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Introdução Olá, aluno(a)! Este material é um convite a conhecer a sociologia e o seu processo de consolidação como ciência. Partimos de uma contextualização de movimentos políticos e intelectuais que favoreceram o surgimento da sociologia, ciência que busca interpretar as transformações sociais emergentes da constituição da sociedade moderna. Em um primeiro momento, a pergunta que pode surgir é: mas, afinal, o que é sociologia? No decorrer da discussão, buscaremos compreender os objetivos, os métodos e as possibilidades dessa ciência responsável por analisar fenômenos sociais, que são os acontecimentos presentes na sociedade que podem influenciar o modo pelo qual nos relacionamos coletivamente. A sociologia possui como principal característica oferecer condições de análise da sociedade em que vivemos, para que seja possível compreendermos a nossa própria experiência de mundo. Nesse sentido, a sociologia nos permite fazer reflexões do tipo: qual é a ordem que seguimos? Como nos organizamos? Existem diferentes maneiras de se organizar socialmente? Como os acontecimentos exteriores influenciam na nossa vida? Pretendemos responder a essas questões de diferentes maneiras, com variados métodos e técnicas de pesquisa, os quais você conhecerá neste material. Compreender o mundo em que vivemos é um grande desafio, assim, aqui, disponibilizaremos ferramentas para que você possa enfrentá-lo. E, então, você está disposto(a) a entender melhor como a sociedade pode influenciar sua trajetória de vida social? Bons estudos! A consolidação da sociologia como ciência: contextos históricos e sociais, características teóricas e metodológicas Josimar Priori Autor Solange Santos de Araújo Autor Fúlvio Branco Godinho de Castro Autor Daiany Cris Silva Autor Objetivos de Aprendizagem Conhecer os fatos históricos e os movimentos políticos e intelectuais que possibilitaram o surgimento do pensamento sociológico. Compreender a sociologia como uma ciência que contribui para a construção de interpretações sobre o mundo moderno. Entender as principais características da sociologia como ciência, bem como suas possibilidades de análise e seus métodos e técnicas de pesquisa. Movimentos políticos e intelectuais que possibilitaram o surgimento da sociologia A consolidação das ciências sociais é resultado de movimentos políticos e intelectuais que “atravessaram” o processo de constituição e de desenvolvimento da sociedade moderna. Esses movimentos emergiram no contexto das discussões sobre as relações humanas e as transformações sociais oriundas da industrialização. Os movimentos políticos e intelectuais ocorridos entre os séculos XVI e XIX, período de mudanças significativas no sistema social ocidental, tinham como principal marcador a constituição da sociedade capitalista e dos valores liberais e burgueses. O que aconteceu nesse momento não foi apenas a transição de uma organização social para outra; muito mais que isso, foi uma mudança radical na maneira de pensar e de agir de toda a sociedade ocidental, que passou a negar normas e valores medievais, em razão da construção da modernidade. Atenção! O conceito de modernidade Hoje, somos todos “modernos”. Só que nos tornamos modernos de maneira muito diferente, e esses caminhos distintos rumo à modernidade deram origem a mais uma camada de nossa construção cultural. Modernus e modernitas são termos do latim medieval que significam “presente”, tanto como adjetivo quanto como substantivo. Costumavam ser utilizados para estabelecer contraste com “antigo” e “antiguidade”, a era greco-romana clássica da civilização europeia. Fonte: Therborn (2013, p. 79). Para entendermos as transformações sociais derivadas desse contexto histórico, precisamos observá-las de modo não isolado, uma vez que constituem o pano de fundo das grandes mudanças na maneira com que a humanidade passou a explicar a vida em sociedade. Diante disso, destacamos a seguir, como em uma espécie de linha do tempo, os principais processos que influenciaram na consolidação da sociologia, ciência que tem como objetivo explicar uma sociedade em transformação. São eles: a Reforma Protestante, o Iluminismo, a Revolução Francesa, a Revolução Industrial e o Positivismo. Pontualmente, todos esses acontecimentos históricos contribuíram para uma quebra de paradigmas da sociedade feudal e aristocrática, promovendo o surgimento de novos valores para o mundo ocidental. Tudo isso passa pela consolidação da ciência em todas as suas especificidades: ciências exatas, ciências da natureza e ciências humanas. Esses conhecimentos constituíram o Estado-nação, a concepção de direito e a democracia moderna, além disso, promoveram uma dinâmica singular nas relações de produção e uma nova concepção de trabalho e de sobrevivência. A Reforma Protestante como uma das precursoras da quebra de paradigmas tradicionais (século XVI) A Reforma Protestante foi um movimento político e intelectual que questionou a autoridade papal e a estrutura da Igreja Católica, no curso do século XVI, na Alemanha. Sob a liderança de Martinho Lutero (1483-1546), teólogo e monge da ordem de Santo Agostinho, a Reforma Protestante propôs mudanças à Igreja Católica, contestando “o poder absoluto da instituição e as práticas de cobranças de indulgências, abusos e corrupções, e defendendo o sacerdócio universal