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CURSO DE COMPLEMENTAÇÃO PEDAGÓGICA 
 
 
DISCIPLINA 
 
 
HISTÓRIA DA FILOSOFIA ANTIGA E 
MEDIEVAL 
 
 
1 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO .............................................................................. 03 
1.AS ORIGENS DA ONTOLOGIA ................................................ 10 
1.1 Os pré-socráticos ..................................................................... 11 
1.2Tales de Mileto ........................................................................... 18 
1.3. Anaximandro de Mileto. .......................................................... 21 
1.4 Heráclito de Éfeso ................................................................... 24 
1.5 Parmênides de Eleia ................................................................ 28 
2.UMA VISÃO GERAL SOBRE ONTOLOGIAS ........................... 34 
3. ORIGENS DA FILOSOFIA E FILOSOFIA MEDIEVAL ............. 40 
 
 
2 
 
 
3 
 
INTRODUÇÃO 
 
 
Fonte: Gehops1 
 
O acontecimento de Sartre sobre assegurar e não divulgar uma 
obra que versasse da moral gerou não somente controvérsias sobre sua 
filosofia, como mesmo distintas probabilidades de interpretação da moral 
em sua obra. Igualmente, é quase genérico entre os críticos e 
pesquisadores cominar a moral a certos rudimentos. 
Seja em um nível mais contíguo de apreensão, ou seja, mais 
explícito nas obras basilares, bem como os conceitos de livre-arbítrio, 
valor (este apreendido em regra somente no seu aspecto subjetivo) 
responsabilidade, desordem, má-fé, ato, literatura; seja em um nível 
mais indireto, coevo ou em obras porvindouras ou que não são bem 
 
1 Retirado em: https://geohosp.com 
4 
 
explícitos em outras, como a dificuldade da autenticidade, do 
convertimento, do agravo, da criação, da agressão, a relação com a 
estética, o problema da História e da veracidade. 
 
 
 
Ante tantos caminhos, ou descaminhos, de qual trilha 
se utilizar? Qual o fio condutor mais adequado, se não 
para atrelar um conceito ao outro, ao menos para se 
conseguir compreendê-los de uma forma não tão 
díspar? Embora este trabalho tome um desses 
conceitos para ser seu elemento norteador, a saber, o 
conceito de valor, ele sugere outro elemento de 
compreensão, e não só sobre o 2 valor, como também 
se acredita que por meio dele, ao menos em tese, 
poderem-se aproximar de maneira mais uniforme os 
outros elementos. E ainda que não se faça aqui um 
estudo detalhado em cada um deles, tema não só 
complexo como demasiado extenso, tentar-se-á 
demonstrar como esse outro elemento já coloca em 
questão a tentativa de fundamentação de uma moral 
sob a égide de qualquer um desses conceitos, isto é, 
a moral em Sartre se autobloqueia (SOUZA, 2011). 
 
5 
 
Logo, esse outro artifício que aqui se proporcionará é a finitude: “A 
verdade é que o para-si é interiorização da sua própria finitude. Seu ser 
é finito. (É por isso que nós faremos uma moral da finitude)” (CPM, p. 
163). Entretanto, bem como na hipótese da moral, no quesito da finitude 
ainda se poderia indagar o que melhor a diferencia. 
 
 
 
Se a filosofia de Sartre requer como uma filosofia da finitude, logo 
qualquer parecer moral que se postule necessita respeitar essa linha. 
Ora, se com a ambição de uma filosofia da finitude, ou seja, de uma 
ontologia fenomenológica necessita-se fundamentalmente se 
acompanhar com uma moral da finitude, desse modo, ao se ponderar a 
filosofia de Sartre caudatária a Metafísica, ou seja, ao menos a princípio 
conhecedor do princípio de razão satisfatória, então toda a dificuldade 
moral sofre decorrências de tal posicionamento. 
 
Ao considerar o valor como ideal em-si-para-si Sartre 
não apenas postula um ideal de infinitude, pelo qual 
em contraposição considerará a finitude, já que o valor 
6 
 
é uma das estruturas imediatas da consciência e 
define o próprio sentido do para-si, como também o 
considera como um elemento chave de sua moral. O 
objetivo deste trabalho é compreender esse aspecto 
da infinitude na finitude em Sartre, sobretudo tal como 
configurado no conceito de valor, e com isso apontar, 
ainda que em linhas gerais, por meio dessa relação, a 
problemática moral, isto é, suas possibilidades e 
limites. A partir dessa análise do dualismo clássico 
entre finito e infinito presente na filosofia de Sartre, 
será possível compreender os prejuízos que uma 
filosofia da finitude traz para com a proposta de uma 
moral ao compreender a finitude por contraposição ao 
ideal de infinitude. A princípio, um dos prejuízos é 
pensar a finitude negativamente, ou seja, a existência 
em seu estado inicial como alienada, donde decorre a 
necessidade e dificuldade em superar tal estado 
(SOUZA, 2011). 
 
“A filosofia de Sartre é uma filosofia da finitude” de acordo com 
Souza (2011). 
 
7 
 
 
 
Logo, os escritos nos trazem o seguinte: Existe em O Ser e o Nada 
uma anfibologia caracterizada por um movimento antagonista a outro 
começado por Sartre já em seus principais escritos: se por um lado 
existe fundamentalmente um elogio à fenomenologia husserliana, existe 
por outro, julgamentos a ela. 
 
Esta ambiguidade torna-se mais veemente quando se 
vê, com relação às críticas, não só o pretexto de 
marcar algumas insuficiências internas, mas de 
assinalar nelas uma transformação radical. Esta se 
deve a uma relação estrita e necessária com a 
ontologia sob a alegação de um problemático 
presente nos pressupostos fundamentais da 
fenomenologia husserliana. Tal transformação se 
insere, sobretudo, quando se examina o modo da 
8 
 
relação das duas dimensões transfenomenais do 
fenômeno, destacadas na Introdução de O Ser e o 
Nada, como questionamento à tentativa da postulação 
no fenômeno, da presença de uma transcendência 
que se preserve no fenômeno mesmo (SOUZA, 
2011). 
 
No que tange sobre o elogio, uma vez trata-se do tema a ser 
discutido, aborda-se duas grandes probabilidades, estritamente 
relacionadas, sucedidas da noção de consciência intencional, 
consistindo na primeira a superação do idealismo, assim como do 
realismo, e a segunda o retorno das coisas mesmas. 
Uma ideia basilar da fenomenologia de Husserl: “a 
intencionalidade Sartre afirma que pela consciência intencional seria 
possível deixar de lado a ilusão comum ao realismo e ao idealismo, da 
qual a filosofia francesa também teria sido vítima, de que “conhecer é 
comer”:” (SOUZA, 2011). 
 
Em suma, a consciência é um movimento espontâneo 
a um objeto que não é ela, este objeto possui um ser 
que lhe é próprio, este ser não é passível de ser 
apreendido pela consciência, no entanto há um 
sentido desse ser: ele é em-si, isto é, ele é absoluta 
contingência. Aqui já é possível ver o início do terreno 
onde se fundará a recusa a qualquer forma de 
mecanicismo ou condicionamento na realidade. Não 
há relações de seres previamente dada. Em princípio, 
o mundo não é nem organismo, nem máquina. Não 
pode ser o melhor dos mundos possíveis nem o pior, 
porque o possível não faz parte de seu ser (SOUZA, 
2011). 
 
9 
 
Então, ele meramente é o que é, e essa fórmula não expede a um 
princípio axiomático, entretanto denota nele uma circunstância de pura 
contingência. Igualmente, o ser não só é descoberto, porém revelado de 
forma ambígua: do mesmo modo em que ele é o baseamento do 
fenômeno, uma vez que o que não tem de ser desmorona no nada, esse 
ser desponta uma contingência originária. 
 
Essa contingência originária certamente remete ao 
fenômeno, e, como será visto a frente, mesmo o nada 
necessita do ser para ser. Assim, o sentido próprio do 
ser ainda permanece obscuro. E esse ser como 
fundamento do fenômeno remete a princípio a um 
enigma, uma vez que ele se mostra como contingente. 
Em contrapartida, o transcendente como em-si coloca 
em questão a consciência para si mesma, uma vez 
que ela, como revelação-revelada (révélation révélée) 
do transcendente, é outraque não ele. É o que Sartre 
expressa definindo, já em termos ontológicos, a 
consciência como “ser para o qual, em seu próprio ser, 
é questão de seu ser, enquanto este ser implica um 
ser outro que não ela mesma” (EN, p. 29). Se a 
consciência é definida pela fenomenologia por sua 
intencionalidade, a ontologia irá vêla como aquilo que 
não é o ser, uma vez que o ser não mantém relações 
com outro ser que não si mesmo. 18 Portanto, Sartre 
faz uma transformação na fenomenologia ao 
radicalizá-la como ontologia. Todavia tal radicalização 
acarreta no condicionamento da fenomenalidade a 
duas regiões transfenomenais (SOUZA, 2011). 
 
