Prévia do material em texto
CÂNCER DE PRÓSTATA INTRODUÇÃO EPIDEMIOLOGIA: CA mais frequente em homens, tirando o CA de pele não melanoma Está aumentando sua mortalidade de acordo com os anos: é o 2º que mais mata atualmente, tirando CA de pulmão FATORES DE RISCO: Idade (principal): mais idoso, mais doença Etnia: 2x mais CA de próstata em pacientes afrodescendentes Histórico familiar: 11x mais chance se tem pai/irmão com CA de próstata antes dos 50 anos Obesidade Alimentação inadequada Estilo de vida: sedentarismo, alimentação rica em gordura PREVENÇÃO Vitamina E e selênio? Efeito placebo Tomate, pelo licopeno? Não houve melhora em relação ao placebo Inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida e dutasterida, por exemplo)? Houve redução em 20% na incidência de ca, mas quando aparecia CA eram mais agressivos/indiferenciados DIAGNÓSTICO SINTOMAS Assintomáticos no início: por isso importância de rastreio SINTOMAS DA HPB: Enchimento/armazenamento Esvaziamento vesical incompleto Jato fraco, cortado Hesitância Noctúria Polaciúria Retenção urinária: causando hidronefrose Bexigoma CASOS AVANÇADOS COM METÁSTASE ÓSSEA: Fratura patológica Fratura na coluna (estenose medular) deixando paraplégico DIAGNÓSTICO Exame digital retal: Analisar: tamanho, consistência, presença ou ausência de nódulos (presença de nódulos que já indica a realização de biópsia) PSA (antígeno prostático específico) sanguíneo: Glicoproteína da família calicreína Função: liquefaz o sêmen Não é marcador câncer específico: Pode estar aumentado em: HPB, Prostatite, Andar de moto e bicicleta, ejaculação Medicações podem diminuir seu valor (como a alfa-5-redutase) Elevadores do PSA (evitar em 03 dias) Ejaculação Massagem prostática Sonda vesical de demora Biópsia de próstata USG endorretal Ciclismo MAIOR NÍVEL DE PSA TOTAL, MAIOR RISCO DE CA DE PRÓSTATA Menor que 2,5: 2% dos indivíduos apresentarão CA de próstata Entre 2,5-10: 25% dos pacientes terão CA de próstata Maior que 10: 65% dos indivíduos têm CA de próstata Tem que pedir biópsia QUANDO TIVER ENTRE 2,5-10 PODE-SE PEDIR: Relação PSA livre/total Acima de 0,25: apenas 8% terão adenocarcinoma Abaixo de 0,10: 60% dos pacientes terão adenocarcinoma (pedir biópsia) CINÉTICA DO PSA (COMPARAÇÃO DE PSA TOTAL): Aumento de mais de 0,75 ao ano, favorece ter câncer e deve pedir biópsia DENSIDADE DO PSA: É uma das estratégias para incrementar a acurácia do PSA. É o psa dividido pelo volume da próstata dado pela usg VR: maior que 15% têm risco aumentado de ca (solicitar biópsia) <15% sugere HPB BIÓPSIA Biópsia da próstata (biópsia sextante) Introduz um probe de USG transretal > passa uma agulha > retira 2 fragmentos de cada uma das 06 partes (12 fragmentos) (ápice, terço médio e base direitos e esquerda) da próstata Zonas: Transição Central Periferica: 85% dos CA estão nesse local, sendo a região adjacente ao reto. É o local que faz biopsia transrretal e faz o exame digital retal CÂNCER DE PRÓSTATA RASTREAMENTO Complicações: Hematoespermia Hematúria Sangramento retal Sepse Prostatite Febre Epididimite Retenção urinária Quando repetir biópsia? Toque suspeito + PSA crescente e/ou persistentemente elevado: pode repetir a biopsia, ou pedir uma biopsia de saturação - 24 fragmentos Resultado de neoplasia intraepitelial de alto grau da próstata (PIN) na biopsia: 25% dos pacientes têm CA, então tem que pedir para repetir Proliferação atípicas de pequenos ácinos (ASAP): 40% dos pacientes têm CA de próstata, podendo pedir nova biópsia ou solicitar imunohistoquimica (marcadores tumorais) USG Achado de nódulos: áreas hipoecoicas - favorável a tumores Discutido benefícios e riscos do rastreio, sendo uma decisão em conjunto Idade: Homens com mais de 50 anos Homens com mais de 45 anos + fator de risco (histórico familiar e/ou afrodescendente) Como? Exame digital prostático + PSA PATOLOGIA Achados da biópsia: 95% - adenocarcinoma (30% vai estar com PSA normal, por isso a importância do toque) 5% - sarcoma, carcinoma epidermoides e de células transicionais Graduação pela escala de Gleason: maior o Gleason mais indiferenciado e pior prognóstico Na biópsia: soma os 2 tipos mais comuns de Gleason