de todos os cristãos, o livre acesso às Escrituras, entre outros” (BARBOSA, 2011, p. 869). Um dos grandes marcos desse período foi quando Lutero, em 1517, elaborou 95 teses e as afixou na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg. Suas teses traziam os questionamentos que o teólogo tinha com relação às práticas da Igreja Católica, consideradas abusivas pelo monge. Em 1520, o Papa escreveu uma carta a Lutero, ameaçando-o de excomunhão caso ele não se redimisse quanto a seus questionamentos. O monge não se redimiu e ainda queimou a carta papal. Excomungado no mesmo ano de recebimento da carta do Papa, Lutero recebeu o apoio da nobreza alemã. Sob essa tutela, o monge divulgou seus escritos e fundou uma nova ordem religiosa, a Igreja Luterana. Desse modo, o teólogo traduziu a bíblia para a língua alemã (até então, a obra só tinha versões em latim, língua conhecida apenas pelas autoridades religiosas). Os protestantes incentivaram uma nova relação com a religiosidade e os meios de produção e de acesso ao conhecimento, buscando difundir o entendimento sobre a humanidade e suas complexidades por meio da razão. Ademais, eles propuseram a dissolução da submissão absoluta da sociedade a uma autoridade divina, representada pela Igreja Católica e sua liderança papal. O movimento iniciado por Martinho Lutero tomou proporções outras que não apenas a reforma religiosa. O teólogo apresentou em suas teses e outros escritos preocupações relativas ao acesso universal ao conhecimento, propondo “mudanças que acabam envolvendo alterações no desenvolvimento de seu país como um todo e, por isso, também na educação” (BARBOSA, 2011, p. 869). O movimento da Reforma Protestante foi precursor de debates cruciais relacionados ao papel do Estado na condução e na organização da sociedade. Um exemplo importante é a proposição da construção de um ensino educacional na Alemanha liberto do FIGURA 1 Lutero queimando a carta papal, em 1520 FONTE: Fondo Antiguo de la Biblioteca de la Universidad de Sevilla / Wikimedia Commons. monopólio da Igreja, que, no âmbito geral, o restringia apenas a alguns, mas também para que ele adquirisse o caráter de um dever do Estado e um direito do cidadão, características que se tornaram essenciais no mundo moderno, ao se discutir o direito à educação de todos. (BARBOSA, 2011, p. 884) A Reforma Protestante pode ser considerada um marco inicial do movimento de contestação dos conhecimentos religiosos como os únicos dotados de “sentido” para explicar a humanidade. Assim, surgiam o início da valorização da ciência e a propagação do acesso universal ao ensino e à produção de conhecimento. A Revolução Industrial (século XVIII): o capitalismo em curso,das manufaturas às grandes indústrias A partir do século XV, com o advento das expansões marítimas (as grandes navegações de comércio ultramarítimas), houve uma ampliação da concepção de mundo para os colonizadores ocidentais, pois a exploração do comércio proporcionou a acumulação de capital pela burguesia comercial (SOUZA, [201-]). Conforme instalaram colônias na África, na Ásia e na América, os europeus viam surgir a possibilidade de um mercado mais amplo, de alcance mundial. A exploração de metais preciosos e o tráfico de pessoas escravizadas, que serviam como mão de obra nas colônias, impulsionaram o comércio e transferiram o poder econômico das cidades-repúblicas aos comerciantes. Ou seja, a expansão comercial e territorial muniu a classe de comerciantes, a burguesia, com capital financeiro suficiente para alçá-la a posições privilegiadas de poder, o que propiciou que protagonizasse o processo de industrialização na Europa (inicialmente protagonizado pela Inglaterra). Iniciada em meados do século XVIII, a Revolução Industrial foi resultado de uma série de fatores, a exemplo do desenvolvimento de uma nova tecnologia de produção, as máquinas a vapor, que inovaram as relações de trabalho nesse período. Por sua vez, essas relações de trabalho foram impactadas pelo movimento migratório de trabalhadores do campo, que iam para as cidades em busca de trabalho e sustento. Ademais, o protagonismo da classe burguesa, financiadora da criação de fábricas, favoreceu o surgimento de um novo mercado consumidor. Esse contexto alterou significativamente a forma de se estabelecer as relações sociais nesse período, principalmente no que diz respeito aos processos de produção de mercadorias. A máquina a vapor foi uma revolução no modo de produção chamado maquinofatura, centrado em fábricas, com máquinas movidas por energia de fonte físico-químico. Esse modelo é baseado em etapas seriais e setorizadas, que dão corpo ao processo de produção em série. A maquinofatura substituiu a manufatura, trabalho via máquinas manuais, dependente, exclusivamente, ou primordialmente, de mão de obra humana. Por um lado, o processo de produção em série da maquinofatura gerou muito desemprego, mas, por outro, diminuiu o valor da mercadoria e acelerou o ritmo de produção, o que pode alargar as margens de lucro de líderes industriais. O objetivo para se aperfeiçoar as técnicas de produção era ter menos trabalhadores e, ainda assim, produzir mais (dessa forma, os lucros teriam um aumento considerável). Segundo Martins (1994), a Revolução Industrial foi o triunfo do capitalismo, uma vez que, aos poucos, os empresários concentraram máquinas, ferramentas e grandes