Desse modo, com a correlação de ambas esferas, o fenômeno 
“mundo”, é refletido por sua relação. Afinidade essa que já se manifesta 
comprometida pela ocorrência de um de seus polos para constituir a pura 
contingência. Assim, uma dos afazeres de O Ser e o Nada é puser o que 
10 
 
significa a relação em meio a em-si e para-si e porque ela é acentuada 
por duas regiões de seres que competem ambas ao ser em geral, 
porquanto como podem duas regiões arquitetadas como absolutas 
sustentar uma relação interdependente? Logo, temos um exemplo 
clássico de como se trabalha a Ontologia e filosofia, ambas ligadas a 
metafisica. 
 
 
 
11 
 
1. AS ORIGENS DA ONTOLOGIA 
 
Fonte: NBC News2 
 
1.1 Os pré-socráticos 
 
Note que a filosofia grega é habitualmente decomposta em dois 
grandes períodos: 
 o pré-socrático e 
 o socrático. 
 
 
2 Retirado em: http://www.nbcnews.com 
12 
 
 
Sócrates debatendo com os Sofistas 
Fonte: Blog Enem3 
 
Logo, esses nomes apregoam a importância de Sócrates para a 
biografia da filosofia e, no nosso contexto para o rumo que adotou a 
ontologia. Sócrates, discutindo com os sofistas na Atenas democrática, 
abeirou-se a filosofia dos homens, entretanto só fez isso porque o âmbito 
filosófico já tinha sido apresentado pelos filósofos anteriores a ele. 
 
Na medida em que seus antecessores foram 
afastando-se dos deuses e começando a pensar 
sobre os fundamentos do mundo ou do cosmos. Antes 
de Atenas, a filosofia se desenvolveu na Magna 
Grécia, isto é, em pequenas cidades comerciais que 
se estendiam às margens dos mares Mediterrâneo e 
Egeu. A escola jônica situava-se no que hoje é a costa 
da Turquia (Mileto, Colofon, Éfeso), mas havia 
também a escola italiana (Samos, Eléia). Esse modo 
de pensar não se esgotou com Sócrates e os sofistas, 
mas persistiu posteriormente nas escolas de 
Clazômena e Agrigento. É importante ter em conta 
que as cidades em que se situavam tais “escolas” 
 
3 Retirado em: http://blogdoenem.com 
13 
 
eram geralmente governadas por reis, déspotas e 
tiranos. A falta de um ambiente livre que possibilitasse 
a discussão e o fator religioso, isto é, a pluralidade de 
deuses da religião homérica definiu os temas que 
originaram a filosofia (HEBECHE, 2012). 
 
 
Fonte: Blog Enem4 
 
Porquanto, para os primeiros filósofos a ontologia apresenta fortes 
fatores cosmológicos ou cosmogônicos. A dúvida pelo ente confundiu-
se diversas vezes com a pergunta pelo que compõe o cosmos ou a 
natureza. 
A questão pelo ente era encaminhada pela procura do princípio 
que ampara tudo o que tem. Se a filosofia, enquanto conjectura (teoria), 
 
4 Retirado em: http://blogdoenem.com 
14 
 
parte da “admiração”, é por que esse costume não é um mero espetáculo 
distanciada, todavia um novo tipo de assombro pela viabilidade de 
elucidar racionalmente o mundo. 
 
Há muitas perspectivas de entender o pensamento 
dos pré-socráticos e, dentre elas as que têm mais 
marcado a filosofia contemporânea estão as de 
Nietzsche e Heidegger que procuram destacar ou o 
caráter trágico, ou o caráter misterioso e oculto desses 
primeiros filósofos. No entanto, para nós o aspecto 
principal desses pensadores era o otimismo de que 
pela primeira vez podia-se explicar as coisas 
independentemente da mitologia e dos deuses. Se 
havia algo espantoso no mundo era o novo fato de que 
ele podia ser explicado. Esse espanto filosófico surgiu 
no momento que se abriu uma frincha racional no 
mundo fechado da lenda, do mito e da religião. 
Obviamente, esta separação não foi total e imediata 
e, em muitos desses primeiros filósofos, os temas 
míticos e religiosos continuaram presentes e, ainda 
que esmaecidos, persistiram até à irrupção da filosofia 
ateniense com as figuras de Sócrates, Platão e 
Aristóteles (HEBECHE, 2012). 
 
Contudo a filosofia aparece com o espanto e o entusiasmo pela 
explicação do mundo. Antes de aventurarmos na doutrina de 
determinados deles, percorramos no esquema a seguir quais foram os 
basilares filósofos pré-socráticos, o local e a época que viveram. 
 
Escola Jônica 
 
1. Tales de Mileto 
2. Anaximandro 
3. Anaxímenes 
15 
 
4. Xenófanes de Colofon 
5. Heráclito de Éfeso 
 
Escolas Italianas 
 
1. Pitágoras de Samos e seus seguidores 
2. Escola Eleática 
2.1. Parmênides 
2.2. Zenão 
2.3. Melisso 
 
A etapa tardia desse modelo de pensamento cresceu para fora da 
época de Sócrates, conservando-se à margem da sua influência. Sendo 
uma das suas basilares expressões foi a escola atomista. 
 
Escola Atomista 
 
1. Empédocles de Agrigento 
2. Leucipo 
3. Demócrito de Abdera 
4. Anaxágoras de Clazômena 
 
O que eles têm em comum e que os inscreveria numa 
história da ontologia? Como veremos, cada um tentou 
responder, a seu modo, a pergunta: o que há? Ou, nos 
termos gregos: o que é o ser? Um dos problemas de 
se saber o que os pré-socráticos realmente pensavam 
está em que só restam fragmentos das suas obras. 
Esses fragmentos encontram-se espalhados nas 
obras de outros filósofos, historiadores, cronistas e 
comentaristas antigos. Por isso, da obra desses 
16 
 
primeiros filósofos restam apenas trechos que foram 
guardados na tradição muitas vezes por citações de 
terceiros ou de “ouvir dizer”. Sem isso, porém, o 
começo da filosofia ter-se-ia perdido na noite do 
esquecimento. A “doxografia” é a arte de preservar e 
interpretar esses fragmentos (HEBECHE, 2012). 
 
Logo, o seu caráter por vezes abstruso e incompreensível não 
anteparou que, nos últimos séculos, tais frações acendessem em 
importância e entusiasmassem filósofos das mais diversas posturas. 
Entre os comentaristas dos primitivos filósofos já se pode discorrer sobre 
um “conflito de interpretações” que se estende até os dias de hoje. 
Karl Popper, movido por eles, sugere que a filosofia e a ciência 
regressem a ocupar-se da cosmologia, como bancavam Anaximandro, 
Anaxíme nes e Heráclito. 
 
 
 
 
17 
 
Fonte: ebiografia5 
 
Nietzsche os toma como exemplo da filosofia da vida 
plena antes da chegada da era insípida e morna da 
razão; Heidegger supõe que, mais do que filósofos, 
eles seriam os genuínos pensadores do ser e que toda 
a história do pensamento é, de algum modo, um 
encobrimento desse pensar originário (HEBECHE, 
2012). 
 
Seja como for, para a maior parte dos comentaristas a filosofia 
inicia com eles. Sendo que alguns deles, não existe nada escrito, 
porquanto sobreviveram somente comentários de segunda mão, como é 
o fato do mais remoto, Tales de Mileto (625a.C./558a.C.). 
 
 
5 Retirado em: http://ebiografia.com 
18 
 
 
Fonte: Filosoficando6 
 
1.2 Tales de Mileto 
 
Note que há poucas fontes onde podem ser descobertas os 
vestígios do que ajuizara Tales de Mileto são Simplício e sobretudo 
Aristóteles, que por ventura, foi o primeiro historiador da filosofia, ou 
ainda, foi o primeiro a comentar os pré-socráticos de acordo com o seu 
próprio modo de pensar. 
 
 
6 Retirado em: http://filosoficando.whordexpress.com 
19 
 
E, para Aristóteles, a filosofia é a pergunta pelas 
primeirascausas ou os primeiros princípios. Assim, 
como vimos, a pergunta ontológica: “o que há?” ou “o 
que é o ente?” pode ser respondida com um “tudo”. 
Acontece que esse “tudo” foi pensado das mais 
diferentes maneiras. Os primeiros pré-socráticos o 
entendiam “como princípio de todas as coisas 
unicamente os que são da natureza da matéria”. 
Segundo Aristóteles, “pelo que se conta” 
(ARISTÓTELES, 1967, 410b-411b), Tales buscava 
uma explicação naturalizada do cosmos. Entendia 
que alma era a essência do cosmos. “Alma” quer dizer 
animação, vitalidade, movimento. Dessa “animação” 
geral participavam até mesmo os deuses originário 
(HEBECHE, 2012). 
 
Logo, o imã que atrai frações de ferro é um modelo desse princípio 
animador; as frações de ferro são gamadas por uma força delicada, 
entretanto palpável. Pode-se sentir e observar a sua atuação. E essa 
força é a mesma que conduze tudo. 
De tal modo, está afirmação de que tudo está repleto de deuses 
jaze adjunta a de que a animação do cosmos estimula até mesmo as 
prestezas divinas. O imã e os deuses são conduzidos pelo mesmo 
princípio que agita o cosmos. 
 
