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Jornalismo Impresso
Aula 7: Gêneros e Formatos Jornalísticos–Utilitário e
dimensional
Apresentação
Continuamos o nosso percurso de re�exão sobre os gêneros e formatos jornalísticos. Até agora já estudamos os gêneros
informativo; opinativo e interpretativo partindo dos estudos de Luiz Beltrão, José Marques de Melo e outros autores que se
debruçaram sobre essa temática.
Partindo dos estudos realizados por esses diversos pro�ssionais do jornalismo, vamos continuar a conhecer os gêneros e
formatos jornalísticos dedicando nossa atenção aos formatos jornalísticos presentes nos gêneros utilitário e diversional.
Vamos lá?
Objetivos
Decodi�car as principais características do gênero jornalístico utilitário e do diversional, bem como de cada um dos
formatos dessa classi�cação;
Identi�car as possibilidades de utilização dos formatos jornalísticos presentes no gênero utilitário e no diversional
dentro dos produtos jornalísticos.
Primeiras palavras
Durante nossas aulas, você já acompanhou e conheceu a classi�cação dos gêneros e formatos jornalísticos proposto por
José Marques de Melo. É essa classi�cação feita por ele que adotamos como cerne da nossa discussão.
Em sua classi�cação, José Marques de Melo sinaliza a existência de cinco funções do jornalismo, sendo elas: 
Informar
Opinar
Interpretar
Divertir
Ser útil
Em nossa aula de hoje, vamos nos dedicar a conhecer mais sobre essas duas últimas (divertir e ser útil). Vamos juntos?
Gênero diversional
O gênero diversional, embora categorizado por Marques de Melo, já aparecia em discussões anteriores, com as realizadas
por Luiz Beltrão que já reconhecia a diversão como uma característica do jornalismo. Porém, é em José Marques de Melo
(2006) que encontramos as primeiras de�nições desse gênero jornalístico:
Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online
“a natureza diversional desse novo tipo de jornalismo está
justamente no resgate das formas literárias de expressão
que, em nome da objetividade, do distanciamento pessoal
do jornalista, en�m, da padronização da informação de
atualidade dentro da indústria cultural, foram relegadas a
segundo plano, quando não completamente abandonadas.
[...] O interesse do leitor por essas produções jornalísticas
está menos na informação em si, ou seja, na essência do
fato narrado, do que nos ingredientes de estilo a que
recorrem seus redatores, despertando o prazer estético,
em suma, divertindo, entretendo, agradando.”
MARQUES DE MELO, 2003, p. 34
É possível, a partir da de�nição acima, entender que o grande diferencial do gênero diversional está na preocupação mais
centrada no estilo, na narrativa, na linguagem e na forma de escrita que deve ser atrativa do que de fato na própria
informação. Todavia, não deve se afastar da trilha da informação, o esforço está justamente em torná-la também
saborosa, enriquecendo-a com recursos da narrativa de �cção.
Para aprofundar mais seus conhecimentos sobre Jornalismo Diversional, você precisa saber quem é Francisco de Assis.
Ele foi orientando de José Marques de Melo e produziu seu mestrado e doutorado sobre esta temática, passando a ser
referência na discussão deste gênero jornalístico.
Entre as discussões propostas por Francisco de Assis está, por exemplo, a explicação sobre nomenclaturas. Aliás, quando
explicamos acima que a preocupação do jornalismo diversional é mais estética do que informativa você deve ter se
perguntado: mas isso não é jornalismo literário? Francisco de Assis (2011) esclarece que:
“[...], pautando-nos pela classi�cação proposta por
Marques de Melo (2006b; 2010a), que atribuímos o nome
de diversional, muito embora saibamos que há outros
sinônimos – às vezes, utilizados de modo equivocado –
para a mesma prática, como “novo jornalismo”, “literatura
da realidade”, “escrita criativa de não-�cção”, “literatura do
fato”, “jornalismo narrativo”, “jornalismo de livros”,
“jornalismo degustativo”, “narrativa jornalística”,
“jornalismo informativo de criação”, “parajornalismo” e
“jornalismo literário” [...], sendo esse último, muito
provavelmente, o mais conhecido ou mais bem aceito.”
ASSIM, 2011, p.4
(Fonte: dennizn/Lawrey/ Shutterstock) (Fonte: dennizn/Lawrey/ Shutterstock) (Fonte: dennizn/Lawrey/ Shutterstock)
Na classi�cação do gênero diversional proposta por José Marques de Melo há dois formatos:
História de interesse humano
História colorida
Vamos agora compreender as características de cada uma delas. As duas tem como característica central o fato de
possuírem elementos literários nas suas produções jornalísticas.