extensões territoriais em suas mãos, fazendo com que parte considerável da população se transformasse em simples trabalhadores sem posses. Dessa forma, surgiu uma sociedade dividida em classes, na qual o poder econômico e de produção está concentrado nas mãos de pequenos grupos, a classe burguesa, que utiliza a força de trabalho dos demais para a exploração e o acúmulo de capital. É possível afirmar que as mudanças ocorridas na Revolução Industrial estabeleceram uma nova ordem de organização social na sociedade ocidental, assim como percebemos na atualidade, com a revolução das tecnologias da FIGURA 2 Máquina a vapor FONTE: Tacarijus / Wikimedia Commons. informação e da comunicação. Mudanças radicais na maneira de se organizar o mundo surgiram, e o que elas possuem em comum “é o fato de gerarem descontinuidades profundas nos mais variados setores da vida em sociedade” (NICOLACI-DA-COSTA, 2002, p. 194). Essas descontinuidades surgem no sentido de romper os moldes anteriores de organização social. O Iluminismo e a Revolução Francesa (século XVIII): o processo de instauração da ordem liberal burguesa Marcando uma ruptura dos valores feudais e aristocratas da Idade Média, “o Iluminismo constituiu-se sob a base de um programa fundado na construção racional da sociedade” (GONÇALVES, 2015, p. 281), ao questionar a intolerância religiosa e o poder absolutista da realeza europeia. A Idade Média, conhecida como “período das trevas”, teve seu fim quando os filósofos iluministas propuseram a construção de uma “época das luzes”, em que o conhecimento científico e a razão seriam adotados como fundamentos maiores de justiça. “Era a razão justa; refletia o direito igual” (GONÇALVES, 2015, p. 281). FIGURA 3 Filósofos iluministas reunidos no Salão de Madame Geoffrin. Óleo sobre tela de Anicet Charles Lemonnier, 1812 FONTE: Anicet Charles Lemonnier [1812] / Wikimedia Commons. Dentre os principais pensadores iluministas, podemos destacar Jean-Jacques Rousseau. Em sua obra intitulada “O contrato social”, originalmente publicada em 1762, esse filósofo suíço explica que o contrato social é o acordo coletivo de organização social e de adesão a um conjunto de regras, a fim de garantir a igualdade de condições de sobrevivência e o bom convívio social. Na leitura de Rousseau (1978), o contrato social deve ser sedimentado em uma decisão geral que legitima a liberdade de os indivíduos envolvidos escolherem a melhor forma de organização coletiva. O pensamento desse filósofo foi a base para a construção das democracias europeias, principalmente no processo de Revolução Francesa, o qual trataremos mais adiante. O movimento intelectual iluminista inspirou, de acordo com Gonçalves (2015, p. 281), a concepção moderna de democracia, e também de direito, é produto desta razão, moralmente universalizada: enquanto o racional caracterizava-se pelo bem e pelas luzes, o irracional era identificado com o mal e o obscurantismo. Nesse período, o principal objetivo dos intelectuais engajados nesse movimento era difundir o ideal de que uma sociedade próspera é aquela que interpreta as suas relações e complexidades por meio da razão e de argumentos legitimados pela ciência. Inspirada pelos ideais iluministas, a Revolução Francesa propôs a aplicação de uma prática social com base no direito universal de toda a população francesa. Ocorrida também no século XVIII, a Revolução Francesa foi um movimento contra o absolutismo do rei Luís XVI e da rainha Maria Antonieta. O lema “Liberdade, Igualdade, Fraternidade” possui forte influência iluminista e busca incentivar um conjunto de ações que visam à construção de uma sociedade mais harmônica e não submissa ao poder absoluto (FURET, 1989). A obra de Eugène Delacroix, “A liberdade guia o povo”, representa de forma profunda o significado da Revolução Francesa para o povo francês. A liberdade seria a libertação com relação ao poder aristocrático, e esse foi um período de transição dos grupos em posição de poder. A burguesia francesa tomou a frente desse movimento e, posteriormente, assumiu as instâncias de poder da França. A Tomada da Bastilha, em 14 de julho de 1789, foi o marco dessa revolução. FIGURA 4 “A liberdade guiando o povo” FONTE: Eugène Delacroix [1830] / Wikimedia Commons. A Bastilha era uma fortaleza medieval para prisioneiros da época. Em 14 de julho de 1789, os revolucionários franceses ocuparam o espaço como símbolo de seu rompimento com o poder monárquico do rei Luís XVI, que impunha um sistema de taxação desigual para controlar a crise econômica que assolava o país. A Tomada da Bastilha representa uma nova organização social, que seria difundida na França e em boa parte da Europa. Nesse contexto, a burguesia (classe de comerciantes) passaria a protagonizar as instâncias de poder. Saiba mais! A relação entre os direitos humanos e a Revolução Francesa A Revolução Francesa pode ser considerada um dos processos sociais que possibilitaram o surgimento da cidadania e dos direitos democráticos. No site da Universidade Federal de Santa Maria, há a tradução da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, elaborada durante a Revolução Francesa, de 1789. O material é considerado o primeiro documento oficial dos direitos humanos na sociedade ocidental. Fique por dentro, acesse: Clique Aqui Fonte: Elaborado pelos autores. Os ideais iluministase a Revolução Francesa