Tales foi o primeiro a suspeitar daquilo que bem mais 
tarde os físicos chamariam de “magnetismo” e 
“gravitação”, pois os movimentos do sol, da lua, do 
mar, bem como as atividades dos deuses e dos 
homens, são constituídos da mesma força animadora. 
Quando Tales afirma que todas as coisas estão cheias 
de deuses é por que inclusive estes estão submetidos 
a um mesmo princípio. Não foi por mero acaso que 
Tales foi chamado de ateu. Mas a sua especulação 
ainda foi além. Aristóteles “ouviu dizerem” outras 
coisas sobre a sua filosofia da natureza. Segundo 
Aristóteles, Tales tinha outras respostas baseadas em 
20 
 
princípios materiais ainda mais famosas: “Tales, o 
fundador de tal filosofia, diz ser a água” 
(ARISTÓTELES, 1979, p. 16) originário (HEBECHE, 
2012). 
 
Em outras expressões, para Tales tudo o que há é água. E assim 
a resposta às questões: “o que é o ente?” ou “o que há?”, apresenta uma 
única resposta: “água”, isto é, “tudo é água”. Nem deuses, nem heróis, 
nem homens, mas sim é a água o princípio que conduz o cosmos. 
É descrito que Tales era um homem navegado, que convivera com 
muita gente sagaz, que observara muitas paisagens. E, basta observar 
o mapa da Magna Grécia, para compreender a uma presença constante: 
o mar. 
 
O mar sempre esteve vinculado à vida povo grego. E 
isso possivelmente contribui para o pensamento de 
Tales: a água está em toda a parte. Mas não só no 
mar, está também no ar, nos rios, nos alimentos, nos 
animais e nos homens. Mesmo o mais duro mineral ou 
rocha vulcânica originou-se da água. Tudo o que 
existe no cosmos é feito, com maior ou menor 
proporção, de água. Aparentemente, essa é uma idéia 
banal, mas a sua importância ontológica está em que, 
pela primeira vez, um homem pensou o uno, isto é, 
que a diversidade, o múltiplo dos entes assenta sobre 
um princípio unificador. O grande número de imagens 
e narrativas encantadas do mundo homérico deram 
lugar ao pensamento filosófico que afirma a unidade. 
Sem a água é impossível, não só a vida, mas o próprio 
cosmos. A terra, segundo Tales, flutua sobre ela. Tudo 
nasce da água, mantém-se na água e dissolve-se 
nela. Isto é, tudo o que há é sustentado por uma só 
coisa (HEBECHE, 2012). 
 
21 
 
A água é, desse modo, o mais palpável e o mais genérico. As 
coisas que aparecem apresentam sempre algo a ver com a água, o que 
quer pronunciar que a água está em tudo. 
 
1.3. Anaximandro de Mileto. 
 
Fonte: Amino APP7 
 
Este também quase nada conhecemos da sua vida, entretanto 
sabemos que foi educando, seguidor e sucessor de Tales de Mileto. 
Anaximandro refletia que nosso mundo é tão-somente um entre múltiplos 
outros mundos que iriam se desenvolver, evolucionar e se desintegrar 
em um processo interminável. 
 
7 Retirado em: http://animoapp.com 
22 
 
Nosso cosmos, um entre os ilimitados que houveram e os 
ilimitados que ainda viriam, começou-se com os contrários basilares que 
são o frio e o calor. Um conceito muito parecido de como determinados 
físicos modernos arquitetam a teoria do Big-Bang. 
 
Anaximandro estudou e escreveu sobre geografia, 
astronomia, matemática e política, mas um dos seus 
principais escritos intitulado Sobre a Natureza não 
chegou até nós. Existem somente relatos dele. Esta 
obra é o primeiro escrito filosófico do ocidente. 
Anaximandro é considerado o fundador da astronomia 
na Grécia pois mediu a distância entre as estrelas e o 
tamanho das mesmas. Ao que parece ele iniciou o uso 
do relógio solar na Grécia e desenhou um mapa do 
mundo conhecido na época. Para ele a água não era 
o princípio de todas as coisas como defendia Tales, 
assim como nenhum dos quatro elementos 
fundamentais: terra, fogo, ar e água. Mas tudo 
começava com o que ele chama de a-peiron, que é o 
infinito na qualidade e na quantidade. O a-peiron não 
surgiu de nada, mas existe e não tem fim. E 
justamente por ser infinito em extensão e 
profundidade pode gerar todas as coisas. Muitos 
identificam esse infinito com o divino pois é imortal e 
não pode ser destruído. Aqui a imortalidade não é 
somente algo que não tem fim, mas também algo que 
não tem começo (MARCONATTO, 2020). 
 
Neste contexto Anaximandro destrói os alicerces das crenças nos 
deuses gregos. Estes não apresentavam fim, todavia tinham começo, 
eles surgem em um determinado tempo. Anaximandro, porém, não 
acreditava em nenhum Deus. 
Para ele os encadeamentos de se criar desenvolver e aniquilar 
eram fenômenos naturais que incidiam quando a matéria desamparava 
23 
 
e se separava do a-peiron. O a-peiron era o fato inicial e final de todas 
as coisas e por decorrência continha em si toda a caráter divino. 
 
Mas ele vai além, ele se questiona também de como 
e porque as coisas se formam do a-peiron. Para ele 
as coisas se constituem através de uma eterna luta 
entre contrários, onde algo não pode existir enquanto 
existe também o seu contrário. O mediador desta 
eterna luta é o tempo, que permite que ora exista um 
e ora exista o seu contrário. Esses contrários podem 
ser observados na natureza calor, frio; úmido, seco; 
claro, escuro, etc. E é o tempo que vai colocar limites 
para a existência destes contrários. Anaximandro 
acreditava que a terra tinha a forma cilíndrica e era 
circundada por diversas rodas cósmicas que eram 
imensas e de fogo. A terra ficava suspensa sem que 
nada a sustentasse o que a conservava desta forma 
era a igual distância entre todas as partes. Existe um 
equilíbrio entre as diversas forças que atuam sobre a 
terra. Para ele o sol é que fez que do líquido do lodo 
marinho nascessem os primeiros seres vivos. Esses 
seres marinhos aos poucos foram se desenvolvendo 
em seres mais complexos. O homem teria se formado 
inicialmente dentro de alguns peixes. Ali ele se 
desenvolveu e foi expulso quando cresceu de 
tamanho o suficiente para manter-se a si mesmo 
(MARCONATTO, 2020). 
 
Atualmente muitos cientistas se espantam com estas 
antecipações, apesar de simplistas, de muitos conhecimentos após 
comprovados pela ciência. 
Assim, para ele a terra se ampara por meio do equilíbrio das 
diferentes forças que operam sobre ela, o que é análogo com a força da 
gravidade e com a força centrípeta que é o que sustenta a Terra 
contornando em torno do Sol. 
 
24 
 
- Anaximandro acreditava que os opostos se 
excluíam. O que é muito parecido com a teoria 
moderna de que logo após o Big-Bang foram criadas 
matéria e antimatéria que se anulam quando se 
encontram. 
- Ele acreditava que o sol agia sobre a água e gerava 
os seres e estes seres depois se deslocaram para a 
terra e foram se tornando mais elaborados conforme 
se desenvolviam. Esse pensamento é muito parecido 
com a teoria da evolução das espécies 
(MARCONATTO, 2020). 
 
 
1.4 Heráclito de Éfeso 
 
Fonte: Amino APP88 Retirado em: http://animoapp.com 
25 
 
Heráclito embarcou no cenário da análise filosófica, quando a 
filosofia grega, lá em seus primórdios, tentava elucidar a arché das 
coisas, a conformidade do Kosmos e a constituição da Physis. Os 
romanos explanaram a palavra grega ϕυσις por natura (natureza), já no 
idioma português, o termo Physis é além disso traduzido por Física. 
Física, Natureza, Ciência da Natureza, sendo que todas essas palavras 
tentam proferir o mesmo evento, entretanto nenhuma traduz, com 
literalidade, o que os primeiros filósofos gregos, aqueles que são 
denominados de “pensadores originários”, entendiam por Physis. 
 
Para eles, a Physis tinha uma aura “divina”, pois era a 
fonte originária, a arché de todas as coisas que 
constituíam o Universo. Na convergência divergente 
de sua unidade e na divergência convergente da 
diversidade de suas partes, a totalidade dos seres 
formava a harmonia cósmica, “a harmonia mais bela”, 
a “καλλισθη αρµονια” como disse Heráclito de Éfeso 
em um dos seus mais belos fragmentos.2 Esta 
unidade polivalente transparece, claramente, na 
etimologia latina da palavra Universus, que se poderia 
desdobrar assim: Universus = omnia versus Unum, 
vale dizer, todas as coisas (omnia) estão voltadas 
para (versus) o Uno (Unum). Pois bem, de todas 
essas coisas, os primeiros filósofos gregos tentavam 
descobrir a origem (αρχη) e o processo de seu vir-a-
ser (ϕυναι). Portanto, o “pensamento originário”, que 
deu origem ao filosofar na Grécia Antiga, foi 
inteiramente consagrado ao estudo do ϕυναι (vir-a-
ser) da ϕυσις (Natureza). (ROCHA, 2004). 
 