 Características
 Clique no botão acima.
História de interesse humano
A história de interesse humano é um formato que constrói a narrativa a partir da exploração dos elementos da
vida do personagem.
Segundo Marques de Melo (2006), é a “Narrativa que privilegia facetas particulares dos “agentes” noticiosos.
Recorrendo a artifícios literários, emergem dimensões inusitadas de protagonistas anônimos ou traços que
humanizam os ‘olimpianos’. Apesar da apropriação de recursos �ccionais, os relatos devem primar pela
‘verossimilhança’ sob o risco de perder a ‘credibilidade’. Destina-se a preencher os espaços ociosos dos
a�cionados por relatos jornalísticos”.
Veja, como exemplo, um trecho da reportagem À Flor da Pele, escrita por João Valadares.
Você acha que a conceituação de Marques de Melo descrita acima se aplica a este exemplo?
Veja só:
É uma “faceta particular”, não é comum que �lhos de negros sejam albinos.
Há o uso de “artifícios literários” como, por exemplo, na linguagem e nos termos. A expressão “estiraram a
língua” é um exemplo.
“A dimensão inusitada de protagonistas anônimos também é muita clara” e pode ser exempli�cada pela
frase “A chance dos três nascerem assim na mesma família era de uma em um milhão”.
Extremamente aplicável, não? Agora faça o exercício de ler o texto completo e você verá a presença das
características deste formato ao longo de toda a sua leitura.
História colorida
A história colorida é o formato que explora detalhes e cenários que envolvem o fato.
De acordo com Marques de Melo (2006), é constituída por “relatos de natureza pictórica, privilegiando tons e
matizes na reconstituição dos cenários noticiosos. Trata-se de uma leitura impressionista, que penetra no âmago
dos acontecimentos, identi�cando detalhes enriquecedores, capazes de iluminar a ação de agentes principais e
secundários. Não obstante a presença do repórter no cenário noticioso, ele se comporta como um ‘observador
distante’, enxergando detalhes não perceptíveis a olho nu”.
 Fonte: Jornal do Commercio, 29 ago. 2009.
“Nasceram sem cor, numa família de pretos. Três irmãos
que sobrevivem fugindo da luz, procurando alegria no
escuro. O mais novo diz que é branco vira-lata. Os
insultos do colégio viraram identidade. A mãe cochicha
que são anjinhos. Eles têm raça sim. São �lhos de mãe
negra. O pai é moreno. Estiraram língua para as
estatísticas e, por um defeito genético, nasceram albinos.
Negros de pele branca. A chance dos três nascerem
assim na mesma família era de uma em um milhão.
Nasceram. Dos cinco irmãos, apenas a mais nova é �lha
de outro pai”.
Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online
Para exempli�car, veja o trecho do texto O debate público convocado pelo MBL via Whatsapp foi um triste
simulacro de democracia, publicado pelo Vice.
Reparou como o trecho acima passa a impressão de um jornalista que aborda os fatos de forma mais distante
como sendo realmente um observador?
Notou também o destaque que ele dá ao cenário e as constituições dele?
Por �m, releia a de�nição do formato história colorida e veja como ela se aplica ao texto.
 Fonte: Vice (2017).
“O vão livre da Câmara, um espaço ao ar livre e coberto,
um tanto pomposo, era dividido em duas alas. À direita do
palco principal, onde se sentavam os debatedores,
estavam os apoiadores do MBL, parte deles
uniformizados com camisetas azul piscina com o logo dotime no peito. Nas cadeiras do centro, professores,
alunos, alguns membros da UJS e outro tanto de
secundaristas autonomistas – à esquerda estavam os
que chegaram atrasados para o começo do debate, boa
parte deles formada por apoiadores de Holiday e turma”.
 (Fonte: Franzi/Shutterstock)
Gênero utilitário
É preciso que pensemos na sociedade atual e nas principais características dela para possamos entender melhor o
gênero utilitário.
Segundo José Marques de Melo (2008), “o gênero utilitário tem marco no
�nal do século XX, sua legitimação se dá com mais vigor nas sociedades
povoadas pelos cidadãos consumidores”.
Esse gênero jornalístico surge no limiar da sociedade da informação, cujo funcionamento repousa na tomada de decisões
rápidas no mundo �nanceiro, projetando-se também na vida cotidiana. Ou seja, o gênero utilitário cresce e se desenvolve
com a sociedade atual para atender as necessidades dela. As pessoas querem respostas rápidas e precisas daquilo que
precisam.
