias da administração. Faça uma breve pesquisa na internet sobre cada teoria da administração e preencha o quadro a seguir. Tendo como base o que você aprendeu em 12 nossos estudos, em sua pesquisa e com suas experiências pessoais e profissionais, justifique por que é importante conhecermos sobre as teorias da administração e quais foram as contribuições para a educação. TEORIA UM POUCO MAIS SOBRE... Teoria da Administração Científica Teoria Clássica Teoria da Burocracia Teoria Estruturalista Teoria das Relações Humanas Teoria Comportamental Teoria do Desenvolvimento Organizacional Teoria dos Sistemas Teoria da Contingência Novas abordagens da Administração JUSTIFICATIVA: _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ _______________________________________________________________ FINALIZANDO Nesta aula, demos o primeiro passo rumo a essa área tão encantadora e, ao mesmo tempo, desconhecida por muitos. Por isso, iniciamos aprendendo que administração, independentemente do seu âmbito, é uma ciência,uma tecnologia e uma arte. E que foi a partir da Revolução Industrial que foi consolidada como uma área com teorias. Compreendemos, também, que a Revolução Industrial foi um marco na história da humanidade e, por isso, sua influência não ocorreu apenas na área da administração, mas também em toda a sociedade, acarretando uma 13 economia capitalista voltada para a mão de obra e proporcionando, com o decorrer dos anos, a evolução da tecnologia. Aprendemos, também, que na história da administração surgiram teorias conforme as necessidades da sociedade e que atualmente estas podem ser agrupadas em seis ênfases. Por isso, concluímos que elas não são contrárias umas às outras, e sim complementares, cada uma com sua abrangência, permitindo encontrar os conhecimentos necessários em como administrar as organizações. Percebemos, então, que a teoria geral da administração, conhecida como TGA, é a busca constante em estudar, discutir e refletir as teorias da administração com o objetivo de garantir a interação e a interdependência entre elas. Além disso, conseguimos, ainda, compreender que a gestão educacional tem seus fundamentos na TGA e que, por muitos anos, se manteve na teoria clássica, pois o modelo econômico exigia uma preparação de mão de obra técnica e qualificada, e a escola precisava treinar e instrumentalizar para o mercado de trabalho. Já a escola atual preza pelo processo de ensino-aprendizagem e tem como objetivo principal a formação do aluno em sua plenitude, considerando este como um sujeito que deve ser reconhecido no mundo e para o mundo. Por isso, podemos dizer que a administração escolar tem relações com as teorias administrativas e, principalmente, com as influências da administração empresarial, porém, elas são diferentes, já que seus objetivos são opostos, uma precisa visar o lucro, e a outra, a formação humana. É importante salientar que a empresa também deve prezar pela formação humana, mas o seu objetivo final não é esta, e sim o lucro. Assim, como as escolas, principalmente as particulares, o objetivo principal é a garantia da formação humana, mas também visam o lucro. Nas próximas aulas, iremos entender um pouco mais sobre o ambiente empresarial e escolar. Seguimos juntos. Bons estudos! 14 REFERÊNCIAS ANDRADE, R. Teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Elsevier, 2009. CHIAVENATO, I. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7. ed. São Paulo: Elsevier, 2003. _____. Introdução à teoria geral da administração. 9. ed. São Paulo: Manole, 2014. HORA, D. Gestão democrática na escola: artes e ofícios da participação coletiva. Campinas: Papirus, 1994. LIBÂNEO, J. C; OLIVEIRA, J; TOSCHI, M. Educação escolar: politicas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2007. PARO, V. Administração escolar: introdução crítica. 8. ed. São Paulo: Cortez, 1999.