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W BA 09 98 _V 1. 0 PROCESSOS DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA 2 Wéllia Pimentel Santos São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2022 PROCESSOS DE TRABALHO DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO BÁSICA 1ª edição 3 2022 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Head de Platos Soluções Educacionais S.A Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Giani Vendramel de Oliveira Revisor Flaviana Aparecida de Mello Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Santos, Wellia Pimentel Processos de trabalho do serviço social na educação básica / Wellia Pimentel Santos. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2022. 33 p. ISBN 978-65-5356-104-5 1. Questão social. 2. Espaços educacionais. 3. Demandas escolares. I. Título. CDD 370.1 _____________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB 010289/O S237p © 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. 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No primeiro tema, apresentaremos o papel do assistente social na educação, compreendendo os espaços ocupacionais deste profissional no segmento educacional, mais especificamente na educação básica. Para tanto, aproximações e fundamentos teórico-metodológicos da profissão, bem como identificar as demandas da política educacional para o atendimento psicossocial na escola. Em seguida, trataremos das questões mais específicas voltadas à importância do trabalho interdisciplinar na educação e sua relação com o Serviço Social. Veremos o engajamento desses profissionais no âmbito educacional e a importância da equipe interdisciplinar nas escolas brasileiras. Em seguida, veremos sobre os processos de trabalho do assistente social na educação básica a partir da interpretação da questão social no cotidiano escolar. Para tanto, refletiremos sobre o conceito de questão social, como surge no cenário brasileiro, como se expressa a questão social nos ambientes escolares e como se dá a intervenção nestas instituições de ensino. 6 Por fim, refletiremos sobre as demandas escolares dos assistentes sociais, o que pressupõe reconhecer que estes profissionais atuam em instituições de ensino que podem ser públicas e também no setor privado. A partir daí, compreendemos a educação como uma necessidade social que ocorre em toda a sociedade humana, e que pode ser caracterizada como uma atividade cujo papel é o desenvolvimento dos indivíduos, potencializando suas capacidades e sua interação social. 7 Os espaços ocupacionais no segmento educacional Autoria: Wéllia Pimentel Santos Leitura crítica: Flaviana Mello Objetivos • Compreender acerca da importância do papel do assistente social na educação. • Refletir os espaços sócio-ocupacionais do assistente social na educação. • Reconhecer a importância do assistente social na educação básica. 8 1. Introdução Neste material, refletiremos sobre o papel do assistente social na educação, compreendendo os espaços ocupacionais deste profissional no segmento educacional, mais especificamente na educação básica. Para tanto, será traçada uma breve linha do tempo de forma a pensar estes espaços para que, assim, seja possível compreender a atuação do (a) assistente social na área educacional na atualidade. Traremos aproximações e fundamentos teórico-metodológicos, bem como identificaremos as demandas da política educacional para o atendimento psicossocial escolar. Por conseguinte, serão traçadas reflexões sobre a inserção do assistente social na educação básica. 1.1 O papel do assistente social na educação Para que seja possível pensar um pouco sobre o papel do assistente social na política de educação, é necessário pensarmos no modelo tradicional de educação, sendo possível, neste sentido, falar tanto da educação básica, da educação superior e de uma educação técnica. Quando falamos em educação, estamos falando de uma dimensão da vida social. O próprio documento elaborado pelo Conselho Federal de Serviço Social, Os subsídios para atuação de Assistentes Sociais na Educação, deixou claro que nossa compreensão de educação se relaciona com a política, mas não se esgota no âmbito da política educacional. A educação surge como um complexo da vida social, tão logo o ser humano se constitua enquanto ser social. É é ontológica e historicamente vinculada à atividade do trabalho. Essa atividade é o que nos diferencia dos demais seres naturais, e a compreensão dessa categoria trabalho está ancorada, sobretudo, na contribuição do Marx, 9 que define o trabalho como uma atividade que o ser humano produz para sua subsistência e para o desenvolvimento do homem enquanto ser social (MOTTA; PEREIRA, 2017). Então, na medida em que o homem se diferencia dos outros seres, se relacionando com a natureza e com os outros homens a partir de uma intencionalidade voltada para promover o intercâmbio com a natureza, com a satisfação de suas necessidades de sobrevivência, esse processo já traz em si elementos fundamentais para compreender como que educação se constituiu enquanto o complexo da vida social. Nesse sentido, o conhecimento da realidade, o conhecimento dos materiais, dos instrumentos de trabalho, da dinâmica das leis da natureza, mas também no próprio conhecimento de si mesmo, já que o homem não é o mesmo no início e no final de um processo de trabalho. Esse conhecimento se tornou um componente fundamental da sociabilidade, na medida em que a forma como se constrói um martelo, por exemplo, ou mesmo como se pensa o exercício de uma atividade profissional precisa ser partilhada no sentido de promover uma continuidade da nossa própria forma de existir, de viver. Então, é muito difícil pensarmos a educação desvinculada dessa atividade fundante do ser social que é o trabalho, muito embora o processo histórico, as diferentes formações societárias tenham trazido possibilidades de afastamento dessa relação. Se nós pensarmos as primitivas, o próprio processo educativo, ou seja, a transmissão de conhecimentos intergeracionalmente se dava no próprio espaço de trabalho, no plantio, na colheita, dentro do próprio grupo familiar (MOTTA; PEREIRA, 2017). Esse processo de separação vai sendo progressivamente construídoa partir da maior complexidade que as sociedades vão assumindo do ponto de vista da organização da esfera da produção, e também da esfera da reprodução social. Então, os textos clássicos do Marx, e 10 do professor Saviani, aqui no Brasil, o professor Gaudêncio Frigotto e tantos outros intelectuais importantes, sempre abordam a constituição da educação como uma dimensão da vida social na sua relação com o trabalho. Se trata de uma relação que tem um sentido ontológico e também histórico. (MOTTA; PEREIRA, 2017). Mesmo nos dias de hoje, quase todos os documentos oficiais, os debates sobre educação, fazem referência à questão do trabalho, só que o outro tipo de trabalho, não necessariamente aquele que nos constituiu enquanto ser social, mas estamos falamos do trabalho na sociedade concreta, uma sociedade com a prevalência do que chamamos de trabalho abstrato, aquele trabalho voltado para a valorização do capital. Então, ainda que aquela primeira dimensão não seja eliminada, nem superada, hoje, se encontra de alguma forma subordinada a uma lógica diferente, própria da sociedade portuguesa da qual a educação e trabalho se articulam no sentido de que a transmissão de conhecimento, de valores, a preparação para a vida, o reconhecimento e a experiência da cidadania se deem como uma condição de reprodução da própria lógica que movimenta a sociedade, que é a exploração do trabalho para obtenção de um mais valor, para acumulação de um valor socialmente produzido, mas que é apropriado de forma privada de forma concentrada cada vez mais. Nesse sentido, a relação entre educação e política educacional precisa ser pensada em função das condições societárias, da dinâmica da luta de classes que possibilitou uma experiência que é própria da sociedade burguesa, que é de organização da educação na forma escolar, de organizar uma educação a partir de pressupostos advindos de uma função de controle social do Estado na sociedade capitalista (MOTTA; PEREIRA, 2017). Então, quando pensamos a escola na sociedade burguesa, estamos nos referindo a uma experiência de institucionalização na qual cabe ao 11 Estado esta responsabilização, ainda que não necessariamente suas instituições em sua dimensão pública, já que a política de educação é operacionalizada tanto por estabelecimentos públicos quanto privados, não só no Brasil como na maior parte dos países. Assim, embora o Brasil tenha uma particularidade, essa relação entre a política de educação e a educação como dimensão da vida social, merece especial atenção por parte dos assistentes sociais na medida em que temos uma trajetória também de atuação junto a experiência de formação humana fora do espaço institucionalizado da educação escolarizada. Os subsídios de atuação do assistente social na política de educação foram elaborados pelo Conselho Federal de Serviço Social, trata de um tipo de educação emancipadora. Freire (2001) já dizia que existe um tipo de educação que é a educação bancária. Este é um modelo de educação que não privilegia o diálogo, que não privilegia a troca de experiências. Então, ele fazia uma crítica ao método, ao modelo de educação bancária que o modelo tradicional de educação atual, que é aquela educação que apenas transmite o conhecimento e que é inquestionável. As críticas de Freire (2001) tratam de uma educação que é emancipadora, que é uma educação em que o indivíduo se desenvolve com outros seres, e ali há um despertar da consciência, que é diferente da educação bancária, aquela educação que só transmite o conhecimento, mas não tem possibilidade de refletir sobre aquele conhecimento. Nesse sentido, o Serviço Social tem uma linha que vai ao encontro do que o Freire (2001) defendia, pois este pensamento se volta à questão da emancipação do ser, do desenvolvimento da consciência, de uma educação que seja transformadora, libertadora, e não de uma educação 12 que vem trazer padrões rígidos e que venha a dizer por um lado que preza por um tipo de inteligência ou não. O projeto ético-político do Serviço Social tem uma inclinação forte para a educação de Freire (2001). Não é à toa que muitos dos assistentes sociais utilizam a educação popular com uma de suas metodologias de trabalho, para a utilização desses instrumentos técnico-operativos, seja pelos próprios grupos de conversa, pelas rodas, até a própria forma de como fazer uma entrevista. Logo, é possível se embasar muito nas fontes de Freire (2001) para que o profissional possa convergir rumo à prática de uma educação libertadora. 