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História I -32

Aula 17 do Curso Anual de História Geral sobre a Revolução Francesa. Contém introdução com trecho de Hannah Arendt; análise das causas no contexto do Antigo Regime; descrição dos três estados sociais, do sistema tributário, do absolutismo e da crise financeira.

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CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL 
Prof. Monteiro Jr. 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Aula 17 - REVOLUÇÃO FRANCESA 
 
INTRODUÇÃO 
“A data foi a noite do 14 de julho de 1789, em Paris, quando Luís XVI recebeu do duque da La Rochetoucauld-Liancourt a notícia da queda 
da Bastilha, da libertação de uns poucos prisioneiros e da defecção das tropas reais frente a um ataque popular. O famoso diálogo que se 
travou entre o rei e seu mensageiro é muito lacônico e revelador. O rei, segundo consta, exclamou: ‘É uma revolta’; e Liancourt corrigiu-o: 
‘Não, senhor, é uma revolução’.” 
(Hannah Arendt. Da Revolução. São Paulo: Ática; Brasília: Editora da Universidade de Brasília, 1988. pp. 38-39.) 
 
O fragmento acima nos fornece um registro dos primeiros acontecimentos ligados à revolução que varreu a França, a partir de 1789, e 
repercutiu no restante do continente europeu e também na América, transformando-se num verdadeiro divisor de águas na história da 
sociedade ocidental. 
Em sua obra A Era das Revoluções: 1789-1848, o historiador 
Erick HobsbawM diz que a Revolução Francesa “pode não ter sido um 
fenômeno isolado, mas foi mais fundamental do que os outros fenômenos 
contemporâneos e suas consequências foram portanto mais profundas. 
Em primeiro lugar, ela se deu no mais populoso e poderoso Estado da 
Europa (não considerando a Rússia). Em 1789, cerca de um em cada 
cinco europeus era francês. Em segundo lugar, ela foi, diferentemente de 
todas as revoluções que a precederam e a seguiram, uma revolução social 
de massa, e incomensuravelmente mais radical do que qualquer levante 
comparável. (...) Em terceiro lugar, entre todasas revoluções 
contemporâneas, a Revolução Francesa foi a única ecumênica. Seus 
exércitos partiram para revolucionar o mundo; suas idéias de fato o 
revolucionaram. (...) A Revolução Francesa é um marco em todos os 
países.” 
 
DESVENDANDO AS CAUSAS DA REVOLUÇÃO 
O processo revolucionário francês deve ser entendido à luz da crise do Antigo Regime, ou seja, do choque entre as novas forças 
econômicas/sociais/políticas em ascensão, ligadas ao desenvolvimento do capitalismo, e as estruturas tradicionais ligadas ao Antigo 
Regime e seus resquícios feudais. 
Às vésperas da Revolução de 1789, a França era, como já lemos no fragmento de E. Hobsbawn, o país mais populoso da Europa 
Ocidental, com uma população estimada em 26 milhões de pessoas. Sua sociedade encontrava-se organizada em três ordens/estados 
(que refletiam resquícios da sociedade medieval estamental). O primeiro estado era formado pelo clero, cerca de 2% da população. Dividia-
se em alto clero (bispos, cardeais e arcebispos, todos pertencentes à nobreza) e baixo clero (padres e frades, de origem pobre). O segundo 
estado era composto pela nobreza (2,5% da população). Dividia-se em nobreza aristocrática (ou de sangue) e nobreza de toga, de origem 
burguesa, cujos membros obtiveram o título nobiliárquico mediante compra ou mérito. O terceiro estado (95.5% da população), 
extremamente heterogêneo, era formado por todos os que não pertenciam à nobreza e/ou ao clero: burgueses, profissionais liberais, 
artesãos, operários e camponeses. Embora minoritária dentro do terceiro estado, a burguesia conseguiu liderar, durante a revolução, os 
vários grupos sociais que se insurgiram contra o Antigo Regime. 
O país vivia sob um injusto sistema tributário, que isentava a nobreza e o clero do pagamento de impostos. Sendo assim, toda a carga 
tributária recaía sobre os membros do terceiro estado. Calcula-se que um camponês francês, às vésperas da eclosão da revolução, 
entregava cerca de 70% de sua renda bruta no pagamento de tributos ao 
Estado. 
 