compõem o cenário de ascensão da burguesia. Esses movimentos deram origem a um novo tipo de governo, o Estado- nação, em que os representantes são escolhidos pelo povo, e não mais pelo direito sagrado de poder, como era o caso das monarquias. É importante que você FIGURA 5 “A Tomada da Bastilha” (no centro, se vê a prisão de Bernard-René Jourdan de Launay, marquês de Launay, 1740-1789) FONTE: Jean-Pierre Houël [1789] / Wikimedia Commons. perceba a substituição dos grupos de poder e de ideais promovidos nesse período, pois isso contribuiu para a construção das instituições governamentais da modernidade. O Positivismo e o surgimento de uma ciência social (século XIX) A Revolução Industrial promoveu mudanças na divisão social do trabalho, até então inéditas, o que implicou nova organização econômica e política. Por sua vez, a Revolução Francesa tinha como propósito dar um fim aos privilégios herdados pela nobreza e promover a igualdade de direitos e oportunidades. Todo esse contexto social fez com que inúmeros pensadores procurassem compreender as repercussões dessas revoluções nos moldes de organização social emergentes. Esses estudiosos deram origem a uma herança intelectual que possibilitou o surgimento da sociologia como ciência, no século XIX. Ao mesmo tempo, a Europa Ocidental consolidava a sociedade capitalista, sistema social vigente até os dias atuais. Porém, o capitalismo ocidental trouxe diversas problemáticas. Com o surgimento de fábricas que abrigavam as máquinas, um grande número de operários foi considerado desnecessário, fato que gerou desemprego e extrema pobreza, inaugurando contexto de desigualdade social, desconhecido até então. Além disso, o êxodo rural rapidamente superpopulou as cidades. Houve uma grande quantidade de trabalhadores que passaram a oferecer mão de obra em abundância e cada vez mais barata. Assim, com as cidades superpovoadas, as pessoas em busca de emprego nas fábricas e os indivíduos desempregados, o número de miseráveis foi aumentando consideravelmente. Problemas de infraestrutura nas cidades, aglomeração de pessoas miseráveis, sujeitos desempregados, esses e outros fatores resultaram em miséria, fome, violência e condições de sobrevivência cada vez mais precárias para os menos favorecidos pelo sistema capitalista. Diante de todas essas mazelas sociais, o filósofo francês Auguste Comte (1798-1857) procurou entender essa sociedade capitalista desigual e problemática em consolidação. As principais questões desse pensador eram: como nossa sociedade funciona? Quais são os motivos para os conflitos e a desordem social? Comte, então, começou a desenvolver um método para se pensar a sociedade por meio de uma ciência positivista. Você sabe o que isso significa? Significa que Comte acreditava na superioridade da ciência e no poder que ela tem de explicar os fenômenos sem a utilização de parâmetros religiosos e míticos. Para esse filósofo, a ciência poderia dar conta de oferecer soluções e estabelecer a ordem social. Entendo por física social a ciência que tem por objeto próprio o estudo dos fenômenos sociais, segundo o mesmo espírito com que são considerados os fenômenos astronômicos, físicos, químicos e fisiológicos, isto é, submetidos a leis invariáveis, cuja descoberta é o objetivo de suas pesquisas. Assim, ela se propõe diretamente a explicar, com a maior precisão possível, o grande fenômeno do desenvolvimento da espécie humana, visto em todas as suas partes essenciais. (COMTE, 1972, p. 86) A ciência que poderia investigar os problemas sociais em pauta e propor iniciativas de reordenamento social seria uma ciência social, a sociologia. Comte foi o primeiro teórico a utilizar o termo “sociologia”, em seu curso de filosofia positiva, em 1839. O autor pretendia mapear os métodos já utilizados nas ciências naturais (física, biologia, matemática) e aplicá-los ao estudo da sociedade. Surgiria, assim, uma física social, um conhecimento científico das relações humanas e de suas instituições. A física social seria uma ciência naturalista da sociedade, capaz de explicar o passado da humanidade e predizer seu futuro por meio de métodos de investigação já bem-sucedidos no estudo da natureza: observação, comparação e experimentação O Positivismo de Auguste Comte foi o movimento responsável por fundar a sociologia como ciência. Foi nesse período que o avanço científico alcançou as questões sociais, buscando interpretá-las. O surgimento da sociologia “sela” todo esse processo de proposição de novos valores sociais para a construção de uma sociedade moderna. Comte possuía muitos traços do pensamento filosófico, por esse motivo, não constituiu um estudo sociológico empiricamente fundamentado, tal como buscamos realizar na atualidade. No entanto, é importante destacar que o Positivismo, além de propor um novo método de pesquisa afeto aos problemas sociais, influenciou diversos movimentos de organização política no mundo todo. Atenção! “Ordem e Progresso” Você já prestou atenção no lema da bandeira brasileira, “Ordem e Progresso”? Você sabia que ele é inspirado no Positivismo? A frase “Ordem e Progresso”, estampada na bandeira nacional, é inspirada no seguinte lema positivista: “O amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim” (COMTE, 1972). A frase demonstra o principal objetivo da filosofia positivista: estabelecer a ordem social por meio do