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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 59 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Somente no século XIX, o conceito começa a se impor. Primeiro, ele ainda carrega um significado pejorativo de degradação das formas renascentistas. Depois, com o historiador da arte H. Wölfflin, surge a ideia de um estilo barroco, com características próprias e merecedoras de atenção. Sergius Gonzaga A partir das ideias contidas no texto, podemos afirmar tratar-se de uma obra barroca a que se encontra no item: a) b) c) d) e) CURSO ANUAL DE LITERATURA Prof. Steller de Paula – VOLUME 1 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência AULA 7 - BARROCO II 7.1) CARACTERÍSTICAS DA LITERATURA BARROCA 7.1.1) FUSIONISMO E REBUSCAMENTO As obras barrocas romperam o equilíbrio entre o sentimento e a razão ou entre a arte e a ciência, que os artistas renascentistas procuram realizar de forma muito consciente; na arte barroca predominam as emoções e não o racionalismo da arte renascentista. É uma época de conflitos espirituais e religiosos. O estilo barroco traduz a tentativa angustiante de conciliar forças antagônicas: bem e mal; Deus e Diabo; céu e terra; pureza e pecado; alegria e tristeza; paganismo e cristianismo; espírito e matéria. Na literatura barroca, essa tentativa de conciliação de forças antagônicas, a que chamamos fusionismo, resultou num estilo rebuscado, numa linguagem complexa, ornamental, repleta de figuras de linguagem. MORALIZA O POETA NOS OCIDENTES DO SOL A INCONSTANCIA DOS BENS DO MUNDO. Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, Depois da Luz se segue a noite escura, Em tristes sombras morre a formosura, Em contínuas tristezas a alegria. Porém se acaba o Sol, por que nascia? Se formosa a Luz é, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza, Na formosura não se dê constância, E na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, E tem qualquer dos bens por natureza A firmeza somente na inconstância. Fonte: http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=downl oad&id=28600 7.1.2) EFERMIDADE DA VIDA, CARPE DIEM A arte Barroca reflete um momento de conflito ideológico entre a mentalidade da Igreja Católica e o pensamento humanista do Renascimento. Dividido entre o antropocentrismo renascentista e o teocentrismo medieval, o homem do Barroco procura conciliar a fruição do mundo material e dos prazeres mundanos à salvação da alma. Assim, por vezes se destacará o carpe diem (desejo de gozar o momento presente), consequência da constatação da efemeridade da vida: “Goza, goza da flor da mocidade, Que o tempo trota a toda ligeireza, E imprime em toda a flor sua pisada. Oh não aguardes, que a madura idade Te converta em flor, essa beleza Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada.” Fonte: http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=downl oad&id=28615 Por vezes se destacará o sentimento de culpa, a noção de pecado e a busca por salvação através do perdão divino: A CHRISTO S. N. CRUCIFICADO ESTANDO O POETA NA ÚLTIMA HORA DE SUA VIDA Meu Deus, que estais pendente em um madeiro, Em cuja lei protesto viver, Em cuja santa lei hei de morrer Animoso, constante, firme, e inteiro. Neste lance, por ser o derradeiro, Pois vejo a minh vida anoitecer, É, meu Jesus, a hora de se ver A brandura de um Pai manso Cordeiro. Mui grande é vosso amor, e meu delito, Porém pode ter fim todo o pecar, E não o vosso amor, que é infinito. Esta razão me obriga a confiar, Que por mais que pequei, neste conflito Espero em vosso amor de me salvar. Fonte: http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=downl oad&id=28622 7.1.3) PESSIMISMO, CONDENAÇÃO DOS VÍCIOS Por conta da influência da religião, a vida terrena é vista com pessimismo, como uma experiência de sofrimento que leva ao pecado; e a religião é apontada como alternativa que leva à salvação: CONTINUA O POETA COM ESTE ADMIRAVEL A QUARTA FEYRA DE CINZAS. Que és terra Homem, e em terra hás de tornar-te, Te lembra hoje Deus por sua Igreja, De pó te faz espelho, em que se veja A vil matéria, de que quis formar-te. Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te, E como o teu baixel sempre fraqueja Nos mares da vaidade, onde peleja, Te põe à vista a terra, onde salvar-te. Alerta, alerta pois, que o vento berra, http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28600 http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28600 http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28615 http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28615 CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 61 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência E se assopra a vaidade, e incha o pano, Na proa a terra tens, amaina, e ferra. Todo o lenho mortal, baixel humano Se busca a salvação, tome hoje terra, Que a terra de hoje é porto soberano. Fonte: http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=downl oad&id=28622 7.2) AS CORRENTES DO BARROCO - Cultismo: É o rebuscamento da forma, do plano da expressão, que se manifesta através de um vocabulário erudito, de inversões sintáticas, trocadilhos e jogos de palavras e excesso de figuras de linguagem (principalmente, antíteses, paradoxos, metáforas e hipérboles). O cultismo predomina na poesia de Gregório de Matos. QUIS O POETA EMBARCAR-SE PARA A CIDADE E ANTECIPANDO A NOTÍCIA À SUA SENHORA, LHE VIU UMAS DERRETIDAS MOSTRAS DE SENTIMENTO EM VERDADEIRAS LÁGRIMAS DE AMOR. Ardor em coração firme nascido! Pranto por belos olhos derramado! Incêndio em mares de água disfarçado! Rio de neve em fogo convertido! Tu, que um peito abrasas escondido, Tu, que em um rosto corres desatado, Quando fogo em cristais aprisionado, Quando cristal em chamas derretido. Se és fogo como passas brandamente? Se és neve, como queimas com porfia? Mas ai! que andou Amor em ti prudente. Pois para temperar a tirania, Como quis, que aqui fosse a neve ardente, Permitiu, parecesse a chama fria. Fonte: http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=downl oad&id=28615 - Conceptismo: É o rebuscamento do pensamento, do plano do conteúdo, que se manifesta na organização das ideias de forma complexa. Predomina na prosa de Padre Antônio Vieira, que em seus sermões recorria frequentemente a alegorias, analogias, estratégias de retórica, com um raciocínio pautado numa lógica silogística, e à circularidade do desenvolvimento (as premissas iniciais são retomadas exaustivamente no decorrer dos sermões). “Fazer pouco fruto a palavra de Deus no Mundo, pode proceder de um de três princípios: ou da parte do pregador, ou da parte do ouvinte, ou da parte de Deus. Para uma alma se converter por meio de um sermão, há-de haver três concursos: há-de concorrer o pregador com a doutrina, persuadindo; há-de concorrer o ouvinte com o entendimento, percebendo; há-de concorrer Deus com a graça, alumiando. Para um homem se ver a si mesmo, são necessárias três coisas: olhos, espelho e luz. Se tem espelho e é cego, não se pode ver por falta de olhos; se tem espelho e olhos, e é de noite, não se pode ver por falta de luz. Logo, há mister luz, há mister espelho e há mister olhos. Que coisa é a conversão de uma alma, senão entrar um homem dentro em si e ver-se a si mesmo? Para esta vista são necessários olhos, e necessária luz e é necessário espelho. O pregador concorre com o espelho, que é a doutrina; Deus concorre com a luz, que é a graça; o homem concorre com os olhos, que é oconhecimento. Ora suposto que a conversão das almas por meio da pregação depende destes três concursos: de Deus, do pregador e do ouvinte, por qual deles devemos entender que falta? Por parte do ouvinte, ou por parte do pregador, ou por parte de Deus?” Padre Antônio Vieira, Sermão da Sexagésima Fonte: http://www.bocc.ubi.pt/pag/vieira-antonio-sermao- sexagesima.pdf 7.3) O BARROCO NO BRASIL O Barroco, no Brasil, tem suas primeiras manifestações no início do século XVII, com a publicação de Prosopopeia, de Bento Teixeira, estendendo-se, cronologicamente, até 1768, com a publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa, que introduz o Arcadismo. No entanto, vale lembrar que, apesar de a Literatura Barroca ter entrado em declínio junto com a decadência da sociedade baiana açucareira no século XVII, o Barroco só alcançará o seu momento máximo nas artes plásticas e na arquitetura nos séculos XVIII e XIX, graças à riqueza gerada pela descoberta do ouro em Minas Gerais. Uma vez que não houve Classicismo no Brasil e que a literatura quinhentista possui uma relevância mais documental e histórica que estética, a literatura barroca, principalmente através de Gregório de Matos e do Padre Antônio Vieira, ganha importância por ser a primeira a cantar a realidade brasileira, produto do meio geográfico e social. 