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Jorge Friedrich Hegel As principais obras de Hegel foram fenomenologia do espírito, ciência da lógica, filosofia da história e princípios da filosofia do direito. Muitos filósofos anteriores a Hegel dedicaram-se em buscaram a verdade eterna imutável sobre o mundo, ou seja, uma verdade sobre a natureza e os seres, entretanto Hegel dizia que não existia essa verdade imutável, todo o conhecimento que temos sobre a realidade se transforma durante o tempo, por exemplo por muito tempo a humanidade acreditou que a terra seria o centro do universo e que todos os astros estariam girando ao seu redor, entretanto como os avanços da ciência e da astronomia comprovou-se que o sol era o centro do sistema solar e que a terra e os demais astros giravam em torno dele. Já se tornou uma prática comum, portanto podemos perceber que as verdades sobre o mundo vão se alterando, aquilo que é certo ou errado em uma determinada época pode não ser mais em outra, isso acontece porque a mentalidade da sociedade está sempre se transformando ao longo do tempo. Segundo Hegel, a mentalidade é a própria realidade, isso significa que se a mentalidade for alterada a realidade também será. Um ponto importante sobre essa mentalidade é que Hegel vai chamá-la de espírito e cada época teria um espírito próprio, o qual eu denomina zaite gaste ou espírito do tempo. Segundo Hegel a transformação da Mentalidade ou do Espírito ocorre por meio da dialética, que basicamente é a contradição ou confronto de ideias. Então é por meio do confronto de ideias que o conhecimento a respeito do mundo vai se alterando e a medida que o conhecimento se altera o processo histórico vai sendo elaborado. Segundo Hegel esse conhecimento está sempre se modificando para melhor, ou seja, se expandindo e se aprimorando. A dialética é constituída por três elementos: - O primeiro é a tese que é uma ideia, uma afirmação sobre o tema. - O segundo é a antítese que é um pensamento diferente da tese uma ideia contrária. - O terceiro é a síntese que é a formação de uma nova ideia a partir da tese e da antítese. Pegamos somente aquilo que há de melhor em cada uma, quando a síntese é formada ela vira uma tese e todo o processo dialético se repete, por exemplo um estado de tirania gera demanda por liberdade já que a população é oprimida e não tem livre arbítrio, mas se for alcançada a liberdade total teremos uma anarquia onde será negado todo tipo de hierarquia e dominação. Para chegarmos a uma conclusão viável entre a tirania e a liberdade, podemos estabelecer a lei como síntese, ou seja, as pessoas terão liberdade, mas uma liberdade parcial pois terão que seguir leis para que a liberdade de um indivíduo não interfira na de outro. Um outro exemplo que demonstra bem o processo dialético e como a verdade se altera em cada época é a questão da escravidão no Brasil onde o negro era tido como um ser inferior e por isso poderia ser escravizado, naquele período a escravidão era aceita e justificável, mas surgiram ideias opostas a dos abolicionistas pedindo tratamento igual para brancos e negros, esse confronto de ideias fez mudar o pensamento da sociedade para melhor tornando hoje a escravidão algo inaceitável e repugnante. Podemos concluir que a verdade não é eterna e única, mas acompanha o desenvolvimento da história atendendo às exigências de cada época, com isso Hegel eu não quis dizer que cada pessoa tem a sua verdade particular mas sim que a verdade que serve para todos em um determinado momento se transforma coletivamente e essa verdade é sempre uma verdade melhor, mais desenvolvida que a anterior. Outro ponto importante da filosofia de Hegel é o idealismo. Como já mencionado, para Hegel a mentalidade ou espírito é a própria realidade, pois é a nossa consciência que dá significado para tudo, nada que está ao nosso redor tem valor por si só e isso é o idealismo, é a percepção de que a realidade é constituída pelas nossas ideias. Por exemplo, você sabe que uma cadeira é feita para se sentar, mas a finalidade da cadeira poderia ser alterada com o passar dos anos, por exemplo tornando-se um objeto apenas decorativo ou com a finalidade de colocar outros objetos em cima. Portanto se o que determina a realidade é a nossa consciência, os nossos pensamentos são a própria realidade, por isso Hegel eu concluiu o quê tudo o que é real é racional e tudo que é racional é real tudo que acontece na história é racional, pois a concepção de verdade de cada momento histórico é adequada ao seu contexto uma vez que essa verdade está de acordo com os valores, os preceitos, as ideias e vivências próprias de sua época. Então, os conflitos sociais e econômicos, as guerras, as misérias, as catástrofes tudo isso ocorreu e ocorre de forma racional nada é aleatório. Na história a filosofia de Hegel acabou influenciando outros filósofos por exemplo Karl Marx. Entretanto, Marx discordava de Hegel na questão do idealismo, enquanto o Hegel acreditava que a consciência definiu o sentido das coisas, Marx acreditava no materialismo, ou seja, as relações de trabalho e as condições materiais é que definiam a consciência humana retornando para o conceito de espírito que é a mentalidade ou consciência que as pessoas têm a respeito do mundo. Hegel vai nos dizer que ele se desenvolve em três fases: - A primeira fase é o espírito subjetivo, é a consciência que temos de si mesmos, é a nossa consciência individual e a percepção de que existimos. Por exemplo quando nascemos e começamos a nos descobrir, percebendo que temos braços, pernas, escutamos, vemos etc - A segunda fase é o espírito objetivo, é a consciência de que vivemos em sociedade. É quando tomamos consciência que somos seres sociais e que estamos inseridos em uma coletividade. - A terceira fase é o espírito absoluto, é a consciência de que existe algo maior que a soma de todos os indivíduos, é quando percebemos que a nossa existência depende da cooperação mútua entre os indivíduos, que precisamos nos relacionar de forma saudável uns com os outros apesar das nossas contradições, podemos dizer também que é quando o espírito torna-se consciente de si mesmo dentro da história. Segundo Hegel o espírito absoluto é o estado, o estado reúne diversos interesses presentes na sociedade, mas que caminham juntos ao mesmo objetivo prevalecendo o interesse coletivo, para Hegel o estado é a coisa mais racional que existe no mundo pois é o ápice da consciência Humana em termos de construção social sendo a forma mais elevada de agrupamento humano.