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LISTA 2 - PORTUGUÊS - FRENTE A - MORFOLOGIA - FORMAÇÃO DE PALAVRAS

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TEOREMA MILITAR 
LISTA 2 – MORFOLOGIA – FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
PROF. MARCOS SIQUEIRA 
 
 
1. (EsPCEx 2019) Assinale a opção que identifica 
corretamente o processo de formação das palavras 
abaixo: 
a) qualidade – sufixação; saneamento – sufixação. 
b) igualdade – sufixação; discriminação – parassíntese. 
c) avanços – derivação imprópria; acesso – derivação 
regressiva. 
d) acessível – prefixação; felizmente – sufixação. 
e) planejamento – sufixação; combate – derivação 
regressiva. 
 
2. (EEAR 2017) Leia: 
 
“Professor bem-aventurado é aquele que, além de ser 
um leitor voraz, é crítico a ponto de corrigir-se 
constantemente sobre sua forma incomum de pensar o 
mundo.” 
 
Marque a correta. 
a) Composição por aglutinação: bem-aventurado. 
b) Composição por aglutinação: constantemente. 
c) Composição por sufixação: constantemente. 
d) Composição por sufixação: incomum. 
 
3. (EsPCEx 2016) Responda, na sequência, os 
vocábulos cujos prefixos ou sufixos correspondem aos 
seguintes significados: 
 
QUASE; ATRAVÉS; EM TORNO DE; FORA; 
SIMULTANEIDADE 
a) hemisfério; trasladar; justapor; epiderme; parasita 
b) semicírculo; metamorfose; retrocesso; ultrapassar; 
circunavegação 
c) penumbra; diálogo; periscópio; exogamia; sintaxe 
d) visconde; ultrapassar; unifamiliar; programa; 
multinacional 
e) pressupor; posteridade; companhia; abdicar; 
ambivalente 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
 
Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões) a 
seguir. 
 
Laivos de memória 
 
“... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, 
ao fim dessa primeira etapa, 
mais ainda se convencerão de que 
abraçaram uma carreira difícil, 
árdua, cheia de sacrifícios, 
mas útil, nobre e, sobretudo bela.” 
 
(NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) 
 
 
 Há quase 50 anos, experimentei um misto de 
angústia, tristeza e ansiedade que meu jovem coração 
de adolescente soube suportar com bravura. 
Naquela ocasião, despedia-me dos amigos de 
infância e da família e deixava para trás bucólica 
cidadezinha da região serrana fluminense. A motivação 
que me levava a abandonar gentes e coisas tão caras 
era, naquele momento, suficientemente forte para 
respaldar a decisão tomada de dar novos rumos à minha 
vida. Meu mundo de então se tornara pequeno demais 
para as minhas aspirações. Meus desejos e sonhos 
projetavam horizontes que iam muito além das 
montanhas que circundam minha terra natal. 
Como resistir à sedução e ao fascínio que a vida 
no mar desperta nos corações dos jovens? 
Havia, portanto, uma convicção: aquelas 
despedidas, ainda que dolorosas – e despedidas são 
sempre dolorosas – não seriam certamente em vão. Não 
tinha dúvidas de que os sonhos que acalentavam meu 
coração pouco a pouco iriam se converter em realidade. 
Em março de 1962, desembarcávamos do Aviso 
Rio das Contas na ponte de atracação do Colégio Naval, 
como integrantes de mais uma Turma desse tradicional 
estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. 
Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o 
peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colégio Naval, 
não posso negar que a tristeza, que antes havia 
ocupado espaço em nossos corações, era naquele 
momento substituída pelo contentamento peculiar dos 
vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por 
ocasião das despedidas, provara-se equivocado: às 
nossas caras famílias de origem agregava-se uma nova, 
a Família Naval, composta pelos recém-chegados 
companheiros; e às respectivas cidades de nascimento, 
como a minha bucólica Bom Jardim, juntava-se, naquele 
instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves 
em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria à 
histórica Villegagnon em meio à sublime baía de 
Guanabara. 
Ao todo foram seis anos de companheirismo e 
TEOREMA MILITAR 
LISTA 2 – MORFOLOGIA – FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
PROF. MARCOS SIQUEIRA 
 
