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Autismo 5 
Características 6 
Desenvolvimento social 8 
CONTEXTO HISTÓRICO DO AUTISMO 9 
INCLUSÃO DAS CRIANÇAS AUTISTAS 12 
Inclusão Escolar, Familiar e Aprendizagem de Alunos com TEA 15 
O que o educador precisa saber 17 
Orientações de como trabalhar com alunos Autistas 22 
DIFICULDADES DOS ALUNOS COM AUTISMO NA ESCOLA E ESTRATÉGIAS DE 
COPING DAS EDUCADORAS. 24 
AUTISMO E INCLUSÃO ESCOLAR NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL32 
A INCLUSÃO DE UMA JOVEM COM AUTISMO NO ENSINO MÉDIO NA PERSPECTIVA 
DE SEUS PROFESSORES E COLEGAS 38 
TÉCNICAS UTILIZADAS NA EDUCAÇÃO DOS AUTISTAS 43 
Trajetória de um aluno autista no Ensino Técnico em Informática 50 
O PAPEL DO PROFESSOR FRENTE À INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM AUTISMO 63 
O LÚDICO NA APRENDIZAGEM DA CRIANÇA COM AUTISMO: ROMPENDO A 
CÁPSULA 72 
Desenvolvimento da linguagem 85 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 90 
Referências 91 
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Autismo 
O ​transtorno do espectro do autismo (​TEA ​), conforme denominado pelo ​DMS-5​, 
o Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais, também conhecido 
pela sua denominação antiga (​DSM IV​): ​autismo ​, é um transtorno neurológico 
caracterizado por comprometimento da interação social, comunicação verbal e não 
verbal e comportamento restrito e repetitivo. Os sinais geralmente desenvolvem-se 
gradualmente, mas algumas crianças com autismo alcançam o marco de autismo é 
altamente hereditário, mas a causa inclui tanto fatores ambientais quanto 
predisposição genética. Em casos raros, o autismo é fortemente associado a 
agentes que causam defeitos congênitos. Controvérsias em torno de outras causas 
ambientais propostas; a hipótese de danos causados por vacinas são 
biologicamente improváveis e têm sido relatadas em estudos científicos. Os critérios 
diagnósticos exigem que os sintomas se tornem aparentes antes da idade de três 
anos. O autismo afeta o processamento de informações no cérebro, alterando a 
forma como as células nervosas e suas sinapses se conectam e se organizam; 
como isso ocorre ainda não é bem compreendido. Transtornos antes classificados 
separadamente, como a Síndrome de Asperger e o Transtorno global do 
desenvolvimento sem outra especificação — comumente abreviado como 
PDD-NOS (sigla em inglês) ou TID-SOE (sigla em português) — hoje fazem parte 
de uma única classificação diagnóstica, tanto no ​DMS-5 (código 299.0) quanto na 
CID​-11 (código 6A02),o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA).
Intervenções precoces em deficiências comportamentais, cognitivas ou da fala 
podem ajudar as crianças com autismo a ganhar autonomia e habilidades sociais e 
de comunicação. Embora não exista nenhuma cura conhecida, há relatos de casos 
de crianças que se recuperaram. Poucas crianças com autismo vivem de forma 
independente depois de atingir a idade adulta, embora algumas tenham sucesso. 
Tem se desenvolvido uma cultura do autismo, com alguns indivíduos buscando uma 
cura enquanto outros creem que o autismo deve ser aceito como uma diferença e 
não tratado como um transtorno.
Desde 2010, a taxa de autismo é estimada em cerca de 1–2 a cada 1.000 pessoas 
em todo o mundo, ocorrendo 4–5 vezes mais em meninos do que meninas. Cerca 
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https://pt.wikipedia.org/wiki/DSM-5
https://pt.wikipedia.org/wiki/DSM_IV
https://pt.wikipedia.org/wiki/DSM-5
https://pt.wikipedia.org/wiki/Classifica%C3%A7%C3%A3o_Estat%C3%ADstica_Internacional_de_Doen%C3%A7as_e_Problemas_Relacionados_com_a_Sa%C3%BAde
de 1,5% das crianças nos Estados Unidos (uma em cada 68) são diagnosticadas 
com ASD, a partir de 2014, houve um aumento de 30%, uma a cada 88, em 2012. 
Em 2014 e 2016, os números foram de 1 em 68. Em 2018, um aumento de 15% no 
diagnóstico elevou a prevalência em 1 para 59 crianças. A taxa de autismo em 
adultos de 18 anos ou mais no Reino Unido é de 1,1% o número de pessoas 
diagnosticadas vem aumentando drasticamente desde a década de 1980, em parte 
devido a mudanças na prática do diagnóstico e incentivos financeiros subsidiados 
pelo governo para realizar diagnósticos; a questão se as taxas reais têm aumentado 
realmente, ainda não é conclusiva. 
No Brasil, ainda não há número precisos, muito menos oficiais a respeito de 
epidemiologia dos casos de autismo. O único estudo brasileiro sobre epidemiologia 
de autismo, foi feito em 2011, um estudo-piloto ainda numa amostragem pequena, 
apenas 20 mil pessoas, num bairro da cidade de Atibaia (SP), resultando em 1 caso 
a cada 367 crianças. Em 5 de novembro de 2018, a Spectrum News lançou um 
mapa-múndi online​, em inglês, com todos os estudos científicos publicados de 
prevalência de autismo mundo afora. 
 
 
Características 
 
 
O autismo é um transtorno neurológico altamente variável, que aparece pela 
primeira vez durante a infância ou adolescência e geralmente segue um curso 
estável, sem remissão. Os sintomas evidentes começam gradualmente após a 
idade de seis meses, mas geralmente estabelecem-se entre os dois ou três anos e 
tendem a continuar até a idade adulta, embora muitas vezes de forma mais 
moderada.​1 Destaca-se não por um único sintoma, mas por uma tríade de sintomas 
característicos: prejuízos na interação social, deficiências na comunicação e 
interesses e comportamento repetitivo e restrito. Outros aspectos, como comer 
atípico também são comuns, mas não são essenciais para o diagnóstico. Os 
sintomas individuais de autismo ocorrem na população em geral e não são sempre 
associados à síndrome quando o indivíduo tem apenas alguns traços, de modo que 
não há uma linha nítida que separa traços patologicamente graves de traços 
comuns. 
Essa situação é lamentável, tendo em vista que a intervenção precoce está 
associada a ganhos significativos no funcionamento cognitivo e adaptativo da 
 
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https://prevalence.spectrumnews.org/
criança. Alguns estudiosos tem até mesmo sugerido que a intervenção precoce e 
intensiva tem o potencial de impedir a manifestação completa do TEA, por coincidir 
com um período do desenvolvimento em que o cérebro é altamente plástico e 
maleável. Não é surpreendente, portanto, que a busca por sinais precoces do 
autismo continua sendo uma área de intensa investigação científica. Alguns 
marcadores potencialmente importantes no primeiro ano de vida incluem 
anormalidades no controle motor, atraso no desenvolvimento motor, sensibilidade 
diminuída a recompensas sociais, afeto negativo e dificuldade no controle da 
atenção. São sinais sugestivos no primeiro ano de vida: 
- perder habilidades já adquiridas, 
 como balbucio ou gesto dêitico de alcançar, contato ocular ou sorriso social; 
- não se voltar para sons, ruídos e vozes no ambiente; 
- não apresentar sorriso social; 
- baixo contato ocular e deficiência no olhar sustentado; 
- baixa atenção à face humana (preferência por objetos); 
- demonstrar maior interesse por objetos do que por pessoas; 
- não seguir objetos e pessoas próximos em movimento; 
- apresentar pouca ou nenhuma vocalização; 
- não aceitaro toque; 
- não responder ao nome; 
- imitação pobre; 
- baixa frequência de sorriso e reciprocidade social, bem como restrito 
engajamento social (pouca iniciativa e baixa disponibilidade de resposta) 
- interesses não usuais, como fixação em estímulos sensório-viso-motores; 
- incômodo incomum com sons altos; 
- distúrbio de sono moderado ou grave; 
- irritabilidade no colo e pouca responsividade no momento da amamentação; 
A avaliação formal do Desenvolvimento Neuropsicomotor é fundamental e 
indispensável e faz parte da consulta pediátrica. 
 
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Desenvolvimento social 
Déficits sociais distinguem o autismo dos transtornos do espectro do autismo de 
outros transtornos do desenvolvimento​. As pessoas com autismo têm prejuízos 
sociais e muitas vezes falta a intuição sobre os outros que muitas pessoas 
consideram trivial. A notável autista Mary Temple Grandin descreveu sua 
incapacidade de compreender a comunicação social de neurotípicos (nomenclatura 
utilizada para se referir a pessoas com o desenvolvimento neural normal), como 
"sentindo-se como uma antropóloga em Marte". 
 
 
 
 
 
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CONTEXTO HISTÓRICO DO AUTISMO 
 
O primeiro autor a escrever sobre o autismo foi o médico austríaco Leo 
Kenner, em um hospital nos Estados Unidos. Leo Kanner havia observado 
um dos seus primeiros pacientes descritos neste estudo clássico em 1938. Ao 
todo, seu trabalho incluía descrição de onze crianças: oito meninos e três 
meninas (KANNER, 1943). 
Leo Kanner usou essa palavra autismo em 1943 para descrever uma série de 
sintomas que observava em alguns de seus pacientes. Com o passar dos 
anos, porém, ficou provado que essas crianças apresentavam apenas uma 
das manifestações de autismo, definindo o autismo como um transtorno que 
se estruturava nos dois primeiros anos de vida. 
De acordo com a pesquisa de diversos autores, sabemos que é possível 
detectar o autismo logo nos primeiros meses de vida, por meio da realização 
de diagnósticos é possível identificá-lo. Para chegarem a essa conclusão os 
autores investigaram mais de 80 crianças, onde a maioria era do sexo 
masculino, sendo assim, a maior probabilidade do autismo ocorrer é em 
crianças do sexo masculino. No entanto, os autores acharam que os 
resultados obtidos não eram para todos os tipos de autismo e que ainda 
precisam fazer um estudo mais aprofundado dos casos. 
Identificar o autismo nos tempos atuais é necessário passar por diferentes 
especialistas para chegar a um diagnóstico eficaz. (déficit compulsivo, 
agressivos, deficiência mental, transtornos emocionais e personalidades de 
esquizoide). Diante dos diagnósticos apresentados, existem uns mais 
frequentes: dificuldade de interação social, dificuldades de se expressar, 
comportamentos inadequados e outros mais. Disse Kenner que as pessoas 
podem até achar estranho, mas deficiência mental não é uma característica 
diagnóstica do autismo. 
 
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O autismo apresenta diversas características umas mais visíveis de serem 
identificadas e outras mais difíceis de serem percebidas. Alguns dos sintomas 
podem ser apresentados como: 
● Dificuldades da fala 
● Dificuldades nas relações interpessoais (alguns preferem viverem 
sozinhos em seu mundo, outros já escolhem uma pessoa para se 
relacionar, ou seja, ser amigo apenas de uma pessoa). 
● Apresentam dificuldades na leitura e escrita e são melhores em 
cálculos 
● Comunicam-se através de gestos quase não usam a fala 
● Alguns apresentam crises de risos e ataques eufóricos. 
 
Segundo as observações de Kenner, a única coisa que realmente é comum 
em todas as crianças são as dificuldades em ter relações interpessoais. 
Considerava algumas características apresentadas em partes secundarias 
como um atraso na linguagem, ou seja, na fala. E dessas onze crianças, oito 
delas se desenvolviam bem na fala, porém não tinham muita interação no 
meio em que viviam. 
Para JEAN PIAGET 
 
 
 
Via o autismo e o pensamento autista como um primeiro estágio no desenvolvimento da inteligência das 
crianças normais. De novo, Piaget não empregava o termo autismo sem a conotação moderna. Ele via a 
inteligência originando-se de fenômenos sensitivo-motores não direcionados e, portanto, autistas. Jean Piaget 
(1936, apud BENDER, 1959). 
 
 
 
 
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Segundo Piaget o autismo era um dos primeiros estágios de desenvolvimento 
de inteligências das crianças. Enxergava as crianças autistas como um ser 
muito inteligente. E esse pensamento de Piaget não era exposto de acordo 
com a realidade vivida e sim como um sonho imaginário dele. 
Kenner destacou que fisicamente essas crianças eram expostas como 
normais. Pois todos tinham muita inteligência e suas habilidades eram mais 
nas áreas de exatas, cálculos e artes e que também a maiorias dessas 
crianças tinham pais que já eram formados em faculdades isso na era em que 
mulher mal poderia nem se quer estudar e imagina ser formadas em 
faculdades. 
Na visão de Kenner os pais quando tinham crianças autistas eram distantes e 
não se importavam com seus filhos. Para eles os filhos eram normais e não 
precisam de um olhar diferenciado, mas, em suas anotações pessoais, 
destacava que poucas vezes em sua prática clínica ele identificava crianças 
tão bem observadas por seus pais. 
De acordo com os artigos de Kenner, ele não afirma com clareza se a 
psicodinâmica é a origem de onde surge o autismo, mas existe essa hipótese, 
porque ao observar as crianças o mesmo percebeu que a maioria não 
possuía capacidade para ter certo contato afetivo e biológico em seus 
desenvolvimentos e havia grandes possibilidades das crianças não terem 
personalidades dos seus pais, e então daí surgiu uma dúvida de que esse 
transtorno seja relacionado à psicodinâmica. 
Nos anos 70 Kenner, buscou ter novamente contando com seus 11 
pacientes, onde com duas delas ele não obteve mais contato, pois uma havia 
morrido aos 29 anos. E do grupo de crianças que ele observou apenas duas 
tiveram sucesso na sua vida profissional e nos relacionamentos com a 
sociedade. E os outros permaneceram internados em clínicas para 
deficientes sem se quer ter contato nenhum com os pais. Já para as crianças 
que obtiveram sucesso foi considerado como um marco, pois assim 
conseguiram interagir na sociedade e ter uma comunicação eficaz e ser igual 
às outras pessoas. 
 
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Com o passar do tempo os autores tomaram conhecimento do 
posicionamento de Kenner em relação aos autistas e acabaram adotando 
quase a mesma teoria para darem uma designação sobre essas crianças. 
Daí surge à teoria de Asperger onde ele disse que as crianças tinham uma 
inteligência preservada e o desenvolvimento na linguagem era normal, mas 
aparentava sim sintomas de autismo e comprometimentos nas habilidades 
sociais. 
Segundo Bosa (2002), são chamadas Autistas as crianças que tem 
inadaptação para estabelecer relações normais com o outro, um atraso na 
aquisição da linguagem e, quando ela se desenvolve, umaincapacitação de 
lhe dar um valor de comunicação. 
Rivière (2004), entre outros estudiosos, apontam para a intervenção 
pedagógica como um dos grandes aliados ao tratamento de pessoas com 
autismo. Não se sabe ainda como curar um autista, mas, reduzir a 
dependência talvez seja o caminho dos atendimentos e dos processos 
recomendados. As limitações de comunicação, os comportamentos 
indesejados, associados ao isolamento, talvez sejam, dentre outros sintomas, 
os motivos da busca pela melhor intervenção terapêutica e psicopedagógica. 
Já na década de 90, quase todos os autores começaram a aceitar que o 
autismo infantil era uma doença neurológica orgânica, se haver psicogênico, 
com etiologia na genética. As causas do Autismo ainda são desconhecidas, 
consistindo o problema da etiologia, Sendo um tema base de intensas 
pesquisas de conceituados estudiosos na área. Segundo Bosa e Callis (2000) 
apontam que há dois grandes blocos de teorias que se opõem, sendo essas 
as teorias psicogenéticas e biológicas. 
 
INCLUSÃO DAS CRIANÇAS AUTISTAS 
 
 
 
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A inclusão do aluno autista no ensino regular é um direito garantido por lei, 
como fala no capítulo V da (LDB) lei de Diretrizes e Bases, 9394/96 que trata 
sobre a educação especial. Ela deve visar à integração afetiva do Aprendente 
(a vida em sociedade). Assim como aponta também na constituição federal, a 
convenção sobre os direitos das pessoas portadoras de deficiências que deve 
ser oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, assegurando aos 
mesmos, currículo, métodos, técnicas, recursos educativos específicos para 
atender às suas necessidades, dentre outros. (BRASIL, 1996), estatuto da 
criança e do adolescente que também assegura o acesso a regular a escola 
para todos. 
Pensando no conteúdo político envolvendo essa proposta pedagógica, a 
formação dos educando é uma educação que será levada para a vida toda. 
Visto que há (ou poderia ser), a sua preparação para ter boa atuação na vida 
pública. 
Deste modo, deveríamos buscar entender a Educação Especial, precisa de 
uma elaboração política focada em modalidades práticas para que haja 
reconhecimento sobre as competências e a notificação de experiências para 
que não haja aprendizado apenas formal, e nos currículos não se inclui 
apenas conteúdo, mas também as práticas vivenciadas no cotidiano para que 
haja envolvimento, interação e motivação em busca de objetivos de 
interesses comuns. 
Assim como MAZZOTTA diz: 
 
 
A inclusão da “educação de deficientes”, da “educação dos excepcionais” ou da “educação especial” na política 
educacional brasileira vem a ocorrer somente no final dos anos cinquenta e início da década de sessenta do 
século XX. (MAZZOTTA, 1996, p. 27). 
 
 
A inclusão escolar como prática que visa atender as necessidades educativas 
de cada aluno, incluindo-os em salas normais, de ensino regular, buscando 
desenvolver a aprendizagem e o desenvolvimento necessário de todos na 
inclusão. Os alunos devem ter possibilidade de integrar-se no ensino regular, 
mesmo aqueles com dificuldades, com transtornos globais. A escola deverá 
 
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ter consciência e adaptar-se com o objetivo de atender todos os alunos ali 
inseridos, com quaisquer necessidades. 
A inclusão é de suma importância, pois assim estarão garantindo a 
convenção entre adolescentes, crianças que tenha ou não alguma 
deficiência, promovendo o aprendizado de respeito e tolerância as diferenças, 
transformando a educação inclusiva também em sociedade com inclusão. 
Segundo Mittler (2000) a inclusão tem como intuito garantir que todas as 
crianças façam parte de um grupo, comunidade, e de um sistema de ensino 
que possa oferecer oportunidades, assim como as demais crianças que não 
possuem nenhuma necessidade especial, na tentativa que essas crianças 
sejam incluídas e escapem dos preconceitos e isolamento. 
Para garantir a inclusão é necessário haver salas de professores 
especializados é indispensável contar com salas de apoio para obter maior 
êxito na inclusão desses alunos. Sendo que esse professor não necessita ser 
exclusivo de apenas uma escola, podendo ele trabalhar em grupos com 
várias escolas, sendo especializado e saber realizar atividades de integração 
eficaz, realizar avaliações precisas, traçando estratégias, organizar métodos 
de trabalho. Principalmente demonstrando que trabalha com crianças 
transmitindo tudo ao professor seja ele de sala regular ou não. 
Sendo assim, educar uma criança autista é um grande desafio, e também um 
grande privilégio, segundo Bereohff “é uma experiência que leva o professor 
questionar suas ideias sobre desenvolvimento, educação normalidade e 
competência profissional” (1994, p.11). 
 
 
 
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Inclusão Escolar, Familiar e Aprendizagem de Alunos com TEA 
 
 
Incluir um aprendente autista no âmbito escolar no ensino regular necessita 
de atenção, levando em consideração que, por mais que a escola tenha 
estrutura e metodologia específica para trabalhar com essas crianças, a 
família é o gancho na interação com a escola, pois ambas devem manter uma 
constante participação, estando sempre em contato direto na vida do 
discente, para obter resultados significativos no desenvolvimento cognitivo e 
interpessoal dessas crianças. 
Por serem estas as características mais visíveis no autismo. Com isso, os 
professores e psicopedagogos devem avaliar com o objetivo de descobrir 
quais mecanismos há em seu alcance para poder aplicar recursos educativos 
relacionados à necessidade de cada educando. As estereotipias são 
mecanismos de expressão, com Aprendente autistas deve-se ter cuidado ao 
controlar as estereotipias. 
Tem grande importância às atividades de desenvolvimento para o raciocínio 
lógico, autonomia intelectual e que tenham prazer em buscar pensamentos 
inovadores. Os professores podem aplicar atividades que proporcionem 
prazer aos alunos quando as praticarem, dando a eles oportunidade de maior 
interação, incentivando a imaginação de descobertas. Porém se sabe que 
logo no começo do processo de ensino das crianças com necessidades 
educativas especiais relacionadas ao autismo, o professor pode se sentir 
inapto a interagir com as mesmas. Deste modo, sua sensação é que, a 
criança se recusa a interagir com o professor, não querendo aprender nada 
proposto por ele. 
 
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Devemos dizer que o desenvolvimento de uma criança irá depender dos 
recursos de ensino usados pelo professor, tendo em mente que mesmo, que 
a criança sendo portadora de síndrome não deixe de ser criança, então 
devem ser tratadas com cuidado, havendo respeito à limitação de cada uma. 
Os métodos de ensino utilizados devem ser de diversas maneiras, 
proporcionando o apoio e o desenvolvimento, sendo estes adequados a todos 
os envolvidos na prática. Com isso, o docente sempre deverá ter consciência 
clara sobre qual é o seu papel, e saber que através do ensino o discente irá 
aprender a adquirir conhecimentotendo consciência de si próprio. 
Uma rotina de avisos e transição será uteis para uma criança portadora de 
autismo, sabendo que a flexibilidade é algo importante na vida e que precisa 
ser trabalhado, um exemplo são coisas diferentes que acontecem no 
ambiente escolar, tipo quando a chegada um professor novo ou viagem de 
campo vão causar ansiedade e desconforto a ela. Por isso necessitam de um 
aviso com pelo menos uns cinco minutos de antecedência; 
O educador necessita estar ciente que o trabalho com essas crianças, é um 
processo continuo demorado paciente, até mesmo porque uma das 
características do TEA é a falta de atenção, pois, a atenção deste está 
sempre comprometida, e para o professor atrair sua atenção ele necessita de 
utilizar recursos didáticos de modo que ele irá envolver a atenção da criança 
conseguindo então trabalhar e desenvolver-se com ela, tanto a parte social, 
quanto a parte motora. Usar atividades lúdicas, como por exemplo, 
brincadeiras que prenda a atenção dessas crianças (futebol, jogos 
estimulando a coordenação motora e envolvendo a interação social, junto 
com a ajuda dos seus colegas de sala, visando em algo que o faça interagir 
no meio em que ele está inserido). 
Segundo SCHWARTZMAN EASSUNÇÃO JUNIOR: 
 
 
Quanto mais significativo para a criança forem os professores, maiores serão as chances dela promover novas 
aprendizagens, ou seja, independente da programação estabelecida, ela só ganhará dimensão educativa 
quando ocorrer uma interação entre o aluno autista e o professor (SCHWARTZMAN EASSUNÇÃO JUNIOR, 
1995). 
 
