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Aula 25 – Revolução Russa 81 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 Os operários das fábricas e das usinas, assim como as tropas rebeldes, devem escolher sem demora seus representantes ao governo revolucionário provisório, que deve ser constituído sob a guarda do povo revolucionário amotinado e do exército. (Manifesto de 27 de fevereiro de 1917, In: FERRO, Marc. A Revolução Russa de 1917, 1974.) O manifesto, lançado em meio às tensões de 1917 na Rússia, revela a posição dos a) czaristas, que buscavam organizar a luta pela retomada do poder. b) bolcheviques, que chamavam os operários a se mobilizarem nos sovietes. c) social-democratas, que pretendiam controlar o governo provisório. d) mencheviques, que defendiam o caráter democrático do novo governo. e) militares, que tentavam controlar a revolta popular. Questão 02 A Revolução Russa, ocorrida em 1917, deixou o mundo abalado. Pela primeira vez, tentava-se estabelecer um tipo de governo no qual os trabalhadores teriam participação ativa. Os líderes do novo Estado tinham plena convicção de que estava nascendo a sociedade socialista, em que as diferenças entre as classes sociais deveriam desaparecer. Era o aparecimento de um novo modo de organizar a produção, que substituiria o capitalismo. Adaptado de: PEDRO, Antonio. História do Mundo Ocidental. São Paulo, 2005. p.379 Assinale a alternativa correta. a) Quando os operários das fábricas e das fazendas da Rússia se mobilizaram para tomar o pode não encontraram resistência por parte do grupo que estava no poder. b) Após a Revolução Russa, o Estado desapareceu juntamente com o fim das classes sociais e os operários passaram a ser os donos das fábricas. c) A Revolução Russa causou uma Guerra Mundial envolvendo de um lado os países capitalistas e de outro lado, os socialistas. d) O sistema descrito no texto acima, baseou-se na teoria do filosofo Karl Marx que tinha como uma de suas características a propriedade coletiva dos bens de produção. e) O exemplo da Revolução Russa espalhou-se fazendo com que o sistema capitalista desaparecesse do mundo no século XX, dando lugar ao sistema comunista. Questão 03 Interprete as imagens a seguir. Essas imagens apresentam um dos recursos utilizados pelo stalinismo para a anulação dos "inimigos" do regime soviético. A respeito do stalinismo na União Soviética, marque a alternativa correta. a) Stálin empreendeu um governo autoritário, com características totalitárias, espalhando o terror, massacrando grupos considerados oposicionistas, cujas práticas foram denunciadas e apuradas após sua morte, o que desencadeou uma grande crise do socialismo real e do marxismo ocidental. b) No plano econômico, foram estabelecidos os chamados Planos Quinquenais, responsáveis pela implementação da reforma agrária com distribuição de pequenas propriedades aos camponeses e incentivo ao consumo de bens domésticos que promoveu a melhoria do padrão de vida dos trabalhadores em relação ao mundo capitalista. c) A segunda fotografia, ao retirar a figura de Trotsky, demonstra a tentativa de eliminar não só a presença deste líder dos documentos oficiais, mas a sua própria memória em relação à Revolução Russa, quando defendia que a revolução socialista deveria ser limitada ao território russo para depois estendê-la a outros países, na chamada política do socialismo em um só país. d) A imagem de Stálin como o grande líder da revolução pode ser atestada pela sua postura diante dos trabalhadores na foto e pela técnica de adulteração de fotografias que retirou Trotsky da segunda imagem. Estas iniciativas foram também implementadas nos programas radiofônicos e na produção de filmes pelo governo de Stálin, a fim de justificar as suas medidas impopulares no chamado "comunismo de guerra". Questão 04 Em 1921, o problema nacional central era o da recuperação econômica - o índice de desespero do país é eloquente: naquele ano, 36 milhões de pessoas não tinham o que comer. Nas novas e ruinosas condições da paz, o "comunismo de guerra" revelava-se insuficiente: era preciso estimular mais efetivamente os mecanismos econômicos da sociedade. Assim, ainda em 1921, no X Congresso do Partido, Lenin propõe um plano econômico