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EMBRIOLOGIA E ANATOMIA Os seios maxilares são espaços preenchidos por ar que ocupam os ossos maxilares bilateralmente. Os seios maxilares são os primeiros dos seios paranasais (ou seja, maxilar, etmoide, frontal e esfenoide). EXAME CLÍNICO DOS SEIOS MAXILARES A avaliação clínica de um paciente com suspeita de sinusite maxilar deve iniciar-se com um exame visual cuidadoso da face do paciente e do vestíbulo intraoral para a detecção de inchaço ou vermelhidão. A descarga nasal pode ser evidente durante a avaliação inicial. O exame do paciente com suspeita de doença dos seios maxilares deve incluir também o toque das paredes laterais dos seios maxilares externamente sobre a saliência dos ossos da face, bem como a palpação intraoral na superfície lateral da maxila entre a fossa canina e o suporte zigomático. Os pacientes com sinusite maxilar queixam-se frequentemente de dor dentária, e a percussão da dor a diversos dentes maxilares posteriores é muitas vezes um fator indicativo de infecção aguda do seio maxilar. O exame complementar pode incluir a transiluminação dos seios maxilares. A transiluminação do seio maxilar é realizada pela colocação de uma luz brilhante de fibra óptica contra a mucosa nas superfícies facial ou palatina do seio maxilar, observando-se em uma sala escura a transmissão de luz através do seio maxilar. EXAME RADIOGRÁFICO DOS SEIOS MAXILARES As radiografias de padrões dentários, que podem ser úteis na avaliação dos seios maxilares, incluem imagens periapicais, oclusais e panorâmicas. Uma radiografia periapical é limitada apenas a uma pequena porção do lado inferior do seio maxilar que pode ser visualizado. Em alguns casos, os ápices das raízes dos dentes maxilares posteriores podem ser vistos projetando-se dentro do assoalho dos seios maxilares. As radiografias panorâmicas podem proporcionar uma imagem de “rastreamento” dos seios maxilares. INFECÇÕES NÃO ODONTOGÊNICAS DO SEIO MAXILAR A mucosa do seio maxilar é suscetível a doenças infecciosas, alérgicas e neoplásicas. As doenças inflamatórias do seio maxilar, como infecção ou reações alérgicas, causam hiperplasia ou hipertrofia da mucosa e podem causar obstrução do óstio. Se o óstio ficar obstruído, o muco produzido pelas células secretoras que revestem os seios maxilares é coletado durante um longo período. O supercrescimento bacteriano pode, então, produzir uma infecção, resultando nos sinais e sintomas de sinusite, bem como as alterações radiográficas observadas nessas condições. Quando a inflamação se desenvolve em qualquer dos seios paranasais, se causada por infecção ou alergia, esse processo é denominado sinusite. A inflamação da maior parte ou de todos os seios paranasais simultaneamente é conhecida como pansinusite e, em geral, é causada pela infecção. Condições semelhantes dos seios maxilares individuais são conhecidas como sinusite maxilar ou sinusite frontal. INFECÇÕES ODONTOGÊNICAS DOS SEIOS MAXILARES As origens das infecções odontogênicas que envolvem os seios maxilares incluem as doenças periapicais e agudas e as doenças periodontais. Infecção e sinusite também podem resultar de trauma para a dentição ou de cirurgia na maxila posterior, incluindo remoção de dentes, alveolectomia, redução de tuberosidade, enxerto para elevação do seio maxilar e colocação de implante, ou outros procedimentos para criar uma área de comunicação entre a cavidade oral e o seio maxilar. TRATAMENTO DE SINUSITE MAXILAR O tratamento precoce da sinusite maxilar consiste em umidificação do ar inspirado para soltar e auxiliar na remoção de secreções secas a partir da passagem nasal e do óstio do seio maxilar. A administração sistêmica de descongestionantes (p. ex., pseudoefedrina [Sudafed]) e de vaporizadores nasais contendo vaconstritores (p. ex., efedrina a 2% ou fenilefrina a 0,25%) reduz a congestão nasal e dos seios maxilares e facilita a drenagem normal. Pacientes com infecções dos seios maxilares apresentam com frequência dor severa a moderada, e a prescrição de um analgésico narcótico ou não esteroide pode ser adequada. Muitos casos de sinusite são causados por alergias que resultam em congestão e drenagem natural alterada do seio maxilar. A sinusite alérgica responde com frequência às recomendações descritas anteriormente. No entanto, quando a sinusite é resultante de um processo infeccioso, é indicado o uso de antibióticos. O conhecimento da bactéria mais provável de ser isolada na sinusite é importante na seleção de um antibiótico. PSEUDOCISTOS ANTRAIS Os pseudocistos, mucoceles e cistos de retenção são acúmulos benignos de fluido localizados abaixo do epitélio do seio maxilar ou circundados por ele. As mucoceles do seio maxilar atualmente são lesões císticas revestidas pelo epitélio. Uma das causas mais comuns de mucoceles verdadeiras é a cirurgia no seio maxilar, que resulta na