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Profissionais e familiares possuem funções importantes para construírem 
ações inclusivas voltadas aos discentes portadores de autismo, as atividades 
devem ser elaboradas com o intuito de propiciar autonomia. E necessário ter 
um profissional qualificado (psicopedagogo) dando assistência ao professor 
em sala de aula. Se caso o aluno não tenha total autonomia, pois há grandes 
dificuldades para um único educador atender a todos os alunos da classe. 
Por isso, faz-se necessário haver um profissional auxiliando o professor em 
sala. Podendo este ser um cuidador, ficando responsável para dar suporte ao 
professor, trabalhando as necessidades básicas das crianças com exemplo 
auxiliar na parte da higiene, e também com as tarefas escolares. Deste modo, 
o professor conseguirá trabalhar com toda a turma atendendo a sua 
demanda. 
 
O que o educador precisa saber 
 
Em primeiro lugar, é preciso entender o que é autismo e suas principais 
classificações, tendo foco que uma das partes mais afetadas é a interação 
social, podendo a criança apontar dificuldades em brincar em ter contato 
visual interesses restritos por objetos etc. após entender e conhecer a 
síndrome faz-se necessário observa as características de cada aluno, 
observar qual seu comportamento diante das atividades propostas em sala de 
aula para assim poder trabalhar métodos de ensino diversificados e sempre 
estar aproveitando o conhecimento de mundo que cada Aprendente venha 
demonstrar em sala. 
Afirma VYGOTSKY que: 
 
 
 
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O professor deve ter consciência de sua importância como mediador e compreender que cada criança dentro de 
sala de aula se desenvolve, amadurece e aprende de forma particular, ou seja, atinge expectativas de 
aprendizagens únicas e que a todo tempo deve ser valorizada e estimulada a atingir níveis cada vez mais 
elevados (VYGOTSKY, 1978 apud SANTOS, 2013, p.13). 
 
 
Uma criança aprende de forma natural, espontânea, por meio de brincadeiras que 
evolvam pais, colegas e professores no ambiente escolar. Onde possam adquirir 
habilidades e criarem vínculos de amizades. 
Já para as crianças autistas não ocorre da mesma forma, para elas há uma relação 
diferente entre o sentido e o cérebro. As informações obtidas não são transformadas 
totalmente em conhecimentos. O professor tem que estar ciente das diferenças de 
cada aluno, que as crianças estarão ali para aprender e não apenas para ter uma 
socialização, mas que também são capazes de adquirir múltiplos conhecimentos. 
Para um autista é necessário que seja explicado à função dos objetos, devido a 
terem dificuldades de compreendê-los. Não é sempre que uma criança vê uma bola, 
e de imediato quer chutá-la, sendo que é possível criar estereotipias e formas 
incomuns de manuseio. 
Destarte, das leituras que tudo passará a ter certo valor pedagógico, tais como: 
habilidades, usos e todas as atividades da vida diária devem ser exercitados. O 
portador de autismo tem uma atração relevante por objetos que balançam e rodam. 
Maria Montessori diz que a criança cria a própria “carne mental’’, usando as coisas 
que estão no seu ambiente”. Ela chama a mente da criança de “mente absorvente”. 
Os autistas tem a visão, o tato sensíveis, às vezes não suportam locais com 
barulhos e acabam se assustando. Mas, na maioria das vezes são atraídos por 
algum ruído, fica preso a algo presente no ambiente. Devido a isso é necessário que 
fale baixo e seja mantido sempre um ambiente tranquilo. Porém, sempre há algo 
que fica fora do nosso controle. Sendo assim, cabe ao professor tranquilizar seu 
aluno, distraindo sua atenção para outras atividades, podendo ser atividades 
pedagógicas. 
Ferrari (2007) observa que o autista viveria em mundo de feito de experiências 
globais fracionadas, sem coesão interna, construindo a possibilidade de existência 
de uma deficiência no âmbito de alguns processos. Gardner (2000) observava que 
de modo geral, as crianças aprendem os valores e as habilidades de sua cultura, 
observando os adultos e imitando-os. 
 
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Mas, no caso do autista não ocorre de maneira imediata, desse modo é importante 
haver objetos que levam a esse fim, atividades que ocupam todo o ambiente (correr, 
pular, jogar futebol). É de mera importância que o autista participe com as outras 
crianças de brincadeiras. 
A criança típica aprende as coisas com mais facilidade exemplo: aprende rápido o 
que é um objeto, para que serve e como utilizá-lo. Porém, a criança autista tem 
dificuldades de reconhecer um objeto e a sua utilidade. Devido a isso passam a ter 
defeitos na linguagem. 
Para o autista nada é simples de compreender tudo precisa de objetivo e função. No 
ambiente escolar atuação de profissionais capacitados é fundamental, pois em 
muitos casos de autismo foi percebido no ambiente escolar. Na escola é preciso 
haver afeto, atenção, estímulos para conduzir o Aprendente na sua aprendizagem, 
na educação o caminho é mostrado por quem aprende e não por quem ensina. 
Segundo apud SANTOS VYGOTSKY: 
 
 
O docente atua como mediador no desenvolvimento da criança, ele proporciona atividades que as 
estimulem a conhecer e a desenvolver novas habilidades, atuando desta forma na Zona de 
Desenvolvimento Proximal (Z.D.P.), neste período a criança se encontra com as novidades de seu 
meio social e passa por um processo de interação com o meio e amigos de várias faixas etárias 
(VYGOTSKY, 1978 apud SANTOS, 2013, p.13). 
 
 
 
Saber que a criança autista precisa de ajuda parater boas interações sociais, 
assim cabe ao docente ter paciência e ajudar essa criança a progredir na sua 
trajetória de vida. 
Todos os educadores que trabalhem com crianças portadoras de transtornos 
precisa ter um olhar amplo, não focando apenas na dificuldade em si que a 
criança possui, mas, também ver o que pode ser feito de melhor para que a 
criança se desenvolva na aprendizagem. Buscando ser aquele educador 
profissional que pensa no bem estar de sua sala de aula, entendendo que 
antes de qualquer dificuldade em que o Aprendente possa apresentar, 
 
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mesmo assim dará retorno ao professor àquilo que foi lhe ensinado, talvez 
não seja do modo que foi passado pelo professor, mas apresentará retorno 
de algo que aprendeu apesar de todas as dificuldades que uma criança 
autista tenha a mesma irá desenvolver um aprendizado significativo. 
Em autistas a ecologia poderia cumprir função comunicativa, mas pode haver 
dificuldades de compreensão. Para que haja uma boa relação com 
Aprendente autistas, o professor (educador) deverá sempre agir e utilizar 
expressões claras e objetivas. Chamando-o pelo nome e distinguindo 
desejos, vontades e necessidades. Com o intuito de que haja o 
funcionamento da linguagem entre os autistas, é de suma importância que o 
significado da palavra seja percebido antes do seu uso, por meio da 
codificação simbólica de experiências. 
Mesmo com déficit cognitiva, muitos autistas mostram-se aptos e 
desempenham em Campos específicos. Em todo o tempo o foco deverá ser 
mantido no indivíduo autista, pois, suas aptidões servem como pulseiras para 
novas habilidades. É comum que haja alunos com hiperatividade e com déficit 
de atenção no âmbito escolar, não há uma casa única para o TDAH. 
DUL PAUL e STONER observam que muitas toxinas ambientais têm sido 
envolvidas para a explicação dos sintomas de hiperatividade. Sendo assim, 
não deve ser extenso o período de trabalho com os Aprendente autistas, pois, 
o longo período dificulta a concentração. 
A psicomotricidade pode ser comprometida em autistas, pois, esta é o 
resultado da ação do sistema nervoso a musculatura, assim, o aprendente 
terá dificuldades de leitura, escrita e também na identificação das coisas, em 
decorrência a isso quem não conhece seu corpo poderá ter seu envolvimento 
com o meio prejudicado. Professor possui importância imensa, fazendo com 
que haja melhorias no desenvolvimento psicomotor no ambiente escolar. 
Ao trabalhar com autistas é essencial que seja realizada uma pesquisa sobre 
o Aprendente autista, onde se terá conhecimento da sua relação familiar e 
social; seus sentimentos e necessidades, assim as observações darão 
direção de como agir no processo. Para que se tenham bons resultados é 
preciso que haja sintonia dos profissionais com a família, desse modo, 
 
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pressupõe profissionais qualificados, preparados e que não se acomodem 
diante de pesquisas sobre a síndrome. 
Quando se avalia um educando com autismo, no âmbito escolar é preciso 
que seja transmitido a ele segurança e conforto. É de suma importância que 
as necessidades do Aprendente autista sejam transformadas em vontades de 
aprender e construir, docentes e discentes deve manter harmonia entre si 
para que ambos possam se conectar e transmitir seus conhecimentos, 
segundo Paulo Freire (2004, p.23), pois quem ensina aprende ao ensinar e 
quem aprende ensina ao aprender. 
O vínculo afetivo entre o Aprendente autista e o educador é o inicio da 
construção de sua autonomia na escola, com propósito de obter maior 
interação com aluno, o professor deverá incluir em seus métodos de ensino 
os gostos, os interesses e aptidões de seu discente, para que haja resultado 
das atividades as mesmas devem ter propósitos sociais, terapêuticos, 
afetivos e pedagógicos. Pois através dessas atividades o aluno poderá 
trabalhar em grupo e terá maior interação e comunicação, lhe será 
proporcionado à oportunidade de maior independência, obterá vínculos com o 
professor e com ambiente escolar e desenvolverá suas habilidades como 
aprendiz no âmbito escolar. 
O professor deve atentar-se também que o reforço positivo será útil, no seu 
progresso escolar, mas as punições não, as ameaças poderão resultar em 
ansiedade e impedimento no progresso do mesmo. A educação dos autistas 
existe muitas limitações, e com isso requer um quadro de profissionais 
capacitados para trabalhar nessa modalidade de ensino. E em muitas das 
vezes os gestores não estão preparados para desenvolver um plano 
pedagógico para os autistas. 
Segundo Orrú (2003) a criança com autismo sendo exposta a uma 
aprendizagem por meio de exposição direta a estímulos diversos, que não 
contribuem para sua formação psicossocial e desenvolvimento de suas 
estruturas cognitivas, tende a não se beneficiar destas práticas. Logo, quando 
a criança com autismo é exposta a estímulos sem a devida intervenção do 
professor, pode se tornar estressada por causa da saturação de informações 
que podem lhe parecer sem função, já que ela pode até armazenar os 
 
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estímulos e interagir com os mesmos, mas sem ocorrer modificações em seu 
processo cognitivo, o que resultará em uma aprendizagem insuficiente. 
 
 
Orientações de como trabalhar com alunos Autistas 
 
 
Para que haja melhor aprendizado é preciso que o Aprendente autista 
frequente a sala de recursos, pois, nesta terá maior facilidade para 
desenvolver e aperfeiçoar suas aptidões. Por ainda não ter um tratamento 
especifico para o autismo em razão a diversidade de fatores, tem se utilizado 
métodos para lidar com portadores de autismo, como: TEACH (tratamento e 
educação para autistas e crianças com distúrbios correlatos da 
comunicação), ABA (análise aplicada ao comportamento) e o PECS (sistema 
de comunicação mediante a troca de figuras). 
O ​TEACCH foi desenvolvido nos anos 60 no Departamento de Psiquiatria da 
Faculdade de Medicinada Universidade da Carolina do Norte, Estados 
Unidos, e atualmente é muito utilizado em várias partes do mundo. 
O método TEACCH é uma forma de avaliação utiliza uma avaliação chamada 
PEP-R (Perfil (Psicoeducacional Revisado) que visa avaliar o aluno, 
considerando seus pontos fortes e suas dificuldades, sendo possível criar um 
programa individualizado). 
O TEACCH se baseia na organização de certo ambiente físico criando 
rotinas, do ambiente físico através de rotinas- organizadas em quadros, 
painéis ou agendas e sistemas de trabalho, 
Buscando adaptar o ambiente escolar para tornar mais fácil para que a 
criança possa compreendê-lo, entendendo assim o que o professor espera 
dela. Sendo assim, com a organização do ambiente, ficará mais fácil a 
 
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aprendizagem das crianças. O TEACCH tem como intuito a independência do 
aluno, assim ela percebe que necessita do seu professor para alcançar 
rendimento escolar, mas podendo passar grande parte do seu tempo se 
ocupando de formaindependente. TEACCH visa no desenvolvimento da 
independência da criança. 
Temos também a ABA que visa ensinar para as crianças certas habilidades 
que elas não possuem. Cada uma dessas habilidades é ensinada de um 
modo. Exemplo quando fazemos uma pergunta para a criança, sua resposta 
só será adequada se ocorre algo que fosse agradável para ela, sendo então 
na prática como uma recompensa. 
Um dos pontos mais importantes da ABA é tornar o aprendizado para as 
crianças agradável, e outro ponto é ensinar para as crianças a maneira certa 
para que ela saiba identificar vários estímulos. ​O tratamento é baseado em 
anos de pesquisa na área da aprendizagem e é hoje considerado como o 
mais eficaz. 
O nome PECS significa (sistema de comunicação através da troca de 
figuras), e sua implementação consiste, basicamente, na aplicação de uma 
sequencia de seis passos. O PECS foi projetado com o objetivo de estar 
ajudando crianças e adultos portadores de autismo e outros distúrbios de 
desenvolvimento a adquirir habilidades na sua comunicação em sociedade. 
Sendo um sistema utilizado primeiro com os indivíduos que não tem uma boa 
comunicação ou mesmo que possuem comunicação mais não consegue 
expressar. 
O PECS tem como intuito ajudar a criança na percepção que tem através da 
comunicação com isso, perceberá que ela pode sim conseguir as coisas que 
deseja com mais facilidade, estimulando a criança a comunicar- se com o 
meio em que vivem. 
Este método tem sido aceito por vários lugares do mundo, pois ele não 
demanda de materiais complexo ou mesmos caros, é meramente fácil de 
aprender, podendo então ser aplicado em qualquer lugar e quando é 
aplicado, conquista resultados significativos em relação à comunicação das 
 
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crianças que não falam, e na materialização da linguagem verbal de crianças 
que fala porém, precisa organizar a sua linguagem. 
O PECS trabalha com objetivo de desenvolver atividades e materiais 
funcionais podendo ser utilizado com crianças que tenham dificuldades na 
fala ou comunicação alternativa, quando não houve desenvolvimento na fala, 
ou seja, foi perdida. Sendo uma ferramenta importante porque possibilita não 
só a comunicação independente, mas também ensina a esperar, a aceitar o 
não, a pedir a ajudar dos demais, comenta todo que ver e escuta. 
Na alfabetização dessas crianças, o professor pode estar utilizando um 
computador, pois as crianças hoje em dia tem uma grande facilidade em 
manuseio destes. Pode ser usado como auxilio estimulando a coordenação 
motora. Tendo como propósito a obtenção de melhores resultados. As 
atividades desses métodos de ensino também devem ser introduzidas no 
ambiente familiar, por ser comum à rotina na vida de portadores de autismo é 
de suma importância que a forma de aplica-los seja a mesma em todos os 
ambientes que a criança conviva (no âmbito escolar e familiar). Sabe-se que 
a Escola e família devem realizar atividades lúdicas e prazerosas, buscando 
sempre pensar no bem estar da criança que está envolvida nesse processo. 
A família e a escola devem sempre estar em constante colaboração na vida 
de uma criança, procurando melhoria tanto na vida social quanto afetiva e 
principalmente na aprendizagem dos mesmos. 
 
DIFICULDADES DOS ALUNOS COM AUTISMO 
NA ESCOLA E ESTRATÉGIAS DE COPING DAS 
EDUCADORAS. 
 
Metodologia 
 
 
 
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Participaram deste estudo dezessete educadoras, incluindo professoras 
regentes e educadoras especiais da cidade de Santa Maria/RS e região que têm em 
suas classes alunos com autismo (APA, 2002). As participantes preencheram uma 
ficha de dados demográficos e um questionário sobre estratégias de coping. A Ficha 
sobre Dados Demográficos (EdEA, 2012) teve por objetivo coletar dados que 
abrangem diferentes aspectos como contexto familiar, escolarização e 
características comportamentais do aluno com autismo. O questionário sobre 
Dificuldades e Estratégias de Coping foi adaptado a partir de um instrumento 
anterior (SCHMIDT, 2004) que consta de duas questões abertas, investigando 
situações de dificuldades com os alunos e a forma como as educadoras lidam com 
estas dificuldades. 
Cada educadora poderia apresentar de uma a três dificuldades diferentes do 
aluno, em ordem de prioridade e suas respectivas estratégias. Adaptação do original 
consta na mudança de público alvo de mãe para educadoras e a não investigação 
da forma de como lidam com sentimentos recorrentes dessas situações. As 
informações dos questionários foram tratadas através da análise de conteúdo de 
modelo misto (BARDIN,1979), em que partiu-se de categorias definidas a priori e 
geradas novas categorias que foram estabelecidas a partir das informações 
apresentados nas respostas. 
Foram definidas categorias para classificação das principais dificuldades 
apresentadas pelos alunos com autismo e categorias para descrever as estratégias 
de coping utilizadas pelas educadoras para lidarem com essas dificuldades. 
Observaram-se também as distribuições de frequência em que se apresentaram as 
dificuldades e as estratégias, permitindo uma análise quantitativa. 
 
 
 
 
Resultados e discussão 
 
Os dados sobre as participantes mostraram que, dentre as dezessete 
educadoras que participaram deste estudo, nove tem formação em Educação 
Especial licenciatura plena, pela Universidade Federal de Santa Maria, os demais 
somam sete licenciados da Pedagogia, e uma participante habilitada em 
Psicopedagogia. Observou-se que o perfil dessas educadoras foi diversificado no 
que se refere ao tempo de experiência. 
O tempo de formação apontado por elas variou de um ano de formada a 
vinte cinco anos. Dentre as participantes, apenas quatro relataram ser a sua 
 
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primeira experiência com aluno com autismo, as demais já haviam recebido alunos 
com esse diagnóstico em suas classes. Segundo os relatos, a faixa etária dos 
alunos atendidos por essas educadoras é bem ampla, variando de quatro a trinta e 
quatro anos de idade. Dos dezessete alunos, quinze estão matriculados no ensino 
comum. 
Há um caso em que o aluno concluiu os estudos, porém recebe atendimento 
particular, com a educadora especial em sua residência. E apenas um aluno 
frequenta a classe especial. Cabe destacar que os sujeitos participantes desta 
pesquisa são em sua maioria professores da rede pública de ensino. A relação 
professor/aluno foi mais uma das questões investigadas nesta pesquisa. Para isto, 
as educadoras especiais avaliaram como bom, ótimo, razoável ou ruim a relação 
professor/aluno e nos casos que as participantes eram as professoras regentes foi 
necessária uma autoavaliação. 
Duas participantes relatam ter uma ótima relação com o aluno, em outras 
duas situações consideram ter uma boa relação com o aluno, já as demais 
consideram razoável a relação do aluno e professor regente. No que se referem às 
dificuldades para lidar com seus alunos, as participantes descreveram 45 situações 
de dificuldadesque estariam interferindo na aprendizagem. Através da análise de 
conteúdo foram geradas quatro categorias distintas, descritas a seguir. As 
frequências e porcentagens de ocorrência destas dificuldades podem ser 
observadas na Tabela 1. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Comportamento: 
 
 
Contempla problemas de comportamento como, por exemplo, 
comportamentos rígidos (ex.: inflexibilidade), repetitivos (ex.: estereotipias), 
agressivos (bater em si ou nos outros) obsessivos (ex.: insistência para que os 
 
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objetos permaneçam em seu lugar), inapropriados (ex.: deitar-se no chão durante a 
aula) ou agitação (ex.: comportamentos hipercinéticos como correr e pular), bem 
como aos que se referem ao cumprimento de limites e regras. 
 
Ex.: ...Não deitar-se no chão em ocasiões inapropriadas... 
 
 
 Comunicação: 
 
Diz respeito às dificuldades que a criança encontra para conseguir comunicar 
o que deseja, para se fazer compreender pelos outros. Incluem também as 
dificuldades de socialização e linguagem. 
 
Ex.: ...Iniciar ou participar de diálogos. 
 
 
 
 Dificuldades cognitivas: 
 
Referem-se aquelas dificuldades cognitivas que interferem ou impedem a 
aprendizagem, como concentração e motivação na realização das atividades 
pedagógicas. 
 
Ex.: ...Dificuldade em desenvolver atividades específicas de alfabetização. 
...Falta de interesse pelas atividades escolares. 
 
 
 Outras: 
 
 Dificuldades diversas (ex.: Separação da mãe para permanecer em sala, 
Autonomia/independência, Morte do pai). 
 
 
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Ex.: ...Trabalhar o dinheiro, para ter mais autonomia quando for a mercado 
ou loja, enfim quando necessitar do uso do dinheiro. 
 
 
 
 
A dificuldade identificada como mais frequente são as que envolvem 
questões comportamentais do aluno com autismo, representando 17% de todas as 
dificuldades citadas. Já as Dificuldades 
Cognitivas aparecem com menor frequência nos relatos. Quanto às 
estratégias de coping utilizadas pelas educadoras para lidar com estas dificuldades, 
foram identificadas quatro categorias, descritas a seguir. A frequência e a 
porcentagem das principais estratégias utilizadas pelas educadoras podem ser 
observadas na Tabela 2. 
 