Heidegger, todavia, ressaltava que esses pensadores originários 
“ajuizaram a ϕυσις em uma essência e amplitude, que todos os físicos 
porvindouros nunca mais conseguiram alcançar (Cf. Heidegger, 1957, p. 
26 
 
138-9). Nem os futuros, nem tantos que os advieram no estudo da 
Natureza. 
Por “Natureza”, a filosofia clássica apreendia o princípio da 
oscilação de todas as coisas, abertura esta pelo qual essas coisas eram 
o que significavam. Desse modo, o porque, em Aristóteles, natureza é 
sinônimo de modo, de substância e de essência (Cf. Aristóteles, Physica. 
II.1, 192b). 
 
No livro da Metafísica, ele define a Natureza como “a 
substância das coisas que têm o princípio do 
movimento em si próprias” (Cf. Aristóteles, 
Metaphysica. V. 4, 1015 a 13). Heidegger, no entanto, 
opina que esse modo de conceber a Natureza não 
traduz o que os filósofos originários entendiam por 
Physis. Esta palavra era para eles fundamental e, 
literalmente, significava: “surgir no sentido de provir do 
que se acha escondido e velado”. É o que pode ser 
observado, por exemplo, no desabrochar da rosa e no 
surgir da semente escondida no silêncio da terra. A 
visão do nascer do sol também exemplifica a essência 
do “surgimento” e o que define a Physis como “um 
mostrar-se a partir de si e de dentro de si”. Dito de 
outro modo: “a Physis é o ser mesmo em virtude do 
qual o ente se torna e permanece observável” 
(Heidegger, 1987, p. 45) (reescrito por, ROCHA, 
2020). 
 
Isto é, os pensadores oriundos consagraram-se ao estudo do 
insurgir ou desvelar-se dos entes, que advém como aparecimentos do 
Ser, a partir da sua veladura mais profunda. Porquanto, para eles, há 
uma inter-relação muito expressiva entre o esconder-se e o aparecer-se, 
os quais se modernizam no emergir dos fatos ou no método de seu 
desvelamento. Assim, e a integração ambivalente desse velar-se e 
27 
 
desvelar-se que desponta o cerne da Physis (Cf. Heidegger, 1973b, 
Heráclito, frag. 16, p. 135). 
 
28 
 
1.5 Parmênides de Eleia 
 
Fonte: Amino APP9 
 
Dissemos que a dúvida filosófica mais importante, simples e radical 
é de cerne ontológico e que, por conta disso que a filosofia “fala grego”, 
ou seja, possui a marca da sua origem grega. Percorremos, no que tange 
Heráclito, o ser do ente é o devir ou o vir-a-ser e que este é realizado 
pelo combate entre o ser e o não-ser. 
Mas essa elocução não foi designadamente empregada por 
Heráclito. A dirigimos para explanar o logos heraclitiano por que ela foi 
legada de uma poderosa tradição cunhada por Parmênides de Eleia 
(530-460 a. C.). 
 
9 Retirado em: http://animoapp.com 
29 
 
Esse modo de pensar, falar e escrever foi de tal modo 
marcante que se tornou uma espécie de linguagem 
oficial da filosofia até os dias atuais. Lembremos que 
o título de obras famosas da ontologia contemporânea 
como “Ser e Tempo”, de Heidegger (1927) ou “O Ser 
e o Nada”, de Sartre (1943), mostram o poder dessa 
linguagem concebida pelo eleata. Portanto, se a 
filosofia fala grego, pode-se acrescentar sem receio 
que ela fala o grego de Parmênides. Esse filósofo, 
aliás, viveu na mesma época de Heráclito, mas, 
embora sendo de uma cidade distante, teve acesso ao 
que se pensava em Éfeso, pois reagiu ao pensamento 
heraclitiano de maneira contundente, afirmando o 
contrário. Se, para Heráclito, o ser é devir, para 
Parmênides, o ser é. Essas posições opostas geraram 
polêmicas que atravessaram a história da ontologia. O 
ser do ente é móvel ou imóvel? Para Parmênides, a 
verdade do ser é a sua perfeição, e está nada tem a 
ver com a corrupção e finitude das coisas. Tudo o que 
é passageiro é imperfeito e falso, por isso a verdade 
não pode ser passageira. Se o pensamento de 
Heráclito era “obscuro”, o de Parmênides tem a 
clareza das proposições lógicas. A obscuridade 
heraclitiana pode ser entendida assim: ao invés de 
seguir a via da verdade do ser, ele seguiu a via da 
opinião, a do não-ser (HEBECHE, 2012). 
 
Não tendo compreendido a radical altercação entre o ser e o não-
ser, Heráclito se permite como se apresentasse “duas cabeças”. Ou seja, 
embaraça ser e não-ser, verdadeiro e falso. Ainda que Parmênides apele 
ao mito, o que articula é bastante claro. 
De maneira feliz foram conservados trechos amplos do seu poema 
filosófico sobre a natureza que despontam, mais uma vez, que as 
discussões ontológicas podiam ser versadas com recurso aos mitos, 
entretanto para ir muito afora deles; expediente, aliás, que ainda será 
usado por Platão. 
30 
 
O que restou da introdução desse poema mostra que 
Parmênides não foi apenas um grande filósofo, mas 
também um excelente poeta. A função da poesia, 
porém, é auxiliar à filosofia. A poesia é o cenário onde 
se desenvolve a ontologia parmenidiana. A poesia 
prepara o caminho para uma mensagem que a 
supera. Em seu poema, Parmênides proclama um 
acontecimento surpreendente. Relata a viagem de um 
jovem poeta-filósofo que, numa carruagem puxada 
por éguas e dirigida por jovens ninfas, o afastam da 
via multifalante para apresentar-se à deusa que 
protege o homem sábio. Nessa viagem celestial, o 
jovem vai, como que afastando os véus que encobrem 
as coisas e afastando-se das “moradas da noite” para 
o lugar iluminado pelas “filhas do sol”. Nesse lugar 
onde encontra-se a deusa da sabedoria é guarnecido 
por duas portas que levam aos caminhos distintos do 
dia e da noite. As portas são fortes e maciças; feitas 
de vergas e soleiras de pedra, com grandes batentes. 
São pesadas, mas tão ajustadas na soleira, nas 
cavilhas e chavetas que rangem ao girar nas 
dobradiças. Essa imagem quer dizer que na entrada 
desses caminhos encontra-se a “justiça de muitas 
penas”. É ela que tem as chaves que abrem as portas 
cujos caminhos levam à noite escura ou à clareza do 
dia. As jovens ninfas com palavras brandas 
convencem a justiça a abrir seus segredos 
(HEBECHE, 2012). 
 
A portadora desses mistérios é a deusa, entretanto não é possível 
alcançar ela sem as chaves da justiça. Desse modo remove-se a tranca 
aferrolhada e as aberturas, revolvendo nos batentes, despontam a deusa 
que benevolamente granjeia o jovem poeta-filósofo empunhando 
carinhosamente a sua mão direita e cortejando-o porque, tendo sido 
conduzido por cavalos e ninfas por meio de um mundo etéreo, pode 
agoraescutar as suas palavras espontaneamente, sem eufemismos e 
tergiversações. 
31 
 
Mas isso somente foi possível porque ele pôde correr por um 
caminho que está por fora do alcance da maior parte dos homens, 
porquanto é feito das inexoráveis leis e justiça divinas. A deusa assim o 
instrui alertando-o para que apresente clara a distinção entre esses dois 
caminhos. Um caminho repleto de aparências e um outro em que não 
existe lugar para elas. 
 
A justiça e a injustiça. A luz e as trevas. Diz ela: “é 
preciso que de tudo te instruas, do âmago inabalável 
da verdade bem redonda, e de opiniões de mortais, 
em que não há fé verdadeira”. A “verdade bem 
redonda” (ἌληΘείης εὐκυκλέος) é a imagem da 
máxima perfeição e acabamento. A verdade do ser é 
um círculo perfeito ou uma esfera totalmente lisa e 
maciça, sem fissuras e lugares vazios. Parmênides 
afirma: “para mim é comum donde eu comece; pois aí 
de novo chegarei de volta”. O movimento é uma 
ilusão, pois tudo que se quer dizer do ser é o mesmo, 
a identidade absoluta, a tautologia do tipo: A = A (ou 
Ser = Ser). Nessa perfeição sem fissuras e atemporal, 
o pensamento é idêntico ao ser. Segundo a famosa 
sentença parmenidiana: “pois o pensar e o ser são o 
mesmo” (τὸ γὰρ αυτὸ νοεῖν ἐστίν τεκαί εἷναι) A tradição 
realça as duas vias, a da verdade e a da opinião. Mas, 
a rigor, só há uma via, pois a outra é mera opinião e 
ilusão que, aliás, não pode ser pensada. E assim, 
Parmênides introduziu o monismo do ser, isto é, o ser 
é uma plenitude que se basta totalmente a si mesma 
enquanto que o não ser é a carência e a errância. A 
via da opinião, portanto, é tudo aquilo que impede o 
reconhecimento dessa verdade radical. Aqueles que 
permanecem nesse caminho estarão surdos ao que 
diz a deusa (HEBECHE, 2012). 
 
