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379
Assinale a alternativa correta.
A Somente as afirmativas I e II são corretas.
b Somente as afirmativas I e IV são corretas.
 Somente as afirmativas III e IV são corretas.
 Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
E Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.
20 Uepa 2015
[...]
Existe um povo que a bandeira empresta
P’ra cobrir tanta infâmia e cobardia!...
E deixa-a transformar-se nessa festa
Em manto impuro de bacante fria!
Meu Deus! meu Deus! Mas que bandeira é esta
Que impudente na gávea tripudia?!...
Silêncio!... Musa chora, chora tanto,
Que o pavilhão se lave no teu pranto!...
A escravidão no Brasil representou uma cruel forma
de degradação social e moral, marcada, principalmen-
te, pela exploração da mão de obra negra trazida do
continente africano. Castro Alves, ao registrar a es-
cravidão, produziu imagens de grande valor estético,
como a que se verica na metáfora “manto impuro de
bacante fria”, na qual ele:
A desenha os rostos da massa escrava oprimida e os
cânticos de lamento entoados nos porões dos navios.
b descreve os horrores da escravidão mostrando a
bandeira nacional tingida com o sangue dos escra-
vos trazidos nas embarcações.
 sugere que os desumanos atos praticados estão
encobertos por uma bandeira metamorfoseada em
vestes de uma libertina.
 sintetiza os horrores do tráfico através da alusão
ao martírio da chibata, utilizando a metáfora para
denunciar o sofrimento negro.
E analisa as relações de trabalho dos negros transporta-
dos da África nas galés dos navios oriundos da Europa.
21 UFPE 2014 No Romantismo brasileiro, o espírito nacio-
nalista assumiu diversos enfoques. Na literatura, esses
enfoques contribuíram para se configurar um discurso
próprio da identidade nacional. Tomando como foco a
poesia romântica e seus autores, analise o que segue.
0-0.A poesia condoreira foi representada no Brasil
por Castro Alves. Contrariamente às suas boas
intenções políticas, Castro Alves, em sua poesia
abolicionista, mostra o africano como sujeito frágil,
propenso ao domínio do homem europeu, geneti-
camente mais forte que o africano.
1-1. Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo e Castro Al-
ves contribuíram para a construção dos três pilares
que configuram o discurso romântico acerca da
identidade étnica brasileira: o índio americano, o
branco europeu e o negro africano.
2-2.A produção poética de Gonçalves Dias, Álvares de
Azevedo e Castro Alves manifesta três vertentes
próprias da literatura romântica nacional, respecti-
vamente: a indianista, a byronista e a condoreira.
3-3. Gonçalves Dias, em suas poesias indianistas, constrói
uma imagem idealizada do índio, um bravo guerreiro
que é violentamente subjugado pelos colonizadores.
Uma de suas personagens mais conhecidas é Moacir,
herói miscigenado, cujo nome significa “filho da dor”.
4-4. O mal-do-século teve na poesia brasileira, como
expoente, Álvares de Azevedo. As mulheres que
avultam em sua poesia, todas brancas, são guerrei-
ras que, junto a seus amantes, contribuíram para que
a colonização portuguesa se realizasse a contento.
22 Imed 2016 Leia os poemas a seguir, de Casimiro de Abreu
e Carlos Drummond de Andrade, respectivamente:
MEUS OITO ANOS
Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
– Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais! [...]
Rezava às Ave-Marias,
Achava o céu sempre lindo,
Adormecia sorrindo
E despertava a cantar!
Que doce a vida não era
Em vez das mágoas de agora.
CONSOLO NA PRAIA
Vamos, não chores...
A infância está perdida.
A mocidade está perdida.
Mas a vida não se perdeu.
O primeiro amor passou.
O segundo amor passou.
O terceiro amor passou.
Mas o coração continua.
Perdeste o melhor amigo.
Não tentaste qualquer viagem.
Não possuis casa, navio, terra.
Mas tens um cão.
Algumas palavras duras,
em voz mansa, te golpearam.
Nunca, nunca cicatrizam.
Mas, e o humour?
A injustiça não se resolve.
À sombra do mundo errado
murmuraste um protesto tímido.
Mas virão outros.
Tudo somado, devias
precipitar-te, de vez, nas águas.
Estás nu na areia, no vento...
Dorme, meu filho.
LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 5 Romantismo no Brasil: as gerações poéticas380
Analise as seguintes armações a partir dos poemas:
I. Embora Casimiro de Abreu integre o período lite-
rário romântico, e Carlos Drummond de Andrade,
o modernismo, ambos os poemas abordam a pas-
sagem do tempo e a ideia de perda de momentos
da vida humana: infância e juventude.
II. No primeiro poema, o eu lírico apresenta a infância
com certo escapismo, fugindo, assim, do momento
presente, o qual é resgatado no último verso.
