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Imunologia Geral 
e Clínica Aplicada 
à Farmácia 
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Me. Ana Carolina Alves Rocha
Revisão Textual:
Prof.ª Me. Sandra Regina Fonseca Moreira
Imunoensaios
Imunoensaios
 
 
• Conhecer os princípios e as metodologias em imunoensaios;
• Compreender a importância da qualidade nos exames laboratoriais;
• Reconhecer e identificar os diferentes métodos de imunoensaios.
OBJETIVOS DE APRENDIZADO 
• Introdução;
• Qualidade nos Imunoensaios;
• Metodologias em Imunoensaios.
UNIDADE Imunoensaios
Introdução
Os imunoensaios são conhecidos como os métodos laboratoriais utilizados para 
diagnosticar doenças, medir substâncias de interesse clínico e laboratorial. Os imuno-
ensaios são muitos utilizados para analisar a concentração de anticorpos, proteínas, 
hormônios e até mesmo marcadores tumorais, ou seja, podem ser usados para pes-
quisar antígenos ou anticorpos. Existem atualmente diversos métodos laboratoriais 
de imunodiagnóstico. Nesta unidade, conheceremos alguns deles.
Para entender imunoensaios é necessário compreender que para a formação de 
imunocomplexos é necessária a ligação de antígenos com anticorpos. A região anti-
gênica onde eles se ligam chama-se epítopo (Figura 1).
Epítopo: é a área do antígeno que se liga ao anticorpo, ou local de reconhecimento de um 
receptor de linfócito.
Anticorpo Anticorpo
Antígeno Antígeno
Epítopo
Figura 1 – Ilustração do epítopo e a formação de complexos
Antígeno
É toda estrutura capaz de reagir com células do sistema imune ou de interagir com 
anticorpo sintetizado contra si próprio. O antígeno pode ser capaz de ativar o siste-
ma imune e induzir a produção de anticorpo, ou seja, apresentar imunogenicidade. 
Para isso, as células imunológicas que reconhecem antígeno devem diferenciar o que 
é próprio, self, do que é estranho, nonself, para então iniciar uma resposta imune. 
Outra propriedade do antígeno é a de se ligar ao anticorpo ou a receptores presentes 
em linfócitos B (BCR, B cell receptor) ou linfócitos T (TCR, T cell receptor). Essa ca-
racterística é chamada antigenicidade. Enquanto o linfócito B é capaz de interagir 
com qualquer antígeno livre na corrente sanguínea, uma substância interage com o 
TCR no linfócito T por apresentação de antígeno expressas com as moléculas de 
MHC na superfície celular de uma célula apresentadora de antígenos.
8
9
Em Síntese
Os linfócitos B podem ser ativados apenas com os antígenos livres, circulantes, enquanto 
os linfócitos T só são ativados mediante reconhecimento pelo MHC das células apresen-
tadoras de antígenos.
Proteínas Recombinantes
A tecnologia de proteínas recombinantes é utilizada para obter e combinar genes 
de diferentes espécies e expressá-los em vários tipos de hospedeiros. A bactéria 
Escherichia coli tem sido usada com sucesso para a produção de proteínas pequenas 
e menos complexas. Essa tecnologia produz proteínas recombinantes necessárias 
para fins diagnósticos, terapêuticos e de prevenção de doenças.
Antígenos Recombinantes
A produção de proteínas recombinantes é muito útil no desenvolvimento de imu-
noensaios. As proteínas recombinantes são em geral empregadas como antígenos, 
em imunoensaio enzimático (ELISA, enzyme-linked immunoassay), Immunoblot, 
Western blot, imunocromatografia, imunoprecipitação e outros métodos. Também 
podem ser utilizadas para induzir a produção de anticorpos poli ou monoclonais a 
serem utilizados em diversos tipos de imunoensaios.
Imunoglobulinas ou Anticorpos
As imunoglobulinas (Ig) ou anticorpos (ac) são produzidos por linfócitos B ativados 
(plasmócitos). A diferenciação dos linfócitos B em plasmócitos ocorre após ativação 
pelo contato do antígeno com receptor de célula B (BCR). 