 
 
 
 
Ação direta: 
 Quando o comportamento da pessoa age diretamente sobre o estressor modificando 
suas características, propondo ou fazendo algo para alterar a situação tenta resolver o 
conflito diretamente enfrentando ou tentando solucionar a situação de alguma forma. 
 
 
Ex.: ...Em algumas situações ele me ouve apenas se é desejo dele em fazer o que 
falo, ele é muito esperto. Procuro conversar muito com ele sobre o que estou querendo para 
ele entender o porquê da situação. ...Coloco a lápis em sua mão, em geral ele solicita com 
gestos que eu o ajude ou nem pega o lápis. 
 
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Planejamento cognitivo: 
 
Envolve esforços cognitivos para pensar em novas formas de resolver as 
dificuldades. Estas práticas incluem planejar recursos alternativos e/ou adaptados 
para minimizar ou superar a dificuldade. 
 
Ex.: ...Nas atividades, tento adaptar, trabalhando com materiais mais 
concretos e estimulando os colegas a ajudarem na comunicação e na realização da 
atividade. ...Trabalhos com material concreto; trabalhos com fantoches e teatro, pois 
ele gosta muito. 
 
Aceitação/Evitação: 
 
Este tipo de estratégia inclui tentativas cognitivas ou comportamentais que 
levam o indivíduo a se afastar da situação de estresse ou aceitar passivamente, 
submetendo-se às exigências do estressor. 
 
Ex.: ...Em relação ao comportamento desafiador, ignoro quando utiliza deste 
para provocar reações em mim. ...Paciência no momento que ele escolher o quê 
quer. 
 
 
Busca de apoio: 
 
Comportamento que envolve busca de apoio de outras pessoas como auxílio 
no enfrentamento da situação. Inclui busca por colegas ou familiares para auxiliarem 
nas dificuldades. 
 
Ex.: ...Realização de trabalhos em pequenos grupos, apresentação dos 
trabalhos, incentivo ao trabalho coletivo. ... Deixo a mãe entrar na sala. 
 
 
 
 
 
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Pode-se observar nas estratégias que a categoria que aparece com mais 
frequência é a Ação Direta, representando 22% das estratégias utilizadas. Já com 
menor frequência aparecem as práticas relacionadas à Aceitação/Evitação, 
representando apenas 3% das estratégias. 
Os dados deste estudo mostram que as principais dificuldades enfrentadas 
pelas educadoras que interferem no aprendizado do aluno com autismo, dizem 
respeito à esfera comportamental. O resultado não surpreende, já que estes 
comportamentos, em especial os repetitivos e estereotipados, integram as 
características diagnósticas do autismo (APA, 2002). Quanto às estratégias mais 
utilizadas pelas educadoras, observou-se que a mais frequente foi de Ação Direta, 
ou seja, buscar agir diretamente sobre o estressor. 
Percebe-se que estas estratégias contemplam iniciativas práticas e objetivas 
para lidar, principalmente, com os problemas de comportamento em sala de aula. 
Nota-se que a estratégia de Ação Direta envolveu muitas vezes retomar ou clarear 
determinada situação pedagógica que o aluno com autismo não estava 
compreendendo, tal como ilustrado nas falas abaixo: ...procuro conversar muito com 
ele sobre o que estou querendo para ele entender o porquê da situação. 
...tentamos acalmá-lo, com conversa, carinho, atenção, explicando de forma 
clara e segura o que está certo ou errado. Porém, quando as educadoras percebiam 
que esta ação não auxiliava na resolução do conflito, adotavam estratégias ainda 
mais diretivas, muitas vezes envolvendo contato físico: ... Quando ele deita eu falo 
para não deitar, às vezes adianta e ele levanta. Mas outras eu mesma tenho que 
levantá-lo do chão. Desse modo, a iniciativa em utilizar estratégias de Ação Direta 
para lidar com problemas de comportamento em sala de aula parece mostrar um 
interesse do professor pela participação do aluno, incentivando-o de maneira mais 
ou menos diretiva. Caso o professor não entendesse a participação destes alunos 
 
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como imprescindível, poderíamos ter observado maior frequência no uso de 
estratégias como a Evitação/Aceitação, ou ainda a Inação, as quais não estariam 
direcionadas à resolução destas situações. Um aspecto que chama a atenção é a 
utilização da estratégia de Reavaliação/Planejamento Cognitivo, a qual, muitas 
vezes, incluía propostas de alternativas pedagógicas que mudavam a apresentação 
de determinada tarefa escolar visando facilitar a compreensão dos objetivos à 
criança com autismo, tal como ilustrado abaixo: ...Adapto as atividades escolares 
para os interesses dela ou uso materiais que chamem a atenção. 
...Tento dar funcionalidade a algumas regras, também faço uso de cartazes. 
A literatura especializada têm trazido diversas publicações descrevendo propostas 
adaptadas ao estilo cognitivo de pessoas com autismo, mostrando como algumas 
podem ser mais eficazes que outras na aprendizagem escolar (BAPTISTA, BOSA, 
2002, CAMARGOS JR., 2002, JORDAN, 2005). 
Portanto, o conhecimentosobre as peculiaridades da cognição no autismo e, 
consequentemente, de práticas pedagógicas para facilitar essa aprendizagem 
parecem ferramentas essenciais que o professor pode utilizar como alternativas 
pedagógicas. Outra estratégia igualmente importante no contexto da inclusão de 
alunos com autismo é a Busca de Apoio dos colegas ou familiares para auxiliar em 
determinada situação. 
Observou-se que algumas educadoras utilizaram-se do grupo como forma de 
auxiliar o aluno com autismo na realização de tarefas, tal como o relato abaixo: 
...estímulo os colegas a ajudarem na comunicação e na realização da atividade. 
...realizo trabalhos em pequenos grupos, incentivo ao trabalho coletivo. De fato, uma 
das principais justificativas para os possíveis benefícios de pessoas com autismo 
em situação de inclusão é que este ambiente é favorecedor do desenvolvimento de 
habilidades sociais (BOSA, CAMARGO, 2009). Portanto, a promoção destas 
habilidades através de atividades grupais parece uma estratégia adequada nesse 
contexto. Por fim, entendemos que a qualidade das estratégias de coping que os 
professores utilizam para lidar com dificuldades que ocorrem no contexto de sala de 
aula com pessoas com autismo podem contribuir para a escolarização destas 
crianças. Nesse caso, a percepção do professor é determinante, considerando o 
que Antoniazzi (1998) afirma sobre as estratégias, cada uma não pode ser 
considerada positiva ou negativa, mas avaliada a partir do contexto em que ocorre. 
 
 
 
 
 
 
 
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AUTISMO E INCLUSÃO ESCOLAR NOS ANOS 
INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL 
 
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
 
 
Este artigo é o resultado de Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que teve 
como tema de pesquisa: "A inclusão dos estudantes com autismo nos anos iniciais 
do ensino fundamental ". 
Na pesquisa realizada na graduação em Pedagogia, buscou-se compreender 
se a ação desenvolvida com os estudantes com síndrome do autismo nos Anos 
Iniciais do Ensino Fundamental poderia ser considerada inclusiva. Para tanto, no 
ano de 2007 foi elaborado um questionário com perguntas abertas, que foi aplicado 
a três professoras, dois familiares e uma diretora, de uma escola localizada no 
município de Araranguá/SC, onde o aluno (09 anos de idade) com a síndrome do 
autismo estava matriculado. 
A coleta de dados, com a aplicação do questionário estruturado com 
perguntas abertas, segundo Luciano (2001,p.30) "possibilita que o sujeito da 
pesquisa expresse sua opinião". Para a elaboração do estudo, optou-se pelo estudo 
de caso, que é uma metodologia qualitativa amplamente utilizada em pesquisas em 
ciências sociais. 
O estudo de caso, segundo Rauen (2002,p.58) consiste em "uma análise 
profunda e exaustiva de um ou poucos objetos, de modo a permitir o seu amplo e 
detalhado conhecimento". Haja visto, que o referido estudo teve como objetivo 
aproximar a pesquisa da realidade que desejava-se evidenciar, utilizando de meios 
adequados para identificar ações e práticas no âmbito escolar. 
O contato prévio na instituição pesquisada aconteceu no mês de março,do 
mesmo ano, diretamente com a diretora e as professoras e em seguida ocorreu o 
contato com os pais do aluno. 
 
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Em todos os momentos, justificou-se a importância da participação na 
pesquisa com os pesquisados, afim de que compreendessem que a mesma teria o 
objetivo de construir e colaborar no desenvolvimento do potencial dos educandos 
que apresentam autismo. Assim, firmou-se compromisso que não seria revelado o 
nome de nenhum dos envolvidos, e para tanto, para garantir o sigilo da identidade 
dos entrevistados, na pesquisa optou-se pela utilização de letras do alfabeto. 
 
 
RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
Este momento da pesquisa teve como objetivo analisar e discutir os dados 
levantados, para a compreensão da visão dos educadores, diretora e pais, sobre o 
tema em questão. Para a melhor análise e discussão apresentar-se-a duas, das três 
categorias elencadas no trabalho: 
A primeira categoria trata sobre "O conceito de autismo compreendido pela 
comunidade escolar": Entende-se que ao desconhecer o autismo, as pessoas 
desconhecem o tratamento, as limitações, os interesses das pessoas que 
apresentam a síndrome. 
Assim, a fim de constatar o conhecimento que a comunidade escolar possui 
sob o conceito de autismo, foi realizado um questionário com os educadores, 
diretora da instituição escolar e pais do estudante. 
Quando questionados sobre , o que era o autismo obteve-se as seguintes 
respostas: “Autismo é uma deficiência que tem como característica o desligamento 
do mundo real, onde o portador do autismo cria e vive em seu próprio mundo”. 
(Educador A) “Autismo é um transtorno neurológico, que faz com que a 
criança não estabeleça relações, não saiba interagir com outros, não compreende 
as regras sociais no qual elas são pertencentes”. 
(Educador B) “Quando comecei a trabalhar pesquisei muito sobre o assunto 
para entender, meu aluno percebi com isto que nem todos eles são iguais, alguns 
falam, aprendem e outros não, mas o ponto comum entre eles é o mundo à parte, 
imaginário criado pelos mesmos”. 
(Educador C) Quando questionado a diretora sobre o entendimento do que é 
autismo, obtevese a seguinte resposta: “Autismo é uma desordem em qual um 
aluno portador não pode desenvolver relações sociais “normais”, se comporta de 
modo compulsivo e ritualista. Ou seja, uma patologia”. 
(Diretora) Já para os pais do estudante com autismo: “Nós entendemos 
muito pouco”. 
 
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(Pais). Na investigação observou-se que, de certa maneira, mesmo tendo a 
experiência e vivência junto ao filho com autismo, os pais possuem pouco 
conhecimento sobre o assunto. 
Segundo Gauderer (1997) há uma precariedade de conhecimento sobre o 
autismo na atualidade que seja realmente válido. 
Esse é um dos motivos para tantos mistérios envolvendo o autismo, 
principalmente no que diz respeito à causa, diagnósticos e tratamento. Nesta 
perspectiva, não se faz possível uma proposta de trabalho eficaz que seja inclusiva 
para estes indivíduos, a fim de estimular este a desenvolver suas habilidades. 
De alguma maneira, isso contribuiu para que os pais da criança com autismo, 
não possuíssem a compreensão do que é o autismo, pois sem orientação 
adequada, dificilmente saberão do que se trata. Desta forma, é necessário que a 
instituição escolar, assuma o compromisso de investigar, pesquisar, buscar 
conhecimento sobre o assunto firmando parcerias com outras áreas do 
conhecimento, com especialistas da área médica por exemplo, para orientar os pais 
e juntos desenvolverem um trabalho em prol destas crianças. 
Preocupa-se pois se os pais e educadores não compreendem o que é o 
autismo, como eles irão incluir esta criança no ambiente escolar? Partindo do 
princípio de que é preciso ter cautela e humildade frente ao tema, pois compreender 
o autismo exige uma aprendizagem constante, onde é preciso revisar as crenças, 
valores e conhecimentossobre o mundo, que todos nós possuímos, compreendese 
que é necessário que toda a comunidade escolar aprenda e conheça o autismo, sua 
conceituação e sintomatologia para ter-se um conhecimento das características e de 
métodos pedagógicos, pois só assim, é que as crianças com autismo poderão ser 
realmente incluídas. 
 
 
O Autismo Infantil (AI) é uma síndrome definida por alterações presentes 
desde idades muito precoces e que se caracteriza, sempre, pela presença de 
desvios nas relações interpessoais, linguagem/ comunicação, jogos e 
comportamento. Trata-se de uma condição crônica com início sempre na infância, 
em geral até o final do terceiro ano de vida, afeta meninos em uma proporção de 
quatro a seis para cada menina. (SCHWARTZMAN, 1994, p.7) 
 
 
Caso isso não aconteça, tem-se apenas a certeza de que diagnósticos 
errôneos e integração destas crianças irá acontecer. Gauderer (1997), afirma que a 
real incidência de pessoas com autismo pode ser maior do que revelam alguns 
estudos, mas muitas dessas crianças frequentam escolas especiais com 
 
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diagnósticos errôneos de surdos ou deficientes mentais/intelectuais. A segunda 
categoria elencada, aborda ​"A inclusão do educando com autismo nos anos 
iniciais do ensino fundamental e a importância para seu desenvolvimento"​. 
Percebe-se, o quanto é fundamental a inclusão dos educandos com autismo no 
ensino fundamental, especialmente nos anos iniciais, para o desenvolvimento 
cognitivo, social e integral dessas pessoas. 
Além disso, a inclusão dessas crianças no ensino fundamental contribui 
também para o desenvolvimento de todos no ambiente escolar. 
Assim, quando os educandos ditos “normais”, interagem, relacionam-se, 
convivem com estudantes com autismo, aprendem a respeitar as diferenças e os 
limites do outro. 
Para tanto, a matrícula dos estudantes com autismo nas escolas de ensino 
fundamental, é garantida por lei, mas, mais do que inserir estas crianças na escola é 
preciso incluí-las nas atividades, na aprendizagem escolar e na sociedade.Para Glat 
e Nogueira: 
As políticas para a inclusão devem ser concretizadas na forma de programas 
de capacitação e acompanhamento contínuo, que orientam o trabalho docente na 
perspectiva da diminuição gradativa da exclusão escolar, o que visa a beneficiar não 
apenas os alunos com necessidades especiais, mas de uma forma geral, a 
educação escolar como um todo. (apud MANTOAN, 2006, p. 63): 
 
 
Neste sentido, quando questionado à diretora sobre como a escola realiza a 
inclusão das crianças com autismo, obteve-se a seguinte resposta: “O trabalho da 
escola visa proporcionar uma aprendizagem eficaz, atendendo nosso aluno em suas 
limitações. 
A falta de docentes capacitados e instituições impedem que a inclusão ocorra 
de uma maneira realmente eficiente.” (Diretora) 
Os pais, ao serem questionados sobre o processo de inclusão, ressaltam: 
“Direitos iguais, brincar, estudar e conviver com a sociedade”.(Pais) 
Quanto à importância da escola para o filho, os pais desabafam: “A 
importância para nosso filho na escola, é ele estar socializando com outras crianças 
e aprendendo um pouco mais”. (Pais) 
A partir destes relatos, pode-se verificar que os pais compreendem a 
importância da escola de ensino fundamental para o desenvolvimento do filho com 
autismo, pois além de possibilitar a aprendizagem, a escola é lugar de socialização 
com outras pessoas, o que contribui para o crescimento das habilidades sociais 
deste educando. 
 
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Para tanto, perguntou-se a diretora como a escola se organiza para atender 
estudantes com autismo, e alcançou-se a seguinte resposta: “Primeiramente 
acreditando no potencial de nossos educadores e organizando nossa escola com 
um espaço coletivo, não linear, onde todos “comunidade escolar” tem algo a 
ensinar, compartilhando e aprendendo”. (Diretora) 
Verifica-se nesta fala, que a escola vem se organizando a fim de 
transformar-se num espaço coletivo, para isso propõe uma intervenção na aquisição 
de habilidades sociais, comunicativas e cognitivas básicas de seus educandos, 
especialmente, os estudantes com autismo, pois a intervenção precoce e contínua é 
intensamente desejável. 
Sabe-se que o autismo tem como fator básico o isolamento, por isso, o 
contato com os outros acontece de maneira superficial. Desta forma, a escola deve 
praticar uma educação onde todos possam se desenvolver por meio da interação e 
da socialização com os outros, independente das suas diferenças. 
Entendendo a importância que os pais/familiares exercem no processo de 
inclusão da criança com autismo na escola, compreendendo que os pais têm grande 
influência neste aspecto, pois também fazem parte do processo de aprendizagem 
do educando, questionou-se os professores sobre o papel dos pais nesse processo 
e no processo de aprendizagem do seu filho com autismo e obtiveram-se as 
seguintes respostas: "O papel dos pais é muito importante e fundamental, porém 
eles precisam buscar mais informações a respeito do autismo para poder ajudar e 
entender seu filho.” ( Educadora A) 
“Não existe uma receita pronta para cuidar de um filho com autismo, mas os 
pais precisam estar conscientes de que a escola é o caminho para que a criança 
cresça e se desenvolva, mas tem que existir parceria com a família.” (Educadora B) 
“È o papel mais importante, na minha opinião, porque se a família não aceita 
a criança como ela é não haverá harmonia escola x família, portanto o educando 
não terá êxito em sua vida escolar.” (Educadora C) 
Quando questionado os pais do estudante com autismo, sobre o seu papel 
frente à aprendizagem de seu filho, obteve-se a seguinte resposta: “Nosso papel é 
incentivar e fazer o que é o melhor para nosso filho.” (Pais) 
Para Gauderer (1997), os pais têm também o papel de instrutores dos 
profissionais no espaço escolar, dando informações para a avaliação e formulação 
de prioridades para o real desenvolvimento do educando. 
Por conseqüência, quando questionou-se os pais, se eles conheciam algum 
método para serem utilizados na comunicação e ensino das crianças com autismo, 
relatouse o seguinte desabafo: “Não.” (Pais) 
Ao analisar a fala dos pais, percebe-se que eles não recebem orientação 
pedagógica sobre as formas, métodos ou técnicas de aprendizagem, para ensinar 
 
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seu filho em casa. É de suma importância que a escola busque novos métodos de 
ensino, visando atender as necessidades particulares de cada educando e assim, 
trazer a família dos estudantes para a escola, e juntos desenvolverem métodos que 
venham contribuir para o desenvolvimento integral do educando com autismo, 
dentro e fora do ambiente escolar. 
Ao observar a resposta da maioria dos entrevistados, fica visível a falta de 
orientação e conhecimento sobre a inclusão dos educandos com autismo, ainda há 
muito a ser melhorado, até que a verdadeira inclusão dos educandos com a 
síndrome do autismo, nos anos iniciais do ensino fundamental, venha a ser 
realidade. 
 
 
A formação do professor torna-se, assim, um processo de desenvolvimento, 
um processode maturação, mais do que um processo de instrução sobre como o 
professor deve ensinar. Portanto, cabe aos formadores dos futuros formadores 
planejar e prover metodologicamente suas aulas para que sua metodologia e sua 
avaliação se tornem momentos vivos daquilo que se almeja nas praticas dos 
formandos. (HENGEMÜHLE, 2004, p.156) 
 
 
Verifica-se, infelizmente, que as práticas pedagógicas desenvolvidas na 
escola com o educando com autismo, não são de inclusão, mas sim de integração, 
fruto do pouco conhecimento que a escola possui sobre o autismo. 
Nesta perspectiva, é de suma importância que os educadores busquem 
aperfeiçoamento sobre o assunto e que os órgãos responsáveis tomem as devidas 
providências para que esta situação mude e a verdadeira inclusão desses 
educandos aconteça. 
Por esse motivo, faz-se também essencial refletir sobre a formação dos 
educadores, pois além de um diploma, precisam dedicação, força de vontade para 
superar os desafios, além de respeito e interesse verdadeiro por todos os seus 
educandos, sem nenhuma exceção. 
Assim, é de suma importância que os educadores busquem aperfeiçoamento 
por meio de cursos, para estarem mais bem qualificados e preparados para atender 
educandos com autismo. 
Deste modo, questionou-se os educadores sobre o tipo de formação que 
receberam para trabalhar com estudantes com autismo e as respostas foram as 
seguintes: 
“A única formação que recebi foi na faculdade quando fiz uma disciplina 
voltada para o ensino especial”. (Educador A) 
 
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“Sim, recebi em minha faculdade quando estudamos em uma disciplina 
voltada para o ensino especial”. (Educador B) 
A falta de compreensão e conhecimento sobre o autismo pode vir a 
prejudicar o crescimento do estudante, já que muitas vezes, o educador não sabe 
como intervir no processo de desenvolvimento desses educandos. Portanto, é 
essencial que o educador esteja em constante aperfeiçoamento para estar 
preparado ao receber crianças com diferentes deficiências. 
Deste modo, a nova mudança educacional desafia os educadores a ir além 
de seus conteúdos, muito além de um histórico brilhante na faculdade. 
É preciso sentir-se provocado/incomodado a buscar, conhecer, pesquisar, 
sobre as deficiências para poder trabalhar com a diversidade, que encontra no 
ambiente escolar de maneira verdadeiramente inclusiva. 
Para Ferreira e Guimarães (2003, p. 147) “nas últimas décadas, o discurso 
sobre a inserção social de Todos parece ter invadido os diversos domínios da 
sociedade. Transformou-se em verdadeiro modismo e lugar comum falar, defender 
e pregar a inclusão”. A partir dessas discrepâncias, cabe ao educador abandonar as 
práticas conservadoras e transformar-se em mediador e procurador de 
conhecimento. 
 
 
 
 
 
A INCLUSÃO DE UMA JOVEM COM AUTISMO 
NO ENSINO MÉDIO NA PERSPECTIVA DE 
SEUS PROFESSORES E COLEGAS 
 
Autismo e escola: algumas reflexões 
 
O autismo tem sido definido como uma síndrome, de causas ainda 
desconhecidas, caracterizada por manifestação de peculiaridades no 
desenvolvimento das interações sociais, linguagem e comunicação e a presença de 
interesses e atividades restritos, estereotipados e repetitivos. 
 