1.2 Espaços sócio-ocupacionais do assistente social na educação Pensar os espaços ocupacionais no segmento educacional, perpassa por compreender que alguns destes espaços já estão consolidados, tais como os institutos federais, as universidades públicas brasileiras, ainda, escolas privadas, espaços estes onde o papel de assistente social é voltado a garantir o suporte para permanência deste aluno nestas instituções por meio da assistência estudantil, portanto, cabe a este profissional atuar com fins de analise socioeconômica para concessão de bolsas de estudos, dar suporte necessário aos demais atores da escola, entre outros. Nesse sentido, refletir esses espaços sócio-ocupacionais, no que tange à educação, pressupõe reconhecer que este é um debate que está em construção. Para isso, existe uma linha do tempo que nos leva a pensar como se chegou, hoje, nessa discussão para falar da atuação do assistente social na educação. 13 Em 1906, temos os primeiros relatos históricos de atuação do assistente social na educação nos Estados Unidos da América. No Brasil, veremos isso no ano de 1946, especificamente nos estados do Rio Grande do Sul e em Pernambuco, quando assistentes sociais foram chamados para trabalhar com as famílias e os estudantes que estão inseridos na educação. Um ponto a ser destacado é que, neste momento, essa ainda era uma perspectiva de ajustamento do indivíduo. Os assistentes sociais eram chamados para ajustar os chamados alunos-problema (AMARO, 2017). Uma perspectiva sem qualquer criticidade, de cunho conservador, e o Serviço Social: é neste espaço que surge essa atuação do Serviço Social na educação. Isso perpassa pelas décadas de 1950 a 1970, quando vemos uma reformulação da própria categoria da profissão, que, com o movimento da reconceituação da profissão, teve essa perspectiva de ajustamento e de conservadorismo abandonada e, agora, a categoria busca uma perspectiva diferente, onde não se paute mais por uma atuação voltada para o ajustamento, mas na promoção do sujeito e de suas famílias. Já no ano de 1996, foi criada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, que traz uma diferenciação em relação às demais porque está numa perspectiva pós-Constituição de 1988, onde a educação se torna um direito de todos, onde deve ser considerado todos os aspectos que levem a uma educação cada vez mais inclusiva (AMARO, 2017). Então, este é um momento importante, inclusive para o Serviço Social, já inserido em algumas escolas, nas universidades, nas escolas agrotécnicas, e também nas escolas técnicas onde já se tem uma perspectiva diferente daquela que já foi abordada no ano de 1946. A partir do ano 2000, tem-se o primeiro projeto de lei que busca inserir assistentes sociais na política de educação e, agora, especificamente na rede pública de educação. Cabendo ressaltar que a lei que se tem na 14 atualidade, de 2019, tem início, no ano 2000, com o primeiro projeto de lei que começa a falar sobre essa inserção do assistente social na educação. Em 2007, tem-se um importante marco também que corrobora para o fortalecimento deste espaço, que é a criação do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), onde há uma expansão universitária em todo o país e, com isso, também o número de estudantes que precisariam ser atendidos por estas universidades por meio das políticas estudantis e outras açõesnecessárias para permanência, que também fortalece esse lugar do Serviço Social na educação. Em 2008, é a vez dos institutos federais, onde há uma ampliação grande dessas escolas em todo o Brasil e também uma absorção grande do Serviço Social para atuar na educação e, a partir daí, o Serviço Social na educação ganha um pouco mais de força. Em 2019, tem-se um grande marco, que é a promulgação da Lei n. 13.935, que trata da inserção do assistente social e do psicólogo nas redes públicas de educação e, a partir daí, os profissionais da área vêm fazendo esse debate. Então, a partir dessa linha do tempo traçada, é possível dizer que o Serviço Social na educação é algo novo e que esta não é uma discussão tão recente, já vem acontecendo desde o início do século, obviamente mudando as perspectivas, mas que, no cenário atual, foi fruto de um amadurecimento dessas reflexões sobre a atuação deste profissional que, até 1946, se encontrava em uma perspectiva de ajustamento do indivíduo, e somente pós-Constituição de 1988 e o próprio movimento de reconceituação da profissão, vem nessa perspectiva de emancipação e promoção dos sujeitos. 15 1.3 Serviço Social na educação básica Sobre a atuação do Serviço social na educação básica, cabe, primeiramente, assinalar que tudo que o assistente social faz deve ser no sentido de levar os usuários à transformação social. Entre as demandas para atuação do assistente social neste campo de atuação, é possível citar a evasão escolar, a convivência familiar e comunitária, a promoção dos encontros familiares com a presença do professor, porque é sabido que a questão social daquela família, o que vem de conflitos familiares, tem a questão também de demandas de aprendizagem, a inclusão social. Nesse sentido, esses profissionais atuam com esses objetivos, além de também serem realizadas as visitas domiciliares (AMARO, 2017). Por meio da visita domicilar, o profissional tem um espaço onde é possível colher muitas informações acerca da realidade do usuário, da realidade daquela família, e, nesse sentido, não é possível ver apenas o aluno sem envolver, além da escola, a família dele. Dessa forma, é essencial envolver a família do aluno nesta intervenção social e, muitas vezes, o profissional pode se deparar com conflitos sócio-familiares e, nesse sentido, cabe a ele perceber qual a questão social que está impactando no desempenho escolar daquela criança. 16 Figura 1 – Aluna escrevendo em sala de aula Fonte: stockdevil/ iStock.com. É por meio também da visita domiciliar que os assistentes sociais conseguem entender como essa realidade é possível de ser vivida, bem como entender mais sobre os espaços coletivos. Nesse sentido, o ambiente familiar deve ser compreendido como um contexto onde os relacionamentos familiares vão se desdobrar. É por meio das visitas domiciliares que os assistentes sociais identificarão os riscos que possam trazer algum tipo de violação de direitos para aquela criança. Conforme estabelece Amaro (2017): A atuação do assistente social é marcante. Parte-se á construção esclarecimento (a partir da realização de contatos com a família e suas redes de relações para compor o estudo social da situação) e a identificação de forma de agir diante de cada caso, orientando os agentes da escola (professores, gestores) e, quando necessário a família. (AMARO, 2017, p. 47) https://www.istockphoto.com/br/portfolio/stockdevil?mediatype=photography 17 É também neste momento que será possível vislumbrar a questão social daquela criança, daquela família, bem como perceber se o ambiente daquela criança está propiciando uma inclusão ou uma exclusão. Tudo isso, os assistentes sociais conseguem perceber por meio da visita domiciliar. Por meio da visita domiciliary, os assistentes sociais orientarão as famílias sobre toda a questão voltada ao aspecto econômico. Se ali há algum membro familiar desempregado, por exemplo, pois isso também causa o impacto no processo de aprendizagem daquela criança. A partir dessas circunstâncias, se tem a lei de benefícios eventuais. Assim, cabe ao assistente social observar se há algum membro familiar desempregado naquela residência ou identificar, por meio dessa visita domicilar, os indícios de violência doméstica. Nesse sentido, não cabe ao assistente social ter um olhar direcionado apenas para o aluno. Além desse olhar, também deverá ter um olhar muito especial para a família daquele aluno. Por meio desse olhar especial, o profissional perceberá, em algumas dessas residências, indícios, seja de violência doméstica ou outros agravantes, para o risco social que aquela criança poderá estar vivenciando. O assistente social poderá identificar tudo isso por meio de técnicas, como a visita domiciliar, atendimentos individuais, em grupos, por meio da escuta qualificada, observação, entre outros, de modo a conseguir identificar possíveis sinais de violação de direitos (AMARO, 2017). Por sua vez, por meio dessa avaliação social, realizada pelas visitas domiciliares, o profissional poderá realizar o encaminhamento para a rede de atendimento, seja para o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), para o Centro de Referência Especializada de Assistência Social, Conselho Tutelar, Secretaria de Assistência Social, que se volta para a garantia dos benefícios eventuais, para a inclusão daquele membro familiar nos serviços de convivência e fortalecimento de 18 vínculos, para que, então, o CRAS possa inserir essas famílias nos programas e benefícios da assistência social (SÁ, 2019). Com isso, aquela família será beneficiada, por exemplo, por meio de cestas básicas, por um aluguel social, se assim constar na lei de benefícios eventuais, entre outros. Então, tudo isso contribuirá no processo de aprendizagem daquela criança e fomentará a inclusão escolar, pois essas expressões da questão social influenciam diretamente no processo de ensino e aprendizagem, e cabe ao assistente social, junto aos educandos e também com o corpo pedagógico, contribuir para a formação da cidadania e a emancipação desses sujeitos. Todavia, o assistente social não pode apenas encaminhar, enviar o ofício, mas, para além de realizar o encaminhamento daquela família para a política compentente, é também responsabilidade do assistente social acompanhar aquela família, indo até aquele profissional, a instituição pela qual o aluno ou a família foi encaminhada, por meio daquele aluno, para, assim, observar como está aquela situação, se já