Anticorpos Monoclonais
A utilização de anticorpos como ferramentas de identificação de antígenos é 
 frequente. Georges Köhler e César Milstein, em 1975, descreveram a primeira técnica 
para obtenção de anticorpos monoclonais de especificidade definida e receberam o 
Prêmio Nobel em 1984 por essa descoberta. Para essa técnica, cada linfócito B 
produz anticorpo de especificidade única, consistindo na fusão de células secretoras 
de anticorpos (plasmócitos), isoladas de um animal imunizado com o antígeno de 
interesse, com células de mieloma, um tipo de tumor de linfócito B, não secretor de 
anticorpo, imortal. As células híbridas, ou hibridomas, podem ser mantidas in vitro
indefinidamente e continuarão a secretar anticorpo com especificidade definida. 
Os anticorpos produzidos pelos hibridomas (Figura 2), derivados de um único clone, 
são conhecidos como monoclonais (AcMo ou Mab).
9
UNIDADE Imunoensaios
Figura 2
Fonte: Adaptado de ABBAS, 2016
Produção de anticorpos monoclonais. Essa figura ilustra um camundongo 
sendo imunizado com um antígeno (antígeno X) no qual existe o interesse 
na produção do anticorpo específico para ele (anti-X). A partir da sensibiliza-
ção, os linfócitos B são ativados, transformando-se em plasmócitos capazes 
de produzir o anti-X. Esses plasmócitos são fundidos com células HeLa, 
(cancerígenas), e passarão a serem chamados de hibridoma.
Esses hibridomas se multiplicam e são produtores dos anticorpos anti-X. O mate-
rial é purificado permitindo o uso dos anticorpos produzidos para os imunodiagnós-
ticos e até mesmo tratamento de doenças.
Hibridomas: é o resultado da fusão (união de duas células em uma só) de uma célula de 
mioloma (câncer) com um linfócito B normal, ativado com antígeno conhecido. Essa fusão 
de células (hibridoma) passa a secretar os anticorpos de interesse (que foram usados na 
imunização de um camundongo, por exemplo.)
10
11
Nesse vídeo você verá como ocorre a produção de monoclonais a partir de uma célula ativada: 
https://youtu.be/S_VZOV9E6zk
Interações Antígenos-Anticorpos (Imunocomplexos)
As interações multivalentes entre Ag-Ac são biologicamente significativas, e suas 
características também podem ser estudadas em sistemas de ensaios in vitro, pois 
imunocomplexos podem ser formados ao misturar o antígeno multivalente com 
 anticorpo específico.
Entender a importância da formação de imunocomplexos, bem como suas equi-
valências, é entender a essência dos métodos analíticos por imunoensaios. Veja no 
link a seguir a ilustração da formação de imunocomplexos.
Formação de imunocomplexos e a equivalência entre antígeno (azul) e anticorpos (preto), 
disponível em: https://bit.ly/33UySJM
Qualidade nos Imunoensaios
As análises laboratoriais em imunodiagnóstico devem seguir rigoroso controle 
na qualidade dos resultados. Isso é possível minimizando as probabilidades de erros 
e aumentando a probabilidade de definir um diagnóstico. Garantir a qualidade no 
preparo do paciente, na coleta do material, no transporte, nos métodos analíticos 
e na liberação dos laudos, minimiza a probabilidade de erros de resultados. Além 
disso, existem diversas formas de mensurar essa probabilidade por meio da análise 
de desempenho do ensaio, nas quais são analisados vários parâmetros, o que será 
explicado a seguir.
Precisão e Exatidão
A precisão é definida como a reprodutibilidade do resultado, ou seja, um teste é 
repetido várias vezes, na mesma amostra, no mesmo momento e no mesmo método 
analítico. Isso porque é necessário saber o quanto de variação existe naquele imu-
noensaio. O objetivo aqui é obter a menor variação possível de resultados. O cálculo 
usado para essa análise é o coeficiente de variação (CV%). É importante saber que 
nem sempre um teste preciso é exato. 
