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CIDADES EDUCADORAS AULA 3 Profª Isabela de Gracia Yabe 2 CONVERSA INICIAL Começamos a nossa aula desta disciplina conhecendo as Cidades Educadoras no contexto da Associação Internacional das Cidades Educadoras (AICE) para compreender o que levou ao seu surgimento, bem como às suas metas. Em seguida, trataremos da Carta da AIEC, um documento muito importante que serviu como um norte para a concretização dessas Cidades, nesse documento, são abordados seus princípios. Dessa maneira, ao final desta aula, você estará capacitado para estabelecer alguns paralelos com aquilo que já foi tratado, até então, quando falamos em cidade geral e a participação geral da sociedade, com todas as ações que ainda podem ser tomadas para torná-la uma cidade, realmente, dentro do perfil de “cidade educadora”. TEMA 1 – O QUE SÃO AS CIDADES EDUCADORAS? O que é uma Cidade Educadora? Assim como qualquer outro conceito, o significado vai ser mutável, ou seja, vai variar de acordo com o contexto histórico e também onde será aplicado. Muito embora ele seja mutável, o conteúdo permanecerá, praticamente, o mesmo. Em se considerando a realidade peculiar de cada cidade, a essência de que uma Cidade Educadora vai ser transformada pelo menos um pouco ao longo do tempo. As Cidades Educadoras tiveram sua origem com a pedagoga catalã Marta Mata. Mata foi uma política e pedagoga espanhola, da região da Catalunha, que promoveu a renovação da escola pública e também defendeu a escola laica. Introduziu o conceito de Cidade Educadora na Câmara de Vereadores de Barcelona. Mas foi só em 1990, no primeiro Congresso das Cidades Educadoras, em Barcelona, que ela tomou notoriedade. Esse encontro reuniu um grupo de cidades responsável por um conjunto de princípios centrados no desenvolvimento dos habitantes voltados para a administração pública. Dessa maneira, o conceito de Mata parte da ideia de que a escola sozinha não tem condições de abordar todos os conhecimentos e as informações do mundo contemporâneo. Esse preceito acaba sendo bem lógico, uma vez que as disciplinas, no Ensino Fundamental, têm uma variada 3 gama de assuntos dentro da escola formal. Portanto, é possível entender a função de educar relacionada não somente à família e ao Estado, mas, também, a toda sociedade. Deve acontecer, assim, em espaços formais, informais e não formais de educação. A educação que acontece em espaços formais é institucionalizada. Sendo assim, esses espaços devem ser sistematizados, em que as atividades são assistidas considerando algum ato pedagógico, que tem como preocupação a aquisição e a construção do conhecimento que atendam às necessidades da sociedade. Neste caso, então, temos a escola tradicional que já conhecemos. Já a educação não formal, como o próprio nome diz, é aquela que acontece fora dos espaços escolares, ou seja, nos locais de interação do indivíduo, como: museu, teatro, parque etc. Aqui, temos uma ampla variedade de atividades específicas para atender aos interesses de alguns grupos. São, geralmente, pouco assistidas pelo ato pedagógico e não tem, necessariamente, um profissional coordenando as ações. A educação informal é fruto de condutas que diferenciam a vida de cada pessoa; conhecimentos que são passados de geração para geração. Não existe, com isso, qualquer ato pedagógico envolvido. Pode acontecer na família, na rua, no trabalho, na política, na igreja; enfim, em qualquer um desses espaços que o indivíduo realize práticas educativas. Temos isso muito bem apresentado na publicação de 2013 que coloca a Cidade Educadora para além das suas funções tradicionais, reconhece, promove e exerce um papel educador na vida dos sujeitos, assumindo, como desafio permanente, a formação integral dos seus habitantes. Apropriou-se, assim, do compromisso de potencializar a realização educativa no seu espaço, articulando sua oferta com programas culturais, sociais e educativos, para voltar-se, também, à função econômica e política de prestação de serviços. Certa vez, o renomado pedagogo Paulo Freire disse que a cidade se converte em Cidade Educadora a partir da necessidade de se educar, aprender e imaginar. A sua tarefa, nesse sentido, deve ser a de possibilitar um posicionamento político para chegarmos à forma como queremos que o espaço