foi feita alguma visita domiciliar por aqueles técnicos, se já foi realizada uma intervenção diante daquele encaminhamento. Logo, o encaminhamento também é de suma importância na educação básica. Nesse sentido, cabe assinalar a importância do trabalho em rede. Não é possível que o assistente social faça um trabalho sozinho, até porque a assistência social não é singular, é plural, e não tem como este trabalho ser individualizado. Portanto, o trabalho em rede é de suma importância (SÁ, 2019). Por sua vez, além das visitas domiciliares desenvolvidas pelo assistente social na educação básica, cabe também assinalar a importância do acolhimento, sendo que este pressupõe ver a realidade que aquele usuário está vivenciando, e este acolhimento não pode fugir da prática profissional. Nesse acolhimento, o profissional compreenderá o universo 19 daquela criança e, a partir daí, entra a questão da empatia, de se colocar no lugar daquela criança. O acolhimento também se associa à escuta, muito importante para os assistentes sociais, mas essa escuta não se limita apenas no ouvir, vai muito além do que o ouvir. É por meio da escuta, que o profissional mergulha no viver do aluno, do usuário. É por meio do acolhimento verdadeiro, que o profissional conseguirá o fornecimento de informações que busca, e é por meio dele que o profissional conseguirá abarcar as demandas daquele usuário. Portanto, visita domiciliar, acolhimento e escuta profissional,que vai muito mais além de ouvir, são essenciais para o trabalho do assistente social também na educação básica. Apesar das inúmeras dificuldades para execução de seu trabalho, especialmente no campo da educação, o profissional também lida com muitos êxitos, especialmente quando se percebe que o usuário passou por uma transformação social. Por fim, é com a entrada dos assistentes sociais na educação básica que será possível contribuir para que o aluno entenda que tem condições de ir para a universidade, de permanecer e de ter uma saída exitosa desse projeto de vida que tem, que é estudar. Lembrando que o Serviço Social na atuação, no âmbito da educação, não será messiânico em lugar nenhum, contribuirá, fomentará junto com outros atores na luta pela conquista de direitos (CFESS, 2019). Não se trata de uma questão meramente corporativista. Nós não lutamos para o Serviço Social e a Psicologia estarem na educação básica, a fim de garantir meramente mercado de trabalho. Obviamente isso é importante, mas o que a categoria luta é por estar nestes espaços por compreender que a educação é um direito, faz parte do campo da proteção social, de uma perspectiva de uma proteção social mais ampliada. 20 Esses profissionais têm o que contribuir com as famílias, com as crianças ali atendidas, que vivenciam a escola. Além disso, esses profissionais tem o que contribuir com os demais profissionais, como pedagogos, professores e outros profissionais que atuam na educação. É sabido que estar na educação em uma conjuntura dessa não é fácil. Então, cabe a estes profissionais, neste espaço sócio-ocupacional, estar ali em defesa do Estatuto do Adolescente, com fins de garantir um conjunto de direitos e proteção que esse campo infanto juvenil tem. Referências AMARO, S, T. A. Serviço Social na escola: o encontro da realidade com a educação. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2017. CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. SUBSÍDIOS PARA A ATUAÇÃO DE ASSISTENTES SOCIAIS NA POLÍTICA DE EDUCAÇÃO. 2019. Disponível em: http:// www.cfess.org.br/arquivos/BROCHURACFESS_SUBSIDIOS-AS-EDUCACAO.pdf. Acesso: 15 mar.2022. FREIRE, P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001. MOTTA, V. C.; PEREIRA, L.D. Educação e Serviço Social: subsídios para uma análise crítica. Rio de Janeiro: Lumen & Juris, 2017. SÁ, J. L. M. de. (org.). Serviço Social e Interdisciplinaridade. São Paulo: Cortez, 2019. http://www.cfess.org.br/arquivos/BROCHURACFESS_SUBSIDIOS-AS-EDUCACAO.pdf http://www.cfess.org.br/arquivos/BROCHURACFESS_SUBSIDIOS-AS-EDUCACAO.pdf 21 O trabalho intersetorial na política de educação e as equipes multidiprofissionais Autoria: Wéllia Pimentel Santos Leitura crítica: Flaviana Mello Objetivos • Refletir sobre a importância do trabalho interdisciplinar na educação e sua relação com o Serviço Social. • Estudar as contribuições do Serviço Social no que tange à garantia do direito à educação. • Compreender os desafios e possibilidades do trabalho interdisciplinar na educação. 22 1. Introdução Neste material, veremos reflexões concernentes à importância do trabalho interdisciplinar na educação e sua relação com o Serviço Social. De tal modo, pensar os processos de trabalho do Serviço Social na educação básica pressupõe reconhecer que hoje no contexto da educação muito se fala de uma equipe multidisciplinar na escola, ou seja, da importância de escolas com essas equipes que podem ser formadas por profissionais diversos, entre eles, a diretoria, coordenador, psicólogos, assistentes sociais, professores, enfermeiro, psicopedagogo, nutricionista, fonoaudióloga, entre outros, com fins de desenvolver um processo de trabalho em que profissionais de saberes diferentes e complementares elejam uma plataforma de trabalho conjunto. Assim, o engajamento desses profissionais no âmbito educacional se dá com intenção de que cada um, em seu âmbito de atuação, trabalhe, mas dentro de um equipe, de forma organizativa, com fins a um atendimento de excelência e qualidade na educação das criança, nos cuidados básicos, sejam na educação infantil, no ensino fundamental, médio, no atendimento aos pais e nos cuidados na equipe que trabalha na escola. Logo, a partir da reflexão sobre o Serviço Social e a interdisciplinaridade, veremos, então, como o trabalho interdisciplinar pode ser exercido nas escolas brasileiras. 1.1 Serviço Social e interdisciplinaridade na educação Pensar o Serviço Social inserido nas políticas de educação, perpassa por entender que tipo de educação o Serviço Social defende e nesse sentido, é importante que, atuando na educação, o assistente social tenha o entendimento da educação como o terreno de formação, onde o sujeito pode, por meio da educação, se posicionar frente à garantia de seus direitos, também à garantia da socialização das informações, a garantia da vida ou a garantia de existir. 23 É importante entender que a educação não deve ser ajustada ao que esteja posto, mas, contrário a isso, precisa ser uma educação que possibilite ao sujeito se transformar, se posiciona e exercer a sua cidadania. Nesse sentido, não é possível pensar o Serviço Social na educação sem pensar a interdisciplinaridade, que conforme Rodrigues (1998): [A interdisciplinaridade favorece o alargamento e a flexibilização no âmbito do conhecimento, pode significar uma instigante disposição para os horizontes do saber. (...) Penso a interdisciplinaridade, inicialmente, como postura profissional que permite se pôr a transitar o “espaço da diferença” com sentido de busca, de desenvolvimento da pluralidade de ângulos que um determinado objet o investigado é capaz de proporcionar, que uma determinada realidade é capaz de gerar, que diferentes formas de abordar o real podem trazer. (RODRIGUES, 1998, p. 156) O fato da educação apresentar inúmeros desafios, no Brasil, se deve ao fato de que o ser social é complexo, multifacetado, possui infinitas dimensões que não podem ser tratadas unicamente pelas teorias de aprendizagem e pela pedagogia, pois não são suficientes para atender as demandas inerentes ao sujeito em processo de formação (AMARO, 2017). Assim, esse sujeito em processo de formação precisa de muitos outros tipos de intervenções profissionais para que possa, em sua integralidade, em sua completude receber uma formação de qualidade. Nesse sentido, considera-se que a equipe interdisciplinar é muito importante para qualquer instituição educacional, em qualquer modalidade de ensino para que o trabalho seja realizado. Para isso, cabe a esses profissionais, constantemente, afinar seus instrumentos de trabalho, pois nada é feito, nada é construído ou pensado sem uma harmonização, sem momentos de conversa, onde estes profissionais possam compartilhar informações, avaliar as 24 necessidades daquela escola, daqueles alunos, e tudo que é preciso para que uma escola continue crescendo e atendendo a sociedade escolar, atendendo aos pais destes alunos. Nesse sentido, a educação deve ser vista como um direito social, mas, sozinha, não tem o poder de transformar o mundo. A integralidade dos direitos sociais trabalhados na interdisciplinaridade devem ser trabalhados na dimensão da rede socioassistencial, em sua completude, com um projeto educacional que envolva vários profissionais voltados ao mesmo interesse, inclusive contando com o suporte da família (SÁ, 2019). Importante salientar que quando se focaliza apenas num direito social, se condenou o processo, o procedimento, o método. Isso porque se avaliou um sujeito multifacetado, com múltiplas expressões, que está envolvido em um cotidiano igualmente multifacetado, e o afunilou para dentro de um direito social e, daí, se espera que aquele direito social traduza todas as problemáticas que aquele sujeito esteja envolvido. Quando o (a) assistente social atua na educação superior, por exemplo, na política de assistência estudantil, cabe a eles pensar seu exercício profissional na educaçãono sentido horizontalizado. O trabalho do assistente social deve ser multiprofissional, interdisciplinar. Conforme o Conselho Federal de Serviço Social (2011): A atuação interdisciplinar requer construir uma prática político-profissional que possa dialogar sobre pontos de vista diferentes, aceitar confrontos de diferentes abordagens, tomar decisões que decorram de posturas éticas e políticas pautadas nos princípios e valores estabelecidos nos Códigos de Ética Profissionais. A interdisciplinaridade, que surge no processo coletivo de trabalho, demanda uma atitude ante a formação e conhecimento, que se evidencia no reconhecimento das competências, atribuições, habilidades, possibilidades e limites das disciplinas, dos sujeitos, do reconhecimento da necessidade de diálogo profissional e cooperação. (CFESS, 2011, p. 27) 25 Essa perspectiva de um trabalho nestes moldes faz parte cada vez mais desse