Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

INTRODUÇÃO A 
SOCIOLOGIA PARA 
TERAPIA OCUPACIONAL 
AULA 4
ABERTURA 
Olá!
Os sistemas econômicos não apenas constituem os modelos de economia praticados 
pelas nações, mas também alteram as formas de organização social, ao determinarem as 
formas de produção, de consumo e de distribuição de renda. Ao influenciar a organização 
social, por meio do trabalho e de seus frutos, os sistemas econômicos empreendem 
também uma forma de relacionamento com o poder político, com o Estado, podendo estar a 
ele associado ou se tornar parte das ideologias políticas que o direcionam.
Nesta aula, você vai conhecer os principais sistemas econômicos da idade moderna, na 
história das civilizações. Você vai aprender como surgem e as principais características do 
capitalismo, do socialismo e dos sistemas mistos. Você irá entender que esses modelos 
produzem efeitos sociopolíticos importantes e poderá analisar as conquistas, os limites e as 
consequências de cada um. Além disso, vai compreender e traçar relações entre os modelos 
de economia liberal e de economia conservadora, e as respectivas influências nos 
modelos contemporâneos de economias neoliberais, comunistas e anarquistas.
Bons estudos.
Sistemas 
Econômicos
REFERENCIAL TEÓRICO
Os sistemas econômicos têm muita influência na organização social, já que eles delimitam 
as formas de produção e de consumo, e podem influenciar comportamentos do Estado, além 
de gerar polarizações ideológicas.
No capítulo "Sistemas econômicos", da obra Sociologia Contemporânea, você aprenderá 
a identificar as estruturas e os contextos históricos de surgimento dos sistemas 
econômicos preponderantes nos séculos XX e XXI, bem como suas formas de interação com 
o Estado e a sociedade.
Você vai identificar as principais características estruturais e a conjuntura de 
aparecimento dos sistemas econômicos: capitalismo, socialismo e sistemas mistos. Você 
vai compreender como se dá a relação entre os modelos econômicos estudados com os 
efeitos sociopolíticos para as sociedades centrais e periféricas. Analisará, ainda, os 
contextos de emergência da economia liberal e da economia conservadora, e os impactos 
desses modelos na criação e na implementação de modelos econômicos contemporâneos 
neoliberais, comunistas e anarquistas.
Ao final deste estudo, você estará apto a:
• Caracterizar o capitalismo, o socialismo e os sistemas mistos.
• Relacionar as práticas econômicas atuais, seus efeitos sociopolíticos e suas dificuldades
com as ideias do capitalismo e do socialismo.
• Analisar a economia liberal e a economia conservadora, bem como suas relações com os
sistemas econômicos contemporâneos neoliberais, comunistas e anarquistas.
Sistemas econômicos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Caracterizar o capitalismo, o socialismo e os sistemas mistos.
 Relacionar as práticas econômicas atuais, seus efeitos sociopolíticos
e suas dificuldades com as ideias do Capitalismo e do Socialismo.
 Analisar a economia liberal e a economia conservadora e suas relações 
com os sistemas econômicos contemporâneos neoliberais, comunistas
e anarquistas.
Introdução
Neste capítulo, você aprenderá como se caracterizam e se constituem 
os sistemas econômicos, os perfis históricos de cada um deles e as pos-
síveis relações e impactos entre Estado e sociedade no contexto destes 
modelos econômicos. A história das civilizações nos mostra que a troca 
e o comércio são atividades recorrentes em diversas organizações sociais, 
as quais contribuíram para a construção de fenômenos sociais que ajuda-
ram a moldar as sociedades contemporâneas. Essas práticas comerciais 
levavam séculos para se alterar, porém, a passagem do feudalismo para 
os sistemas econômicos que hoje conhecemos aconteceu de maneira 
mais rápida e repleta de reorganizações sociais e políticas.