feliz convivência, tanto no Colégio como na Escola 
Naval. Seis anos de aprendizagem científica, 
humanística e, sobretudo, militar-naval. Seis anos 
entremeados de aulas, festivais de provas, práticas 
esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegação, 
marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, 
recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas 
indeléveis. 
Estes e tantos outros símbolos, objetos e 
acontecimentos passados desfilam hoje, deliciosa e 
inexoravelmente distantes, em meio a saudosos 
devaneios. 
Ainda como alunos do Colégio Naval, os 
contatos preliminares com a vida de bordo e as 
primeiras idas para o mar – a razão de ser da carreira 
naval. 
Como Aspirantes, derrotas mais longas e as 
primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e 
Fortaleza! 
Fechando o ciclo das Viagens de Instrução, o 
tão sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem 
maravilhosa! Nós, da Turma Míguens, Guardas-Marinha 
de 1967, tivemos a oportunidade ímpar e rara de 
participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: 
a Quinta Circum-navegação da Marinha Brasileira. 
Após o regresso, as platinas de Segundo-
Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro 
início da vida profissional – no meu caso, a bordo do 
cruzador Tamandaré, o inesquecível C-12. Era a 
inevitável separação da Turma do CN-62/63 e da EM-
64/67. 
Novamente um misto de satisfação e ansiedade 
tomou conta do coração, agora do jovem Tenente, ao 
se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa 
Esquadra. Após proveitosos, mas descontraídos 
estágios de instrução como Aspirante e Guarda-
Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a 
compromissos curriculares, as platinas de Oficial 
começariam, finalmente, a pesar forte em nossos 
ombros. Sobre essa transição do status de Guarda-
Marinha para Tenente, o notável escritor-marinheiro 
Gastão Penalva escrevera com muita propriedade: “... é 
a fase inesquecível de nosso ofício. Coincide exatamente 
com a adolescência, primavera da vida. Tudo são flores 
e ilusões... Depois começam a despontar as 
responsabilidades, as agruras de novos cargos, o 
acúmulo de deveres novos”. 
E esses novos cargos e deveres novos, que 
foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos 
navios, deixariam agradáveis e duradouras lembranças 
em nossa memória. Com o passar dos tempos, inúmeros 
Conveses e Praça d’ Armas, hoje saudosas, foram se 
incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um 
dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 
1967. 
Ah! Como é gratificante, ainda que melancólico, 
repassar tantas lembranças, tantos termos expressivos, 
tanta gíria maruja, tantas tradições, fainas e eventos tão 
intensamente vividos a bordo de inesquecíveis e 
saudosos navios... 
E as viagens foram se multiplicando ao longo de 
bem aproveitados anos de embarque, de centenas de 
dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto 
mar, singrando as extensas massas líquidas que formam 
os grandes oceanos, ou ao longo das águas costeiras 
que banham os recortados litorais, com passagens, 
visitas e arribadas em um sem-número de enseadas, 
baías, barras, angras, estreitos, furos e canais 
espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos 
nem sempre com mares bonançosos e ventos tranquilos 
e favoráveis. 
Inúmeros foram também os portos e cidades 
visitadas, não só no Brasil como no exterior, o que 
sempre nos proporciona inestimáveis e valiosos 
conhecimentos, principalmente graças ao contato com 
povos diferentes e até mesmo de culturas exóticas e 
hábitos às vezes totalmente diversos dos nossos, como 
os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de 
serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilão e hoje Sri 
Lanka. 
Como foi fascinante e delicioso navegar por 
todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada 
nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre 
um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia 
Câmara Cascudo, “o mar não guarda os vestígios das 
quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a ilusão 
cordial do descobrimento”.(CÉSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de 
memória. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, nº 4, 
2009. p. 42-50. Texto adaptado) 
 
 
4. (Esc. Naval 2016) Em que opção encontra-se uma 
palavra, cujo processo de formação é o mesmo do 
termo destacado em “[...] o tão sonhado embarque 
[...].” (11º parágrafo) 
a) “[...] circundam minha terra [...].” (2º parágrafo) 
b) “[...] não seriam certamente em vão.” (4º parágrafo) 
c) “E o sentimento de perda [...].” (6º parágrafo) 
d) “Seis anos entremeados de aulas, [...].” (7º 
parágrafo) 
e) “[...] o notável escritor-marinheiro [...].” (13º 
parágrafo) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEOREMA MILITAR 
LISTA 2 – MORFOLOGIA – FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
PROF. MARCOS SIQUEIRA 
 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
TEXTO 1 
 
Valorizar o professor do ciclo básico 
Como não sou perito em futurologia, devo limitar-me a 
fazer um exercício de observação. Presto atenção ao 
que se passa na escola hoje e suponho que, daqui a 25 
anos, as tendências atuais persistirão com maior ou 
menor intensidade. Provavelmente, o analfabetismo dos 
adultos terá sido erradicado e o acesso à instrução 
primária terá sido generalizado. 
Tudo indica que a demanda continuará a crescer em 
relação ao ensino secundário e superior. Se os poderes 
públicos não investirem sistematicamente na expansão 
desses dois níveis, a escola média e a universidade 
serão, em grande parte, privatizadas. 
A educação a distância será promovida tanto pelo 
Estado como pelas instituições particulares. Essa 
alteração no uso de espaços escolares tradicionais 
levará a resultados contraditórios. De um lado, 
aumentará o número de informações e instrumentos 
didáticos de alta precisão. De outro lado, a elaboração 
pessoal dos dados e a sua crítica poderão sofrer com a 
falta de um diálogo sustentado face a face entre o 
professor e o aluno. 
É preciso pensar, desde já, nesse desafio que significa 
aliar eficiência técnica e profundidade ou densidade 
cultural. 
O risco das avaliações sumárias, por meio de testes, 
crescerá, pois os processos informáticos visam a poupar 
tempo e reduzir os campos de ambiguidade e incerteza. 
Com isso, ficaria ainda mais raro o saber que duvida e 
interroga, esperando com paciência, até vislumbrar uma 
razão que não se esgote no simplismo do certo versus 
errado. Poderemos ter especialistas cada vez mais 
peritos nas suas áreas e massas cada vez mais 
incapazes de entender o mundo que as rodeia. De todo 
modo, o futuro depende, em larga escala, do que 
pensamos e fazemos no presente. 
Uma coisa me parece certa: o professor do ciclo básico 
deve ser valorizado em termos de preparação e salário, 
caso contrário, os mais belos planos ruirão como 
castelos de cartas. 
(BOSI, Alfredo. Caderno Sinapse. Folha de S. Paulo, 
29/07/2003.) 
 
