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PEDAGOGIA 
ORGANIZACIONAL:
SOCIAL E HOSPITALAR
Pedagogia Organizacional: Social e Hospitalar
PEDAGOGIA 
ORGANIZACIONAL: 
SOCIAL E HOSPITALAR
(Pedagogia Social em 
Ambientes não Escolares)
Ludmila Dayana Barreto da Silva Neves
Ludmila Dayana Barreto da Silva Neves
GRUPO
SER
EDUCACIONAL
gente criando o futuro
Sem dúvida, esta disciplina é de extrema importância para a sua formação acadêmica 
e ampliará sua visão sobre a atuação do(a) pedagogo(a) em ambientes não escolares, 
sejam eles organizacionais, sociais ou hospitalares. 
É possível compreender que um(a) pro� ssional que lida diretamente com a aprendiza-
gem e seus processos, promovendo o desenvolvimento em seus diferentes aspectos, 
pode atuar nos mais diversos lugares, contribuindo diretamente no âmbito das habi-
lidades e competências dos indivíduos. 
Ao longo desta disciplina, abordaremos conceitos relevantes para melhor compreen-
são do exercício da pro� ssão em ambientes formais e não formais, como o per� l do(a) 
pedagogo(a) social e sua atuação junto às minorias excluídas socialmente. A proposta 
é provocar re� exões sobre estratégias e per� l pro� ssional em diferentes espaços, 
tais como hospitais, em que o objetivo é acompanhar crianças ou adolescentes com 
necessidades educativas especí� cas, além das leis que regem esse segmento. 
Abordaremos também questões como multiculturalismo, diversidade cultural, cida-
dania, além de questões relacionadas à ética pro� ssional e projetos organizacionais, 
sociais e hospitalares. Ao � nal desta jornada, será possível ter uma visão mais amplia-
da da atuação do(a) pedagogo(a), bem como suas intervenções e contribuições nos 
diferentes espaços sociais.
SER_PEDA_PEOSH_UNID1 CAPA.indd 1,3 26/04/2021 13:07:51
© Ser Educacional 2021
Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro 
Recife-PE – CEP 50100-160
*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência.
Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. 
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio 
ou forma sem autorização. 
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo 
artigo 184 do Código Penal.
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Presidente do Conselho de Administração 
Diretor-presidente
Diretoria Executiva de Ensino
Diretoria Executiva de Serviços Corporativos
Diretoria de Ensino a Distância
Autoria
Projeto Gráfico e Capa
Janguiê Diniz
Jânyo Diniz 
Adriano Azevedo
Joaldo Diniz
Enzo Moreira
Ludmila Dayana Barreto da Silva Neves 
DP Content
DADOS DO FORNECEDOR
Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, 
Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão.
SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 2 26/04/2021 12:04:50
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ASSISTA
Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple-
mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado.
CITANDO
Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa 
relevante para o estudo do conteúdo abordado.
CONTEXTUALIZANDO
Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato;
demonstra-se a situação histórica do assunto.
CURIOSIDADE
Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto 
tratado.
DICA
Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma 
informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado.
EXEMPLIFICANDO
Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto.
EXPLICANDO
Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da 
área de conhecimento trabalhada.
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Unidade 1 - Pedagogia organizacional, social e hospitalar: os fundamentos nos 
espaços não escolares
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 12
Fundamentos da Pedagogia organizacional, social e hospitalar: breve histórico ..... 13
Pedagogia organizacional: aspectos gerais ............................................................... 15
O(a) pedagogo(a) social como educador(a) social ................................................... 17
A atuação do(a) pedagogo(a) hospitalar ..................................................................... 20
Ética nas organizações: comportamento humano nas organizações e relações ....... 22
Ética e moral: conceitos e definições .......................................................................... 23
A Pedagogia e a ética corporativa ............................................................................... 26
A ética nas relações de trabalho .................................................................................. 28
A Pedagogia organizacional e as práticas pedagógicas dentro das empresas ...... 30
Ações pedagógicas e integração na empresa .......................................................... 32
Treinamento e desenvolvimento .................................................................................. 34
O(a) pedagogo(a) organizacional e a resolução de problemas .............................. 36
Sintetizando ........................................................................................................................... 39
Referências bibliográficas ................................................................................................. 40
Sumário
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Sumário
Unidade 2 – A Pedagogia Social e seus aspectos: a atuação do pedagogo nos 
espaços socioeducativos
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 44
O pedagogo e o contexto sociocultural: multiculturalismo, diversidade cultural e 
cidadania ............................................................................................................................... 45
A Pedagogia Social e os seus diferentes contextos ................................................. 48
Multiculturalismo e diversidade cultural ..................................................................... 50
Multiculturalismo e diversidade cultural na escola .................................................. 52
A Pedagogia Social na perspectiva do multiculturalismo e da diversidade 
cultural ..............................................................................................................................53
A cidadania e a Pedagogia Social ................................................................................ 55
Pedagogia Social e movimentos sociais na educação ................................................ 57
O pedagogo social, suas ações e intervenções nos movimentos sociais .....................59
Pedagogia Social e o movimento negro ...................................................................... 60
Os grupos indígenas, os movimentos populares e a educação prisional ................. 63
Novas tecnologias e Pedagogia Social ....................................................................... 68
Sintetizando ........................................................................................................................... 70
Referências bibliográficas ................................................................................................. 71
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Sumário
Unidade 3 - A Pedagogia hospitalar, o cenário hospitalar e suas práticas pedagógicas
Objetivos da unidade ........................................................................................................... 75
A Política Nacional de Educação Especial: Pedagogia hospitalar e suas bases legais 76
A relação entre Pedagogia hospitalar, atendimento pedagógico domiciliar e 
Educação Especial...........................................................................................................80
Abordagem histórica da Pedagogia hospitalar no Brasil .........................................82
O atendimento pedagógico domiciliar: conceitos e aspectos ................................ 86
A ética dentro do hospital: características e particularidades da intervenção pedagógica 
adequada nos diversos ambientes e condições existentes no ambiente hospitalar ........ 89
O perfil do pedagogo hospitalar: atribuições e conceitos da atuação ...................... 92
A prática pedagógica em ambientes hospitalares .................................................... 94
Aspectos e características no leito hospitalar, na sala de recreação/classe hospitalar, 
no acompanhamento escolar/hospitalar e na orientação à família.................................96
O pedagogo hospitalar e a família do educando ..................................................................98
Ações e intervenções do pedagogo no espaço hospitalar .................................... 100
Sintetizando ......................................................................................................................... 103
Referências bibliográficas ............................................................................................... 104
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Sumário
Unidade 4 - O pedagogo organizacional e suas práticas: aspectos e conceitos nas 
organizações
Objetivos da unidade ......................................................................................................... 110
Conhecimentos necessários ao pedagogo organizacional ....................................... 111
O pedagogo organizacional, o diagnóstico, a cultura e as mudanças no 
cenário organizacional................................................................................................112
Treinamento e seleção: dinâmicas, jogos e simulações ........................................ 116
Educação corporativa: administração do conhecimento ...................................... 120
Intervenções sociais e práticas do pedagogo social ................................................. 121
O pedagogo social e suas práticas.................................................................................. 123
Ações e intervenções sociais .................................................................................... 125
Elaborando projetos organizacionais, sociais e hospitalares .................................. 128
Projeto organizacional ..............................................................................................................129
Projeto social ................................................................................................................. 132
Projeto hospitalar .......................................................................................................... 133
Sintetizando ......................................................................................................................... 136
Referências bibliográficas ............................................................................................... 137
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Olá! Seja bem-vindo(a) à disciplina Pedagogia Organizacional: Social e Hospitalar. 
Sem dúvida, esta disciplina é de extrema importância para a sua formação 
acadêmica e ampliará sua visão sobre a atuação do(a) pedagogo(a) em ambien-
tes não escolares, sejam eles organizacionais, sociais ou hospitalares. 
É possível compreender que um(a) profi ssional que lida diretamente com 
a aprendizagem e seus processos, promovendo o desenvolvimento em seus 
diferentes aspectos, pode atuar nos mais diversos lugares, contribuindo dire-
tamente no âmbito das habilidades e competências dos indivíduos. 
Ao longo desta disciplina, abordaremos conceitos relevantes para melhor 
compreensão do exercício da profi ssão em ambientes formais e não formais, 
como o perfi l do(a) pedagogo(a) social e sua atuação junto às minorias excluí-
das socialmente. A proposta é provocar refl exões sobre estratégias e perfi l 
profi ssional em diferentes espaços, tais como hospitais, em que o objetivo é 
acompanhar crianças ou adolescentes com necessidades educativas específi -
cas, além das leis que regem esse segmento. 
Abordaremos também questões como multiculturalismo, diversidade cul-
tural, cidadania, além de questões relacionadas à ética profi ssional e projetos 
organizacionais, sociais e hospitalares. Ao fi nal desta jornada, será possível ter 
uma visão mais ampliada da atuação do(a) pedagogo(a), bem como suas inter-
venções e contribuições nos diferentes espaços sociais.
PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 9
Apresentação
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Dedico este trabalho a Deus, dono da vida e de todo saber. Dedico à minha 
família, em gratidão por todo amor e apoio. Quero dedicar também a 
cada aluno em seus diferentes contextos e etapas. Que cada conceito seja 
transformador e norteador para um novo tempo em cada história de vida.
A professora Ludmila Dayana Bar-
reto da Silva Neves é especialista em 
Educação Tecnológica pelo CEFET/RJ 
- Centro Federal de Educação Tecnoló-
gica Celso Suckow da Fonseca (2020). 
Possui graduação em Pedagogia com 
habilitação em Educação Infantil, ma-
gistério nas séries iniciais do Ensino 
Fundamental, Educação de Jovens e 
Adultos e Gestão em Sistemas Educa-
cionais pela UERJ, Universidade do Es-
tado do Rio de Janeiro (2009).
Atua como designer instrucional na pro-
dução de materiais didáticos e como 
professora conteudista em diferentes 
instituições educacionais em disciplinas 
relacionadas à Educação e Tecnologia.
Currículo Lattes:
http://lattes.cnpq.br/4369077966419328
PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 10
A autora
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PEDAGOGIA 
ORGANIZACIONAL, 
SOCIAL E HOSPITALAR: 
OS FUNDAMENTOS 
NOS ESPAÇOS NÃO 
ESCOLARES
1
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Apresentar os fundamentos da Pedagogia organizacional nos diferentes 
espaços a partir de um breve histórico;
 Abordar aspectos da ética nas organizações a partir das relações humanas;
 Conceituar a Pedagogia organizacional e as práticas pedagógicas nos 
ambientes corporativos.
 Fundamentos da Pedagogia or-
ganizacional, social e hospitalar: 
breve histórico
 Pedagogia organizacional: 
aspectos gerais
 O(a) pedagogo(a) social como 
educador(a) social
 A atuação do(a) pedagogo(a) 
hospitalar
 Ética nas organizações: com-
portamento humano nas organi-
zações e relações
 Ética e moral: conceitos e defi-
nições
 A Pedagogia e a ética corporativa
 A ética nas relações de trabalho
 A Pedagogia organizacional e 
as práticas pedagógicas dentro 
das empresas
 Ações pedagógicas e integra-
ção na empresa
 Treinamento e desenvolvi-
mento 
 O(a) pedagogo(a) organizacio-
nal e a resolução de problemas
PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 12
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Fundamentos da Pedagogia organizacional, social e 
hospitalar: breve histórico
Ao longo da história dos cursos de Pedagogia, questiona-se em quais espa-
ços o(a) pedagogo(a) poderia atuar e quais seriam suas respectivas atribuições 
e contribuições dentro da sua área de estudo nesses espaços. 
Nos primeiros anos de existência das instituições que tinham o curso de 
Pedagogia, o principal cenário de atuação era o ambiente escolar, no qual o(a) 
profi ssional lidava diretamente com crianças e adolescentes. Contudo, com o 
passar dos anos, a escola deixou de ser o único espaço para o(a) pedagogo(a), 
profi ssional que lida com a educação e seus processos, dentre outros conceitos 
relacionados à formação do indivíduo em seus diferentes aspectos. 
A palavra pedagogia tem sua origem na palavra grega paidagogía, estando 
relacionada aos métodos e práticas de ensino. Na Grécia Antiga, os paidagogos 
eram escravos que acompanhavam e educavam os fi lhosde seus senhores. A 
partir daí, podemos ter uma ideia de onde vem o conceito de identidade cons-
truída para o(a) pedagogo(a).
CONTEXTUALIZANDO
É muito importante saber sobre a sua formação acadêmi-
ca e como se deram as mudanças até o presente momen-
to. O curso de Pedagogia no Brasil, por exemplo, iniciou 
ofi cialmente em 1939. Contudo, desde sua implantação, 
muitas mudanças aconteceram. O artigo “Curso de Peda-
gogia no Brasil: história e formação com pedagogos pri-
mordiais” traz informações importantes sobre o assunto. 
Agora que abordamos brevemente o conceito histórico do 
profi ssional de Pedagogia, precisamos compreender como se 
deu essa ampliação de seu campo de atuação. Contudo, antes 
disso, por mais óbvias que estas defi nições pos-
sam parecer nesse primeiro momento, precisa-
mos compreender a que se refere cada área 
de atuação descrita: Pedagogia organizacio-
nal, Pedagogia social e Pedagogia hospitalar. 
Observe o Quadro 1.
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Pedagogia organizacional Pedagogia social Pedagogia hospitalar
Atuação em organizações e 
espaços não escolares. Na 
maioria das vezes, empresas 
de diferentes portes.
Atuação em ONGs, igrejas e 
em diferentes movimentos 
sociais. 
Atuação em hospitais.
QUADRO 1. ÁREAS DE ATUAÇÃO DO(A) PEDAGOGO(A) NAS ORGANIZAÇÕES
A atuação do(a) pedagogo(a) nesses espaços não escolares está relacionada 
a diferentes atribuições a partir do contexto de cada organização. E como se 
deu essa migração para os novos espaços de trabalho? A resposta está rela-
cionada diretamente com o papel do(a) pedagogo(a) e seu objeto de estudo: a 
educação. Partindo de uma perspectiva na qual há a possibilidade e a necessi-
dade de processos educacionais, o(a) pedagogo(a) pode atuar. 
A partir da Revolução Industrial no século XVIII, uma nova percepção sobre 
o trabalho e o seu desenvolvimento foi criada. É neste cenário que os proces-
sos de aprendizagem começaram a ser cabíveis nas organizações, uma vez que 
as relações de trabalho passaram por inúmeras mudanças e transformações, 
com pessoas passando a desempenhar funções dentro de uma esteira de pro-
dução com etapas e processos. Nesse sentido, foi preciso transmitir essas no-
vas formas de atuação para que cumprissem o papel necessário na produção. 
Desta forma, os colaboradores precisaram aprender a desenvolver o seu tra-
balho nas organizações.
A Revolução Industrial influenciou diretamente a organização social e eco-
nômica do fluxo de trabalho desde a organização do processo de produção 
artesanal para a manufatura, que data o início de tais mudanças, em que ocor-
reram as montagens em série e os novos processos de trabalho. Naquele mo-
mento surgiu a hierarquia, a necessidade do controle de produção e as novas 
formas de desenvolvimento industrial. 
Do século XVIII, com o marco da Revolução Industrial, até o século XXI, muitas 
mudanças aconteceram. Podemos compreender que a forma como se deu a re-
lação do trabalho e como aprender a desenvolver o trabalho proporcionou o de-
sencadeamento para os novos processos nas organizações. O trabalho foi frag-
mentado e cada trabalhador passou a atuar em uma etapa ou área específica 
com determinadas funções dentro de um fluxo estabelecido pela organização.
PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 14
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Sobre a Pedagogia social, seu surgimento se deu com a ideia de que é pos-
sível infl uenciar questões sociais a partir da educação. Com início na Europa, 
diante de uma crise econômica, industrial e social provocada pela Primeira 
Guerra Mundial, pedagogos se propuseram a atender necessidades socioedu-
cacionais de grupos sociais prejudicados.
Por fi m, quanto à Pedagogia hospitalar, seu início ocorreu na França, em 
1935, quando Henri Sellier desenvolveu a primeira escola voltada para crianças 
com necessidades específi cas. Em um curto espaço de tempo, alguns países 
começaram a investir também neste ramo, visando alcançar crianças com limi-
tações devido ao seu estado de saúde.
Pedagogia organizacional: aspectos gerais
Quando um(a) profi ssional de Pedagogia decide atuar em uma organização, 
é necessário compreender que sua área de atuação está relacionada direta-
mente com o segmento de gestão de pessoas. 
Por mais que ainda se tenha uma ideia de que toda e qualquer relação de 
estudo e trabalho em organizações esteja ligado ao estudo da Administração, 
vale lembrar que cada vez mais as empresas têm investido em profi ssionais 
de Pedagogia e Psicologia nos ambientes corporativos. É importante saber se-
parar e conhecer as devidas atribuições de cada profi ssional dentro de seus 
respectivos processos e áreas de atuação nos cenários empresariais. 
É importante lembrar de que o conceito de gestão de pessoas é algo já con-
siderável há alguns anos, e novas formações e profi ssões estão sendo criadas 
dentro dessa perspectiva, como o profi ssional de recursos humanos. No que 
diz respeito às atribuições do(a) pedagogo(a) nas organizações, precisamos 
compreender que suas atribuições estão voltadas para os processos educacio-
nais no âmbito corporativo.
EXPLICANDO
A gestão de pessoas pode ser defi nida como o conjunto de políticas e 
práticas indispensáveis para conduzir os aspectos da posição gerencial 
relacionados com as pessoas ou recursos humanos, incluindo recruta-
mento, seleção, capacitação, recompensas e análise de desempenho.
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Diante da perspectiva de que precisamos ampliar nossa visão acerca dos es-
tudos da Pedagogia e seus novos espaços de atuação, no âmbito empresarial, por 
exemplo, o(a) pedagogo(a) surge como o profissional que utiliza ferramentas pe-
dagógicas com o objetivo de promover a aprendizagem dos colaboradores. 
Talvez você esteja se perguntando: o que é necessário aprender em uma empresa? 
Seria apenas o trabalho a ser desenvolvido? A resposta está na proposta e na polí-
tica de cada organização e na relação desta com os seus colaboradores.
No contexto dos aspectos gerais da Pedagogia organizacional e tratando-se 
especificamente da Pedagogia empresarial, podemos considerar que a Pedago-
gia exercida ultrapassa os conceitos pré-estabelecidos historicamente nos espa-
ços escolares, mas alcança novos objetos, métodos e técnicas também voltadas 
para aprendizagem, contudo em um espaço voltado para o exercício do trabalho.
Libâneo, em Pedagogia e pedagogos, para quê, publicado em 2018, expõe o 
seguinte: 
Há uma ideia de senso comum, inclusive de muitos pedagogos, de que 
a Pedagogia é o modo como se ensina, o modo de ensinar a matéria, 
o uso de técnicas de ensino [...] trata-se de uma ideia simplista e re-
ducionista. A Pedagogia organizacional nos vem como uma evolução 
natural da Pedagogia, visto que ela se manifesta em todos os espaços, 
quer sejam escolares, não escolares e organizacionais (p. 29).
A chamada evolução natural da Pedagogia impacta não somente as atribuições 
dos(as) pedagogos(as) que atuam nos cenários corporativos, como também nos di-
ferentes contextos de exercício da Pedagogia. Nessa perspectiva, cabe a cada profis-
sional que lida com processos educacionais rever suas práticas, métodos e técnicas, 
considerando que essa evolução se dá a partir da própria evolução do ser humano 
em seus diferentes contextos. Permanecer com a mesma metodologia apenas por-
que ela “tem dado certo”, por exemplo, sem considerar as mudanças e transforma-
ções dos últimos tempos é um fato que precisa ser revisto na esfera educacional.
Assim como na Pedagogia escolar, que possui componentes específicos da 
realidade das instituições educacionais, a Pedagogia organizacional como Pe-
dagogia empresarial apresenta componentes que exigem uma constante aná-
lise de seus processos em seus diferentes âmbitos. Observe,no Diagrama 1, 
alguns desses componentes que influenciam nos processos educacionais de-
senvolvidos no âmbito corporativo.
PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 16
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DIAGRAMA 1. ALGUNS COMPONENTES DO CENÁRIO CORPORATIVO QUE 
INFLUENCIAM A PEDAGOGIA EMPRESARIAL
Pedagogia empresarial
Fluxo de produção Globalização 
Inovações tecnológicasRealidade do mercadoe identidade do consumidor
O(a) pedagogo(a) social como educador(a) social
A Pedagogia social dá espaço para atuação do(a) profi ssional de Pedagogia 
fora do contexto escolar. Dados históricos respaldam seu surgimento em dife-
rentes momentos, mas sempre a partir de uma ótica do(a) pedagogo(a) como 
um agente de transformação social a partir da educação. 
Ao longo da história da Pedagogia, podemos compreender que Froebel e 
Pestalozzi foram teóricos que acreditavam em uma educação voltada para 
questões humanitárias e fi losófi cas com o objetivo de ressignifi car indivíduos 
socialmente a partir de ferramentas educacionais. Contudo, o conceito de pe-
dagogia social foi consolidado somente após a Segunda Revolução Industrial, 
em que, devido ao cenário pós-guerra e aos inúmeros excluídos socialmente, 
Alemanha e Espanha passaram a investir em programas sociais visando a in-
clusão a partir de práticas educativas. 
O(a) pedagogo(a) social é o(a) profi ssional que atua em espaços não escolares, 
mas em outros espaços com pessoas socialmente excluídas ou em processos 
de inserção social. Podemos considerar as seguintes atividades e espaços para 
atuar: projetos sociais em instituições privadas, presídios, igrejas, ONGs, asilos, 
projetos sociais voltados para qualifi cação profi ssional, dentre outros. 
Um dos questionamentos que podem surgir sobre a presença 
do(a) pedagogo(a) em tais espaços, é como as suas práti-
cas pedagógicas contribuirão para a reinserção social de 
indivíduos em situação de exclusão ou de necessidade 
de amparo e acolhimento e qual seria o objeto de es-
tudo desse profi ssional.
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Caliman, em “Pedagogia social: 
contribuições para a evolução de um 
conceito”, publicado em 2011, define 
a Pedagogia social como “uma ciência 
prática, social e educativa e não for-
mal que justifica e abrange em termos 
mais amplos a tarefa da socialização 
de indivíduos e, em modo particular, a 
prevenção e a recuperação no âmbito 
das deficiências da socialização e da falta de satisfação das necessidades”.
É importante lembrar que o(a) pedagogo(a) social possui atribuições distin-
tas do(a) assistente social. Um(a) pedagogo(a) em projetos sociais, por exemplo, 
sugere diálogos e análises voltados para a educação como estratégia de inter-
venção, enquanto o(a) assistente social possui atribuições voltadas diretamen-
te a questões sociais e diferentes contextos de pessoas com práticas relaciona-
das a outras intervenções (judiciais, governamentais etc). 
Quem é o(a) educador(a) social?
O(a) educador(a) social atua promovendo a integração entre o indivíduo e 
a sociedade por meio da educação. Sua área de atuação alcança pessoas que 
estão em condições de vulnerabilidade, exclusão social ou com alguma neces-
sidade física específica. 
CURIOSIDADE
Você sabia que o curso de Pedagogia não é a única 
formação que possibilita a atuação como educador(a) 
social? Para o exercício da função, o(a) profissional 
poderá ser graduado em outros diferentes cursos, mas 
deverá possuir algumas características específicas que 
o cargo pede. Para saber um pouco mais sobre alguns 
conceitos para a formação do Educador social, leia o 
artigo “Educador social: conceitos fundamentais para 
sua formação”, publicado em 2009.
Além disso, é importante abordar alguns conceitos históricos da profissão 
no Brasil. Existem duas premissas que envolvem a identidade do(a) educa-
dor(a) social: a Pedagogia social e a educação popular. Observe o Quadro 2 
com a definição de cada uma.
PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 18
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Pedagogia social Educação popular
Estudo social de práticas educativas; Não é institucionalizada;
Base teórica para as práticas de educação 
popular, sociocomunitária e educação social; Ocorre em grupos populares;
Visa melhorar as relações sociais e humanas; É determinada pela realidade e perspectiva histórica;
Se baseia em intervenções educativas 
intencionais e não formais.
É instituída com o objetivo de se opor ao 
projeto educacional dominante;
Adotada em movimentos sociais, em 
diferentes contextos.
QUADRO 2. DEFINIÇÕES DE PEDAGOGIA SOCIAL E EDUCAÇÃO POPULAR
Há uma relação entre a Pedagogia social e a educação popular. Ambas es-
tão articuladas, e podemos afirmar que a Pedagogia social se torna base para 
o desenvolvimento da educação popular. Enquanto a Pedagogia social volta-se 
para uma formação do indivíduo a partir de uma educação que fornece ferra-
mentas para incluí-lo socialmente, a educação popular possui uma identidade 
política que educa o sujeito dentro do contexto político educacional que se 
opõe à realidade capitalista. 
Como exemplo, podemos citar Paulo Freire: educador reconhecido entre 
muitos pesquisadores de Pedagogia social. Paulo Freire foi autor de vários li-
vros que problematizam questões sociais a partir de um discurso que fazia da 
educação uma “espada” para combater o sistema vigente. 
Freire acreditava que a transformação social aconteceria por meio de práti-
cas educativas e da mudança que a educação poderia fazer na vida das pessoas. 
De fato, as influências de Freire até hoje marcam o campo da Pedagogia social.
Segundo Paulo Freire, o conceito de educação popular é político, ou seja, 
não há neutralidade no educar e, consequentemente, uma educação voltada 
para resolução de problemas sociais pode promover mudança e transforma-
ção. É importante citar que diversos países no mundo também defendem tal 
ótica e valorizam as ideias de Paulo Freire, bem como seus conceitos relaciona-
dos à Pedagogia social e à educação popular.
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As práticas socioeducativas podem ser defi nidas basicamente como prá-
ticas educativas que se relacionam com práticas sociais. Pode parecer redun-
dante, mas é exatamente o conceito para a relação da educação com o âmbito 
social e de como as práticas educativas e a necessidade do amparo social se 
relacionam. No Brasil, o(a) educador(a) social, na maioria das vezes, faz um tra-
balho social e possui formações diversas e, em alguns casos, além de eventual-
mente não possuir ensino superior. 
Considerando a prática do(a) educador(a) social e a necessidade do co-
nhecimento das práticas pedagógicas para o exercício das práticas socioe-
ducativas, podemos considerar que a formação no âmbito da Pedagogia 
torna-se essencial para o bom exercício das atribuições designadas para 
esse(a) profi ssional.
A atuação do(a) pedagogo(a) hospitalar
O conceito de Pedagogia hospitalar pode parecer desconhecido para quem 
opta pela formação em Pedagogia. Antes de abordarmos pontos importantes 
deste campo de atuação, é importante destacar que a formação acadêmica 
para atuação o é imprescindível.
Durante muitos anos, crianças e adolescentes tiveram sua vida acadêmica 
interrompida devido ao seu estado de saúde e a necessidade de internação 
hospitalar. Por mais simples que essa intervenção pareça, todo o contexto de 
vida de um indivíduo é afetado quando, por motivo de doença, sua rotina é 
alterada, impossibilitando-o de praticar suas atividades. 
Tratando-se de crianças e adolescentes, esse processo pode ser ainda mais 
delicado. Com o objetivo de contribuir para que este(a) estudante não seja pre-
judicado nos estudos, o(a) pedagogo(a) hospitalar entra em cena. Este(a) pro-
fi ssional atuadiretamente no hospital ou na residência do(a) paciente caso este 
esteja impossibilitado de ir à escola. 
O espaço de atuação pode ser uma sala no hospital com estrutura para 
intervenções pedagógicas. O(a) pedagogo(a) hospitalar atua a partir de 
ações estratégicas relacionadas ao processo de ensino, aprendizagem e 
avaliação de jovens em idade escolar a partir das possibilidades existentes 
dentro de cada realidade.
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A Pedagogia hospitalar pode ser exercida em unidades de internação ou em 
alas de recreação do hospital. O ensino de jovens hospitalizados está respaldado 
pela Resolução n. 41, de 13 de outubro de 1995, emitida pelo Conselho Nacional 
dos Direitos da Criança e do Adolescente, e considera, dentre outras coisas, o 
direito de “desfrutar de alguma recreação, programas de educação para a saúde 
e acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar”. 
O processo de recuperação do(a) aluno(a) na condição de paciente tam-
bém é acompanhado de perto pelo(a) pedagogo(a) hospitalar, que faz parte 
da equipe e precisa ter informações sobre seu estado de saúde, uma vez que 
ele influencia diretamente nos processos de aprendizagem. Dessa forma, o(a) 
pedagogo(a) precisa acompanhar cada etapa em prol da recuperação.