de emergência: a Nova Política Econômica. NETO, J. P. "O que é Stalinismo". São Paulo: Brasiliense, 1981. Sobre a chamada Nova Política Econômica é correto afirmar que a) ela reintroduziu práticas de exploração econômica anteriores à Revolução Russa de 1917 que se traduziram num abandono temporário de todas as transformações socialistas já feitas e um retorno ao capitalismo. b) ela consistiu na manutenção de elementos econômicos socialistas, na organização da economia (como o planejamento) e na permissão para o estabelecimento de elementos capitalistas por meio da livre iniciativa em certos setores. c) ela significou fundamentalmente uma reforma agrária radical que promoveu a coletivização forçada das propriedades agrárias e a construção de fazendas coletiva, os Kolkhozes. d) seu resultado foi catastrófico, mesmo permitindo a volta controlada de relações capitalistas na economia, já que ela ampliou ainda mais o nível de desemprego e produziu fome em grande escala. e) ela significou, com a abertura para o capitalismo, um aumento substancial da produção industrial, mas, ao mesmo tempo, por ter retirado todos os incentivos anteriormente concedidos à produção agrícola, foi a razão da ruína do campo. Questão 05 O retorno a uma semi-economia de mercado provocou o reaparecimento da moeda e, durante o ano de 1921, renasceu o mercado propriamente dito. A desnacionalização de empresas 82 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. começou respectivamente pelo pequeno e grande comércio, atingindo, mais tarde, a indústria leve. As cooperativas foram devolvidas aos seus antigos acionistas e, no final do ano, permaneciam nas mãos do Estado apenas os setores economicamente estratégicos, o crédito e a indústria pesada. (Martin Malia. Entender a Revolução Russa.) O trecho apresentado refere-se a um momento da Revolução Russa, no qual a) o Estado soviético implementa a Nova Política Econômica, procurando superar as dificuldades econômicas e sociais advindas do Comunismo de Guerra. b) o partido bolchevista promove um processo de abertura política, instaurando um regime político democrático e pluripartidário. c) o governo leninista, enfraquecido pela guerra civil, é obrigado a fazer concessões à tradicional nobreza czarista. d) o Estado soviético aplica uma política de planificação econômica e de coletivização de terras denominada de Planos Quinquenais. e) o conflito entre facções dentro do Estado resulta na oposição do partido bolchevista ao ideário socialista. Questão 06 http://www.apaginavermelha.hpg.ig.com.br Camaradas, a vida de nosso bem-amado Stalin pertence ao povo inteiro. Stalin é nosso guia, nosso sol. Morte a todos os restos do bando fascista. Sokorine, militante do Partido Comunista da URSS, 1936. Apud FERREIRA, Jorge. O socialismo soviético. In: REIS, Daniel Aarão Filho (org.) O século XX: o tempo das crises . Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2000. O terror e a propaganda foram dois lados complementares do regime stalinista. Contudo, muitos historiadores afirmam que eles não são suficientes para explicar o grau de aprovação conseguido por este regime tanto dentro como fora da União Soviética. O apoio político dado a Stalin dentro da URSS também é explicado pela: a) eclosão da segunda revolução russa, que modificou as bases ideológicas do bolchevismo e excluiu lideranças como a de Trotski. b) manipulação estatal do nacionalismo, que possibilitou amobilização popular e revitalizou o caráter messiânico da cultura russa. c) entrada de capitais estrangeiros após a Segunda Guerra Mundial, que facilitou a retomada da industrialização e permitiu a diminuição do desemprego. d) introdução da Nova Política Econômica, que permitiu a manutenção da pequena propriedade privada e assegurou a permanência da aliança operário-camponesa. Questão 07 "Levantou-se, então, um trabalhador, de aspecto rude, terrivelmente indignado, furibundo: - Falo em nome dos proletários de Petrogrado, disse brutalmente - Somos pela insurreição. Vocês façam o que o que bem entenderem. Mas eu os previno: se deixarem que os Sovietes sejam destruídos, vocês morrerão para nós." (John Reed) O texto anterior relaciona-se com: a) a atuação dos conselhos de representantes de trabalhadores, soldados