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CIDADES EDUCADORAS 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Isabela de Gracia Yabe 
 
 
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CONVERSA INICIAL 
Começamos a nossa aula desta disciplina conhecendo as Cidades 
Educadoras no contexto da Associação Internacional das Cidades 
Educadoras (AICE) para compreender o que levou ao seu surgimento, bem 
como às suas metas. 
Em seguida, trataremos da Carta da AIEC, um documento muito 
importante que serviu como um norte para a concretização dessas Cidades, 
nesse documento, são abordados seus princípios. 
Dessa maneira, ao final desta aula, você estará capacitado para 
estabelecer alguns paralelos com aquilo que já foi tratado, até então, quando 
falamos em cidade geral e a participação geral da sociedade, com todas as 
ações que ainda podem ser tomadas para torná-la uma cidade, realmente, 
dentro do perfil de “cidade educadora”. 
TEMA 1 – O QUE SÃO AS CIDADES EDUCADORAS? 
O que é uma Cidade Educadora? Assim como qualquer outro conceito, 
o significado vai ser mutável, ou seja, vai variar de acordo com o contexto 
histórico e também onde será aplicado. Muito embora ele seja mutável, o 
conteúdo permanecerá, praticamente, o mesmo. Em se considerando a 
realidade peculiar de cada cidade, a essência de que uma Cidade Educadora 
vai ser transformada pelo menos um pouco ao longo do tempo. 
As Cidades Educadoras tiveram sua origem com a pedagoga catalã 
Marta Mata. Mata foi uma política e pedagoga espanhola, da região da 
Catalunha, que promoveu a renovação da escola pública e também defendeu 
a escola laica. Introduziu o conceito de Cidade Educadora na Câmara de 
Vereadores de Barcelona. Mas foi só em 1990, no primeiro Congresso das 
Cidades Educadoras, em Barcelona, que ela tomou notoriedade. Esse 
encontro reuniu um grupo de cidades responsável por um conjunto de 
princípios centrados no desenvolvimento dos habitantes voltados para a 
administração pública. 
Dessa maneira, o conceito de Mata parte da ideia de que a escola 
sozinha não tem condições de abordar todos os conhecimentos e as 
informações do mundo contemporâneo. Esse preceito acaba sendo bem 
lógico, uma vez que as disciplinas, no Ensino Fundamental, têm uma variada 
 
 
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gama de assuntos dentro da escola formal. Portanto, é possível entender a 
função de educar relacionada não somente à família e ao Estado, mas, 
também, a toda sociedade. Deve acontecer, assim, em espaços formais, 
informais e não formais de educação. 
A educação que acontece em espaços formais é institucionalizada. 
Sendo assim, esses espaços devem ser sistematizados, em que as atividades 
são assistidas considerando algum ato pedagógico, que tem como 
preocupação a aquisição e a construção do conhecimento que atendam às 
necessidades da sociedade. Neste caso, então, temos a escola tradicional 
que já conhecemos. 
Já a educação não formal, como o próprio nome diz, é aquela que 
acontece fora dos espaços escolares, ou seja, nos locais de interação do 
indivíduo, como: museu, teatro, parque etc. Aqui, temos uma ampla variedade 
de atividades específicas para atender aos interesses de alguns grupos. São, 
geralmente, pouco assistidas pelo ato pedagógico e não tem, 
necessariamente, um profissional coordenando as ações. 
A educação informal é fruto de condutas que diferenciam a vida de cada 
pessoa; conhecimentos que são passados de geração para geração. Não 
existe, com isso, qualquer ato pedagógico envolvido. Pode acontecer na 
família, na rua, no trabalho, na política, na igreja; enfim, em qualquer um 
desses espaços que o indivíduo realize práticas educativas. 
Temos isso muito bem apresentado na publicação de 2013 que coloca 
a Cidade Educadora para além das suas funções tradicionais, reconhece, 
promove e exerce um papel educador na vida dos sujeitos, assumindo, como 
desafio permanente, a formação integral dos seus habitantes. 
Apropriou-se, assim, do compromisso de potencializar a realização 
educativa no seu espaço, articulando sua oferta com programas culturais, 
sociais e educativos, para voltar-se, também, à função econômica e política 
de prestação de serviços. 
Certa vez, o renomado pedagogo Paulo Freire disse que a cidade se 
converte em Cidade Educadora a partir da necessidade de se educar, 
aprender e imaginar. A sua tarefa, nesse sentido, deve ser a de possibilitar 
um posicionamento político para chegarmos à forma como queremos que o 
espaço urbano seja construído. Dessa maneira, o projeto de Cidade 
Educadora deve ser compartilhado entre as autoridades locais e a sociedade 
 
