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Estudos Bíblicos: 
Sinóticos e Escritos 
Joaninos
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof. Dr. Valter Luiz Lara
Revisão Textual:
Prof. Esp. Claudio Pereira do Nascimento
Cartas Joaninas e Apocalipse
• Introdução;
• Parte I – Cartas Joaninas;
• Parte II – O Livro do Apocalipse.
 · Capacitar o aluno a desenvolver leitura crítica e contextualizada das 
Cartas Joaninas e do Apocalipse, oferecendo informações básicas 
sobre as motivações, objetivos e a organização temática que deram 
origem a esses dois conjuntos de Escritos do Novo Testamento como 
resposta aos problemas e conflitos vividos pelas comunidades de fé 
que eles representam.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Cartas Joaninas e Apocalipse
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você 
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão 
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Cartas Joaninas e Apocalipse
Contextualização
A fé religiosa é tão antiga quanto o ser humano. E o conflito entre religiões 
também parece ter nascido com a religião. Afinal de contas quem tem a verdade 
sobre os mistérios da vida e da morte? Quem detém a senha que abre o selo do 
sentido de tudo o que existe e o porquê definitivo das coisas? Para onde vamos? 
De onde viemos?
Estas e outras questões semelhantes continuam a inquietar os seres humanos em 
qualquer lugar e em qualquer época. Apesar de todo avanço tecnológico o mistério 
da existência continua vivo.
O livro do Apocalipse é apenas uma entre tantas expressões da fé religiosa que 
visa explicar e dar sentido à vida. Mais do que o sentido da vida, o Apocalipse é 
uma tentativa de dar sentido à história, sobretudo quando ela parece ser marcada 
pelo absurdo da violência, do sangue derramado e da desigualdade que fazem seres 
humanos vítimas de si mesmos.
Vivemos num momento da história em que de fato o próprio ser humano pode 
destruir todo o planeta. O apocalipse como fim deste mundo já não é uma quimera 
ou obra dos deuses, mas possibilidade real quando consideramos o descaso com 
o meio ambiente e a proliferação de armas de capacidade para acabar com o que 
chamamos de vida.
O estudo das Cartas, embora não tenha uma linguagem simbólica apocalíptica 
é expressão do conflito entre grupos religiosos cristãos que disputam a autoridade 
sobre quem decide o que é ou não a verdade, a verdadeira doutrina da fé. O maior 
exemplo das cartas talvez esteja no fato de propor no centro da disputa o valor 
principal, sem o qual nenhuma religião tem sentido: a vivência do amor mútuo 
(2Jo 5) e, portanto, o testemunho do amor ao irmão como condição para o aces-
so, conhecimento e permanência em Deus (1Jo 4,8.16).
Boa leitura! Bom estudo! Que o cultivo do amor entre nós esteja em tudo o que 
fizermos e seja mais importante do que cada uma de nossas verdades!
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Introdução
As cartas joaninas (CJ) são consideradas, desde muito cedo pela tradição das 
igrejas cristãs, como escritos ligados ao Evangelho Segundo João (EJo). A primeira 
carta (1Jo) por conter paralelos explícitos ao evangelho joanino. As outras duas, 
2Jo e 3Jo, por apresentarem semelhanças temáticas com o EJo.
O autor, remetente de 2Jo e 3Jo, apresenta-se como um tal “presbítero”. Por isso, 
a autoria delas, embora seja atestada como sendo a mesma pessoa para as duas 
cartas, tem sido admitida como distinta daquela que escreve 1Jo. Aliás, o primei-
ro documento (1Jo), dos três, é o que de fato não tem a forma de carta, é mais 
uma exortação para seus destinatários com recomendações diversas sobre doutrina e 
comportamentos que devem ser adotados inclusive como testemunho contra deter-
minados adversários.
Os escritos joaninos são, portanto, aqueles que incluem a menção explícita ou 
implícita à tradição do evangelho joanino, incluem, além do EJo, os três escritos ou 
cartas (1Jo, 2Jo e 3Jo) e o Apocalipse (Ap).
O livro do Apocalipse é, por sua vez, pela tradição da Igreja, considerado 
como escrito joanino, pois o texto assim se identifica: “Revelação de Jesus Cristo 
[...]” concedida por meio de “seu Anjo, enviado ao seu servo João” (Ap 1,1).
Atualmente, os estudiosos costumam separar o estudo das cartas joaninas 
ao do Apocalipse. A razão maior alegada é a diferença do gênero literário, mas 
também da autoria e dos temas abordados. Embora o autor que escreve o texto 
identifique-se como João (Ap 1,1.4.9), nada, além disso, indica que seja o mesmo 
autor mencionado como “presbítero” nas duas cartas (2Jo 1; 3Jo 1) ou do não 
identificado autor do Evangelho, ou ainda, de quem escreve 1Jo.
Por isso, essa unidade será desenvolvida em duas diferentes partes: a primeira 
tratará das cartas como escritos joaninos (Parte I) propriamente ditos (exceto 
o EJo) e uma segunda apresentará o livro do Apocalipse (Parte II) como 
documento independente, representante de comunidades e grupos distintos aos da 
comunidade joanina.
Parte I – Cartas Joaninas
As cartas joaninas são escritos que representam uma etapa da história da co-
munidade pressuposta pelo EJo. A teoria de Raymond Brown (1983) sobre as 
fases da história dessa comunidade é aceita como a mais completa e melhor fun-
damentada para compreender o conjunto dos escritos joaninos. Sua tese coloca 
as cartas na última etapa quando uma versão, não necessariamente concluída, do 
EJo já era conhecida.
Veja abaixo, em síntese, quais são as fases da história da comunidade joanina e 
observe à qual momento dessa história as cartas fazem parte1.