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Estudos produzidos em perspectivas teóricas distintas têm buscado 
compreender as possibilidades educativas e o desenvolvimento de sujeitos com 
autismo (CARVALHO, 2006; ROCHA, 2007). 
Consideramos que o desenvolvimento não acontece de modo independente 
da vida social, “[...] o sujeito é na vida social, e que, portanto suas possibilidades de 
desenvolvimento estão nele e noutros membros da cultura em que vive” (GÓES, 
2008, p. 38, grifo da autora). 
A escola, entendida como o lugar de ser sujeito aprendente, envolve, para 
crianças e jovens aprender com o outro, no meio social, não importa quão atípico 
pareça ser o seu desenvolvimento (VIGOTSKI, 1997). Nesse espaço, o professor e 
os outros alunos têm um papel fundamental no aprendizado e desenvolvimento de 
sujeitos com autismo, embora de maneiras distintas. 
De acordo com Vigotski (1983, p. 149) “[...] passamos a ser nós mesmo 
através dos outros”, portanto, interessa-nos compreender as formas de participação 
de professores e alunos nos processos de ensino e de aprendizagem de uma jovem 
com autismo. Para isso, consideramos importante identificar concepções de 
professores e alunos e formas de aproximação e contato com a jovem durante as 
atividades escolares. 
Diante do exposto, realizamos um estudo de abordagem qualitativa em uma 
escola da rede pública Estadual do Espírito Santo. A coleta de dados foi organizada 
em quatro etapas: 1ª) desenvolvimento do Grupo Focal realizado com nove alunos 
matriculados na mesma turma que a jovem com autismo e que estudaram com ela 
por no mínimo 2 ano; 3ª) entrevistas feitas com a pedagoga, a coordenadora e com 
cinco professores que atuavam com a jovem; 3ª) entrevista individual com a aluna 
com autismo, Luciana que tinha 21 anos e cursava o terceiro ano em 2013; 4ª) 
análise de documentos, como relatórios e produções escritas da aluna. No presente 
texto traremos as análises iniciais da primeira e segunda etapa. 
Concepções e práticas de professores e colegas sobre a 
inclusão da jovem com autismo no ensino médio 
Na análise dos dados buscamos, a partir das entrevistas e grupo focal, 
identificar concepções e modos de interação dos professores e colegas com 
Luciana, destacando as concepções sobre autismo, inclusão escolar e prática 
pedagógica diante da jovem com autismo no ensino médio. 
Ao serem questionados sobre o autismo, os alunos demonstram possuir 
pouco conhecimento sobre o tema, além de algumas pré concepções em relação ao 
transtorno. Eles afirmam que foram aprendendo aos poucos, na convivência, a 
conhecer Luciana. 
 
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Alguns alunos relatam práticas que indicam uma visão um pouco infantilizada 
da aluna, como bater palmas, dançar e brincar com ela; não se relacionam com ela 
como uma jovem, pouco compartilham com ela suas vivências como jovens. 
Investigando adolescentes com autismo Bagarollo e Panhoca (2010) também 
constataram que há, entre pais e profissionais a tendência de tratar esses 
adolescentes como crianças, o que de certa forma limita suas possibilidades de 
convivência com seus pares. 
Por outro lado, no relato dos professores é possível perceber um 
estranhamento em relação ao autismo e em como realizar um trabalho com a 
jovem, como destacado nos trechos a seguir: 
 
[...] num primeiro momento você até se assusta, eu nunca tinha vista um 
autismo daquela forma, de ter duas pessoas na mesma pessoa. Eu fiquei chocado 
[...] sempre tive conhecimento sobre autismo diferente: a pessoa ficar sempre em 
seu mundo, mas ela não é quieta não, é muito ativa. (Professor de Física) [...] eu 
não aprendi a cuidar dessas pessoas. [...] Então precisava de ter pelo menos uma 
pessoa, dentro da sala de aula talvez, mas uma pessoa dentro da escola para tá 
assessorando a gente. [...] (Professora de Biologia) 
 
Nos depoimentos dos professores observamos uma visão de inclusão escolar 
como socialização apenas, “[...]a inclusão para mim, eu acho que é um meio, uma 
forma de você está colocando as pessoas em um meio social [...] é uma coisa que 
eu acho boa que nós temos que conviver com os diferentes”. 
(Professor de Matemática). Essa concepção de inclusão também está 
presente nos relatos dos alunos e alguns consideram que não se deve exigir muito 
da aluna. 
 
 
 
[...] eu acho que... é... exigir muito o estudo dela, já é também um pouco de 
exagero... tipo assim, tem que ter mais ou menos a base que a gente tem, mas não 
precisa também aquele estudo rígido.. igual a gente, porque ela é autista, eu acho 
isso, entendeu? Eu acho que é mais social, entendeu? (Fernando). 
 
Ao compreender a inclusão como socialização os professores têm suas 
práticas limitadas. Com um olhar na deficiência, valorizavam a cópia do quadro, ou 
atividades baseadas no que a jovem já tem de conhecimento (ler, escrever e 
contar), pouco investem em situações que permitam identificar o que ela já sabe ou 
 
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que proporcionem a ela novas aprendizagens, como ilustram os depoimentos a 
seguir: 
 
[...] o pessoal está copiando ela fica fingindo que está copiando. Se eu falo 
assim: – Luciana tem que copiar. Imediatamente ela toma aquela atitude como se 
ela fosse copiar. [...] ela brinca muito com as mãos. (Professora de Biologia) A 
Luciana é uma pessoa que ela sabe escrever. Se você mandar ela fazer uma 
continha, ela faz a continha, entendeu? Ela escreve direitinho, fala... [...] Eu falo 
assim [...] Faz essas continhas aqui. Ela vai lá e faz. (Professor de Matemática) 
 
Ao comentarem sobre a escolarização de Luciana no ensino médio, a maior 
parte dos depoimentos dos colegas, indicam que o que foi disponibilizado à aluna 
em termos de apropriação de conhecimento esteve aquém de sua capacidade. 
Alguns professores relatam que apresentam atividades para ela fazer, como pintura. 
A tendência de conceber a inclusão como apenas a socialização do aluno 
com autismo, a baixa expectativa em relação aos avanços desse aluno na 
apropriação de conhecimentos e os escassos investimentos em seu aprendizado 
também é contatada por Carvalho. 
 
 
Considerações finais 
Constatamos que as concepções predominantes de alunos e professores 
acerca da inclusão de sujeitos com autismo são perpassadas por uma visão da 
escola como espaço de socialização para esses sujeitos, o que produz 
questionamentos acerca da maneira como veem suas possibilidades educativas. 
Os depoimentos dos alunos indicam uma visão infantilizada de Luciana, que 
não é vista por seus pares como uma jovem como eles, no espaço escolar os 
colegas não compartilham com ela a cultura juvenil. Tanto os relatos dos alunos 
como dos professores revelam a fragilidade do processo de ensino quando se 
enfoca os alunos público alvo da educação especial. Fragilidade no sentido das 
práticas educativas pouco se voltarem para o desenvolvimento prospectivo da 
aluna, restringindo-se aos conhecimentos que ela já dominava. Nessa situação, “a 
escola é, assim, esvaziada de sua função, de sua característica de espaço e tempo 
de ensinar e aprender, de partilhar conhecimentos” (CARVALHO, 2006, p.172). 
Na opinião dos professores entrevistados, a aluna precisa de um 
acompanhamento mais individualizado na sala de aula, por um professor de 
educação especial, ou outro profissional, para ajudá-la a desenvolver as atividades 
 
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propostas. Eles acreditam que a inclusão como está acontecendo, de forma 
desarticulada entre o que está previsto na legislação e o que realmente acontece na 
escola, não possibilita avanços no aprendizado e desenvolvimento dos alunos 
público-alvo da educação especial, sobretudo daqueles com autismo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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TÉCNICAS UTILIZADAS NA EDUCAÇÃO DOS 
AUTISTAS 
 
 
 EXPLICITAÇÃO DO REFERENCIAL TEÓRICO 
 
De acordo com Bereohff (1991), para educar uma criança autista, é preciso 
levar em consideração a falta de interação com o grupo, comunicação precária, 
dificuldades na fala e a mudança de comportamento que apresentam essas 
crianças. 
Neste sentido a autora descreve que “é básico que a programação 
psicopedagógica a ser traçada para estas crianças, esteja centrada em suas 
necessidades” (BEREOHFF, 1991, s/pág). A autora em questão diz que há várias 
técnicas de ensino para crianças com autismo. Essas técnicas têm o objetivo de 
prevenir ou reduzir as deficiências primárias. Desta forma: 
 
Educar uma criança autista é uma experiência que leva o professor a rever e 
questionar suas idéias sobre desenvolvimento, educação normalidade e 
competência profissional. Torna-se um desafio descrever um impacto dos primeiros 
contatos entre este professor e estas crianças tão desconhecidas e na maioria das 
vezes imprevisíveis (BEREOHFF, 1991, s/pág). 
 
 
Além destas afirmações, algumas técnicas com base na Pedagogia Waldof 
apud kügelgen, 1960; Lanz (1979, são essenciais na educação dos autistas: 
Sabendo que o autista não se adapta ao mundo externo, é preciso que na escola 
ele tenha uma rotina estruturada, que faz com que ele situe-se no espaço e tempo. 
O professor também deve fazer parte dessa rotina, compreendendo que a 
mesma não é uma restrição a sua criatividade. Ravière apud Bereohff (1984, s/pág), 
explica que “esta relação põe à prova, mais do que nenhuma outra, os recursos e as 
habilidades do professor”. 
A valorização dos elementos da natureza como sol, a chuva, árvores, 
estimula o autista a ter um contato e a percepção de seu meio. 
 
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A abordagem vivencial é outro fator importante na educação destas crianças 
tão especiais, pois às vezes o trabalho verbal não é o suficiente, onde o contato 
físico com o autista é de grande necessidade. 
Outro recurso que quando usado no momento adequado e seu estilo estiver 
de acordo trará bons resultados, é a utilização da música, as preferências são 
sempre para as infantis (ciranda – cirandinha). 
A canção deve estar sempre de acordo com momentos específicos, tais 
como a chegada, hora do lanche, higiene, para que a criança possa relacionar a 
música com a atividade em andamento. 
Além das técnicas, a rotina diária é muito importante na educação do autista, 
a qual não deve ser alterada, qualquer mudança pode refletir no comportamento da 
criança. 
A importância do ensino estruturado é ressaltado por Eric Schopler in 
Gauderer, 1993, no método TEACCH (Tratamento e Educação para Autistas e 
Crianças com Deficiências relacionadas à Comunicação), quando afirma: 
 
É bom ter em mente, que normalmente as crianças à medida que vão se 
desenvolvendo, vão aprendendo a estruturar seu ambiente, enquanto que os 
autistas e com distúrbios difusos do desenvolvimento precisam de uma estrutura 
externa para otimizar uma situação de aprendizagem (s/pág). 
 
Estes cuidados permitirão um maior sentimento de pertinência e de 
previsibilidade quanto ao espaço físico. A sala deve ter um tamanho que permita a 
realização de atividades de mesa, individuais e em grupos, contando também com 
alguns colchonetes e almofadas (SCHOPLER, 1993, s/pág). 
 
 
Além disso o educadordeve basear seu relacionamento com seu aluno em 
um conhecimento o mais abrangente da síndrome do Autismo, das características 
da criança e de técnicas atualizadas de ensino. Entrada: este momento deve ser 
relatado para o aluno, que já passou, trabalhando informalmente o aspecto 
temporal. 
Oração: o educador estimulará o grupo a realizar junto com ele um momento 
de agradecimentos, dando início aos trabalhos. Deve ser valorizado cada momento 
de fala da criança, assim o professor fará com que o aluno sinta liberdade de 
expressar-se não só na oração, mas em qualquer outra situação. 
História: é necessário que seja contada diariamente, aparecendo fatos reais 
ou de fantasia situando o aluno dentro do contexto. O conto vai sendo desenhado 
 
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no quadro com giz colorido, expondo a realidade do aluno em casa, rotina escolar, 
apontando objetos e pessoas que o rodeiam. 
Tarefa: esta é dedicada às atividades dirigidas, sendo elas em mesa, 
individual ou em grupos, de acordo com os objetivos traçados para cada criança. 
Objetivos são traçados a partir do PIE (Planejamento Individual de Ensino), 
que para sua elaboração são seguidos os seguintes passos: 
 
- a observação do autista em situações livres e dirigidas; 
- a seleção dos objetivos orienta-se pela gradação das dificuldades dos 
alunos; 
- O PIE deve ser reformulado a cada ano, permitindo reavaliação dos 
objetivos e conseqüentemente a evolução dos alunos. 
Para que os objetivos sejam alcançados, Schopler (1993), ressalta que 
“merece cuidado a preparação do ambiente por parte do educador, ou seja: material 
pedagógico previamente separado, disposição de carteiras, etc.” (s/pág) 
 
Higiene: esta atividade promove maior independência como lavar as mãos, 
escovar os dentes, tomar banho, vestir-se, despir-se sozinhos. 
Estes são trabalhados em momentos específicos dentro do contexto escolar. 
 
Lanche: segundo Schopler (1993), esta é uma situação que prioriza somente 
a alimentação, mas também permite que um tenha respeito pelo lanche do outro, 
bem como compartilhá-lo em determinadas situações. 
Na hora do lanche o aluno é estimulado a preparar a sua mesa para comer, 
manusear objetos (copo, prato, talheres). 
Esta atividade proporciona o desenvolvimento de hábitos alimentares dentro 
do contexto escolar. 
 
Recreio: este momento é muito importante dentro da rotina escolar, pois é a 
hora da integração com as outras crianças da escola portadoras de necessidades 
especiais ou não. 
Neste instante de liberdade o autista deve ser supervisionado à distância, 
acompanhando se há ou não um momento de integração com os demais. 
 
Passeio: este é realizado fora da escola. Levando em conta que o autista 
não é sociável, o passeio oportuniza-o a vivenciar situações sociais nas quais a 
comunidade participa direta ou indiretamente. De um lado, o autista aprende a 
conviver com a sociedade e de outro a sociedade aprende a compreender este 
indivíduo portador de necessidades especiais. 
 
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Recreação supervisionada: é característica dos autistas apresenta 
movimentos estereotipados com o corpo repetidamente, esta atividade busca 
ampliar o repertório motor, através de brincadeiras lúdicas, com regras fáceis e 
materiais diversos. 
Procura-se nesta hora proporcionar ao grupo momentos de interação, 
sociabilização e lazer. 
 
 
Saída: a rotina encerra com a professora estimulando o aluno organizar seu 
material e a sala de aula. Considerando a rotina diária descrita é fundamental a 
pontualidade do aluno à escola, permitindo que ele participe de todas as etapas sem 
fugir de sua rotina e diminuindo a possibilidade de crises comportamentais durante o 
período escolar. 
É fundamental o educador não fugir à esta rotina, pois é indispensável para a 
educação do autista. Isto se faz necessário, conforme a afirmação de Weihs (1971), 
que destaca: 
 
Se desejamos compreender e ajudar uma criança autista, devemos por um 
lado, perceber que somos parte deste ambiente no qual esta criança tem que viver e 
crescer e, por outro lado, tentar ver seu comportamento, desempenho, habilidades e 
incapacidades em relação ao que é sempre perfeito nela, a vivência de sua própria 
personalidade (s/pág). 
 
A partir do momento que reconhecermos nossas dificuldades, fraquezas, e 
deficiências um novo caminho se abrirá e é neste caminho que o educador começa 
a aprender que ser portador de necessidades especiais não impede ninguém de 
viver por mais limitante que esta pareça ser. 
 
HIPÓTESE E CONCEITOS 
 
Há várias técnicas utilizadas na educação de autistas: rotina estruturada 
(recepção do aluno, entrada, oração, história, tarefa, higiene, lanche, recreio, 
passeio, recreação supervisionada, saída), valorização dos elementos, abordagem 
vivencial e música. 
Os autistas são crianças que mudam de comportamento quando alguma 
coisa é modificada em sua rotina diária. 
Esta rotina tem que estar focada em suas necessidades. 
 
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A memória do autista é voltada para o visual, se faz necessário que o 
educador em suas técnicas, valorize este lado, fazendo com que o aluno observe 
cores, tamanhos, espessuras, animais, pessoas… 
Por outro lado a sala de aula deve ter pouca estimulação visual para que a 
criança não desvie sua atenção da atividade em andamento. 
O ambiente educacional deve ser calmo e agradável, para que os 
movimentos estereotipados dos alunos não alterem. 
Para testar a hipótese foi observado na APAE (Associação de Pais e Amigos 
dos Excepcionais), se os professores de crianças portadoras de autismo estão 
utilizando essas técnicas em seus planos de aula. 
O instrumento de coleta de dados foi a observação direta. Através da 
observação direta pude perceber que a professora utiliza em sua prática 
educacional as seguintes técnicas: 
 
-música; 
- tarefa dirigida (atendimento individual); 
- momento livre (o aluno escolhe sua atividade); 
- abordagem vivencial (contato físico); 
- recreação supervisionada; 
- Higiene; 
- Lanche; 
- Recreio livre; 
- Observação (de objetos, gravura...); 
- A sala de aula é dividida em três partes: momento pessoal, momento 
individual e momento livre; 
- Todas as atividades são voltadas para o estímulo visual. 
 
Foi observado que um aluno além de ser portador de autismo, é deficiente 
visual. 
A educadora encontra dificuldades para educar este aluno, devido a falta de 
recursos (materiais pedagógicos), assim ela utiliza as mesmas técnicas já citadas, 
porém estimula a audição e o tato. 
 
 ANÁLISE DAS INFORMAÇÕES 
 
No período de 1º a 16 de junho, foi feita a observação direta, onde pude 
perceber que o trabalho com os autistas é bem complexo devido a agitação deles. 
A sala de aula é dividida em três partes: 
 
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- momento pessoal: esta é a parte onde cada aluno tem a sua estante de 
cores diferentes (o aluno A tem a estante azul, o B tem a vermelha), neste local 
encontram-se seus objetos pessoais como a escova dental, toalha, lanche, material 
escolar. Cada aluno conhece sua cor e onde encontrar seus utensílios. 
 
-Momento individual: este é o espaço em que a professora trabalha 
individualmente com cada aluno a tarefa dirigida, tentando suprir suas 
necessidades. Enquanto a educadora atende uma criança, sua auxiliar cuida dos 
demais com outra atividade, geralmente livre. 
 
- Momento livre: neste local os alunos podem optar por uma atividade, ou até 
mesmo ficar sem fazer nada. 
 
Durante os dezesseis dias de observação algumas técnicas citadas na 
hipótese não foram utilizadas, como a oração, história e o passeio. 
A recepção e a entrada era sempre calorosa, com diálogo, abraços e beijos. 
Os alunos chegavam dispostos a ficarem, com exceção de um aluno que chorava e 
irritava-se muito ao ver a mão sair. 
A música (CD), nem sempre era uma boa opção, enquanto alguns alunos se 
acalmavam, outros ficavam agitados, gritavam e seus movimentos estereotipados 
aumentavam. A professora muitas vezes optava por cantar ao invés de colocar CD. 
No momento da tarefa dirigida, as crianças ficavam concentradas no que a 
professora falava. 
As atividades eram jogos de encaixe, alfabeto ilustrado, pinturas, formas 
geométricas (blocos lógicos), tarefas onde os alunos pudessem diferenciar grosso e 
fino, liso e áspero, grande e pequeno. 
Ao longo da semana as atividades repetiam-se para que pudessem fixar o 
que foi trabalhado. Durante o período livre os alunos optavam por não fazerem 
nada, ficavam deitados nas almofadas. 
A abordagem vivencial acontece deste o instante em que os alunos chegam 
na escola até a hora da saída, pois são crianças extremamente dependentes e 
precisam de constante auxílio. 
A recreação supervisionada acontece duas vezes por semana, na atividade 
física o que mais dificulta o trabalho é a estereotipia dos alunos, que são 
movimentos característicos difíceis de serem controlados. 
No decorrer da recreação as crianças precisam seguir algumas regras, o que 
os deixam revoltados aumentando os movimentos. 
 
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Quanto a higiene e o lanche, os alunos agem sozinhos, sabem o lugar de 
seus objetos pessoais, fazem sua limpeza e alimentação independentes. Exceto 
dois alunos um que é portador de deficiência visual e outro que tem cinco anos e 
não se locomove sozinho. 
As crianças lancham no refeitório, todos têm uma alimentação saudável, 
alguns levam o lanche, outros comem o que a escola oferece como pão, leite, 
bolacha, arroz, feijão. 
O recreio é livre com todas as outras crianças, também portadoras de 
necessidades especiais. Este momento também é supervisionado, as auxiliares 
procuram promover a integridade de todos, mas os autistas são pessoas que vivem 
no seu próprio mundo e dificilmente integram-se com os demais. 
A observação da natureza, dos objetos, das gravuras é constante. Os 
autistas têm dificuldades na fala, por isso dificilmente se comunicam através do 
diálogo, o que a professora pergunta, eles respondem através de gestos, mas 
conseguem diferenciar as cores, objetos da sala, formas e algumas letras. 
Da turma de cinco alunos apenas um é alfabetizado. 
A educadora é atenciosa e procura diversificar as atividades, a falta de 
materiais pedagógicos às vezes dificulta o andamento do trabalho, além da 
diferença de idade entre eles: cinco, seis, vinte e dois, vinte e oito e trinta anos. 
Todos são mentalmente crianças, os alunos de cinco e seis anos têm 
personalidade de três anos, os demais têm a personalidade de sete anos. 
 