urbano seja construído. Dessa maneira, o projeto de Cidade Educadora deve ser compartilhado entre as autoridades locais e a sociedade 4 civil, garantindo seu engajamento ativo durante todo o processo de concepção. Como palavras-chaves desse contexto, tem-se igualitária e democrática, que exploram, basicamente, a ideia de que todos possam participar dos processos e decisões, reconhecendo a diversidade dos sujeitos, respeitando o equilíbrio territorial da cidade e tendo cuidado de não promover ações que atendam somente a alguns setores; ações estas que, se não atendidas, podem ocasionar a segregação socioespacial. A última palavra- chave, mas não menos importante, é a questão do direito, o que remete ao direito à cidade, bem como o seu dever de cumprir as funções tradicionais sem abandonar a educação, ou seja, o direito pleno. TEMA 2 – O SURGIMENTO DA AICE O surgimento da Associação Internacional das Cidades Educadoras (AICE) aconteceu na metade do século XX. Um pouco antes da metade do referido século, em 1948, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a Declaração Universal dos Direitos Humanos, a qual se deu após o final da Segunda Guerra Mundial e tinha como ideal que seus preceitos fossem praticados por todos os povos e todas as nações. Seu conteúdo tratava de propor que a liberdade e os direitos de todos os indivíduos fossem respeitados. Um pouco mais tarde, em 1966, aconteceu o Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Consistiu em um acordo em que todos os membros deveriam trabalhar na concessão desses direitos a todas as pessoas, ou seja, uma maneira de tornar jurídico os dispositivos da Declaração Universal de Direitos Humanos. Outro documento de extrema relevância para a Associação das Cidades Educadoras foi a Declaração Mundial de Educação para Todos, promulgada pela Unesco, focando na afirmação da Declaração Universal, a qual estabelece que toda pessoa tem o direito à educação. Ainda no século XX, constatou-se que as realidades eram muito distantes daquilo que se imaginava. Dessa maneira, os objetivos da Unesco, para a educação, apresentaram um atendimento às necessidades básicas de aprendizagem que se pautavam na universalização do acesso à educação e ampliação dos seus meios. O foco passou a ser, então, a construção da 5 educação básica preocupando-se com um ambiente adequado de aprendizagem que fortalecesse as alianças e desenvolvesse políticas de mobilização dos recursos disponíveis para isso. Falamos, até agora, do contexto internacional da AIEC. No Brasil, essa concepção se deu de forma diferente. Em 1932, Anísio Teixeira defendia uma educação pública, gratuita, laica e mista. Tinha como base as ideias de John Dewey, norte-americano que propôs a criação de uma escola-parque que tinha como objetivo a educação em tempo integral e abordasse tanto o letramento como, também, a aprendizagem sobre a cultura, o trabalho e a criatividade. Seguindo esses ideais, a primeira escola, dentro dessas características, foi implantada em um bairro popular de Salvador, na Bahia. Dessa maneira, a escola aderiu, em sua grade, atividades práticas, como jogos, recreações, arte, música e dança. Esse projeto, das escolas parque, tinha uma preocupação urbanística e arquitetônica pensando no ambiente escolar como um dos pilares para o desenvolvimento urbano. Durante esse tempo, de 1935 a 1938, Mário de Andrade, enquanto diretor do Departamento Municipal da Prefeitura de São Paulo,criou e espalhou os parques infantis por toda a cidade. Esses parques tinham como proposta a educação fora dos espaços formais, sendo destinados à promoção de cultura e lazer para as crianças pobres da referida capital. Eram gratuitos e abertos mediante uma ficha de inscrição. Dessa maneira, era preciso inscrever as crianças que participariam das aulas para a prática de esportes, brincadeiras e jogos. Além disso, eram envolvidos em desenhos, leitura, artesanato e outras tantas atividades. Mais tarde, em 1990, aconteceu a criação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que trouxe um conjunto de normas para a proteção da criança e do adolescente, levando em conta a Declaração dos Direitos da Criança, da Organização das Nações Unidas (ONU). O projeto contou com, aproximadamente, 1 milhão de assinaturas da sociedade civil. Tratou-se de uma iniciativa muito importante que significaram vários avanços, mecanismos de proteção e segurança para crianças e jovens como sujeitos detentores de direitos que devem ter suas necessidades específicas atendidas como prioridade pelo poder público, na sociedade em geral. 