1 O texto sobre as fases é transcrição direta da obra de R. Brown (1983, p. 20-13).
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UNIDADE Cartas Joaninas e Apocalipse
As Fases da História da Comunidade Pressuposta 
nos Escritos Joaninos
Veja abaixo, em síntese, quais são as fases da história da comunidade joanina e 
os conflitos que marcaram cada uma delas. Observe à qual momento dessa história 
as cartas fazem parte2. Em seguida, leia os termos que acabaram historicamente 
definindo alguns dos grupos cristãos que derivaram de conflitos que nasceram com 
base em diferentes interpretações do EJo.
Primeira fase, a era pré-evangélica inclusive as origens da comunidade, e 
sua relação com o judaísmo da metade do século primeiro. No tempo em 
que o evangelho foi escrito, os cristãos joaninos tinham sido expulsos das 
sinagogas (Jo 9,22;16,2) porque eles reconheciam Jesus como Cristo. Tal 
expulsão reflete a situaçãono último quartel do século primeiro [...] Embora 
o evangelho tenha sido escrito depois dessa expulsão, a história pré-evan-
gélica certamente incluía as controvérsias entre cristãos joaninos e os chefes 
da sinagoga [...]. E assim podemos ter razão quando datamos a primeira 
fase, o período pré-evangélico da história joanina consciente, num período 
de várias décadas, desde a metade dos 50 até o fim dos 80.
A Segunda fase envolvia a situação da vida da comunidade joanina no 
tempo em que o evangelho foi escrito. “Escrito” é um termo ambíguo, 
pressupondo-se a atividade tanto de um evangelista como de um redator, 
mas o período de aproximadamente 90 d.C dataria a principal 
redação do evangelho. A expulsão das sinagogas então já passou, mas 
a perseguição (Jo16,2-3) continua, e há profundas cicatrizes na alma 
joanina em relação aos “judeus”. A insistência numa alta cristologia, 
tornada cada vez mais intensa pelas lutas com “os judeus”, afeta as relações 
da comunidade com os outros grupos cristãos, cuja avaliação de Jesus é 
inadequada segundo os padrões joaninos. As tentativas de proclamar a 
luz de Jesus aos gentios podem também ter encontrado dificuldades, e “o 
mundo” tornou-se um termo geral para todos aqueles que preferem as 
trevas à luz. Esta fase nos fornece informações detalhadas sobre o local 
da comunidade joanina num mundo pluralístico de crentes e não crentes, 
no final do século.
A Terceira fase envolvia a situação de vida nas comunidades joaninas agora 
divididas, no tempo em que foram escritas as epístolas, provavelmente 
por volta do ano 100 d.C. [...] Argumentarei com a hipótese de que a luta 
acontece entre dois grupos dos discípulos de João, que estão interpretando 
o evangelho de maneira opostas, no que se refere à cristologia, à ética, à 
escatologia e à pneumatologia. Os temores e o pessimismo do autor das 
epístolas sugerem que os separatistas estão tendo maior sucesso numérico 
(1Jo 4,5) e o autor está tentando defender seus adeptos contra posteriores 
incursões de falsos mestres (1Jo 2,27; 2Jo10,11). O autor sente que é a 
“última hora” (1 Jo 2,18).
2 O texto sobre as fases é transcrição direta da obra de R. Brown (1983, p. 20-23).
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11
A Quarta fase viu a dissolução dos dois grupos joaninos depois que as 
epístolas foram escritas. Os separatistas, não mais em comunhão com a 
ala mais conservadora da comunidade joanina, provavelmente tenderam 
mais rapidamente no século segundo para o docetismo, o gnosticismo, 
cerintianismo e montanismo [O grifo é nosso]. Isto explica porque o 
quarto evangelho, que eles levaram consigo, é citado mais cedo e mais 
frequentemente por escritores heterodoxos do que por escritores ortodo-
xos. Os adeptos do autor de 1Jo no começo do século segundo parece 
terem gradualmente se incorporado no que Inácio de Antioquia chama “a 
Igreja católica”, como se demonstra pela aceitação crescente da cristo-
logia joanina da pré-existência do Verbo [...] (BROWN, 1983, p.20-23)
Acesse os links sugeridos e leia alguns textos que definem e esclarecem cada 
um dos conceitos citados por Brown. A leitura vai completar o seu conhecimento 
sobre quem são e o que professam os “separatistas” da comunidade pressupostos 
nas cartas joaninas.
Docetismo: https://goo.gl/P3j3R7 – Gnosticismo: https://goo.gl/Jd4HCm
Cerintianismo: https://goo.gl/y6U4LB – Montanismo: https://goo.gl/s6TWeVEx
pl
or
O que está em jogo nas cartas é, principalmente na primeira, a tentativa de 
regrar a interpretação do Evangelho e conter os adversários que parecem estar 
exagerando nas consequências da “alta” cristologia professada pelo Evangelho.
As segunda e terceira cartas tratam de problemas mais específicos derivados 
do conflito com os adversários numa etapa ainda mais avançada em que eles já 
são considerados desde a primeira como “separatistas”, grupo que rompeu com a 
comunidade de origem pressuposta pelo autor não só das duas cartas, mas também 
da primeira.
Eles saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nos-
sos, teriam permanecido conosco. Mas era preciso que se manifestasse que nem 
todos eram dos nossos (1Jo 2,19).
Primeira Carta de João (1Jo)
Propósito e Motivo
A primeira carta de João foi escrita com o propósito de combater interpretações 
e práticas julgadas equivocadas do EJo. O motivo é regrar a prática e o relaciona-
mento entre pessoas e grupos em conflito sobre questões fundamentais em torno 
da confissão de fé em Jesus, o pecado e o amor devido aos irmãos, sobretudo aos 
mais carentes e outras relacionadas ao conhecimento de Deus.