Ao longo deste texto, você estará apto a identificar as principais ca-
racterísticas do capitalismo, do socialismo e dos sistemas mistos. Poderá, 
ainda, relacionar os modelos econômicos estudados aos efeitos sócio-
-políticos para sociedades centrais e periféricas. Conseguirá também
analisar os contextos de emergência da economia liberal e da economia 
conservadora e seus reflexos na organização contemporânea de modelos 
neoliberais, comunistas e anarquistas.
Capitalismo, socialismo e sistemas mistos
Toda sociedade produz e consome mercadorias, alimentos, tecnologia e 
cultura. Todavia, é razoável afi rmar que nenhuma sociedade produz abso-
lutamente tudo de que precisa, ou que consome tudo o que produz. Aquilo 
que falta e aquilo que sobra passa a fazer parte de um sistema de trocas, 
um trânsito de mercadorias em torno do qual elementos marcantes das 
estruturas sociais se estabelecem, como a organização política, a organi-
zação social para o trabalho e a organização dos contextos simbólicos que 
guiam o consumo. Por isso, é possível afi rmar que as organizações sociais 
são profundamente afetadas pelos sistemas econômicos, mais do que os 
sistemas são afetados pela organização social. Os sistemas econômicos 
são estruturas em que se organizam a produção, o consumo e a troca do 
excedente, quando há. Eles determinam para que se direciona a produção: 
ao acúmulo de riqueza, como no capitalismo, à divisão da riqueza entre 
seus produtores, como no socialismo, ou ao emprego da riqueza em prol 
do bem comum, como na proposta da social-democracia. A seguir, você 
aprenderá como esses sistemas econômicos se estabeleceram e quais são 
as suas principais características.
Lembre-se de que as trocas de mercadorias, o comércio, existiam de forma 
semelhante ao que se conhece hoje já na antiguidade clássica, entre povos do 
oriente médio, como fenícios e egípcios, e europeus, como gregos e romanos. 
A queda desses impérios e a organização social e política feudal suplantou 
essas práticas, que foram retomadas posteriormente.
Antes de refletir sobre os sistemas econômicos, é importante que você saiba que 
a troca foi um elemento presente em organizações sociais originárias no contexto 
civilizatório, assim como o é em sociedades não ocidentais, nativas ou indígenas. As 
comunidades Kalapalo, nativas do Alto Xingu, no estado do Mato Grosso, por exemplo, 
não utilizam um sistema monetário como o utilizado por parte da sociedade brasileira, 
mas possuem um sistema de trocas interessante. Sua alimentação se baseia em peixes, 
pequi, mel e mandioca, e tudo isso se pode adquirir localmente. No entanto, há 
construções estéticas compostas por colares de conchas de caramujos de água doce, 
que são raros em sua região. Por isso, as pessoas dessas comunidades tecem cestas, 
esteiras e outros utensílios a partir da palha de buriti e trocam-nos pelas conchas, 
que, após longos dias de trabalho, tornam-se belos colares, raros e difíceis de se 
Sistemas econômicos2
Pré-capitalismo
A troca de excedentes de produção, ou, ainda, a produção direcionada para a 
troca por produtos que não existem no território de uma determinada sociedade, 
é uma dinâmica presente desde as organizações sociais mais antigas. Entretanto, 
essas trocas, normalmente, tinham um valor simbólico atrelado a elas. O que 
estabelece um sistema econômico como tal é a organização da produção, a 
partir das estruturas sociais locais (como os papéis destinados a mulheres, 
homens, crianças ou idosos nesse contexto), com o objetivo de acumular o 
que se considera riqueza pela sociedade. A sociedade capitalista considera 
o acúmulo de dinheiro como riqueza. Sociedades orientais pré-dominação 
ocidental consideravam como riqueza, além dos metais preciosos, tecidos e 
papéis, armazenando-os e trocando-os quando necessário.