Saiba mais
De acordo com Tyciane Vaz (2013), o gênero utilitário se ocupa em proporcionar uma variedade de ferramentas necessárias
para as atividades práticas da vida diária do cidadão. Isso acontece de diversas formas, dentre elas: Guias, listas, conselhos,
mapas e ainda como complementos de matérias informativas.
Ou seja, espaços onde se pode encontrar determinado serviço, horário de atendimento, documentos necessários e
demais informações instrucionais são sempre abordados pelo gênero utilitário que visa a facilitar o dia a dia do cidadão.
Esse gênero está estruturado em quatro formatos, segundo a classi�cação de José Marques de Melo, vejamos.
Formatos do jornalismo utilitário
FORMATO DEFINIÇÃO
Indicador Dados fundamentais para a tomada de decisão cotidiana (cenários econômicos, meteorologia etc.).
Cotação Dados sobre a variação dos mercados: Monetário, indústrias, agrícolas, terciários.
Roteiro Dados indisponíveis ao consumo de bens simbólicos.
Serviço Informações destinadas a proteger os interesses dos usuários dos serviços públicos, bem como dos consumidores
de produtos industriais ou de serviços privados.
Formatos do jornalismo utilitário classi�cados por José Marques de Melo
(Fonte: MELO, J. M. de; ASSIS, F. de. Gêneros Jornalísticos no Brasil, 2010).
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Agora, vamos compreender cada um dos formatos acima apresentados? Você notará como é fácil e importante inseri-los
em suas produções jornalísticas.
Clique nos botões para ver as informações.
Este formato tem interferência direta na vida do cidadão, essencialmente por auxiliá-lo a tomar decisões. Por
exemplo, antes de sair de casa o cidadão quer saber se precisará levar o guarda-chuva ou não, por isso, a previsão do
tempo é um exemplo de um indicador presentes nos jornais.
Indicador 
Este também é um formato muito utilizado e consiste na apresentação das variações do mercado. Ou seja, as
mudanças do dólar e da bolsa de valores apresentadas nos veículos de comunicação são exemplos do formato
cotação presente no jornalismo utilitário.
Cotação 
Este é um formato que trabalha com a orientação para o consumo de produtos culturais. É a partir dele que o leitor
tem o direcionamento prático de onde, quando e como consumir bens culturais como, por exemplo, o trajeto cultural
pelo centro histórico de uma cidade, ou os �lmes que estão em cartaz nos cinemas.
Roteiro 
O serviço é o formato que indica informações que são úteis e funcionais para as pessoas. É a informação prática
que o leitor precisa no dia a dia, isto é, o serviço que diz ao leitor qual o endereço, o horário e o local de atendimento
para que ele consiga receber a vacinação ou, ainda, quais documentos são necessários para retirar a segunda via da
Carteira Nacional de Habilitação.
Serviço 
Tyciane Vaz (2013) realizou um estudo sobre a presença dos formatos do jornalismo utilitário na Folha de S Paulo. No
quadro abaixo, podemos veri�car a análise do uso dos formatos deste gênero em um jornal de circulação nacional.
Análise dos formatos do gênero utilitário na Folha de S. Paulo
FORMATO ANÁLISE
Indicador Corresponde aos indicadores econômicos e de mercado, também aparece como necrologia (avisos de mortes e
missas de 7° dia), meteorologia, indicação de como deve funcionar o trânsito (rodízio de carros), entre outros
exemplos.
Cotação Dados monetários, agrícolas, cotação de moedas no dia, cotação de filmes (número de estrelas) e demais cotações.
Muito presente nas chamadas de capa, mas também nos cadernos de economia.
Roteiro A maioria das vezes é representado por informações sobre filmes que estreiam no cinema. Os roteiros são
importantes para o leitor que busca futuramente consumir bens simbólicos. Mais representativo nos cadernos
culturais.
Serviço Este formato se apresenta de diversas formas e em vários cadernos dos impressos estudados. Um dos exemplos é
quando o jornal presta serviço ao leitor, levando a ele uma resposta de uma reclamação ou dúvida, geralmente
relacionada a um órgão público. Mas também se nota o serviço em suplementos, quando o jornal oferece
informações sobre as novidades do mercado, ajuda o consumidor na escolha de produtos, apresenta uma série de
informações, preços, onde comprar ou como adquirir certo produto.
Análise dos formatos do gênero utilitário na Folha de S Paulo
(Fonte: Vaz, 2008, p.11).