7.3.1) Gregório de Matos Guerra nasceu em Salvador, então capital do Brasil, em 1636, falecendo no Recife, em 1695, e é o nome de maior expressão da literatura barroca brasileira. Sua obra compreende: - Poesia Amorosa: Em sua poesia amorosa, Gregório de Matos apresenta duas visões. Ora seus poemas idealizam a mulher e a relação amorosa, destacando, por vezes, o sofrimento amoroso, a efemeridade da vida, o carpe diem; ora apelam para a obscenidade e para uma visão mais vulgar da sexualidade. QUIS O POETA EMBARCAR-SE PARA A CIDADE E ANTECIPANDO A NOTÍCIA À SUA SENHORA, LHE VIU UMAS DERRETIDAS MOSTRAS DE SENTIMENTO EM VERDADEIRAS LÁGRIMAS DE AMOR. Ardor em coração firme nascido! Pranto por belos olhos derramado! Incêndio em mares de água disfarçado! Rio de neve em fogo convertido! http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28622 http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28622 http://www.bocc.ubi.pt/pag/vieira-antonio-sermao-sexagesima.pdf http://www.bocc.ubi.pt/pag/vieira-antonio-sermao-sexagesima.pdf 62 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Aula 7 – Barroco II Tu, que um peito abrasas escondido, Tu, que em um rosto corres desatado, Quando fogo em cristais aprisionado, Quando cristal em chamas derretido. Se és fogo como passas brandamente? Se és neve, como queimas com porfia? Mas ai! que andou Amor em ti prudente. Pois para temperar a tirania, Como quis, que aqui fosse a neve ardente, Permitiu, parecesse a chama fria. Fonte: http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=downl oad&id=28615 - Poesia Sacra ou Religiosa: É a poesia que melhor reflete o contexto da contrarreforma, uma vez que vai se construir com base no dualismo (culpa x perdão; pecado x salvação; efêmero x eterno; material x espiritual). Apresenta a imagem recorrente do eu lírico assumindo seus pecados e pedindo perdão, buscando a salvação. AO MESMO ASSUMPTO E NA MESMA OCCASIÃO. Pequei, Senhor, mas não porque hei pecado, Da vossa piedade me despido, Porque quanto mais tenho delinquido, Vos tenho a perdoar mais empenhado. Se basta a vos irar tanto um pecado, A abrandar-nos sobeja um só gemido, Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado. Se uma ovelha perdida, e já cobrada Glória tal, e prazer tão repentino vos deu, como afirmais na Sacra História: Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada Cobrai-a, e não queirais, Pastor divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória. Fonte: http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=downl oad&id=28622 - Poesia Satírica: Em sua poesia satírica, Gregório de Matos denunciou e condenou os vícios morais da sociedade baiana do período colonial, não poupando o governo, a nobreza da terra e nem mesmo o clero. Usando uma linguagem direta, por vezes chula e vulgar, criticou ferrenhamente portugueses, índios, negros e mulatos, ganhando o apelido de “Boca do Inferno”. A DESPEDIDA DO MAO GOVERNO QUE FEZ ESTE GOVERNADOR. Senhor Antão de Sousa de Meneses, Quem sobe a alto lugar, que não merece, Homem sobe, asno vai, burro parece, Que o subir é desgraça muitas vezes. A fortunilha autora de entremezes Transpõe em burro o Herói, que indigno cresce Desanda a roda, e logo o homem desce, Que é discreta a fortuna em seus reveses. Homem (sei eu) que foi Vossenhoria, Quando o pisava da fortuna a Roda, Burro foi ao subir tão alto clima. Pois vá descendo do alto, onde jazia, Verá, quanto melhor se lhe acomoda Ser home em baixo, do que burro em cima. Fonte: http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=downl oad&id=28610 EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM Questão 01 Que és terra, homem, e em terra hás de tornar-te, Te lembra hoje Deus por sua Igreja; De pó te faz espelho, em que se veja A vil matéria, de que quis formar-te. Lembra-te Deus, que és pó para humilhar-te, E como o teu baixel sempre fraqueja Nos mares da vaidade, onde peleja, Te põe à vista a terra, onde salvar-te. Alerta, alerta, pois, que o vento berra. Se assopra a vaidade e incha o pano, Na proa a terra tens, amaina e ferra. Todo o lenho mortal, baixel humano, Se busca a salvação, tome hoje terra, Que a terra de hoje é porto soberano. (MATOS, Gregório de. "Poemas escolhidos." São Paulo: Cultrix, 1997. p. 309) Gregório de Matos expressou em sua obra toda a tensão do século XVII, ao abordar os temas predominantes do Barroco. O poema acima é revelador de uma visão de mundo: a) irônica e cínica em relação à Igreja e à possibilidade de salvação do ser humano. b) hedonística, de valorização do corpo, da vida mundana e dos prazeres terrenos. c) antropocêntrica e racional, glorificando o homem como perfeita criação divina. d) pessimista, destacando a efemeridade da vida e o risco de perdição espiritual. e) esperançosa, pois