Os sistemas econômicos da modernidade são derivados de um ponto de 
inflexão que redirecionou as formas de organização para produção e troca 
das sociedades ocidentais, mais especificamente, das sociedades europeias: o 
mercantilismo. Nos séculos XV e XVI, o mercantilismo se baseava no acúmulo 
de metais preciosospara os estados absolutistas, a partir da comercializa-
ção de produtos manufaturados locais e produtos adquiridos nas colônias, 
como especiarias, o chamado metalismo. Cidades portuárias, como Florença, 
na Itália, concentravam o trânsito de chegada e as vendas desses produtos, 
caracterizando-se como cidades mercantis. A exploração de matérias-primas 
do Novo Mundo, a partir do século XVI, intensifica essas práticas e coloca 
um fim no modelo de produção feudal, baseado em produtos primários, como 
grãos, cereais e caças, suficientes apenas para consumo local e para o sustento 
dos exércitos e cortes. O comércio mercantilista era profundamente regulado 
pelos Estados, e os comerciantes que enriqueciam movendo as trocas eram 
chamados de “burgueses”, elementos-chave para a construção do modelo 
capitalista e da Revolução Industrial.
O liberalismo, práticas econômicas de produção e comercialização de 
mercadorias com baixas ou nenhuma interferência do Estado, emerge no século 
XVII, especialmente a partir das teorias de Adam Smith, que propõe que o 
conseguir, utilizados em situações especiais, como nos jogos do Quarup. Como você 
pode perceber, a necessidade ou o anseio por um determinado material movimenta 
ações específicas, como a tecitura de objetos a partir da palha para a troca. Esse é um 
exemplo de como as trocas funcionam em sociedades estruturadas fora de sistemas 
econômicos ocidentais. 
3Sistemas econômicos
protecionismo dos estados absolutistas não beneficia o comércio e prejudica a 
acumulação de riquezas. Esse é um dos primeiros elementos que questionam 
a inviolabilidade do Estado absolutista, propondo, pela primeira vez, que 
existiam áreas nas quais as monarquias não deveriam ter controle absoluto, 
abrindo espaço para o modelo capitalista industrial e para as revoluções que 
alterariam a organização político-social.
Capitalismo industrial
O capitalismo industrial se caracteriza pela produção fabril. As mercadorias 
deixam de ser manufaturadas, ou seja, deixam de ser produções artesanais, que 
levavam tempo e, geralmente, eram produto do trabalho de um artesão-mestre 
e de dois ou três aprendizes, para se constituírem de produções industriais. 
Dois elementos materiais alteram as formas de produção manufaturadas 
para as industrializadas: a utilização do carvão como combustível, fonte de 
energia que possibilitava que uma só máquina executasse o trabalho de vários 
homens, acelerando e homogeneizando a produção; e, ainda, como produto 
da utilização do carvão como fonte de energia, as estradas de ferro passam 
a se espalhar pela Europa, levando as mercadorias pelo continente de forma 
mais rápida e segura dos que os veículos movimentados por animais. Estes 
dois elementos, o carvão e as estradas de ferro, levam à chamada Revolução 
Industrial, uma forma de organização da produção que rompe com o modelo 
anterior e altera as estruturas de organização social e, em alguns momentos, 
política. As fábricas passam a concentrar os trabalhadores ao seu redor, os 
quais se mudam dos postos de troca mercantilistas e dos núcleos feudais, em 
busca de trabalho. Como uma nova prática, não há regulamentação sobre o 
trabalho ou os benefícios do trabalhador, o que faz com que os salários sejam 
baixos e haja mão-de-obra abundante e barata.