6 Em 1990, aconteceu o primeiro Congresso Internacional das Cidades Educadoras, em Barcelona, na Espanha, considerado o grande marco para esse conceito se alastrar por todo mundo. Esse momento da história reuniu 63 cidades que tiveram como objetivo discutir o papel educativo em cada uma delas, uma necessidade apresentada, inclusive, a partir da Convenção das Nações Unidas, em 1989. Em 1994, aconteceu o 3º Congresso Internacional, em Bolonha, na Itália, onde os membros, tendo como base a carta produzida em 1990, formaram a Associação Internacional, criada com o objetivo de auxiliar as prefeituras, os governos e as secretarias a implementarem medidas voltadas ao desenvolvimento integral dos habitantes, focando, sempre, na educação e nos Direitos Humanos. Em 2018, a Associação Internacional, que sensibilizou e promoveu boas práticas, passou a contar com 480 cidades envolvidas. Se comparada com o período em que foi criada, temos uma grande margem de diferença, uma vez que em seu início havia apenas 40 cidades associadas. TEMA 3 – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E OBJETIVOS DA AICE A estrutura de organização da Associação Internacional das Cidades Educadoras é dividida em quatro grandes órgãos principais: 1. Assembleia Geral: o órgão supremo da AIEC integra todos os associados. Tem, entre outras funções, de eleição e substituição de membros que formam o comitê executivo. Além disso, tem a responsabilidade de modificar o estatuto da Associação Internacional, assim como a aprovação de gestão, do plano de ação e das despesas realizadas por ano. Um exemplo de deliberação da Assembleia Geral das AIECs é a introdução, que foi pedida em 2016, no idioma português, que conta somente com o espanhol, francês e inglês. Nessa assembleia, seus membros discutem sobre esses quesitos do comitê executivo. 2. Comitê Executivo: como o próprio nome diz, corresponde à função de direção de gestão, execução e representação da AIEC. Sua composição pode mudar, mas isso é determinado por meio de assembleia. 7 3. Secretariado: em 2018, tanto a presidência quanto a secretaria eram ocupadas por Barcelona, a vice-presidência era na Cidade de Rosário na Argentina, a cidade de Rennes, na França ocupava o cargo de tesouraria. A cidade de Lisboa, em Portugal, Medellín, na Colômbia e Santo André, no Brasil são cidades de representação. Ainda compondo a estrutura, tem o secretariado, cuja sede é Barcelona, na Espanha, sede do 1º Encontro Internacional, responsável pela gestão cotidiana da associação. 4. Redes: estruturas descentralizadas, integradas pelas cidades-membro da AIEC. Como exemplo dessas conexões e articulações, temos a Rede Brasileira, a Delegação da América Latina, as Redes Europeias e as Cidades Educadoras; enfim há uma diversa quantidade de redes. Quando falamos na AIEC, temos oito objetivos muito bem estabelecidos: 1. Proclamar e reivindicar a importância da educação na cidade, pensando em como trazer esse perfil educacional para dentro da cidade. 2. Dar destaque aos aspectos educacionais dos projetos políticos. Diante das dimensões que temos dos processos políticos da educação, que deve receber a maior atenção. 3. Promover e garantir os princípios estabelecidos na carta, a partir de incentivos; sempre aconselhando e informando os seus membros sobre a promoção e implementação. 4. Representar os associados e colaborar com as organizações internacionais, entidades territoriais, estados e todos os tipos, representando as partilhas desses lugares. 5. Muito importante para o funcionamento dessa Associação, pois estabelece um relacionamento de colaboração com as outras confederações, ou seja, com as próprias redes territoriais. Isso deve acontecer especialmente com as redes das cidades em ação que precisam ser semelhantes e complementares; ou mesmo àquelas que sejam concorrentes. 6. Integração dessa estrutura com a cooperação das áreas territoriais, provocando sua interação. 8 7. Promoção da AICE pelo mundo para que se possa atingir o maior número de cidades que tenham o interesse em adotar esse perfil educativo. 