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Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Introdução Analgesia é a abolição da sensibilidade à dor sem a supressão das outras propriedades sensitivas (tato e calor), nem perda de consciência. Dor = experiência sensorial e emocional desagradável, relacionada com lesão tecidual real ou potencial. = Componentes fisiológico e emocional. Nocicepção = processo neural pela qual o estímulo térmico, mecânico ou químico é detectado ou codificado. Avaliação da dor ● Escalas da dor ↪ Descritores verbais ↪ Escala visual analógica ↪ Escala de Copos ↪ Escala de Faces de adultos ● Inventário da dor ↪ Caracterizar - 9 perguntas 1 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● 6 perguntas ↪ Localização = pode sugerir os sistemas envolvidos ↪ Intensidade = sugere gravidade ■ Envolve a construção conceitual e empírica complexa, pois pretende ser capaz de caracterizar com clareza sintoma e experiência subjetiva, atribuindo noção de quantidade, tornando hipoteticamente comprovável ↪ Qualidade (tipo de dor) = permite inferir potenciais mecanismos fisiopatológicos ■ Nociceptiva, inflamatório, neuropática e funcional ↪ Tempo de início = permite avaliar as características clínicas e fisiopatológicas ■ Agudo (<30 dias) ou crônico ↪ Irradiação = características fisiopatológicas ■ Pode estar relacionada ao local lesado ou pode ser referida, quando ocorre a convergência de fibras aferentes de diversos tecidos na medula espinal. ↪ Agravantes/atenuantes = causalidade Classificação da dor (fisiopatologia) ● Nociceptiva = causada por lesão tecidual. O estímulo tem origem nos receptores periféricos e segue para a medula espinal, tronco encefálico, tálamo e córtex sensitivo. ● Inflamatória = o limiar da dor é reduzido, aumentando a sensibilidade as áreas afetadas a estímulos que normalmente não causariam dor (alodinia) ● Neuropática = lesão do nervo. Em queimação ou ferroada. ● Funcional = funcionamento anormal do SN anatomicamente íntegro. Principais causas são fibromialgia, síndrome do intestino irritável e cefaleia tensional. Classificação da dor (tempo) ● Aguda ↪ Caráter fisiológico ↪ Deflagrada por lesão corporal ↪ Tem função de alerta e defesa ↪ Curta duração (menos de um mês) ↪ Provocada por estímulos nociceptivos e/ou inflamatório ↪ Apresenta relação causa-efeito bem determinada ↪ Associa-se a respostas neurovegetativas como aumento da PA, taquipneia, taquicardia, agitação psicomotora e ansiedade. ● Crônica ↪ Caráter patológico ↪ Não apresenta relação causa-efeito bem definida ↪ Insidiosa, não tem função de alerta ou defesa ↪ Gradativamente incapacitante ↪ Altera os mecanismos centrais de nociepção ↪ Longa duração (mais de um mês) ↪ Permanece na ausência de lesão real 2 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ↪ Produz alterações persistentes no comportamento psicomotor (emocional), podendo levar a incapacidades física e mental. ↪ Muscular ou esquelética ↪ É criado um sistema de sensibilização no SNC ↪ Acaba se tornando independente com o tempo ↪ Aumento da função dos circuitos neuronais cria uma memória da dor ↪ Percebida de forma automática, mesmo que não haja estímulo ↪ Criado um circuito neuronal para a percepção da dor Escala analgésica da OMS 3 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Opióides Fármacos derivados do ópio - morfina, codeína, papaverina. Distribuição dos receptores: córtex cerebral; amígdalas ; tálamo ; hipotálamo ; mesencéfalo, ; medula espinal; periferia nervosa. Ação agonistas com receptores opióides: ⲙ, K, 𝛿, 𝛔 e ORI0-1: ● Inibição da transmissão ascendente nociceptiva do corno dorsal da medula ● Ativação da via descendente inibitória ● Inibição discreta dos nociceptores periféricos. Efeitos: analgesia, sedação, confusão mental e alterações de humor. Ligantes endógenos dos receptores opióides ● Encefalina ● Endorfinas (beta) ● Dinorfina ● Neoendorfinas ● Nociceptinas/orfaninas Indicações ● Dores agudas severas de origem traumática (morfina e fentanil) ● Dor aguda relacionada ao câncer ● Dores leves/moderadas de origem inflamatória (codeína, propoxifeno) ● Dores severas crônicas (morfina, oxicodona) ● Dor