na biópsia, sendo o primeiro número do resultado apontando para o tipo mais achado Ex: 3 + 4 e 4 + 3 são Gleason 7, mas o 4 + 3 tem mais tipo 4 e pior prognóstico Grupos por Gleason pela ISUP (International Society of Urological Pathology): Prognóstico, risco de metástase e tratamento, consequentemente CÂNCER DE PRÓSTATA ESTADIAMENTO CLÍNICO Exame digital retal: noções do T, pode ser Nódulo intraprostático em menos de um lóbulo Nódulo intraprostático em mais da metade de um lóbulo Doença invadindo o reto (T4) Exame de imagem: RNM multiparamétrica da próstata: Avaliar doença localizada ou localmente avançada Presença de linfonodos Se há extravasamento extracapsular (invasão de vesícula seminal e órgãos contíguos) Cintilografia óssea: Define se há metástase óssea Principal local de metástase nesses pacientes, principalmente em esqueleto axial PET-TC (PSMA – antígeno membrana específico prostático): Exame sensível que identifica locais com neoplasia emitindo radiação Baixa resultado se for PSA baixo TNM Classificações do T: T1a: menos de 5% com CA (como um paciente de cirurgia pós HPB que o material foi para análise de biopsia) T1b: mais de 5% com CA T1c: pelo toque não tem nódulo, mas o PSA está elevado e é evidenciado pela biópsia T2a: nódulo em menos da metade de um lóbulo T2b: nódulo em mais da metade de um lóbulo T2c: presença de tumoração nos dois lóbulos T3a: extravasamento extracapsular T3b: invade vesícula seminal (doença localmente avançada) T4: invasão de outros órgãos como bexiga, pubes, reto (não opera) Classificação do N: doença geralmente inicia-se se disseminando para linfonodos pélvicos/regionais (ilíacos e obturatórios) Classificação do M: M1a: linfonodos não regionais M1b: comprometimento ósseo axial Local mais comum de metástase M1c: outros locais acometidos Classificação de risco para metástase: PSA: maior risco, maior risco de metástase Gs: Any gs ct3-t4: qualquer Gleason se tiver T3 e T4 HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA Disseminação: inicialmente está na próstata > dissemina por via linfática para os gânglios obturadores e gânglios ilíacos (área de linfanedectomia pélvica estendida para pacientes com risco intermediário e alto para metástase) > dissemina por via hematogênica para o esqueleto axial (osteoblástica causando dores, fraturas) CÂNCER DE PRÓSTATA TRATAMENTO TRATAMENTO INDIVIDUALIZADO O que considerar? Estadiamento Idade do paciente Expectativa de vida: evitar agressividade em pacientes que não tem alta expectativa de vida Estratégias terapêuticas de acordo com o risco de metástase Tumor localizado (no maximo um T2c – sem ultrapassar a cápsula prostática): Rdt – radioterapia Baixo risco – sem htx Intermediaria – com htx por 6 meses Alto risco – com htx até 3 anos Lnd – linfanedectomia Htx – hormônio terapia Cirurgia: Baixo risco – sem lnd Intermediario e alto risco – fazer lnd estendida Braquiterapia e hifu: não indicado em intermediário e alto risco, pois não tem alta efetividade a longo prazo Tumor localmente avançado (já saiu da próstata com T3 ou linfonodo positivo com N1): igualmente ao do alto risco TRATAMENTO DA DOENÇA LOCALIZADA: Padrão ouro – cirurgia da prostatavesiculectomia radical (não é a cirurgia da HPB que não é radical) Vias de acesso: taxa de cura semelhante, só muda o tamanho da incisão e quantidade de sangramento Retropúbica ou aberta Laparoscópica Robótica Lnd (pcte intermediario e alto risco): deve ser estendida (vasos ilíacos, fossa obturatória e região intrasacral) Complicações após 2 anos em pacientes até T2 41,9% disfunção sexual 8,7% incontinência urinária Outros: Radioterapia externa: Quando? Recusa de cirurgia Alto risco cirúrgico Como? Programada por tomografia Rt conformacional tridimensional Rt intensidade modulada (imrt): modula a radiação, diminuindo a intensidade para órgãos adjacentes e diminuindo complicaçõesComplicações Fadiga Disfunção urinaria, sexual e intestinal (devido irritação contígua) Retite Cistite Risco maior de doenças malignas secundárias em órgãos adjacentes Criocirurgia Quando? Baixo risco ou risco intermediário (esse quando a condição pessoal proíba uso de radioterapia ou cirurgia) Próstata