No entanto, a alta produtividade gera um problema: não há como a po-
pulação consumir tudo de que produzia. Os preços passaram a baixar, e os 
salários se tornaram cada vez menores, gerando situações de fome e epidemias, 
o que causou agitação social e as primeiras greves. Era necessário escoar a 
produção, que se tornava cada vez mais eficiente, rápida. Esse cenário deu 
origem a uma nova corrida imperialista, desta vez não com a intenção de se 
beneficiar dos produtos primários das colônias, mas sim de criar mercados 
para escoar a produção europeia. Esses mercados deveriam crescer até certo 
ponto, mas era preciso mantê-los em um nível de dependência econômica e 
tecnológica, a fim de que não suplantasse suas colônias e não desenvolvesse 
mercados e produções próprias. Os burgueses mercantilistas, que enriqueceram 
Sistemas econômicos4
nos postos de troca de mercadoria na fase pré-capitalista, são os responsáveis 
por essa transformação, os quais investiram nos maquinários e estabeleceram 
as indústrias. O poder político que se concentrava na nobreza e no clero passa 
a ser divido também com os burgueses, os novos produtores de riqueza. Esse 
modelo se mantém do século XVIII ao início do século XX. 
Capitalismo financeiro
Esta fase do capitalismo como sistema econômico se constitui, aproxima-
damente, na década de 1920 e permanece até os dias de hoje. Esta fase é 
caracterizada pela virtualidade do sistema bancário, onde as informações 
sobre as trocas fi nanceiras precedem o trânsito real da moeda. A virtualidade 
também se torna um dos pontos para a acumulação ou a perda de dinheiro, 
como pode-se observar por meio da bolsa de valores.
Você já percebeu que, dependendo de determinados acontecimentos polí-
ticos, a bolsa tendem a cair ou a subir? A subida indica um aumento (virtual, 
inicialmente) dos investimentos em ações (em fragmentos também virtuais) 
das empresas e indústrias, e a queda, a retirada dos investimentos. Quando há 
um problema político noticiado e a bolsa cai, isso indica a retirada em massa 
de investimentos no país caracterizado pela venda de ações das empresas 
nacionais. O volume dessas trocas virtuais direciona o posicionamento de 
futuros investidores, que podem ser atraídos ou desistir das ações pretendidas, 
o que, portanto, pode acarretar em lucros e divisas, ou perdas financeiras, 
sem a troca real de mercadorias, ou seja, há lucro a partir de mobilizações 
financeiras virtuais. 
Socialismo
Como proposta de sistema econômico, o socialismo surge por volta de 1850 
como refl exão e resposta intelectual-científi ca e política à organização social 
pautada no modelo de produção capitalista industrial. Como dito anteriormente, 
o capitalismo industrial trouxe vários benefícios, como os avanços tecnológicos, 
que propiciaram mais conforto e facilitaram processos cotidianos e “encur-
taram” distâncias com a possibilidade de viajar mais rapidamente, porém a 
inefi ciência em consumir toda a produção gerou um excedente produtivo, o 
que causou desemprego, condições de empregos insalubres, fome e epide-
mias, impulsionadas pela fragilidade física e pela concentração populacional 
urbana em péssimas condições sanitárias. Para os socialistas, o princípio da 
propriedade privada era o responsável por esse contexto, uma vez que quem era 
5Sistemas econômicos
proprietário dos meios de produção (as indústrias) não vivia os problemas das 
classes trabalhadoras, pois acumulava a riqueza que era produto do trabalho 
empregado pelos operários, em um ciclo que tendia a perpetuar as posições: 
quanto maior a acumulação do proprietário burguês, mais investimentos em 
maquinários e mais produção de mercadorias, resultando em salários menores 
e agravamento das condições de vida do trabalhador.
A Revolução Industrial, para os socialistas, se tornou um problema e se 
configurava como algo maior que uma alteração das formas de produção, mas 
como um redirecionamento da organização social e política da Inglaterra, e 
que se espalharia para a Europa e para os Estados Unidos. A solução seria 
a não concentração de lucros nas mãos dos burgueses, mas sim na divisão 
dos lucros com aqueles que produziram a riqueza, os trabalhadores. Ainda 
no século XVIII, os chamados “socialistas utópicos”, como Robert Owen 
(1771-1858) e Henri de Saint Simon (1760-1825), acreditavam que as injustiças 
da concentração de riqueza do capitalismo poderia ser superada por meio 
da criação de comunas, comunidades autossustentáveis cuja produção fosse 
suficiente para que seus componentes tivessem uma vida mediada entre tra-
balho e conforto, trabalho e criatividade, trabalho e descanso. Essas comunas 
poderiam ser construídas, na visão desses pensadores,mesmo internamente 
a sociedades capitalistas.