neuropática - pouca resposta Mecanismos dos opióides ● Inibição da transmissão ascendente das informações nociceptivas do corno dorsal da medula espinhal ● Ativação da via descendente inibitória (mesencéfalo - núcleo ventromedial rostral - corno dorsal da medula espinhal) ● Inibição discreta dos nociceptores periféricos Receptores opióides: Distribuição: Áreas relacionadas à dor. ● Córtex cerebral ● Amígdala: não exercem ação analgésica, mas influenciam o comportamento emocional ● Septo 4 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Tálamo: mediadora da dor profunda, é influenciada pela emoção. ● Hipotálamo: afetam a secreção neuroendócrina ● Mesencéfalo ● Medula: envolvidos na recepção e integração das informações sensoriais Classificação dos opióides Alcaloides naturais, semissintéticos e sintéticos. Análogos da morfina: ● Agonistas: morfina, heroina, codeina ● Agonistas parciais: nalorfina e levorfanol ● Antagonistas: naloxona, nalorfina, naltrexona ● Oxicodona Derivados sintéticos: ● Fenilpiperidinas = meperidina e fentanil, petidina;fentanila;alfentanila;sufentanila, tramadol, remifentanila ● Metadona = metadona e dextopropoxifeno ● Benzomorfan = pentazocina,cilazocina ● Tebaina = etorfina,buprenorfna Agonistas puros - Preferência sobre os receptores ⲙ - Etorfina, metadona Classificação quanto à potência: Agonistas parciais - morfina (forte); codeína, dextropropoxifeno, tramadol (fracos) Mistos = grau de agonista k, antagonista ⲙ - nalorfina e pentazocina Mecanismos moleculares ● Receptores opióides pertencem à família dos receptores acoplados à proteína G inibitória ● Inibem adenilciclase e reduzem cAMP ● Provocam abertura dos canais de potássio e inibem os de cálcio na membrana: diminuem a atividade neuronal ou aumentam quando inibem sistemas inibitórios. ● Diminuem a liberação de neurotransmissores 5 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA 💡Na medula espinal a ativação dos receptores opioides inibe a transmissão central de estímulos nociceptivos na pré e pós-sinapse - Pré = diminui o influxo de cálcio = inibição da liberação de neurotransmissores - Pós = aumenta a condutância do potássio = hiperpolarização Na substância cinzenta periaquedutal (PAG) = quando ativados, os receptores opioides dos interneuronios inibitórios ativam indiretamente a via inibitória. Ações farmacológicas Analgesia: ● Dores agudas e crônicas, exceto neuropáticas (ex. neuralgia do trigêmio) ● Age no componente afetivo (sistema neurolimbico) ● Nalorfina e pentazocina possuem efeito antinoceptivo, porém poucos efeitos psicológicos. Euforia: poderosa sensação de bem-estar e contentamento, dependendo da situação do paciente, é mediada por receptores Ⲙ. Disforia: mediada por receptores K. 🚨Euforia e disforia não ocorrem com a codeína e com a pentazocina. Com a nalorfina, ocorre disforia. Vias responsáveis pelas propriedades gratificantes dos opióides: ● Córtex pré-frontal + Área tegumentar ventral estimulam núcleo accumbens por meio do glutamato (CPV) e dopamina (ATV) = estímulo de neurônio GABAérgico, que é inibitório do núcleo pálido ventral, responsável pela euforia/gratificação. ● Os opióides bloqueiam os neurõnios dopaminégicos e os GABAérgicos, inibindo a via inibitória, aumentando a gratificação. Ação adversa: Depressão respiratória = receptor ⲙ ● Ação sobre o centro do controle respiratório bulbar. ● Doses terapêuticas diminuem a sensibilidade do Centro Respiratório ao ↑ pCO2 = períodos de apneia ● Não ocorre depressão concomitante da função cardiovascular ● Sono natural = supressão da ventilação Depressão do reflexo da tosse ● Substituição no grupo fenólico = codeína ● Doses sub-terapêuticas para a dor ● Sem correlação com efeito analgésico ou depressor Náusea e vômito ● Ocorre em 40% dos pacientes. ● Estimulação da zona quimiorreceptorado gatilho emético da área postrema (ZQR) do bulbo ● Apomorfina agonista dopaminérgico (ação emetogênica) ● Inversamente, antagonistas dopaminérgicos podem ser usados para tratar a emese Miose ● Receptores ⲙ e K estimulam o núcleo óculo-motor ● Não ocorre tolerância ● Importante sinal para diagnóstico para uso de opióides. TGI ● Zona