8. Trata-se da essência da AIEC para a promoção e o aprofundamento dos conceitos a serem aplicados em ações específicas da política das cidades, a partir das reuniões e projetos de intercâmbios de congresso e todas as demais atividades administrativas que vão fortalecer os laços entre as cidades parceiras, as redes temáticas, entre outros. Uma vez apresentados esses objetivos, é importante reforçar que a lógica da estrutura da Associação Internacional das Cidades Educadoras segue a mesma lógica de qualquer outra associação, que tem os seus órgãos e objetivos bem delineados para que consiga promover um bom trabalho. TEMA 4 – A CARTA DA AICE Quatro anos após o lançamento da Carta das Cidades Educadoras, no primeiro Congresso Internacional da Associação, em 1990, em Barcelona, na Espanha, esse documento, frente à composição da AICE, no Congresso de Bolonha, na Itália, foi novamente pensado. Passados mais 10 anos, em 2004, foi, então, redigida em um congresso em Gênova, também na Itália, considerando o novo contexto das cidades. Após os acontecimentos, apresentados, que deram origem à AICE, identificou-se um vácuo muito grande na educação de todo mundo. Retomando a primeira convenção, nascida na Câmera Mundial, em 1990, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, foi organizada pelo Fundo Nacional das Nações Unidas para Infância da Unicef e reuniu 70 nações representantes de países. Como produto final, tivemos documentos que traziam como objetivos a redução da taxa de mortalidade, a proteção contra exploração de crianças e abuso, da violência e do trabalho infantil. Esse instrumento resultou em legislações nacionais em vários países, como o Brasil. As documentações da Cúpula definiram, ainda, algumas cláusulas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) de 1991. Ou seja, a carta teve como base a Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural da Unesco, a qual dizia que as Nações Unidas, em se 9 tratando de ciência e cultura, deveriam estar de acordo. Dessa maneira, a cultura se encontrava no centro dos debates contemporâneos acerca da identidade e da coesão social no seu desenvolvimento da cultura fundada. Por isso, faz-se necessário que os países sigam os princípios de um pluralismo cultural, das garantias, das diversidades culturais e, também, um acesso aos bens e serviços culturais. Consiste em um reforço que promove a capacidade de criação e difusão, em escala mundial, estabelecendo parcerias entre o setor privado e o público, bem como com a sociedade civil. Visto essas inspirações, é preciso destacar que a carta é dividida em duas seçõesprincipais: o Preâmbulo e os Princípios. No Preâmbulo, temos como enfoque a função educadora das cidades que deve estar de acordo com Associação. Já os Princípios são pautados nos objetivos permanentes de aprender, trocar, partilhar e enriquecer a vida dos seus habitantes, tratando como prioridade as crianças e os jovens. Segundo, ainda, essa carta, nós temos alguns desafios para o século XXI. 1. Investir na educação para cada pessoa de maneira que cada uma delas possa desenvolver o seu potencial, a sua criatividade e a sua responsabilidade. 2. Promover as condições de igualdade para que todos possam se sentir respeitados, bem como preparados para respeitar, sempre a partir da capacidade de dialogar. 3. Construir uma cidade em que se tenha uma sociedade com acesso ao conhecimento, sem exclusões, providenciando um acesso fácil da população às tecnologias de informação e comunicação de modo que isso possibilite desenvolvimento. Considere, também, que a carta atenta para que, nas instituições formais, as intervenções sejam não formais; já nas instituições informais com práticas educativas não, necessariamente, acompanhada por um ato pedagógico, devem estar em articulação e colaboração, multilateralmente, ou seja, uma com a outra. Nesse contexto da globalização em que vivemos, no fim do Preâmbulo, a Carta vai reforçar a necessidade de incorporação do projeto político, dos princípios das cidades educadoras e do governo. Ou seja, trata-se da responsabilidade desses três eixos. Assim, o direito à Cidade Educadora tem que ser uma garantia relevante dentro dos princípios de igualdade de todas as pessoas. 