Logo, o que ela pronuncia é taxativo: 
32 
 
 
Fonte: UFSC (2012). 
 
Assim, em um outro trecho do poema, essa mesma disposição 
permanece sendo defendida: 
 
 
Fonte: UFSC (2012) 
 
Assim, como se vê, Parmênides, em grande caráter, acomete o 
devir heraclitiano que fundar-se na apreciação absurda que ser e não 
ser são o mesmo. Ora, tal disposição é obra de cabeças embaraçadas e 
33 
 
incapazes de distinguir que a verdade é uma só e que, afiançar que o 
não ser apresenta o mesmo código ontológico que o do ser é perder-se 
na errância e na decomposição das coisas. 
 
Como poderia o verdadeiro tornar-se outro que não 
fosse o falso? Como poderia a justiça tornar-se outra 
coisa que não fosse a injustiça? Esse caminho dos 
“cabeças duplas” é incrível, não pode ser seguido pelo 
sábio, ela é coisa daqueles que parecem sábios, mas 
cuja indecisão demonstra falta de conhecimento e 
coragem para afirmar que é impossível impedir “o que 
é de aderir ao que é”. Essa aparente sabedoria dos 
heraclitianos colabora para tornar os outros cegos, 
surdos, semelhantes as massas manipuláveis por 
demagogos ou mentirosos. Para Parmênides, o 
ataque de Heráclito aos que acreditam nos sentidos 
(visão, audição etc.), é enganoso por que ao promover 
o não-ser a ser não só se mantém na via da opinião, 
como reduzem a verdade a essa via. A suprema 
unidade do ser é dissolvida na multiplicidade do não 
ser. O âmbito sóbrio do ser se assemelha ao cenário 
multicolorido das opiniões cambiantes. A voz unívoca 
do pensamento é substituída pela multiplicidade de 
vozes vazias de sentido. Essa opinião dos mortais, 
porém, não pode resistir ao destino que determina o 
ser como o que é que, portanto, não pode não ser. E 
assim, o mundo de fogo do devir dá lugar ao mundo 
congelado do ser (HEBECHE, 2012). 
 
Assim, o que é a ontologia é mais convincente? A que separa o 
princípio materialista, quão grandemente a de Tales ou a que abrange o 
ser a partir da indeterminação, assim como a de Anaximandro? 
Aquela que afiança o devir tal como Heráclito? Ou a que ampara a 
imobilidade do ser como em Parmênides? Poderia existir uma forma de 
combiná-las? Em todas tem um conflito concentrado ou hiante entre o 
pensamento conceitual e as impressões. 
34 
 
Afinal, a via dos sentidos ou da opinião é passageira, 
mas os conceitos são estáveis. Sendo assim não 
fosse, a linguagem nada poderia expressar e as 
palavras como “ser”, “ente”, “logos”, “água”, etc. 
seriam vazias de sentido. O papel da linguagem, 
portanto, é incontornável. A linguagem é 
compreensão. É possível, porém, compreender o ser 
do ente, e mais: é possível dizê-lo de modo que possa 
ser entendido? Como dizer aquilo que é condição de 
todo o dizer? (HEBECHE, 2012). 
 
 
35 
 
2. UMA VISÃO GERAL SOBRE ONTOLOGIAS 
 
Fonte: Boa consulta10 
 
Historicamente a palavra ontologia tem ascendência grega “ontos”, 
ser, e “logos”, palavra. Mas originalmente é a palavra aristotélica 
“categoria”, que pode ser empregada para classificar determinada coisa. 
Aristóteles exibe categorias que enquadram de apoio para classificar 
qualquer entidade e adentra ainda o termo “differentia” para 
características que assinalam diferentes espécies do mesmo gênero. 
A conhecida metodologia de herança é o método de mesclar 
differentias deliberando categorias por gênero. Em seu sentido filosófico, 
versa-se de um termo relativamente novel, embutido com o desígnio de 
distinguir o estudo do ser como tal. 
 
 
10 Retirado em: http://boaconsulta.com 
36 
 
O Dicionário Oxford de Filosofia define ontologia como 
“[...] o termo derivado da palavra grega que significa 
‘ser’, mas usado desde o século XVII para denominar 
o ramo da metafísica que diz respeito àquilo que 
existe” (Blackburn & Marcondes, 1997). O termo 
ontologia tem um sentido especial em organização da 
informação, diferente daquele tradicional adotado na 
filosofia. São diversas as definições apresentadas na 
literatura e existem contradições. De forma simples, 
para elaborar ontologias, definem-se categorias para 
as coisas que existem em um mesmo domínio. 
Ontologia é um “catálogo de tipos de coisas” em que 
se supõe existir um domínio, na perspectiva de uma 
pessoa que usa uma determinada linguagem (Sowa, 
1999). Trata-se de “uma teoria que diz respeito a tipos 
de entidades e, especificamente, a tipos de entidades 
abstratas que são aceitas em um sistema com uma 
linguagem” (Merriam-Webster; Gove, 2002* apud 
Corazzon, 2002, p. 1). (ALMEIDA E BAX, 2003). 
 
Assim, uma das acepções mais versadas para ontologias é 
proporcionada por Gruber (1996),** apud Corazzon, 2002, p. 1: “Uma 
ontologia é uma especificação explícita de uma conceitualização. [...] Em 
tal ontologia, definições associam nomes de entidades no universo do 
discurso (por exemplo, classes, relações, funções etc. com textos que 
descrevem o que os nomes significam e os axiomas formais que 
restringem a interpretação e o uso desses termos) [...].” (ALMEIDA E 
BAX, 2003). 
O termo conceitualização satisfaze a uma coleção de elementos, 
conceitos e outros institutos que se assume haverem em um domínio e 
os relacionamentos em meio a eles. Uma conceitualização é um 
espectro abstrato e simples do mundo que se ambiciona representar. 
37 
 
A acepção alvitrada por Gruber é debatida em Guarino & Giaretta 
(1995), apud Corazzon, 2002, p. 1: “[...] um ponto inicial nesse esforço 
de tornar claro o termo será uma análise da interpretação adotada por 
Gruber. O principal problema com tal interpretação é que ela é baseada 
na noção conceitualização, a qual não corresponde à nossa intuição. 
Uma conceitualização é um grupo de relações extencionais descrevendo 
um ‘estado das coisas’ particular, enquanto a noção que temos em 
mente é uma relação intencional, nomeando algo como uma rede 
conceitual a qual se superpõe a vários possíveis ‘estados das coisas’.” 
(ALMEIDA E BAX, 2003). 
Assim, uma acepção intencional versa de uma classificação de 
características do conceito. A título de exemplo, lâmpada incandescente 
é na verdade uma lâmpada elétrica que emite luz a partir da calefaçãode um filamento pela corrente elétrica. Logo, a lâmpada incandescente 
é acentuada como o auxílio do gênero mais próximo (lâmpada elétrica) 
e de suas propriedades. 
 
Uma definição intencional é uma enumeração de 
aspectos de todas as espécies que são do mesmo 
nível de abstração. Por exemplo, os planetas do 
sistema solar são Mercúrio, Vênus, Terra, Marte, 
Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão (ISO-
Standard 704). Guarino (1998) revê a definição de 
conceitualização fazendo uso do aspecto intencional, 
para obter uma interpretação mais satisfatória: “[...] 
ontologia se refere a um artefato constituído por um 
vocabulário usado para descrever uma certa 
realidade, mais um conjunto de fatos explícitos e 
aceitos que dizem respeito ao sentido pretendido para 
as palavras do vocabulário. Este conjunto de fatos tem 
a forma da teoria da lógica de primeira ordem, onde 
as palavras do vocabulário aparecem como 
38 
 
predicados unários ou binários.” O vocabulário 
formado por predicados lógicos forma a rede 
conceitual que confere o caráter intencional às 
ontologias (ALMEIDA E BAX, 2003). 
 
A ontologia delibera as regras que acondicionam a combinação 
entre as circunvizinhanças e as relações. As afinidades entre os termos 
são empregadas por conhecedores, e os usufrutuários formulam 
consultas empregando os conceitos explicitados. 
 