 
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civil, garantindo seu engajamento ativo durante todo o processo de 
concepção. 
Como palavras-chaves desse contexto, tem-se igualitária e 
democrática, que exploram, basicamente, a ideia de que todos possam 
participar dos processos e decisões, reconhecendo a diversidade dos sujeitos, 
respeitando o equilíbrio territorial da cidade e tendo cuidado de não promover 
ações que atendam somente a alguns setores; ações estas que, se não 
atendidas, podem ocasionar a segregação socioespacial. A última palavra-
chave, mas não menos importante, é a questão do direito, o que remete ao 
direito à cidade, bem como o seu dever de cumprir as funções tradicionais 
sem abandonar a educação, ou seja, o direito pleno. 
TEMA 2 – O SURGIMENTO DA AICE 
O surgimento da Associação Internacional das Cidades Educadoras 
(AICE) aconteceu na metade do século XX. Um pouco antes da metade do 
referido século, em 1948, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual se deu após o final da 
Segunda Guerra Mundial e tinha como ideal que seus preceitos fossem 
praticados por todos os povos e todas as nações. Seu conteúdo tratava de 
propor que a liberdade e os direitos de todos os indivíduos fossem 
respeitados. 
Um pouco mais tarde, em 1966, aconteceu o Pacto Internacional dos 
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Consistiu em um acordo em que 
todos os membros deveriam trabalhar na concessão desses direitos a todas 
as pessoas, ou seja, uma maneira de tornar jurídico os dispositivos da 
Declaração Universal de Direitos Humanos. Outro documento de extrema 
relevância para a Associação das Cidades Educadoras foi a Declaração 
Mundial de Educação para Todos, promulgada pela Unesco, focando na 
afirmação da Declaração Universal, a qual estabelece que toda pessoa tem o 
direito à educação. 
Ainda no século XX, constatou-se que as realidades eram muito 
distantes daquilo que se imaginava. Dessa maneira, os objetivos da Unesco, 
para a educação, apresentaram um atendimento às necessidades básicas de 
aprendizagem que se pautavam na universalização do acesso à educação e 
ampliação dos seus meios. O foco passou a ser, então, a construção da 
 
