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RETICULOCITOSE: INTERPRETAÇÃO E TÉCNICA LABORATORIAL 18/09/22 09:00h Os reticulócitos são eritrócitos jovens, originados na medula óssea a partir dos eritroblastos. Após as fases de pró-eritroblasto, eritroblasto basófilo e eritroblasto policromático, os eritroblastos ortocromáticos perdem o núcleo, mantém algumas organelas como ribossomos, RNA mensageiro e mitocôndrias, e originam os reticulócitos. A quantidade de reticulócitos no sangue indica a velocidade e a capacidade de produção dos eritrócitos viáveis na medula óssea. Normalmente, os reticulócitos passam 2 a 3 dias na medula óssea e 1 dia no sangue periférico, quando então completam sua carga de hemoglobina e tornam-se eritrócitos maduros. Grandes elevações dos níveis séricos de eritropoetina, promovem aumento da produção de reticulócitos na medula e sua saída prematura para o sangue. A contagem de reticulócitos indica a velocidade de produção da série eritroide na medula óssea. Reticulócitos normais ou diminuídos em indivíduos anêmicos são sinais de baixa produção medular (anemia por diminuição de produção). A reticulocitose é um bom indicativo de resposta terapêutica em anemias carenciais. Paciente com anemia ferropriva ou megaloblástica tratada com ferro ou folato/vitamina B12, por exemplo, respondem com intensa reticulocitose até a elevação da hemoglobina a níveis normais. Reticulocitose em anemias sem história de perda sanguínea ou de tratamento de estados carenciais é indicativo de anemia hemolíticas (anemias por aumento de destruição). Reticulócitos elevados sem anemia, indicam estados hemolíticos compensados ou sangramentos subclínicos, em indivíduos com suporte vitamínico e ainda sem anemia. Contagem de reticulócitos Alto > 2,0% Baixo < 2,0% Hemólise Sangramento VCM Doença medular Carencial Genético Doença sistêmica Anemias VCM baixo Perfil férrico Ferritina sérica baixa; ferro sérico baixo; CTLF aumentada Anemia ferropriva Normal Talassemias ou doenças crônicas VCM normal Reticulocitose SIM Anemia hemolítica NÃO Anemia pós- sangramento; IRC; aplasia de medula; doenças endócrinas. VCM alto Reticulocitose SIM Anemia hemolítica pós sangramento, def. B12 ou B9. NÃO Anemia megaloblástica; outras TÉCNICA 1. Em tubo de hemólise, misturar partes iguais do sangue total do paciente e do azul de cresil brilhante (100uL de cada); 2. Levar o tubo para o banho-maria a 37ºC por 30 minutos; 3. Fazer o esfregaço e deixar secar; 4. Proceder à contagem com objetiva de imersão. Highlight Highlight Highlight Highlight Highlight PROCEDIMENTO DE CONTAGEM Percentual não – corrigido Em diferentes campos escolhidos ao acaso, e em local onde os eritrócitos estejam bem soltos, contar o número de reticulócitos presentes ao final da contagem de aproximadamente 1.000 eritrócitos maduros. 1.000 – número de reticulócitos 100 – x % Valor absoluto por mm3 Tem maior valor interpretativo que a contagem percentual não corrigida, pois estabelece não apenas a proporção entre os eritrócitos maduros e os reticulócitos, mas o real valor de reticulócitos por volume de sangue. Para que seja calculado, necessita-se da contagem global de eritrócitos/mm3. Exemplo: paciente com 2.400.000 eritrócitos/mm3 e percentual não corrigido de x %. Ret/mm3: reticulócitos x eritrócitos/100 Highlight Correção da contagem de reticulócitos Como a contagem percentual (não-corrigida) estabelece apenas a proporção entre eritrócitos maduros e reticulócitos, há necessidade de proceder à correção do percentual de reticulócitos para o grau de anemia, que pode ser feita pelo hematócrito ou hemoglobina. Highlight a) correção pela hemoglobina percentual corrigido = percentual não-corrigido x Hb/15 (para homens) e percentual não corrigido x Hb/13 (para mulheres); b) correção pelo hematócrito percentual corrigido = percentual não-corrigido x Ht/45 (para homens) e percentual não corrigido x Ht/39 (para mulheres).