A exatidão é definida como os resultados corretos, nela identifica-se, se de fato, o 
paciente está doente ou saudável, ou seja, é o resultado real. Nem sempre um resul-
tado preciso (reproduz) é exato (resultado real), veja a Figura 3. 
11
UNIDADE Imunoensaios
A B C
Figura 3 – Precisão e exatidão de testes diagnósticos
Fonte: Adaptado de NICOLL et al., 2019
(A) Teste com precisão e sem exatidão, ou seja, reproduz o mesmo resul-
tado, porém errado, por não ter acertado o alvo; (B) Testesem precisão e 
sem exatidão, os pontos referem-se aos resultados, mas estão espalhados, 
dispersos, longe do alvo; (C) Teste com precisão e exatidão, os pontos acer-
tam o resultado real (alvo) e se reproduzem.
Sensibilidade e Especificidade
Sensibilidade de um ensaio (sensibilidade analítica) é definida como os resultados 
de pacientes doentes que dão positivos verdadeiros. Ela pode ser calculada com o 
número de resultados verdadeiros positivos (VP) e dividido pelo número de pacientes 
com a doença, independentemente se os resultados deram positivos (VP) ou falsos 
negativos (FN).
O índice de sensibilidade pode ser expresso em porcentagem (%), bastando mul-
tiplicar o valor obtido por 100.
Sensibilidade VP
FN VP
�
�
Especificidade é a proporção de todos os indivíduos sem a doença que possuem 
resultados negativos. A especificidade é calculada como o número de verdadeiros 
resultados negativos dividido pelo número de todos os indivíduos sem a doença.
Especificidade VN
FP VN
�
�
Metodologias em Imunoensaios
Imunoprecipitação
As técnicas de imunoprecipitação permitem identificar e até quantificar precipitados 
resultantes da interação de imunocomplexos. Dentre os vários fatores físico- químicos 
e imunológicos que interferem na quantidade de imunoprecipitado formado, os princi-
pais são as concentrações relativas de antígeno e anticorpo (equivalência). O máximo 
de precipitação é observado quando as quantidades de antígeno e de anticorpo são 
equivalentes, diminuindo na presença de excesso de um ou outro componente.
12
13
Imunodifusão
Baseia-se na difusão de antígenos ou anticorpos no ágar ou gel de agarose. 
No momento em que ocorre a interação entre as moléculas, são formados imuno-
complexos de elevado peso molecular que, devido ao tamanho, ficam imobilizados 
no gel, o que permite visualizar o imunocomplexo em decorrência da formação de 
turvação nítida visível a olho nu, o imunoprecipitado (Figura 4).
Figura 4 – Imunodifusão radial dupla
Fonte: Adaptado de PROFBIO
Imunoeletroforese
Técnica que combina eletroforese e difusão dupla em meio gelificado, em tempos 
distintos por diferenças de carga elétrica. É uma migração de moléculas carregadas 
em um solvente condutor sob a influência de um campo elétrico. Como várias 
 moléculas podem apresentar cargas elétricas próximas, a técnica as distribui em 
pontos próximos na migração eletroforética (Figuras 5 e 6).
Figura 5 – Cuba eletroforética
Fonte: Getty Images
Figura 6 – Gel de agarose sendo revelado
Fonte: Getty Images
Nefelometria e turbidimetria
A nefelometria e a turbidimetria são métodos utilizados para mensurar a formação 
de imunocomplexos em meio solúvel. Ambas as técnicas utilizam um feixe de luz 
para essa análise. Na nefelometria, a luz pode ser observada em todos os ângulos 
relacionados à direção do seu feixe, ou seja, é possível analisar a dispersão da luz. 
13
UNIDADE Imunoensaios
 A  turbidimetria possui condições semelhantes dos sistemas nefelométricos. A diferença 
é que o sinal de detecção é medido pela diminuição da luz incidente ao passar pelo 
tubo ou cubeta, ou seja, a absorbância, e não a intensidade de luz dispersa (Figura 7).