O Diagrama 2 apresenta algumas das principais atribuições do(a) pedago-
go(a) em ambientes hospitalares. 
DIAGRAMA 2. ATRIBUIÇÕES DO(A) PEDAGOGO(A) HOSPITALAR
Fazer o acompanhamento do
progresso acadêmico da 
criança ou adolescente, mes-
mo depois da alta hospitalar, 
para avaliar a efetividade 
das atividades pedagógicas. 
Selecionar e organizar os ma-
teriais didáticos utilizados nos 
atendimentos pedagógicos. 
Promover a integração dos
professores hospitalares.
Comunicar à família sobre o
atendimento pedagógico ao(à)
paciente-aluno(a). 
Aplicar métodos de avaliação 
e verificar o progresso acadê-
mico do(a) paciente-aluno(a). 
Acompanhar, com o médico 
responsável, o estado de 
saúde dos alunos para 
confirmar se o paciente está 
apto a receber atendimento
pedagógico. 
Pedagogo
hospitalar
Fonte: Shutterstock. Acesso em: 23/12/2020. 
No Brasil, a Pedagogia hospitalar foi instituída a partir da década de 1990, 
no momento em que órgãos públicos perceberam a necessidade de inserir o 
serviço no contexto da educação especial no País.
A Pedagogia hospitalar é reconhecida oficialmente nas Diretrizes Nacionais 
para a Educação Especial na Educação Básica no artigo 13 da resolução n. 2 de 
2001, respaldando a atuação do(a) pedagogo(a) nos ambientes hospitalares. 
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O(a) pedagogo(a) hospitalar deve se atentar à realidade dos(as) alunos(as) 
e conduzi-los(as) a uma aprendizagem a partir de estratégias pedagógicas e 
métodos adaptados. Para as crianças, é importante lembrar sobre a relação 
entre ludicidade e aprendizagem mesmo nos ambientes hospitalares, além 
da criatividade e da utilização dos espaços disponibilizados. 
Cada aluno(a) possui um histórico e necessidades especí-
fi cas dentro do processo de ensino-aprendizagem. Sendo 
assim, o(a) pedagogo(a) hospitalar precisa estar atento às 
necessidades e utilizar técnicas e métodos que atendam 
às necessidades físicas, psíquicas e muitas vezes emocionais 
dos(as) alunos(as).
Ética nas organizações: comportamento humano nas 
organizações e relações
O conceito de ética no âmbito corporativo pode ser considerado um dos 
temas mais importantes para um bom exercício das profi ssões neste cenário. 
A defi nição de ética pode ser dada a partir de um segmento da Filosofi a que 
se destina a analisar as formas de agir do ser humano, organizando tais ações 
em “certo” ou “errado”. As normas de conduta que se encaixam socialmente às 
regras sociais referem-se ao conceito de ética.
Nas organizações, a ética diz respeito ao conjunto de normas e regras, es-
tabelecidas pelas empresas, que o(a) profi ssional precisa cumprir para um bom 
desenvolvimento do seu trabalho e para um bom relacionamento com os de-
mais colaboradores no ambiente corporativo. 
Assim como nos demais espaços sociais, as relações humanas também in-
fl uenciam na dinâmica e no funcionamento das organizações. É importante 
lembrar que o comportamento humano dentro do contexto corporativo preci-
sa se adequar às normas estabelecidas e tais normas devem fi car claras já em 
sua admissão. 
Podemos conceituar a ética no âmbito corporativo como ética profi ssional 
e compreendê-la como o conjunto de regras estabelecidas pela empresa com 
o objetivo de proporcionar uma boa conduta nos mais diferentes níveis hierár-
quicos para todos.
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Ética e moral: conceitos e definições
O estudo da ética está relacionado com as abordagens do comportamento 
humano e das regras sociais que precisam ser cumpridas para uma boa convi-
vência e para o bem de todos. A partir da ética, defi ne-se o que é certo e errado, 
estabelecendo um padrão de conduta para as pessoas conviverem socialmente. 
Para Cortella, em Qual é a tua obra? Inquietações, propositivas sobre gestão, 
liderança e ética, publicado em 2009, a ética é: 
o que marca a fronteira da nossa convivência. [...] é aquela perspec-
tiva para olharmos os nossos princípios e os nossos valores para 
existirmos juntos [...] é o conjunto de seus princípios e valores que 
orientam a minha conduta (p. 102).
Há inúmeras questões que envolvem a ética no cotidiano. Como exemplo 
podemos citar o ato de furar uma fi la, sem considerar as pessoas que che-
garam com antecedência. Diante desse exemplo, podemos compreender uma 
atitude que burla uma conduta de ética estabelecida, que consiste em respei-
tar determinada ordem de chegada para ser atendido(a). 
A ética apresenta alguns princípios básicos diante do comportamento das 
pessoas e como estes comportamentos infl uenciam na sociedade. O utilitaris-
mo, os direitos individuais e a justiça são alguns desses princípios. Todos eles 
estão explicados no Quadro 3.
Utilitarismo: defesa de um ponto de vista no qual a ética é melhor aplicada quando 
benefi cia o maior número de pessoas, maximizando ou minimizando as consequências 
de nossas ações.
Direitos individuais: proteção de direitos essenciais como o direito à informação, ao 
processo legal para sua defesa, à privacidade, à liberdade de consciência etc.
Justiça: justiça social e oportunidade, com equidade, na busca de signifi cados e 
felicidade na vida, com tratamento igual para pessoas iguais.
QUADRO 3. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ÉTICA
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A palavra ética tem a origem na palavra grega éthos e significa caráter moral, 
sendo comumente utilizada para descrever o conjunto de hábitos ou crenças 
estabelecidos socialmente. 
Desse modo, uma vez que a ética é o padrão socialmente estabelecido para 
definir o que é certo ou errado, a forma em como o indivíduo lida com tais 
normas e regras na sociedade também influencia as relações sociais. Para com-
preendermos essa relação entre as normas estabelecidas e a forma como indi-
víduos lidam elas, precisamos abordar o conceito de moral.
O conceito de moral está estritamente relacionado à ética, já que consiste 
no modo como lidamos com as normas e regras de conduta estabelecidas. 
Podemos exemplificar basicamente na seguinte expressão: ética é a regra do 
jogo e moral é o fato de decidir cumpri-las ou não a partir do que conside-
ramos a respeito do que é certo ou errado. Existem outras definições para 
moral, mas em um sentido mais individualizado. Ainda, a moral de cada indi-
víduo é construída a partir de vivências, experiências e influências. Por fim, 
vale pontuar que questões culturais tambéminfluenciam na construção da 
moral de cada indivíduo. 
A visão dos indivíduos quanto às regras e normas sociais estabelecidas pela 
ética passam pelo “julgamento” da sua própria moral, já que esta é considerada 
o padrão, construído a partir de diferentes fatores. 
A moral também pode ser considerada o conjunto de regras e valores não 
somente de um indivíduo, mas de um grupo social específico. Para cada grupo 
ou campo, há uma determinada moral. 
Podemos, ainda, compreender que a ética atua como uma reflexão sobre 
a moral dos indivíduos, já que é a partir da leitura de vários contextos que o 
padrão pode ser estabelecido como aquilo que seria justo e correto para todos. 
Marcos históricos também influenciam na moral dos indivíduos, considerando 
que várias reflexões de diferentes questões são revistas ao longo dos anos.
Os papéis sociais exercem influências na construção da moral de deter-
minados grupos ou indivíduos. Por exemplo: a partir de um governo e seu 
discurso, um determinado grupo social pode ser influenciado e desenvolver 
novas posturas e condutas morais. Ou, ainda, diante de um professor com 
determinados aspectos morais, indivíduos podem desenvolver uma moral 
influenciada por ele. 
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A moral pode ser considerada algo que se aprende de forma natural, trans-
mitida a partir do exemplo e dos discursos nas mais diferentes esferas: fami-
liar, religiosa, acadêmica etc. Os meios de comunicação também contribuem na 
construção da moral. Exemplos como respeitar os mais velhos e não se apro-
priar do que não é seu são aprendizados que podem ser considerados espon-
tâneos a partir de uma educação familiar dentro de uma determinada moral 
estabelecida socialmente dentro da família.
Podemos considerar que existe uma moral predominante, ou seja, a que 
podemos encontrar nos mais diferentes grupos sociais e influencia a maioria 
dos indivíduos, nas mais diferentes formas de pensar e agir diante de diver-
sos temas e assuntos no âmbito social. Por mais que a moral influencie dire-
tamente o indivíduo e os diferentes grupos sociais, vale ressaltar que a ética 
é a responsável em “reger” as regras e normas nas esferas sociais, visando o 
bem-estar de todos.
Relação entre a moral e a ética
A ética e a moral estão relacionadas nos mais diferentes contextos cultu-
rais e a melhor forma de conduzir essa relação é se atentar aos significados 
sociais e culturais estabelecidos ao longo dos anos nos mais diferentes mo-
mentos históricos. 
Há valores que foram estabelecidos e são historicamente demarcados, 
como em alguns grupos sociais, a relação da mulher e a sociedade, dentre ou-
tros. Por muitos anos (e em alguns grupos sociais até hoje), a mulher não podia 
votar. Muito se discute sobre este período que não teve apenas interferências 
políticas, mas ideológicas. Quem foi “a mulher” neste período histórico? E quem 
é a mulher atualmente? Aspectos morais mudaram com o passar dos anos e 
refletiram nas mais diferentes esferas sociais. E vale lembrar que os valores 
morais mudam, mas deixam consequências históricas e até mesmo sociais.
Em suma, podemos considerar que a moral influencia o código 
de ética, visto que existem aspectos morais que podem ser con-
siderados dominantes. A ética, por sua vez, também 
influencia nos mais diferentes pensamentos morais 
e tem por objetivo estabelecer uma conduta pa-
drão que estabeleça o certo e o errado a partir de 
regras sociais.
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A Pedagogia e a ética corporativa
Ao longo da história do trabalho, 
muitas mudanças aconteceram. Des-
de os primeiros dados históricos, 
passando pela Revolução Industrial, 
podemos perceber que tais mudan-
ças refl etiram diretamente na vida das 
pessoas e na sociedade. A forma como 
as pessoas lidam com o trabalho nas 
diferentes épocas traz infl uências que 
constroem a identidade e o signifi cado 
do trabalho no âmbito social. 
Socialmente, “ter” um trabalho, 
ou seja, uma ocupação de qualquer 
nível, é considerado uma boa atitu-
de socialmente. O fato de estar in-
serido na esfera corporativa possui 
significado social.
Além do valor de ser colaborador ou funcionário de uma determinada em-
presa, é importante ressaltar que existem normas e regras também no âmbito 
corporativo. Normas e regras estabelecidas para que o trabalho seja organiza-
do e cumprido da melhor forma possível. 
A ética corporativa baseia-se nos valores da empresa estabelecidos e 
transmitidos aos colaboradores. Tais valores norteiam as normas e regras para 
o exercício do trabalho e o funcionamento da organização nos mais diferentes 
níveis hierárquicos. A Pedagogia, por sua vez, por meio de métodos e técnicas, 
permite que os indivíduos sejam inseridos no contexto de uma aprendizagem, 
em que o(a) pedagogo(a), como profi ssional que atua em tais processos, é o(a) 
condutor(a) nesse contexto. 
As ações pedagógicas nos contextos corporativos visam desde a atua-
ção do funcionário na sua individualidade diante das suas funções no es-
paço corporativo até as ações em conjunto de aperfeiçoamento das rela-
ções de trabalho.
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A Pedagogia nos espaços corporativos foi inserida a partir da necessidade de 
capacitar os funcionários com as ferramentas educacionais adequadas e dese-
nhadas para o cenário corporativo. Ela tem por objetivo desenvolver os funcio-
nários por meio do conhecimento específico para o aprimoramento da profis-
são, além de promover uma integração que contribua para o êxito da empresa.
Para Ribeiro, em Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa, 
publicado em 2010,
A Pedagogia na empresa caracteriza-se como uma das possibilida-
des de formação e atuação do pedagogo bastante recente, especial-
mente no contexto brasileiro. Tem seu surgimento vinculado a ideia 
da necessidade de formação ou preparação dos recursos humanos 
nas empresas. Nem sempre, no entanto, as empresas preocupam-
-se com o desenvolvimento de seus recursos humanos, entendidos 
como fator principal do êxito empresarial (p. 9).
É importante considerar que a inserção do(a) pedagogo(a) nos espaços 
corporativos tem sido cada vez mais comum, principalmente no âmbito dos 
recursos humanos. Além de elaborar estratégias de integração das pessoas 
no ambiente de trabalho, ele(a) também atua na identificação de competên-
cias dos profissionais que podem ser aprimoradas ou reconhecidas. Suas 
ações contribuem para o desenvolvimento dos colaboradores no aspecto in-
dividual e coletivo.
A Pedagogia e a ética corporativa se encontram conforme a empresa utiliza 
métodos e ferramentas pedagógicas visando propagar seus valores, normas e 
regras entre colaboradores. As normas éticas de uma empresa expressam sua 
própria identidade e é importante que colaboradores reconheçam essa identi-
dade e cumpram as normas que fazem parte da organização. 
Compliance
Você já ouviu falar no termo compliance? A palavra traduzida para o portu-
guês significa conformidade e está relacionada a questões de uniformidade 
de informações e integridade das organizações. Em suma, refere-se às me-
didas que visam o cumprimento de normas para que a empresa se atente a 
qualquer situação ou fato que ocasione atos de corrupção. Tais medidas de-
vem sinalizar irregularidades nos mais diferentes aspectos, além de impedir 
que estas ocorram. 
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Compliance é considerado também uma boa estratégia para boa condução 
dos negócios não só para seus clientes, mas para todos, se referindo também 
à imagem da empresa com relação a sua integridade.
A questão é: qual a relação entre este conceito e a éticacorporativa? A res-
posta está no valor que a sociedade dá para as empresas que valorizam sua 
integridade e legitimamente priorizam o tipo de imagem que desejam trans-
mitir aos seus clientes e ao público em geral. Culturalmente, as empresas que 
cumprem e atestam que estão em dia com suas responsabilidades nos diferen-
tes âmbitos possuem um apreço socialmente, logo, possuem boas chances de 
ascensão entre tantas outras empresas. 
Diante dos colaboradores e funcionários também é de extrema importância 
propagar e promover essa cultura de integridade e valor. Por meio de estratégias 
pedagógicas, as empresas inserem os funcionários em um processo de aprendi-
zagem sobre a própria organização e em como as suas ações podem contribuir 
ainda mais na sua função para o crescimento e expansão da empresa. 
Um funcionário precisa se enxergar como parte de um todo, que é a organiza-
ção a qual faz parte e, além disso, ter em sua conduta expressões que legitimam a 
identidade dessa empresa. A ética corporativa e a Pedagogia atuam em conjunto 
promovendo aos funcionários a cultura da empresa e sua identidade, além de bus-
car conhecê-los, aperfeiçoá-los, motivá-los e prepará-los para o futuro da empresa.
A ética nas relações de trabalho
A ética nas empresas rege o conjunto de normas e regras que visam o bom 
funcionamento das organizações e as boas relações nos espaços corporativos. 
Nesse sentido, conforme pontuado por Painter-Morland, em Business ethics as 
practice, publicado em 2009, podemos considerar que:
A ética nas corporações diz respeito à capacidade de obtenção de 
respostas para as muitas pressões e expectativas que afetam coti-
dianamente as vidas dos indivíduos no decurso de suas participa-
ções em organizações e redes comerciais. Fornece equilíbrios em 
que o caráter, os valores e os relacionamentos se apresentam de 
maneiras signifi cativas, de modo que as pessoas sejam responsáveis 
entre si, autênticas e ajam com autonomia (p. 3-4, tradução livre). 
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Além de compreender que aspec-
tos relacionados às atividades laborais 
influenciam nos indivíduos que com-
põem o quadro de funcionários de 
uma organização, é importante com-
preender que as relações humanas 
também influenciam no trabalho e na 
cultura das empresas. Relembrando o 
conceito de “certo” e “errado”, nos es-
paços corporativos também é neces-
sário estar atento às regras que inter-
ferem nas relações existentes.
 Quando pensamos nas relações 
de trabalho sob a ótica da hierarquia, 
muitas questões podem surgir. Vamos a duas delas:
• O relacionamento com pessoas de um nível hierárquico maior pode ser o 
mesmo que temos com pessoas do mesmo nível?
• O que dizer e o que não dizer a uma pessoa na condição de chefia? Será 
que é válido puxar assunto sobre a sua vida pessoal sem qualquer vínculo além 
do ambiente de trabalho?
O(a) profissional precisa estar atento quanto às regras sociais nos es-
paços corporativos. Existem construções morais que ditam o que dizer e o 
que não dizer no ambiente de trabalho, o que vestir, como se comportar, 
dentre outros. Os princípios morais de cada sujeito estão relacionados a pa-
drões de valores estabelecidos. Contudo, dentro de uma organização, que 
é formada por pessoas diferentes, os valores individuais que um determi-
nado colaborador ou qualquer outro funcionário em um determinado nível 
hierárquico possui nem sempre será compatível com os valores dos demais 
reconhecidos dentro dos princípios éticos. E a partir das diferentes conside-
rações, surgem os conflitos. 
Um dos objetivos do(a) pedagogo(a) nas organizações, desse modo, é pro-
mover intervenções por meio de estratégias pedagógicas que desenvolvam 
reflexões sobre a postura e o cumprimento das normas e regras para uma boa 
conduta no ambiente de trabalho.
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É necessário compreender a importância de desenvolver posturas que 
promovam e possibilitem uma condição de trabalho agradável, independen-
temente das diferenças ou difi culdades no espaço corporativo. 
Atitudes como saber ouvir, saber trabalhar em equipe e relacio-
nar-se com os demais a partir do respeito são valores impor-
tantes para o desenvolvimento de boas relações de trabalho 
pautados na ética corporativa.
A Pedagogia organizacional e as práticas pedagógicas 
dentro das empresas
A atuação do(a) pedagogo(a) nas organizações está estritamente relacio-
nada com o desenvolvimento e identifi cação de competências, além de treina-
mentos e intervenções estratégicas com o objetivo de promover possibilidades 
de aprendizagem no cenário corporativo. 
Podemos, ainda, considerar que o(a) pedagogo(a) poderá atuar na área de 
recursos humanos, identifi cando competências e habilidades para alocações 
em setores específi cos. É válido ressaltar que o(a) pedagogo(a) possui como 
principal produto de seu trabalho a aprendizagem e seus processos. Sabemos 
que há diferentes campos de atuação nos mais diferentes espaços, contudo, o 
foco de sua formação é a aprendizagem dos indivíduos.  
Outra esfera de atuação para o(a) pedagogo(a) nos espaços corporativos 
pode ser vista no momento em que uma empresa está passando por mudan-
ças ou alterações organizacionais e os colaboradores precisam se 
adequar a novas realidades, aprender novas funções ou reco-
nhecer novas hierarquias estabelecidas. Quando uma empre-
sa sofre alterações na sua identidade corporativa, também é 
necessário que se apresente as mudanças ocorridas 
e suas respectivas adaptações. Desse modo, para 
que os funcionários aprendam sobre o novo mo-
mento no ambiente de trabalho, um(a) pedago-
go(a) torna-se essencial no desenvolvimento 
de novos processos e inserção dos profi ssionais 
nesse novo contexto.
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DIAGRAMA 3. PAPEL DO(A) PEDAGOGO(A) ORGANIZACIONAL 
As mudanças nos cenários corporativos são cada vez mais comuns. Como 
exemplo, podemos citar uma situação na qual uma empresa, que antes fun-
cionava presencialmente, passa, devido a um tipo de crise, a desenvolver uma 
nova forma de trabalho: o trabalho remoto.
EXPLICANDO
O trabalho remoto caracteriza-se por uma forma de trabalho em que os 
funcionários desenvolvem suas atividades à distância, ou seja, fora do 
espaço da organização a qual é funcionário ou presta serviços.
Qualquer mudança no cenário corporativo, seja nas funções a serem de-
sempenhadas ou na estrutura, precisam ser acompanhadas por um profissio-
nal que atue conduzindo os colaboradores e funcionários às novas aprendiza-
gens necessárias para o desenvolvimento de suas atribuições. 
Pedagogia
organizacional
Educação
corporativa
Desenvolvimento
de lideranças
Gestão de
talentos
Planejamento
de carreira
Recursos 
humanos
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Uma empresa que sofre mudanças organizacionais infl uencia diretamente 
seus funcionários. Dessa forma, condutas podem ser alteradas a partir de tais 
mudanças. Reuniões que aconteciam presencialmente, por exemplo, podem 
começar a acontecer virtualmente e com o auxílio de novas ferramentas, que 
passam a se tornar essenciais para o desenvolvimento do trabalho. 
Nesse sentido, uma empresa que está atenta à necessidade de instruir 
e preparar seus funcionários e colaboradores pode contar com a ajuda de 
um(a) pedagogo(a) para organizar os novos processos da melhor forma pos-
sível, visando a permanência da empresa e a aprendizagem de todos. In-
formações como qual ferramenta utilizar, ou como continuar a desenvolver 
suas atribuições precisam chegar a todos. Desse modo, um(a) pedagogo(a) 
organizacional pode planejar e organizar os processos que devem ser de-
senvolvidospara este momento.
Ações pedagógicas e integração na empresa
Uma das atribuições do(a) pedagogo(a) nas organizações é promover 
ações que desenvolvam a integração dos colaboradores e funcionários. Por 
mais que o discurso sobre a importância em trabalhar em equipe seja bem 
conhecido e valorizado, é necessário que as empresas promovam ações es-
pecífi cas para desenvolver a integração de funcionários e setores que com-
põem a organização.
As ações pedagógicas que visam promover os valores voltados à impor-
tância do trabalho em equipe e a integração da empresa precisam partir do 
conceito de valor do funcionário em sua individualidade na organização. Inde-
pendentemente de sua função e seu nível hierárquico, o colaborador precisa se 
enxergar como pertencente à organização.
O espaço corporativo como um espaço de relações sociais pautadas na 
realização de tarefas e atribuições também é um campo para o desenvolvi-
mento de uma boa conduta a partir de valores éticos que devem ser apre-
sentados a todos que compõem a organização. Sobre a relação da educação 
e das intervenções para a integração dos colaboradores nas empresas, vale 
considerar que de acordo com Libâneo, em Pedagogia e pedagogos, para quê?, 
publicado em 2005:
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A educação, enquanto atividade intencionalizada, é uma prática 
que atua como influência do meio social sobre o desenvolvimen-
to dos indivíduos na sua relação ativa com o meio natural e so-
cial, tendo em vista, principalmente, potencializar essa ativida-
de humana para torná-la mais rica, mais produtiva, mais eficaz, 
diante das tarefas da práxis social postas num dado sistema de 
relações social (p. 82).
O(a) pedagogo(a) organizacional poderá elaborar estratégias pedagógicas 
que promovam a integração dos funcionários a partir de ações ao longo do 
ano, por meio de campanhas específicas ou intervenções que destacam valo-
res como o respeito, igualdade e importância do trabalho em equipe.
Outras ações e intervenções como testes de aptidão, reconhecimento de 
capacidades e habilidades também fazem parte das atividades diárias de um(a) 
pedagogo(a) organizacional, que sempre está em busca de novas formas de 
aprimorar o aprendizado dos funcionários e observá-los. 
A forma como se dará cada ação pode variar, indo do compartilhamento de 
textos sobre o assunto, dinâmicas à promoção de situações nas quais todos se-
jam estimulados a executarem de boas ações entre si. As intervenções podem 
ser inúmeras, desde que promovam o valor da integração e do comprometi-
mento pela boa conduta na empresa.
É importante que o(a) profissional encarregado de desenvolver tais práticas 
tenha o objetivo da integração e aplique métodos ou ferramentas cabíveis à rea-
lidade da empresa. Para que isso aconteça, é necessário elaborar planos estra-
tégicos pautados em planejamentos com dados que contribuirão para as ações. 
De acordo com Silva e Soares, no artigo “A função do pedagogo nas 
empresas” [s.d.]: 
O pedagogo que atua nos cenários corporativos precisa ter a sen-
sibilidade suficiente para perceber quais estratégias podem ser 
usadas e em que circunstâncias para que não se desperdice tem-
po demais aplicando vários métodos e, perca de vista os propó-
sitos tanto da formação, quanto da própria empresa. Ao planejar 
um programa de formação, treinamento ou seleção de métodos, 
estes devem obedecer ao princípio do desenvolvimento concomi-
tante de competências técnicas e de relacionamento social (p. 7).
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Diante da necessidade de elaborar ferramentas para uma formação de 
colaboradores, é necessário conhecer a identidade da organização e a fi na-
lidade da ação ou intervenção. Informações devem ser coletadas e estraté-
gias organizadas para que sejam aplicadas e tragam resultados. O planeja-
mento também é fundamental para as ações e devem nortear os processos. 
Quando um(a) pedagogo(a) conhece a organização em que atua e desenvol-
ve estratégias que adequam a realidade da instituição e dos colaboradores, 
os resultados são satisfatórios.
Além das informações necessárias para a aplicação de ações ou interven-
ções, é importante ter conhecimento sobre o perfi l dos colaboradores. Uma 
empresa que conhece seus funcionários pode elaborar ações e intervenções 
com objetivos mais claros e cabíveis à realidade da organização.
Treinamento e desenvolvimento 
É importante lembrar que o(a) pedagogo(a) é um profi ssional que tem em 
sua formação, dentre alguns objetivos, respaldos teóricos para atuar nos pro-
cessos de aprendizagem, com métodos e técnicas voltados para os processos 
educacionais. 
Algumas organizações possuem uma cultura corporativa baseada no in-
vestimento dos colaboradores para o crescimento da própria empresa. Uma 
organização que compreende o valor desse tipo de investimento é capaz de 
construir uma equipe com qualidade e com uma identidade corporativa que se 
destaca entre as demais.
É importante lembrar de que também é papel do(a) pedagogo(a) lidar com 
mudanças no cenário corporativo, além de colaborar na adaptação de novos 
funcionários na empresa, sendo que, para tais ações, estratégias e ferramen-
tas educacionais poderão ser utilizadas.
O(a) pedagogo(a) como especialista em assuntos relacionados à 
educação está preparado(a) para atuar nas organizações por se tratar 
de um espaço educativo no qual se busca o desenvolvimen-
to das competências exigidas pelos respectivos cargos e a 
aprendizagem contínua que é pertinente a todos, inde-
pendentemente dos níveis hierárquicos.
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SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 34 26/04/2021 12:05:12
 Catharino, em Treinamento do capi-
tal humano das empresas e o seu reflexo 
no processo de mudanças tecnológicas, 
econômicas e sociais. Uma avaliação do 
papel de educador do profissional de 
treinamento no âmbito das empresas 
nos últimos cinco anos, publicado em 
2002, aponta que o capital humano, 
ou seja, as pessoas que trabalham em 
uma determinada empresa, deve ter à 
sua disposição ferramentas de capacitação fornecidas pela empresa para a sua 
evolução e progresso corporativo. 
A partir dessa colocação, podemos considerar que é dever da organização 
estar atenta às tendências que o mercado demonstra. Dessa forma, quanto 
mais o(a) profissional tiver acesso ao conhecimento, maior será o domínio das 
ferramentas que a empresa disponibilizará. 
Ao(à) pedagogo(a) cabe o papel de estudar as tendências do mercado, se 
preparar, pesquisar, conhecer bem a realidade da empresa e investir em sua 
formação. Uma de suas atribuições também é interagir com os recursos hu-
manos e estar atento(a) às necessidades de treinamento e desenvolvimento 
de colaboradores. Quanto mais estiver por dentro da realidade corporativa da 
empresa e na realidade do mercado, mais preparado(a) está para desenvolver 
treinamentos e colaborar com a empresa e com os objetivos da organização.
A prática pedagógica voltada para o mercado está em constante mudança e 
atualização, já que esta é uma área que sempre passa por evoluções seguindo 
as necessidades do mundo corporativo e do mercado. 
Pedagogia tecnicista
Durante alguns anos, a Pedagogia tecnicista era considerada uma das úni-
cas práticas no ambiente corporativo em relação ao treinamento e desenvolvi-
mento dos colaboradores. O objetivo desta metodologia consistia em treinar e 
capacitar os funcionários unicamente na função que desempenhavam. Diante 
desta prática, os colaboradores da empresa se tornavam meros executores de 
funções e respectivas atividades, sem muitas vezes nem compreender o pro-
cesso completo de produção de trabalho. 