quimiorreceptora bulbar ● Aumentam o tônus e diminuem a motilidade = ↓ ação colinérgica ● Constipação (40-95%) ● Aumenta pressão sobre o trato biliar (Desconforto epigástrico e cólica biliar) → Reduzidos pela atropina ● Ação sobre os receptores ⲙ e K 6 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Cardiovascular ● Podem reduzir o tônus simpático = hipotensão ortostática . A liberação de histamina induzida por algumas classes tbm pode contribuir, por conta da vasodilatação. ● Vasodilatação ● Bradicardia Outras ações ● Liberação de histamina pelos mastócitos = ação direta ○ Efeito local = coceira ○ Efeito sistêmico = broncoconstrição e hipotensão ● Hipotensão em altas doses (efeito medular) ● Espasmo muscular generalizados ● Imunossupressão após uso crônico ● Urgência e retenção urinária ● Sedação, confusão, tontura, euforia e mioclonia. ● Uso excessivo = hiperalgesia paradoxal Tolerância ● Redução dos efeitos farmacológicos ● Desenvolvimento rápido (12-24h) ● Tolerância para: ○ Euforia (rápida) ○ Analgesia, depressão respiratória (moderada) ○ Miose e constipação (quase nenhuma) ● Efeito agudo = redução menor da [AMPc] ○ Ativação do receptor ⲙ reduz adenilatocilase e do [AMPc], ativando a PKC, que vai produzir adenolatociclase. ● Efeito crônico = dessensibilização e interiorização dos receptores 7 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Dependência ● No estado de tolerância, observa-se a dependência ● Necessidade de aumentar a dose para atingir o mesmo efeito farmacológico ● Responsável: receptores ⲙ nos sistemas mesolímbico e dopaminérgico ● Fatores psicológicos, socioeconômicos estão envolvidos ● Síndrome da abstinência ○ Morfina inibe a atividade da adenilato ciclase ○ Tolerância reverte inibição (necessidade de dose maior) ○ Retirada de morfina aumenta atividade ■ Irritabilidade, perda de peso, febre, midríase, náuseas, diarréia, insônia, convulsões ○ Máximo em 3 dias desaparece ○ Reverte com Metadona Principais opióides Morfina = metabolizada no fígado. Seu metabolismo de primeira passagem diminui sua disponibilidade oral. - Glicuronidação nas posições 3 ou 6, a 3 é inativa e a 6 analgésica. - 6 excretada pelos rins = acúmulo em pacientes com DRC pode contribuir com a toxicidade. - A hidromorfona é um derivado da morfina com propriedades semelhantes, mas com maior potência. - Preparações orais de liberação controlada reduzem o número de doses diárias necessárias para a analgesia. = Potencial de uso abusivo - IV ou subcutânea = analgesia controlada pelo pct. - Epidural ou intratecal = alcança concentrações localmente altas no corno dorsal = analgesia altamente efetiva. - Neuroaxial = mais tempo para difundir do SNC para a circulação, pela sua lipossolubilidade = duração mais longa Diacetilmorfina (heroína) = obtida à partir da morfina, mais lipossolúvel, menor duração,↑dependência. Codeína = obtida da morfina, bem absorvida por VO, antitussígeno, baixa potência analgésica (dores de cabeça, costas, etc.), não induz euforia, constipação intensa (antidiarreico). Ação analgésica acontece por meio da sua desmetilação hepática em morfina. Análogos mais efetivos são a oxicodona e hidrocodona, bastante utilizados em associação com o paracetamol. 8 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Dextropropoxifeno = similar à codeína, com duração mais longa, dependência discutível. Meperidina = similar à morfina, produz agitação e não sedação, antimuscarínica, euforia e dependência, menor duração de efeito, dependência, útil anestésico no parto. Se associada a iMAO, pode causar hipertermia e convulsões. - Atividade analgésica reduzida à metade quando administrada VO - Produz disforia com frequência. - Seu metabólito tóxico (normeperidina) pode causar aumento da excitabilidade do SNC e convulsões. Ela é excretada pelos rins e sua ½ vida é maior do que a da meperidine = uso de doses repetidas em pctes com DRA ou DRC representa um problema particular de toxicidade. - Provoca midríase. Fentanil = derivados da fenilpiperidina, ação similar à morfina de curta duração. Usos em anestesia. - 55 a 100x mais potente que a morfina. - Ação curta - Meia vida e eliminação comparáveis