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UNIDADE Cartas Joaninas e Apocalipse
Estrutura de Redação3
1,1-4: Prólogo
1,5-2,29: I – O Caminho na luz
 1,5-2,17: Os dois caminhos
 1,5: Deus é luz
 1,6-2,2: Liberdade frente ao pecado
 2,3-11:Guardar os mandamentos
 2,12-14: Tripla recomendação
 2,18-29: Rejeição dos anticristos
3,1-24: II – O AMOR como identidade
 dos filhos de Deus
 3,1-10: O Pai nos torna filhos agora
 3,11-18: Amor recíproco
 3,19-22: Confiança diante de Deus
 3,23-24: Deus permanece em quem
 guarda os mandamentos
4,1-5,12: III – DEUS É AMOR
 4,7-21: Quem ama conhece a Deus
 5,1-12: A Fé no Filho:
 Testemunho de Amor em Jesus
5,13-21: IV – Conclusão: Confiança
Cristologia, Conhecimento de Deus e amor aos irmãos
A cristologia da 1Jo é uma afirmação da humanidade de Jesus frente àqueles 
que parecem estar negando essa identidade importante da encarnação de Jesus 
como ser divino e pré-existente. É preciso afirmar que Jesus, “[...] o Verbo da 
vida [...] era desde o princípio (1Jo 1,1). Entretanto, a afirmação cristológica mais 
importante é a seguinte:
3 Cf. PERKINS, 2011, p. 821-822.
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13
“Nisto reconheceis o espírito de Deus: todo espírito que confessa que 
Jesus Cristo veio na carne é de Deus; e todo espírito que não confessa 
Jesus não é de Deus: é este o espírito do Anticristo [...]” (1Jo 4,2-3a)
Para 1Jo o conhecimento de Deus não é produto do esforço humano, mas 
dádiva do próprio Deus que nos amou primeiro (1Jo 4, 10.19). Além disso, esse 
conhecimento ou acesso a Deus se faz senão através do amor aos irmãos, “pois 
quem não ama a seu irmão, a quem vê, a Deus, a quem não vê não poderá amar” 
(1Jo 4, 20b). Por isso, a grande revelação de 1Jo, o resumo não só do Novo 
Testamento, mas provavelmente toda Sagrada Escritura está no testemunho que 
identifica amor e o ato de amar como a essência de Deus e de seu conhecimento:
7 Amados, amemo-nos uns aos outros, pois o amor vem de Deus e todo 
aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus. 8 Aquele que não 
ama não conheceu a Deus, porque Deus é Amor. [...] 16 E nós temos 
reconhecido o amor de Deus por nós, e nele cremos. Deus é Amor; 
aquele que permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece 
nele (1Jo 7-8.16). [O grifo é nosso]
Portanto, assim estão relacionados os principais temas da 1Jo: a confissão do 
Cristo através do reconhecimento de Jesus como Filho de Deus, aquele que veio 
na carne, testemunha do amor de Deus, assim conhecido por aquele que ama 
seu irmão.
Segunda Carta de João (2Jo)
Propósito e Tema Fundamental
O tema da segunda carta é fundamentalmente a defesa da doutrina, chamada 
pelo presbítero de doutrina de Cristo (2Jo 9). A ocasião é o acirramento dos conflitos 
entre os grupos da comunidade joanina já atestado tanto no Evangelho quanto na 
primeira carta (1Jo). A segunda carta (2Jo) é bem mais genérica do ponto de 
vista dos problemas que enfrenta. Não entra em detalhes como a primeira sobre 
a doutrina que defende. A palavra “verdade” aparece várias vezes (2Jo 1.2.3.4) 
referindo-se a si mesmo, à igreja que defende e representa, àqueles que a conhecem 
(2Jo 1) e nela permanecem (2Jo 2), isto é, os seus filhos (2Jo 4).
E que verdade é essa? É a mesma já professada como identidade da comunidade, 
ou seja, a verdade fundamental é confissão defé em Jesus encarnado, pois quem 
assim não o confessa é chamado de sedutor, o Anticristo (2Jo 7).
Além da verdade cristológica da encarnação, 2Jo é uma reafirmação também 
do mandamento do amor mútuo (2Jo 5b-6) como consequência da conduta de 
quem confessa Jesus, o Cristo como Filho do Pai (2Jo 3b). Esse modo de abordar 
a fé cristológica e a coincidência da prática do amor mútuo nos mesmos termos do 
quarto evangelho torna 2Jo um documento representante da escola joanina.
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UNIDADE Cartas Joaninas e Apocalipse
Estrutura de Redação4
 2Jo 1-3: Introdução – saudação à Igreja e Ação de Graças
 2Jo 4-11: Conteúdo da Mensagem:
 A) (4-6) Elogio e alegria pela fidelidade dos
 destinatários que se mantêm fiéis
 B) (7-9) Advertência aos infiéis que não
 Permanecem na verdade:
 não confessam Jesus Cristo encarnado
 C) (10-11) Procedimentos contra os adversários
 Infiéis: não acolher em casa
 2Jo 12-13: Conclusão - Saudação final
Terceira Carta de João (3Jo)
Propósito e Motivo
A primeira carta joanina é testemunho de uma divisão muito forte na comuni-
dade (1Jo 2,19) e que parece não ter mais volta. A segunda é herdeira da situação 
anterior, mas agora pretende reforçar e afirmar os seus na convicção das verdades 
que professa para mantê-los firmes e unidos no amor mútuo (2 Jo 5-6). A terceira 
já é, por sua vez, a expressão da defesa da comunidade contra o que ele considera 
os adversários que representam “o mal” (3Jo 11). Trata-se de uma tentativa de 
deixar clara a separação entre o joio e o trigo, isto é, oportunidade para afirmar a 
autoridade de quem está do lado da “verdade” como são declarados Gaio e Demé-
trio (3Jo 1. 12), mas não Diótrefes (3Jo 9), este último, apontado como quem não 
recebe os irmãos e ainda profere “palavras más contra nós” (3Jo 10).
Além disso, o problema prático em 3Jo é o da hospitalidade devida aos missio-
nários. Há os que acolhem os irmãos provendo-os com o necessário para a viagem 
(3Jo 6) e aqueles que não o fazem (3 Jo 10b). Os primeiros estão representados 
por Gaio e Demétrio. Os outros, chamados de ambiciosos, são representados por 
Diótrefes (3Jo 9).