 
5 
educação básica preocupando-se com um ambiente adequado de 
aprendizagem que fortalecesse as alianças e desenvolvesse políticas de 
mobilização dos recursos disponíveis para isso. 
Falamos, até agora, do contexto internacional da AIEC. No Brasil, essa 
concepção se deu de forma diferente. Em 1932, Anísio Teixeira defendia uma 
educação pública, gratuita, laica e mista. Tinha como base as ideias de John 
Dewey, norte-americano que propôs a criação de uma escola-parque que 
tinha como objetivo a educação em tempo integral e abordasse tanto o 
letramento como, também, a aprendizagem sobre a cultura, o trabalho e a 
criatividade. 
Seguindo esses ideais, a primeira escola, dentro dessas 
características, foi implantada em um bairro popular de Salvador, na Bahia. 
Dessa maneira, a escola aderiu, em sua grade, atividades práticas, como 
jogos, recreações, arte, música e dança. Esse projeto, das escolas parque, 
tinha uma preocupação urbanística e arquitetônica pensando no ambiente 
escolar como um dos pilares para o desenvolvimento urbano. 
Durante esse tempo, de 1935 a 1938, Mário de Andrade, enquanto 
diretor do Departamento Municipal da Prefeitura de São Paulo,criou e 
espalhou os parques infantis por toda a cidade. Esses parques tinham como 
proposta a educação fora dos espaços formais, sendo destinados à promoção 
de cultura e lazer para as crianças pobres da referida capital. Eram gratuitos 
e abertos mediante uma ficha de inscrição. Dessa maneira, era preciso 
inscrever as crianças que participariam das aulas para a prática de esportes, 
brincadeiras e jogos. Além disso, eram envolvidos em desenhos, leitura, 
artesanato e outras tantas atividades. 
Mais tarde, em 1990, aconteceu a criação do Estatuto da Criança e do 
Adolescente (ECA), que trouxe um conjunto de normas para a proteção da 
criança e do adolescente, levando em conta a Declaração dos Direitos da 
Criança, da Organização das Nações Unidas (ONU). 
O projeto contou com, aproximadamente, 1 milhão de assinaturas da 
sociedade civil. Tratou-se de uma iniciativa muito importante que significaram 
vários avanços, mecanismos de proteção e segurança para crianças e jovens 
como sujeitos detentores de direitos que devem ter suas necessidades 
específicas atendidas como prioridade pelo poder público, na sociedade em 
geral. 
 
 
6 
Em 1990, aconteceu o primeiro Congresso Internacional das Cidades 
Educadoras, em Barcelona, na Espanha, considerado o grande marco para 
esse conceito se alastrar por todo mundo. Esse momento da história reuniu 
63 cidades que tiveram como objetivo discutir o papel educativo em cada uma 
delas, uma necessidade apresentada, inclusive, a partir da Convenção das 
Nações Unidas, em 1989. 
Em 1994, aconteceu o 3º Congresso Internacional, em Bolonha, na 
Itália, onde os membros, tendo como base a carta produzida em 1990, 
formaram a Associação Internacional, criada com o objetivo de auxiliar as 
prefeituras, os governos e as secretarias a implementarem medidas voltadas 
ao desenvolvimento integral dos habitantes, focando, sempre, na educação e 
nos Direitos Humanos. 
Em 2018, a Associação Internacional, que sensibilizou e promoveu 
boas práticas, passou a contar com 480 cidades envolvidas. Se comparada 
com o período em que foi criada, temos uma grande margem de diferença, 
uma vez que em seu início havia apenas 40 cidades associadas. 
TEMA 3 – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E OBJETIVOS DA AICE 
A estrutura de organização da Associação Internacional das Cidades 
Educadoras é dividida em quatro grandes órgãos principais: 
1. Assembleia Geral: o órgão supremo da AIEC integra todos os 
associados. Tem, entre outras funções, de eleição e substituição de 
membros que formam o comitê executivo. Além disso, tem a 
responsabilidade de modificar o estatuto da Associação Internacional, 
assim como a aprovação de gestão, do plano de ação e das despesas 
realizadas por ano. Um exemplo de deliberação da Assembleia Geral 
das AIECs é a introdução, que foi pedida em 2016, no idioma 
português, que conta somente com o espanhol, francês e inglês. Nessa 
assembleia, seus membros discutem sobre esses quesitos do comitê 
executivo. 
2. Comitê Executivo: como o próprio nome diz, corresponde à função de 
direção de gestão, execução e representação da AIEC. Sua 
composição pode mudar, mas isso é determinado por meio de 
assembleia. 
 
