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tEORIA DA LITERATURA9ANHANGUERA)

Webaula sobre elementos fundamentais do texto literário: poética clássica de Horácio (deleite vs instrução; realidade vs ficção), dependência do texto de contextos, papel do leitor, autor e intenção, distinção bakhtiniana autor‑homem/autor‑artista, autonomia do texto e estilos verbalizado/artístico.

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Unidade 1
Seção 3
Teoria da literatura
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Webaula 3
Elementos fundamentais do texto literário
Experimente
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A poética clássica
Horácio, em A poética clássica, observa que o fenômeno literário proporciona duas
possibilidades no ato da leitura: instrução e deleite, sendo mais universal do que Aristóteles em
sua concepção. Considerando a distinção, já comentada, entre literatura real (história) e
literatura ficcional (fazer artístico), refletiremos sobre os seguintes questionamentos:
A literatura ficcional não deve ser levada a sério
enquanto objeto de representação artística por não
se aplicar, de acordo com o senso comum, às normas
rígidas e estanques do cânone teórico?
Em que medida pode-se quantificar o quão literário é
um texto tendo por base o jogo binominal entre
realidade versus ficção e deleite versus instrução?
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Webaula 3
Elementos fundamentais do texto literário
Explore
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A literatura não existe isoladamente, pois
depende de outros textos, de vários autores, de
vários leitores, do contexto histórico-temporal
e geográfico em que se produz.
Na seção passada, abordamos brevemente o
discurso e a importância do leitor para a
completude da obra. Refletiremos um pouco
mais sobre essa questão.
Elementos fundamentais
do texto literário
iStock 20174
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O responsável por dar vida à obra do autor é o
leitor. Um texto viaja por locais e tempos
heterogêneos e cada leitura configurará um
novo discurso sobre aquela obra. O texto lido
por um leitor há uma década já não é o mesmo
texto lido por esse mesmo leitor no dia de hoje.
Essa questão é simples de explicar: o texto, em
muitos casos, funciona como um espelho do
leitor. Cada leitor verá aquilo que lhe chama a
atenção.
Autor e leitor
iStock 20175
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O autor (pessoa física), depois de escrever e
lançar o texto ao leitor, não é mais o dono (do
destino) da obra em si. Isso é que permite a
literatura ser tão dinâmica e receber novas
significações a cada novo período ou geração
de leitores. Não é possível afirmar que o
autor é dono de todos os sentidos das
palavras.
Depois de escrito, o texto toma seu rumo
sozinho, em constante relação com o leitor e
com o mundo. Até certo ponto, o texto é
independente do autor, mas não pode ser
lido sem ter em mente que existe um mínimo
de sentido a ser seguido e respeitado pelo
leitor ou crítico.
iStock 20176
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É importante a distinção que nos mostra o
teórico Bakhtin (2011): o autor enquanto
homem pertence ao campo da história (a
área do conhecimento propriamente dita) e
o autor enquanto criador pertence ao campo
da história literária e isso difere ambos. Isso
implica a imagem do autor como
duplicidade do homem. O autor homem é
um e o autor artista, outro. É por esse motivo
que não se pode pensar que o autor homem
é dono da última palavra sobre a produção
do autor escritor.
Intenção
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Uma vez que o texto tenha sido publicado, o autor
homem não poderá mais ditar as regras do texto e
este torna-se independente dele e só se relaciona
com o autor escritor, que não existe fora do texto.
Muitas teorias da literatura chamaram essa relação
do autor com o texto de intenção e essa
configuração teórica dominou as leituras críticas
até 1960, quando o Estruturalismo rompeu com
alguns dos desígnios do cânone teórico.
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A intenção do autor deixou de ser o significado último da leitura crítica (ou teórica) do texto
literário. A palavra do autor sobre seu próprio texto já não importava tanto quanto a palavra
de qualquer leitor que encontrasse uma significação diferente. É o surgimento da
independência do texto em relação à intenção do autor. Ao invés de procurar no texto o que
o autor quis dizer, os adeptos da interpretação literária como descrição das significações da
obra defendem que se procure no texto o que ele diz, independentemente das intenções de
seu autor.
iStock 20179
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Estilo artístico Estilo verbalizado Estilo
Estilo
A visão do autor sobre o mundo que o cerca é determinada, em grande parte, pela forma como
seu pensamento se estrutura. O primeiro fator é o período histórico, o segundo é a sua
localização e o terceiro é a língua. Para expressar essa visão de mundo, segundo Bakhtin (2011),
o autor une dois estilos: verbalizado e artístico. Clique para saber mais:
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O período histórico da crítica e da teoria
literárias carregam consigo toda uma visão de
mundo de determinado momento e isso muda,
assim como o mundo muda e a literatura
também. A inovação no campo da história
literária provém desse diálogo entre os
passados tanto da obra quanto da crítica e
forma a tão falada realidade virtual sobre
determinado texto, autor, período ou estilo.
Valor literário
Nós, leitores, carregamos conosco
valores que nos servem de molde para
compreender ou vislumbrar o mundo e
tudo o que nos cerca. O contexto em
que recebemos uma obra é dialógico e
dinâmico, assim como essas ideologias
que permeiam o contexto e o mundo.
Se, como afirma Jacques Derrida (1973),
não há nada fora de texto, então tudo é
arbitrário e os sistemas de valores no
qual se baseia todo o julgamento da
literatura é em si variável, instável e
arbitrário.
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Os primeiros que se ocuparam da literatura foram aqueles que predeterminaram quais
valores seriam seguidos e adotados pela posteridade. É por isso que chamamos a sua atenção
à Antiguidade Greco-Romana por diversas vezes até aqui. Eles são nossos pais, a origem de
nossa cultura ocidental, no entanto o filho precisa se desgarrar do pai e pensar por si mesmo,
senão se tornará uma simples cópia ou marionete das ideias do pai. Reconhecer sua cultura é
valorizá-la, mas tomar isso como molde inquestionável e imutável é remar contra a própria
natureza da literatura. O primeiro passo para entender a questão dos valores em literatura é
compreender que os valores fazem parte de um consenso mais ou menos estável em
determinado período ou contexto.
iStock 201712
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Vídeo de encerramento
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Bons estudos!
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