Comunismo e socialismo são modelos diferentes. O comunismo propõe comunidades 
autossustentáveis, em que tanto o emprego de força da produção quanto os seus 
ganhos possam ser divididos. Aqui, pressupõe-se um grupo restrito de componentes. O 
socialismo, por sua vez, se caracteriza pela racionalização e a planificação da produção 
pelo Estado, ou seja, toda a comunidade seria organizada a partir desse modelo, e o 
Estado organizaria a produção e os lucros. 
A palavra socialismo se traduz pela intenção de dividir, socializar, tornar 
igual o acesso aos resultados da produção, mas também pelo controle dos meios 
de produção. Assim, alguns intelectuais criticaram os socialistas utópicos, 
afirmando que o socialismo não poderia ser apenas um modelo de produção, 
como aquele proposto na forma de comunas, mas deveria ser, essencialmente, 
um modelo político e de organização social. A propriedade privada não mais 
Sistemas econômicos6
existiria, tudo pertenceria aos trabalhadores, sendo administrado e controlado 
pelo Estado, que asseguraria que a sociedade se mantivesse organizada e que 
a distribuição de renda fosse igualitária. 
O socialismo científico é derivado da análise da conjuntura política, 
histórica, econômica e social para se compreender e definir os caminhos 
necessários para a derrocada capitalista e o estabelecimento socialista. O 
maior expoente é Karl Marx, que, a partir da leitura científica que descreve 
o materialismo histórico, define que o socialismo (a organização racional 
dos meios de produção pelo Estado socialista) seria apenas um meio para a 
consecução do comunismo (o controle total da produção por trabalhadores). 
Entre o fim do século XIX e o início do XX, o socialismo se transforma de 
modelo econômico em corrente ideológica, tornando-se objetivo e bandeira 
de diversos intelectuais e personalidades políticas, sendo responsável por 
rupturas, como a ocorrida na Revolução Russa, em 1917.
Sistemas mistos
Os sistemas ou economias mistas são aquelas compostas por elementos de 
dois ou mais sistemas econômicos. Historicamente, a social-democracia surge 
como a chamada terceira via, a possibilidade de unir conceitos dos modelos 
capitalista e socialista, a partir de um viés democrático. Tanto economias 
capitalistas quanto economias socialistas podem existir a partir de um mo-
delo político autoritário, como uma ditadura. Contudo, a social-democracia 
só existe a partir do viés democrático, uma vez que parte importante de sua 
organização é a participação popular na tomada de decisões pelo Estado 
(PRZEWORSKI, 1988).
Os sistemas mistos permitem a existência do livre mercado capitalista, mas 
mantêm o controle estatal sobre setores estratégicos, como energia, tecnologia, 
mineração e combustíveis fósseis (petróleo e carvão), investindo os lucros 
desses setores nas estruturas sociais, como educação, saúde, habitação e cul-
tura. A social-democracia, portanto, associa o livre mercado e a propriedade 
privada ao estado de bem-estar social, provido pelo Estado. 
Apesar de associados às organizações sociais, político-econômicas, os 
sistemas mistos também podem ser encontrados em empresas em sociedades 
capitalistas quando o capital é composto por capital privado e capital público, 
como no caso da petrolífera brasileira Petrobrás, que possui investimentos 
privados de holdings multinacionais, ainda que seja em parte propriedade do 
Estado brasileiro.
