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Anestesia M8 Ana Laura Coradi TXXII Opióides Indicados para tratamento de dores agudas, crônicas, neuropática e inflamatória. A escolha da droga vai depender da característica da dor. Classificação • Agonistas: morfina, meperidina, fentanil, alfentanil, sufentanil, remifentanil, codeína, metadona, heroína. • Antagonista: naloxona e naltrexona • Agonista parcial: buprenorfina • Agonista/antagonista: nalbufina Mecanismo de ação Receptores mi: promovem analgesia, supraespinal, depressão respiratória, euforia e dependência física Receptores kappa: analgesia espinal, miose, sedação, disforia Receptores delta: alterações no comportamento afetivo Receptores sigma: disforia, alucinações, estimulação vasomotora Obs: a nalbufina é agonista kappa e antagonista mi. Então, é um fármaco que promove analgesia sem gerar os efeitos adversos pelo receptor mi. Farmacocinética Os opioides possuem diversas formas de absorção, e isso permite variar as formas de administração. 1. Via subcutânea 2. Via transdérmica – muito usada para tirar dor oncológica porque eprmite liberação prolongada 3. Via intramuscular 4. Via mucosa 5. Via oral – evita pico de ação rápida, cuidado com a metabolização hepática. 6. Via parenteral 7. Via espinhal ou peridural Quando administrados VO a biodisponibilidade é diminuída devido ao metabolismo de primeira passagem hepática, então, é preciso fazer uma correção da dose quando utiliza-los dessa forma Distribuição 1º: central 2º: tecidos ricamente vascularizados (pulmões, fígado, rins, etc) 3º: tecidos menos vascularizados (ossos, tecido adiposo) Obs: os receptores são distribuídos pelo corno dorsal da medula espinal Metabolismo O fígado é o sítio primário (por isso é importante atenção em pacientes hepatopatas, porque prejudica a metabolização do opioide) Excreção Renal (atenção para renais crônicos, idosos, gestantes, onde a TFG é diminuída) Efeitos SNC: provoca analgesia, euforia, sedação e depressão respiratória. Altera a percepção da dor, então o paciente sente, mas a interpretação não é de dor, mas sim de uma sensação boa. A sedação, idealmente, é promovida quando associa-se opioide + benzodiazepínico – os opioides provocam depressão respiratória por inibirem o centro respiratório no bulbo. Também provoca supressão de tosse (codeína), rigidez muscular (dificulta a ventilação por causa da rigidez torácica), náuseas e vômitos (muito comum no pós-op), miose dose-dependente. SCV: hemodinamicamente estáveis. Promovem mínima depressão cardíaca, discreta redução de RVP e tônus simpático, pode gerar bradicardia por mecanismo central dose- dependente. SR: depressão respiratória dose-dependente (se atentar a idosos, crianças, pacientes debilitados), redução de FC e aumento compensatório do volume corrente, hipoxemia e hipercapnia. TGI: constipação com diminuição de transito intestinal, aumento de tônus intestinal Geniturinário: retenção urinária podendo gerar bexigoma, principalmente quando feito adm peridural, diminuição de função renal, aumento do tônus do esfincter uretral Anestesia M8 Ana Laura Coradi TXXII Trato biliar: retenção urinária podendo gerar bexigoma, principalmente quando feito adm peridural, diminuição de função renal, aumento do tônus do esfincter uretral Uso de opióides: medicação pré-anestésica, bons para dose primária de anestesia, se atentar para depressão respiratória Efeitos adversos Morfina: opioide natural de potencia forte. A difusão pela BHE é lenta e varia conforme a via de administração (apenas 30-50% atinge o SNC). É metabolizada no fígado e excretada majoritariamente renal e minoritariamente biliar. Provoca depressão respiratória dose- dependente, em doses para controle de dor tem pouca influencia sobre PA e FC, mas doses elevadas podem provocar vasodilatação, bradicardia (liberação de histamina). Meperidina: opioide sintético de potencia fraca. É mais instável hemodinamicamente (aumenta FC, diminui RVP e contratilidade cardíaca). 50% sofre metabolização hepática e gera os seus metabólitos ativos (o acumulo deles pode provocar convulsões). Em baixa dose, é usado para controle de tremores. Fentanil: diminui atividade hemodinâmica, de 80 a 100x mais potente que a morfina. Analgesia dose-dependente, produz depressão respiratória, sedação, e inconsciência em altas doses. Pode ser usado como medicação préanestésica (sedativo ou analgésico) e também como adjuvante na indução anestésica. Pode ser usado também em laringoscopia e intubação por diminuir a resposta hemodinâmica Remifentanil: rápido inicio de ação, pequeno volume de distribuição e atinge uma concentração estável após a infusão. Após interromper o uso, em 4 minutos já tem 50% do efeito reduzido (meia vida de 5 a 10 minutos – metabolizado por esterases plasmáticas inespecíficas). Usado de forma continua durante o procedimento e indicado para grandes cirurgias Alfentanil: mais restrito ao compartimento central. Pode ser usado para indução, em bolus. Tem um sinergismo com o propofol e a meia vida um pouco mais longa que a do remifentanil (10 a 20 minutos) Sufentanil: 500 a 1000x mais potente que a morfina e 5 a 10x mais potente que o fentanil. Meia vida de 2 a 3h, estável hemodinamicamente, gera muita depressão respiratória (metabólitos ativos). Pode ser usado em infusão continua porque tem umSufentanil: 500 a 1000x mais potente que a morfina e 5 a 10x mais potente que o fentanil. Meia vida de 2 a 3h, estável hemodinamicamente, gera muita depressão respiratória (metabólitos ativos). Pode ser usado em infusão continua porque tem um menor volume de distribuição e maior clearance. Naloxona: antagonista puro, tem instabilidade hemodinâmica então provoca ansiedade, agitação e hipertensão. Tem uma meia vida de cerca de 1h, pode gerar náuseas, vomito e aumenta a atividade do SNC gerando taquicardia, hipertensão, edema pulmonar, arritmias cardíacas Nalbufina: agonista-antagonista (agonista kappa e antagonista mi), indicado para analgesia pós-operatória, por ter a capacidade de antagonizar de forma parcial o efeito dos opioides agonistas Atenção para a prova: receptor onde atuam, potencia e efeitos adversos.