momento da sociedade que vivemos. Isso transforma sua praxis profissional, se desdobra na forma como esses profissionais devem participar da construção desde o projeto político pedagógico, do desenvolvimento, do dia a dia, bimestre a bimestre, e assim sucessivamente, com referência e contra-referência contínua durante todo o processo, até o fim dele. Contraditório a isso, é muito recorrente ver nos espaços escolares um trabalho individualista e, apenas no fim do ano, se reúne a equipe escolar para fazer um apanhado geral, seja dos conteúdos ministrados, das avaliações etc. Isso é vergonhoso e implica em tratar sujeitos sociais de forma retroativa, postergada. Sob esse viés, se o aluno não conseguiu passar de ano, não evoluiu em seu processo de aprendizagem, nao há mais o que fazer. Todos entrarão de férias e começará o mesmo processo no ano seguinte. Esse formato de educação não é contemplado na epistemologia das teorias de aprendizagem em nenhum ponto. Inúmeros teóricos da aprendizagem salientam sobre a importância do trabalho multriprofissional, da interdisciplinaridade no ambiente escolar, salientam a importância de uma avaliação continuada, onde todos os profissionais envolvidos no processo de avaliação devem também se envolver continuamente com a vida escolar daquele aluno e também continuamente tomem posturas que vá corrigindo esse processo durante seu desenvolvimento. Isso é pensamento complexo, e cabe à equipe multiprofissional trabalhar a totalidade do sujeito. É a partir daí, que teremos, então, uma educação de qualidade (SÁ, 2019). Refletir de forma crítica a importância do profissional de Serviço Social nos espaços escolares, parte de um entendimento maior, que perpassa por aspectos de que a criança/ adolescente não aprende com fome, não aprende sem afeto, não aprende se vive e convive em uma situação de violência extremada. Além disso, não aprende se possuir necessidades 26 especiais e se o Estado não atende a essas necessidades; não aprende se na mesma medida também lidar com questões emocionais extremas, e se o Estado não atende a essas necessidades ou pelo menos não media para que essas necessidades sejam atendidas. Ainda, este aluno nao aprenderá se não for bem cuidado por sua família, se não aprende em um processo que considere as diferenças, tendo em vista que esse contexto de igualdade não existe mais, não estamos mais dentro de uma perspectiva de discussões teóricas que se volte à busca do reconhecimento da igualdade porque não atende a especificidade das diferenças (MOTTA; PEREIRA, 2017). Assim, é imprescindível que toda a equipe escolar, por meio da interdisciplinariadade, compreenda que todos somos diferentes, que devemos ser respeitados como diferentes, e ser incluídos como diferentes, e dentro das diferenças, ser estabelecido um parâmetro de equidade, pois a igualdade já não responde mais à complexidade em que se envolvem os processos das relações sociais, o tecido das relações sociais. A igualdade já é um termo obsoleto. Nesse sentido, é preciso entender as diferenças que fazem parte das relações humanas, sociais e como essas se expressam nos espacos escolares e, assim, estabelecer a equidade nas diferenças porque a igualdade pretende nivelar os diferentes para serem iguais, já a equidade não nivela ninguém, concede situações, cria circunstâncias, intervenções para que os diferentes desfrutem dos mesmos direitos daqueles diferentes que estão em condição superior. O assistente social trabalhará na educação nesta perspectiva, de modo a compreender essa dimensão socioeducativa, a ressignificação social, a emancipação e a autonomia dentro das expressões da questão social que surgirão no espaço educacional. Todavia, o assistente social não fará isso sozinho, pois, se for fazer isso sozinho, repetirá o mesmo erro da 27 Pedagogia tradicional que tenta educar sozinha, que não desenvolve um trabalho com a parceria da família na educação (AMARO, 2017). Então, se temos uma escola que assume a maior parte do que deveria ser compartilhado com outras profissões, acabará fracassando em sua função e se, ao mesmo tempo, temos uma família que deveria assumir sua responsabilidade em relação à educação dos filhos, e que algumas destas fracassam também, porque não contam com um acompanhamento das outras profissões e dos direitos sociais que deveriam ser alcançados, então não haverá um aproveitamento dessa educação. Nas palavras de Amaro (2017): A atuação do assistente social é marcante. Parte-se á construção esclarecimento (a partir da realização de contatos com a família e suas redes de relações para compor o estudo social da situação) e a identificação de forma de agir diante de cada caso, orientando os agentes da escola (professores, gestores) e, quando necessário a família. (AMARO, 2017, p. 47) Portanto, não cabe à pedagogia tradicional assumir toda a responsabilidade da educação, mas cabe compreender a educação como uma responsabilidade interdisciplinar. 28 Figura 1 – Interdisciplinaridade Fonte: PeopleImages/ iStock.com. Nessa perspectiva, sobre os papéis dos demais integrantes de uma equipe interdisciplinar, é possível citar o psicólogo escolar, cuja visão ampla dentro da escola trabalhará na relação do aluno com professor, do aluno com aluno, do aluno com a família, do professor com toda a equipe, dos professor com o coordenador, com gestão. Portanto, o trabalho do psicólogo deverá ser um trabalho amplo, que deve perpassar desde o período da adaptação do aluno, quando o aluno ingressa na escola, deve abarcar qualquer dificuldade que o professor perceba nesse processo, seja essa dificuldade comportamental, emocional, no caso da aprendizagem desse aluno. Então, muito diferente da disciplinaridade, em uma equipe multiprofissional, cada profissional exercerá sua profissão, mas este trabalho dependerá de informações de cada um daquela equipe, no https://www.istockphoto.com/br/portfolio/PeopleImages?mediatype=photography 29 intuito de melhor atender esse aluno. Nesse sentido, cabe à gestão escolar não se preocupar unicamente com o aprendizado de seus alunos, mas com o bem-estar (SÁ, 2019). Logo, quando o professor observa uma dificuldade, esta deve ser repassada para a coordenação escolar, aos professores e, assim, toda a equipe escolar conjuntamente deverá avalia as demandas trazidas por este aluno, se perpassa por uma questão relacionada à aprendizagem, uma questão comportamental, emocional, social etc. Cabe, ainda, à equipe multiprofissional, elaborar um plano de ação e, assim, direcionar qual será o profissional que fará o atendimento daquela criança ou adolescente. Para isso, é importante que a escola conte com uma sala de atendimento para os técnicos que ali atuem, trabalhem em observância ao siglilo profissional, no intuito de dar um suporte nas demandas trazidas por aquele educando, seja uma questão social, tanto na saúde física, mas também emocional desses alunos e de suas famílias. É possível citar também, ainda que menos frequente, o papel do enfermeirona escola, cabendo a este a promoção em saúde, atuação na urgência, emergência e no desenvolvimento do aluno, e, para isso, só consegue exercer esse papel juntamente com psicólogo, psicopedagogo, fonoudiólogo, nutricionista etc. Por sua vez, tem-se a figura do psicopedagogo, que atuará de maneira preventiva, realizando a avaliação de aprendizagem desse aluno. Já o coordenador pedagógico, realizará as orientações dos professores, um trabalho de observação no intuito de averiguar a linha de desenvolvimento desse aluno, portanto, como esse aluno aprende, quais suas dificuldades etc. O trabalho realizado por essa equipe multidisciplinar não deve se dar no sentido de procurar por um problema, mas no sentido de averiguar as 30 habilidades desse aluno, observar seu nível de aprendizagem, seu estilo de aprendizagem, as modalidades de aprendizagem etc. Igualmente importante é que sejam feitas avaliações preventivas de forma a observar se o comportamento desse aluno é adequado para sua faixa etária, e dentro do que acontece na vida real, as situações que saem da rotina etc. Outro ponto a ser observado em uma atuação interdisciplinary, é começar os atendimentos com a equipe com uma anamnese ou uma entrevista inicial, investigando de onde veio esse aluno, de qual cidade, qual escola, caso tenha sido encaminhado, qual seu contexto familiar, entre outros. Essa entrevista deve ocorrer no sentido de conhecer esse aluno, de estabelecer também um primeiro contato com os pais etc. Sempre que uma equipe multiprofissional inicia uma avaliação com o aluno, é importante conversar com estes pais ou responsáveis, pois, às vezes, uma dificuldade ou um problema apresentado por este aluno pode estar na escola ou já vem de casa. Então, a criança pode estar passando por uma mudança, por uma situação de violência doméstica, de bullying, entre outros, e isso refletirá em seu comportamento em sala de aula, em seu aproveitamento escolar etc. Logo, cabe ao assistente social garantir os direitos sociais desse público- alvo, observando se estes direitos estão sendo viabilizados. Devem atentar se a criança está se alimentando, como é a dinâmica desse aluno no ambiente familiar, se vive em um contexto de tranquilidade dentro do lar, se pode estar sendo explorado em qualquer tipo de trabalho análogo à escravidão, ainda, se apanha ou sofre castigos físicos dentro de casa. Importante salientar que o profissional de Serviço Social deve se pautar em uma compreensão ética, humanitária, de que a dor não educa, o castigo não educa, o castigo não constrói o pensamento complexo, a dor e o castigo só subalternizam, silenciam, calam, amordaçam e 31 servem para descontar as frustrações do cotidiano na vida do adulto, mas não educa ninguém, não transforma, não ressignifica, não traz a emancipação humana, isto é, não garante formas de sociabilidade entre os indivíduos. Ainda assim, há pais que defendam o castigo físico, ainda há assistentes sociais, pedagogos e outros profissionais no contexto educacional que defendem a palmatória, não de modo aberto, mas de outros formatos e outras maneiras, com outras abordagens, outras linguagens. De acordo com o entendimento do Estatuto da Criança e do Adolescente e as melhores interpretações teóricas dos Direitos Humanos Universais da Criança e do