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Sobre o tecnicismo,Kuenzer e Machado, em “A pedagogia tecnicista”, publi-
cado em 1982, afi rmam que: 
Esta teoria surge tendo como preocupação central o controle do 
processo produtivo, necessidade gerada pelo desenvolvimento 
capitalista que, introduzindo novas relações de produção a par-
tir da compra e venda de força de trabalho, transfere o controle 
realizado internamente pelo produtor, a uma instância superior a 
ele: a da gerência (p. 31).
Em uma perspectiva educacional, a Pedagogia tecnicista pode apresentar 
características que indicam o quanto suas práticas podem parecer autoritárias 
e unicamente restritas a conduzir os(as) alunos(as) a repetirem os conteúdos 
transmitidos sem valorizar a contextualização em que estão inseridos. 
Diante da realidade corporativa, muitas organizações optam por práticas 
tecnicistas para o aperfeiçoamento das atribuições de colaboradores. A forma 
como as empresas lidam com os treinamentos dos funcionários diz muito so-
bre a sua cultura organizacional.
CURIOSIDADE
Você sabe qual a origem da Pedagogia tecnicista no Brasil 
e suas características mais específi cas? Muitas tendências 
pedagógicas são utilizadas nos mais diferentes espaços, 
inclusive nas empresas e conhecê-las é fundamental para a 
sua formação. Leia o artigo “Pedagogia tecnicista: um breve 
panorama” e conheça um pouco mais sobre esse assunto.
O(a) pedagogo(a) organizacional e a resolução de problemas
Além de ações e intervenções relacionadas a treinamentos e ca-
pacitações voltadas para os funcionários e colaboradores nas or-
ganizações, o(a) pedagogo(a) também atua na resolução 
de problemas. Trata-se de um perfi l profi ssional inse-
rido no contexto corporativo que também se res-
ponsabiliza em preparar a empresa para lidar com 
diferentes situações no cotidiano e em diferentes 
cenários organizacionais.
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SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 36 26/04/2021 12:05:13
É importante planejar e desenvolver estratégias para que as possíveis 
situações no ambiente de trabalho sejam encaradas da melhor forma pos-
sível, e o(a) profissional de Pedagogia tem a responsabilidade de proporcio-
nar ferramentas e metodologias para conduzir a empresa em momentos 
rotineiros ou atípicos. Para isso, é necessário compreender e analisar desde 
questões pontuais até individuais da empresa, obtendo um mapeamento de 
ações a partir de tais análises.
DIAGRAMA 4. TREINAMENTO E AVALIAÇÃO
Entrada Processo 
Retroação 
Saída 
Treinados 
Recursos 
organizacionais 
Programa de 
treinamento 
Processo de 
aprendizagem 
individual 
Avaliação 
dos resultados
Conhecimento 
Atitudes 
Habilidades 
Eficácia 
organizacional 
Fonte: CHIAVENATO, 2004, p. 499 apud OLIVEIRA JUNIOR; GUILHERME, 2014, p. 36. (Adaptado).
Uma organização pode passar por diferentes situações, desde pequenas 
mudanças administrativas até questões mais complexas, como uma grande 
mudança de gestão e reestruturação da empresa. O(a) pedagogo(a), nesse con-
texto, pode atuar conduzindo os processos da melhor forma possível. 
No âmbito da avaliação para detectar ou resolver problemas na empresa, 
é preciso atenção às ferramentas utilizadas. Quando ocorre, por exemplo, a 
aplicação de testes ou provas, para a identificar se os funcionários assimilaram 
determinado conteúdo para o melhor desenvolvimento de suas funções, ou 
ainda uma nova atribuição, é necessário que tal ação seja inserida dentro de 
um processo, e não de forma avulsa. Uma prova aplicada por si só pode não ter 
a funcionalidade desejada.
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Para Ribeiro, em Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa, 
publicado em 2010, o processo de avaliação dentro da organização acontece 
de diversas formas. Uma das formas diz respeito à reação, ou seja, em como o 
colaborador reage ao término do treinamento e como ele avalia o treinamento 
recebido. Vale considerar que um teste ou uma prova pode ser aplicada a partir 
de um treinamento ou capacitação. Além disso, os testes sobre os conteúdos 
transmitidos podem ser aplicados de diferentes maneiras e, nesse sentido, o(a) 
profissional de Pedagogia precisa conhecer as múltiplas maneiras de avaliação 
e como os resultados devem ser obtidos. 
Ao avaliar os funcionários individualmente por meio de entrevistas, pales-
tras ou observações comportamentais, é importante apontar os pontos de 
melhorias necessários para cada pessoa. Dessa forma, essas pessoas podem 
traçar planos e estratégias para melhorar esses pontos fracos.
Em suma, cada organização possui uma realidade e diferen-
tes contextos em relação aos seus funcionários e colaborado-
res. O(a) pedagogo(a) organizacional precisa estar atento a 
tais informações e utilizar as melhores ferramentas e práti-
cas pedagógicas visando o êxito e o sucesso da empresa. 
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Sintetizando
Nessa unidade, vimos que a atuação do(a) pedagogo(a) ultrapassou a sala 
de aula. A partir de uma formação que tem como base os processos educacio-
nais e a aprendizagem, novos espaços passaram a receber este perfil profissio-
nal. Compreendemos os fundamentos da Pedagogia organizacional para visua-
lizar sua atuação em espaços como empresas, ONGs e hospitais. Olhar para 
esses espaços a partir de uma ótica priorizando as possibilidades educacionais 
é perceber o valor do(a) profissional de Pedagogia. 
No âmbito social, vimos que o(a) pedagogo(a) pode atuar como educador(a) 
social e utilizar ferramentas pedagógicas para intervenções cabíveis no proces-
so de ressocialização dos indivíduos. Vale lembrar que a atuação do(a) assisten-
te social e do(a) pedagogo(a) social se encontram, mas desempenham papéis 
distintos, mesmo agindo em conjunto.
Em seguida, vimos que a atuação do(a) formado em Pedagogia também é 
demandada por hospitais. Nesse espaço, o(a) pedagogo(a) atua nos processos 
educacionais com pacientes que, por motivos de saúde, tiveram sua ida a es-
cola interrompida, possibilitando a continuidade dos estudos dessas pessoas. 
Por fim, aprendemos que o papel do(a) pedagogo(a) nas organizações está 
relacionado a atribuições voltadas para treinamentos, capacitações, desenvol-
vimento, resolução de problemas e aspectos relacionados à ética e cultura das 
organizações. As práticas pedagógicas nas organizações devem ser propostas 
a partir da identidade da organização e estrategicamente estarem alinhadas 
com os processos desenvolvidos. 
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A PEDAGOGIA
 SOCIAL E SEUS 
ASPECTOS: A ATUAÇÃO 
DO PEDAGOGO 
NOS ESPAÇOS 
SOCIOEDUCATIVOS
2
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Conceituar a Pedagogia Social e elencar seus principais aspectos;
 Apresentar abordagens sobre multiculturalismo, diversidade cultural, 
cidadania e a relação delas com a Pedagogia Social;
 Abordar a Pedagogia Social a partir da perspectiva dos movimentos sociais 
na Educação. 
 O pedagogo e o contexto 
sociocultural: multiculturalismo, 
diversidade cultural e cidadania
 A Pedagogia Social e os seus 
diferentes contextos 
 Multiculturalismo e diversidade 
cultural
 Multiculturalismo e diversidade 
cultural na escola
 A Pedagogia Social na 
perspectiva do multiculturalismo e 
da diversidade cultural
 A cidadania e a Pedagogia Social
 Pedagogia Social e movimentos 
sociais na educação
 O pedagogo social, suas ações 
e intervenções nos movimentos 
sociais
 Pedagogia Social e o movimento 
negro
 Os grupos indígenas, os 
movimentos populares e a 
educação prisional
 Novas tecnologias e Pedagogia 
Social
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O pedagogo e o contexto sociocultural: multiculturalismo, 
diversidade cultural e cidadania
Quando se observa a Pedagogia Social sob uma ótica que busca seus princi-
pais aspectos, ela é considerada uma área de estudo que apresenta sua base no 
campo das Ciências da Educação e tem como espaço de atuação e área de conhe-
cimento a Educação Social, se constituindo como uma teoria geral da educação 
social e sendo um eixo norteador teórico para as ações voltadas para a Educação 
Popular, a Educação Sociocomunitária e a própria Educação Social.
Uma das principais características na Educação Social na sociedade está volta-
da à melhoria das relações humanas e sociais nos mais diferentes espaços, alcan-
çando crianças, adolescentes, adultos e idosos. O foco da Pedagogia Social está 
em intervenções educativas intencionais e não formais, diferente da educação 
formal que se desenvolve na escola. Segundo Caliman, na página 352 do artigo 
“Pedagogia Social: seu potencial crítico e transformador”, publicado em 2010 na 
Revista de Ciências da Educação – UNISAL, é possível defi nir Pedagogia Social como: 
[...] uma ciência, normativa, descritiva, que orienta a prática so-
ciopedagógica voltada para indivíduos ou grupos, que precisam de 
apoio e ajuda em suas necessidades, ajudando-os a administrarem 
seus riscos através da produção de tecnologias e metodologias so-
cioeducativas e do suporte de estruturas institucionais.
Ainda na perspectiva do autor, no Brasil há várias visões acerca da Pedagogia 
Social e, de um modo geral, ela é tida como uma pedagogia crítica que promove 
uma educação emancipadora dos sujeitos. Além disso, por meio da Pedagogia So-
cial, é possível refl etir de forma crítica, a partir de uma ótica focada na educação, 
sobre questões relacionadas ao âmbito social, como desigualdades sociais, con-
dições de vulnerabilidade, exclusão social, entre outras.
A pergunta norteadora da Pedagogia Social, diante de tais questões para a so-
ciedade, se resume a como a educação pode contribuir de maneira signifi cativa 
na vida dos indivíduos que se encontram à margem de uma “normalidade” esta-
belecida pela sociedade. Tal questionamento visa problematizar não só questões 
relacionadas à vida dos sujeitos que se encontram nos seus nichos sociais, mas 
provocar refl exões acerca do que a sociedade de um modo geral pode fazer ou 
deve fazer.
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Durante muitos anos, a Pedagogia Social esteve atrelada ao assistencialismo 
e, devido a essa realidade, algumaspessoas podem não conhecer do que se trata 
esse campo de estudo e seus aspectos. Na atualidade, a Pedagogia Social está 
relacionada com o desenvolvimento do caráter social dos indivíduos e a formação 
política dos mesmos. 
Aspectos históricos da Pedagogia Social no Brasil
No cenário mundial, o surgimento da Pedagogia Social se deu a partir da necessi-
dade de promover ações organizadas com o objetivo de alcançar pessoas por meio 
da educação em posições consideradas à margem da sociedade. Quando é citada 
a expressão “à margem da sociedade”, logo vem à mente situações de pobreza ou 
miséria, contudo, na perspectiva da Pedagogia Social, o objetivo é alcançar pessoas 
de diferentes realidades em posições de vulnerabilidade, não importando o nível.
Antes de abordar os dados históricos da Pedagogia Social no Brasil, é preci-
so remeter ao princípio constitucional firmado pela Lei de Diretrizes e Bases 
(LDB), aprovada em 1996, cujo artigo 1º diz: 
Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se de-
senvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, 
nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e 
organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais.
Nessa perspectiva, é possível encontrar a Pedagogia Social e o papel da 
Educação sendo exercido não só na escola, mas em outros diferentes espaços.
DICA
A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional é o 
respaldo legislativo brasileiro para questões relacionadas à 
educação. Nela, há artigos que definem e regularizam a edu-
cação em território nacional. Como profissional de Educação, é 
importante conhecer a LDB. 
Como pontuado por Machado, na página 94 da dissertação A constituição da Pe-
dagogia Social na realidade educacional brasileira, defendida em 2010, a expressão 
Pedagogia Social surgiu no Brasil pela primeira vez no início do século XX, relaciona-
da à Educação Popular e num momento histórico em que tanto a Pedagogia Social 
quanto a Educação Popular estavam associadas à maioria da população brasileira 
que não tinha acesso à escola ou não sabiam ler ou escrever. 
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Na época, a população se via numa situação como quem estivesse “parado no 
tempo”: era necessário iniciar um período de desenvolvimento do País nos mais di-
ferentes aspectos, a começar pela escolarização da população brasileira. A educa-
ção, já nesse momento, era vista como um instrumento de participação política, a 
partir do conhecimento e reflexão proporcionados por meio dela. Diante de tal ne-
cessidade, nasceu um movimento pela educação dos brasileiros e por investimentos 
em educadores. Historicamente, nesse momento, nascia a constituição do sistema 
educacional brasileiro. Sobre esse cenário histórico da educação, Demerval Saviani, 
na página 317 do livro História das ideias pedagógicas no Brasil, de 2008, afirma que:
Na Primeira República, a expressão “educação popular”, em conso-
nância com o processo de implantação dos sistemas nacionais de 
ensino ocorrido ao longo do século XIX, encontrava-se associada à ins-
trução elementar que se buscava generalizar para toda a população 
de cada País, mediante a implantação de escolas primárias. Coincidia, 
portanto, com o conceito de instrução pública. Esse era o caminho 
para erradicar o analfabetismo. Foi com esse entendimento que se 
desencadeou a mobilização pela implantação e expansão das escolas 
primárias, assim como as campanhas de alfabetização de adultos.
Segundo Brandão, na página 143 de A educação popular na escola cidadã, pu-
blicado em 2002, nesse contexto histórico nasceram os centros de educação po-
pular ou práticas de educação alternativas para os trabalhadores brasileiros em 
bairros operários de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Os projetos 
de educação eram realizados por meio de escolas de trabalhadores para operá-
rios adultos e seus filhos. Ali era o embrião da Pedagogia Social no Brasil, antes 
mesmo até do momento em que Paulo Freire surgiu, norteando profissionais no 
território brasileiro e fora dele.
Nesse sentido, a escolarização passou a ser encarada como uma das responsa-
bilidades do Estado. A Associação Brasileira de Educação (ABE), criada em 1924, tor-
nou-se espaço para o desenvolvimento de ideias e ideais políticas com o objetivo de 
organizar lutas pela legitimação de novos rumos para o cenário educacional no País. 
Outro aspecto cabível no surgimento da Pedagogia Social no Brasil é a influência que 
contribuiu para a formação da corrente da Escola Nova, cujo fundamento era a teo-
ria de John Dewey, defendido e utilizado por Anísio Teixeira. A defesa da democracia 
e da ciência foram as principais características que inspiraram esse movimento.
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Segundo John Dewey, a escola não só deve fazer parte da vida de um indivíduo, 
mas ser um grande marco na vida dele, com a educação como um eixo norteador 
para a própria vivência. Na perspectiva do movimento escolanovista, a educação 
é a responsável em promover oportunidades iguais a partir, também, de seu papel 
democratizante. Em suma, o movimento Escola Nova promoveu a educação como 
a principal ferramenta para um País democrático proporcionar aos sujeitos uma 
vida digna e em prol do cidadão, dos seus direitos e deveres pois, num País marca-
do por desigualdades, como o Brasil, não existe outro caminho a não ser pela edu-
cação. A Educação Popular está ligada ao conceito de Pedagogia Social. Segundo 
as pesquisas de Monarcha, presentes na página 21 do livro A reinvenção da cidade e 
da multidão: dimensões da modernidade brasileira – a escola nova, de 1989, Fernando 
de Azevedo foi o primeiro a utilizar o conceito de Pedagogia Social:
Com Fernando de Azevedo, aprendemos também “que os povos 
acomodam-se no interior das velhas estruturas, cabendo à Peda-
gogia Social fazer com que se liberem das amarras da tradição”. A 
tradição, para os pioneiros, não era peso morto que se prolongava 
pelo tempo; ao contrário, era força viva e atuante que agia no pre-
sente. Daí a necessidade de uma revolução cultural.
É interessante perceber que, para Fernando de Azevedo, Pedagogia Social 
não signifi cava uma nova área de conhecimento ou estudo, mas traduzir uma 
Pedagogia que promovia a Educação como ferramenta transformadora da rea-
lidade. Com o passar dos anos, aconteceram muitas ressignifi cações e, a partir 
do ano 2000, a Pedagogia Social aparece com novas propostas no seu signifi -
cado e ressignifi cações.
A Pedagogia Social e os seus diferentes contextos
É indiscutível o valor formativo da escola. Contudo, esse espaço não é o úni-
co a suprir as necessidades educativas do indivíduo. Do outro lado dos muros 
da escola, há fatores que contribuem na formação do indivíduo, questões que 
perpassam pelo âmbito educativo, mas com uma identidade social, cultural ou 
psicológica, também relacionadas à formação. Além do contexto escolar, exis-
tem ainda as necessidades socioeducativas de indivíduos em diferentes faixas 
etárias e que precisam ser consideradas.
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Tais necessidades podem ser de natureza cultural, associadas ao lazer, su-
primento de necessidades básicas, atendimento a populações consideradas 
em estado de risco, inserção no mercado de trabalho, formação continuada, 
sustentabilidade, direitos humanos, entre outras. Cabanas, nas páginas 116 e 
117 do livro Los ámbitos profesionales de la animación, de 1993, aponta para ou-
tros pontos de vista que a Pedagogia Social também abrange:
[...] atenção à infância com problemas (ambiente familiar desestru-
turado, abandono); atenção à adolescência (orientação pessoal e 
profissional, tempo livre, férias; atenção à juventude (política dejuventude, associacionismo, voluntariado, atividades, emprego) 
atenção à família em suas necessidades existenciais (famílias 
desestruturadas, adoção, separações); atenção à terceira idade; 
atenção aos deficientes físicos, sensoriais e psíquicos; pedagogia 
hospitalar; prevenção e tratamento das toxicomanias e do alcoo-
lismo; prevenção da delinquência juvenil. (reeducação dos disso-
cializados); atenção a grupos marginalizados (imigrantes minorias 
étnicas, presos e ex - presidiários); promoção da condição social 
da mulher; educação de adultos; animação sociocultural.
Uma das questões que a Pedagogia Social busca responder é como a educa-
ção pode contribuir para a vida de um sujeito diante das necessidades sociais. 
E não basta só responder essa questão, mas, a partir dela, articular diferentes 
frentes para a resolução de problemas. Ao pensar em como acontecem os pro-
cessos de inserção social de um indivíduo à margem da sociedade com base 
numa condição de qualquer natureza, a educação é uma estratégia que pro-
move inserção. Essa é uma das principais propostas da Pedagogia Social, que 
parte da realidade dos diferentes contextos dos indivíduos e da condição vivi-
da, apresentando estratégias e possibilidades de ferramentas educacionais.
É importante salientar que a Pedagogia Social visa a inclusão a partir de 
uma ótica que, ainda que vise incluir os sujeitos, também valoriza os aspectos 
culturais de cada contexto. Vale lembrar que a realidade em que o indivíduo 
está inserido precisa ser considerada dentro da perspectiva das práticas ou 
intervenções educativas a serem desenvolvidas. Portanto, em seu campo de 
atuação, a Pedagogia Social lida com vários processos, desde a ambientação 
do indivíduo, a identificação e reconhecimento da cultura, entre outras etapas.
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Neste cenário, é importante compreender bem 
a relação entre a Pedagogia Social, os diferentes 
contextos sociais, as práticas ou intervenções 
educativas e os indivíduos. Os processos de-
senvolvidos devem articular essas frentes para 
que os resultados tenham signifi cado na vida dos 
sujeitos. Não é sobre “mudar a vida” das pessoas a 
partir de práticas educativas apenas e, sim, sobre ressignifi car os 
processos educativos valorizando os diferentes contextos e culturas através 
das etapas de aprendizagem, provocando os indivíduos e os tornando prota-
gonistas dos processos educativos desenvolvidos.
DIAGRAMA 1. ESQUEMA SOBRE A RELAÇÃO ENTRE OS DIFERENTES CONTEXTOS E 
AS PRÁTICAS OU INTERVENÇÕES
Multiculturalismo e diversidade cultural
Antes de abordar a relação do multiculturalismo e a diversidade cultural 
no âmbito da Pedagogia Social, é necessário se atentar ao signifi cado dos ter-
mos, já que muitas leituras e compreensões de diferentes aspectos não abran-
gem a totalidade das abordagens, porque o signifi cado dos objetos de estudo 
não é apresentado de modo que as abordagens tenham sentido.
Contexto social Práticas/Intervenções educativas 
Pedagogia Social 
Indivíduos
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EXPLICANDO
Segundo o DICIO, Dicionário Online de Português, o “multiculturalismo” 
é algo “em que há, em simultâneo, várias culturas num mesmo território, 
País, etc.; multiculturalidade”. A expressão “diversidade cultural”, por sua 
vez, tem sua definição como: “conjunto de características culturais que, 
observadas em pessoas circunscritas num mesmo espaço geográfico 
(País, cidade, região etc.), caracteriza costumes, hábitos sociais ou cren-
ças que variam de uma pessoa para outra”.
Agora que se conhecem os significados literais dos objetos de estudo, é pos-
sível analisar as abordagens que fazem do multiculturalismo e da diversidade 
cultural, assuntos que influenciam diretamente na Pedagogia Social. Desde que 
passou a viver em sociedade, a diversidade cultural se tornou um fato caracte-
rístico do ser humano. Segundo Gellner, na página 47 de Antropología y política: 
revoluciones en el bosque sagrado, de 1997, “a característica verdadeiramente 
essencial daquilo a que chamamos sociedade humana reside na sua assom-
brosa diversidade”. Díaz-Polanco, na página 15 do livro Elogio de la diversidad: 
globalización, multiculturalismo y etnofagia, de 2006, afirma que “a sociedade 
humana é um imenso maquinário que fabrica incessantemente a diversidade 
cultural”. Logo, se conclui que essa diversidade cultural, que promove as múl-
tiplas formas culturais, também influencia nos diferentes âmbitos relativos ao 
ser humano. 
Quando se remete à educação e à 
relação desta com a diversidade cul-
tural e o multiculturalismo, é preciso 
lembrar que os métodos e processos 
que legitimam os processos educati-
vos perpassam pelas características 
culturais dos sujeitos. Em se tratando 
da Pedagogia Social, que visa promo-
ver a educação valorizando e reconhe-
cendo as múltiplas culturas, além da 
diversidade cultural em suas diferentes características e contextos, é neces-
sário compreender que, para uma educação com sentido na vida dos sujeitos, 
tais influências precisam ser consideradas como ponto de partida para os pro-
cessos educativos em suas práticas e intervenções.
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Pensar na diversidade e no multiculturalismo como uma pluralidade de 
costumes, crenças, ideias e tantas outras características que se remetem à 
determinadas identidades, difunde um discurso que promove a aceitação do 
que é “diferente, próprio e construído por um determinado grupo social”. To-
davia, para além da abordagem de reconhecimento e valorização da diversida-
de cultural, é reconhecido que questões relacionadas à diversidade cultural e 
seus desdobramentos também encontram percalços em muitos espaços. Tais 
percalços podem ser melhor defi nidos como preconceitos, impedimentos que 
promovem e reconhecem determinadas identidades como uma cultura ou pro-
dução cultural. 
Multiculturalismo e diversidade cultural na escola
No espaço escolar, a discussão sobre multiculturalismo e diversidade cul-
tural pode passar por uma dubiedade de questões. Enquanto o discurso é de 
agregação, por outro lado, há uma segregação do que não faz parte do padrão 
aceitável pelo sistema educacional. Cada indivíduo possui características pró-
prias em relação à sua condição biológica, cultural ou social e, no espaço esco-
lar, muitas vezes as regras e normas já estabelecidas não permitem o devido 
“espaço” que a diversidade precisa. Segundo Beuachamp, Pagel e Nascimento, 
na página 19 do livro Indagações sobre currículo: diversidade e currículo, de 2008:
Seria muito mais simples dizer que o substantivo diversidade 
signifi ca variedade, diferença e multiplicidade. Mas essas três 
qualidades não se constroem no vazio e nem se limitam a se-
rem nomes abstratos. Elas se constroem no contexto social e, 
sendo assim, a diversidade pode ser entendida como um fenô-
meno que atravessa o tempo e o espaço e se torna uma ques-
tão cada vez mais séria quanto mais complexa vão se tornando 
as sociedades. 
Diante de tais considerações, a escola é um espaço que não só deve conside-
rar a diversidade cultural e o multiculturalismo, mas promovê-los em seu espaço 
por meio do currículo escolar, por exemplo. Entretanto, a escola também é um 
espaço que promove o que é reconhecido como “padrão” e, por isso, torna-se o 
que é necessário para a formação dos sujeitos nos ambientes escolares. 
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Nessa conjuntura, o objeto de estudo é a Pedagogia Social e suas relações 
com o multiculturalismo e a diversidade cultural, porém, a escola, conside-
rada um ambiente necessário para a formação do ser humano, se transforma 
num espaçoque deveria propagar as múltiplas culturas e se ressignifi car a par-
tir delas, para que todos os sujeitos, em suas respectivas identidades e carac-
terísticas culturais, fossem “abraçados” e se enxergassem como protagonistas 
do espaço escolar.
CURIOSIDADE
Há várias questões a se pensar sobre a formação docen-
te e o multiculturalismo, bem como sobre a necessidade 
de se reconfi gurar a escola diante da diversidade cultu-
ral, temas muito válidos para estudo e aprofundamento. 
Nesse sentido, Rodrigues e Guedes, em artigo para o site 
da Revista Educação Pública em 2019, se aprofundaram 
nas implicações do multiculturalismo na educação.
A Pedagogia Social na perspectiva do multiculturalismo 
e da diversidade cultural
A Pedagogia Social em seus diferentes campos de atuação visa promover a 
educação como um dos instrumentos de inserção social. Diante disso, é impor-
tante considerar muitos outros fatores que fazem parte de todo esse processo. Os 
processos educativos levam em conta aspectos relacionados à realidade e ao con-
texto do sujeito como aluno. As práticas e as intervenções pedagógicas, a fi m de 
alcançar o objetivo, seja ele promover aprendizagem, integração ou ainda algum 
relacionado ao sujeito e sua relação com o conhecimento proposto, deve valorizar 
e considerar o contexto em que aquele sujeito está inserido.
Muito se discute sobre os diferentes contextos dos alunos, e como o pedagogo 
social atua nos espaços em que estão inseridos os indivíduos. Dessa forma, é um 
pouco mais notória a infl uência que tais espaços de vivência e convivência pro-
movem na vida dessas pessoas. Por falar em espaços sociais, é preciso lembrar 
que espaços sociais promovem cultura e identidades específi cas a partir do que é 
vivido e construído ali. Todo sujeito carrega, nas suas construções culturais, uma 
“bagagem” de vivências, experiências que construíram costumes e algumas outras 
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características. O conceito de Pedagogia Social como teoria da educação social e 
como respaldo teórico para as práticas educativas na Educação Popular, Socioco-
munitária e Educação Social, perpassa por diferentes campos na sociedade.
Segundo Silva, Silva e Lopes, no trabalho “O direito à educação sob a perspectiva 
da Pedagogia Social”, apresentado em 2012, a Pedagogia Social é fundamentada em 
princípios que norteiam a educação como um processo de formação do ser humano 
por inteiro e como base das relações com ele mesmo, com o outro, com a vida e com 
o meio. Os autores defendem que existem três domínios da Pedagogia Social, com 
características específi cas em suas áreas de conhecimento e objetivos defi nidos.
Domínios da 
Pedagogia Social Áreas de conhecimento Espaços
Domínio 
sociocultural
As manifestações expressas 
por meio da arte, da cultura, da 
religião, da música, da dança, 
nas diversas manifestações e 
modalidades esportivas, além da 
culinária e a saúde.
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
cada ação realizada.
Domínio 
sociopedagógico
Infância, adolescência, juventude 
e terceira idade.
O foco é promover intervenções 
sociopedagógicas visando o 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
ambientes propícios para ações 
voltadas para este domínio.
Domínio 
sociopolítico
Processos sociais e políticos, 
demonstrados na forma de 
participação, protagonismo, 
associativismo, cooperativismo, 
empreendedorismo, geração de 
renda e gestão social. Tal ação 
visa desenvolver habilidades e 
competências para proporcionar 
ao indivíduo uma qualifi cação para 
participar da vida social, política e 
econômica da comunidade local, 
além de desenvolver por si só a 
capacidade de opinar sobre tais 
assuntos.
