Prévia do material em texto
PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR Pedagogia Organizacional: Social e Hospitalar PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR (Pedagogia Social em Ambientes não Escolares) Ludmila Dayana Barreto da Silva Neves Ludmila Dayana Barreto da Silva Neves GRUPO SER EDUCACIONAL gente criando o futuro Sem dúvida, esta disciplina é de extrema importância para a sua formação acadêmica e ampliará sua visão sobre a atuação do(a) pedagogo(a) em ambientes não escolares, sejam eles organizacionais, sociais ou hospitalares. É possível compreender que um(a) pro� ssional que lida diretamente com a aprendiza- gem e seus processos, promovendo o desenvolvimento em seus diferentes aspectos, pode atuar nos mais diversos lugares, contribuindo diretamente no âmbito das habi- lidades e competências dos indivíduos. Ao longo desta disciplina, abordaremos conceitos relevantes para melhor compreen- são do exercício da pro� ssão em ambientes formais e não formais, como o per� l do(a) pedagogo(a) social e sua atuação junto às minorias excluídas socialmente. A proposta é provocar re� exões sobre estratégias e per� l pro� ssional em diferentes espaços, tais como hospitais, em que o objetivo é acompanhar crianças ou adolescentes com necessidades educativas especí� cas, além das leis que regem esse segmento. Abordaremos também questões como multiculturalismo, diversidade cultural, cida- dania, além de questões relacionadas à ética pro� ssional e projetos organizacionais, sociais e hospitalares. Ao � nal desta jornada, será possível ter uma visão mais amplia- da da atuação do(a) pedagogo(a), bem como suas intervenções e contribuições nos diferentes espaços sociais. SER_PEDA_PEOSH_UNID1 CAPA.indd 1,3 26/04/2021 13:07:51 © Ser Educacional 2021 Rua Treze de Maio, nº 254, Santo Amaro Recife-PE – CEP 50100-160 *Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal. Imagens de ícones/capa: © Shutterstock Presidente do Conselho de Administração Diretor-presidente Diretoria Executiva de Ensino Diretoria Executiva de Serviços Corporativos Diretoria de Ensino a Distância Autoria Projeto Gráfico e Capa Janguiê Diniz Jânyo Diniz Adriano Azevedo Joaldo Diniz Enzo Moreira Ludmila Dayana Barreto da Silva Neves DP Content DADOS DO FORNECEDOR Análise de Qualidade, Edição de Texto, Design Instrucional, Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico e Revisão. SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 2 26/04/2021 12:04:50 Boxes ASSISTA Indicação de filmes, vídeos ou similares que trazem informações comple- mentares ou aprofundadas sobre o conteúdo estudado. CITANDO Dados essenciais e pertinentes sobre a vida de uma determinada pessoa relevante para o estudo do conteúdo abordado. CONTEXTUALIZANDO Dados que retratam onde e quando aconteceu determinado fato; demonstra-se a situação histórica do assunto. CURIOSIDADE Informação que revela algo desconhecido e interessante sobre o assunto tratado. DICA Um detalhe específico da informação, um breve conselho, um alerta, uma informação privilegiada sobre o conteúdo trabalhado. EXEMPLIFICANDO Informação que retrata de forma objetiva determinado assunto. EXPLICANDO Explicação, elucidação sobre uma palavra ou expressão específica da área de conhecimento trabalhada. SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 3 26/04/2021 12:04:50 Unidade 1 - Pedagogia organizacional, social e hospitalar: os fundamentos nos espaços não escolares Objetivos da unidade ........................................................................................................... 12 Fundamentos da Pedagogia organizacional, social e hospitalar: breve histórico ..... 13 Pedagogia organizacional: aspectos gerais ............................................................... 15 O(a) pedagogo(a) social como educador(a) social ................................................... 17 A atuação do(a) pedagogo(a) hospitalar ..................................................................... 20 Ética nas organizações: comportamento humano nas organizações e relações ....... 22 Ética e moral: conceitos e definições .......................................................................... 23 A Pedagogia e a ética corporativa ............................................................................... 26 A ética nas relações de trabalho .................................................................................. 28 A Pedagogia organizacional e as práticas pedagógicas dentro das empresas ...... 30 Ações pedagógicas e integração na empresa .......................................................... 32 Treinamento e desenvolvimento .................................................................................. 34 O(a) pedagogo(a) organizacional e a resolução de problemas .............................. 36 Sintetizando ........................................................................................................................... 39 Referências bibliográficas ................................................................................................. 40 Sumário SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 4 26/04/2021 12:04:50 Sumário Unidade 2 – A Pedagogia Social e seus aspectos: a atuação do pedagogo nos espaços socioeducativos Objetivos da unidade ........................................................................................................... 44 O pedagogo e o contexto sociocultural: multiculturalismo, diversidade cultural e cidadania ............................................................................................................................... 45 A Pedagogia Social e os seus diferentes contextos ................................................. 48 Multiculturalismo e diversidade cultural ..................................................................... 50 Multiculturalismo e diversidade cultural na escola .................................................. 52 A Pedagogia Social na perspectiva do multiculturalismo e da diversidade cultural ..............................................................................................................................53 A cidadania e a Pedagogia Social ................................................................................ 55 Pedagogia Social e movimentos sociais na educação ................................................ 57 O pedagogo social, suas ações e intervenções nos movimentos sociais .....................59 Pedagogia Social e o movimento negro ...................................................................... 60 Os grupos indígenas, os movimentos populares e a educação prisional ................. 63 Novas tecnologias e Pedagogia Social ....................................................................... 68 Sintetizando ........................................................................................................................... 70 Referências bibliográficas ................................................................................................. 71 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 5 26/04/2021 12:04:50 Sumário Unidade 3 - A Pedagogia hospitalar, o cenário hospitalar e suas práticas pedagógicas Objetivos da unidade ........................................................................................................... 75 A Política Nacional de Educação Especial: Pedagogia hospitalar e suas bases legais 76 A relação entre Pedagogia hospitalar, atendimento pedagógico domiciliar e Educação Especial...........................................................................................................80 Abordagem histórica da Pedagogia hospitalar no Brasil .........................................82 O atendimento pedagógico domiciliar: conceitos e aspectos ................................ 86 A ética dentro do hospital: características e particularidades da intervenção pedagógica adequada nos diversos ambientes e condições existentes no ambiente hospitalar ........ 89 O perfil do pedagogo hospitalar: atribuições e conceitos da atuação ...................... 92 A prática pedagógica em ambientes hospitalares .................................................... 94 Aspectos e características no leito hospitalar, na sala de recreação/classe hospitalar, no acompanhamento escolar/hospitalar e na orientação à família.................................96 O pedagogo hospitalar e a família do educando ..................................................................98 Ações e intervenções do pedagogo no espaço hospitalar .................................... 100 Sintetizando ......................................................................................................................... 103 Referências bibliográficas ............................................................................................... 104 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 6 26/04/2021 12:04:50 Sumário Unidade 4 - O pedagogo organizacional e suas práticas: aspectos e conceitos nas organizações Objetivos da unidade ......................................................................................................... 110 Conhecimentos necessários ao pedagogo organizacional ....................................... 111 O pedagogo organizacional, o diagnóstico, a cultura e as mudanças no cenário organizacional................................................................................................112 Treinamento e seleção: dinâmicas, jogos e simulações ........................................ 116 Educação corporativa: administração do conhecimento ...................................... 120 Intervenções sociais e práticas do pedagogo social ................................................. 121 O pedagogo social e suas práticas.................................................................................. 123 Ações e intervenções sociais .................................................................................... 125 Elaborando projetos organizacionais, sociais e hospitalares .................................. 128 Projeto organizacional ..............................................................................................................129 Projeto social ................................................................................................................. 132 Projeto hospitalar .......................................................................................................... 133 Sintetizando ......................................................................................................................... 136 Referências bibliográficas ............................................................................................... 137 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 7 26/04/2021 12:04:50 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 8 26/04/2021 12:04:51 Olá! Seja bem-vindo(a) à disciplina Pedagogia Organizacional: Social e Hospitalar. Sem dúvida, esta disciplina é de extrema importância para a sua formação acadêmica e ampliará sua visão sobre a atuação do(a) pedagogo(a) em ambien- tes não escolares, sejam eles organizacionais, sociais ou hospitalares. É possível compreender que um(a) profi ssional que lida diretamente com a aprendizagem e seus processos, promovendo o desenvolvimento em seus diferentes aspectos, pode atuar nos mais diversos lugares, contribuindo dire- tamente no âmbito das habilidades e competências dos indivíduos. Ao longo desta disciplina, abordaremos conceitos relevantes para melhor compreensão do exercício da profi ssão em ambientes formais e não formais, como o perfi l do(a) pedagogo(a) social e sua atuação junto às minorias excluí- das socialmente. A proposta é provocar refl exões sobre estratégias e perfi l profi ssional em diferentes espaços, tais como hospitais, em que o objetivo é acompanhar crianças ou adolescentes com necessidades educativas específi - cas, além das leis que regem esse segmento. Abordaremos também questões como multiculturalismo, diversidade cul- tural, cidadania, além de questões relacionadas à ética profi ssional e projetos organizacionais, sociais e hospitalares. Ao fi nal desta jornada, será possível ter uma visão mais ampliada da atuação do(a) pedagogo(a), bem como suas inter- venções e contribuições nos diferentes espaços sociais. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 9 Apresentação SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 9 26/04/2021 12:04:51 Dedico este trabalho a Deus, dono da vida e de todo saber. Dedico à minha família, em gratidão por todo amor e apoio. Quero dedicar também a cada aluno em seus diferentes contextos e etapas. Que cada conceito seja transformador e norteador para um novo tempo em cada história de vida. A professora Ludmila Dayana Bar- reto da Silva Neves é especialista em Educação Tecnológica pelo CEFET/RJ - Centro Federal de Educação Tecnoló- gica Celso Suckow da Fonseca (2020). Possui graduação em Pedagogia com habilitação em Educação Infantil, ma- gistério nas séries iniciais do Ensino Fundamental, Educação de Jovens e Adultos e Gestão em Sistemas Educa- cionais pela UERJ, Universidade do Es- tado do Rio de Janeiro (2009). Atua como designer instrucional na pro- dução de materiais didáticos e como professora conteudista em diferentes instituições educacionais em disciplinas relacionadas à Educação e Tecnologia. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4369077966419328 PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 10 A autora SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 10 26/04/2021 12:04:52 PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR: OS FUNDAMENTOS NOS ESPAÇOS NÃO ESCOLARES 1 UNIDADE SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 11 26/04/2021 12:05:06 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Apresentar os fundamentos da Pedagogia organizacional nos diferentes espaços a partir de um breve histórico; Abordar aspectos da ética nas organizações a partir das relações humanas; Conceituar a Pedagogia organizacional e as práticas pedagógicas nos ambientes corporativos. Fundamentos da Pedagogia or- ganizacional, social e hospitalar: breve histórico Pedagogia organizacional: aspectos gerais O(a) pedagogo(a) social como educador(a) social A atuação do(a) pedagogo(a) hospitalar Ética nas organizações: com- portamento humano nas organi- zações e relações Ética e moral: conceitos e defi- nições A Pedagogia e a ética corporativa A ética nas relações de trabalho A Pedagogia organizacional e as práticas pedagógicas dentro das empresas Ações pedagógicas e integra- ção na empresa Treinamento e desenvolvi- mento O(a) pedagogo(a) organizacio- nal e a resolução de problemas PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 12 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 12 26/04/2021 12:05:06 Fundamentos da Pedagogia organizacional, social e hospitalar: breve histórico Ao longo da história dos cursos de Pedagogia, questiona-se em quais espa- ços o(a) pedagogo(a) poderia atuar e quais seriam suas respectivas atribuições e contribuições dentro da sua área de estudo nesses espaços. Nos primeiros anos de existência das instituições que tinham o curso de Pedagogia, o principal cenário de atuação era o ambiente escolar, no qual o(a) profi ssional lidava diretamente com crianças e adolescentes. Contudo, com o passar dos anos, a escola deixou de ser o único espaço para o(a) pedagogo(a), profi ssional que lida com a educação e seus processos, dentre outros conceitos relacionados à formação do indivíduo em seus diferentes aspectos. A palavra pedagogia tem sua origem na palavra grega paidagogía, estando relacionada aos métodos e práticas de ensino. Na Grécia Antiga, os paidagogos eram escravos que acompanhavam e educavam os fi lhosde seus senhores. A partir daí, podemos ter uma ideia de onde vem o conceito de identidade cons- truída para o(a) pedagogo(a). CONTEXTUALIZANDO É muito importante saber sobre a sua formação acadêmi- ca e como se deram as mudanças até o presente momen- to. O curso de Pedagogia no Brasil, por exemplo, iniciou ofi cialmente em 1939. Contudo, desde sua implantação, muitas mudanças aconteceram. O artigo “Curso de Peda- gogia no Brasil: história e formação com pedagogos pri- mordiais” traz informações importantes sobre o assunto. Agora que abordamos brevemente o conceito histórico do profi ssional de Pedagogia, precisamos compreender como se deu essa ampliação de seu campo de atuação. Contudo, antes disso, por mais óbvias que estas defi nições pos- sam parecer nesse primeiro momento, precisa- mos compreender a que se refere cada área de atuação descrita: Pedagogia organizacio- nal, Pedagogia social e Pedagogia hospitalar. Observe o Quadro 1. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 13 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 13 26/04/2021 12:05:07 Pedagogia organizacional Pedagogia social Pedagogia hospitalar Atuação em organizações e espaços não escolares. Na maioria das vezes, empresas de diferentes portes. Atuação em ONGs, igrejas e em diferentes movimentos sociais. Atuação em hospitais. QUADRO 1. ÁREAS DE ATUAÇÃO DO(A) PEDAGOGO(A) NAS ORGANIZAÇÕES A atuação do(a) pedagogo(a) nesses espaços não escolares está relacionada a diferentes atribuições a partir do contexto de cada organização. E como se deu essa migração para os novos espaços de trabalho? A resposta está rela- cionada diretamente com o papel do(a) pedagogo(a) e seu objeto de estudo: a educação. Partindo de uma perspectiva na qual há a possibilidade e a necessi- dade de processos educacionais, o(a) pedagogo(a) pode atuar. A partir da Revolução Industrial no século XVIII, uma nova percepção sobre o trabalho e o seu desenvolvimento foi criada. É neste cenário que os proces- sos de aprendizagem começaram a ser cabíveis nas organizações, uma vez que as relações de trabalho passaram por inúmeras mudanças e transformações, com pessoas passando a desempenhar funções dentro de uma esteira de pro- dução com etapas e processos. Nesse sentido, foi preciso transmitir essas no- vas formas de atuação para que cumprissem o papel necessário na produção. Desta forma, os colaboradores precisaram aprender a desenvolver o seu tra- balho nas organizações. A Revolução Industrial influenciou diretamente a organização social e eco- nômica do fluxo de trabalho desde a organização do processo de produção artesanal para a manufatura, que data o início de tais mudanças, em que ocor- reram as montagens em série e os novos processos de trabalho. Naquele mo- mento surgiu a hierarquia, a necessidade do controle de produção e as novas formas de desenvolvimento industrial. Do século XVIII, com o marco da Revolução Industrial, até o século XXI, muitas mudanças aconteceram. Podemos compreender que a forma como se deu a re- lação do trabalho e como aprender a desenvolver o trabalho proporcionou o de- sencadeamento para os novos processos nas organizações. O trabalho foi frag- mentado e cada trabalhador passou a atuar em uma etapa ou área específica com determinadas funções dentro de um fluxo estabelecido pela organização. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 14 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 14 26/04/2021 12:05:07 Sobre a Pedagogia social, seu surgimento se deu com a ideia de que é pos- sível infl uenciar questões sociais a partir da educação. Com início na Europa, diante de uma crise econômica, industrial e social provocada pela Primeira Guerra Mundial, pedagogos se propuseram a atender necessidades socioedu- cacionais de grupos sociais prejudicados. Por fi m, quanto à Pedagogia hospitalar, seu início ocorreu na França, em 1935, quando Henri Sellier desenvolveu a primeira escola voltada para crianças com necessidades específi cas. Em um curto espaço de tempo, alguns países começaram a investir também neste ramo, visando alcançar crianças com limi- tações devido ao seu estado de saúde. Pedagogia organizacional: aspectos gerais Quando um(a) profi ssional de Pedagogia decide atuar em uma organização, é necessário compreender que sua área de atuação está relacionada direta- mente com o segmento de gestão de pessoas. Por mais que ainda se tenha uma ideia de que toda e qualquer relação de estudo e trabalho em organizações esteja ligado ao estudo da Administração, vale lembrar que cada vez mais as empresas têm investido em profi ssionais de Pedagogia e Psicologia nos ambientes corporativos. É importante saber se- parar e conhecer as devidas atribuições de cada profi ssional dentro de seus respectivos processos e áreas de atuação nos cenários empresariais. É importante lembrar de que o conceito de gestão de pessoas é algo já con- siderável há alguns anos, e novas formações e profi ssões estão sendo criadas dentro dessa perspectiva, como o profi ssional de recursos humanos. No que diz respeito às atribuições do(a) pedagogo(a) nas organizações, precisamos compreender que suas atribuições estão voltadas para os processos educacio- nais no âmbito corporativo. EXPLICANDO A gestão de pessoas pode ser defi nida como o conjunto de políticas e práticas indispensáveis para conduzir os aspectos da posição gerencial relacionados com as pessoas ou recursos humanos, incluindo recruta- mento, seleção, capacitação, recompensas e análise de desempenho. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 15 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 15 26/04/2021 12:05:07 Diante da perspectiva de que precisamos ampliar nossa visão acerca dos es- tudos da Pedagogia e seus novos espaços de atuação, no âmbito empresarial, por exemplo, o(a) pedagogo(a) surge como o profissional que utiliza ferramentas pe- dagógicas com o objetivo de promover a aprendizagem dos colaboradores. Talvez você esteja se perguntando: o que é necessário aprender em uma empresa? Seria apenas o trabalho a ser desenvolvido? A resposta está na proposta e na polí- tica de cada organização e na relação desta com os seus colaboradores. No contexto dos aspectos gerais da Pedagogia organizacional e tratando-se especificamente da Pedagogia empresarial, podemos considerar que a Pedago- gia exercida ultrapassa os conceitos pré-estabelecidos historicamente nos espa- ços escolares, mas alcança novos objetos, métodos e técnicas também voltadas para aprendizagem, contudo em um espaço voltado para o exercício do trabalho. Libâneo, em Pedagogia e pedagogos, para quê, publicado em 2018, expõe o seguinte: Há uma ideia de senso comum, inclusive de muitos pedagogos, de que a Pedagogia é o modo como se ensina, o modo de ensinar a matéria, o uso de técnicas de ensino [...] trata-se de uma ideia simplista e re- ducionista. A Pedagogia organizacional nos vem como uma evolução natural da Pedagogia, visto que ela se manifesta em todos os espaços, quer sejam escolares, não escolares e organizacionais (p. 29). A chamada evolução natural da Pedagogia impacta não somente as atribuições dos(as) pedagogos(as) que atuam nos cenários corporativos, como também nos di- ferentes contextos de exercício da Pedagogia. Nessa perspectiva, cabe a cada profis- sional que lida com processos educacionais rever suas práticas, métodos e técnicas, considerando que essa evolução se dá a partir da própria evolução do ser humano em seus diferentes contextos. Permanecer com a mesma metodologia apenas por- que ela “tem dado certo”, por exemplo, sem considerar as mudanças e transforma- ções dos últimos tempos é um fato que precisa ser revisto na esfera educacional. Assim como na Pedagogia escolar, que possui componentes específicos da realidade das instituições educacionais, a Pedagogia organizacional como Pe- dagogia empresarial apresenta componentes que exigem uma constante aná- lise de seus processos em seus diferentes âmbitos. Observe,no Diagrama 1, alguns desses componentes que influenciam nos processos educacionais de- senvolvidos no âmbito corporativo. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 16 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 16 26/04/2021 12:05:07 DIAGRAMA 1. ALGUNS COMPONENTES DO CENÁRIO CORPORATIVO QUE INFLUENCIAM A PEDAGOGIA EMPRESARIAL Pedagogia empresarial Fluxo de produção Globalização Inovações tecnológicasRealidade do mercadoe identidade do consumidor O(a) pedagogo(a) social como educador(a) social A Pedagogia social dá espaço para atuação do(a) profi ssional de Pedagogia fora do contexto escolar. Dados históricos respaldam seu surgimento em dife- rentes momentos, mas sempre a partir de uma ótica do(a) pedagogo(a) como um agente de transformação social a partir da educação. Ao longo da história da Pedagogia, podemos compreender que Froebel e Pestalozzi foram teóricos que acreditavam em uma educação voltada para questões humanitárias e fi losófi cas com o objetivo de ressignifi car indivíduos socialmente a partir de ferramentas educacionais. Contudo, o conceito de pe- dagogia social foi consolidado somente após a Segunda Revolução Industrial, em que, devido ao cenário pós-guerra e aos inúmeros excluídos socialmente, Alemanha e Espanha passaram a investir em programas sociais visando a in- clusão a partir de práticas educativas. O(a) pedagogo(a) social é o(a) profi ssional que atua em espaços não escolares, mas em outros espaços com pessoas socialmente excluídas ou em processos de inserção social. Podemos considerar as seguintes atividades e espaços para atuar: projetos sociais em instituições privadas, presídios, igrejas, ONGs, asilos, projetos sociais voltados para qualifi cação profi ssional, dentre outros. Um dos questionamentos que podem surgir sobre a presença do(a) pedagogo(a) em tais espaços, é como as suas práti- cas pedagógicas contribuirão para a reinserção social de indivíduos em situação de exclusão ou de necessidade de amparo e acolhimento e qual seria o objeto de es- tudo desse profi ssional. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 17 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 17 26/04/2021 12:05:07 Caliman, em “Pedagogia social: contribuições para a evolução de um conceito”, publicado em 2011, define a Pedagogia social como “uma ciência prática, social e educativa e não for- mal que justifica e abrange em termos mais amplos a tarefa da socialização de indivíduos e, em modo particular, a prevenção e a recuperação no âmbito das deficiências da socialização e da falta de satisfação das necessidades”. É importante lembrar que o(a) pedagogo(a) social possui atribuições distin- tas do(a) assistente social. Um(a) pedagogo(a) em projetos sociais, por exemplo, sugere diálogos e análises voltados para a educação como estratégia de inter- venção, enquanto o(a) assistente social possui atribuições voltadas diretamen- te a questões sociais e diferentes contextos de pessoas com práticas relaciona- das a outras intervenções (judiciais, governamentais etc). Quem é o(a) educador(a) social? O(a) educador(a) social atua promovendo a integração entre o indivíduo e a sociedade por meio da educação. Sua área de atuação alcança pessoas que estão em condições de vulnerabilidade, exclusão social ou com alguma neces- sidade física específica. CURIOSIDADE Você sabia que o curso de Pedagogia não é a única formação que possibilita a atuação como educador(a) social? Para o exercício da função, o(a) profissional poderá ser graduado em outros diferentes cursos, mas deverá possuir algumas características específicas que o cargo pede. Para saber um pouco mais sobre alguns conceitos para a formação do Educador social, leia o artigo “Educador social: conceitos fundamentais para sua formação”, publicado em 2009. Além disso, é importante abordar alguns conceitos históricos da profissão no Brasil. Existem duas premissas que envolvem a identidade do(a) educa- dor(a) social: a Pedagogia social e a educação popular. Observe o Quadro 2 com a definição de cada uma. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 18 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 18 26/04/2021 12:05:09 Pedagogia social Educação popular Estudo social de práticas educativas; Não é institucionalizada; Base teórica para as práticas de educação popular, sociocomunitária e educação social; Ocorre em grupos populares; Visa melhorar as relações sociais e humanas; É determinada pela realidade e perspectiva histórica; Se baseia em intervenções educativas intencionais e não formais. É instituída com o objetivo de se opor ao projeto educacional dominante; Adotada em movimentos sociais, em diferentes contextos. QUADRO 2. DEFINIÇÕES DE PEDAGOGIA SOCIAL E EDUCAÇÃO POPULAR Há uma relação entre a Pedagogia social e a educação popular. Ambas es- tão articuladas, e podemos afirmar que a Pedagogia social se torna base para o desenvolvimento da educação popular. Enquanto a Pedagogia social volta-se para uma formação do indivíduo a partir de uma educação que fornece ferra- mentas para incluí-lo socialmente, a educação popular possui uma identidade política que educa o sujeito dentro do contexto político educacional que se opõe à realidade capitalista. Como exemplo, podemos citar Paulo Freire: educador reconhecido entre muitos pesquisadores de Pedagogia social. Paulo Freire foi autor de vários li- vros que problematizam questões sociais a partir de um discurso que fazia da educação uma “espada” para combater o sistema vigente. Freire acreditava que a transformação social aconteceria por meio de práti- cas educativas e da mudança que a educação poderia fazer na vida das pessoas. De fato, as influências de Freire até hoje marcam o campo da Pedagogia social. Segundo Paulo Freire, o conceito de educação popular é político, ou seja, não há neutralidade no educar e, consequentemente, uma educação voltada para resolução de problemas sociais pode promover mudança e transforma- ção. É importante citar que diversos países no mundo também defendem tal ótica e valorizam as ideias de Paulo Freire, bem como seus conceitos relaciona- dos à Pedagogia social e à educação popular. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 19 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 19 26/04/2021 12:05:09 As práticas socioeducativas podem ser defi nidas basicamente como prá- ticas educativas que se relacionam com práticas sociais. Pode parecer redun- dante, mas é exatamente o conceito para a relação da educação com o âmbito social e de como as práticas educativas e a necessidade do amparo social se relacionam. No Brasil, o(a) educador(a) social, na maioria das vezes, faz um tra- balho social e possui formações diversas e, em alguns casos, além de eventual- mente não possuir ensino superior. Considerando a prática do(a) educador(a) social e a necessidade do co- nhecimento das práticas pedagógicas para o exercício das práticas socioe- ducativas, podemos considerar que a formação no âmbito da Pedagogia torna-se essencial para o bom exercício das atribuições designadas para esse(a) profi ssional. A atuação do(a) pedagogo(a) hospitalar O conceito de Pedagogia hospitalar pode parecer desconhecido para quem opta pela formação em Pedagogia. Antes de abordarmos pontos importantes deste campo de atuação, é importante destacar que a formação acadêmica para atuação o é imprescindível. Durante muitos anos, crianças e adolescentes tiveram sua vida acadêmica interrompida devido ao seu estado de saúde e a necessidade de internação hospitalar. Por mais simples que essa intervenção pareça, todo o contexto de vida de um indivíduo é afetado quando, por motivo de doença, sua rotina é alterada, impossibilitando-o de praticar suas atividades. Tratando-se de crianças e adolescentes, esse processo pode ser ainda mais delicado. Com o objetivo de contribuir para que este(a) estudante não seja pre- judicado nos estudos, o(a) pedagogo(a) hospitalar entra em cena. Este(a) pro- fi ssional atuadiretamente no hospital ou na residência do(a) paciente caso este esteja impossibilitado de ir à escola. O espaço de atuação pode ser uma sala no hospital com estrutura para intervenções pedagógicas. O(a) pedagogo(a) hospitalar atua a partir de ações estratégicas relacionadas ao processo de ensino, aprendizagem e avaliação de jovens em idade escolar a partir das possibilidades existentes dentro de cada realidade. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 20 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 20 26/04/2021 12:05:09 A Pedagogia hospitalar pode ser exercida em unidades de internação ou em alas de recreação do hospital. O ensino de jovens hospitalizados está respaldado pela Resolução n. 41, de 13 de outubro de 1995, emitida pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, e considera, dentre outras coisas, o direito de “desfrutar de alguma recreação, programas de educação para a saúde e acompanhamento do currículo escolar durante sua permanência hospitalar”. O processo de recuperação do(a) aluno(a) na condição de paciente tam- bém é acompanhado de perto pelo(a) pedagogo(a) hospitalar, que faz parte da equipe e precisa ter informações sobre seu estado de saúde, uma vez que ele influencia diretamente nos processos de aprendizagem. Dessa forma, o(a) pedagogo(a) precisa acompanhar cada etapa em prol da recuperação. O Diagrama 2 apresenta algumas das principais atribuições do(a) pedago- go(a) em ambientes hospitalares. DIAGRAMA 2. ATRIBUIÇÕES DO(A) PEDAGOGO(A) HOSPITALAR Fazer o acompanhamento do progresso acadêmico da criança ou adolescente, mes- mo depois da alta hospitalar, para avaliar a efetividade das atividades pedagógicas. Selecionar e organizar os ma- teriais didáticos utilizados nos atendimentos pedagógicos. Promover a integração dos professores hospitalares. Comunicar à família sobre o atendimento pedagógico ao(à) paciente-aluno(a). Aplicar métodos de avaliação e verificar o progresso acadê- mico do(a) paciente-aluno(a). Acompanhar, com o médico responsável, o estado de saúde dos alunos para confirmar se o paciente está apto a receber atendimento pedagógico. Pedagogo hospitalar Fonte: Shutterstock. Acesso em: 23/12/2020. No Brasil, a Pedagogia hospitalar foi instituída a partir da década de 1990, no momento em que órgãos públicos perceberam a necessidade de inserir o serviço no contexto da educação especial no País. A Pedagogia hospitalar é reconhecida oficialmente nas Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica no artigo 13 da resolução n. 2 de 2001, respaldando a atuação do(a) pedagogo(a) nos ambientes hospitalares. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 21 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 21 26/04/2021 12:05:09 O(a) pedagogo(a) hospitalar deve se atentar à realidade dos(as) alunos(as) e conduzi-los(as) a uma aprendizagem a partir de estratégias pedagógicas e métodos adaptados. Para as crianças, é importante lembrar sobre a relação entre ludicidade e aprendizagem mesmo nos ambientes hospitalares, além da criatividade e da utilização dos espaços disponibilizados. Cada aluno(a) possui um histórico e necessidades especí- fi cas dentro do processo de ensino-aprendizagem. Sendo assim, o(a) pedagogo(a) hospitalar precisa estar atento às necessidades e utilizar técnicas e métodos que atendam às necessidades físicas, psíquicas e muitas vezes emocionais dos(as) alunos(as). Ética nas organizações: comportamento humano nas organizações e relações O conceito de ética no âmbito corporativo pode ser considerado um dos temas mais importantes para um bom exercício das profi ssões neste cenário. A defi nição de ética pode ser dada a partir de um segmento da Filosofi a que se destina a analisar as formas de agir do ser humano, organizando tais ações em “certo” ou “errado”. As normas de conduta que se encaixam socialmente às regras sociais referem-se ao conceito de ética. Nas organizações, a ética diz respeito ao conjunto de normas e regras, es- tabelecidas pelas empresas, que o(a) profi ssional precisa cumprir para um bom desenvolvimento do seu trabalho e para um bom relacionamento com os de- mais colaboradores no ambiente corporativo. Assim como nos demais espaços sociais, as relações humanas também in- fl uenciam na dinâmica e no funcionamento das organizações. É importante lembrar que o comportamento humano dentro do contexto corporativo preci- sa se adequar às normas estabelecidas e tais normas devem fi car claras já em sua admissão. Podemos conceituar a ética no âmbito corporativo como ética profi ssional e compreendê-la como o conjunto de regras estabelecidas pela empresa com o objetivo de proporcionar uma boa conduta nos mais diferentes níveis hierár- quicos para todos. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 22 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 22 26/04/2021 12:05:09 Ética e moral: conceitos e definições O estudo da ética está relacionado com as abordagens do comportamento humano e das regras sociais que precisam ser cumpridas para uma boa convi- vência e para o bem de todos. A partir da ética, defi ne-se o que é certo e errado, estabelecendo um padrão de conduta para as pessoas conviverem socialmente. Para Cortella, em Qual é a tua obra? Inquietações, propositivas sobre gestão, liderança e ética, publicado em 2009, a ética é: o que marca a fronteira da nossa convivência. [...] é aquela perspec- tiva para olharmos os nossos princípios e os nossos valores para existirmos juntos [...] é o conjunto de seus princípios e valores que orientam a minha conduta (p. 102). Há inúmeras questões que envolvem a ética no cotidiano. Como exemplo podemos citar o ato de furar uma fi la, sem considerar as pessoas que che- garam com antecedência. Diante desse exemplo, podemos compreender uma atitude que burla uma conduta de ética estabelecida, que consiste em respei- tar determinada ordem de chegada para ser atendido(a). A ética apresenta alguns princípios básicos diante do comportamento das pessoas e como estes comportamentos infl uenciam na sociedade. O utilitaris- mo, os direitos individuais e a justiça são alguns desses princípios. Todos eles estão explicados no Quadro 3. Utilitarismo: defesa de um ponto de vista no qual a ética é melhor aplicada quando benefi cia o maior número de pessoas, maximizando ou minimizando as consequências de nossas ações. Direitos individuais: proteção de direitos essenciais como o direito à informação, ao processo legal para sua defesa, à privacidade, à liberdade de consciência etc. Justiça: justiça social e oportunidade, com equidade, na busca de signifi cados e felicidade na vida, com tratamento igual para pessoas iguais. QUADRO 3. PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ÉTICA PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 23 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 23 26/04/2021 12:05:09 A palavra ética tem a origem na palavra grega éthos e significa caráter moral, sendo comumente utilizada para descrever o conjunto de hábitos ou crenças estabelecidos socialmente. Desse modo, uma vez que a ética é o padrão socialmente estabelecido para definir o que é certo ou errado, a forma em como o indivíduo lida com tais normas e regras na sociedade também influencia as relações sociais. Para com- preendermos essa relação entre as normas estabelecidas e a forma como indi- víduos lidam elas, precisamos abordar o conceito de moral. O conceito de moral está estritamente relacionado à ética, já que consiste no modo como lidamos com as normas e regras de conduta estabelecidas. Podemos exemplificar basicamente na seguinte expressão: ética é a regra do jogo e moral é o fato de decidir cumpri-las ou não a partir do que conside- ramos a respeito do que é certo ou errado. Existem outras definições para moral, mas em um sentido mais individualizado. Ainda, a moral de cada indi- víduo é construída a partir de vivências, experiências e influências. Por fim, vale pontuar que questões culturais tambéminfluenciam na construção da moral de cada indivíduo. A visão dos indivíduos quanto às regras e normas sociais estabelecidas pela ética passam pelo “julgamento” da sua própria moral, já que esta é considerada o padrão, construído a partir de diferentes fatores. A moral também pode ser considerada o conjunto de regras e valores não somente de um indivíduo, mas de um grupo social específico. Para cada grupo ou campo, há uma determinada moral. Podemos, ainda, compreender que a ética atua como uma reflexão sobre a moral dos indivíduos, já que é a partir da leitura de vários contextos que o padrão pode ser estabelecido como aquilo que seria justo e correto para todos. Marcos históricos também influenciam na moral dos indivíduos, considerando que várias reflexões de diferentes questões são revistas ao longo dos anos. Os papéis sociais exercem influências na construção da moral de deter- minados grupos ou indivíduos. Por exemplo: a partir de um governo e seu discurso, um determinado grupo social pode ser influenciado e desenvolver novas posturas e condutas morais. Ou, ainda, diante de um professor com determinados aspectos morais, indivíduos podem desenvolver uma moral influenciada por ele. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 24 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 24 26/04/2021 12:05:09 A moral pode ser considerada algo que se aprende de forma natural, trans- mitida a partir do exemplo e dos discursos nas mais diferentes esferas: fami- liar, religiosa, acadêmica etc. Os meios de comunicação também contribuem na construção da moral. Exemplos como respeitar os mais velhos e não se apro- priar do que não é seu são aprendizados que podem ser considerados espon- tâneos a partir de uma educação familiar dentro de uma determinada moral estabelecida socialmente dentro da família. Podemos considerar que existe uma moral predominante, ou seja, a que podemos encontrar nos mais diferentes grupos sociais e influencia a maioria dos indivíduos, nas mais diferentes formas de pensar e agir diante de diver- sos temas e assuntos no âmbito social. Por mais que a moral influencie dire- tamente o indivíduo e os diferentes grupos sociais, vale ressaltar que a ética é a responsável em “reger” as regras e normas nas esferas sociais, visando o bem-estar de todos. Relação entre a moral e a ética A ética e a moral estão relacionadas nos mais diferentes contextos cultu- rais e a melhor forma de conduzir essa relação é se atentar aos significados sociais e culturais estabelecidos ao longo dos anos nos mais diferentes mo- mentos históricos. Há valores que foram estabelecidos e são historicamente demarcados, como em alguns grupos sociais, a relação da mulher e a sociedade, dentre ou- tros. Por muitos anos (e em alguns grupos sociais até hoje), a mulher não podia votar. Muito se discute sobre este período que não teve apenas interferências políticas, mas ideológicas. Quem foi “a mulher” neste período histórico? E quem é a mulher atualmente? Aspectos morais mudaram com o passar dos anos e refletiram nas mais diferentes esferas sociais. E vale lembrar que os valores morais mudam, mas deixam consequências históricas e até mesmo sociais. Em suma, podemos considerar que a moral influencia o código de ética, visto que existem aspectos morais que podem ser con- siderados dominantes. A ética, por sua vez, também influencia nos mais diferentes pensamentos morais e tem por objetivo estabelecer uma conduta pa- drão que estabeleça o certo e o errado a partir de regras sociais. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 25 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 25 26/04/2021 12:05:09 A Pedagogia e a ética corporativa Ao longo da história do trabalho, muitas mudanças aconteceram. Des- de os primeiros dados históricos, passando pela Revolução Industrial, podemos perceber que tais mudan- ças refl etiram diretamente na vida das pessoas e na sociedade. A forma como as pessoas lidam com o trabalho nas diferentes épocas traz infl uências que constroem a identidade e o signifi cado do trabalho no âmbito social. Socialmente, “ter” um trabalho, ou seja, uma ocupação de qualquer nível, é considerado uma boa atitu- de socialmente. O fato de estar in- serido na esfera corporativa possui significado social. Além do valor de ser colaborador ou funcionário de uma determinada em- presa, é importante ressaltar que existem normas e regras também no âmbito corporativo. Normas e regras estabelecidas para que o trabalho seja organiza- do e cumprido da melhor forma possível. A ética corporativa baseia-se nos valores da empresa estabelecidos e transmitidos aos colaboradores. Tais valores norteiam as normas e regras para o exercício do trabalho e o funcionamento da organização nos mais diferentes níveis hierárquicos. A Pedagogia, por sua vez, por meio de métodos e técnicas, permite que os indivíduos sejam inseridos no contexto de uma aprendizagem, em que o(a) pedagogo(a), como profi ssional que atua em tais processos, é o(a) condutor(a) nesse contexto. As ações pedagógicas nos contextos corporativos visam desde a atua- ção do funcionário na sua individualidade diante das suas funções no es- paço corporativo até as ações em conjunto de aperfeiçoamento das rela- ções de trabalho. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 26 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 26 26/04/2021 12:05:10 A Pedagogia nos espaços corporativos foi inserida a partir da necessidade de capacitar os funcionários com as ferramentas educacionais adequadas e dese- nhadas para o cenário corporativo. Ela tem por objetivo desenvolver os funcio- nários por meio do conhecimento específico para o aprimoramento da profis- são, além de promover uma integração que contribua para o êxito da empresa. Para Ribeiro, em Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa, publicado em 2010, A Pedagogia na empresa caracteriza-se como uma das possibilida- des de formação e atuação do pedagogo bastante recente, especial- mente no contexto brasileiro. Tem seu surgimento vinculado a ideia da necessidade de formação ou preparação dos recursos humanos nas empresas. Nem sempre, no entanto, as empresas preocupam- -se com o desenvolvimento de seus recursos humanos, entendidos como fator principal do êxito empresarial (p. 9). É importante considerar que a inserção do(a) pedagogo(a) nos espaços corporativos tem sido cada vez mais comum, principalmente no âmbito dos recursos humanos. Além de elaborar estratégias de integração das pessoas no ambiente de trabalho, ele(a) também atua na identificação de competên- cias dos profissionais que podem ser aprimoradas ou reconhecidas. Suas ações contribuem para o desenvolvimento dos colaboradores no aspecto in- dividual e coletivo. A Pedagogia e a ética corporativa se encontram conforme a empresa utiliza métodos e ferramentas pedagógicas visando propagar seus valores, normas e regras entre colaboradores. As normas éticas de uma empresa expressam sua própria identidade e é importante que colaboradores reconheçam essa identi- dade e cumpram as normas que fazem parte da organização. Compliance Você já ouviu falar no termo compliance? A palavra traduzida para o portu- guês significa conformidade e está relacionada a questões de uniformidade de informações e integridade das organizações. Em suma, refere-se às me- didas que visam o cumprimento de normas para que a empresa se atente a qualquer situação ou fato que ocasione atos de corrupção. Tais medidas de- vem sinalizar irregularidades nos mais diferentes aspectos, além de impedir que estas ocorram. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 27 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 27 26/04/2021 12:05:10 Compliance é considerado também uma boa estratégia para boa condução dos negócios não só para seus clientes, mas para todos, se referindo também à imagem da empresa com relação a sua integridade. A questão é: qual a relação entre este conceito e a éticacorporativa? A res- posta está no valor que a sociedade dá para as empresas que valorizam sua integridade e legitimamente priorizam o tipo de imagem que desejam trans- mitir aos seus clientes e ao público em geral. Culturalmente, as empresas que cumprem e atestam que estão em dia com suas responsabilidades nos diferen- tes âmbitos possuem um apreço socialmente, logo, possuem boas chances de ascensão entre tantas outras empresas. Diante dos colaboradores e funcionários também é de extrema importância propagar e promover essa cultura de integridade e valor. Por meio de estratégias pedagógicas, as empresas inserem os funcionários em um processo de aprendi- zagem sobre a própria organização e em como as suas ações podem contribuir ainda mais na sua função para o crescimento e expansão da empresa. Um funcionário precisa se enxergar como parte de um todo, que é a organiza- ção a qual faz parte e, além disso, ter em sua conduta expressões que legitimam a identidade dessa empresa. A ética corporativa e a Pedagogia atuam em conjunto promovendo aos funcionários a cultura da empresa e sua identidade, além de bus- car conhecê-los, aperfeiçoá-los, motivá-los e prepará-los para o futuro da empresa. A ética nas relações de trabalho A ética nas empresas rege o conjunto de normas e regras que visam o bom funcionamento das organizações e as boas relações nos espaços corporativos. Nesse sentido, conforme pontuado por Painter-Morland, em Business ethics as practice, publicado em 2009, podemos considerar que: A ética nas corporações diz respeito à capacidade de obtenção de respostas para as muitas pressões e expectativas que afetam coti- dianamente as vidas dos indivíduos no decurso de suas participa- ções em organizações e redes comerciais. Fornece equilíbrios em que o caráter, os valores e os relacionamentos se apresentam de maneiras signifi cativas, de modo que as pessoas sejam responsáveis entre si, autênticas e ajam com autonomia (p. 3-4, tradução livre). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 28 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 28 26/04/2021 12:05:10 Além de compreender que aspec- tos relacionados às atividades laborais influenciam nos indivíduos que com- põem o quadro de funcionários de uma organização, é importante com- preender que as relações humanas também influenciam no trabalho e na cultura das empresas. Relembrando o conceito de “certo” e “errado”, nos es- paços corporativos também é neces- sário estar atento às regras que inter- ferem nas relações existentes. Quando pensamos nas relações de trabalho sob a ótica da hierarquia, muitas questões podem surgir. Vamos a duas delas: • O relacionamento com pessoas de um nível hierárquico maior pode ser o mesmo que temos com pessoas do mesmo nível? • O que dizer e o que não dizer a uma pessoa na condição de chefia? Será que é válido puxar assunto sobre a sua vida pessoal sem qualquer vínculo além do ambiente de trabalho? O(a) profissional precisa estar atento quanto às regras sociais nos es- paços corporativos. Existem construções morais que ditam o que dizer e o que não dizer no ambiente de trabalho, o que vestir, como se comportar, dentre outros. Os princípios morais de cada sujeito estão relacionados a pa- drões de valores estabelecidos. Contudo, dentro de uma organização, que é formada por pessoas diferentes, os valores individuais que um determi- nado colaborador ou qualquer outro funcionário em um determinado nível hierárquico possui nem sempre será compatível com os valores dos demais reconhecidos dentro dos princípios éticos. E a partir das diferentes conside- rações, surgem os conflitos. Um dos objetivos do(a) pedagogo(a) nas organizações, desse modo, é pro- mover intervenções por meio de estratégias pedagógicas que desenvolvam reflexões sobre a postura e o cumprimento das normas e regras para uma boa conduta no ambiente de trabalho. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 29 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 29 26/04/2021 12:05:12 É necessário compreender a importância de desenvolver posturas que promovam e possibilitem uma condição de trabalho agradável, independen- temente das diferenças ou difi culdades no espaço corporativo. Atitudes como saber ouvir, saber trabalhar em equipe e relacio- nar-se com os demais a partir do respeito são valores impor- tantes para o desenvolvimento de boas relações de trabalho pautados na ética corporativa. A Pedagogia organizacional e as práticas pedagógicas dentro das empresas A atuação do(a) pedagogo(a) nas organizações está estritamente relacio- nada com o desenvolvimento e identifi cação de competências, além de treina- mentos e intervenções estratégicas com o objetivo de promover possibilidades de aprendizagem no cenário corporativo. Podemos, ainda, considerar que o(a) pedagogo(a) poderá atuar na área de recursos humanos, identifi cando competências e habilidades para alocações em setores específi cos. É válido ressaltar que o(a) pedagogo(a) possui como principal produto de seu trabalho a aprendizagem e seus processos. Sabemos que há diferentes campos de atuação nos mais diferentes espaços, contudo, o foco de sua formação é a aprendizagem dos indivíduos. Outra esfera de atuação para o(a) pedagogo(a) nos espaços corporativos pode ser vista no momento em que uma empresa está passando por mudan- ças ou alterações organizacionais e os colaboradores precisam se adequar a novas realidades, aprender novas funções ou reco- nhecer novas hierarquias estabelecidas. Quando uma empre- sa sofre alterações na sua identidade corporativa, também é necessário que se apresente as mudanças ocorridas e suas respectivas adaptações. Desse modo, para que os funcionários aprendam sobre o novo mo- mento no ambiente de trabalho, um(a) pedago- go(a) torna-se essencial no desenvolvimento de novos processos e inserção dos profi ssionais nesse novo contexto. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 30 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 30 26/04/2021 12:05:12 DIAGRAMA 3. PAPEL DO(A) PEDAGOGO(A) ORGANIZACIONAL As mudanças nos cenários corporativos são cada vez mais comuns. Como exemplo, podemos citar uma situação na qual uma empresa, que antes fun- cionava presencialmente, passa, devido a um tipo de crise, a desenvolver uma nova forma de trabalho: o trabalho remoto. EXPLICANDO O trabalho remoto caracteriza-se por uma forma de trabalho em que os funcionários desenvolvem suas atividades à distância, ou seja, fora do espaço da organização a qual é funcionário ou presta serviços. Qualquer mudança no cenário corporativo, seja nas funções a serem de- sempenhadas ou na estrutura, precisam ser acompanhadas por um profissio- nal que atue conduzindo os colaboradores e funcionários às novas aprendiza- gens necessárias para o desenvolvimento de suas atribuições. Pedagogia organizacional Educação corporativa Desenvolvimento de lideranças Gestão de talentos Planejamento de carreira Recursos humanos PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 31 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 31 26/04/2021 12:05:12 Uma empresa que sofre mudanças organizacionais infl uencia diretamente seus funcionários. Dessa forma, condutas podem ser alteradas a partir de tais mudanças. Reuniões que aconteciam presencialmente, por exemplo, podem começar a acontecer virtualmente e com o auxílio de novas ferramentas, que passam a se tornar essenciais para o desenvolvimento do trabalho. Nesse sentido, uma empresa que está atenta à necessidade de instruir e preparar seus funcionários e colaboradores pode contar com a ajuda de um(a) pedagogo(a) para organizar os novos processos da melhor forma pos- sível, visando a permanência da empresa e a aprendizagem de todos. In- formações como qual ferramenta utilizar, ou como continuar a desenvolver suas atribuições precisam chegar a todos. Desse modo, um(a) pedagogo(a) organizacional pode planejar e organizar os processos que devem ser de- senvolvidospara este momento. Ações pedagógicas e integração na empresa Uma das atribuições do(a) pedagogo(a) nas organizações é promover ações que desenvolvam a integração dos colaboradores e funcionários. Por mais que o discurso sobre a importância em trabalhar em equipe seja bem conhecido e valorizado, é necessário que as empresas promovam ações es- pecífi cas para desenvolver a integração de funcionários e setores que com- põem a organização. As ações pedagógicas que visam promover os valores voltados à impor- tância do trabalho em equipe e a integração da empresa precisam partir do conceito de valor do funcionário em sua individualidade na organização. Inde- pendentemente de sua função e seu nível hierárquico, o colaborador precisa se enxergar como pertencente à organização. O espaço corporativo como um espaço de relações sociais pautadas na realização de tarefas e atribuições também é um campo para o desenvolvi- mento de uma boa conduta a partir de valores éticos que devem ser apre- sentados a todos que compõem a organização. Sobre a relação da educação e das intervenções para a integração dos colaboradores nas empresas, vale considerar que de acordo com Libâneo, em Pedagogia e pedagogos, para quê?, publicado em 2005: PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 32 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 32 26/04/2021 12:05:12 A educação, enquanto atividade intencionalizada, é uma prática que atua como influência do meio social sobre o desenvolvimen- to dos indivíduos na sua relação ativa com o meio natural e so- cial, tendo em vista, principalmente, potencializar essa ativida- de humana para torná-la mais rica, mais produtiva, mais eficaz, diante das tarefas da práxis social postas num dado sistema de relações social (p. 82). O(a) pedagogo(a) organizacional poderá elaborar estratégias pedagógicas que promovam a integração dos funcionários a partir de ações ao longo do ano, por meio de campanhas específicas ou intervenções que destacam valo- res como o respeito, igualdade e importância do trabalho em equipe. Outras ações e intervenções como testes de aptidão, reconhecimento de capacidades e habilidades também fazem parte das atividades diárias de um(a) pedagogo(a) organizacional, que sempre está em busca de novas formas de aprimorar o aprendizado dos funcionários e observá-los. A forma como se dará cada ação pode variar, indo do compartilhamento de textos sobre o assunto, dinâmicas à promoção de situações nas quais todos se- jam estimulados a executarem de boas ações entre si. As intervenções podem ser inúmeras, desde que promovam o valor da integração e do comprometi- mento pela boa conduta na empresa. É importante que o(a) profissional encarregado de desenvolver tais práticas tenha o objetivo da integração e aplique métodos ou ferramentas cabíveis à rea- lidade da empresa. Para que isso aconteça, é necessário elaborar planos estra- tégicos pautados em planejamentos com dados que contribuirão para as ações. De acordo com Silva e Soares, no artigo “A função do pedagogo nas empresas” [s.d.]: O pedagogo que atua nos cenários corporativos precisa ter a sen- sibilidade suficiente para perceber quais estratégias podem ser usadas e em que circunstâncias para que não se desperdice tem- po demais aplicando vários métodos e, perca de vista os propó- sitos tanto da formação, quanto da própria empresa. Ao planejar um programa de formação, treinamento ou seleção de métodos, estes devem obedecer ao princípio do desenvolvimento concomi- tante de competências técnicas e de relacionamento social (p. 7). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 33 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 33 26/04/2021 12:05:12 Diante da necessidade de elaborar ferramentas para uma formação de colaboradores, é necessário conhecer a identidade da organização e a fi na- lidade da ação ou intervenção. Informações devem ser coletadas e estraté- gias organizadas para que sejam aplicadas e tragam resultados. O planeja- mento também é fundamental para as ações e devem nortear os processos. Quando um(a) pedagogo(a) conhece a organização em que atua e desenvol- ve estratégias que adequam a realidade da instituição e dos colaboradores, os resultados são satisfatórios. Além das informações necessárias para a aplicação de ações ou interven- ções, é importante ter conhecimento sobre o perfi l dos colaboradores. Uma empresa que conhece seus funcionários pode elaborar ações e intervenções com objetivos mais claros e cabíveis à realidade da organização. Treinamento e desenvolvimento É importante lembrar que o(a) pedagogo(a) é um profi ssional que tem em sua formação, dentre alguns objetivos, respaldos teóricos para atuar nos pro- cessos de aprendizagem, com métodos e técnicas voltados para os processos educacionais. Algumas organizações possuem uma cultura corporativa baseada no in- vestimento dos colaboradores para o crescimento da própria empresa. Uma organização que compreende o valor desse tipo de investimento é capaz de construir uma equipe com qualidade e com uma identidade corporativa que se destaca entre as demais. É importante lembrar de que também é papel do(a) pedagogo(a) lidar com mudanças no cenário corporativo, além de colaborar na adaptação de novos funcionários na empresa, sendo que, para tais ações, estratégias e ferramen- tas educacionais poderão ser utilizadas. O(a) pedagogo(a) como especialista em assuntos relacionados à educação está preparado(a) para atuar nas organizações por se tratar de um espaço educativo no qual se busca o desenvolvimen- to das competências exigidas pelos respectivos cargos e a aprendizagem contínua que é pertinente a todos, inde- pendentemente dos níveis hierárquicos. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 34 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 34 26/04/2021 12:05:12 Catharino, em Treinamento do capi- tal humano das empresas e o seu reflexo no processo de mudanças tecnológicas, econômicas e sociais. Uma avaliação do papel de educador do profissional de treinamento no âmbito das empresas nos últimos cinco anos, publicado em 2002, aponta que o capital humano, ou seja, as pessoas que trabalham em uma determinada empresa, deve ter à sua disposição ferramentas de capacitação fornecidas pela empresa para a sua evolução e progresso corporativo. A partir dessa colocação, podemos considerar que é dever da organização estar atenta às tendências que o mercado demonstra. Dessa forma, quanto mais o(a) profissional tiver acesso ao conhecimento, maior será o domínio das ferramentas que a empresa disponibilizará. Ao(à) pedagogo(a) cabe o papel de estudar as tendências do mercado, se preparar, pesquisar, conhecer bem a realidade da empresa e investir em sua formação. Uma de suas atribuições também é interagir com os recursos hu- manos e estar atento(a) às necessidades de treinamento e desenvolvimento de colaboradores. Quanto mais estiver por dentro da realidade corporativa da empresa e na realidade do mercado, mais preparado(a) está para desenvolver treinamentos e colaborar com a empresa e com os objetivos da organização. A prática pedagógica voltada para o mercado está em constante mudança e atualização, já que esta é uma área que sempre passa por evoluções seguindo as necessidades do mundo corporativo e do mercado. Pedagogia tecnicista Durante alguns anos, a Pedagogia tecnicista era considerada uma das úni- cas práticas no ambiente corporativo em relação ao treinamento e desenvolvi- mento dos colaboradores. O objetivo desta metodologia consistia em treinar e capacitar os funcionários unicamente na função que desempenhavam. Diante desta prática, os colaboradores da empresa se tornavam meros executores de funções e respectivas atividades, sem muitas vezes nem compreender o pro- cesso completo de produção de trabalho. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 35 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 35 26/04/2021 12:05:13 Sobre o tecnicismo,Kuenzer e Machado, em “A pedagogia tecnicista”, publi- cado em 1982, afi rmam que: Esta teoria surge tendo como preocupação central o controle do processo produtivo, necessidade gerada pelo desenvolvimento capitalista que, introduzindo novas relações de produção a par- tir da compra e venda de força de trabalho, transfere o controle realizado internamente pelo produtor, a uma instância superior a ele: a da gerência (p. 31). Em uma perspectiva educacional, a Pedagogia tecnicista pode apresentar características que indicam o quanto suas práticas podem parecer autoritárias e unicamente restritas a conduzir os(as) alunos(as) a repetirem os conteúdos transmitidos sem valorizar a contextualização em que estão inseridos. Diante da realidade corporativa, muitas organizações optam por práticas tecnicistas para o aperfeiçoamento das atribuições de colaboradores. A forma como as empresas lidam com os treinamentos dos funcionários diz muito so- bre a sua cultura organizacional. CURIOSIDADE Você sabe qual a origem da Pedagogia tecnicista no Brasil e suas características mais específi cas? Muitas tendências pedagógicas são utilizadas nos mais diferentes espaços, inclusive nas empresas e conhecê-las é fundamental para a sua formação. Leia o artigo “Pedagogia tecnicista: um breve panorama” e conheça um pouco mais sobre esse assunto. O(a) pedagogo(a) organizacional e a resolução de problemas Além de ações e intervenções relacionadas a treinamentos e ca- pacitações voltadas para os funcionários e colaboradores nas or- ganizações, o(a) pedagogo(a) também atua na resolução de problemas. Trata-se de um perfi l profi ssional inse- rido no contexto corporativo que também se res- ponsabiliza em preparar a empresa para lidar com diferentes situações no cotidiano e em diferentes cenários organizacionais. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 36 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 36 26/04/2021 12:05:13 É importante planejar e desenvolver estratégias para que as possíveis situações no ambiente de trabalho sejam encaradas da melhor forma pos- sível, e o(a) profissional de Pedagogia tem a responsabilidade de proporcio- nar ferramentas e metodologias para conduzir a empresa em momentos rotineiros ou atípicos. Para isso, é necessário compreender e analisar desde questões pontuais até individuais da empresa, obtendo um mapeamento de ações a partir de tais análises. DIAGRAMA 4. TREINAMENTO E AVALIAÇÃO Entrada Processo Retroação Saída Treinados Recursos organizacionais Programa de treinamento Processo de aprendizagem individual Avaliação dos resultados Conhecimento Atitudes Habilidades Eficácia organizacional Fonte: CHIAVENATO, 2004, p. 499 apud OLIVEIRA JUNIOR; GUILHERME, 2014, p. 36. (Adaptado). Uma organização pode passar por diferentes situações, desde pequenas mudanças administrativas até questões mais complexas, como uma grande mudança de gestão e reestruturação da empresa. O(a) pedagogo(a), nesse con- texto, pode atuar conduzindo os processos da melhor forma possível. No âmbito da avaliação para detectar ou resolver problemas na empresa, é preciso atenção às ferramentas utilizadas. Quando ocorre, por exemplo, a aplicação de testes ou provas, para a identificar se os funcionários assimilaram determinado conteúdo para o melhor desenvolvimento de suas funções, ou ainda uma nova atribuição, é necessário que tal ação seja inserida dentro de um processo, e não de forma avulsa. Uma prova aplicada por si só pode não ter a funcionalidade desejada. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 37 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 37 26/04/2021 12:05:13 Para Ribeiro, em Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa, publicado em 2010, o processo de avaliação dentro da organização acontece de diversas formas. Uma das formas diz respeito à reação, ou seja, em como o colaborador reage ao término do treinamento e como ele avalia o treinamento recebido. Vale considerar que um teste ou uma prova pode ser aplicada a partir de um treinamento ou capacitação. Além disso, os testes sobre os conteúdos transmitidos podem ser aplicados de diferentes maneiras e, nesse sentido, o(a) profissional de Pedagogia precisa conhecer as múltiplas maneiras de avaliação e como os resultados devem ser obtidos. Ao avaliar os funcionários individualmente por meio de entrevistas, pales- tras ou observações comportamentais, é importante apontar os pontos de melhorias necessários para cada pessoa. Dessa forma, essas pessoas podem traçar planos e estratégias para melhorar esses pontos fracos. Em suma, cada organização possui uma realidade e diferen- tes contextos em relação aos seus funcionários e colaborado- res. O(a) pedagogo(a) organizacional precisa estar atento a tais informações e utilizar as melhores ferramentas e práti- cas pedagógicas visando o êxito e o sucesso da empresa. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 38 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 38 26/04/2021 12:05:13 Sintetizando Nessa unidade, vimos que a atuação do(a) pedagogo(a) ultrapassou a sala de aula. A partir de uma formação que tem como base os processos educacio- nais e a aprendizagem, novos espaços passaram a receber este perfil profissio- nal. Compreendemos os fundamentos da Pedagogia organizacional para visua- lizar sua atuação em espaços como empresas, ONGs e hospitais. Olhar para esses espaços a partir de uma ótica priorizando as possibilidades educacionais é perceber o valor do(a) profissional de Pedagogia. No âmbito social, vimos que o(a) pedagogo(a) pode atuar como educador(a) social e utilizar ferramentas pedagógicas para intervenções cabíveis no proces- so de ressocialização dos indivíduos. Vale lembrar que a atuação do(a) assisten- te social e do(a) pedagogo(a) social se encontram, mas desempenham papéis distintos, mesmo agindo em conjunto. Em seguida, vimos que a atuação do(a) formado em Pedagogia também é demandada por hospitais. Nesse espaço, o(a) pedagogo(a) atua nos processos educacionais com pacientes que, por motivos de saúde, tiveram sua ida a es- cola interrompida, possibilitando a continuidade dos estudos dessas pessoas. Por fim, aprendemos que o papel do(a) pedagogo(a) nas organizações está relacionado a atribuições voltadas para treinamentos, capacitações, desenvol- vimento, resolução de problemas e aspectos relacionados à ética e cultura das organizações. As práticas pedagógicas nas organizações devem ser propostas a partir da identidade da organização e estrategicamente estarem alinhadas com os processos desenvolvidos. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 39 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 39 26/04/2021 12:05:13 Referências bibliográficas BRASIL. Ministério da Educação. Classe hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orientações. Brasília, DF: Ministério da Educação e Cul- tura/Secretaria de Educação Especial, 2002. Disponível em: <http://portal.mec. gov.br/seesp/arquivos/pdf/livro9.pdf>. Acesso em: 05 fev. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Política Nacional de Educação Especial. Brasí- lia, DF: Ministério da Educação e Cultura/Secretaria de Educação Especial, 1994. CALIMAN, G. Pedagogia social: contribuições para a evolução de um conceito. In: SILVA, R. et al. (Org.). Pedagogia social: contribuições para uma teoria geral da educação social. 1. ed. São Paulo: Expressão e Arte, 2011. p. 236-259. CATHARINO, S. N. Treinamento do capital humano das empresas e o seu re- flexo no processo de mudanças tecnológicas, econômicas e sociais. Uma avaliação do papel de educador do profissional de treinamento no âmbito das empresas nos últimos cinco anos. Dissertação (Mestrado) – Fundação Getúlio Vargas, São Paulo, 2002. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/ handle/10438/4089> Acesso em: 04 jan. 2021. CECCIM, R. B. Classe hospitalar: encontros da educação e da saúde no ambiente hospitalar. Pátio, [s.l.], n. 10, ano 3,1999. Disponível em: <http://www.cerelepe. faced.ufba.br/arquivos/fotos/84/classehospitalarceccimpatio.pdf>. Acesso em: 05 fev. 2021. CNE – CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO; CEB – CÂMARA DE EDUCAÇÃO BÁ- SICA. Resolução n. 2, de 11 de fevereiro de 2001. Sala de Sessões, Brasília, DF, Câ- mara de Educação Básica, 03 jul. 2001. Disponível em: <http://www.mpsp.mp.br/ portal/page/portal/Educacao/educacao_especial_inclusiva/legislac_educ_es- pec_inclusiva/Resol%2002-01_CNE-CEB_%20Diretrizes%20EducEspEd%20Basi- ca_p%C3%A1gina.pdf>. Acesso em: 05 fev. 2021. CNE – CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO. Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de graduação em Pedagogia. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 maio 2006. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/ pcp05_05.pdf>. Acesso em: 05 fev. 2021. CONANDA – CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLES- CENTE. Resolução n. 41, de 13 de outubro de 1995. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 out. 1995. Disponível em: <https://www.mpdft.mp.br/portal/pdf/ PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 40 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 40 26/04/2021 12:05:13 unidades/promotorias/pdij/Legislacao%20e%20Jurisprudencia/Res_41_95_Co- nanda.pdf>. Acesso em: 05 fev. 2021. CORTELLA, M. S. Qual é a tua obra? Inquietações, propositivas sobre gestão, liderança e ética. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2009. FERREIRA, V. L. Curso de Pedagogia no Brasil: história e formação com pedagogos primordiais. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 42, n. 145, 2012. Disponível em: < h t t p s : / / w w w . s c i e l o . b r / s c i e l o . p h p ? s c r i p t = s c i _ a r t t e x t & p i - d=S0100-15742012000100019>. Acesso em: 05 fev. 2021. GARCIA, M. A. Pedagogia empresarial. Rio de Janeiro: Braspot, 2006. HOLTZ, M. L. M. Lições de Pedagogia empresarial. Sorocaba: MH Assessoria Empresarial Ltda., 2006. Disponível em <http://www.mh.etc.br/documentos/ _de_pedagogia_empresarial.pdf>. Acesso em: 04 jan. 2021. KUENZER, A. Z.; MACHADO, L. R. S. A Pedagogia tecnicista. In: MELLO, G. N. (org). Escola, tecnicismo e educação compensatória. São Paulo: Loyola, 1982. LIBÂNEO, J. C. Pedagogia e pedagogos, para quê? 12. ed. São Paulo: Cortez, 2018. MARQUES, A. A. A Pedagogia tecnicista: um breve panorama. Itinerarius, Jataí, v. 1, n. 12, 2012. Disponível em: <https://www.revistas.ufg.br/rir/article/down- load/20378/19218/>. Acesso em: 05 fev. 2021. MELLO, G. N. Escola nova, tecnicismo e educação compensatória. São Paulo: Loyola, 1982. MORIN, E. Os sete saberes necessários à educação do futuro. 2. ed. São Paulo: Unesco/Editora Cortez, 2014. MUNHOZ, A. S. Educação corporativa: desafio para o século XXI. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2015. OLIVEIRA JUNIOR, A. P. A; GUILHERME, C. C. F. Pedagogo empresarial: dicotomias entre a teoria e a prática. Revista Científica da FHO/UNIARARAS, Araras, v. 2, n. 2, 2014. Disponível em: <http://www.uniararas.br/revistacientifica/_documen- tos/art.5-022-2014.pdf>. Acesso em: 05 fev. 2021. PAINTER-MORLAND, M. Business ethics as practice. Cambridge: Cambridge University Press, 2009. PERRENOUD, P. A Pedagogia na escola das diferenças. 2. ed. Porto Alegre: Art- med, 2001. RIBEIRO, A. E. A. Pedagogia empresarial: atuação do pedagogo na empresa. 6. ed. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2010. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 41 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 41 26/04/2021 12:05:13 SILVA, P. S.; SOARES, H. C. C. A função do pedagogo nas empresas. Minas Ge- rais: Faculdade Atenas, [s.d.]. Disponível em: <http://www.atenas.edu.br/uniate- nas/assets/files/magazines/2___A_FUNCAO_DO_PEDAGOGO_NAS_EMPRESAS. pdf>. Acesso em: 05 mar. 2021. SOUZA, C. R. T.; MÜLLER, V. R. Educador social: conceitos fundamentais para sua formação. In: Congresso Nacional de Educação – EDUCERE, 9.; Encontro Sul Brasileiro em Psicopedagogia, 3., 2009. Anais... Curitiba: Pontifícia Univer- sidade Católica, 2009. Disponível em: <https://educere.bruc.com.br/arquivo/ pdf2009/2658_1385.pdf>. Acesso em: 05 fev. 2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 42 SER_PEDA_PEOSH_UNID1.indd 42 26/04/2021 12:05:13 A PEDAGOGIA SOCIAL E SEUS ASPECTOS: A ATUAÇÃO DO PEDAGOGO NOS ESPAÇOS SOCIOEDUCATIVOS 2 UNIDADE SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 43 22/04/2021 16:22:06 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Conceituar a Pedagogia Social e elencar seus principais aspectos; Apresentar abordagens sobre multiculturalismo, diversidade cultural, cidadania e a relação delas com a Pedagogia Social; Abordar a Pedagogia Social a partir da perspectiva dos movimentos sociais na Educação. O pedagogo e o contexto sociocultural: multiculturalismo, diversidade cultural e cidadania A Pedagogia Social e os seus diferentes contextos Multiculturalismo e diversidade cultural Multiculturalismo e diversidade cultural na escola A Pedagogia Social na perspectiva do multiculturalismo e da diversidade cultural A cidadania e a Pedagogia Social Pedagogia Social e movimentos sociais na educação O pedagogo social, suas ações e intervenções nos movimentos sociais Pedagogia Social e o movimento negro Os grupos indígenas, os movimentos populares e a educação prisional Novas tecnologias e Pedagogia Social PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 44 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 44 22/04/2021 16:22:06 O pedagogo e o contexto sociocultural: multiculturalismo, diversidade cultural e cidadania Quando se observa a Pedagogia Social sob uma ótica que busca seus princi- pais aspectos, ela é considerada uma área de estudo que apresenta sua base no campo das Ciências da Educação e tem como espaço de atuação e área de conhe- cimento a Educação Social, se constituindo como uma teoria geral da educação social e sendo um eixo norteador teórico para as ações voltadas para a Educação Popular, a Educação Sociocomunitária e a própria Educação Social. Uma das principais características na Educação Social na sociedade está volta- da à melhoria das relações humanas e sociais nos mais diferentes espaços, alcan- çando crianças, adolescentes, adultos e idosos. O foco da Pedagogia Social está em intervenções educativas intencionais e não formais, diferente da educação formal que se desenvolve na escola. Segundo Caliman, na página 352 do artigo “Pedagogia Social: seu potencial crítico e transformador”, publicado em 2010 na Revista de Ciências da Educação – UNISAL, é possível defi nir Pedagogia Social como: [...] uma ciência, normativa, descritiva, que orienta a prática so- ciopedagógica voltada para indivíduos ou grupos, que precisam de apoio e ajuda em suas necessidades, ajudando-os a administrarem seus riscos através da produção de tecnologias e metodologias so- cioeducativas e do suporte de estruturas institucionais. Ainda na perspectiva do autor, no Brasil há várias visões acerca da Pedagogia Social e, de um modo geral, ela é tida como uma pedagogia crítica que promove uma educação emancipadora dos sujeitos. Além disso, por meio da Pedagogia So- cial, é possível refl etir de forma crítica, a partir de uma ótica focada na educação, sobre questões relacionadas ao âmbito social, como desigualdades sociais, con- dições de vulnerabilidade, exclusão social, entre outras. A pergunta norteadora da Pedagogia Social, diante de tais questões para a so- ciedade, se resume a como a educação pode contribuir de maneira signifi cativa na vida dos indivíduos que se encontram à margem de uma “normalidade” esta- belecida pela sociedade. Tal questionamento visa problematizar não só questões relacionadas à vida dos sujeitos que se encontram nos seus nichos sociais, mas provocar refl exões acerca do que a sociedade de um modo geral pode fazer ou deve fazer. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 45 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 45 22/04/2021 16:22:06 Durante muitos anos, a Pedagogia Social esteve atrelada ao assistencialismo e, devido a essa realidade, algumaspessoas podem não conhecer do que se trata esse campo de estudo e seus aspectos. Na atualidade, a Pedagogia Social está relacionada com o desenvolvimento do caráter social dos indivíduos e a formação política dos mesmos. Aspectos históricos da Pedagogia Social no Brasil No cenário mundial, o surgimento da Pedagogia Social se deu a partir da necessi- dade de promover ações organizadas com o objetivo de alcançar pessoas por meio da educação em posições consideradas à margem da sociedade. Quando é citada a expressão “à margem da sociedade”, logo vem à mente situações de pobreza ou miséria, contudo, na perspectiva da Pedagogia Social, o objetivo é alcançar pessoas de diferentes realidades em posições de vulnerabilidade, não importando o nível. Antes de abordar os dados históricos da Pedagogia Social no Brasil, é preci- so remeter ao princípio constitucional firmado pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB), aprovada em 1996, cujo artigo 1º diz: Art. 1º A educação abrange os processos formativos que se de- senvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais. Nessa perspectiva, é possível encontrar a Pedagogia Social e o papel da Educação sendo exercido não só na escola, mas em outros diferentes espaços. DICA A Lei de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional é o respaldo legislativo brasileiro para questões relacionadas à educação. Nela, há artigos que definem e regularizam a edu- cação em território nacional. Como profissional de Educação, é importante conhecer a LDB. Como pontuado por Machado, na página 94 da dissertação A constituição da Pe- dagogia Social na realidade educacional brasileira, defendida em 2010, a expressão Pedagogia Social surgiu no Brasil pela primeira vez no início do século XX, relaciona- da à Educação Popular e num momento histórico em que tanto a Pedagogia Social quanto a Educação Popular estavam associadas à maioria da população brasileira que não tinha acesso à escola ou não sabiam ler ou escrever. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 46 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 46 22/04/2021 16:22:07 Na época, a população se via numa situação como quem estivesse “parado no tempo”: era necessário iniciar um período de desenvolvimento do País nos mais di- ferentes aspectos, a começar pela escolarização da população brasileira. A educa- ção, já nesse momento, era vista como um instrumento de participação política, a partir do conhecimento e reflexão proporcionados por meio dela. Diante de tal ne- cessidade, nasceu um movimento pela educação dos brasileiros e por investimentos em educadores. Historicamente, nesse momento, nascia a constituição do sistema educacional brasileiro. Sobre esse cenário histórico da educação, Demerval Saviani, na página 317 do livro História das ideias pedagógicas no Brasil, de 2008, afirma que: Na Primeira República, a expressão “educação popular”, em conso- nância com o processo de implantação dos sistemas nacionais de ensino ocorrido ao longo do século XIX, encontrava-se associada à ins- trução elementar que se buscava generalizar para toda a população de cada País, mediante a implantação de escolas primárias. Coincidia, portanto, com o conceito de instrução pública. Esse era o caminho para erradicar o analfabetismo. Foi com esse entendimento que se desencadeou a mobilização pela implantação e expansão das escolas primárias, assim como as campanhas de alfabetização de adultos. Segundo Brandão, na página 143 de A educação popular na escola cidadã, pu- blicado em 2002, nesse contexto histórico nasceram os centros de educação po- pular ou práticas de educação alternativas para os trabalhadores brasileiros em bairros operários de São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Os projetos de educação eram realizados por meio de escolas de trabalhadores para operá- rios adultos e seus filhos. Ali era o embrião da Pedagogia Social no Brasil, antes mesmo até do momento em que Paulo Freire surgiu, norteando profissionais no território brasileiro e fora dele. Nesse sentido, a escolarização passou a ser encarada como uma das responsa- bilidades do Estado. A Associação Brasileira de Educação (ABE), criada em 1924, tor- nou-se espaço para o desenvolvimento de ideias e ideais políticas com o objetivo de organizar lutas pela legitimação de novos rumos para o cenário educacional no País. Outro aspecto cabível no surgimento da Pedagogia Social no Brasil é a influência que contribuiu para a formação da corrente da Escola Nova, cujo fundamento era a teo- ria de John Dewey, defendido e utilizado por Anísio Teixeira. A defesa da democracia e da ciência foram as principais características que inspiraram esse movimento. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 47 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 47 22/04/2021 16:22:07 Segundo John Dewey, a escola não só deve fazer parte da vida de um indivíduo, mas ser um grande marco na vida dele, com a educação como um eixo norteador para a própria vivência. Na perspectiva do movimento escolanovista, a educação é a responsável em promover oportunidades iguais a partir, também, de seu papel democratizante. Em suma, o movimento Escola Nova promoveu a educação como a principal ferramenta para um País democrático proporcionar aos sujeitos uma vida digna e em prol do cidadão, dos seus direitos e deveres pois, num País marca- do por desigualdades, como o Brasil, não existe outro caminho a não ser pela edu- cação. A Educação Popular está ligada ao conceito de Pedagogia Social. Segundo as pesquisas de Monarcha, presentes na página 21 do livro A reinvenção da cidade e da multidão: dimensões da modernidade brasileira – a escola nova, de 1989, Fernando de Azevedo foi o primeiro a utilizar o conceito de Pedagogia Social: Com Fernando de Azevedo, aprendemos também “que os povos acomodam-se no interior das velhas estruturas, cabendo à Peda- gogia Social fazer com que se liberem das amarras da tradição”. A tradição, para os pioneiros, não era peso morto que se prolongava pelo tempo; ao contrário, era força viva e atuante que agia no pre- sente. Daí a necessidade de uma revolução cultural. É interessante perceber que, para Fernando de Azevedo, Pedagogia Social não signifi cava uma nova área de conhecimento ou estudo, mas traduzir uma Pedagogia que promovia a Educação como ferramenta transformadora da rea- lidade. Com o passar dos anos, aconteceram muitas ressignifi cações e, a partir do ano 2000, a Pedagogia Social aparece com novas propostas no seu signifi - cado e ressignifi cações. A Pedagogia Social e os seus diferentes contextos É indiscutível o valor formativo da escola. Contudo, esse espaço não é o úni- co a suprir as necessidades educativas do indivíduo. Do outro lado dos muros da escola, há fatores que contribuem na formação do indivíduo, questões que perpassam pelo âmbito educativo, mas com uma identidade social, cultural ou psicológica, também relacionadas à formação. Além do contexto escolar, exis- tem ainda as necessidades socioeducativas de indivíduos em diferentes faixas etárias e que precisam ser consideradas. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 48 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 48 22/04/2021 16:22:07 Tais necessidades podem ser de natureza cultural, associadas ao lazer, su- primento de necessidades básicas, atendimento a populações consideradas em estado de risco, inserção no mercado de trabalho, formação continuada, sustentabilidade, direitos humanos, entre outras. Cabanas, nas páginas 116 e 117 do livro Los ámbitos profesionales de la animación, de 1993, aponta para ou- tros pontos de vista que a Pedagogia Social também abrange: [...] atenção à infância com problemas (ambiente familiar desestru- turado, abandono); atenção à adolescência (orientação pessoal e profissional, tempo livre, férias; atenção à juventude (política dejuventude, associacionismo, voluntariado, atividades, emprego) atenção à família em suas necessidades existenciais (famílias desestruturadas, adoção, separações); atenção à terceira idade; atenção aos deficientes físicos, sensoriais e psíquicos; pedagogia hospitalar; prevenção e tratamento das toxicomanias e do alcoo- lismo; prevenção da delinquência juvenil. (reeducação dos disso- cializados); atenção a grupos marginalizados (imigrantes minorias étnicas, presos e ex - presidiários); promoção da condição social da mulher; educação de adultos; animação sociocultural. Uma das questões que a Pedagogia Social busca responder é como a educa- ção pode contribuir para a vida de um sujeito diante das necessidades sociais. E não basta só responder essa questão, mas, a partir dela, articular diferentes frentes para a resolução de problemas. Ao pensar em como acontecem os pro- cessos de inserção social de um indivíduo à margem da sociedade com base numa condição de qualquer natureza, a educação é uma estratégia que pro- move inserção. Essa é uma das principais propostas da Pedagogia Social, que parte da realidade dos diferentes contextos dos indivíduos e da condição vivi- da, apresentando estratégias e possibilidades de ferramentas educacionais. É importante salientar que a Pedagogia Social visa a inclusão a partir de uma ótica que, ainda que vise incluir os sujeitos, também valoriza os aspectos culturais de cada contexto. Vale lembrar que a realidade em que o indivíduo está inserido precisa ser considerada dentro da perspectiva das práticas ou intervenções educativas a serem desenvolvidas. Portanto, em seu campo de atuação, a Pedagogia Social lida com vários processos, desde a ambientação do indivíduo, a identificação e reconhecimento da cultura, entre outras etapas. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 49 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 49 22/04/2021 16:22:07 Neste cenário, é importante compreender bem a relação entre a Pedagogia Social, os diferentes contextos sociais, as práticas ou intervenções educativas e os indivíduos. Os processos de- senvolvidos devem articular essas frentes para que os resultados tenham signifi cado na vida dos sujeitos. Não é sobre “mudar a vida” das pessoas a partir de práticas educativas apenas e, sim, sobre ressignifi car os processos educativos valorizando os diferentes contextos e culturas através das etapas de aprendizagem, provocando os indivíduos e os tornando prota- gonistas dos processos educativos desenvolvidos. DIAGRAMA 1. ESQUEMA SOBRE A RELAÇÃO ENTRE OS DIFERENTES CONTEXTOS E AS PRÁTICAS OU INTERVENÇÕES Multiculturalismo e diversidade cultural Antes de abordar a relação do multiculturalismo e a diversidade cultural no âmbito da Pedagogia Social, é necessário se atentar ao signifi cado dos ter- mos, já que muitas leituras e compreensões de diferentes aspectos não abran- gem a totalidade das abordagens, porque o signifi cado dos objetos de estudo não é apresentado de modo que as abordagens tenham sentido. Contexto social Práticas/Intervenções educativas Pedagogia Social Indivíduos PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 50 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 50 22/04/2021 16:22:07 EXPLICANDO Segundo o DICIO, Dicionário Online de Português, o “multiculturalismo” é algo “em que há, em simultâneo, várias culturas num mesmo território, País, etc.; multiculturalidade”. A expressão “diversidade cultural”, por sua vez, tem sua definição como: “conjunto de características culturais que, observadas em pessoas circunscritas num mesmo espaço geográfico (País, cidade, região etc.), caracteriza costumes, hábitos sociais ou cren- ças que variam de uma pessoa para outra”. Agora que se conhecem os significados literais dos objetos de estudo, é pos- sível analisar as abordagens que fazem do multiculturalismo e da diversidade cultural, assuntos que influenciam diretamente na Pedagogia Social. Desde que passou a viver em sociedade, a diversidade cultural se tornou um fato caracte- rístico do ser humano. Segundo Gellner, na página 47 de Antropología y política: revoluciones en el bosque sagrado, de 1997, “a característica verdadeiramente essencial daquilo a que chamamos sociedade humana reside na sua assom- brosa diversidade”. Díaz-Polanco, na página 15 do livro Elogio de la diversidad: globalización, multiculturalismo y etnofagia, de 2006, afirma que “a sociedade humana é um imenso maquinário que fabrica incessantemente a diversidade cultural”. Logo, se conclui que essa diversidade cultural, que promove as múl- tiplas formas culturais, também influencia nos diferentes âmbitos relativos ao ser humano. Quando se remete à educação e à relação desta com a diversidade cul- tural e o multiculturalismo, é preciso lembrar que os métodos e processos que legitimam os processos educati- vos perpassam pelas características culturais dos sujeitos. Em se tratando da Pedagogia Social, que visa promo- ver a educação valorizando e reconhe- cendo as múltiplas culturas, além da diversidade cultural em suas diferentes características e contextos, é neces- sário compreender que, para uma educação com sentido na vida dos sujeitos, tais influências precisam ser consideradas como ponto de partida para os pro- cessos educativos em suas práticas e intervenções. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 51 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 51 22/04/2021 16:22:08 Pensar na diversidade e no multiculturalismo como uma pluralidade de costumes, crenças, ideias e tantas outras características que se remetem à determinadas identidades, difunde um discurso que promove a aceitação do que é “diferente, próprio e construído por um determinado grupo social”. To- davia, para além da abordagem de reconhecimento e valorização da diversida- de cultural, é reconhecido que questões relacionadas à diversidade cultural e seus desdobramentos também encontram percalços em muitos espaços. Tais percalços podem ser melhor defi nidos como preconceitos, impedimentos que promovem e reconhecem determinadas identidades como uma cultura ou pro- dução cultural. Multiculturalismo e diversidade cultural na escola No espaço escolar, a discussão sobre multiculturalismo e diversidade cul- tural pode passar por uma dubiedade de questões. Enquanto o discurso é de agregação, por outro lado, há uma segregação do que não faz parte do padrão aceitável pelo sistema educacional. Cada indivíduo possui características pró- prias em relação à sua condição biológica, cultural ou social e, no espaço esco- lar, muitas vezes as regras e normas já estabelecidas não permitem o devido “espaço” que a diversidade precisa. Segundo Beuachamp, Pagel e Nascimento, na página 19 do livro Indagações sobre currículo: diversidade e currículo, de 2008: Seria muito mais simples dizer que o substantivo diversidade signifi ca variedade, diferença e multiplicidade. Mas essas três qualidades não se constroem no vazio e nem se limitam a se- rem nomes abstratos. Elas se constroem no contexto social e, sendo assim, a diversidade pode ser entendida como um fenô- meno que atravessa o tempo e o espaço e se torna uma ques- tão cada vez mais séria quanto mais complexa vão se tornando as sociedades. Diante de tais considerações, a escola é um espaço que não só deve conside- rar a diversidade cultural e o multiculturalismo, mas promovê-los em seu espaço por meio do currículo escolar, por exemplo. Entretanto, a escola também é um espaço que promove o que é reconhecido como “padrão” e, por isso, torna-se o que é necessário para a formação dos sujeitos nos ambientes escolares. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 52 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 52 22/04/2021 16:22:08 Nessa conjuntura, o objeto de estudo é a Pedagogia Social e suas relações com o multiculturalismo e a diversidade cultural, porém, a escola, conside- rada um ambiente necessário para a formação do ser humano, se transforma num espaçoque deveria propagar as múltiplas culturas e se ressignifi car a par- tir delas, para que todos os sujeitos, em suas respectivas identidades e carac- terísticas culturais, fossem “abraçados” e se enxergassem como protagonistas do espaço escolar. CURIOSIDADE Há várias questões a se pensar sobre a formação docen- te e o multiculturalismo, bem como sobre a necessidade de se reconfi gurar a escola diante da diversidade cultu- ral, temas muito válidos para estudo e aprofundamento. Nesse sentido, Rodrigues e Guedes, em artigo para o site da Revista Educação Pública em 2019, se aprofundaram nas implicações do multiculturalismo na educação. A Pedagogia Social na perspectiva do multiculturalismo e da diversidade cultural A Pedagogia Social em seus diferentes campos de atuação visa promover a educação como um dos instrumentos de inserção social. Diante disso, é impor- tante considerar muitos outros fatores que fazem parte de todo esse processo. Os processos educativos levam em conta aspectos relacionados à realidade e ao con- texto do sujeito como aluno. As práticas e as intervenções pedagógicas, a fi m de alcançar o objetivo, seja ele promover aprendizagem, integração ou ainda algum relacionado ao sujeito e sua relação com o conhecimento proposto, deve valorizar e considerar o contexto em que aquele sujeito está inserido. Muito se discute sobre os diferentes contextos dos alunos, e como o pedagogo social atua nos espaços em que estão inseridos os indivíduos. Dessa forma, é um pouco mais notória a infl uência que tais espaços de vivência e convivência pro- movem na vida dessas pessoas. Por falar em espaços sociais, é preciso lembrar que espaços sociais promovem cultura e identidades específi cas a partir do que é vivido e construído ali. Todo sujeito carrega, nas suas construções culturais, uma “bagagem” de vivências, experiências que construíram costumes e algumas outras PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 53 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 53 22/04/2021 16:22:08 características. O conceito de Pedagogia Social como teoria da educação social e como respaldo teórico para as práticas educativas na Educação Popular, Socioco- munitária e Educação Social, perpassa por diferentes campos na sociedade. Segundo Silva, Silva e Lopes, no trabalho “O direito à educação sob a perspectiva da Pedagogia Social”, apresentado em 2012, a Pedagogia Social é fundamentada em princípios que norteiam a educação como um processo de formação do ser humano por inteiro e como base das relações com ele mesmo, com o outro, com a vida e com o meio. Os autores defendem que existem três domínios da Pedagogia Social, com características específi cas em suas áreas de conhecimento e objetivos defi nidos. Domínios da Pedagogia Social Áreas de conhecimento Espaços Domínio sociocultural As manifestações expressas por meio da arte, da cultura, da religião, da música, da dança, nas diversas manifestações e modalidades esportivas, além da culinária e a saúde. Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para cada ação realizada. Domínio sociopedagógico Infância, adolescência, juventude e terceira idade. O foco é promover intervenções sociopedagógicas visando o desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados ambientes propícios para ações voltadas para este domínio. Domínio sociopolítico Processos sociais e políticos, demonstrados na forma de participação, protagonismo, associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, geração de renda e gestão social. Tal ação visa desenvolver habilidades e competências para proporcionar ao indivíduo uma qualifi cação para participar da vida social, política e econômica da comunidade local, além de desenvolver por si só a capacidade de opinar sobre tais assuntos. Grêmios estudantis, conselhos de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. As manifestações expressas por meio da arte, da cultura, da As manifestações expressas por meio da arte, da cultura, da religião, da música, da dança, As manifestações expressas por meio da arte, da cultura, da religião, da música, da dança, nas diversas manifestações e modalidades esportivas, além da As manifestações expressas por meio da arte, da cultura, da religião, da música, da dança, nas diversas manifestações e modalidades esportivas, além da As manifestações expressas por meio da arte, da cultura, da religião, da música, da dança, nas diversas manifestações e modalidades esportivas, além da As manifestações expressas por meio da arte, da cultura, da religião, da música, da dança, nas diversas manifestações e modalidades esportivas, além da culinária e a saúde. As manifestações expressas por meio da arte, da cultura, da religião, da música, da dança, nas diversas manifestações e modalidades esportivas, além da culinária e a saúde. As manifestações expressas por meio da arte, da cultura, da religião, da música, da dança, nas diversas manifestações e modalidades esportivas, além da culinária e a saúde. por meio da arte, da cultura, da religião, da música, da dança, nas diversas manifestações e modalidades esportivas, além da culinária e a saúde. Infância, adolescência, juventude religião, da música, da dança, nas diversas manifestações e modalidades esportivas, além da culinária e a saúde. Todos os ambientes públicos e privados Infância, adolescência, juventude nas diversas manifestações e modalidades esportivas, além da Todos os ambientes públicos e privados Infância, adolescência, juventude modalidades esportivas, além da Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando Infância, adolescência, juventude e terceira idade. Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com Infância, adolescência, juventude e terceira idade. Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para Infância, adolescência, juventude e terceira idade. Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para Infância, adolescência, juventude e terceira idade. Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para Infância, adolescência, juventude e terceira idade. O foco é promover intervenções Processos sociais e políticos, Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para cada ação realizada. Infância, adolescência, juventude O foco é promover intervenções desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem Processos sociais e políticos, Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para cada ação realizada. Infância, adolescência, juventude O foco é promover intervençõessociopedagógicas visando o desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da Processos sociais e políticos, Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para cada ação realizada. O foco é promover intervenções sociopedagógicas visando o desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições Processos sociais e políticos, Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para cada ação realizada. O foco é promover intervenções sociopedagógicas visando o desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de Processos sociais e políticos, Todos os ambientes públicos e privados de ações socioculturais, visando a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para cada ação realizada. O foco é promover intervenções sociopedagógicas visando o desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para Processos sociais e políticos, a recuperação de suas dimensões históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para cada ação realizada. O foco é promover intervenções sociopedagógicas visando o desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs Processos sociais e políticos, históricas, culturais e políticas, com o objetivo de transmitir sentido para O foco é promover intervenções sociopedagógicas visando o desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados Processos sociais e políticos, o objetivo de transmitir sentido para O foco é promover intervenções sociopedagógicas visando o desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados O foco é promover intervenções sociopedagógicas visando o desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados ambientes propícios para ações desenvolvimento de habilidades e competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados ambientes propícios para ações voltadas para este domínio. competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados ambientes propícios para ações voltadas para este domínio. competências sociais, que possibilitem às pessoas a ruptura e superação da exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados ambientes propícios para ações voltadas para este domínio. exclusão social dadas por condições de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados ambientes propícios para ações voltadas para este domínio. de marginalidade, violência e pobreza. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados ambientes propícios para ações voltadas para este domínio. Os espaços como abrigos, unidades de internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados ambientes propícios para ações voltadas para este domínio. internação de adolescentes, asilos para idosos, instituições psiquiátricas, ONGs e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados ambientes propícios para ações voltadas para este domínio. e unidades prisionais, além da rua, da família e da empresa, são considerados ambientes propícios para ações voltadas para este domínio. família e da empresa, são considerados Processos sociais e políticos, Processos sociais e políticos, demonstrados na forma de Processos sociais e políticos, demonstrados na forma de participação, protagonismo, associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, geração de Processos sociais e políticos, demonstrados na forma de participação, protagonismo, associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, geração de Processos sociais e políticos, demonstrados na forma de participação, protagonismo, associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, geração de renda e gestão social. Tal ação visa desenvolver habilidades e Processos sociais e políticos, demonstrados na forma de participação, protagonismo, associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, geração de renda e gestão social. Tal ação visa desenvolver habilidades e competências para proporcionar ao indivíduo uma qualifi cação para Processos sociais e políticos, demonstrados na forma de participação, protagonismo, associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, geração de renda e gestão social. Tal ação visa desenvolver habilidades e competências para proporcionar ao indivíduo uma qualifi cação para participar da vida social, política e Processos sociais e políticos, demonstrados na forma de participação, protagonismo, associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, geração de renda e gestão social. Tal ação visa desenvolver habilidades e competências para proporcionar ao indivíduo uma qualifi cação para participar da vida social, política e econômica da comunidade local, Processos sociais e políticos,demonstrados na forma de participação, protagonismo, associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, geração de renda e gestão social. Tal ação visa desenvolver habilidades e competências para proporcionar ao indivíduo uma qualifi cação para participar da vida social, política e econômica da comunidade local, além de desenvolver por si só a capacidade de opinar sobre tais participação, protagonismo, associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, geração de renda e gestão social. Tal ação visa desenvolver habilidades e competências para proporcionar ao indivíduo uma qualifi cação para participar da vida social, política e econômica da comunidade local, além de desenvolver por si só a capacidade de opinar sobre tais associativismo, cooperativismo, empreendedorismo, geração de renda e gestão social. Tal ação visa desenvolver habilidades e competências para proporcionar ao indivíduo uma qualifi cação para participar da vida social, política e econômica da comunidade local, além de desenvolver por si só a capacidade de opinar sobre tais empreendedorismo, geração de renda e gestão social. Tal ação visa desenvolver habilidades e competências para proporcionar ao indivíduo uma qualifi cação para participar da vida social, política e econômica da comunidade local, além de desenvolver por si só a capacidade de opinar sobre tais visa desenvolver habilidades e competências para proporcionar ao indivíduo uma qualifi cação para participar da vida social, política e econômica da comunidade local, além de desenvolver por si só a capacidade de opinar sobre tais assuntos. competências para proporcionar ao indivíduo uma qualifi cação para participar da vida social, política e econômica da comunidade local, além de desenvolver por si só a capacidade de opinar sobre tais assuntos. ao indivíduo uma qualifi cação para participar da vida social, política e econômica da comunidade local, além de desenvolver por si só a capacidade de opinar sobre tais assuntos. Grêmios estudantis, conselhos de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, participar da vida social, política e econômica da comunidade local, além de desenvolver por si só a capacidade de opinar sobre tais Grêmios estudantis, conselhos de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos além de desenvolver por si só a capacidade de opinar sobre tais Grêmios estudantis, conselhos de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. capacidade de opinar sobre tais Grêmios estudantis, conselhos de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. Grêmios estudantis, conselhos de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. Grêmios estudantis, conselhos de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. Grêmios estudantis, conselhos de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. Grêmios estudantis, conselhos de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. Grêmios estudantis, conselhos de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. de escola, associações de pais e professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. professores, associações de moradores, movimentos sociais, organizações não- governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais. governamentais, sindicatos, os partidos políticos e as políticas públicas e sociais.políticos e as políticas públicas e sociais. QUADRO 1. DOMÍNIOS DA PEDAGOGIA SOCIAL Fonte: TORQUATO et al., 2015. (Adaptado). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 54 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 54 22/04/2021 16:22:08 Um dos domínios citados no quadro é o sociocultural. As intervenções do pedagogo social nos espaços não escolares, com os indivíduos participantes dos projetos que envolvem ações socioeducativas nos mais diferentes pro- cessos, promovem uma aprendizagem signifi cativa por meio das manifesta- ções citadas. O sujeito, enquanto participante de uma determinada cultura e diante das infl uências vividas por meio dela, é capaz de produzir por meio de manifestações culturais, como arte, música, modalidades esportivas e algumas outras, a partir de provocações educativas desenvolvidas pelo edu- cador social. O pedagogo social, frente dos diferentes contextos e culturas dos indiví- duos inseridos no seu campo de atuação, precisa estar atento às caracterís- ticas do projeto e das atividades a serem desenvolvidas. Uma boa “leitura” da cultura específi ca e individual, além da visão coletiva, norteia as ações socioeducativas articuladas ao processo educativo, dando sentido às ações pedagógicas do pedagogo. Em suma, a diversidade cultural e o multicultura- lismo infl uenciam nos processos de ensino aprendizagem nos mais diferen- tes espaços em que a Pedagogia Social é exercida. A cidadania e a Pedagogia Social O conceito de cidadania é muito discutido no âmbito educacional, não só no quesito de “direitos e deveres”, mas na condição de promover uma identida- de cidadã no sujeito de um determinado momento histórico e espaço geográ- fi co. Para simplifi car, e fazer uma abordagem mais direta acerca da Pedagogia Social e cidadania nessa perspectiva de “pertencimento”, é possível começar com uma defi nição teórica e ir até uma construção mais sólida a respeito do conceito de cidadania. Covre, autor de O que é cidadania, de 1991, se refere ao termo cidadania a partir da ótica do vocábulo relacionado à pólis, a cidade da Grécia Antiga. Nesse sentido, o termo cidadania aludia aos acontecimentos ocorridos na rotina da cidade e, dessa forma, o cidadão seria o sujeito que participava do contexto das decisões da pólis (cidade). De um modo geral, a cidadania é defi nida como a possibilidade de desfrutar de direitos civis e cumprir os deveres estabelecidos de acordo com as leis determinadas em sociedade. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 55 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 55 22/04/2021 16:22:08 Por mais repetida que essa definição pareça, os principais condutores de formação dos indivíduos nos espaços escolares e não escolares, legitimam esse discurso de “direitos e deveres” no contexto da cidadania. Porém, é difícil ensinar sobre cidadania utilizando esse discurso, já que os atores envolvidos no cenário de aprendizagem estão à margem dessa realidade de “direitos e deveres”. Para promover o reconhecimento de uma identidade cidadã, quan- do não é possível enxergar o contexto da própria vida entre os direitos e os deveres tão citados e compreendidos socialmente, a Pedagogia Social aborda esse conceitoatravés de ações e práticas estratégicas, por meio de uma edu- cação que promove inclusão e igualdade na perspectiva da cidadania. No concernente às obras de Paulo Freire e sua visão acerca da Educação e da cidadania, Freire baseava a sua visão como educador na perspectiva da educação social e política para a cidadania, uma educação que não só envol- via os processos de ensino aprendizagem e ações pedagógicas em si, mas uma militância que promoveria uma mudança de vida dos indivíduos. Paulo Freire afirmava que “é pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática”, como pontuado na página 39 do livro Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa, editado em 2007. Diante da educação como possibilidade de militância e da identida- de transformadora, na página 70 do livro A Educação na Cidade, de 1991, Freire afirma que: Não podemos alimentar a ilusão de que o fato de saber ler e escrever, por si só, vá contribuir para alterar as condições de moradia, comida e mesmo de trabalho [...] essas condições só vão ser alteradas pelas lutas coletivas dos trabalhadores por mudanças estruturais da sociedade. A Pedagogia Social, segundo a ótica freireana, propaga a educação como um instrumento de transformação. Entretanto, antes da transformação, vem a capacidade de se enxergar em seu próprio contexto e realidade. Um dos desafios da Pedagogia Social, diante da realidade de cada sujeito em seus espaços e culturas, é fazê-los enxergar a sua identidade como cidadão, ainda que excluído socialmente. O início da trajetória de passar a se ver como parte de uma sociedade, com direitos e deveres e capaz de construir ideias e refle- xões acerca disso, sempre parte da realidade do sujeito. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 56 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 56 22/04/2021 16:22:08 O pedagogo social, como agente que promove a mudança de visão e pers- pectiva sobre a inserção dos indivíduos na sociedade, deve perceber as ferra- mentas e práticas adequadas para abordar assuntos relacionados à cidada- nia. Sobre as práticas relacionadas à condição de cidadão, nos mais diferentes grupos sociais, Simson, Park e Fernandes, na página 23 do livro Educação não formal: cenários da criação, de 2007, afi rmam que: [...] as práticas da educação não formal são passíveis de serem aplicadas a todos os grupos etários, de todas as classes sociais e em contextos socioculturais diversos [...] o trabalho com essa modalidade educativa não implica e nem exige, em princípio, uma diferenciação de classe. Na prática, é possível considerar que, independentemente da situação dos indivíduos em relação à sociedade, é necessário prover educação para cida- dania, como um instrumento de inserção social nos mais diferentes espaços. Pedagogia Social e movimentos sociais na educação Os movimentos sociais representam a demonstração do reconhecimento da militância quanto aos espaços a serem ocupados e os direitos estabeleci- dos. Numa defi nição dentro da perspectiva da Pedagogia Social, Eva Lakatos, no livro Sociologia geral, editado em 1990, sentencia que: Os movimentos sociais podem ser considerados como em- preendimentos coletivos para estabelecer uma nova ordem de vida. Têm eles início numa condição de inquietação e derivam seu poder de motivação na insatisfação diante de uma forma corrente de vida, de um lado, e dos desejos e esperanças de um novo esquema ou sistema de viver, do outro. Cada movimento social possui a sua identidade, contexto his- tórico, objetivos, espaços ocupados e a ocupar. O movimento social surge fundamentado numa “inquietação”, como algo que deveria acontecer e não acontece ou ainda algo que acontece e não deveria. Os movimentos sociais são, assim, ações organizadas por grupos sociais que têm como objetivo lutar por uma cau- PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 57 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 57 22/04/2021 16:22:09 sa social como, por exemplo, o direito de votar. Hoje em dia, os movimentos sociais se organizam com base em gênero, raça e orientação sexual, militando por uma causa, um gru- po específico ou grupos em prol de espaço e reco- nhecimento na sociedade. Como exemplo de mo- vimento social, é possível citar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Figura 1. Ativistas do MST. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 10/03/2021. A articulação dos movimentos sociais e a educação, isto é, o objetivo ou o fim dessa relação se dá pelo fato de que a educação é para todos. É por meio da educação que há orientações e direções sobre a identidade social dos indiví- duos na sociedade. Uma educação social transforma, por meio da educação, os mais diferentes espaços e todos os indivíduos, não importando características físicas, culturais, ou de gênero. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 58 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 58 22/04/2021 16:22:10 O pedagogo social, suas ações e intervenções nos movimentos sociais Uma das abordagens dos movimentos sociais e da educação, embasada em Paulo Freire, aponta para a valorização da realidade daquele determinado gru- po social mediante as vivências e construções culturais daqueles indivíduos, desenvolvendo uma educação que inclui, mas também respeita a identidade e pluralidade. Uma educação transformadora não acorrenta pessoas a culturas que não sejam a sua, tendo o dever de apresentar outras culturas, sem promo- ver a obrigação de se seguir alguma cultura dominante. Na educação, é preciso estar atento quanto ao processo educacional a ser desenvolvido e apresentado aos grupos, pois o objetivo é promover e nor- matizar a luta dos movimentos sociais e fortalecê-los, por meio da educação. Portanto, o pedagogo social precisa compreender que as ações e intervenções desenvolvidas no âmbito pedagógico, precisam focar na valorização da identi- dade cultural dos grupos sociais. Muitas vezes, antes de promover a inclusão social desses grupos, o pedagogo deve investir em ações que tratem a percep- ção dos próprios indivíduos a respeito da sua visão de pertencimento a um determinado grupo social. As atividades desenvolvidas com base nas ferramentas educacionais de- vem problematizar os aspectos relacionados à própria identidade e, através de intervenções estratégicas, conduzir os indivíduos a uma valorização genuína da própria cultura e do contexto inserido. De fato, uma condição estabelecida pode e deve ser mudada para melhor, por exemplo, no âmbito fi nanceiro. Para melhor compreensão dessa questão, uma situação hipotética ilustra bem: se um sujeito está numa posição social vulnerável e buscan- do uma inserção, a educação social deve provocar no sujeito uma refl exão para que o mesmo compreenda a sua reali- dade, mas deseje mudá-la e alcance novos níveis em diferentes áreas de sua vida. No âmbito cul- tural, em se tratando do movimento negro, por exemplo, é importante que o pedagogo social aborde o valor da cultura em questão e a sua individualidade diante das demais culturas. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 59 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 59 22/04/2021 16:22:10 Não há dúvidas de que a educação nos espaços não escolares possui desafi os característicos, a começar pela valorização da própria identidade de determinado contexto, cujos sujeitos são, em sua maioria, vis- tos como à margem da sociedade. O pedagogo social, enquanto um educador que promove ações e intervenções so- cioeducativas com o objetivo de inserir indivíduos na sociedade, precisa ser conhecedor do grupo social em que atua e desenvolver estratégias pedagógicas que atendam a realidade do grupo. Pedagogia Social e o movimento negro A Pedagogia Social visa a inclusão através de práticas educativas a partir de ações e intervenções pedagógicas. Um dos grupos sociais que compõe a esfera dos movimentos sociais no Brasil e no mundo é o movimento negro. Olhandopara o movimento negro, não há como não fazer um resgate histórico dos negros na sociedade e na história da humanidade. A escravidão é uma das páginas mais tristes da história da população negra e, por conta disso, sem dúvida, a escolarização dos negros ocorreu de uma forma diferente dos outros grupos sociais, não havendo como igualar as raças a partir dos fatos ocorridos e dos resultados advindos. No que diz respeito à condição do negro no Brasil, a abolição da escravatu- ra, em 1888, deu à população negra o que se pode considerar como “uma fal- sa liberdade”. Dessa forma, os negros escravizados foram entregues à própria sorte, numa sociedade despreparada ou sem condições ideológicas de acolher cidadãos negros livres, afi nal, boa parte dessa mesma sociedade foi conivente com o processo de escravização. Sobre isso, Florestan Fernandes, na página 20 de A integração do negro na sociedade de classes: no limar de uma nova era, de 1978, relata que: A sociedade brasileira largou o negro ao seu próprio destino, deitando sobre seus ombros a responsabilidade de reeducar- -se e de transformar-se para corresponder aos novos padrões e ideais de homem, criados pelo advento do trabalho livre, do regime republicano e do capitalismo. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 60 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 60 22/04/2021 16:22:10 Toda essa trajetória histórica da população negra nos mais diferentes lugares ao longo dos anos na história mundial, trouxe questões pontuais re- ferente ao negro na sociedade em que está inserido. A partir dessa perspec- tiva, a identidade do indivíduo negro, deve ser compreendida como um fator marcado por um processo histórico, dinâmico e contextual e não num um discurso ideológico apenas, construído por cidadãos que criaram ideias e re- flexões negativas sobre os negros. Sobre essa questão, na página 37 do texto “Algumas considerações sobre a diversidade e identidade negra no Brasil”, par- te do livro Diversidade na educação: reflexões e experiências, de 2003, Kabengele Munanga afirma que: A identidade negra não surge da tomada de consciência de uma diferença de pigmentação ou de uma diferença biológica entre populações negras e brancos e/ou negras e amarelas. Ela resul- ta de um longo processo histórico que começa com o descobri- mento, no século XV, do continente africano e de seus habitan- tes pelos navegadores portugueses, descobrimento esse que abriu caminho às relações mercantilistas com a África, ao tráfico negreiro, à escravidão e enfim à colonização do continente afri- cano e seus povos. No âmbito educacional, a identidade é um fator importante para o reco- nhecimento social no meio onde está inserido. Sobre o processo educacional e o reconhecimento da própria identidade, Freire, em Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa, de 1997, destaca a importância das prá- ticas educativas de se relacionarem com o cotidiano do educando reinventado e ressignificando sua realidade, tendo a educação e a cultura função especial e destaque no processo de transformação e inserção social. Como exemplo de inserção social está a Lei n. 10.639, que instaura o ensino de História e Cultu- ra Afro-Brasileira, numa conquista do movimento negro na área da educação, bem como fixa o dia 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 61 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 61 22/04/2021 16:22:10 Todavia, para uma prática educativa que almeje o processo de libertação, é necessária que a formação docente seja reconfigurada. As mudanças sociais influenciam diretamente na profissão docente, que precisa estar atenta para enfrentar os desafios que surgem a cada novo momento de mudanças, assim, teoria e prática precisam estar alinhadas para que as ações tenham significado no espaço de ensino aprendizagem. A educação étnico-racial fortalece e legiti- ma a consciência das pessoas negras, por meio do orgulho de sua identidade. Já entre as pessoas brancas, possibilita a identificação da importância do outro em sua própria história e contexto, construindo significativas relações. Logo, tal relação “impõe aprendizagens entre brancos e negros, troca de co- nhecimentos, quebra de desconfianças e projeto conjunto para construção de uma sociedade justa, igual e equânime”, como escrito nas Diretrizes Curriculares Nacionais para educação das relações étnico-raciais e para ensino da história e da cultura afro-brasileira, publicado pelo Ministério da Educação em 2004. A edu- cação das relações étnico raciais deve alcançar a todos os educandos, nos mais diferentes espaços escolares e não escolares, independentemente de raça, cor ou etnia. Uma sociedade é composta por diferentes indivíduos de diferentes raças, cores e etnias e percebê-los como cidadãos participantes na esfera so- cial entre direitos e deveres é fundamental para uma sociedade mais inclusiva. Figura 2. Celebração do Dia da Consciência Negra em Salvador. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 10/03/2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 62 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 62 22/04/2021 16:22:11 Os grupos indígenas, os movimentos populares e a educação prisional A história do Brasil foi construída por diferentes grupos sociais ao longo dos anos, porém, os registros históricos respaldam os grupos indígenas como os pri- meiros habitantes do País quando, com a chegada dos europeus no ano de 1500, o cenário brasileiro sofreu profundas mudanças e transformações nos mais dife- rentes âmbitos. Sobre o contexto histórico anterior a 1500, no entanto, há pou- cas informações comparado ao que se tem sobre o período colonial em diante. De fato, com a devastação populacional, determinados grupos indígenas existentes naquela época jamais foram reconhecidos. Milhares de índios fo- ram executados, dizimando tribos que sequer possuem registros históricos. Na atualidade, muito se discute sobre o papel do indígena como cidadão brasileiro em seus direitos e deveres, além da sua cultura. Para promover uma inserção desse grupo social, banido de diversas formas, a educação se torna uma fer- ramenta de inclusão e, através da Pedagogia Social, é possível ressignifi car os grupos indígenas na sociedade. Sobre a educação dos grupos indígenas, de acordo com o Art. 78 da Lei n. 9.394, o Estado Brasileiro deve promover e se responsabilizar por: Art. 78 – O Sistema de Ensino da União, com a colaboração das agências federais de fomento à cultura e de assistência aos ín- dios, desenvolverá programas integrados de ensino e pesquisa, para oferta de educação escolar bilíngue e intercultural aos po- vos indígenas, com os seguintes objetivos: I – Proporcionar aos índios, suas comunidades e povos, a recu- peração de suas memórias históricas; a reafi rmação de suas identidades étnicas; a valorização de suas línguas e ciências; II – Garantir aos índios, suas comunidades e povos, o acesso às informações, conhecimentos técnicos e científi cos da sociedade nacional e demais sociedades indígenas e não-índias. Art. 79 – A União apoiará técnica e fi nanceiramente os sistemas de ensino no provimento da educação intercultural às comuni- dades indígenas, desenvolvendo programas integrados de ensi- no e pesquisa. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 63 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 63 22/04/2021 16:22:11 § 1º – Os programas serão planejados com audiência das comu- nidades indígenas; § 2º – Os programas a que se refere este artigo, incluídos nos Planos Nacionais de Educação, terão os seguintes objetivos: I – Fortalecer as práticas socioculturais e a língua materna de cada comunidade indígena; II – Manter programas de formação de pessoal especializado, destinado à educação escolar nas comunidades indígenas; III – Desenvolver currículos e programas específicos, neles in- cluindo os conteúdos culturais correspondentes às respectivas comunidades;IV – Elaborar e publicar sistematicamente material didático espe- cífico e diferenciado. Na Educação não formal, em ONGs ou projetos que promovem a educa- ção dos povos indígenas nos mais diferentes espaços, o conhecimento trans- mitido e as ações organizadas e aplicadas precisam se alinhar com a cultu- ra indígena. Em vista disso, o pedagogo ou educador social que atua nesse contexto percebe e promove a comunicação entre as culturas, não elitizando nenhuma delas, mas contribuindo para um diálo- go entre conceitos e verdades estabelecidas. O objetivo é promover práticas educativas que respeitem a cultura indígena e promovam uma educação articulada com os movimentos socioculturais. EXPLICANDO De acordo com Maders e Barcelos, no trabalho “Educação escolar indíge- na e inclusão – por uma pedagogia do cuidado e da escuta”, exposto em 2012 no IX Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul – ANPEd SUL, há uma distinção entre a Educação Escolar Indígena e Educação Indígena. A primeira se refere a uma educação planejada dentro de uma perspectiva curricular, com calendário escolar nacional, carga horária estabelecida, lecionada em escolas e regida por estatutos, regimentos e coordenações. Já a segunda, tem a ver com a cultura de cada povo indí- gena e se dá durante toda a vida da criança no acompanhamento de seus pais. Cada povo tem, em seu contexto cultural, uma forma particular de ensinar a seus filhos aquilo que sua cultura considera importante dentro de um ciclo que se inicia ao nascer e só se encerra com a morte. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 64 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 64 22/04/2021 16:22:11 A atuação no âmbito educacional com grupos indígenas deve promover um resgate do valor da identidade histórica e da cultura desses grupos. Diante da realidade vivida, muitos indígenas vivem à margem da socieda- de sem ser respeitados em sua cultura nem desfrutar de uma vida cidadã com direitos e deveres, assim como outros grupos sociais, isso sem falar no preconceito e no histórico de violência sofrida por seus antepassados. Os movimentos populares Os movimentos populares que trouxeram à tona a importância da educação popular para os diferen- tes grupos sociais não só propaga- ram a importância da educação e formação em si como legitimaram o valor do protagonismo dos sujeitos através da educação, promovendo a inserção de tais grupos no cenário social. A educação popular no Bra- sil e em algumas regiões da América Latina, nos anos de resistência aos regimes militares e no período de transição para a democracia, teve iden- tidade sociopolítica porque, em essência, a educação era um instrumento de mobilização e organização popular naquele momento. Nesse período, além do surgimento de vários movimentos sociais po- pulares na sociedade civil, que contribuíram para a mudança do regime político vigente, várias técnicas e metodologias foram elabo- radas a partir de vivências experimentadas, de natureza ati- va e participativa. As novas formas de propor práticas educativas alcançaram vários gru- pos sociais em projetos e ONGs. São prá- ticas com fins pedagógicos que não só alcançaram a educação informal, mas chegaram às escolas. O Quadro 2 traz alguns exemplos de práticas educativas na Educação Social. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 65 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 65 22/04/2021 16:22:12 Educação Social Prática Educativa Objetivos Sociodrama • Refl exão; • Criatividade; • Leitura crítica; • Visão de realidade; • Capacidade de ler e interpretar; • Leitura do próprio contexto; • Capacidade de concentração; • Interação; • Promover arte e cultura; • Capacidade de analisar e organizar fatos. Jogos teatrais Pantomimas Jogos de papéis Dinâmicas grupais Produção de audiovisuais Vídeos populares Cartazes Cartilhas Leitura coletiva Rodas de debates Rodas de Raps Estudos de Caso Intercâmbios culturais SociodramaSociodrama Jogos teatrais Sociodrama Jogos teatrais Pantomimas Sociodrama Jogos teatrais Pantomimas Jogos de papéis Jogos teatrais Pantomimas Jogos de papéis Dinâmicas grupais Produção de audiovisuais Jogos teatrais Pantomimas Jogos de papéis Dinâmicas grupais Produção de audiovisuais Jogos de papéis Dinâmicas grupais Produção de audiovisuais Vídeos populares Jogos de papéis Dinâmicas grupais Produção de audiovisuais Vídeos populares Dinâmicas grupais Produção de audiovisuais Vídeos populares Cartazes Dinâmicas grupais Produção de audiovisuais Vídeos populares Cartazes Produção de audiovisuais Vídeos populares Cartazes Cartilhas Leitura coletiva Produção de audiovisuais Vídeos populares Cartilhas Leitura coletiva Rodas de debates Cartilhas Leitura coletiva Rodas de debates Rodas de Raps Leitura coletiva Rodas de debates Rodas de Raps Estudos de Caso Intercâmbios culturais Leitura coletiva Rodas de debates Rodas de Raps Estudos de Caso Intercâmbios culturais • Refl exão; Rodas de debates Rodas de Raps Estudos de Caso Intercâmbios culturais • Refl exão; • Criatividade; Rodas de Raps Estudos de Caso Intercâmbios culturais • Refl exão; • Criatividade; Estudos de Caso Intercâmbios culturais • Refl exão; • Criatividade; • Leitura crítica; • Visão de realidade; • Capacidade de ler e interpretar; Intercâmbios culturais • Criatividade; • Leitura crítica; • Visão de realidade; • Capacidade de ler e interpretar; Intercâmbios culturais • Criatividade; • Leitura crítica; • Visão de realidade; • Capacidade de ler e interpretar; • Leitura do próprio contexto; • Leitura crítica; • Visão de realidade; • Capacidade de ler e interpretar; • Leitura do próprio contexto; • Capacidade de concentração; • Leitura crítica; • Visão de realidade; • Capacidade de ler e interpretar; • Leitura do próprio contexto; • Capacidade de concentração; • Visão de realidade; • Capacidade de ler e interpretar; • Leitura do próprio contexto; • Capacidade de concentração; • Visão de realidade; • Capacidade de ler e interpretar; • Leitura do próprio contexto; • Capacidade de concentração; • Capacidade de analisar e organizar fatos. • Capacidade de ler e interpretar; • Leitura do próprio contexto; • Capacidade de concentração; • Interação; • Promover arte e cultura; • Capacidade de analisar e organizar fatos. • Capacidade de ler e interpretar; • Leitura do próprio contexto; • Capacidade de concentração; • Interação; • Promover arte e cultura; • Capacidade de analisar e organizar fatos. • Capacidade de ler e interpretar; • Leitura do próprio contexto; • Capacidade de concentração; • Interação; • Promover arte e cultura; • Capacidade de analisar e organizar fatos. • Leitura do próprio contexto; • Capacidade de concentração; • Interação; • Promover arte e cultura; • Capacidade de analisar e organizar fatos. • Capacidade de concentração; • Promover arte e cultura; • Capacidade de analisar e organizar fatos. • Capacidade de concentração; • Promover arte e cultura; • Capacidade de analisar e organizar fatos. • Promover arte e cultura; • Capacidade de analisar e organizar fatos. • Promover arte e cultura; • Capacidade de analisar e organizar fatos.• Capacidade de analisar e organizar fatos.• Capacidade de analisar e organizar fatos.• Capacidade de analisar e organizar fatos.• Capacidade de analisar e organizar fatos. QUADRO 2. PRÁTICAS NA EDUCAÇÃO SOCIAL COM PERFIL POLÍTICO PEDAGÓGICO Fonte: GOHN, 2012. (Adaptado). As atividades educativas mediante ações e intervenções pedagógicas problematizam o presente e produzem reflexões sobre o que se vive e como se vive. Por trás das atividades, há um cunho político que questiona e promove reflexões pela arte e pelo entretenimento, desenvolvendo a criatividade. Uma das características dessas atividades é conduzir os sujei- tos à capacidade de criar, interpretar e elaborar produções próprias e não apenas reproduzir ideias prontas. A propostados movimentos populares, ao investir na Educação como estratégia de transformação, é questionar e propagar uma reflexão nas massas acerca da “ordem política dominante” e difundir sua política social com base nas reflexões e problematizações. Educação prisional Numa breve contextualização histórica da educação nos ambientes prisionais no Brasil, segundo respaldos documentais, esse tipo de edu- cação surgiu na década de 1950. Até o início do século XIX, a prisão era utilizada apenas como um local de contenção de pessoas, sem qualquer proposta ou possibilidade de requalificação dos presos numa perspecti- va de reintegração social. Tal proposta surgiu quando os programas de PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 66 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 66 22/04/2021 16:22:12 tratamento foram desenvolvidos dentro das prisões já que, antes desse período, não havia qualquer forma de trabalho ou ensino religioso ou laico nos ambientes prisionais. Buscando referências teóricas sobre o assunto, alguns autores reme- tem a prisão como uma medida para diferentes fins, podendo ser um es- paço para diferentes intervenções e ações estratégicas. De acordo com Foucault, na página 209 do livro Vigiar e punir, de 1977, a prisão no mundo moderno possui uma dupla finalidade, ou seja, punir e reabilitar para o convívio social indivíduos colocados sob sua guarda. Em suma, trata-se de “[...] uma empresa de modificação dos indivíduos que a privação de liber- dade permite fazer funcionar no sistema legal”. Figura 3. Michel Foucault, filósofo francês. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 10/03/2021. Diante das contradições existentes na escola dentro da prisão, por exemplo, em que as ações são estabelecidas num contexto marcado pela opressão, Mi- riam Fiore, na dissertação de mestrado “A educação na Penitenciária Feminina da Capital: a crença na reabilitação”, de 2003, destaca a importância da realiza- ção de práticas pedagógicas diferenciadas que considerem essas contradições. Assim, além da oferta de escolarização e certificação, ou do ensino da leitura e escrita, as ações educativas traçam esforços para a efetivação de práticas que promovam e fortaleçam a reflexão, construindo a valorização dos alunos. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 67 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 67 22/04/2021 16:22:13 Esse é um percurso desafi ador nos espaços prisionais e demanda uma qua- lifi cação dos educadores envolvidos no processo porque, além de questões relacionadas ao conteúdo e identidade nos ambientes prisionais, os pedagogos e educadores sociais precisam também se relacionar com aspectos e questões voltados a condutas de ética. Uma equipe articulada, com ações e intervenções pedagógicas estratégicas, contribui de maneira signifi cativa com os processos educacionais nesses espaços. Em suma, a educação nos espaços prisionais pode transformar espaços e realidades. Novas tecnologias e Pedagogia Social Com o uso das novas tecnologias, os métodos e processos de construção das ações coletivas mudaram, bem como os processos socioeducativos, suas práticas e intervenções. Portanto, é necessário instruir e problematizar o uso das novas tecnologias para este fi m, como as redes sociais, por exemplo, que precisam ser utilizadas a partir de uma ótica que propague a capacidade de expor ideias, sem agredir quem se opõe aos pensamentos expostos. O papel do pedagogo ou educador social nas diferentes frentes, haja vista o uso das novas tecnologias, é conduzir os indivíduos à capacidade de reco- nhecer sua realidade, perceber a necessidade de inclusão e problematizar o processo. Para isso, é necessário que o profi ssional esteja atento às mudanças no cenário social em relação à realidade do grupo. Figura 4. Tecnologias e Pedagogia Social: uma articulação objetiva. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 10/03/2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 68 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 68 22/04/2021 16:22:13 Um dos papéis fundamentais da Pedagogia Social é promover a capacidade de reflexão a partir de ações pedagógicas. Diante do uso das novas tecnologias, o educador precisa não apenas inseri-la na sua prática pedagógica, mas dar sentido a ela, conduzindo os educandos a uma condição em que eles não se- jam meros espectadores dos conteúdos, mas analistas críticos que produzem ideias e reflexões no tocante ao uso das novas tecnologias nos mais diferentes espaços escolares e não escolares. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 69 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 69 22/04/2021 16:22:13 Sintetizando Um dos grandes desafios da Pedagogia Social é promover a inclusão social de grupos excluídos devido a diferentes fatores. O pedagogo social, como aquele que articula as suas práticas pedagógicas ao contexto dos su- jeitos que fazem parte daquele meio, deve compreender o valor do sentido das práticas aliadas à realidade dos educandos. A educação nos espaços não escolares tem grandes objetivos e possibilita aos sujeitos a capacidade de enxergar a própria identidade e reconhecer sua cultura e seu valor, ser- vindo de ponto de partida para novas ações e intervenções pedagógicas que contribuam para o processo de se ver como participante de uma sociedade. A diversidade cultural e o multiculturalismo, no âmbito educacional, pre- cisam ser compreendidos a partir da importância de valorizar cada cultura e promover um valor igualitário entre si. Antes de compreender a necessida- de da valorização das culturas, indivíduos precisam compreender e valori- zar a própria cultura. Por isso, a cidadania é fundamental para a abordagem nos processos educativos na Pedagogia Social. Direitos e deveres precisam ser revistos por meio da legislação e difundidos em práticas pedagógicas que condicionem os sujeitos à construção da própria imagem cidadã. A valorização dos movimentos sociais, a importância da consciência cul- tural e histórica, seja no movimento negro, no MST, ou nos grupos indíge- nas, são objetivos da Pedagogia Social. A educação em presídios também é uma área que abrange a Pedagogia Social, com desafios específicos para o profissional. As novas tecnologias aliadas a uma educação social bem arti- culada dão sentido às ações pedagógicas e contribui significativamente nos diferentes espaços não escolares. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 70 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 70 22/04/2021 16:22:13 Referências bibliográficas BEAUCHAMP, J.; PAGEL, S. D.; NASCIMENTO, A. R. (orgs.). Indagações sobre cur- rículo: diversidade e currículo. Brasília: Ministério da Educação; Secretaria de Educação Básica, 2007. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/ pdf/Ensfund/indag4.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2021. BERGAMASCHI, M. A. Educação indígena em diálogo na UFRGS: um sonho pos- sível. In: JUÇARA, B.; SANTOS, S. V.; MARQUES, T, B, I. (orgs.) Educação indígena em diálogo. Pelotas. EDUFPEL, 2011. BRANDÃO, C. R. A educação popular na escola cidadã. Petrópolis: Vozes, 2002. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Poder Executivo, 05 out. 1988. Disponível em: <http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 10 mar. 2021. BRASIL. Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Brasí- lia, DF, Poder Executivo, 23 dez. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/l9394.htm>. Acesso em: 10 mar. 2021. BRASIL. Lei n. 10.639, de 09 de janeiro de 2003. Diário Oficial da União, Brasília, DF, Poder Executivo, 10 jan. 2003. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm>. Acesso em: 10 mar. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Ensino Fundamental. Diretrizes Curriculares Nacionais para educação das relações étnico-raciais e para ensino da história e da cultura afro-brasileira. Brasília: MEC, SEF, 2004. Dis- ponível em: <http://www.uel.br/projetos/leafro/pages/arquivos/DCN-s%20-%20Educacao%20das%20Relacoes%20Etnico-Raciais.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2021. CABANAS, J. M. Q. Los ámbitos profesionales de la animación. Madrid: Narcea, 1993. CALIMAN, G. Pedagogia Social: seu potencial crítico e transformador. Revista de Ciências da Educação – UNISAL, Americana (SP), ano XII, n. 23, 2º semestre de 2010, p. 341-368. Disponível em: <https://www.revista.unisal.br/ojs/index.php/ educacao/article/view/73>. Acesso em: 10 mar. 2021. COVRE, M. L. M. O que é cidadania. São Paulo: Editora Brasiliense, 1991. DÍAZ-POLANCO, H. Elogio de la diversidad: globalización, multiculturalismo y etnofagia. Ciudad de México: Siglo XXI, 2006. DICIO, Dicionário Online de Português. [s.l.], [s.d.]. Disponível em: <https:// www.dicio.com.br/>. Acesso em: 10 mar. 2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 71 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 71 22/04/2021 16:22:13 FERNANDES, F. A integração do negro na sociedade de classes: no limar de uma nova era. São Paulo: Ática, 1978. v. 1. FIORE, M. R. A educação na Penitenciária Feminina da Capital: a crença na reabilitação. 2003. 131 f. Dissertação (Mestrado em Educação) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Universidade de São Marcos, São Paulo, 2003. FOUCAULT, M. Vigiar e punir. Trad. Lígia M. P. Vassallo. Rio de Janeiro: Vozes, 1977. FREIRE, P. A Educação na Cidade. São Paulo: Cortez; 1991. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1997. FREIRE, P.; GUIMARÃES, S. Aprendendo com a própria história. 2. ed. São Pau- lo: Paz e Terra, 2001. v. 1. GOHN, M. G. A relação entre a educação popular e os movimentos sociais na construção de sujeitos coletivos. In: Congresso Nacional de Educação – EDU- CERE, XII., 2015, Curitiba. Anais... Curitiba: PUCPR – Pontifícia Universidade Ca- tólica do Paraná, 2015. Disponível em: <https://educere.bruc.com.br/arquivo/ pdf2015/18577_7958.pdf>. Acesso em: 10 mar. 2021. GELLNER, E. Antropología y política: revoluciones en el bosque sagrado. Bar- celona: Gedisa, 1997. LAKATOS, E. M. Sociologia geral. 6. ed. rev. ampl. São Paulo: Atlas, 1990. MADERS, S.; BARCELOS, V. Educação escolar indígena e inclusão – por uma pe- dagogia do cuidado e da escuta. In: Seminário de Pesquisa em Educação da Região Sul – ANPEd SUL, IX., 2012, Caxias do Sul (RS). Anais... Caxias do Sul (RS): ANPEd – Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Educação, 2012. Disponível em: <http://www.ucs.br/etc/conferencias/index.php/anped- sul/9anpedsul/paper/viewFile/2110/409>. Acesso em: 10 mar. 2021. MACHADO, E. R. A constituição da Pedagogia Social na realidade educacional brasileira. 2010. 242 f. Dissertação (Mestrado) – Programa de Pós-Graduação em Educação, Centro de Ciências da Educação, Universidade Federal de Santa Catarina. Programa de Pós-Graduação em Educação. Florianópolis. Disponível em: <https://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/93844/284248. pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 10 mar. 2021. MONARCHA, C. A reinvenção da cidade e da multidão: dimensões da moder- nidade brasileira – a escola nova. São Paulo: Cortez, 1989. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 72 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 72 22/04/2021 16:22:13 MUNANGA, K. Algumas considerações sobre a diversidade e identidade negra no Brasil. In: RAMOS, M. N. et. al. (org.). Diversidade na educação: reflexões e experiências. Brasília: Secretaria da Educação Média e Tecnológica, 2003, p. 35-49. v. 1. RIBAS, E.; OLIVEIRA, A. A. O educador social no Brasil: perspectivas históricas e discussões atuais. In: Congresso Nacional de Educação – EDUCERE, XI., 2013, Curitiba. Anais... Curitiba: PUCPR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2013. Disponível em: <https://educere.bruc.com.br/CD2013/pdf/7864_4336. pdf>. Acesso em: 10 mar. 2021. RODRIGUES, D.; GUEDES, S. Multiculturalismo e suas implicações na educação. Revista Educação Pública, Rio de Janeiro, 08 jan. 2019. Disponível em: <ht- tps://educacaopublica.cecierj.edu.br/artigos/19/1/multiculturalismo-e-suas- -implicaes-na-educao>. Acesso em: 10 mar. 2021. SAVIANI, D. História das ideias pedagógicas no Brasil. Campinas: Autores As- sociados, 2008. SILVA, S. A. R.; SILVA, R.; LOPES, R. E. O direito à educação sob a perspectiva da Pedagogia Social. In: Congresso Internacional de Pedagogia Social, IV., 2012, São Paulo. Anais... São Paulo: Associação Brasileira de Educadores Sociais, 2012. Disponível em: <http://www.proceedings.scielo.br/pdf/cips/n4v2/32. pdf>. Acesso em: 10 mar. 2021. SIMSON, O. R. M. V.; PARK, M. B.; FERNANDES, R. S. (orgs.). Educação não for- mal: cenários da criação. Campinas: Ed. Unicamp; CMU, 2001. TORQUATO, R. A. et al. Pedagogia Social - o pedagogo em atividades socioe- ducativas. In: Congresso Nacional de Educação – EDUCERE, XII., 2015, Curitiba. Anais... Curitiba: PUCPR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2015. Disponível em: <https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/19899_9696. pdf>. Acesso em: 10 mar. 2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL, SOCIAL E HOSPITALAR 73 SER_PEDA_PEOSH_UNID2.indd 73 22/04/2021 16:22:13 A PEDAGOGIA HOSPITALAR, O CENÁRIO HOSPITALAR E SUAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS 3 UNIDADE SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 74 26/04/2021 12:24:04 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Conceituar os fundamentos da Pedagogia hospitalar a partir das leis que a regem e de dados históricos; Abordar os aspectos e conceitos do atendimento pedagógico domiciliar; Apresentar a ética no âmbito hospitalar e as práticas pedagógicas nesse contexto. A Política Nacional de Educação Especial: Pedagogia hospitalar e suas bases legais A relação entre Pedagogia hospitalar, atendimento pedagógico domiciliar e Educação Especial Abordagem histórica da Pedagogia hospitalar no Brasil O atendimento pedagógico domiciliar: conceitos e aspectos A ética dentro do hospital: características e particularidades da intervenção pedagógica adequada nos diversos ambientes e condições existentes no ambiente hospitalar O perfil do pedagogo hospitalar: atribuições e conceitos da atuação A prática pedagógica em ambientes hospitalares Aspectos e características no leito hospitalar, na sala de recreação/classe hospitalar, no acompanhamento escolar/ hospitalar e na orientação à família O pedagogo hospitalar e a família do educando Ações e intervenções do pedagogo no espaço hospitalar PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 75 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 75 26/04/2021 12:24:04 A Política Nacional de Educação Especial: Pedagogia hospitalar e suas bases legais Atualmente, vivemos um momento histórico em que a educação vem sendo ressignifi cada em diferentes âmbitos. Tratando-se da Pedagogia, esta tem se confi gurado para atender às demandas da sociedade em constante evolução. Como sabemos, o pedagogo chegou a diferentes espaços. Diante dessa nova realidade, é de extrema impor- tância que exista uma legislação para respaldar suas ações a partir do que precisa ser alcançado. O pedagogo hospitalar é de extre- ma importância no contexto educacio- nal, pois atua acompanhando crianças e adolescentes no período de ausência escolar, em geral, internados em insti- tuições hospitalares. A Pedagogia hospitalar é regida por leis que visam ao seu exercício a partir de uma organização e do cumprimento de regras necessárias. De acordo com a lei que atualmente rege o Brasil, a Constituição de 1988, especifi camente no Título VIII – Da Ordem Social, Capítulo III – Da Educação, da Cultura e do Desporto, Seção I, artigo 205: [...] a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para exercício da cidadania e sua qualifi cação para o trabalho. Sendo assim, a partir do respaldo que determina a Constituição Federal de 1988, que o direito à educação é de todos e para todos, sob qualquercircuns- tância em que o indivíduo esteja vivendo ou que necessite. Em outras palavras, nada deve impedir o sujeito de ter acesso à educação. Seja sua condição social, econômica ou, até mesmo, seu estado de saúde. Quando nos remetemos à Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, conhe- cida como Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), também encontramos uma legislação que apura que a educação é direito de todos. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 76 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 76 26/04/2021 12:24:13 TÍTULO II Dos Princípios e Fins da Educação Nacional Art. 2º. A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos prin- cípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Art. 3º. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; A LDB tem como base a Constituição Federal de 1988, contudo é possível identificarmos que ela informa de modo mais detalhado e específico como a educação deve ser para todos e como deve ser aplicada e desenvolvida a partir de suas respectivas bases. Fonte: LIMA; FIRMINO, 2020, p. 75. (Adaptado). DIAGRAMA 1. FLUXOGRAMA SOBRE AS BASES DA LEI Nº 9.394, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1996 (LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO NACIONAL – LDB) do educando Dever Finalidade do Estado da família Educação Pleno desenvolvimento Preparo para o exercício da cidadania Qualificação para o trabalho Inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana Legalmente, há respaldos que apontam que a educação é para todos. Uma das premissas dessa questão é: como possibilitar uma educação para todos a partir das diferentes realidades existentes? O objeto do nosso estudo é compreender a legislação que rege a Pedagogia hospitalar e a Educação Especial. Nesse contexto, a legislação garante que a educação é um direito de toda e qualquer criança e adolescente, ainda que es- tejam hospitalizados, assim como as possibilidades adequadas de desfrutá-lo. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 77 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 77 26/04/2021 12:24:13 Algumas leis ainda foram decretadas a respeito desse direito à educação en- volvendo questões relacionadas à saúde, como a Lei nº 1.044/69, que aborda o tratamento excepcional para alunos portadores de doenças em suas residências. A Lei nº 6.202/75 também envolve questões relacionadas à saúde da crian- ça e do adolescente e, nesse caso, destaca os exercícios domiciliares para as estudantes gestantes. Ressalta-se que somente na década de 1990 o Brasil promoveu a criação de leis destinadas à classe hospitalar. Antes, essa classe era conduzida pela Constituição Federal e pela LDB, apenas na perspectiva de que a educação é para todos. Retomando as bases legislativas para a educação hospitalar, além das leis já citadas, podemos citar o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), especi- ficamente o art. 9, que se refere ao direito à educação: “direito de desfrutar de alguma forma de recreação, programa de educação para a saúde”, e a lei dos Direitos das Crianças e Adolescentes Hospitalizados, por meio da Resolução nº 41, de 13 de outubro de 1995. Essas leis têm o objetivo de proteger a infância e a juventude visando a uma sociedade mais justa. CURIOSIDADE A Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, também conhecida como Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é o conjunto de normas do ordenamento jurídico brasileiro que tem como objetivo a proteção integral da criança e do adolescente, aplicando medidas e expedindo encami- nhamentos para um juiz. É o marco legal e regulatório dos direitos humanos de crianças e adolescentes. A classe hospitalar está contida na Lei nº 9.394/96 como Educação Especial, em uma perspectiva de educação inclusiva. Nesse contexto, são considerados alunos com necessidades educacionais especiais, os deficientes mentais, au- ditivos, físicos, com deficiências motoras e múltiplas, síndromes no geral e os que apresentam dificuldades cognitivas, psicomotoras e de comportamento, além dos alunos que estão impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação hospitalar ou atendimento ambulatorial (SANTOS, 2011). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 78 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 78 26/04/2021 12:24:13 No Ministério da Educação (MEC), a publicação mais recente em relação à classe hospitalar e ao atendimento pedagógico domiciliar (APD) foi publicada em 2002. Segundo o documento, criado pelo Ministério por meio da Secretaria de Educação Especial, intitulado Classe hospitalar e atendimento pedagógico domici- liar: estratégias e orientações (BRASIL, 2002), a expressão APD refere-se a: [...] um atendimento educacional que ocorre em ambiente do- miciliar, decorrente de problema de saúde que impossibilite o educando de frequentar a escola ou esteja ele em casas de pas- sagem, casa de apoio, casas-lar e/ou outras estruturas de apoio da sociedade. (BRASIL, 2002, p. 13) Desse modo, o atendimento pedagógico domiciliar se confi- gura como uma ação pedagógica que transforma um cômodo do lugar onde o sujeito reside em um espaço de ensino-aprendizagem. Em outras palavras, se a situação do aluno o impede de ir até a escola, a escola que vai até ele por meio da figura do professor. Ainda no cenário legislativo, a Reso- lução nº 2, de 11 de setembro de 2001, que institui as Diretrizes Nacionais para a Educa- ção Especial na Educação Básica, trata: Art. 13. Os sistemas de ensino, mediante ação integrada com os sistemas de saúde, devem organizar o atendimento educacional especializado a alunos impossibilitados de frequentar as aulas em razão de tratamento de saúde que implique internação hos- pitalar, atendimento ambulatorial ou permanência prolongada em domicílio. § 1º As classes hospitalares e o atendimento em ambiente domiciliar devem dar continuidade ao processo de de- senvolvimento e ao processo de aprendizagem de alunos matri- culados em escolas da Educação Básica, contribuindo para seu retorno e reintegração ao grupo escolar, e desenvolver currículo flexibilizado com crianças, jovens e adultos não matriculados no sistema educacional local, facilitando seu posterior acesso à es- cola regular. (BRASIL, 2001) PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 79 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 79 26/04/2021 12:24:13 A Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008) e o Decreto nº 7.611, de 17 de novembro de 2011, que dispõe sobre a Educação Especial e o atendimento educacional especializado, respaldam ainda mais os ideais de acesso e inclusão educacional de crianças e adolescentes, promoven- do e defendendo a criação de medidas de apoio individualizadas e efetivas, em espaços que maximizem o desenvolvimento do educando, bem como suas possibilidades de aprendizagem. Nesse cenário, é importante conhecer as leis que regem e possibilitam a existência da Pedagogia hospitalar e o atendimento pedagógico domiciliar para um exercício correto, que benefi cie crianças e adolescentes em condições es- pecífi cas e necessárias a esse tipo de educação. A relação entre Pedagogia hospitalar, atendimento pedagógico domiciliar e Educação Especial A pedagogia hospitalar é um modo de ensino da Educação Especial cujo objetivo é a ação do educador no espaço hospitalar, atendendo a crianças ou adolescentes com necessidades educativas especiais transitórias, ou seja, indivíduos que por motivo de doença necessitam de atendimento escolar di- ferenciado e especializado. É responsabilidade do hospital encontrar alternativase métodos específi - cos que permitam aos pacientes desfrutarem de abordagens educativas sig- nifi cativas durante o tempo em que estiverem no hospital. Vale lembrar que a família também tem um papel signifi cativo nesse processo. No atendimento pedagógico domiciliar, também considerado um modo de ensino da Educação Especial, é responsabilidade dos sistemas de ensi- no buscar diferentes modos para alcançar novas possibilidades e atender às necessidades dos alunos. O público-alvo para o aten- dimento pedagógico domiciliar são os alunos ma- triculados acometidos por condições e limitações específi cas, decorrentes de comprometimentos de saúde, que impossibilitam a participação nas atividades curriculares na escola (BRASIL, 2002; SILVA, PACHECO, PINHEIRO, 2014). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 80 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 80 26/04/2021 12:24:13 Considerando que a Pedagogia hospitalar e o atendimento pedagógico domiciliar ultrapassam os espaços escolares e visam atender às necessida- des dos alunos, a partir de suas condições físicas, intelectuais ou emocio- nais, é importante destacar que esses dois modos de ensino fazem parte da Educação Especial. No contexto da Pedagogia hospitalar, podemos considerar que se trata de um processo alternativo de educação, já que ultrapassa os métodos con- vencionais escola-aluno, visando, por meio de ações e intervenções pedagó- gicas, modos de apoiar os alunos hospitalizados que necessitam de suporte para permanecer em sua vida acadêmica. Ainda no âmbito da Pedagogia hospitalar, podemos considerar a nomen- clatura classe hospitalar como a denominação do atendimento pedagógi- co-educacional que acontece em espaços de tratamento de saúde em cir- cunstância de internação, ou no atendimento em hospital por dia e hospital por semana, ou ainda em serviços de atenção integral à saúde mental. Como vimos, a classe hospitalar está inserida na modalidade de Educa- ção Especial por atender crianças e adolescentes considerados com necessi- dades educativas especiais devido às dificuldades no acompanhamento das atividades curricula- res por condições de limitações específicas relacionadas à saúde. O objetivo é proporcionar o acompanha- mento curricular do educando enquanto ele es- tiver hospitalizado, garantindo a manutenção do vínculo com as escolas por meio de um currículo flexibilizado (BRASIL, 2002). CONTEXTUALIZANDO A Educação Especial pode ser considerada todo modo de educação que ultrapassa espaços e visa atender necessidades específicas relacionadas à saúde dos alunos. Segundo o art. 58 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996: “entende-se por educação especial, para os efeitos desta Lei, a modalidade de Educação escolar, oferecida prefe- rencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais”. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 81 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 81 26/04/2021 12:24:13 Abordagem histórica da Pedagogia hospitalar no Brasil Os primeiros registros de intervenção escolar em ambientes hospitala- res aconteceram, na França, por volta do ano de 1935, atendendo por vol- ta de 80 crianças e, posteriormente, na Alemanha e nos Estados Unidos. O atendimento à criança e ao adolescente hospitalizado cresceu de modo signifi cativo, após a Segunda Guerra Mundial, quando em alguns países da Europa receberam, como consequência desse cenário, crianças mutiladas e com doenças contagiosas, como a tuberculose, que era muitas vezes fatal na época (VASCONCELOS, 2006). No contexto do pós-guerra, muitas crianças, devido à condição física, fo- ram impedidas de irem à escola, e, com isso, uma ação coletiva foi organizada e conduzida por educadores e médicos que defendiam a classe hospitalar. Nos anos seguintes, aconteceu uma consolidação desse processo de cria- ção da classe hospitalar. E surgiu, assim, o Centro Nacional de Estudos e de Formação para a Infância Inadaptada de Suresnes – CNEFEI, em 1939, em Pa- ris, com a missão de formar professores para o trabalho em institutos espe- cializados e em hospitais. Nesse mesmo ano, devido ao êxito das atuações dos profi ssionais com crianças em hospitais, criou-se o cargo de professor hospitalar junto ao Mi- nistério da Educação, na França. Segundo Matos (2008), o CNEFEI tinha o objetivo de provar à sociedade que a escola não é um espaço limitado, mas o encontro do sujeito com o novo saber. Desse modo, a escola pode ser conduzida e representada em outros espaços, possibilitando ao educando acesso ao conhecimento e à aprendizagem. Diante desses dados históricos, podemos considerar que a educação nos hospitais em diversos países surgiu por diferen- tes motivos, seja para a garantia dos meios sociais, ou ainda como auxílio para crianças e adolescentes que estavam impossibilitados de ir à escola devi- do à sua condição física ou emocional e também como meio de ação e intervenção durante a in- ternação de pacientes em idade escolar. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 82 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 82 26/04/2021 12:24:13 No Brasil, há um percurso para a instauração da Pedagogia hospitalar, co- meçando pela compreensão do que era deficiência e do que era doença. Historicamente, alguns autores consideram o início da Pedagogia hospita- lar a partir da criação de hospitais, juntamente com o aumento do número de médicos que investiam em pesquisas e publicavam trabalhos científicos rela- cionados a pessoas com deficiências no final do século XIX e início do século XX. Esses acontecimentos contribuíram de modo significativo para a associação da deficiência à doença, o que favoreceu o aumento do número de crianças colocadas em hospitais e hospitais psiquiátricos (SOARES, 2012). As crianças e adolescentes eram inseridos em espaços precários em di- versos aspectos e não havia um pensamento voltado para inclusão por meio de ações ou intervenções pedagógicas. Assim, os sujeitos eram expostos a práticas consideradas equivocadas em relação à perspectiva atual de edu- cação e inclusão. Nesse período, o objetivo não era integrar as pessoas com deficiência à sociedade ou à família, muito menos incluí-las, mas isolá-las dos grupos sociais. É importante considerar que, nesse período, o Brasil vivia a Primeira Repú- blica (1889-1930) e, no contexto educacional republicano, mesmo sendo con- siderada o início da escolarização no País, as escolas foram consideradas um símbolo do atraso, da sujeira, da escassez, de castigos físicos, falta de formação especializada, sendo comparadas a pocilgas, estalagens e escolas de improviso (SCHUELER; MAGALDI, 2008). Diante dessas considerações, há diferentes pontos de vista sobre o início da Pedagogia hospitalar no Brasil. EXPLICANDO Ainda que alguns autores afirmem que a Pedagogia hospitalar surgiu, no Brasil, no início do século XX, com a classe hospitalar do Pavilhão-Escola Bourneville, do Hospital Nacional de Alienados, no Rio de Janeiro, po- demos considerar a perspectiva de autores que discordam dessa ideia, compreendendo que as condições de internação das crianças e adoles- centes eram inadequadas e não atendiam às necessidades educacionais da época. É válido compreender que o cenário era voltado para uma iden- tidade manicomial e não permitia a valorização do conceito de cidadania, além da precariedade. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 83 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 83 26/04/2021 12:24:13 Há suposições de que, a partir do contexto de espaços despreparados e sem estrutura, tanto física quanto pe- dagogicamente, foram geradas as pri- meiras provocações e atividades que proporcionaram o surgimento das pri- meiras classes hospitalares. Desse modo, consideraremos a li- nha histórica que defende que a Peda- gogia hospitalar, no Brasil, teve início com as primeiras classes hospitalares nas enfermarias do Hospital Municipal Jesus, no Rio de Janeiro, na Santa Casade Misericórdia de São Paulo e no Hos- pital Barata Ribeiro, também no Rio de Janeiro. Matos (2008) aponta que, no Brasil, a ação educativa no espaço hospitalar mais antiga está registrada na década de 1950, no Hospital Municipal Jesus, no Rio de Janeiro. O Hospital Municipal Jesus foi inaugurado em 30 de julho de 1935 e promoveu a primeira classe hospitalar em agosto de 1950, sob a lideran- ça da professora Lecy Rittmeyer. Em 1958, o departamento de educação de anos iniciais do Rio de Janeiro en- viou a professora Esther Lemos Zaborusky para compor a equipe do Hospital Municipal Jesus, onde veio contribuir com as classes hospitalares pelas análises e propostas de novas ações e intervenções, além do desenvolvimento de me- lhorias para as atividades realizadas com os alunos (MEIRA, 1971). É possível imaginar como deve ter sido desafiador o papel da professora Lecy Rittmeyer no início de uma classe hospitalar, com todo o cenário que o Brasil se encontrava naquele momento histórico. Nessa época, o Hospital Barata Ribeiro, também no Rio de Janeiro, possuía instalações escolares. Entretanto, o Hospital Barata Ribeiro e o Hospital Muni- cipal Jesus não sabiam da existência um do outro. Em 1960, quando as profes- soras Lecy Rittmeyer e Marly Fróes Peixoto se conheceram, foi possível unificar o trabalho e, assim, regulamentá-lo (MEIRA, 1971). Com o passar dos anos, a classe hospitalar como modalidade de atendimen- to educacional cresceu e se estabeleceu com o objetivo de lutar pelo direito à educação para todos. Outro objetivo que contribuiu para a classe hospitalar foi a busca da humanização no atendimento. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 84 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 84 26/04/2021 12:24:31 Em 1961, o Setor de Assistência Educacional Hospitalar foi extinto e criou-se o Setor de Ensino Especial e Supletivo. Nesse momento, foi oficializado definiti- vamente a Educação dos Excepcionais, pela LDB e pela Constituição do Estado da Guanabara (BRASIL, 1961). Era um momento histórico marcante, que futu- ramente contribuiria para novas mudanças no cenário da Educação Especial e da classe hospitalar. Diretrizes e Bases da Educação Federal 4.024, de 20 de dezem- bro de 1961. Título X. Da Educação do Excepcional: Art. 88. A educação de excepcionais, deve, no que for possível, enqua- drar-se no sistema geral de educação, a fim de integrá-los na co- munidade. Art. 89. Toda iniciativa privada considerada eficiente pelos conselhos estaduais de educação, e relativa à educação de excepcionais, receberá dos poderes públicos tratamento es- pecial mediante bolsas de estudo, empréstimos e subvenções (BRASIL, 1961, p. 01). Constituição do Estado da Guanabara 27-03-1961. Capítulo II: Da Educação e Cultura: Artigo 60: A Educação dos Excepcionais será objeto de especial cuidado e amparo do Estado, assegurada ao Deficiente a assistência educacional, domiciliar e hospitalar. (BRASIL, 1961, p. 01) A partir da configuração legislativa da classe hospitalar, importantes passos foram alcançados nesse novo processo educacional. De fato, as iniciativas to- madas pelos membros da classe hospitalar do Hospital Municipal Jesus foram de extrema relevância para o surgimento de novas classes hospitalares em todo o Brasil. Vale considerar que, na atualidade, um número expressivo de alunos requer esses direitos e, portanto, essa configuração le- gislativa da classe hospitalar se faz tão rele- vante. O Gráfico 1 apresenta o número de ma- trículas com aulas em hospitais de 2013 a 2017, no Brasil, de acordo com os microdados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), publicados em 2018. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 85 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 85 26/04/2021 12:24:31 Fonte: JULIÃO; FERREIRA, 2018. (Adaptado). GRÁFICO 1. MATRÍCULAS COM AULAS EM HOSPITAIS, NO BRASIL, DE 2013 A 2017 Matrículas com aula em hospitais para cada 100 mil, por ano 18 17,7 23,3 29,5 2013 2014 2015 2016 2017 Total de matrículas em 2017 25,2% são do Ensino Fundamental 38,2 O atendimento pedagógico domiciliar: conceitos e aspectos No contexto histórico brasileiro, em termos legislativos de direitos, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Federal, de 20 de dezembro de 1961, em seu título X, no que se refere à educação de excepcionais, pode ser considerada um ponto de partida para a compreensão dos caminhos que a Pedagogia hospita- lar vai tomando. Segundo Araújo e Rodrigues (2020), outras leis também contribuíram para esse processo, tais como: o Decreto-lei nº 1.044/69, acerca do tratamento ex- cepcional para os estudantes que têm afecções, com atendimento domiciliar; e o Decreto nº 72.425, de 03 de julho de 1973, em que foi criado o Centro Nacio- nal de Educação Especial (CENESP) com a fi nalidade de promover a expansão e melhoria do atendimento aos excepcionais. Assim, é possível perceber que a classe hospitalar, no Brasil, foi se conso- lidando paralelamente ao ensino especial. Um exemplo disso é a criação do CENESP, que foi resultado da política de educação e envolvimento de diferen- tes entidades, assim como determinações de órgãos internacionais (ARAÚJO; RODRIGUES, 2020). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 86 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 86 26/04/2021 12:24:31 A Política Nacional da Educação Especial (MEC/SEESP, 1994) é considerada um marco específico e histórico na Pe- dagogia hospitalar, que descreve o atendimento pedagógi- co-educacional para crianças e adolescentes hospitalizados. Em 2010, obteve-se um reforço, por meio da Secretaria de Educação Es- pecial, através de um documento intitulado Marcos Político-Legais da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2010, p. 25). É notório que, por meio desses documentos legais, o atendimento pedagó- gico hospitalar e o atendimento pedagógico domiciliar passaram a fazer par- te da Educação Especial no Brasil, garantindo o acesso à Educação Básica e à atenção às necessidades educacionais especiais. Compreender o atendimento pedagógico domiciliar (APD) como direito ne- cessário e indispensável é atentar-se para legislações que auxiliam na constru- ção de sua identidade e execução. O Estatuto da Criança e do Adolescente conduz a atenção à criança e ao adolescente, garantindo-lhes desenvolvimento pleno em todos os aspectos que perpassam a sua vida, incluindo situações que afetam seu estado físico e sua saúde. A criança e o adolescente devem desfrutar de todos os direitos fundamen- tais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata essa lei, assegurando-lhes todas as oportunidades e acessibilidades, visando seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. A Lei de Diretrizes e Bases Nacionais nº 9.394, de 20 de dezem- bro de 1996, traz detalhamento a este respeito, atribuindo “ao poder público a responsabilidade de garantir o direito à educa- ção e criar formas alternativas de acesso aos diferentes níveis de ensino” (art. 5º, § 5º), e expressa no Art. 23, que deve “organizar- -se de diferentes formas para garantir o processo de aprendiza- gem”. Ainda, a mesma Lei define que para os alunos com neces- sidades educacionais especiais os sistemas de ensino deverão assegurar currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organizações específicas para atender às suas necessidades (Ca- pítulo V, art. 58) (BARBOSA, 2009, p. 5403). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 87 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 87 26/04/2021 12:24:31 Segundo Brandão (2011, p. 5259), a Declaração de Salamanca sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais apresenta os direitos fundamentais à edu- cação do aluno com necessidades educacionais especiais e des- taca que a toda criança deve ser dada a oportunidade de atingir e manter seunível adequado de aprendizagem, que os sistemas de educação devem designar e implementar programas levando em conta a vasta diversidade de características e necessidades de seus alunos e aqueles com necessidades educacionais espe- ciais devem ter acesso à escola regular que atenda suas neces- sidades específicas. O Quadro 1 destaca as principais leis que garantem o serviço educacional de atendimento escolar ao aluno com limitações por motivo de doença que o impossibilita frequentar a escola, no Brasil. Leis que respaldam o atendimento pedagógico domiciliar e a classe hospitalar • Decreto-lei nº 1.044/69 (BRASIL, 1969); • Constituição Federal de 1988, art. 205 (BRASIL, 1988); • Lei nº 6.202/75 (BRASIL, 1975); • Lei nº 8.069/90 – Estatuto da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1990); • Resolução nº 41/95 – Conselho Nacional de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (BRASIL, 1995); • Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (BRASIL, 1996); • Resolução CNE/CEB nº 02/01 – Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica (BRASIL, 2001); • Classe Hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar: estratégias e orientações (BRASIL, 2002). QUADRO 1. LEIS QUE RESPALDAM O ATENDIMENTO PEDAGÓGICO DOMICILIAR E A CLASSE HOSPITALAR, NO BRASIL Fonte: BRANDÃO, 2011, p. 5259-5260. (Adaptado). O atendimento educacional domiciliar é muito importante, já que propor- ciona ao aluno a inserção em um sistema de ensino, contribuindo com os pro- cessos de desenvolvimento e aprendizagem. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 88 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 88 26/04/2021 12:24:31 A ética dentro do hospital: características e particularidades da intervenção pedagógica adequada nos diversos ambientes e condições existentes no ambiente hospitalar Quando nos remetemos ao conceito de ética, em qualquer ambiente, sempre esperamos que se confi gu- re por meio de uma série de regras a serem cumpridas. Todavia, se tra- tando da Educação, do exercício do educador como aquele que lida com o conhecimento e com as diferentes questões relacionadas à formação de indivíduos, a ética vai além de regras e métodos para uma boa conduta. O Quadro 2 destaca as refl exões sobre Educação dos mais tradicionais teóri- cos da Pedagogia no mundo. O professor se torna o mediador em diferentes aspectos, pois além de con- tribuir para o desenvolvimento intelectual, auxilia na apropriação dos conteú- dos das disciplinas da série a que o aluno pertence, contribuindo também para sua saúde emocional. A realidade, muitas vezes, contribui para que o aluno desenvolva estresse, causado pela situação da doença. As ações do professor podem oferecer oportunidades educacionais para que o aluno, mesmo em situação de doença, ocupe seu tempo com atividades semelhantes às atividades realizadas por seus colegas em sala de aula. Essas intervenções pedagógicas podem favorecer a recuperação da saú- de do aluno, devido aos efeitos positivos que geram repercussões emocionais. A partir de um planejamento educacional basea- do em uma visão de currículo fl exível e adaptado, o professor organiza e realiza ações e interven- ções pedagógicas visando promover ao aluno uma aprendizagem signifi cativa dentro de sua realidade. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 89 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 89 26/04/2021 12:24:37 Paulo Freire A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate, a análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa. Jean Piaget O ideal da educação não é aprender ao máximo, maximizar os resultados, mas antes de tudo aprender a aprender, é aprender a se desenvolver e aprender a continuar a se desenvolver depois da escola. Alvin Toffler Os analfabetos no século XXI não serão os que não souberem ler ou escrever, mas os que não souberem aprender, desaprender e reaprender. Philippe Perrenoud Os movimentos de escola nova e pedagogia ativa (por exemplo, o Grupo Francês de Educação Nova, 1996) juntam-se ao mundo do trabalho na defesa de uma escolaridade que permita a apreensão da realidade. Apesar das diferenças ideológicas, eles estão unidos por uma tese: para que serve ir à escola, se não se adquire nela os meios para agir no e sobre o mundo. QUADRO 2. REFLEXÕES SOBRE A EDUCAÇÃO DOS MAIS RENOMADOS TEÓRICOS DO MUNDO Fonte: MELLO; ALMEIDA NETO; PETRILLO, 2020, n.p. (Adaptado). É importante que o pedagogo se atente para que o ato de educar não se limite apenas a transmitir o conhecimento, mas que seja um processo de intervenção e mediação da relação entre o sujeito, o mundo, o conhecimento e o processo de aprendizagem. Formar um indivíduo ultrapassa transmitir conhecimentos. E essa perspectiva também alcança as atribuições do pedagogo no ambiente hospitalar. A intenção é produzir humanização, humanismo ou iniciar um processo de tor- nar aquele educando “humano”. É um humanismo que, pretendendo verdadeiramente a humani- zação dos homens, rejeita toda forma de manipulação, na medi- da em que esta contradiz sua libertação. Humanismo, que vendo os homens no mundo, no tempo, “mergulhados” na realidade, só é verdadeiro enquanto se dá a ação transformadora das es- truturas em que eles se encontram “coisificados”. Humanismo que, recusando tanto o desespero quanto o otimismo ingênuo, é, por isto, esperançosamente crítico. E sua esperança crítica re- pousa numa crença também crítica: a crença em que os homens podem fazer e refazer as coisas; podem transformar o mundo. Crença em que, fazendo e refazendo as coisas e transformando o mundo, os homens podem superar a situação em que estão sendo um quase não ser e passar a ser um estar sendo em bus- ca do ser mais (FREIRE, 2002, p. 73-74). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 90 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 90 26/04/2021 12:24:38 Desse modo, a ação do pedagogo enquanto educador nos mais diferen- tes espaços precisa ressignificar sempre a sua identidade quanto à ética de exercer o seu papel na sociedade e, principalmente, na individualidade dos sujeitos. A atuação do pedagogo no ambiente hospitalar pede, talvez, uma ética mais “humana” do que nos outros espaços. As atribuições do pedagogo se caracterizam diretamente pelo espaço em que atua. Assim como em todas as atribuições e exercício da profissão, a ética é uma característica muito importante para o exercício da função. Espera-se que, além de mediador, condutor ao conhecimento ou ainda tan- tas outras identidades que um professor possa ter, no contexto hospitalar, ele esteja voltado para ações humanizadas visando a socialização. A classe hospi- talar precisa de profissionais que atuem na perspectiva de atender a crianças e adolescentes em diferentes estados, seja física, emocional ou psiquicamente. Além das ações e intervenções pedagógicas, é necessário que o pedagogo compreenda que o espaço hospitalar exige posturas e atitudes específicas em relação aos educandos. Devido à possibilidade de situações que podem ocorrer com o aluno, os profissionais que o acompanham devem estar aten- tos às necessidades de momentos específicos. Nesse contexto, Fonseca (2008) aponta a importância que se deve atribuir às necessidades educacionais em um contexto hospitalar, considerando a in- terrupção do processo educativo que ocorre na escola. Destaca ainda que a criança hospitalizada não apresenta um desenvolvimento diferente daquela que está frequentando a escola. Assim, partindo do princípio da realidade de cada educando em sua con- dição física, emocional ou psíquica, o pedagogo deve se atentar para a capa- cidade individual, sem negar as limitações de cada um. O pedagogo não deve atuar sozinho no contexto hospitalar, pois, assim como em outros espaços, presume-se que uma equipe esteja dando suporte e contribuindo para as ações necessárias, além da equipe médica que deve atualizar o estadode saúde do educando com frequência. Aliás, é de extrema importância que o pedagogo acompanhe o estado do aluno enquanto pacien- te, já que o planejamento para as práticas pedagógicas adotadas deve estar adequado à realidade do estado de saúde do educando. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 91 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 91 26/04/2021 12:24:38 O perfil do pedagogo hospitalar: atribuições e conceitos da atuação O pedagogo que atua na classe hospitalar ou ainda no atendimento pedagógico domiciliar deve estar atento para lidar com questões específi cas de cada criança ou adolescente em diferentes realidades de saúde. Desse modo, é necessário criar as estratégias pedagógicas adequadas às ne- cessidades e possibilidades dos educandos, assim como um modo de proporcionar condições voltadas a um processo de ensino-aprendizagem de qualidade. O professor da escola hospitalar é, antes de tudo, um mediador das interações da criança com o ambiente hospitalar. Por isso, não lhe deve faltar, além de sólido conhecimento das especialidades da área de educação, noções sobre as técnicas e terapêuticas que fazem parte da rotina da enfermaria, e sobre as doenças que acometem seus alunos e os problemas (mesmo os emocionais) delas decorren- tes, tanto para as crianças como também para os familiares e para as perspectivas de vida fora do hospital (FONSECA, 2008, p. 29). O pedagogo hospitalar se depara com a realidade de pessoas que tiveram seus sonhos e projetos interrompidos, mesmo que temporariamente, devido ao surgi- mento de uma doença que impede que a criança ou adolescente frequente a escola, afetando o seu desenvolvimento psicológico, escolar e social. Portanto, é papel do pedagogo, juntamente com a equipe multidisciplinar hos- pitalar, tentar minimizar o sofrimento do paciente-educando por meio do ensino. Quando a criança hospitalizada puder retornar à sua rotina e vida normais, não estará em desvantagem ou “atrasada” em relação aos demais alunos de sua sala de aula. Sem dúvida, é um trabalho desafi ador, mas ao mesmo tempo satisfatório, pois proporciona à criança e seus familiares a possibilidade de continuar a planejar, idealizar projetos e sonhos interrompidos durante o período de hospitalização. Não são só intervenções pedagógicas ou ações estratégicas no hospital, mas uma nova possibilidade de alcançar sonhos e projetos construídos (FREIRE, 2014, p. 141). Portanto, devem ser apresentadas atividades pedagógicas que se adequem ao contexto escolar de cada educando, além de colaborar para condições de apren- dizagem signifi cativas. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 92 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 92 26/04/2021 12:24:38 A sensibilidade e a humanização no ambiente hospitalar fazem parte das práticas pedagógicas realizadas pelo pedagogo que atua nessa área da Educação. O acompanhamento do educando, além do diálogo com a família do mesmo, são exemplos de ações que exigem do profissional uma postura humanizada e sensível à realidade de cada aluno. Outra responsabilidade do professor da classe hospitalar é manter contato com o professor da escola de origem do alu- no, isso se o educando já estiver matri- culado em uma instituição educacional. O objetivo é dar continuidade ao crono- grama curricular adotado pela sua esco- la, além de manter o professor do ensino regular informado sobre o trabalho rea- lizado com o aluno na classe hospitalar, inclusive sobre o seu desenvolvimento (FONSECA, 2008). Também é importante ressaltar que o pedagogo que atua nos espaços hospita- lares deve buscar ter uma boa comunicação com os profissionais de saúde, princi- palmente com aqueles que atuam diretamente com os seus alunos. Ainda sobre o perfil do pedagogo hospitalar, FONSECA (2008) aponta algumas características importantes sobre sua atuação: O perfil pedagógico-educacional do professor deve adequar-se à realidade hospitalar na qual transita, ressaltando as potenciali- dades do aluno e auxiliando-o no encontro com a vida que, ape- sar da doença, ainda pulsa dentro da criança com força suficien- te para ser percebida. Em outras palavras, o professor contribui para o aperfeiçoamento da assistência de saúde, de maneira a tornar a experiência da hospitalização, ainda que sempre inde- sejável, um acontecimento com significado para as crianças que dela necessitam (FONSECA, 2008, p. 37). Os desafios do dia a dia no hospital são diversos. Além das questões relaciona- das à saúde do educando, o pedagogo hospitalar também precisa estar atento à dinâmica dos dias, porque em um dia, muita coisa pode mudar. Diagnósticos, acom- panhamento e rotina. Além da família do educando, que também possui extrema importância nesse processo. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 93 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 93 26/04/2021 12:24:54 Diante de tantas características em uma rotina hospitalar, o pedagogo deve sem- pre se lembrar do seu papel ali: ele não é médico, mas precisa, sim, saber e acompa- nhar o estado de saúde dos alunos enquanto pacientes e a partir dessa realidade, desenvolver suas ações e práticas pedagógicas. Ainda precisamos nos lembrar dos fatores que podem ocorrer com os alunos pacientes: abatimento, depressão, síndromes diversas, devido à situação de saúde. Nesse momento, o acompanhamento de profi ssionais que atuam na área pedagó- gica também é muito importante. Entretanto, deve-se estar sempre atento, pois o pedagogo hospitalar não deve atuar sozinho em suas práticas. A prática pedagógica em ambientes hospitalares A prática pedagógica no ambiente hospitalar é caracterizada por Souza (2009, p. 69) como uma “prática educativa analisada refl exivamente, teorizada e realizada pelo coletivo institucional”, denominada por ele de práxis pedagógica. Nessa perspectiva, no âmbito hospitalar, a prática pedagógica sugere uma análise baseada nas condições psicológicas e emocionais que o educando está. Essas condições não devem ser trabalhadas de modo isolado, mas em conjunto com profi ssionais da equipe multidisciplinar do hospital que podem contribuir apresentando informações importantes sobre o estado de saúde do paciente. Tais informações contribuem de modo signifi cativo para que o pedagogo che- gue a conclusões sobre as práticas que podem ser aplicadas para estimular e desenvolver a aprendizagem e a interação social, de modo individualizado para cada aluno. Assim, é responsabilidade do pedagogo atender às necessidades educacio- nais dos alunos no ambiente hospitalar, estabelecendo uma relação contínua ao aprendizado e ao ensino obtidos na unidade de ensino em que está matriculado, mas sem padronizações ou demarcações acerca dos objetivos que devem ser alcançados, mas com o planejamento adequado para suprir as especifi cidades de cada aluno a partir de sua realidade. A inserção do pedagogo nos ambientes hospitalares, no quadro de funcioná- rios do hospital, não benefi cia somente a criança e o adolescente hospitalizado ou as famílias, mas também o ambiente hospitalar como um todo, para o proces- so de humanização desses espaços (Figura 1). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 94 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 94 26/04/2021 12:24:54 As práticas pedagógicas devem buscar uma execução flexível para suprir as situações cognitivas nos alunos no ambiente hospitalar, levando em conside- ração questões psicológicas, físicas e emocionais que a criança ou adolescente apresente. O pedagogo hospitalar deve buscar conhecimentos sobre como a educação pode estar inserida nos hospitais e como as práticas pedagógicas são específicas nos espaços hospitalares, já que procura evitar uma atuação educacional padro- nizada que se limita a aplicação de práticas e métodos escolarizados e passa a considerar as especificidades presentes em seus alunos e o ambiente em que se encontram. Essas questões são fatores fundamentais pela busca da inovaçãoe constante qualificação pedagógica, um empenho que vai além da formação acadêmica, o que permite desenvolver uma identidade da prática profissional humanizada. Uma prática pedagógica humanizada depende de diferentes fatores para se consolidar. Não diz respeito somente a acompanhar o aluno de perto e consi- derar as falas familiares, mas vai além dessas questões. Sabemos que não há um modelo pronto de atuação, com ações e intervenções perfeitas. Contudo, é possível alcançar esse objetivo por meio da sensibilidade de percepção em reco- nhecer e valorizar os diferentes aspectos, nas esferas social, psicológica, cultural e cognitiva que fazem parte do indivíduo como um todo. Figura 1. Professora e paciente nos corredores do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, nas comemorações de Páscoa. Fonte: JULIÃO; FERREIRA, 2018. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 95 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 95 26/04/2021 12:24:56 O pedagogo em sua prática pedagógica hospitalar, além de planejar suas ações e intervenções de modo diferenciado ao que é desenvolvido nas escolas, tem a neces- sidade de compreender sua atuação por meio da refl exão e da criticidade sobre a sua identidade profi ssional, o que sugere que ele está em constante formação ainda que atue na formação de indivíduos. O olhar crítico diante das práticas realizadas faz toda a diferença. Uma prática signifi cativa envolve refl exão e processos. O diálogo também contribui para a cons- trução de uma prática pedagógica signifi cativa, em que diferentes pontos de vista são considerados e contribuem para melhorias e aperfeiçoamento das práticas. A realidade hospitalar é bem diferente dos demais espaços, uma vez que dife- rentes fatores interferem no processo ensino-aprendizagem, e o pedagogo hospita- lar precisa compreender que esses fatores podem alterar o planejamento, as ações e intervenções com os educandos. Com isso, é necessário que cada ação e intervenção pedagógica possua fl exibi- lidade e compreenda o estado do educando naquele momento. Ainda que o aluno tenha alguma melhora em seu estado de saúde, imprevistos aconteçam ou por algum motivo retroceda em sua recuperação, é necessário que o pedagogo hospitalar tenha na manga intervenções pedagógicas adequadas. Aspectos e características no leito hospitalar, na sala de recreação/classe hospitalar, no acompanhamento escolar/ hospitalar e na orientação à família Como vimos, a realidade de um ambiente hospitalar traz características que infl uenciam diretamente nas atribuições do pedagogo que atua nesse espaço. As especifi cidades do espaço hospitalar interferem, principalmente, na prática pedagógica que deve ser desenvolvida. Quando pensamos em um espaço escolar, o que normalmente vem à nos- sa mente? Crianças correndo, ambiente com barulhos diversos, movimento, cores. Mas e em um espaço hospitalar? Quais memórias você tem de um es- paço hospitalar? Geralmente, um ambiente silencioso, com pessoas falando baixo e cores claras. A grande questão é: como fazer de um espaço hospitalar, um espaço para aprendizagem, recreação, ações e intervenções pedagógicas? PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 96 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 96 26/04/2021 12:24:56 Como proporcionar às crianças e adolescentes experiências de aprendizagem em um ambiente tão característico, como um hospital? A resposta está exata- mente na prática pedagógica adotada e na forma que o educador conduzirá os processos educacionais. De modo geral, as pessoas não possuem boas lembranças de um hospital, seja pela situação própria ou pela realidade de um familiar ou amigo. Quando pensamos na aprendizagem, geralmente, temos boas memórias de práticas pedagógicas vividas na infância. Como fazer do ambiente hospitalar um am- biente propício para práticas pedagógicas que contribuam para o processo de ensino-aprendizagem e ainda consolidem boas memórias aos educandos? Há exemplos práticos que podem ser adotados pelo pedagogo no ambien- te hospitalar e contribuir para uma rotina com resultados positivos para o educando e sua família. Lembrando que não há padronização para educan- dos que estão vivendo em uma realidade específica. Cada indivíduo possui a sua situação, o seu diagnóstico e cada prática pedagógica deve ser adequada para tal (Figura 2). Figura 2. Professora e aluno/paciente em classe hospitalar. Fonte: MANCINI, 2019. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 97 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 97 26/04/2021 12:24:57 O pedagogo hospitalar e a família do educando Um dos aspectos no trabalho do pedagogo hospitalar que merece destaque diz respeito ao trabalho social junto aos familiares da criança ou adolescente hospitalizado ou sob atendimento domiciliar. Diante da fragilidade dos familiares dos educandos pela realidade do estado de saúde dos mesmos, é importante que a prática pedagógica também os envol- va, para que, de algum modo, acompanhem o desenvolvimento do aluno e façam parte desse processo educacional. A família tem um papel fundamental na formação do sujeito socialmente; na realidade dos educandos em espaço hospitalar, também não é diferente. Uma família presente faz toda diferença nesse processo e a proximidade com o educador é de extrema importância. Um exemplo de um trabalho de relevância para a rotina escolar e aten- dimento pedagógico em um ambiente hospitalar ou domiciliar é o registro diário das impressões e observações do desempenho dos educandos. Regis- trar atitudes, receptividade e interesse durante as atividades propostas é um modo que contribui para se pensar, repensar e ressignifi car a prática docen- te, buscando melhorar, adequar, dar continuidade ou excluir estratégias de ensino-aprendizagem utilizadas (FONSECA, 2008). Sobre avaliação na realidade hospitalar ou domiciliar, é importante des- tacar que deve acontecer gradativamente. Por meio das observações do dia a dia, diante das práticas pedagógicas adotadas e a partir das atividades rea- lizadas e como foram realizadas, é possível perceber como o educando está lidando com as intervenções feitas. Desse modo, pode-se identifi car as difi - culdades, os alcances e as práticas mais adequadas à realidade de cada aluno. Ainda que os educandos, sejam eles crianças ou adolescentes, estejam inseridos em ambiente hospitalar ou carentes de atendimento domiciliar, é válido lembrar que as características da aprendizagem dessas faixas etárias ainda devem ser consideradas. Considera-se ainda que o meio social em que estão inseridos infl uenciam diretamente em como aprendem. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 98 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 98 26/04/2021 12:24:57 O trabalho social com os familiares consiste em prestar conforto, au- xiliando os mesmos de modo ético, a compreender o estado de saúde da criança, estreitando a relação dos familiares com os profissionais de saúde. É importante orientar os familiares a não terem receio de procurar esses profissionais quando houver dúvidas ou para obter informações sobre o estado de saúde da criança ou adolescente. O pedagogo como agente social também tem o papel de orientar os familiares do educando hospitalizado a buscar assistência junto ao depar- tamento de serviço social do hospital, caso haja alguma dificuldade, por estar afastado de suas atividades profissionais, considerando que pode ser o acompanhante do menor hospitalizado, ou por ainda não ter feito o regis- tro de nascimento, por exemplo, no caso de recém-nascidos hospitalizados. Mais um exemplo de atribuição do pedagogo hospitalar é nortear os fa- miliares a procurar pelo serviço de saúde mental do hospital com o obje- tivo de expor seus sentimentos ou questionamentos acerca do educando hospitalizado. É importante que os familiares expressem suas aflições ou dificuldades e saibam lidar com a situação vivida pelo estado de saúde do educando, ou com o conhecimentode que a doença pode deixar sequelas ou limitações na vida da criança ou adolescente. Sem dúvidas, essas notícias no ambien- te hospitalar podem causar abalos emocionais nas famílias diante de uma nova realidade (FONSECA, 2008). Existem ações e intervenções pedagógicas que a família pode comparti- lhar e, de fato, muitas vezes é necessário que a família saiba como participar. Para isso, é importante que sejam aproximados e reconhecidos no contexto do processo educacional do educando. Em geral, a família não se reconhece como participante no processo ensino-aprendizagem e precisa ser conduzi- da a uma nova ótica acerca de sua própria identidade na vida do educando. O pedagogo pode contribuir nesse processo por meio de conversas intencionais e levantamento de informa- ções sobre o perfil familiar, em que por meio das in- formações levantadas, ações estratégicas podem ser tomadas e, assim, possam contribuir para que a família se perceba no processo educacional. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 99 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 99 26/04/2021 12:24:57 Ações e intervenções do pedagogo no espaço hospitalar De acordo com inúmeros estudos de natureza científi ca, o brincar é extre- mamente importante para o desenvolvimento da criança. Os aspectos motor, emocional, social, psicológico e cognitivo são infl uenciados diretamente pelo que é lúdico. O desafi o contido nas situações de brincadeira desenvolve o fun- cionamento do pensamento e leva a criança a alcançar etapas de desempenho que só essas ações conseguem. O Quadro 3 resume a relevância do brincar. Por que brincar é importante? Porque é bom, é gostoso e dá felicidade, e ser feliz é estar mais predisposto a ser bondoso, a amar o próximo e a partilhar fraternalmente. Porque é brincando que a criança se desenvolve, exercitando suas potencialidades. Porque brincando a criança aprende com toda a riqueza do aprender fazendo, espontaneamente, sem estresse ou medo de errar, mas com prazer pela aquisição de conhecimento. Porque, brincando, a criança desenvolve a sociabilidade, faz amigos e aprende a conviver respeitando o direito dos outros e as normas estabelecidas pelo grupo. Porque, brincando, aprende a engajar-se nas atividades, gratuitamente, pelo prazer de praticar, sem visar recompensa ou temer castigo, mas adquirindo o hábito de estar ocupada, fazendo alguma coisa inteligente e criativa. Porque, brincando, prepara-se para o futuro, experimentando o mundo ao seu redor dentro dos limites que sua condição atual permite. Porque, brincando, as ações tornam-se operativas. Porque, brincando, a criança está nutrindo a sua vida interior, descobrindo sua vocação e buscando um sentido para a vida. QUADRO 3. PORQUE BRINCAR É IMPORTANTE Fonte: CUNHA, 1994, p. 11 apud SILVA; FARAGO, 2014, p.177-178. (Adaptado). Diante desse valor das brincadeiras, sejam elas nos mais diferentes espa- ços, como condição agregadora para o conhecimento, espaços específi cos fo- ram designados para o exercício das brincadeiras nos espaços hospitalares: as brinquedotecas. A defi nição de brinquedoteca se dá, segundo Cunha (1994, p. 13 apud SILVA; FARAGO, 2014, p. 178), como “um espaço onde as crianças (e os adultos) vão para brincar livremente, com todo o estímulo à manifestação de suas potencia- lidades e necessidades lúdicas”. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 100 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 100 26/04/2021 12:24:57 Assim, a brinquedoteca (Figura 3) pode ser considerada um ambiente que visa a diversão, e onde se brinca mesmo sem brinquedos, desde que o objetivo seja o estímulo de brincadeiras com o foco no desenvolvimento da criança em seus diferentes âmbitos. Figura 3. Brinquedoteca do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Fonte: Hospital Israelita Albert Einstein. Acesso em: 01/04/2021. Nessa perspectiva, o pedagogo hospitalar também é responsável por de- senvolver atividades lúdicas com os educandos. Tais ações e intervenções pe- dagógicas de perfil lúdico visam minimizar ou controlar a ansiedade, a angústia e o temor, sentimentos que surgem nas crianças e adolescentes nos leitos dos hospitais, principalmente em crianças menores, diante da nova situação im- posta pela doença. Muitas vezes, a realidade hospitalar assusta as crianças e adolescentes de- vido à alteração de sua rotina, privando-os do convívio familiar, social e escolar. As ações lúdico-pedagógicas, de acordo com alguns estudos, refletem até na recuperação clínica do educando em internação. Em geral, a equipe pedagógica que atua no contexto hospitalar conta com a colaboração de um coordenador que organiza as propostas das práticas peda- gógicas a serem desenvolvidas na classe hospitalar e no atendimento pedagó- gico domiciliar, além de orientar e dar assistência aos professores que atuam nesses espaços (BRASIL, 2002). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 101 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 101 26/04/2021 12:24:58 Sobre as ações e práticas realizadas junto aos educandos, podemos citar além do espaço da brinquedoteca, a contação de histórias, as atividades adaptadas à realidade do aluno, entre outras. Vale lembrar que um dos gran- des desafios do pedagogo hospitalar é transformar o espaço hospitalar em um ambiente agradável para a aprendizagem. DICA Você já parou para pensar no valor das práticas pedagógicas no espaço hospitalar? Sobre a contação de histórias, há ações e intervenções a partir de histórias, que podem contri- buir significativamente para a escolarização nesses espaços. Considere a leitura do artigo Pedagogia hospitalar: interven- ções na unidade pediátrica a partir da contação de histórias, que traz uma abordagem sobre essa prática. Precisamos lembrar que crianças e adolescentes que estão em um leito de hospital ou necessitam de atendimento pedagógico domiciliar possuem carac- terísticas similares aos demais sujeitos da faixa etária. As crianças precisam brincar e, considerando o ambiente hospitalar, entende-se que por estarem em uma rotina diferente da comum, precisam mais do que nunca do lúdico. Sobre isso, Fontes (2005, p. 17) afirma que a criança hospitalizada continua sendo criança e precisa ser tratada como tal, em sua rotina, com ações e inter- venções destinadas a ela. O pedagogo hospitalar possui grandes desafios em sua rotina, seja em um ambiente hospitalar ou em um atendi- mento pedagógico domiciliar, destacando que as etapas de recuperação podem ser acompanhadas de práticas pe- dagógicas que contribuam positivamente para o bem-estar e melhora desses educandos. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 102 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 102 26/04/2021 12:24:58 Sintetizando Nesta unidade, vimos que a pedagogia hospitalar possui um histórico que nos mostra o quanto o seu início contribui para a vida de muitas crianças e ado- lescentes. Ao longo dos anos, em meio a condições muitas vezes não adequadas, a pedagogia hospitalar se estabeleceu e, atualmente, alcança milhares de edu- candos nos mais diferentes espaços hospitalares e também por meio do atendi- mento pedagógico hospitalar. Além disso, vimos que pedagogo hospitalar, como profissional que atua em ambientes hospitalares, deve estar atento à equipe que acompanha o educando para obter informações sobre o estado de saúde do mesmo. As ações e inter- venções do pedagogo devem se adequar à realidade do aluno e possibilitar ao mesmo uma participação efetiva, respeitando suas limitações. Abordamos ainda que família do educando internado em um ambiente hos- pitalar ou carente de atendimento pedagógico domiciliar tem papel fundamental em sua recuperação. O pedagogo hospitalar tem o objetivo de aproximar a famí- lia da equipe médica que acompanha o educando, além de promover a participa- ção dessa família no processo educacional da criança ou adolescente. Por fim, destacamos que as práticas pedagógicas na Pedagogia hospitalar possuem característicaspróprias que devem atender à realidade do educando, além de promover contribuições para o desenvolvimento de crianças e adoles- centes. O bem-estar em meio a uma realidade adversa também faz parte dos objetivos da prática pedagógica hospitalar. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 103 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 103 26/04/2021 12:24:58 Referências bibliográficas ARAÚJO, K. S. X.; RODRIGUES, J. M. C. Pedagogia hospitalar no Brasil: breve his- tórico do século XX aos dias atuais. Políticas Educativas, Paraná, v. 14, n. 1, p. 140-148, 2020. Disponível em: <https://www.seer.ufrgs.br/Poled/article/viewFi- le/109584/59364>. Acesso em: 01 abr. 2021. BARBOSA, F. N. R. Política de atendimento pedagógico domiciliar na Rede Mu- nicipal de Ensino de Curitiba: uma proposta inclusiva considerando tempo e formas de aprender. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 9.; ENCONTRO SUL BRASILEIRO DE PSICOPEDAGOGIA, 3., 2009, Curitiba. Anais... Curitiba: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2009. Disponível em: <https://edu- cere.bruc.com.br/arquivo/pdf2009/3270_1796.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2021. BELANCIERI, M. F. et al. Pedagogia hospitalar: intervenções na unidade pediá- trica a partir da contação de histórias. Semina: Ciências Sociais e Humanas, Londrina, v. 39, n. 1, p. 53-64, jan./jun. 2018. Disponível em: <http://pepsic.bv- salud.org/pdf/sem/v39n1/a05.pdf>. Acesso em: 27 mar. 2021. BISCARO, D. B. Pedagogia hospitalar e suas bases legais. Instituto Paradigma, São Paulo. Disponível em: <https://iparadigma.org.br/wp-content/uploads/Ed- -incluisva-13.pdf>. Acesso em: 28 mar. 2021. BRANDÃO, S. H. A. O atendimento educacional domiciliar ao aluno afastado da escola por motivo de doença. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 10.; SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, SUBJETIVIDADE E EDUCAÇÃO, 1., 2011, Curitiba. Anais... Curitiba: Pontifícia Universidade Ca- tólica do Paraná, 2011. Disponível em: <https://educere.bruc.com.br/CD2011/ pdf/4965_3003.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2021. BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Diário Oficial da União, Bra- sília, DF, 27 dez. 1961. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/l4024.htm>. Acesso em: 25 mar. 2021. BRASIL. Decreto-lei nº 1.044, de 21 de outubro de 1969. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 22 out. 1969. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/decreto-lei/del1044.htm>. Acesso em: 26 mar. 2021. BRASIL. Decreto nº 72.425, de 03 de julho de 1973. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 04 jul. 1973. Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/ legin/fed/decret/1970-1979/decreto-72425-3-julho-1973-420888-publica- PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 104 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 104 26/04/2021 12:24:59 caooriginal-1-pe.html>. Acesso em: 24 mar. 2021. BRASIL. Lei nº 6.202, de 17 de abril de 1975. Diário Oficial da União, Brasí- lia, DF, 17 abr. 1975. Disponível em: <https://www2.camara.leg.br/legin/fed/ lei/1970-1979/lei-6202-17-abril-1975-357541-publicacaooriginal-1-pl.html>. Acesso em: 26 mar. 2021. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF, 05 out. 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/consti- tuicao/constituicaocompilado.htm>. Acesso em: 23 mar. 2021. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Diário Oficial da União, Brasí- lia, DF, 16 jul. 1990. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l8069.htm>. Acesso em: 26 mar. 2021. BRASIL. Resolução nº 41, de 13 de outubro de 1995. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 out. 1995. Disponível em: <https://portaldeboaspraticas.iff.fio- cruz.br/biblioteca/resolucao-n-41-de-13-de-outubro-de-1995/>. Acesso em: 26 mar. 2021. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Diário Oficial da União, Bra- sília, DF, 23 dez. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/l9394.htm>. Acesso em: 23 mar. 2021. BRASIL. Resolução CNE/CBE nº 2, de 11 de setembro de 2001. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 14 set. 2001. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/ arquivos/pdf/resolucao2.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2021. BRASIL. Decreto nº 7611, de 17 de novembro de 2011. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 18 nov. 2011. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/cci- vil_03/_ato2011-2014/2011/decreto/d7611.htm>. Acesso em: 26 mar. 2021. BRASIL. Resolução CNE/CES nº 4, de 13 de julho de 2005. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 19 jul. 2005. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/cne/ arquivos/pdf/rces004_05.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2021. BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Classe hospitalar e atendimento pedagógico domiciliar: estratégias e orien- tações. Brasília, DF: MEC; SEESP, 2002. Disponível em: <http://portal.mec.gov. br/seesp/arquivos/pdf/livro9.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2021. BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Marcos Político-Legais da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC, 2010. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 105 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 105 26/04/2021 12:24:59 BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO CONTI- NUADA, ALFABETIZAÇÃO, DIVERSIDADE E INCLUSÃO. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, DF: MEC; SECADI, 1994. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index. php?option=com_docman&view=download&alias=16690-politica-nacional- -de-educacao-especial-na-perspectiva-da-educacao-inclusiva-05122014&I- temid=30192>. Acesso em: 23 mar. 2021. BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. SECRETARIA DE EDUCAÇÃO ESPECIAL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação In- clusiva. Brasília, DF: MEC; SEESP, 2008. Disponível em: <http://portal.mec. gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf>. Acesso em: 23 mar. 2021. FREIRE, P. Extensão ou comunicação? 12. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2002. FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educati- va. 49. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014. FONSECA, E. S. Atendimento escolar no ambiente hospitalar. São Paulo: Memnon, 2008. FONTES, R. S. A escuta pedagógica à criança hospitalizada: discutindo o pa- pel da educação no hospital. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janei- ro, n. 29, p. 119-138, 2005. Disponível em: <https://www.scielo.br/pdf/rbe- du/n29/n29a10.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2021. HOSPITAL ISRAELITA ALBERT EINSTEIN. Brinquedoteca. Disponível em: <ht- tps://www.einstein.br/especialidades/pediatria/estrutura/brinquedoteca>. Acesso em: 01 abr. 2021. JULIÃO, L. G.; FERREIRA, P. Segundo dados do MEC, cerca de 20 mil estu- dantes assistem a aulas em hospitais. O Globo, Rio de Janeiro, 12 abr. 2018. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/segun- do-dados-do-mec-cerca-de-20-mil-estudantes-assistem-aulas-em-hospi- tais-22582441>. Acesso em: 26 mar. 2021. LIMA, F.; FIRMINO, F. LDB esquematizada: comentada e atualizada. 2. ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2020. MANCINI, N. Classe hospitalar, a sala de aula nos hospitais. Revista Abrale On-line, São Paulo, 29 mar. 2019. Disponível em: <https://revista.abrale.org. br/classe-hospitalar-sala-de-aula-nos-hospitais/#>. Acesso em: 01 abr. 2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 106 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 106 26/04/2021 12:24:59 MATOS, E. L. M. (Org.). Escolarização hospitalar: educação e saúde de mãos dadas para humanizar. Petrópolis: Vozes, 2009. MATOS, E. L. M.; MUGIATTI, M. M. T. F. Pedagogia hospitalar: a humaniza- ção integrando educação e saúde. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2008. MEIRA, D. G. Hospital Jesus: subsídio à sua história. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Laermmert S.A., 1971. MELLO, C. M.; ALMEIDA NETO, J. R. M.; PETRILLO, R. P. Educação 5.0: educa- ção para o futuro. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2020. SALES, C. J.; LIMA, D. M.; SOUZA, H. O. L. Pedagogia hospitalar: metas e de- safios para o pedagogo.Brasil Escola. Disponível em: <https://meuartigo. brasilescola.uol.com.br/pedagogia/pedagogia-hospitalar-metas-desafios- -para-pedagogo.htm>. Acesso em: 28 mar. 2021. SANTOS, M. C. K. A atuação do pedagogo na escolarização hospitalar e do- miciliar. In: CONGRESSO NACIONAL DE EDUCAÇÃO, 10.; SEMINÁRIO INTER- NACIONAL DE REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, SUBJETIVIDADE E EDUCAÇÃO, 1., 2011, Curitiba. Anais... Curitiba: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2011. Disponível em: <https://educere.bruc.com.br/CD2011/pdf/6043_3118. pdf>. Acesso em: 24 mar. 2021. SCHUELER, A. F. M.; MAGALDI, A. M. B. M. Educação escolar na Primeira República: memória, história e perspectivas de pesquisa. Tempo, 2009, v. 13, n. 26, p. 32-55. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?pi- d=S1413-77042009000100003&script=sci_abstract&tlng=pt>. Acesso em: 28 mar. 2021. SILVA, R.; FARAGO, A. C. Pedagogia hospitalar: a atuação do pedagogo em espaços não-formais de educação. Cadernos de Educação: Ensino e So- ciedade, Bebedouro-SP, v. 1, n. 1, p. 165-185, 2014. Disponível em: <https:// www.unifafibe.com.br/revistasonline/arquivos/cadernodeeducacao/suma- rio/31/04042014074320.pdf>. Acesso em: 25 mar. 2021. SILVA, S.; PACHECO, M.; PINHEIRO, V. Reflexões sobre o atendimento peda- gógico domiciliar. In: SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE INCLUSÃO ESCOLAR: PRÁTICAS EM DIÁLOGO, 1., 2014, Rio de Janeiro. Anais... Rio de Janeiro: Uni- versidade do Estado do Rio de Janeiro, 2014. Disponível em: <http://www. cap.uerj.br/site/images/stories/noticias/43-silva_et_al.pdf>. Acesso em: 24 mar. 2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 107 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 107 26/04/2021 12:24:59 SOARES, M. T. N. O fantasma de Procusto, do século XIX aos dias atuais: o fio condutor da história da educação de pessoas com deficiência no Brasil. Temas em Educação, João Pessoa, v. 20/21, n. 1/2, p. 187-196, 2012. Disponível em: <https://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/rteo/article/view/20216/11249>. Acesso em: 24 mar. 2021. SOUZA, J. F. Prática pedagógica e formação de professores. Recife: UFPE, 2009. VASCONCELOS, S. M. F. Intervenção escolar em hospitais para crianças inter- nadas: a formação alternativa re-socializadora. In: CONGRESSO INTERNACIO- NAL DE PEDAGOGIA SOCIAL, 1., 2006, São Paulo. Proceedings online... São Paulo: Faculdade de Educação, Universidade de São Paulo, 2006. Disponível em: <http://www.proceedings.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=MS- C0000000092006000100048&lng=en&nrm=abn>. Acesso em: 25 mar. 2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 108 SER_PEDA_PEOSH_UNID3.indd 108 26/04/2021 12:24:59 O PEDAGOGO ORGANIZACIONAL E SUAS PRÁTICAS: ASPECTOS E CONCEITOS NAS ORGANIZAÇÕES 4 UNIDADE SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 109 26/04/2021 13:03:52 Objetivos da unidade Tópicos de estudo Apresentar conhecimentos para o exercício da Pedagogia Organizacional; Abordar intervenções sociais e as práticas do pedagogo social; Ver elementos da elaboração de projetos organizacionais, sociais e hospitalares. Conhecimentos necessários ao pedagogo organizacional O pedagogo organizacional, o diagnóstico, a cultura e as mudanças no cenário organizacional Treinamento e seleção: dinâmicas, jogos e simulações Educação corporativa: administração do conhecimento Intervenções sociais e práticas do pedagogo social O pedagogo social e suas práticas Ações e intervenções sociais Elaborando projetos organizacionais, sociais e hospitalares Projeto organizacional Projeto social Projeto hospitalar PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 110 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 110 26/04/2021 13:03:52 Conhecimentos necessários ao pedagogo organizacional Na atualidade, o pedagogo ocupa cargos em vários tipos de organizações. Num retrospecto, é possível perceber que, por muitos anos, o pedagogo foi um profi ssional presente apenas em ambientes escolares. Diante de inúmeras mu- danças no cenário corporativo, é possível enxergar o pedagogo em inúmeras áreas e setores, atuando em funções relacionadas à sua formação. Nesse novo contexto, o pedagogo encontra espaço nas organizações em diversos perfi s, ressignifi cando o sentido de muitas questões no cenário corporativo. Como se sabe, nas Diretrizes Curriculares do Curso de Pedagogia está des- crito que o pedagogo pode atuar “em espaços escolares e não escolares”, o que evidencia como é ampla sua capacidade de atuação. Com o impacto das novas tecnologias, as organizações buscam investir na educação, demonstrando interesse na construção do conhecimento e nos processos educacionais em todas as áreas e etapas das organizações. Investir no crescimento dos colaboradores, seja no crescimento intelectual ou profi ssional, aplicável à vida ou ao desempenho de suas funções no espa- ço de trabalho é uma tendência que vem crescendo no mundo atual. De um modo geral, quando se ouve falar em educação, o primeiro pensamento que vem à mente é o da escola, ou de crianças e adolescentes. No entanto, é im- portante lembrar que, neste novo cenário em que as organizações valorizam o desenvolvimento de seus colaboradores, a capacitação dentro das empresas se tornou uma estratégia de ascensão e crescimento. Dessa forma, o pedagogo é um profi ssional capacitado para lidar com os processos educacionais nas organizações e servindo como agente educacio- nal, cuja função está relacionada à concretização da educação dentro dos inte- resses empresariais de cada momento específi co em diversos con- textos. As organizações que investem na aprendizagem de seus colaboradores têm um retorno tanto na satisfação dos colaboradores quanto no crescimento econô- mico. As pessoas passam a ter um maior compro- metimento com a equipe e com a organização ao compreender que aquela instituição investe e busca qualifi car seus funcionários. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 111 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 111 26/04/2021 13:03:52 A aprendizagem no espaço organizacional leva em consideração o aprendi- zado individual para o êxito dos processos aplicados. Dessa forma, a princípio, é importante proporcionar condições para que o colaborador busque o conhe- cimento de si próprio. Muitas organizações pensam em resultados a curto pra- zo, contudo, investir em pessoas é compreender que cada indivíduo possui seu ritmo e seu tempo. Quando a organização pensa não apenas no resultado e nas melhorias, mas também no ambiente organizacional, percebe que a aprendizagem acontece não só no singular, mas de forma coletiva. Um dos grandes objetivos do investimento na aprendizagem dos colaboradores é o desenvolvimento e a mudança de valores e da relação com o conhecimento dentro da organização, construindo uma nova identidade, na qual os colaboradores sentem prazer no trabalho e procuram os melhores resultados. Quando um colaborador observa o investimento da empresa nele, no seu crescimento e aperfeiçoamento, ele desenvolve uma mentalidade de perten- cimento à instituição, o que não se trata só de fazer o seu trabalho ou cumprir uma carga horária, mas sim contribuir para uma equi- pe, um time no qual seu papel é fundamental para o sucesso de todos. A atuação do pedagogo nas orga- nizações prioriza a relação do conhecimento e a ad- ministração, além da organização dos processos edu- cacionais e a sistematização de etapas relacionadas às atividades laborais no espaço corporativo. O pedagogo organizacional, o diagnóstico, a cultura e as mudanças no cenário organizacional O contexto organizacional possui características próprias que giram em torno da identidade da instituição, da missão e dos componentes que a com- põem. Alguns teóricos usam metáforas na tentativa de explicar o funciona- mento das organizações no campo do estudo da Administração, Economia e áreas afi ns. O teórico Gareth Morgan é um deles e, no livro Imagens da orga- nização, de 1996, ele descreve os tiposde organizações a partir de metáforas, como no Quadro 1. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 112 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 112 26/04/2021 13:03:53 As metáforas de Morgan 1. Organizações como máquinas: desenvolvimento da organização burocrática, máquinas feitas de partes que se interligam, cada uma desempenhando um papel no funcionamento do todo; 2. Organizações como organismos: compreende e administra as necessidades organizacionais e as relações com o ambiente, como diferentes tipos de organizações pertencendo a diferentes espécies; 3. Organizações como cérebros: importância do processamento de informações, aprendizagem e inteligência, cérebro como um computador, cérebro como um holograma; 4. Organizações como culturas: realidades construídas e sustentadas por um conjunto de ideias, valores, normas, rituais e crenças; 5. Organizações como sistemas políticos: sistemas de governo baseados em vários princípios políticos que legitimam diferentes tipos de regras assim como os fatores específicos que delineiam a política da vida organizacional; 6. Organizações como prisões psíquicas: as pessoas caem nas armadilhas dos seus próprios pensamentos, ideias e crenças ou preocupações que se originam na dimensão inconsciente da mente; 7. Organizações como fluxo e transformação: compreensão da lógica de mudança que dá forma à vida social (sistemas autoprodutores, causalidade mútua e lógica dialética); 8. Organizações como instrumentos de dominação: aspectos potencialmente exploradores das organizações; sua essência repousa sobre um processo de dominação em que certas pessoas impõem seus desejos sobre as outras. QUADRO 1. AS ORGANIZAÇÕES, SEGUNDO MORGAN Fonte: MONTEIRO, VENTURA, CRUZ, 2015. (Adaptado). O Quadro 1 aborda a multiplicidade de identidades e características exis- tentes no cenário organizacional. Morgan, por exemplo, classifica as organi- zações em vários tipos, visão e perspectiva que são base para processos de planejamento estratégico de muitas empresas. Nesse cenário, o pedagogo precisa estar atualizado quanto à identidade da organização, a fim de con- duzir os processos relacionados à sistematização do conhecimento naquela organização. Além de estar informado quanto à identidade da organização, o pedagogo precisa conhecer as ferramentas que identificam informações importantes quanto à organização. Uma das ferramentas que mapeiam informações sobre a realidade da or- ganização é o diagnóstico. Quando se pensa na palavra diagnóstico, talvez venha à mente, na maioria das vezes, algo relacionado à saúde, já que a pala- vra é usada neste cenário. No âmbito corporativo, o diagnóstico é uma ferra- menta que faz um levantamento das dificuldades e oportunidades, tornando a visibilidade do gestor mais exata nas decisões e processos. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 113 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 113 26/04/2021 13:03:53 A partir do diagnóstico organizacional, o gestor toma decisões estratégi- cas, com resultados mais assertivos com foco no que precisa ser aperfeiçoa- do. Com um diagnóstico eficiente, o gestor compreende melhor o próprio ne- gócio, ou a realidade da sua equipe, tendo condições de planejar um processo que permita o desenvolvimento de passos que conduzam a organização a melhores resultados. O diagnóstico se manifesta nas organizações por possibilitar uma visão ampla, clara e específica sobre aspectos que envolvem a realidade da empre- sa. As informações contidas no diagnóstico norteiam ações e intervenções nas soluções de problemas nas organizações. É certo, de que, algumas res- postas requerem pesquisa, mas boa parte das informações para tomada de decisões no cenário corporativo partem do diagnóstico. O diagnóstico alcança diferentes áreas das organizações, sendo funda- mentado em dados verídicos para que dele surjam informações que contri- buam para a elaboração de estratégias específicas. É importante que o peda- gogo organizacional esteja atento às informações do diagnóstico para ações e intervenções necessárias, uma vez que o diagnóstico alcança diferentes áreas nas organizações. DiagnósticoFinanceiro Marketing e vendas Operacional/de pessoas Estratégica DIAGRAMA 1. ÁREAS ALCANÇADAS PELO DIAGNÓSTICO NAS ORGANIZAÇÕES Fonte: FARIAS, [s.d]. (Adaptado). PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 114 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 114 26/04/2021 13:03:53 Há boas razões para uma organização investir no diagnóstico, como a visualização de resulta- dos e a maturidade da empresa, que são pon- tos alcançados pelo diagnóstico. A cultura de uma organização está relacionada com a identi- dade da mesma, logo, a cultura organizacional se refere ao conjunto específico de valores, crenças e ações que norteiam a forma como uma organização conduz o seu próprio negócio ou serviço. O conceito desenvolvido por Schein, em artigo publicado em 1996 na revista Administrative science quarterly, sobre cultura organizacio- nal, aborda dois importantes aspectos. Nas páginas 3 e 4 do artigo, Schein define a cultura organizacional com base numa ótica voltada para o âmbito interno de uma organização: [...] o modelo dos pressupostos básicos, que determinado gru- po tem inventado, descoberto ou desenvolvido no processo de aprendizagem para lidar com os problemas de adaptação exter- na e integração interna. Uma vez que os pressupostos tenham funcionado bem o suficiente para serem considerados válidos, são ensinados aos demais membros da organização como a ma- neira correta para se perceber, se pensar e sentir-se em relação àqueles problemas. Os elementos que compõem a cultura organizacional são características de importante compreensão, ou seja, de como a organização lida com os fatores externos e internos. Esses elementos ajudam a identificar a cultura presente em determinado ambiente organizacional. Nessa perspectiva, os elementos que compõem uma cultura organizacional podem ser divididos em sete classes: • Valores; • Crenças e pressupostos; • Ritos, rituais e cerimônias; • Sagas e Heróis; • Estórias; • Tabus; • Normas. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 115 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 115 26/04/2021 13:03:53 Segundo Chiavenato, autor do livro Administração de recursos humanos, editado em 2004, a cultura organizacional é capaz de estimular a satisfação no trabalho, a motivação e o desempenho dos colaboradores. Dessa forma, o desenvolvimento de uma cultura sadia nas organizações contribui para o sucesso, além das próprias relações entre os colaboradores nos mais diferentes níveis hierárquicos. ASSISTA A cultura organizacional abrange aspectos muito impor- tantes a serem considerados no âmbito das organizações. Para aprofundar-se nesse assunto, o vídeo e-Talks | Cultura Organizacional Alavancando Negócios - Patrícia Tavares [Nex-us] apresenta um pouco mais sobre esse conceito tão importante no cenário corporativo. Quando são abordadas as mudanças no cenário corporativo, é importante se atentar ao fato de que ainda que grandes mudanças se deem nos mais diferentes aspectos, a cultura de uma organização norteia a forma como lidar com tais mu- danças. Os processos e etapas nos mais diferentes cenários, sejam eles positivos ou negativos, contribuem de forma signifi cativa para o êxito da organização. Dessa forma, cada momento vivido pela empresa e pelos colaboradores cons- trói a história daquela organização e a forma como cada colaborador se enxerga na organização diz muito sobre como a organização deve enfrentar cada mudan- ça. O pedagogo, como profi ssional que atua em situações diversas, precisa per- ceber como tem se desenvolvido a cultura organizacional, para que os confl itos sejam minimizados e os resultados sejam alcançados nos cenários de mudanças mais desafi adores. Treinamento e seleção: dinâmicas, jogos e simulações Ao longo dos anos, com o avanço da tecnologia, a competitividadese tornou mais intensa entre as empresas. O setor responsável pelo treinamento e de- senvolvimento de recursos humanos, antes visto apenas como algo necessário e burocrático dentro da organização, passou a ser um dos mais importantes nas organizações. O aumento da globalização transformou o setor respon- sável pelo desenvolvimento de pessoas num setor com função estratégica no mercado de trabalho e de extrema importância para a empresa. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 116 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 116 26/04/2021 13:03:53 O objetivo é que as organizações tenham os melhores colaboradores em suas equipes de trabalho. Por isso, há necessidade de investimento na busca por pro- fissionais que possam exercer suas funções da melhor forma possível. Portanto, a didática e as estratégias educacionais são aliadas em diferentes organizações, visando recrutar e aperfeiçoar os melhores profissionais, visto que, de um modo geral, existem inúmeras composições que podem ser aperfeiçoadas. Quando se reflete sobre o capital humano, ou seja, as pessoas que trabalham na organização, há inúmeros pontos levados em conta quanto à qualificação. O setor responsável em administrar esse assunto, o de Recursos Humanos, pre- cisa estar atento às necessidades da empresa (macro), mas perceber as necessi- dades dos colaboradores (micro). O conceito de prática pedagógica de treinamento está em constante aperfei- çoamento, pois segue as tendências da necessidade do mercado. Durante muito tempo, essa prática era tida como voltada à linha da pedagogia tecnicista, cujo treinamento se voltava apenas ao conteúdo em si. O objetivo era preparar o su- jeito para as suas funções no contexto corporativo e não existia a preocupação com sua educação, formação ou condições para que o indivíduo crescesse no ambiente de trabalho. O valor que cada organização tem está relacionado ao seu capital humano. É esse valor que conduz o crescimento da empresa a longo prazo ou a faz falir. Tendo em vista a realidade do mundo globalizado e competitivo, investir nesse capital humano, preparar os colaboradores, aperfeiçoá-los e dar condições para que esse colaborador acompanhe as mudanças nos diferentes cenários do mer- cado atual faz diferença. Catharino, na dissertação “Treinamento do capital humano das empresas e o seu reflexo no processo de mudanças tecnológicas, econômicas e sociais”, apresentada em 2002, traz uma contribuição que defende que o trabalhador tenha à disposição ferramentas de capacitação fornecidas pela empresa, no seu crescimento no exercício de suas funções e no seu aperfeiçoamento pessoal. É dever da organização estar atenta às tendências que o mercado apresenta pois, quanto mais o profissional tem acesso ao conhecimento, maior a sua capacidade de realizar suas funções. Vale ressaltar que, a partir da disponibilidade da empre- sa em investir no colaborador, ele também pode contribuir em novas funções e responsabilidades, em novos desafios. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 117 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 117 26/04/2021 13:03:53 Neste contexto, uma das atribuições do pedagogo é se preparar, pesquisar, investir em sua formação e estar atento ao que acontece no mercado. A sua interação com o setor de recursos humanos está em ministrar treinamentos e colaborar no investimento de colaboradores para o sucesso da organização. A realização do treinamento pelo pedagogo organizacional exige maior pesquisa em relação à organização, ou seja, é dever do profissional planejar o material que vai utilizar e pensar estrategicamente cada passo que será desenvolvido. As habilidades do pedagogo Elaborar o planejamento Avaliar o comportamento dos colaboradores Identificar as necessidades individuais e coletivas Alterar a metodologia DIAGRAMA 2. AS HABILIDADES DO PEDAGOGO Fonte: LIBÂNEO, 1990. (Adaptado). Segundo Libâneo, autor do livro Didática, publicado em 1990, o pedagogo possui habilidades para desenvolver suas atribuições dentro de organizações, já que possui o conhecimento de técnicas para elaborar o planejamento, avaliar o comportamento dos colaboradores, identificar as necessidades individuais e coletivas da organização e alterar, quando necessário, a metodologia utilizada. É possível inferir que a educação é um processo amplo e que possibilita ao in- divíduo se desenvolver de um modo completo e em todas as suas dimensões. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 118 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 118 26/04/2021 13:03:53 Assim, no cenário corporativo, os objetivos das práticas pedagógicas bus- cam muito mais do que acumular técnicas e conhecimentos embasados em instruções para cumprir funções ou tarefas relacionadas ao perfil numa orga- nização. No âmbito de uma organização, a formação de um colaborador tem a ver com seu sucesso. Seguindo esse pensamento Chiavenato, na página 290 do livro de 2004, afirma: Desenvolver pessoas não é apenas dar-lhes informação para que elas aprendam novos conhecimentos, habilidades e destre- zas e se tornem mais eficientes naquilo que fazem. É, sobretudo, dar-lhes a formação básica para que elas aprendam novas atitu- des, soluções, ideias, conceitos e que modifiquem seus hábitos e comportamentos e se tornem mais eficazes naquilo que fazem. Formar é muito mais do que simplesmente informar, pois repre- senta um enriquecimento da personalidade humana. A prática pedagógica nos ambientes corporativos ajuda na formação dos colaboradores na formação para o exercício de suas funções na área em que se insere, sem esquecer da formação no perfil profissional para o desenvolvimen- to de novas competências para novas atribuições no futuro. Neste contexto, Zarifian, no livro Objetivo competência: por uma nova lógica, de 2008, aponta para a necessidade da formação de profissionais capazes de, por meio dos re- cursos de sua personalidade e da construção de uma nova identidade profis- sional, dar sentido aos saberes e às competências adquiridas pelos colabora- dores, proporcionando novas chances de empregabilidade. O aprendizado é o saber assimilado, ou seja, a construção do conhecimen- to individual se estabelece quando a pessoa encontra um sentido para aprender, do porquê aprender e da aplicação do aprendiza- do. Na seleção de colaboradores para uma determi- nada organização, o pedagogo precisa se atentar para as competências do candidato, bem como às características do mesmo no âmbito pes- soal. É importante salientar que não se trata apenas de um colaborador para preencher uma vaga, mas de mais um componente do de- senvolvimento de uma instituição. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 119 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 119 26/04/2021 13:03:53 Educação corporativa: administração do conhecimento Em meio ao cenário de competitividade, as empresas buscam maior lucra- tividade. Por meio do desenvolvimento das competências de seus colabora- dores, empresas adotam novas formas de organização e gestão de pessoas. Como consequência, transformam os locais de trabalho em espaços para a educação do colaborador. Desse modo, o processo educativo desenvolvido nas organizações, em especial nas que investem em tecnologias de última geração, se torna uma atividade intencional, planejada e organizada, demandando altos investimentos fi nanceiros e tendo como objetivo a inserção dos profi ssionais como facilitadores, mediadores e operacionalizadores do processo de ensino- -aprendizagem. O campo educacional no cenário corporativo é amplo e o pedagogo, como profi ssional que lida com os processos educativos e o conhecimento, age em diversas áreas onde tais conceitos são identifi cados. Nesses campos, o peda- gogo é um gestor da educação e do desenvolvimento do capital humano, além de colaborar na criação das mais variadas políticas educacionais relacionadas ao conhecimento científi co e tecnológico do campo educacional.Figura 1. A dinâmica de grupo é uma ação pedagógica em ambiente de trabalho. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 20/04/2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 120 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 120 26/04/2021 13:04:03 Assim, o campo de atuação do pedagogo é tão vasto quanto são as práti- cas educativas na sociedade. Segundo frase de Libâneo, na página 116 do livro de 1990, “Em todo lugar onde houver uma prática educativa com caráter de intencionalidade, há aí uma pedagogia”. Em relação aos conceitos voltados à educação, como a aprendizagem, a qualifi cação e o conhecimento, eles devem tornar os seres humanos mais livres e refl exivos, cada vez mais capazes de de- senvolver uma visão além dos desafi os. No entanto, após passar por um processo de aquisição de um conheci- mento, o indivíduo jamais tem a mesma visão e perspectiva na vida. A ação do pedagogo também consiste em dar conta dos fenômenos educativos que acontecem no cenário organizacional, dentro de uma visão na qual educar é humanizar e caminhar para a emancipação humana. Nos cursos de formação de pedagogos, além dos conhecimentos gerais proporcionados pelos cursos de Pedagogia, outros conhecimentos fazem com que ele seja importante e ade- quado para as organizações, pois funcionam como auxiliares de ensino no pro- cesso ensino-aprendizagem, na avaliação, didática e na elaboração de projetos. O pedagogo, como administrador do conhecimento no cenário organizacio- nal, segmenta e direciona processos educativos nas organizações. Na prática, ele é o responsável em verifi car quais os conhecimentos necessários para a realização de certas funções, aperfeiçoando, atualizando e qualifi cando os co- laboradores para um melhor desempenho e ascensão da organização. Intervenções sociais e práticas do pedagogo social O estudo no campo da pedagogia abrange o conhecimento que sistema- tiza a educação, o ato educativo e as práticas educativas concretas na socie- dade. Nessa perspectiva, a Pedagogia Social é uma ciência que possibilita a criação de conhecimentos, como uma disciplina que sistematiza, reorganiza e transmite conhecimentos, se limi- tando à educação, em sua identidade tradicional, ou à educação individual, sem esquecer da educação do homem que vive em conjunto, em sociedade. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 121 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 121 26/04/2021 13:04:15 O viver em conjunto com outrem, se relacionando, influenciando e sendo influenciado, é o ponto de partida de toda ação educativa na esfera social. Compreender essa importante relação entre educação, sujeitos e sociedade, é necessário para entender como se dá esse processo na atualidade. Por meio dessas relações, se visualiza como a Educação Social auxilia os sujeitos a se de- senvolverem e se relacionarem com a sociedade e com o mundo. Nessa pers- pectiva, Romans afirma, na página 54 de Profissão: educador social, de 2003: Hoje estão dando definições da educação social muito distintas, talvez porque se trata de um “termo” de difícil conceitualização. Essa dificuldade, em parte, é consequência de sua própria histó- ria e porque a educação tende a variar conforme a ideologia e as políticas sociais dela derivadas. Se da definição de uma determi- nada realidade depende, em grande medida, sua possibilidade de futuro e melhoria, é conveniente delimitar a fronteira concei- tual e os espaços de intervenção da educação social. É possível definir Educação Social como socialização ou como recurso para a aquisição de competências sociais. Assim, o pedagogo social tem como desafio promover uma socialização educativa através da didática do social. É possível relacionar ao pedagogo social a ação profissional socioeducativa qualificada, a ação frente à inadaptação, a formação política do cidadão, como fator de pre- venção, controle e mudança social, além do trabalho social educativo, gerador de novas demandas sociais. A prática pedagógica no âmbito da Educação Social, pede um educador com uma formação qualificada, de visão ampla e diferenciada dos pedagogos que trabalham em espaços escolares. A questão não reside em si no preparo do pedagogo para aplicar um currículo escolar numa instituição social ou na per- cepção das crianças ou jovens que se adaptam a esse currículo ou à educação escolar. O educador social vai além de conceitos e ideias estabelecidas sobre educação formal ou infor- mal, o que não se trata de uma educação que não prioriza conteúdos, mas de conceitos refletidos de maneira coletiva, a partir de questões e ne- cessidades dos educandos na sua individualida- de em relação ao convívio social. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 122 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 122 26/04/2021 13:04:15 Frente ao desafi o de aliar educação numa ótica social para contribuir na inserção de vítimas de exclusão social, o pedagogo social assume diferentes identidades, podendo ser ator, educador e mediador na sua vivência profi s- sional. Ator social, como um protagonista de uma realidade específi ca, situada num determinado contexto social no qual, para ser um cidadão pleno e inte- gral, é importante ser protagonista de um processo de conscientização, dentro do espaço de atuação. Como educador, o pedagogo social traz desafi os com projetos de vida al- ternativos, priorizando as suas escolhas, incluindo a construção de projetos individuais em tais possibilidades. Um dos grandes desafi os do educador social é conduzir o educando à identidade de protagonista da própria vida e história, percebendo que as suas escolhas constroem a sua trajetória. Por isso, é impor- tante elaborar ações pedagógicas que façam o educando enxergar o valor de suas decisões. Os questionamentos e refl exões surgem no decorrer dos pro- jetos que incentivam os educandos a se enxergarem como protagonistas da própria vida, independente dos fatos ocorridos e da exclusão social. O pedagogo social e suas práticas O exercício do papel de educador social nas instituições possui natureza dinâmi- ca, visto que cada organização possui a sua identidade, o seu estilo, seus objetivos, fi losofi a e público atendido. As práticas do pedagogo social também são relativas, considerando que suas práticas atendem à perspectiva e aos objetivos de determi- nada organização. Outro fator importante relacionado à atuação do educador social nas organizações é que, em alguns momentos, o trabalho do educador social numa entidade é feito por outros profi ssionais, que podem não ter a formação adequada para atuação. Portanto, é fundamental que as organizações entendam que a forma- ção de um educador social faz diferença nas práticas e na formação dos educandos. Ainda sobre a formação do educador social, Carvalho e Baptista, na página 25 do livro Educação social: fundamentos e estratégias, de 2004, abordam a importân- cia do valor de uma formação profi ssional do educador social, que deve abranger o conhecimento científi co, a capacidade de refl etir nas mais diversas situações num contexto social e o cuidado na relação com o outro e consigo mesmo. Nessa perspectiva: PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 123 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 123 26/04/2021 13:04:15 A formação das competências de um (a) educador (a) social exige, em conformidade, uma sólida preparação de alguns domínios das ciências da educação em íntima conjugação com o estudo dos comportamentos individuais e coletivos e uma sólida cultura geral. Estes vetores deverão alicerçar, no seu conjunto, as capa- cidades de interpretação e de avaliação de situações e de atitu- des, de exercício pragmático da solidariedade interpessoal e de interpelação crítica e criativa das políticas e das práticas sociais, protagonizadas pelas sociedades e pelas pessoas. As práticas pedagógicas no contexto das organizações sociais exigem uma formação com foco não só nos processos educativos, mas com visãovoltada ao contexto social dos educandos, sem falar nas qualidades pessoais, como maturidade, equilíbrio pessoal e relacionamento interpessoal, destacando a importância de uma formação voltada para o autocuidado do educador, posto que o trabalho do educador social traz envolvimento pessoal e emocional, cau- sando momentos que exigem equilíbrio emocional e maturidade profissional. A atuação do educador social está voltada ao desenvolvimento e crescimen- to dos sujeitos, independentemente do contexto em que esteja inserido. De fato, trabalhar questões como essas demandam tempo para se estabelece- rem através de processos. Nos espaços socioeducativos, a contribuição do pe- dagogo apresenta aos educandos no- vas experiências, a fim de fortalecer o elo familiar e comunitário, descobrindo novas potencialidades, bem como o au- toconhecimento e a autoestima. As desigualdades socioeconômicas e socioculturais são uma realidade no cenário brasileiro. Entretanto, mesmo diante desses desafios e da limitação de muitos profissionais em organizações sociais, é necessário abordar a in- tervenção educativa e comunitária como um caminho em relação ao valor do indivíduo excluído como cidadão participante de uma sociedade, objetivo da atuação do pedagogo nos diferentes espaços organizacionais. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 124 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 124 26/04/2021 13:04:23 Ainda que existam desafi os e difi culdades, o pedagogo deve exercer um papel ativo e interativo, desafi ando os educandos para a descoberta dos di- versos contextos socioeducativos e construindo uma identidade cidadã. O fi o condutor para uma boa prática pedagógica que visa o protagonismo social é o diálogo. Ouvir e provocar os educandos com questionamentos sobre a sua realidade é uma boa estratégia para uma prática fundamentada no diálogo porque, muito além da transmissão de saberes ou conteúdos, uma ação educa- tiva signifi cativa produz reações que tornam o pedagogo social um inquietador e mediador de conceitos. Nesse contexto, o educador social é um mediador de todo o processo co- munitário, no qual as comunidades e as pessoas são agentes de mudança, com capacidade de mudar sua vida pessoal, hábitos e comportamentos a partir das ações educativas ministradas. Para que o pedagogo social desenvolva inter- venções cabíveis no âmbito social, o conhecimento profi ssional é científi co, antropológico e relacional. Para as pessoas serem alcançadas, é importante que as questões socioculturais sejam conhecidas e analisadas sob a ótica do conhecimento profi ssional. Ações e intervenções sociais A Pedagogia Social possibilita ao pedagogo estimular a refl exão crítica, consciência na qual os conhecimentos, repassados em ações de educação não formal, dão uma melhor compreensão do signifi cado da aprendizagem no con- texto do sujeito em sua dimensão social, dado que construir uma consciência refl exiva, crítica e criativa é uma condição essen- cial para a pessoa pensar de maneira signifi - cativa. Muitas pessoas não se desenvolvem neste âmbito e só reproduzem pensamen- tos prontos e refl exões já estabelecidas. Nos mais diferentes níveis sociais e econô- micos, as pessoas vivem suas experiências e produzem opiniões. Porém, diante da infl uência de determinados nichos, alguns grupos sociais não consolidam visões críticas e a realidade do próprio contexto. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 125 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 125 26/04/2021 13:04:23 O pedagogo social, como um agente da cidadania que promove a visão cida- dã nos mais diferentes e excluídos contextos, insere em suas práticas o desen- volvimento da capacidade de desenvolver ideias e opiniões próprias nos edu- candos. Sem dúvida, esse desenvolvimento é um processo que faz enxergar a própria realidade e refletir sobre ela como uma condição a ser alcançada a partir da observação da necessidade, pois muitos educandos chegam nos pro- jetos com um discurso sobre a própria realidade sob uma condição de reféns dos acontecimentos. A questão não se trata de refutar a exclusão, ou ignorar os acontecimentos, mas de promover ao educando a capacidade de se ver como protagonista da própria vida. Ao pedagogo organizacional, nesse caso pedagogo social, cabe mostrar aos educandos as possibilidades, oportunidades e proporcionar a ca- pacidade de se enxergar capaz de ser um protagonista da própria história. A abordagem sobre protagonismo da própria vida, pode ser desenvolvida a partir de diferentes práticas e ações educativas. Vale lembrar que não é uma negação à realidade da exclusão, mas a valorização das novas possibili- dades na vida do educando. De fato, é certo que há dificuldades e desafios, todavia, o educador social precisa en- xergar as possibilidades e oportunida- des em meio à realidade de exclusão. As atividades desenvolvidas pelo educador social buscam refletir ce- nários futuros, ou seja, por mais que naquele momento as ações sejam li- mitadas, novas ações podem alcançar condições futuras. Os diagnósticos servem para atestar o momento pre- sente e incentivar imagens e representações sobre as novas possibilidades e oportunidades no futuro. Fazer o educando enxergar o futuro como possibi- lidade é uma força que legitima mentes e corações e conduz as pessoas a um empoderamento quanto aos seus dias futuros. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 126 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 126 26/04/2021 13:04:35 O educador social deve priorizar o planejamento de suas atividades antes de rea- lizar qualquer grupo socioeducativo ou de convivência. É importante que haja uma definição dos temas geradores, que são as formas de centralização do processo de aplicação das atividades. Como assuntos relevantes para abordagem, é possível ci- tar alimentação saudável, prática de esportes, mercado de trabalho, higiene, res- peito, solidariedade, prevenção às drogas, família, direitos e deveres das crianças e dos adolescentes, cidadania, folclore, protagonismo juvenil, profissões, tecnologias, entre outros assuntos inerentes a várias faixas etárias. O educador social, em sua prática pedagógica, precisa se atentar a alguns pontos como: • Tempo de desenvolvimento das atividades; • Número de participantes das atividades; • Objetivos a serem alcançados; • Como as atividades devem ser aplicadas; • Recursos para essas atividades; • Espaço necessário para as ações; • Avaliação do desenvolvimento das atividades. No desenvolvimento das atividades propostas, o pedagogo social precisa sem- pre estar aberto a novas aprendizagens, bem como estar disposto a ouvir as con- tribuições dos educandos. Uma postura autoritária atrapalha o processo educativo nos espaços socioeducativos, sendo importante que os objetivos das atividades pro- postas estejam claros e as práticas sejam adequadas à faixa etária dos educandos. Figura 2. Jovem em projeto social voltado à proteção do meio ambiente. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 20/04/2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 127 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 127 26/04/2021 13:04:42 Elaborando projetos organizacionais, sociais e hospitalares Um pedagogo inserido nas mais diferentes organizações requer infor- mações para as ações e intervenções pedagógicas. Muito além de aplicar métodos ou técnicas, ou ainda, atividades voltadas para temas específi cos, é muito importante que o pedagogo organizacional conheça o seu público alvo, além da realidade daquele grupo e de outras informações essenciais para ações. O pedagogo, ao desempenhar o seu papel por meio das suas atividades e práticas pedagógicas, proporciona meios de crescimento indi- vidual e coletivo aos educandos, sem esquecer da descoberta de potenciali- dades e, em especial, no auxílio no processo de cidadania. O pedagogo nas organizações contribui para o conhecimento próprio dos indivíduos não só no ambienteeducacional em que estão inseridos, mas em outros espaços, como na família, trabalho e na sociedade em geral. Um dos questionamentos necessários para a elaboração de projetos nos mais diferentes espaços, sejam eles escolares ou não, se fundamenta no público que deve ser alcançado. A identidade do público alvo é o pontapé inicial para o desenvolvimento de projetos pedagógicos signifi cativos, con- siderando que os outros elementos devem ser desenvolvidos a partir da identidade do projeto. As atividades nos contextos socioeducativos devem despertar nos educan- dos a valorização da autoestima, a consciência cidadã, assim como refl exões dos participantes em relação às vulnerabilidades sociais diante das experiên- cias, difi culdades e superações de obstáculos. No dia a dia, nas atividades diá- rias, o educador social deve pensar em como organizar as atividades, propor- cionando um espaço voltado para o diálogo e a refl exão dos educandos, de modo a desenvolver a autonomia na participação da vida pública. CONTEXTUALIZANDO Projeto organizacional pode ser defi nido como um projeto estrutural, ou seja, como a estrutura de funcionamento de organizações deve estruturar as atividades. O norte de um projeto é elaborado a partir de informações básicas relacionadas à identidade da organização em questão. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 128 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 128 26/04/2021 13:04:43 Projeto organizacional No cenário corporativo, o projeto organizacional como eixo norteador das ações dentro da organização, prioriza aspectos como a missão da organização, a história da organização e informações atualizadas quanto aos passos futu- ros. Um dos primeiros passos rumo à elaboração de um projeto fundamentado em nortes para a organização, é o conhecimento da organização, e o pedagogo que se dispõe a colaborar na elaboração de um projeto organizacional deve conhecer e interpretar a organização. Dentre os muitos fatores de caráter interno ou externo importantes para o crescimento e sobrevivência da organização dentro do cenário atual, o mais sig- nifi cativo talvez não esteja relacionado só à condição e ao status fi nanceiro, mas à estrutura que a organização possui para alcançar seus objetivos, desde os me- nores até os mais desafi adores. A base da estrutura organizacional segue uma adaptação atualizada ao ambiente social, político e econômico. Sendo possível afi rmar que não basta reproduzir a estrutura efi ciente de uma determinada em- presa ou um projeto que deu certo na maioria das outras organizações. A identidade da organização traz aportes exclusivos ao projeto organizacio- nal. O pedagogo, como profi ssional presente nos diversos processos no am- biente corporativo, precisa articular a estrutura do projeto com os demais pro- fi ssionais. A estrutura organizacional norteia a organização e determina como ela se relaciona com o mercado, porém, é fundamental ponderar que o fator humano tem um peso considerável na elaboração do projeto organizacional. Para a elaboração de projetos organizacionais, a cultura da organização preci- sa ser analisada e projetada para os próximos passos. A base da estrutura de um projeto organizacional, quando adap- tada à situação daquele momento histórico em seus diferentes aspectos e características, possui uma identidade que serve como eixo orientador para a elaboração dos próximos passos do projeto. Assim como os processos corporativos, a estrutura de um pro- jeto tem etapas no desenvolvimento. O ciclo de vida de um projeto organizacional possui quatro fases, explicadas no Diagrama 3. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 129 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 129 26/04/2021 13:04:43 Ciclo de vida de um projeto organizacional Iniciação; Planejamento; Realização; Encerramento. DIAGRAMA 3. CICLO DE VIDA DE UM PROJETO ORGANIZACIONAL Fonte: JÚNIOR, 2016. (Adaptado). Cada etapa tem seu valor e complexidade dentro do processo de desenvol- vimento do projeto organizacional. A fase de iniciação é a primeira do ciclo de vida de um projeto e identifica a necessidade de um problema ou de uma opor- tunidade, de modo a dar uma direção ao desenvolvimento do projeto. Esse pe- ríodo de iniciação se refere ao início da autorização do projeto ou, num projeto com várias outras fases, de uma fase do projeto. É o processo inerente ao de- senvolvimento da documentação das necessidades de negócios ou de um novo produto, serviço ou ainda, de outro resultado que satisfaça tais requisitos. Na fase de planejamento, mesmo antes de começar um projeto, o profissio- nal responsável pela condução deve ter tempo suficiente para analisar e pla- nejar as etapas seguintes de forma correta. É importante organizar um roteiro que informe como a base do projeto é executada dentro do orçamento e da programação estabelecida. O planejamento de um projeto organizacional en- volve delimitar o que deve ser feito, seu desenvolvimento, responsáveis, tempo de execução das etapas, custo total e eventuais riscos. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 130 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 130 26/04/2021 13:04:43 Por isso, o primeiro resultado do projeto organizacional é um plano base que parte de um roteiro da realização do projeto dentro das condições existentes no termo esta- belecido de abertura. O plano estratégico também serve para confrontação em relação ao processo real, fase na qual os planos como escopo, qualidade, tempo, custo, recursos humanos, comu- nicação, riscos e aquisições são concebidos. Na fase da realização, o que foi planejado nas etapas anteriores é colo- cado em prática e os erros cometidos nas outras etapas ficam evidentes, dada a interferência direta. Nessa etapa do desenvolvimento do projeto organizacional, grande parte do orçamento e do esforço é usado. A fase de encerramento é a fase que conclui o ciclo de vida do projeto, ou seja, quando a execução dos trabalhos é medida por meio de uma auditoria interna ou externa. Os documentos dos projetos são checados e todos os erros no projeto são debatidos e verificados, a fim de que erros semelhan- tes não ocorram. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 131 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 131 26/04/2021 13:04:50 Projeto social Muito do que é oferecido em termos de assistência e garantia de direitos a vítimas de exclusão social, de um modo geral, vem do trabalho desenvolvido por projetos sociais, que podem ser explicados como um tipo de ação desen- volvida sem fi ns lucrativos e em prol do desenvolvimento social, econômico ou cultural de uma comunidade ou grupo de indivíduos tidos como excluídos da sociedade. EXPLICANDO Feijó e Macedo, em artigo publicado na revista Estudos de Psicologia em 2012, relatam que o termo projeto social sintetiza ações conjuntas e enca- deadas em nome do desenvolvimento social e a partir do trabalho com um grupo de pessoas. Um projeto social para jovens, por exemplo, abrange atividades programadas para seu desenvolvimento, objetivando uma vida melhor no meio social, com maior autonomia e protagonismo, participando de forma efetiva e transformadora. A ideia principal para o desenvolvimento de um projeto social deve partir de um plano ou planejamento. Antes de tudo, é necessário identifi car qual público alvo do projeto e por qual razão criar um projeto para esse grupo de pessoas. Após o pontapé inicial para a elaboração do projeto social, novas etapas são necessárias para a consolidação do projeto: 1. Identifi cação: levantamento dos problemas ou desafi os a serem traba- lhados naquele grupo social específi co; 2. Negociação e formulação: negociação com os envolvidos a respeito das prioridades diante dos problemas identifi cados, bem como o levanta- mento dos objetivos gerais e específi cos, as estratégias de trabalho, a pla- nifi cação da obtenção dos recursos e meios, identifi cação das atividades e modelos de avaliação;3. Execução e acompanhamento: elaboração de um cronograma de ação, apontamento dos responsáveis em cada uma das atividades, levantamento do orçamento detalhado para o desenvolvimento das ações. Execução, plano de acompanhamento das etapas de execução, avaliações periódicas para ve- rifi cação das ações e para composição da avaliação fi nal; PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 132 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 132 26/04/2021 13:04:50 Projeto hospitalar Um dos objetivos das práticas sociais hospitalares é a humanização das prá- ticas nesse espaço. As vivências num contexto hospitalar estão cada vez mais atreladas ao distanciamento de uma ótica julgada como leve, o que se dá pela realidade do espaço hospitalar. Para Mezomo, autor de Gestão da qualidade na Saúde: princípios básicos, de 1995, humanizar é ter o respeito à outra pessoa como condição para sua realização, reconhecendo sua posição e das organiza- ções constituídas. 4. Encerramento do projeto: atividades de avaliação fi nal com a partici- pação de todos os envolvidos nas mais diferentes etapas do projeto, orga- nização dos registros obtidos no decorrer do projeto e a sistematização das novas aprendizagens obtidas durante a experiência. Um projeto social pode ter uma duração de longo prazo ou de curto prazo. De fato, é importante que o projeto tenha motivos e objetivos ao fi nal de sua duração. Alguns projetos são organizados em grandes empresas e envolvem as organizações em responsabilidades sociais, mas o projeto social não se diferencia do conceito relacionado à uma elaboração por etapas a partir de uma necessidade, o que signifi ca dizer que o projeto social tem uma visão de futuro, mas com um ponto de partida que não deve ser uma suposição, o que demonstra a necessidade de base real, já que seu ponto de partida é uma realidade social. Um projeto social também é um documento para a base legal de forma- lização de uma proposta destinada à obtenção de fi nanciamento público ou privado para a captação dos recursos necessários à implementação de uma solução voltada para um grupo social específi co. Os projetos sociais também são ferramentas de ação do Estado e da Sociedade Civil que nascem do dese- jo de mudar uma realidade, sem esquecer das ações estruturadas e intencionais, de um grupo ou organização social surgidas da refl exão e do diagnóstico sobre uma realidade proble- mática, agindo em busca de solução. Em suma, os pro- jetos sociais são iniciativas na solução de problemas sociais e melhorias num mundo desigual e excludente. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 133 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 133 26/04/2021 13:04:51 Em relação aos profissionais da saúde e demais profissionais nos contex- tos hospitalares, praticar a humanização não é apenas o exercício dos prin- cípios morais, mas também o respeito com os seres humanos que estão ali. Quando se tratam dos projetos sociais nos ambientes hospitalares, é preciso compreender as especificidades daquele espaço e as características que regem cada ação e intervenção. Figura 3. Profissionais de saúde recebendo orientações. Fonte: Shutterstock. Acesso em: 20/04/2021. Segundo Giordani, na página 46 do livro Humanização da saúde e do cuidado, publicado em 2008, nas relações entre os atores existentes nos hospitais são indispensáveis qualidades específicas, como compaixão, competência, confian- ça, consciência e comprometimento. As cinco atitudes apontadas possuem o objetivo de contribuir nas responsabilidades de cada um, nos atos com o indi- víduo a ser cuidado. Giordani ainda ressalta que esses cinco pontos devem ser vistos a partir da seguinte ótica: Compaixão: sensibilidade, dor pela participação na experiência do outro e como compartilhamento da condição humana. Competência: é caracterizada pelo estado de possuir conheci- mentos, habilidades, energia, capacidade de julgamento, expe- riência e motivação para responder a contento as demandas das responsabilidades profissionais nos serviços de saúde. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 134 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 134 26/04/2021 13:04:58 Confiança: se desenvolve através de relações respeitosas, segu- rança e honestidade. Consciência moral: o cuidador precisa estar atento à natureza do que ocorre com os pacientes, oferecendo a eles a satisfação de bem-estar e cuidado. Comprometimento: resposta aos desejos e obrigações que re- sultam na ação e na atitude de cuidar do outro. Quando um projeto hospitalar é formado, é de extrema importância que valores como esses sejam levados em conta, visto que um projeto organiza- cional num ambiente hospitalar tem características específicas. Não se trata apenas de desenvolver estratégias de humanização ou práticas voltadas para a ressignificação do espaço hospitalar, mas de conhecer as propriedades da- quele espaço, o histórico de pacientes e as equipes de profissionais, de modo a elaborar um projeto significativo e voltado para ações estratégicas que benefi- ciem todos no cenário hospitalar. O desenvolvimento de um projeto hospitalar pode ser feito por um profis- sional que busca melhorar ou amenizar questões específicas no contexto, con- siderando aspectos e características nos projetos organizacionais e sociais no âmbito hospitalar, valorizando ainda a humanização das práticas elaboradas como fator determinante para o projeto. Para a instituição hospitalar e, em es- pecial, o setor da pediatria, uma relação harmoniosa entre a equipe de saúde, paciente e pais ou responsáveis favorece todo o processo de recuperação dos pacientes, reduzindo as ansiedades e tensões provocadas pelo adoecimento e hospitalização. Assim sendo, é ressaltada a necessidade de uma prática mais efetiva, no sentido de implantar projetos efetivos em ambientes hospitalares, visando as- sistir aos pacientes infantis quanto a sua escolaridade. Os projetos hospitalares não se restringem a projetos esporádicos porque, em boa parte das vezes, eles advêm de estágios curriculares supervisionados de cursos de Pedagogia ou Psicologia, apesar de se desenvolverem em grande parte das instituições hos- pitalares, alcançando crianças e jovens, com o objetivo de promover ações e in- tervenções significativas de natureza educativa com o auxílio dos profissionais. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 135 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 135 26/04/2021 13:04:58 Sintetizando Nesta unidade, um dos pontos observados aborda um fator muito importan- te no aspecto do trabalho pedagógico, visto que um dos grandes passos para o profissional do campo de estudo da Pedagogia reside no fato de reconhecer o espaço de atuação, seja numa organização corporativa, social ou hospitalar, pois é de extrema importância que o pedagogo conheça a identidade da instituição em que atua. O diagnóstico de uma instituição diz muito a respeito do que é necessário desenvolver ali. A cultura de uma empresa, por exemplo, descreve aspectos re- levantes para o desenvolvimento de projetos e processos, uma vez que as mu- danças que acontecem no cenário organizacional exigem um bom conhecimento não só das novidades do momento, mas também da organização e de como ela pode sobreviver às mudanças. O pedagogo, como um profissional que atua em treinamento e seleção, deve considerar que essa tem sido uma área de grande valor no cenário corporativo. Com a realidade competitiva, as empresas querem os melhores colaboradores, logo, práticas e ações pedagógicas têm sido essenciais para a capacitação dos funcionários nas mais diferentes áreas de atuação. Em suma, a elaboração de projetos nos cenários organizacionais, sejam cor- porativos, sociais ou hospitalares, exige o conhecimento das etapas a serem transpostas. O desenvolvimento de projetos organizacionais parte de caracte- rísticas específicas daquele grupo social e deve ser organizado em etapas para alcançar os objetivos designados.Por isso, o papel do pedagogo é fundamental no planejamento das ações e objetivos. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 136 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 136 26/04/2021 13:04:58 Referências bibliográficas CARVALHO, A. D.; BAPTISTA, I. Educação social: fundamentos e estratégias. Porto: Porto Editora, 2004. CATHARINO, S. N. Treinamento do capital humano das empresas e o seu reflexo no processo de mudanças tecnológicas, econômicas e sociais. São Paulo, 2002. 77 f. Dissertação (Mestrado) – Curso de Mestrado Executivo, Centro de Formação Acadêmica e Pesquisa, Escola Brasileira de Administração Pública, Fundação Getú- lio Vargas, São Paulo, 2002. Disponível em: <http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/ bitstream/handle/10438/4089/Sheila-das-Neves.pdf?sequence=1&isAllowed=y>. Acesso em: 20 abr. 2021. CHIAVENATO, I. Administração de recursos humanos. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004. DAMIÃO, W. S. A cultura organizacional e seus elementos. Portal Educação. [s.l.], 08 mai. 2015. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/ idiomas/a-cultura-organizacional-e-seus-elementos/62700>. Acesso em: 20 abr. 2021. E-TALKS | Cultura Organizacional Alavancando Negócios - Patrícia Tavares [Nex-us]. Postado por Endeavor Brasil. (7 min. 24 s.). son. color. port. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=2-Bj-XJ8svA>. Acesso em: 20 abr. 2021. FARIAS, L. Diagnóstico organizacional: como identificar os gaps da sua empre- sa. JRS Consultoria. [s.l.], [s.d]. Disponível em: <https://www.jrsconsultoria.com. br/2020/01/diagnostico-organizacional-como-identificar-os-gaps-da-sua-empre- sa/>. Acesso em: 20 abr. 2021. FEIJÓ, M. R.; MACEDO, R. M. S. Família e projetos sociais voltados para jovens: im- pacto e participação. Estudos de Psicologia, Campinas, v. 29, n. 2, p. 193-202, abr./ jun. 2012. Disponível em: <https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pi- d=S0103-166X2012000200005&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt>. Acesso em: 20 abr. 2021. GIORDANI, A. T. Humanização da saúde e do cuidado. São Caetano do Sul: Difusão Editora, 2008. JÚNIOR, M. Projeto: o pilar para o desenvolvimento organizacional. Administra- dores.com, [s.l.], 17 set. 2016. Disponível em: <https://administradores.com.br/ artigos/projeto-o-pilar-para-o-desenvolvimento-organizacional>. Acesso em: 20 abr. 2021. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 137 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 137 26/04/2021 13:04:58 KOWALCZUK, L. M. F.; VIEIRA, A. M. D. P. O pedagogo nas organizações. In: EDUCERE – Congresso Nacional de Educação, X.; SIRSSE – Seminário Internacional de Represen- tações Sociais, Subjetividade e Educação, I., 2011, Curitiba. Anais... Curitiba: PUCPR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2011. Disponível em: <https://educere. bruc.com.br/CD2011/pdf/5214_3159.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2021. LIBÂNEO, J. C. Didática. São Paulo: Cortez, 1990. MELO, L. C. Planejamento estratégico: conheça as metáforas de Morgan. SGA, [s.l.], [s.d.]. Disponível em: <https://www.sga.com.br/planejamento-estrategico-conheca- -as-metaforas-de-morgan/>. Acesso em: 20 abr. 2021. MEZOMO, J. C. Gestão da qualidade na Saúde: princípios básicos. São Paulo (SP): Universidade de Guarulhos; 1995. MONTEIRO, C. D. B.; VENTURA, E. C.; CRUZ, P. N. Cultura e mudança organizacional. RH Portal, [s.l.], 02 set. 2015. Disponível em: <https://www.rhportal.com.br/artigos- -rh/cultura-e-mudana-organizacional/>. Acesso em: 20 abr. 2021. MORGAN, G. Imagens da organização. São Paulo: Atlas, 1996. ROMANS, M. Profissão: educador social. Porto Alegre: Artmed, 2003. SCHEIN, E. H. Culture: the missing concept in organization studies. Administrative science quarterly, [s.l.], v. 41, n. 2, p. 229-240, jun. 1996. TORQUATO, R. A. et al. Pedagogia social - o pedagogo em atividades socioeducativas. In: EDUCERE – Congresso Nacional de Educação, XII.; SIRSSE – Seminário Internacio- nal de Representações Sociais, Subjetividade e Educação, III.; ENAEH – Encontro Na- cional sobre Atendimento Escolar Hospitalar, IX.; SIPD/Cátedra UNESCO – Seminário Internacional sobre Profissionalização Docente – Cátedra UNESCO, V., 2015, Curitiba. Anais... Curitiba: PUCPR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2015. Dispo- nível em: <https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/19899_9696.pdf>. Acesso em: 20 abr. 2021. ZARIFIAN, P. Objetivo competência: por uma nova lógica. São Paulo: Atlas, 2008. PEDAGOGIA ORGANIZACIONAL: SOCIAL E HOSPITALAR 138 SER_PEDA_PEOSH_UNID4.indd 138 26/04/2021 13:04:58