4 Cf. PERKINS, 2011, p. 831.
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Estrutura de Redação5
 3Jo 1-2: Introdução – saudação ao destinatário 
 3Jo 3-12: Conteúdo da Mensagem:
 A) (3-8) Exortação à hospitalidade aos irmãos 
 B) (9-10) Recusa da hospitalidade: Diótrefes
 C) (11) Exortação à Diótrefes para evitar o mal
 D) (12) Demétrio como testemunho da verdade
 3Jo 13-15: Saudação final
Importante!
As cartas joaninas são documentos do último quarto do primeiro século de nossa Era, 
ou até mesmo do início do segundo. Elas mostram os desdobramentos dos confl itos 
causados pelas interpretações distintas não só da cristologia do EJo, mas das condutas 
adotadas pelos grupos em oposição. São condutas que derivam ou legitimam suas 
respectivas interpretações do Quarto Evangelho.
As cartas professam então uma identidade eclesiológica buscando afi rmar princípios 
de autoridade que defendam suas verdades e suas condutas em confronto com seus 
adversários. Os valores e verdades que prevalecem são: o mandamento do amor 
mútuo, a encarnação do Messias em Jesus, Filho do Pai e o conhecimento de Deus 
que só pode ser reconhecido quando há o amor ao irmão. Essas são as crenças das 
quais a comunidade joanina não abriu mão e imprimiu basicamente o que até hoje se 
reconhece como os princípios fundamentais da religião cristã.
Em Síntese
Parte II – O Livro do Apocalipse
O livro do Apocalipse (Ap) é o último livro do Novo Testamento. É aquele que 
fecha e conclui o cânon da Bíblia cristã. Não bastasse esse lugar privilegiado na or-
dem dos escritos sagrados, seu gênero, estilo e a forma como apresenta a mensa-
gem é igualmente singular. Literariamente estamos diante de um texto cujo gênero 
era bem conhecido pela religião judaica do período que antecedeu o cristianismo.
5 Cf. PERKINS, 2011, p. 832.
15
UNIDADE Cartas Joaninas e Apocalipse
Os livros de Daniel e o de Henoc, entre outros6, influenciaram a visão religiosa 
apocalíptica dos primeiros cristãos a ponto de condicionar a literatura apocalíptica 
presente não só no livro do Apocalipse, mas também no imaginário religioso das 
comunidades cristãs primitivas. A mentalidade religiosa profética e visionária é o 
que alimenta o gênero apocalíptico.
Os evangelhos também foram marcados pela fé apocalíptica. A confissão de fé 
em Jesus como Filho do Homem (Mc 8,31) ou juiz escatológico (Lc 17,22-30) são 
frutos das influências apocalípticas, por exemplo, já anunciadas no livro de Daniel 
(Dn 7,13) ou no Livro de Ezequiel (Ez 2-3).
Literatura e Imaginário Apocalípticos
A palavra “apocalipse” é praticamente a transliteração para o português do 
substantivo grego “apokalypsis” que significa revelação. A literatura apocalíptica, 
nesse sentido, apesar de ser um gênero com muitas variações de forma e conteú- 
do, é sempre um gênero narrativo que contém a revelação de segredos divinos, 
geralmente dados pela mediação de um ser celestial ao visionário que tem a incum-
bência de comunicar e de escrever à sua comunidade.
‘Apocalipse’ é um gênero de literatura de revelação com uma moldura 
narrativa, na qual uma revelação é confiada por um ser ultramundano 
a um receptor humano, tornando visível uma realidade transcendente 
que é tanto temporal, na medida em que visa à salvação escatológica, 
quanto espacial na medida em que implica outro mundo, sobrenatural; [a 
finalidade é] interpretar circunstâncias terrenas presentes à luz do mundo 
sobrenatural e do futuro, e influenciar tanto a compreensão como o 
comportamento do público mediante a autoridade divina (COLLINS, J.J. 
Semeia 36, p. 2 e 7, Apud MORESCHINI NORELLI, 1996, p. 138).
Características do Gênero Apocalípticos7
Embora o debate sobre o que de fato é o gênero apocalíptico esteja em curso, é 
possível um consenso em torno das seguintes características:
1. a pseudonímia: uso de um nome famoso e de reconhecida autoridade 
religiosa (Abraão, Moisés, Henoc, João) para ser o mediador que ouve, vê 
e escreve a mensagem divina a ser revelada;
2. visão e/ou [escuta da fala divina] como meio de revelação;
3. simbolismo das imagens mostradas ao vidente;
6 Da literatura apocalíptica conhecemos outros textos que não entraram no cânon da Bíblia hebraica. São os livros que 
habitualmente são chamados pelos cristãos de apócrifos do Antigo Testamento. Estão entre eles, além de Henoc, 
Ascensão de Isaías, Assunção de Moisés, Testamento dos Doze Patriarcas, Apocalipse de Baruc e Apocalipse de 
Abraão. Alguns desses textos circulavam nas comunidades cristãs, mas o cristianismo também havia produzido textos 
apocalípticos espalhados em outros documentos do Novo Testamento ou em livros que foram mais tarde incluídos na 
lista dos apócrifos cristãos. Os textos de Mc 13 e seus paralelos em Mt 24,1-3 e Lc 21,5-7 são exemplos de trechos 
apocalípticos dentro do Evangelho. 
7 Cf. MORESCHINI e NORELLI, 1996, p. 138.
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4. explicação dessas imagens;
5. organização dos fenômenos mediante esquemas, no mais das vezes numéricos;
6. interesse pelo desenvolvimento da história e em particular pelo futuro;
7. representação do mundo do além, geralmente o céu e o caminho (condi-
ções) para se chegar lá;
8. dualismo - dois níveis de realidade: céu e terra; seres espirituais/celestiais 
e seres humanos/terrenos; Deus e o diabo; etc.