10 TEMA 5 – OS PRINCÍPIOS DA CARTA DAS CIDADES EDUCADORAS A Carta das Cidades Educadoras reúne, dessa maneira, 20 princípios divididos em três seções, as quais consideram os objetivos maiores. A primeira seção se refere ao direito a uma Cidade Educadora; a segunda implica naqueles princípios do compromisso da cidade; e a terceira, ao serviço integral das pessoas. 5.1 Primeira Seção da Carta das Cidades Educadoras Reúne seis princípios: 1. Implica na premissa de que todos os habitantes de uma cidade têm o direito de usufruir das condições e oportunidades que a cidade oferece; de modo que se tenha a liberdade e, também, igualdade. Trata-se, então, de um direito fundamental a todos indivíduos de educação à Cidade Educadora. Assim, precisa, permanentemente, renovar o seu compromisso. Para tanto, o planejamento e o governo devem tomar medidas para derrubar as barreiras que impedem o exercício desses direitos. Dessa maneira, esse primeiro princípio especifica que a administração municipal, assim como outras, são responsáveis pela cidade e pelos seus habitantes, os quais devem, também, se comprometer com esses projetos. Esse envolvimento, entretanto, não deve ser somente pessoalmente, mas, também, com o envolvimento das diferentes associações da qual cada um faz parte. 2. Trata da promoção da diversidade e do combate à discriminação. Ou seja, do papel da cidade ao tentar oferecer a liberdade de expressão, o diálogo em condições de igualdade e uma diversidade cultural, acolhendo iniciativas inovadoras da cultura popular, independentemente de onde elas surgiram. Dessa maneira, ignora os critérios puramente mercantis e reforça a correção dessas desigualdades. 3. Fala da integração que precisa acontecer entre as gerações. Sendo assim, a cidade deve incentivar esse diálogo não só para evitar conflitos, mas, também, para procurar projetos em comum que sejam 11 partilhados entre grupos de pessoas, de variadas idades, explorando, no bom sentido, as capacidades e os valores que são próprios para cada faixa etária. 4. Diz respeito às políticas públicas municipais; especialmente as que devem ter um caráter educativo, inspirado nos princípios de justiça social e de civismo democrático. Aqui, mais uma vez, considera-se o pensamento na qualidade de vida para os seus habitantes. 5. As cidades devem ter uma política educacional de caráter transversal e de forma inovadora, que abrange as modalidades da educação formal e informal. 6. Os municípios precisam realizar estudos para atualizar a situação e as necessidades dos habitantes. Esses estudos devem ser públicos e divulgados em canais abertos para que a comunicação se dê de forma permanente para o indivíduo. 5.2 Segunda Seção da Carta das Cidades Educadoras Seus princípios, do 7º ao 12º vão ao encontro com o direito à cidade; ou seja, se referem ao compromisso da cidade: 7. A cidade deve saber preservar e apresentar a sua identidade pessoal, valorizando os costumes e as origens. Entretanto, esses aspectos precisam ser compatíveis e se propagarem considerando o contexto internacional. 8. Reforça o planejamento urbano da cidade e precisa ser compromissado com o meio ambiente, bem como, e principalmente, atendendo àquelas pessoas que tem necessidade de acessibilidade, sem que precisem renunciar de sua autonomia. 9. Participação crítica e responsável dos indivíduos, sendo que o governo local precisa oferecer a informação necessária e promover as atividades de formação a partir de atividades de valores éticos e cívicos, estimulando a participação cidadã. 10. O governo municipal precisa dotar a cidade de espaços, serviços públicos e equipamentos necessários ao desenvolvimento pessoal e ao desenvolvimento cultural, social, com atenção especial à infância e juventude. 12 11. Respeito e garantia da qualidade de vida que uma cidade deve proporcionar aos seus habitantes, a partir da promoção da educação para saúde e de boas práticas para o desenvolvimento sustentável. 12. Avaliação e participação do projeto educador que os governos das cidades devem avaliar e refletir a partir da participação e da utilização dos instrumentos necessários. Incentivam, assim, os indivíduos a crescerem e pensarem coletivamente. 