 
CONCLUSÃO 
Ao término deste artigo, concluiu-se que o tema abordado e pesquisado 
através da bibliografia e da observação direta confirma-se em partes, pois durante o 
período de observação algumas técnicas nunca foram feitas pela professora a 
oração, história e o passeio, enquanto as outras foram aplicadas diariamente com 
muita atenção, dedicação e paciência. A divisão da sala de aula foi uma técnica não 
afirmada na hipótese, mas que tem grande importância no trabalho educacional 
destas crianças tão especiais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Trajetória de um aluno autista no Ensino Técnico 
em Informática 
 
Quadro teórico 
 
Hoje a nomenclatura diz que o autismo é um espectro que engloba uma 
ampla gama de níveis de funcionamento e transtornos, que vão desde o autismo 
não-verbal, de baixo funcionalidade, até a Síndrome de Asperger altamente verbal. 
Por isso, é correto usar a sigla TEA - Transtorno do Espectro Autista, como descrito 
no mais atual dos protocolos do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos 
Mentais - DMS 5 da APA - American Psychiatric Association (2016). 
A pessoa com TEA só foi considerada como uma pessoa com deficiência 
pela Lei 12.764 de 27 de Dezembro de 2012 (BRASIL, 2012) que diz em seu Artigo 
21º, § 1º, “a pessoa com transtorno do espectro autista é considerada pessoa com 
deficiência, para todos os efeitos legais”, lei essa que institui a Política Nacional de 
Proteção dos Direitos da Pessoa TEA. 
 
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O Art. 3º dessa lei descreve os direitos da pessoa TEA onde em seu Capitulo 
IV, parágrafo único, garante que em casos de comprovada necessidade, a pessoa 
com TEA incluída nas classes comuns de ensino regular, terá direito a 
acompanhante especializado. Sendo considerado como pessoa com deficiência, o 
portador de TEA, também, estará amparado pela Lei Brasileira de Inclusão, Lei 
13.146 de 06 de Julho de 2015 (BRASIL, 2015). 
Segundo Lampreia (2004, p. 111), o conceito sobre o autismo é bastante 
impreciso e que pode se apresentar em diferentes níveis. Quanto às características 
comportamentais, as crianças com autismo são diagnosticadas como “[...] crianças 
que falam e outras que não falam; crianças com pouco ou nenhum tipo de contato 
social e outras com um tipo bizarro de relacionamento; crianças com deficiência 
mental e outras com um nível de desenvolvimento adequado para sua idade”. São 
96 quadros clínicos diferentes considerados pela APA em 1995, numa análise 
combinatória de três categorias: dois critérios de interação social, um critério de 
comunicação e um de padrões restritos e repetitivos. Além da diversidade de 
quadros clínicos, o conceito de autismo pode ser visto pelos diferentes enfoques 
teóricos, desenvolvimentista ou cognitivista, que procuram explicá-lo atualmente. 
Seja qual for o sistema de diagnóstico, segundo Passarinho e Santarosa (2003), os 
conjuntos de sintomas utilizados para detecção do autismo podem variar de país 
para país. 
 
 
[...] Em geral todos os sistemas coincidem em considerar uma pessoa com 
síndrome de autista quando esta apresenta: limitadas condutas verbais e 
comunicativas; trato ritualístico de objetos; relações sociais anormais; 
comportamento ritualístico; e autoestimulação. Alguns estudos recentes procuram 
identificar a origem dos distúrbios às defasagens cognitivas relacionadas com as 
atividades simbólicas e a aprendizagem (problemas na 
metarepresentação/metacognição) [...] (PASSERINO; SANTAROSA, 2003, p. 3). 
 
 
Os critérios atuais de diagnósticos do TEA, segundo o DSM 5 da APA 
(AUTISMO REALIDADE, 2011) são: 
 
• Déficits persistentes na comunicaçãosocial e nas interações, clinicamente 
significativos manifestados por: déficits persistentes na comunicação não-verbal e 
verbal utilizada para a interação social; falta de reciprocidade social; incapacidade 
de desenvolver e manter relacionamentos com seus pares apropriados ao nível de 
desenvolvimento; 
 
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• Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, 
manifestados por, pelo menos, dois dos seguintes: estereotipias ou comportamentos 
verbais estereotipados ou comportamento sensorial incomum, aderência excessiva 
à rotinas e padrões de comportamento ritualizados, interesses restritos; 
 
• Os sintomas devem estar presentes na primeira infância (mas podem não 
se manifestar plenamente, até que as demandas sociais ultrapassem as 
capacidades limitadas); 
• Os sintomas causam limitação e prejuízo no funcionamento diário. Como é 
possível perceber, há diversas variações nos níveis de autismo, com níveis mais 
brandos ou mais severos, e ainda, segundo Chequetto e Gonçalves (2015, p. 210) 
“é possível observar que vários indivíduos diagnosticados com o mesmo tipo de 
autismo podem ter perfis e características próprios, diferentes uns dos outros”. 
No trabalho desses mesmos autores, segundo o modo de se trabalhar os 
conteúdos matemáticos com esses alunos, o ensino se estabelece pelas 
percepções que são aos poucos adquiridas, a partir das atividades realizadas em 
sala de aula ou com outras metodologias, como na sala de informática. 
Desta forma, as observações são muito importantes e não devem ficar 
restritas apenas às atividades que dizem respeito à Matemática, mas que devem ser 
presenciadas também outras que dizem respeito às interações em todo ambiente 
escolar. 
O papel do professor, segundo Marinho (2015), é extremamente importante, 
além do diagnóstico médico e pedagógico para que o professor fique esclarecido 
sobre os problemas específicos do aluno, fica evidente que “[...] só conhecendo as 
áreas fracas (áreas de aprendizagem onde se verificam lacunas e dificuldades por 
parte do aluno), e as fortes (onde a criança demonstra mais capacidades), é que 
poderemos intervir oportunamente” (MARINHO, 2015, p. 42). 
Para que as pessoas com deficiência possam ascender nos seus estudos, o 
grande desafio é fornecer metodologias e recursos didáticos adequados ao tipo de 
deficiência e/ou à necessidade do portador da deficiência. 
Chequetto e Gonçalves (2015) apontam o uso de jogos e materiais 
manipuláveis como ferramentas capazes de estimular o aprendizado do estudante 
com autismo. 
Outro método bastante utilizado no Brasil e em outros países para a 
aprendizagem de pessoas com TEA, que tem seus princípios baseados na teoria 
comportamental, é o método TEACCH - Tratamento e Educação para Autistas e 
Crianças com Deficiências relacionadas à Comunicação, do inglês Treatment and 
Education of Autistic and Related Communication Handicapped Children, cuja 
 
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tradução seria Tratamento e Educação para Autistas e Crianças com Deficiências 
Relacionadas à Comunicação. 
Esse método foi criado por Eric Schoppler em 1972 no Departamento de 
Psiquiatria da Universidade da Carolina do Norte, em Chapel Hill, para atender 
crianças portadoras de autismo ou, como era mais comum na época, psicose 
infantil. 
O Método TEACCH pode ser classificado como um método 
psicoeducacional, da área da pedagogia terapêutica ou clínica educacional. 
Segundo Orrú (2009), o programa TEACCH indica os comportamentos que devem 
ser trabalhados e especifica a maneira operacional de abordá-los, 
“[...] Ele possibilita o desenvolvimento de repertórios que são usados para 
avaliar os aspectos referentes à interação e organização do comportamento, além 
do desenvolvimento do indivíduo nos diferentes níveis” (ORRÚ, 2009, p. 61). 
As pessoas com TEA são mais capazes de adquirir aprendizados numa 
proposta de atividade estruturada, que é um dos princípios do método TEACCH, em 
vez de uma intervenção terapêutica de caráter mais livre e interpretativo. Ela 
responde melhor aos sistemas organizados, ou seja, é colocando as coisas em um 
padrão definido de organização que o mesmo poderá ter compreensão do que lhe é 
demandado pelas outras pessoas. 
Além disso, o método TEACCH utiliza estímulos visuais e áudio-cinestésicas 
visuais. 
Os princípios do TEACCH também enfocam que é muito difícil e mesmo 
improvável que uma pessoa com autismo construa a generalização do que 
aprendeu e a realização de analogias; por isso, a importância de estruturar o 
ambiente com símbolos e direcionar suas atividades (ORRÚ, 2009, p. 61). Essas e 
outras premissas traçaram o direcionamento para as análises realizadas com nosso 
aprendiz com autismo utilizando a metodologia apresentada na sequência. 
 
Metodologia e campo de pesquisa 
 
O trabalho se configura de cunho qualitativo, baseado no estudo de caso 
(TRIVIÑOS, 1987), em que o aluno é acompanhado durante sua vida acadêmica na 
Instituição de Ensino matriculado, a fim de trazer contribuições e experiências para 
a área de Educação Matemática presenciadas em situações de inclusão de alunos 
com necessidades especiais. 
A pesquisa passou por todo o processo do comitê ético, por meio da 
Plataforma Brasil4, para atingir os objetivos iniciais da pesquisa com observações 
diretas do principal participante, que é o aluno com TEA. 
 
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Essas observações teve um caráter de intervenção de uma das 
pesquisadoras no campo de pesquisa com os registros em um Diário de Campo, 
das principais ocorrências e atividades realizadas, além da análise de uma de suas 
avaliações realizada com o aluno e das pesquisas bibliográficas. 
Com o Diário de Campo, analisamos questões em relação ao perfil do aluno 
com TEA, nas aulas de Matemática. Segundo Gomes (2015), o autismo é 
caracterizado por alterações sociais e de comunicação e por interesses restritos e 
que o perfil das pessoas afetadas varia muito de uma pessoa para outra. 
O Diário de Campo foi criado e editado por uma das pesquisadoras no 
“Google Docs”; um serviço gratuito da Web, Android e IOS que permitiu aos outros 
pesquisadores visualizarem os documentos de texto por meio do link compartilhado. 
A ferramenta permitia trabalhar off-line com o documento em Word e salvar 
na memória do dispositivo ou no próprio drive online de maneira automática. Com 
esta ferramenta, os pesquisadores tinham acesso rápido aos novos documentos e 
podia abrir os já existentes, criados pela professora de Matemática que 
acompanhava o aluno com TEA em sua turma. Mesmo à distância, além de 
acompanhar em tempo real o que a professora descreve e interpreta sobre os fatos 
ocorridos em sala de aula, cada pesquisador fazia seus comentários e escrevia 
suas contribuições, compartilhando com os demais pesquisadores. Os registros 
realizados pela professora, no Diário de Bordo, são caracterizados de duas 
maneiras, descritiva e interpretativa, segundo Fiorentini (2007, p.119), 
 
[...] a perspectiva descritiva atém-se à descriçãode tarefas atividades, de 
eventos, de diálogos, de gestões e atitudes, de procedimentos didáticos, do 
ambiente e da dinâmica da prática, do próprio comportamento do observador etc. A 
perspectiva interpretativa, por sua vez, tenta olhar para a escola e a sala de aula 
como espaços socioculturais produzidos por seres humanos concretos, isto é, por 
sujeitos que participam da trama social com seus sentimentos, idéias (sic), sonhos, 
decepções, intuições, experiências, reflexões e relações inter-pessoais. 
 
 
Foram contempladas de forma equilibrada essas duas perspectivas, 
conforme as recomendações do autor, para que o diário não fosse meramente 
técnico ou muito genérico e superficial. 
Além do Diário de Campo e análise de uma avaliação escrita do aluno com 
TEA, foram realizadas pesquisas bibliográficas com a finalidade de enriquecer, 
trazer informações necessárias para as aulas de Matemática, informações sobre o 
aprendizado do aluno e inferir sobre o seu acompanhamento. O aluno com TEA, 
aqui chamado de A1, possuía na época quinze anos de idade. 
 
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A1 veio de uma escola particular, e era acompanhado por uma 
psicoterapeuta. No início do ano letivo, houve uma reunião onde ela expôs a 
situação do aluno. 
A psicoterapeuta informou que A1 tem capacidades cognitivas, foi 
diagnosticado com Síndrome de Asperger, aos 9 anos, a partir de dificuldades de 
aprendizagem. 
Para ele, as áreas humanas são muito complexas, mas tem facilidade para a 
área de exatas. Em geral, as pessoas com autismo são literais em termos de 
comportamento. Segundo a mãe, A1 costuma assistir vídeo aulas para aprender, se 
sente seguro e tem boa memória. A terapeuta informou que os três primeiros meses 
seria um período de adaptação ao local, aos professores, às novas exigências. 
A mãe informou que estudar nessa Universidade havia sido uma decisão de 
A1 e a família estava apoiando; não sabiam como seria, mas estavam dispostos a 
permitir essa chance à ele. 
A psicoterapeuta sugeriu que A1 não fosse chamado diretamente para emitir 
uma opinião ou responder a um questionamento, pelo menos enquanto não se 
conhecesse a reação dele. 
Esse cuidado foi sugerido uma vez que a reação dele não seria previsível e, 
a princípio, a turma não seria informada dos problemas de A1 e uma rejeição de A1 
poderia impedir novas amizades na turma. 
Também foi sugerido não realizar trabalhos em grupo, se possível, os 
professores deveriam oferecer a possibilidade de fazer sozinho. 
Porém, a mãe de A1 informou que havia outro aluno já conhecido que 
poderia ajudá-lo com as atividades em grupo. 
Em relação às aulas, a psicoterapeuta sugeriu aulas sem analogias ou falas 
compridas. 
A1 foi acompanhado durante um ano letivo pela professora pesquisadora 
com a escrita do Diário de Campo, com observações das aulas e do 
acompanhamento extra classe, nos horários de atendimento ao aluno. No segundo 
semestre, foram realizadas pelos pesquisadores as análises bibliográficas e as 
análises de uma avaliação da disciplina. 
Semanalmente havia três aulas de Matemática de 50 minutos, sendo uma na 
quarta-feira, das 10h20 às 11h10 e outras duas na quinta-feira, das 10h20 às 12h. 
Havia também três aulas de atendimento semanal ao aluno com presença 
opcional. Na ementa da disciplina de Matemática I para o primeiro ano do curso 
Técnico, na época constava: conjuntos numéricos, intervalos, sistema cartesiano 
ortogonal, função, função do 1° e 2° graus, inequações de 1° e 2° graus, domínio de 
função real, função definida por várias sentenças, função modular, função 
exponencial, logaritmo, função logarítmica, sequências, PA e PG. 
 
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Ensinar Matemática para a maioria dos alunos sem necessidades especiais 
em decorrência de alguma deficiência não é uma tarefa simples e ensinar 
Matemática às pessoas com TEA está sendo um novo desafio para todos os 
professores; uma vez que estão chegando cada vez mais, às nossas salas de aula, 
alunos com deficiência inseridos no processo de inclusão. 
Para isso, o pouco encontrado nas pesquisas bibliográficas de trabalhos já 
realizados foi relacionado com a reflexão sobre a ação dentro da sala de aula, que 
na sequência são descritas com o Diário de Campo e analisadas nos tópicos 
seguintes. 
 
Diário de campo 
Destacamos aqui alguns pontos importantes descritos pela professora no 
Diário de Campo que foram tomados como referências para a compreensão das 
habilidades, dificuldades e desenvolvimento escolar do aluno A1 e que serviram, 
tanto para a preparação das aulas, quanto para as análises da pesquisa. 
Na aula realizada sobre função modular, módulo de funções quadráticas, e 
as translações horizontal e vertical, A1 pegou o caderno e fez um gráfico de uma 
função afim. 
A1 prestava bastante atenção, mas nesse dia ele estava bastante ansioso, 
balançando bastante as pernas; não estava sentado no local usual que geralmente 
sentava em frente à mesa da professora. 
Passou a sair para tomar água e a professora ficou preocupada com essas 
saídas, pois não aconteciam antes. 
Na aula seguinte, A1 chegou atrasado, alegando que a fila para comprar 
lanche na cantina estava muito grande. 
O tema da aula deste dia foi equações e inequações modulares. A professora 
explicou confrontando o registro algébrico e o gráfico. 
Ele parecia ter entendido, mas continuava sem fazer exercícios em sala, 
como em outras aulas. 
Para casa, a professora deixou tarefas que poderiam ser realizadas em 
grupo, as quais pediam para escrever as funções algébricas de algumas figuras já 
dadas, e, ainda, escrever as funções que geram um logotipo escolhido pelo grupo. 
Havia um prazo para entrega no Moodle. Em outras aulas, A1 chegou outra vezes 
atrasado, alegando sempre que a fila para comprar lanche na cantina estava muito 
grande. 
Não fazia os exercícios solicitados em aulas passadas e não se manifestava 
em relação às tarefas em grupo. 
 
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Afirmava sempre estar estudando para Química. No final da aula, a 
professora escreveu no quadro os seus horários de atendimento, com as 
respectivas salas. 
No próximo dia de atendimento, a professora chegou à sala, às 7h30. 
A1 estava ansioso no corredor, indo na direção da professora. Depois dos 
cumprimentos, a professora perguntou se ele havia feito os exercícios e se tinha 
alguma dúvida. Voltou a dizer que estava estudando Química. 
A professora puxou conversa, falando do cabelo (ele parecia que estava 
ficando cada dia mais vaidoso). 
Ele disse que já sabia o que queria para o futuro: ser um campeão em tênis 
de mesa - participar de uma olimpíada era o seu sonho. 
Disse que haveria um campeonato na cidade, Ranking de tênis de mesa, cuja 
próxima etapa aconteceria no dia 24 de setembro e que iria participar. Falou que já 
tinha uma medalha de segundo lugar nesse campeonato. 
Comentou que treinava todos os dias em casa (tinha uma bola de tênis de 
mesa no bolso, mostrou à professora). 
A professora perguntou sobre os horários para ele estudar também. Disse 
que seus pais estabelecem horários para treinare para estudar. 
Em seguida, a professora chamou para fazer os exercícios de Matemática, 
ele disse que iria estudar Química, porque a prova seria naquele dia. 
Pegou o material e saiu da sala. Em outra aula, ao ser interrogado por que 
havia um bom tempo não escrevia nada nas aulas de Matemática, A1 respondeu 
que não tinha fatos relevantes para isso. 
Nas aulas, A1 continuava saindo para tomar água, prestava atenção, olhava 
para a professora, mas ficava impaciente facilmente. No início do mês seguinte, a 
professora passou uma atividade prática, na qual os alunos deveriam analisar a 
despoluição de um lago. 
Foram usados um poluente (café) e água limpa. Numa garrafa pet, eles 
deveriam colocar 1800 ml de água limpa e 200 ml de poluente. 
Depois, fazer trocas: tirar 02 copos dessa água poluída e inserir 02 copos de 
água limpa, em seguida analisar e escrever a quantidade de poluente ainda no 
recipiente. Esse procedimento deveria ser repetido 05 vezes. 
O experimento foi usado para introduzir função exponencial. Nele, os grupos 
estavam tendo dificuldades de analisar o percentual de poluente que havia no 
recipiente, e escrever uma fórmula que representasse a quantidade de poluente na 
troca t. No grupo do A1 (com 4 pessoas), ele ficou meio de lado, não participou 
ativamente, embora os integrantes o tivessem chamado. A professora foi chamada 
para ajudar no entendimento de uma questão, ela fez algumas colocações no 
 
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sentido de orientar o entendimento do que estava acontecendo e pediu para que 
eles discutissem. 
A professora chamou A1 para participar e ele respondeu “não sou muito bom 
em dar minha opinião”. 
Os alunos entregaram os trabalhos, mas não foi analisado com mais detalhes 
para esta pesquisa porque A1 pouco participou. No dia marcado para entrega houve 
prova de função definida por partes e modular. A1 pediu pra fazer a prova em outro 
momento, sozinho, realizando-a na semana seguinte. 
Nesse dia, respondeu-a em menos de 20 minutos, mas não completamente. 
Perguntou se poderia deixar uma questão em branco, a de gráficos, porque não 
sabia fazer. 
A1 nunca fez muitos exercícios em sala, e com o passar do tempo ia 
fazendo menos ainda. 
A professora sugeriu um trabalho diferente: elaborar uma revista na qual os 
alunos colocassem seus gostos, associados a um tema estudado durante o ano. 
Assim A1 fez, mas sem se envolver com o grupo, e por isso, acabou fazendo 
sozinho 
Ele não tinha um acompanhamento contínuo por parte da pedagoga, apesar 
dela ter sido sempre muito solícita, mas passou as informações à professora e 
depois apenas perguntava sobre ele nas reuniões pedagógicas, uma vez por 
bimestre. 
Quando a professora ia até ela perguntar sobre A1, ela atendia muito bem, 
mas sem muitas contribuições efetivas. 
Segundo a pedagoga, A1 adquiriu maior autonomia desde que entrou no 
curso técnico. Está vindo sozinho de ônibus para a aula e fica responsável por seus 
estudos com a supervisão dos pais. 
 
Análises e discussões dos dados 
Em relação ao perfil das pessoas com autismo, conforme apresenta o laudo 
médico (CID2 F84.0 – Autismo Infantil), A1 apresentava facilidade para 
compreender conceitos lógicos, mas apresentava dificuldade em transcrever seu 
raciocínio para o papel. 
 Prestava atenção nas aulas, mas dificilmente escrevia alguma coisa em seu 
caderno ou atividades propostas pela professora. Por isso, a docente começou a 
avaliá-lo por meio das explicações dadas pelo estudante para as resoluções 
apresentadas. 
No Diário de Campo, quando a professora solicitou à mãe para que A1 
comparecesse no atendimento ao aluno, foi para que tomasse conhecimento 
 
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desses horários, pois na escola anterior ele não tinha essa possibilidade e esse 
apoio. 
A presença dos pais em relação aos estudos de A1 era sempre solícita e 
eles sempre se dispuseram a colaborar e incentivar o aluno. O fato de A1 sempre 
explicar que estava ocupado estudando para a prova de Química, de assistir 
vídeoaulas para estudar ou de estar sempre desenhando animes5 que assistia, 
demonstrava uma certa obsessão na manutenção de rotinas, conforme Cruz (2011), 
“uma das características chave do autismo era a obsessiva manutenção de rotinas, 
a qual levava a uma limitação na variedade de atividades espontâneas, assim como 
a inabilidade no relacionamento interpessoal” (CRUZ, 2011, p. 30). 
Apesar de A1 apresentar-se sempre impaciente, entrando e saindo da 
sala ou chegando mais tarde para a aula, foi possível perceber que os 
estímulos visuais que a professora utilizava atraía a atenção de A1. 
 Em geral isso acontecia no decorrer da explicação do conteúdo com slides no 
Power Point e com o apoio do software matemático Geogebra que a professora 
utiliza normalmente em suas aulas. 
Os desenhos de gráficos, as aulas organizadas em padrão onde a professora 
utilizava estímulos visuais e áudio-cinestésico-visuais citados, além das vídeo aulas 
e leitura em voz alta das provas, vão ao encontro das propostas sugeridas em Orrú 
(2009) com o programa TEACCH. Ao contrário do que acontece na maioria dos 
casos de pessoas com autismo, A1 sempre olhava nos olhos da professora para 
falar com ela, trazendo confiança à professora para continuar a trabalhar dessa 
forma com A1. 
A aula de despoluição de um lago foi uma alternativa para sanar as 
dificuldades de A1 em relação a participação e a discussão do que estava sendo 
estudado, fazendo-o trabalhar em grupo e conversar com os amigos, para que 
pudesse ajudá-lo a tornar-se mais sociável com seus colegas. Inicialmente, o aluno 
foi estimulado a trabalhar em grupo, mas com um aluno já conhecido dele. Aos 
poucos esse aluno foi se afastando e não querendo participar do grupo com o A1. A 
professora tentou inseri-lo em outro grupo, no qual os componentes conversavam 
um pouco mais com o A1. 
Porém, A1 não ficou contente. Não participava efetivamente dos trabalhos e 
esse grupo deixou de aceitá-lo. Ao final do ano letivo ele estava ainda mais isolado 
na turma, preferindo cada vez mais atividades individuais. 
Em uma determinada ocasião, ele até aceitou a possibilidade de apresentar 
um exercício no quadro para toda a turma, mas no dia de fazê-lo, desistiu e pediu 
pra fazer individualmente. 
 
