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Treponema pallidum (TPA) = agente da sífilis venérea. Ele tem o homem como o único hospedeiro. A sífilis é uma infecção sistêmica com evolução crônica. Características gerais: • Morfologia fina e helicoidal • Bactéria espiroqueta • Móvel pela ação de endoflagelos • Intracelular obrigatório Endoflagelos: estimulam a resposta humoral e celular. Lipo-oligossacarídeos (LOS): tem função semelhante ao LPS, com função de adesina. Mucopolissacaridase: digere mucopolissacarídeos do glicocálix das células endoteliais, permitindo a passagem da espiroqueta pelo endotélio. Proteínas recombinantes: TpO155, TpOO483 e TpO751. 1. Contato íntimo com a lesão 2. T. pallidum penetra na pele pelas mucosas 3. Multiplicação no local de entrada 4. Propagação para linfonodos vizinhos 5. Corrente sanguínea Depois que penetra a pele pelas mucosas, a bactéria fica em período de incubação que dura de 3 semanas a 3 meses. Ela invade os tecidos pelas junções de oclusão das células epiteliais e se dissemina rapidamente pelo sistema linfático e sanguíneo por ter grande motilidade. Anticorpos aparecem de 1 a 4 semanas após o aparecimento das lesões (cancro), sendo que o IgG permanece até o estado latente da doença. A cronicidade da sífilis sugere que mecanismos de evasão (liberação de substâncias que inativam o sistema imune) participem na imunopatogenia da doença. A TPA tem poucas proteínas de membrana externa, o que reduz a exposição à antígenos espécie-específicos. • Contato sexual direto (é o mais comum) • Congenitamente: pode ocorrer a qualquer momento da gestação e é mais comum quando a gestante está em período de latência • Transfusão sanguínea A transmissão ocorre principalmente nos períodos iniciais da doença. A sífilis aumenta a eficácia da transmissão do HIV, porque suas lesões funcionam como porta de entrada. O HIV altera o curso da sífilis, causando múltiplos cancros, uma sobreposição dos estágios primário e secundário, resultados falso- negativo para sorologia de sífilis e uma falha terapêutica. Glicolipídios, lipoproteínas, LOS e o petideoglicano estimulam a resposta imune inflamatória do hospedeiro, o que parece ser a principal causa da lesão tecidual. Caracterizado pelo aparecimento de lesão ulcerada, indolor e com exsudato seroso, o cancro ou cancro duro. Ele aparece de 10 a 90 dias após a contaminação. É extremamente infeccioso. Os gânglios da região também podem estar aumentados, mas indolores. O cancro desaparece em mais ou menos 2 meses, sem deixar cicatriz. Caracterizado por erupções distribuídas pela pele e mucosas, principalmente nas regiões plantar e palmar. Aparecem de 2 a 8 semanas após o aparecimento do cancro. São muito infecciosos. Além disso, o paciente pode ter algo parecido com uma síndrome gripal (febre, mialgia, inflamação na garganta etc.) e linfoadenopatia, que precedem o aparecimento das erupções. Dentro de algumas semanas as lesões se resolvem espontaneamente e a sífilis entra em estado latente. Como a imagem mostra, a maioria dos casos continua assim, mas mais ou menos 25% dos casos não tratados pode ter, depois de algum tempo, a sífilis terciária. Acontece após a resolução dos problemas do estágio secundário. A maioria dos casos não progride e fica em latência. Até 1 ano da contaminação: latência recente Após 1 ano da contaminação: latência tardia Principalmente na latência recente, o paciente pode ter a reincidência do estágio secundário. Nessa fase, o diagnóstico só pode ser feito por exames sorológicos. É uma doença inflamatória de progressão lenta. Pode afetar vários órgãos do corpo e alguns tipos são: neurossífilis, sífilis cardiovascular, goma sifilítica e osteíte sifilítica. As espiroquetas adentram o sistema nervoso central nos primeiros estágios da doença, então os sintomas neurológicos podem se desenvolver ainda nos primeiros meses. Ou seja, a neurossífilis não é exclusivamente tardia. A neurossífilis pode ser precoce ou tardia. Normalmente, nos casos precoces é do tipo neurossífilis meníngea. 1. Neurossífilis assintomática Só apresenta alterações no LCR: • Pleiocitose (aumento do número de leucócitos) linfocitária • Aumento do número de proteínas • Reações sorológicas positivas 2. Neurossífilis meníngea É uma inflamação difusa das meninges, vasos, barreira hematoencefálica etc. Paciente tem cefaleia, rigidez de nuca, neuropatias, vômitos, crises convulsivas... Seu acometimento é precoce e normalmente é causada por falhas do tratamento da sífilis recente. Também gera alterações no LCR: • Pleiocitose • Proteinorraquia • Sorologia positiva 3. Neurossífilis meningovascular É uma infiltração perivascular das meninges por linfócitos e plasmócitos. Existe uma arterite, causando trombose e isquemia. O paciente tem déficits neurológicos que podemos confundir com os gerados em AVEs. Pode ter cefaleia, vertigem, alterações de personalidade e insônia. É comum em adultos jovens sem comorbidades, meses após a infecção. Pode ser diagnosticado por exame de liquor e de imagem. 