7Sistemas econômicos
Os sistemas mistos mais bem-sucedidos foram as chamadas “sociais-
-democracias nórdicas”, compostas por nações como Dinamarca, Suécia, 
Noruega e Finlândia, que conseguiram, por meio desse modelo de organização 
sociopolítica-econômica, administrar a produção nacional e a acumulação de 
capital, promovendo altos índices de apoio e cuidado com a população, por 
meio de estruturas de qualidade para saúde, educação, trabalho, habitação, 
transporte, de modo que estes países figuram entre os que mais promovem o 
bem-estar social em contexto global.
Apesar do sucesso da social-democracia em países europeus, principalmente após 
a década de 1980, na segunda década dos anos 2000 há um processo de redirecio-
namento, em que reaparecem modelos conservadores, substituindo os modelos 
mistos. Para mais informações, leia o artigo “Social-democracia perde terreno em 
toda a Europa”, acesse o link:
https://goo.gl/nDL82T
Efeitos sócio-políticos das organizações 
econômicas contemporâneas
O capitalismo trouxe elementos positivos às sociedades, especialmente aqueles 
ligados às melhorias das condições de vida e à participação política, mas 
é preciso observar alguns pontos e suas ressalvas, visto que os efeitos do 
capitalismo têm pesos diferentes em sociedades centrais e em sociedades 
periféricas. O advento do capitalismo impulsionou a corrida tecnológica, o 
que trouxe melhores condições de vida à população em geral, como melhoria 
das condições de moradia, alimentação, já que a produção é abundante e 
raramente se fi ca à mercê de intempéries e alterações climáticas bruscas, que 
causaram fome no período feudal, por exemplo. 
A tecnologia permitiu o advento de conquistas biofarmacêuticas, como 
as vacinas, a medicina, uma melhor qualidade de vida, a erradicação ou o 
controle de doenças e o tratamento para doenças ainda incuráveis. O transporte 
se tornou muito veloz, assim como as comunicações, encurtando as distâncias 
e alterando a noção de fronteiras. Você, por exemplo, possivelmente conhece 
Sistemas econômicos8
muito da vida de um artista, escritor, cientista, político ou esportista de que 
gosta muito, mesmo que este viva em outro continente, por meio das redes 
sociais; pode ter um “contato” quase diário. 
O livre mercado prescinde, obviamente, de liberdade, de escolhas, de posi-
cionamento político. Por isso, no século XX, o capitalismo foi muito associado 
às democracias e a outros sistemas econômicos, como o socialismo de Cuba 
ou da antiga União Soviética a Estados totalitários. Todavia, é preciso refletir 
sobre as diferenças entre países centrais e periféricos neste contexto, tendo-se 
os centrais como aqueles que empreenderam a corrida neoimperialista na virada 
do século XIX para o XX, e os periféricos, as antigas colônias, como nações 
do continente africano, e os países em desenvolvimento, como os da América 
Latina. Nesses locais, o capitalismo ofereceu uma condição de exploração, 
que culminou com a péssima qualidade de vida, baixos índices de educação 
e acesso à saúde, à habitação e ao transporte. 
É nos países periféricos que se encontra a maior parte das indústrias que 
necessitam de mão de obra barata para a produção de bens de consumo não-
-duráveis, como indústrias têxteis, calçados, peças utilizadas em bens de 
consumo duráveis. Nos países centrais, a produção gira em torno da tecnologia, 
da energia e dos bens duráveis. Essa discrepância faz com que, mesmo que 
praticamente não haja mais colonialismo (a Inglaterra ainda mantém algu-
mas colônias), haja uma situação de dependência caracterizada nas ligações 
econômicas norte-sul, ou, ainda, centrais-periféricas.
As economias socialistas não obtiveram muitos êxitos no século XX. O 
maior expoente, a União Soviética, aniquilou o sistema czarista e mudou as 
formas de organização social russa, porém a tentativa de planificação ignorou 
a necessidade de matérias-primas ou tecnologias externas, e a população 
russa acompanhou um desenvolvimento social mais contido com relação às 
outras nações capitalistas democráticas, principalmente comparando-se ao 
quadro de Welfare State vivido por Estados Unidos e Europa nas décadas 
de 1950 e 1960. 