Figura 7 – Diferenças nos métodos de turbidimetria e nefelometria
Fonte: Adaptado de MCPHERSON; PINUS, 2012
Técnicas de Aglutinação
A reação de aglutinação caracteriza-se pela formação de imunocomplexos que 
podem ser vistos a olho nu. As técnicas de aglutinação podem ser diretas ou indi-
retas, isso significa que podemos pesquisar a presença de antígeno (proteínas do 
agente infeccioso) na amostra, ou pesquisar a presença de anticorpos (resposta imu-
nológica na presença de um microrganismo). 
Para que a aglutinação aconteça e para que seja possível a formação de imu-
nocomplexos, é necessário que se utilize partículas antigênicas naturais (hemácias, 
protozoários, bactérias) ou inertes (látex, poliestireno), nas quais os anticorpos ou 
antígenos se adsorvem na superfície, provocando a aglutinação.
As reações de aglutinação são muito usadas no diagnóstico de doenças autoimu-
nes, viroses, infecções bacterianas, infecções provocadas por protozoários, fungos 
e até tipagem sanguínea. Esses testes podem ser realizados em placas ou em tubos.
Testes de Aglutinação Direta
A aglutinação direta ocorre quando pesquisamos, na amostra do paciente, o 
agente causador da doença, ou seja, pesquisamos antígenos.
Testes de Aglutinação Indireta
A aglutinação indireta ocorre quando pesquisamos, na amostra do paciente, a 
resposta imune contra o patógeno, ou seja, pesquisamos anticorpos.
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Floculação
Esse método é o fundamento do Veneral Disease Research Laboratories (VDRL), 
teste realizado para diagnóstico de sífilis. A floculação é realizada a partir de uma 
suspensão antigênica que contém cardiolipina, colesterol e lecitina. Essas substâncias 
juntas formam estruturas micelares (Figura 8).
Figura 8 – Ilustração do antígeno dos testes de fl oculação em forma de micelas
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2010
O teste de VDRL é conhecido como teste não treponêmico, pois os anticorpos 
anti-treponema ligam-se às cardiolipinas das micelas. Se fosse um teste treponêmico, 
o “alvo” para ligação do anticorpo deveriam ser proteínas do microrganismo (antígenos). 
A ligação dos anticorpos presentes na amostra do paciente doente resulta na flocu-
lação observada no microscópio (Figura 9 e 10).
Figura 9 – Representação da formação da fl oculação na presença de anticorpos
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2010
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UNIDADE Imunoensaios
No microscópio é possível visualizar a formação de flocos em casos de amos-
tras positivas.
Figura 10 – Fotografia em microscopia óptica com aumento 
de 100x na presença de floculação e na ausência de floculação
Fonte: Adaptado de BRASIL, 2010
Testes não treponêmicos: https://youtu.be/nAWWmxLM9vg
Imunoensaios que Utilizam Conjugado
Já compreendemos que para a realização de um imunoensaio é necessário a for-
mação de imunocomplexos (antígeno-anticorpo). No entanto, nem sempre é possível 
visualizar a presença desses imunocomplexos. Para que possamos identificar, anali-
sar, quantificar essa presença, muitas vezes se faz necessária a utilização de técnicas 
que utilizem conjugados.
Os conjugados são duas moléculas ligadas covalentemente e que mantêm as suas 
propriedades sem prejuízo uma a outra.
Em Síntese
Vamos lá! Relembrando.... Para sabermos se existe uma determinada doença, preci-
samos saber identificar a presença do microrganismo, ou se o corpo ativou a resposta 
imunológica. Se usarmos testes que identifiquem a presença do microrganismo, isso 
significa que queremos formar imunocomplexos e fazer as análises pesquisando a pre-
sença de antígenos (pesquisa direta). Se usarmos testes que identifiquem se o corpo do 
doente teve o sistema imune ativado por um microrganismo, isso significa que quere-
mos formar imunocomplexos e fazer as análises pesquisando os anticorpos na amostra 
do paciente (pesquisa indireta). Outra coisa que devemos lembrar é que um antígeno e 
um anticorpo são específicos entre si como chave e fechadura, e à região em que os dois 
combinam, chamamos de epítopo.