Adolescente, tem-se com absoluta prioridade, o interesse da criança, considerando esta como um sujeito em processo de formação, que ainda não tem as informações que os adultos possuem, nem suas construções mentais. Essas construções mentais, que dão significado a suas vivências, que se reproduzem se materializam em sua vida social, são resultados não apenas de diálogos e de ensinamento passados no quadro negro, em uma folha de papel, mas são resultado, principalmente, de suas vivências no território familiar e no cotidiano da prático das relações sociais. Essas vivências se materializam ali. Nesse sentido, é muito recorrente se culpabilizar, criminalizar a criança ou adolescente pela reprodução de seus atos e aí bater, castigar. Entretanto, se a criança pratica o bullying na escola, deve ter uma compreensão ampla e mais crítica de que não foi ela que inventou o bullying, está reproduzindo o que viu em algum lugar (MOTTA; PEREIRA, 2017). Se a criança desrespeita o professor dentro da sala de aula, não foi ela que inventou o desrespeito ao professor, ou seja, aprendeu aquilo em algum lugar. Ela é apenas um sujeito em processo de formação, e a 32 formação que ela tem é resultado das vivências, dos compartilhamentos sociais que vive no cotidiano, no território. Portanto, não há como pensar educação simplesmente na perspectiva reducionista de uma lição de casa, simplesmente no pensamento de que um único profissional, no caso o professor, dará conta de abarcar todas as demandas educativas desse sujeito. Para além disso, a família assume um papel de suma importância e precisa participar integralmente deste processo, do contrário, não teremos uma educação de qualidade no Brasil. (MOTTA; PEREIRA, 2017). Assim, enquanto a educação for responsabilidade exclusiva da escola, da pedagogia ou do magistério, dos professors, será um fracasso. Precisamos ter um olhar para atender a totalidade do sujeito, atender todas as suas necessidades, uma educação integral que perpasse pela dimensão socioeducativa do sujeito, que perpasse pela ressignificação social, mas também pela autonomia, pela emancipação social, pela garantia do reconhecimento da cidadania e do sujeito social existente. Para além das demandas urgentes de uma reforma educative, onde os professores na realidade brasileira devam ser mais valorizados, devemos, cada vez mais, voltar à uma educação interdisciplinar, onde os profissionais da educação não trabalhem sozinhos. Deve haver toda uma equipe para trabalhar junto com eles. Nesses preceitos, é possível conjecturar que só teremos uma educação de qualidade quando for entendida dentro do contexto de sua existência, como parte de um processo maior, onde todos os profissionais, tais como o Serviço Social, a Psicologia, a Pedagogia, e outros que se fizerem necessários, forem incluídos no processo. A partir daí, teremos uma educação de qualidade porque teremos o Estado partícipe desse processo como um todo. 33 Referências AMARO, S. T. A. Serviço Social na escola: o encontro da realidade com a educação. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2017. CFESS. Parâmetros para atuação e assistentes sociais na Política de Assistência Social. Brasília: CFESS/CFP: 2011. MOTTA, V. C.; PEREIRA, L. D. Educação e Serviço Social: subsídios para uma análise crítica. Rio de Janeiro: Lumen & Juris, 2017. RODRIGUES, M. L. O Serviço Social e a perspectiva interdisciplinar. In: MARTINELLI, M. L. et al. (org). O Uno e o múltiplo nas relações entre as áreas do saber. São Paulo: Cortez/ Educ, 1998. SÁ, J. L. M. de. (org.). Serviço Social e Interdisciplinaridade. São Paulo: Cortez, 2019. 34 A interpretação da questão social no cotidiano escolar Autoria: Wéllia Pimentel Santos Leitura crítica: Flaviana Mello Objetivos • Apreender sobre os processos de trabalho do(a) assistente social na educação básica a partir da interpretação da questão social no cotidiano escolar. • Refletir sobre o conceito de questão social, como surge no cenário brasileiro e como se expressa a questão social nos ambientes escolares. • Estudar como se dá a intervenção do assistente social sobre as expresses da questão social. 35 1. Introdução É sabido que o trabalho do assistente social na educação deve contemplar a comunidade escolar. Esse conceito de comunidade escolar envolve várias situações, tais como a escola, a família e a sociedade, uma vez que toda a comunidade escolar é vítima da forma clássica da educação tradicional burguesa. Nesse sentido, salienta-se que a educação tradicional é entendida como uma modalidade educativa que teve seu apogeu entre os séculos XIX e século XX, e ainda persistena atualidade. Trata-se de uma metodologia que se embasa no aprendizado do aluno a partir do mérito, na qual o professor é o detentor do conhecimento e o repassa ao aluno, que é, então, mero sujeito passivo do processo de ensino-aprendizado. Este é um modelo educativo que desconsidera as contradições inerentes ao modelo de produção capitalista. Assim, cabe ao assistente social, inserido neste espaço educativo, garantir a proteção social a partir da inclusão e permanência deste aluno em seu processo de aprendizagem. A partir desses pressupostos, veremos, neste material, os processos de trabalho do assistente social na educação básica, a partir da interpretação da questão social no cotidiano escolar. Para tanto, refletiremos, primeiramente, sobre o que é questão social, como surge no cenário brasileiro, como se expressa a questão social nos ambientes escolares e como se dá a intervenção do assistente social sobre as expresses da questão social. 1.1 O que é questão social? Ao refletirmos sobre o que é a questão social, veremos que o objeto de trabalho do assistente social é a questão social. Esta é a matéria-prima de atuação dos assistentes sociais. A autora Iamamoto (2006) conceitua 36 a categoria como a relação contraditória estabelecida entre o capital e trabalho. O que isso significa na prática? Este é um conceito teórico que considera, os desdobramentos advindos do processo industrial ao qual se tem, de um lado, a exploração que deriva do modo de produção capitalista, do outro, a resistência travada pelos trabalhadores ao longo do desenvolvimento deste modo de produção capitalista. É possível entender, então, que essa relação contraditória se expressa de diferentes maneiras: de um lado, na conquista, na luta pelos direitos sociais que aparecem também por meio das políticas sociais e, por outro, pelas diferentes expressões dessa questão social que se traduzem em violência, no desemprego, na fome, no racismo, enfim, inúmeras outras expressões. Importante destacar que a questão social tem uma vinculação seminal com o processo sócio-histórico de formação de nosso país. Os fundamentos da questão social serão gestados ao mesmo tempo em que o próprio capitalismo em nosso país foi gestado, portanto, no trânsito do século XIX para o século XX, carregando consigo a herança colonial, como muitos autores nomearão, que buscaram estudar os elementos do colonialismo, que estarão enraizados na forma como o Brasil se reproduzirá, aparecendo, então, em uma dinâmica nova de um capitalismo dependente desde o século XX. Então, trata-se de um conceito em movimento que sofre alterações ao longo da história, acompanhando o próprio movimento da história, mas encontrando seus fundamentos desde o processo de invasão dos portugueses, com intuito de transformar o Brasil em colônia de exploração. Nesse sentido, será, ainda, possível refletir os seguintes questionamentos: qual a relação entre a questão social e o Serviço 37 Social? Como a questão social se torna objeto de atuação do Serviço Social? Será que isso ocorreu desde a origem e será que foi somente no Brasil que a questão social foi objeto? Para responder esses questionamentos, cabe salientar que existem alguns recortes importantes para esse debate. Nesse sentido, não podemos dizer que durante o período colonial existia a questão social, uma vez que se apresenta por meio da relação contraditória entre capital e trabalho. Se o capital está assentado no modo de produção capitalista e se originando nesse trânsito do século XIX para o século XX, é aí que conceitualmente surge a questão social. O Serviço Social se originará como profissão no início do século XX e estará diretamente vinculado às expressões da questão social, que podem ser definidas em desigualdades sociais, tais como: pobreza, fome, violência, discriminação, entre outros, isso porque desde o processo de industrialização e urbanização, que tem uma aceleração da economia, principalmente no início do século XX e ainda mais precisamente a partir do governo do Getúlio Vargas, que toma como estado, políticas desenvolvimentistas de fomento à industrialização, passarão a surgir novas expressões ou novos problemas que, até então, não existiam. Então, desde a própria finalização da escravidão em nosso país, que significou o reconhecimento legal de que não havia mais relações de escravatura, até porque no capitalismo era necessário mão de obra livre, um trabalhador assalariado, mas o estado não construindo, não garantindo nenhum tipo de subsídio, nenhum tipo de direito ou qualquer medida que viabilizasse condições mínimas de sobrevivência para a população escravizada, gerou um problema sócio-econômico no nosso país. 38 Todavia, não é o fim da escravidão que gera o problema social, mas a forma como o Estado não assume politicamente tal situação. Daí, todo esse significativo contingente populacional é posto à revelia e, devido a isso, a necessidade de substituição do trabalho escravo, com as políticas de incentivo à migração. Nesse sentido, um expressivo contingente populacional, em sua maioria, originárias do continente europeu, emigraram para o Brasil, mas também uma população muito empobrecida de países onde já havia um desenvolvimento mais avançado do capitalismo, com um sobrante de mão de obra. Então, toda essa efervescência político-cultural que ocorria neste cenário, toda a não assistência das necessidades da população brasileira acabaram eclodindo quer seja pela violência, quer seja pela ocupação irregular dos novos territórios, principalmente das cidades. Tem-se aí, inúmeras situações de doenças, de agravos de saúde que vão simplificando e que acabam atingindo essa burguesia