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Apesar dos princípios do TEACCH enfocar que é muito difícil e, mesmo 
improvável, que um estudante com autismo construa a generalização do que 
aprendeu, A1 podia fazer isso, de certa forma. 
Quando ele teve que encontrar uma função de 1º grau para uma determinada 
situação simples, ele o fez a partir da análise do comportamento para alguns valores 
dados da situação apresentada. Levava algum tempo, mas era possível fazer 
algumas generalizações. 
Para A1, quanto mais estruturada e ordenada era a aula, mais ele podia 
compreender o tema. Ao final, era mais difícil ele ficar na aula, quando se requer 
relacionar diversos conteúdos, como por exemplo, na resolução de equações 
quadráticas. 
Quando se comparava os métodos de resolução entre as inequações deste 
tipo e as de primeiro grau, por exemplo,ele sempre saia da sala para tomar água. 
Portanto, foi necessário seguir um roteiro de aula mais ordenado, escrevendo no 
quadro e ressaltando os passos a serem seguidos na resolução. 
Pelas observações realizadas em sala de aula, foi recorrente notar que as 
aulas na presença de A1 necessitam de um maior envolvimento da professora, 
novos planejamentos, produzir e adquirir conhecimentos sobre o tema numa 
constante ação e reflexão dos acontecimentos obtidos em sala de aula, a fim de 
avaliar a interação, organização, comportamento e desenvolvimento de A1. 
O seu interesse por praticar tênis de mesa demonstra sua propensão por 
atividades cinestésicas; fatos levados em conta sempre ao preparar as aulas e 
avaliações. 
No primeiro bimestre, as duas provas foram realizadas por ele junto com a 
turma, no mesmo ambiente. Pela dificuldade da professora compreender as 
respostas dadas por A1, já que escrevia pouco, e assim poder avaliá-lo de forma 
mais adequada, ela optou por fazer provas individuais para que A1 tivesse a 
oportunidade de explicar o seu raciocínio. 
As avaliações do terceiro e quarto bimestres foram realizadas 
individualmente, de forma oral, em virtude dos fatos já mencionados. Possíveis 
dificuldades na motricidade fina ou global de A1, para escrever resoluções de um 
exercício ou desenhar gráficos com mais precisão, acabavam sendo compensadas 
com o estímulo áudio-cinestésico de avaliações orais e de gestos, de acordo com o 
programa TEACCH (ORRÚ, 2009). 
A1 finalizava atividades simples, porém, isso só podia ser percebido pelas 
provas orais, pois durante as aulas ele escrevia muito pouco, mesmo havendo mais 
tempo para realizar as atividades. 
 
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Sua média em Matemática foi 6,4, pouco mais que a mínima para aprovação, 
assim como em Química com uma média final próxima de 6, apesar de A1 
demonstrar maior interesse nesta disciplina. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Considerações finais 
 
Nas primeiras buscas bibliográficas, constatamos que o TEA é caracterizado 
por alterações sociais e de comunicação e, por interesses restritos e que, segundo 
Gomes (2015), o perfil das pessoas afetadas varia muito de uma pessoa para outra. 
No Caso de A1, pôde-se constatar, por meio do Diário de Campo, que ele 
tinha algumas dificuldades de interação social, mas que falava, lia e ia bem nas 
aulas de Matemática, sem alterações comportamentais significativas e com um 
principal problema, o de escrever quase nada, que acaba agravando e necessitando 
de acompanhamento diferenciado. 
Levamos em conta estas questões em relação à variedade de perfis das 
pessoas com TEA e consideramos as análises do ensino de Matemática, com 
habilidades complexas e que direcionariam às atividades futuras. 
Assim como Gomes (2015) no seu trabalho “Ensino de leitura para pessoas 
com autismo”, inferimos que A1 era um aprendiz que finalizava atividades simples, 
não permanecia sentado por muito tempo, pensava com distintas representações 
mentais matemáticas e realizava alguns resoluções de exercícios apenas no 
registro algébrico. 
Em termos acadêmicos, ele tinha ótimo raciocínio, compreendia o conteúdo, 
mas tinha dificuldades em expressar-se por escrito suas resoluções matemáticas. 
Tanto que as provas foram orais para que tivesse um tempo pra pensar nas 
questões e tentasse resolver; depois da professora ler o que estava escrito e pedir 
para que ele explicasse as suas resoluções. 
 
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O fato de A1 chegar atrasado às aulas, de não fazer os exercícios solicitados 
em aulas passadas e não se manifestar em relação às tarefas em grupo é tido como 
um comportamento comum da pessoa com autismo. Alguns psicólogos como Fialho 
(2012) chamam essas ocorrências de esquiva, quando ele quer se ver livre da 
situação e usa uma estratégia para isso e, quando obtém resultados satisfatórios, 
continua usando sempre e reforçando, assim, o comportamento de fuga como 
ocorria nas aulas de matemática. 
Neste caso, um(a) psicólogo(a) comportamental poderia ajudar A1 e a 
professora no sentido de orientá-los quanto a esses comportamento, ao identificar o 
porque estava ocorrendo essa fuga. 
Como por exemplo, o psicólogo(a) poderia identificar algumas informações a 
mais sobre o que ocorreu antes de aparecer esse comportamento e sugerir, junto 
com a professora, adaptações nas aulas e atividades para que ele se sentisse mais 
seguro e motivado nas aulas, o que, a longo prazo, poderia se tornar um 
planejamento docente mais adequado às diferenças individuais. 
Um fato relevante e que poderia ter influenciado o comportamento de A1 foi 
que, nesse período, ele ficou sabendo que o torneio de tênis de mesa, que tanto 
desejava participar, havia sido cancelado por falta de verba na prefeitura. O 
estudante, à época, não teve apoio psicológico institucional porque os servidores 
técnicos administrativos, categoria na qual ele se encaixa, estavam em greve. 
Concluímos em destacar a necessidade de uma parceria maior com um(a) 
psicólogo(a) comportamental pra ajudar a entender o porquê de A1 estar utilizando 
o comportamento de fuga (esquiva) nas aulas de matemática. 
A professora na época não considerava algo tão relevante, por falta de 
experiência, e que com esta pesquisa pode perceber o quanto é necessária a 
colaboração de outros profissionais envolvidos no aprendizado do aluno. 
Todos os alunos, independentes de quaisquer características que possuam, 
podem aprender; este é o princípio básico da Educação Inclusiva. A importância de 
um bom planejamento, principalmente quando trabalhamos com alunos com TEA, 
dependerá do conhecimento de suas especificidades, levando em consideração 
desde seus comportamentos até o seu tempo de aprendizado. 
Além do bom planejamento, destaca-se a importância da ação colaborativa e 
maior envolvimento entre professores/auxiliares/pais. 
 
 
 
 
 
 
 
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O PAPEL DO PROFESSOR FRENTE À 
INCLUSÃO DE CRIANÇAS COM AUTISMO 
 
 
 
 
Quando discutimos sobre a inclusão, diretamente recaímos sobre o papel do 
professor frente a esse processo, tendo em vista que ele estabelece um contato 
contínuo e duradouro com a criança. 
Com as mudanças sociais que vêm ocorrendo na sociedade, novas 
atribuições recaem sob a responsabilidade do professor, e este tem que estar 
preparado para lidar com as situações mais desafiadoras no dia a dia, incluindo a 
educação de crianças com autismo. 
Quando nos referimos ao papel do professor neste artigo, pressupomos que 
se faz necessário uma intervenção mediatizada por parte deste, nesse sentido, o 
 
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professor deixa de ser apenas um transmissor de conhecimentos para ser um 
orientador, que estimula o desenvolvimento e a aprendizagem a partir de interações 
construídas no envolvimento de toda a turma. Podemos dizer que a mediação “é 
processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação; a relação 
deixa, então, de ser direta e passaa ser mediada por esse elemento” (OLIVEIRA, 
1997, p.26). 
A inclusão está diretamente relacionada com o processo de 
ensino-aprendizagem, não basta só incluir, a escola deve ofertar um ensino de 
qualidade e para isso o professor deve desenvolver metodologias diversificadas e 
flexíveis. Para que se possa obter uma resposta positiva ao seu trabalho, essa 
desenvoltura terá que existir independente da heterogeneidade encontrada em sala 
de aula. 
Lopez (2011) atribui o papel do professor como o mediador, ela o define 
como aquele que no processo de aprendizagem favorece a interpretação do 
estímulo ambiental, chamando a atenção para seus aspectos cruciais, atribuindo 
significado à informação concebida, possibilitando que a mesma aprendizagem de 
regras e princípios sejam aplicados às novas aprendizagens, tornando o estímulo 
ambiental relevante e significativo, favorecendo desenvolvimento. 
Com relação a sua participação na inclusão da criança com autismo em 
escolas de ensino regular, o professor tem um papel determinante, pois é ele quem 
recepciona e estabelece o primeiro contato com a criança, seja positivo ou negativo, 
dessa forma ele é um grande responsável por efetivar ou não o processo de 
inclusão, considerando que é seu dever criar possibilidades de desenvolvimento 
para todos, adequando sua metodologia as necessidades diversificadas de cada 
aluno. 
De acordo com Mousinho, et al (2010) as crianças que apresentam 
dificuldades de comportamento e socialização, são geralmente vistas como 
excêntricas e bizarras por seus colegas, tornando difícil e complexo o papel do 
professor diante do desafio de ensinar e incluir simultaneamente. 
As crianças com autismo têm dificuldade de entender sobre as relações 
humanas e as regras e convenções sociais. Podem ser ingênuas e não 
compartilham do senso comum. 
Sua rigidez gera dificuldade em gerir a mudança e as tornam mais 
vulneráveis e ansiosas. 
Muitas vezes não gostam de contato físico. Se a situação for mal manejada, 
podem acabar exploradas e ridicularizadas por outras crianças. No entanto, elas 
querem ser parte do mundo social e ter amigos, mas não sabem como fazer para se 
aproximar. 
 
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O papel do professor nessa perspectiva é tornar possível a socialização da 
criança com autismo na sala de aula e adequar a sua metodologia para atender as 
necessidades destes. 
Em muitas situações, as crianças com autismo ficam às margens do 
conhecimento ou não participam das atividades grupais, fato que exige do professor 
sensibilidade para incluí-lo ao convívio com o meio, visto que é no processo de 
socialização que se constitui o desenvolvimento e aprendizagem. É importante que 
o professor detecte as dificuldades existentes e investigue o nível de 
desenvolvimento dos mesmos, para que dessa forma ele saiba quais aspectos 
devem ser trabalhados com a criança. Segundo Santos (2008, p.30), 
 
 
O nível de desenvolvimento da aprendizagem do autista geralmente é lento e 
gradativo, portanto, caberá ao professor adequar o seu sistema de comunicação a 
cada aluno. O aluno deve ser avaliado para colocá-lo num grupo adequado, 
considerando a idade global, fornecida pelo PEP-R, desenvolvimento e nível de 
comportamento. É de responsabilidade do professor a atenção especial e a 
sensibilização dos alunos e dos envolvidos para saberem quem são e como se 
comportam esses alunos autistas. 
 
 
É indispensável que o professor conheça todas as características e 
dificuldades que abrangem esse transtorno, só assim ele será capaz de planejar 
suas ações de modo que no vivenciar das experiências a criança não seja vítima de 
atos discriminatórios. Sobre isso Orrú (2003, p.1) diz, 
 
 
É imprescindível que o educador e qualquer outro profissional que trabalhe 
junto à pessoa com autismo seja um conhecedor da síndrome e de suas 
características inerentes. Porém, tais conhecimentos devem servir como sustento 
positivo para o planejamento das ações a serem praticadas e executadas […]. 
 
 
Entendemos que para um bom resultado nesse processo, o professor deve 
ter propriedade nas práticas aplicadas e conhecimento pleno do que é o autismo. 
É muito importante que ele tenha sensibilidade e serenidade para promover 
em sala de aula a consciência de atos inclusivos, buscando contribuir, dessa forma, 
no desenvolvimento e aprendizagem. 
 
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Temos observado na realidade educacional, que a formação de professores 
não oferece uma base sólida nos aspectos teóricos e práticos, de modo, que poucos 
professores possuem uma formação básica centrada nos aspectos inclusivos ou 
específica para o autismo, isso implica na falta de compreensão acerca das 
necessidades diferenciadas e conhecimentos necessários para ensinar a criança 
com autismo. 
Além de estudar e analisar o desenvolvimento da criança com autismo, o 
professor tem a incumbência de tornar a sala de aula um ambiente inclusivo, 
possibilitando às crianças o conhecimento das diferenças e o incentivo para que 
elas desenvolvam a solidariedade. 
O professor deve desenvolver na criança a autoconfiança e a independência, 
pois são características ausentes em sua personalidade. 
Para o professor também recai a responsabilidade de desenvolver atividades 
de acordo com o grau de conhecimento da criança, para que ela possa 
desempenhar as atividades de forma correta, possibilitando o surgimento de novas 
aprendizagens e o avanço no desenvolvimento de atividades escolares. 
 
 
Procedimentos Metodológicos 
 
 
Para a realização desse trabalho, optamos por um estudo de caso com 
enfoque qualitativo, pois essa abordagem é interpretativa com o investigador 
geralmente envolvido em uma experiência sustentada e intensiva com os 
participantes, existindo uma relação dinâmica entre o sujeito e o objeto 
(CRESWELL, 2007). 
 Já o estudo de caso foi pensado por permitir reunir os dados relevantes 
sobre o objeto de estudo e, desse modo, alcançar um conhecimento mais amplo 
sobre esse objeto, dissipando as dúvidas, esclarecendo questões pertinentes e, 
sobretudo, instruindo ações posteriores (CHIZZOTTI, 2006). A pesquisa foi 
realizada em uma escola de tempo integral da rede pública do município de 
Arapiraca–AL e os dados foram coletados através de entrevistas semiestruturadas. 
Esse tipo de entrevista parte de certos questionamentos básicos, apoiados 
em teorias e hipóteses que interessam à pesquisa e que, em seguida oferecem 
amplo campo de interrogativas, fruto de novas hipóteses que vão surgindo à medida 
que se recebem as respostas do informante seguindo espontaneamente a linha do 
seu pensamento e de suas experiências dentro do foco principal colocado pelo 
 
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investigador, começa a participar na elaboração do conteúdo da pesquisa 
(TRIVIÑOS, 1997). 
Ainda sobre as entrevistas, podemos dizer de acordo com Lakatos, Markoni 
(1996) que os dados advindos das entrevistas requerem que o entrevistador tenha 
tempo e exige alguns cuidados, entre eles destacam-se: o planejamento da 
entrevista; a escolha do entrevistado; a oportunidade da entrevista, ou seja, a 
disponibilidade do entrevistado; as condições favoráveis que possam garantir ao 
entrevistado o segredo de suas confidências e de sua identidade e, por fim, a 
preparação específica queconsiste em organizar o roteiro ou formulário com as 
questões importantes. 
O roteiro da entrevista foi elaborado e aplicado para que pudéssemos através 
das falas, analisar o que as duas professoras participantes dessa pesquisa 
entendem e praticam com relação à inclusão de crianças com autismo em uma 
escola de ensino regular e, principalmente, colher informações relevantes sobre o 
papel do professor frente à inclusão de crianças com autismo em escolas de ensino 
regular. 
 
 
Resultados e Discussões 
 
 
 
Para compreendermos o que foi discutido até aqui sobre a inclusão de 
crianças com autismo e o papel do professor frente essa inclusão, faremos uma 
análise dos dados coletados, através das entrevistas realizadas com duas 
professoras que lecionam nos primeiros anos das séries iniciais do ensino 
fundamental. 
É preciso considerar que para abordarmos a temática em pauta os dados 
serão analisados e discutidos partindo dos objetivos que foram elaborados para esta 
pesquisa e de acordo com os seguintes eixos temáticos: concepção das professoras 
sobre a inclusão; a inclusão da criança com autismo em escolas de ensino regular e 
o papel do professor frente à inclusão de crianças com autismo. Iniciaremos as 
análises caracterizando as professoras entrevistadas. 
A primeira professora que será denominada nesta pesquisa de Gorete, atua 
na área da educação há vinte e cinco anos, sua formação inicial foi o magistério e 
atualmente faz o curso de pedagogia, a segunda, iremos intitular de Lúcia que atua 
na educação há quinze anos e sua formação consiste em curso de Pedagogia e 
pós-graduação lato sensu em Alfabetização. 
 
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Pudemos perceber que uma das professoras entrevistadas, fala com pouca 
propriedade sobre o tema, quando questionada sobre o seu ponto de vista acerca 
da inclusão da criança com autismo em escola de ensino regular, a mesma afirmou 
que é “normal, não vejo diferença, ele não apresenta agressividade é normal” 
(GORETE, 2013). Em contrapartida, obtemos a seguinte fala da outra professora: 
 
No meu ponto de vista, mesmo o pessoal achando que é discriminação, eu 
acho que se ele tivesse [...] assim pudesse ter um professor pra ele, que ele ficasse 
na sala, mas que tivesse sempre alguém dentro da sala seria outra coisa se tivesse 
uma auxiliar de sala acompanhando (LÚCIA, 2013). 
 
 
Nunes (2011) afirma que muitos professores que atuam nas escolas 
demonstram medo e ate não aceitam a inclusão que esta acontecendo em todo 
sistema educacional em território nacional. 
A concepção do professor em relação à inclusão depende muito de sua 
formação cultural e intelectual o que, muitas vezes, acaba interferindo na prática 
pedagógica. 
Por vezes o professor quer compartilhar a responsabilidade de ensinar a 
criança com autismo com outras pessoas, devido às dificuldades que ele enfrente 
sozinho na sala de aula. 
Para alguns profissionais da educação, a inclusão é vista de forma negativa, 
por vezes eles não se sentem preparados para lidar com as necessidades 
individuais que a criança com autismo apresenta, a partir disso pudemos identificar 
que a professora sente dificuldades com relação a ter uma criança com autismo em 
sala de aula, demonstrando que deveria ter um professor voltado apenas para a 
educação do mesmo. Sobre as dificuldades de ter uma criança com autismo em 
sala de aula, as professoras alegaram que: 
 
 
Dificuldade sempre se existe né. Durante as convivências, o tempo que você 
tá trabalhando, você vai se habituando ao ambiente, no início eu achei difícil, como 
eu ia trabalhar com ele, como era que eu ia lidar com aquele menino, como era que 
eu ia fazer as atividades dele, a tarefa dele, foi que eu pedi orientação a minha 
amiga, e ela mim orientou como trabalhar, entendeu? Como trabalhar, como ficar 
trabalhando aí eu tô desenvolvendo meu trabalho e com a ajuda delas nós 
desenvolve um bom trabalho (GORETE, 2013). 
 
 
 
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Como agente está iniciando o ano, agora que ele está se adaptando, quer 
dizer eu ainda não posso dizer muita coisa porque ele está ainda desenvolvendo a 
coordenação motora. Aí quer dizer, é um avanço porque ele já avançou. O fato dele 
não querer fazer, aí eu tenho que encontrar meios, o que se torna difícil pra chamar 
a atenção dele, esperar dele o momento pra, ele fazer a atividade... Só dele se 
interessar já é alguma coisa. Eu acredito que no decorrer do ano ele vai se 
habituando e eu acho que aos pouquinhos... Não pode forçar pra que ele 
acompanhar pra idade dele (LÚCIA, 2013). 
 
 
Segundo Coscia (2010) o professor, ao iniciar o processo de ensino 
aprendizagem com uma criança com autismo, terá a sensação que ela se recusa a 
interagir e a aprender qualquer coisa proposta por ele. 
Este deverá proporcionar um ambiente adequado, com intervenções 
necessárias para que ocorra a comunicação. Um aspecto que interfere diretamente 
na prática docente, é a formação o professor, a graduação sozinha não é capaz de 
capacitar o professor para compreender e aprender a lidar com as diferenças e 
desafios presente na educação inclusiva. Sobre isso, uma das entrevistadas afirma 
o seguinte: 
 
 
O professor deve ser bem preparado, não é só ele sair do curso de 
pedagogia que tem aquelas ...acho que são 120 aulas de inclusão e dizer ‘’eu estou 
pronto’’ até porque isso não é suficiente pra que ele seja um bom professor, precisa 
de mais e mais capacitação, pra ele saber lidar com as dificuldades e saber ensinar 
(LÚCIA, 2013). 
 