5.3 Terceira Seção da Carta das Cidades Educadoras Contempla os princípios do 13 ao 20, tratando sobre o serviço integral que pode ser oferecido pela cidade às pessoas: 13. Avaliação do impacto das ofertas culturais, recreativas e informativas, na realidade dos jovens e das crianças. O município, portanto, considera a importância de avaliar o impacto dessas ofertas, ou de qualquer outro tipo, na realidade de jovens e crianças que as receberam sem qualquer intermediário. Essas informações cruas precisam ser pensadas e avaliadas incluindo o intercâmbio entre a cidade. 14. Projetos de formação para os educadores e para os indivíduos, em que a cidade e todas as famílias promovam a formação e o desenvolvimento do pensamento da criança para a cidade, enquanto um local de construção coletiva. Tal iniciativa possibilita, também, a formação contínua dos educadores e a formação dos professores, que deve acontecer sempre que possível. 15. A cidade deve oferecer a seus habitantes uma orientação pessoal e profissional para que se torne possível a participação nas atividades sociais, bem como o estabelecimento entre o planejamento educativo e as necessidades do mercado de trabalho. Dessa maneira, é preciso pensar como é possível dar uma orientação pessoal e, ao mesmo tempo, uma orientação educativa voltadas para o mercado de trabalho. 16. Desenvolvimento de políticas de ações afirmativas pelos municípios que precisam estar cientes dos mecanismos de exclusão e 13 da marginalização. Faz-se necessário, então, o desenvolvimento de políticas de ações afirmativas que combatam a exclusão. 17. Intervenções que são usadas para resolver as desigualdades que podem ter múltiplas formas, sempre conectadas a uma visão global do indivíduo. 18. Estímulo que precisa estar relacionada ao associativismo, enquanto modo de participação e corresponsabilidade; ou seja, contemplar a responsabilidade de partilha cívica, contribuindopara a formação e participação desse processo de tomada de decisão e, também, de planejamento e gestão exigidas na vida associativa. 19. Garantia de informação para todos, independente do grupo de idade: criança, jovem ou idoso. Também não interessa a que grupo social; ou seja, classe social, a que o indivíduo pertence. Trata-se de iniciativas tomadas. 20. A Cidade Educadora precisa oferecer a formação sobre os valores, as práticas de cidadania, a prática democrática, com respeito à tolerância e participação nos interesses públicos. Todos esses princípios demonstraram uma preocupação de tornar a cidade um espaço educativo, voltado à população e às pessoas, para uma formação continuada, tanto nos espaços formais quanto nos informais de educação, garantindo, assim, seus direitos fundamentais. NA PRÁTICA Desde a primeira Conferência das Cidades Educadores, vimos que muitas cidades despertaram a preocupação com a educação e começaram a integrar a AICE. Para fazer parte da associação é preciso seguir os princípios. Desta maneira, escolha um dos vinte princípios da Carta e pesquise um projeto de intervenção já realizado em algum município (seja ele parte da AICE ou não) que contemple o princípio escolhido. Descreva de forma sucinta (5 linhas) do que se trata o projeto e justifique o porquê do princípio vinculado (5 linhas). Poste sua resposta para compartilhar as ideias dos projetos com a turma. 14 FINALIZANDO Nesta aula, refletimos sobre o conceito de Cidades Educadoras, lançado na década de 1990, entendendo-o como múltiplo e mutante, mas que representa o compromisso da cidade, em todas as esferas, com a educação. Conhecemos o contexto no qual surgiu a Associação Internacional das Cidades Educadoras, suas inspirações, estrutura organizacional e seus principais objetivos. Também estudamos a mais importante publicação da AICE, que é a Carta das Cidades Educadoras, a qual discute o conceito central e traz os princípios que devem nortear as políticas dos municípios associados – princípios estes que se agrupam por finalidade, somando um total de vinte fundamentos compromissados com a cidade e seus habitantes. 15 REFERÊNCIAS AICE. Carta das Cidades Educadoras. VII Congresso Internacional de Cidades Educadoras. Genova, 2004. Disponível em: <http://www.edcities.org/carta-de-ciudades-educadoras/>. Acesso em: 8 set. 2021. AICE. Educação e vida urbana: 20 anos de Cidades Educadoras. Lisboa, 2013. Disponível em: <http://cidadeseducadoras.org.br/materiais/educacao- e-vida-urbana-20-anos-de-cidades-educadoras/>. Acesso em: 8 set. 2021.