conhecimento científico. O estabelecimento da ordem seria uma sociedade em pleno progresso e desenvolvimento; já o amor é o elemento que institui a solidariedade na convivência social, por isso, é destacado como um princípio. Fonte: Elaborado pelos autores. Diante de todo esse contexto histórico de formação da sociedade capitalista tal como a conhecemos hoje, é importante destacar que os movimentos políticos e intelectuais citados até o momento estão presentes nas principais obras de autores canônicos das ciências sociais. Os fundamentos da sociologia, publicados por Émile Durkheim, em 1895, no livro “As regras do método sociológico”, possuem forte influência de aspirações iluministas e positivistas, segundo a perspectiva de depositar na ciência um valor privilegiado de leitura da realidade. Na obra “Da divisão do trabalho social”, publicada em 1893, Durkheim analisa as relações de trabalho na sociedade capitalista, tema que também foi abordado por Karl Marx em “O capital”, de 1867. Ambos os autores consideram os processos de especialização do trabalho durante o desenvolvimento da Revolução Industrial. O trabalho tornou-se um tema essencial para a sociologia durante sua consolidação. O sociólogo alemão Max Weber, por exemplo, relacionou a Reforma Protestante ao estabelecimento de valores liberais nas relações sociais e à valorização do trabalho assalariado como meio principal de vida, na obra “A ética protestante e o ‘espírito’ do capitalismo”, de 1904. Destacamos as relações dessas produções com seus contextos históricos para reafirmar que a sociologia é resultado da necessidade de compreender e de interpretar as transformações sociais que impactaram e ainda impactam no modo de vida ocidental. Posteriormente, falaremos com mais calma sobre cada uma dessas obras e respectivas teorias de seus autores. No entanto, a seguir, apresentaremos brevemente os principais pensadores da sociologia. Pensadores clássicos da sociologia Os clássicos da sociologia são pensadores que forneceram subsídios para a criação de instrumentos de análise, além de perspectivas teóricas e contribuições reflexivas sobre o funcionamento de nossa sociedade. Os autores que se destacam como clássicos dessa disciplina são: Marx, Weber e Durkheim. Consideramos suas concepções teóricas como precursoras do pensamento sociológico, e é por esse motivo que merecem destaque neste material. Émile Durkheim O francês Émile Durkheim (1855-1917) inspirou-se na teoria positivista de Comte. Para esse pensador, a sociedade é regida por leis exteriores e independentes da vontade humana. Portanto, a sociedade orienta nossos comportamentose ações. O principal objetivo de Durkheim era tornar a sociologia um conhecimento científico. Max Weber O sociólogo alemão Max Weber (1864-1920) centrou sua discussão teórica nas ações individuais, com uma perspectiva oposta à de Durkheim. Para Weber, não FIGURA 6 Émile Durkheim FONTE: M. Armando / Wikimedia Commons. existem leis universais que regem a vida em sociedade. Além disso, segundo esse sociólogo, a compreensão de um fenômeno social deve partir da análise do comportamento individual perante a coletividade. Karl Marx Karl Marx (1818-1883), revolucionário pensador alemão, inovou as discussões sobre as relações de produção e de trabalho na sociedade capitalista. Sob uma perspectiva socialista, Marx procurou analisar as estruturas de poder e as desigualdades sociais com objetivo de transmitir à classe trabalhadora uma crítica política da sociedade de seu tempo. FIGURA 7 Max Weber FONTE:��ೕ� / Wikimedia Commons. As bases para a compreensão da vida em sociedade que cada um desenvolveu construíram diferentes concepções sobre a organização social, influenciaram muitos outros teóricos das ciências sociais e inspiraram a criação de diversas escolas de pensamento na sociologia. No entanto, é importante destacar que todas essas perspectivas teóricas emergiram de mudanças sociais relativas à consolidação do capitalismo moderno, portanto, a busca pelo entendimento das relações humanas durante o processo de modernização da sociedade ocidental é o fator comum entre os interesses de investigação científica e as diferentes metodologias desses autores. FIGURA 8 1.8: Karl Marx FONTE: John Jabez Edwin Mayal [~1875] / Wikimedia Commons. A sociologia como uma forma de interpretar o mundo: objetivos e principais características Agora que já compreendemos em termos gerais quais são os movimentos políticos e intelectuais que possibilitaram a consolidação da sociologia como ciência, vamos nos concentrar em debater quais são suas principais características. É possível destacar até aqui que a necessidade de compreensão das transformações sociais ocorridas no fim do último milênio provocou um ímpeto de conscientização sobre quais são as formas de organização da realidade social, bem como seu impacto na vida em sociedade. Ademais, percebe-se que a sociedade ocidental passou a centrar sua organização em processos mais “racionais”, pautados no conhecimento científico, nos avanços tecnológicos e na reconfiguração dos modelos de produção e das estruturas políticas, o que resultou na criação de um sistema social totalmente novo. Para mobilizar esse novo sistema social, de forma a organizá-lo e a projetar melhorias e aperfeiçoamentos, o entendimento dos processos em curso tornou-se algo essencial, e é por esse motivo que a