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CENTRO DE SAUDE E TECNOLOGIA RURAL CAMPUS DE PATOS UNIDADE ACADEMICA DE MEDICINA VETERINARIA DISCIPLINA: MICROBIOLOGIA VETERINARIA Leptospirose em bovinos Emily Vitoria Soares da Silva Roteiro de apresentação Histórico; Classificação; Etiologia; Epidemiologia; Transmissão; Patogenia; Sinais clínicos; Diagnóstico; Tratamento; Controle e profilaxia; Relato de caso. Histórico 400 a.C por Hipócrates Larrey e a icterícia infecciosa Landouzy e os funcionários com “typhus hépatique grave” Síndrome de Weil Inada e Ido em 1914 Leptospira sorovar Pomona em feto bovino abortado no estado de São Paulo: 1950 Mikhin e Azhinov, 1935: 1º relato Histórico do Brasil Aragão, 1917: Leptospira icterohaemorrhagiae em seis ratazanas (Rattus novergicus) Santa Rosa, 1970-1982: Instituto Biológico de São Paulo, estudo retrospectivo da casuística humana da leptospirose Classificação Reino: Bactéria Filo: Spirochaetes Ordem: Spirochaetales Classe: Spirochaetia Família: Leptospiraceae Gênero: Leptospiras Espécie: Leptospira Interrogans Pomona Hardjo; Icterohaemorrhagiae Sorovares prevalentes: 19 sorogrupos e 180 sorotipos 20 espécies Etiologia Menores bactérias que podem passar através de membrana, 0,1 mm de diâmetro e 6-20 mm de comprimento;; São consideradas espiroquetas Gram-negativas, espiraladas, flexíveis, móveis e delgadas; Envelope externo composto por lipopolissacarídeos (LPS) e mucopeptídeos antigênicos que desempenham, provavelmente, papel na interação patógeno- hospedeiro. Epidemiologia Alta incidência em aglomerados urbanos; Infra-estrutura sanitária inadequada; Infestação de roedores; Maior ocorrência em países de clima tropical e subtropical; Estações chuvosas e inundações; A letalidade das formas graves varia de 10 a 50%; Ambiente adequado para a sua sobrevivência: lugares quentes, úmidos e que apresentam PH próximo à neutralidade; Assim como ocorre com os animais os seres humanos podem ser acometidos por qualquer sorovar caso tenha contato, podendo ser observadas as diversas formas de apresentação clínica. Transmissão A transmissão entre os animais ocorre através da forma indireta, através do contato do animal com ambiente ou fômites contaminados pela Leptospira (açudes, bebedouros, 24 nascentes, rios, lagoas, alimentação, equipamentos cirúrgicos e utensílios rurais); Fonte: Canva. Tem como a principal forma a venérea, através da monta natural de um touro portador ou através da inseminação artificial utilizando um sêmen com a presença da Leptospira Modo indireto Modo direto Transmissão Fonte: Canva Patogenia A leptospira tem acesso ao organismo via mucosas, pele íntegra ou lesada do animal Período de incubação; Dissemina-se após esse período pelo corpo principalmente através da via linfática e corrente sanguínea, Multiplica-se inicialmente em órgãos como pulmão, fígado e baço. Fase 1 A fase de leptospiremia possui duração de aproximadamente sete dias, terminando com a produção das imunoglobulinas, que irão agir em conjunto com as células de defesa para eliminar; Produção da imunoglobulina IGM, posteriormente produzido IGG; Menor ação dos anticorpos e dos fagócitos na urina; As bactérias passam a ser eliminadas na urina (leptospirúria) por períodos que variam entre dias a anos. Fase 2 Sinais clínicos septicemia; febre; anorexia, letargia; hemorragias petequeais em mucosa;, depressão; hemólise intravascular aguda e hemoglobinúria; icterícia e palidez de mucosas, abortos redução da produção de leite nefrite intersticial. Forma Aguda: Subaguda: Crônica: febre, anorexia, apatia, depressão; dispneia e hemoglobinúria, icterícia e o aborto queda na produção de leite e alterações de suas características físicas, mudando da cor branca para uma coloração amarelo alaranjada sintomatologia reprodutiva: aborto, nascimento de bezerros natimortos e fracos; aumento do intervalo entre os partos; redução da secreção láctea, úbere flácido e presença de alguns coágulos de sangue no leite que se encontra amarelo alaranjado. Diagnóstico É de fundamental importância às informações epidemiológicas referentes ao ambiente a qual o animal habita, nível de higiene sanitária, ocorrência de contato com água ou lama proveniente de chuvas e enchentes, qualidade da água e alimento consumido, presença e ou contato com animais silvestre. Soro aglutinação; Cultura; Inoculação de animais em laboratório Histopatologia; Imuno-histoquímica e Imunofluorescência direta Métodos moleculares de identificação do DNA bacteriano. Teste Elisa permite detectar os anticorpos IgM a partir do quarto dia após o inicio dos sintomas, antes que seja possível a detecção do IgG, permitindo assim um diagnóstico e tratamento o mais rápido possível. Na soro aglutinação são usados antígenos vivos, e te informa a presença ou não da espiroqueta, a titulação de anticorpos e qual é o sorovar da amostra. Antibiótico de eleição a estreptomicina na dose de 25mg/kg por via intramuscular durante 3-5 dias; Existe ainda susceptibilidade da bactéria para outros antibióticos como ampicilina, amoxicilina, penicilina G, eritromicina, ciprofloxacino, tilosina e tetraciclina; Fluidoterapia ou até mesmo transfusão sanguínea em casos