16
17
Figura 11 – Conjugado formado por anticorpo e marcador
Fonte: Adaptado de Getty Images
Um exemplo de conjugado (Figura 11) é o constituído por anticorpo marcado 
com uma enzima chamada peroxidase. Enquanto a função do anticorpo é formar 
o imunocomplexo com o antígeno da amostra do paciente, a peroxidase irá reagir 
com o peróxido de hidrogênio (H2O2) em água e oxigênio, presente na reação de 
ELISA (Enzyme-Linked ImmunoSorbent Assay). O conjugado tem essa como prin-
cipal característica, marcar a formação dos imunocomplexos e, a partir daí, pode-se 
utilizar um método para quantificar a reação do marcador presente no conjugado.
As diferentes técnicas e métodos existentes na atualidade diferem basicamente em 
relação ao marcador do conjugado, o sistema de revelação desse marcador, molécula 
conjugada ao marcador (antígeno ou anticorpo), origem dessamolécula e meio onde 
o ensaio imunológico ocorre. Dependendo do tipo de marcador do conjugado e o
seu tipo revelador é possível classificar os diferentes tipos de métodos utilizados nos
imunoensaios (Quadro 1).
Quadro 1 – Tipos de conjugado e métodos.
MÉTODO TIPO DE MARCADOR REAÇÃO DO MARCADOR
Radioimunoensaio Radioisótopos Radiação
Imunofluorescência Fluorocromos Fluorescência
Quimioluminescêscia Substratos luminescentes Quimioluminescência
ELISA Substratos cromogênicos Imunoenzimática
Fluorimetria Substratos fluorigênicos Fluorimetria
Imunocromatografia Ouro coloidal Cromogenia
A molécula conjugada pode ser uma proteína, antígenos, imunoglobulinas ou hap-
tenos. Os antígenos podem ser representados por moléculas derivadas de patógenos, 
hormônios, marcadores celulares, marcadores tumorais, entre outros. Os anticorpos 
podem ser de origem policlonal ou monoclonal. Como haptenos, tem-se uma vasta 
categoria de moléculas orgânicas.
17
UNIDADE Imunoensaios
Fluorescência
Nos testes de imunofluorescência são empregados conjugados constituídos de 
anticorpos ou antígenos ligados covalentemente a moléculas reveladoras denomina-
das fluorocromos, que absorvem luz em comprimento de onda baixo com elevada 
energia, e a emitem em comprimento de onda maior com menor energia, fenômeno 
conhecido como fluorescência. 
Imunofluorescência direta
É caracterizada pela detecção do antígeno diretamente em células ou tecidos, 
intracelular ou de membrana, utilizando um anticorpo específico marcado com fluo-
rocromos (Figura 12). 
F
F F
F
+
Método direto
Antígeno
Anticorpo
marcado
Lavagem
Fluorescência
Figura 12 – Método de imunofluorescência direta
Fonte: Adaptado de FERREIRA, 2017
Imunofluorescência indireta 
Utiliza um anticorpo anti-Ig marcado com fluorocromo para detectar anticorpos 
que se fixaram em antígenos celulares ou particulados. A especificidade do conjugado 
permite identificar diferentes classes de anticorpos nas amostras, como anti-IgG ou 
anti-IgA (Figura 13). 
Figura 13 – Método de imunofluorescência indireta
Fonte: Adaptado de FERREIRA, 2017
Radioimunoensaio
O radioimunoensaio (RIE) foi a primeira técnica imunológica padronizada capaz 
de detectar e quantificar substâncias presentes em amostras com limite de detecção 
18
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da ordem de picogramas, portanto, capaz de determinar a presença de hormônios. 
O RIE emprega moléculas de antígeno ou anticorpo marcadas com radioisótipos 
(I125) (Figura 14).