A situação de Cuba parece mais estável, visto que há certo equilíbrio na 
qualidade de vida dos cidadãos do país, mas o embargo comercial sofrido 
pelo país após a tomada de poder por Fidel Castro prejudicou muito as 
oportunidades de desenvolvimento da nação. As perseguições políticas 
levadas a cabo pelo próprio governo também contribuíram parauma situação 
de bem-estar social abaixo dos países do norte/centrais. A China parece 
ser um modelo fora da curva, com resultados positivos num sistema misto 
(adequando valores e práticas capitalistas e socialistas), com crescimento 
9Sistemas econômicos
econômico estável e em aceleração ininterrupta entre 2009 e 2018, tendo 
sua primeira diminuição na taxa de crescimento no terceiro trimestre de 
2018. O crescimento do país em 2017 ficou em torno de 6,9% (FOLHA DE 
S. PAULO, 2018, documento on-line).
Economia liberal e economia conservadora
Pode-se caracterizar as economias liberais como aquelas em que o Estado 
se retira do controle do mercado, mantendo a menor intervenção possível, 
permitindo que o mercado se autocontrole e se mantenha, a partir da pers-
pectiva do laissez-faire. Economias conservadoras são economias capitalistas 
com posturas protecionistas, em que os Estados interferem no mercado para 
proteger seus capitais nacionais. 
O mundo conheceu uma onda da economia neoliberal nas décadas de 1980 
e 1990, e o Brasil esteve inserido nesse contexto, em que houve abertura para 
investimentos no país de capital estrangeiro e a reestruturação para fortale-
cimento econômico com o Plano Real. Houve desenvolvimento tecnológico 
industrial, mas, por outro lado, um intenso agravamento das concentração 
de renda e das desigualdades sociais, e o Brasil figurou por anos no Mapa da 
Fome da ONU, leitura geográfica das Organizações da Nações Unidas sobre 
a ausência de alimentação para famílias abaixo da linha da pobreza e os riscos 
de morte causada pela fome e/ou desnutrição.
A década de 2000, houve um retorno aos modelos da social-democracia, 
permitido pela ascensão de partidos de esquerda na Europa, na América 
Latina e até, em partes, nos Estados Unidos, nos governos de Barack Obama. 
Houve um redirecionamento das ações dos Estados para a promoção de 
políticas sociais destinadas à educação, à mobilidade social e à segurança 
alimentar das classes mais baixas, como economias anarcocapitalistas, que 
se inserem no padrão de produção, troca e lucro, mas não há “donos” – todo 
a renda conseguida é revertida de maneira igualitária aos produtores, aos 
trabalhadores.
As economias capitalistas contemporâneas vivem uma inversão de olha-
res, uma volta às posturas conservadoras e protecionistas, como se observa 
nas posturas político-econômicas do presidente norte-americano Donald 
Sistemas econômicos10
Trump. No entanto, emerge da sociedade civil, com apoio de segmentos 
institucionais, modelos de economia mais direcionados à social-democracia, 
como a economia criativa e a economia solidária. 
A economia solidária, formada pela perspectiva da cooperação e da sus-
tentabilidade, observando valores como a questão de gênero e os saberes 
tradicionais na produção de mercadorias. Além disso, há a agregação do 
valor simbólico de consumir e vender produtos que retomam a tradição e que 
fogem do controle das grandes corporações. Algumas grandes empresas, 
como empresas de cosméticos, no Brasil, utilizam a produção de cooperativas 
para ingredientes de seus produtos. A produção de alimentos orgânicos por 
grupos e movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais 
Sem Terra (MST), maior produtor de arroz orgânico do mundo, se encaixam 
nessa perspectiva econômico-produtiva.