e camponeses, na Revolução Russa de outubro de 1917. b) a resistência dos comunistas, integrantes do Congresso dos Sovietes da União, à eleição de Boris Yeltsin como presidente da URSS. c) a organização do Exército Vermelho por Stálin, durante a Revolução Russa de fevereiro de 1917. d) ao golpe político implementado por membros do Soviete Supremo, em agosto de 1991, contra as reformas de Michail Gorbatchev. e) a resistência do proletariado e militares ao programa intitulado Nova Política Econômica, defendida e posta em prática por Lenin. Questão 08 A Revolução Russa, que iniciou o processo de construção do socialismo na antiga URSS, teve o seu desfecho, em 1917, marcado por dois momentos. O primeiro, em fevereiro, quando os mencheviques organizaram o governo provisório e o segundo, em outubro, quando os bolcheviques assumiram a condução da revolução e a tornaram vitoriosa. A respeito dos mencheviques e bolcheviques, afirma-se: I) Os mencheviques defendiam a construção do socialismo por meio de alianças com os burgueses ligados ao grande capital. II) Os bolcheviques consideravam o capitalismo consolidado na Rússia e pretendiam a mobilização das massas em direção ao socialismo, sem quaisquer alianças com os setores burgueses. III) Mencheviques e bolcheviques eram denominações decorrentes da origem geográfica dos revolucionários: os mencheviques tinham sua origem social nos núcleos urbanos e os bolcheviques estavam ligados a bases rurais. Com relação a estas afirmativas, conclui-se que: a) Apenas a I e a II são corretas. b) Apenas a I e a III são corretas. c) Apenas a II e a III são corretas. d) Apenas a II é correta. e) Apenas a III é correta. Questão 09 Há controvérsias entre historiadores sobre o caráter das duas grandes revoluções do mundo contemporâneo, a Francesa de 1789 e a Russa de 1917; no entanto, existe consenso sobre o fato de que ambas a) fracassaram, uma vez que, depois de Napoleão, a França voltou ao feudalismo com os Bourbons e a União Soviética, depois de Gorbatchev, ao capitalismo. b) geraram resultados diferentes as intenções revolucionárias, pois tanto a burguesia francesa quanto a russa eram contrárias a todo tipo de governo autoritário. Aula 25 – Revolução Russa 83 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência c) puseram em prática os ideais que as inspiraram, de liberdade e igualdade e de abolição das classes e do Estado. d) efetivaram mudanças profundas que resultaram na superação do capitalismo na França e do feudalismo na Rússia. e) foram marcos políticos e ideológicos, inspirando, a primeira, as revoluções até 1917, e a segunda, os movimentos socialistas até a década de 1970. Questão 10 A Revolução russa de 1917 estabeleceu uma nova ordem política, econômica e social. Para o triunfo da revolução contribuíra: a) a existência na Rússia de uma única classe social formada pelos camponeses. b) a incompetência do governo czarista, associada ao despotismo da aristocracia e à extrema miséria dos camponeses e das classes operárias. c) a distribuição de terras aos camponeses. d) a nacionalização dos meios de produção, promovida no governo de Nicolau II. e) a indiferença da Igreja Ortodoxa Russa. Questão 11 A Revolução Socialista na Rússia, em 1917, foi um dos acontecimentos mais significativos do século XX, uma vez que colocou em xeque a ordem socioeconômica capitalista. Sobre o desencadeamento do processo revolucionário, é correto afirmar que: a) os mencheviques tiveram um papel fundamental no processo revolucionário por defenderem a implantação ditadura do proletariado. b) os bolcheviques representavam a ala mais conservadora dos socialistas, sendo derrotados, pelos mencheviques, nas jornadas de outubro. c) foi realimentado pela participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, o que desencadeou uma série de greves e revoltas populares em razão da crise de abastecimento de alimentos. d) foi liderada por Stalin, a partir de outubro, que estabeleceu a tese da necessidade da revolução em um só país, em oposição a Trotsky, líder do exército vermelho. e) o Partido Comunista conseguiu superar os conflitos que existiam no seu interior quando estabeleceu a Nova Política Econômica que representava os interesses dos setores mais