à morfina - Alta afinidade por lipídios = biodisponibilidade quando administrada por diversas vias. - VO, transdérmica. - Sufentanila + potente e alfentanila -. Remifentanila = metabolismo e eliminação rápidos. - Contém metade éster metilada que é essencial para a sua atividade, mas tbm como substrato para a ação de várias esterases teciduais inespecíficas. - Quando administrada em infusão contínua durante a anestesia possibilita uma equivalência precisa de sua dose com a resposta clínica. Entretanto, precisa ser administrada junto de um fármaco de ação mais longa para manter a analgesia pós-operatório. Etorfina = análogo de grande potência (1000x), utilizado para imobilizar grandes animais. Metadona = semelhante à morfina, com menor efeito sedativo. Longa duração (½ vida >25h), menor dependência, síndrome de abstinência menos severa. - Mais lipofílica que a morfina e liga-se aos tecidos e as ptnas plasmáticas. - Alívio prolongado da dor crônica em pacientes com câncer terminal. - Risco de culminar em depressão respiratória tardia depois da tolerância de uma dose inicial do fármaco. - Tto de dependência química Pentazocina = misto agonista-antagonista. Em baixas doses potência similar à morfina, sem produzir depressão respiratória e disforia. Outros fármacos analgésicos: ● Tramadol (metabólito da trazodona) ○ Agonista fraco dos receptores muscarínicos. ○ Inibidores da captura de noradrenalina ○ Ação central ○ Concentrado ○ Mais fraco que a morfina ○ Sua desmetilação produz um metabólito que medeia um efeito monoaminérgico no SNC e um efeito opióide ○ Mínima tendência ao uso abusivo ○ Náuseas, tonturas e constipação ○ Em associação com paracetamol = melhora analgesia Agonistas parciais e mistos : mi ou K ● Butorfanol e buprenorfina ● Analgesia semelhante à morfina, com sintomas de euforia mais discretos. ● Disforia psicológica indesejável. Antagonistas opióides: ● Nalorfina: estrutura semelhante à morfina ○ Antagonista ⲙ, agonista parcial 𝛿, K (disforia) ○ Antagonista analgesia, depressão respiratória ○ Altas doses mimetizam morfina e produzem dependência 9 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Baixas doses síndrome de abstinência em dependentes ○ Antídoto substituído pela naloxona. ● Naloxona: ○ Antagonista puro ⲙ, 𝛿, K para todos os agonistas ○ Antagonista da analgesia por acupuntura ○ Reverte depressão respiratória por opióides ○ Efeito curto (IV 1-2h) =não é seguro deixar o paciente sem assistência imediata apos o tto bem-sucedido de um episódio de depressão respiratória com naloxona. ○ O monitoramento do pct s[o pode ser minimizado quando houver certeza que não tem mais morfina no organismo. ○ Via parenteral ● Naltrexona: ○ Similar ao Naloxona, porém com duração mais longa (½ vida de 10h) ○ Uso experimental, não clínico ○ Neutraliza os efeitos opiáceos = superdosagem de morfina ○ VO ⚠ Além dos efeitos analgésicos, os opioides atuam no controle da motilidade do TGI, reduzindo os movimentos peristálticos. = Podem ser utilizados em crises diarreicas não infecciosas. ● Loperamida (imosec): agonista dos receptores μ-opioides periféricos. ○ Atua diminuindo a atividade do plexo mioentérico = aumento do tempo de esvaziamento gástrico= redução da atividade pulsátil dos intestinos = aumenta a absorção de eletrólitos e água. ○ VO ○ Metabolização hepatica ○ Dose usual em adultos = 4mg + 2mg a cada evacuação diarreica.Dose máxima diária de 16 mg. ○ Não recomendado em menores de dois anos. 10 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA 11 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Analgésicos Não Opióides Como se mostram efetivos para dor aguda e podem ser comercializados sem prescrição médica, os inibidores da COX (produção de prostaglandinas) constituem os analgésicos mais comumente utilizados. São bem absorvidos pelo TGI e, se usados ocasionalmente, apresentam efeitos colaterais mínimos. ● Com uso crônico, a irritação gástrica passa a ser um efeito colateral comum tanto para o ácido acetilsalicílico quanto para os AINEs, podendo causar erosão e ulceração da mucosa gástrica, levando ao sangramento ou à perfuração. ● Como o AAS acetila irreversivelmente a COX plaquetária e, dessa forma, interfere com a coagulação sanguínea, a hemorragia digestiva passa a ser um risco específico. ● Idade avançada e história de doença gastrintestinal são fatores que aumentam os riscos relacionados com o AAS e os AINEs. ● A nefrotoxicidade também é um problema significativo. ● Os AINEs também podem elevar a pressão arterial em alguns indivíduos e seu uso a longo prazo exige monitoramento regular da pressão arterial e tratamento, se necessário. 