Grêmios estudantis, conselhos 
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
As manifestações expressas 
por meio da arte, da cultura, da 
As manifestações expressas 
por meio da arte, da cultura, da 
religião, da música, da dança, 
As manifestações expressas 
por meio da arte, da cultura, da 
religião, da música, da dança, 
nas diversas manifestações e 
modalidades esportivas, além da 
As manifestações expressas 
por meio da arte, da cultura, da 
religião, da música, da dança, 
nas diversas manifestações e 
modalidades esportivas, além da 
As manifestações expressas 
por meio da arte, da cultura, da 
religião, da música, da dança, 
nas diversas manifestações e 
modalidades esportivas, além da 
As manifestações expressas 
por meio da arte, da cultura, da 
religião, da música, da dança, 
nas diversas manifestações e 
modalidades esportivas, além da 
culinária e a saúde.
As manifestações expressas 
por meio da arte, da cultura, da 
religião, da música, da dança, 
nas diversas manifestações e 
modalidades esportivas, além da 
culinária e a saúde.
As manifestações expressas 
por meio da arte, da cultura, da 
religião, da música, da dança, 
nas diversas manifestações e 
modalidades esportivas, além da 
culinária e a saúde.
por meio da arte, da cultura, da 
religião, da música, da dança, 
nas diversas manifestações e 
modalidades esportivas, além da 
culinária e a saúde.
Infância, adolescência, juventude 
religião, da música, da dança, 
nas diversas manifestações e 
modalidades esportivas, além da 
culinária e a saúde.
Todos os ambientes públicos e privados 
Infância, adolescência, juventude 
nas diversas manifestações e 
modalidades esportivas, além da 
Todos os ambientes públicos e privados 
Infância, adolescência, juventude 
modalidades esportivas, além da 
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
Infância, adolescência, juventude 
e terceira idade.
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
Infância, adolescência, juventude 
e terceira idade.
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
Infância, adolescência, juventude 
e terceira idade.
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
Infância, adolescência, juventude 
e terceira idade.
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
Infância, adolescência, juventude 
e terceira idade.
O foco é promover intervenções 
Processos sociais e políticos, 
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
cada ação realizada.
Infância, adolescência, juventude 
O foco é promover intervenções 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
Processos sociais e políticos, 
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
cada ação realizada.
Infância, adolescência, juventude 
O foco é promover intervençõessociopedagógicas visando o 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
Processos sociais e políticos, 
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
cada ação realizada.
O foco é promover intervenções 
sociopedagógicas visando o 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
Processos sociais e políticos, 
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
cada ação realizada.
O foco é promover intervenções 
sociopedagógicas visando o 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
Processos sociais e políticos, 
Todos os ambientes públicos e privados 
de ações socioculturais, visando 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
cada ação realizada.
O foco é promover intervenções 
sociopedagógicas visando o 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
Processos sociais e políticos, 
a recuperação de suas dimensões 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
cada ação realizada.
O foco é promover intervenções 
sociopedagógicas visando o 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
Processos sociais e políticos, 
históricas, culturais e políticas, com 
o objetivo de transmitir sentido para 
O foco é promover intervenções 
sociopedagógicas visando o 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
Processos sociais e políticos, 
o objetivo de transmitir sentido para 
O foco é promover intervenções 
sociopedagógicas visando o 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
O foco é promover intervenções 
sociopedagógicas visando o 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
ambientes propícios para ações 
desenvolvimento de habilidades e 
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
ambientes propícios para ações 
voltadas para este domínio.
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
ambientes propícios para ações 
voltadas para este domínio.
competências sociais, que possibilitem 
às pessoas a ruptura e superação da 
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
ambientes propícios para ações 
voltadas para este domínio.
exclusão social dadas por condições 
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
ambientes propícios para ações 
voltadas para este domínio.
de marginalidade, violência e pobreza. 
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
ambientes propícios para ações 
voltadas para este domínio.
Os espaços como abrigos, unidades de 
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
ambientes propícios para ações 
voltadas para este domínio.
internação de adolescentes, asilos para 
idosos, instituições psiquiátricas, ONGs 
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
ambientes propícios para ações 
voltadas para este domínio.
e unidades prisionais, além da rua, da 
família e da empresa, são considerados 
ambientes propícios para ações 
voltadas para este domínio.
família e da empresa, são considerados 
Processos sociais e políticos, Processos sociais e políticos, 
demonstrados na forma de 
Processos sociais e políticos, 
demonstrados na forma de 
participação, protagonismo, 
associativismo, cooperativismo, 
empreendedorismo, geração de 
Processos sociais e políticos, 
demonstrados na forma de 
participação, protagonismo, 
associativismo, cooperativismo, 
empreendedorismo, geração de 
Processos sociais e políticos, 
demonstrados na forma de 
participação, protagonismo, 
associativismo, cooperativismo, 
empreendedorismo, geração de 
renda e gestão social. Tal ação 
visa desenvolver habilidades e 
Processos sociais e políticos, 
demonstrados na forma de 
participação, protagonismo, 
associativismo, cooperativismo, 
empreendedorismo, geração de 
renda e gestão social. Tal ação 
visa desenvolver habilidades e 
competências para proporcionar 
ao indivíduo uma qualifi cação para 
Processos sociais e políticos, 
demonstrados na forma de 
participação, protagonismo, 
associativismo, cooperativismo, 
empreendedorismo, geração de 
renda e gestão social. Tal ação 
visa desenvolver habilidades e 
competências para proporcionar 
ao indivíduo uma qualifi cação para 
participar da vida social, política e 
Processos sociais e políticos, 
demonstrados na forma de 
participação, protagonismo, 
associativismo, cooperativismo, 
empreendedorismo, geração de 
renda e gestão social. Tal ação 
visa desenvolver habilidades e 
competências para proporcionar 
ao indivíduo uma qualifi cação para 
participar da vida social, política e 
econômica da comunidade local, 
Processos sociais e políticos,demonstrados na forma de 
participação, protagonismo, 
associativismo, cooperativismo, 
empreendedorismo, geração de 
renda e gestão social. Tal ação 
visa desenvolver habilidades e 
competências para proporcionar 
ao indivíduo uma qualifi cação para 
participar da vida social, política e 
econômica da comunidade local, 
além de desenvolver por si só a 
capacidade de opinar sobre tais 
participação, protagonismo, 
associativismo, cooperativismo, 
empreendedorismo, geração de 
renda e gestão social. Tal ação 
visa desenvolver habilidades e 
competências para proporcionar 
ao indivíduo uma qualifi cação para 
participar da vida social, política e 
econômica da comunidade local, 
além de desenvolver por si só a 
capacidade de opinar sobre tais 
associativismo, cooperativismo, 
empreendedorismo, geração de 
renda e gestão social. Tal ação 
visa desenvolver habilidades e 
competências para proporcionar 
ao indivíduo uma qualifi cação para 
participar da vida social, política e 
econômica da comunidade local, 
além de desenvolver por si só a 
capacidade de opinar sobre tais 
empreendedorismo, geração de 
renda e gestão social. Tal ação 
visa desenvolver habilidades e 
competências para proporcionar 
ao indivíduo uma qualifi cação para 
participar da vida social, política e 
econômica da comunidade local, 
além de desenvolver por si só a 
capacidade de opinar sobre tais 
visa desenvolver habilidades e 
competências para proporcionar 
ao indivíduo uma qualifi cação para 
participar da vida social, política e 
econômica da comunidade local, 
além de desenvolver por si só a 
capacidade de opinar sobre tais 
assuntos.
competências para proporcionar 
ao indivíduo uma qualifi cação para 
participar da vida social, política e 
econômica da comunidade local, 
além de desenvolver por si só a 
capacidade de opinar sobre tais 
assuntos.
ao indivíduo uma qualifi cação para 
participar da vida social, política e 
econômica da comunidade local, 
além de desenvolver por si só a 
capacidade de opinar sobre tais 
assuntos.
Grêmios estudantis, conselhos 
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
participar da vida social, política e 
econômica da comunidade local, 
além de desenvolver por si só a 
capacidade de opinar sobre tais 
Grêmios estudantis, conselhos 
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
além de desenvolver por si só a 
capacidade de opinar sobre tais 
Grêmios estudantis, conselhos 
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
capacidade de opinar sobre tais 
Grêmios estudantis, conselhos 
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
Grêmios estudantis, conselhos 
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
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governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
Grêmios estudantis, conselhos 
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
Grêmios estudantis, conselhos 
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
Grêmios estudantis, conselhos 
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
Grêmios estudantis, conselhos 
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
de escola, associações de pais e 
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
professores, associações de moradores, 
movimentos sociais, organizações não-
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.
governamentais, sindicatos, os partidos 
políticos e as políticas públicas e sociais.políticos e as políticas públicas e sociais.
QUADRO 1. DOMÍNIOS DA PEDAGOGIA SOCIAL
Fonte: TORQUATO et al., 2015. (Adaptado).
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Um dos domínios citados no quadro é o sociocultural. As intervenções do 
pedagogo social nos espaços não escolares, com os indivíduos participantes 
dos projetos que envolvem ações socioeducativas nos mais diferentes pro-
cessos, promovem uma aprendizagem signifi cativa por meio das manifesta-
ções citadas. O sujeito, enquanto participante de uma determinada cultura 
e diante das infl uências vividas por meio dela, é capaz de produzir por meio 
de manifestações culturais, como arte, música, modalidades esportivas e 
algumas outras, a partir de provocações educativas desenvolvidas pelo edu-
cador social.
O pedagogo social, frente dos diferentes contextos e culturas dos indiví-
duos inseridos no seu campo de atuação, precisa estar atento às caracterís-
ticas do projeto e das atividades a serem desenvolvidas. Uma boa “leitura” 
da cultura específi ca e individual, além da visão coletiva, norteia as ações 
socioeducativas articuladas ao processo educativo, dando sentido às ações 
pedagógicas do pedagogo. Em suma, a diversidade cultural e o multicultura-
lismo infl uenciam nos processos de ensino aprendizagem nos mais diferen-
tes espaços em que a Pedagogia Social é exercida.
A cidadania e a Pedagogia Social
O conceito de cidadania é muito discutido no âmbito educacional, não só 
no quesito de “direitos e deveres”, mas na condição de promover uma identida-
de cidadã no sujeito de um determinado momento histórico e espaço geográ-
fi co. Para simplifi car, e fazer uma abordagem mais direta acerca da Pedagogia 
Social e cidadania nessa perspectiva de “pertencimento”, é possível começar 
com uma defi nição teórica e ir até uma construção mais sólida a respeito do 
conceito de cidadania. 
Covre, autor de O que é cidadania, de 1991, se refere ao termo cidadania a 
partir da ótica do vocábulo relacionado à pólis, a cidade da Grécia Antiga. Nesse 
sentido, o termo cidadania aludia aos acontecimentos ocorridos na rotina da 
cidade e, dessa forma, o cidadão seria o sujeito que participava do contexto 
das decisões da pólis (cidade). De um modo geral, a cidadania é defi nida como a 
possibilidade de desfrutar de direitos civis e cumprir os deveres estabelecidos 
de acordo com as leis determinadas em sociedade. 
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Por mais repetida que essa definição pareça, os principais condutores de 
formação dos indivíduos nos espaços escolares e não escolares, legitimam 
esse discurso de “direitos e deveres” no contexto da cidadania. Porém, é difícil 
ensinar sobre cidadania utilizando esse discurso, já que os atores envolvidos 
no cenário de aprendizagem estão à margem dessa realidade de “direitos e 
deveres”. Para promover o reconhecimento de uma identidade cidadã, quan-
do não é possível enxergar o contexto da própria vida entre os direitos e os 
deveres tão citados e compreendidos socialmente, a Pedagogia Social aborda 
esse conceitoatravés de ações e práticas estratégicas, por meio de uma edu-
cação que promove inclusão e igualdade na perspectiva da cidadania.
No concernente às obras de Paulo Freire e sua visão acerca da Educação 
e da cidadania, Freire baseava a sua visão como educador na perspectiva da 
educação social e política para a cidadania, uma educação que não só envol-
via os processos de ensino aprendizagem e ações pedagógicas em si, mas 
uma militância que promoveria uma mudança de vida dos indivíduos. Paulo 
Freire afirmava que “é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem 
que se pode melhorar a próxima prática”, como pontuado na página 39 do 
livro Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, editado 
em 2007. Diante da educação como possibilidade de militância e da identida-
de transformadora, na página 70 do livro A Educação na Cidade, de 1991, Freire 
afirma que:
Não podemos alimentar a ilusão de que o fato de saber ler e 
escrever, por si só, vá contribuir para alterar as condições de 
moradia, comida e mesmo de trabalho [...] essas condições só 
vão ser alteradas pelas lutas coletivas dos trabalhadores por 
mudanças estruturais da sociedade.
A Pedagogia Social, segundo a ótica freireana, propaga a educação como 
um instrumento de transformação. Entretanto, antes da transformação, vem 
a capacidade de se enxergar em seu próprio contexto e realidade. Um dos 
desafios da Pedagogia Social, diante da realidade de cada sujeito em seus 
espaços e culturas, é fazê-los enxergar a sua identidade como cidadão, ainda 
que excluído socialmente. O início da trajetória de passar a se ver como parte 
de uma sociedade, com direitos e deveres e capaz de construir ideias e refle-
xões acerca disso, sempre parte da realidade do sujeito.
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O pedagogo social, como agente que promove a mudança de visão e pers-
pectiva sobre a inserção dos indivíduos na sociedade, deve perceber as ferra-
mentas e práticas adequadas para abordar assuntos relacionados à cidada-
nia. Sobre as práticas relacionadas à condição de cidadão, nos mais diferentes 
grupos sociais, Simson, Park e Fernandes, na página 23 do livro Educação não 
formal: cenários da criação, de 2007, afi rmam que:
[...] as práticas da educação não formal são passíveis de serem 
aplicadas a todos os grupos etários, de todas as classes sociais 
e em contextos socioculturais diversos [...] o trabalho com essa 
modalidade educativa não implica e nem exige, em princípio, 
uma diferenciação de classe. 
Na prática, é possível considerar que, independentemente da situação dos 
indivíduos em relação à sociedade, é necessário prover educação para cida-
dania, como um instrumento de inserção social nos mais diferentes espaços.
Pedagogia Social e movimentos sociais na educação
Os movimentos sociais representam a demonstração do reconhecimento 
da militância quanto aos espaços a serem ocupados e os direitos estabeleci-
dos. Numa defi nição dentro da perspectiva da Pedagogia Social, Eva Lakatos, 
no livro Sociologia geral, editado em 1990, sentencia que:
Os movimentos sociais podem ser considerados como em-
preendimentos coletivos para estabelecer uma nova ordem de 
vida. Têm eles início numa condição de inquietação e derivam 
seu poder de motivação na insatisfação diante de uma forma 
corrente de vida, de um lado, e dos desejos e esperanças de um 
novo esquema ou sistema de viver, do outro.
Cada movimento social possui a sua identidade, contexto his-
tórico, objetivos, espaços ocupados e a ocupar. O movimento 
social surge fundamentado numa “inquietação”, como 
algo que deveria acontecer e não acontece ou ainda 
algo que acontece e não deveria. Os movimentos 
sociais são, assim, ações organizadas por grupos 
sociais que têm como objetivo lutar por uma cau-
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sa social como, por exemplo, o direito de votar. Hoje em dia, os 
movimentos sociais se organizam com base em gênero, raça e 
orientação sexual, militando por uma causa, um gru-
po específico ou grupos em prol de espaço e reco-
nhecimento na sociedade. Como exemplo de mo-
vimento social, é possível citar o Movimento dos 
Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Figura 1. Ativistas do MST. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 10/03/2021.
A articulação dos movimentos sociais e a educação, isto é, o objetivo ou o 
fim dessa relação se dá pelo fato de que a educação é para todos. É por meio 
da educação que há orientações e direções sobre a identidade social dos indiví-
duos na sociedade. Uma educação social transforma, por meio da educação, os 
mais diferentes espaços e todos os indivíduos, não importando características 
físicas, culturais, ou de gênero.
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O pedagogo social, suas ações e intervenções nos 
movimentos sociais
Uma das abordagens dos movimentos sociais e da educação, embasada em 
Paulo Freire, aponta para a valorização da realidade daquele determinado gru-
po social mediante as vivências e construções culturais daqueles indivíduos, 
desenvolvendo uma educação que inclui, mas também respeita a identidade e 
pluralidade. Uma educação transformadora não acorrenta pessoas a culturas 
que não sejam a sua, tendo o dever de apresentar outras culturas, sem promo-
ver a obrigação de se seguir alguma cultura dominante.
Na educação, é preciso estar atento quanto ao processo educacional a ser 
desenvolvido e apresentado aos grupos, pois o objetivo é promover e nor-
matizar a luta dos movimentos sociais e fortalecê-los, por meio da educação. 
Portanto, o pedagogo social precisa compreender que as ações e intervenções 
desenvolvidas no âmbito pedagógico, precisam focar na valorização da identi-
dade cultural dos grupos sociais. Muitas vezes, antes de promover a inclusão 
social desses grupos, o pedagogo deve investir em ações que tratem a percep-
ção dos próprios indivíduos a respeito da sua visão de pertencimento a um 
determinado grupo social.
As atividades desenvolvidas com base nas ferramentas educacionais de-
vem problematizar os aspectos relacionados à própria identidade e, através de 
intervenções estratégicas, conduzir os indivíduos a uma valorização genuína 
da própria cultura e do contexto inserido. De fato, uma condição estabelecida 
pode e deve ser mudada para melhor, por exemplo, no âmbito fi nanceiro.
Para melhor compreensão dessa questão, uma situação hipotética ilustra 
bem: se um sujeito está numa posição social vulnerável e buscan-
do uma inserção, a educação social deve provocar no sujeito uma 
refl exão para que o mesmo compreenda a sua reali-
dade, mas deseje mudá-la e alcance novos níveis 
em diferentes áreas de sua vida. No âmbito cul-
tural, em se tratando do movimento negro, 
por exemplo, é importante que o pedagogo 
social aborde o valor da cultura em questão e 
a sua individualidade diante das demais culturas.
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Não há dúvidas de que a educação nos espaços não escolares possui 
desafi os característicos, a começar pela valorização da própria identidade 
de determinado contexto, cujos sujeitos são, em sua maioria, vis-
tos como à margem da sociedade. O pedagogo social, enquanto 
um educador que promove ações e intervenções so-
cioeducativas com o objetivo de inserir indivíduos na 
sociedade, precisa ser conhecedor do grupo social 
em que atua e desenvolver estratégias pedagógicas 
que atendam a realidade do grupo.
Pedagogia Social e o movimento negro
A Pedagogia Social visa a inclusão através de práticas educativas a partir 
de ações e intervenções pedagógicas. Um dos grupos sociais que compõe a 
esfera dos movimentos sociais no Brasil e no mundo é o movimento negro. 
Olhandopara o movimento negro, não há como não fazer um resgate histórico 
dos negros na sociedade e na história da humanidade. A escravidão é uma das 
páginas mais tristes da história da população negra e, por conta disso, sem 
dúvida, a escolarização dos negros ocorreu de uma forma diferente dos outros 
grupos sociais, não havendo como igualar as raças a partir dos fatos ocorridos 
e dos resultados advindos.
No que diz respeito à condição do negro no Brasil, a abolição da escravatu-
ra, em 1888, deu à população negra o que se pode considerar como “uma fal-
sa liberdade”. Dessa forma, os negros escravizados foram entregues à própria 
sorte, numa sociedade despreparada ou sem condições ideológicas de acolher 
cidadãos negros livres, afi nal, boa parte dessa mesma sociedade foi conivente 
com o processo de escravização. Sobre isso, Florestan Fernandes, na página 
20 de A integração do negro na sociedade de classes: no limar de uma nova era, de 
1978, relata que: 
A sociedade brasileira largou o negro ao seu próprio destino, 
deitando sobre seus ombros a responsabilidade de reeducar-
-se e de transformar-se para corresponder aos novos padrões 
e ideais de homem, criados pelo advento do trabalho livre, do 
regime republicano e do capitalismo. 
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Toda essa trajetória histórica da 
população negra nos mais diferentes 
lugares ao longo dos anos na história 
mundial, trouxe questões pontuais re-
ferente ao negro na sociedade em que 
está inserido. A partir dessa perspec-
tiva, a identidade do indivíduo negro, 
deve ser compreendida como um fator 
marcado por um processo histórico, 
dinâmico e contextual e não num um 
discurso ideológico apenas, construído por cidadãos que criaram ideias e re-
flexões negativas sobre os negros. Sobre essa questão, na página 37 do texto 
“Algumas considerações sobre a diversidade e identidade negra no Brasil”, par-
te do livro Diversidade na educação: reflexões e experiências, de 2003, Kabengele 
Munanga afirma que:
A identidade negra não surge da tomada de consciência de uma 
diferença de pigmentação ou de uma diferença biológica entre 
populações negras e brancos e/ou negras e amarelas. Ela resul-
ta de um longo processo histórico que começa com o descobri-
mento, no século XV, do continente africano e de seus habitan-
tes pelos navegadores portugueses, descobrimento esse que 
abriu caminho às relações mercantilistas com a África, ao tráfico 
negreiro, à escravidão e enfim à colonização do continente afri-
cano e seus povos. 
No âmbito educacional, a identidade é um fator importante para o reco-
nhecimento social no meio onde está inserido. Sobre o processo educacional 
e o reconhecimento da própria identidade, Freire, em Pedagogia da autonomia: 
saberes necessários à prática educativa, de 1997, destaca a importância das prá-
ticas educativas de se relacionarem com o cotidiano do educando reinventado 
e ressignificando sua realidade, tendo a educação e a cultura função especial 
e destaque no processo de transformação e inserção social. Como exemplo de 
inserção social está a Lei n. 10.639, que instaura o ensino de História e Cultu-
ra Afro-Brasileira, numa conquista do movimento negro na área da educação, 
bem como fixa o dia 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra.
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Todavia, para uma prática educativa que almeje o processo de libertação, 
é necessária que a formação docente seja reconfigurada. As mudanças sociais 
influenciam diretamente na profissão docente, que precisa estar atenta para 
enfrentar os desafios que surgem a cada novo momento de mudanças, assim, 
teoria e prática precisam estar alinhadas para que as ações tenham significado 
no espaço de ensino aprendizagem. A educação étnico-racial fortalece e legiti-
ma a consciência das pessoas negras, por meio do orgulho de sua identidade. 
Já entre as pessoas brancas, possibilita a identificação da importância do outro 
em sua própria história e contexto, construindo significativas relações.
Logo, tal relação “impõe aprendizagens entre brancos e negros, troca de co-
nhecimentos, quebra de desconfianças e projeto conjunto para construção de 
uma sociedade justa, igual e equânime”, como escrito nas Diretrizes Curriculares 
Nacionais para educação das relações étnico-raciais e para ensino da história e da 
cultura afro-brasileira, publicado pelo Ministério da Educação em 2004. A edu-
cação das relações étnico raciais deve alcançar a todos os educandos, nos mais 
diferentes espaços escolares e não escolares, independentemente de raça, cor 
ou etnia. Uma sociedade é composta por diferentes indivíduos de diferentes 
raças, cores e etnias e percebê-los como cidadãos participantes na esfera so-
cial entre direitos e deveres é fundamental para uma sociedade mais inclusiva.
Figura 2. Celebração do Dia da Consciência Negra em Salvador. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 10/03/2021.
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Os grupos indígenas, os movimentos populares e a 
educação prisional
A história do Brasil foi construída por diferentes grupos sociais ao longo dos 
anos, porém, os registros históricos respaldam os grupos indígenas como os pri-
meiros habitantes do País quando, com a chegada dos europeus no ano de 1500, 
o cenário brasileiro sofreu profundas mudanças e transformações nos mais dife-
rentes âmbitos. Sobre o contexto histórico anterior a 1500, no entanto, há pou-
cas informações comparado ao que se tem sobre o período colonial em diante.
De fato, com a devastação populacional, determinados grupos indígenas 
existentes naquela época jamais foram reconhecidos. Milhares de índios fo-
ram executados, dizimando tribos que sequer possuem registros históricos. Na 
atualidade, muito se discute sobre o papel do indígena como cidadão brasileiro 
em seus direitos e deveres, além da sua cultura. Para promover uma inserção 
desse grupo social, banido de diversas formas, a educação se torna uma fer-
ramenta de inclusão e, através da Pedagogia Social, é possível ressignifi car os 
grupos indígenas na sociedade. Sobre a educação dos grupos indígenas, de 
acordo com o Art. 78 da Lei n. 9.394, o Estado Brasileiro deve promover e se 
responsabilizar por:
Art. 78 – O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das 
agências federais de fomento à cultura e de assistência aos ín-
dios, desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, 
para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos po-
vos indígenas, com os seguintes objetivos:
I – Proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recu-
peração de suas memórias históricas; a reafi rmação de suas 
identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências;
 II – Garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às 
informações, conhecimentos técnicos e científi cos da sociedade 
nacional e demais sociedades indígenas e não-índias.
Art. 79 – A União apoiará técnica e fi nanceiramente os sistemas 
de ensino no provimento da educação intercultural às comuni-
dades indígenas, desenvolvendo programas integrados de ensi-
no e pesquisa.
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§ 1º – Os programas serão planejados com audiência das comu-
nidades indígenas;
§ 2º – Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos 
Planos Nacionais de Educação, terão os seguintes objetivos:
I – Fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de 
cada comunidade indígena;
II – Manter programas de formação de pessoal especializado, 
destinado à educação escolar nas comunidades indígenas;
III – Desenvolver currículos e programas específicos, neles in-
cluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas 
comunidades;IV – Elaborar e publicar sistematicamente material didático espe-
cífico e diferenciado.
Na Educação não formal, em ONGs ou projetos que promovem a educa-
ção dos povos indígenas nos mais diferentes espaços, o conhecimento trans-
mitido e as ações organizadas e aplicadas precisam se alinhar com a cultu-
ra indígena. Em vista disso, o pedagogo ou educador social que atua nesse 
contexto percebe e promove a comunicação entre as culturas, não 
elitizando nenhuma delas, mas contribuindo para um diálo-
go entre conceitos e verdades estabelecidas. O objetivo é 
promover práticas educativas que respeitem a cultura 
indígena e promovam uma educação articulada com os 
movimentos socioculturais.
EXPLICANDO
De acordo com Maders e Barcelos, no trabalho “Educação escolar indíge-
na e inclusão – por uma pedagogia do cuidado e da escuta”, exposto em 
2012 no IX Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul – ANPEd 
SUL, há uma distinção entre a Educação Escolar Indígena e Educação 
Indígena. A primeira se refere a uma educação planejada dentro de uma 
perspectiva curricular, com calendário escolar nacional, carga horária 
estabelecida, lecionada em escolas e regida por estatutos, regimentos e 
coordenações. Já a segunda, tem a ver com a cultura de cada povo indí-
gena e se dá durante toda a vida da criança no acompanhamento de seus 
pais. Cada povo tem, em seu contexto cultural, uma forma particular de 
ensinar a seus filhos aquilo que sua cultura considera importante dentro 
de um ciclo que se inicia ao nascer e só se encerra com a morte.
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A atuação no âmbito educacional com grupos indígenas deve promover 
um resgate do valor da identidade histórica e da cultura desses grupos. 
Diante da realidade vivida, muitos indígenas vivem à margem da socieda-
de sem ser respeitados em sua cultura nem desfrutar de uma vida cidadã 
com direitos e deveres, assim como outros grupos sociais, isso sem falar 
no preconceito e no histórico de violência sofrida por seus antepassados.
Os movimentos populares
Os movimentos populares que 
trouxeram à tona a importância da 
educação popular para os diferen-
tes grupos sociais não só propaga-
ram a importância da educação e 
formação em si como legitimaram o 
valor do protagonismo dos sujeitos 
através da educação, promovendo 
a inserção de tais grupos no cenário 
social. A educação popular no Bra-
sil e em algumas regiões da América 
Latina, nos anos de resistência aos 
regimes militares e no período de transição para a democracia, teve iden-
tidade sociopolítica porque, em essência, a educação era um instrumento 
de mobilização e organização popular naquele momento.
Nesse período, além do surgimento de vários movimentos sociais po-
pulares na sociedade civil, que contribuíram para a mudança do regime 
político vigente, várias técnicas e metodologias foram elabo-
radas a partir de vivências experimentadas, de natureza ati-
va e participativa. As novas formas de propor 
práticas educativas alcançaram vários gru-
pos sociais em projetos e ONGs. São prá-
ticas com fins pedagógicos que não só 
alcançaram a educação informal, mas 
chegaram às escolas. O Quadro 2 traz 
alguns exemplos de práticas educativas 
na Educação Social.