TEXTO 2 
 
Diretrizes de salvação para a Universidade Pública 
"... poder-se-ia alegar que não é muito bom o ensino 
das matérias que se costuma lecionar nas 
universidades. Todavia, não fossem essas instituições, 
tais matérias geralmente não teriam sido sequer 
ensinadas, e tanto o indivíduo como a sociedade 
sofreriam muito com a falta delas..." 
Adam Smith 
 
(...) A grande característica distintiva de uma 
Universidade pública reside na sua qualidade geradora 
de bens públicos. Estes, por definição, são bens cujo 
usufruto é necessariamente coletivo e não podem ser 
apropriados exclusivamente por ninguém em particular. 
Quanto ao grau de abrangência, os bens públicos 
podem ser classificados em locais, nacionais ou 
universais. 
O corpo de bombeiros de uma cidade, por exemplo, é 
um bem público local, o serviço da guarda costeira de 
um país é um bem público nacional, ao passo que a 
proteção de áreas ambientais importantes do planeta, 
como a Amazônia, deve ser vista como bem público 
universal, assim como qualquer outra atividade 
protetora de patrimônios da humanidade ou de 
segurança global, como é o caso da proteção contra 
vírus de computador, para citar um exemplo mais atual, 
embora ainda não plenamente reconhecido. 
Incluem-se no elenco dos bens públicos as atividades 
relacionadas à produção e transmissão da cultura, ao 
pensamento filosófico e às investigações científicas não 
alinhadas com qualquer interesse econômico mais 
imediato. 
A Universidade surgiu na civilização porque havia uma 
necessidade latente desses bens e legitimou-se pelo 
reconhecimento de sua importância para a humanidade. 
Portanto, ela nasceu e legitimou-se como instituição 
social pública e não como negócio privado, como muitos 
agora a querem transformar, inclusive a OMC, 
contradizendo o próprio Adam Smith, o patriarca da 
economia de mercado, como bem o indica a passagem 
acima epigrafada, retirada de "A Riqueza das Nações". 
As tecnologias podem ser "engenheiradas", 
transformando-se em produtos de mercado, mas o 
conhecimento que as originou é uma conquista da 
humanidade e, portanto, um bem público universal, 
como é o caso, por exemplo, das atividades do Instituto 
Politécnico de Zurique, de onde saiu Albert Einstein, e 
do laboratório Cavendish da Universidade de 
Cambridge, onde se realizaram os experimentos que 
levaram a descobertas fundamentais da física, sem as 
quais não teriam sido possíveis as maravilhas 
tecnológicas do mundo moderno, da lâmpada elétrica à 
internet. (...) 
(SILVA, José M. A. Jornal da Ciência, 22/07/2003. 
Extraído de: http://www.jornaldaciencia.org.br, 
15/07/2003.) 
 
TEOREMA MILITAR 
LISTA 2 – MORFOLOGIA – FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
PROF. MARCOS SIQUEIRA 
 
 
5. (Ita 2004) O morfema "-ada" tem mais de um 
sentido. Assinale a opção em que esse morfema 
apresenta o mesmo sentido que tem na palavra 
"engenheirada". 
a) freada 
b) cajuada 
c) caldeirada 
d) cervejada 
e) aguada 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
A primeira publicação do conto O Alienista, de Machado 
de Assis, ocorreu como folhetim na revista carioca A 
Estação, entre os anos de 1881 e 1882. Nessa mesma 
época, uma grande reforma educacional efetuou-se no 
Brasil, criando, dentre outras, a cadeira de Clínica 
Psiquiátrica. É nesse contexto de uma psiquiatria ainda 
embrionária que Machado propõe sua crítica ácida, 
reveladora da escassez de conhecimento científico e da 
abundância de vaidades, concomitantemente. A obra 
deixa ver as relações promíscuas entre o poder médico 
que se pretendia baluarte da ciência e o poder político 
tal como era exercido em Itaguaí, então uma vila, 
distante apenas alguns quilômetros da capital Rio de 
Janeiro. O conto se desenvolve em treze breves 
capítulos, ao longo dos quais o alienista vai fazendo 
suas experimentações cientificistas até que ele mesmo 
conclua pela necessidade de seu isolamento, visto que 
reconhece em si mesmo a única pessoa cujas 
faculdades mentais encontram-se equilibradas, sendo 
ele, portanto, aquele que destoa dos demais, devendo, 
por isso, alienar-se. 
 