III. Identifica-se que, em ambos os poemas, o eu lí-
rico mostra-se pesaroso e inconformado com a
passagem do tempo e da vida.
Quais estão corretas?
A Apenas I.
b Apenas III.
 Apenas I e II.
 Apenas II e III.
E I, II e III.
23 PUC-Rio 2015
A amizade
Já farto da vida, dos anos na flor,
O peito me rala pungente saudade;
Traído nas crenças, traído no amor,
Meu canto recebe, celeste amizade.
Poeta e amante, eu um mundo sonhei
Repleto de gozos, um mundo ideal,
Quando terna outrora a mulher que eu amei
A mim me jurara ser sempre leal.
Ó tu, meu amigo, permite que um pouco
A fronte recline num peito de irmão;
Enxuga, se podes, o pranto do louco,
Que em paga de afetos só teve a traição!
Em tempos felizes, num dia formoso,
Na relva sentados, bem juntos, unidos,
No peito encostado seu rosto mimoso,
A ingrata me dava sorrisos… fingidos!
Ai! crente, eu beijava seus lábios corados
Com beijos ardentes, com beijos de amor,
E Laura jurava que, quando apartados,
Viver não queria, morreria de dor!
Partir foi preciso… abracei-a chorando…
E Laura chorou!… eu de dor solucei…
Mas tempos depois que, contente voltando...
Julgava beijá-la, já não a encontrei!
Mulher enganosa, quebraste essas juras
Que em prantos me deste diante de Deus!
Mas tu não te lembras que as faces impuras,
Que os lábios corados roçaram os meus?!
Poeta e amante, eu um mundo sonhei
Repleto de gozos, um mundo ideal…
Fugiram os sonhos que eu tanto afaguei,
Como flor tombada por um vendaval.
Errante vagando por vales sombrios
Co’a mente em delírio, em cruel ansiedade;
A morte buscando nas águas dos rios,
Me disse uma voz: – Inda resta a amizade!
« Esquece esse fogo, esse amor, um delírio
« Que aqui te cavava profundo jazigo;
« Ao mundo de novo, termina o martírio,
« A fronte reclina num peito de amigo.»
– Ao mundo voltei, esqueci os amores
No peito apagando uma forte paixão;
Agora a amizade mitiga-me as dores,
Sê tu meu amigo, serei teu irmão!
Agosto, 1853.
ABREU, Casimiro de. Disponível em: https://archive.org/details/
obrascompletasd00abregoog. Acesso em: 10 set. 2014
a) Há no poema de Casimiro de Abreu a exaltação
da amizade como um sentimento de compreen-
são, acolhida e apoio. Comente com suas próprias
palavras os motivos que levaram o eu poético a
valorizar a amizade como um contraponto à triste-
za, à solidão e ao delírio.
) Determine o gênero literário predominante no texto,
associando-o às características do estilo de época
do qual Casimiro de Abreu foi um dos expoentes.
24 Enem O trecho a seguir é parte do poema “Mocidade
e morte”, do poeta romântico Castro Alves:
Oh! eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh’alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n’amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
–– Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.
Mas uma voz responde-me sombria:
Terás o sono sob a lájea fria.
ALVES, Castro. Os melhores poemas de Castro Alves.
Seleção de Lêdo Ivo. São Paulo: Global, 1983.
Esse poema, como o próprio título sugere, aborda o
inconformismo do poeta com a antevisão da morte
prematura, ainda na juventude. A imagem da morte
aparece na palavra
A embalsama.
b infinito.
 amplidão.
 dormir.
E sono.
25 PUC-Campinas 2016 Há no Romantismo nacional umaex-
pressão evidente do culto da nacionalidade, o qual, tomado
num sentido mais amplo, se manifesta também em lutas pela
afirmação da liberdade política e determina a exaltação de
valores e tradições. Esse sentimento é tomado também nos
seus aspectos sociais, sob o apanágio dos direitos do homem
livre, razão de ser do movimento abolicionista e matéria
para o romance, para o teatro e para a poesia da época.
(Adaptado de: CANDIDO, Antonio e CASTELLO, José Aderaldo.
Presença da Literatura Brasileira I. Das origens ao Romantismo.
São Paulo: DIFEL, 1974, p. 207-208)
Deve-se depreender do texto que, no século XIX,
A há uma relação de causa e efeito entre a eclosão
do movimento abolicionista e a do indianismo.
b a poesia abolicionista de um Castro Alves integra a
valorização que então se empresta à luta pelos di-
reitos humanos.
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 a riqueza do teatro, da ficção e da poesia da época é
integralmente devedora do sentimento nacionalista.
 é a retomada de valores e tradições do século an-
terior que dá base às conquistas do Romantismo.
E os ideais abolicionistas foram decisivos para a es-
tabilização dos gêneros da poesia, do teatro e da
ficção no Brasil.
26 Uepa
Mãe Penitente
Ouve-me, pois!... Eu fui uma perdida;
Foi este o meu destino, a minha sorte...