Na política, a França era uma monarquia absolutista fundamentada na 
idéia do direito divino dos reis. Segundo essa teoria, o poder real 
provinha diretamente de Deus, cabendo aos súditos completa submissão 
à autoridade do rei, uma vez que o mesmo representa Deus na Terra. 
Portanto, não havia constituição ou leis escritas que se sobrepusessem 
ao poder do rei. À época da Revolução, a França era governada por Luís 
XVI, que herdou de seu avô, Luís XV, um Estado falido, envolvido em 
sucessivas guerras, mergulhado numa terrível crise financeira e com 
receitas que não conseguiam cobrir os elevados gastos públicos, que 
aumentavam continuamente. Calcula-se que apenas 28% da 
arrecadação financeira eram usados para custear os gastos da nação, 
uma vez que 60% da receita eram destinados à amortização de 
empréstimos contraídos pelo Estado e 12% para os gastos com a Corte. 
Diante desse crescente déficit orçamentário, não é de se estranhar a 
frequente troca de ministros da área econômica durante o governo de 
FIQUE POR DENTRO 
A expressão Antigo Regime foi cunhada para descrever 
as instituições que marcaram os países da Europa 
Ocidental entre os séculos XVI e XVIII: 
• absolutismo; 
• práticas mercantilistas; 
• privilégios para a nobreza e o clero; 
• domínio/controle do clero sobre a educação e 
a sociedade. 
A imagem retrata a opressão experimentada pelo terceiro 
estado. 
 
 
http://2.bp.blogspot.com/_39ephwOkYhQ/THPpnqA4NmI/AAAAAAAAAoo/qKblrQEiYFM/s1600/Motiva%C3%A7%C3%B5es+-+ALEGORIA+DA+OPRESS%C3%83O+DO+TERCEIRO+ESTADO+POR+PARTE+DAS+DUAS+CLASSES+PRIVILEGIADAS.jpg
 
 
 
 
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CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. 
Luís XVI (Turgot, Brienne, Necker e Calonne). 
Outro grave problema que a França pré-revolucionária enfrentava envolvia a agricultura. Os anos que antecederam a revolução foram 
marcados por péssimas colheitas devido às crises climáticas (secas e enchentes, de forma cíclica), produzindo escassez de alimentos, alta 
dos preços, fome e ondas de saques e pilhagens por uma população desesperada. Estima-se que, em 1789, 80 mil parisienses morreram 
de fome! 
O pão era o principal (e, às vezes, o único!) alimento do povo. Diante da escassez de alimentos, eram comuns os protestos dos pobres e 
famintos. Estrangeiros que visitavam o país chocavam-se com a vida miserável da massa camponesa. “Cada aldeia tinha sua rua pobre, 
seu pobre fabricante de barris, sua taverna pobre, sua pobre estalagem para a troca dos cavalos dos mensageiros, sua pobre fonte e todos 
os outros pobres estabelecimentos. Tinha também seus pobres habitantes, muitos dos quais tinham como alimento apenas algumas 
cebolas e verduras murchas. E as razões de toda essa pobreza eram claras: os impostos para o governo, o imposto para a Igreja Católica, 
o imposto para os nobres e muitos outros impostos que deviam ser pagos, de acordo com as normas criadas centenas de anos antes. 
Parecia que nenhuma aldeia havia escapado desse ciclo infernal”, escreveu o britânico Charles Dickens em História de Duas Cidades, 
sobre a situação dos camponeses franceses antes da Revolução de 1789. 
Em contrapartida, a Corte vivia em Versalhes, completamente distanciada desses problemas sociais/econômicos. Avesso à política, Luís 
XVI gastava a maior parte do tempo caçando ou dedicando-se a trabalhos de marcenaria, um de seus passatempos favoritos. Sua mulher, 
a austríaca Maria Antonieta, nunca foi vista como rainha pelo povo de Paris. Muitos se referiam a ela, com desdém, como “a austríaca” ou 
“Mme. Déficit”, numa alusão aos seus gastos com roupas, jóias, festas e vida suntuosa. Françoise Giroud, jornalista e escritora francesa, 
fundadora da revista L’Express, escreveu que “Maria Antonieta era bela, es- guia, branca e cor de rosa por baixo de uma suntuosa 
cabeleira loura, com doces olhos azuis de míope e uma graça extrema em seus movimentos. O fato, porém, era que não havia nada 
naquela cabeça tão encantadora, apenas um incontrolável orgulho e um desenfreado apetite pela vida e seus prazeres. Poderia ter sido 
uma amável e medíocre austríaca. A sua desgraça foi aquela de ser rainha da França e no momento errado.” 
 
