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Renato Brito Simétrico Pré-Universitário – Há 22 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 1. A CORRENTE ELÉTRICA É FONTE DE CAMPO MAGNÉTICO Em 1820, o dinamarquês Hans Christian Oersted (1777–1851), professor de Física da Universidade de Copenhague, mostrou experimentalmente que os fenômenos elétricos e os magnéticos não eram tão independentes como se supunha até então. Oersted descobriu que um fio percorrido por corrente elétrica, posto nas proximidades de uma bússola, era capaz de provocar desvio na agulha magnética. Estava comprovada, dessa maneira, a ligação existente entre eletricidade e magnetismo. As fotos a seguir ilustram a experiência de Oersted: A experiência descrita leva-nos a concluir que a corrente elétrica acrescenta propriedades de campo ao espaço à sua volta. Esse campo, capaz de atuar em agulhas imantadas, é, necessariamente, magnético. Cargas elétricas em movimento, ou seja, correntes elétricas, criam um campo magnético na região do espaço que as circunda. 2. Campo gerado por corrente retilínea As linhas de indução do campo magnético gerado por um condutor retilíneo de comprimento infinito são circunferências dispostas em planos perpendiculares ao condutor, com centros neste, cujos sentidos são dados pela regra da mão direita envolvente. Para aplicar essa regra, segura-se o fio com a mão direita, de modo que o dedo polegar aponte no sentido da corrente elétrica i. Os outros dedos darão, automaticamente, o sentido das linhas de indução. Linhas de indução. O vetor B é, em cada ponto. tangente à linha de indução e de mesmo sentido que ela. As figuras abaixo mostram bússolas se alinhando ao vetor indução B gerado pela corrente elétrica no fio retilíneo. Como o vetor B é tangente à linha de indução em cada ponto dessa linha, a bússola também se posicionará dessa forma (tangenciando a linha em cada ponto), apontando no mesmo sentido da linha de indução B. Na figura, temos um trecho de um condutor retilíneo de comprimento infinito e representamos também uma das linhas de indução do campo gerado por esse condutor. Qualquer ponto dessa linha dista r do condutor. A intensidade desse campo magnético B depende da intensidade da corrente elétrica i que percorre o fio e da distância r entre “o medidor de campo” e o fio. A expressão que calcula esse campo é: r2 i B (campo B gerado por uma corrente retilínea) Capítulo 18 Campos magnéticos gerados por correntes e létr icas Simétrico Pré-Universitário – Há 23 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 148 A grandeza denomina-se permeabilidade absoluta do meio em que o campo magnético está se propagando No vácuo, por exemplo, o seu valor (em unidades SI) é = 4 x 10 7 T.m/A. 3 - Campo gerado por corrente circular (espira circular) Conforme vimos anteriormente, uma corrente elétrica causa campo magnético em torno de si. Uma corrente elétrica num fio retilíneo produz um campo magnético ao seu redor cujas linhas de campo lembram “pulseiras ao redor de um braço” ou “argolas envolvendo a corrente elétrica. Mas, e se dobrássemos esse fio para que ele assuma uma forma circular, a chamada espira circular, como esse campo magnético “de argolas” se comportaria ? Veja a figura a seguir: Note que as linhas do campo magnético B parecem “pulseiras no braço da corrente elétrica”. As linhas do campo magnético são sempre curvas fechadas envolvendo a corrente elétrica i “fonte desse campo”. elas são curvas fechadas que envolvem a corrente elétrica que A intensidade desse campo magnético no centro de uma espira circular de raio r, percorrida por uma corrente elétrica de intensidade i, é dada ela expressão: R2 i B (campo B gerado por uma corrente circular no centro da circunferência) Sentido das linhas de campo: O sentido das linhas de indução continua dado pela regra da mão direita envolvente. Observemos que, no centro da espira, o vetor indução é perpendicular ao plano definido por ela. Um enrolamento condutor cilíndrico constituído de n espiras, onde a espessura é bem menor que o diâmetro 2R, denomina-se bobina chata. Simétrico