 
 
Quanto ao que foi citado acima, Nóvoa (1995, p.25) alega que: 
 
 
A formação do professor não se constrói por acumulação (de cursos, de 
conhecimentos ou de técnicas), mas sim através de um trabalho de reflexibilidade 
crítica sobre as práticas e de (re)construção permanente de uma identidade 
pessoal. Por isso é tão importante investir na pessoa e dar um estatuto ao saber da 
experiência 
 
 
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Devido às dificuldades que caracterizam a criança com autismo, já foi 
comprovado que ele não aprende do mesmo modo que outras crianças, ou seja, a 
metodologia de ensino tem que ser diferenciada, voltada para suprir às 
necessidades da criança. Questionamos as entrevistadas como é feita a realização 
das atividades. Eis as respostas: 
 
 
As atividades que eu faço são totalmente diferenciadas. Por que o autista, ele 
não tem agilidade, não tem a coordenação motora como os alunos tem né, nos 
trabalhamos com: a coordenação, muito a coordenação pronunciar várias vezes as 
palavras para que ele possa memorizar dessa forma (GORETE, 2013). 
 
[...] eu sempre faço, a luta é essa, assim ele ainda não tá se adaptando as 
atividades, uma ou outra eu passo ele faz, tem dia que ele quer fazer, mas tem dia 
que não faz de jeito nenhum, no momento estou trabalhando com ele a 
coordenação motora, que ele não tem (LÚCIA, 2013). 
 
 
Monte; Santos (2004, p. 31) ressaltam que: “o aluno com necessidades 
educacionais especiais, por apresentar autismo, precisa ser ajudado a adquirir 
conhecimentos que os outros alunos aprendem naturalmente, por isso a importância 
da seleção de atividades”. 
Para o bom desenvolvimento e aprendizagem, compreendemos a 
importância de estabelecer uma boa relação entre professor e aluno, visto que pode 
contribuir de forma significativa para a sua permanência naescola. ‘’Atualmente 
essa corrente teórica tem se preocupado em buscar uma sistematização 
pedagógica do fenômeno educativo escolar. 
Nesse sentido, tornar a sala de aula como tema reflexivo, implica priorizar a 
relação professor e aluno (MONTEIRO, 2003, p.50). Em face disso, pedimos que as 
entrevistadas relatassem como é o relacionamento com as crianças com autismo, 
chegando às seguintes falas: 
 
 
Muito bom, maravilhoso, o tratamento dele com a gente quando ele chega na 
escola ele já vai abraçando todo mundo, ele beija, o que eu acho interessante nele 
pelo menos o meu, não fala, só olha pra você e sorri, e quando ele quer uma coisa 
ele chama você, pega você pela mão e vai até aonde ele quer, aí essa foi uma das 
dificuldades, eu não sabia como a hora de levar ele para o banheiro, a hora que ele 
 
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queria tomar água e hoje eu já sei, quando ele quer água, ele mostra o caneco, 
quando quer ir ao banheiro ele coloca a mão, porque ele não fala mesmo, ele não 
desenvolveu a fala (GORETE, 2013). 
 
 
 É razoável, só que tem momentos que a gente exige pra ele fazer as 
atividades, ficar sentado, aí ele grita e joga o lápis, fica batendo na banca, chutando 
a porta, às vezes se alguém pegar alguma coisa dele, ele morde, já bateu em uma 
colega com o caderno (LÚCIA, 2013). 
 
 
 
 
 
Considerações finais 
 
 
 
Diante do que foi estudado e analisado, compreendemos que é importante 
tornar acessível à entrada e permanência de crianças com autismo em escolas de 
ensino regular, no entanto, não é uma tarefa fácil tornar uma escola inclusiva, é 
necessário que governo, escola e família trabalhem juntos em prol da oferta de 
educação de qualidade, com as devidas condições e possibilidades para o 
desenvolvimento e aprendizagem. 
Não podemos falar sobre inclusão sem fazer referência ao processo de 
ensino – aprendizagem, já que a inclusão tem o intuito de prover as mesmas 
condições a todos os alunos, visando o desenvolvimento e aprendizagem dos 
mesmos. 
Através desse trabalho, identificamos o papel do professor como mediador da 
inclusão, ou seja, ele cria situações que oportunizam esse processo, se 
aproximando e gerenciando conflitos de modo que se faça compreender que as 
diferenças são características de todos os alunos, independente de ser deficiente ou 
não. 
Compreendemos também, que a falta de uma formação sólida voltada para 
os aspectos inclusivos, reflete negativamente na prática docente do professor, pois 
ele precisa, de forma contínua, estar em contato com novas informações no que se 
refere a sua atuação profissional. Notamos ainda, que apesar das dificuldades 
 
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existentes, o processo de inclusão é sim possível, desde que haja comprometimento 
e envolvimento por parte do professor, uma boa formação pedagógica, além de 
apoio escolar e familiar. 
 
 
 
 
O LÚDICO NA APRENDIZAGEM DA CRIANÇA 
COM AUTISMO: ROMPENDO A CÁPSULA 
 
 
Escrever sobre o autismo gera um amplo desafio e requer a articulação de 
múltiplos olhares, uma vez que é classificado como um transtorno do 
neurodesenvolvimento, que ainda solicita importantes estudos devido à 
complexidade que abrange o seu espectro. 
Posso ressaltar que o interesse em desenvolver esse trabalho surgiu quando 
vivenciei uma das experiências mais surpreendentes da minha vida, foi como 
estudante do curso de pedagogia e na condição de professora de Educação Infantil 
em uma creche escola da rede privada de ensino, quando o processo de inclusão 
levou aos meus cuidados educacionais, duas crianças com transtorno do espectro 
autista. 
Eu como educadora não tinha nenhuma formação em Educação Especial, 
desconhecia quase que totalmente o transtorno que acometia aquelas crianças, o 
que me tornou um tanto insegura, pois a inclusão era uma realidade nova para mim 
e as especificidades apresentadas por aquelas crianças eu desconhecia quase que 
totalmente. 
A partir do momento que recebi essas crianças pude constatar o quanto 
estava despreparada para lidar com a nova situação. Nesse sentido me questionei: 
 Será que todos os autistas são presos em uma redoma? 
Aquele espaço educativo era o ideal para aquelas crianças, ou deveriam 
frequentar uma escola especial? 
Quanto à condição autista limitava ou potencializava o desenvolvimento de 
habilidades? 
Que metodologia de ensino seria utilizada? 
 Até que ponto estava qualificada para trabalhar com aquelas crianças? 
 
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De que forma poderia fazer contato com aquelas crianças “encapsuladas” e 
penetrar em seu mundo incógnito? 
 
Questionamentos esses aflorados por previamente não haver recebido, não 
possuir informações e nem especialização para trabalhar com aquelas crianças. Foi 
de princípio atemorizante na minha situação como professora, eu estava diante de 
duas crianças com transtorno do espectro autista com características distintas 
completamente mergulhadas em seu eu, ambas ignoravam e não se comunicavam 
com o mundo exterior, passando a visão de estarem “encapsuladas”, ou seja, está 
protegida por uma membrana que as resguardavam do contato com o mundo 
exterior, e fazerem a questão de se manter naquela situação. 
Para Tustin (1975), (apud AMY 2001, p. 37) a criança neste estado que ela 
denominou de “crianças encapsuladas”, dar ares de estar trancada em um estado 
autístico inalterável com raro desenvolvimento do mundo interno como se houvesse 
paralisado em um estágio precoce da vida, causando um tipo de imaginação muito 
restrita centrada nos processos corporais, porém, para a autora, não passa de uma 
criança tomada de pânico, apesar de parecer apática e imperturbável, ela vaga 
fantasmaticamente por um buraco negro onde a sua forma de defesa é a inibição, o 
processo de encapsulamento a absorve completamente, negando-se até mesmo 
aos cuidados de quem a cria. 
Com base nessas primeiras indagações de docente, observa-se que 
angústias, dúvidas e inquietações, constituíram o meu contato inicial com as 
crianças com autismo, pois tudo que já havia lido ou ouvido falar, demonstravam 
que o sujeito com autismo não se comunicava, e na prática, eu estava evidenciando 
naquele momento o isolamento físico e a falta de reciprocidade daquelas crianças. 
O enigma estava lançado em minhas mãos. 
Como poderia contactar aquelas crianças que apesar de tão pequenas, 
recusavam aceitar o contato social evitando ativamente qualquer forma de 
aproximação, e ficavam horas isoladas em um canto da sala, ou então andando 
sem parar e sem um foco ou destino a chegar, apenas andavam. 
Os dias iniciais com essas crianças eu me contentei em observar e às vezes 
era observada por um olhar que se desviava assim que cruzava com o meu. Além 
das primeiras impressões, Baptista e Bosa (2002) afirmam que a mídia se 
encarrega de propagar uma caricatura do autista como um ser incapaz de falar, 
sorrir, ou mostrar carinho pelos outros. 
Essa visão midiática deturpa o autismo de tal forma que seres sem 
conhecimento do problema, chegam a usar o termo autista para se referir a 
indivíduos sem habilidades, sem nem ao menos procurar compreender o mínimode 
particularidade que compõe o espectro autista. 
 
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Minha aflição primitiva tinha como princípios básicos essa descrição feita pela 
mídia, mas, ao mesmo tempo, era uma espécie de fascinação e dúvidas sobre a 
“incapacidade” delas. O “encapsulamento” protetor daquelas crianças passou a me 
arrebatar de curiosidade, ao observar aqueles olhos, que me pareciam pedir 
motivos para sorrir. Ellis (1996) esclarece que o autismo causa no sujeito uma 
perturbação da interação social e que se faz necessária intervenção especial, uma 
vez que: 
 
[...] a perturbação social, muito mais que outros de tais problemas, têm um 
efeito devastador porque retira aqueles afetados do alcance das fontes ordinárias de 
aprendizado e do apoio emocional que os outros seres humanos poderiam lhe 
proporcionar. A menos que a natureza de suas perturbações sejam entendidas e 
sejam proporcionado ensino hábil e cuidados, as pessoas socialmente perturbadas 
ficam psicologicamente isoladas em um mundo que elas não podem entender. 
(ELLIS 1996, p.26) 
 
 
Devido a essa perturbação social relatada por Ellis (1996) a qual vivência a 
maioria as crianças com autismo, a minha experiência com elas, de início, foi 
frustrante e desmotivadora, não conseguia entender o porquê se interessavam por 
contato com objetos, já que estavam sempre com algum nas mãos e não se 
interessavam por contato com pessoas se isolando do mundo. 
Mas não desisti, procurei explicação para o que inicialmente era, para mim, 
um grande desafio. Foram inúmeras tentativas de penetrar naquele universo 
particular, porém, sem êxito. 
Passei a refletir, recorri à literatura e a diálogos com profissionais que 
trabalham com crianças com autismo em busca de uma “fórmula mágica” que 
contribuísse para o desenvolvimento daquelas crianças. Encontrei no lúdico uma 
fresta nessa cápsula na qual seria possível penetrar. Notei que sempre, mesmo que 
por alguns momentos, as atividades que envolviam música, brincadeiras, artes, 
jogos e contação de histórias com fantoches, chamavam à atenção daquelas 
crianças ainda que não se aproximasse, então passei a apostar nessa metodologia 
como forma de aproximação das crianças com autismo, conseguindo assim abrir 
uma fresta na cápsula. 
Com base neste panorama inicial apresentado, decidi realizar esta pesquisa, 
por compreender que o lúdico é uma das formas de minimizar as barreiras autísticas 
da sociabilidade, comunicação e imaginação, proporcionando a essas crianças 
oportunidades de aprendizagem e socialização considerável. 
 
 
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A utilização do brincar como forma de interação social e 
aprendizagem da criança com autismo 
 
 
As atividades ligadas ao corpo podem produzir experiências agradáveis ou 
desagradáveis, conduzindo o sujeito a uma aventura conflitual constante com o 
meio, esses conflitos, muitas vezes, têm origem em distúrbios cognitivos, 
intelectuais e emocionais, para Gibello (1984), essa perturbação social pode ser 
facilmente associada ao autismo, o déficit de interação social, ausência de 
comunicação e imaginação, repúdio ao toque em vez do uso da imaginação e do 
jogo, representam o isolamento autístico. 
 
Conforme Saldanha (2014), as pesquisas em relação à importância do 
brincar na Infância são várias, e as diferentes concepções sobre estas são muitas 
vezes confundidas tornando o brincar como uma atividade que se mantém 
espontânea, ou contraditoriamente, engessadas e que não recebe o seu devido 
valor nas disciplinas educativas. 
Ellis (1996) destaca que a educação não pode curar um severo déficit, mas 
pode melhorar a capacidade da criança com transtorno autístico a enfrentar o 
mundo, já que, as dificuldades no ensino da criança autista estão no desafio de 
atrair e prender a sua atenção, nesse sentido os comportamentos da criança com 
autismo para brincar podem ser ensinados utilizando jogos, brinquedos e 
brincadeiras, já que ao brincar a criança experimenta diversas sensações, aprende 
regras e a apresentar uma conduta social aceitável, evitando isolar-se dos outros, 
nesse sentido Luckesi (2000), afirma que brincar, jogar, agir ludicamente, exige uma 
entrega total do ser humano, corpo e mente, ao mesmo tempo. 
O professor deve buscar estímulos e adequar atividades que possam inserir 
estas crianças ao grupo social incorporando a sua prática, jogos, cantigas de roda, e 
brincadeiras e que essas práticas não sejam utilizadas apenas como recursos 
pedagógicos, porque perdem o sentido da brincadeira e até mesmo a própria 
ludicidade, servindo somente para atingir resultados educacionais de ensino 
esperados. 
Como alguns sujeitos com autismo apresentam resistência ao aprendizado, é 
indispensável criar meios para incentivar sua participação nas atividades. De acordo 
com Saldanha (2014): 
 
 
 
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Trabalhar pedagogicamente, com crianças autistas e jovens com autismo, é 
um permanente e um instável desafio. Permanente, porque as situações de 
aprendizagem requerem uma atenção ininterrupta; instável, porque a 
imprevisibilidade de cada momento seguinte é a grande única certeza. (SALDANHA, 
2014, P.15) 
 
 
No que se refere ao desafio de trabalhar com sujeito com autismo, para não 
haver demasiadas surpresas em seu comportamento e as suas reações a novos 
estímulos, se faz necessário que em se tratando de atividades lúdicas, o educador 
antecipe o que vai acontecer na realização da atividade, seja por gesto, palavras ou 
demonstrando para criança como ela será desenvolvida. 
Saldanha (2014) nos traz que através do caráter simbólico na atividade 
lúdica, a criança compensa-se de frustrações e insatisfações, fazendo 
representação do objeto ou de situações ausentes, a autora afirma que a criança 
com autismo possui dificuldade extrema em desenvolver o jogo simbólico de brincar 
de faz-de-conta, mas que esse não é um fato impossível de acontecer ensinando-as 
os jogos de faz de conta com técnicas de mudança de comportamento, na medida 
em que interage com os outros, permitindo assim que a criança entre no mundo de 
fantasia. 
Enfim, as atividades lúdicas não devem ser forçadas devem acontecer e 
envolver a criança para que assim haja ludicidade. Tendo a ludicidade como 
parceira o professor provavelmente irá conseguir bastante êxito na interação social 
e na aprendizagem da criança com autismo. 
 
 
A interação da criança autista com a professora e com as 
outras crianças na instituição pesquisada 
 
 
 
Ao iniciarmos a exposição do estudo, se faz necessário apresentar o sujeito 
dessa pesquisa o João, que é o nome fictício da criança com autismo, que em 
época da escrita deste estudo encontrava-se com três anos e cinco meses. 
Quando João chegou aos cuidados educacionais da pesquisadora na escola 
tinha um ano e seis meses, não era diagnosticado com autismo e os pais só 
achavam incomum em seu comportamento à ausência de linguagem verbal, ele não 
falava e nem balbuciava até mesmo palavras como mamãe, papai e água, 
 
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vocábulos que normalmenteos bebês começam a balbuciar com apenas alguns 
meses de vida. 
Entre outros comportamentos incomuns de João podemos citar que ele 
evitava contato visual, não atendia se chamado, apresentava estereotipias motoras 
girando e balançando as mãos por bastante tempo (flaps), não utilizava os 
brinquedos de forma convencional apenas ficava com eles nas mãos, não 
manifestava desejos e vontades na forma de solicitação verbal, recusava ser 
tocado, mas segurava as pessoas pela mão conduzindo-as ao que desejava se 
fosse algo que não estivesse ao seu alcance, utilizava chupeta e um paninho nas 
mãos o tempo todo e tinha a rotina de dormir toda a manhã fica muito agitado se 
não fosse colocado ao berço. 
Quando acordava gostava de enfileirar as cadeiras da escola e alguns 
bonecos, depois ficava olhando para o que fez sem nenhuma expressão, apenas 
observava, ou chorava se alguém mexesse, essa ação era realizada de forma 
consecutiva por longos períodos se não fosse interrompida por algum adulto. 
Em seus aspectos psicomotores João não possui déficits significativos, 
andava com desenvoltura, subia escadas, escalava os brinquedos do parquinho, 
balançava-se e saltava com facilidade, também apresentava uma boa coordenação 
motora fina, segurava o lápis de forma correta e tinha sensibilidade no movimento 
de pinça, se alimentava sozinho e de forma educada, raramente se sujava, porém 
esses momentos das refeições às vezes se tornavam tensos, se lhe fosse oferecido 
um alimento que ele não queria naquele momento, a recusa gerava uma fúria que o 
fazia atirar longe o alimento e por diversas vezes derrubava as cadeiras do refeitório 
para mostrar a sua insatisfação. 
João não interagia com os colegas, se afastava deles quando aproximavam 
ou apenas ficava nos observando, não trocava afeto e não participava das 
brincadeiras com as outras crianças, ele não apresentava comportamento agressivo 
com os colegas, apenas os evitava. 
Com cinco meses no ambiente escolar ele foi diagnosticado por uma equipe 
multidisciplinar com Autismo infantil e era apresentado pelos médicos até aquele 
momento como autista não verbal, apesar de todos os estímulos em casa, na escola 
e nas consultas com a fonoaudióloga ele não falava nenhuma palavra. 
Foi necessária reestruturação na rotina escolar para privilegiar e incluir João 
nas atividades da turma, o hábito de ficar recolhido ao berço e dormir toda a manhã 
também foi modificado e de forma espontânea, ele passou a demonstrar também 
avanços significativos e comportamentos mais adaptados ao cunho social, ficava no 
meio da roda nas cirandas, interagia nas brincadeiras livres e estava se saindo 
muito bem nas brincadeiras dirigidas pela professora, gostava de fazer trabalhos 
com tinta, colagem, brincar com massinha e com jogos de encaixe. 
 
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Ainda havia momentos de oposição, contudo, a participação de João já era 
constante em diversas atividades de potencial lúdico, ele mostrava preferência em 
permanecer na companhia das crianças com maior idade, passou a imitar tudo o 
que um colega de cinco anos fazia o que favoreceu bastante a sua aprendizagem. 
Foi nesse período no momento de uma brincadeira cantada, que para 
surpresa de todos, João se expressou verbalmente pela primeira vez, todos 
cantavam a música de um autor desconhecido, ”Pombinha voou, voou, caiu no laço 
se embaraçou. Pombinha voou, voou, caiu no laço se embaraçou. Vem cá ..., ai me 
dê um abraço que eu desembaraço essa pombinha que caiu no laço.” As crianças 
eram chamadas pelo nome e iam abraçar a pesquisadora, sempre ao cantar essa 
música o nome de João era o primeiro a ser citado pra ir dar o abraço, mas ele 
nunca se manifestava de forma autônoma para que isso ocorresse, a professora ia 
ao seu encontro para o abraçar. 
Nesse dia o nome dele não foi inicialmente chamado como de costume, 
após ouvir a canção com os nomes das outras crianças e não o dele, João que 
estava em pé observando, falou bem alto o seu nome seguidamente, deixando 
todos perplexos. 
Nesse sentido Chiote (2015) revela que no processo de agir para o outro, a 
criança toma “para si” o significado cultural da ação, modificando o seu modo de 
interagir com esse outro e vai se inserindo no universo semiótico participando das 
praticas culturais de seu grupo. 
A partir desse momento os ânimos afloraram para ver João progredir 
desenvolvendo a linguagem verbal, foram confeccionadas fichas com gravuras, 
realizadas abundantemente atividades de potencial lúdico envolvendo músicas, 
contação de histórias com fantoches e fantasias e diversos outros recursos para 
estimular a linguagem. 
Além do trabalho coletivo a pesquisadora passou a desenvolver um trabalho 
individual com João, aproveitando que ele demonstrava satisfação em está com ela 
e cooperava realizando as atividades. 
Ele aos poucos foi desenvolvendo a linguagem, mesmo que de forma ainda 
não tão compreensível, seu repertório vocabular era de palavras soltas e foi 
aumentando gradativamente, apesar de nem todas as crianças compreenderem o 
que João falava, elas se entendiam em diferentes situações, transformando 
aprendizagem de todos em um processo prazeroso através da cultura lúdica 
proporcionada. 
 