VÃO-SE OS ANÉIS, FICAM OS DEDOS 
Em 1787, dois anos antesda eclosão da revolução, Callone, ministro 
da economia, propôs uma reforma fiscal que retirava da nobreza e do 
clero o privilégio da isenção fiscal. A iniciativa não era novidade. Cada 
vez que um ministro reformista tentava modernizar o Estado, clérigos e 
aristocratas se levantavam em defesa da manutenção de seus 
privilégios. A proposta foi apresentada à Assembleia dos Notáveis, 
formada por representantes da nobreza e do clero, devido à 
insustentável situação financeira do país. Luís XVI acreditava que a 
nobreza e o clero acabariam por abrir mão, voluntariamente, de seus 
privilégios, diante da grave situação econômica da nação. Mas não foi 
o que ocorreu! Os notáveis se recusaram a abrir mão do privilégio da 
isenção fiscal (não quiseram dar os anéis para manter os dedos). 
Exigiram que o rei convocasse a Assembleia dos Estados Gerais para 
discutir e votar o projeto das reformas. Sem perceber, nobres e 
clérigos criaram as condições para o estopim do processo 
revolucionário francês. “Quando a crise francesa atingiu o seu limite, 
levando o país a um passo da implosão, da Revolução, a nobreza 
buscou sua sobrevivência como estamento, abandonando sua aliança com o absolutismo, debilitando ainda mais o Antigo Regime como 
um todo”, escreveu o historiador Albert Soboul em A Revolução Francesa. 
 
A CONVOCAÇÃO DOS ESTADOS GERAIS: O ESTOPIM DA REVOLUÇÃO 
Em maio de 1789, pressionado pela situação interna, Luís XVI convocou os Estados Gerais para votar o projeto de reformas necessárias, a 
fim de tirar o país da grave crise em que se encontrava. 
Os Estados Gerais eram uma assembleia formada por representantes dos estados/ordens que compunham a sociedade francesa. Sua 
última convocação fora em 1614. O primeiro estado contava com 291 deputados, o segundo com 270 e o terceiro com 578. O sistema de 
votação não era por cabeça, e sim por estado/ordem. O escrutínio por estamento, e não por cabeça, favorecia claramente o clero e a 
nobreza. 
 
Reunião dos Estados Gerais no Palácio de Versalhes, em 1789. 
 
Maria Antonieta e Luís XVI. 
http://4.bp.blogspot.com/_3S-3ddlVri8/TNgo0wS2PSI/AAAAAAAAAA4/7KqNLJa98Ic/s1600/Couder_Stati_generali.jpg
http://1.bp.blogspot.com/_vX778IUWfGE/TUljxZMdzBI/AAAAAAAACa8/DZhCOncZh5Y/s1600/Maria+antonieta+e+lu%C3%ADs+XVI.JPG
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Aula 17 – Revolução Francesa 
 
 
 
 
 
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Clérigos e nobres acreditavam que poderiam controlar as decisões dos Estados Gerais, uma vez que o tradicional sistema de votacão 
determinava o voto por estamento. Assim, deputados do primeiro e do segundo estado poderiam se unir e inviabilizar qualquer mudança 
que alterasse os privilégios que a nobreza e o clero desfrutavam há séculos. 
Percebendo a manobra, os deputados do terceiro estado, em sua maioria pertencentes à burguesia, não aceitaram o sistema tradicional de 
votação, propondo que o voto fosse computado por cabeça. O terceiro estado defendia o voto por cabeça porque sabia que alguns 
deputados da nobreza e do clero eram simpáticos às reformas em pauta. Dessa forma, teria maioria na Assembleia dos Estados Gerais. 
Clero e nobreza não aceitaram a proposta do terceiro estado. O impasse estava armado e a pauta da assembleia obstruída enquanto não 
se tomasse uma decisão quanto ao sistema de votação. E foi assim que os deputados do terceiro estado deixaram o recinto onde se 
realizava a Assembleia dos Estados Gerais e se reuniram num salão utilizado para o jogo de péla (uma modalidade de tênis disputada em 
espaço fechado). Ali juraram não se separar até que se elaborasse uma constituição paraa França. Esse episódio ficou conhecido como o 
“juramento da sala do jogo de péla” e assinala o verdadeiro início do processo revolucionário francês, quando se instala uma assembleia 
nacional constituinte sob a liderança dos deputados do terceiro estado. 
 