Capítulo IV 
UMA TEORIA NOVA 
 
1Ao passo que D. Evarista, em lágrimas, vinha 
buscando o Rio de Janeiro, Simão Bacamarte estudava 
por todos os lados uma certa ideia arrojada e nova, 
própria a alargar as bases da psicologia. 2Todo o tempo 
que lhe sobrava dos cuidados da Casa Verde era pouco 
para andar na rua, ou de casa em casa, conversando as 
gentes, sobre trinta mil assuntos, e virgulando as falas 
de um olhar que metia medo aos mais heroicos. 
Um dia de manhã, – eram passadas três 
semanas, – estando Crispim Soares ocupado em 
temperar um medicamento, vieram dizer-lhe que o 
alienista o mandava chamar. 
– Tratava-se de negócio importante, segundo 
ele me disse, acrescentou o portador. 3Crispim 
empalideceu. Que negócio importante podia ser, se não 
alguma notícia da comitiva, e especialmente da mulher? 
4Porque este tópico deve ficar claramente definido, visto 
insistirem nele os cronistas; Crispim amava a mulher, e, 
desde trinta anos, nunca estiveram separados um sódia. 5Assim se explicam os monólogos que fazia agora, 
e que os fâmulos lhe ouviam muita vez: – “Anda, bem 
feito, quem te mandou consentir na viagem de Cesária? 
Bajulador, torpe bajulador! Só para adular ao Dr 
Bacamarte. Pois agora aguenta-te; anda; aguenta-te, 
alma de lacaio, fracalhão, vil, miserável. Dizes amém a 
tudo, não é? Aí tens o lucro, biltre!”. – E muitos outros 
nomes feios, que um homem não deve dizer aos outros, 
quanto mais a si mesmo. Daqui a imaginar o efeito do 
recado é um nada. 6Tão depressa ele o recebeu como 
abriu mão das drogas e voou à Casa Verde. 
7Simão Bacamarte recebeu-o com a alegria 
própria de um sábio, uma alegria abotoada de 
circunspeção até o pescoço. 
– Estou muito contente, disse ele. 
8– Notícias do nosso povo?, perguntou o 
boticário com a voz trêmula. 
O alienista fez um gesto magnífico, e 
respondeu: 
9– Trata-se de coisa mais alta, trata-se de uma 
experiência científica. 10Digo experiência, porque não 
me atrevo a assegurar desde já a minha ideia; nem a 
ciência é outra coisa, Sr. Soares, senão uma 
investigação constante. Trata-se, pois, de uma 
experiência, mas uma experiência que vai mudar a face 
da terra. A loucura, objeto dos meus estudos, era até 
agora uma ilha perdida no oceano da razão; começo a 
suspeitar que é um continente. 
11Disse isto, e calou-se, para ruminar o pasmo do 
boticário. 12Depois explicou compridamente a sua ideia. 
No conceito dele a insânia abrangia uma vasta superfície 
de cérebros; e desenvolveu isto com grande cópia de 
raciocínios, de textos, de exemplos. 13Os exemplos 
achou-os na história e em Itaguaí mas, como um raro 
espírito que era, 14reconheceu o perigo de citar todos os 
casos de Itaguaí e refugiou-se na história. Assim, 
apontou com especialidade alguns célebres, Sócrates, 
que tinha um demônio familiar, Pascal, que via um 
abismo à esquerda, Maomé, Caracala, Domiciano, 
Calígula etc., uma enfiada de casos e pessoas, em que 
de mistura vinham entidades odiosas, e entidades 
ridículas. 15E porque o boticário se admirasse de uma tal 
promiscuidade, o alienista disse-lhe que era tudo a 
mesma coisa, e até acrescentou sentenciosamente: 
16– A ferocidade, Sr. Soares, é o grotesco a 
sério. 
– Gracioso, muito gracioso!, exclamou Crispim 
Soares levantando as mãos ao céu. 
17Quanto à ideia de ampliar o território da 
loucura, achou-a o boticário extravagante; mas a 
modéstia, principal adorno de seu espírito, não lhe 
sofreu confessar outra coisa além de um nobre 
entusiasmo; 18declarou-a sublime e verdadeira, e 
acrescentou que era “caso de matraca”. Esta expressão 
não tem equivalente no estilo moderno. 19Naquele 
tempo, Itaguaí, que como as demais vilas, arraiais e 
povoações da colônia, não dispunha de imprensa, tinha 
dois modos de divulgar uma notícia: ou por meio de 
TEOREMA MILITAR 
LISTA 2 – MORFOLOGIA – FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
PROF. MARCOS SIQUEIRA 
 
cartazes manuscritos e pregados na porta da Câmara, e 
da matriz; – ou por meio de matraca. 
Eis em que consistia este segundo uso. 
20Contratava-se um homem, por um ou mais dias, 21para 
andar as ruas do povoado, com uma matraca na mão. 
De quando em quando tocava a matraca, 
reunia-se gente, 22e ele anunciava o que lhe incumbiam, 
– um remédio para sezões, umas terras lavradias, um 
soneto, um donativo eclesiástico, a melhor tesoura da 
vila, o mais belo discurso do ano etc. O sistema tinha 
inconvenientes para a paz pública; mas era conservado 
pela grande energia de divulgação que possuía. Por 
exemplo, um dos vereadores, – aquele justamente que 
mais se opusera à criação da Casa Verde, – desfrutava 
a reputação de perfeito educador de cobras e macacos, 
e aliás nunca domesticara um só desses bichos; mas, 
tinha o cuidado de fazer trabalhar a matraca todos os 
meses. 23E dizem as crônicas que algumas pessoas 
afirmavam ter visto cascavéis dançando no peito do 
vereador; afirmação perfeitamente falsa, mas só devida 
à absoluta confiança no sistema. 24Verdade, verdade, 
nem todas as instituições do antigo regime mereciam o 
desprezo do nosso século. 
– Há melhor do que anunciar a minha ideia, é 
praticá-la, respondeu o alienista à insinuação do 
boticário. 
E o boticário, não divergindo sensivelmente 
deste modo de ver, disse-lhe que sim, que era melhor 
começar pela execução. 
25– Sempre haverá tempo de a dar à matraca, 
concluiu ele. 
Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e 
disse: 
– Suponho o espírito humano uma vasta 
concha, o meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a 
pérola, que é a razão; por outros termos, demarquemos 
definitivamente os limites da razão e da loucura. A razão 
é o perfeito equilíbrio de todas as faculdades; fora daí 
insânia, insânia e só insânia. 
O Vigário Lopes, a quem ele confiou a nova 
teoria, declarou lisamente que não 26chegava a 
entendê-la, que era uma obra absurda, e, se não era 
absurda, era de tal modo colossal que não merecia 
princípio de execução. 
– Com a definição atual, que é a de todos os 
tempos, acrescentou, a loucura e a razão estão 
perfeitamente delimitadas. Sabe-se onde uma acaba e 
onde a outra começa. Para que transpor a cerca? 
27Sobre o lábio fino e discreto do alienista roçou 
a vaga sombra de uma intenção de riso, em que o 
desdém vinha casado à 28comiseração; mas nenhuma 
palavra saiu de suas egrégias entranhas. 
A ciência contentou-se em estender a mão à 
teologia, – com tal segurança, que a teologia não soube 
enfim se devia crer em si ou na outra. Itaguaí e o 
universo à beira de uma revolução. 
 