Uma ontologia define assim uma “linguagem” 
(conjunto de termos) que será utilizada para formular 
consultas. Borst (1997, p. 12) apresenta uma 
definição simples e completa, que será adotada neste 
trabalho: “Uma ontologia é uma especificação formal 
e explícita de uma conceitualização compartilhada”. 
Nessa definição, “formal” significa legível para 
computadores; “especificação explícita” diz respeito a 
conceitos, propriedades, relações, funções, 
restrições, axiomas, explicitamente definidos; 
“compartilhado” quer dizer conhecimento consensual; 
e “conceitualização” diz respeito a um modelo abstrato 
de algum fenômeno do mundo real. Discussões 
podem ser encontradas em Guarino & Giaretta (1995), 
que apresentam diferentes sentidos para o termo em 
relação a níveis de abstração. Outras definições para 
o termo são encontradas em Albertazzi (1996), 
Neches et alii (1991), Wache et alii (2001), Uschold & 
Gruninger (1996) e Chandrasekaran, Johnson & 
Benjamins (1999). Para uma discussão detalhada, 
considerações e críticas, ver Guarino (1996) e 
Guarino (1998). Ozkural (2001) refere-se a ontologias 
como uma teoria de classificação (ALMEIDA E BAX, 
2003). 
 
39 
 
Mesmo sem uma concordância sobre sua significação, as 
ontologias proporcionam características corriqueiras. Sendo assim, as 
ontologias não proporcionam sempre a mesma armação, entretanto têm 
características e componentes basilares corriqueiros presentes em 
grande parte delas. Mesmo comparecendo propriedades assinaladas, é 
possível identificar tipos bem acentuados. 
 
Os componentes básicos de uma ontologia são 
classes (organizadas em uma taxonomia), relações 
(representam o tipo de interação entre os conceitos de 
um domínio), axiomas (usados para modelar 
sentenças sempre verdadeiras) e instâncias 
(utilizadas para representar elementos específicos, ou 
seja, os próprios dados) (Gruber, 1996; Noy & 
Guinness, 2001). Algumas das propostas definem 
tipos de ontologias relacionando-as à sua função 
(Mizoguchi, Vanwelkenuysen & Ikeda, 1995), ao grau 
de formalismo de seu vocabulário (Uschold & 
Gruninger, 1996), à sua aplicação (Jasper & Uschold, 
1999) e à estrutura e conteúdo da conceitualização 
(Van-Heijist, Schreiber & Wielinga, 1997), (Haav & 
Lubi, 2001). A tabela 1, a seguir, sintetiza cada 
abordagem. Mesmo sem um consenso, observa-se 
que os tipos apresentados guardam semelhanças 
entre suas funções. Conhecidos os principais tipos e 
características, pode-se buscar ontologias existentes 
adequadas à utilização desejada (ALMEIDA E BAX, 
2003). 
 
 
 
 
40 
 
3. ORIGENS DA FILOSOFIA E FILOSOFIA MEDIEVAL 
 
A filosofia se originou no século VII a.C. em colônias gregas lo-
calizadas na cidade de Mileto quando alguns homens perceberam que 
tudo podia ser conhecido através da razão humana e que o 
conhecimento não se limitava apenas para deuses. Pitágoras foi quem 
criou o termo filosofia que significa “amizade pela sabedoria”. O termo 
foi criado quando Pitágoras viu que os deuses possuíam todo o 
conhecimento e sabedoria que existia, passando assim a perceber que 
o homem poderia desejar e buscar tal sabedoria plena por meio da 
filosofia. 
Esta é caracterizada por: 
• Inclinação à racionalidade; 
• Explicações variáveis segundo os acontecimentos, banindo 
assim justificativas pré-moldadas; 
• Questionamentos e argumentos relacionados a um 
determinado caso, de modo que seja apresentadas soluções e/ou 
respostas concretas; 
• Difusão de pensamentos; 
• Diferenciação do que é semelhante por meio do pensamento 
e da razão. 
O primeiro filósofo que se tem conhecimento foi Tales de Mileto, 
fundador da Escola Jônica e um dos sete sábios da Grécia Antiga. 
Decifrou o eclipse solar, designou à água a função de ser a iniciadora de 
todas as coisas, buscava entender as condições climáticas através das 
características do céu. 
É dividida em quatro grandes períodos, a saber: 
41 
 
• Período pré-socrático: Também conhecido como período 
cosmológico, ocorreu entre os séculos VII e V a.C. 
• Período socrático: Também conhecido como período 
natropológico, ocorreu entre os séculos V e IV a.C. 
• Período sistemático: Ocorreu entre os séculos IV e III a.C. 
• Período helenístico: Também conhecido como período 
greco-romano, ocorreu entre os séculos III a.C. e VI d.C. (MUNDO DA 
EDUCAÇÃO, s/d, s/p). 
De acordo com Ferreira (s/d, s/p) no período pré-socrático, o 
interesse filosófico é voltado para o mundo da natureza. Esse período 
do pensamento grego toma a denominação substancial de período natu-
ralista, porque a nascente especulação dos filósofos é instintivamente 
voltada para o mundo exterior, julgando se encontrar aí também o 
princípio unitário de todas as coisas; e toma, outrossim, a denominação 
cronológica de período pré-socrático, porque precede Sócrates e os so-
fistas, que marcam uma mudança e um desenvolvimento e, por 
conseguinte, o começo de um novo período na história do pensamento 
grego. Esse primeiro período tem início no alvor do VII século a.C., e 
termina dois séculos depois, mais ou menos, nos fins do século V. 
Surge e floresce fora da Grécia propriamente dita, nas prósperas 
colônias gregas da Ásia Menor, do Egeu (Jônia) e da Itália meridional, 
da Sicília, favorecido sem dúvida na sua obra crítica e especulativa pelas 
liberdades democráticas e pelo bem-estar econômico. Os filósofos deste 
período preocuparam-se quase exclusivamente com os problemas 
cosmológicos. Estudar o mundo exterior nos elementos que o 
constituem, na sua origem e nas contínuas mudanças a que está sujeito, 
é a grande questão que dá a este período seu caráter de unidade. Pelo 
modo de encará-la e resolver, classificam-se os filósofos que nele flores-
42 
 
ceram em quatro escolas: Escola Jônica; Escola Itálica; Escola Eleática; 
Escola Atomística. (FER-REIRA, s/d, s/p) 
De acordo com Carneiro (s/d, s/p) por volta do século V a.C. 
começa o que podemos considerar como um novo período na história 
da filosofia, ao qual podemos chamar de período Socrático ou 
antropológico. Esse também é chamado de período clássico da filosofia. 
Podemos marcar o início desse período com a atuação dos 
Sofistas que estavam preocupados mais com a linguagem e a erudição 
do que com a explicação do mundo. Para os sofistas o importante era o 
bem falar e a arte de convencer o interlocutor. As contendas políticas e 
os conflitos de opiniões favoreceram a ação desses professores 
ambulantes que consideravam não haver uma verdade única. 
Alguns comentadores da história da filosofia viram com maus olhos 
a atuação dos sofistas,principalmente devido a escritos de Platão que 
os considerava não filósofos, mas manipuladores do raciocínio sem 
amor pela verdade. Essa visão, entretanto, começa a ser revista, pois se 
percebe que os sofistas não eram os aproveitadores mencionados em 
alguns manuais, mas pessoas que se utilizaram, de forma pragmática, 
da filosofia. 
O fato é que o centro das atenções tanto dos sofistas como de 
Sócrates, Platão e Aristóteles (e dos posteriores) volta-se para o homem 
e suas relações. Protágoras, um sofista dirá que "o homem é a medida 
de todas as coisas; daquelas que são enquanto são; daquelas que não 
são, enquanto não são". E Górgias, outro sofista, preocupado com o 
discurso, fará a seguinte afirmação: "o bom orador é capaz de convencer 
qualquer pessoa sobre qualquer coisa". 
A postura dos sofistas, demonstrando pouca preocupação com a 
verdade e muito mais com o argumento, levou Platão a colocar na boca 
43 
 
de Sócrates a afirmação de que "Ele supõe saber alguma coisa e não 
sabe, enquanto eu, se não sei, tampouco suponho saber. Parece que 
sou um pouco mais sábio que ele exatamente por não supor que saiba 
o que não sei". Vê-se, portanto que a preocupação dos sofistas é a 
argumentação e a de Sócrates/Platão é a verdade daquilo que se sabe 
ou do que se pode saber. 
O período antropológico que também é chamado o período 
Clássico da Filosofia recebe essa denominação por que nessa época 
floresceu não só a filosofia como também as artes e o começo da 
organização de todo o saber. Principalmente pela atuação de Aristóteles 
e seus discípulos do Liceu (nome de sua escola, em homenagem ao 
deus Apolo Lício) floresceu o processo de aquisição e sistematização 
de vários saberes. A filosofia chegou ao seu apogeu comesses três 
pensadores que foram uma das maiores marcas da história do saber. 
Ainda hoje a cultura e o saber ocidental são tributários à mentalidade e 
à filosofia grega, do período clássico: quando falamos em corpo-alma 
estamos nos referindo a conceitos originários de Platão. Quando 
pretendemos maior clareza de nosso interlocutor, e para isso lhe 
fazemos uma série de questionamentos, estamos nos reportando a 
Sócrates. Quando falamos em lógica, organização e sistematização de 
conhecimentos, estamos aplicando uma metodologia aristotélica. 
Outra consequência da ação desses três pilares da filosofia grega 
foi o fato de, após suas mortes, a filosofia ter entrado em um período de 
declínio. Não por ter perdido qualidade ou preocupação com o saber, 
mas pelo fato de, por um longo período, não terem aparecido grandes 
nomes, propondo novos sistemas. (CARNEIRO, s/d, s/p). 
Para Madjarofe (s/d, s/p) o período seguinte da história do 
pensamento grego é o chamado período sistemático. Com efeito, nesse 
44 
 