separação de uma parte do revestimento do seio maxilar a partir da região principal do seio maxilar. Essa área pode ficar preenchida com muco e isolada, formando uma lesão cística separada. Essas lesões são denominadas cistos cirúrgicos ciliados ou cistos maxilares pós- operatórios. COMPLICAÇÕES DE CIRURGIAS ORAIS ENVOLVENDO OS SEIOS MAXILARES As complicações dentárias mais comuns dos procedimentos cirúrgicos orais, que subsequentemente envolvem o seio maxilar, incluem o deslocamento de dentes, raízes ou fragmentos de instrumentos dentro do seio maxilar, ou a criação de uma comunicação entre a cavidade oral e o seio maxilar durante a cirurgia da maxila posterior. A recuperação de um dente, fragmento de raiz ou de um instrumento quebrado pode ser realizada de diversas maneiras. Em muitos casos, a abertura criada durante o deslocamento inicial pode ser ligeiramente aumentada, e o dente ou outro objeto pode ser visualizado e recuperado com um fórceps pequeno, ou com o uso de aspiração. A irrigação ou inundação do seio maxilar seguida pela aspiração muitas vezes pode realizar a recuperação ou posicionar o objeto próximo da abertura para facilitar a recuperação. O tratamento de comunicações oroantrais é realizado imediatamente quando a abertura é criada, ou mais tarde, como no caso de uma fístula de longa data, ou falha de tentativa de fechamento primário. Comunicações Oroantrais: Tratamento Imediato O melhor tratamento de uma exposição potencial do seio maxilar é evitar o problema com a observação cuidadosa e um plano de tratamento. A avaliação de radiografias de alta qualidade antes da cirurgia geralmente revela a presença ou a ausência de um seio maxilar excessivamente pneumatizado, raízes dilaceradas ou amplamente divergentes, o que apresenta a probabilidade de ter uma comunicação com o seio maxilar ou causar fraturas no assoalho ósseo do antro durante a remoção. Se esses processos forem observados, a cirurgia pode ser alterada para seccionar o dente e remover uma raiz de cada vez. Quando é concluída a exposição e perfuração do seio maxilar, é indicada inicialmente a terapia menos invasiva. Se a abertura para o seio maxilar for pequena e não houver a presença de doenças, é recomendável determinar a formação de um coágulo sanguíneo no sítio de extração e preservá-lo nesse local. As suturas são colocadas para a reposição de tecidos moles, e um pacote de gaze é colocado sobre o sítio cirúrgico durante uma a duas horas. O paciente é instruído a seguir os cuidados nasais durante 10 a 14 dias. Esses cuidados incluem abrir a boca enquanto espirra, não sugar canudos ou cigarros e evitar impactos no nariz e qualquer outra situação que possa produzir alterações entre a passagens nasais e a cavidade oral. Se ocorrerem perfurações maiores, pode ser necessário cobrir o sítio de extração com algum tipo de retalho de avanço para obter o fechamento primário em uma tentativa para fechar a abertura do seio maxilar. O procedimento cirúrgico com retalhode avanço usado com maior frequência envolve a elevação de um retalho bucal, liberando o periósteo e avançando o retalho para cobrir o sítio de extração. O aspecto mais importante do retalho de avanço para o fechamento inclui a elevação de um retalho de base ampla com largura adequada para cobrir a comunicação com as margens do retalho posicionado sobre o osso, em vez de ser colocado diretamente sobre o defeito ou área de comunicação. O retalho deve estar livre de qualquer tensão. Para realizar esse procedimento, geralmente o periósteo deve ser incisado e liberado na altura da dissecção. Após o fechamento, o paciente é orientado a seguir as precauções do seio maxilar conforme descrito previamente. Fístula Oroantral: Tratamento Tardio O tratamento bem-sucedido e o fechamento da fístula oroantral requerem um tratamento médico e cirúrgico mais abrangente. Antes do fechamento de uma fístula oroantral, é imprescindível eliminar qualquer infecção crônica ou aguda dentro do seio maxilar. Esse procedimento pode necessitar de irrigação frequente da fístula e do seio maxilar em combinação com o uso de antibióticos e descongestionantes. Pode ser útil também construir um dispositivo temporário para cobrir a fístula e evitar a entrada de alimentos e outros contaminantes orais dentro do seio maxilar. Os métodos de fechamento de fístulas oroantrais incluem: o avanço de retalho bucal, o avanço de retalho palatino e retalhos de avanço facial e palatino sobre uma membrana de material aloplástico. O procedimento de avanço bucal é realizado de modo semelhante ao avanço bucal descrito anteriormente para o fechamento imediato de uma comunicação oroantral. No caso de uma fístula crônica, no entanto, o trato fistuloso será revestido com epitélio, que deve ser excisado ou elevado a partir das paredes ósseas da fístula, suturado junto, se possível, e invertido dentro da cavidade do seio maxilar.