O Imaginário Religioso Apocalíptico
O gênero literário é, na verdade, uma abstração que serve para identificar textos 
diversos com características semelhantes de forma e conteúdo, algumas das quais 
foram discriminadas no item anterior. No entanto, nem sempre se encontra todas 
essas características nos textos chamados apocalípticos. Esse fenômeno literário, 
por isso mesmo, nada mais é como tantos outros, expressão de situações vitais, 
isto é, de imaginários da fé religiosa vivida concretamente em ritos, orações, cultos 
e condutaséticas adotadas em decorrência dessa mesma fé assumida no cotidiano.
O livro do Apocalipse (Ap) é um exemplo de expressão literária de religião 
vivida no cotidiano de comunidades que professam a fé em Deus Pai (Ap 4) e em 
Jesus Cristo (Ap 5), seu único Filho, como soberano e senhor tanto da história 
como de suas próprias vidas.
Autoria, Data E Local
• Autoria: A menção a João como autor do livro aparece 4 vezes (Ap 1,1.4.9; 
22,8). No entanto, sabe-se que é bem possível, como é o caso do Evangelho 
de João (EJo) e das Cartas Joaninas (CJ), ser uma atribuição tardia inserida no 
escrito. Foi a tradição da Igreja que atribuiu ao Apóstolo João essa autoria: Jus-
tino desde 160 d.C e Irineu, um pouco mais tarde foram os primeiros a mani-
festarem em suas obras essa identificação de João com o autor do Apocalipse.
• Data: A época mais provável para a redação do Ap é o final do primeiro 
século sob o domínio e a perseguição de cristãos no governo do imperador 
romano Domiciano (81-96). Entretanto, os relatos sobre o passado parecem 
guardar memória de momento de perseguição sob o imperador Nero (54-68) 
a pretexto do incêndio de Roma a partir do ano 64. De qualquer forma, é mais 
provável que o final do século reúna as condições para juntar memórias mais 
antigas e conhecidas por todos de um passado de dores que se repetem no 
presente da vida da comunidade.
• Local: O Ap tem interlocutores e destinatários bem definidos: são as igrejas da 
região da Ásia Menor (Ap 1,4), próximas à cidade de Éfeso: Esmirna, Pérga-
mo, Tiatira, Sardes, Filadélfia, Laodicéia, incluindo a própria Éfeso (Ap 2-3). 
O autor escreve desde a prisão onde se encontra, em Patmos (Ap 1,9), ilha 
mais ou menos próxima àquela região da Ásia, onde hoje é a Turquia.
17
UNIDADE Cartas Joaninas e Apocalipse
Propósito e Contexto Sócio-Político e Religioso
O Propósito do Apocalipse
O Ap é um livro cuja linguagem suscita muitas inquietações e dúvidas, mas tam-
bém muito fervor, fanatismo e radicalismo religioso. Traz em sua mensagem uma 
rica simbologia, cheia de menções a sangue, perseguição e morte, mas também de 
esperança, vida e justiça que virão.
O Ap, como bem resumiu Johan Konings,
É um livro de exortação dos cristãos na sua vida ameaçada, por fora, 
pela perseguição, por dentro, pela infidelidade. Páginas como Ap 2,17; 
3,7-13; 21,1-22,5 justificariam para o Ap um apelido análogo ao do 
2º Isaías: o “Livro da Consolação da Igreja Perseguida”. O “vidente” 
do Apocalipse vê a realidade celeste, a vitória do Cordeiro, decisiva e 
definitiva, enquanto no plano da história seus seguidores enfrentam o 
martírio (KONINGS, 1998, p. 166).
Contexto Religioso, Político e Social.
Como já foi aludido, o texto do Ap refere-se a momentos de profunda perse-
guição aos cristãos. Muito provavelmente é escrito como exortação a cristãos que 
já não mais são identificados como judeus da sinagoga, pois dela foram expulsos 
como se vê claramente no EJo (Jo 16,2) e na oposição ao que o autor chama de 
“Sinagoga de Satanás” (Ap 3,9).
A distinção entre cristãos e judeus implicou automaticamente suspeita dos pri-
meiros serem criminosos. O problema é que o privilégio conseguido a duras penas 
pelos judeus de não precisarem prestar culto ao imperador, o que na época era 
prática comum para todos os cidadãos e principalmente aos povos submetidos ao 
império, já não se estendia aos cristãos.
A recusa de participação a atos litúrgicos, festivos e sacrificiais destinados à 
honra dos ídolos e principalmente ao louvor de César era entendida como crime 
de lesa majestade. E conforme o governo, como foi o de Domiciano, confessar-se 
como cristão era fato suficiente para decretar sua morte, caso o sujeito continuasse 
a negar sua fidelidade ao serviço do imperador.
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Após sua morte, em 44 a.C., Júlio César foi, por decreto do senado, 
declarado um dos protetores divinos do Estado. Augusto não reivindicou 
honras divinas em Roma, mas foi cultuado como divindade no Oriente, 
onde se ergueram templos em sua honra (como o templo de Augusto 
construído por Herodes, o Grande, em Sebaste, a Samaria restaurada). 
Os imperadores que vieram mais tarde (notadamente Domiciano) reivindi-
cavam abertamente honras divinas em vida. O culto imperial lançara raí-
zes profundas na Ásia Menor, e em nenhuma outra região era propagado 
com mais entusiasmo (HARRINGTON, 1985, p. 617).
Os leitores destinatários do Ap sabiam o risco que corriam ao serem exortados 
a manterem a fé e não sucumbirem as exigências do sistema imperial.
O culto ao imperador exigia que se oferecesse sacrifício (ou que se quei-
masse incenso) diante de uma imagem de César, com a declaração: Kyrios 
Kaisar – “César é Senhor”, isto é, divino – pura blasfêmia aos olhos dos 
cristãos. Para estes, Jesus Cristo era Kyrios, e eles deviam “segurar fir-
memente o seu nome” (Ap 2,13), reservando-lhe o título com exclusivi-
dade. Os leitores de Apocalipse que eram contemporâneos de João, e 
aos quais era, em primeiro lugar, destinado o livro, estavam em condições 
de entender perfeitamente o objetivo que presidira sua composição e as 
suas alusões à situação contemporânea, bem como sua polêmica contra a 
religião do Estado (HARRINGTON, 1985, p. 617).