ASSIS, Machado de. O Alienista. Biblioteca Virtual do 
Estudante Brasileiro / USP. Disponível em: 
<http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/Detalhe
ObraForm.do?select_action=&co_obra=1939>. Acesso 
em: 12/08/2019. 
 
6. (Ime 2020) “Naquele tempo, Itaguaí que como as 
demais vilas, arraiais e povoações da colônia, não 
dispunha de imprensa [...]” (ref. 19) 
 
“[...], para andar as ruas do povoado, com uma 
matraca na mão.” (ref. 21) 
 
Acerca da etimologia dos vocábulos em negrito, é 
sabido que são cognatos. Considerando essa afirmativa, 
assinale a alternativa em que uma das palavras tem 
origem distinta das demais. 
a) viver – vida – vidente 
b) legislar – ilegal – legislativo 
c) ler – leitura – literatura 
d) alguém – algo – algum 
e) desnaturado – naturalização – sobrenatural 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
Becos de Goiás 
 
Beco da minha terra... 
Amo tua paisagem triste, ausente e suja. 
Teu ar sombrio. Tua velha umidade andrajosa. 
Teu lodo negro, esverdeado, escorregadio. 
E a réstia de sol que ao meio-dia desce, fugidia, 
e semeia polmes dourados no teu lixo pobre, 
calçando de ouro a sandália velha, 
jogada no teu monturo. 
 
Amo a prantina silenciosa do teu fio de água, 
descendo de quintais escusos 
sem pressa, 
e se sumindo depressa na brecha de um velho cano. 
Amo a avenca delicada que renasce 
na frincha de teus muros empenados, 
e a plantinha desvalida, de caule mole 
que se defende, viceja e floresce 
no agasalho de tua sombra úmida e calada. 
 
Amo esses burros-de-lenha 
que passam pelos becos antigos. Burrinhos dos morros, 
secos, lanzudos, malzelados, cansados, pisados. 
Arrochados na sua carga, sabidos, procurando a 
sombra, 
no range-range das cangalhas. 
 
E aquele menino, lenheiro ele, salvo seja. 
Sem infância, sem idade. 
Franzino, maltrapilho, 
pequeno para ser homem, 
forte para ser criança. 
Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha cidade. 
 
TEOREMA MILITAR 
LISTA 2 – MORFOLOGIA – FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
PROF. MARCOS SIQUEIRA 
 
Amo e canto com ternura 
todo o errado da minha terra. 
Becos da minha terra, 
discriminados e humildes, 
lembrando passadas eras... 
 
Beco do Cisco. 
Beco do Cotovelo. 
Beco do Antônio Gomes. 
Beco das Taquaras. 
Beco do Seminário. 
Bequinho da Escola. 
Beco do Ouro Fino. 
Beco da Cachoeira Grande. 
Beco da Calabrote. 
Beco do Mingu. 
Beco da Vila Rica... 
 
Conto a estória dos becos, 
dos becos da minhaterra, 
suspeitos... mal afamados 
onde família de conceito não passava. 
“Lugar de gentinha” - diziam, virando a cara. 
De gente do pote d’água. 
De gente de pé no chão. 
Becos de mulher perdida. 
Becos de mulheres da vida. 
Renegadas, confinadas 
na sombra triste do beco. 
Quarto de porta e janela. 
Prostituta anemiada, 
solitária, hética, engalicada, 
tossindo, escarrando sangue 
na umidade suja do beco. 
 
Becos mal assombrados. 
Becos de assombração... 
Altas horas, mortas horas... 
Capitão-mor - alma penada, 
terror dos soldados, castigado nas armas. 
Capitão-mor, alma penada, 
num cavalo ferrado, 
chispando fogo, 
descendo e subindo o beco, 
comandando o quadrado - feixe de varas... 
Arrastando espada, tinindo esporas... 
 
Mulher-dama. Mulheres da vida, 
perdidas, 
começavam em boas casas, depois, 
baixavam pra o beco. 
Queriam alegria. Faziam bailaricos. 
- Baile Sifilítico - era ele assim chamado. 
O delegado-chefe de Polícia - brabeza - 
dava em cima... 
Mandava sem dó, na peia. 
No dia seguinte, coitadas, 
cabeça raspada a navalha, 
obrigadas a capinar o Largo do Chafariz, 
na frente da Cadeia. 
 
Becos da minha terra... 
Becos de assombração. 
Românticos, pecaminosos... 
Têm poesia e têm drama. 
O drama da mulher da vida, antiga, 
humilhada, malsinada. 
Meretriz venérea, 
desprezada, mesentérica, exangue. 
Cabeça raspada a navalha, 
castigada a palmatória, 
capinando o largo, 
chorando. Golfando sangue. 
 
