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Antígenos e anticorpos
Podemos considerar que antígeno é qualquer elemento estranho capaz de estimular uma resposta
imune, e o sistema imunitário responde ao antígeno produzindo uma proteína denominada anticorpo,
que é específica para cada antígeno.
O sistema imunitário ou imune é responsável pelos mecanismos de defesa do corpo contra agentes
infecciosos. Ele é dividido em dois sistemas que se interconectam, de modo que um influencia a ação do
outro: sistema inato ou não específico e o sistema adaptativo ou específico.
Antígenos e anticorpos: tipos de sistema imune
Os
anticorpos
são
produzidos
pelo
sistema
imunológico
para
2/8
combater
antígenos
(Foto:
depositphotos)
Sistema inato ou não específico
O sistema inato é o primeiro a agir contra organismos invasores de nosso corpo. Ele atua rapidamente
e não distingue um agente infeccioso de outro. Nesse sistema há duas linhas de defesa que os
invasores encontram ao tentarem penetrar no corpo.
A primeira linha é formada pela pele e pelas membranas mucosas dos sistemas respiratório, digestório e
urogenital. Se um micro-organismo conseguir vencer essas barreiras, enfrentará a segunda linha de
defesa inespecífica: substâncias químicas e células que matam indiscriminadamente qualquer agente
infeccioso que penetre no organismo seja vírus, bactéria, fungo ou protozoário. Elas agem
imediatamente após a infecção.
As principais células de defesa que participam desse sistema imunitário não específico são: neutrófilos,
eosinófilos e macrófagos.
Sistema adaptativo ou específico
O sistema imunitário adaptativo ou específico constitui a terceira e última linha de defesa do corpo.
Nele as respostas diferem das encontradas no sistema inato por serem mais lentas ao primeiro contato
com o agente invasor e por terem especificidade e memória.
As células que atuam nesse sistema são os linfócitos B e T e os plasmócitos, que são células
derivadas dos linfócitos B. Essas células são produzidas na medula óssea, nos órgãos linfáticos e em
várias partes do corpo.
Células do sistema imune
Linfócitos B
Cada ser vivo possui algumas proteínas diferentes das proteínas de outros seres vivos. Assim, quando
uma bactéria ou outro micro-organismo penetra no corpo de uma pessoa, as proteínas desse invasor
não são reconhecidas e tem início a produção de anticorpos, proteínas do corpo invadido capazes de
neutralizar as proteínas estranhas, também chamadas de antígenos.
Os anticorpos são específicos. Para cada tipo de antígeno é formado apenas um tipo de anticorpo, com
forma complementar à do antígeno. Assim, o sistema imunitário produz milhões de grupos diferentes de
linfócitos B, cada grupo com anticorpo diferente em sua membrana.
Quando um antígeno penetra no organismo, o anticorpo que lhe é complementar liga-se a ele, o que
ativa o linfócito que traz o anticorpo em sua membrana. Os linfócitos ativados se multiplicam e se
transformam em plasmócitos, produzindo anticorpos que circulam no sangue. Portanto, o antígeno vai
determinar qual grupo de linfócitos será ativado.
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A união do anticorpo com o antígeno faz com que os agentes infecciosos se aglutinem, evitando que se
espalhem pelo corpo e facilitando a ação dos glóbulos brancos e dos macrófagos. Alguns linfócitos
ativados pelo antígeno transformam-se em células de memória, graças às quais o organismo se torna
imune a doenças como sarampo, catapora etc.
Se o antígeno invadir o corpo novamente, algumas dessas células transformam-se em plasmócitos em
poucas horas.
Linfócitos T
Os linfócitos atacam diretamente as células invadidas por micro-organismos (Foto:
depositphotos)
Enquanto os linfócitos B defendem o organismo pela produção de anticorpos que circulam no sangue,
entre os linfócitos T há células que produzem substâncias que ativam outros linfócitos e células que
atacam diretamente as células do corpo invadidas por micro-organismos, uma espécie de combate
corpo a corpo, além de suprirem a produção de anticorpos depois que o invasor foi destruído.
Cada função é exercida por um tipo de linfócito T:
Linfócito T4, também conhecido como célula CD4, auxiliador ou helper;
Linfócito T8, também conhecido como célula CD8, linfócito citotóxico ou linfócito T matador ou
killer;
Linfócito T supressor, a célula de memória.
Esse tipo de defesa é chamado imunidade celular. Depois de ter fagocitado o micro-organismo invasor,
o macrófago e outras células do sistema imune espalhadas pelo corpo levam, aderidos à membrana,
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pedaços de proteínas (peptídeos) dos antígenos do invasor. Essas células entram em contato com o
linfócito T auxiliador, que possui em sua membrana uma proteína capaz de se encaixar nos antígenos.
A partir desse momento, o linfócito T auxiliador produz substâncias que estimulam a sua multiplicação e
a de outros linfócitos T e B.
O linfócito T citotóxico se encarrega de destruir as células do corpo invadidas por vírus e por células
cancerosas ou transplantadas: ele se une a elas e destrói sua membrana, abrindo orifícios por onde sai
o citoplasma. Essas células estranhas são reconhecidas pelo linfócito citotóxico porque, como os
macrófagos, apresentam um pouco de antígeno viral em sua superfície.