sociologia surgiu como uma ciência capaz de interpretar o mundo em que vivemos. De acordo com Mills (1969), para compreender as próprias experiências sociais, é necessário ser cônscio, lúcido e consciente com relação às possibilidades de vida reservadas pela convivência social. Além disso, é preciso observar a trajetória de quem nos cerca, sendo esta uma maneira de estimular a construção de um olhar atento para os acontecimentos do mundo em que vivemos. Para Mills (1969), esta é a principal contribuição da sociologia: fornecer a possibilidade de compreender o mundo ao redor para além do que é tido como “certo”, sem predefinições. Nesse sentido, ao desenvolvermos as nossas próprias percepções, será possível localizar o nosso papel dentro da sociedade e planejar ações individuais e coletivas. Essa lógica de pensar sociologicamente, proposta por Mills (1969), possibilita aguçar a visão de que há uma ordem e uma estrutura exteriores aos seres humanos. Dessa maneira, apenas quando nos tornamos conscientes desses processos de construção social é que podemos intervir sobre eles ou, pelo menos, administrá-los, afirma Mill (1969). Atenção! Compreender a sociedade é compreender a própria experiência “O indivíduo só pode compreender a sua própria experiência e avaliar o seu próprio destino localizando-se dentro de seu período. Só pode conhecer as suas possibilidades na vida tornando-se cônscio das possibilidades de todas as pessoas nas mesmas circunstâncias. Sob muitos aspectos, é uma missão terrível, sob muitos outros, magnífica”. Fonte: Mills (1969, p. 12). Segundo essa perspectiva, a sociologia possui um papel social essencial na sociedade moderna, que é o de construir interpretações sobre a forma com que funcionamos e nos organizamos coletivamente. Para Mills (1969), a capacidade de produzir essas interpretações sobre o mundo não é exclusiva de cientistas sociais, mas só é possível por meio do pensamento sociológico, que se constitui da contextualização histórica e política de nossas estruturas sociais. Esse movimento reflexivo de interpretação da realidade é o que Mills (1969) chama de “imaginação sociológica”. E, para mobilizá-la, devemos responder ao seguinte conjunto de questões (MILLS, 1969, p. 13): 1) Qual a estrutura dessa sociedade como um todo? Quais seus componentes essenciais e como se correlacionam? Como difere de outras variedades de ordem social? Dentro dela, qual o sentido de qualquer característica particular para a sua continuação e para a sua transformação? 2) Qual a posição dessa sociedade na história humana? Qual a mecânica que a faz modificar-se? Qual é seu lugar no desenvolvimento da humanidade como um todo, e que sentido tem para esse desenvolvimento? Como qualquer característica particular que examinemos afeta o período histórico em que existe, e como é por ele afetada? Como difere de outros períodos? Quais seus processos característicos de fazer a história? 3) Que variedades de homens predominam nessa sociedade e nesse período? E que variedades irão predominar? De que formas são selecionadas, formadas, liberadas e reprimidas, tornadas sensíveis ou impermeáveis? Que tipos de “natureza humana” se revelam na conduta e no caráter que observamos nessa sociedade, nesse período? E qual é o sentido que para a “natureza humana” tem cada uma das características da sociedade que examinamos? É possível que você, estudante, esteja um pouco atordoado com tantas questões. Em um primeiro momento, parece difícil fornecer alguma resposta, no entanto, de acordo com Mills (1969, p. 11), se o indivíduo utilizar a razão e a lucidez para tentar compreender o que está ocorrendo no mundo e dentro de si mesmo, será capaz de responder a essas questões. O primeiro bloco de questões refere-se à compreensão da nossa estrutura social: qual é a ordem que nos rege coletivamente? Nossa vida em sociedade é orientada pela ordem de produção capitalista, portanto, ao compreender que isso é um dos elementos norteadores da nossa organização social, será possível seguir para o próximo bloco de questões, que busca explicitar quais foram as transformações no tempo histórico que construíram a ordem sob a qual vivemos. Por fim, após esclarecer as bases do nosso sistema social, podemos seguir para o último bloco de questões e buscar um entendimento sobre as diferentes formas de vida em um mesmo meio: elas existem? Quais são os diferentes grupos existentes e suas características? As reflexões de Mills (1969) sobre o pensamento sociológico são essenciais para compreender as temáticas de pesquisa no âmbito das ciências sociais, bem como seus métodos e técnicas. Ainda, a “imaginação sociológica” de Mills (1969) nos mostra que, para sermos conscientes e avaliarmos a nossa própria experiência como sociedade, devemos nos despir de predefinições. Para tanto, é necessário mobilizar “um estado de espírito que permite entender a vida em sociedade como estando submetida a uma ordem, produzida pelo próprio concurso de condições, fatores e produtos da vida social” (FERNANDES, 2008, p. 10-11). O que buscamos destacar, portanto, é que a sociologia primeiramente surgiu como uma concepção de mundo. Somente depois é que foi estabelecida como ciência, fato que torna impossível separá-la das condições históricas esociais que precedem sua existência. Nesse sentido, a pesquisa científica nas ciências sociais, especificamente