Figura 14 – Esquema do método Radioimunoensaio
Fonte: Adaptado de FERREIRA, 2017
ELISA
O imunoensaio enzimático (ELISA, enzyme-linked immunosorbent assay) é um 
ensaio muito empregado nos laboratórios e baseia-se na análise de antígeno ou 
 anticorpo, em placas plásticas (Figura 15) utilizando um conjugado, que também pode 
ser antígeno ou anticorpo, ligado a uma enzima (peroxidase). O substrato, ao entrar 
em contato com a enzima, forma um produto colorido e quantificado por meio de 
 espectrofotômetro, que determina a relação entre a intensidade da cor e a quantidade 
do que está sendo analisado na amostra por meio de uma curva de calibração.
Figura 15 – Placa de ELISA
Fonte: Getty Images
O ELISA pode ser utilizado para pesquisa de antígenos: competitivo com antígeno 
marcado; competitivo com anticorpo marcado; e captura de antígeno ou sanduíche, 
além de também poder ser empregado para pesquisa de anticorpos indireto e cap-
tura de anticorpos classe-específica.
19
UNIDADE Imunoensaios
Figura 16
Fonte: Adaptado de FERREIRA, 2017
• Método indireto: Pesquisa de anticorpos na amostra. Na fase sólida (placa) estão 
impregnados antígenos, assim, pesquisamos a presença de anticorpos na amostra.
• Método direto: Pesquisa de antígenos na amostra. Na fase sólida (placa) estão 
impregnados anticorpos, assim, pesquisamos a presença de antígenos na amostra.
Western blotting 
O Western-blot é o método utilizado para identificar proteínas e glicoproteínas 
específicas, ao contrário do Nortern blotting, que é utilizado para identificar ácidos 
nucléicos. Esse método separa as proteínas de acordo com o tamanho por eletro-
forese em gel de poliacrilamida. Após separação, são transferidas do gel para uma 
membrana de nitrocelulose com o padrão de bandas imobilizado. A partir do blo-
queio dessas proteínas, a membrana de nitrocelulose é submergida em uma solução 
contento conjugado (anticorpos marcados com enzima) e em seguida é adicionada 
uma solução cromogênica que irá agir com a enzima do conjugado, podendo assim, 
visualizar as bandas formadas (Figura 17).
20
21
Figura 17 – Técnica de Western blotting
Fonte: Adaptado de FERREIRA, 2017
A. Separação das proteínas por tamanho em eletroforese. B. Transferência 
das proteínas do gel para a membrana de nitrocelulose. C. Imunocomplexos 
por ligação do conjugado e revelação por ação do substrato cromogênico.
Quimiluminescência
É um método que utiliza a emissão de luz (luminescência) a partir de uma reação 
química quando moléculas passam do estado de excitação para o basal eletrônico. 
Essa luz é medida por um luminômetro. O princípio desse método é detectar a for-
mação de imunocomplexos a partir da reação química do conjugado que contém a 
enzima capaz de emitir luz ao contato com o substrato.
Esses ensaios podem ser homogêneos ou heterogêneos, e os reagentes emprega-
dos como luminescentes são, por exemplo, éster de acridina, diretamente conjugado 
ao antígeno ou anticorpo e que na presença de agentes oxidantes emite luminescên-
cia, ou adamantil 1,2-dioxietano aril-fosfato, que na presença de fosfafase alcalina do 
conjugado gera o ânion adamantildioxietano instável e luz. Outros dioxetanos podem 
ser usados como substrato para galactosidase.
21
UNIDADE Imunoensaios
Os ensaios quimiluminescentes são muito mais sensíveis, rápidos, precisos e 
 reprodutíveis que os enzimaimunoensaios coloridos (ELISA).
Imunocromatografia ou Testes Rápidos 
Mais recentemente, tem-se aumentado o interesse por testes rápidos que possam 
ser realizados à beira do leito. Usualmente denominados testes rápidos ou testes 
 remotos, eles dispensam reagentes adicionais ou equipamentos. São testes de tria-
gem, portanto, de elevada sensibilidade. O teste usado na determinação da glicemia 
(glicosímetros), que utiliza método enzimático químico e o teste de gravidez, que uti-
liza o método imunológicos, são exemplos comuns desse tipo de teste. Ambos estão 
disponíveis comercialmente em farmácias e drogarias e são de uso fácil.