A CHAMA REVOLUCIONÁRIA SE ESPALHA 
Depois que os deputados do Terceiro Estado, como apoio de alguns membros 
da nobreza e do clero, se declararam em Assembleia Nacional, o rei Luís XVI 
tentou dissolver o ajuntamento. A guarda real foi convocada para sitiar o local 
onde a Assembleia Nacional se encontrava reunida, intimando os deputados a 
desfazê-la. Conta-se que o Conde de Mirabeau, nobre que aderiu aos 
revolucionários, respondeu à intimação: “Ide e dizei ao rei que aqui estamos 
pela vontade do povo e daqui só sairemos pela força das armas”. 
Pretendendo ganhar tempo (e também temendo perder o controle da situação), 
Luís XVI determinou que os deputados do Primeiro e Segundo Estados se 
unissem aos do povo na elaboração da primeira constituição do país. 
Em secreto, o rei tramava contra os revolucionários, despachando cartas aos 
países absolutistas vizinhos, recrutando tropas estrangeiras, a fimde que essas 
invadissem a França e esmagassem a revolução em andamento. 
Como reação dos revolucionários em defesa da permanência da Assembleia 
Nacional Constituinte foi organizada a Guarda Nacional, uma milícia burguesa 
que acabou por incentivar a população a se armar e resistir às forças 
conservadoras. Panfletos revolucionários circulavam por Paris, alimentando 
ainda mais a agitação e as manifestações populares. Emmanuel Joseph Sieyès, 
abade, escreveu o mais famoso deles, O que é o Terceiro Estado (veja a caixa 
de leitura acima). 
 
A 14 de julho de 1789, uma multidão invadiu a Bastilha, uma fortaleza usada 
como prisão política. Ali o rei enjaulava quem bem entendesse, daí ter se 
tornado um dos símbolos mais odiados do regime absolutista francês. Ao 
contrário do que muitos pensam, o objetivo dessa ação não era a libertação de 
presos, mas a obtenção de armas e pólvora, que eram guardadas nos porões da 
prisão. 
 
Hoje da antiga prisão sobrou apenas o desenho do seu perímetro, traçado 
sobre o calçamento da Place de La Bastille. De acordo com Michel Vovelle, 
catedrático de História da Revolução na Sorbonne, Paris apagou boa parte de 
sua história revolucionária (salvo exceções, como uma mal conservada 
estátua de Danton, um dos líderes revolucionários, na saída do metrô de 
Carrefour Odeon, onde começa uma ruela que leva seu nome). Aos oucos os 
acontecimentos na capital repercutem no campo, produzindo diversos 
movimentos pelo interior do país. As massas camponesas invadem 
propriedades, queimam castelos, pilham bens e executam nobres. Essa onda 
de violência ficou conhecida como Grande Medo. 
“O Grande Medo nasceu do medo do bandido, que por sua vez é explicado 
pelas circunstâncias econômicas, sociais e políticas da França em 1789. No 
Antigo Regime, a mendicância era uma das chagas doscampos; a partir de 
1788, o desemprego e a carestia dos víveres a agravaram. As inumeráveis 
agitações provocadas pela penúria aumentaram a desordem. A crise política 
também ajudava com sua presença, porque superexcitando os ânimos ela fez 
o povo francês tornar-se turbulento. (...) Quando a colheita começou, o conflito 
entre o Terceiro Estado e a aristocracia, sustentada pelo poder real, e que em 
diversas províncias já tinha dado às revoltas da fome um caráter social, transformou-se de repente em guerra civil.” 
(LEFEBVRE, George. O grande medo de 1789. Rio de janeiro: Campus, 1979.) 
 
Primeira página do panfleto de Sieyès, O que é o 
Terceiro Estado, onde se lê: 
“O plano desse escrito é muito simples. Temos três 
questões a tratar: 
1 – O que é o Terceiro Estado? Tudo. 
2- O que ele tem sido na ordem política? Nada. 
3 – O que ele solicita? Tornar-se alguma coisa.” 
 
A queda da Bastilha, 14/07/1789. 
http://fr.wikipedia.org/wiki/Fichier:Qu'est_ce_que_le_Tiers_Etat.jpg
 
 
 
 
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A MARCHA DAS MULHERES 
Em outubro de 1789, cerca de 6 mil mulheres marcharam de Paris a Versalhes, 
invadindo o Palácio Real.Exigiam que a rainha aparecesse num dos balcões do 
palácio. Clamavam por pão, protestavam contra as longas filas, a escassez de 
alimento e os altos preços dos cereais. Ken Hills descreve, em A Revolução 
Francesa, a cena: “Ela [Maria Antonieta] veio então a um dos balcões e ficou 
sozinha, face a face com o povo que pouco antes pedia sua morte. Por um 
momento, tudo fica em silêncio. Muitas armas são apontadas em sua direção, 
mas ninguém atira. ‘Para Paris’, grita uma voz, seguida de milhares de outras. 
Terminou a provação. Pálida, quase desfalecida, a rainha voltou para dentro.” 
Forçado pela multidão, Luís XVI e a família real deixaram o Palácio de Versalhes 
e passaram a residir em Paris, no Palácio das Tulherias. A estratégia das mulheres era clara: se a família real estiver em Paris, haverá pão! 
Por isso as mulheres marcharam até Versalhes dizendo que iriam buscar “o padeiro e a padeira”. 
 