Por esse crime é que hoje perco a vida,
Mas dele em breve há de salvar-me a morte!
E minh’alma, bem vês, que não se irrita,
Antes bendiz estes mandões ferozes.
Eu seria talvez por ti maldita,
Filho! sem o batismo dos algozes!
Porque eu pequei... e do pecado escuro
Tu foste o fruto cândido, inocente,
— Borboleta, que sai do — lodo impuro...
— Rosa, que sai de — pútrida semente!
Filho! Bem vês... fiz o maior dos crimes
— Criei um ente para a dor e a fome!
Do teu berço escrevi nos brancos vimes
O nome de bastardo — impuro nome.
Por isso agora tua mãe te implora
E a teus pés de joelhos se debruça.
Perdoa à triste — que de angústia chora,
Perdoa à mártir — que de dor soluça!
[...]
(www.dominiopublico.gov.br-acessado em 07/10/2011)
A fala do sujeito poético exprime uma das formas da
violência simbólica denunciada por Castro Alves. No
poema, mais do que os maus-tratos sofridos sica-
mente, é denunciada a consequência:
A da humilhação imposta pelos algozes que torturam
a mulher chicoteando-a.
b da subordinação da mulher negra que serve aos
desejos sexuais do senhor de engenho.
 do erotismo livre que leva a mulher a realizar seus
desejos sem pensar em consequências.
 do excesso de religiosidade que leva a mulher ne-
gra a uma confissão de culpa.
E da tortura psicológica que obriga a mãe a abando-
nar o filho.
27 PUC-Campinas 2018 Além de Castro Alves, que se des-
tacou no período romântico
A por seu lirismo confessional de tímido, o poeta Ca-
simiro de Abreu marcou presença por sua poesia
épica de alto teor combativo.
b por um estilo que já foi identificado como bucólico,
o talento de Álvares de Azevedo foi responsável
pela renovação da forma do romance no Brasil.
 pelas teses libertárias de sua poesia condoreira,
avulta a figura de Gonçalves Dias, como um poeta
altamente representativo das tendências indianistas.
 pela força de seu teatro trágico de moldes clássicos,
há que se destacar a obra de Machado de Assis, em
que é insuperável o idealismo de cunho nacionalista.
E pela qualidade de sua poesia voltada para o coti-
diano, é preciso destacar a força com que Tomás
Antonio Gonzaga empolgou as ideias republicanas
ao final do século XIX.
28 PUC-Campinas 2018 Atente para este fragmento do
poeta romântico Gonçalves de Magalhães, no prefá-
cio à sua obra Suspiros poéticos e saudades:
É um livro de poesias escritas segundo as impressões
dos lugares; ora assentado entre as ruínas da antiga Roma,
meditando sobre a sorte dos impérios; ora no cimo dos
Alpes, a imaginação vagando no infinito; ora na gótica
catedral, admirando a grandeza de Deus; (...) ora, enfim,
refletindo sobre a sorte da Pátria, sobre as paixões dos
homens, sobre o nada da vida.
Nesse fragmento incluem-se convicções românticas
quanto à importância
A da religiosidade pagã e do realismo nas análises
da sociedade.
b do progresso material e da evolução da ciência.
 dos valores nacionalistas e da fé cristã.
 do repúdio à barbárie e do otimismo da civilização
ocidental.
E da renúncia ao misticismo e do apego ao cotidiano.
29 PUC-Campinas 2018 Os poetas do nosso Romantismo
atestam diferentes estações do nosso nacionalismo e das
ideias, dominantes ou libertárias, que vicejaram ao longo
do século XIX. Há em Gonçalves Dias uma exaltação do
índio, que não hesitou em dotar de algumas virtudes aris-
tocráticas caprichosamente combinadas com as da vida
natural; há em Castro Alves o voo de condor para ideais
humanistas, em combate aos horrores da escravidão.
Mesmo o lirismo intimista de um Álvares de Azevedo
não deixa de ecoar algo dos mestres europeus que, como
Byron ou Victor Hugo, ampliam os contornos da vida
subjetiva para que ela venha a ocupar o centro de um
palco público, interpretando sentimentos e aspirações
da época.
(DOMIGUES, Alaor, inédito)
Do quadro apresentado nesse texto, depreende-se
que nossa poesia romântica:
A não apenas mostrou sua independência em relação
aos modelos europeus como, de fato, chegou a su-
perá-los.
b manifestou-se qual um painel de temas, estilos e
ideias capazes de representar variadas gamas do
Romantismo.
 direcionou-se sobretudo para o fortalecimento do nos-
so desejo de emancipação do domínio estrangeiro.
 aferrou-se aos domínios da subjetividade, deixando
em segundo plano os ideais propriamente históricos.
E os temas libertários universais foram abraçados sem
que neles se divisasse a presença de qualquer in-
flexão local.

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