período realiza-se a sua grande e lógica sistematização, culminando em 
Aristóteles, através de Sócrates e Platão, que fixam o conceito de ciência 
e de inteligível, e através também da precedente crise cética da so-
fística. O interesse dos filósofos gira, de preferência, não em torno da 
natureza, mas em torno do homem e do espírito; da metafísica passa-se 
à gnosiologia e à moral. Daí ser dado a esse segundo período do 
pensamento grego também o nome de antropológico, pela importância 
e o lugar central destinado ao homem e ao espírito no sistema do mundo, 
até então limitado à natureza exterior. 
Esse período esplêndido do pensamento grego-depois do qual 
começa a decadência-teve duração bastante curta. Abraça, 
substancialmente, o século IV a. C., e compreende um número 
relativamente pequeno de grandes pensadores: os sofistas e Sócrates, 
daí derivando as chamadas escolhas socráticas menores, sendo 
principais a cínica e a cirenaica, precursoras, respectivamente, do 
estoicismo e do epicurismo do período seguinte; Platão e Aristóteles, 
deles procedendo a Academia e o Liceu, que sobreviverão também no 
período seguinte e além ainda, especialmente a Academia por motivos 
éticos e religiosos, e em seus desenvolvimentos neoplatônicos em 
especial - apesar de o aristotelismo ter superado logicamente o 
platônismo.(MADJAROFE, s/d, s/p). 
É certo, não obstante, que as obras completas de Demócrito (que 
incluem as obras de Leucipo e outros, bem como as de Demócrito) 
continuaram a existir, porquanto a escola as conservou em Abdera e 
Teos ao longo dos tempos helenísticos. Por isso, foi possível para 
Trasilo, sob o reinado de Tibério, fazer uma edição das obras de Demó-
crito, organizada em tetralogias, exatamente como sua edição dos 
diálogos de Platão. Mesmo isso não foi suficiente para preservá-las. Os 
45 
 
epicuristas, que tinham a obrigação de ter estudado o homem a quem 
deviam tanto, detestavam qualquer tipo de estudo, e provavelmente nem 
se preocuparam em Multiplicar os exemplares de um escritor cujas obras 
teriam sido um testemunho permanente para a carência de originalidade 
que caracterizou o próprio sistema deles. 
Sabemos extremamente pouco sobre a vida de Demócrito. Como 
Protágoras, era natural de Abdera na Trácia, uma cidade que nem 
mereceria a reputação proverbial de embotamento, considerando que 
pode dar origem a dois homens de tanta envergadura. Quanto à data do 
seu nascimento, temos apenas conjeturas para nos orientar. Em uma 
das principais obras, afirmou que elas foram escritas 730 anos a pós a 
queda de Tróia; não sabemos; porém, quando, segundo a suposição 
dele, isto ocorrera. Havia nessa época e posteriormente diversas eras 
em uso. Disse também algures que, quando Anaxágoras era velho, ele 
era jovem, e a partir daí concluiu-se que nasceu em 460a.C. Parece, 
entretanto, cedo demais, visto estar baseado na hipótese de que tinha 
quarenta anos quando se encontrou com Anaxágoras, e a expressão "jo-
vem" sugere menos que esta idade. Demais, cumpre-nos encontrar um 
espaço para Leucipo entre eles [Demócrito] e Zenão. Se Demócrito 
morreu, como se diz, com a idade de noventa ou cem anos, de qualquer 
maneira ainda vivia quando Platão fundara a Academia. Mesmo a partir 
de fundamentos meramente cronológicos, é falso classificar Demócrito 
entre os predecessores de Sócrates, e obscurece o fato de que, como 
Sócrates, ele tentou responder ao seu distinto concidadão Protágoras. 
(MADJA-ROFE, s/d, s/p). 
A verdadeira grandeza de Demócrito não está na teoria dos 
átomos e do vazio, que ele parece ter exposto bem conforme a tinha 
recebido de Leucipo. Menos ainda está no seu sistema cosmológico, que 
46 
 
deriva, mormente de Anaxágoras. Pertence inteiramente a uma outra 
geração que a desses homens, e não está preocupado de modo especial 
em encontrar uma resposta a Parmênides. A questão à qual tinha que 
se dedicar era a de sua própria época. A possibilidade de ciência havia 
sido negada, bem como todo o problema do conhecimento levantado por 
Protágoras, e era isto que exigia uma solução. Ademais, o problema do 
comportamento tornara-se premente. A originalidade de Demócrito, 
portanto, está precisamente na mesma linha que a de Sócrates. 
(MADJA-ROFE,s/d,s/p). 
Para Santana (s/d, s/p) o período conhecido como helenístico foi 
um marco entre o domínio da cultura grega e o advento da civilização 
romana. Os próprios inspiradores da Grécia se disseminaram, nesta 
época, perto da uma região exterior Conquistada por Alexandre Magno, 
rei da Macedônia. Com suas investidas bélicas ele incorporou ao 
universo grego o Egito, a Pérsia e parte do território oriental, incluindo a 
Índia. Neste momento desponta algo novo no cenário mundial, uma 
cultura de dimensão internacional, na qual se destacam a cultura e o 
idioma grego. Esta era tem a duração de pelo menos trezentos anos, 
encontrando seu fim em 30 a.C., com a invasão do Egito pelos romanos. 
O período helenístico é caracterizado principalmente por uma 
ascensão da ciência e do conhecimento. A cultura essencialmente grega 
se torna dominante nas três grandes esferasatingidas pelo Helenismo, 
a Macedônia, a Síria e o Egito. Mais tarde, com a expansão de Roma, 
cada um desses reinos será absorvido pela nova potência romana, 
dando espaço ao que historicamente se demarca como o final da 
Antiguidade. Antes disso, porém, os próprios romanos foram dominados 
pelos gregos, submetidos ao Helenismo, daí a cultura grega ser depois 
perpetuada pelo Império Romano. 
47 
 
Agora não havia mais limites entre os diferentes territórios, as 
diversas culturas e religiões. Antigamente cada povo cultuava seus 
próprios deuses, mas coma difusão da cultura grega tudo se transforma 
em um grande caldeirão sincrético, no qual se misturam as mais variadas 
visões religiosas, filosóficas e científicas. Alexandria era o grande centro 
da cultura helenística, especialmente no campo das artes e da literatura. 
(SANTANA, s/d, s/p). 
Entre os alexandrinos floresceram as mais significativas edifica-
ções culturais deste período–o Museu, que englobava o Jardim Botâni-
co, o Zoológico e o Observatório Astronômico; e a famosa biblioteca de 
Alexandria, que abrigava pelo menos 200.000livros, salas nas quais os 
copistas trabalhavam ativamente e oficinas direcionadas para a 
confecção de papiros. Outro núcleo cultural importante foi o de Antio-
quia, capital da Síria, localizado próximo à foz do rio Orontes, em ple-
no Mediterrâneo. 
A era helenística conheceu o incrível progresso da história, com 
destaque para Polibius; a ascensão da matemática e da física, campos 
nos quais surgem Euclides e Arquimedes; o desenvolvimento da 
astronomia, da medicina, da geografia e da gramática. A literatura 
conhece o apogeu com o poeta Teocritus, que prepondera 
especialmente na poesia idílica e bucólica. 
Na filosofia despontaram quatro correntes filosóficas voltadas pa-
ra a descoberta da fórmula da felicidade: os cínicos, que cultivavam a 
ideia de que ser feliz dependia de se liberar das coisas transitórias, até 
mesmo das inquietações com a saúde; os estoicos e os epicuristas, que 
acreditavam em um individualismo moral; e o neoplatonismo, movi-
mento mais significativo desta época, inspirado pelos pré-socráticos 
Demócrito e Heráclito. 
48 
 