nascente brasileira, acabam atingindo essa classe média que já vivia nos territórios, e isso acaba se tornando um problema. Netto (2007) diz que é neste trânsito que a questão social deixa de ser um caso só de polícia e passa a ser um caso de política. Em outras palavras, toma, então, esse lugar político, passando a estar na pauta, na cena política, e isso faz com que se demande do Estado uma ação para além da violência, tendo em vista que o Estado sempre agiu à base da coerção punitiva, violenta, mas, nesse momento, para além da violência, se demandava, se exigia desse Estado outras respostas. Através da política social, o Estado burguês no capitalismo monopolista procura administrar as expressões da “questão social” de forma a atender as demandas da ordem monopólica conformando, pela adesão que recebe de categorias e setores cujas demandas incorpora, sistema de consenso variáveis, mas operantes. (NETTO, 2007, p. 30) 39 É importante, ainda, se pensar na relação do Estado com a Igreja Católica nesse início do século XX. A Igreja Católica era uma instituição muito ponderosa no cenário brasileiro desde o período do Império, então, além da importância, havia ali um protagonismo concreto na vida política do nosso país. Aconteceram algumas medidas políticas importantes neste período, que acabaram levando a Igreja a fazer concessões se equalizando minimamente um pouco desse conflito entre Estado e Igreja. A partir daí, a Igreja assume, por ser um de seus fundamentos, a caridade, mas isso se deve também por se tartar de estratégias políticas derivadas desse conflito. Assume, então, principalmente, esses problemas sociais com essa função de dar respostas necessárias a esse contingente populacional que estava morrendo de fome, morrendo por doenças e propagando muitos problemas sociais, então, as expressões da questão social. Neste contexto, aparecem aí as moças boazinhas, vinculadas à Igreja Católica que tomarão para si a tarefa do atendimento a essa população mais empobrecida, com foco nas crianças, idosos, pessoas com deficiência, famílias dos operários das indústrias e os próprios trabalhadores. Com isso, é possível afirmar o importante papel que a Igreja desempenhou e desempenha no que tange ao atendimentodas necessidades, obviamente não partindo de uma lógica de direito, mas de uma lógica que dialoga com seus próprios fundamentos. Neste sentido, cabe, ainda, entender que essas ações qualitativas eram importantes porque inegavelmente significaram a contenção da luta dos trabalhadores, pois, junto com os imigrantes que já tinham essa vivência do capitalismo, se geram muitas ideias políticas de contestação, de reivindicação. Então, tivemos a fundação de partidos comunistas 40 de inspiração anarco-sindicalistas, que migrou dessa experiência sindicalista (NETTO, 2007). Logo, para nos apropriarmos de uma melhor compreensão desta categoria questão social, torna-se fundamental compreender o processo sócio-historico de cada região. O capitalismo existe, hoje, em todos os países, é um capital mundializado, globalizado, mas essa questão social se constituirá dependendo dessa formação sócio-histórica, ou seja, de como o sistema capital se constituiu em dada região. Assim, é necessário reconhecer as determinações sócio-históricas constitutivas do capitalism, nas diferentes regiões, pois isso significa que o capitalismo existe em todos os países, mas não é igual em todos eles. 1.2 Questão social e educação Grande parte do que acontece na sociedade se infiltra no sistema escolar, afetando os alunos e sua experiência de aprendizagem. O grande problema social é que o sistema educacional apresenta desigualdades e oferece oportunidades desproporcionais com base na filiação cultural e nível de renda, quando o ideal seria para todas as crianças serem expostas a uma educação igualitária. Uma situação muito particular que se vive na escola, se refere justamente ao ambiente onde se situa o contexto familiar. Esse tem grande influência no que se refere ao comportamento de crianças e adolescentes dentro das instituições de ensino. Nas palavras de Amaro (2017): A questão que se coloca e que desafia cada um que habita a escola, seja ele professor, funcionário ou aluno, é que a diversidade adicionada ao inesperado é fator desencadeador de grande parte das situações que são referidas como difíceis ou problemática. (AMARO, 2017, p. 23) 41 Neste sentido, é importante compreender a escola como um espaço de formação de identidades e é por meio da socialização que ocorre essa formação de identidade, bem como a construção e desconstrução das representações sociais de gênero, orientação sexual, etnia. Ao fazer um recorte para as representações sociais de etnia, tem-se que essas representações são resultados das diferenças que existem entre os povos na sociedade brasileira, desde seu processo de formação. Logo, podemos evidenciar o racismo como uma das expressões da questão social que existe em todas as facetas da sociedade, desde o universo corporativo aos espaços escolares, e essa questão obviamente chega às salas de aula por meio de comentários totalmente discriminatórios de colegas preconceituosos sobre as minorias sociais. A discriminação se refere a um reflexo desta questão social, traduzindo- se em oportunidades educacionais desiguais para pessoas que vêm de minorias de baixa renda. Os alunos que pertencem a esses grupos, correm o risco de não terem o mesmo nível de qualidade educacional em relação aos alunos de classe média e alta ou não minoritária. Importa, ainda, salientar que a economia desempenha um papel importante no que tange à questão social, afetando os alunos e as escolas na medida em que as crianças crescem e começam a sentir as pressões financeiras que seus pais e familiares sofrem em uma economia difícil. Isso pode, ainda, ser mais dificultoso para as famílias compostas especialmente por famílias monoparentais e homoparentais, idosos, entre outras minorias sociais, pois não estão dentro do espectro de família definido como a ideal pela lógica do sistema capitalista Isso, consequentemente, leva alguns alunos, em especial os matriculados no ensino médio, a abandonarem a escola para ajudar financeiramente suas famílias. 42 Logo, torna-se perceptível o quanto a renda é uma questão importante, que afeta a decisão de um aluno de abandonar a escola, visto que os estudos evidenciam que crianças de famílias de baixa renda são mais propensas a desistirem da escola do que crianças de famílias de alta renda. É, ainda, possível citar problemas sociais muito marcantes em diversas realidades brasileiras, onde as meninas não same, muitas vezes, para estudar por medo de serem violentadas pelo crime organizado em suas escolas, além da recorrência de situações de meninas que estão sendo abusadas sexualmente. Isso se reflete em uma marca para o resto da vida dessas crianças. Nesse sentido, os problemas econômicos se configuram em algo muito latente, que afeta, consequentemente, o desempenho escolar dos alunos. A falta de oportunidades cria uma situação muito grave, tanto para o abandono escolar quanto para todos os acontecimentos que têm a ver com a vida, bem como agravantes como depressão, que é gerada em seu ambiente social que afeta também nesse rendimento. 43 Figura 1 – Educação e questão social Fonte: greenaperture/iStock.com. Por sua vez, o abuso de substâncias entorpecentes é muito recorrente nos espaços escolares, onde crianças ainda em tenra idade têm acesso a substâncias viciantes, drogas ilegais e álcool. O uso dessas substâncias leva a problemas diversos, que se expressam em forma de violência, no comportamento criminoso, gravidez na adolescência e uma diminuição do interesse pela educação (MOTTA, PEREIRA, 2017). Logo, é fundamental que os países e as famílias estejam em contato com as instituições de ensino para garantir que esse aluno seja resgatado, direcionado, apoiado, sempre em busca de uma alternativa para não expulsá-lo, de um sistema educativo, por expulsar, mas de melhor direcioná-lo, pois se o aluno tiver alguma dificuldade na escola e deixamos sair da instituição, este será um problema muito maior em nível social. https://www.istockphoto.com/br/portfolio/greenaperture?mediatype=photography 44 Alunos dependentes de alguma substância ilicita, química, entre outros, podem abandonar a escola completamente ou ter dificuldade em manter um alto nível de desempenho. Este problema social pode ser controlado por meio de ambientes de apoio para os alunos, tanto em casa, como nas escolas. Assim, os sistemas escolares precisam reconhecer que tipos de problemas sociais são de preocupação primária e educar alunos e pais sobre formas de combatê-los. Professores e pais podem colaborar em estratégias para minimizar problemas sociais nas escolas. Afinal, não basta que crianças, adolescents e jovens saibam ler e escrever, que tenham domínio da matemática e outras disciplinas escolares, mas também que tenham valores éticos e morais que permita que desenvolvam plenamente em sociedade. 1.3 Intervenção do assistente social sobre as expressões da questão social na escola O papel que o assistente social desempenha na educação é o de lidar com as expressões da questão social em suas diversas facetas, tais quais: absenteísmo, fracasso escolar, gravidez na adolescência, drogas, bullying, violência etc. Nas palavras de Amaro (2007): A atuação do assistente social é marcante. Parte-se á construção esclarecimento (a partir da realização de contatos com a família e suas redes de relações para compor o estudo social da situação) e a identificação de forma de agir diante de cada caso, orientando os agentes da escola (professores, gestores) e, quando necessário a família. (AMARO, 2007, p. 47) Entre as ferramentas metodológicas que estes profissionais têm acesso, é possível salientar que o Serviço Social se sustenta por meio da observação de campo, de entrevistas sociais, do estudo de 45 caso, instrumentos que permitem formar uma metodologia para compreender a situação e dar uma possível solução ao problema que se apresenta. Uma vez que o Serviço Social é uma profissão interdisciplinar, cabe a estesprofissionais apreenderem diferentes teorias de diferentes autores que ajudam a estruturar uma compreensão muito maior do que outras profissões, pois isso permitirá, no campo social, saber que existem muitos problemas e que muitas variáveis devem ser consideradas para encontrar uma solução para este problema que se debruçarão (SÁ, 2019). Entre os valores profissionais expressos no Código de Ética profissional, estão: igualdade, dignidade, respeito, entre outros valores que fazem a profissão ter esse motivo para poder lidar com as expressões da questão social. Nesse sentido, Iamamoto (2006) explicita sobre as possibilidades da atuação profissional: [...] as possibilidades estão dadas na realidade, mas não são automaticamente transformadas em alternativas profissionais. Cabe aos profissionais apropriarem-se dessas possibilidades e, como sujeitos, desenvolvê-las transformando-as em projetos e frentes de trabalho. (IAMAMOTO, 2006, p.21) Dessa forma, é possível concluir que o assistente social desenvolve, então, um trabalho enquanto mediador nas escolas, de modo a contribuir para o exercício da cidadania, garantindo aos alunos a inserção e permanência nos espaços educativos, por meio da articulação com as demais políticas sociais e junto com a equipe interdiscidisciplinar. 