 
7 
3. Secretariado: em 2018, tanto a presidência quanto a secretaria eram 
ocupadas por Barcelona, a vice-presidência era na Cidade de Rosário 
na Argentina, a cidade de Rennes, na França ocupava o cargo de 
tesouraria. A cidade de Lisboa, em Portugal, Medellín, na Colômbia e 
Santo André, no Brasil são cidades de representação. Ainda compondo 
a estrutura, tem o secretariado, cuja sede é Barcelona, na Espanha, 
sede do 1º Encontro Internacional, responsável pela gestão cotidiana 
da associação. 
4. Redes: estruturas descentralizadas, integradas pelas cidades-membro 
da AIEC. Como exemplo dessas conexões e articulações, temos a 
Rede Brasileira, a Delegação da América Latina, as Redes Europeias 
e as Cidades Educadoras; enfim há uma diversa quantidade de redes. 
Quando falamos na AIEC, temos oito objetivos muito bem 
estabelecidos: 
1. Proclamar e reivindicar a importância da educação na cidade, 
pensando em como trazer esse perfil educacional para dentro da 
cidade. 
2. Dar destaque aos aspectos educacionais dos projetos políticos. Diante 
das dimensões que temos dos processos políticos da educação, que 
deve receber a maior atenção. 
3. Promover e garantir os princípios estabelecidos na carta, a partir de 
incentivos; sempre aconselhando e informando os seus membros 
sobre a promoção e implementação. 
4. Representar os associados e colaborar com as organizações 
internacionais, entidades territoriais, estados e todos os tipos, 
representando as partilhas desses lugares. 
5. Muito importante para o funcionamento dessa Associação, pois 
estabelece um relacionamento de colaboração com as outras 
confederações, ou seja, com as próprias redes territoriais. Isso deve 
acontecer especialmente com as redes das cidades em ação que 
precisam ser semelhantes e complementares; ou mesmo àquelas que 
sejam concorrentes. 
6. Integração dessa estrutura com a cooperação das áreas territoriais, 
provocando sua interação. 
 
 
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7. Promoção da AICE pelo mundo para que se possa atingir o maior 
número de cidades que tenham o interesse em adotar esse perfil 
educativo. 
8. Trata-se da essência da AIEC para a promoção e o aprofundamento 
dos conceitos a serem aplicados em ações específicas da política das 
cidades, a partir das reuniões e projetos de intercâmbios de congresso 
e todas as demais atividades administrativas que vão fortalecer os 
laços entre as cidades parceiras, as redes temáticas, entre outros. 
Uma vez apresentados esses objetivos, é importante reforçar que a 
lógica da estrutura da Associação Internacional das Cidades Educadoras 
segue a mesma lógica de qualquer outra associação, que tem os seus órgãos 
e objetivos bem delineados para que consiga promover um bom trabalho. 
TEMA 4 – A CARTA DA AICE 
Quatro anos após o lançamento da Carta das Cidades Educadoras, no 
primeiro Congresso Internacional da Associação, em 1990, em Barcelona, na 
Espanha, esse documento, frente à composição da AICE, no Congresso de 
Bolonha, na Itália, foi novamente pensado. Passados mais 10 anos, em 2004, 
foi, então, redigida em um congresso em Gênova, também na Itália, 
considerando o novo contexto das cidades. 
Após os acontecimentos, apresentados, que deram origem à AICE, 
identificou-se um vácuo muito grande na educação de todo mundo. 
Retomando a primeira convenção, nascida na Câmera Mundial, em 1990, em 
Nova Iorque, nos Estados Unidos, foi organizada pelo Fundo Nacional das 
Nações Unidas para Infância da Unicef e reuniu 70 nações representantes de 
países. 
Como produto final, tivemos documentos que traziam como objetivos a 
redução da taxa de mortalidade, a proteção contra exploração de crianças e 
abuso, da violência e do trabalho infantil. Esse instrumento resultou em 
legislações nacionais em vários países, como o Brasil. As documentações da 
Cúpula definiram, ainda, algumas cláusulas do Estatuto da Criança e do 
Adolescente (ECA) de 1991. 
Ou seja, a carta teve como base a Declaração Universal sobre a 
Diversidade Cultural da Unesco, a qual dizia que as Nações Unidas, em se 
 