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SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 65 22/04/2021 16:22:12
Educação Social
Prática Educativa Objetivos
Sociodrama
• Refl exão;
• Criatividade;
• Leitura crítica;
• Visão de realidade;
• Capacidade de ler e interpretar;
• Leitura do próprio contexto;
• Capacidade de concentração;
• Interação;
• Promover arte e cultura;
• Capacidade de analisar e organizar fatos.
Jogos teatrais
Pantomimas
Jogos de papéis
Dinâmicas grupais
Produção de audiovisuais
Vídeos populares
Cartazes
Cartilhas
Leitura coletiva
Rodas de debates
Rodas de Raps
Estudos de Caso
Intercâmbios culturais
SociodramaSociodrama
Jogos teatrais
Sociodrama
Jogos teatrais
Pantomimas
Sociodrama
Jogos teatrais
Pantomimas
Jogos de papéis
Jogos teatrais
Pantomimas
Jogos de papéis
Dinâmicas grupais
Produção de audiovisuais
Jogos teatrais
Pantomimas
Jogos de papéis
Dinâmicas grupais
Produção de audiovisuais
Jogos de papéis
Dinâmicas grupais
Produção de audiovisuais
Vídeos populares
Jogos de papéis
Dinâmicas grupais
Produção de audiovisuais
Vídeos populares
Dinâmicas grupais
Produção de audiovisuais
Vídeos populares
Cartazes
Dinâmicas grupais
Produção de audiovisuais
Vídeos populares
Cartazes
Produção de audiovisuais
Vídeos populares
Cartazes
Cartilhas
Leitura coletiva
Produção de audiovisuais
Vídeos populares
Cartilhas
Leitura coletiva
Rodas de debates
Cartilhas
Leitura coletiva
Rodas de debates
Rodas de Raps
Leitura coletiva
Rodas de debates
Rodas de Raps
Estudos de Caso
Intercâmbios culturais
Leitura coletiva
Rodas de debates
Rodas de Raps
Estudos de Caso
Intercâmbios culturais
• Refl exão;
Rodas de debates
Rodas de Raps
Estudos de Caso
Intercâmbios culturais
• Refl exão;
• Criatividade;
Rodas de Raps
Estudos de Caso
Intercâmbios culturais
• Refl exão;
• Criatividade;
Estudos de Caso
Intercâmbios culturais
• Refl exão;
• Criatividade;
• Leitura crítica;
• Visão de realidade;
• Capacidade de ler e interpretar;
Intercâmbios culturais
• Criatividade;
• Leitura crítica;
• Visão de realidade;
• Capacidade de ler e interpretar;
Intercâmbios culturais
• Criatividade;
• Leitura crítica;
• Visão de realidade;
• Capacidade de ler e interpretar;
• Leitura do próprio contexto;
• Leitura crítica;
• Visão de realidade;
• Capacidade de ler e interpretar;
• Leitura do próprio contexto;
• Capacidade de concentração;
• Leitura crítica;
• Visão de realidade;
• Capacidade de ler e interpretar;
• Leitura do próprio contexto;
• Capacidade de concentração;
• Visão de realidade;
• Capacidade de ler e interpretar;
• Leitura do próprio contexto;
• Capacidade de concentração;
• Visão de realidade;
• Capacidade de ler e interpretar;
• Leitura do próprio contexto;
• Capacidade de concentração;
• Capacidade de analisar e organizar fatos.
• Capacidade de ler e interpretar;
• Leitura do próprio contexto;
• Capacidade de concentração;
• Interação;
• Promover arte e cultura;
• Capacidade de analisar e organizar fatos.
• Capacidade de ler e interpretar;
• Leitura do próprio contexto;
• Capacidade de concentração;
• Interação;
• Promover arte e cultura;
• Capacidade de analisar e organizar fatos.
• Capacidade de ler e interpretar;
• Leitura do próprio contexto;
• Capacidade de concentração;
• Interação;
• Promover arte e cultura;
• Capacidade de analisar e organizar fatos.
• Leitura do próprio contexto;
• Capacidade de concentração;
• Interação;
• Promover arte e cultura;
• Capacidade de analisar e organizar fatos.
• Capacidade de concentração;
• Promover arte e cultura;
• Capacidade de analisar e organizar fatos.
• Capacidade de concentração;
• Promover arte e cultura;
• Capacidade de analisar e organizar fatos.
• Promover arte e cultura;
• Capacidade de analisar e organizar fatos.
• Promover arte e cultura;
• Capacidade de analisar e organizar fatos.• Capacidade de analisar e organizar fatos.• Capacidade de analisar e organizar fatos.• Capacidade de analisar e organizar fatos.• Capacidade de analisar e organizar fatos.
QUADRO 2. PRÁTICAS NA EDUCAÇÃO SOCIAL COM PERFIL POLÍTICO PEDAGÓGICO
Fonte: GOHN, 2012. (Adaptado).
As atividades educativas mediante ações e intervenções pedagógicas 
problematizam o presente e produzem reflexões sobre o que se vive e 
como se vive. Por trás das atividades, há um cunho político que questiona 
e promove reflexões pela arte e pelo entretenimento, desenvolvendo a 
criatividade. Uma das características dessas atividades é conduzir os sujei-
tos à capacidade de criar, interpretar e elaborar produções próprias e não 
apenas reproduzir ideias prontas. A propostados movimentos populares, 
ao investir na Educação como estratégia de transformação, é questionar e 
propagar uma reflexão nas massas acerca da “ordem política dominante” 
e difundir sua política social com base nas reflexões e problematizações. 
Educação prisional
Numa breve contextualização histórica da educação nos ambientes 
prisionais no Brasil, segundo respaldos documentais, esse tipo de edu-
cação surgiu na década de 1950. Até o início do século XIX, a prisão era 
utilizada apenas como um local de contenção de pessoas, sem qualquer 
proposta ou possibilidade de requalificação dos presos numa perspecti-
va de reintegração social. Tal proposta surgiu quando os programas de 
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tratamento foram desenvolvidos dentro das prisões já que, antes desse 
período, não havia qualquer forma de trabalho ou ensino religioso ou 
laico nos ambientes prisionais.
Buscando referências teóricas sobre o assunto, alguns autores reme-
tem a prisão como uma medida para diferentes fins, podendo ser um es-
paço para diferentes intervenções e ações estratégicas. De acordo com 
Foucault, na página 209 do livro Vigiar e punir, de 1977, a prisão no mundo 
moderno possui uma dupla finalidade, ou seja, punir e reabilitar para o 
convívio social indivíduos colocados sob sua guarda. Em suma, trata-se de 
“[...] uma empresa de modificação dos indivíduos que a privação de liber-
dade permite fazer funcionar no sistema legal”. 
Figura 3. Michel Foucault, filósofo francês. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 10/03/2021.
Diante das contradições existentes na escola dentro da prisão, por exemplo, 
em que as ações são estabelecidas num contexto marcado pela opressão, Mi-
riam Fiore, na dissertação de mestrado “A educação na Penitenciária Feminina 
da Capital: a crença na reabilitação”, de 2003, destaca a importância da realiza-
ção de práticas pedagógicas diferenciadas que considerem essas contradições. 
Assim, além da oferta de escolarização e certificação, ou do ensino da leitura e 
escrita, as ações educativas traçam esforços para a efetivação de práticas que 
promovam e fortaleçam a reflexão, construindo a valorização dos alunos.
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Esse é um percurso desafi ador nos espaços prisionais e demanda uma qua-
lifi cação dos educadores envolvidos no processo porque, além de questões 
relacionadas ao conteúdo e identidade nos ambientes prisionais, os pedagogos 
e educadores sociais precisam também se relacionar com aspectos e questões 
voltados a condutas de ética. Uma equipe articulada, com ações e intervenções 
pedagógicas estratégicas, contribui de maneira signifi cativa com os processos 
educacionais nesses espaços. Em suma, a educação nos espaços prisionais 
pode transformar espaços e realidades.
Novas tecnologias e Pedagogia Social
Com o uso das novas tecnologias, os métodos e processos de construção 
das ações coletivas mudaram, bem como os processos socioeducativos, suas 
práticas e intervenções. Portanto, é necessário instruir e problematizar o uso 
das novas tecnologias para este fi m, como as redes sociais, por exemplo, que 
precisam ser utilizadas a partir de uma ótica que propague a capacidade de 
expor ideias, sem agredir quem se opõe aos pensamentos expostos. 
O papel do pedagogo ou educador social nas diferentes frentes, haja vista 
o uso das novas tecnologias, é conduzir os indivíduos à capacidade de reco-
nhecer sua realidade, perceber a necessidade de inclusão e problematizar o 
processo. Para isso, é necessário que o profi ssional esteja atento às mudanças 
no cenário social em relação à realidade do grupo.
Figura 4. Tecnologias e Pedagogia Social: uma articulação objetiva. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 10/03/2021.
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Um dos papéis fundamentais da Pedagogia Social é promover a capacidade 
de reflexão a partir de ações pedagógicas. Diante do uso das novas tecnologias, 
o educador precisa não apenas inseri-la na sua prática pedagógica, mas dar 
sentido a ela, conduzindo os educandos a uma condição em que eles não se-
jam meros espectadores dos conteúdos, mas analistas críticos que produzem 
ideias e reflexões no tocante ao uso das novas tecnologias nos mais diferentes 
espaços escolares e não escolares.
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Sintetizando
Um dos grandes desafios da Pedagogia Social é promover a inclusão 
social de grupos excluídos devido a diferentes fatores. O pedagogo social, 
como aquele que articula as suas práticas pedagógicas ao contexto dos su-
jeitos que fazem parte daquele meio, deve compreender o valor do sentido 
das práticas aliadas à realidade dos educandos. A educação nos espaços 
não escolares tem grandes objetivos e possibilita aos sujeitos a capacidade 
de enxergar a própria identidade e reconhecer sua cultura e seu valor, ser-
vindo de ponto de partida para novas ações e intervenções pedagógicas que 
contribuam para o processo de se ver como participante de uma sociedade.
A diversidade cultural e o multiculturalismo, no âmbito educacional, pre-
cisam ser compreendidos a partir da importância de valorizar cada cultura e 
promover um valor igualitário entre si. Antes de compreender a necessida-
de da valorização das culturas, indivíduos precisam compreender e valori-
zar a própria cultura. Por isso, a cidadania é fundamental para a abordagem 
nos processos educativos na Pedagogia Social. Direitos e deveres precisam 
ser revistos por meio da legislação e difundidos em práticas pedagógicas 
que condicionem os sujeitos à construção da própria imagem cidadã.
A valorização dos movimentos sociais, a importância da consciência cul-
tural e histórica, seja no movimento negro, no MST, ou nos grupos indíge-
nas, são objetivos da Pedagogia Social. A educação em presídios também é 
uma área que abrange a Pedagogia Social, com desafios específicos para o 
profissional. As novas tecnologias aliadas a uma educação social bem arti-
culada dão sentido às ações pedagógicas e contribui significativamente nos 
diferentes espaços não escolares.
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A PEDAGOGIA 
HOSPITALAR, O 
CENÁRIO HOSPITALAR 
E SUAS PRÁTICAS 
PEDAGÓGICAS
3
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Conceituar os fundamentos da Pedagogia hospitalar a partir das leis que a 
regem e de dados históricos;
 Abordar os aspectos e conceitos do atendimento pedagógico domiciliar;
 Apresentar a ética no âmbito hospitalar e as práticas pedagógicas nesse 
contexto.
 A Política Nacional de Educação 
Especial: Pedagogia hospitalar e 
suas bases legais
 A relação entre Pedagogia 
hospitalar, atendimento pedagógico 
domiciliar e Educação Especial
 Abordagem histórica da 
Pedagogia hospitalar no Brasil
 O atendimento pedagógico 
domiciliar: conceitos e aspectos
 A ética dentro do hospital: 
características e particularidades 
da intervenção pedagógica 
adequada nos diversos ambientes 
e condições existentes no 
ambiente hospitalar
 O perfil do pedagogo hospitalar: 
atribuições e conceitos da atuação
 A prática pedagógica em 
ambientes hospitalares
 Aspectos e características 
no leito hospitalar, na sala de 
recreação/classe hospitalar, 
no acompanhamento escolar/
hospitalar e na orientação à família
 O pedagogo hospitalar e a 
família do educando
 Ações e intervenções do 
pedagogo no espaço hospitalar
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A Política Nacional de Educação Especial: Pedagogia 
hospitalar e suas bases legais
Atualmente, vivemos um momento histórico em que a educação vem sendo 
ressignifi cada em diferentes âmbitos. Tratando-se da Pedagogia, esta tem se 
confi gurado para atender às demandas da sociedade em constante evolução.
Como sabemos, o pedagogo chegou a diferentes espaços. Diante dessa 
nova realidade, é de extrema impor-
tância que exista uma legislação para 
respaldar suas ações a partir do que 
precisa ser alcançado.
O pedagogo hospitalar é de extre-
ma importância no contexto educacio-
nal, pois atua acompanhando crianças 
e adolescentes no período de ausência 
escolar, em geral, internados em insti-
tuições hospitalares.
A Pedagogia hospitalar é regida por leis que visam ao seu exercício a partir 
de uma organização e do cumprimento de regras necessárias.
De acordo com a lei que atualmente rege o Brasil, a Constituição de 1988, 
especifi camente no Título VIII – Da Ordem Social, Capítulo III – Da Educação, da 
Cultura e do Desporto, Seção I, artigo 205:
[...] a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, 
será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, 
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para 
exercício da cidadania e sua qualifi cação para o trabalho.
Sendo assim, a partir do respaldo que determina a Constituição Federal de 
1988, que o direito à educação é de todos e para todos, sob qualquercircuns-
tância em que o indivíduo esteja vivendo ou que necessite. Em outras palavras, 
nada deve impedir o sujeito de ter acesso à educação. Seja sua condição social, 
econômica ou, até mesmo, seu estado de saúde.
Quando nos remetemos à Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, conhe-
cida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), também 
encontramos uma legislação que apura que a educação é direito de todos.
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TÍTULO II
Dos Princípios e Fins da Educação Nacional
Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos prin-
cípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por 
finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para 
o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o 
pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas;
A LDB tem como base a Constituição Federal de 1988, contudo é possível 
identificarmos que ela informa de modo mais detalhado e específico como a 
educação deve ser para todos e como deve ser aplicada e desenvolvida a partir 
de suas respectivas bases.
Fonte: LIMA; FIRMINO, 2020, p. 75. (Adaptado).
DIAGRAMA 1. FLUXOGRAMA SOBRE AS BASES DA LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 
1996 (LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LDB) 
do educando
Dever
Finalidade
do Estado
da família
Educação
Pleno desenvolvimento
Preparo para o exercício da cidadania
Qualificação para o trabalho
Inspirada nos 
princípios de 
liberdade e
nos ideais de 
solidariedade 
humana
Legalmente, há respaldos que apontam que a educação é para todos. Uma 
das premissas dessa questão é: como possibilitar uma educação para todos a 
partir das diferentes realidades existentes?
O objeto do nosso estudo é compreender a legislação que rege a Pedagogia 
hospitalar e a Educação Especial. Nesse contexto, a legislação garante que a 
educação é um direito de toda e qualquer criança e adolescente, ainda que es-
tejam hospitalizados, assim como as possibilidades adequadas de desfrutá-lo.
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Algumas leis ainda foram decretadas a respeito desse direito à educação en-
volvendo questões relacionadas à saúde, como a Lei nº 1.044/69, que aborda o 
tratamento excepcional para alunos portadores de doenças em suas residências.
A Lei nº 6.202/75 também envolve questões relacionadas à saúde da crian-
ça e do adolescente e, nesse caso, destaca os exercícios domiciliares para as 
estudantes gestantes.
Ressalta-se que somente na década de 1990 o Brasil promoveu a criação 
de leis destinadas à classe hospitalar. Antes, essa classe era conduzida pela 
Constituição Federal e pela LDB, apenas na perspectiva de que a educação é 
para todos.
Retomando as bases legislativas para a educação hospitalar, além das leis já 
citadas, podemos citar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), especi-
ficamente o art. 9, que se refere ao direito à educação: “direito de desfrutar de 
alguma forma de recreação, programa de educação para a saúde”, e a lei dos 
Direitos das Crianças e Adolescentes Hospitalizados, por meio da Resolução 
nº 41, de 13 de outubro de 1995. Essas leis têm o objetivo de proteger a infância 
e a juventude visando a uma sociedade mais justa.
CURIOSIDADE
A Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, também conhecida 
como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é o 
conjunto de normas do ordenamento jurídico brasileiro 
que tem como objetivo a proteção integral da criança e 
do adolescente, aplicando medidas e expedindo encami-
nhamentos para um juiz. É o marco legal e regulatório dos 
direitos humanos de crianças e adolescentes.
A classe hospitalar está contida na Lei nº 9.394/96 como Educação Especial, 
em uma perspectiva de educação inclusiva. Nesse contexto, são considerados 
alunos com necessidades educacionais especiais, os deficientes mentais, au-
ditivos, físicos, com deficiências motoras e múltiplas, síndromes no geral e os 
que apresentam dificuldades cognitivas, psicomotoras e de comportamento, 
além dos alunos que estão impossibilitados de frequentar as aulas em razão 
de tratamento de saúde que implique internação hospitalar ou atendimento 
ambulatorial (SANTOS, 2011).
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No Ministério da Educação (MEC), a publicação mais recente em relação à 
classe hospitalar e ao atendimento pedagógico domiciliar (APD) foi publicada em 
2002. Segundo o documento, criado pelo Ministério por meio da Secretaria de 
Educação Especial, intitulado Classe hospitalar e atendimento pedagógico domici-
liar: estratégias e orientações (BRASIL, 2002), a expressão APD refere-se a:
[...] um atendimento educacional que ocorre em ambiente do-
miciliar, decorrente de problema de saúde que impossibilite o 
educando de frequentar a escola ou esteja ele em casas de pas-
sagem, casa de apoio, casas-lar e/ou outras estruturas de apoio 
da sociedade. (BRASIL, 2002, p. 13)
Desse modo, o atendimento pedagógico domiciliar se confi-
gura como uma ação pedagógica que transforma um cômodo do 
lugar onde o sujeito reside em um espaço de 
ensino-aprendizagem. Em outras palavras, 
se a situação do aluno o impede de ir até a 
escola, a escola que vai até ele por meio 
da figura do professor.
Ainda no cenário legislativo, a Reso-
lução nº 2, de 11 de setembro de 2001, que 
institui as Diretrizes Nacionais para a Educa-
ção Especial na Educação Básica, trata:
Art. 13. Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os 
sistemas de saúde, devem organizar o atendimento educacional 
especializado a alunos impossibilitados de frequentar as aulas 
em razão de tratamento de saúde que implique internação hos-
pitalar, atendimento ambulatorial ou permanência prolongada 
em domicílio. § 1º As classes hospitalares e o atendimento em 
ambiente domiciliar devem dar continuidade ao processo de de-
senvolvimento e ao processo de aprendizagem de alunos matri-
culados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu 
retorno e reintegração ao grupo escolar, e desenvolver currículo 
flexibilizado com crianças, jovens e adultos não matriculados no 
sistema educacional local, facilitando seu posterior acesso à es-
cola regular. (BRASIL, 2001)
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A Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) 
e o Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011, que dispõe sobre a Educação 
Especial e o atendimento educacional especializado, respaldam ainda mais os 
ideais de acesso e inclusão educacional de crianças e adolescentes, promoven-
do e defendendo a criação de medidas de apoio individualizadas e efetivas, 
em espaços que maximizem o desenvolvimento do educando, bem como suas 
possibilidades de aprendizagem.
Nesse cenário, é importante conhecer as leis que regem e possibilitam a 
existência da Pedagogia hospitalar e o atendimento pedagógico domiciliar para 
um exercício correto, que benefi cie crianças e adolescentes em condições es-
pecífi cas e necessárias a esse tipo de educação.
A relação entre Pedagogia hospitalar, atendimento 
pedagógico domiciliar e Educação Especial
A pedagogia hospitalar é um modo de ensino da Educação Especial cujo 
objetivo é a ação do educador no espaço hospitalar, atendendo a crianças 
ou adolescentes com necessidades educativas especiais transitórias, ou seja, 
indivíduos que por motivo de doença necessitam de atendimento escolar di-
ferenciado e especializado.
É responsabilidade do hospital encontrar alternativase métodos específi -
cos que permitam aos pacientes desfrutarem de abordagens educativas sig-
nifi cativas durante o tempo em que estiverem no hospital. Vale lembrar que 
a família também tem um papel signifi cativo nesse processo.
No atendimento pedagógico domiciliar, também considerado um modo 
de ensino da Educação Especial, é responsabilidade dos sistemas de ensi-
no buscar diferentes modos para alcançar novas possibilidades e 
atender às necessidades dos alunos. O público-alvo para o aten-
dimento pedagógico domiciliar são os alunos ma-
triculados acometidos por condições e limitações 
específi cas, decorrentes de comprometimentos 
de saúde, que impossibilitam a participação nas 
atividades curriculares na escola (BRASIL, 2002; 
SILVA, PACHECO, PINHEIRO, 2014).
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Considerando que a Pedagogia hospitalar e o atendimento pedagógico 
domiciliar ultrapassam os espaços escolares e visam atender às necessida-
des dos alunos, a partir de suas condições físicas, intelectuais ou emocio-
nais, é importante destacar que esses dois modos de ensino fazem parte da 
Educação Especial.
No contexto da Pedagogia hospitalar, podemos considerar que se trata 
de um processo alternativo de educação, já que ultrapassa os métodos con-
vencionais escola-aluno, visando, por meio de ações e intervenções pedagó-
gicas, modos de apoiar os alunos hospitalizados que necessitam de suporte 
para permanecer em sua vida acadêmica.
Ainda no âmbito da Pedagogia hospitalar, podemos considerar a nomen-
clatura classe hospitalar como a denominação do atendimento pedagógi-
co-educacional que acontece em espaços de tratamento de saúde em cir-
cunstância de internação, ou no atendimento em hospital por dia e hospital 
por semana, ou ainda em serviços de atenção integral à saúde mental.
Como vimos, a classe hospitalar está inserida na modalidade de Educa-
ção Especial por atender crianças e adolescentes considerados com necessi-
dades educativas especiais devido às dificuldades 
no acompanhamento das atividades curricula-
res por condições de limitações específicas 
relacionadas à saúde.
O objetivo é proporcionar o acompanha-
mento curricular do educando enquanto ele es-
tiver hospitalizado, garantindo a manutenção do 
vínculo com as escolas por meio de um currículo flexibilizado 
(BRASIL, 2002).
CONTEXTUALIZANDO
A Educação Especial pode ser considerada todo modo de educação 
que ultrapassa espaços e visa atender necessidades específicas 
relacionadas à saúde dos alunos. Segundo o art. 58 da Lei nº 9.394, de 
20 de dezembro de 1996: “entende-se por educação especial, para os 
efeitos desta Lei, a modalidade de Educação escolar, oferecida prefe-
rencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de 
necessidades especiais”.
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Abordagem histórica da Pedagogia hospitalar no Brasil
Os primeiros registros de intervenção escolar em ambientes hospitala-
res aconteceram, na França, por volta do ano de 1935, atendendo por vol-
ta de 80 crianças e, posteriormente, na Alemanha e nos Estados Unidos. 
O atendimento à criança e ao adolescente hospitalizado cresceu de modo 
signifi cativo, após a Segunda Guerra Mundial, quando em alguns países da 
Europa receberam, como consequência desse cenário, crianças mutiladas e 
com doenças contagiosas, como a tuberculose, que era muitas vezes fatal 
na época (VASCONCELOS, 2006).
No contexto do pós-guerra, muitas crianças, devido à condição física, fo-
ram impedidas de irem à escola, e, com isso, uma ação coletiva foi organizada 
e conduzida por educadores e médicos que defendiam a classe hospitalar.
Nos anos seguintes, aconteceu uma consolidação desse processo de cria-
ção da classe hospitalar. E surgiu, assim, o Centro Nacional de Estudos e de 
Formação para a Infância Inadaptada de Suresnes – CNEFEI, em 1939, em Pa-
ris, com a missão de formar professores para o trabalho em institutos espe-
cializados e em hospitais.
Nesse mesmo ano, devido ao êxito das atuações dos profi ssionais com 
crianças em hospitais, criou-se o cargo de professor hospitalar junto ao Mi-
nistério da Educação, na França.
Segundo Matos (2008), o CNEFEI tinha o objetivo de provar à sociedade 
que a escola não é um espaço limitado, mas o encontro do sujeito com o 
novo saber. Desse modo, a escola pode ser conduzida e representada em 
outros espaços, possibilitando ao educando acesso ao conhecimento e à 
aprendizagem.
Diante desses dados históricos, podemos considerar que a 
educação nos hospitais em diversos países surgiu por diferen-
tes motivos, seja para a garantia dos meios sociais, 
ou ainda como auxílio para crianças e adolescentes 
que estavam impossibilitados de ir à escola devi-
do à sua condição física ou emocional e também 
como meio de ação e intervenção durante a in-
ternação de pacientes em idade escolar.
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No Brasil, há um percurso para a instauração da Pedagogia hospitalar, co-
meçando pela compreensão do que era deficiência e do que era doença.
Historicamente, alguns autores consideram o início da Pedagogia hospita-
lar a partir da criação de hospitais, juntamente com o aumento do número de 
médicos que investiam em pesquisas e publicavam trabalhos científicos rela-
cionados a pessoas com deficiências no final do século XIX e início do século XX.
Esses acontecimentos contribuíram de modo significativo para a associação 
da deficiência à doença, o que favoreceu o aumento do número de crianças 
colocadas em hospitais e hospitais psiquiátricos (SOARES, 2012).
As crianças e adolescentes eram inseridos em espaços precários em di-
versos aspectos e não havia um pensamento voltado para inclusão por meio 
de ações ou intervenções pedagógicas. Assim, os sujeitos eram expostos a 
práticas consideradas equivocadas em relação à perspectiva atual de edu-
cação e inclusão. Nesse período, o objetivo não era integrar as pessoas com 
deficiência à sociedade ou à família, muito menos incluí-las, mas isolá-las dos 
grupos sociais.
É importante considerar que, nesse período, o Brasil vivia a Primeira Repú-
blica (1889-1930) e, no contexto educacional republicano, mesmo sendo con-
siderada o início da escolarização no País, as escolas foram consideradas um 
símbolo do atraso, da sujeira, da escassez, de castigos físicos, falta de formação 
especializada, sendo comparadas a pocilgas, estalagens e escolas de improviso 
(SCHUELER; MAGALDI, 2008).
Diante dessas considerações, há diferentes pontos de vista sobre o início 
da Pedagogia hospitalar no Brasil.
EXPLICANDO
Ainda que alguns autores afirmem que a Pedagogia hospitalar surgiu, no 
Brasil, no início do século XX, com a classe hospitalar do Pavilhão-Escola 
Bourneville, do Hospital Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro, po-
demos considerar a perspectiva de autores que discordam dessa ideia, 
compreendendo que as condições de internação das crianças e adoles-
centes eram inadequadas e não atendiam às necessidades educacionais 
da época. É válido compreender que o cenário era voltado para uma iden-
tidade manicomial e não permitia a valorização do conceito de cidadania, 
além da precariedade.
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Há suposições de que, a partir do contexto de espaços despreparados e 
sem estrutura, tanto física quanto pe-
dagogicamente, foram geradas as pri-
meiras provocações e atividades que 
proporcionaram o surgimento das pri-
meiras classes hospitalares.
Desse modo, consideraremos a li-
nha histórica que defende que a Peda-
gogia hospitalar, no Brasil, teve início 
com as primeiras classes hospitalares nas enfermarias do Hospital Municipal 
Jesus, no Rio de Janeiro, na Santa Casade Misericórdia de São Paulo e no Hos-
pital Barata Ribeiro, também no Rio de Janeiro.
Matos (2008) aponta que, no Brasil, a ação educativa no espaço hospitalar 
mais antiga está registrada na década de 1950, no Hospital Municipal Jesus, 
no Rio de Janeiro. O Hospital Municipal Jesus foi inaugurado em 30 de julho de 
1935 e promoveu a primeira classe hospitalar em agosto de 1950, sob a lideran-
ça da professora Lecy Rittmeyer.
Em 1958, o departamento de educação de anos iniciais do Rio de Janeiro en-
viou a professora Esther Lemos Zaborusky para compor a equipe do Hospital 
Municipal Jesus, onde veio contribuir com as classes hospitalares pelas análises 
e propostas de novas ações e intervenções, além do desenvolvimento de me-
lhorias para as atividades realizadas com os alunos (MEIRA, 1971).