Nas artes sobressaíram alguns clássicos da Era Antiga, como a 
Vênus de Milo, Vitória de Samotrácia e o grupo do Laoconte. 
Religiosamente pode-se dizer que o Helenismo era a contraposição 
pagã à nova religião que dominaria o cenário histórico a partir da 
preponderância de Roma, o Cristianismo. (SANTA-NA, s/d, s/p). 
As outras escolas da Filosofia são: 
A Filosofia patrística (do século I ao século VII) inicia-se com as 
Epístolas de São Paulo e o Evangelho de São João e termina no século 
VIII, quando teve início a Filosofia medieval. A patrística resultou do 
esforço feito pelos dois apóstolos intelectuais (Paulo e João) e pelos 
primeiros Padres da Igreja para conciliar a nova religião– o Cristianismo 
como pensamento filosófico dos gregos e romanos, pois somente com 
tal conciliação seria possível convencer os pagãos da nova verdade e 
convertê-los a ela. A Filosofia patrística liga-se, portanto, à tarefa 
religiosa da evangelização e à defesa da religião cristã contra os ataques 
teóricos e morais que recebia dos antigos. 
Divide-se em patrística grega (ligada à Igreja de Bizâncio) e patrís-
tica atina (ligada à Igreja de Roma) e seus nomes mais importantes fo-
ram: Justino, Tertuliano, Atená-go-ras, Orígenes, Clemente, Eusébio, 
Santo Ambrósio, São Gregório Nazianzo, São João Crisóstomo, Isidoro 
de Sevilha, Santo Agostinho, Beda e Boécio. 
A patrística foi obrigada a introduzir ideias desconhecidas para os 
filósofos greco-romanos: a ideia de criação do mundo, de pecado 
original, de Deus como trindade una, de encarnação e morte de Deus, 
de juízo final ou de fim dos tempos e ressurreição dos mortos, etc. 
Precisou também explicar como o mal pode existir no mundo, já que tudo 
foi criado por Deus, que é pura perfeição e bondade. Introduziu, 
sobretudo com Santo Agostinho e Boécio, a ideia de “homem interior”, 
49 
 
isto é, da consciência moral e do livre-arbítrio, pelo qual o homem se 
torna responsável pela Existência do mal no mundo. 
Para impor as ideias cristãs, os Padres da Igreja as transformaram 
em verdades reveladas por Deus (através da Bíblia e dos santos) que, 
por serem decretos divinos, seriam dogmas, isto é, irrefutáveis e 
inquestionáveis. Com isso, surge uma distinção, desconhecida pelos 
antigos, entre verdades reveladas ou da fé e verdades da razão ou 
humanas, isto é, entre verdades sobrenaturais e verdades naturais, as 
primeiras introduzindo a noção de conhecimento recebido por uma graça 
divina, superior ao simples conhecimento racional. Dessa forma, o 
grande tema de toda a Filosofia patrística é o da possibilidade de 
conciliar razão e fé, e, a esse respeito, havia três posições principais: 
• Os que julgavam fé e razão irreconciliáveis e a fé superior à 
razão (diziam eles: 
• “Creio porque absurdo”). 
• Os que julgavam fé e razão conciliáveis, mas subordinavam 
a razão à fé (diziam eles: “Creio para compreender”). 
• Os que julgavam razão e fé irreconciliáveis, mas afirmavam 
que cada uma delas tem seu campo próprio de conhecimento e não 
devem misturar-se (a razão se refere a tudo o que concerne à vida 
temporal dos homens no mundo; a fé, a tudo o que se refere à salvação 
da alma e à vida eterna futura). (CHAUÍ, 2000, p.53-54). 
A Filosofia medieval (do século VIII ao século XIV) abrange 
pensadores europeus, árabes e judeus. É o período em que a Igreja 
Romana dominava a Europa, ungia e coroava reis, organizava Cruzadas 
à Terra Santa e criava, à volta das catedrais, as primeiras universidades 
ou escolas. E, a partir do século XII, por ter sido ensinada nas escolas, 
50 
 
a Filosofia medieval também é conhecida como nome de Escolástica. A 
Filosofia medieval teve como influências principais Platão e Aristóteles. 
Os teólogos medievais mais importantes foram: Abelardo, Duns 
Escoto, Escoto Erígena, Santo Anselmo, Santo Tomás de Aquino, Santo 
Alberto Magno, Guilherme de Ockham, Roger Bacon, São Boa ventura. 
Do lado árabe: Avicena, Averróis, Alfarabie Algazáli. Do lado judaico: 
Maimônides, Nahmanides, Yeudah Bem Levi. (CHAUÍ,2000, p.54-55) 
A Filosofia da Renascença (do século XIV ao século XVI) é 
marcada pela descoberta de obras de Platão desconhecidas na Idade 
Média, de novas obras de Aristóteles, bem como pela recuperação das 
obras dos grandes autores e artistas gregos e romanos. Os nomes mais 
importantes desse período são: Dante, Marcílio Ficino, Giordano Bruno, 
Campannella, Maquiavel, Montaigne, Erasmo, Tomás Morus, Jean 
Bodin, Kepler e Nicolau de Cusa. (CHAUÍ,2000, p.55). 
A Filosofia moderna (do século XVII a meados do século XVIII) é o 
período, conhecido como o Grande Racionalismo Clássico. Predomina, 
nesse período, a ideia de conquista científica e técnica de toda a 
realidade, a partir da explicação mecânica e matemática do Universo e 
da invenção das máquinas, graças às experiências físicas e químicas. 
Existe também a convicção de que a razão humana é capaz de conhecer 
a origem, as causas e os efeitos das paixões e das emoções e, pela von-
tade orientada pelo intelecto, é capaz de governá-las e dominá-las, de 
sorte que a vida ética pode ser plenamente racional. A mesma convicção 
orienta o racionalismo político, isto é, a ideia de que a razão é capaz de 
definir para cada sociedade qual o melhor regime político e como mantê-
lo racionalmente. 
Nunca mais, na história da Filosofia, haverá igual confiança nas 
capacidades e nos poderes da razão humana como houve no Grande 
51 
 
Racionalismo Clássico. Os principais pensadores desse período foram: 
Francis Bacon, Descartes, Galileu, Pascal, Hobbes, Espinosa, Leibniz, 
Malebranche, Locke, Berkeley, Newton, Gassendi. (CHAUÍ,200, p.56-
57). 
A Filosofia da Ilustração ou Iluminismo (meados do século XV III 
aocomeço do século XIX). Esse período também crê nos poderes da 
razão, chamada de As Luzes (por isso, o nome Iluminismo). O 
Iluminismo afirma que: 
• Pela razão, o homem pode conquistar a liberdade e a 
felicidade social e política (a Filosofia da Ilustração foi decisiva para as 
ideias da Revolução Francesa de1789); 
• A razão é capaz de evolução e progresso, e o homem é um 
ser perfectível. A perfectibilidade consiste em liberar-se dos preconceitos 
religiosos, sociais e morais, em libertar-se da superstição e do medo, 
graças as conhecimento, às ciências, às artes e à moral; 
• O aperfeiçoamento da razão se realiza pelo progresso das 
civilizações, que vão das Mais atrasadas (também chamadas de 
“primitivas” ou “selvagens”) às mais Adiantadas e perfeitas (as da Europa 
Ocidental); 
• Há diferença entre Natureza e civilização, isto é, a Natureza 
é o reino das relações necessárias de causa e efeito ou das leis naturais 
universais e imutáveis, enquanto a civilização é o reino da liberdade e 
da finalidade proposta pela vontade livre dos próprios homens, em seu 
aperfeiçoamento moral, técnico e político. 
Nesse período há grande interesse pelas ciências que se 
relacionam com a ideia de evolução e, por isso, a biologia terá um lugar 
central no pensamento ilustrado, pertencendo ao campo da filosofia da 
vida. Há igualmente grande interesse e preocupação com as artes, na 
52 
 
medida em que elas são as expressões por excelência do grau de 
progresso de uma civilização. Data também desse período o interesse 
pela compreensão das bases econômicas da vida social e política, 
surgindo uma reflexão sobre a origem e a forma das riquezas das 
nações, com uma controvérsia sobre a importância maior ou menor da 
agricultura e do comércio, controvérsia que se exprime em duas 
correntes do pensamento econômico: a corrente fisiocrata (a agricultura 
é a fonte principal das riquezas) e a mercantilista (o comércio é a fonte 
principal da riqueza das nações). 
Os principais pensadores do período foram: Hume, Voltaire, 
D’Alembert, Diderot, Rousseau, Kant, Fichte e Schelling (embora este 
último costume ser colocado como filósofo do Romantismo). (CHAUÍ, 20-
00, p.57-58). 
A Filosofia contemporânea abrange o pensamento filosófico que 
vai de meados do século XIX e chega aos nossos dias. Esse período, 
por ser o mais próximo de nós, parece ser o mais complexo e o mais 
difícil de definir, pois as diferenças entre as várias filosofias ou posições 
filosóficas nos parecem muito grandes porque as estamos vendo surgir 
diante de nós. (CHAUÍ,2000, p.58). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
53 
 
MATERIAIS COMPLEMENTARES 
 
Links “gratuitos” a serem consultados para um acrescentamento 
no estudo do aluno acerca de assuntos que não puderam ser abordados 
na apostila em questão: 
 
Ontologia I 
Introdução a Ontologia 
Ontologia termo e ideia 
Filosofia da ciência ou ontologia? 
 
https://hebeche.paginas.ufsc.br/files/2016/03/OntologiaI.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/228782/mod_resource/content/1/OntologiaMafalda.pdf
https://www.brapci.inf.br/_repositorio/2010/09/pdf_e9fd3bd011_0012011.pdf
https://repositorio.unb.br/bitstream/10482/22962/1/2015_MariaEugêniaZabottoPulino.pdf
54 
 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
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LÉVI-STRAUSS, Claude. Mito e signifi-cado. Lisboa: Edições 70, 2000. 
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Psicopat. Fund., VII, 4, 7-31 dez/2004. 
SOUZA, Marcelo Prates De. Moral E Metafísica Em Sartre. Universidade 
Federal Do Paraná, Dissertação De Mestrado, Curitiba, 2011.

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