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Unidade 1 Livro Didático Digital Francineide Rodrigues Passos Rocha Práticas de Secretaria Escolar Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autora FRANCINEIDE RODRIGUES PASSOS ROCHA A AUTORA Francineide Rodrigues Passos Rocha Olá. Meu nome é Francineide Rodrigues Passos Rocha. Sou graduada em Pedagogia, com uma experiência técnico-profissional na área de Educação, com especialização em Psicopedagogia Institucional e sou Mestra em Educação. Trabalho na área da Educação a mais de 15 anos, perpassei da Educação Infantil ao Ensino Superior. Atualmente sou Orientadora Educacional da rede municipal de ensino, concursada na Prefeitura Municipal de Santa Rita- PB. Como professora lecionei na Fundação Bradesco e na Universidade Federal da Paraíba como Tutora à distância, atuei como professora pesquisadora na Co-orientação de trabalhos no âmbito do Programa Educação sem Fronteiras da Faculdade Unifuturo. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO A Secretaria Escolar no Contexto Organizacional ......................... 12 Os Serviços da Secretaria Escolar ......................................................22 A Profissão e as Atribuições do Secretário Escolar ....................... 33 O Perfil do Secretário Escolar ................................................................42 Práticas de Secretaria Escolar 9 LIVRO DIDÁTICO DIGITAL UNIDADE 01 Práticas de Secretaria Escolar10 INTRODUÇÃO Você sabia que atribuição do secretário escolar vai além dos trabalhos burocráticos? A atuação desse profissional é essencial no planejamento estratégico tanto na área pedagógica, como na administrativa, pois suas atividades contribuem para o bom funcionamento da unidade escolar. A sua relação com o cotidiano da escola deve acontecer de maneira integrada pois exige desse profissional qualidades essenciais como a diplomacia e a memória. Compreendeu a relação entre essas qualidades? Vamos abordar a questão com uma visão interdisciplinar de construção e diálogo com quem organiza os documentos escolares e está em contato com seus cheiros, texturas, cores e formas. A importância do lidar com o outro no ambiente escolar é tão simbólica quanto o cuidado com a memória dos arquivos da escola. Entretanto a valorização desse profissional e o reconhecimento das suas atribuições, para o funcionamento geral da escola, fazem elevar- se novas perspectivas para profissão, de natureza peculiar à educação. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Práticas de Secretaria Escolar 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 1. Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Compreender a organização escolar como um todo, destacando o papel da secretaria escolar e sua importância como órgão estratégico no contexto geral da instituição; 2. Reconhecer a importância dos serviços de secretaria escolar para o funcionamento das redes de ensino, classificando os vários tipos de serviços prestados para a escola e para a sociedade; 3. Conhecer a profissão de secretário escolar, conscientizando-se de sua importância para a gestão e a confiabilidade da documentação escolar, além de identificar oportunidades e perspectivas de crescimento na carreira profissional; 4. Discernir sobre o perfil profissional e os principais conhecimentos e competências necessários ao trabalho como secretário escolar. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Práticas de Secretaria Escolar12 A Secretaria Escolar no Contexto Organizacional INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender o papel da secretaria escolar e sua importância como órgão estratégico no contexto geral da instituição. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Antes de adentrar o ambiente estrutural, arquitetônico da escola vamos olhar para escola, se a escola é um ambiente como um todo educativo, compreende-se que todas as pessoas que trabalham na escola desenvolvam atividades educativas. Sendo assim, as práticas educativas aparecem no fazer daqueles profissionais que estão no comando da secretaria escolar. Portanto, convidou-o para conhecer melhor esse ambiente, nosso ponto de chegada será apreciar o momento histórico de reconhecimento desse profissional. Em 06 de agosto 2009, o Governo Federal sancionou a Lei 12.014/2009 que profissionalizou a educação e reconheceu os profissionais que atuam na escola como coparticipantes do processo educacional. Surgiu assim, a 21ª Área Profissional chamada de Serviços e Apoio Escolar com especificação da capacitação mínima exigida para o cumprimento da função. Ou seja, a Lei 12.014/2009, altera a LDB em seu artigo 61 e delibera quem são os profissionais em educação da educação básica: I – professores habilitados em nível médio ou superior para a docência na educação infantil e nos ensinos fundamental e médio; II – trabalhadores em educação portadores de diploma de pedagogia, com habilitação em administração, planejamento, Práticas de Secretaria Escolar 13 supervisão, inspeção e orientação educacional, bem como com títulos de mestrado ou doutorado nas mesmas áreas; III – trabalhadores em educação, portadores de diploma de curso técnico ou superior em área pedagógica ou afim (BRASIL, 2009). Entretanto, agora, os profissionais da educação vão além dos professores. Garantiu-se aos funcionários de escola, desde que profissionalizados, a condição de profissionais da educação. A Lei 12.014/2009 assinale a necessidade mínima para formação do profissional de secretariado escolar seja de nível médio, não demorará muito, essa Lei poderá sofrer alteração no item que decide a qualificação mínima, a exemplo do que aconteceu com os profissionais de docência. Embora no mercado corporativo do Século XXI, para quaisquer áreas que direcionamos o olhar, observamos instituições, empresas ou organizações a procura de profissionais qualificados. Que sejam donos de múltiplas capacidades, porém, que tenham uma área que seja de sua especialidade. De seu domínio. Esse fato acontece em todas as áreas do conhecimento profissional. Da mais simples, a mais complexa. Essa é uma tendência que abordouao mundo dos negócios educacionais motivando uma demanda por profissionais qualificados. Simão (2007, p.8), ressalva que: [...] as organizações educacionais buscam profissionais habilitados e qualificados, com formação específica, possuidores de uma macro-visão do funcionamento de uma instituição de ensino e com capacidade de desempenhar suas funções com competência e habilidade. A articulação permanente entre a teoria e a prática, onde tanto o perfil do secretário escolar quanto a metodologia do trabalho mudam, implica que este profissional deve buscar a adaptabilidade e, mais que isso, antever as mudanças e antecipar-se a elas, organizando, executando, direcionando, coordenando e controlando os diversos processos relativos à escola e sua gestão. Práticas de Secretaria Escolar14 Nesse panorama, a importância conquistada pelo profissional de secretariado escolar, bem como chama atenção para o comprometimento com a qualificação adequada para o aprendizado de suas atividades profissionais. Quero lembrá-lo que, no texto a profissão abraça a todo momento o ambiente (secretaria) escolar como um fio que tece uma teia. Para entender melhor esse contexto, o reconhecimento profissional acarretado pela Lei 12.014/2009 foi uma nobre conquista da categoria. Com isso, as secretarias terão que ser dirigidas por profissionais legitimamente habilitados e nomeados por órgão competente para o exercício da função. Com o reconhecimento, os profissionais têm sido cada vez mais valorizados e esse movimento fez aumentar a procura por cursos técnicos presenciais ou à distância com o intuito de inserção no mercado. Mas o domínio do conhecimento teórico–prático faz o todo diferencial na secretaria escolar. Por se tratar de um ambiente com sua organização metodológica, que reúne todos os documentos e arquivos dos alunos, professores e demais profissionais da escola. Esse profissional, precisa manter uma rotina de organização desse espaço, com locais e mobiliário específicos. Na maioria das vezes a secretaria é o cartão de visita da escola. Outro ponto é o diálogo com as famílias dos alunos, o trabalho da secretaria escolar contribui para a apresentação da escola, demonstrando a importância da organização e da troca de informações, o espaço deve manter-se com todas as informações referente aos documentos no aspecto burocrático, além das informações referente a vida escolar dos alunos. Esses documentos estão dispostos na secretaria escolar, e nos tempos atuais apesar da tecnologia, do uso de computadores, o acesso à internet, esse ambiente ainda comporta uma grande quantidade de Práticas de Secretaria Escolar 15 documentos físicos/impressos. Dessa forma, as inovações tecnológicas ajudam na organização e gestão desses documentos. Figura 1: Os documentos e a organização do trabalho Fonte:@pixabay Quando a escola pode contar com esses recursos tecnológicos, como a inserção dos diários eletrônicos, este considerado relevante na organização da gestão da secretaria escolar. Adelino e Silva (2012) abordam sobre o uso da tecnologia p1elo secretário, tornando ágil o trabalho desse profissional com auxílio de ferramentas como o computador. As autoras destacam outras ferramentas da Tecnologia da Informação e Comunicação - TICS (ADELINO; SILVA, 2012, p. 17): Dentre elas, merecem destaque as redes de compartilhamento que podem ser internas como é o caso da intranet, ou aquelas que ligam o ambiente de trabalho à rede mundial de computadores – internet, o que facilita a comunicação e o trânsito das informações dentro das organizações. Essa tecnologia ampliou e facilitou os relatórios na secretaria e na organização e gestão de alguns documentos como: diário online; https://pixabay.com/pt/photos/pasta-papelada-escrit%C3%B3rio-contador-1016290/ Práticas de Secretaria Escolar16 declarações; ofícios; requerimentos; boletim dos funcionários, entre outros. Os recursos tecnológicos são importantes, mas o manejo e capacidade de lidar com a gestão organizacional da escola requer padrões de desempenho Lück (2009, p. 13) aborda a importância desses padrões: Todo e qualquer profissional desempenha um conjunto de funções, associadas entre si, para cujo desempenho são necessários conhecimentos, habilidades e atitudes específicos e articulados entre si. A definição de padrões de desempenho focados nas competências constitui em condição fundamental para que os sistemas de ensino possam selecionar os profissionais com as melhores condições para o seu desempenho, tal como é sua responsabilidade, assim como orientar o contínuo desenvolvimento do exercício dessas competências e realizar a sua avaliação para orientar o seu aprimoramento. Assim, o contexto da organização recai nesse ambiente, sabe- se que, todo documento enviado ou recebido pela escola é de responsabilidade da secretaria, sendo um lugar estratégico já que tais documentos têm as utilidades de comprovação e informação. Orientar padrões de desempenho e habilidades para os profissionais faz parte da gestão escolar. Vale salientar que, isso ocorre na esfera pública, mas de acordo com Gianini e Gerardin (2010). Para o candidato assumir o cargo de secretário escolar em Instituições particulares depende do ato homologado pelo representante legal da Instituição. Geralmente são profissionais da confiança do empregador e atuam de maneira parecida no que se Práticas de Secretaria Escolar 17 refere ao trabalho administrativo e pedagógico firmado nas Diretrizes educacionais do país. EXPLICANDO MELHOR: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo RECKZIEGEL, M. B. Secretário de escola: formação acadêmica em secretariado executivo pode ser um diferencial? Secretariado Executivo em Revist@, 2011. Disponível em: https://bit.ly/2R13bso Acesso em 07 de jul. 2020. Na organização da escola o secretário é um assessor, que precisa ter além do conhecimento de funcionamento educativo, mas pela posição que ocupa precisa ter ética. “Atualmente esse profissional está presente na indústria, no comércio, nas empresas prestadoras de serviços, nos órgãos gerenciadores, enfim, em qualquer ramo de atividade humana” (GARCCIA, 2000, p. 14). Mas suas habilidades no ambiente escolar requer uma orientação administrativa e pedagógica, pois a escola é um lugar onde se constrói valores formativos atrelados a uma dinâmica onde deve-se ocorrer uma comunicação direta com a gestão e demais funcionários, pois requer o cuidado, o zelo com a comunidade escolar. Para isso, o trabalho na secretaria escolar precisa ser atualizado conforme os acontecimentos, passando para a gestão é demais profissionais a segurança das informações dos documentos solicitados. Segundo Alonso (2004, p.4): Qualquer decisão aparentemente administrativa tem consequências pedagógicas, portanto, não é possível responsabilizar alguém que tomou decisões cujo alcance ele ignora. Precisamos pensar em sistemas mais modernos de gestão escolar, nos quais o diretor dispõe de um conjunto de Práticas de Secretaria Escolar18 informações organizadas e atualizadas de todas as atividades que se realizam na escola. Portanto, requer da secretaria escolar a confiabilidade e credibilidade das informações passadas para suas possíveis tomadas de decisão. Assim o trabalho em conjunto da gestão e demais profissionais que estão na linha de frente da secretaria escolar se torna interligado e dependente das boas estratégias de organização deste setor. Esse cenário reforça a importância conquistada pelo profissional de secretariado escolar bem como chama atenção para a necessidade da qualificação adequada e inovação para o exercício de suas atividades profissionais. Quando o lugar de trabalho é uma escola o elemento educação cria um arcabouço espiral, as mudanças trazem um impactosocial e todo o coletivo envolvido no processo educacional (professores, alunos, pais, secretariado e gestão) deve acompanhar a transformação e fazer parte da inovação da escola. E isso requer uma construção de identidade profissional. Uma identidade profissional se constrói, pois, a partir da significação social da profissão; da revisão constante dos significados sociais da profissão; da revisão das tradições. Mas também da reafirmação de práticas consagradas culturalmente e que permanecem significativas. Práticas que resistem a inovações porque prenhes de saberes válidos às necessidades da realidade (PIMENTA, 1999, p.19). A construção dessa identidade apropria significados. Com isso ele precisa atender com qualidade a todos que procuram a Escola. Mostrar- se como o profissional mais acessível, mais requerido. É esse profissional quem recebe as pessoas sejam pais ou responsáveis, representantes do poder público, representantes da sociedade civil, fiscais, fornecedores, etc. No contexto da comunidade interna, além de ser o gestor de documentos e informações da instituição, é também o membro executivo. Práticas de Secretaria Escolar 19 Essa ação gerenciadora de responsabilidade do Secretário Escolar é bem melhor ilustrada por Simão (2007, p. 3) quando diz que: A influência do papel do secretário escolar é de indiscutível importância para a consecução de objetivos e metas do processo escolar, utilizando-se da adoção de meios alternativos relacionados com a melhoria da qualidade e da produtividade dos serviços, identificando necessidades e equacionando soluções. Entre objetivos e metas, a integração entre o administrativo e o pedagógico, caracteriza-se como um processo desafiador para o secretário escolar. Assim, na linha do pensamento Simão (2007, apud SCHULLAN, 2006, p. 8) alega que “na conjuntura administrativa dos estabelecimentos de ensino, o secretário vem logo depois do diretor. Ele norteia e situa todo o setor administrativo, assina documentos e responde pela escola em vários assuntos”. Mas precisamos dar condições de trabalho para esse profissional. O local de trabalho deve possuir condições básicas, estruturais e salubre para as atividades laborais. De modo que, vamos pensar como seria esse espaço, isso no aspecto arquitetônico. A secretaria deve ter uma organização espacial que atenda às suas atribuições, onde destacamos: • Conduzir a documentação escolar com racionalidade; • Conservar mobiliário limpo e com uma organização racional; • Prezar pelo local do arquivo, que deve ser ventilado, seco e asseado, periodicamente. Ao gerir a documentação a secretaria precisa dispor de mobiliário adequado, como armários, fichários entre outros. Que possam armazenar com segurança os documentos dos alunos, da escola e dos funcionários. No que disponha da conservação de um todo da secretaria, os profissionais devem tornar o ambiente sempre atrativo e confortável para o bem-estar de todos, já que a escola é um lugar de corporativismo e requer dos Práticas de Secretaria Escolar20 profissionais uma capacidade de união para promover as transformações que a sociedade necessita. Essas características facilitadoras do trabalho de secretariado não são essencialmente natas. Elas podem ser desenvolvidas por meio de cursos de aperfeiçoamento e trazem melhoramentos não só para o âmbito de indivíduo, mas no aspecto profissional, como também para a instituição onde atua. Nesse pensamento Gianini e Gerardin (2010, ps. 40-41) ressaltam que: A atuação do profissional secretário nas Instituições de Ensino fortalece a imagem do profissional empreendedor que possui perfil para atuar como Gestor Escolar. Por conseguinte, com esta atuação é possível propor um novo modelo de gestão escolar, o qual aceita desafios e busca ideias para atender as necessidades da sociedade. Dessa forma, o profissional secretário é capaz de se adaptar a novas situações, assumir valores e responsabilidades, agindo como gestor no intuito de ser agente facilitador nas questões pertinentes aos processos educacionais. Diante do exposto, podemos constatar, que o ambiente da secretaria escolar possibilita ao profissional uma visão arraigada do funcionamento escolar, assim esse profissional acaba por atuar nos aspectos: administrativo, pedagógico e recursos humanos e como essa atuação possibilita o desenvolvimento das competências interdisciplinares tendo em vista sua formação pluralizada é o que deve-se esperar dos profissionais que trabalham nas escolas. E como não poderia terminar o texto sem mencionar o papel da escola diante dessa perspectiva plural e social. A escola como o lugar que precisa das características do profissional apresentada no decorrer de todo texto. A mesma escola, que deve ser sempre um lugar acolhedor. Uma escola que oportuniza aprendizagem e formação, que consente o desenvolvimento integral do aluno. Isto abrange aspectos Práticas de Secretaria Escolar 21 físicos, psicológicos, intelectuais e sociais. A escola que oportuniza a educação formativa, mas não deixa de pensar na sociedade como um lugar de equidade e inclusão. A escola como ato social foi assim vista pela primeira vez pelo sociólogo “[...] a educação é, acima de tudo, o meio pelo qual a sociedade renova perpetuamente as condições de sua própria existência” (DURKHEIM, 1973a, p. 45). Suas ideias ajudaram a compreender o significado social do trabalho educacional, onde a educação escolar deixa de ser vista de forma homogênea, e passa a ser vista na perspectiva da coletividade. Diante dessa concepção de escola é que devemos pensar nos profissionais envolvidos nas ações, projetos e políticas públicas para promover o melhor desempenho nesse ambiente de aprendizagem. É diante dessa expectativa que convido você a refletir sobre o secretário escolar e seu ambiente de trabalho. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a escola é um ambiente colaborativo que apresenta características peculiares. Sendo assim, os profissionais desejados para secretário escolar e consequentemente o ambiente (Lócus) secretaria. Precisam possuir um padrão de desempenho direcionados aos aspectos de gestão administrativa, pedagógica e relações pessoais. Esses ambientes, assim como os profissionais envolvidos são de grande relevância para o bom funcionamento da instituição, por articularem diretamente na gestão de maneira pluridisciplinar. Práticas de Secretaria Escolar22 Os Serviços da Secretaria Escolar INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de reconhecer a importância dos serviços de secretaria escolar para o funcionamento das redes de ensino, classificando os vários tipos de serviços prestados para a escola e para a sociedade. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! No contexto organizacional da secretaria escolar como todo ambiente de trabalho algumas tarefas são distribuídas para o bom funcionamento da escola. Toda distribuição de tarefas requer uma organização. A divisão de responsabilidades e a reunião de esforços são atitudes imprescindíveis para o êxito das ações desenvolvidas na unidade escolar. A Secretaria Escolar é o setor membro da unidade escolar responsável pela documentação sistemática da vida da escola em seu conjunto. Seu papel é o de provir, segundo determinadas normas. Você sabe quais normas estamos falando? • Da vida escolar dos alunos; • Da vida funcional dos professores, dos técnicos e administrativos; • E dos fatos escolares. Para que essas normas sejam cumpridas a secretaria precisa de uma organização, que já foi mencionada anteriormente. Entretanto, vamos entender melhor esse conceito. Vejamos oque fala Montana (2003, p.170): [...]organizar é o processo de reunir recursos físicos e principalmente os humanos, essenciais à consecução dos objetivos de uma empresa. A estrutura de uma organização é representada através do seu organograma, fluxograma e Contabilidade. Em Administração, organização tem sempre Práticas de Secretaria Escolar 23 e necessariamente dois sentidos: 1) Combinação de esforços individuais que tem por finalidade realizar propósitos coletivos. Exemplo: empresas, associações, órgãos do governo, ou seja, qualquer entidade pública ou privada. Ou seja, a organização em uma empresa determina o que fará cada integrante para alcançar o objetivo coletivo, do grupo. 2) Modo como foi estruturado, dividido e sequenciado o trabalho. Ou seja, um conjunto bem determinado de procedimentos, divididos e sequenciados (geralmente em um organograma) necessários para se realizar um trabalho. A construção desse conceito em prática requer uma união entre as partes para alcançar os objetivos, e para isso esses profissionais precisam de planejamento, disciplina e alguns princípios. Você conhece esses princípios? • Sensibilidade (trabalho bem feito e respeito pelo outro); • Igualdade (estimar o próprio trabalho e o trabalho dos outros); • Identidade profissional (conservação do valor da competência, do merecimento, da capacidade, contra os favoritismos de qualquer espécie, e da importância da recompensa pelo trabalho bem feito que inclua o respeito, o reconhecimento e a remuneração condigna) da atividade profissional em questão. Práticas de Secretaria Escolar24 Agora que foram apresentados o conceito e os princípios para o bom funcionamento da secretaria vamos observar os serviços desenvolvidos em lócus. Vejamos o Organograma. Figura 2 : Organograma típico envolvendo os serviços desenvolvidos na secretaria escolar. Fonte: Autora (2020) Parece simples, mas a relação de serviços e intensidade vai depender da dimensão da escola, e da organização dos profissionais que trabalham na secretaria. Portanto, o mérito dado a organização nesse ambiente é tão importante. E nesse pensamento, o Atendimento ao público é de fundamental importância. Acolhimento ao público tanto interno como externo precisa acontecer de maneira respeitosa. Uma vez que o ambiente escolar é educativo, o atendimento deve também ser humanizado, priorizando a escuta ativa e a empatia. O atendimento ao público, não é exclusividade da secretaria escolar, mas muitas empresas de outras áreas também se preocupam, pois trata- se do cartão de visita da instituição. Sabe-se que, o atendimento faz toda diferença, e requer técnicas, estudo para seu desempenho. Mas como acontece esse atendimento na escola? Silvia e Macedo Júnior (2018), apresentam que saber receber cada pessoa na escola é prestar um bom serviço. Os autores continuam o diálogo sobre saber atender e destacam alguns princípios. Um dos princípios do bom atendimento é corresponder às expectativas da pessoa que procura a informação e Práticas de Secretaria Escolar 25 compreender que quando se trabalha em um órgão público, você está de fato, a serviço da comunidade. Outro fator importante é percepção de que além de esclarecer as dúvidas, o funcionário precisa transmitir uma sensação de segurança para o público por meio da certeza e agilidade do atendimento. Por essa razão, é fundamental que o funcionário pergunte para os colegas mais experientes quando surgir alguma dúvida ou ainda, que consulte as legislações vigentes e instrumentos que contenham as informações que precisa. Mesmo que tenha que pedir para a pessoa esperar um pouco para obter a informação de forma correta (SILVIA; MACEDO JUNIOR, 2018, p. 04) Dessa forma, o primeiro passo é saber ouvir, estar atento a legislação e a organização da documentação para ter segurança em passar a informação correta, além da capacidade de se adaptar a possíveis situações ocasionadas por situações-problema. Você sabe como estão divididas as tarefas na secretaria escolar? Quem atende ao público? Quem cuida do arquivo? Quem faz os ofícios/ requerimentos? Vamos conhecer um pouco mais. Como exposto antes, cada escola possui sua organização, mas o ideal é que aconteça uma escala entre os agentes da secretaria, para que todos possam responder de maneira irrestrita pelo setor. Para auxiliar nessa organização da equipe, a figura do gestor deve saber articular com muita sensatez a coordenação das atividades. Sobre essa orientação, Lück (2006, p. 42) apresenta que: A gestão, portanto, é que permite superar a limitação da fragmentação e da descontextualização e construir, pela ótica abrangente e interativa, a visão e orientação de conjunto, a partir da qual se desenvolvem as ações articuladas e mais consistentes. Necessariamente, portanto, constitui ação conjunta de trabalho participativo em equipe (LÜCK, 2006, p. 42). Práticas de Secretaria Escolar26 Portanto, esse trabalho em equipe vai favorecer a comunidade escolar e o público em geral. Assim é possível fortalece a equipe e não sobrecarregar um ou dois indivíduos na regência da secretaria. Todas as instituições necessitam conservar sua respectiva documentação, em muitos casos até por exigência legal, de modo a possibilitar o uso em qualquer momento em que for preciso. Não seria diferente para as instituições de ensino, onde os arquivos escolares geram profundas preocupações relativas à memória e preservação dos seus documentos, que constituem instrumentos fundamentais para o funcionamento da escola. Por essa razão, cada vez mais, é dado valor aos sistemas de informações e as maneiras de agilizar a sua utilização. Para isso, o serviço de escrituração escolar, é realizado com a análise de toda documentação dos alunos que estejam matriculados regularmente no ano letivo corrente e está sujeito a constantes atualizações pelo recebimento de novos documentos. Precisa está organizado, em virtude de sua atualidade e utilização frequente serão conservados no arquivo ativo, podendo ficar disposto em fichários metálicos ou similar, o que permitirá a utilização de pastas reunindo toda a documentação de um aluno, constituindo a pasta individual (dossiê do aluno). Todo registro escolar realizado pela unidade escolar deve conter a data e assinatura dos responsáveis pelo registro. Os documentos expedidos pela unidade escolar serão, obrigatoriamente, assinados pelo Diretor e pelo Secretário corresponsáveis pela verdade do registro. Suas assinaturas deverão estar acompanhadas dos respectivos nomes, por extenso, bem como do número de registro profissional do ato de designação, isso nos casos de cargos públicos. O Secretário, por condições legais e regimentais, cumpre uma ação ao mesmo tempo centralizadora e abarcante, porque seu setor relaciona- se com todos os demais setores entrelaçados no processo pedagógico e no cotidiano escolar. A pasta da escrituração é ampla e requer conhecimento de documentos como: Requerimento de Matrícula; Diário de Classe; Mapa Práticas de Secretaria Escolar 27 Colecionador de Canhotos; Atas de Resultados Finais; Histórico Escolar; Transferência; Portaria; Declaração. Bem próximo estão os documentos dos Arquivos, que são definidos como ativo e inativo, ou popularmente conhecido como arquivo morto. Entretanto, logo adiante veremos a descrição de cada documento utilizado na secretaria escolar é assunto para outra unidade. Mas é através desses documentos, que os serviços são realizados, a dinâmica, o fluxo dos registros ocorre a partir do lançamento correto das informações armazenadas nesses documentos. Sob a denominação documentos escolares Colmán (2008) nos dá uma ideia de quão amplo é esse termo. Os documentos escolares estão interligados aos objetivos da escola em cumprimento à legislação específica que orienta essa produção, envolvendo o funcionamento da instituição,a organização e controle de suas atividades, os mesmos estão vinculados a um órgão superior que, no Brasil, é o Ministério da Educação e o Conselho Estadual ou Municipal de Educação (COLMAN, 2008, p. 22). No que tange ao Arquivo, os serviços com Arquivamento escolar estão interligados com os cuidados com a informação, e conseguinte o valor do documento. Entretanto, surgem os arquivos, que tem como papel principal a permanência e conservação de documentos cuja importância é fundamental para a sociedade como um todo. Esse tipo de arquivo também pode ser chamado de arquivo morto. Nele são guardados os documentos escolares como cancelamento de matrícula, histórico escolar, folha de ponto de funcionários, entre outros. Caso alguns desses documentos fiquem estragados ou se deteriorem antes do tempo previsto, a escola pode ser processada por crime contra o patrimônio público, como prevê o artigo 305 do Código Penal Decreto de Lei nº 2.848 de 07 de dezembro de 1940. Art. 305 - Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor: Práticas de Secretaria Escolar28 Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o documento é público, e reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é particular. Podemos observar os cuidados como os arquivos, pois esses estão diretamente vinculados ao conhecimento de dados e informações que não podem ficar ao sabor da memória das pessoas. É sabido da enorme quantidade de papéis produzida pela escola. Mas o que fazer com esses documentos? Sabe-se que, é atribuição do setor de arquivamento organizar e guardar a documentação, mas cada documento tem um tempo que está diretamente ligado com sua funcionalidade ou memória. É com base nessas particularidades que o Conselho Nacional de Arquivos - CONARQ, do Arquivo Nacional da Presidência da República, determina o que deve ser preservado e por quanto tempo. Mesmo após um tempo sem uso, alguns papéis precisam esperar a prescrição da validade jurídica. Diante da importância desse serviço, é preciso conservar ter um local devidamente apropriado e pessoal capacitado para analisar, separar, classificar e guardar tudo separadamente, isso facilita também na hora que precisa consultar. Mas você deve estar a questionar. Por que não digitaliza tudo? A questão não é digitalizar, mas os recursos tecnológicos tornam-se a ficar obsoleto em pouco tempo, o que requer uma atenção redobrada. A escola precisa garantir meios de armazenar e ter em vista a possibilidade de haver backup, fato ainda distante da realidade de muitas escolas no Brasil. As atribuições são muitas na secretaria escolar, mas as mais comuns estão relacionadas ao serviço de expediente, quando são construídos documentos como: Ofícios, Atas e Requerimentos. Esses são os mais solicitados à equipe. Tais serviços são direcionados ao pedido de material à Secretaria de Educação e podem ser direcionados há vários setores Práticas de Secretaria Escolar 29 como, manutenção ou infraestrutura. As Atas são redigidas a partir das reuniões de colegiado, essas podem ser administrativa ou pedagógica. Quanto aos requerimentos podem ser solicitados por pais, alunos professores e direcionados para vários setores ligados a comunidade escolar. Saber como funciona a elaboração e o preenchimento desses documentos configura pré-requisitos técnico para os secretários escolares. A estruturação, arquivamento e interação dos serviços são os elementos essenciais na organização da secretaria. Mas outro aspecto, como a qualidade da informação e sua disponibilidade imediata significam decisões melhores e mais rápidas. Para articular as tomadas de decisões e melhorar o conteúdo das informações sobre a formação continuada, a proposta é investir em cursos técnicos, ou de pós-graduação, são ações que melhoram as competências no trabalho. Os cursos são oferecidos de maneira presencial, semipresencial (ou flex, com aulas presenciais e online) e à distância (pós EAD), de acordo com as necessidades e possibilidades de organização, locomoção e tempo. Essas ações ajudam no mercado de acordo com Medeiros e Hernandes (2009): Procurar incessantemente novas fontes de conhecimentos, estar sempre bem informada sobre o que acontece no mundo, enriquecer sua linguagem para fazer melhores comunicações, melhorar suas relações interpessoais, adaptar-se ao meio profissional, vigiar suas emoções, ampliar seus horizontes de interesses, eis uma forma de preparar-se para o mercado de trabalho (MEDEIROS; HERNANDES, 2009, p. 348). A qualificação abrange também a atualização de conhecimento em relação a ferramentas e sistemas utilizados no dia a dia da secretaria. Nas últimas décadas, saber utilizar TICs (Tecnologias da informação Práticas de Secretaria Escolar30 e comunicação) passou a fazer parte das atribuições básicas de um profissional da área. O EDUCACENSO, que é utilizado para o preenchimento de dados dos alunos no site do Ministério da Educação – MEC, é um exemplo que a qualificação requer conhecimentos atrelados ao sistema de computação e seus recursos. De acordo com o MEC (2020), o Educacenso é uma radiografia detalhada do sistema educacional brasileiro. A ferramenta permite obter dados individualizados de cada estudante, professor, turma e escola do país, tanto das redes públicas (federal, estaduais e municipais) quanto da rede privada. Todo o levantamento é feito pela internet. A partir dos dados do Educacenso, é calculado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) e desenhada a distribuição de recursos para alimentação, transporte escolar e livros didáticos, entre outros. Todo sistema é geralmente preenchido pelo secretário escolar os dados dos documentos são retirados das fichas de cadastro do aluno, com informações individuais. Assim como todas as informações dos alunos, dos professores e funcionários. De acordo com o MEC, (2020) o objetivo do Censo é uma pesquisa declaratória realizada anualmente pelo MEC/INEP em parceria com as Secretarias de Educação estaduais e municipais, que iça informações estatístico-educacionais sobre a educação básica brasileira. De acordo com o MEC (2020) nesta pesquisa são colhidos dados educacionais, tanto sobre a infraestrutura da escola, como sobre o pessoal docente, matrículas, jornada escolar, rendimento e movimento escolar, por nível, etapa e modalidade de ensino, dentre outros. Para ter acesso às plataformas de ensino, a documentos e informações atualizadas é preciso qualificação, e essa qualificação vem junto com as TICs, esse perfil maximiza o uso do tempo e os recursos na instituição. E segundo os autores: Ter preocupação com o todo empresarial, ter preocupação com a produtividade, ter preocupação com o lucro da empresa, ser polivalente, ser negociador, ser um programador https://deltasge.com.br/site/sistema-de-gestao-escolar-2/ Práticas de Secretaria Escolar 31 de soluções, ter iniciativa, ser participativo, estabelecer limites, ser conhecedor dos problemas do seu país e do mundo, moldando as expectativas das empresas aos objetivos a serem atingidos pelas pessoas e por toda a organização, prestar assessoria de forma proativa, ser conhecedor de tecnologia, um profissional que se preocupa com competitividade, trabalhar com estratégia gerencial, um gestor dentro do molde generalista, conhecedor das Teorias das Organizações e que sabe “ler” o ambiente de trabalho com a finalidade de entender as mudanças e os conflitos, procurando transformar o ambiente e as situações criadas por ele, conhecedor de técnicas secretárias com excelência (PORTELA; SCHUMACHER, 2006, p.36). Portanto, a qualificação é apresentada como uma prestação de serviço, para o setor administrativo da escola, essa precisa acompanhar o ritmo das mudanças quanto aos documentos quepodem ser utilizados a partir desses instrumentos. São muitas normas determinantes nos serviços desempenhados na secretaria escolar. Logo no início do texto foram apresentadas algumas normas, que estão relacionadas aos registros dos alunos, dos funcionários, dos professores, e dos fatos do cotidiano escolar. Diante dessa perspectiva, os documentos que remetem assumem um caráter de testemunho, de prova, que acompanhará o aluno, os funcionários, a comunidade escolar, e influenciará a vida de todos envolvidos de forma significativa. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: A SECRETARIA ESCOLAR: ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO Disponível em:https://bit.ly/3jSjOml (Acesso em 12/07/2020). Práticas de Secretaria Escolar32 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que os serviços da secretaria escolar estão abraçados com as atividades de gestão e coordenação pedagógica. Os documentos são construídos ou recebidos pelos secretários, os mesmos precisam de uma organização sistemática. Os serviços podem ser organizados em três eixos: Atendimento, Escrituração/ Arquivamento, Atualização profissional TICs (Tecnologias da informação e comunicação). Os serviços estão atrelados aos inúmeros documentos e suas setorizações. O conhecimento dos instrumentos de trabalho é indispensável, mas o trato com o outro, o atendimento humanizado é papel chave, principalmente pelo local onde está localizada, lugar de construção formativa dos indivíduos. É na escola o ponto mais indicado para o desenvolvimento da cidadania, nela todos os profissionais estão envolvidos na ascensão da sociedade. Práticas de Secretaria Escolar 33 A Profissão e as Atribuições do Secretário Escolar INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de conhecer a profissão de secretário escolar, conscientizando-se de sua importância para a gestão e a confiabilidade da documentação escolar, além de identificar oportunidades e perspectivas de crescimento na carreira profissional. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! A escolha de uma profissão pode ocorrer por diversos fatores. Na maioria das vezes está relacionada ao talento, porque gosta, porque tem necessidade de divulgar uma habilidade pessoal, se tornar útil e importante para o seu grupo social. Quando isto ocorre, o trabalho desse sujeito passa a preencher as necessidades do grupo em questão e a sociedade passa a entender que esta atividade, precisa ser feita regularmente. Para compreender uma profissão é necessário entender a sociedade a que ela convém, sociedade está que se descobre em constante mudança. Podemos dialogar com os aspectos sociológicos e históricos no que concerne o surgimento da profissão do Secretário escolar, sua jurisdição, e desafios na sociedade contemporânea. Cunha e Crivellari (2004, p.42) ressaltam que, “a força e o sucesso de uma profissão são legitimados pela determinação clara de seu campo de capacidade, pela demarcação de um espaço próprio de ação e através de sua interação com outras profissões”. Nesse aspecto suas atribuições vão além dos documentos e arquivos, mas o diálogo constante com a gestão e atendimento a toda comunidade escolar. Outro ponto a ser mencionado, é que essas atribuições estão atreladas há: 1-Manual do Secretário de Escolar/ Práticas de Secretaria Escolar34 Instruções Normativas de cada Estado; 2-Estrutura da Instituição de ensino; 3- Rede Pública ou Privada. Caro aluno na tabela abaixo estão algumas das atribuições do Secretário escolar. Quero deixar claro que, algumas são atribuições formais, aquelas que estão na ossada profissional, e outras atribuições vivenciadas na prática, como os professores costumam mencionar “no chão da escola”. Quadro 1: Atribuições formativas/informais do Secretário escolar Atribuições Formais Atribuições informais I - Manter em dia a escrituração, arquivos, fichários, correspondência escolar e o resultado das Avaliações dos alunos; Inspecionar alunos; II - Trazer atualizados o arquivo de Legislação e os documentos da escola, inclusive dos ex-alunos; Visitar os alunos na residência ,com o propósito de atualizar documentos; III - Conservar as Estatísticas e levantamentos da Unidade Escolar atualizado; Fazer levantamento dos materiais de expediente; IV - Zelar pela guarda e sigilo dos documentos escolares; Participar de programas desenvolvidos pelo PDDE (Programa Nacional de dinheiro Direto na escola); V- Prestar atendimento/informação sobre o coletivo escolar. Tirar cópias de material pedagógico para professores. Fonte: Autora (2020) Práticas de Secretaria Escolar 35 O quadro anterior é para ilustrar de maneira concisa as atividades desempenhadas por esses profissionais. Os secretários são profissionais presente em vários ramos da economia, como na indústria, comércio e serviços, auxiliando o administrador, desenvolvendo atividades específicas, de acordo com as atribuições legais da profissão nas disposições em que estejam inseridos (GARCCIA, 2000, p.14). Apesar a profissão de secretariado seja regulamentada através das leis nº 7377, 1985, ela ainda é desconhecida por alguns gestores, o que tolhe o reconhecimento da profissão. Entretanto, nos manuais as orientações oficiais apresentam na sua grande maioria, nesse caso voltado a escolas da rede pública, a secretaria escolar composta por um chefe de secretaria e um secretário escolar que compõem o quadro funcional da instituição educacional e assumem responsabilidade administrativa de cunho essencial da gestão escolar. Isso geralmente não acontece na prática. Em muitas escolas da rede pública o secretário encontra-se secretário, como um cargo que lhe foi colocado por motivos como, a readaptação de função. Aquele professor que foi afastado por motivo de saúde das suas funções da docência, passa a ser realocado na secretaria escolar. Muitos desses professores, não possuem a formação técnica, mas possuem a formação superior em geral no curso de pedagogia ou áreas afins. Portanto, nesses casos a escola/gestão deixa um profissional com a formação, ou que prestou concurso para o cargo de secretariado escolar, como o chefe e responsável pelo setor. Em outros casos, a gestão pode contar com o um ou mais profissional qualificado. Nesses casos, a distribuição ocorre por turno, assim a escola não fica sem o profissional devidamente qualificado para a função com a condição de ter o Curso Técnico de Secretária Escolar. De acordo com Almeida e Oliveira (2013, p. 86), isso acontece porque: Estados em que não há concursos específicos, temos funcionários do quadro efetivo: como apoio técnico administrativo Práticas de Secretaria Escolar36 e professores que são indicados pelo gestor/diretor a assumirem a função. Essa situação tem ocorrido principalmente em estados em que é pouca a oferta cursos de formação, a demanda de profissionais habilitados na área é pequena. Contudo, sabe-se da importância desse profissional para a gestão e a confiabilidade do seu trabalho no ambiente escolar requer o conhecimento da legislação vigente para dar suporte aos demais funcionários através dos registros de documentos e processos administrativos. Os conhecimentos administrativos estão vinculados aos pedagógicos. Figura 3 : O trabalho junto a gestão Fonte: @pixabay Assessorar à Direção em serviços técnico-administrativos, especialmente os referentes à vida escolar dos estudantes requer do secretário escolar organização e um comportamento proativo, pois esse precisa dar conhecimento ao gestor da falta de documentação dos alunos, se os alunos estão com algum processoadministrativo ou se os mesmos estão sendo acompanhado pelo Conselho tutelar e ficar atento aos acontecimentos do dia a dia escolar. Outro ponto, que pode ajudar nas suas atividades é ter o conhecimento do Regimento escolar, Proposta Pedagógica/Projeto https://pixabay.com/pt/illustrations/local-de-trabalho-gerenciador-4198812/ Práticas de Secretaria Escolar 37 Político Pedagógico – PPP são documentos construído para promover inovações no ambiente escolar. Além dos documentos uma gestão democrática fortalece o trabalho de todos na escola. Por isso, não podemos falar da atuação do secretário sem compreender a importância da gestão democrática. Mas você sabe o que gestão democrática? Impetrar uma gestão democrática passa pela ideia de partilhar as responsabilidades no processo de tomada de decisão entre as partes de autoridade da instituição educacional. Reavaliando a integração entre todos participantes do processo de ensino, diretos ou indiretos. O gestor, adotando uma posição central na escola, desempenha forte influência sobre todos os segmentos e pessoas da escola. Para melhor elucidar Machado (2000) coloca que o papel do gestor da escola descentralizada (democrática) deve: Estar, permanentemente, empenhado na capacitação dos seus docentes, para melhor o desempenho e o seu trabalho em equipe; manter comunicação e trocar informações com o nível governamental, para manter-se informados sobre as orientações acerca da política educativa; com gestores de outras escolas para trocar experiências e ideias, visando a melhora do trabalho pedagógico; com professores e funcionários da escola, visando a sinergia do trabalho coletivo na elaboração e execução do seu planejamento e a obtenção de resultados positivos; com os pais dos alunos e demais membros da comunidade, propiciando a participação deste na vida escolar e as suas contribuições para o melhoramento (MACHADO, 2000, p.99). Através da gestão democrática serão construídas as relações de confiança entre os profissionais na comunidade escolar. Quando os profissionais encontram o compromisso mútuo torna-se mais fácil o trabalho. Embora cada instituição de ensino possua sua composição e sua funcionalidade, esses processos de organização escolar possuem elementos indispensáveis de ação mobilizadora para atingir os objetivos Práticas de Secretaria Escolar38 escolares, seja por meio da direção, do secretário escolar, do coordenador pedagógico, ou de todo o conjunto. Dessa forma, a rotina na profissão de secretário se entrelaça com vários documentos que contribuem na organização da vida escolar dos alunos, através de um conjunto de normas que visam garantir o acesso, a permanência e a progressão nos estudos, bem como a legitimidade da vida escolar do aluno, abarcando os seguintes procedimentos: • Atendimento. • Escrituração escolar. • Arquivamento. • Expediente. • Fornecimento de informações. • Atualização profissional. • Legislação de ensino. IMPORTANTE: Para realizar com jurisdição as atribuições, o secretário escolar precisa investir na qualificação. Que podem vir através de cursos técnicos gratuitos ofertados pelo MEC no programa Novos Caminhos. Veja em: https://bit. ly/3jMMNaY Nessa perspectiva, é inegável a importância desse profissional no cenário administrativo escolar. Souza; Almeida; Oliveira (2013), acreditam que a profissão de secretário escolar vem sendo mais apreciada nos dias atuais já que, toda escola precisa contar com um secretário e, inclusive por esse motivo algumas instituições públicas e privadas no Brasil, já possuem cursos presenciais e a distância que formam secretários escolares. Outro fator relevante se refere ao crescimento populacional, que é cada vez mais expressivo, sobretudo na zona urbana, o que faz com que as https://bit.ly/3jMMNaY https://bit.ly/3jMMNaY Práticas de Secretaria Escolar 39 escolas sigam a tendência aderindo às novas tecnologias, acrescendo o número de docentes e demais profissionais incluindo o secretário escolar. De acordo com o Manual do Secretário Escolar do Governo do Estado do Paraná (GEPR, 2006, p. 9) “a secretaria escolar é um braço executivo da equipe administrativa e pedagógica e dela depende o bom funcionamento da organização escolar”. Como mencionado anteriormente, cada Estado determina através de Manual ou Instruções normativas as atribuições do secretário escolar. Você sabe informar se no estado que você mora existe esses documentos? Os manuais ou instruções têm a função de nortear e unificar o trabalho desses profissionais. Isso não determina que todas as instituições funcionam do mesmo padrão, porque cada município e comunidade escolar possuem suas especificidades, mas o padrão técnico-científico deve ser seguido no que tange a documentação. Outro ponto, está direcionado aos recursos empregados em cada região, quantidade de alunos e funcionários, além dos recursos tecnológicos. Mas vamos observar as atribuições de acordo com Manual do Secretário Escolar do Governo do Distrito Federal (GDF, 2018, ps. 9-10) constituem atribuições básicas do Secretário Escolar/Chefe de Secretaria. Porém, recomendamos que você tenha acesso as atribuições em sua totalidade. a. conhecer, cumprir e divulgar a legislação educacional vigente, incorporando-a ao cotidiano da Secretaria Escolar; b. assistir à Direção da IE/UE em serviços técnico- administrativos, especialmente os referentes à vida escolar dos estudantes; c. planejar, coordenar, controlar e supervisionar as atividades da Secretaria Escolar; d. conhecer, cumprir e divulgar o Regimento Escolar aprovado; e. organizar e manter atualizados a escrituração escolar, o arquivo, as normas, as diretrizes, as legislações e demais documentos relativos à organização e ao funcionamento escolar; [...] Práticas de Secretaria Escolar40 f. adotar medidas que garantam a preservação de toda a documentação sob sua responsabilidade, bem como o sigilo de informações; g. lavrar atas e anotações de resultados finais, de estudos de recuperação, de exames especiais e outros processos de avaliação, cujo registro for necessário; h. eliminar documentos escolares, de acordo com a legislação vigente; i. atender a comunidade escolar com cordialidade, presteza e eficiência; j. utilizar o Sistema de Informação definido pela mantenedora da IE/UE para registro da escrituração escolar; [...] k. praticar os demais atos necessários ao desenvolvimento das atividades da Secretaria Escolar. O Secretário Escolar/Chefe de Secretaria, em seus impedimentos ou ausências, é substituído por um servidor, indicado pelo Diretor, devidamente habilitado ou autorizado para o exercício da função pelo órgão cometente da SEEDF. Conforme leitura, se você fizer uma breve pesquisa, grande parte dos Manuais dos Estados apresentam uma redação bem semelhante. Quanto às atribuições do secretário escolar na esfera pública o que estamos tratando nesse contexto. Procure fazer uma pesquisa. Verifica se no estado que você reside possui esse Manual. Portanto, na iniciativa privada, a formação também é cobrada, mas em muitas escolas o Diretor toma para si a função de secretário escolar, ou nomeia para o cargo alguém de sua confiança. As diretrizes na escola pública e privada mudam conforme seu Regimento interno, mas ambas devem seguir as orientações da Secretaria Estadual de Educação e as diretrizes normativas e a legislação vigente do Ministério da Educação. Apesar de muitos afazeres, e a perspectiva de crescimento profissional a faixa salarial desse profissional ainda está longe de representar o que condiz sua importância e sua funcionalidade no sistema de ensino. O nível de remuneração é um aspecto essencial para qualquer profissão, sobretudo numa sociedade sob a lógica capitalista, e não Práticas de Secretaria Escolar 41 é distinto quando se trata dos profissionais do ensino no conjunto do sistema educacional brasileiro atual.Entretanto há que ressaltar que por trás da discussão da remuneração estão presentes fatores proeminentes para a garantia de uma escola pública de qualidade. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a profissão é abraçada pelo indivíduo por questões como necessidade da sociedade, aqui entra os aspectos socioculturais, por condições econômicas e por inclinação pessoal. Assim toda profissão possui sua importância. No que condiz a importância dessa profissão para a gestão escolar, aprendemos que, a sua assessoria certifica o bom funcionamento da escola no aspecto administrativo e pedagógico, portanto, o secretário escolar é o braço executivo da escola. São inúmeras suas atribuições, elas estão desde o atendimento eficiente ao público externo e interno, com o trato coerente da informação, aos serviços mais burocráticos como a escrituração e o arquivamento dos documentos dos alunos e demais funcionários e essas apresentam-se conforme manuais e instruções normativas de cada estado. No que cabe ao crescimento profissional a demanda cresce conforme avança o progresso urbano e a procura pelo ambiente escolar, e outro fator preponderante é a qualificação que, deve ser conquistada com cursos técnicos que fomente os processos administrativos e pedagógicos. A carreira é promissora, mas precisa de maior relevo, quanto ao fator remuneração pois as condições estabelecidas pelo sistema capitalista, onde a sociedade é impulsionada a geração de renda por meio do trabalho, sob essa ótica a profissão é digna do reconhecimento de toda sua acuidade social. Práticas de Secretaria Escolar42 O Perfil do Secretário Escolar INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de discernir sobre o perfil profissional e os principais conhecimentos e competências necessários ao trabalho como secretário escolar. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! A conquista trazida pela Lei 12.014/2009. Traz em seu bojo a exigência da qualificação profissional, associada às transformações ocorridas no mercado de trabalho acende obrigação de transformação no perfil profissional do Secretário Escolar. A escola básica precisa, cada vez mais, oportunizar desenvolvimento aos seus servidores. Porém, o Secretário Escolar será sempre o maior coadjuvante da própria carreira. Diante disso, não há como falar em conquista sem falar em transformações socioculturais. Nem tampouco, falar em transformações socioculturais sem citar a globalização. Na conjuntura sociocultural é impossível não ingressar na roda da globalização, afinal, o desenvolvimento tecnológico, a revolução do mundo da informática, das telecomunicações, procedeu num mundo sintonizado e conectado via rádio, televisão, internet, mídias sociais, etc. Essas transformações influenciaram diretamente o mundo dos indivíduos refletindo em sua relação com o semelhante, seus valores e crenças, produzindo variantes de comportamento e de conhecimento do mundo, seja na vida pessoal, seja nas relações de trabalho. Tamanha mudança vem impetrando a escola básica. E, por mais que a mudança, à primeira vista, ainda não tenha alcançado o nível ideal que a sociedade anseia, mas, não podemos negar que elas têm sucedido, mesmo que vagarosamente. Nesse ambiente de transformação, qual seria o perfil desse profissional? Você saberia responder qual o seu perfil profissional. Seja Práticas de Secretaria Escolar 43 secretário escolar ou professor, ou administrador. Parou para pensar nas competências que incumbem um perfil profissional? É sabido que cada profissão possui suas características e que muitas dessas são peculiares, mas outras são almejadas para o profissional de sucesso, e são valorizadas para o mercado de trabalho na contemporaneidade. O desenho do perfil profissional é composto das capacidades profissionais e do contexto do trabalho de qualificação, após ter constituído o perfil profissional, são avaliadas as unidades de competências, na qual tem denotado dos recursos mínimos que deve se obter para que aquele trabalhador possa realizar o trabalho que foi acordado. Podemos apresentar várias competências para o profissional de sucesso como: pensamento crítico; colaboração e trabalho em equipe; comunicação; domínio digital; resolução de problemas; criatividade e inovação. Essas competências fazem o diferencial no perfil do profissional de sucesso, que ambiciona está nos padrões da sociedade do século XXI. Figura 4 : As competências para o profissional do século XXI Fonte:@pixabay https://pixabay.com/pt/photos/placa-de-boletim-computador-port%C3%A1til-3233653/ Práticas de Secretaria Escolar44 Então, você apresenta essas características no seu perfil profissional? Como podemos conquistar esse perfil? A qualificação é muito importante, mas precisamos investir na qualidade de vida, então pensar em nosso autoconhecimento e na vontade de vencer os desafios também faz parte desse contexto. Para Gaeta e Masetto (2012, p. 79), além de ter competência precisa saber utilizá-la no momento oportuno: Um aspecto importante a ressaltar nessa altura do raciocínio é a diferença entre ter competência e agir com competência. Ter competência confunde-se com possuir uma série de atributos. Agir com competência, em nosso entender, significa possuir uma série de recursos e saber selecioná-los, mobilizá-los e utilizá-los de forma eficaz a cada situação a ser enfrentada. Refletindo e analisando as considerações da autora, na abordagem da capacidade de agir com competência o perfil dos profissionais que estão à frente do processo educativo precisa saber lidar com os desafios do ambiente escolar, ter habilidades e valores necessários ao desempenho eficiente e efetivo das atividades requeridas no contexto desse ambiente formativo. A construção desses profissionais evidencia a capacidade de utilizar a teoria aliada à prática. Legitimando com esta concepção Fonseca et al (2011, p.473) afirmam: Atualmente, entende-se por competência em educação a capacidade de mobilizar um conjunto de saberes para solucionar com eficácia uma série de situações. Integra vários saberes, habilidades, atitudes, posturas mentais, curiosidade, paixão, procura de significados, entre outros, que nascem tanto da formação como da experiência. Está sempre associada à capacidade de mobilização de recursos de que se dispõe para realizar aquilo que se deseja. As competências estão ligadas às capacidades que cada um deve mobilizar para desempenhar uma tarefa. Não se ligam ao grau de concretização da tarefa, mas sim às qualidades que se deve fazer intervir para obter determinado resultado num trabalho. Práticas de Secretaria Escolar 45 Percebe-se que no campo da educação o perfil para esses profissionais está intrinsecamente ligado ao processo da qualidade do ensino, da construção da cidadania, da formação de conceitos e valores. Na capacidade de agir em conjunto, para conquistar a excelência nos resultados. Com essa visão de ambiente educativo o secretário escolar compõe suas competências. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento: Artigo: NATIONAL RESEARCH COUNCIL. (2012, July). Education for life and work: Developing transferable knowledge and skills in the 21st century. Report Brief. Washington, DC: National Academies Press. Retrieved from:<https://bit.ly/2ZibX9T>. Educação para a vida e para o trabalho: desenvolvendo transferência de conhecimentos e habilidades do séc. XXI. 2012. Entretanto os conhecimentos para desenvolver tais competências estão direcionados a progressiva relação entre teoria e prática. O conhecimento aliado a prática do secretário escolarfavorecer na sua formação que está em constante transformação. Outra característica muito cobrada devido à posição estratégica que ocupa dentro da empresa, o Secretário deve ser um agente facilitador, demonstrando discrição e postura ética. A ética no ambiente de trabalho é uma característica primordial para aqueles profissionais, que estão em contato direto com documentos, processos, e informações de terceiros. A violação do sigilo está prevista como descumprimento do código de ética Lei nº7377/85, em seu Capítulo IV - Do Sigilo Profissional: Art.6º. - A Secretária e o Secretário, no exercício de sua profissão, devem guardar absoluto sigilo sobre assuntos e documentos que lhe são confiados. https://bit.ly/2ZibX9T Práticas de Secretaria Escolar46 Art.7º.- É vedado ao Profissional assinar documentos que possam resultar no comprometimento da dignidade profissional da categoria. Um profissional que não respeita o código de ética, que não se renova e que não seja proativo, não conseguirá conquistar seu espaço. Entretanto, entra em cena a capacidade de resolução de problemas, como esse profissional está próximo da gestão em suas atribuições, saber refletir sobre ocorrências de natureza escolar juntamente com seus conhecimentos sobre que rumo tomar. Essa capacidade estimula o Capital intelectual. Muito valorizado pelo mercado de trabalho, esse Capital ou Gestão do conhecimento é o conjunto de informações, o conhecimento dos colaboradores e que deve ser compartilhado, sempre que possível, coletivamente. Com tudo, esse profissional realiza atendimento nas unidades de ensino, e a comunicação é uma das capacidades empreendida. O atendimento também incorpora conhecimentos sobre expressão oral, a preocupação com a oralidade, a linguagem culta deve estar presente nos conhecimentos desse profissional. Investir em aulas de português, procurar realizar leituras ajuda bastante no conhecimento do léxico. Mas esse conhecimento também é necessário na construção da escrita. Atividades como emissão de documentos diversos como atestados, ofícios, circulares, entre outros. Documentos bem redigidos passam uma excelente impressão do profissional que os confecciona. A execução de atividades relacionadas ao Domínio digital, como a informática está presente em praticamente todos os processos técnico administrativos. Assim como os escritórios, muitas das secretarias das escolas estão automatizadas. Claro que ainda temos muitas escolas, que não tem água encanada, espaço estrutural e arquitetônico, sim é uma realidade nesse país tão desigual. Mas sabemos que a maioria das ocupações operacionais rotineiras é informatizada: emissão de documentos pelo editor de texto, registros Práticas de Secretaria Escolar 47 de alunos, notas e frequências, censo escolar, manejo em softwares específicos. Não basta, porém, o profissional ter recursos à disposição e não saber utilizá-los adequadamente. Portanto, saber utilizar os recursos tecnológicos é procurar estar sempre atualizado aos avanços no setor de informática. O perfil é de um profissional inovador, conforme coloca Azevedo (2004, p.146): • O mercado atual busca profissionais com competência para: • Assessoramento - capacidade para atuar junto aos centros de decisão. • Gestão - com conhecimento das funções gerenciais. • Empreendedorismo - capacidade reflexiva e criativa, promovendo práticas inovadoras. O perfil de Secretário requer não só o conhecimento das atividades internas da Secretaria Escolar e do funcionamento do estabelecimento de ensino como um todo, como também estar sempre atualizado com o que acontece fora dos limites da escola, em todos os setores que, de um modo ou de outro, interferem no processo educacional, nas atividades de administração escolar e na prestação de serviços educacionais propriamente ditos. IMPORTANTE: Para promover as habilidades e competências na profissão, cabe ao profissional buscar uma formação inovadora. Para trabalhar como secretário escolar, não é exigido uma graduação, mas isso não impede do profissional procure um curso superior. Veja o perfil do Secretário Executivo acesse em: https://bit.ly/332m1Vr Apesar de ter que desenvolver múltiplas competências, o secretário escolar precisa saber o momento de trabalhar em equipe. E para haver harmonia no trabalho em conjunto, é fundamental que haja respeito, valorização do conhecimento do outro e tolerância. Outro ponto https://bit.ly/332m1V Práticas de Secretaria Escolar48 é o profissional saber liderar, descobrir como motivar cada um na equipe, essa sensibilidade emocional produz bons frutos. Sabemos que podem ser somados os componentes dos indivíduos em grupos, e que o resultado será, certamente, maior que a soma total de cada indivíduo, as decisões serão mais acertadas, a criatividade para se obter soluções é maior e há maior aceitação dos demais quando ela é tomada por um grupo (KRUGLIANSKAS, 2003, p. 8). Essa força que surge com a parceria é provocada através do diálogo, do profissional, que precisa saber ouvir e lidar com o aspecto interpessoal, as relações sociais que permeiam todo ambiente de trabalho. Essa qualidade se saber trabalhar com as diferentes personalidades está muito almejada pelos recrutadores de Recursos Humanos. O secretário deve construir conhecimento sobre os dados básicos do processo administrativo que são: prever, organizar, comandar, coordenar e controlar. O planejamento normalmente é estimado como a função principal e deve abarcar atividades de longo, médio ou curto prazo, que são, respectivamente, o planejamento estratégico, tático e operacional. Planejar é delinear o tempo e coordenar as tarefas por ordem de importância. O secretário deve se preocupar em definir prioridades, atentar com o que deve ser feito, quando, como e por que fazer. Contudo planejar as ações é uma questão de organização, assim os documentos são construídos no tempo hábil e os prazos são devidamente cumpridos. O Secretário escolar também deve ter este perfil empreendedor e negociador. Ele precisa saber ouvir e saber identificar as necessidades que surgem a partir de um problema trazido por colegas de trabalho, um professor, um aluno ou outros agentes da comunidade escolar. Precisa planejar as atividades do cotidiano escolar, saber estabelecer prioridades. O secretário tem uma visão do todo da escola, Práticas de Secretaria Escolar 49 uma vez que se envolve no planejamento de quase todas as atividades a serem realizadas pelo estabelecimento de ensino. Ele também incumbe tarefas e precisa acompanhá-las, tendo em vista seu conhecimento sobre a legislação de ensino. Em algumas escolas, o secretário ainda necessita conhecimentos sobre finanças, pois atua na função de tesoureiro. A capacidade de executar atividades dentro da sua função, como a organização de arquivos precisa de conhecimento técnico, além de organização e disciplina. Pois em muitas escolas, onde não consta a presença de um bom secretário, ocorre o desaparecimento de documentos. Muitas vezes uma atitude inadequada, de profissionais que desconhecem os métodos de arquivamento é não observam certos procedimentos no momento da guarda do documento, o que colabora, de certa forma, na perda do mesmo. Entretanto, além de ter as particularidades da profissão, o secretário escolar precisa ter perfil em consonância com o mercado, com a sociedade contemporânea e navegar por todas nuances da educação, que é pautada em princípios, fundamentos e teorias. Uma área que atua com mudanças significativas para a sociedade. Portanto um terreno fértil de constante efervescência e movimento, a mesma educação que resolve conflitos, constrói valores e transforma Práticas de Secretaria Escolar50 vidas. A mesma educação que atua como processo de trabalho, socialmente útil e necessário para o desenvolvimento dos indivíduos.RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que, o perfil do secretário escolar apresenta suas características próprias, mas que algumas dessas características estão presentes em outros profissionais. Que as competências são desenvolvidas a partir do conhecimento prático e teórico. Ou melhor, que não basta ser capacitado, mas precisa saber usar suas habilidades no momento oportuno, isso o que chamamos de saber aliar teoria e prática. Aprendeu também que, o conhecimento técnico é de fundamental importância para evitar atitudes inadequadas. Que o Capital intelectual é a verdadeira fortuna de uma empresa/instituição, e que ele deve ser utilizado para o bem-estar coletivo. O secretário escolar é o responsável pelo seu crescimento profissional, através dos investimentos na carreira, através da sua conduta. Com isso, destacamos o código de ética, e a conquista trazida pela Lei 12.014/2009. O local de atuação desse profissional proporciona uma postura mais responsável e humanizada, por ser um ambiente de formação contínua, onde valores como cidadania, ética, cooperação estão sempre presentes no cotidiano escolar. Como todo profissional da educação as mudanças são constantes e requer um perfil inovador. Práticas de Secretaria Escolar 51 REFERÊNCIAS ADELINO, F. J. S., & SILVA, M. A. (2012). A tecnologia da informação como agente de mudança no perfil do profissional do secretariado. Revista de Gestão de Secretariado- GESC. São Paulo. Vol. 3, n. 2, p. 05-23, julho/ dezembro. ALMEIDA, V., de Souza, A., & OLIVEIRA, P. (2013). A Profissão e Atuação do Secretário Escolar no Ensino Público e Privado em Escolas de São Sebastião-DF. 