💡As prostaglandinas reduzem o limiar de ativação nas terminações nervosas periféricas dos neurônios nociceptores aferentes primários. Há duas classes principais de COX: a COX-1 é expressa constitutivamente, e a COX-2 é induzida nos estados inflamatórios. Os fármacos seletivos para a COX-2 possuem ação analgésica semelhante e provocam menos irritação gástrica que os inibidores não seletivos da COX e não afetam a coagulação sanguínea. Os inibidores da COX-2, incluindo o celecoxibe, estão associados ao aumento de risco cardiovascular, incluindo morte cardiovascular, infarto agudo do miocárdio, AVC, insuficiência cardíaca ou evento tromboembólico. O efeito parece ser uma propriedade da classe dos AINEs, exceto o AAS. Durante o processo inflamatório são produzidas algumas prostaglandinas que estimulam alguns receptores químicos da dor, principalmente a PGI2 e PGE2, que possuem funções hiperalgésicas. AINES = diminui o processo inflamatório (dor inflamatória). Quando inibem COX-2 (inflam) e COX-3 central (produz PGE2 álgica) atuam como analgésicos. Analgésico = dor nociceptiva = redução da produção de PGE2 (prostaglandina relacionada com a dor e febre). ● Paracetamol e dipirona = analgésicos puros Contra-indicações ● Hipersensibilidade a pirazolonas ou pirazolidinas Indicações dos analgésicos ● Acetaminofen = melhora dores de cabeça e de dente ● Aspirina = melhor para dores nas costas e dor muscular ● Naproxeno = melhor para artrite, bursite, dor nas articulações, tendinite e cólica menstrual 12 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Ibuprofeno = dores em geral, febre e dores musculares menores Paracetamol Only nível central! O acetominofem (paracetamol) inibe a COX-3 constitutiva e a COX-2b induzida, responsáveis pela produção de PGE2. Produz analgesia e antipirético, porém tem pouca eficácia anti-inflamatória = diminui a síntese de prostaglandinas centrais por meio de um mecanismo ainda desconhecido. ● Estimula vias descendentes serotoninérgicas inibitórias da dor (depleção de serotonina reduz efeito do paracetamol). ● Efeito analgésico deve-se a ativação indireta (aumenta a síntese de AM404) ● Inibição da COX-3 no SNC A conversão de ácido araquidônico em prostaglandinas ocorre em 2 estágios. ● O sítio peroxidase oxida a PGG2 em PGH2 reduzindo o paracetamol. ● O paracetamol reduzido se oxida reduzindo o sítio OX, impedindo a síntese de prostaglandinas. ● Em células intactas onde os níveis de ácido aracdônico são baixos (SNC), o paracetamol é um potente inibidor de PG. ● Em locais com inflamação e destruição celular, onde a concentração de hidroperóxido é alta, não há a necessidade de paracetamol para promover a oxidação de PGG2 em PGH2. ● Essa inibição COX dependente de peróxido explica a atividade do paracetamol no cérebro onde as concentrações de peróxido são baixas. Ativação serotoninérgica e endocanabinoides ● Desacetilação do paracetamol em p-aminofenol no fígado. ● Metabolismo dependente de FAAH em AM404 no cérebro ● Envolvimento direto e/ou indireto dos receptores supra-espinais dos sistemas vaniloide e canabinóides além dos canais de cálcio. ● Reforço das vias bulboespinais serotinérgicas (via descendente inibitória). VO, baixa ligação com proteínas plasmáticas, parcialmente metabolizado por enzimas microssomais hepáticas em sulfato e glicuronídeo de paracetamol. Produz tbm o N-acetil-p-benzoquinina (hepatotóxico). Interações medicamentosas ● Álcool = aumenta metabolismo hepatotóxico. ● Exenatida = diminui efeito do paracetamol ● Isoniazida = aumenta efeito do paracetamol ● Pode elevar o efeito da varfarina ● Overdose (10-15g) = insuficiência hepática 13 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ○ Carvão ativado até 4h depois = descontaminação gástrica ○ Antídoto especifico = n-acetilcisteina a 20% imediatamente, máximo 24h depois. É associado a opióides fracos para o tto de dor moderada. Dipirona Derivada da pirazolona (classe de AINES), mas não é considerado um, devido a atividade anti-inflamatória reduzida. Pró-fármaco indicado como antitérmico e analgésico. Inicio de ação rápida 30 a 60 minutos apos a administração. Sua duração é de cerca de 4h. VO ou IV, moderada ligação com proteínas plasmáticas, metabolismo hepático produz 4 metabólitos, sendo eles 4-MAA (+ potente que a dipirona), 4-AAA, 4-FAA (pouco ativo) e 4-AA (ativo), todos sendo excretados por via renal. Efeito antinoceptivo periférico ● Ativação dos canais de potássio sensíveis ao ATP. ● Inibição da adenilatociclase ● Bloqueio do influxo de cálcio nos nociceptores ● Inibição da enzima NO-sintase ● Bloqueio de prostaglandinas Efeito antinoceptivo central ● Inibição da COX 1, 2 e 3 ● Ações sobre a área talâmica, núcleo magno da rafe (NMR) e substância pareaquedutal cinzenta (PAC) ● Inibição dos receptores glutamatérgicos metabotrópicos, opioidérgico-K e serotoninérgico-5-HT1 ● Interfere no nível de substância P, neurocinina e via da PKC Contra-indicações ● Hipersensibilidade a pirazolonas ou pirazolidinas ● Rinossinusite polipossa ● Urticária crônica ● Intolerantes a corantes ou conservantes ● Bebês com menos de 3 meses ou 5kg ● Idosos debilitados ● Gestantes e lactantes ● Hepatopatias e nefropatias ● Histórico ou presença de alterações hematopoiéticas = pode causar agranulocitose ● Agranulocitose, aplasia medular e trombocitopenia. Interações medicamentosas = aumentam a toxicidade da dipirona ● Alopurinol ● ACO ● Fármacos nefrotóxicos ● Clorpromazina ● Álcool Posologia: indivíduos acima de 15 anos = 20 a 40 gotas em administração única ou até o máximo de 40 gotas 4x ao dia (4g/dia) aines - Podem causar efeitos indesejáveis, principalmente em idosos. - Diminuem a resposta inflamatória local e a sensibilização periférica. - Mais modernos = menos reações - Efeito antinflamatório, analgésico, antipirético e antiagregante (AAS) - Inibem a oxidação do ácido araquidônico através da sua atuação nas enzimas ácidos graxos cicloxigenases (COX) 14 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA - Prostaglandinas reduzem o limiar de ativação nas terminações nervosas - Atravessam a barreira hematoencefálica e impedem a geração de prostaglandinas neuromoduladoras no SNC - Não seletivos = efeitos colaterais deletérios, principalmente de mucosa gástrica e rins. = Eficazes em dores de baixa a moderada intensidade = dor de dente, dismenorreia prima ́ria, dor artri ́tica, dor po ́s-operatória e enxaqueca (+ triptanas). Utilizados no alívio sintomático da dor: ● Fraturas ● Dores de origem muscular ● Dores de origem vascular ● Lesões teciduais ● Dores pós-operatórias ● Dores odontológicas ● Dismenorreia ● Metástases ósseas ● Cefaleias e migrâneas Principais isoformasdas COX: ● COX-1 = manutenção da integridade da homeostase, como na mucosa gástrica e na função normal das plaquetas. ● COX-2 = suprarregulação seletiva no local de inflamação, em resposta à secreção local de citocinas, particularmente a IL-1β e o TNF-α. ● COX-3 = encontrada no córtex cerebral, medula e coração. Sugere-se que sua atividade esteja envolvida na indução da dor e febre. Obs: Constitutiva significa fisiológico 💡A maioria dos AINES “tradicionais” inibem a COX-1 e 2 = variação no grau de inibição - Efeitos no TGI = COX-1 - Demais efeitos = COX 1 e 2 - Compostos seletivos COX-2 = riscos cardiovasculares a longo prazo 15 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA 🚨Mecanismo de ação ● Fenamatos = ação antagonista aos receptores de prostaglandinas ● As prostaglandinas reduzem o limiar de ativação nas terminações periféricas dos neurônios nociceptores aferentes primários = com a diminuição das prostaglandinas, os AINES diminuem a hiperalgesia inflamatória e alodinia. ● Diminuem o recrutamento de leucócitos = reduz produção de mediadores inflamatórios derivados dos leucócitos. ● Impedem a produção de prostaglandinas que atuam como