A economia criativa propõe a reflexão sobre o consumo, a necessidade 
e a intenção de fazê-lo, e é composta por artistas dos setores culturais e por 
artesãos dos mais variados setores produtivos, que acrescentam aos seus 
produtos elementos simbólicos dos saberes tradicionais e das memorias afe-
tivas, como os movimentos do slowpharmacy (auxílio de plantas e vegetais 
como remédios naturais pautados em saberes tradicionais) ou da confort food 
(alimentos integralmente preparados em casa, sem a presença de elementos 
industrializados e processados, veganos ou não).
Você pode perceber, no entanto, que a nomenclatura dessas correntes de 
produção e consumo estão em inglês, pois há uma presença quase irremedi-
ável dos países centrais na visão formadora da ação produtiva. O problema é 
que esse tipo de direcionamento tende a provocar releituras conservadoras, 
chegando ao neofascismo, como já anunciava Przeworski sobre o cenário 
europeu ainda nos anos 1980:
Defrontados com uma crise econômica, ameaçados com a perda de apoio 
eleitoral, preocupados com a possibilidade de uma contra-revolução fascista, 
os social-democratas abandonam o projeto de transição ou ao menos ficam 
à espera de tempos mais auspiciosos. Encontram coragem para explicar aos 
trabalhadores que é melhor ser explorado do que criar uma situação que 
contém riscos que podem se virar contra eles. Recusam-se a empenhar seu 
futuro numa piora da crise, dispõem-se ao compromisso, e a defenderem-no 
perante os trabalhadores (PRZEWORSKI, 1988, p. 81.)
11Sistemas econômicos
FOLHA DE S. PAULO. Economia da China cresce 6,8% no primeiro trimestre. 17 abr. 
2018. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/04/economia-
-da-china-cresce-68-no-primeiro-trimestre.shtml>. Acesso em: 15 dez. 2018.
PRZEWORSKI, A. A social-democracia como fenômeno histórico. Revista Lua Nova, São 
Paulo, v.4, n. 3, jul./set. n.15, p. 41-81, 1988.
Leituras recomendadas
BRAGA, F. Conservadorismo, liberalismo e social-democracia: um estudo de direito 
político. Revista de Informação Legislativa, Brasília, ano 34, n. 133, jan./mar. 1997.
COELHO, A. F. C. O estado liberal: entre o liberalismo econômico e a necessidade de 
regulação jurídica. Revista Jurídica UNIGRAN, Dourados, v. 8, n. 15, jan./jun. 2006.
DALTON, G. Sistemas economicos e sociedade: capitalismo, comunismo e terceiro mundo. 
Rio de Janeiro: Zahar, 1977.
FERREIRA, G. Conservadorismo, fortalecimento da extrema-direita e a agenda da 
diversidade sexual e de gênero no Brasil contemporâneo. Lutas Sociais, São Paulo, v. 
20, n. 36, p.166-178, jan./jun. 2016.
FONSECA, P. C. D. Keynes: o liberalismo econômico como mito. Economia e Sociedade, 
Campinas, v. 19, n. 3 (40), p. 425-447, dez. 2010.
SCHUMPETER, J. A. Capitalismo, socialismo e democracia. Rio de Janeiro: Fundo de 
Cultura, 1961.
Sistemas econômicos12
PORTFÓLIO
O sistema capitalista e sua perspectiva neoliberal contemporânea podem ser agressivos, 
mas há propostas que podem humanizar alguns traços do modelo, como as perspectivas da 
economia criativa e da economia solidária.
Pesquise e explique os conceitos de economia criativa e economia solidária.
PESQUISA
Cuidando bem do seu dinheiro - Economia familiar e meio ambiente
Acesse https://www.youtube.com/watch?v=gXsaGAeNx2c
Cuidando do ambiente, a família do Erich Burger Netto faz uma boa economia dentro de 
casa. Reciclagem, compostagem, uso de bicicleta, uso racional de água e energia, produção 
caseira de alimentos e reutilização de artigos são alguns dos hábitos que fazem parte do dia 
a dia da turma. Novos hábitos para um novo mundo! Inspire-se e poupe você também.
N

Mais conteúdos dessa disciplina