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Peça 1 - Enbargos à Execução Fiscal

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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 1ª VARA FEDERAL DE NOVO HAMBURGO/RS
DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA AO PROCESSO Nº 001/1.18.12345678-9
BAITACA DA SILVA, brasileiro, representante comercial, estado civil xxxxxxx, inscrito no CPF sob nº xxx.xxx.xxx-xx, portador do RG nº xxxxxxxxxx, residente e domiciliado na rua xxxxxx, nº xxx, bairro xxxxxx, na cidade de xxxxxxx/xx, CEP xxxxx-xxx, vem por intermédio de seu advogado regularmente constituído, com endereço profissional na rua xxxxx, nº xxxx, sala xxxx, bairro xxxx, na cidade de xxxxxxx/xx, CEP xxxxx-xxx; endereço eletrônico: xxxxxx, contato telefônico: (xx)xxxxx-xxxx, vem, tempestivamente, perante Vossa Excelência, com fulcro no art. 16 e seguintes da Lei nº 6.830/80, opor os presentes
EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL COM PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO
Em face da ação de execução fiscal promovida pela UNIÃO – FAZENDA NACIONAL, pessoa jurídica de direito público, inscrita no CPNJ sob nº xx.xxx.xxx/xxxx-xx, com sede na rua xxxx, nºxx, bairro xxxx, na cidade xxxxxxx/xx, CEP: xxxxx-xxx, conforme os fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos.
1. DA SÍNTESE DOS FATOS
A UNIÃO - FAZENDA NACIONAL promoveu execução fiscal em face de Fundo-da-Grota Representações Comerciais Ltda., tendo como origem da ação o débito no valor de R$37.500,00 (trinta e sete mil e quinhentos reais), valor este correspondente ao percentual de 15% não devidamente retido quando da efetivação de rescisão contratual para com a empresa Cacareco Tabajara Ltda.
Citada, a sociedade empresária Fundo-da-Grota Representações Comerciais Ltda. não pagou o débito, tampouco indicou bens para penhora. Por conseguinte, em diligência realizada pelo Oficial de Justiça, a supramencionada empresa não foi localizada no seu domicílio tributário. Em razão deste fato, a União postulou o redirecionamento da execução em face dos sócios, o que foi acolhido pelo Meritíssimo Julgador. 
Ocorre que, em razão dos acontecimentos narrados, a União indicou a penhora o único imóvel residencial pertencente a BAITACA DA SILVA, ora embargante e sócio sem poderes de administração da referida empresa. A penhora sobre o imóvel foi reduzida a termo, sendo o mesmo avaliado no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). 
Diante dos fatos apresentados, e embasado no texto legal, interpõe-se o presente recurso, uma vez verificada sua necessidade.
2. DAS PRELIMINARES DE MÉRITO
2.1. DA ILEGITIMIDADE PASSIVA DOS SÓCIOS
De início, faz se fundamental destacar que o redimensionamento da execução fiscal dos sócios no caso em tela foi fundado na dissolução irregular das atividades. Todavia, BAITACA DA SILVA é sócio sem poder de administração, configurando-se como mero sócio quotista, não respondendo assim em hipótese alguma pelas dívidas da sociedade empresária Fundo-da-Grota Representações Comerciais Ltda.
Assim sendo, a ação de execução fiscal não merece ser mantida, pois de acordo com a súmula 435 do STJ, uma vez dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, somente será legítimo o redirecionamento da execução fiscal para os sócios com poderes de administração. 
No mesmo contexto, o Art. 135, III, do CTN, preconiza que há de se falar em responsabilidade tributária do sócio quando o mesmo for diretor, gerente ou representante de pessoa jurídica de direito privado, funções estas que notoriamente estabelecem poderes de administração, diferentemente do caso em tela.
Já o Art. 485, VI, do CPC, é taxativo ao afirmar ser possível extinguir a execução quando constatada a ilegitimidade de uma das partes, o que fora agora descrito e se torna perfeitamente aplicável no caso em questão.
3. DO MÉRITO
3.1. DA IMPENHORABILIDADE DO IMÓVEL RESIDENCIAL
Dispõe a Lei nº 8.009/90 acontecimentos que justificam a alegação da impenhorabilidade dos bens. E de pronto, em seu primeiro artigo, ela estabelece que:
Art. 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei.