neuromoduladores produtores de dor no corno dorsal a partir do momento que atravessam a barreira hematoencefálica. Salicilatos ● Acetilação covalente do sítio ativo das COX 1 e 2. ● Promove destruição irreversível da atividade da COX-1 ● Anti-inflamatórios, analgésicos, antipireticos e antiagregantes plaquetário (inibição COX-1 nas plaquetas) ● Uso crônico pode provocar irritação e erosão gástrica, hemorragia, vômitos e necrose tubular renal ● Asma sensível ao AAS = hiperreatividade das vias respiratórias induzidas por AAS em indivíduos asmáticos. ● Importante para o controle de dores leves ou moderadas, além de ser utilizado em cefaleias, mialgia, artralgia e profilaxia de AVE e IAM. Derivados do ácido indolacético ● A indometacina é utilizada na artrite reumatoide, osteoartrite, espondilite e outros distúrbios musculoesqueléticos. ● Efeito adverso: ulceração gastrintestinal. Derivados do ácido pirrol acético ● Usos clínicos: artrite reumatoide, osteoartrite, espondilite e outros disturbios musculoesqueleticos. ● O cetorolaco pode ser administrado por via oral ou parenteral. Associado a anafilaxia, IRA, síndrome de Stevens-Johnson e sangramento gastrointestinal. Vantajoso para o controle a curto prazo da dor -> cirurgia ambulatorial, por exemplo. ● O diclofenaco só pode ser administrado por via oral. Propriedades: analgésico, antipirético e anti-inflamatório. Associado a anafilaxia, IRA, síndrome de Stevens-Johnson e sangramento gastrointestinal. 16 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Derivados do ácido propiônico ● O ibuprofeno é bastante utilizado devido ao seu poder analgésico e anti-inflamatório. Entretanto, pode atuar como antipirético e apresenta menor incidência de efeitos adversos do que o AAS. Pode interferir nos efeitos antiplaquetários do AAS. ● O naproxeno é mais potente e tem uma meia-vida mais longa do que o ibuprofeno. Pode ser administrado com menos frequência, continuando a apresentar uma analgesia equivalente ao ibuprofeno. Provoca menos efeitos gastrointestinais do que o AAS. ● Essas duas drogas podem causar complicações gastrointestinais, incluindo dispepsia até sangramento gastrintestinal. Benzotiazinas ● O piroxicam é tão eficaz quanto o AAS e sua meia-vida é ́ muito longa (50h). Propriedades: analgésico , antipirético e anti-inflamatório (inibição COX-1 e COX-2). Alta incidência de efeitos adversos. Inibidor enzimático da COX-2 ● Celecoxibe (coxibe) é ́ importante para os pacientes que precisam de AINE, mas que correm alto risco de desenvolver efeitos adversos gastrintestinais, renais ou hematológicos. Entretanto, não há comprovações que o coxibe reduz os riscos de efeitos adversos GI. Outras Opções - Dor Crônica Antidepressivos tricíclicos - Dor neuropática/ tto adjuvante da dor - Amitriptilina, nortriptilina, imipramina - Bloqueio dos canais de sódio e aumento da atividade das projeções noradrenérgicas e serotoninérgicas antinociceptivas. Amitriptilina ● Central ○ Ativação dos sistemas monoaminérgico e GABAérgico ○ Ativação da via descendente inibitória da dor ● Periférico ○ Diminuição do cAMP ○ Ativação dos receptores de adenosina ○ Inibição dos canais de sódio ○ Bloqueio dos receptores NMDA ● Reações adversas ○ Bloqueio de receptores muscarínicos ■ Xerostomia ■ Visão turva ■ Constipação intestinal ■ Confusão mental ■ Retenção urinária ■ Taquicardia ■ Palpitações ○ Bloqueio histaminérgio ■ Sedação ■ Ganho de peso ○ Bloqueio adrenérgico ■ Hipotensão Distúrbios em que são úteis ● Neuralgia pós-herpética ● Neuropatia diabética ● Fibromialgia ● Cefaleia do tipo tensional ● Migrânea ● Artrite reumatoide ● Lombalgia crônica ● Câncer ● Dor central pós-AVC 17 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Anticonvulsivantes Úteis na dor neuropática! + Tto adjuvante Apenas nível central: ● Ativação de receptores GABA-A = fenobarbital ● Inibição da liberação de glutamato = gabapentina e pregabalina ● Bloqueio dos canais de sódio = carbamazepina, lamotrigina ● Bloqueio dos canais de sódio e cálcio = oxcarbazepina Reações adversas ● Pregabalina = tontura, desequilíbrio, diplopia, visão turva, alteração do sono. 18 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA ● Oxcarbazepina = sedação, tontura e ataxia ● Carbamazepina = anemia aplásica, hepatite, síndrome de Steve-Johnson + as da pregabalina. ● Lamotrigina = reações cutâneas Oxcarbazepina diminui risco de anemia aplásica. Gabapentina ● Desenvolvido para ser análogo estrutural do GABA ● Não se liga ao receptor GABA e nem modula a recaptação do mesmo ● Utilizado na neuropatia diabética, neuralgia do trigêmio ● Dor pós-operatória ● Biodisponibilidade oral não previsível = dose varia de um pct p oto ● Liga-se ao sítioα2δ do canal de cálcio. ● Efeitos adversos: tontura, sonolência, confusão e ataxia. Pregabalina ● Efeitos analgésicos e mecanismos de ação semelhantes ao apresentado pela GABApentina ● Fibromialgia ● Biodisponibilidade mais previsível ● Início de ação mais rápido Inibidores da recaptação de epinefrina - Desipramina, maprotilina Carbamazepina/oxcarbamazepina ● Neuralgia do trigêmio ● Efeitos adversos consideráveis ● Bloqueio dos canais de sódio Lamotrigina ● Dores de AVC, EM, dor no membro fantasma ● Efeitos adversos, reações cutÂneas ● Bloqueios dos canais de sódio inibição da recaptação de serotonina - Paroxetina, fluoxetina, citalopram - Manutenção da via descendente Inibidores da recaptação de serotonina e epinefrina - Venlafaxina e duloxetina 19 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA - Inibição da recaptação de serotonina e epinefrina ao mesmo tempo tem efeito analgésico. = Via descendente - Dor neuropática e fibromialgia. Antagonista do receptor NMDA - Tto adjuvante da dor - Inibem tanto a indução, quanto a manutenção da sensibilização central - Dor pós-operatória - Pacientes queimados (quetamina) - Efeitos adversos significaticos (NMDA altamente expresso) = psicotrópicos e amnésia. Tontura, fadiga, confusão e efeitos psicomiméticos. - Quetamina e dextromeorfano Glicocorticoides - Bloqueio da fosfolipase A2 - Inibe a cascata de inflamação - Inibe a produção enzimática - Diminuição dos agentes sensibilizantes - Muito pouco especifico para a analgesia Agonistas adrenérgicos - Estimulo de receptores α-adrenérgicos no corno superior da medula - Clonidina - aplicação limitada. Utilizada por via sistêmica, epidural, intrapeciolares e tópica. - Dor aguda e crônica - Sedação e hipotensão - Mecanismo molecular pouco elucidado 20 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA Agonistas dos receptores 5HT1 - Triptana, rizatriptana, sumatriptana, electriptana - Reduzem tanto a ativação sensorial na periferia quanto a transmissão nociceptiva no núcleo trigeminal do tronco encefálico, onde diminuem asensibilização central. - Cefaleias e enxaquecas - Inibem 5-HT1B, 5-HT1D Miorrelaxantes Grupo heterogêneo de fármacos que atuam gerando diminuição do recrutamento de fibras musculares. ⚠Miorrelaxantes atuam na musculatura ou no controle do recrutamento das fibras musculares, visando o relaxamento. Utilizados para aliviar dores musculares do tipo: ● Espasmos agudos (lombalgias e cervicalgias) ● Dores crônicas de caráter miofascial ● Fibromialgias ● Espasmos de origem central ⚠ Os relaxantes musculares atuam paralisando a musculatura, inclusive as responsáveis pela respiração, facilitando alguns procedimentos, como a IOT. Mecanismo de ação ● Cada fármaco tem um mecanismo de ação diferente e nem todos foram elucidados ainda. ● Podem agir aumentando a estimulação de neurônios GABAérgicos com ação na inibição de impulsos, que facilitam o tônus muscular a partir de áreas supraespinhais para os neurônios motoresα eγ. ● Atuação em nível central = deprimem o reflexo poli e monossináptico = afetam o estiramento muscular. ● Ação analgésica : pode ocorrer devido à inibição de prostaglandinas, redução da liberação de substância P, glutamato e aspartato medulares. A ação noradrenérgica e serotoninérgica auxiliam no tratamento da dor. 🚨Antes de prescrever ciclobenzaprina é imprescindível saber se o acidente faz uso de outro 21 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA fármaco que aumenta a serotonina, para previnir a síndrome serotoninérgica (ex. Amitriptilina) 22 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA 23 Sandy Vanessa Med 08 - UFPE-CAA 24