 
9 
tratando de ciência e cultura, deveriam estar de acordo. Dessa maneira, a 
cultura se encontrava no centro dos debates contemporâneos acerca da 
identidade e da coesão social no seu desenvolvimento da cultura fundada. 
Por isso, faz-se necessário que os países sigam os princípios de um 
pluralismo cultural, das garantias, das diversidades culturais e, também, um 
acesso aos bens e serviços culturais. Consiste em um reforço que promove a 
capacidade de criação e difusão, em escala mundial, estabelecendo parcerias 
entre o setor privado e o público, bem como com a sociedade civil. 
Visto essas inspirações, é preciso destacar que a carta é dividida em 
duas seçõesprincipais: o Preâmbulo e os Princípios. No Preâmbulo, temos 
como enfoque a função educadora das cidades que deve estar de acordo com 
Associação. Já os Princípios são pautados nos objetivos permanentes de 
aprender, trocar, partilhar e enriquecer a vida dos seus habitantes, tratando 
como prioridade as crianças e os jovens. Segundo, ainda, essa carta, nós 
temos alguns desafios para o século XXI. 
1. Investir na educação para cada pessoa de maneira que cada uma delas 
possa desenvolver o seu potencial, a sua criatividade e a sua 
responsabilidade. 
2. Promover as condições de igualdade para que todos possam se sentir 
respeitados, bem como preparados para respeitar, sempre a partir da 
capacidade de dialogar. 
3. Construir uma cidade em que se tenha uma sociedade com acesso ao 
conhecimento, sem exclusões, providenciando um acesso fácil da 
população às tecnologias de informação e comunicação de modo que 
isso possibilite desenvolvimento. 
Considere, também, que a carta atenta para que, nas instituições 
formais, as intervenções sejam não formais; já nas instituições informais com 
práticas educativas não, necessariamente, acompanhada por um ato 
pedagógico, devem estar em articulação e colaboração, multilateralmente, ou 
seja, uma com a outra. Nesse contexto da globalização em que vivemos, no 
fim do Preâmbulo, a Carta vai reforçar a necessidade de incorporação do 
projeto político, dos princípios das cidades educadoras e do governo. Ou seja, 
trata-se da responsabilidade desses três eixos. Assim, o direito à Cidade 
Educadora tem que ser uma garantia relevante dentro dos princípios de 
igualdade de todas as pessoas. 
 
 
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TEMA 5 – OS PRINCÍPIOS DA CARTA DAS CIDADES EDUCADORAS 
A Carta das Cidades Educadoras reúne, dessa maneira, 20 princípios 
divididos em três seções, as quais consideram os objetivos maiores. A 
primeira seção se refere ao direito a uma Cidade Educadora; a segunda 
implica naqueles princípios do compromisso da cidade; e a terceira, ao serviço 
integral das pessoas. 
5.1 Primeira Seção da Carta das Cidades Educadoras 
Reúne seis princípios: 
1. Implica na premissa de que todos os habitantes de uma cidade têm o 
direito de usufruir das condições e oportunidades que a cidade oferece; 
de modo que se tenha a liberdade e, também, igualdade. Trata-se, 
então, de um direito fundamental a todos indivíduos de educação à 
Cidade Educadora. Assim, precisa, permanentemente, renovar o seu 
compromisso. Para tanto, o planejamento e o governo devem tomar 
medidas para derrubar as barreiras que impedem o exercício desses 
direitos. 
Dessa maneira, esse primeiro princípio especifica que a administração 
municipal, assim como outras, são responsáveis pela cidade e pelos seus 
habitantes, os quais devem, também, se comprometer com esses projetos. 
Esse envolvimento, entretanto, não deve ser somente pessoalmente, mas, 
também, com o envolvimento das diferentes associações da qual cada um faz 
parte. 
2. Trata da promoção da diversidade e do combate à discriminação. Ou 
seja, do papel da cidade ao tentar oferecer a liberdade de expressão, 
o diálogo em condições de igualdade e uma diversidade cultural, 
acolhendo iniciativas inovadoras da cultura popular, 
independentemente de onde elas surgiram. Dessa maneira, ignora os 
critérios puramente mercantis e reforça a correção dessas 
desigualdades. 
3. Fala da integração que precisa acontecer entre as gerações. Sendo 
assim, a cidade deve incentivar esse diálogo não só para evitar 
conflitos, mas, também, para procurar projetos em comum que sejam 
 