A situação era dramática, pois a perseguição religiosa tinha implicações em todas 
as esferas da participação dos cristãos na vida pública. Tudo lhes era negado caso 
insistissem em manter a identidade cristã. Exílio, tortura ou a morte não estavam 
distantes do horizonte imediato. Rezar e pedir para que a justiça de Deus triunfasse 
e do céu trouxesse uma nova terra (Ap 21,1), pondo fim a do presente era a 
esperança que mobilizava e mantinha a comunidade viva, cultivando a coragem e 
a solidariedade no martírio de muitos irmãos.
Estrutura de Composição da Narrativa Apocalíptica
A estrutura de composição do Ap é demasiadamente complexa. Há várias possi-
bilidades de arranjo estrutural. A seguir apresentamos uma estrutura mais simples8 
para que você possa ter um panorama da lógica que guia a narrativa em seu con-
junto como um todo.
8 Cf. a estrutura da narrativa do Apocalipse de VILLAC, 2001, p. 166. A estrutura aqui proposta é uma transcrição 
livre desse subsídio didático sobre o Novo Testamento produzido pelo ITEBRA (Instituto Teológico Brasilândia) da 
Região Episcopal da Igreja Arquidiocesana de São Paulo.
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UNIDADE Cartas Joaninas e Apocalipse
Estrutura Literária do Apocalipse
1 Introdução: Visão de Jesus Cristo
2-3 7 Cartas às Igrejas
4-11 1º Roteiro da caminhada de libertação do povo
 (Releitura da história inspirada no livro do Êxodo)
 4-5: Visão do passado (do céu; do Trono [4] 
 e do Cordeiro [5])
 6-7: Visão do presente (7 selos)
 8-11: Visão do presente para Visão do futuro
 (7 trombetas, 7 anjos e 3 ais; 
 duas testemunhas [11,1-13]) 
12 A Mulher perseguida pelo Dragão 
 (Igreja perseguida pelo poder)
13-19 2º Roteiro da caminhada de libertação do povo
 Poderes terrenos – representantes do Dragão
 Bestas-feras contra os fiéis são denunciados
 e vencidos no final
 13-14: besta-fera no confronto com os seguidores do
 Cordeiro (144 mil)
 15-19: 7 anjos e 7 pragas [15]; 
 7 taças do furor de Deus [16]
 Prostituta e a besta-fera (7cabeças, 7montes, 7reis [17])
 Anúncio da Queda da Babilônia [18]
 Cânticos de triunfo no céu [19]
20-22: Julgamento e vitória final (visão do futuro triunfante)
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Símbolos Fundamentais
A linguagem apocalíptica é profundamente simbólica. O que isso significa? 
Significa que quase tudo o que é transmitido possui um caráter enigmático, isto 
é, uma mensagem a ser decodificada com critérios diversos que podem variar da 
experiência de fé e leitura que a comunidade tem da experiência que historica-
mente ela já viveu, como por exemplo, da perseguição sob Nero, ou de símbo-
los litúrgicos e veterotestamentários ligados diretamente à literatura apocalíptica.Há referências constantes às figuras conhecidas do Livro de Daniel (Dn 7), de Eze-
quiel (Ez 1,4-28; 2-3) e de Zacarias (Zc 1,7s) ou ainda, da esperança messiânica do 
juízo final em que haveria uma intervenção divina para dar fim (Escaton em grego 
– desse termo deriva a palavra escatologia) à história de injustiça e violência. Esse 
fim chegaria com o dia de Iahweh. Os cristãos interpretaram o dia de Iahweh como 
o dia do retorno do Senhor Jesus Cristo: o dia da parusia – palavra grega que 
significa exatamente isso “retorno” ou a “volta” de Cristo para fazer o juízo final.
Veja abaixo alguns desses símbolos importantes9 para a compreensão do Ap.
Cores
• Branco (2,17): vitória, glória, alegria, pureza.
• Vermelho (6,4): sangue, fogo, guerra, perseguição.
• Amarelo-esverdeado (6,7): cor de cadáver que se decompõe, doença.
• Púrpura e escarlate, vermelho vivo (17,4): luxo e dignidade real.
• Preto (6,5): fome
Números
• 3: superlativo em hebraico: plenitude (21,13) e santidade (4,8);
• 4: Número cósmico – 4 elementos do universo: terra, fogo, água e ar (4,6; 
7,1; 20,8)
• 7: composição de 3+4. Indica plenitude, perfeição, totalidade (1,4)
• Metade de 7 é 3,5: “um tempo, dois tempos, meio tempo” (12,14; Dn 7,25) 
significa 3 anos e meio; é duração limitada das perseguições, pois é controlada 
por Deus.
• 10: “Dez dias de provação” (2,10 // Dn 1,12.14) é tempo de curta duração.
• 12: é uma composição de 3x4. Número de perfeição e totalidade (21,12-14). 
Alusão às 12 tribos de Israel. A igreja é o novo Israel da Utopia do tribalismo 
da liberdade onde só Iahweh é Rei (Jz 8,22-23). 
9 Transcrevemos os símbolos de acordo com a tabela de decodificação proposta por Carlos Mesters e Francisco 
Orofino (2002, p. 265-270).
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UNIDADE Cartas Joaninas e Apocalipse
• 24: é uma composição de 2x12. Os 24 anciãos (4,4) representam o povo do 
AT (12 tribos) e 12 apóstolos (é a totalidade do povo de Deus: da Antiga e da 
Nova Aliança.)
• 42: 42 meses é igual a três anos e meio ou 1260 dias (11,2). Significa a me-
tade de 7 anos e, por isso, indica o tempo limitado por Deus.
• 144: é uma composição de 12 x 12 (21,17); é sinal da totalidade do povo 
de Deus.
• 666: é o número da besta-fera (13,18). Em grego e em hebraico cada letra 
tinha um valor numérico. O número de um nome era o total do valor numérico 
de suas letras. O número 666 é do nome César-Nero conforme o valor das 
letras hebraicas ou César-deus conforme o valor das letras gregas. É também 
o número de maior imperfeição: 6 não alcança o 7 e é só a metade de 12. 