Pré-Universitário – Há 23 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 149 Esse nome deve-se ao fato de que essas bobinas apresentam raio R muito maior que sua espessura e, como sugere a figura acima. O vetor indução magnética, no centro da bobina, tem módulo dado por: R2 in B (campo magnético no centro de uma bobina chata) Pólos magnéticos da espira: Recordemos que, externamente aos ímãs, as linhas de indução orientam-se do pólo norte para o pólo sul. De maneira análoga, podemos atribuir às espiras uma face norte e outra sul. Em todos os casos, as linhas de indução vão, externamente, do norte para o sul. Para saber qual das faces da espira representa o seu pólo norte magnético ou sul magnético, basta recordar que as linhas do campo magnético B, fora do ímã, sempre “caminham no noooorte para o suuul, que neeem os nordestinos da seca, à procura de uma vida melhor” ! A face da qual as linhas estão “saindo” será o seu pólo norte N, e vice-versa. A existência de pólos magnéticos numa espira pode ser facilmente comprovada experimentalmente. Basta, para isso, dispor de um pedaço de fio de cobre bem flexível, uma pilha de lanterna e um bom ímã. Fazendo a experiência, observamos que, se um pólo do ímã atrai uma face da espira, o outro pólo repele essa mesma face. O pólo norte do ímã atrai a face sul da espira. O pólo sul do ímã repele a face sul da espira. 4 - Campo Magnético gerado por um solenóide O solenóide é muito semelhante a uma bobina. Entretanto, ao contrário da bobina chata, o solenóide poderia ser chamado de bobina longa visto que o seu comprimento L deve ser bem maior que o seu raio R. Veja, a seguir, a representação das linhas de indução do campo magnético gerado por essa bobina longa: Simétrico Pré-Universitário – Há 23 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 150 Observemos que, no interior do solenóide, em pontos não muito próximos do fio condutor ou das extremidades, as linhas de indução são praticamente retas paralelas eqüiespaçadas. Isso significa que nesses locais o campo magnético é praticamente uniforme. Linhas de indução do campo magnético de um solenóide, obtidas com limalha de ferro. Consideremos um solenóide retilíneo compacto, onde as espiras encontram-se encostadas (evidentemente, o fio utilizado deve apresentar isolação). Se o comprimento do solenóide for pelo menos quatro vezes maior que seu diâmetro, o campo magnético em seu interior será sensivelmente uniforme, variando apenas em pontos bem próximos do fio condutor ou das extremidades. Seja n o número total de espiras e a permeabilidade absoluta do meio que preenche o interior do solenóide. O módulo do vetor indução na região interna de campo uniforme é calculado através da famosa expressão “B u n i L !!!!” a seguir : in. B (campo uniforme B no interior de um solenóide) O quociente n é o número de espiras por unidade de comprimento do solenóide. 5 - Influência da permeabilidade magnética do meio Para os materiais não-ferromagnéticos, ou seja, para a grande maioria dos materiais, temos material vácuo . Em outras palavras, materiais como água, papel, madeira, vidro, chocolate, pano, “são vistos pelo campo magnético como se fossem vácuo”. Com relação aos materiais ferromagnéticos, porém, a situação é muito diferente. Suas permeabilidades são muito maiores, podendo chegar a 5 000vezes maior que a do vácuo (no ferro), a 100.000 que a do vácuo (numa liga metálica chamada permalloy) e a 1.000.000 vezes maior que a do vácuo ( numa liga metálica chamada supermalloy). Por isso, se o interior de um solenóide for preenchido com um bastão ferromagnético, a indução magnética B em seu interior se tornará muito maior do que se existisse, nesse local, outro material. Campo magnético B de “pequena intensidade” , quando o meio que preenche o interior do solenóide é vácuo. Campo magnético B de “grande intensidade” , quando o meio que preenche o interior do solenóide é ferro. A densidade de linhas ( No de linhas de campo por metro quadrado) revela o fato do campo ser mais intenso que antes) Mais uma vez, nas regiões externas, as linhas de indução