conservadores. Questão 12 "Desde os primeiros dias da Revolução, o nosso partido teve a convicção de que a lógica dos acontecimentos o levaria ao poder." (Leon Trotsky) Tal convicção foi posteriormente confirmada e a Revolução Russa de 1917 caracterizou-se como um dos mais importantes acontecimentos históricos da primeira metade do século XX, na medida em que significou a tentativa de se implantar o primeiro Estado socialista, experiência até então, sem precedentes. Dentre os fatores que favoreceram a eclosão dessa Revolução, identificamos corretamente o(a): a) acirramento da crise econômica e social decorrente da participação da Rússia na Primeira Guerra Mundial, que agravou a carestia generalizada de alimentos e as greves, e enfraqueceu a autoridade governamental do Czar. b) desenvolvimento tardio do capitalismo industrial na Rússia, que favoreceu o afastamento da aristocracia rural e do exército da base de poder da monarquia czarista, substituídos pela burguesia e o operariado. c) substituição da autocracia czarista por um governo fundamentado em uma monarquia parlamentar liberal, que ampliou os direitos políticos individuais fortalecendo os partidos políticos, inclusive os mencheviques revolucionários. d) Revolução burguesa de 1905, que concedeu autonomia política e administrativa às nacionalidades que formavam o Império Russo, implementando uma política de reforma agrária que extinguiu os privilégios da aristocracia fundiária e da Igreja Ortodoxa. e) vitória dos bolcheviques e mencheviques nas eleições da Duma legislativa (1906) convocada pelo Czar, após o "Domingo Sangrento", na qual obtiveram uma maioria parlamentar que possibilitou a implantação de diversas reformas econômicas socializantes. Questão 13 Vladimir Ilitch Lênin justificou a Nova Política Econômica sob a alegação de que ia dar "um passo atrás, para dar dois passos à frente". A NEP (1921 - 1927) pretendia: a) a concessão de empréstimos aos fazendeiros arruinados e o desenvolvimento da previdência social. b) criar um estado corporativo organizado pelo povo e partido e encontrar a harmonização do capital e do trabalho. c) instaurar os planos quinquenais, estatizando toda a economia. d) manter a economia planejada, permitindo, entretanto, a existência de uma economia de mercado e livre iniciativa em certos setores. e) implantar as fazendas estatais (Sovkhozes) e as cooperativas (Kolkhozes). Questão 14 "A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos de classes. Não fez senão substituir novas classes, novas condições de opressão, novas formas de lutas às que existiam no passado." (MARX, K.e ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista "Obras Escolhidas". São Paulo, Alfa-Omega,1953. p.22. v.1.) O elemento presente na Revolução Russa de 1917 que caracteriza a luta de classes, apontada no Manifesto Comunista, publicado em 1848, é a) a transformação profunda e permanente, conduzida pela burguesia através dos avanços tecnológicos. b) o apoio do czar russo à luta contra a exploração burguesa, promovido pelo proletariado, exemplificando a solidariedade entre as classes sociais. c) a liderança revolucionária, assumida pelos camponeses, confirmando a força de mobilização dos mais espoliados. d) o caráter transnacional do capitalismo, que permitiu a unidade do proletariado nos países vizinhos à Rússia e a posterior invasão e tomada do País. e) o confronto entre o proletariado e as forças dominantes (czar, exército e burguesia), indicando que a luta de classes está no centro da história de qualquer sociedade. Questão 15 "O socialismo é a abolição das classes... Para abolir as classes devemos abolir as diferenças entre o operário e o camponês, devemos transformá-los todos em operários." (Lênin, 1918) 84 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. A Revolução Russa caracterizou-se como um importante movimento social, que marcou historicamente o século XX, em virtude das transformações estruturais que empreendeu. Sobre o processo de construção do socialismo na Rússia, assinale a afirmativa correta. a) As anexações territoriais conquistas pelo exército russo na Polônia e na Ucrânia, durante a Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918), fortaleceram política e economicamente a