A ASSEMBLEIA NACIONAL CONSTITUINTE 
O período que, na história do processo revolucionário francês 
se estende de 1789 a 1791 é chamado de Assembleia Nacional 
Constituinte. Paralelamente às agitações que tomavam conta 
do país, os deputados votaram a aprovaram a abolição dos 
privilégios feudais, o confisco de terras da Igreja (numa 
tentative de resolver a crise financeira), a Declaração dos 
Direitos do Homem e do Cidadão e a Constituição Civil do 
Clero, que subordinava o clero francês ao Estado 
revolucionário, transformando os sacerdotes em funcionários 
públicos (o papa Pio VI opôs-se a isso, bem como a maior parte 
do clero). 
Refletindo sobre a Declaração dos Direitos do Homem e do 
Cidadão, o historiador inglês Eric Hobsbawm escreveu em A 
Era das Revoluções: “Este documento é um manifesto contra a 
sociedade hierárquica de privilégios nobres, mas não um 
manifesto a favor de uma sociedade democrática e igualitária. 
‘Os homens nascem e vivem livres e iguais perante as leis’, 
dizia seu primeiro artigo; mas ela também prevê a existência de distinções 
sociais, ainda que ‘somente no terreno da utilidade comum’. A propriedade 
privada era um direito natural, sagrado, inalienável e inviolável.” 
Em meio a todos esses acontecimentos, Luís XVI tenta, em vão, fugir do 
país (provavelmente por temer uma radicalização do processo 
revolucionário). Muitos nobres já tinham deixado a França, emigrando para 
países vizinhos, especialmente o Sacro Império Romano-Germânico. Luís 
XVI e sua família deixaram secretamente Paris, mas acabaram 
reconhecidos e capturados em Varennes e, depois, reconduzidos à capital, 
onde passa a viver sob vigilância. Hobsbawm diz que, a partir desse 
episódio, “o republicanismo tornou-se uma força de massa; pois os reis 
tradicionais que abandonnaram seus povos perdem o direito à lealdade”. 
Em setembro de 1791, chegam ao fim os trabalhos da Assembléia 
Nacional Constituinte, com Luís XVI prestando juramento de obediência à 
Constituição. A primeira carta constitucional francesa estabelecia a monarquia constitucional, a tripartição dos poderes do Estado e o voto 
censitário. Representava uma clara vitória dos ideais moderados da alta burguesia, em oposição aos de outros setores do Terceiro Estado. 
 
ÀS ARMAS, CIDADÃOS 
Em 1792, a França é invadida por tropas austríacas e prussianas. O 
medo de que a revolução se transformasse num rastilho de pólvora 
capaz de incendiar a Europa e a pressão da nobreza francesa 
emigrada foram determinantes na organização das forças contra-
revolucionárias. Era necessário sufocar o movimento revolucionário 
francês e restabelecer a ordem absolutista no país. 
Sob o mote “pátria em perigo”, lideres revolucionários como Danton, 
Marat e Robespierre comandaram a organização de umexército 
popular que, entoando a Marselhesa (o hino da revolução) derrotou 
os exércitos estrangeiros e os expulsou da França. 
Nessa altura dos acontecimentos, era clara a divisão entre os 
próprios revolucionários burgueses. Organizações e agrupamentos políticos começaram a se formar, evidenciando as diversas vertentes 
 
 
DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DO HOMEM E DO CIDADÃO 
(26/08/1789) 
A Assembléia Nacional reconhece e declara, na presença e sob os auspícios do Ser 
Supremo, os direitos seguintes do Homem e do Cidadão: 
Art. I – Os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos. As distinções 
sociais só podem ser fundamentadas na utilidade comum. 
Art. II – O objetivo de toda associação política é a conservação dos direitos naturais e 
imprescritíveis do homem: esses direitos são a liberdade, a propriedade, a segurança 
e a resistência à opressão. (...) 
Art. V – A lei não tem senão o direito de proibir as ações prejudiciais à sociedade. 
Tudo aquilo que não é proibido pela lei não pode ser impedido e ninguém pode ser 
obrigado a fazer aquilo que ela não ordena. (...) 
 