Parágrafo único. A impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção, as plantações, as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou móveis que guarnecem a casa, desde que quitados.
Isto posto, o imóvel indicado não pode ser penhorado, uma vez que se trata do local onde o embargante reside, sendo este o seu único imóvel. Tal direito também é resguardado pela Constituição Federal, que em seu artigo 6º, reitera a proteção ao bem de família, fundamentado no direito social à moradia, este patrimônio mínimo existencial para o alcance da dignidade da pessoa humana. 
Faz-se de suma importância apresentar visão doutrinária em relação a matéria abordada. Humberto Theodoro Junior, advogado, além de professor e magistrado aposentado, em seu livro “Lei de Execução Fiscal”, destaca conforme decisões reiteradas do STJ, que:
“É impenhorável o imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar. A família recebe proteção especial do Estado. Não pode a Fazenda Pública, na sua fúria desenfreada de arrecadar impostos e de receber as suas dívidas, levar desgraça a quem deve receber inalienável proteção”.[footnoteRef:1] [1: JUNIOR, Humberto T. Lei de execução fiscal. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 186. E-book. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788547207991/. Acesso em: 29 out. 2023.] 
No mesmo contexto deste caso, a fim de confirmar tal entendimento, analisa-se jurisprudência recente do TJ-RS, abordando tema semelhante:
AGRAVO DE INSTRUMENTO. DIREITO PRIVADO NÃO ESPECIFICADO. CUMPRIMENTO DE SENTENÇA. IMPENHORABILIDADE. IMÓVEL RESIDENCIAL. BEM DE FAMÍLIA. Consoante disposto no art. 1º da Lei nº 8.009/90, o imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei. No caso em apreço, estando devidamente comprovado que o imóvel penhorado serve de residência ao executado/agravante, deve ser reconhecida a impenhorabilidade. Agravo de instrumento provido.[footnoteRef:2] [2: (TJ-RS - AI: 70085276608 RS, Relator: Umberto Guaspari Sudbrack, Data de Julgamento: 17/11/2021, Vigésima Câmara Cível, Data de Publicação: 19/11/2021)] 
Na jurisprudência em questão, reforçado se tem o entendimento da impenhorabilidade configurada. Assim, em se tratando de bem de família, coberto pelo manto da impenhorabilidade, tem-se que a tentativa de penhora não pode persistir, eis que, se assim for, os direitos à dignidade e à moradia do embargante não estarão sendo barrados, mas extirpados.
3.2. DA INEXISTÊNCIA DE RELAÇÃO JURÍDICA-TRIBUTÁRIA
Faz se mister esclarecer que não há incidência de Imposto de Renda sobre verbas indenizatórias. Primeiramente, cabe destacar o Art. 27, alínea “j”, da Lei nº 4.886/65, in verbis: 
Art. 27. Do contrato de representação comercial, além dos elementos comuns e outros a juízo dos interessados, constarão obrigatoriamente: 
[..]
j) indenização devida ao representante pela rescisão do contrato fora dos casos previstos no art. 35, cujo montante não poderá ser inferior a 1/12 (um doze avos) do total da retribuição auferida durante o tempo em que exerceu a representação. 
Logo, visto que o montante recebido por BAITACA em sua rescisão contratual possui natureza indenizatória, no mesmo não incidirá a tributação do Imposto de Renda.
Importante frisar que com fulcro no Art. 153, III, da CF, compete à União instituir impostos sobre renda e proventos de natureza diversas. Nesse sentido, o Art. 43 do CTN versa sobre o mesmo tema, salientando que o Imposto de Renda tem comofato gerador o acréscimo patrimonial do contribuinte. No entanto, como já mencionado, a referida verba possui caráter indenizatório, não importando acréscimo patrimonial ao embargante, e consequentemente não se confundido com o caráter retributivo que caracteriza a remuneração do Imposto de Renda.
Ainda existe embasamento jurídico no Art. 70, § 5º, da Lei nº 9.430/96, que determina: 
Art. 70. A multa ou qualquer outra vantagem paga ou creditada por pessoa jurídica, ainda que a título de indenização, a beneficiária pessoa física ou jurídica, inclusive isenta, em virtude de rescisão de contrato, sujeitam-se à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento
[..]