Quando o combate à infecção termina, as respostas do sistema imunitário diminuem, até cessarem, o
que é provocado pelo linfócito T supressor. Por fim, as células de memória permanecem prontas para se
diferenciar nos outros linfócitos T caso o antígeno volte a penetrar no corpo.
Especificidade antígeno x anticorpo
O corpo humano é capaz de produzir anticorpos diferentes (Foto: depositphotos)
A especificidade refere-se à capacidade do sistema imunitário de reconhecer e eliminar certos micro-
organismos ou substâncias estranhas ao corpo, conhecidas como antígeno. Antígenos estão presentes
nos envoltórios de vírus, bactérias, fungos, protistas, vermes parasitas e também na superfície de
materiais estranhos ao corpo humano, como pólen e tecidos transplantados.
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Os anticorpos são denominados genericamente imunoglobulinas (Ig) e cada anticorpo reconhece
apenas o antígeno que induziu sua formação, sendo altamente específico. Anticorpos são moléculas
proteicas esquematicamente representadas em forma de Y. Os sítios de reconhecimento e de ligação
dos antígenos estão localizados nas extremidades de cada braço do Y.
O corpo humano é capaz de produzir grande número de anticorpos diferentes em resposta à grande
quantidade de antígenos com os quais entra em contato. Os anticorpos são produzidos pelos linfócitos B
e pelos plasmócitos e podem ser agrupados em classes:
Imunoglobulinas A (IgA),
Imunoglobulinas D (IgD),
Imunoglobulinas E (IgE), Imunoglobulinas G (IgG)
Imunoglobulinas M (IgM). 
Ao nascer, uma criança já recebeu anticorpos prontos de sua mãe pela placenta e, além disso, recebe
outros durante a amamentação. Ao longo da vida, o corpo humano é capaz de produzir anticorpos
diferentes em resposta aos antígenos com os quais entra em contato.
A memória refere-se à capacidade que o sistema imunitário tem de reconhecer um mesmo antígeno,
caso entre novamente em contato com ele. Nesse caso, a reação e a produção de anticorpos
específicos serão muito mais rápidas. Desse mecanismo participam tanto os linfócitos B como os T. 
No caso da Aids, por exemplo, o vírus ataca o linfócito T auxiliar, prejudicando o sistema imune. Assim, a
pessoa fica mais suscetível a infecções.
Tipos de imunização
Imunização ativa
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A vacina tem a função de prevenir uma doença (Foto: depositphotos)
O princípio da imunização ativa é o seguinte: inocula-se pela primeira vez em um indivíduo sadio uma
pequena quantidade de antígeno. O indivíduo passa a produzir anticorpos, que após alguns dias
estarão disponíveis no sangue para atuar contra os antígenos. É o que se chama resposta primária.
Se esse indivíduo receber uma segunda inoculação do mesmo antígeno, a resposta imunológica será
muito mais rápida e a produção de anticorpos muito maior. É a chamada resposta secundária,
relacionada ao mecanismo de memória, que é prontamenteativada quando o organismo volta a entrar
em contato com o antígeno.
É nesse mecanismo que se baseiam as vacinações. Os antígenos empregados na produção das
vacinas correspondem a formas atenuadas de toxinas ou os próprios micro-organismos causadores das
doenças, mas enfraquecidos ou mortos.
A vacina, de modo geral, tem a função de prevenir uma doença, embora algumas vacinas sejam dadas
ao indivíduo doente para aumentar suas defesas contra micro-organismos.
Imunização passiva
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Extração de veneno de cobra para produção de soro (foto: depositphotos)
Na imunização passiva são introduzidos no organismo os anticorpos já prontos para o combate a um
antígeno específico, ou seja, tem efeito curativo. É um tipo de imunização que se destina a desencadear
uma resposta rápida do organismo, como quando se utilizam soros.
Em caso de mordida de serpente peçonhenta, por exemplo, não é possível esperar que o próprio
organismo reaja produzindo anticorpos suficientes, pois esse processo é lento. Então, injeta-se no
paciente um soro antiofídico, o qual já contém os anticorpos prontos para atuar contra o veneno do
animal.
A imunização passiva é passageira, ao contrário da imunização ativa, que é relativamente duradoura. 
Resumo do Conteúdo
Nesse texto você aprendeu que:
Antígeno é qualquer elemento estranho capaz de estimular uma resposta imune.
Anticorpo é uma proteína produzida pelo sistema imune para combater antígenos.
O sistema imune é responsável pelos mecanismos de defesa do corpo.
A vacina tem a função de prevenir doenças.
A imunização passiva introduz no organismo os anticorpos já prontos.
Exercícios resolvidos
1- O que é um antígeno?
R: É um elemento estranho capaz de estimular uma resposta imune.
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2- Dê exemplos de antígenos?
R: Vírus, bactérias, fungos, protistas, vermes parasitas e pólen.
3- Quais são os tipos de imunização?
R: Imunização ativa e passiva.
4- Cite um exemplo de imunização ativa?
R: A vacinação.
5- Dê um exemplo de imunização passiva?
R: O soro antiofídico.
Referências
» BARROZO, Sidinéia; YANG, Hyun Mo. Mecanismos da Interação Antígeno-anticorpo em uma
Resposta Primária Célula T–mediada1. Trends in Applied and Computational Mathematics, v. 7, n. 1,
p. 43-52, 2006.
» SILVA, Luciana Rodrigues. Imunização ativa e passiva. In: Farmacologia. 1994. p. 513-531.