 
Retorno do rei a Paris, depois da tentativa de fuga. 
FIQUE POR DENTRO 
“Allons enfants de la Patrie, 
Le jour de gloire est arrivé (...)” 
Estas são as duas primeiras linhas da Marselhesa (ou La 
Marseillaise), canção revolucionária composta por Claude 
Joseph Rouget de Lisle em 1792 e que acabou se 
transformando no Hino Nacional da França. O trecho acima 
citado diz: 
“Avante, filhos da Pátria, 
O dia da glória chegou”. 
 
http://1.bp.blogspot.com/_39ephwOkYhQ/THR6dzrMHLI/AAAAAAAAApA/WSj8DfsM6Bw/s1600/Assembl%C3%A9ia+Nacional+Constituinte+-+MARCHA+SOBRE+VERSALHES+EXIGINDO+A+VOLTA+DO+REI+A+PARIS.jpg
Aula 17 – Revolução Francesa 
 
 
 
 
 
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ideológicas dentro do movimento revolucionário, o que atesta a heterogeneidade de interesses: 
• Girondinos – defensores da monarquia constitucional e do voto censitário; a maioria de seus membros provinha da alta burguesia 
comercial e industrial; seus deputados sentavam-se à direita do plenário da Assembléia Legislativa. 
• Jacobinos ou Montanheses – defensores da república e do aprofundamento da revolução; seus membros provinham da pequena e 
média burguesia; eram apoiados pelos sans-culottes (massa popular urbana); seus deputados ocupavam a esquerda do plenário 
legislativo. 
• Independentes ou Pântano/Planície – indiscutivelmente revolucionários, mas 
sem posicionamento ideológico preciso; seus membros provinham da alta 
burguesia financeira; seus deputados sentavam-se na parte central do plenário. 
A tentativa de fuga do rei Luís XVI contribuiu para acirrar ainda mais os ânimos 
entre esses grupos. Os jacobinos, insuflados por Robespierre, acusavam o rei de 
tramar contra a revolução e de ter solicitado a invasão do país portropas 
estrangeiras. Defendiam seu julgamento e execução. Os girondinos, temendo a 
radicalização do processo revolucionário, eram favoráveis à concessão de perdão 
ao rei, desde que o mesmo jurasse a Constituição (o que acabou ocorrendo). O 
que servia de elemento comum a esses grupos era o ideal de que as estruturas 
do Antigo Regime não poderiam e nem deveriam ser restauradas. Era preciso preservar as conquistas revolucionárias. 
 
A QUEDA DE LUÍS XVI E A INSTALAÇÃO DA REPÚBLICA 
Depois que as tropas austríacas e prussianas foram vencidas em Valmy, os grupos de oposição à monarquia constitucional não paravam 
de crescer. Como já foi dito, esses grupos acusavam o rei de estar por trás da invasão. A Assembleia Legislativa fora substituída pela 
Convenção Nacional. 
A situação de Luís XVI se complicou depois que um armário secreto de ferro foi descoberto no Palácio das Tulherias, onde o rei vivia desde 
que fora trazido de Versalhes pelas mulheres de Paris. Dentro do armário, foram encontrados mais de 600 documentos que ligavam o 
monarca aos contra-revolucionários estrangeiros e à nobreza emigrada. 
Deposto do trono, Luís XVI é levado a julgamento na Convenção e condenado à morte por “conspirar contra a revolução e trair a pátria”. 
Maximilien Robespierre, através de uma oratória implacável, determina: “Eu pronuncio esta fatal verdade: Luís deve morrer.” 
Para o criminalista italiano Adolfo Gatti, o julgamento deLuís XVI, que culminou em sua execução, foi inconstitucional: “(...) a Constituição 
[de 1791] prevê, no artigo 5, a decadência da qualidade soberana se o rei não prestar juramento de fidelidade. Ocorre que no dia 14 de 
setembro de 1791 o rei jurou. E, em todo caso, a sanção prevista para o monarca que contraria a vontade nacional é exclusivamente a 
abdicação. Somente atos cometidos depois da perda da qualidade soberana poderiam recair na alçada da lei penal.” Outro problema, na 
visão de Gatti, foi o de que uma mesma assembléia (Convenção Nacional) acusou e julgou o rei. Como ela pode ser, “ao mesmo tempo, 
acusador impiedoso e juiz equânime e imparcial?” 
 