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Atualmente sou Orientadora Educacional da rede municipal de ensino, concursada na Prefeitura Municipal de Santa Rita- PB. Como professora lecionei na Fundação Bradesco e na Universidade Federal da Paraíba como Tutora à distância, atuei como professora pesquisadora na Co-orientação de trabalhos no âmbito do Programa Educação sem Fronteiras da Faculdade Unifuturo. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Arquitetura e Infraestrutura de uma Secretaria Escolar ........... 10 Atividades e Procedimentos do Secretário Escolar .................... 19 Técnicas de Atendimento em Secretaria Escolar .........................29 Relação da Secretaria Escolar com a Diretoria .............................39 Práticas de Secretaria Escolar 7 LIVRO DIDÁTICO DIGITAL UNIDADE 02 Práticas de Secretaria Escolar 8 INTRODUÇÃO Você sabia que a Arquitetura Escolar é considerada como um objeto de ensino e aprendizagem. Que a construção dos edifícios tem uma longa história? Há também uma preocupação em sistematizar os conceitos e as estratégias de projeto como ferramentas de apoio à concepção do edifício escolar. Nesse sentido, é dado destaque ao dimensionamento e aos modelos de habitabilidade do espaço físico escolar arquitetado e à racionalização dos processos construtivos. Então você deve estar se perguntando, onde entra a secretaria escolar nesse contexto? Para entendermos sobre o espaço destinado ao ambiente da secretaria precisamos compreender como essa escola construiu seu espaço físico. As relações edifícios- usuários estão diretamente ligadas ao grau de interação e a habilidade de resposta dos edifícios e instalações escolares às atividades neles realizadas. O espaço da secretaria escolar é o bloco administrativo dessa construção, considerando as diferentes realidades de infraestrutura no país. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Práticas de Secretaria Escolar 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos:1. Compreender o histórico da Educação Infantil. 1. Conceber a arquitetura ideal para uma secretaria escolar, identificando as necessidades e requisitos mínimos dos espaços e mobiliários para o arquivamento e operação das transações de atendimento e trabalho interno do setor; 2. Identificar os procedimentos e atribuições práticas do secretário escolar no dia a dia de uma instituição de ensino, identificando indicadores como frequência e prazos administrativos e legais de cada tipo de atividade; 3. Atender de forma respeitosa, eficiente e dialógica os membros da comunidade escolar (sobretudo alunos e professores) e o público externo; 4. Relacionar-se de forma respeitosa, eficiente e dialógica com os gestores imediatos na organização escolar, elaborando respondendo às necessidades demandadas pela diretoria e outros staffs superiores da organização. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Avante navegante, o cume da montanha nos aguarda para a contemplação dos horizontes de nossas conquistas! Práticas de Secretaria Escolar 10 Arquitetura e Infraestrutura de uma Secretaria Escolar INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de conceber a arquitetura ideal para uma secretaria escolar, identificando as necessidades e requisitos mínimos dos espaços e mobiliários para o arquivamento e operação das transações de atendimento e trabalho interno do setor. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Para começar não podemos dialogar sobre uma construção sem apresentar um pouco do contexto histórico. Entendemos que ainda existe uma lacuna entre a reflexão teórica e a realidade concreta das edificações escolares. Diversas escolas funcionam em condições precárias de instalações e de suprimento de serviços básicos, tais como, por exemplo: água, esgoto sanitário e energia elétrica. Mas esse processo de implementação da escola ocorreu através dos ares da educação. Portanto, antes de adentrarmos nesse ambiente arquitetônico vamos conhecer um pouco desse processo de autoconstrução, de desenvolvimento integral, de reflexão crítica, um instrumento a serviço da cidadania. No Brasil, colônia, o advento da educação nesse período foi competido aos religiosos da Companhia de Jesus, grupo religioso fundado por Santo Inácio de Loyola (1491-1556). “Os jesuítas que iniciaram suas atividades a partir de 1549, depois de diversas e intermitentes passagens de outros grupos religiosos, como franciscanos, beneditinos, carmelitas, etc.” (SAVIANI, 2010, p. 41). A educação como um processo contínuo cheio de significados, a base de todo processo educativo, seja ele formal ou informal. E já que estamos falando de um processo tão presente em nossas vidas, você saberia conceituar educação? Práticas de Secretaria Escolar 11 Vamos ver como autores consagrados na área dissertam sobre esse espaço arquitetônico atrelados aos fatos históricos que constituíram a edificação desse ambiente, onde desenvolve-se um pilar de sustentação da sociedade, a educação. Mas antes vamos falar um pouco sobre educação. A educação, de forma intencional e sistematizada, segundo a Pedagogia Histórico Crítica é responsável pela transmissão desses conhecimentos. Esta é a especificidade da educação: [...] como referida aos conhecimentos, ideias, conceitos, valores, atitudes, hábitos, símbolos sob o aspecto de elementos necessários à formação da humanidade em cada indivíduo singular, na forma de uma segunda natureza, que se produz, deliberada e intencionalmente, através de relações pedagógicas historicamente determinadas que se travam entre os homens (SAVIANI, 2003, p. 22). Para o autor a educação é um processo contínuo pois conduz ao indivíduo elementos necessários à sua formação. Através desses elementos, que agrega conhecimentos transforma as relações na sociedade. Você já se perguntou como seria a sua vida sem a educação? Reflita! Figura 1: A Educação Fonte: @pixabay Práticas de Secretaria Escolar 12 No contexto atual, a educação é pensada e organizada através de diretrizes, normas, que constituem em documentos até se transformar em leis. Todo esse processo podeser representado através das Leis de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB 9394/96), mas você sabia que essa não foi a sua primeira versão? Na história do Brasil, essa é a segunda vez que a educação conta com uma Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que regulamenta todos os seus níveis. A primeira LDB foi promulgada em 1961 (LDB 4024/61). A LDB 9394/96 reitera o direito à educação, garantido pela Constituição Federal. Institui os princípios da educação e os deveres do Estado em relação à educação escolar pública, definindo as responsabilidades, em regime de colaboração, entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Segundo a LDB 9394/96, em seu artigo 21, a educação brasileira apresenta uma divisão em níveis, etapas, fases, cursos e modalidades. Seus níveis são: a educação básica e o ensino superior. Portanto, a Educação básica é formada por três etapas: Educação Infantil, Ensino Fundamental (anos iniciais e anos finais) e Ensino Médio. A educação brasileira comporta algumas modalidades de educação, que perpassam todos os níveis da educação nacional. São elas: Educação Especial, Educação a distância, Educação Profissional e Tecnológica, Educação de Jovens e Adultos, Educação Indígena além dessas determinações, a LDB 9394/96 contempla temas como os recursos financeiros e a formação dos profissionais da educação. Dessa forma, a educação nem sempre foi tão formal e profissional como hoje, mas a educação acompanha as mudanças na sociedade e procura modular suas habilidades para o desenvolvimento da mesma. No período do Brasil Colônia, o documento utilizado para formalizar o processo pedagógico era o Ratio Studiorum, escrito pela primeira vez em 1585 e cuja versão final data de 1599. Tratava-se de um conjunto de 467 regras destinadas a organizar o funcionamento dos estabelecimentos Educacionais, com normas para o reitor, o prefeito de estudos, os professores e para as disciplinas. “As ideias pedagógicas presentes no Práticas de Secretaria Escolar 13 Ratio Studiorum correspondem ao que hoje chamamos de pedagogia tradicional “(SAVIANI, 2010, p. 58). No entanto, não havia neste sumário qualquer regra sobre o espaço onde o ensino deveria ocorrer. Entretanto, como inúmeras outras atividades e obrigações humanas, o ensino precisa de um espaço apropriado para que possa ocorrer. Este espaço, no entanto, como outros, passou por um vagaroso processo de formação e evolução que demandou séculos e continua até hoje. “A transformação do espaço escolar em lugar se deu por meio da avaliação de diferentes concepções de organização, e também pela aproximação com outras tipologias com as quais os ambientes educacionais até hoje guardam certas semelhanças” (FRAGO, 2001, p. 11). Figura 2: Espaço de aprendizagem Fonte: @pixabay Mas se a escola é um lugar de aprendizagem, esse lugar pode ser em qualquer ambiente, onde temos os agentes envolvidos no processo, como o professor e o aluno? Reflita... Estruturalmente a escola teve início no Brasil com a doutrinação dos nativos, chamados de indígenas pelos portugueses, e ao longo do tempo foi edificando sua estrutura e arquitetura. O conceito de escola como Práticas de Secretaria Escolar 14 edifício-sede das atividades educacionais tem sua ascendência ligada a outras construções, como as igrejas, os conventos e as residências que também são exemplos de espaços onde a educação se desenvolveu. Como historicamente um império cai e outro levanta-se, ocorreu a crise do Império Romano e a ascensão do cristianismo, a educação passou a estar ligada diretamente à religião e, a partir daí, desenvolveu- se em espaços fechados e tímidos. Segundo Segre os “Monastérios e conventos medievais, como a abadia de Cluny (1095), estabeleceram as tipologias arquitetônicas de escolas e hospitais até o século XIX” (SEGRE, 2006, p.80). A ampliação da edificação escolar abraçou com a introdução dos primeiros modelos de escola seriada. A separação do processo de ensino e aprendizado em séries e turmas tornou-se um instrumento de afastamento dos alunos em grupos segundo suas características psicossociais e culturais “incluindo as educativas, o que era coerente com a lógica produtiva que passou a predominar a partir dos séculos XVII e XVIII “(ESCOLANO, 2001, p. 28). Outro aspecto, esse já no período imperial brasileiro, é a localização estratégica das escolas, que estavam interligadas com a arquitetura religiosa. Segundo os autores Drago e Paraizo, ressaltam como um importante aspecto das escolas construídas durante o Império o fato de estarem localizadas “sempre defronte as praças, onde poderiam assumir proeminência junto à população, numa provável analogia com as igrejas”. (DRAGO; PARAIZO, 1999). Entretanto, antes que as referências religiosas e industriais pudessem ter alguma influência sobre a organização dos espaços nas escolas, o ambiente doméstico já desempenhava este papel. É provável, inclusive, intuir semelhanças no processo evolutivo dos espaços escolares. Segundo Escolano (2001, p.46): Do mesmo modo [que nas residências], o espaço-escola também foi se regionalizando, emancipando-se primeiro da casa e de outros lugares nos quais se localizou, constituindo- se depois como habitação ad hoc especializada nas funções Práticas de Secretaria Escolar 15 de instrução, inclusive com anexos complementares (reservados higiênicos, pátios, átrios, closets, bibliotecas e outras dependências), e diferenciando-se finalmente em salas de aula separadas por graus ou ciclos e sexos. A evolução dos espaços transtornou intensamente o ambiente escolar. Espaço esse derivado de outras matrizes e, muitas vezes, a elas vinculada, a escola passou a ser uma instituição com modelo, programa de necessidades e identidade próprias, a ponto de os locais antes utilizados para esse fim não serem mais estimados apropriados para o uso que anteriormente vinham protegendo. Frago chega a afirmar que: A instituição escolar e o ensino só merecem esse nome quando se localizam ou realizam num lugar específico. E, com isso, quero dizer num lugar especificamente pensado, desenhado, construído e utilizado única e exclusivamente para esse fim (FRAGO, 2001, p. 69). Pensar como hoje esse lugar está organizado, precisamos destacar aspectos econômico, sociais e culturais. É sabido que, no imenso território brasileiro temos escolas que ainda funcionam como no período colonial, no aspecto arquitetônico, onde professores e alunos só podem contar com algumas cadeiras e uma goiabeira, uma mangueira, uma copa de árvore para dar sombra e alento aos que procuram conhecimento. Essa triste realidade impetra entre a população mais carente em uma sociedade desigual. No viés desse aspecto econômico, é que surge a organização espacial e arquitetônica da escola, e seus ambientes constituídos, aqui vamos falar da secretaria como lugar estratégico de funcionalidade administrativa e pedagógica. Dessa forma, a secretaria escolar é responsável pela conservação dos registros, arquivos e documentação dos alunos, professores e funcionários da escola, além da efetivação dos trabalhos administrativos e expedição de comunicados que apoiem o desempenho do processo escolar (ESCOLANO, 2001) Práticas de Secretaria Escolar 16 É o ambiente identificado como a porta de entrada da escola, e por isso precisa refletir a filosofia de trabalho e o projeto pedagógico da instituição. Assim, é essencial que haja uma composição organizada, equipamentos como móveis adequados e profissionais capazes de atender os pais, resolver as questões burocráticas e saber ouvir e direcionar os alunos nas questões administrativas e pedagógicas (ESCOLANO, 2001). Figura 3: Mobiliário da secretaria Fonte: @pixabay Dentre suas especificidades esse ambiente deve conter alguns móveis e equipamentos peculiares, que favorecem a organizaçãoe a eficiência. Como armários, prateleiras e gaveteiros, muito úteis na organização deste setor. Além disso, é conveniente investir em arquivos e caixas organizadoras para arquivar os documentos, o que permite dividi-los de acordo com a frequência em que eles precisam ser acessados. As bandejas também são muito úteis para comportar documentos pendentes de liberação e resolução até que o responsável adote as providências necessárias. Outro ponto fundamental é que a secretaria abrace uma forma de categorização de arquivos, dependendo das necessidades de organização. Os documentos podem ser arquivados por tipo (boletins, relatórios, estatutos, históricos, etc.), por data, ou pelo nome dos alunos em ordem alfabética (ESCOLANO, 2001) A localização dos documentos nos arquivos também pode ser promovida pelo uso de cores ou de etiquetas nas diferentes pastas. Dessa Práticas de Secretaria Escolar 17 forma, é possível encontrar rapidamente qualquer documento necessário e evitar perdas ou extravios. Os procedimentos de arrumação contínua do local, de forma a manter a secretaria e os arquivos sempre organizados é de fundamental importância para o aproveitamento dos recursos. É preciso que os documentos e materiais já utilizados sejam restituídos ao seu local de origem e que os que não são utilizados sejam descartados (ESCOLANO, 2001) Para conter esses móveis é preciso um espaço amplo, e na maioria das vezes a secretaria é alocada como primeira sala da escola, mais centralizada e espaçosa, justamente para receber a documentação que acolhe a comunidade escolar. EXPLICANDO MELHOR: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento do Artigo: A arquitetura escolar como objeto de pesquisa em História da Educação. DOREA, Célia Rosângela Dantas. A arquitetura escolar como objeto de pesquisa em História da Educação. Educ. rev., Curitiba, n. 49, p. 161-181, Sept. 2013. Available from https://bit.ly/2ZiMhtL. (Acesso em: 16/07/2020) Portanto, é importante que a escola invista em criar um espaço convidativo e aconchegante, tanto para os pais quanto para os estudantes. O espaço dessa secretaria precisa atender a todas as pessoas, a localização e estrutura devem estar voltadas à inclusão. Para elaboração desse espaço, precisa adotar a legislação vigente sobre a eliminação de barreiras arquitetônicas, em especial a norma estabelecida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), NBR 9050/20044, que constitui padrão de acessibilidade ao equipamento urbano escolar, por meio de diretrizes pertinentes ao desenvolvimento e produção do espaço edificado. Dessa forma, as portas precisam ter um vão livre de no mínimo 2,10m de altura e 0,80m de largura. As entradas devem ter rampas de fácil acesso. As janelas devem estar situadas de maneira que proporcionem uma boa iluminação natural, ser uniformemente distribuídas, sem deixar https://bit.ly/2ZiMhtL Práticas de Secretaria Escolar 18 sombras sobre as áreas de trabalho, e nunca ter incidência direta de luz natural, devendo ainda ser teladas. Conforme a norma da ABNT NBR 9050/2004, a altura das janelas deve considerar os limites de alcance visual, exceto em locais onde deva prevalecer a segurança e a privacidade. Quanto ao tamanho da sala, essa vai depender do espaço/terreno da construção, e a quantidade de pessoas estimadas para desempenhar as atividades no local. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a arquitetura ideal para uma secretaria escolar, precisa seguir normas técnicas, e possuir mobiliário adequado para o armazenamento e organização dos documentos utilizados nesse ambiente. De acordo com os aspectos econômicos, essa estrutura arquitetônica pode ter ou não uma composição aconchegante e organizada, pois sabemos que muitas escolas não apresentam condições mínimas de salubridade e utilidade no aspecto estrutural. Aprendeu também sobre o processo histórico e como foi se constituindo ao longo do tempo essa edificação, e que a escola foi pensada a partir da necessidade da educação, seu esboço principal, primário, através desse método foi organizado um local para aprimorar os sujeitos. A educação como um processo contínuo pois conduz ao indivíduo elementos necessários à sua formação. Através desses elementos, que agrega conhecimentos transforma as relações na sociedade. Assim, essencialmente deve-se pensar nas condições estruturais e sua relação com a otimização do ensino. Isso para pensar no espaço escolar como um todo, mas aqui o que foi determinante foram os aspectos destinados ao ambiente de secretaria, algumas dimensões e seus objetos de trabalho, o que é fundamental para a organização e eficiência na execução das atividades administrativas. Práticas de Secretaria Escolar 19 Atividades e Procedimentos do Secretário Escolar INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de identificar os procedimentos e atribuições práticas do secretário escolar no dia a dia de uma instituição de ensino, identificando indicadores como frequência e prazos administrativos e legais de cada tipo de atividade. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! O secretário escolar é o agente educacional responsável pela guarda da memória de toda a documentação produzida e recebida, seja de alunos ou funcionários que atuam na escola, garantindo assim a veracidade das informações e o controle de toda situação escolar, de forma escrita ou informatizada. É responsável pelos serviços de escrituração, documentação, correspondência e processos referentes à vida da instituição de ensino e à vida escolar dos alunos, trabalhando coletivamente para a gestão administrativa e pedagógica da escola (ESCOLANO, 2001). Portanto, é necessário que esse agente educacional seja um profissional organizado e com uma rotina de trabalho ágil, adequada, centrada e embasada na legislação vigente. Além disso, em algumas instituições existe uma divisão de funções. Temos casos onde um agente educacional II, fica responsável em coordenar, junto aos demais agentes educacionais com função administrativa, a execução das tarefas decorrentes a este espaço educacional. Este agente ou secretário geral comumente é escolhido pelo gestor, mas há casos em que esse profissional é nomeado pelo conselho escolar, ou é indicado pela secretaria de educação, por possuir as atribuições ou competências em formação adequada para função (ESCOLANO, 2001). Mas essas atribuições competem na organização dos documentos escolares. Os documentos escolares são aqueles que conectam o aluno à instituição de ensino e confirmam sua vida escolar, ou seja, o desempenho que estes tiveram enquanto alunos da escola. Como exemplos destes Práticas de Secretaria Escolar 20 documentos podemos citar: Ficha de matrícula, registro de classe, boletim escolar, histórico escolar, relatório final, certificados e diplomas. Vamos conhecê-los! Portanto, vamos iniciar pelo Requerimento de Matrícula esse deve ser preenchido pelo aluno ou seu responsável, quando o aluno for menor de idade, e nele apontados os dados pessoais e escolares do aluno, para uso interno e para informações utilizadas nos demais documentos escolares. É essencial que seja feito corretamente o preenchimento de todas as informações solicitadas neste documento, pois a partir dele são retirados os dados para conhecer de maneira coesa, o perfil dos alunos e da comunidade escolar (ESCOLANO, 2001). Através desse registro e das suas informações são traçadas na escola juntamente com a comunidade ações que priorizem a permanência do aluno na escola e seu melhor desenvolvimento educativo. Os dados atualizados no Requerimento de Matrícula devem serimplantados no Cadastro do aluno, que por sua vez também passam para Ficha Individual. Por isso, a necessidade dessa ficha estar com as informações certas e atuais, pois em caso de transferência, no decorrer do ano letivo, essa é inserida ao Histórico Escolar, constando aproveitamento, frequência, carga horária e dias letivos cursados pelo aluno até a data da expedição do documento. Entretanto, temos documentos mais simples na secretaria escolar, como as Declarações, esses documentos são os mais emitidos. Você sabe quando são providenciados pelos secretários? As declarações são emitidas quando o aluno ou responsável faz a sua solicitação. E possuem validade legal de 30 dias. Vamos conhecer as declarações mais emitidas nas secretarias! Práticas de Secretaria Escolar 21 Figura 4: As declarações mais solicitadas Fonte: @pixabay • Declaração de Matrícula e Frequência: declara que o aluno está matriculado e frequentando uma instituição de ensino. Neste documento precisa constar: identificação do aluno, ano, série, curso e ano letivo. • Declaração de transferência: afirma que o aluno se encontra matriculado e cursando uma série/curso/ano e não substitui a posterior apresentação do Histórico Escolar, para concluir o procedimento de matrícula na instituição de ensino de destino. Geralmente esse tipo de declaração é emitida para que o aluno assegure uma vaga em outra escola, até que o histórico fique pronto. • Declaração de conclusão: assegura que o aluno concluiu uma série/Curso/ano/ na instituição de ensino e não substitui a posterior apresentação do Histórico Escolar. Outro documento muito importante é o Registro de classe, é orientado que toda instituição de ensino procure realizar os registros apropriados e completos da vida escolar de seus alunos, como frequência, Práticas de Secretaria Escolar 22 rendimento escolar e conteúdos ministrados pelos professores. Estes registros podem ser feitos de maneira impressa ou on-line. O registro na forma impressa é utilizado nas instituições de ensino que ainda não possuem o registro on-line, pois esta forma de registro, não faz parte da realidade de todas as escolas no país, principalmente das escolas públicas, que precisam da atuação da gestão, seja ela, municipal ou estadual. Na sua forma física, impressa é realizado no Livro Registro de Classe, ou Diário de classe, Caderneta escolar, as nomenclaturas vão ocorrer de acordo com a região e suas variações linguísticas. Este livro é um documento oficial da instituição de ensino, sendo distribuído a cada professor por disciplina e por turmas. Esse documento também apresenta suas especificidades dependendo do nível de ensino. O preenchimento deste documento, informando o desempenho escolar de cada aluno, bem como as atividades realizadas em sala de aula, é de responsabilidade do professor e deve seguir as orientações da legislação vigente. Por ser um documento escolar, deve permanecer na instituição de ensino em local adequado e seguro, sob a responsabilidade da secretaria escolar e equipe de direção, separado por disciplina, turma e turno, e de forma a garantir sua consulta, quando necessária. (ESCOLANO 2001) Esse livro geralmente é verificado pelos coordenadores pedagógicos, com a finalidade de analisar a situação dos alunos, os registros de aula dos professores, de acordo com o planejamento escolar. Mas no final de cada bimestre ou trimestre, isso vai depender de qual sistema avaliativo é adotado pela escola, os secretários ficam na incumbência de realizar os registros de frequências e das médias e notas dos alunos. Quanto ao registro na forma on-line, este é realizado por meio do sistema Registro de Classe On-line (RCO), que permite ao professor, em tempo real e por meio da internet, registrar a frequência e a avaliação dos alunos, bem como os conteúdos trabalhados em sala de aula, de Práticas de Secretaria Escolar 23 forma rápida e eficiente. De acordo com o Manual de Gestão e Legislação Educacional do Governo Estado do Paraná. Este sistema RCO interage com o Sistema de Administração da Educação (SAE), de onde migram as informações sobre os usuários (professor, pedagogo/coordenador, secretário e diretores escolares. O RCO também interage com o Sistema de Registro Escolar Web de onde migram as informações sobre a instituição de ensino e dos alunos. Por meio do sistema RCO é possível realizar consulta atualizada sobre a movimentação de alunos e professores, o cálculo e a consulta de notas e frequências dos alunos e a geração e impressão de relatórios. Além disso, elimina os riscos de erro com a digitação das notas e frequências por parte do secretário escolar, no final de cada período (GEPR, 2018, p. 12). Os sistemas on-line permitem organizar as funções burocráticas da secretaria escolar como o cadastro de alunos e responsáveis, a emissão de boletins, históricos e certificados, permitindo que estes sejam solicitados online, por exemplo. Isso permite que os funcionários da secretaria fiquem menos sobrecarregados e realizem suas funções de forma mais organizada, além de permitir a integração dos diferentes setores da instituição de ensino. No caso dos históricos escolares, a secretaria tem um prazo máximo de trinta (30) dias, após a conclusão do período letivo previsto no calendário escolar e uma (1) cópia deverá ser arquivada na Pasta Individual do aluno. O Histórico Escolar pode ser solicitado pelo aluno ou responsáveis, quando concluído o ano ou quando o aluno por algum motivo pessoal precisa sair da instituição de ensino. Esse documento é entregue ao aluno se maior de idade ou responsável em duas (2) vias originais. De acordo com a LEI Nº 7.088, DE 23 de março de 1983. Que estabelece normas para a expedição de documentos escolares. Portanto, o Histórico não pode conter emendas ou rasuras. Se apresentado em fotocópia, após conferência com o original, deverá ser registrada a expressão: “Confere com o original”, o secretário deverá datar, sobrepor o seu carimbo e assinatura, para evitar assim, possíveis fraudes. Práticas de Secretaria Escolar 24 Figura 5: Os registros escolares Fonte: @pixabay Agora vamos ver outro documento que é de responsabilidade do secretário escolar. O boletim escolar esse é um documento não oficial que permite o acompanhamento do desempenho escolar do aluno, alusivo a notas e frequência, durante cada período do ano letivo. Esse documento é construído pela escola junto com o setor pedagógico e administrativo. Sendo possível sua divulgação on-line (não obrigatória). Como temos etapas, fases e modalidades de ensino, nesse caso, falamos na educação básica, os boletins geralmente são entregues no Ensino fundamental e Ensino Médio. Na educação infantil são construídos relatórios pelos professores. Porém, o Relatório geral do aluno é de responsabilidade da secretaria escolar, esse documento oficial que reproduz a vida escolar dos alunos matriculados, e serve para subsidiar as informações da vida escolar de toda a comunidade que demanda esses dados. É um documento extremamente importante, pois os dados presentes nele são transmitidos para o Censo Escolar. As informações do Relatório do aluno, que legitima a frequência dos alunos para as informações solicitadas pelos programas sociais, como um exemplo o Bolsa Família. Nesse consta, a frequência escolar, que deve ser de, pelo menos, 85% das aulas para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos e de 75% para jovens de 16 e 17 anos, todo mês. Práticas de Secretaria Escolar 25 Para as situações em que as crianças ou os adolescentes tenham que faltar às aulas, é importante que a família informe o motivo na escola, que o marcará no sistema onde se registra o acompanhamento da frequência escolar, o Sistema Presença/MEC (ESCOLANO, 2001). A equipe da secretaria escolar deve averiguar se as informações presentesneste documento estão em conformidade com os resultados obtidos pelos alunos, presentes nas cadernetas/diário. Os diretores escolares devem orientar a equipe da secretaria a observarem, nesta conferência, se os atos oficiais estão dentro do período de validade; se o registro das disciplinas está em conformidade com a matriz curricular aprovada; se o nome e o Resultado final dos alunos estão corretos; e se a Síntese do Sistema de Avaliação foi inserida corretamente e estão de acordo com o Regimento Escolar e o PPP da instituição. O Relatório Final é gerado a partir das informações inseridas pela Equipe da secretaria da escola no sistema, após o fechamento do cálculo do resultado final de cada período letivo. A disponibilização deste documento no sistema deverá ocorrer dentro do prazo determinado por cada Secretaria Estadual de Educação e posteriormente, estes Relatórios serão analisados e validados pela Secretaria de Educação, desde que estejam com Atos do estabelecimento e do curso válidos, dados da Matriz Curricular do curso e Sistema de Avaliação corretos. Dessa forma, os secretários devem observar se foram realizados procedimentos como: a inclusão de adaptação, aproveitamento de estudos, integralização, dependência, regularização de vida escolar, revalidação de estudos e resultados da Ata de Conselho de Classe. Quando finaliza cada período letivo, que pode ser ano, série, período, semestre, módulo ou etapa. Todos esses resultados vão para o mapa escolar. Portanto, com os certificados e diplomas são documentos emitidos para alunos concluintes dos Cursos Técnicos de Nível Médio. A instituição de ensino, ao emitir um diploma ou certificado, precisa identificar o formulário aprovado, pois existem formulários de diplomas específicos para cada curso e legislação vigente - por exemplo, cursos Práticas de Secretaria Escolar 26 garantidos pela Lei n. º 5.692/71 e aprovados pela Lei n. º 9.394/96 possuem impressos de diploma diferentes entre si. Após reconhecimento, o secretário escolar deve preencher corretamente e aferir todos os campos do documento referentes à instituição de ensino (nome, endereço, atos regulatórios), ao aluno (nome, nacionalidade, naturalidade, identidade), bem como os demais campos referentes ao curso ou habilitação concluída, data de conclusão do curso, eixo tecnológico, título profissional, fundamentação legal, perfil profissional, estágio e carga horária. Algumas escolas promovem a diplomação simbólica para alunos que concluíram as etapas da educação básica, como Ensino fundamental e Ensino Médio, mas como uma forma de incentivo e promoção da vida escolar, esses diplomas não seguem os trâmites oficiais. Quadro 1: Documentos escolares e suas singularidades DOCUMENTOS ESPECIFICIDADE Relatório final Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação Profissional, Formação de Docentes Declaração Matrícula e Frequência Transferência Conclusão de ano/série e de curso Histórico Escolar Transferência Conclusão de ano/série e de curso Ficha Individual Dados de identificação do aluno Certificados e Diplomas Cursos Técnico e Médio Fonte: Quadro elaborado pela autora com base em pesquisas dos Manuais de Secretário Escolar dos Estados: Ceará (2010), Paraná (2016) Brasília (2012) e São Paulo (2019).]] Práticas de Secretaria Escolar 27 Portanto, os documentos, quando são emitidos, devem ser legíveis, sem rasuras oferecendo clareza sobre a vida escolar de cada aluno. Quando se faz necessária a transcrição de informações, esta deve ser feita uma cópia fiel dos documentos originais. Devem ser obrigatoriamente, assinados pelo diretor e/ou secretário, que são corresponsáveis pela veracidade dos registros, suas assinaturas devem ser acompanhadas dos respectivos nomes por extenso e número do Ato Legal de designação (ESCOLANO 2001). Assim, para que a escola possa fazer a emissão desses documentos, a mesma precisa estar com seus atos escolares atualizados, porque estes atos devem constar em todos os documentos expedidos: Declaração, Histórico Escolar, Transferência e Certificação de Conclusão de série/ ano/etapa/período do Ensino Fundamental, Ensino Médio, Educação Profissional e Formação de Docentes Anos Iniciais. Os atos escolares que devem estar atualizados são: Autorização/ Reconhecimento/Renovação do Reconhecimento e Credenciamento/ Renovação de Credenciamento, todos emitidos pelo Conselho Estadual de Educação – CEE e pela Secretaria de Estado da Educação de cada Estado (ESCOLANO, 2001). EXPLICANDO MELHOR: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento do Artigo: PARANÁ. Secretaria de Estado da Educação. Manual do Secretário (a). Curitiba: SEED, 2006. Disponível em: https:// bit.ly/35inCJs. (Acesso em: 16/07/2020) http://https://bit.ly/35inCJs http://https://bit.ly/35inCJs Práticas de Secretaria Escolar 28 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que as documentações elaboradas e recebidas pelos secretários possuem suas organizações e seus prazos administrativos e legais. Cada tipo de atividade executada pelo secretário escolar deve estar em conformidade com o Regimento escolar e a Legislação vigente, algumas normas também são elaboradas conforme as Secretarias de Educação de cada Estado. Mas são embasadas pelas Diretrizes nacionais. Assim podemos verificar a importância desse profissional e sua responsabilidade junto a gestão. Dessa forma, foram apresentados alguns documentos e os procedimentos para sua utilização quanto aos prazos e normativas. Os documentos ora mencionados foram: Ficha de matrícula, registro de classe, boletim escolar, histórico escolar, relatório final, certificados e diplomas. É bom lembrar que as instituições possuem seus Atos escolares, que precisam estar validados dentro de prazos e através da comunicação com a Secretaria de Educação. Práticas de Secretaria Escolar 29 Técnicas de Atendimento em Secretaria Escolar INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de identificar como atender de forma respeitosa, eficiente e dialógica os membros da comunidade escolar (sobretudo alunos e professores) e o público externo. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! A escola é o lugar onde os ares formativos estão presentes. Quando falamos de escola logo vem à mente o que almeja ascender nesse lugar, e logo pensamos em educação. A educação que nos faz mais preparados para os desafios do cotidiano e da vida profissional. Um atendimento de qualidade contribui com o bom andamento das ações na escola. Quando são bem atendidos, os pais e alunos entendem que podem contribuir para a manutenção desse ambiente de civilidade, respeito e organização. Outro aspecto conquistado é a motivação da comunidade em participar da escola por serem ouvidos, respeitados e bem orientados. Isso porque a escola ainda abrange a finalidade de preparar para a vida, assim o atendimento deve ser humanizado, priorizando a empatia. Nesse contexto, podemos mencionar que um dos princípios de atendimento estão conexos à postura do funcionário, com as suas atitudes e o seu modo de agir com os alunos, pais, professores, outros funcionários e comunidade. É imprescindível definir nas políticas da instituição uma postura profissional de atendimento, como forma de progredir satisfatoriamente as relações entre a comunidade escolar em comum. Os pais e responsáveis almejam informações claras sobre a proposta pedagógica das instituições e normalmente são atendidos pela equipe pedagógica para sanar tais dúvidas. Mas também precisam de informações frequentes sobre documentação dos filhos e outros assuntos de rotina e esperam ter suas dúvidas elucidadas.Muitas vezes a Secretaria Escolar é o primeiro setor da escola que recebe a comunidade. Por essa razão, ela se torna o cartão de visitas, Práticas de Secretaria Escolar 30 demonstrando a identidade e a representação da escola. Quem faz o atendimento deve ser responsável e abraçar uma forma de acolhimento fundamentado no respeito e na gentileza. Outra forma de pensar em atender bem é corresponder às expectativas da pessoa que busca a informação e compreender que quando se trabalha em um órgão público, você está de fato, a serviço da comunidade. Entretanto, precisa ter sensibilidade em perceber o quanto é importante além de esclarecer as dúvidas, o funcionário necessita transmitir sensação de segurança para o público, por meio da confiança e rapidez do atendimento. Dessa maneira, é fundamental que o funcionário dialogue com os colegas mais experientes, pergunte quando surgir alguma dúvida ou ainda, que consulte as legislações vigentes e instrumentos que contenham as informações que precisa. Ainda que, seja preciso solicitar a pessoa, que aguarde um pouco para impetrar a informação de forma certa. (ESCOLANO 2001) Figura 6: Habilidade da boa comunicação Fonte: @pixabay. Mas não basta apresentar a informação certa, é indispensável oferecê-la de maneira completa. A falta da informação, ou até mesmo, a informação incompleta é motivo de muita reclamação e insatisfação das pessoas que precisam voltar muitas vezes nos guichês de um mesmo órgão público, porque cada vez que entrega um documento Práticas de Secretaria Escolar 31 solicitado o atendente comunica que faltou outro. Causando irritação e desqualificando a instituição. Você já passou por uma situação semelhante a esta? Já parou para pensar como essa insatisfação pode ser resolvida? O que acreditamos ser adequado é que todas as pessoas possam ser bem atendidas, independente de crença, religião, formação, situação econômica, social e cultural. Todos devem ser tratados pelo princípio da igualdade. Partindo do pressuposto, que em algum momento da vida, todos necessitam de informação, de um atendimento para que possa resolver uma situação problema e esperam ser acolhido com respeito, empatia e eficiência. Quando se trata de atendimento ao público, o profissional que vai receber os indivíduos precisa entender que, pode depara-se com indivíduos que muitas vezes nem sabe elaborar sua pergunta ou expressar sua dúvida, mas espera ser compreendido, bem recebido. Tais perspectivas são globais, pois os indivíduos apenas acreditam que é seu direito e a função de quem está ali para atendê-lo. Nesse contexto, nos leva a pensar como chegar a uma ou mais conclusão sobre a questão aposta. Quem trabalha com esse atendimento precisa compreender e empregar o conceito de qualidade? Para Cabral (2006), a parte mais importante é prestar um serviço de excelência. A percepção de qualidade é algo que muda de pessoa para pessoa, cada um tem a sua compreensão de qualidade acerca de um produto ou serviço. A qualidade é a capacidade de satisfazer uma necessidade ou desejo de alguém, logo o serviço com qualidade é aquele que deixa o cliente satisfeito (CABRAL, 2006, p.39). Essa qualidade nos serviços acontece quando a instituição tem capacidade de proporcionar serviços de excelência, não só para clientes, Práticas de Secretaria Escolar 32 mas também para funcionários, assim percebe-se que a qualidade não é apenas ofertada para os clientes externos, mas todos que atuam na instituição. “Qualidade é tudo aquilo que atende às necessidades do cliente de forma que transmita confiança no produto ou serviço, ou seja, acessível e seguro” (CAMPOS, 2004, p.2). Portanto, de um bom atendimento preserva a imagem da empresa e transforma essa imagem em positiva ou negativa no mercado. Dessa maneira, a qualidade no atendimento está vinculada, ao respeito, a empatia. Precisamos pensar na importância desse serviço em diferentes públicos: externo e interno. Você já parou para pensar quem é o público da Secretaria Escolar? Público externo — São todos aqueles recebidos pela instituição de ensino, como: alunos, pais ou responsáveis, representantes das instituições que oferecem campo de estágio (no caso da Educação Profissional), fornecedores e a comunidade em geral. Público interno — São todos os servidores, colaboradores e companheiros de trabalho, tais como professores, funcionários, estagiários, equipe diretiva. Considera-se por público interno da escola o indivíduo que trabalha para a instituição, compartilhando ativamente dela. O atendimento ao público deve ajustar-se pela ética, reciprocidade, dialogicidade, empatia e agilidade, priorizando as relações humanas, uma vez que os sistemas de ensino possuem um alto nível de envoltura com sujeitos de direitos e de deveres: estudantes, pais e/ou responsáveis e comunidade escolar. O atendimento oferecido à comunidade escolar, bem como a propriedade da informação e sua disponibilização imediata procedem em disposições melhores e mais velozes. Conforme, (GEPR,2018): São condições básicas para um bom atendimento: • reconhecer sua função; • conhecer os documentos organizacionais da IE/UE e as legislações pertinentes ao trabalho; Práticas de Secretaria Escolar 33 • demonstrar tranquilidade; • empregar um léxico simples, claro e prático; • evitar exagero de intimidade; • vestir-se de modo discreto; • evidenciar postura segura, mas sem presunção; • apreender a necessidade do requerente e da comunidade escolar em que atua; • praticar à pontualidade, agilidade, cordialidade e respeito ao outro; • atender aos princípios da eficácia e eficiência. É importante lembrar que o atendimento ao público interno e externo seguem as mesmas diretrizes. Figura 7: O atendimento faz a diferença Fonte: @pixabay Para poder prestar um bom atendimento, o secretário escolar precisa estar atento as necessidades dos indivíduos. Isso ocorre porque a demanda no balcão da escola é bem diferenciada. Quem trabalha com esse atendimento precisa saber sanar as dúvidas do público de maneira geral. Na escola, o atendimento acontece com os alunos, com os pais, Práticas de Secretaria Escolar 34 com os idosos, os deficientes físicos, visuais, surdos, intelectuais entre outros. Portanto, requer planejamento e alguns cuidados como: verificar se em alguns períodos mais intensos, como o de matrículas, é necessário criar um protocolo de atendimento para facilitar o andamento do trabalho. Algumas barreiras são comuns no atendimento ao público, mas podem ser evitadas com planejamento, comunicação e organização. Estamos falando de problemas decorrente da comunicação como alguns descritos no Manual de Atendimento ao público (GEPR, 2018, p. 09-10): Significações - são entraves ou distorções decorrentes da forma como a comunicação é feita. As formas de expressão, como: gestos, palavras, sinais, símbolos, podem ter distintos significados e sentidos para diferentes pessoas. É comum ao 21q ser humano ver e escutar seletivamente com base em suas próprias motivações, interesses e experiências. Sobrecarga - Outro fator comum é poluir a fala com exagero de informações que acabam ultrapassando os limites de processamento de quem a recebe, ocasionando perda de informação ou distorção do conteúdo. Distorção - ocorre quando a mensagem é alterada ou modificada, comprometendo seu conteúdo original. Omissão - ocorre quando os aspectos importantes da comunicação são excluídos, seja pelo emissor ou pelo receptor, causando prejuízo parcial da informação ou incompreensão por falta de dados. Gírias- é uma linguagem de caráter popular, que é usada por determinados grupos sociais para substituir a forma culta ou convencional. Além das gírias a forma de tratamento também conta, não pode ser substituída pela maneira informal ou pessoal de atendimento, expressões como:querido (a); não deve ser usada, a melhor forma é adotar uma linguagem formal; senhor ou senhora. Práticas de Secretaria Escolar 35 Quanto ao atendimento esse pode acontecer em modalidades distintas como: presencial, por telefone ou virtual. Mas a formalidade e as habilidades de comunicação devem ser praticadas. É sempre bom lembrar que não importa o lugar, mas o trabalho deve seguir dentro das normas e do planejamento adotado. Portanto, para o atendimento telefônico o secretário escolar deve compreender algumas nuances no trabalho como apresentado no (GEPR,2018) • Procure organizar um horário para retornar as ligações ou mensagens. Assim você constrói uma rotina de trabalho. • Não deixe de retornar o contato ao receber um recado que seu colega anotou em sua ausência. • Antes de realizar o contato, procure se inteirar do assunto e tenha em mãos os documentos necessários. • Evite deixar as pessoas aguardando por muito tempo a informação, programar-se é essencial. • Não atenda o telefone quando estiver em atividade no computador, pois a atenção fica comprometida, ambíguo e pode perder detalhes da fala da pessoa ou não conceder o atendimento apropriado. Quando o atendimento acontece de maneira virtual alguns requisitos são indispensáveis como: • Utilize apenas o e-mail institucional para fins profissionais e siga as regras básicas de etiqueta virtual. • Leia atentamente o e-mail recebido antes de respondê-lo para impedir o envio de respostas equivocadas. Empregue linguagem formal e faça a revisão. • Solicite que outra pessoa leia, no caso de emitir mensagens com muitos detalhes. • Construa uma assinatura institucional para poder identificar-se ao responder as mensagens. Práticas de Secretaria Escolar 36 • Preencha sempre o campo “assunto” e seja objetivo. • Revise se há anexos que precisam ser vistos. Envie anexos somente quando necessário e descreva, no corpo do texto, que há anexos em sua mensagem. • Lembre-se de que letras maiúsculas podem ser interpretadas como grito e não como ênfase, evite utilizá-las. • Organize em pastas os e-mails recebidos mais importantes para você acessar rapidamente a informação quando você necessita. (Exemplo: e-mails de pais/ responsáveis; e-mail da Secretaria de Educação; e-mails da equipe pedagógica, dos diretores, não faça muitas pastas para não se atrapalhar, só o que é importante para a organização de suas demandas. Os cuidados no atendimento também são inclusivos vejamos algumas maneiras de fomentar esse atendimento para aquelas pessoas que precisam de maior manejo e atenção no trato com a comunicação. Estamos falando dos idosos e das pessoas com alguma deficiência. Vamos observar a tabela abaixo: Quadro 2: Atendimento diferenciado Atendimento ao idoso • assessorar na leitura do documento ou do formulário, quando for preciso, averiguando se estão enxergando com limpidez. • imprimir o documento de forma aumentada, se for preciso. • acompanhar o momento de preenchimento de formulário e demonstrar-se disposto a ajudar. • caso o idoso tenha que trazer outros documentos para a escola, procure escrever em um papel e elucidar o que são cada um deles ou para que convêm. Atendimento às pessoas com algumas deficiências Ao responder perguntas a uma pessoa cega, evite fazê-lo com gestos, procure não usar movimentos de cabeça ou apontando lugares. Quando se afastar, informe a pessoa, pois ela pode não perceber a sua saída. Práticas de Secretaria Escolar 37 É importante saber que uma pessoa sentada, é difícil ficar olhando para cima por muito tempo. Logo, ao conversar por um tempo maior com uma pessoa em cadeira de rodas, sente-se, para que você e ela fiquem no mesmo nível. Nem sempre a pessoa surda oralizada tem uma boa dicção. Se tiver dificuldade para compreender o que ela está articulando, solicite para que ela repita. Se for necessário, comunique-se através de bilhetes. O método não é importante, o essencial é a comunicação. Procure atuar naturalmente ao falar com a pessoa com deficiência intelectual. Trate-as com respeito e se for adolescente, trate-a como adolescente. Se for uma pessoa adulta, trate-a como tal. Não trate como criança aquelas pessoas que não sejam. Fonte: Quadro elaborado pela autora com base em pesquisas no Manual de Secretário Escolar do Estado do Paraná (2018). EXPLICANDO MELHOR: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento do Artigo: GIANINI, V. C.; GERARDIN JUNIOR, U. (2010). Gestão Educacional: A atuação do profissional Secretário nas organizações Educacionais. In Revista de Gestão e Secretariado. São Paulo, V.1, nº 2, p.32-52, Disponível em: https://bit.ly/3jQxpKI . (Acesso em: 16/07/2020) http://https://bit.ly/3jQxpKI Práticas de Secretaria Escolar 38 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a qualidade na comunicação é essencial para o trabalho do secretário escolar. Com essa habilidade os profissionais podem evitar alguns obstáculos na comunicação como: Significações; Sobrecarga; Distorção; Omissão e Gírias. Assim, o secretário é o agente que se encontra a frente da escola para dar informações tanto para o público interno como para o público externo. Essas informações precisam acontecer de maneira clara, precisa e segura. Para isso, esse profissional precisa manter uma rotina com planejamento e organização, além de ter conhecimento dos processos administrativos e da legislação vigente. Entendeu também que a comunicação precisa ser inclusiva para que possa chegar aos diferentes públicos, que o bom senso, o respeito e a empatia são qualidades que não podem faltar na formação e no perfil desse profissional. Contudo, esse profissional atua em um local de construção de valores, de civilidade, respeito e organização. Assim, precisa ter sensibilidade em perceber o quanto é importante além de esclarecer as dúvidas, o funcionário necessita transmitir sensação de segurança para o público, por meio da confiança e rapidez do atendimento realizado com sensatez e respeito. O bom atendimento de todos envolvidos no ambiente escolar é que vai proporcionar o engajamento da comunidade, pois o ambiente harmônico provoca a sensação de bem-estar, sensação essa que contribui de maneira positiva para o desenvolvimento dos projetos na escola. Práticas de Secretaria Escolar 39 Relação da Secretaria Escolar com a Diretoria INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de relacionar-se de forma respeitosa, eficiente e dialógica com os gestores imediatos na organização escolar, elaborando respondendo às necessidades demandadas pela diretoria e outros staffs superiores da organização. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! . Para vivermos em sociedade precisamos compreender qual o nosso papel social. As relações constituídas no ambiente de trabalho são consideradas relações hierarquizadas nas quais as posições de poder são claramente definidas. Essa narrativa implica que precisamos viver e nos relacionarmos com diversas pessoas isso no campo familiar, profissional e no campo das relações intrapessoal e interpessoal. São familiares, amigos, conhecidos, vizinhos, colegas, entre outros, que estão presentes no nosso convívio e que são guiados por comportamentos humanos. E essas relações podem nos afetar, positivamente ou não. Isso ocorre porque as pessoas convivem e interagem umas com as outras, despertam simpatia e antipatia, se aproximam ou se afastam, constrói conflito, competem, colaboram, firmam amizade, são ardilosas ou sinceras nas suas relações. Esses fatores podem fazer parte do seu cotidiano, e desempenham as nuances dos relacionamentos pessoais. Para tanto, não podemosabordar o tema sem antes dialogar com o comportamento relacional das pessoas agentes em organizações, incluindo os próprios gestores, no que toca o melhor aproveitamento de suas funcionalidades. Inicialmente convém conceituar o termo organização, posicionar sua real abordagem. Uma organização vem a ser a relação do indivíduo atuante com a condição existente, seu sistema imerso nos objetivos institucionais, onde acontece preponderando sobre estes agentes, o fator controle. Práticas de Secretaria Escolar 40 Pensar nessas relações é colocar a escola como o ambiente, que propícia essa organização na prática. Libâneo (2004, p.97), apresenta a “organização escolar como administração escolar, com todas as suas particularidades de planejar o trabalho da escola, racionalizar recursos, coordenar e controlar o trabalho de pessoas”. Com isso, “as escolas são, portanto, organizações, e nela sobressai a interação entre as pessoas, para a promoção da formação humana” (LIBÂNEO, 2004, p. 100). Entender como são formadas essas relações dentro do ambiente escolar a partir de uma visão singular, de cultura própria continuamos a dialogar com o autor quando complementa essa organização. [...] a própria organização escolar é uma cultura, que o modo de funcionar da escola, tanto nas relações que se estabelecem no dia a dia quanto nas salas de aula, é construído pelos seus próprios membros, com base nos significados que dão ao seu trabalho, aos objetivos da escola, as decisões que são tomadas (LIBÂNEO, 2004, p.108-109). Os elementos culturais entrelaçados podem ser modificados com planejamento e organização, reforçando os limites que potencializam o alcance aos objetivos institucionais, paralisando os aspectos negativos que impedem o desenvolvimento organizacional. Libâneo (2004) acolhe a existência da cultura da escola como dispositivo em que a coletividade gera seu próprio estilo de ser, produzindo uma espécie de identidade local, uma atitude própria do ambiente de trabalho. Essa cultura própria vai sendo internalizada pelas pessoas e gerando um estilo coletivo de perceber as coisas, de pensar os problemas, de encontrar soluções. É claro que isso não se dá sem conflitos, diferenças, discordâncias, podendo haver até quem destoe dessa cultura. Mas há em cada escola uma forma dominante de ação e interação entre as pessoas que poderia ser resumida na expressão: “temos à nossa maneira de fazer as coisas por aqui” (LIBÂNEO, 2004, p 109). Práticas de Secretaria Escolar 41 Pensar na escola como um terreno cultural e nas relações que ela estabelece, é projetar nesse ambiente o cotidiano dos profissionais e suas relações. Independentemente de o local ser o arcabouço da escola, os ambientes formais de trabalho precisam organizar as suas normas embasadas na ética, no respeito, na colaboração e no coletivo. Portanto, nesse pensamento que deve ser construído o relacionamento entre gestores, secretários e demais profissionais que compõem a escola. Claro que, esse convívio precisa apresentar um conjunto de normas que orienta as interações entre todos os indivíduos da sociedade, e, por decorrência, influencia também o comportamento. Logo, precisamos conhecer e respeitar os nossos próprios sentimentos e emoções, isso nos ajuda a convivermos melhor com determinadas situações diárias. Você já se perguntou como acontece as suas relações no ambiente de trabalho, ou no convívio com seus familiares e amigos? A escola é um aparelho social que resulta da interatividade de agentes individuais ajustada por uma rede de grupos culturais diferentes que interage de forma sincrônica dentro do espaço e do tempo escolar. Existe uma cultura que é construída no dia a dia e na movimentação de todos os integrantes da escola. Essa cultura escolar sofre mudanças e se constitui diferente em cada espaço, pois cada instituição cria uma identidade que fortalece as relações internas e podem influenciar o desenvolvimento da comunidade. Essas relações são conduzidas pela gestão escolar. A gestão que tem condições de mediar um avanço na qualidade do ensino e nas relações (intra/inter) pessoais, apresentando alternativas inovadoras, que ajudam no processo ensino e aprendizagem, em conjunto com a comunidade escolar, de forma participativa. Práticas de Secretaria Escolar 42 Figura 8: O processo de gestão e suas decisões Fonte: @pixabay Portanto, para ajudar a gestão escolar no processo educativo a relação de parceria, de confiança e de respeito partilhada com os profissionais da secretaria escolar proporciona o alcance novos horizontes, desenhando linhas e caminhos diversos aos projetos educacionais. De forma que, o trabalho executado na escola vai ajudar nas necessidades de toda equipe escolar e na aprendizagem dos alunos fazendo com que, possam ver o mundo de maneira diferente, e estar preparados para se tornarem cidadãos conscientes de seu papel social. De acordo com Lück (2006, p. 08), o objetivo principal da gestão escolar é [...] a aprendizagem efetiva e significativa dos alunos, de modo que, no cotidiano que vivenciam na escola, desenvolvam as competências que a sociedade demanda, dentre as quais se evidenciam: pensar criativamente; analisar informações e proposições diversas, de forma contextualizada; Práticas de Secretaria Escolar 43 expressar ideias com clareza, tanto oralmente, como por escrito; empregar a aritmética e a estatística para resolver problemas; ser capaz de tomar decisões fundamentadas e resolver conflitos, dentre muitas outras competências necessárias para a prática de cidadania responsável (LÜCK,2006, p. 08). Deste modo, a equipe gestora a qual incluímos os secretários é responsável pela articulação das relações precisa estar capacitada para atender a diversidade no conjunto que atua. O perfil dessa gestão necessita abarcar a multicompetência; a curiosidade; a capacidade de reunir e transferir saberes conceituais e de procedimentos, que lhe projetam suas próprias resoluções às provocações enfrentadas. É com esse desafio que os profissionais precisam atuar junto a gestão. As atividades desempenhadas pelo secretário escolar não são apenas formais ou administrativas, vai mais além, pois abrange pessoas nos seus processos. Os profissionais do secretariado escolar, em geral, são designados em cargos públicos, após algum tipo de experiência anterior provada. Mas, através da Lei 11.091/20052, que estrutura o plano de carreira para os cargos de técnico administrativo em Educação, no âmbito das instituições federais de ensino, vinculadas ao Ministério da Educação e Cultura (MEC), existe a definição com os requisitos necessários para o ingresso em cargo público. Esses requisitos são necessários porque esse profissional responde pelos serviços de secretaria, como as funções destinadas a manter os registros, os arquivos de documentação dos alunos e dos funcionários, além de comunicados e expedições para amparar o desenvolvimento do processo escolar, oferecendo valor legal a toda a documentação expedida com apoio do Secretário responsável e da Direção da Escola (ESCOLANO, 2001). Incluso de suas características, a Secretaria regula a admissão e a saída dos alunos e compõe os arquivos, os livros e os prontuários Práticas de Secretaria Escolar 44 necessários para o devido funcionamento da escola. Assim precisa ter conhecimento dos requisitos técnicos para a execução das tarefas. A parte de coordenação dos arquivos também são requisitos da secretaria organiza, e mantém os arquivos de todos aqueles que já passaram pela escola, chamados de egressos, assim como mantém os registros que se aludem a todos os alunos e professores ativos na escola. O Secretário é responsável por projetar, organizar e executar todos os trabalhos administrativos da escola dentro dos prazos instituídos, e também de participar das reuniõespedagógicas e de gestão escolar, com parceria direta com o diretor (ESCOLANO, 2001) Eles auxiliam a direção quanto à administração e contabilidade dos recursos propostos a escola, levantam informações quanto a estimativas de preços e materiais para serem investidos na escola, controlam a utilização de equipamentos didáticos e outros recursos, conduzem o uso dos recursos de custeamento da escola como produtos de limpeza, merenda escolar entre outros materiais oferecidos a comunidade escolar e local. Figura 9: O caminho do sucesso Fonte: @pixabay Práticas de Secretaria Escolar 45 Com todos esses requisitos e aproximação com a gestão, coordenação, professores, alunos, pais e a comunidade, o secretário escolar precisa traçar um caminho de sucesso em suas relações de trabalho. Em particular com a gestão. A proximidade com o trabalho da gestão é um dos fatores, pois o secretariado precisa manter sigilo sobre algumas informações pertinentes ao dia a dia da escola, esse sigilo pode estar relacionado as questões referentes aos alunos, professores ou demais funcionários, outro ponto é saber mediar conflitos entre os agentes que percorrem esse ambiente. Quando falamos em saber administrar essas informações sigilosas, não podemos esquecer que esse profissional precisa manter a ética para gerenciar suas ações. Podemos listar alguns conflitos organizacionais enfrentados pelos profissionais, não só no espaço da escola, mas em diferentes ambientes onde permeiam as relações. Assim, os conflitos podem ser descritos segundo Montana (2003): Internos: que ocorre quando duas ou mais opiniões opostas ocorrem em um único indivíduo. Indivíduos: os problemas entre indivíduos dentro da organização são vistos como resultado de diferenças de personalidade, pensamentos e atitudes. Entre indivíduos e grupos: quando um indivíduo discorda das normas de comportamento do grupo ou dos valores encontrados na cultura organizacional e entra em conflito com um grupo de trabalho ou com todos. Entre grupos: Montana vê o conflito entre grupos como algo inevitável devido a competição por recursos escassos e os diferentes estilos gerenciais necessários para a operação eficaz de diferentes departamentos. Aqui, se a hostilidade não pode ser evitada, ele deve ser administrado por gestores e Práticas de Secretaria Escolar 46 líderes de forma que ninguém saia prejudicado (MONTANA 2003, p. 348). Para mediar situações de conflitos é preciso identificar essas situações, dialogar com bom senso, e procurar soluções respeitando os sentimentos dos envolvidos. Mas essa prática precisa ser articulada pela gestão e os demais setores. Não existe uma fórmula pronta quando se trata de conflitos porque estamos lidando com pessoas. O importante é fazer a mediação para chegar em uma conciliação. EXPLICANDO MELHOR: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento do Artigo: Malakowsky, Halana Franciela; Kassick, Cristine O CONFLITO NO AMBIENTE DE TRABALHO: UM ESTUDO SOBRE CAUSAS E CONSEQUÊNCIAS NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS GESTÃO E DESENVOLVIMENTO, vol. 11, núm. 1, enero-junio, 2014, pp. 113-128 Centro Universitário Feevale Novo Hamburgo, Brasil. Disponível em: https://bit. ly/2F9fPmh. Acesso em: 23 jul. 2020. É sabido que existe conflitos em todos os ambientes onde permeiam as relações. São conflitos de relacionamentos, pessoas que não atendem nada que não se relacionam com o serviço instituído para sua função, desagregando ao invés de agregar a comunidade escolar como um todo. Mas se cada profissional da escola contribuir fazendo a sua parte, a partir do pensamento coletivo, democrático e participativo, as mudanças de postura embora complexas são necessárias para o sucesso da instituição. As ações desenvolvidas na escola devem ser eminentemente educativas, para formar indivíduos participativos, críticos e criativos. Assim esse ambiente por si só, já atua como uma organização social e sua própria função é ajudar homens e mulheres, a saber, viver em sociedade. Segundo Martins (2010): http://https://bit.ly/2F9fPmh http://https://bit.ly/2F9fPmh Práticas de Secretaria Escolar 47 A escola, como instituição social, deve ser administrada a partir de suas especificidades, ou seja, a escola é uma organização social dotada de responsabilidades e particularidades que dizem respeito à formação humana por meio de práticas políticas, sociais e pedagógicas. Assim, sua gestão deve ser diferenciada da administração em geral, e, particularmente, da administração empresarial (MARTINS, 2010, p. 10). A escola através das suas ações torna-se um espaço privilegiado para os profissionais que precisam compreender que a gestão empregada no espaço da escola apresenta outra concepção de gestão. A gestão educacional, que é formada não só dos objetivos do mundo comercial e competitivo, mas da natureza, das funções, dos valores das escolas, alicerçados no campo da formação humana e sociocultural. A maneira de conduzir uma escola reflete, portanto, os valores, concepções, especificidades e singularidades que a diferenciam da administração capitalista. Assim, os objetivos da organização escolar e da organização empresarial não são apenas diferentes, mas antagônicos (ESCOLANO 2001). Dessa forma, saber gerir esse espaço tão peculiar e conquistar a participação ativa de todos os agentes representa um desafio, somente a realização de um trabalho coletivo de forma respeitosa, eficiente e dialógica no qual as diversidades são respeitadas e superadas na busca dos mesmos objetivos, pode fazer brotar nos indivíduos a capacidade de gerir suas relações em prol dos desafios apresentados na área da educação. Práticas de Secretaria Escolar 48 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que assim como em todo espaço, a escola também apresenta suas relações mediante uma organização social. Entretanto, todos os profissionais precisam aprender a dialogar com o comportamento relacional das pessoas, incluindo os próprios gestores, no que toca o melhor aproveitamento de suas funcionalidades. Para isso, conceituamos o termo organização. Ou seja, uma organização vem a ser a relação do indivíduo atuante com a condição existente, seu sistema imerso nos objetivos institucionais, onde acontece preponderando sobre estes agentes, o fator controle. E para ocorrer essa organização os agentes precisam desenvolver algumas técnicas de relacionamento, planejadas a partir de valores como ética, respeito e participação. Assim como o espaço discutido é a escola tratamos da das relações no âmbito educacional e das atribuições e requisitos que o secretariado precisa para atuar nesse contexto que é formado não só dos objetivos do mundo comercial e competitivo, mas da natureza, das funções, dos valores das escolas, alicerçados no campo da formação humana e sociocultural. Deste modo, a equipe gestora a qual incluímos os secretários é responsável pela articulação das relações e precisa estar capacitada para atender a diversidade no conjunto que atua. Práticas de Secretaria Escolar 49 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS (ABNT). NBR 9050: Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos. 2004. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. BRASIL. Lei n. º 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, e dá outras providências. __________. LEI nº 11.091, DE 12 DE JANEIRO DE 2005. Brasília: Planalto,2005. __________. 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Secretário de escola: formação acadêmica em secretariado executivo pode ser um diferencial? Secretariado Executivo em Revist@, 2011. Disponível em:<http://seer.upf.br/index.php/ser/ article/view/1733/1143>. Acesso em: 07 de jul. 2020. SAVIANI, Dermeval. História das Ideias Pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores Associados, 2010. __________. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. Campinas: Autores Associados, 2003. SEGRE, Roberto. A razão construtiva nas escolas paulistas. In: Revista Projeto Design, Edição 321 (novembro de 2006). SILVA, Joelma Silveira; JUNIOR, Orlando de Macedo. Governo do Estado do Paraná. Manual de Atendimento ao Público (2018): Secretaria de Estado de Educação. . Práticas de Secretaria Escolar 52 Francineide Rodrigues Passos Rocha Livro Didático Digital Unidade 3 Livro Didático Digital Francineide Rodrigues Passos Rocha Práticas de Secretaria Escolar Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autora FRANCINEIDE RODRIGUES PASSOS ROCHA A AUTORA Francineide Rodrigues Passos Rocha Olá. Meu nome é Francineide Rodrigues Passos Rocha. Sou graduada em Pedagogia, com uma experiência técnico-profissional na área de Educação, com especialização em Psicopedagogia Institucional e sou Mestra em Educação. Trabalho na área da Educação a mais de 15 anos, perpassei da Educação Infantil ao Ensino Superior. Atualmente sou Orientadora Educacional da rede municipal de ensino, concursada na Prefeitura Municipal de Santa Rita- PB. Como professora lecionei na Fundação Bradesco e na Universidade Federal da Paraíba como Tutora à distância, atuei como professora pesquisadora na Co-orientação de trabalhos no âmbito do Programa Educação sem Fronteiras da Faculdade Unifuturo. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Documentação Escolar e a Fé de Ofício ........................................... 