de um quadro hemolítico grave pode ser necessário. Tratamento O tratamento apresenta-se mais eficaz quando iniciado precocemente, durante a fase aguda da doença; Principal objetivo: controle da infecção antes que ocorra o inicio de danos a órgãos vitais como fígado e rins e o controle da eliminação de Leptospira por meio da urina de animais portadores em um rebanho. Fonte: Canva. A detecção dos animais acometidos associados ao tratamento destes; Imunização por meio de vacinas; Conhecimento do sorovar prevalente em uma determinada região; Assistência Médica Veterinária; Exames prévios; Remoção adequada de excretas e fetos abortado; Fornecimento de água e alimento de boa qualidade; Evitar acúmulo excessivo de água em pastos; Limpeza, desinfecção de instalações e combate aos ratos. Controle e profilaxia integração de medidas preventivas instituídas simultaneamente nos três seguintes estágios da cadeia de transmissão: fontes de infecção, vias de transmissão e animais susceptíveis. Relato de caso Visita técnica para avaliar a causa de abortos em uma propriedade rural localizada no município de Trindade, estado de Goiás. Ocorrência de cinco abortos e o nascimento de dois bezerros fracos em um lote de quarenta vacas. 130 bovinos da raça Gir para a produção de leite pelo sistema de pastejo rotacionado. A ordenha era mecanizada e as vacas separadas em lotes de pré-parto e pósparto. inseminação artificial em tempo fixo (IATF). Vacinação contra a febre aftosa, brucelose, raiva, clostridioses, rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR) e diarreia viral bovina (BVD). Foi relatada ausência de vacinação para a leptospirose. vermifugação: duas a seis vezes por ano. Baixa frequência de compra de animais, os quais eram submetidos a um período de quarentena antes da introdução no rebanho. Relato de caso A fonte de água dos animais era proveniente de um poço semi- artesiano, ofertada em cochos de concreto e foi observada presença de uma lagoa em um dos piquetes; Alimentação: A rotação era realizada em quatorze piquetes de pastagem. No período seco do ano os animais eram submetidos a suplementação com silagem de milho e farelo de soja. Também era administrado sal mineral com ureia a 25% para todos os lotes. Bebedouro de um lote de vacas com água proveniente de poço semi- artesiano. Lagoa, com água parada, situada em um dos piquetes dos animais. Fonte de água Fonte: Acervo pessoal (do relato). Relato de caso Foi realizada coleta de sangue para obtenção de soro sanguíneo e posterior realização de exames de sorologia para leptospirose e brucelose de três vacas que abortaram e três vacas que não tinham histórico de aborto, mas pertenciam ao mesmo lote Quatro vacas apresentaram títulos de anticorpos contra Leptospira interrogans sorovar Pomona; duasvacas foram reagentes para o sorovar Wolffi; cinco vacas demonstraram reação ao sorovar Tarassovi e cinco vacas apresentaram titulação contra o sorovar Patoc. Fonte: Acervo pessoal (do relato). Relato de caso Após o resultado, foram coletadas novamente amostras de sangue (via veia caudal) de: Três vacas com histórico de aborto (2, 3 e 6); três vacas com outros problemas reprodutivos (1, 4 e 7), uma delas com sinais de vaginite (7); uma vaca que não havia abortado, mas apresentou apatia e diarreia (5) e um bezerro nascido fraco (8), filho da vaca 7. A técnica utilizada para a análise sorológica da leptospirose foi a soroaglutinação microscópica (SAM). A técnica de imunofluorescência indireta foi utilizada para a detecção de anticorpos contra os parasitos Neospora caninum e Toxoplasma gondii. Para o diagnóstico sorológico da brucelose bovina, realizou-se o teste do antígeno acidificado tamponado, considerado como um teste de triagem de caráter qualitativo. Fonte: Acervo pessoal (do relato). Relato de caso As amostras de soro sanguíneo processadas no Instituto Biológico de São Paulo (IB) demonstraram sorologia positiva para infecção leptospírica, BoHV-1 e neosporose. A vaca 4 apresentou anticorpos contra os sorovares Pomona (400) e Hardjo (200); a vaca 5 foi reagente contra os sorovares Harjo (400) e Icterohaemorrhagiae (100); a vaca 6 apresentou títulos de anticorpos contra os sorovares Pomona (100), Harjo (800) e Icterohaemorrhagiae (100) e a vaca 7 foi reagente contra os sorovares Pomona (100) e Harjo (200). Os animais 1, 3, 4, 6, 7 e 8 apresentaram anticorpos contra o BoHV-1. Três animais foram reagentes ao parasito Neospora caninum, com títulos de 200 (vacas 3, 4 e 6). Fonte: Acervo pessoal (do relato). Relato de caso De acordo com a análise dos resultados e dados epidemiológicos da propriedade, a conclusão diagnóstica dos casos de aborto foi leptospirose bovina. Foi recomendada aplicação de uma dose de 25 mg/kg de estreptomicina em cada uma das vacas do lote que apresentaram problema reprodutivo. Ademais, sugeriu-se a vacinação contra leptospirose em todos os animais, com recomendação da realização de uma dose adicional após trinta dias e reforço vacinal a cada seis meses. Fonte: Canva Obrigada! CENTRO DE SAUDE E TECNOLOGIA RURAL CAMPUS DE PATOS UNIDADE ACADEMICA DE MEDICINA VETERINARIA DISCIPLINA: MICROBIOLOGIA VETERINARIA Leptospirose em bovinos Emily Vitoria