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FR EN TE Ú N IC A 157 Quer saber mais? Livro y MÁRQUEZ, Gabriel García. Relato de um náufrago. Trad. de Remy Gorga Filho. Rio de Janeiro: Record, 1997. Mistura de relato real e ficção, pois García Márquez, jornalista além de escritor de romances, foi procurado pelo citado náufrago para narrar a trágica aventura em que perdeu alguns companheiros ma- rinheiros. Filme y Carandiru. Direção: Hector Babenco. Esse é um bom exemplo para usufruir o texto narrativo a partir do entrelaçamento de dois gêneros: o próprio filme, aqui indicado, e o livro do escritor Drauzio Varela no qual o diretor baseou sua obra. Teatro y GOMES, Dias. O pagador de promessas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2006. Esse texto discute a religiosidade brasileira sob dois aspectos: a visão do povo, abrangente a ponto de julgar todos os animais me- recedores do sacramento do batismo, em contraste com a posição intransigente de alguns membros da Igreja. Foi a base para o roteiro de filme de mesmo nome, única obra brasileira até hoje a ganhar a palma de Ouro do Festival de Cannes (1962, direção de Anselmo Duarte). Jornal/Revista y Carta Capital. Ed. Confiança. y Clóvis Rossi, colunista da Folha de S.Paulo. Entre muitos outros exemplos de periódicos e de colunistas, você poderá observar em suas leituras como se constroem textos argumentativos defendendo uma visão do mundo dos veículos (mais à esquerda, no caso da revista Carta Capital) e progressista, ainda que buscando certa neutralidade, no trabalho do falecido cronista Clóvis Rossi. 1 Unicamp Em setembro de 2003, uma universidade brasileira veiculou um convite-propaganda para a pa- lestra “Desenvolvimento da saúde e seus principais problemas”, que seria proferida por José Serra, ex- -Ministro da Saúde. Do convite-propaganda fazia par- te uma foto de José Serra sobre a qual foi colocada uma tarja branca com o seguinte enunciado: A “Universidade X” ADVERTE: ESSA PALESTRA FAZ BEM À SAÚDE a) Esse enunciado faz alusão a um outro. Qual? b) Compare os dois enunciados. c) O convite-propaganda situa a “Universidade X” em um lugar de autoridade. Explique como isso acontece. O texto a seguir refere-se às questões 2 e 3. Auto da Lusitânia Entra Todo o Mundo, homem como rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que se lhe perdeu; e logo após ele um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém, e diz: – Que andas tu aí buscando? Todo o Mundo: – Mil cousas ando a buscar: delas não posso achar, porém ando perfiando, por quão bom é perfiar. Ninguém: – Como hás nome, cavaleiro? Todo o Mundo: – Eu hei nome Todo o Mundo, e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro, e sempre nisto me fundo. Ninguém: – E eu hei nome Ninguém, e busco a consciência. (Berzebu para Dinato) – Esta é boa experiência! Dinato, escreve isto bem. Dinato: – Que escreverei, companheiro? Berzebu: – Que Ninguém busca consciência e Todo o Mundo dinheiro. (Ninguém para Todo o Mundo) – E agora que buscas lá? Todo o Mundo: – Busco honra muito grande. Ninguém: – E eu virtude, com que Deus mande que tope com ela já. Exercícios complementares PV_2021_LU_ITX_FU_CAP6_LA.INDD / 15-09-2020 (21:44) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL INTERPRETAÇÃO DE TEXTO Capítulo 6 Texto, ideologia e argumentação 158 (Berzebu para Dinato) – Outra adição nos acude: escreve aí, a fundo, que busca honra Todo o Mundo, e Ninguém busca virtude. Ninguém: – Buscas outro mor bem qu’esse? Todo o Mundo: – Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fizesse. Ninguém: – E eu quem me repreendesse em cada cousa que errasse. (Berzebu para Dinato) – Escreve mais. Dinato: – Que tens sabido? Berzebu: – Que quer em extremo grado Todo o Mundo ser louvado, e Ninguém ser repreendido. [...] (Todo o Mundo para Ninguém) – E mais queria o paraíso, sem mo ninguém estorvar. Ninguém: – E eu ponho-me a pagar quanto devo para isso. (Berzebu para Dinato) – Escreve com muito aviso. Dinato: – Que escreverei? Berzebu: – Escreve que Todo o Mundo quer paraíso, e Ninguém paga o que deve.[...] Gil Vicente. Teatro de Gil Vicente. Lisboa: Portugália, 1959. 