na sociologia, deve seguir uma objetividade e avaliar todos os elementos que constroem a ordem social e os conjuntos de regras e valores culturais. Abordagens sociológicas: temas e métodos de pesquisa Como discutimos anteriormente, o estudo da sociedade não é exclusividade da sociologia. Muitos movimentos políticos e intelectuais se dedicaram a refletir sobre as transformações do mundo em que vivemos, propondo formas de intervenção nesse contexto. No entanto, a peculiaridade da sociologia está na maneira com que esse campo de estudo lida com as questões sociais, ou seja, pela elaboração de técnicas e de métodos de pesquisa próprios da investigação sociológica. Atualmente, consideramos que a sociologia não é a única ciência que se dedica aos estudos sociais. Ela é parte das ciências sociais, assim como a antropologia e a ciência política. A antropologia dedica-se ao estudo de culturas, hábitos, costumes e comportamentos coletivos; já a ciência política trata do “conjunto de estudos sobre os fenômenos e as estruturas políticas, conduzido sistematicamente e com rigor, apoiado num amplo e cuidadoso exame dos fatos expostos com argumentos racionais” (BOBBIO; MATTEUCCI; PASQUINO, 1998, p. 164). Todos esses campos do conhecimento possuem referenciais teóricos, além de metodologias e abordagens científicas próprias para a investigação dos temas de pesquisa a que se referem. Com relação à sociologia, é possível perceber um maior destaque para essa disciplina, e isso se dá em razão de essa ciência ser a pioneira na consolidação de uma metodologia específica para o estudo da sociedade. Resumidamente, a sociologia dedica-se ao estudo do comportamento humano em coletividade: como nos relacionamos uns com os outros? Como nos organizamos socialmente e formamos sistemas sociais por meio de uma ordem que é exterior às nossas vontades individuais? Como estabelecemos padrões de comportamento? A sociologia é a ciência que analisa essas e muitas outras questões: relacionamentos interpessoais, família, grupos sociais, escola, trabalho, religiosidade, Estado, justiça etc. Diante da diversidade de temas de pesquisa, cabe ressaltar que não há uma separação muito clara entre as diferentes áreas das ciências sociais, pois elas podem se fundir e/ou compartilhar perspectivas científicas. Assim como em qualquer outro campo científico, na sociologia e nas ciências sociais como um todo há um conjunto de técnicas e métodos de pesquisa. Nesse sentido, podemos destacar dois grupos principais: técnicas e métodos quantitativos ou técnicas e métodos qualitativos. No primeiro caso, temos a coleta, a manipulação e a análise de dados quantitativos, censos demográficos, pesquisas eleitorais ou de opinião, questionários de perfil socioeconômico etc., instrumentos que utilizam, normalmente, questões estruturadas, fechadas e de múltipla escolha. No segundo caso, temos uma aplicação e uma análise mais subjetivas, mas isso não significa falta de objetividade ou de rigor científico. Em ambos os casos, existem protocolos de ética e procedimentos predeterminados pela literatura metodológica das ciências sociais. As pesquisas qualitativas podem ser representadas por entrevistas semiestruturadas, com questões abertas, histórias de vida, análise de documentos, observação participante, estudos de caso etc. Segundo Fernandes (2008), o modo de agir e a capacidade de decisão e de julgamento dependem do grau de consciência dos indivíduos com relação às ações dos outros e/ou aos efeitos de possíveis alterações na estrutura e no funcionamento de instituições. Para tanto, a sociologia desenvolveu diferentes métodos e técnicas de pesquisa para auxiliar no entendimento das relações estabelecidas na vida em sociedade, bem como da forma de estruturas e instituições sociais. Avaliar as interferências exteriores sobre a nossa vida cotidiana é a maneira com que essa ciência pode contribuir na nossa ação efetiva em sociedade. Agora que você concluiu a leitura deste estudo, veja, nos vídeos a seguir, temas que complementarão seus estudos: Indicação de Leitura Título: O que é sociologia? Autor: Carlos Benedito Martins Ano: 1994 Editora: Brasiliense ISBN: 9788511010572. Sinopse: esse livro nos ajuda a compreender as diferentes perspectivas da sociologia, com relação às suas dimensões políticas e históricas. Questão 1 Os acontecimentos históricos ocorridos entre os séculos XVI e XIX foram impulsionados por movimentos políticos e intelectuais que causaram mudanças significativas nos processos sociais em curso, culminando em uma reconfiguração do sistema social ocidental. Sobre os acontecimentos mais marcantes desse período, assinale a alternativa correta: A. A Reforma Protestante, liderada por Martinho Lutero, no século XVI, pode ser considerada o marco inicial do movimento de contestação da autoridade absoluta da Igreja Católica, ao promover a restrição do acesso ao ensino e à produção de conhecimento. B. As mudanças geradas pela Revolução Industrial proporcionaram a reorganização social da sociedade ocidental. Suas inovações tecnológicas modificaram os modelos de produção, no entanto, as mudanças relacionadas ao mundo do trabalho foram pouco significativas nesse contexto. C. O principal objetivo do Iluminismo era difundir um ideal de sociedade que só poderia alcançar a prosperidade por meio da razão e de explicações sobre a realidade