É a trindade imperfeita do mal (são três vezes a sequência do número imper-
feito). É a maior expressão da imperfeição e da maldade.
• 1000: é o prazo do tempo cumprido e completo. Reino de mil anos (20,2). 
As combinações 7 x 1000 (11,13), 12 x 1000 (7,5-8) e 144 x 1000 (7,4) 
possuem significação semelhante.
Elementos da Natureza
• Sol e lua (12,1); estrela (1,16; 2,28), arco-íris (10,1): evocam imagens 
positivas da criação a serviço da comunidade: estrelas são os líderes da comu-
nidade e o arco-íris evoca a nova criação (Gn 9,12-17);
• Mar (13,1, abismo (9,2); água da boca da serpente (12,15): símbolos 
do mal.
• Cristal (4,6;22,1): clareza, esplendor, transparência, ausência do mal.
• Pedras preciosas (21,19-20): raridade, beleza, valor.
• Pedra branca (2,17): usada no tribunal pelo juiz para declarar alguém inocente.
• Ferro, cetro de ferro (2,17): poder.
• Barro, vasos de barro (2,27): fragilidade; paralelo com Is 64,7 e Jr 18,6.
• Palma (7,9): triunfo.
• Duas oliveiras (11,4): personagens importantes. Evocam a visão do AT 
(Zc 4,3-14).
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Animais
• Besta-fera que sobe do abismo ou do mar (11,7): Nero ou império romano.
• Besta-fera que sai da terra (13,11): o falso profeta que propaga o culto 
ao imperador.
• O dragão, a besta-fera do mar e a besta-fera da terra são uma caricatura 
da Trindade. O “Antideus”, o “Anticristo” e o “Antiespírito”.
• Pantera, leão e urso (13,2): crueldade, sem misericórdia. Evoca a visão de 
Daniel sobre os impérios que dominaram Israel e o mundo conhecido de então 
(Dn 7,4-6).
• Cavalos (6,2-7): poder, exército que arrasa. Evoca a visão de Zacarias 
(Zc 1,8-10).
• Cordeiro (5,6): indica Jesus. Evoca o cordeiro pascal imolado no Êxodo 
(Ex 12,1-14)
• Leão, touro, homem, água – quatro seres vivos (4,6-7) animais fortes 
que presidem o governo do mundo terreno: touro (instinto); leão (senti-
mento); águia (inteligência); homem (rosto). Os quatro juntos formavam o ser 
mitológico da Babilônia, chamado Karibu ou Querubim, e a Esfinge do Antigo 
Egito. Evocam as visões de Isaías (Is 6,2) e de Ezequiel (Ez 1,10; 10,14).
• Gafanhotos (9,3): invasores estrangeiros (Ex 19,4; Dt 32,11).
• Escorpião (9,3): perfídia, traição (Sb 16,9).
• Cobra, serpente (9,19): poder mortal.
• Sapo (16,13): animal impuro (Lv 11,10-12); símbolo persa da divindade das 
trevas. Evoca a praga das rãs (Ex 7,26 a 8,11).
• Chifre (5,6): poder; especialmente poder do rei.
• Asas (4,8): mobilidade, velocidade em executar a vontade de Deus. Evocam 
Ezequiel (Ez 1,6-12).
Há ainda muitos outros símbolos de objetos, coisas da vida, vestes e partes do 
corpo humano. Há também o simbolismo da Jerusalém celeste que evoca a utopia 
do governo (Reino) de Deus que vem para terra, bem como da Babilônia que sig-
nifica a cidade de Roma como símbolo da prostituição, das maldades e dos pode-
res opressivos.
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UNIDADE Cartas Joaninas e Apocalipse
Para finalizar essa breve apresentação de símbolos, veja no quadro abaixo como 
Roma e seus imperadores aparecem simbolizados no Apocalipse, sobretudo quan-
do o anjo procura explicar o simbolismo da besta-fera:
7 O Anjo, porém, me disse: Por que estás admirado? Explicar-te-ei o 
mistério da mulher e da besta com sete cabeças e dez chifres. 8 A besta 
que existia, mas não existe mais; está para subir do Abismo, mas caminha 
para a perdição. [...] ficarão admirados ao ver a besta, pois ela existia, não 
existe mais, mas reaparecerá. 9 Aqui é necessário a inteligência que tem 
discernimento: as setes cabeças são 7 montes sobre os quais a mulher 
está sentada. São também 7 reis, 10 dos quais cinco já caíram, um existe 
e o outro ainda não veio, mas quando vier deverá permanecer por pouco 
tempo. 11 A besta que existia e não existe mais é ela própria, o oitavo e 
também um dos sete, mas caminha para a perdição (Ap 17,7-10).
1º. Otávio Augusto 27 a.C a 14
2º. Tibério 14 a 37
3º. Calígula 37 a 41
4º. Cláudio 41 a 54
5º. Nero 54 a 68
6º. Vespasiano 69 a 79
7º. Tito Flávio 79 a 81
8º. Domiciano 81 a 96
Quando se aplica as explicações na ordem dos imperadores romanos tomando 
como base “a besta que existia, não existe mais e ela própria é o oitavo” pode-se 
chegar à mesma conclusão assinalada por Mesters e Orofino:
O anjo diz: “São sete reis, dos quais cinco já caíram, um existe, e o 
outro ainda não veio”. Ou seja, os imperadores desde Augusto até Nero 
já pertencem ao passado, pois “cinco já caíram”. Vespasiano é o “um 
que existe”. Só falta a chegada do sétimo, Tito (79-81), que deverá 
permanecer por pouco tempo, só dois anos. Depois de Tito vem o oitavo 
rei que era um dos sete. Ou seja, virá Domiciano, do qual todos diziam: 
“É Nero que voltou!” Por isso, “este oitavo é também um dos sete!” 
Domiciano é a própria encarnação da besta. Mas ele caminha para a 
perdição (MESTERS e OROFINO, p. 2002, p. 203).