§ 5º O disposto neste artigo não se aplica às indenizações pagas ou creditadas em conformidade com a legislação trabalhista e àquelas destinadas a reparar danos patrimoniais.
Ademais, dentro deste mesmo contexto, decisões ratificadas e consolidadas do STJ reconhecem tal verba como de natureza indenizatória. Confirmando o entendimento de que o pagamento de tais valores possui caráter indenizatório, os enquadrando no § 5º, do Art. 70, da Lei nº 9.430/96, e assim afastando a incidência do Imposto de Renda sobre si, colaciona-se jurisprudência do mencionado tribunal: 
PROCESSUAL CIVIL. IMPOSTO DE RENDA. RESCISÃO DE CONTRATO DE REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO ART. 70, § 5º, DA LEI 9.430/1996. 1. A jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que o pagamento feito com base no art. 27, "j", da Lei 4.886/1965, a título de indenização, multa ou cláusula penal, pela rescisão antecipada do contrato de representação comercial, é isento, nos termos do art. 70, § 5º, da Lei 9.430/1996, do Imposto de Renda. Precedentes de ambas as Turmas da Seção de Direito Público do STJ. 2. Agravo Regimental não provido.[footnoteRef:3] [3: (AgRg no REsp nº 1.556.693/RS, Relator: Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, Data de Julgamento: 02/02/2016, Data de Publicação: 20/05/2016)] 
Isto posto, conforme jurisprudência levantada, bem como amparado pelo texto legal, sobra este mérito da causa perfeitamente aplicável no presente caso concreto.
4. DO EFEITO SUSPENSIVO
Requer-se a Vossa Excelência que seja atribuído efeito suspensivo aos presentes embargos, consoante ao Art. 919, § 1º, do CPC, bem como em consonância ao entendimento consagrado no REsp 1272827/PE, onde no caso em tela se encontram preenchidos os requisitos legais ali indicados, quais sejam eles: apresentação de garantia da execução através da penhora do imóvel; verificação da plausibilidade do direito alegado (fumus boni juris) diante das irregularidades e dos vastos argumentos e fundamentos jurídicos apresentados; e perigo de dano irreparável ou de difícil reparação (periculum in mora), uma vez que o único imóvel do embargante é alvo de penhora, o que de fato contraria o princípio fundamental do acesso à moradia e retrata a urgência da solicitação.
Portanto, diante do apresentado, postula-se a concessão de efeito suspensivo, para fins de sobrestar a execução até o julgamento final da presente demanda.
5. DOS PEDIDOS
Ante tudo que fora abordado, requer-se a Vossa Excelência pela total procedência dos pedidos a seguir expostos:
a) Conceder efeito suspensivo aos presentes embargos à execução, nos termos do Art. 919, §1º, do CPC;
b) Intimar a parte embargada para querendo apresentar impugnação;
c) Acolher a preliminar de mérito, declarando a ilegitimidade do embargante para atuar no polo passivo ação, extinguindo-se a execução fiscal em relação a ele, em consonância ao Art. 135, III, do CTN, Art. 485, VI, do CPC e súmula vinculante 435 do STJ;
d) Reconhecer a impenhorabilidade do bem imóvel, uma vez que se trata do local onde o embargante reside, sendo este o seu único imóvel, com amparo na Lei nº 8.009/90 e no Art. 6º da CF;
e) Declarar inexistente a relação jurídico-tributária relativamente ao IRPJ por se tratar de verba indenizatória, com força no Art. 27, alínea “j”, da Lei nº 4.886/65, Art. 153, III, da CF, Art. 43 do CTN e Art. 70, § 5º, da Lei nº 9.430/96;
f) Julgar totalmente procedente os presentes embargos e extinguir a ação de execução fiscal;
g) Condenar a embargada ao pagamento de custas e honorários advocatícios sucumbenciais;
h) Deferir a concessão da produção de todos os meios de provas admitidas e cabíveis em direito, especialmente a juntada de documentos e oitiva de testemunhas, caso sejam necessárias para o deslinde da controvérsia.
Dá-se à causa o valor de R$50.000,00 (cinquenta mil reais).
Nesses termos, pede deferimento.
Novo Hamburgo, 08 de dezembro de 2023. 
Nome do Advogado
OAB/RS - XXXXX

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