reconhece tanto a fragilidade humana como sua grandeza moral. Questão 02 (G1 - ifsp 2014) Descrição da Cidade de Sergipe d’El-Rei Três dúzias de casebres remendados, http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28622 http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28622 http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28610 http://www.literaturabrasileira.ufsc.br/documentos/?action=download&id=28610 CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 63 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Seis becos, de 1mentrastos entupidos, Quinze soldados, rotos e despidos, Doze porcos na praça bem criados. Dois conventos, seis frades, três letrados, Um juiz, com bigodes, sem ouvidos, Três presos de piolhos carcomidos, Por comer dois meirinhos esfaimados. As damas com sapatos de 2baeta, Palmilha de tamanca como frade, Saia de 3chita, cinta de raqueta. O feijão, que só faz 4ventosidade Farinha de pipoca, pão que greta, De Sergipe d’El-Rei esta é a cidade. (DIMAS, Antônio. Gregório de Matos. São Paulo: Nova Cultural, 1988.) 1mentrasto: tipo de erva 2baeta: tecido felpudo 3chita: tecido de algodão de pouco valor 4ventosidade: que provoca flatulência Pela leitura do soneto, é correto afirmar que o poeta a) critica veladamente o governo português por ter escolhido essa cidade para ser a sede administrativa da colônia. b) escreve esse poema para expor as angústias vividas durante o período em que cumpria a primeira ordem de desterro. c) comenta a elegância e a sensualidadedas damas, visto que sempre apreciou as mulheres brasileiras. d) lamenta a inexistência de instituições religiosas, pois elas organizariam moralmente a cidade. e) descreve as condições do local, mostrando que os habitantes vivem rusticamente e com poucos recursos. Questão 03 (Upe 2015) O Barroco no Brasil se desenvolveu com base em duas vertentes: o cultismo e o conceptismo. Na obra de Gregório de Matos, há aspectos caracterizadores de ambas as vertentes, além de uma produção de temática diversificada. Leia os poemas a seguir: TEXTO 01 Anjo no nome, Angélica na cara! Isso é ser flor, e Anjo juntamente: Ser Angélica flor e Anjo florente, Em quem, se não em vós, se uniformara: Quem vira uma tal flor, que a não cortara, Do verde pé, da rama florescente; E quem um Anjo vira tão luzente; Que por seu Deus, o não idolatrara? Se pois se como Anjo sois dos meus altares, Fôreis o meu Custódio, e a minha guarda, Livrara eu de diabólicos azares. Mas vejo, que por bela, e por galharda, Posto que os Anjos nunca dão pesares, Sois Anjo, que me tenta, e não me guarda. Gregório de Matos Guerra TEXTO 02 Pequei, Senhor; mas não porque hei pecado, Da Vossa alta Piedade me despido: Porque quanto mais tenho delinquido, Vos tenho - perdoar mais empenhado. Se basta, a vos tanto pecado, A abrandar-vos sobeja um só gemido: Que a mesma culpa, que vos há ofendido, Vos tem para o perdão lisonjeado. Se uma ovelha perdida, e já cobrada, Glória tal e prazer tão repentino Vos deu, como afirmais na Sacra História: Eu sou, Senhor, a ovelha desgarrada; Cobrai-a; e não querereis Pastor Divino, Perder na vossa ovelha a vossa glória. Gregório de Matos Guerra TEXTO 03 A cada canto um grande conselheiro, Que nos quer governar cabana e vinha: Não sabem governar sua cozinha E podem governar o mundo inteiro! Em cada porta um bem frequente olheiro Da vida do vizinho e da vizinha, Pesquisa, escuta, espreita e esquadrinha Para o levar à praça e ao terreiro. Muitos mulatos desavergonhados, Trazidos pelos pés aos homens nobres; Posta nas palmas toda a picardia. Estupendas usuras nos mercados; Todos os que não furtam, muito pobres; Eis aqui a cidade da Bahia. Gregório de Matos Guerra Sobre eles, analise as afirmativas a seguir: I. No que se refere a esses poemas, apesar de os três pertencerem a Gregório de Matos, eles não mantêm relação com o cultismo e o conceptismo, o que se configura como exceção, além de apresentarem temáticas e formas diferentes, tendo a cidade da Bahia como cenário. II. Os três poemas pertencem ao gênero lírico, pois tratam do sentimento amoroso numa perspectiva cultista, característica única da poesia do autor baiano, cujo eu lírico sempre foi devotado a um sentimento amoroso, idealizado à moda de Platão. III. Os textos se caracterizam formalmente como sonetos, que pertencem a gêneros diferentes. Os dois primeiros são satíricos, SEMANA 07 - LITERATURA - Barroco II - STELLER sem respostas A CHRISTO S. N. CRUCIFICADO ESTANDO O POETA NA AO MESMO ASSUMPTO E NA MESMA OCCASIÃO.