 
11 
partilhados entre grupos de pessoas, de variadas idades, explorando, 
no bom sentido, as capacidades e os valores que são próprios para 
cada faixa etária. 
4. Diz respeito às políticas públicas municipais; especialmente as que 
devem ter um caráter educativo, inspirado nos princípios de justiça 
social e de civismo democrático. Aqui, mais uma vez, considera-se o 
pensamento na qualidade de vida para os seus habitantes. 
5. As cidades devem ter uma política educacional de caráter transversal 
e de forma inovadora, que abrange as modalidades da educação formal 
e informal. 
6. Os municípios precisam realizar estudos para atualizar a situação e as 
necessidades dos habitantes. Esses estudos devem ser públicos e 
divulgados em canais abertos para que a comunicação se dê de forma 
permanente para o indivíduo. 
5.2 Segunda Seção da Carta das Cidades Educadoras 
Seus princípios, do 7º ao 12º vão ao encontro com o direito à cidade; 
ou seja, se referem ao compromisso da cidade: 
7. A cidade deve saber preservar e apresentar a sua identidade pessoal, 
valorizando os costumes e as origens. Entretanto, esses aspectos 
precisam ser compatíveis e se propagarem considerando o contexto 
internacional. 
8. Reforça o planejamento urbano da cidade e precisa ser 
compromissado com o meio ambiente, bem como, e principalmente, 
atendendo àquelas pessoas que tem necessidade de acessibilidade, 
sem que precisem renunciar de sua autonomia. 
9. Participação crítica e responsável dos indivíduos, sendo que o governo 
local precisa oferecer a informação necessária e promover as 
atividades de formação a partir de atividades de valores éticos e 
cívicos, estimulando a participação cidadã. 
10. O governo municipal precisa dotar a cidade de espaços, serviços 
públicos e equipamentos necessários ao desenvolvimento pessoal e ao 
desenvolvimento cultural, social, com atenção especial à infância e 
juventude. 
 
 
12 
11. Respeito e garantia da qualidade de vida que uma cidade deve 
proporcionar aos seus habitantes, a partir da promoção da educação 
para saúde e de boas práticas para o desenvolvimento sustentável. 
12. Avaliação e participação do projeto educador que os governos das 
cidades devem avaliar e refletir a partir da participação e da utilização 
dos instrumentos necessários. Incentivam, assim, os indivíduos a 
crescerem e pensarem coletivamente. 
5.3 Terceira Seção da Carta das Cidades Educadoras 
Contempla os princípios do 13 ao 20, tratando sobre o serviço integral 
que pode ser oferecido pela cidade às pessoas: 
13. Avaliação do impacto das ofertas culturais, recreativas e 
informativas, na realidade dos jovens e das crianças. O município, 
portanto, considera a importância de avaliar o impacto dessas ofertas, 
ou de qualquer outro tipo, na realidade de jovens e crianças que as 
receberam sem qualquer intermediário. Essas informações cruas 
precisam ser pensadas e avaliadas incluindo o intercâmbio entre a 
cidade. 
14. Projetos de formação para os educadores e para os indivíduos, 
em que a cidade e todas as famílias promovam a formação e o 
desenvolvimento do pensamento da criança para a cidade, enquanto 
um local de construção coletiva. Tal iniciativa possibilita, também, a 
formação contínua dos educadores e a formação dos professores, que 
deve acontecer sempre que possível. 
15. A cidade deve oferecer a seus habitantes uma orientação 
pessoal e profissional para que se torne possível a participação nas 
atividades sociais, bem como o estabelecimento entre o planejamento 
educativo e as necessidades do mercado de trabalho. Dessa maneira, 
é preciso pensar como é possível dar uma orientação pessoal e, ao 
mesmo tempo, uma orientação educativa voltadas para o mercado de 
trabalho. 
16. Desenvolvimento de políticas de ações afirmativas pelos 
municípios que precisam estar cientes dos mecanismos de exclusão e 
 