legitimadas pela ciência aristocrática. D. Em um momento histórico em que havia a ascensão da burguesia e a queda do poder monárquico, a Revolução Francesa se difundiu e propôs uma nova organização política, o Estado-nação. E. Embora os movimentos políticos e intelectuais ocorridos no processo de consolidação da sociedade capitalista tenham gerado mudanças significativas na organização social, eles pouco influenciaram o conhecimento científico. Questão 2 Na tentativa de explicar todas as transformações sociais ocorridas no século XVIII, o filósofo francês Auguste Comte (1798-1857) procurou investigar e entender a sociedade capitalista desigual e problemática que estava em processo de consolidação. Para tanto, esse pensador criou o Positivismo, corrente teórica que cunhou o termo “sociologia” e defendeu a possibilidade de realizar estudos científicos sobre os fenômenos sociais. Acerca do Positivismo, analise as afirmativas a seguir: I. O principal objetivo de Auguste Comte era compreender a ordem social que rege a vida em sociedade. Nesse sentido, apenas a ciência positivista, por meio do estudo dos fenômenos sociais, poderia responder a essa demanda. II. Auguste Comte criou a física social como forma de reproduzir os métodos científicos das ciências naturais e estudar a sociedade. III. Para o Positivismo, os conhecimentos de senso comum, as crendices populares e os credos religiosos poderiam ser considerados no estudo científico. IV. O Positivismo é baseado na superioridade da ciência, em detrimento das explicações sobre os fenômenos sociais por meio da religiosidade e de elementos míticos. Está correto o que se afirma em: A. I, II e IV, apenas. B. IV, apenas. C. I, II, III e IV. D. III, apenas. E. I e II, apenas. Questão 3 Durante sua modernização, a sociedade ocidental passou a adotar valores mais “racionais”, legitimados pelo conhecimento científico. O surgimento da sociologia representou esse processo, que buscou explicar as complexidades humanas por meio da ciência. Sobre as principais características da sociologia, assinale a alternativa correta: A. A sociologia surgiu como ferramenta de intervenção social, de planejamento e de aperfeiçoamento do funcionamento da sociedade. Portanto, uma interpretação científica do mundo era pouco necessária. B. A objetividade científica é desnecessária no processo de estudo de fenômenos sociais. Desse modo, a sociologia é uma ciência abstrata e baseada apenas em teorias desconectadas à realidade. C. Na atualidade, a sociologia édotada de técnicas e métodos próprios de investigação, de caráter qualitativo e quantitativo, a exemplo da análise de dados socioeconômicos e de entrevistas. D. A sociologia faz parte das ciências sociais, no entanto, é a única área do conhecimento dedicada a estudar os fenômenos e as instituições sociais. E. Apesar de a sociologia se dedicar a investigar o comportamento humano em coletividade, ela pouco contribui para que seja possível compreender a experiência individual em sociedade. Síntese Caro(a) aluno(a), neste material, conhecemos os contextos que possibilitaram a formação do pensamento sociológico moderno. Tendo em vista os movimentos políticos e intelectuais que impulsionaram o surgimento da sociologia, é possível afirmar que essa disciplina deu início à valorização do conhecimento científico, em detrimento da autoridade absoluta da religiosidade, característica da Idade Média e da elite aristocrática. Além da ascensão do conhecimento científico, a constituição do Estado moderno foi um marco importante para que questões sobre a organização social passassem a fazer parte do escopo teórico da sociologia Todo o contexto histórico e social apresentado neste material demonstra que a sociologia é um produto cultural. Vimos que a Revolução Industrial e a Revolução Francesa proporcionaram a criação de um ambiente propício à intelectualização dos conhecimentos relativos ao mundo então em emergência. Nesse sentido, a sociologia foi uma disciplina que buscou responder aos anseios de compreensão dessa nova realidade. Assim, a sociologia surgiu como uma forma de interpretação da realidade, buscando compreender qual seria a ordem social que nos organiza coletivamente. Para tanto, foram criadas diferentes especialidades para dar conta das diversas temáticas concernentes à realidade social. Ademais, foram desenvolvidos métodos e técnicas de pesquisa para avaliar as diferentes experiências em sociedade. Referências Bibliográficas BARBOSA, L. M. R. Estado e educação em Martinho Lutero: a origem do direito à educação. Cadernos de Pesquisa, São Paulo, v. 41, n. 144, p. 866-885, set./dez. 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/cp/v41n144/v41n144a12.pdf. Acesso em: 6 jul. 2020., BOBBIO, N.; MATTEUCCI, N.; PASQUINO, G. Dicionário de política. Brasília: Editora UnB, 1998., COMTE, A. Cours de philosophie positive. França: Gallimard, 1972., FERNANDES, F. A. herança intelectual da sociologia. In: FORACCHI, M. M.; MARTINS, J. de S. Sociologia e sociedade: leituras de introdução à sociologia. Rio de Janeiro: LTC, 2008., FURET, F. Pensando a Revolução Francesa. São Paulo: Paz e Terra, 1989., GONÇALVES, G. L. Iluminismo no banco dos réus: direitos universais, hierarquias regionais e recolonização. Revista Direito GV, São Paulo, v. 11, n. 1, p. 277-294, jan./jun. 2015. 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