2 Vunesp Na cena da farsa Auto da Lusitânia atuam os personagens Todo o Mundo e Ninguém, e, intercalada- mente, Berzebu e Dinato. Os diálogos entre estes dois últimos estabelecem uma ambiguidade semântica com respeito aos dois primeiros. Releia o texto e responda: a) qual personagem se responsabiliza diretamente por promover a ambiguidade? b) explique a ambiguidade que adquirem os nomes Todo o Mundo e Ninguém. 3 Vunesp Gil Vicente (1465?-1540?), na rubrica de seu texto, ao introduzir em cena os personagens Todo o Mundo e Ninguém, indica-os dissimulados por suas aparências. Isto implica considerar que podem não ser o que parecem. Tendo em vista que a farsa é uma peça cômica irreverente, com elementos da comédia de costumes, e fazendo uso dos equívocos e dos en- ganos, releia o texto e, a seguir: a) aponte e classifique gramaticalmente o vocábulo que, empregado duas vezes na indicação inicial de como deve ser executada a cena (rubrica), per- mite inferir que as aparências de Todo o Mundo e Ninguém são dissimuladas. b) demonstre, com base no texto, uma característica farsesca do Auto da Lusitânia. Leia este trecho do texto Censura-violência (1979), de Antonio Candido (1918-2017). Violência física e violência mental são na verdade violência social, como fica mais evidente neste fim de século especialmente bruto. Ela é fruto da desigualdade econômica, que requer força para se manter, porque sem força a igualdade se imporia como solução melhor, que na verdade é. Hoje, é espantoso ouvir e ler os pronuncia- mentos das autoridades de todos os níveis, que falam com veemência crescente que a miséria do povo é intolerável, que a concentração da riqueza deve ser mitigada, que a pobreza é um mal a ser urgentemente superado – não raro com estatísticas demonstrativas. É espantoso, porque até pouco tempo tais afirmações eram consideradas coisa de subversivos; e é espantoso porque isso é dito, mas quem diz faz tudo para que as coisas fiquem como estão, e para que os que querem mudar sejam devidamente enquadra- dos pela força. Não há dúvida de que a censura funciona como retificação, como dolorosa ortopedia feita para lem- brar aos incautos a obrigação de não passar da demagogia à luta real pela democracia. A ideia, a palavra, a imagem podem ser instrumentos perigosos aos olhos dos que de- sejam apenas escamotear, operando conscientemente no plano da ideologia para abafar a verdade. Censura, portan- to, e censura como arma para formar com outras o arsenal de manutenção da desigualdade – econômica, política, social. Por isso, mais em nosso tempo do que em outros, nos quais eram menos variados e atuantes os meios de expressão, devemos estar cada vez mais preparados para lutar contra a violência dentro da qual vivemos em todos os níveis. Inclusive a da censura. 4 UFRGS 2019 Considere as seguintes afirmações sobre o trecho acima. I. O autor defende que a censura é uma forma de violência a serviço da manutenção da desigualda- de econômica, política e social. II. O autor elogia as iniciativas de governo que têm verdadeiramente contribuído para a extinção da pobreza. III. O autor convoca o leitor a combater todas as for- mas de violência. Quais estão corretas? PV_2021_LU_ITX_FU_CAP6_LA.INDD / 15-09-2020 (12:20) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL PV_2021_LU_ITX_FU_CAP6_LA.INDD / 15-09-2020 (12:20) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL FR EN TE Ú N IC A 159 A Apenas I. b Apenas II. c Apenas III. D Apenas I e III. E I, II e III. Texto 1 Disponível em: http://www.colunistas.com.br/anos/pc2013/nn/exterior/ MOTA-violencia_contra_a_mulher-1.jpg. Acesso em: 30 mar. 2019. 5 UFSC 2019 De acordo com o Texto 1 e com a variedade padrão da língua escrita, é correto afirmar que: 01 o anúncio estabelece intertextualidade com a lei que cria mecanismos para coibir a violência do- méstica e familiar contra a mulher.02 a frase “Homem que bate em mulher, Penha nele” tem como predicativo “Penha nele”. 04 o anúncio foi criado pela Bandeirantes Mídia Exterior para divulgar a Lei Maria da Penha fora do Brasil. 08 o vocábulo “que” funciona como pronome relativo, antecipando o substantivo “mulher”. 16 o vocábulo “nele” estabelece relação entre ora- ções e retoma o antecedente “homem”. 