 
13 
da marginalização. Faz-se necessário, então, o desenvolvimento de 
políticas de ações afirmativas que combatam a exclusão. 
17. Intervenções que são usadas para resolver as desigualdades 
que podem ter múltiplas formas, sempre conectadas a uma visão global 
do indivíduo. 
18. Estímulo que precisa estar relacionada ao associativismo, 
enquanto modo de participação e corresponsabilidade; ou seja, 
contemplar a responsabilidade de partilha cívica, contribuindopara a 
formação e participação desse processo de tomada de decisão e, 
também, de planejamento e gestão exigidas na vida associativa. 
19. Garantia de informação para todos, independente do grupo de 
idade: criança, jovem ou idoso. Também não interessa a que grupo 
social; ou seja, classe social, a que o indivíduo pertence. Trata-se de 
iniciativas tomadas. 
20. A Cidade Educadora precisa oferecer a formação sobre os 
valores, as práticas de cidadania, a prática democrática, com respeito 
à tolerância e participação nos interesses públicos. 
Todos esses princípios demonstraram uma preocupação de tornar a 
cidade um espaço educativo, voltado à população e às pessoas, para uma 
formação continuada, tanto nos espaços formais quanto nos informais de 
educação, garantindo, assim, seus direitos fundamentais. 
NA PRÁTICA 
Desde a primeira Conferência das Cidades Educadores, vimos que 
muitas cidades despertaram a preocupação com a educação e começaram a 
integrar a AICE. Para fazer parte da associação é preciso seguir os princípios. 
Desta maneira, escolha um dos vinte princípios da Carta e pesquise 
um projeto de intervenção já realizado em algum município (seja ele parte da 
AICE ou não) que contemple o princípio escolhido. Descreva de forma sucinta 
(5 linhas) do que se trata o projeto e justifique o porquê do princípio vinculado 
(5 linhas). Poste sua resposta para compartilhar as ideias dos projetos com a 
turma. 
 
 
 
14 
FINALIZANDO 
Nesta aula, refletimos sobre o conceito de Cidades Educadoras, 
lançado na década de 1990, entendendo-o como múltiplo e mutante, mas que 
representa o compromisso da cidade, em todas as esferas, com a educação. 
Conhecemos o contexto no qual surgiu a Associação Internacional das 
Cidades Educadoras, suas inspirações, estrutura organizacional e seus 
principais objetivos. 
Também estudamos a mais importante publicação da AICE, que é a 
Carta das Cidades Educadoras, a qual discute o conceito central e traz os 
princípios que devem nortear as políticas dos municípios associados – 
princípios estes que se agrupam por finalidade, somando um total de vinte 
fundamentos compromissados com a cidade e seus habitantes. 
 
 
 
15 
REFERÊNCIAS 
AICE. Carta das Cidades Educadoras. VII Congresso Internacional de 
Cidades Educadoras. Genova, 2004. Disponível em: 
<http://www.edcities.org/carta-de-ciudades-educadoras/>. Acesso em: 8 set. 
2021. 
AICE. Educação e vida urbana: 20 anos de Cidades Educadoras. Lisboa, 
2013. Disponível em: <http://cidadeseducadoras.org.br/materiais/educacao-
e-vida-urbana-20-anos-de-cidades-educadoras/>. Acesso em: 8 set. 2021.

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