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Atenção! Aqui existe uma videoaula, acesso pelo conteúdo online
Em sua tese de doutorado, orientada por José Marques de Melo, Tyciane Vaz (2013), ainda esclarece que o gênero pode
apropriar-se de formas conhecidas em outros gêneros, e que a intencionalidade na mensagem irá de�nir a qual gênero o
conteúdo pertence. Ela a�rmar que é como se o gênero utilitário se vestisse, por exemplo, das formas do informativo.
“Não raro, o gênero utilitário se manifesta em forma de
nota, notícia, reportagem, e até mesmo em entrevista para
expressar um conteúdo que vai além do informe, exerce
função de orientar, aconselhar e prestar informação útil.”
VAZ, 2013
Agora, você já conhece todos os gêneros e formatos jornalísticos. Para reforçar as informações que vimos até aqui,
vamos relembrar a classi�cação feita por José Marques de Melo (2010).
GÊNERO FORMATOS
Informativo Nota; Notícia; Reportagem; Entrevista
Opinativo Editorial; Comentário; Artigo; Resenha; Coluna; Crônica; Caricatura; Carta
Interpretativo Dossiê; Perfil; Enquete; Cronologia
Utilitário Indicador; Cotação; Roteiro; Serviço
Diversional História de interesse humano; História colorida
Gêneros e formatos jornalísticos classi�cados por José Marques de Melo
Fonte: Elaborado pelo professor com base na obra Gêneros Jornalísticos no Brasil (2010).
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Atividades
1. Diferente dos outros gêneros jornalísticos, o gênero diversional carrega consigo uma preocupação mais centrada...
Complete a frase com a a�rmação correta:
a) no estilo, na narrativa, na linguagem e na forma de escrita que deve ser atrativa.
b) na narrativa e na forma de escrita que deve ser atrativa.
c) no estilo, na redação e na informação principal.
d) no estilo, no texto, na maneira de escrever que deve ser atrativa.
e) na forma de escrita que deve ser atrativa.
2. Dentro do gênero diversional existem dois formatos, de acordo com a classi�cação de José Marques de Melo. Comente
sobre o formato denominado história de interesse humano.
3. Sobre o formato história colorida é correto a�rmar que:
a) A história colorida é o formato que explora o contexto sócio-histórico que envolvem o fato.
b) A história colorida é o formato que explora detalhes e discursos que envolvem o fato.
c) A história colorida é o formato que explora detalhes e cenários que envolvem o fato.
d) A história colorida é o formato que explora elementos e textos que envolvem o fato.
e) A história colorida é o formato que explora argumentose pessoas que envolvem o fato.
4. Quais os formatos que compõem a classi�cação do gênero utilitário, segundo José Marques de Melo?
5. O gênero utilitário é composto por quatro formatos. Apresente as principais características de pelo menos dois desses
formatos.
Referências
ASSIS, F. de. Primórdios do jornalismo diversional no Brasil: uma introdução à luz de desacordos. 8º Encontro Nacional de
História da Mídia. Paraná: Unicentro, 2011. Disponível em: //www.ufrgs.br/alcar/encontros-nacionais-1 /encontros-
nacionais/8o-encontro-2011-
1/artigos/Primordios%20do%20jornalismo%20diversional%20no%20Brasil%20uma%20introducao%20a%20luz%20de%20desacordos.pdf/view.
Acesso em 05 set. 2019.
BELTRÃO, L. Jornalismo interpretativo: �loso�a e técnica. 2. ed. Porto Alegre: Sulina, 1980.
MELO, J. M. de; ASSIS, F. de. Gêneros Jornalísticos no Brasil. São Bernardo do Campo: Universidade Metodista de São Paulo,
2010.
VAZ, T. C. V. Gênero utilitário. In: MELO, J. M. de; ASSIS, F. de. Gêneros jornalísticos no Brasil. São Bernardo do Campo:
Universidade Metodista de São Paulo, 2010.
VAZ, T. C. V. Gênero Utilitário: Presença nos jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo. In: Anais do XIII Congresso de
Ciências da Comunicação na Região Sudeste. São Paulo: Intercom, 2008.
VAZ, T. C. V. Jornalismo utilitário – teoria e prática: fundamentos, história e modalidades de serviço na imprensa brasileira.
Tese (Doutorado). São Bernardo do Campo: Umesp, 2013.
WERNECK, H. A arte de sujar os sapatos [Posfácio]. In: TALESE, G. Fama e anonimato. Tradução: Luciano Vieira Machado. 2.
ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2004.
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