Além desses testes, existem vários outros em uso por médicos e profissionais da 
enfermagem, como o para pesquisa de anticorpos anti-HIV.
Esse método emprega corante insolúvel, por exemplo, ouro coloidal (róseo), 
ou prata coloidal (azul-marinho) como revelador da formação de imunocomplexo. 
 O  corante pode ser usado ligado a antígeno ou imunoglobulinas. 
Pesquisa de antígenos: utiliza-se anticorpos fixados na linha de captura e, como 
conjugado, um segundo anticorpo marcado com corante. A amostra aplicada liga-se 
ao conjugado colorido, e, após a migração por cromatografia, a formação do imuno-
complexo é revelada pelo depósito do corante coloidal na linha de captura (Figura 18).
22
23
Figura 18
Fonte: FERREIRA, 2017
Componentes e mecanismos de pesquisa de antígeno (pesquisa direta). 
 A.  O anticorpo marcado (Ac marcado), especí fico para o antí geno-alvo, 
está na parte inferior da fita de nitrocelulose ou em uma cavidade do sis-
tema. O anticorpo de captura, especí fico para o antí geno-alvo, está ligado 
à membrana na linha “teste”. O anticorpo (especí fico para o Ac marca-
do), ou antí geno, está ligado à membrana na linha “controle”. Antes da 
reaç ã o, essas linhas nã o aparecem. B. Amostra (sangue, soro, saliva, urina) 
e tampã o sã o colocados no local indicado. Pela adiç ã o da amostra e do 
tampã o, o Ac marcado é solubilizado e migra no fluxo da amostra. Se o 
antí geno-alvo estiver presente na amostra, vai se ligar ao Ac marcado, for-
mando um complexo antí geno-Ac marcado. C. Aopassar pela regiã o da 
membrana em que o anticorpo de captura está imobilizado, o complexo 
antí geno-Ac marcado será retido na linha “teste” e haverá desenvolvimento 
de cor proporcionalmente à quantidade de antí geno presente na amostra. 
O anticorpo marcado livre será retido na linha “controle”, havendo desen-
volvimento de cor. Adaptado de WHO, 2011b.
Pesquisa de anticorpos: podem-se utilizar excesso de amostra e quantidade limi-
tada de antígeno marcado com corante para migrar com o anticorpo da amostra. 
O sanduíche é formado na linha de captura contendo também o antígeno específico. 
Também pode ser utilizada anti-Ig marcada, que irá se ligar às imunoglobulinas da 
amostra. Os imunocomplexos serão formados na linha de captura contendo o antí-
geno específico.
Teste rápido para HIV: https://youtu.be/QCmEV68ubIQ
23
UNIDADE Imunoensaios
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Teste Rápido para diagnóstico de HIV (ABON)
https://youtu.be/QCmEV68ubIQ
Sífilis - Testes não treponêmicos
https://youtu.be/nAWWmxLM9vg
IST - Cuidados na execução dos testes rápidos - Módulo 1
https://youtu.be/dw7Kd7mvGZo
 Leitura
Sífilis – Estratégias para Diagnóstico no Brasil
https://bit.ly/3mZvMgk
Manual Técnico para Diagnóstico da Infecção pelo HIV em Adultos e Crianças
https://bit.ly/3kRkgBK
24
25
Referências
BRASIL. Sífilis. Estratégias para Diagnóstico no Brasil. Brasília: Ministério da 
Saúde, Coordenação de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids. 2010. 100 
p. (Série TELELAB)
FERREIRA, A. W. Diagnó stico laboratorial das principais doenç as infecciosas 
e autoimunes: correlaç õ es clí nico-laboratoriais. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara 
koogan, 2017.
KINDT, T. J.; GOLDSBY, R. A.; OSBORNE, B. A. Imunologia de Kuby. 6 ed. 
Porto Alegre: Editora Artmed, 2008.
MCPHERSON, R. A.; PINCUS, M. R. Diagnósticos clínicos e tratamento 
por métodos laboratoriais de Henry. 21. ed. São Paulo: Manole, 2013. (e-book) 
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