É possível imaginar como deve ter sido desafiador o papel da professora 
Lecy Rittmeyer no início de uma classe hospitalar, com todo o cenário que o 
Brasil se encontrava naquele momento histórico.
Nessa época, o Hospital Barata Ribeiro, também no Rio de Janeiro, possuía 
instalações escolares. Entretanto, o Hospital Barata Ribeiro e o Hospital Muni-
cipal Jesus não sabiam da existência um do outro. Em 1960, quando as profes-
soras Lecy Rittmeyer e Marly Fróes Peixoto se conheceram, foi possível unificar 
o trabalho e, assim, regulamentá-lo (MEIRA, 1971).
Com o passar dos anos, a classe hospitalar como modalidade de atendimen-
to educacional cresceu e se estabeleceu com o objetivo de lutar pelo direito à 
educação para todos. Outro objetivo que contribuiu para a classe hospitalar foi 
a busca da humanização no atendimento.
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Em 1961, o Setor de Assistência Educacional Hospitalar foi extinto e criou-se 
o Setor de Ensino Especial e Supletivo. Nesse momento, foi oficializado definiti-
vamente a Educação dos Excepcionais, pela LDB e pela Constituição do Estado 
da Guanabara (BRASIL, 1961). Era um momento histórico marcante, que futu-
ramente contribuiria para novas mudanças no cenário da Educação Especial e 
da classe hospitalar.
Diretrizes e Bases da Educação Federal 4.024, de 20 de dezem-
bro de 1961. Título X. Da Educação do Excepcional: Art. 88. A 
educação de excepcionais, deve, no que for possível, enqua-
drar-se no sistema geral de educação, a fim de integrá-los na co-
munidade. Art. 89. Toda iniciativa privada considerada eficiente 
pelos conselhos estaduais de educação, e relativa à educação 
de excepcionais, receberá dos poderes públicos tratamento es-
pecial mediante bolsas de estudo, empréstimos e subvenções 
(BRASIL, 1961, p. 01).
Constituição do Estado da Guanabara 27-03-1961. Capítulo II: Da 
Educação e Cultura: Artigo 60: A Educação dos Excepcionais será 
objeto de especial cuidado e amparo do Estado, assegurada ao 
Deficiente a assistência educacional, domiciliar e hospitalar. 
(BRASIL, 1961, p. 01)
A partir da configuração legislativa da classe hospitalar, importantes passos 
foram alcançados nesse novo processo educacional. De fato, as iniciativas to-
madas pelos membros da classe hospitalar do Hospital Municipal Jesus foram 
de extrema relevância para o surgimento de novas classes hospitalares em 
todo o Brasil.
Vale considerar que, na atualidade, um 
número expressivo de alunos requer esses 
direitos e, portanto, essa configuração le-
gislativa da classe hospitalar se faz tão rele-
vante. O Gráfico 1 apresenta o número de ma-
trículas com aulas em hospitais de 2013 a 2017, 
no Brasil, de acordo com os microdados do Inep 
(Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio 
Teixeira), publicados em 2018.
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Fonte: JULIÃO; FERREIRA, 2018. (Adaptado).
GRÁFICO 1. MATRÍCULAS COM AULAS EM HOSPITAIS, NO BRASIL, DE 2013 A 2017
Matrículas com aula em hospitais 
para cada 100 mil, por ano 
18 17,7
23,3
29,5
2013 2014 2015 2016 2017
Total de 
matrículas 
em 2017 
25,2%
são do Ensino 
Fundamental
38,2
O atendimento pedagógico domiciliar: conceitos e aspectos
No contexto histórico brasileiro, em termos legislativos de direitos, a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Federal, de 20 de dezembro de 1961, em seu 
título X, no que se refere à educação de excepcionais, pode ser considerada um 
ponto de partida para a compreensão dos caminhos que a Pedagogia hospita-
lar vai tomando.
Segundo Araújo e Rodrigues (2020), outras leis também contribuíram para 
esse processo, tais como: o Decreto-lei nº 1.044/69, acerca do tratamento ex-
cepcional para os estudantes que têm afecções, com atendimento domiciliar; e 
o Decreto nº 72.425, de 03 de julho de 1973, em que foi criado o Centro Nacio-
nal de Educação Especial (CENESP) com a fi nalidade de promover a expansão e 
melhoria do atendimento aos excepcionais.
Assim, é possível perceber que a classe hospitalar, no Brasil, foi se conso-
lidando paralelamente ao ensino especial. Um exemplo disso é a criação do 
CENESP, que foi resultado da política de educação e envolvimento de diferen-
tes entidades, assim como determinações de órgãos internacionais (ARAÚJO; 
RODRIGUES, 2020).
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A Política Nacional da Educação Especial (MEC/SEESP, 
1994) é considerada um marco específico e histórico na Pe-
dagogia hospitalar, que descreve o atendimento pedagógi-
co-educacional para crianças e adolescentes hospitalizados. 
Em 2010, obteve-se um reforço, por meio da Secretaria de Educação Es-
pecial, através de um documento intitulado Marcos Político-Legais da Educação 
Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2010, p. 25).
É notório que, por meio desses documentos legais, o atendimento pedagó-
gico hospitalar e o atendimento pedagógico domiciliar passaram a fazer par-
te da Educação Especial no Brasil, garantindo o acesso à Educação Básica e à 
atenção às necessidades educacionais especiais.
Compreender o atendimento pedagógico domiciliar (APD) como direito ne-
cessário e indispensável é atentar-se para legislações que auxiliam na constru-
ção de sua identidade e execução.
O Estatuto da Criança e do Adolescente conduz a atenção à criança e ao 
adolescente, garantindo-lhes desenvolvimento pleno em todos os aspectos 
que perpassam a sua vida, incluindo situações que afetam seu estado físico e 
sua saúde.
A criança e o adolescente devem desfrutar de todos os direitos fundamen-
tais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata 
essa lei, assegurando-lhes todas as oportunidades e acessibilidades, visando 
seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de 
liberdade e dignidade.
A Lei de Diretrizes e Bases Nacionais nº 9.394, de 20 de dezem-
bro de 1996, traz detalhamento a este respeito, atribuindo “ao 
poder público a responsabilidade de garantir o direito à educa-
ção e criar formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de 
ensino” (art. 5º, § 5º), e expressa no Art. 23, que deve “organizar-
-se de diferentes formas para garantir o processo de aprendiza-
gem”. Ainda, a mesma Lei define que para os alunos com neces-
sidades educacionais especiais os sistemas de ensino deverão 
assegurar currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e 
organizações específicas para atender às suas necessidades (Ca-
pítulo V, art. 58) (BARBOSA, 2009, p. 5403).
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Segundo Brandão (2011, p. 5259), a Declaração de Salamanca
sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades 
educativas especiais apresenta os direitos fundamentais à edu-
cação do aluno com necessidades educacionais especiais e des-
taca que a toda criança deve ser dada a oportunidade de atingir 
e manter seunível adequado de aprendizagem, que os sistemas 
de educação devem designar e implementar programas levando 
em conta a vasta diversidade de características e necessidades 
de seus alunos e aqueles com necessidades educacionais espe-
ciais devem ter acesso à escola regular que atenda suas neces-
sidades específicas.
O Quadro 1 destaca as principais leis que garantem o serviço educacional 
de atendimento escolar ao aluno com limitações por motivo de doença que o 
impossibilita frequentar a escola, no Brasil.
Leis que respaldam o atendimento pedagógico 
domiciliar e a classe hospitalar
• Decreto-lei nº 1.044/69 (BRASIL, 1969);
• Constituição Federal de 1988, art. 205 (BRASIL, 1988);
• Lei nº 6.202/75 (BRASIL, 1975);
• Lei nº 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente 
(BRASIL, 1990);
• Resolução nº 41/95 – Conselho Nacional de Defesa dos 
Direitos da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1995);
• Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional (BRASIL, 1996);
• Resolução CNE/CEB nº 02/01 – Diretrizes Nacionais para a 
Educação Especial na Educação Básica (BRASIL, 2001);
• Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar: 
estratégias e orientações (BRASIL, 2002).
QUADRO 1. LEIS QUE RESPALDAM O ATENDIMENTO PEDAGÓGICO 
DOMICILIAR E A CLASSE HOSPITALAR, NO BRASIL
Fonte: BRANDÃO, 2011, p. 5259-5260. (Adaptado).
O atendimento educacional domiciliar é muito importante, já que propor-
ciona ao aluno a inserção em um sistema de ensino, contribuindo com os pro-
cessos de desenvolvimento e aprendizagem.
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A ética dentro do hospital: características e particularidades 
da intervenção pedagógica adequada nos diversos ambientes 
e condições existentes no ambiente hospitalar
Quando nos remetemos ao conceito de ética, em qualquer ambiente, 
sempre esperamos que se confi gu-
re por meio de uma série de regras 
a serem cumpridas. Todavia, se tra-
tando da Educação, do exercício do 
educador como aquele que lida com 
o conhecimento e com as diferentes 
questões relacionadas à formação de 
indivíduos, a ética vai além de regras 
e métodos para uma boa conduta. O 
Quadro 2 destaca as refl exões sobre 
Educação dos mais tradicionais teóri-
cos da Pedagogia no mundo.
O professor se torna o mediador em diferentes aspectos, pois além de con-
tribuir para o desenvolvimento intelectual, auxilia na apropriação dos conteú-
dos das disciplinas da série a que o aluno pertence, contribuindo também para 
sua saúde emocional. A realidade, muitas vezes, contribui para que o aluno 
desenvolva estresse, causado pela situação da doença.
As ações do professor podem oferecer oportunidades educacionais para 
que o aluno, mesmo em situação de doença, ocupe seu tempo com atividades 
semelhantes às atividades realizadas por seus colegas em sala de aula. Essas 
intervenções pedagógicas podem favorecer a recuperação da saú-
de do aluno, devido aos efeitos positivos que geram repercussões 
emocionais.
A partir de um planejamento educacional basea-
do em uma visão de currículo fl exível e adaptado, 
o professor organiza e realiza ações e interven-
ções pedagógicas visando promover ao aluno uma 
aprendizagem signifi cativa dentro de sua realidade.
PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 89
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Paulo Freire
A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não 
pode temer o debate, a análise da realidade. Não pode fugir à 
discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.
Jean Piaget
O ideal da educação não é aprender ao máximo, maximizar os 
resultados, mas antes de tudo aprender a aprender, é aprender a se 
desenvolver e aprender a continuar a se desenvolver depois da escola.
Alvin Toffler
Os analfabetos no século XXI não serão os que não souberem ler 
ou escrever, mas os que não souberem aprender, desaprender e 
reaprender.
Philippe Perrenoud
Os movimentos de escola nova e pedagogia ativa (por exemplo, o 
Grupo Francês de Educação Nova, 1996) juntam-se ao mundo do 
trabalho na defesa de uma escolaridade que permita a apreensão da 
realidade. Apesar das diferenças ideológicas, eles estão unidos por 
uma tese: para que serve ir à escola, se não se adquire nela os meios 
para agir no e sobre o mundo.
QUADRO 2. REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO DOS MAIS RENOMADOS TEÓRICOS DO MUNDO
Fonte: MELLO; ALMEIDA NETO; PETRILLO, 2020, n.p. (Adaptado).
É importante que o pedagogo se atente para que o ato de educar não se limite 
apenas a transmitir o conhecimento, mas que seja um processo de intervenção e 
mediação da relação entre o sujeito, o mundo, o conhecimento e o processo de 
aprendizagem. Formar um indivíduo ultrapassa transmitir conhecimentos. E essa 
perspectiva também alcança as atribuições do pedagogo no ambiente hospitalar.
A intenção é produzir humanização, humanismo ou iniciar um processo de tor-
nar aquele educando “humano”.
É um humanismo que, pretendendo verdadeiramente a humani-
zação dos homens, rejeita toda forma de manipulação, na medi-
da em que esta contradiz sua libertação. Humanismo, que vendo 
os homens no mundo, no tempo, “mergulhados” na realidade, 
só é verdadeiro enquanto se dá a ação transformadora das es-
truturas em que eles se encontram “coisificados”. Humanismo 
que, recusando tanto o desespero quanto o otimismo ingênuo, 
é, por isto, esperançosamente crítico. E sua esperança crítica re-
pousa numa crença também crítica: a crença em que os homens 
podem fazer e refazer as coisas; podem transformar o mundo. 
Crença em que, fazendo e refazendo as coisas e transformando 
o mundo, os homens podem superar a situação em que estão 
sendo um quase não ser e passar a ser um estar sendo em bus-
ca do ser mais (FREIRE, 2002, p. 73-74).
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Desse modo, a ação do pedagogo enquanto educador nos mais diferen-
tes espaços precisa ressignificar sempre a sua identidade quanto à ética de 
exercer o seu papel na sociedade e, principalmente, na individualidade dos 
sujeitos.
A atuação do pedagogo no ambiente hospitalar pede, talvez, uma ética 
mais “humana” do que nos outros espaços.
As atribuições do pedagogo se caracterizam diretamente pelo espaço em 
que atua. Assim como em todas as atribuições e exercício da profissão, a ética 
é uma característica muito importante para o exercício da função.
Espera-se que, além de mediador, condutor ao conhecimento ou ainda tan-
tas outras identidades que um professor possa ter, no contexto hospitalar, ele 
esteja voltado para ações humanizadas visando a socialização. A classe hospi-
talar precisa de profissionais que atuem na perspectiva de atender a crianças 
e adolescentes em diferentes estados, seja física, emocional ou psiquicamente.
Além das ações e intervenções pedagógicas, é necessário que o pedagogo 
compreenda que o espaço hospitalar exige posturas e atitudes específicas 
em relação aos educandos. Devido à possibilidade de situações que podem 
ocorrer com o aluno, os profissionais que o acompanham devem estar aten-
tos às necessidades de momentos específicos.
Nesse contexto, Fonseca (2008) aponta a importância que se deve atribuir 
às necessidades educacionais em um contexto hospitalar, considerando a in-
terrupção do processo educativo que ocorre na escola. Destaca ainda que a 
criança hospitalizada não apresenta um desenvolvimento diferente daquela 
que está frequentando a escola.
Assim, partindo do princípio da realidade de cada educando em sua con-
dição física, emocional ou psíquica, o pedagogo deve se atentar para a capa-
cidade individual, sem negar as limitações de cada um.
O pedagogo não deve atuar sozinho no contexto hospitalar, pois, assim 
como em outros espaços, presume-se que uma equipe esteja dando suporte 
e contribuindo para as ações necessárias, além da equipe médica que deve 
atualizar o estadode saúde do educando com frequência. Aliás, é de extrema 
importância que o pedagogo acompanhe o estado do aluno enquanto pacien-
te, já que o planejamento para as práticas pedagógicas adotadas deve estar 
adequado à realidade do estado de saúde do educando.
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O perfil do pedagogo hospitalar: atribuições e 
conceitos da atuação
O pedagogo que atua na classe hospitalar ou ainda no atendimento pedagógico 
domiciliar deve estar atento para lidar com questões específi cas de cada criança ou 
adolescente em diferentes realidades de saúde.
Desse modo, é necessário criar as estratégias pedagógicas adequadas às ne-
cessidades e possibilidades dos educandos, assim como um modo de proporcionar 
condições voltadas a um processo de ensino-aprendizagem de qualidade.
O professor da escola hospitalar é, antes de tudo, um mediador das 
interações da criança com o ambiente hospitalar. Por isso, não lhe 
deve faltar, além de sólido conhecimento das especialidades da área 
de educação, noções sobre as técnicas e terapêuticas que fazem 
parte da rotina da enfermaria, e sobre as doenças que acometem 
seus alunos e os problemas (mesmo os emocionais) delas decorren-
tes, tanto para as crianças como também para os familiares e para as 
perspectivas de vida fora do hospital (FONSECA, 2008, p. 29).
O pedagogo hospitalar se depara com a realidade de pessoas que tiveram seus 
sonhos e projetos interrompidos, mesmo que temporariamente, devido ao surgi-
mento de uma doença que impede que a criança ou adolescente frequente a escola, 
afetando o seu desenvolvimento psicológico, escolar e social.
Portanto, é papel do pedagogo, juntamente com a equipe multidisciplinar hos-
pitalar, tentar minimizar o sofrimento do paciente-educando por meio do ensino. 
Quando a criança hospitalizada puder retornar à sua rotina e vida normais, não 
estará em desvantagem ou “atrasada” em relação aos demais alunos de sua sala 
de aula. Sem dúvida, é um trabalho desafi ador, mas ao mesmo tempo satisfatório, 
pois proporciona à criança e seus familiares a possibilidade de continuar a planejar, 
idealizar projetos e sonhos interrompidos durante o período de hospitalização. Não 
são só intervenções pedagógicas ou ações estratégicas no hospital, mas uma nova 
possibilidade de alcançar sonhos e projetos construídos (FREIRE, 2014, p. 141).
Portanto, devem ser apresentadas atividades pedagógicas que se adequem ao 
contexto escolar de cada educando, além de colaborar para condições de apren-
dizagem signifi cativas.
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A sensibilidade e a humanização no ambiente hospitalar fazem parte das 
práticas pedagógicas realizadas pelo pedagogo que atua nessa área da Educação. 
O acompanhamento do educando, além do diálogo com a família do mesmo, são 
exemplos de ações que exigem do profissional uma postura humanizada e sensível 
à realidade de cada aluno.
Outra responsabilidade do professor da classe hospitalar é manter contato com 
o professor da escola de origem do alu-
no, isso se o educando já estiver matri-
culado em uma instituição educacional. 
O objetivo é dar continuidade ao crono-
grama curricular adotado pela sua esco-
la, além de manter o professor do ensino 
regular informado sobre o trabalho rea-
lizado com o aluno na classe hospitalar, 
inclusive sobre o seu desenvolvimento (FONSECA, 2008).
Também é importante ressaltar que o pedagogo que atua nos espaços hospita-
lares deve buscar ter uma boa comunicação com os profissionais de saúde, princi-
palmente com aqueles que atuam diretamente com os seus alunos.
Ainda sobre o perfil do pedagogo hospitalar, FONSECA (2008) aponta algumas 
características importantes sobre sua atuação:
O perfil pedagógico-educacional do professor deve adequar-se 
à realidade hospitalar na qual transita, ressaltando as potenciali-
dades do aluno e auxiliando-o no encontro com a vida que, ape-
sar da doença, ainda pulsa dentro da criança com força suficien-
te para ser percebida. Em outras palavras, o professor contribui 
para o aperfeiçoamento da assistência de saúde, de maneira a 
tornar a experiência da hospitalização, ainda que sempre inde-
sejável, um acontecimento com significado para as crianças que 
dela necessitam (FONSECA, 2008, p. 37).
Os desafios do dia a dia no hospital são diversos. Além das questões relaciona-
das à saúde do educando, o pedagogo hospitalar também precisa estar atento à 
dinâmica dos dias, porque em um dia, muita coisa pode mudar. Diagnósticos, acom-
panhamento e rotina. Além da família do educando, que também possui extrema 
importância nesse processo.
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Diante de tantas características em uma rotina hospitalar, o pedagogo deve sem-
pre se lembrar do seu papel ali: ele não é médico, mas precisa, sim, saber e acompa-
nhar o estado de saúde dos alunos enquanto pacientes e a partir dessa realidade, 
desenvolver suas ações e práticas pedagógicas.
Ainda precisamos nos lembrar dos fatores que podem ocorrer com os alunos 
pacientes: abatimento, depressão, síndromes diversas, devido à situação de saúde. 
Nesse momento, o acompanhamento de profi ssionais que atuam na área pedagó-
gica também é muito importante. Entretanto, deve-se estar sempre atento, pois o 
pedagogo hospitalar não deve atuar sozinho em suas práticas.
A prática pedagógica em ambientes hospitalares
A prática pedagógica no ambiente hospitalar é caracterizada por Souza 
(2009, p. 69) como uma “prática educativa analisada refl exivamente, teorizada e 
realizada pelo coletivo institucional”, denominada por ele de práxis pedagógica.
Nessa perspectiva, no âmbito hospitalar, a prática pedagógica sugere uma 
análise baseada nas condições psicológicas e emocionais que o educando está. 
Essas condições não devem ser trabalhadas de modo isolado, mas em conjunto 
com profi ssionais da equipe multidisciplinar do hospital que podem contribuir 
apresentando informações importantes sobre o estado de saúde do paciente. 
Tais informações contribuem de modo signifi cativo para que o pedagogo che-
gue a conclusões sobre as práticas que podem ser aplicadas para estimular e 
desenvolver a aprendizagem e a interação social, de modo individualizado para 
cada aluno.
Assim, é responsabilidade do pedagogo atender às necessidades educacio-
nais dos alunos no ambiente hospitalar, estabelecendo uma relação contínua ao 
aprendizado e ao ensino obtidos na unidade de ensino em que está matriculado, 
mas sem padronizações ou demarcações acerca dos objetivos que devem ser 
alcançados, mas com o planejamento adequado para suprir as especifi cidades 
de cada aluno a partir de sua realidade.
A inserção do pedagogo nos ambientes hospitalares, no quadro de funcioná-
rios do hospital, não benefi cia somente a criança e o adolescente hospitalizado 
ou as famílias, mas também o ambiente hospitalar como um todo, para o proces-
so de humanização desses espaços (Figura 1).
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As práticas pedagógicas devem buscar uma execução flexível para suprir as 
situações cognitivas nos alunos no ambiente hospitalar, levando em conside-
ração questões psicológicas, físicas e emocionais que a criança ou adolescente 
apresente.
O pedagogo hospitalar deve buscar conhecimentos sobre como a educação 
pode estar inserida nos hospitais e como as práticas pedagógicas são específicas 
nos espaços hospitalares, já que procura evitar uma atuação educacional padro-
nizada que se limita a aplicação de práticas e métodos escolarizados e passa a 
considerar as especificidades presentes em seus alunos e o ambiente em que se 
encontram. Essas questões são fatores fundamentais pela busca da inovaçãoe constante qualificação pedagógica, um empenho que vai além da formação 
acadêmica, o que permite desenvolver uma identidade da prática profissional 
humanizada.
Uma prática pedagógica humanizada depende de diferentes fatores para se 
consolidar. Não diz respeito somente a acompanhar o aluno de perto e consi-
derar as falas familiares, mas vai além dessas questões. Sabemos que não há 
um modelo pronto de atuação, com ações e intervenções perfeitas. Contudo, é 
possível alcançar esse objetivo por meio da sensibilidade de percepção em reco-
nhecer e valorizar os diferentes aspectos, nas esferas social, psicológica, cultural 
e cognitiva que fazem parte do indivíduo como um todo.
Figura 1. Professora e paciente nos corredores do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, nas comemorações 
de Páscoa. Fonte: JULIÃO; FERREIRA, 2018. 
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O pedagogo em sua prática pedagógica hospitalar, além de planejar suas ações e 
intervenções de modo diferenciado ao que é desenvolvido nas escolas, tem a neces-
sidade de compreender sua atuação por meio da refl exão e da criticidade sobre a 
sua identidade profi ssional, o que sugere que ele está em constante formação ainda 
que atue na formação de indivíduos.
O olhar crítico diante das práticas realizadas faz toda a diferença. Uma prática 
signifi cativa envolve refl exão e processos. O diálogo também contribui para a cons-
trução de uma prática pedagógica signifi cativa, em que diferentes pontos de vista 
são considerados e contribuem para melhorias e aperfeiçoamento das práticas.
A realidade hospitalar é bem diferente dos demais espaços, uma vez que dife-
rentes fatores interferem no processo ensino-aprendizagem, e o pedagogo hospita-
lar precisa compreender que esses fatores podem alterar o planejamento, as ações 
e intervenções com os educandos.
Com isso, é necessário que cada ação e intervenção pedagógica possua fl exibi-
lidade e compreenda o estado do educando naquele momento.
Ainda que o aluno tenha alguma melhora em seu estado de 
saúde, imprevistos aconteçam ou por algum motivo retroceda 
em sua recuperação, é necessário que o pedagogo hospitalar 
tenha na manga intervenções pedagógicas adequadas.
Aspectos e características no leito hospitalar, na sala de 
recreação/classe hospitalar, no acompanhamento escolar/
hospitalar e na orientação à família
Como vimos, a realidade de um ambiente hospitalar traz características 
que infl uenciam diretamente nas atribuições do pedagogo que atua nesse 
espaço. As especifi cidades do espaço hospitalar interferem, principalmente, 
na prática pedagógica que deve ser desenvolvida.
Quando pensamos em um espaço escolar, o que normalmente vem à nos-
sa mente? Crianças correndo, ambiente com barulhos diversos, movimento, 
cores. Mas e em um espaço hospitalar? Quais memórias você tem de um es-
paço hospitalar? Geralmente, um ambiente silencioso, com pessoas falando 
baixo e cores claras. A grande questão é: como fazer de um espaço hospitalar, 
um espaço para aprendizagem, recreação, ações e intervenções pedagógicas? 
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Como proporcionar às crianças e adolescentes experiências de aprendizagem 
em um ambiente tão característico, como um hospital? A resposta está exata-
mente na prática pedagógica adotada e na forma que o educador conduzirá 
os processos educacionais.
De modo geral, as pessoas não possuem boas lembranças de um hospital, 
seja pela situação própria ou pela realidade de um familiar ou amigo. Quando 
pensamos na aprendizagem, geralmente, temos boas memórias de práticas 
pedagógicas vividas na infância. Como fazer do ambiente hospitalar um am-
biente propício para práticas pedagógicas que contribuam para o processo 
de ensino-aprendizagem e ainda consolidem boas memórias aos educandos?
Há exemplos práticos que podem ser adotados pelo pedagogo no ambien-
te hospitalar e contribuir para uma rotina com resultados positivos para o 
educando e sua família. Lembrando que não há padronização para educan-
dos que estão vivendo em uma realidade específica. Cada indivíduo possui a 
sua situação, o seu diagnóstico e cada prática pedagógica deve ser adequada 
para tal (Figura 2).
Figura 2. Professora e aluno/paciente em classe hospitalar. Fonte: MANCINI, 2019. 
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O pedagogo hospitalar e a família do educando 
Um dos aspectos no trabalho do pedagogo hospitalar que merece destaque 
diz respeito ao trabalho social junto aos familiares da criança ou adolescente 
hospitalizado ou sob atendimento domiciliar.
Diante da fragilidade dos familiares dos educandos pela realidade do estado 
de saúde dos mesmos, é importante que a prática pedagógica também os envol-
va, para que, de algum modo, acompanhem o desenvolvimento do 
aluno e façam parte desse processo educacional.
A família tem um papel fundamental na formação 
do sujeito socialmente; na realidade dos educandos 
em espaço hospitalar, também não é diferente. 
Uma família presente faz toda diferença nesse 
processo e a proximidade com o educador é de 
extrema importância.
Um exemplo de um trabalho de relevância para a rotina escolar e aten-
dimento pedagógico em um ambiente hospitalar ou domiciliar é o registro 
diário das impressões e observações do desempenho dos educandos. Regis-
trar atitudes, receptividade e interesse durante as atividades propostas é um 
modo que contribui para se pensar, repensar e ressignifi car a prática docen-
te, buscando melhorar, adequar, dar continuidade ou excluir estratégias de 
ensino-aprendizagem utilizadas (FONSECA, 2008).
Sobre avaliação na realidade hospitalar ou domiciliar, é importante des-
tacar que deve acontecer gradativamente. Por meio das observações do dia 
a dia, diante das práticas pedagógicas adotadas e a partir das atividades rea-
lizadas e como foram realizadas, é possível perceber como o educando está 
lidando com as intervenções feitas. Desse modo, pode-se identifi car as difi -
culdades, os alcances e as práticas mais adequadas à realidade de cada aluno.
Ainda que os educandos, sejam eles crianças ou adolescentes, estejam 
inseridos em ambiente hospitalar ou carentes de atendimento domiciliar, é 
válido lembrar que as características da aprendizagem dessas faixas etárias 
ainda devem ser consideradas. Considera-se ainda que o meio social em que 
estão inseridos infl uenciam diretamente em como aprendem.
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O trabalho social com os familiares consiste em prestar conforto, au-
xiliando os mesmos de modo ético, a compreender o estado de saúde da 
criança, estreitando a relação dos familiares com os profissionais de saúde.
É importante orientar os familiares a não terem receio de procurar esses 
profissionais quando houver dúvidas ou para obter informações sobre o 
estado de saúde da criança ou adolescente.
O pedagogo como agente social também tem o papel de orientar os 
familiares do educando hospitalizado a buscar assistência junto ao depar-
tamento de serviço social do hospital, caso haja alguma dificuldade, por 
estar afastado de suas atividades profissionais, considerando que pode ser 
o acompanhante do menor hospitalizado, ou por ainda não ter feito o regis-
tro de nascimento, por exemplo, no caso de recém-nascidos hospitalizados.