menor que 40ml Como? Paciente em posição ginecológica e são colocadas agulhas no períneo que vão congelar e causa apoptose das células tumorais Complicações: Disfunção erétil (principal) Incontinência Dor pélvica Retenção urinária Fistula Vigilancia ativa: Quando? T1-T2a (no máximo) PSA menor que 10 ng/ml Gleason a partir ou abaixo de 6 No máximo 2 fragmentos positivos na biopsia (2/12) Menos de 50% do fragmento acometido na biopsia acima Acompanhar repetindo biópsia, RNM, toque, PSA (6 em 6 meses) e qualquer sinal de evolução tem que intervir Hifu USG focalizado de alta intensidade na próstata, gerando aquecimento (efeitos mecânicos e térmicos) com paciente em anestesia geral ou raqui CÂNCER DE PRÓSTATA Retenção urinária Estenose uretral Disfunção erétil Fistula uretro-retal Incontinência urinária de esforço Braquiterapia Sementes radioativas no períneo/na loja prostática, com iodo-125 (mais usado) ou paladio- 103 Complicações: Retenção urinária Incontinência Disfunção erétil DOENÇA LOCALMENTE AVANÇADA: Doença com extravasamento extracapsular ou linfonodo pélvico positivo Tratamento: Prostatectomia radical + radioterapia posterior (terapia multimodal) Quando não consegue operar: radioterapia externa + hormonioterapia por 03 anos (análogo da lhrh) RECIDIVA BIOQUÍMICA: Quando considerar recidiva após cirurgia: PSA total a partir de 0,1 ou 3 elevações consecutivas de PSA Tratamento: Radioterapia associado ou não à htx Quando considerar recidiva após radio: Avaliações possíveis: Menor PSA atingido após radio/PSA nadir + 02 [se o valor atual estiver acima dessa somatória significa recidiva] Psa nadir: normalmente atinge- se entre um ano e meio a dois anos depois da radioterapia Ou 3 elevações consecutivas de PSA Tratamento: Prostatectomia de resgate - mais difícil (estruturas mais aderidas) Ou braquiterapia Ou hifu DOENÇA METASTÁTICA Não tem benefício da cirurgia ou Castração cirúrgica: orquiectomia total bilateral (diminui níveis de testosterona e regredir a doença) - pode tirar só o estroma também, mas tem mais chance de não funcionar Castração química Análogo do LHRH (goserelina ou zoladex) Como? Aumento do lh e testosterona > feedback negativo > diminuem Flare up: pelo aumento da testosterona, pode haver uma piora da doença (retenção urinária, estenose de coluna) Causa: aumento da dor óssea, obstrução urinária, insuficiência renal obstrutiva, compressão da medula espinhal Como evitar: terapia concomitante com anti- andrógeno, impedindo que ocorra a progressão da doença inicial Tempo: resto da vida Antagonistas de LHRH (degarrelix): Não produzem o fenômeno flare up, por que não ocorre essa subida do LH e testosterona, pelo contrário ocorre a rápida descida deles dois e FSH Antiandrogênicos esteroides e não esteroides: Esteroidais (caiu em desuso): ciproterona, megestrol, medroxiprogesterona Não esteroidais: nilutamida, flutamina e bicalutamida (mais usado) O antiandrógeno se liga competitivamente ao receptor androgênico, impedindo a atuação do andrógeno/testosterona nesse receptor Outros deixados de usar: estrógenos e cetoconazol Toxicidade do tratamento hormonal: Potência deprimida é disfunção erétil Ginecomastia: antiandrogenos, podendo resolver com irradiação das mamas CÂNCER DE PRÓSTATA Resistencia do CA à castração (cpcr – castração resistente): por isso pede-se já para associar quimioterapia desde o início Como? Mecanismo adaptativo com aumento de receptores de androgênio, falhando o bloqueio hormonal Como identificar? Testosterona: tem que estar abaixo de 50 para indicar castração PSA: se estiver maior que 2 indica resistência a castração Progressão radiológica da doença: aumentar a metástase Como tratar essa falha? Acetato de abiraterona (zytiga) Inibidor da cyp17 Converte a pregnenolona em DHEA formando a testosterona Se inibir ela: vai diminui os níveis de testosterona produzida pela adrenal Quimioterapia: Docetaxel (mais usado) Cabazitaxel: causa mais neutropenia e efeitos colaterais Radium 223: mais afinidade pela metástase óssea Vacina sipuleucel t (imunoterapia celular) Outras drogas anti-andrógenos com menos efeitos colaterais: Enzalutamida Apalutamida Darolutamida