10 Técnicas e Ferramentas de Arquivismo ............................................20 Escrita Documental de Documentos Escolares Oficiais .............30 Secretaria Escolar Digital ........................................................................40 Práticas de Secretaria Escolar 7 LIVRO DIDÁTICO DIGITAL UNIDADE 03 Práticas de Secretaria Escolar8 INTRODUÇÃO Você sabia que a documentação apresentada no âmbito escolar é vasta e requer dos profissionais da secretaria um domínio técnico e do léxico, além da legislação. O conhecimento sobre esses documentos, como elaborar, arquivar e reconhecer a sua funcionalidade são considerados uma função pública, mas dentro de um padrão jurídico, pois precisa comprovar credibilidade e confiança de quem a exerce. No decorrer do texto vamos conhecer como podem ser classificados esses documentos. Você sabe quais as classificações atribuídas aos documentos escolares? E que a partir dessa classificação que os documentos serão arquivados. Isso mesmo, as escolas cumprem múnus público e estão obrigadas a preservarem seus documentos. Outra coisa, já parou para pensar sobre o que acontece com os documentos de uma escola que foi extinta? Onde encontrar esses documentos? Documentos são memórias que precisam ser conservadas, eles representam a história de pessoas, locais entre outros. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Práticas de Secretaria Escolar 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 3. Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Conscientizar-se sobre a responsabilidade ética e legal dos procedimentos de produção de documentos escolares;2. Organizar a documentação escolar, aplicando técnicas de arquivismo e métodos de consulta rápida dos documentos; 3. Produzir documentos oficiais e formais, de acordo com a legislação pertinente e as boas práticas de linguística e estética documentacional; 4. Conhecer as tecnologias e ferramentas de documentação digital e suas aplicações na secretaria escolar, buscando amparo legal para a segurança jurídica da instituição. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Práticas de Secretaria Escolar10 Documentação Escolar e a Fé de Ofício INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de conscientizar-se sobre a responsabilidade ética e legal dos procedimentos de produção de documentos escolares. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Como conhecemos, a escola é uma instituição que contribui para a formação das pessoas e sua responsabilidade é muito grande. As pessoas que trabalham na escola acabam exercendo um papel social. Elas educam conforme suas atribuições e especificidades. Essas pessoas estão juntas, trabalhando com alguns objetivos em comum, um deles é: educar pessoas (crianças, adolescentes, jovens e adultos) que saibam exercer a cidadania nas múltiplas possibilidades no sentido da palavra. Dessa forma, a escola em sua natureza é uma instituição como outras instituições que necessitam funcionar bem para que seu papel social seja cabal. Por isso, cada pessoa adota um papel social, e o exerce conforme suas atribuições e as necessidades que aparecem. A escola pode ser vista como um organismo, em que as partes precisam trabalhar em consonância para que o todo viva da melhor forma possível. Nesse ambiente de interação os profissionais que na escola laboram precisam garantir a eficiência em seu ofício, tanto os professores, coordenadores, gestores, pessoal de apoio, da cozinha e da limpeza, inspetores e secretário. Como todo local, muitos desses profissionais precisam elaborar seus documentos de trabalho, aqueles que em um dado contexto histórico passaram a fazer parte da história do local. Entretanto, precisamos compreender o conceito de documentos, o que essa palavra pode ter em sua representação. Para Gutiéreez (1989), o documento pode ser entendido como “uma fonte aceite, fixa e permanente de informação perfeitamente compreendida”. Além disso, de acordo com o autor, o documento é estabelecido a partir da necessidade Práticas de Secretaria Escolar 11 de transmissão de informações e não como o modo que o processo acontece. Em súmula, documento é a forma mais simples de divulgar ou repassar informações entre indivíduos ou entidades, conforme a necessidade de ambos em manter comunicação recíproca. Os documentos podem ser considerados a memória de uma instituição. É qualquer meio que evidencia a existência de um fato, a confiança de uma afirmação, ou mesmo aqueles escritos que transportam um valor probatório. Dessa forma, o conceito de documento, de acordo com Centro Nacional de Desenvolvimento de Gerenciamento da Informação CENADEM (2010) é definido como: Informações (em meio eletrônico ou não) que agrega dados estruturados, semiestruturados e não-estruturados e que concebem o conhecimento produzido ao longo de um método de organização. A principal diferença entre os dados formatados (arquivos de computador, bases de dados, relatórios e aplicações) é que os dados formatados se apresentam bem para as funções de registro, como armazenamento e recuperação de informações sobre o estado de um processo. Os documentos, por outro lado, servem para conter informações de caráter gerencial, como estratégias, políticas, procedimentos, Product Data Management (PDM) e composição das atividades realizadas pela organização. Os documentos, dessa forma, representam o repositório de dados sobre a sequência de passos imperiosos à realização dos produtos ou serviços oferecidos pela instituição. No processo de organização escolar os documentos são classificados de acordo quanto a sua utilidade e arquivamento. Dessa forma, os Documentos Escolares, em arquivo, são classificados em documentos correntes, documentos intermediários e documentos de valor permanente. Essa classificação também é empregada para arquivo. O conjunto de documentos que estão em curso ou que, mesmo sem circulação, instituem objeto de consultas frequentes, são documentos Práticas de Secretaria Escolar12 correntes. Os Intermediários são aqueles que, não consistir em uso corrente nos órgãos produtores, por razões de interesse administrativo, aguardam a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente. Por fim, os conjuntos de documentos de valor histórico, comprovativo e informativo que devem ser conservados como documentos permanentes. Essas classificações foram aplicadas pela legislação brasileira sobre arquivos. No âmbito da escola acontece da seguinte maneira: o PPP- Projeto Político Pedagógico de uma escola, enquanto estiver em vigor, será considerado um documento corrente, pois será consultado repetidas vezes. Figura 01: Os documentos escolares Fonte: @pixabay Documentos escolares de alunos que finalizaram o ensino fundamental, ou ensino médio por algum tempo permanecem como documentos intermediários, pois podem ser consultados para informações. No caso de documentos como os Históricos Escolares de alunos, após algum tempo como documentos intermediários, passam https://pixabay.com/pt/vectors/livro-rack-prateleira-mobili%C3%A1rio-2943383/ Práticas de Secretaria Escolar 13 a ser guardados de forma permanente em razão do valor histórico, comprovativo e informativo. As escolas cumprem múnus público e estão compelidas a resguardarem seus arquivos. Os arquivos das escolas particulares, quando extintas passam a ser confiados ao arquivo público. Da mesma forma, acontece com as Escolas Públicas, seus documentos permanecem nestas ou, após algum tempo, os seus conjuntos de documentos permanentes passam a ser confiados a arquivo público. VOCÊ SABIA? A decisão de deixar os documentos nas escolas, ou se passado algum tempo, transferi-los para um arquivo central ou regional atende às prerrogativas de escolha normativa da administração pública. Lembre-se que há níveis de autonomia de União, Estados, Distrito Federal e Municípios. Estes poderes podem dispor sobre a guarda dos documentos de seus respectivos sistemas de ensino. A elaboração dos documentos escolares segue normas e a legislação vigente, é atribuição da secretaria escolar a responsabilidade legal dos procedimentos de produção de documentos escolares. Os documentos que a Secretaria emite adotam um caráter de testemunho, de prova. É o registro sistemático de: dados dos professores, funcionários e alunos. Dessa forma, os dados e os resultados pedagógicos alcançados pela unidade escolar, a redação e comunicação de correspondência administrativa, é da responsabilidade do Secretário Escolar, em todo o Práticas de Secretaria Escolar14 processo escolar e sua assinatura, junto com a do Gestor caracteriza a fé pública a todo documento emitido. Figura 02: A ética como princípio basilar Fonte: @pixabay Portanto, apenas o diretor e o secretário, legalmente denominado através de portaria de nomeação para o cargo, podem assinar documentos de escolarização expedido. A condução para a elaboração desses documentos requer do profissional o compromisso com a Ética. Essa ética em conceito para Borges e Medeiros (2007, s.p.) “ressaltam que a Ética precisa estar hodiernamente em toda prática humana”. Com esse pensamento também falam que, dessa forma, existe ou precisaria existir uma Ética aposta à cada atividade profissional, a fim de que fossem impedidos todos os tipos de confronto de interesse que possam acontecer no ambiente corporativo.Portanto, a Ética é indispensável no ambiente de trabalho, suas ações estão interligadas com o fazer e o agir, de maneira sistemática, onde o fazer representa a competência, que versa da eficiência que cada um deve ter, com a finalidade de exercer bem a sua profissão, e o agir https://pixabay.com/pt/illustrations/%C3%A9tica-moralidade-credibilidade-2110583/ Práticas de Secretaria Escolar 15 menciona à sua conduta, dessa forma, ao conjunto de atitudes que o mesmo deve admitir ao realizar seu trabalho. Portanto, o secretário escolar, embasado pelos princípios éticos, desenvolve a construção e procedimentos administrativos dos dados escolares. Precisa elaborar alguns documentos, que vamos conhecer ao descrever o texto. Fazem parte da relação de documentos administrativos Documento legal de criação da Unidade Escolar: Pasta de inventário de equipamento e material permanente (bens): Averbação de todos os equipamentos e materiais permanentes da escola. (Legislação pertinente). Livros de protocolos: Registro de entrada e saída de documentos (transferências) e correspondências, com data e assinatura de quem os recebeu. As produções referentes às normas de administração de pessoal. Registro das reuniões realizadas pelo colegiado e assembleias. Atas: Registro dos resultados finais por aluno: rendimento escolar (aprovado, reprovado, evadido), notas ou menções durante o ano letivo (atas de conselho de classe). Escrituração da regularização da vida escolar do aluno, como: complementação de estudos, avanço progressivo, classificação, reclassificação, aceleração, aproveitamento de estudos e progressão parcial, conselho de classe. Os Livro de registros de emissão (retirada) de históricos escolares de alunos que concluíram o Ensino Fundamental, os Livro de Ponto de funcionários: registro da frequência diária de todos os funcionários lotados na escola. Em algumas escolas, esse Livro de Ponto, pode ser substituído por fichas de ponto, e essas geralmente são organizadas de acordo com a função, e na ordem alfabética. Assim, o arquivamento fica mais organizado e rápido, até para fins de informações. Outros documentos do mais simples como os relatórios do quadro de faltas dos funcionários, a ficha cadastral dos funcionários da escola, Práticas de Secretaria Escolar16 relatório de controle de estoque e pedido da alimentação escolar. Arquivo da carta de apresentação dos estágios realizados na instituição. Contudo, temos os mais completo como: Censo Escolar. Que apresenta o movimento bimestral: registro da quantidade de alunos por turma/turno/sexo da escola no início e no final de cada bimestre. Além do relatório de frequência escolar do programa Bolsa Família, que faz o levantamento em porcentagens de acordo com cada serie dos alunos e representa um impacto nas questões econômicas das famílias, mas em contrapartida convoca os pais/responsáveis a assumir a responsabilidade perante a frequência escolar dos seus filhos. Quanto ao relatório dos alunos que são beneficiados pelo transporte escolar, isso vai depender de cada gestão do municipal, pois em algumas localidades do país, só é admitido o transporte em zona rural ou alunos que residam a mais de três quilômetros de distância da escola pública mais próxima, com as exceções: alunos com necessidades educativas especiais, alunos que residam em área que oferece risco no trajeto entre sua residência e a escola. Portanto, cabe ao secretário escolar conhecer da antologia de Legislação relacionada à área da educação como: Constituição Federal e Estadual; Lei Orgânica; Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96; Resoluções; Pareceres e Indicações do Conselho Municipal de Educação; Conselho Nacional de Educação; Estatuto da Criança e do Adolescente; Estatuto do Servidor; Lei Complementar; Plano de Cargos, Carreira, que trata da remuneração dos profissionais da educação de acordo com as leis de cada Estado e Município. Para fins de elaboração desses documentos os secretários para mais das leis, esses profissionais precisam discernir com ética e responsabilidade legal, a conduta do servidor que presta serviço público Práticas de Secretaria Escolar 17 deve estar pautada nos valores universais tais como: honestidade, bem, justiça, dignidade e compostura. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento dos documentos: BRASIL. Conselho Estadual de Educação. Fixa normas para autorização e encerramento de funcionamento de instituições de ensino presencial da Educação Básica, em todos os níveis e modalidades, e dá outras providências. Deliberação CEE nº 316, de 30 de março de 2010. BRASIL. Conselho Nacional de Educação. Normas para simplificação dos registros e do arquivamento de documentos escolares. Parecer CNE/ CP nº 16, de 4 de novembro de 1997. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 22 nov. 1997. De acordo com LDB 9394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional apresenta normativas onde a escola é responsável pela organização da vida escolar dos alunos, sua preservação e informação. Portanto, cabe a escola disponibilizar a documentação solicitada pelo aluno. Vejamos o que apresenta a Lei 9394/96, de acordo com o Art. 24º em seus incisos: VI - o controle de frequência fica a cargo da escola, conforme o disposto no seu regimento e nas normas do respectivo sistema de ensino, exigida a frequência mínima de setenta e cinco por cento do total de horas letivas para aprovação; VII - cabe a cada instituição de ensino expedir históricos escolares, declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos, com as especificações cabíveis. Dessa forma, é importante observar que essa lei, não aborda de maneira direcionada a questão da documentação produzida/acumulada pela instituição escolar para o cumprimento de suas funções, como os Práticas de Secretaria Escolar18 documentos de sua constituição, os programas de disciplina e planos de curso, as Atas das reuniões pedagógicas, os projetos e programas, entre outros, Outra documentação considerada como relativa à atividade-meio, qual seja a da administração da escola como (documentos referentes a pessoal compra de material permanente etc.). Nesse caso, isso pode ter sua explicação para a existência de legislação específica que regula a produção e guarda desses documentos, como no caso dos programas como exemplo o PDDE – Programa Dinheiro Direto na Escola. Figura 03: Façamos as Leis Fonte: @pixabay https://pixabay.com/pt/vectors/martelo-tribunal-lei-direito-1278402/acesso Práticas de Secretaria Escolar 19 Portanto quando pensamos no Brasil uma república federativa, os estados possuem legislação própria, que deve ser conforme aquela da União. Ou Leis e diretrizes, aprovadas de acordo com as necessidades de cada local, elaboradas pelo legislativo e aprovadas. Pois as regiões possuem suas particularidades, que precisam ser consideradas para o bem da comunidade. Cabe ao secretário conhecer as Leis que conduzem as suas funções e colocá-las em prática. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a responsabilidade ética e moral do secretário escolar deve estar presente nas suas ações, pois esse profissional precisa elaborar documentos administrativos e grande importância jurídica, que compete a sua estruturação e manejo. Esses documentos são considerados a memória da escola, mas na sua organização são classificados como: documentos correntes, documentos intermediários e documentos de valor permanente. E cada documento apresenta sua importância para escola. Essa articulação compete ao secretário escolar,pois precisa conhecer as normas e leis vigentes relacionadas à área da educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/96; Resoluções; Pareceres e Indicações dos Conselhos de Educação; Estatuto da Criança e do Adolescente; Estatuto do Servidor; Lei Complementar; Plano de Cargos, Carreira, que trata da remuneração dos profissionais da educação de acordo com as leis de cada Estado e Município. Práticas de Secretaria Escolar20 Técnicas e Ferramentas de Arquivismo INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de organizar a documentação escolar, aplicando técnicas de arquivismo e métodos de consulta rápida dos documentos. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! As escolas possuem seus arquivos, que são responsáveis pela salvaguarda e acesso aos documentos. Com isso antes de adentrar nessa organização sistêmica e estatuária vamos conhecer os regulamentos que normatizam essa atividade. Dessa forma, a Lei de Arquivos disserta toda essa temática além o direito de acesso às informações, com exceções aquelas consideradas sigilosas, o qual está ajustado pela lei de Acesso à Informação. Está pronto para conhecer? A Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991, que toca sobre a política nacional de arquivos públicos e privados e apresenta outras providências, em seu capítulo I, Art. 1º que – “É dever do Poder Público a gestão documental e a proteção especial a documentos de arquivos, como instrumento de apoio à administração, à cultura, ao desenvolvimento científico e como elementos de prova e informação. ” (BRASIL, 1991). Entretanto, a lei certifica que os documentos precisam ser armazenados e conservados desde sua criação até a destinação final. Dessa maneira, o seu Art. 2º ressalta que “consideram-se arquivos, para os fins desta Lei, os documentos elaborados e recebidos por órgãos públicos, instituições de caráter público e entidades privadas, em consequência do exercício de atividades específicas, bem como por Práticas de Secretaria Escolar 21 pessoa física, qualquer que seja o suporte da informação ou a natureza dos documentos. Portanto, os arquivos escolares são acatados como arquivos públicos, porque o são de fato, ainda que elaborados e mesmo guardados por escolas privadas, já que a educação é função básica do Estado. Outra forma de garantir e resguardar os documentos arquivísticos de órgãos públicos está prevista nessa lei, que destaca a proibição do descarte desses documentos sem autorização prévia da instituição pública responsável. Em decorrência desse Art. 9º. Que apresenta “a supressão de documentos elaborados por instituições públicas e de caráter público será concretizada atendendo a autorização da instituição arquivista pública, no seu domínio de competência. Assim, apenas serão eliminados por intervenção da autorização de um instrumento legal, sendo que, os documentos referentes às atividades-fim de uma instituição precisam ser conservados infinitamente. Em complementação no que se refere o Art. 10º, os “documentos de valor permanente são inalienáveis e imprescritíveis”. Figura 04: A lei determina as atribuições Fonte: @pixabay A Lei 8.159/91 trata do acesso à informação aos documentos públicos, mas não permite que os documentos avaliados como sigilosos https://pixabay.com/pt/illustrations/horizontal-justi%C3%A7a-direito-lei-1010917/ Práticas de Secretaria Escolar22 venham a ser acessados. Segundo o Art. 4º, “todos possuem direito a acolher dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou de desejo coletivo ou geral, compreendidas em documentos de arquivos, que serão apresentadas no tempo determinado da lei, sob amparo de responsabilidade, resguardadas aquelas cujos sigilo seja imperativo à segurança da sociedade e do Estado, bem como à inviolabilidade da intimidade, da vida particular, da honra e da imagem das pessoas”. Dessa forma, a escola pode ter e pode resguardar documentos de valor incomparável, que são legitimados como bens, públicos, porque pertencem as pessoas, portanto, precisam ser protegidos para aqueles que de fato, são os donos da história/memória. REFLITA: Agora que você já está conhecendo um pouco dessa legislação, e quanto é fundamental esse conhecimento. A partir das informações descritas. Reflita sobre importância dessa legislação para escola, levando em conta todo o arcabouço histórico que faz dessa instituição, uma guardiã de memórias. Figura 05: As técnicas de arquivismo Fonte: @pixabay https://pixabay.com/pt/vectors/pasta-armario-para-arquivo-146153/acesso Práticas de Secretaria Escolar 23 O arquivo escolar é organizado por documentos escolares e administrativos e tem por intuito guardar as informações sobre a vida escolar do aluno. O acervo do arquivo escolar é fundamental para notabilizar a permanência e a história do aluno no decorrer da sua vida acadêmica. Portanto, esse arquivo tem como objetivo conservar e guardar documentos de valor histórico pertinentes à cultura escolar, que é imprescindível para construção da identidade da comunidade escolar e assegurar o armazenamento conveniente e ávido. Fragoso (2009, p. 69) considerou o arquivo escolar como instituição-memória: São instituições públicas ou privadas, constituídas sociais, cultural e politicamente, com o fim de conservar a memória, seja de um indivíduo, de um segmento social, de uma sociedade ou de uma nação; que tem papéis de socialização, aprendizagem e comunicação, e disponibiliza informação patrimonial como fonte de pesquisa na produção de identidades, na construção da história e na elaboração de trabalhos científicos (FRAGOSO, 2009, p. 69). Para que esse trabalho seja realizado os secretários escolares dispõem de técnicas de arquivismo como reconhecer os tipos de arquivos e com qual frequência do uso ou consulta. Os arquivos são organizados em: arquivo morto, arquivo inativo e arquivo ativo. E as categorias desses arquivos, ou seja, como estão classificados. Com base nesse conhecimento é que os profissionais devem tomar as decisões quanto a organização dos documentos. Portanto você saberia responder se os documentos possuem um tempo de validade? Para concretizar a disposição de validade de certos documentos é necessário avaliar a sua importância, o seu valor documental e social, ou encontra – se em desuso. Diante dessa análise, os secretários podem Práticas de Secretaria Escolar24 passar para a etapa de transferências desses documentos. Os processos de transferência de documentos são: • Periódico – é realizada a transferência de documentos para o arquivo inativo ou morto, de maneira planejada, em dias preestabelecidos pela equipe da secretaria. • Permanente –a transferência de documentos pode acontecer quando for necessário, devido ao acúmulo de documentos. Nesse caso, muitos documentos do ano em curso. • Diário – quando examinamos um documento e verificamos que não é mais necessidade mantê-lo no arquivo ativo, então, passamos para o arquivo inativo ou morto. Esse processo é diário porque faz parte da organização de pastas. Para organizar os arquivos, devemos ressaltar alguns princípios básicos, como segurança, previsão, simplicidade, acesso e flexibilidade. A apreensão com a segurança de arquivos é fundamental. Por isso, é necessário tomar medidas contra incêndio, extravio e condições impróprias de preservação de documentos e garantir os sigilosos em lugar apropriado. Sabemos que com o tempo a quantidade de documentos vem crescendo de maneira veloz. Isso nos leva a notar o aumento do volume e a enredamento dos documentos a serem arquivados. Por isso, manter a organização e o bom senso é muito importante. Isso, principalmente por causa da responsabilidade nos atos públicos. Os Métodos de arquivamento são eficazes e ajudam a manter a organização e a eficiência na prestação do serviço. Mas issosó é possível quando o profissional tem conhecimento e consegue colocá-lo em prática. São muitos os métodos de arquivamento: alfabético, numérico e alfanumérico. Vamos começar pelo método alfabético, esse é mais simples, prático e proporciona consultas diretas e rápidas. Portanto, é o Práticas de Secretaria Escolar 25 mais utilizado nas instituições. O método alfabético menciona o nome de pessoas, de empresas ou razões sociais. Tabela 1: Organização do Arquivo Nome de pessoas Ordem de arquivamento Isabel Carlos da Rocha Alves Lúcia Maria Lucia Maria Alves Barros Alice Rodrigues Alice Rodrigues Barros Castro Pinto Manoel Manoel Castro Pinto Rocha Isabel Carlos da Fonte: Quadro elaborado pela autora com base em pesquisas do Manual de Secretário Escolar do Estado de São Paulo (2018). A classificação por ordem alfabética permite vários procedimentos: • palavra por palavra, letra por letra, até o final de cada palavra. • o último sobrenome vem primeiro, por exemplo: Alves Lúcia Maria. • não se separa sobrenome composto por substantivo e adjetivo: Castro Pinto Manoel. Conectivos como de, do, da, e, que antecedem sobrenome, não são considerados na ordem de alfabética: Rocha Isabel Carlos da No arquivamento de nome de empresas segue a ordem direta, ressaltando o seguinte: • escrever os números por extenso; • não considerar o artigo (a, as, o, os) no arquivamento, ele é colocado para o fim: Estado da Paraíba (o). Portanto, outras formas de arquivamentos podem ser feitas, como o Arquivamento por datas, que geralmente são organizados através de pastas nessas pastas, por exemplo, pode-se obedecer a ordem de data, por exemplo: Festa junina; Dias dos Pais. Os arquivos escolares compõem o repositório das fontes de informação diretamente relacionadas com o funcionamento das Práticas de Secretaria Escolar26 instituições educativas, daí a importância do arquivo organizado de um modo científico. Não existe qualquer arrumação escolar que possa escusar a montagem de um arquivo, onde a documentação seja localizada de forma racional. A coordenação de arquivos, como de qualquer outro setor de uma instituição, implica o desenvolvimento de várias etapas de trabalho. Estas etapas se constituem em: Levantamento de Dados, Análise dos dados coletados, Planejamento, Implantação e acompanhamento, Sistemas de Arquivamento. O levantamento acontece a partir de uma análise de todos os documentos constitutivos da instituição responsável pelo arquivo a ser complementado pela coleta de informações sobre documentação. No que tange a análise cabe em verificar se a estrutura, atividades e documentação de uma instituição correspondem à sua realidade operacional. O diagnóstico seria, portanto, uma comprovação dos pontos de atrito, de falhas ou brechas existentes na realização do trabalho administrativo, enfim, das razões que impedem o funcionamento competente do arquivo. Para a etapa do planejamento em todos os estágios de desenvolvimento (ativo ou inativo), para que possa cumprir seus objetivos, torna-se imprescindível a formulação de um planejamento que tenha em conta tanto os arranjos legais, quanto as necessidades da instituição a que almeja servir. O método de arquivamento é assentado pela natureza dos documentos a serem arquivados e pela estrutura da instituição de ensino. Para que os trabalhos tenham assiduidade e conservem uniformidade de ação é imprescindível que sejam constituídas normas básicas de funcionamento, não somente do arquivo, como também do protocolo. Tais normas, depois de aplicadas e acatadas na fase da implantação, juntamente com exemplares e formulários, passem a integrar o manual de arquivo. Mas não basta apenas esses critérios, é preciso investir na Práticas de Secretaria Escolar 27 capacitação dos funcionários, nas técnicas utilizadas para o arquivamento da instituição de ensino, efetivada pela mesma. Figura 06: O tempo como um aliado Fonte: @pixabay Entretanto, a implantação e acompanhamento após a fundação do arquivo, deve ser feito de maneira consecutiva, com intuito de corrigir e ajustar inconveniência ou omissões que venham a ocorrer. Depois de verificados os procedimentos e as normas, deve ser preparado o manual do arquivo que vai orientar e agilizar todo trabalho no arquivo. Quanto aos Sistemas de Arquivamento trata de um conjunto de princípios coordenados que concorrem para a afirmação de certas regras que expressam o que deve ser realizado. Esse sistema pode ser considerado como: Sistemas Diretos e Indiretos. No direito à recuperação de dados é realizada através do arquivo, onde está armazenada. Não depende do uso de um índice de localização. No Sistema Indireto: depende de um índice ou código para encontrar a informação. Outro método de arquivamento é através do recurso numérico, esse é um excelente indicador de localização de documentos arquivados. https://pixabay.com/pt/illustrations/rel%C3%B3gio-tempo-gerenciamento-de-tempo-3780703/ Práticas de Secretaria Escolar28 O mesmo ocorre através da numeração de matrícula. A metodologia de recuperação de documentos utilizados no método numérico consente uma utilização serial indefinida, ou intermitente, não tem regras fixas, podendo ser utilizada a forma que mais convier à organização do arquivo, portanto, que ao idealizar seu uso, seja definida que tipo de sequência numérica será abraçada. A numeração de matrícula irá definir a referente posição sequencial do arquivamento, promovendo imensamente o encontro rápido da documentação desejada. Este método pode ser: a. Numérico simples: corresponde a ordem de entrada no arquivo, pela numeração cominada ao documento ou do próprio, sem preocupação com a ordem alfabética, devendo ter um índice alfabético remitente. Exemplo: Beatriz Nayara Passos Rocha- Matrícula nº 00123 (PASTA 007). David Matheus Passos Rocha: Matrícula nº 01052 (PASTA nº 074) b. Numérico cronológico: neste método deve ser levado em importância, especificamente a data e ano do documento. Exemplo: 1. Ofício nº 07 de 20/07/20 e Ofício nº 17 de 13/08/20 -Arquiva- se na Pasta de Ofícios do ano de 2020 por ordem de data. 2. Diário de Classe do ano letivo de 2019 - Arquiva-se no arquivo permanente na Pasta de Diários de Classe - 2019. 3. Pasta de Dário Alves concluinte do Ensino Fundamental em dezembro de 1997 - Arquiva-se no arquivo permanente na Pasta de alunos concluintes ou que interromperam seus estudos na instituição de ensino – 1997. Portanto, os métodos mais utilizados em instituições de ensino são o Método Alfabético e o Método Numérico, devido a serem mais simples tanto na implementação como no manuseio. O arquivo escolar, tendo como exigência de base a mais perfeita sintonia, deve ser analisado em profundidade, compatibilizando Práticas de Secretaria Escolar 29 organização e funcionamento com todos os fatores que venham a facilitar sua utilização. ACESSE: O ato de conservar documentos é tão extraordinário que há uma lei na constituição que certifica isso. Vejamos o que diz o artigo abaixo: Art. 216. Título VIII Da Ordem Social, Capítulo III Da Educação, da Cultura e do Desporto - Seção II Da Cultura. Vamos lá acesse e veja o que traz esse artigo na íntegra.https://bit.ly/3h5ou6H RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que um arquivo pode ter uma organização pessoal, do contrário esse precisa ter uma organização racional e simples, corretamente escriturado e disposto de forma que, em qualquer época outras pessoas que surgirem a trabalhar com ele, possam ter condições de compreendê- lo e manuseá-lo com agilidade. A natureza dos documentos e a composição da organização são determinantes para a escolha do método de arquivamento. Método é, por assimdizer, um plano de instalação de documentos objetivando promover tanto a guarda como a consulta. Os métodos mais utilizados nas escolas são: Alfabético e Numérico, por ser mais simples e fácil entendimento e organização. Quando todos que trabalham no arquivo possuem o conhecimento técnico das etapas que constituem o arquivo que são elas: Levantamento de Dados, Análise dos dados coletados, Planejamento, Implantação e acompanhamento, Sistemas de Arquivamento. Além desse conhecimento técnico é necessário a postura de colaboração de toda equipe. https://bit.ly/3h5ou6H Práticas de Secretaria Escolar30 Escrita Documental de Documentos Escolares Oficiais INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de produzir documentos oficiais e formais, de acordo com a legislação pertinente e as boas práticas de linguística e estética documentacional. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! A escrita faz parte da rotina de trabalho da escola, especialmente nos serviços administrativos. Muitos serviços são concretizados por meio de documentos próprios como aqueles que produzimos e preenchemos, registramos matrículas dos alunos, manuseamos o computador, interagimos por meio de e-mails, etc. Entretanto, é preciso ter um bom domínio da escrita, apreciando suas regras e conseguindo aplicá-las na produção de documentos que fazem parte de tarefas específicas, como os da secretaria escolar, em todos os aspectos, administrativo e pedagógico. Dessa forma, escrever com clareza, objetividade e coesão também faz parte da boa comunicação. A linguagem é um veículo natural de comunicação do ser humano. Empregamos a linguagem para expressar nossos sentimentos e pensamentos, para defender nosso ponto de vista, dar sentido às coisas, fazer inferências sobre a condição social, política e econômica do país. Para aprender com os textos, que registram a linguagem por meio de insígnias, o que constitui a escrita, essa linguagem pode ser construída através de uma identidade, com gestos, símbolos e significados. Através dessa linguagem podemos fazer a leitura de mundo. Em suma, são muitos os papéis e as atividades por meio da linguagem que podemos realizar. Interagimos com as pessoas e com Práticas de Secretaria Escolar 31 as instituições utilizando a linguagem verbal e não-verbal de forma tão cômoda, que muitas vezes, nem paramos para pensar como isso acontece. Para falar nas boas práticas da linguística, não podemos deixar de compreender do que essa ciência se ocupa, com certeza são inúmeras as preocupações da linguística. Mas uma em particular vai nos interessar. Você saberia dizer qual é? Pois bem, a forma como a língua se estrutura genericamente, através de propriedades de associação e classificação, o que obedece, parcialmente, às tradicionais análises morfossintáticas que aprendemos na escola. No campo da ciência linguística, Saussure (1916) conceitua, a língua “como um conjunto ordenado de acordos sociais, aproveitados pela coletividade para suscitar a comunicação”. Estabelecer os signos linguísticos que derivam da união de significante (figura acústica) e sentido (conceito). Dessa forma, a figura acústica pode ser representada por uma palavra, mas com diferentes significados. A diferença de significado depende do que, de onde e com quem estamos falando. A língua se materializa por meio da fala, linguagem verbal e não verbal, e a fala, por sua vez, é representada por meio da escrita, dos gestos, com letras e símbolos. É sabido que os profissionais que atendem ao público precisam lidar com as variações linguísticas, essas diferenças são muitas vezes culturais, mas podem ser de caráter social, econômico e de escolarização. Mas todas pessoas precisam ser atendidas respeitando a sua identidade. Com tudo, precisamos ter o bom senso, de que nem todas as pessoas tiverem a oportunidade de aprender a língua no seu padrão culto. Portanto, o profissional precisa entender, que ele é o agente educativo, a pessoa preparada para tratar as diferentes situações e compreender as variações da língua. Enfim, o profissional que exerce um papel social, no qual lida com o público, precisa que a forma de falar seja clara e objetiva, conforme a variedade linguística, mas prezando o padrão culto da língua. E, quando escrevemos, dependendo do gênero textual, devemos usar a forma padrão, especialmente nos documentos como redação oficial, escrituração escolar, entre outros. E a partir dessas representações que estabelecemos a construção dos instrumentos de trabalho, nesse caso, os documentos desenvolvidos Práticas de Secretaria Escolar32 na secretaria escolar segue de acordo com a legislação, com o padrão documental e a prática formal da escrita. Um exemplo de documento padrão são as Atas. Você já participou da construção desse documento? Mas com certeza já deve ter ouvido falar! Esse documento possui uma redação estruturada, técnica, formal. Vamos conhecer esse e outros documento e suas etapas e normas de elaboração? Observe no quadro abaixo um modelo de Ata do Conselho Escolar. Quadro 01: Modelo de Ata MODELO DE ATA DE PRIORIDADES DO PROGRAMA NOVO MAIS EDUCAÇÃO Assembleia Geral extraordinária do Conselho Escolar da E.M.E.F Francisco Marques da Fonseca para definir as prioridades referente a 1ª parcela do Recurso do Programa Novo Mais Educação. Aos 30 dias do mês de julho de dois mil e dezoito, reuniram-se os membros com o objetivo de definir os materiais, bens e serviços que serão contratados para a correta aplicação dos recursos do Programa Novo Mais Educação. Foi recebido recursos de CUSTEIO referente a 1ª Parcela do Programa Novo Mais Educação no valor de R$ 33.804,00 (Trinta e Três Mil Oitocentos e Quatro Reais). Conforme orientação da Coordenação Municipal do Programa R$ 32.400,00 (Trinta e Dois Mil e Quatrocentos Reais) será destinado ao ressarcimento dos Voluntários Mediadores e Facilitadores para um período de cinco meses. O valor de R$ 1.404,00 de CUSTEIO será destinado a compras de materiais necessários à execução das atividades do Programa. O(a) Articulador(a) do programa apresentou a lista do que está faltando na escola e de sugestão para investir e desenvolver as atividades do programa: resmas de papel oficio, tonner, lápis, cadernos, confecção de camisetas, borracha, TNT e feltro. Os demais membros julgaram as necessidades e acrescentaram: tecidos, bastão de cola e bolas de futebol. Após analisar as necessidades apresentadas e discutidas por todos, os membros do conselho decidiram aplicar os recursos de CUSTEIO em: resmas de papel oficio, tonner e confecção de camisetas. A fim de garantir a transparência nas ações na escola, estamos afixando no mural da escola está Ata, em atendimento à Resolução 09 do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Nada mais havendo a tratar, lavro esta ata que segue assinada por todos os membros presentes a esta reunião: Graciliano Ramos, Secretário, Elba Ramalho, Presidente, Tim Maia, Membros, Renato Russo, Tom Zé e Alceu Valença. Fonte: Quadro elaborado pela autora com base em Atas desenvolvidas no cotidiano profissional Práticas de Secretaria Escolar 33 Observamos que datas e números de documentos são escritos por extenso, assim como nas Atas outros documentos segue o mesmo padrão como os Termos de exoneração/investidura e as portarias de nomeação dos Gestores. As Atas podem ser escritas pelo conselho escolar, equipe administrativa e pedagógicas, como as que são realizadas no início do ano letivo, ou término do ano letivo, planejamentos, reuniões de cunho acadêmico, de aproveitamento de estudo, no caso de alunos com objetivo de continuidade de estudo. Ata de promoção, que registra exames e processos especiais de avaliação, o resultado do processo de promoção do aluno. Portanto, outro documento que se encontra dentro de um padrão de exigências é a matrícula, que perpassam pelas leis de cada município, a Leide Diretrizes e Base da Educação – LDB 93,94/96 e o Estatuto da criança e do adolescente – ECA, Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento através do endereço eletrônico: <https://leismunicipais.com.br/>. Você pode pesquisar e se informar se o município que você reside possuem leis que regulamentam os documentos escolares. Boa pesquisa! https://leismunicipais.com.br/ Práticas de Secretaria Escolar34 Figura 07: Pastas de Matricula Fonte: @pixabay Dessa forma, a Matrícula é o procedimento pelo qual se vincula o aluno à instituição de ensino. Esse processo deve ser realizado pelos pais ou responsáveis legais, conforme determinam as Leis Municipais de cada região, ajustadas com o artigo 55 do Estatuto da Criança e do Adolescente. Assim sendo, os pais ou responsáveis legais são aqueles que têm a guarda definitiva, provisória ou compartilhada sendo esses avós, tios, irmãos, ou tutores, desde que tenham a condição de responsabilidade, guarda ou tutela dotado por órgão oficial: Conselho Tutelar ou Juizado da Infância e da Juventude. A ficha de matrícula é preparada pela Secretaria de Educação do Município e contém: Dados de identificação do aluno, endereço residencial, telefones de contato, curso, série/ano, turno, turma, ano letivo, cor/raça, dados escolares como a data de ingresso na escola, identificação da escola; situação física e biológica do aluno, termo de compromisso sobre as informações prestadas, data e assinatura do responsável legal e do representante da escola que normalmente é o secretário escolar, pois é ele quem geralmente realiza o preenchimento desse documento. Portanto, a matrícula é de tal responsabilidade que só pode ser preenchida pelos representantes da escola com a conferência dos https://pixabay.com/pt/vectors/pasta-arquivos-papel-escrit%C3%B3rio-303891/ Práticas de Secretaria Escolar 35 documentos apresentados. Quando falo representante da escola, é que pode ocorrer de muitas escolas não possuir secretários, deixando a cargo do gestor, ou de um funcionário readaptado de função. Os documentos necessários para a realização da matrícula são: Documentos pessoais do responsável pelo aluno, não é preciso fazer cópia, basta pedir para o responsável do menor apresentar seus documentos, com a finalidade de averiguar a identidade da pessoa que está realizando a matrícula. Agora, quanto a documentação do aluno é preciso apresentar à escola as seguintes cópias: da certidão de nascimento ou RG do aluno; carteira de vacinação ou declaração de vacinação em dia, conforme Portaria n° 597 de 08 de abril de 2004 – Ministério da Saúde. Comprovante de residência; comprovante de escolaridade (histórico escolar) dos anos anteriores, quando houver. Se o aluno ingressar na escola no curso do ano letivo, precisa apresentar, juntamente com os documentos citados acima: Atestado de frequência do ano corrente; Boletim e/ou notas parciais. A escola tem um tempo previsto de trinta dias para validar a matrícula do aluno mediante a conferência da documentação solicitada ou ata de classificação/reclassificação amparada pelo artigo 23 da LDB nº 9.394/96, quando esgotadas as possibilidades de comprovar a escolarização anterior. Conforme foi colocado a matrícula só pode ser realizada pelo responsável legal do menor, mas há casos do pedido de matrícula ser por outros, que não tem o termo de responsabilidade ou guarda do menor. Nesse caso, a escola acolhe a criança/adolescente, e a documentação, mas informa que a matrícula só será homologada após os trâmites jurídicos. Em seguida, comunica o caso ao Conselho Tutelar, que por sua vez deve encaminhar o responsável ao órgão para que se proceda o início do processo de regulamentação de guarda, o qual deverá ser apresentado, na escola, no menor tempo possível. Entretanto, é sempre bom conhecer a legislação educacional, para realizar uma orientação coerente e precaver possíveis problemas. A escola é uma instituição formativa, não é hospital, nem órgão não-jurisdicional, Práticas de Secretaria Escolar36 mas atua em comunicação com as demais instituições que podem ser solicitadas para ajudar a comunidade. Mas é importante advertir que, o ingresso no ensino fundamental está assegurado na Constituição Federal no seu Art. 205. Ou seja, a matrícula não poderá ser negada, conforme CF e LDB. Artigo 87. Salvo alguns casos, como a superlotação, a escola não comportar mais em suas dependências. Nesse caso, o secretário escolar deve fazer um ofício e encaminhar esses pais ou responsáveis para a Secretaria de educação, a fim de ser orientado uma escola para a criança ou adolescente. Figura 08: Estudar é um direito Fonte: @pixabay Estudar é um direito do aluno, assim como obrigação da família e do Estado. Nenhum aluno pode ter a matrícula rejeitada por falta de algum dos documentos. Nos casos, em que a família do aluno não apresentar o documento escolar e não conseguir informar o nome da última escola em que o aluno estudou, a secretaria da escola deve verificar a idade da criança e, em conjunto com a orientação educacional definir, provisoriamente, a turma em que a criança pode ficar. Mas deve informar ao responsável que será disposto um prazo de sete dias letivos, para a família da criança apresentar a documentação https://pixabay.com/pt/illustrations/crian%C3%A7a-estudo-menino-prova-1529218/ Práticas de Secretaria Escolar 37 cabível. Dessa forma, o histórico escolar, que é o comprovante de escolarização do estudante. Caso não ocorra a apresentação da documentação escolar que comprove a escolaridade da criança, a escola solicita ajuda para o Conselho Tutelar, e passa a dar andamento ao processo de avaliação do grau de conhecimento do aluno, através de provas elaboradas pelo corpo docente e, após análise, para que justifique o ingresso do aluno, enquanto se aguardam as providências solicitadas ao Conselho Tutelar. Na prática, muitos alunos terminam o ano letivo sem a documentação necessária, devido a fatores sociais, que adentram os portões da escola. Como crianças que saem de uma região porque os pais, irmãos estão sendo ameaçados, a violência nas comunidades modifica a paisagem do aluno e os prazos e normas na escola. Os documentos de responsabilidade da escola estão embasados na LDB 93,94/96, em seus Artigos 24. Inciso VII, que descreve: “cabe a cada instituição de ensino emitir históricos escolares, declarações de conclusão de série e diplomas ou certificados de conclusão de cursos, com os procedimentos apropriados”. Sem fugir à regra temos a transferência do aluno, que representa o ingresso do aluno de um para outro estabelecimento de ensino, ou de uma habilitação para outra, isso pode ocorrer durante o ano letivo ou após o seu término. A solicitação de transferência pode ocorrer durante o ano letivo ou no término do mesmo. O secretário precisa ficar atento ao preenchimento do histórico escolar dos anos/séries/ciclos/nível já cursadas, respeitando a Base Nacional Comum Curricular e também a parte diversificada, o qual deve ser atualizado. Segundo Souza (2007), o secretário deve entregar ao solicitante responsável o original do histórico escolar e a ficha individual. “Peça o recibo do interessado nas cópias desses documentos”. Essas cópias serão arquivadas na pasta individual do aluno que será transferida para o arquivo permanente. Como a educação é um direito do aluno, a transferência só deve ser entregue aos pais ou responsáveis, quando esses pais apresentarem Práticas de Secretaria Escolar38 a declaração de vaga da escola pretendida. Caso isso não aconteça o Secretário apenas entregará o atestado de frequência à família. Mas isso é relativo, muitas vezes os pais não procuram a escola para pedir transferência. Eles apenas saem. Isso acontece por vários fatores, no mais comum é a violência, drogas entreoutras mazelas sociais. Mas é dever do secretário, informar aos pais ou responsáveis da necessidade de protocolar a retirada do referido documento. Pois a escola não pode reter documentação de aluno declarando pendências como a não recondução de livros didáticos ou pertencentes ao acervo da biblioteca. Porém, pode segurar a documentação por falta de declaração de vaga da escola destino, mesmo ocorrendo o comunicado pessoal da mudança para determinado Município ou Estado. A escola está pautada no artigo 55 da Lei nº 8.069 de 13 de julho de 1990. Que dispõe: “Os pais ou responsável têm a responsabilidade de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino”. Outro documento que apresenta sua elaboração e legislação é o Certificado. O mesmo é utilizado para validar a conclusão de curso, sendo concedido ao aluno que terminou com aproveitamento e assiduidade qualquer nível da educação básica. Esse documento deve ser registrado junto ao protocolo exclusivo de retirada da documentação relacionada à conclusão do Ensino Fundamental. No verso do certificado deve constar as seguintes informações: Exemplo: Quadro 02: Registro de certificado Certificado REGISTRADO sob livro/ano 20___, folha nº_____ - validade nacional de acordo com a LDB nº 9.394/96, Art. 24, inciso VII. ______de _____________ de 20____. Assinatura e carimbo do Responsável: _______________________________. Fonte: Quadro elaborado pela autora com base na LDB 93,94/96. Práticas de Secretaria Escolar 39 Esse documento requer abertura de protocolo, que deve ser arquivado na unidade escolar reunidos em um único livro e numerados em ordem crescente, com organização alfabética ou numérica, conforme prática organizada na secretaria. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a linguística empregada a profissão do secretário escolar deve ser aplicada de acordo com as normas cultas, mas respeitando as variações da língua. O domínio da escrita deve acontecer apreciando suas regras e conseguindo aplicá-las na produção de documentos, que fazem parte de tarefas específicas da secretaria escolar, em todos os aspectos, administrativo e pedagógico. Que os documentos apresentados, construídos e preenchidos na escola possuem sua legislação, cabe ao profissional conhecer os trâmites legais para realizar um trabalho coeso e coerente. Os documentos foram apresentados na sua forma prática, como modelos que valeram a quem nunca passou em uma instituição escolar, mas mesmo assim construiu um conhecimento de como esses documentos são elaborados. Práticas de Secretaria Escolar40 Secretaria Escolar Digital INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de conhecer as tecnologias e ferramentas de documentação digital e suas aplicações na secretaria escolar, buscando amparo legal para a segurança jurídica da instituição. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! O processo de informatização da secretaria escolar pode atuar como um sistema de comunicação e de gestão. Essa tecnologia é de grande relevância nos dias atuais. Isso porque a secretaria escolar é considerada o setor responsável pelo manejo dos registros, dos arquivos e documentos ativos e inativos dos alunos e dos funcionários. Entretanto, esse processo no formato digital admite o acesso facilitado e mais ágil a vários documentos da instituição, dos funcionários e dos alunos, um exemplo é o histórico escolar, através de um sistema integrado pais, alunos, professores e os profissionais da secretaria podem verificar o desempenho escolar em cada disciplina, através do registro das notas. O acesso a informatização pode facilitar os processos de busca, de toda documentação da escola, o que vai otimizar tempo e recursos. Com a implantação de um sistema de dados adequado é possível fazer o Login (conecte-se) e acessar as informações apresentando um panorama administrativo e pedagógico da escola. Muitas atividades podem ser desenvolvidas a partir de um programa de gerenciamento eletrônico de documentos. Você conhece ou já trabalha com esses programas? Desenvolve algumas de suas atividades profissionais de maneira informatizada? Sabemos que só a boa vontade não é suficiente para implantação de modelos de gestão informatizados na escola. Quando falamos da Práticas de Secretaria Escolar 41 escola pública, laica e das diferentes disparidades de gestão política, essa informatização para muitas escolas torna-se algo utópico. Vamos ver alguns exemplos de atividades que podem ser contempladas, se você não desenvolve no ambiente de trabalho, com certeza deve desenvolver para outros fins de aprimoramento, pois essa tecnologia já faz parte do nosso cotidiano. Exemplo: Algumas atividades podem ser desenvolvidas através da gestão informatizada da secretaria como: • Atividades como o controle de alunos, documentação de materiais, gestão orçamentária, preparação de documentos via informática; • Atividades com construção de planilha de cálculo, banco de dados, apresentações, processador de textos, navegadores da rede, sistemas operacionais, ferramentas de busca na internet, correio eletrônico entre outros. Para que essas atividades possam fazer parte da rotina de uma secretária escolar, o ambiente precisa dispor de ferramentas básicas para tal manejo e interação. E esse não é o único impasse, precisa ter uma capacitação do pessoal da secretaria para o uso eficaz desses equipamentos e ferramentas. A realidade de muitas escolas públicas no país não dispõe desse e de outros serviços, por faltar recursos ou gestão, nesse caso, quando falo dessa gestão é da gestão política, o poder executivo. Segundo dados do Censo Escolar 2018 divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) em 31 de janeiro. “O Brasil contava, em 2018, com 181.939 escolas de educação básica. Dessas, 28.673 (15,8%) ofertavam o ensino médio”. (INEP, 2018). O acesso aos recursos tecnológicos como: laboratório de informática, internet e internet banda larga nas escolas de ensino médio é maior do que a ofertada para o ensino fundamental. Esses recursos são localizados em mais de 60% das escolas em todas as dependências administrativas. No caso do acesso à internet as escolas municipais apresentam: 85,09%, as estaduais com: 93,05%. Mas será que isso garante a utilização do recurso? Dados do Censo Escolar computados pela organização, “Todos pela Educação” lembram Práticas de Secretaria Escolar42 que em muitas escolas públicas com laboratório os problemas de baixa conexão e equipamentos ultrapassados, ou sem manutenção atrapalham o uso da internet e de computadores. Esse problema é evidenciado pelos dados que a pesquisa traz em relação às respostas apresentadas pelos diretores das escolas. Para você entender melhor sobre esses dados acesse os sites e veja as pesquisas. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento dos documentos no site: https://bit.ly/3jPJPme e https://bit. ly/2F8RUTZ O assunto sobre metodologias trabalhadas através do uso da internet ou equipamentos que garantam o acesso à educação veio à tona com mais força, pelo momento histórico o qual estamos passando. O Brasil do ano de dois mil e vinte, vivencia uma pandemia com consequências impactantes nos modelos de educação, onde novos conceitos são construídos como o do Ensino Remoto; ou Ensino Híbrido. Entretanto, aqui vamos falar sobre o conceito de tecnologia, esse já há muito é empregado e conhecido por todos. Escolhi o conceito apresentado por Pinto (2005), por se aproximar mais e estabelecer relações com o contexto educacional. O homem é um ser proposto a viver necessariamentena natureza. Apenas, o que se abrange por “natureza” em cada fase histórica corresponde a uma realidade diferente. Se no início era o mundo espontaneamente estabelecido, agora que o civilizado consegue cercar-se de produtos fabricados pela arte e pela ciência, serão estes que formarão para ele a nova “natureza” (PINTO, 2005, p. 37). Para o autor o conceito de tecnologia perpassa por toda ação do homem em seu contato com os objetos, ou seja, da sua relação social de produção. Dessa maneira, a produção pode mudar a sua realidade através https://bit.ly/3jPJPme https://bit.ly/2F8RUTZ https://bit.ly/2F8RUTZ Práticas de Secretaria Escolar 43 de recursos avançados. A tecnologia não está apenas nas máquinas, nos softwares, mas em todas as etapas do desenvolvimento humano. Portanto, nenhum software ou sistema vivente no mercado atenderá de forma integral as necessidades da instituição, pois cada escola sendo pública ou privada tem suas particularidades e necessidades específicas. O que leva a escola a decidir por um sistema e tentar de forma progressiva incorporar seus documentos e funcionalidades sinalizando as suas peculiaridades. Assim, alcançar possíveis melhorias no sistema atual para aperfeiçoar as atividades desempenhadas de maneira proativa. Para tanto, torna-se importante conhecer as tecnologias responsáveis pelo processo de obtenção de informação na instituição, para aprimorar seus conhecimentos. Sem dúvidas que a informática, quando pode ser utilizada facilita a vida de qualquer profissional. Além da contribuição estratégica, a informática, proporciona inovação no trabalho, tornando assim mais ágil e eficiente. Mas nada adianta esse avanço tecnológico se o profissional na sua gestão, não desenvolver a atenção para os laços de cooperação, que precisa estar presente em todo ambiente de trabalho. Figura 09: A cooperação faz a diferença Fonte: @pixabay https://pixabay.com/pt/illustrations/reuni%C3%A3o-coopera%C3%A7%C3%A3o-pessoal-1015591/ Práticas de Secretaria Escolar44 A partir da colaboração, e da utilização de recursos avançados, as escolas caminham para o progresso tecnológico. Nesse texto vou citar alguns dos exemplos de software/sistema de gestão escolar, mas existem muitos programas que na prática, é um sistema que faz o comando de todos os processos da escola: financeiro, contábil, recebimento, retenção entre outras tarefas que são indispensáveis para a gestão escolar. A mecanização assegura uma relação de todos os fatores do processo educacional, certificando uma gestão competente. Outra ferramenta que pode estar interligada ou não com o sistema de gestão é a plataforma on-line, que pode ajudar no preenchimento dos diários, além de gerir o sistema de notas e frequências dos alunos. Mas, precisa atentar para a necessidade da preparação de manuais de procedimentos. Esses manuais viabilizam os processos, promove a agilidade e autonomia no atendimento. O que acaba refletindo no atendimento a pais, estudantes e professores facilitando o trabalho na secretaria escolar. Elucidando um dos processos abraçados pela informatização na Secretaria Escolar é a matrícula online e a rematrícula online. No caso de matrícula online possibilita aos pais realizam a solicitação de vaga através do site da escola, o que está diretamente interligado ao sistema local, estando a vaga disponível a mesma é disponibilizada por um link que os pais recebem por e-mail e após preenchimento formalizam a matrícula na Secretaria com a documentação e pagamento. Isso no caso das escolas privadas, na escola pública esse sistema possibilita a organização das solicitações e o levantamento de vagas para ano/série em toda escola. Podendo assim, apresentar com antecedência as vagas disponíveis e evitar as longas filas no entorno da escola. No caso Práticas de Secretaria Escolar 45 da rematrícula o sistema deve gerar no ato da matrícula um contrato, que será apenas renovado através da assinatura de contrato virtual. Figura 10: A informatização dos documentos Fonte: @pixabay Quanto aos processos informatizados de arquivamentos, esses deve ser realizado com a cautela de armazenar em arquivo de maneira digitalizada, criar arquivos e pastas que correspondem a cada processo do arquivismo escolar. A preocupação nesse modelo informatizado está nos cuidados com o armazenamento e com a frequência que são realizados os backups. Ou até mesmo, em investir em um HD externo para concretizar os processos de segurança. Isso acontece, porque no arquivo escolar temos documentos que não podem ser extraviados ou perdidos. Devido a sua importância e as leis que os amparam. REFLITA: Elaboramos documentos e mais documentos. E necessitamos armazená-los de alguma forma, sabemos que nesses documentos encontram-se informações valiosas. E como fazer isso? Como você guarda seus documentos pessoais, tais como: título de eleitor, passaporte, diplomas, certidões, entre outros? Alguns dos documentos elaborados na secretaria escolar são criados, modificados e visualizados diariamente. No entanto, eles são a https://pixabay.com/pt/vectors/laptop-conhecimento-informa%C3%A7%C3%B5es-1723059/Acesso%20em:06 Práticas de Secretaria Escolar46 base para a comunicação entre as pessoas e possuem um valor histórico e pessoal. Portanto, de acordo com a cláusula 4.2.4 da ISO 9000:2008, sobre o controle de registros dos documentos, a instituição deve constituir um procedimento documentado para determinar os controles necessários para a identificação, o armazenamento, a recuperação e a disposição dos registros. Os registros precisam conservar-se legíveis, prontamente identificáveis e restauráveis. Ao passo que, alguns documentos precisam ser guardados por um determinado período de tempo, de acordo com a legislação específica, outros já nascem eletrônicos. No entanto, um gerenciamento impróprio provoca cópias desnecessárias, e consequentemente a má utilização de espaço em disco, além de custos demasiados para a escola. Outro programa que pode ser aplicado no ambiente da secretaria é gerenciamento eletrônico de documentos, o GED, que consiste em um conjunto de módulos de sistemas interligados que permite a instituição organizar seus documentos de maneira física ou digital e armazená- los com segurança, além de promover a interligação entre os dados armazenados. Para Koch (1998, p. 22-23), esse programa representa a totalidade de todas as tecnologias que miram administrar informações de forma eletrônica, frisando, não ser necessário que os documentos estejam em meio eletrônico, mas sim, que o tratamento dispensado a estes seja concretizado com o uso destas tecnologias. Portanto, o GED dirige o ciclo de vida das informações, desde a sua criação até seu arquivamento. Mas o software possui um custo e para ser utilizado precisa ser provido por uma empresa especializada na área de Tecnologia da Informação, e possuir algumas características como flexibilidade, customização e funcionalidade. Outra característica importante é Práticas de Secretaria Escolar 47 averiguar se ele é compatível com outros sistemas, para que o usuário consiga utilizá-lo sem necessitar da utilização de softwares em paralelo. Assim como todo software precisa ter uma capacitação dos profissionais para a sua utilização com propriedade e eficiência, o que demanda tempo e ajustes nas rotinas de trabalho. Faço essa observação porque é fundamental que todos os secretários saibam utilizar o sistema, dentro da realidade da escola pública, onde muitos que ocupam essa função são professores já com alguma comorbidade em consequência da idade e por isso são readaptados de função, muitos não sabem nem ligar um computador. Mas os desafios surgem para ser sanados. NOTA: Para saber mais sobre software, sua funcionalidade leia o trabalho de conclusão de curso intitulado: ESTUDO DO GED – GERENCIAMENTO ELETRÔNICO DE DOCUMENTOS NO ÂMBITOORGANIZACIONAL. Disponível em: https://bit. ly/35a2FQO A lei de Nº 12.682 de 9 de julho de 2012, que apronta sobre a preparação e o arquivamento de documentos em meios eletromagnéticos, quando entrou em vigor teve três dois seus artigos vetados, mas atualmente por força de vários decretos a lei estabelece a técnica e os requisitos para a digitalização de documentos públicos ou privados, a fim de que, os documentos digitalizados produzam os mesmos efeitos legais dos documentos originais. O Decreto nº 10.278, de 18 de março de 2020, que modificou a Lei 12.682, ainda estabelece a técnica e os requisitos para a digitalização de documentos públicos ou privados, a fim de que os documentos digitalizados causem os mesmos efeitos legais dos documentos originais conforme as diretrizes: Regras gerais de digitalização; Requisitos na digitalização que envolva entidades públicas e privadas; Desnecessidade da digitalização; Responsabilidade pela digitalização; Manutenção dos documentos digitalizados e Preservação de documento digitalizados https://bit.ly/35a2FQO https://bit.ly/35a2FQO Práticas de Secretaria Escolar48 e entes públicos. Cada item descrito possui seus artigos referindo as orientações dispostas na lei. NOTA: Recomendo que faça a leitura do Decreto na integra e aprofunde seus conhecimentos sobre a regulamentação para esses documentos. Acesse: https://bit.ly/331dwtH RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que a informatização dos documentos na secretaria escolar fomenta, agiliza e otimiza os trabalhos nesse ambiente. Muitos recursos tecnológicos surgem a todo momento e cabe a escola a escolha sobre qual programa pode se adaptar as suas necessidades. Pontos como a capacitação ou treinamento dos profissionais são de fundamental importância, assim como a elaboração de Manuais para melhor orientar na implantação dos programas. Outro aspecto, com relação as expectativas para a informatização das secretarias em todo país. Essa ação em algumas regiões apresenta-se como utópica, por ser necessários recursos financeiros oriundos das gestões administradas pelo poder executivo: Estados e municípios. Mas em algumas regiões ou em escolas da rede privada, os softwares já são uma realidade, que facilita a comunicação entre toda comunidade escolar. Aqui no texto foram apresentados alguns desses programas como o GED- Gerenciamento eletrônico de documentos e suas ferramentas para interligar as informações, documentos e conservação dos arquivos escolares. Para a utilização dos documentos no âmbito eletrônico precisamos conhecer a lei 12.682 de 9 de julho de 2012, e seus Decretos, que regulamentam essa prática. https://bit.ly/331dwtH Práticas de Secretaria Escolar 49 REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. º 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, e dá outras providências. INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS ANÍSIO TEIXEIRA. Censo da Educação Básica: Sinopse Estatística da Educação Básica – 2018. Disponível em:< http://www.inep.gov.br/superior/ censosuperior/sinopse/default.asp>. Acesso em agosto de 2020. LEI nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei Nº 12.682, de 9 de julho de 2012. Dispõe sobre a elaboração e o arquivamento de documentos em meios eletromagnéticos. Brasília, 9 jul. 2012; 191o da Independência e 124o da República. Decreto nº 10.278, de 18 de março de 2020. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019- 2022/2020/Decreto/D10278.htm. Acesso em: 30 jul. 2020. Conselho Estadual de Educação. Fixa normas para autorização e encerramento de funcionamento de instituições de ensino presencial da Educação Básica, em todos os níveis e modalidades, e dá outras providências. Deliberação CEE nº 316, de 30 de março de 2010. Conselho Nacional de Educação. Normas para simplificação dos registros e do arquivamento de documentos escolares. Parecer CNE/CP nº 16, de http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019- http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2019- Práticas de Secretaria Escolar50 4 de novembro de 1997. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Brasília, DF, 22 nov. 1997. BORGES, E.; MEDEIROS, C. Comprometimento e ética profissional: um estudo de suas relações juntos aos contabilistas. 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Acesso em: 06 de ago. de 2020. https://leismunicipais.com.br/ https://www.todospelaeducacao.org.br/ https://www.todospelaeducacao.org.br/ https://www.acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/48210/TCC%20-%20Rodrigo%20Jose%20Setti.pdf?sequence=1 https://www.acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/48210/TCC%20-%20Rodrigo%20Jose%20Setti.pdf?sequence=1 https://www.acervodigital.ufpr.br/bitstream/handle/1884/48210/TCC%20-%20Rodrigo%20Jose%20Setti.pdf?sequence=1 Francineide Rodrigues Passos Rocha Livro Didático Digital Unidade 4 Livro Didático Digital Francineide Rodrigues Passos Rocha Práticas de Secretaria Escolar Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autora FRANCINEIDE RODRIGUES PASSOS ROCHA A AUTORA Francineide Rodrigues Passos Rocha Olá. Meu nome é Francineide Rodrigues Passos Rocha. Sou graduada em Pedagogia, com uma experiência na área da Educação Básica e superior, possuo especialização em Psicopedagogia Institucional e sou Mestra em Educação. Trabalho na área da Educação a mais de 15 anos, perpassei da Educação Infantil ao Ensino Superior. Atualmente sou Orientadora Educacional da rede municipal de ensino, concursada na Prefeitura Municipal de Santa Rita- PB. Como professora lecionei na Fundação Bradesco e na Universidade Federal da Paraíba como Tutora à distância, atuei como professora pesquisadora na Coorientação de trabalhos no âmbito do Programa Educação sem Fronteiras da Faculdade Unifuturo. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar umnovo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO Técnicas e formas de acesso à legislação educacional ............ 