Mais um exemplo de atribuição do pedagogo hospitalar é nortear os fa-
miliares a procurar pelo serviço de saúde mental do hospital com o obje-
tivo de expor seus sentimentos ou questionamentos acerca do educando 
hospitalizado.
É importante que os familiares expressem suas aflições ou dificuldades 
e saibam lidar com a situação vivida pelo estado de saúde do educando, ou 
com o conhecimentode que a doença pode deixar sequelas ou limitações 
na vida da criança ou adolescente. Sem dúvidas, essas notícias no ambien-
te hospitalar podem causar abalos emocionais nas famílias diante de uma 
nova realidade (FONSECA, 2008).
Existem ações e intervenções pedagógicas que a família pode comparti-
lhar e, de fato, muitas vezes é necessário que a família saiba como participar. 
Para isso, é importante que sejam aproximados e reconhecidos no contexto 
do processo educacional do educando. Em geral, a família não se reconhece 
como participante no processo ensino-aprendizagem e precisa ser conduzi-
da a uma nova ótica acerca de sua própria identidade na vida do 
educando. O pedagogo pode contribuir nesse processo por meio 
de conversas intencionais e levantamento de informa-
ções sobre o perfil familiar, em que por meio das in-
formações levantadas, ações estratégicas podem 
ser tomadas e, assim, possam contribuir para que a 
família se perceba no processo educacional.
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Ações e intervenções do pedagogo no espaço hospitalar
De acordo com inúmeros estudos de natureza científi ca, o brincar é extre-
mamente importante para o desenvolvimento da criança. Os aspectos motor, 
emocional, social, psicológico e cognitivo são infl uenciados diretamente pelo 
que é lúdico. O desafi o contido nas situações de brincadeira desenvolve o fun-
cionamento do pensamento e leva a criança a alcançar etapas de desempenho 
que só essas ações conseguem. O Quadro 3 resume a relevância do brincar.
Por que brincar é importante?
Porque é bom, é gostoso e dá felicidade, e ser feliz é estar mais predisposto a ser bondoso, a 
amar o próximo e a partilhar fraternalmente.
Porque é brincando que a criança se desenvolve, exercitando suas potencialidades. 
Porque brincando a criança aprende com toda a riqueza do aprender fazendo, 
espontaneamente, sem estresse ou medo de errar, mas com prazer pela aquisição de 
conhecimento.
Porque, brincando, a criança desenvolve a sociabilidade, faz amigos e aprende a conviver 
respeitando o direito dos outros e as normas estabelecidas pelo grupo.
Porque, brincando, aprende a engajar-se nas atividades, gratuitamente, pelo prazer de praticar, 
sem visar recompensa ou temer castigo, mas adquirindo o hábito de estar ocupada, fazendo 
alguma coisa inteligente e criativa.
Porque, brincando, prepara-se para o futuro, experimentando o mundo ao seu redor dentro 
dos limites que sua condição atual permite.
Porque, brincando, as ações tornam-se operativas.
Porque, brincando, a criança está nutrindo a sua vida interior, descobrindo sua vocação e 
buscando um sentido para a vida.
QUADRO 3. PORQUE BRINCAR É IMPORTANTE
Fonte: CUNHA, 1994, p. 11 apud SILVA; FARAGO, 2014, p.177-178. (Adaptado).
Diante desse valor das brincadeiras, sejam elas nos mais diferentes espa-
ços, como condição agregadora para o conhecimento, espaços específi cos fo-
ram designados para o exercício das brincadeiras nos espaços hospitalares: as 
brinquedotecas.
A defi nição de brinquedoteca se dá, segundo Cunha (1994, p. 13 apud SILVA; 
FARAGO, 2014, p. 178), como “um espaço onde as crianças (e os adultos) vão 
para brincar livremente, com todo o estímulo à manifestação de suas potencia-
lidades e necessidades lúdicas”.
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Assim, a brinquedoteca (Figura 3) pode ser considerada um ambiente que 
visa a diversão, e onde se brinca mesmo sem brinquedos, desde que o objetivo 
seja o estímulo de brincadeiras com o foco no desenvolvimento da criança em 
seus diferentes âmbitos.
Figura 3. Brinquedoteca do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Fonte: Hospital Israelita Albert Einstein. Acesso 
em: 01/04/2021.
Nessa perspectiva, o pedagogo hospitalar também é responsável por de-
senvolver atividades lúdicas com os educandos. Tais ações e intervenções pe-
dagógicas de perfil lúdico visam minimizar ou controlar a ansiedade, a angústia 
e o temor, sentimentos que surgem nas crianças e adolescentes nos leitos dos 
hospitais, principalmente em crianças menores, diante da nova situação im-
posta pela doença.
Muitas vezes, a realidade hospitalar assusta as crianças e adolescentes de-
vido à alteração de sua rotina, privando-os do convívio familiar, social e escolar. 
As ações lúdico-pedagógicas, de acordo com alguns estudos, refletem até na 
recuperação clínica do educando em internação.
Em geral, a equipe pedagógica que atua no contexto hospitalar conta com a 
colaboração de um coordenador que organiza as propostas das práticas peda-
gógicas a serem desenvolvidas na classe hospitalar e no atendimento pedagó-
gico domiciliar, além de orientar e dar assistência aos professores que atuam 
nesses espaços (BRASIL, 2002).
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Sobre as ações e práticas realizadas junto aos educandos, podemos citar 
além do espaço da brinquedoteca, a contação de histórias, as atividades 
adaptadas à realidade do aluno, entre outras. Vale lembrar que um dos gran-
des desafios do pedagogo hospitalar é transformar o espaço hospitalar em um 
ambiente agradável para a aprendizagem.
DICA
Você já parou para pensar no valor das práticas pedagógicas 
no espaço hospitalar? Sobre a contação de histórias, há 
ações e intervenções a partir de histórias, que podem contri-
buir significativamente para a escolarização nesses espaços. 
Considere a leitura do artigo Pedagogia hospitalar: interven-
ções na unidade pediátrica a partir da contação de histórias, 
que traz uma abordagem sobre essa prática.
Precisamos lembrar que crianças e adolescentes que estão em um leito de 
hospital ou necessitam de atendimento pedagógico domiciliar possuem carac-
terísticas similares aos demais sujeitos da faixa etária. As crianças precisam 
brincar e, considerando o ambiente hospitalar, entende-se que por estarem 
em uma rotina diferente da comum, precisam mais do que nunca do lúdico.
Sobre isso, Fontes (2005, p. 17) afirma que a criança hospitalizada continua 
sendo criança e precisa ser tratada como tal, em sua rotina, com ações e inter-
venções destinadas a ela.
O pedagogo hospitalar possui grandes desafios em sua 
rotina, seja em um ambiente hospitalar ou em um atendi-
mento pedagógico domiciliar, destacando que as etapas 
de recuperação podem ser acompanhadas de práticas pe-
dagógicas que contribuam positivamente para o bem-estar 
e melhora desses educandos.
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Sintetizando
Nesta unidade, vimos que a pedagogia hospitalar possui um histórico que 
nos mostra o quanto o seu início contribui para a vida de muitas crianças e ado-
lescentes. Ao longo dos anos, em meio a condições muitas vezes não adequadas, 
a pedagogia hospitalar se estabeleceu e, atualmente, alcança milhares de edu-
candos nos mais diferentes espaços hospitalares e também por meio do atendi-
mento pedagógico hospitalar.
Além disso, vimos que pedagogo hospitalar, como profissional que atua em 
ambientes hospitalares, deve estar atento à equipe que acompanha o educando 
para obter informações sobre o estado de saúde do mesmo. As ações e inter-
venções do pedagogo devem se adequar à realidade do aluno e possibilitar ao 
mesmo uma participação efetiva, respeitando suas limitações.
Abordamos ainda que família do educando internado em um ambiente hos-
pitalar ou carente de atendimento pedagógico domiciliar tem papel fundamental 
em sua recuperação. O pedagogo hospitalar tem o objetivo de aproximar a famí-
lia da equipe médica que acompanha o educando, além de promover a participa-
ção dessa família no processo educacional da criança ou adolescente.
Por fim, destacamos que as práticas pedagógicas na Pedagogia hospitalar 
possuem característicaspróprias que devem atender à realidade do educando, 
além de promover contribuições para o desenvolvimento de crianças e adoles-
centes. O bem-estar em meio a uma realidade adversa também faz parte dos 
objetivos da prática pedagógica hospitalar.
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PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 108
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O PEDAGOGO 
ORGANIZACIONAL 
E SUAS PRÁTICAS: 
ASPECTOS E 
CONCEITOS NAS 
ORGANIZAÇÕES
4
UNIDADE
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Objetivos da unidade
Tópicos de estudo
 Apresentar conhecimentos para o exercício da Pedagogia Organizacional;
 Abordar intervenções sociais e as práticas do pedagogo social;
 Ver elementos da elaboração de projetos organizacionais, sociais e 
hospitalares.
 Conhecimentos necessários ao 
pedagogo organizacional
 O pedagogo organizacional, o 
diagnóstico, a cultura e as mudanças 
no cenário organizacional
 Treinamento e seleção: 
dinâmicas, jogos e simulações
 Educação corporativa: 
administração do conhecimento
 Intervenções sociais e práticas 
do pedagogo social
 O pedagogo social e suas 
práticas
 Ações e intervenções sociais 
 Elaborando projetos 
organizacionais, sociais e 
hospitalares
 Projeto organizacional
 Projeto social
 Projeto hospitalar
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Conhecimentos necessários ao pedagogo organizacional
Na atualidade, o pedagogo ocupa cargos em vários tipos de organizações. 
Num retrospecto, é possível perceber que, por muitos anos, o pedagogo foi um 
profi ssional presente apenas em ambientes escolares. Diante de inúmeras mu-
danças no cenário corporativo, é possível enxergar o pedagogo em inúmeras 
áreas e setores, atuando em funções relacionadas à sua formação. Nesse novo 
contexto, o pedagogo encontra espaço nas organizações em diversos perfi s, 
ressignifi cando o sentido de muitas questões no cenário corporativo.
Como se sabe, nas Diretrizes Curriculares do Curso de Pedagogia está des-
crito que o pedagogo pode atuar “em espaços escolares e não escolares”, o que 
evidencia como é ampla sua capacidade de atuação. Com o impacto das novas 
tecnologias, as organizações buscam investir na educação, demonstrando 
interesse na construção do conhecimento e nos processos educacionais em 
todas as áreas e etapas das organizações. 
Investir no crescimento dos colaboradores, seja no crescimento intelectual 
ou profi ssional, aplicável à vida ou ao desempenho de suas funções no espa-
ço de trabalho é uma tendência que vem crescendo no mundo atual. De um 
modo geral, quando se ouve falar em educação, o primeiro pensamento que 
vem à mente é o da escola, ou de crianças e adolescentes. No entanto, é im-
portante lembrar que, neste novo cenário em que as organizações valorizam o 
desenvolvimento de seus colaboradores, a capacitação dentro das empresas 
se tornou uma estratégia de ascensão e crescimento.
Dessa forma, o pedagogo é um profi ssional capacitado para lidar com os 
processos educacionais nas organizações e servindo como agente educacio-
nal, cuja função está relacionada à concretização da educação dentro dos inte-
resses empresariais de cada momento específi co em diversos con-
textos. As organizações que investem na aprendizagem de seus 
colaboradores têm um retorno tanto na satisfação 
dos colaboradores quanto no crescimento econô-
mico. As pessoas passam a ter um maior compro-
metimento com a equipe e com a organização 
ao compreender que aquela instituição investe e 
busca qualifi car seus funcionários.
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A aprendizagem no espaço organizacional leva em consideração o aprendi-
zado individual para o êxito dos processos aplicados. Dessa forma, a princípio, 
é importante proporcionar condições para que o colaborador busque o conhe-
cimento de si próprio. Muitas organizações pensam em resultados a curto pra-
zo, contudo, investir em pessoas é compreender que cada indivíduo possui seu 
ritmo e seu tempo.
Quando a organização pensa não apenas no resultado e nas melhorias, 
mas também no ambiente organizacional, percebe que a aprendizagem 
acontece não só no singular, mas de forma coletiva. Um dos grandes objetivos 
do investimento na aprendizagem dos colaboradores é o desenvolvimento e a 
mudança de valores e da relação com o conhecimento dentro da organização, 
construindo uma nova identidade, na qual os colaboradores sentem prazer no 
trabalho e procuram os melhores resultados. 
Quando um colaborador observa o investimento da empresa nele, no seu 
crescimento e aperfeiçoamento, ele desenvolve uma mentalidade de perten-
cimento à instituição, o que não se trata só de fazer o seu trabalho ou cumprir 
uma carga horária, mas sim contribuir para uma equi-
pe, um time no qual seu papel é fundamental para o 
sucesso de todos. A atuação do pedagogo nas orga-
nizações prioriza a relação do conhecimento e a ad-
ministração, além da organização dos processos edu-
cacionais e a sistematização de etapas relacionadas às 
atividades laborais no espaço corporativo.
O pedagogo organizacional, o diagnóstico, a cultura 
e as mudanças no cenário organizacional
O contexto organizacional possui características próprias que giram em 
torno da identidade da instituição, da missão e dos componentes que a com-
põem. Alguns teóricos usam metáforas na tentativa de explicar o funciona-
mento das organizações no campo do estudo da Administração, Economia e 
áreas afi ns. O teórico Gareth Morgan é um deles e, no livro Imagens da orga-
nização, de 1996, ele descreve os tiposde organizações a partir de metáforas, 
como no Quadro 1.
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As metáforas de Morgan
1. Organizações como máquinas: 
desenvolvimento da organização burocrática, 
máquinas feitas de partes que se interligam, 
cada uma desempenhando um papel no 
funcionamento do todo;
2. Organizações como organismos: 
compreende e administra as necessidades 
organizacionais e as relações com o ambiente, 
como diferentes tipos de organizações 
pertencendo a diferentes espécies;
3. Organizações como cérebros: importância 
do processamento de informações, 
aprendizagem e inteligência, cérebro 
como um computador, cérebro como um 
holograma;
4. Organizações como culturas: realidades 
construídas e sustentadas por um conjunto de 
ideias, valores, normas, rituais e crenças;
5. Organizações como sistemas políticos: 
sistemas de governo baseados em vários 
princípios políticos que legitimam diferentes 
tipos de regras assim como os fatores 
específicos que delineiam a política da vida 
organizacional;
6. Organizações como prisões psíquicas: 
as pessoas caem nas armadilhas dos seus 
próprios pensamentos, ideias e crenças ou 
preocupações que se originam na dimensão 
inconsciente da mente;
7. Organizações como fluxo e 
transformação: compreensão da lógica de 
mudança que dá forma à vida social (sistemas 
autoprodutores, causalidade mútua e lógica 
dialética);
8. Organizações como instrumentos 
de dominação: aspectos potencialmente 
exploradores das organizações; sua essência 
repousa sobre um processo de dominação 
em que certas pessoas impõem seus desejos 
sobre as outras.
QUADRO 1. AS ORGANIZAÇÕES, SEGUNDO MORGAN
Fonte: MONTEIRO, VENTURA, CRUZ, 2015. (Adaptado).
O Quadro 1 aborda a multiplicidade de identidades e características exis-
tentes no cenário organizacional. Morgan, por exemplo, classifica as organi-
zações em vários tipos, visão e perspectiva que são base para processos de 
planejamento estratégico de muitas empresas. Nesse cenário, o pedagogo 
precisa estar atualizado quanto à identidade da organização, a fim de con-
duzir os processos relacionados à sistematização do conhecimento naquela 
organização. Além de estar informado quanto à identidade da organização, 
o pedagogo precisa conhecer as ferramentas que identificam informações 
importantes quanto à organização. 
Uma das ferramentas que mapeiam informações sobre a realidade da or-
ganização é o diagnóstico. Quando se pensa na palavra diagnóstico, talvez 
venha à mente, na maioria das vezes, algo relacionado à saúde, já que a pala-
vra é usada neste cenário. No âmbito corporativo, o diagnóstico é uma ferra-
menta que faz um levantamento das dificuldades e oportunidades, tornando 
a visibilidade do gestor mais exata nas decisões e processos. 
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A partir do diagnóstico organizacional, o gestor toma decisões estratégi-
cas, com resultados mais assertivos com foco no que precisa ser aperfeiçoa-
do. Com um diagnóstico eficiente, o gestor compreende melhor o próprio ne-
gócio, ou a realidade da sua equipe, tendo condições de planejar um processo 
que permita o desenvolvimento de passos que conduzam a organização a 
melhores resultados. 
O diagnóstico se manifesta nas organizações por possibilitar uma visão 
ampla, clara e específica sobre aspectos que envolvem a realidade da empre-
sa. As informações contidas no diagnóstico norteiam ações e intervenções 
nas soluções de problemas nas organizações. É certo, de que, algumas res-
postas requerem pesquisa, mas boa parte das informações para tomada de 
decisões no cenário corporativo partem do diagnóstico.
O diagnóstico alcança diferentes áreas das organizações, sendo funda-
mentado em dados verídicos para que dele surjam informações que contri-
buam para a elaboração de estratégias específicas. É importante que o peda-
gogo organizacional esteja atento às informações do diagnóstico para ações e 
intervenções necessárias, uma vez que o diagnóstico alcança diferentes áreas 
nas organizações.
DiagnósticoFinanceiro
Marketing e vendas 
Operacional/de 
pessoas 
Estratégica
DIAGRAMA 1. ÁREAS ALCANÇADAS PELO DIAGNÓSTICO NAS ORGANIZAÇÕES
Fonte: FARIAS, [s.d]. (Adaptado).
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Há boas razões para uma organização investir 
no diagnóstico, como a visualização de resulta-
dos e a maturidade da empresa, que são pon-
tos alcançados pelo diagnóstico. A cultura de 
uma organização está relacionada com a identi-
dade da mesma, logo, a cultura organizacional se 
refere ao conjunto específico de valores, crenças e ações que 
norteiam a forma como uma organização conduz o seu próprio 
negócio ou serviço. O conceito desenvolvido por Schein, em artigo publicado 
em 1996 na revista Administrative science quarterly, sobre cultura organizacio-
nal, aborda dois importantes aspectos. Nas páginas 3 e 4 do artigo, Schein 
define a cultura organizacional com base numa ótica voltada para o âmbito 
interno de uma organização:
[...] o modelo dos pressupostos básicos, que determinado gru-
po tem inventado, descoberto ou desenvolvido no processo de 
aprendizagem para lidar com os problemas de adaptação exter-
na e integração interna. Uma vez que os pressupostos tenham 
funcionado bem o suficiente para serem considerados válidos, 
são ensinados aos demais membros da organização como a ma-
neira correta para se perceber, se pensar e sentir-se em relação 
àqueles problemas.
Os elementos que compõem a cultura organizacional são características 
de importante compreensão, ou seja, de como a organização lida com os 
fatores externos e internos. Esses elementos ajudam a identificar a cultura 
presente em determinado ambiente organizacional. Nessa perspectiva, os 
elementos que compõem uma cultura organizacional podem ser divididos 
em sete classes:
• Valores;
• Crenças e pressupostos;
• Ritos, rituais e cerimônias;
• Sagas e Heróis;
• Estórias;
• Tabus;
• Normas.
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Segundo Chiavenato, autor do livro Administração de recursos humanos, editado 
em 2004, a cultura organizacional é capaz de estimular a satisfação no trabalho, a 
motivação e o desempenho dos colaboradores. Dessa forma, o desenvolvimento 
de uma cultura sadia nas organizações contribui para o sucesso, além das próprias 
relações entre os colaboradores nos mais diferentes níveis hierárquicos.
ASSISTA
A cultura organizacional abrange aspectos muito impor-
tantes a serem considerados no âmbito das organizações. 
Para aprofundar-se nesse assunto, o vídeo e-Talks | Cultura 
Organizacional Alavancando Negócios - Patrícia Tavares 
[Nex-us] apresenta um pouco mais sobre esse conceito tão 
importante no cenário corporativo.
Quando são abordadas as mudanças no cenário corporativo, é importante se 
atentar ao fato de que ainda que grandes mudanças se deem nos mais diferentes 
aspectos, a cultura de uma organização norteia a forma como lidar com tais mu-
danças. Os processos e etapas nos mais diferentes cenários, sejam eles positivos 
ou negativos, contribuem de forma signifi cativa para o êxito da organização.
Dessa forma, cada momento vivido pela empresa e pelos colaboradores cons-
trói a história daquela organização e a forma como cada colaborador se enxerga 
na organização diz muito sobre como a organização deve enfrentar cada mudan-
ça. O pedagogo, como profi ssional que atua em situações diversas, precisa per-
ceber como tem se desenvolvido a cultura organizacional, para que os confl itos 
sejam minimizados e os resultados sejam alcançados nos cenários de mudanças 
mais desafi adores.
Treinamento e seleção: dinâmicas, jogos e simulações
Ao longo dos anos, com o avanço da tecnologia, a competitividadese tornou 
mais intensa entre as empresas. O setor responsável pelo treinamento e de-
senvolvimento de recursos humanos, antes visto apenas como algo necessário 
e burocrático dentro da organização, passou a ser um dos mais importantes 
nas organizações. O aumento da globalização transformou o setor respon-
sável pelo desenvolvimento de pessoas num setor com função estratégica no 
mercado de trabalho e de extrema importância para a empresa.
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O objetivo é que as organizações tenham os melhores colaboradores em suas 
equipes de trabalho. Por isso, há necessidade de investimento na busca por pro-
fissionais que possam exercer suas funções da melhor forma possível. Portanto, 
a didática e as estratégias educacionais são aliadas em diferentes organizações, 
visando recrutar e aperfeiçoar os melhores profissionais, visto que, de um modo 
geral, existem inúmeras composições que podem ser aperfeiçoadas.
Quando se reflete sobre o capital humano, ou seja, as pessoas que trabalham 
na organização, há inúmeros pontos levados em conta quanto à qualificação. O 
setor responsável em administrar esse assunto, o de Recursos Humanos, pre-
cisa estar atento às necessidades da empresa (macro), mas perceber as necessi-
dades dos colaboradores (micro). 
O conceito de prática pedagógica de treinamento está em constante aperfei-
çoamento, pois segue as tendências da necessidade do mercado. Durante muito 
tempo, essa prática era tida como voltada à linha da pedagogia tecnicista, cujo 
treinamento se voltava apenas ao conteúdo em si. O objetivo era preparar o su-
jeito para as suas funções no contexto corporativo e não existia a preocupação 
com sua educação, formação ou condições para que o indivíduo crescesse no 
ambiente de trabalho. 
O valor que cada organização tem está relacionado ao seu capital humano. 
É esse valor que conduz o crescimento da empresa a longo prazo ou a faz falir. 
Tendo em vista a realidade do mundo globalizado e competitivo, investir nesse 
capital humano, preparar os colaboradores, aperfeiçoá-los e dar condições para 
que esse colaborador acompanhe as mudanças nos diferentes cenários do mer-
cado atual faz diferença.
Catharino, na dissertação “Treinamento do capital humano das empresas 
e o seu reflexo no processo de mudanças tecnológicas, econômicas e sociais”, 
apresentada em 2002, traz uma contribuição que defende que o trabalhador 
tenha à disposição ferramentas de capacitação fornecidas pela empresa, no seu 
crescimento no exercício de suas funções e no seu aperfeiçoamento pessoal. É 
dever da organização estar atenta às tendências que o mercado apresenta pois, 
quanto mais o profissional tem acesso ao conhecimento, maior a sua capacidade 
de realizar suas funções. Vale ressaltar que, a partir da disponibilidade da empre-
sa em investir no colaborador, ele também pode contribuir em novas funções e 
responsabilidades, em novos desafios.
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Neste contexto, uma das atribuições do pedagogo é se preparar, pesquisar, 
investir em sua formação e estar atento ao que acontece no mercado. A sua 
interação com o setor de recursos humanos está em ministrar treinamentos e 
colaborar no investimento de colaboradores para o sucesso da organização. A 
realização do treinamento pelo pedagogo organizacional exige maior pesquisa 
em relação à organização, ou seja, é dever do profissional planejar o material 
que vai utilizar e pensar estrategicamente cada passo que será desenvolvido.
As habilidades
do pedagogo 
Elaborar o
planejamento 
Avaliar o
comportamento
dos colaboradores 
Identificar as
necessidades
individuais e
coletivas 
Alterar a
metodologia 
DIAGRAMA 2. AS HABILIDADES DO PEDAGOGO
Fonte: LIBÂNEO, 1990. (Adaptado).
Segundo Libâneo, autor do livro Didática, publicado em 1990, o pedagogo 
possui habilidades para desenvolver suas atribuições dentro de organizações, 
já que possui o conhecimento de técnicas para elaborar o planejamento, avaliar 
o comportamento dos colaboradores, identificar as necessidades individuais e 
coletivas da organização e alterar, quando necessário, a metodologia utilizada. 
É possível inferir que a educação é um processo amplo e que possibilita ao in-
divíduo se desenvolver de um modo completo e em todas as suas dimensões.
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Assim, no cenário corporativo, os objetivos das práticas pedagógicas bus-
cam muito mais do que acumular técnicas e conhecimentos embasados em 
instruções para cumprir funções ou tarefas relacionadas ao perfil numa orga-
nização. No âmbito de uma organização, a formação de um colaborador tem a 
ver com seu sucesso. Seguindo esse pensamento Chiavenato, na página 290 do 
livro de 2004, afirma: 
Desenvolver pessoas não é apenas dar-lhes informação para 
que elas aprendam novos conhecimentos, habilidades e destre-
zas e se tornem mais eficientes naquilo que fazem. É, sobretudo, 
dar-lhes a formação básica para que elas aprendam novas atitu-
des, soluções, ideias, conceitos e que modifiquem seus hábitos e 
comportamentos e se tornem mais eficazes naquilo que fazem. 
Formar é muito mais do que simplesmente informar, pois repre-
senta um enriquecimento da personalidade humana. 
A prática pedagógica nos ambientes corporativos ajuda na formação dos 
colaboradores na formação para o exercício de suas funções na área em que se 
insere, sem esquecer da formação no perfil profissional para o desenvolvimen-
to de novas competências para novas atribuições no futuro. Neste contexto, 
Zarifian, no livro Objetivo competência: por uma nova lógica, de 2008, aponta 
para a necessidade da formação de profissionais capazes de, por meio dos re-
cursos de sua personalidade e da construção de uma nova identidade profis-
sional, dar sentido aos saberes e às competências adquiridas pelos colabora-
dores, proporcionando novas chances de empregabilidade. 
O aprendizado é o saber assimilado, ou seja, a construção do conhecimen-
to individual se estabelece quando a pessoa encontra um sentido 
para aprender, do porquê aprender e da aplicação do aprendiza-
do. Na seleção de colaboradores para uma determi-
nada organização, o pedagogo precisa se atentar 
para as competências do candidato, bem como 
às características do mesmo no âmbito pes-
soal. É importante salientar que não se trata 
apenas de um colaborador para preencher 
uma vaga, mas de mais um componente do de-
senvolvimento de uma instituição.
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Educação corporativa: administração do conhecimento
Em meio ao cenário de competitividade, as empresas buscam maior lucra-
tividade. Por meio do desenvolvimento das competências de seus colabora-
dores, empresas adotam novas formas de organização e gestão de pessoas. 
Como consequência, transformam os locais de trabalho em espaços para a 
educação do colaborador. Desse modo, o processo educativo desenvolvido nas 
organizações, em especial nas que investem em tecnologias de última geração, 
se torna uma atividade intencional, planejada e organizada, demandando altos 
investimentos fi nanceiros e tendo como objetivo a inserção dos profi ssionais 
como facilitadores, mediadores e operacionalizadores do processo de ensino-
-aprendizagem.
O campo educacional no cenário corporativo é amplo e o pedagogo, como 
profi ssional que lida com os processos educativos e o conhecimento, age em 
diversas áreas onde tais conceitos são identifi cados. Nesses campos, o peda-
gogo é um gestor da educação e do desenvolvimento do capital humano, além 
de colaborar na criação das mais variadas políticas educacionais relacionadas 
ao conhecimento científi co e tecnológico do campo educacional.Figura 1. A dinâmica de grupo é uma ação pedagógica em ambiente de trabalho. Fonte: Shutterstock. Acesso 
em: 20/04/2021.