(ÚLTIMO ATO) 
 
Um irmão vicentino comparece. 
Traz uma entrada grátis do São Pedro de Alcântara. 
Uma passagem de terceira no grande coletivo de São 
Vicente. 
Uma estação permanente de repouso - no aprazível São 
Miguel. 
 
Cai o pano. 
 
CORALINA, Cora. Poemas dos Becos de Goiás e Estórias 
Mais. 21ª ed. - São Paulo: Global Editora, 2006. 
 
 
7. (Ime 2019) “Amo e canto com ternura / todo o 
errado da minha terra” (versos 29 e 30). 
 
A substantivação do adjetivo “errado”, antecedido pelo 
determinante “o”, que aparece no trecho acima 
destacado do poema de Cora Coralina 
a) fala do desdém relativo à maneira como vivem os 
habitantes dos becos. 
b) mostra que a voz poética é avessa a tudo o que 
acontece nos becos. 
c) salienta uma proximidade e cumplicidade entre quem 
ama e quem recebe o amor. 
d) revela apatia em relação aos becos de Goiás e a seus 
frequentadores. 
e) trata unicamente da exclusão social dos moradores 
dos becos. 
 
8. (Ime 2019) Sabe-se que o prefixo de negação “in”, 
na língua portuguesa, pode assumir diferentes formas, 
de acordo com a ocorrência dos fenômenos de 
assimilação e mesmo de dissimilação. 
 
Assinale a opção em que o significado do prefixo “in” 
difere do sentido encontrado nas palavras “indefeso” e 
“indefinido” no verso abaixo transcrito: 
 
“Ser indefeso, indefinido, que só se vê na minha 
TEOREMA MILITAR 
LISTA 2 – MORFOLOGIA – FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
PROF. MARCOS SIQUEIRA 
 
cidade.” (verso 28) 
a) Alimentar a criança é indispensável ao seu 
crescimento saudável. 
b) A conclusão a que se chegou parecia algo ilógico. 
c) Sua situação me parece irregular. 
d) Eles estavam impossibilitados de frequentar aquele 
local. 
e) Ele está tão fraco que já não consegue ingerir os 
alimentos. 
 
9. (EsPCEx 2014) Ao se alistar, não imaginava que o 
combate pudesse se realizar em tão curto prazo, 
embora o ribombar dos canhões já se fizesse ouvir ao 
longe. 
 
Quanto ao processo de formação das palavras 
sublinhadas, é correto afirmar que sejam, 
respectivamente, casos de 
a) prefixação, sufixação, prefixação, aglutinação e 
onomatopeia. 
b) parassíntese, derivação regressiva, sufixação, 
aglutinação e onomatopeia. 
c) parassíntese, prefixação, prefixação, sufixação e 
derivação imprópria. 
d) derivação regressiva, derivação imprópria, sufixação, 
justaposição e onomatopeia. 
e) parassíntese, aglutinação, derivação regressiva, 
justaposição e onomatopeia. 
 
10. (EsPCEx 2014) São palavras primitivas: 
a) época – engarrafamento – peito – suor 
b) sala – quadro – prato – brasileiro 
c) quarto — chuvoso — dia — hora 
d) casa – pedra – flor – feliz 
e) temporada – narcotráfico – televisão – passatempo 
 
11. (EsPCEx 2014) Assinale a alternativa que contém 
um grupo de palavras cujos prefixos possuem o mesmo 
significado. 
a) compartilhar – sincronizar 
b) hemiciclo – endocarpo 
c) infeliz – encéfalo 
d) transparente – adjunto 
e) benevolente – diáfano 
 
