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0 Unidade 1 Seção 3 Teoria da literatura http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf 1 Webaula 3 Elementos fundamentais do texto literário Experimente http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf A poética clássica Horácio, em A poética clássica, observa que o fenômeno literário proporciona duas possibilidades no ato da leitura: instrução e deleite, sendo mais universal do que Aristóteles em sua concepção. Considerando a distinção, já comentada, entre literatura real (história) e literatura ficcional (fazer artístico), refletiremos sobre os seguintes questionamentos: A literatura ficcional não deve ser levada a sério enquanto objeto de representação artística por não se aplicar, de acordo com o senso comum, às normas rígidas e estanques do cânone teórico? Em que medida pode-se quantificar o quão literário é um texto tendo por base o jogo binominal entre realidade versus ficção e deleite versus instrução? 2 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf 3 Webaula 3 Elementos fundamentais do texto literário Explore http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf A literatura não existe isoladamente, pois depende de outros textos, de vários autores, de vários leitores, do contexto histórico-temporal e geográfico em que se produz. Na seção passada, abordamos brevemente o discurso e a importância do leitor para a completude da obra. Refletiremos um pouco mais sobre essa questão. Elementos fundamentais do texto literário iStock 20174 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf O responsável por dar vida à obra do autor é o leitor. Um texto viaja por locais e tempos heterogêneos e cada leitura configurará um novo discurso sobre aquela obra. O texto lido por um leitor há uma década já não é o mesmo texto lido por esse mesmo leitor no dia de hoje. Essa questão é simples de explicar: o texto, em muitos casos, funciona como um espelho do leitor. Cada leitor verá aquilo que lhe chama a atenção. Autor e leitor iStock 20175 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf O autor (pessoa física), depois de escrever e lançar o texto ao leitor, não é mais o dono (do destino) da obra em si. Isso é que permite a literatura ser tão dinâmica e receber novas significações a cada novo período ou geração de leitores. Não é possível afirmar que o autor é dono de todos os sentidos das palavras. Depois de escrito, o texto toma seu rumo sozinho, em constante relação com o leitor e com o mundo. Até certo ponto, o texto é independente do autor, mas não pode ser lido sem ter em mente que existe um mínimo de sentido a ser seguido e respeitado pelo leitor ou crítico. iStock 20176 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf É importante a distinção que nos mostra o teórico Bakhtin (2011): o autor enquanto homem pertence ao campo da história (a área do conhecimento propriamente dita) e o autor enquanto criador pertence ao campo da história literária e isso difere ambos. Isso implica a imagem do autor como duplicidade do homem. O autor homem é um e o autor artista, outro. É por esse motivo que não se pode pensar que o autor homem é dono da última palavra sobre a produção do autor escritor. Intenção iStock 20177 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf Uma vez que o texto tenha sido publicado, o autor homem não poderá mais ditar as regras do texto e este torna-se independente dele e só se relaciona com o autor escritor, que não existe fora do texto. Muitas teorias da literatura chamaram essa relação do autor com o texto de intenção e essa configuração teórica dominou as leituras críticas até 1960, quando o Estruturalismo rompeu com alguns dos desígnios do cânone teórico. 8 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf A intenção do autor deixou de ser o significado último da leitura crítica (ou teórica) do texto literário. A palavra do autor sobre seu próprio texto já não importava tanto quanto a palavra de qualquer leitor que encontrasse uma significação diferente. É o surgimento da independência do texto em relação à intenção do autor. Ao invés de procurar no texto o que o autor quis dizer, os adeptos da interpretação literária como descrição das significações da obra defendem que se procure no texto o que ele diz, independentemente das intenções de seu autor. iStock 20179 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf Estilo artístico Estilo verbalizado Estilo Estilo A visão do autor sobre o mundo que o cerca é determinada, em grande parte, pela forma como seu pensamento se estrutura. O primeiro fator é o período histórico, o segundo é a sua localização e o terceiro é a língua. Para expressar essa visão de mundo, segundo Bakhtin (2011), o autor une dois estilos: verbalizado e artístico. Clique para saber mais: 10 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf O período histórico da crítica e da teoria literárias carregam consigo toda uma visão de mundo de determinado momento e isso muda, assim como o mundo muda e a literatura também. A inovação no campo da história literária provém desse diálogo entre os passados tanto da obra quanto da crítica e forma a tão falada realidade virtual sobre determinado texto, autor, período ou estilo. Valor literário Nós, leitores, carregamos conosco valores que nos servem de molde para compreender ou vislumbrar o mundo e tudo o que nos cerca. O contexto em que recebemos uma obra é dialógico e dinâmico, assim como essas ideologias que permeiam o contexto e o mundo. Se, como afirma Jacques Derrida (1973), não há nada fora de texto, então tudo é arbitrário e os sistemas de valores no qual se baseia todo o julgamento da literatura é em si variável, instável e arbitrário. 11 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf Os primeiros que se ocuparam da literatura foram aqueles que predeterminaram quais valores seriam seguidos e adotados pela posteridade. É por isso que chamamos a sua atenção à Antiguidade Greco-Romana por diversas vezes até aqui. Eles são nossos pais, a origem de nossa cultura ocidental, no entanto o filho precisa se desgarrar do pai e pensar por si mesmo, senão se tornará uma simples cópia ou marionete das ideias do pai. Reconhecer sua cultura é valorizá-la, mas tomar isso como molde inquestionável e imutável é remar contra a própria natureza da literatura. O primeiro passo para entender a questão dos valores em literatura é compreender que os valores fazem parte de um consenso mais ou menos estável em determinado período ou contexto. iStock 201712 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf Vídeo de encerramento 13 https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cef0e36cb56bc0d80571195a9e6072ec/346d08f85bfba5ef1415448b6c6c9491 http://wa06171-u1s3-teoria-literatura.webflow.io/pdf/webaula.pdf Android: https://goo.gl/yAL2Mv iPhone e iPad - IOS: https://goo.gl/OFWqcq Aqui você tem na palma da sua mão a biblioteca digital para sua formação profissional. 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