A CONVENÇÃO: REPÚBLICA BURGUESA OU POPULAR? 
Depois da Assembléia Nacional Constituinte (1789-91) e da Monarquia Constitucional 
(1791-92), a Revolução ingressa em sua terceira fase, conhecida como Primeira 
República Francesa ou Convenção (1792-95). 
Essa foi a fase mais democrática e, ao mesmo tempo, radical do processo 
revolucionário. As disputas políticas atingem seu ponto máximo, dividindo a burguesia 
e colocando em risco o futuro das conquistas revolucionárias. A situação de crise 
econômica não dá trégua ao país. Uma revolta camponesa contra o recrutamento 
militar eclode na região de Vendeia, estimulada por nobres e clérigos contra-
revolucionários. No plano externo, forma-se a Primeira Coalizão Europeia (Áustria, 
Prússia, Inglaterra, Espanha e Holanda) contra a França. Essa conjuntura acabou por 
criar as condições para a tomada do poder pelos jacobinos, que passaram a controlar 
a Convenção. 
Sob o governo dos jacobinos, a Revolução conheceu seu momento mais radical, o 
Terror, marcado por centenas de execuções dos supostos inimigos do processo 
revolucionário. 
Refletindo sobre o Terror jacobino, o historiador Edward McNall Burns, em História da 
Civilização Ocidental, diz que esses anos “foram de cruel ditadura na França. (...) 
Durante o período do Terror, de setembro de 1793 a julho de 1794, foram executadas 
em toda a França cerca de vinte mil pessoas, segundo as estimativas mais dignas de 
crédito. Uma lei de 17 de setembro de 1793 tornava objetiva de suspeicão qualquer 
pessoa que tivesse sido ligada de alguma forma ao governo Bourbon ou aos 
girondinos; e nenhuma pessoa que fosse suspeita, ou de quem se desconfiasse ser 
suspeita, estava a salvo de perseguições.” 
O braço político do Terror jacobino foi o Comitê de Salvação Pública, dirigido por Robespierre, destinado a combater os inimigos internos 
da Revolução (ao lado do Comitê de Salvação Nacional, encarregado de combater os inimigos externos). 
A ex rainha Maria Antonieta, nobres, clérigos, camponeses, artesãos, girondinos e até mesmo jacobinos, qualquer pessoa poderia enfrentar 
o Tribunal Revolucionário e acabar decapitada pela guilhotina. Até mesmo o líder revolucionário Danton foi guilhotinado, sob a acusação de 
SAIBA MAIS 
A expressão sans-culottes (“sem culotes”) era 
usada, na época da Revolução, em referência aos 
que não usavam os calções apertados e até os 
joelhos, típicos da aristocracia. Com o tempo 
passou a ser utilizado para caracterizar as massas 
populares urbanas mais radicais dentro do 
processo revolucionário. 
FIQUE POR DENTRO 
O assassinato de Jean-Paul Marat (1793), médico e 
editor do jornal revolucionário L’ami Du Peuple, 
muito difundido entre as classes populares, 
contribuiu para a instalação do Terror jacobino. 
Inimigo visceral dos girondinos, Marat era idolatrado 
pelos sans-culottes. Foi assassinado em casa, 
imerso numa banheira (sua dermatose inflamatória 
o obrigava a freqüentes e demorados banhos de 
imersão para aliviar a coceira e o prurido), por uma 
girondina, Charlotte Corday. Sua morte provocou 
grande comoção popular, transformando-o num 
mártir da Revolução. 
 
 
 
 
 
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CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. 
ter se tornado um contra revolucionário. 
Roberspierre, à frente do Terror, justificou, de acordo com Burns, “a crueldade como necessária e, portanto, como um expediente louvável 
para promover o progresso da revolução.” Saint-Just, outro líder jacobino, engrossava as fileiras radicais, defendendo “punir não apenas os 
traidores, mas até os indiferentes; punir quem quer que seja passivo na República e não faça nada por ela; pois desde que o povo francês 
manifestou sua vontade, tudo que se opõe a ele está fora da soberania (...) é seu inimigo.” 
Segundo Hobsbawn, Roberspierre “(...) não era uma pessoa agradável; (...) mas é o único 
indivíduo projetado pela Revolução (com exceção de Napoleão ) sobre o qual se desenvolveu um 
culto. Isto porque, para ele, como para a história, a República Jacobina não era um instrumento 
para ganhar guerras, mas sim um ideal: o terrível e glorioso reino da justiça e da virtude, quando 
todos os bons cidadãos fossem iguais perante a nação, e o povo tivesse liquidado com seus 
traidores.” 
O próprio Maximilien Robespierre, em Sobre os princípios do governo revolucionário, diferenciou 
governos constitucionais de governos revolucionários: “O princípio do governo constitucional é 
conservar a República; o do governo revolucionário é fundá-la. O governo constitucional se ocupa 
principalmente da liberdade civil; o governo revolucionário, da liberdade pública. Sob o regime 
constitucional é suficiente proteger os indivíduos dos abusos do poder público; sob o regime 
revolucionário, o próprio poder público está obrigado a defender-se contra todas as facções que o 
ataquem. O governo revolucionário deve aos bons cidadãos toda a proteção nacional; aos 
inimigos do povo não lhes deve senão a morte.” 
Paralelamente à radicalização, às perseguições políticas, execuções e excessos, a Convenção se 
destacou como uma notável fase de realizações e conquistas: 
• Foi votada e aprovada uma nova Constituição em 1793, abolindo o voto universal masculino, ou seja, eliminando o sufrágio pelo critério 
censitário que a primeira Constituição francesa (1791) estabelecera. 
• A Lei do Preço Máximo fixou um teto para os preços dos gêneros 
alimentícios de primeira necessidade. 
• A escravidão foi abolida nas colônias francesas. 
• Criação do ensino primário público e gratuito. 
• Elaboração da Nova Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão 
(1793). 
• Venda aos camponeses das terras dos nobres emigrados (por baixos 
preços). 
• Desenvolvimento do culto ao Ser Supremo, fundado na razão e na 
liberdade. 
• Adoção de um novo calendário com os nomes dos meses do ano 
relacionados às estações da natureza - em oposição ao calendário 
gregoriano, com datas/símbolos ligados ao catolicismo (veja leitura 
complementar ao fim deste capítulo). 
 