4. Neurossífilis parenquimatosa Chamada de paralisia geral ou doença paralítica. Demência de caráter rapidamente progressivo ou crônico. Mimetiza desordens psíquicas, mas também pode se apresentar apenas como declínio cognitivo. O paciente tem distúrbios de memória, diminuição da capacidade intelectual e alterações do comportamento e personalidade. Ocorre entre 10 a 30 anos após a infecção. Tabes Dorsallis: é quando a neurossífilis começa a atingir a medula. O paciente tem sintomas sensoriais, como dor e parestesias. Tem anormalidades pupilares, marcha tabética e ataxia sensitiva. Surge 20 anos após a infecção. 1. Microscopia Existem duas formas: microscopia de campo escuro (é diferente da microscopia normal) e impregnação pela prata ou por imunofluorescência imuno-histoquímica. As duas têm maior aplicabilidade nos estágios iniciais, com alta especificidade e sensibilidade. Não são muito utilizadas. 2. Testes sorológicos Detectam anticorpos anti cardiolipina, ou seja, não são testes específicos para a sífilis. A cardiopilina está no T. pallidum, mas também na membrana de mitocôndrias humanas. São usados para triagem e seguimento, sendo os mais comuns o VDRL, RPR, USR e TRUST. Eles são úteis para ver o seguimento da doença porque pode ser feita a titulação (contagem de anticorpos no soro ou liquor). Quando o indivíduo é tratado os níveis de anticorpos não treponêmicos cai abruptamente (por isso ele pode ser usado como seguimento). Os níveis também caem em indivíduos não tratados, mas não tão significativamente. Eles tornam-se reagentes depois dos treponêmicos (olhe a foto que tem ali embaixo). Utilizam o T pallidum como antígeno e detectam anticorpos anti-treponêmicos, como o FTA-ABS, TPHA, teste rápido. Utilizam lisados completos de T. pallidum ou antígenos treponêmicos recombinantes e detectam anticorpos específicos (geralmente IgG e IgM) contra os componentes celulares do treponema. São os primeiros a terem resultado reagente (olhe a foto que tem embaixo). Eles são utilizados para confirmação dos testes não treponêmicos. Não podem ser utilizados para seguimento porque seus resultados continuam positivos mesmo em pacientes curados. Essa é a abordagem convencional, mas também pode ser feita a abordagem reversa, começando com um teste treponêmico. Independente por qual você comece, se o primeiro teste por reagente, devemos confirmar com um segundo teste diferente. Agora, vamos para alguns casos... - Primeiro teste (qualquer um dos 2 tipos) não reagenteo Nesse caso, não realizamos teste complementar, exceto se houver suspeita clínica de sífilis primária o Pode não existir infecção ou o estar no período de incubação (janela imunológica) da sífilis primária (lembre- se do gráfico ali em cima) - Primeiro teste (qualquer um dos 2 tipos) reagente e teste complementar (o outro tipo) reagente, pode indicar duas coisas: o Diagnóstico de sífilis (devemos analisar qual estágio) ou o Cicatriz sorológica – sífilis em tratamento (lembra que os níveis dos anticorpos não treponêmicos caem ao decorrer do tratamento/tempo da infecção? Então, se a pessoa estiver sendo tratada recentemente e ainda não tenha dado o tempo de os níveis desses anticorpos caírem, o teste não treponêmico vai dar positivo). - Teste treponêmico reagente e não treponêmico não reagente, pode indicar duas coisas: o Sífilis tratada (por isso o não treponêmico está negativo) ou o Sífilis recente ainda sem desenvolvimento de anticorpos não treponêmicos (olhe de novo aquele graficozinho) - Teste treponêmico não reagente e não treponêmico reagente, pode indicar duas coisas: Avaliação do liquor Indicado para pacientes com: • Sinais ou sintomas neurológicos ou oftalmológicos • Evidência de sífilis terciária ativa • Falência terapêutica • Infectado pelo HIV com sífilis latente tardia ou indeterminada Pode ser analisado por: cultura com antibiograma (não é utilizado para sífilis), aglutinação pelo látex (identifica antígenos bacterianos), bacterioscopia direta (identifica morfologia microbiana), quimiocitológico (traça o perfil etiológico) e PCR (DNA das bactérias). o Devemos olhar o título (quantidade) do não treponêmico, porque algumas titulações muito baixas não são consideradas positivas. o Pode ser um falso-positivo e devemos investigar colagenoses e outras possibilidades (ex: lúpus).