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Assim, o campo de atuação do pedagogo é tão vasto quanto são as práti-
cas educativas na sociedade. Segundo frase de Libâneo, na página 116 do livro 
de 1990, “Em todo lugar onde houver uma prática educativa com caráter de 
intencionalidade, há aí uma pedagogia”. Em relação aos conceitos voltados à 
educação, como a aprendizagem, a qualifi cação e o conhecimento, eles devem 
tornar os seres humanos mais livres e refl exivos, cada vez mais capazes de de-
senvolver uma visão além dos desafi os.
No entanto, após passar por um processo de aquisição de um conheci-
mento, o indivíduo jamais tem a mesma visão e perspectiva na vida. A ação 
do pedagogo também consiste em dar conta dos fenômenos educativos que 
acontecem no cenário organizacional, dentro de uma visão na qual educar é 
humanizar e caminhar para a emancipação humana. Nos cursos de formação 
de pedagogos, além dos conhecimentos gerais proporcionados pelos cursos de 
Pedagogia, outros conhecimentos fazem com que ele seja importante e ade-
quado para as organizações, pois funcionam como auxiliares de ensino no pro-
cesso ensino-aprendizagem, na avaliação, didática e na elaboração de projetos.
O pedagogo, como administrador do conhecimento no cenário organizacio-
nal, segmenta e direciona processos educativos nas organizações. Na prática, 
ele é o responsável em verifi car quais os conhecimentos necessários para a 
realização de certas funções, aperfeiçoando, atualizando e qualifi cando os co-
laboradores para um melhor desempenho e ascensão da organização.
Intervenções sociais e práticas do pedagogo social
O estudo no campo da pedagogia abrange o conhecimento que sistema-
tiza a educação, o ato educativo e as práticas educativas concretas na socie-
dade. Nessa perspectiva, a Pedagogia 
Social é uma ciência que possibilita a 
criação de conhecimentos, como uma 
disciplina que sistematiza, reorganiza 
e transmite conhecimentos, se limi-
tando à educação, em sua identidade 
tradicional, ou à educação individual, 
sem esquecer da educação do homem que vive em conjunto, em sociedade. 
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O viver em conjunto com outrem, se relacionando, influenciando e sendo 
influenciado, é o ponto de partida de toda ação educativa na esfera social. 
Compreender essa importante relação entre educação, sujeitos e sociedade, 
é necessário para entender como se dá esse processo na atualidade. Por meio 
dessas relações, se visualiza como a Educação Social auxilia os sujeitos a se de-
senvolverem e se relacionarem com a sociedade e com o mundo. Nessa pers-
pectiva, Romans afirma, na página 54 de Profissão: educador social, de 2003: 
Hoje estão dando definições da educação social muito distintas, 
talvez porque se trata de um “termo” de difícil conceitualização. 
Essa dificuldade, em parte, é consequência de sua própria histó-
ria e porque a educação tende a variar conforme a ideologia e as 
políticas sociais dela derivadas. Se da definição de uma determi-
nada realidade depende, em grande medida, sua possibilidade 
de futuro e melhoria, é conveniente delimitar a fronteira concei-
tual e os espaços de intervenção da educação social. 
É possível definir Educação Social como socialização ou como recurso para a 
aquisição de competências sociais. Assim, o pedagogo social tem como desafio 
promover uma socialização educativa através da didática do social. É possível 
relacionar ao pedagogo social a ação profissional socioeducativa qualificada, a 
ação frente à inadaptação, a formação política do cidadão, como fator de pre-
venção, controle e mudança social, além do trabalho social educativo, gerador 
de novas demandas sociais. 
A prática pedagógica no âmbito da Educação Social, pede um educador com 
uma formação qualificada, de visão ampla e diferenciada dos pedagogos que 
trabalham em espaços escolares. A questão não reside em si no preparo do 
pedagogo para aplicar um currículo escolar numa instituição social ou na per-
cepção das crianças ou jovens que se adaptam a esse currículo ou 
à educação escolar. O educador social vai além de conceitos e 
ideias estabelecidas sobre educação formal ou infor-
mal, o que não se trata de uma educação que não 
prioriza conteúdos, mas de conceitos refletidos 
de maneira coletiva, a partir de questões e ne-
cessidades dos educandos na sua individualida-
de em relação ao convívio social.
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Frente ao desafi o de aliar educação numa ótica social para contribuir na 
inserção de vítimas de exclusão social, o pedagogo social assume diferentes 
identidades, podendo ser ator, educador e mediador na sua vivência profi s-
sional. Ator social, como um protagonista de uma realidade específi ca, situada 
num determinado contexto social no qual, para ser um cidadão pleno e inte-
gral, é importante ser protagonista de um processo de conscientização, dentro 
do espaço de atuação.
Como educador, o pedagogo social traz desafi os com projetos de vida al-
ternativos, priorizando as suas escolhas, incluindo a construção de projetos 
individuais em tais possibilidades. Um dos grandes desafi os do educador social 
é conduzir o educando à identidade de protagonista da própria vida e história, 
percebendo que as suas escolhas constroem a sua trajetória. Por isso, é impor-
tante elaborar ações pedagógicas que façam o educando enxergar o valor de 
suas decisões. Os questionamentos e refl exões surgem no decorrer dos pro-
jetos que incentivam os educandos a se enxergarem como protagonistas da 
própria vida, independente dos fatos ocorridos e da exclusão social. 
O pedagogo social e suas práticas
O exercício do papel de educador social nas instituições possui natureza dinâmi-
ca, visto que cada organização possui a sua identidade, o seu estilo, seus objetivos, 
fi losofi a e público atendido. As práticas do pedagogo social também são relativas, 
considerando que suas práticas atendem à perspectiva e aos objetivos de determi-
nada organização. Outro fator importante relacionado à atuação do educador social 
nas organizações é que, em alguns momentos, o trabalho do educador social numa 
entidade é feito por outros profi ssionais, que podem não ter a formação adequada 
para atuação. Portanto, é fundamental que as organizações entendam que a forma-
ção de um educador social faz diferença nas práticas e na formação dos educandos.
Ainda sobre a formação do educador social, Carvalho e Baptista, na página 25 
do livro Educação social: fundamentos e estratégias, de 2004, abordam a importân-
cia do valor de uma formação profi ssional do educador social, que deve abranger 
o conhecimento científi co, a capacidade de refl etir nas mais diversas situações 
num contexto social e o cuidado na relação com o outro e consigo mesmo. Nessa 
perspectiva:
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A formação das competências de um (a) educador (a) social exige, 
em conformidade, uma sólida preparação de alguns domínios 
das ciências da educação em íntima conjugação com o estudo 
dos comportamentos individuais e coletivos e uma sólida cultura 
geral. Estes vetores deverão alicerçar, no seu conjunto, as capa-
cidades de interpretação e de avaliação de situações e de atitu-
des, de exercício pragmático da solidariedade interpessoal e de 
interpelação crítica e criativa das políticas e das práticas sociais, 
protagonizadas pelas sociedades e pelas pessoas.
As práticas pedagógicas no contexto das organizações sociais exigem uma 
formação com foco não só nos processos educativos, mas com visãovoltada 
ao contexto social dos educandos, sem falar nas qualidades pessoais, como 
maturidade, equilíbrio pessoal e relacionamento interpessoal, destacando a 
importância de uma formação voltada para o autocuidado do educador, posto 
que o trabalho do educador social traz envolvimento pessoal e emocional, cau-
sando momentos que exigem equilíbrio emocional e maturidade profissional.
A atuação do educador social está voltada ao desenvolvimento e crescimen-
to dos sujeitos, independentemente do 
contexto em que esteja inserido. De 
fato, trabalhar questões como essas 
demandam tempo para se estabelece-
rem através de processos. Nos espaços 
socioeducativos, a contribuição do pe-
dagogo apresenta aos educandos no-
vas experiências, a fim de fortalecer o 
elo familiar e comunitário, descobrindo 
novas potencialidades, bem como o au-
toconhecimento e a autoestima.
As desigualdades socioeconômicas e socioculturais são uma realidade no 
cenário brasileiro. Entretanto, mesmo diante desses desafios e da limitação 
de muitos profissionais em organizações sociais, é necessário abordar a in-
tervenção educativa e comunitária como um caminho em relação ao valor do 
indivíduo excluído como cidadão participante de uma sociedade, objetivo da 
atuação do pedagogo nos diferentes espaços organizacionais.
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Ainda que existam desafi os e difi culdades, o pedagogo deve exercer um 
papel ativo e interativo, desafi ando os educandos para a descoberta dos di-
versos contextos socioeducativos e construindo uma identidade cidadã. O fi o 
condutor para uma boa prática pedagógica que visa o protagonismo social é 
o diálogo. Ouvir e provocar os educandos com questionamentos sobre a sua 
realidade é uma boa estratégia para uma prática fundamentada no diálogo 
porque, muito além da transmissão de saberes ou conteúdos, uma ação educa-
tiva signifi cativa produz reações que tornam o pedagogo social um inquietador 
e mediador de conceitos.
Nesse contexto, o educador social é um mediador de todo o processo co-
munitário, no qual as comunidades e as pessoas são agentes de mudança, com 
capacidade de mudar sua vida pessoal, hábitos e comportamentos a partir das 
ações educativas ministradas. Para que o pedagogo social desenvolva inter-
venções cabíveis no âmbito social, o conhecimento profi ssional é científi co, 
antropológico e relacional. Para as pessoas serem alcançadas, é importante 
que as questões socioculturais sejam conhecidas e analisadas sob a ótica do 
conhecimento profi ssional.
Ações e intervenções sociais 
A Pedagogia Social possibilita ao pedagogo estimular a refl exão crítica, 
consciência na qual os conhecimentos, repassados em ações de educação não 
formal, dão uma melhor compreensão do signifi cado da aprendizagem no con-
texto do sujeito em sua dimensão social, dado que construir uma consciência 
refl exiva, crítica e criativa é uma condição essen-
cial para a pessoa pensar de maneira signifi -
cativa. Muitas pessoas não se desenvolvem 
neste âmbito e só reproduzem pensamen-
tos prontos e refl exões já estabelecidas. 
Nos mais diferentes níveis sociais e econô-
micos, as pessoas vivem suas experiências e 
produzem opiniões. Porém, diante da infl uência 
de determinados nichos, alguns grupos sociais não consolidam 
visões críticas e a realidade do próprio contexto. 
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O pedagogo social, como um agente da cidadania que promove a visão cida-
dã nos mais diferentes e excluídos contextos, insere em suas práticas o desen-
volvimento da capacidade de desenvolver ideias e opiniões próprias nos edu-
candos. Sem dúvida, esse desenvolvimento é um processo que faz enxergar 
a própria realidade e refletir sobre ela como uma condição a ser alcançada a 
partir da observação da necessidade, pois muitos educandos chegam nos pro-
jetos com um discurso sobre a própria realidade sob uma condição de reféns 
dos acontecimentos.
A questão não se trata de refutar a exclusão, ou ignorar os acontecimentos, 
mas de promover ao educando a capacidade de se ver como protagonista da 
própria vida. Ao pedagogo organizacional, nesse caso pedagogo social, cabe 
mostrar aos educandos as possibilidades, oportunidades e proporcionar a ca-
pacidade de se enxergar capaz de ser um protagonista da própria história.
A abordagem sobre protagonismo da própria vida, pode ser desenvolvida 
a partir de diferentes práticas e ações 
educativas. Vale lembrar que não é 
uma negação à realidade da exclusão, 
mas a valorização das novas possibili-
dades na vida do educando. De fato, é 
certo que há dificuldades e desafios, 
todavia, o educador social precisa en-
xergar as possibilidades e oportunida-
des em meio à realidade de exclusão.
As atividades desenvolvidas pelo 
educador social buscam refletir ce-
nários futuros, ou seja, por mais que 
naquele momento as ações sejam li-
mitadas, novas ações podem alcançar 
condições futuras. Os diagnósticos 
servem para atestar o momento pre-
sente e incentivar imagens e representações sobre as novas possibilidades e 
oportunidades no futuro. Fazer o educando enxergar o futuro como possibi-
lidade é uma força que legitima mentes e corações e conduz as pessoas a um 
empoderamento quanto aos seus dias futuros.
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O educador social deve priorizar o planejamento de suas atividades antes de rea-
lizar qualquer grupo socioeducativo ou de convivência. É importante que haja uma 
definição dos temas geradores, que são as formas de centralização do processo de 
aplicação das atividades. Como assuntos relevantes para abordagem, é possível ci-
tar alimentação saudável, prática de esportes, mercado de trabalho, higiene, res-
peito, solidariedade, prevenção às drogas, família, direitos e deveres das crianças e 
dos adolescentes, cidadania, folclore, protagonismo juvenil, profissões, tecnologias, 
entre outros assuntos inerentes a várias faixas etárias. O educador social, em sua 
prática pedagógica, precisa se atentar a alguns pontos como:
• Tempo de desenvolvimento das atividades;
• Número de participantes das atividades; 
• Objetivos a serem alcançados; 
• Como as atividades devem ser aplicadas; 
• Recursos para essas atividades;
• Espaço necessário para as ações;
• Avaliação do desenvolvimento das atividades.
No desenvolvimento das atividades propostas, o pedagogo social precisa sem-
pre estar aberto a novas aprendizagens, bem como estar disposto a ouvir as con-
tribuições dos educandos. Uma postura autoritária atrapalha o processo educativo 
nos espaços socioeducativos, sendo importante que os objetivos das atividades pro-
postas estejam claros e as práticas sejam adequadas à faixa etária dos educandos. 
Figura 2. Jovem em projeto social voltado à proteção do meio ambiente. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 20/04/2021.
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Elaborando projetos organizacionais, sociais e hospitalares
Um pedagogo inserido nas mais diferentes organizações requer infor-
mações para as ações e intervenções pedagógicas. Muito além de aplicar 
métodos ou técnicas, ou ainda, atividades voltadas para temas específi cos, 
é muito importante que o pedagogo organizacional conheça o seu público 
alvo, além da realidade daquele grupo e de outras informações essenciais 
para ações. O pedagogo, ao desempenhar o seu papel por meio das suas 
atividades e práticas pedagógicas, proporciona meios de crescimento indi-
vidual e coletivo aos educandos, sem esquecer da descoberta de potenciali-
dades e, em especial, no auxílio no processo de cidadania.
O pedagogo nas organizações contribui para o conhecimento próprio 
dos indivíduos não só no ambienteeducacional em que estão inseridos, 
mas em outros espaços, como na família, trabalho e na sociedade em geral. 
Um dos questionamentos necessários para a elaboração de projetos nos 
mais diferentes espaços, sejam eles escolares ou não, se fundamenta no 
público que deve ser alcançado. A identidade do público alvo é o pontapé 
inicial para o desenvolvimento de projetos pedagógicos signifi cativos, con-
siderando que os outros elementos devem ser desenvolvidos a partir da 
identidade do projeto.
As atividades nos contextos socioeducativos devem despertar nos educan-
dos a valorização da autoestima, a consciência cidadã, assim como refl exões 
dos participantes em relação às vulnerabilidades sociais diante das experiên-
cias, difi culdades e superações de obstáculos. No dia a dia, nas atividades diá-
rias, o educador social deve pensar em como organizar as atividades, propor-
cionando um espaço voltado para o diálogo e a refl exão dos educandos, de 
modo a desenvolver a autonomia na participação da vida pública. 
CONTEXTUALIZANDO
Projeto organizacional pode ser defi nido como um projeto estrutural, ou 
seja, como a estrutura de funcionamento de organizações deve estruturar 
as atividades. O norte de um projeto é elaborado a partir de informações 
básicas relacionadas à identidade da organização em questão.
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Projeto organizacional
No cenário corporativo, o projeto organizacional como eixo norteador das 
ações dentro da organização, prioriza aspectos como a missão da organização, 
a história da organização e informações atualizadas quanto aos passos futu-
ros. Um dos primeiros passos rumo à elaboração de um projeto fundamentado 
em nortes para a organização, é o conhecimento da organização, e o pedagogo 
que se dispõe a colaborar na elaboração de um projeto organizacional deve 
conhecer e interpretar a organização.
Dentre os muitos fatores de caráter interno ou externo importantes para o 
crescimento e sobrevivência da organização dentro do cenário atual, o mais sig-
nifi cativo talvez não esteja relacionado só à condição e ao status fi nanceiro, mas 
à estrutura que a organização possui para alcançar seus objetivos, desde os me-
nores até os mais desafi adores. A base da estrutura organizacional segue uma 
adaptação atualizada ao ambiente social, político e econômico. Sendo possível 
afi rmar que não basta reproduzir a estrutura efi ciente de uma determinada em-
presa ou um projeto que deu certo na maioria das outras organizações.
A identidade da organização traz aportes exclusivos ao projeto organizacio-
nal. O pedagogo, como profi ssional presente nos diversos processos no am-
biente corporativo, precisa articular a estrutura do projeto com os demais pro-
fi ssionais. A estrutura organizacional norteia a organização e determina como 
ela se relaciona com o mercado, porém, é fundamental ponderar que o fator 
humano tem um peso considerável na elaboração do projeto organizacional. 
Para a elaboração de projetos organizacionais, a cultura da organização preci-
sa ser analisada e projetada para os próximos passos.
A base da estrutura de um projeto organizacional, quando adap-
tada à situação daquele momento histórico em seus diferentes 
aspectos e características, possui uma identidade 
que serve como eixo orientador para a elaboração 
dos próximos passos do projeto. Assim como os 
processos corporativos, a estrutura de um pro-
jeto tem etapas no desenvolvimento. O ciclo de 
vida de um projeto organizacional possui quatro 
fases, explicadas no Diagrama 3.
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Ciclo de vida de um projeto 
organizacional 
Iniciação;
Planejamento;
Realização;
Encerramento.
DIAGRAMA 3. CICLO DE VIDA DE UM PROJETO ORGANIZACIONAL
Fonte: JÚNIOR, 2016. (Adaptado).
Cada etapa tem seu valor e complexidade dentro do processo de desenvol-
vimento do projeto organizacional. A fase de iniciação é a primeira do ciclo de 
vida de um projeto e identifica a necessidade de um problema ou de uma opor-
tunidade, de modo a dar uma direção ao desenvolvimento do projeto. Esse pe-
ríodo de iniciação se refere ao início da autorização do projeto ou, num projeto 
com várias outras fases, de uma fase do projeto. É o processo inerente ao de-
senvolvimento da documentação das necessidades de negócios ou de um novo 
produto, serviço ou ainda, de outro resultado que satisfaça tais requisitos.
Na fase de planejamento, mesmo antes de começar um projeto, o profissio-
nal responsável pela condução deve ter tempo suficiente para analisar e pla-
nejar as etapas seguintes de forma correta. É importante organizar um roteiro 
que informe como a base do projeto é executada dentro do orçamento e da 
programação estabelecida. O planejamento de um projeto organizacional en-
volve delimitar o que deve ser feito, seu desenvolvimento, responsáveis, tempo 
de execução das etapas, custo total e eventuais riscos.
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Por isso, o primeiro resultado do projeto 
organizacional é um plano base que parte de 
um roteiro da realização do projeto dentro 
das condições existentes no termo esta-
belecido de abertura. O plano estratégico 
também serve para confrontação em relação 
ao processo real, fase na qual os planos como 
escopo, qualidade, tempo, custo, recursos humanos, comu-
nicação, riscos e aquisições são concebidos.
Na fase da realização, o que foi planejado nas etapas anteriores é colo-
cado em prática e os erros cometidos nas outras etapas ficam evidentes, 
dada a interferência direta. Nessa etapa do desenvolvimento do projeto 
organizacional, grande parte do orçamento e do esforço é usado. A fase 
de encerramento é a fase que conclui o ciclo de vida do projeto, ou seja, 
quando a execução dos trabalhos é medida por meio de uma auditoria 
interna ou externa. Os documentos dos projetos são checados e todos os 
erros no projeto são debatidos e verificados, a fim de que erros semelhan-
tes não ocorram.
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Projeto social
Muito do que é oferecido em termos de assistência e garantia de direitos a 
vítimas de exclusão social, de um modo geral, vem do trabalho desenvolvido 
por projetos sociais, que podem ser explicados como um tipo de ação desen-
volvida sem fi ns lucrativos e em prol do desenvolvimento social, econômico ou 
cultural de uma comunidade ou grupo de indivíduos tidos como excluídos da 
sociedade.
EXPLICANDO
Feijó e Macedo, em artigo publicado na revista Estudos de Psicologia em 
2012, relatam que o termo projeto social sintetiza ações conjuntas e enca-
deadas em nome do desenvolvimento social e a partir do trabalho com um 
grupo de pessoas. Um projeto social para jovens, por exemplo, abrange 
atividades programadas para seu desenvolvimento, objetivando uma vida 
melhor no meio social, com maior autonomia e protagonismo, participando 
de forma efetiva e transformadora. 
A ideia principal para o desenvolvimento de um projeto social deve partir 
de um plano ou planejamento. Antes de tudo, é necessário identifi car qual 
público alvo do projeto e por qual razão criar um projeto para esse grupo de 
pessoas. Após o pontapé inicial para a elaboração do projeto social, novas 
etapas são necessárias para a consolidação do projeto:
1. Identifi cação: levantamento dos problemas ou desafi os a serem traba-
lhados naquele grupo social específi co;
2. Negociação e formulação: negociação com os envolvidos a respeito 
das prioridades diante dos problemas identifi cados, bem como o levanta-
mento dos objetivos gerais e específi cos, as estratégias de trabalho, a pla-
nifi cação da obtenção dos recursos e meios, identifi cação das atividades e 
modelos de avaliação;3. Execução e acompanhamento: elaboração de um cronograma de ação, 
apontamento dos responsáveis em cada uma das atividades, levantamento 
do orçamento detalhado para o desenvolvimento das ações. Execução, plano 
de acompanhamento das etapas de execução, avaliações periódicas para ve-
rifi cação das ações e para composição da avaliação fi nal;
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Projeto hospitalar
Um dos objetivos das práticas sociais hospitalares é a humanização das prá-
ticas nesse espaço. As vivências num contexto hospitalar estão cada vez mais 
atreladas ao distanciamento de uma ótica julgada como leve, o que se dá pela 
realidade do espaço hospitalar. Para Mezomo, autor de Gestão da qualidade na 
Saúde: princípios básicos, de 1995, humanizar é ter o respeito à outra pessoa 
como condição para sua realização, reconhecendo sua posição e das organiza-
ções constituídas. 
4. Encerramento do projeto: atividades de avaliação fi nal com a partici-
pação de todos os envolvidos nas mais diferentes etapas do projeto, orga-
nização dos registros obtidos no decorrer do projeto e a sistematização das 
novas aprendizagens obtidas durante a experiência.
Um projeto social pode ter uma duração de longo prazo ou de curto prazo. 
De fato, é importante que o projeto tenha motivos e objetivos ao fi nal de sua 
duração. Alguns projetos são organizados em grandes empresas e envolvem 
as organizações em responsabilidades sociais, mas o projeto social não se 
diferencia do conceito relacionado à uma elaboração por etapas a partir de 
uma necessidade, o que signifi ca dizer que o projeto social tem uma visão de 
futuro, mas com um ponto de partida que não deve ser uma suposição, o que 
demonstra a necessidade de base real, já que seu ponto de partida é uma 
realidade social.
Um projeto social também é um documento para a base legal de forma-
lização de uma proposta destinada à obtenção de fi nanciamento público ou 
privado para a captação dos recursos necessários à implementação de uma 
solução voltada para um grupo social específi co. Os projetos sociais também 
são ferramentas de ação do Estado e da Sociedade Civil que nascem do dese-
jo de mudar uma realidade, sem esquecer das ações estruturadas e 
intencionais, de um grupo ou organização social surgidas 
da refl exão e do diagnóstico sobre uma realidade proble-
mática, agindo em busca de solução. Em suma, os pro-
jetos sociais são iniciativas na solução de problemas 
sociais e melhorias num mundo desigual e excludente.
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Em relação aos profissionais da saúde e demais profissionais nos contex-
tos hospitalares, praticar a humanização não é apenas o exercício dos prin-
cípios morais, mas também o respeito com os seres humanos que estão ali. 
Quando se tratam dos projetos sociais nos ambientes hospitalares, é preciso 
compreender as especificidades daquele espaço e as características que regem 
cada ação e intervenção.
Figura 3. Profissionais de saúde recebendo orientações. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 20/04/2021.
Segundo Giordani, na página 46 do livro Humanização da saúde e do cuidado, 
publicado em 2008, nas relações entre os atores existentes nos hospitais são 
indispensáveis qualidades específicas, como compaixão, competência, confian-
ça, consciência e comprometimento. As cinco atitudes apontadas possuem o 
objetivo de contribuir nas responsabilidades de cada um, nos atos com o indi-
víduo a ser cuidado. Giordani ainda ressalta que esses cinco pontos devem ser 
vistos a partir da seguinte ótica: 
Compaixão: sensibilidade, dor pela participação na experiência 
do outro e como compartilhamento da condição humana. 
Competência: é caracterizada pelo estado de possuir conheci-
mentos, habilidades, energia, capacidade de julgamento, expe-
riência e motivação para responder a contento as demandas das 
responsabilidades profissionais nos serviços de saúde.
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Confiança: se desenvolve através de relações respeitosas, segu-
rança e honestidade.
Consciência moral: o cuidador precisa estar atento à natureza 
do que ocorre com os pacientes, oferecendo a eles a satisfação 
de bem-estar e cuidado.
Comprometimento: resposta aos desejos e obrigações que re-
sultam na ação e na atitude de cuidar do outro. 
Quando um projeto hospitalar é formado, é de extrema importância que 
valores como esses sejam levados em conta, visto que um projeto organiza-
cional num ambiente hospitalar tem características específicas. Não se trata 
apenas de desenvolver estratégias de humanização ou práticas voltadas para 
a ressignificação do espaço hospitalar, mas de conhecer as propriedades da-
quele espaço, o histórico de pacientes e as equipes de profissionais, de modo a 
elaborar um projeto significativo e voltado para ações estratégicas que benefi-
ciem todos no cenário hospitalar.
O desenvolvimento de um projeto hospitalar pode ser feito por um profis-
sional que busca melhorar ou amenizar questões específicas no contexto, con-
siderando aspectos e características nos projetos organizacionais e sociais no 
âmbito hospitalar, valorizando ainda a humanização das práticas elaboradas 
como fator determinante para o projeto. Para a instituição hospitalar e, em es-
pecial, o setor da pediatria, uma relação harmoniosa entre a equipe de saúde, 
paciente e pais ou responsáveis favorece todo o processo de recuperação dos 
pacientes, reduzindo as ansiedades e tensões provocadas pelo adoecimento e 
hospitalização. 
Assim sendo, é ressaltada a necessidade de uma prática mais efetiva, no 
sentido de implantar projetos efetivos em ambientes hospitalares, visando as-
sistir aos pacientes infantis quanto a sua escolaridade. Os projetos hospitalares 
não se restringem a projetos esporádicos porque, em boa parte das vezes, eles 
advêm de estágios curriculares supervisionados de cursos de Pedagogia ou 
Psicologia, apesar de se desenvolverem em grande parte das instituições hos-
pitalares, alcançando crianças e jovens, com o objetivo de promover ações e in-
tervenções significativas de natureza educativa com o auxílio dos profissionais.
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Sintetizando
Nesta unidade, um dos pontos observados aborda um fator muito importan-
te no aspecto do trabalho pedagógico, visto que um dos grandes passos para o 
profissional do campo de estudo da Pedagogia reside no fato de reconhecer o 
espaço de atuação, seja numa organização corporativa, social ou hospitalar, pois 
é de extrema importância que o pedagogo conheça a identidade da instituição 
em que atua.
O diagnóstico de uma instituição diz muito a respeito do que é necessário 
desenvolver ali. A cultura de uma empresa, por exemplo, descreve aspectos re-
levantes para o desenvolvimento de projetos e processos, uma vez que as mu-
danças que acontecem no cenário organizacional exigem um bom conhecimento 
não só das novidades do momento, mas também da organização e de como ela 
pode sobreviver às mudanças.
O pedagogo, como um profissional que atua em treinamento e seleção, deve 
considerar que essa tem sido uma área de grande valor no cenário corporativo. 
Com a realidade competitiva, as empresas querem os melhores colaboradores, 
logo, práticas e ações pedagógicas têm sido essenciais para a capacitação dos 
funcionários nas mais diferentes áreas de atuação.
Em suma, a elaboração de projetos nos cenários organizacionais, sejam cor-
porativos, sociais ou hospitalares, exige o conhecimento das etapas a serem 
transpostas. O desenvolvimento de projetos organizacionais parte de caracte-
rísticas específicas daquele grupo social e deve ser organizado em etapas para 
alcançar os objetivos designados.Por isso, o papel do pedagogo é fundamental 
no planejamento das ações e objetivos.
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PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 138
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