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Importante!
Assim concluímos essa Unidade. As três cartas pertencem à escola joanina, pois 
representam uma época tardia da história da comunidade e a tentativa de regrar a 
leitura e interpretação do Evangelho que devia ter acirrado os confl itos internos que 
já existiam na comunidade. A cristologia foi um pretexto forte para dividir e afi rmar a 
identidade dos diferentes grupos. Outras razões existiam e o EJo já havia denunciado: 
questões em torno da não aceitação do lava-pés (Jo 13), a relação com a sina goga (16,2) 
e uma eclesiologia mais radicalmenteigualitária (15,1s) devem ter provocado confl itos 
entre grupos dentro e fora da comunidade.
Em relação ao Apocalipse, o momento, a geografi a, a linguagem simbólica e a autoria 
testemunham um documento distinto da Escola joanina. Embora a proximidade com 
Éfeso e a atribuição do nome de João no texto e a confi rmação da tradição, tudo indica 
que o Ap trata de uma expressão distinta da escola joanina. A linguagem é de afi rmação 
da identidade contrária aos poderes terrenos e uma absoluta negação do culto ao 
imperador (Ap 13,15). A realidade do martírio é um fato (Ap 13,10) e sua proposta é 
alimentar a fé da comunidade com uma resistência profundamente marcada pela 
esperança no juízo fi nal em que a intervenção divina, especialmente de Jesus, o vivente 
(Ap 1,18), viria confi rmar a vitória sobre os poderes terrenos opressores (Ap 19-22).
Por isso, o Apocalipse não deve ser lido como livro que cause temor. Ao contrário, ele é 
proclamação de esperança para aqueles que perseveram na fi delidade aos princípios do 
amor, da justiça e da solidariedade às vítimas da violência (“aqueles que vêm da grande 
tribulação” [Ap 7,14]). Mas evidentemente, deve ser uma ameaça aos que atuam contra 
os pequenos e os pobres da terra e pactuam a favor da Babilônia e seu sistema opressor 
(Ap 181,s, principalmente 18,11-13).
Importa hoje ler os símbolos do Apocalipse e traduzi-los para os novos sujeitos dos 
tempos atuais. É preciso perguntar quem são as bestas, quais são as Babilônias e os 
mercadores da terra que lucram com coisas e vidas humanas (Ap 18,13).
Em Síntese
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UNIDADE Cartas Joaninas e Apocalipse
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Sites
Cronologias do Novo Testamento
Veja com cuidado algumas cronologias, observe as datas, os imperadores e os docu-
mentos escritos no Novo Testamento ao longo do primeiro século da Era Comum 
(EC). Abaixo alguns links para acesso de cronologias do Novo Testamento. Esse con-
tato maior e mais demorado com cronologia do século primeiro devem ajudar muito a 
compreensão das Cartas Joaninas e do Apocalipse.
https://goo.gl/qC6bPx
https://goo.gl/gsb1Cj
https://goo.gl/tt3nbr
https://goo.gl/73Vyvc
https://goo.gl/T862Us
https://goo.gl/n3TWwM
 Filmes
O Apocalipse
Assista o filme sobre o livro do Apocalipse. O filme é muito interessante. Tenta ser 
fiel o quanto é possível ao texto. Atenção: não confunda com o filme estrelado com 
Nicolas Cage.
Diretor: Raffaele Mertes
Atores: Richard Harris, Vittoria Belveedere e Benjamin Sadler
Ano: 2015
O Sétimo Selo
Trata-se de filme clássico de Bergman sobre o sentido da vida, da religião, de Deus e 
do diabo, inspirado nos temas do Apocalipse. A baixo você pode ler a ficha técnica.
Direção: Ingmar Bergman
Roteiro: Ingmar Bergman
Elenco: Gunnar Björnstrand, Bengt Ekerot, Nils Poppe, Max von Sydow, 
Bibi Andersson, Inga Gill.
 Leitura
A nova Jerusalém
Breves considerações a partir do livro do Apocalipse de MEDEIROS, Daniel Luiz. 
IN: Studium Theologicum, Artigos, p. 205-222.
https://goo.gl/ybKQdK
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Referências
BROWN, Raymond E. A comunidade do discípulo amado. São Paulo: 
Paulinas, 1983.
HARRINGTON, Wilfrid John. Chave para a Bíblia: a revelação, a promessa, 
a realização. Tradução de Josué Xavier e Alexandre Macintyre. São Paulo: 
Paulus, 1985.
KONINGS, Johan. A Bíblia nas suas origens e hoje. Petrópolis: Vozes, 1998.
KÜMMEL, Werner Georg. Introdução ao Novo Testamento. 2. ed. São Paulo: 
Paulus, 1982.
LOHSE, Eduard. Contexto e ambiente do Novo Testamento. Tradução Hans 
Jörg Witter – São Paulo: Paulinas, 2000.
MESTERS, Carlos e OROFINO, Francisco. Apocalipse de João. Esperança, 
coragem e alegria. Círculos Bíblicos. São Leopoldo/RS – São Paulo/SP: Centro 
de Estudos Bíblicos – Paulus, 2002.
MORESCHINI, Claudio e NORELLI, Enrico. História da Literatura Cristã Antiga 
Grega e Latina. I - De Paulo à Era Constantiniana. Tradução Marcos Bagno. São 
Paulo: Loyola. 1996.
PERKINS, Pheme. As Epístolas Joaninas. IN: JERÔNIMO, São. Novo Comentário 
Bíblico São Jerônimo: Novo Testamento e Artigos Sistemáticos. Tradução Celso 
Eronides Fernandes e equipe - São Paulo: Paulus, 2011. Editores: Raymond 
BROWN; Joseph A. FITZMYER e Roland E. MURPHY. 
VILLAC, Sylvia (coord.). Eu vim para que todos tenham vida em plenitude. 
Introdução ao Novo Testamento. São Paulo: Itebra - Instituto Teológico 
Brasilândia, 2001.
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