monarquia czarista. b) A revolta armada ocorrida na Guarda Vermelha possibilitou o lançamento do Manifesto de Outubro, com o qual foi deposto o Czar Nicolau II e instalada a República da Duma (1917), chefiada pelo líder comunista Trótski. c) A vitória dos extremistas revolucionários mencheviques, liderados por Alexandre Kerenski, foi acompanhada da criação da República Soviética Russa (1918). d) No governo de Lênin, instituiu-se a Nova Política Econômica (1921), NEP, que se caracterizou por estimular a produção em pequenas manufaturas e o comércio privado. e) A industrialização da Rússia socialista foi alcançada no início do governo de Stálin (1924), com a extinção dos planos quinquenais e a liberação de investimentos estrangeiros nas indústrias russas. CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL Prof. Monteiro Jr. VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência A CRISE INTERNACIONAL DO CAPITALISMO INTRODUÇÃO Os feitos da Primeira Guerra Mundial se fizeram sentir na Europa por longos anos. Primeiro por suas cidades e campos terem servido de palco para as batalhas, além disso, o conflito desarticulou por completo a produção agrícola e industrial no Velho Continente, sobretudo nos países diretamente envolvidos no confronto, como Alemanha, Inglaterra e França. A crise pós- Primeira Guerra se refletiu nas exportações dos países industrializados europeus (França, Inglaterra, Alemanha, Bélgica e Holanda) para suas áreas coloniais e para regiões que tradicionalmente dependiam dos seus investimentos e fornecimento de produtos industrializados, como as Américas Central e do Sul. Diante dessa nova realidade, verificou-se em países como o Brasil a chamada “substituição de importações”, que consistiu em um surto industrial, a fim de suprir a carência de produtos industrializados provocada pelas dificuldades europeias. É nesse vazio de produção industrial que países como os EUA e o Japão aproveitaram para tomar para si alguns dos tradicionais mercados consumidores de produtos europeus, ocasionando um grande crescimento econômico para ambos, embora tal fenômeno tenha sido mais notável nos EUA. A DÉCADA DE 1920 NOS EUA Os EUA haviam conseguido algo fantástico: passaram de grande devedor mundial, antes da Primeira Guerra Mundial, para outra ponta da tabela como maior credor do mundo. Em decorrência da Grande Guerra (1914-1918), os norte-americanos passaram a vender seus produtos industrializados para os europeus em conflito e os demais mercados continentais, dantes atendidos pelos países do Velho Mundo. Além disso, financiaram parte da guerra para ingleses e franceses. Os bancos da América alcançaram lucros absurdos. A prosperidade econômica era percebida nos lares norte-americanos: automóveis, relógios de pulso, geladeiras, aparelhos de barbear, enceradeiras, comida enlatada, máquinas de lavar e gramofones, passaram a ser comuns nas casas das classes médias e altas. O american way of life (modo de vida americano) que tem por principio básico o consumismo surgia e se espalhava pelo mundo como modelo de felicidade. As camadas populares norte-americanas e de todo o mundo queriam vivenciar essa nova realidade, que era divulgada pelas revistas e por uma arte e forma de comunicação que começavam a se popularizar. O cinema, o jazz, os carros Ford, a Aspirina, as frutas da United Fruit, as calças Lee, os aparelhos de barbear e as máquinas Singer apareciam nas telas de cinema e encantavam/iludiam o grande público. Nos EUA quem não tinha dinheiro para comprar, bastava ir a um banco e financiar os “desejos” de consumo. O Jazz saiu do gueto e virou sinônimo de sofisticação. Ford T − considerado o primeiro veículo "popular" devido o seu preço acessível para a classe média. A euforia atingiu a todos. O presidente Herbert Hoover afirmava que “com a ajuda de Deus, logo iremos alcançar o dia em que a pobreza será banida da nação”. John Raskob, líder do Partido Democrata, escreveu um artigo intitulado “Todos devem ser ricos”,onde explicava que cada cidadão que economizasse 60 dólares por mês, ao final de 20 anos teria 80 mil dólares e poderia viver dos rendimentos mensais que alcançariam 400 dólares. No entanto, tal realidade iria se dissolver de forma brusca em outubro de 1929. Os