32 na frase “Homem que bate em mulher, Penha nele”, tem-se o emprego de uma variante coloquial da língua portuguesa como estratégia da linguagem publicitária para estabelecer um diálogo direto com o público-alvo do anúncio. Soma: 6 Unicamp 2020 O dicionarista e historiador Nei Lopes, autor do Dicionário banto do Brasil, afirmou, em entre- vista à Revista Fapesp: Resolvi elaborar um dicionário para identificar os vo- cábulos da língua portuguesa com origem no universo dos povos bantos, denominação que engloba centenas de lín- guas e dialetos africanos. Palavras como babá, baia, banda, caçapa, cachimbo, dengo, farofa, fofoca e minhoca, por exemplo, têm origem provável ou comprovada em línguas bantas e o quimbundo pode ter sido o idioma que mais contribuiu à formação de nosso vocabulário. Ao constatar tal quantidade de palavras originárias de idiomas bantos que circulam pelo país, quis comprovar a importância dessas culturas para o contexto nacional. Assim, escrever dicioná- rios, para mim, também é uma tarefa política. Percebi que dicionários funcionam como um meio didático eficaz para disseminar conhecimento. Os currículos costumam começar a abordagem sobre a África a partir da escravidão, partindo do princípio de que os nossos ancestrais foram todos escravos. Nos ensinamen- tos sobre o assunto, é preciso descolonizar o pensamento brasileiro, deixando evidente como os grandes centros euro- peus espoliaram o continente e que, hoje, a realidade africana é fruto dessas ações. (Adaptado de Nei Lopes, O dicionário heterodoxo. Entrevista concedida a Cristina Queiroz. Revista Fapesp. Edição 275, jan. 2019. Disponível em http://revistapesquisa.fapesp.br/ 2019/01/10/nei-braz-lopes-o-dicionarista- heterodoxo/. Acessado em 23/08/2019.) a) Explique, com base em dois argumentos presentes no texto, por que, para o autor, escrever dicionários é uma tarefa política. b) Que crítica o autor faz aos currículos escolares e que abordagem propõe para o assunto? Texto para a questão 7. Raposa na pele de cordeiro Os golfinhos sempre tiveram uma das mais agradáveis imagens do mundo animal. Dóceis e úteis, permeiam a litera- tura infantil com gestos dignos do melhor samaritano. Flipper que o diga. Bom, descobriu-se que a coisa não é bem assim. Seguindo um rastro de evidências perturbadoras, cientistas de vários países, que vêm estudando com mais cautela o comportamento desses mamíferos, chegaram a uma triste conclusão: os golfinhos estão longe de ser aquelas criaturas felizes e pacíficas. Foram observadas práticas de infanticídio – golfinhos adultos matando filhotes – e morte em série de outros mamíferos aquáticos. Em locais tão distantes entre si quanto a costa americana e a da Irlanda, os golfinhos usam seu bico pontudo e dentado como clavas para bater e retalhar suas presas. Mas, diferentemente de outros animais carní- voros, eles não comem um pedaço sequer de suas vítimas. Como a espécie é muito social com humanos, teme-se que essa violência possa se repetir em parques aquáticos ou ci- dades costeiras onde há muita proximidade com golfinhos. IstoÉ, 1.554, 14 jul. 1999. 7 Unicamp a) Suponha que alguém não saiba nada sobre golfi- nhos. Como os classificaria, do ponto de vista da Zoologia, com base em informações fornecidas pelo texto? b) Qual o receio expresso na última frase do texto, e o que o justifica? c) Nas fábulas, o inimigo do cordeiro não é a rapo- sa. Tendo isso em conta, qual deveria ser o título deste texto? 8 Fuvest 2020 Adaptados a esse idioma que se transforma conforme a plataforma, os memes e textões dominaram a rotina desta década como modos de a gente rir, repercutir notícias, dividir descontentamentos, colocar o dedo em feridas, relatar injustiças e até se informar. Entraram logo no vocabulário para além da internet: "virar meme", "dar textão". Suas características também interferiram no jeito de compreender o mundo e expressar o que acontece à nossa volta. Viktor Chagas, professor e pesquisador da Universidade Federal Fluminense (UFF), os vê como ma- nifestações culturais de grande relevância para entender o período e, também, como "extravasadores de afetos”. PV_2021_LU_ITX_FU_CAP6_LA.INDD / 15-09-2020 (12:20) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL PV_2021_LU_ITX_FU_CAP6_LA.INDD / 15-09-2020 (12:20) / VIVIAN.SANTOS / PROVA FINAL