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: 
Minha amiga me pergunta: por que você fala 
sempre nas coisas que acontecem a primeira vez e, 
sobretudo, as comparar com a primeira vez que você 
viu o mar? Me lembro dessa cena: um adolescente 
chegando ao Rio e o irmão lhe prevenindo: “Amanhã 
vou te apresentar o mar.” Isto soava assim: amanhã 
vou te levar ao outro lado do mundo, amanhã te ofereço 
a Lua. Amanhã você já não será o mesmo homem. 
E a cena continuou: resguardado pelo irmão 
mais velho, que se assentou no banco do calçadão, o 
adolescente, ousado e indefeso, caminha na areia para 
o primeiro encontro com o mar. Ele não pisava na areia. 
Era um oásis a caminhar. Ele não estava mais em Minas, 
mas andava num campo de tulipas na Holanda. O mar 
a primeira vez não é um rito que deixe um homem 
impune. Algo nele vai-se aprofundar. 
 E o irmão lá atrás, respeitoso, era a sentinela, o 
sacerdote que deixa o iniciante no limiar do sagrado, 
sabendo que dali para a frente o outro terá que, 
sozinho, enfrentar o dragão. E o dragão lá vinha 
soltando pelas narinas as ondas verdes de verão. E o 
pequeno cavaleiro, destemido e intimidado, tomou de 
uma espada ou pedaço de pau qualquer para enfrentar 
a hidra que ondeava mil cabeças, e convertendo a arma 
em caneta ou lápis começou a escrever na areia um 
texto que não terminará jamais. Que é assim o ato de 
escrever: mais que um modo de se postar diante do 
mar, é uma forma de domar as vagas do presente 
convertendo-o num cristal passado. 
Não, não enchi a garrafinha de água salgada 
para mostrar aos vizinhos tímidos retidos nas 
montanhas, e fiz mal, porque muitos morreram sem 
jamais terem visto o mar que eu lhes trazia. Mas levei 
as conchas, é verdade, que na mesa interior 
marulhavam lembranças de um luminoso encontro de 
amor com o mar. 
Certa vez, adolescente ainda nas montanhas, li 
urna crônica onde um leitor de Goiás pedia à cronista 
que lhe explicasse, enfim, o que era o mar. Fiquei 
perplexo. Não sabia que o mar fosse algo que se 
explicasse. Nem me lembro da descrição. Me lembro 
apenas da pergunta. Evidentemente eu não estava 
pronto para a resposta. A resposta era o mar. E o mar 
eu conheci, quando pela primeira vez aprendi que a vida 
não é a arte de responder, mas a possibilidade de 
perguntar. 
Os cariocas vão achar estranho, mas eu devo 
lhes revelar: o carioca, com esse modo natural de ir à 
praia, desvaloriza o mar. Ele vai ao mar com a sem-
cerimônia que o mineiro vai ao quintal. E o mar é mais 
que horta e quintal. É quando atrás do verde-azul do 
instante o desejo se alucina num cardume de flores no 
jardim. O mar é isso: é quando os vagalhões da noite 
se arrebentam na aurora do sim. 
Ver o mar a primeira vez, lhes digo, é quando 
Guimarães Rosa pela vez primeira, por nós, viu o sertão. 
Ver o mar a primeira vez é quase abrir o primeiro 
consultório, fazer a primeira operação. Ver o mar a 
primeira vez é comprar pela primeira vez uma casa nas 
montanhas: que surpresas ondearão entre a lareira e a 
mesa de vinhos e queijos! 
O mar é o mestre da primeira vez e não para de 
ondear suas lições. Nenhuma onda é a mesma onda. 
Nenhum peixe o mesmo peixe. Nenhuma tarde a 
mesma tarde. O mar é um morrer sucessivo e um viver 
permanente. Ele se desfolha em ondas e não para de 
brotar. A contemplá-lo ao mesmo tempo sou jovem e 
envelheço. 
O mar é recomeço. 
 
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LISTA 2 – MORFOLOGIA – FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
PROF. MARCOS SIQUEIRA(SANT’ANNA, Affonso Romano de. O mar, a 
primeira vez. In:_____. Fizemos bem em resistir: 
crônicas selecionadas. Rio de Janeiro: Rocco,1994, 
p.50-52. Texto adaptado.) 
 
 
12. (Esc. Naval 2014) Em que opção o comentário 
sobre as palavras sublinhadas está correto? 
a) “E o irmão lá atrás, respeitoso, [...].” (3º parágrafo) 
- o sufixo “-oso” forma o adjetivo sublinhado a partir 
de um substantivo. 
b) “Não, não enchi a garrafinha de água salgada para 
[...].” (4º parágrafo) - em “garrafinha”, o sufixo de 
diminutivo tem valor pejorativo. 
c) “[...] o carioca, com esse modo natural de ir à praia, 
desvaloriza o mar.” (6º parágrafo) - o prefixo “des-” 
denota repetição em “desvalorizar”. 
d) “Ele vai ao mar com a sem-cerimônia que o mineiro 
vai ao quintal.” (6º parágrafo) - “sem-cerimônia” é 
um neologismo formado por aglutinação. 
e) “[...] que surpresas ondearão entre a lareira e a mesa 
de vinhos e queijos!” (7º parágrafo) - o verbo 
sublinhado é formado por prefixação. 
 
13. (EsPCEx 2013) Assinale a alternativa em que todas 
as palavras são formadas por prefixos com significação 
semelhante. 
a) metamorfose – metáfora – meteoro – malcriado 
b) apogeu – aversão – apóstata – abster 
c) síncope – simpatia – sobreloja – sílaba 
d) êxodo – embarcar – engarrafar – enterrar 
e) débil – declive – desgraça – decapitar 
 
14. (Ita 1999) Assinale a opção que apresenta somente 
palavras formadas por derivação parassintética: 
a) desvalorização, avistar, resfriado, reintegração, 
infelizmente. 
b) expropriar, entortar, amanhecer, desalmado, 
ensurdecer. 
c) escolarização, antiinflação, retrospectivo, comilão, 
corpanzil. 
d) desigualdade, endurecer, alfabetizar, abençoar, 
chuviscar. 
e) administração, entretela, contrabalançar, 
semicondutor, relembrar. 
 
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LISTA 2 – MORFOLOGIA – FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
PROF. MARCOS SIQUEIRA 
 
Gabarito: 
 
Resposta da questão 1: 
 [E] 
 
[A] Incorreta. Qualidade (sufixação); saneamento 
(derivação regressiva) 
[B] Incorreta. Igualdade (sufixação); discriminação 
(derivação regressiva) 
[C] Incorreta. Avanços (derivação regressiva); acesso 
(derivação regressiva) 
[D] Incorreta. Acessível (sufixação); felizmente 
(sufixação) 
[E] Correta. Planejamento (sufixação); combate 
(derivação regressiva) 
 
Resposta da questão 2: 
 ANULADA 
 
Questão anulada no gabarito oficial. 
 
Nenhuma das alternativas está correta. Fazendo as 
devidas correções, teríamos: 
[A] Composição por justaposição: bem-aventurado. 
[B] Derivação sufixal: constantemente. 
[C] Derivação sufixal: constantemente. 
[D] Derivação prefixal: incomum 
 
Resposta da questão 3: 
 [C] 
 
A palavra “penumbra” é formada pelo prefixo “pene” 
(quase), “diálogo” por “dia” (movimento através de), 
“periscópio por “peri” (posição em torno de), exogamia 
(movimento para fora) e “sintaxe” (noção de 
simultaneidade). Assim, é correta a opção [C]. 
 