orientam-se, como sempre, do pólo norte para o pólo sul. Observemos, ainda, que, nessas regiões, existe grande semelhança entre as linhas de indução do campo do solenóide e as do imã em forma de barra reta. 6 - Força Magnetica Sobre Correntes Eletricas Consideremos um fio retilíneo, de comprimento L, percorrido por uma corrente i, colocado em um campo magnético em uma direção perpendicular ao vetor B, como mostra a figura 1. Sabemos que a corrente elétrica no fio pode ser considerada, para todos os efeitos, como sendo constituída por cargas positivas em movimento. Então, o campo magnético B atuará sobre estas cargas móveis, exercendo em cada uma a pequena força f. Usando a regra da mão direita, você poderá encontrar facilmente o sentido de f. Aplicando esta regra à situação mostrada na figura 1, você verificará que a força que atua em cada carga móvel da corrente tem o sentido ali indicado. Figura 1 - fio conduzindo corrente elétrica colocado em um campo magnético. Simétrico Pré-Universitário – Há 23 anos ensinando com excelência os estudantes cearenses – www.simétrico.com.br 151 Como conseqüência desta ação do campo magnético sobre as cargas que constituem a corrente, atuará sobre o condutor uma força F que nada mais é do que a resultante das forças f. Observe a força F também indicada na figura 1. A figura 2 apresenta uma experiência muito simples que ilustra a existência desta força magnética sobre o condutor: um fio metálico CD, suspenso entre os pólos de um ímã, ao ser percorrido por uma corrente, é deslocado lateralmente pela força magnética F. Observe que o sentido desta força pode ser determinado pela regra da mão direita, como está indicado na figura 2 (o dedo polegar – dedão - deve apontar no sentido da corrente convencional, isto é, no sentido do movimento das cargas positivas). Figura 2 - A regra da mão direita pode ser utilizada para determinar o sentido da força que atua sobre um fio que conduz uma corrente elétrica, colocado em um campo magnético. Entenda o raciocínio passo a passo: 1) Seja i a corrente elétrica que se move através desse fio. 2) A carga Q que atravessa uma secção transversal desse fio, num intervalo de tempo t vale Q = i.t. 3) Nesse intervalo de tempo t, essa carga que se move com velocidade v se estenderá através de um comprimento L tal que L = v.t. 4) Qual a força magnética que atuará sobre esse comprimento L de fio que contém uma carga total Q em seu interior, se movendo com velocidade v ? F = B.Q.v.sen = sen. t L ).t.i.(B = B.i.L.sen Portanto concluímos que: Se um fio retilíneo, de comprimento L, percorrido por uma corrente i, for colocado em um campo magnético uniforme B, sobre este fio atuará uma força magnética F dada por: F = B . i . L . sen onde é o ângulo formado entre o fio condutor e o vetor B (veja figura a seguir) . A força F é perpendicular ao fio e o seu sentido pode ser determinado pela regra da mão direita para cargas positvas, trocando-se q por i. Orientação da força magnética FM que age sobre uma corrente i imersa num campo magnético B. 7 - Aplicações de forças magnéticas agindo sobre correntes elétricas: A força que atua em um condutor percorrido por uma corrente, colocado em um campo magnético, é usada para fazer funcionar uma grande variedade de dispositivos elétricos, como galvanômetros (usado em instrumentos de medidas elétricas, como voltímetros e amperímetros), motores elétricos etc. Aplicação 1 – galvanômetros Observando o sentido da corrente i através da espira e o campo magnético do ímã orientado de N para S, a regra da mão direita mostra que o trecho CD da espira receberá uma força magnética para cima, ao passo que EG receberá uma força magnética para baixo. Figura 3 – uma espira percorrida por uma corrente elétrica i, colocada em um campo magnético tende a girar. Esse binário de forças faz a espirar tentar a girar no sentido horário. Adaptando uma mola de torção a essa espira, e enrolando essa espira num núcleo de ferro (para aumentar a sensibilidade), obtemos um dispositivo chamado galvanômetro, usado numa ampla variedade de medidores elétricos, como voltímetros e amperímetros.