sinais de problemas na economia surgiram antes do colapso da Bolsa de Valores. A taxa de desemprego crescia ano após ano, chegando a 15% em 1927. A lucratividade da produção agrícola não havia sequer se igualado aos números anteriores à Grande Guerra; a queda do poder aquisitivo do trabalhador rural e do pequeno proprietário era notória, apesar do aumento considerável da produção industrial; as máquinas mais avançadas haviam substituído ainda mais o trabalhador; como resultado temos o desemprego e a diminuição do poder de compra também nas cidades. A superprodução era notória: os estoques das indústrias aumentavam ano após ano, e só eram esvaziados devido à grande quantidade disponível de crédito para os compradores, em decorrência dos lucros que os bancos obtinham dos pagamentos realizados pelos países europeus que quitavam parte das suas dívidas. Mesmo assim, os industriais aumentavam ainda mais a produção para reduzirem seus custos e, dessa maneira, venderem seus produtos mais barato. A classe operária já encontrava dificuldades para usufruir das novidades tecnológicas que as fábricas lhes apresentavam diariamente, e passou a restringir seus gastos ao que era extremamente necessário (alimentação, moradia e transporte), gerando assim o subconsumo, resultante da perda do poder aquisitivo do proletariado. Tal fenômeno logo atingiu a classe média também, dessa maneira houve um encolhimento drástico do mercado consumidor norte-americano. A especulação financeira nas bolsas de valores foi sem dúvida o pior dos males do período de euforia econômica, pois a classe média e grandes investidores retiravam seu dinheiro do setor produtivo, não abriam novos negócios e não ampliavam os já existentes, uma vez que o lucro das ações era muito atraente; assim, postosde trabalho eram fechados, e consequentemente, o mercado consumidor diminuía ano após ano. A QUINTA FEIRA NEGRA, 24 DE OUTUBRO DE 1929 Os discursos otimistas começaram a diminuir no início de 1929 quando as primeiras falências viraram notícia nos principais jornais. Em setembro, batia-se o martelo: o auge econômico estava perto do fim. Diante desse quadro, os investidores começaram a correr para vender suas ações, o que culminou com a fatídica “Quinta- 86 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA GERAL – Prof. Monteiro Jr. Feira Negra”, (24/10/1929), quando mais de 16 milhões de ações foram postas à venda de uma única vez, o que provocou forte desvalorização das mesmas. Fortunas inteiras se dissolveram, projetos de aposentadoria foram jogados fora, reservas financeiras deixaram de existir, o desespero tomou conta de todos. Bolsa de Vaores de Nova Iorque (24/10/1929, Quinta-feira Negra). O sistema bancário ianque mostrou as garras e as presas ao mesmo tempo: temendo não recuperar seus empréstimos, executou hipotecas de casas, lojas, fazendas e tudo mais que tivesse direito, pois precisava, também, devolver o dinheiro aos clientes que haviam lhes confiado suas reservas econômicas. Nesse momento, cria-se uma “bola de neve”: os devedores não honram seus compromissos, o banco não tem como pagar seus clientes/credores e muitas instituições financeiras acabaram falindo, entre 1929 e 1933. O número de bancos nos EUA passou de 25 mil para 15 mil. Os credores/investidores que não receberam seu dinheiro de volta dos bancos, acabaram falindo também. Apenas os donos das grandes fortunas conseguiram enfrentar a crise de frente pois, além de terem muito dinheiro, uma boa parte dos seus investimentos fora convertidos em ouro, antes do Crack da Bolsa. A sociedade de consumo vivia mais um momento de plena contradição, pois o ápice da sua produção acabou por gerar uma nova crise de superprodução. Essa nova crise liberal teve características únicas, até então, como: • sua amplitude e universalidade, atingindo direta ou indiretamente dezenas de países; • sua diversidade econômica por ter atingido, ao mesmo tempo, a agricultura, as finanças e a indústria; • sua longa duração, pois apesar da forte intervenção do Estado na economia, sua dissipação só ocorreu, de fato, a partir de 1939, com o início da Segunda Guerra Mundial. A CRISE SE ESPALHA A Europa foi atingida duramente pela crise. Desde o fim da Primeira Grande Guerra (1914-1918) sua economia passava por dificuldades para se recuperar: vultuosos empréstimos foram feitos a bancos norte-americanos e enquanto seu parque industrial ia sendo reerguido, os países europeus compravam de tudo aos EUA, tinham dificuldades de abastecer os mercados consumidores coloniais e foram perdendo espaço para Japão e EUA nas áreas periféricas do capitalismo (América Latina e alguns países independentes da África e Ásia). A Inglaterra havia restabelecido seu ritmo de produção industrial de antes da Primeira Guerra em 1928, para no ano seguinte ser atingida pela Crise de 1929. Houve forte deflação (queda brusca dos preços) - causando grade prejuízos aos empresários que utilizaram as tradicionais medidas liberais para solucionar o problema -, estoque da produção e demissão em massa. O Estado teve que abrir mão dos princípios liberais e passou a intervir na economia (promoveu a desvalorização da libra esterlina, para garantir seu poder de concorrência no mercado externo e adotou uma política de protecionismo alfandegário, prática abominada pelos britânicos há mais de um século). A França foi atingida pela Crise mundial de forma direta em 1931: os preços dos seus produtos eram mais altos do que da maioria dos demais países industrializados (dessa forma, os únicos mercados disponíveis de fato eram suas áreas coloniais que, no entanto, tinha sua capacidade de consumo reduzida), a renda nacional diminuía mês a mês, e o Estado permanecia inerte. No máximo promovia a desvalorização do franco, sua moeda nacional à época. A Alemanha foi o país europeu que mais sentiu o peso da Crise de 1929. Derrotado na Grande Guerra, perdeu áreas coloniais, teve que pagar indenizações aos vencedores, foi proibido de reativar sua indústria bélica, um dos carros chefes de sua economia, e aumentou sua dívida externa, sobretudo com os EUA e a Inglaterra. Com o início da Crise em outubro de 1929, os capitais externos (empréstimos e empresas), decisivos na reconstrução do país, deixaram a Alemanha e, ao contrário de França e Inglaterra, ela não podia recorrer às áreas coloniais ou à sobras de capitais nos bancos públicos e privados. Tudo havia sido levado pela guerra. Em desespero, o governo alemão proibiu a retirada de capital estrangeiro do país e estabeleceu uma política de protecionismo alfandegário, mas já era impossível deter a recessão e a crise. O povo alemão se viu em desespero completo pela segunda vez em dez anos. Os países tradicionalmente exportadores de alimentos e matérias primas (Austrália, Nova Zelândia, Brasil e Argentina) se viram em apuros. Desde 1919, os produtos agrícolas sofriam com uma queda generalizada dos preços, em decorrência de uma crise de superprodução, o que havia reduzido drasticamente seus lucros, e agora eram atingidos por uma queda significativa do consumo por parte dos países ricos. O fundo do poço foi alcançado e todos tiveram que reinventar sua estrutura econômica. No caso do Brasil, o Estado varguista adotou uma política econômica industrialista, voltada para o mercado interno, sem abandonar por completo o agronegócio de exportação. O “NEW DEAL” (OU “NOVO ACORDO”) Desde 1926 governo dos EUA já havia percebido que a economia passava por sérios problemas. No entanto, o presidente Herbert Clark Hoover, do Partido Republicano, não tomou medidas efetivas para combater o agravamento dos problemas econômicos; restringiu-se às medidas clássicas do liberalismo econômico, como a leve desvalorização da moeda e a liberação de empréstimos para salvar algumas empresas, mas nada disso foi suficiente. O prestígio dos republicanos ficou em baixa, o desemprego atingiu mais de 15 milhões de pessoas em 1930 e milhares de empresas faliram. Era a vez dos Democratas tentarem solucionar a Crise de 1929. Nas eleições de 1932 o democrata Franklin D. Roosevelt foi eleito com grande vantagem de votos. Em seus discursos, Roosevelt costumava passar mensagens de otimismo como: “A única coisa a temer é o próprio medo” e “Somente um otimista pode negar as realidades sombrias do momento”. Sem meias palavras e com ações incisivas, Roosevelt inverteu a lógica da economia norte-americana praticada até então. Se antes SEMANA 26 - H GERAL - A Crise Internacional do Capitalismo - MONTEIRO JR