46 Referências AMARO, S. T. A. Serviço Social na escola: o encontro da realidade com a educação. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2017. IAMAMOTO, M. V. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 10. ed. São Paulo: Cortez, 2006. MOTTA, V. C.; PEREIRA, L. D. Educação e Serviço Social: subsídios para uma análise crítica. Rio de Janeiro: Lumen & Juris, 2017. NETTO, J. P. Capitalismo monopolista e Serviço Social. São Paulo: Cortez, 2007. SÁ, J. L. M. de. (org.). Serviço Social e Interdisciplinaridade. São Paulo: Cortez, 2019. 47 As demandas escolares ao Serviço Social Autoria: Wéllia Pimentel Santos Leitura crítica: Flaviana Mello Objetivos • Compreender as demandas escolares cotidianas dos estudantes na educação básica. • Refletir sobre as demandas de atuação do assistente social na educação básica. • Estudar a importância do assistente social na política de educação. 48 1. Introdução Refletiremos, neste material, sobre as demandas escolares dos assistentes sociais, o que, inicialmente, pressupõe reconhecer que estes profissionais atuam em instituições de ensino que podem ser públicas, tais como as instituições governamentais, onde todos temos direito à educação laica e gratuita, e também ao setor privado, onde temos que pagar um valor para acessar a educação. A partir de então, poderemos compreender a educação como uma necessidade total que ocorre em toda a sociedade humana, e também pode ser caracterizada como uma atividade e um processo que consiste em uma designação de sequências, de atividades educativas. Quando falamos de processo educacional, estamos falando de um processo de ensino-aprendizagem em que os educadores estão se utilizando de diferentes ferramentas para levar conhecimento aos alunos, socializando esses conhecimentos, por meio da transmissão de valores, crenças e comportamentos. Então, a proposta é que se possa ampliar o espectro de compreensão de como funcionam as demandas de atuação deste profissional nesta política, a importância de que este compreenda as legislações dessa política, até porque é necessário haver subsídios para conversar com gestores das unidades de ensino, dos estabelecimentos educacionais da Educação Básica. 1.1 Demandas de atuação do assistente social O Serviço Social é uma profissão baseada na prática que promove a mudança e o desenvolvimento social. Nesse sentido, estes profissionais devem sempre trabalhar em rede, com foco no fortalecimento das famílias, garantindo a proteção social das mesmas, sendo esta compreendida como um conjunto de intervenções, cujo objetivo é reduzir o risco de vulnerabilidade social, econômica, como minimizar a pobreza. Para Iamamoto (2004), o Serviço Social: 49 Apresenta uma feição acadêmico profissional e social renovada, voltada à defesa do trabalho e dos trabalhadores, do amplo acesso a terra para a produção de meios de vida, ao compromisso com a afirmação da democracia, da liberdade, da igualdade e da justiça social no terreno da história. (IAMAMOTO, 2004, p. 3) Assim, por meio da intervenção profissional, os assistentes sociais identificam, estudam os riscos e vulnerabilidades sociais e, para isso, analisam as pessoas, famílias e sua situação de vulnerabilidade, portanto, como um indivíduo ou grupo que tem um ambiente familiar pessoal, relacional, socioeconômico fragilizado, que pode desencadear a exclusão social. Conforme Schneider e Hernandorena (2012): A posição que esse profissional ocupa na sociedade é tão dinâmica quanto as relações sociais. Ou melhor, acompanha a dinamicidade do real. Assim, refletir sobre a prática do Serviço Social, e suas possibilidades de contribuição junto às demais áreas de saber torna-se um exercício permanente. Diante de novos cenários o fazer profissional necessita de uma nova posição, e por consequência essa nova posição precisa ser abstraída e concretizada. Os pontos-chave para a ação passam pelo âmbito da interdisciplinaridade, da intersetorialidade e da produção de conhecimento. Essas discussões possibilitam superar conflitos, e diminuir a distância entre os diferentes profissionais. (SCHEIDER; HERNANDORENA, 2012, p. 8) A atuação do assistente social se dará tanto no nível macro quanto micro social. O nível macro social é onde é formulada a política social, que chega a todos os cidadãos. O nível micro se dá por meio de projetos de intervenção, de ações, atividades que visem transformar os espaços sociais, por meio do diálogo com as pessoas, suas estruturas, conhecendo sua situação de exclusão, conhecendo suas vulnerabilidades, seus fatores de proteção. Então, estes profissionais terão ferramentas adequadas, conhecimento adequado para lidar com as expressões da questão social, de forma inclusiva, por meio da mobilização social, do aprendizado social, 50 incentivando os cidadãos, empoderando-os, levando o usuário a se informar, conhecer seus direitos, conhecer seus deveres, para que possa participar dos espaços de decisão, tendo em vista que existe muito que as pessoas, às vezes, não conhecem. Dessa forma, gerará propostas de intervenção social, visando a formulação de políticas sociais inclusivas, poia essa é a sua expertise. Então, a contribuição do Serviço Social como gestor social, técnico de atendimento, planejador, entre outros, no desenho dessa política social, é justamente propor a elaboração e compilação de um diagnóstico social para a formulação adequada de políticas sociais (MOTTA; PEREIRA, 2017). O Serviço Social não só investiga para saber, mas investiga para a prática profissional, reflete para a ação, para a transformação, ou seja, por meio do conhecimento apostam na transformação por meio de seus projetos, de suas práticas profissionais. Este profissional detém um conhecimento importante da realidade social e, por isso, estuda os grupos, as pessoas, as estruturas, as vulnerabilidades, os riscos. 1.2 Demandas do assistente social na educação básica O assistente social na área educacional tem como característica ser o profissional que articula os objetivos da comunidade educativa, entendendo a comunidade educativa como alunos do ensino fundamental e médio, independente do nível, alunos, professores, gestores, funcionários da instituição, administradores e pais. O Serviço Social é o elo entre os membros dessa comunidade educativa, buscando sempre o desenvolvimento integral dos alunos e que, conforme Amaro (2017, p. 28) esteja “sintonizado com a realidade social e as vivências práticas dos alunos”. 51 Entre as funções desempenhadas pelo assistente social, no âmbito educativo, cabe a este profissional dar resposta às necessidades dos alunos comproblemas sociais, alunos em situação de risco e vulnerabilidade social, assim, os assistentes sociais realizarão tarefas de prevenção, avaliação, intervenção e acompanhamento e em articulação com os recursos educativos e comunitários. Conforme Amaro (2017), os assistentes sociais são imbuídos da função de: [...] examinar a realidade social e econômica dos alunos e das famílias; identificar situações de desajuste social; orientar professores, pais e alunos sobre esses desajustes; fazer triagem de alunos que necessitassem de material escolar, transporte, entre outros; elaborar relatórios de suas ações; articular escola e comunidade; orientar comunidades e famílias na responsabilidade quanto ao processo educativo dos filhos. (AMARO, 2011, p. 19) Nesse sentido, é importante compreender que esses fatores de risco e de proteção devem ser identificados para compreender plenamente essa realidade. Os fatores de risco são características biológicas, psicológicas, sociais, nos indivíduos ou famílias. Tais fatores aumentarão a probabilidade deste indivíduo apresentar algum dano, como relacionado à saúde, por exemplo, a expressões da questão social, como a gravidez na adolescência, alcoolismo, comportamento criminoso, violência familiar, ausência de família, redes sociais e institucionais etc. (SÁ, 2019). Por exemplo, para que possa haver a promoção social das famílias, este profissional irá motivá-la a melhorar suas atividades, fomentará estratégias de enfrentamento dessas problemáticas sociais, de modo a garantir a coesão familiar e que fortaleça e estimule um enfrentamento construtivo do indivíduo. Os assistentes sociais na área educativa oferecem apoio a quem se encontra em situação de vulnerabilidade, precariedade ou pobreza, 52 trabalham para eliminar as barreiras que limitam a aprendizagem e a aquisição de competências, asseguram o cumprimento do princípio da não discriminação justiça social e a plena participação de todos os alunos. As demandas para os assistentes sociais recaem em diversas situações sobre a necessidade de trabalho com famílias e com as crianças e adolescentes, não é raro, contudo, as solicitações de trabalho com os próprios professores. Abre-se, assim, um campo de atuação bastante promissor e estratégico. Sem deixar de lado a ação junto ao campo educacional – mediada pelos programas e ações assistenciais que têm marcado o trabalho dos assistentes sociais –, podem estes profissionais agora atuar por dentro da política educacional, com questões que lhes são centrais, como a formação permanente