Resposta da questão 4: 
 [C] 
 
“Embarque” é formado por derivação regressiva: a 
partir do verbo “embarcar” formou-se o substantivo 
“embarque”. A mesma situação ocorre em “perda”: a 
partir do verbo “perder” formou-se o substantivo 
“perda”. 
 
[A] ocorre derivação prefixal a partir do prefixo latino 
circum–. 
[B] ocorre derivação sufixal a partir do adjetivo “certa” 
e sufixo formador de advérbio de modo, –mente. 
[D] ocorre composição por justaposição (entre + 
meado). 
[E] “notável” apresenta derivação sufixal a partir do 
sufixo –ável (“passível de”); por sua vez, “escritor-
marinheiro” é composto por justaposição. 
 
Resposta da questão 5: 
 [A] 
 
Resposta da questão 6: 
 [A] 
 
[A] Correto. “Viver” e “Vida” são termos cognatos, pois 
a raiz é a mesma; ambos diferem de “vidente”, 
originado de “ver. 
[B] Incorreto. Todos os termos se originam nas formas 
latinas “lex, legis”. 
[C] Incorreto. Todos os termos se originam na forma 
latina “legere”. 
[D] Incorreto. Todos os termos se originam na forma 
latina “aliq-“. 
[E] Incorreto. Todos os termos se originam na forma 
latina “naturalis”. 
 
Resposta da questão 7: 
 [C] 
 
O artigo “o” transforma, por derivação imprópria, o 
adjetivo “errado” em substantivo, definindo e 
individualizando o objeto a que se refere. Desta forma, 
nos versos “Amo e canto com ternura / todo o errado 
da minha terra”, o artigo “o” expressa proximidade 
entre o eu poético e o espaço em que vive, os becos, 
como se afirma em [C]. 
 
Resposta da questão 8: 
 [E] 
 
Nas palavras “indefeso” e “indefinido”, o prefixo in- 
apresenta valor de negação, assim como em 
“indispensável”, “ilógico”, “irregular” e 
“impossibilitados”. Assim, é correta a opção [E], pois 
penas o vocábulo “ingerir” não é formado por 
prefixação, tendo sua origem no latim “ingerere”. 
 
Resposta da questão 9: 
 [B] 
 
Alistar: parassíntese. Foram acrescentados, 
simultaneamente, um prefixo e um sufixo à palavra 
primitiva. 
Combate: derivação regressiva. A parte final da 
palavra primitiva (combater) foi retirada, gerando, 
como palavra derivada, um nome de ação. 
Realizar: sufixação. Foi acrescentado o sufixo “ar” ao 
radical do substantivo “realização”, levando-o a mudar 
de classe gramatical, de substantivo para verbo. 
Embora: aglutinação. Os elementos que formam o 
composto se ligam e há perda da integridade sonora 
de ao menos um deles. Assim, “em boa hora” torna-se 
“embora”. 
Ribombar: onomatopeia. A palavra é formada através 
da imitação de um som. 
 
Resposta da questão 10: 
 [D] 
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LISTA 2 – MORFOLOGIA – FORMAÇÃO DE PALAVRAS 
PROF. MARCOS SIQUEIRA 
 
 
Em [A], “engarrafamento” é derivada; em [B], 
brasileiro; em [C], chuvoso; e, em [E], todas são 
derivadas. Assim, a única alternativa em que todas as 
palavras são primitivas é [D]. 
 
Resposta da questão 11: 
 [A] 
 
O prefixo “com” (de “compartilhar”) indica 
contiguidade, companhia, agrupamento; e o prefixo 
“sin” (de “sincronizar”) significa ação conjunta, 
companhia, reunião, simultaneidade. Assim, ambos 
são semelhantes semanticamente. 
 
Resposta da questão 12: 
 [A] 
 
[B] Incorreta: o sufixo traz ideia de tamanho pequeno 
[C] Incorreta: o prefixo “des-“ denota negação, 
mostrando que o mar não é valorizado. 
[D] Incorreta: “sem-cerimônia” é um substantivo 
composto. 
[E] Incorreta: o verbo é formado por derivação sufixal. 
 
Resposta da questão 13: 
 [B] 
 
Apenas em [B] existem palavras formadas com prefixo 
(a-) com a mesma significação: ausência ou privação, 
pois em 
 
[A] os termos “metamorfose”, “metáfora” e “meteoro” 
apresentam prefixo [met-(a)], com significado de 
mudança, mas em “malcriado” o prefixo (mal-) tem 
sentido de negação; 
[C] “simpatia”, “síncope” e “sílaba”, o prefixo 
(sin/sim/si) imprime noção semântica de 
simultaneidade, mas em “sobreloja” o prefixo 
(sobre) indica posição por cima; 
[D] “embarcar”, “engarrafar” e “enterrar” apresentam 
prefixo (en-/em-) sugerindo movimento para 
dentro, mas “êxodo” é formado por prefixo (ex-) 
com noção de movimento para fora; 
[E] “decapitar” e “declive” têm prefixo (de-) com noção 
de movimento de cima para baixo, mas “desgraça” 
apresenta prefixo (des-) com sentido de negação, e 
“débil” é um vocábulo formado por sufixação. 
 
Resposta da questão 14: 
 [B]

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