 
 
 
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Atividades lúdicas desenvolvidas com a criança com 
autismo 
 
 
Durante o período da pesquisa foram desenvolvidas diversas atividades, 
criadas situações para que a criança com autismo se aproximasse das outras 
crianças, brincasse e interagisse. 
Algumas dessas situações coletivas serão relatadas, enfatizando o 
comportamento de João e colocando em evidências a importância de práticas 
diversificadas para auxiliar a aprendizagem e socialização da criança com autismo 
com atividades lúdicas. 
Todo o processo não se prendeu às limitações de João, ele superou diversos 
obstáculos e podemos afirmar que a mediação nas situações de brincadeiras foi 
fundamental para modificar positivamente o seu comportamento. 
Todas as imagens das atividades foram arquivadas no diário de bordo da 
pesquisadora. Atividade 1 - Casinha encantada - Uma das características das 
crianças do autismo é a ausência da capacidade do jogo simbólico, ou seja, elas 
não brincam de faz de conta, a criança não manifesta o desejo de assumir papéis, 
não brincam de fingir de forma flexível e adequada à idade, como brincar de casinha 
fazendo comidinha, brincar de médico, motorista ou professor, ações que devem ser 
livres com situações criadas pelas próprias crianças. 
Nessa atividade propiciamos que no espaço houvesse uma variedade de 
acessórios como bonecas, utensílios brinquedos de cozinha, telefone, kit médico, 
carrinhos, fantoches, fantasias e tudo que pudesse culminar no processo criativo 
das crianças. João não mostrava interesse por esse tipo de brincadeira, entrava na 
casinha pegava os brinquedos, mas não utilizava para fazer representação como as 
outras crianças. 
No inicio imaginamos ser por falta da fala, mas depois que começou a se 
expressar verbalmente a situaçãopermanecia. 
Assim, foi necessário, promover diversas situações para tentar estimular 
João a fazer representações simbólicas, Segundo Saldanha (2014) é através das 
tentativas de desempenho de papéis, que a criança aprende a ter diferentes 
perspectivas e começa a entender a natureza a natureza das relações sociais, 
sendo também possível que o jogo simbólico ajude a criança em outras formas de 
atividade simbólica dentre elas a mais importante é a linguagem. 
Nesse sentido a pesquisadora passou a brincar de casinha com as crianças, 
interagia estimulando as representações foram necessárias inúmeras tentativas sem 
sucesso, até que uma das crianças enfileirou as cadeiras e chamou outras crianças 
 
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para brincar de ônibus, todos participaram da brincadeira e João manifestou o 
desejo de também “dirigir” o ônibus. 
João também começou a representar simbolicamente em outra ocasião 
utilizando fantoches, ele estava com o fantoche do porquinho e a pesquisadora 
começou interagir com ele, João disse “o poquinho vai tomer casa da pò” a 
pesquisadora entrando na brincadeira falou “não porquinho, não venha, pois tenho 
medo” João se aproximou com o fantoche para pegar a pesquisadora e ao se 
aproximar deu-lhe uma mordida e falou “comeu”. 
A brincadeira de casinha também passou a despertar a sua atenção, ele 
pedia para tirar a camisa, pegava uma miniatura de ferro de passar roupa e ia 
brincar, reproduzindo atividades executadas por adultos, outras vezes brincava de 
“kik iki”, ou seja, piquenique utilizava fogãozinho, panelinhas, pratinhos e talheres de 
brinquedo comendo e nos oferecendo alimentos imaginários. 
Em algumas ocasiões a pesquisadora vestia fantasias e as disponibilizava 
também para que as crianças brincassem e gerassem atos simbólicos e funcionais. 
Assim que a pesquisadora notou que João estava realizando atos simbólicos 
de forma autônoma e não mais fracassava, passou a deixá-lo livre para gerar 
significação às suas brincadeiras. 
 
Atividade 2 - Ciranda musical - 
A música para trabalhar com crianças é uma ferramenta importantíssima para 
o seu desenvolvimento em diversos aspectos. 
No ambiente escolar na educação infantil a música é utilizada diversas vezes 
durante as aulas, os professores incentivam as crianças a ficarem na rodinha e 
cantarem melodias simples fazendo o uso de canções repetitivas com finalidade 
distintas o que acaba tornando esses momentos que envolvem músicas em 
momentos mecânicos que eliminam as possibilidades de ludicidade e de 
socialização. 
Analisando possibilidades de desenvolvimento cognitivo, corporal, sensorial e 
principalmente da comunicação e socialização da criança com autismo, elaboramos 
a atividade, cujo objetivo era evitar que as crianças ficassem estáticas, afinal, 
podemos cantar e dançar sozinho, mas fazer isso acompanhado é muito mais 
divertido. 
Nesse sentido Szabo (1995) relata que a música tem como função ajudar 
todo ser humano e no caso da criança com autismo que possui dificuldade em 
entrar em contato com o mundo exterior, a música serve como meio de abrir um 
canal de comunicação muito difícil de conseguir através de outros meios, já que as 
crianças com autismo tem fascínio pela música ela pode contribuir para maior 
 
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estabilidade emocional e autoconfiança, pois a música é tão valorosa quanto a 
palavras e conceitos. 
Para a realização das atividades confeccionamos alguns instrumentos 
musicais feitos de materiais recicláveis, também utilizamos alguns instrumentos já 
existentes no ambiente escolar. 
Com mediação, as crianças foram encontrando a funcionalidade dos 
instrumentos. 
A pesquisadora cantava músicas que faziam parte do repertório cultural e 
musical das crianças utilizando um instrumento musical chamado maracás, a 
atenção das crianças foi imediata, alegria e euforia de todas elas, o som dos 
instrumentos as vozes ecoaram por toda a escola, todas dançando, tocando e 
cantando, João dissipava alegria com o instrumento escolhido nas mãos, dançava e 
interagia tocando o seu xilofone. 
Esse tipo de atividade passou a ser rotineira na escola, acrescentamos como 
suporte o uso de uma caixa amplificada para ampliar a voz, pois foi observado o 
fascínio de João por cantar com o microfone, o que lhe proporcionava o ganho de 
habilidades linguísticas. 
 
Atividade 3 - Círculo de afetividade - Brincar com bambolê é uma atividade 
bastante divertida, todas as crianças gostam desse brinquedo, o bambolê ajuda a 
desenvolver a cinestesia, aspectos cognitivos, interação, criatividade, equilíbrio e 
movimento do corpo, atividades lúdicas ligadas ao corpo são imprescindíveis para 
apropriação e constituição da cultura lúdica e a história social nesse, sentido 
Vigostky traz que: 
 
 
As crianças podem imitar uma variedade de ações que vão muito além dos 
limites das suas próprias capacidades. Numa atividade coletiva ou sob a orientação 
de adultos, usando a imitação, as crianças são capazes de fazer muito mais coisas. 
Esse fato, que parece ter pouco significado em si mesmo, é de fundamental 
importância na medida em que demanda uma alteração radical de toda doutrina que 
trata da relação entre aprendizado e desenvolvimento em crianças. (VIGOTSKI, 
1998, p. 115-116). 
 
 
 
Pensando nessas possibilidades desenvolvemos algumas atividades 
utilizando o bambolê e envolvendo coletividade como ferramenta para fomentar a 
interação de João com os colegas, diversos bambolês foram disponibilizados para 
 
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as crianças, inicialmente elas exploraram livremente o brinquedo, João ficou com o 
dele nas mãos sem tentar explorar o objeto, já algumas crianças giravam o bambolê 
ao chão ou ao corpo, outras amassavam, modificando a sua forma ou jogavam para 
cima, ou para o lado. 
Colocamos músicas e mostramos como convencionalmente se usava o 
bambolê, nesse momento notamos que o interesse de João pelo objeto passa a se 
evidenciar, a partir dos movimentos giratórios que sempre despertavam a sua 
atenção. Kishimoto (2010) enfatiza que: 
 
 
Ao brincar, a criança experimenta o poder de explorar o mundo dos objetos, 
das pessoas, da natureza e da cultura, para compreendê-lo e expressá-lo por meio 
de variadas linguagens. Mas é no plano da imaginação que o brincar se destaca 
pela mobilização dos significados. Enfim, sua importância se relaciona com a cultura 
da infância, que coloca a brincadeira como ferramenta para a criança se expressar, 
aprender e se desenvolver. (KISHIMOTO, 2010, p.1) 
 
 
 
Corroborando com Kishimoto quando relaciona a cultura da infância como elo 
entre o desenvolvimento e novas experiências, observamos que João sorria 
acompanhando a rotação do brinquedo sem soltar o seu, tornando-se necessário 
instruílo e o inserir no contexto brincante, Saldanha (2014, p.279) assevera que “É 
importante ensinar a criança a manejar os brinquedos de modo não repetitivo, e 
ensinar-lhe regras mínimas de socialização, para que elas possam juntar-se às 
brincadeiras dos outros” concordamos com Saldanha, e nesse sentido propomos 
novas formas de brincar com os bambolês, sugerimosque as crianças colocassem 
os bambolês ao chão para fazermos um circuito, utilizamos também alguns cones 
plásticos coloridos, todas as crianças participaram juntas, pulando dentro dos 
bambolês ao som da música e executando outros movimentos aos comandos da 
pesquisadora com auxílio das auxiliares. 
João rejeitou participar dizendo “não quer”, permanecendo sentado olhando 
atentamente os movimentos realizados por colegas e não soltava o seu bambolê. 
Utilizamos a estratégia de chamar as crianças pelo nome, para 
individualmente participarem, estratégia essa elegida, por já ter sido observado 
anteriormente pela pesquisadora que em algumas situações, João ficava esperando 
ouvir o seu nome para realizar determinadas atividades. 
 
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As crianças foram convidadas, por palmas e entoação um pequeno chamado 
que dizia assim “Quem será, quem será, quem será que agora vai brincar? Será o 
(a) ...? Será (a)...? Venha correndo e pegue em minha mão”. 
Ao ouvir o seu nome João abandonou o bambolê ao chão e reproduziu o que 
antes observava os colegas fazer, prevalecendo-se da situação a pesquisadora 
direcionou as atividades para que ele interagisse com a turma, foi feito o círculo da 
afetividade, uma brincadeira realizada em dupla, em vez de fazer o circuito 
individualmente, as crianças tinham que pegar um bambolê e em dupla executar os 
comandos na brincadeira. 
Ao observar os colegas João pegou o bambolê o levantou e colocou o 
colega dentro dele, a pesquisadora foi auxiliar para que entrasse também. (figura 
06) A brincadeira foi dinâmica, João participou bastante empolgado, os risos eram 
constantes ele gritava “caiu”, quando o bambolê de algum colega ou o seu caia, 
quando chegava ao final da trilha ele falava “parabéns você conseguiu” repetindo o 
que falávamos. 
Entre os comandos dado pela pesquisadora um deles era trocar de parceiros 
na brincadeira, proporcionando que João interagisse com colegas de várias faixas 
etárias, o que proporcionou a diminuição de dificuldade em realizar alguns 
comandos, que por vezes João ou se retardava ou não conseguia realizar sem 
ajuda, e ao ser auxiliado por seu parceiro ele realizava. 
Kishimoto (2010) afirma que às experiências expressivas, corporais e 
sensoriais proporcionadas pelo brincar são de enorme variedade, devendo-se na 
prática pedagógica se observar e conhecer as crianças, já que cada uma é 
diferente, tem preferências conforme sua singularidade e em qualquer agrupamento 
infantil, as crianças avançam em ritmos diferentes. Por isso essa atividade foi 
realizada em dias consecutivos, para que a criança com autismo conseguisse 
antecipar o que iria acontecer e assimilar a situação do trabalho proposto. 
 
 
 
 
 
 
 
Apresentação e análise dos resultados dos dados recolhidos 
 
 
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Essa pesquisa é um despertar sobre a ludicidade como forma de 
aprendizagem das crianças, principalmente da criança com autismo. 
Para fazer a análise dos resultados dos dados recolhidos, foram coletados 
informações a partir de registros do diário de campo. 
Foi necessário bastante sensibilidade para selecionar e retratar algumas das 
diversas atividades que foram realizadas. 
O sujeito a quem esse estudo direcionou a atenção surpreendeu a todos, 
superando as expectativas iniciais desse estudo, ele passou do processo de apatia 
em que permanecia, para um processo harmônico com o meio social que estava 
inserido, rompendo a cápsula que o mantinha invólucro. 
A cártula mágica desse processo foi sem dúvida a cultura lúdica que 
envolveu as crianças de diversas faixas etárias, possibilitando vivências singulares 
de ludicidade, rica de significados, além de ter sido fundamental a modificação da 
estrutura da escola para englobar um trabalho que pudesse beneficiar tanto as 
crianças com o desenvolvimento neurotípico, quanto à criança com o 
desenvolvimento atípico, acometida pelo transtorno do espectro autista. 
É importante ressaltar que a criança com autismo observada está dentro do 
espectro, possui um comprometimento moderado, apesar dos relatos descritos na 
observação de modificação de alguns dos sintomas e da permanência de outros, 
não tivemos a intenção de minimizar os efeitos do transtorno nessa criança, nem 
temos conhecimento da extensão dele. 
Podemos revelar como efeito positivo da pesquisa o fato da criança com 
autismo poder ter tido a oportunidade e aprender como se brinca de faz de conta, 
com técnicas de modificação do comportamento e com a participação da 
pesquisadora induzindo esse aprendizado. 
O que de início parecia ser impossível, passou para um jogo simbólico pobre, 
e desse processo, para a representação mais esquematizada, que permitiu a 
criança ir além do que foi ensinado. 
De tal modo, trabalhar com a criança com autismo nos trouxe a tona um 
leque de possibilidades e de esperanças da capacidade dos sujeitos com autismo 
desenvolverem o jogo simbólico. Por concluir, sabemos que o autismo ainda intriga 
a medicina e a sociedade, mas acreditamos nas potencialidades desses sujeitos, 
pois merecem e têm direito a oportunidades de serem ensinadas de forma 
adequada, não há dimensões para que esse direito seja oportunizado e esses 
sujeitos ocupem o seu lugar na sociedade. 
 
 
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Desenvolvimento da linguagem 
 
 
De acordo com a autora Mayara Gaiato uma das áreas comprometidas em 
uma 
pessoa que está no Espectro do Autismo é a comunicação social e a grande maioria 
das crianças com TEA apresentam atraso na fala ou até possuem a comunicação 
verbal desenvolvida, porém não a utilizam de forma funcional, ou seja, elas falam 
palavras, mas não as empregam para a transmitir uma mensagem a outra pessoa 
ou a fim de alcançar um resultado. 
Uma criança com o desenvolvimento típico começa a organizar ao longo do 
seuprimeiro ano de vida as percepções, experiências e estímulos de linguagem que 
recebe, ao mesmo tempo que desenvolve e treina a parte motora da fala, emitindo 
sons aleatórios. 
 
Então, ela passa a perceber que os sons emitidos causam efeitos, trazem resulta- 
dos e, aos poucos, seleciona os sons que irá emitir para que esses resultados se 
repitam, assim como começa a relacionar sons que ouve com as situações que 
acontecem ou com os objetos a sua volta. 
Quando ela percebe que a emissão de determinados sons gerará 
determinados efeitos, ela entende a função da linguagem. A fala é o resultado de 
todo esse processo de desenvolvimento da linguagem e do entendimento de sua 
função. 
Com um ano de idade é esperado que as crianças falem funcionalmente 
algumas palavras de seu cotidiano. 
As crianças no Espectro do Autismo têm dificuldade em perceber os 
resultados de suas ações comunicativas e acabam tendo disfunções na fala. Não 
desenvolver a linguagem faz com que a criança não consiga se expressar, informar 
o que deseja ou precisa, nem alcançar muitos de seus objetivos, prejudicando ainda 
mais a socialização e a troca com as pessoas. 
 
Nesses casos, é muito importante que um profissionalespecializado seja consultado 
para o início de um plano de intervenção. Mas, além disso, algumas ações podem 
auxiliar a estimular o desenvolvimento da linguagem: 
 
Ser comunicativo com a criança, mesmo que não tenha retorno dela. 
 
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Falar com alta frequência, mas de forma simples, narrando acontecimentos, 
nomeando objetos, fazendo pedidos à criança, etc. 
– Neste ponto é muito importante utilizar uma linguagem simples para que a 
criança consiga relacionar as palavras ao que ela está experienciando. 
Para isso, deve-se utilizar um nível de complexidade pouco acima da 
linguagem que a criança possui, ou seja, se ela não fala, deve-se utilizar poucas 
palavras por vez (uma ou duas), assim ela consegue relacionar o som da palavra ao 
que está sendo indicado. Se a criança já fala algumas palavras, pode começar a 
associa-las entre si ou com verbos, e assim por diante. 
 
Estimular também a comunicação não verbal da criança. Para isso, é importante 
não tentar adivinhar o que ela quer e sim incentivá-la a mostrar o que deseja com 
um olhar, gesto, som, etc. e então dar imediatamente o resultado que ela espera, 
para que ela entenda que seu sinal (sua comunicação não verbal) que gerou aquela 
resposta. Caso ela não emita sinal algum, pode ser realizado um auxílio físico, 
ajudando-a a fazer um gesto, como apontar, e então fornecendo o resultado. 
 
 
 
 
A imagem apresenta vários cartões de comunicação com símbolos gráficos re- 
presentativos de mensagens. Os cartões estão organizados por categorias de 
símbolos e cada categoria se distingue por apresentar uma cor de moldura 
diferente: 
 
» Cor de rosa são os cumprimentos e demais expressões sociais, (visualiza-se o 
símbolo «tchau»); 
 
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» Amarelo são os sujeitos, (visualiza-se o símbolo «mãe»); 
» Verde são os verbos (visualiza-se o símbolo «desenhar») ; 
» Laranja são os substantivos (visualiza-se o símbolo «perna»). 
» Azuis são os adjetivos (visualiza-se o símbolo «gostoso») ; 
» Branco são símbolos diversos que não se enquadram nas categorias 
anteriormente 
citadas (visualiza-se o símbolo «fora») 
 
 
 
 
Parecido com os cartões anteriores, nesse temos uma forma de comunicação 
com símbolos, cujas mensagens servirão para escolher alimentos e bebidas. 
 
É importante trazer o social para o cotidiano da criança, ela precisa se 
comunicar e muitas vezes essa interação social se dá por desenhos. 
 
 
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Parte significativa das crianças com TEA demonstra dificuldade com 
cancelamento ou inclusão de novos compromissos e/ou atividades no seu dia a dia. 
Além disso, também podem, eventualmente, apresentar comportamentos 
disruptivos ao pedirem por certa atividade de interesse (por exemplo, parque, 
piscina) e não terem acesso a ela por conta de outros compromissos naquele 
momento. 
A Rotina Diária é um excelente apoio visual para facilitar o cotidiano de 
crianças autistas, onde ela poderá se adaptar e aprender: 
 
1. Compreender noção de passagem do tempo: pode começar com término 
de uma atividade e início da seguinte. 
 
 
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2. Compreender noção de sequenciamento: a criança aprende que seu dia a 
dia é organizado, que existe uma lógica, um padrão inerente às atividades 
realizadas por ela. 
 
3. Compreender e aceitar melhor eventuais mudanças de rotina: a criança 
percebe visualmente que mesmo havendo mudança momentaneamente, a 
lógica/padrão principal da rotina não foi alterada. 
 
4. Aceitar melhor combinados ou que não é momento de alguma atividade de 
interesse: a criança pode aceitar melhor quando a mãe diz e mostra que 
naquele momento não é hora da natação e sim de outra atividade. Também é 
possível, diante da impossibilidade de fazer o que a criança quer imediatamente, 
propor outra atividade de interesse que possa substituir aquela desejada. 
 
5. Comunicar o desejo de realizar alguma atividade de interesse ou de não 
realizar alguma atividade programada: a criança tem direito de pedir ou de recusar 
alguma atividade. 
E mais, ela tem o direito de comunicar isso da forma mais clara, direta, 
compreensível e com menos frustração possível. 
A rotina pode facilitar isso. 
 
6. Prever eventos e situações vivenciadas no dia a dia: a criança consegue, 
literalmente (pelas imagens organizadas em sequência), enxergar essa 
previsibilidade e, com isso, se sentir mais segura. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
 
A criança autista necessita de acompanhamento familiar e especializado, 
pois seu desenvolvimento acontece de maneira lenta e exige paciência por parte 
dos pais e dos educadores. 
É preciso que os familiares dispensem atenção e estejam presentes em 
todos os momentos da vida da criança para que ela se sinta amada e valorizada. O 
processo de aprendizagem de uma criança com autismo leva tempo, por isso requer 
calma e empenho. Sendo assim, deve-se entender que o tempo da criança autista é 
diferente e deve ser respeitado. 
Tanto pais como educadores devem incentivar e mostrar as crianças que 
elas aprendem para que se sintam motivadas. 
A educação é umas das maiores ferramentas para o desenvolvimento de 
uma criança autista. Através da educação essas crianças podem aprender tanto 
matérias acadêmicas quanto atividades do cotidiano. 
A aprendizagem da criança autista não é fácil, contudo fica evidente que com 
dedicação e amor estas crianças podem alcançar uma vida mais independente e 
com qualidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Referências 
 
 
Autismo 
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. 
 
 
Transtorno do 
Espectro do Autismo 
Manual de Orientação 
D e p a r t a m e n t o C i e n t í f i c o d e P e d i a t r i a 
do Desenvolvimento e Comportamento 
Nº 05, Abril de 2019 
Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento 
Presidente: Liubiana Arantes de Araújo 
 
EDUCAÇÃO ESPECIAL: AUTISMO NO ENSINO FUNDAMENTAL II DA ESCOLA 
ESTADUAL DE ENSINO FUNDAMENTAL E MÉDIO CASIMIRO DE ABREU 
 
 
 
DIFICULDADES DOS ALUNOS COM AUTISMO NA ESCOLA E 
ESTRATÉGIAS DE COPING DAS EDUCADORAS. 
Lívia de Oliveira Ferreira 
 
 
AUTISMO E INCLUSÃO ESCOLAR NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL 
Josiane Eugênio Pereira1 
 
 
 
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TÉCNICAS UTILIZADAS NA EDUCAÇÃO DOS AUTISTAS 
∗Daniele Centeno Lopes 
∗∗Luiz Fernandes Pavelacki 
 
 
Trajetória de um aluno autista no Ensino 
Técnico em Informática 
Claudete Cargnin 
Silvia Teresinha Frizzarini 
Rogério de Aguiar 
 
 
 
O PAPEL DO PROFESSOR FRENTE À INCLUSÃO DE CRIANÇAS 
COM AUTISMO 
BARBOSA, Amanda Magalhães1 
 - UNEAL 
ZACARIAS, Jaqueline da Cruz2 
 - UNEAL 
MEDEIROS, Kesia Natália3 
 - UNEAL 
NOGUEIRA, Ruth Kesia Silva4 
 - UNEAL 
Grupo de Trabalho – Diversidade e Inclusão 
Agência Financiadora: PIBID/ CAPES 
 
 
 
 
 
O LÚDICO NA APRENDIZAGEM DA CRIANÇA COM AUTISMO: 
ROMPENDO A CÁPSULA 
Tathiana Andrade Sanches 
 
O PROCESSO DE APRENDIZAGEM DE CRIANÇAS AUTISTAS 
Cristiane Fontes dos Santos 
Herica Carmen dos Santos 
Maria Jussara de Santana 
 
 
 
 
 
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