10 Procedimentos legais exigidos pelos órgãos reguladores .......20 Documentos e procedimentos oficiais para o ensino superior 30 Documentos e procedimentos oficiais na educação básica ....39 Práticas de Secretaria Escolar 7 LIVRO DIDÁTICO DIGITAL UNIDADE 04 Práticas de Secretaria Escolar8 INTRODUÇÃO Você sabia que a escola é um espaço de construção, não apenas de aprendizagem, mas um espaço onde são desenvolvidas inúmeras habilidades, através da convivência com o outro. Um ambiente com muitas representações e subjetividades. Imagina a convivência nesse espaço sem regras, normas e até mesmo Leis? Pois bem, num Estado democrático, as leis vêm afiançar a igualdade dos direitos. Perante a lei, todos são iguais, têm os mesmos direitos e deveres como cidadãos. Entretanto, a simples presença de legislações não assegura direitos. São necessários o conhecimento e compreensão de seus sentidos e funções, que estabelecem organização pessoal para cumprimento apropriado das resoluções e mobilização do coletivo de profissionais da comunidade escolar. A cidadania concerne muito mais do que conhecer e aceitar as leis. A cidadania demanda tomada de posturas propositivas, no sentido de melhoria da legislação não apenas a educativa, mas possibilita a prevenção de fatores resultantes de diferenças entre os indivíduos, de qualquer natureza, interviessem na execução da legislação e na garantia de direitos. O acesso e o conhecimento da legislação educacional propiciam o melhor desempenho nas atividades desenvolvidas pelo secretário escolar. Entendeu? Ao longo desta unidade letiva você vai mergulhar neste universo! Práticas de Secretaria Escolar 9 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 4. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Identificar os principais meios e técnicas de acesso à legislação educacional; 2. Entender a função da secretaria escolar dentro do contexto legal do sistema nacional de ensino, compreendendo a relação entre os níveis de poderes federal, estadual e municipal no que concerne à jurisdição normativa, fiscal e de licenciamento; 3. Compreender o papel do Ministério da Educação no contexto dos procedimentos e documentação escolar no ensino superior; 4. Entender o papel da Secretaria Estadual de Educação como órgão regulador direto da educação básica, compreendendo suas exigências documentais e de procedimentos no que concerne à secretaria escolar. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Avante navegante, o cume da montanha nos aguarda para a contemplação dos horizontes de nossas conquistas! Práticas de Secretaria Escolar10 Técnicas e formas de acesso à legislação educacional INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de identificar os principais meios e técnicas de acesso à legislação educacional. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. A educação brasileira contempla um regulamento pautado em políticas públicas e no conjunto de leis conhecido como legislação educacional, esse repertório possui duas espécies de natureza: uma reguladora e outra regulamentadora. Portanto, para desempenhar determinados cargos públicos o servidor precisa ter o conhecimento dessas normas que regulamentam, não só a sua profissão, mas todo o complexo universo a qual está inserido. Logo, a legislação é reguladora quando discorre através de leis, sejam federais, estaduais ou municipais. Quando pensamos na legislação regulamentadora em sua natureza trata de instruir normas sobre a execução da lei, adotando os encaminhamentos pertinentes para o funcionamento dos serviços educacionais. Em razão da natureza regulamentadora da legislação educacional trazemos os decretos presidenciais, as portarias ministeriais e interministeriais, as decisões e processos dos Órgãos do Ministério da Educação, como o Conselho Nacional da Educação ou o Fundo de Desenvolvimento da Educação, que apresenta como devem ser as regras ou dos parâmetros legais contidos no processo de estruturação da educação nacional sem, no entanto, constituir princípios. Para Martins (2002, p. 02), a legislação da educação pode ser estimada como o corpo ou conjunto de leis referentes à educação, seja ela literalmente voltada ao ensino ou às questões relativas ao âmbito educacional como, por exemplo, a profissão de orientador/supervisor Práticas de Secretaria Escolar 11 escolar, a democratização do ensino ou como devem ser as mensalidades escolares. Dessa forma, para conhecermos as leis que regulamentam a educação brasileira precisamos entender seus diferentes contextos: histórico, cultural e social da educação. Pois a educação brasileira na atualidade é profundamente influenciada por embates culturais, diversidades e desigualdades sociais. Os contrastes culturais acontecem em razão das características de cada região brasileira, que são refletidas inteiramente na educação nacional e no modo pela qual ela se desenvolve. Apesar das discrepâncias entre esses aspectos, a educação brasileira no âmbito da legislação é uma só, ou seja, é pensada e regulamentada para suprir as necessidades normativas de todas as regiões brasileiras. A existência de níveis de ensino, nos termos da Constituição Federal, e na LDB, torna possível, conceitualmente falar em legislação do ensino fundamental, legislação do ensino médio, legislação do ensino superior e legislação da pós-graduação. Outras normativas completam essa legislação como: Plano Nacional de Educação (PNE), e a Base Nacional Comum Curricular. A legislação educacional hoje em dia é a única forma de Direito Educacional que identificamos e vivenciamos para garantir o funcionamento da educação brasileira, tendo como referência o processo legislativo determinado no artigo 59 da Constituição Federal que abrange: retificações à Constituição; leis complementares; leis ordinárias; leis delegadas; medidas provisórias; decretos legislativos; resoluções e portarias. Práticas de Secretaria Escolar12 Figura 1: A importância da legislação Fonte: @pixabay Que tal conhecer mais sobre a nossa Constituição? Você sabia que a Constituição é considerada por juristas a certidão de nascimento de uma nação. No Brasil, foram construídas outras Constituições, mas você sabe como foi concretizado o tratamento à educação nas suas diversas versões? Este é o ponto à qual vamos dialogar um pouco, ressaltar os contextos nos quais se deparam os debates e as concepções de educação defendidas e acatadas. É bom lembrar que o Brasil teve seus ideais defendidos pelos seus governantes, e não pelo povo. Um pouco de História faz bem à memória. É sabido, que os interesses da elite lusitana residente no Brasil colôniaforam conservados, bem como os dos grandes latifundiários. Toda estrutura administrativa brasileira manteve-se fiel ao sistema monárquico, com um imperador filho do rei de Portugal, e a estrutura social oligárquica amparada no trabalho escravo e no latifúndio. Entretanto, em um cenário bem próximo desses interesses surgem os processos de independência, a constituinte de 1824, encarregada de elaborar a primeira carta constitucional brasileira, viveu o embate pelo Práticas de Secretaria Escolar 13 poder no Brasil independente, contendo 179 artigos, é considerada pelos historiadores como uma imposição do imperador. Portanto, podemos analisar esse cenário em dois lados distintos. O lado blindado pelos monarquistas defensores do poder imperial e de seus interesses pessoais, da manutenção das relações coloniais com Portugal. O outro, apesar não declaradamente republicanos, mas aqueles que esperavam, por meio da Constituição, limitar os poderes imperiais e os privilégios de que possuíam os lusitanos em território brasileiro. Dessa forma, o que foi resolvido sobre à educação, com os liberais, que defendiam a instrução pública como fator de desenvolvimento das nações, influenciaram na definição da educação primária gratuita como direito de todos os cidadãos. Mas o outro lado, que estava em defesa dos interesses do Império do Brasil, entendiam o Brasil como uma monarquia centralista, e apenas deixou para a educação a cidadania aos homens livres, excluindo do direito à educação as mulheres e os escravos. E estabeleceram a educação de maneira uniforme sob o controle central do Estado. Mas as discussões sobre a educação brasileira apenas começavam, na Constituição, que foi considerada a que mais tempo se firmou no país. Agora vamos ver como ficou a educação no período republicano de 1891. A legislação para a educação básica ficou a cargo do governo federal, fincada nos valores do movimento centralizador positivista. O que resultou no golpe militar da Proclamação da República. Para (FÁVERO, 2005), os republicanos levaram os ideais liberais de contração dos poderes estatais, que culminavam com a defesa dos interesses das oligarquias regionais. Apesar das ideias liberais, durante anos a educação ficou a cargo dos interesses e dos jogos políticos, nos quais as classes populares não tinham representatividade, nem poder para debater e reivindicar seus direitos. Se parar para pensar pouca coisa mudou quando falamos dos interesses políticos com relação à educação. Práticas de Secretaria Escolar14 REFLITA: Agora que você já está conhecendo um pouco dessa legislação, e quanto é fundamental esse conhecimento. A partir das informações descritas. Reflita sobre importância de termos políticas públicas voltadas à educação, e como a legislação educacional poderá embasar a formulação das mesmas. Pense a partir da Constituição, que está em vigor em nosso país. O legado da constituição de 1891, abriu caminho para a iniciativa privada no setor educacional quando, de maneira arguciosa, prenunciaram a possibilidade de existência de outros agentes da educação, que não o Estado. Podemos constatar nos seus artigos: artigo 35 e no § 2º do art. 72. Figura 2: A constituição Fonte: @pixabay Mas com a chegada do século XX, muitas mudanças ocorreram, no âmbito social, econômico e político. Com tudo, mais uma vez, as mudanças abraçaram a educação, os ares da Semana da Arte, as manifestações por mais direitos civis e políticos, até chegarmos na década de 1930. O que vai precisamente nos interessar foram as conquistas em 1932, com o “Manifesto dos Pioneiros”, que defendia princípios e fundamentações Práticas de Secretaria Escolar 15 de uma educação mais moderna, que favorecia o debate, a descoberta, a ciência e a maior interação entre a escola e a sociedade. Pautados no movimento da Escola Nova, inspirada nas ideias norte- americana, de orientação abertamente liberal, que ancorava no Brasil colocando a educação escolar na pauta das discussões sociais, políticas e econômicas. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento dos documentos: O MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA (1932) ver site: https://bit.ly/2Zko8Dc. Acesso em: 11 de agosto de 2020. A União passava a ser instância responsável pela definição das diretrizes de um plano nacional para a educação, que seria organizado pelo Conselho Nacional de Educação. Aos estados caberia apenas a complementação legal necessária ao atendimento às suas peculiaridades que, por estarem vinculadas ao contexto local, escapavam à regra geral. Na quarta constituição, a de 1937, Getúlio revoga a Constituição de 1934, sob a marca da ditadura do Estado Novo, além da supressão de direitos civis garantidos constitucionalmente em 1934, sobre o que ficou à educação, de significativo, apenas o estabelecimento da cobrança da caixa escolar àqueles que não comprovassem estado de pobreza. O que também estava disposto nas Reformas do ensino e suas legislações em todo país. Em 1946, a constituição conservou a linha liberal e progrediu. Recuperou os direitos civis retirados em 1937 e, em relação à educação, trouxe avanços da Constituição de 1934, descentralizando a organização escolar, ao institucionalizar os sistemas de educação e recriar os Conselhos de Educação com funções normativas. Passamos para a constituição de 1967, apesar de organizada em plena ditadura militar, caracterizada pelo centralismo das decisões e do https://bit.ly/2Zko8Dc Práticas de Secretaria Escolar16 aperfeiçoamento dos princípios tecnicistas, pouco alterou em relação ao que estava estabelecido pelas Constituições de 1934 e 1946. Portanto, o período do regime militar e sua influência no campo da educação, durante a égide da Constituição Militar de 1967. A legislação educacional, sofreu profundas reformas: em 1968, a Lei 5.540 de 1968 requereu reformas no ensino superior e, em 1971, a Lei 5.692 remodelou a organização da educação básica, ajustando o ensino de 1º Grau para as crianças de sete a catorze anos e constituindo o ensino de 2º Grau profissionalizante para todos os brasileiros. Enfim chegamos na constituição cidadã, promulgada em 1988, nos artigos 6º, 205, 206 e 208, que estabelecer a educação como um direito social de todos e dever do Estado, e de responsabilidade da família. Dessa forma, a educação escolar adota a mesma importância que o trabalho, a saúde, o lazer, a segurança e outros direitos de natureza constitucional à vida em sociedade e à prevenção da saúde mental. E a repartição das obrigações educacionais entre o Estado e a família resulta na parceria de ambos no processo educativo. Para que possamos entender as técnicas e ter acesso a legislação, precisamos compreender todo seu processo histórico de construção dessa legislação, aqui fizemos um breve relato histórico, com as nuances do surgimento das Constituições brasileiras. EXPLICANDO MELHOR: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento sobre a Constituição brasileira: https://bit.ly/2ZjoD06. Acesso em: 11 de agosto de 2020. Dessa forma, não podemos deixar de dialogar sobre a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional. Essa surgiu através das reivindicações dos Pioneiros da Educação, sua essência tem ares liberais. Nesse documento iremos nos concentrar para entendermos melhor a legislação educacional brasileira. http://https://bit.ly/2ZjoD06 Práticas de Secretaria Escolar 17 Entretanto, as leis de diretrizes da educação publicadas no Brasil, desde a primeira, de 1961, até a atual, Lei 9.394 de 1996 e mesmo a Lei 5.692, de 1971, em plena ditadura, desenha como regulamentadoras da educação recomendada constitucionalmente em alguns momentos até reeditando o texto constitucional. Mas assinalar-se por marcos de progressos, mesmoque pequenos, na disposição desta educação nacional. Assim, nesta reflexão sobre a educação brasileira, vamos dialogar sobre as diretrizes e bases da educação como instrumento de trabalho dos profissionais dos setores administrativos da escola, por se tratar da legislação, de maior impacto no trabalho cotidiano desses profissionais. Quais capítulos e artigos, você acredita que podem fazer a diferença para o secretário escolar? Quando falamos de LDB, partimos do pressuposto do que convém a Educação Básica. Pois entendemos que todos os capítulos, artigos e incisos são importantes para educação. Diante disso, a educação brasileira, pela LDB 9.394/96, incidiu a organizar-se em dois níveis, o básico e o superior (art. 22). A educação básica envolve a educação infantil, que atende em creches às crianças de 0 a 3 anos de idade e na pré-escola, às de 4 e 5 anos (Arts. 29 e 30). O ensino fundamental, com nove anos de duração (art. 32), consente às crianças a partir de 6 anos (art. 32). E o ensino médio, última etapa da educação básica, com três anos de duração, quando não ocorre distorção idade/série a matrícula ocorre entre 14 a 18 anos. Não podemos deixar de falar quanto à estrutura, o ensino médio, com a edição dos decretos 2.208/97, que ajusta a educação profissional, e 5.154/04, que institui a modalidade de ensino médio integrado à educação profissional técnica de nível médio, que sofreu alterações significativas. Um ponto positivo para a aprendizagem na LDB, que fazer jus a atenção, é, sem dúvida, a organização apresentada às escolas da educação básica. Pelo art. 23, elas podem ser estruturadas em séries anuais; em semestres; ciclos; períodos de estudos alternados; grupos não seriados; enturmados por faixa etária; por competências demonstradas pelos alunos; ou por outros critérios. Práticas de Secretaria Escolar18 Contudo, o parâmetro de organização passa a ser a importância do processo de aprendizagem. Essa ressalva, que em leis anteriores se aplicava ao ensino de línguas estrangeiras, deve agora ser colocada para todas as etapas, modalidades e componentes curriculares da educação básica. Portanto, destacamos a importância do diálogo entre professores e secretaria escolar, que muitas vezes corre o risco de engessar os tempos e espaços da escola em rituais burocráticos. Quanto aos cursos da educação superior é composto em graduações (licenciatura, bacharelado e tecnológico) e pós-graduações, lato sensu (aperfeiçoamento e especialização) e stricto sensu (mestrado e doutorado), bem como em cursos de extensão e sequenciais, descritos no art. 44 da Lei, tendo os últimos como pré-requisito a certificação do ensino médio. No ano 2019 tivemos quatro leis que alteraram a LDB, foram essas: Lei nº 13.796, de 3 de janeiro de 2019, que alterou aplicação de provas e à frequência a aulas realizadas em dia de guarda religiosa; Lei nº 13.803, de 10 de janeiro de 2019, que alterou a notificação de faltas escolares ao Conselho Tutelar quando superiores a 30% (trinta por cento) do percentual lícito em lei, antes era de 50%(cinquenta por cento); Lei nº 13.826, de 13 de maio de 2019 que alterou a publicação de resultado de processo seletivo de acesso a cursos superiores de graduação; Lei nº 13.868, de 3 de setembro de 2019, que alterou disposições relativas às universidades comunitárias. Outro documento importante é Plano Nacional de Educação. Podemos afirmar que um Plano Nacional de Educação – PNE tem como objetivo a coordenação racional, lógica e eficaz do universo de ações. Pensado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o PNE estabelece como mecanismo mediador entre a lei maior da educação a LDB e a concretização das metas necessárias para compor um sistema nacional de educação que certifique a todos os brasileiros um ensino de qualidade dirigido por relações democráticas. Práticas de Secretaria Escolar 19 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que as técnicas e o acesso a legislação, resulta no conhecimento dos processos históricos de construção dessa legislação, aqui fizemos um breve relato, com as nuances do surgimento das Constituições brasileiras, os principais artigos da Lei de Diretrizes e Base da Educação, e apresentamos alguns pontos que são necessários na construção dessa legislação, como alguns decretos e leis que alteram o sistema de ensino. Entretanto, o processo de elaboração da legislação educacional brasileira tem se caracterizado pelos interesses políticos o que não apresenta melhorias na educação. Por outro lado, setores da sociedade civil, concebendo forças por ideias que democratizam o Estado para que esse possa empenhar-se no financiamento da educação pública de qualidade. Práticas de Secretaria Escolar20 Procedimentos legais exigidos pelos órgãos reguladores INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender a função da secretaria escolar dentro do contexto legal do sistema nacional de ensino, compreendendo a relação entre os níveis de poderes federal, estadual e municipal no que concerne à jurisdição normativa, fiscal e de licenciamento. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Quando falamos de leis vem logo à mente direitos, mas será que para ter seus direitos garantidos é necessário apenas conhecer as leis? Partimos do contexto da escola, é prática nas turmas do Ensino Fundamental – anos iniciais, as professoras construírem com os alunos uma lista de regras de convivência, regras essas também chamadas de combinados da turma. Para o bom convívio social, entre as crianças as regras são como leis, e quando não cumpridas gera algumas punições ou sanções, que também são combinadas entre todos. Construir as regras do viver bem, é também edificar direitos e deveres, e assim, logo cedo as crianças passam a ter doses de cidadania. Portanto, com as leis constitucionais o processo é diferente e mais complexo, mas do mesmo modo, pode ser constituído pelo clamor da população, através das cobranças realizadas ao poder legislativo. Uma coisa é certa, para que os nossos direitos sejam respeitados a comunidade precisa de organização e ação. Vamos conhecer um pouco sobre a égide que abraça as nossas leis educacionais. A legislação educacional apresenta-se em vários níveis da organização jurídica nacional. Os níveis constitucionais estão distribuídos em nível de lei ordinária, lei complementar e em outros níveis normativos Práticas de Secretaria Escolar 21 não legislativos, mas que, de acordo com artigo 59 da Constituição Federal agregam o processo legislativo. Entretanto, as normas disciplinadoras e regulamentadoras da educação brasileira podem ser puramente desorganizada sendo necessário o aparecimento de uma parte especializada do direito com a função de estruturar essa legislação educacional proporcionando coerência e eficácia na sua aplicação. Dessa forma, FERRAZ (1983, p. 31), conceitua essa parte do Direito Educacional como uma “coleção de normas e de princípios jurídicos regulamentadores da atividade educacional concebidas pelo Estado e pelas pessoas e entidades particulares, por eles permitidas e fiscalizadas”. Portanto, o Direito Educacional é um conjunto de normas e princípios que normatizam o comportamento humano unificado e relativo ao fato social educacional. Para isso, o ensino precisa está direcionado à educação formal, ofertada em instituições formais de ensino, nas suas distintas categorias administrativas: públicas ou privadas. Para entendermos melhor a relação das jurisdições entre Estado e Educação, é pertinente entender a definição de competências e incumbênciasdos entes federativos, inclusive, para compreender o reordenamento do Estado Federal brasileiro que reconhece a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal como entes federativos. Quanto mais consideramos juridicamente as normas legais referentes à educação, mais motivamos o grau de responsabilidade social das entidades intergovernamentais e sua competência de produção ou criação legislativa. Portanto, a Constituição, quando discorre sobre os membros da Federação, anteviu duas espécies de jurisdições para legislar: a União tem competência privativa e concorrente; os Estados e o Distrito Federal têm competência concorrente e suplementar; e os Municípios têm competência para legislar sobre assuntos de instância local e para assessorar a legislação federal e estadual. Podemos ver essa normativa a partir da Constituição Federal de 1988, que alterou intensamente o sistema de competências educacionais Práticas de Secretaria Escolar22 em mais de vinte artigos. Determinou que, a legislação educacional pode ser estabelecida nas três esferas federativas: federal, estadual, distrital e municipal. Assim, a compreensão sobre educação não permaneceu somente na autoridade da União. Figura 3: Os poderes federativos e a educação Fonte: @pixabay As jurisdições educacionais são divididas entre a União, os Estados e os Municípios. Os Estados têm competência sem que se necessite provar que o assunto é de interesse estadual ou regional. Os Municípios precisam proferir sua competência suplementar (art. 30, II, da CF), onde essa suplementariedade é o que cabe, o que deve ser feito, como apresenta o inciso I do mesmo artigo 30, sobre a competência natural dos Municípios de legislar sobre assuntos de instância local. Os Estados só depararão com barreiras para legislar em matéria educacional, quando houver ou chegar a existir norma geral federal. Neste caso, precisam proferir suas legislações com a legislação particular da União. Conforme o artigo 24, § 2º da Constituição Federal “a competência da União para ordenar sobre normas gerais não afasta a jurisdição suplementar dos Estados”. Suplemento é o que provê, isto é, Práticas de Secretaria Escolar 23 revela a ação e efeito de prover ou de completar o que falta em alguma ocorrência para que apareça perfeita. No conceito jurídico, segundo Silva (1990), as leis supletivas são as normas jurídicas literatas para que provejam a vontade das pessoas, quando não a expressam ou a apresentam incompletamente. Portanto, não se suplementa a legislação que não existe. Dessa forma, não se suplementa uma regra jurídica meramente pela aspiração dos Estados questionarem diante da legislação federal. A capacidade suplementaria está acondicionada à necessidade de aprimorar a legislação federal ou diante da comprovação de que existem lacunas ou deficiências na norma geral federal. Para entender melhor o § 4º do artigo 211, da constituição constitui que na organização de seus sistemas de ensino, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios resolverão formas de cooperação, de modo a assegurar a universalização do ensino obrigatório. As jurisdições dos Estados e dos Municípios apenas a Constituição Federal pode constituir. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento dos documentos: O direito à educação e as competências dos entes federados no Brasil: complexidade, pouca colaboração, baixa coordenação. Disponível em: https://bit. ly/3m6oWFq. Acesso em: 11 de agosto de 2020. Diante disso, as Leis infraconstitucionais não podem partilhar ou conferir competências, a não ser que a própria Constituição Federal tenha previsto como o fez claramente no parágrafo único do artigo 22 ao constituir que “Lei complementar poderá permitir os Estados a legislar sobre questões características das matérias relacionadas neste artigo”. O artigo 23 do texto constitucional estabelece a competência comum da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Em relação à educação temos os incisos: V – Proporcionar os meios de https://bit.ly/3m6oWFq https://bit.ly/3m6oWFq Práticas de Secretaria Escolar24 acesso à cultura, à educação e à ciência; XII – constituir e inserir política de educação para a segurança do trânsito. Este artigo deve ser abarcado em consenso com o artigo 18 da Constituição Federal no qual está instituído que “a organização político-administrativa da República Federativa do Brasil abarca a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, todos independentes, nos termos desta Constituição”. Figura 4: A autonomia entre os poderes]] Fonte: @pixabay A autonomia não significa desavença dos entes federativos. Também não deve causar conflitos e dispersão de esforços. Mas a autonomia deve ensejar que o Município tenha ou possa ter sistemas de desempenho administrativo diferentes aos vigentes nos Estados. No que confere aos Estados, podem ter sua organização administrativa educacional diferente do governo federal. Portanto, as normas gerais federais educacionais não logram ferir a autonomia dos Estados e dos Municípios. O artigo 211 da Constituição Federal institui que a “União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios estabelecerão, em regime de cooperação seus sistemas de ensino”. O mesmo ocorre com a Lei nº 9.394/96, que constitui as diretrizes da educação nacional, ao descrever em seu artigo 8º Práticas de Secretaria Escolar 25 que “a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios estabelecerão, em regime de cooperação, os relativos sistemas de ensino”. Portanto, o artigo 211 em seu parágrafo 1º da Constituição Federal previne que a União estabelecerá o sistema federal de ensino e o dos Territórios, subsidiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redistributiva e supletiva, de forma a afiançar equalização de oportunidades educacionais e modelo mínimo de atributo do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios. Continuando a mencionar o artigo 211, em seu § 2º estabelece que os Municípios exercem a atuação prioritariamente no ensino fundamental e na educação infantil, enquanto que, os Estados e o Distrito Federal exercem a atuação prioritariamente no ensino fundamental e médio. Quanto aos § 3º e § 5º do artigo 211. Estabelecem um princípio comum a todos os entes da federação no qual a educação básica pública acolherá prioritariamente ao ensino regular. O texto constitucional de 1988, ocasionou um equilíbrio de poder decisório sobre políticas públicas entre os entes federados, por meio da “extensão das competências comuns ou concorrentes aos três níveis, simbólica do convocado federalismo cooperativo, onde duas ou três esferas de governo partilham as mesmas funções” (SOUZA, 2013, p. 99). Se, no federalismo brasileiro, a efetivação das políticas públicas ficou a cargo dos estados e municípios, a União tem agido de modo centralizador no que tange a preparação de diretrizes gerais dessas políticas. Portanto, os três poderes precisam atuar no que cada um concerne. A autonomia entre os poderes prevista na Constituição não abona de suas responsabilidades. Práticas de Secretaria Escolar26 É preciso que cada um faça cumprir as suas atribuições de maneira harmônica, para que, não ocorra a falha de um dos poderes, o que pode inviabilizar outras ações fazendo com que aconteça a trava, a centralização, dificultando ou privando os meios e recursos destinados à educação. Figura 5: Os conselhos de Educação Fonte: @pixabay O Conselho Nacional de Educação (CNE), ligado à estrutura do Ministério da Educação (MEC), tem seus anteriores ao longo do século passado com a concepção do Conselho Superior de Ensino em 1911, sucedido pelo Conselho Nacional de Ensino em 1925, e pelo ConselhoNacional de Educação em 1931. No ano de 1961, com a publicação da primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira, este Conselho passou a ser chamado Conselho Federal de Educação, no mesmo período também se instauraram os Conselhos Estaduais. A instância municipal só passou a contar com conselhos com a Lei 5.692, em 1971. Em 1995, a Lei 9.131 reformulou o Conselho Nacional de Educação. O novo CNE passa a ser constituído pelas Câmaras de Educação Básica e de Educação Superior, e passou a ter atribuições normativas, Práticas de Secretaria Escolar 27 deliberativas e de assessoramento ao Ministro de Estado da Educação e do Desporto, de forma a afirmar a participação da sociedade no aprimoramento da educação nacional. As atribuições dos Conselhos de Educação contemplam proferir pareceres e resoluções que elucidem e normatizem a legislação educacional, definindo e norteando os processos administrativos das unidades escolares. O parecer precisa ser amparado em bases confiáveis e tem por objetivo elucidar, interpretar e aclarar questões apresentadas pelos usuários do sistema educacional, seja profissional, aluno ou responsável por aluno. As bases das deliberações apresentadas nos pareceres são artigos científicos e a adequada legislação. Portanto, você deve estar se perguntando, qual seria a relação de um parecer com o meu ambiente de trabalho, com a secretaria escolar? Pois bem, são muitas as situações que provocam dúvidas quanto ao exercício da profissão, ou mesmo em perda de direitos. Pois, a complexidade legislativa e o pouco conhecimento da população sobre as leis acabam por gerar muitos equívocos quanto ao que se pode ou não fazer na educação. Na secretaria das escolas são constantes as demandas por esclarecimentos tais como: o aluno que completará 6 anos de idade no primeiro trimestre do ano poderá ser matriculado no 1º ano, no começo do período letivo? O aluno ou aluna que tem domínio de uma língua estrangeira pode ser dispensado da disciplina no ensino médio? Quem foi aprovado no ENEM sem ter finalizado o ensino médio poderá fazer matrícula na educação superior? Como estamos tratando da formação de profissionais da educação básica, buscamos destacar as seguintes matérias curriculares, que os técnicos em secretaria escolar precisam conhecer, sob a forma de Parecer ou Resolução do CNE são essas: • Diretrizes Curriculares da Educação do Campo - Resolução CNE/ CEB n.º 1, de 3 de abril de 2002; Práticas de Secretaria Escolar28 • Diretrizes Curriculares do Curso Normal de Nível Médio – Resolução CNE/CEB nº 2, de 1999; Resolução CNE/CEB n.º 1, de 20 de agosto de 2003 • Diretrizes Curriculares da Educação Especial- Resolução CNE/CEB n.º 2, de 11 de setembro de 2001; Resolução CNE/CEB nº 4, de 2009; • Diretrizes Curriculares da Educação Infantil - Resolução CNE/CEB n. º 1, de 7 de abril de 1999; Resolução CNE/ CEB nº 5, de 2009; • Diretrizes Curriculares da Educação de Jovens e Adultos – Resolução CNE/CEB nº 2, de 19 de maio de 2010; Resolução CNE/CEB nº 3, de 15 de junho de 2010; (diretrizes operacionais) • Diretrizes Curriculares da Educação Básica - Resolução CNE/CEB nº 4, de 13 de julho de 2010; • Diretrizes Curriculares do Ensino Fundamental - Resolução CNE/ CEB n. º 2, de 7 de abril de 1998; Resolução CNE/ CEB nº 1 de 2010; Resolução CNE/CEB nº 7, de 14 de dezembro de 2010 • Diretrizes Curriculares do Ensino Médio - Resolução CNE/ CEB n. º 3, de 26 de junho de 1998; Resolução CNE/CEB nº 2, de 30 de janeiro de 2012 • Diretrizes Curriculares da Educação Profissional- Resolução CNE/ CEB n. º 4, de 8 de novembro de 1999; Resolução CNE/CEB nº 6, de 2012 • Diretrizes Curriculares da Educação Indígena- Resolução CNE/CEB nº 5, de 22 de junho de 2012 Diretrizes Curriculares da Educação Quilombola- Resolução CNE/ CEB nº 8, de 20 de novembro de 2012. Dessa forma, os conselhos apresentam pareceres pontuais, que se assemelham as jurisprudências dos tribunais, que acumulam uma Práticas de Secretaria Escolar 29 doutrina a partir das respostas às consultas que, embora particulares, podem gerar normas mais gerais. Entretanto, é importante que os funcionários administrativos realizem também suas consultas aos respectivos conselhos estaduais e municipais quando ocorrerem dúvidas no exercício das suas atribuições e nas reuniões administrativas e pedagógicas que ocorrem na escola. RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que os entes federativos atuam para a equidade na educação, que suas atribuições são distintas, mas embasadas pela Constituição Federal, os poderes precisam trabalhar em harmonia. Para entendermos melhor a relação das jurisdições entre Estado e Educação, é pertinente entender a definição de competências e incumbências dos entes federativos, inclusive, para compreender o reordenamento do Estado Federal brasileiro que reconhece a União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal como entes federativos. Outro documento importante mencionado trata-se da Leis de Diretrizes e Base da Educação, a LDB, falamos sobre os principais artigos, assim como os Conselhos de Educação e suas diretrizes curriculares para o melhor exercício do cargo do secretário escolar. Práticas de Secretaria Escolar30 Documentos e procedimentos oficiais para o ensino superior INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de compreender o papel do Ministério da Educação no contexto dos procedimentos e documentação escolar no ensino superior. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. Quando pensamos no ambiente da Universidade, a principal ideia é de lugar de produção do conhecimento, em seguida, adicionando a função de formação de profissionais, com caminhos e tempos distintos, de acordo com o país, mas que alude como marca essencial o reconhecimento do conhecimento, o científico, e uma autonomia autocentrada que lhe consente constituir o que de mérito deve ser pesquisado e o tipo de diálogo estabelecido com relação à sociedade, ou com quais setores ele é fundado. No Brasil, esta instituição se solidificou recentemente, a partir das primeiras décadas e mais profundamente na segunda metade do século XX, sob alento de modelos existentes na Europa e nos Estados Unidos. Portanto, o artigo 206, inciso VII, da Constituição Federal de 1988, prediz, como um dos princípios do ensino, a garantia de padrão de qualidade, incumbindo o Estado, seja na prestação direta ou indireta, por meio da ação privada, de garantir a qualidade do ensino. Com relação ao artigo 208, inciso V, da Constituição Federal de 1988, por sua vez, determina que o dever do Estado garantir “acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um”. Sendo assim, com o escopo de garantir o acesso e assegurar padrão de qualidade, a segunda metade da década de 1990 é marcada inúmeras mudanças estruturais na educação superior brasileira, Práticas de Secretaria Escolar 31 como os decretos nº. 2.306/97 e nº. 3.860/2001, que flexibilizaram a estruturação da educação superior no país, ao quebrar com o princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Mas os processos de reforma, também aconteceram no Estado, suscitando a partir de 1995, a reestruturação do aparelho estatal em sua atividade interna e relações com a sociedade e o mercado. Dessa forma, a educação superior foi reformulada de acordo com as exigências do Estado, a fim de promover a substituição dos domínios burocráticos, que caracterizavam a relação do Estado com a educação superior, por uma nova cultura gerencial, quecongregou a política de avaliação como elemento estratégico da gestão pública. (CASTRO, 1997). A estratégia empregada foi a concepção de um sistema de avaliação periódica, com a persuasão de que a ação do Estado na educação superior deveria estar conexa a um processo constante de avaliação. Figura 6: A constituição e o ensino superior Fonte: h@pixabay O sistema de ensino superior no Brasil passa a ser concretizado a partir de dois segmentos distintos: um público e um privado, compreendendo um sistema complexo e diversificado de IES públicas (federais, estaduais e municipais) e privadas (confessionais, particulares, Práticas de Secretaria Escolar32 comunitárias e filantrópicas). Essa estrutura do sistema de ensino superior foi após efetivada na Constituição Federal de 1988 e normatizada na Lei Nacional de Diretrizes e Bases de 1996. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), n. 9394/96, prescindir os artigos da Constituição Federal de 1988. No que tange à educação superior a Lei reserva um capítulo, o IV – Da Educação Superior, composto por 15 artigos, do art. 43 ao art. 57, para tratar desse nível de ensino. O aconselhamento jurídico da Educação Superior, estruturado pela legislação e normas recentes, encontra na Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) seu documento legal mais importante, sobretudo no vasto capítulo Da Educação Superior. (SILVA, 2007, p. 478). SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Para conhecer a estrutura da educação superior na LDB, que apresenta os artigos que compõem o capítulo da educação superior. Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento dos documentos: https://bit.ly/33dpKzp. Acesso em: 17 de agosto de 2020. O artigo 206, da Constituição descreve a gratuidade do ensino em estabelecimentos oficiais, mas para isso foi definida a vinculação da receita tributária para manutenção e desenvolvimento do ensino público federal; e foi garantida à iniciativa privada a participação na oferta de ensino superior, dentro dos limites fixados na lei (RANIERI, 2000). Quanto o acesso ao ensino superior era alcançado, por meio da admissão em exame seletivo (provas dissertativas e/ou objetivas), que aferia conhecimentos comuns do ensino médio, chamado vestibular. Em 1998, foi criado o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para avaliar os estudantes que findam o ensino médio. A nota final do Enem é aproveitada como parâmetro de aprovação por muitas universidades, sendo também usada pelo programa governamental de inclusão social – Programa Universidade para Todos (Prouni), como critério para os candidatos obterem uma vaga no ensino superior privado. https://bit.ly/33dpKzp Práticas de Secretaria Escolar 33 No ano de 2009, o Enem passou a desempenhar quatro funções, foram elas: avaliar o conhecimento dos alunos que concluem o ensino médio; admitir ao estudante disputar uma bolsa pelo Prouni e solicitar o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) para cursar uma IES privada; ser a prova de conclusão do ensino médio para os estudantes da educação de jovens e adultos (EJA); suprir ou incluir pontos no exame de vestibular em IES brasileiras, com o Enem como critério para o procedimento seletivo, substituindo o antigo vestibular. Outra novidade no processo de ingresso ao ensino superior é o programa do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) direcionado às IES públicas federais. O Sisu é um sistema informatizado, gerenciado pelo MEC desde 2010, no qual instituições públicas de ensino superior proporcionam vagas para candidatos participantes do Enem. As instituições participantes e a quantidade de vagas que são oferecidas em cada processo seletivo do sistema são disponibilizadas em um site, antes do período de inscrições. O sistema de ensino superior é composto por IES públicas e privadas. O setor público compreende instituições públicas federais, estaduais e municipais gratuitas e nutridas pelos referentes poderes. O segmento privado é composto por IES distintas, tais como confessionais, comunitárias, filantrópicas e particulares. Os IES confessionais, comunitárias, filantrópicas referem-se a instituições sem fins lucrativos. No final de 1999, o governo permitiu o funcionamento das IES particulares que se afirmavam com fins lucrativos conforme a Lei n. 9.870/1999. Mesmo que, de natureza civil, quando conservadas e administradas por pessoa física, ficam contidas ao regime da legislação mercantil no que diz respeito aos encargos fiscais, e trabalhistas; ou seja, ocorrem a responder como instituição comerciais (SAMPAIO, 2011). Outra característica do sistema federal de ensino compreende: compreende no Artigo 16 da LDB, 9394/96 no capítulo referente a Organização da Educação Nacional que discorre as IES conservadas pelo poder público, as IES criadas e sustentadas pelo setor privado e as IES dos órgãos federais de educação. Ou seja, as instituições estão contidas às leis e às regulamentações do governo federal (MEC). Práticas de Secretaria Escolar34 Com relação à criação, à autorização e ao reconhecimento de cursos e o credenciamento e o recredenciamento de IES. O MEC aplica a prerrogativa de formulação de políticas, de programas de estímulo e de apoio, e de modelos de regulação, de fiscalização e de avaliação. Sendo responsável pelo financiamento de todas as IES públicas federais. As IES estaduais e municipais estão fora da jurisdição do MEC e do CNE, pois ficam vinculados aos referentes sistemas estaduais e municipais. Entretanto, estão contidas às leis e às normas federais quando pleiteiam recursos públicos federais, de bolsas e de pesquisas (NEVES, 2002). O financiamento do ensino superior, analisando os segmentos público e privado, depende de diversas fontes dos recursos federais que abrangem o orçamento do MEC, repassado às universidades federais, como Fies, Prouni, entre outros programas; recursos estaduais e municipais que financiam as respectivas IES; recursos vindos das agências de fomento como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), além das fundações estaduais de amparo à pesquisa; recursos privados, naturais das famílias e/ou alunos (mensalidades) e das empresas. Figura 7: O sonho da graduação Fonte: @pixabay Práticas de Secretaria Escolar 35 O financiamento público para a educação é estabelecido, em geral, em lei para todas as esferas do governo e corresponde a um percentual da receita de impostos. Esse financiamento deriva do Fundo Público Federal, que reúne os recursos financeiros arrecadados da população mediante tributos, impostos e taxas (AMARAL, 2003). As instituições estaduais são financiadas pelos governos estaduais e o ensino é igualmente gratuito. Essas instituições geralmente são custeadas com recursos dos impostos sobre circulação de mercadorias e prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação (ICMS), de acordo com alíquota de cada estado. Quanto ao financiamento no setor privado depende da cobrança de mensalidades, anuidades e taxas pelos cursos oferecidos (graduação, lato sensu, mestrado, doutorado etc.). A legislação brasileira conferiu às IES privadas a propriedade de fixar suas próprias mensalidades, desvinculando as negociações da área educacional e diferindo para os setores de relação com o consumidor e o produto consumido (AMARAL, 2003). Os valores do ensino privado alteram de forma significativa em função do tipo de curso, da região, e do tipo de instituição (universidade, centro universitário, faculdades etc.). A fonte de manutenção mais visível das IES privadas é a das mensalidades. Contudo, há inúmeras fontes indiretas de recursos públicos para estas IES provenientes das isenções fiscais e previdenciárias e renúncia fiscal/Prouni),e fontes diretas, como o crédito educativo, o Fies que contribui para sua expansão e manutenção. (AMARAL, 2003). Por outro lado, surgem as políticas afirmativas como ocorreu em 2001, com a Lei no 3.708 do estado do Rio de Janeiro, que estabeleceu a reserva de 40% das vagas das universidades estaduais para negros e pardos. Hoje existem diferentes modelos de políticas afirmativas (PA), quais sejam: as cotas raciais, as cotas sociais para alunos procedentes de escolas públicas e o modelo de acréscimo de bônus. A modalidade de acréscimo de bônus no vestibular é adotada por algumas IES federais. Outras instâncias como o Supremo Tribunal Federal (STF) admitiram, a constitucionalidade das cotas raciais. Práticas de Secretaria Escolar36 Para o STF, as políticas afirmativas não transgredem o princípio da igualdade, nem institucionalizam a discriminação racial, como defendiam alguns seguimentos oponentes às cotas. A decisão do STF em favor das cotas raciais no ensino superior suscitou muitas controvérsias, no entanto, para os movimentos sociais de defesa das cotas, a determinação foi uma vitória. Em agosto de 2012 foi aprovado o decreto que regulamenta a Lei no 12. 711/2012, a Lei de Cotas. O decreto delineia as regras e o cronograma de prática do novo sistema de distribuição de vagas no sistema federal de ensino superior. A lei prevê que as universidades públicas federais e os institutos técnicos federais designem, no mínimo, 50% das vagas para estudantes que tenham cursado todo o ensino médio em escolas da rede pública, com distribuição proporcional das vagas entre negros, pardos e indígenas (BRASIL, 2012). O prazo para as universidades e institutos federais adequarem a lei foi de quatro anos, para inserir progressivamente o percentual de reserva de vagas constituído pela lei, mesmo as que já aquelas que já abraçam algum tipo de programa afirmativo. Muitas IES já inseriram as mudanças nos exames de seleção. Figura 8: As Políticas Afirmativas Fonte: @istockphoto Práticas de Secretaria Escolar 37 As políticas afirmativas são políticas que dirigem a uma maior diversidade e inclusão social ocupando, no entanto, as vagas já existentes. Uma consequência da política de cotas é o redirecionamento dos candidatos que pleiteiam as vagas por mérito, para outras IES, com grande possibilidade de estas consistir em privadas. Agora vamos adentrar nos programas do MEC para o ensino superior, a começar pelo Prouni que é um programa do governo federal que tem como objetivo a permissão de vagas para estudantes de baixa renda em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos. Você sabia que, as IES que recebem alunos beneficiados pelo programa barganha isenção de alguns tributos? Pois bem, isso foi regulamentado por meio de Medida Provisória de n. 213/2004, e institucionalizado pela Lei no 11.096/2005 (BRASIL, 2005). Outro programa é o FIES, que constitui crédito educativo, um instrumento fundamental para a sobrevivência de parte expressiva dos recursos do setor privado. Fies foi criado em 1999, como recursos derivados da loteria federal e do orçamento do MEC. O Fies é destinado a financiar curso de graduação de estudantes que não têm condições de arcar integralmente com os custos de sua formação. Para isso, os alunos devem estar regularmente matriculados em IES não gratuitas, e as IES necessitam estar cadastradas no programa e serem aprovadas pelo MEC. A partir de 2005, o Fies passou a financiar 50% e a partir de 2018 os 50% passou a ser o mínimo, podendo chegar a 100% do valor da mensalidade que é repassado diretamente às IES. Mas isso também depende das condições de governabilidade do governo atual e seu compromisso com os programas. Conforme determina a Lei no 10.260/2001, o crédito proveniente do Fies é feito em títulos da dívida pública; certificados financeiros do Tesouro que podem ser empregados exclusivamente para quitação de obrigações junto ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) (BRASIL, 2001). Práticas de Secretaria Escolar38 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que o Ministério da Educação (MEC), atua em consonância com as Leis e diretrizes para a educação no ensino superior, aprendeu sobre as leis impregnadas e os programas destinados aos créditos educativos, as políticas afirmativas, que visam alcançar uma igualdade de condições a população mais carente da sociedade. No que tange à educação superior a Lei de diretrizes e Base da educação Nacional, 9394/96, reserva um capítulo, o IV – Da Educação Superior, composto por 15 artigos, do art. 43 ao art. 57, para tratar desse nível de ensino. As instituições de Ensino superior são concebidas em duas instâncias: pública e privada, mas ambas seguem as normas estabelecidas pelo MEC. O sistema de ensino superior é composto por IES públicas e privadas. O setor público compreende instituições públicas federais, estaduais e municipais gratuitas e nutridas pelos referentes poderes. O segmento privado é composto por IES distintas, tais como confessionais, comunitárias, filantrópicas e particulares. As instituições superiores de ensino é os lócus onde se produz conhecimento científico, é possui autonomia quanto no que dispõe Art. 207 da CF – “As universidades gozam de autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial, e cumprirão ao princípio da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão”. Práticas de Secretaria Escolar 39 Documentos e procedimentos oficiais na educação básica INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender o papel da Secretaria Estadual da Educação como órgão regulador direto da educação básica, compreendendo suas exigências documentais e de procedimentos no que concerne à secretaria escolar. Isto será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!. A política educacional brasileira tem concentrado, ao longo de sua história, diferentes influências de educadores, países e de organizações internacionais. Acordos e compromissos apresentaram o Brasil como signatário ao longo dos tempos, os quais apontavam de um lado as desigualdades e dificuldades no âmbito educacional, reflexos de políticas públicas mal-empregadas, ou não aplicadas. Entretanto, a educação abarca influências externas, a mesma é contextualizada historicamente e socialmente, as consequências da economia, também influenciam o contexto educacional. Vamos compreender um pouco sobre esse processo histórico, você sabia que no ano de 1990, o Brasil discutia abertamente sobre as reformas do Estado? Dessa forma, os primeiros ensaios para adequar o Brasil a agenda mundial de reforma do Estado ocorreram na presidência de Fernando Collor de Mello iniciada em 1990. Vieira (2000) destaca que este governo foi um marco histórico na tentativa de colocar o Brasil no quadro internacional de concorrência do processo de globalização. As normativas da reforma do Estado no governo Collor estão explanadas no documento “Brasil: um projeto de reconstrução nacional”, difundido em fevereiro de 1991. Em sumo apresentava uma proposta de Estado que adotava uma postura de apoio a modificação da estrutura produtiva a fim de corrigir os desequilíbrios sociais e regionais. Práticas de Secretaria Escolar40 Entretanto, era necessário um novo padrão de intervenção na economia com intuito de repensar o sistema tributário. Na área da educação, Vieira (2000) ressalva que embora o documento afirmasse que, a educação é uma das áreas onde a presença do estado é essencial e que competiria ao governo federal o papel de deliberar, coordenar o processo de formulação da políticaeducacional. Assim, é compreensível, no seu conjunto, uma completa ausência de propostas sólidas, sobrepondo a lógica do muito discurso e pouca ação. No diagnóstico de Mello e Silva (1992), abraça o mesmo pensamento ao citarem que o primeiro ano do governo Collor, na área educacional, foi caracterizado por ações tópicas, irregulares muitas delas restritas a anúncios de planos ou programas que nunca se concretizaram, ou sequer saíram do papel. Fazendo essa releitura do governo, no aspecto educacional, é muito parecido com o momento atual que estamos vivendo. Mas a reforma estrutural do Estado só veio acontecer realmente no governo de Fernando Henrique Cardoso em 1995, a partir das políticas educacionais foram implantadas as avaliações do ensino, nesse caso do Estado foi o Sistema de Avaliação do Ensino Básico – SAEB, que foi iniciado em 1990, mas foi pensado como instrumento gerador da melhoria da qualidade da educação. Figura 9: Sistema de avaliação Fonte:@pixabay Práticas de Secretaria Escolar 41 O Sistema de Avaliação da Educação Básica - SAEB, regulamentado pela Portaria n. º 931, de 21 de março de 2005, foi implantado após diversas conferências sobre a valorização da educação pública, de qualidade e para todos. O SAEB apresentava uma escala de desempenho em Português e Matemática. Mas esse sistema vai passar por mudanças só nos resta aguardar. Os inúmeros investimentos internacionais e nacionais em programas e metas para a melhoria do ensino. Com isso surge um documento que inspirou a educação brasileira a partir da década de 1990 - a Declaração Mundial de Educação para Todos, a qual foi organizada a partir da Conferência Mundial de Educação realizada em março de 1990 em Jomtien, na Tailândia. SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento dos documentos: Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Conferência de Jomtien – 1990). https://uni. cf/3har4bp Acesso em: 19 de agosto de 2020. Aprovada pela Conferência Mundial sobre Educação para Todos, em Jomtien, Tailândia, de 5 a 9 de março de 1990. O acontecimento foi caracterizado pela participação de governos, agências internacionais, organismos não governamentais, associações profissionais e autoridades educacionais provenientes do mundo inteiro. Os 155 países dentre eles o Brasil, que firmaram a Declaração e assumiram o compromisso de afiançar a educação básica de qualidade para todas as pessoas. Para tanto, a ampliação da oferta no ensino fundamental confirmasse na década de 1990, através do processo de democratização do ingresso a esta etapa da educação básica mediado pela mudança na legislação educacional, a qual acordou o interesse dos entes administrativos, dentre outros ensejos, em função de demandas de ordem financeira. https://uni.cf/3har4bp https://uni.cf/3har4bp Práticas de Secretaria Escolar42 A tramitação e aprovação da Lei no 9.394/96 (BRASIL, 1996) pelo governo federal pode ser apontada como uma das estratégias governamentais para a remodelação da oferta da educação básica, em especial da etapa referente ao ensino fundamental. A homologação da Emenda Constitucional nº 14, que criou o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Fundamental e Valorização do Magistério – FUNDEF, legitimado pela Lei no 9424/96 também se mostrou como alavanca propulsora para a ampliação do atendimento dessa etapa. O momento da instauração do FUNDEB em substituição ao FUNDEF na educação brasileira adotou um caráter de reforma em relação ao acesso ao ensino fundamental, pois permitiu o acréscimo de matrículas nesse nível de ensino, chegando muito próximo da universalização. Mas vamos entender o que é o FUNDEB. Esse não é um único fundo, na verdade, é um conjunto de 27 fundos (26 estaduais e 1 do Distrito Federal) que convém como mecanismo de redistribuição de recursos propostos à Educação Básica. Ou seja, trata-se de um grande investimento do qual sai dinheiro para valorizar os professores e desenvolver e manter funcionando todas as etapas da Educação Básica desde creches, Pré- escola, Educação Infantil, Ensino Fundamental, Ensino Médio até a Educação de Jovens e Adultos (EJA). O fundo da garantia financeira aos municípios e estados para ampliarem seu número de matrículas e os orienta no cumprimento de suas responsabilidades com a Educação. Dessa maneira, municípios são estimulados a se concentrarem na Educação Infantil e nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, e os estados, nos Anos Finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio. Apesar da ideia da Lei no 9424/96 – FUNDEF (BRASIL, 1996), não é completamente inovadora, pois a Lei no 5.692/71 (BRASIL, 1971), efetivada no período da ditadura militar, já instituía a vinculação de recursos financeiros da União para os Estados e Municípios, apontando corrigir diferenças regionais, condição econômica dos entes federados e estabelecendo, inclusive, a concepção de Estatutos do Magistério. Práticas de Secretaria Escolar 43 De acordo com o § 1º do artigo 54 da Lei no 5.692/71 constituía que A permissão de auxílio federal aos sistemas estaduais de ensino e ao sistema do Distrito Federal apontará a corrigir as diferenças regionais de desenvolvimento socioeconômico, tendo em vista renda “per capita” e população a ser escolarizada, o referente estatuto do magistério, assim como a remuneração merecida dos professores e o progresso quantitativo e qualitativo dos serviços de ensino verificado no biênio anterior. Figura 10: Os recursos e sua distribuição Fonte: @istockphoto Mas qual seria o papel da Secretaria Estadual da Educação como órgão regulador direto da educação básica? A Secretaria Estadual de Educação segue as Leis, Regulamentos e Decretos, podemos mencionar o artigo 209 da Constituição, pelo qual cabe ao Estado condicionar a autorização de funcionamento das escolas próprias da iniciativa privada à obediência às normas gerais da educação e submetê-las, tal como faz com as do sistema público, à avaliação de qualidade. Ora, se cabe ao Estado, a parte desse ente que responde pela educação é a Secretaria, que precisa comungar dessas jurisprudências Práticas de Secretaria Escolar44 para desempenhar suas funções pautadas nas leis que discorrem os processos educacionais. Assim, as Secretarias junto com os Conselhos estaduais, a partir de uma construção coletiva, devem traçar metas para o melhoramento da educação no âmbito estadual. Essas ações devem ser pautadas em um diagnóstico da situação educacional do Estado, em todos os seus segmentos. Dessa forma, é construído um Plano Estadual de Educação, que deve ser apresentado e seguido pelas escolas administradas pelo estado. O desenvolvimento no âmbito da educação dos estados e Distrito Federal, acontece sobretudo, por meio dos seguintes órgãos de educação: As Secretarias Estaduais de Educação (SEE): dentre suas atribuições estão as gestões de alimentação, transporte e calendário escolar, promoção de políticas públicas distintas, como planos estaduais de educação. Além disso, precisam realizar concursos para funcionários públicos e cumprir ditames do CEE, decididos em audiências. (AMARAL, 2003). No caso do Conselho Estadual de Educação (CEE): Possui o cargo de assumir decisões a partir do que foi debatido nas audiências públicas promovidas pelo CNE e aprovar critérios para a infraestrutura dos prédios escolares. Além disso, deve legitimar o projeto pedagógico, as disciplinas ofertadas, a carga horária e o corpo docente das escolas estaduais. Apesar de ser um órgão independente, o CEE necessita respeitar as diretrizes e bases nacionais e precisa emitir pareceres e fiscalizar as instituições de ensino estaduais. A quantidade de membros e a duração do mandato desses varia de acordo com cada estado. (AMARAL, 2003). Portanto, na organização do Estado brasileiro, o assunto educacional éatribuído pela Lei nº 9.394/96, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), aos entes federativos: União, Distrito Federal, Estados e Municípios, sendo que a cada um deles cabe organizar seu sistema de ensino, competindo, ainda, à União a coordenação da política nacional de educação, pronunciando os diferentes níveis e sistemas e desempenhando função normativa, redistributiva e supletiva, conforme LDB (artigos 8º, 9º, 10 e 11). Práticas de Secretaria Escolar 45 Para tanto a Educação Básica, é importante destacar que, entre as obrigações prescritas pela LDB aos Estados e ao Distrito Federal, está a garantir o Ensino Fundamental e oferecer, com prioridade, o Ensino Médio a todos que o demandarem. E ao Distrito Federal e aos Municípios cabe oferecer a Educação Infantil em Creches e Pré-Escolas, e, com prioridade, o Ensino Fundamental. (AMARAL, 2003). SAIBA MAIS: Quer se aprofundar neste tema? Recomendamos o acesso à seguinte fonte de consulta e aprofundamento dos documentos: Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica / Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Site: https://bit.ly/329fGbC. Acesso em: 17 de agosto de 2020. Para entender melhor a gestão da Secretaria Estadual de educação, precisamos atentar para os programas e recursos destinados para seu funcionamento. Um desses programas é Programa Nacional de Alimentação Escolar, (PNAE), através desse os governos estaduais podem desenvolver ações voltadas para cursos de gestão de alimentos, através das secretarias municipais, que produzem o cardápio das escolas. Outro ponto, é sobre a distribuição dos alimentos na escola, geralmente é o secretário escolar que organiza os ofícios de distribuição da merenda escolar, para depois ser encaminhado como controle ao setor da secretaria (gerência estadual ou municipal). Quanto as ações voltadas ao calendário escolar e ao Diretrizes estaduais de educação, compete a Secretaria Estadual elaborar seu plano de ensino, que servirá de norte para toda rede, pública e privada. Conforme o Art. 10. § 3º, compete organizar e executar políticas e planos educacionais, em conformidade com as diretrizes e planos nacionais de educação, agregando e coordenando as suas ações e as dos seus Municípios. https://bit.ly/329fGbC Práticas de Secretaria Escolar46 Portanto, as secretarias Estaduais e Municipais de Educação e os Conselhos Estaduais de Educação, instâncias de poder nas quais são adotadas deliberações que norteiam a organização e a ação educativa nos estados bem como se implantam as diretrizes para os sistemas estaduais de ensino, sem, com isso, contradizer as decisões das instâncias federais. Dessa forma, o Estado possui suas competências e obrigações e pode envolver as normas nos municípios, quando esse não adota o seu sistema municipal de ensino. Assim, cabe aos Municípios, pela Constituição, a oferta prioritária da educação infantil e do ensino fundamental, sob a gestão das Secretarias Municipais de Educação, e sob os regulamentos do respectivo Conselho Municipal de Educação, quando inserido o sistema municipal de ensino. Quando o município, cumpre à LDB, não escolheu por estabelecer sistema autônomo, além de seguir as deliberações federais, passa a atender e resignar-se às normas do referente sistema estadual de Educação e os Conselhos Estaduais de Educação, instâncias de poder nas quais são adotadas decisões que norteiam a organização e a ação educativa nos estados bem como se fixam as diretrizes para os sistemas estaduais de ensino, sem, com isso, contradizer as determinações das instâncias federais. Ou seja, sobre a educação, as três instâncias da federação atuam na definição das leis, desde que a resolução de menor poder não implique em descumprimento do estabelecido pelas esferas a ela superiores. Por exemplo, a Lei de Diretrizes e Bases permite à iniciativa privada operar no ensino fundamental, o que evita a existência de leis estaduais ou municipais que impeçam a instalação em seu território de escolas particulares. (AMARAL, 2003). Entender a legislação educacional torna-se fator relevante ao exercício da cidadania, uma vez que, é nela que estão, não apenas acentuados, mas também restritos tanto nossos direitos quanto nossos deveres. O que nos consente conhecer nossos limites, os limites das autoridades de nosso município e estado, bem como a quais instâncias Práticas de Secretaria Escolar 47 cabe cada responsabilidade, o que abrange nossa capacidade de reivindicação e de proposição de sugestões. (AMARAL, 2003). O texto constitucional confia autonomia às distintas instâncias da federação, não soberania, o que implica a possibilidade de intervenção da União nas esferas estadual (Art. 34), a União não intervirá nos Estados nem no Distrito Federal, exceto para: bom emprego do mínimo estabelecido da receita resultante de impostos estaduais, envolvida a originária de transferências, na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. No (Art. 35) “O Estado não intervirá em seus Municípios, nem a União nos Municípios localizados em Território Federal, exceto quando”: não tiver sido aplicado o mínimo estabelecido da receita municipal na manutenção e desenvolvimento do ensino e nas ações e serviços públicos de saúde. Com relação aos assuntos educacionais, em ambos os casos, a possibilidade desta intervenção está prevista no caso da não aplicação do percentual mínimo legal de tributos destinados ao ensino e a saúde. Mas o texto nos artigos faz a alusão, a ação soberana e de igualdade entre os poderes. Entretanto, na Constituição como na LDB 9394/96 (Art. 5º), a promoção ao ensino fundamental é direito público subjetivo, podendo qualquer cidadão, grupo de cidadãos, associação comunitária, organização sindical, entidade de classe ou outra legalmente constituída, e, ainda, o Ministério Público, acionar o poder público para exigi-lo. Contudo, o Art. 5o § 4º descreve que, quando confirmada o desleixo da autoridade competente para garantir a oferta e condições do ensino obrigatório, pode essa ser imputada por crime de responsabilidade. Práticas de Secretaria Escolar48 RESUMINDO: E então? Gostou do que lhe mostramos? Aprendeu mesmo tudinho? Agora, só para termos certeza de que você realmente entendeu o tema de estudo deste capítulo, vamos resumir tudo o que vimos. Você deve ter aprendido que as reformas do Estado que começou nos anos 1990 almejou mudanças econômicas e educacionais, e que no decorrer das reformas, após vários debates sobre a educação, e o surgimento de programas no âmbito mundial, como o Todos pela educação foram modificando o cenário da educação no país. Podemos mencionar a implantação do SAEB, as diretrizes sobre a promulgação da LDB; as normas para PNE; as atribuições das Secretarias Estaduais de Educação. Que a Secretaria Estadual da Educação administra pautadas nas Leis, Decretos e Diretrizes. Além de existir os Conselhos (CNE e CEE). Os entes federativos dispõem de autonomia, um poder só deve intervir no outro quando os valores destinados à educação e saúde deixam de ser aplicados corretamente, o que está previsto em Leis. Outro ponto, são os programas direcionados a Educação Básica e sua importância na implantação dos recursos como O FUNDEB, o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). Práticas de Secretaria Escolar 49 REFERÊNCIAS AMARAL, N. C. Financiamento da educação superior: Estado x mercado. São Paulo; Piracicaba: Cortez Editora; Editora Unimep, 2003. AZEVEDO, F.; PEIXOTO, A. O MANIFESTO DOS PIONEIROS DA EDUCAÇÃO NOVA (1932). Revista HISTEDBR On-line. Disponível em:<http://www. histedbr.fe.unicamp.br/revista/edicoes/22e/doc1_22e.pdf>. Acesso em: 11 agos. de 2020. BRASIL. Constituição Federal. Disponível em:<http://www.senado.leg.br/ atividade/const/constituicao-federal.asp#/con1988/>.Acesso em: 11 agos. de 2020. BRASIL. Declaração Mundial sobre Educação para Todos (Conferência de Jomtien – 1990). Unicef Disponível em:<https://www.unicef.org/brazil/ declaracao-mundial-sobre-educacao-para-todos-conferencia-de- jomtien-1990> Acesso em: 19 agos. de 2020. BRASIL. Lei n. º 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus, e dá outras providências. ____________. LEI nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. ____________. 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Decreto nº 2.208, de 17 de abril de 1997.Regulamenta o § 2 º do art. 36 e os arts. 39 a 42 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Revogado pelo Decreto nº 5.154, de 2004. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decreto/D2208.htm > Acesso em: 20 agosto de 2020. BRASIL. Plano Nacional de Educação. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, 2002. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica / Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Ministério da Educação, 2013. Disponível em:<https:// www.gov.br/mec/pt-br/media/seb/pdf/d_c_n_educacao_basica_nova. pdf>. Acesso em: 17 agos. de 2020. Práticas de Secretaria Escolar 51 FAUSTINI, Loyde A. Estrutura administrativa da educação básica. In: MENESES, João Gualberto de Carvalho et al. Estrutura e Funcionamento da Educação Básica. 3. ed. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2002. 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