A persistência dos problemas econômicos, as ameaças de invasões externas, 
as guerras contra potências estrangeiras, os radicalismos e excessos do 
Terror jacobino, as freqüentes execuções na guilhotina, o sentimento de insegurança da população, o temor burguês quanto à possibilidade 
do confisco de seus bens contribuíram para, aos poucos, isolar o governo de Robespierre e favorecer queda. 
Em julho de 1794, a alta burguesia conseguiu recuperar o controle sobre a Convenção, pondo fim ao governo montanhês. Robespierre e 
outros líderes jacobinos foram julgados e executados na guilhotina. Essa reviravolta é chamada de Reação Termidoriana, pois ocorreu no 
mês do Termidor, segundo o calendário vigente. 
Com a volta da alta burguesia ao poder, diversas decisões tomadas pelos jacobinos foram revogadas (ex: Lei do Preço Máximo) e o país 
mergulha numa onda de perseguições aos montanheses e sans-culottes mais radicais (Terror Branco). 
 
O DIRETÓRIO: A REPÚBLICA NAS MÃOS DA ALTA BURGUSIA 
Em 1795, uma nova Constituição foi adotada na França, restabelecendo o voto censitário e 
instituindo o Diretório, órgão composto por 5 membros (todos da alta burguesia) e que 
exerceria o Poder Executivo. Por isso a fase revolucionáriade 1795 a 1799 é chamada de 
Diretório. 
Para o novo governo, o restabelecimento do voto censitário era uma forma de controlar a 
participação política das massas e de seus líderes, evitando que o processo revolucionário 
pendesse para o radicalismo, como ocorrera na fase da Convenção. Mas não eram apenas 
os jacobinos que preocupavam a alta burguesia à frente do Diretório. O crescimento de 
grupos realistas, que defendiam a restaura ção da monarquia dos Bourbons, representava 
uma ameaça de retorno ao Antigo Regime. 
No plano externo, continuaram as guerras contra potências estrangeiras, desejosas de 
invadir a França e restaurar o absolutismo. No plano interno, novas agitações e levantes, 
O ESTRANHO CULTO AO SER SUPREMO 
No dia 8 de junho de 1794, Paris testemunhou uma das 
cenas mais extravagantes da Revolução. Em frente a uma 
grande multidão, vestido como uma espécie de sacerdote, 
Robespierre discursou contra o ateísmo, conclamando o 
povo a cultuar o Ser Supremo. Em seguida, com uma tocha 
na mão, ateou fogo a um monumento de papelão que 
representava “todos os inimigos da felicidade pública” (bem 
no centro se encontrava uma estátua simbolizando o 
ateísmo). Era a festa do Ser Supremo, instituída por um 
decreto aprovado na Convenção. De acordo com o 
professor Francisco Pitocco, catedrático da Universidade La 
Sapienza, de Roma, Robespierre acreditava que o culto ao 
Ser Supremo ergueria uma barreira insuperável para o 
retorno à superstição e ao império dos padres ambiciosos, 
ao mesmo tempo em que sinalizava à sociedade uma 
política de tolerância que visava reconstruir a unidade da 
opinião pública em torno da religiosidade natural do povo. 
 
FIQUE POR DENTRO 
A Conspiração dos Iguais, liderada por 
Graco Babeuf, foi um movimento de caráter 
popular e igualitário, com traços socialistas. 
Apoiado pela massa de sans-culottes, 
defendia o retorno da Constituição de 1793, 
a igualdade social, a distribuição de terras 
aos camponeses, o que levou seu líder, 
Babeuf, a ser considerado um precursor do 
socialismo. Descoberto pelo Diretório, o 
movimento foi sufocado com a prisão e 
execução de seus líderes. 
	SEMANA 17 - H GERAL - Revolução Francesa - MONTEIRO JR - após correção do professor

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