dos educadores e com a ampliação das práticas educacionais, não mais numa perspectiva complementar ou paralela e sim curricular. (ALMEIDA, 2000, p. 23) Logo, o assistente social orientará a comunidade educativa, não só os alunos, mas também poderá orientar os professores, poderá orientar os pais, educando por meio de diferentes ações, trabalhando com grupos de pais, de jovens, pode ser em diferentes áreas ou a partir de diferentes problemáticas, se o contexto em que trabalhe exigir. Importante salientar que o objeto de intervenção, nesta atuação, está sendo construído, assim, não podemos falar de um problema específico, até que este profissional esteja dentro daquela comunidade, então, uma vez identificada a questão social e/ou suas expressões, o assistente social pode intervir, mas basicamente suas funções são orientar, coordenar e organizar ações de promoção social na educação. Acerca das limitações impostas ao assistente social na educação, estas são de diversas naturezas, sejam limitações, onde a instituição não reconhece, não identifica quais são as funções que o assistente social deve ter naquele espaço, porque pode estar atuando no campo 53 educacional e ocorrer de confundirem com o professor, estando ali para preencher um horário quando o professor não chega. Por outro lado, o assistente social deve gerar propostas de intervenção que promovam o desenvolvimento integral dos alunos e não necessariamente precisa ser na sala de aula, pode acontecer no intervalo, na saída, com os pais, com seu ambiente de trabalho, gerando estratégias de intervenção que possibilitem o desenvolvimento integral do aluno no campo educacional, assim, as funções dependerão do nível, da série escolar, se este aluno se encontra na pré-escola, se é um problema no ensino fundamental etc. É sabido que existem muitos problemas sociais que podem ser sobre nutrição, que podem ser voltados à autoestima daquele estudante, que podem ser sobre valores que podem estar relacionados às relações familiares e autoestima, tudo isso repercute no desenvolvimento integral da criança. Então, o assistente social está ali para apoiar esse aluno e, para isso, desenvolverá um trabalho com os pais destes alunos também, desenvolverá um trabalho socioeducativo de modo a orientá-los. Nas palavras de Amaro (2017): É inegável que a educação tem um papel preponderante na formação do cidadão e que só se constrói consciente e criticamente. Para tanto, é fundamental que a escola conheça a realidade social de seu aluno e encurte a distância que a separa, inclusive do universo familiar. (AMARO, 2017, p. 18) Apesar dessas intervenções, há muitas outras cabíveis a este profissional, tais como a promoção do esporte, considerando que este tem grandes benefícios. Um deles refere-se à parte emocional, à redução do estresse, os educandos ficam calmos, relaxados e fisicamente isso os ajuda muito, e é também por precisar estarem ocupados que o esporte 54 é uma importante de inclusão social, pois permite construir uma nova história de vida, entre outros. Então, o assistente social poderá buscar estratégias para que os jovens se envolvam no esporte, bem como na cultura, na arte, no envolvimento junto aos educandos na escola, para que desenvolvam seus próprios murais, no sentido de que isso dê maior senso de identidade, além de programas de incentivo aos alunos, apoio a famílias e indivíduos em situação de risco e/ou vulnerabilidade social etc. Isso significa que criar um espaço onde seja possível envolver este jovem, e não ajudar por ajuda, mas com um sentido que envolva princípios de valores, de promoção da saúde etc. O Serviço Social pode e deve ser solidário, mas como valor universal, cabe a este profissional também transmitir esses valores com os alunos. Nesse sentido, cabe ressaltar que o Código de Ética do Serviço Social possui uma dimensão macro, uma natureza para a construção de um novo projeto de sociedade. Para isso, traz princípios fundamentais. Trará a defesa da Liberdade e, nesse sentido, se está preocupado com a construção de uma nova sociedade, obviamente esta liberdade a qual está se propondo, pelo Código, não é a liberdade capitalista, é uma liberdade para além do capitalismo. Nesse sentido, há o entendimento de que a construção de um novo projeto de sociedade é coletivo e que não depende de uma só categoria. Entretanto, os profissionais também não se omitem da responsabilidade de sua contribuição para a construção de um novo projeto de sociedade. A grande contribuição será dada com a materialização do Código de Ética no cotidiano profissional, junto ao usuário, estabelecendo e reconhecendo a liberdade como um dos princípios fundamentais do ser humano. 55 Logo, a atuação do assistente social não implica em uma atuação meramente voltada à concessão de benefícios eventuais, como nas políticas de assistência social ou da saúde, mas de transmissão de valores, de modo a abarcar o princípio da solidariedade, a empatia, da promoção da equidade, onde o objetivo principal é a formação integral do aluno, conforme os princípios do Código de Éitca Profissional. Figura 1 – Grupo de alunos Fonte: PeopleImages/iStock.com. O Serviço Social educativo é uma área de intervenção e, nesta área, como em qualquer outra, deve ser utilizada uma metodologia, devem ser utilizados diferentes modelos de intervenção e o assistente socialdeve saber qual o modelo que pode utilizar e em que nível de intervenção produzir. Quando os profissionais da educação favorecem o desenvolvimento de qualidades morais, está se falando justamente de valores, https://www.istockphoto.com/br/portfolio/PeopleImages?mediatype=photography 56 respeito, da moral, confiança, responsabilidade etc. Quando se fala do desenvolvimento de qualidades intelectuais, está se falando sobre seus estilos de aprendizagem, de modo a se buscar estratégias para que o aluno aprenda, se desenvolva. Há também o trabalho de inclusão da pessoa com deficiência física na escola, por exemplo, e caberá ao assistente social procurar formas de apoiá-los (SÁ, 2019). Existem estilos de aprendizagem muito diferentes, uns aprendem vendo, outros aprendem fazendo e outros aprendem ouvindo, então, cabe ao educador buscar estratégias necessárias para que seus alunos desenvolvam suas habilidades. De modo geral, a educação é composta por algumas dimensões importantes: há a dimensão da escola, no sentido de entender o conceito de escola, a estrutura, a organização, as relações sociais de trabalho, as condições de trabalho, a dimensão do currículo, do projeto político pedagógico, de como se dá a organização do trabalho pedagógico. Além dessas, é possível citar também a proposta curricular, as atribuições específicas do trabalho profissional, da ação da equipe multiprofissional, das relações com a equipe pedagógica, com os professores que têm formações e percurso de formação multidisciplinares: historiador, geógrafo, químico, matemático, sociólogo, filósofo etc. Portanto, um conjunto de áreas que se encontram também na escola, mas também há a relação com os educandos, com os pais, com a comunidade, com o trabalho em rede intersetorial, no território, o trabalho interdisciplinar: As práticas interdisciplinares e intersetoriais devem convergir para a construção de redes de apoio, tanto em sua dimensão afetiva (solidárias, 57 familiar etc.), como em sua dimensão social no que tange aos serviços socioassistenciais, como também os serviços das demais políticas públicas, auxiliando-os e colocando-os em condição de igualdade decisória, profissionais e usuários. (SCHNEIDER, HERNANDORENA, 2012, p. 9) Nesse sentido, é fundamental compreender a educação enquanto um direito subjetivo, universal. Trata-se de uma política que é extensiva a todas as pessoas: crianças, adolescentes, jovens, adultos, idosos, podendo ser considerada uma das políticas mais amplas que temos. Temos a extensão da educação a partir de todos os rincões, de florestas, nas cidades, centro-periferia, todas as crianças são obrigadas a ir para escola, e cabe ao estado o dever de garantir esse direito. Então, esta é a política mais abrangente de sua escola e mais significativa, se comparada ao conjunto das outras políticas educacionais. Entretanto, é também um campo de disputa porque ao mesmo tempo em que é uma política para formar trabalhadores, formar mão de obra, para instrumentalizar, é também uma política para formar mentes, formar cidadãos. Assim, é fundamental nos apropriarmos dessa política de forma articulada às demais categorias profissionais. Portanto, é preciso que a categoria continue lutando para que essa área de intervenção seja cada vez mais reconhecida. Referências ALMEIDA, N. L. T. de A. O Serviço social na Educação. Revista Inscrita, n. 6. Brasília: Cortez, 2000. AMARO, S. T. A. Serviço Social na escola: o encontro da realidade com a educação. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2017. IAMAMOTO, M. V. O Serviço Social na Contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 7 ed. São Paulo, Cortez, 2004. MOTTA. V. C.; PEREIRA, L. D. Educação e Serviço Social: subsídios para uma análise crítica. Rio de Janeiro: Lumen & Juris, 2017. 58 SÁ, J. L. M. de. (org.). Serviço Social e Interdisciplinaridade. São Paulo: Cortez, 2019. SCHNEIDER, G. M.; HERNANDORENA, M. do C A. Serviço Social na Educação: perspectivas e possibilidades. Porto Alegre: CMC, 2012. Disponível em: https:// www.poteresocial.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Servi%C3%A7o-Social-na- Educa%C3%A7%C3%A3o.pdf. Acesso: 16 mar. 2022. https://www.poteresocial.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Servi%C3%A7o-Social-na-Educa%C3%A7%C3%A3o.pdf https://www.poteresocial.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Servi%C3%A7o-Social-na-Educa%C3%A7%C3%A3o.pdf https://www.poteresocial.com.br/wp-content/uploads/2019/05/Servi%C3%A7o-Social-na-Educa%C3%A7%C3%A3o.pdf 59 Sumário Apresentação da disciplina Os espaços ocupacionais no segmento educacional Objetivos 1. Introdução Referências O trabalho intersetorial na política de educação e as equipes multidiprofissionais Objetivos 1. Introdução Referências A interpretação da questão social no cotidiano escolar Objetivos 1. Introdução Referências As demandas escolares ao Serviço Social Objetivos 1. Introdução Referências